O final dos anos 70 foi um período de transformações em minha vida, e um dos causadores foi esse disco que ora vos trago. Nada seria como antes, tomando uma pequena liberdade com a clássica canção do Milton Nascimento, que não por acaso, conheci na mesma época. Imaginem um adolescente morando no interior do país, sem muito acesso a cultura, ou sequer a discos, de repente ganha uma caixa de discos de seu irmão mais velho, que está se mudando para o exterior. E nesta verdadeira cornucópia músical, sons que eu sequer imaginava que eram feitos. Lembro que era uma época de transformações e inovações na música, viviamos o apogeu da Era da Discoteca, e o que ouvíamos no rádio era Bee Gees, Donna Summer, Earth, Wind & Fire, The Chic, dentre tantos outros. Roberto Carlos imperava soberano, e muita gente que tinha se exilado por causa da Ditadura Militar começava a voltar para o Brasil.
No Jazz, após o seminal ‘Bitches Brew’ do Miles Davis, começavam a surgir grupos que acrescentaram ao estilo guitarras elétricas distorcidas, sons e instrumentos orientais, e uma Orquestra Sinfônica. É o caso desse disco que ora vos trago, e que foi um dos que mais me influenciaram naquela época da vida em que tentamos absorver tudo, para melhor podermos definir nossos gostos e costumes. ‘Apocalipse’, da Mahavishnu Orchestra, misturava tudo isso num caldeirão de sons em que se destacava o violino de Jean Luc Ponty e a guitarra nervosa e absurdamente virtuosística de John McLaughlin, talvez o meu primeiro Guitar Hero. Não conseguia entender direito o que estava ouvindo, só que me agradava muito. E de fundo, para acompanhar essa loucura sonora, tinha a Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência de Michael Tilson Thomas, falecido recentemente. Essa postagem, inclusive, é em sua homenagem.
Michael Tilson Thomas foi um maestro e compositor norte americano, nascido em Los Angeles em 1944, e falecido agora em 22 de abril de 2026. Dirigiu diversas orquestras, entre elas a Sinfônica de Londres, e nos últimos vinte e cinco anos de sua vida esteve a frente a Sinfônica de San Francisco, que estabeleceu como um dos principais conjuntos orquestrais norte americanos. Nosso mentor PQPBach postou uma excelente integral das Sinfonias de Mahler com Michael Tilson regendo essa orquestra. Vale a pena conhecer.
E para melhor conhecer esse maestro, sugiro a leitura desse artigo na revista Concerto:
Morre, aos 81 anos, o maestro Michael Tilson Thomas
O livreto que acompanha esse CD traz uma interessante apresentação do que se tornou conhecido como Fusion, esse estilo de jazz tão característico. Quando jovem, montei uma banda de rock com amigos, e meu sonho era tocar Fusion. Pobre rapaz, eu nem tinha formação musical, mas para meu espanto o meu ídolo John McLaughlin também não tinha, era autodidata. A banda até que durou bastante, tocaram até meados dos primeiros anos desse novo século, mas eu já saí no começo, quando fui embora para outra cidade conquistar meus sonhos.
John McLaughlin continua na ativa, no alto de seus quase oitenta e dois anos de idade e ainda lança discos discos, e também se apresentando ao vivo, com as mais diversas formações.
Desde o falecimento de Tilson Thomas eu vinha ensaiando postar esse disco, tão importante para a minha formação musical. Com certeza após ouvi-lo meus ouvidos estavam preparados para o que vinha a seguir, sem temer as novidades. Não saberia dizer se ele soa datado, depois de mais de cinquenta anos de seu lançamento, mas para mim continua sendo um dos melhores discos que já ouvi na minha vida.
01. Mahavishnu Orchestra – Power Of Love
02. Mahavishnu Orchestra – Vision Is A Naked Sword
03. Mahavishnu Orchestra – Smile Of The Beyond
04. Mahavishnu Orchestra – Wings Of Karma
05. Mahavishnu Orchestra – Hymn To Him
Mahavishnu Orchestra :
Jean Luc Ponty – Violino elétrico
Gayle Moran – Teclado e vocais
Marsha Westbrook – Viola
Carol Shive – Violino, vocais
Philip Hirschi – Cello, vocais
John MacLaughlin – Guitarras
Michael Walden – Bateria
Ralphe Armstrong – Baixo e vocais
London Symphony Orchestra
Condutor – Michael Tilson Thomas
Produção : George Martin
FDP



A Banda Mantiqueira é um dos projetos mais sensacionais da música instrumental brasileira, reunindo alguns dos melhores sopros do país sob a liderança do saxofonista e arranjador Nailor Proveta. Com uma formação que remete às big bands, mas com espírito brasileiro muito marcado, o grupo transita com naturalidade entre o jazz e gêneros como o choro, o samba e o frevo. O que mais impressiona é a energia coletiva: arranjos sofisticados, cheios de humor e invenção, aliados a uma execução precisa e, ao mesmo tempo, profundamente solta — como se tradição e improviso conversassem o tempo todo. Já o disco Bixiga é um belo retrato dessa identidade. O repertório homenageia compositores brasileiros, sobretudo ligados ao universo do choro e da música urbana, com releituras que preservam o espírito original, mas expandem as possibilidades sonoras através de arranjos criativos. Há momentos de grande lirismo, outros de explosão rítmica, sempre com destaque para o diálogo entre os instrumentos. É um álbum que celebra não apenas um bairro — o Bixiga — mas uma forma de fazer música: coletiva, pulsante e profundamente enraizada na cultura brasileira.




Para qualquer fã sério de jazz fusion — não sou um deles –, o lançamento do álbum solo de estreia de Jaco Pastorius não foi nenhuma surpresa. Em grande parte autodidata, aos 22 anos ele já dava aulas de baixo na Universidade de Miami, onde criou uma forte amizade com o guitarrista Pat Metheny, que levaria os dois a gravarem juntos, lançando um LP nada conhecido (simplesmente intitulado Jaco) em 1974. Mas foi só quando ele se tornou um membro do fusion Weather Report que o começou a deixar sua marca. Jaco Pastorius, disco lançado em 1976, é uma vitrine para os talentos incríveis do baixista, sem mencionar sua maturidade como compositor. Junto com no estúdio estavam ninguém menos que alguns dos melhores músicos de jazz da época: Herbie Hancock, Wayne Shorter, Lenny White, David Sanborn, Hubert Laws e Michael Brecker. Até mesmo as lendas do soul / R&B Sam & Dave fazem uma aparição. Acho que este é o disco menos impressionante de Pastorius. Depois ele fez coisa muito melhor, em trabalhos próprios e de outros. Claramente, Jaco Pastorius era um mestre que morreu em circunstâncias trágicas em 1987 aos 35 anos. Jaco permanecerá para sempre um dos baixistas mais proeminentes que o mundo já ouviu. Ele tinha 24 anos quando gravou este disco.

















Estava caminhando na rua quando este CD começou a tocar. Logo pensei, ih, fusion, vou detestar. Mas depois algo de enorme categoria entrou pelos meus ouvidos. Parecia o time do Inter treinado por Coudet, nada da grossura gremista.