Bruckner / Wagner: Sinfonia Nº 8 / Prelúdios de Lohengrin, Idílio de Siegfried, Prelúdios de Parsifal (Münchner Philharmoniker, Hans Knappertsbusch)

Bruckner / Wagner: Sinfonia Nº 8 / Prelúdios de Lohengrin, Idílio de Siegfried, Prelúdios de Parsifal (Münchner Philharmoniker, Hans Knappertsbusch)

Hans Knappertsbusch (1888-1965) e seu pega-rapaz foram maestros alemães bastante conhecidos por suas performances da música de Richard Wagner, Anton Bruckner e Richard Strauss. Knappertsbusch e seu pega-rapaz eram nacionalistas moderados altamente cultos e nunca tiveram associação ao Partido Nacional Socialista, apesar de nunca terem deixado a Alemanha. Knappertsbusch e seu pega-rapaz achavam os nazistas burros e vulgares. Caramba, que coincidência! Bem, eles — o maestro e seu pega-rapaz — muitas vezes entraram em conflito com as autoridades, arriscando suas liberdades e até suas vidas. Por exemplo, provocaram a ira de Joseph Goebbels perguntando a um diplomata alemão na Holanda se ele era um “nazista” — ou seja, alguém que ingressou no Partido de Hitler somente por ser carreirista — ou um “nazista-nazista”. Como resultado, seus contratos na orquestra de Munique foram revogados e foram temporariamente proibidos de trabalhar na Alemanha. O próprio Hitler esteve envolvido na decisão de demiti-los. No entanto, como havia escassez de regentes de primeira categoria na Alemanha, em resultado das políticas raciais e ideológicas nazistas, sua proibição de trabalhar foi retirada após um curto período de tempo. Ademais, Knappertsbusch e seu pega-rapaz eram wagnerianos da gema. E s nazistas gostavam de Wagner, né? Ao longo da existência do Terceiro Reich, Knappertsbusch e seu pega-rapaz atacaram muitas vezes as autoridades nazistas, e apenas suas excelentes reputações internacionais e alta popularidade entre o público os salvaram de punições. Em 1944, eles foram adicionados à lista Gottbegnadeten (literalmente “lista dotada por Deus”), que o excluíram do serviço militar. Knappertsbusch e seu pega-rapaz eram muito respeitados por seus músicos e pelo público em geral, especialmente em Munique, onde o primeiro era simplesmente chamado de “Kna”. Após a guerra, ficou claro que Kna e seu pega-rapaz haviam ajudado vários músicos perseguidos durante a era nazista. Grande Knappertsbusch (e seu pega-rapaz)!

Esta gravação demonstra o notável maestro que eles foram. Estávamos nos anos 50 e, claro, os brucknerianos de hoje são MUITO MELHORES.

Bruckner / Wagner: Sinfonia Nº 8 / Prelúdios de Lohengrin, Siegfried Idyll, Prelúdios de Parsifal

Bruckner:
Symphony No.8 In C Minor
1 Allegro Moderato 15:55
2 Scherzo. Allegro Moderato – Trio. Langsam 15:59
3 Adagio.Feierlich, Doch Nicht Schleppend 27:41
4 Finale. Feierlich, Nicht Schnell 26:02

Wagner:
5 Lohengrin: Prelude To Act I 7:27
6 Siegfried-Idyll 19:12
7 Parsifal: Prelude To Act I 11:48

Münchner Philharmoniker
Hans Knappertsbusch

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Que lindo pega-rapaz, Knappertsbusch

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.: interlúdio :. The Keith Jarrett Trio: Live At Open Theater East 1993

.: interlúdio :. The Keith Jarrett Trio: Live At Open Theater East 1993

Gravado em 25 de julho de 1993, num dia ligeiramente chuvoso em Tóquio, este concerto documenta o Trio de Keith Jarrett no auge da sua telepatia musical. Uma década após a formação do grupo — que liderou um revivalismo do jazz acústico — Jarrett, Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria) oferecem uma demonstração magistral de interação, improvisação e virtuosismo. O programa equilibra standards do cânone jazzístico, originais e surpresas. A abertura com “In Your Own Sweet Way” de Dave Brubeck estabelece o tom: uma abordagem respeitosa mas radicalmente pessoal do material. O ponto alto indiscutível é a interpretação de “Solar” de Miles Davis, que se estende por uns impressionantes 26 minutos numa “Extension” que incorpora uma influência oriental, transformando o tema numa jornada hipnótica que nunca perde o ímpeto. Outros momentos de destaque incluem “Oleo” de Sonny Rollins — uma leitura vibrante que revela a cumplicidade do trio, com DeJohnette sempre a desafiar Jarrett com explorações rítmicas –, “The Cure” — o original de Jarrett, com uma groove contagiante que sublinha a sua veia mais rítmica –, “Bye Bye Blackbird” — uma das interpretações mais celebradas do trio, aqui captada com uma intensidade comovente — e a bela “Butch and Butch”. A química entre estes três músicos é verdadeiramente notável. Gary Peacock, em particular, revela uma sintonia extraordinária com Jarrett, trocando provocações musicais que evidenciam anos de cumplicidade. Jack DeJohnette, com a sua abordagem inventiva à bateria, demonstra porque é considerado um dos mais influentes percussionistas da sua geração — e a realização em vídeo (aqui temos apenas o áudio) permite observar de perto as suas técnicas sutis, desde o swing mais tradicional até aos sons mais únicos que produzem.

The Keith Jarrett Trio: Live At Open Theater East 1993

Introduction
In Your Own Sweet Way 12:30
Butch And Butch 7:34
Basin Street Blues 7:03
Solar – Extension 26:06
If I Were A Bell 14:48
I Fall In Love Too Easily 10:10
Oleo 8:55
Bye Bye Blackbird 9:32
The Cure 7:58
I Thought About You 5:49

Bass – Gary Peacock
Drums – Jack DeJohnette
Piano – Keith Jarrett

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O dia 25 de julho de 1993 em Tóquio.

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.:interlúdio:. Keith Jarrett — 80 anos HOJE: The Köln Concert

.:interlúdio:. Keith Jarrett — 80 anos HOJE: The Köln Concert

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Postagem de 8 de maio de 2025.

Com inteira justiça, o pianista, cravista e organista Keith Jarrett é conhecidíssimo e famosíssimo. Este The Köln Concert é um de seus grandes momentos — talvez o maior deles. Jarrett começou sua carreira no jazz com Art Blakey e Miles Davis. Depois foi contratado como grande estrela da ECM, criou dois quartetos, um americano e outro escandinavo, gravou montes de concertos solo, criou um trio com Gary Peacock e Jack DeJohnette, fez esplêndidas duplas com meio mundo, virou pianista e cravista erudito, gravou O Cravo Bem Temperado, os 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich e também Mozart, Barber, Handel, Pärt, etc., sempre com notáveis resultados artísticos. Creio ter intuído a futura carreira erudita do moço quando ouvi um solo dilacerante de Nude Ants (1979) e vaticinei que ele queria mesmo era tocar Bach. Bem, sei lá se ele já estava tocando clássicos em 79. Bom, mas o que interessa é que The Köln Concert é um trabalho fundamental, principalmente o solo inicial de 26 minutos que contém uma súmula do que é capaz Mr. Jarrett.

Detalhando, The Köln Concert é uma gravação de um concerto ao vivo com improvisações para solo de piano executadas por Keith Jarrett na Ópera de Colônia no dia 24 de janeiro de 1975. O álbum em vinil duplo foi lançado em 1975 pela ECM e tornou-se o álbum solo mais vendido da história do jazz e o álbum de piano mais vendido, com mais de 3,5 milhões cópias comercializadas. Não pouca coisa e é justo que assim tenha sido.

O show foi organizado por Vera Brandes, de 17 anos, então a mais jovem promotora de shows da Alemanha. A pedido de Jarrett, Brandes selecionou um piano de cauda Bösendorfer 290 Imperial. No entanto, houve uma confusão por parte da equipe da Ópera e, em vez disso, eles pegaram outro Bösendorfer nos bastidores — um muito menor — e, presumindo que este fosse o solicitado, colocaram-no no palco. O erro foi descoberto tarde demais para que o Bösendorfer correto fosse colocado no local do show a tempo do concerto da noite. O piano que eles trouxeram era destinado apenas para ensaios e estava em más condições e exigia várias horas de afinação e ajuste para torná-lo tocável. O instrumento era pequeno e pouco agudo nos registros superiores e fraco nos registros graves. Os pedais também não funcionavam bem. Consequentemente, Jarrett frequentemente usou ostinatos e figuras rítmicas da mão esquerda durante sua apresentação para dar o efeito de notas de baixo mais fortes e concentrou sua execução na parte central do teclado. O produtor da ECM Records, Manfred Eicher, disse mais tarde: “Provavelmente Jarrett tocou do jeito que tocou porque não era um bom piano. Como ele não conseguia se apaixonar por seu som, ele encontrou outra maneira de tirar o máximo proveito isto.”

Jarrett chegou à Ópera no final da tarde, cansado após uma longa viagem exaustiva desde Zurique, na Suíça, onde havia se apresentado alguns dias antes. Ele não dormia bem havia várias noites, sentia dores nas costas e precisava de um aparelho ortodôntico. Depois de experimentar o piano e saber que o instrumento substituto não estava disponível, Jarrett quase se recusou a tocar e Brandes teve que convencê-lo a tocar, pois o show estava programado para começar em apenas algumas horas. Além disso, Brandes tinha reservado uma mesa em um restaurante italiano local para Jarrett jantar, mas uma confusão da equipe causou um atraso na refeição que estava sendo servida e ele só conseguiu beber alguns goles de água antes de ir para o concerto. Parecia que tudo ia dar errado e, no final das contas, Jarrett decidiu tocar principalmente porque o equipamento de gravação já estava configurado.

O concerto começou às 23h30. O horário tardio era o único que a administração colocara à disposição da jovem Brandes para um concerto de jazz — o primeiro na Ópera de Köln. O show lotou, com mais de 1.400 pessoas pagaram 4 marcos por cada ingresso. E vocês sabem o que é aquilo que ele faz com a mão esquerda logo no começo da música? Aqueles 4 toques meio solenes? Pois é, ele inicia imitando as badaladas do sino que abre a cortina da Oper Haus em Köln, que são inspiradas no toque dos sinos da Catedral de Colônia. Digo a vocês que, apesar dos obstáculos, a atuação de Jarrett foi… Bem, ouçam: É OBRIGATÓRIO.

Jarrett trouxe calma e lirismo à improvisação livre. Nada neste programa foi preparado antes que ele se sentasse para tocar. Todos os gestos e harmonias intrincadas, as linhas melódicas, os gritos e suspiros do homem, tudo é espontâneo. Embora tenha sido um concerto contínuo, a peça foi dividida em quatro seções porque teve que ser dividida para formar os quatro lados um LP duplo.

Pois bem, a partir do momento em que Jarrett dá seus acordes iniciais e começa a meditar sobre as harmonias, construindo figuras melódicas, combinações de glissandos e temas em ostinato, a música mudou. Para alguns ouvintes, mudou para sempre naquele momento. O som íntimo de Jarrett envolveu os ouvintes em sua busca por beleza e significado.

A genialidade de Keith Jarrett é demonstrada não apenas por seu claro domínio da tradição do jazz, mas também em como ele se desvia dela. A gravação de The Köln Concert demonstra a indefinição de fronteiras de gênero usando temas hipnóticos e improvisações sem fim, criando uma experiência quase religiosa para o ouvinte. Apesar de receber críticas desfavoráveis de alguns fãs de jazz mais conservadores, este álbum é certamente um testemunho do notável senso de improvisação, composição e espontaneidade de Jarrett.

