It Might as Well Be Swing é uma celebração da elegância. Com seu fraseado leve, inventivo e irresistivelmente melódico, Stéphane Grappelli (1908-1997) demonstra por que foi um dos grandes responsáveis por transformar o violino em instrumento do jazz. O disco transborda alegria sem jamais cair na superficialidade. Cada tema parece conversar com a tradição do swing ao mesmo tempo em que exibe a personalidade inconfundível de Grappelli: refinada, espirituosa e cheia de charme. É música que flui com naturalidade, como uma conversa entre velhos amigos, lembrando-nos que o jazz pode ser virtuoso sem perder a graça e sofisticado sem perder o sorriso.
.: interlúdio :. Stéphane Grapelli: It might as well be swing
1 You Took Advantage Of Me 4:56
2 Star Eyes 4:17
3 Anything Goes 4:32
4 Don’t Blame Me 5:04
5 Moonlight In Vermont 2:36
6 Caravan 7:15
7 It Might As Well Be Spring 4:53
8 Have You Met Miss Jones 4:02
9 Love Song 3:13
10 Sing Hallelujah 3:56
11 I Didn’t Know What Time It Was 5:50
Alto Saxophone, Tenor Saxophone, Clarinet – Phil Woods
Bass – Jean-Philippe Viret (tracks: 11), John Burr*
Drums – Louis Bellson
Guitar – Marc Fosset
Piano – McCoy Tyner (tracks: 11)
Violin – Stéphane Grappelli
BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
Grappelli com a camisa que ganhou de presente do pessoal do PQP.
Contemplativo and very english, este CD me encheu o saco. Há poucas boas músicas eruditas inglesas entre os dois gênios maiores da ilha: Purcell e Britten. O romance imensamente popular e “quintessencialmente inglês” de Vaughan Williams para violino e orquestra, The Lark Ascending, recebeu muitas gravações. Não há nenhuma evidência que sugira que o próprio compositor tenha considerado a peça de alguma forma excepcional, então por que ele se transformou no sucesso clássico que quase todo mundo conhece? Enquanto outrora este romance despretensioso era ouvido como uma evocação direta dos 12 versos de George Meredith que prefaciam a partitura, o público mais amplo de hoje desconhece em grande parte a sua fonte poética. A etiqueta “quintessencialmente inglesa” aplicável aos versos vitorianos parece cada vez mais inadequada para explicar o apelo global da música. Em 2011, quando a rede de rádio pública de Nova York perguntou aos ouvintes o que eles gostariam de ouvir no 10º aniversário do 11 de setembro, The Lark Ascending ficou em segundo lugar, atrás de Adagio de Barber. Eu não entendo. E vocês?
Vaughan Williams / Delius / Walton: Greensleeves · The Lark Ascending · Summer Night on the River · On Hearing the First Cuckoo in Spring (Zukerman / Black / Orquestra de Câmara Inglesa / Barenboim)
1 Fantasia sobre “Greensleeves” para orquestra de cordas, harpa e duas flautas (1934)
Composta por – Ralph Vaughan Williams
4:29
Concerto para oboé e orquestra de cordas em lá menor (1944)
Composta por – Ralph Vaughan Williams
Oboé – Neil Black (3)
2 1. Rondo Pastoral: Allegro Moderato 6:54
3 2. Minueto e Musette: Allegro Moderato 2:48
4 3. Finale (Scherzo): Presto 8:54
Duas peças para pequena orquestra
Composta por – Frederico Delius
5 1. Ao ouvir o primeiro cuco na primavera (1912) 7:12
6 2. Noite de verão no rio (1911) 5:41
Duas Aquarelas (1938)
Organizado por – Eric Fenby
Composta por – Frederick Delius
7 1. Lento, Ma Non Troppo 2:44
8 2. Alegremente, mas não rápido 2:10
9 Intermezzo (da ópera “Fennimore e Gerda”) (1909-10)
Composta por – Frederico Delius
5:50
Duas peças para cordas da música do filme “Henrique V” (1943-44)
Composta por – William Walton *
10 1. Passacaglia: Morte de Falstaff 2:47
11 2. “Toque seus lábios macios e parte” 2:01
12 The Lark Ascendente (Romance para violino e orquestra) (1914, Rev. 1920)
Composta por – Ralph Vaughan Williams
Violino – Pinchas Zukerman
Maestro – Daniel Barenboim
Orquestra – Orquestra de Câmara Inglesa
Eu não entendo nada dos românticos e nem dou muita bola pra eles, então o fato de eu ter gostado desta gravação talvez signifique que ela é uma merda. Estas talvez sejam interpretações musculosas demais. É justamente essa natureza “exagerada” que apreciei. Em fóruns de pianistas, ouvintes comuns elogiam Biret por colocar “muito sentimento e expressão”, enquanto que os especialistas não gostam muito. A gravação das Polonaises de Chopin pela turca Idil Biret representa uma visão muito pessoal e tecnicamente impecável dessas obras do período romântico. Porém, enquanto intérpretes mais clássicos podem buscar mais delicadeza, Biret aposta no drama, o que resulta em uma escuta vibrante e que certamente vai capturar sua atenção. Afinal, a coisa aqui é patriótica, né? Querem patriotismo sutil? Ah, vsf…
A gravação de L’Orfeo de Claudio Monteverdi conduzida por Sergio Vartolo e lançada pela Naxos em 1997 é uma das raras versões da obra protagonizada por um elenco predominantemente italiano. Ela foi gravada em agosto de 1996 no Théâtre Municipal de Puy-en-Velay, na França. O que diferencia esta gravação é sua sonoridade deliberadamente grandiosa — Vartolo empregou cerca de 40 instrumentistas, uma orquestra consideravelmente maior do que a utilizada em sua regravação da obra uma década depois. Ficou pior… Esta edição de Vartolo possui uma característica única entre as gravações de L’Orfeo: ela inclui ambas as versões do finale da ópera. A primeira edição impressa do libreto (1607) termina com uma cena em que Orfeu é atacado por Bacantes enfurecidas — porém não há música preservada para essa cena. Em 1609, Monteverdi publicou uma versão alternativa com um final feliz, no qual Apolo desce e leva Orfeu aos céus. Vartolo opta por apresentar ambas: primeiro a cena das Bacantes com atores declamando — ou melhor, gritando — suas falas, uma sequência de arrepiar o sangue, e em seguida o finale musical de 1609 com o descenso de Apolo.
Claudio Monteverdi (1567-1643): L`Orfeo (San Petronio Cappella Musicale Orchestra, Vartolo)
Disc 1
Monteverdi, Claudio
Striggio, Alessandro – Lyricist
L’Orfeo
1 Toccata 01:55
2 Prologue 07:18
3 Act I: Shepherd: In questo lieto e fortunato giorno 04:09
4 Act I: Chorus: Lasciate i monti 03:04
5 Act I: Orpheus: Rosa del ciel 03:37
6 Act I: Chorus: Lasciate i monti 02:19
7 Act I: Shepherd: Ma se il nostro gioir 07:32
8 Act II: Orpheus: Ecco pur ch’a voi 01:11
9 Act II: Shepherd: Mira ch’a se n’alletta 03:28
10 Act II: Orpheus: Vi ricorda, o bosch’ombrosi 03:00
11 Act II: Messenger: Ahi caso acerbo 10:51
12 Act II: Chorus: Ahi caso acerbo 02:59
13 Act II: Sinfonia 09:29
Disc 2
1 Act III: Orpheus: Scorto da te 05:58
2 Act III: Charon: O tu ch’innanzi 02:34
3 Act III: Orpheus: Possente spirto 15:15
4 Act III: Charon: Ben mi lusinga 05:51
5 Act III: Chorus: Nulla impresa per uom 02:56
6 Act IV: Proserpina: Signor, quell’infelice 08:18
7 Act IV: Chorus: Pietade, oggi, e Amore 00:53
8 Act IV: Orpheus: Qual onor di te 03:56
9 Act IV: Eurydice: Ahi, vista troppo dolce 03:24
10 Act IV: E la virtute un raggio 03:31
11 Act V: Orpheus: Questi i campi 08:38
12 Act V: Moresca 01:08
13 Act V: Baccanti 07:31
14 Act V: Sinfonia for Entry of Apollo 07:19
15 Act V: Final Chorus: Vanne Orfeo 01:01
16 Act V: Moresca 00:51
Seu sobrenome é Baiano, mas ele pode fazer as coisas velozmente… O cravista Enrico Baiano parece uma figura retirada das páginas de um livro de Pirandello. Bigodudo, e com uma incrível cara de quem está maquinando alguma coisa contra alguém. Mas ele se acabou se ralando, pois sua gravadora (a obscura Symphonía Digital italiana) fechou e este CD tornou-se uma raridade a ponto de os sites ostentarem a palavrinha “discontinued” nas apresentações que fazem do disco. Com tanta porcaria por aí, é uma ocorrência imerecida para este bom Baiano de movimentos rápidos cercando os delicados os adágios, largos, andantes e que tais vivaldianos. Os concertos foram retirados do Estro Armonico e da Stravaganza o que é garantia de um pedigree veneziano autêntico. Abaixo, mostro a vocês a latinha de Enrico Baiano. Não, não o acho bonito, contudo confesso que ela (a cara dele) me faz como se visse um personagem muito esperto de uma comédia italiana do passado. A propósito, Baiano gravou elogiados CDs de Sonatas de Domenico Scarlatti. Basta ouvir este CD para concluir que ele nasceu para tocar Scarlatti, o homem que tinha um caso com a princesa portuguesa Maria Bárbara de Bragança, fato verídico que Clara Schumann, direto da cidade do Porto, insiste em negar.
