Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 4 – Berliner Philharmoniker – Günter Wand – Post 2 de 5

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 4 – Berliner Philharmoniker – Günter Wand – Post 2 de 5

Anton Bruckner

Sinfonia No. 4 – Romantische

Berliner Philharmoniker

Günter Wand

Esta sinfonia é possivelmente a mais conhecida das Sinfonias de Bruckner e foi a primeira que ouvi. O epíteto “Romântica” foi dado pelo próprio Anton e reflete um estado de harmonia com a natureza que nos é transmitido pela perspectiva global da sinfonia.

Há maravilhosas gravações desta Sinfonia de Bruckner, muitas das quais você encontra nas nossas postagens. No entanto, esta gravação, feita ao vivo, reflete o sentido de uma ocasião especial, na qual um reverenciado e experiente maestro dirige uma excepcional orquestra. Günter Wand tem o completo domínio da situação expondo sem esforço aparente a maravilhosa arquitetura da obra, atingindo as alturas por muitos somente almejadas. A dramaticidade dos clímaces, tão importantes em Bruckner, assim como os momentos em que a orquestra deve apenas murmurar, são apresentados com clareza e transparência. A sensação de um momento especialíssimo está realmente presente no disco.

Bruckner iniciou a composição de sua Sinfonia No. 4 em 1874 e continuou trabalhando nela até 1780, quando reescreveu o último movimento.

Obstinado e perfeccionista, Bruckner sabia exatamente o que pretendia de suas enormes sinfonias. Passou a metade de sua vida preparando-se para compô-las e constantemente trabalhou simultaneamente em novas obras e no aprimoramento das que já havia completado.

Se permitiu que seus (mesmo bem intencionados) amigos revisassem e mesmo mutilassem suas obras, era na esperança de que fossem executadas. No entanto, foi cuidadoso para preservar suas reais intenções, deixando os originais livres destas espúrias intervenções com a designação gültig (=válida). Esses manuscritos foram arquivados na coleção de manuscritos da Biblioteca da Corte Imperial, hoje Biblioteca Nacional de Viena, por seu desejo expresso.

Assim, a versão que podemos ouvir nesta gravação representa o que Bruckner esperava que ouvíssemos.

Anton Bruckner (1824-1896)

Sinfonia No. 4 em mi bemol maior – Romântica

Versão original (1878/1880)
  1. Bewegt, nicht zu schnell
  2. Andante quasi Allegretto
  3. Scherzo. Bewegt – Trio. Nicht zu schnell, keinesfalls schleppend
  4. Finale. Bewegt, doch nicht zu schnell

Berliner Philharmoniker

Günter Wand

Gravação feita ao vivo em 1998
Produção: Gerald Götze

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FLAC | 298 MB

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MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Ande, baixe os arquivos, entre nesta onda bruckneriana que estamos proporcionando. As camisetas com os dizeres “Eu ouço Bruckner” serão ofertadas posteriormente…

René Denon

Colloquium olympicum (fictum): Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – As Sonatas para piano – Glenn Gould (3/4)

MI0000960404[continuação daquilo e disso]

MOZART: (friamente) Não preciso lhe dizer que, ao manter esse ponto de vista, você está numa minoria de… uma pessoa. Ainda que eu não me inclua entre eles (e tenho certeza de que você entenderá que, por motivos puramente pessoais, não compartilho seu ponto de vista), poderia, com toda modéstia, apontar-lhe milhares, mesmo centenas de milhares de amantes da música que…
GOULD: Mesmo que fossem milhões, não fariam diferença. “Ainda criança, eu não conseguia entender como meus professores, e outros adultos presumivelmente sãos, contavam as suas obras entre os grandes tesouros musicais do homem ocidental. […] Acho que eu tinha em torno de treze anos quando finalmente percebi que o mundo inteiro não via as coisas como eu via. Já que jamais me teria ocorrido, por exemplo,que alguém poderia não compartilhar meu entusiasmo por um céu cinza e nublado, foi então um verdadeiro choque descobrir que havia de fato pessoas que preferiam o ensolarado. Poderia acrescentar que isso continua a ser um mistério para mim, mas essa é outra história.
M: (com pena) Acho que começo a entendê-lo, meu pobre amigo. Escute, há um médico aqui que certamente poderia curá-lo de seu entusiasmo por céus cinzas e nublados. Ele se chama Dr. Freud…
G: (às gargalhadas) Não, obrigado – recusei-me a permitir que qualquer de seus colegas se aproximasse de mim enquanto vivia. Em todo caso, minha preferência por certos fenômenos meteorológicos em particular não está de qualquer maneira conectado com minha crítica a certas inconsistências composicionais em sua música. Tome, por exemplo, o Finale Allegro grazioso de sua Sonata em Si bemol maior, K. 333, ou, para ser mais preciso, a cadenza logo antes do final do movimento. “Para mim, essa página vale o preço do ingresso”.
M: (lisonjeado) Sério?
G: (incensado) Mas como lhe deu na telha a ideia insana de escrever “Cadenza a tempo” sobre ela? “É uma cadenza, não importa o que você diga, e eu simplesmente não posso imaginar como você esperaria que alguém passasse da tônica menor (Si bemol menor) para a submediante (Sol bemol maior) sem reduzir a marcha.
M: Parece-me que, pelo que você diz, você aborda minha música pura e simplesmente dum ponto de vista harmônico.
G: Uma vez que – como já disse – ela é incapaz de despertar o menos interesse contrapontístico…
M: E que tal sua forma?
G: (desdenhosamente) Oh, você sabe, “a forma básica da sonata não me interessa lá muito – a questão de temas tônicos vigorosos e masculinos e temas dominantes femininos e delicados parece-me infestado de clichês, isso para não dizer racista. Além do que, você sabe, muitas vezes sucede o contrário – segundos temas agressivos e masculinos, e aí por diante. Quanto à sua Sonata em Si bemol maior, que mencionamos há um instante, reflita sobre a não-integração entre o primeiro e o segundo temas do seu primeiro movimento, os quais, até onde posso perceber, poderiam ser tocados em ordem reversa e ainda assim prover um contraste perfeitamente satisfatório”.
M: Bem, é certamente uma ideia interessante… e talvez nem um pouco excêntrica, ademais…
G: (exultante) Você vê! (subitamente sério) “Mas o que eu não entendo é por que você ignorou tantas oportunidades canônicas óbvias para a mão esquerda!”
M: Você desaprova os baixos de Alberti?
G: Exatamente. Aqui está, por exemplo, o Allegro moderato de sua Sonata em Dó maior, K. 330 (ele começa o movimento com o mesmo andamento frenético de sua gravação de 1970, incluída na postagem)
M: (horrorizado) Pare – é insuportável! “Rápido demais. Tocar assim ou cagar, para mim, é a mesma coisa!”
G: (rindo) Desculpe – eu me empolguei!!!

[continua]

MOZART – THE PIANO SONATAS – GLENN GOULD

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

AS SONATAS PARA PIANO (3/4)

Sonata no. 11 em Lá maior, K. 331 (300i)
01 – Tema. Andante grazioso e variazioni
02 – Menuetto – Trio
03 – [Rondo] Alla Turca. Allegretto.

Sonata no. 12 em Fá maior, K. 332 (300k)
04 – Allegro
05 – Adagio
06 – Allegro assai

Sonata no. 13 em Si bemol maior, K. 333 (315c)
07 – [Allegro]
08 – [Andante cantabile]
09 – [Allegretto grazioso]

Sonata no. 14 em Dó menor, K.457
10 – Allegro
11 – Adagio
12 – Molto allegro

Glenn Gould, piano

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Oh-oh: mais uma pedra???
Oh-oh: mais uma pedra???

Vassily Genrikhovich

 

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta gravação foi “Editor`s Choice” da Gramophone em 2011, “Gravação recomendada” pela ClassicFM e depois, em 2016, foi considerada a melhor gravação do Concerto de Mendelssohn, novamente pela Gramophone. Tá bom?

Aclamado como “o Jascha Heifetz dos nossos dias”, o violinista James Ehnes é considerado um dos artistas mais perfeitos e musicais da música erudita. Talvez seja o melhor violinista em atividade atualmente. Ele já se apresentou em mais de 30 países, atuando e gravando com as melhores orquestras e regentes. A extensa discografia de Ehnes inclui desde sonatas para violino de Bach a Road Movies, de John Adams. Desde que Vladimir Ashkenazy ganhou destaque no cenário mundial na Competição Chopin de 1955 em Varsóvia, ele construiu uma carreira extraordinária de pianista. A regência tomou a maior parte de suas atividades nas últimas duas décadas, e ele mantém um relacionamento de longa data com a Philharmonia Orchestra, da qual foi nomeado regente em 2000.

O Concerto para Violino, Op. 64, de Mendelssohn passou a ser visto como um degrau inescapável na carreira de todo violinista que almejasse o sucesso, multiplicando-se seus recitais e gravações. Hoje é considerado uma das principais composições de Mendelssohn e um dos mais importantes exemplos de seu gênero, continuando a desfrutar de grande popularidade.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Violin Concerto In E Minor Op.64 (26:37)
1 I Allegro Molto Appassionato 12:45
2 II Andante 8:16
3 III Allegretto Non Troppo – Allegro Molto Vivace 5:35

Octet In E Flat Op.20 (30:44)
4 I Allegro Moderato Ma Con Fuoco 13:49
5 II Andante 6:31
6 III Scherzo 4:29
7 IV Presto 5:53

Cello – Edward Arron (tracks: 4 to 7), Robert deMaine (tracks: 4 to 7)
Conductor – Vladimir Ashkenazy (tracks: 1 to 3)
Orchestra – Philharmonia Orchestra (tracks: 1 to 3)
Viola – Cynthia Phelps* (tracks: 4 to 7), Richard O’Neill (tracks: 4 to 7)
Violin – Andrew Wan (tracks: 4 to 7), Augustin Hadelich (tracks: 4 to 7), Erin Keefe (tracks: 4 to 7), James Ehnes

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Ehnes, genial.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano vols. 6, 7 e 8 – András Schiff

Quando chegamos a postar obras tão fundamentais do repertório pianístico, que todos os grandes pianistas, e os não tão grandes, pretendem gravar, ou pelo menos tocar, começamos a andar em terreno de areia movediça. Tenho pelo menos três pianistas que considero imbatíveis neste repertório. Não vou dar nomes aos bois, pois sei que pedras irão ser atiradas por não ter citado fulano ou beltrano.
Vou deixar os senhores decidirem se András Schiff entra neste panteão de grandes pianistas que encararam estas tão amadas sonatas de Beethoven. Não posso dizer que é a minha integral favorita, e com certeza não é, mas ela tem bons momentos. Músicos de tal estatura merecem o benefício da dúvida pelo conjunto da obra que até então realizaram.
Digo isso, pois quero encerrar esta integral hoje. Certo? Dentro de alguns dias, nosso querido Vassily retorna com estas sonatas, porém com outro sotaque. Quem viver, verá.