Ainda me lembro do meu primeiro encontro com The Köln Concert. Eu tinha uns 20 anos e estava vasculhando as caixas de jazz e eruditos da extinta King`s Discos aqui em Porto Alegre. O Júlio, lendário atendente da loja, colocou um disco para tocar. Quando as notas de abertura começaram a serem ouvidas, pude sentir imediatamente a mudança no ambiente da loja. Os clientes ergueram os olhos e gradualmente concentraram sua atenção na música que saía dos alto-falantes. Então, algo inesperado aconteceu. Um cliente foi até o Júlio para perguntar o que era aquilo. E adquiriu o vinil duplo. Logo um segundo cliente fez o mesmo. O terceiro fui eu. Imaginem meu desespero se acabasse!

Eu ouvia muito jazz, mas o verdadeiro mistério era o motivo pelo qual os outros clientes, que estavam olhando discos de rock e pop, estavam comprando Jarrett. Uma coisa ficou logo muito clara: aquilo não soava como qualquer outra coisa no mundo da música dos meados dos anos 70. Mesmo quando comparado aos álbuns de jazz, o novo som de Jarrett era diferente. Nos anos 70, o jazz estava fazendo coisas pouco acústicas. Chick Corea e Herbie Hancock, por exemplo, estavam com os dois pés no piano elétrico e as bandas fusion pululavam.

The Köln Concert era o oposto. Jarrett não apenas tocava um piano de cauda (cada vez mais conhecido como piano acústico, naquela conjuntura, para diferenciá-lo dos teclados elétricos), mas também com um grau de sensibilidade e nuance que você não encontraria em outro lugar na música comercial. Ele até arrisca certo sentimentalismo, uma franqueza emocional que muitos artistas de jazz teriam se envergonhado de imitar — especialmente em meados dos anos 70, quando a ironia estava em ascensão como atitude cultural.

No entanto, nos meses seguintes, assisti com espanto ao The Köln Concert entrar na cultura mainstream, alcançando um público que eu poderia ter considerado imune ao apelo de um piano.

E Jarrett fez isso violando quase todas as regras da música comercial. As faixas do The Köln Concert eram longas improvisações de fluxo livre gravadas ao vivo em um recital na Alemanha. Elas careciam de estrutura. Pior ainda, eles eram longas demais para serem tocadas nas rádios. A abertura tinha 26 minutos de duração, e as próximas duas faixas tinham 15 e 18 minutos de duração. Apenas o bis de 7 minutos seguiu algo semelhante a uma forma de música divulgável, mas mesmo isso parecia um mundo à parte dos singles de sucesso do dia. Como tornou-se um tremendo sucesso?

Você pode pensar que os amantes do jazz aceitariam facilmente a música. Mas mesmo eles ficaram céticos. The Köln Concert evitava as síncopes e os sotaques familiares que permeavam os outros álbuns de jazz. Muita gente dizia que o disco não soava muito a jazz.

No entanto, de alguma forma Jarrett contornou tudo isso e conseguiu se tornar um sucesso através do método mais antigo de todos, o boca a boca, o contato pessoal com amigos que possuíam o disco. As vendas enormes nem sempre são recebidas com entusiasmo na comunidade do jazz e uma reação foi inevitável. A franqueza emocional da música e seu melodismo descarado deixaram o álbum especialmente exposto à crítica daqueles que sentiam que a forma de arte do jazz exigia algo mais abrasivo. Quando a horrorosa New Age floresceu alguns anos depois, houve inúmeros imitadores de menor talento imitando (e diluindo) a visão estética das improvisações de Köln e talvez até o próprio Jarrett se perguntasse “o que fiz?”.

Eu entendo as críticas dos jazzistas conservadores, mas não concordo com elas. Jarrett fez algo novo (e honesto) naquela noite. Ele criou um trabalho visionário que ainda chama a atenção dos ouvintes de primeira viagem hoje — da mesma forma do que naquele dia em meados dos anos 70, quando o ouvi pela primeira vez em uma loja de discos. A música se manteve, era na verdade muito melhor do que muitos dos projetos carregados de pose e que pareciam muito mais progressivos na época.

Claro, a maioria do público que descobriu Keith Jarrett com The Köln Concert nunca abraçou o resto de sua obra. Eu teria ficado encantado em ver Facing You ou o Concerto de Bremen ou os álbuns dos quartetos de Jarrett do período — e os de outros artistas de jazz merecedores — também encontrarem o grande público. Dessa perspectiva, a promessa de Köln nunca foi cumprida. Mas não podemos culpar Jarrett por isto. E ele certamente também não pode ser culpado por seus imitadores banais, ou repreendido por suas vendas. De sua parte, ele não almejava um disco de sucesso e, ao contrário de muitos de seus contemporâneos na cena do jazz, nunca fez a menor tentativa de impor uma tendência ou mesmo abraçar as fórmulas aceitas de discos comerciais. Além disso, nunca tentou recriar o ambiente especial daquela apresentação. Ele viu aquele dia como um evento único. Simplesmente confiou em sua música, em seu talento, e corajosamente se lançou. E, afinal, não é disso que trata o jazz?

Keith Jarret – The Köln Concert

1. Köln, January 24, 1975, Part I 26:01
2. Köln, January 24, 1975, Part IIA 14:54
3. Köln, January 24, 1975, Part IIB 18:14
4. Köln, January 24, 1975, Part IIC 6:56

Keith Jarrett, piano

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Keith Jarrett durante The Köln Concert

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Dietrich Buxtehude (1637-1707): Membra Jesu Nostri — Ciclo de 7 Cantatas (Gardiner)

Dietrich Buxtehude (1637-1707): Membra Jesu Nostri — Ciclo de 7 Cantatas (Gardiner)

Ignoro quem foi o autor desta façanha. Além do bitrate rasante, todos os CDs com esta gravação de Gardiner têm também uma obra de Schütz, compositor que amo, chamada O Bone Jesu, Fili Mariae. Quem botou este CD na rede esquartejou a coisa, retirando esta peça que abria o disco e que deve ser interessante. E, por falar em esquartejamento, Membra Jesu Nostri é um ciclo de sete pequenas cantatas compostas em 1680. A letra, Salve mundi salutare – também conhecida como Rhythmica oratio – é um poema atribuído às vezes a São Bernardo de Claraval (1153), outras vezes a Arnulf de Louvain (1250), ambos da ordem cisterciense. Cada uma das sete partes em que se divide a obra é dedicada a uma parte do corpo crucificado de Jesus: pés, joelhos, mãos, costas, peito, coração e cabeça. É música sacra da melhor qualidade. Buxtehude, tenho a dizer que era imenso compositor, organista admiradíssimo por meu pai – que viajou algumas vezes para encontrá-lo e vê-lo tocar – e que seria mais conhecido, não fora a presença sufocante de papai em nossa cultura. Entre nós, os mais jovens da família, era conhecido como tio Bux.

Dietrich Buxtehude (1637-1707): Membra Jesu Nostri — Ciclo de 7 Cantatas (Gardiner)

O Bone Jesu, Fili Mariae (SWV 471) 7:42

Membra Jesu Nostri (BuxWV 75)
I. Ad Pedes 10:00
II. Ad Genua 7:14
III. Ad Manus 9:52
IV. Ad Latus 8:23
V. Ad Pectus 11:23
VI. Ad Cor 9:29
VII. Ad Faciem 8:03

Sir John Eliot Gardiner, regência;
Monteverdi Choir;
English Baroque Soloists.

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Opa, esse aí é Tiradentes que existiu e foi esquartejado! (Pintura de Pedro Américo — 1843-1905)

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Béla Bartók (1881-1945): Quarteto de Cordas Nº 3 (arranjado para orquestra de cordas) / O Mandarim Miraculoso (Cleveland Orch, Welser-Möst)

Béla Bartók (1881-1945): Quarteto de Cordas Nº 3 (arranjado para orquestra de cordas) / O Mandarim Miraculoso (Cleveland Orch, Welser-Möst)

Lançado em 2024 pelo próprio selo da Orquestra de Cleveland, este CD apresenta um programa bem audacioso: o Quarteto de Cordas Nº 3 de Bartók numa nova transcrição para orquestra de cordas (da autoria do violista da orquestra, Stanley Konopka), junto com a extraordinária Suite de O Mandarim Miraculoso. Gravado ao vivo no Mandel Concert Hall em janeiro de 2024, o disco é um testemunho do virtuosismo e da aposta em repertório pouco convencional que marcam a atual direção musical de Franz Welser-Möst na excelente orquestra da cidade. A novidade deste disco é a transcrição de Konopka para o Quarteto Nº 3. Considerado por muitos o mais “duro” e concentrado dos seis quartetos de Bartók, a obra, composta em 1927, é uma estrutura contínua de implacável lógica interna. Konopka, inspirado por arranjos semelhantes, optou por não apenas dobrar as partes originais, mas por reconceber a obra para duas orquestras de cordas separadas, seguindo o exemplo de Bartók na sua Música para Cordas, Percussão e Celesta. O resultado é surpreendente. As cordas de Cleveland, em estado de graça, aproveitam a oportunidade para trazer uma perspectiva sonora completamente diferente a uma obra familiar. Welser-Möst suaviza algumas arestas, tornando a obra, paradoxalmente, mais acessível e próxima do espírito da Música para Cordas do que da agressividade do quarteto original. A escolha da Suite de O Mandarim Miraculoso como complemento é ideal, contrastando a densidade do quarteto com uma música crua e forte. A orquestra dá uma execução virtuosística, com solos de sopros muito expressivos. No entanto, a abordagem de Welser-Möst revela estranha dualidade: se a dança final recebe a injeção de adrenalina adequada, a Introdução, com as suas sonoridades de paisagem urbana, é por demais polida para uma música que deveria transmitir violência. Porém o final, com a perseguição frenética, mostra que a orquestra sabe arder quando conduzida a isto.

Béla Bartók (1881-1945): Quarteto de Cordas Nº 3 (arranjado para orquestra de cordas) / O Mandarim Miraculoso (Cleveland Orch, Welser-Möst)

1 String Quartet No. 3, Sz. 85, BB 93 (Arr. Stanley Konopka for Double String Orchestra) 16:02

2 Suite from The Miraculous Mandarin, Op. 19, Sz. 73, BB 82: I. Introduction
The Cleveland Orchestra 2:46
3 Suite from The Miraculous Mandarin, Op. 19, Sz. 73, BB 82: II. First Decoy Game
The Cleveland Orchestra 3:27
4 Suite from The Miraculous Mandarin, Op. 19, Sz. 73, BB 82: III. Second Decoy Game
The Cleveland Orchestra 3:10
5 Suite from The Miraculous Mandarin, Op. 19, Sz. 73, BB 82: IV. Third Decoy Game
The Cleveland Orchestra 2:19
6 Suite from The Miraculous Mandarin, Op. 19, Sz. 73, BB 82: V. The Girl Dances
The Cleveland Orchestra 4:32
7 Suite from The Miraculous Mandarin, Op. 19, Sz. 73, BB 82: VI. The Chase
The Cleveland Orchestra 2:05

Cleveland Orchestra
Franz Welser-Möst

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Bartó superfeliz com umas amigas

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Gavin Bryars (1943): Dido and Orfeo (After Purcell and Gluck)

Gavin Bryars (1943): Dido and Orfeo (After Purcell and Gluck)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esse é um disco belíssimo e bastante singular. Gavin Bryars não faz arranjos convencionais de Purcell e Gluck. Ele cria uma espécie de meditação sobre essas obras, preservando sua essência emocional enquanto as desloca para uma paisagem sonora contemporânea. Poucos compositores atuais transitam com tanta naturalidade entre o passado e o presente quanto Bryars. Em Dido and Orfeo (After Purcell and Gluck), ele não procura reescrever Purcell e Gluck nem competir com eles. Sua intenção é outra, muito mais delicada: ouvir o que permanece ressoando dessas obras quando o tempo parece ter apagado seus contornos. Claro, para ouvir o CD, é bom conhecer Dido e Eneas (Purcell) assim como Orfeu e Eurídice (Gluck).

