[Restaurado] Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Abertura de “Le Nozze di Figaro” – Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para piano e orquestra em Dó maior, Op. 15 – Maurice Ravel (1875-1937): Rapsodie Espagnole – Pavane pour une Infante Défunte – Alborada del Gracioso – Boléro – Argerich – Barenboim #BTHVN250

Vocês me permitem só mais uma gravação de Martha tocando o concerto em Dó maior de Ludwig?

Só mais uminha?

Pois bem: ela é a minha favorita, a mais brilhante, fluida e à vontade que ela já fez dessa obra que toca quase desde a mórula. O ambiente certamente ajuda: o magnífico Teatro Colón, onde ela estreou há mais de setenta anos, em sua Buenos Aires natal, na qual passa uma aclamada temporada por ano e é merecidamente tratada como divindade terrena. A companhia, seguramente também: nenhum parceiro artístico a conhece há tanto tempo quanto seu conterrâneo Daniel Barenboim, com o qual formou a mais notória dupla portenha de crianças-prodígio e brincava de esconde-esconde sob os pianos das soirées em que tocaram juntos, antes das carreiras os levarem para distintas plagas e se reencontrarem tantas vezes pelo mundo. Daniel é extremamente reverente a Martha, e isso fica claro nessa interpretação do concerto: a solista parece tocar com total liberdade, e o regente a segue impecavelmente. O restante da gravação, feita ao vivo, traz a abertura de “As Bodas de Fígaro”, aquele clássico pontapé inicial dos concertos em matinês, e uma seleção considerável da obra de Maurice Ravel para seu instrumento favorito, a orquestra sinfônica. Barenboim e sua West-Eastern Divan estão tão confortáveis nesse repertório que lhes sobra energia para um extenso bis, com uma das suítes de excertos orquestrais da “Carmen” de Bizet e um tango de Mariano Mores – Martha, mantendo seu costume, dá um rápido bis com Schumann antes de sumir para as coxias para mais um de seus compulsórios cigarrillos. Apesar da sempre tussígena e algo alvoroçada plateia do Colón, a gravação do selo Peral (“Pereira” em espanhol, que é “Birnbaum” em alemão e “Barenboim” em iídiche) consegue captar bem o que deve ter sido uma noite e tanto naquela banda do rio da Prata.

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Le Nozze di Figaro, K. 491
01 – Abertura

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto em Dó maior para piano e orquestra, Op. 15
02 – Allegro con brio
03 – Largo
04 – Rondo. Allegro scherzando

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Fantasiestücke, Op. 12
05 – No. 7: Traumes-Wirren

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Rapsodie Espagnole, M. 54
06 – Prélude à la Nuit
07 – Malagueña
08 – Habanera
09 – Feria

Alborada del Gracioso, M. 43
10 – Assez vif

Pavane pour une Infante Défunte, M. 19
11 – Assez doux, mais avec d’une sonorité large

Boléro, M. 81
12 – Tempo di bolero moderato assai

Alexandre César Léopold (Georges) BIZET (1838-1875)

Suíte no. 1 da ópera “Carmen”
13 – Aragonaise
14 – Intermezzo
15 – Les Dragons d’Alcalà
16 – Les Toréadors

Mariano Alberto Martínez, dito MARIANO MORES (1918-2016)
17 – El Firulete, tango

Martha Argerich, piano
West-Eastern Divan Orchestra
Daniel Barenboim, regência

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Sete décadas de parceria ❤️

Vassily

[restaurado por Vassily em 5/6/2021, em homenagem aos oitenta anos da Rainha!]

[Restaurado] BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 18 – Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Divertimento, K. 136 (excerto) – Edvard Grieg (1843-1907) – Suíte Holberg, Op. 40 – Argerich – Ozawa


Os dois primeiros concertos de Beethoven são uma especialidade de Marthinha, e sua última gravação do Op. 19 com Ozawa é fresquíssima, feita em 2019 e lançada no mês passado. Não era uma obra de que o compositor gostasse muito, tanto que o mencionava com ironias em sua correspondência e o retrabalhou várias vezes desde que o estreou em Praga, acabando enfim por dar-lhe um finale completamente novo (o antigo, ao que tudo indica, é o rondó na mesma tonalidade de Si bemol maior, WoO 6, completado por Czerny). Como já mencionamos ontem, apesar de ser chamado de “concerto no. 2”, ele foi a quarta obra do gênero que Beethoven escreveu, depois de dois trabalhos incompletos de juventude e do concerto Op. 15, que publicamos ontem. Martha Argerich, no entanto, o conhece tão bem e o devora com tanto apetite que torna a obra, bem meia-boca para os padrões beethovenianos, um deleite de se escutar. À chuva de estrume que caiu sobre a Decca por conta da capa anterior de Argerich/Ozawa, acusando-a do suposto crime de mostrar dois intérpretes idosos livres de Photoshop, a dupla deu a melhor resposta possível, empenhando seus mais de cento e sessenta anos de experiência numa interpretação rápida, lépida, faceiríssima. Martha, particularmente, está em chamas, e Seiji não a deixa escapar.

Completam o disco um excerto dum divertimento de Mozart e uma linda “Holberg” de Grieg, a obra que me é o mais próximo que conheço duma panaceia instantânea para a melancolia. Ainda que não tenha se tornado meu registro favorito, há nele uma espontaneidade que me deixou, desde a primeira audição, com muita vontade de voltar.

Essa postagem vem com um agradecimento ao colega FDP Bach, que me conseguiu a gravação e que tanto contribui para o blog, desde que dele eu era um leitor-ouvinte. Ela também é um desagravo a este dedicado melômano, detentor de enorme acervo fonográfico, ante os ataques injustificáveis que recebeu de um leitor-ouvinte ingrato e grosseiramente mal educado. Recebemos de muito bom grado as críticas e contamos com nossos leitores-ouvintes para fazer as necessárias correções a nossos lapsos. Nós próprios nos criticamos e corrigimos muito em nossa comunicação privada, sem nunca perdermos o respeito por nossas preferências diferentes, que asseguram a diversidade do blog. Isso não autoriza qualquer um de nós a faltar com o respeito com os outros, sejam autores, sejam leitores-ouvintes. Não somos balde para despejarem recalques, nem bidê para lavar-lhes a prepotência. O último infeliz que tentou tomou uma tunda dos comentaristas e espero que tenha sumido para sempre. Não seja o próximo, por favor.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto para piano e orquestra em Si bemol maior, Op. 19
(cadências de Beethoven)
Composto em 1787-1789, revisado em 1795
Publicado em 1801
Dedicado a Carl Nicklas von Nickelsberg

1 – Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondo: Molto allegro

Martha Argerich, piano
Mito Chamber Orchestra
Seiji Ozawa, regência

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Divertimento em Ré maior, K. 136

4 – Allegro

Edvard Hagerup GRIEG (1843-1907)

Fra Holbergs tid (“Dos Tempos de Holberg”) – Suíte no Estilo Antigo, Op. 40

5 – Praeludium – Allegro vivace
6 – Sarabande – Andante
7 – Gavotte – Allegretto
8 – Air – Andante religioso
9 – Rigaudon – Allegro con brio

Mito Chamber Orchestra
Seiji Ozawa, regência

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Para quem gostou da parceria Martha/Seiji, ei-los combinando forças com a orquestra do Festival Saito Kinen [grato, Isaac!] para uma vibrante Fantasia Coral de Beethoven – com direito a uma participação da diva Nathalie Stutzmann, facilmente encontradiça, como imensa amazona que é, no meio dos demais cantores. Martha é idolatrada no Japão – talvez o epicentro marthômano no mundo – e ela retribui generosamente, com visitas frequentes, colaboração com artistas japoneses e com a participação no primeiro festival a levar seu nome, na estância termal de Beppu.

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

[restaurado por Vassily em 5/6/2021, em homenagem aos oitenta anos da Rainha!]

[Restaurado] BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano e orquestra em Dó maior, Op. 15 – Sinfonia no. 1 em Dó maior, Op. 21 – Argerich – Ozawa

Mais uma babada nossa? Sim, inda outra: postamos os dois primeiros concertos de Lud Van com a deusa Martha e Giuseppe Sinopoli, sem percebermos que FDP Bach já os tinha publicado antes. Enquanto pagamos nossas impublicáveis penitências, tento me redimir em duas prestações, com novíssimas gravações da nossa rainha na companhia de seu amigo e colaborador de longuíssima data, Seiji Ozawa.

Enfim, concertos para piano – e Ludwig deve ter pensado o mesmo quando publicou seus dois primeiros, em 1801. Ele já os vinha tocando havia algum tempo em seu afã de consolidar-se em Viena como um compositor-virtuose, seguindo a vereda do jovem Mozart, cujos extraordinários concertos para piano pairavam, intimidadores, sobre qualquer desgraçado que se aventurasse pelo gênero. Era fundamental que um postulante ao panteão do teclado tivesse seus cavalos de batalha, e por isso Lud Van pariu cuidadosamente os seus, após longa e insegura gestação. Percebam que eu não os numero no título, enquanto lhes explico: além de nenhum deles ter sido o primeiro concerto escrito por Beethoven – distinção que cabe a um concerto em Mi bemol (WoO 4), composto ainda na adolescência e do qual restou apenas a parte para piano -, o primeiro a ser publicado foi o segundo a ser estreado, e vice-versa. Assim, o concerto Op. 15, composto em 1795, foi estreado nove meses depois do Op. 19, que marcou a estreia pública de Beethoven como pianista em Viena e já vinha sendo esboçado desde os tempos de Bonn. Embora baseiem-se firmemente em modelos de Haydn e Mozart, há amplos toques beethovenianos nas modulações inesperadas e mudanças bruscas de humor, e na escrita pianística, tão brilhante quanto a que se esperaria duma obra composta para pavonear sua capacidade ao teclado. O compositor legou-nos suas próprias cadências para as obras, que são as utilizadas na presente gravação e nos dão um sabor de seu talento improvisatório – que, junto com a prestidigitação pianística, era o que mais incensava a fama do rapaz antes de se firmar como compositor.

