Brahms: 4 Baladas, 3 Intermezzi, 2 Rapsódias, 1 Capriccio para piano e Quarteto com piano nº 3 / Schumann: Quinteto com piano (Rubinstein, piano)

Nos meus anos de juventude, tive a honra de ser um discípulo de Joseph Joachim, o lendário violinista e amigo de Brahms, e por meio dele a música de Brahms sempre esteve comigo. Deve-se lembrar que Brahms estava vivo até os meus 10 anos de idade, então para mim ele era um compositor contemporâneo, não um “velho mestre”. Eu até hoje me relaciono com sua música dessa maneira, e tento apresentar a essência do Brahms que eu aprendi a amar nessas anos de aprendizado.

Nessa gravação, você ouvirá música de todos os períodos da vida de Brahms. Aos 21 anos, o compositor das quatro Baladas op. 10 (1854) era cheio de vigor e de um dom quase schubertiano para a canção. (…) As duas Rapsódias op. 79, escritas 25 anos depois, são peças de concerto grandiosas e heroicas.

É em suas últimas peças para piano, opus 116 a 119, que chegamos à música mais íntima de Brahms para o instrumento que ele tocava. Respeitado em vida como quase nenhum compositor o foi, Brahms produziu nos seus últimos anos peças serenas e nostálgicas, cada vez mais introspectivas. (…) Como as anotações nas partituras indicam, elas são tão intensamente íntimas que não é possível trazer sua substância em uma enorme sala de concerto. Elas devem ser ouvidas calmamente, em uma pequena sala, pois são obras de câmara para o piano. (…) Nessa atmosfera – ouvindo em silêncio, sozinho ou com uma pessoa querida – elas capturam o seu coração.
(Arthur Rubinstein – texto na contracapa do LP The Brahms I Love)

Arthur Rubinstein (1887 – 1982) estudou na Alemanha, tendo certamente conhecido várias outras pessoas que conviveram pessoalmente com o compositor. Após a 2ª Guerra ele nunca mais pisaria na Alemanha e nem faria muita questão de falar sobre seus anos naquele país, mas o fato é que a formação do pianista polonês se deu sobretudo em Berlim: quando se mudou para Paris em 1904, já estava mais ou menos pronto. Isso ajuda a entender a seguinte anedota contada por Arthur Rubinstein em sua autobiografia My Young Years (1973):

O compositor russo Scriabin, cujas peças para piano eu conhecia bem, chegou em Paris para um concerto das suas obras. (…) “Vamos tomar um chá”, ele disse com simpatia, e fomos para o Café de la Paix e pedimos chá e doces.

“Quem é o teu compositor favorito?”, perguntou ele com o sorriso de um grande mestre que sabe a resposta correta. Quando eu respondi sem hesitação – “Brahms” – ele socou a mesa com o punho. “O que?” ele gritou. “Como você pode gostar desse compositor horrível e de mim ao mesmo tempo?” E, com raiva, ele colocou o chapéu e saiu do café, me deixando com a conta para pagar.

Ao longo de sua vida, Brahms continuou tendo um lugar especial no coração de Rubinstein: seus concertos, sonatas para violino e piano, quinteto e quartetos com piano fizeram parte do seu repertório e foram gravados, em alguns casos mais de uma vez. A gravação do Quarteto nº 3 em dó menor que aparece aqui é da década de 1960. Pouco depois, em 1971, ele lançaria um dos seus últimos discos de piano solo, com uma seleção de obras de Brahms que, como o título diz, ele amava: quatro baladas, duas rapsódias, três intermezzos e um capriccio. São interpretações muito especiais, construídas ao longo de uma longa vida.

O meu preferido aqui, porém, é o quinteto com piano de Schumann, compositor que se expressava mais ou menos no mesmo idioma de Brahms, com algumas pitadas a mais de sentimentalismo. A excelente gravação em stereo (também nos anos 1960) captura muito bem o Quarteto Guarnieri e o piano de Rubinstein. Juntos, eles abordam esse quinteto com uma espontaneidade nos rubatos que é preciso ouvir para crer. Eu realmente tenho uma adoração profunda por essa gravação, uma das que capturaram com maior precisão o inimitável presença de espírito de Rubinstein, um velhinho sempre bem-humorado e em um entendimento profundo com os jovens músicos norte-americanos do Quarteto Guarnieri.

O disco solo com Rubinstein tocando Brahms não tem um lugar tão especial no meu coração, por uma questão de gosto: não amo tanto Brahms quanto Rubinstein o amava. É verdade, porém, que ele defende muito bem as curtas peças dos opus 116 a 118 (de quando o compositor tinha cerca de 60 anos) e sobretudo as mais complexas Baladas opus 10. Essas quatro baladas são menos tocadas do que as quatro de Chopin, e entre os que as tocam, como E. Gilels, K. Zimerman e G. Sokolov, não faltam interpretações densas e sérias. Rubinstein – que, repito, viveu quando jovem na Alemanha e sempre teve essa música no seu repertório – se distancia um pouco do estereótipo do Brahms severo e intelectual: suas Baladas de Brahms são cheias de sorrisos sutis e de leveza.

Arthur Rubinstein, Guarnieri Quartet:
1-4. Johannes Brahms (1833-1897): Quarteto para piano, violino, viola, violoncelo nº 3 em Dó menor, Op. 60
5-8. Robert Schumann (1810-1855): Quinteto para piano, dois violinos, viola, violoncelo em Mi bemol maior Op. 44

Recorded in 1966 (Schumann) & 1967 (Brahms)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Brahms Quartet, Schumann Quintet

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Arthur Rubinstein: The Brahms I Love
A1 Ballade in D Minor, Op. 10, n0.1 (“Edward”)
A2 Ballade in D, Op. 10, no. 2
A3 Ballade in B Minor, Op. 10, no 3
A4 Ballade in B, Op. 10, no. 4
A5 Rhapsody in G Minor, Op. 79 no. 2
B1 Intermezzo in B-Flat Minor, Op. 117, No.2
B2 Capriccio in B Minor, Op. 76, No. 2
B3 Intermezzo in E Minor, Op. 116, No. 5
B4 Intermezzo in E-Flat Minor, Op. 118, No. 6
B5 Rhapsody in B Minor, Op. 79 no. 1

Recorded in 1970/1971

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – The Brahms I love

Johannes Brahms (sentado) e Joseph Joachim (em pé)

Pleyel

Robert Schumann (1810-1856): Davidsbündlertänze Op. 6 & Kinderszenen Op. 15 – Zhu Xiao-Mei (piano) ֎

Robert Schumann (1810-1856): Davidsbündlertänze Op. 6 & Kinderszenen Op. 15 – Zhu Xiao-Mei (piano) ֎

Robert SCHUMANN

Davidsbündlertänze opus 6

Kinderszenen opus 15

Zhu Xiao-Mei, piano

 

Se você não conhece pelo menos superficialmente os principais acontecimentos da vida de Xiao-Mei, deve procurar saber. Ela cresceu durante a Revolução Cultural Chinesa e para seguir sua vocação de pianista precisou passar por várias vicissitudes, até estabelecer-se como como uma grande artista. Ela dedica-se à obra dos compositores que mais admira, como Scarlatti, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert e Schumann. A obra de Bach está no centro de suas atenções, especialmente os grandes ciclos, como o Cravo Bem Temperado, as Partitas e as Variações Goldberg.

Aqui ela interpreta duas lindas obras de Robert Schumann num belo disco, romântico, mas delicado. Em seguida alguns trechos tirados do livreto que acompanha os arquivos musicais, traduzidos pela inteligência artificial (…)

Sobre as Cenas Infantis: Eu tinha apenas três ou quatro anos na época, mas me lembro muito bem. Foi no nosso apartamento em Pequim. Naquela tarde desabou uma tempestade sobre a cidade. Minha mãe não pode sair. Ela sentou-se ao piano e tocou para mim o Träumerei (Sonhando), das Cenas Infantis (Kinderszenen). Isso teve um impacto enorme em mim! Eu acho que foi naquele momento que minha mãe entendeu que eu também tinha um sonho: tocar piano e ser músicista. Esta é uma obra que passei a tocar desde muito cedo e com a qual cresci.

Sobre as Danças dos Companheiros de Davi: Se foi Kinderszenen que deu origem à minha vocação musical na China, Davidsbündlertänze foi a primeira grande composição que trabalhei quando emigrei para o Ocidente, para os Estados Unidos. E, da mesma forma, nunca parei de toca-la desde então. Para mim, é a obra na qual Schumann abre o seu coração mais completamente. Com o Davidsbündler – os ‘Companheiros de David’ – e através do fluxo constante de artigos por ele publicados, Schumann declarou guerra a todos os compositores que pensava serem superficiais ou reacionários. O que ele queria era colocar a poesia, em toda a sua grandeza, mais uma vez, no coração da música. Ao mesmo tempo estava a ponto de ganhar a mão de Clara. O resultado de tudo isso foi um trabalho no qual Schumann realmente queria mostrar ao mundo tudo o que era capaz. A obra é um incrível caleidoscópio de sentimentos e emoções. Na minha opinião, Schumann nunca mostraria tanta versatilidade de novo . . .

Sobre o compositor: [Entrevistador]: Como você vê a influência de Bach em Schumann? [Z X-M]: Na minha opinião, ele foi talvez o melhor aluno que Bach já teve e, de qualquer forma, o mais original. Schumann é um compositor de sonhos e poesia. Muitas vezes, em um sonho, nossas ideias se chocam umas com as outras, algumas desaparecem, outras passam do primeiro plano para o fundo e vice-versa. Schumann transmite essas diferentes camadas de consciência, como se poderia chamá-las, por meio da polifonia, a grande tradição polifônica derivada de Bach.

Robert Schumann (1810 – 1856)

Davidsbündlertänze opus 6

  1. Lebhaft
  2. Innig
  3. Mit Humor (Etwas hahnbüchen)
  4. Ungeduldig
  5. Einfach
  6. Sehr rasch (und in sich hinein)
  7. Nicht schnell (mit äußerst starker Empfindung)
  8. Frisch
  9. Lebhaft
  10. Balladenmässig, sehr rasch
  11. Einfach
  12. Mit Humor
  13. Wild und lustig
  14. Zart und lustig
  15. Frisch
  16. Mit gutem Humor
  17. Wie aus der Ferne
  18. Nicht schnell

Kinderszenen opus 15

  1. Von fremden Ländern und Menschen
  2. Kuriose Geschichte
  3. Hasche-Mann
  4. Bittendes Kind
  5. Glückes genug
  6. Wichtige Begebenheit
  7. Träumerei
  8. Am Kamin
  9. Ritter vom Steckenpferd
  10. Fast zu ernst
  11. Fürchtenmachen
  12. Kind im Einschlummern
  13. Der Dichter spricht

Zhu Xiao-Mei, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 134 MB

Seção ‘The Book is on the Table’:

This is beautiful, moving playing: As always with this superb musician she makes the music sing. This is beautiful, moving playing. A true artist who sounds like no one else yet always convinces me of the music. This may be Schumann’s most personally revealing piece and she seems to reveal the man behind the music.    Kevin M. Moore

Ravishing and illuminating: Fabulous. Sensitive rendering of beautiful pieces. Miss Zhu Xiao-Mei has a tender and delicate approach which speaks straight to the soul! However, don’t be fooled. She can also be forceful and intense when required, revealing the depths of Schumann’s complexity which is underrated, in my opinion. I think there’s something enchanting about her playing.  Anônimo

Aproveite!

René Denon

Homenagem a Byron Janis (Haydn, Schumann, Chopin, Liszt, Tchaikovsky, Moussorgsky & Janis)

Homenagem a Byron Janis (Haydn, Schumann, Chopin, Liszt, Tchaikovsky, Moussorgsky & Janis)
Byron Janis e esposa, artista plástica Maria Cooper Janis.

Disse Maria Cooper Janis, esposa do grande pianista: “Fui abençoada com este privilégio, ao longo de 58 anos, de amar e ser amada, não apenas por um dos maiores artistas do século XX, mas por um ser humano excepcional, que elevou à plenitude seu talento”…

Nascido em Mackeesport, Pensilvânia, USA, 1928, Byron Janis estreou no “Carnegie Music Hall”, de Pittsburgh, aos 9 anos. Então, seu professor, Abraham Litow, o levou à New York, onde passou a estudar com Rosina e Josef Lhévine; depois, com Adele Marcus – três renomados mestres…

E aos 16 anos, impressionou Vladimir Horowitz, em performance do “2° concerto para piano”, de Rachmaninoff, tornando-se 1° aluno do célebre pianista, que o orientou até estreia no “Carnegie Hall”, de New York, aos 20 anos…

Byron Janis c/ Vladimir Horowitz e Adele Marcus.

Horowitz sugeria:Você brinca um pouco com aquarela, mas poderia brincar mais com óleo…” Aconselhando o jovem a buscar maiores densidade e desenvoltura de concertista

Assim, o talentoso e promissor Byron Janis era recebido e orientado por elite musical americana, tornando-se solista da “Orquestra NBC”, dirigida por Arturo Toscanini, e artista mais jovem da gravadora “RCA Victor”, aos 18 anos…

Músico versátil, também experimentou-se como compositor, em trilhas sonoras e musicais; além de parcerias com o amigo e premiado jazzista, Cy Coleman. E escreveu música para o documentário “The true Gen”, da amizade do sogro e ator, Gary Cooper, com o escritor Ernst Hemingway… Na vida pessoal, Janis casou-se duas vezes: teve um filho com a 1ª esposa, June Wright; e divorciado, 1966, casou-se com a artista plástica, Maria Cooper…

“Cooper & Hemingway: The true Gen”.

Então, acidentalmente, descobriu manuscritos de Chopin, embora, de obras publicadas pelo músico polonês, mas que lhe trouxeram notoriedade – duas valsas para piano: “op. 18 e op. 70 n° 1”, num velho baú, no castelo de Thoiry, França; e passados 6 anos, duas outras versões, coincidentemente, das mesmas valsas, na biblioteca da “Univesidade de Yale”, USA…

As versões de “Yale” traziam referência à Chopin, mas não se imaginava, tratarem-se de originais do compositor, então, identificados por Janis – documentos musicais que permitiam comparar diferentes revisões do autor, publicadas em “The most dramatic musical discovery of the Age”…

E durante a “guerra fria” – conflito USA versus URSS – séc. XX, Byron Janis foi convidado para intercâmbio cultural, criado em 1960, após os êxitos do canadense Glenn Gould, em 1957, que surpreendeu público soviético nas interpretações de JS Bach; e do carismático texano Van Cliburn, que venceu “1º Concurso Tchaikovsky”, de Moscou, 1958, tornando-se seu presidente de honra… Todos, jovens artistas, transpondo barreiras culturais e, por fim, calorosamente acolhidos pelo público sovíético…

Da viagem à URSS: “Foi importante porque, para os russos em geral, a ‘América’ só produzia automóveis; e a propaganda local era de sermos totalmente incultos”, disse Janis, no popular “The Ed Sullivan Show”, 1965… E o intercâmbio trazia à New York, o célebre ucraniano, Sviatoslav Richter…

Van Cliburn, em Moscou; Glenn Gould; e Byron Janis, em Leningrado (atual São Petersburgo).

Após atuação e significado, cultural e diplomático, da turnê, agenda de Janis intensificou-se. Fase em que exibia plenamente seus repertório, domínio técnico e expressividade; e sensibilizava, músicos e apreciadores… Então, carreira foi impactada, aos 45 anos – 1973, pelo desenvolvimento de “artrite psoriática”, nas mãos e nos pulsos, o que lhe trouxe sofrimento e apreensão, mas não impedia apresentações. E Janis preferiu manter discrição, a tornar público o problema…

Inevitavelmente, além das limitações físicas, o distúrbio o atingia emocionalmente, tanto pela perspectiva profissional, quanto pela perda de algo que muito amava, em nível artístico tão elevado… De outro, doença lhe inspirou reação em defesa de maiores atenção e estudos sobre a enfermidade…

Byron Janis, em recital na “Casa Branca”, 1985.

Então, decidiu tornar público e compartilhar empatia e esperança com outros pacientes. E após 12 anos, entre cuidados e tratamentos, aceitou missão de embaixador nacional da “Arthritis Foundation” – 1985, formalizada em recital na “Casa Branca”, convite de Nancy Reagan, 1ª dama – USA, 1981/89…

E com o tempo, lamentavelmente, enfermidade agravou-se e procedimento cirúrgico, em 1990, deixou seu polegar esquerdo mais curto, impedindo de retomar as obras românticas que o consagraram – “assim que tiraram os curativos, achei que nunca mais tocaria; tentava pensar positivamente, mas não conseguia”, disse ao “Times”, 1997….

“… um piano” – esboço de Maria Cooper Janis .

Da artrite: “inflamação ocasionando dores e rigidez nas articulações, que se acentuam com a idade; alguns tipos levam à deformações e atrofia dos membros”…

Em depressão, Janis retirou-se e passou a escrever canções, tal como em sua juventude… E com apoio da amiga e cantora, Juddy Collins, foi contratado pela “Warner Chappell”, para compor 22 canções do musical “Corcunda de Notre-Dame”, estreado em 1993….

E durante tratamento, incerto e pouco alentador, gradualmente, retomou apresentações, dividindo o palco em recitais beneficentes e, depois, em recital solo, no “Alice Tully Hall”, New York, 1998, com relativa mobilidade… Atento e disciplinado, cultivava equilibrio e paciência; também, movia-se por obstinação e paixão, pela música e pela vida…

Casal Maria e Byron Janis.

E disse, a esposa: “apesar das adversidades, ao longo da carreira, Janis reagiu e as superou, sem deixar esmorecer seu talento artístico!” E música, desde sempre, foi sua escolha e ofício…

Por outro lado, mais de 300 mil jovens americanos apresentavam algum tipo de “artrite”. E o músico, sensibilizado e solidário, passava a trabalhar em programas de apoio, convertendo suas dores pessoais, ou parte delas, em generosidade e empatia… Então, em 2012, aos 83 anos, foi homenageado pelo conjunto da obra – por suas trajetória artística e ativismo na área de saúde…

Sobre a discografia

A discografia de Byron Janis tem sido frequentemente relançada. Assim, seus registros, desde a época do vinil, até recentemente, seguem disponibilizados, individualmente ou em coleções – tal como box lançado pela “Mercury records”, atraindo novos apreciadores. Seu afeto pela obra e vida de Frédéric Chopin foi notável; também os registros de Beethoven, nas sonatas “Aurora”, “Tempestade” e op. 109…

Maestro Fritz Reiner e pianista Byron Janis.

Mas, especial destaque ganharam as gravações com orquestra, em autores clássicos, como WA Mozart, ou nos românticos, Schumann, Liszt e Tchaikovsky… Também revelou versatilidade, ao abordar obras de Moussorgsky e de autores do século XX, como Gershwin e Prokofiev; além de registros antológicos dos concertos de Rachmaninoff – “trata-se, portanto, de ‘jurássico autêntico’, diriam os colegas do blog”, quando nos referimos à grandes músicos do passado…

E Janis gravou com renomadas orquestras, entre as sinfônicas de “Chicago”, “Minneapolis”, “Boston”, “Philadelphia” e “London”; também, com as filarmônicas de “New York” e “Moscow”; além de notáveis regentes, como Fritz Reiner, Charles Munch, Antal Dorati, Kyril Kondrashin e outros…

Sobre o solista, Will Crutchfield, do “New York Times” – 1985, escreveu: “de estilo peculiar, Mr. Janis alterna movimentos nervosos, golpes repentinos e saltos; com toques frágeis e carícias hesitantes… E assim a música emerge, por vezes, desconcertante, mas, em geral, envolvente…”

“CD Mercury” – Byron Janis e Antal Dorati.

.Registros para download

CD “Mercury records” com suíte “Quadros de uma Exposição”, de Modest Moussorgsky, na versão original, para piano solo; e na versão orquestral, de Maurice Ravel, com a “Minneapolis Symphony”, direção de Antal Dorati:

  • Movimentos: ”Promenade” (Passeio) – Introdução; ”Gnomus”; ”Promenade”; “Il Vecchio Castello”; “Promenade”; ”Tuileries”; ”Bydlo” (‘Carro de Bois’);  ”Promenade”; ”Ballet des petits poussins dans leurs Coques” (‘Balé dos pintinhos nas cascas de Ovos’); ”Samuel Goldenberg et Schmuyle”; ”Promenade”; “Limoges, Le Marché” (‘Mercado, em Limoges’); ”Catacombae, Sepulcrum Romanum”; “Cum mortuis in língua Mortua” (‘Com os mortos em língua Morta’); ”La Cabane de Baba-Yaga sur de pattes de Poule” (‘Cabana de Baba-Yaga sobre patas de Galinha’); ”La Grande porte de Kiev”.

Download aqui

CD “Mercury records” – Concerto de Tchaikovsky.

