Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Pois bem, após várias solicitações, não apenas do Sander, mas de vários outros de nossos leitores / ouvintes, trago para os senhores a Missa Solemnis. Sempre citando Maynard Solomon, temos a seguinte descrição e detalhes da obra:

“Tal como a primeira missa de Beethoven, a Missa Solemnis, op. 123, foi escrita para uma ocasião específica: destinava-se a celebrar a investidura do arquiduque Rudolph (1788-1831) como arcebispo de Olmütz (na Morávia) em 9 de março de 1820. Rudolph, filho do imperador Leopold II e irmão do imperador Franz era o mais importante dos mecenas de Beethoven desde 1809 em diante, e o beneficiário de nada menos que 15 dedicatórias, incluindo as dos Concertos para Piano nº 4 e 5, o Trio, op 97 (Arquiduque), as Sonatas opp. 106 e 111, e a Grosse Fugue, op. 133.

(…) A Missa tornou-se a paixão absorvente de Beethoven durante quatro anos, substituíndo Fidélio como a grande ‘obra problemática’ de sua carreira; Com efeito, há um sentido em que a Missa Solemnis passou a ser encarada por Beethoven como uma composição talismática, cujo valor para ele era tão grande que – como vimos antes – enveredou por uma série incomum de negociações e manipulações financeiras a respeito de sua publicação, o que lhe custou não poucas amizades e lhe granjeou a desagradável reputação de práticas comerciais desonestas.

(…) Embora possamos estar certos de que Beethoven verteu na Missa Solemnis seus mais profundos sentimentos religiosos, podemos estar certos de que não foi a adesão ao catolicismo que inspirou a obra. Conforme tem sido frequentemente assinalado, a peça nunca esteve inteiramente à vontade na sala de concerto nem na igreja. Em várias ocasiões, Beethoven sugeriu que ela poderia ser executada como “um grande oratório” (…)

(…) Entretanto, deve-se reconhecer também o papel desempenhado pela imaginação produtiva, e, embora existam muitos ‘caminhos novos para velhas ideias’, na Missa Solemnis, sua importância histórica reside predominantemente no modo como, muito mais do que reproduzidas, nela foram remodeladas as tradições da música litúrgica. Isso foi feito praticamente pelo mesmo método que criou a grande música religiosa dos predecessores de Beethoven, de Dufay a Josquin, a Handel e Bach, ou seja, uma recusa em aceitar as formas e linguagens recebidas como modelos eternos, e uma infusão de elementos seculares derivados de estilos musicais não-litúrgicos que ampliaram as possibilidades expressivas da forma, dando origem a novos significados associacionistas que, por seu turno, se embutiram na matriz da gramática musical mais recente.” (SOLOMON, p. 406-411)

Lendo este texto, não pude deixar de concordar quando ele diz que a Missa Solemnis sente-se pouco a vontade se executada numa igreja. Ou seja, Beethoven criou uma nova música sacra que, embora imbuída de profunda religiosidade, não necessariamente pode ser considerada música sacra, nos moldes a que nos acostumamos ao ouvir dos grandes mestres do gênero, como papai Bach, ou Handel. O próprio Beethoven teria escrito que considerava a música a capella o único estilo eclesiástico verdadeiro, “talvez por não desejar que a obra servisse a sua normal função apaziguadora como uma idealização da perpetuidade e imutabilidade da crença (SOLOMON, p. 409-410).

Curiosamente, enquanto escrevo este texto, ouço uma das melhores versões da 9º sinfonia que já tive a oportunidade de ouvir, uma contribuição da Laís Vogel, que está me ajudando  entender esta análise tão pormenorizada de Solomon. Em outras palavras, antes o homem que a fé. “A religião permanece constante, só O homem é inconstante”, terie escrito Beethoven a um amigo, discutindo sobre a imortalidade.

Para concluir, basta acrescentar que Beethoven considerava essa Missa a maior obra que compusera até então. Gosto muito da conclusão de Solomon em sua análise desta obra:

“(…) E assim, o conflito em curso entre a fé e a dúvida em Beethoven é revelado na Missa Solemnis. Como Riezler sabia, no “Donna nobis pacem”, com seus sons de discórdia e guerra, e seus angustiados clamores de paz, interior e exterior, Beethoven ‘atrevera-se a permitir que a confusão do mundo exterior invadisse o domínio sagrado da música eclesiastica’. Neste sentido, a Missa Solemnis antevê as questões e dúvidas teológicas – a par da guerra travada entre ciência e religião – que dominariam o campo da batalha intelectual do século XIX.”

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

1 – Kyrie 11`55
2 – Gloria 16`59
3 – Credo 17`41
4 – Sanctus 5`16
5 – Benedictus 9`22
6 – Agnus Dei 16`09

Rosa Mannion – Soprano
Birgit Remmert – Contralto
James Taylor  – Tenor
Cornelius Hauptmann – baixo
Choir de la Chapelle Royale et du Collegium Vocale
Orchestre des Champs Elysées
Phillipe Herreweghe – Director

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O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem
O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem

FDP Bach

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sinfonias nº 38 & 39 (Andrew Manze, NDR Radiophilharmonie)

Este CD traz uma das mais belas versões da Sinfonia ‘Praga’ de Mozart que já ouvi, nas mãos do excelente violinista Andrew Manze, que se tornou um excelente regente, frente a uma ótima orquestra alemã, a NDR Radiophilharmonie, de Hanover.

O que torna essa gravação Sinfonia Praga tão especial? Não sei, talvez pela leveza e ao mesmo tempo, energia que Manze consegue impor, deixando os músicos a vontade, sem muita pressão. Essa é a impressão que tive, depois de ouvir essa obra dezenas, quiçá centenas de vezes. O Primeiro movimento, dividido em dois, um Adagio e um Allegro, é um primor de execução. Impossível não se render a tanta vitalidade expressa nessa sinfonia tão importante de Mozart, a porta de entrada para as três obras primas que viriam a seguir, as Sinfonias nº 39, 40 e 41, três marcos da música sinfônica.

Sempre que lembro destas últimas quatro sinfonias de Mozart, o primeiro nome que me vem a cabeça é o de Karl Böhm, tanto as suas gravações com a Filarmônica de Berlim quanto com a Filarmônica de Viena. Mas são gravações antigas, anos 60 e 70, e muita coisa mudou desde então. As novas gerações que vem surgindo svem mostrando que ainda muito se pode extrair desse repertório. O selo Alpha, por exemplo, vem lançando uma série de gravações com jovens intérpretes dos Concertos de Mozart. Creio que algumas destes CDs já estejam disponíveis aqui no PQPBach, mas assim que possível, trarei o que já tenho.

É esse então o  Mozart que estamos ouvindo e apreciando nesta segunda década do Século XXI. Lembro que Andrew Manze, em seu inicio de carreira como violinista se destacou como um dos principais nomes das interpretações historicamente informadas, então ele está mais que habilitado a fazer essa mais atualizada, porém sem perder a essência.

01 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- I. Adagio – Allegro
02 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- II. Andante
03 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- III. Finale. Presto
04 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- I. Adagio – Allegro
05 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- II. Andante con moto
06 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- III. Menuetto – Trio
07 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- IV. Finale. Allegro

NDR Radiophilharmonie
conducted by Andrew Manze

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Serguei Prokofiev (1891-1953): Piano Concertos 1, 3 e 4 – Kun-Woo Paik, Antoni Witt, Polish National Radio Symphony Orchestra

Creio que a primeira vez que ouvi no Concerto nº 3 de Prokofiev foi num CD do selo Olympia, com a pianista inglesa Moura Limpani, CD que comprei em um balaio de promoções na saudosa Livraria Belas Artes, na Avenida Paulista, em São Paulo. Trata-se de registro dos anos 50, mas muito bem gravado e remasterizado. O outro Concerto do CD era ‘apenas’ o Rach 3, ou seja, Limpani encarava dois petardos, dois dos maiores concertos para Piano do Século XX.  Ainda tenho este CD em meu acervo. Se houver interesse por parte dos senhores, posso providenciar.

Mas enfim, não estamos aqui para falar da grande Moura Limpani, mas sim de um registro bem mais recente do selo Naxos, que traz o pianista coreano Kun-Woo Paik acompanhado pelos poloneses da Polish National Radio Symphony Orchestra, nas sempre competentes mãos de Antoni Wit. E essa turminha encara os Concertos 1, 3 e 4 de Prokofiev. Sem tirar o mérito dos outros dois concertos, creio que o de nº 3 impera absoluto aqui. Aquele tema principal do terceiro movimento embalou meus sonhos de juventude, me fez encarar as dificuldades, não apenas da idade, mas da distância da família e dos amigos, morando sozinho em uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes, na qual era apenas mais um. Lembro de ir trabalhar ouvindo meu cd player portátil tocando esse CD. Ou então, nas intermináveis viagens de ônibus, quando conseguia viajar para visitar meus pais no sul do País. Doze horas, com duas paradas. Claro que eram outros tempos, não havia estes insuportáveis congestionamentos dos dias de hoje.

Kun-Woo Paik é um grande pianista, um dos maiores intérpretes de Ravel e de Liszt. E sente-se a vontade tocando estes concertos de Prokofiev, nos brindando com uma execução enérgica, sem nunca perder o foco.

Eu esqueci de comentar com os senhores que a integral destes concertos que Kun-Woo Paik gravou com Antoni Wit ganhou o “Diapason d’Or and Grand Prix du Disque de la Nouvelle Académie du Disque“, importante prêmio da indústria fonográfica. Trarei os outros dois concertos em outra postagem.

01. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 I. Andante – Allegro
02. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 II. Tema con variazioni
03. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 III. Allegro, ma non troppo
04. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 I. Vivace
05. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 II. Andante
06. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 III. Moderato
07. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 IV. Vivace
08. Piano Concerto No. 1 in D-Flat Major, Op. 10

Kun-Woo Paik – Piano
Polish National Radio Symphony Orchestra
Antoni Wit – Condutor

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.: interlúdio .: Lou Donaldson & Grant Green – Cool Blues

Juntem dois geniais músicos, com uma excelente banda de apoio e o resultado só pode ser um: IM-PER-DÍ-VEL. Gravado ali no início dos anos 60, sim, aquele mesmo período em que os Dinossauros como Miles Davis e  John Coltrane caminhavam sobre a Terra, uma quantidade de discos de Jazz de altíssima qualidade era lançada por selos como Prestige, Vanguard, Columbia, Blue Note dentre tantos outros, muitos deles gravados e produzidos por um gênio dos estúdios chamado Rudy van Gelder, o que é o caso desse que ora vos trago.

Grant Green, assim como seu conterrâneo e contemporâneo Wes Montgomery, viveram pouco, mas intensamente. Por uma ironia do destino morreram j0vens, Green com meros 44 anos, e Montgomery com 45. Triste sina. Mas o que esses dois fizeram os alçaram ao panteão dos grandes músicos.

O parceiro de Grant Green aqui é o saxofonista Lou Donaldson que, ao contrário, viveu muito, morreu aos 98 anos de idade, agora em 2024. Para os fãs de Jazz nem preciso apresentá-lo, é nome conhecido, mas para quem não o conhece, basta dizer que tocou com Art Blakey, Clifford Brown, Horace Silver, Philly Joe Jones, dentre outros. É um dos maiores sax alto da história do Jazz.

Além de Green e de Donaldson, temos Baby Face Wallette no órgão Hammond e outro lendário músico, Brother Jack McDuff. Não sei vocês, mas adoro os nomes desses músicos de Blues e de Jazz.

Um disco para se ouvir em um sábado nublado, meio que chuvoso e frio. Espero que apreciem.

01 – A Foggy Day
02 – Here ‘Tis
03 – Cool Blues
04 – Watusi Jump
05 – Walk Wid Me
06 – Misty
07 – Please
08 – Man With a Horn
09 – Prisoner of Love
10 – Stardust

Lou Donaldson – Sax Alto
Grant Green – Guitarra
Baby Face Willette – Órgão Hammond (faixas 1 – 5)
Brother Jack McDuff – Órgão Hammond (faixas 6 – 10)
Dave Bayley – Bateria (faixas 1 – 5)
Joe Dukes – Bateria (faixas 6 – 10)

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.: interlúdio :. Apocalipse: Mahavishnu Orchestra

O final dos anos 70 foi um período de transformações em minha vida, e um dos causadores foi esse disco que ora vos trago. Nada seria como antes, tomando uma pequena liberdade com a clássica canção do Milton Nascimento, que não por acaso, conheci na mesma época. Imaginem um adolescente morando no interior do país, sem muito acesso a cultura, ou sequer a discos, de repente ganha uma caixa de discos de seu irmão mais velho, que está se mudando para o exterior. E nesta verdadeira cornucópia músical, sons que eu sequer imaginava que eram feitos. Lembro que era uma época de transformações e inovações na música, viviamos o apogeu da Era da Discoteca, e o que ouvíamos no rádio era Bee Gees, Donna Summer, Earth, Wind & Fire, The Chic, dentre tantos outros. Roberto Carlos imperava soberano, e muita gente que tinha se exilado por causa da Ditadura Militar começava a voltar para o Brasil.

No Jazz, após o seminal ‘Bitches Brew’ do Miles Davis, começavam a surgir grupos que acrescentaram ao estilo guitarras elétricas distorcidas, sons e instrumentos orientais, e uma Orquestra Sinfônica. É o caso desse disco que ora vos trago, e que foi um dos que mais me influenciaram naquela época da vida em que tentamos absorver tudo, para melhor podermos definir nossos gostos e costumes. ‘Apocalipse’, da Mahavishnu Orchestra, misturava tudo isso num caldeirão de sons em que se destacava o violino de Jean Luc Ponty e a guitarra nervosa e absurdamente virtuosística de John McLaughlin, talvez o meu primeiro Guitar Hero. Não conseguia entender direito o que estava ouvindo, só que me agradava muito. E de fundo, para acompanhar essa loucura sonora, tinha a Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência de Michael Tilson Thomas, falecido recentemente. Essa postagem, inclusive, é em sua homenagem.

Michael Tilson Thomas foi um maestro e compositor norte americano, nascido em Los Angeles em 1944, e falecido agora em 22 de abril de 2026. Dirigiu diversas orquestras, entre elas a Sinfônica de Londres, e nos últimos vinte e cinco anos de sua vida esteve a frente a Sinfônica de San Francisco, que estabeleceu como um dos principais conjuntos orquestrais norte americanos. Nosso mentor PQPBach postou uma excelente integral das Sinfonias de Mahler com Michael Tilson regendo essa orquestra. Vale a pena conhecer.

E para melhor conhecer esse maestro, sugiro a leitura desse artigo na revista Concerto:

Morre, aos 81 anos, o maestro Michael Tilson Thomas

O livreto que acompanha esse CD traz uma interessante apresentação do que se tornou conhecido como Fusion, esse estilo de jazz tão característico. Quando jovem, montei uma banda de rock com amigos, e meu sonho era tocar Fusion. Pobre rapaz, eu nem tinha formação musical, mas para meu espanto o meu ídolo John McLaughlin também não tinha, era autodidata. A banda até que durou bastante, tocaram até meados dos primeiros anos desse novo século, mas eu já saí no começo, quando fui embora para outra cidade conquistar meus sonhos.

John McLaughlin continua na ativa, no alto de seus quase oitenta e dois anos de idade e ainda lança discos discos, e também se apresentando ao vivo, com as mais diversas formações.

Desde o falecimento de Tilson Thomas eu vinha ensaiando postar esse disco, tão importante para a minha formação musical. Com certeza após ouvi-lo meus ouvidos estavam preparados para o que vinha a seguir, sem temer as novidades. Não saberia dizer se ele soa datado, depois de mais de cinquenta anos de seu lançamento, mas para mim continua sendo um dos melhores discos que já ouvi na minha vida.

01. Mahavishnu Orchestra – Power Of Love
02. Mahavishnu Orchestra – Vision Is A Naked Sword
03. Mahavishnu Orchestra – Smile Of The Beyond
04. Mahavishnu Orchestra – Wings Of Karma
05. Mahavishnu Orchestra – Hymn To Him

Mahavishnu Orchestra :
Jean Luc Ponty – Violino elétrico
Gayle Moran – Teclado e vocais
Marsha Westbrook – Viola
Carol Shive – Violino, vocais
Philip Hirschi – Cello, vocais
John MacLaughlin – Guitarras
Michael Walden – Bateria
Ralphe Armstrong – Baixo e vocais

London Symphony Orchestra
Condutor – Michael Tilson Thomas

Produção : George Martin

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FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)

Postei essa gravação nos primórdios do PQPBach, há incontáveis eras. Ainda é minha favorita, e de muita gente. Passei por uma fase kleiberiana ali no início do século, ouvi aquela gravação da Quinta e Sétima Sinfonias com a mesma Filarmônica de Viena ao menos uma centena de vezes. Não sei o porquê, só sei que ela é hipnótica, parece que o General Kleiber hipnotizou os músicos e tirou a alma deles, em uma das melhores interpretações da história destas sinfonias tão gravadas. E o mesmo se aplica aqui nessa historica gravação da Quarta Sinfonia.

Em um encontro com os membros do PQPBach semana passada em Porto Alegre, onde estiveram presentes o próprio ‘patrão’ PQPBach e o Alex de Large, além da esposa do próprio patrão, exímia violinista, comentamos que a Sinfônica de Porto Alegre havia encarado a Sinfonia de nº1, do mesmo Brahms,  e que o resultado foi excelente, com uma Maestrina que também é uma excelente pianista, Vanessa Benelli Mosell. Impossível que alguém seja insensível a música de Brahms. Ela tem aquele algo a mais que nos fisga, que nos envolve, que nos deixa em estado de êxtase. Tive a oportunidade de ouvir a mesma Primeira Sinfonia em sala de concerto, também já há incontáveis eras, e tenho certeza de que todos ficaram hipnotizados com a magnificiência da obra, sem exageros.

Carlos Kleiber era filho de Erich Kleiber, um dos grandes nomes da regência na primeira metade do século XX. Se vocês procurarem, encontrarão diversos registros de gravações dele. Mas aqui temos o filho Carlos, fazendo milagres, extraindo de uma das maiores orquestras o máximo que ela podia dar. Lembro de ter ouvido essa Quarta Sinfonia com gigantes como Karajan, Bernstein, Fürtwangler, Toscanini, mas Kleiber tem aquele algo a mais que nos hipnotiza. Seria essa a gravação que eu levaria pra uma ilha deserta, não por acaso esta relacionada nas principais listas de melhores gravações de todos os tempos.

A capa do LP da Deutsche Grammophon nos mostra uma foto de Carlos Kleiber concentrado, olhando para algum lugar indefinido. Sabe-se que não era muito de aparecer em público, era muito reservado, e são poucas as aparições em vídeo. Também não gravou muito, se comparado a seus contemporâneos. Segundo relatos de músicos que atuaram sob sua regência, era muito ríspido e rígido com os músicos.

