Frederic Chopin (1810-1846) – Valses – Nikita Magaloff

Vamos então com mais um CD desta magnífica caixa de Nikita Magaloff interpretando Chopin trazendo as Valsas, as magníficas Valsas, que também dispensam apresentações. Como muitos que estão lendo isso aqui, tenho lembranças delas ainda em minha infância, ou as ouvindo pelo rádio, ou então em algum programa de TV.

P.S. de Pleyel ao revalidar a postagem em 2026: Magaloff foi o primeiro pianista a gravar a integral das obras de Chopin, pela Philips nos anos 1970, e até hoje vale muito a pena ouvir o que Magaloff tem a dizer nesse repertório. Tendo chegado em Paris em 1922 aos 10 anos de idade, em meio às guerras pós-1917 na Rússia. Então sua educação se deu, na maior parte, em meio a músicos franceses. Uma curiosidade é que Magaloff era amigo de Sergei Prokofiev, outro que fugiu na mesma época para Paris: suas famílias tomavam chá (ou vodka?) juntas, etc. Também Chopin, como sabemos, fugiu primeiro para a Áustria mas foi acolhido em Paris: a maior parte de suas obras foram compostas e publicadas naquela cidade, de modo que não é um acaso que uma tradição de pianistas educados em Paris com finíssimo faro para Chopin, fossem eles de nacionalidade francesa ou não: Alfred Cortot, Samson François, Guiomar Novaes, Dinu Lipatti… e Nikita Magaloff sem dúvida pertence a esse grupo.


Frédéric Chopin (1810-1846)
:
01. Valse No. 1 (1975) , Op. 18
02. Valse No. 2,Op. 341
03. Valse No. 3,Op. 342
04. Valse No.4, op. 343
05. Valse No. 5, op. 42
06. Valse No. 6, op.641
07. Valse No. 7, op.642
08. Valse No. 8, op.643
09. Valse No. 9, op.691
10. Valse No. 10, op.692
11. Valse No. 11, op.701
12. Valse No. 12, op.702
13. Valse No. 13, op.703
14. Valse No. 16 in A flat major, op. posth. (1827)
15. Valse No. 15 in E major, op. posth. (1829)
16. Valse No. 14 in E minor, op. posth
17. Valse No. 19 in A minor, op. posth
18. Valse No. 18 in E flat minor, op. posth. (1840)
19. Valse No. 17 in E flat minor, op. posth. (1827)

Nikita Magaloff – Piano

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FDP (2019) / Pleyel (links revalidados em 2026)

Frédéric Chopin (1810-1846) – Préludes, op. 28, op. 45 & op. posth. – Nikita Magaloff

Não sei o que parece para os senhores, mas em minha modesta opinião, a abertura do Prelúdio op. 28 nº2 lembra quase uma marcha fúnebre. O andamento lembra o trote dos cavalos, e o lento andar das pessoas que acompanham. A genialidade de Chopin não encontrava limites ou barreiras.
Hoje temos mais um conjunto de pequenas peças, os Prelúdios, sensiveis e delicados por vezes, intensos e nervosos em outros momentos. Basta fecharmos os olhos enquanto Nikita Magaloff faz a sua mágica. A música flui com naturalidade.

P.S. de Pleyel ao revalidar a postagem em 2026: Nikita Magaloff (1912-1992) estudou em Paris com Isidore Philipp, o mesmo professor de Guiomar Novaes. Embora ela fosse quase vinte anos mais velha que ele, tanto o Chopin de Novaes como o de Magaloff se caracterizam por uma certa naturalidade: tocavam como respiravam ou bebiam água, as escolhas interpretativas pareciam intuitivas, sem busca de virtuosismo performático. Ao mesmo tempo, em vários momentos eles interpretam no sentido forte da palavra, ou seja, fazem escolhas em termos de tempo rubato, de pedal, etc. Sobre o rubato sutil de Madame Novaes, Ranulfus afirmava: “para que sublinhar o que já é intenso por si?”
O mesmo vale para Magaloff.

Frédéric Chopin (1810-1846):
1-24 – Prelúdios, op. 28
25 – Prelúdio nº 25, op. 45
26 – Prelúdio em Lá Sustenido Maior, op. posth.

Nikita Magaloff – Piano

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FDP / Pleyel (links revalidados)

Frederic Chopin (1810-1846) – Ballades, Impromptus – Nikita Magaloff

Não sei com relação aos senhores, mas minha vida seria um tédio se não fosse a música. É ela que me alimenta, espiritualmente falando, que me dá forças para encarar as agruras do dia a dia. Preciso dela como se fosse um remédio para curar as mazelas da vida. Não quero parecer pessimista, nem de mal com a vida. Ao contrário. Digamos que cheguei a uma fase de minha vida em que não adianta mais ficar chorando pelo leite derramado, ele nunca vai voltar para o copo. É preciso ir em frente, encarar as adversidades, e para isso preciso desse alimento para a alma, que chamam de música.
E por algum motivo, alguns compositores tem esta incrível capacidade de nos fazer pensar, os senhores também não tem esta sensação? Ouçam o Scherzo nº 2, magistralmente interpretado pelo Nikita Magaloff no segundo CD desta série, que foi disponibilizado dia destes para os senhores. .. não parece um questionamento que o compositor nos faz logo no início, nos perguntando ‘E aí, como vão as coisas?’
Já neste terceiro CD, bem, aqui a coisa é ainda mais séria: temos as magníficas 4 Baladas, já tão gravadas, dissecadas pelos principais pianistas do século XX e deste início de Século XXI. A música de Chopin tem esta incrível capacidade de nos fazer refletir. Volto a pedir sua atenção para este terceiro CD. Temos um intérprete maduro, em sua total capacidade técnica e no apogeu de maturidade artística nos brindando e nos convidando a esta reflexão. Digamos que ele está nos fornecendo a trilha sonora para esta reflexão.

Frédéric Chopin (1810-1846):
01. Ballade No. 1 (1974)
02. Ballade No. 2
03. Ballade No. 3
04. Ballade No. 4
05. Impromptu No. 1
06. Impromptu No. 2
07. Impromptu No. 3
08. Impromptu No. 4

Nikita Magaloff – Piano

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Frédéric Chopin (desenho a lápis por George Sand, 1841)

FDP (2019) / Pleyel (links revalidados em 2026)

Frédéric Chopin (1810-1849) – Noturnos – Nikita Magaloff

Ah, os Noturnos … nosso incrível Vassilly recém nos brindou com uma série de postagens dedicadas a este gênero … nem sei o que poderia acrescentar àquela aula que tivemos. Talvez possa apenas pedir para os senhores fecharem os olhos para melhor degustar essas peças. Não são de fácil digestão, elas não ficam martelando em nossa cabeça.  É necessária uma concentração muito grande. De preferência, sem ruídos externos. Estas pequenas, porém altamente complexas peças, devem ser, ao lado da ‘Marcia Funebre’ da Terceira Sinfonia de Beethoven, a música mais introspectiva que já foi composta.
Quando ouço o Noturno nº 2 tenho a impressão de estar ao lado de um regato tranquilo, a água fluindo, sem perturbações, os pássaros cantando, as borboletas ao redor das flores, sei lá, tenho esta sensação. Minha mãe sempre conta que tem esta mesma sensação quando ouve o ‘Clair de Lune’, de Debussy. Pode ser. Li em algum lugar que o próprio compositor se inspirou em um ambiente destes para compor essa obra. Não sei o que passava na cabeça de Chopin, só sei dizer que ele estava muito inspirado quando compôs todo este ciclo de Noturnos.

Frédéric Chopin (1810-1846):

CD 1
01. Nocturne No. 1 in B flat minor, Op 9, No 1
02. Nocturne No. 2 in E flat, Op 9, No 2
03. Nocturne No. 3 in B, Op 9, No 3
04. Nocturne No. 4 in F, Op 15, No 1
05. Nocturne No. 5 in F Sharp, Op 15, No 3
06. Nocturne No. 6 in G minor, Op 15, No 3
07. Nocturne No. 7 in C Sharp minor, Op 27, No 1
08. Nocturne No. 8 in D flat, Op 27, No 2
09. Nocturne No. 9 in B, Op 32, No 1
10. Nocturne No. 10 in A flat, Op 32, No 2
11. Nocturne No. 11 in G minor, Op 37, No 1

CD 2
01. Nocturnes No. 12
02. Nocturnes No. 13
03. Nocturnes No. 14
04. Nocturnes No. 15
05. Nocturnes No. 16
06. Nocturnes No. 17
07. Nocturnes No. 18
08. Nocturnes No. 19
09. Nocturnes No. 20 in C sharp minor, op. posth
10. Nocturnes No. 21 in C minor, op. posth

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Chopin, por Eugène Delacroix

FDP (2019, revalidado por Pleyel, 2026)

.: interlúdio :. Keith Jarrett: Rio

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Recado de PQP Bach: o CD2 deste trabalho é das melhores coisas que Jarrett fez até hoje. A plateia urra ao final de cada parte. Ouçam!

Keith Jarrett já esteve algumas vezes no Brasil. Mas foi em sua última apresentação no Rio de Janeiro, no Municipal, em 2011, que sua performance foi gravada. O texto abaixo foi retirado do site da própria gravadora, ECM, e simplifica a apresentação desse CD aqui no PQPBach:

“A fascinating document of Keith Jarrett’s solo concert in Rio de Janeiro on April 9, 2011. The pianist pulls a broad range of material from the ether: thoughtful/reflective pieces, abstract sound-structures, pieces that fairly vibrate with energy. The double album climaxes with a marvellous sequence of encores. 40 years ago Keith Jarrett recorded his first ECM disc, the solo piano “Facing You”. He has refined his approach to solo music many times since then, always finding new things to play. So it is here, in this engaging solo recording from Brazil.”