Vivaldi – Concerti pour clavecin, du Manuscrit de Ann Dawson (Bibliothèque de Manchester)
Origem dos concertos: Op. IV:10, IV:6, IV:3, IV:4, IV:1 de La Stravaganza; Op. III:7, III:9, III:5, III:12 de L’Estro Armonico
01 Opus IV, 10-1-Spiritoso
02 Opus IV, 10-2-Adagio
03 Opus IV, 10-3-Allegro
04 Opus IV, 6-1-Allegro
05 Opus IV, 6-2-Largo
06 Opus IV, 6-3-Allegro
07 Opus IV, 3-1-Allegro
08 Opus IV, 3-2-Largo
09 Opus IV, 3-3-Allegro Assai
10 Opus III, 7-1-Andante
11 Opus III, 7-2-Adagio, Allegro
12 Opus III, 7-3-Adagio, Allegro
13 Opus VII, 4-1-Allegro
14 Opus VII, 4-2-Grave
15 Opus VII, 4-3-Allegro assai
16 Opus III, 9-1-Allegro
17 Opus III, 9-2-Andante
18 Opus III, 9-3-Allegro
19 Opus III, 5-1-Allegro
20 Opus III, 5-2-Adagio e cantabile
21 Opus III, 5-3-Allegro
22 Opus IV, 1-1-Allegro
23 Opus IV, 1-2-Largo e cantabile
24 Opus IV, 1-3-Allegro assai
25 Opus III, 12-1-Allegro
26 Opus III, 12-2-Largo
27 Opus III, 12-3-Allegro
Enrico Baiano, clavecin François-Etienne Blanchet de 1733, copie de Olivier Fadini
Tenho mil razões para acreditar que esta é uma gravação pirata. E duas mil razões para mostrá-la aqui no PQP. Talvez vocês não saibam que eu e Bluedog temos verdadeira paixão pelas gravações ao vivo. E quanto menos maquiadas melhor. É ao vivo que o artista faz o contato direto com aquilo que imagina ser seu público; é ao vivo e no entusiasmo causado pela interação física do artista e seu público, que temos a expressão mais sincera e direta; é sem a mediação de engenheiros de som, produtores e outros que tais que o verdadeiro artista criará a expressão só possível de ser reinventada na presença do receptor. Para mim, o concerto ao vivo é a prova de que temos um artista autêntico ou algo produzido em laboratório. E a genial Viktoria Mullova, na esplêndida companhia do Il Giardino Armonico de Giovanni Antonini, dão uma das maiores demonstrações de musicalidade e tesão de amor pela música que tenho visto. Há erros? Sim, Mullova até desafina e se atrasa. E isto é que é sensacional. Ela deixou-se levar de tal maneira pelo clima e pela velocidade proposta por Antonini que mandou às favas a técnica na tentativa de fazer o melhor Vivaldi daquele dia de 2004, naquela Lugano, naquele teatro, para servir àquele público.
Trata-se de um CD arrepiante, entremeado de tosses e espirros da platéia e com os entusiasmados aplausos cortados subitamente por nosso “editor” pirata. E não adianta, eu não sei quem toca alaúde no R. 93.
CD espetacular! (Ah, a qualidade de som é inteiramente aceitável).
VIVALDI – CONCERTI R281, R187, R580, R93, R208. MULLOVA. GIARDINO. ANTONINI. EN VIVO
1 Concerto in Mi minore R281 «Il Favorito». I Allegro.mp3
2 Concerto in Mi minore R281 «Il Favorito». II Largo.mp3
3 Concerto in Mi minore R281 «Il Favorito». III Allegro.mp3
4 Concerto in Do Maggiore R187. I Allegro.mp3
5 Concerto in Do Maggiore R187. II Largo ma non molto.mp3
6 Concerto in Do Maggiore R187. III Allegro.mp3
7 Concerto in Si minore R580. I Allegro.mp3
8 Concerto in Si minore R580. II Largo.mp3
9 Concerto in Si minore R580. III Allegro.mp3
10 Concerto per Liuto in Re Maggiore R93. I Allegro.mp3
11 Concerto per Liuto in Re Maggiore R93. II Largo.mp3
12 Concerto per Liuto in Re Maggiore R93. III Allegro.mp3
13 Concerto in Re Maggiore R208. «Grosso Mogul» I Allegro.mp3
14 Concerto in Re Maggiore R208. «Grosso Mogul» II Largo.mp3
15 Concerto in Re Maggiore R208. «Grosso Mogul» III Allegro.mp3
Viktoria Mullova
Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini
Grabación en vivo. Lugano, Palacio de Congresos, 7.6.2004.
Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music of Thelonious Monk é um daqueles encontros improváveis que acabam parecendo inevitáveis depois de acontecidos. O Kronos Quartet transporta o universo cheio de pontas, irônico e melancólico de Thelonious Monk para o território da música de câmara sem domesticá-lo. Pelo contrário: os arcos parecem revelar ainda mais as dissonâncias, os silêncios e o humor torto de Monk. A presença de Ron Carter dá peso e pulsação jazzística ao projeto, especialmente em “Off Minor/Epistrophy”, enquanto peças como “‘Round Midnight” e “Crepuscule with Nellie” ganham uma beleza quase fantasmagórica. Não é jazz tradicional nem música clássica convencional: é um disco raro, elegante e inquieto, feito por músicos que compreendem que Monk sempre foi, sobretudo, um grande compositor contemporâneo.
Kronos Quartet: Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music Of Thelonious Monk with Ron Carter
1 Well, You Needn’t
Written-By – Thelonious Monk
4:58
2 Rhythm-a-ning
Written-By – Monk*
3:04
3 Crepuscule With Nellie
Written-By – Monk*
2:39
4 Off Minor / Epistrophy
Written-By – Monk*
8:10
5 ‘Round Midnight
Written By – Monk-Williams
Written-By – Williams*, Monk*
4:33
6 Misterioso
Written-By – Monk*
4:00
“Monk Plays Ellington”:
7 It Don’t Mean A Thing (If It Ain’t Got That Swing)
Written By – Ellington-Mills
Written-By – Ellington*, Mills*
4:03
8 Black And Tan Fantasy
Written By – Ellington-Miley
Written-By – Miley*, Ellington*
3:42
9 Brilliant Corners
Written-By – Monk*
5:04
Bass – Chuck Israels (tracks: B3, B4), Ron Carter (tracks: A1 to A4)
Cello – Joan Jeanrenaud
Drums – Eddie Marshall (2) (tracks: B3, B4)
Viola – Hank Dutt
Violin [First] – David Harrington
Violin [Second] – John Sherba
Há discos que são clássicos instantâneos e discos que se tornam clássicos com o tempo. Este aqui é ambas as coisas. O álbum reúne três dos quartetos mais importantes do repertório russo — o Quarteto de Cordas nº 1, Op. 11 de Tchaikovsky, o Quarteto de Cordas nº 2 de Borodin e o Quarteto de Cordas nº 8, Op. 110 de Shostakovich — interpretados por dois grupos lendários. A escolha dos intérpretes já é um golpe de gênio. O Gabrieli String Quartet (ingleses conhecidos pela precisão e elegância) assume o Tchaikovsky, gravado em 1976 . Já o Borodin Quartet — em sua formação original de 1962, com Rostislav Dubinsky no primeiro violino — interpreta Borodin e Shostakovich. E por que isso importa? Porque o Borodin Quartet trabalhou pessoalmente com o próprio Shostakovich, que supervisionou suas interpretações.
