Diversos Compositores: Retrospectiva de 2022 do René Denon ֍

Diversos Compositores: Retrospectiva de 2022 do René Denon ֍

Retrospectiva

2022

Mais uma vez a Terra está a completar uma volta em sua órbita celeste e nos aproximamos do fim deste peculiar ano de 2022. Alguns ciclos se completam, outros estão a vir, já anunciados. É um bom momento para, como Janus, olharmos para trás, considerando o que foi feito e desejarmos o que está chegando. Eu estou tentando criar espaço no presente para receber o que o futuro trará.

Passei em revista minha atividade no blog, entre 1 de dezembro de 2021 e 30 de novembro de 2022. Este ano não tive energia para verificar todas as publicações e limitei às que resultaram de meus próprios esforços. Estas postagens refletem meu envolvimento com música, que posso observar, é grande. Algumas delas foram fáceis de preparar, vindas de alguma boa inspiração, outras demandaram mais estudo e dedicação, mas todas me deram bastante prazer, ao longo do caminho. Prazer em ouvir a música, de eventualmente comparar com outras interpretações ou de seguir as direções que ela me apontava. Prazer também em burilar o texto, em catar as ilustrações e depois esperar que elas surgissem, no blog. Esperar os aguardados comentários, estes mais parcos do que eu gostaria. De qualquer forma, os que recebi ao longo deste período me pareceram sinceros e foi gratificante lê-los.

Olhar estas postagens mais uma vez me fez pensar o quanto é importante valorizar o tempo, que ouvir música demanda tempo. Talvez seja por isso que alguns de nós se agarre a um repertório mais restrito, voltando sempre aos mesmos intérpretes. Eu sou por demais curioso para isso, o que me força a constantemente abrir mão desse tipo de segurança, abrindo espaço para as novidades.

Neste período fiz 64 postagens e acabei selecionando uma playlist entre as peças que considerei representativas do total. Caso você tenha o tempo de ouvir, poderá se interessar em visitar a correspondente postagem e descobrir algumas outras novidades.

Três dessas postagens selecionadas são de nosso padroeiro, São Sebastião Ribeiro. Uma gravação estalando de nova das seis sonatas para cravo e violino, com o violinista Andoni Mercero e o cravista Alfonso Sebastián; um disco com cantatas para baixo interpretadas pelo (jovem) David Greco, acompanhado pelo Luthers Bach Ensemble, sob a direção de Tymen Jan Bronda; uma outra gravação (plena de reflexões feitas durante o afastamento social resultado da pandemia) das seis (maravilhosas) suítes para violoncelo pelo jovem e talentoso Bruno Philippe.

Duas postagens refletem essa minha busca por novidades. Assim, na minha playlist de Retrospectiva 2022 há duas peças que conheci este ano e que me impressionaram: num deles, o Concerto para Piano de Sir Michael Tippett, interpretado pelo veterano pianista Howard Shelley, com a Bournemouth Symphony Orchestra, regida pelo (late) Richard Hickox, num disco do selo Chandos, inglês em todas as instâncias; no outro, o Cantus Articus do compositor finlandês Einojuhani Rautavaara. A peça Cantus Articus foi a que me motivou investigar a música de Rautavaara e o disco também traz a sua Sinfonia No. 7 e o Concerto para flautas.

O repertório de música francesa dos séculos 19 e 20 aparece sempre nas minhas postagens e um exemplo é este disco de músicos poloneses (ótimos) tocando lindas peças de câmara com instrumentos de sopros, o Gruppo di Tempera. Veja o discreto charme deste La chaminée du roi René, de Darius Milhaud.

Outro exemplo é o disco Exotisme, sonorités pittoresques, com peças para piano solo ou a quatro mãos, interpretadas pelos ótimos Ludmilla Guilmaut e Jean-Noël Dubois. Uma mescla de música de compositores mais conhecidos com música de compositores que recebem menos exposição e que merecem maior divulgação. Muita alegria, charme e beleza, como num lindo buque de flores.

Cantores também me interessam muito e adorei ter conhecido o trabalho da mezzo-soprano Elisabeth Kulman cantando algumas canções de Mahler, acompanhada por um pequeno conjunto de músicos com o sugestivo nome Amarcord Wien.

Muito trabalho me deu a postagem das 40 árias, que passou incólume pelos nossos leitores. Muito trabalho, uma vez que ópera é um gênero musical que eu conheço pouco, mas muito prazer também em descobrir um pouco o sentido de tão belos momentos musicais. Para esta Retrospectiva 2022 escolhi algumas das árias que considerei mais emblemáticas. Entre elas Casta Diva, da ópera Norma, composta por Bellini, e Vissi d’arte, de Tosca, composta por Puccini.

Uma grata surpresa neste ano foi a descoberta da música para piano de Radamés Gnattali, num disco primoroso. O intérprete Luís Rabello é sobrinho do violonista Raphael Rabello e ótimo pianista.

Para completar essa retrospectiva, não poderia deixar de mencionar mais música barroca. Escolhi algumas sonatas de Scarlatti, parte da postagem de um disco da espetacular pianista Zhu Xiao-Mei e uma postagem dedicada ao Opus 3 de Vivaldi, pelo Concerto Italiano, sob a direção de Rinaldo Alessandrini. Esta coleção tem de especial o fato de que os concertos de Vivaldi estarem entremeados com algumas das suas transcrições feitas por Bach.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata No. 6 em sol maior, BWV1019
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
  4. Adagio
  5. Allegro

Andoni Mercero, violino

Alfonso Sebastián, cravo

Cantata BWV 82 ‘Ich habe genug’
  1. Ich habe genug
  2. Ich habe genug! Mein Trost ist nur allein
  3. Schlummert ein, ihr matten Augen
  4. Mein Gott! Wann kömmt das schöne
  5. Ich freue mich auf meinen Tod

David Greco, baixo

Joanna Huszcza, violino

Amy Power, oboé

Luthers Bach Ensemble

Tymem Jan Bronda

Suíte para Violoncelo No. 6 in D major, BWV1012
  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Gavottes I & II
  6. Gigue

Bruno Philippe, violoncelo

Michael Tippett (1905 – 1998)

Concerto para Piano e Orchestra
  1. I Allegro non troppo
  2. II Molto lento e tranquilo
  3. III Vivace

Howard Shelley, piano

Bournemouth Symphony Orchestra

Richard Hickox

Darius Milhaud (1892 – 1962)

Le cheminée du Roi René, Op. 205
  1. Cortege
  2. Aubade
  3. Jongleurs
  4. La Maousinglade
  5. Joutes sur l’arc
  6. Chasse a Valabre
  7. Madrigal – Nocturne

Gruppo di Tempera

Agnieszka Kopacka, piano
Agata Igras-Sawicka, flauta
Sebastian Aleksandrowicz, oboé
Adrian Janda, clarinete
Artur Kasperek, fagote
Tomasz Bińkowski, trompa

Gustav Mahler (1860 – 1911)

  1. Ging heut morger übers Feld – Mahler (Lieder eines fahrenden Gesellen)
  2. Ich atmet’ einen linden Duft – Rückert-Lieder
  3. Blicke mir nicht in die Lieder – Rückert-Lieder
  4. Liebst du um Schönheit – Rückert-Lieder
  5. Adagietto – 4 movimento da Quinta Sinfonia

Elisabeth Kulman, mezzo-soprano

Amarcord Wien:

Tommaso Huber, acordeão

Sebastian Gürtler, violino

Michael Williams, violoncelo

Gerhard Muthspiel, contrabaixo

Einojuhani Rautavaara (1928 – 2016)

Cantus Arcticus, Op. 61 (Concerto para Pássaros e Orquestra)
  1. Suo (Pântano)
  2. Melankolia
  3. Joutsenet muuttavat (Cisnes migrando)

Sinfonia Lahti

Osmo Vänskä

Claude Debussy (1862 – 1918)

Préludes, Livre 1, L. 117
  1. Voiles

Ludmilla Guilmault, piano

Déodat de Séverac (1872 – 1921)

En Vacances, Vol. 1
  1. Où l’on entend une vieille boîte à musique
  2. Valse romantique

Ludmilla Guilmault; Jean-Noël Dubois, piano

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Dolly, Op. 56
  1. Le pas espagnol

Ludmilla Guilmault; Jean-Noël Dubois, piano

40 Best Arias

  1. Bellini- Norma – Casta Diva – Maria Callas
  2. Verdi- Rigoletto – La Donna E Mobile – Richard Leech
  3. Bizet- Carmen – Habanera – ‘L’amour Est Un Oiseau Rebelle – Julia Migenes
  4. Bizet- Carmen – Flower Song – Placido Domingo
  5. Offenbach- Les Contes d’Hoffmann – Barcarolle – Jennifer Larmore & Hei-Kyung Hong
  6. Mozart- Don Giovanni – Dalla Sua Pace – [Don Ottavio] – Hans-Peter Blochwitz
  7. Delibes- Lakme – Flower Duet – [Lakme, Mallika]) – Jennifer Larmore & Hei-Kyung Hong
  8. Verdi- La Traviata – Brindisi- Libiamo Ne’Lieti Calici – Neil Schicoff & Edita Gruberova
  9. Puccini- La Boheme – Che Gelida Manina [Rodolfo]) – Jose Carreras
  10. Puccini- La Boheme – Si. Mi Chiamano Mimi – Barbara Hendricks
  11. Puccini- Tosca – Vissi D’arte’ [Tosca] – Kiri Te Kanawa
  12. Puccini- Tosca – E Lucevan Le Stelle [Cavaradossi] – Placido Domingo
  13. Gluck- Orphee Et Eurydice – J’ai Perdu Mon Eurydice – Susan Graham
  14. Rossini- La Cenerentola – Non Piu Mesta [Angiolina] – Jennifer Larmore

Radamés Gnattali (1906 – 1988)

  1. Rapsódia Brasileira
  2. Poema de Fim de Tarde
  3. Manhosamente
  4. Uma rosa para o Pixinguinha

Luís Rabello, piano

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata em mi maior, K. 531 (L. 430)
  2. Sonata em si menor, K. 87 (L. 33)
  3. Sonata lá maior, K. 533 (L. 395)
  4. Sonata em ré menor, K. 32 (L. 423)
  5. Sonata em lá maior, K. 39 (L. 391)

Zhu Xiao-Mei, piano

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto No. 8 for 2 Violins in A Minor, Op. 3, RV 522
  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto for organ after RV 522 in A Minor, BWV 593
  1. [Allegro]
  2. Adagio
  3. Allegro

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto No. 10 for 4 Violins in B Minor, Op. 3, RV 580
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto for 4 Harpsichords after RV 580 in A Minor, BWV 1065
  1. [Allegro]
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto Italiano

Rinaldo Alessandrini, cravo e regência

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MP3 | 320 KBPS | 681 MB

Assim, mantendo ainda viva a memória da música que nos alegrou no ano que passou, voltamos os planos e as expectativas para este ano novo.

Aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Das wohltemperierte Klavier, livro I – Pierre Hantaï [O Teclado bem Temperado, 300 anos] #WTC300

Das Wohltemperirte Clavier
oder
Præludia, und
Fugen durch alle Tone und Semitonia,
so wohl tertiam majorem oder Ut Re Mi anlan-gend, als auch tertiam minorem oder Re
Mi Fa betreffend. Zum
Nutzen und Gebrauch der Lehrbegierigen
Musicalischen Jugend, als auch derer in diesem stu-
dio schon habil seyenden besonderem
Zeitvertreib auffgesetzet
und verfertiget von
Johann Sebastian Bach.
p.t. Hochfürstlich
Anhalt-Cöthenischen Capel-
Meistern und Di-
rectore derer Camer Mu-
siquen
Anno 1722. 
ooOoo


[“O Teclado bem Temperado, ou Prelúdios e fugas através de todos os tons e semitons, tanto sobre terças maiores ou Dó Ré Mi, quanto sobre terças menores ou Ré Mi Fá. Idealizado e preparado para o benefício e uso da juventude musical ávida por aprender, bem como para o passatempo dos já qualificados neste estudo, por Johann Sebastian Bach, pro tempore Mestre de Capela da Corte Principesca de Anhalt-Cöthen e Diretor de sua Música de Câmara. Ano 1722″]


Em 1722, o príncipe Leopold de Anhalt-Cöthen, patrão de Bach e melômano inveterado, casou-se com uma senhora pouquíssimo afeita às artes, e o Demiurgo da Música, talvez já ouvindo chiar a banha em que seria frito, resolveu buscar novos rumos para si e sua já numerosa prole. Seu próximo emprego, como sabemos,  seria o de Thomaskantor em Leipzig e o último de sua vida, e enquanto iniciava as tratativas para a mudança e lidava com a ocupadíssima rotina de compor e ensaiar música instrumental para o recém-casado empregador, nosso incansável herói achou tempo para trazer a público uma coleção de vinte e quatro prelúdios e fugas, em todas tonalidades maiores e menores, muitos dos quais composições anteriores retrabalhadas, transportas e expandidas, sob o título que todos já conhecemos, e que doravante preferirei, de maneira talvez antipática, provavelmente purista, mas sem dúvidas atenta ao original, chamar de “O Teclado bem Temperado”, ou TbT (e notem que, se daqui por diante eu usarei o termo “publicação”, esta foi tão só no sentido de torná-la pública, pois a obra seria conhecida somente por manuscritos, entusiasticamente copiados e compartilhados tanto por diletantes quanto por mestres, até seu encontro com a prensa, mais de meio século depois).