CD “Mercury records”, com o “Concerto n° 1, em si bemol menor, op. 23”, de Piotr Ilitch Tchaikovsky, com “London Symphony”, direção de Herbert Menges:

  • Movimentos: 1. “Allegro non troppo e molto maestoso – Allegro con spirito”; 2. “Semplice andantino – Prestissimo – Tempo I”; 3. “Allegro con fuoco – Molto meno mosso – Allegro vivo”.

Download aqui

CD “Mercury records” – Concerto de Schumann.

CD “Mercury records” com o “Concerto para piano e orquestra, em lá menor, op. 54”, de Robert Schumann, com “Minneapolis Symphony”, direção de Stanislaw Skrowaczewski; e duas peças para piano solo:

  • “Concerto para piano e orquestra, op. 54”: 1. “Allegro afetuoso”; 2. “Intermezzo – Andantino grazioso”; 3. “Allegro vivace”;
  • “Arabeske, op. 18”, para piano solo;
  • “Quase variações s/Andantino de Clara Wieck”  – “3° mov. da sonata, op. 14” (“Concert sans orchestre”), para piano solo. 

Download aqui

CD “Live from Leningrad 1960″ – Ilustração de Maria Cooper Janis.

Registros inéditos – 2018

Da turnê na ex-URSS, 1960, John von Rhein, do “Chicago Tribune”, revelou “surpreendente gravação encontrada na caixa de correio do eng. de som de Byron Janis, enviada por fonte anônima, que resgatava, de disco vinil, performances ‘ao vivo’ – da sonata ‘Marcia funebre’, de Chopin, e outras, capturando reações da plateia russa”…

As gravações, com mais de 50 anos, foram lançadas em 2018, no CD “Live from Leningrad 1960″… As interpretações de Byron Janis, por vezes, livres e originais, são intensas e belas referências; e as décadas de 1950/60 marcaram auge da carreira…

Segue, áudio youtube da sonata “Marcia funebre”, de Chopin – CD “Live from Leningrad 1960″. (Clique aqui)

Cidade de Havana, Cuba.

Novo intercâmbio cultural – Cuba

“Não toco para governos, toco para pessoas”, disse Byron Janis, quando de sua viagem à Cuba….

E tornou-se primeiro artista americano autorizado a visitar o país caribenho, a convite do governo cubano, 1999; e cerca de 40 anos após turnê, de 1958 – entre os últimos músicos americanos a apresentarem-se na ilha, antes da revolução… Convite ocorreu após prolongado tratamento e parcial retomada da carreira…

Byron Janis – masterclass em Cuba, 1999.

Acompanhado da esposa, visita permitiu rever o país, trocar impressões com músicos e professores, realizar “master-classes”, recitais e concertos; também, interagir com a cultura local e acolhedora população. Além de ser homenageado em original montagem do musical “Corcunda de Notre Dame”…

“In music they will find their freedom”, slogan que abre o documentário da turnê… 

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Finalmente, com a esposa e artista plástica, Maria Cooper Janis, filha do laureado ator, Gary Cooper, escreveram uma autobiografia, intitulada “Chopin and Beyond: My Extraordinary Life in Music and the Paranormal”, lançada em 2010; e produziram o documentário: “A Voyage with Byron Janis”, que aborda aspectos da vida e obra de Chopin…

Byron Janis c/ “Orchestre Philarmonique de L`ORTF”, direção Louis de Froment – Paris, 1968.

Entre os grandes pianistas de sua geração, quem sabe, do século XX, e deixando expressivo legado, humano e artístico, Byron Janis faleceu em Manhattan, New York, 14/03/2024, aos 95 anos…

Segue, áudio youtube da “Ballada n° 1, op. 23”, de Chopin, registro de 1952. (Clique aqui)
Segue, vídeo youtube da “Rapsodia s/ tema de Paganini”, de Sergey Rachmaninoff, com “Orchestre Philarmonique de L’ORTF”, direção Louis de Froment – Paris, 1968. (Clique aqui)

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Autobiografia de Byron Janis, 2010.

Honrarias e documentários

– “Légion d’Honneur – Ordre des Arts et des Lettres – Commandeur”, do Ministério da Cultura, França;
– “Stanford Fellowship”, mais alta honraria da “Universidade de Yale”, USA;
– “Distinguished Pennsylvania Artist Award”, USA;
– “Embaixador Nacional das Artes”, pela “Arthritis Foundation”, USA, 1985;
– “Medalha de Ouro – da Sociedade Francesa pelo Incentivo ao Progresso”, 1° músico a receber a comenda;
Homenagem do “Congresso, USA”: “um músico, um diplomata, uma inspiração”;
– “Artista da Yamanha” e 1° conselheiro da “Yamanha Music and Wellness Institut”; 
– “The Byron Janis Story”, documentário da PBS – direção de Peter Rosen, sobre resiliência e superação, na doença que podia limitá-lo severamente, até interromper carreira…

“Concerto”, por Maria Cooper Janis.

Conselhos didáticos e vivências

Da livre didática de Janis: “Se algumas de minhas soluções interpretativas não lhes parecer corretas, desconsidere-as”, dizia aos alunos… Pois, o ensino passa por fio tênue, entre o conhecimento e a liberdade interpretativa; entre o que ensinar e o que não ensinar, considerando a identidade artística a ser desenvolvida…

Byron Janis, pianista americano (1928-2024).

“Por vezes, peço aos alunos cantarem uma melodia e, invariavelmente, realizam em andamento mais calmo, do que a executam no piano. Assim deveriam abordar o teclado, tal como os cantores o fazem”; ou como recomendava Chopin – “não pratique tanto, mas ouça grandes cantores… Vá à ópera e aprenderá a frasear uma melodia!”

Conselhos técnicos: “Estabeleça metas de estudo e utilize tempos lentos e repetição, para obter aprimoramento efetivo. Mantenha concentração e agenda consistente de treinos – observe a qualidade, no lugar da quantidade!”

Das aulas com Horowitz: dizia o mestre, “algo não está certo…  pense nisto, experimente e traga novamente” – uma orientação vaga, não específica, a induzir reflexão e senso crítico, que instigava soluções próprias, auto confiança e estilo; e recomendava, “seja o 1° Janis, busque sua identidade e supere-se, no lugar de ser um 2° Horowitz”… E após estreia, aos 20 anos, no “Carnegie Hall”, Horowitz o liberou: “agora, você deve seguir. E seus erros e acertos serão seus…”

Josef e Rosina Lhévine, pianistas.

Da experiência com Rosina e Josef Lhévine:Certa ocasião, sr. Lhévine discordara de uma interpretação, que acabará de aprender com sra. Lhévine. Foi difícil lidar com opiniões divergentes, no entanto, descobri que sempre existirão outras leituras possíveis, pois havia apreciado ambas… Assim, não havia o certo ou o errado, apenas o diverso…”

Da amizade com Jascha Heifetz:  Por um tempo, Janis morou com a família Heifetz e tocou informalmente com o grande violinista. Mal-entendidos empresariais, no entanto, impediram projeto de música de câmara, desejado por Heifetz… E certa ocasião, Byron indagou à Frank Sinatra segredo do belo “cantabile”, ao que o cantor respondeu: “eu ouço Jascha Heifetz!”

Capa CD “Mercury records” – Byron Janis “live on tour”.

.Para download, CD “Live on Tour” – box da “Mercury records”, produzido, inicialmente, pela “Janis Eleven Enterprises Ltda”, incluindo diversos autores, entre Haydn, Chopin e Liszt; além de peças do próprio Byron Janis. E lembramos, que algumas das ilustrações de “capa”, da discografia, são criações da esposa, Maria Cooper Janis:

  • Conteúdo: Haydn – “Sonata em mi bemol maior”, Hob. XVI.49 (‘Allegro’, ‘Adagio cantabile’, ‘tempo di minuet’); Chopin – “Polonaise em si bemol maior” (ed. póstuma); “Mazurca em fá menor” (ed. póstuma); “Noturno”, op. 27 n° 2; “Valsa”, op. 34  n° 1; “Largo” (3° mov. da sonata op. 58); “Valsa em sol bemol maior” (ed. póstuma); “Valsa”, op. 70 n° 1; Liszt – “Sonetti del Petrarca n° 104”, S. 270 b; “Paraphase s/ Rigoletto, de Verdi“, S. 434; Byron Janis – “You are more”; “David’s star”; “Like any man”; “By and Cy – more Paganini variations” (c/ Cy Coleman).  

Download aqui

Sobre Byron Janis, da esposa: “música era sua alma, não um ingresso para o estrelato”… “era paixão e amor, que o alimentou em 95 anos de vida”… Requisitos essenciais para quaisquer atividades artísticas; do aprimoramento e dedicação incessantes – entenda-se, “talento e muito suor”, impossíveis sem amor ou paixão…

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“Um brinde à magia da colaboração criativa e ao vínculo compartilhado e duradouro entre artistas!” (Maria Cooper Janis)

“Maria & Byron Janis”

Alex DeLarge

Robert Schumann – Sinfonias – Pablo Heras-Casado, Münchner Philharmoniker

Depois de Brahms, Schumann é meu compositor romântico favorito em se tratando de sinfonias. Desde os primeiros acordes da Primeira Sinfonia, vejo um mundo imenso de possibilidades e sentimentos. Mas ao contrário das sinfonias de seu amigo Brahms, sempre vendo o mundo de uma forma mais complexa e densa, Schumann consegue nos apresentar uma outra forma de ver o mundo, mais alegre, mais colorida e ensolarada. Não por acaso primeira Sinfonia é intitulada ‘Primavera’. Como sempre, sugiro fortemente a leitura do livreto em anexo.

Sabemos que Robert, até determinada fase de sua vida, se dedicava às composições para piano, mas graças à sua esposa, Clara, ele encarou o desafio e compôs a Sinfonia nº1. O depoimento abaixo de Clara Schumann nos dá uma ótima perspectiva do assunto:

“seria melhor se ele compusesse para orquestra; sua imaginação não encontra espaço suficiente no piano… Suas composições são todas orquestrais no sentimento… Meu maior desejo é que ele componha para orquestra – esse é o campo dele! Que eu consiga trazê-lo para isso!” (extraido da Wikipedia, tradução livre).

Ah, Clara, sábias e proféticas palavras, que ajudaram a nos trazer quatro obras primas fundamentais do repertório sinfônico.

Existem diversas gravações de excelente qualidade destas sinfonias, já trouxemos diversas opções. Pablo Heras-Casado vem se destacando nos últimos anos nos palcos do mundo inteiro, e essa sua parceria com a poderosa Filarmônica de Munique só ajuda a fortalecer seu nome. A gravação foi realizada em 2022, bem recente, e lançada pelo selo Harmonia Mundi.

CD 1

Symphony No. 1 Op.38 ‘Frühling’ B-Dur
1 | I. Andante un poco maestoso – Allegro molto vivace
2 | II. Larghetto
3 | III. Scherzo. Molto vivace
4 | IV. Allegro animato e grazioso

Symphony No.2 Op.61 C major
5 I. Sostenuto assai – Un poco più vivace – Allegro ma non troppo – Con fuoco
6 II. Scherzo. Allegro vivace
7 III. Adagio espressivo
8 IV. Allegro molto vivace

CD 3

Symphony No.3 Op.97 ‘Rhenish’ E-flat major
1 I. Lebhaft
2 II. Scherzo. Sehr mäßig
3 III. Nicht schnell
4 IV. Feierlich
5 V. Lebhaft

Symphony No.4 Op. 120 (1851 version) D minor
6 I. Ziemlich langsam – Lebhaft
7 II. Romanze. Ziemlich langsam
8 III. Scherzo. Lebhaft
9 IV. Langsam – Lebhaft

Münchner Philharmoniker
Pablo Heras-Casado

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FDP

Homenagem a Maurizio Pollini: “Schumann & Schoenberg – Concertos para Piano”

Homenagem a Maurizio Pollini: “Schumann & Schoenberg – Concertos para Piano”
Maurizio Pollini e esposa – “Marilisa”.

Mestre incontestável do piano, Maurizio Pollini deixou imenso e diversificado legado, em trajetória musical de mais de 60 anos…

Nascido em Milão, Itália, 1942, numa família de artistas – pai violinista e arquiteto; mãe cantora e pianista; e irmão escultor; aos 14 anos, já executava os estudos de Chopin e, aos 18 anos, venceu célebre “Concurso Internacional Chopin”, VI edição – 1960, sendo mais jovem concorrente e tendo Arthur Rubinstein na presidência de honra…

Clareza e precisão acompanharam carreira e performances, muitas vezes, levando à controvérsia, quanto às sensibilidade e lirismo de suas interpretações, o que fica a critério do público e inúmeros registros, em áudio e vídeo… No entanto, parece indiscutível seu comprometimento musical, sua obsessão pela excelência e profundidade… Assim, teve trajetória musical marcada por exigente repertório, distanciando-se de quaisquer tipos de leveza ou apelo virtuosístico, apesar dos amplos recursos: “Pollini tinha maior desenvoltura, aos 18 anos, que quaisquer dos jurados”, disse Rubinstein, em Varsóvia, 1960…

Maurizio Pollini, vencedor da “VI Edição do Concurso Internacional Chopin”, Varsóvia – Polônia, 1960.

Então, mergulhou em mundos pouco acessíveis, das asperezas da última fase de Beethoven, ou da música dodecafônica e contemporânea… E seus registros apresentavam combinações inusitadas, como os concertos de Schumann e Schoenberg, que sugerimos nesta edição…

Também realizou cursos em composição e direção, com breves incursões, na década de 1980, com a ópera “La Donna del Lago”, de Rossini; ou em concertos sinfônicos e parcerias com o filho, Danieli Pollini. Mas, sua atuação como pianista prevaleceu… E durante os chamados “anos de chumbo”, década de 1960, engajou-se politicamente, filiando-se à esquerda democrática italiana; além de agendar, com Claudio Abbado, programas acessíveis de música erudita, em fábricas e universidades – motivos de reflexão, presentes ao longo da carreira…

Maurizio Pollini e Claudio Abbado em ensaio c/orquestra.

E disse, ao “The Guardian”, em 2011: “A arte, em si, tem sempre caráter progressista e necessário, mesmo que pareça absolutamente inútil, em termos práticos”… “de certa forma, a arte representa o ato de ‘sonhar’, para uma sociedade. Se dormir ou sonhar são de vital importância para um ser humano; da mesma forma, uma sociedade não sobreviveria sem a arte…”

Dado a precocidade, após “Concurso de Varsóvia”, o jovem Pollini, então, aluno de Carlo Vidusso, decidiu ampliar repertório no lugar de iniciar carreira internacional… E convites eram muitos… Assim, por algum tempo, passou a ler, jogar xadrez e conviver, informalmente, com Arturo Benedetti Michelangeli, célebre pianista… E aliou ao repertório tradicional, de Schubert, Chopin, Schumann e Beethoven; autores do século XX, como Stravinsky, Bartók, Schoenberg e Webern; além de modernistas do pós-guerra, como Stockhausen, Boulez e Luigi Nono – delineando estilo e preferências, como músico e intérprete…

E com amigo de longa data, maestro Claudio Abbado, realizou inúmeras parcerias; além de atuar com outros regentes, como Karl Bohm, Riccardo Muti, Daniel Barenboim e Riccardo Chailly… Artista aclamado, conquistou dois prêmios “Grammy”: em 1980, com “Piano concertos 1 + 2”, de Bartók, com “Chicago Symphony Orchestra”, direção Claudio Abbado; e em 2007, curiosamente, com a integral dos “Noturnos”, de Chopin, apesar da controversa discussão entre seus lirismo e desenvoltura técnica… Também gravou notáveis integrais, das sonatas de Beethoven e do “Cravo Bem Temperado”, vol. 1, de JS Bach…

Maurizio Pollini e Claudio Abbado – dois grandes amigos…

No final de 2016, “Deutsche Grammophon” lançou conjunto com 55 CDs e DVDs, celebrando 75 anos do pianista… Artista discreto, Pollini dizia: “Minhas decisões na escolha de repertório basearam-se sempre na convicção de que nunca me cansaria de tocá-lo”… E teve períodos em que preferiu concertos ao vivo, do que realizar gravações. E disse, à revista “Gramophone”: “Temos que conviver com fato de que uma performance tem permanência artificial, pois nossas ideias estão sempre mudando”… Assim, “um registro deve ser aceito como documento de um momento. (Por isto), quase nunca ouço meus discos antigos…”

E nos últimos anos, embora distanciado, permaneceu atento à política italiana, ao questionar com franqueza, especialmente, a esquerda, pela qual tanto se mobilizou… E a música, seu meio natural, permaneceu ponto de partida e chegada, razão de sua existência e referência de vida…

Maurizio e o filho, Daniele Pollini – pianistas.

Família de pianistas, Maurizio Pollini foi casado, por 56 anos, com Maria Elisabetta – apelido “Marilisa”, e com o filho, Daniele, realizou alguns concertos e gravações…  E, finalmente, do rigor, cultivado ao longo da carreira, nos últimos anos, descontraiu-se pouco mais, adicionando “bis” e autografando CDs nos recitais, então, interagindo afetivamente com seu imenso público… Assim, apaziguava-se e celebrava a vida!

Para Download: “Schumann & Schoenberg Piano Concertos”, com “Die Berliner Philharmoniker”, direção Claudio Abbado.

Robert Schumann: “Konzert für Klavier und Orchester”, op. 54

01 1. Allegro affettuoso (15:04) – 02 2. Intermezzo (Andantino grazioso) (05:30) – 03 3. Allegro vivace (10:28)

Arnold Schoenberg: “Concerto for Piano and Orchestra”, Op.42

04 1. Andante (04:36) – 05 2. Molto allegro (02:31) – 06 3. Adagio (06:02) – 07 4. Giocoso (moderato) (06:03)

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Capa “Deutsche Grammophon” – Maurizio Pollini e “Die Berliner Philharmoniker”, direção Claudio Abbado.

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“Falecido, aos 82 anos, Pollini é lembrado entre os maiores músicos dos últimos 50 anos. E na Itália, teatro “alla Scala”, de Milão, fez especial referência – entre seus mais atuantes solistas…”    

“Em singela homenagem do blog PQP Bach…”

Alex DeLargue

Schubert (1797 – 1828), Schumann (1810 – 1856), Mahler (1860 – 1911): Seleção de Canções – Samuel Hasselhorn, barítono ֎

Schubert (1797 – 1828), Schumann (1810 – 1856), Mahler (1860 – 1911): Seleção de Canções – Samuel Hasselhorn, barítono ֎

Nasce uma estrela!

Nesta postagem reuni uma coleção de Lieder de Schubert, o ciclo Dichterliebe de Schumann e duas canções do Des Knaben Wunderhorn de Mahler, interpretados pelo (ainda) jovem barítono alemão Samuel Hasselhorn. Veja também [1] e [2] e [3].

Essas canções foram escolhidas de três álbuns gravados entre 2014 e 2018. As canções de Schubert vêm do disco de 2014, Nachtblicke, no qual além de Schubert há canções de Hans Pfitzner e Aribert Reimann.

O ciclo de Schumann vem do álbum de 2018, Dichterliebe2, no qual o já mencionado ciclo é precedido de canções sobre os mesmos exatos poemas musicados por outros compositores, o que dá conta para o símbolo matemático usado no título (eu teria preferido 2 x Dichterliebe, mas…).

As duas canções de Mahler e a segunda gravação do Erlkonig vêm do álbum que reúne todas as apresentações de Samuel no Queen Elisabeth Competition, 2018. Desde 2020 Hasselhorn tem gravado para o selo harmonia mundi, que considera o quinquênio 2023 – 2028 parte das homenagens que devem ser prestadas pelos 200 anos desde a morte de Franz Schubert. Assim, em breve teremos mais postagens com o cantor, que já tem neste novo selo pelo menos três álbuns.

