Este é um CD que talvez agrade até os mais hostis à música contemporânea. Se a Trio Sonata ainda guarda um pouco de seriedade,o Concerto para Viola é puro bom humor. Yuri Bashmet, o intérprete, desenvolveu uma carreira de grande sucesso internacional como violista, mas depois, como tantos instrumentistas talentosos de sua geração fazem, passou a regente e até fundou uma orquestra. Ele nunca abandonou a viola, muitas vezes aparecendo em ambos os papéis no mesmo concerto, o de violista e o de regente. Por todo o seu talento, por tocar num instrumento de pouco repertório e por ser meio maluco, Bashmet foi cercado de controvérsia devido aos cancelamentos de última hora e mudanças bruscas em programas de concerto. No entanto, ele continua a ser indiscutivelmente o principal violista de nosso seu tempo.
Alfred Schnittke escreveu o seu Concerto para Viola em 1985, ano em que Mikhail Gorbachev assumiu o poder na União Soviética. A obra foi encomendada por Bashmet que a tocou pela primeira vez um ano depois, no Royal Concertgebouw de Amsterdam. A gravação que ora postamos é de 1991.
Jean-Marie Leclair é considerado o fundador da escola de violino francesa. E que fundador! Bem, finalizando nosso improvisado Festival do Barroco Francês — o qual visa (?) demonstrar que antigamente se fazia música de verdade na França — apresentamos um CD absolutamente fantástico com o genial violinista inglês Simon Standage. Porém, antes leiam a tese de nosso comentarista Haya de La Torre:
Eu acho que o que matou a vida musical francesa foi a inveja. Bem, ao menos a se julgar pela trajetória de Rameau, que parece ter sido vítima, junto com sua música, de todo tipo de difamação e intriga no meio intelectual francês de sua época, que por fim deu pra proclamar que Rameau não poderia escrever música boa visto que só os italianos sabiam fazer isso. Em todo caso, o declínio da produção musical francesa entre o desaparecimento de Rameau e o surgimento de Frank serviu para alimentar o mito de que só a Alemanha era capaz de fazer boa música, e eu desconfio que esse declínio francês e a supremacia alemã tem muito que ver com a situação política desses dois países, que não é nada relativo ao “DNA” cultural deles. Em todo caso, a música francesa com seus altos e baixos deve ser a segunda em importância no continente (ou será a da Rússia?). A Inglaterra, por ex…
Pois eu concordo e defendo a tese do empate entre a Rússia e a França como segundos lugares em termos de países em importância musical no continente. O primeiro, obviamente, é a Alemanha. Os barrocos franceses mais Ravel, Debussy, Franck, Fauré, os operistas, Poulenc, Messiaen, Boulez, etc. ganham em número dos russos, mas o politburo russo é foda de enfrentar, mesmo em minoria.
Mas tergiverso em vez de falar que as esplêndidas composições de Leclair e o incrível som e fraseado alcançados por Standage fazem este CD absolutamente necessário aos apaixonados pelo barroco.
Importante: o grande violinista e compositor francês Jean-Marie Leclair foi encontrado morto em Paris, em 23 de outubro de 1764, com ferimentos de arma branca. A investigação considerou principalmente três suspeitos: seu jardineiro, sua ex-esposa Louise Roussel Leclair e, sobretudo, seu sobrinho Guillaume-François Vial, também violinista. Vial tinha uma relação muito ruim com o tio e ressentia-se de não ter recebido dele a ajuda que esperava para sua carreira. Há documentos policiais que tornam a suspeita contra o sobrinho particularmente forte, inclusive problemas com o álibi apresentado por ele. Mas ninguém foi condenado pelo crime e a identidade do assassino jamais foi estabelecida com certeza. A hipótese do sobrinho é frequentemente considerada a mais provável, embora a ex-esposa também tivesse possível motivo financeiro. É uma dessas histórias extraordinárias da música: Leclair, cuja música é de uma elegância quase aristocrática, terminou a vida como personagem de um romance policial — assassinado à porta de sua própria casa.
Jean-Marie Leclair (1697–1764): Sonatas para Violino (Standage, Parle)
Sonata for violin & continuo in A major, Op. 9/1
Jean-Marie Leclair
1 Adagio 4:32
2 Allegro assai 3:18
3 Andante. Arpeggio sempre 2:48
4 Minuetto. Allegro moderato 5:43
5 La Superbe, ou La Forqueray, for harpsichord (Pièces de clavecin, III, 17e ordre) 4:40
François Couperin
Sonata for violin & continuo in D major, Op. 9/3
Jean-Marie Leclair
6 Un poco andante 3:43
7 Allegro 3:01
8 Sarabanda. Largo 2:34
9 Tambourin. Presto 3:47
10 La Leclair (from Pièces de viole, Deuxième Divertissement) 3:24
Jean-Baptiste Forqueray
Sonata for violin & continuo in A minor, Op. 9/5
Jean-Marie Leclair
11 Andante 6:11
12 Allegro assai 4:14
13 Adagio 3:21
14 Allegro ma non troppo 2:22
15 La Forqueray, rondeau for harpsichord (from Pièces de Clavicin, Book 3) 6:24
Jacques Duphly
Sonata for violin & continuo in C major, Op. 9/8
Jean-Marie Leclair
16 Andante ma non troppo 3:42
17 Allegro assai 5:25
18 Andante 2:52
19 Tempo di Ciaccona 7:27
Esta gravação da DG, realizada em 1972 e 1973 no Musikverein de Viena, reúne dois pilares do repertório romântico para violino sob a direção de Claudio Abbado e com a Filarmônica de Viena, tendo como solista o lendário Nathan Milstein. O resultado é um disco que, décadas depois, mantém o status de referência, com uma abordagem que une a inteligência musical de Milstein à elegância de Abbado. Milstein é descrito como “talvez o último grande russo entre os violinistas russos” e oferece aqui leituras que são tudo menos acadêmicas ou frias. Seu toque, caracterizado pelo uso relativamente parcimonioso do vibrato, revela uma pureza e luminosidade fascinantes . Essa qualidade confere às interpretações uma sensação de que não há outra maneira de tocar estas obras. No Allegro molto appassionato de Mendelssohn ou no vertiginoso finale do concerto de Tchaikovsky, sua virtuosidade é de tirar o fôlego, mas sempre a serviço da música.
Abbado, por sua vez, demonstra ser um mestre, equilibrando com fineza a relação entre solista e orquestra. Em suma, este é um disco indispensável não apenas para admiradores de Milstein, mas para qualquer amante dos concertos românticos. É o documento de um encontro entre um dos maiores violinistas do século XX e uma orquestra e regente em sintonia perfeita, produzindo uma interpretação que alia a inteligência à emoção, a pureza ao virtuosismo. Poucas gravações conseguem transmitir com tanta convicção a sensação de que são as versões definitiva das obras.
