Satie / Hahn / Koechlin / Auric / Tansman / Roussel / Ravel: Sonatines pour le piano (Daniel Blumenthal) ֍

Satie /  Hahn / Koechlin / Auric / Tansman / Roussel / Ravel: Sonatines pour le piano (Daniel Blumenthal) ֍

Satie – Hahn – Koechlin

Auric – Tansman

Roussel – Ravel

Sonatines pour le piano

Daniel Blumenthal

 

Depois de uma semana ouvindo peças de mais de uma hora de duração, eu queria ouvir algo mais leve e curto, para variar. Foi assim que o nome deste disco me chamou a atenção. Sonatines pour le piano – umas sonatazinhas, para variar. E como o repertório era de compositores franceses, a animação aumentou.

O termo ‘sonatina’ tem sido usado por compositores desde muito tempo, incluindo Bach e Handel. O nome indica que há um certo compromisso com a forma sonata, mas o resultado será mais breve e espera-se uma certa leveza. No caso dos franceses, elegância também.

Daniel Blumenthal é um pianista que atua muitas vezes como acompanhante e como músico de câmara e também tem explorado em suas gravações como solista um repertório menos convencional.

O programa do disco começa e termina com obras de compositores bem conhecidos, mas as outras cinco peças também reservam excelentes momentos.

Erik Satie tinha um peculiar senso de humor e essa Sonatine bureaucratique é um pastiche das obras de Muzio Clementi, composta de forma irreverente em 1917 e prenuncia o neoclassicismo.

Reynaldo Hahn nasceu na Venezuela, mas era francês. Além de compositor, foi regente, crítico e cantor, especialmente famoso por suas canções. Além da Sonatazinha que aparece graciosamente neste disco, aparentemente foi o autor de uma frase bem famosa: À la recherche du temps perdu.

Charles Koechlin já tem frequentado nosso blog com suas elegantes peças de câmara e Georges Auric é um de Les six.

Alexandre Tansman nasceu na Polônia, mas  era francês. É um pioneiro do classicismo e famoso por ser um mestre em orquestração.

Albert Roussel começou a vida na marinha, mas tornou-se músico. Foi bastante influenciado por Debussy e Ravel e depois voltou-se para o neoclassicismo.

Para completar o disco a belíssima Sonatine de Maurice Ravel, que mais de uma vez tem aparecido nestas páginas.

Erik Satie (1866 – 1925)

Sonatine bureaucratique

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Vivace

Reynaldo Hahn (1874 – 1947)

Sonatine en ut

  1. Allegro non troppo
  2. Andantino rubato
  3. Final: vivo assai

Charles Koechlin (1867 – 1950)

Sonatine, Op. 59 No. 5

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Petite fugue
  4. Final

Georges Auric (1899 – 1983)

Sonatine

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Finale

Alexandre Tansman (1897 – 1937)

Sonatine transatlantique

  1. Foxtrot
  2. Spiritual and blues
  3. Charleston

Albert Roussel (1869 – 1937)

Sonatine, Op. 16

  1. Modéré – Vif et très léger
  2. Très lent

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Sonatine, M. 40

  1. Modéré
  2. Mouvement de menuet
  3. Animé

Daniel Blumenthal, piano

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FLAC | 216 MB

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MP3 | 320 KBPS | 179 MB

A capa do disco, com suas efêmeras e diversas florezinhas é uma beleza e realmente sugere o que você ouvirá… A sonatazinha de Reynaldo Hahn, com seu lindo andantino rubato é muito charmosa e a Sonatine transatlantique, com seus movimentos associados aos ritmos populares também é bem especial.

Aproveite!

René Denon

The French Album – Jorge Federico Osorio, piano ֎

The French Album – Jorge Federico Osorio, piano ֎

Fauré • Debussy

Rameau

Chabrier • Ravel

Peças para Piano

Jorge Federico Osorio

Este disco é uma pérola! Adoro este repertório e tudo aqui está excelente. Imagine que você seja um pianista dono de uma soberba musicalidade, técnica poderosa, tenha uma imaginação vibrante e possua uma profunda paixão… Suponha ainda que disponha de uma gravadora interessada em produzir um álbum com o repertório que você escolheu e que você disponha de um ambiente ideal – familiar e tecnicamente impecável – com condições ideais para as gravações. Tudo para resultar assim em um dico primoroso.

Pois foi o que aconteceu aqui. O pianista Jorge Federico Osorio tem todas as qualificações listadas acima, segundo o livreto e como você poderá confirmar ao ouvir o disco. Ele mora em Chicago onde exerce as carreiras artística e acadêmica – é professor da Roosevelt University’s Chicago College of Performing Arts. A gravadora Cedille Records, de Chicago, tem por objetivo promover os artistas locais, criando assim as condições ideais para a produção do disco que foi gravado no Reva and David Logan Center of Arts da Universidade de Chicago em janeiro de 2020.

O programa consiste em oito prelúdios de Debussy e mais duas peças de outras coleções e são típicas da sonoridade que associamos à música francesa. O livreto diz: A fascinação de Debussy com as sonoridades do piano inspirara a criação de seus prelúdios. Eles podem ser ouvidos como experimentos sonoros: quais são as possibilidades das harmonias cromáticas e escalas não tradicionais?

Osorio fez suas escolhas entre as peças e as coloca na ordem que lhe agrada, o que acrescenta uma dose de surpresa na sequência. Começamos com a belíssima e extrovertida peça chamada Les collines d’Anacapri e passamos para a mais introvertida La terrasse des audiences du clair de lune. Para continuar no clima, Clair de lune, possivelmente a peça mais conhecida de Debussy, o movimento lento da Suíte Bergamasque. Mais beleza com a irrequieta peça Ce qu’a vu le d’Ouest seguida do segundo dos prelúdios, Voiles. Depois, ouvir o prelúdio da Catedral Submersa seguido de Fogos de Artifício é de tirar o fôlego. Osorio sai do universo de Debussy pisando em Fuilles mortes para entrar no clima dos precursores de música francesa para teclado com três lindas peças de Rameau, compostas originalmente para cravo.

Dai em diante, as origens latinas do pianista muito provavelmente entraram em consonância com o fascínio que os compositores franceses tinham com a música de origem espanhola. O clima fica ibérico com a Habanera de Chabrier, La Puerta del Vino e La soirée dans Grenade de Debussy e passa para a Alborada del gracioso de Ravel.

O disco se fecha assim como foi aberto, com uma Pavane. A peça da abertura é de Fauré e para completar, Ravel. Ótima hora e um quarto de excelente música.

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

  1. Pavane

Claude Debussy (1862 – 1918)

  1. Les collines d’Anacapri
  2. La terrasse des audiences du clair de lune
  3. Clair de lune
  4. Ce qu’a vu le vent d’Ouest
  5. Voiles
  6. La Cathédrale engloutie
  7. Feux d’artifice
  8. Feuilles mortes

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

  1. Les Tricotets
  2. Menuets 1 & 2
  3. L’Egyptienne

Emmanuel Chabrier (1841 – 1894)

  1. Habanera

Claude Debussy

  1. La Puerta del Vino
  2. La soirée das Grenade

Maurice Ravel (1875 – 1937)

  1. Alborada del gracioso
  2. Pavane pour une infante défunte

Jorge Federico Osorio, piano

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MP3 | 320 KBPS | 191 MB

 

A famosa Puerta del Vino

Momento ‘The Book is on the Table’:

What appears to be a hodgepodge of French pieces actually emerges as a carefully crafted program. […] All told, an enjoyable and well-put-together recital.

… he [Osorio] plays with beauty and charm, a delicate touch, and a genuine grace, with expressive, nuanced singing in his piano playing. He is a richly expressive piano virtuoso of international fame, and in my experience has never demonstrated anything but sensitive, immaculate, committed, passionate playing, a most-refined pianist whose best work comes in expressively lyrical passages.

Producer James Ginsburg and Cedille’s ace engineer Bill Maylone recorded the music in the Reva and David Logan Center for the Arts at the University of Chicago in January 2020. The sound is gorgeous: not too sharp or bright; not too dull or soft. It simply sounds like a real piano in a real hall setting, with just the right amount of ambient bloom, room acoustics, and lifelike detail to bring it to life.

Aproveite!

René Denon

Jorge explicando para o pessoal do PQP Bach: Federico, não Frederico, Fe-de-rico…

 

Se você gostou deste disco, poderia se interessar por estas postagens aqui:

Stephen Hough’s Spanish Album – Peças de A. Soler, E. Granados, I. Albeniz, F. Mompou, F. Longas, C. Debussy, M. Ravel, F. X. Scharwenka, W. Niemann e S. Hough

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha, parte II (1951-1961) [Martha Argerich, 80 anos]


Em homenagem aos oitenta anos da Rainha, adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a segunda de oito partes:


Logo que ficou ficou óbvio que não haveria professores no Hemisfério Sul capazes de darem conta da pequena María Martha (porque eu tinha HOJE anos de idade quando descobri que Martha também é María), começaram as tratativas para que a niña precoz fosse estudar na Europa. A escolha de María era clara: queria ir para Viena estudar com Friedrich Gulda, um pianista brilhante que já granjeara fama de excêntrico e anticonvencional, e cujo antiacademicismo mui provocativo o tornava o mais improvável dos professores.

E isso tudo antes de adotar o visual que, a partir dos anos 70, fê-lo ser mimosamente comparado a um “cafetão sérvio”.

Como os Argerich não nadavam em recursos, a mãe de María resolveu tomar providências. A (assim a chamemos) mui assertiva Juanita, com quem Martha sempre teria uma relação complicada, resolveu as coisas com ninguém menos que Juan Domingo Perón. Nas palavras da filha:

Eu tinha pouco mais de 12 anos, tinha tocado no Teatro Colón e o Perón tinha me convidado para um encontro na residência presidencial. Mamãe perguntou se ela poderia vir comigo, e eles disseram que sim, é claro. Eu não era muito peronista; lembro-me que estava sempre colando pedacinhos de papel em todos os lugares que diziam “Balbín-Frondizi” [antiperonistas ferrenhos e candidatos da oposição às eleições de 1951]. Perón nos recebeu e me perguntou: “E para onde você quer ir, ñatita?” E eu queria ir para Viena, estudar com Friedrich Gulda. Ele gostou de eu não querer ir para os Estados Unidos. O mais engraçado foi que minha mãe, para bajulá-lo, disse a ele que eu adoraria fazer um show na UES [União dos Alunos do Ensino Médio]. E devo ter feito uma cara um tanto reveladora de que não gostei da ideia, pois o Perón começou a concordar com mamãe, dizendo “claro senhora, vamos organizar”, enquanto piscava para mim e, por baixo da mesa, fazia com um dedo que não. Ele estava contendo mamãe e isso me acalmou – percebeu que eu não queria. Fantástico, não é? E ele deu um emprego ao meu pai. Ele o nomeou adido econômico em Viena. E disse à mamãe que a achava também muito inteligente, empreendedora e capaz, e que conseguiu outro cargo para ela na embaixada.

Naqueles tempos, o que Perón mandava, o governo fazia: no ano seguinte, os Argerich deixariam Buenos Aires com mala e cuias, rumo a Viena e ao encontro de Gulda.

Martha e Gulda em Viena, sob o olhar atendo do filho mais ilustre de Aracati, o grande Jacques Klein (à esquerda). Foto do acervo de Nelson Freire, disponibilizada pelo Instituto Piano Brasileiro.

Foram apenas dezoito meses de estudo, durante os quais Martha foi a única aluna de Gulda, um mestre apenas onze anos mais velho que ela e de ademais pouquíssimos alunos. Ainda que viesse a receber lições de Maria Curcio, de Stefan Askenaze e de Arturo Benedetti Michelangeli, Gulda foi a mais decisiva influência na carreira de nossa Rainha. Ela sempre o idolatrou, e frequentemente o cita em suas entrevistas. O austríaco, no entanto, não se impressionou com o estrelato posterior de sua aluna, aparentemente por achá-lo convencional demais para seus heterodoxos parâmetros. E a vida pessoal de Martha, também, parecia bater recordes mesmo para os caóticos padrões guldanianos: ao encontrá-la num camarim, décadas depois, depois de um recital, Gulda – que ficaria notório por divulgar a notícia de sua morte um ano antes de morrer de fato, e que intitulou seu concerto seguinte “Festa da Ressurreição” – tascou:

O que fizeste da tua vida???
O que fazer da vida é a preocupação de todas as ex-crianças prodígio, e Martha, egressa dos estudos com Gulda, não sabia o que fazer dela. Estava longe da bajulação que tinha na Argentina, mas ainda controlada a cabresto pela mãe, e no coração dum continente onde se levantava uma pedra e, debaixo dela, saíam enxames de pianistas promissores. A saída mais óbvia eram as láureas em concursos de piano, e ela conseguiu duas em menos de um mês, em 1957: no Concurso Internacional Busoni em Bolzano (Itália), e no Concurso Internacional de Genebra (Suíça), o qual Gulda também vencera com 16 anos.