Enfim, Keith Jarrett é um artista no sentido extremo e completo do termo, sempre irrequieto, mesmo aos setenta anos de idade. Ao assistirmos uma performance sua ao vivo a impressão que temos que ele está sempre desconfortável, tentando encontrar um melhor posicionamento na banqueta. Suas caretas e gemidos fazem parte da música. Qualquer barulho da platéia o incomoda, é necessário o silêncio completo. Só falta colocarem uma faixa dizendo: “Silêncio, gênio trabalhando”, pois o que estamos tendo a oportunidade de ouvir e presenciar naquele momento é único, nunca mais se repetirá.

Keith Jarrett: Rio

CD 1

01. Part I
02. Part II
03. Part III
04. Part IV
05. Part V
06. Part VI

CD 2

01. Part VII
02. Part VIII
03. Part IX
04. Part X
05. Part XI
06. Part XII
07. Part XIII
08. Part XIV

Keith Jarrett, piano

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Não podemos dizer que Jarrett tenha uma postura convencional quando toca.
Não podemos dizer que Jarrett tenha uma postura convencional quando toca.

FDP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nº 3 e 9 “Kreutzer” (Mullova, Bezuidenhout)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nº 3 e 9 “Kreutzer” (Mullova, Bezuidenhout)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Fiz esta postagem lá em 2012, incrível, já se passaram oito anos. Muita água rolou embaixo da ponte de lá para cá, mas uma coisa continua igual: o altíssimo nível de interpretação destes dois incríveis músicos, principalmente Viktoria Mullova. Os comentaristas são quase unânimes ao considerarem esta sua leitura da Sonata a Kreutzer como uma das melhores já realizadas. E tenho quase certeza de que os senhores irão concordar. Pena que essa gravação não se transformou em um projeto de gravar a integral destas sonatas … mas estamos falando de Mullova, e como comentei abaixo, a qualidade acima da quantidade.

Viktoria Mullova, para variar, dá um show neste baita CD onde interpreta duas sonatas para violino do gênio de Bonn, a sonata n°3 do op. 12, e a obra máxima para esta formação, a divina “Sonata a Keutzer”. Como parceiro tem o excelente “pianofortista” Kristian Bezuidenhout. Tenho este CD já há algum tempo, porém reconheço que também faz tempo que não dou atenção a ele, pois estava meio inacessível em um HD externo, que fica guardado em um armário. De vez em quando pego ele, para procurar alguma coisa diferente para postar.

Como salientei diversas vezes nos últimos tempos, estou trabalhando como um condenado, e este foi meu primeiro domingo livre em mais de um mês, portanto desconheço o que significa a expressão “descansar no final de semana”. Se não tenho respondido á solicitações de reupagens, respondo agora: não, infelizmente não há condições mínimas de reupar arquivos deletados pelos Megauploads e rapidshares. É material que está em hds externos, partições de hds de computadores que foram descartados e do qual não foram feitos backups, e o que é pior, material que foi gravado em cds e dvds que simplesmente não são mais lidos. Trata-se da famosa “redundância cíclica de dados”. O computador trava mas não consegue ler os dados gravados naquela mídia.

Voltando à Mullova, que é o que interessa aqui, tenho a dizer o seguinte: baixem e ouçam… é Beethoven, porra!!! Interpretado por uma das maiores violinistas de sua geração. Não tenho informações se ela chegou a encarar gravar todas as sonatas para violino e piano de Beethoven, assim como o fez Anne-Sophie Mutter, há algum tempo atrás, ou outros tantos violinistas de renome. Mullova prefere a qualidade à quantidade. Grava pouco, porém é difícil dizer que um CD dela não é tão bom quanto outro.

Deleitem-se.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nº 3 e 9 “Kreutzer” (Mullova, Bezuidenhout)

01 Violin Sonata no.3 in E flat op.1
02 II. Adagio con spirito
03 III. Rondo Allegro molto

04 Violin Sonata no.9 in A op.47 ‘Kreutzer’
05 II. Andante con variazioni
06 III. Presto

Viktoria Mullova – Violin
Kristian Bezuidenhout – Fortepiano

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Grandíssimo pianista.O problema é dizer seu nome: Bezuidenhout.

FDP / PQP

Frédéric Chopin (1810-1849): Sonatas, Noturnos, Mazurkas, Valsas (Pires)

Frédéric Chopin (1810-1849): Sonatas, Noturnos, Mazurkas, Valsas (Pires)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Dando continuidade à Semana Chopin, trago esta gravação elogiadíssima da Deutsche Grammophon. Com o perdão da expressão, este é um CD do cacete. A portuguesa Maria João Pires está beirando a perfeição com sua emocionante interpretação da Sonata n°3, uma das melhores que já tive a oportunidade de ouvir.Como diria o mano PQP, é para se ouvir de joelhos. A escolha do repertório não foi aleatória. Pires escolheu peças compostas nos últimos cinco anos de vida do compositor, e são uma perfeita síntese da incrível capacidade de Chopin de compreender a alma humana. Ou seja, tratam-se de obras maduras, interpretadas por uma intérprete no apogeu de sua maturidade artística.

Abaixo, a continuação da biografia do genial Chopin, tirado do site http://www.chopin.pl/biography_chopin.en.html :

From 1823 to 1826, Fryderyk attended the Warsaw Lyceum where his father was one of the professors. He spent his summer holidays in estates belonging to the parents of his school friends in various parts of the country. For example, he twice visited Szafarnia in the Kujawy region where he revealed a particular interest in folk music and country traditions. The young composer listened to and noted down the texts of folk songs, took part in peasant weddings and harvest festivities, danced, and played a folk instrument resembling a double bass with the village musicians; all of which he described in his letters. Chopin became well acquainted with the folk music of the Polish plains in its authentic form, with its distinct tonality, richness of rhythms and dance vigour. When composing his first mazurkas in 1825, as well as the later ones, he resorted to this source of inspiration which he kept in mind until the very end of his life.
In the autumn of 1826, Chopin began studying the theory of music, figured bass and composition at the Warsaw School of Music, which was both part of the Conservatory and, at the same time, connected with Warsaw University. Its head was the composer Jozef Elsner (b. 1769 in Silesia). Chopin, however, did not attend the piano class. Aware of the exceptional nature of Chopin’s talent, Elsner allowed him, in accordance with his personality and temperament, to concentrate on piano music but was unbending as regards theoretical subjects, in particular counterpoint. Chopin, endowed by nature with magnificent melodic invention, ease of free improvisation and an inclination towards brilliant effects and perfect harmony, gained in Elsner’s school a solid grounding, discipline, and precision of construction, as well as an understanding of the meaning and logic of each note. This was the period of the first extended works such as the Sonata in C minor, Variations, op. 2 on a theme from Don Juan by Mozart, the Rondo à la Krakowiak, op. 14, the Fantaisie, op. 13 on Polish Airs (the three last ones written for piano and orchestra) and the Trio in G minor, op. 8 for piano, violin and cello. Chopin ended his education at the Higher School in 1829, and after the third year of his studies Elsner wrote in a report: “Chopin, Fryderyk, third year student, amazing talent, musical genius”.
After completing his studies, Chopin planned a longer stay abroad to become acquainted with the musical life of Europe and to win fame. Up to then, he had never left Poland, with the exception of two brief stays in Prussia. In 1826, he had spent a holiday in Bad Reinertz (modern day Duszniki-Zdroj) in Lower Silesia, and two years later he had accompanied his father’s friend, Professor Feliks Jarocki, on his journey to Berlin to attend a congress of naturalists. Here, quite unknown to the Prussian public, he concentrated on observing the local musical scene. Now he pursued bolder plans. In July 1829 he made a short excursion to Vienna in the company of his acquaintances. Wilhelm Würfel, who had been staying there for three years, introduced him to the musical milieu, and enabled Chopin to give two performances in the Kärtnertortheater, where, accompanied by an orchestra, he played Variations, op. 2 on a Mozart theme and the Rondo à la Krakowiak, op. 14 , as well as performing improvisations. He enjoyed tremendous success with the public, and although the critics censured his performance for its small volume of sound, they acclaimed him as a genius of the piano and praised his compositions. Consequently, the Viennese publisher Tobias Haslinger printed the Variations on a theme from Mozart (1830). This was the first publication of a Chopin composition abroad, for up to then, his works had only been published in Warsaw.