Tchaikovsky / Mendelssohn: Concertos para Violino (Milstein, WP, Abbado)
Violin Concerto In D Major, Op. 35
Composed By – Pyotr Ilyich Tchaikovsky
1 I Allegro Moderato
2 II Canzonetta. Andante – Attacca:
3 III Finale. Allegro Vivacissimo
Violin Concerto In E Minor, Op. 64
Composed By – Felix Mendelssohn*
4 I Allegro Molto Appassionato
5 II Andante
6 III Allegro Non Troppo – Allegro Molto Vivace
Este disco documenta um encontro histórico: a estreia fonográfica de Anne-Sophie Mutter, com apenas 15 anos, sob a batuta de seu mentor, Herbert von Karajan, à frente da Filarmônica de Berlim. Lançado em 1978, o registro permanece como um testemunho de um momento único na música. Há, de fato, uma profundidade que transcende a idade da solista, uma abordagem que ecoa a estética “romântica” que Karajan buscava na época, conferindo às obras um caráter contemplativo e, por vezes, melancólico. Ouvindo agora, décadas depois, o que se destaca é a combinação entre a sonoridade exuberante (e antiquada) da Orquestra Filarmônica de Berlim sob o comando de Karajan, e o toque de Mutter — belo, expressivo e de uma segurança técnica impressionante para sua idade. A execução tem um ar que pode soar um pouco pesado ou menos espontâneo do que outras abordagens mais “autênticas”. No entanto, é justamente essa solenidade que confere à gravação seu caráter especial, transformando-a em algo mais próximo de uma declaração artística do que de uma mera exibição de virtuosismo juvenil. A comparação com as regravações posteriores da própria Mutter, já como uma artista madura, é inevitável e revela a diferença. Se a versão de 1978 possui encanto, ela também carece da liberdade rítmica e da leveza que Mutter viria a explorar em suas performances mais recentes. Este é o registro de uma jovem artista em seu primeiro voo. Para os admiradores da obra de Mozart, é uma gravação que oferece uma visão particular e poderosa, ainda que não seja a única possível.
W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Violino Nº 3, K.216, e 5, K. 219 (Mutter, BP, Karajan)
Konzert Für Violine Und Orchester Nr. 3 G-dur KV 216 (27:06)
1 1. Allegro 10:39
2 2. Adagio 9:48
3 3. Rondeau. Allegro 6:39
Konzert Für Violine Und Orchester Nr. 5 A-dur KV 219 (30:52)
4 1. Allegro Aperto 10:39
5 2. Adagio 10:54
6 3. Rondeau. Tempo Di Menuetto 9:19
Cadenza [Cadenzas / New Version] – Ossip Schnirlin (tracks: 4 to 6)
Cadenza [Cadenzas] – Joseph Joachim (tracks: 4 to 6), Sam Franko (tracks: 1 to 3)
Conductor – Herbert von Karajan
Orchestra – Berliner Philharmoniker
Violin – Anne-Sophie Mutter BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
Excelente CD! Este francês é mesmo da pesada, uma de minhas preferências e não poderia ficar de fora deste pequeno Festival do Barroco Francês que ora promovo sem… bem, sem tê-lo planejado. Leclair estudou dança e violino em Turim. Em 1716 casou com Marie-Rose Casthanie, uma dançarina, que morreu em 1728. Em 1730, Leclair casou-se pela segunda vez. Sua nova esposa era a gravadora Louise Roussel, que preparou a impressão de todas as suas obras a partir do Opus 2.
Leclair foi ESFAQUEADO E MORTO em 1764. Apesar do homicídio permanecer um mistério, existe a possibilidade de que sua ex-mulher possa ter sido a instigadora, ainda que a mais forte suspeita recaia sobre o seu sobrinho, Guillaume-François Vial.
Jean-Marie Leclair (1697–1764): Triosonatas, Op. 4 (Musica Alta Ripa)
Sonata I (9:22)
1 Adagio
2 Allegro Ma Non Troppo
3 Largo
4 Allegro
Sonata II (10:14)
5 Adagio
6 Allegro Ma Non Troppo
7 Largo: Cantabile
8 Allegro Assai
Sonata III (14:48)
9 Adagio
10 Allegro
11 Allegro Ma Poco
12 Sarabanda: Largo
13 Allegro
Sonata IV (10:16)
14 Largo
15 Allegro
16 Aria. Adagio Ma Non Troppo
17 Presto
Sonata V (11:28)
18 Andante
19 Allegro Ma Non Troppo
20 Aria: Gratioso
21 Allegro Ma Non Troppo
Sonata VI (10:39)
22 Adagio
23 Allegro Ma Non Troppo
24 Gavotta: Gratioso, Un Poco Andante
25 Vivace
Sim, jazz de vanguarda. Quem não gosta, que fuja. Este álbum documenta três noites de improviso em duetos ou em trio de três saxofonistas, todos com sax soprano. Não há outros instrumentos e, na verdade, só há um trio: a curtíssima Three Blokes. O disco é uma fascinante integração entre 3 grandes instrumentistas que se revesam em duplas. Um levando o tema e o outro, digamos, correndo atrás. Gostei muito, mas sei que é para poucos. Afinal, quem diria que uma série de duetos de saxofone soprano seria tão fascinante? Em pleno voo, essa compreensão um do outro fica incrivelmente intrincada como uma fuga barroca. É música tão pura e simples quanto pode ser.
Lol Coxhill, Steve Lacy, Evan Parker: Three Blokes
1. The Crawl (Parker-Lacy)
2. Backlash (Parker-Lacy)
3. Glanced (Coxhill-Lacy)
4. Broad Brush (Parker-Coxhill)
5. Three Blokes (Lacy)
Esta é uma gravação que perdeu muito com os anos. Molho pesado demais, execução totalmente destituída de humor e leveza. A crítica é dura, mas encontra eco em parte da recepção que este CD, com a Filarmônica de Los Angeles e a Orquestra Sinfônica de Chicago, acumulou ao longo do tempo. Carlo Maria Giulini, um respeitado maestro em sua época, oferece aqui leituras que dividem opiniões: para alguns, são visões transcendentes e solenes; para outros, são interpretações que afogam a vivacidade das partituras em um excesso de gravidade (minha opinião).
Puro Giulini: este CD é um documento de uma abordagem que privilegia a visão grandiosa de Giulini em detrimento da espontaneidade e da leveza. Devemos ter Pastorais mais líricas e belas no PQP (quem sabe, né?). A gravação de Giulini, com o passar dos anos, parece ter se consolidado menos como uma referência importante e mais como um testemunho de sua arte discutível, onde a majestade suplanta a alegria e a simplicidade que estas obras podem/devem evocar.
Beethoven: Symphonie Nr. 6 »Pastorale« / Schubert: Symphonie Nr. 4 »Tragische« (Carlo Maria Giulini)
Symphonie Nr. 6 F-Dur Op. 68 »Pastorale«
Composed By – Ludwig van Beethoven
Orchestra – Los Angeles Philharmonic Orchestra
1 Erwachen Heiterer Empfindungen Bei Der Ankunft auf dem Lande: Allegro ma non troppo 10:37
2 Szene Am Bach: Andante Molto Mosso 13:22
3 Lustiges Zusammensein Der Landleute: Allegro 5:33
4 Gewitter – Sturm: Allegro 3:59
5 Hirtengesang: Frohe Und Dankbare Gefühle Nach Dem Sturm: Allegretto 10:33
Symphonie Nr. 4 C-Moll D 417 »Tragische«
Composed By – Franz Schubert
Orchestra – Chicago Symphony Orchestra
6 Adagio Molto – Allegro Vivace 10:47
7 Andante 8:49
8 Menuetto. Allegro Vivace – Trio 3:51
9 Allegro 8:21
Posso ser polêmico? Pois, para mim, esta gravação ao vivo é a melhor deste célebre concerto. Mas talvez não deva ser a primeira versão a ser ouvida por um jovem ouvinte. A interpretação pessoalíssima vem de uma Mutter madura e ousada, que tem desagradado os conservadores em função da “jazzificação” de seus solos. Sim, sua interpretação desta grande obra-prima está a léguas da ortodoxia. Eu entendo essas pessoas em seu desconforto. Elas querem mais do mesmo e cada vez mais perfeito, tudo bem longe de quaisquer riscos. Aí aparece Mutter e vira tudo de cabeça para baixo. E tais ouvintes parecem não captar a diferença entre uma improvisação altamente artística e a vulgaridade. Beethoven era uma alma romântica presa em uma moldura clássica e, se voltasse hoje, acho que adoraria ouvir as improvisações da genial Mutter. O que Mutter fez foi projetar uma peça de música celestial para a paisagem onde nós, mortais, vivemos. Sou muito grato.