O resultado é um contraste fascinante. No Quarteto de Tchaikovsky, a execução do Gabrieli é limpa, elegante e precisa, com uma certa contenção emocional tipicamente inglesa . O famoso Andante Cantabile — que fez Tolstói chorar ao ouvi-lo — ganha aqui uma leitura refinada, talvez até distante do sentimentalismo eslavo que muitos esperam.
Já no Borodin e no Shostakovich, o Borodin Quartet vem com o oposto. Não que sejam selvagens, são extatos, perfeitos, sensíveis, mas o clima é muito mais emocional. O Notturno do Quarteto nº 2 de Borodin — originalmente dedicado à esposa do compositor — é uma das peças mais belas já escritas para quarteto de cordas, e esta gravação é considerada a versão de referência. O violoncelo de Valentin Berlinsky conduz a melodia com uma ternura de cortar a alma.
E então vem Shostakovich. O Quarteto nº 8 é outro tipo de animal. Escrito em apenas três dias em 1960, o compositor o dedicou “à memória das vítimas do fascismo e da guerra” — mas todos sabiam que ele estava escrevendo seu próprio réquiem. As iniciais DSCH (Ré-Mi-Si-Dó em alemão, seu monograma musical) aparecem como um mantra obsessivo ao longo dos cinco movimentos . O Borodin Quartet interpreta isso com um conhecimento de causa que nenhum outro grupo pode reivindicar.
No fim das contas, não é um cedezinho de peças famosas, mas sim um documento histórico. O Borodin Quartet é a tradição dessas obras. Ouvir esta gravação é o mais próximo que podemos chegar de ouvir Shostakovich explicar sua própria música.
Veredito final: Essencial para qualquer coleção de música de câmara. O Borodin sozinho já vale o preço do disco.
Pyotr Ilyich Tchaikovsky String Quartet No. 1 In D Major, Op.11
Ensemble – Gabrieli String Quartet*
(28:05)
1 – I. Moderato E Semplice 10:37
2 – II. Andante Cantabile 6:32
3 – III. Scherzo & Trio: Allegro Non Tanto E Con Fuoco 3:53
4 – IV. Finale: Allegro Giusto 6:50
Alexander Borodin String Quartet No. 2 In D Major
Ensemble – Borodin String Quartet
(27:47)
5 – I. Allegro Moderato 7:52
6 – II. Scherzo 4:44
7 – III. Notturno: Andante 8:09
8 – IV. Finale: Andante – Vivace 6:54
Dmitri Shostakovich String Quartet No. 8 In C Minor, Op.110
Ensemble – Borodin String Quartet
(19:41)
9 – I. Largo – 4:24
10 – II. Allegro Molto – 2:43
11 – III. Allegretto – 3:59
12 – IV. Largo – 5:12
13 – V. Largo 3:25
Cello – Keith Harvey (faixas: 1 to 4), Valentin Berlinsky (faixas: 5 to 13)
Viola – Dmitri Shebalin (faixas: 5 to 13), Ian Jewel (faixas: 1 to 4)
Violin [II] – Brendan O’Reilly (4) (faixas: 1 to 4), Yaroslav Alexandrov (faixas: 5 to 13)
Violin [I] – Kenneth Sillito (faixas: 1 to 4), Rostislav Dubinsky (faixas: 5 to 13)
Coletâneas são desiguais, mas têm a vantagem de nos darem uma visão bastante clara das diversas vertentes de um artista, se ele as tiver, claro. Algumas das faixas abaixo já foram divulgadas no PQP, casos de Edges Of Illusion e Gone to the dogs, mas há outras extraordinárias, que me fazem desejar conhecer inteiramente os álbuns de onde saíram. Esta coletânea é uma espécie de isca. E eu a fisguei e estou bem feliz de ser puxado pelo anzol de Surman. A qualidade do som dos saxes e clarinetes do inglês é inacreditável.
John Surman – Selected Recordings (1976-1999)
1 Druid’s Circle
2 Number Six
3 Portrait of a Romantic
4 Ogeda
5 The Returning Exile
6 Edges Of Illusion
7 The Buccaneers
8 The Snooper
9 Mountainscape VIII
10 Figfoot
11 Piperspool
12 Gone To The Dogs
13 Stone Flower
John Surman – Soprano Saxophone, baritone saxophone, bass clarinet, recorder, synthesizer, keyboard
John Abercrombie – guitar
Paul Bley – piano
Gary Peacock – double-bass
Barre Phillips – double-bass
Chris Pyne – trombone
Terje Rypdal – guitar
Lançado em 1992, Pieces of Africa é um marco na trajetória do Kronos Quartet e na própria história da música contemporânea. O álbum reúne obras encomendadas pelo quarteto a sete compositores africanos — do Zimbábue, Marrocos, Gâmbia, Uganda, Egito, Gana e África do Sul — num gesto que, à época, foi tão audacioso quanto necessário. O mérito maior de Pieces of Africa está na abordagem: o Kronos não “usa” a África como cenário. Em cada faixa, os compositores tocam seus instrumentos tradicionais ao lado do quarteto — o sintir de Hassan Hakmoun, a kora de Foday Musa Suso, o tar de Hamza El Din — e o grupo se coloca, muitas vezes, como acompanhante, não como protagonista. A colaboração é genuína, e o resultado é um álbum que respira alegria, calor e, sim, alguma melancolia. Três décadas depois, a relevância do disco foi formalmente reconhecida: em 2024, Pieces of Africa foi incluído no National Recording Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, ao lado de gravações consideradas “cultural, histórica ou esteticamente significativas”. Para quem busca uma porta de entrada para o Kronos Quartet — ou para a ideia de que o quarteto de cordas pode ser muito mais do que Haydn, Mozart e Beethoven — este disco continua sendo um ponto de partida excelente, vibrante e surpreendentemente acessível.
Addy / El Din / Hakmoun / Maraire / Suso / Tamusuza / Volans: Pieces of Africa (Kronos Quartet)
POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH. IMAGENS POR VASSILY EM 30/10/2015,
Aproveitando a carona dessa nossa série sobre a Família das Cordas, reabilitamos os links para essa estupenda gravação do belga Sigiswald Kuijken. Sempre houve muita discussão dessas Suítes BWV 1007-1012, pois não há autógrafo do compositor, apenas uma cópia do punho de sua esposa Anna Magdalena, cheia de erros e inconsistências. Além disso, a verdadeira natureza do instrumento para o qual Bach concebeu essas obras também é objeto de polêmica, particularmente por conta da Suíte no. 6, que demanda um instrumento de cinco cordas. Alguns sustentaram que ele seria uma certa viola pomposa inventada pelo compositor, sobre cuja existência nunca houve provas além de anedotas. Outra possibilidade é o violoncello da spalla, cujo maravilhoso timbre, sob as mãos do violinista Kuijken, soa tão convincente que as dúvidas parecem dirimir.
Vassily Genrikhovich
POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 21/3/2009, EDITADA EM 28/2/2012
Filhos bastardos, eu e FDP não lembramos do 21 de março antes do dia de ontem. Improvisamos uma homenagem meio de qualquer jeito e acho que deu certo. Foram 5 posts com 10 impecáveis CDs.
Finalizamos nossa homenagem aos 324 anos de papai com uma nova versão para as Suítes para Violoncelo, tocadas pelo genial Sigiswald Kuijken num instrumento que hoje não se utiliza mais: o violoncello da spalla.
Ei-los [Vassily]Maior ainda que a viola, mas manuseado como se fosse um violino, o “violoncelo de ombro” presta-se a uma belíssima interpretação das suítes. E salve Mestre Kuijken!
IMPERDÍVEL!!!
