Camille Saint-Säens (1835-1921): Sinfonia Nº 3 (do Órgão) e outras peças orquestrais

“De uma hora para outra, na última quarta-feira, fãs e pessoas que não faziam ideia de quem era X.X. partiram para o abraço coletivo.” Essas palavras, escritas por Zeca Camargo após a morte de um cantor sertanejo com carreira curta e de pouca relevância, renderam a ele um processo e ele teve que pagar indenização. Está proibido falar mal de sertanejo, pelo jeito.

Em todo caso, esse tipo de comoção não é novidade. Em 1828, um ano após a morte de Beethoven, sua 5ª Sinfonia estreou em Paris, com três execuções naquele ano. Como relata Berlioz, houve aplausos homéricos, risos, uma cantora teve um ataque de nervos e precisou sair da sala, um velho militar gritou “C’est l’Empereur!”

Estava iniciado no país do croissant um culto a Beethoven que duraria muitas décadas. Balzac, segundo seus biógrafos, ficou fascinado por essa mesma 5ª Sinfonia ao ouvi-la em 1834. Em uma carta ele confessou ter ciúmes de Beethoven, de Michelangelo, “enfim tudo aquilo que foi grande e solitário me comove.” (Carta a Mme. Hanska, 1837).

Balzac, agora na boca de um personagem no romance Gambara, se mostra um sensível ouvinte do mestre de Bonn:
“Em outros compositores, as partes orquestrais só se entrelaçam pra produzir o efeito do momento. Em Beethoven, os efeitos são distribuidos como previamente, as partes seguem ordens no interesse geral, subordinadas a um plano.”

Essa germanofilia dos franceses duraria até a virada do século, quando a geração de Debussy começou a achar as orquestrações de Wagner e de Mahler o cúmulo do mau gosto. Em 1914, quando começa a 1ª Guerra, o velho Saint-Saëns, aos 78 anos, é um dos defensores de um boicote total à música alemã. Mas se vamos falar da “Sinfonia com órgão”, estamos falando de um Saint-Saëns bem mais jovem, em 1886.

Esse Saint-Saëns mais jovem era herdeiro direto dessa Beethoven-mania e foi chamado várias vezes o Beethoven francês. Vários ecos beethovenianos aparecem em sua mais famosa sinfonia, a começar pelo uso de temas curtos que serão cuidadosamente desenvolvidos ao longo dos movimentos. Além disso, o caminho tonal da 3ª Sinfonia de C.S.S. é o mesmo da 5ª de L.v.B.: começa em um dó menor trágico e misterioso, para terminar em um dó maior triunfante com acordes repetidos. Embora a sinfonia do francês comece mais suave (como a 4ª e a 6ª de L.v.B.) e a 5ª do alemão já comece chutando a porta com força.

Se a primeira grande sinfonia francesa é a Symphonie Fantastique de Berlioz (composta em 1830, portanto após a entrada triunfal das Sinfonias de Beethoven em Paris descrita acima pelo próprio Berlioz), a 3ª Sinfonia de Saint-Saëns é sem dúvida a grande sinfonia francesa no estilo de Beethoven.

Já ia me esquecendo do órgão, que vem sempre com destaque na capa dos discos! Realmente o órgão, com sua aparição triunfal no movimento final, gera uma surpresa majestosa. Na França da época de Saint-Saëns, houve uma grande renovação do interesse pelo órgão: após vários serem destruídos ou apodrecerem no tenso período pós Revolução de 1789, a partir da década de 1840 inúmeros órgãos foram reconstruídos de forma totalmente nova, associada a inovações mecânicas criadas no século XIX, principalmente pelo francês Aristide Cavaillé-Coll (1811-1899). Em órgãos como os de Saint Sulpice e Sacré-Coueur (Paris), Saint-Denis, Rouen, mas também na Lapa, Rio de Janeiro, e em Buenos Aires, Cavaillé-Coll inventava jogos harmônicos, buscava novos timbres, novas combinações, preparando assim uma maravilhosa palheta de cores, dando asas à imaginação de compositores como C.Franck, L.Vierne, C.Widor e O.Messiaen.

Saint-Saëns também tem uma obra extensa para órgão solo, incluindo um grupo de seis Prelúdios e Fugas (op.99 e 109) que mostram o quanto sua germanofilia se estendia ao estudo do órgão de Bach. Na sua Sinfonia nº 3, contudo, são reservados ao órgão sobretudo grandes acordes potentes, enquanto a intricada ciência do contraponto é distribuída entre os instrumentos da orquestra.

A gravação com a Filarmônica de Liège acabou de sair do forno e foi Disco do mês da Diapason de janeiro/2022: “Texturas orquestrais calorosas, gravação de notável precisão e definição, sofisticação do conjunto e dos contrastes dinâmicos…” Desde o começo da sinfonia, dá pra ver que o maestro Kantorow busca mostrar os detalhes mais escondidos da obra, ao invés de apostar apenas em grandes efeitos impressionantes. Completando o álbum, temos a Sinfonia em fá maior “Urbs Roma”, composta em 1856 e que o autor excluiu da sua lista de sinfonias com número, que são apenas três.

Camille Saint-Saëns (1835 – 1921):
1-4. Symphony in F major, ‘Urbs Roma’ (1856)

I. Largo — Allegro 10’26
II. Molto vivace 5’39
III. Moderato, assai serioso 11’48
IV. Poco allegretto — Andante con moto 11’00

5-7. Symphony No. 3 in C minor, Op. 78 (1886)
‘Organ Symphony’

I. Adagio — Allegro moderato — Poco adagio 19’03
IIa. Allegro moderato — Presto — 7’19
IIb. Maestoso — Allegro 8’06
Thierry Escaich (Organ of the Salle Philarmonique de Liège, 1890)

Orchestre Philharmonique Royal de Liège
Jean-Jacques Kantorow, conductor
Recorded: 2020

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Como Saint-Saëns estava um pouco sumido aqui do blog, resolvi trazer um bônus de peso: uma outra gravação da 3ª Sinfonia, com a Orquestra de Chicago regida por Daniel Barenboim, enquanto o órgão é o da Catedral de Chartres, tocado pelo famoso organista cego Gaston Litaize. Gravada em 1975, ela se tornou uma das referências, sempre citada por exemplo pela BBC e revista Gramophone. Aqui, temos um órgão mais majestoso ainda, mas alguns detalhes da sutileza da orquestração se perdem. Em resumo: se querem um Saint-Saëns sofisticado, ouçam Kantorow/Liège/2021, se quiserem sobretudo um órgão grande, viril e potente, ouçam Barenboim/CSO/1975. Ambos são ótimos.

O álbum de Barenboim traz ainda algumas obras curtas e interessantes: a Danse Macabre, ou Dança Macabra em português, foi composta em 1871 e é muito famosa com seu ar alegórico sobre a finitude da vida. Liszt escreveu uma versão para piano. Totalmente diferente é o clima de Bacchanale (que quer dizer… vocês sabem), extraído da ópera Sansão e Dalila (1877): aqui, na mesma corrente orientalista que geraria a Scheherazade de Rimsky-Korsakov (1888), Saint-Saëns usa algumas escalas orientais para imaginar muita sensualidade naquela região do Levante, nada a ver com as mulheres de burca que hoje vêm à nossa cabeça. Em Le Déluge (1875) temos um outro poema sinfônico, seria sonhar muito pedir que uma certa emissora de TV utilize essas obras na trilha sonora de suas novelas bíblicas?

Camille Saint-Saëns (1835 – 1921):
1-3. Symphonie No. 3 en ut mineur, Op. 78
Gaston Litaize (Chartres Cathedral Organ)
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim, conductor
Recorded 1975

4. Samson et Dalila, Op. 47: Act III. Bacchanale
5. Le Déluge (poème biblique), Op. 45: Prélude
6. Danse macabre (poème symphonique), Op. 40
Orchestre de Paris
Daniel Barenboim, conductor
Recorded: 1978-1980

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Vai viajar, Camille?

Pleyel

Jascha Heifetz – It Ain’t Necessarily So: Legendary Classic & Jazz Studio Takes

 

O inesquecível Jascha Heifetz, que completaria hoje 121 anos, adorava jazz. Sua mansão em Beverly Hills recebia músicos de várias vertentes, que frequentemente mergulhavam em jam sessions, e os estudantes para os quais organizava animadas festas em Malibu testemunhavam o mestre improvisar, tanto ao violino quanto ao piano, sobre as canções populares que amava.

Descobrir que o jazz era o xodó de Heifetz me surpreendeu. Afinal, tiete incondicional do gigante desde que o conheci, acostumara-me com seu semblante estoico nas capas de discos, que nada mudava nos tantos filmes em que, para meu assombro, eu o via enfrentar e vencer, impávido, os trechos mais medonhos da literatura violinística. Foi só ao ler suas biografias e, principalmente, assistir aos documentários e aos preciosos registros de suas masterclasses que conheci seu senso de humor, seu rigor cordial para com os alunos e, não menos importante, constatei que ele era um músico extraordinário o bastante para convencer como mau músico, imitando à perfeição um jovem estudante em pânico durante uma prova:

Jascha também foi um contumaz viajante, legando-nos inúmeros mementos que são verdadeiras pérolas do humor involuntário, como essa sua foto duma visita ao México, em que seu tradicional olhar blasé parece nada impressionado com a indumentária local…


… e também um homem corajoso e cidadão muito grato ao país que o acolheu, percorrendo o front europeu a tocar voluntariamente para as tropas aliadas, além de arrecadar, com concertos beneficentes, vultosos valores para os esforços de guerra.

Perenemente acusado por um ou outro crítico de ser um tecnicista frio, indiferente às intenções do compositor, Heifetz é uma deidade de devoção unânime entre seus colegas: dir-se-ia um “violinista dos violinistas”. Ainda assim, mesmo que todos sonhem em tocar como ele, nem tantos acham que devam. Jascha cresceu imbuído das tradições da Velha Escola russa no Conservatório de São Petersburgo, onde foi discípulo de Leopold Auer – aquele mesmo com quem Tchaikovsky se estranhou por conta de seu concerto para violino. Seria inevitável, pois, que seu estilo, moldado por gente do século XIX, pareça-nos um tanto antiquado, a despeito da tanta beleza que tange. Além disso, suas gravações das peças fundamentais do repertório concertístico, normalmente despachadas em velocidade lúbrica, são referências incontestes que poucos violinistas de hoje tentariam imitar: mesmo o próprio ídolo de Heifetz, Fritz Kreisler, após escutar o prodígio de onze anos de idade, afirmou que todos os violinistas presentes no recinto poderiam quebrar seus instrumentos nos joelhos.

Aqui, Kreisler (à direita) relaxa num lago com Heifetz (à esquerda), que se apoia num trapiche feito, provavelmente, da madeira de violinos quebrados.

Em minha desimportante opinião, será através das pequenas peças que a grandeza de Heifetz rebrilhará aos ouvidos dos séculos vindouros. Esta compilação que ora lhes apresento, com algumas dúzias delas, inclui vários de seus números de bis mais famosos, algumas canções folclóricas e várias composições de George Gershwin, que Jascha muito admirava.  Os arranjos, como verão, são quase todos de sua própria lavra e, se privilegiam o timbre inconfundível do mestre e a elegância de seu fraseado, também lhe dão amplas oportunidades para demonstrar seu deleite em tocar, como mais célebre rebento da Velha Escola russa, a música do Novo Mundo em que escolheu viver.


Uma atração em especial para nós, brasileiros, é escutar “Ao Pé da Fogueira”, um dos prelúdios do genial Flausino Valle, aqui abordado por Heifetz numa masterclass.

A grande surpresa, talvez, esteja na última faixa do álbum. Depois de alguns açucarados bombons em que acompanha o cantor Bing Crosby, Heifetz dá-nos a rara oportunidade de escutá-lo ao piano (!), instrumento em que era, por todos os relatos, muito proficiente. Ele toca “When You Make Love to Me (Don’t Make Believe)”, uma canção que fez sucesso na voz do próprio Crosby, frequentemente pareada com outra, “So Much in Love“. Ainda mais surpreendente é que o autor de ambas, um certo Jim Hoyl, só existia na capa das partituras, pois era tão só o pseudônimo que o próprio Jascha Heifetz (“J.H.”, captaram?) usava para publicar canções populares.

“Um brinde a Jim Hoyl!”

Que a imagem sisuda que dele tiverem liquide-se para sempre, e que a inigualável musicalidade do aniversariante consiga entretê-los tanto quanto espero.

Grato por tanto, Mestre!

In memoriam Iosif Ruvimovich Kheyfets, dito Jascha Heifetz (Vilnius, 2.2.1901 – Los Angeles, 10.12.1987)



Jascha Heifetz – It Ain’t Necessarily So: Legendary Classic & Jazz Studio Takes

DISCO 1

Samuel GARDNER (1891-1984)

1 – From The Canebrake, Op. 5 no. 1

Arthur Leslie BENJAMIN (1893-1960)
2 – Jamaican Rumba (arranjo de William Primrose)

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
3 – Beau Soir (arranjo de Jascha Heifetz)

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
4 – Pièce en Forme de Habanera (arranjo de Georges Catherine)

Clarence CAMERON White (1880-1960)
5 – Levee Dance, Op. 27 No. 2 (baseada em “Go Down, Moses”)

Mario CASTELNUOVO-TEDESCO (1895-1968)
6 – Figaro, Rapsódia de Concerto sobre “Il Barbiere di Siviglia”, de Rossini

Stephen Collins FOSTER (1826-1864)
7 – Jeanie With The Light Brown Hair (arranjo de Heifetz)

Victor August HERBERT (1859-1924)
8 – À la Valse

Antonín Leopold DVOŘÁK (1841-1904)
9 – Humoresques, Op. 101 – No. 1 em Sol bemol maior (arranjo de Heifetz)

Folclore irlandês
10 – Gweedore Brae (arranjo de John Crowther)

Stephen FOSTER
11 – Old Folks at Home (arranjo de Heifetz)

Anônimo
12 – Deep River (arranjo de Heifetz)

Leopold GODOWSKY (1870-1938)
13 – Doze Impressões para violino e piano: no. 12, Wienerissh (arranjo de Heifetz)

Jascha Heifetz, violino
Milton Kaye, piano

Irving BERLIN (1888-1989)
14 – White Christmas

Jascha Heifetz, violino
Salvator Camarata and his Orchestra

George GERSHWIN (1898-1937)
Da ópera “Porgy and Bess” (arranjos de Heifetz)
15 – Summertime
16 – A Woman is a Sometime Thing
17 – My Man’s Gone Now
18 – It Ain’t Necessarily So
19 – Tempo Di Blues (There’s a Boat That’s Leaving Soon for New York)
20 – Bess, You is my Woman Now

Três prelúdios para piano solo (arranjos de Heifetz)
21 – I. Allegro ben ritmato e deciso
22 – II. Andante con moto e poco rubato
23 – III. Allegro ben ritmato e deciso

Jascha Heifetz, violino
Emanuel Bay, piano

DISCO 2

Susan Hart DYER (1880-1922)
1 – An Outlandish Suite, para violino e piano: Florida Night Song

Claude DEBUSSY
2 – Children’s Corner L. 115 – 6. Golliwogg’s Cakewalk (arranjo de Heifetz)
3 – Suite Bergamasque L. 75 – 3. Clair de Lune (arranjo de Alexandre Roelens)

Flausino Rodrigues do VALLE (1894-1954)
4 – Vinte e seis prelúdios característicos e concertantes para violino só – no. 15, “Ao Pé da Fogueira” (arranjo de Heifetz)

Julián Antonio Tomás AGUIRRE (1868-1924)
5 – Huella, Op. 49 (arranjo de Heifetz)

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)
Dos Vinte e quatro prelúdios para piano, Op. 34 (arranjo de Dmitri Tziganov e Quinto Maganini)
6 – No. 10 em Dó sustenido menor
7 – No. 15 em Ré bemol maior

Edwin GRASSE (1884-1954)
8 – Waves At Play (Wellenspiel) (arranjo de Heifetz)