Temos uma brincadeira dentro do PQPBach que chama essas gravações antigas de pré históricas. Essa aqui nem é tão antiga assim, foi realizada em 1981, ano em que o autor destas linhas era um adolescente ainda procurando o sentido da vida. Não conhecia ainda a música de Brahms nessa época, só adquiri a fita K7 com a gravação do Karajan alguns anos mais tarde, mas se tivesse conhecido com certeza já teria se tornado a trilha sonora de minha vida mais cedo. Mas talvez eu ainda não estivesse preparado para o impacto, era muito imaturo e irresponsável, algo típico da adolescência. Contei em postagem anterior da Primeira Sinfonia como foi o impacto que essa obra me causou em momento decisivo de minha vida. Nada foi como antes, lhes garanto, foi quase uma experiência mística, com o perdão do exagero.
Mas enfim, lhes deixo com essa impressionante gravação, como lhes comentei acima, e faço questão de ressaltar, um dos melhores registros que realizados.

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)

01. I. Allegro non troppo
02. II. Andante moderato
03. III. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
04. IV. Allegro energico e passionato – Piu allegro

Wiener Philharmoniker
Carlos Kleiber – Condutor

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FDP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Concerto, op. 61, Romances / Franz Schubert (1797-1828): Rondo in A Major for Violin & Orchestra, D. 438 (Ehnes / Manze)

Gostaria de dedicar esta postagem, na verdade, repostagem, à memória de meu irmão mais velho, Maurício, que faleceu há pouco menos de quatro anos, e que faria aniversário no dia de hoje, 16 de setembro. Ele era um entusiasta da música, e foi em uma caixa de discos que ele me mandou que encontrei uma gravação deste imortal concerto, nas imortais mãos de David Oistrakh. Descanse em paz, mano, um dia nos reencontraremos novamente para ouvir boa música !!!

Nosso querido mentor, PQPBach, e sua namorada, que é violinista, consideram James Ehnes um dos principais violinistas da atualidade. E não há como negarmos tal afirmativa.  O cara tem um talento incrível, e sempre nos oferece novas possibilidades, mesmo naquelas obras tão conhecidas do repertório, como neste concerto de Beethoven, que creio que todos conhecem de cor e já devem ter ouvido dezenas de vezes com diversos outros intérpretes. Ouçam a cadenza escrita pelo lendário Fritz Kreisler para entenderem do que estou falando.

Além do concerto, também temos aqui os dois Romances, também escritos para Violino e Orquestra, e o belíssimo Rondo in A major, de Schubert.

Para completar o pacote, o regente é o Andrew Manze, que conhecemos bem com um excelente violinista, especializado no repertório barroco. Em outras palavras, os senhores estão em muito boas mãos.

Resumindo, trata-se de um esplêndido CD, seríssimo candidato a lançamento do mês da Revista Gramophone, quiçá, melhor lançamento do ano, da mesma revista.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

VIOLIN CONCERTO in D major op61
1 i Allegro ma non troppo* 23.24
2 ii Larghetto 9.40
3 iii Rondo*: Allegro 9.52

*Cadenzas by Fritz Kreisler

ROMANCE No.1 in G major for violin & orchestra op40 6.40

ROMANCE No.2 in F major for violin & orchestra op50 8.08

FRANZ SCHUBERT (1797-1828)

Rondo in A major for violin & orchestra D438 13.33
Adagio – Allegro giusto

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FDP

Johann Sebastian Bach, Antonio Vivaldi, Alessandro Marcello – Bach from Italy – Amandine Beyer, Gli Incogniti

Como não poderia deixar de ser, o último CD lançado pela violinista Amandine Beyer e seu conjunto Gli Incogniti é um primor, tanto por suas sempre bem vindas pesquisas histórico – musicológicas quanto pelo frescor em suas interpretações, tirando o mofo de obras já conhecidas em centenas, quiçá milhares de gravações no correr das últimas décadas. Claro que nunca vou deixar de ouvir antigos conjuntos como “I Musici”, que ‘ressuscitou’ o barroco ainda lá nos anos 50, mas como discutíamos dia destes no whattsap do grupo, nada como uma lufada de ar fresco neste repertório.

Amandine Beyer já nos proporcionou outros momentos de prazer com seu incrível conjunto especializado em música historicamente interpretada, e a cada novo CD sabemos que vem ouro puro por aí. Neste incrível CD que ora vos trago, Bach from Italy, lançado em 2025, ela nos mostra as influências e ‘releituras’ que Bach faz dos compositores italianos em sua época, especialmente Antonio Vivaldi e os irmãos Marcello, Alessandro e Benedetto Marcello, que eram muito populares na Alemanha naquele início de Século XVIII. Como bem sabemos, nosso querido Johann Sebastian era pouco conhecido por seus contemporâneos, apenas após a sua morte foi reconhecido pelo gênio que era.

Sugiro a leitura do livreto em anexo, que traz maiores detalhes e informações. Para os fãs do Barroco, eis um bom momento para atualizarem suas audições.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)
Brandenburg Concerto No.4 in G major BWV 1049 PSS, AG, AB
Sol majeur / G-Dur
1 | I. Allegro 6’25
2 | II. Andante 3’34
3 | III. Presto 4’25

ANTONIO VIVALDI (1678-1741)
Concerto for 2 Violins and Cello in D minor RV 565 AB, VM, MC
Ré mineur / d-Moll (L’estro armonico Op.3, No. 11)
4 | I. Allegro 0’42
5 | II. Adagio e spiccato 0’24
6 | III. Allegro 2’50
7 | IV. Largo e spiccato 2’16
8 | V. Allegro 2’12

JOHANN SEBASTIAN BACH
Brandenburg Concerto No. 3 in G major BWV 1048 AB AR YK – VM OR MP – MC PS FB
Sol majeur / G-Dur
9 | I. Allegro – II. Adagio 5’34
10 | III. Allegro

JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for 2 Violins in D minor BWV 1043 AB, AR
Ré mineur / d-Moll
14 | I. Vivace 3’25
15 | II. Largo ma non tanto 5’42
16 | III. Allegro 4’13
Oboe d’amore Concerto in A major BWV 1055R EL
La majeur / A-Dur
17 | I. Allegro 4’01
18 | II. Larghetto 4’15
19 | III. Allegro ma non tanto

JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for 3 Violins in D major BWV 1064R AB, VM, YK
Ré majeur / D-Dur
1 | I. Allegro
2 | II. Adagio
3 | III. Allegro

BENEDETTO MARCELLO (1686-1739)
Violin Concerto in E minor S.C788
Mi mineur / e-Moll
(12 Concerti a cinque con Violino Solo e Violoncello obbligato Op. 1, No.2) AB
Solo violin part after J. S. Bach’s Concerto BWV 981
4 | I. Adagio staccato
5 | II. Allegro assai
6 | III. Adagio
7 | IV. Prestissimo

JOHANN SEBASTIAN BACH
Brandenburg Concerto No. 5 in D major BWV 1050 MG, AB, AF
Ré majeur / D-Dur
8 | I. Allegro
9 | II. Affettuoso
10 | III. Allegro

ANTONIO VIVALDI
Concerto for 4 Violins and Cello in B minor RV 580 AB, KV, YK, AR, MC
Si mineur / h-Moll
(L’estro armonico Op.3, No. 10)
11 | I. Allegro
12 | II. Largo – Larghetto – Adagio – Largo
13 | III. Allegro

JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for Oboe and Violin in C minor BWV 1060R EL, AB
Do mineur / c-Moll
14 | I. Allegro
15 | II. Adagio
16 | III. Allegro

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FDP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies, CD 2 de 11 – Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 (Kondrashin, MPSO)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies, CD 2 de 11 – Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 (Kondrashin, MPSO)

Estivemos no meio de uma enxurrada de postagens de Mozart, e agora temos uma enxurrada de Shostakovichs. Mas não creio que alguém vai reclamar. Estas gravações que ora vos trago são históricas, gravadas no apogeu da Guerra Fria. Esqueçam Haitink, Barshai, e não sei mais quem. Kirill Kondrashin é o nome do cara. Sim, claro que estou exagerando, o ideal é deixar todas estas gravações juntas, para serem analisadas, comparadas, etc. Ouvi-las à exaustão, para melhor identificarem as diferenças de leitura de cada um destes grandes maestros. E vamos ao que viemos.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies, CD 2 de 11 – Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 – Kondrashin, MPSO

01. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 I. Allegretto poco moderato
02. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 II. Moderato con moto
03. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 III. Largo

04. October, Symphonic Poem, Op. 131

Moscow Philharmonics Symphony Orchestra
Kirill Kondrashin – Conductor

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O corajoso Kondra. Sim, corajoso. Se não sabe o motivo, vá estudar!

FDP

Béla Bartók (1881-1945) – Concerto for Orchestra, Music for String, Percussion & Celesta – Dutoit, Orchestre Symphonique de Montréal

Falar sobre a importância destas duas obras na evolução musical do Século XX é como chover no molhado. Muito já se falou sobre elas, inclusive aqui no PQPBach, que já trouxe gravações de altíssimo nível, mas pesquisando no histórico de nossas postagens, nem são tantas assim. Destacaria Pierre Boulez, talvez um dos principais intérpretes do húngaro do final do século, em uma postagem de nosso mentor, PQPBach, lá de 2015.

Hoje trago aqui para os senhores a gravação do maestro suíço Charles Dutoit, em um registro de 1988, frente à Orquestra Sinfonica de Montreal, que dirigiu por 25 anos, e com quem gravou quase 100 discos. Vale a pena conhecer, Dutoit foi um craque nesse repertório, e conseguiu extrair da orquestra canadense uma interpretação coesa e extramente virtuosística.