Bach: Suítes para Violoncelo, BWV 1007-1012
CD 1
Suite N°1 in G major BWV 1007
1. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Prelude
2. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Allemande
3. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Courante
4. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Sarabande
5. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Menuett
6. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Gigue
Suite N°2 in d minor BWV 1008
7. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Prelude
8. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Allemande
9. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Courante
10. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Sarabande
11. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Menuett
12. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Gigue
Suite N°3 in C major BWV 1009
13. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Prelude
14. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Allemande
15. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Courante
16. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Sarabande
17. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Bouree
18. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Gigue
CD 2
Suite N°4 in E flat major BWV 1010
1. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Prelude
2. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Allemande
3. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Courante
4. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Sarabande
5. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Bourree
6. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Gigue
Suite N°5 in c minor BWV 1011
7. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Prelude
8. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Allemande
9. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Courante
10. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Sarabande
11. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Gavotte
12. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Gigue
Suite N°6 in D major BWV 1012
13. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Prelude
14. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Allemande
15. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Courante
16. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Sarabande
17. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Gavotte
18. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Gigue
Sigiswald Kuijken faz uma careta especial para o povo pequepiano | Imagem roubada do Facebook do grande violinista e maestro brasileiro Luis Otavio Santos
Este estupendo CD duplo traz o especialista em música barroca René Jacobs com um super time num lançamento da Harmonia Mundi alemã. Tudo perfeito se acrescentarmos que Maddalena ai piedi di Cristo é uma obra-prima.
Trata-se de um disco para ouvir e comprar. Ah, mas quem é Caldara? Eu também conhecia pouco, mas fiquei espantadíssimo com esta gravação multi-premiada.
Antonio Caldara foi um compositor italiano do período barroco, conhecido como compositor de óperas, cantatas e oratórios. Caldara nasceu em Veneza em uma família de músicos. Seu primeiro professor foi seu pai, Giuseppe, que foi violinista. Aos onze anos, estudou sob a direção de Giovanni Legrenzi, foi corista na Catedral de San Marco em Veneza, onde aprendeu vários instrumentos. Em 1699 mudou-se para Mântua, onde se tornou Mestre di cappella Charles IV, Duque de Mântua. Foi um dos mais prolíficos autores da sua geração. Caldara ocupou cargos importantes em Mântua, Roma e Viena, num momento em que a música vocal italiana estava a atravessar um processo de desenvolvimento rápido. Durante os anos seguintes, fez inúmeras viagens na Itália e no estrangeiro. Em 1708 é contratado pelo arquiduque Carlos, e mudou-se para Barcelona, onde compõe várias óperas que representam as primeiras óperas italianas da Península Ibérica. Caldara iria influenciar a escola de Mannheim, bem como Haydn e Mozart.
Antonio Caldara (1670-1736): Maddalena ai piedi di Cristo (Jacobs)
CD 1
1. Part 1. No. 1. Sinfonia
2. Part 1. No. 2. Aria. Dormi, o cara, e farmi il sonno
3. Part 1. No. 3. Recitativo. Così godea la mente
4. Part 1. No. 4. Aria. Deh, librate amoretti
5. Part 1. No. 5. Recitativo. Del sonno lusinghiero
6. Part 1. No. 6. Aria. La ragione, s’un’alma conseglia
7. Part 1. No. 7. Recitativo. Così sciolta da’lacci de’ sui error
8. Part 1. No. 8. Allegro. Alle vittorie
9. Part 1. No. 9. Recitativo. Oimè, troppo importuno
10. Part 1. No. 10. Aria. In un bivio è il mio volere
11. Part 1. No. 11. Recitativo. Maddelena, nel cielo fissa la sguardo
12. Part 1. No. 12. Aria. Spera, consolati
13. Part 1. No. 13. Recitativo. Troppo dura è la legge
14. Part 1. No. 14. Aria. Fin che danzan le grazie sul viso
15. Part 1. No. 15. Recitativo. Germana, al ciel, deh, volgi
16. Part 1. No. 16. Aria. Non sdegna il ciel le lacrime
17. Part 1. No. 17. Recitativo. Omai spezza quel nodo
18. Part 1. No. 18. Aria. Pompe inutili
19. Part 1. No. 19. Recitativo. E voi, dorati crini
20. Part 1. No. 20. Aria. Il sentier ch’ora tu prendi
21. Part 1. No. 21. Recitativo. Maddalena, coraggio!
22. Part 1. No. 22. Aria. Dilenti non più vanto
23. Part 1. No. 23. Recitativo. Dell’anima tua grande
24. Part 1. No. 24. Aria. Vattene, corri, vola
25. Part 1. No. 25. Recitativo. Marta, ho risolto
26. Part 1. No. 26. Aria. Voglio piangere
27. Part 1. No. 27. Recitativo. A tuo dispetto, Amor Terreno
28. Part 1. No. 28. Duetto. La mia virtude
CD 2
1. Part 2. No 1. Sinfonia
2. Part 2. No 2. Recitativo. Donna grande e fastosa
3. Part 2. No 3. Aria. Parti, che di virtù il gradito splendore
4. Part 2. No 4. Recitativo. Cingan pure quest’alma
5. Part 2. No 5. Aria. Chi con sua cetra
6. Part 2. No 6. Recitativo. Maddalena, deh, ferma!
7. Part 2. No 7. Aria. In lagrime stemprato il cor qui cade
8. Part 2. No 8. Recitativo. Oh ciel, chi vide mai la penitenza
9. Part 2. No 9.Aria. Ride il ciel e gl’astri brillano
10. Part 2. No 10. Recitativo. A tuo dispetto, Amor Terreno
11. Part 2. No 11. Aria. Me ne rido di tue glorie
12. Part 2. No 12. Recitativo. Se non ho forza a superar costei
13. Part 2. No 13. Aria. Orribili, terribili
14. Part 2. No 14. Recitativo. Maddalena, costanza
15. Part 2. No 15. Aria. O fortunate lacrime
16. Part 2. No 16. Recitativo. Mio Dio, mio Redentor
17. Part 2. No 17 .Aria. Chi drizzar di pianta adulta
18. Part 2. No 18. Recitativo. D’esser costante, o mio Gesù, non temo
19. Part 2. No 19. Aria. Per il mar del pianto mio
20. Part 2. No 20. Recitativo. L’atto immenso che, uscito
21. Part 2. No 21. Aria. Del senso soggiogar
22. Part 2. No 22. Recitativo. Di miei dardi possenti
23. Part 2. No 23. Aria. Da quel strale che stilla veleno
24. Part 2. No 24. Recitativo. Sempre dagl’astri scende
25. Part 2. No 25. Aria. Questi sono arcani ignoti
26. Part 2. No 26. Recitativo. Cittadini del ciel
27. Part 2. No 27. Aria. Sù, lieti festeggiate
28. Part 2. No 28. Recitativo. Voi, che in mirarmi oppresso ogn’or godete
29. Part 2. No 29. Aria. Voi del Tartaro
30. Part 2. No 30. Recitativo. Va dunque Maddalena
31. Part 2. No 31. Aria. Chi serva la beltà
Maddalena – Maria Christina Kiehr
Marta – Rosa Dominguez
Amor Terreno – Bernarda Fink
Amor Celeste – Andreas Scholl
Fariseo – Ulrich Messthaler
Cristo – Gerd Türk
In Montreal é um álbum de Egberto Gismonti e Charlie Haden gravado em 6 de julho de 1989 no Festival Internacional de Jazz de Montreal e lançado pela ECM em 2001. Aqui, temos dois monstros em plena forma em ação. Gismonti é mais dinâmico. Ele é a mola propulsora em peças de como Salvador, Maracatu e Em Família. Essas músicas mais agitadas de Gismonti são contrabalanceadas pelas composições majestosas e reflexivas de Haden. Um belo disco, lindamente interpretado e muito brasileiro. O ouvido de Haden para a música latina funciona perfeitamente, encaixando-se tanto ao violão de 10 cordas quanto ao piano de Gismonti. Este brinca muito, como em Lôro e em Frevo. Uma alegria ouvir esses dois.
P.S. de Pleyel em 2026 ao repostar: Tenho enorme apreço pelo primeiro disco lançado por Gismonti e Haden juntos, em um trio com o saxofonista J. Garbarek (aqui). Depois fui ouvir o álbum ao vivo lançado pela ECM em 2012 e este do duo lançado em 2001. Este aqui é o melhor dos ao vivo. Um diálogo simplesmente telepático.
Egberto Gismonti & Charlie Haden in Montreal
1 Salvador – composed by Egberto Gismonti (7:36)
2 Maracatú – composed by Egberto Gismonti (9:21)
3 First Song – composed by Charlie Haden (6:28)
4 Palhaço – composed by Egberto Gismonti, G.E. Carneiro (9:19)
5 Silence – composed by Charlie Haden (9:49)
6 Em Família – composed by Egberto Gismonti (10:03)
7 Lôro – composed by Egberto Gismonti (7:32)
8 Frevo – composed by Egberto Gismonti (6:43)
9 Don Quixote – composed by Egberto Gismonti, G.E. Carneiro (12:02)
Egberto Gismonti, violão, piano e o que pintar
Charlie Haden, baixo
Antes de qualquer coisa, vou esclarecendo que admiro muitíssimo a obra do finlandês Jean (Johan Julius Christian) Sibelius. Suas sinfonias, poemas sinfônicos, suítes, aquele fantástico concerto para violino, assim como suas obras de câmara — sonatas (tão bem interpretadas por Glenn Gould) e quartetos — sempre estiveram próximos de meu CD Player. Já foi um autor popularíssimo, hoje não é mais. A obra que me parece ser seu ponto mais alto, o poema sinfônico Tapiola, recebe poucas gravações. Não entendo.