Enquanto botava as manguinhas de fora para morar sozinha, Martha excursionava extensamente pelo continente e, antes dos vinte anos, fez sua estreia discográfica oficial pela prestigiosa Deutsche Grammophon, ostentando na capa os cabelos cacheados e o olhar tristonho típicos daquela década. A relação da promissora jovem com seu instrumento, enfim, sempre tivera profundas rachaduras e muito poucas alegrias. Num dos trechos mais tocantes do documentário assinado por sua filha, Stéphanie, Martha está a olhar álbuns da infância e estimar sua idade nas fotos pela presença do sorriso – sinal de que o piano ainda não entrara em sua vida.

Esse difícil período de transição entre ex-criança prodígio e superestrela do teclado é admiravelmente coberto por esta caixa da Hänssler, que mostra que nossa Rainha era uma artista consumada antes de completar 20 anos. Em diversas gravações ao vivo de qualidade variável, além da supracitada gravação de estreia em estúdio, são óbvias as qualidades que até hoje, mais de sessenta anos depois, nos deixam boquiabertos. Entre várias interpretações de Mozart, um compositor a que voltaria relativamente pouco em sua carreira, e o primeiro de seus sete registros do concerto de Ravel, que é de seus cavalos de batalha favoritos, o curioso destaque – e a prova principal de que Martha estava disponível para todas empreitadas – é o registro de dois recitais em Leningrado (atual São Petersburgo), no qual ela acompanhava o já famoso violinista Ruggiero Ricci, vinte anos mais velho, e que permaneceu seu amigo por toda vida.


Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Concerto em Sol maior para piano e orquestra, M. 83
1 – Allegramente
2 – Allegro assai
3 – Presto
Südwestfunk-Sinfonieorchester Baden-Baden
Ernest Bour, regência
Gravação de 1960

Gaspard de la Nuit, três poemas para piano após Aloysius Bertrand, M. 55
4 – Ondine
5 – Le Gibet
6 – Scarbo
Gravação de 1960

Sonatina para piano em Fá sustenido menor, M. 40
7 – Modéré
8 – Mouvement de Menuet
9 – Animé
Gravação de 1960

Jeux d’eau, para piano, M. 30
10 – Très doux
Gravação de 1960

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonatina para violino e piano, Sz. 55, BB 102a (arranjo de A. Gertler)
11 – Cornemuses. Allegretto
12 – Danse De L’ours. Moderato
13 –  Finale: Allegro Vivace
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

Pablo Martín Melitón de SARASATE y Navascués (1844-1908)
Introdução e tarantela para violino e piano, Op. 43
14 – Moderato
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Concerto para piano e orquestra no. 21 em Dó maior, K. 467
1 -Allegro maestoso
2 – Andante
3 –  Allegro vivace assai
Kölner Rundfunk-Sinfonieorchester
Peter Maag, regência
Gravado em 1960

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Das Três sonatas para piano, Op. 10: 
No. 3 em Ré maior
4 – Presto
5 – Largo e Mesto
6 – Menuetto. Allegro
7 – Rondo. Allegro
Gravado em 1960

Das Três sonatas para violino e piano, Op. 12:
No. 3 em Mi bemol maior
8 – Allegro con spirito
9 – Adagio con molt’espressione
10 – Rondo. Allegro molto
Ruggiero Ricci, violino
Gravado em 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART
Sonata para piano no. 8 em Lá menor, K. 310
1 – Allegro maestoso
2 – Andante cantabile con espressione
3 – Presto

Sonata para piano no. 13 em Si bemol maior, K. 333
4 – Allegro
5 – Andante cantabile
6 – Allegretto grazioso

Sonata para piano no. 18 em Ré maior, K. 576
7 – Allegro
8 –  Andante cantabile
9 – Allegretto grazioso
Gravadas em 1960

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Toccata em Dó maior para piano, Op. 7
10 – Allegro
Gravadas em 1960

Johannes BRAHMS (1833-1897)
Duas rapsódias para piano, Op. 79
11 – Agitato, em Si menor
12 – Molto passionato, ma non troppo allegro, em Sol menor
Gravadas em 1961

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Franz LISZT (1811-1886)
1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada em 1961

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)
2 – Barcarola em Fá sustenido maior para piano, Op. 60
3 – Scherzo para piano no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39
4 – Balada para piano no. 4 em Fá menor, Op. 52
Gravadas em 1960-61

Dos Doze estudos para piano, Op. 10
5 – No. 1 em Dó maior
Gravado em 1955 em Buenos Aires

Sergey Sergeyevich PROKOFIEV (1891-1953)
6 – Toccata para piano, Op. 11
7 – Sonata para piano no. 3 em Lá menor, Op, 28
Gravadas em 1961

Franz LISZT
8 1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada ao vivo em 1957, durante o Concurso Internacional de Genebra

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Unsere Königin spricht Deutsch

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin • Listz • Ravel

Peças para Piano

Benjamin Grosvenor

 

Este disco é uma pérola para os amantes da boa música para piano! É o disco de estreia de Benjamin Grosvenor no selo DECCA em 2011, já faz meia eternidade, quando a data é vista sob a perspectiva de hoje. O então bem jovem pianista de 19 anos reuniu no disco os Scherzos de Chopin e Gaspard de la nuit, de Ravel, peças que constavam constantemente de seus recitais. Ele explica que as peças de Liszt servem como uma ponte entre esses dois compositores e não por acaso. O livreto tem um texto com título ‘From Chopin via Liszt to Ravel’.

O conjunto todo reúne uma coleção de peças produzidas por compositores-pianistas, Chopin e Liszt, além de Ravel, cuja composição excedia sua própria técnica de piano.

O disco inicia com o Scherzo No. 1 de Chopin com sua impetuosidade e passando pelo episódio mais sonhador – afinal, Chopin era um renomado romântico.

Em lugar de seguir apresentando os outros Scherzos, em ordem de publicação, assim como fazia nos recitais, para nos dar uma oportunidade de apreciar ainda mais as diferenças existentes entre um e outro, Grosvenor os intermedia com outras obras, três Noturnos.

O libreto nos ensina que Chopin foi o primeiro compositor a considerar um scherzo como uma peça independente, destacada de uma sonata ou sinfonia.

Depois disso, funcionando como o intermezzo, fazendo uma ponte para a grande peça final, três lindas peças de Liszt: duas transcrições para piano de canções de Chopin e um Noturno, de nome ‘En rêve’. Afinal, Chopin não foi o único nem o primeiro a compor noturnos.

Para arrematar, o Gaspard de la nuit, três poemas para piano segundo poemas de Aloysius Bertrand. Esta peça de Ravel destaca-se como uma das mais difíceis da literatura para piano e foi composta também com este propósito. Uma espécie de suíte, consta de três movimentos, de nomes Ondine, Le Gibet e Scarbo. Da literatura onde buscou a inspiração, Ravel traz um clima noturno, fantasmagórico, presente mesmo no nome. Ondine é uma ninfa que representa o perigo da atração da sereia, enquanto Le Gibet ressoa um sino que dobra ao longe enquanto se avista no horizonte o corpo de um enforcado sob a luz do por do Sol. Ravel se propôs o desafio de superar com Scarbo o já formidável virtuosismo do Islamey de Balakirev, que ocupava a posição de peça mais difícil da literatura para piano. Certas passagens, com um ritmo fascinante, em particular as repetidas notas em staccato, evocam claramente o piano de Liszt, em particular a Valsa-Mefisto, tendo Ravel pretendido, com esta partitura, “exorcizar o romantismo”, segundo a sua própria expressão.

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

  1. Scherzo No. 1 em si menor, Op. 20
  2. Noturno No. 5 em fá sustenido maior, Op. 15 No. 2
  3. Scherzo No. 4 em mi maior, Op. 54
  4. Noturno No. 19 em mi menor, Op. 72 No. 1
  5. Scherzo No. 3 em dó sustenido menor, Op. 39
  6. Noturno No. 20 em dó sustenido menor, Op. post.
  7. Scherzo No. 2 em si bemol menor, Op. 31

Franz Liszt (1811 – 1886)

Transcrição para Piano de Duas Canções de Chopin

  1. Moja pieszczotka (Minha Querida)
  2. Życzenie (O Desejo da Donzela)

Noturno

  1. ‘En rêve’, S207

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Gaspard de la Nuit

  1. Ondine
  2. Le gibet
  3. Scarbo

Benjamin Grosvenor, piano

Gravado no Lyndhurst Hall, Londres, em 26 de abril de 2011

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FLAC | 237 MB

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MP3 | 320 KBPS | 180 MB

Benjamin experimentando o grand piano do Salão de Retratos do PQP Bach Hall de Itaperuna

Ravel’s Gaspard holds no terrors for him. He is at his fluid best in Ondine. Others have created a darker atmosphere in Le Gibet (Pogorelich) and provided more attack in Scarbo (Berezovsky). This is to judge Grosvenor by the highest standards, as his brilliant pianism demands.

Phillip Scott

One of the most individual things about this stunning debut by Benjamin Grosvenor is his pervasive sense of balance and his unerring blend of Classical restraint and Romantic ardour…He is a virtuoso who declines the mantle of virtuoso, every gestures being put exclusively and exhilaratingly at the service of the music. Grosvenor’s playing exudes joy and spontaneity, seeming to release rather than interpret the music.

BBC Music Magazine, outubro de 2011

Aproveite!

René Denon

PS: Se você gostou deste álbum, não deixe de visitar…

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

Fauré / Debussy / Ravel / Poulenc / Stravinsky: Música Francesa para Duo de Piano – Paul Lewis · Steven Osborne ֍

Fauré / Debussy / Ravel / Poulenc / Stravinsky: Música Francesa para Duo de Piano – Paul Lewis · Steven Osborne ֍

Fauré · Debussy

Ravel · Poulenc

Stravinsky

Paul Lewis · Steven Osborne

 

Buscar inspiração no mundo do ‘Era uma vez…’ – no universo infantil – é um recurso usado por compositores do mundo todo. Isto também aconteceu com os compositores franceses da virada do século XIX para o século XX, como podemos ver nas duas suítes para piano a quatro mãos que abrem e fecham o programa deste maravilhoso disco.

Eu, que aprecio bastante estes dois ótimos pianistas, Paul Lewis e Steven Osborne, e como gosto muito deste repertório, tratei logo de ouvir e de postar este disco assim que me dei com ele. Inclusive, passei-o à frente de outros projetos. Afinal, nada como uma boa novidade para animar a gente.

Gabriel Fauré teve em 1892 um caso com Emma Bardac, cuja filha de tão pequenina tinha o apelido Dolly. Foi para ela que Fauré compôs cinco das seis peças desta Suíte Dolly, ao longo de alguns anos, acrescentando a primeira delas, a Berceuse, que já estava na gaveta esperando uma boa oportunidade. Essa música de salão é muito bela e agradável, mas demanda bastante trabalho dos intérpretes. Veja como o último movimento, Le pas espagnol, é de tirar o fôlego.

A peça a seguir é uma curta mas intensa Sonata para Piano, a quatro mãos, escrita por Poulenc ainda aos 19 anos e sob boa influência de Satie. O livreto fala em pureza, equilíbrio e reserva. Eu penso em intensidade e ritmos marcados.

Após esta breve sonata entramos em um universo sonoro diferente, com as Seis Epígrafes Antigas, de Debussy. Estas peças são arranjos feitos em 1914, para piano duo, de um material composto originalmente para duas flautas, duas harpas e celesta, por volta de 1900, para acompanhar um espetáculo de mímica e declamação de poemas – Les chansons de Bilittis. Claude fez estes arranjos com um olho no mercado para música para piano a quatro mão e outro na despensa, que já andava meio vazia.

Depois disso, a adorável Petit Suíte, também de Debussy, mas esta peça composta em 1888, 1889. Música de salão no melhor sentido da palavra – um pouco de superficialidade, nada de longos movimentos, ritmos simples e melodias memoráveis. Depois de ouvir ‘Em bateau’ uma só vez você reconhecerá a peça cada vez que voltar a ouvi-la. Claude estreou a suíte ao lado de Jacques Durand, que seria seu editor. Pois no último movimento, Claude ficou tão animado que deixou o pobre Durand arfando.

Na sequência Três Peças de Stravinsky, que era russo, mas estava emprestado na França, em 1914, às voltas com o espetacular insucesso da Sagração. A composição destas peças certamente foram uma boa maneira de retomar o fôlego assim como os seus poderes criativos.