 

 

Franz Schubert (1797 – 1828)

Lieder

  1. Schwanengesang, D. 957 No. 8: Der Atlas
  2. Schwanengesang, D. 957 No. 7. Abschied
  3. Schwanengesang, D. 957 No. 9. Ihr Bild
  4. Erlkonig, Op. 1, D. 328
  5. Erlkonig, Op. 1, D. 328 (Live)
  6. Am Tage aller Seelen, D. 343, ”Litanei auf das Fest aller Seelen”
  7. Nachtstuck, Op. 36, No. 2, D. 672
  8. Im Freien, D. 880
  9. Des Sangers Habe, D. 832
  10. Widerschein, D. 949
  11. Schwanengesang, D. 957 No. 14. Die Taubenpost

Robert Schumann (1810 – 1856)

Dichterliebe, op. 48

  1. 1 – Im wunderschönen Monat Mai
  2. 2 – Aus meinen Tränen spriessen
  3. 3 – Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne
  4. 4 – Wenn ich in deine Augen seh
  5. 5 – Ich will meine Seele tauchen
  6. 6 – Im Rhein, im heiligen Strome
  7. 7 – Ich grolle nicht
  8. 8 – Und wüßten’s die Blumen, die kleinen
  9. 9 – Das ist ein Flöten und Geigen
  10. 10 – Hör’ ich das Liedchen klingen
  11. 11 – Ein Jüngling liebt ein Mädchen
  12. 12 – Am leuchtenden Sommermorgen
  13. 13 – Ich hab’ im Traum geweinet
  14. 14 – Allnächtlich im Traume
  15. 15 – Aus alten Märchen winkt es
  16. No – 16, Die alten, bösen Lieder

Gustav Mahler (1860 – 1911)

Des Knaben Wunderhorn

  1. Wer hat dies Liedlein erdacht (Live)
  2. Wo die schönen Trompeten blasen (Live)

Samuel Hasselhorn, barítono

Takako Miyazaki, piano (1-4, 6-11)

Joseph Middleton, piano (5)

Boris Kusnezow, piano (12-27)

La Monnaie Symphony Orchestra (28-29)

Alain Altinoglu, regente

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MP3 | 320 KBPS | 192 MB

Following his First Prize triumph at the 2018 Queen Elisabeth Competition, Samuel Hasselhorn has quickly established himself internationally as a versatile artist who is equally at home in the genres of opera, Lied, and oratorio.

As an internationally sought-after and esteemed Lied interpreter, Samuel Hasselhorn regularly collaborates with renowned pianists such as Helmut Deutsch, Malcolm Martineau, Ammiel Bushakevitz, Julien Libeer, Philippe Cassard and Joseph Middleton.

Samuel Hasselhorn is a prizewinner of numerous competitions and studied at the Hannover University of Music, Drama and Media with Prof. Marina Sandel and at the Conservatoire National Supérieur de la Musique et de Danse de Paris with Malcolm Walker. He received further musical impulses in master classes with Kiri Te Kanawa, Kevin Murphy, Thomas Quasthoff, Helen Donath, Annette Dasch, Susan Manoff, Jan-Philip Schulze, Anne Le Bozec and Martin Brauß.

Aproveite!

René Denon

Brahms & Schumann – Works for Cello & Piano – Bruno Philippe, Tanguy de Williencourt

Essa excelente dupla de músicos franceses já apareceu cá pelas bandas do PQPBach em outra ocasião, em postagem do colega René Denon. Hoje trago os dois encarando aquela que considero a mais bela Sonata para Violoncelo e Piano já composta, o op. 38 de Brahms. Uma obra prima como esta precisa antes de tudo de parceria entre os músicos, e aqui temos Philippe e Williencourt em perfeita sintonia.

Nesta primeira Sonata, composta quando o compositor ainda andava entrando nos seus trinta anos, temos uma novidade: Brahms omite o movimento lento, ficando estruturada da seguinte forma: Allegro non troppo, Allegretto quasi minuetto and Allegro. Trata-se de uma obra leve, solta, porém já com aquela densidade tipicamente brahmsiana, ou seja, nada é tão simples assim. Bruno Phillipe é jovem, ainda tem uma carreira longa pela frente, e não se intimida com as armadilhas de obras tão expressivas. Expõe contidamente toda sua carga dramática, mostrando que é um músico em pleno desenvolvimento, apesar da precocidade.

Malcolm McDonald, em sua excelente e fundamental biografia de Brahms, assim descreve essa primeira Sonata:

Contudo, o resultado é característicamente brahmsiano, acima de tudo no primeiro movimento, cujo caráter cismático e meditativo é reforçado pela concentração de Brahms sobre o registro mais baixo do violoncelo e o tom vivo e sombrio das cordas inferiores. O Piano, porém, nunca é limitado a um papel só de acompanhamento. Brahms de fato seguiu a praxe clássica de denominar a obra uma ‘Sonata para Piano com Violoncelo’, enfatizando a paridade dos dois instrumentos e na co-projeção do material temático as tessituras são minuciosamente entretecidas, às vezes a beira da obscuridade.

Espremida entre a Primeira e a Segunda Sonata, dois petardos peso pesadíssimos, Phillipe e Williencourt nos proporcionam mais momentos prazerosos e mais leves, quando interpretam as “Fantasiestücke for cello and piano”, de Robert Schumann, pequenas peças compostas originalmente para Clarinete, mas podendo ser arranjadas para violoncelo, de acordo com as próprias notas do compositor.

A Segunda Sonata para Violoncelo e Piano, de 0p. 99,  já foi composta por um compositor maduro, totalmente ciente de seu talento e fama. Uma pequena curiosidade: Brahms compôs esta e outras duas de suas obras primas, a Sonata para Violino op. 100 e o Trio com Piano op. 101, enquanto passava suas férias de verão na estação suíça de Hofstetten. Ou seja, este foi um período altamente produtivo. MCDonald considera esta Segunda Sonata ‘de forma relativamente expansiva e de caráter extrovertido.’

Como salientei acima, Bruno Phillipe é um músico jovem (estes registros foram realizados em 2014, quando o músico tinha meros vinte anos de idade), e muito talentoso e tem um grande futuro pela frente, e sua parceria com o pianista Tanguy de Williencourt já proporcionou excelentes CDs, que em algum momento no futuro trarei para os senhores.

Brahms & Schumann – Works for Cello & Piano – Bruno Philippe, Tanguy de Williencourt

Johannes Brahms (1833-1897)

Sonata for cello and piano n°1 in E minor, op. 38

1. Allegro non troppo
2. Allegro quasi Menuetto
3. Allegro

Robert Schumann (1810-1856)

Fantasiestücke for cello and piano, op. 73
4. Zart und mit Ausdruck
5. Lebhaft, leicht
6. Rasch und mit Feuer

Johannes Brahms (1833-1897)

Sonata for cello and piano n°2 in F major, op. 99
7. Allegro vivace
8. Adagio affetuoso
9. Allegro passionato
10. Allegro molto

Bruno Philippe – Cello
Tanguy de Williencourt – Piano

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FDP

Robert Schumann (1809-1856): Pollini plays Schumann — Davidsbündlertänze / Concert sans orchestre / Kreisleriana / Allegro Op. 8 / Gesänge der Frühe

Robert Schumann (1809-1856): Pollini plays Schumann — Davidsbündlertänze / Concert sans orchestre / Kreisleriana / Allegro Op. 8 / Gesänge der Frühe

Decidi, hoje à noite, ouvir uma melodia doce, em quadros minúsculos. Os universos sinfônicos são extensos demais para esta noite. Quero retratos pequenos. Devaneios. Por isso, desejei apreciar a música de Robert Schumann, com o mago do piano Maurizio Pollini. Adjetivos são dispensáveis para algo assim. Sempre penso que existe um intervalo de silêncio na música de Schumann. As melodias são inexplicáveis. Schumann era um grande melodista. Essa desconfiança se confirma em Chopin, mas Schumann possui peças em que essa percepção se adensa — Kresleriana, Cenas Infantis, Cenas da Floresta, Carnaval etc. Penso que ele, Mozart, Chopin e Tchaikovsky tenham sido os maiores melodistas que surgiram.  Schumann possui uma linguagem carregada de sentimento e reflexão. Mas como estou bastante cansado esta noite, dispensarei os colóquios flácidos. Trabalhei o dia todo e quase não consegui escrever estas palavras. Mas, ouçamos este baita CD com o Pollini. Uma boa apreciação!

Robert Schumann (1809-1856): Pollini plays Schumann — Davidsbündlertänze / Concert sans orchestre / Kreisleriana / Allegro Op. 8 / Gesänge der Frühe

DISCO 01

Davidsbündlertänze Op.6
01. I- Lebhaft
02. II- Innig
03. III- Etwas hahnbüchen
04. IV- Ungeduldig
05. V- Einfach
06. VI- Sehr rasch und sich hinein
07. VII- Nicht schnell und mit äußerst starker Empfindung
08. VIII- Frisch
09. IX- Crotchet = 126
10. X- Balladenmässig, sehr rasch
11. XI- Einfach
12. XII- Mit Humor
13. XIII- Wild und lustig
14. XIV- Zart und singend
15. XV- Frisch
16. XVI- Mit gutem Humor
17. XVII- Wie aus der Ferne
18. XVIII- Nicht schnell

Concert sans orchestre Op.14
19. I- Allegro brillante
20. II- Quasi Variazioni. Andantino de Clara Wieck
21. III- Prestissimo possible

DISCO 02

Allegro in B minor Op.8 (1831)
01. Allegro in B minor Op.8 (1831)

Kreisleriana Op.16
02. I- Äusserst bewegt
03. II- Sehr innig
04. III- Sehr aufgeregt
05. IV- Sehr langsam
06. V- Sehr lebhaft
07. VI- Sehr langsam
08. VII- Sehr rasch
09. VIII- Schnell und spielend

Gesänge der Frühe Op.133
11. I- Im ruhigen Tempo
12. II- Belebt, nicht zu rasch
13. III- Lebhaft
14. IV- Bewegt
15. V- Im anfange ruhges, im Verlauf beweg

Maurizio Pollini, piano

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Maurizio Pollini (1942)

Carlinus

Robert Schumann (1810-1856): Liederkreis, Dichterliebe – P. Schreier, tenor; A. Schiff, piano

Música de câmara boa é aquela marcada por um certo clima de intimidade: menos carregado, menos intenso ou sério do que um grandioso concerto de Tchaikovsky ou sinfonia de Bruckner. O tenor alemão Peter Schreier, já então um senhor de mais de sessenta anos com uma carreira cheia de sucessos em óperas de Wagner e Mozart e paixões de Bach, reuniu-se em 2002 com András Schiff – que tinha menos de 50 – para esse recital inteiro dedicado a Lieder de Schumann. Em português: canções. Outras notáveis vozes como o barítono D. Fischer-Dieskau e a soprano Jessye Norman provavelmente fizeram gravações dessas obras com mais virtuosismo vocal, mais precisão nas subidas e descidas, mas também com certos exageros e arroubos que soam melhor em árias de ópera… Aqui nesta gravação, a voz de Schreier soa humana, muito humana, ou seja: limitada, imperfeita, o que é um diferencial em nossos tempos de gravações perfeitíssimas tanto nos clássicos quanto na música pop de autotune e shows com playback. (Breve parêntesis pra falar de outro grande cantor maduro: nos shows no Maracanã em dezembro de 2023 aos 81 anos, Paul McCartney também mostrou uma voz bastante humana e bem cuidada, mas em uns 10% das canções havia algum playback? Ou não?)

Schreier e Schiff às vezes se rendem brevemente ao estrelismo característico de intérpretes famosos mas logo depois, como aquelas flores que se fecham à noite, se seguram nos vários momentos suaves com dinâmica marcada piano. Aliás, boa parte das temáticas das canções de Schumann são romanticamente noturnas com títulos como “Noite de luar”, “Diálogo na floresta” e “Noite de Primavera”.

E uma característica comum em todos os ciclos de Lieder de Schumann é a escrita para piano sempre interessante: o pianista não está apenas acompanhando o cantor, sempre tem seus momentos de brilho com alguns ritmos, manias, trejeitos bem típicos do Schumann das obras para piano solo como o Carnaval, as Sonatas ou a Kreisleriana.

Com seu jeito de tocar pontuando as frases musicais com um certo humor húngaro discreto mas quase constante, András Schiff tem uma afinidade especial com certos compositores: Bartók, claro, mas também os barrocos Bach e Scarlatti e os centro-europeus Haydn e Schumann. O mais comum é que Schiff faça mesmo os momentos mais carregados em termos intelectuais (no Bach) ou em termos emocionais (no Schumann) com uma pitada do mesmo sarcasmo que aparece no Bartók. Respeitando os estilos de cada compositor, claro, apenas adicionando um leve tempero exótico.

Robert Schumann (1810-1856):
1-9. Liederkreis, Op. 24 (poemas de Heinrich Heine)
10-21. Liederkreis, Op. 39 (poemas de Joseph von Eichendorff)
22-37. Dichterliebe, Op. 48 (poemas de Heinrich Heine)

Peter Schreier (1935 – 2019) – tenor
András Schiff (n. 1953) – piano
Recorded: Lukaskirche, Dresden, 2002

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Pleyel

Mendelssohn / Schumann: Concertos para Violino (Capuçon / Harding)

Nem com a maior boa vontade do mundo, alguém poderia classificar o Concerto Para Violino de Schumann como sendo um dos principais do gênero. Só em 1937 é que ele foi acrescentado à lista dos seus Concertos, uma vez que a sua viúva, Clara, juntamente com Brahms e Joachim, se recusaram a incluí-la entre as obras do compositor. Aqui, o esplêndido Renaud Capucon, com a excelente Orquestra de Câmara Mahler dirigida por Daniel Harding, pretende converter-nos a esta obra negligenciada. O primeiro movimento é pouco convincente, o segundo é ótimo, sublime até, conduzindo a um final que, novamente não é bem sucedido. Experimente, você vai ficar surpreso às vezes negativamente, mas ainda é a música de uma alma romântica que ainda tinha muito dentro de si. Lembrem-se de que Schumann ficou louco — como se dizia na época.

O Concerto de Mendelssohn, seguramente o mais gravado de todos os tempos, recebe outra execução linda que não chafurda nunca — refiro-me ao movimento lento onde certos executantes fazem algo bem brega. Aqui não, Capuçon vai direto ao ponto. Ela é uma música para sentar e fruir, o som é nítido e a orquestra toca demais.

Então você tem dois Concertos: um é um hit de todos os tempos, o outro é uma despedida.

Mendessohn / Schumann: Concertos para Violino (Capuçon / Harding)

Violin Concerto in E minor = E-moll = En Mi Mineur Op. 64
l Allegro Molto Appassionato 12:47
ll Andante – Allegretto Non Troppo 8:22
lll Allegro Molto Vivace 6:04

Violin Concerto In D Minor = D-moll = En Ré Mineur
l. In Kräftigem, Nicht Zu Schnellem Tempo 14:52
ll Langsam 6:16
lll Lebhaft, Doch Nicht Schnell 10:01

Conductor – Daniel Harding
Orchestra – Mahler Chamber Orchestra
Violin – Renaud Capuçon

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Ele não tem cara de técnico de futebol?

PQP

Robert Schumann (1810-1856): Obras Completas para Sopros e Piano (Drucker / Kuyper / Robinson / Shapiro)

Robert Schumann (1810-1856): Obras Completas para Sopros e Piano (Drucker / Kuyper / Robinson / Shapiro)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD extraordinário de obras não tão divulgadas de Schumann. Afinal, Schumann não parece combinar muito com trompas, clarinetes e oboés, certo? Bom, eu acho que as pessoas pensam assim, em sua maioria. O único problema é que as peças foram ordenadas por qualidade descrescente. Ou seja, o disco inicia com uma absoluta obra-prima — sem exagero, o Andante e Variações é isso mesmo, uma obra-prima –, segue com (muito) boas peças e termina meio combalido. O CD tem 66 minutos, mas cansa no final. Experimente!

Robert Schumann (1810-1856): Obras Completas para Sopros e Piano (Drucker / Kuyper / Robinson / Shapiro)

1 Andante und Variationen, Op. 46 20:07

2 Adagio und Allegro, Op. 70: Langsam – mit innigem Ausdruck 04:07
3 Adagio und Allegro, Op. 70: Rasch und feurig 04:46

4 Phantasiestücke, Op. 73: Zart und mit Ausdruck 03:01
5 Phantasiestücke, Op. 73: Lebhaft – Leicht 03:16
6 Phantasiestücke, Op. 73: Rasch und mit Feuer 03:40

7 Drei Romanzen, Op. 94: Nicht schnell 03:15
8 Drei Romanzen, Op. 94: Einfach – innig 03:47
9 Drei Romanzen, Op. 94: Nicht schnell 04:07

10 Märchenerzählungen, Op. 132: Lebhaft – nicht zu schnell 02:50
11 Märchenerzählungen, Op. 132: Lebhaft – und sehr markirt 03:22
12 Märchenerzählungen, Op. 132: Ruhiges Tempo – mit zartem Ausdruck 04:18
13 Märchenerzählungen, Op. 132: Lebhaft – sehr markirt 04:24

Stanley Drucker, clarinete
L. William Kuyper, trompa
Joseph Robinson, oboé
Hetch & Shapiro, duo de pianistas

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Bob Schumann era bem apessoado, não acham?

PQP

Frédéric Chopin (1810-1849): 24 Prelúdios / Robert Schumann (1810-1856): Carnaval (Freire, piano)

Nelson Freire, vocês sabem, foi muito aplaudido e respeitado em vários lugares do mundo. Curiosamente, ao contrário dos últimos anos de sua carreira, quando lotava a maior sala de concertos de Paris (Philharmonie) e tocava com grandes orquestras e maestros em Londres, Leipzig (aqui) e São Petersburgo, o início de sua carreira teve um acolhimento maior na América do Norte. Foi nos EUA e no Canadá que ele gravou alguns recitais que seriam depois lançados comercialmente ou que circulariam entre fãs (como este aqui de 1975 com Scherzo de Chopin e Sonata de Scriabin de altíssimo nível).

Suas primeiras gravações em estúdio lançadas comercialmente, portanto, foram pela CBS (Columbia), selo americano que depois seria incorporado à japonesa Sony. Curiosidade inútil: no mesmo estúdio da Columbia (30th st., New York) onde Nelson gravou os 24 Prelúdios de Chopin, no ano anterior Miles Davis havia gravado o álbum Jack Johnson e, antes, Filles de Kilimanjaro, Kind of Blue e outros álbuns. Vladimir Horowitz também gravou muita coisa lá.

O disco com os Prelúdios recebeu o prestigioso Prêmio Edison em Amsterdam. Mas, apesar desses sucessos de crítica antes dos 30 anos, ele só teria um grande público europeu a ponto de lotar salas como o Concertgebouw de Amsterdam em recitais solo lá por volta do ano 2000.

O disco de hoje é uma compilação da revista francesa Diapason lançada em 2015, testemunhando o prestígio que ele tinha em Paris, onde viveu suas últimas décadas, passando alguns meses em sua outra casa no Rio de Janeiro próxima à pacata praia da Joatinga. Chopin e Schumann são compositores que sempre estiveram muito próximos do coração de Nelson, assim como de seus grandes ídolos que ele chegou a conhecer e, em certos aspectos, imitar: A. Rubinstein (1887-1982), G. Novaes (1896-1979), V. Horowitz (1903-1989)…

Em dezembro de 2021, ao dar “adeus a um poeta do piano”, a revista Diapason recordou o disco Brasileiro (2012), com obras que evocam os anos de estudo de Freire no Rio de Janeiro. Ali, “o grande saudadista” (no original em francês: le grand saudadiste) retornava para as atmosferas, paisagens e cheiros do Brasil. Essa exótica definição de Freire com o neologismo saudadista ajuda a explicar a maneira como ele se entrega de corpo e alma para a linguagem romântica de Chopin e Schumann. A homenagem da Folha de São Paulo foi na mesma linha da Diapason: “Nelson Freire foi o elo entre a era de ouro do piano e o terceiro milênio”.

Capa da reedição da Diapason (2015) pegou uma outra foto da mesma seção que rendeu a capa do LP dos Prelúdios. Nesta aqui ele está menos sério e o pescoço aparece mais

Frédéric Chopin:
24 Préludes, op. 28
Impromptu No. 2, op. 36
Mazurka em si menor, op. 33 nº 4
Mazurka em ré maior, op. 33 nº 2
Robert Schumann:
Carnaval – Scènes mignonnes sur quatre notes (Pequenas cenas sobre quatro notas)
Nelson Freire, piano

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Original Releases:
Préludes: 1971 (recorded: Columbia 30th Street Studio, New York City, USA)
Impromptu, Mazurkas: 1983 (recorded: Herrenhaus Gut Hasselburg, Neustadt, Germany)
Carnaval: 1969 (recorded: Kirchgemeindehaus, Winterthur, Switzerland)

Nelson Freire com retratos de L. Branco, G. Novaes e F. Liszt (Crédito: Inst. Piano Brasileiro)

Pleyel

 

Klára Würtz Plays Romantic Piano Music – Romantischer Klavierabend ֎

 

Música Romântica

Para Piano

Klára Würtz

 

 

Recebi uma pasta musical que prometia – Concerto para Piano No. 2 de Brahms mais as Quatro Peças para Piano, op. 119 – um total de oito arquivos na pasta, um disco virtual com oito faixas, quatro do concerto e as outras quatro, das lindas peças. O selo holandês Brillant não é assim, uma Brastemp, mas traz ótimas gravações e oferece muitas outras possibilidades além do que costuma ser gravado de novo e de novo. A pianista Karin Lechner pode não ser muito conhecida, mas foi protegida de Martha Argerich e isso não costuma acontecer por nada.  A expectativa pelo disco era alta, mas ao colocar para tocar a música que surgiu foi bem outra. Escondidas atrás das informações sobre a música de Brahms estava um recital para piano, música do período romântico. Pois a deliciosa dúvida imediatamente se pôs – o que e quem estaria tocando? Até parecia um desafio do PQP Bach.