Sergei Sergeieivich PROFOKIEV (1891-1953)
9 – O Amor das Três Laranjas, Op. 33 – Marcha (arranjo de Heifetz)
10 – Suíte do balé “Romeu e Julieta”, para piano, Op. 75 – Máscaras (arranjo de Heifetz)

Robert Russell BENNETT (1894-1981)
Hexapoda (five studies in Jitteroptera), para violino e piano
11 – Gut-Bucket Gus
12 – Jane Shakes Her Hair
13 – Betty and Harold Close Their Eyes
14 – Jim Jives
15 – …Till Dawn Sunday

Kurt Julian WEILL (1900-1950)
16 – Die Dreigroschenoper – Mack The Knife (Moderato assai) (arranjo de Stefan Frenkel)

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
17 – Souvenir d’un Lieu Cher, para violino e piano, Op. 42 – no. 3: Mélodie em Mi bemol maior

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)
18 – Noturnos para piano, Op. 55 – no. 2 em Mi bemol maior (arranjo de Heifetz)

Christoph Willibald von GLUCK (1717-1784)
19 – Orfeo ed Euridice – Dança dos Espíritos Abençoados (arranjo de Fritz Kreisler)

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
20 – Waldszenen, Op. 82 – no. 7: Vogel als Prophet (arranjo de Heifetz)

Nikolai Andreievich RIMSKY KORSAKOV (1844-1908)
21 – O Galo de Ouro – Hino ao Sol (arranjo de Kreisler)

Alexander Abramovich KREIN (1883-1951)
22 – Dança no. 4 (arranjo de Heifetz)

Johannes BRAHMS (1833-1897)
23 – Danças Húngaras – no. 7 em Lá maior (arranjo de Joseph Joachim)

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)
24 – Le Carnaval Des Animaux – Le Cygne (arranjo de Heifetz)

Cecil BURLEIGH (1885-1980)
25 – Six Pictures, Op. 30 – no. 4: Hills
26 – Small Concert Pieces, Op. 21 – no. 4: Moto Perpetuo

Jascha Heifetz, violino
Emanuel Bay, piano


Benjamin Louis Paul GODARD (1849-1895)
27 – Jocelyn – Berceuse (arranjo de Ernest R. Ball)

Hermann LÖHR (1871-1943)
28 – Where my Caravan has Rested  (arranjo de Edward Teschemacher)

Bing Crosby, voz
Jascha Heifetz, violino
Victor Young and his Orchestra


Jim HOYL, pseudônimo de Jascha HEIFETZ (1901-1987)
29 – When You Make Love to Me (Don’t Make Believe)

Jascha Heifetz, piano

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Querem mais Heifetz? Confiram-no em ação, então, na sua imbatível gravação do concerto de Sibelius (juntamente com o de Glazunov e o segundo de Prokofiev)…

Concertos para Violino de Sibelius, Prokofiev e Glazunov com Jascha Heifetz

… e na frenética leitura do concerto de Beethoven com os sinfônicos de Boston sob Charles Munch:

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto in D – Heifetz, Munch, BSO

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

 

Fauré / Honegger / Lalo / Saint-Saëns: Four Visions Of France (Müller-Schott, Deutsches Symphonie-Orchester Berlin, Bloch)

Creio que ouvi mais música francesa em 2021 do que ouvi em praticamente minha vida inteira. Compositores que conhecia apenas de nome me foram apresentados, e puder conferir que havia vida na música francesa além de Debussy, Ravel e Saint-Säens. Claro que falo com relação ao período que compreendia o século do XIX e início do Século XX. E mesmo assim ainda me considero em débito com os três compositores citados acima. Gostaria de ouvi-los mais, e mesmo se eu deixar como projeto de aposentadoria, ainda assim não teria tempo suficiente para ouvir tanta coisa.

As ‘descobertas’ referem-se a Poulenc, Chausson e Fauré, uma trinca que lamento não ter ouvido com tanta atenção até hoje. Claro que poderia me desculpar alegando a falta de acesso a esse material, e que apenas com o advento da Internet consegui conhecê-los e claro, ouvi-los. Tive em um primeiro momento de me curar do vício adquirido ouvindo os compositores alemães e austríacos do Barroco e do Romantismo, e prestando atenção, por exemplo, em Saint-Säens e seu magnífico Primeiro Concerto para Violoncelo, comecei a perceber e entender sua linguagem tão única, tão pessoal.

Este belo CD que ora vos trago é um primor de execução, temos um solista jovem (nasceu em 1976), e que resolveu, assim como eu, ver o que a música francesa tinha a oferecer para si, enquanto violoncelista. O resultado é uma das melhores gravações que já tive a oportunidade de ouvir do Concerto de Saint-Säens, e olha que a concorrência é grande. A maturidade artística de Müller-Schott se sobressai em cada nota que extrai de seu instrumento, seja em peças mais introvertidas, como a ‘Elégie’ de Fauré, em um arranjo para Violoncelo e Orquestra, ou namorando com a modernidade de Honneger em seu Concerto para Violoncelo. O músico não teme em encarar um repertório tão diferente (ouçam a pequena ‘cadenza’ do Segundo Movimento do Concerto de Honneger para poderem apreciar ainda mais sua versatilidade).   

Claro que nessa seleção não poderia faltar Lalo e seu Concerto em Ré menor. Fico feliz ao ver que mesmo após a morte de gigantes como Fournier, Rostropovich ou Starker, as novas gerações vem mostrando a que vieram, preenchendo aquelas lacunas com talento, virtuosismo e amor à causa. Claro que ao nome de Müller-Schott posso acrescentar os nomes de outros jovens talentosos, como Sol Gabetta, Gautier Capuçon, entre outros, e mais recentemente, o formidável Sheku Kanneh-Mason, cujo último álbum quero trazer para os senhores assim que possível.

Então vamos ao que viemos. Espero que apreciem este belíssimo CD, recentemente lançado. Eu gostei muito.

Cello Concerto No. 1 In A Minor, Op. 33, R. 193
Composed By – Camille Saint-Saëns
1 I. Allegro Non Troppo
2 II. Allegretto Con Moto
3 III. Allegro Non Troppo

4 Élégie, Op. 24 (Version For Cello & Orchestra)
Composed By – Gabriel Fauré

Cello Concerto In C Major, H. 72
Composed By – Arthur Honegger
5 I. Andante
6 II. Lento
7 III. Allegro Marcato

Cello Concerto In D Minor
Composed By – Édouard Lalo
8 I. Prélude. Allegro Maestoso
9 II. Intermezzo. Andantino Con Moto. Allegro Presto
10 III. Introduction. Andante. Allegro Vivace

11 Romance In F Major, Op. 36, R. 195 (Version For Cello & Orchestra)
Composed By – Camille Saint-Saëns

Daniel Müller-Schott – Cello
Deutsches Symphonie-Orchester Berlin
Alexandre Bloch – Conductor

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FDP

Diversos Compositores: Günter Wand em Concerto ֍

Diversos Compositores: Günter Wand em Concerto ֍

Haydn • Mozart

Beethoven • Brahms

Tchaikovsky • Sain-Saëns

Günter Wand

 

Houve um tempo em que grandes pianistas e violinistas andavam sobre a terra e dominavam o planeta! Inclusive, foi nesta época que os pianos tiveram que ser reforçados, ganharam tonalidades mais escuras e os violinos eram venerados e conhecidos por nomes próprios ou apelidos. Era o período que nós, os estudiosos do que ficou registrado nas fitas magnéticas da época, mastertapes, chamamos de Período Jurássico.

Sempre que surge um registro novo, algo que se encontrava esquecido em alguma prateleira de algum estúdio ou arquivo de rádio, segue um reboliço, um frisson, um alvoroço nesta comunidade de paleantapeólogos…

Firkušný

Pois o que vos trago nesta postagem é uma série de registros deste tempo passado, mas jamais esquecido… O denominador comum é o regente, ele também uma versão de regente-jurássico, que por diversas vezes apareceu em nossas páginas, mas quase sempre em gravações comerciais regendo sinfonias… Aqui ele faz o papel de regente acompanhante, na maioria das obras – Günter Wand a frente de duas orquestras de rádios alemãs.

Explorador de arquivos jurássicos…

Os solistas, como você pode imaginar, são figuras quase míticas, principalmente pianistas, mas um violinista também, a título de diversidade. Esta conversa toda não deve causar qualquer preocupação entre aqueles que, como eu, ao ouvirem falar de grandes nomes e gravações esquecidas já antecipam chiados e pigarros das plateias, sem contar som encaixotado e tenebroso. Não será necessário colocar colete ou chapéu de antropólogo explorador para se enveredar nos arquivos sonoros, pois que o som é sempre para lá de decente.

Magaloff

Temos quatro concertos para piano, quatro ao todo, iniciando no período clássico e culminando em dois enormes cavalos de batalha.

Nikita Magaloff, conhecido por suas gravações de Chopin, aqui faz as honras a um lindo concerto de Haydn, e Rudolf Firkušný, que conhecemos aqui por outras gravações de concertos clássicos, mais uma vez toca um concerto de Mozart. E um em tonalidade menor…

Gilels

Para o grande Emperor foi escalado o lendário pianista Emil Gilels, que deixou pelo menos três registros comerciais deste concerto. Acompanhado pela Orquestra de Cleveland regida por George Szell em uma delas e outra acompanhado pela Philarmonia Orchestra, regida por Leopold Ludwig. Mas há ainda uma gravação, esta sim bem datada, com orquestra regida por Kurt Sanderling.

Bolet

Como para dar um descanso aos seus solistas, Wand rege uma (linda) Serenata de Brahms, que ensaiou bastante antes de escrever sua Primeira Sinfonia.

Avançando com os concertos, temos o mais conhecido dos concertos para piano, se não o mais amado pelos connoisseurs, o Concerto de Tchaikovsky, interpretado pelo virtuose americano de origem cubana, Jorge Bolet. Sparkling!

Outro americano, este violinista de ascendência italiana, Ruggiero Ricci, interpreta um concerto de Camille Saint-Saëns.

Ricci

Para fechar este cortejo, três lindas aberturas de óperas de Mozart…

Estas gravações foram compiladas de uma caixa na qual havia muitas outras coisas, mas o que eu gostei mais está aqui. Tenho certeza de que cada um entre os leitores poderá encontrar aqui um bom trecho de música para se deliciar e apreciar a arte destes grandes intérpretes. As outras coisas da caixa resolvemos deixar para os outros blogs mais especializados…

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Concerto para Piano em ré maior, Hob. XVIII/11

  1. Vivace
  2. Un poco Adagio
  3. Rondo all’Ungarese. Allegro assai

Nikita Magaloff, piano

NDR Sinfonieorchester

Günter Wand

Gravação de 2 de dezembro de 1985, Hamburg Musikhalle

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano em ré menor, Nr. 20,  K 466

  1. Allegro
  2. Romance
  3. Allegro assai

Rudolf Firkušný, piano

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação de 13 de setembro de 1969, Köln

Produção: Hermann Lang

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Concerto para Piano Nr. 5 em mi bemol maior, Op. 73 – Emperor

  1. Allegro
  2. Adagio un poco mosso (attacca) & Rondo. Allegro

Emil Gilels, piano

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação de 13 de dezembro de 1974, Köln

Direção de gravação: Otto Nielen

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Serenata em ré maior, Op. 11

  1. I Allegro molto
  2. II Scherzo, Allegro non troppo
  3. III Adagio non troppo
  4. IV Menuetto
  5. V Scherzo, Allegro
  6. VI Rondo. Allegro

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação de 2 de Outubro de 1968

Funkhaus am Wallraff-Platz, Saal 1, Köln

Direção de gravação e som: Otto Nielen

Pyotr I. Tchaikovsky (1840 – 1893)

Concerto para Piano Nr. 1 em si bemol menor, Op. 23

  1. Allegro non troppo e molto maestoso – Allegro con spirito
  2. Andantino semplice – Prestissimo – Tempo I
  3. Allegro con fuoco – Molto meno mosso – Allegro vivo

Jorge Bolet, piano

NDR Sinfonieorchester

Günter Wand

Gravação de 13 de novembro de 1985, Musikhalle Hamburg

Produção executiva: Rolf Beck

Camille Saint-Saëns (1835 – 1921)

Concerto para Violino Nr. 3 em si menor, Op. 61

  1. Allegro non troppo
  2. Andantino quasi Allegretto
  3. Molto moderato e maestoso – Allegro non troppo

Ruggiero Ricci, violino

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação entre 1 e 5 de dezembro de 1970, Köln

Diretor de gravação: Hans-Georg Daehn

Wolfgang Amadeus Mozart

Aberturas

  1. Così fan tutte K588
  2. Zauberflöte K620
  3. Le Nozze di Figaro K492

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

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MP3 | 320 KBPS | 488 MB

Nosso selo Jurássico de Qualidade

Aproveite!

Günter Wand regendo uma serenata…

René Denon

Essa foi a cara que o Ruggiero fez quando um de nossos entrevistadores lhe perguntou se ele atuara na série dos Soprano…
Rudolf disse que não estava vendo nenhum outro pianista a sua frente

 

 

 

 

 

 

 

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Brahms & Schubert: Sinfonias // Liszt: Les Preludes – Philharmonia Orchestra & Karajan

Beethoven (1770-1827): Concerto para Piano No. 5, Op. 73 – Emperor – Christoph Eschenbach – Boston SO – Seiji Ozawa

Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

 

Camille Saint-Saëns (1841-1904): Integral dos Concertos para Piano

Achei que ia ser um saco ouvir estes concertos — afinal, eles estão normalmente ausentes do repertório sinfônico das grandes orquestras! –, mas me enganei totalmente. Na verdade, adorei ouvi-los. Na verdade, me entusiasmei e achei SENSACIONAL ouvi-los. Os movimentos lentos são belíssimos; os rápidos são atléticos e exatos; a gravação do trio Rogé – Dutoit – LSO é esplendorosa.

E não dá para falar mal do altamente erudito e grande viajante tiozão que CS-S foi. Imaginem que ele tinha impulsos súbitos de viajar e viajava para os lugares mais malucos de um dia para outro, isso numa época em que fazê-lo era complicado. Ele conheceu o Sri Lanka, a Indochina, o Egito e lugares tão exóticos e bisonhos quanto Rio de Janeiro e São Paulo. E isso em 1899! Pior, vocês não acreditar, mas ele foi aos Estados Unidos! Morreu em Argel numa dessas viagens.

Camille Saint-Säens (1841-1904): Integral dos Concertos para Piano

1. Saint-Saëns: Piano Concerto No.1 in D, Op.17 – 1. Andante – Allegro assai 12:25
2. Saint-Saëns: Piano Concerto No.1 in D, Op.17 – 2. Andante sostenuto quasi adagio 10:27
3. Saint-Saëns: Piano Concerto No.1 in D, Op.17 – 3. Allegro con fuoco 5:36

4. Saint-Saëns: Piano Concerto No.2 in G minor, Op.22 – 1. Andante sostenuto 11:26
5. Saint-Saëns: Piano Concerto No.2 in G minor, Op.22 – 2. Allegro scherzando 5:51
6. Saint-Saëns: Piano Concerto No.2 in G minor, Op.22 – 3. Presto 6:50

7. Saint-Saëns: Piano Concerto No.3 in E flat major, Op.29 – 1. Moderato assai – piu mosso (Allegro maestoso) 14:27
8. Saint-Saëns: Piano Concerto No.3 in E flat major, Op.29 – 2. Andante 8:01
9. Saint-Saëns: Piano Concerto No.3 in E flat major, Op.29 – 3. Allegro non troppo 7:39

10. Saint-Saëns: Piano Concerto No.4 in C minor, Op.44 – 1. Allegro moderato – Andante 12:37
11. Saint-Saëns: Piano Concerto No.4 in C minor, Op.44 – 2. Allegro vivace – Andante – Allegro 13:40

12. Saint-Saëns: Piano Concerto No.5 in F, Op.103 “Egyptian” – 1. Allegro animato 11:25
13. Saint-Saëns: Piano Concerto No.5 in F, Op.103 “Egyptian” – 2. Andante 11:48
14. Saint-Saëns: Piano Concerto No.5 in F, Op.103 “Egyptian” – 3. Molto allegro 5:44

Pascal Rogé, piano
London Philharmonic Orquestra
Charles Dutoit

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Vais viajar, Camille?
Vais viajar, Camille?