Concerto For Orchestra
I. Introduzione
II. Giuoco Delle Coppie
III. Elegia
IV. Intermezzo Interrotto
V. Finale

Music For Strings, Percussion And Celesta
I. Andante Tranquillo
II. Allegro
III. Adagio
IV. Allegro Molto

Orchestre symphonique de Montréal
Charles Dutoit

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Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma gravação de As Quatro Estações melhor do que esta de Carmignola + Marcon vai ser difícil…. Dia destes postei Haydn, com seu magnífico oratório “As Estações”, em homenagem à mudança de estação. Como ainda estamos vivenciando essa mudança de estação resolvi trazer essa gravação que particularmente é a minha favorita dentre as tantas existentes no mercado atualmente. Carmignola é um dos grandes violinistas da atualidade, e um dos maiores especialistas no violino barroco, e contando com a cumplicidade de Andrea Marcon e a excelente Venice Baroque Orquestra, dá um show de talento, versatilidade e técnica.  Tudo bem, ele comete algumas liberdades que podem assustar alguns fãs mais fanáticos de Vivaldi, mas adoro esse CD em seu conjunto.

Para se ouvir em uma manhã como a de hoje, tipicamente de outono: temperatura agradável, sol ainda não tão forte e um ventinho frio, que nos deixa com vontade de voltar para a cama.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)

La Primavera • Spring • Der Frühling • Le Printemps – Concerto No. 1 In E Major, Op. 8, No. 1, RV 269 (E-Dur / En Mi Majeur / In Mi Maggiore)
I. Allegro 3:19
II. Largo 2:18
III. Allegro 3:36

L’Estate • Summer • Der Sommer • L’Été – Concerto No. 2 In G Minor, Op. 8, No. 2, RV 315 (G-Moll / En Sol Mineur / In Sol Minore)
I. Allegro Non Molto 4:57
II. Adagio 2:18
III. Presto 2:15

L’Autunno • Autumn • Der Herbst • L’Automne – Concerto No. 3 In F Major, Op. 8, No. 3, RV 293 (F-Dur / En Fa Majeur / In Fa Maggiore)
I. Allegro 4:34
II. Allegro Molto 3:21
III. Allegro 2:49

L’Inverno • Winter • Der Winter • L’Hiver – Concerto No. 4 In F Minor, Op. 8, No. 4, RV 297 (F-Moll / En Fa Mineur / In Fa Minore)
I. Allegro Non Molto 3:04
II. Largo 1:47
III. Allegro 2:39

3 Violin Concertos (Premiere Recording):

Concerto In E-Flat Major, RV 257 (Es-Dur / En Mi Bémol Majeur / In Mi Bemolle Maggiore)
I. Andante Molto E Quasi Allegro 4:25
II. Adagio 2:32
III. Allegro 2:58

Concerto In B-Flat Major, RV 376 (B-Dur / En Si Bémol Majeur / In Si Bemolle Maggiore)
I. Larghetto. Andante 4:25
II. Andante 2:24
III. Allegro 2:56

Concerto In D Major, RV 211 (D-Dur / En Ré Majeur / In Re Maggiore)
I. Allegro Non Molto 5:15
II. Larghetto 3:22
III. Allegro 5:29
Giuliano Carmignola – Baroque Violin
Andrea Marcon – Harpsichord, Organ & Conductor
Venice Baroque Orquestra

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FDP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)

Mas FDPBach vai trazer mais uma integral dos Quartetos de Cordas de Beethoven? Já tem tantas postagens com essas obras no Blog !!

Nós melômanos nunca estamos satisfeitos, isso é certo. Lembro que antes do advento da internet meu acervo era muito, mas muito mais restrito. Escolhia os discos com atenção, claro que sempre de acordo com a disponibilidade no mercado e com meus parcos recursos financeiros. Uma integral dos quartetos era algo quase que impossível de se conseguir. Lembro que a DG oferecia uma caixa com todas as obras, e as dividia em Early, Middle & Last Quartets, intrepretadas pelo Melos Quartett. O preço era um tanto quanto inacessíveis para nós, pobres mortais assalariados, ou não. Enfim, eu sempre ficava namorando essas caixas nas lojas de disco. Nosso objetivo de acervo era muito mais modesto, uma integral destas já nos era suficiente.

O tempo passou, e eis que existe uma quantidade imensa de gravações disponíveis destes quartetos, integrais ou não. Havia inclusive uma discussão sobre o quão irregulares eram essas gravações de integrais. Alguns quartetos saiam quase perfeitos, outros parecia que tinham sido feitos em toque de caixa, para, possivelmente satisfazer os interesses da gravadora.

Nosso guru e mentor, PQPBach ama estes quartetos, e os conhece muito bem, já ouviu dezenas de vezes cada um deles, com os mais diversos intérpretes. Não é o caso deste que vos entrega essa série, um mero admirador do belo, que até pouco tempo atrás satisfazia-se com o histórico registro do Amadeus Quartett,  lá dos anos 50 e 60. Sem desmerecer jamais aquele que é considerado o melhor conjunto de cordas do século XX, sempre estou atrás das outras opções. E certa vez, em discussão do grupo do Whattsap do PQPBach, se não me engano nos tempos em que o nosso Vassily Genrikhovich encarou aquela maratona beethoveniana em comemoração aos 250 anos do nascimento do compositor, nos ofereceu diversas opções de registros destas obras, destaque para o Melos Quartett, dentre outros. A integral do Artemis Quartet foi, digamos assim, deixada de lado, devido exatamente a quantidade de outras ótimas opções.

Aproveitando meus últimos dias de férias de Natal e de Ano Novo resolvi preparar essa belíssima integral interpretada exatamente pelo Artemis Quartet, não tão recente, é verdade, afinal foi gravada entre 2006 – 2011. Não me darei ao trabalho de analisar as obras, já existem diversas postagens destes quartetos aqui no PQPBach, basta procurar para obter maiores informações.

E esta postagem está sendo feita exatamente no dia de meu aniversário de 61 anos de idade. FDPBach faz aniversário mas quem ganha o presente são os senhores. São sete cds ao todo, além do booklet, bem explicativo, por sinal.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)

String Quartet No.1 Op. 18 No. 1
1-1 1. Allegro Con Brio
1-2 2. Adagio Affetuoso Ed Appassionato
1-3 3. Scherzo. Allegro Molto – Trio
1-4 4. Allegro
String Quartet No.4 Op. 18 No. 4
1-5 1. Allegro Ma Non Troppo
1-6 2. Scherzo. Andante Scherzoso Quasi Allegretto
1-7 3. Menuetto. Allegretto – Trio
1-8 4. Allegretto – Prestissimo
String Quartet No.6 Op. 18 No. 6
1-9 1. Allegro Con Brio
1-10 2. Adagio Ma Non Troppo
1-11 3. Scherzo. Allegretto – Trio
1-12 4. La Malinconia. Adagio
1-13 5. Allegretto Quasi Allegro
String Quartet No.2 Op. 18 No. 2
2-1 1. Allegro
2-2 2. Adagio Cantabile
2-3 3. Scherzo. Allegro – Trio
2-3 4. Allegro Molto, Quasi Presto
String Quartet No.3 Op. 18 No. 3
2-5 1. Allegro
2-6 2. Andante Con Moto
2-7 3. Allegro – Minore – Maggiore
2-8 4. Presto
String Quartet No. 5 Op. 18 No. 5
2-9 1. Allegro
2-10 2. Menuetto – Trio
2-11 3. Andante Cantabile
2-12 4. Allegro
String Quartet No.7 Op. 59 No. 1 ‘Razumovsky’
3-1 1. Allegro
3-2 2. Allegretto Vivace E Sempre Scherzando
3-3 3. Adagio Molto E Mesto
3-4 4. Thème Russe. Allegro 7
String Quartet No.8 Op. 59 No. 2 ‘Razumovsky’
3-5 1. Allegro
3-6 2. Molto Adagio
3-7 3. Allegretto – Maggiore
3-8 4. Finale. Presto
String Quartet No.9 Op. 59 No. 3 ‘Razumovsky’
4-1 1. Introduzione. Andante Con Moto – Allegro Vivace
4-2 2. Andante Con Moto Quasi Allegretto
4-3 3. Menuetto. Grazioso – Trio – Coda
4-4 4. Allegro Molto
Strimg Quartet No.10 Op. 74 ‘Harp’
4-5 1. Poco Adagio – Allegro
4-6 2. Adagio Ma Non Troppo
4-7 3. Presto
4-8 4. Allegretto Con Variazioni
String Quartet No.11 Op. 95 ‘Quartetto Serioso’
4-9 1. Allegro Con Brio
4-10 2. Allegretto Ma Non Troppo
4-11 3. Allegro Assai Vivace Ma Serioso
4-12 4. Larghetto Espressivo – Allegretto Agitato – Allegro
String Quartet No.12 Op. 127
5-1 1. Maestoso – Allegro
5-2 2. Adagio, Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-3 3. Scherzando Vivace
5-4 4. Finale. Allegro
String Quartet No.14 Op. 131
5-5 1. Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo
5-6 2. Allegro Molto Vivace
5-7 3. Allegro Moderato
5-8 4. Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-9 5. Presto
5-10 6. Adagio Quasi Un Poco Andante
5-11 7. Allegro
String Quartet No.13 Op. 130, Op. 133
6-1 1. Adagio Ma Non Troppo – Allegro
6-2 2. Presto
6-3 3. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso
6-4 4. Alla Tedesca. Allegro Assai
8-5 5. Cavatina. Adagio Molto Espressivo
6-6 6. Grosse Fuge Op. 133 Overtura. Allegro. Fuga
String Quartet Hess 34
6-7 1. Allegro Moderato
6-8 2. Allegretto
6-9 3. Allegro 3
String Quartet No.15 Op. 132
7-1 1. Assai Sostenuto – Allegro
7-2 2. Allegro Ma Non Tanto
7-3 3. Heiliger Dankgesang Eines Genesenen An Die Gottheit, In Der Lydischen Tonart
7-4 4. Alla Marcia, Assai Vivace
7-5 5. Allegro Appassionato – Presto
String Quartet No.16 Op. 135
7-5 1. Allegretto
7-6 2. Vivace
7-7 3. Lento Assai, Cantante E Tranquillo
7-8 4. Der Schwer Gefasste Entschluss, Grave – Allegro

Artemis Quartet

Cello – Eckart Runge
Viola – Friedemann Weigle, Volker Jacobsen
Violin – Gregor Sigl, Heime Müller, Natalia Prischepenko

Aproveitem.