Aqui o temos com Karajan e a Filarmônica de Berlim, o que não é garantia de nada. Karajan gravava tanto que era impossível acertar sempre. Se ele acerta no ângulo ao dar à Sinfonia Nº 4 todas as soturnas trevas que ela merece — com seu belo solo inicial de violoncelo, aqui maravilhosamente tocado — , erra na Nº 7. Depois que Mravinski, em fevereiro de 1965, gravou a sétima, tudo deveria ter mudado. Mravinski (e também Sibelius!) fez com o trombone levasse à frente toda a música, dando-lhe enorme destaque. Karajan permaneceu numa concepção antiquada da obra, mesmo tendo-a registrado três anos depois do russo. O trombone está no mesmo nível dos outros instrumentos e, quando ouvimos a Filarmônica de Berlim, parece que alguma coisa no aparelho de som não está funcionando. Cadê o solo? O Alex Ross deve ter detestado essa gravação da sétima. Na Valsa Triste não há como errar. É uma terna peça de concerto, foi, ao lado do Bolero de Ravel e do Pássaro de Fogo de Stravinski, o carro-chefe do filme de Bruno Bozzetto Música e Fantasia (Allegro Non Troppo, 1976).
Jean Sibelius: Sinfonien 4 & 7 / Valse Triste
Sinfonie Nr. 4 Op. 63
1. Tempo molto moderato, quasi adagio
2. Allegro molto vivace
3. Il tempo largo
4. Allegro
Sinfonie Nr. 7 Op. 105
5. Adagio
6. Meno adagio
7. Poco rallentando al Adagio
8. Presto – Poco a poco rallentando al Adagio
Eu posso contestar a escolha das Cantatas, mas não posso reclamar de Philippe Herreweghe e de sua orquestra e coral de Ghent — eles dão um show de interpretação. Só por isso o CD duplo, colocado por mim em apenas um arquivo, já mereceria ser baixado. Como vocês estão vendo, interrompo a série de Bach 2000 para postar mais Cantatas… É amor, gente. Acontece.
J. S. Bach: Cantatas BWV 39, 73, 93, 105, 107, 131 (Herreweghe)
Track listing:
Aus der Tiefen rufe ich, Herr, zu dir (bwv 131)
Herr, wie du willt, so schicks mit mir (bwv 73)
Herr, gehe nicht ins Gericht mit deinem Knecht (bwv 105)
Brich dem Hungrigen dein Brot (bwv 39)
Wer nur den lieben Gott läßt walten (bwv 93)
Was willst du dich betrüben (bwv 107)
cd1.01. BWV 131 – Aus der Tiefen rufe ich
cd1.02. BWV 131 – So du willst, Herr, Sünde zurenchnen
cd1.03. BWV 131 – Ich harre des Herrn
cd1.04. BWV 131 – Meine Seele wartet auf den Herrn
cd1.05. BWV 131 – Israel, hoffe auf den Herrn
cd1.06. BWV 73 – Herr, view du willt, so schick’s mit mir
cd1.07. BWV 73 – Ach, senke doch den Geist der Freuden
cd1.08. BWV 73 – Ach, unser Wille bleibt verkehrt
cd1.09. BWV 73 – Herr, so du willt
cd1.10. BWV 73 – Das ist des Vaters Wille
cd1.11. BWV 105 – Herr gehe nicht ins Gericht mit deinem Kn
cd1.12. BWV 105 – Mein Gott, verwirf michj nicht
cd1.13. BWV 105 – Wie zittern und wanken
cd1.14. BWV 105 – Wohl aber dem, der sienen Bürgen weiß
cd1.15. BWV 105 – Kann ich nur Jesum mir zum Freunde machen
cd1.16. BWV 105 – Nun, ich weiß, du wirst mir stillen
cd2.01. BWV 39 – Brich dem Hungrigen dein Brot
cd2.02. BWV 39 – Der reiche Gott wirft seinen Überfluß
cd2.03. BWV 39 – Seinem Schöpfer noch auf Erden
cd2.04. BWV 39 – Wohlzutum und mitzuteilen
cd2.05. BWV 39 – Höchster, was ich habe
cd2.06. BWV 39 – Wie soll ich dir, o Herr
cd2.07. BWV 39 – Selig sind, die aus Erbarmen
cd2.08. BWV 93 – Wer nur den lieben Gott läßt walten
cd2.09. BWV 93 – Was helfen uns die schweren Sorgen
cd2.10. BWV 93 – Man halte nur ein wenig stille
cd2.11. BWV 93 – Er kennt die rechten Freudestunden
cd2.12. BWV 93 – Denk nicht in deiner Drangsalhitze
cd2.13. BWV 93 – Ich will auf den Herren schaun
cd2.14. BWV 93 – Sing, bet und geh auf Gottes Wegen
cd2.15. BWV 107 – Was willst du dich betrüben
cd2.16. BWV 107 – Denn Gott verlässet keinen
cd2.17. BWV 107 – Auf ihn magst du es wagen
cd2.18. BWV 107 – Wenn auch gleich aus der Höllen
cd2.19. BWV 107 – Er richt’s zu seinen Ehren
cd2.20. BWV 107 – Darum ich mich ihm ergebe
cd2.21. BWV 107 – Herr, gib, daß ich dein Ehre
Barbara Schlick – soprano (cd1)
Agnès Mellon – soprano (cd2)
Gérard Lesne – alto (cd1)
Charles Brett – alto (cd2)
Howard Crook – tenor
Peter Kooy – bass
dir. Philippe Herreweghe
Chorus and Orchestra of Collegium Vocale, Ghent
Papai faz anos e quem ganha o presente são vocês. Eu, FDP Bach, e meu irmão, PQP, estaremos hoje postando só obras de papai; afinal, não é todo dia que alguém completa 324 anos e continua tão vivo e emocionante.
Já cogitei em certa ocasião postar a integral das cantatas, mas, visto o tamanho da empreitada, acabei desistindo. Digo isso porque estou postando um dos melhores intérpretes de papai, Tom Koopman e sua Amsterdam Baroque Orchestra & Choir. Estou postando o primeiro box, que contém 3 cds. Ah, recomendo o excelente booklet, que traz um histórico das cantatas, além das letras das mesmas, traduzidas para o inglês e para o francês. As traduções para o português sugiro buscarem no site listado ao lado, Cantatas de Bach, feito por especialistas da área.
Quando consegui esta série fiquei me perguntando quando diabos teria tempo de ouvir tudo isso, afinal de contas são 67 cds. Mas passados 5 anos, posso dizer que já ouvi uma boa parte, e tiro o chapéu para a interpretação de Koopman, sempre correta, e sempre contando com excepcionais solistas, além de uma orquestra montada por músicos especialistas no repertório não apenas bachiano, mas também barroco. Possuo outras duas integrais, a de Helmut Rilling, que não se importou com o aspecto “histórico” da interpretação, mas isso de forma alguma tira o mérito da empreitada, e aquela considerada por muitos a melhor de todas, dirigida por Nikolaus Harnoncourt, num projeto em que esteve envolvido durante mais vinte anos, e auxiliado simplesmente por Gustav Leonhardt. Coisa de gente grande que viveu e respirou a música de papai durante suas vidas inteiras.
“Aus der Tiefe rufe ich, Herr, zu dir” BWV 131 22’15
Penitential Service? – Bußgottesdienst? – Office de Pénitence?
