.: interlúdio :. Hugo Díaz: ‘Tangos’ e ‘Grandes Obras’

.: interlúdio :. Hugo Díaz: ‘Tangos’ e ‘Grandes Obras’

Certos artistas excedem. Excedem ao nível do milagre. Hugo Diaz foi um dos maiores músicos de todos os tempos. Seu instrumento, a Harmônica, é algo muito particular e pouco popular se comparado aos outros instrumentos. Muito usual no blues, gênero no qual inúmeros nomes se assomam – porém destaco Paul deLay – a Harmônica (ou Gaita de boca – que não me ouçam os profissionais) floresce entre as fronteiras da música chamada popular e folclórica e o Jazz, gênero este que conta com o monumental Toots Thielemans em justo e inegável destaque. No Brasil temos os formidáveis Mauricio Einhorn e Rildo Hora, lembrando o ancestral e vistuosíssimo Edu da Gaita. Quando ouvimos Hugo Diaz não ouvimos uma Harmônica da maneira como usualmente a reconhecemos. Ouvimos “Hugo Diaz”. Assim como ocorre com o trompete em Louis Armstrong, Chet Baker e Miles Davis; ou na guitarra de Django Reinhardt e no sax-soprano de Sidney Bechet; nos acordeons de Sivuca e Dominguinhos. Encontramos o artista em toda sua inteireza. Seu sotaque, sua marca e timbre, sua expressão integral e presença quase física. Ele e instrumento são unos. No caso de Hugo isto se reforça também devido à coadjuvância dos seus ruídos. Diaz resfolega, grunhe, rosna, geme, soluça – lembro aos assépticos puristas de que Glenn Gould sem as suas intervenções naso-vocálicas não seria o mesmo. Diaz é artista que se arrebata e nos arrebata. Extrapola as possibilidades do seu instrumento. Nos induz à curiosidade de saber o que irá fazer na próxima faixa. Arrisca, anda na corda bamba dos sons, encontra soluções como verdadeiro mestre improvisador. Diaz briga. Briga e vence, muitas vezes não arremata o último acorde, deixa o ‘coup de grâce’ para os seus brilhantes acompanhadores. Em faixas como Vida Mia alguém desavisado poderia indagar que espécie de instrumento é aquele. Em suma, Diaz faz o que bem quer com seu instrumento e com a música. Ouvimos sons inéditos, em seu instrumento e, para mim, na música. É um mestre supremo, que com todo mérito e razão foi celebradíssimo em seu tempo e contexto e produziu fartamente. Victor Hugo Diaz nasceu a 10 de agosto de 1927 em Santiago de Estero, Argentina e se foi em Buenos Aires, em 1977. De família humilde, Hugo ficou cego aos 5 anos devido a uma bolada de futebol (esporte abominável para mim). Mais tarde uma cirurgia lhe restituiria apenas parte da visão, ou seja, Diaz se inscreve no rol dos gênios musicais cegos ou, que assim como o “amigo Hermeto, não exerga mesmo muito bem.” Aos 7 anos já se apresentava na rádio local. Embora conhecido principalmente por suas performances de Tango, sua música tem profundas raízes rurais, sobretudo na música folclórica de sua província natal: zambas, milongas camperas, chacareiras. Apesar do seu sucesso, sempre foi fiel aos músicos acompanhantes de sua juventude, como os Irmãos Abalo e o percussionista Domingo Cura. Numa turnê em 1953 encontrou Toots Thielemans, com mútua admiração. Nos Estados Unidos tocou com Louis Armstrong e Oscar Peterson – que desgraça não terem gravado, eu daria um olho para ouvir isso. Seu maior legado no repertório de Tango foi gravado nos anos 70. Seu último álbum foi dedicado a Gardel, em 1975. Hugo foi casado com Victória Cura, irmã do seu compadre percussionista. Sua filha Maria Victória – Maria ‘Mavi’ Diaz, tornou-se uma ressaltada representante do Rock Argentino. Trago, portanto, dois discos de Hugo Diaz. Agradeço ao harmonicista Diego Orrico por me apresentar a este soberbo artista. E, conforme dizia o Sr. Nogueira Pessoa, “sentir? sinta quem lê!” – ou quem quiser ouvir.

Mas, somente “porque hoje é Sábado” me lembrei do formidável Vinícius de Moraes. Conta-se que pouco tempo antes do poeta ser tolhido pelas Musas de volta ao Olimpo, um jornalistazinho insolente o abordou com uma indagação, se teria medo da morte. O poeta de olhos sábios e diluídos numa atmosfera de poesia e whisky, respondeu: “Não sinto medo da morte, mas saudades da vida.” Ora, neste histórico momento de Quarentena sentimos muitas saudades, se não da vida em si, das esquinas da mesma e dos seus botecos. E por virtude desta alvissareira lembrança de nosso poeta, trago um dos seus textos do livro “Para uma menina com uma flor” – “Depois da Guerra.” O que teria a ver Vinícius com Hugo Diaz? Para mim tudo, em poesia e intensidade. Mais explicações ficam a cargo da “Tonga da Mironga do Kabuletê.” E… não saiam de casa, fiquem ouvindo Hugo Diaz e lendo o velho Vini.

“Depois da Guerra vão nascer lírios nas pedras, grandes lírios cor de sangue, belas rosas desmaiadas. Depois da Guerra vai haver fertilidade, vai haver natalidade, vai haver felicidade. Depois da Guerra, ah meu Deus, depois da Guerra, como eu vou tirar a forra de um jejum longo de farra! Depois da Guerra vai-se andar só de automóvel, atulhado de morenas todas vestidas de short. Depois da Guerra, que porção de preconceitos vão se acabar de repente com respeito à castidade! Moças saudáveis serão vistas pelas praias, mamães de futuros gêmeos, futuros gênios da pátria. Depois da Guerra, ninguém bebe mais bebida que não tenha um bocadinho de matéria alcoolizante. A coca-cola será relegada ao olvido, cachaça e cerveja muita, que é bom pra alegrar a vida! Depois da Guerra não se fará mais a barba, gravata só pra museu, pés descalços, braços nus. Depois da Guerra, acabou burocracia, não haverá mais despachos, não se assina mais o ponto. Branco no preto, preto e branco no amarelo, no meio uma fita de ouro gravada com o nome dela. Depois da Guerra ninguém corta mais as unhas, que elas já nascem cortadas para o resto da existência. Depois da Guerra não se vai mais ao dentista, nunca mais motor no nervo, nunca mais dente postiço. Vai haver cálcio, vitarnina e extrato hepático correndo nos chafarizes, pelas ruas da Cidade. Depois da Guerra não haverá mais Cassinos, não haverá mais Lídices, não haverá mais Guernicas. Depois da Guerra vão voltar os bons tempinhos do carnaval carioca com muito confete, entrudo e briga. Depois da Guerra, pirulim, depois da Guerra, vai surgir um sociólogo de espantar Gilberto Freyre. Vai se estudar cada coisa mais gozada, por exemplo, a relação entre o Cosmos e a mulata. Grandes poetas farão grandes epopéias, que deixarão no chinelo Camões, Dante e Itararé. Depois da Guerra, meu amigo Graciliano pode tirar os chinelos e ir dormir a sua sesta. Os romancistas viverão só de estipêndios, trabalhando sossegados numa casa na montanha. Depois da Guerra vai-se tirar muito mofo de homens padronizados pra fazer penicilina. Depois da Guerra não haverá mais tristeza: todo o mundo se abraçando num geral desarmamento. Chega francês, bate nas costas do inglês, que convida o italiano para um chope Alemão. Depois da Guerra, pirulim, depois da Guerra, as mulheres andarão perfeitamente à vontade. Ninguém dirá a expressão “mulher perdida”, que serão todas achadas sem mais banca, sem mais briga. Depois da Guerra vão se abrir todas as burras, quem estiver mal de cintura, logo um requerimento. Os operários irão ao Bife de Ouro, comerão somente o bife, que ouro não é comestível. Gentes vestindo macacões de fecho zíper dançarão seu jiterburgue em plena Copacabana. Bandas de música voltarão para os coretos, o povo se divertindo no remelexo do samba. E quanto samba, quanta doce melodia, para a alegria da massa comendo cachorro-quente! O poeta Schmidt voltará à poesia, de que anda desencantado e escreverá grandes livros. Quem quiser ver o poeta Carlos criando, ligará a televisão, lá está ele, que homem magro! Manuel Bandeira dará aula em praça pública, sua voz seca soando num bruto de um megafone. Murilo Mendes ganhará um autogiro, trará mensagens de Vênus, ensinando o povo a amar. Aníbal Machado estará são como um perro, numa tal atividade que Einstein rasga seu livro. Lá no planalto os negros nossos irmãos voltarão para os seus clubes de que foram escorraçados por lojistas da Direita (rua). Ah, quem me dera que essa Guerra logo acabe e os homens criem juízo e aprendam a viver a vida. No meio tempo, vamos dando tempo ao tempo, tomando nosso chopinho, trabalhando pra família. Se cada um ficar quieto no seu canto, fazendo as coisas certinho, sem aturar desaforo; se cada um tomar vergonha na cara, for pra guerra, for pra fila com vontade e paciência – não é possível! Esse negócio melhora, porque ou muito me engano, ou tudo isso não passa, de um grande, de um doloroso, de um atroz mal-entendido!”

HUGO DIAZ – “TANGOS”:

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HUGO DIAZ – “TANGOS” e “GRANDES OBRAS” – coletânea:

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Vinícius, em flagrante carinho.

WellBach

Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 1 de 7 – Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig

Teremos uma overdose de Franz Liszt durante essa semana. Em conversa com outros colegas, comentei que tinha esta caixa que começo a postar hoje, com a obra orquestral do compositor e imediatamente o colega Ammiratore se entusiasmou dizendo que sempre quis conhecer estas gravações do Kurt Masur. Então me propus a postar mais uma coleção. Serão sete volumes, e vou postar um por dia, para fechar uma semana e claro, para os senhores melhor degustarem o material.
Os quatro primeiros CDs se intitulam ‘Weimarer Sinfonische Dichtungen’, os Poemas Sinfônicos de Weimar”, e trazem os doze poemas sinfônicos, além da Sinfonia Faust.
Kurt Masur e a magnífica Orquestra do Gewandhaus de Leipzig dão um show de interpretação, como não poderia deixar de ser, em se tratando de músicos deste nível.
Este primeiro CD já traz uma obra prima indiscutível, ‘Les Preludes’, uma verdadeira aula de orquestração. Creio que seu genro Wagner tenha se inspirado bastante com essa obra.