Beethoven: Violin Concerto In D, Op.61
1 Allegro ma non troppo – Cadenza: Fritz Kreisler 27:08
2 Larghetto 10:58
3 Rondo. Allegro (Cadenza: Fritz Kreisler) 10:10
4 Beethoven: Violin Romance No.1 In G Major, Op.40 7:10
5 Beethoven: Violin Romance No.2 In F Major, Op.50 8:22
Anne-Sophie Mutter
New York Philharmonic
Kurt Masur
Este CD é um retrato fiel da arte de Karl Böhm: o mestre da clareza, equilíbrio e respeito à arquitetura musical. A sua leitura de Haydn pode não ter a irreverência de abordagens mais modernas, mas a sua solidez, beleza e integridade musical fazem dela uma referência. É uma gravação que nos lembra porque a velha escola vienense continua a ser tão apreciada, oferecendo uma escuta que é ao mesmo tempo confortável e estimulante. Este CD é uma oportunidade para apreciar a versatilidade de um dos maiores maestros do século XX. Sou um pouco hostil a Richard Strauss, mas sei que a parceria Böhm / Viena para Strauss é lendária. A crítica moderna descreve o maestro como um intérprete que “domina soberbamente a forma” e o “sentido da cor” orquestral. A sua abordagem, grandiosa mas nunca pesada, é ideal para a arquitetura complexa e o virtuosismo descritivo de Strauss. Aprecio mais o extreordinário feito orquestral do que propriamente a música.
R. Strauss: Vida de Herói & F. J. Haydn: Sinfonia Nº 90 (Böhm, Filarmônica de Viena)
A Hero’s Life op. 40
1 The Hero 4:22
2 The Hero’s Adversaries 3:08
3 The Hero’s Companion (I) 6:37
4 The Hero’s Companion (II) 7:31
5 The Hero’s Battlefield 7:24
6 The Hero’s Works of Peace 7:24
7 The Hero’s Retirement from the World and Fulfilment 6:47
Symphony No. 90 in C Major, Hob. 1:90
8 Adagio – Allegro assai 7:27
9 Andante 8:37
10 Menuett – Trio 5:23
11 Allegro assai 5:01
Este CD reúne os dois concertos para piano de Maurice Ravel: o Concerto em Sol Maior e o Concerto para a Mão Esquerda em Ré Maior. A gravação é do pianista sul-coreano Kun Woo Paik e a Orquestra Sinfônica da Rádio de Stuttgart sob a direção de Gary Bertini.
A leitura de Paik e Bertini privilegia o detalhe e a transparência. Achei um baita disco. No famoso Adagio do Concerto em Sol, Paik demonstra a sutileza e o requinte necessários. O que me chamou a atenção foi a incrível versão de Paik para o Concerto para Mão Esquerda. Nunca dei muita bola pra este Concerto, mas aqui foi impossível ignorá-lo. Sem dpuvida, esta é uma gravação de referência para os concertos de Ravel, que se distingue pela clareza, elegância e atenção ao detalhe. Paik tem uma compreensão profunda do estilo de Ravel, resultado de décadas de dedicação a este repertório. A qualidade da gravação digital de 1981, faz deste disco uma audição segura tanto para quem descobre estas obras como para quem procura uma interpretação refinada e de grande beleza.
Maurice Ravel (1875-1937): Concertos para Piano (Kun Woo Paik, Gary Bertini)
Konzert Für Klavier Und Orchester G-Dur = Concerto For Piano And Orchestra In G Major = Concerto Pour Piano Et Orchestre En Sol Majeur (22:19)
1 Allegramente 8:18
2 Adagio Assai 8:55
3 Presto 5:06
Konzert Für Klavier Und Orchester D-Dur (Für Die Linke Hand) = Concerto For Piano And Orchestra In D Major (For The Left Hand) = Concerto Pour Piano Et Orchestre En ré Majeur (Pour La Main Gauche) (19:57)
4 Lento – Andante – Allegro – Lento 19:57
Conductor – Gary Bertini
Orchestra – Radio-Sinfonieorchester Stuttgart
Piano – Kun Woo Paik
Talvez desse para fazer uma parede com as capas das reedições da DG para esta gravação clássica. Mutter, em seus dias jovens, foi uma pupila de Karajan e esta capa a mostra bochechuda e não a elegante e magérrima senhora de hoje. Coerente.
A imagem é um documento histórico por si só. Aos 13 anos, quando Karajan a descobriu, ela era apenas uma menina prodígio da pequena Rheinfelden. O maestro, que já tinha péssimas experiências com jovens talentos, tornou-se seu mentor e patrocinador. Foi ele quem a incluiu no cast da Deutsche Grammophon e com quem ela fez as suas primeiras gravações, incluindo os concertos de Mozart, Beethoven, Mendelssohn, Bruch, Tchaikovsky e Brahms. Dizem que Karajan a considerava “o maior talento desde Menuhin”. O que se ouve nesta gravação de 1980 (a de estúdio, a de “referência”) é, por isso, um documento duplamente fascinante. Por um lado, a segurança e o talento brutal de uma adolescente que já tocava com elevada expressividade e convicção. Por outro, a mão experiente de um velho maestro. O que se ouve é o equilíbrio perfeito entre a jovem solista e os filarmônicos de Berlim. É um encontro geracional que ficou para a história.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 (Mutter, BP, Karajan)
Concerto For Violin And Orchestra In D Major Op. 61 (48:20)
1 1. Allegro Ma Non Troppo 26:34
2 2. Larghetto 11:24
3 3. Rondo. Allegro 10:22
Cadenza – Fritz Kreisler
Conductor – Herbert von Karajan
Orchestra – Berliner Philharmoniker
Violin – Anne-Sophie Mutter
Estas são gravações que não ficam nada a dever a qualquer pianista ocidental, tais como Schiff, Gould ou o direitista Martins. Talvez ela perca apenas para a inacreditável Angela Hewitt. Resquícios da guerra fria, a qual nos deixou sem o fraseado peculiar desta grande pianista, aliás, a preferida de Shostakovich. Em 1993, ela foi finalmente reconhecida ao vencer o Gramophone Award por sua terceira gravação dos 24 Prelúdios e Fugas de Shosta. Encontrei estas joias convertidas para mp3 — muito bom mesmo, com poucos ruídos — aí pela rede e elas merecem receber tranquilamente o galardão de IM-PER-DÍ-VEIS !!!!.
Nikolayeva não é nada barroca. A sua abordagem é marcada por um som rico e encorpado — romântico mesmo –, com graves profundos e sonoridades de cores exuberantes que se equilibram com a clareza. Alguns críticos chegam a notar que a sua gravação das Variações Goldberg tem pequenas falhas técnicas (com algumas notas erradas), mas estas são ignoradas devido à profunda musicalidade e profundidade emocional que ela traz à música, tornando-a “uma alegria do princípio ao fim”. Meus ouvidos dizem que aqui também há algumas falhas de devem ser ignoradas, pelamor. O seu estilo é tão distintivo que, embora possa irritar alguns puristas, resulta em interpretações convincentes que encontram temas universais na música de três séculos atrás.