Volume 6

01. Sonate Nr. 22 F-dur, Op. 54 I. In tempo d’un Menuetto
02. Sonate Nr. 22 F-dur, Op. 54 II. Allegretto
03. Sonate Nr. 23 f-moll «Appassionata», Op. 57 I. Allegro assai
04. Sonate Nr. 23 f-moll «Appassionata», Op. 57 II. Andante con moto
05. Sonate Nr. 23 f-moll «Appassionata», Op. 57 III. Allegro ma non troppo
06. Sonate Nr. 24 Fis-dur, Op. 78 I. Adagio cantabile. — Allegro ma non troppo
07. Sonate Nr. 24 Fis-dur, Op. 78 II. Allegro vivace
08. Sonate Nr. 25 G-dur, Op. 79 I. Presto alla tedesca
09. Sonate Nr. 25 G-dur, Op. 79 II. Andante
10. Sonate Nr. 25 G-dur, Op. 79 III. Vivace
11. Sonate Nr. 26 Es-dur, Op. 81a I. Das Lebewohl (Adagio. — Allegro)
12. Sonate Nr. 26 Es-dur, Op. 81a II. Abwesenheit (Andante espressivo)
13. Sonate Nr. 26 Es-dur, Op. 81a III. Das Wiedersehen (Vivacissimamente)

Volume 7

01. Sonate Nr. 27 e-moll, Op. 90 I. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck
02. Sonate Nr. 27 e-moll, Op. 90 II. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen
03. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 I. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung
04. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 II. Lebhaft. Marshmäßig
05. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 III. Langsam und sehnsuchtsvoll
06. Sonate Nr. 28 A-dur, Op. 101 IV. Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit
07. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) I. Allegro
08. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) II. Scherzo Assai vivace
09. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) III. Adagio sostenuto
10. Sonate Nr. 29 B-dur, Op. 106 (für das Hammerklavier) IV. Largo. — Allegro risoluto

Volume 8

01. Sonate Nr. 30 E-dur, Op. 109 I. Vivace, ma non troppo. — Adagio espressivo
02. Sonate Nr. 30 E-dur, Op. 109 II. Prestissimo
03. Sonate Nr. 30 E-dur, Op. 109 III. Tema con Variazioni
04. Sonate Nr. 31 As-dur, Op. 110 I. Moderato cantabile, molto espressivo
05. Sonate Nr. 31 As-dur, Op. 110 II. Allegro molto
06. Sonate Nr. 31 As-dur, Op. 110 III. Adagio ma non troppo. — Fuga Allegro, ma non troppo
07. Sonate Nr. 32 c-moll, Op. 111 I. Maestoso. — Allegro con brio ed appassionato
08. Sonate Nr. 32 c-moll, Op. 111 II. Arietta (con Variazioni)

VOLUME 6 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
VOLUME 7 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
VOLUME 8 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

András Schiff posando junto ao piano na sede do PQPBach

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

IM-PER-DÍ-VEL !!!

PQP Bach tem lá suas manias. Uma delas é de considerar Fauré superior a Debussy. Ouçam este disco! Que repertório maravilhoso! Kathtyn Stott é uma intérprete internacionalmente reconhecida da música para piano de Fauré. Trata-se de uma especialista. Há muito tempo ela queria gravar os dois quartetos para piano do compositor, mas estava procurando o grupo certo. Ela descobriu o Hermitage String Trio, um conjunto com o qual ela passou a fazer turnês. Aos quartetos são acrescentados de um trabalho para piano solo de Fauré, o Noturno Nº 4. A pianista inglesa e os russos do Hermitage funcionam muito bem juntos. Os movimentos lentos, no entanto, são estranhos, parecem tensos, como se Stott quisesse um tempo e os russos outro, mas talvez seja apenas uma impressão minha. Mas ficou lindo! A leitura de Stott do Noturno Nº 4 de Fauré é sensível e bonita. Apesar de minha pequena restrição, este é um disco que desafia as grandes performances do passado.

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

Piano Quartet No. 1 in C minor, Op. 15

1 1. Allegro molto moderato 09:12
2 2. Scherzo. Allegro vivo 05:17
3 3. Adagio 06:47
4 4. Allegro molto 07:52

Piano Quartet No. 2 in G minor, Op. 45

5 1. Allegro molto moderato 10:52
6 2. Allegro molto 03:29
7 3. Adagio non troppo 11:20
8 4. Allegro molto – Più mosso 08:36

9 Nocturne No. 4 in E flat major, for solo piano, Op. 36 08:17

Kathryn Stott, piano
The Hermitage String Trio

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Eu gosto de Fauré e de Manet.

PQP

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

Consistindo somente de música para trompa e piano, este pequeno disco não pode sequer esboçar a herança de Beethoven. Mas faz mais do que imaginamos, pois as primeiras peças de câmara de Beethoven, agora entre as menos conhecidas, estavam entre as mais entusiasticamente tocadas durante sua vida. A diversão é principalmente nas outras três partes do álbum, que são bem e mal-sucedidas de diferentes maneiras. A sonata de Ries imita de perto as de Beethoven, tanto no humor geral quanto em vários detalhes, mesmo sem captar sua toda aquela tensão. Carl Czerny, em seu andante e polaca para trompa e piano, op. posth., capta a parte expansiva de Beethoven e dá à trompa e ao piano uma dinâmica extraordinária dentro do contexto do início do século XIX. As peças mais atraentes são as duas obras de Ignaz Moscheles.

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

1. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Allegro moderato (8:34)
2. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Poco Adagio, quasi andante (1:29)
3. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Allegro moderato (5:02)

4. Carl Czerny – Andante e polacca op. posth – Andante (3:21)
5. Carl Czerny – Andante e polacca op. posth – Allegro alla Polacca (8:41)

6. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Largetto (12:11)
7. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Andante (3:57)
8. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Rondo Allegro (6:58)

9. Ignaz Moscheles – Theme varie du Feuillet d’Album de Rossini (8:32)
10. Ignaz Moscheles – Introduction et Rondeau Ecossais op. 63 (8:21)

Louis-Philippe Marsolais, trompa
David Jalbert, piano

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O título do CD é ambicioso demais, mas Marsolais é excelente!

PQP

O Mestre Esquecido, Capítulo I (Chopin: Scherzi – Antonio Guedes Barbosa)

PUBLICADA ORIGINALMENTE EM 24/7/2015

Quem foi Antonio Guedes Barbosa?

Um pianista paraibano, pessoense, que estudou com ninguém menos que Arrau e Horowitz, viveu a maior parte de sua carreira nos Estados Unidos e foi fulminado por um infarto com meros cinquenta anos?

Sim, respostas corretas.

Nada disso, no entanto, poderia prepará-los para o estupor de escutá-lo pela primeira vez. Façam um favor a si mesmos: baixem a gravação dos scherzi de Chopin logo abaixo e, depois de escutá-la, digam-me se não tenho razão.

O sujeito tocava DEMAIS. Era um verdadeiro MONSTRO do teclado.

E se vocês virarem instantaneamente tietes dele, como eu virei ao conhecer seu talento há já um quarto de século, certamente quererão mais, não é?

Pois é aí que vem a surpresa:

NÃO TEM MAIS.

Isso mesmo:

NÃO.

TEM.

MAIS.

Quer dizer, até tem, mas não muito: uma gravação das valsas e das mazurcas de Chopin, um álbum de Liszt, as Bachianas Brasileiras no. 4 (todas lançadas pelo falecido selo Kuarup Classics), esta gravação dos scherzi que ora lhes apresento (“ripada” de um LP), as sonatas nos. 2 e 3 de Chopin (disponíveis no YouTube, também a partir de um LP), e um que outro vídeo pingado pelo YouTube.

E só.

O sujeito foi um dos maiores pianistas do seu tempo, mas tudo o que a gente encontra sobre ele é um punhado de gravações, menções a outras, e algumas notas biográficas esparsas.

Eu acho isso uma desgraça inexplicável. Pior ainda: fora um que outro melômano fanático, parece que poucos já ouviram falar dele.

Consta que ele gravou para o selo Connoisseur Society, dos Estados Unidos, pelo qual lançou, entre outros, os LPs dos scherzos e das sonatas já citados. Procurei em toda parte o catálogo de tal gravadora, sem encontrá-lo. Daí me lembrei da clássica gravação do tcheco Ivan Moravec tocando os noturnos de Chopin, que também era da Connoisseur e que encontrei republicada pela Nonesuch. Naveguei pelo catálogo desta outra, salivando de expectativa, e tudo o que encontrei de Barbosa foi…

NADA.

N-A-D-A

Com o perdão por meu desabafo, que terá que ser em maiúsculas, sublinhado e em negrito, eu pergunto:

– ONDE FORAM PARAR AS GRAVAÇÕES DO GRANDE PIANISTA PARAIBANO ANTONIO GUEDES BARBOSA???