As quatro primeiras faixas eram familiares, melodias bem conhecidas, mas eu não conseguia exatamente descobrir o que estava tocando. Depois de uma segunda audição, algumas cascatas de notas começaram a se revelar. Busquei a confirmação comparando com arquivos do meu acervo (atividade bem divertida) e assim surgiu o primeiro nome – Gnomenreigen, de Liszt. Eu confesso não ter muita paciência com Liszt, mas não faz muito tempo postei dois discos de Murray Perahia e lá estava a confirmação. Daí para descobrir que a faixa quatro era a Valsa Mefisto foi um pulo, pois ela também estava num disco que havia ouvido há pouco, um disco com valsas gravado pelo pianista Vassilis Varvareso. A terceira faixa foi a que mais me iludiu. Eu achava que poderia ser um noturno de Chopin, mas não conseguia nenhuma coincidência. Fui para outra parte do disco e duas faixas descobri de cara. Schubert, Impromptu, só faltou verificar qual deles. O disco mais a mão era uma gravação de Marc-André Hamelin. Logo em seguida a faixa oito, a Primeira Balada de Chopin, linda, como interpretada por Nobuyuki Tsujii. Fui dormir com o placar empatado, quatro a quatro. No outro dia, cedo, outra faixa logo se revelou, Arabesco de Schumann, como não percebi antes? Lá estava a prova, no disco do Fabrizio Chiovetta. Mas essas vitórias empalideciam quando eu pensava na terceira faixa, tão perto, mas tão distante. Dei tratos à bola, mas nada… Neste ponto me ocorreu algo, e você pode até dizer que foi golpe baixo, mas a curiosidade me aguçava e então, apelei: Google Search – Pesquisar uma música – e a peça revelou-se o Sonho de Amor, de Liszt. Como não pude ver antes? Como dizem os gringos, I was barking to the wrong tree, pensando que pudesse ser algo de Chopin. Aí o recital se revelou por inteiro. A primeira peça, o outro estudo de Liszt, também gravado pelo Perahia, Ruídos da Floresta, e a quinta faixa, outra famosíssima, Les Jeux d’eau à la Villa D’Este, que tenho tocada pelos dedos de outro grande pianista, Pierre-Laurent Aimard. De posse do programa, faltava descobrir o pianista, mas com a lista dos nomes das peças, não foi difícil localizar. O Google logo deu o serviço, a pianista é a ótima Klára Würtz, que já teve discos aqui por mim postados, num disco do mesmo selo Brillant, com o sugestivo nome ‘Música Romântica para Piano’. O tal disco da Klára tem, na verdade, mais duas faixas, outra de Chopin, a lindíssima Barcarolle, e uma peça virtuosística de Debussy, L’isle joyeuse. Eu já havia montado um disco paralelo com as peças interpretadas pelos outros pianistas, que havia usado como referência para confirmar as peças do disco misterioso. Gostei tanto da atividade que resolvi postar assim, o romântico recital de Klára Würtz e depois, tudo de novo, com os outros intérpretes. Fica com você ouvir tudo e depois me contar do que gostou mais…

Franz Liszt (1811 – 1886)

  1. Estudo de Concerto No. 1 – Waldesrauschen
  2. Estudo de Concerto No. 2 – Gnomenreigen
  3. Liebestraume, S. 541 / R. 211
  4. Valsa Mefisto No. 1
  5. Années de pèlerinage, Livro 3, S. 163 – No. 4, Les jeux d’eau a la Villa d’Este

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu, D935, No. 3 em si bemol maior

Robert Schumann (1810 – 1856)

  1. Arabeske em dó maior, Op. 18

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

  1. Ballade No. 1 em sol menor, Op. 23
  2. Barcarolle em fá sustendo maior, Op. 60

Claude Debussy (1862 – 1918)

  1. L’isle joyeuse

Klára Würtz, piano

Klara Würtz

Disco Paralelo

Franz Liszt (1811 – 1886)

  1. Estudo de Concerto No. 1 – Waldesrauschen
  2. Estudo de Concerto No. 2 – Gnomenreigen

Murray Perahia, piano

  1. Liebestraume, S. 541 / R. 211

Nobuyuki Tsujii, piano

  1. Valsa Mefisto No. 1

Vassilis Varvareso, piano

  1. Années de pèlerinage, Livro 3, S. 163 – No. 4, Les jeux d’eau a la Villa d’Este

Pierre-Laurent Aimard, piano

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu, D935, No. 3 em si bemol maior

Marc-André Hamelin, piano

Robert Schumann (1810 – 1856)

  1. Arabeske em dó maior, Op. 18

Fabrizio Chiovetta, piano

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

  1. Ballade No. 1 em sol menor, Op. 23

Nobuyuki Tsujii, piano

  1. Barcarolle em fá sustendo maior, Op. 60

Dong-Hyek Lim, piano

Claude Debussy (1862 – 1918)

  1. L’isle joyeuse

Van Cliburn, piano

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MP3 | 320 KBPS | 181 MB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

When chosen Gramophone’s Pick of the Month (May 2022), the review sums up: “Würtz’s performances have disarming freshness which throws our listening emphases away from her and back on to the music.” The Hungarian-born pianist Klára Würtz is based in The Netherlands and is best known for her numerous recordings on Brilliant Classics.

Aproveite!

René Denon

Jenő Jandó (1952 – 2023): Uma Pequena Antologia ֎

Jenő Jandó (1952 – 2023): Uma Pequena Antologia ֎

“De muitas maneiras, Jenő Jandó definiu a abordagem que a Naxos tem para o seu catálogo: inovação, completude, qualidade, abrangência e disponibilidade. A isso pode-se acrescentar talvez a supremacia da obra sobre o ego do intérprete.”

Em 4 de julho de 2023 o mundo da música gravada perdeu um de seus mais prolíficos artistas – Jenő Jandó, pianista húngaro. Nascido em Pécs, em 1º de fevereiro de 1952, começou a carreira como a maioria dos pianistas, ganhando concursos e visibilidade. Atuou também como professor da Academia Franz Liszt de Budapest. O acervo de gravações deixado por Jenő Jandó merece as características listadas na página da Naxos – inovação, completude, qualidade, abrangência e disponibilidade.

Gravou para o selo Hungaroton, mas sua carreira de artista de disco se confunde com a do selo Naxos, para o qual deixou um enorme legado.

Para reverenciar tudo o que ele fez pelos amantes da música, especialmente os menos abastados, reuni nesta postagem quatro de seus discos, tentando dar alguma representatividade à sua extensa e bela obra.

Piano e Orquestra: Neste gênero Jenő Jandó deixou muitas gravações memoráveis, como a Integral dos Concertos para Piano de Mozart, que você encontrará aqui no PQP Bach. Há uma gravação da dobradinha com os concertos de Grieg e Schumann e outro disco espetacular com os Concertos de Bartók. Esse último também está aqui no blog. Como neste ano também reverenciamos o último dos românticos, decidi postar o Concerto No. 2 de Rachmaninov, que vem acompanhado da Rapsódia sobre um tema de Paganini. Música para milhões! Veja os louvores do Penguin Guide sobre esse disco, pela tradução feita pelo Chat PQP: As performances dessas obras por Jenő Jandó são muito recomendáveis. Ele tem a completa medida das idas e vindas, a fluência da fraseologia rachmaninoviana e o movimento lento é romanticamente expansivo, a reprise particularmente bela, assim como o final tem bastante energia e um sentimento lírico maduro. A Rapsódia é interpretada brilhantemente, tão boa quanto qualquer performance no catálogo.

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

Concerto para Piano No. 2 em dó menor, Op. 18

  1. Moderato
  2. Adagio sostenuto
  3. Allegro scherzando

Rapsódia sobre um tema de Paganini, Op. 43

  1. Rapsódia

Jenő Jandó, piano

Budapest Symphony Orchestra

Giőrgy Lehel, regência

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MP3 | 320 KBPS | 133 MB

 

Piano Solo: Aqui a lista de gravações é imensa. Nomes como Beethoven, Mozart, Bach, Schubert, Haydn, Schumann, Liszt, Scarlatti estão por lá. De Beethoven, Mozart, Haydn e Schubert gravou as integrais das sonatas para piano e outras cositas… De Bach há gravações do Cravo Bem Temperado e das Variações Goldberg. De qualquer forma, para mim, a Integral das Sonatas para Piano de Beethoven merece uma referência, mesmo tendo seus montes e vales, como disse o Conde Vassily. Desta coleção escolhi o disco que foi lançado como o Volume 2, com três sonatas que têm apelidos: Waldstein, Tempest e Les Adieux. Mais uma vez, o Penguin Guide: Jenő Jandó oferece aqui três das famosas sonatas, interpretadas com muito prazer, e elas soam bem agradáveis devido à sua abordagem direta.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para Piano No. 21 em dó maior, Op. 53 “Waldstein”

  1. Allegro con brio
  2. Introduzione: Molto Adagio
  3. Rondo: Allegretto Moderato

Sonata para Piano No. 17 em ré menor Op. 31 No. 2 “Tempest”

  1. Largo – Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto

Sonata para Piano No. 26 em mi bemol maior Op. 81a “Les Adieux”

  1. Adagio – Allegro (Les Adieux)
  2. Andante Espressivo (L’Absence)
  3. Vivacissimamente (Le Retour)

Jenő Jandó, piano

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MP3 | 320 KBPS | 146 MB

Alguns dias após está postagem ter ido ao ar, recebemos alguns comentários singelos. Entre eles, uma menção a esse disco, que decidi acrescentar à pequena antologia. Vale!

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para Piano No. 8 em dó menor, Op. 13 ‘Pathetique’

  1. Grave – Allegro di molto e con brio
  2. Adagio cantabile
  3. Rondo: Allegro

Sonata para Piano No. No. 14 em dó sustenido menor, Op. 27 No. 2 ‘Ao Luar’

  1. Adagio sostenuto
  2. Allegretto
  3. Presto agitato

Sonata para Piano No. No. 23 em fá menor, Op. 57 ‘Appassionata’

  1. Allegro assai
  2. Andante con moto
  3. Allegro ma non troppo – Presto

Jenő Jandó, piano

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Música de Câmara: Jenő era ótimo músico camarístico e há vários discos primorosos nesse gênero. Sonatas para Violino e Piano com Takako Nishizaki, música para violoncelo e piano, de Kodaly, por exemplo, com a violoncelista Maria Kliegel, música para clarinete e piano com o clarinetista Kálmán Berkes. Para essa postagem escolhi uma gravação na qual ele faz parceria com o ótimo Quarteto Kodály, outra instituição da Naxos. Veja os comentários sobre a gravação dos Quintetos com Piano de Schumann e Brahms por esses titulares absolutos do time Naxos. Sobre o Quinteto de Brahms: “Essa ótima gravação da Naxos tem muito a oferecer, mesmo que não inclua a repetição da exposição do primeiro movimento. A execução é ousadamente espontânea e possui muita energia e sentimento expressivo. A abertura do final também possui um certo mistério e, de maneira geral, com uma gravação cheia de corpo e muita presença, isso causa uma forte impressão. Certamente, é uma pechincha.” Sobre o Quinteto de Schumann: “Uma performance fortemente caracterizada do belo Quinteto de Schumann, interpretado por Jenő Jandó e o Quarteto Kodály. Esta é uma interpretação vigorosa, romântica em espírito, e sua espontaneidade é bem transmitida por uma gravação vívida, feita em uma acústica atraente e ressonante.”

Robert Schumann (1810 – 1856)

Quinteto com Piano em mi bemol maior, Op. 44

  1. Allegro Brillante
  2. In Modo D’una Marcia. Un Poco Largamente
  3. Scherzo: Molto Vivace – Trio I – Trio II – L’istesso Tempo
  4. Allegro, Ma Non Troppo

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Quinteto com Piano em fá menor, Op. 34

  1. Allegro Non Troppo
  2. Andante, Un Poco Adagio
  3. Scherzo: Allegro – Trio
  4. Finale: Poco Sostenuto – Allegro Non Troppo – Presto, Non Troppo

Jenő Jandó, piano

Kodaly Quartet

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Música Ligeira: Num outro aspecto da música gravada, decidi trazer esse disco com selo Hungaroton, com música mais leve e despretensiosa – típica do período austro-húngaro, que revela outro aspecto da produção deste verdadeiro maratonista do piano que foi Jenő Jandó. O disco contém peças de Rossini e Schubert arranjadas para piano por Liszt. Rossini era frequentador das soirées nas casas dos abastados Aguado e Rothschild, onde ele geralmente acompanhava trechos mais famosos de suas óperas ao piano. Eventualmente ele acabou compondo novas peças para essas ocasiões. Isso deu surgimento a árias e duetos que foram posteriormente publicadas em ciclos, com o nome Soirées musicales. Liszt gostava bastante dessas peças e acabou fazendo arranjos delas para piano, que é o que ouvimos aqui. Já as Soirées de Vienne foram feitas sobre melodias de Schubert e buscam entreter e encantar.

Arranjos de Ferenc Liszt (1811 – 1886)

Composições de Franz Schubert (1797 – 1828)

Soirées De Vienne

  1. 2 Poco Allegro

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Gioacchino Rossini (1792 – 1868)

Soirées Musicales R.236: Part One

  1. 1 La Promessa (The Promise) – Canzonetta
  2. 5 Il Rimprovero (Reproach) – Canzonetta
  3. 7 La Partenza (Depart) – Canzonetta
  4. 11 L’Orgia (The Orgy) – Arietta
  5. 3 L’Invito (Invitation) – Bolero
  6. 6 La Pastorella Dell’Alpi (The Shepherdess Of The Alps) – Tirolese
  7. 7 La Gita In Gondola (By Gondola) – Barcarola
  8. 8 La Danza (Dance) – Tarantella Napoletana

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Franz Schubert

Soirées De Vienne

  1. 7 Allegro Spiritoso

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Gioacchino Rossini

Soirées Musicales R.236: Part Two

  1. 2 La Regata Veneziana (The Venice Regatta) – Notturno
  2. 8 La Pesca (Fishing) – Notturno
  3. 10 Serenata (Serenade) – Notturno
  4. 12 Li Marinari (The Sailors) – Duetto

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Franz Schubert

Soirées De Vienne

  1. 8 Allegro Con Brio

Jenő Jandó, piano

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Aproveite e celebre a obra desse grande artista!

René Denon

Robert Schumann (1810-1856): Música de Câmara Completa (CDs 4, 5 e 6 de 6)

Robert Schumann (1810-1856): Música de Câmara Completa (CDs 4, 5 e 6 de 6)

Texto de 2008…

Estes CDs já estavam há alguns dias disponíveis, mas eu não conseguia tempo para vir aqui e organizar as coisas. Como agora estou saindo para o GreNal, não terei tempo de grandes textos a respeito de algumas destas músicas que realmente amo. Por exemplo, a Sonata para Violino e Piano Nº2. Há homenagem maior a papai do que seu primeiro movimento? E o Dolce semplice que me deixa perto das lágrimas a cada audição? E os quartetos 2 e 3? E o belíssimo Adagio & Allegro para trompa e piano? Dizer o quê? Que precisamos ganhar do Grêmio para mantermos acesa a chama — em verdade um pau de fósforo queimado pela metade — da Libertadores? Bom, vocês já sabem. A gravação é excelente, demonstrando que há franceses que são tão bons que parecem alemães. Devem ter nascido na Alsácia Lorena, né?

Schumann – Música de Câmara Completa

CD 4

# Sonata for violin & piano No. 2 in D minor, Op. 121
# String Quartets (3), Op. 41 No 1 in A minor

36. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : I Un poco lento
35. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : II Molto animato
34. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : III Dolce semplice
33. Schumann : Violin Sonata No.2 in D minor Op.121 : IV Animato

32. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : I Introduzione – Andante espressiveo – Allegro
31. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : II Scherzo – Presto – Intermezzo
30. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : III Adagio
29. Schumann : String Quartet No.1 in A minor Op.41 No.1 : IV Presto

Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Quatuor Via Nova

CD 5

# String Quartets (3), Op. 41 No 2 in F minor
# String Quartets (3), Op. 41 No 3 in A minor
# 5 Stücke im Volkston for cello & piano, Op. 102

28. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : I Allegro vivace
27. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : II Andante, quasi variazioni
26. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : III Scherzo – Presto
25. Schumann : String Quartet No.2 in F major Op.41 No.2 : IV Allegro molto vivace

24. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : I Andante espressivo – Allegro molto moderato
23. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : II Assai agitato – Un poco adagio – Tempo risoluto
22. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : III Adagio molto
21. Schumann : String Quartet No.3 in A major Op.41 No.3 : IV Finale – Allegro molto vivace

20. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : I Mit Humor
19. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : II Langsam
18. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : III Nicht schnell
17. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : IV Nicht zu rasch
16. Schumann : 5 Stücke im Volkston Op.102 : V Stark und markiert

Quatuor Via Nova
Frederic Lodeon, cello
David Hovora, piano

CD 6

# Adagio & Allegro for horn & piano in A flat major, Op. 70
# Märchenbilder for viola & piano, Op. 113
# 3 Romances for oboe & piano, Op. 94
# Märchenerzählungen for clarinet, viola & piano, Op. 132
# Phantasiestücke for clarinet & piano, Op. 73

15. Schumann : Adagio & Allegro in A flat major Op. 70

14. Schumann : Märchenbilder Op.113 : I Nicht schnell
13. Schumann : Märchenbilder Op.113 : II Lebhaft
12. Schumann : Märchenbilder Op.113 : III Rasch
11. Schumann : Märchenbilder Op.113 : IV Langsam

10. Schumann : 3 Romances Op.94 : I Nicht schnell
09. Schumann : 3 Romances Op.94 : II Einfach, innig
08. Schumann : 3 Romances Op.94 : III Nicht schnell

07. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : I Lebhaft, nicht zu schnell
06. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : II Lebhaft und sehr markant
05. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : III Ruhiges tempo, mit zartem Ausdruck
04. Schumann : Märchenerzählungen Op.132 : IV Lebhaft, sehr markiert

03. Schumann : 3 Fantasiestücke Op. 73 : I Zart und mit Ausdruck
02. Schumann : 3 Fantasiestücke Op. 73 : II Lebhaft, leicht
01. Schumann : 3 Fantasiestücke Op. 73 : III Rasch und mit Feuer

Jean Hubeau, piano
Pierre del Vescovo, horn
Gerard Caussé, viola
Pierre Pierlot, oboe
Walter Boeykens, clarinet

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Schummy gostava de lamber seus cabelos ondulados.

PQP

Robert Schumann (1810-1856): Música de Câmara Completa (CDs 1, 2 e 3 de 6)

Robert Schumann (1810-1856): Música de Câmara Completa (CDs 1, 2 e 3 de 6)

Vocês sabem que a gente não somos mole, então vamos atacar também em outra frente: a da música de câmara do marido louquinho de Clara Schumann. Este CD sêxtuplo é um verdadeiro tesouro. É óbvio que iniciam pelo filé, o Quarteto e o Quinteto. São o “the best of”, sem dúvida e, se Alexander Kluge utilizou o Andante cantabile do Quarteto em um de seus filmes (era O Ataque do Presente Contra o Restante do Tempo ou A Patriota?), Ingmar Bergman tornou o In modo d’una Marcia do Quinteto trilha sonora de Fanny e Alexander. A estrutura do Quarteto me seduz mais, talvez pela forma com que Schumann fez os movimentos dialogarem entre si, o que é digno de meu espanto a cada audição. Os outros dois CDs de trios são um pouco inferiores, mas não muito. Só não vou comentá-los porque os confundo… Estava procurando um troço no 1 e era no 3… Melhor não arriscar comentários ainda mais infelizes do que os que faço normalmente.

Como meu HD está cheio e preciso abrir espaço, agora vocês recebem postagens de 3 CDs, mas não pensem que é por generosidade, bondade ou outra palavra sentimentalóide. É que, por uma estranha e incoercível compulsão, não podemos parar com o blog. Ah, encontrei nas internets da vida a numeração das faixas dos CDs invertida. Começa em 64 e termina em 1. Como veem, há neuroses bem mais graves que a nossa.