Frédéric Chopin (1810-1849):
Sonatas, Noturnos, Mazurkas, Valsas

CD 1
01.01 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (1)
01.02 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (2)
01.03 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (3)
01.04 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (4)
01.05 – Nocturnos Op 62 (1)
01.06 – Nocturnos Op 62 (2)
01.07 – Mazurkas Op 59 (1)
01.08 – Mazurkas Op 59 (2)
01.09 – Mazurkas Op 59 (3)

CD 2
02.01 – Polonaise-Fantaisie in A flat major. op.61
02.02 – Mazurkas op. 63
02.03 – Mazurkas op. 63
02.04 – Mazurkas op. 63
02.05 – 3 Valses op. 64
02.06 – 3 Valses op. 64
02.07 – 3 Valses op. 64
02.08 – Mazurkas op. 67 no. 2 & no. 4
02.09 – Mazurkas op. 67 no. 2 & no. 4
02.10 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.11 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.12 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.13 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.14 – Mazurka op. 68 no.4

Maria João Pires – Piano
Pavel Gomziakov – Cello

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Maria João Pires: semideusa
Maria João Pires: semideusa

FDP (2010)
Pleyel repostou em 2026 e ainda consertou os links para outro excelente álbum com Maria João Pires:

Cesar Franck (1822-1890), Claude Debussy (1862 – 1918), Maurice Ravel (1875-1937) – Sonatas para Violino e Piano

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Opera Arias – Invernizzi, Bonizzoni, La Risonanza

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Opera Arias – Invernizzi, Bonizzoni, La Risonanza

Confesso que estas minhas postagens que tem sido feitas a toque de caixa nas últimas semanas, e que assim serão pelo menos até o mês de novembro, quando em tese devo ter uma pausa no serviço, enfim, estas postagens não me satisfazem. Pelo simples motivo de que deixam os senhores na mão para saberem maiores detalhes sobre estas pérolas que trago. Foi assim com o Mendelssohn, com o último Bach e este cd absolutamente perfeito com árias de óperas de Vivaldi com a magnífica Roberta Invernizzi.
Roberta é nossa conhecida, assim como este conjunto La Risonanza. Basta lembrarem da série que postei com as obras em Italiano de Haendel, uma das melhores e mais bem recebidas postagens que fiz, desde o começo do PQP. Material de finíssima qualidade, edição primorosa e uma cantora sensacional, acompanhada por um conjunto melhor ainda. É gente que sabe o que faz, que vive e respira música vinte e quatro horas por dia. Ah, e leiam o booklet. Garanto que este CD carrega nosso selo de qualidade de IMPERDÍVEL !!!
Vamos ao que interessa.

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Opera Arias – Invernizzi, Bonizzoni, La Risonanza

01 – Combatta un gentil cor [Lucio – Tito Manlio, atto II, scena XI]
02 – Leggi almeno, tiranna infedele [Caio – Ottone in villa, atto II, scena VI]
03 – Da due venti un mar turbato [Ippolita – Ercole sul Termodonte, atto II, scena I]
04 – Non ti lusinghi la crudeltade [Lucio – Tito Manlio, atto II, scena I]
05 – Rete, lacci e strali adopra [Filindo – Dorilla in Tempe, atto II, scena IX]
06 – Se garrisce la rondinella [Ersilla – Orlando finto pazzo, atto II, scena XIV]
07 – Ombre vane, ingiusti orrori [Costanza – Griselda, atto III, scena V]
08 – Fra le procelle del mar turbato [Lucio – Tito Manlio, atto II, scena XVIII]
09 – Dite, ohimè! Ditelo, al fine [Morasto – La fida ninfa, atto III, scena X]
10 – Nacque al bosco e nacque al prato [Leocasta – Il Giustino, atto I, scena VI]
11 – Tu dormi in tante pene [Servilia – Tito Manlio, atto III, scena I]
12 – Gelosia, tu già rendi l’alma mia [Caio – Ottone in villa, atto I, scena XI]
13 – Se mai senti spirarti sul volto [Cesare – Catone in Utica, atto II, scena IV]
14 – Dopo un’orrida procella [Ottone – Griselda, atto III, scena VI]

Roberta Invernizzi – Soprano
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – harpsichord & direction

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Roberta Invernizzi cantando seu Vivaldizinho

FDPBach

Joaquin Rodrigo (1901-1999): Concierto de Aranjuez, Fantasia para un Gentilhombre – Williams, Ormandy, Philadelphia Orchestra

Joaquin Rodrigo (1901-1999): Concierto de Aranjuez, Fantasia para un Gentilhombre – Williams, Ormandy, Philadelphia Orchestra

Peço desculpas pela demora em atualizar o link desse CD tão importante na minha vida, um daqueles que com certeza eu levaria para uma ilha deserta, e que continuarei ouvindo até o último de meus dias. Foi fundamental na minha formação musical, na formação de meu caráter, e faz parte da trilha sonora de minha vida desde meus 8 anos de idade, ou seja, ouço essa gravação do Concierto de Aranjuez a cinquenta e três anos.

Existem algumas gravações que ficam na nossa cabeça para sempre. Já cansamos de dar exemplos aqui no blog, mas creio que o Concierto de Aranjuez seja a obra que mais cedo compreendi, e seu Adágio do segundo movimento a mais bela melodia que ouvi em minha vida. E creio que também seja para muita gente. Seu lirismo melancólico nos comove, e as mais variadas imagens nos vem à mente. Para uns, pode significar a dor da perda de um ente querido, para outros, a lembrança de uma paixão antiga, ou não correspondida. Para mim, lembra minha infância, quando, pela primeira vez, tive acesso ao velho LP com a foto de um jovem John Williams, ao lado do já velhinho Eugene Ormandy. Esta gravação ganha em qualidade por dois motivos principais, em minha concepção: de todas as gravações que Williams já fez deste concerto, esta é a melhor (conheço 3). E além disso, Ormandy sempre foi um eterno apaixonado. Você sente uma emoção pulsante, extraída das cordas da sua Orquestra da Filadélfia, ele extrai da melodia toda a paixão nela contida. Um grande maestro, com uma orquestra moldada ao seu gosto. E um grande violonista, que se estabelecia como um grande mestre.

Em seguida, Williams nos brinda com a “Fantasia para un Gentilhombre”, também de Rodrigo, composta para Andrés Segovia, versão já postada aqui no blog. Williams novamente nos brinda com uma excepcional interpretação, dando a impressão de ser espanhol, e não australiano, pois, assim como no caso do Concierto de Aranjuez, dá-se a impressão de uma total incorporação da alma espanhola.

Em meu velho LP, o outro concerto, presente no Lado B do disco, era o de Castelnuovo-Tedesco. Infelizmente, não consegui encontrar a versão em CD com o Ormandy, mas tenho outra gravação do mesmo Williams, mas acompanhado de outra orquestra. Posso postar este cd em outra ocasião.

Joaquin Rodrigo (1901-1999): Concierto de Aranjuez, Fantasia para un Gentilhombre / Mauro Giuliani (1781-1829): Concierto para guitar and strings, Op. 30 / Antonio Vivaldi (1678-1741): Concerto for Guitar and Orchestra, RV. 93 (John Williams)

1. Concierto de Aranjuez: I. Allegro con spririto
2. Concierto de Aranjuez: II. Adagio
3. Concierto de Aranjuez: III. Allegro gentile

John Williams – Guitar
Eugene Ormandy – Conductor
Philadelphia Orchestra

4. Fantasia para un gentilhombre: Villano y ricercar. adagietto-andante moderato
5. Fantasia para un gentilhombre: Espanoleta y Fanfare de la caballeria de Napoles. Adagio – Allegretto
6. Fantasia para un gentilhombre: Danza de las hachas. Allegro con brio
7. Fantasia para un gentilhombre: Canario. Allegro ma non troppo

English Chamber Orchestra
Charles Grove – Conductor

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Este não é o John Williams do cinema, tá?

FDP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos  companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

01 – BWV 226 Der Geist hilft unsrer Schwachheit auf
02 – BWV 228 Fürchte dich nicht
03 – BWV 227 Jesu meine Freude
04 – BWV 229 Komm, Jesu, Komm
05 – BWV 230 Lobet den Herrn, alle Heiden
06 – BWV 225 Singet dem Herrn ein neues Lied

La Chappele Royalle
Collegium Vocale, Gent
Phillipe Herreweghe – Condutor

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Frans Hals: Dois meninos cantando (1620)

FDP Bach

Achille-Claude Debussy (1862– 1918) – Debussy Piano Duets – Louis Lortie, Hèléne Mercier

Ando meio sem tempo para fazer novas postagens, devo ter uma meia dúzia aguardando sua conclusão nos rascunhos, mas confesso que falta-me ânimo para escrever. Nem tenho ouvido muita música, a não ser o rádio no trabalho. Provavelmente devido ao estresse e a rotina diários, em certos dias só quero saber de assistir alguma bobagem na TV e ir para a cama.

O CD que ora vos trago é o primeiro de dois, totalmente dedicados ao Duo de pianos. Os músicos envolvidos aqui são conhecidos aqui no PQPBach, Louis Lortie e Hèléne Mercier. Por serem amigos de longa data, estes dois estão sempre lançando CDs para a formação de Duo de Pianos e sua parceria é sempre traduzida em uma forte sensação de  cumplicidade, podemos sentir que cada um sabe exatamente o que o outro vai fazer e quando.

Esse primeiro Cd dedicado a Duetos de Pianos da obra de Debussy foi lançado lá em 2022, e traz obras peso pesados como o ‘Première Arabesque” e a minha obra debussyniana favorita, ‘Le Mer’, que estamos acostumados a ouvir em sua versão orquestral.

Debussy é um compositor muito especial para mim, já passei horas devaneando enquanto ouvia sua obra, principalmente lá nos meus vinte e poucos anos, seja orquestral, seja para piano. Quando a ouço sinto alguma coisa que me cala fundo, me deixa meio que fora de órbita por alguns instantes e quando volto à realidade, sinto-me bem melhor. Isso também acontece com os senhores?

Como bons franceses que são, Lortie e Mercier compreendem muito bem a obra de Debussy e nos entregam  nesse CD uma leitura correta e delicada, mesmo em seus momentos mais técnicos e virtuosísticos. Podemos sentar e fechar nossos olhos para mergulharmos fundo no mar debussyniano sem temer nos afogarmos. São músicos extremamente competentes e e seguros, e o que ouvimos aqui entendo como uma profunda reflexão sobre a vida e seus mistérios, sempre com aquela sensação de um leve torpor, tão típica na obra do francês.

