Osvaldo Golijov (1960-): Ayre / Luciano Berio (1925-2003): Folk Songs

Osvaldo Golijov (1960-): Ayre / Luciano Berio (1925-2003): Folk Songs

AyreIM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco delicioso que foi indicado para o Grammy de 2006 de “Melhor Composição Contemporânea Clássica”. A música de Golijov é intelectualmente viva e extremamente acessível, é emocionalmente direta e calorosa. Cantora de extraordinária versatilidade, Dawn Upshaw dá à música de Golijov uma performance convincente, enquanto a mistura de instrumentos e a firmeza dos Cães Andaluzes são surpreendentes.

Osvaldo Golijov há muito tempo tem pontos de contato com a música de Berio. Golijov escreveu ciclo de canções, Ayre, para demonstrar o alcance vocal de Dawn Upshaw, assim como Berio fez com Cathy Berberian em seu Folk Songs. Golijov diz que “viu um arco-íris” quando percebeu pela primeira vez a gama de cores na voz de Upshaw. Ela diz: “Ayre me leva vocalmente a lugares onde eu nunca estive antes: em termos estéticos, o ciclo abriu novas portas”. Os solos de clarinete tingidos de klezmer foram inspirados por David Krakauer. Os textos de Golijov são em árabe, hebraico, sardo, espanhol e ladino (a língua perdida dos judeus espanhóis); as melodias são uma mistura de três culturas — cristã, islâmica e judaica — que coexistiram pacificamente na península ibérica.

As canções folclóricas de Luciano Berio para voz e sete instrumentos, compostas há 40 anos para sua esposa Cathy Berberian, abriram caminho para os compositores que queriam destruir a distinção entre música “popular” e “erudita”. Nem todas essas onze peças são canções folclóricas no sentido estrito da palavra: duas são do compositor norte-americano John Jacob Niles e duas são do próprio Berio. Mas as outros vêm da Armênia, França, Sicília e Sardenha, sendo uma delas uma MARAVILHOSA canção de amor do Azerbaijão gravada em um velho 78 rpm por um cantor com uma banda de Baku e transcrita de ouvido por Berio e Berberian. A pontuação de Berio evoca um mundo além da sala de concertos.

Para Osvaldo Golijov, a música de Luciano Berio ocupa um lugar especial: “Sempre me liguei a ele. Foi meu mestre”.

Osvaldo Golijov (1960 – ): Ayre
for Voice and Chamber Ensemble

1. Dawn, St. John’s Day
2. A Mother Roasted Her Child
3. Walls Are Encircling The Land
4. Moon
5. Nani
6. My Love
7. My Eyes Weep
8. Be A String, Water, To My Guitar
9. Untie Your Ribbons
10. O God, Where Shall I Find You?
11. Ariadna In Her Labyrinth

Luciano Berio (1925 – 2003): Folk Songs
for Mezzo Soprano, Flute, Clarinet, Viola, Cello, Harp and Percussion

12. Black Is The Color
13. I Wonder As I Wander
14. Loosin Yelav
15. Rossignolet Du Bois
16. A La Femminisca
17. La Donna Ideale
18. Ballo
19. Motettu De Tristura
20. Malurous Qu’o Uno Fenno
21. Lo Fiolaire
22. Azerbaijan Love Song

Artist : Dawn Upshaw & The Andalucian Dogs
Release date : 2006
Label : ECM Records

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A enorme cantora Dawn Upshaw com o compositor Osvaldo Golijov e um cão andaluz, quem sabe?
A enorme cantora Dawn Upshaw com o compositor Osvaldo Golijov e um cão andaluz, quem sabe?

PQP

Luciano Berio (1925-2003) / Alban Berg (1885-1935) / George Gershwin (1898-1937): Crazy Girl Crazy

Luciano Berio (1925-2003) / Alban Berg (1885-1935) / George Gershwin (1898-1937): Crazy Girl Crazy

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Barbara Hannigan (1971) é uma soprano e maestrina canadense, talvez a maior artista viva da ópera contemporânea. Tem tudo: linda voz, técnica arrebatadora, distintas inteligência e cultura musicais e é bonita pra caralho. Há alguns anos, tornou-se também regente, e das boas. Claro que, cantando Ligeti e Berio, trata-se de uma pessoa franca e de extremo bom humor e graça. Acharia bagaceiro chamá-la de diva, até porque ela não tem nada de divindade, é bem concreta, digamos… Musa lhe caberia melhor, até porque as musas inspiram a criação artística e muitas peças foram escritas especialmente para a voz de Barbara. Bem, este CD é uma joia produzida por ela. Aqui, ela canta e rege a extraordinária Ludwig Orchestra em obras de Berio — Sequenza III para soprano solo –, Berg — a Suíte Lulu, onde Hannigan mais rege do que canta — e Gershwin — onde demonstra enorme senso de estilo. Imaginam como canta um coral regido por Hannigan? Pois isso há no Gershwin. Para mim, a melhor peça do disco é a de Berg, mas isso é quase inevitável. O cara era mesmo o maior talento musical da Segunda Escola de Viena. Mas as outras não ficam muito abaixo não. Vamos sair um pouco de nosso museu musical?