2022, por sua vez, e entre tantas outras coisas, marca tanto o tricentenário da publicação do primeiro volume d’O TbT quanto meu descalabro em deixar para o apagar das luzes do ano minha postagem alusiva à efeméride. Poderia alegar, como contribuinte cada vez mais bissexto deste blog, a estafa decorrente da devoção à mais sensacional das octogenárias – ou, como todo brasileiro, os paraefeitos do tremendo moedor de carne que se tornou respirar neste covidári…, er, atribulado país. Mas, nah: ninguém ligará para isso, muito menos para mim, e quiçá ninguém mesmo me lerá antes de 2023 – nem eu próprio, elevado que estarei à mesosfera pelo simples fato de despertar num Brasil em que ser boçal, racista e misógino (para deixar por pouco) não será mais política de Estado. Assim, enquanto os deixo na companhia de Pierre Hantaï, esse Midas do cravo que parece saído duma pintura de El Greco e cujo som maravilhoso conjura truques e feitiços de que ninguém mais parecer capaz em seu instrumento, faço-lhes a frouxa, inda que sincera, promessa de inaugurar com essa postagem uma série dedicada ao que de mais melífluo e significativo a discografia d’O TbT trouxe aos embrutecidos ouvidos do homem – e tão genuína quanto será minha alegria por encontrar, vivo, a primeira luz de 2023.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Das wohltemperierte Klavier (O Teclado Bem Temperado), Prelúdios e Fugas sobre todas as tonalidades maiores e menores, Primeiro Livro, BWV 846-869

01-02 – Prelúdio e Fuga em Dó maior, BWV 846
03-04 – Prelúdio e Fuga em Dó menor, BWV 847
05-06 – Prelúdio e Fuga em Dó sustenido maior, BWV 848
07-08 – Prelúdio e Fuga em Dó sustenido menor, BWV 849
09-10 – Prelúdio e Fuga em Ré maior, BWV 850
11-12 – Prelúdio e Fuga em Ré menor, BWV 851
13-14 – Prelúdio e Fuga em Mi bemol maior, BWV 852
15-16 – Prelúdio e Fuga em Mi bemol menor, BWV 853
17-18 – Prelúdio e Fuga em Mi maior, BWV 854
19-20 – Prelúdio e Fuga em Mi menor, BWV 855
21-22 – Prelúdio e Fuga em Fá maior, BWV 856
23-24 – Prelúdio e Fuga em Fá menor, BWV 857
25-26 – Prelúdio e Fuga em Fá sustenido maior, BWV 858
27-28 – Prelúdio e Fuga em Fá sustenido menor, BWV 859
29-30 – Prelúdio e Fuga em Sol maior, BWV 860
31-32 – Prelúdio e Fuga em Sol menor, BWV 861
33-34 – Prelúdio e Fuga em Lá bemol maior, BWV 862
35-36 – Prelúdio e Fuga em Sol sustenido menor, BWV 863
37-38 – Prelúdio e Fuga em Lá maior, BWV 864
39-40 – Prelúdio e Fuga em Lá menor, BWV 865
41-42 – Prelúdio e Fuga em Si bemol maior, BWV 866
43-44 – Prelúdio e Fuga em Si bemol menor, BWV 867
45-46 – Prelúdio e Fuga em Si maior, BWV 868
47-48 – Prelúdio e Fuga em Si menor, BWV 869

Pierre Hantaï, cravo

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Vassily

J. S. Bach (1685-1750) / Sofia Gubaidulina (1931): Violin Concertos / In Tempus Praesens (Mutter)

J. S. Bach (1685-1750) / Sofia Gubaidulina (1931): Violin Concertos / In Tempus Praesens (Mutter)

Não há lei que obrigue os “historicamente desinformados” a serem ruins. Este disco, todo com instrumentos atuais, me causou enorme prazer por ser diferente, original e bom. Fiquei impressionado com a abertura dele. A execução de dois famosos e muito interpretados concertos de Bach foi uma lufada de ar fresco. A unidade entre solista e conjunto mostra uma precisão sem esforço e uma alma real. OK, é um romantismo pré-romântico, mas Mutter tem rara sensibilidade. A música canta. O Concerto de Gubaidulina é envolvente, tem lindos momentos e poderá fascinar muitos daqueles que não têm amor à “nova música erudita”. Ela mostra um enorme acervo de timbres que são explorados ao longo dos 32 minutos do concerto, dividido em cinco movimentos sem pausa. Partindo do violino solo, com pequenas intervenções orquestrais, a música vai se abrindo em leque, cada vez com mais instrumentos. Tudo termina de novo na solista, desaparecendo sozinha num agudíssimo. Excelente disco!

J. S. Bach (1685-1750) / Sofia Gubaidulina (1931): Violin Concertos / In Tempus Praesens (Mutter)

Concerto For Violin, Strings And Continuo In A Minor, BWV 1041
Composed By – Johann Sebastian Bach
Orchestra – Trondheim Soloists*
Producer – Reinhild Schmidt
Soloist, Violin, Conductor – Anne-Sophie Mutter
(13:28)
1 – 1. (Allegro Moderato) 3:36
2 – 2. Andante 6:41
3 – 3. Allegro Assai 3:11

Concerto For Violin, Strings And Continuo In E Major, BWV 1042
Composed By – Johann Sebastian Bach
Orchestra – Trondheim Soloists*
Producer – Reinhild Schmidt
Soloist, Violin, Conductor – Anne-Sophie Mutter
(17:25)
4 – 1. Allegro 7:44
5 – 2. Adagio 7:11
6 – 3. Allegro Assai 2:30

In Tempus Praesens (2006/07)
7 Concerto For Violin And Orchestra
Composed By – Sofia Gubaidulina
Soloist, Violin – Anne-Sophie Mutter
Orchestra – London Symphony Orchestra*
Conductor – Valery Gergiev
Producer – Sid McLauchlan

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Quem não gosta de Anne-Sophie Mutter é mulher do padre, evidentemente.

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Missa em Si Menor (Hengelbrock / Freiburger)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Missa em Si Menor (Hengelbrock / Freiburger)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um grande amigo, infelizmente já falecido, considerava esta obra de Bach como a maior realização do ser humano. Curiosamente esse amigo era ateu, não era ligado a nenhuma religião.  Era uma pessoa extremamente bondosa, e desconheço alguém que tenha feito alguma reclamação a seu respeito. Era admirado por todos. Tratava-se de pessoa cordata, sábia e que tinha uma grande bondade no coração, desconhecia a maldade. E um grande intelectual, extremamente culto e um dos maiores conhecedores da obra de Machado de Assis que tive a oportunidade de conhecer. Mas um belo dia um AVC o levou. Como morava sozinho, nunca casou, só foi encontrado dois dias depois dentro de seu apartamento.

Por que me lembrei dele? Porque mais ou menos nessa época, não sei precisar o dia, há seis anos, ele nos deixou. Uma legião de amigos ainda não se conforma. Para mim, ele viajou para o seu amado Rio Grande do Sul, para ficar novamente entre sua tão querida família e pode aparecer a qualquer momento. E ele amava essa Missa de Bach. No meio da bagunça dos  milhares de LPs, fitas cassetes e livros em que ele vivia, estava sempre em destaque o LP da gravação do Gardiner. Dizia que tinha de ouvi-lo ao menos uma vez por mês, pois aquela música como que o purificava, sentia-se mais leve, como se estivesse indo ao confessionário.  Se a ouvia num final de semana, sua semana começava melhor ainda. Curioso, né? O efeito que uma música pode ter sobre uma pessoa…  enfim, a vida da gente é um nada no mundo, como dizia o poeta. Mas temos de aproveitá-la da melhor forma possível, para não nos arrependermos depois de nossas escolhas.

Ouvindo essa gravação do Thomas Hengelbrock sinto-me como o meu amigo se sentia. Livre e leve. Poderia voltar á rotina estafante do serviço com um sorriso no rosto. Mas hoje é sábado, e não trabalho, nem amanhã. Portanto, vamos aproveitar o dia.

Voltando a falar dessa gravação, diria que está no mesmo nível da de Gardiner, para muitos a melhor já realizada. Mas a música de Bach está além de conceitos e gostos. Ela transcende e atinge a todos com tal força que ficamos como que paralisados. E creio que o mesmo ocorra com os intérpretes dessa gravação: foram como que possuídos pela força que ela emana e realizaram um trabalho notável. Não saberia dizer se é a melhor gravação da atualidade, afinal existem dezenas de gravações dela, mas com certeza está na minha lista das melhores.  O jovem Thomas Hengelbrock já realizou excelentes gravações em sua curta carreira e tem um futuro promissor pela frente.

Meu falecido amigo haveria de concordar comigo. Não preciso dizer que esta postagem é uma homenagem à ele, né?

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Missa em Si Menor (Hengelbrock / Freiburger)

CD1

1 Ester Teil. KYRIE. Chorus_ Kyrie eleison
2 Duetto (Soprano I & II)_ Christe eleison
3 Chorus_ Kyrie eleison
4 GLORIA. Chorus_ Gloria in excelsis Deo
5 Chorus_ Et in terra pax
6 Aria (Soprano)_ Laudamus te
7 Chorus_ Gratias agimus tibi
8 Duetto (Soprano & Tenor)_ Domine Deus
9 Chorus_ Qui tollis peccata mundi
10 Aria (Altus)_ Qui sedes ad dexteram patris
11 Aria (Basso)_ Quoniam tu solus Sanctus
12 Chorus_ Cum Sancto Spiritu

CD2

1 Zweiter Teil. CREDO. Chorus_ Credo in unum Deum
2 Chorus_ Patrem omnipotentem
3 Duetto (Soprano & Altus)_ Et in unum Deum
4 Chorus_ Et incarnatus est
5 Chorus_ Crucifixus
6 Chorus_ Et resurrexit
7 Aria (Basso)_ Et in Spiritum Sanctum
8 Chorus_ Confiteor
9 Chorus_ Et expecto
10 SANCTUS. Chorus_ Sanctus
11 Aria (Tenor)_ Benedictus
12 Doppel-Chorus_ Osanna
13 AGNUS DEI. Aria (Altus)_ Agnus Dei
14 Chorus_ Dona nobis pacem

Solistas do Balthasar-Neuman-Choir
Balthasar-Neumann-Choir
Freiburger Barockorchester
Thomas Hengelbrock – Conductor

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Thomas Hengelbrock explicando sua baita parceria com os Freiburger

FDPBach

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo / Concerto Triplo / Concerto para Órgão BWV 1059 (Koopman / ABO)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo / Concerto Triplo / Concerto para Órgão BWV 1059 (Koopman / ABO)

Em homenagem ao dia natalício de Johann Sebastian Bach! (Postagem original de 21 de março de 2012)
Os Concertos de Brandenburgo são uma das páginas mais famosas e importantes da música barroca, além do que é uma da obras mais populares do vasto material de Johann Sebastian Bach. Estes concertos foram compostos no período que vai de 1718 a 1721 e ficaram esquecidos após o ano de 1734. Somente no século XIX é que voltaram a ser explorados e tocados. São uma das obras mais belas de todos os tempos. Vale a pena ouvir e se entusiasmar. Existe várias outras gravações aqui no blog. Dessa vez, vamos com o holandês ton Koopman, um especialista em Bach. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo / Concerto Triplo / Concerto para Órgão BWV 1059 (Koopman / ABO)

CD1

Brandenburg concerto No. 1 in F major, BWV 1046
01. 1 (Without tempo indication)
02. 2 Adagio
03. 3. Allegro
04. 4. Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II

Brandenburg concerto No. 3 in G major, BWV 1048
05. 1. (Without tempo indication)
06. 2. Adagio
07. 3. Allegro

Brandenburg concerto No. 2 in F major, BWV 1047
08. 1. (Without tempo indication)
09. 2. Andante
10. 3. Allegro assai

Triple Concerto, BWV 1044
11. I. Allegro
12. II. Adagio ma non tanto e dolce
13. III. Alla breve

CD2

Brandenburg concerto No. 4 in G major, BWV 1049
01. 1. Allegro
02. 2. Andante
03. 3. Presto

Brandenburg concerto No. 5 in D major, BWV 1050
04. 1. Allegro
05. 2. Affetuoso
06. 3. Allegro

Brandenburg concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051
07. 1. (Without tempo indication)
08. 2. Adagio ma non tanto
09. 3. Allegro

Organ Concerto No. 8 in D minor, BWV 1059
10. I. Sinfonia
11. II. Aria
12. III. Sinfonia, presto

The Amsterdam Baroque Orchestra
Ton Koopman, condutor

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Koopman na época da gravação destes Brandenburgos.

Carlinus

J. S. Bach (1685-1750): Árias com Anne Sofie von Otter

J. S. Bach (1685-1750): Árias com Anne Sofie von Otter

Não foi com Bach que Anne Sofie von Otter fez suas primeiras aparições solo, mas ela tinha grande vivência com o compositor por ter participado, quando jovem, do Coro Bach de Estocolmo. “O maestro do Coro Bach naquela época era muito dinâmico e entusiasmado por Bach. Em seguida, surgiu Nikolaus Harnoncourt para nos conduzir nos motetos de Bach e também foi uma experiência maravilhosa. Foi um momento emocionante para os jovens como eu, que já se reuniam em torno do toca-discos para escutar suas novas gravações de Monteverdi, Bach e Mozart. Harnoncourt realmente foi a minha principal influência de Bach.”

“Depois de alguns anos, voltei a cantar bastante Bach, até participando de gravações com John Elliot Gardiner”, acrescenta, “mas depois eu coloquei de propósito sua música de lado, porque havia muito a explorar, principalmente na ópera. Portanto, este disco não chega a ser uma surpresa. Eu ouvi todas as Cantatas, Oratórios e Paixões e anotava aquilo que achava mais adequado à minha voz. Foi maravilhoso descobrir novas árias, mas ao invés de apenas solos vocais, decidi dividi-lo com movimentos puramente instrumentais. Quando o Concerto Copenhague apareceu no horizonte, comecei também a me aconselhar com Lars Ulrik, que acrescentou novas ideias”.