Como sempre, o selo Chandos nos traz um primor de gravação, e para os senhores melhor entenderem as obras aqui tocadas segue em anexo ao arquivo o Livreto do CD.

Mas tergiverso, vamos ao que viemos.

01. Debussy Petite Suite, L. 71 I. En bateau

02. Debussy Petite Suite, L. 71 II. Cortège
03. Debussy Petite Suite, L. 71 III. Menuet
04. Debussy Petite Suite, L. 71 IV. Ballet
05. Debussy Première Arabesque, L. 66 (Arr. for 2 Pianos by Leon Roques)
06. Debussy Six Épigraphes Antiques, L. 131 I. Pour invoquer Pan, dieu du vent d’été
07. Debussy Six Épigraphes Antiques, L. 131 II. Pour un Tombeau Sans Nom
08. Debussy Six Épigraphes Antiques, L. 131 III. Pour que la Nuit Soit Propice
09. Debussy Six Épigraphes Antiques, L. 131 IV. Pour la Danseuse aux Crotales
10. Debussy Six Épigraphes Antiques, L. 131 V. Pour l’Égyptienne
11. Debussy Six Épigraphes Antiques, L. 131 VI. Pour remercier la pluie au matin
12. Debussy Préludes, Premier livre, L. 117 (Arr. for 2 Pianos by Leon Roques) VIII. La Fille aux cheveux de lin
13. Debussy Andante cantabile, L. 10 (Performed on Two Pianos)
14. Debussy Ballade slave, L. 70 [Arr. for 2 Pianos by Gustave Samazeuilh] (Performed on Two Pianos)
15. Debussy Marche écossaise sur un thème populaire, L. 77
16. Debussy La Mer, L. 109 I. De l’aube à midi sur la mer
17. Debussy La Mer, L. 109 II. Jeux de vagues
18. Debussy La Mer, L. 109 III. Dialogue du vent et de la mer

Hélène Mercier Piano
Louis Lortie Piano

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Claude Debussy (1862-1918) – Solo Piano Music – Angela Hewitt #DEBUSSY160

81HTIkJIvML._SL1400_Este CD foi lançado em 2012, mas merece ser ouvido com todo carinho e dedicação necessários. Sendo uma das grandes pianistas da atualidade, Hewitt encara estas obras tão delicadas com sobriedade, uma técnica apurada e uma maturidade musical exemplar. Os clientes da amazon são unânimes em dar cinco estrelas para esse CD.

E como é o mês dele, Claude Debussy, vamos então lhes apresentar outro grande CD do selo Hyperion, em outro grande momento de Angela Hewitt.

Claude Debussy (1862-1918) – Solo Piano Music – Angela Hewitt

01. Children’s Corner – 1. Doctor Gradus ad Parnassum
02. Children’s Corner – 2. Jimbo’s Lullaby
03. Children’s Corner – 3. Serenade for the Doll
04. Children’s Corner – 4. The snow is dancing
05. Children’s Corner – 5. The Little Shepherd
06. Children’s Corner – 6. Golliwog’s Cake-Walk
07. Suite Bergamasque – 1. Prélude
08. Suite Bergamasque – 2. Menuet
09. Suite Bergamasque – 3. Clair de lune
10. Suite Bergamasque – 4. Passepied
11. Danse
12. 2 Arabesques – 1. Andantino
13. 2 Arabesques – 2. Allegretto scherzando
14. Pour le piano – 1. Prelude
15. Pour le piano – 2. Sarabande
16. Pour le piano – 3. Toccata
17. Masques
18. L’isle joyeuse
19. La plus que lente

Angela Hewitt – Piano

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P.S. de Pleyel: muitos alunos intermediários de piano passam pelos Arabesques e pelo Clair de lune, mas não se enganem, é música muito sofisticada apesar da relativa simplicidade técnica. Angela Hewitt deixa isso muito claro aqui.

FDP (2018) / Pleyel (2026)

Também foram reativados os links para:

Claude Debussy (1862-1918): La Mer, Ibéria, Prélude à l’après-midi d’un Faune, 2 Nocturnes (Toscanini/NBC) #DEBUSSY160

Chausson (1855-1899): Viviane, Poemas para soprano e para violino / Lekeu (1870-1894): Fantasia, Adagio para cordas / Dukas (1865-1935): Aprendiz de feiticeiro / Debussy (1862-1918): Fantasia para piano, Rapsódia para clarinete, Prélude à l’après-midi d’un faune (Armin Jordan, Orquestras Suisse Romande e Monte-Carlo) #DEBUSSY160

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Pois bem, após várias solicitações, não apenas do Sander, mas de vários outros de nossos leitores / ouvintes, trago para os senhores a Missa Solemnis. Sempre citando Maynard Solomon, temos a seguinte descrição e detalhes da obra:

“Tal como a primeira missa de Beethoven, a Missa Solemnis, op. 123, foi escrita para uma ocasião específica: destinava-se a celebrar a investidura do arquiduque Rudolph (1788-1831) como arcebispo de Olmütz (na Morávia) em 9 de março de 1820. Rudolph, filho do imperador Leopold II e irmão do imperador Franz era o mais importante dos mecenas de Beethoven desde 1809 em diante, e o beneficiário de nada menos que 15 dedicatórias, incluindo as dos Concertos para Piano nº 4 e 5, o Trio, op 97 (Arquiduque), as Sonatas opp. 106 e 111, e a Grosse Fugue, op. 133.

(…) A Missa tornou-se a paixão absorvente de Beethoven durante quatro anos, substituíndo Fidélio como a grande ‘obra problemática’ de sua carreira; Com efeito, há um sentido em que a Missa Solemnis passou a ser encarada por Beethoven como uma composição talismática, cujo valor para ele era tão grande que – como vimos antes – enveredou por uma série incomum de negociações e manipulações financeiras a respeito de sua publicação, o que lhe custou não poucas amizades e lhe granjeou a desagradável reputação de práticas comerciais desonestas.

(…) Embora possamos estar certos de que Beethoven verteu na Missa Solemnis seus mais profundos sentimentos religiosos, podemos estar certos de que não foi a adesão ao catolicismo que inspirou a obra. Conforme tem sido frequentemente assinalado, a peça nunca esteve inteiramente à vontade na sala de concerto nem na igreja. Em várias ocasiões, Beethoven sugeriu que ela poderia ser executada como “um grande oratório” (…)

(…) Entretanto, deve-se reconhecer também o papel desempenhado pela imaginação produtiva, e, embora existam muitos ‘caminhos novos para velhas ideias’, na Missa Solemnis, sua importância histórica reside predominantemente no modo como, muito mais do que reproduzidas, nela foram remodeladas as tradições da música litúrgica. Isso foi feito praticamente pelo mesmo método que criou a grande música religiosa dos predecessores de Beethoven, de Dufay a Josquin, a Handel e Bach, ou seja, uma recusa em aceitar as formas e linguagens recebidas como modelos eternos, e uma infusão de elementos seculares derivados de estilos musicais não-litúrgicos que ampliaram as possibilidades expressivas da forma, dando origem a novos significados associacionistas que, por seu turno, se embutiram na matriz da gramática musical mais recente.” (SOLOMON, p. 406-411)

Lendo este texto, não pude deixar de concordar quando ele diz que a Missa Solemnis sente-se pouco a vontade se executada numa igreja. Ou seja, Beethoven criou uma nova música sacra que, embora imbuída de profunda religiosidade, não necessariamente pode ser considerada música sacra, nos moldes a que nos acostumamos ao ouvir dos grandes mestres do gênero, como papai Bach, ou Handel. O próprio Beethoven teria escrito que considerava a música a capella o único estilo eclesiástico verdadeiro, “talvez por não desejar que a obra servisse a sua normal função apaziguadora como uma idealização da perpetuidade e imutabilidade da crença (SOLOMON, p. 409-410).

Curiosamente, enquanto escrevo este texto, ouço uma das melhores versões da 9º sinfonia que já tive a oportunidade de ouvir, uma contribuição da Laís Vogel, que está me ajudando  entender esta análise tão pormenorizada de Solomon. Em outras palavras, antes o homem que a fé. “A religião permanece constante, só O homem é inconstante”, terie escrito Beethoven a um amigo, discutindo sobre a imortalidade.

Para concluir, basta acrescentar que Beethoven considerava essa Missa a maior obra que compusera até então. Gosto muito da conclusão de Solomon em sua análise desta obra:

“(…) E assim, o conflito em curso entre a fé e a dúvida em Beethoven é revelado na Missa Solemnis. Como Riezler sabia, no “Donna nobis pacem”, com seus sons de discórdia e guerra, e seus angustiados clamores de paz, interior e exterior, Beethoven ‘atrevera-se a permitir que a confusão do mundo exterior invadisse o domínio sagrado da música eclesiastica’. Neste sentido, a Missa Solemnis antevê as questões e dúvidas teológicas – a par da guerra travada entre ciência e religião – que dominariam o campo da batalha intelectual do século XIX.”

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

1 – Kyrie 11`55
2 – Gloria 16`59
3 – Credo 17`41
4 – Sanctus 5`16
5 – Benedictus 9`22
6 – Agnus Dei 16`09

Rosa Mannion – Soprano
Birgit Remmert – Contralto
James Taylor  – Tenor
Cornelius Hauptmann – baixo
Choir de la Chapelle Royale et du Collegium Vocale
Orchestre des Champs Elysées
Phillipe Herreweghe – Director

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O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem
O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem

FDP Bach

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sinfonias nº 38 & 39 (Andrew Manze, NDR Radiophilharmonie)

Este CD traz uma das mais belas versões da Sinfonia ‘Praga’ de Mozart que já ouvi, nas mãos do excelente violinista Andrew Manze, que se tornou um excelente regente, frente a uma ótima orquestra alemã, a NDR Radiophilharmonie, de Hanover.