As duas figuras míticas reunidas no disco — Dido e Orfeu — compartilham um destino comum. Ambos conhecem a perda irreparável. Ambos vivem a experiência da despedida. Bryars transforma essa afinidade numa longa reflexão musical sobre a memória, o luto e a permanência do amor. Em vez de reconstruir as partituras originais, o compositor trabalha com fragmentos, harmonias e repetições quase hipnóticas. Melodias familiares surgem como lembranças distantes, envolvidas por uma atmosfera de extraordinária serenidade. É música que parece existir entre o silêncio e a recordação.

A escrita de Bryars aproxima-se frequentemente do minimalismo, mas sem a pulsação insistente de Steve Reich. Sua música respira lentamente. Cada nota parece ocupar um espaço preciso, convidando o ouvinte a escutar o tempo em vez do acontecimento. A interpretação faz justiça a esse universo contemplativo. As vozes evitam qualquer excesso dramático e preservam uma nobre simplicidade, onde cada detalhe encontra seu lugar sem romper o equilíbrio. O resultado não é uma ópera reduzida nem uma reconstrução histórica, mas uma nova obra que dialoga respeitosamente com seus modelos.

Há momentos em que reconhecemos claramente o lamento de Dido ou a atmosfera de Orfeo e Euridice. Em outros, resta apenas uma sombra melódica, suficiente para despertar a memória do ouvinte. Bryars parece sugerir que as grandes obras nunca desaparecem completamente, elas continuam existindo como vestígios que cada geração reaprende a ouvir. Dido and Orfeo não é um disco para impressionar pelo virtuosismo nem pela grandiosidade. Sua força reside justamente na contenção. É uma música de penumbra, de silêncio e de contemplação, que exige escuta paciente e recompensa o ouvinte com uma beleza discreta e profundamente comovente.

Não, nada de atualizar os clássicos, Gavin Bryars escolhe o caminho oposto: reduz, simplifica, desacelera. E, nesse gesto de delicadeza, revela uma verdade rara. Às vezes, a maneira mais profunda de homenagear o passado não é repeti-lo, mas escutar os ecos que ele ainda produz em nosso presente.

Ah, Ida Toninato é um MONSTRO de saxofonista!

Gavin Bryars: Dido and Orfeo (After Purcell and Gluck)

After Purcell: Dido and Aeneas
1 Overture 2:02
2 Banish Sorrow 2:05
3 Ah, Belinda 2:03
4 To The Hills 1:29
5 Prelude For The Witches 3:49
6 In Our Deep Vaulted Cell 1:56
7 Haste Haste 3:17
8 The Triumphing Dance 1:35
9 Thanks To The Lonesome Vales 2:38
10 Cupid Only 2:44
11 Dance B (After Gluck: Orfeo Et Euridice) 4:11
12 With Drooping Wings 2:30
13 Dido’s Lament 4:24

After Gluck: Orfeo Et Euridice
14 Air 2:00
15 Pantomime 1:51
16 Ah, Si Intorno 3:18
17 Dance Of The Furies 2:57
18 Ah Quale Incognito 1:36
19 Dance A 1:25
20 Vieni A Regni 2:06
21 Sposa 5:31
22 Men Tiranne 3:44
23 Trio 5:54

Cello – Jean-Christophe Lizotte
Piano, Music Director – Njo Kong Kie
Soprano Saxophone, Alto Saxophone, Baritone Saxophone – Ida Toninato
Viola – Jennifer Thiessen

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Gavin Bryars

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Gavin Bryars (1943): Jesus’ Blood Never Failed Me Yet

Gavin Bryars (1943): Jesus’ Blood Never Failed Me Yet

MI0000981591IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esse é um CDs mais incríveis que ouvi nos últimos tempos. Gavin Bryars o explica e depois dou meus palpites furados:

In 1971, when I lived in London, I was working with a friend, Alan Power, on a film about people living rough in the area around Elephant and Castle and Waterloo Station. In the course of being filmed, some people broke into drunken song – sometimes bits of opera, sometimes sentimental ballads – and one, who in fact did not drink, sang a religious song “Jesus’ Blood Never Failed Me Yet”. This was not ultimately used in the film and I was given all the unused sections of tape, including this one.

When I played it at home, I found that his singing was in tune with my piano, and I improvised a simple accompaniment. I noticed, too, that the first section of the song – 13 bars in length – formed an effective loop which repeated in a slightly unpredictable way. I took the tape loop to Leicester, where I was working in the Fine Art Department, and copied the loop onto a continuous reel of tape, thinking about perhaps adding an orchestrated accompaniment to this. The door of the recording room opened on to one of the large painting studios and I left the tape copying, with the door open, while I went to have a cup of coffee. When I came back I found the normally lively room unnaturally subdued. People were moving about much more slowly than usual and a few were sitting alone, quietly weeping.

I was puzzled until I realised that the tape was still playing and that they had been overcome by the old man’s singing. This convinced me of the emotional power of the music and of the possibilities offered by adding a simple, though gradually evolving, orchestral accompaniment that respected the tramp’s nobility and simple faith. Although he died before he could hear what I had done with his singing, the piece remains as an eloquent, but understated testimony to his spirit and optimism.

The piece was originally recorded on Brian Eno’s Obscure label in 1975 and a substantially revised and extended version for Point Records in 1993. The version which is played by my ensemble was specially created in 1993 to coincided with this last recording.

Gavin Bryars

Este site faz sua descrição:

Como pode estar feliz um homem que nada tem, a não ser a roupa esfarrapada que veste, e uma garrafa de vinho na mão? O compositor britânico Gavin Bryars andava a gravar sons no centro de Londres, em 1971. Ás tantas deu de caras com um sem-abrigo a cantarolar uma quadra popular intitulada “Jesus Blood Never Failed Me”, Nunca me Faltou o Sangue de Cristo. Bryars voltou ao estúdio e quando pôs a gravação a tocar os colegas ficaram profundamente comovidos. Foi então que lhe ocorreu musicar a cantiga do feliz embriagado. No início soa a voz do homem isolada e trémola.

O quadro musical começa a compor-se com a envolvência dum quarteto de cordas.

O tema repete-se vezes sem conta, mas cada vez mais denso, até se escutar uma orquestra completa.

Gavin Bryars pensou, depois, num modo de explorar o tema por partes, criando nuances emocionais, por exemplo, fazendo sobressair as cordas graves da orquestra.

Mais adiante soa a voz do vagabundo rodeada só de sopros.

O ciclo repete-se até entrar o naipe de cordas completo com o chamado glockenspiel, uma espécie de xilofone.

Finalmente, para adensar a interpretação, Gavin Bryars contratou o vocalista Tom Waits, cuja voz se sobrepõe à do vagabundo, sublinhando o imaginário dramático da melodia, com a ajuda dum orgão.

A melodia original, ao fim de 1 hora e 14, vai-se desvanecendo, como se o homem ébrio, às tantas, se afastasse da cena.

Simples e comovente. Parece ter sido esse o intuito de Gavin Bryars ao reproduzir ciclicamente a cantiga dum ébrio. “Jesus Blood Never Failed Me” é a demonstração de que uma repetição não é necessariamente redundante. Porque o repisar duma ideia pode transformá-la. Ao ponto de lhe conferir uma nova carga emocional. Ao fim e ao cabo, a fórmula certa para gerar o máximo efeito com nuances mínimas.

Se o CD tem 75 minutos e o tema cantado pelo mendigo dura 20 segundos, ele é repetido 225 vezes… Porém, esse disco tem o curioso e notável poder de criar emoção através da acumulação. Ela vem em ondas e várias vezes tive alguma vontade de fazer despencar uma lágrima furtiva de meus olhos normalmente secos. A participação de Tom Waits não chega a ser o esperado, mas era absolutamente necessário um dueto com o mendigo.

Gavin Bryars – Jesus’ Blood Never Failed Me Yet (1993)

1. Tramp with Orchestra (string quartet) The Hampton String Quartet 27:09
2. Tramp with Orchestra (low strings) Orchestra 15:17
3. Tramp with Orchestra (no strings) Orchestra 4:48
4. Tramp with Orchestra (full strings) Orchestra 6:06
5. Tramp and Tom Waits with full Orchestra Tom Waits 19:39
6. Tom Waits with High Strings Tom Waits 1:48

Gavin Bryars Ensemble
Michael Riesman, regência

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Gavin Bryars: o mesmo tema, sempre comovente
Gavin Bryars: o mesmo tema, sempre comovente

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Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704): Mystery Sonatas (Amandine Beyer, Gli Incogniti)

Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704): Mystery Sonatas (Amandine Beyer, Gli Incogniti)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Lançado em 2023 pela harmonia mundi, este CD duplo apresenta uma das leituras mais vibrantes e controversas das Sonatas do Rosário de Heinrich Ignaz Franz Biber. Com mais de 105 minutos de música, Amandine Beyer e o seu Gli Incogniti oferecem uma interpretação que privilegia o ritmo e a energia, fruto de uma colaboração com uma companhia de dança.

As 15 Sonatas do Rosário (c. 1675), coroadas por uma linda Passacaglia final, são um dos cumes do virtuosismo barroco para violino. Cada sonata medita sobre um dos Mistérios do Rosário (Gozosos, Dolorosos e Gloriosos), recorrendo à scordatura — afinações alternativas do violino — para criar timbres e efeitos expressivos, desde sonoridades mais brilhantes até texturas intencionalmente dissonantes e opacas.

Intermezzo:

Não sou nada religioso, então dei uma guglada (hoje o Google está invadido por uma IA) perguntando que porra são esses mistérios do Rosário. São os 15 episódios principais da vida de Jesus e Maria, segundo a tradição católica do Rosário. A explicação foi péssima, mas o que interessa vem no parágrafo abaixo que começa por “Digo-lhes”. Seguindo, os Mistérios dividem-se em três grupos de 5:

— Os Gozosos (ex: Anunciação, Visitação, Natividade) que são alegres e luminosos. OK.
— Os Dolorosos (ex: Flagelação, Coroação de Espinhos, Crucificação) que são sombrios, tensos, cheios de dissonâncias. Confere.
— Os Mistérios Gloriosos (ex: Ressurreição, Ascensão, Coroação de Maria), que são triunfantes e radiantes. Nem tanto.

No final, há uma Passacaglia para violino solo, que não está ligada a um mistério específico, mas serve como coroação do ciclo.

Fim do Intermezzo.

Digo-lhes que a abordagem de Beyer não é nada contemplativa. A sua leitura é descrita como “rápida”, “magra” e “incisiva”, com uma articulação que beira a agressividade. A abertura da “Anunciação” é executada a um ritmo rápido, mas que não soa forçada.

O grande trunfo da gravação é o seu carácter dançante. Tudo começa pela capa, digamos. Melhor dizendo, tudo começa pela genialidade de Beyer, que trata as sonatas quase como suítes de dança, enfatizando as suas raízes rítmicas e coreográficas. Esta leitura desvia o foco do aspecto meditativo e sacro, que outras gravações, como a de Andrew Manze, exploraram, aproximando a música de Biber do universo de J.S. Bach, onde o sagrado e o secular se interpenetram .

Acompanhada por um grupo de contínuo bem variado (alaúde, teorba, violone, cravo, órgão), Beyer utiliza quatro violinos diferentes para acomodar as diversas afinações. A sua performance é tecnicamente irrepreensível, superando com “charme e graça” os desafios diabólicos da partitura.