E para completar este lindo disco, a Suíte Ma mère l’oye, de Maurice Ravel. Falar o que? Perfeição! Já ouvi muitas gravações desta suíte e gosto praticamente de todas (I’m easy to please), mas esta, senhores, está maravilhosa. Vejam lá o quão feérico é este jardim!

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Suíte Dolly, Op. 56

  1. Berceuse
  2. Mi-a-ou
  3. Le jardin de Dolly
  4. Kitty-valse
  5. Tendresse
  6. Le pas espagnol

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Sonata para piano a quatro mãos

  1. Prélude
  2. Rustique
  3. Final

Claude Debussy (1862 – 1918)

6 Epigraphes antiques

  1. Pour invoquer Pan, dieu du vent d’été
  2. Pour un tombeau sans nom
  3. Pour que la nuit soit propice
  4. Pour la danseuse aux crotales
  5. Pour l’égyptienne
  6. Pour remercier la pluie au matin

Petite Suite

  1. En bateau
  2. Cortège
  3. Menuet
  4. Ballet

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Três Peças Fáceis para Piano Duo

  1. March
  2. Waltz
  3. Polka

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Ma mère l’oye

  1. Pavane de la belle au bois dormant
  2. Petit poucet
  3. Laideronnette, impératrice des pagodes
  4. Les entretiens de la belle et de la bête
  5. Le jardin féerique

Steven Osborne & Paul Lewis, piano

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Steven & Paul

Fresh-faced charm pervades this astutely curated disc…Far from a marriage of convenience, Lewis and Osborne are long-standing duo partners, complementing each other perfectly in lightly-worn… 

— BBC Music

This offers not only the perfect escape from our current locked-down state but also the most sublime example of peerless pianism.

Gramophone Magazine, April 2021 – Recording of the Month

Aproveite!

René Denon

Se você gostou desta postagem, pode também visitar esta aqui:

Música Francesa para Piano a Quatro Mãos – Marylène Dosse e Annie Petit

O Mestre Esquecido, capítulo XIII (Grieg: – Sonata no. 3 para Violino e Piano – Ravel: Habanera – Sonata para Violino e Piano – Wanda Wiłkomirska e Antonio Guedes Barbosa)

Esse disco ficou por último porque foi, a princípio, o mais difícil de conseguir: o LP que consegui por vias convolutas tinha o lado de Ravel em boas condições, e o de Grieg praticamente talhado de borda ao centro. Consegui, depois, o que faltava numa cópia de fita cassete (que era isso, djóvens) sofrivelmente audível. Ao retomar as publicações, mandaram-me uma ripagem em 192 Kbps e eu estava achando tudo muito bom, até que outro leitor-ouvinte me mandasse primeiramente uma digitalização impecável de um LP, depois uma cópia dum CD japonês, e, por fim, o próprio CD – uma gentileza inacreditável, pela qual publicamente agradeço o benfeitor que preferiu manter-se anônimo.

A espera valeu a pena. Antonio e Wanda entendem-se muito bem na bonita sonata de Grieg, talvez a melhor de suas peças de câmara, numa leitura que equilibra os muitos frêmitos apaixonados sob o lirismo tão típico do autor. Do outro lado do LP, um mundo completamente diferente: Ravel, o século XX, e o fascínio do pireneu tanto pela música da Espanha quanto por aquela que ebulia no caldeirão cultural dos Estados Unidos. A primeira é representada por uma interpretação etérea da Habanera, que Wilkomirska faz cantar mui expressivamente, e a segunda, pela sonata sui generis,  embriagada de jazz e blues. Ravel insistia que piano e violino eram tão incongruentes quanto seus mecanismos e técnicas, e seu desafio de combiná-los, que culminou na sensacional Tzigane, passou por essa curiosa sonata em que os instrumentos parecem autônomos, mesmo imiscíveis. Os músicos, cientes dessa estranheza, fingem dar as costas um para o outro, capricham no colorido de seus solilóquios e levam a sonata – e sua própria parceria musical – a um epílogo muito assertivo.

Edvard Hagerup GRIEG (1843-1907)

Sonata para violino e piano no. 3 em Dó menor, Op. 45
1 – Allegro molto ed appassionato
2 – Allegretto espressivo alla romanza
3 – Allegro animato

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Vocalise-étude en forme de habanera (arranjo para violino e piano)
4 – Presque lent et avec indolence

Sonata para violino e piano
5 – Allegretto
6 – Moderato (Blues)
7 – Allegro (perpetuum mobile)

Wanda Wiłkomirska, violino
Antonio Guedes Barbosa, piano

LP da Connoisseur Society, lançado em 1971 nos Estados Unidos:
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CD da Connoisseur Society, lançado em 1986:
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Nenhum deles – como já devem ter adivinhado – teve qualquer lançamento no Brasil


Gravação ao vivo de Antonio solando o Concerto para piano e orquestra de Ronaldo Miranda (1948), acompanhado pela Orquestra Sinfônica Brasileira regida por Miltíades Carides, em 19/6/1985 – mais uma das preciosidades da cornucópia do Instituto Piano Brasileiro, diariamente abastecida por Alexandre Dias, seu incansável diretor, cujo trabalho eu fortemente recomendo conhecer e, acima de tudo, apoiar.

Vassily

Debussy / Poulenc / Ravel / Françaix: Concertos para Piano de Compositores Franceses – Florian Uhlig, piano ֎

Debussy / Poulenc / Ravel / Françaix: Concertos para Piano de Compositores Franceses – Florian Uhlig, piano ֎

Debussy • Poulenc

Ravel • Françaix

Florian Uhlig, piano

Deutsche Radio Philharmonie

Saarbrücken Kaiserlautern

Pablo González

 

O carro com rodas largas e cheio de adesivos passou quase raspando junto ao guardrail e seguiu rosnando noite adentro – uma cena de filme de Steve McQueen… Esta é a imagem que me surge quando é mencionado a cidade de Le Mans – fundada por gauleses e cercada por romanos. Além das 24 Horas de Le Mans, a cidade tem uma bela catedral e um conservatório de música. O diretor era um Monsieur Françaix, casado com uma soprano. Como a semente não cai longe da árvore, Jean Françaix seguiu também na música, não antes de ser incentivado por ninguém menos do que Maurice Ravel, que elogiou sobretudo a curiosidade do garoto.

Nadia e Jean

Jean Françaix estudou piano com Isidor Philipp e composição com Nadia Boulanger no Conservatório de Paris. Seu Concertino para Piano é a pequena joia deste disco e foi seu primeiro sucesso. A estreia teve o compositor como solista acompanhado pela grande Berliner Philharmoniker. É uma lindeza de música, típica de Jean Françaix, cuja música foi caracterizada como gentil, urbana, fresca e envolvente em um outro libreto.

Este é um dos ‘concertos’ deste disco que tem selo alemão, repertório francês, orquestra e solista alemães e regente espanhol! São quatro compositores, cada um com uma peça. Os Concertos de Ravel e de Poulenc são bem conhecidos e excelentes. Um pouco diferente dos concertos outros, os franceses são mais leves, menos heroicos e com coloridos orquestrais múltiplos e intensos.

Catedral de Le Mans

A peça de Debussy é uma Fantasia para Piano e Orquestra com três movimentos, mas concebida como uma estrutura cíclica. Claude, que foi ótimo compositor de música orquestral e música para piano, deixou apenas esta peça com ‘cara’ de concerto. A obra é 1889-90 e fora enviada para a Académie des Beaux-Arts como parte das obrigações do ganhador do Prix de Rome. Ela teve sua estreia programada para um concerto da Société Nationale de Musique sob a regência de Vincent d’Indy. Como o programa era extenso, Vincent decidiu apresentar apenas um dos movimentos. O temperamental Claude arrebatou as partes orquestrais da obra e saiu batendo as portas. É claro que posteriormente escreveu uma carta ao Vincent desculpando-se, mas assim a peça ficou na gaveta por toda a vida do compositor.

Claude Debussy (1862 – 1918)

Fantasia para Piano e Orquestra

  1. I. Andante ma non troppo
  2. II. Lento e molto espressivo & III. Allegro molto

Jean Françaix (1912 – 1997)

Concertino para Piano e Orquestra em fá maior

  1. Presto leggiero
  2. Lent
  3. Allegretto
  4. Rondeau: Allegretto vivo

 

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Concerto para Piano e Orquestra

  1. Allegretto
  2. Andante con moto
  3. Rondo a la francaise (Presto Giocoso)

Maurice Ravel (1875 – 1935)

Concerto para Piano e Orquestra em sol maior

  1. Allegramente
  2. Adagio assai
  3. Presto

Florian Uhlig (piano)

Deutsche Radio Philharmonie Saarbrücken Kaiserslautern

Pablo González

Gravação: 9 de fevereiro de 2012

Local da Gravação: SWR Studio Kaiserslautern, Emmerich-Smola-Saal, Alemanha

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FLAC | 284 MB

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MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Florian extasiado com o luxo do Salão Turquesa da sede de campo da PQP Bach Corp. em Vitória

Eu tenho ouvido o disco com frequência, adoro este tipo de música. Assim, reunindo todas estas peças, montei esta postagem que, espero, você goste. Se ouvir o Concertino (que seja) uma vez, já me darei por satisfeito. Mas olha lá que o Concerto de Poulenc é também supimpa e tem também o do Ravel… Bom, deixo com você.

Aproveite!

René Denon

BBC Music Magazine – August 2013

Debussy’s unjustly-dismissed Fantasie and Francaix’s pithy Concertino are the highlights of this programme, superbly interpreted by Florian Uhlig.

Gramophone – August 2013

What an enticing programme this is…Uhlig proves a compelling advocate and the winds of the accompanying orchestra seem to gain in confidence as the work progresses…The über-compact Françaix Concertino is perhaps the highlight here, Uhlig and the orchestra vibrantly capturing the work’s myriad moods, culminating in a rip-roaring finale.

Les sons et les parfums: Música Francesa para Piano – Janina Fialkowska ֎

Les sons et les parfums: Música Francesa para Piano – Janina Fialkowska ֎

Tailleferre | Fauré | Poulenc

Chabrier | Debussy | Ravel

Peças para Piano

Janina Fialkowska

 

Depois de 13 dias caminhando todas as tardes por mais do que uma hora, meu joelho direito definitivamente zangou-se. Amanheceu com cara de poucos amigos e rangeu alto – botou-me de molho. Eu conheço a peça, reconheci o abuso e o tratei da melhor forma que pude – gelo e diclofenaco dietilamônio em gel. E pernas para o ar, que essa é a melhor das medicinas nestes casos. Dois dias de inatividade melhoraram o humor de meu parceiro joelho e assim consegui uns tantos minutos de pedaladas, espero que isso não me incorra em algum pedido de impedimento. Ao voltar para casa, depois do ritual de assepsia com álcool gel, água sanitária, que meu saudoso pai chamava quiboa, nos sapatos e tudo o mais. Atirei-me ao sofá e pus-me a escolher algum disquinho para embalar o fim da tarde, que a brisa vinda pela porta da varanda fica brincando com as cortinas e tudo fica muito propício. A patroa andava entretida em uma aula no zoom e eu não quis abusar da sorte – tratei de pegar qualquer coisa que já estava no pendrive espetado no sistema e dei com este disco de sugestivo nome ‘Les sons et les parfums’.

As primeiras notas do Noturno chegaram com uma lufadinha de brisa que veio da varanda para o sofá e tudo conjurou para que eu gostasse muito do disco, que foi ficando cada vez melhor.

Uma mistura de peças mais conhecidas, entremeadas por outras menos famosas, mas não menos charmosas.

Um crítico mencionou que já ouviu interpretações mais sutis dessas peças e eu acredito. A Janina tem uma certa objetividade, uma clareza na interpretação, que me soa mais como virtude do que falta. Assim, decidi compartilhar tudo com vocês.

Fialkowska nasceu no Canadá, onde começou seus estudos, mas foi a Paris, onde estudou com Yvonne Lefébure e passou também por Nova York, onde estudou com Sacha Gorodnitzki, na Juilliard School. Em 1974 ganhou um importante prêmio e com isso ganhou a atenção de Arthur Rubisnstein, que se tornou assim uma espécie de mentor e ela passou a ser identificada como intérprete de Chopin.

Neste disco os compositores mais conhecidos são Debussy e Ravel, cujas peças dominam a segunda parte. Isso é bom, mas as quatro primeiras delas, de Germaine Tailleferre, Gabriel Fauré, Francis Poulenc e Emmanuel Chabrier, são belíssimas. A Habanera, de Chabirer, que evoca a música espanhola, apesar do nome, está tocando agora… Portanto, não demore nem mais um pouco e vá logo baixando o arquivo.