Destruídas por alguém? Sumiram? Estarão guardadas a sete chaves? Ou no limbo por conta de algum imbróglio familiar ou com alguma gravadora?

Enquanto eu preparo sua paradigmática gravação das valsas de Chopin para uma próxima postagem, vocês tentam resolver minha doída dúvida, enchendo a caixa de comentários esclarecedores.

ooOoo

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01 – Canções Polonesas, Op. 74 – No. 1: “Życzenie ” (transcrição de Franz Liszt, S.480 no. 1)
02 – Scherzo no.1 em Si menor, Op. 20
03 – Scherzo no .2 em Si bemol menor, Op. 31
04 – Scherzo no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39
05 – Scherzo no. 4 em Mi maior, Op. 54
06 – Canções Polonesas, Op. 74 – No. 12: “Moja pieszczotka” (transcrição de Franz Liszt, S.480 no. 5)

Antonio Guedes Barbosa, piano
LP do selo Connoisseur Society (New York, EUA), dos anos 70.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

NOTA: já avisei que se trata de uma gravação “ripada” do vinil, não avisei? Não reclamem dos estalidos, portanto, e agradeçam pela oportunidade de escutarem um mestre em ação!

Convidamos os fãs do Mestre Esquecido a acompanharem o GRUPO “ANTONIO GUEDES BARBOSA” no Facebook.

Vassily [revalidado em 15/1/2021]

John Adams (1947) & Philip Glass (1937): Concertos para Violino

John Adams (1947) & Philip Glass (1937): Concertos para Violino

Começo dizendo que cresci ouvindo e amando os tradicionais Concertos para Violino. E dá-lhe Beethoven, dá-lhe Mendelssohn, dá-lhe Tchaikovski, dá-lhe Bartók, dá-lhe Shostakovich, dá-lhe Prokofiev! Na verdade, sabem?, eu não gosto muito de Philip Glass. As palavras usuais que uso para enquadrar Glass são normalmente para dizer que ele é menor, muito menor do que Adams, Riley, Reich, etc. Sigo com a mesma opinião. Ou seja, aqui me interessa mais Adams, mas o Glass até que é bom. Seu concerto é um híbrido de minimalismo, neorromantismo e neobarroco. Em resumo, mostra uma evolução do minimalismo inicial mais “hardcore”. Como Glass, John Adams é considerado um minimalista, mas em 1993, quando escreveu este concerto, ele já estava se bandeando. Seu Concerto para Violino é uma composição tradicional norte-americana escrita em um estilo que deve muito ao modernismo. A Chaconne de Adams é a coisa mais linda! Enquanto Glass transformou seu minimalismo anterior, Adams o abandona. Bom disco.

John Adams (1947) & Philip Glass (1937): Concertos para Violino

John Adams — Violin Concerto
1 – I. ♩ = 78 14:44
2 – II. Chaconne: Body Through Which The Dream Flows 11:02
3 – III. Toccare 7:45

Philip Glass — Concerto for Violin and Orchestra
4 – I. ♩ = 104 – ♩ = 120 6:25
5 – II. ♩ = Ca. 96 9:53
6 – III. ♩ = Ca. 150 – Coda: ♩ = 104 9:46

Violin, Soloist – Robert McDuffie
Orchestra – Houston Symphony Orchestra
Conductor – Christoph Eschenbach

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Adams & Glass: espero que não estejam discutindo….

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas Para Piano, vol. 5 – András Schiff

Há muitos anos atrás, lá nos primórdios do PQPBach, eu estava, para variar, preparando uma integral dos Concertos para Piano de Mozart, na peculiar versão do Jos van Immerseel, cd a cd (10 ou 12 ao todo, não lembro). Vendo o quanto eu me esforçava para preparar os textos, cd por cd, PQPBach foi enfático: não precisa ficar preparando texto para cada CD, a partir de determinado momento, apenas relacione as faixas, e deu para a bola. Comecei a fazer isso, pensando que os nosso leitores iriam reclamar. Mas ninguém reclamou. Ou seja, é muito grande a probabilidade de nos esforçarmos para melhor apresentarmos o que trazemos, mas grande parte dos leitores irão direto para o link para descarregar.
P.S. Vamos ver quantos irão reclamar, ainda mais que neste volume, no seu segundo CD, temos a monumental Sonata Waldstein.

Volume 5

Cd 1
01. Sonate Nr. 16 G-dur, Op. 31 No. 1 I. Allegro vivace
02. Sonate Nr. 16 G-dur, Op. 31 No. 1 II. Adagio grazioso
03. Sonate Nr. 16 G-dur, Op. 31 No. 1 III. Rondo Allegretto
04. Sonate Nr. 17 d-moll, Op. 31 No. 2 I. Largo. — Allegro
05. Sonate Nr. 17 d-moll, Op. 31 No. 2 II. Adagio
06. Sonate Nr. 17 d-moll, Op. 31 No. 2 III. Allegretto
07. Sonate Nr. 18 Es-dur, Op. 31 No. 3 I. Allegro
08. Sonate Nr. 18 Es-dur, Op. 31 No. 3 II. Scherzo Allegretto vivace
09. Sonate Nr. 18 Es-dur, Op. 31 No. 3 III. Menuetto Moderato e grazioso
10. Sonate Nr. 18 Es-dur, Op. 31 No. 3 IV. Presto con fuoco

CD 2

01. Sonate Nr. 21 C-dur, Op. 53 I. Allegro con brio
02. Sonate Nr. 21 C-dur, Op. 53 II. Introduzione Adagio molto
03. Sonate Nr. 21 C-dur, Op. 53 III. Rondo Allegretto moderato
04. Andante favori F-dur, WoO 57 Andante grazioso con moto

András Schiff – Piano

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ballaké Sissoko (kora) & Vincent Ségal (violoncelo) – Chamber Music

Ballaké Sissoko (kora) & Vincent Ségal (violoncelo) – Chamber Music

41CBH7khTPLBonita gravação de um improvável duo de kora (a harpa-alaúde mandê) e violoncelo. Os músicos são amigos, e foi sua amizade quem os levou, por fim, ao estúdio.

O francês Ségal nasceu em Reims e estudou em Lyon. Enveredou por todo lado em sua carreira, inclusive para o dito “trip-hop” com seu grupo Bumcello. Seu instrumento, aqui, definitivamente não soa como aquele para o qual Bach escreveu suas maravilhosas suítes. Ségal o faz mergulhar de espigão e tudo, e inclusive percussivamente, na longa tradição representada por seu parceiro africano.

O malinês Ballaké Sissoko nasceu em Bamako, capital do país, e foi muito influenciado pelo compatriota Toumani Diabaté, o grande nome da kora. A origem do instrumento remonta ao período correspondente à Idade Média na Europa. Mais adiante, no apogeu do império Songhay, a região que hoje é o Mali enriqueceu graças ao lucrativo comércio de ouro, sal e, infamemente, escravos. O principal entreposto das caravanas era a mítica cidade de Tomboctou, também conhecida como Timbuktu. Inestimável e mui ameaçada integrante do Patrimônio Cultural da Humanidade, ela é sede de uma das mais preciosas (e frágeis) bibliotecas do mundo islâmico. De quebra, como bem deverá se recordar quem lia os quadrinhos das aventuras de Mickey e de Tintin, Timbuktu é sinônimo de fim de mundo, e não à toa: está a pelo menos três dias (que para mim foram cinco) de Bamako, num ônibus atrolhado, tórrido e sovaquento, com janelas invariavelmente seladas por conta da fobia local a brisa – QUALQUER brisa.

Em compensação, para quem está em Marrakesh e tem um camelo, Tombouctou é logo ali (foto do autor)
Em compensação, para quem tem um camelo e está em Marrakesh, Tombouctou é logo ali (foto do autor)

Voltando à vaca fria, não creio que caibam quaisquer ressalvas à postagem deste disco num blogue criado pelo filho renegado da família Bach. O demiurgo Johann Sebastian é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de toda Música, e este álbum que ora apresento, afinal, contém não só grande música, critério bastante para que o lancemos aqui, mas também arte que é clássica até o caroço. Como o colega Ranulfus muito bem defendeu nos comentários de uma antiga postagem, “uma das coisas que me motivam na colaboração no blog é tentar demonstrar o quanto nosso conceito de ‘clássico’ pode ser justificadamente expandido para além das suas fronteiras tradicionais (no fundo etnocêntricas), e isso com criações autênticas, não com adaptações tipo ‘transcrições de canções populares para orquestra’.”

Ditto.

CHAMBER MUSIC (2009)

01 – Chamber Music (Sissoko)
02 – Oscarine (Ségal)
03 – Houdesti (Sissoko)
04 – Wo Yé N’gnougobine (Sissoko)
05 – Histoire de Molly (Ségal)
06 – “Ma Ma” FC (Ségal)
07 – Regret – À Kader Barry (Sissoko)
08 – Halinkata Djoubé (Sissoko)
09 – Future (Sissoko)
10 – Mako Mady (Sissoko)

Ballaké Sissoko, kora
Vincent Ségal
, violoncelo

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Ségal e Sissoko na curtição, e uma menina de butuca.
Ségal e Sissoko na curtição, e uma guria de butuca.

Vassily

G. P. Telemann (1681-1767): Water Music / Alster Overture

G. P. Telemann (1681-1767): Water Music / Alster Overture

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco verdadeiramente espetacular. A Música Aquática de Telemann, mais a muito irreverente Suíte Alster são para ouvir e se divertir, ouvir e se divertir, ouvir e se divertir. Acho que, de todas as suítes orquestrais de Telemann, a Alster é minha preferida. O New London Consort é um excelente conjunto, fazendo inteira justiça a esta grande música.