01. Ce qu’on entend sur la montagne
02. Tasso. Lamento e Trionfo
03. Les Preludes
04. Orpheus

Gewandhausorchester Leipzig
Kurt masur – -Conductor

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Postagem restaurada – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonies Nos. 5 & 6 – Bruno Walter – Leslie Howard #BTHVN250

61+AufDLfcLPUBLICADA ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 23/5/2014, RESTAURADO POR VASSILY EM 31/3/2020

Às vezes forço minha memória para tentar lembrar quando foi que ouvi os acordes iniciais da Quinta Sinfonia pela primeira vez, mas não consigo. Lembro de ter ouvido a Sétima Sinfonia pela primeira vez num radinho de pilha, nos tempos em que era um jovem adolescente ainda conhecendo o mundo. A memória nos prega peças, e neste caso específico, insiste em esconder esta informação. Não que isso fosse mudar alguma coisa na minha vida. Ao contrário. Talvez por isso mesmo não consigo lembrar.

frontJá com relação à Sexta Sinfonia, não tenho dúvidas que foi com o filme “Fantasia” da Disney, em alguma longínqua Sessão da Tarde global, lá nos idos dos anos setenta, em alguma tarde de minha infância ou adolescência. Só mais tarde apareceu o vídeo cassete, e então pude rever aquela animação, que marcou tantas gerações.

Enfim, mais dois monumentos da criatividade humana. Ah, antes que me esqueça, essa versão da Sexta Sinfonia nas mãos de Bruno Walter é considerada uma das melhores de toda a história da indústria fonográfica. Ouçam e tirem suas próprias conclusões.

Symphony No.5 in C minor, Op. 67
I. Allegro Con Brio
II. Andante Con Moto
III. Allegro
IV. Allegro

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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Symphonie Nr. 6 F-dur «Pastorale», Op. 68
I. Erwachen heiterer Empfindungen bei der
II. Szene am Bach (Andante molto mosso)
III. Lustiges Zusammensein der Landleute (Allegro)
IV. Gewitter. Sturm (Allegro)
V. Hirtengesang. Frohe und dankbare

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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FDPBach

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Credo

Vejam bem, meus amigos, nada tenho contra CDF Bach, muito pelo contrário! Só que costumo postar o que ouço e estou em pleno período — alguns diram crise — moderno. Espero não provocar a ira cedeefiana.

Um comentarista escreveu algo muito interessante sobre o Credo de Penderecki: aqui, ele não utiliza estilos de empréstimo de outros compositores; aqui, é a própria voz de Penderecki numa composição que une coral e solistas de forma absolutamente natural. O compositor teve a fortuna de contar com Helmuth Rilling e um notável grupo de solista na estreia que apresentamos, mas o que interessa realmente é a espetacular música de indiscutível religiosidade que nos faz pensar em alguns grandes autores do passado, como nosso papai.

Deixo-vos com o entusiasmado comentário de um músico:

A masterpiece for this century in a superb recording

In June 1999 I had the privelege of performing a recently written work by Polish composer Krzysztof Penderecki, under his direction. By that time I had no idea who was Penderecki, but as soon as I heard that piece I was enchanted by his music: the piece was Credo. Since then, I have been studying his art and atracted even more to his music. Credo is definitely a masterpiece for this century, from the beginning till the end. As soon as it begins, with the choir, in the powerful main theme it captures all your attention. Particularly expressive is the place where the theme comes back, with the soloists. The second movement is very beautifull and rich in textures and solo melodies that express the happening of the Lord’s birth. But the focus point should be the third movement, with it’s Latin, Polish and German interpolations. The quasi aria Pangue Lingua (Mz) is rich in power and virtuosity, but it is enriched by the glorious appearance of the hymn Ludu moj ludu, for me, the most beautiful moment in the whole piece. The 4th movement is incredibly dramatic and rhythmic. The 5th, brings again the main theme with virtuoso parts for the soloists. I must take notice of the powerful harmonies in the brasses in “visibilium omnium” and the beautiful melody in the choir in “unum Dominum…” After a big dramatic section, it begins to push toward the ending, only interrupted by an Alleluia in the children’s choir that resembles the Gregorian chant. The finale is amazing: three big Amens, but…, wait…, a soft chord in the offstage brass remind us that Credo is supposed to be part of a BIG Mass to be completed soon. So this is not really THE END. This recording is great: the choirs, the orchestra, the soloists, the CONDUCTOR, but the one who should REALLY be praised is the composer. Bravi!

F.J. Rivera

Penderecki – Credo

1. Credo: I. Credo In Unum Deum
2. Credo: II. Qui Propter Nos Homines – III. Et Incarnatus Est
3. Credo: IV. Crucifixus
4. Credo: V. Et Resurrexit Tertia Die
5. Credo: VI. Et In Spiritum Sanctum – VII. Et Vitam Venturi Saeculi

Juliane Banse, Soprano / Milagro Vargas, Mezzosoprano / Marietta Simpson, Mezzosoprano / Thomas Randle, Tenore / Thomas Quasthoff, Basso
Helmuth Rilling, conductor
Oregon Bach Festival Orchestra and Choir

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Descanse em paz!

PQP (2008) / Pleyel (2020)

Sofia Gubaidulina (1931-): “Stimmen… Verstummen…” — Sinfonia em 12 movimentos

Não há mais um corrimão de histórias que contam aonde todos estão indo e por quê. O progresso é uma marcha para a frente, arrastando outros tempos e ritmos junto consigo. Sem o progresso, podemos notar outros ritmos temporais. Cada ser vivo altera o mundo com pulsos sazonais de crescimento e morte. Essas formas de vida criam mundos também, e nos ensinam a olhar ao redor ao invés de para a frente. (Anna Tsing, 1952-)

Hoje encerramos a série de sinfonias do século XX, que começou com Scriabin, passou pela Polônia, Inglaterra, França, deu um pulo na América Latina e retorna em grande estilo à Rússia, talvez a terra onde a forma sinfônica frutificou com mais abundância no século passado.

A obra de Gubaidulina merece o nome de sinfonia no sentido de se tratar de uma obra longa, sem solistas, para uma grande orquestra que inclui quatro percussionistas, celesta e órgão. Mas não guarda qualquer relação com a forma sinfonia no seu sentido mais tradicional, imortalizado por Beethoven, em que o desenvolvimento de uns poucos temas espelhava musicalmente a noção de progresso que, convenhamos, é tão típica do século XIX, já parecia fora de lugar no XX e combina com o XXI assim como um elefante com uma loja de cristais.

Gubaidulina disse em uma entrevista que Webern, ao lado de Bach, foi a influência mais crucial em sua formação. Embora sua música não se pareça com Webern, quem conhece Webern entende melhor o que ela está fazendo. As noções tradicionais europeias de progressão e desenvolvimento são irrelevantes para a música desses dois compositores, como é evidente no concerto para violino ‘Offertorium’, de 1980, um dos trabalhos com os quais Gubaidulina estabeleceu sua reputação. Ela sempre insistiu que, apesar de sua obsessão por experiências sonoras, as técnicas são, em última análise, evidências de estados mentais ao mesmo tempo humanos e divinos. Ela não tem medo de palavras como ‘espírito’ e ‘misticismo’, afirmando que a busca de novidade em si é coisa para os jornais, enquanto a arte é por sua natureza ‘interessada em todas as outras coisas’.

A Sinfonia Stimmen… Verstummen (1986) não desenvolve sinfonicamente um argumento musical ou retórico, mas apresenta em doze seções de duração variável uma sucessão de momentos que existem independentemente do tempo. As seções ímpares vão retornando à perfeição tonal da tríade em ré maior, enquanto as seções pares se tornam gradualmente mais longas e complexas, explorando em profundidade vários tipos de recursos sonoros – cânones lineares unidos organizados com exatidão matemática, glissandos abraçando uma multiplicidade de tons, harmônicos naturais, clusters… No final, a tríade de ré maior ressoa em seu brilho imaculado.

Como escreveu Mike Silverton, a música de Gubaidulina se move através de momentos que se seguem, mas nunca através de um enredo que, para chegar a uma conclusão, deve reunir suas partes e resolver seus aspectos. Na 1a e na 2a audição, dá vontade de dizer “Adorável. O que aconteceu mesmo?”

O CD termina com Stufen, outra obra para grande orquestra, desta vez com alguns versos recitados pelo maestro Gennady Rozhdestvensky, que rege com excelência a orquestra sueca. Se Svetlanov era considerado o grande intérprete soviético de Scriabin, se Mravinsky era o mensageiro de Shostakovich, Rozhdestvensky foi o fiel escudeiro dos vanguardistas Gubaidulina e Schnittke. A sinfonia Stimmen… Verstummen foi dedicada a Rozhdestvensky. Por favor não me perguntem como se pronuncia o nome do maestro, mas Gubaidulina, pelo que ouvi em alguns vídeos, se fala com acento no U, mais ou menos como a palavra única.

Sofia Asgatovna Gubaidulina (b. 1931)
Stimmen… Verstummen – Symphony in twelve movements

For Gennady Rozhdestvensky
1 I 1:38
2 II 2:06
3 III 0:56
4 IV 2:01
5 V 0:39
6 VI 4:25
7 VII 0:30
8 VIII 11:07
9 IX 0:56
10 X 1:39
11 XI 1:53
12 XII 6:11
13 Stufen 18:02
Royal Stockholm Philharmonic Orchestra – Gennady Rozhdestvensky
Premiere recordings

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Pleyel

Nicolo Paganini (1782-1840) -Violin Concertos No.3, 4, 5 e 6 – Accardo, Dutoit, LPO

accardopaganini

REPOSTAGEM !!! NOVOS LINKS !

Vou encerrar a série dos Concertos em um arquivo só, para poder dar andamento às minhas outras postagens.