Germaine Tailleferre (1892 – 1983)

  1. Impromptu

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

  1. Noturno No. 4 em mi bemol maior, Op. 36

Francis Poulenc (1899 – 1963)

  1. Intermezzo em lá bemol maior, FP118

Emmanuel Chabrier (1841 – 1894)

  1. Habanera

Claude Debussy (1862 – 1918)

  1. Poissons d’or (de Images pour piano, livre 2, No. 3)
  2. Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir (de Préludes, livre 1)
  3. Reflets dans l’eau (de Images pour piano, livre 1, No. 1)
  4. Clair de Lune (da Suite Bergamasque)

Maurice Ravel (1875 – 1937)

  1. Jeux d’eau

Sonatine

  1. Modéré
  2. Mouvement de menuet
  3. Animé

Janina Fialkowska, piano

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FLAC | 156 MB

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MP3 | 320 KBPS | 128 MB

Cet affectueux parcours dans sa mémoire musicale évoque un portrait vibrant de Paris pendant la jeunesse de Mme Fialkowska, alors que « Poulenc et Tailleferre étaient encore très vivants et que les âmes de Ravel, Debussy et Fauré étaient toujours omniprésentes ».

Esta viagem afetuosa na memória musical evoca um retrato vibrante de Paris durante a juventude de Mme Fialkowska, quando “Poulenc e Tailleferre ainda estavam muito vivos e as almas de Ravel, Debussy e Fauré ainda eram onipresentes”.

Gramophone – Awards Issue 2019

This programme, selected with such care and affection, is imbued with the character, style and intelligence which are the hallmarks of Fialkowska’s playing… Fialkowska brings to bear an extraordinary variety of touch, producing sounds that seem tailored to their respective pieces…There’s simply no one quite like her.

Tailleferre was the only woman in the group of French composers, Les Six. Encouraged and inspired by her friends – including Poulenc and Ravel – she wrote many of her most important works during the 1920s, including her first Piano Concerto, the Harp Concertino, the ballets ‘Le marchand d’oiseaux’ and ‘La nouvelle Cythère’. She was composing and playing piano right up until her death at the age of 91.

Aproveite!

René Denon

PS: Se você gostou desta postagem, não deixe de visitar

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

George Gershwin – Piano Concerto in F Major / Maurice Ravel – Piano Concerto in G Major (Grimaud}

George Gershwin – Piano Concerto in F Major / Maurice Ravel – Piano Concerto in G Major (Grimaud}

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Pelas barbas do profeta, PQP …!!! Hélène Grimaud tocando Gershwin e Ravel… aqueles viciados em Martha Argerich, Pollini, ou sei lá em qual outro intérprete para estes concertos, prestem atenção nestas gravações.. e não é que a francesinha dá conta do recado como gente grande (as aparências enganam, ela já tem 40 anos de idade)? E não se deixem enganar por este lindo rosto e nem por este sorriso cativante, atrás deles se esconde uma intérprete focada e segura, e que encara estes dois excepcionais concertos com um sorriso no rosto. Mas vamos ao que importa.

George Gershwin – Piano Concerto in F Major, Maurice Ravel – Piano Concerto in G Major – Hélène Grimaud

01 – Gershwin_ Piano Concerto in F major_ I. Allegro
02 – Gershwin_ Piano Concerto in F major_ II. Adagio – Andante con moto
03 – Gershwin_ Piano Concerto in F major_ III. Allegro agitato

04 – Ravel_ Piano Concerto in G major_ I. Allegramente
05 – Ravel_ Piano Concerto in G major_ II. Allegro assai
06 – Ravel_ Piano Concerto in G major_ III. Presto

Baltimore Symphony Orchestra
David Zinman – Conductor

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Hélène (suspiro) Grimaud
Hélène (suspiro) Grimaud

FDP

Maurice Ravel (1875–1937) – Le Jardin féerique (Música de Câmara) – Emmanuel Pahud e membros da Berliner Philharmoniker ∞

Maurice Ravel (1875–1937) – Le Jardin féerique (Música de Câmara) – Emmanuel Pahud e membros da Berliner Philharmoniker ∞

Ravel

Le Jardin féerique

Música de Câmara

Músicos da

Berliner Philharmoniker

 

O universo sonoro criado por Maurice Ravel é extremamente rico, luxuoso, sofisticado. Todas as suas obras, desde as peças para piano, música de câmera ou com orquestra apresentam riqueza de detalhes e características absolutamente próprias que as tornam fáceis de serem identificadas como obras suas.

Eu não consigo ouvir ou fazer qualquer alusão a Ravel e sua obra sem lembrar de Artur da Távola, que (provavelmente) produzia e apresentava um programa sobre a vida e a obra de Ravel na Rádio MEC, que eu ouvia no Rio de Janeiro.

Emmanuel Pahud

Mas quanto ao disco da postagem, temos uma coleção de peças de música de câmera interpretadas por músicos da Berliner Philharmoniker que têm alguma ligação, um certo compromisso com a música e a sonoridade francesa, apesar de não serem todos de origem francesa. O disco também não apresenta qualquer ‘integral’ da música de câmera de Ravel, que deveria então incluir o maravilhoso Trio com Piano ou a Sonata para Violino. Mas, o que temos aqui é excelente e muito representativo da obra de Ravel.

Inclusive porque duas obras foram escritas para outra combinação de instrumentos e Ravel ele mesmo orquestrou eventualmente peças que havia escrito para piano.

Marie-Pierre Langlamet

Começamos com a belíssima Introdução e Allegro para flauta, clarinete, harpa e quarteto de cordas. É música de câmera, mas com um conjunto sonoramente muito diverso e rico. A peça parece um pequeno concerto para a harpa.

Em seguida, o quarteto de cordas da BP apresenta a sua leitura do belíssimo quarteto de cordas.

A peça que segue é um arranjo para conjunto de câmera da Sonatine (escrita originalmente para piano) feito por Carlos Salzedo para flauta, harpa e violoncelo. Nesta gravação, o violoncelo foi substituído pela viola, fazendo assim a mesma formação que a Sonata de Debussy. Belíssimo!

Wenzel Fuchs

Ravel escreveu um Duo para Violino e Violoncelo em 1922 e esta é a peça que posteriormente ganhou o status e título de Sonata e é a mais modernosa das peças aqui apresentadas. A interpretação dos músicos da BP enfatiza essa modernidade com os ataques bem pronunciados e evitando de ‘embelezar’ a peça. Um bom contraste para com as peças anteriores.

Para completar, o grupo todo se reúne para apresentar um arranjo do último movimento da Suíte ‘Ma Mère l’Oye’, Le Jardin féerique, escrita originalmente para piano a quatro mãos, mas que o próprio Ravel posteriormente ampliou e orquestrou.

Christophe Horak

Nos arquivos postados, às 13 faixas originais do disco  eu acrescentei algumas ‘faixas bônus’ para ilustrar e servir de comparação com as versões do disco.

Temos uma gravação para dois pianos da ‘Introdução e Allegro’, aqui interpretado pelos excelentes Stephen Coombs e Christopher Scott. Esta gravação mostra o poder do(s) piano(s) de recriar o universo sonoro obtido com outras combinações de instrumentos.

Simon Roturier

Escolhi a gravação do Bavouzet da Sonatine, na versão original para piano. E para a última peça do disco, de título imaginoso, Le Jardin féerique, a versão para piano a quatro mãos da simpaticíssima dupla Marylène Dosse e Annie Petit.

 

 

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Introdução e Allegro para flauta, clarinete harpa e quarteto de cordas

  1. Introdução e Allegro

Quatuor à cordes en Fa Majeur

  1. Allegro moderato – très doux
  2. Assez vif – très rythmé
  3. Très lent
  4. Vif et agité

Sonatine en Trio (flauta, harpa e viola)

  1. Modéré
  2. Mouvement de Menuet
  3. Animé

Sonate para Violono e Violoncelo

  1. Allegro
  2. Très vif
  3. Lent
  4. Vif, avec entrain

Ma mère l’Oye

  1. Le Jardin féérique, para flauta, clarinete, harpa e cordas
Ignacy Miecznikowski

Wenzel Fuchs, clarinete

Emmanuel Pahud, flauta

Marie-Pierre Langlamet, harpa

Christophe Horak, violino

Simon Roturier, violino

Ignacy Miecznikowski, viola

Bruno Delepaire, violoncelo

Faixas Bônus

Introdução e Allegro para flauta, clarinete harpa e quarteto de cordas

  1. Introdução e Allegro

Stephen Coombs e Christopher Scott, pianos

Sonatine (para piano)

  1. Modéré
  2. Mouvement de Menuet
  3. Animé

Jean-Efflam Bavouzet, piano

Ma mère l’Oye

  1. Le Jardin féérique

Marylène Dosse e Annie Petit, piano (a quatro mãos)

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FLAC | 191 MB

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MP3 | 320 KBPS | 179 MB

 

Bruno Delepaire

Aproveite!

René Denon

Emil Nolde – Blumengarten 1908

Veja aqui o disco completo da dupla Marylène Dosse e Annie Petit:

Música Francesa para Piano a Quatro Mãos – Marylène Dosse e Annie Petit

Ravel (1875 – 1937) – Rapsodie espagnole · ∾ · Debussy (1862 – 1918) – La Mer · ∾ · London Symphony Orchestra & François-Xavier Roth ֍

Ravel (1875 – 1937) – Rapsodie espagnole · ∾ · Debussy (1862 – 1918) – La Mer · ∾ · London Symphony Orchestra & François-Xavier Roth ֍

Ravel

Rapsodie espagnole

Debussy

Prélude à l’après-midi d’um faune & La mer

LSO

François-Xavier Roth

Esta postagem traz um disco que segue uma tradição – um disco no qual uma grande orquestra inglesa interpreta um repertório de música francesa, regida por um maestro francês. E que disco! A música não poderia ser mais bonita, a orquestração é um verdadeiro luxo. E tudo realizado com maestria e competência. O melhor de dois mundos, disco gravado ao vivo, que acrescenta a energia e excitação da ocasião, mas com técnica para evitar ruídos estranhos.

O maestro François-Xavier Roth é o Diretor Musical Geral em Colônia desde 2015 e assim dirige a Gürzenich Orchestra e a Ópera. É o Principal Regente Convidado da London Symphony Orchestra e é Artista Associado (o primeiro a assumir tal posição) da Philharmonie de Paris. O sujeito está em plena atividade!

A Rapsódia Espanhola inicia o disco de maneira gentil, fazendo que prestemos bastante atenção e depois nos vai revelando os sons que aludem ao mundo Ibérico. A orquestra tem grandes oportunidades de exibir sua técnica, brilhando nos pequenos detalhes e exibindo seu potencial sonoro que aqui é enorme.

Funcionando como um interlúdio temos o Prélude à l’après-midi d’um faune de Debussy, destilando toda a sensualidade que uma orquestra de senhores e senhoras ingleses pode produzir sob o comando de um maestro francês.

Para completar, a grande peça orquestral de Debussy – La mer.

Mas esta postagem, além de divulgar tão linda música, tem a intensão de propor uma comparação entre diferentes formatos de arquivos musicais.

PQP Bach goes techno!

Provavelmente você já sabe a diferença entre mp3 e flac. Aqui está um resumo:

De certa forma, se o MP3 é semelhante a imagem em JPG (que têm compressão com perda de qualidade), um arquivo FLAC (Free Lossless Audio Codec) é mais parecido com uma imagem em PNG. Isso porque os arquivos FLAC também passam por compressão, mas sem que isso implique em perda de qualquer parte da informação original. As palavras LOSSY e LOSSLESS são usadas para reforçar a diferença.

A escolha entre um formato e outro deve levar em conta o fato de que a perda é pequena e para que possa ser notada é necessário um sistema de som adequado, sem contar com os ouvidos treinados e sensíveis do ouvinte. Estou aqui considerando mp3 de 320kbps, pois há outras versões nas quais a perda da qualidade é mais acentuada. O tamanho dos arquivos também é um fator a ser levado em conta.

Agora, entrando na arena, temos o flac-[Hi Re]. Enquanto os arquivos flac tem a qualidade de um CD, um arquivo flac de alta resolução seria o equivalente ao Master-Tape, a gravação de estúdio. Ou seja, oferecem mais qualidade ainda do que a de um CD. Estes arquivos são bem maiores do que os equivalentes arquivos mp3 e flac. Em um CD a amostra de música é feita em16 bit 44.1kHz. No caso da High Resolution Audio normalmente as amostras serão de 24bit 88.2kHz, 96kHz, 176.4kHz ou 192kHz.

Qual formato você escolheria? É preciso levar em conta a sua capacidade de armazenar (memória), a qualidade dos equipamentos disponíveis para a reprodução, a ocasião e as condições nas quais os arquivos serão ouvidos. Assim, espero que ao disponibilizar esse belo disco nestes três diferentes formatos possa contribuir para sua reflexão sobre o assunto. Depois me conte se essa provocação foi de alguma utilidade para você.