G. P. Telemann (1681-1767): Water Music / Alster Overture: Water Music / Alster Overture

1. Wassermusik Overture in C, Ouverture
2. Wassermusik Overture in C, Sarabande
3. Wassermusik Overture in C, Bour e
4. Wassermusik Overture in C, Loure
5. Wassermusik Overture in C, Gavotte
6. Wassermusik Overture in C, Harlequinade
7. Wassermusik Overture in C, Der St rmende Aeolus
8. Wassermusik Overture in C, Menuet
9. Wassermusik Overture in C, Gigue
10. Wassermusik Overture in C, Canarie

11. Die Relinge Concerto in A, The Frogs
12. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Adagio
13. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Menuet

14. Alster Overture in F, Alster Overture
15. Alster Overture in F, Die canonierende Pallas
16. Alster Overture in F, Das Alster Echo
17. Alster Overture in F, Die Hamburgischen Glockenspiele
18. Alster Overture in F, Der Schwanen Gesang
19. Alster Overture in F, Der lster Sch ffer Dorff Music
20. Alster Overture in F, Die concertirenden Fr sche (und) Kr hen
21. Alster Overture in F, Der ruhende Pan
22. Alster Overture in F, Der Sch ffen und Nymphen eilfertiger Abzug

New London Consort
Philip Pickett

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O New London Consort, grupaço!
O New London Consort, grupaço!

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano, vol. 3 e 4 – András Schiff

Um belo e inspirado andante, da primeira sonata do op. 49, dá início a este terceiro volume das Sonatas para Piano de Beethoven, nas mãos muito competentes de András Schiff.
Meu colega de blog, René Denon, comentou dia destes em conversa no grupo do Whatsapp que sempre que vai dormir, gosta de ouvir obras para piano. Não me utilizo de tal método, mas acho interessante sua escolha. Talvez a percussão das teclas tenha efeito sonífero (lembro de determinada pianista japonesa cujo nome não lembro, que misturava new age com aquele jazz bem Pop, aquilo sim me dava sono), ou então alguns músicos que são considerados New Age (ainda existe este movimento?) . Ou então podemos nos chatear até mesmo com determinada interpretação de uma sonata de Beethoven, achá-la maçante. Sei lá, questão de gosto. Um outro amigo gostava de ouvir cds com mantras de monges tibetanos, ou então, gravação de sons das baleias. Cada um com seu método.

Volume 3

01. Sonate Nr. 19 g-moll, Op. 49 No. 1 I. Andante
02. Sonate Nr. 19 g-moll, Op. 49 No. 1 II. Rondo Allegro
03. Sonate Nr. 20 G-dur, Op. 49 No. 2 I. Allegro ma non troppo
04. Sonate Nr. 20 G-dur, Op. 49 No. 2 II. Tempo di Menuetto
05. Sonate Nr. 9 E-dur, Op. 14 No. 1 I. Allegro
06. Sonate Nr. 9 E-dur, Op. 14 No. 1 II. Allegretto
07. Sonate Nr. 9 E-dur, Op. 14 No. 1 III. Rondo Allegro commodo
08. Sonate Nr. 10 G-dur, Op. 14 No. 2 I. Allegro
09. Sonate Nr. 10 G-dur, Op. 14 No. 2 II. Andante
10. Sonate Nr. 10 G-dur, Op. 14 No. 2 III. Scherzo Allegro assai
11. Sonate Nr. 11 B-dur, Op. 22 I. Allegro con brio
12. Sonate Nr. 11 B-dur, Op. 22 II. Adagio con molta espressione
13. Sonate Nr. 11 B-dur, Op. 22 III. Menuetto
14. Sonate Nr. 11 B-dur, Op. 22 IV. Rondo Allegretto

Volume 4

01. Sonate Nr. 12 As-dur, Op. 26 I. Andante con Variazioni
02. Sonate Nr. 12 As-dur, Op. 26 II. Scherzo Allegro molto
03. Sonate Nr. 12 As-dur, Op. 26 III. Marcia funebre
04. Sonate Nr. 12 As-dur, Op. 26 IV. Allegro
05. Sonate Nr. 13 Es-dur, Op. 27 No. 1 I. Andante. — Allegro
06. Sonate Nr. 13 Es-dur, Op. 27 No. 1 II. Allegro molto e vivace
07. Sonate Nr. 13 Es-dur, Op. 27 No. 1 III. Adagio con espressione
08. Sonate Nr. 13 Es-dur, Op. 27 No. 1 IV. Allegro vivace
09. Sonate Nr. 14 cis-moll, Op. 27 No. 2 I. Adagio sostenuto
10. Sonate Nr. 14 cis-moll, Op. 27 No. 2 II. Allegretto
11. Sonate Nr. 14 cis-moll, Op. 27 No. 2 III. Presto agitato
12. Sonate Nr. 15 D-dur, Op. 28 I. Allegro
13. Sonate Nr. 15 D-dur, Op. 28 II. Andante
14. Sonate Nr. 15 D-dur, Op. 28 III. Scherzo Allegro vivace
15. Sonate Nr. 15 D-dur, Op. 28 IV. Rondo Allegro ma non troppo

András Schiff – Piano

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
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A Família das Cordas: The Glory of Cremona – Ruggiero Ricci

FrontSerá que um Stradivarius vale tudo o que pedem por ele?

E um Amati? Ou um Guarneri?

Talvez este álbum possa ajudá-los a responder.

Nele, o virtuoso ítalo-americano Ruggiero Ricci (1918-2012) toca, em quinze famosos violinos, várias peças curtas que considera adequadas às características de cada instrumento. Depois, no que é talvez a parte mais interessante do álbum, ele toca o mesmo trecho – o início solo inicial do Concerto no. 1 de Max Bruch – com as mesmíssimas condições de estúdio em cada um dos violinos, a maior parte dos quais leva apelidos que remetem a ex-proprietários célebres. Apesar da overdose de Stradivari, o xodó de Ricci era seu inseparável Guarneri del Gesù (o “Ex-Huberman”, que surpreendemente não aparece nesta gravação), que foi, depois de sua morte, adquirido por uma companhia japonesa e cedido à violinista japonesa Midori Gotō.

A “Glória de Cremona” a que se refere o título é a rica tradição de luteria daquela cidade, que teve seu pináculo entre os séculos XVI e XVIII através de luthiers da estirpe de Stradivari, Guarnieri, Bergonzi, Amati e da Salo, cujos preciosos instrumentos são, há já muito tempo, o privilégio dos maiores virtuosos.

THE GLORY OF CREMONA – RUGGIERO RICCI

Jean-Antoine DESPLANES [Giovanni Antonio Piani] (1678-1760)
01 – Intrada [violino de Andrea Amati, c. 1560-170]

Pietro NARDINI (1722-1793)
02 – Larghetto [violino de Antonio Stradivari, “ex-Rode”, 1733]

Antonio Lucio VIVALDI (1678-1741)
03 – Praeludium [violino de Nicolò Amati, 1656]

Niccolò PAGANINI (1782-1840)
04 – Cantabile e Valzer [violino de Antonio Stardivari, “Il Monasterio”,1719]

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
arranjo de Carl Friedberg (1872–1955)
05 – Adagio [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Plowden”, 1735]

Dmitri Borisovich KABALEVSKY (1904-1987)
06 – Improvisation, Op. 21 no. 1 [violino de Antonio Stradivari, “Il Spagnolo”, 1677]

Piotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
07 – Souvenir d’un lieu cher, Op. 42 – no. 2: Mélodie [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Lafont”, 1735]

Francesco Maria VERACINI (1690-1768)
08 – Largo [violino de Gasparo da Salo, ca. 1570-80]

Maria Theresia von PARADIS (1759-1824)
arranjo de Samuel Dushkin (1891-1976)
09 – Sicilienne [violino de Carlo Bergonzi, “Il Constable”, 1731]

Jenő HUBAY (1858-1937)
10 – The Violin Maker of Cremona  [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Bériot”, 1744]

Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759)
11 – Larghetto [violino de Antonio Stradivari, “El Madrileño”, 1720]

Robert SCHUMANN (1810-1856)
arranjo de Fritz Kreisler (1875-1962)
12 – Romance em Lá maior [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Vieuxtemps”, 1739]

Johannes BRAHMS (1833-1897)
13 – Dança Húngara no. 20 [violino de Antonio Stradivari, “Ex-Joachim”, 1714]
14 – Dança Húngara no. 17  [violino de Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Gibson”, 1734]

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN-Bartholdy (1809-1847)
arranjo de Fritz Kreisler
15 – Lieder ohne Wörte, Op. 62 – No. 1: “Mailüfte” (“Brisas de Maio”) [violino de Antonio Stradivari, “Ex-Ernst”, 1709]

Ruggiero Ricci, violinos
Leon Pommers, piano

 

Max Christian Friedrich BRUCH (1838-1920)

Concerto para violino e orquestra no. 1 em Sol menor, Op. 26
I – Vorspiel. Allegro moderato (excerto – solo inicial)
Executado por Ruggiero Ricci nos seguintes instrumentos:

16 – Andrea Amati (c. 1560-70)
17 – Nicolò Amati (1656)
18 – Antonio Stradivari, “Il Spagnolo” (1677)
19 – Antonio Stradivari, “Ex-Ernst” (1709)
20 – Antonio Stradivari, “Ex-Joachim” (1714)
21 – Antonio Stradivari, “Il Monasterio” (1719)
22 – Antonio Stradivari, “El Madrileño” (1720)
23 – Antonio Stradivari, “Ex-Rode” (1733)
24 – Gasparo da Salo (c. 1570-80)
25 – Carlo Bergonzi, “Il Constable” (1731)
26 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Gibson” (1734)
27 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Lafont” (1735)
28 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Il Plowden” (1735)
29 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Vieuxtemps” (1739)
30 – Giuseppe Guarneri del Gesù, “Ex-Bériot” (1744)

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Quebre um, e passe reencarnações pagando.
Quebre um, e passe reencarnações pagando.