J. S. Bach (1685-1750): Árias com Anne Sofie von Otter

Cantata No.54: “Widerstehe doch der Sünde”, BWV54
1) Widerstehe doch der Sünde [6:17]

Cantata, BWV 197 “Gott ist unsere Zuversicht”
2 Aria: Schläfert aller Sorgen Kummer [7:54]

Cantata, BWV99
3) 5. Aria-Duet: Wenn des Kreuzes Bitterkeiten [2:50]

St. Matthew Passion, BWV 244
4) No.47 Aria (Alto): “Erbarme dich, mein Gott” [6:17]
Cantata No.30 “Freue dich, erlöste Schar”, BWV 30
5) 5. Aria: Kommt, ihr angefocht’nen Sünder [4:12]

Cantata No.35 “Geist und Seele wird verwirret”, BWV 35
6) 1. Sinfonia [5:17]

Cantata: “Wer mich liebet, der wird mein Wort halten” BWV 74
7) 7. Aria: Nichts kann mich erretten [5:30]

Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen Cantata, BWV 12
8. Sinfonia [2:19]

Mass in B minor, BWV 232
9) Agnus Dei [5:33]

Magnificat in D Major, BWV 243
10) Aria (Duet): “Et misericordia” [3:28]

Cantata, BWV 60 “O Ewigkeit, du Donnerwort”
11) 1. Duett: O Ewigkeit, du Donnerwort / Herr, ich warte [4:05]

Cantata, BWV117
12) 1. Sei Lob und Ehr dem höchsten Gut [3:20]

Anne Sofie von Otter
Baroque Concerto Copenhagen
Lars Ulrik Mortensen

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Partitas (Hewitt)

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Partitas (Hewitt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Angela Hewitt regravou estas obras de Bach. A nova gravação está AQUI. Divirtam-se neste e naquele post!

Esta postagem é de 2012… Devia estar totalmente sem tempo, porque apenas grudei abaixo um texto da Wikipedia.

As Partitas, BWV 825–830, são um conjunto de seis suítes de cravo escritas por Johann Sebastian Bach, e publicadas entre 1726 e 1730, em Leipzig, sob o título da primeira parte dos trabalhos publicados durante a sua vida, e que se chamaram: Clavierübung. Elas foram as últimas das suas suites compostas para teclado as outras sendo, as Seis Suites Inglesas, BWV 806-811 e as Seis Suites Francesas, BWV 812-817.

As partitas, que foram publicadas na primeira parte da publicação de quatro partes total do Clavierübung, durante a vida de Bach, são consideradas o sumo do exercício da técnica extrema da composição de Bach para o teclado.

Exatamente como as outras duas suites prévias, as francesas e as inglesas, todas as “Seis Partitas” seguem o esquema básico da suíte: “allemande-courantesarabanda e giga“. Neste esqueleto (cada uma possui variedade em seu próprio formato), primeiramente, colocando um movimento de abertura distinto (um prelúdio, uma sinfonia ou fantasia, ou mesmo uma abertura) que determinaria a cor e o temperamento de cada suite e, em seguida, pelas galantarias—danças opcionais—que ele adicionava opcionalmente nos finais das suítes. A variedade sempre aumenta mais em não colocar peças especificamente para danças, como um rondeau e burlesca, o que contribuiu muito para a continuidade da música e caráteres em cada suíte. Na “Partita nº2”, Bach escolheu um capríccio para colocar no final da giga.

Bach mistura, o que parece ser aleatoriamente, as tonalidades para cada grupo de partita, sendo elas “Si bemol Maior; do menor; lá menor; Ré Maior; Sol Maior; e mi menor.” Pelo menos assim parece ao primeiro olhar. Mas, olhando mais profundamente, a gente vê que Bach tem um esquema muito complexo, e ele escolhe expandir os intervalos para cima e para baixo, assim: 2ª (para cima), 3ª (para baixo), 4ª (cima), 5º (baixo), 6ª (cima) (isto é: de Sib a do menor é o intervalo de 2ª para cima; de do a lá menor, é o intervalo de 3ª para baixo; de lá a Ré, é 4ª (cima), assim por diante dando um caráter híbrido (crescendo) de dupla dimensão.

Bach, obviamente gostou desta experiência toda, pois nos próximos dez anos ele compôs e publicou em prestações, mais 3 coletâneas do Clavierübung (“livro para o cravo”)—o mais completo estudo explorando a arte dos instrumentos de teclado que já foi publicado dos compositores barrocos alemães.

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Partitas

Disc: 1
1. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Praeludium
2. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Allemande
3. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Corrente
4. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Sarabande
5. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Menuet I – Menuet II – Menuet I da capo
6. Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825: Giga

7. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Sinfonia: Grave adagio – Andante – Allegro
8. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Allemande
9. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Courante
10. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Sarabande
11. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Rondeaux
12. Partita No. 2 In C Minor, BWV 826: Capriccio

13. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Ouverture – Allegro
14. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Allemande
15. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Courante
16. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Aria
17. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Sarabande
18. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Menuet
19. Partita No. 4 In D Major, BWV 828: Gigue

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Disc: 2
1. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Fantasia
2. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Allemande
3. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Corrente
4. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Sarabande
5. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Burlesca
6. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Scherzo
7. Partita No. 3 in A Minor BWV 827: Gigue

8. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Praeambulum
9. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Allemande
10. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Corrente
11. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Sarabande
12. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Tempo di Minuetta
13. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Passepied
14. Partita No. 5 in G Major BWV 829: Gigue

15. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Toccata – (Fugue)
16. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Allemande
17. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Corrente
18. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Air
19. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Sarabande
20. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Tempo di Gavotta
21. Partita No. 6 in E Minor BWV 830: Gigue

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Angela Hewitt, piano

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos para Violino (Podger)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos para Violino (Podger)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aí alguém se importa se for postada mais uma versão desses monumentos da literatura violinística? Ainda mais com uma grande especialista no repertório, Rachel Podger? E gravação esta que procurei como um alucinado quando soube de seu lançamento?

Os nossos mais fiéis e antigos leitores / ouvintes devem se lembrar de uma gravação dos concertos para cravo que postei há algum tempo atrás com o Pierre Hantaï, que me deixou maravilhado. Reconheço que o impacto desta gravação da Podger não foi tão grande num primeiro momento quanto aquela gravação do Hantaï. Mas temos de tirar o chapéu para esta excepcional instrumentista e pesquisadora do barroco. Ela arrisca e se dá muito bem. Começando pelo reduzido número de instrumentistas que a acompanham:apenas sete músicos, mas sete músicos especialistas neste repertório, e que Podger dirige com competência e talento.

Em tempo: Mestre Avicenna assoprou velinhas nessa última semana. Apesar de estar afastado do blog por motivos particulares, mantemos contato direto. Há algum tempo atrás ele se deu ao trabalho de mandar para alguns membros do blog cópias de um excepcional filme, ou mini-série se preferirem, do Fassbinder, e não nos cobrou nada por isso.

Dedico então esta postagem à sabedoria e generosidade deste grande intelectual com quem tenho o prazer de compartilhar este espaço.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Violin Concertos – Podger

01. Concerto in A Minor, BWV 1041 – 1. Allegro
02. 2. Andante
03. 3. Allegro Assai

04. Concerto in E Major, BWV 1042 – 1. Allegro
05. 2. Adagio
06. 3. Allegro Assai

07. Concerto in G Minor After BWV 1056 – 1. Allegro
08. 2. Largo
09. 3. Presto

10. Concerto in A Major After BWV 1055 – 1. Allegro
11. 2. Larguetto
12. 3. Allegro Ma Non Tanto

Brecon Baroque
Rachel Podger – Violin & Director

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Rachel Podger: mestra, mas uma mestra mesmo!
Rachel Podger: mestra, mas uma mestra mesmo!

FDP

JS Bach (1685 – 1750): Concerto Italiano e outras peças para teclado – Rafał Blechacz, piano ֎

JS Bach (1685 – 1750): Concerto Italiano e outras peças para teclado – Rafał Blechacz, piano ֎

JS BACH

Concerto Italiano BWV 971
Partita No. 1 BWV 825
Quatro Duetos BWV 802 – 805
Fantasia e Fuga BWV 944
Partita No. 3 BWV 827
Jesus, Alegria dos Homens (de) BWV 147

Rafał Blechacz, piano

Há já um bom tempo não tenho visto no blog um disco do tipo deste – a excelente música para teclado de nosso compositor mor interpretada em um grand piano!

Pois que num domingo pela manhã é esse tipo de música que vai bem, especialmente naqueles ensolarados.

Rafal explicando para o pessoal do PQP Bach que ainda gosta muito de tocar órgão…

Rafał Blechacz é mais conhecido como intérprete de Chopin, pois quando um polonês ganha o Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, isso é o que ele faz de melhor. Ele foi o vencedor em 2005, mas está absolutamente à vontade neste repertório, pois que técnica não lhe falta e ele iniciou sua carreira musical interessado em órgão, instrumento que tocou por algum tempo. Sendo assim, quando passou a dedicar-se ao piano, levou junto o amor pela música de Bach.

O programa é ótimo, começando com o Concerto Italiano, sublimação das transposições para instrumentos de tecla dos concertos de Vivaldi que Bach tanto praticou. As Partitas são importantes na obra de Bach, fazendo parte de suas primeiras publicações. Intercaladas uma Fantasia e os Quatro Duetos. Para completar, a título de bis, a transcrição feita para piano por Dame Myra Hess do belíssimo coral que é cantado duas vezes na Cantata Herz und Mund und Tat und Leben.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto Italiano, BWV971

  1. (Allegro)
  2. Andante
  3. Presto

Partita No. 1 em si bemol maior, BWV825

  1. Prelude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Menuet I & II
  6. Gigue

Duetos Nos. 1-4, BWV802-805

  1. Dueto 1 em mi menor, BWV 802
  2. Dueto 2, em fá maior, BWV 803
  3. Dueto 3, em sol maior, BWV 804
  4. Dueto 4, em lá menor, BWV 805

Fantasia e Fuga em lá menor, BWV944

  1. Fantasia
  2. Fugue

Partita No. 3 em lá menor, BWV827

  1. Fantasia
  2. Allemande
  3. Corrente
  4. Sarabande
  5. Burlesca
  6. Scherzo
  7. Gigue

Cantata BWV147 ‘Herz und Mund und Tat und Leben’

  1. Jesus, Alegria dos Homens (Arr. Myra Hess para Piano)

Rafał Blechacz, piano

Gravado: 2016

Local da Gravação: Meistersaal, Berlin

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FLAC | 215 MB

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MP3 | 320 KBPS | 154 MB

Blechacz is a superlative pianist – BBC Music Magazine

Celebrated by his Chopin awarded recordings and cited by critics as one of those talents that only come along every few decades – has now turned to Bach. The now 31-year-old winner of the 2005 International Chopin Piano Competition, has been immersed in Bach since his childhood and has cultivated a strikingly natural eloquence in his mature interpretations of the composer’s keyboard works.

Um lindo disco para manhãs de domingo, mas pode ser ouvido com muito prazer em outras ocasiões.

Aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Suítes Orquestrais (Dunedin Consort, John Butt)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Suítes Orquestrais (Dunedin Consort, John Butt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Por incrível que possa parecer, essas Suites Orquestrais de Bach pouco apareceram aqui no PQPBach. Estranho, não acham? Talvez pelo fato da obra de nosso pai musical ser tão extensa, e ficarmos focados por vezes apenas nas obras para teclado nos esqueçamos dessas imensas peças, verdadeiros monumentos da criação humana.

Essa gravação que ora vos trago é recente, 2022 mesmo, e é mais uma amostra da qualidade de interpretação do incrível conjunto ‘Dunedin Consort’, conjunto especializado em interpretações historicamente informadas, que é dirigido pelo ótimo John Butt. Tudo o que esses caras tocam vira ouro, e aqui não é diferente.

Nada de arroubos xiitas, como nosso saudoso Avicenna reclamava citando alguns grupos que não vem ao caso nomear, não, tudo aqui é devidamente pensado, analisado, estudado. Butt é uma fera nesse repertório, seja em suas gravações da obra coral, seja nas especificamente orquestrais. Fazia tempo que eu não ouvia a Ária da Quarta corda tão belamente interpretada, sem aqueles arroubos românticos que encontramos em algumas gravações.

Qual o poder da música de Bach que nos envolve com tanta força e energia? Cada novo disco que ouvimos com sua obra nos mostra o quão versáteis essas obras são. É um poço sem fundo, quanto mais escavamos mais possibilidades encontramos.

Mais um CD com o selo de qualidade ‘IM-PER-DÍ-VEL’ do PQPBach.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Suítes Orquestrais (Dunedin Consort, John Butt)

CD 1
01. Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068 I. Ouverture
02. Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068 II. Air
03. Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068 III. Gavotte I – Gavotte II
04. Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068 IV. Bourrée
05. Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068 V. Gigue

06. Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 I. Ouverture
07. Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 II. Courante
08. Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 III. Gavotte I – Gavotte II
09. Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 IV. Forlane
10. Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 V. Menuet I – Menuet II
11. Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 VI. Bourrée I – Bourrée II
12. Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 VII. Passepied I – Passepied II

CD 2

01. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 I. Ouverture
02. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 II. Rondeau
03. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 III. Sarabande
04. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 IV. Bourrée I – Bourrée II
05. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 V. Polonaise & Double
06. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 VI. Menuet
07. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 VII. Badinerie

08. Orchestral Suite No. 4 in D Major, BWV 1069 I. Ouverture
09. Orchestral Suite No. 4 in D Major, BWV 1069 II. Bourrée I – Bourrée II
10. Orchestral Suite No. 4 in D Major, BWV 1069 III. Gavotte
11. Orchestral Suite No. 4 in D Major, BWV 1069 IV. Menuet I – Menuet II
12. Orchestral Suite No. 4 in D Major, BWV 1069 V. Réjouissance

Dunedin Consort
John Butt – Conductor

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LINK ALTERNATIVO

John Butt, um cara legal

FDP

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo, BWV 1014 – 1019 – Andoni Mercero & Alfonso Sebastián ֎

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo, BWV 1014 – 1019  –  Andoni Mercero & Alfonso Sebastián ֎

J.S. Bach

Sonatas BWV 1014 – 1019

Andoni Mercero, violino

Alfonso Sebastián, cravo

 

Vinte quatro anos depois da morte de Johann Sebastian, CPE Bach escreveu: Os Trios com Teclado estão entre as melhores obras do meu querido falecido pai. Eles ainda soam muito bem e me dão muito prazer, mesmo tendo sido compostos há mais de cinquenta anos. Eles têm um número de adágios que não poderiam ter sido escritos de maneira tão cantante, caso tivessem sido compostas hoje.