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FDPbach

 

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) – Piano Concertos, Claudio Arrau, Stattskapelle, Colin Davis

Creio que seja inevitável que em determinado momento de nossas vidas as lembranças comecem a dominar nossos pensamentos, ainda mais quando nos tornamos sexagenários. Quando crianças essa idade nos parece tão longínqua, e sou de uma geração que nem imaginava que viveria tanto.

Mas essa pequena introdução serve apenas para dar uma certa ‘motivação’ para esta postagem, como se isso fosse necessário. Eu ainda estava nos meus vinte e poucos anos quando conheci a Concerto para Piano nº 4 de Beethoven, com Claudio Arrau e o Colin Davis em Dresden. Na verdade, foi esse LP que me apresentou os Concertos para Piano de Beethoven. Até um ano antes, eu morava no interior do Paraná, longe da capital, e longe das lojas de discos. Então me mudei para a capital catarinense, e ali conheci uma loja de discos com um setor inteiro dedicado a música clássica, e com um gerente que conhecia muito do assunto. E foi ele quem me apresentou esse LP, recém lançado. Fui ansioso para casa e o coloquei para tocar no velho Philips 3×1. A partir de então entendi o porque se reverenciava tanto Beethoven. Comecei a procurar os outros concertos, com outros intérpretes e regentes. Ali iniciou minha obsessão pela música, no sentido de procurar outras interpretações, outras leituras. E esse mundo me cativou, e desde então, vivo imerso nele. Não sei quantas vezes ouvi esses concertos, com os mais diversos músicos. E era curioso também observar como um mesmo pianista, por exemplo, poderia ter versões diferentes das mesmas obras. Claro que depois entendi que a maturidade os incentivava a isso.

Um exemplo claro do que vos falo é Alfred Brendel. Li uma crítica de sua integral com Simon Rattle onde o crítico questionava isso, para que diabos lançar outra integral, se já tinha outras já consagradas, como a minha favorita, com o mesmo Colin Davis em Londres. No mesmo texto, o crítico justificava exatamente dessa forma: Brendel precisava ‘corrigir’ alguma coisa que não o deixara satisfeito nas outras gravações. Haveria necessidade? Talvez não, mas talvez tenha entrado na conversa alguma cláusula contratual que o obrigou a isso. Não sei, nem me interessa saber. O importante é que são registros gravados em épocas diferentes de sua vida, e só isso já me responde satisfatoriamente a pergunta do crítico.

Quando gravou essa integral que ora vos trago, Claudio Arrau já estava com oitenta e poucos anos de idade. E é a maturidade que se destaca aqui. Ele já havia gravado e tocado esses concertos inúmeras vezes, mas resolveu encarar novamente o desafio. Veio a falecer alguns anos depois, em 1991. Mas o que quero destacar aqui é a tranquilidade e serenidade que o velho mestre imprime à sua interpretação. Maturidade, com a certeza de que não precisa provar mais nada.

Espero que apreciem. Gosto muito destas gravações.

CD 1

Klavierkonzert Nr.1 In C-Dur , Op.15
1 Allegro Con Brio
2 Largo
3 Rondo (Allegro Scherzando)
Klavierkonzert Nr. 2 B-Dur, Op.19
4 Allegro Con Brio
5 Adagio
6 Rondo (Molto Allegro)

CD 2

Klavierkonzert Nr. 3 C-Moll, Op.37
1 Allegro Con Brio
2 Rondo (Allegro)
3 Rondo (Molto Allegro)
4 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 1. Allegro
5 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 2. Allegretto
6.Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 3. Presto

CD 3

Klavierkonzert Nr. 4 G-Dur, Op.58
1 Allegro Moderato
2 Andante Con Moto
3 Rondo Vivace
4 32 Variationen über ein eigenes Thema c-moll

Klavierkonzert Nr. 5 Es-Dur, Op.73 “
1 Allegro
2 Adagio Con Poco Mosso
3 Rondo (Allegro)

Claudio Arrau – Piano
Staatskapelle Dresden
Colin Davis – Conductor

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Intrigues of the Darkness – Scriabin, Ravel, De Falla, Mussorgsky – Anna Fedorova

Escuridão, magia, mistério e sedução. Forças sobrenaturais, criaturas de outras dimensões e personagens de contos de fadas. Esta é a atmosfera evocada em Intrigas da Escuridão.

Este mundo de fantasia sombria começa em seu ponto mais profundo e assustador com a Sonata para Piano nº 9 de Alexander Scriabin – comumente conhecida como Sonata da Missa Negra. Arrepios! O próprio Scriabin se referiu a esta peça como “visões de pesadelo da maldade”. É como se ele abrisse a porta diretamente para o inferno. Do outro lado dessa porta, há um abismo negro gigante que o suga, reprimindo qualquer tentativa de fuga.” (livremente traduzido e adaptado por FDPBach).

Este é o início do texto de apresentação deste CD de Anna Fedorova, pianista ucraniana que venho admirando cada vez mais, a cada lançamento seu. Independente, ele não teme em criticar o regime russo pela invasão de sua terra natal.

Em cada CD lançado vemos um artista que não teme arriscar, nos oferecendo um repertório desafiador, onde desfila seu talento e versatilidade.

Nesse CD que ora vos trago, começa com Scriabin, em seguida temos Ravel, com sua ‘Gaspart de La Nuit’, trechos de “El Amor Brujo’, de Manuel de Falla e conclui com o “tour de force’ que é ‘Pictures at an Exhibition’, de Mussorgsky, uma das maiores obras já compostas para piano, em minha modesta opinião, e uma de minhas favoritas, diga-se de passagem.

Alexander Scriabin (1872-1915)
1 PIANO SONATA NO.9, OP.68

Maurice Ravel (1875-1937)
GASPARD DE LA NUIT, M.55
2 I. ONDINE
3 II. LE GIBET
4 III. SCARBO

Manuel de Falla (1876-1946)
EL AMOR BRUJO
5 I. PANTOMIME
6 II. DANCE OF TERROR
7 III. MAGICAL CIRCLE
8 IV. RITUAL DANCE OF FIRE

Modest Mussorgsky (1839-1881)
PICTURES AT AN EXHIBITION
9 PROMENADE I
10 I. GNOMUS
11 PROMENADE II
12 II. IL VECCHIO CASTELLO
13 PROMENADE III
14 III. TUILERIES (DISPUTE D’ENFANTS APRÈS JEUX)
15 IV. BYDŁO
16 PROMENADE IV
17 V. BALLET OF THE UNHATCHED CHICKS
18 VI. “SAMUEL” GOLDENBERG UND “SCHMUŸLE”
19 PROMENADE V
20 VII. LIMOGES, LE MARCHÉ (LA GRANDE NOUVELLE)
21 VIII. CATACOMBÆ (SEPULCRUM ROMANUM)
22 CUM MORTUIS IN LINGUA MORTUA
23 IX. THE HUT ON FOWL’S LEGS (BABA-YAGÁ)
24 X. THE GREAT GATE OF KIEV

Anna Fedorova – Piano

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos  companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

01 – BWV 226 Der Geist hilft unsrer Schwachheit auf
02 – BWV 228 Fürchte dich nicht
03 – BWV 227 Jesu meine Freude
04 – BWV 229 Komm, Jesu, Komm
05 – BWV 230 Lobet den Herrn, alle Heiden
06 – BWV 225 Singet dem Herrn ein neues Lied

La Chappele Royalle
Collegium Vocale, Gent
Phillipe Herreweghe – Condutor

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Frans Hals: Dois meninos cantando (1620)

FDP Bach

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) – Grande Messe en ut mineur K 427 (417a) – La Capella Nacional de Catalunya, Le Concert Des Nations, Jordi Savall

A Grande Missa em Dó Menor, K. 427, de Mozart, é considerada uma das grandes realizações não apenas mozartianas, mas do espírito criativo humano, composta em um momento único na vida do compositor, que recém tinha casado. Mesmo inacabada, tornou-se uma obra-prima inconteste. Inacabada até agora, graças ao genial Jordi Savall e seu fiel colaborador e amigo Luca Guglielmi, que preencheu as lacunas faltantes, claro que com a supervisão de Savall. O excelente livreto em anexo traz todas as informações necessárias, com textos do próprio Savall e de Guglielmi, que explicam o minucioso trabalho de reconstituição e, por que não dizer, recriação feito.