PQP

Duparc / Fauré / Franck / Hahn / Isserlis / Saint-Saëns: Música para Violoncelo nos Salões de Proust

Duparc / Fauré / Franck / Hahn / Isserlis / Saint-Saëns: Música para Violoncelo nos Salões de Proust

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um tremendo disco, cheio de estilo e beleza. Como escreveu Paulo da Costa e Silva na Piauí:

“As melhores páginas que li sobre música foram escritas por Proust. Nada supera a vitalidade das descrições musicais e da compreensão dos processos da escuta que encontramos no romance. Grandes musicólogos como Leonard B. Meyer, Charles Rosen e Jean Molino não conseguiram, ao que me parece, chegar tão próximo do âmago do mistério musical – e nem grandes filósofos como Schopenhauer e Nietzsche, ou grandes artistas que pensaram a própria arte, como Stravinski e John Cage. Proust não tinha qualquer estudo formal de música. Não sabia ler partituras, desconhecia teorias e não tocava nenhum instrumento. Tinha apenas um ouvido finamente cultivado, antenado com a tradição da música clássica de sua época, indo mais ou menos de Bach a Debussy. E uma sensibilidade descomunal. Sensibilidade e capacidade expressiva por meio da palavra escrita. As reflexões musicais de Proust são tão mais fascinantes por não trazerem a aridez e a pretensão de objetividade das terminologias técnicas. Ele cerca seu objeto com as armas que possui, de modo direto. Está interessado no efeito da música sobre os meandros do ser. É um observador extraordinário desses efeitos, que ele conseguiu não apenas captar, mas transpor no meio específico da linguagem escrita. Vamos supor a música como sendo uma entidade invisível, como de fato é: a escrita de Proust seria um tecido finíssimo que por um breve instante adere perfeitamente à forma dessa entidade, tornando-a visível. Por meio de conceitos ela constrói uma experiência que possui algo de análogo à forma musical – uma escrita musicalizada capaz de emular a própria música. Citei alguns filósofos acima, mas agora me parece que quem mais (e melhor) se aproximou desse modo de pensar sobre música foi Gilles Deleuze, não à toa um proustiano de carteirinha. Talvez, depois de Proust, as mais luminosas páginas sobre música sejam de sua autoria. Adorno também captou a sugestão (era outro grande admirador de Proust), mas a amplidão de seu conhecimento (era pianista e compositor, conhecia bem a teoria musical) talvez o tenha afastado das regiões mais relaxadas do amador, onde a experiência corre um pouco mais livremente, um pouco menos obstruída pelo o que se sabe. Ainda que coalhada de iluminações, a escrita de Adorno não chega a atingir o “estado musical” que caracteriza a prosa de Marcel.

Tudo isso me leva a pensar que o ensaio é a forma textual mais adequada para se aproximar desses misteriosos objetos sonoros, e não o texto acadêmico com pretensões de conhecimento científico – que, ao levar a música para o laboratório, com suas provas e refutações, suas noções de objetividade, acaba quase sempre nos devolvendo um objeto morto. O bonito do ensaio é que ele permite que a música continue viva em seu interior. O que ele traz são, justamente, vislumbres de seu movimento. E nada mais. É diferente de querer fixá-la para o frio exame do microscópio. O ensaio é em si um objeto com vida própria – e o que ele narra é seu encontro com outro objeto qualquer. Proust foi um mestre dessa arte, mas não ficou apenas nisso. Incorporou o ensaio dentro do gênero do romance e, o que é mais incrível, não perdeu de vista o movimento que levava dos detalhes particulares para as generalizações mais abstratas da formulação teórica – ou seja, o movimento que conduz na direção do saber científico. Jean-Jacques Nattiez demonstrou em seu livro Proust musicien como o escritor formula ao longo do romance uma pequena “teoria da comunicação musical”, delineando as três fases perceptivas de uma obra – que começa com impressões vagas, bem ao sabor de Proust; desenvolve para uma relação associativa entre sons, experiências e lembranças; e finalmente, a depender da sofisticação do ouvinte, pode conduzir a uma apreensão das formas puras, do jogo estético das ideias musicais, por assim dizer. Cada uma dessas etapas da escuta musical coincide com um representante histórico, mas curiosamente segue num sentido inverso da história, na direção do passado. Assim, o primeiro momento da escuta, no qual sensações inefáveis prevalecem sobre a definição das formas, encontra um equivalente na música de Debussy, que foi contemporâneo de Proust; o segundo momento é representado pela obra de Wagner, que antecedeu historicamente Debussy; e o terceiro e último tem como paradigma a obra tardia de Beethoven, que antecedeu os dois primeiros. Tais seriam as bases da pequena “teoria musical” do escritor francês. Coloco o termo entre aspas porque Proust não é um cientista. Em nenhum instante sua “teoria” se desvencilha dos fatos concretos que a motivaram; jamais ganha um caráter genérico; por isso, não chega a ser uma teoria. A sugestão de um modelo ordenado de escuta serve apenas para melhor iluminar a complexidade da experiência real – e não para extrair dela um sumo básico, ou os “mecanismos da escuta musical”. Há um impulso na direção do saber científico, mas esse impulso não deve ser consumado. Quando o personagem Swann escuta a sonata de Vinteuil, não se trata apenas de um cérebro interagindo com uma forma sonora organizada; sua experiência é inextricavelmente ligada ao seu momento de vida, à figura da amante Odette, aos sofrimentos amorosos, ao ambiente do salão dos Verdurin, aos fiapos de memória e de reflexões que transitam em sua mente enquanto ouve a peça, etc., etc… Tudo isso faz parte do contexto sempre impuro no qual se dá a experiência musical. Proust até admite ordenar um pouco a bagunça das sensações, baseando-se no modelo científico, mas sem afastá-la demasiadamente do terreno concreto da experiência. Praticou, por assim dizer, uma “ciência suja”, que jamais perde de vista o je ne sais quoi do objeto estético. Que faz com que a música permaneça para sempre viva em suas palavras.

Steven Isserlis e Connie Shih mostram-se dignos de toda esta sensibilidade.

Duparc / Fauré / Franck / Hahn / Isserlis / Saint-Saëns: Música para Violoncelo nos Salões de Proust

01. Hahn: Variations chantantes sur un air ancien

02. Fauré: Romance in A Major, Op. 69
03. Fauré: Élégie in C Minor, Op. 24 (Version for Cello & Piano)

04. Saint-Saëns: Cello Sonata No. 1 in C Minor, Op. 32: I. Allegro
05. Saint-Saëns: Cello Sonata No. 1 in C Minor, Op. 32: II. Andante tranquillo e sostenuto
06. Saint-Saëns: Cello Sonata No. 1 in C Minor, Op. 32: III. Allegro moderato
07. Saint-Saëns: Cello Sonata No. 1 in C Minor, Op. 32: III. Allegro quasi presto (Original Version)

08. Duparc: Cello Sonata in A Minor: II. Lamento

09. Isserlis: Récitatif et chant (After Holmès’s “La vision de la reine”)

10. Franck: Violin Sonata in A Major, FWV 8 (Arr. J. Delsart for Cello & Piano): I. Allegretto ben moderato
11. Franck: Violin Sonata in A Major, FWV 8 (Arr. J. Delsart for Cello & Piano): II. Allegro
12. Franck: Violin Sonata in A Major, FWV 8 (Arr. J. Delsart for Cello & Piano): III. Recitativo-Fantasia
13. Franck: Violin Sonata in A Major, FWV 8 (Arr. J. Delsart for Cello & Piano): IV. Allegretto poco mosso

Steven Isserlis, violoncelo
Connie Shih, piano

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Isserlis e Shih na PQP Bach Proust´s Salon de Paris

PQP

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha: a Quinta Década (1981-1990) [Martha Argerich, 80 anos]

Em homenagem aos oitenta anos da Rainha (e antes que ela complete oitenta e um!), adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a quinta de oito partes:


Martha chegou aos quarenta com a reputação consolidada: uma das maiores pianistas do seu tempo, um fenômeno que abarrotava todas as salas de concerto, e tão célebre pelos recitais que dava quanto por aqueles que cancelava. Sua aversão tanto à cultura do espetáculo quanto ao estrelato levou-a, ao longo da década, a evitar a imprensa e os holofotes. Pouco a pouco, também, trocou as aparições solo por colaborações com amigos que, como veríamos nas décadas seguintes, seriam mantidas por toda a vida. Isso, naturalmente, refletiu-se em seu legado discográfico nos anos 80: muitos duos, alguns concertos, apenas um (e derradeiro) álbum solo – e, o mais incrível, nenhum Chopin.


Um dos mais fieis escudeiros de Martha, o leto-israelense Mischa Maisky (1948) é tão próximo da Rainha que ela escolheu ser sua vizinha quando mudou-se para Bruxelas. Maisky é, claro, um ótimo violoncelista, mas tende sempre a romantizar bastante as coisas, embora sua vizinha, felizmente, quase sempre lhe sirva de antídoto aos excessos de sacarose. O arranjo para violoncelo da sonata de Franck – um dos xodós de Martha, que a gravou tantas vezes, sempre com parceiros diferentes – é muito atraente, e as obras de Debussy que fecham o disco me fazem lamentar, como já fizera quando comentei a gravação com Gitlis, que a Rainha não tenha gravado mais coisas do pai da Chouchou.

César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert FRANCK (1822-1890)
Arranjo de Jules Delsart (1844-1900)
Sonata em Lá maior para violoncelo e piano
1 – Allegretto ben moderato
2 – Allegro
3 – Ben moderato: Recitativo-Fantasia
4 – Allegretto poco mosso

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
Sonata em Ré menor para violoncelo e piano
5 – Prologue: Lent – Sostenuto e molto risoluto
6 – Sérénade et Final (Modérément animé – Animé)

La Plus que Lente, valsa para piano
Arranjo para violoncelo e piano de Mischa Maisky (1948)
7 – Molto rubato con morbidezza

Dos Prelúdios para piano, Livro I:
8 – No. 12: Minstrels: Modéré (arranjo de Mischa Maisky para violoncelo e piano)

Mischa Maisky, violoncelo

Gravado em Genebra, Suíça, em dezembro de 1981

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Martha e Nelson Freire (1944-2021) eram amigos desde os tempos de estudantes em Viena. Sobretudo, e com o devido perdão pelo lugar-comum, eram almas gêmeas e o demonstravam sobejamente quando tocavam em duo. Eu jurava que este disco, que inaugurou a parceria deles em estúdios de gravação, já fazia parte do acervo do PQP Bach. Enganei-me: ele só foi, em verdade, citado pelo patrão numa outra postagem com os dois, em que ele contou de seu breve encontro com a deusa para um autógrafo em Porto Alegre, e da espirituosa mensagem que ela deixou em seu LP.

Sergey Vasilyevich RACHMANINOFF (1873-1943)
Suíte para dois pianos no. 2 em Dó maior, Op. 17
1 – Introduction
2 – Valse
3 – Romance
4 – Tarantella

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
La valse, Poème Chorégraphique pour Orchestre
Transcrição para dois pianos do próprio compositor
5 – Mouvement de valse viénnoise

Witold Roman LUTOSŁAWSKI (1913-1994)
Variações sobre um tema de Paganini, para dois pianos
6 –  Tema – Variações I-XII – Coda

Nelson Freire, piano

Gravado em La Chaux-de-Fonds, Suíça, em agosto de 1982

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Grande amigo de Martha, o cipriota Nicolas Economou (1953-1993) certamente estaria a dividir os palcos com ela até hoje, não tivesse sucumbido jovem ao alcoolismo e, por fim, a uma desgraça automobilística. O destaque dessa gravação, a única que fizeram, é a hábil transcrição de Economou para a suíte de “O Quebra-Nozes” de Tchaikovsky, dedicada a Stéphanie e Semele, as caçulas da dupla.

Sergey RACHMANINOFF
Danças Sinfônicas, Op. 45, para dois pianos
1 – Non allegro
2 – Andante con moto
3 – Lento assai – Allegro vivace – Lento assai. Come prima – Allegro vivace

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
Suíte do balé “O Quebra-Nozes”, Op. 71a
Transcrição para dois pianos de Nicolas Economou (1953-1993)
4 – Ouverture-miniature: Allegro giusto
5 – Danses Caractéristiques – Marche: Tempo di Marcia viva
6 – Danses Caractéristiques – Danse de la Fée Dragée: Andante non troppo
7 – Danses Caractéristiques – Danse Russe – Trépak: Tempo di Trepak, molto vivace
8 – Danses Caractéristiques – Danse Arabe: Allegretto
9 – Danses Caractéristiques – Danse Chinoise: Allegro moderato
10 – Danses Caractéristiques – Danse des Mirlitons: Moderato assai
11 – Valse Des Fleurs: Tempo de Valse

Nicolas Economou, piano

Gravado em Munique, Alemanha Ocidental, em março de 1983

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Martha sequer completara quarenta e dois anos quando nos legou seu último registro solo em estúdio. Enfastiada do processo de gravação, e num resmungo crescente quanto a solidão nos recitais e sessões (e eu acho que sua expressão amuada na capa diz-lhes mais do que eu seria capaz de lhes contar), deixou-nos um Schumann emblemático antes de se calar para sempre como recitalista em discos. Horowitz, com quem ela quisera ter aulas, ficaria faceiro com a jamais-aluna se ouvisse a endiabrada “Kreisleriana” e as “Cenas Infantis” tocadas assim, com a verve e o colorido que lhe eram tão característicos.