12 Sinfonia-Choral: “Aus der Tiefe rufe ich, Herr, zu dir” 4’18 Oboe, Fagotto, Violino, Viole, Violone, Organo
13 Aria (Basso, Choral): “So du willst, Herr, Sünde zurechnen” 4’20 Oboe, Violoncello, Organo
14 Coro: “Ich harre des Herrn” 3’35 Oboe, Fagotto, Violino, Viole, Violone, Organo
15 Aria (Tenore, Choral): “Meine Seele wartet auf den Herrn” 6’05 Violoncello, Organo
16 Coro: “Israel, hoffe auf den Herrn” 3’57 Oboe, Fagotto, Violine, Viole, Violone, Organo
“Ich hatte viel Bekümmernis” BWV 21 (Appendix):
17 Coro: “Sei nun wieder zufrieden'” 5’48 Oboe, Tromboni, Cornetto, Violini, Viola, Fagotto, Violoncello, Contrabasso, Organo
“Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit” (Actus tragicus) BWV 106 19’40
1 Sonatina 2’26 Flauti dolci, Viole da gamba, Violone, Organo
2 a [Coro]: “Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit” 8’24
b [Arioso] (Tenore): “Ach Herr, lehre uns bedenken”
c [Arioso] (Basso): “Bestelle dein Haus; denn du wirst sterben” Flauto dolce, Viola da gamba, Violone, Organo
3 a [Aria] (Alto): “In deine Hände befehl ich meinen Geist” 5’56
b [Arioso – Choral] (Alto, Basso): “Heute wirst du mit mir im Paradies sein” Viole da gamba, Flauti dolci, Violone, Organo
4 Coro: “Glorie, Lob, Ehr und Herrlichkeit” 2’54 Flauti dolci, Viole da gamba, Violone, Organo
“Der Herr denket an uns” BWV 196 10’54
Wedding cantata – Trauungskantate – Cantate de mariage
5 Sinfonia . 1’41 Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
6 Coro: “Der Herr denket an uns” 1’53 Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
7 Aria (Soprano): “Er segnet, die den Herrn fürchten” 2’35 Violino, Violoncello, Organo
8 Duetto (Tenore, Basso): “Der Herr segne euch” 2’09 Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
9 Coro: “Ihr seid die Gesegneten des Herrn” 2’36 Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
Eis Bongers, soprano
Richard Bryan, alto
Joost van der Linden, tenor
Matthijs Mesdag, bass
“Gott ist mein König” BWV 71 18’15
Ratswechsel – For the Town Council Inauguration – Pour le changement du Conseil municipal • Mühlhausen, 4.2.1708
10 Coro: “Gott ist mein König” 1’48 Trombe, Timpani, Flauti, Oboi, Violini, Viola, Fagotto, Violoncello, Violone, Organo
11 Aria – Choral (T, S): “Ich bin nun achtzig Jahr” • “Soll ich auf dieser Welt” 3’29 Organo obbligato
12 Coro [a 4 voci]: “Dein Alter sei wie deine Jugend” 1’31 Organo
13 Arioso (Basso): “Tag und Nacht ist dein” 2’52 Flauti, Oboi, Fagotto, Violoncello, Organo
14 Aria (Alto): “Durch mächtige Kraft” 1’11 Trombe, Timpani, Organo
15 Coro: “Du wollest dem Feinde nicht geben” 3’51 Flauti, Oboi, Fagotto, Violini, Viola, Violoncello piccolo, Violone, Organo
16 Coro [Soli, Coro]: “Das neue Regiment” 3’33 Trombe, Timpani, Flauti, Oboi, Violini, Viola, Fagotto, Violoncello, Violone, Organo
“Nach dir, Herr, verlanget mich” BWV 150 14’34
Occasion unspecified – Ohne Bestimmung – Sans destination
17 Sinfonia 1’24 Fagotto, Violini, Violone, Organo
18 Coro: “Nach dir, Herr, verlanget mich” 3’08 Fagotto, Violini, Violone, Organo
19 Aria (Soprano): “Doch bin und bleibe ich vergnügt” 1’37 Violine, Violoncello, Organo
20 Coro: “Leite mich in deiner Wahrheit” 1’41 Fagotto, Violini, Violone, Organo
21 Aria (Terzetto: Alto, Tenore, Basso): “Zedern müssen von den Winden” 1’2O
22 Coro: “Meine Augen sehen stets zu dem Herrn” 2’03 Fagotto, Violini, Violone, Organo
23 Coro: “Meine Tage in dem Leide” 3’21 Fagotto, Violini, Violone, Organo
Anne Grimm, soprano
Peter de Groot, alto
Joost van der Linden, tenor
Donald Bentvelsen, bass
“Der Himmel lacht! die Erde jubilieret” BWV 31 20’56
On the 1st day of Easter – Am 1. Osterfeiertag – Pour la lère Fête de Pâques
1 Sonata 2’33 Trombae, Timpani, Oboi, Taille, Violini, Viole, Fagotto, Violone, Violoncello, Organo
2 Coro (Coro, Soprano, Alto): “Der Himmel lacht! die Erde jubilieret” 3’36 Trombe, Timpani, Oboi, Fagotto, Violini, Viole, Violone, Violoncello, Organo
3 Recitativo (Basso): “Erwünschter Tag! Sei, Seele, wieder froh” 2’05 Violoncello, Organo
4 Aria (Basso): “Fürst des Lebens, starker Streiter” 3’24 Violoncello, Organo
5 Recitativo (Tenore): “So stehe dann, du gottergebne Seele” l’O7 Violoncello, Organo
6 Aria (Tenore): “Adam muß in uns verwesen” 2’18 Violini, Viole, Violoncello, Violone, Organo
7 Recitativo (Soprano): “Weil dann das Haupt sein Glied” 0’50 Violoncello, Organo
8 Aria (Soprano): “Letzte Stunde, brich herein” 4’04 Oboe, Violini, Viole, Violoncello, Violone, Organo
9 Choral (Coro): “So fahr ich hin zu Jesu Christ” 0’59 Oboi, Taille, Violini, Viole, Fagotto, Tromba, Violone, Organo
“Barmherziges Herze der ewigen Liebe” BWV185 14’30
For the 4th Sunday after Trinity – Am 4. Sonntag nach Trinitatis – Pour le 4ème Dimanche après la Trinité
10 Aria (Duetto: Soprano, Tenore): “Barmherziges Herze der ewigen Liebe” 4’05 Oboe, Violoncello, Soprani di Coro, Organo
11 Recitativo (Alto): “Ihr Herzen, die ihr euch” 1’58 Violini, Viola, Violone, Organo
12 Aria(Alto): “Sei bemüht in dieser Zeit” 3’43 Oboe, Violini, Viola, Violone, Organo
13 Recitativo (Basso): “Die Eigenliebe schmeichelt sich” I’ll Organo, Fagotto
14 Aria (Basso): “Das ist der Christen Kunst” 2’19
Organo, Fagotto
15 Choral (Coro): “Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ” 1’14 Oboe, Violini, Viola, Violone, Fagotto, Organo
«Christ lag in Todesbanden” BWV 4 18’50
For the 1st day of Easter – Am 1. Osterfeiertag – Pour la lère Fête de Pâques
16 Sinfonia 1’1O Violini, Viole, Violone, Organo
17 [Coro] Versus I: “Christ lag in Todesbanden” 3’42 Violini, Viole, Violone, Organo
18 [Duetto] (Soprano, Alto) Versus II: “Den Tod niemand zwingen kunnt” 3’45 Cometto, Trombone, Violoncello, Organo
19 [Aria] (Tenore) Versus III: “Jesus Christus, Gottes Sohn” 2’03 Violino, Violone, Organo
20 [Coro] Versus IV: “Es war ein wunderlicher Krieg” 2’08 Violone, Organo
21 [Aria] (Basso) Versus V: “Hier ist das rechte Osterlamm” 2’55 Violini, Viole, Violone, Organo
22 [Duetto] (Soprano, Tenore) Versus VI: “So feiern wir das hohe Fest” 1’57 Violone, Organo
23 Choral (Coro) Versus VII: “Wir essen und leben wohl” l’IO Violini, Viole, Violone, Organo
“Christ lag in Todesbanden” BWV 4 (Appendix):
24 Sinfonia l’O9 Violini, Viole, Violoncello, Contrabasso, Organo
25 [Coro] Versus I: “Christ lag in Todesbanden” 3’47 Violini, Viole, Cornetto, Tromboni, Violoncello, Contrabasso, Organo
26 [Duetto] (Soprano, Alto) Versus II: “Den Tod niemand zwingen kunnt” 4’10 Cometto, Trombone, Violoncello, Organo
27 Choral (Coro): Versus VII: “Wir essen und leben Wohl” 1’18 Violini, Cornetto, Viole, Trombone, Violoncello, Contrabasso, Organo
The Amsterdam Baroque Orchestra & Choir
Simon Schouten, Choirmaster
Tom Koopman, Conduktor
Excelente disco! Stefano Bollani é um brilhante pianista italiano de jazz. Nascido em Milão no ano de 1972, é como muitos italianos, apaixonado pelo Brasil e costuma tocar nossa música em suas apresentações ao lado de composições suas. Conhecido por sua vasta cultura tanto sobre a música erudita moderna quanto jazzística, Bollani — conhecido por ser um workaholic — chega a assustar com a intimidade que demonstra com nossa música, chegando ao ponto de cantar “Trem das onze”, no único equívoco do disco pois ele está longe de ser um cantor. O CD foi gravado no Rio de Janeiro com músicos brasileiros e é muito bom. É, indiscutivelmente, em disco de jazz, mas ouçam a naturalidade com que Bollani enfrenta um chorinho! O cara é bom demais!