Jordi Savall nos tem presenteado com gravações espetaculares nos últimos anos, como este Mozart e o Oratório ‘As Estações’ de Haydn, lançado no final de 2025. O homem não para de trabalhar, sempre cercado de excelentes artistas. Somos privilegiados por ter acesso a essas gravações, viva a tecnologia.

Como comentei acima, o livreto em anexo traz todas as informações necessárias sobre a obra e sobre o processo de reconstrução dessa Missa, traduzido em vários idiomas, inclusive espanhol. Vale a pena ler.

Nouvelle version complétée (nº 10, 11) et reconstruite (nº 12, 13, 14, 15, 18, 19) par Luca Guglielmi à partir d’œuvres de Mozart, révisée par Jordi Savall

I. KYRIE
1. Kyrie eleison – Christe eleison (soprano I & chœur). Andante moderato

II. GLORIA
2. Gloria in excelsis Deo (chœur). Allegro vivace
3. Laudamus te (soprano II). Allegro aperto
4. Gratias agimus tibi (chœur). Adagio
5. Domine Deus, Rex coelestis (2 sopranos). Allegro moderato
6. Qui tollis peccata mundi (double chœur). Largo
7. Quoniam tu solus sanctus (2 sopranos & ténor). Allegro
8. Jesu Christe (chœur). Adagio
9. Cum Sancto Spiritu (chœur). Allegro

III. CREDO
10. Credo in unum Deum (chœur). Allegro maestoso
[révision des parties instrumentales de l’orchestre]
11. Et incarnatus est (soprano II). [Andante] [parties des cordes de l’orchestre complétées]
12. Crucifixus – Et resurrexit (soprano I). Andante – Allegro
[À partir de Davide penitente, KV 469, 8. « Tra le oscure ombre funeste », nouveau texte]
13. Et in Spiritum sanctum, « Tempo di Ciaccona ». Adagio – Primo tempo (chœur)
[Arr. d’un Credo alternatif inachevé de la Messe en ut majeur, KV 337, nouveau texte]

IV. SANCTUS
14. Sanctus (double chœur). Largo [reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
15. Hosanna in excelsis (double chœur). Allegro comodo
[reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
16. Benedictus (2 sopranos, ténor & basse). Allegro comodo
17. Hosanna in excelsis [da capo] (double chœur). Allegro comodo

V. AGNUS DEI
18. Agnus Dei (soprano I & chœur). Andante moderato
[Arrangement à partir du Kyrie eleison de la Messe en ut mineur, KV 427
& Solfeggio, KV 393, nº 2]
19. Dona nobis pacem (chœur). Allegro – Adagio
[Nouvelle composition sur les croquis de Mozart]

SOLISTES
Giulia Bolcato soprano I
Elionor Martínez soprano II
Marianne Beate Kielland mezzo-soprano
David Fischer ténor
Matthias Winckhler basse

LA CAPELLA NACIONAL DE CATALUNYA
LE CONCERT DES NATIONS
JORDI SAVALL Direction

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Georg Philipp Telemann (1681-1767): Concerto in D Major, Overture – Suite in G Minor, TWV 55:g4, Overture Suite in D Major, TWV 55:D1 (The English Concert, Pinnock)

FDP Bach teve uma semana complicada, apesar de curta, que se encerrou com seu desligamento da empresa em que trabalhava. Ou seja, sua cabeça estava envolvida em outras coisas, por esse motivo deixou o blog um pouco às moscas. Mas felizmente seu caro irmão PQP voltou de férias, e colocou ordem na casa. Volto com mais barroco, numa bela gravação de Trevor Pinnock e seu English Concert, com suas gravações com instrumentos de época. E o que é mais importante, tocando Telemann, compositor muito caro a este que vos escreve e ao seu irmão PQP, e também ao nosso leitor/ouvinte Pedro, que teceu grandes elogios à ele, quando da última postagem realizada deste compositor. Tratam-se de um Concerto com três trompetes solistas, além de duas Suítes. Portanto, mais barroco com quem entende do assunto.

Enjoy it.

George Philipp Telemann (1681-1767): Concerto in D Major, Overture – Suite in G Minor, TWV 55:g4, Overture Suite in D Major, TWV 55:D1 (The English Concert, Pinnock)

01 – Concerto in D major – Intrada – Grave
02 – Concerto in D major – Allegro
03 – Concerto in D major – Largo
04 – Concerto in D major – Vivace

Mark Bennett, Michael Harrison, Nicholas Thompson – trumpets

Paul Goodwin, Lorraine Wood – Oboes 

05 – Overture-Suite in G minor – Ouverture
06 – Overture-Suite in G minor – Rondeau- Gayement
07 – Overture-Suite in G minor – Les Irresoluts
08 – Overture-Suite in G minor – Les Capricieuses
09 – Overture-Suite in G minor – Loure
10 – Overture-Suite in G minor – Gasconnade
11 – Overture-Suite in G minor – Menuet I , II

Paul Goodwin, Lorraine Wood, Sophias McKenna – Oboes
Alberto Grazzi – Fagott

12 – Overture-Suite in D major – Ouverture- Lentement – Vite – Lentement
13 – Overture-Suite in D major – Air- Tempo giusto
14 – Overture-Suite in D major – Air- Vivace
15 – Overture-Suite in D major – Air- Presto
16 – Overture-Suite in D major – Air- Allegro
17 – Overture-Suite in D major – Conclusion- Allegro – Adagio – Allegro

Paul Goodwin – Oboe
Mark Bennett – Trumpet
Alberto Grazzi – Fagott
Peter Hanson, Walter Reiter – Violin
Trevor Jones – Viola
Jane Coe – Cello

The English Concert (on authentic instruments)
Trevor Pinnock – Director, Harpsichord

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FDP

Maurice Ravel (1875-1937) – String Quartet, Piano Trio, Introduction and Allegro, La Valse – Nash Ensemble

Alguns compositores calam fundo na gente, não acham? E Ravel é um deles. Mesmo que sua produção não tenha sido tão grande, o que compôs marcou toda uma época. Seu Concerto para Piano, que já trouxemos em inúmeras versões aqui para o PQPBach é um dos pilares da leitura pianística do século XX, assim como o genial Concerto para a Mão Esquerda.

Mas o que trago hoje para os senhores é sua obra de câmera. E é assim que a gravadora Onyx, em sua página na internet nos apresenta o disco:

This new album is an all-Ravel programme, a composer particularly close to the Nash Ensemble, and is both a beautiful set of performances and a perfect introduction for the listener discovering these exquisite masterworks for the first time. For lovers of Ravel’s chamber music, this will be an indispensable recording to add to their collection.

Não são obras que aparecem com muita frequência aqui no PQPBach, o que é uma pena. Esse CD foi lançado no final de Novembro, ou seja, recém saído dos fornos da gravadora. A competência do Nash Ensemble está mais do que provada no correr dos últimos sessenta anos, com diversas gravações de destaque.

Eu destacaria no repertório a belíssima versão para dois pianos da obra ‘La Valse’, originalmente composta para orquestra e posteriormente adaptada para dois pianos pelo próprio Ravel.

Com uma instrumentação no mínimo original, onde temos um Quarteto de Cordas acompanhado de uma Harpa, de uma Flauta e de um Clarinete, sabemos que a ‘Introduction and Allegro‘ foi encomendada por um fabricante de Harpas. Mas é exatamente essa instrumentação que dá a obra uma textura única. No livreto em anexo os senhores podem saber maiores detalhes sobre as obras interpretadas nesse disco.

1 Introduction and Allegro M.46 

Lucy Wakeford harp · Philippa Davies flute · Richard Hosford clarinet
Stephanie Gonley, Jonathan Stone violins · Lars Anders Tomter viola · Adrian Brendel cello

Piano Trio in A minor M.67
2 I. Modéré
3 II. Pantoum: Assez vif
4 III. Passacaille: Très large
5 IV. Final: Animé
Benjamin Nabarro violin · Adrian Brendel cello · Simon Crawford-Phillips piano

6 La Valse M.72a (two piano version)
Alasdair Beatson primo · Simon Crawford-Phillips secondo

String Quartet in F M.35
7 I. Allegro moderato, très doux 7.39
8 II. Assez vif, très rythmé 5.55
9 III. Très lent 7.55
10 IV. Vif et agité 5.05
Benjamin Nabarro, Jonathan Stone violins · Lars Anders Tomter viola · Adrian Brendel cello

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Robert Schumann (1810-1856): Sonatas para Violino (Alina Ibragimova, Cédric Thiberghien)

Já fazia algum tempo que não trazíamos discos deste magnifico duo Alina Ibragimova e Cédric Thiberghien, que já há muito tempo nos encantam com seu talento e cumplicidade. As Sonatas de Beethoven gravadas por eles ao vivo foram uma de minhas postagens favoritas. E agora trazemos a dupla encarando as belíssimas Sonatas de Schumann que me foram apresentadas pela primeira vez pela Martha Argerich acompanhando Gidon Kremer, em um velho LP da Deutsche Grammophon, postagem que foi atualizada pelo colega Vassily  em 2021.

Em minha humilde opinião, estas Sonatas são por demais explícitas em sua intensidade e força, um romantismo intenso, porém muito bem controlado aqui pelos intérpretes. Foram compostas em parcerias de Schumann com alguns de seus amigos instrumentistas como os violinistas Joseph Joachim e Ferdinand David, e do grande amigo do casal Schumann, Johannes Brahms, todos músicos que o incentivaram a compor estas peças,   São obras já da maturidade do compositor, e mostram o total domínio da escrita musical por sua parte. Sugiro a leitura do livreto que acompanha o arquivo.