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Rapsodie Espagnole

  1. Prélude à la nuit
  2. Malagueña
  3. Habanera
  4. Feria

Claude Debussy (1862 – 1917)

Prélude à l’après-midi d’un faune

  1. Prèlude

La Mer

  1. De l’aube à midi sur la mer
  2. Jeux de vagues
  3. Dialogue du vent et de la mer

London Symphony Orchestra

François-Xavier Roth

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FLAC – 24bit-96kHz | 801 MB

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FLAC | 166 MB

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MP3 | 320 KBPS | 113 MB

Veja parte da crítica que você poderá ler na íntegra aqui: Although placed second, Debussy’s Faun makes for an ideal listening Prelude […] – sultry, fluid and ravishing from François-Xavier Roth, featuring numerous stellar LSO solos, not least a bewitching flute aperitif from Gareth Davies, and glorious strings. […] For the record Roth eschews the ad lib brass fanfares in La mer’s final movement and the recorded sound is superb in its clarity and presence.

Eu repito: Superb!

Aproveite!

René Denon

Certo, Professor F-X?

 

Se você gostou da música desta postagem, poderá se interessar por estas aqui:

Debussy (1862-1918): La Mer – Prélude à l’aprés-midi d’un faune – Images – Orchestre National de France & Daniele Gatti

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Sarasate / Vaughan Williams / Saint-Saëns / Massenet / Ravel / Pärt / Rachmaninov / Fauré: Fantasie (Nicola Benedetti)

Sarasate / Vaughan Williams / Saint-Saëns / Massenet / Ravel / Pärt / Rachmaninov / Fauré: Fantasie (Nicola Benedetti)

Um excelente disco de Nicola Benedetti, que, apesar do nome, é escocesa. Neste Fantasie, seu quarto álbum, ela apresenta uma seleção de peças para violino que são muito amadas e que formam uma impressionante demonstração de qualidade interpretativa. A combinação de peças virtuosísticas de influência cigana com meditações e canções introspectivas funcionou maravilhosamente e mostram a maturidade de Benedetti. Ela foi vencedora do concurso de jovens músicos da BBC e depois estabeleceu uma carreira fantástica com grandes orquestras do Reino Unido, EUA e Japão, recebendo elogios por suas ousadas interpretações de concertos como os de Tchaikovsky, Mendelssohn, Sibelius, Glazunov e Szymanowski. Para Fantasie, Benedetti deixou de lado os grandes concertos para explorar algumas obras do recital padrão, mas também incluindo músicas não tão conhecidas, como a linda The Lark Ascending, de Vaughan Williams, uma das maiores obras para violino que, nos últimos três anos, foi eleita a peça favorita de música clássica da inglesa Classic FM, mas ainda pouco divulgada fora das ilhas.

Sarasate / Vaughan Williams / Saint-Saëns / Massenet / Ravel / Pärt / Rachmaninov / Fauré: Fantasie (Nicola Benedetti)

1 Zigeunerweisen Op.20
Composed By – Pablo de Sarasate
Conductor – Vasily Petrenko
Leader – James Clark (6)
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
8:59

2 The Lark Ascending
Composed By – Ralph Vaughan Williams
Conductor – Andrew Litton
Leader – Vesselin Gellev
Orchestra – The London Philharmonic Orchestra
15:57

3 Introduction And Rondo Capriccioso In A Minor
Composed By – Camille Saint-Saëns
Conductor – Vasily Petrenko
Leader – James Clark (6)
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
9:19

4 Meditation From “Thais”
Composed By – Jules Massenet
Conductor – Daniel Harding
Leader – Carmine Lauri
Orchestra – The London Symphony Orchestra
5:39

5 Tzigane
Composed By – Maurice Ravel
Conductor – Vasily Petrenko
Leader – James Clark (6)
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
10:02

6 Spiegel Im Spiegel
Composed By – Arvo Pärt
Piano – Alexei Grynyuk

7 Vocalise Opus 34 No.14
Composed By – Sergey Rachmaninov*
Piano – Alexei Grynyuk
6:11

8 Apres Une Reve
Composed By – Gabriel Fauré
Piano – Alexei Grynyuk

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Se eu tocasse como Nicola, sorriria assim

PQP

In memoriam Leon Fleisher (1928-2020): Maurice Ravel (1875-1937) – Concerto para piano e orquestra em Ré maior – Sergei Prokofiev (1891-1953) – Concerto para piano e orquestra no. 4, Op. 53 – Benjamin Britten (1913-1976): Diversions

Quando aqueles dedos da mão direita começaram a curvar-se teimosamente, Leon Fleisher, então com trinta e poucos anos e a requisitada agenda cheia para talvez mais trinta, não imaginava que eles lhe davam os primeiros sinais de um então inominado problema que, eventualmente, o faria perder completamente o controle dos movimentos da mão direita.

Após submeter-se sem sucesso a diversos tratamentos experimentais – muitos deles com o grande pianista e tremendo amigo Gary Graffman, sobre cuja mão direita também recaiu a mesma desgraça -, Fleisher não se deu por vencido e, sem abandonar a busca por uma cura, passou a explorar o repertório escrito para a mão esquerda dos pianistas, gravando-o e levando-o em turnês pelo planeta.


O compositor William Bolcom homenageou Graffman e Fleisher, amigos e companheiros de infortúnio, compondo um concerto para dois pianos tocados com a mão esquerda, cuja estreia mundial corresponde à gravação do vídeo acima

A maior parte desse significativo repertório deve-se a um só homem: o pianista vienense Paul Wittgenstein, que perdera o braço direito em combate na Primeira Guerra Mundial e, admiravelmente, retomou sua carreira artística após o armistício. Obstinado e, não menos importante, muito endinheirado, fez três ciclos de encomendas a compositores renomados para que lhe criassem obras executáveis somente com a mão esquerda. O primeiro ciclo, nos anos 20, viu surgirem obras de Erich Wolfgang Korngold, Richard Strauss, Bohuslav Martinů  e Franz Schmidt. O segundo, nos anos 30, incluiu Maurice Ravel e Sergei Prokofiev. Por fim, entre 1940-45, depois de fugir do Nazismo e radicar-se nos Estados Unidos, Wittgenstein solicitou obras aos ingleses Benjamin Britten e Norman Demuth.

O pianista pagava bem e exigia muito, de modo que as estreias das obras e os direitos de longa data sobre sua execução ficavam, contratualmente, sob sua responsabilidade. Ademais, contrariando o “pagando bem, que mal tem?” com que certamente aquela grana toda sorria naqueles bicudos tempos de guerra na Europa, os compositores não ganharam muitos mimos de Wittgenstein. O concerto de Prokofiev – que ouvirão a seguir – foi devolvido com um agradecimento e a ressalva de que o dedicatário não entendera “uma só nota dele” e que, enquanto a iluminação não viesse, ele não o tocaria. O concertino de Martinů foi também devolvido, o que foi sorte melhor que a Klaviermusik de Paul Hindemith, que Wittgenstein estudou e, sem entender tchongas, escondeu tão bem entre seus papeis que a peça só foi encontrada depois da morte de sua esposa, em 2001. Três anos depois de redescoberta, e oitenta anos após sua composição, a Klaviermusik foi pela primeira vez ouvida em público, estreada por nosso homenageado, Leon Fleisher, em 2004.

Entre toda a, chamemo-la assim, “Wittgensteiniana” para a mão esquerda, o concerto de Ravel é certamente a obra mais célebre. Concebido em um só movimento com seções contrastantes, e iniciando com um sensacional solo de contrafagote, ele distingue-se pela intrincada escritura pianística que emula, com muito sucesso, a impressão dum pianista a tocar com dez dedos. Consta que, ao ouvi-lo tocado pelo dedicatário, Ravel enfureceu-se com alterações arbitrárias que este fizera na orquestração e, pior ainda, com vários cortes, e nunca mais falou com Wittgenstein. Este, pelo jeito um homem de poucas papas na língua, também levou uma carga de azia para o normalmente pacífico Benjamin Britten, que não levou tanta fé em suas “Diversions” quanto deveria e, talvez contaminado pela pentelhância do pianista, acabou por não promover sua obra mesmo depois da morte do encomendante. É uma pena, porque é uma composição muito bem trabalhada que, assim como o concerto de Prokofiev, não busca imitar o efeito de duas mãos a tocarem, e sim explorar o teclado como um novo meio.

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Concerto para piano e orquestra em Ré maior, para a mão esquerda

1 – Lento – Andante – Allegro – Tempo 1˚

Sergey Sergeyevich PROKOFIEV (1891-1953)

Concerto para piano e orquestra no. 4 em Si bemol maior, Op. 53, para a mão esquerda

2 – Vivace
3 – Andante
4 – Moderato
5 – Vivace

Benjamin BRITTEN (1913-1976)

Diversions, para piano (mão esquerda) e orquestra, Op. 21

6 – Theme. Maestoso
7 – Var. 1: Recitative. L’Istesso Tempo
8 – Var. 2: Romance. Allegretto mosso
9 – Var. 3: March. Allegro con Brio
10 – Var. 4: Arabesque. Allegretto
11 – Var. 5: Chant. Andante solennemente
12 – Var. 6: Nocturne. Andante piacevole
13 – Var. 7: Badinerie. Grave
14 – Var. 8: Burlesque. Molto moderato
15 – Var. 9a: Toccata I. Allegro
16 – Var. 9b: Toccata II. L’Istesso tempo
17 – Var. 10: Adagio
18 – Finale – Tarantella. Presto Con Fuoco

Leon Fleisher, piano
Boston Symphony Orchestra
Seiji Ozawa, regência

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Além da notável carreira concertística com obras para a mão esquerda, Leon Fleisher distinguiu-se como pedagogo. Era muito querido por sua postura amável, que buscava contribuir com o aperfeiçoamento de seus estudantes sem moldar-lhes o estilo a seu próprio. Sugiro fortemente àqueles que entendem inglês que acompanhem esta masterclass em que a extraordinária Yuja Wang – então com 17 anos e aluna de Gary Graffman, grande amigo de Fleisher – desenvolve sua interpretação duma das mais sublimes sonatas de Schubert através de gentis contribuições do mestre.

Vassily

Debussy / Fauré / Poulenc / Ravel: ‘Fantasque’ – Sonatas para Violino – Franziska Pietsch, violino – Josu De Solaun, piano

Debussy / Fauré / Poulenc / Ravel: ‘Fantasque’ – Sonatas para Violino – Franziska Pietsch, violino – Josu De Solaun, piano

Fauré – Debussy

Ravel – Poulenc

Sonatas para Violino

Franziska Pietsch, violino

Josu De Solaun, piano

Um disco FANTASQUE! Com sabor gálico! Eu disse gálico, não gárlico… Brincadeiras à parte, temos aqui um disco maravilhoso reunindo quatro sonatas para violino e piano de quatro mestres franceses, compostas ao longo de um período de perto de 70 anos. Da Sonata No. 1 de Gabriel Fauré, composta em sua juventude, passamos para a Sonata para violino de Debussy, escrita quando ele já estava no fim de sua vida e faz parte de um conjunto planejado para seis sonatas, das quais apenas três chegaram a ser completadas. Depois a segunda sonata de Ravel, pois acabaram descobrindo uma primeira sonata mais de juventude, e a sonata de Poulenc, já mais modernosa, mas ainda com todos as características da tradição de sonatas para violino francesas.

Franziska…

Claro, há outras belíssimas sonatas que poderiam ter chegado ao disco, como a de César Franck, que nasceu em Liège, mas classifica para nossas ‘sonatas francesas’, para citar apenas uma. Para que olhar para a grama verde do vizinho, se já temos aqui um painel esplêndido para um recital e tanto, não acham?

Falando um pouco nos intérpretes, Franziska Pietsch é violinista nascida em Berlim Oriental de uma família de músicos, foi criança prodígio. Mudou-se para Berlim Ocidental em 1986 e estudou com Ulf Hoelscher e depois com Dorothy DeLay, na Julliard School, em Nova Iorque. Foi spalla em várias orquestras e também atou com solista e como musicista de câmera.

 

Josu

O pianista Josu De Solaun é um pianista espanhol que ganhou o primeiro prêmio em uma edição da Competição Internacional de Piano de Bucareste, como antes dele o fizeram Radu Lupu e Elisabeth Leonskaja. Seus principais professores foram Nina Svetlanova e Horacio Gutiérrez.

O libreto que está no pacote tem muito bom texto escrito pelo De Solaun, no qual ele explica a escolha do repertório do disco feita pela dupla de músicos: ‘Debussy e seu mundo de sonhos aforísticos; a mistura de humor sardônico com a sensualidade e gravitas sutilmente disfarçada de Poulenc; a urbanidade eclética, pastoral, melancólica de Ravel; e a nostálgica finesse e a aristocrática verve de Fauré’.