Beyer sai do réquiem sombrio de outras gravações, indo para um “tour de force” vibrante e teatral. A interpretação de Beyer pode não agradar a quem procura a devoção introspetiva de outras versões, mas a sua coerência e identidade tornam-na uma das gravações mais envolventes e cativantes das últimas décadas. É uma leitura ousada e virtuosística, cheia de personalidade e musicalidade, que celebra Biber através do movimento e da pura energia musical. Imperdível, sim.

Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704) : Mystery Sonatas (Amandine Beyer, Gli Incogniti)

The Five Joyful Mysteries / Les Cinq Mystères Joyeux / Die Fünf Freudenreichen Mysterien
Sonata I – The Annunciation / L’Annonciation / Maria Verkündigung D Minor / Ré Mineur / D-Moll
I. Praeludium 2:00
II. Variatio – Aria Allegro – Variatio – Adagio – [Variatio] 2:01
III. Finale 0:56

Sonata II – The Visitation / La Visitation / Maria Heimsuchung A Major / La Majeur / A-Dur
I. Sonata – Presto 1:29
II. Allaman[da] 1:58
III. Presto 0:42

Sonata III – The Nativity / La Nativité / Die Geburt Jesu B Minor / Si Mineur / H-Moll
I. Sonata – Presto – Adagio 1:11
II. Courente – Double 2:22
III. Adagio 1:26

Sonata IV – The Presentation Of Jesus In The Temple / La Présentation de Jésus Au Temple / Die Darstellung Jesu Im Tempel D Minor / Ré Mineur / D-Moll
Ciacona – Adagio 6:19

Sonata V – The Finding Of Jesus In The Temple / Jésus Perdu Retrouvé Au Temple / Der Zwölfjährige Jesu Im Tempel A Major / La Majeur / A-Dur
I. Praeludium – Presto 0:50
II. Allaman[da] 1:20
III. Guigue 1:09
IV. Saraban[da] – Double 3:02

The Five Sorrowful Mysteries Les Cinq Mystères Douloureux / Die Fünf Schmerzhaften Mysterien
Sonata VI – The Agony In The Garden / L’Agonie Au Jardin Des Oliviers / Jesu In Gethsemane C Minor / Do Mineur / C-Moll
I. Lamento – Presto 2:52
II. [ ] 2:07
III. Adagio 0:41
IV. [ ] 0:50

Sonata VII – The Scourging At The Pillar / La Flagellation / Die Geißelung F Major / Fa Majeur / F-Dur
I. Allamanda – Variatio 2:58
II. Sarab[anda] – Variatio – [Variatio] – [Variatio] 4:16

Sonata VIII – The Crowning With Thorns / Le Couronnement D’épines / Die Dornenkrone B-flat Major / Si Bémol Majeur / B-Dur
I. Adagio – Presto – [Adagio] 1:55
II. Guigue – Double I [Presto] – Double II 3:28

Sonata IX – The Carrying Of The Cross / Le Chemin de Croix / Der Kreuzweg A Minor / La Mineur / A-Moll
I. Sonata 1:51
II. Courante – Double – [Double] 2:59
III. Finale 1:19

Sonata X – The Crucifixion And Death Of Jesus / La Crucifixion Et la Mort de Jésus / Kreuzigung Und Jesu Tod / G Minor / Sol Mineur / G-Moll
I. Praeludium 1:08
II. Aria – Variatio – [Variatio] 3:00
III. Adagio – [Variatio] – [Variatio] 3:33

The Five Glorious Mysteries Les Cinq Mystères Glorieux / Die Fünf Glorreichen Mysterien
Sonata XI – The Resurrection / La Résurrection / Die Auferstehung G Major / Sol Majeur / G-Dur
I. Sonata 2:23
II. Surexit Christus Hodie 4:13
III. Adagio 1:09

Sonata XII – The Ascension / L’Ascension / Die Himmelfahrt C Major / Do Majeur / C-Dur
I. Intrada 0:36
II. Aria Tubicinum 1:13
III. Allamanda 1:40
IV. Courente – Double 2:20

Sonata XIII – The Descent Of The Holy Spirit / La Pentecôte / Die Ausgießung Des Heiligen Geistes D Minor / Ré Mineur / D-Moll
I. Sonata 3:02
II. Gavott[a] 1:19
III. Guigue 1:26
IV. Sarabanda 1:36

Sonata XIV – The Assumption Of Mary Into Heaven / L’Assomption de Marie Aux Cieux / Die Aufnahme Mariä In Den Himmel D Major / Ré Majeur / D-Dur
I. [Praeludium] 1:56
II. Aria – Guigue 5:30

Sonata XV – The Coronation Of Mary As Queen Of Heaven And Earth / Le Couronnement de Marie, Reine Des Cieux Et de la Terre / Die Krönung Mariä Zur Königin Des Himmels Und Der Erde C Major / Do Majeur / C-Dur
I. Sonata 1:22
II. Aria – [Variatio] – [Variatio] – [Variatio] 4:03
III. Canzon[a] 1:22
IV. Sarabanda – [Double] 2:48

Sonata XVI – The Guardian Angel / L’Ange Gardien / Der Schutzengel G Minor / Sol Mineur / G-Moll
Passacaglia 7:50

Ensemble – Gli Incogniti
Harpsichord, Organ [Positive] – Anna Fontana
Theorbo – Nacho Laguna (2)
Viola da Gamba, Violone [in G] – Baldomero Barciela
Violin, Directed By, Liner Notes – Amandine Beyer

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Amandine Beyer é o topo da evolução humana.

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Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Concerto para Orquestra (Slatkin, St. Louis Symph Orch)

Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Concerto para Orquestra (Slatkin, St. Louis Symph Orch)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Amo Bartók e este é mais um grande trabalho de Leonard Slatkin, um notável maestro estadunidense que, além de seu enorme talento, brinda-nos há anos com uma super bem-humorada presença nas redes sociais. Lançado em 1994 pelo Red Seal da RCA Victor, este CD reúne duas obras-primas orquestrais de Béla Bartók: o balé completo O Mandarim Miraculoso, Op. 19 (Sz. 73), e o Concerto para Orquestra (Sz. 116). A gravação apresenta a Orquestra Sinfônica de St. Louis sob a direção de Leonard Slatkin, com a participação do Coro da Sinfônica de St. Louis no Mandarim.

O Mandarim Miraculoso é um balé de sensualidade e violência chocantes, com uma partitura que capta perfeitamente a tensão e o grotesco da história. A decisão de Slatkin de gravar a obra na íntegra, em vez da suite mais comum, é um dos grandes atrativos do disco, permitindo ao ouvinte experimentar a narrativa completa, incluindo o famoso clímax da fuga final.

O Concerto para Orquestra, uma das obras mais populares do século XX, é aqui apresentado com a espetacular ressonância que a acústica da sala de concertos de St. Louis proporciona. A crítica da Gramophone descreve a abordagem de Slatkin como a de um “pintor tonal”, privilegiando uma sonoridade “mais suave, menos corajosa” em comparação com outras gravações mais incisivas. O seu andamento no final do concerto é elogiado pela “aceleração eficaz” e pela excelência das cordas de St. Louis. Uma característica única desta edição é a inclusão de ambos os finais do concerto: o original, abrupto, e o alternativo, mais comum, permitindo ao ouvinte comparar as duas versões.

Slatkin oferece uma abordagem refinada e atmosférica de Bartók, com especial destaque para a inclusão do balé completo e para a possibilidade de comparar os dois finais do Concerto para Orquestra. Embora a interpretação não seja a mais feroz ou visceral disponível, a produção de Joanna Nickrenz, ainda segundo a Gramophone, possui uma “notável perspetiva e atmosfera”, e a execução da orquestra é de excelente qualidade. É uma gravação que se distingue mais pela elegância sonora e completude do que pela crueza rítmica, constituindo uma adição valiosa para qualquer pequepiano.

Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Concerto para Orquestra (Slatkin, St. Louis Symph Orch)

The Miraculous Mandarin, Op.19 (Sz73) / Pantomime In One Act · Pantomime In Einem Akt · Pantomime En Un Acte
Choir – Members of the Saint Louis Symphony Chorus*
Chorus Master – Thomas Peck
(31:11)
1 Allegro 3:02
2 First Decoy Game 4:03
3 Second Decoy Game 3:32
4 Third Decoy Game 2:28
5 General Consternation. – The Tramps Make Signs From Their Hiding Place That The Girl Should Start, Lure The Mandarin A Little Closer, Ensnare Him. 1:38
6 At Last She Overcomes Her Reluctance And Begins A Hesitant Dance. 3:16
7 A Tempo (Meno Mosso) 1:02
8 The Girl Sinks To Embrace Him; He Begins To Tremble In Feverish Excitement. 2:07
9 The Tramps Leap Out, Seize The Mandarin And Tear Him Away From The Girl. They Strip Him Of His Jewelry And His Money. 1:47
10 Suddenly The Mandarin’s Head Appears Between The Pillows And He Looks Longingly At The Girl. The Four Shudder And Stand Aghast. 2:24
11 Suddenly He Draws Himself Up And Leaps At The Girl. The Three Tramps Stop Him And Hold Him Fast Again. 0:48
12 They Drag The Resisting Mandarin To The Centre Of The Room And Hang Him On The Lamp Hook. 1:06
13 The Body Of The Mandarin Begins To Glow With A Greenish Blue Light. His Eyes Are Fixed On The Girl. 2:58
14 The Mandarin’s Longing Is Now Stilled, His Wounds Begin To Bleed, He Becomes Weaker And Dies After A Short Struggle. 1:00

Concerto For Orchestra
Commissioned By – Serge Koussevitsky*
(39:14)
15 Introduzione: Andante Non Troppo; Allegro Vivace 10:05
16 Giuoco Delle Coppie: Allegretto Scherzando 6:21
17 Elegia: Andante Non Troppo 8:12
18 Intermezzo Interrotto: Allegretto 4:25
19 Finale: Presto (Up To Bar 573) 8:50
20 Finale: Alternative Ending/Alternativer Schluß/Version Alternative) 0:33
21 Finale: Original Ending/Ursprünglicher Schluß/Version Originelle) 0:22

Conductor – Leonard Slatkin
Orchestra – Saint Louis Symphony Orchestra

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Leonard Slatkin

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Gustav Mahler (1860-1911): Des Knaben Wunderhorn (Herreweghe)

Gustav Mahler (1860-1911): Des Knaben Wunderhorn (Herreweghe)

Há compositores que não são para amadores ou diletantes. Mahler tem sorte; raramente ouvi gravações de suas obras que não fossem de alto nível. Herreweghe realiza um excelente trabalho em Des Knaben Wunderhorn e, se não chega ao nível dos grandes mahlerianos, dá-nos uma boa versão de uma das mais importantes obras do marido de Alma.

Des Knaben Wunderhorn significa A trompa mágica do menino, e é uma coleção de textos de canções populares, publicada por Clemens Brentano e Achim von Arnim no começo do século XIX. A coleção contém basicamente canções da Idade Média. Algumas das canções foram musicadas por Gustav Mahler entre 1892 e 1901. Ela são apresentadas em qualquer seqüência, depende dos intérpretes. Há controvérsias sobre o número delas, alguns dizem que são 12; outros, que são 24. Herreweghe nos mostra 14… No ciclo há canções extraordinárias, como Wer hat dies Liedlein erdacht (melhor na gravações de von Otter + Abbado), Des Antonius von Padua Fischpredigt, Wo die schönen Trompeten blasen, mas as outras não são piores, não.