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Kinderszenen, para piano, Op. 15
1 – Von fremden Ländern und Menschen
2 – Kuriose Geschichte
3 – Hasche-Mann
4 – Bittendes Kind
5 – Glückes genug
6 – Wichtige Begebenheit
7 – Träumerei
8 – Am Kamin
9 – Ritter vom Steckenpferd
10 – Fast zu ernst
11 – Fürchtenmachen
12 – Kind im Einschlummern
13 – Der Dichter spricht

Kreisleriana, Fantasias para piano, Op. 16
14 – Äußerst bewegt
15 – Sehr innig und nicht zu rasch
16 – Sehr aufgeregt
17 – Sehr langsam
18 – Sehr lebhaft
19 – Sehr langsam
20 – Sehr rasch
21 – Schnell und spielend

Gravado em Munique, Alemanha Ocidental, em abril de 1983

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Beethoven é, confessadamente, o compositor favorito de Martha, mas, em vivo contraste com seu amado Schumann, não o gravou muito quanto diz gostar dele. Se ela não tivesse abandonado as gravações solo, talvez encarasse a empreitada de registrar algumas sonatas do renano, como sói acontecer com os pianistas em maturidade artística. Por outro lado, os dois primeiros concertos para piano de Ludwig, seus cavalos de batalha como compositor-pianista recém-chegado a Viena, são figurinhas fáceis nos concertos da Rainha e em suas gravações ao vivo. Essa aqui, com a orquestra do Concertgebouw sob o patriarca dos Järvi, é uma das melhores, à qual se segue uma bonita “Patética” de Tchaikovsky, conduzida por aquele discreto gigante que atendia por Antal Doráti.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 19
1 – Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondò. Molto allegro

Koninklijk Concertgebouworkest
Neeme Järvi, regência

Gravado em Amsterdã, Países Baixos, em novembro de 1983

Pyotr TCHAIKOVSKY
Sinfonia no. 6 em Si menor, Op. 74, “Patética”

4 – Adagio – Allegro non troppo
5 – Allegro con grazia
6 – Allegro molto vivace
7 – Finale — Adagio lamentoso

Koninklijk Concertgebouworkest
Antal Doráti, regência

Gravado em Amsterdã, Países Baixos, em novembro de 1983

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Não é todo mundo que tem dois parças letões. Mas Martha não é todo mundo e tem, além de Mischa Maisky, um outro nativo de Riga como parceiro musical de toda vida. Gidon Kremer (1947) ganhou rápida notoriedade depois de deixar a União Soviética e, com imenso repertório e interpretações muito originais, transformou-se num queridinho de plateias e gravadoras. Gosto dele, apesar de não ser seu fã incondicional, mas, assim como acontece com Maisky, acho que Martha consegue lhe domar os arroubos mercuriais, de modo que as parcerias com ela estão entre suas melhores gravações. Este é o primeiro dos quatro discos com a integral das sonatas de Beethoven, e essas gravações das sonatas da juventude do renano deixam muito óbvio que os dois estão tão entrosados e à vontade quanto os vemos na capa do disco.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Três sonatas para violino e piano, Op. 12

Sonata no. 1 em Ré maior
1 – Allegro con brio
2 – Tema con variazioni: Andante con moto
3 – Rondo: Allegro

Sonata no. 2 em Lá maior
4 – Allegro vivace
5 – Andante, più tosto allegretto
6 – Allegro piacevole

Sonata no. 3 em Mi bemol maior
7 – Allegro con spirito
8 – Adagio con molta espressione
9 – Rondo: Allegro molto

Gidon Kremer, violino

Gravado em Munique, Alemanha Ocidental, em novembro de 1984

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Martha voltou a unir-se a Maisky para este registro das sonatas para gamba e cravo de Sebastião Ribeiro, e o resultado é surpreendente. Não pela qualidade dos intérpretes, que é notória – embora Martha aqui dome uma vez mais os esguichos de sacarose do vizinho -, e sim pelo quão convincentes estas sonatas soam sob mãos tão pouco barrocas. A transparência e clareza do Bach da Rainha permeiam toda a gravação, e acho Maisky perfeito, quase gambístico, nos movimentos rápidos da sonata em Sol menor.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Três sonatas para viola da gamba e cravo obbligato, BWV 1027-29

Sonata no. 1 em Sol maior, BWV 1027
1 – Adagio
2 – Allegro ma non tanto
3 – Andante
4 – Allegro moderato

Sonata no. 2 em Ré maior, BWV 1028
5 -Adagio
6 – Allegro
7 – Andante
8 – Allegro

Sonata no. 3 em Sol menor, BWV 1029
9 – Vivace
10 – Adagio
11 – Allegro

Mischa Maisky, violoncelo

Gravado em Munique, Alemanha Ocidental, em março de 1985

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Este disco pode ser descrito como uma “baguncinha entre amigos”: Martha trouxe Nelson e Mischa, e Kremer trouxe Isabelle van Keulen e Elena Bashkirova, sua ex-esposa e então recém-mãe dos dois filhos de Daniel Barenboim, que, por sua vez, ainda era casado com Jacqueline du Pré. Antes que isso vire a “Quadrilha” de Drummond, afirmo-lhes que o resultado é bem divertido: Martha e Nelson se esbaldam na idiomática escrita pianística de Saint-Saëns, Maisky aproveita a chance de confeitar o belíssimo Le Cygne, e Kremer e Bashkirova, alternando-se entre seus instrumentos e narração, trazem interesse às pouco gravadas peças que completam o disco (e se a história do touro Ferdinand lhes parecer familiar, certamente será porque vocês já a viram aqui)

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)
O Carnaval dos Animais, Grande Fantasia Zoológica
1 – Introdução e Marcha Real do Leão
2 – Galinhas e Galos
3 – Hémiones (asnos selvagens da Mongólia) – Animais velozes
4 – Tartarugas
5 – O Elefante
6 – Cangurus
7 – Aquário
8 – Personagens de orelhas compridas
9 – O cuco nas profundezas dos bosques
10 – Aviário
11 – Pianistas
12 – Fósseis
13 – O Cisne
14 – Final

Martha Argerich e Nelson Freire, pianos
Gidon Kremer e Isabelle van Keulen, violinos
Tabea Zimmermann, viola
Mischa Maisky, violoncelo
Georg Hörtnagel, contrabaixo
Irena Grafenauer, flauta
Eduard Brunner, clarinete
Edith Salmen-Weber, glockenspiel
Markus Steckeler, xilofone

Alan RIDOUT (1934-1996), texto de Munro Leaf
15 – Ferdinand the Bull, para narrador e violino solo

Elena Bashkirova, narração
Gidon Kremer, violino

Frieder MESCHWITZ (1936)
Tier-Gebete (“Preces dos Animais”), para narrador e piano
Texto: “Prières Dans L’Arche”, de Carmen Bernos de Gasztold, traduzido para o alemão por A. Kassing e A. Stöcklei
16 – A Prece do Boi
17 – A Prece do Rato
18 – A Prece do Gato
19 – A Prece do Cão
20 – A Prece da Formiga
21 – A Prece do Elefante
22 – A Prece da Tartaruga
23 – A Prece da Girafa
24 – A Prece do Macaco
25 – A Prece do Galo
26 – A Prece do Velho Cavalo
27 – A Prece da Borboleta

Gidon Kremer, narração
Elena Bashkirova, piano

Alan RIDOUT, texto de David Delve
28 – Little Sad Sound

Gidon Kremer, narração
Alois Posch, contrabaixo

Gravado em Munique, Alemanha Ocidental, em abril de 1985

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O segundo ato em disco da longa parceria entre Martha e nosso saudoso Nelson foi esta gravação da versão de concerto da sonata para dois pianos e percussão de Béla Viktor János, que a tocou pela primeira e única vez em público, com a esposa Ditta e sob a regência do compatriota Fritz Reiner, em sua última aparição como concertista, em 1943. Se Nelson e Martha nunca juntaram as escovas de dentes, a impressão que se tem ao escutar esse registro com a Concertgebouw sob o ótimo David Zinman é bem diferente: Ditta e Béla ficariam com inveja da liga que los sudamericanos dão ao originalíssimo tecido sonoro criado pelo magiar genial.

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Concerto para dois pianos, percussão e orquestra
1 – Assai lento – Allegro molto
2 – Lento, ma non troppo
3 – Allegro ma non troppo

Nelson Freire, piano II
Jan Labordus e Jan Pustjens, percussão

Zoltán KODÁLY (1882-1967)
4 –  Danças de Galanta (Galántai táncok), para orquestra

Koninklijk Concertgebouworkest
David Zinman, regência

Gravado em Amsterdã, Países Baixos, em agosto de 1985

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Martha devora aqui, como é costumeiro, aquele seu outro cavalo de batalha – o Concerto em Sol de Ravel – num disco dedicado a Maurice e ao israelense Gary Bertini (1927-2005), um ótimo regente que nos legou um excelente ciclo de sinfonias de Mahler – do qual vocês poderão ter boa ideia pelo capricho com que ele burila a sensacional segunda suíte de Daphnis et Chloé.

Maurice RAVEL
Suíte no. 2 do balé Daphnis et Chloé
1 – Lever du jour
2 – Pantomime
3 – Danse générale

Concerto para piano e orquestra em Sol maior
4 – Allegramente
5 – Adagio assai
6 – Presto

7 – La Valse, poema coreográfico para orquestra

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester
Gary Bertini, regência

Gravado ao vivo em Colônia, Alemanha Ocidental, em dezembro de 1985

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Marthita e Danielito foram as duas mais famosas Wunderkinder portenhas nos anos 40. A emigração dos Barenboim para Israel e os diferentes rumos que os prodígios tomaram em suas carreiras fizeram com que se revissem e gravassem só já consagrados e maduros. Essa gravação de Noches em los Jardines de España é minha favorita, pelo que Martha traz de colorido e, surpreendentemente, de sobriedade à parte pianística, integrando seu piano à massa orquestral como se dela fosse só uma parte, e não a briosa solista de costume. Completa o disco um registro da mais efetiva das orquestrações da suíte Iberia de Albéniz, que, apesar de muitas belezas, não é muito minha praia, fã que sou do pianismo magistral da obra original.

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)
Noches en los Jardines de España, para piano e orquestra
1 – En el Generalife: Allegretto tranquillo e misterioso
2 – Dansa Lejana: Allegretto giusto – En los Jardines de la Sierra de Córdoba: Vivo

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)
De Iberia, suíte para piano (orquestração de Enrique Fernández Arbós)
3 – Evocación
4 – El Puerto
5 – El Albaicin
6 – Fête-Dieu à Séville
7 – Triana

Orchestre de Paris
Daniel Barenboim, regência

Gravado em Paris, França, em fevereiro de 1986

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Em mais um álbum que reflete sua risonha capa, Martha e Kremer divertem-se em suas leituras dessas sonatas-irmãs de Beethoven, paridas em números de opus separados tão só por uma mundana questão de papel. O letão e a argentina, intérpretes tão originais quanto impulsivos, emprestam uma bem-vinda inquietude aos tantos gestos temperamentais de Ludwig, sempre o nervosinho. Acima de tudo, o que Martha faz desses discos instiga a imaginação, quando nela pomos a Rainha a tocar algumas das quase trinta sonatas do renano que jamais trouxe a público.

Ludwig van BEETHOVEN
Sonata em Lá menor para violino e piano, Op. 23

1 – Presto
2 – Andante scherzoso, più allegretto
3 – Allegro molto

Sonata em Fá maior para violino e piano, Op. 24, “Primavera”
4 – Allegro
5 – Adagio molto espressivo
6 – Scherzo: Allegro molto
7 – Rondo: Allegro ma non troppo

Gidon Kremer, violino

Gravado em Berlim Ocidental em março de 1987

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Mais Kremer, e ainda mais sorrisos. À curiosa escolha do repertório – dois concertos compostos por um Mendelssohn adolescente – soma-se a distinta companhia da Orpheus, uma orquestra de câmara notória por ser conduzida não por regentes, mas por seus próprios músicos, através dum original e participativo processo criativo. A Orpheus, que não é muito afeita a superestrelas, parece ter aberto uma exceção à turma de Martha (pois também gravou com Mischa Maisky), com bons resultados. Aqui, a temperamental dupla de solistas está quase irreconhecível em sua dedicação à transparência e ao equilíbrio clássico dessas peças que só surpreenderão quem desconhece o considerável compositor que Felix já era quando moleque.

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN Bartholdy (1809-1847)
Concerto para piano, violino e orquestra de cordas em Ré menor, MWV O4
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Allegro molto

Concerto para violino e orquestra de cordas em Ré menor, MWV O3
4 – Allegro
5 – Andante
6 – Allegro

Gidon Kremer, violino
Orpheus Chamber Orchestra

Gravado em Zurique, Suíça, em maio de 1988

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status de superestrela garantiu a Martha gravidade suficiente para atrair outros astros à sua órbita e promover festivais centrados em sua presença, como os de Beppu (Japão) e Lugano (Suíça), bem como em sua Buenos Aires natal. Aqui, ela é parte duma constelação granjeada por Gidon Kremer para o festival de Lockenhaus, na Áustria, capitaneado por ele. A participação de Martha resumir-se-ia ao duo que abre o disco, com a participação de Alexandre Rabinovitch (mais – mas MUITO mais – sobre ele em breve), mas resolvi encerrá-lo com uma breve peça de Kreisler tocada com o capitão Kremer, transplantada de outro disco. O recheio é muito, e muito bom Schubert, com destaque para dois pouco ouvidos trios.

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)
Rondó em Ré maior para piano a quatro mãos, D. 608
1 – Allegretto

Martha Argerich e Alexandre Rabinovitch, piano

2 – 25 Winterreise, ciclo de canções sobre poemas de Wilhelm Müller, D. 911

Robert Holl, baixo
Oleg Maisenberg, piano

Trio em Mi bemol maior para piano, violino e violoncelo, D. 897, “Notturno”
26 – Adagio

Oleg Maisenberg, piano
Gidon Kremer, violino
Clemens Hagen, violoncelo

Trio em Si bemol maior para violino, viola e violoncelo, D. 581
27 – Allegro moderato
28 – Andante
29 – Menuetto: Allegretto
30 – Rondo: Allegretto

Gidon Kremer, violino
Nobuko Imai, viola
Mischa Maisky, violoncelo

Friedrich “Fritz” KREISLER (1875-1962)
31 – Liebesleid, para violino e piano

Gidon Kremer, violino

Gravado ao vivo em Lockenhaus, Áustria, julho de 1988

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Natural de Baku, no Azerbaijão, mas educado na Rússia e radicado na Suíça, o pianista, compositor e regente Alexandre Rabinovitch será figurinha fácil na próxima década de vida artística de nossa Rainha. Nessa gravação, eles encaram a travessia da monumental suíte “Visões do Amém”, de Olivier Messiaen, composta durante a ocupação nazista da França (e depois de sua indesejável temporada em Görlitz) e destinada à interpretação do próprio compositor e de sua esposa, Yvonne Loriod. Messiaen criou as partes para piano especificamente para os temperamentos dos dois, destinando ao piano de Yvonne as “dificuldades rítmicas, os clusters, tudo que tem velocidade, charme e qualidade de som” e a seu próprio “a melodia principal, elementos temáticos, tudo o que demanda emoção e força”. A descrição de Yvonne lhes pareceu familiar? Pois escutem a gravação e me contem quem tocou a parte de Mme. Loriod.

Olivier Eugène Prosper Charles MESSIAEN
(1908-1992) 
Visions de l’Amen, para dois pianos (1943)
1 – Amen de la Création
2- Amen des étoiles, de la planète à l’anneau
3 – Amen de l’agonie de Jésus
4 – Amen du Désir
5 – Amen des Anges, des Saints, du chant des oiseaux
6 – Amen du Jugement
7 – Amen de la Consommation

Alexandre Rabinovitch, piano II

Gravado em Londres, Reino Unido, em dezembro de 1989

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Dessa década da carreira da Rainha vocês já encontravam no blog as seguintes gravações:

Serguei Rachmaninov (1873-1943) – Piano Concerto nº3, in D Minor, op. 30, Piotr Illich Tchaikovsky (1840-1893) – Piano Concerto nº1, in B Flat Minor, op. 23 (Argerich, Chailly, Kondrashin)

O incandescente Rach 3 sob Riccardo Chailly (1982)


[Restaurado] Schubert – Sonata para Arpeggione e Piano / Schumann – Fantasiestücke, 5 Stücke im Volkston

Mais um capítulo da longa parceria com o amigo Maisky, num Schubert que nos faz sonhar com Marthita tocando a últimas sonatas de Franz (1984)


Prokofiev (1891-1953): Piano Concerto No. 3 / Ravel (1875-1937): Piano Concerto in G

Um de meus discos para uma ilha deserta: a maravilhosa gravação do Concerto em Sol de Ravel (1984), pareada com o no. 3 de Prokofiev. Duas das especialidades da Rainha, sob a batuta de um de seus bruxos, Claudio Abbado.


Bartók: Sonata Nº 1 para Violino e Piano (1921) / Janáček: Sonata para Violino e Piano (1914-1921) / Messiaen: Tema e Variações para Violino e Piano (1932)

Numa outra empreitada com Gidon Kremer, gravada em 1985, Martha encara peças contemporâneas que, se já foram interpretadas com mais “sotaque”, são tão boas que sempre merecem a audição. Minha favorita entre as gravações desse álbum é a de Messiaen.


[Restaurado] BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concertos para piano e orquestra, Opp. 15 & 19 – Argerich – Sinopoli

Dois cavalos de batalha argerichianos, interpretados com o brilho de sempre pela Rainha, a despeito do som orquestral cavernoso e pouco congenial (1985)


[Restaurado] Robert Schumann (1810-1856) – Sonatas para Piano e Violino – Kremer, Argerich

Talvez o melhor duo entre Argerich e Kremer seja esse, gravado em 1985, em que nossa Rainha traz o amigo para seu mundo, o planeta Schumann.


BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Integral das sonatas e variações para violoncelo e piano – Maisky – Argerich

Minha gravação favorita das sonatas para violoncelo e piano de Beethoven deve quase tudo a Martha: foi seu brilho no finale daquela obra-prima, a sonata Op. 69, que primeiro me chamou a atenção para seu nome, quando eu era um garoto de poucos fios de barba a escutar a gravação, no mesmo 1990 em que foi lançada.