Schumann – Música de Câmara Completa

CD 1

# Piano Quartet in E flat major, Op. 47
# Piano Quintet in E flat major, Op. 44

64. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : I Sostenuto assai – Allegro, ma non troppo
63. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : II Scherzo – Molto vivace
62. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : III Andante cantabile
61. Schumann : Piano Quartet in E flat major Op.47 : IV Finale – Vivace

60. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : I Allegro brillante
59. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : II In modo d’una Marcia
58. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : III Scherzo – Molto vivace
57. Schumann : Piano Quintet in E flat major Op.44 : IV Allegro, ma non troppo

Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Jean-Pierre Sabouret, violin (op.44)
Claude Naveau, viola
Jean-Marie Gamard, cello

CD 2

# Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 63
# Piano Trio No. 2 in F major, Op. 80

56. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : I Mit Energie und Leidenschaft
55. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : II Lebhaft, doch nicht zu rasch
54. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : III Langsam, mit inniger Empfindung
53. Schumann : Piano Trio No.1 in D minor Op.63 : IV Mit Feuer

52. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : I Sehr lebhaft
51. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : II Mit innigem Ausdruck
50. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : III In mässiger Bewegung
49. Schumann : Piano Trio No.2 in F major Op.80 : IV Nicht zu rash

Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Frederic Lodeon, cello

CD 3

# Piano Trio No. 3 in G minor, Op. 110

# Phantasiestücke for violin, cello & piano in A minor, Op. 88
# Sonata for violin & piano No. 1 in A minor, Op. 105
# Sonata for violin & piano, WoO 22 Second Movement, intermezzo

48. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : I Bewegt, doch nicht zu rasch
47. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : II Ziemlich langsam
46. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : III Rasch
45. Schumann : Piano Trio No.3 in G minor Op.110 : IV Kräftig, mit Humor

44. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : I Romanze
43. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : II Humoreske
42. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : III Duett
41. Schumann : Fantasiestücke Op. 88 : IV Finale

40. Schumann : Violin Sonata No.1 in A minor Op.105 : I Mit leidenschaftlichem Ausdruck
39. Schumann : Violin Sonata No.1 in A minor Op.105 : II Allegretto
38. Schumann : Violin Sonata No.1 in A minor Op.105 : III Lebhaft

37. Schumann : Violin Sonata in A minor, “FAE” : II Intermezzo

Jean Hubeau, piano
Jean Moulliere, violin
Frederic Lodeon, cello

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PQP

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha: a Nona Década (2021-) [Martha Argerich, 82 anos]

1941-1950 | 1951-1960 | 1961-1970 | 1971-1980 | 1981-1990 | 1991-2000 | 2001-2010 | 2011-2020 | 2021-

Celebramos mais um aniversário da Rainha, e ela não dá sinais de arrefecer o radiador. Vá lá, volta e meia a assombrosa octogenária nos dá um susto, só para daí voltar com tudo – cancelando um concerto ou outro, naturalmente, como sói acontecer desde que Martha é Martha – e nos fazer sonhar com mais uma década todinha (a nona de sua vida, e a oitava como pianista) com ela a forrar nossos tímpanos de deleite.

Já é meu bem surrado costume cantar-lhe parabéns pelo cumple e celebrar a data gaiatamente, compartilhando presentes gravados pela própria aniversariante. Marthinha segue tão ativa fazendo música quanto afastada dos estúdios, de modo que todos os novos registros de sua arte, como há já algumas décadas, provêm somente de apresentações ao vivo. Entre as adições à discografia marthinhiana lançadas desde o 5 de junho passado – as quais passo a lhes oferecer a seguir -, apenas uma foi gravada, conforme a promessa do título desta postagem, na nona década de vida da Rainha. Trata-se de um recital em duo com o violinista Renaud Capuçon, gravado no ano passado, em que ela nos serve algumas de suas especialidades: além de uma das sonatas de Schumann, que a mantém entre os poucos grandes intérpretes a prestigiá-las em seu repertório, ela demonstra seguir afiada como sempre na realização das eletrizantes partes pianísticas da “Kreutzer” e da sonata de Franck.


Robert Alexander SCHUMANN
(1810-1856)
Sonata para violino e piano no. 1 em Lá menor, Op. 105
1 – Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2 – Allegretto
3 – Lebhaft

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para violino e piano no. 9 em Lá maior, Op. 47, “Kreutzer”
4 –  Adagio sostenuto – Presto
5 – Andante con variazioni
6 – Finale. Presto

César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert FRANCK (1822-1890)
Sonata em Lá maior para violino e piano
7 – Allegretto ben moderato
8 – Allegro
9 – Recitativo – Fantasia. Ben moderato
10 – Allegretto poco mosso

Renaud Capuçon, violino

Gravado ao vivo no Grand Théâtre de Provence em Aix-en-Provence (França) em 22 de abril de 2022.

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Apesar de já não serem exatamente novidades, por circularem há algumas décadas entre pirat…, er, fãs incondicionais afeitos a compartilhar gravações não oficiais, os muitos registros ao vivo presentes nos oito volumes duplos lançados pelo selo Doremi ao longo do último ano são muito bem-vindos à discografia de Marthinha. Chamo atenção para as sonatas de Beethoven, particularmente sua elétrica – diria até demais! – leitura da “Waldstein” (volume 10) e uma belíssima interpretação da Op. 101 (vol. 11), que, até prova em contrário, são suas únicas para estas obras-primas; uma rara aparição do Concerto no. 3, aquele que ela menos toca entre os três  de Ludwig que estão em seu repertório, e que viria a gravar oficialmente só décadas mais tarde (vol. 9); um Rach 3 ainda menos comum, captado durante a brevíssima janela em que ela o tocou (vol. 13); e colaborações com regentes notáveis como Rafael Kubelík (vol. 13), Lorin Maazel (vol. 10), Claudio Abbado (vols. 10 e 11), além de Charles Dutoit – seu ex-marido, amigo e parceiro artístico de tantas décadas, que se faz presente na maior parte dos tomos dessa coleção, acompanhando Martha por toda parte.

Sergei Sergeyevich PROKOFIEV (1891-1953)
Concerto para piano e orquestra no. 3 em Dó maior, Op. 26
1 – Andante
2 – Tema con variazioni
3 – Allegro, ma non troppo

Orquestra Sinfónica del SODRE
Charles Dutoit, regência

Gravado em Montevideo (Uruguai) em 14 de junho de 1969

Robert SCHUMANN
Toccata em Dó maior para piano, Op. 7
4 – Allegro

Fantasia em Dó maior para piano, Op. 17
5 – Durchaus fantastisch und leidenschaftlich vorzutragen. Im Legenden-Ton
6 – Mäßig. Durchaus energisch
7 – Langsam getragen. Durchweg leise zu halten

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
Barcarola em Fá sustenido maior para piano, Op. 60
8 – Allegretto

Scherzo em Dó sustenido menor para piano, Op. 39
9 – Presto con fuoco

Gravado em Edinburgh (Escócia) em 6 de setembro de 1966

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Suíte Inglesa no. 2 em Lá menor, BWV 807
10 – Prélude
11 – Allemande
12 – Courante
13 – Sarabande – Les agréments de la même Sarabande
14 – Bourrée I & II
15 – Gigue

Robert SCHUMANN
Sonata para piano no. 2 em Sol menor, Op. 22
16 – So rasch wie möglich
17 – Andantino
18 – Scherzo
19 – Rondo

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
Jeux d’eau, para piano
20 – Très doux

Franz LISZT
Das Harmonies poétiques et religieuses para piano, S. 173:
21 – No. 7: Funérailles

Fryderyk CHOPIN
Balada para piano no. 3 em Lá bemol maior, Op. 47
22 – Allegretto

Das Quatro mazurcas para piano, Op. 41:
23 – No. 4 em Lá bemol maior

Das Três mazurcas para piano, Op. 63:
24 – No. 2 em Fá menor

Das Quatro mazurcas para piano, Op. 33:
25 – No. 2 em Ré maior

Scherzo para piano no. 2 em Si bemol menor, Op. 31
26 – Presto

Das Quatro mazurcas para piano, Op. 24:
27 – No. 2 em Dó maior

Gravado em Edinburgh (Escócia) em 8 de setembro de 1967

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Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Si bemol menor, Op. 23
1 – Allegro non troppo e molto maestoso
2 – Andantino semplice
3 – Allegro con fuoco

Göteborgs Symfoniker
Charles Dutoit, regência

Gravado em Göteborg (Suécia) em 27 de outubro de 1972

Robert SCHUMANN
Concerto em Lá menor para piano e orquestra, Op. 54
4 – Allegro affettuoso
5 – Intermezzo
6 – Allegro vivace

Česká Filharmonie
Václav Neumann, regência

Gravado em München (Alemanha Ocidental) em 29 de março de 1971

Ludwig van BEETHOVEN
Das Três sonatas para piano, Op. 10:
No. 3 em Ré maior
7 – Presto
8 – Largo e mesto
9 – Minuet. Allegro
10 – Rondo. Allegro

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonata para piano. BB 88, Sz. 80
11 – Allegro moderato
12 – Sostenuto e pesante
13 – Allegro molto

Fryderyk CHOPIN
Vinte e quatro Prelúdios para piano, Op. 28
14 – No. 1  em Dó maior
15 – No. 2 em Lá menor
16 – No. 3 em Sol maior
17 – No. 4 em Mi menor
18 – No. 5 em Ré maior
19 – No. 6 em Si menor
20 – No. 7 em Lá maior
21 – No. 8 em Fá sustenido menor
22 – No. 9 em Mi maior
23 – No. 10 em Dó sustenido menor
24 – No. 11 em Si maior
25 – No. 12 em Sol sustenido menor
26 – No. 13 em Fá sustenido maior
27 – No. 14 em Mi bemol menor
28 – No. 15 em Ré bemol maior
29 – No. 16 em Si bemol menor
30 – No. 17 em Lá bemol maior
31 – No. 18: em Fá menor
32 – No. 19 em Mi bemol maior
33 – No. 20 em Dó menor
34 – No. 21 em Si bemol maior
35 – No. 22 em Sol menor
36 – No. 23 em Fá maior
37 – No. 24 em Ré menor

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)
38 – Sonata em Ré menor, K. 141

Fryderyk CHOPIN
Das Três Mazurcas para piano, Op. 63:
39 – No. 2 em Fá menor

Gravado em Tokyo (Japão) em 8 de junho de 1976

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Ludwig van BEETHOVEN
Concerto para piano e orquestra no. 3 em Dó menor, Op. 37
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondo

Orchestre de la Suisse Romande
Charles Dutoit, regência

Gravado em Lausanne (Suíça) em 17 de outubro de 1973

Fryderyk CHOPIN
Das Quatro Mazurcas para piano, Op. 41:
4 – No. 1 em Dó sustenido menor

Das Três Mazurcas para piano, Op. 63:
5 – No. 2 em Fá menor

Das Quatro Mazurcas para piano, Op. 24:
6 – No. 2 em Dó maior

Balada para piano no. 3 em Lá bemol maior, Op. 47
7 – Andantino

Scherzo para piano no. 2 em Si bemol menor, Op. 31
8 – Presto

Sergei PROKOFIEV
Sonata para piano no. 3 em Lá menor, Op. 28
9 – Allegro tempestoso

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
Jeux d’eau, para piano
10 – Très doux

Gravado em Berlim Ocidental (Alemanha Ocidental) em 2 e 3 de dezembro de 1967

Fryderyk CHOPIN
Dos Dois noturnos para piano, Op. 48
11 – No. 1 em Dó menor

Gravado em Warszawa (Polônia), durante o VII Concurso Internacional Chopin (fevereiro e março de 1965)


Johann Sebastian BACH
Partita no. 2 em Dó menor, BWV 826
1 – Sinfonia
2 – Allemande
3 – Courante
4 – Sarabande
5 – Rondeau
6 – Capriccio

Robert SCHUMANN
Sonata para piano no. 2 em Sol menor, Op. 22
7 – So rasch wie möglich
8 – Andantino
9 – Scherzo
10 – Rondo

Sergei PROKOFIEV
Sonata para piano no. 3 em Lá menor, Op. 28
11 – Allegro tempestoso

Fryderyk CHOPIN
Sonata para piano no. 3 em Si menor, Op. 58
12 – Allegro maestoso
13 – Scherzo. Molto vivace
14 – Largo
15 – Finale. Presto non tanto

Gravado em Ludwigsburg (Alemanha Ocidental) em 1° de abril de 1967

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Ludwig van BEETHOVEN
Sonata para piano em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”
1 – Allegro con brio
2 – Introduzione. Adagio molto
3 – Rondo. Allegretto moderato – Prestissimo

Fryderyk CHOPIN
Sonata para piano no. 3 em Si menor, Op. 58
4 – Allegro maestoso
5 – Scherzo. Molto vivace
6 – Largo
7 – Finale. Presto non tanto

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
Das Estampes para piano, L. 100:
8 – No. 3: Jardins sous la pluie

Gravado em Tokyo (Japão) em 4 de outubro de 1970

Maurice RAVEL
Concerto em Sol maior para piano e orquestra
9 – Allegramente
10 – Adagio assai
11 – Presto

Radio-Sinfonieorchester Stuttgart
Peter Maag, regência

Gravado em Stuttgart (Alemanha Ocidental) em 10 de outubro de 1969


Ludwig van BEETHOVEN
Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 19
1 – Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondo. Molto allegro

Radio-Sinfonieorchester Berlin
Lorin Maazel, regência

Gravado em Berlim Ocidental (Alemanha Ocidental) em 1972

Sergei PROKOFIEV
Concerto para piano e orquestra no. 3 em Dó maior, Op. 26
4 – Andante
5 – Tema con variazioni
6 – Allegro, ma non troppo

Orchestre National de la Radiodiffusion Française
Claudio Abbado, regência

Gravado na França em 7 de dezembro de 1967

Robert SCHUMANN
Sonata para piano no. 2 em Sol menor, Op. 22
7 – So rasch wie möglich
8 – Andantino
9 – Scherzo
10 – Rondo

Gravado em New York City (Estados Unidos) em 7 de abril de 1973

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Ludwig van BEETHOVEN
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Dó maior, Op. 15
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondo: Allegro scherzando

Česká Filharmonie
Claudio Abbado,
regência

Gravado em Salzburg (Áustria) em 4 de agosto de 1971

Franz LISZT
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Mi bemol maior, S. 124

4 – Allegro maestoso – Quasi adagio – Allegretto vivace – Allegro animato – Allegro marziale animato

NDR Symphonieorchester
Moshe Atzmon, regência

Gravado em Hamburg (Alemanha Ocidental) em 8 de novembro de 1971

Fryderyk CHOPIN
Sonata para piano no. 2 em Si bemol menor, Op. 35
5 – Grave. Doppio movimento
6 – Scherzo
7 – Marche funèbre: Lento
8 – Finale: Presto

Gravado em New York City (Estados Unidos) em 2 de outubro de 1974


Johann Sebastian BACH
Suíte Inglesa no. 2 em Lá menor, BWV 807
1 – Prélude
2 – Allemande
3 – Courante
4 – Sarabande – Les agréments de la même Sarabande
5 – Bourrée I & II
6 – Gigue

Ludwig van BEETHOVEN
Sonata para piano em Lá maior, Op. 101
7 – Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung
8 – Lebhaft. Marschmäßig
9 – Langsam und sehnsuchtsvoll
10 – Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit

Robert SCHUMANN
Kinderszenen, para piano, Op. 15
11 – Von fremden Ländern und Menschen – Kuriose Geschichte – Hasche-Mann – Bittendes Kind – Glückes genug – Wichtige Begebenheit – Träumerei – Am Kamin – Ritter vom Steckenpferd – Fast zu ernst – Fürchtenmachen – Kind im Einschlummern – Der Dichter spricht

Gravado em Veneza (Itália) em 10 de fevereiro de 1969

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Sonata para piano em Lá maior, K. 310
12 – Allegro maestoso
13 – Andante cantabile con espressione
14 – Presto

Gravado em Colônia (Alemanha Ocidental) em 8 de setembro de 1960

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Fryderyk CHOPIN
Concerto para piano e orquestra no. 2 em Fá menor, Op. 21
1 – Maestoso
2 – Larghetto
3 – Allegro vivace

Detroit Symphony Orchestra
Klaus Tennstedt, regência

Gravado em Detroit (Estados Unidos) em 9 de fevereiro de 1978

Robert SCHUMANN
Concerto em Lá menor para piano e orquestra, Op. 54
4 – Allegro affettuoso
5 – Intermezzo
6 – Allegro vivace

Orchestre de l’Office de Radiodiffusion-Télévision Française
Charles Dutoit,
regência

Gravado em Paris (França) em 6 de setembro de 1973

Franz LISZT
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Mi bemol maior, S. 124

7 – Allegro maestoso – Quasi adagio – Allegretto vivace – Allegro animato – Allegro marziale animato

Göteborgs Symfoniker
Norman del Mar, regência

Gravado em Göteborg (Suécia) em 18 de março de 1971


Johann Sebastian BACH
Partita no. 2 em Dó menor, BWV 826
1 – Sinfonia
2 – Allemande
3 – Courante
4 – Sarabande
5 – Rondeau
6 – Capriccio

Sergei PROKOFIEV
Sonata para piano no. 7 em Si bemol maior, Op. 83
7 – Allegro inquieto
8 – Andante caloroso
9 – Precipitato

Robert SCHUMANN
Fantasiestücke, para piano, Op. 12
10 – Des Abends – Aufschwung – Warum? – Grillen – In der Nacht – Fabel – Traumes Wirren – Ende vom Lied

Scherzo em Dó sustenido menor para piano, Op. 39
11 – Presto con fuoco

Fryderyk CHOPIN
12 – Andante Spianato e Grande Polonaise Brillante para piano, Op. 22

Giuseppe Domenico SCARLATTI
(1685-1757)
13 – Sonata em Ré menor, K. 141

Gravado em Toronto (Canadá) em 3 de novembro de 1978

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Wolfgang Amadeus MOZART
Concerto para piano e orquestra no. 25 em Dó maior, K. 503
1 – Allegro Maestoso
2 – Andante
3 – Allegretto

New York Philharmonic
Rafael Kubelík, regência

Gravado em New York City (Estados Unidos) em 7 de fevereiro de 1978

Sergei Vasilyevich RACHMANINOFF (1873-1943)
Concerto para piano e orquestra no. 3 em Ré menor, Op. 30
4 – Allegro ma non tanto
5 – Intermezzo. Adagio
6 – Finale. Alla breve

Hannover Rundfunk Symphonieorchester
Bernhardt Klee, regência

Gravado em Hannover (Alemanha Ocidental) em 14 de junho de 1979


Johann Sebastian BACH
Partita no. 2 em Dó menor, BWV 826
1 – Sinfonia
2 – Allemande
3 – Courante
4 – Sarabande
5 – Rondeau
6 – Capriccio

Robert SCHUMANN
Sonata para piano no. 2 em Sol menor, Op. 22
7 – So rasch wie möglich
8 – Andantino
9 – Scherzo
10 – Rondo

Fryderyk CHOPIN

Dos Dois noturnos para piano, Op. 27:
11 – No. 2 em Ré bemol maior

.Scherzo em Dó sustenido menor para piano, Op. 39
12 – Presto con fuoco

Maurice RAVEL
Gaspard de la nuit, Trois poèmes pour piano d’après Aloysius Bertrand, M. 55
13 – Ondine
14 – Le gibet
15 – Scarbo

Gravado em Saarbrücken (Alemanha Ocidental) em 14 de abril de 1972

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Ludwig van BEETHOVEN
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Dó maior, Op. 15
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondo. Allegro scherzando

NDR Orchester
Moshe Atzmon, regência

Gravado em Hamburgo (Alemanha Ocidental) em 23 de agosto de 1976

Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Si bemol menor, Op. 23
4 – Allegro non troppo e molto maestoso
5 – Andantino semplice
6 – Allegro con fuoco

Orchestre de la Suisse Romande
Charles Dutoit, regência

Gravado em Génève (Suíça) em 24 de outubro de 1973

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
Jeux d’eau, para piano
7 – Très doux

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)
8 – Sonata em Ré menor, K. 141


Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonata para piano. BB 88, Sz. 80
1 – Allegro moderato
2 – Sostenuto e pesante
3 – Allegro molto

Robert SCHUMANN
Fantasiestücke, para piano, Op. 12
4 – Des Abends – Aufschwung – Warum? – Grillen – In der Nacht – Fabel – Traumes Wirren – Ende vom Lied

Maurice RAVEL
Gaspard de la nuit, Trois poèmes pour piano d’après Aloysius Bertrand, M. 55
5 – Ondine
6 – Le gibet
7 – Scarbo

Fryderyk CHOPIN
Barcarola em Fá sustenido maior para piano, Op. 60
8 – Allegretto

Dos Dois noturnos para piano, Op. 48
9 – No. 1 em Dó menor

Scherzo em Dó sustenido menor para piano, Op. 39
10 – Presto con fuoco

Gravado em Zürich (Suíça) em 9 de outubro de 1977

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“Siri com Toddy”, diriam alguns, ao verem o lépido trio de Haydn pareado com o demoníaco Concerto no. 3 de Prokofiev, ambos gravados durante participações da Rainha no Festival de Verbier. Mas quem pode reclamar, quando o Haydn é tão lindamente tocado, e o Prokofiev vem num dos melhores registros desta que é, há décadas, uma de suas mais magmáticas intérpretes?