Cada vez que escuto Martha Argerich tocar esses concertos, fico pensando o quanto o Beethoven garotão não se reconheceria temperamento artístico sanguíneo e nas execuções exuberantes da deusa portenha do piano. Suas interpretações lideram minha preferência, ainda que reconheça suas idiossincrasias, e muito embora prefira suas gravações com Abbado, já publicadas aqui. Ela os executa praticamente desde o ovo, como poderão testemunhar pelo vídeo mais abaixo, de modo que não lhe poderiam ser mais naturais. Nessa gravação, feita ao vivo com a orquestra de câmara do centro cultural Art Tower da cidade japonesa de Mito, ela é acompanhada por Seiji Ozawa, um notável regente com um tremendo talento para a sobrevivência: mesmo gravemente doente, ele mantém-se admiravelmente ativo. É incrível a eletricidade que eles trazem para esta gravação, que nada sugere a avançada idade em que graciosamente entram. Ozawa sai-se bem, mas é Marthinha, como sempre, quem vale o download.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sinfonia no. 1 em Dó maior, Op. 21
Composta entre 1795-1800
Publicada em 1801
Dedicada ao barão Gottfried van Zwieten

1 – Adagio molto – Allegro con brio
2 – Andante cantabile con moto
3 – Menuetto: Allegro molto e vivace
4 – Adagio – Allegro molto e vivace

Mito Chamber Orchestra
Seiji Ozawa, regência

Concerto para piano e orquestra em Dó maior, Op. 15
(cadências de Beethoven)
Composto em 1795
Publicado em 1801
Dedicado à princesa Anna Louise Barbara Odescalchi

5 – Allegro con brio
6 – Largo
7 – Rondo. Allegro scherzando

Martha Argerich, piano
Mito Chamber Orchestra
Seiji Ozawa, regência

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


Marthita, nossa deusa, toca estes concertos desde que se conhece por gente: ei-la, aos oito anos, interpretando o concerto no. 1 com Alberto Castellanos.

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

[restaurado por Vassily em 5/6/2021, em homenagem aos oitenta anos da Rainha!]

DESAFIO PQP! –> Beethoven (1770-1827): Concerto para Piano No. 5 – ‘Emperor’ & Fantasia Coral #BTHVN250 ֍

DESAFIO PQP! –> Beethoven (1770-1827): Concerto para Piano No. 5 – ‘Emperor’ & Fantasia Coral  #BTHVN250  ֍

BTHVN

Emperor

Fantasia Coral

The Voice PQP Bach

 

O quanto o conhecimento antecipado do intérprete afeta nossa apreciação de um disco?

Eu sempre considero esta questão, que pode funcionar em dois sentidos. O mais óbvio é o caso no qual idolatramos um artista a ponto de ficarmos insensíveis às suas falhas ou mesmo às suas tentativas menos frutíferas.

Só para ilustrar esta possibilidade, consideremos o caso da gravação do Concerto Tríplice de Beethoven feita pela EMI com a estelar ‘tróica’ Richter-Oistrakh-Rostropovich acompanhados pela Berliner Philharmoniker, regida por Karajan. A história está no livro ‘Maestros, Obras-Primas & Loucura’, do Norman Lebrecht. No dia da gravação, depois dos abraços no início, tudo deu errado. Oistrakh e Richter acharam os andamentos de Karajan muito solenes e mais outras reclamações. Rostropovitch entregou os pontos e passou para o lado do regente. Todo mundo reclamando de todos… A equipe de produção disse que Karajan tinha outros compromissos e queria encerrar as gravações. Quando Richter e Oistrakh solicitaram mais uma tomada de som, o produtor Peter Andry disse que já tinha material suficiente. O tempo restante na agenda de Karajan era para a foto da capa. Richter, que não tinha papas na língua, disse que a gravação ficou horrível e outras coisas que não repetirei aqui. Apesar de tudo, o disco segue aparecendo em reedições… Eu ouço uma gravação mais antiga (ainda) desta obra, aquela que reúne Lev Oborin, David Oistrakh, Sviatoslav Knushevitzky acompanhados pela Philharmonia Orchestra, regida por Malcolm Sargent e ainda farei uma comparação para tirar minhas próprias conclusões. Seria o disco assim, um fiasco, ou seria implicância do Lebrecht?

Alguém errou…

O outro sentido da questão ocorre quando há pré-julgamento e temos a situação: não ouvi e não gostei! Eu certamente tenho destas coisas e, recentemente, acabei dando a mão à palmatória. Não tenho grande estima pelo maestro americano Lorin Maazel. Além do disco no qual ele acompanha o Gidon Kraemer tocando o Concerto para Violino de Tchaikovsky, com a famosa capa em que o solista parece estar dizendo – Não fui eu! – pouco ouvi do maestro. Pois é, tenho seguido a vida sem ouvir discos outros com o Maazel. Então, dia destes ouvi a Oitava Sinfonia do grande Anton Bruckner em uma gravação EMI-Berliner Philharmoniker-Lorin Maazel. Não é que foi uma grata surpresa?

Assim, decidi fazer esta postagem de um repertório super conhecido, mas sem os nomes dos artistas… Uma proposta de audição às cegas, um blind listening test!

Justiça?

Claro, a questão dos créditos aos artistas envolvidos, tanto para receber os louros e loas, como para levar as tomatadas e apimentadas críticas, se apresenta imediatamente. Após vários tratos a bola, achei que a melhor solução será a de apresentar assim a postagem, sem os nomes, mas a mesma será reeditada, quarenta dias desde sua publicação – uma quarentena! – para que os nomes dos ilustres artistas sejam então claramente nomeados e que seja dado a cada um, segundo o seu talento, o seu devido quinhão.

Espero que você, leitor assíduo e atento de nosso ilustre blog, participe da brincadeira, ouvindo atentamente e anotando as suas impressões. Posteriormente, quando as identidades dos mascarados artistas forem reveladas, que você leia as suas impressões e descubra se elas poderiam ter sido influenciadas pelo prévio conhecimento.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Concerto para piano e orquestra No. 5 em mi bemol maior, Op. 73 – ‘Emperor’

  1. Allegro
  2. Adagio um poco mosso & III. Rondo

Fantasia para piano, solistas, coro e orquestra, Op. 80 – ‘Fantasia Coral’

  1. Fantasia Coral

Solução do Desafio:

Boris Berezovsky, piano

Swedish Chmber Orchestra Örebro

DR Vocal Ensemble and Choir

Thomas Dausgaard

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 229 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 192 MB

Sente-se, ouça a música e, se aprovar, vire a cadeira!!!

Seja você o jurado… E aí, vai ou não virar a cadeira do The Voice PQP?

Aproveite e depois me conte…

René Denon

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trio para flauta, piano e fagote, WoO 37 – Serenata para flauta, violino e viola, Op. 25 – Graf – Gulli – Giuranna – Thunemann – Canino


Em mais uma babada minha, publiquei dois discos sem saber que, quase doze anos antes, nosso patrono FDP Bach já o tinha feito. O repertório do primeiro, que restaurei lá na postagem original de FDP, é um pot-pourri tão peculiar que não encontrei outra semelhante, de modo que a serenata vem hoje, e a obra para bandolim chegará posteriormente. Quanto ao segundo disco, além de também restaurar o link na postagem original, agi diferentemente e resolvi manter a postagem que escrevi, muito em função à homenagem ao trompista Myron Bloom. Assim, o trio para flauta, piano e fagote vem para cá, e a homenagem a Bloom segue lá.

“Trios para flauta” foi um coelho tirado da cartola para colocar sob o mesmo teto duas obras absolutamente diferentes em estilo, contexto e finalidade, ainda que tenham em comum, além da prima donna de metal, a incrível heterodoxia na escolha de seus acompanhantes.

A obra que abre o disco, escrita para a rara combinação de flauta, piano e fagote, tem um estilo tão escarradamente mozartiano que talvez tenha feito Beethoven escondê-la, depois de achar sua própria voz. Parece que foi escrita para o conde Westerholt-Gysenberg, um fagotista amador cuja filha estudava piano com Ludwig e, como amiúde acontecia, despertara borboletas no estômago do compositor adolescente. É uma obra muito agradável, feita para entreter sem atrair muito a atenção, e não por acaso destinada à flauta, instrumento muito popular entre os nobres, incluindo o filho do conde, de quem Ludwig almejava tornar-se cunhado. Assinada pomposamente por “Louis van Beethoven – organista da corte de Sua Alteza Real o Príncipe Eleitor de Colônia”, ela evoca facilmente um Beethoven garoto, que ainda não completara dezesseis anos, circulando pela despreocupada corte em peruca, chapéu tricorno e casaca, enquanto afundava-se em preocupações com o sustento da família, o alcoolismo do pai, a saúde da mãe, e os horizontes que lhe acenavam de bem longe da provinciana Bonn.