Gustav Mahler (1860-1911): Des Knaben Wunderhorn (Herreweghe)

1. Des Knaben Wunderhorn: Revelge Dietrich Henschel, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 6:46
2. Des Knaben Wunderhorn: Verlor’ne Müh’ Sarah Connolly, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 2:41
3. Des Knaben Wunderhorn: Des Antonius von Padua Fischpredigt Dietrich Henschel, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 3:54
4. Des Knaben Wunderhorn: Das irdische Leben Sarah Connolly, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 3:00
5. Des Knaben Wunderhorn: Trost im Unglück Sarah Connolly, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 2:28
6. Des Knaben Wunderhorn: Wo die schönen Trompeten blasen Dietrich Henschel, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 6:48
7. Des Knaben Wunderhorn: Wer hat dies Liedlein erdacht? Sarah Connolly, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 2:09
8. Des Knaben Wunderhorn: Lob des hohen Verstands Dietrich Henschel, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 2:36
9. Des Knaben Wunderhorn: Der Tamboursg’sell Dietrich Henschel, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 5:57
10. Des Knaben Wunderhorn: Das himmlische Leben Sarah Connolly, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 8:56
11. Des Knaben Wunderhorn: Lied des Verfolgten im Turm Dietrich Henschel, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 4:11
12. Des Knaben Wunderhorn: Rheinlegendchen Sarah Connolly, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 3:05
13. Des Knaben Wunderhorn: Der Schildwache Nachtlied Dietrich Henschel, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 5:38
14. Des Knaben Wunderhorn: Urlicht Sarah Connolly, Orchestre des Champs-Elysées, Philippe Herreweghe 5:04

Sarah Connolly
Dietrich Henschel
Orchestre des Champs-Élysées
Philippe Herreweghe

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Moritz von Schwind acertou: é mais ou menos isso.
Moritz von Schwind acertou: é mais ou menos isso.

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W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem, Exultate, Jubilate (Berliner, Karajan / Dresden, Klee)

W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem, Exultate, Jubilate (Berliner, Karajan / Dresden, Klee)

Tenho meus problemas com Herbert von, porém, apesar do molho pesado de sempre, gostei deste CD. Quase chorei no Lacrimosa, não pela regência, mas pela lembrança do final de Vá e Veja. Aqui temos um programa duplo das obras sacras de Mozart: o monumental Réquiem, K. 626, e o muito legal Exsultate, Jubilate, K. 165. Trata-se de um lançamento que reúne duas gravações de arquivo da Deutsche Grammophon, sob a batuta de dois maestros distintos: Herbert von Karajan rege a Filarmônica de Berlim no Réquiem, enquanto Bernhard Klee comanda a Orquestra Estatal de Dresden no Ex

Réquiem é a última e incompleta obra de Mozart, envolta em mistério e concluída por Franz Xaver Süssmayr após a morte do compositor. A obra, composta em 1791, é uma missa de réquiem que se destaca pela sua intensidade dramática e profundidade emocional. Do Requiem aeternam inicial ao Lux aeterna, passado pelo Lacrimosa, a música transita entre o sombrio e o esperançoso, criando uma atmosfera de solene contemplação.

Em contraste, Exsultate, Jubilate é uma obra da juventude de Mozart, composta em 1773 durante a sua terceira viagem à Itália. Este moteto para soprano é uma peça de pura alegria e virtuosismo, com a sua famosa secção final, o “Alleluia”, a exigir da solista grande técnica vocal. A obra é um “hino de alegria”, um “cântico de exultação” que representa o oposto da atmosfera fúnebre do Réquiem.

Como disse, gostei do Réquiem, porém a interpretação de Karajan é uma leitura em tudo estranha. O maestro, conhecido pelo seu estilo grandioso, imprime à obra uma envergadura romântica excessivamente e desnecessariamente pesada. Sei disso. Sua abordagem confere ao Réquiem é operística quase Verdi. Esta visão contrasta com outras gravações mais contidas e historicamente informadas. Por exemplo, a de Peter Schreier com a Staatskapelle Dresden, que é certamente alternativa superior. Apesar das críticas, a grandiosidade da Filarmônica de Berlim e a qualidade do Wiener Singverein são inegáveis, criando momentos de grande impacto sonoro, ainda que por vezes à custa da clareza dos contrapontos.

O Exsultate, Jubilate, sob a direção de Bernhard Klee, oferece um contraste refrescante. Esta gravação, com a soprano Edith Mathis, é brilhante e muito elegante, captando a exuberância e a leveza da obra. A interpretação de Klee é mais direta e límpida, contrastando com a densidade arrotativa de Karajan.

W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem, Exultate Jubilate (Berliner, Karajan / Dresden, Klee)

Requiem In D Minor, KV 626
1 Requiem
2 II. Kyrie
3 No. 1 Dies Irae
4 No. 2 Tuba Mirum
5 No. 3 Rex Tremendae
6 No. 4 Recordare
7 No. 5 Confutatis
8 No. 6 Lacrimosa
9 No. 1 Domine Jesu
10 No. 2 Hostias
11 V. Sanctus
12 VI. Benedictus
13 VII. Agnus Dei
14 Lux Aeterna

Exsultate, Jubilate, KV. 165 (158a)
15 Allegro – (Andante) – (Vivace)

Conductor – Bernhard Klee (faixas: 15), Herbert von Karajan (faixas: 1 to 14)
Orchestra – Berliner Philharmoniker (faixas: 1 to 14), Dresden State Orchestra* (faixas: 15)
Organ – Hans Otto (faixas: 15), Wolfgang Meyer (2) (faixas: 1 to 14)
Vocals – Agnes Baltsa (faixas: 1 to 14), Anna Tomowa-Sintow (faixas: 1 to 14), Edith Mathis (faixas: 15), José van Dam (faixas: 1 to 14), Werner Krenn (faixas: 1 to 14)

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Karajan gostava de carros velozes e pilotava aviões.

PAP

A. Webern / D. Shostakovich / E. Burian: Quartetos de Cordas (Rosamunde Quartett)

A. Webern / D. Shostakovich / E. Burian: Quartetos de Cordas (Rosamunde Quartett)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Muito a dizer. Passei vários dias ouvindo este CD. Foi difícil guardá-lo de volta na estante. Não sou um grande admirador da música de Webern, mas este Langsamer Satz für Streichquartett (Movimento lento para quarteto de cordas), certamente uma obra pré-dodecafonismo, é extraordinário.

O Quarteto Nº 8 de Shostakovich é uma das obras mais postadas no PQP. Também pudera! Escrito em cinco movimentos altamente contrastantes — um Largo de abertura tristíssimo, um Allegro molto que é uma dança furiosa, um Allegretto sarcástico, depois um Largo brutal que é finalizado por outro Largo que retorna ao primeiro movimento, quod erat demonstrandum — , sem nunca deixar o nível cair, este quarteto é uma obra ascendente na literatura para quartetos de cordas. Todo mundo o tem gravado, é incrível.

Também é incrível que Shosta o tenha escrito em apenas 3 dias, de 12 a 14 de julho de 1960. É dedicado “às vítimas da guerra e do fascismo”, mas também é uma espécie de Réquiem pessoal. Disse o compositor a respeito deste quarteto: “Acho que ninguém vai compor uma obra em minha memória, então escrevo-a eu mesmo… O tema principal deste quarteto são as notas D. Es. C. H. — em notação alemã –, que são minhas iniciais”.

O CD termina com Quarteto Nº 4 do checo Burian. Trata-se de muito boa música, mas este não é um disco de boa música, é um CD de arrasar. Mesmo assim, Burian não compromete. Ele acaba a coisa com dignidade.

Vale muito ouvir.

A. Webern / D. Shostakovich / E. Burian: Quartetos de Cordas (Rosamunde Quartett)

Webern: Langsamer Satz für Streichquartett (1905)
1. Langsamer Satz für Streichquartett

Dmitri Shostakovich: String Quartet No. 8
2. String Quartet No.8, Op.110: Largo
3. String Quartet No.8, Op.110: Allegro molto
4. String Quartet No.8, Op.110: Allegretto
5. String Quartet No.8, Op.110: Largo
6. String Quartet No.8, Op.110: Largo

Emil Frantisek Burian: String Quartet No. 4
7. String Quartet No.4, Op. 95: Volné a rázné
8. String Quartet No.4, Op. 95: Rychle s citem
9. String Quartet No.4, Op. 95: Rytmicky divoké tri
10. String Quartet No.4, Op. 95: Divoce s dramatickou silou

Rosamunde Quartett
Andreas Reiner violin
Simon Fordham violin
Helmut Nicolai viola
Anja Lechner cello

Recorded December 1996
ECM New Series 1629

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Dmitri Shostakovich
Dmitri Shostakovich

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Richard Strauss (1864-1949): Assim falou Zaratustra / Quatro últimas canções (Zubin Mehta, Andrew Davis)

Richard Strauss (1864-1949): Assim falou Zaratustra / Quatro últimas canções (Zubin Mehta, Andrew Davis)

Este CD com o poema sinfônico Also sprach Zarathustra (Assim falou Zaratustra) e as Quatro Últimas Canções, de Richard Strauss, oferece um retrato fascinante do compositor em dois extremos de sua carreira — o jovem audacioso de 1896 e o octogenário que, em 1948, compôs uma despedida serena e comovente.

A interpretação de Zubin Mehta à frente da Filarmônica de Nova York para o poema sinfônico inspirado em Nietzsche é o grande destaque do disco. Mehta conduz uma performance esplêndida, evitando o exagero na introdução bombástica e explorando com mais profundidade a retórica sedutora da “Valsa Noturna”. Ajudado pelo violinista Glenn Dicterow, que oferece um solo suave e envolvente, Mehta constrói uma narrativa musical de grande coerência.

Infelizmente, o mesmo entusiasmo não se estende à interpretação das Quatro Últimas Canções, que constituem o coração lírico do disco. A soprano Eva Marton, apesar de sua inegável força vocal, não consegue capturar a essência da obra. Ela traz apenas uma “veemência generalizada” e meio louca à música, quando  deveria esquecer o mundanismo e pairar acima de tudo.  As Quatro Últimas Canções são uma obra de profunda introspecção e nostalgia, compostas por Strauss em homenagem à sua esposa Pauline, e vistas como seu testamento musical. A soprano precisa transmitir a “doçura amarga” do outono da vida, uma qualidade que exige sutileza, inteligência, sensibilidade e uma entrega que transcende o mero virtuosismo. A abordagem de Marton é grandiosa, perdendo a introspecção outonal que define a peça. As interpretações de referência como as de Elisabeth Schwarzkopf, Jessye Norman ou Gundula Janowitz são celebradas justamente por capturar esse espírito de despedida com uma clareza e emoção que aqui faltam. O acompanhamento orquestral de Andrew Davis, por sua vez, é pesado, o que apenas agrava a merda e tira a necessária leveza e transparência que as canções exigem . Essa combinação de uma soprano que batalha contra a cantilena e um maestro que oferece um acompanhamento estrondoso definem o fracasso.

Richard Strauss (1864-1949): Assim falou Zaratustra / Quatro últimas canções (Zubin Mehta, Andrew Davis)

Also Sprach Zarathustra, Op.30
Conductor – Zubin Mehta
Orchestra – New York Philharmonic
A1 Part I: Sehr Breit
A2 Part II: Ziemlich Langsam

Four Last Songs
Conductor – Andrew Davis
Orchestra – Toronto Symphony*
Vocals – Éva Marton
B1 I. Spring
B2 II. September
B3 III. Time To Sleep
B4 IV. At Dusk

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Toda a segurança de Richard Strauss sobre um trenó.