Enjoy it.

1. Violin Concerto No.3 in E – 1. Introduzione (Andante) – Allegro marziale – cadenza: Salvatore Accardo
2. Violin Concerto No.3 in E – 2. Adagio (Cantabile spianato)
3. Violin Concerto No.3 in E – 3. Polacca (Andantino vivace)

4. Violin Concerto No.4 In D Minor, MS. 60 1. Allegro maestoso-Cadenza Salvatore Accardo
5. Violin Concerto No.4 In D Minor, MS. 60 2. Adagio flebile con sentimento
6. Violin Concerto No.4 In D Minor, MS. 60 3. Rondo galante (Andantino gaio)

7. Violin Concerto No. 5 In A Minor, MS. 78 1. Allegro maestoso-Cadenza Remy Principe Salvatore Accardox
8. Violin Concerto No. 5 In A Minor, MS. 78 2. Andante, un poco sostenuto-attacca
9. Violin Concerto No. 5 In A Minor, MS. 78 3. Finale-Rondo. Andantino quasi Allegretto

10. Violin Concerto No.6 In E Minor, MS. 75-Orchestrated By Federico Mompellio 1. Risoluto-Cadenza Salvatore Accardo
11. Violin Concerto No.6 In E Minor, MS. 75-Orchestrated By Federico Mompellio 2. Adagio-Cadenza Salvatore Accardo
12. Violin Concerto No.6 In E Minor, MS. 75-Orchestrated By Federico Mompellio 3. Rondò ossia Polonese

Salvatore Accardo – Violin
London Philarmonic Orchestra
Charles Dutoit – Director

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Postagem restaurada – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonies Nos. 3 & 4 – Bruno Walter – Leslie Howard #BTHVN250

61+AufDLfcLPUBLICADA ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 21/5/2014, RESTAURADO POR VASSILY EM 30/3/2020

Mais duas sinfonias de Beethoven, em sua versão original para orquestra e na versão transcrita para piano por Liszt. Desta vez temos a monumental Sinfonia nº 3, uma das mais belas páginas da história da música ocidental, que dispensa apresentações. Mesmo depois de tantos anos ouvindo-a constantemente, não me canso jamais de ouvi-la. Sua Marcha Fúnebre está com certeza entre as mais belas páginas já escritas na história da música.

frontA outra sinfonia é a de nº 4, um tanto quanto menosprezada, afinal estaria entre duas obras primas absolutas de Beethoven, a terceira e a quinta. Mas trata-se obviamente de um equívoco considerá-la uma obra menor do repertório sinfônico do gênio de Bonn. Não tem o mesmo impacto das acima citadas, mas precisamos colocá-la como uma obra de transição, um estudo que o compositor realizou para testar os limites do que poderia ser feito até chegar à uma fórmula ideal. Seu denso adagio inicial em um primeiro momento consegue esconder o que virá pela frente e sua explosão em um allegro vivace sempre me surpreende.

Symphony No.3 in E-flat Major, Op. 55 ‘Eroica’
I. Allegro con brio
II. Marcia funebre. Adagio assai
III. Scherzo. Allegro vivace
IV. Finale. Allegro molto

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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01 – Symphonie Nr. 4 B-dur, Op. 60
I. Adagio. — Allegro vivace
II. Adagio
III. Allegro vivace. — Un poco meno allegro
IV. Allegro ma non troppo

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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FDPBach

Maurice Ravel (1875-1937): Peças para Piano – Akiko Ebi

Maurice Ravel (1875-1937): Peças para Piano – Akiko Ebi

Maurice Ravel

Le Tombeau de Couperin

Gaspard de la Nuit

Sonatine pour piano

Akiko Ebi

 

Vocês sabem, eu sou completamente dependente de música para piano. Ultimamente tenho ouvido alternadamente música de Beethoven, pelo #BTHVN250, música de Bach (é claro…) e música dos compositores franceses, tudo para piano ou com piano.

Este disco com peças de Ravel já está na minha playlist há alguns meses e hoje chegou o dia de dividi-lo com vocês.

Tenho me interessado bastante pelo trabalho de pianistas orientais e encontrado gratas surpresas. Algumas delas acabo trazendo para o blog, incluindo esta daqui.

A pianista Akiko Ebi nasceu em Osaka e estudou na Universidade de Belas Artes de Tokyo. Posteriormente estudou em Paris e a sua carreira internacional decolou ao ganhar o Grand Prix na Competição Internacional Long/Thibaudet. Ela também foi finalista da Competição Internacional Fryderyk Chopin, de Varsóvia. Descobri que Martha Argerich foi sua mentora só depois de gostar muito deste disco… Além de Martha, Aldo Ciccolini e Vlad Perlemuter contribuíram em sua formação. Buscando outros discos da Akiko Ebi, descobri que ela contribuiu para a gravação da obra completa de Chopin pelo Instituo Chopin de Varsóvia. Veja a capa do disco com os Prelúdios na ilustração da postagem.  Ela também foi a solista dos Concertos para Piano na versão com instrumentos de época, usando um piano Erard, acompanhada pela Orchestra of the 18th Century regida por Frans Brüggen.

O repertório do disco incluiu as principais peças para piano de Ravel, como Le Tombeau de Couperin e Gaspard de la Nuit.

Ondine

A peça mais difícil do disco é realmente o tríptico Gaspard de la Nuit. A peça foi inspirada em versos do poeta Aloysuis Bertrand, que remetem a histórias de fadas, mistérios e fantasmas. A literatura certamente inflamou a imaginação de Ravel. As três peças que compõem a obra têm em parte o estilo rápido-lento-rápido, com a primeira e a última muito virtuosísticas, enquanto a peça central, Le Gibet, descreve uma cena assustadora, com a figura de um enforcado na paisagem. Tudo isto em uma das mais difíceis partituras para piano de toda a literatura. Você pode descobrir mais informações sobre esta obra clicando aqui ou aqui.

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Le Tombeau de Couperin

  1. Prélude
  2. Fugue
  3. Forlane
  4. Rigaudon
  5. Menuet
  6. Toccata

Prélude pour piano

  1. Prélude

Gaspard de la Nuit

  1. Ondine
  2. Le Gibet
  3. Scarbo

Sonatine pour piano

  1. Modéré
  2. Mouvement de menuet
  3. Animé

Jeux d’eau

  1. Jeux d’eau

Akiko Ebi, piano

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FLAC | 215 MB

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MP3 | 320 KBPS | 143 MB

Akiko Ebi

Gaspard de la Nuit é famosa por sua dificuldade e isto se deve ao fato de Ravel ter tentado fazer de Scarbo uma peça ainda mais difícil do que a espinhosíssima Islamey, de Balakiriev. Em breve postaremos um disco com peças para piano russas, Islamey entre elas. Você então poderá tirar as suas próprias conclusões, pelo menos sob a perspectiva do ouvinte. Enquanto isso, aproveite!

René Denon

Niccolò Paganini (1782-1840) – Violin Concerto No.1 in D, Op.6, Violin Concerto No.2 in B minor, Op.7

accardopaganini

Provavelmente essa integral deve ser a campeã de repostagens daqui do PQPBach. A primeira vez foi lá nos primórdios do blog, entre 2007 e 2009, depois novamente ali no começo da década passada, repetindo a dose em 2016 e agora, em 2020.

Eram outros tempos, com certeza. A internet era estupidamente lenta, adsl com incríveis 1,5 mb/s de velocidade, cada upload demorava em média 30 minutos, nos dias de boa vontade da operadora. Eu morava em um sítio, hoje  vivo em um apartamente onde a operadora me entrega 240 mb/s … subo um cd em alguns segundos.  Baixo um arquivo de 7 gb em alguns minutos … enfim, tudo evolui.

Andei pesquisando, e não consegui encontrar outra gravação integral dos concertos de Paganini. Se alguém conhecer, me avisa.  Salvatore Accardo sempre será o meu favorito nesse repertório.

Devido ao tremendo sucesso dos Duos para guitarra e violino que postei semana passada (123 downloads indagorinha, em uma semana de postagem, um recorde do blog, creio), vou postar a partir de hoje a integral dos concertos para violino, de Nicolo Paganini.

A interpretação estará sempre a cargo do grande Salvatore Accardo, em minha modesta opinião o maior intérprete destes concertos dos últimos 20 ou 30 anos. A familiaridade que Accardo tem com estes concertos é impressionante, e sua interpretação beira as raias do absurdo. Reza a lenda que o um dos violinos de Accardo (obviamente Stradivarius) pertencera ao próprio Paganini, não sei se essa história é real, mas não importa. O que importa é como ele é tocado.

Muitos consideram Paganini vazio, sem conteúdo, sua orquestração serviria apenas de fundo para a performance do solista. Sua vida, na verdade, era nas salas de concerto, onde reinava absoluto na sua época. Mas não podemos negar que ele desenvolveu uma nova forma de tocar violino, explorando todos os recursos do instrumento ao máximo.

O primeiro cd da série traz os concertos nº 1 e 2.  Accardo é acompanhado pela Filarmônica de Londres, regida por Charles Dutoit.

 Niccolò Paganini (1782-1840) – Violin Concerto No.1 in D, Op.6, Violin Concerto No.2 in B minor, Op.7

1. Violin Concerto No.1 in D, Op.6 – 1. Allegro maestoso
2. Violin Concerto No.1 in D, Op.6 – 2. Adagio
3. Violin Concerto No.1 in D, Op.6 – 3. Rondo (Allegro spirituoso)
4. Violin Concerto No.2 in B minor, Op.7 – 1. Allegro maestoso – Cadenza: Salvatore Accardo
5. Violin Concerto No.2 in B minor, Op.7 – 2. Adagio
6. Violin Concerto No.2 in B minor, Op.7 – 3. Rondo à la clochette, ‘La campanella’

Salvatore Accardo – Violin
London Philarmonic Orchestra
Charles Dutoit – Conductor

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Franz Liszt (1811-1886): Coleção Claudio Arrau parte 2 de 2

Nesta segunda parte das interpretações que Claudio Arrau (1903-1991) faz das peças de Liszt (1811-1886) ouvimos o grande pianista usando e abusando da sua excelente técnica, perspicaz penetrante, domínio interpretativo e tom brilhante. Na minha opinião, obviamente esta técnica significa a capacidade de produzir sons pianísticos expressivos, sensíveis ao contexto e não apenas pressões rápidas dos tons certos (ai vira uma máquina de escrever!).