O disco prossegue com a Serenata Op. 25, composta para a ainda mais incomum formação de flauta, violino e viola. Embora ninguém saiba ao certo para quem e em que circunstâncias ela foi escrita, suas melodias cativantes e notável leveza dão a entender que o dedicatário era o próprio bolso do compositor, que talvez precisasse de dinheiro e, por isso, escreveu algo certeiramente popular para surfar na onda de sua crescente notoriedade como compositor. Escrita aos seus vinte e poucos anos em Viena, ela segue o script dos divertimentos de Mozart, com vários movimentos de dança na mesma tonalidade. Ainda que ela não esteja no rol de suas obras mais célebres, é uma composição muito bem acabada que provavelmente fosse do apreço do compositor, que, ao permitir a publicação de um arranjo para flauta e piano, insistiu com o editor, e reinsistiu num tom mesmo ríspido, que frisasse no frontispício que o arranjo era de terceiros, mas o original era seu.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trio em Sol maior para piano, flauta e fagote, WoO 37 (1786)

1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Andante con variazioni

Peter-Lukas Graf, flauta
Klaus Thunemann, fagote
Bruno Canino, piano

Serenata em Ré maior para flauta, violino e viola, Op. 25
Composta em 1801
Publicada em 1802

4 – Entrata – Allegro
5 – Tempo ordinario d’un Menuetto
6 – Allegro molto
7 – Andante con variazioni
8 – Allegro scherzando e vivace
9 – Adagio – Allegro vivace e disinvolto

Peter-Lukas Graf, flauta
Franco Gulli, violino
Bruno Giuranna, viola

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Apesar de escutá-lo há décadas, nunca soube como era a lata de Peter-Lukas Graf. Fui googlear e, como podem ver, não tenho qualquer motivo para me arrepender.

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

ERRATA – BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quinteto para cordas, Op. 29 – Minuetos, WoO 9 – Ländler, WoO 15 – Duos, WoO 32 & 34 – Canon, WoO 35 – Fuga, Op. 137 – Endellion Quartet

Mais uma falha nossa, que corrigimos restaurando a postagem original do FDP Bach e providenciando gravações inéditas no lugar daquelas que ele já tinha publicado.

Publicar uma integral de Beethoven incorreria, mais cedo ou mais tarde, em balaios de gatos como estes que lhes começo a apresentar agora.

Na abertura, o único quinteto para cordas que Ludwig escreveu originalmente para a formação, numa versão mais robusta do que aquela que aqui já publicamos. Em seguida, uma série de duos e trios para cordas, incluindo um (WoO 32, para viola e violoncelo) que tem a curiosa indicação “para dois óculos compulsórios” (“mit zwei obligaten Augengläsern“), talvez uma referência à miopia dos músicos responsáveis por sua estreia, possivelmente o próprio compositor, que tocava viola, e seu amigo Nikolaus von Zmeskall-Domanovetz. O álbum encerra com uma curta fuga para quinteto de cordas que deve o alto número de opus (em verdade, o último das 137 obras publicadas neste rol) ao fato da publicação tardia, e que reflete o vivo interesse do compositor nas formas fugais no final de sua vida.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Quinteto em Dó maior para dois violinos, duas violas e violoncelo, Op. 29
Composto em 1801
Publicado em 1802
Dedicado ao conde Moritz von Fries

1 – Allegro moderato
2 – Adagio molto espressivo
3 – Scherzo: Allegro
4 – Presto

Endellion Quartet:
Andrew Watkinson e Ralph de Souza,
violinos
Garfield Jackson,
viola
David Waterman,
violoncelo
com David Adams, viola

Seis Minuetos para dois violinos e contrabaixo, WoO 9 (1795)
5 – No. 1 em Mi bemol maior
6 – No. 2 em Sol maior
7 – No. 3 em Dó maior
8 – No. 4 em Fá maior
9 – No. 5 em Ré maior
10 – No. 6 em Sol maior

Karl Suske e Klaus Peters,
violinos
Matthias Pfaender,
violoncelo

Seis Ländler para dois violinos e contrabaixo, WoO 15 (1802)
11 – No. 1 em Ré maior
12 – No. 2 em Ré maior
13 – No. 3 em Ré maior
14 – No. 4 em Ré maior
15 – No. 5 em Ré maior
16 – No. 6 em Ré maior

Kammerorchester Berlin
Helmut Koch, regência

Duo em Mi bemol maior para viola e violoncelo, WoO 32, “para dois óculos obbligati” (1796-1797)
17 – Allegro
18 – Allegretto

Zvi Livschitz, viola
Mikayel Hakhnazaryan, violoncelo

Duo em Lá maior para dois violinos, WoO 34 (1822)
19 – Sem indicação de andamento

Canon em Lá maior para dois violinos, WoO 35 (1825)
20 – Sem indicação de andamento

Sofia Kim e Susie Kroh, violinos

Fuga em Ré maior para dois violinos, duas violas e violoncelo, Op. 137 (1817)
21 – Allegretto

Endellion Quartet
David Adams, viola

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Ludwig mit obligaten Augegläsern
#BTHVN250, por René Denon

Vassily

ERRATA – BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trios para violino, viola e violoncelo, Op. 9 – The Leopold Trio

Minha babada de republicar gravações já postadas anteriormente aplicou-se a todos trios para cordas de Beethoven. Assim, e exatamente como fiz ontem, restaurei a gravação do trio Mutter-Giuranna-Rostropovich na postagem original, e refiz minha postagem com a sensacional versão do Leopold Trio para os Op. 9.

Ludwig – sempre o descabelado inquieto em notável evolução! À guisa dos enormes saltos estilísticos entre as sonatas para piano Op. 2 para a “Grande” Op. 7, e aquele, maior ainda, desta para as sonatas Op. 10, quem ouve estes trios do Op. 9 depois das primeiras tentativas de Beethoven no gênero se impressiona com seus progressos. Aqui, num claro ensaio para os quartetos de cordas vindouros, que o fariam abandonar para sempre os trios, há muitos dos gestos que ficariam familiares a nós outros nas décadas seguintes: a elaboração sinfônica de obras para conjuntos de câmara; a criatividade dentro do uso estrito da sonata-forma; a alternância de movimentos cheios de verve com expressivos adagios. Eles são especialmente prevalentes no primeiro trio da trinca, enquanto no terceiro nosso renano favorito esbalda-se em sua tonalidade-assinatura, a de dó menor, trabalhando habilmente a constrição e a angústia por ela inspiradas rumo a um afirmativo final em tonalidade maior. Numa tentativa, talvez, de fazer justiça às suas provavelmente nada queridas memórias como violista na corte de Bonn, Beethoven dá à viola várias passagens elaboradas, deixando-a quase em pé de igualdade com seus parceiros menos molestados por bullying instrumental. E a radiante interpretação do Leopold Trio só nos consegue deixar a viva impressão de que as sessões de gravação devam ter sido pura delícia.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Trios para violino, viola e violoncelo, Op. 9

No. 1 em Sol maior
1 – Adagio – Allegro con brio
2 – Adagio ma non tanto and cantabile
3 – Scherzo – Allegro
4 – Presto

No. 2 em Ré maior
5 – Allegretto
6 – Andante quasi allegretto
7 – Menuetto – Allegro
8 – Rondo – Allegro

No. 3 em Dó menor
9 – Allegro con spirito
10 – Adagio con espressione
11 – Scherzo – Allegro molto e vivace
12 – Finale – Presto

The Leopold String Trio
Isabelle van Keulen, 
violino
Lawrence Power, 
viola
Kate Gould, 
violoncelo

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

ERRATA – BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trio para violino, viola e violoncelo, Op. 3 – Serenata, Op. 8 – The Leopold Trio

 

 

Da mesma forma que eu, tolinho, fiz com os quartetos com piano, acabei colocando aqui uma gravação já postada anteriormente pelo colega FDP Bach. Assim, os trios de cordas com Anne-Sophie Mutter, Bruno Giuranna e Slava Rostropovich voltam ao seu lugar de origem, na postagem original, e eu aqui passo a lhes alcançar a linda gravação do Leopold Trio.

O trio de cordas evoluiu da formação inicialmente em voga – dois violinos e violoncelo, no feitio das trio-sonatas – para a de violino, viola e violoncelo por influência de Boccherini e, principalmente, de Haydn, que foi por pouco tempo tutor de Beethoven e, sem dúvidas, o mais influente compositor daquele finalzinho de século XVIII. Outras tantas obras para esta formação mais moderna foram compostas por Johann Albrechtsberger – organista da Stephansdom e autor, entre tantas outras, das mais hilariantes composições jamais postadas neste blog -, com quem Beethoven escolheu ter aulas de contraponto e composição desde que decidira ficar em Viena, pois deixara Bonn em caráter oficialmente temporário, sem ter, no entanto, qualquer intenção séria de voltar.