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Luciano Berio (1925-2003): Sinfonia (Boulez)

Luciano Berio (1925-2003): Sinfonia (Boulez)

Tentar definir a música – que em todo caso não é um produto mas um processo – é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada. (Luciano Berio)

Sinto-me tentado a pensar na 2ª sinfonia de Mahler como um produto da sinfonia de Berio e não o contrário, cambalhota perversa da lei da causalidade. (Sérgio Azevedo)

A famosa Sinfonia (1968) de Berio está por toda a rede. São centenas de artigos que analisam a obra musical mais importante do vanguardismo musical do século XX. Ela foi dedicada à Leonard Bernstein, que a estreou, mas na verdade homenageia toda a história da música, principalmente em seu terceiro movimento em que ouve-se claramente Mahler, Mahler, Mahler mas também Debussy, Bach e Schoenberg.

Ao ouvinte com pouca vivência em mpusica moderna, sugiro começar a audição pelo terceiro movimento. Ali está o cerne da Sinfonia. O texto principal deste movimento é formado por fragmentos: trata-se de The Unnamable de Samuel Beckett. A segunda parte de Sinfonia é um tributo à memória de Martin Luther King. As oito vozes remetem simplesmente os sons que constituem o nome do mártir negro até a enunciação completa e inteligível do seu nome.

Sinfonia (para 8 vozes amplificadas e orquestra)

Composed by Luciano Berio
with Orchestre National de France and Swingle Singers
Conducted by Ward Swingle and Pierre Boulez

1. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: I –
2. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: II – O King
3. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: III – In ruhig fliessender Bewegung
4. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: IV –
5. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: V –

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Berio puto da cara com Neymar

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Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Olha, nem sei bem do que se trata essas 10 canções (lieder) de Mahler arranjadas pelo grande compositor italiano Luciano Berio. Conhecia algumas, outras não.

Claro, pois o que interessa neste CD é mais um raro registro da célebre Sinfonia de Berio. A Sinfonia foi uma encomenda da Filarmônica de Nova York para seu 125º aniversário. Composta em 1968-69 para orquestra e oito vozes amplificadas, é um inovador trabalho pós-serial, com vários vocalistas comentando sobre tópicos musicais, literários e políticos numa viagem aparentemente alucinada de citações e passagens dissonantes. As oito vozes não são usadas de maneira habitual. Frequentemente não cantam, mas falam, sussurram e gritam palavras de Claude Lévi-Strauss, cujo O Cru e o Cozido fornece boa parte do texto. Há também trechos do romance de Samuel Beckett O Inominável, instruções da partitura de Gustav Mahler para o 3º movimento da Sinfonia Nº 2, A Ressurreição — utilizada loucamente no terceiro movimento de Berio — , e grafites parisienses de maio de 1968. A estreia foi regida por Leonard Bernstein que escreveu que a Sinfonia era representante da nova direção que a música clássica estava tomando após a década pessimista dos anos sessenta. Foi, efetivemente, uma quebra naquela pasmaceira derivada da Segunda Escola de Viena.

Berio disse mais ou menos isso: “Tentar definir a música é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada.”

A famosa Sinfonia de Berio está por toda a rede. São centenas de artigos que analisam uma das principais obras musicais do vanguardismo musical do século XX. Ela foi dedicada à Leonard Bernstein, que a estreou, mas na verdade homenageia toda a história da música, principalmente em seu terceiro movimento em que ouve-se claramente Mahler, Mahler, Mahler mas também Debussy, Bach e Schoenberg.

Ao ouvinte com pouca vivência em música moderna, sugiro começar a audição pelo terceiro movimento. Ali está o cerne da Sinfonia. Na segunda parte da Sinfonia há um tributo à memória de Martin Luther King. As oito vozes remetem-nos aos sons que constituem o nome do mártir negro até a enunciação completa e inteligível do seu nome.

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

1 Lieder und Gesänge, Book 3: XI. Ablösung im Sommer 1:37
2 Lieder und Gesänge, Book 3: X. Zu Straβburg auf der Schanz 3:49
3 Lieder Und Gesänge, Book 3: XIII. Nicht Wiedersehen! 4:32
4 Lieder und Gesänge, Book 2: VI. Um schlimme Kinder artig zu machen 1:49
5 Lieder und Gesänge, Book 1: II. Erinnerung 2:47
6 Lieder und Gesänge, Book 1: III. Hans und Grete 2:03
7 Lieder und Gesänge, Book 2: VII. Ich ging mit Lust 4:26
8 Lieder und Gesänge, Book 1: I. Frühlingsmorgen 1:59
9 Lieder und Gesänge, Book 1: V. Phantasie aus “Don Juan” 2:24
10 Lieder und Gesänge, Book 3: XII. Scheiden und Meiden 2:38

Matthias Goerne
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

11 Sinfonia: I. 5:56
12 Sinfonia: II. O King 4:34
13 Sinfonia: III. In ruhig fliessender Bewegung 12:23
14 Sinfonia: IV. 3:14
15 Sinfonia: V. 7:11

The Synergy Vocals
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

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Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.
Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.

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Johannes Brahms (1833-1897): Trio para Violino, Trompa e Piano / Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano (Borodin Trio, Thompson, Campbell)

Johannes Brahms (1833-1897): Trio para Violino, Trompa e Piano / Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano (Borodin Trio, Thompson, Campbell)
Version 1.0.0

Se você ama Brahms, já deve ter visto algum CD ou vinil com este repertório. Eles costumam andar juntos. Esta não é a gravação que eu levaria para a ilha deserta — alguns andamentos do Horn Trio estão muito lentos para meu gosto –, mas é de respeito. Este Op. 40 é uma elegia dedicada à memória da mãe de Brahms — que também recebeu a dedicatória de Um Réquiem Alemão — e reúne uma combinação incomum de piano, violino e trompa. É de calma beleza. O Trio para clarinete , violoncelo e piano, Op. 114, foi uma das quatro notáveis obras de câmara para clarinete compostas de enfiada por Johannes Brahms já no final de sua vida. É uma música onde parece que todos os instrumentos e toda a humanidade está apaixonada. A obra, assim como todas as que compôs para clarinete na época, foi dedicada ao clarinetista Richard Mühlfeld. Em novembro de 1891, Mühlfeld estreou a peça com Robert Hausmann ao violoncelo e o próprio Brahms ao piano.

Johannes Brahms (1833-1897): Horn Trio / Clarinet Trio

1. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: I. Andante – Poco piu animato 9:09
2. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: II. Scherzo: Allegro – Molto meno allegro – Allegro 8:13
3. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: III. Adagio mesto 8:27
4. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: IV. Finale: Allegro con brio 6:47

5. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: I. Allegro 8:48
6. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: II. Adagio 8:22
7. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: III. Andantino grazioso 5:08
8. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: IV. Allegro 4:55

The Borodin Trio:
Luba Edlina, piano
Rostilav Dubinsky, violino
Yuli Turovsky, cello
Michael Thompson, horn
James Campbell, clarinete

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O Trio Borodin
O Trio Borodin

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Eugène Ysaÿe (1858-1931): Obras para Violino (Graffin, Devoyon)

Eugène Ysaÿe (1858-1931): Obras para Violino (Graffin, Devoyon)

Eugène Ysaÿe foi o extravagante sucessor de Wieniawski na tradição francesa de virtuosismo violinístico. No entanto, ele se elevou a um novo patamar – o de bom compositor — com suas seis sonatas para violino solo de 1924. Cada sonata é dedicada a uma das estrelas em ascensão da nova geração de virtuosos e o trabalho seria uma resposta do século XX para o Seis Sonatas e Partitas para violino solo de Bach… As duas obras para violino e piano nesta gravação estão numa vertente menos virtuosa e datam de cerca de trinta anos antes. Rêve d’enfant é uma canção de ninar e combina curto concurso no espírito de Fauré, enquanto o Élégiaque Poème nos dá uma curiosa mistura de Fauré com Wagner.

Eugène Ysaÿe (1858-1931): Obras para Violino (Graffin, Devoyon)

1. Sonata No.1 in G minor – I. Grave. Lento assai
2. Sonata No.1 in G minor – II. Fugato. Molto moderato
3. Sonata No.1 in G minor – III. Allegretto poco scherzoso. Amabile
4. Sonata No.1 in G minor – IV. Finale con brio. Allegro fermo

5. Sonata No.2 in A minor – I. Obsession Prelude. Poco vivace
6. Sonata No.2 in A minor – II. Malinconia. Poco lento
7. Sonata No.2 in A minor – III. Danse des ombres sarabande. Lento
8. Sonata No.2 in A minor – IV. Les furies allegro furioso

9. Sonata No.3 ‘Ballade’ in D minor

10. Sonata No.4 in E minor – I. Allemanda. Lento maestoso
11. Sonata No.4 in E minor – II. Sarabande. Quasi lento
12. Sonata No.4 in E minor – III. Finale. Presto ma non troppo

13. Sonata No.5 in G major – I. L’ Aurore lento assai
14. Sonata No.5 in G major – II. Danse rustique allegro giocoso molto moderato
15. Sonata No.5 in G major – III. Moderato amabile – Tempo I – Poco piu mosso

16. Sonata No.6 in E major

17. Poeme elegiaque in D minor, Op.12

18. Reve d’ enfant, Op.14

Philippe Graffin: violin
Pascal Devoyon: piano

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Ysaye concetrado na morte da bezerra

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Tchaikovsky / Stravinsky: Sinfonia Nº 6, Op. 74 “Patética” / Cenas De Ballet (New York Philharmonic, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein)

Tchaikovsky / Stravinsky: Sinfonia Nº 6, Op. 74 “Patética” / Cenas De Ballet (New York Philharmonic, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein)

Este CD reúne duas faces do talento de Leonard Bernstein como regente: o Tchaikovsky mais pungente com a New York Philharmonic e o Stravinsky mais vibrante com a Israel Philharmonic Orchestra. É uma combinação que demonstra seu estilo apaixonado e teatral, ainda que com resultados distintos, para o bem e, eventualmente, para o mal. A Sinfonia Nº 6 “Patética”, foi gravada ao vivo em 1986, esta é uma interpretação que prioriza o drama. Bernstein oferece uma leitura intensa e profundamente pessoal, explorando a angústia e o desespero da obra. Fãs de interpretações mais contidas podem achar exagerada, mas para quem busca uma “Patética” visceral, é uma escuta, digamos, poderosa. Em contraste, as Scènes de ballet de Stravinsky, gravadas em 1982 com a Filarmônica de Israel, mostram um Bernstein que domina a linguagem do compositor. Esta é uma obra mais leve e neoclássica e Bernstein se diverte. A energia da execução ao vivo confere um brilho especial à gravação. Em resumo, o CD é um excelente retrato de… o Bernstein. A “Patética” não é uma gravação de referência, mas é uma declaração artística fascinante. Já as Scènes de ballet são um deleite, apresentando o lado mais sofisticado e dançante de Stravinsky sob a batuta de um maestro que entendia profundamente o teatro musical.