J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825-831 (Tatiana Nikolayeva)
Side 1
Partita No.1 in B-flat, BWV 825
1. Praeludium
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Menuet I & II
6. Gigue
Side 2
Partita No.2 in C minor, BWV 826
1. Sinfonia
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Rondeau
6. Capriccio
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
J.S.Bach (1685-1750)
Side 1
Partita No.4 in D, BWV 828
3. Courante
4. Aria
5. Sarabande
6. Menuett
7. Gigue
Side 2
Partita No.5 in G minor, BWV 829
1. Praeambulum
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Tempo di Minuetto
6. Passepied
7. Gigue
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
J.S.Bach (1685-1750)
Side 1
Partita No.6 in E minor, BWV 830
1. Toccata
2. Allemande
3. Courante
4. Air
Side 2
5. Sarabande
6. Tempo di Gavotta
7. Gigue
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
J.S.Bach (1685-1750)
Side 1
French Overture (Partita No.7) in B minor BWV 831 <— Sete? Tá bom…
1. Ouverture
2. Courante
3. Gavotte I & II
4. Passepied I & II
Side 2
5. Sarabande
6. Bourree I & II
7. Gigue
8. Echo
Tatiana Nikolayeva, piano
Recorded in 1980
O Op. 8 de Torelli é uma obra que marca a transição do concerto grosso para o concerto para solista, e este disco explora essa riqueza com uma seleção variada de concertos para dois violinos, violino solo e trompetes. A abordagem do Collegium Musicum 90 é descrita como “sensata e musicalmente descomplicada”, com uma sonoridade arejada que se beneficia da “omissão deliberada (e autêntica) dos contrabaixos”. Concordo. Nos Concertos para Dois Violinos, a parceria entre Simon Standage e Catherine Weiss é um dos pontos altos do disco. Nos Concertos para Violino Solo, Standage mostra seu virtuosismo, com uma tremenda energia nas cordas graves. E nos Concertos para Trompete, Crispian Steele-Perkins toca com leveza e delicadeza, apesar de, bem, de serem trompetes. A gravação, realizada na All Saints’ Church em Londres, captura bem a atmosfera do local.
Giuseppe Torelli (1658-1709): Concertos (Simon Standage, Collegium Musicum 90)
Concerto For Two Violins, Op. 8 No. 2 In A Minor (6:50)
1 I Allegro 2:03
2 II Largo 2:48
3 III Allegro 1:59
Concerto For Violin Op. 8 No. 8 In C Minor (6:44)
4 I Vivace 2:22
5 II Adagio 1:41
6 III Allegro 2:41
Sinfonia For Trumpet In D Major (G 8) (5:10)
7 I Allegro 1:51
8 II Adagio 0:43
9 III Allegro 0:53
10 IV Allegro 1:43
Concerto For Two Violins, Op. 8 No. 5 In G Major (7:33)
11 I Allegro 1:54
12 II Adagio 2:15
13 III Allegro 3:24
Concerto For Two Violins, Op. 8 No. 6 In Forma Di Pastorale Per Il Santissimio Natale In G Minor (6:06)
14 I Grave: Vivace 2:45
15 II Largo 1:45
16 III Vivace 1:36
Concerto For Two Trumpets In D Major (6:07)
17 I Allegro 2:40
18 II Largo E Staccato: Presto: Adagio E Spiccato 1:36
19 III Allegro 1:52
Concerto For Two Violins, Op. 8 No. 4 In B Flat Major (9:14)
20 I Allegro 3:08
21 II Largo E Con Affetto: Allegro: Largo 3:24
22 III Allegro 2:43
Concerto Grosso For Violin, Op. 8 No. 11 In F Major (10:15)
23 I [Allegro] 3:23
24 II Largo, E Staccato: Allegro: Adagio 3:52
25 III Allegro 3:00
Sinfonia For Two Trumpets In D Major (G 23) (6:52)
26 I Allegro 2:38
27 II Largo 1:54
28 III [Vivace] 2:20
Concerto For Violin, Op. 8 No. 9 In E Minor (11:30)
29 I [Vivace] 3:07
30 II Largo: Allegro: Largo 5:15
31 III [Allegro] 3:08
Conductor [Director] – Simon Standage
Orchestra – Collegium Musicum 90
Trumpet – Crispian Steele-Perkins (faixas: 7 to 10, 17 to 19, 26 to 28), David Blackadder (faixas: 17 to 19, 26 to 28)
Violin – Catherine Weiss (faixas: 1 to 3, 11 to 16, 20 to 22), Simon Standage (faixas: 1 to 6, 11 to 16, 20 to 25, 29 to 31)
The Berlin Concert é o ótimo registro ao vivo da estreia de Simone Dinnerstein na Kammermusiksaal da Filarmônica de Berlim, a 22 de novembro de 2007. Mais do que um recital, é uma declaração artística que explora a profunda e duradoura influência de Johann Sebastian Bach, tecendo um fio condutor que liga a música de três séculos num programa de uma notável coerência. Dinnerstein programou obras que, embora separadas por centenas de anos, mantêm um diálogo íntimo entre si, todas enraizadas no universo de Bach. A Suíte Francesa nº 5, BWV 816, de J.S. Bach, recebe uma interpretação de grande vitalidade, revelando uma abordagem cheia de sutileza. As 12 Variações sobre um Coral de J.S. Bach, de Philip Lasser é o momento mais “contemporâneo” do disco e a sua gravação de estreia mundial. O compositor norte-americano, amigo de longa data da pianista, cria uma peça que oscila estilisticamente entre o Impressionismo e o Jazz, pendulando entre a energia contrapontística e momentos de percussão ou de impressionismo etéreo. A Sonata para Piano nº 32, Op. 111, de Ludwig van Beethoven é a derradeira sonata de Beethoven. Ela é aqui apresentada como um marco de transição. O primeiro movimento, com a sua escrita angulosa, olha para o futuro (Liszt), enquanto o segundo movimento, um conjunto de variações sobre uma arietta semelhante a um coral, olha para trás, para Bach, e até para a frente, para o Jazz.
O ponto alto do disco é, talvez, a forma como Dinnerstein une este universo. A sua interpretação da monumental sonata de Beethoven, que ela trata com uma entrega poderosa e nostálgica, culminando num bis de cortar a respiração: a Variação 13 das Variações Goldberg de Bach. Este gesto final é uma afirmação que fecha o círculo e confirma Bach como a pedra fundamental.