Com tantas influências próximas, e motivado pelo sucesso das publicações de seus Opp. 1 e 2, que postergara em função da consolidação de sua carreira de virtuose do piano e da busca de pisar com mais firmeza os terrenos da composição, parece natural que tenha escolhido compor e publicar cinco trios para violino, viola e violoncelo em relativamente rápida sucessão. Os dois primeiros, que aqui apresentamos, foram compostos em seis movimentos e são muito semelhantes em forma. Embora somente o segundo tenha sido chamado de “serenata”, ambos apresentam sucessões de movimentos lentos com danças, após um movimento de abertura. O sensacional e infelizmente extinto Leopold Trio faz jus à pujança do garoto renano, com o bônus da habitual qualidade do som da Hyperion. Suas interpretações vigorosas e tecnicamente impecáveis para as peças têm seus melhores momentos nos breves arroubos de inovação que o jovem compositor começa a mostrar em obras ademais bastante convencionais, servindo-nos um bom aperitivo do que será a trinca de trios muito melhor acabados do Op. 9 – que também lhes apresentaremos, com os mesmos intérpretes, dentro em muito breve.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trio em Mi bemol maior para violino, viola e violoncelo, Op. 3
Composto antes de 1794
Publicado em 1796
Dedicado à condessa von Browne

1 – Allegro con brio
2 – Andante
3 – Menuetto: Allegretto
4 – Adagio
5 – Menuetto: Moderato
6 – Finale: Allegro

Serenata em Ré maior para violino, viola e violoncelo, Op. 8
Composto entre 1796-1797
Publicado em 1797

7 – Marcia: Allegro – Adagio
8 – Menuetto: Allegretto
9 – Adagio – Scherzo: Allegro molto – Adagio – Allegro molto – Adagio
10 – Allegretto alla polacca
11 – Andante quasi allegretto – Variation 1 – Variation 2 – Variation 3 – Variation 4  – Allegro – Tempo I
12 – Marcia: Allegro

The Leopold String Trio
Isabelle van Keulen,
violino
Lawrence Power,
viola
Kate Gould,
violoncelo

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Não se enganem pelo retrato borocoxô: o Leopold Trio é pura energia!
#BTHVN250, por René Denon

Vassily

ERRATA – BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Três Quartetos para piano, violino, viola e violoncelo, WoO 36 – Armstrong – Cummings Trio

NOSTRA MAXIMA CVLPA:

Prometêramos somente postagens inéditas no blog para esta série do jubileu de Beethoven. Ainda assim, incautamente postamos o disco de Christoph Eschenbach com integrantes do quarteto Amadeus, um clássico gravado ainda por conta do bicentenário do mestre, em 1970, sem nos darmos conta de que ele já tinha sido postado, em priscas eras, pelo colega FDP Bach. Assim, para mantermos a promessa e promovermos a justiça, nós tanto restauramos a postagem antiga como, também, substituímos a gravação por outra aqui inédita. Nos próximos poucos dias, corrigiremos outros erros semelhantes antes de prosseguirmos com nosso projeto BTHVN250. Perdoem nossas falhas!

Compostos por um Beethoven adolescente, com quinze anos incompletos, estes três quartetos são, juntamente com seu arranjo para o quinteto Op. 16, suas únicas composições originais para o conjunto de piano, violino, viola e violoncelo.

Essa escassa produção, quase toda concentrada na juventude, talvez se explique pela raridade de quartetos com piano compostos até então. Ademais, os dois modelos mais importantes para o jovem Beethoven pouco escreveram para o gênero: Mozart deu ao mundo dois desses quartetos (K. 478 e K. 493), e Haydn ignorou completamente a formação. Mozart, entretanto, inspirou Beethoven não tanto com seus quartetos quanto através de suas sonatas para violino, e tão literalmente que até mesmo alguns temas do quarteto em Dó maior foram emprestados da sonata K. 296 do mestre de Salzburg. Falando em temas emprestados, nossos leitores-ouvintes mais atentos perceberão que material temático do mesmo quarteto foi reaproveitado nas sonatas Op. 2, dedicadas a Haydn. Tal expediente não surpreende, uma vez que esses quartetos nunca foram à prensa durante a vida do compositor. Somente em 1828, enquanto Viena preparava-se para lembrar o primeiro ano de sua morte, a firma de Artaria, com que Beethoven tanto colaborou em seus anos finais, editou os três quartetos numa ordem diversa da de composição, pela qual o quarteto no. 3 foi o primeiro, seguido pelos nos. 1 e 2. Quem aqui os leva a disco são o pianista Anthony Goldstone e o Cummings String Trio, e eles nos mostram que, embora menos prolífico, o moleque de Bonn não fazia feio ante o Mozart espinhudo.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três quartetos para piano, violino, viola e violoncelo, WoO 36
Compostos em 1785
Publicados em 1828

No. 3 em Dó maior
1 – Allegro vivace
2 – Adagio con espressione
3 – Rondo. Allegro

No. 1 em Mi bemol maior
4 – Adagio assai – Attacca: llegro con spirito
5 – Tema. Cantabile – Vars I-VI – Tema. Allegretto

No. 2 em Ré maior
6 – Allegro moderato
7 – Andante con moto
8 – Rondo. Allegro

Anthony Goldstone, piano
Cummings String Trio:
Diana Cummings, violino
Luciano Iorio, viola
Geoffrey Thomas, violoncelo

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Como bônus, ofereço-lhes uma gravação ao vivo de nossa deusa Martha Argerich tocando o quarteto no. 3, acompanhada pelos irmãos Renaud e Gautier Capuçon e por sua filha, a violista Lyda Chen-Argerich (que é praticamente seu xerox orientalizado). Para baixar a gravação, clique aqui.

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival – 2007 #BTHVN250

De acordo com a Wikipedia, Lugano é uma cidade com 65 mil habitantes, localizada no Sul da Suíça, um local paradisíaco, ao lado de um lago absolutamente magnífico.

Foi ali que Martha Argerich organizou por muitos anos um Festival de Música, revelando muitos músicos talentosos, e outros já famosos aproveitaram para desfilarem ainda mais seu talento.

A série começa com o genial Trio para Piano ‘Ghost’ de Beethoven, belamente interpretado por Martha, o Capuçon violinista, Renaud, e Mischa Maisky, que dispensa apresentações. Músicos deste nível tocando juntos, em um lugar como este, com certeza seria o passeio dos sonhos de muita gente.

CD 1:

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Piano Trio in D major “Ghost”, Op. 70,1

Ferruccio Busoni (1866-1924) / Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791):
Fantasie für eine Orgelwalze, arrangement for 2 pianos in F minor (after Mozart, K. 608)

Robert Schumann (1810-1856):
Andante and Variations for 2 pianos in B flat major, Op. 46
Kinderszenen, Op. 15

Martha Argerich – piano
Lilya Zilberstein – piano
Gabriela Montero – piano
Renaud Capuçon – violin
Mischa Maisky – cello

CD 2:

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Piano Quartet No. 2 in D major, WoO 36,2

Maurice Ravel (1875-1937):
Ma mère l’oye, suite for piano 4 hands

Mikhail Glinka (1804-1857):
Grand Sextet for piano, two violins, viola, cello and double-bass

Olivier Messiaen (1908-1992):
Theme and Variations, for violin & piano

Maurice Ravel (1875-1937):
Daphnis et Chloé, suite No. 2 (transcr. 2 pianos Lucien Garban)

Martha Argerich – piano
Alexander Mogilevsky – piano
Karin Lechner – piano
Francesco Piemontesi – piano
Sergio Tiempo – piano
Lucia Hall – violin
Alissa Margulis – violin
Lida Chen – viola
Nora Romanoff-Schwarzberg – viola
Mark Drobinsky – cello
Enrico Fagone – double bass

CD 3:

Béla Bartók (1881-1945):
Violin Sonata No.1 Sz75

Ernő von Dohnányi (1877-1960):
Piano Quintet No.1 in C minor, op.1

Witold Lutosławski (1913-1994):
Variations on a Theme by Paganini for 2 pianos

Martha Argerich – piano
Nicholas Angelich – piano
Mauricio Vallina – piano
Renaud Capuçon – violin
Dora Schwarzerg – violin
Lucia Hall – violin
Nora Romanoff-Schwarzberg – viola
Jorge Bosso – cello

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#SCHMNN210 – Robert Schumann (1810-1856): Dichterliebe, Op. 48 – Ludwig van Beethoven (1770-1827): Lieder – Franz Schubert (1797-1828): Lieder – Wunderlich – Giesen #BTHVN250

Hoje, aniversário de Schumann, nosso bolo de duzentas e dez velinhas vai-lhe na forma duma das mais preciosas gravações de sua obra-prima: os divinos Lieder do Dichterliebe no mais lindo instrumento vocal que a Alemanha já pariu.

Sim, Fritz Wunderlich era tudo isso, e nós outros, seus tietes, ficamos aqui a imaginar o que ele teria sido se tivesse atingido a maturidade artística, e não sucumbido a um acidente doméstico idiota antes de completar 36 anos. Seu Dichterliebe está à altura da elevada poesia de Heine e da música congenial do aniversariante de hoje e, mesmo que eu tenha conhecido a obra através da voz emblemática de Fischer-Dieskau, certamente o maior camerista de todos os tempos, o expressivo tenor de Wunderlich me deu a mais amada gravação deste ciclo que eu tanto amo.

Fica difícil ouvir qualquer outra coisa depois dum Dichterliebe desses, mas a gravação segue com alguns dos melhores Lieder de duas feras. Primeiramente, do herói de nossa saga BTHVN250, vocês escutarão a mesma seleção que vocês já ouviram aqui, mas com um som um pouquinho melhor, com destaque para a maravilhosa Adelaide e para a pérola cômica Der Kuss, uma arieta a narrar a história dum beijo roubado, composta entre os trabalhos das intrincadas Variações Diabelli e da mastodôntica Missa Solemnis. Por fim, uma significativa seleção do mestre maior do gênero, Franz Schubert, que encerra com meu Lied favorito, An die Musik, que aqueles entre vocês que não me odeiam poderão cantar em minha tumba – isso, claro, se eu tiver direito a uma, e se dela não brotar uma flor púrpura a gritar “Adelaide”.