 

CD4 (1973-1978)
Esta é a gravação que mais gosto da Sonata de Liszt. O som da gravação é excelente e a apresentação do Cláudio Arrau não é exagerada ou bombada – pelo contrário, muito poética. Claro que há Horowitz, Zimmermann, Bolet, Argerich, Richter, Guilels, Brendel e outros gigantes, mas Arrau está sublime. Este álbum parece reunir uma espécie de quintessência das composições mais bonitas ou das mais profundas ou virtuosas (principalmente nos estudos de concerto e em certas passagens da sonata). Aqui domina os temas poderosos e a evolução do discurso, a narração da história, contada com o timbre do piano que Claudio Arrau domina tão bem. Ele toca cada nota audivelmente, nenhuma é deixada sumir debaixo da onda sonora dos “glissandi” (gosto muito do Horowitz mas ele peca nesse ponto). Acho que a emoção da música se manifesta de maneira mais reveladora e espetacular nesse tipo de versão do que nas performances abertamente ousadas. Sua visão nas três peças da “Harmonies poetiques et religieuses “ é ampla, percebe todos os pequenos detalhes que podem contribuir para a impressão geral de uma magnífica obra para piano, que é ao mesmo tempo revelada como uma das obras supremas da arte musical da era romântica. Tem uma historinha legal a respeito da Sonata: num recital de Liszt, na Corte de Weimar, em meio a apresentação da dita Sonata o compositor J. Brahms deu uma cochilada bonita, com direito a ronco e baba. Quando acordou teve que justificar polidamente que estava exausto de viajar (uma testemunha ocular relatou, num extenso fórum a respeito do tema no PQPBach Convention Center, que ele namorou demais a Clara e foi ao recital logo em seguida. Convenhamos: ai ninguém aguenta, da soninho mesmo). O resultado foi que Liszt teria ficado magoado com o belo e talentoso Johannes e nunca mais quis saber do compositor.

01 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 1. Lento assai
02 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 2. Grandioso
03 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 3. Andante sostenuto
04 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 4. Allegro energico
05 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 5. Moderato
06 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 6. Andante
07 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 7. Quasi Preludio
08 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert1. Il lamento
09 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert2. La leggierezza
10 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert3. Un sospiro

Piano: Claudio Arrau

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CD5 (1969)
Este quinto CD contém trechos de “Années de pèlerinage” e dois Estudos de Concerto são peças que tem seu brilho próprio. Ao longo da elaboração dos três livros do ciclo “Années de pèlerinage” Liszt teve muita influência. Ele estudou diversos estilos de música ao longo dos anos das viagens. O problema com Liszt é que ele foi em muitas direções melódicas. Há Liszt, o virtuoso, Liszt, o compositor germânico, Liszt, o húngaro, e Liszt, o compositor francês, e de alguma forma, nesses três livros, temos um pouco de tudo isso. Além disso, é incrivelmente romântico, no sentido de que tudo é influenciado pela poesia, pelo que ele estava lendo. Os três livros retratam as descobertas musicais enquanto ele viajava pela Suíça e Itália. Arrau neste CD interpreta de forma lógica, orgânica e, acima de tudo, com bastante emoção. Absolutamente recomendado.

01 – Liszt – Sonetto 104 del Petrarca
02 – Liszt – Ballade Nr.2 h-moll
03 – Liszt – Sonetto 123 de Petrarca
04 – Liszt – Vallee d’Obermann
05 – Liszt – Valse oubliee Nr.1 Fis-dur
06 – Liszt – Les jeux d’eaux р la villa d’Este
07 – Liszt – Konzert-Studie Nr.1 Waldesrauschen – Murmures de la foret
08 – Liszt – Konzert-Studie Nr.2 Gnomenreigen – Ronde des lutins

Piano: Claudio Arrau

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CD6 (1976-1979)
Sobre o Concerto número um de Liszt, Béla Bartók descreveu-a como “a primeira realização perfeita da forma de sonata cíclica, com temas comuns sendo tratados com base no princípio da variação”. Os principais temas do primeiro concerto são do garoto Liszt de dezenove anos (1830) ele foi revisando até a versão estreada em Weimar em 1855, com o compositor ao piano e Hector Berlioz na regência. Liszt fez ainda mais alterações antes da publicação em 1856. Esta gravação que Arrau fez dos concertos para piano datam do final de 1979 – no início das gravações digitais da Philips. Os três Estudos de concerto foram gravados antes dos dois concertos para piano, no final de 1976. A interpretação de Claudio Arrau dessas obras de Liszt é poderosa, nos leva para outra dimensão, rica em nuances delicadas, nunca com a mão pesada. A qualidade do som deste CD é excelente. A música de Arrau é algo a ser valorizado tentaremos fazê-lo com mais frequência aqui no blog.

01 Piano Concerto No.1 – Allegro Maestroso
02 Piano Concerto No.1 – Quasi Adagio
03 Piano Concerto No.1 – Allegretto
04 Piano Concerto No.1 – Allegro Marziale Animato
05 Piano Concerto No.2 – Adagio Sostenuto Assai
06 Piano Concerto No.2 – Allegro Moderato
07 Piano Concerto No.2 – Allegro Deciso
08 Piano Concerto No.2 – Allegro Animato
09 Etude De Concert – Il Lamento
10 Etude De Concert – La Leggierezza
11 Etude De Concert – Un Sospiro

Piano: Claudio Arrau
London Symphony Orchestra
Regente: Sir Colin Davis

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Claudio Arrau: Tela sob caneta preta – Studios Pixel-PQPBach – PQPlândia

Frederic Chopin (1810-1849): Préludes, Op. 28 – Eric Lu, piano

Frederic Chopin (1810-1849): Préludes, Op. 28 – Eric Lu, piano

Chopin – Prelúdios, Op. 28

Brahms – Intermezzo

Schumann – Geistervariationen

Eric Lu, piano

 

Após um ano de postagens, mais ou menos, me dou conta que nunca postei um álbum de Chopin. Estou envergonhado! Mas esta falta pretendo corrigir presto, súbito!

Chopin e o piano nasceram um para o outro. Poucos compositores influenciaram tanto a música para piano quanto o Frederico. Era grande conhecedor da literatura para teclado e tinha admiração pelas obras de Scarlatti e Bach.

Uma grande conexão dele com este último são os Prelúdios. Chopin conhecia profundamente os Prelúdios e Fugas de Bach. Este ciclo de peças certamente o instigou a produzir um ciclo de peças que também chamou prelúdios. Veja um trecho copiado de um fascículo que acompanhava um LP vendido nas bancas há muitos, muitos anos.

‘Em fins de 1838 e princípios de 1839, em Maiorca, Chopin empreendeu a tarefa de concluir a série de 24 Prelúdios, iniciada anteriormente em Paris e que levaria o número de Opus 28. […] Homenagem a Bach, foram concebidos a exemplo do Cravo Bem Temperado: ainda mais claramente que nos estudos, encontramos aqui um plano tonal preestabelecido, segundo o chamado ciclo das quintas, passando por todos os tons da escala cromática, cada tom maior seguido de perto pelo seu relativo menor (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, etc., até chegar a mi sustenido menor e seu relativo dó sustenido menor, representados por seus enarmônicos fá maior e ré menor)’.

As ditas vidraças…
Este é um legítimo descendente do gato de Chopin

Os prelúdios de Chopin são peças curtas e sua ordenação é planejada para apresentar um máximo de contraste propondo aos intérpretes um enorme desafio. Destacar a individualidade de cada peça e ao mesmo tempo apresentar um panorama completo. Liszt tinha grande admiração por estas peças que muito intrigaram Robert Schumann.

Alguns dos prelúdios acabaram se destacando, mesmo assim, como o Prelúdio No. 15, em ré bemol maior. Com indicação ‘Sostenuto’, tem o nome ‘Gota de Chuva’, puro romantismo. Neste prelúdio há uma repetição de notas que evocaria o som da chuva batendo em uma vidraça. A tal vidraça seria a da cela número 4 do mosteiro da Cartuxa de Valldemossa, que fica em Maiorca. Chopin passou uma temporada aí, em companhia da escritora George Sand, ambos buscando inspiração para suas obras.

O disco que escolhi para a postagem é um dos primeiros de um jovem talentosíssimo pianista de pouco mais do que 20 anos, Eric Lu. Ele ganhou o primeiro prêmio do importantíssimo The Leeds International Piano Competition em 2018, tocando o maravilhoso Quarto Concerto para Piano de Beethoven. Na ocasião ele também interpretou a Segunda Sonata e a Quarta Balada de Chopin.

Eu imagino que ao longo de sua vida ele mudará sua perspectiva sobre este ciclo e possivelmente mudará sua interpretação. De certa forma, ele já iniciou este processo, pois há uma gravação anterior, mas que ele considera mais um documento de uma de suas provas em concurso do que uma gravação mais definitiva. A gravação desta postagem foi feita no excelente estúdio Teldex, em Berlim. Veja o que foi dito sobre este aspecto do álbum em uma crítica que você poderá ler na íntegra aqui.

The piano sound here has a sumptuous warmth and tasteful reverb that enhances rather than masks the superb clarity.

Além dos prelúdios, Lu também interpreta a última obra composta por Schumann, um conjunto de variações – Geistervariationen. Achei a peça enigmática. Mas, ouvirei mais algumas vezes. Entre elas, um lindíssimo intermezzo de Brahms, que contrasta de maneira dramática do último dos Prelúdios, o tempestuoso Prelúdio em ré menor, justamente chamado ‘Tempestade’.

Frederic Chopin (1810 – 1849)

Prelúdios, Op. 28

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Intermezzo, Op. 117, 1

Robert Schumann (1810 – 1856)

Tema com Variações, WoO 24 – ‘Geistervariationen’

Eric Lu, piano

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FLAC | 668 MB

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MP3 | 320 KBPS | 439 MB

Observação: As faixas 19 e 20 do CD original foram unidas em uma só, para garantir a continuidade da música. Assim, as 23 primeiras faixas do arquivo contêm os Prelúdios e as seguintes, o restante da música.