Não por acaso, este CD está na lista dos melhores discos de 2025 segundo a revista Gramophone. Ibragimova e Thiberghien nos brindam com uma interpretação segura, intensa, porém controlada, como comentei acima. A música de Schumann penetra fundo em nossa alma, suas angústias, desejos e medos estão ali presentes. Nos envolve, e por vezes nos inebria com tanta emoção. Espero que apreciem.

Violin Sonata No 1 in A minor Op 105
1 Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2 Allegretto
3 Lebhaft

Violin Sonata No 2 in D minor Op 121
4 Ziemlich langsam – Lebhaft
5 Sehr lebhaft
6 Leise, einfach
7 Bewegt

Violin Sonata No 3 in A minor WoO27
8 Ziemlich langsam – [Lebhaft]
9 Intermezzo: Bewegt, doch nicht zu schnell
10 Scherzo: Lebhaft
11 Finale: Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo

Alina Ibragimova – Violin
Cédric Thiberghien – Piano

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FDP

 

.: interlúdio :. Diana Krall: Live in Paris

Conheci Diana Krall por meio do DVD da qual foram tiradas as faixas deste CD, um registro ao vivo em Paris lá nos inícios do novo século. E foi um choque, lhes garanto. Depois disso virei fã de carteirinha dela.

Minha vida era um tanto quanto conturbada ali nos inícios dos anos 2000. Por motivo de estudo e de trabalho, vivia longe de minha esposa, então minha rotina era trabalho – universidade – casa, e no sábado após o trabalho, embarcava para a cidade onde minha esposa residia, também por motivos de trabalho e também por estar na época cuidando de seus pais, já idosos. Enfim, era uma rotina cansativa, desgastante, mas que ajudou a solidificar a relação. E foi também nesta época que comecei a colecionar mp3. E então foi nesta época que este disco da canadense me caiu em mãos por meio de um amigo, também fã de Jazz, que disse que era para ouvir. De posse então de meu velho discmann da Panasonic, inseri o disco e o ouvi em uma destas viagens. Foi um choque, pois ela reunia o que eu procurava: um talento nato, uma voz de veludo, tocava piano com muita propriedade, e neste disco abordava um repertório pelo qual eu já era apaixonado, o das velhas canções norte americanas, de Irvin Berlin a Cole Porter, passando por Gershwin, Burt Bacharach e concluindo com Billy Joel.

As canções interpretadas com muita qualidade, e com uma banda absolutamente perfeita, liderada pela dupla John Clayton e Jeff Hamilton, baixista e baterista respectivamente, e acompanhada em certos momentos por uma orquestra. Aquilo me pareceu de um nível altíssimo de sofisticação e elegância. Ela era muito discreta, mas podíamos sentir que tocava com alma. Comprei então em seguida o DVD do show, que traz outras canções, e o mais importante, pude vê-la e aos seus músicos, e entender que aquilo que senti ao ouvir era real, e que a discrição e uma certa timidez eram a cereja do bolo daquele disco.

Diana Krall continua sendo muito discreta, ainda mais depois que se casou com o cantor Elvis Costello, suas apresentações se tornaram mais esporádicas, assim como seus discos. Já veio ao Brasil algumas vezes, onde gravou um DVD, encarando ‘Garota de Ipanema’, entre outros clássicos da Bossa Nova, mas isso é assunto para outra postagem.

Considero ‘Look of Love”, “Devil May Care”, “Fly Me to the Moon” e “Just the Way Yoy Are” os grandes momentos do CD, mas ele é muito bem conduzido e produzido. O que ouvimos aqui é gente que leva muito a sério o que faz, e o que talvez seja mais importante, que se respeita muito e a própria música que faz em altíssimo nível, faço questão de salientar novamente. Nada de estrelismos, pelo menos enquanto estão tocando.

Espero que apreciem. Estou ouvindo este CD agora creio que pela milésima vez, e continuo tendo as mesmas sensações, mesmo após vinte e poucos anos. Também colocarei abaixo o link para o Show Completo no Youtube.

1 I Love Being Here With You
2 Let’s Fall In Love
3 ‘Deed I Do
4 The Look Of Love
5 East Of The Sun (And West Of The Moon)
6 I’ve Got You Under My Skin
7 Devil May Care
8 Maybe You’ll Be There
9 ‘S Wonderful
10 Fly Me To The Moon
11 A Case Of You
12 Just The Way You Are

Diana Krall – Piano e Voz
John Clayton – Contrabaixo
Jeff Hamilton – Bateria
Anthony Wilson – Guitarra
Paulinho da Costa – Percussão
Orchestre Symphonique Europeen
Alan Broudband – Condutor

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Antonin Dvorák (1841-1904): Cello Concerto – "Dumky" Trio – Queyras – Faust – Prague Philharmonia

Antonin Dvorák (1841-1904): Cello Concerto – "Dumky" Trio – Queyras – Faust – Prague Philharmonia


Belo e ensolarado domingo, e nada como um belo e bem interpretado Concerto para Violoncelo de Dvorák para tornar o dia ainda mais agradável. Não entendo como o mano PQP pode não gostar deste compositor mas tudo bem, cada um tem seu gosto e isso aprendi a respeitar nas pessoas.

Já trouxe outras duas versões para esta mesma obra, primeiramente a mais consagrada de todas, com um dos maiores violoncelistas do século XX, quem sabe talvez o maior deles, Rostropovich. Para muitos, trata-se da gravação definitiva. Pode ser. Particularmente, a minha favorita é com o Pierre Fournier, mas não vem ao caso discutir isso aqui agora.

Posteriormente trouxe outra gravação, desta vez com a Jacqueline Du Pré, que viveu pouco entre nós, mas que deixou sua marca.

Hoje trago mais uma gravação deste concerto, e desta vez é com o jovem Jean-Guihen Queyras. Resolvi dar voz aos novos intérpretes, e quando se trata de uma gravação da Harmonia Mundi precisamos prestar atenção ao que vem pela frente, pois geralmente se trata de material de primeira qualidade.

“Beauty. Slow Beauty”!, “This is a great one”, “ How Do You Spell ‘magnificent’ in Czech?”, são alguns dos comentários dos clientes da amazon, que deram 5 estrelas para este CD, e tenho de concordar com eles.

A Orquestra que acompanha o jovem Jean-Guihen é a The Prague Philharmonia regida por Jíri Belohlavek, que faz um belo trabalho, diga-se de passagem.

A outra obra que vem junto deste cd é o trio mais conhecido de Dvorák, o “Dumky” Trio. Nesta obra, Queyras é acompanhado pela violinista Isabelle Faust, e pelo pianista Alexander Melnikov.

Mas vamos ao que interessa:

Antonin Dvorák (1841-1904) – Cello Concerto – “Dumky” Trio

01 – Concerto pour violoncelle – I. Allegro
02 – Concerto pour violoncelle – II. Adagio ma non troppo
03 – Concerto pour violoncelle – III. Allegro moderato
04 – Trio n 4 ‘Dumky’ – I. Lento maestoso – Allegro quasi doppio movimento
05 – Trio n 4 ‘Dumky’ – II. Poco adagio – Vivace non troppo
06 – Trio n 4 ‘Dumky’ – III. Andante – Vivace non troppo
07 – Trio n 4 ‘Dumky’ – IV. Andante moderato – Allegretto scherzando
08 – Trio n 4 ‘Dumky’ – V. Allegro
09 – Trio n°4 ‘Dumky’ – VI. Lento maestoso – Vivace

Jean-Guihen Queyras – Cello
Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov – Piano
The Prague Philharmonia
Jiri Behlolávek – Conductor

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Jean-Guihen Queyras
Jean-Guihen Queyras

FDP Bach

Fryderyk Chopin (1810-1849): Sonatas para Piano – Idil Biret

A música de Chopin sempre me fascinou. Lembro de ouvir um disco com algumas obras dele na casa da minha irmã, eu deveria ter uns 13 ou 14 anos de idade e a intensidade daquela música me envolveu totalmente. A partir de então fui atrás de discos, claro que dentro das condições financeiras de um adolescente, até que me caiu em mãos um daqueles fascículos da Editora Abril, o pianista era Peter Franckl, se não me engano. Ouvi tanto aquele LP que ele acabou riscando.

Enfim, essa pequena introdução serviu para me lembrar que ouço Chopin há uns quarenta e poucos anos, e talvez, com exceção de Brahms e Beethoven, talvez seja o compositor que mais ouvi na minha vida. Seus Concertos, Baladas, Scherzos, sonatas, enfim, frequento esse universo encantado desde minha adolescência.

Esse é o disco que virou a cabeça do jovem FDPBach.

Idel Biret é uma pianista turca, nascida em 1941, e que com meros 7 anos de idade foi estudar em Paris, onde teve professores como Nadia Boulanger e Alfred Cortot. Tem uma extensa discografia, em sua maior parte pelo selo Naxos, e por este selo gravou a obra integral de Chopin. De vez em quando, trazemos algum volume desta série.

Este CD que or vos trago foi gravado em 1995 e ganhou diversos prêmios da crítica especializada. Sugiro a leitura do booklet interno, onde a pianista analisa a obra e a vida de Chopin. Vale a pena.