 

Vassily Genrikhovich

Edvard Grieg (1843-1907): Cello Sonata, String Quartet

Edvard Grieg (1843-1907): Cello Sonata, String Quartet

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD espantoso que demonstra algo que os mais observadores já desconfiaram: na maior parte das vezes, os compositores ficam com seus sotaques corrigidos e melhores quando interpretados por conterrâneos. Em música, a questão da vivência cultural é preponderante. Aqui, os escandinavos responsáveis pela execução da obra do norueguês Grieg entram com os acentos e algumas dinâmicas que nunca ouvi nestas obras. E que lhe caem extremamente bem! O resultado são interpretações que dão outro gosto a estas obras complicadas do repertório grieguiano. Os caras usam uma dureza e concisão raras. Se eu fosse você, largaria tudo agora para ouvir este tremendo disco.

Edvard Grieg (1843-1907): Cello Sonata, String Quartet

1. Cello Sonata In A Minor Op. 36: I. Allegro Agitato 9:46
2. Cello Sonata In A Minor Op. 36: II. Andante Molto Tranquillo 6:29
3. Cello Sonata In A Minor Op. 36: III. Allegro – Allegro Molto E Marcato 12:02

4. String Quartet In G Minor Op. 27: I. Un Poco Andante – Allegro Molto Ed Agitato 11:59
5. String Quartet In G Minor Op. 27: II. Romanze – Andantino 6:25
6. String Quartet In G Minor Op. 27: III. Intermezzo – Allegro Molto Marcato 6:26
7. String Quartet In G Minor Op. 27: IV. Finale – Lento – Presto Al Saltarello 9:03

Truls Mørk, violoncelo
Håvard Gimse, piano

Solve Sigerland, violino
Atle Sponberg, violino
Lars Anders Tomter, viola
Truls Mørk, violoncelo

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Podes ficar feliz Edvard, recebeste um grande presente.
Podes ficar feliz Edvard, recebeste um grande presente.

PQP

Aaron Copland (1900-1990): The Complete Music for Solo Piano

Aaron Copland (1900-1990): The Complete Music for Solo Piano

Este post ficou sem minha inútil introdução por culpa da NET. Mas agora ela finalmente voltou e vocês vão ter que me engolir! Copland não é somente aquele compositor de obras representativas dos States, o compositor também tem boa produção para piano, produto principalmente de seus anos jovens de estudo com Nadia Boulanger, em Paris. Há peças realmente obscuras — complicadíssimas — que revelam que Schoenberg não era estranho a ele. Há outras espaçosas, alegres e estimulantes como suas obras mais famosas para orquestra. E há coisas lindíssimas, como a genial e curtinha Midday Thoughts, escrita quando Copland tinha 82 anos e já estava às portas do Alzheimer. O pianista Smit é um velho amigo e colaborador do compositor. Ninguém melhor do que ele para interpretar esta integral.

Aaron Copland (1900-1990): The Complete Music for Solo Piano

Disc 1
1 Scherzo Humoristique: The Cat and the Mouse (1920)
2 Piano Variations (1930)
3 In Evening Air (1966)
4 Passacaglia (1922)
Piano Sonata (1939-41)
5 I. Molto moderato
6 II. Vivace
7 III. Andante sostenuto
Two Piano Pieces (1982)
8 Midday Thoughts
9 Proclamation
Three Moods (1920-1921)
10 embittered
11 wistful
12 jazzy

Disc 2
1 Petite Portrait (1921)
2 Sentimental Melody (1926)
3 Piano Fantasy (1955-57)
Four Piano Blues (1926-48)
4 Freely Poetic (for Leo Smit)
5 Soft and Languid (for Andor Foldes)
6 Muted and Sensuous (for William Kapell)
7 With Bounce (for John Kirkpatrick)
8 Midsummer Nocturne (1947)
9 The Young Pioneers (1936)
10 Sunday Afternoon Music (1936)
11 Down A Country Lane (1962)
12 Night Thoughts (Homage to Ives) (1972)

Leo Smit, piano

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Copland deveria ser mais conhecido, né?
Copland deveria ser mais conhecido, né?

PQP

Johannes Brahms (1833-1897) – Symphony nº 2, op. 73 – Claudio Abbado, Berliner Philharmoniker

Direto do túnel do tempo, trago para os senhores uma magnífica gravação de uma das minhas sinfonias favoritas, a Segunda de Brahms, onde um jovem maestro se consolidava entre os grandes regentes do final do século XX, Claudio Abbado. O ano era 1968, este que vos escreve ainda mal falava as primeiras palavras, além de mal conseguia caminhar.

Cinquenta e um anos se passaram desde então, aquele jovem maestro já nos deixou, mas antes de isso acontecer, nos proporcionou muita alegria e emoção no coração, graças a sua incrível sensibilidade artística Abbado já não está mais entre nós. E é com muita emoção que ouço esta pintura que é a Segunda de Brahms nas mãos deste jovem que ainda não conhecia muito da vida, digamos assim. Já no primeiro movimento ela mostra a que veio. Intercala momentos de lirismo, e ao mesmo tempo de tensão, a linguagem brahmsiana já está bem clara e definida, identificamos rapidamente suas principais características. Sim, sabemos que ele demorou para escrever sua primeira sinfonia, sempre dizia que depois de Beethoven, não havia mais o que se poderia expressar. Que bom que ele conseguiu superar essa barreira criativa. Que talvez tenha sido benéfica, basta analisarmos a qualidade destas quatro maravilhas que são suas sinfonias. A maturidade ajudou a moldá-las.

1. Symphony No. 2 in D, Op. 73- 1. Allegro non troppo
2. Symphony No. 2 in D, Op. 73- 2. Adagio non troppo – L’istesso tempo, ma grazioso
3. Symphony No. 2 in D, Op. 73- 3. Allegretto grazioso –
4. Symphony No. 2 in D, Op. 73- 4. Allegro con spirito
5. Academic Festival Overture, Op.80

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado – Conductor

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Franz Schubert (1797-1828): Últimas Sonatas para Piano – Maurizio Pollini

Franz Schubert (1797-1828): Últimas Sonatas para Piano – Maurizio Pollini

Sonatas para Piano D 958 ∙ 959 ∙ 960

3 Peças para Piano D 946

Allegretto D 915

Em 1 de julho de 2008 PQP Bach fez a postagem das três últimas sonatas para piano de Franz Schubert, interpretadas por Maurizio Pollini. Os arquivos da postagem estão agora na poeira internética. O post recebeu 26 comentários!! O texto é um pouco mais longo do que costumamos ver em suas atuais postagens e é uma delícia de ler. Nada de ilustrações. Eu diria, um clássico PQP.

Meu eterno interesse por estas peças de Schubert e minha admiração por essas gravações de Pollini fizeram com que eu preparasse tudo para relançar o post. Começamos assim uma nova série:

PQP Originals!

Aqui está o texto do PQP:

Sei que não somente “aqueles comentaristas habituais” hostilizarão esta gravação colocada entre as melhores da DG (obrigado pela lembrança dos Originals, Lais; minha gravação é pré-Originals), como nossa comparsa Clara Schumann deverá apresentar chiliques em defesa de seu amado Alfred Brendel que, segundo ela, acarinha melhor o compositor que ela mais ama.

(Nunca entendi esta senhora que casa com um, tem Brahms por amante, mas gosta mesmo é de Schubert. A mente masculina é mais simples e burra, graças a Deus, e interessa-se por todas, prova de seu amor à humanidade.)

Schubert é o compositor que mais lamento. Apenas 31 anos! Onde ele chegaria se tivesse vivido, por exemplo, os 57 anos de Beethoven? É difícil de responder, ainda mais ouvindo suas últimas obras, amadurecidas a fórceps pelo sofrimento causado pela doença. Este criador de melodias irresistíveis trabalhava (muito) pela manhã, caminhava à tarde e bebia à noite. O bafômetro o pegaria na volta, certamente. Seria um recordista de multas. Não morreu da sífilis e sim de tifo, após ingerir um vulgar peixe contaminado. Ou seja, uma droga de um peixe podre nos tirou anos de muitas obras, certamente. Espero que, se o inferno existir, este peixe esteja lá queimando. Desgraçado, bicho ruim!

A interpretação de Pollini é completamente despida de exageros ou de virtuosismo. Ele respeita inteiramente Schubert, compositor melodista e destituído de virtuosismo pessoal ao piano, pero… nada de sentimentalismos, meus amigos. Pollini é um realista. E, com efeito, as sonatas finais desfazem o mito do Schubert fofinho, mundano e feliz. Era um indivíduo profundo e o trágico não lhe era estranho.

Minha sonata preferida é a D. 960, com seu imenso e emocionante primeiro movimento. Quando o ouço de surpresa, penso que virão o que não me vêm há anos: lágrimas. O que segue é-lhe digno, com destaque especial para o zombeteiro movimento final. O D. 959 também é extraordinário, principalmente o lindíssimo e nobre Andantino e o lied do Rondó. Também tenho indesmentível amor pela contrastante primeira peça das Drei Klavierstucke.

A Fundação Maurizio Pollini, desta vez patrocinada por PQP Bach, agradece todos os apoios recebidos e declara-se ofendida pela nefasta ironia perpetrada pelo provocador Kaissor (ou foi o Exigente?) ao querer estigmatizar nosso ídalo por ser mais divulgado em razão do perfil marcadamente “comercial” de sua gravadora. Com todo o respeito, respondemos a ele que Pollini é a Verdade e o Absoluto. Dou a Schnabel um lugar no pódio e ele que fique quieto. “O homem que inventou Beethoven”??? Arrã. Acho que foi reinventado… :¬)))

Caso você queira ler também os comentários da época, clique aqui. 

Atrevo-me apenas acrescentar que o tema do quarto movimento da Sonata em lá maior, D. 959, foi tomado emprestado do Allegretto quasi andantino da Sonata em lá menor, D. 537, de alguns anos antes, e é memorável. Para uma comparação, vá a 7’30 do vídeo aqui. Ou então ouça toda a sonata interpretada  por Wilhelm Kempff, um mago das gravações, em particular, das obras de Schubert.