 

Nesta entrevista Lu fala sobre a escolha do repertório para o disco, explica um pouco como foram as gravações. Ele fala de modo bem especial sobre as últimas composições do disco. Vale o trabalho de ler…

Aproveite!
René Denon

Postagem restaurada – Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – Klemperer CD 6 de 6 – Symphony n°9, in D Minor, “Choral” op. 125 – Klemperer, Ludwig, Philharmonia

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 16/11/2012, RESTAURADO POR VASSILY EM 28/3/2020

Então chegamos no momento culminante, a maior de todas as sinfonias. Esta sinfonia é tão grandiosa que dispensa maiores comentários. Ela fala por si própria. Basta a mencionarmos que o tema do Ode à Alegria nos vem a mente. É a celebração maior da vida, a culminação da carreira de um dos maiores gênios que a humanidade produziu. Só temos de render-lhe graças e apreciarmos cada detalhe, cada momento, e a termos sempre conosco, para nos alegrar nos momentos de tristeza, para sabermos que ainda existe esperança no final do túnel. Volto a repetir, antes de tudo, a Nona Sinfonia de Beethoven é uma celebração à vida.
Otto Klemperer morreria dois anos depois de realizar esta gravação, e com a certeza de dever cumprido. Foi um dos gigantes da regência do século XX.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonies – CD 6 de 6 –
Symphony n°9, in D Minor, “Choral” op. 125 –
Klemperer, Ludwig, Philharmonia

01. 1. Allegro non troppo, un poco maestoso
02. 2. Molto vivace – Presto
03. 3. Adagio molto e cantabile – Andante moderato
04. 4. Finale
05. Prometheus, Op.43

Aase Nordmo Løvberg – Soprano
Christa Ludwig – Mezzo Soprano
Waldemar Kmentt – Tenor
Hans Hotter – Baixo
Philharmonia Orchestra & Chorus
Otto Klemperer

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FDP

Arvo Pärt (1935): Symphony No. 4 “Los Angeles”

Arvo Pärt (1935): Symphony No. 4 “Los Angeles”

  • Repost de 27 de Março de 2016

Trinta e sete anos foi o intervalo entre a composição da terceira sinfonia de Arvo Pärt e a quarta. Aqui temos o famoso tintinnabuli de Arvo Pärt em seu ápice: a forma orquestral.

Se vocês ouviram bem a Terceira Sinfonia, puderam notar que certos elementos hoje tão presentes na música de Pärt já eram perceptíveis lá, durante sua fase de transição. Mas é aqui que aquele sabor tão inconfundível do tintinnabuli de hoje fica claro.

Recomendo que os senhores prestem atenção em cada detalhe desta música. Pensem nela como a pele de uma mulher a quem fazemos um carinho deliciosamente delicado, cada movimento, cada pausa, cada cabelo tocado é um estímulo a mais. Da mesma forma, aqui cada corda, cada madeira, triângulo, marimba, sino que é tocado é um novo estímulo. É a percussão que mais chama nossa atenção. É como se a orquestra de cordas fizesse o papel objetivo da música. O tom, melodia, harmonia, etc. Enquanto que os instrumentos de percussão trouxessem o aspecto subjetivo, introspectivo, e, quem sabe, talvez até espiritual desta sinfonia.

Se o ouvinte chegar a ela esperando a “bagunça” das duas primeiras sinfonias ou a “grandeza sentimental” da terceira não encontrará isso tão facilmente aqui. Ao invés de Los Angeles eu teria a chamado de Delicata.

Arvo Pärt (1935): Symphony No. 4 “Los Angeles”

Symphony No. 4 “Los Angeles” (35:09)
1 Con Sublimità 12:04
2 Affannoso 14:12
3 Deciso 8:45
Orchestra – Los Angeles Philharmonic*
Conductor – Esa-Pekka Salonen

4 Fragments From Kanon Pokajanen (14:50)
Choir – Estonian Philharmonic Chamber Choir
Conductor – Tõnu Kaljuste

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LINK ALTERNATIVO

Eai baixinho, dando um rolê de bike?
Eai baixinho, dando um rolê de bike?

Luke

Carl Phillip Emanuel Bach (1714-1788) – CPE Bach Project 2 – Ophélie Gaillard – Pulcinella Orchestra

Por muitos anos, os filhos compositores de Johann Sebastian Bach eram vistos apenas como epígonos pálidos e distantes de suas pai, sem genialidade — uma visão sem sentido que pode somente ser explicado pelo conhecimento inadequado de suas obras.

Hoje, com melhor acesso às suas composições, podemos ter um melhor entendimento de seu verdadeiro valor, principalmente de seus dois filhos mais velhos, Wilhelm Friedemann e Carl Philipp Emanuel. É claro que a única opção deles era escapar da sombra gigantesca lançada sobre eles devido a grandeza de seu pai. Johann Nikolaus Forkel, o primeiro biógrafo de Johann Sebastian, que os conhecia pessoalmente, escreveu em 1802:

‘Tanto ele [C. P. E. Bach] e seu irmão mais velho admitiram que eles foram levados a adotar um estilo próprio pois desejam evitar a comparação com o pai incomparável”. Carl Philipp Emanuel Bach, que era um admirador forte da genialidade de seu pai e um ardente propagandista de sua obras, abriu um novo caminho para si mesmo nessa nova era de sensibilidade vibrante. Altamente admirado em seu próprio século por Haydn, Gluck e Mozart, ele se destaca hoje como um brilhante e compositor altamente original.”

O texto acima foi livremente traduzido por mim, com ajuda do Google Translator, porém é bem maior. Pode ser lido em sua íntegra no booklet que segue em anexo.

Sinfonia No. 3 in C major, Wq. 182/3 (H. 659)
1. Allegro assai
2. Adagio
3. Allegretto

Cello Concerto No. 2 in B-flat major, Wq. 171 (H. 436)
4. Allegro
5. Adagio
6. Allegro assai

Sinfonia in E minor, Wq. 178 (H. 653)
7. Allegro assai
8. Andante moderato
9. Allegro

Piccolo Cello Sonata in D major, Wq. 137 (H. 559)
10. Adagio, ma non tanto
11. Allegro di molto
12. Arioso

Harpsichord Concerto in D minor, Wq. 17 (H. 420)
13. Allegro
14. Un poco adagio
15. Allegro

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BOOKLET – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP

Postagem restaurada – Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – Klemperer (5/6)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 9/11/2012, RESTAURADO POR VASSILY EM 27/3/2020

Neste volume Klemperer nos traz a 8ª Sinfonia, outro caso de uma obra de Beethoven pouco interpretada e até mesmo pouco gravada. O que é uma pena, pois ela é uma bela introdução para o que virá pela frente com todo o gigantismo da Nona Sinfonia.
Para completar o CD, temos as três aberturas Leonore e a abertura Coriolan, op. 72.

01. 1. Allegro vivace con brio
02. 2. Allegretto scherzando
03. 3. Tempo di Menuetto
04. 4. Allegro vivace
05. Leonore No.1, Op.138
06. Leonore No.2, Op.72
07. Leonore No.3, Op.72a
08. Coriolan, Op.62

Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer – Conductor

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FDPBach

.: interlúdio :. John Coltrane Quartet – My Favorite Things (1961)

O pianista McCoy Tyner morreu no dia 6 de março de 2020, aos 81 anos. Dos membros do mais famoso quarteto de Coltrane, era o último entre nós. A causa da morte não foi divulgada.

Tyner era mais conhecido por seus anos como membro do John Coltrane Quartet, um dos grupos mais icônicos e revolucionários do jazz. Foi com Coltrane, de 1960 a 65, que Tyner reescreveu as regras do piano de jazz com seus acordes percussivos e cheios de notas.

O primeiro disco dessa formação do quarteto de Coltrane, My Favorite Things, foi lançado em 1961 e teve grande sucesso, especialmente a faixa-título. O pianista atacou a música de Rodgers & Hammerstein com ondas marteladas de acordes modais e repetitivas, porém atraentes, que eram tão proeminentes quanto o saxofone soprano de Coltrane. A música se tornou o cartão de visitas de Coltrane, tocada todas as noites – mas era igualmente importante, se não mais, para Tyner. (Pleyel, com trechos copiados de JazzTimes)

Queria postar Mingus (e o farei em breve) – mas não tenho ouvidos pra ele ultimamente; tenho passado as horas a reencontrar meu disco preferido de jazz. My Favorite Things, gravado entre 24 e 26 de outubro de 1960 por Coltrane, é uma aula de música envolta em uma aura de simplicidade e candura. Não obstante, a faixa-título é uma valsa – de The Sound of Music, o musical. Coltrane (e McCoy Tyner, ao piano) abraçam o ouvinte pelas orelhas e o fazem girar em notas mais do que perfeitas e jamais excedentes. O quarteto mostra mais do que coesão – também generosidade de Trane, que em seus arranjos favorece a construção sonora mais do que a própria voz (o sax). São as sheets of sound que formaram sua identidade musical. Puro deleite de jazz modal, indicado inclusive para iniciantes que se sentem oprimidos pelo bop mas desejam um pouco mais de complexidade. Aproveitem o rip em alta definição e não tenham medo de usar os fones de ouvido. (Bluedog)

John Coltrane – My Favorite Things
01 My Favorite Things (Rodgers, Hammerstein) – 13’47
02 Everytime We Say Goodbye (Porter) – 5’54
03 Summertime (G. Gershwin, Heyward) – 11’37
04 But Not for Me (G. Gershwin, I. Gershwin) – 9’35

John Coltrane: soprano saxophone (1, 2), tenor saxophone (3, 4)
McCoy Tyner: piano
Steve Davis: bass
Elvin Jones: drums
Produzido por Nesuhi Ertegun para a Atlantic

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320kbps)

McCoy Tyner e John Coltrane em 1963

Bluedog (2007) / Pleyel (2020, repostagem e homenagem e McCoy Tyner)

Bedřich Smetana (1824-1884): Minha Pátria (Má Vlast) – Harnoncourt

Bedřich Smetana (1824-1884): Minha Pátria (Má Vlast) – Harnoncourt

Minha Pátria é um conjunto de seis poemas sinfônicos escritos por Bedřich Smetana. De inspiração nacionalista, este poema tem por objetivo retratar cenas da região da Boêmia, de onde o compositor era oriundo.