O que torna essa gravação Sinfonia Praga tão especial? Não sei, talvez pela leveza e ao mesmo tempo, energia que Manze consegue impor, deixando os músicos a vontade, sem muita pressão. Essa é a impressão que tive, depois de ouvir essa obra dezenas, quiçá centenas de vezes. O Primeiro movimento, dividido em dois, um Adagio e um Allegro, é um primor de execução. Impossível não se render a tanta vitalidade expressa nessa sinfonia tão importante de Mozart, a porta de entrada para as três obras primas que viriam a seguir, as Sinfonias nº 39, 40 e 41, três marcos da música sinfônica.

Sempre que lembro destas últimas quatro sinfonias de Mozart, o primeiro nome que me vem a cabeça é o de Karl Böhm, tanto as suas gravações com a Filarmônica de Berlim quanto com a Filarmônica de Viena. Mas são gravações antigas, anos 60 e 70, e muita coisa mudou desde então. As novas gerações que vem surgindo svem mostrando que ainda muito se pode extrair desse repertório. O selo Alpha, por exemplo, vem lançando uma série de gravações com jovens intérpretes dos Concertos de Mozart. Creio que algumas destes CDs já estejam disponíveis aqui no PQPBach, mas assim que possível, trarei o que já tenho.

É esse então o  Mozart que estamos ouvindo e apreciando nesta segunda década do Século XXI. Lembro que Andrew Manze, em seu inicio de carreira como violinista se destacou como um dos principais nomes das interpretações historicamente informadas, então ele está mais que habilitado a fazer essa mais atualizada, porém sem perder a essência.

01 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- I. Adagio – Allegro
02 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- II. Andante
03 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- III. Finale. Presto
04 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- I. Adagio – Allegro
05 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- II. Andante con moto
06 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- III. Menuetto – Trio
07 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- IV. Finale. Allegro

NDR Radiophilharmonie
conducted by Andrew Manze

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Serguei Prokofiev (1891-1953): Piano Concertos 1, 3 e 4 – Kun-Woo Paik, Antoni Witt, Polish National Radio Symphony Orchestra

Creio que a primeira vez que ouvi no Concerto nº 3 de Prokofiev foi num CD do selo Olympia, com a pianista inglesa Moura Limpani, CD que comprei em um balaio de promoções na saudosa Livraria Belas Artes, na Avenida Paulista, em São Paulo. Trata-se de registro dos anos 50, mas muito bem gravado e remasterizado. O outro Concerto do CD era ‘apenas’ o Rach 3, ou seja, Limpani encarava dois petardos, dois dos maiores concertos para Piano do Século XX.  Ainda tenho este CD em meu acervo. Se houver interesse por parte dos senhores, posso providenciar.

Mas enfim, não estamos aqui para falar da grande Moura Limpani, mas sim de um registro bem mais recente do selo Naxos, que traz o pianista coreano Kun-Woo Paik acompanhado pelos poloneses da Polish National Radio Symphony Orchestra, nas sempre competentes mãos de Antoni Wit. E essa turminha encara os Concertos 1, 3 e 4 de Prokofiev. Sem tirar o mérito dos outros dois concertos, creio que o de nº 3 impera absoluto aqui. Aquele tema principal do terceiro movimento embalou meus sonhos de juventude, me fez encarar as dificuldades, não apenas da idade, mas da distância da família e dos amigos, morando sozinho em uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes, na qual era apenas mais um. Lembro de ir trabalhar ouvindo meu cd player portátil tocando esse CD. Ou então, nas intermináveis viagens de ônibus, quando conseguia viajar para visitar meus pais no sul do País. Doze horas, com duas paradas. Claro que eram outros tempos, não havia estes insuportáveis congestionamentos dos dias de hoje.

Kun-Woo Paik é um grande pianista, um dos maiores intérpretes de Ravel e de Liszt. E sente-se a vontade tocando estes concertos de Prokofiev, nos brindando com uma execução enérgica, sem nunca perder o foco.

Eu esqueci de comentar com os senhores que a integral destes concertos que Kun-Woo Paik gravou com Antoni Wit ganhou o “Diapason d’Or and Grand Prix du Disque de la Nouvelle Académie du Disque“, importante prêmio da indústria fonográfica. Trarei os outros dois concertos em outra postagem.

Serguei Prokofiev (1891-1953): Piano Concertos 1, 3 e 4 – Kun-Woo Paik, Antoni Witt, Polish National Radio Symphony Orchestra

01. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 I. Andante – Allegro
02. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 II. Tema con variazioni
03. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 III. Allegro, ma non troppo
04. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 I. Vivace
05. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 II. Andante
06. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 III. Moderato
07. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 IV. Vivace
08. Piano Concerto No. 1 in D-Flat Major, Op. 10

Kun-Woo Paik – Piano
Polish National Radio Symphony Orchestra
Antoni Wit – Condutor

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LINK ALTERNATIVO

FDP

.: interlúdio .: Lou Donaldson & Grant Green – Cool Blues

Juntem dois geniais músicos, com uma excelente banda de apoio e o resultado só pode ser um: IM-PER-DÍ-VEL. Gravado ali no início dos anos 60, sim, aquele mesmo período em que os Dinossauros como Miles Davis e  John Coltrane caminhavam sobre a Terra, uma quantidade de discos de Jazz de altíssima qualidade era lançada por selos como Prestige, Vanguard, Columbia, Blue Note dentre tantos outros, muitos deles gravados e produzidos por um gênio dos estúdios chamado Rudy van Gelder, o que é o caso desse que ora vos trago.

Grant Green, assim como seu conterrâneo e contemporâneo Wes Montgomery, viveram pouco, mas intensamente. Por uma ironia do destino morreram j0vens, Green com meros 44 anos, e Montgomery com 45. Triste sina. Mas o que esses dois fizeram os alçaram ao panteão dos grandes músicos.

O parceiro de Grant Green aqui é o saxofonista Lou Donaldson que, ao contrário, viveu muito, morreu aos 98 anos de idade, agora em 2024. Para os fãs de Jazz nem preciso apresentá-lo, é nome conhecido, mas para quem não o conhece, basta dizer que tocou com Art Blakey, Clifford Brown, Horace Silver, Philly Joe Jones, dentre outros. É um dos maiores sax alto da história do Jazz.

Além de Green e de Donaldson, temos Baby Face Wallette no órgão Hammond e outro lendário músico, Brother Jack McDuff. Não sei vocês, mas adoro os nomes desses músicos de Blues e de Jazz.

Um disco para se ouvir em um sábado nublado, meio que chuvoso e frio. Espero que apreciem.

01 – A Foggy Day
02 – Here ‘Tis
03 – Cool Blues
04 – Watusi Jump
05 – Walk Wid Me
06 – Misty
07 – Please
08 – Man With a Horn
09 – Prisoner of Love
10 – Stardust

Lou Donaldson – Sax Alto
Grant Green – Guitarra
Baby Face Willette – Órgão Hammond (faixas 1 – 5)
Brother Jack McDuff – Órgão Hammond (faixas 6 – 10)
Dave Bayley – Bateria (faixas 1 – 5)
Joe Dukes – Bateria (faixas 6 – 10)

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.: interlúdio :. Apocalipse: Mahavishnu Orchestra

O final dos anos 70 foi um período de transformações em minha vida, e um dos causadores foi esse disco que ora vos trago. Nada seria como antes, tomando uma pequena liberdade com a clássica canção do Milton Nascimento, que não por acaso, conheci na mesma época. Imaginem um adolescente morando no interior do país, sem muito acesso a cultura, ou sequer a discos, de repente ganha uma caixa de discos de seu irmão mais velho, que está se mudando para o exterior. E nesta verdadeira cornucópia músical, sons que eu sequer imaginava que eram feitos. Lembro que era uma época de transformações e inovações na música, viviamos o apogeu da Era da Discoteca, e o que ouvíamos no rádio era Bee Gees, Donna Summer, Earth, Wind & Fire, The Chic, dentre tantos outros. Roberto Carlos imperava soberano, e muita gente que tinha se exilado por causa da Ditadura Militar começava a voltar para o Brasil.

No Jazz, após o seminal ‘Bitches Brew’ do Miles Davis, começavam a surgir grupos que acrescentaram ao estilo guitarras elétricas distorcidas, sons e instrumentos orientais, e uma Orquestra Sinfônica. É o caso desse disco que ora vos trago, e que foi um dos que mais me influenciaram naquela época da vida em que tentamos absorver tudo, para melhor podermos definir nossos gostos e costumes. ‘Apocalipse’, da Mahavishnu Orchestra, misturava tudo isso num caldeirão de sons em que se destacava o violino de Jean Luc Ponty e a guitarra nervosa e absurdamente virtuosística de John McLaughlin, talvez o meu primeiro Guitar Hero. Não conseguia entender direito o que estava ouvindo, só que me agradava muito. E de fundo, para acompanhar essa loucura sonora, tinha a Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência de Michael Tilson Thomas, falecido recentemente. Essa postagem, inclusive, é em sua homenagem.

Michael Tilson Thomas foi um maestro e compositor norte americano, nascido em Los Angeles em 1944, e falecido agora em 22 de abril de 2026. Dirigiu diversas orquestras, entre elas a Sinfônica de Londres, e nos últimos vinte e cinco anos de sua vida esteve a frente a Sinfônica de San Francisco, que estabeleceu como um dos principais conjuntos orquestrais norte americanos. Nosso mentor PQPBach postou uma excelente integral das Sinfonias de Mahler com Michael Tilson regendo essa orquestra. Vale a pena conhecer.