Bach / Beethoven / Lasser: The Berlin Concert (Simone Dinnerstein)
Johann Sebastian Bach French Suite No. 5 in G Major, BWV 816
1 – 1 Allemande 3:30
2 – 2 Courante 1:31
3 – 3 Sarabande 5:22
4 – 4 Gavotte 0:58
5 – 5 Bourrée 1:07
6 – 6 Loure 2:37
7 – 7 Gigue 3:14
Philip Lasser Twelve Variations On A Chorale By J.S. Bach “Nimm Von Uns, Herr, Du Treuer Gott” (Cantata 101)
8 – Chorale: “Nimm Von Uns, Herr, Du Treuer Gott” 1:00
9 – Variation 1: Sempre Espressivo E Molto Legato 0:54
10 – Variation 2: Più Vivo 0:18
11 – Variation 3: Più Vivo – Sempre Leggero E Poco Staccato 0:29
12 – Variation 4: Evenly, Maintaining A Strange Disembodied Expressivity 1:28
13 – Variation 5: Largo 1:24
14 – Variation 6: Allegro Vivace 0:53
15 – Variation 7: Robusto 0:50
16 – Variation 8: Maestoso 1:46
17 – Variation 9: Largo 3:07
18 – Variation 10: Presto, Quasi Una Toccata 1:21
19 – Variation 11: Variation Of Variations – Allegro Amabile 5:09
20 – Variation 12: Andante Con Moto 3:37
Ludwig van Beethoven Piano Sonata No. 32 In C Minor, Op. 111 (1821-22)
21 – Maestoso: Allegro Con Brio E Appassionato 9:17
22 – Arietta: Adagio Molto Semplice E Cantabile 18:48
Encore
23 Johann Sebastian Bach– Goldberg Variations, BWV 988: Variation 13 5:24
Este CD apresenta um programa dedicado a um repertório menos explorado do compositor e violinista virtuoso Pietro Antonio Locatelli (1695-1764). Em vez de focar em sua obra mais famosa, L’Arte del Violino (Op. 3), a gravação destaca as seis Introduttioni Teatrali que compõem a primeira parte do Op. 4, publicadas em 1735. As Introduttioni são peças curtas em três movimentos (geralmente no formato rápido-lento-rápido), que se assemelham mais à sinfonia operística italiana da época do que a uma “introdução” para uma obra teatral, embora provavelmente tivessem essa função, talvez como aberturas para espetáculos no Amsterdã Musical Theatre, que ficava perto da casa do compositor. Musicalmente, estas obras representam um momento de transição. Elas mesclam a estrutura do concerto grosso herdado de Corelli, com a alternância entre o grupo de solistas (concertino) e a orquestra (ripieno), com a forma tripartite da sinfonia operística contemporânea. No entanto, Locatelli inova ao integrar os dois grupos de forma mais fluida, fazendo com que toquem juntos na maior parte do tempo e destacando o concertino apenas em certos momentos, especialmente nos movimentos finais. O resultado é uma música vivaz, cheia de contrastes dinâmicos e texturas encantadoras, que realmente evocam a atmosfera de uma noite de teatro. A faixa de abertura, por exemplo, já apresenta o quarteto de solistas se destacando em vários momentos. O grande mérito desta interpretação do Freiburger Barockorchester, sob a regência de Thomas Hengelbrock, é a de valorizar a energia e a vivacidade inerentes a essas partituras. Além das seis Introduttioni, o CD traz três sonatas de Locatelli, oferecendo um panorama mais completo de sua música de câmara.
Pietro Antonio Locatelli (1695-1764): 6 Introduttioni Teatrali, op. 4 – Freiburger Barockorchester, Thomas Hengelbrock
(Postagem da década retrasada… o link era no Rapidshare, lembram dele? Muita coisa mudou no mundo desde então, mas certas coisas permanecem: Lula presidente; os EUA atolados em guerras inexplicáveis; em fevereiro tem Carnaval; Maurizio Pollini, que já virou saudade, permanece como referência de peso quando se trata dos Estudos, das Polonaises e de outras obras para piano de Chopin)
A Fundação para a Divulgação e Inevitável Imortalização do Guia Genial dos Pianistas Maurizio Pollini fundada por Lais Vogel e P.Q.P Bach descobriu, no último momento, que nossa querida Clara Schumann já tinha postado este CD em 2007. Aqui está seu curto texto de apresentação:
O sexto concurso internacional Chopin (1960) tornar-se-ia célebre porque nem um polaco, nem um russo ganhariam o prémio, mas um italiano de dezoito anos, de nome Maurizio Pollini. Pollini, nestas Polonaises, caracteriza-se por uma interpretação equilibrada, disciplinada, com um forte sentido de ritmo e de tempo, sem , no entanto, perder a sua beleza estética. Uma outra contribuição de Clara Schumann para o acervo de Chopin no PQP Bach.
Mais uma gravação extraordinária que a DG republica em sua coleção “The Originals”, uma das coisas mais legais e honestas produzidas pela gravadora alemã.
IMPERDÍVEL!
Chopin (1810 – 1849): Polonaises
1. Polonaise in C sharp minor, Op. 26 No. 1
2. Polonaise in E flat minor, Op. 26 No. 2
3. Polonaise in A major, Op. 40 No. 1
4. Polonaise in C minor, Op. 40 No. 2
5. Polonaise for piano No. 5 in F sharp minor, Op. 44, CT. 154
6. Polonaise for piano No. 6 in A flat major (“Héroique”), Op. 53, CT. 155
7. Polonaise-fantasy for piano No. 7 in A flat major, Op. 61, CT. 156
Para os fãs de Lyle Mays, conhecido principalmente por seu trabalho elétrico no Pat Metheny Group, Fictionary (1993) foi uma surpresa e tanto. Este álbum é um mergulho profundo e corajoso na tradição dos trios de piano acústico, funcionando como uma homenagem aos pianistas que mais o influenciaram, como Bill Evans, Keith Jarrett, Herbie Hancock, Chick Corea e Paul Bley.
O disco equilibra baladas românticas com temas mais dinâmicos e cativantes. A faixa de abertura, “Bill Evans”, é uma balada relaxante. Outros destaques são a faixa-título “Fictionary” e “Hard Eights”, que mostram um diálogo mais enérgico e transbordante entre os três músicos.
O baixista Marc Johnson observou que Mays criava estruturas que “em certos momentos borravam a linha entre o que era composto e o que era improvisado”. O disco ainda contém duas peças de improvisação livre, “Trio #1” e “Trio #2”, que introduzem elementos do free jazz e mostram a coragem do trio em se aventurar por terrenos mais experimentais.
Mays está acompanhado por dois músicos fenomenais. Marc Johnson, que estreou com o trio de Bill Evans, traz um swing profundo e uma sensibilidade melódica impecável. Jack DeJohnette, um baterista lendário, oferece um toque magistral e leve.
O “Trio #2”, pode não agradar a todos os ouvintes, apesar da excelência musical em exibição. Ou seja, o álbum é mais recomendado para quem já aprecia jazz contemporâneo sofisticado e tem interesse em acompanhar o trabalho desses grandes instrumentistas.
No geral, Fictionary é uma vitrine convincente da versatilidade de Lyle Mays e de seu profundo respeito pela tradição do piano no jazz. É um disco que recompensa a escuta atenta.
Fictionary (Lyle Mays with Marc Johnson and Jack DeJohnette)
1 Bill Evans 4:48
2 Fictionary 7:10
3 Sienna 6:30
4 Lincoln Reviews His Notes 7:38
5 Hard Eights 7:31
6 Something Left Unsaid 4:52
7 Trio #1 6:08
8 Where Are You From Today 5:32
9 Falling Grace 4:44
10 Trio #2 5:23
11 On The Other Hand 5:04
Bass – Marc Johnson (2)
Composed By – Jack DeJohnette (tracks: 7, 10), Lyle Mays (tracks: 1 to 8, 10, 11), Marc Johnson (2) (tracks: 7, 10), Steve Swallow (tracks: 9)
Drums – Jack DeJohnette
Piano – Lyle Mays
Producer – Pat Metheny
Este CD, parte da bela série da Naxos com as obras orquestrais de Penderecki, oferece uma visão fascinante de dois momentos distintos, porém complementares, na trajetória de Pen. É uma gravação que, nas palavras do crítico da Gramophone, “deveria receber mais atenção”. Ele temn razão!
Ouvir a Sinfonia nº 1 (1973) e a Sinfonia nº 5 (1992) lado a lado é testemunhar a evolução estilística de Penderecki. A Primeira Sinfonia é frequentemente descrita como uma suma de sua fase vanguardista. Composta para uma orquestra gigantesca e uma seção de percussão que inclui instrumentos raramemnte usados (chicote, guiro, vibraslap), a obra é uma declaração de força bruta e experimentalismo sonoro.
Em contraste, a Sinfonia nº 5, encomendada para celebrar o 50º aniversário da libertação da Coreia, já se insere em um período de “neorromantismo”. Embora sua estrutura seja de um movimento único, a obra é um drama monumental, repleto de contrastes emocionais profundos. Por trás de sua linguagem sonora ousada, há ecos de Bruckner, Mahler e Shostakovich. Um elemento tocante é a citação de uma antiga canção patriótica coreana, um símbolo de independência, integrada à trama sinfônica.