Realmente, um disco muito, muito bom. Dos adjetivos usados pelo De Solaun, sensualidade é o que transparece no som produzido pela dupla. Achei, na primeira audição, que o andamento escolhido era um pouquinho lento, mas depois, me rendi completamente. Gostei demais. Especialmente da sonata do Ravel. O movimento lento, um Blues, moderato, é especial. E a maneira como o piano e o violino provocam um ao outro, logo no início do último movimento, vale o disco. Não se faça de rogado, estes dois músicos não são ícones dos seus respectivos instrumentos, mas são espetaculares!

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Sonata para violino No. 1 em lá maior, Op. 13

  1. Allegro molto
  2. Andante
  3. Allegro vivo
  4. Allegro quasi presto

 

Claude Debussy (1862 – 1918)

Sonata para violino em sol menor

  1. Allegro vivo
  2. Intermède: fantasque et léger
  3. Finale: três animé

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Sonata para violino No. 2 em sol maior

  1. Allegretto
  2. Moderato
  3. Perpetuum mobile. Allegro

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Sonata para violino

  1. Allegro con fuoco
  2. Très lent et calme
  3. Presto tragico – Strictement la double lent

Franziska Pietsch, violino

Josu De Solaun, piano

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FLAC | 357 MB

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MP3 | 320 KBPS | 199 MB

O título do álbum foi encontrado no movimento lento da Sonata de Debussy. Boa inspiração! Aproveite!

René Denon

Carmen Fantasy – Anne-Sophie Mutter, James Levine, Wiener Philharmoniker

Espetacular CD dessa exímia e extraordinária violinista, em um repertório montado para ela mostrar a que veio. Não sobra pedra sobre pedra.

Com o perdão do exagero, este talvez seja o melhor disco que ela gravou em toda sua carreira, daqueles que servem para mostrar que ela não era apenas mais um rostinho bonito. Os destaques são, é claro, as obras de Pablo de Sarasate, que ela toca com uma perícia e uma técnica absolutamente estonteante. A “Tzigane” de Ravel, também é imperdível, mostrando como Mutter definitivamente não temia desafios, alíás, até hoje não os teme. Ela passa da loucura de Sarasate para a delicadeza de  Wieniawski, para logo em seguida nos levar ao devaneio de Massenet na “Meditation de Thais”, e à descontrução da “Carmen” de Bizet que Sarasate promoveu, enfim, ela transita nesse repertório incrível com a segurança e firmeza tipica dos grandes mestres.

Para ouvir e ouvir e ouvir e ouvir sem cansar.

1. Sarasate: Zigeunerweisen, Op.20
2. Wieniawski: Legende, Op.17
3. Tartini: Sonata For Violin And Continuo In G Minor, B. g5 – “Il trillo del diavolo”
4. Ravel: Tzigane, M.76
5. Massenet: Thaïs / Acte Deux – Meditation
6. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – Introduction. Allegro Moderato
7. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 1. Moderato
8. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 2. Lento assai
9. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 3. Allegro moderato
10. Sarasate: Carmen Fantasy, Op.25 – 4. Moderato
11. Fauré: Berceuse, Op.16

Anne-Sophie Mutter – Violin
Wiener Philharmoniker
James Levine – Conductor

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Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival – 2008

Fiz uma pausa nas postagens dessa série da nossa amada Martha Argerich em seu Festival de Lugano para dar lugar às comemorações dos 210 anos de nascimento de Robert Schumann. Hoje trago mais um volume, mais três CDs que mostram todo talento e versatilidade desta excepcional artista.

Não preciso dizer o quanto Martha ama Schumann, tanto que temos aqui no primeiro CD a belíssima Sonata nº 2 para Violino e Piano, acompanhando o violinista Renaud Capuçon. Outro momento a destacar é sua parceria com o ex marido pianista Stephen Kovacevich, tocando uma peça de Mozart.

Mas o mais belo, lírico e pungente é o terceiro CD, onde abre tocando seu conterrâneo Piazzolla, em versões matadoras para dois pianos, claro que ele não poderia faltar, assim como Ravel. Martha distribui o repertório desta série entre seus convidados, alguns conhecidos, outros desconhecidos, dando chance e permitindo que sejam conhecidos.

A relação dos músicos envolvidos está no booklet em anexo.

Vamos ao que viemos?

CD 1
01. Variations (5) on an original theme for piano, 4 hands in G major, K. 501
02. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 1. Ziemlich langsam – Le
03. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 2. Sehr lebhaft
04. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 3. Leise, einfach
05. Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121- 4. Bewegt
06. Piano Quintet in D major, Op. 51- 1. Allegro moderato
07. Piano Quintet in D major, Op. 51- 2. Andante con variazioni
08. Piano Quintet in D major, Op. 51- 3. Scherzo- Allegro vivace
09. Piano Quintet in D major, Op. 51- 4. Allegro moderato
10. Scherzo for 2 pianos, Op. 87

CD 2
01. Piano Trio No. 1 in C minor, Op. 8
02. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 1. Barcarolle
03. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 2. La Nuit
04. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 3. Les Larmes
05. Suite No. 1 (-Fantaisie-tableaux-) for 2 pianos in G minor, Op. 5- 4. Pâques
06. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 1
07. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 2
08. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 3
09. Concertino for piano, 2 violins, viola, clarinet, horn & bassoon, JW 7-11- 4
10. Slavonic Dance No. 1 for piano, 4 hands in C major, B. 78-1 (Op. 46-1)
11. Slavonic Dance No. 12 for piano, 4 hands in D flat major, B. 145-4 (Op. 72-4)
12. Slavonic Dance No. 7 for piano, 4 hands in C minor, B. 78-7 (Op. 46-7)
13. Slavonic Dance No. 10 for piano, 4 hands in E minor, B. 145-2 (Op. 72-2)

CD 3

01. Tres minutos con la realidad, tango
02. Oblivion, tango
03. Libertango, tango
04. Introduction & Allegro for harp, flute, clarinet & string quartet
05. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 1. Verano porteño
06. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 2. Otoño porteño
07. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 3. Invierno porteño
08. Cuatro estaciónes porteñas (The Four Seasons), tango cycle- 4. Primavera porteña
09. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 1. Maestoso
10. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 2. Tranquillo
11. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 3. Tempo di marcia – Andante
12. Fantasia elvetica (-Swiss Fantasy-), for 2 pianos & orchestra- 4. Tempo di polka – Piú vivo – Allegro

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BOOKLET – BAIXE AQUI

Martha Argerich & Friends – Live from Lugano Festival – 2007 #BTHVN250

De acordo com a Wikipedia, Lugano é uma cidade com 65 mil habitantes, localizada no Sul da Suíça, um local paradisíaco, ao lado de um lago absolutamente magnífico.

Foi ali que Martha Argerich organizou por muitos anos um Festival de Música, revelando muitos músicos talentosos, e outros já famosos aproveitaram para desfilarem ainda mais seu talento.

A série começa com o genial Trio para Piano ‘Ghost’ de Beethoven, belamente interpretado por Martha, o Capuçon violinista, Renaud, e Mischa Maisky, que dispensa apresentações. Músicos deste nível tocando juntos, em um lugar como este, com certeza seria o passeio dos sonhos de muita gente.

CD 1:

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Piano Trio in D major “Ghost”, Op. 70,1

Ferruccio Busoni (1866-1924) / Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791):
Fantasie für eine Orgelwalze, arrangement for 2 pianos in F minor (after Mozart, K. 608)

Robert Schumann (1810-1856):
Andante and Variations for 2 pianos in B flat major, Op. 46
Kinderszenen, Op. 15

Martha Argerich – piano
Lilya Zilberstein – piano
Gabriela Montero – piano
Renaud Capuçon – violin
Mischa Maisky – cello

CD 2:

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Piano Quartet No. 2 in D major, WoO 36,2

Maurice Ravel (1875-1937):
Ma mère l’oye, suite for piano 4 hands

Mikhail Glinka (1804-1857):
Grand Sextet for piano, two violins, viola, cello and double-bass

Olivier Messiaen (1908-1992):
Theme and Variations, for violin & piano

Maurice Ravel (1875-1937):
Daphnis et Chloé, suite No. 2 (transcr. 2 pianos Lucien Garban)

Martha Argerich – piano
Alexander Mogilevsky – piano
Karin Lechner – piano
Francesco Piemontesi – piano
Sergio Tiempo – piano
Lucia Hall – violin
Alissa Margulis – violin
Lida Chen – viola
Nora Romanoff-Schwarzberg – viola
Mark Drobinsky – cello
Enrico Fagone – double bass

CD 3:

Béla Bartók (1881-1945):
Violin Sonata No.1 Sz75

Ernő von Dohnányi (1877-1960):
Piano Quintet No.1 in C minor, op.1

Witold Lutosławski (1913-1994):
Variations on a Theme by Paganini for 2 pianos

Martha Argerich – piano
Nicholas Angelich – piano
Mauricio Vallina – piano
Renaud Capuçon – violin
Dora Schwarzerg – violin
Lucia Hall – violin
Nora Romanoff-Schwarzberg – viola
Jorge Bosso – cello

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Maurice Ravel (1875-1937): Peças para Piano – Akiko Ebi

Maurice Ravel (1875-1937): Peças para Piano – Akiko Ebi

Maurice Ravel

Le Tombeau de Couperin

Gaspard de la Nuit

Sonatine pour piano

Akiko Ebi

 

Vocês sabem, eu sou completamente dependente de música para piano. Ultimamente tenho ouvido alternadamente música de Beethoven, pelo #BTHVN250, música de Bach (é claro…) e música dos compositores franceses, tudo para piano ou com piano.

Este disco com peças de Ravel já está na minha playlist há alguns meses e hoje chegou o dia de dividi-lo com vocês.

Tenho me interessado bastante pelo trabalho de pianistas orientais e encontrado gratas surpresas. Algumas delas acabo trazendo para o blog, incluindo esta daqui.

A pianista Akiko Ebi nasceu em Osaka e estudou na Universidade de Belas Artes de Tokyo. Posteriormente estudou em Paris e a sua carreira internacional decolou ao ganhar o Grand Prix na Competição Internacional Long/Thibaudet. Ela também foi finalista da Competição Internacional Fryderyk Chopin, de Varsóvia. Descobri que Martha Argerich foi sua mentora só depois de gostar muito deste disco… Além de Martha, Aldo Ciccolini e Vlad Perlemuter contribuíram em sua formação. Buscando outros discos da Akiko Ebi, descobri que ela contribuiu para a gravação da obra completa de Chopin pelo Instituo Chopin de Varsóvia. Veja a capa do disco com os Prelúdios na ilustração da postagem.  Ela também foi a solista dos Concertos para Piano na versão com instrumentos de época, usando um piano Erard, acompanhada pela Orchestra of the 18th Century regida por Frans Brüggen.

O repertório do disco incluiu as principais peças para piano de Ravel, como Le Tombeau de Couperin e Gaspard de la Nuit.

Ondine

A peça mais difícil do disco é realmente o tríptico Gaspard de la Nuit. A peça foi inspirada em versos do poeta Aloysuis Bertrand, que remetem a histórias de fadas, mistérios e fantasmas. A literatura certamente inflamou a imaginação de Ravel. As três peças que compõem a obra têm em parte o estilo rápido-lento-rápido, com a primeira e a última muito virtuosísticas, enquanto a peça central, Le Gibet, descreve uma cena assustadora, com a figura de um enforcado na paisagem. Tudo isto em uma das mais difíceis partituras para piano de toda a literatura. Você pode descobrir mais informações sobre esta obra clicando aqui ou aqui.

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Le Tombeau de Couperin

  1. Prélude
  2. Fugue
  3. Forlane
  4. Rigaudon
  5. Menuet
  6. Toccata

Prélude pour piano

  1. Prélude

Gaspard de la Nuit

  1. Ondine
  2. Le Gibet
  3. Scarbo

Sonatine pour piano

  1. Modéré
  2. Mouvement de menuet
  3. Animé

Jeux d’eau

  1. Jeux d’eau

Akiko Ebi, piano

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FLAC | 215 MB

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MP3 | 320 KBPS | 143 MB

Akiko Ebi

Gaspard de la Nuit é famosa por sua dificuldade e isto se deve ao fato de Ravel ter tentado fazer de Scarbo uma peça ainda mais difícil do que a espinhosíssima Islamey, de Balakiriev. Em breve postaremos um disco com peças para piano russas, Islamey entre elas. Você então poderá tirar as suas próprias conclusões, pelo menos sob a perspectiva do ouvinte. Enquanto isso, aproveite!