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)

Dichterliebe, ciclo de canções sobre textos do Lyrisches Intermezzo de Das Buch der Lieder de Heinrich Heine, Op. 48

1 – Im wunderschönen Monat Mai
2 – Aus meinen Tränen sprießen
3 – Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne
4 – Wenn ich in deine Augen seh’
5 – Ich will meine Seele tauchen
6 – Im Rhein, im heiligen Strome
7 – Ich grolle nicht
8 – Und wüßten’s die Blumen, die kleinen
9 – Das ist ein Flöten und Geigen
10 – Hör ich das Liedchen klingen
11 – Ein Jüngling liebt ein Mädchen
12 – Am leuchtenden Sommermorgen
13 – Ich hab’ im Traum geweinet
14 – Allnächtlich im Traume
15 – Aus alten Märchen
16 – Die alten, bösen Lieder

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

17 – Zärtliche Liebe, WoO 123
18 – Adelaïde, Op.46
19 – Resignation, WoO 149
20 – Der Kuss, Op.128

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

21  – An Sylvia, Op. 106 No. 4, D. 891
22 – Lied eines Schiffers an die Dioskuren, Op.65, D.360
23 – Liebhaber in allen Gestalten, D.558
24 – Der Einsame, Op.14, D.800
25 – Im Abendrot, D.799
26 – Schwanengesang, D. 957 – Ständchen “Leise flehen meine Lieder”
27 – An die Laute, Op.81, No.2, D. 905
28 – Der Musensohn, Op.92, No.1, D. 764
29 – An die Musik, Op.88, No.4, D.547

Fritz Wunderlich, tenor
Hubert Giesen, piano

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Wie geht’s, Hund?

Vassily

Martha Argerich & Friends – Live in Lugano 2005 #BTHVN250

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POSTAGEM ORIGINALMENTE REALIZADA EM 2017, COM NOVOS LINKS, AINDA EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DA DIVINA MARTHA, QUE ASSOPROU VELINHAS ONTEM, DIA 5 DE JUNHO.

Pensaram que eu tinha esquecido desta coleção, né? Pois olha, até esqueci. Mas lembrei depois de algum tempo.
Nossa Divina Martha continua muito bem acompanhada, para variar.

CD 1

01. Mendelssohn – Piano Trio No. 2 in D, Op.66 I. Allegro Energico
02. II. Andante Espressivo
03. III. Scherzo. Molto Allegro, Quasi Presto
04. IV. Finale. Allegro Appassionato

Nicolas Angelich, Renaud Capuçon, Gautier Capuçon

05. Beethoven – 05. Piano Quartet in C, Wo036 No. 3 I. Allegro Vivace
06. II. Adagio Con Espressione
07. III. Finale. Allegro

Martha Argerich, Renaud Capuçon, Lida Chen, Gautier Capuçon

08. Mozart – Piano Sonata No.16 in C, K545 (Arr. Grieg for 2 Pianos) I. Allegro
09. II. Andante
10. III. Rondo. Allegretto

Martha Argerich, Piotr Anderszewski

CD 2

01. Rachmaninov – Cello Sonata in G, Op.19 I. Lento – Allegro Moderato
02. Cello Sonata in G, Op.19 II. Allegro scherzando
03. Cello Sonata in G, Op.19 III. Andante
04. Cello Sonata in G, Op.19 IV. Allegro mosso

Mischa Maisky, Sergio Tiempo

05. Suite No.2 for two pianos op.17 – I. Introduction
06. Suite No.2 for two pianos op.17 – II. Valse
07. Suite No.2 for two pianos op.17 – III. Romance
08. Suite No.2 for two pianos op.17 – IV. Tarantella

Martha Argerich, Gabriela Montero

09. Danzas andaluzas – I. Ritmo
10. Danzas andaluzas – II. Sentimiento
11. Danzas andaluzas – III. Gracia (El vito)

Karin Lechner, Sergio Tiempo

CD 3

1 – 10 – Brahms – 01. Variations on a Theme of Haydn, for 2 pianos in B flat major

Martha Argerich, Polina Leschenko

11. Brahms – Piano Quintet in F minor, Op. 34a I Allegro non troppo
12. Piano Quintet in F minor, Op. 34a II Andante, un poco adagio
13. Piano Quintet in F minor, Op. 34a III Scherzo Allegro
14. Piano Quintet in F minor, Op. 34a IV Finale Poco sostenuto – Allegro non troppo

Lilya Zilberstein, Dora Schwanberg, Lucy Hall, Nora Romanoff-Schwanberf

15. Carlos Guastavino – Romances Argentinos (3) for 2 pianos I Las niñas de Santa Fe
16. Romances Argentinos (3) for 2 pianos II Muchacho Jujeño
17. Romances Argentinos (3) for 2 pianos III Baile en Cuyo

Martha Argerich, Mauricio Valtina

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Mosaïques é um excelente quarteto. Sabem que eles saíram de dentro do Concentus Musicus de Nikolaus Harnoncourt? Formaram o quarteto em 1985, quando ainda estavam na orquestra e seu violoncelista é o grande Christophe Coin. Eles são especializados no classicismo vienense, diga-se Haydn, Mozart e Schubert. E Beethoven. Vale a pena ouvi-los. Tocando com cordas de tripa e nos arcos de design do início do século 19, o Mosaïques trouxe calor e sutilezas a essas obras fascinantes. Hoje em dia, quando os conjuntos historicamente informados abundam, a gente nem deveria falar mais em instrumentos originais, mas aqui não podemos fugir do fato de que o Mosaïques estão fazendo isso há 35 anos! Durante esse período, eles exploraram e gravaram uma ampla gama de repertórios de quartetos, de Haydn a Mendelssohn. Porém, em disco — não em recitais –, eles têm sido muito mais cautelosos com Beethoven. As gravações das obras do Op. 18 apareceram incompletas há mais de uma década, depois vieram alguns quartetos intermediários e só agora é que chegaram ao ciclo completo dos cinco últimos quartetos.

Este é um campo altamente competitivo e, do Busch Quartet ao Takács, passando pelo Kodály, o padrão pode ser estratosférico. As performances dos Mosaïques são — até onde sei — a primeira gravação desses trabalhos em instrumentos de época, o que os distingue muito. Mas há mais: o fraseado parece surpreendentemente moderno, há muita leveza e equilíbrio em muitas passagens que podem se tornar exageradas — há muito mais luzes e sombras nas performance dos Mosaïques da Große Fuge, por exemplo, que eles tocam como o final da Op 130. Eu acho uma coisa sabem? Na maioria das gravações que ouço, retirando desta observação os deuses do repertório, a surpreendente originalidade dos quartetos tardios de Beethoven nos chegam um pouco abafada pelas cordas modernas e pelos estilos de tocar derivados da tradição cantabile romântica. O foco do Mosaïques é outro. Quando começa o Op.127, ouvimos um um timbre mais próximo dos conjuntos de música antiga do que de um quarteto moderno, a coisa vem livre de “expressivos” enjoativos. O desejo de remover camadas interpretativas bobas é realizado com mais força nos Op. 131 e 132, durante os quais o rosto franzido e a alma agonizante são substituídas pela pureza de linhas e suaves vibratos (aleluia!). A famosa Cavatina do Op. 130 possui uma clareza que a aproxima de um intermezzo mendelssohniano, fazendo com que o choque da poderosa Große Fuge seja ainda mais imponente. O Op. 132 é levado com extremo senso de estilo e com a devida profundidade. É sempre difícil escrever sobre uma música que amamos muito e que nos faz lembrar fatos pessoais. A primeira coisa que me vem à mente quando penso no Op. 132 foi aquele momento mágico e levemente fantasmagórico em que eu, sentado na tranquilamente na sala, ouvi iniciar o Allegro Appassionato (último movimento do quarteto) e vi que, logo aos primeiros compassos, minha filha, aos cinco anos de idade, entrava girando na sala, dançando a valsa sozinha, de olhos fechados, por puro prazer de ouvir a música… Foi tão marcante que hoje soa-me hipócrita dizer que o movimento principal deste quarteto é o imenso e perfeito Molto Adagio – Andante (Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der lydischen Tonart), um agradecimento à divindade pela recuperação que Beethoven obteve após grave enfermidade. Mas é, claro que é. O terceiro movimento, com suas duas explosões de alívio é o centro e razão de ser desta grande e fundamental obra. No terreno neoclássico do Op. 135, o Mosaïques inflama a música com um virtuosismo que talvez revele um novo caminho a seguir. Ele encerra um dos conjuntos mais reveladores e instigantes desses clássicos atemporais em décadas.

Não é uma gravação para ir ao pódio, mas que belisca, belisca.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques)

String Quartet No. 12 In E Flat Major, Op. 127
1-1 Maestoso – Allegro 6:59
1-2 Adagio Ma Non Troppo E Molto Cantabile – Andante Con Moto – Adagio Molto Espressivo 12:58
1-3 Scherzando Vivace – Presto 8:57
1-4 Finale. Allegro 6:30

String Quartet No. 14 In C Sharp Minor, Op. 131
1-5 Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo 6:09
1-6 Allegro Molto Vivace 3:08
1-7 Allegro Moderato – Adagio 0:41
1-8 Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile – Più Mosso – Andante Moderato E Lusinghiero – Adagio – Allegretto – Adagio Ma Non Troppo E Semplice – Allegretto 13:05
1-9 Presto 5:34
1-10 Adagio Quasi Un Poco Andante 1:40
1-11 Allegro 6:51

String Quartet No. 13 In B Flat Major, Op. 130
2-1 Adagio Ma Non Troppo – Allegro 14:32
2-2 Presto 2:03
2-3 Poco Scherzando. Andante Con Moto Ma Non Troppo 7:38
2-4 Alla Danza Tedesca. Allegro Assai 3:05
2-5 Cavatina, Adagio Molto Espressivo 6:09

2-6 String Quartet No. 17 In B Flat Major, Op. 133, ‘Grosse Fuge’: Overtura – Fuga. Allegro – Meno Mosso E Moderato – Allegro Molto E Con Brio 15:56