Nicolas Economou toca “Martha My Dear”, dos Beatles, para a própria, no início dos anos 80.

Vassily

Sarasate / Vaughan Williams / Saint-Saëns / Massenet / Ravel / Pärt / Rachmaninov / Fauré: Fantasie (Nicola Benedetti)

Sarasate / Vaughan Williams / Saint-Saëns / Massenet / Ravel / Pärt / Rachmaninov / Fauré: Fantasie (Nicola Benedetti)

Um excelente disco de Nicola Benedetti, que, apesar do nome, é escocesa. Neste Fantasie, seu quarto álbum, ela apresenta uma seleção de peças para violino que são muito amadas e que formam uma impressionante demonstração de qualidade interpretativa. A combinação de peças virtuosísticas de influência cigana com meditações e canções introspectivas funcionou maravilhosamente e mostram a maturidade de Benedetti. Ela foi vencedora do concurso de jovens músicos da BBC e depois estabeleceu uma carreira fantástica com grandes orquestras do Reino Unido, EUA e Japão, recebendo elogios por suas ousadas interpretações de concertos como os de Tchaikovsky, Mendelssohn, Sibelius, Glazunov e Szymanowski. Para Fantasie, Benedetti deixou de lado os grandes concertos para explorar algumas obras do recital padrão, mas também incluindo músicas não tão conhecidas, como a linda The Lark Ascending, de Vaughan Williams, uma das maiores obras para violino que, nos últimos três anos, foi eleita a peça favorita de música clássica da inglesa Classic FM, mas ainda pouco divulgada fora das ilhas.

Sarasate / Vaughan Williams / Saint-Saëns / Massenet / Ravel / Pärt / Rachmaninov / Fauré: Fantasie (Nicola Benedetti)

1 Zigeunerweisen Op.20
Composed By – Pablo de Sarasate
Conductor – Vasily Petrenko
Leader – James Clark (6)
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
8:59

2 The Lark Ascending
Composed By – Ralph Vaughan Williams
Conductor – Andrew Litton
Leader – Vesselin Gellev
Orchestra – The London Philharmonic Orchestra
15:57

3 Introduction And Rondo Capriccioso In A Minor
Composed By – Camille Saint-Saëns
Conductor – Vasily Petrenko
Leader – James Clark (6)
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
9:19

4 Meditation From “Thais”
Composed By – Jules Massenet
Conductor – Daniel Harding
Leader – Carmine Lauri
Orchestra – The London Symphony Orchestra
5:39

5 Tzigane
Composed By – Maurice Ravel
Conductor – Vasily Petrenko
Leader – James Clark (6)
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
10:02

6 Spiegel Im Spiegel
Composed By – Arvo Pärt
Piano – Alexei Grynyuk

7 Vocalise Opus 34 No.14
Composed By – Sergey Rachmaninov*
Piano – Alexei Grynyuk
6:11

8 Apres Une Reve
Composed By – Gabriel Fauré
Piano – Alexei Grynyuk

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Se eu tocasse como Nicola, sorriria assim

PQP

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música para Violoncelo e Piano

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música para Violoncelo e Piano

Mesmo sem ser um grande admirador dos românticos e menos ainda dos franceses, eu gosto muito dos trabalhos de Camille Saint-Saëns. Estranho… Sempre o ouço meio de nariz torcido e ele sempre me dobra. O mesmo ocorreu aqui. Suas duas sonatas para violoncelo são ótimas. Não as conhecia e fiquei muito feliz ao fazê-lo. É música nobre e muito bem escrita. A interpretação da dupla Poltéra / Stott acrescenta muito charme a elas.

Quando jovem, Saint-Saëns era cheio de entusiasmo em relação às músicas mais modernas da sua época. Sentia isso particularmente com Robert Schumann, Franz Liszt e Richard Wagner, porém suas composições geralmente ficavam mais dentro das convenções clássicas tradicionais. Foi um acadêmico e permaneceu comprometido com as estruturas estabelecidas por compositores franceses anteriores. Como viveu muito — o que é ótimo — isto fez com que entrasse em conflito no final de sua vida com compositores das escolas impressionista e dodecafonista, apesar de existirem elementos neoclássicos em sua música. Ele foi frequentemente considerado um reacionário nas últimas décadas antes de sua morte.

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música para Violoncelo e Piano

Sonata No 1 in C min, Op 32
01. I. Allegro
02. II. Andante tranquillo sostenuto
03. III. Allegro moderato

Sonata No 2 in F maj, Op 123
04. I. Maestoso, largamente
05. II. Scherzo con variazioni
06. III. Romanza
07. IV. Allegro ma non troppo, grazioso

Priere Op 158 in G major – arranged for cello and piano by the composer
08 I. Andante

The Swan – ‘Le Cygne’ from Le Carnaval des animaux
09. I. Andante grazioso

Romance Op 36 in F major – for horn or cello and piano
1o. I. Moderato

Christian Poltéra, cello
Kathryn Stott, piano

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Saint-Saënsão dando um rolê pela sua tela.

PQP

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música de Câmara para Sopros

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música de Câmara para Sopros

Gosto muito do velho Camille! Camille Saint-Saëns foi um dos músicos mais talentosos de sua época, compositor prolífico, figura de proa da música francesa e um dos maiores pianistas e organistas do século XIX. Ele também era um respeitado escritor e estudioso, além de um talentoso matemático e astrônomo amador. E adorava viajar! No início de sua carreira, na década de 1850, ele foi comemorado como o jovem compositor francês mais brilhante de sua época, ganhando grandes prêmios de composição e atraindo o apoio de alguns dos compositores mais famosos da época, como Rossini e Berlioz. Apesar de toda essa conquista, Saint-Saëns era considerado sem emoção e conservador por alguns de seus contemporâneos. No final de sua vida, no início de 1900, muitos dos principais compositores franceses da época, como Debussy, o consideravam antiquado e reacionário. Suas peças mais conhecidas, como o Carnaval dos Animais e a Sinfonia do Órgão, eram vistas como populistas e inconsequentes, tocando para a multidão ao invés de serem arte séria. Bobagem. E este não é o único problema que viam na música de Saint-Saëns. Ele adorava os compositores alemães, particularmente Bach e Mozart, e foi um dos primeiros músicos a apresentar Wagner ao público francês. No entanto, no auge de sua carreira, nas décadas de 1870 e 1880, ele foi incansável na promoção de nova música francesa e, durante a Primeira Guerra Mundial, argumentou que todas as apresentações de música alemã em Paris deveriam ser proibidas. Sua vida familiar foi uma agitada. Ele abandonou a esposa depois de apenas três anos, nunca mais falando com ela… A própria opinião de Saint-Saëns sobre esses conflitos e contradições era simples: “Eu sou um espírito eclético. Pode ser um defeito, mas não posso mudá-lo: não se pode substituir a personalidade de alguém. “

As cinco peças desta gravação cobrem grande parte da vida eclética de Saint-Saëns. Elas representam algumas de suas músicas mais belas para pequenos grupos de câmara, uma forma que Saint-Saëns frequentemente compôs ao longo de sua vida e são algumas de suas obras mais importantes no gênero.

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música de Câmara para Sopros

Caprice sur des airs danois et russes, Op. 79
1. Caprice sur des airs danois et russes, Op. 79 00:10:45

Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 167
2. I. Allegretto 00:04:31
3. II. Allegro animato 00:02:04
4. III. Lento 00:04:16
5. IV. Molto allegro 00:05:12

Oboe Sonata in D Major, Op. 166
6. I. Andantino 00:03:28
7. II. Ad libitum – Allegretto 00:04:59
8. III. Molto allegro 00:02:28

Bassoon Sonata in G Major, Op. 168
9. I. Allegretto moderato 00:02:48
10. II. Allegro scherzando 00:03:35
11. III. Adagio – Allegro moderato 00:05:56

Romance in E Major, Op. 67 (arr. for horn and piano)
12. Romance in E Major, Op. 67 (arr. for horn and piano) 00:07:31

Tarantelle, Op. 6
13. Tarantelle, Op. 6 00:06:50

G’froerer, Joanna: Flauta
Hamann, Charles: Oboé
Lemelin, Stéphane: Piano
Millard, Christopher: Fagote
Sykes, Kimball: Clarinete
Vine, Lawrence: Trompa

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PQP

Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival – 2008

Fiz uma pausa nas postagens dessa série da nossa amada Martha Argerich em seu Festival de Lugano para dar lugar às comemorações dos 210 anos de nascimento de Robert Schumann. Hoje trago mais um volume, mais três CDs que mostram todo talento e versatilidade desta excepcional artista.

Não preciso dizer o quanto Martha ama Schumann, tanto que temos aqui no primeiro CD a belíssima Sonata nº 2 para Violino e Piano, acompanhando o violinista Renaud Capuçon. Outro momento a destacar é sua parceria com o ex marido pianista Stephen Kovacevich, tocando uma peça de Mozart.

Mas o mais belo, lírico e pungente é o terceiro CD, onde abre tocando seu conterrâneo Piazzolla, em versões matadoras para dois pianos, claro que ele não poderia faltar, assim como Ravel. Martha distribui o repertório desta série entre seus convidados, alguns conhecidos, outros desconhecidos, dando chance e permitindo que sejam conhecidos.

A relação dos músicos envolvidos está no booklet em anexo.

Vamos ao que viemos?

CD 1
01. Variations (5) on an original theme for piano, 4 hands in G major, K. 501
02. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 1. Ziemlich langsam – Le
03. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 2. Sehr lebhaft
04. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 3. Leise, einfach
05. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 4. Bewegt
06. Piano Quintet in D major, Op. 51- 1. Allegro moderato
07. Piano Quintet in D major, Op. 51- 2. Andante con variazioni
08. Piano Quintet in D major, Op. 51- 3. Scherzo- Allegro vivace
09. Piano Quintet in D major, Op. 51- 4. Allegro moderato
10. Scherzo for 2 pianos, Op. 87

CD 2
01. Piano Trio No. 1 in C minor, Op. 8
02. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 1. Barcarolle
03. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 2. La Nuit
04. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 3. Les Larmes
05. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 4. Pâques
06. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 1
07. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 2
08. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 3
09. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 4
10. Slavonic Dance No. 1 for piano, 4 hands in C major, B. 78-1 (Op. 46-1)
11. Slavonic Dance No. 12 for piano, 4 hands in D flat major, B. 145-4 (Op. 72-4)
12. Slavonic Dance No. 7 for piano, 4 hands in C minor, B. 78-7 (Op. 46-7)
13. Slavonic Dance No. 10 for piano, 4 hands in E minor, B. 145-2 (Op. 72-2)

CD 3

01. Tres minutos con la realidad, tango
02. Oblivion, tango
03. Libertango, tango
04. Introduction & Allegro for harp, flute, clarinet & string quartet
05. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 1. Verano porteño
06. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 2. Otoño porteño
07. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 3. Invierno porteño
08. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 4. Primavera porteña
09. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 1. Maestoso
10. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 2. Tranquillo
11. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 3. Tempo di marcia – Andante
12. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 4. Tempo di polka – Piú vivo – Allegro

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A Quatro Mãos: Reimagine – Anderson & Roe Piano Duo

71nqPbHmeIL._SX355_Fred Astaire e Ginger Rogers transpostos da pista de dança para o teclado“.

Só este veredito acerca do trabalho do duo pianístico de Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe já bastaria, cauteloso que sou acerca das sensibilidades da ala ultrarradical de nossos leitores-ouvintes, para colocar um sinal de .:interlúdio:. na frente do título. O duo Anderson & Roe, afinal, é jovem, bem-apessoado, bastante performático nos palcos, faz sucesso entre públicos que jamais sonhariam em escutar música para dois pianistas e, sacrilégio talvez maior ainda, usam amplamente a internet para granjearem sua fama.

Não coloquei qualquer ressalva .:interlúdica:., incluí os jovens em meio a gravações de Argerich, Barenboim e Lupu, e já ouço, por isso, os tomates zunindo em minha direção. Apresso-me em alcançar-lhes o contraponto: estes dois egressos da Juilliard School são excelentes pianistas, ótimos arranjadores e, de quebra, ainda têm um sensacional trabalho de duo. Vê-los tocando (e convido os leitores-ouvintes a explorarem a cybersfera para tanto) é se embasbacar com a precisão com que esses jovens dividem um teclado, entrecruzando as mãos de maneiras que não parecem fisiologicamente plausíveis, e a clareza que mantêm linhas melódicas que mesmo grandes pianistas deixam nubladas. Talvez falte um tanto de “peso” a este CD, que, à exceção da boa interpretação para a “Sagração da Primavera” de Stravinsky, é um bonito balaio de gatos composto tão só de transcrições e paráfrases de curtas obras alheias. O duo lançou posteriormente álbuns mais coesos, entre os quais um primoroso “The Art of Bach” que, depois que eu sair da base da pilha de pedras, eu postarei para vocês se os bramidos nas caixas de comentários não forem tão ferozes.

ANDERSON & ROE – REIMAGINE

01 – “Danse Macabre (remix)”, sobre “Dança Macabra, Poema Sinfônico Op. 40 de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

02 – “The Swan”, sobre “O Cisne” de “O Carnaval dos Animais”de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

03 – “A New Account of the Blue Danube Waltzes”, baseado em “An die schönen blauen Donau”, Op. 314 de Johann STRAUSS, filho (1825-1899)

04 – “The Cat’s Fugue”, sobre o tema da Sonata em Sol menor, K. 40, “A Fuga do Gato”, de Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

05 – Libertango, sobre obra de Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

06 – “The Cuckoo in Sussex”, sobre “Le Coucou” de Louis-Claude DAQUIN (1694-1772)

07 – “Erbarme dich”, sobre ária da “Paixão segundo Mateus” de Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

A Sagração da Primavera, para dois pianos
08 – Introduction to Part I
09 – The Augurs of Spring
10 – Ritual of Abduction
11 – Spring Rounds
12 – Ritual of the Two Rival Tribes
13 – Procession of the Oldest
14 – The Kiss of the Earth
15 – The Dancing Out of the Earth
16 – Introduction to Part II
17 – Mystic Circle of the Young Girls
18 – Glorification of the Chosen One
19 – Evocation of the Ancestors
20 – Ritual Actions of the Ancestors
21 – Sacrificial Dance

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)
22 – Danse Macabre, Op. 40 (arranjo de Anderson & Roe)

Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe, pianos e arranjos

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Eu disse que eles eram performáticos!
Eu disse que eles eram performáticos!

 

Vassily Genrikhovich

The Art of the Theremin – Clara Rockmore

The Art of the Theremin – Clara Rockmore

61nayAy+HeLMeu interesse em instrumentos musicais já me levou a tocar alguns deles em graus de sucesso que variam do sofrível ao ridículo. Minha experiência com todos, em especial os metais e as cordas, levou-me a admirar sobremaneira a dedicação dos instrumentistas para ajustarem suas bocas e dedos àqueles teimosos aparatos, extraindo deles não só sons agradáveis e condizentes com a intenção de um compositor, mas, o que é ainda mais impressionante, sem sucumbirem no processo.

Se acho uma façanha ser um virtuose de um instrumento que se toca tocando, que se pode dizer de um instrumento que se toca sem que se o toque?

Para mim, amigos, magia negra. Para o resto do mundo, é o assombroso teremim.

ooOoo

Inventado pelo físico russo Léon Theremin (Lev Termen, para os íntimos), este pioneiro entre os instrumentos eletrônicos é controlado pela posição das mãos do intérprete em relação a duas antenas: uma que regula a frequência, outra para o volume. O peculiar timbre resultante, já descrito como o de um “violoncelo perdido em neblina espessa, chorando por não saber como voltar para casa”, soa de melancólico a decididamente fantasmagórico. Não é à toa, portanto, que o teremim seja figurinha fácil de trilhas sonoras de filmes que abordam o incomum, o bizarro, e o inacreditável.