René Denon

The 20th-Century Piano Concerto, Vol.2 – Vários compositores e artistas

O segundo CD desta curiosa série traz ao menos dois registros memoráveis, a saber, o Segundo Concerto de Prokofiev com Alexander Toratze acompanhado pelo então jovem Valery Gergiev, e a histórica gravação do Segundo Concerto de Béla Bártok com Stephen Kovacevich.
Para muitos essa mistura pode soar estranha, afinal o CD termina com o Concerto para Piano de Schönberg, cmo ninguém mais ninguém menos que Alfred Brendel. O ultra romântico Terceiro Concerto de Rachmaninoff ao lado de Bártok e de Prokofiev… enfim, escolhas do produtor. Mas o que vale realmente é audição destas gravações.

Disc 1
Piano Concerto No. 2 In G minor, Op. 16
Composed By – Prokofiev*
Conductor – Valery Gergiev
Orchestra – Kirov Orchestra
Piano – Alexander Toradze
1.1 I. Andantino
1.2 II. Scherzo. Vivace
1.3 III. Intermezzo. Allegro Moderato
1.4 IV. Finale. Allegro Tempesto
Piano Concerto No.3 In D Minor, Op. 30
Composed By – Rachmaninoff*
Conductor – Edo de Waart
Orchestra – The San Francisco Symphony Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
1.5 I. Allegro Ma Non Tanto
1.6 Intermezzo (Adagio)
1.7 III. Finale (Alle Breve)
Disc 2
Piano Concerto In G major
Composed By – Ravel*
Conductor – Ivan Fischer
Orchestra – Budapest Festival Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
2.1 I. Allegramente
2.2 II. Adagio Assai
2.3 III. Presto
Piano Concerto No. 2, BB 75
Composed By – Bartók*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.4 I. Allegro
2.5 II. Adagio – Presto – Adagio
2.6 III. Allegro Molto
Piano Concert, Op. 42
Composed By – Schoenberg*
Conductor – Rafael Kubelik
Orchestra – Bavarian Radio Symphony Orchestra*
Piano – Alfred Brendel
2.7 I. Andante
2.8 II. Molto Allegro (Bar 176)
2.9 III. Adagio (Bar 264)
2.10 IV. Giocoso (Moderato) (Bar 329)

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

The 20th-Century Piano Concerto, Vol.1 – Vários compositores e artistas

A Coleção Philips DUO era uma espécie de Best of do selo Philips, e sempre tive um sonho de completá-la, pois foi graças a estas gravações que tive acesso a muita coisa boa. Felizmente, nos últimos anos acho que consegui alcançar meu objetivo de ter todos os volumes. E volto a repetir, tem muita coisa boa.

O Volume que ora vos trago (na verdade, serão dois volumes com dois cds cada) traz o que os produtores consideram os Melhores Concertos para Piano do Século XX, com toda a gama de artistas que tinham contratos com aquela gravadora. Alguns mais conhecidos, outros menos conhecidos, enfim, é uma boa oportunidade para conhecermos um pouco a produção do Século XX. Para quem gosta de gravações antigas, principalmente realizadas entre os anos 50, 60 e 70, é um prato cheio.

Neste primeiro volume teremos desde Prokofiev até De Falla, passando, é claro, por Bártok, Stravinsky, Gershwin e Ravel. Temos aqui intérpretes como Clara Haskill, Steven Kovacevich, Zóltan Kóscis, dentre outros. Gostei muito da escolha do repertório e dos músicos envolvidos. Para pincelar um panorama do piano no século XX creio que todos estão muito bem representados. Na sequência trarei o segundo volume. Vamos, no momento, nos degustar com o Bártok de Kovacevich, o Prokofiev de Byron Janis, e o magnífico De Falla de Clara Haskill. Só tem fera aqui.

CD 1

Piano Concerto No. 3 In C
Composed By – Prokofiev*
Conductor – Kiril Kondrashin
Orchestra – Moscow Philharmonic Orchestra
Piano – Byron Janis
1.1 1. Andante – Allegro
1.2 2. Tema Con Variazione
1.3 3. Allegro Ma Non Tropo
Nights In The Gardens Of Spain
Composed By – De Falla*
Conductor – Igor Markevitch
Orchestra – Orchestre Des Concerts Lamoureux
Piano – Clara Haskil
1.4 1. En El Generalife
1.5 2. Danza Lejana
1.6 3. En Los Jardines de la Sierra de Córdoba
Piano Concerto In F
Composed By – Gershwin*
Conductor – Howard Hanson
Orchestra – Eastman-Rochester Orchestra
Piano – Eugene List
1.7 1. Allegro
1.8 2. Adagio
1.9 3. Allegro Agitato

Piano Concerto No. 3
Composed By – Bartók*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – The London Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.1 1. Allegretto
2.2 2. Adagio Religioso
2.3 3. Allegro Vivace
Concerto For Piano And Wind Instruments
Composed By – Stravinsky*
Conductor – Sir Colin Davis
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
Piano – Stephen Kovacevich*
2.4 1. Largo – Allegro – Più Mosso – Maestoso
2.5 2. Largo
2.6 3. Allegro
Rhapsody In Blue
Composed By – Gershwin*
Conductor – Howard Hanson
Orchestra – Eastman-Rochester Orchestra
Piano – Eugene List
2.7 Rhapsody In Blue
Piano Concerto In D For The Left Hand
Composed By – Ravel*
Conductor – Ivan Fischer
Orchestra – Budapest Festival Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
2.8 1. Lento
2.9 2. Allegro
2.10 3. Tempo I

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CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Maurice Ravel – Katia et Marielle Labèque

Neste espetacular CD, as maravilhosas pianistas francesas nos trazem um repertório todo dedicado ao seu conterrâneo Maurice Ravel. Conterrâneo tanto pelo fato óbvio de serem franceses mas também devido ao fato de serem descendentes de bascos, mas isso é conversa para outra postagem que está sendo devidamente preparada. O nome aqui é o de Ravel.
A relação das irmãs com este compositor vem ainda da infância, quando foram alunas de uma grande amiga do próprio.
Esse CD não é recente, 2007 para ser mais exato, e foi gravado e lançado pelo selo KML, criado pelas próprias irmãs. Temos aqui momentos absolutamente brilhantes, como a “Rhapsodie Espagnola” , ‘Ma Mère L´Oye”, a ‘Pavane Pour une Infante Défunte” e claro, como não poderia deixar de faltar, o  ‘Bolero’ em uma versão para dois pianos com percussão basca. Coisa linda demais.

01. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Prelude A La Nuit
02. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Malaguena
03. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Habanera
04. Rhapsodie espagnole, for orchestra (or 2 pianos) Feria
05. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Pavane De La Belle Au Bois
06. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Petit Poucet
07. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Laideronnette Imperatrice D
08. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Les Entretiens De La Belle
09. Ma mere l’oye, for piano, 4 hands (or orchestra) Le Jardin Feerique
10. Menuet antique, for piano (or orchestra)
11. Pavane pour une infante defunte, for piano (or orchestra)
12. Prelude, for piano
13. Bolero, ballet for orchestra

Katia et Marielle Labèque – Pianos

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As Irmãs Labèque posando ao lado de seu instrumento de trabalho na sede do PQPBach …

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Mussorgsky

Quadros de Uma Exposição

Ravel

Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola

Carlo Maria Giulini

 

Nas eternas discussões sobre música que mantínhamos nos encontros ao redor das bancas dos desejados LPs e CDs nas lojas de discos, falávamos de quase tudo. – Leon Fleisher e Szell são imbatíveis neste repertório! – Eu ouvia de um sério senhor de ascendência nipônica, enquanto segurava minha possível compra dos Concertos para Piano de Brahms, com Rudolf Serkin e o mesmo George Szell. Dúvidas abundavam, pois o investimento seria substancial.

Um dos temas que vez por outra entrava em pauta era o que o mesmo senhor chamava de ‘música canalha’. Eu sei, soa pior do que deveria, mas o pessoal era assim, radical. A cada um era permitido gostar de uma peça do gênero. Scheherazade era a queridinha dele. Vaias e apupos se elevavam quando Jardins de Um Mosteiro era mencionado.

Mas o repertório de ‘Música Ligeira’ ou de apelo popular, típico de orquestras como a Boston Pops, reserva grandes surpresas e geralmente traz ótimas lembranças.

Pois minha música de apelo popular preferida é ‘Quadros de Uma Exposição’ e esta é a minha gravação preferida. Sim, este álbum é um dos meus ‘Discos Mais Queridos’!

Carlo Maria Giulini foi um excelente regente, apesar de um repertório relativamente reduzido. Ele começou estudando violino e chegou a ocupar a fileira de violas da Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia. Tocou sob a batuta de grandes regentes, como Bruno Walter, Wilhelm Furtwängler, Victor de Sabata, Otto Klemperer. Esta experiência na orquestra certamente o ajudou a tornar-se um ótimo regente. Ele disse em entrevistas que detestava a abordagem ditatorial e exigente do então diretor musical da orquestra, preferindo a maneira gentil de reger de Bruno Walter. Segundo ele, Walter fazia cada músico sentir-se importante.

Entre as suas gravações mais famosas se encontram peças como ‘La mer’, de Debussy, as Sinfonias Nos. 3 e 5 de Beethoven, algumas das sinfonias de Mahler, as três últimas sinfonias de Bruckner. Óperas também eram importantes em seu repertório e as gravações de Don Giovanni, As Bodas de Fígaro, de Mozart, e Rigoletto e Falstaff de Verdi, vêm facilmente à memória. O Requiem de Verdi é também uma das gemas de sua discografia.

As peças que estão reunidas neste álbum foram lançadas originalmente em diferentes LPs. O denominador comum aqui é a orquestração de Maurice Ravel. A orquestração feita por Ravel do original Os Quadros de Uma Exposição, para piano, de Modest Mussorgsky, era tocada com frequência por Giulini. Realmente, esta peça pode ser usada para convencer pessoas que não têm o hábito de ouvir música ‘erudita’ a se aventurar nestas veredas. O movimento de abertura, Promenade, é uma daquelas músicas que gruda na nossa memória musical e como é repetida ao longo do passeio para vermos os quadros, acaba ficando de vez na nossa mente.

Para completar o programa, a suíte ‘Ma Mère l’Oye’, que nos leva para o mundo dos Contos de Fadas e a magia de Ravel permite nossa imaginação alçar grandes voos. E ainda há espaço para a Rapsódia Espanhola, que nos transporta diretamente para uma Espanha mítica, com seus jardins, perfumes e sons.

As duas orquestras – Chicago Symphony e Los Angeles Philharmonic foram dirigidas por Giulini e essas gravações mostram o quanto foi frutífera essa relação.

Modest Mussorgsky (1839 – 1881)

Quadros de Uma Exposição (Orquestração de Maurice Ravel)

  1. Promenade
  2. Gnomus
  3. Promenade
  4. Il vecchio castello
  5. Promenade
  6. Tuileries
  7. Bydlo
  8. Promenade
  9. Ballet des Petits Poussins dans leurs Coques
  10. Samuel Goldenberg und Schmuyle
  11. Limoges: Le Marché & Catacombae: Sepulchrum Romanum
  12. Cum mortuis in lingua mortua
  13. La Cabane de Baba-Yaga sur des Pattes de Poule & La Grande Porte de Kiev

Chicago Symphony Orchestra

Carlo Maria Giulini

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Ma Mère l’Oye

  1. Pavane de la Belle au Bois Dormant
  2. Petit Poucet
  3. Laideronnette, Impératrice des Pagodes
  4. Les Entretiens de la Belle et la Bête
  5. Le Jardin Féerique

Rapsodia Espanhola

  1. Prélude à la Nuit
  2. Malagueña
  3. Habanera
  4. Feria

Los Angeles Philharmonic Orchestra

Carlo Maria Giulini

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MP3 | 320 KBPS | 160 MB

Música fácil, dirão certos puristas, mas com esta qualidade de interpretação, eu quero é mais!!

Para saber um pouco mais sobre a vida deste grande maestro, veja aqui.

Aproveite!

René Denon

Ravel (1875-1937): Miroirs & La Valse – Stravinsky (1882-1971) – L’Oiseau de feu & Petrouchka – Beatrice Rana

Ravel (1875-1937): Miroirs & La Valse – Stravinsky (1882-1971) – L’Oiseau de feu & Petrouchka – Beatrice Rana

Ravel 

Stravinsky

Música para Piano

 

Por certo vocês já perceberam minha predileção pelo piano. Os compositores que se destacam por compor para este instrumento são sempre meus preferidos, especialmente aqueles que escreviam para piano antes que este fosse inventado e também por aqueles que desconstruíam seus primeiros protótipos com o exclusivo intuito de torná-los aquilo para o qual deveriam existir…

Quando encontro um disco que reúne repertório destes compositores interpretado por algum artista promissor, que traz uma certa ousadia ou um novo olhar para estas obras, não deixo de ouvir vezes e vezes. E foi isto o que aconteceu com este disco da postagem.