Franz Schubert (1797-1828)

Disco 1

Sonata para Piano em dó menor, D. 958

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro – Trio
  4. Allegro

Sonata para Piano em lá maior, D. 959*

  1. Allegro
  2. Andantino
  3. Allegro vivace – Trio. Um poco più lento
  4. Allegretto

Maurizio Pollini, piano

Produção: Rainer Brock

*Maurizio Pollini dedica a gravação da Sonata em lá maior à memória de seu caro amigo Rainer Brock

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FLAC | 200 MB

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MP3 | 320 KBPS | 162 MB

Disco 2

Sonata para Piano em si bemol maior, D. 960

  1. Molto moderato
  2. Andante sostenuto
  3. Allegro vivace com delicadeza – Trio
  4. Allegro ma non tropo

Allegretto em dó menor, D. 946

  1. Allegretto

Três Peças para Piano, D. 946

  1. Allegro assai – Andante – Tempo I
  2. Allegretto
  3. Allegro

Maurizio Pollini, piano

Produção: Rainer Brock (D 915 ∙ 946); Christopher Alder (D 960)

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FLAC | 185 MB

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MP3 | 320 KBPS | 162 MB

Se você não chorar com o primeiro movimento da Sonata em si bemol maior, D. 960, então chorará com o segundo, o Andante sostenuto. Schubert sabia tudo sobre superação das dores naquela altura da vida.

René Denon

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano Vol. 2 – András Schiff

Dando continuidade a integral das Sonatas para Piano de Beethoven que András Schiff gravou lá na metade da primeira década do século XXI, 2005, para ser mais exato, trago o segundo volume.
Aqui a coisa começa a ficar séria, pois temos as três sonatas de op. 10, e concluindo o CD, a absolutamente estonteante Sonata Patética, op. 13, a favorita de muita gente que conheço, inclusive deste que vos escreve. Lembro que esta Sonata me foi apresentada por Murray Perahia, em um baita LP da finada CBS. Ouvi tanto que risquei este disco. Era lindo demais. Reconheço que prefiro Perahia, mas Schiff é um músico experiente, e que nos oferece bons momentos. Trata-se de obra de fôlego, imagino sempre que o solista tranca a respiração a maior parte do tempo, tamanha a concentração que precisa ter para enfrentas diversas armadilhas da obra.  Mas vamos ao que viemos?

P.S. Dentre os mais diversos momentos em que podemos identificar a genialidade de Beethoven, com certeza o adagio cantabile da Sonata Patética está entre as obras mais belas do compositor. É sempre um prazer imenso ouvi-lo.

01. Sonate Nr. 5 c-moll, Op. 10 No. 1 I. Allegro molto e con brio
02. Sonate Nr. 5 c-moll, Op. 10 No. 1 II. Adagio molto
03. Sonate Nr. 5 c-moll, Op. 10 No. 1 III. Finale Prestissimo
04. Sonate Nr. 6 F-dur, Op. 10 No. 2 I. Allegro
05. Sonate Nr. 6 F-dur, Op. 10 No. 2 II. Allegretto
06. Sonate Nr. 6 F-dur, Op. 10 No. 2 III. Presto
07. Sonate Nr. 7 D-dur, Op. 10 No. 3 I. Presto
08. Sonate Nr. 7 D-dur, Op. 10 No. 3 II. Largo e mesto
09. Sonate Nr. 7 D-dur, Op. 10 No. 3 III. Menuetto Allegro
10. Sonate Nr. 7 D-dur, Op. 10 No. 3 IV. Rondo Allegro
11. Sonate Nr. 8 c-moll «Pathétique», Op. 13 I. Grave. — Allegro di molto e con brio
12. Sonate Nr. 8 c-moll «Pathétique», Op. 13 II. Adagio cantabile
13. Sonate Nr. 8 c-moll «Pathétique», Op. 13 III. Rondo Allegro

András Schiff – Piano

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Pierre Boulez (1925-2016): As Três Sonatas para Piano + Formand 3 (Miroir)

Pierre Boulez (1925-2016): As Três Sonatas para Piano + Formand 3 (Miroir)

As duas primeiras Sonatas para Piano de Boulez foram compostas durante a juventude do compositor. A 2ª foi composta quando o ele tinha apenas 23 anos. Nelas nota-se a influência de Messiaen. A 3ª e última foi escrita quando ele tinha 30 anos e já possui o conceito da “casualidade controlada”, em que o intérprete pode escolher entre possibilidades que foram escritas pormenorizadamente pelo compositor – um método que é frequentemente descrito como “forma móvel”.

O CD é excelente para quem não tem ouvidos varicosos e aceitam obras em que o timbre é tão importante quanto o resto. A partir dos anoa 70, o Boulez compositor ficou mais indulgente em seu radicalismo e passei a não gostar tanto de suas composições. Gosto mesmo é do jovem selvagem e radical.

Pierre Boulez (1925-): As Três Sonatas para Piano + Formand 3 (Miroir)

Piano Sonata No.1
1) 1. Lent – Beaucoup plus allant [5:06]
2) 2. Assez large – Rapide [4:38]
Piano Sonata No.2
3) 1. Extrèmement rapide [6:04]
4) 2. Lent [11:42]
5) 3. Modéré, presque vif [2:32]
6) 4. Vif [10:48]
Piano Sonata No.3
Formant 2 – Trope
7) Parenthèse [2:33]
8) Glose [1:26]
9) Commentaire [2:20]
10) Texte [1:21]
Formant 3 – Miroir
11) Mélange [0:28]
12) Points 3 [1:43]
13) Blocs II [3:24]
14) Points 2 [1:58]
15) Blocs I [3:06]
16) Points 1 [0:43]

Paavali Jumppanen, piano

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Boulez:
Além de compositor, Boulez é um enorme regente.

PQP

Blockflötenkonzerte – Telemann, Graupner, Schultze – Dorothée Oberlinger, Reinhard Goebel, Ensemble 1700

Ao contrário da jovem holandesa Luci Hoersch, que trouxemos dia destes para os senhores, a flautista alemã Dorothée Oberlinger já é uma veterana, e é um absurdo o que toca essa moça. Não consigo encontrar um ponto negativo, uma falha, mesmo nas passagens mais técnicas e que exigem virtuosismo por parte do solista, enfim, ela dá um show de qualidade técnica e sensibilidade artística. É com certeza, uma das melhores flautistas da atualidade, bem entendido, flauta doce e suas variedades.  Aguardo sempre com ansiedade cada CD seu. Temos de considerar o fato dela não ser apenas uma intérprete muito respeitada, mas também uma professora, musicóloga e maestrina de alto nível.
Neste CD que ora vos trago temos Telemann, inclusive um destes concertos aqui inclusos é atribuido a ele, porém a autoria não é certa. Temos também Graupner e Schülze, compositores menos conhecidos, mas contemporâneos de Teleman e de Bach.
Outro destaque neste baita CD, além do Ensemble 1700, conjunto que a própria Oberlinger criou lá nos idos de 2002, é o maestro Reinhard Goebel, velho conhecido dos fãs ardorosos do Barroco historicamente interpretado. O homem é uma lenda na área, com diversos discos e CDs lançados, vários deles já postados aqui no PQPBach. Ou seja, só tem gente que entende muito do assunto aqui.
Mas vamos ao que viemos. Espero que apreciem. Eu gosto muito desta instrumentista, e sempre que possível, trarei outros CDs dela.

George Phillipp Telemann (1681-1767)
01. Concerto in G minor (Harrach Library) for Alto Recorder, Strings & Continuo I. Allegro
02. Concerto in G minor for Alto Recorder, Strings & Continuo II. Adagio
03. Concerto in G minor for Alto Recorder, Strings & Continuo III. Allegro
04. Concerto in C major (TWV 51C) for Alto Recorder, Strings & Continuo I. Allegretto
05. Concerto in C major (TWV 51C) for Alto Recorder, Strings & Continuo II. Allegro
06. Concerto in C major (TWV 51C) for Alto Recorder, Strings & Continuo III. Andante
07. Concerto in C major (TWV 51C) for Alto Recorder, Strings & Continuo IV. Tempo di menuet

Christopher Graupner (1683-1760)
08. Suite (Ouverture) in F major for Alto Recorder, Strings & Continuo I. Ouverture
09. Suite (Ouverture) in F major for Alto Recorder, Strings & Continuo II. Le speranza (Tempo gusto)
10. Suite (Ouverture) in F major for Alto Recorder, Strings & Continuo III. Air en gavotte
11. Suite (Ouverture) in F major for Alto Recorder, Strings & Continuo IV. Menuet
12. Suite (Ouverture) in F major for Alto Recorder, Strings & Continuo V. Air
13. Suite (Ouverture) in F major for Alto Recorder, Strings & Continuo VI. Plaisanterie

Johann Christoph Schultze (1733-1813)

14. Concerto in G major for Alto Recorder, Strings & Continuo I. Allegro
15. Concerto in G major for Alto Recorder, Strings & Continuo II. Adagio
16. Concerto in G major for Alto Recorder, Strings & Continuo III. Vivace

Dorothée Oberlinger – Recorder
Ensemble 1700
Reinhard Goebel – Conductor

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Dorothée Oberlinger leva a vida na flauta …

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para piano Op. 7, 14 e 22

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para piano Op. 7, 14 e 22

IM-PER-DÍ-VEL !!!