Parece difícil, e é mesmo. Por isso, talvez, passada a curiosidade inicial, o incrível instrumento de Theremin tenha ficado meio esquecido, e certamente limado de todos os círculos de música “séria”, até a entrada em cena de uma certa Clara Rockmore.

Nascida Klara Reisenberg em Vilnius (Lituânia), foi uma criança-prodígio no violino e chegou a estudar com Leopold Auer (sim, o professor de Heifetz; sim, o sujeito que esnobou o Concerto de Tchaikovsky) no Conservatório de São Petersburgo. Problemas de saúde fizeram-na abandonar o violino e a Música como um todo até encontrar, já nos Estados Unidos, o inventor Theremin. Trabalharam juntos no aperfeiçoamento do instrumento como meio de expressão artística. Foram tão próximos que Léon, que não era bobo, nem nada, lhe propôs casamento. Klara deu-lhe o fora, casou-se com um certo Rockmore, passou a chamar-se Clara e, emprestando ao teremim sua extraordinária musicalidade, transformou-se em sua primeira virtuose.

O vídeo acima, apesar do som precário, dá a vocês uma melhor ideia do que lhes tento dizer (além, claro,de ser deliciosamente funéreo!). O timbre, como já falamos, talvez seja um gosto adquirido, mas é assombrosa a expressividade que Rockmore obtém sem nada tocar além do éter. Se vocês perceberem, ao contrário da maior parte dos instrumentos, dos quais os silêncios são obtidos tão só pela suspensão da emissão do som, as pausas no teremim também têm que ser produzidas, através da ação a mão do volume (no caso de Rockmore, a esquerda).

Espero que, vencendo a natural estranheza, vocês possam apreciar a complicada arte desta virtuose incomum.

THE ART OF THE THEREMIN – CLARA ROCKMORE

Sergey Vasilyevich RACHMANINOV (1873-1943)

01 – Canções, Op. 34 – no. 14: Vocalise
02 – Romances, Op. 4 – no. 4: “Ne poj, krasavitsa” [NOTA DO AUTOR: conhecida como “Canção de Grusia”, não se refere a qualquer pessoa, mas sim à região caucasiana da Geórgia, que tem este nome em russo]

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

03 – O Carnaval dos Animais – no. 13: O Cisne

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

04 – El Amor Brujo – Pantomima

Yosif Yuliyevich AKHRON (1886-1943)

05 – Melodia hebreia, Op. 33

Henryk WIENIAWSKI (1835-1880)

06 – Concerto para violino no. 2 em Ré menor, Op. 22 – Romance

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

07 – O Pássaro de Fogo: Berceuse

Joseph-Maurice RAVEL (1875-1937)

08 – Pièce en forme de Habanera

Pyotr Ilyitch TCHAIKOVSKY (1840-1893)

09 – Dix-Huit Morceaux, Op. 72 – No. 2: Berceuse
10 – Six Morceaux, Op. 51 – No. 6: Valse sentimentale
11 – Sérénade Mélancolique, para violino e piano, Op. 26

Aleksandr Konstantinovich GLAZUNOV (1865-1936)

12 – Chant du ménestrel, Op.71

Clara Rockmore, teremim e arranjos
Nadia Reisenberg, piano

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Boris theremin

Vassily Genrikhovich

Edward Elgar (1857-1934) – Cello Concerto in E Minor op. 85 – Jacqueline Du Pré, John Barbirolli, London Symphony Orchestra

Trago mais uma vez para os senhores a histórica e mítica gravação do Concerto para Violoncelo de Edward Elgar com Jacqueline Du Pré, que é considerada até hoje a melhor intérprete desta obra.
A carreira desta incrível musicista foi meteórica, com detalhes trágicos. Alcançou cedo a fama, porém também cedo foi diagnosticada com uma gravíssima doença degenerativa, Esclerose Múltipla, que a afastou dos palcos com apenas vinte e oito anos de idade, e a matou com apenas quarenta e dois anos.
Alcançou fama após esta mítica gravação, que sem dúvida é extraordinária. Casou-se com Daniel Baremboim, com quem gravou diversos outros discos.
Espero que apreciem. Amo esta gravação. Para mim e para muita gente, esta é o registro definitivo deste concerto.

1 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – I. Adagio – Moderato
2 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – II. Lento – Allegro molto
3 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – III. Adagio
4 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – IV. Allegro, ma non troppo

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
London Symphony Orchestra
Sir John Barbirolli

5 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – I. Allegro non troppo
6 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – II. Allegretto con moto
7 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – III. Allegro non troppo

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
New Philharmonia Orchestra
Daniel Baremboim

8 Delius – Cello Concerto – Lento – Con moto tranquillo –

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
Royal Philharmonic Orchestra
Sir Malcolm Sargent

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Saint-Saëns (1835-1921) Sansão e Dalila

Saint-Saëns (1835-1921) Sansão e Dalila

PQP Bach
12 anos de Prazer

Grande blog PQP Bach… Vida longa ao melhor blog de música do Brasil !!!! Parabéns por mais um ano ! Vou postar nesta data de aniversário a ópera Sansão e Dalila do mestre Saint-Saëns (9 de outubro, 1835 – 16 dezembro, 1921). No início da segunda metade do século XIX a França foi tomada de uma moda de oratórios bíblicos; o governo francês, então, resolveu promover um concurso de obras do gênero. Saint-Saëns resolveu encarar este desafio. E inspirado em Haendel, a quem admirava muitíssimo, planejou compor um oratório baseado na história de Sansão que está encontrada no livro dos Juízes, no antigo testamento da Bíblia. A história que inicialmente Saint pesquisou e estudou foram os versos que Voltaire havia escrito em 1732 para que o compositor Rameau musicasse, fato que não aconteceu. Camille não gostou do texto, queria algo novo, não tão fiel às escrituras. Convidou o marido de uma de suas primas, um talentoso poeta chamado Ferdinand Lemaire à escrever um oratório sobre o tema, mas ele sugeriu a Saint que fosse sim uma “grand opera”. Em 1865 Lemaire entregou o libreto como o conhecemos hoje. Camille entre uma viagem e outra concluiu partes do que hoje é o segundo ato e chamou alguns convidados para uma audição particular da nova obra. Entre eles as duas árias mais famosas da ópera, cantadas por Dalila, “Amour, viens aider na faiblesse” e “Mon coeur s’ouvre a ta voix” (faixa7 CD do Carreiras). Porém a receptividade da plateia foi fria e o compositor deu uma leve “brochada” e pôs de lado a ideia. Numa das suas inúmeras viagens, em 1869, Camille encontrou seu amigo Franz Liszt e este o convenceu a retomar o trabalho e se comprometeu a encená-la no teatro da corte de Weimar do qual ele era o diretor. Saint-Saëns voltou ao trabalho, alternando momentos de entusiasmo e indiferença, o fato é que a ópera só ficou pronta em 1876. Em agosto de 1877 organizou uma representação da ópera completa na casa de um amigo na cidade de Croissy, a obra foi recebida friamente pois a moda dos temas bíblicos tinha passado completamente. Como diz o ditado “quem tem amigo não morre pagão” Liszt cumpriu a promessa e em 2 de dezembro de 1877 a ópera estreou em Weimar, com o libreto traduzido para o alemão. Foi um grande sucesso, porém a imprensa francesa, na época completamente germanófoba por causa da guerra Franco-Prussiana, ignorou completamente o sucesso. A ópera só foi estrear na França em 1890 graças aos esforços de uma aluno de Camille, Gabriel Fauré. Levou ainda dois anos para ser ouvida na Ópera de Paris, transformando-se num absoluto sucesso, até 1976 contabilizavam-se 965 apresentações de Sansão e Dalila só no teatro Palais Garnier. No Metropolitan de NY a ópera estreou na temporada de 1915/1916 com Margaret Matzenauer como Delila, Enrico Caruso como Sansão e Pasquale Amato como o Sumo Sacerdote. Desde então, o Met encenou produções da ópera pelo menos uma vez a cada década, dando mais de 200 apresentações do trabalho.

Plácido Domingo atuou como Samson na produção de San Francisco Opera de 1981 que ora disponibilizo na íntegra, gravação ao vivo. Já o CD com a Agnes e o Carreras é um highlight de dez faixas com os melhores momentos. Gosto mais da versão do Plácio Domingo.

“É a história de um homem que foi forte o suficiente para derrotar os inimigos de Israel, os filisteus, mas não o suficiente para resistir à malícia de uma mulher, ô mulherada poderosa… o Sansão ai do lado está só o pó! ”

Resumo:

Primeiro ato: Gaza, 1150 a.C. Em uma praça em Gaza, um grupo de hebreus implora a Jeová por alívio de sua escravidão aos filisteus; Sansão, seu líder, os repreende por sua falta de fé. Quando o comandante dos filisteus, Abimelech, denuncia os hebreus e seu deus, Sansão o mata e leva os hebreus embora. O Sumo Sacerdote de Dagon vem do templo filisteu e amaldiçoa a força prodigiosa de Sansão, partindo com o esquife do homem morto. Um hebreu antigo elogia o retorno de Sansão. As paredes externas do templo desaparecem para revelar a ex-amante de Sansão, a filistéia Dalila, que o convida a ir naquela noite a sua casa vizinha. Ela e suas donzelas dançam sedutoramente para Sansão, que se torna surdo às severas profecias do hebreu antigo.

Segundo ato: No vale de Sorek, Dalila chama seus deuses para ajudá-la a enredar e desarmar Samson, prometendo ao Sumo Sacerdote encontrar uma maneira de tornar o herói impotente. Sansão aparece, apaixonado apesar de si mesmo; quando Dalila o tem em seu poder, ela finge descrença em sua constância e exige que ele mostre seu amor confiando nela o segredo de sua força, chorando quando ele se recusa. Sansão ouve trovões como um aviso de Deus, mas não pode resistir a seguir Dalila para dentro. Pouco tempo depois, tendo finalmente aprendido que o segredo da força de Sansão é seu cabelo comprido, ela chama soldados ocultos filisteu, que correm para capturar e cegam Sansão.

Terceiro ato: Em uma masmorra em Gaza, o cego Sansão empurra um moinho em círculo, orando por seu povo, que sofrerá por seu pecado. Ele ouve suas vozes castigando-o. Durante um bacanal no Templo de Dagon, Dalila e o Sumo Sacerdote provocam Sansão. Quando eles o forçam a se ajoelhar diante de Dagon, ele pede a um menino que o leve aos dois pilares principais do templo. Sansão ora a Jeová para restaurar sua força e, com grande esforço, ele puxa os pilares e o templo, esmagando a si mesmo e seus inimigos.

A história “passo a passo” com fotos do encarte original do CD e DVD estão junto no arquivo de download com as faixas, o resumo da ópera foi extraído do livro “Outras Óperas Famosas”, Milton Cross (Mestre de Cerimônias do Metropolitan Opera). Editora Tecnoprint Ltda., 1983.

Parabéns ao blog e acima de tudo um ótimo divertimento!

Samson et Dalila, José Carreras, Agnes Baltsa

01 Dieu! Dieu d-Israel!
02 Arretez, O Mes Freres
03 Maudite A Jamais Soit La Race
04 Printemps Qui Commence
05 Samson, Recherchant Ma Presence –
06 En Ces Lieux, Malgre Moi, M-ont R
07 Mon Coeur S-ouvre A Ta Voix
08 Vois Ma Misere, Helas!
09 Bacchanale
10 Seigneur, Inspire-Moi, Ne M-aband

Dalila – Agnes Baltsa
Samson – José Carreras
High Priest of Dagon – JonathanSummers
Abimelech – Simon Estes
An old Israelite – Paata Burchuladze

Chor & Symphonie – Orchester das Bayrischen Rundfunks
Regente – Sir Colin Davis
Gravação – München, fevereiro 1989

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Sansão e Dalila (conversão de DVD para mp3) – Plácido Domingo e Shirley Verrett
Act 1 – Chapter 2 até Chapter 13
Comentário Julius Rudel – Chapter 14
Act 2 – Chapter 15 até Chapter 23
Comnetário Julius Rudel – Chapter 24
Act 3 – Chapter 25 até Chapter 31
Comentário final – Chapter 32

Samson – Placido Domingo
Dalilah – Shirley Verrett
High Priest – Wolfgang Brendel
Abimelech – Arnold Voketatis
An old Hebrew – Kevin Langan

San Francisco Opera
San Francisco Opera Chorus

Regente – Julius Rudel
Gravação ao vivo, San Francisco Opera, 1981

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Vamos cantar o parabéns rapidinho, tenho que pegar o navio, vou passear de novo ! Félicitations pour le blog PQP Bach !!!

Ammiratore

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22, César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations e Franz Liszt (1811-1886) – etc

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22, César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations e Franz Liszt (1811-1886) – etc

Lembrei do Rubinstein esses dias… após o Roger Waters (Pink Floyd) se posicionar sobre a grave situação brasileira, se arriscando a levar vaias de parte da classe média paulistana e do nosso digníssimo Ministro da Cultura, que disse: “A gente não consegue mais ir a um show ou ver um filme sem que haja algum tipo de manifestação política.”

Deixo vocês com uma reportagem de 1964 e em seguida com a postagem original do Carlinus sobre um dos grandes pianistas do século XX. Rubinstein, Roger Waters e o ministro de Temer, quem será que está certo?

Músicos protestam contra a exclusão de negros das salas de concerto

O pianista Julius Katchen, que toca frequentemente na Europa e na Ásia, disse que a segregação é “uma fonte profunda de vergonha e constrangimento” para os norte-americanos no exterior.

Com o projeto de lei dos direitos civis agora no Congresso*, ele afirmou, “torna-se o dever de todos os artistas se recusarem a tocar em auditórios onde políticas de segregação são praticadas”.

Apesar de Arthur Rubinstein não ter chegado tão longe a ponto de endossar um boicote organizado, ele disse que os jovens artistas que se manifestaram contra a segregação deram “um passo certo e natural”.

Os perigos para uma sociedade livre, ele disse, são “apatia e complacência” em face da injustiça. Rubinstein disse que, como judeu, ele experimentou pessoalmente as consequências dolorosas do preconceito.

Ele discordou fortemente de uma declaração do pianista alemão Hans Richter Haaser de que os músicos deveriam se distanciar dos problemas raciais e políticos. “Os músicos também são seres humanos”, disse Rubinstein, “e eles têm a mesma responsabilidade moral que todo mundo em relação à sua sociedade.”

(Canadian Jewish Review, May 8, 1964, p.5)

*A Lei dos Direitos Civis (Civil Rights Act, em inglês), que pôs fim aos diversos sistemas de segregação racial, foi promulgada em 2 de julho de 1964

Esta série da RCA é espantosa. Têm gravações absurdas. Coisas realmente atordoantes. E este CD, por exemplo, que ora posto, é maravilhoso. A qualidade do áudio é ímpar.

Acredito que tenha mais de um ano que eu queria postá-lo. O disco possui um conjunto que dispensa comentários. Três compositores que souberam impingir um traço fantástico ao piano – Saint-Saëns, Franck e Liszt. Ou seja, o melhor que se produziu na segunda metade do século XIX. E ao piano, Arthur Rubinstein, um dos maiores pianistas e virtuoses do século XX. Das peças do post, gosto particularmente do Concerto No. 2 de Saint-Saëns. A obra é repleta de passagens belíssimas.  Um bom deleite!

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22
01. Andante sostenuto
02. Allegro scherzando
03. Presto

César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations
04. Poco allegro
05. Allegro non troppo

Franz Liszt (1811-1886) – Concerto No. 1 in E Flat*
06. Allegro maestoso
07. Quasi adagio
08. Allegretto vivace
09. Allegro marziale animato

Symphony of the Air
*RCA Victor Symphony Orchestra

Alfred Wallenstein, regente
Arthur Rubinstein, piano

BAIXAR AQUI  – DOWNLOAD HERE

Rubinstein imitando o ministro da “cultura” de Temer

Carlinus
Repostagem por Pleyel

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Oratório de Natal

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Oratório de Natal

O monge Ranulfus confessa que de modo geral detesta dar atenção ao Natal… mas nesta sua temporada de peregrinações passou da mui barroca e africana cidade de Salvador para a de Curitiba, que, mesmo sendo capital de um dos estados mais caboclos do Brasil, concebe-se com tanta fé em algum ponto entre Paris e Viena que até chega a realizar de fato, em alguma medida, essa posição.