E para melhor conhecer esse maestro, sugiro a leitura desse artigo na revista Concerto:

Morre, aos 81 anos, o maestro Michael Tilson Thomas

O livreto que acompanha esse CD traz uma interessante apresentação do que se tornou conhecido como Fusion, esse estilo de jazz tão característico. Quando jovem, montei uma banda de rock com amigos, e meu sonho era tocar Fusion. Pobre rapaz, eu nem tinha formação musical, mas para meu espanto o meu ídolo John McLaughlin também não tinha, era autodidata. A banda até que durou bastante, tocaram até meados dos primeiros anos desse novo século, mas eu já saí no começo, quando fui embora para outra cidade conquistar meus sonhos.

John McLaughlin continua na ativa, no alto de seus quase oitenta e dois anos de idade e ainda lança discos discos, e também se apresentando ao vivo, com as mais diversas formações.

Desde o falecimento de Tilson Thomas eu vinha ensaiando postar esse disco, tão importante para a minha formação musical. Com certeza após ouvi-lo meus ouvidos estavam preparados para o que vinha a seguir, sem temer as novidades. Não saberia dizer se ele soa datado, depois de mais de cinquenta anos de seu lançamento, mas para mim continua sendo um dos melhores discos que já ouvi na minha vida.

01. Mahavishnu Orchestra – Power Of Love
02. Mahavishnu Orchestra – Vision Is A Naked Sword
03. Mahavishnu Orchestra – Smile Of The Beyond
04. Mahavishnu Orchestra – Wings Of Karma
05. Mahavishnu Orchestra – Hymn To Him

Mahavishnu Orchestra :
Jean Luc Ponty – Violino elétrico
Gayle Moran – Teclado e vocais
Marsha Westbrook – Viola
Carol Shive – Violino, vocais
Philip Hirschi – Cello, vocais
John MacLaughlin – Guitarras
Michael Walden – Bateria
Ralphe Armstrong – Baixo e vocais

London Symphony Orchestra
Condutor – Michael Tilson Thomas

Produção : George Martin

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FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)

Postei essa gravação nos primórdios do PQPBach, há incontáveis eras. Ainda é minha favorita, e de muita gente. Passei por uma fase kleiberiana ali no início do século, ouvi aquela gravação da Quinta e Sétima Sinfonias com a mesma Filarmônica de Viena ao menos uma centena de vezes. Não sei o porquê, só sei que ela é hipnótica, parece que o General Kleiber hipnotizou os músicos e tirou a alma deles, em uma das melhores interpretações da história destas sinfonias tão gravadas. E o mesmo se aplica aqui nessa historica gravação da Quarta Sinfonia.

Em um encontro com os membros do PQPBach semana passada em Porto Alegre, onde estiveram presentes o próprio ‘patrão’ PQPBach e o Alex de Large, além da esposa do próprio patrão, exímia violinista, comentamos que a Sinfônica de Porto Alegre havia encarado a Sinfonia de nº1, do mesmo Brahms,  e que o resultado foi excelente, com uma Maestrina que também é uma excelente pianista, Vanessa Benelli Mosell. Impossível que alguém seja insensível a música de Brahms. Ela tem aquele algo a mais que nos fisga, que nos envolve, que nos deixa em estado de êxtase. Tive a oportunidade de ouvir a mesma Primeira Sinfonia em sala de concerto, também já há incontáveis eras, e tenho certeza de que todos ficaram hipnotizados com a magnificiência da obra, sem exageros.

Carlos Kleiber era filho de Erich Kleiber, um dos grandes nomes da regência na primeira metade do século XX. Se vocês procurarem, encontrarão diversos registros de gravações dele. Mas aqui temos o filho Carlos, fazendo milagres, extraindo de uma das maiores orquestras o máximo que ela podia dar. Lembro de ter ouvido essa Quarta Sinfonia com gigantes como Karajan, Bernstein, Fürtwangler, Toscanini, mas Kleiber tem aquele algo a mais que nos hipnotiza. Seria essa a gravação que eu levaria pra uma ilha deserta, não por acaso esta relacionada nas principais listas de melhores gravações de todos os tempos.

A capa do LP da Deutsche Grammophon nos mostra uma foto de Carlos Kleiber concentrado, olhando para algum lugar indefinido. Sabe-se que não era muito de aparecer em público, era muito reservado, e são poucas as aparições em vídeo. Também não gravou muito, se comparado a seus contemporâneos. Segundo relatos de músicos que atuaram sob sua regência, era muito ríspido e rígido com os músicos.

Temos uma brincadeira dentro do PQPBach que chama essas gravações antigas de pré históricas. Essa aqui nem é tão antiga assim, foi realizada em 1981, ano em que o autor destas linhas era um adolescente ainda procurando o sentido da vida. Não conhecia ainda a música de Brahms nessa época, só adquiri a fita K7 com a gravação do Karajan alguns anos mais tarde, mas se tivesse conhecido com certeza já teria se tornado a trilha sonora de minha vida mais cedo. Mas talvez eu ainda não estivesse preparado para o impacto, era muito imaturo e irresponsável, algo típico da adolescência. Contei em postagem anterior da Primeira Sinfonia como foi o impacto que essa obra me causou em momento decisivo de minha vida. Nada foi como antes, lhes garanto, foi quase uma experiência mística, com o perdão do exagero.
Mas enfim, lhes deixo com essa impressionante gravação, como lhes comentei acima, e faço questão de ressaltar, um dos melhores registros que realizados.

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)

01. I. Allegro non troppo
02. II. Andante moderato
03. III. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
04. IV. Allegro energico e passionato – Piu allegro

Wiener Philharmoniker
Carlos Kleiber – Condutor

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FDP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Concerto, op. 61, Romances / Franz Schubert (1797-1828): Rondo in A Major for Violin & Orchestra, D. 438 (Ehnes / Manze)

Gostaria de dedicar esta postagem, na verdade, repostagem, à memória de meu irmão mais velho, Maurício, que faleceu há pouco menos de quatro anos, e que faria aniversário no dia de hoje, 16 de setembro. Ele era um entusiasta da música, e foi em uma caixa de discos que ele me mandou que encontrei uma gravação deste imortal concerto, nas imortais mãos de David Oistrakh. Descanse em paz, mano, um dia nos reencontraremos novamente para ouvir boa música !!!

Nosso querido mentor, PQPBach, e sua namorada, que é violinista, consideram James Ehnes um dos principais violinistas da atualidade. E não há como negarmos tal afirmativa.  O cara tem um talento incrível, e sempre nos oferece novas possibilidades, mesmo naquelas obras tão conhecidas do repertório, como neste concerto de Beethoven, que creio que todos conhecem de cor e já devem ter ouvido dezenas de vezes com diversos outros intérpretes. Ouçam a cadenza escrita pelo lendário Fritz Kreisler para entenderem do que estou falando.

Além do concerto, também temos aqui os dois Romances, também escritos para Violino e Orquestra, e o belíssimo Rondo in A major, de Schubert.

Para completar o pacote, o regente é o Andrew Manze, que conhecemos bem com um excelente violinista, especializado no repertório barroco. Em outras palavras, os senhores estão em muito boas mãos.

Resumindo, trata-se de um esplêndido CD, seríssimo candidato a lançamento do mês da Revista Gramophone, quiçá, melhor lançamento do ano, da mesma revista.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

VIOLIN CONCERTO in D major op61
1 i Allegro ma non troppo* 23.24
2 ii Larghetto 9.40
3 iii Rondo*: Allegro 9.52

*Cadenzas by Fritz Kreisler

4 ROMANCE No.1 in G major for violin & orchestra op40 6.40

5 ROMANCE No.2 in F major for violin & orchestra op50 8.08

FRANZ SCHUBERT (1797-1828)

6 Rondo in A major for violin & orchestra D438 13.33
Adagio – Allegro giusto

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FDP

Johann Sebastian Bach, Antonio Vivaldi, Alessandro Marcello – Bach from Italy – Amandine Beyer, Gli Incogniti

Como não poderia deixar de ser, o último CD lançado pela violinista Amandine Beyer e seu conjunto Gli Incogniti é um primor, tanto por suas sempre bem vindas pesquisas histórico – musicológicas quanto pelo frescor em suas interpretações, tirando o mofo de obras já conhecidas em centenas, quiçá milhares de gravações no correr das últimas décadas. Claro que nunca vou deixar de ouvir antigos conjuntos como “I Musici”, que ‘ressuscitou’ o barroco ainda lá nos anos 50, mas como discutíamos dia destes no whattsap do grupo, nada como uma lufada de ar fresco neste repertório.

Amandine Beyer já nos proporcionou outros momentos de prazer com seu incrível conjunto especializado em música historicamente interpretada, e a cada novo CD sabemos que vem ouro puro por aí. Neste incrível CD que ora vos trago, Bach from Italy, lançado em 2025, ela nos mostra as influências e ‘releituras’ que Bach faz dos compositores italianos em sua época, especialmente Antonio Vivaldi e os irmãos Marcello, Alessandro e Benedetto Marcello, que eram muito populares na Alemanha naquele início de Século XVIII. Como bem sabemos, nosso querido Johann Sebastian era pouco conhecido por seus contemporâneos, apenas após a sua morte foi reconhecido pelo gênio que era.