String Quartet No. 15 In A Minor, Op. 132
3-1 Assai Sostenuto – Allegro 9:47
3-2 Allegro Ma Non Tanto 8:45
3-3 Molto Adagio – Andante 15:07
3-4 Alla Marcia, Assai Vivace – Più Allegro 2:08
3-5 Allegro Appassionato 7:06

String Quartet No. 16 In F Major, Op. 135
3-6 Allegretto 7:04
3-7 Vivace 3:39
3-8 Lento Assai, Cantante E Tranquillo 7:01
3-9 Grave, Ma Non Troppo Tratto – Allegro 6:35

Quarteto Mosaïques:
Erich Höbarth, violino
Andrea Bischof, violino
Anita Mitterer, viola
Christophe Coin, violoncelo

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A foto de divulgação do excelente Mosaïques

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios “The Ghost” & “Archduke” #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios “The Ghost” & “Archduke” #BTHVN250

Os irmãos Renaud e Gautier Capuçon e mais o pianista Frank Braley estão há tempo estabelecidos como parceiros de música de câmara. Aqui, eles tocam dois dos maiores trios para piano de Beethoven, o ‘Ghost’ e o ‘Arquiduque’. “Juntos, os três músicos têm a qualidade mais valiosa de todas na música de câmara”, escreveu The Guardian quando os Capuçons e Braley tocaram o ‘Arquiduque’ no Wigmore Hall: “eles ouvem atentamente um ao outro”. O relato que jornal dá da interpretação é que o Trio tinha um tremendo senso de coerência orgânica. Não entendo muito bem a palavra orgânica, mas OK. O comumente chamado Trio Arquiduque foi dedicado ao Arquiduque Rudolph da Áustria, o caçula de doze filhos de Leopoldo II. Rudolf era um pianista amador e patrono, amigo e aluno de composição de Beethoven. Beethoven dedicou um total de catorze composições ao arquiduque, que em troca dedicou uma de sua autoria a Beethoven. Grande coisa… O trio finaliza o chamado “período intermediário” de Beethoven. Ele começou a compor no verão de 1810 e o completou em março de 1811. Depois deste Trio, tudo virou um vendaval maravilhoso. E moderno.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios “The Ghost” & “Archduke”

Piano Trio No. 5 in D Major, Op. 70 No. 1, “Ghost”:
1 I. Allegro vivace e con brio 6:52
2 II. Largo assai ed espressivo 9:52
3 III. Presto 8:17

Piano Trio No. 7 in B-Flat Major, Op. 97, “Archduke”:
4 I. Allegro moderato 13:08
5 II. Scherzo. Allegro 11:27
6 III. Andante cantabile ma però con moto 12:57
7 IV. Allegro moderato 7:11

Gautier Capuçon, violoncelo
Frank Braley, piano
Renaud Capuçon, violino

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Não há nada como um pôr do sol na sede campestre do PQP Bach Musicians Resort.

PQP

#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – CD 10 de 10 – Integral das Sonatas para Piano – Alfred Brendel

Finalizo mais uma integral, trazendo as três últimas Sonatas para Piano que Beethoven compôs, três petardos que não deixam pedra sobre pedra.

Alfred Brendel se aposentou há uns dez anos. Até hoje é um músico reverenciado, e curte sua velhice e sua fama ao lado de seus gatos, sim, ele é apaixonado por gatos. Até hoje suas gravações de Beethoven, tanto as de juventude quanto as de meia idade, são consideradas referências. Especializou-se principalmente nos compositores do Classicismo e do Romantismo, destacand0-se Mozart, Beethoven e Schubert.

1. Piano Sonata No.30 In E, Op.109-1. Vivace, Ma Non Troppo-Adagio Espressivo-Tempo I
2. Piano Sonata No.30 In E, Op.109-2. Prestissimo0
3. Piano Sonata No.30 In E, Op.109-3. Gesangvoll, Mit Innigster Empfindung (Andante Molto Cantabile Ed Espressivo)
4. Piano Sonata No.31 In A Flat, Op.110-1. Moderato Cantabile Molto Espressivo
5. Piano Sonata No.31 In A Flat, Op.110-2. Allegro Molto
6. Piano Sonata No.31 In A Flat, Op.110-3. Adagio Ma Non Troppo-Fuga (Allegro Ma Non Troppo)
7. Piano Sonata No.31 In A Flat, Op.110-4. Fuga (Allegro Ma Non Troppo)
8. Piano Sonata No.32 In C Minor, Op.111-1. Maestoso-Allegro Con Brio Ed Appassionato
9. Piano Sonata No.32 In C Minor, Op.111-2. Arietta (Adagio Molto Semplice E Cantabile)

Alfred Brendel – Piano

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BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (MP3)

POSTAGENS RESSURRECTAS – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concertos para piano e orquestra (Pollini/Abbado) – Sinfonias (Bernstein) – Sinfonias (Harnoncourt) #BTHVN250

Seguindo a praxe de restaurar parte de nosso acervo beethoveniano perdido nos colapsos dos Rapidshares da vida, alcanço-lhes três séries muito importantes, que estão entre as primeiras postagens dedicadas por nosso blog ao compositor, doze anos atrás. Para não as dessacrar, mantive as datas originais e limitei-me a acrescentar alguns alertas sobre seu estado agora ativo.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

CONCERTOS PARA PIANO E ORQUESTRA por
MAURIZIO POLLINI com a BERLINER PHILHARMONIKER sob CLAUDIO ABBADO

Disco 1 – Concertos nos. 1 & 2
Disco 2 – Concertos nos. 3 & 4
Disco 3 – Concerto no. 5
Disco 4 – Fantasia Coral

SINFONIAS 1-9 com a WIENER PHILHARMONIKER sob LEONARD BERNSTEIN

Discos 1 e 2 – Sinfonias nos. 1, 2, 3 & 4
Disco 3 – Sinfonias nos. 5 & 6
Disco 4 – Sinfonias nos. 7 & 8
Disco 5 – Sinfonia no. 9 

 

SINFONIAS 1-9 com a CHAMBER ORCHESTRA OF EUROPE sob NIKOLAUS HARNONCOURT

Disco 1 – Sinfonias nos. 1 & 3
Disco 2 – Sinfonias nos. 2 & 5
Disco 3 – Sinfonias nos. 4 & 7
Disco 4 – Sinfonias nos. 6 & 8
Disco 5 – Sinfonia no. 9

Espero que desfrutem.

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 13 e 15 (Op. 132 e 130) / Grande Fuga Op. 133 (Tetzlaff) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 13 e 15 (Op. 132 e 130) / Grande Fuga Op. 133 (Tetzlaff) #BTHVN250

Esta é uma gravação novíssima, lançada no dia 2 de abril de 2020. E olha… Já ouvi melhores. Achei a coisa meio grossa. Muita gente gritando num conjunto que às vezes parece não estar bem ajustado. Cheguei a desconfiar de mim como ouvinte. Afinal, adoro o violinista Christian Tetzlaff e sua irmã Tanja. A comprovação de minha impressão veio fácil. Logo em seguida, ouvi todos os últimos quartetos com o Ébène e depois com o Mosaïques e… Quanta diferença! Ali sim manda o estilo, ali manda Beethoven. Como já disse várias vezes, aqui no PQP costumamos estar no Olimpo das interpretações, quase nada é ruim. O Tetzlaff Quartett é extraordinário, claro — se eles dessem um Concerto em Porto Alegre eu correria a vê-los –, mas, creiam, suas interpretações destas super peças do melhor repertório de todos os tempos têm adversários bem superiores. Fazer o quê?

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 13 e 15 (Op. 132 e 130) / Grande Fuga Op. 133

Beethoven: String Quartet No. 15 in A minor, Op. 132 42:36
I. Assai sostenuto – Allegro 9:18
II. Allegro ma non tanto 8:42
III. Molto adagio 15:55
IV. Alla marcia, assai vivace 2:09
V. Allegro appassionato 6:32

Beethoven: String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130 29:38
I. Adagio ma non troppo 12:45
II. Presto 2:03
III. Andante con moto ma non troppo 6:25
IV. Alla danza tedesca. Allegro assai 2:54
V. Cavatina. Adagio molto espressivo 5:31

Beethoven: Grosse Fuge in B flat major, Op. 133 14:33

Tetzlaff Quartett:
Christian Tetzlaff – first violin
Elisabeth Kufferath – second violin
Hanna Weinmeister – viola
Tanja Tetzlaff – cello

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Dá pra ver que os dois à direita são irmãos, né?

PQP

#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – CD 9 de 10 – Integral das Sonatas para Piano – Alfred Brendel

Li em algum lugar, depois alguém comentou aqui no PQPBach, que em determinado momento de sua carreira Alfred Brendel teria dado uma declaração dizendo que não iria executar mais a Sonata “Hammerklavier” ao vivo, frente a uma platéia, pois era uma obra de muito difícil execução, e quando a tocava ficava exausto, a obra exige muito do intérprete. E devido a idade já avançada, não iria mais encarar a empreitada.
Para um músico do nível de Brendel dizer isso é porque o negócio deve ser complicado mesmo. E nesta integral que ora vos trago, o registro é ao vivo. Aliás, diga-se de passagem, daqui até o final desta integral só tem pauleira. Junto com a ‘Hammerklavier’, também temos neste CD ‘Les Adieux”, outra obra prima de Beethoven.