E, zanzando pelas ruas dessa capital caboclo-europeia, topou com uma apresentação da Camerata Antiqua na bonita Capela Santa Maria, resgatada pela cidade de um antigo colégio que se mudou (ver foto abaixo) – apresentação essa de caráter totalmente natalino… mas, relaxem, sem nada de Noite Feliz nem de Jingle Bells: um In Terra Pax do inglês Gerald Finzi (1901-1956) e o mais mencionado que conhecido Oratório de Natal de Camille Saint-Saëns, tudo isso numa realização de uma beleza serenamente arrebatadora – se é que alguém consegue conceber tal combinação de qualidades!

Camerata Antiqua de Curitiba, Capela Santa Maria, 18.12.2010

Naturamente o monge Ranulfus saiu de lá com enorme vontade de compartilhar aquele concerto com seus amigos do PQP Bach… mas não sendo possível conformou-se com esta gravação alemã do oratório de Saint-Saëns, deixando para ver se encontra a bonita obra de Finzi em outra ocasião.

Saint-Saëns tinha apenas 23 anos quando compôs este oratório, uma obra de ~40 minutos para 5 vozes solistas, coro, órgão, harpa e orquestra. O hino final é consideravelmente conhecido e cantado por aí, mas creio que há bem mais a conhecer e apreciar nesse oratório. Pessoalmente achei os tempos e dinâmica do regente Diethard Hellmann um pouco burocráticos, especialmente no primeiro recitativo e no hino final, que poderia soar bem mais exultante… mas acho que isso não precisa nos atrapalhar na descoberta da obra, não concordam?

Então vamos lá:

Camille Saint-Saëns (1835-1921)
Oratorio de Noël, Op. 12 (1858) [39:38]

1-Prélude (Dans le style de Séb. Bach) (3:16)
2-Recit et Choeur: Et Pastores erant – Gloria (coro) (5:47)
3-Air: Expectants expectavi Dominum (mezzosoprano) (4:08)
4-Air et Choeur: Domine, ego credidi (tenor e coro) (4:01)
5-Duo: Benedictus qui venit (soprano e barítono) (4:03)
6-Choeur: Quare fremuerunt gentes (coro) (3:59)
7-Trio: Tecum principium (mezzosoprano, tenor e barítono) (4:23)
8-Quatour: Alleluja (soprano, soprano, contralto e barítono) (2:14)
9-Quintette et Choeur: Consurge, Filia Sion
(soprano, mezzosoprano, contralto, tenor, barítono e coro) (5:29)
10-Choeur: Tollite hostias (coro) (2:18)

Coro Bach e Orquestra Bach de Mainz
Verena Schweizer (soprano)
Edith Wiens (mezzosoprano)
Helena Jungwirth (contralto)
Friedreich Melzer (tenor)
Kurt Widmer (barítono)
Hans-Joachim Bartsch (orgão)
Barbara Biermann (harpa)
Diethard Hellmann (condutor)

. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

LINK ALTERNATIVO

Marten de Vos: O Nascimento de Cristo (1577)

Ranulfus

The Club Album (Live From Yellow Lounge) com Anne-Sophie Mutter

The Club Album (Live From Yellow Lounge) com Anne-Sophie Mutter

Pois é. Dizer o quê? A grande discussão lá em casa era se este CD era melhor ou pior que os de André Rieu ou que as incursões populares de Mullova. Eu acho que Mutter vence seus concorrentes, mas houve opiniões contrárias. No que todos concordaram é no fato de Mutter ter desejado tornar-se popular ou ter decidido ganhar dinheiro. Como não creio que grandes haja rombos em sua conta bancária, talvez a moça tenha apenas desejado ser (ainda mais) reconhecida nas ruas. Este é um mal que atinge muitas carreiras. Chega o momento em que alguns artistas dizem: “não quero mais ser moderno, quero ser eterno”. Este CD de Mutter nem é tão bem interpretado, é um CD de brilhaturas pessoais e de abordagens para atingir o grande público. Apesar de eu achá-lo superior aos de Rieu e àquele de música brasileira de Mullova, dou-lhe a nota 1, com louvor.

The Club Album (Live From Yellow Lounge) com Anne-Sophie Mutter

1 Vivaldi: The Four Seasons – Concerto In G Minor, RV 315, “The Summer” – 3. Presto 2:40
by Anne-Sophie Mutter and Mahan Esfahani and Mutter’s Virtuosi

2 Gershwin: Three Preludes – 1. Allegro ben ritmato e deciso 1:43
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis
3 Gershwin: Three Preludes – 2. Andante con moto e poco rubato 3:13
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis
4 Gershwin: Three Preludes – 3. Allegro ben ritmato e deciso 1:34
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

5 J.S. Bach: Double Concerto For 2 Violins, Strings, And Continuo In D Minor, BWV 1043 – 3. Allegro 4:34
by Anne-Sophie Mutter and Mahan Esfahani and Mutter’s Virtuosi and Noa Wildschut

6 Tchaikovsky: Souvenir d’un lieu cher, Op. 42 – Mélodie 4:31
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

7 Vivaldi: The Four Seasons – Concerto In F Minor, RV 297, “The Winter” – 1. Allegro non molto 3:34
by Anne-Sophie Mutter and Mahan Esfahani and Mutter’s Virtuosi

8 J.S. Bach: Double Concerto For 2 Violins, Strings, And Continuo In D Minor, BWV 1043 – 1. Vivace 3:30
by Anne-Sophie Mutter and Mahan Esfahani and Mutter’s Virtuosi and Nancy Zhou

9 Brahms: Hungarian Dance No.1 In G Minor, WoO 1 3:56
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

10 Debussy: Children’s Corner, L. 113 – 6. Golliwogg’s Cakewalk 3:08
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

11 Saint-Saëns: Introduction et Rondo capriccioso, Op. 28 9:24
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

12 Debussy: Suite bergamasque, L. 75 – 3. Clair de lune 5:00
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

13 Copland: Rodeo – 4. Hoe-Down 3:11
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

14 Gounod / J.S. Bach: Ave Maria 5:08
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

15 Benjamin: Jamaican Rumba 1:49
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

16 Williams: Schindler’s List – Original Motion Picture Soundtrack – Theme 4:43
by Anne-Sophie Mutter and Lambert Orkis

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Anne-Sophie-Mutter: com muita vontade de ganhar dinheiro
Anne-Sophie-Mutter: com muita vontade de ser ainda mais popular

PQP

Robert Schumann (1810-1856) – Piano Concerto in A Minor, op. 54, Edvard Grieg (1843-1907) – Piano Concerto in A Minor, op. 16, Camille Saint-Säens (1835-1921) – Piano Concerto nº 2, in G Minor, op. 22 – Shelley, Orchestra of North Opera

cover frontEstes concertos de Schumann e de Grieg parecem ser siameses, não acham? É quase impossível encontrar um longe do outro, a maioria dos pianistas optam em gravá-los juntos. Claro, são dois pilares do romantismo, ambos são escritos em Lá Menor, etc.
O experiente pianista e condutor Howard Shelley (seria um descendente do poeta inglês Percy Shelley?) faz algumas travessuras por aqui, os mais puristas vão ficar de cabelos em pé. Afinal, para que mais do mesmo? Vamos mudar algumas coisas por aqui. Então foi lá e alterou radicalmente os tempos do Concerto de Schumann, parece que está com pressa de chegar em algum lugar, tipo, vamos acabar isso logo, tenho hora no dentista.
Mas estamos em pleno século XXI então vamos curtir novidades, mesmo em um repertório tão batido e gravado. E vamos dar voz a quem entende do assunto, a saber, a revista britânica Grammophone:

What a good idea to add to that favourite among LP couplings Saint-Saëns’s most Bachian concerto, No 2. And the pleasure doesn’t stop there. Howard Shelley is one of those musicians who quietly goes about his pianistic (and now conductorly) business without grabbing the limelight except for the odd award, but who is consistently impressive, unfailingly musical and only goes into the studio when he has something to say about a work. That is certainly the case here. 
It’s a particular delight to hear a reading of the Schumann as fleet and joyous as this one. These are intimate performances, an effect no doubt enhanced by the fact that Shelley directs from the piano. Intimate but also sharply characterised. And when virtuosity is required, Shelley provides it in spades. Take the finale of the Schumann: textures are wonderfully transparent, the dotted rhythms are perky and precise, and there are plenty of striking colours from the orchestra (which throughout the disc proves itself a fine ensemble, with some particularly outstanding wind-players).
Shelley is just as persuasive in the Grieg, coaxing from the orchestra a real sense of narrative, some lovely oboe-playing and allowing the big tunes due space but never over-indulging them. The concerto’s irresistible yearning quality is well caught too, particularly in the central movement, where he is almost a match for Lipatti. Again, tempi are generally fleet, and Shelley pays attention both to the marcato marking of the finale and its folk tinges without overstatement. These are certainly performances to put alongside the classics.

Technically, the Saint-Saëns is an ideal vehicle for Shelley’s fingery kind of pianism and he is exceptional in the Allegro scherzando, the movement that out-Mendelssohns Mendelssohn. Again, the orchestra is utterly focused. The recorded quality here, as elsewhere, is exemplary.

Então, tá. E vamos ao que viemos.

01. Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 1 – Allegro affettuoso
02. Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 2 – Intermezzo. Andantino grazioso
03. Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 3 – Allegro vivace
04. Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 1 – Allegro molto moderato
05. Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 2 – Adagio
06. Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 3 – Allegro moderato molto e marcato
07. Piano Concerto No. 2 in G Minor, op. 22 – 1 – Andante sostenuto
08. Piano Concerto No. 2 in G Minor, op. 22 – 2 – Allegro scherzando
09. Piano Concerto No. 2 in G Minor, op. 22 – 3 – Presto

Orchestra of Opera North
Howard Shelley – Piano & Conductor

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Saint-Saëns (1835–1921) e Gershwin (1898-1937): Concertos para piano por Richter

Ideias aleatórias a partir de um imenso disco ao vivo.

Um russo de sobrenome alemão, após viver todos os 74 anos de União Soviética, tocando um concerto em que um judeu uniu classicismo europeu e jazz negro. Imaginem o que diriam os grandes teóricos da apropriação cultural?

Como aqui no PQPBach a mistura é a lei, o autor da Rhapsody in Blue e de Porgy and Bess ainda não foi banido por se apropriar dos ritmos da cultura afro-americana.

O concerto de Gershwin alterna entre momentos de swing puro, alguns de virtuosismo romântico e outros absolutamente neoclássicos. Nestes, é claro que vai bem o pianista que tocava em turnê os dois livros do Cravo Bem Temperado. A surpresa é o swing de Richter.

Do dicionário Aurelio:
Suingue (ou swing)
1. Elemento rítmico do jazz, de pulsação sincopada (…)
2. Estilo de jazz surgido na década de 1930, de andamento moderado, ritmo insistente e vivaz, e que era geralmente apresentado por grandes conjuntos instrumentais

O grupo de pagode Swing e Simpatia teve origem na Baixada Fluminense, em Nova Iguaçu, nos anos 1990.

Da Wikipédia:
O vocábulo “Iguaçu” é um termo proveniente do tupi, originalmente ‘y-gûasu. Seu significado é “rio grande” ou ainda “água grande”. Com o desmatamento e a ocupação das áreas de mata atlântica, o rio Iguaçu hoje leva muito menos água (suja) à Baía de Guanabara.

No rio Nilo, em Luxor, Saint-Säens ouviu uma canção de amor popular que deu origem ao tema principal do segundo movimento do Concerto Egípcio. O Concerto foi escrito enquanto Saint-Saëns passava um inverno no Egito para fugir do frio europeu.

Com as mudanças climáticas globais, as 400 milhões de pessoas que dependem do rio Nilo têm enfrentado anos de intensas secas. Em São Paulo, em Caruaru, em Brasília também. E vai piorar.

E no meio disso tudo, tem gente fechando os olhos para os problemas do mundo e teorizando problemas novos como a mistura entre culturas supostamente puras.

Vou me calar e ouvir Richter, aos 78 anos, sambar na cara da sociedade.

Camille Saint-Saëns
1. Piano Concerto No. 5 (‘Egyptian’), in F major, Op. 103: 1. Allegro animato
2. Piano Concerto No. 5 (‘Egyptian’), in F major, Op. 103: 2. Andante – Allegretto tranquillo – Andante
3. Piano Concerto No. 5 (‘Egyptian’), in F major, Op. 103: 3. Molto Allegro

George Gershwin
4. Concerto in F, for piano & orchestra: 1. Allegro
5. Concerto in F, for piano & orchestra: 2. Andante con moto
6. Concerto in F, for piano & orchestra: 3. Allegro animato

Piano: Sviatoslav Richter
Orchestra: Radio Symphony Orchestra Stuttgart
Conductor: Christoph Eschenbach
Live Recording, 1993

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (MP3)

George Gershwin
George Gershwin

Pleyel

Camile Saint-Saëns (1835-1921) – Violin Concertos – Graffin, Brabbins, BBCSSO

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REPOSTAGEM !!! NOVO LINK !!

Já pensei em trazer este cd em outras ocasiões, mas acabava sempre o preterindo em lugar de outro. E que pena que não o trouxe antes. Estes concertos são muito bonitos, e merecem ser ouvidos em sequência, para melhor apreciarmos a evolução de Saint-Saëns enquanto compositor.
Dos três concertos o mais conhecido com certeza é o terceiro, peça obrigatório no repertório dos grandes intérpretes. Mas os dois primeiros também têm seus méritos. E que méritos. Saint-Saëns é um compositor agradável de se ouvir, nada de romantismo meloso, tem muita sensibilidade mas sabe dosá-la através de belas e criativas melodias. Exige do intéprete muita técnica, mas sem deixar de lado essa sensibilidade, tornando a audição de suas obras em momentos de deleite e prazer. Ouçam o segundo movimento do Segundo Concerto e vejam se não estou certo.
Este cd pertence à excelente coleção do selo inglês Hyperion, “The Romantic Violin Concertos”. Os solistas não são tão conhecidos, e com algumas exceções nem as orquestras e regentes são conhecidos, mas isso não desmerece a qualidade das gravações. Até então nunca tinha ouvido falar em Phillipe Graffin, mas esse violinista é muito bom. tenho certeza de que os senhores irão gostar.
Enfim, eis um cd agradabilíssimo de se ouvir. Derrete até mesmo os corações mais endurecidos.

01 – Violin Concerto No. 1 in A Major, Op. 20 – Allegro –
02 – Violin Concerto No. 1 in A Major, Op. 20 – Andante espressivo –
03 – Violin Concerto No. 1 in A Major, Op. 20 – (Reprise)
04 – Violin Concerto No. 2 in C Major, Op. 58 – I. Allegro moderato e maestoso
05 – Violin Concerto No. 2 in C Major, Op. 58 – II. Andante espressivo
06 – Violin Concerto No. 2 in C Major, Op. 58 – III. Allegro scherzando quasi allegretto
07 – Violin Concerto No. 3 in B Minor, Op. 61 – I. Allegro non troppo
08 – Violin Concerto No. 3 in B Minor, Op. 61 – II. Andantino quasi allegretto
09 – Violin Concerto No. 3 in B Minor, Op. 61 – III. Molto moderato e maestoso – Allegro non troppo

Phillipe Graffin – Violin
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Claude Debussy – Suite Bergamasque, Danse, Reverie, Pour le piano, Arabesques – Camile Saint-Saens – Etudes – Aldo Ciccolini

51OGOqyRHrL._SX450_Aldo Ciccolini foi um pianista italiano que viveu grande parte de sua vida na França, e se especializou exatamente no repertório francês, com ênfase em Debussy e Satie. Não temo em colocá-lo no mesmo patamar de Michelangeli, outro italiano que foi talvez o maior dos intérpretes de Debussy.