O grande mérito deste disco é a interpretação da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio Polonesa de Katowice sob a direção de Antoni Wit. Wit é excelente, guiando a orquestra por vias diabólicas. A gravação, realizada em 1999 no Grzegorz Fitelberg Concert Hall em Katowice, captura com clareza e impacto as camadas sonoras dessas partituras. A sonoridade da Sinfonia nº 1 é particularmente desafiadora, mas a orquestra e o regente conseguem dar coerência à sua estrutura fragmentada.
Krzysztof Penderecki (1933-2020): Sinfonias Nos. 1 & 5 (National Polish Radio Symphony Orchestra (Katowice), Antoni Wit)
1 Symphony No. 5 37:37
Symphony No. 1 (30:27)
2 Arche I 4:56
3 Dynamis I 13:46
4 Dynamis II 8:49
5 Arche II 2:55
National Polish Radio Symphony Orchestra (Katowice)
Antoni Wit
A Sinfonia Nº 3 de Bruckner, também conhecida como “Sinfonia Wagner”, carrega um peso histórico e musical significativo para o maestro Celibidache. Ele a considerava como uma peça fundamental, acreditando que nela Bruckner já havia estabelecido o núcleo do pensamento criativo que desenvolveria em suas obras posteriores: uma arquitetura sonora reverberante, ampla e majestosa. Essa interpretação se materializa em uma abordagem que parece transcender a mera execução musical, criando uma experiência quase meditativa. A abordagem de Celibidache é marcada por uma série de traços distintivos. Vou tentar orgabizar a coisa:
Tempos lentos: sua famosa predileção por andamentos lentos atinge aqui um propósito sublime. O Scherzo (terceiro movimento) é executado de forma tão majestosa e em um andamento tão expansivo que transforma a percepção da peça.
Clareza técnica e texturas: até em razão da lentidão, a regência é clara, com cada linha harmônica, equilíbrio e desenvolvimento absolutamente claros. A Münchner Philharmoniker, sob sua batuta, soa como um conjunto exuberante e poderoso.
Uma nova perspectiva sobre a obra: já ouvi de dois amigos que esta gravação foi a chave que lhes desbloqueou a compreensão de Bruckner. A interpretação de Celibidache fê-los (é isso mesmo?) entender o compositor, abrindo e revelando-lhes a maravilha do sinfonismo bruckneriano.
Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 3 (Celibidache, Münchner Philharmoniker)
01 – I. Mehr langsam. Misterioso
02 – II. Adagio, bewegt, quasi Andante
03 – III. Ziemlich schnell
04 – IV. Allegro
05 – Applaudissements
Desde que a ouvi pela primeira vez, Lucia Popp (1939-1993) tornou-se um de meus sopranos preferidos. Sim, sei, Jessye Norman também foi extraordinária nas Quatro Últimas Canções de Richard Strauss, porém esta gravação de 1982, com a eslovaca Popp e tendo Klaus Tennstedt à frente da Orquestra Filarmônica de Londres, é um dos momentos mais sublimes da discografia do século XX. Ela une a obra-prima final de Strauss, as Quatro Últimas Canções, ao poema sinfônico juvenil Morte e Transfiguração, criando um diálogo comovente entre o fim e o começo da jornada criativa do compositor. O ponto central deste disco é, sem dúvida, a performance transcendente de Lucia Popp. Sua voz é descrita como “prateada”, uma pureza etérea que, ao contrário do “brilho dourado” de uma Jessye Norman, não busca impor-se através de grandiosidade, mas sim de uma beleza contida e de um colorido inefável. Popp canta estas canções de despedida sem peso, com uma leveza angelical que parece já pertencer a outro mundo, tornando a sua interpretação excepcionalmente tocante e, paradoxalmente, afirmativa da vida. A sua abordagem é menos a de uma grande diva operática e mais a de uma mensageira, transmitindo a serenidade e a aceitação dos poemas de Hermann Hesse e Joseph von Eichendorff. A crítica destaca a sua capacidade de manter a pureza tonal e a fluidez mesmo nos andamentos lentos e expansivos escolhidos por Tennstedt, um feito que sublinha a sua técnica impecável e inteligência musical. Klaus Tennstedt, conhecido por suas interpretações de Mahler, revela aqui um lado mais contemplativo. Seus andamentos são deliberadamente amplos, emprestando às canções um fôlego e uma sensação de inevitabilidade que as transformam em uma profunda meditação orquestral. A escolha de Tennstedt como parceiro musical é fundamental, pois ele cria um ambiente sonoro que envolve a voz de Popp sem jamais ofuscá-la. A orquestra não é um mero acompanhamento, mas um diálogo constante, especialmente no quarto movimento, Im Abendrot, onde a citação do tema da “transfiguração” de Strauss surge como um eco do passado, magnificamente integrado por de Tennstedt.
Lucia Popp faleceu muito cedo, aos 54 anos, deixando uma carreira que ainda prometia muito.
Richard Strauss (1864-1949): Four Last Songs / Death And Transfiguration (Lucia Popp, Klaus Tennstedt, London Philharmonic Orchestra)
Four Last Songs
1 Frühling
Text By – Hesse*
3:47
2 September
Text By – Hesse*
5:17
3 Beim Schlafengehen
Text By – Hesse*
6:47
4 Im Abendrot
Text By – Eichendorff*
8:24
5 Death And Transfiguration = Tod Und Verklärung, Op. 24 25:46
Soprano – Lucia Popp
Conductor – Klaus Tennstedt
Orchestra – London Philharmonic Orchestra
Em verdade vos digo: nunca deixeis de ouvir as gravações do Il Giardino Armonico, são sempre FANTÁSTICAS. Mas sim, comecemos pelo que interessa: IM-PER-DÍ-VEL !!!! Ah, já tinha dito, né? Este é um disco de música barroca sem o qual você não pode viver sem. A vitalidade e o frescor das interpretações do Il Giardino Armonico trabalham favoravelmente à música dos grandes Biber e Locke, compositores imerecidamente pouco ouvidos. E, para melhorar ainda mais, são obras divertida, cheias de expressão surpreendente. A Battalia de Biber e a a música incidental escrita por Locke para a peça de Shakespeare A Tempestade são das coisas mais arrepiantes que há.
Mas temos que voltar a Antonini e seu Giardino: há muitos especialistas em barroco, mas este grupo — o preferido por Cecilia Bartoli — é especial. Muitas vezes agressivo, quase sempre inesperado mas sempre eufônico, o grupo costuma explorar seu repertório com tanto entusiasmo que as músicas parecem outras após um tratamento “Armonico”.