Tchaikovsky / Stravinsky: Sinfonia Nº 6, Op. 74 “Patética” / Escenas De Ballet (New York Philharmonic, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein)

Pyotr Ilyich Tchaikovsky, New York Philharmonic, Leonard Bernstein Symphony Nº 6 In B Minor, Op. 74 “Pathétique”
1 – Adagio – Allegro Non Troppo – Andante – Moderato Mosso – Andante – Moderato Assai – Allegro Vivo 22:43
2 – Allegro Con Grazia 8:06
3 – Allegro Molto Vivace 9:59
4 – Finale: Adagio Lamentoso – Andante 7:11

Igor Stravinsky, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein Scènes De Ballet
5 – Introduction 0:59
6 – Danses (Corps De Ballet) 3:37
7 – Variation (Ballerine) 1:07
8 – Pantomime 2:20
9 – Pas De Deux 3:02
10 – Pantomime 0:43
11 – Variation (Danseur) 1:24
12 – Variation (Ballerine) 1:15
13 – Pantomime 0:33
14 – Danses (Corps De Ballet) 1:12
15 – Apothéose 2:19

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Lenny

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György Ligeti (1923-2006): Requiem, Aventures e Nouvelles Aventures (Maderna)

György Ligeti (1923-2006): Requiem, Aventures e Nouvelles Aventures (Maderna)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

E mais um Ligeti para o povo pequepiano. A complexidade dos contrapontos do Requiem — música da fase timbrística de Ligeti e composta um ano antes de Lux Aeterna — é uma coisa que beira o absurdo, ao menos para um ouvinte como eu. É uma coisa linda e metafísica. É a melhor peça deste maravilhoso CD, mas amo também as divertidas Aventures e as Nouvelles Aventures, escritas pouco antes do Requiem. Aqui há também uma polifonia furiosa, porém parece-me que a utilização de grunhidos e, fundamentalmente, do riso e de algumas momices, torna essas duas obras mais simpáticas do que o belo e difícil Requiem. Nas Aventuras, a impressão geral é a de que estamos de volta ao ambiente e à vida descrita pelo excelente filme Themroc (1973), de Claude Faraldo… Esta gravação é de 1965 e bastante rara, apesar da Amazon tê-la disponível.

Enjoy porque vale a pena…

György Ligeti (1923-2006) – Requiem, Aventures e Nouvelles Aventures

1 Requiem
Choir – Chor Des Bayerischen Rundfunks
Chorus Master – Wolfgang Schubert
Conductor [Orchester] – Michael Gielen
Mezzo-soprano Vocals – Barbro Ericson
Orchestra – Sinfonie-Orchester Des Hessischen Rundfunks Frankfurt
Soprano Vocals – Liliana Poli

2 Aventures

3 Nouvelles Aventures

Alto Vocals – Marie-Thérèse Cahn
Baritone Vocals – William Pearson
Conductor – Bruno Maderna
Orchestra – Internationales Kammerensemble Darmstadt
Soprano Vocals – Gertie Charlent

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Ele tenta se esconder, mas a gente sempre reencontra Ligeti
Ele tenta se esconder, mas a gente sempre encontra Ligeti

PQP

György Ligeti (1923-2006): Études Pour Piano

György Ligeti (1923-2006): Études Pour Piano

Eu não sei que CD é este. Só sei que ele está no stigma rest room (label “Contemporary”) daquele espanhol maluco que posta música “unusual” e reclama da ex- mulher. Ah, dentro do “.rar” tinha uma capa de um DVD russo sem maiores informações. Parecia de um filme nada a ver. Mas a gravação é bem boa.

György Ligeti – Études Pour Piano

Premier livre
01 – Étude no. 1 D‚sordre
02 – Étude no. 2 Cordes à vide
03 – Étude no. 3 Touches bloquées
04 – Étude no. 4 Fanfares
05 – Étude no. 5 Arc-en-ciel
06 – Étude no. 6 Automne à Varsovie

Deuxième livre
07 – Étude no. 7 Galamb borong
08 – Étude no. 8 FÉm
09 – Étude no. 9 Vertige
10 – Étude no. 10 Der Zauberlehrling
11 – Étude no. 11 En suspens
12 – Étude no. 12 Entrelacs
13 – Étude no. 13 L’escalier du Diable
14 – Étude no. 14 Coloana infinita

Troisieme livre
15 – Étude no. 15 White on white
16 – Étude no. 16 Pour Irina
17 – Étude no. 17 A bout de souffle

Sim, são os estudos para piano. A gravação é boa. Quem será o pianista? Ah, dentro do PQP há esta joia.

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Dvořák: Violin Concerto, Romance, Op. 11/ Bartók: 2 Rhapsodies (Chung, Muti, Philadelphia Orch / Rattle, CBSO)

Dvořák: Violin Concerto, Romance, Op. 11/ Bartók: 2 Rhapsodies (Chung, Muti, Philadelphia Orch / Rattle, CBSO)

Este CD reúne gravações da violinista sul-coreana Kyung-Wha Chung em dois momentos distintos de sua parceria com grandes orquestras e regentes. (A carreira de Chung infelizmente foi interrompida em 2005 por uma lesão no dedo indicador esquerdo). De um lado, Dvořák sob Riccardo Muti com a Philadelphia Orchestra (1988); de outro, as Rapsódias de Bartók dirigidas por Sir Simon Rattle com a City of Birmingham Symphony Orchestra (1992). O resultado é um disco que exibe o virtuosismo e a sensibilidade de Chung, mas que é duvidoso quanto à sintonia entre solista e regentes. Não vou falar do Dvořák, que detestei (pareceu-me que Muti e Chung se odiaram), mas sim das obras de Bartók, que são mais a minha praia: Rattle costuma compreender e obedecer aos solistas, mas, novamente, aqui há uma disparidade de estilos. Enquanto Chung traz a cor e a energia do grande húngaro, Rattle e a orquestra vêm com “a angústia e a ansiedade de Schoenberg”. Vai ver que a Chung é uma baita chata.

Dvořák: Violin Concerto, Romance, Op. 11/ Bartók: 2 Rhapsodies (Chung, Muti, Philadelphia Orch / Rattle, CBSO)

Antonín Dvořák
Concerto For Violin And Orchestra In A Minor, Op. 53
1 I. Allegro Ma Non Troppo 11:51
2 II. Adagio Ma Non Troppo 10:53
3 III. Finale. Allegro Giocoso, Ma Non Troppo 10:40
4 Romance In F Minor, Op. 11 12:59

Béla Bartók
Rhapsody For Violin And Orchestra No. 1 BB 94
5 Lassú. Moderato 4:53
6 Friss. Allegretto Moderato 5:16
Rhapsody For Violin And Orchestra No. 2 BB 96
7 Lassú. Moderato 4:58
8 Friss. Allegretto Moderato 6:03

Conductor – Riccardo Muti (tracks: 1 to 4), Sir Simon Rattle (tracks: 5 to 8)
Orchestra – City Of Birmingham Symphony Orchestra (tracks: 5 to 8), The Philadelphia Orchestra (tracks: 1 to 4)
Violin – Kyung-Wha Chung

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Kyung-wha Chung: vai ver algum regente torceu o dedo dela.

PQP

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

IM-PER-DÍ-VEL !!! TALVEZ O MELHOR ÁLBUM INDIVIDUAL DE UM ARTISTA DE MÚSICA POPULAR.

Ontem, 23 de junho de 2021, muita gente estava comemorando os 50 anos do álbum Blue, de Joni Mitchell. São 36min15 perfeitos. Um amigo até me mandou um link do Guardian onde uma série de artistas que foram inspirados pelo trabalho de Joni escolhiam sua canção preferida do disco. Nove delas foram citadas. Blue tem 10. Eu fiz questão de reouvir o disco para escolher a minha. Fiquei entre a comovente River e as harmonias de A Case of You. Eu não posso escolher só uma delas. Conheci Blue lá por 1975 e acho que o ouço a cada dois ou três anos — o que é muito pra mim — e ele só melhora. Sou meio desligado da música popular, mas há coisas que vêm e ficam. Joni é uma grande compositora, letrista e contadora de histórias.

Aliás, que ano foi 1971! Construção (Chico), London London (Caetano), Who`s Next (The Who), Led Zeppelin IV, Fa-Tal (Gal), Ela (Elis Regina), Tapestry (Carole King), Ram (Paul McCartney), Imagine (John Lennon), Aqualung (Jethro Tull), All things must pass (George Harrison), o que mais?

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

1 All I Want 3:32
2 My Old Man 3:33
3 Little Green 3:25
4 Carey 3:00
5 Blue 3:00
6 California 3:48
7 This Flight Tonight 2:50
8 River 4:00
9 A Case Of You 4:20
10 The Last Time I Saw Richard 4:13

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Blue, uma das obras-primas de Joni

PQP

Domenico Zipoli (1688-1726): Musica Sacra de las Misiones (Segade, Cantoría de la Basilica Nuestra Señora del Socorro)

Domenico Zipoli (1688-1726): Musica Sacra de las Misiones (Segade, Cantoría de la Basilica Nuestra Señora del Socorro)

zipoliUm grande CD apenas encontrável apenas a preço proibitivo. Música de primeira linha, extremamente bem gravada e com bons solistas. Imperdível!

A seguir, um artigo publicado pelo diario ÚLTIMA HORA (El Correo Semanal), 1-2 de enero de 2000 (Asunción,Paraguay).

Por muchas razones la figura de Doménico Zípoli (1688-1726) está ligada al patrimonio musical que legaron las Reducciones Jesuíticas. Nacido en Prato (Italia) y dueño de una sólida formación musical con maestros de la talla de Alessandro Scarlati y reconocido por su talento como compositor, su vida cambió de manera radical cuando, motivado por la vocación sacerdotal, viajó a Sevilla (España), donde ingresó a la Compañia de Jesús. En 1717 partió una expedición, organizada por los jesuitas, rumbo al Río de la Plata. Tenían como misión trabajar en las ya célebres Reducciones Jesuíticas del Paraguay. La enorme provincia virreynal abarcaba incluso el Convento de los Jesuitas en Córdoba, lugar donde se estableció.

En los ocho años y cinco meses de actividad en las Reducciones, Zípoli compuso una gran cantidad de música que luego se enviaba, por medio de emisarios, a los treinta pueblos que formaban parte de las Reducciones. Cuando España ordenó la expulsión de los jesuitas, en 1767, la mayor parte de sus composiciones fueron destruidas.

Fue recién en 1959 que el musicólogo estadounidense Robert Stevenson halló en Sucre (Bolivia) copias de su Misa en Fa, copiada en Potosí a pedido del Virrey de Lima. En 1972; en la Reducción de Chiquitos (Bolivia), se encuentran más de diez mil manuscritos, un hallazgo considerado como trascendental para el conocimiento de la musicología hispanoamericana. Entre esos manuscritos se pudieron rescatar obras de Zípoli, como Misas, Motetes, Himnos y piezas de órganos.

Pero todo ese material esta sin clasificar. Fue el maestro Luiz Szarán, en Paraguay, quien inició la recopilación, construcción, publicación e interpretación de las composiciones de Zípoli a través de un centenar de conciertos llevados a cabo en el país y en el exterior, como Argentina, Uruguay y Brasil; en la Exposición Universal de Sevilla, de 1992; en el Auditorio Nacional de España, en 1995, se verificó el estreno mundial del conjunto de Vísperas Solemnes.

En nuestro país podemos apreciar la labor de Luis Szarán en un compacto titulado ”Música de las Reducciones Jesuíticas”. Así pudimos acercarnos a un patrimonio invalorable, que habla del legado musical de un hombre que, de no ser por los estudiosos, podría haber quedado en el olvido.

Zípoli murió en Santa Catalina (a 50 kilómetros de Córdoba) a los 38 años de edad, de teberculosis. A quienes deseen ahondar en la vida de este músico recomendamos consultar el Diccionario de la Música en el Paraguay, de autoría de Luis Szarán.

Composer: Domenico Zipoli (1688 – 1726)
Performers: Mario Videla (Organo y clave), Haydee Francia (Violin solista), Claudio Baraviera (Cello), Margarita Zimermann (Contralto) et al.
Orchestra/Ensemble: Cantoría de la Basilica Nuestra Señora del Socorro
Conductor: Monseñor Jesús Gabriel Segade

Domenico Zipoli (1688 – 1726)
01. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – I. Kyrie
02. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – II. Gloria
03. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – III. Credo
04. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – IV. Sanctus
05. Sonata en La Mayor para violín y bajo continuo
06. Cantata para solistas y bajo continuo – Dell’ofesse a vendicarmi

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Zipoli: se não foi santo, esteve perto
Zipoli: se não foi santo, esteve perto

PQP / Avicenna

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742, Dunedin, Butt)

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742, Dunedin, Butt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Dunedin e Butt novamente! Sensacional!