Qual é o segredo destas maravilhosas peças, escritas por Bach há mais de trezentos anos? O (ótimo) livreto desta nova (e excelente) gravação dá uma boa pista: A escrita densa em estrito contraponto apresentada por estas sonatas está dentro da grande tradição alemã, mas a vitalidade, flexibilidade e o sentimento cantabile de suas linhas melódicas mostram a inconfundível estampa italiana. A genialidade de Bach estava em amalgamar o melhor de cada uma dessas diferentes abordagens musicais, talvez.

A história das Sonatas para cravo e violino remonta aos anos 1719 quando Bach trabalhava para o Príncipe Leopoldo na Corte de Cöthen e envolve a compra de um magnífico cravo. Mas a cópia mais antiga destas composições data de 1725 e foi feita pelo sobrinho de Bach, Johann Heirich, que era aluno de St. Thomas em Leipzig. A letra de Bach irrompe no manuscrito nos três últimos movimentos da Sexta Sonata, indicando que poderiam ter sido compostos neste período.

As peças foram revisadas em um outro manuscrito feito por Johann Friedrich Agricola, de 1741, e novamente, em 1750, agora num manuscrito feito pelo genro de Bach, Johann Christoph Altnickol, quando o título passou a ser Sechs Trios für Clavier und Violine.

Eu simplesmente adoro essas peças e não canso de ouvi-las. Já fiz algumas postagens com interpretações bastante diferentes delas aqui no blog e quando ouvi essa gravação, não tive dúvidas em fazer mais uma postagem.

Andoni Mercero e Alfonso Sebastián

Os nomes Andoni Mercero, Alfonso Sebastián e Eudora podem não ser muito conhecidos, mas deveriam, pois, tudo aqui é excelente. Mercero estudou violino em vários importantes centros musicais em Madri, Toronto, Berlim, Amsterdam. Atuou como membro e como solista nos principais grupos e orquestras especializados em práticas de época. Foi membro do Cuarteto Casals até pouco tempo e até toca viola… Alfonso Sebastián estudou piano e cravo inicialmente na Espanha e em Paris, com Patrick Cohen. Aperfeiçou-se também com grandes nomes como Gustav Leonhardt e Lars-Ulrik Mortensen. O selo independente Eudora tem sede em Madri e foi fundado pelo produtor e engenheiro de gravações Gonzalo Noqué, com o objetivo de capturar as melhores performances musicais com a melhor qualidade sonora possível. Se tomarmos este disco, que foi gravado na Igreja de San Miguel, em Doroca, Zaragoza, como amostra, podemos acreditar que eles são realmente excelentes.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonatas para Cravo e Violino, BWV 1014 – 1019

Sonata No. 1 em si menor, BWV1014

  1. Adagio; 2. Allegro; 3. Andante; 4. Allegro

Sonata No. 2 em lá maior, BWV1015

  1. Dolce; 6. Allegro; 7. Andante un poco; 8. Presto

Sonata No. 3 em mi maior, BWV1016

  1. Adagio; 10. Allegro; 11. Adagio ma non tanto; 12. Allegro

Sonata No. 4 em dó menor, BWV1017

  1. Largo; 2. Allegro; 3. Adagio; 4. Allegro

Sonata No. 5 em fá menor, BWV1018

  1. [sem indicação]; 6. Allegro; 7. Adagio; 8. Vivace

Sonata No. 6 em sol maior, BWV1019

  1. Allegro; 10. Largo; 11. Allegro; 12. Adagio; 13. Allegro

Andoni Mercero, violino

Alfonso Sebastián, cravo

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FLAC | 563 MB

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MP3 | 320 KBPS | 221 MB

Andoni Marcero

Aproveite!
René Denon

Bach (1685-1750): Pure Bach – Sonatas para violino e cravo – Rahel Maria Rilling & Johannes Roloff ֎

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019 – Chiara Banchini & Jörg-Andreas Bötticher

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Peças para órgão (Szathmáry)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Peças para órgão (Szathmáry)

Quem tem vivência com a vasta discografia de J. S. Bach, sabe que este é um disco que se repete. Ele inicia com a Tocata e Fuga BWV 565 e segue com alguns dos melhores lances do imenso órgão de papai Bach. No PQP, devemos ter mais de dez discos com este formato, mas como cansar deles? Este é mais um — é excelente! — e vem do charmoso húngaro Zsigmond Szathmáry. Provavelmente, a Tocata e Fuga em ré menor, BWV 565, foi composta aos 19 anos por Bach, em 1704. O mesmo vale para a Passacaglia, que deve ter sido escrita ente 1706 e 1713. Já a Fantasia e Fuga, BWV 542, pode ter sido composta separadamente durante o tempo de Bach em Köthen (1717-1723). Ou seja, todas estas obras não são do Bach velho e sim do jovem e já perfeitamente maduro. Um bom disco.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Peças para órgão (Szathmáry)

1 Toccata und Fuge d-moll, BWV565 8:51
2 Passacaglia und Fuge c-moll, BWV582 13:38
3 Fuge g-moll, BWV578 3:45
4 Phantasie und Fuge g-moll, BWV542 12:08

Drei Schübler-Choräle
5 ‘Wachet auf,ruft uns die Stimme’ BWV645 4:36
6 ‘Wo soll ich fliehen hin’ BWV646 1:53
7 ‘Wer nur den lieben Gott lässt walten’ BWV647 3:19

Zsigmond Szathmáry, Schnitger-Organ

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O indiscutível charme de Zsigmond Szathmáry

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 170, 54 e 169 (Bowman / King)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 170, 54 e 169 (Bowman / King)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

É sempre complicado elogiar um disco cujo comando é do inglês Robert King. Não, não ignoramos que, em 2007, King foi condenado por quatorze acusações de agressão sexual a cinco meninos, três com menos de dezesseis anos, entre 1982 e 1995. King recebeu uma sentença de prisão de 3 anos e 9 meses e foi colocado no registro de criminosos sexuais por toda a vida. Durante o caso, King negou o abuso, descrevendo os meninos como “mentirosos”. Após o cumprimento da sentença, King não foi proibido de trabalhar com crianças. Em 2013, comentando após ter recebido críticas por ter participado de um concerto beneficente, King afirmou que “aceitei a sentença e paguei minha dívida com a sociedade”. Bem, este disco é de 1988, quando King estava… Sei lá. Só que é muito bom! Aqui temos as Cantatas de Bach BWV 170 (“ Vergnügte Ruh’ .), BWV 54 (“ Wiederstehe doch der Sünde “), e BWV 169 (“Gott soll allein mein Herze haben “). Ou seja, três das quatro cantatas para contralto solo que Bach escreveu estão incluídas aqui. Apenas a BWV 35 , Geist und Seele wird verwirret está faltando. O show é do contratenor James Bowman. Ele e King fazem uma grande dupla, acompanhados maravilhosamente pelo King`s Consort. O grupo ainda existe e é liderado por Robert King himself.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 170, 54 e 169 (Bowman / King)

Cantata: Vergnügte Ruh’, Beliebte Seelenlust, BWV170 (22:04)
1 Aria: Cantata: Vergnügte Ruh’, Beliebte Seelenlust 6:30
2 Recitativo: Die Welt, Das Sündenhaus 1:13
3 Aria: Wie Jammern Mich Doch Die Verkehrten Herzen 6:39
4 Recitativo: Wer Sollte Sich Demnach 1:14
5 Aria: Mir Ekelt Mehr Zu Leben

Cantata: Widerstehe Doch Der Sünde, BWV54 (12:26)
6 Aria: Widerstehe Doch Der Sünde 8:18
7 Recitativo: Die Art Verruchter Sünden 0:57
8 Aria: Wer Sünde Tut, Der Ist Vomteufel 3:04

Cantata: Gott Soll Allein Mein Herze Haben, BWV169 (24:15)
9 Sinfonia 8:30
10 Arioso And Recitativo: Gott Soll Allein Mein Herze Haben 2:27
11 Aria: Gott Soll Allein Mein Herze Haben 6:17
12 Recitativo: Was Ist Die Liebe Gottes? 0:39
13 Aria: Stirb In Mir 4:46
14 Recitativo: Doch Meint Es Auch Dabei 0:22
15 Chorale: De Süsses Liebe, Schenk Und Deine Gunst 1:03

Bass Vocals – Charles Pott (tracks: 15)
Cello – Jane Coe
Countertenor Vocals – James Bowman (2)
Directed By, Organ, Harpsichord – Robert King (9)
Double Bass – Peter Buckoke
Ensemble – The King’s Consort
Oboe Da Caccia – Gail Hennessy (tracks: 9 to 15)
Oboe d’Amore – Catherine Latham (tracks: 9 to 15), Valerie Darke (tracks: 1 to 5, 9 to 15)
Organ – James O’Donnell (2) (tracks: 1 to 5, 9 to 15)
Soprano Vocals – Gillian Fisher (tracks: 15)
Tenor Vocals – John Mark Ainsley (tracks: 15)
Viola – Alan George (tracks: 6 to 8), Jan Schlapp
Violin – Catherine Mackintosh, Miles Golding

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Suítes para Violoncelo (Steylaerts)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um dos grandes monumentos artísticos criados pela humanidade e, para nossa sorte, ele recebe mais e mais (e boas) leituras. Aqui, a primeira coisa que me impressionou foi a capa do CD… Depois, encantei-me ao ouvi-lo. Bach compôs suas seis Suítes para Violoncelo Solo por volta de 1720, durante o período em que viveu em Köthen (1717-23). O príncipe Leopold Anhalt-Köthen era um entusiástico patrono das artes e lá Bach concentrou-se em escrever música instrumental para fins profanos. As Suítes para Violoncelo foram as primeiras obras significativas para o instrumento. Na verdade, até então, nenhum outro compositor havia escrito uma música tão rica e complexa para o violoncelo. Nem depois… De difícil execução, há nelas sempre várias vozes explícitas e implícitas, não somente a melodia, mas também a harmonia e o contraponto. Prenhe de razão, o grande violoncelista János Starker dizia da importância do papel do ouvinte: “São obras para dois intérpretes, o executante e o ouvinte, que deve completar mentalmente a polifonia sugerida por Bach”. Neste CD, o belga Karel Steylaerts dá-nos uma interpretação sempre clara e sensível, com grande senso de estilo. É ouvir e ouvir.

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Suítes para Violoncelo (Steylaerts)

01. Suite No. I, BWV 1007: I. Prélude
02. Suite No. I, BWV 1007: II. Allemande
03. Suite No. I, BWV 1007: III. Courante
04. Suite No. I, BWV 1007: IV. Sarabande
05. Suite No. I, BWV 1007: V. Menuet I-II
06. Suite No. I, BWV 1007: VI. Gigue

07. Suite No. II, BWV 1008: I. Prélude
08. Suite No. II, BWV 1008: II. Allemande
09. Suite No. II, BWV 1008: III. Courante
10. Suite No. II, BWV 1008: IV. Sarabande
11. Suite No. II, BWV 1008: V. Menuet
12. Suite No. II, BWV 1008: VI. Gigue

13. Suite No. III, BWV 1009: I. Prélude
14. Suite No. III, BWV 1009: II. Allemande
15. Suite No. III, BWV 1009: III. Courante
16. Suite No. III, BWV 1009: IV. Sarabande
17. Suite No. III, BWV 1009: V. Bourrée
18. Suite No. III, BWV 1009: VI. Gigue

19. Suite No. IV, BWV 1010: I. Prélude
20. Suite No. IV, BWV 1010: II. Allemande
21. Suite No. IV, BWV 1010: III. Courante
22. Suite No. IV, BWV 1010: IV. Sarabande
23. Suite No. IV, BWV 1010: V. Bourrée
24. Suite No. IV, BWV 1010: VI. Gigue

25. Suite No. V, BWV 1011: I. Prélude
26. Suite No. V, BWV 1011: II. Allemande
27. Suite No. V, BWV 1011: III. Courante
28. Suite No. V, BWV 1011: IV. Sarabande
29. Suite No. V, BWV 1011: V. Gavotte
30. Suite No. V, BWV 1011: VI. Gigue

31. Suite No. VI, BWV 1012: I. Prélude
32. Suite No. VI, BWV 1012: II. Allemande
33. Suite No. VI, BWV 1012: III. Courante
34. Suite No. VI, BWV 1012: IV. Sarabande
35. Suite No. VI, BWV 1012: V. Gavotte
36. Suite No. VI, BWV 1012: VI. Gigue

Karel Steylaerts, violoncelo

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Karel Steylaerts tem todo o jeito de ser um cara legal, desses de tomar chope junto com a gente no PQP Bier Palace.