Joseph HAYDN (1732-1809)
Trio para piano, violino e violoncelo no. 39 em Sol maior, Hob.XV:25
1 – Andante
2 – Poco adagio
3 – Rondo all’Ongarese (Presto)

Vadim Repin, violino
Mischa Maisky, violoncelo

Gravado em Verbier (Suíça) em 27 de julho de 2000

Sergei PROKOFIEV
Concerto para piano e orquestra no. 3 em Dó maior, Op. 30
4 – Andante – Allegro
5 – Tema con variazioni
6 – Allegro ma non troppo

Verbier Festival Orchestra
Yuri Temirkanov, 
regência

Gravado em Verbier em 20 de julho de 2001

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Falando em reclamar, chegou a minha vez: reconheço os méritos da longa carreira e extraordinária vida de Ivry Gitlis, mas não me conto entre seus fãs como intérprete. Martha, aparentemente, nunca ligou para minha opinião desimportante (no que age muito bem), e foi muito amiga do violinista israelense, a quem acompanhou em muitos recitais, excertos dos quais apareceram nesse volume duplo e meio mal ajambrado da Doremi. Só porque sou implicante, incluí somente as faixas com participação da Rainha – se os aficionados por Gitlis me xingarem o bastante nos comentários, talvez eu lhes traga, algum dia, as faixas que arbitrariamente limei.

Wolfgang Amadeus MOZART
Sonata para violino e piano no. 18 em Sol maior, K. 301
1 – Allegro con spirito
2 – Allegro

Ludwig van BEETHOVEN
Da Sonata para violino e piano em Fá maior, Op. 24, “Primavera”:
3 – Rondo

Gravado em Lugano (Suíça) em 14 de junho de 2006

Sonata para violino e piano no. 9 em Lá maior, Op. 47, “Kreutzer”
4 –  Adagio sostenuto – Presto
5 – Andante con variazioni
6 – Finale. Presto

Friedrich (“Fritz”) KREISLER (1875-1962)
7 – Liebesleid

Gravado em Lugano em 7 de junho de 2003

Claude DEBUSSY
Sonata para violino e piano em Sol menor, L.
140
8 – Allegro vivo
9 – Fantasque et léger
10 – Finale. Très animé

Gravado em Lugano em 24 de junho de 2004

Fritz KREISLER
11 – Schön Rosmarin
12 – Liebesleid

Gravado em Verbier (Suíça) em 24 de julho de 2004

Fritz KREISLER
13 – Schön Rosmarin
14 – Schön Rosmarin (com Shonosuke Okura, tsuzumi)

Gravado em Lugano em 19 de junho de 2011

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A já longa recusa a tocar solo, tanto nos palcos quanto nos estúdios, naturalmente direcionou Marthinha para rumos e repertórios novos como camerista. Suas participações em festivais, em especial o de Lugano, costumam trazer surpresas, entre as quais poucas poderiam ser mais obscuras que o duo pianístico Bilder aus Osten (“Quadros do Oriente”) de Schumann, aqui num arranjo do clarinetista Mark Denemark, e a seleção de peças de Bruch para piano, clarinete e viola (tocada por Lyda, a filha mais velha da Diva) que encerra o disco a seguir.

Robert SCHUMANN
Bilder aus Osten, para piano a quatro mãos, Op. 66
(arranjo de Mark Denemark para piano, clarinete, viola e violoncelo)
1 – Lebhaft
2 – Nicht schnell und sehr gesangvoll zu spielen
3 – Im Volkston
4 – Nicht schnell ‘Chanson Orientale’
5 – Lebhaft
6 – Reuig andächtig

Mark Denemark, clarinete
Lyda Chen, viola
Mark Drobinsky, violoncelo

Gravado em Lugano (Suíça) em 16 de junho de 2007

Max Christian Friedrich BRUCH (1838-1920)
Das Oito peças para clarinete, viola e piano, Op. 83:
7 – No. 5: Rumänische Melodie: Andante
8 – No. 6: Nachtgesang: Andante con moto
9 – No. 7: Allegro vivace, ma non troppo
10 – No. 8: Moderato

Mark Denemark, clarinete
Lyda Chen, viola

Gravado em Lugano em 25 de junho de 2009

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A um só tempo celebração dos noventa anos de Rodion Shchedrin e um bom apanhado geral de sua fascinante e multifacetada obra, a compilação a seguir, que reúne gravações ao vivo em diversas edições do Festival de Verbier, nos faz ouvir Martha e seu amicíssimo ex-vizinho Mischa Maisky no Concerto Duplo para violoncelo e piano – a única obra de Shchedrin que tem em seu repertório -, além duma minigaláxia de celebridades musicais que inclui o próprio compositor, um excelente pianista.

Rodion Konstantinovich SHCHEDRIN (1932)
Concerto duplo para piano, violoncelo e orquestra, “Oferenda Romântica”
1 – Moderato quasi andantino
2 – Allegro
3 – Sostenuto assai

Mischa Maisky, violoncelo
Verbier Festival Orchestra
Neeme Järvi,
regência

Gravado em Verbier (Suíça) em 30 de julho de 2012

Antigas Melodias Tradicionais Russas, para violoncelo e piano
4 – Lento un poco rubato
5 – Allegro, ma non troppo
6 – Maestoso
7 – Adagietto
8 – Moderato

Rodion Shchedrin, piano
Sol Gabetta, violoncelo

Duetos Românticos, para piano a quatro mãos
9 – Andante cantabile
10 – Allegro sotto voce
11 – Maestoso con moto
12 – Allegretto moderato, a la gypsy
13 – Allegro, ma non troppo
14 – Andante recitando
15 – (Coda) Prestissimo

Rodion Shchedrin e Roland Pöntinen, piano

16 – Concerto no. 1 para orquestra, ‘Tschastuschi’

Verbier Festival Orchestra
Mikhail Pletnev, 
regência

Improvisos para piano, “Páginas sem Arte”
17 – No. 1, Romantic Etude (Staccato-Etude)
18 – No. 2, Unforgettable Micaëla
19 – No. 3, Music to Chekhov’s Play
20 – No. 4, The Tsar’s Cortege
21 – No. 5, Aria
22 – No. 6, Reminiscenses of Old-Age Romances…
23 – No. 7, The Politician Speaks … !

Yuja Wang, piano

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Um dos veios mais belos e imutáveis da personalidade de Martha é a generosidade com que ela acolhe, prestigia e promove jovens artistas. A suíça Maria Solozobova tinha um pouco mais da metade da idade da Rainha quando tornou-se sua parceira de duo e, como quase sempre acontece com quem dela se aproxima, também sua amiga. O relato seguinte de Maria, parte duma entrevista a uma agência russa, é puro suco de Argerich:

“Nos conhecemos por acaso. As estrelas deviam estar alinhadas, ou algo assim. Certa vez, dei um concerto com a Orquestra Filarmônica do Sul da Alemanha em Konstanz e um amigo nosso, um advogado, me apresentou a uma jovem pianista nos bastidores. Ele disse que precisávamos nos conhecer, pois ela era uma ótima artista. Essa pessoa era Cristina Marton-Argerich, que é casada com o sobrinho de Martha. Cristina e eu imediatamente nos tornamos amigas e começamos a tocar juntas e isso acabou me levando a conhecer Martha. (…) não é fácil conhecer uma artista do calibre de Martha, então pedi a Cristina para me apresentar a ela. Na época, o festival de Martha ainda acontecia em Lugano, então fui para lá e, depois de nos apresentarmos, decidimos nos encontrar e tocar algumas peças juntas, por pura diversão, em casa. Nos encontramos então na casa dela em Genebra [para tocar] a sonata de Franck. Há uma história quanto a esse encontro: fiquei presa em um engarrafamento e cheguei duas horas atrasada. Martha é uma pessoa muito fora do comum: ela quase nunca atende o telefone, então ela me esperou na rua – quer dizer, ela ficou ali o tempo todo, mulher pequena e frágil que ela é. Fiquei terrivelmente envergonhada, pois mal nos conhecíamos na época e ainda não tínhamos nos tornado amigas. Quando tocamos a peça juntas pela primeira vez, parecia tão natural que mal pude acreditar. Nós a executamos perfeitamente do começo ao fim na primeira tentativa, e então ela disse: ‘Vamos para a cozinha comer algumas guloseimas’. Fiquei sem palavras e não pude deixar de perguntar: ‘Podemos tocar mais uma vez?’ Ela se virou e perguntou: ‘Para quê?’ Fiquei novamente sem palavras, mas rapidamente pensei na resposta: ‘Não poderíamos… Só por prazer?’. Martha é muito brincalhona. Ela é tão efervescente, e tem esse olhar brilhante, especial. Ela me olhou bem e disse “Tudo bem”, e tocamos pela segunda vez, de uma forma completamente diferente! Foi incrível, e eu realmente adorei. Ela sente a música tão profundamente, duma maneira tão colorida… As palavras não podem expressar o quão bom foi. Você realmente tem que experimentar para entender”.

Ludwig van BEETHOVEN
Sonata para violino e piano no. 9 em Lá maior, Op. 47, “Kreutzer”
1 –  Adagio sostenuto – Presto
2 – Andante con variazioni
3 – Finale. Presto

Sergei PROKOFIEV
Sonata para violino e piano no. 2 em Ré maior, Op. 94a
4 – Moderato
5 – Scherzo. Presto
6 – Andante
7 – Allegro con brio

Maria Solozobova, violino

Gravado em Zürich (Suíça) em 23 de dezembro de 2014

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Acolher jovens como Solozobova não significa, para Martha, deixar de lado seus velhos parceiros na Música. O mais antigo deles é seu conterrâneo Daniel Barenboim, que ela conhece desde os tempos em que ambos eram as mais famosas crianças-prodígio de Buenos Aires.  A gravação a seguir, lançada pelo selo Peral, do próprio Barenboim, não poderia trazer Martha em situação mais confortável: o No. 2 de Beethoven, que ela tocaria de olhos vendados, na companhia de Daniel, com uma orquestra idealizada e burilada pelo próprio ao longo de algumas décadas, e no mesmo venerando palco do Teatro Colón em que ela estreara incríveis… sessenta e seis anos antes!

Ludwig van BEETHOVEN
Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 19
1 –  Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondo. Molto allegro

West-Eastern Divan Orchestra
Daniel Barenboim, regência

Gravado no Teatro Colón em Buenos Aires (Argentina), julho de 2015

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Encerrando nosso tributo anual à deusa maior do piano, o Concerto no. 2 de Beethoven volta, pareado com outro cavalo de batalha de Martha: o Concerto em Sol de Ravel, do qual legou à eternidade a gravação para mim definitiva com Abbado, e que ela toca aqui na companhia de seu mais novo queridinho, o israelense Lahav Shani. Shani tem colaborado estreitamente com a Rainha (e talvez tanto quanto denote a ilustração da capa do álbum, que os torna um só ser bicéfalo), ora como pianista, ora frente a Filarmônica de Israel, do qual é atualmente o diretor musical. Cinquenta inacreditáveis anos separam essas duas leituras de Ravel, e é assombroso como a passagem do tempo só se faz notar pela engenharia de som, pois ninguém o diria pela agilidade, elã e consumada arte de Marthinha ao teclado.

Feliz cumple, Reina – e que nunca pares de nos encantar ❤

Ludwig van BEETHOVEN
Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 19
1 –  Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondo. Molto allegro

Gravado em Tel Aviv (Israel) em 22 de dezembro de 2019

Maurice RAVEL
Concerto em Sol maior para piano e orquestra
4 – Allegramente
5 – Adagio assai
6 – Presto

Gravado em Tel Aviv em 24 e 27 de dezembro de 2019

Israel Philharmonic
Lahav Shani, regência

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Ampliar o repertório depois dos oitenta anos? Sim, se tu és Marthinha: ei-la tocando pela primeira vez em público o pouquíssimo conhecido Souvenir de Paganini, um memento musical composto por Chopin aos 19 anos, instigado por um concerto do célebre violinista em Varsóvia.

Vassily

Robert Schumann (1810 – 1856), Clara Schumann (1819 – 1896), Johannes Brahms (1833 – 1897): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Schumann & Brahms

Kreisleriana, Op. 16

Variações, Op. 20

Intermezzi, Op. 117

Outras Peças

Benjamin Grosvenor

 

É interessante poder acompanhar o desenvolvimento de um artista, como é o caso do pianista Benjamin Grosvenor, mesmo que seja sob a perspectiva de seus discos.

Ele sempre fica assim quando isso é mencionado…

Nascido em 1992, foi o mais jovem pianista britânico a assinar contrato com o selo DECCA em 2011. Fazia quase 60 anos que o selo não contratava qualquer pianista britânico.

Já postei dois álbuns dele aqui no blog – o primeiro a ser lançado pela DECCA, no qual ele exibe um repertório de pérolas para o piano, compostas por campeões do teclado: Chopin, Liszt e Ravel. O outro, um álbum temático, Dances, onde o pianista nos brinda com uma coleção de peças de vários compositores inspirados por diferentes tipos de danças.

No álbum desta postagem, lançado há bem pouco tempo, temos uma coleção de peças de três compositores que foram muito, muito próximos. Robert e Clara Schumann, que acolheram o jovem Brahms no início de sua carreira como compositor. Havia muita afinidade musical entre eles, assim como grande admiração pelos seus talentos musicais. Com o agravamento das condições de saúde de Robert, Johannes e Clara conviveram com muita proximidade. Certamente havia amor além de amizade entre eles, mas essa relação não foi avante, após a morte de Robert.

Além da admiração de cada um deles pela obra dos outros, a atuação de Clara, que era uma renomada pianista, na divulgação da obra de ambos, foi importante para a divulgação de suas composições. Ela fez muito para estabelecer o reconhecimento das obras de seus dois compositores preferidos.

No programa, obras de Robert Schumann ocupam o maior espaço, começando com uma primorosa interpretação da coleção de peças inspiradas pela novela de E.T.A. Hoffmann, que tem por personagem um violinista maníaco-depressivo chamado Kreisler. Essa obra é bem típica de Schumann, com contrastes entre o impulsivo Florestan e o sonhador Eusebius.

Mais algumas peças de Robert, entre elas um movimento da Sonata No. 3 para piano, umas quasi variazoni, provavelmente para fazer eco às Variações sobre um tema de Robert Schumann, compostas por Clara, que além de pianista foi ótima compositora. Provavelmente sua obra não é maior devido à sua atividade como intérprete, sem esquecer seu casamento com Robert, com oito filhos (!?!), dos quais quatro sobreviveram a ela.

Nos últimos 15 minutos do disco, 3 Intermezzi da coleção de peças publicadas como o Opus 117, já bem no fim da vida de Johannes Brahms, quase quarenta anos após a morte de Robert.

Robert Schumann (1810 – 1856)

[1-8] – Kreisleriana, Op. 16

[9] – Romance em fá sustenido maior, Op. 28 No. 2

[10] – Blumenstück, Op. 19

[11-15] – Piano Sonata No. 3 in F minor, Op. 14: Quasi variazoni

[16] – Abendlied (arr. Grosvenor)

Clara Schumann (1819 – 1896)

[17-24] – Variações sobre um tema de Robert Schumann, Op. 20

Johannes Brahms (1833 – 1897)

[25-27] – Intermezzi (3), Op. 117

Bejamin Grosvenor, piano

Data da gravação: 24/04/2022

Local da gravação: Potton Hall, Suffolk

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FLAC | 249 MB

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MP3 | 320 KBPS | 201 MB

Trecho final da resenha sobre o disco na Gramophone: The engineering brings out all the colour and nuance of the playing. All in all, this is an album that reaffirms Grosvenor’s status as one of the most accomplished pianists around.

Benjamin Grosvenor impressionado com a última aquisição para a coleção de grand pianos para o acervo do PQP Bach…

Outras gravações de Kreisleriana, de Robert Schumann, podem ser encontradas nas postagens indicadas:

Schumann (1810-1856): Peças para Piano – Radu Lupu

R. Schumann (1810–1856): Kreisleriana ; F. Chopin (1810-1849): 2 Noturnos, Scherzo nº 3, Fantasia (Linda Bustani)

Robert Schumann (1810-1856): Einsam – Peças para Piano – Nino Gvetadze ֎

Aproveite!

René Denon

Mendelssohn, Schumann, Berg, Debussy, Stravinsky, Poulenc – Shura Cherkassky, piano – Recital em Lugano, 1963

Neste mês dedicado a Sergei Rachmaninoff, compositor romântico tardio e também grande virtuose do piano, recordaremos alguns outros pianistas do século passado que, de uma maneira ou de outra, cruzaram suas trajetórias com as do homenageado. O pianista de hoje é Shura Cherkassky (1909 – 1995): embora mais de 30 anos mais jovem que Sergei, eles têm em comum o fato de terem saído da Rússia na década de 1910 em meio às turbulências da 1ª Guerra e da Revolução. O corpo dos dois saiu da Rússia, mas a alma continuou profundamente russa, fazendo um tipo de música característica das expressões do romantismo tardio na Europa Oriental, como veremos a seguir.

A mãe de Shura, Lydia Cherkassky, era uma pianista conhecida em São Petersburgo, tendo tocado para Tchaikovsky, que aliás era um compositor importante no repertório de Shura, não só com seu famoso concertos mas também com peças para piano solo pouco tocadas por outros pianistas. Cherkassky foi, portanto, o continuador de uma certa tradição pianística da Europa Oriental, não só por suas origens russas mas também como aluno do polonês Josef Hofmann (1876-1957). Hofmann foi um dos pianistas mais célebres do mundo na virada do século XIX para o XX, embora por volta de 1930 sua prodigiosa técnica já não fosse a mesma devido ao alcoolismo, o que significa que poucas gravações fazem jus ao seu talento. Em 1909, Rachmaninoff dedicou seu 3º Concerto – o mais difícil dos quatro – para Hofmann. Anos depois, constatando o declínio do polonês, Rach afirmou: “Hofmann ainda é um grande … o maior pianista vivo se ele estiver sóbrio e em forma. Se não for o caso, é impossível reconhecer o antigo Hofmann.” O polonês, por sua vez, foi aluno de Anton Grigoryevich Rubinstein (1829-1894), pianista russo que foi frequentemente considerado o maior do mundo em sua época, além de compor cinco concertos para piano quase esquecidos hoje em dia. Anton Rubinstein, aliás, não era parente de Arthur Rubinstein, embora ambos tivessem origens judaicas. (Para um comentário sobre a “escola” dos alunos de Anton Rubinstein, confira o interessantíssima postagem do colega Alex aqui).

A partir de várias resenhas em jornais e outros textos do século XIX, o crítico Harold C. Schonberg, no livro The Great Pianists (1963),  resume que Anton Rubinstein tocava com “extraordinária amplitude, vitalidade e virilidade, imensa sonoridade e grandiosidade”. Características também do romantismo tardio de Rachmaninoff, e que tinham como tradição mais ou menos rival o pianismo francês de compositores como Debussy, Fauré, Saint-Saëns e Ravel. Estes últimos evitavam as sonoridades exageradamente barulhentas – notem a quantidade de expressões masculinas na descrição de Harold Schonberg, muitas delas caberiam em um anúncio daquele remédio que os Generais brasileiros adoram – e se associaram a grandes intérpretes do início do século como Alfred Cortot, Ricardo Viñes, o próprio Saint-Saëns e muitas mulheres, incluindo Guiomar Novaes, Marguerite Long e Clara Haskil.

Mas o pianista do dia, de certa forma herdeiro daquela tradição romântica russa/polonesa, é Cherkassky, que foi um grande intérprete das obras de Rach (aqui) e também de uma pequena fantasia chamada Caleidoscópio, composta por Hofmann:

O que mais me interessa neste disco de hoje, registro de um recital de Cherkassky em Lugano (Suíça), é a sua reinvenção da sonata de um outro compositor romântico, Robert Schumann. Embora Shura também seja impecável em seu Debussy, Berg e Stravinsky – ou seja, ele não se limita como apenas um pianista romântico – o que me impressiona mesmo é a diversidade de emoções que ele extrai da 1ª Sonata de Schumann, já iniciando pelo sarcasmo das primeiras notas, seguido por alternâncias típicas de Schumann entre seriedade, melancolia e humor.

Robert Schumann foi um grande estudioso das obras de Bach e Beethoven mas, ao contrário deste último, ele não compôs sonatas para piano de grande invenção contrapontística em um estilo “maduro” no fim de sua vida. Se quisermos ouvir o Schumann maduro é melhor buscarmos outras obras como o o muito original concerto para violoncelo.

Talvez por isso, as três sonatas para piano de Schumann raramente (pra não dizer: nunca) são tocadas em bloco em um único recital ao vivo: ao contrário das sonatas de Beethoven, que mostram as mudanças no percurso do compositor, as de Schumann ficam nessa alternância de humores e sabores tipicamente românticos, sem apontar para uma evolução estilística. Se isso pode ser considerado um defeito, por outro lado é uma qualidade, sobretudo em nossos tempos já calejados quanto a essas ideias sobre evolução e progresso como o objetivo da humanidade, não é mesmo? Quando o progresso se mostra violento e sujo, sentimentos românticos parecem reaparecer com toda a força hipnotizante do som do piano de Cherkassky. Uma última observação: assim como Sviatoslav Richter (1915-1997), Cherkassky parecia detestar as gravações em estúdio, talvez porque sua arte – como a dos pianistas mais velhos Anton Rubinstein, Hofmann e Rach – tivesse esse aspecto tão importante da atração hipnótica sobre uma plateia presente.