18 de fevereiro de 2014 foi um dia muito especial. Foi o dia em que assisti Maurizio Pollini no Southbank Center em Londres. Às 19h, ele entrou no palco do Royal Festival Hall, sala principal do complexo. Antes da sua entrada, o locutor do teatro anunciou que o repertório do recital — cuja primeira parte seria formada por obras de Chopin e a segunda por Debussy — fora ampliado por decisão de Pollini: era estava incluindo a Sonata N° 2 do compositor polonês na primeira parte. E completou dizendo que Maurizio dedicava pessoalmente o concerto à memória de Claudio Abbado. Aquilo fez com que um arrepio percorresse a espinha de todo o teatro, desde as primeiras e caras cadeiras até o lugar mais barato onde nos encontrávamos. Ato contínuo, enquanto o teatro com mais de mil pessoas mudava o tom da algaravia comum pré-concerto, traindo a emoção de todos, Pollini caminhou para o piano. Era o início de um dos maiores momentos de minha vida. Minha mulher escreveu:

“Ele é um sábio. Tem altíssima cultura musical e concisão. Enquanto o ouvia, pensava em diversas formas de reciclagem: ecológica, emocional, psíquica… Sua interpretação é a de um asceta que pode tudo, mas demonstra humildade e grandeza em trabalhar apenas para a música. Pollini não fica jogando rubatos e efeitos fáceis para o próprio brilho, mas me fez rezar e chorar. Que humanidade, quanto conhecimento! Depois desse concerto, minha vida não será a mesma”.

Foi a primeira vez que vi Pollini em ação, após ouvir dúzias de seus discos. Acho que não vou esquecer da emoção puramente musical — pois ela existe, como não? — de ouvir meu pianista predileto. Já estava com pena dele, tantas foram as vezes que retornou ao palco para ser aplaudido. Para Pollini ser absolutamente fabuloso, só falta o que não quero que aconteça e que já ocorreu com Abbado.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para piano Op. 7, 14 e 22

Piano Sonata No.4 in E flat, Op.7
1. 1. Allegro molto e con brio 7:34
2. 2. Largo, con gran espressione 7:20
3. 3. Allegro 4:31
4. 4. Rondo (Poco allegretto e grazioso) 6:34

Piano Sonata No.9 in E, Op.14 No.1
5. 1. Allegro 6:01
6. 2. Allegretto 2:34
7. 3. Rondo (Allegro comodo) 3:01

Piano Sonata No.10 in G, Op.14 No.2
8. 1. Allegro 5:47
9. 2. Andante 4:54
10. 3. Scherzo (Allegro assai) 3:06

Piano Sonata No.11 in B flat, Op.22
11. 1. Allegro con brio 6:46
12. 2. Adagio con molto espressione 6:16
13. 3. Menuetto 3:03
14. 4. Rondo (Allegretto) 5:21

Maurizio Pollini, piano

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Porra, Pollini, tu é demais!
Porra, Pollini, tu é demais!

PQP

Os Índios Tabajaras – The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras

Os Índios Tabajaras – The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras
Indisponível em CD: só em LP e cassete, e não vendo meu vinil por dinheiro algum!
Indisponível em CD: só em LP, e não vendo o meu por dinheiro algum!

Uma das melhores coisas que podem acontecer a um blogueiro é receber um comentário que, por si só, enseja uma nova postagem.

Assim foi o comentário do camarada Ranulfus, lá naquela postagem que fiz semana passada sobre os MÍTICOS Índios Tabajaras:

FASCINADO depois de ouvir, e ouvindo mais uma vez agora mesmo. Puristas podem franzir o nariz, mas na verdade MÚSICA É ISSO, é realização sobretudo intuitiva. Os rapazes são músicos até debaixo d’água, DIZEM cada frase. Tenho certeza de que Bach também era isso: todo seu saber teórico era apenas apoio ao fazer-música intuitivo, tão naturalmente “como quem mija” (para usar uma fala do Monteiro Lobato relativa ao escrever, dirigida ao Érico Veríssimo e relatada por este).

A noção de agógica dos guris (condução do discurso musical pelo domínio do fraseado, das flexibilizações do tempo, das ênfases) dá de 10 a 0 em MUITO músico de currículo pomposo, seja em termos acadêmicos, de apresentações ou de gravações.

OBRIGADÍSSIMO por resgatar não só as preciosidades específicas que são essas faixas gravadas (de que eu queria muito mais), mas sobretudo A MEMÓRIA desses grandes músicos de BRASILIDADE insuperável – do que somente vira-latas complexados haveriam de se envergonhar (digo-o contrastando com os vira-latas assumidos e orgulhosos de sê-lo, como eu)”

Sou eu quem deve agradecer pelo comentário, e agradeço atendendo a vontade do colega de escutar um pouco mais da arte desses extraordinários músicos brasileiros, cuja trajetória do sertão do Ceará ao Concertgebouw de Amsterdam é das mais improváveis que este planeta já testemunhou.

Para que não pensem que estou sozinho na tietagem incondicional aos virtuosos Tabajaras. "the loin-cloth-to-tuxedo" Fonte: The Nato Lima Foundation
Para que não pensem que estou sozinho na tietagem incondicional aos virtuosos Tabajaras – e “loin-cloth-to-tuxedo legend”, convenhamos, é o melhor resumo possível da epopeia dos irmãos
Fonte: The Nato Lima Foundation

Em The Classical Guitars of Los Indios Tabajaras, seu segundo disco dedicado ao repertório erudito, Muçaperê e Erundi dividem-se entre escolhas batidíssimas (“Pour Elise” e o “Romance de Amor”), as audazes (a “Hora staccato” de Dinicu/Heifetz) e a francamente insana (o “Rondo des Lutins” de Bazzini, peça pra lá de cabeluda do repertório violinístico). Digna de destaque é a regravação de “Recuerdos de la Alhambra”,  em que (corrijam-se se estiver enganado), talvez numa resposta aos puristas que criticaram o arranjo anterior para dois violões como uma simplificação do original, Muçaperê toca a versão original de Tárrega (tremolo e arpejos simultâneos) com discreto acompanhamento de Erundi.

Para mim, a qualidade de gravação deixa a desejar em relação à de Casually Classic. Sou troglodita confesso no que diz respeito a técnicas de gravação, mas tenho a impressão de que os microfones foram posicionados mais perto dos braços dos violões do que de seus corpos, resultando num som menos rico e menos reverberante, sem valorizar à altura o legendário vibrato de Muçaperê/Natalício/Nato Lima. Ainda assim, e mesmo que se tenha a impressão dos irmãos menos inspirados que no disco anterior, as belezas transbordam.

Muçaperê e Erundi gravariam ainda dois álbuns de música erudita, “Dreams of Love” e “Masterpieces”, que só tenho em cassetes, e em muito mau estado. No primeiro, há uma belíssima versão da “Valse Triste” de Sibelius que Muçaperê considerava seu melhor trabalho como arranjador. Farei de tudo para encontrar uma fonte melhor e compartilhá-lo com vocês. Se acham que podem me ajudar, deixem-me saber pela caixa de comentários.

OS ÍNDIOS TABAJARAS – THE CLASSICAL GUITARS OF LOS INDIOS TABAJARAS (1974)

Muçaperê (Natalício Moreira Lima) e Erundi (Antenor Moreira Lima), violões
Transcrições de Muçaperê

 

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01 – Duas Valsas, Op. 34 – no. 2 em Lá menor

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

02 – Bagatela em Lá menor, WoO 59, “Pour Elise”

Francisco de Asís TÁRREGA y Eixea (1852-1909)

03 – Recuerdos de la Alhambra

Grigoraş Ionică DINICU (1889-1949), em arranjo de Jascha Heifetz (1901-1987)

04 – Hora staccato

Fryderyk Franciszek CHOPIN

05 – Valsa em Lá bemol maior, Op. 69, No. 1, “Adeus”

Antonio BAZZINI (1818-1897)

06 – Scherzo Fantastico, Op. 25, “La Ronde des Lutins

Joaquín MALATS i Miarons (1872-1912)

07 – Serenata Española

ANÔNIMO

08 – Romance de Amor*

* os créditos do LP atribuem a autoria ao violonista espanhol Vicente Gómez (1911-2001), mas a obra é certamente anterior a ele

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Colagem para divulgação da já extinta Nato Lima Foundation, criada com o fim de angariar fundos para o tratamento de Muçaperê contra o câncer que o mataria. Nela aparece sua esposa, a japonesa Michiko, que aprendeu violão com Muçaperê para assumir a vaga de Erundi, depois que este se aposentou no começo dos anos 80. Emocionei-me profundamente ao encontrar esta colagem, pois foi a primeira vez que vi imagens da dupla ainda na infância e adolescência. Fascinado que sou há tanto tempo pela história de Erundi e Muçaperê, fico a imaginar onde está, ou que fim levou, o precioso material iconográfico gerado pela trajetória destes brasileiros fora-de-série.
Colagem para divulgação da extinta Nato Lima Foundation, criada com o fim de angariar fundos para o tratamento de Muçaperê/Natalício/Nato contra o câncer que o mataria. Nela aparece sua esposa, a japonesa Michiko, que aprendeu violão com Muçaperê e assumiu o lugar de Erundi depois que este se aposentou, no começo dos anos 80. Chorei feito um desgraçado ao encontrar esta colagem, pois não só desconhecia a maior parte das fotos que a compõem, como também porque foi a primeira vez que vi imagens da dupla na infância e adolescência – provavelmente durante a longa viagem, permeada por fome e violência, que empreenderam com a família do Ceará até o Rio de Janeiro. Fascinado que sou há tanto tempo pela história dos Índios Tabajaras, fico a imaginar onde está, ou que fim levou, este inestimável material iconográfico que poderia ajudar a contar, para as novas gerações, a trajetória destes brasileiros extraordinários.