Smetana passou a vida defendendo a libertação de sua querida pátria das mãos do poderoso Império Austro-Húngaro.  Também é conhecido como o pai da música tcheca.  Talvez ele tenha sido o primeiro compositor a se utilizar dos elementos do folclore e da música popular de seu país. Foi um grande amigo e maior influenciador de Antonín Dvořák, que é o compositor tcheco mais conhecido.

Nikolaus Harnoncourt dispensa apresentações. Com uma carreira internacional reconhecida já há mais de 50 anos, tornou-se um dos grandes regentes do século XX e deste início do século XXI. Suas gravações são sempre reconhecidas como de excepcional qualidade. E nesta sua leitura de Smetana não é diferente.

Convenhamos que com uma orquestra do nível da Filarmônica de Viena as coisas até se tornem um pouco mais fáceis, mas claro que ele impõe sua marca, utilizando um tempo mais cadenciado. Alguns comentaristas se enfureceram com isso. Não vou perder tempo com estas considerações, deixo para os senhores tirarem suas próprias conclusões depois de lerem o excelente booklet assinado pelo próprio Harnoncourt.

(PQP achou o disco sensacional).

Bedřich Smetana (1824-1884): Minha Pátria (Má Vlast) – Harnoncourt

1-1 Vyšehrad 15:55
1-2 Vltava 12:54
1-3 Šárka 10:41
2-1 Z Českých Luhů A Hájů 13:52
2-2 Tábor 14:25
2-3 Blaník 15:28

Wiener Philharmoniker
Nikolaus Harnoncourt – Director

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FDPBach (com PQP)

Sergei Vasilievich Rachmaninoff (1873-1943): Destination Rachmaninov Arrival – Pianos Concertos nº 1 e 3, The Bells, Vocalise

Daniil Trifonov desembarca em grande estilo de sua aventura rachmaninoviana tocando o Primeiro e o Terceiro Concertos para Piano. Trifonov ainda é jovem, e acredito que vai voltar a estes concertos em alguns anos, mais experiente e maduro. Técnica ele tem sobrando. Falta talvez um pouco de maturidade e experiência, que os senhores vão encontrar sobrando com o Horowitz / Ormandy e com outra gravação histórica que o René Denon irá postar logo, logo, com Sviatoslav Richter.

Não poderia afirmar que estas gravações de Daniil Trifonov são as minhas favoritas, mas, repito, ele tem a juventude a seu favor. Lembro de outras duas gravações sensacionais destes Concertos de Rachmaninov, com os solistas ainda jovens: Ashkenazy / Previn, lá dos anos 70, e a incrível gravação de Martha Argerich do Terceiro Concerto, com o Chailly. São com certeza duas gravações históricas para serem usadas como comparação. Então vamos ao que viemos?

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
The Bells, Op. 35
Arr. Trifonov for Piano
1.1. Allegro ma non tanto (The Silver Sleigh Bells)

Daniil Trifonov – Piano

Piano Concerto No. 1 in F-Sharp Minor, Op. 1
2.1. Vivace
3.2. Andante
4.3. Allegro vivace

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

5.Vocalise, Op. 34, No. 14 (Arr. Trifonov for Piano)

Daniil Trifonov

Piano Concerto No. 3 in D Minor, Op. 30
6.1. Allegro ma non tanto

7.2. Intermezzo (Adagio)
8.3. Finale (Alla breve)

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

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Postagem restaurada – Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – Klemperer (4/6)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 1/11/2012, RESTAURADO POR VASSILY EM 26/3/2020

Uma sinfonia não tão badalada e outra badaladíssima, então aqui temos a 4ª e a 7ª sinfonias.
O curioso da 4ª sinfonia é que Beethoven retorma à forma clássica em sua abertura, num  adagio tipicamente haydniano mas logo após a sisudez o que temos é um belo exemplo de como a escrita beethoveniana estava se aperfeiçando. A utilização de sopros para introduzir temas já tem ecos da 6ª sinfonia, e o tema desenvolvido se torna alegre, solto, festivo em alguns momentos. E curiosamente lembra também a 7ª, esta sim, entre as duas aqui postadas, um exemplo de maturidade e total domínio da orquestra. Comparações são inevitáveis, e para mim, a gravação definitiva da 7ª Sinfonia sempre será a de Carlos Kleiber, mas gosto é gosto, e até pode se discutir, mas mudá-lo já é outra história.
Pois bem, neste primeiro dia de feriadão (ao menos para mim) nem vou me prolongar muito, e deixarei que Otto Klemperer e sua excepcional Philharmonia Orchestra digam ao que vieram e lhes proporcionem 74 minutos de prazer e emoção.
Bom feriadão para todos. Como 70 % da população de minha cidade, amanhã de manhã pego a estrada e volto apenas no domingo. Eu mereço. Ou pelo menos fiz por merecer.

01. 1. Symphony n° 4, op. 60 – Adagio – Allegro vivace
02. 2. Adagio
03. 3. Menuetto. Allegro vivace – Trio. Un poco meno allegro
04. 4. Allegro ma non troppo
05. 1. Symphony n° 7, op. 92 – Poco sostenuto – Vivace
06. 2. Allegretto
07. 3. Presto – Assai meno presto
08. 4. Allegro con brio

Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer – Conductor

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Franz Liszt (1811-1886): Coleção Claudio Arrau parte 1 de 2

Este maravilhoso conjunto de seis discos que ora compartilho com os amigos do blog em dois posts contém as gravações de obras de Liszt (1811-1886) que Claudio Arrau (1903-1991) fez para a Philips no século passado quando beirava os setenta anos. Pianista chileno considerado por muitos como um dos artistas mais renomados do século XX. O Liszt de Arrau eu acho especial por várias razões. Por um lado, ele atende às formidáveis demandas de virtuosidade pianística da música pelo meio de sua formidável técnica. E, ao contrário de muitos pianistas – especialistas em Liszt que brincam criando novas texturas, adicionando mais oitavas e compondo novas cadências – Arrau considera fielmente a composição e resiste a qualquer tentação de acelerar ou diminuir a velocidade do efeito e de criar notas novas. Isso não significa que Arrau trata Liszt friamente – longe disso.

Prof.MartinKrause (Berlin-1914) “Esta criança há de ser a minha obra prima”

Entre os anos de 1912 a 1918 foi aluno de Martin Krause (1853-1918), que fora aluno de Liszt. No início de sua carreira Arrau executou muitas das obras do húngaro, porém por influência (muito boa por sinal) de seu professor ele aprendeu a não se tornar um especialista na música de nenhum compositor específico adotando todos os grandes compositores por igual. Consequentemente, o repertório do jovem Arrau era muito grande; no entanto, à medida que envelhecia, concentrou-se em menos compositores, passando do universal para o específico, aplicando insights quase proféticos em certas partituras, especialmente as de Beethoven , Chopin e Liszt.

Arrau começou a gravar sua série Liszt para a Philips aos setenta anos, não necessariamente uma idade auspiciosa para assumir um projeto tecnicamente desafiador, mas a energia e a imaginação que ele trouxe para essa música foram notáveis. Certamente, Arrau, o poeta-filósofo, estava no comando, e são os aspectos míticos / heróicos e espirituais da música de Liszt que são mais evidentes em suas gravações. Até exemplos tão óbvios como os Estudos Transcendentais se revelam sob as mãos de Arrau como música primeiro, e exercícios técnicos em segundo, não porque são atenuados, o que não são, mas porque o pianista analisa e extrai o núcleo musical. De fato, existem milagres técnicos em todo o lugar, mesmo que muitos ouvintes não estejam necessariamente cientes deles (apenas ouça as magníficas paráfrases de Verdi, sobretudo a belíssima “Réminiscences De Simone Boccanegra”).

Apesar de adorar as interpretações do Cláudio Arrau, sou resolutamente contrário à ideia de que qualquer performance, ao vivo ou gravada, possa ter o rótulo de “o melhor” de qualquer trabalho. A natureza humana é falível demais, as vezes cometemos injustiças dizendo que gravações medíocres dos velhos tempos são “o melhor”. Na arte, a idiossincrasia (maneira pessoal à influência de agentes exteriores) é quase parte de toda a experiência. No entanto, existem padrões – padrões de excelência, e é isso que Arrau oferece neste CD. Se você discordar, faz parte. Todos temos os nossos “eleitos”.

Altamente recomendado. O melhor de Cláudio Arrau no melhor de Liszt.

CD1 (1983)
Este disco gravado pela Philips no início dos anos 80 inicia com a peça “Apres une lecture du Dante” S. 161 é a sétima do ciclo dos “Anos de peregrinação” (2º ano Itália). Este ciclo foi composto entre 1838-1861. Inspirado na leitura do poema épico de Dante Alighieri , a Divina Comédia, a peça é dividida em duas partes. A primeira, um tema cromático em ré menor, típica tonalidade que nos leva ao lamento das almas no inferno. A segunda é um coral em Fá maior que representa a alegria dos que estão no céu. O excelente Cláudio Arrau nos presenteia com uma interpretação virtuosa como a peça requer, porém segura e sem exageros.

Frédéric Chopin escreveu 19 canções para voz e piano, definidas em textos poloneses, entre 1827 e 1847. Todos os textos das canções de Chopin eram poemas originais de seus contemporâneos poloneses estas canções foram catalogadas para publicação por Julian Fontana como Op. 74. Entre 1847 e 1860 Liszt escolheu seis peças do Op. 74 e as transcreveu para piano solo, sob o título “Six Chants polonais” S.480, são peças muito delicadas e que se encontram no repertório de todos os grandes pianistas. A interpretação do Arrau para a segunda peça “Frühling – Printemps” é magnífica.
O CD encerra com “Funérailles “ esta interpretação do maduro Arrau eu acho, na minha simples condição de “admirador”, uma das mais belas leituras, simplesmente emocionante. Ele é um dos raros pianistas que entenderam que esta música é essencialmente declamatória.