Shura Cherkassky – Lugano, 1963
Felix Mendelssohn: Rondo Capriccioso in E major op. 14
Robert Schumann: Sonata no. 1 in F-sharp minor op. 11
I. Introduzione (Un poco adagio) – Allegro vivace; II. Andante cantabile; III. Scherzo e Intermezzo (Allegrissimo); IV. Finale (Allegro un poco maestoso)
Alban Berg: Sonata op. 1
Claude Debussy: L’Isle joyeuse
Igor Stravinsky: Trois mouvements de Petrouchka
I. Danses russes; II. Chez Petrouchka; III. La Semaine grasse
Francis Poulenc: Toccata
Shura Cherkassky – piano
Recorded at Auditorio Radiotelevisione della Svizzera italiana, Lugano, 5/12/1963

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Robert Alexander Schumann (Zwickau, 1810 – Endenich, 1856)

Pleyel

J. S. Bach / Brahms / Chopin / Rachmaninov / Domenico Scarlatti / Schubert / Schumann: Yara Bernette – Encores – Semana do Dia Internacional da Mulher

Nota: esta postagem, assim como todas as demais com obras de Heitor Villa-Lobos, não contém links para arquivos de áudio com obras do gênio brasileiro, pelos motivos expostos AQUI


Uma semana de celebrações por conta do Dia da Mulher não poderia deixar de prestar reverência a um território específico de excelência no nosso panorama musical: o piano. A galeria de pianistas brasileiras é uma verdadeira constelação que atravessa gerações: Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro, Cristina Ortiz, Eliane Rodrigues, Erika Ribeiro, Diana Kacso, Linda Bustani, Clara Sverner, Menininha Lobo, Mariinha Fleury, Anna Stella Chic, Eudóxia de Barros, Felicja Blumental (nascida na Polônia, naturalizada brasileira), Rosana Martins…

Entre elas, uma estrela brilha com particular intensidade, por conta de sua sonoridade singular: estamos falando de Yara Bernette (1920-2002), uma artista de carreira tão impecável quanto longeva: foram mais de 4.000 concertos e recitais, ao longo de quase sete décadas. Uma vida inteira dedicada ao instrumento.

O verbete dedicado a ela na Enciclopédia do Instituto do Piano Brasileiro, escrito por Marcia Pozzani, está bem completo e rico em informações – vale a leitura. Para atiçar um pouco a curiosidade, no entanto, deixo um trecho de uma crônica escrita por Tarsila do Amaral (recolhida no livro Tarsila Cronista, organizado por Aracy Amaral e publicado pela Edusp em 2001). Ela relata uma história contada para ela pela própria Yara, quando se vira em apuros ao estar sem uma partitura para um concerto no Canadá. É um delicioso relato do frisson causado pela pianista, que a levaria inclusive até a glória de ter o selo dourado da Deutsche Grammophon estampado na capa de seus discos:

       ” (…) Nisso bate alguém na porta. Aparece um velhinho simpático – o maior crítico musical do Canadá – com uma música na mão e diz: “Miss Bernette, desculpe incomodá-la justamente agora, mas estou curioso por saber se a ‘Chaconne’ que a senhora vai tocar é desta edição”. Yara Bernette diz ao anjo que os céus lhe enviaram: “Peço-lhe deixar aqui a música. No primeiro intervalo conversaremos”. Deu-se o milagre. E o mais interessante é que o crítico não costumava levar música aos concertos. Apenas abriu a primeira página, foi chamada para o palco. Nunca tocou tão bem como naquela noite. O crítico musical, A. A. Alldrick, que a salvara sem o saber, dedicou-lhe excepcionalmente dois artigos ao invés de um, como de costume, afirmando no Winnipeg Free Press: “O recital de Yara Bernette foi um acontecimento fascinante… Yara Bernette é obviamente uma artista do calibre de ‘uma entre mil’. 
       Ao terminar a narrativa a grande pianista me diz: “Desde então, sinto que existe na minha carreira artística uma proteção divina”.
       Mais tarde num de seus inúmeros concertos, dizia o crítico Irving Kolodin no New York Sun: “Miss Bernette, prendendo a atenção dos ouvintes, fez com que a versão da ‘Chaconne’ de Bach  por Busoni valesse a pena de ser ouvida. Isso acontece uma vez por temporada e essa vez coube a Miss Bernette na sua execução definitiva”.
       Na sua tournée pelo México, disse o crítico musical do Excelsior: “Há muito não ouvíamos uma pianista do seu calibre, e também há muito tempo nenhum outro pianista havia interessado tanto os críticos nem obtido tantos elogios”.
       O New York Post exclama: “Tirem os chapéus, senhores! Miss Bernette é a última e irresistível palavra”, enquanto o New York Sun comenta: “Talentos pianísticos deste calibre têm raros similares”. (…)”

Flavio de Carvalho, “Retrato de Yara Bernette”, óleo sobre tela, 1951

O disco que apresento nesse post – gravado em 1995, já nos últimos anos de vida de Yara, no auge de sua maturidade – evoca essas antigas turnês, já que reúne uma série de peças que ela costumava tocar como bis (ou encore, em francês) em seus concertos e recitais. São peças emblemáticas do repertório pianístico, que refletem as preferências da artista. As interpretações são puro deleite; é um disco a que retorno, de tempos em tempos, há muitos anos.

Lançado em comemoração pelos 75 anos da pianista, o álbum foi gravado em fevereiro de 1995 no Teatro Cultura Artística, no centro de São Paulo, em um dos Steinways que faziam parte do acervo da casa. Tragicamente, o piano queimou junto com o teatro no dantesco incêndio que o consumiu em 17 de agosto de 2008. São, portanto, memórias fonográficas de um tempo que um universo que já nos deixou.

Áudio da apresentação de Yara Bernette na TV Excelsior, em 1961, tocando Debussy e Chopin. Créditos, como de praxe, para o espetacular Instituto Piano Brasileiro

Viva Yara Bernette!

Karlheinz

 

1. Domenico Scarlatti (transcr. Carl Tausig) – Pastorale
2. Domenico Paradies – Sonata em Lá – Tocata
3. J. S. Bach (transcr. W. Kempff) – Sonata BWV 1.031 – Siciliano
4. Felix Mendelssohn – Rondó Capriccioso, op. 14
5. Felix Mendelssohn – Scherzo, op. 16 no. 2
6. Robert Schumann – Cenas Infantis, op. 15 no. 7 – Rêverie
7. Robert Schumann – Cenas da Floresta, op. 82 no. 7 – O pássaro profeta
8. Johannes Brahms – Intermezzo, op. 117 no. 2
9. Frederic Chopin – Mazurka, op. 7 no. 3
10. Frederic Chopin – Mazurka, op. 17 no. 4
11. Frederic Chopin – Mazurka, op. 24 no. 4
12. Frederic Chopin – Estudo póstumo no. 1
13. Frederic Chopin – Noturno, op. 48 no. 1
14. Frederic Chopin (transcr. Franz Liszt) – Canção polonesa, op. 74 no. 5 – Minhas alegrias
15. Claude Debussy – Segundo Caderno – Prelúdio no. 7 – La Terrasse des Audiences du Clair de Lune
16. Sergei Rachmaninoff – Prelúdio, op. 32 no. 5
17. Sergei Rachmaninoff – Prelúdio, op. 32 no. 10
18. Sergei Rachmaninoff – Prelúdio, op. 32 no. 12
19. Heitor Villa-Lobos – Suíte Prole do Bebê no. 1 – O Polichinelo

Yara Bernette, piano

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Robert Schumann (1810-1856): Papillons, Sonata nº 1, Kinderszenen, Fantasia, Waldszenen, Geistervariationen (Schiff)

Nos últimos anos, não tenho perdido ocasião de ouvir András Schiff, seja o dos anos 1970 e 80 (aqui), seja o deste disco de hoje gravado em 2010, seja o senhor de cabelos brancos que rapidamente se adaptou às lives dos anos 2020, generosamente permitindo que gente de todo o mundo o assistisse durante a pandemia de COVID-19, quando ele fez seus recitais ao vivo no Wigmore Hall para públicos presenciais muito reduzidos (mas ao vivo no YouTube) tocando Schubert com Mozart, Bach com Beethoven, Schumann com Janáček, Trios de Haydn…

Pela lista acima, dá pra notar que Schiff é um especialista no repertório germânico e da Europa Central. Sua gravações de Bartók também são imperdíveis. No disco de hoje, Schiff aborda várias obras de Schumann, a maioria delas compostas quando ele tinha menos de 30 anos, mas também as Cenas da Floresta (Waldszenen), de quando o compositor já se aproximava dos 40, e as Variações-Fantasma (Geistervariationen), sua última obra, que teria sido ditada por vozes que ele ouvia em seus difíceis últimos anos: em um momento ele disse que era a voz de anjos, em outro, garantia que era o espírito de Schubert.

O pianista e professor francês Alfred Cortot costumava dizer sobre Schumann: “O que torna sua arte tão emocionante, tão próxima de nós, tão fraternal, é que antes de sentir a sua genialidade, sentimos os batimentos de um coração parecido com o nosso. Com Schumann, não pensamos nos problemas composicionais que ele resolveu, só temos ouvidos para as emoções que surgem de sua música. Como se se tratasse de um constante estado de improvisação, do qual jorram maravilhosas melodias, cada uma delas contando segredos – incluindo os nossos.” Há outras interpretações de Schumann em que todas essas emoções queimam com um fogo mais quente (aqui e aqui), outras com mais delicadeza (aqui e aqui), mas o que Schiff traz de forma muito única é um certo sarcasmo, um senso de humor que coloca Schumann como um improvável precursor de Bartók, Prokofiev e outros compositores que expressam um amplo espectro de emoções sarcásticas e cômicas. Sem perder com isso o sentimentalismo, é claro, pois Schiff nos apresenta as belas paisagens e o pássaro das Cenas da Floresta, toda a força e seriedade da Fantasia op. 17 em homenagem a Beethoven, etc. Tudo isso, porém, Schiff o faz sem tirar o sorriso do rosto.

E mais um detalhe para os fãs de Schumann: Schiff gravou a Fantasia op. 17 utilizando uma partitura alternativa do último movimento, com correções escritas à mão por Schumann e conservada em uma biblioteca em Budapeste. Na última página, segundo Schiff, essa versão alternativa tem uma grande surpresa em relação à versão mais famosa… e mais não falaremos, afinal vamos deixar que nossos leitores-ouvintes mais atentos encontrem a tal surpresa.

Robert Schumann (1810-1856):
CD1:
Papillons (Butterflies), Op. 2
Piano Sonata No. 1 in F sharp minor, Op. 11
Kinderszenen (Scenes from Childhood), Op. 15

CD2:
Fantasie (Obolen auf Beethovens Monument) in C major, Op. 17
Waldszenen (Forest Scenes), Op. 82
Variations on an original theme, in E flat major (Geistervariationen), WoO 24

András Schiff, piano
Recorded: june 2010, Historical Reitstadel, Neumarkt

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O álbum foi gravado no Reitstadel em Neumarkt, Alemanha. O antigo depósito de grãos e armas construído em 1539, foi convertido para uma sala de concertos

Pleyel

Beethoven: Concerto Triplo / Schumann: Concerto para Piano (Argerich, Capuçon, Maisky, Rabinovitch-Barakovsky)

Beethoven: Concerto Triplo / Schumann: Concerto para Piano (Argerich, Capuçon, Maisky, Rabinovitch-Barakovsky)

Trilhei as saudosas andanças de Vassily Genrikhovich por Beethoven e as mais recentes pisadas dele com a Rainha Argerich, mas não consegui encontrar este CD. Se ele estiver repetido em nosso blog, paciência. Ninguém vai se importar de ter duplicada uma das boas versões do Concerto Triplo de Beethoven e do Concerto para Piano Besame Mucho de Schumann. O trio de solistas é arrebatador. Um Mischa Maisky emocionado, um Renaud Capuçon ainda engatinhando e já fabuloso em beleza sonora e precisão e uma obviamente imperial Martha Argerich. O que pedir mais? Ah, e tudo ao vivo, com as imperfeições inerentes ao ambiente de concerto. Ah, e temos Schumann! Aqui o Concerto de Schumann aparece em seu auge pela profundidade e pelo milagre da inimitável execução da Rainha Martha Argerich.

O Concerto para Violino, Violoncelo e Piano, Op. 56, foi escrito por Beethoven entre 1803 e 1805, sendo publicado em 1807 e estreado em Viena e, 1808. É mais comumentemente referido como Concerto Triplo, ou Concerto Tríplice, por ser dirigido a três instrumentos solistas, mais orquestra. Trata-se do único concerto de Beethoven para mais de um instrumento solista.

O Concerto para Piano, Op. 54, do compositor romântico alemão Robert Schumann foi concluído em 1845 e é o único concerto para piano do compositor . A obra completa foi estreada em Dresden em 4 de dezembro de 1845. É um dos concertos para piano mais tocados e gravados do período romântico.

Beethoven: Concerto Triplo / Schumann: Concerto para Piano (Argerich, Capuçon, Maisky, Rabinovitch-Barakovsky)

Triple Concerto For Violin, Cello & Piano In C Major, Op. 56
Composed By – Ludwig van Beethoven
1 I Allegro 16:55
2 II Largo 5:32
3 III Rondo all poöacca 12:46

Piano Concerto in A Minor, Op. 54
Composed By – Robert Schumann
4 Allegro affettuoso 13:36
5 Intermezzo (Andantino grazioso) 4:59
6 Allegro vivace 10:36

Cello – Mischa Maisky (faixas de 1 a 3)
Conductor – Alexandre Rabinovitch-Barakovsky*
Orchestra – Orchestra Della Svizzeria Italiana*
Piano – Martha Argerich
Violin – Renaud Capuçon (faixas  de 1 a 3)

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Martha merece todas as flores do mundo

PQP

Vários Compositores: Murray Perahia – Dois álbuns incomuns! ֍

Vários Compositores: Murray Perahia – Dois álbuns incomuns! ֍

 

 

 

 

 

 

Entre 1973 e 1989 os colecionadores de LPs e, posteriormente CDs, especialmente aqueles que apreciavam música para piano, puderam colecionar uma série de ótimos discos, lançados pelo selo CBS Masterworks e, posteriormente Sony. Eram álbuns trazendo o solista Murray Perahia, que ficava melhor a cada disco, mas sempre em repertório bastante clássico: Schumann, Chopin, Schubert, Mozart (a série de Concertos para Piano, com a ASMF). Havia também Mendelssohn (incluindo os Concertos para Piano) e, um pouco depois, Beethoven. Algumas Sonatas para Piano e a série dos Concertos para Piano, acompanhado pela Orquestra do Concertgebouw, regida por seu titular – Bernard Haitink. Além desses, esporádico Bartók, um Quarteto com Piano de Brahms, com o Quarteto Amadeus, e a dobradinha de Concertos para Piano de Schumann e Grieg. Aqui, a Orquestra da Rádio Bávara regida por Sir Colin Davis.

Este fluxo de belezuras, que seguiria depois com mais outras maravilhas, como o disco das Baladas de Chopin, o das Sonatas para Piano de Mozart, e de algumas tantas parcerias, foi turbilhonado em 1990 e 1991 por dois discos fora da curva – não em qualidade técnica ou beleza sonora, mas sim na escolha do repertório. Em 1990 foi lançado o disco The Aldeburgh Recital, com as Variações em dó menor, de Beethoven, o Carnaval de Viena, de Schumann e … tá dam… Liszt e Rachmaninov. E em 1991, um disco com o Prelúdio, Coral e Fuga, de César Franck e mais Liszt. Muito bem, são estes os discos da postagem.

Depois, o fluxo retomou sua regularidade, com bons discos de parcerias. Aliás, quando se juntava em parceria era sempre de nível excelente – Sir Georg Solti e Radu Lupu, ao piano, acompanhou Dietrich Fischer-Dieskau em uma gravação do Winterreise, o remake do Concerto de Schumann, agora com Claudio Abbado regendo a Berliner Philharmoniker. Aí vieram os discos com música mais antiga. Primeiro o maravilhoso álbum com música de Handel e Scarlatti, depois Bach – Suítes Inglesas, Variações Goldberg, Concertos para Piano, Partitas! Ah, as Partitas! E, para não dizer que tenha deixado de lado os clássicos, um e outro disco de Beethoven (ainda na Sony), o espetacular disco dos Estudos de Chopin e o tremendo disco com música de Brahms – Variações sobre um tema de Handel. Houve a mudança de casa, as Suítes Francesas, de Bach, inaugurando o selo amarelo, e finalmente o disco com a Hammerklavier e a Ao Luar. A qualidade sempre muito alta, mas os hiatos passaram a ser grandes – houve o ferimento no dedo com as complicações que seguiram. Mas essa lengalenga toda é para enfatizar o quanto os dois discos desta postagem são estranhos no ninho. A música de César Franck, Rachmaninov e Liszt não mais voltaram a frequentar os discos de Murray Perahia. Como essas peças foram para aí? A resposta tem a ver com Vladimir Horowitz.

Murray Perahia tinha 17 anos quando Horowitz bateu na porta de sua casa e disse: Poderia falar com o Sr. Perahia? Murray respondeu: Vou chamar meu pai. Não, respondeu Volodya, eu quero falar com Murray Perahia. Eu sou o Sr. Horowitz. O jovem Perahia ainda não havia realmente entendido de quem se tratava. A casa ficava em Nova Iorque, no bairro do Bronx, com muitos judeus. Todo o mundo se chamava Horowitz lá, disse Perahia na entrevista em que contou esta história.

Murray Perahia ainda não havia se decidido completamente pela carreira de pianista e enrolou. Horowitz esperou mais treze anos para finalmente aproximar-se de Murray Perahia, ganhar a sua amizade e tornar-se seu professor. Neste tempo, ele já era famoso e tinha uma carreira estabelecida. Era o pouco que faltava para definitivamente estabelecer Perahia como o pianista especialíssimo que ele tem sido.

Sobre essa experiência, Murray disse: Nós exploramos o piano ‘virtuoso’. Quando se aprende as cores que o piano pode oferecer, se descobre também o escopo do que se pode alcançar ao tocar o piano.

Horowitz lhe disse: Se você quer ser mais do que um virtuoso, primeiro você precisa se tornar um virtuoso!

Creio que esses dois discos são resultado dessa experiência, de chegar lá e depois ir além…

The Aldeburgh Recital

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

32 Variações para piano em dó menor, WoO 80

Robert Schumann (1810 – 1856)

Carnaval de Viena, Op. 26

Franz Liszt (1811 – 1886)

Rapsódia Húngara No. 12

Consolação No. 3

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

Etude-Tableaux Op. 33, No. 2 em dó maior

Etude-Tableaux Op. 39, No. 5 em mi bemol menor

Etude-Tableaux Op. 39, No. 6 em lá menor

Etude-Tableaux Op. 39, No. 9 em ré maior

Murray Perahia, piano

Faixas Extras

Consolação No. 3

(do álbum Horowitz em Moscou)

Etude-Tableaux Op. 33, No. 2 em dó maior

Etude-Tableaux Op. 39, No. 5 em mi bemol maior

Etude-Tableaux Op. 39, No. 5 em mi bemol menor

Etude-Tableaux Op. 39, No. 9 em ré maior

(do Álbum Horowitz plays Rachmaninov & Liszt)

Vladimir Horowitz, piano

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MP3 | 320 KBPS | 175 MB

Volodya avistando a turma do PQP Bach na plateia de um de seus concertos…

Murray Perahia plays Franck & Liszt

César Franck (1822 – 1890)

Prelúdio, Coral e Fuga

Franz Liszt (1811 – 1886)

Valsa Mefisto No. 1

Soneto No. 104 de Petrarca (Anos de Peregrinação – Itália)

Estudo de Concerto No. 1 ‘Waldesrauschen’

Estudo de Concerto No. 2 ‘Gnomenreigen’

À Beira de Uma Fonte (Anos de Peregrinação – Suíça)

Rapsódia Espanhola

Murray Perahia, piano

Extra:

Valsa Mefisto No. 1

(do álbum Horowitz em Moscou)

Soneto No. 104 de Petrarca (Anos de Peregrinação – Itália)

(do álbum Horowitz plays Liszt)

Vladimir Horowitz, piano

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MP3 | 320 KBPS | 177 MB

De uma entrevista dada à Bruce Duffie:

BD:    Do you play differently for the microphone than you do for a live audience?