Vassily Genrikhovich

 

Schulhoff (1894-1942) / Schoenberg (1874-1951): Chamber Works

Schulhoff (1894-1942) / Schoenberg (1874-1951): Chamber Works

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O repertório desta gravação apresenta dois inovadores compositores judeus — Erwin Schulhoff e Arnold Schoenberg — que perseguiram estilos musicais muito diferentes e que encontraram destinos igualmente diversos. As três peças aqui apresentadas foram concluídas entre agosto de 1924 e março de 1927. Elas não são particularmente em estilo judaico, mas refletem mais a época em que foram escritas. O flatista Fenwick Smith comanda o disco. A Sonata de Schulhoff é muito bonita e tem final bem alegre. A instrumentação do ótimo Concertino é única: flauta, viola e contrabaixo. O resultado é um belo trabalho rústico, descrito por Schulhoff como “um flautista de pastores da Morávia nas ruas de Praga”. Esses dois trabalhos pouco divulgados recebem a transcrição ainda mais rara, preparada por Felix Greissle, da Sonata para Quinteto do Sopros, Op 26 de Schoenberg. A transcrição é para flauta e piano. O Quinteto foi a primeira composição dodecafônica de Schoenberg.

Um belo disco magnificamente bem projetado e concebido.

Schulhoff (1894-1942) / Schoenberg (1874-1951): Chamber Works

Erwin Schulhoff (1894-1942)
Sonata (1927) 12:02
for Flute and Piano
À René Le Roy
1 I Allegro moderato 4:40
2 II Scherzo. Allegro giocoso 1:34
3 III Aria. Andante 3:11
4 IV Rondo-Finale. Allegro molto gajo 2:28
Fenwick Smith, flute
Sally Pinkas, piano

Concertino (1925) 15:30
for Flute, Viola and Double-bass
Herrn H.W. Draber in Zürich
5 I Andante con moto – subito più mosso – Tempo I 5:52
6 II Furiant. Allegro furioso – Pesante 3:18
7 III Andante – Più mosso – Tempo I 3:58
8 IV Rondino. Allegro gaio 2:12
Fenwick Smith, flute
Mark Ludwig, viola
Edwin Barker, double-bass

Arnold Schoenberg (1874-1951)
Sonata (1926) 38:14
Transcription for Flute and Piano by Felix Greissle (1899-1982) of the Quintet for Wind Instruments, Op. 26 (1923-24)
9 I Schwungvoll 11:43
10 II Anmutig und heiter; scherzando 8:30
11 III Etwas langsam 9:24
12 IV Rondo 8:29
66:03
Fenwick Smith, flute
Randall Hodgkinson, piano

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Fenwick Smith: um belo disco magnificamente concebido

PQP

Os Índios Tabajaras – Casually Classic

Os Índios Tabajaras – Casually Classic

Casually Classic - frHá ficção e realidade – e contos, e novelas.

Há mitos, há lendas – e causos, e trovas.

Há histórias tão improváveis que são indeglutíveis.

E há a história de Muçaperê e Erundi, ou de Natalício e Antenor Lima, ou – como o mundo todo viria a conhecê-los – dos Índios Tabajaras.

ooOoo

Eles eram, de fato, indígenas, nascidos da nação Tabajara, na serra de Ibiapaba, perto da divisa entre o Ceará e o Piauí. Receberam seus nomes nativos porque eram o terceiro (“muçaperê”) e quarto (“erundi”) filhos de seu pai. Sua trajetória do sertão até o sucesso mundial é tão inacreditável que minha prosa não tem asas para contá-la: deixo o próprio Natalício fazê-lo, neste longo, fascinante depoimento.

Resumo da epopeia: um primeiro contato com militares (e com o violão) no sertão; um tenente os apadrinha, e adotam “nomes de branco”; a fome move a família para o Rio de Janeiro, a pé e em pau-de-arara, ao longo de três anos, durante os quais se familiarizam com a viola brasileira e o violão; primeiras aparições no rádio e em teatros da Capital Federal e em São Paulo, anunciados como “bugres que sabem tocar”; sem serem levados muito a sério, fazem suas primeiras gravações; saem em turnê pela América Latina; chegam ao México, onde são apresentados por Ricardo Montalbán como “analfabetos musicais”; o constrangimento leva-os a terem aulas de música em Caracas e Buenos Aires; excursão pelos Estados Unidos, onde gravam várias músicas do repertório easy listening, incluindo o fox “Maria Elena”; retorno desiludido ao Brasil e busca de uma nova carreira; no meio-tempo, o compacto de “Maria Elena” transforma-se num imenso sucesso retardado, com mais de um milhão de vendas; os irmãos são catapultados de volta aos Estados Unidos, onde, entre idas e vindas, se radicam e vivem até suas mortes.

A acreditar em tudo o que se conta deles, temos a mais fantástica trajetória artística que ainda não virou livro ou filme. Mas não é ela, claro, que nos interessa, pois isso aqui, afinal de contas, é o PQP Bach e quem me lê não quer saber de histórias fabulosas: quer música, e muita, e da muito boa.

Surge, pois, a minha deixa para apresentar-lhes esta gravação.

Se a maior parte do repertório da dupla consistiu em músicas melosas, feitas para pagar as contas e destinadas invariavelmente aos almoços de família e às salas de espera de consultórios de dentista, os largamente autodidatas Muçaperê e Erundi eram entusiastas da música clássica europeia e, sempre que podiam, incluíam suas peças em seus recitais. Em muitos deles, tocavam música de elevador vestidos em trajes, ahn, “indígenas” (daqueles para inglês ver) para, depois do intervalo e de smoking, tocarem as transcrições de obras de concerto habilmente feitas por Muçaperê.

Este álbum, Casually Classic, inclui algumas delas, com solos de Muçaperê, e acompanhamentos de Erundi.

Talvez alguns torçam o nariz para a transcrição de Recuerdos de la Alhambra para dois violões, em vez da difícil superposição entre melodia em tremolo e acompanhamento em arpejos com o polegar da versão solo. Eu a acho esplêndida e muito mais evocativa que o original. Os excertos orquestrais são cheios de verve, e a fuga de Bach – uma estranha no ninho entre as seleções – é deliciosamente trigueira. O ponto alto, para mim, é a Fantasia-Improviso de Chopin, transcrita e interpretada de uma maneira tão linda que me é até mais convincente que o original pianístico.

Se a muitos será uma surpresa a revelação de que houve um grande duo de violonistas brasileiros antes dos irmãos Assad conquistarem o planeta, espero que ela, ao escutarem esta gravação, seja muito grata.

OS ÍNDIOS TABAJARAS – CASUALLY CLASSIC (1966)

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

01  – Valsa em Dó sustenido menor, Op. 64 no. 2

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)

02 – O Quebra-Nozes, Op. 71: Valsa das Flores

Francisco de Asis TÁRREGA y Eixea (1852-1909)

03 – Recuerdos de la Alhambra

Nikolay Andreyevich RIMSKY-KORSAKOV (1844-1908)

04 – A Lenda do Czar Saltan – Ato III, Interlúdio: O Voo do Zangão

Fryderyk Franciszek CHOPIN

05  – Valsa em Ré bemol maior, Op. 64 no. 1

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

06 – O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó sustenido maior, BWV 848: Fuga

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

07 – El Amor Brujo: Dança Ritual do Fogo

Fryderyk Franciszek CHOPIN

08 – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op. 66

Muçaperê (Natalício Moreira Lima) e Erundi (Antenor Moreira Lima), violões
Transcrições de Muçaperê

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Mussaperê e Herundi, vestidos para inglês ver
Erundi e Muçaperê, vestidos para inglês ver

Vassily

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje é o dia do aniversário daquele que se autodenomina PQP Bach. Então, ele postará três trabalhos excepcionais. Este é o terceiro do dia.

Que som, que gravação! Como muitos violoncelistas, Alban Gerhardt esperou “amadurecer” para gravar sua versão das Suítes de Bach para Violoncelo Solo. Aguardou até completar 50 anos de vida. Valeu a pena. Sua performance é pessoal, íntima e espontânea. Gerhardt soa perfeitamente à vontade nesta música e seu som é esplêndido — um registro de tenor rico e convincente. Há uma leveza na interpretação de Gerhardt que é influenciada por performances historicamente informadas, mas sem deixar de ter o calor do instrumento moderno. O resultado geral é uma leitura que se encaixaria na classificação romântica, mas sem o peso de bigorna de alguns. Os movimentos rápidos de Gerhardt são gentis e fluidos, e ele está no seu melhor nas Sarabandas (experimente ouvir a da terceira e a da quinta suíte — a bergmaniana –, por exemplo). Gerhardt diz que qualquer leitura que ele pudesse gravar seria apenas um instantâneo e é fácil acreditar neste caráter de improviso.

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo

Bach, J S: Cello Suite No. 1 in G major, BWV 1007 16:44

I. Prelude 2:55
II. Allemande 3:44
III. Courante 2:39
IV. Sarabande 2:28
V. Menuet I – Menuet II 3:09
VI. Gigue 1:49

Bach, J S: Cello Suite No. 2 in D minor, BWV 1008 18:13

I. Prelude 3:34
II. Allemande 2:42
III. Courante 2:09
IV. Sarabande 4:18
V. Menuet I – Menuet II 2:43
VI. Gigue 2:47

Bach, J S: Cello Suite No. 3 in C major, BWV 1009 21:39

I. Prelude 3:55
II. Allemande 3:41
III. Courante 3:12
IV. Sarabande 3:57
V. Bourrée I – Bourrée II 3:40
VI. Gigue 3:14

Bach, J S: Cello Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010 22:55

I. Prelude 4:16
II. Allemande 3:17
III. Courante 3:24
IV. Sarabande 4:02
V. Bourrée I – Bourrée II 5:12
VI. Gigue 2:44

Bach, J S: Cello Suite No. 5 in C minor, BWV 1011 21:23

I. Prelude 5:20
II. Allemande 4:08
III. Courante 1:57
IV. Sarabande 3:21
V. Gavotte I – Gavotte II 4:30
VI. Gigue 2:07

Bach, J S: Cello Suite No. 6 in D major, BWV 1012 28:12

I. Prelude 5:23
II. Allemande 5:58
III. Courante 3:41
IV. Sarabande 4:52
V. Gavotte I – Gavotte II 4:03
VI. Gigue 4:15

Alban Gerhardt (cello)

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Vermeer: A Lição de Música

PQP