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas para Flauta – Hugo Reyne, Pierre Hantaï e Emmanuelle Guigues

Impecáveis registros do selo Mirare das Sonatas para flauta e continuo, de Bach, nas mãos mais que competentes de Hugo Reyne, que eu particularmente não conhecia, vim a esse CD devido ao fato de que o cravista é Pierre Hantaï, um dos maiores intérpretes desse instrumento na atualidade. E o resultado é delicioso, do começo ao fim. Reyne é um flautista muito talentoso, não abusa do virtuosismo. O texto abaixo foi livremente traduzido do booklet, escrito pelo próprio Reyne:
“Há algo de anormal em quase todas as sonatas para flautas de Bach”, escreveu Frans Brüggen na nota do livreto para sua gravação dessas peças em 1976. É verdade que as sonatas de flauta não constituem uma corpus dentro da produção do compositor. Não temos as ‘Seis sonatas de flauta’ como temos, por exemplo, as ‘Seis sonatas para violino e cravo’ ou as ‘Seis suítes para violoncelo desacompanhado”. Cada uma de suas peças para flauta corresponde a um período criativo diferente, e Bach não se deu ao trabalho de montá-los num único manuscrito com vista à publicação, por exemplo. Foram os primeiros editores dessas sonatas no Século XIX que as dividiram em dois grupos de três: aqueles com cravo obbligato (BWV 1030-2) e com contínuo (BWV 1033-5).”

Originalmente Bach compôs estas obras para Flauta Transversal, porém Hugo Reyne as gravou com diversos tipos de Flauta Doce, fazendo as devidas adaptações, como explica:

“As sonatas gravadas aqui foram originalmente escritos para flauta transversal. Isto era prática comum na época e transpus estas obras compostas para flauta transversal para que pudessem ser tocada na Flauta Doce. Telemann e Quantz nos mostraram o caminho, transpondo uma terça para cima (a flauta transversal estando em D e a flauta doce em F). Bach também praticou esta transposição, mas na direção oposta, notadamente em certas cantatas inicialmente concebidas para Flauta Doce então adaptado-as para flauta transversal. No caso presente, transpusemos um semitom (BWV 1035), um terça (BWV 1034) e uma quarta (BWV 1033).”

Além do acompanhamento do cravo, as obras também tem o acompanhamento de uma Viola da Gamba, nesta gravação nas mãos de Emmanuelle Guigues.

Pierre Hantaï gravaria novamente estas obras alguns anos mais tarde, mas com seu irmão, Marc Hantaï, mas isso é assunto para outra postagem. Gosto muito destes registros, espero que os senhores também a apreciem.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas para Flauta – Hugo Reyne, Pierre Hantaï e Emmanuelle Guigues

1. Sonata for Flute and Basso continuo in G minor BWV 1034 I. Adagio ma non tanto
2. Sonata for Flute and Basso continuo in G minor BWV 1034 II. Allegro
3. Sonata for Flute and Basso continuo in G minor BWV 1034 III. Andante
4. Sonata for Flute and Basso continuo in G minor BWV 1034 IV. Allegro
5. Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1033 I. Andante – Presto
6. Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1033 II. Allegro
7.Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1033 III. Adagio
8. Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1033 IV. Menuet 1 & 2
9. Sonata for Flute and Basso continuo in D minor BWV 997 I. Prelude
10.Sonata for Flute and Basso continuo in D minor BWV 997 II. Fuga
11. Sonata for Flute and Basso continuo in D minor BWV 997 III. Sarabande
12. Sonata for Flute and Basso continuo in D minor BWV 997 IV. Gigue
13. Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1035 I. Adagio ma non tanto
14. Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1035 II. Allegro
15. Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1035 III. Siciliano
16. Sonata for Flute and Basso continuo in F major BWV 1035 IV. Allegro assai
17. Sonata for Tenor Flute and Harpsichord in G minor BWV 1030b I. Andante
18. Sonata for Tenor Flute and Harpsichord in G minor BWV 1030b II. Largo e dolce (Siciliano)
19. Sonata for Tenor Flute and Harpsichord in G minor BWV 1030b III. Presto (Fuga-Giga)

Hugo Reyne – Flute
Pierre Hantaï – Harpsichord
Emanuelle Guiges – Viole

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FDP

J. S. Bach (1685-1750): A Oferenda Musical (Moroney, See, Holloway, ter Linden, Cook)

J. S. Bach (1685-1750): A Oferenda Musical (Moroney, See, Holloway, ter Linden, Cook)

O Ranulfus, que posta aqui conosco, não gosta muito da Oferenda Musical. Para mim é surpreendente, pois amo o desequilíbrio da peça, que alterna severas e eruditas fugas com uma alegre Trio Sonata em quatro movimentos. Mas tenho todo o respeito pelo gosto alheio. Gosto das discordâncias cordiais.

A coleção tem sua origem num encontro entre Bach e Frederico II em 7 de maio de 1747. O encontro, que se deu na residência do rei em Potsdam, foi consequência do filho de Bach, Carl Philipp Emanuel Bach, estar ali trabalhando como músico da corte. Frederico queria mostrar a Bach uma novidade. O pianoforte foi inventado uns poucos anos antes e o rei tinha esse instrumento experimental, alegadamente o primeiro que Bach viu. Bach, que era bem conhecido por seu talento na arte da improvisação, recebeu o Thema Regium (Tema do Rei), para improvisar uma fuga. Deu no que deu.

A proposta de Frederico, na realidade, era para humilhar o velho Bach, pois o tema fornecido fora construído de tal forma que imaginava-se impossível aplicar a ele as regras da polifonia. Inicialmente Frederico ordenou que Bach improvisasse sobre o tema uma fuga a três vozes, o que, para espanto do Rei e admiração de todos os presentes, Bach fez de imediato. Insatisfeito o Rei mandou que ele, desta feita, improvisasse uma fuga a seis vozes, uma tarefa considerada impossível por todos, inclusive os os músicos do Rei, os melhores e os mais competentes da época. Bach, que então contava com 62 anos, e que mal chegara de viagem e fora convocado ao palácio sem ter tido tempo de descansar, se desculpou alegando exaustão da viagem, e em 15 dias mandou para o Rei sua resposta ao desafio na forma da Oferenda Musical.

Bach aparentemente entendeu o objetivo escuso por trás da proposta do Rei. Em alemão Opfer não significa apenas Oferenda, mas também pode significar uma oferta de uma vítima em sacrifício. Schoemberg levanta a hipótese de que o tema, criado para humilhar Bach publicamente pela sua complexidade, teria sido composto pelo próprio filho de Bach, Johann Christian, uma vez que Frederico não possuía o conhecimento musical necessário para elaborar uma peça dessa natureza. Duas semanas após o encontro, Bach publicou o conjunto de obras que conhecemos como A Oferenda Musical, baseadas neste tema. Bach escreveu na obra: Regis Iussu Cantio Et Reliqua Canonica Arte Resoluta (tema fornecido pelo rei com acréscimos, resolvido no estilo canônico, cuja primeiras letras do texto latino formam a palavra Ricercar, um nome usado no passado para a fuga.

Musikalisches Opfer / L’Offrande Musicale BWV 1079

1 Ricercar A 3
2 Canon Perpetuus Super Thema Regium
3 Ricercar A 6
4 Canon A 2 Quaerendo Invenietis (Canon Contrarium Stricte Reversum)
5 Canon
6 Sonata For Flute & Violin: Largo
7 Sonata For Flute & Violin: Allegro Moderato
8 Sonata For Flute & Violin: Andante Larghetto
9 Sonata For Flute & Violin: Allegro
10 Canon Perpetuus
11 Canon Cancrizans
12 Violino In Unisono
13 Per Motum Contrarium
14 Canon 4 A 2 Per Augmentationem, Contrario Motu
15 Canon Per Ascendenteque Modulationis Ascendat Gloria Regis
16 Fuga Canonica In Epidiapente

Flute – Janet See
Harpsichord – Davitt Moroney, Martha Cook
Violin – John Holloway
Violoncello – Jaap ter Linden

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Trio Sonatas, BWV 525-530, em Pedal Cembalo (Palm)

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Trio Sonatas, BWV 525-530, em Pedal Cembalo (Palm)

Normalmente tocadas ao órgão, estas Trio Sonatas recebem outra (e muito boa) abordagem neste CD. Um cravo de pedal, ou seja, um cravo com pedaleira tipo órgão, teria sido encontrado na casa da maioria dos organistas alemães durante o período barroco. A prática do órgão nas igrejas era difícil; algum colaborador disposto tinha que ser encontrado e pago para bombear o órgão, e a igreja podia ser muito fria no inverno. Além disso, vários organistas atuais confirmaram que a prática no pedal-cravo é infinitamente mais exigente em termos de exatidão e precisão do que no órgão. Bach escreveu suas 6 Trio Sonatas para melhorar a técnica de pedal de seu filho Wilhelm Friedemann. O manuscrito de Passacaglia e Fuga de Bach, que segundo Albert Schweizer desapareceu em meados de 1800, aparentemente tinha como título Cembalo e pedale, indicando claramente o desempenho no pedal-cravo. Pesquisas recentes estabeleceram que para seus concertos semanais no Kaffee Haus de Zimmermann, Bach tinha um cravo manual duplo montado em um cravo de pedal feito por Zacharias Hildebrandt, que foi construtor de cravo e construtor de órgão sob a direção do amigo e colega de Bach Gottfried Silbermann. A interpretação do injustamente obscuro Stefan Palm para essas peças é segura e muito musical. Recomendo.

J. S. Bach (1685-1750): As 6 Trio Sonatas, BWV 525-530, em Pedal Cembalo (Palm)

Sonata No. 1 In E-Flat Major
A1 I-[Moderato] 2:55
A2 II-Adagio 4:25
A3 III-Allegro 3:38

Sonata No. 2 In C Minor
A4 I-Vivace 4:32
A5 II-Largo 4:00
A6 III-Allegro 4:31

Sonata No. 3 In D Minor
B1 I-Andante 5:51
B2 II-Adagio E Dolce 4:03
B3 III-Vivace 4:09

Sonata No. 4 In E Minor
B4 I-Adagio; Vivace 2:50
B5 II-Andante 5:21
B6 III-Un Poco Allegro 2:30

Sonata No. 5 In C Major
C1 I-Allegro 4:20
C2 II-Largo 5:27
C3 III-Allegro 3:42

Sonata No. 6 In G Major
C4 I-Vivace 3:28
C5 II-Lento 4:10
C6 III-Allegro 3:35

Stefan Palm, pedal cembalo

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Um cravo de pedal. Quem se interessa por cultura não vota em Bolsonaro.

PQP

Vivaldi (1678 – 1741): L’estro armonico, Op. 3 – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini ֍

Vivaldi (1678 – 1741): L’estro armonico, Op. 3 – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini ֍

VIVALDI

L’estro armonico, Op. 3

(mais os arranjos de Bach)

Concerto Italiano

Rinaldo Alessandrini

Antonio Vivaldi é mais conhecido pelos quatro primeiros concertos de seu Opus 8, Il cimento dell’armonia e dell’inventione, chamados ‘As Quatro Estações’. Mas, o primeiro conjunto de concertos de sua autoria a ser publicado em Amsterdam, em 1771, foi seu Opus 3, L’estro armonico – um conjunto com quatro concertos para um violino, quatro para dois violinos e quatro para quatro violinos.

Vivaldi foi um mestre da propaganda, nomeando maravilhosamente suas publicações. Il cimento dell’armonia e dell’inventione pode ser traduzido como A mistura amalgamada da harmonia e da invenção e L’estro armonico, algo como O fantástico espírito criativo e a harmonia

Rinaldo Alessandrini

O regente e cravista desta maravilhosa gravação da postagem explica em uma entrevista o sentido da palavra: ‘Estro is an attitude. You could translate it as a combination of fantasy and skill. In Italian, to be estroso is to be someone who has imaginative ideas, and lots of them’. Arriscando uma tradução: ‘Estro é uma atitude (essa parte foi mole…). Você poderia traduzir esta palavra como uma combinação de fantasia e habilidade. Em italiano, ser estroso é ser alguém com ideias imaginativas, muitas delas’.  Ah, no Dicionário de Palavras Cruzadas, estro significa ‘veia artística’!!

Este conjunto de concertos chamou a atenção do mundo musical da época para a inventividade do padre e, em especial, a atenção de Johann Sebastian Bach, que além de genial, estava muito atento ao que acontecia ao seu redor. Ele tanto estudou e provavelmente interpretou estes concertos que arranjou seis deles em diferentes combinações de instrumentos. Três concertos para um violino foram transcritos para cravo solo, dois concertos para dois violinos (um deles também um violoncelo) foram transcritos para órgão e o mais espetacular deles, para quatro violinos, foi transcrito para quatro cravos e cordas.

Esta gravação, além de nos apresentar os concertos de Vivaldi em uma estrosa gravação com instrumentos de época e com um instrumento para cada parte, também traz as transcrições feitas por Bach, em seguida de cada um dos respectivos concertos originais de Vivaldi.

Sobre a inventividade que o padre veneziano exibiu na composição destes maravilhosos concertos, veja o que o Alessandrini disse: ‘All these ideas coming one after another creates a suspense – nobody can say what’s coming in the next bar’. (Todas essas ideias surgindo uma após a outra cria um suspense – ninguém consegue dizer o que virá na próxima barra’.)