Sugiro a leitura do livreto em anexo, que traz maiores detalhes e informações. Para os fãs do Barroco, eis um bom momento para atualizarem suas audições.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)
Brandenburg Concerto No.4 in G major BWV 1049 PSS, AG, AB
Sol majeur / G-Dur
1 | I. Allegro 6’25
2 | II. Andante 3’34
3 | III. Presto 4’25

ANTONIO VIVALDI (1678-1741)
Concerto for 2 Violins and Cello in D minor RV 565 AB, VM, MC
Ré mineur / d-Moll (L’estro armonico Op.3, No. 11)
4 | I. Allegro 0’42
5 | II. Adagio e spiccato 0’24
6 | III. Allegro 2’50
7 | IV. Largo e spiccato 2’16
8 | V. Allegro 2’12

JOHANN SEBASTIAN BACH
Brandenburg Concerto No. 3 in G major BWV 1048 AB AR YK – VM OR MP – MC PS FB
Sol majeur / G-Dur
9 | I. Allegro – II. Adagio 5’34
10 | III. Allegro

JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for 2 Violins in D minor BWV 1043 AB, AR
Ré mineur / d-Moll
14 | I. Vivace 3’25
15 | II. Largo ma non tanto 5’42
16 | III. Allegro 4’13
Oboe d’amore Concerto in A major BWV 1055R EL
La majeur / A-Dur
17 | I. Allegro 4’01
18 | II. Larghetto 4’15
19 | III. Allegro ma non tanto

JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for 3 Violins in D major BWV 1064R AB, VM, YK
Ré majeur / D-Dur
1 | I. Allegro
2 | II. Adagio
3 | III. Allegro

BENEDETTO MARCELLO (1686-1739)
Violin Concerto in E minor S.C788
Mi mineur / e-Moll
(12 Concerti a cinque con Violino Solo e Violoncello obbligato Op. 1, No.2) AB
Solo violin part after J. S. Bach’s Concerto BWV 981
4 | I. Adagio staccato
5 | II. Allegro assai
6 | III. Adagio
7 | IV. Prestissimo

JOHANN SEBASTIAN BACH
Brandenburg Concerto No. 5 in D major BWV 1050 MG, AB, AF
Ré majeur / D-Dur
8 | I. Allegro
9 | II. Affettuoso
10 | III. Allegro

ANTONIO VIVALDI
Concerto for 4 Violins and Cello in B minor RV 580 AB, KV, YK, AR, MC
Si mineur / h-Moll
(L’estro armonico Op.3, No. 10)
11 | I. Allegro
12 | II. Largo – Larghetto – Adagio – Largo
13 | III. Allegro

JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for Oboe and Violin in C minor BWV 1060R EL, AB
Do mineur / c-Moll
14 | I. Allegro
15 | II. Adagio
16 | III. Allegro

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FDP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies, CD 2 de 11 – Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 (Kondrashin, MPSO)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies, CD 2 de 11 – Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 (Kondrashin, MPSO)

Estivemos no meio de uma enxurrada de postagens de Mozart, e agora temos uma enxurrada de Shostakovichs. Mas não creio que alguém vai reclamar. Estas gravações que ora vos trago são históricas, gravadas no apogeu da Guerra Fria. Esqueçam Haitink, Barshai, e não sei mais quem. Kirill Kondrashin é o nome do cara. Sim, claro que estou exagerando, o ideal é deixar todas estas gravações juntas, para serem analisadas, comparadas, etc. Ouvi-las à exaustão, para melhor identificarem as diferenças de leitura de cada um destes grandes maestros. E vamos ao que viemos.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies, CD 2 de 11 – Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 – Kondrashin, MPSO

01. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 I. Allegretto poco moderato
02. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 II. Moderato con moto
03. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 III. Largo

04. October, Symphonic Poem, Op. 131

Moscow Philharmonics Symphony Orchestra
Kirill Kondrashin – Conductor

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O corajoso Kondra. Sim, corajoso. Se não sabe o motivo, vá estudar!

FDP

Béla Bartók (1881-1945) – Concerto for Orchestra, Music for String, Percussion & Celesta – Dutoit, Orchestre Symphonique de Montréal

Falar sobre a importância destas duas obras na evolução musical do Século XX é como chover no molhado. Muito já se falou sobre elas, inclusive aqui no PQPBach, que já trouxe gravações de altíssimo nível, mas pesquisando no histórico de nossas postagens, nem são tantas assim. Destacaria Pierre Boulez, talvez um dos principais intérpretes do húngaro do final do século, em uma postagem de nosso mentor, PQPBach, lá de 2015.

Hoje trago aqui para os senhores a gravação do maestro suíço Charles Dutoit, em um registro de 1988, frente à Orquestra Sinfonica de Montreal, que dirigiu por 25 anos, e com quem gravou quase 100 discos. Vale a pena conhecer, Dutoit foi um craque nesse repertório, e conseguiu extrair da orquestra canadense uma interpretação coesa e extramente virtuosística.

Concerto For Orchestra
I. Introduzione
II. Giuoco Delle Coppie
III. Elegia
IV. Intermezzo Interrotto
V. Finale

Music For Strings, Percussion And Celesta
I. Andante Tranquillo
II. Allegro
III. Adagio
IV. Allegro Molto

Orchestre symphonique de Montréal
Charles Dutoit

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Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma gravação de As Quatro Estações melhor do que esta de Carmignola + Marcon vai ser difícil…. Dia destes postei Haydn, com seu magnífico oratório “As Estações”, em homenagem à mudança de estação. Como ainda estamos vivenciando essa mudança de estação resolvi trazer essa gravação que particularmente é a minha favorita dentre as tantas existentes no mercado atualmente. Carmignola é um dos grandes violinistas da atualidade, e um dos maiores especialistas no violino barroco, e contando com a cumplicidade de Andrea Marcon e a excelente Venice Baroque Orquestra, dá um show de talento, versatilidade e técnica.  Tudo bem, ele comete algumas liberdades que podem assustar alguns fãs mais fanáticos de Vivaldi, mas adoro esse CD em seu conjunto.

Para se ouvir em uma manhã como a de hoje, tipicamente de outono: temperatura agradável, sol ainda não tão forte e um ventinho frio, que nos deixa com vontade de voltar para a cama.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)

La Primavera • Spring • Der Frühling • Le Printemps – Concerto No. 1 In E Major, Op. 8, No. 1, RV 269 (E-Dur / En Mi Majeur / In Mi Maggiore)
I. Allegro 3:19
II. Largo 2:18
III. Allegro 3:36

L’Estate • Summer • Der Sommer • L’Été – Concerto No. 2 In G Minor, Op. 8, No. 2, RV 315 (G-Moll / En Sol Mineur / In Sol Minore)
I. Allegro Non Molto 4:57
II. Adagio 2:18
III. Presto 2:15

L’Autunno • Autumn • Der Herbst • L’Automne – Concerto No. 3 In F Major, Op. 8, No. 3, RV 293 (F-Dur / En Fa Majeur / In Fa Maggiore)
I. Allegro 4:34
II. Allegro Molto 3:21
III. Allegro 2:49

L’Inverno • Winter • Der Winter • L’Hiver – Concerto No. 4 In F Minor, Op. 8, No. 4, RV 297 (F-Moll / En Fa Mineur / In Fa Minore)
I. Allegro Non Molto 3:04
II. Largo 1:47
III. Allegro 2:39

3 Violin Concertos (Premiere Recording):

Concerto In E-Flat Major, RV 257 (Es-Dur / En Mi Bémol Majeur / In Mi Bemolle Maggiore)
I. Andante Molto E Quasi Allegro 4:25
II. Adagio 2:32
III. Allegro 2:58

Concerto In B-Flat Major, RV 376 (B-Dur / En Si Bémol Majeur / In Si Bemolle Maggiore)
I. Larghetto. Andante 4:25
II. Andante 2:24
III. Allegro 2:56

Concerto In D Major, RV 211 (D-Dur / En Ré Majeur / In Re Maggiore)
I. Allegro Non Molto 5:15
II. Larghetto 3:22
III. Allegro 5:29
Giuliano Carmignola – Baroque Violin
Andrea Marcon – Harpsichord, Organ & Conductor
Venice Baroque Orquestra

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FDP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)

Mas FDPBach vai trazer mais uma integral dos Quartetos de Cordas de Beethoven? Já tem tantas postagens com essas obras no Blog !!

Nós melômanos nunca estamos satisfeitos, isso é certo. Lembro que antes do advento da internet meu acervo era muito, mas muito mais restrito. Escolhia os discos com atenção, claro que sempre de acordo com a disponibilidade no mercado e com meus parcos recursos financeiros. Uma integral dos quartetos era algo quase que impossível de se conseguir. Lembro que a DG oferecia uma caixa com todas as obras, e as dividia em Early, Middle & Last Quartets, intrepretadas pelo Melos Quartett. O preço era um tanto quanto inacessíveis para nós, pobres mortais assalariados, ou não. Enfim, eu sempre ficava namorando essas caixas nas lojas de disco. Nosso objetivo de acervo era muito mais modesto, uma integral destas já nos era suficiente.

O tempo passou, e eis que existe uma quantidade imensa de gravações disponíveis destes quartetos, integrais ou não. Havia inclusive uma discussão sobre o quão irregulares eram essas gravações de integrais. Alguns quartetos saiam quase perfeitos, outros parecia que tinham sido feitos em toque de caixa, para, possivelmente satisfazer os interesses da gravadora.