Amo a música desta compositor, seja a orquestral, seja a escrita para piano. E neste CD temos uma das melhores ‘Clair de Lune’ que já ouvi. Trata-se de uma peça muito delicada, sensível, profunda, que nos deixa quase paralisados pela torrente de emoções que ela expõe..  fechem seus olhos enquanto estiverem ouvindo para entenderem do que estou falando. É coisa de louco.

Claude Debussy – Suite Bergamasque, Danse, Reverie, Pour le piano, Arabesques – Camile Saint-Saens – Etudes – Aldo Ciccolini

01. Debussy – Suite bergamasque I.Prelude
02. Debussy – Suite bergamasque II.Menuet
03. Debussy – Suite bergamasque III.Clair de lune
04. Debussy – Suite bergamasque IV.Passepied
05. Debussy – Danse
06. Debussy – Reverie
07. Debussy – Pour le piano I.Prelude
08. Debussy – Pour le piano II.Sarabande
09. Debussy Pour le piano III.Toccata
10. Debussy 1 Arabesque
11. Debussy 2 Arabesque
12. Debussy – Ballade
13. Saint-Saens Etude en forme de valse en re bemol majeur,op.52 n6
14. Saint-Saens Six etudes pour la main gauche seuie,op.135 n1 Prelude
15. Saint-Saens Six etudes pour la main gauche seuie,op.135 n2 Alla fuga
16. Saint-Saens Six etudes pour la main gauche seuie,op.135 n3 Moto perpetuo
17. Saint-Saens Six etudes pour la main gauche seuie,op.135n 4 Bourree
18. Saint-Saens Six etudes pour la main gauche seuie,op.135 n5 Elegie
19. Saint-Saens Six etudes pour la main gauche seuie,op.135 n6 Gigue

Aldo Ciccolini – Piano

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FDP

The Classical Clarinet (Poulenc, Saint-Saens, Stravinsky, Weber, Mendelssohn, Schumann, etc.)

The Classical Clarinet (Poulenc, Saint-Saens, Stravinsky, Weber, Mendelssohn, Schumann, etc.)

Esse é um CD imperdível. Para começar a brincadeira, Poulenc. Por experiência própria, posso dizer que essa sonata é difícil pra caramba. Exige muita técnica do clarinetista, que é claro é muito bom.  A sonata de Saint-Saens tem um daqueles temas que entram na sua cabeça e não saem mais. Saens opta por não mostrar o lado mecânico do instrumento, mas sim o lado melódico. Tanto é que até para o piano é fácil.

Quase todos os compositores são do século 20, o que deixa a coisa muito legal. Ouvindo o CD vc tem a nítida impressão de que os compositores querem tirar ao máximo do instrumento, seja melodicamente, seja mecanicamente.

Enfim. Ouça e depois diga o que achou do disco. Boa audição,

The Classical Clarinet ( Poulenc, Saint-Saens, Stravinsky, Weber, Mendelssohn, Schumann, etc.)

CD1
Francis Poulenc – Sonata for Clarinet and Piano
01 – Allegro Tristamente
02 – Romanzza
03 – Allegro com Fuoco
Claude Debussy – Première Rapsodie for Clarinet and Piano
04 – Lento, Moderement animé, Scherzando anime
Camille Saint-Säens – Sonata for Clarinet and Piano
05 – Allegreto
06 – Allegro Animato
07 – Lento
08 – Molto Allegro – Allegreto
Henri Büsser – Pastorale
09 – Andante – Allegro
Igor Stravinsky – Three pieces for Clarinet Solo
10 – Molto Tranquillo
11 – Vivace
12 – Vivacíssimo
Bohuslav Martinu – Sonatina for Clarinet and Piano
13 – Moderato
14 – Andante
15 – Poco Allegro
Malcolm Arnold – Sonatine for Clarinet and Piano
16 – Allegro com Brio
17 – Andantino
18 – Furioso

CD2
Carl Maria Von Weber- Grand Duo Concertanto
01 – Allegro con Fuoco
02 – Andante con Moto
03 – Rondo – Allegro
Harald Genzmer – Sonatine, for Clarinet and Piano
04 – Lento – Allegro
05 – Adagio
06 – Vivace
Robert Schumann – Fantasiestück for Clarinet and Piano
07 – Zart und Mit Asdruck
08 – Lebhaft
09 – Rash und mit Feuer
Alban Berg – Vier Stücke
10 – Mässig
11 – Sehr Langsam
12 – Sehr Rasch
13 – Langsam
Felix Mendelssohn-Bartholdy – Sonata for Clarinet and Piano
14 – Adagio – Allegro Moderato
15 – Andante
16 – Allegro Moderato

Henk de Graaf, Clarinet
Daniel Wayenberg, Piano

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Como não colocar uma foto de Henk de Graaf?
Como não colocar uma foto de Henk de Graaf?

Gabriel Clarinet

Saint-Saëns (1835 – 1921): Integral das obras para órgão – CDs 2 e 3 de 4

O órgão francês de Widor e Vierne, e às vezes o de Messiaen, alterna entre silêncios profundos e fortíssimos ensurdecedores. Combina com grandes catedrais. O órgão de Saint-Saëns é mais contido, marcado por desenvolvimento de temas melódicos, simetrias, proporções clássicas. Um som mais adequado à igreja de tamanho médio numa área chique de Paris onde ele foi organista titular de 1858 a 1877.

A igreja La Madeleine foi construída entre 1763 e 1842, entre os reinados de Luís XV (que colocou, ele mesmo, a primeira pedra) e Luís Felipe, tendo sido atrasada pela Revolução Francesa. Seu estilo, imitando um templo grego estava em voga na época, ainda antes do gótico voltar à moda. A região foi embelezada nos governos Luís Felipe (Praça da Concórdia) e Napoleão III (Boulevards e a Ópera Garnier), de forma que a Madeleine era a igreja onde ia a alta sociedade parisiense.

Várias celebridades tiveram funerais na Madeleine: Chopin, Pedro II do Brasil e o próprio Saint-Saëns. O grande órgão foi construído por Aristide Cavaillé-Coll em 1846.

Barricada na comuna de Paris em 1871. Ao fundo, La Madeleine, onde Saint-Saëns era organista titular nessa época.
Barricada na comuna de Paris em 1871. Ao fundo, La Madeleine, onde Saint-Saëns era organista titular nessa época.

Os seis Prelúdios e Fugas, em que Saint-Saëns cria efeitos que só o órgão é capaz de produzir, são as suas criações mais importantes para o órgão. Os três primeiros, op. 99, foram dedicados respectivamente a Charles-Marie Widor, Alexandre Guilmant e Eugène Gigout. As três vozes (duas mãos e pedaleira) do primeiro prelúdio se cruzam constantemente, obtendo efeitos impressionantes. No segundo prelúdio, ritmos complicados se alternam com uma melodia mais simples.

O Prelúdio em fá maior, um pequeno estudo de arpejos, faz parte do grupo de intermezzos litúrgicos. Os Dois Versículos dão uma ideia da música que era improvisada como intermezo entre corais litúrgicos ou utilizada como transição entre diferentes etapas da missa.

Funeral de Saint-Saëns: saída da igreja La Madeleine
Funeral de Saint-Saëns: saída da igreja La Madeleine

Tema, Variações e Coral Dies irae: o tema e suas variações criam uma atmosfera que se encerra dramaticamente com a citação do coral Dies irae da missa fúnebre. A Segunda Fantasia foi dedicada à rainha Elisabeth da Romênia. Se alternam um trio, um coral, um fugato e uma toccata.

O segundo ciclo de Prelúdios e Fugas, op. 109, foi dedicado, em ordem, a Gabriel Fauré (organiste da Madeleine na época), Albert Perlhou e Henri Dalier. Louis Vierne escreveu: “Creio que os seis prelúdios e fugas, por um lado pelo seu estilo soberbo, e por outro lado por suas dificuldades técnicas, deveriam fazer parte do repertório de todo organista digno deste nome. A 2ª Fantasia em fá bemol é uma obra de concerto esplêndida, fazendo grande impressão no público. Em uma palavra: a contribuição de Saint-Saëns honra grandemente a escola francesa de órgão”

Após dez anos sem compor para o órgão, em 1917 Saint-Saëns terminou os Sete Improvisos. Pela primeira vez, recorreu a temas gregorianos. Essas obras têm harmonia mais complexa: o primeiro improviso, por exemplo, se baseia na escala de tons inteiros.

Traduzido do encarte do álbum. Texto de Stefan Johannes Bleicher.

CD 2 (0:51:54)

Trois Préludes et Fugues Op. 99
01. 1er Prélude et Fugue
02. 2me Prélude et Fugue
03. 3e Prélude et Fugue

04. Prélude F Major
05. Verset
06. Verset
07. Thème, Variations et Choral de Dies Irae
08. 2me Fantaisie

CD 3 (1:07:58)

Trois Préludes et Fugues Op. 109
01. 1er Prélude et Fugue
02. 2me Prélude et Fugue
03. 3e Prélude et Fugue

Sept Improvisations
04. Improvisation 1
05. Improvisation 2 Feria Pentecostes
06. Improvisation 3
07. Improvisation 4
08. Improvisation 5 Pro Martyribus
09. Improvisation 6 Pro Defunctis
10. Improvisation 7

Stefan Johannes Bleicher: órgão Kuhn, 1879/1989 na igreja St. Johan, Schaffhausen (CD 2) e órgão Walcker, 1888, na Stadtkirche de Winterthur (CD 3). Ambos na Suíça.

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O ganha-pão de Saint-Saëns quando jovem: órgão Cavaillé-Coll, La Madeleine, Paris
O ganha-pão de Saint-Saëns quando jovem: órgão Cavaillé-Coll, La Madeleine, Paris

Chegamos ao fim dessa integral. A próxima será a de Olivier Messiaen, outro grande compositor francês com uma extensa e importante obra para órgão (vamos deixar as piadas sobre o tamanho e a importância dos órgãos para o comentários).
Pleyel

Saint-Saëns (1835 – 1921): Integral das obras para órgão – CDs 1 e 4 de 4

Camille Saint-Saëns (1835-1921) é conhecido principalmente como compositor de obras sinfônicas e óperas. Se sua obra impressionante para órgão ainda não encontrou seu espaço merecido até hoje, a causa é talvez sua estética marcada por princípios clássicos e, consequentemente, correspondendo pouco ao estilo de órgão romântico francês de seu tempo.

A clareza excepcional das vozes, a elegância e o natural da melodia assim como a busca da perfeição das formas constituem os traços essenciais de sua obra e conferem às obras para órgão um refinamento sutil. São essas características que os críticos da época encontram em Saint-Saëns como músico. Franz Liszt considerava-o o maior organista de sua época, talvez porque Saint-Saëns tocava perfeitamente sua própria versão para órgão do Sermão aos Pássaros de São Francisco de Assis, de Liszt. Ele escreveu em 1870: “É possível a um músico chegar ao nível de Saint-Saëns; mas ser um músico maior do que ele? Impossível.” Charles Gounod escreveu: “É um músico que possui todos os instrumentos necessários ao seu trabalho e que os domina como ninguém; ele conhece bem os grandes mestres e seria capaz de escrever no estilo de Rossini, Verdi, Schumann ou Wagner; ele os conhece nos mínimos detalhes e é talvez por isso que não imita nenhum deles.”

Saint-Saëns tocou órgão desde jovem. Aos dezoito anos foi nomeado organista em Saint-Merry em Paris e em 1858 passou à igreja La Madeleine, onde exerceu sua atividade por vinte anos. Deixou o postou em 1877 para seguir carreira de concertista na França e no estrangeiro, tendo já nessa época um renome internacional como compositor e virtuose do órgão e do piano.

Sua obra para órgão tem três períodos bem separados. A obra de juventude, de 1852 a cerca de 1866, a obra clássica vai até 1898 e a obra tardia, entre 1917 e 1919. Contrariamente aos hábitos da época, Saint-Saëns dá apenas indicações gerais sobre os registros (timbres) a serem utilizados. Por sua carreira de concertista internacional, ele devia interpretar suas obras em instrumentos muito diversos na Europa e nas Américas. Em 1896 ele fez um recital no órgão Walcker de Winterthur, um dos dois instrumentos usados nesta integral.

A Primeira Fantasia em mi bemol é influenciada por Schumann. A primeira parte, com arpejos distribuídos por dois teclados, lembra uma toccata. Na segunda parte, o caráter é de uma rapsódia.

A igreja La Madeleine era a mais procurada na época para casamentos, assim, é provável que Saint-Saëns tenha tocado a Benedição nupcial op. 9 inúmeras vezes. Sinos distantes soam ao longo da obra.

O Ofertório em mi maior era tocado durante a missa católica. O salutaris hostia foi escrita inicialmente para órgão e soprano, fazendo parte da Missa op. 4, antes da versão para órgão solo. O Prelúdio em dó maior é uma obra de juventude.

As Três Rapsódias sobre Cânticos Bretões op. 7 foram compostas após uma viagem do compositor à Bretanha, no noroeste da França, em companhia de seu aluno Gabriel Fauré.

O Sermão aos Pássaros de São Francisco de Assis, composto por Liszt, foi adaptado para o órgão por Saint-Saëns e fez enorme sucesso nos concertos e nas missas de casamento na Madeleine. Liszt assistiu a alguns desses concertos e lhe escreveu em 1882: “Fico estupefato sempre que ouço seu sermão aos pássaros. Utilizas o órgão como uma orquestra, de uma maneira incrível como só um grande compositor e intérprete pode fazer. Os melhores organistas do mundo tirariam o chapéu.”

Como as tendências tipográficas mudaram entre 1880 e 1898, não é?
Como as tendências tipográficas mudaram entre 1880 e 1898, não é?

A Marcha Religiosa op. 107 foi criada em 1897 para a entrada da rainha Maria Cristina de Espanha na igreja São Francisco de Madrid. As Nove Peças para Órgão ou Harmonium foram reunidas nesta gravação, as primeiras seis são da publicação L’Organiste. O Prelúdio em dó menor tem uma voz solo sobre um acompanhamento de acordes.

As duas últimas composições de Saint-Saëns para o órgão datam de 1919. Ciprestes e Loureiros op. 156 tem também uma versão para órgão e orquestra. A Terceira Fantasia, op. 157, comparável às últimas obras para órgão de Liszt, tem uma grande simplicidade aliada a uma redução extrema de meios. Uma vez mais, o compositor mostra como sua linguagem musical não precisa de efeitos superficiais.

Traduzido do encarte do álbum. Texto de Stefan Johannes Bleicher.

CD 1 (1:04:09)

  1. 1ère Fantasie (E Flat Major)
  2. Bénédiction Nuptiale Op. 9
  3. Offertoire (E Major)
  4. Elévation ou Communion Op. 13
  5. O Salutaris Hostia
  6. Prélude (C Major)
  7. Trois Rhapsodies sur des Cantiques Bretons Op. 7 – 1ère Rhapsodie
  8. Trois Rhapsodies sur des Cantiques Bretons Op. 7 – 2me Rhapsodie
  9. Trois Rhapsodies sur des Cantiques Bretons Op. 7 – 3e Rhapsodie
  10. Prédication aux Oiseaux de St. François d’Assise

CD 4 (0:52:31)

  1. Marche Religieuse Op. 107 (4:41)

Neuf Pièces Pour Orgue ou Harmonium

  1. I. Marche – Cortège
  2. II. Interlude – Fugue
  3. III. Offertoire
  4. IV. Procession
  5. V. Élévation
  6. VI. Offertoire (sarabande)
  7. VII. Ave Verum
  8. VIII. Offertoire
  9. IX. Élévation
  10. Prélude C Minor
  11. 3e Fantaisie Op. 157
  12. Cyprès et Lauriers Op. 156

Stefan Johannes Bleicher: órgão Kuhn, 1879/1989 na igreja St. Johan, Schaffhausen, Suíça.

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O órgão de Schaffhausen
O órgão de Schaffhausen

Pleyel