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

L’estro armonico, Op. 3

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Seis concertos para diferentes combinações de instrumentos

Vivaldi – Concerto No.1 para quatro violinos em ré maior RV 549

Vivaldi – Concerto No.2 para dois violinos em sol menor RV 578

Vivaldi – Concerto No.3 para violino em sol maior RV 310

Bach – Concerto cravo solo em fá maior BWV 978 (arranjo do Concerto RV 310)

Vivaldi – Concerto No.10 para quatro violinos em si menor RV 580

Bach – Concerto para quatro cravos lá menor BWV 1065 (arranjo do Concerto RV 580)

Vivaldi – Concerto No.11 para dois violinos e violoncelo em ré menor RV 565

Bach Concertor para orgão (solo) em ré menor BWV 596 (arranjo do Concerto RV 565)

Vivaldi – Concerto No.12 para violino em mi maior RV 265

Bach – Concerto cravo solo BWV 976 em dó maior (arranjo do Concerto RV 265)

Vivaldi – Concerto No.4 para quatro violinos em mi menor RV 550

Vivaldi – Concerto No.5 para dois violinos em lá maior RV 519

Vivaldi – Concerto No.6 para violino em lá menor RV 356

Vivaldi – Concerto No.7 para quatro violinos em fá maior RV 567

Vivaldi – Concerto No.8 para dois violinos em lá menor RV 522

Bach – Concerto para orgão (solo) em lá menor BWV 593 (arranjo do Concerto RV 522)

Vivaldi – Concerto No.9 para violino em ré maior RV 230

Bach – Concerto para cravo solo em ré maior BWV 972 (arranjo do Concerto RV 230)

Andrea Buccarella,

Salvatore Carchiollo,

Ignazio Schifani, cravos

Lorenzo Ghielmi, órgão

Concerto Italiano

Rinaldo Alessandrini, cravo e regência

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FLAC | 856 MB

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MP3 | 320 KBPS | 372 MB

Alessandrini de olho no número de acessos da postagem…

Sobre o conjunto, os solistas e a gravação, a crítica na Gramophone não poupa elogios: ‘I can’t remember when I last enjoyed a Vivaldi album as much as this’.

Having previously tackled Vivaldi’s operas, a vibrant sense of theatre clings to Alessandrini’s every interpretative decision; and while he’s typically all over the detail, he never loses sight of how movements relate to one another. BBC Music Magazine

Of particular note is the organ playing by Lorenzo Ghielmi, who has a great knack for picking vibrant registrations, and the lovely integrated harpsichord playing by Alessandrini, Andrea Buccarella, Salvatore Carchiolo, and Iganzio Schifani. All in all, this set of discs ranks right up among the best renditions of the concertos. Fanfare

Aproveite, este é ‘papa fina’!

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Variações Goldberg – Murray Perahia

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Variações Goldberg – Murray Perahia

Poucas obras causam tanta discussão e comoção entre os membros do PQPBach como as Variações Goldberg. Cada um de nós tem seu intérprete favorito, portanto não existe um consenso. Depois do furação Angela Hewitt, que é, digamos assim, ‘Hors concours’, quem domina esse páreo neste início de século XXI, as discussões continuam, e nunca irão parar.

Murray Perahia encarou este desafio com brilhantismo lá no início do século XXI, ou final do século XX, como queiram, mais especificamente entre os dias 9 e 14 de julho de 2000. O que os senhores faziam na época? Eu, particularmente, era aluno do Curso de Graduação em História, em uma universidade do sul do país, já casado e feliz, apesar das correrias e tropeços que a vida nos traz. Mas Mr. Perahia trancou-se em um estúdio na Suíça durante seis dias e nos trouxe essa gravação tão especial e admirada. Um crítico do New York Times escreveu:

Many listeners still hold Glenn Gould´s 1955 recording as ‘The Goldberg’ gold standard. With this CD, Perahia has raised the bar … Perahia´s ‘Goldberg’ are a spetacular achievement.” 

Quem sou eu para duvidar do parecer de um crítico de um jornal tão famoso … ? Certo, vinte e um anos se passaram, envelhecemos, e com a idade, a vem naturalmente a maturidade. E creio que essa seja a palavra para definir esta gravação de Murray Perahia: maturidade. Aquele jovem dos anos setenta, que encarou o desafio de gravar os concertos de Mozart, sendo ele também o próprio regente, aquele jovem virou um senhor que passou por uma traumatizante experiência de saúde, que o impediu de fazer o que mais gostava, e o que melhor sabia fazer, tocar piano. Isso nos leva a questão da superação. Perahia conseguiu superar as adversidades e ressurgiu das cinzas qual uma Fênix, nos brindando com uma belíssima leitura de uma das mais instigantes e desafiadoras obras já compostas. e ele não gravou apenas as Variações Goldberg. Mas isso é assunto para outra postagem.

Goldberg Variations, BWV 988 (1:13:28)

Aria 3:58
Variation 1 1:51
Variation 2 1:36
Variation 3. Canon On The Unison 1:57
Variation 4 1:07
Variation 5 1:25
Variation 6. Canon On The Second 1:25
Variation 7 1:47
Variation 8 1:52
Variation 9. Canon On The Third 2:12
Variation 10. Fughetta 1:33
Variation 11 1:47
Variation 12. Canon On The Fourth 2:17
Variation 13 4:59
Variation 14 2:06
Variation 15. Canon On The Fifth 4:19
Variation 16. Overture 2:44
Variation 17 1:41
Variation 18. Canon On The Sixth 1:24
Variation 19 1:29
Variation 20 1:52
Variation 21. Canon On The Seventh 2:45
Variation 22 1:29
Variation 23 1:56
Variation 24. Canon On The Octave 2:32
Variation 25 7:24
Variation 26 1:58
Variation 27. Canon On The Ninth 1:39
Variation 28 2:11
Variation 29 2:10
Variation 30. Quodlibet 1:44
Aria Da Capo 2:20

Murray Perahia, piano

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Perahia deve saber que quem aprecia o mundo artístico não vota em Bolsonaro

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Hiroshima, ano 77 [Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano no. 1, Op. 15 – Argerich / Dai Fujikura (1977): Concerto para piano no. 4, “Akiko’s Piano” – Hagiwara]

Hiroshima, ano 77 [Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano no. 1, Op. 15 – Argerich / Dai Fujikura (1977): Concerto para piano no. 4, “Akiko’s Piano” – Hagiwara]

O pequeno piano de armário acima, da marca Ellington, foi feito pela Baldwin Piano Company em Cincinatti, nos Estados Unidos. Sua proprietária, uma japonesa de nome Shizuko, emigrou para os Estados Unidos sozinha depois de se formar em uma escola para moças. Isso não era comum no Japão da época, pois a sociedade fortemente patriarcal oferecia poucas oportunidades para que as mulheres pudessem viajar desacompanhadas, quanto mais para um outro país. Shizuko estabeleceu-se na Califórnia e casou-se com Genkichi Kawamoto, um imigrante japonês, em 1922.

Genkichi trabalhava em uma companhia de seguros e tinha o hábito de levar sua esposa, que ele amava muito, em suas viagens pela empresa. O piano foi um presente de Genkichi para ela, e Shizuko logo nele buscou conforto para os longos períodos de solidão e para os desafios de viver numa terra estranha. Em 25 de maio de 1926, algo da solidão dos Kawamoto arrefeceu: nasceu sua primeira filha, no Hospital Japonês de Los Angeles. “Esperamos tanto por ela!”, escreveu Genkichi em seu diário, “Espero que ela seja inteligente. Chamei-a de Akiko”.

O casal Kawamoto haveria de criar a primogênita com muito cuidado, quanto mais num ambiente crescentemente hostil aos japoneses e seus descendentes. Genkichi registrava seu peso e altura a cada poucos dias e anotou todos os sinais de seu crescimento. Em 1929, nasceria seu segundo filho, Nobuhiro. Em 1932, a família retornou ao Japão, que experimentava forte crescimento econômico e, também, vivia sob uma violenta retórica militarista que levara o país, no ano anterior, a invadir a Manchúria e, subsequentemente, a uma expansão imperialista que ocuparia – com muita truculência e a expensas de imenso sofrimento às populações locais – grande parte do Extremo Oriente e do Sudeste Asiático.

Os Kawamoto estabeleceram-se em Hiroshima, onde Akiko começou a frequentar a escola primária. Embora ela tivesse passado seus primeiros anos em um país anglófono, Genkichi e Shizuko fizeram o possível para que sua filha pudesse aprender japonês. Para praticar o idioma, a menina iniciou um diário, que manteria por onze anos e no qual anotaria, entre outras coisas, sua dedicação ao piano Ellington que os pais trouxeram dos Estados Unidos.

Em 1933, a família de Akiko mudou-se para uma casa localizada no Monte Mitaki, a noroeste de Hiroshima. Naquela época, poucas famílias tinham um piano em casa e, porque moravam num lugar remoto, eles pediram ao professor de piano que viesse à casa deles para aulas particulares. Durante a guerra, já nos anos 40, as condições de vida da família pioraram. Os Kawamoto alugaram um cômodo de sua casa para um conhecido, e a falta de espaço e de privacidade tirou-lhes muito da alegria com que celebravam festivais e aniversários. Em 1943, Akiko ingressou no curso de Economia Doméstica da Universidade de Hiroshima, o que a deixou radiante, embora viesse a se aborrecer com o pouco tempo para dedicar-se ao piano: além das exigências acadêmicas, havia aquelas, compulsórias e crescentes, para com os esforços de guerra, que incluíam trabalhar no Hospital do Exército, participar de exercícios antiaéreos e ajudar a cuidar de plantações.


9 de abril de 1944: Papai quer que eu continue meus estudos, mas mamãe, não. Isso me deixa confusa. É trabalho da mulher passar o dia todo preparando comida? Se sim, qual é o propósito da minha vida? Eu não teria tempo para estudar, e isso me deixaria infeliz”


Em 1944, ela começou a se preocupar com a saúde dos pais. Ela passou a tentar comer menos para que seus irmãos pudessem comer mais:


3 de maio de 1944: Minhas medidas do terceiro período: altura 159,1 cm; peso 51,5 kg; busto 73 cm. Estou 0,5 cm mais alta que no ano passado, mas perdi 1,5 kg e meu busto está 3,5 cm menor. Sinto-me mal, mas sou a única a tentar reduzir o arroz”


O trabalho nas plantações consumia todo tempo livre de Akiko, que largou o piano e, também, seu diário, no qual anotou, no final de 1944:


Tenho 19 anos. Sou estudante do segundo ano do Departamento de Economia Doméstica. Um terço ou um quarto da minha vida já passou”


Em 6 de agosto de 1945, o dia tórrido de verão começou como qualquer outra segunda-feira, e a população de Hiroshima, que se deslocava para o trabalho os estudos, pouco se impressionou com as sirenes que anunciaram a chegada de três bombardeiros B-29 sobre aqueles céus sem nuvens. Às 8h15, um clarão como nunca antes fora visto fez-se seguir duma violentíssima explosão, que pulverizou imediatamente vinte mil pessoas, mataria outras quarenta mil nos dias seguintes, e fecharia sua conta macabra em cento e vinte mil mortos nas décadas subsequentes. Akiko estava a poucos quilômetros do hipocentro, trabalhando como estudante mobilizada nos esforços de guerra. Sobreviveu à explosão por estar num prédio que não colapsou, e poucas horas depois começou a voltar a pé para casa. A devastação sem precedentes, que não preservara nem a alicerçagem das construções, deve tê-la impressionado. Como as pontes foram destruídas, ela foi forçada a atravessar o rio a nado. Quando chegou ao sopé do Monte Mitaki e avistou sua casa, sua energia se acabou, e ela não conseguia mais andar.

Shizuko não sabia da situação de Akiko e estava cuidando da casa, que desabou na explosão da bomba atômica. O piano sofrera danos no lado esquerdo e fora cravejado de fragmentos de vidro, mas estava inteiro. Foi quando um vizinho lhe avisou: “Sua filha está ali e não pode se mexer!”. Shizuko então correu para Akiko e a trouxe para casa. A menina parecia ter escapado por pouco da morte, mas logo perdeu a consciência: ela tinha sido exposta a níveis letais da radiação que chovia invisivelmente sobre Hiroshima, enquanto o “cogumelo atômico” gerado pela explosão se dissipava.


Mamãe, eu quero um tomate vermelho…


… implorou Akiko, em suas últimas palavras antes de morrer na manhã seguinte, depois de viver apenas “um terço de sua vida”.

ooOoo

Havia, na época, muitos tomates vermelhos no jardim dos Kawamoto, e, a cada verão depois do de 1945, até o final de seus 103 anos de vida, Shizuko cultivou tomates vermelhos, próximos ao imenso caquizeiro sob o qual sepultou as cinzas de Akiko.

O piano, que perdera aquela que mais o amou, passou grande parte dos sessenta anos seguintes em silêncio.  De vez em quando algumas crianças da vizinhança visitavam Shizuko e o tocavam, mas aos poucos algumas das teclas foram perdendo seu movimento e, por fim, seu som.

Uma menina e um piano, ambos nascidos nos Estados Unidos. Uma perdeu a vida; o outro perdeu o som.

O silêncio do piano Ellington durou até 2005, quando Tomie Futakuchi decidiu restaurá-lo. Ela foi vizinha dos Kawamoto e, quando criança, costumava visitá-los e receber o carinho de Shizuko, que lhe contava histórias sobre Akiko e seu amado amigo musical. Quando a casa da família foi demolida, em 2004, muitas lembranças da jovem, guardadas como tesouros por Shizuko, foram doadas ao Memorial da Paz de Hiroshima. O piano foi legado a Tomie, que, na esperança de que as crianças de Hiroshima pudessem transmitir uma mensagem de paz através do precioso instrumento, chamou o restaurador Hiroshi Sakaibara.

Tomie, Hiroshi e o Ellington, em 2005

O piano foi restaurado com todas as peças originais, e mantido nas condições em que estava imediatamente após o ataque a Hiroshima – incluindo os danos em seu lado esquerdo e os incontáveis pedaços de vidro que nele se incrustaram. Em 6 de agosto de 2005, no sexagésimo aniversário da desgraça, ele foi tocado em público pela primeira vez, e desde então encontra-se em exibição num salão do Parque Memorial da Paz.