 

Fryderyk Chopin (1810 – 1849) – Sonatas para Piano – Idil Biret

Piano Sonata No. 1 In C Minor, Op. 4
1 Allegro Maestoso
2 Menuetto
3 Larghetto
4 Finale

Piano Sonata No. 2 In B Flat Minor, Op. 35
1 Grave – Doppio Movimento
2 Scherzo
7. Marche funèbre: Lento
8 Finale: Presto

Piano Sonata No. 3 In B Minor, Op. 58
1 Allegro Maestoso
2 Scherzo: Molto Vivace
3 Largo
4 Finale: Presto, Non Tanto

Idel Biret – Piano

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FDP

Johannes Brahms (1833-1896): Violin Concerto in D major, Op. 77, Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108 (Vengerov, Barenboim)

Já estava na hora de postarmos outra versão deste concerto, com certeza uma das maiores obras já compostas pelo ser humano. E postar uma versão recente, já que as anteriores foram gravações históricas, como a do David Oystrakh, postada ainda nos primórdios do blog.

A amazon deu 4 estrelas e meia para este cd, e o editorialista escreveu o seguinte:
The inside covers of this CD’s booklet show violinist and conductor engaged in a whimsical pose of arm wrestling. It’s a curious visual misnomer for the actual character of the Brahms Violin Concerto, which is notably not cast as a bravura showdown between soloist and orchestra. Rather, as this live performance recorded in Chicago Symphony Hall in 1997 so amply demonstrates, the score’s beauty and fascination emanate in large part from its spaciously symphonic conception. Maxim Vengerov imbues his account with all the variety of expressive color, intellectual weight, and deeply personal statement necessary to make Brahms’s poetry vivid–he even supplies his own cadenza in lieu of the usual one by Joachim–yet never detours from the larger vision at stake. The first movement’s coda in fact creates the sensation of a beguiling reverie from which both violinist and ensemble are reluctant to awaken. Gently tapered phrasing from Vengerov, together with Daniel Barenboim’s attention to the gorgeously crafted woodwind scoring, creates a statement of lofty serenity in the Adagio. And in the finale, where performances too often tend to sound watered-down after the weight of what has preceded, bold, snappy accents ensure an exhilarating momentum. A more intimate example of the synergy between Vengerov and Barenboim can be heard in Brahms’s D Minor Violin Sonata. In contrast to Anne-Sophie Mutter’s huge, luxurious sound, Vengerov brings a more introspective but no less passionate demeanor to bear. Despair and peace alternate with moving contrast in this superb work, which has been interpreted as a character portrait of its dedicatee, conductor Hans von Bülow. –Thomas May
O texto abaixo tiro do meu livro de cabeceira sobre Brahms, de Malcolm McDonald:
“A célebre declaração de Josef Hellmesberger de que o Concerto para violino de Brahms, op. 77 não era um concerto ‘para, mas contra o violino’ (e a réplica de Bronislaw Hubermande que é ‘para violino contra orquestra’ – e o violino sempre vence!)” provavelmente devem ser encaradas como respostas às características decididamente ‘sinfônicas’ da obra. E ela assim se afiguraria ainda mais se Brahms tivesse cumprido sua intenção original: uma estrutura em quatro movimentos cujos esboçados movimento lento e scherzo (…) foram totalmente substituídos, fora do tempo, pelo adágio que conhecemos. De fato o Concerto é, em muitos aspectos o sucessor natural da Sinfonia nº 2- na mesma tonalidade em ré menor – e as similaridades são especialmente fortes no primeiro movimento, cuja semelhança com o da SInfonia foi comentada por Clara Schuman na primeira vez que Joachim e Brahms o tocaram todo para ela. Esta aí, de novo, um espaçoso e aparentemente descansado esquema em 3/4, calorosamente romântico em sua coloração orquestral, em seus temas construídos sobre uma formação em tríade e, embora em si mesmos não especialmente prolongados, evoluindo de um para o outro em imensos parágrafos e raramente muito afastados do caráter de uma valsa calma, porém apaixonada. (…)
(…) O tratamento virtuosístico do violino é inaudito em Brahms e sagazmente matizado de muitos elementos. Estão entre estes seus estudos dos grandes concertos clássicos, muito obviamente os de Beethoven mas também aqueles de um mestre menor, Viotti, cujo Concerto nº22 era um dos preferidos de Joachim e Brahms. Também se invoca a escrita para violino de Bach, cuja chacona em ré menor ele transcrevera para piano no ano anterior. E além disso é infuenciado por suas observações, ao longos dos anos, da ardente execução e da honesta personalidade musical de Joachim, o solista para quem o concerto desde o começo foi projetado.”
Como salientou o editorialista da amazon, a cadenza interpretada por Vengerov não é a de Joachim, e sim dele mesmo, Maxim Vengerov. O cabra é macho mesmo. Mexeu num dos cânones da interpretação violinística dos séculos XIX e XX.
Ah, o cd traz também a Sonata nº 3, para piano e violino, numa inspirada interprtação da mesma dupla Vengerov / Baremboim, sendo este último o responsável pelo piano.
Johannes Brahms (1833-1896): Violin Concerto in D major, Op. 77, Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108 (Vengerov, Barenboim)

1. I. Violin Concerto in D major, Op. 77 – Allegro non troppo
2. II. Adagio
3. III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace
4. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108 – I. Allegro
5. II. Adagio
6. III. Un poco presto e con sentimento
7. IV. Presto agitato

Maxim Vengerov – Violin
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim – Piano e Conductor

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FDP Bach

Edouard Lalo (1823-1892): Symphonie Espagnola, Camile Saint-Saëns: Concerto para violino nº 3 – (Perlman, Barenboim)

Fiz uma confusão tremenda ontem, e acabei agendando uma postagem sem ter subido o arquivo para o rapidshare. Desculpem a confusão, ando meio atrapalhado nos últimos dias, ansioso, na verdade, devido às burocracias referentes à contratação em um novo emprego. Por este motivo, só ao chegar em casa hoje, perto das 3 da tarde, e que vi que a postagem sem o link.E como bobagem pouca é bobagem, no final das contas acabei deletando a postagem. Bem, vou resumir o que falei: Perlman está afiadíssimo neste cd, mostrando todo o seu virtuosismo, ao lado de seu amigo de longa data, Daniel Barenboim, nos bons tempos em que este era diretor da Orchestre des Paris, no começo dos anos 80. Então, eis duas obras famosas do repertório violinistico. Espero que apreciem. Ah, antes que me esqueça, o cd também traz uma obra de Berlioz, mas meu cd está com defeito nesta faixa, e simplesmente se recusa a ser convertido para mp3.

Edouard Lalo (1823-1892) – Symphonie Espagnola, Camile Saint-Saëns – Concerto para violino nº 3 – Perlman, Barenboim

1 – Lalo- Symphonie Espagnole op. 21- 1. Allegro non tropo
2 – Lalo- Symphonie Espagnole op. 21- 2. Scherzando- Allegro molto
3 – Lalo- Symphonie Espagnole op. 21- 3. Intermezzo- Allegretto non troppo
4 – Lalo- Symphonie Espagnole op. 21- 4. Andante
5 – Lalo- Symphonie Espagnole op. 21- 5. Rondo- Allegro

6 – Saint-Saens- Concerto pour violon et orchestre op. 61- 1. Allegro non troppo
7 – Saint-Saens- Concerto pour violon et orchestre op. 61- 2. Andantino quasi allegretto
8 – Saint-Saens- Concerto pour violon et orchestre op. 61- 3. Molto moderato e maestoso – Allegro non troppo

Itzhak Perlman – Violino
Orchestre des Paris
Daniel Barenboim – Conductor

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FDP Bach

Ludwig van Beethoven – Abertura Leonore, Piotr Ilich Tchaikovsky – Sinfonia no. 5 – Stanislaw Skrowaczewski, NHK Symphony Orchestra

O solo de Trompa que abre o Segundo Movimento da Quinta Sinfonia de Tchaikovsky é uma das mais belas páginas da história da música, sem dúvida alguma. Seu tema principal é um lamento, transmite uma angústia latente, daquelas que ficam presas na nossa garganta. A cada vez que a ouço parece que entra um cisco no meu olho, e a lágrima é inevitável. A repetição do tema principal pelas cordas amplia essa angústia.

A vida de Stanislaw Skrowaczewski não foi nem um pouco fácil. Foi um jovem prodígio ao piano já aos oito anos de idade (incrível como existem excepcionais pianistas poloneses) sendo solista e regente do Terceiro Concerto de Beethoven já nesta tenra idade. Porém foi obrigado a desistir do instrumento quando machucou as duas mãos em um bombardeio da Segunda Guerra Mundial. A partir de então, começou seus estudos de regência e composição ainda em sua Polônia natal. Em 1960 se exilou nos Estados Unidos, onde ele e sua esposa se naturalizaram norte-americanos.

Trarei uma série de CDs deste grande maestro do século XX, registros ao vivo com a NHK Symphony Orchestra, de Tõquio, entre 1996 e 1999. Stanislaw Skrowaczewski faleceu em 2017, com a idade de 94 anos de idade. Mesmo já idoso, podemos sentir um grande vigor em sua regência, mesmo em obras tão densas e complexas quanto a  Sinfonia ‘Patética‘, já citada acima. E não podemos deixar de citar sua incursão na obra de Bruckner, cujas sinfonias gravou na integra, junto com a Saarbrucken Radio Symphony Orchestra, gravação que foi premiada.

Este primeiro CD inicia com a Abertura Leonore, de Beethoven, e se conclui com uma belíssima interpretação da Quinta Sinfonia de Tchaikovsky. A NHK Symphony Orchestra é uma orquestra muito versátil, e encara as duas peças com muita competência.

1 “Leonore Nr.2” Ouvertüre
Symphony No.5
2 I. Andante
3 II. Andante Cantabile
4 III. Allegro Moderato
5 IV. Finale

NHK Symphony Orchestra

Stanislaw Skrowaczewski – Conductor

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