Biber: Battalia e outras obras / Locke: The Tempest / Zelenka: Fanfare — Il Giardino Armonico
Jan Dismas Zelenka (1679-1745):
1. Fanfare in D major (02:11)
Heinrich Ignaz Franz Von Biber (1644 – 1704):
2. Battalia – Sonata – Allegro (01:52)
3. Battalia – Die liederliche Gesellsschaft von allerley Humor (Allegro) (00:45)
4. Battalia – Presto (00:26)
5. Battalia – The march (violin I solo) (01:03)
6. Battalia – Presto (2) (01:01)
7. Battalia – Aria (02:39)
8. Battalia – The battle (00:42)
9. Battalia – Lamento der Verwundten Musquetirer (Adagio) (01:31)
10. Passacaglia in C minor (04:55) — Luca Pianca, archlute
11. Anon. / Tune for the woodlark (00:20) – Giovanni Antoini, flautino
12. Sonata Violino solo representativa – Allegro (01:46)
13. Sonata Violino solo representativa – The nightingale (01:22)
14. Sonata Violino solo representativa – The cuckoo (00:42)
15. Sonata Violino solo representativa – The frog (00:42)
16. Sonata Violino solo representativa – Adagio (00:25)
17. Sonata Violino solo representativa – The hen & the cock (00:24)
18. Sonata Violino solo representativa – Presto (00:12)
19. Sonata Violino solo representativa – Adagio – The quail (00:42)
20. Sonata Violino solo representativa – The cat (00:25)
21. Sonata Violino solo representativa – The musketeers’ march (01:14)
22. Sonata Violino solo representativa – Allamande (01:41)
23. – Onofri, Enrico – Ricercare (01:52) Michele Barchi, gravicembalo / Riccardo Doni, organ
24. – Partita VII in C minor – Praeludium (03:24) Enrico Onofri, Marco Bianchi, viole d’amore / Giovanni Antonini, tenor chalumeau / Vittorio Ghielmi, bass and tenor violas da gamba / Luca Pianca, archlute / Michele Barchi, gravicembalo and organ
25. – Partita VII in C minor – Allamande (02:18)
26. – Partita VII in C minor – Sarabande (01:42)
27. – Partita VII in C minor – Gigue – Presto (01:22)
28. – Partita VII in C minor – Aria (01:35)
29. – Partita VII in C minor – Trezza (00:48)
30. – Partita VII in C minor – Arietta variata (05:58)
Matthew Locke (1621 – 1677):
31. – Canon 4 in 2 (00:48)
32. – Music for The Tempest – Introduction (01:03)
33. – Music for The Tempest – Galliard (01:30)
34. – Music for The Tempest – Gavot (01:06)
35. – Music for The Tempest – Sarabrand (03:02)
36. – Music for The Tempest – Lilk (00:54)
37. – Music for The Tempest – Curtain Tune (05:19)
38. – Music for The Tempest – First Act Tune – Rustick Air (01:18)
39. – Music for The Tempest – Second Act Tune – Minoit (01:32)
40. – Music for The Tempest – Third act tune – Corant (01:05)
41. – Music for The Tempest – Fourth act tune – A Martial Jigge (01:43)
42. – Music for The Tempest – Conclusion: A Canon 4 in 2
Prepare os ouvidos. Esta é uma sinfonia que é uma verdadeira peça de teatro musical, um manifesto, um terremoto sonoro que implode o gênero sinfônico de dentro para fora. A gravação de Gennady Rozhdestvensky à frente da Orquestra Sinfônica do Estado Russo (originalmente Ministério da Cultura da URSS) é o registro definitivo desta obra-prima do caos, capturando sua energia revolucionária e seu humor ácido com uma autenticidade insuperável. Alfred Schnittke compôs sua Sinfonia nº 1 entre 1969 e 1972, em um momento de profunda crise criativa como jovem compositor soviético. A resposta que ele encontrou foi o “poliestilismo” — a justaposição deliberada de estilos, gêneros e épocas em uma única obra. O resultado é uma colagem alucinante que cita Beethoven, Tchaikovsky, Grieg, Chopin, canto gregoriano, ragtime, jazz e até mesmo marchas militares. Schnittke descreveu a obra como uma tentativa de reconstruir a forma clássica da sinfonia “a partir de fragmentos e sobras”. O crítico Richard Taruskin foi mais direto: chamou-a de “realismo socialista menos o socialismo”. A peça é um “anti-sinfonia” que pergunta como escrever uma sinfonia no século XX e, em seguida, mata o gênero antes de ressuscitá-lo… Esta gravação da Melodiya é a que captura a obra em seu estado mais puro e visceral. Rozhdestvensky, a quem a sinfonia é dedicada e que regeu sua estreia em 1974, conhece cada átomo da partitura como ninguém. Sua leitura é descrita pela crítica como “analítica”, “clara” e “minuciosa”. A orquestra – uma formação gigantesca com madeiras quadruplicatas, guitarras, vários saxofones e um grupo de solistas – executa a partitura com uma precisão que realça a loucura controlada da obra. O som da Melodiya captura detalhes fascinantes, como o solo de trompete jazzy no início, descrito como “brilhante e revigorante”. Esta sinfonia foi um marco na música russa. Sua estreia ocorreu em 1974 na cidade de Gorki (hoje Nizhny Novgorod). Em 1975 foi apresentada em Tallinn, mas sua estreia em Moscou só ocorreu em 1986, no início da glasnost. A obra foi apresentada nos Estados Unidos pela Orquestra Sinfônica de Boston, sob a regência do próprio Rozhdestvensky. Finalizando, este é uma audição obrigatória tanto para amigos quanto para detratores de Schnittke. Esta gravação de Rozhdestvensky é o documento histórico que a obra merece – uma cápsula do tempo que captura a energia, o humor e a ousadia de um compositor que ousou questionar tudo o que a música sinfônica representava. Não é uma escuta fácil, mas é uma experiência inesquecível.
Alfred Schnittke (1934-1998): Symphony No. 1 (Russian State Symphony Orchestra, Rozhdestvensky)
Symphony No. 1 (1:04:55)
1 Senza Tempo – Moderato – Allegro – Andante 18:59
2 Allegretto 11:42
3 Lento – 11:09
4 Lento 25:40
Prepare-se para ouvir a Partita para Violino Solo Nº 2, BWV 1004, de Bach, como você nunca ouviu antes. Este não é um disco de música antiga convencional, é um thriller musicológico, uma investigação auditiva que promete transportar o ouvinte para a mente do compositor. Lançado em 2001, Morimur é uma ousadíssima colaboração entre o violinista Christoph Poppen, o extraordinário grupo vocal The Hilliard Ensemble (com a soprano Monika Mauch, o contratenor David James, o tenor John Potter e o barítono Gordon Jones) e a musicóloga alemã Helga Thoene. A teoria de Thoene é o coração pulsante do projeto: a famosa “Ciaccona” que encerra a Partita não é apenas uma peça virtuosística, mas sim um elaborado epitáfio musical para a primeira esposa de Bach, Maria Barbara, que faleceu em 1720 enquanto ele estava ausente. Vamos lá: para provar sua tese, Thoene identificou inúmeros fragmentos de corais luteranos, como “Christ lag in Todesbanden” e “Jesu, meine Freude”, ocultos na trama da linha do violino. O álbum transforma essa descoberta acadêmica em uma experiência sonora fascinante. Alternância teatral: a primeira parte do disco apresenta a Partita de forma tradicional (Allemanda, Corrente, Sarabanda, Giga), mas cada movimento é alternado com a versão vocal completa dos corais que, supostamente, o inspiraram. É como se estivéssemos assistindo a uma peça em dois atos, onde a narrativa musical se desenrola em camadas. O ponto alto é o tratamento dado à monumental “Ciaccona”. O disco a apresenta duas vezes. A primeira é normal, temos apenas Poppen e seu violino, uma execução belíssima por si só. Na segunda, o verdadeiro experimento: o Hilliard Ensemble se sobrepõe ao violino, cantando os corais “escondidos” na música. O resultado é assombroso e comovente, como se estivéssemos bisbilhotando os pensamentos de Bach. Como era de se esperar do produtor Manfred Eicher e do selo ECM, a produção é impecável. Gravado na abadia de St. Gerold, na Áustria, o som é ressonante e claro, criando uma atmosfera de recolhimento que casa perfeitamente com a proposta. A estética do álbum, com sua fotografia em preto e branco, contribui para a sensação de estar diante de um objeto de culto.