MP:    I think yes.  There’s an excitement that goes into a live concert that’s very hard to capture in a recording.  Sometimes it works; sometimes it goes.  It’s not to say that it’s impossible, but I do find that it’s different to play for an audience.

Hiroshima, ano 77 [Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano no. 1, Op. 15 – Argerich / Dai Fujikura (1977): Concerto para piano no. 4, “Akiko’s Piano” – Hagiwara]

Hiroshima, ano 77 [Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano no. 1, Op. 15 – Argerich / Dai Fujikura (1977): Concerto para piano no. 4, “Akiko’s Piano” – Hagiwara]

O pequeno piano de armário acima, da marca Ellington, foi feito pela Baldwin Piano Company em Cincinatti, nos Estados Unidos. Sua proprietária, uma japonesa de nome Shizuko, emigrou para os Estados Unidos sozinha depois de se formar em uma escola para moças. Isso não era comum no Japão da época, pois a sociedade fortemente patriarcal oferecia poucas oportunidades para que as mulheres pudessem viajar desacompanhadas, quanto mais para um outro país. Shizuko estabeleceu-se na Califórnia e casou-se com Genkichi Kawamoto, um imigrante japonês, em 1922.

Genkichi trabalhava em uma companhia de seguros e tinha o hábito de levar sua esposa, que ele amava muito, em suas viagens pela empresa. O piano foi um presente de Genkichi para ela, e Shizuko logo nele buscou conforto para os longos períodos de solidão e para os desafios de viver numa terra estranha. Em 25 de maio de 1926, algo da solidão dos Kawamoto arrefeceu: nasceu sua primeira filha, no Hospital Japonês de Los Angeles. “Esperamos tanto por ela!”, escreveu Genkichi em seu diário, “Espero que ela seja inteligente. Chamei-a de Akiko”.

O casal Kawamoto haveria de criar a primogênita com muito cuidado, quanto mais num ambiente crescentemente hostil aos japoneses e seus descendentes. Genkichi registrava seu peso e altura a cada poucos dias e anotou todos os sinais de seu crescimento. Em 1929, nasceria seu segundo filho, Nobuhiro. Em 1932, a família retornou ao Japão, que experimentava forte crescimento econômico e, também, vivia sob uma violenta retórica militarista que levara o país, no ano anterior, a invadir a Manchúria e, subsequentemente, a uma expansão imperialista que ocuparia – com muita truculência e a expensas de imenso sofrimento às populações locais – grande parte do Extremo Oriente e do Sudeste Asiático.

Os Kawamoto estabeleceram-se em Hiroshima, onde Akiko começou a frequentar a escola primária. Embora ela tivesse passado seus primeiros anos em um país anglófono, Genkichi e Shizuko fizeram o possível para que sua filha pudesse aprender japonês. Para praticar o idioma, a menina iniciou um diário, que manteria por onze anos e no qual anotaria, entre outras coisas, sua dedicação ao piano Ellington que os pais trouxeram dos Estados Unidos.

Em 1933, a família de Akiko mudou-se para uma casa localizada no Monte Mitaki, a noroeste de Hiroshima. Naquela época, poucas famílias tinham um piano em casa e, porque moravam num lugar remoto, eles pediram ao professor de piano que viesse à casa deles para aulas particulares. Durante a guerra, já nos anos 40, as condições de vida da família pioraram. Os Kawamoto alugaram um cômodo de sua casa para um conhecido, e a falta de espaço e de privacidade tirou-lhes muito da alegria com que celebravam festivais e aniversários. Em 1943, Akiko ingressou no curso de Economia Doméstica da Universidade de Hiroshima, o que a deixou radiante, embora viesse a se aborrecer com o pouco tempo para dedicar-se ao piano: além das exigências acadêmicas, havia aquelas, compulsórias e crescentes, para com os esforços de guerra, que incluíam trabalhar no Hospital do Exército, participar de exercícios antiaéreos e ajudar a cuidar de plantações.


9 de abril de 1944: Papai quer que eu continue meus estudos, mas mamãe, não. Isso me deixa confusa. É trabalho da mulher passar o dia todo preparando comida? Se sim, qual é o propósito da minha vida? Eu não teria tempo para estudar, e isso me deixaria infeliz”


Em 1944, ela começou a se preocupar com a saúde dos pais. Ela passou a tentar comer menos para que seus irmãos pudessem comer mais:


3 de maio de 1944: Minhas medidas do terceiro período: altura 159,1 cm; peso 51,5 kg; busto 73 cm. Estou 0,5 cm mais alta que no ano passado, mas perdi 1,5 kg e meu busto está 3,5 cm menor. Sinto-me mal, mas sou a única a tentar reduzir o arroz”


O trabalho nas plantações consumia todo tempo livre de Akiko, que largou o piano e, também, seu diário, no qual anotou, no final de 1944:


Tenho 19 anos. Sou estudante do segundo ano do Departamento de Economia Doméstica. Um terço ou um quarto da minha vida já passou”


Em 6 de agosto de 1945, o dia tórrido de verão começou como qualquer outra segunda-feira, e a população de Hiroshima, que se deslocava para o trabalho os estudos, pouco se impressionou com as sirenes que anunciaram a chegada de três bombardeiros B-29 sobre aqueles céus sem nuvens. Às 8h15, um clarão como nunca antes fora visto fez-se seguir duma violentíssima explosão, que pulverizou imediatamente vinte mil pessoas, mataria outras quarenta mil nos dias seguintes, e fecharia sua conta macabra em cento e vinte mil mortos nas décadas subsequentes. Akiko estava a poucos quilômetros do hipocentro, trabalhando como estudante mobilizada nos esforços de guerra. Sobreviveu à explosão por estar num prédio que não colapsou, e poucas horas depois começou a voltar a pé para casa. A devastação sem precedentes, que não preservara nem a alicerçagem das construções, deve tê-la impressionado. Como as pontes foram destruídas, ela foi forçada a atravessar o rio a nado. Quando chegou ao sopé do Monte Mitaki e avistou sua casa, sua energia se acabou, e ela não conseguia mais andar.

Shizuko não sabia da situação de Akiko e estava cuidando da casa, que desabou na explosão da bomba atômica. O piano sofrera danos no lado esquerdo e fora cravejado de fragmentos de vidro, mas estava inteiro. Foi quando um vizinho lhe avisou: “Sua filha está ali e não pode se mexer!”. Shizuko então correu para Akiko e a trouxe para casa. A menina parecia ter escapado por pouco da morte, mas logo perdeu a consciência: ela tinha sido exposta a níveis letais da radiação que chovia invisivelmente sobre Hiroshima, enquanto o “cogumelo atômico” gerado pela explosão se dissipava.


Mamãe, eu quero um tomate vermelho…


… implorou Akiko, em suas últimas palavras antes de morrer na manhã seguinte, depois de viver apenas “um terço de sua vida”.

ooOoo

Havia, na época, muitos tomates vermelhos no jardim dos Kawamoto, e, a cada verão depois do de 1945, até o final de seus 103 anos de vida, Shizuko cultivou tomates vermelhos, próximos ao imenso caquizeiro sob o qual sepultou as cinzas de Akiko.

O piano, que perdera aquela que mais o amou, passou grande parte dos sessenta anos seguintes em silêncio.  De vez em quando algumas crianças da vizinhança visitavam Shizuko e o tocavam, mas aos poucos algumas das teclas foram perdendo seu movimento e, por fim, seu som.

Uma menina e um piano, ambos nascidos nos Estados Unidos. Uma perdeu a vida; o outro perdeu o som.

O silêncio do piano Ellington durou até 2005, quando Tomie Futakuchi decidiu restaurá-lo. Ela foi vizinha dos Kawamoto e, quando criança, costumava visitá-los e receber o carinho de Shizuko, que lhe contava histórias sobre Akiko e seu amado amigo musical. Quando a casa da família foi demolida, em 2004, muitas lembranças da jovem, guardadas como tesouros por Shizuko, foram doadas ao Memorial da Paz de Hiroshima. O piano foi legado a Tomie, que, na esperança de que as crianças de Hiroshima pudessem transmitir uma mensagem de paz através do precioso instrumento, chamou o restaurador Hiroshi Sakaibara.

Tomie, Hiroshi e o Ellington, em 2005

O piano foi restaurado com todas as peças originais, e mantido nas condições em que estava imediatamente após o ataque a Hiroshima – incluindo os danos em seu lado esquerdo e os incontáveis pedaços de vidro que nele se incrustaram. Em 6 de agosto de 2005, no sexagésimo aniversário da desgraça, ele foi tocado em público pela primeira vez, e desde então encontra-se em exibição num salão do Parque Memorial da Paz.

A pianista Mami Hagiwara e a Sra. Futakuchi com o piano de Akiko, em seu local de exibição permanente, no Parque Memorial da Paz.

Martha Argerich, nossa Rainha, adora o Japão e não deve ter hesitado sequer um instante para aceitar o convite que a Orquestra Sinfônica de Hiroshima lhe fez para tocar na icônica cidade em 5 de agosto de 2015 – véspera do 70º aniversário do criminoso ataque à sua população. A apresentação da deusa do piano, que incluiu seu tradicional cavalo de batalha – aquele primeiro concerto de Ludwig que ela toca desde sempre -, foi o esperado sucesso, e ela permaneceu na cidade para a sentidas cerimônias do dia seguinte, que culminaram com a tradicional procissão das velas flutuantes que os cidadãos de Hiroshima e os visitantes largam ao sabor da corrente do rio Motoyasu, em memória das vítimas.

A procissão das velas flutuantes passa em frente ao Domo da Bomba Atômica – que abrigava a Exposição Comercial da Prefeitura de Hiroshima e foi o prédio mais próximo do hipocentro a permanecer de pé (foto do autor)

Durante as cerimônias, Martha foi apresentada a Tomie Futakuchi, que lhe contou a história de Akiko e de seu piano, e nossa Rainha, num arroubo de sua impetuosidade tão típica, decidiu fazer uma visita surpresa ao Memorial da Paz no dia seguinte, 7 de agosto, para conhecer e tocar o instrumento.

Martha não sabia disso, mas estava a tocar o piano de Akiko na hora e no dia exatos em que a menina falecera, setenta anos antes.


O encontro entre a estrela mundial do piano e o inestimável instrumento calou fundo no compositor Dai Fujikura, que se pôs imediatamente a compor um concerto, que foi oferecido a Martha e à memória de Akiko. A Rainha ficou muito lisonjeada com a dedicatória e, uma vez mais, aceitou sem titubear um novo convite para tocar em Hiroshima, dessa feita para estrear o concerto de Fujikura com a sinfônica local em agosto de 2020, por ocasião do septuagésimo quinto aniversário da morte de Akiko.

Nas palavras do compositor,


Este concerto muito especial para piano e orquestra, chamado “O Piano de Akiko”, foi escrito e dedicado à Embaixadora da Paz e da Música da Orquestra Sinfônica de Hiroshima, Martha Argerich.
(…)
Embora naturalmente este concerto tenha a ‘música para a paz’ como mensagem principal, eu, como compositor, gosto de concentrar nos pontos de vista pessoais. Sinto que essa visão microscópica, para a partir daí contar sobre assuntos universais, deve ser o caminho a percorrer em minhas composições: a visão de Akiko, uma garota comum de 19 anos que não tinha nenhum poder sobre a política (…) Deve haver histórias semelhantes à dessa garota de 19 anos em todas as guerras da história e em todos os países do mundo. Toda guerra deve ter uma Akiko.
(…)
Neste concerto, faço uso de dois pianos: um é o piano de cauda principal, e outro, o Piano de Akiko, o piano que sobreviveu à bomba atômica, tocado na cadenza do final, ambos pelo solista.

Para expressar um tema tão universal quanto a  ‘música para a paz’, a peça deve retratar o ponto de vista mais pessoal. Acho que esse é o caminho mais poderoso, e só através da Música se pode segui-lo.”


Em agosto de 2020, a pandemia impediu Martha de viajar o Japão. De sua casa na Suíça, ela gravou o vídeo seguinte, em inglês, no qual expressa seus sentimentos acerca da obra que lhe foi dedicada, do honroso convite que lhe foi feito, e de sua desolação por não poder honrá-lo:

O concerto de Fujikura foi, então, estreado na data prevista pela pianista Mami Hagiwara, juntamente com obras de J. S. Bach, Beethoven, Mahler e Penderecki – e a integral de sua première, incluindo a cadenza tocada no piano de Akiko, vocês podem conferir a seguir:

Todos os principais envolvidos na celebração da memória de Akiko Kawamoto – Martha Argerich, Dai Fujikura, Mami Hagiwara e os músicos da Orquestra Sinfônica de Hiroshima – autorizaram generosamente a publicação das gravações dos concertos supracitados em dois álbuns, cuja venda em linha, por período limitado, viu sua renda integralmente revertida para a preservação dos memoriais de Hiroshima e do piano de Akiko. E são essas as gravações, que adquiri na ocasião, que ora compartilho com nossos leitores-ouvintes, no septuagésimo sétimo aniversário do criminoso ataque a Hiroshima, em memória de suas dezenas de milhares de vítimas inocentes.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Dó maior, Op. 15
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondó: Allegro scherzando

Martha Argerich, piano
Hiroshima Symphony Orchestra
Kazuyoshi Akiyama, regência


BIS:
Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)

Das Fantasiestücke para piano, Op. 12
4 – No. 7: Traumes Wirren

Martha Argerich, piano

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Gravado ao vivo na Hiroshima Bunka Gakuen Hall, Hiroshima, Japão, em 5 de agosto de 2015


Dai FUJIKURA (1977)
1 – Concerto para piano e orquestra no. 4, “Akiko’s Piano” (estreia mundial)

Mami Hagiwara, pianos: Steinway & Sons, Hamburgo; e Baldwin, Cincinatti (cadenza, a partir de 16:45)

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Do Quarteto de cordas no. 13 em Si bemol maior, Op. 130
2 – Cavatina: Adagio molto espressivo (arranjo para orquestra de cordas)

Gustav MAHLER (1860-1911)
Kindertotenlieder, para voz e orquestra (1904)
3 –
Nun will die Sonn’ so hell aufgeh’n
4 –
Nun seh’ ich wohl, warum so dunkle Flammen
5 –
Wenn dein Mutterlein
6 –
Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen!
7 –
In diesem Wetter!

Mihoko Fujimura, mezzo-soprano

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Orquestração de Hideo Saito (1902-1974)
Da Partita no. 2 em Ré menor para violino solo, BWV 1004
8 – Ciaccona

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FAIXA-BÔNUS (não consta no CD original, e foi extraída da transmissão radiofônica do concerto):

Krzysztof Eugeniusz PENDERECKI (1933-2020)
Do Réquiem Polonês (Polskie Requiem):
1 – Ciaccona

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Hiroshima Symphony Orchestra
Tatsuya Shimono, regência

Gravado ao vivo na Hiroshima Bunka Gakuen Hall, Hiroshima, Japão, em 5 e 6 de agosto de 2020


 

Vassily

¡Larga vida a la Reina! – Carte Blanche [Martha Argerich, 81 anos]


Nossa Rainha completou hoje 81 anos, antes que eu completasse a tarefa de lhe prestar homenagem pelas oitenta primaveras. Vá lá que a intenção original, que era a de tão só trazer um apanhado geral do que de mais significativo ela legou a cada década, expandiu por demais seu escopo e acabou por se tornar um tremendo trampo que desembocará numa discografia completa de Marthinha. E venha lá, também, que não é nem o hábito deste blogue, nem condizente com o tempo de que disponho, promover um imenso derramamento de gravações a cada poucos dias. Ainda assim, e enquanto lhes prometo que As Idades de Marthinha em breve estarão completas, desejo redimir-me junto à homenageada. Para isso, e na falta de qualquer lançamento com gravações inéditas desde seu último aniversário, alcanço-lhes um álbum duplo lançado em 2015, mas gravado naquele que ora nos parece incrivelmente distante 2007, durante o Festival de Verbier, Suíça.

Carte Blanche é o registro duma luxuosa noite de recitais para a qual Martha teve carta branca (e os xerloques de plantão já deduziram o porquê do título) para escolher quem quisesse para com ela tocar. Ao abrir os trabalhos, a Rainha adotou a praxe de rodear-se de músicos bálticos para tocar trios com piano, ainda que, em lugar do violinista habitué, o letão Gidon Kremer, seja o lituano Julian Rachlin que se some à dona da festa e ao outro letão quase compulsório, o violoncelista Mischa Maisky, para uma leitura marcante do trio “Fantasma” de Beethoven. Em seguida, a anfitriã abre uma raríssima exceção à sua moratória de recitais solo (tão rara que eu só a posso atribuir ao cancelamento de última hora de algum convidado) para recriar, com aquele estilo espontâneo, quase improvisatório que lhe é tão peculiar, as Cenas Infantis de Schumann. Quando ela termina, Lang Lang senta-se a seu lado e começam a tocar uma peça improvável para o repertório de ambos, o Rondó a quatro mãos de Schubert. Parece faltar um tanto de entendimento entre eles (quem ouvir Martha e Barenboim tocando a mesma peça concordará), o que talvez não deva surpreender num duo de músicos de tanta verve e impulsividade. Tudo melhora – e demais – na peça seguinte, a Mamãe Gansa de Ravel, em que a verve e impulsividade supracitadas vêm bem a calhar para encerrar de maneira estimulante a obra e seu Jardim Feérico. Não tenho muito a falar de bom do item seguinte, a Arpeggione de Schubert, na qual o brilhante Yuri Bashmet parece padecer, pela imprecisão de sua performance, do mal que muitas vezes aflige os grandes instrumentistas quando se dedicam à regência: se falta de tempo, ou de estudo, ou de ambos, deixo para vocês me dizerem. Na continuação, a irresistível sonata no. 1 de Bártok está ótima, por menos acostumados que estejamos a ouvir o timbre redondinho, caloroso de Renaud Capuçon a serviço dos ferrenhos ataques bartokianos às cordas e à mesmice rítmica. Os trabalhos se encerram com uma estimulante interpretação daquele cavalo de batalha dos recitais de Martha e Nelson Freire, as Variações Paganini de Lutosławski, com a venezuelana Gabriela Montero no lugar de nosso saudoso compatriota. Como bis, à guisa de cafezinho e petit four, Gabriela dá uma palhinha de sua impressionante capacidade de improvisação (confiram no YouTube, que vale a pena!) e faz a batidíssima “Parabéns a você” passar por vários ritmos e roupagens para homenagear a pianista Lily Maisky, filha de Mischa, que estava de aniversário no dia da Carte Blanche – mas é claro que os xerloques também já se deram conta de que eu desejei que, enquanto ouvíssemos Montero, nós todos déssemos os parabéns à Rainha.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Dos Dois trios para piano, violino e violoncelo, Op. 70 – no. 1 em Ré maior, “Fantasma”
1 – Allegro vivace e con brio
2 – Largo assai ed espressivo
3 – Presto

Martha Argerich, piano
Julian Rachlin, violino
Mischa Maisky, violoncelo

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Kinderszenen, para piano, Op. 15
4 – Von fremden Ländern und Menschen
5 – Kuriose Geschichte
6 – Hasche-Mann
7 – Bittendes Kind
8 – Glückes genug
9 – Wichtige Begebenheit
10 – Träumerei
11 – Am Kamin
12 – Ritter vom Steckenpferd
13 – Fast zu ernst
14 – Fürchtenmachen
15 – Kind im Einschlummern
16 – Der Dichter spricht

Martha Argerich, piano

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)
Rondó em Lá maior para piano a quatro mãos, D. 951, “Grand Rondeau”
17 – Allegretto quasi andantino

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
Ma Mère l’Oye, suíte para piano a quatro mãos, M. 62
18 – Pavane de la Belle au Bois Dormant: Lent
19 – Petit Poucet: Très modéré
20 – Laideronnette, Impératrice des Pagodes: Mouvement de Marche
21 – Les Entretiens de la Belle et de la Bête: Mouvement de Valse très modéré
22 – Le Jardin Féerique: Lent et Grave

Martha Argerich e Lang Lang, piano

Franz SCHUBERT
Sonata para arpeggione e piano em Lá menor, D. 821
(transcrita para viola e piano)
23 – Allegro moderato
24 – Adagio
25 – Allegretto

Yuri Bashmet, viola
Martha Argerich, piano

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonata para violino e piano no. 1, Sz. 75
26 – Allegro appassionato
27 – Adagio
28 -Allegro

Renaud Capuçon, violino
Martha Argerich, piano

Witold Roman LUTOSŁAWSKI (1913-1994)
Variações sobre um tema de Paganini, para dois pianos
29 –  Tema – Variações I-XII – Coda

Martha Argerich e Gabriela Montero, pianos

Gabriela MONTERO (1970)
30 – Improvisação sobre “Parabéns a você”

Gabriela Montero, piano

Gravado ao vivo em 27 de julho de 2007, durante o Festival de Verbier, Suíça

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Vassily