Luciano Berio (1925-2003) / Alban Berg (1885-1935) / George Gershwin (1898-1937): Crazy Girl Crazy

1 Sequenza III 9:00

2 Lulu Suite: I. Rondo 14:24
3 Lulu Suite: II. Ostinato 3:53
4 Lulu Suite: III. Lied der Lulu 2:45
5 Lulu Suite: IV. Variationen 3:45
6 Lulu Suite: V. Adagio 10:25

7 Girl Crazy Suite (After G. Gershwin) 13:10

Barbara Hannigan
Ludwig Orchestra

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Barbara Hannigan e Simon Rattle
Barbara Hannigan e Simon Rattle

PQP

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Olha, nem sei bem do que se trata essas 10 canções (lieder) de Mahler arranjadas pelo grande compositor italiano Luciano Berio. Conhecia algumas, outras não.

Claro, pois o que interessa neste CD é mais um raro registro da célebre Sinfonia de Berio. A Sinfonia foi uma encomenda da Filarmônica de Nova York para seu 125º aniversário. Composta em 1968-69 para orquestra e oito vozes amplificadas, é um inovador trabalho pós-serial, com vários vocalistas comentando sobre tópicos musicais, literários e políticos numa viagem aparentemente alucinada de citações e passagens dissonantes. As oito vozes não são usadas de maneira habitual. Frequentemente não cantam, mas falam, sussurram e gritam palavras de Claude Lévi-Strauss, cujo O Cru e o Cozido fornece boa parte do texto. Há também trechos do romance de Samuel Beckett O Inominável, instruções da partitura de Gustav Mahler para o 3º movimento da Sinfonia Nº 2, A Ressurreição — utilizada loucamente no terceiro movimento de Berio — , e grafites parisienses de maio de 1968. A estreia foi regida por Leonard Bernstein que escreveu que a Sinfonia era representante da nova direção que a música clássica estava tomando após a década pessimista dos anos sessenta. Foi, efetivemente, uma quebra naquela pasmaceira derivada da Segunda Escola de Viena.

Berio disse mais ou menos isso: “Tentar definir a música é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada.”

A famosa Sinfonia de Berio está por toda a rede. São centenas de artigos que analisam uma das principais obras musicais do vanguardismo musical do século XX. Ela foi dedicada à Leonard Bernstein, que a estreou, mas na verdade homenageia toda a história da música, principalmente em seu terceiro movimento em que ouve-se claramente Mahler, Mahler, Mahler mas também Debussy, Bach e Schoenberg.

Ao ouvinte com pouca vivência em música moderna, sugiro começar a audição pelo terceiro movimento. Ali está o cerne da Sinfonia. Na segunda parte da Sinfonia há um tributo à memória de Martin Luther King. As oito vozes remetem-nos aos sons que constituem o nome do mártir negro até a enunciação completa e inteligível do seu nome.

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

1 Lieder und Gesänge, Book 3: XI. Ablösung im Sommer 1:37
2 Lieder und Gesänge, Book 3: X. Zu Straβburg auf der Schanz 3:49
3 Lieder Und Gesänge, Book 3: XIII. Nicht Wiedersehen! 4:32
4 Lieder und Gesänge, Book 2: VI. Um schlimme Kinder artig zu machen 1:49
5 Lieder und Gesänge, Book 1: II. Erinnerung 2:47
6 Lieder und Gesänge, Book 1: III. Hans und Grete 2:03
7 Lieder und Gesänge, Book 2: VII. Ich ging mit Lust 4:26
8 Lieder und Gesänge, Book 1: I. Frühlingsmorgen 1:59
9 Lieder und Gesänge, Book 1: V. Phantasie aus “Don Juan” 2:24
10 Lieder und Gesänge, Book 3: XII. Scheiden und Meiden 2:38

Matthias Goerne
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

11 Sinfonia: I. 5:56
12 Sinfonia: II. O King 4:34
13 Sinfonia: III. In ruhig fliessender Bewegung 12:23
14 Sinfonia: IV. 3:14
15 Sinfonia: V. 7:11

The Synergy Vocals
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

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Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.
Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.