Stefano Bollani – Carioca – 2008
1 Luz negra (Nelson Cavaquinho)
2 Ao romper da aurora (Ismael Silva – Lamartine Babo – Francisco Alves)
3 Choro sim (Ismael Silva)
4 Valsa brasileira (Edu Lobo – Chico Buarque)
5 A voz no morro (Zé Keti)
6 Hora da razão (J. Luna – Batatinha)
7 Segura ele (Pixinguinha)
8 Doce de coco (Jacob do Bandolim)
9 Folhas secas (Nelson Cavaquinho – Guilherme de Brito)
10 Il domatore di pulci (Stefano Bollani)
11 Samba e amor (Chico Buarque)
12 Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu)
13 Caprichos do destino (Pedro Caetano – Claudionor da Cruz)
14 Na Baixa do sapateiro (Ary Barroso)
15 Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth)
16 Trem das onze / Figlio unico (João Rubinato / Riccardo del Turco)
Sofrendo um grave crise de hipocantatemia bachiana, ontem botei este CD para tocar aqui em casa. Olha, que coisa maravilhosa! São cantatas solo e obras esparsas de Bach para soprano. A orquestra de Hogwood está impecável e Kirkby… O que dizer de Dame Emma Kirkby? Ela é perfeita, mas não devo elogiá-la muito porque meu colega FDP Bach morre de ciúmes.
Baita CD. Ouçam imediatamente, tá? Atenção para a primeira ária da Cantata 202. Não parece o lento caminhar de uma noiva? Alíás toda a 202 é fantástica, além do restante.
Johann Sebastian Bach (1685-1750) – The Wedding Cantatas
Cantata BWV 202, “Weichet nur, betrübte Schatten” [19:38]
01 – Arie – Weichet nur, betrübte Schatten
02 – Rezitativ – Die Welt wird wieder neu
03 – Arie – Phoebus eilt mit schnellen Pferden
04 – Rezitativ – Drum sucht auch Armor sein Vergnügen
05 – Arie – Wenn die Frühlingslüfte streichen
06 – Rezitativ – Und dieses ist das Glücke
07 – Arie – Sich üben im Lieben
08 – Rezitativ – So sei das Band der keuschen Liebe
09 – Gavotte – Sehet in Zufriedenheit
Aria “Bist Du bei mir”, BWV 508 (attrib. G.H. Stolzen) [2:21]
10 – Bist Du bei mir (Stolzen)
É mais um disco de Cantatas bastante conhecidas de Bach para soprano. Eu amo a francesa Dessay, mas talvez aqui ela seja dramática demais em alguns momentos — por vezes canta Bach com um acento tipicamente handeliano –, mas, no geral, sua interpretação é ótima. O álbum é dedicado a Martin Luther King. A voz de Dessay brilha especialmente entre os trompetes da Cantata BWV 51, mas pesa demais em Ich habe genug, recuperando-se notavelmente logo depois na ária Schlummert ein, ihr matten Augen. Sem dúvida, trata-se de um CD desigual, mas que vale a pena conhecer.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 51, 82a e 199 (Dessay, Le Concert d’Astrée, Haïm)
Cantata “Jauchzet Gott In Allen Landen” BWV 51
1) I Aria: Jauchzet Gott In Allen Landen
2) II Recitativo: Wir Beten Zu Dem Tempel An
3) III Aria: Höchster, Mache Deine Güte
4) IV Chorale: Sei Lob Und Preis Mit Ehren – V Finale: Alleluja!
Cantata No. 82, ‘Ich Habe Genug’ BWV 82a
5) Aria: Ich Habe Genug
6) Recit: Ich Habe Genug
7) Aria: Schlummert Ein
8. Recit: Mein Gott! Wann Kommt Das Schöne Nun!
9) Aria: Ich Freue Mich Auf Meinen Tod
Cantata “Mein Herze Schwimmt Im Blut” BWV 199
10) I Recitativo: Mein Herze Schwimmt Im Blut
11) II Aria & Recitativo: Stumme Seufzer, Stille Klagen
12) III Recitativo: Doch Gott Muss Mir Genädig Sein
13) IV Aria: Tief Gebückt Und Voller Reue
14) V Recitativo: Auf Diese Schmerzensreu
15) VI Chorale: Ich, Dein Betrübtes Kind
16) VII Recitativo: Ich Lege Mich In Diese Wunden
17) VIII Aria: Wie Freudig Ist Mein Herz
Natalie Dessay, soprano
Le Concert d’Astrée
Emmanuelle Haïm
Poucos sambistas tiveram em repertório tão interessante quanto o ex-militar da Marinha Bezerra da Silva (1927-2005). Ao invés de sambas românticos, ele caprichou na crítica social e na descrição do cotidiano do povo das favelas, seja dos pobres trabalhadores ou dos contraventores. Tudo com muito humor e cantado com uma divisão rítimica impecável que nada deixa a dever aos maiores mestres do gênero.
Rodrigo Faour
Seus sambas corrosivos e sarcásticos retratavam com maestria a malandragem e os problemas sociais da periferia do Rio. Drogas, violência policial, roubos e problemas familiares era seus temas. Bezerra foi um vanguardista que, ao dar voz aos marginalizados, criou um estilo único de samba, por vezes chamado de “sambandido”, que conectou o samba de morro com a juventude do rock e do rap, ao menos no âmbito temático. A coragem de Bezerra de gravar letras politicamente incorretas para a época, que falavam abertamente sobre a figura de traficantes que ajudavam comunidades e a vida dura na favela, sempre gerou boas controvérsias. PQP gosta, apesar da repetição da fórmula.
Bezerra da Silva (Coletânea)
1 Bicho Feroz
2 Malandragem Dá Um Tempo
3 Malandro Rife
4 Seqüestraram Minha Sogra
5 Não É Conselho
6 Fui Obrigado A Chorar
7 É Esse Aí Que É O Homem
8 Legítima Defesa
9 O Rei Da Cocada Preta
10 Saudação Às Favelas
11 Candidato Caô Caô
12 Aos Donos Da Nação
13 S.O.S. Baixada
14 Se Não Fosse A Ajuda Da Rapaziada
15 Overdose De Cocada
16 Cachorrinho De Polícia
17 Meu Pai É General De Umbanda
18 Violência Gera Violência
Este é um disco excelente. Tem todas as diferentes orquestrações de Fratres, com Summa e Festina Lente como interlúdios e Cantus in Memoriam of Benjamin Britten como uma espécie de coda. Você pode questionar se ouvir o mesmo trabalho várias vezes não é chato. Respondo que não, pois cada uma é muito diferente da outra. O som é cintilante, claríssimo. Quase difícil de acreditar que é a mesma orquestra de cada vez. Os húngaros acertaram em cheio. Mas por que tantos Fratres? Ora porque a música é demais e recebeu várias versões de Pärt. Fratres (Irmãos) é uma composição do compositor do estoniano Pärt, que exemplifica um de seus estilos de composição, o tintinnabuli. É uma música de três partes, escrita em 1977, sem instrumentação fixa. Ela foi descrita como um “conjunto fascinante de variações sobre um tema que combina atividade frenética e imobilidade sublime que encapsula a observação de Pärt de que ‘o instante e a eternidade estão lutando dentro de nós'”. Fratres foi utilizada em Amor Pleno, de Terence Malick, em Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, em O Clube, de Pablo Larraín, em Inverno Quente, de Tom Tykwer e em mais de dez outros filmes.