Morimur é um disco que divide opiniões. Para alguns, pode soar como um exercício acadêmico ou uma truque de estúdio. No entanto, a força da execução de Poppen e a beleza etérea do canto do Hilliard Ensemble são inegáveis. A crítica foi quase unânime em reconhecer o valor da obra, com publicações como Gramophone, The Observer (que o elegeu “CD da semana”) e a BBC tecendo rasgados elogios. Morimur é um convite à reflexão. Acredite ou não na teoria de Thoene, o disco consegue um feito raro: faz o ouvinte reouvir uma das peças mais conhecidas do repertório erudito com novos ouvidos, questionando o que está por trás das notas.
Numa noite fria do século XVIII, Bach escrevia a Chacona da Partita Nº 2 para violino solo. A música partia de sua imaginação (1) para o violino (2), no qual era testada, e daí para o papel (3). Anos depois, foi copiada (4) e publicada (5). Hoje, o violinista lê a Chacona (6) e de seus olhos passa o que está escrito ao violino (9) utilizando para isso seu controverso cérebro (7) e sua instável, ou não, técnica (8). Do violino, a música passa a um engenheiro de som (10) que a grava em um equipamento (11), para só então chegar ao ouvinte (12), que se desmilingúi (?) àquilo.
Na variação entre todas essas passagens e comunicações, está a infindável diversidade das interpretações. Mas ainda faltam elos, como a qualidade do violino – e se seu som for divino ou de lata, e se ele for um instrumento original ou moderno? E o calibre do violinista? E seu senso de estilo e cultura? E o ouvinte? E… as verdadeiras intenções de Bach? Desejava ele que o pequeno violino tomasse as proporções gigantescas e polifônicas do órgão? Mesmo? E quando se coloca um coral em cima?
Sou um admirador de alguns nacionalismos e, dentre eles, está o do grande Manuel de Falla, compositor espanhol. Além de grande pianista e compositor, de Falla participa da história literária de seu país ao tentar — figura de proa que era na Espanha — impedir o assassinato de seu amigo Federido García Lorca pelas milícias franquistas em 1936. Em vão. Seus últimos anos foram vividos no exílio, na Argentina. El Amor Brujo é uma bela peça, mas ainda é melhor na versão de câmara original que ora apresentamos. É incomum ouvi-la assim. Já El Corregidor y la Molinera é a primeira versão de O Chapéu de Três Bicos, que depois apareceu reescrita e com novo nome para o Balé Russo de Diaguilev.
São duas peças bem espanholas, mas de alta classe, interpretadas com notável musicalidade, sem aqueles medonhos violonistas ventiladores-de-guitarras do flamenco. Aqui não há guitarras e os instrumentos não parecem necessitar ser abanados continuamente para funcionar. (Igualmente, não há dançarinas matadoras de baratas). De Falla é elegante e deixa linda, melodiosa e rítmica a linguagem típica espanhola.
Ah, a gravação é ex-ce-len-te.
Manuel de Falla (1876-1946): El Amor Brujo / El Corregidor y la Molinera (Cleobury, Aquarius)
El amor brujo
1. Love The Magician: Act 1: Intro E Scena – Allegro Furioso Ma In Tempo Moderato – Claire Powell
2. Love The Magician: Act 1: Tranquillo E Misterioso – Claire Powell
3. Love The Magician: Act 1: Song Of Sorrowful Love – Allegro – Claire Powell
4. Love The Magician: Act 1: Dance Of the End Of The Day – Allegro Ma Non Troppo E Pesante – Claire Powell
5. Love The Magician: Act 1: Intermezzo – Allegro – Claire Powell
6. Love The Magician: Act 2: Andante (Con Mistero) – Claire Powell
7. Love The Magician: Act 2: Dance Of The Will-O-The-Wisp – Allegro Ritmico – Claire Powell
8. Love The Magician: Act 2: Interludio – Allegro Moderato – Claire Powell
9. Love The Magician: Act 2: Song Of The Will-O-The-Wisp – Spell To Rekindle Lost Love – Claire Powell
10. Love The Magician: Act 2: Dance And Song Of The Cunning Witch – Allegretto – Claire Powell
11. Love The Magician: Act 2: Finale – Claire Powell
Claire Powell (Mezzo Soprano)
Conductor: Nicholas Cleobury
Orchestra: Aquarius
Written: 1914-1915;
Spain Date of Recording: 7/1988
Venue: EMI Abbey Road Studios, London
Length: 33 Minutes 45 Secs.
Language: Spanish
El corregidor y la molinera
12. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: (Intro) – Jill Gomez
13. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Solo – Jill Gomez
14. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1, Danza – Allegro Ma Non Troppo – Jill Gomez
15. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Moderato – Jill Gomez
16. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Vivo – Jill Gomez
17. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Allegro Ma Non Troppo – Jill Gomez
18. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Poco Piu Vivo Che Prima – Jill Gomez
19. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Lento – Jill Gomez
20. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Tranquillo – Jill Gomez
21. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Poco Piu Mosso – Aquarius/Nicholas Cleobury
22. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Allegro – Aquarius/Nicholas Cleobury
23. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Calmo – Aquarius/Nicholas Cleobury
24. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Come Prima – Aquarius/Nicholas Cleobury Jill Gomez (Soprano)
Conductor: Nicholas Cleobury
Orchestra: Aquarius
Written: 1916-1917; Spain
Date of Recording: 7/1988
Venue: EMI Abbey Road Studios, London
Length: 41 Minutes 9 Secs.
Language: Spanish BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
Retrato de Manuel de Falla – Pintura de Ignazio Zuloaga
Um jurássico razoável, entre o dureza de ouvir e o mais ou menos. Este registro reúne dois violinistas russos de estilos complementares sob a batuta de um dos maiores nomes do instrumento. Mais do que uma gravação de concertos mozartianos, trata-se de um documento histórico que une o mestre Oistrakh a dois de seus discípulos – Oleg Kagan e Mikhail Fichtenholz. O programa traz o famoso Concerto para Violino No. 5, K. 219, conhecido pelo seu final alla turca. É uma obra madura, de 1775. A atração principal, porém, é o chamado Concerto para Violino No. 7, K. 271a/271i. Aqui, temos que fazer um parêntese: a autenticidade desta obra é um eterno debate. O manuscrito autógrafo não existe, e a peça chegou até nós por cópias posteriores. Alguns estudiosos a consideram genuinamente de Mozart, datada de 1777, outros dizem que não. Na edição da Neue Mozart-Ausgabe (a edição crítica definitiva do compositor), a peça aparece na seção de “obras de autenticidade duvidosa”. Independentemente de sua origem, a obra oferece solos virtuosísticos de grande fôlego. Pra mim, o Concerto não pode ser de Mozart, pelamor. Nada tenho contra os soviéticos — até minha mulher é soviética –, mas como eles gostavam de uma historinha, vou lhes contar…
W. A. Mozart (1756-1791): Violin Concertos Nos. 5 & 7 (Kagan / Fichtenholz / Oistrakh)
Violin Concerto No. 5 in A major (“Turkish”) K. 219
1 Allegro aperto 09:48
2 Adagio 10:56
3 Rondeau, Tempo di Menuetto 09:26
Oleg Kagan, violino
The Chamber Orchestra Of The Moscow Philharmony
David Oistrakh, regência
Violin Concerto in D major (doubtful, “Concerto No. 7”), K(2) 271a (K. 271i)
4 Allegro maestoso 12:00
5 Andante 08:32
6 Rondo, Allegro 09:18
Michael Fichtenholz, violino
The Chamber Orchestra Of The Moscow Philharmony
David Oistrakh, regência