Nosso guru e mentor, PQPBach ama estes quartetos, e os conhece muito bem, já ouviu dezenas de vezes cada um deles, com os mais diversos intérpretes. Não é o caso deste que vos entrega essa série, um mero admirador do belo, que até pouco tempo atrás satisfazia-se com o histórico registro do Amadeus Quartett,  lá dos anos 50 e 60. Sem desmerecer jamais aquele que é considerado o melhor conjunto de cordas do século XX, sempre estou atrás das outras opções. E certa vez, em discussão do grupo do Whattsap do PQPBach, se não me engano nos tempos em que o nosso Vassily Genrikhovich encarou aquela maratona beethoveniana em comemoração aos 250 anos do nascimento do compositor, nos ofereceu diversas opções de registros destas obras, destaque para o Melos Quartett, dentre outros. A integral do Artemis Quartet foi, digamos assim, deixada de lado, devido exatamente a quantidade de outras ótimas opções.

Aproveitando meus últimos dias de férias de Natal e de Ano Novo resolvi preparar essa belíssima integral interpretada exatamente pelo Artemis Quartet, não tão recente, é verdade, afinal foi gravada entre 2006 – 2011. Não me darei ao trabalho de analisar as obras, já existem diversas postagens destes quartetos aqui no PQPBach, basta procurar para obter maiores informações.

E esta postagem está sendo feita exatamente no dia de meu aniversário de 61 anos de idade. FDPBach faz aniversário mas quem ganha o presente são os senhores. São sete cds ao todo, além do booklet, bem explicativo, por sinal.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)

String Quartet No.1 Op. 18 No. 1
1-1 1. Allegro Con Brio
1-2 2. Adagio Affetuoso Ed Appassionato
1-3 3. Scherzo. Allegro Molto – Trio
1-4 4. Allegro
String Quartet No.4 Op. 18 No. 4
1-5 1. Allegro Ma Non Troppo
1-6 2. Scherzo. Andante Scherzoso Quasi Allegretto
1-7 3. Menuetto. Allegretto – Trio
1-8 4. Allegretto – Prestissimo
String Quartet No.6 Op. 18 No. 6
1-9 1. Allegro Con Brio
1-10 2. Adagio Ma Non Troppo
1-11 3. Scherzo. Allegretto – Trio
1-12 4. La Malinconia. Adagio
1-13 5. Allegretto Quasi Allegro
String Quartet No.2 Op. 18 No. 2
2-1 1. Allegro
2-2 2. Adagio Cantabile
2-3 3. Scherzo. Allegro – Trio
2-3 4. Allegro Molto, Quasi Presto
String Quartet No.3 Op. 18 No. 3
2-5 1. Allegro
2-6 2. Andante Con Moto
2-7 3. Allegro – Minore – Maggiore
2-8 4. Presto
String Quartet No. 5 Op. 18 No. 5
2-9 1. Allegro
2-10 2. Menuetto – Trio
2-11 3. Andante Cantabile
2-12 4. Allegro
String Quartet No.7 Op. 59 No. 1 ‘Razumovsky’
3-1 1. Allegro
3-2 2. Allegretto Vivace E Sempre Scherzando
3-3 3. Adagio Molto E Mesto
3-4 4. Thème Russe. Allegro 7
String Quartet No.8 Op. 59 No. 2 ‘Razumovsky’
3-5 1. Allegro
3-6 2. Molto Adagio
3-7 3. Allegretto – Maggiore
3-8 4. Finale. Presto
String Quartet No.9 Op. 59 No. 3 ‘Razumovsky’
4-1 1. Introduzione. Andante Con Moto – Allegro Vivace
4-2 2. Andante Con Moto Quasi Allegretto
4-3 3. Menuetto. Grazioso – Trio – Coda
4-4 4. Allegro Molto
Strimg Quartet No.10 Op. 74 ‘Harp’
4-5 1. Poco Adagio – Allegro
4-6 2. Adagio Ma Non Troppo
4-7 3. Presto
4-8 4. Allegretto Con Variazioni
String Quartet No.11 Op. 95 ‘Quartetto Serioso’
4-9 1. Allegro Con Brio
4-10 2. Allegretto Ma Non Troppo
4-11 3. Allegro Assai Vivace Ma Serioso
4-12 4. Larghetto Espressivo – Allegretto Agitato – Allegro
String Quartet No.12 Op. 127
5-1 1. Maestoso – Allegro
5-2 2. Adagio, Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-3 3. Scherzando Vivace
5-4 4. Finale. Allegro
String Quartet No.14 Op. 131
5-5 1. Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo
5-6 2. Allegro Molto Vivace
5-7 3. Allegro Moderato
5-8 4. Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-9 5. Presto
5-10 6. Adagio Quasi Un Poco Andante
5-11 7. Allegro
String Quartet No.13 Op. 130, Op. 133
6-1 1. Adagio Ma Non Troppo – Allegro
6-2 2. Presto
6-3 3. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso
6-4 4. Alla Tedesca. Allegro Assai
8-5 5. Cavatina. Adagio Molto Espressivo
6-6 6. Grosse Fuge Op. 133 Overtura. Allegro. Fuga
String Quartet Hess 34
6-7 1. Allegro Moderato
6-8 2. Allegretto
6-9 3. Allegro 3
String Quartet No.15 Op. 132
7-1 1. Assai Sostenuto – Allegro
7-2 2. Allegro Ma Non Tanto
7-3 3. Heiliger Dankgesang Eines Genesenen An Die Gottheit, In Der Lydischen Tonart
7-4 4. Alla Marcia, Assai Vivace
7-5 5. Allegro Appassionato – Presto
String Quartet No.16 Op. 135
7-5 1. Allegretto
7-6 2. Vivace
7-7 3. Lento Assai, Cantante E Tranquillo
7-8 4. Der Schwer Gefasste Entschluss, Grave – Allegro

Artemis Quartet

Cello – Eckart Runge
Viola – Friedemann Weigle, Volker Jacobsen
Violin – Gregor Sigl, Heime Müller, Natalia Prischepenko

Aproveitem.

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FDPbach

 

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) – Piano Concertos, Claudio Arrau, Stattskapelle, Colin Davis

Creio que seja inevitável que em determinado momento de nossas vidas as lembranças comecem a dominar nossos pensamentos, ainda mais quando nos tornamos sexagenários. Quando crianças essa idade nos parece tão longínqua, e sou de uma geração que nem imaginava que viveria tanto.

Mas essa pequena introdução serve apenas para dar uma certa ‘motivação’ para esta postagem, como se isso fosse necessário. Eu ainda estava nos meus vinte e poucos anos quando conheci a Concerto para Piano nº 4 de Beethoven, com Claudio Arrau e o Colin Davis em Dresden. Na verdade, foi esse LP que me apresentou os Concertos para Piano de Beethoven. Até um ano antes, eu morava no interior do Paraná, longe da capital, e longe das lojas de discos. Então me mudei para a capital catarinense, e ali conheci uma loja de discos com um setor inteiro dedicado a música clássica, e com um gerente que conhecia muito do assunto. E foi ele quem me apresentou esse LP, recém lançado. Fui ansioso para casa e o coloquei para tocar no velho Philips 3×1. A partir de então entendi o porque se reverenciava tanto Beethoven. Comecei a procurar os outros concertos, com outros intérpretes e regentes. Ali iniciou minha obsessão pela música, no sentido de procurar outras interpretações, outras leituras. E esse mundo me cativou, e desde então, vivo imerso nele. Não sei quantas vezes ouvi esses concertos, com os mais diversos músicos. E era curioso também observar como um mesmo pianista, por exemplo, poderia ter versões diferentes das mesmas obras. Claro que depois entendi que a maturidade os incentivava a isso.

Um exemplo claro do que vos falo é Alfred Brendel. Li uma crítica de sua integral com Simon Rattle onde o crítico questionava isso, para que diabos lançar outra integral, se já tinha outras já consagradas, como a minha favorita, com o mesmo Colin Davis em Londres. No mesmo texto, o crítico justificava exatamente dessa forma: Brendel precisava ‘corrigir’ alguma coisa que não o deixara satisfeito nas outras gravações. Haveria necessidade? Talvez não, mas talvez tenha entrado na conversa alguma cláusula contratual que o obrigou a isso. Não sei, nem me interessa saber. O importante é que são registros gravados em épocas diferentes de sua vida, e só isso já me responde satisfatoriamente a pergunta do crítico.

Quando gravou essa integral que ora vos trago, Claudio Arrau já estava com oitenta e poucos anos de idade. E é a maturidade que se destaca aqui. Ele já havia gravado e tocado esses concertos inúmeras vezes, mas resolveu encarar novamente o desafio. Veio a falecer alguns anos depois, em 1991. Mas o que quero destacar aqui é a tranquilidade e serenidade que o velho mestre imprime à sua interpretação. Maturidade, com a certeza de que não precisa provar mais nada.

Espero que apreciem. Gosto muito destas gravações.

CD 1

Klavierkonzert Nr.1 In C-Dur , Op.15
1 Allegro Con Brio
2 Largo
3 Rondo (Allegro Scherzando)
Klavierkonzert Nr. 2 B-Dur, Op.19
4 Allegro Con Brio
5 Adagio
6 Rondo (Molto Allegro)

CD 2

Klavierkonzert Nr. 3 C-Moll, Op.37
1 Allegro Con Brio
2 Rondo (Allegro)
3 Rondo (Molto Allegro)
4 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 1. Allegro
5 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 2. Allegretto
6.Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 3. Presto

CD 3

Klavierkonzert Nr. 4 G-Dur, Op.58
1 Allegro Moderato
2 Andante Con Moto
3 Rondo Vivace
4 32 Variationen über ein eigenes Thema c-moll

Klavierkonzert Nr. 5 Es-Dur, Op.73 “
1 Allegro
2 Adagio Con Poco Mosso
3 Rondo (Allegro)

Claudio Arrau – Piano
Staatskapelle Dresden
Colin Davis – Conductor

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