089. Piano Sonata No.29 In B Flat, Op.106 -Hammerklavier-1. Allegro
090. Piano Sonata No.29 In B Flat, Op.106 -Hammerklavier-2. Scherzo (Assai Vivace-Presto-Prestissimo-Tempo I)
091. Piano Sonata No.29 In B Flat, Op.106 -Hammerklavier-3. Adagio Sostenuto
092. Piano Sonata No.29 In B Flat, Op.106 -Hammerklavier-4. Largo-Allegro Risoluto
093. Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -Les Adieux-1. Das Lebewohl (Adagio-Allegro)
094. Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -Les Adieux-2. Abwesendheit (Andante Espressivo)
095. Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -Les Adieux-3. Das Wiedersehn (Vivacissimamente)

Alfred Brendel – Piano

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BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano e orquestra em Ré maior, Op. 61a – Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) – Concerto para piano e orquestra em Dó menor, Wq. 43/4 – Bashkirov

Por mais que o amemos hoje, o concerto para violino de Ludwig foi recebido com frieza e logo esquecido. O fracasso da estreia, pelo que se conta, deveu-se a ensaios insuficientes por atrasos na cópia das partes da orquestra – entregues, para variar, na penúltima hora pelo compositor – e pela necessidade do primeiro solista, Franz Clement, de tocar quase todo o solo à primeira vista.

Apesar do desinteresse pela obra, que só teria sua grandeza reconhecida pelo empenho de Mendelssohn e Joseph Joachim, quarenta anos depois, esse estranho arranjo para piano que ouvirão a seguir foi publicado, alguns anos após o original, pela firma de Muzio Clementi em Londres. Clementi, que teve que visitar Viena várias vezes antes de enfim encontrar Beethoven, comprou do compositor os direitos da publicação inglesa de seus Opp. 58-62, e incluiu no pacote um arranjo do concerto para violino, com o pedido expresso de “algumas notas adicionais”, talvez porque achasse o original insosso por ter tão poucas.

Um tal arranjo, que não seria estranho a Johann Sebastian Bach, acostumado a verter para o teclado seus concertos para cordas solo, também não espantaria os contemporâneos de Ludwig, que viram concertos para violino de Viotti e Spohr transcritos para o piano por virtuoses como Dussek e Steibelt – este, famoso por perder um duelo de improvisação que, como veremos mais adiante nesta série, insensatamente aceitou fazer com Beethoven. Embora a edição inglesa indique que o arranjo foi feito pelo próprio compositor, há vigorosos indícios de que ele o delegou a terceiros, talvez a um aluno como Czerny ou Ries, limitando-se a revisá-lo e aprová-lo. Não tinha o menor interesse tanto pela obra quanto pela encomenda de Clementi, e também estava, para variar, atrasado na importante encomenda do príncipe Nikolaus Esterházy, que seria a Missa em Dó maior. No próprio manuscrito autógrafo do concerto para violino há anotações para partes da mão esquerda do solo, que talvez tenham servido como orientações do compositor para o arranjador.

Qualquer que seja a verdade acerca do autor, é certo que o arranjo foi feito com bastante pressa e algum desleixo: as partes da orquestra são idênticas ao original, a mão direita toca quase que exatamente a parte do violino solista, sem qualquer acorde, e não há qualquer solução minimamente satisfatória para emular as longas e sustentadas notas tão essenciais ao solo do original. O resultado é duma qualidade que achamos difícil até de mencionar na mesma frase que o sublime original, e que contrasta grosseiramente com as quatro cadenze que Beethoven – que não nos legou uma cadenza sequer para o violino – resolveu lhe escrever. Vigorosas, criativas e muito idiomáticas ao piano, elas são talvez o melhor motivo para escutarmos esse arranjo, particularmente aquela para piano e tímpanos, tão instigante que violinistas como Schneiderhan, Kremer e Kopatchinskaja a roubaram do piano e a transcreveram para seu instrumento.

Para apresentar-lhes o arranjo, que é ainda hoje negligenciado por público e intérpretes, pensei primeiramente em trazer uma de suas poucas gravações feitas por um pianista de primeira linha, aquela com Daniel Barenboim tocando e regendo a English Chamber Orchestra. Como ela já tinha sido aqui divulgada, encontrei uma alternativa que, coincidentemente, traz o sogro de Barenboim, o pianista russo Dmitri Bashkirov. Nascido na Geórgia, construiu uma considerável discografia na União Soviética, mas é hoje mais lembrado pelo trabalho como pedagogo em Moscou e Madrid. Sua gravação completa-se com um concerto de C. P. E. Bach – um mestre grandemente admirado por Beethoven, que certamente estudou seu clássico tratado Versuch über die wahre Art das Clavier zu spielen (“Ensaio sobre a verdadeira arte de tocar o teclado”) – que parece curiosamente próximo, apesar das décadas que os apartam, do bizarro híbrido que é o Op. 61a.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto em Ré maior para piano e orquestra, Op. 61a
Arranjo do próprio compositor de seu concerto para violino, Op. 61
Original composto em 1806 e p
ublicado em 1808
Arranjo publicado em 1810

1 – Allegro ma non troppo
2 – Larghett0
3 – Rondo: Allegro

Carl Philipp Emanuel BACH (1714-1788)

Concerto em Dó menor, Wq. 43, no. 4

4 – Allegro assai
5 – Poco adagio
6 – Tempo di minuetto
7 – Allegro assai

Dmitri Bashkirov, piano
Orchestre de Chambre de Lausanne
Péter Csaba, regência

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Um belo homem, esse CPE
#BTHVN250, por René Denon

Vassily

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para violino e orquestra, Op. 61 (cadência: Alfred Schnittke) – Kremer – Marriner

Dois erros seguidos – no link e com a gravação – fizeram-me por esta postagem atrás de tapumes e republicá-la só depois de conferir várias vezes se tudo estava certo. Peço desculpas aos leitores-ouvintes, enquanto agradeço pela gentileza dos que souberam apontar os problemas com a civilidade que tanto apreciamos.

Juro que lhes queria trazer essa gravação para mostrar-lhes a tremenda musicalidade de Gidon Kremer a serviço do concerto de Beethoven na companhia dum conjunto quase camerístico, a Academy of St. Martin-in-the-Fields, sob o comando daquele que sempre deixa tudo melífluo e redondinho, o Neville Marriner. Só que a cadenza de Schnittke, esse fascinante espantalho, é meu verdadeiro, e ademais confesso motivo para trazer-lhes hoje Kremer e Marriner.

Nota-se, pelo incomum anúncio da cadenza tanto no título da postagem quanto na própria capa do CD, que ela não é tão só uma vinheta inserida para o virtuose demonstrar um tanto boçalmente suas malandragens. Essa nota de advertência, como se uma tarja preta fosse sobre entorpecentes, ou um tapa-sexo a cobrir as vergonhas do bom-gosto, a exercer marotamente o efeito contrário sobre aqueles atraídos por tudo que é maldito, tornou-se necessária pelo escândalo que ela causou, quando de sua primeira audição. À parte de algum interesse meio constrangido, devido mais à projeção de Schnittke  como o mais conhecido compositor soviético pós-Shostakovich e como notório dissidente do regime que caminhava para o colapso, essa estranha criatura foi execrada, odiada e esculachada a ponto de “pichação!” ser uma das coisas mais gentis que se escreveu sobre ela. Encomendada ao compositor pelo próprio Kremer, foi aqui gravada uma vez e, salvo um que outro estrebucho ou gravação, abandonada ao oblívio.

A vida é curta, a Arte é longa e, ainda bem, aberta. O poliestilismo de Schnittke aqui está, cru e escarrado, sem dúvidas incongruente com a serenidade clássica do Beethoven que envolve suas cadenze, e recheada de citações explícitas de várias obras. Na minha desimportante opinião, ela comenta e transforma o concerto duma maneira sensacional, o que justifica a inclusão desta gravação em nosso repositório pequepiano. Se a odiarem, como ademais quase todo o resto do planeta, restar-lhes-á ao menos o passatempo de, ao passar o pente fino na pelagem da besta schnittkeana, identificar as obras nela citadas e mencioná-las nos comentários.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto em Ré maior para violino e orquestra, Op. 61
Composto em 1806
Publicado em 1808
Dedicado a Stephan von Breuning

1 – Allegro ma non troppo
2 – Larghett0
3 – Rondo: Allegro

Gidon Kremer, violino
Academy of St. Martin-in-the-Fields
Neville Marriner, regência

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A quem ouvir a cadenza e desejar a morte de Alfred Schnittke, lamento informar que seu desejo é redundante, porque ele já empacotou em 1998, e que seu epitáfio é, provavelmente, o maior de todos os tempos.

 

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – CD 3 de 10 – Integral das Sonatas para Piano – Alfred Brendel

Por um descuido, acabei esquecendo do terceiro volume desta caixa, então aqui está ele. E são exatamente as Sonatas de op. 10, vejam só. Ah, os registros destas gravações foram feitos ao vivo.

Bom proveito.