A pianista Mami Hagiwara e a Sra. Futakuchi com o piano de Akiko, em seu local de exibição permanente, no Parque Memorial da Paz.

Martha Argerich, nossa Rainha, adora o Japão e não deve ter hesitado sequer um instante para aceitar o convite que a Orquestra Sinfônica de Hiroshima lhe fez para tocar na icônica cidade em 5 de agosto de 2015 – véspera do 70º aniversário do criminoso ataque à sua população. A apresentação da deusa do piano, que incluiu seu tradicional cavalo de batalha – aquele primeiro concerto de Ludwig que ela toca desde sempre -, foi o esperado sucesso, e ela permaneceu na cidade para a sentidas cerimônias do dia seguinte, que culminaram com a tradicional procissão das velas flutuantes que os cidadãos de Hiroshima e os visitantes largam ao sabor da corrente do rio Motoyasu, em memória das vítimas.

A procissão das velas flutuantes passa em frente ao Domo da Bomba Atômica – que abrigava a Exposição Comercial da Prefeitura de Hiroshima e foi o prédio mais próximo do hipocentro a permanecer de pé (foto do autor)

Durante as cerimônias, Martha foi apresentada a Tomie Futakuchi, que lhe contou a história de Akiko e de seu piano, e nossa Rainha, num arroubo de sua impetuosidade tão típica, decidiu fazer uma visita surpresa ao Memorial da Paz no dia seguinte, 7 de agosto, para conhecer e tocar o instrumento.

Martha não sabia disso, mas estava a tocar o piano de Akiko na hora e no dia exatos em que a menina falecera, setenta anos antes.


O encontro entre a estrela mundial do piano e o inestimável instrumento calou fundo no compositor Dai Fujikura, que se pôs imediatamente a compor um concerto, que foi oferecido a Martha e à memória de Akiko. A Rainha ficou muito lisonjeada com a dedicatória e, uma vez mais, aceitou sem titubear um novo convite para tocar em Hiroshima, dessa feita para estrear o concerto de Fujikura com a sinfônica local em agosto de 2020, por ocasião do septuagésimo quinto aniversário da morte de Akiko.

Nas palavras do compositor,


Este concerto muito especial para piano e orquestra, chamado “O Piano de Akiko”, foi escrito e dedicado à Embaixadora da Paz e da Música da Orquestra Sinfônica de Hiroshima, Martha Argerich.
(…)
Embora naturalmente este concerto tenha a ‘música para a paz’ como mensagem principal, eu, como compositor, gosto de concentrar nos pontos de vista pessoais. Sinto que essa visão microscópica, para a partir daí contar sobre assuntos universais, deve ser o caminho a percorrer em minhas composições: a visão de Akiko, uma garota comum de 19 anos que não tinha nenhum poder sobre a política (…) Deve haver histórias semelhantes à dessa garota de 19 anos em todas as guerras da história e em todos os países do mundo. Toda guerra deve ter uma Akiko.
(…)
Neste concerto, faço uso de dois pianos: um é o piano de cauda principal, e outro, o Piano de Akiko, o piano que sobreviveu à bomba atômica, tocado na cadenza do final, ambos pelo solista.

Para expressar um tema tão universal quanto a  ‘música para a paz’, a peça deve retratar o ponto de vista mais pessoal. Acho que esse é o caminho mais poderoso, e só através da Música se pode segui-lo.”


Em agosto de 2020, a pandemia impediu Martha de viajar o Japão. De sua casa na Suíça, ela gravou o vídeo seguinte, em inglês, no qual expressa seus sentimentos acerca da obra que lhe foi dedicada, do honroso convite que lhe foi feito, e de sua desolação por não poder honrá-lo:

O concerto de Fujikura foi, então, estreado na data prevista pela pianista Mami Hagiwara, juntamente com obras de J. S. Bach, Beethoven, Mahler e Penderecki – e a integral de sua première, incluindo a cadenza tocada no piano de Akiko, vocês podem conferir a seguir:

Todos os principais envolvidos na celebração da memória de Akiko Kawamoto – Martha Argerich, Dai Fujikura, Mami Hagiwara e os músicos da Orquestra Sinfônica de Hiroshima – autorizaram generosamente a publicação das gravações dos concertos supracitados em dois álbuns, cuja venda em linha, por período limitado, viu sua renda integralmente revertida para a preservação dos memoriais de Hiroshima e do piano de Akiko. E são essas as gravações, que adquiri na ocasião, que ora compartilho com nossos leitores-ouvintes, no septuagésimo sétimo aniversário do criminoso ataque a Hiroshima, em memória de suas dezenas de milhares de vítimas inocentes.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Dó maior, Op. 15
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondó: Allegro scherzando

Martha Argerich, piano
Hiroshima Symphony Orchestra
Kazuyoshi Akiyama, regência


BIS:
Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)

Das Fantasiestücke para piano, Op. 12
4 – No. 7: Traumes Wirren

Martha Argerich, piano

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Gravado ao vivo na Hiroshima Bunka Gakuen Hall, Hiroshima, Japão, em 5 de agosto de 2015


Dai FUJIKURA (1977)
1 – Concerto para piano e orquestra no. 4, “Akiko’s Piano” (estreia mundial)

Mami Hagiwara, pianos: Steinway & Sons, Hamburgo; e Baldwin, Cincinatti (cadenza, a partir de 16:45)

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Do Quarteto de cordas no. 13 em Si bemol maior, Op. 130
2 – Cavatina: Adagio molto espressivo (arranjo para orquestra de cordas)

Gustav MAHLER (1860-1911)
Kindertotenlieder, para voz e orquestra (1904)
3 –
Nun will die Sonn’ so hell aufgeh’n
4 –
Nun seh’ ich wohl, warum so dunkle Flammen
5 –
Wenn dein Mutterlein
6 –
Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen!
7 –
In diesem Wetter!

Mihoko Fujimura, mezzo-soprano

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Orquestração de Hideo Saito (1902-1974)
Da Partita no. 2 em Ré menor para violino solo, BWV 1004
8 – Ciaccona

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FAIXA-BÔNUS (não consta no CD original, e foi extraída da transmissão radiofônica do concerto):

Krzysztof Eugeniusz PENDERECKI (1933-2020)
Do Réquiem Polonês (Polskie Requiem):
1 – Ciaccona

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Hiroshima Symphony Orchestra
Tatsuya Shimono, regência

Gravado ao vivo na Hiroshima Bunka Gakuen Hall, Hiroshima, Japão, em 5 e 6 de agosto de 2020


 

Vassily

César Franck (1822–1890) & Alfred Cortot (1877–1962) – Música para Piano e Arranjos Diversos – He Yue, piano (CD1) & Domenico Codispoti, piano (CD2) ֍

César Franck (1822–1890) & Alfred Cortot (1877–1962) – Música para Piano e Arranjos Diversos – He Yue, piano (CD1) & Domenico Codispoti, piano (CD2) ֍

Os três homens não poderiam ser mais diferentes, nos aspectos e temperamentos… Apesar de cada um ter já um nome firmado como solista de seu próprio instrumento, quando se reuniam formavam um conjunto notável, pela maneira como se completavam musicalmente, recriando com rara espontaneidade as obras para trio com piano. Tanto que seu exemplo ajudou a firmar este tipo de conjunto. Esse famoso trio costumava reunir-se com regularidade para ensaiar, estudar novas peças, mas também para falar de literatura, pintura, dança e, é claro, música. Mas eis que em certa ocasião, lá se foi o violoncelista para sua natal Catalunha por uns tempos, deixando o pianista e o violinista às voltas com sonatas, incluindo a famosa Sonata de César Franck. Pois foi assim, num destes dias, o pianista chegou mais cedo e o violinista atrasou mais do que o costume. O pianista, para não se entediar, começou, de brincadeira, a tocar a sonata TODA. Isso mesmo, não apenas a pouco trivial parte do piano, mas, assim cantando com o teclado, ia incluindo também a parte do violino. Bom, o pianista era um bamba e quando o violinista ouviu um trecho, foi logo prometendo nunca mais se atrasar – pois que senão você fará o recital sozinho, disse ele.

P. Casals, J. Thibaud e A. Cortot

Confesso ter imaginado isso tudo, mas que a história é plausível, ah, isso é. O trio a que me refiro era formado por Alfred Cortot (piano), Jacques Thibaud (violino) e Pablo Casals (violoncelo). O trio foi formado em 1905 e esteve ativo por décadas. Há registros dos três e, também, de Cortot e Thibaud tocando a tal Sonata de César Franck. Mas a postagem de hoje trata principalmente do pianista, regente e arranjador Alfred Cortot.

Como geralmente faço, estava revirando umas pilhas de discos que temos acumulados aqui no vault do PQP Bach Coop. em busca de coisas que goste ou de que possa vir a gostar. Acabei encontrando um disco que apesar de bem interessante, não chegou à postagem. Teve, no entanto, o mérito de indicar este arranjo – transcrição – da Sonata para Violino de César Franck para piano solo, feito por Alfred Cortot. Sai em busca de outras gravações e encontrei mais três discos com a peça. Depois de trocentas audições, dois deles acabaram entrando para a postagem. Eu nem sou assim um ouvinte assíduo das peças de Franck, acho que sua Sinfonia fica muito tempo taxiando antes de decolar e tal. Mas a Sonata para Violino, essa merece lugar de destaque. Minha gravação referência é a feita por Kyung-Wha Chung (violino) e Radu Lupu (piano), mas há muitas outras, excelentes.

No primeiro disco escolhido para a postagem, interpretados pelo ótimo pianista He Yue, encontramos um punhado de transcrições para piano de obras de diversos compositores, feitas por Cortot. As escolhas das fontes revelam dois aspectos das atividades ligadas ao piano. A de professor, que se preocupava com o aspecto técnico. Para ele, a música da Bach era muito importante na formação de um pianista. Esse aspecto está aqui na forma de uma transcrição da Toccata e Fuga em ré menor BWV 565. Imagino se o Capitão Nemo conhecia essa…

Mas Cortot também tinha um olho na audiência. Veja quais dois maravilhosos Lieder ele escolheu para transcrever: Wiegenlied, uma canção de ninar, de Brahms, e Heidenröslein, um dos maiores sucessos de Schubert. O Largo do Concerto em fá menor de Bach também tem uma dessas marcantes melodias, que gruda na memória da gente. Há também os desafios para qualquer pianista, dar conta sozinho de música que foi concebida para conjuntos maiores, como a Suíte Dolly, de Gabriel Fauré, escrita para duo de piano, o Largo da Sonata para Violoncelo de Chopin e a Sonata de César Franck, que completa o disco e foi a motivação para a postagem.

O segundo disco oferece música escrita originalmente apenas por César Franck, incluindo a tal transcrição para piano solo da Sonata para violino e piano feita por Cortot. Aqui uma interpretação um pouco diferente, talvez mais contida do que o virtuosismo do He Yue, mas o som produzido por Domenico Codispoti é muito bonito e não lhe falta virtuosismo e brilho quando chega a hora disso. A outra peça é uma transcrição para piano de um Prelúdio, Fuga e Variações escrito para órgão, feita por Harold Bauer. Bauer é também um ótimo personagem para se descobrir, mas hoje a postagem é do Cortot. Fechando o disco, uma outra peça notável de Franck, o Prelúdio Coral e Fuga, escrito para piano. Esta peça é figurinha carimbada nos álbuns de vários grandes pianistas, como Stephen Hough, Murray Perahia ou Evgeny Kissin. (Não perca, em breve, no seu PQP Bach mais próximo…)

Disco 1

Música transcrita para piano por

Alfred Cortot (1877 – 1962)

escrita originalmente por:

Gabriel Fauré (1893 – 1897)

Suíte Dolly, Op. 56

  1. Berceuse
  2. Mi-a-ou: Allegro vivo
  3. Le jardin de Dolly: Andantino
  4. Kitty-valse: Tempo di valse
  5. Tendresse: Andante
  6. Le pas espagnol: Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 -1750)

  1. Toccata e Fugue em ré menor, BWV565

Johannes Brahms (1833 – 1897)

  1. Wiegenlied, Op. 49 No. 4 (Lullaby)

Johann Sebastian Bach (1685 -1750)

Concerto para Cravo em fá menor, BWV 1056:

  1. Largo

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

Sonata para violoncelo em sol menor, Op. 65

  1. Largo

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Heidenröslein, D257

César Franck (1822 – 1890)

Sonata para violino em lá maior

  1. Allegretto ben moderato
  2. Allegro
  3. Recitativo – Fantasia: Ben moderato – molto lento
  4. Allegretto poco mosso

He Yue, piano

Gravação: 27, 28 de outubro de 2012

Music Hall, Gu Lang Yu Piano School, Central Music Conservatory, Xiamen City, China

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FLAC |214 MB

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MP3 | 320 KBPS | 143 MB

Legendary pianist Alfred Cortot’s distinguished reputation as an educator is demonstrated in these magnificent arrangements of chamber music for solo piano. They cover every aspect of technique and expression, from Bach’s demanding Toccata and Fugue in D minor to Fauré’s delectable Dolly Suite and the grand scale of Franck’s Violin Sonata. Award-winning pianist He Yue is a young and rising star of the Chinese musical firmament.