A grande força deste disco reside em uma presença singular do Cláudio Arrau, uma claridade fascinante e uma extraordinária capacidade de investir em uma forma musical que visa a transcendência. Considero como um dos CD’s lendários do pianista. Deve estar presentes para todos os que gostam das músicas do imenso compositor húngaro.

(01) [Claudio Arrau] Liszt – Années de pèlerinage II- 7. Apres une lecture du Dante
(02) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 1. Des Mädchens Wunsch – Soui
(03) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 2. Frühling – Printemps
(04) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 3. Das Ringlein – Le petit au
(05) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 4. Bacchanal – Bacchanale
(06) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 5. Meine Freundin – Ma mignoe
(07) [Claudio Arrau] Liszt – 6 Chants polonais de Frédéric Chopin- 6. Die Heimkehr – Le fiancé
(08) [Claudio Arrau] Liszt – Harmonies poétiques et religieuses- 7. Funérailles

Piano: Claudio Arrau

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CD2 (1977)
O Arrau dos Estudos Transcendentais dos anos setenta é considerado como uma das maiores interpretações já gravadas destas obras. Sou fã de Arrau. Adoro seu ciclo de Beethoven, as Valsas de Chopin (postagem do fdpbach), este CD em particular traz Liszt no seu melhor. Quem gosta destas peças pode até discordar por querer um ritmo mais vertiginoso, mas Arrau, ao adotar um ritmo mais lento, acho que dignifica as doze peças. Seja o misticismo da “Vision”; o heroísmo da “Eroica” ou do “Wilde Jagd”; seja a variante de Liszt para Tristão e Isolda no belíssimo “Harmonies du Soir” e o esquecimento que envolve tudo em “Chasse Neige”, Arrau é magistral. O poder e poesia são dele. Ouça o seu rubato em “Ricordanza”, é impecável. A braveza que é evidente em “Mazeppa” é o subproduto da genialidade. Eu prefiro Liszt tocado com base mais na interpretação poética do que apenas tocando as notas rapidamente, esta é a gravação perfeita. Os “Estudos Transcendentais” que são conhecidos por sua dificuldade notória, são cheios de paixão, emoção e romantismo e devem ser tocados com todos esses princípios em mente. Arrau que, como dito acima, foi aluno de um aluno de Liszt aprendeu e aplicou todos esses princípios a cada peça de maneira apropriada. Muitos pianistas simplesmente tocam esses estudos simplesmente para mostrar suas técnicas bombadas-marombadas e esquecem de reconhecê-los por sua musicalidade.

01 – 1. Prelude (Presto)
02 – 2. Molto vivace
03 – 3. Paysage (Poco adagio)
04 – 4. Mazeppa (Allegro)
05 – 5. Feux follets (Allegretto)
06 – 6. Vision (Lento)
07 – 7. Eroica (Allegro)
08 – 8. Wilde Jagd (Presto furioso)
09 – 9. Ricordanza (Andantino)
10 – 10. Allegro agitato molto
11 – 11. Harmonies du soir (Andantino)
12 – 12. Chasse neige (Andante con moto)

Piano: Claudio Arrau

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CD3 (1972)
Incrível este CD que mostra um “cadinho” do que Liszt fazia para divulgar as óperas em recitais pianísticos. Como na época não havia rádio, CD, mp3 e muito menos mídia no celular, era difícil e caro as montagens de óperas, grandes concertos, então os compositores talentosos faziam um “resumão” (paráfrases) das óperas ou sinfonias ao piano e podiam levar ao público em pequenas salas de concerto estas obras de montagem mais complexa. Liszt sabia exatamente o que selecionar para obter seu efeito ideal, um exemplo ótimo é o final de “Il trovatore”, ele oferece um somatório deslumbrante de temas. Todas as paráfrases são de imensa beleza, mas a “Réminiscences De Simone Boccanegra” chega a perfeição na delicada interpretação do Claudio. Em resumo este recital chega a ser arrepiante. Acima de tudo, Arrau nos dá toda a sua riqueza de expressão, além de um senso épico de grandeza operística, e seu modo profundamente especulativo como em “Aida”. Certamente este CD está entre as suas melhores interpretações (para este simples mortal que escreve estas mal traçadas linhas).

(01) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Rigoletto (Concert Paraphrase), S 434
(02) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Ernani (Concert Paraphrase), S 432
(03) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Miserere Du Trovatore, S 433
(04) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Salve Maria De Jérusalem, S 431
(05) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Aida – Danza Sacra E Duetto Finale, S 436
(06) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Don Carlos – Coro Di Festa E Marcia Funebre, S 435
(07) [Claudio Arrau] Liszt-Verdi- Réminiscences De Simone Boccanegra, S 438

Piano: Claudio Arrau

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Claudio Arrau: Tela sob carvão – Studios Pixel- PQPBach em PQPlândia

Sergei Vasilievich Rachmaninoff (1873-1943): Destination Rachmaninov – Departure – Daniil Trifonov, The Philadelphia Orchestra Yannick Nézet-Séguin

Nascido em 1991, ou seja, meros 29 anos de idade, Daniil Trifonov vem se afirmando como um dos grandes pianistas do novo século. Vencedor de inúmeras competições, recebeu elogios de Martha Argerich, que o considerou um fenômeno, afirmando que é ‘tudo e mais ‘. e “o que suas mãos fazem é tecnicamente incrível.” Acho que Martinha sabe do que fala, não acham?

Aqui neste CD embarca no que ele chama de ‘Destino Rachmaninov’, projeto no qual ele gravou os quatro Concertos do compositor russo, além de outras obras. É acompanhado por outro jovem músico, que também vem se destacando nos últimos anos, o ótimo maestro  Yannick Nézet-Séguin, que dirige a tradicional Orquestra da Filadélfia.

Aí alguém pode me questionar, poxa, Rachmaninov novamente? Não creio que se trate apenas de postar novamente Rachaminov, mas sim de mostrar os novos talentos que surgem. E Daniil Trifonov não é apenas o futuro, ele já é o presente. Tenho certeza de que ainda iremos ouvir falar muito dele.

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
Piano Concerto No. 2 in C Minor, Op. 18
1.1. Moderato
2.2. Adagio sostenuto
3.3. Allegro scherzando

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Partita for Violin Solo No. 3 in E Major, BWV 1006
Arr. Piano by Rachmaninov
4.1. Preludio3:48
5.3. Gavotte2:45
6.6. Gigue1:42

Daniil Trifonov

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
Piano Concerto No. 4 in G Minor, Op. 40
7.1. Allegro vivace (Alla breve)
8.2. Largo
9.3. Allegro vivace

Daniil Trifonov
The Philadelphia Orchestra
Yannick Nézet-Séguin

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Postagem restaurada – Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – Klemperer (3/6)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 24/11/2012, RESTAURADO POR VASSILY EM 25/3/2020

ARQUIVO CORRIGIDO COM NOVO LINK !!!!!!!!!!

Os números dos downloads dos primeiros dois cds são motivadores quando se trata de uma postagem tão longa quanto esta (220 downloads cada cd). Ainda mais morando longe dos grandes centros, com uma estrutura de internet precária como a minha, é preciso paciência para subir tantos cds assim, por isso invejo o colega Bisnaga, que está botando no ar uma coleção imensa como a da Callas.
Mas Beethoven é Beethoven, e por isso preciso dar continuidade na coleção.
Este terceiro CD traz duas sinfonias diferentes em sua concepção. A Quinta Sinfonia dispensa comentários. E adoro o tom haydniano-mozartiano tardio empregado na Segunda Sinfonia. Já comentei em outra integral destas sinfonias que postei que os dois gênios do classicismo são facilmente identificáveis nesta sinfonia mas também já é possível reconhecer a linguagem beethoveeniana se estruturando, criando vida própria, e se impondo. Citando Maynard Ferguson, “a Segunda Sinfonia, op. 36, já é obra de um mestre maduro que está liquidando contas – ou fazendo a paz – com a tradição sinfônica clássica antes de embarcar numa viagem musical sem precedentes. É uma obra que tem características retrospectivas e prospectivas: está firmemente enraizada nas últimas sinfonias de Mozart e Haydn, ao mesmo tempo que prenuncia os desenvolvimentos subsequentes de Beethoven por seus contrastes dinâmicos, modulações inesperadas e movimento propulsivo, tudo controlado por um confiante e fluente classicismo”.
Klemperer continua com total domínio da excepcional Philharmonia Orchestra, e mostra toda sua categoria e maturidade com uma Quinta Sinfonia que pode assustar alguns karajanmaníacos, como eu próprio, mas depois de um tempo entendemos sua proposta e então nos deliciamos com uma das melhores gravações desta sinfonia que já tive a oportunidade de ouvir.

01 Symphony n° 2, op. 36 – 1. Adagio molto – Allegro con brio
02. 2. Larghetto
03. 3. Scherzo and Trio. Allegro
04. 4.  Allegro molto
05. 1. Symphony n°5, em C Minor, op. 67 – Allegro con brio
06. 2. Andante con moto – Piu mosso – Tempo I
07. 3. Allegro –
08. 4. Allegro – Presto

Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer – Conductor

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FDPBach

 

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. VI – Olinto Pastore

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. VI – Olinto Pastore

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Após um hiato entre estas postagens handelianas, volto para postar mais um cd dessa coleção maravilhosa. Reconheço que desconhecia uma boa parte destas peças, e elas são realmente espetaculares. Além da qualidade da música, lindíssima, a interpretação também é excelente.

Não sei o por quê, mas sempre acabo me envolvendo com estas coleções, e dentre os outros membros do blog, minha internet deve ser a pior e mais lenta. É o preço por viver “afastado” da civilização, em um sítio, onde mal chega a linha telefônica. Afastado em termos, pois moro ao lado de uma Rodovia Federal que dá acesso à minha cidade, e os engarrafamentos são constantes nos horários de pico. Digamos que a tranquilidade venha apenas nos finais de semana.