1. Piano Sonata No.5 In C Minor, Op.10 No.1-1. Allegro Molto E Con Brio
2. Piano Sonata No.5 In C Minor, Op.10 No.1-2. Adagio Molto
3. Piano Sonata No.5 In C Minor, Op.10 No.1-3. Finale (Prestissimo)
4. Piano Sonata No.6 In F, Op.10 No.2-1. Allegro0
5. Piano Sonata No.6 In F, Op.10 No.2-2. Allegretto
6. Piano Sonata No.6 In F, Op.10 No.2-3. Presto
7. Piano Sonata No.7 In D, Op.10 No.3-1. Presto
8. Piano Sonata No.7 In D, Op.10 No.3-2. Largo E Mesto
9. Piano Sonata No.7 In D, Op.10 No.3-3. Menuetto (Allegro)
10. Piano Sonata No.7 In D, Op.10 No.3-4. Rondo (Allegro)

Alfred Brendel – Piano

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#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – CD 8 de 10 – Integral das Sonatas para Piano – Alfred Brendel

O sétimo CD traz a Sonata ‘Apassionata’, com certeza uma das favoritas de muita gente, inclusive deste que vos escreve. Ou seja, apreciem sem moderação.
E uma experiência muito interessante encarar uma integral destas sonatas, já cansamos de falar disso por aqui. Podemos não gostar de uma ou outra, mas o conjunto da obra é o que vale, não acham? Ninguém aqui é louco de admitir que o genial Beethoven nunca compôs bobagens sem nexo. Faz parte do próprio processo criativo de qualquer um. Inclusive de Beethoven.
Vamos lá, o tempo urge, e já estamos quase lá . Faltam apenas mais três CDs fora este

079. Piano Sonata No.25 In G, Op.79-1. Presto Alla Tedesca
080. Piano Sonata No.25 In G, Op.79-2. Andante
081. Piano Sonata No.25 In G, Op.79-3. Vivace
082. Piano Sonata No.24 In F Sharp, Op.78 For Therese-1. Adagio Cantabile-Allegro Ma Non Troppo
083. Piano Sonata No.24 In F Sharp, Op.78 For Therese-2. Allegro Vivace
084. Piano Sonata No.27 In E Minor, Op.90-1. Mit Lebhaftigkeit Und Durchaus Mit Empfindung Und Ausdruck
085. Piano Sonata No.27 In E Minor, Op.90-2. Nicht Zu Geschwind Und Sehr Singbar Vorgetragen
086. Beethoven Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -Appassionata-1. Allegro assai
087. Piano Sonata No.23 In F Minor, Op.57 -Appassionata-2. Andante Con Moto
088. Piano Sonata No.23 In F Minor, Op.57 -Appassionata-3. Allegro Ma Non Troppo

Alfred Brendel – Piano

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#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – CD 7 de 10 – Integral das Sonatas para Piano – Alfred Brendel

Acho que foi o colega René Denom que falou que quando encontra uma integral das sonatas para Piano de Beethoven que ainda não conhece, começa ouvindo a ‘Sonata Waldstein’: se ele gostar daquela interpretação possivelmente gostará das outras. É seu parâmetro de análise. Eu diria que meu parâmetro seria a ‘Patétique’.  Questão de gosto e de escolha pessoal. É como aquela discussão sobre qual disco você levaria para uma ilha deserta. Cada um faz uma lista pessoal.

Se eu levaria esta integral de Alfred Brendel? Ou o LP onde ouvi esta “Waldenstein” pela primeira vez? Como comentei em postagem anterior, Brendel foi fundamental na minha escolha de parâmetros, mas não diria que seja meu pianista favorito, outros nomes se destacariam, pelos mais diversos motivos que não cabe colocar aqui. Digamos que falo em nome do conjunto da obra.

Temos neste sétimo CD uma das melhores ‘Sonatas a Waldstein’ que já tive a oportunidade de ouvir, porém a mais ‘estranha’, principalmente em seu Rondó final. Ouçam e tirem suas conclusões.
Estamos entrando na reta final desta integral, e creio que neste CD temos alguns dos melhores momentos dela. Espero que apreciem. Eu gostei muito.

1. Piano Sonata No.21 In C, Op.53 -Waldstein-1. Allegro Con Bio
2. Piano Sonata No.21 In C, Op.53 -Waldstein-2. Introduzione (Adagio Molto)
3. Piano Sonata No.21 In C, Op.53 -Waldstein-3. Rondo (Allegretto Moderato-Prestissimo)
4. Piano Sonata No.22 In F, Op.54-1. In Tempo D’un Menuetto
5. Piano Sonata No.22 In F, Op.54-2. Allegretto
6. Piano Sonata No.28 In A, Op.101-1. Etwas Lebhaft Und Mit Der Innigsten Empfindung (Allegretto Ma Non Troppo)
7. Piano Sonata No.28 in A, Op.101-2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia)
8. Piano Sonata No.28 In A, Op.101-3. Langsam Und Sehnsuchtsvoll (Adagio Ma Non Troppo, Con Affetto)
9. Piano Sonata No.28 In A, Op.101-4. Geschwind, Doch Nicht Zu Sehr Und Mit Entschlossen- Heit (Allegro)
10. Andante Favori In F, WoO 57

Alfred Brendel – Piano

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BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para violino e orquestra, Op. 61 – Romances, Opp. 40 & 50 – Zehetmair – Brüggen

Sim, mais uma gravação do concerto para violino – fazer o quê, se eu o amo tanto quanto aquele quarto concerto? Cresci ouvindo as maravilhosas gravações de Oistrakh, enquanto conhecia outras não menos belas, como as de Ferras, Menuhin e Stern. Quando chegou Heifetz, a concorrência pareceu liquidada, e eu quase perfurei o CD daquela gravação com Munch de tanto que a escutei. Com o tempo, percebi que não havia concorrência, e sim alternativas ao que propôs o maior de todos os violinistas, e me permiti apreciar outras versões: Kremer, Mintz, Mutter. Aí vi que a turma da interpretação historicamente informada tinha feito uma gravação, mas não conhecia o violinista e, por mais que gostasse de Frans Brüggen regendo Bach e tivesse sua “Die Schöpfung” de Haydn sem parar em meu toca-discos laser, tinha dificuldades de imaginá-lo a conduzir aquela peça que aprendera a ouvir nos andamentos frenéticos do ídolo Jascha. Só muito tempo depois, depois de descobrir a maestria de Brüggen como acompanhador e suas estimulantes leituras para as sinfonias de Beethoven, e de escutar os ótimos registros de Thomas Zehetmair nas sonatas e partitas de J. S. Bach, que enfim me permiti experimentar aquele Op. 61 que deixara por tanto tempo de lado, e…

O que lhes posso dizer foi que me senti um completo idiota por não a ter escutado antes. Chamá-la de impecável, apesar de ser verdade, seria apenas parte dela. Há a um só tempo um senso de concisão e uma serenidade que não consigo comparar a qualquer outra, um acompanhamento tão preciso que faz a Orchestra of the 18th Century soar não como um conjunto, mas sim como um colorido órgão, e uma precisão de entonação e de graça rítmica que fazem Zehetmair me ser inconfundível. Há brilho nas cadenze – outra vez adaptadas daquelas, anabólicas e com tímpanos, que Beethoven escreveu para o arranjo pianístico deste concerto – e vários achados, como a transição do Larghetto para o faceiro rondó final. Escutem-na e, depois, venham juntar-se ao coro a me chamar de completo idiota, de idiota completo.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Romance no. 2 para violino e orquestra em Fá maior, Op. 50
Composto em 1798
Publicado em 1805

1 – Adagio cantabile

Romance no. 1 para violino e orquestra em Sol maior, Op. 40
Composto em 1802
Publicado em 1803

2 – Adagio cantabile

Concerto em Ré maior para violino e orquestra, Op. 61
Composto em 1806
Publicado em 1808
Dedicado a Stephan von Breuning

3 – Allegro ma non troppo
4 – Larghett0
5 – Rondo: Allegro

Thomas Zehetmair, violino
Orchestra of the 18th Century
Frans Brüggen, regência

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Mais um episódio da série “Grandes Momentos Capilares”

 

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 3, Op. 18 e 15, Op. 132 (Ébène/Paris) #BTHVN250 — Integral (7/7)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 3, Op. 18 e 15, Op. 132 (Ébène/Paris) #BTHVN250 — Integral (7/7)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Que coisa mais linda esta série que finalizamos hoje! O Ébène fecha sua integral de quartetos de Beethoven com o maravilhoso Op. 132, aqui interpretado — surpreendentemente — com lentidão digna de Celibidache.  Parece há uma competição entre os quartetos: quem toca o Molto Adagio mais lentamente? Acho que o Ébène tem a liderança provisória com mais de um minuto de vantagem. Beethoven escreveu este movimento depois de se recuperar de uma doença grave que ele temia ser fatal porque havia sofrido com uma desordem intestinal durante todo o inverno de 1824. Ele escreveu na partitura: “Heiliger Dankgesang eines Genesenen et die Gottheit, in der lydischen Tonart ” (“Canção sagrada de ação de graças de um convalescente à Deidade, no modo lídio”). Após ouvir este Op. 132 por mais de quarenta anos, ele permanece assustadoramente bonito para mim. Ainda sou fascinado por sua construção e ainda me emociono com a oração do terceiro movimento, mesmo sendo ateu. Seus cinco movimentos em conjunto só se tornam mais intrigantes com o tempo.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 3, Op. 18 e 15, Op. 132 (Ébène/Paris)

1 String Quartet No. 3 in D Major, Op. 18 No. 3: I. Allegro 7:40
2 String Quartet No. 3 in D Major, Op. 18 No. 3: II. Andante con moto 8:19
3 String Quartet No. 3 in D Major, Op. 18 No. 3: III. Allegro 2:51
4 String Quartet No. 3 in D Major, Op. 18 No. 3: IV. Presto 6:17

5 String Quartet No. 15 in A Minor, Op. 132: I. Assai sostenuto – Allegro 9:55
6 String Quartet No. 15 in A Minor, Op. 132: II. Allegro ma non tanto 8:35
7 String Quartet No. 15 in A Minor, Op. 132: III. Molto adagio 20:59
8 String Quartet No. 15 in A Minor, Op. 132: IV. Alla marcia, assai vivace 2:12
9 String Quartet No. 15 in A Minor, Op. 132: V. Finale (Allegro appassionato) 6:40

Quatuor Ébène:
Pierre Colombet, violin
Gabriel Le Magadure, violin
Marie Chilemme, viola
Raphaël Merlin, violoncelo

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(aplausos)

PQP