Disco 2

César Franck (1822 – 1890)

Sonata para violino em lá maior (Arranjo de Alfred Cortot)

  1. Allegretto ben moderato
  2. Allegro
  3. Recitativo – Fantasia: Ben moderato – molto lento
  4. Allegretto poco mosso

Prelúdio, Fuga e Variações Op. 18 (Arranjo de Harold Bauer)

  1. Prelúdio
  2. Fuga
  3. Variações

Prelúdio, Coral e Fuga

  1. Prelúdio
  2. Coral
  3. Fuga

Domenico Codispoti, piano

Gravação: outubro de 2012

I Musicanti Studio, Roma

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FLAC |201 MB

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MP3 | 320 KBPS | 149 MB

This CD contains the CD premiere of the transcription for piano solo of the Franck violin sonata, made by Alfred Cortot, a fascinating pianistic tour de force, the new pianistic textures giving a special sonority to the unique harmonies of this master piece. The Prélude, fugue et variation is originally an organ work, and is transcribed for piano by the famous pianist Harold Bauer. The Prélude, chorale et fugue is Franck’s pianistic pièce de résistance, although also here the influence of Franck the organist is never far away. An excellent new recording by Italian pianist Domenico Codispoti, playing with a beautiful blend of grandeur and intimacy, and a wonderful transparency (listen to the canonic 4-th movement of the violin sonata!).

Aproveite!

René Denon

Alfred testando um piano Pleyel da coleção do PQP Bach…

J. S. Bach (1685-1750): Transcrições – Gordon Fergus-Thompson, piano ֎

J. S. Bach (1685-1750): Transcrições – Gordon Fergus-Thompson, piano ֎

 

Bach

Transcrições

Gordon Fergus-Thompson

 

 

Traduttore – traditore, diria Umberto Eco, um autor largamente traduzido e um tradutor extremamente prolífico. Quando alguém traduz, precisa inventar, recriar, e, portanto, trair. Mas não fossem as traduções, quantas obras-primas ficariam restritas aos seus espaços culturais de origem? Não resisto a fazer um paralelo entre a literatura e a música e, guardadas as devidas proporções, o mesmo ocorreu com Johann Sebastian Bach.

Fico imaginando a avidez com que ele deve ter devorado as partituras de músicas italianas e francesas – Vivaldi e tantos outros – levadas pelo príncipe Johann Ernst, sobrinho do Duque de Saxe-Weimar, para esta corte, em sua visita por lá, por volta de 1713, após viajar pela Bélgica e Holanda.

Bach e seu amigo Telemann seguiam o conceito de imitatio e aemulatio,o princípio da imitação inicial, passando então a um estágio de desenvolvimento que buscava superar a imitação – vide o Concerto Italiano.

Bach começou a copiar as obras italianas e ao mesmo tempo passou a arranja-las, transcrevê-las para os seus próprios instrumentos – o cravo e o órgão.

Isso certamente legitima todos os compositores, maiores e menores, que se debruçaram sobre suas obras e as estudaram e as transcreveram, relendo-as segundo suas próprias perspectivas artísticas e seus próprios talentos. Com isso, as tornaram ainda mais acessíveis e as disponibilizaram para um público maior.

Algumas peças de Bach – a Chaconne da Partita em ré menor para violino eu conheci primeiro na transcrição feita por Ferruccio Busoni, para piano, peça que abre este disco. Algumas transcrições são mais traidoras, assim como esta Chaconne de Busoni, que parece maior, mais tonitruante, do que a peça original, para violino solo. Mas, quem sabe se essa mesma não seria uma transcrição de uma peça ainda mais anterior, para órgão?

Capitão Nemo verificando se a afinação do órgão estava adequada…

Outras guardam mais a singeleza do original, como ocorre nas transcrições feitas por Dame Myra Hess (Jesus, Alegria dos Homens…) e pelo incansável Wilhelm Kempff (Siciliano). Se o seu coração não se derreter com As Ovelhinhas Podem em Segurança Pastar, transcrição de Christopher Le Fleming, pode ir correndo fazer um exame no cardiologista mais próximo, pois que ele se transmutou em pedra.

A Suíte de Rachamaninov, arranjada de três peças da Partita em mi maior, vai surpreender muita gente, que associa este compositor aos arroubos românticos e acordes inalcançáveis.

E para arrematar, imagine o Capitão Nemo, tendo que ficar alguns dias em um porto, sem poder se deliciar com os sons do órgão, esperando uma completa revisão no Nautilus. É claro, ele alugaria um flat com um piano e atacaria a Toccata e Fuga em ré menor, na transgressão de Ferruccio Busoni, assim como está na peça que arremata o disco.

Este é um entre muitos discos com transcrições das obras de Bach para piano que tenho ouvido. Pretendo postar alguns mais, acrescentando mais insultos à esta injúria… O pianista da vez é inglês e bem conhecido por suas gravações das obras de Ravel, Debussy e Scriabin. Ele é atualmente professor do Royal College of Music de Londres.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Transcrições:

Ferruccio Busoni (1866 – 1924)

  1. Chaconne da Partita em ré menor para violino, BWV 1004
  2. Prelúdio Coral BWV645 ‘Wachet auf, ruft uns die Stimme’
  3. Prelúdio Coral BWV659 ‘Nun komm, der Heiden Heiland’
  4. Prelúdio Coral BWV734 ‘Nun freut euch, lieben Christen gmein’
  5. Prelúdio Coral BWV639 ‘Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ’

Franz Liszt (1811 – 1886)

Prelúdio e Fuga em lá menor, BWV543
  1. Prelúdio
  2. Fuga

Lord Berners (1883 – 1950)

  1. In Dulci Jubilo, BWV 729

Dame Myra Hess (1890 – 1965)

Cantata BWV147 ‘Herz und Mund und Tat und Leben’
  1. Jesus, Alegria dos Homens

Wilhelm Kempff (1895 – 1991)

Sonata para flauta em mi bemol maior, BWV1031
  1. Siciliano
Christopher Le Fleming chegou atrasado para a foto e o DP de Arte do PQP Bach atacou de Christopher Lee…

Christopher Le Fleming (1908 – 1985)

  1. As Ovelhinhas Podem em Segurança Pastar, da Cantata BWV208

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

Suíte da Partita em mi maior para violino, BWV1006
  1. Preludio
  2. Gavotte
  3. Gigue

Ferruccio Busoni

Toccata e Fuga em ré menor, BWV565
  1. Toccata e Fuga

Gordon Fergus-Thompson, piano

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FLAC | 224 MB

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MP3 | 320 KBPS | 176 MB

Gordon Fergus-Thompson no Salão de Pianos do PQP Bach
Lord Berners mostrando para a equipe do PQP Bach o piano no qual fez sua transcrição…

De todos os transcritores deste disco, de longe, o mais impressionante, não por sua obra, mas por sua excentricidade, é Lord Berners. Como não sou de dar spoiler, espero que você faça o dever de casa e descubra por você mesmo…

Aproveite!

René Denon

Bach (1685-1750): Orgelbüchlein BWV 599 – 644 /-\ Simon Preston ֍

Bach (1685-1750): Orgelbüchlein BWV 599 – 644 /-\ Simon Preston ֍

 

Bach

Orgelbüchlein

Simon Preston

 

 

No dia 13 de maio de 2022 faleceu o organista Simon Preston. Em 4 de agosto ele completaria 84 anos. Simon Preston teve contato com a música muito cedo e aos cinco anos já havia se decidido pelo órgão. Foi organista de Westminster e Oxford até 1987, quando assumiu uma carreira de organista de concerto, apresentando-se pelo mundo todo.

Retrato do artista quando jovem

Seguindo um vago plano de postar as gravações das obras para órgão de Bach que ele gravou para a Deutsche Grammophon, decidi acrescentar este disco com o Pequeno Livro para Órgão, como uma homenagem em sua memória.

O título Orgelbüchlein pode dar uma impressão de despretensiosa, mas é o resultado de um planejamento até ousado. Em um realmente pequeno livro de 15,5 por 19 cm, Bach escreveu no alto de cada página nomes de 164 corais e tratou de preencher o livro com as composições que estão neste disco – 45 Prelúdios Corais. Essas composições foram criadas no período em que Bach passou em Weimar (1708 a 1717) mas o projeto ficou inconcluso com sua mudança para Cöthem. Em Weimar Bach dispunha do órgão da capela da corte que foi reconstruído entre 1712 e 1714 sob a sua orientação e determinações.

O título da obra, escrito pelo próprio Bach, diz: Pequeno Livro de Órgão, no qual o estudante de órgão é instruído sobre como deve desenvolver de diversas maneiras um coral e, ao mesmo tempo, adquirir experiência no uso do pedal, o qual, em cada um destes corais, é tratado como inteiramente obbligato.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Orgelbüchlein, BWV 599 – 845

Simon Preston, órgão

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FLAC | 330 MB

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MP3 | 320 KBPS | 178 MB

Na edição de 1996 de The Penguin Guide to CD, o verbete dedicado a este disco é curto, mas eloquente: Simon Preston conveniently gathers all 45 chorales of the Orgelbüchlein on to a single (74-minute) CD and plays them with persuasive musicianship on a fine Danish organ.

Realmente, o disco foi gravado na Igreja Abbey, Sorø, na Dinamarca. Uma lista com os corais se encontra nos arquivos.

Simon Preston (1943 – 2022)

Outras postagens da série:

Bach (1685-1750): Toccata e Fuga BWV 565 e outras peças para órgão – Simon Preston ֎

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Órgão, BWV 592 – 596 – Simon Preston ֍

J. S. Bach (1685–1750): Trio Sonatas – Simon Preston, órgão ֍

 

J. S. Bach (1685-1750) / W. F. Bach (1710-1784): Concertos para 2 Cravos (Hantaï / Häkkinen)

J. S. Bach (1685-1750) / W. F. Bach (1710-1784): Concertos para 2 Cravos (Hantaï / Häkkinen)

IM-PER-DÍVEL !!!

Aapo Häkkinen toca junto com ninguém menos que Pierre Hantaï, seu ex-professor, estes Concertos para 2 Cravos de (dos) Bach. Temos 3 Concertos de Papai Bach acompanhado de uma obra raramente tocada, mas muito interessante, de Wilhelm Friedmann Bach. Este último é o concerto para dois cravos (sem orquestra). Duas reconstruções de concertos para cravos do círculo íntimo de Bach são tocadas. O som gravado privilegia os teclados sobre as cordas, com microfones fixados diretamente no corpo de cada cravo. Os cravos soam ricos e ressonantes. Estas são performances admiravelmente livres e fluidas. Ambos os solistas têm um senso aguçado para o rubato e os fraseados eficazes, mas na maioria dos casos isso é tão sutil que você precisa realmente ouvir para descobrir como é feito. As cordas são igualmente vibrantes, com excelente conjunto e belo timbre rico para sustentar os solistas. À primeira audição, o disco pode parecer austero. A escala da instrumentação, embora historicamente justificada, parece muito pequena, um sentimento que é exacerbado pelos microfones muito próximos e pelo som relativamente seco. Mas o nível de musicalidade é excelente e, embora a clareza da textura seja o objetivo principal, o interesse musical nunca esmorece. O CD foi multipremiado. Merecido!

J. S. Bach (1685-1750) / W. F. Bach (1710-1784): Concertos para 2 Cravos (Hantaï / Häkkinen)

Concerto In C Minor, BWV 1060
Composed By – J.S.Bach*
1 Allegro 5:03
2 Largo 4:38
3 Allegro 3:26

Concerto In C Major, BWV 1061
Composed By – J.S.Bach*
4 Allegro 7:02
5 Adagio 4:23
6 Vivace 5:43

Concerto In C Minor, BWV 1062
Composed By – J.S.Bach*
7 Allegro 3:52
8 Andante 5:40
9 Allegro Assai 4:41

Concerto In F Major, Fk 10, For 2 Harpsichords
Composed By – Wilhelm Friedemann Bach
10 Allegro Moderato 8:51
11 Andante 4:43
12 Presto 4:10

Harpsichord – Aapo Häkkinen, Pierre Hantaï
Orchestra – Helsinki Baroque Orchestra

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PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) Goldberg Variations – Jean Rondeau

Muitas vezes comento aqui que falta sangue, suor e lágrimas para os intérpretes mais jovens, que ainda estão na faixa dos vinte e poucos anos de idade e que esperava ansioso sua ‘volta’ àquela obra, para mostrar sua evolução enquanto músico e ser humano. Felizmente toda regra tem sua exceção e fico feliz em afirmar isso. Temos aqui o jovem cravista francês Jean Rondeau (nasceu em 1991)  encarando nossas amadas “Variações Goldberg” com muita propriedade e maturidade, mesmo para alguém de sua idade. Eu particularmente já vinha assistindo há algum tempo a um vídeo dele no Youtube onde toca essa obra em sua íntegra e já me chamava a atenção exatamente sua capacidade de concentração.

Enfim, finalmente Jean Rondeau mostrou a nós pobres mortais porque as Goldberg continuam a nos fascinar e encantar, mesmo depois de a termos ouvido tantas vezes e com os mais diversos músicos, e instrumentos. Trata-se de uma obra que no cativa já desde os primeiros acordes da Aria inicial, e o que me chamou a atenção aqui foi a maturidade e por que não dizer, coragem com que Rondeau inicia a obra, diminuindo o tempo e explorando toda a expressividade daquela melodia tão única e bela. É como se a estivessemos ouvindo em câmera lenta, mas depois do desconforto, ou desconfiança inicial mergulhamos em um mundo único e muito especial, do qual só sairemos 1 hora e 46 minutos depois. Claro, é uma abordagem muito pessoal, e talvez os mais puristas não gostem. Mas fazer o que, né, não se pode satisfazer a todos.

Jean Rondeau teve coragem e nos trouxe uma interpretação muito madura e apaixonada, poucas vezes ouvi uma leitura tão envolvente e com uma dinâmica tão diferente das tradicionais. Sugiro esquecerem por 1 hora e 46 minutos músicos como Glenn Gould, Angela Hewitt ou até mesmo o velho mestre Gustav Leonhardt. Ainda não li as críticas nas revistas especializadas, vou atrás delas mais tarde. Antes quero continuar a me fascinar para não perder o encanto.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Goldberg Variations – Jean Rondeau

1 – 32 – Goldberg Variations, BWV 988

Jean Rondeau – Harpsichord

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