PQP

Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water

Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water

Após os excelentes álbuns Duo e Credo, ambos postados no PQP Bach, Hélène Grimaud nos chega com um disco onde aparece claramente a sua militância pelas causas ecológicas. Water é um trabalho incomum. Aqui, Grimaud executa peças de vários períodos — clássicas, românticas e contemporâneas — cuja temática é a água. Além do fascínio pela água, além das evocações tradicionais de rios, lagos, mares, flocos de neve, e gotas de chuva, o álbum também reflete uma perspectiva contemporânea sobre a água e a falta dela. As peças de diferentes compositores são amarradas através das Transitions, sons de água e de instrumentos musicais compostos, gravados e produzidos por Nitin Sawhney, um celebrado compositor de World Music. Ele também é DJ, produtor, multi-instrumentista, compositor orquestral e pioneiro cultural. Reafirmando sua posição como uma das artistas mais interessantes da música erudita, Grimaud combina a cultura com seu compromisso com os desafios ecológicos, ambientais e humanitários de nossos dias. Então, Water é um projeto com três níveis distintos de aspiração criativa: artístico, inventivo e ativista. Além disso é bom pacas de ouvir.

Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water

1 Wasserklavier (No.3 From 6 Encores – Per Antonio Ballista) (Luciano Berio) 2:11
2 Water – Transition 1 (Nitin Sawhney) 1:18
3 Rain Tree Sketch II (In Memoriam Oliver Messiaen) (Toru Takemitsu) 5:25
4 Water – Transition 2 (Nitin Sawhney) 1:41
5 Barcarolle No.5 In F Sharp Minor (op.66) (fis-moll En Fa Diese Mineur Allegretto Moderato) (Gabriel Fauré) 6:39
6 Water – Transition 3 (Nitin Sawhney) 1:33
7 Jeux D’eau (Music Note=144) (Tres Doux) (Maurice Ravel) 5:10
8 Water – Transition 4 (Nitin Sawhney) 1:27
9 Almeria (No.2 From Iberia II Allegretto Moderato) (Isaac Albéniz) 10:06
10 Water – Transition 5 (Nitin Sawhney) 0:55
11 Les Jeux D’eaux A La Villa D’Este (No.4 From Annees De Pelerinage III S 163 Allegretto) (Franz Liszt) 7:38
12 Water – Transition 6 (Nitin Sawhney) 1:34
13 In The Mists: No.1 (Andante) (Leoš Janáček) 4:33
14 Water – Transition 7 (Nitin Sawhney) 1:16
15 La Cathedrale Engloutie (No.10 From Preludes I Profondement Calme) (Claude Debussy) 6:03
16 Water Reflections (Helene Grimaud’s Thoughts On The Permutations Of Water) 10:49

Piano – Hélène Grimaud

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Desta vez, deu na trave
Desta vez, deu na trave

PQP

Luciano Berio (1925-2003) – Sinfonia

Tentar definir a música – que em todo caso não é um produto mas um processo – é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada. (Luciano Berio)

Sinto-me tentado a pensar na 2ª sinfonia de Mahler como um produto da sinfonia de Berio e não o contrário, cambalhota perversa da lei da causalidade. (Sérgio Azevedo)

A famosa Sinfonia (1968) de Berio está por toda a rede. São centenas de artigos que analisam a obra musical mais importante do vanguardismo musical do século XX. Ela foi dedicada à Leonard Bernstein, que a estreou, mas na verdade homenageia toda a história da música, principalmente em seu terceiro movimento em que ouve-se claramente Mahler, Mahler, Mahler mas também Debussy, Bach e Schoenberg.

Ao ouvinte com pouca vivência em mpusica moderna, sugiro começar a audição pelo terceiro movimento. Ali está o cerne da Sinfonia. O texto principal deste movimento é formado por fragmentos: trata-se de The Unnamable de Samuel Beckett. A segunda parte de Sinfonia é um tributo à memória de Martin Luther King. As oito vozes remetem simplesmente os sons que constituem o nome do mártir negro até a enunciação completa e inteligível do seu nome.

Sinfonia (para 8 vozes amplificadas e orquestra)

Composed by Luciano Berio
with Orchestre National de France and Swingle Singers
Conducted by Ward Swingle and Pierre Boulez

1. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: I –
2. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: II – O King
3. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: III – In ruhig fliessender Bewegung
4. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: IV –
5. Sinfonia For eight Voices And Orchestra: V –

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