O Messias é o oratório mais popular de Handel. É grande número dos corais que atacam, confiantes e sorridentes, o coral Hallelujah. Eles estão certos, não serei eu que irei criticá-los. Só que esta peça está longe de figurar entre o que há de melhor neste oratório cheio de lirismo e de um melodismo raro, riquíssimo. É difícil de se encontrar árias mais inspiradas do que He shall feed His flock, Ev`ry valley shall be exalted, Why do the nations?, corais como For unto us a child is born, And the glory of the Lord, And He shall purify, além da ária-coral O thou thet tellest good tidings to Zion. Handel era genial e aqui tem seu ponto mais alto. A popularidade de O Messias é merecida.

O Messias normalmente ouvido por nós, principalmente no célebre Hallelujah, está bem longe daquilo que foi planejado originalmente por Handel. Pode parecer surpreendente a muitos o fato de que Handel, enquanto compunha o Oratório, lutava contra problemas administrativos que o levaram a utilizar um grupo pequeno de músicos, pela simples razão de que não os havia na Dublin de 1742 e de que era oneroso buscá-los em outras cidades. Handel dispunha apenas de 16 cantores-solistas e uma orquestra mínima e a estreia foi assim mesmo como Butt faz aqui. No curso destes mais de 270 anos, o popular Messias foi executado de todas as formas imagináveis. Nas antigas gravações da obra e até hoje, são ouvidos enormes corais, oboés dobrando as vozes – não há oboés na versão original -, fagotes no baixo contínuo – fagotes, que fagotes? – etc.

Nos anos 70, quando ouvi esta obra prima pela primeira vez, foi na mastodôntica versão de Karl Richter. Achei uma maravilha o que hoje acho estranho. Richter usou enorme coral e um potente conjunto instrumental, tudo muito pouco barroco. Só que os anos seguintes nos trouxeram as gravações em instrumentos originais, com as obras sendo executadas dentro de formações mais próximas do prescrito pelos compositores e muitas obras foram definhando em potência sonora para ganhar outros coloridos. A partir da década de 80, fomos nos acostumando a deixar o volume sonoro para compositores mais modernos e a fruir da delicadeza barroca. Não, não é proibido ouvir as velhas gravações que utilizam exércitos fortemente armados na interpretação deste oratório – e nem as novas que ainda fazem o mesmo! -, mas alguém com tendências puristas como eu, teve de acostumar-se ao uso de forças menores na interpretação do powerful Messiah. Hoje, parece a mim uma desonestidade ouvir uma obra interpretada dentro de uma concepção tão longínqua das intenções do compositor, ou seja, tão longe daquilo que Handel ouvia. Sei que estou em terreno perigoso e que há fóruns que estão discutindo isto há anos. Tudo começa com alguém perguntando “Mas, e se Handel dispusesse de um coral de 96 elementos e pudesse quadruplicar a orquestra, a música seria diferente?”. Tenho posições nestas questões, porém aqui a intenção é a de modestamente descrever e louvar um pouco de O Messias, esta delicada e poderosa obra de câmara…

É lendária velocidade com que Handel escrevia suas obras. Imaginem que os mais de 140 minutos deste oratório foram escritos em apenas 21 dias. Seus doze concerti grossi, opus 6, foram escritos em 24 dias, quando há pessoas que não conseguiriam sequer copiá-los neste período! Quando inspirado, o homem era rápido mesmo.

Mais curiosidades? Quando houve a elogiada e aplaudidíssima estréia em Dublin (em 13 de abril de 1742), Londres recebeu a obra com calculado distanciamento pela simples razão de que os londrinos não podiam ouvi-la. Ocorria que era proibido falar de coisas sagradas nos teatros e não se podia trazer profissionais dos teatros para cantarem numa igreja. Então o oratório, tal qual uma alma penada, caiu no limbo espírita. Mas Handel, velhinho, ainda teve tempo de ver seu oratório triunfar na capital.

O nome de Handel também aparece como Händel ou Haendel. Este alemão que produziu parte de sua obra na Inglaterra teve seu nome grafado nas três formas citadas. Seu nome original é Georg Friedrich Händel, mas ele tornou-se George e Handel na Inglaterra. Como sempre, o PQP usa todas as formas, dependendo da estação.

John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador
John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742)

1 Messiah, HWV 56: Part I: Grave – Allegro moderato 3:05
2 Messiah, HWV 56: Part I: Comfort ye my people (Tenor) 3:16
3 Messiah, HWV 56: Part I: Ev’ry valley shall be exalted (Tenor) 3:10
4 Messiah, HWV 56: Part I: And the glory of the Lord shall be revealed (Chorus) 2:56
5 Messiah, HWV 56: Part I: Thus saith the Lord of Hosts (Bass) 1:17
6 Messiah, HWV 56: Part I: But who may abide the day of His coming (Bass) 3:13
7 Messiah, HWV 56: Part I: And He shall purify (Chorus) 2:27
8 Messiah, HWV 56: Part I: Behold, a virgin shall conceive (Alto) 0:19
9 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest good tidings to Zion (Alto) 3:38
10 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest (Chorus) 1:32
11 Messiah, HWV 56: Part I: For behold, darkness shall cover the earth (Bass) 2:03
12 Messiah, HWV 56: Part I: The people that walked in darkness (Bass) 3:27
13 Messiah, HWV 56: Part I: For unto us a child is born (Chorus) 3:48
14 Messiah, HWV 56: Part I: Pifa (Pastoral Symphony) 2:46
15 Messiah, HWV 56: Part I: There were shepherds (Soprano) 0:12
16 Messiah, HWV 56: Part I: And lo, the Angel of the Lord (Soprano) 0:16
17 Messiah, HWV 56: Part I: And the angel said unto them (Soprano) 0:28
18 Messiah, HWV 56: Part I: And suddenly there was with the angel (Soprano) 0:16
19 Messiah, HWV 56: Part I: Glory to God in the highest (Chorus) 1:54
20 Messiah, HWV 56: Part I: Rejoice greatly, O daughter of Zion (Soprano) 6:19
21 Messiah, HWV 56: Part I: Then shall the eyes of the blind be open’d (Soprano) 0:23
22 Messiah, HWV 56: Part I: He shall feed His flock like a shepherd (Soprano) 5:07
23 Messiah, HWV 56: Part I: His yoke is easy, his burthen is light (Chorus) 2:18
24 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, The Lamb of God (Chorus) 3:09
25 Messiah, HWV 56: Part II: He was despised (Alto) 11:30
26 Messiah, HWV 56: Part II: Surely, He hath borne our griefs (Chorus) 1:46
27 Messiah, HWV 56: Part II: And with His stripes we are healed (Chorus) 1:41
28 Messiah, HWV 56: Part II: All we like sheep have gone astray (Chorus) 3:42
29 Messiah, HWV 56: Part II: But who may abide 0:27

Disc 2
1 Messiah, HWV 56: Part II: Recitative: All they that see Him (Tenor) 0:42
2 Messiah, HWV 56: Part II: He trusted in God that He would deliver Him (Chorus) 2:14
3 Messiah, HWV 56: Part II: Thy rebuke hath broken His heart (Soprano) 1:51
4 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, and see if there be any sorrow (Soprano) 1:22
5 Messiah, HWV 56: Part II: He was cut off out of the land of the living (Soprano) 0:16
6 Messiah, HWV 56: Part II: But Thou didst not leave His soul in hell (Soprano) 2:12
7 Messiah, HWV 56: Part II: Lift up your heads, O ye gates (Chorus) 3:06
8 Messiah, HWV 56: Part II: Unto which of the Angels (Tenor) 0:17
9 Messiah, HWV 56: Part II: Let all the angels of God worship Him (Chorus) 1:26
10 Messiah, HWV 56: Part II: Thou art gone up on high (Bass) 3:00
11 Messiah, HWV 56: Part II: The Lord gave the word (Chorus) 1:07
12 Messiah, HWV 56: Part II: How beautiful are the feet (Soprano, Alto) 3:35
13 Messiah, HWV 56: Part II: Why do the nations so furiously rage together (Bass) 1:27
14 Messiah, HWV 56: Part II: Let us break their bonds asunder (Chorus) 1:48
15 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven (Tenor) 0:21
16 Messiah, HWV 56: Part II: Hallelujah (Chorus) 4:02
17 Messiah, HWV 56: Part III: I know that my redeemer liveth (Soprano) 5:11
18 Messiah, HWV 56: Part III: Since by man came death (Chorus) 2:03
19 Messiah, HWV 56: Part III: Behold, I tell you a mystery (Bass) 0:36
20 Messiah, HWV 56: Part III: The trumpet shall sound (Bass) 8:28
21 Messiah, HWV 56: Part III: Then shall be brought to pass the saying (Alto) 0:12
22 Messiah, HWV 56: Part III: O death, where is thy sting (Alto, Tenor) 0:59
23 Messiah, HWV 56: Part III: But thanks be to God (Chorus) 2:08
24 Messiah, HWV 56: Part III: If God be for us (Soprano) 4:29
25 Messiah, HWV 56: Part III: Worthy is the Lamb that was slain (Chorus) 3:18
26 Messiah, HWV 56: Part III: Amen (Chorus) 4:50
27 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven shall laugh them to scorn 0:11
28 Messiah, HWV 56: Part II: Thou shalt break them with a rod of iron 2:03

Susan Hamilton
Annie Gill
Clare Wilkinson
Nicholas Mulroy
Matthew Brook
Dunedin Consort
Dunedin Players
John Butt

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Handel Messiah

PQP

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Os intérpretes deste dois CDs não chegam a ser brastemps, ou seja, talvez não façam jus à fragrância vivaldiana do raríssimo Zani, mas servem para demonstrar a tremenda qualidade da música violinística italiana — não enche o saco, eu sei que a Itália nem existia — daquele período. Zani é consistente, vale tranquilamente a audição, mas acho que principalmente o segundo CD mereceria melhores instrumentistas. Estes são mais dois discos enviados ao PQP Bach por nosso leitor-ouvinte S. Leal. Obrigado!

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Concerti da Chiesa, Op. 2 (1729)

1. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Vivace
2. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Largo
3. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Spiritoso

4. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Allegro
5. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Largo
6. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Allegro, ma non tanto

7. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Allegro
8. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Largo assai
9. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Allegro

10. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Allegro
11. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Largo assai
12. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Allegro

13. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Allegro
14. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Adagio
15. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Allegro

Alessandro Ciccolini, violino
Compagnia De Musici

Concerti Op. 4

1. Concerto in F major, Op.4/6: Allegro
2. Concerto in F major, Op.4/6: Largo
3. Concerto in F major, Op.4/6: Allegro

4. Concerto in G major, Op.4/5: Allegro
5. Concerto in G major, Op.4/5: Adagio
6. Concerto in G major, Op.4/5: Allegro

7. Concerto in D major, Op.4/1: Allegro
8. Concerto in D major, Op.4/1: Andante
9. Concerto in D major, Op.4/1: Allegro spiritoso

10. Concerto in E minor, Op.4/4: Vivace
11. Concerto in E minor, Op.4/4: Adagio
12. Concerto in E minor, Op.4/4: Allegro

13. Concerto in B flat major, Op.4/7: Andante spiccato
14. Concerto in B flat major, Op.4/7: Allegro
15. Concerto in B flat major, Op.4/7: Andante
16. Concerto in B flat major, Op.4/7: Allegro

Giovanni Battista Columbro, regente
Cappella Palatina

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Que condicionador será que ele usava?
Que condicionador será que ele usava?

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