Arvo Pärt (1935): Fratres / Festina Lente / Summa
1. Fratres for Strings and Percussion 08:54
2. Fratres for Violin, Strings and Percussion 10:44
3. Festina Lente for Strings and Harp Ad Libitum 07:50
4. Fratres for String Quartet 08:42
5. Fratres for Cello and Piano 11:52
6. Summa for Strings 03:46
7. Fratres for Eight Cellos 11:51
8. Fratres for Wind Octet and Percussion (arr. B. Brinner) 07:45
9. Cantus in Memory of Benjamin Britten for Strings and Bells 07:39
O Hilliard Ensemble apresenta solenemente a que deve ser a Paixão mais sombria e ritualística composta desde Heinrich Schutz em meados do século XVII. Arvo Pärt selecionou o estilo musical mais severo, distante e econômico para esta Paixão segundo São João. Mais um ato litúrgico do que uma peça de concerto, não faz nenhuma concessão às convenções modernas. Teimosamente repetitiva e monocromática, deliberadamente antidramático e neutra, alcança seu efeito extraordinário e nobre através dos meios mais simples: recitativos, refrões e um pequeno conjunto instrumental. A obra tem 70 minutos sem interrupções, fato enfatizado pelos engenheiros da ECM.
Arvo Pärt (1935): Passio Domini Nostri Jesu Christi Secundum Joannem (The Hilliard Ensemble)
1 Passio Domini Nostri Jesu Christi Secundum Joannem (1982) 1:10:52
Baritone Vocals [Evangelist Quartet] – Gordon Jones (2)
Bass Vocals [Jesus] – Michael George (3)
Bassoon – Catherine Duckett
Cello – Elisabeth Wilson (2)
Choir – The Western Wind Chamber Choir
Conductor – Paul Hillier
Countertenor Vocals [Evangelist Quartet] – David James (13)
Ensemble – Evangelist Quartet, The Hilliard Ensemble
Oboe – Melinda Maxwell
Organ – Christopher Bowers-Broadbent
Soprano Vocals [Evangelist Quartet] – Lynne Dawson
Tenor Vocals [Evangelist Quartet] – Rogers Covey-Crump
Tenor Vocals [Pilate] – John Potter (2)
Violin – Elizabeth Layton
Nesta gravação, Steven Isserlis, juntamente com seu colaborador habitual, o pianista Robert Levin, apresenta as obras completas de Beethoven para violoncelo e piano, incluindo o arranjo de Beethoven para a sua Sonata para Trompa. O uso do pianoforte abre uma riqueza de possibilidades sonoras para essas obras. As cinco sonatas de violoncelo abrangem todas as fases de composição de Beethoven e, creio, são o ciclo mais importante de sonatas de violoncelo de todo o repertório. Isserlis escreve que o compositor “primeiro transforma o violoncelista num virtuoso confiante da forma clássica e, em seguida, um místico explorando estranhos mundos novos de beleza sobrenatural”. Não chego a ser apaixonado por estas Sonatas, mas a Op. 102, Nº 2, é fodíssima. Vale a pena,
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas pata Violoncelo (completas) (Isserlis, Levin)
CD 1 79:50
Cello Sonata In F Major Op 5 No. 1
1.1 Adagio Sostenuto 2:47
1.2 Allegro 14:11
1.3 Allegro Vivace 7:05
Cello Sonata In G Minor Op 5 No. 2
1.4 Adagio Sostenuto Ed Expressivo 5:19
1.5 Allegro Molto Più Tosto Presto 14:12
1.6 Rondo: Allegro 9:16
Cello Sonata In A Major Op 69
1.7 Allegro, Ma Non Tanto 12:35
1.8 Scherzo: Allegro Molto 5:24
1.9 Adagio Cantabile 1:30
1.10 Allegro Vivace 7:28
CD 2 79:08
Cello Sonata In C Major Op 102 No. 1
2.1 Andante 2:53
2.2 Allegro Vivace 5:11
2.3 Adagio Tempo D’andante 3:15
2.4 Allegro Vivace 4:28
Cello Sonata In D Major Op 102 No. 2
2.5 Allegro Con Brio 6:43
2.6 Adagio Con Molto Sentimento D’affetto 8:12
2.7 Allegro – Allegro Fugato 4:34
2.8 Variations In G Major On “See The Conqu’ring Hero Comes” From Handel’s Judas Maccabacus Wo 045 11:24
2.9 Variations In F Major On “Ein Mädchen Oder Weibchen” From Mozart’s Die Zauberflöte Op 66 9:17
2.10 Variations In E Flat Major On”Bei Männern, Weiche Liebe Fühlen” From Mozart’s Die Zauberflöte Wo 046 8:54
Horn Sonata In F Major Op 17, Arranged For Cello And Piano
2.11 Allegro Moderato 7:50
2.12 Poco Adagio, Quasi Andante 1:19
2.13 Rondo: Allegro Moderato 5:05
Tom inventou Matita Perê (1973) e começou a gravá-lo no Rio. Não estava gostando do resultado. Achou que precisava de melhores músicos e maior qualidade de gravação.
(Ouvindo o disco, você logo entende que a exigência era enorme. O álbum alterna canções com música instrumental, indo com naturalidade do popular ao erudito).
Foi para Nova Iorque com os poucos brasucas que se salvaram da experiência carioca, bancou tudo do próprio bolso e fez um dos melhores álbuns de música brasileira de todos os tempos. Estava com 46 anos e tinha todo o prestígio e consideração do mundo.
Os temas escolhidos por Jobim para Matita Perê passam da leveza e doçura, das praias, barquinhos e garotas, para a natureza e lendas do um Brasil profundo, sertanejo. Ele compõe a partir de suas observações e da leitura de autores como Guimarães Rosa e dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Mário Palmério.
Para o crítico musical Zuza Homem de Mello, “Matita Perê é um disco que pouco a pouco foi sendo compreendido, entendido e principalmente admirado. É um marco na carreira de Tom Jobim”.
A faixa de abertura traz aquele que se tornaria um dos maiores clássicos do compositor, Águas de março, cujo título foi retirado de poema de Olavo Bilac.
Já a faixa-título, uma suíte, cita o folclore e nasce de suas leituras, em especial do conto Duelo de Guimarães Rosa, que contou com a colaboração de Paulo César Pinheiro na letra.
Paulo César Pinheiro falou sobre a parceria: “O Tom me procurou, porque eu tinha uma música no Festival da Canção chamada Sagarana, parceria com o João de Aquino. Tom ouviu, ficou impressionado e me ligou dizendo que tinha ideias semelhantes àquelas”.
(Quando vocês se depararem com a próxima lista de Melhores Canções Brasileiras de Todos os Tempos, procurem por uma chamada Matita Perê. Se ela não estiver presente, abandonem a lista e falem mal do criador dela).
Matita Perê marca o início da temática ecológica na obra de Tom Jobim, que seguiria com força em discos como Urubu (1975), Terra Brasilis (1980) e Passarim (1987).
Ao mesmo tempo, evidencia-se o Jobim sinfônico, claramente influenciado por Villa Lobos, em faixas como Crônica da casa assassinada, baseada no romance de Lúcio Cardoso, outra suíte com quase 10 minutos de duração, feita para a trilha do filme de Paulo César Sarraceni.
Não deixe de ouvir. É falha grave desconhecer este disco.
Tom Jobim: Matita Perê
1 Águas de Março (Antônio Carlos Jobim) — 3:56
2 Ana Luiza (Antônio Carlos Jobim) — 5:26
3 Matita Perê (Antônio Carlos Jobim, letra de Paulo César Pinheiro) — 7:11
4 Tempo do Mar (Antônio Carlos Jobim) — 5:09
5 The Mantiqueira Range (Paulo Jobim) — 3:31
6 Crônica da Casa Assassinada (Antônio Carlos Jobim) — 9:58
a. “Trem Para Cordisburgo”
b. “Chora Coração” (letra de Vinícius de Moraes)
c. “Jardim Abandonado”
d. “Milagre e Palhaços”
7 Rancho nas Nuvens (Antônio Carlos Jobim) — 4:04
8 Nuvens Douradas (Antônio Carlos Jobim) — 3:16
Antônio Carlos Jobim – piano, violão e vocal
Claus Ogerman – arranjos (exceto faixa 3) e regência
Dori Caymmi – arranjo da faixa 3
João Palma – bateria e percussão
Airto Moreira – bateria e percussão
George Devens – percussão
Harry Lookousky – spalla
Frank Laico – engenharia de áudio
Ray Beckenstein – flautas e madeiras
Phil Bodner – flautas e madeiras
Jerry Dodgion – flautas e madeiras
Don Hammond – flautas e madeiras
Romeo Penque – flautas e madeiras
Urbie Green – trombone
Ron Carter – baixo
Richard Davis – baixo