Dia destes postei um disco da Anne Queffélec interpretando a obra que abre este disco – Miroirs. Temos aqui uma outra espetacular interpretação, agora com a jovem e talentosíssima pianista italiana – Beatrice Rana. A moça é filha de pianistas profissionais e confessa que ficou chocada ao saber, ainda mais jovem, que as outras pessoas raramente têm pianos em suas casas.

Ravel e Stravinsky eram muito diferentes, mas tinham grande respeito um pelo outro. O ‘língua de trapo’ do Igor chamou Maurice de ‘o relojeiro suíço’ da música – é claro, caricaturando a obsessão de Ravel com a perfeição de suas peças. Mas também disse que Maurice fora o único que entendera sua música logo após o furor que foi a estreia de sua Sagração da Primavera. Além de Miroirs, o disco tem duas obras de Stravinsky. Alguns trechos do Oiseau de Feu transcritas para piano por Guido Agosti, um pianista que foi aluno de Ferruccio Busoni, entre outros, e três movimentos de Petrouchka, do próprio Stravinsky. Há uma gravação destes movimentos feita por Maurizio Pollini que é extraordinária, mas hoje o dia é da bela Beatrice.

Para completar o pacote, La Valse, de Maurice Ravel. Você verá que uma orquestra não cabe em um piano, mas quase. Além disso, não é hora de ficar procurando defeitos, agarre o par mais próximo e aproveite este disco espetacular!

Maurice Ravel (1875-1937)

Miroirs

  1. Noctuelles
  2. Oiseaux tristes
  3. Une Barque sur l’océan
  4. Alborada del gracioso
  5. La Vallée des cloches

Igor Stravinsky (1882-1971)

L’Oiseau de feu

  1. Dance infernale; Berceuse
  2. Finale

Petrouchka

  1. Danse russe; Chez Petrouchka; La Semaine grasse

Maurice Ravel (1875-1937)

La Valse

  1. La Valse

Beatrice Rana, piano

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Ah, a bela Beatrice é capa da Gramophone, recebeu loas de todas as partes e teve um disco com as Variações Goldberg postado aqui pelo próprio PQP Bach. Então, ande, baixe logo o álbum, escute muitas vezes e venha logo aqui dizer que gostou. Pode clicar no ‘LEAVE A COMMENT’, bem em baixo do nome do compositor, no alto da nossa página, para dizer, mesmo com poucas e mal traçadas linhas, que gostou!

Aproveite!

René Denon

Ravel (1875-1937): Miroirs – Le tombeau de Couperin – Anne Queffélec

Ravel (1875-1937): Miroirs – Le tombeau de Couperin – Anne Queffélec
E o pintor é …

Ravel

Miroirs – Le tombeau de Couperin

 

 

Direto do Tunel do Tempo, este disco é bem típico dos anos 70, um compositor, duas obras (uma para cada lado do LP), uma intérprete especialista neste tipo de música. Com pouco mais de 50 minutos de música, demandava uma virada de disco entre uma peça e a outra. Isto incluía levantar-se do sofá ou da poltrona, levantar o braço da vitrola, virar o disco e, com muito cuidado, colocar o braço novamente sobre o disco em movimento.

Este ritual todo, em alguns casos, incluía uma esfregadela da flanela no LP, para garantir o bom desempenho de todo o (agora aparentemente) tosco mecanismo. Também fazia com que mergulhássemos por uns minutinhos em algum silêncio, muito adequados para uma pequena reflexão sobre o que acabávamos de ter ouvido.

Os CDs, e agora as novas mídias, permitem que ouçamos ininterruptamente horas (se aguentarmos, é claro) de música. Isso é uma boa deixa para a reflexão de cada um… Como você ouve música hoje? Como você ouvia música (digamos) há um terço, um quarto de seu tempo de vida já passada?

Mas vamos a música, pois afinal de contas, isso é o que interessa. Temos duas lindas suítes escritas por Maurice Ravel, para piano solo. Ou seja, dois conjuntos de peças com um fio condutor ligando-as. Isso não impede que uma ou outra destas peças apareça em algum outro contexto, desatacada da suíte.

Miroirs é a mais antiga das duas. Foi escrita entre 1904 e 1905 e estreada em 1906 pelo pianista e muito amigo de Ravel, Ricardo Viñes.

Cada movimento desta suíte foi dedicado a algum amigo de Ravel que fazia parte do grupo de artistas autointitulado ‘Les Apaches’, entre eles o próprio Ricardo Viñes, ao qual foi dedicado a linda peça ‘Oiseaux tristes’.

A outra suíte, ‘Le tombeau de Couperin’, foi composta entre 1914 e 1917, período terrível, durante a Primeira Grande Guerra. Nesta, Ravel perdeu vários amigos e cada movimento da suíte é dedicado a algum deles. A ‘Toccata’, o último movimento da suíte, por exemplo, foi dedicado a Joseph Marliave, que foi musicólogo e marido de Marguerite Long.

A suíte é inspirada nas suítes barrocas de danças do século XVII. A palavra ‘tombeau’ no título era usado naquela época para indicar uma homenagem, um memorial a quem for nomeado. No caso, Couperin pode ser considerado uma homenagem aos músicos franceses daquela época, por que além do grande François Couperin, havia muitos músicos nesta família.

Eu gosto particularmente da Forlane, movimento que já foi postado aqui na interpretação de Rubinstein, no seu álbum sobre música francesa.

Anne, de olho no maestro… em outra gravação, é claro!

A intérprete deste típico LP é a pianista Anne Queffélec, que graduou-se com láurea no Conservatório de Paris e especializou-se em Viena com a trinca Paul Badura-Skoda, Jörg Demus e Alfred Brendel. Teve sua carreira definitivamente deslanchada depois de ganhar as competições para piano de Munique (1968) e Leeds (1969). É ativa desde então e tem discos gravados recentemente sendo lançados.

Veja o que ela disse da suíte Miroirs, em uma entrevista dada a propósito de uma apresentação sua em Londres, em 2018: ‘A segunda metade de meu recital é dedicada a Reflets dans l’eau, de Debussy, e Miroirs, de Ravel, pois eu amo estas peças maravilhosas’. Ao programar Reflets e Miroirs juntas sinto estar conectando a esta ideia de ‘reflexos’, mesmo que a própria música na suíte de Ravel, nos títulos individuais das cinco peças, não nos dê a chave para o nome global Miroirs. Isto permanece um mistério. Temos que ser como Alice no País das Maravilhas e concordar em seguir Ravel e passar através dos espelhos a nossa volta’.

 

Maurice Ravel (1875-1937)

Miroirs

  1. Noctuelles
  2. Oiseaux tristes
  3. Um barque sur l’ocen
  4. Alborada del gracioso
  5. La vallée des cloches

Le tombeau de Couperin

  1. Prélude
  2. Fugue
  3. Rigaudon
  4. Menuet
  5. Toccata

Anne Queffélec, piano

Disco de 1977, com gravação de Pierre Lavoix

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MP3 | 320 KBPS | 181 MB

Anne Queffélec

No nosso caso, além dos espelhos, passamos também pelo Túnel do Tempo!!

Aproveite!

René Denon

Autêntico!

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

 

Música Francesa para Piano

Arthur Rubinstein

 

 

O que você faz, depois que vai para casa?

The CD is on the table!

Eu sempre penso nisto quando imagino os grandes artistas em seus momentos, digamos assim, mais mundanos. É claro, a pergunta aplica-se a outras gentes e é possível que os hábitos domésticos, os interesses além daqueles estritamente profissionais, revelem mais sobre as pessoas do que aquilo que é público, aquilo que todos sabem sobre elas.

Pois fico imaginando como teria sido Arthur Rubinstein chegando em casa após um cansativo dia de gravações com uma enorme orquestra, um regente cheio de ideias diferentes das suas sobre o concerto que estão gravando. O produtor Max Wilcox atarefado com as faixas selecionadas para audição, o orçamento já em vias de estourar.

Então, chegar em casa, passar dos sapatos para os chinelos, um golinho de xerez, talvez, um lanchinho leve, por certo. Nada interessante na TV. Pronto, agora a noite já caiu de vez e a porta que dá para a sacada está aberta e deixa entrar uma brisa que além de balançar as cortinas esvoaçantes, traz um aroma das flores que só recendem à noite, assim como um restinho de luar. Pois não é que o clima se mostra então propício à música. O piano ali pertinho, sobre o velho tapete vermelho, sorri convidativamente com suas amareladas e amigas teclas. Música então, pensa nosso hipotético Arthur. O que tocaria para si próprio ou pequena e íntima companhia? Chopin? Nãh… muito pedido por todos. Beethoven, Schubert, Mozart? Não de novo, muito germânicos para a noite quase latina. E como era boa a convivência com os amigos franceses, colegas pianistas e queridos compositores. Jantares nas casas de uns, passeios nos arredores de Paris com adoráveis piqueniques. Assim, nosso pianista resolve tocar umas peças francesas, cheias de charme, de alegria e de muita elegância.

As Valses nobles et sentimentales do Maurice são mais conhecidas na versão para orquestra e merecidamente. Mas na falta da orquestra, Arthur vai de piano mesmo, que ele é capaz de recriar com seu instrumento a riqueza da partitura de Ravel. Mas as valsas foram originalmente escritas para piano e inspiradas pelas Valses sentimentales e as Valses nobles de Schubert. No entanto, diferentes das peças de Schubert, as de Ravel formam uma coleção de oito valsas que se emendam umas nas outras, fluindo num todo, passando por seções tempestuosas, langorosas, até a peça final onde as anteriores são recapituladas. A coleção teve sua estreia em um concerto da Sociedade Musical Independente, interpretadas por Louis Aubert, amigo de Ravel dos dias do conservatório. O concerto foi arranjado de forma que as pessoas não sabiam os nomes dos compositores das peças e eram estimuladas a adivinharem os autores. As tentativas muito divertiram Ravel. Entre elas surgiram nomes como Kodály, Satie, Chopin ou mesmo Mozart.

Poulenc ainda muito jovem e servindo durante a guerra, arranjou tempo para compor essas Mouvements perpétuels e conseguiu as enviar para Ricardo Viñes estreá-las em um concerto de fevereiro de 1919. Estes concertos misturavam diferentes artes, com poesia e exposições de pinturas além de música. Essas peças foram um sucesso imediato e mesmo muitos anos depois, sempre as ouvindo, quando perguntado como ele se sentia sobre elas, Poulenc respondeu que “ainda podia tolerá-las”.

O Intermezzo foi uma das poucas peças que Poulenc compôs em 1934 e a dedicou a uma querida amiga, a Condessa Marie-Blanche de Polignac, uma música amadora muito aplicada. Rubinstein também era amigo da Condessa e ganhou de Poulenc uma cópia do Intermezzo, com a inscrição “Para Arthur, um retrato de nossa querida Marie-Blanche”.

Ravel recuperava-se das agruras da guerra na casa de campo de Madame Fernand Dreyfus quando encontrou inspiração para compor uma suíte para piano, Le Tombeau de Couperin. Fazia assim simultaneamente um tributo à música francesa antiga e a vários amigos que perdera na guerra. Desta suíte ouvimos aqui a Forlane, lindíssima. A outra peça de Ravel no disco, La Vallée des cloches pertence a outra suíte, Miroirs.

Mais duas lindas peças seguem, um famoso noturno de Gabriel Fauré e outro intermezzo de Poulenc, este composto em 1943.

O disco termina com uma peça “pitoresca”, Scherzo-Valse, de Chabrier, o mais barulhento e histriônico dos compositores (quase amador) francês. Certamente a peça prenuncia sua famosa España. E assim também termina a nossa noite imaginada e transformada em um belíssimo disco, mais um da dupla Rubinstein – Wilcox, o artista e o artístico produtor.

 

Maurice Ravel (1875-1937)

  1. Valses nobles et sentimentales

Francis Poulenc (1899-1963)

  1. Mouvements perpétuels
  2. Intermezzo em lá bemol maior

Maurice Ravel (1875-1937)

  1. Forlane (da Suíte ‘Le Tombeau de Couperin’)
  2. La Vallée des cloches (da Suíte ‘Miroirs’)

Gabriel Fauré (1845-1924)

  1. Noturno em lá bemol maior, Op. 33, 3

Francis Poulenc (1899-1963)

  1. Intermezzo No. 2 em ré bemol maior

Emmanuel Chabrier (1841-1924)

  1. Scherzo-Valse

Arthur Rubinstein, piano

Produção: Max Wilcox

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FLAC | 160 MB

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MP3 | 320 KBPS | 108 MB

Ravel colocou uma citação de Henri de Regnier no auto das Valses nobles et sentimentales: “… le plaisir delicieux et toujours nouveau d’une occupation inutile…” (… o prazer delicioso e sempre novo de uma ocupação inútil…)

Jurássico, perpétuo! Grande CD! Aproveite!

René Denon