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. VI – Olinto Pastore

Olinto, Pastore Arcade (Oh! Come Chiare E Belle), HWV 143
1 Sonata: (Allegro) 1:08
2 Aria: Oh! Come Chiare E Belle [R1] 3:17
3 Recitativo: Ma Quel Che Più D’ogn’altro [R1, RB]] 1:05
4 Aria: Chi Mi Chiama? [RB] 2:58
5 Recitativo: Dell’arcadi Foreste [R1, RB] 1:02
6 Aria: Più Non Spero [RB] 0:20
7 Recitativo: Per Te Non Più Rubella [R1, RB] 1:37
8 Aria: Caro Tebro [YAF] 3:46
9 Recitativo: Si, La Gloria Son Io [YAF] 0:44
10 Aria: Tornami A Vagheggiar [YAF] 2:29
11 Recitativo: Tebro, Tu Non Respondi? [R1] 0:32
12 Aria: Al Suon Che Destano [R1] 1:32
13 Recitativo: Di Stupor, Di Diletto [RB, YAF] 1:03
14 Aria: Io Torno A Sperare [RB] 2:44
15 Recitativo: Di Si Giuste Speranze [YAF] 0:41
16 Aria: Astro Clemente [YAF] 1:58
17 Recitativo: Tebro, Ti Dissi Il Vero [R1, RB] 1:06
18 Aria: Alle Voci Del Bronzo Guerriero [R1] 2:47
19 Coro: Viva, Viva! 0:27

Duello Amoroso (Amarilli Vezzosa), HWV 82
20 Sonata: (Allegro) 1:33
21 Menuetto 0:50
22 Recitativo: Amarilli Vezzosa [RB] 0:35
23 Aria: Pieto Sguardo [RB] 3:08
24 Recitativo: Dunque Tanto S’avanza [YAF] 4:24
25 Aria: Piacer Che Non Si Dona [YAF] 4:05
26 Recitativo: Si, Si, Crudel, Ti Accheta [RB, YAF] 0:40
27 Aria: Quel Nocchiero [YAF] 2:13
28 Recitativo: Amarilli, Amarilli [RB] 0:33
29 Aria: È Vanità D’un Cor [RB] 4:40
30 Or Su, Giacché Ostinato [YAF, RB] 1:47
31 Aria: Si, Si, Lasciame, Ingrate [YAF, RB] 2:00

Alpestre Monte, HWV 81
32 Accompagnato: Alpestre Monte [YAF] 0:49
33 Aria: Io So Ben [YAF] 5:01
34 Recitativo: Quindi Men Vengo A Voi [YAF] 1:05
35 Aria: Almen Dopo Il Fato Mio [YAF] 5:18

Cello – Caterina Dell’Agnello
Double Bass – Davide Nava
Ensemble – La Risonanza
Soprano Vocals – Roberta Invernizzi
Violin – Carlo Lazzaroni, Elena Telò, Leila Schayegh, Raffaello Negri, Rossella Borsoni, Silvia Colli

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Ainda há vida do banquete, Adriaen van Utrecht, 1644

FDPBach (revalidado por PQP)

Carl Phillip Emanuel Bach (1714-1788) – CPE Bach Project 1 – Ophélie Gaillard – Pulcinella Orchestra

AP080 - sleeve

Quando fiz a postagem deste primeiro CD ainda não conhecia muito bem esta excepcional instrumentista, arranjadora, violoncelista, musicóloga, e sei lá quantos mais adjetivos poderia acrescentar. Recentemente Gaillard concluiu o que intitulou de CPE Bach Project, lançando o segundo CD. Mas antes de apresentá-lo, precisamos atualizar esta postagem, trazendo novo link e maiores informações sobre o projeto. E é a própria Ophelie Gaillard quem se encarrega disso:

“Depois de dedicar um primeiro álbum às sonatas para violoncelo de Antonio Vivaldi, em 2005, em seguida homenageando em 2009 ao mais brilhante dos violoncelistas, Luigi Boccherini, cruzamos, com meus cúmplices do conjunto Pulcinella, o universo das cantatas de Johann Sebastian Bach via violoncelo piccolo. Além de sua sexta suíte, o Kantor confiou nada menos que nove árias a esse instrumento ao longo de seus diferentes períodos criativos. E foi dentro deste curso de explorar o repertório concertante com violoncelo na última década, um compositor conseguiu nossa atenção e continuamente voltava sob nossos dedos: Carl Philipp Emanuel Bach.

Longe de ser um epígono pálido de seu pai, a quem ele tanto admirava, sendo um de seus defensores mais ardentes e também muito longe da estética galante de sua Berlim do seu colega flautista Quantz, realizada a esse respeito por Frederico II da Prússia, Carl Philipp Emanuel de fato revelou-se em toda a sua singularidade e literalmente reinventou todos os gêneros que ele tocou. Ele revolucionou o trio sonata tanto quanto o concerto ou sinfonia, derrubou formulários e códigos até modificar a posição do solista em relação à orquestra. Aqui o violoncelo não é mais um baixo contínuo ou mesmo parte do tecido orquestral, mas realmente incorpora a alteridade, posicionando-se radicalmente de frente para a orquestra e criando um diálogo que às vezes é violento, às vezes extremamente sensual. Anuncia assim as horas de glória do violoncelo nos repertórios clássico e romântico, de Haydn a Schumann. Mozart não se enganou quando ele falou sobre C.P.E: ‘é o pai, nós somos seus filhos’. Que reviravolta no destino desse “filho de …”!
Há nove anos, estamos em companhia deste gênio surpreendente. Isso é longo ainda, ao mesmo tempo, não há muito para fazer um balanço dessa revolução. Precisamos de mais tempo para elaborar o tecido orquestral, para trabalhar no arranjo do discurso, para domesticar as eruptivas nuances de sua linguagem muitas vezes desconcertante e sua dramaturgia e lirismo poderosamente eficazes. E tempo também para absorver os conselhos do próprio compositor, que recomenda total emoção e envolvimento sensível por parte do músico, ao contrário de seu amigo Diderot em seu “Paradoxe du comédien”. Assim, ele escreveu: “Você deve primeiro sentir a emoção que você despertará no ouvinte ”
P.S. Livre tradução deste que vos escreve, com uma pequena ajuda do Google Translator.

Mais um belo CD que mostra o talento desta excepcional voloncelista, Ophélie Gaillard. Já postei outros cds com algumas destas obras, com músicos igualmente excepcionais, e lhes garanto que a francesa está no mesmo nível. Oferece uma leitura mais crua, eu diria, e o excelente conjunto Pulcinella é um destaque à parte. Sugiro aos senhores que ouçam esse CD com fones de ouvido, para melhor poder apreciar os timbres dos instrumentos, principalmente do violoncelo solista.

O segundo CD desse projeto já está sendo providenciado.

01 – Concerto pour violoncelle en La Mineur, Wq 170-I. allegro assai
02 – Concerto pour violoncelle en La Mineur, Wq 170-II. andante
03 – Concerto pour violoncelle en La Mineur, Wq 170-III. allegro assai
04 – Sinfonia No. 5 en Si Mineur, Wq 182-I. allegretto
05 – Sinfonia No. 5 en Si Mineur, Wq 182-II. larghetto
06 – Sinfonia No. 5 en Si Mineur, Wq 182-III. presto
07 – Concerto pour violoncelle en La Majeur, Wq 172-I. allegro
08 – Concerto pour violoncelle en La Majeur, Wq 172-II. largo
09 – Concerto pour violoncelle en La Majeur, Wq 172-III. allegro assai

Ophélie Gaillard
Pulcinella Orchestra

10 – Sonate en Ut Mineur pour deux violons et basse ”Sanguineus & Melancholicus”, Wq 161-I. allegretto
11 – Sonate en Ut Mineur pour deux violons et basse ”Sanguineus & Melancholicus”, Wq 161-II. adagio
12 – Sonate en Ut Mineur pour deux violons et basse ”Sanguineus & Melancholicus”, Wq 161-III. allegro

Thibault Noally, violin – violon I
Nicolas Mazzoleni, violin – violon II
Ophélie Gaillard, cello – violoncelle
Francesco Corti, fortepiano – pianoforte

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Postagem restaurada – Ludwig Van Beethoven (1770-1827): Symphonies – Klemperer (2/6)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 20/10/2012, RESTAURADO POR VASSILY EM 24/3/2020

Continuo com a integral das Sinfonias de Beethoven com Otto Klemperer. Problemas com o uploaded.to e a falta de confiança em qualquer outro servidor de armazenamento me fizeram voltar para o rapidshare.
E aqui o negócio se torna mais sério. Temos a mítica Sinfonia n°3, também conhecida como “Eroica”. Dia destes PQPBach postou uma versão com o Fricsay, e a considerava a mais perfeita que já ouvira. Sugiro então que se faça a comparação entre estes dois gigantes da regência. Talvez Fricsay tenha certa vantagem pelo fato de ter atingido tal maturidade musical tão precocemente, lembrando que ele morreu com 46 anos de idade, ou seja, era mais jovem quando a gravou, enquanto que Klemperer já estava com 85 anos de idade quando encarou o desafio de gravar esta integral. Claro que esta não foi sua única gravação, na verdade, existem dez registros fonográficos que ele realizou desta sinfonia. Algumas em estúdio, outras ao vivo, em broadcasting. O próprio Karajan considera as interpretações da “Eroica” pelo Klemperer a base de suas próprias interpretações.
Alguns podem achar que o bom velhinho desacelerou um pouco na Marcia Funebre (16:53), mas no conjunto a leitura que Klemperer faz desta sinfonia, que é a divisora de águas das sinfonias é, em minha modesta opinião, perfeita. Claro que a orquestra ajuda, mas podemos sentir o pulso do regente alemão controlando cada nuance, cada detalhe da música. Para se ouvir sem medo, e várias vezes. De preferência, sentados em suas melhores poltronas, apreciando um bom vinho.

P.S. – Aos 62 primeiros downloaders deste arquivo peço desculpas, mas troquei os links e disponibilizei as sinfonias de n°2 e 5. O link com a 3ª Sinfonia já está corrigido.

 

01. Symphonie Nr. 3 Es-dur op. 55 – I. Allegro con brio
02. II. Marcia funebre Adagio assai
03. III. Scherzo und Trio Allegro vivace
04. IV. Finale Allegro molto – Poco andante – Presto
05. Grosse Fuge B-dur op. 133

Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer

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FDPBach