.: interlúdio :. Gunnar Vargas: Circo Incandescente

.: interlúdio :. Gunnar Vargas: Circo Incandescente

Circo Incandescente, de Gunnar Vargas, é um grande disco de música popular brasileira. Excelentes letras e melodias, cada canção com personalidade e tratamento próprio e apropriado. Os sambas falam de amor, da mulher, de separações  e muito de nossa pindaíba, sempre relatando — com humor — casos quase desesperados. É um trabalho muito, mas  muito brasileiro. O tom fica entre o lírico e o bem-humorado. A voz de Gunnar é grave e bonita e a banda que o acompanha é grande e muito boa, permitindo as imensas variações nos arranjos. Onde encontrei o cara? Bem, este é um arquivo que baixei no falecido, querido e saudoso blog Um que tenha (RIP) por indicação de um amigo.

Nenhuma canção é esquecível, mas destaco o susto da abertura com a competente Circo Incandescente, a linda Vestido Preto, a dançável e sem dinheiro Osso Duro, a cômica Assim não, Assunção, o esplêndido arranjo de Mulher, a bela Chove e a sensacional O Encontro de Antigos Amantes. A referência de Gunnar parece ser Chico Buarque, que ganha, inclusive, curta citação em Assim não, Assunção.

Vale muito a audição!

Gunnar Vargas: Circo Incandescente

1. Circo Incandescente
2. Vestido Preto
3. Osso Duro
4. Assim Não, Assunção
5. Samba no Xadrez
6. Mulher
7. Vai em Paz
8. Mais um Samba
9. Promessa de Paz
10. Chove
11. Vai Me Procurar
12. O Encontro de Antigos Amantes

Gunnar Vargas, voz e violão
Luiz Waack, arranjos e guitarras
Marco da Costa, baterua
Reinaldo Chulapa, baixo
Fernando Moura, piano
Bocato, trombones
Leonardo Muniz Corrêa, sax tenor e clarinete
Amilcar Rodrigues, trompete
Hugo Hori, sax soprano
Ricardo Garcia, percussão
Antonio Bombarda, acordeon
Marcia Castro, voz
Paula de Paz. voz

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Gunnar Vargas | Foto retirada do blog do artista (Anderson Silva – Gessé)

PQP

.: interlúdio :. Wave: The Antonio Carlos Jobim Songbook

.: interlúdio :. Wave: The Antonio Carlos Jobim Songbook

Songbooks costumam ser uma bagunça com diversos intérpretes e gravações de várias épocas. Este aqui é caprichado na loucura, metendo na mistura gravações brasileiras e estadunidenses de Tom, turma da bossa nova, do jazz, etc., de vários períodos. Mais: este é apenas um dos muitos songbooks do glorioso Tom. Há um brasileiro que melhor, acho que este vem do país de Trump, mas foi lançado nos anos 90. Mesmo assim, a música de Tom sobrevive sob excertos de nomes fundamentais. Ella Fitzgerald, Elis Regina, Pat Metheny, Chick Corea, Herbie Hancock, Joe Henderson, João Gilberto, Oliver Nelson, Gil Evans, Oscar Peterson, Sarah Vaughan, Dizzy Gillespie, Toots Thieleman, Astrud Gilberto, etc. Eu gostei de ouvir, mas há que respirar fundo a cada mudança de faixa, porque o contexto sempre será outro.

.: interlúdio :. Wave: The Antonio Carlos Jobim Songbook

1 –Antonio Carlos Jobim Wave
Arranged By, Conductor – Claus Ogerman
Cello – Abe Kessler, Charles McCracken, George Ricci, Harvey Shapiro
Double Bass – Ron Carter
Drums, Percussion – Bobby Rosengarden, Claudio Slón*, Dom Um Romão*
Flute, Piccolo Flute – Jerome Richardson, Ray Beckenstein, Romeo Penque
French Horn – Joseph Singer
Piano, Guitar – Antonio Carlos Jobim
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Trombone – Jimmy Cleveland, Urbie Green
Violin – Bernard Eichen, Emanuel Green, Gene Orloff, Harry Lookofsky, Irving Spice, Joseph Malignaggi, Julius Held, Leo Kruczek, Lewis Eley, Louis Haber, Louis Stone, Paul Gershman, Raoul Poliakin
2:50

2 –Ella Fitzgerald Só Danço Samba (Jazz Samba)
Double Bass – Jim Hughart
Drums – Grady Tate
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Piano – Jimmy Jones (3)
Producer [Original Recording] – Norman Granz
Vocals – Ella Fitzgerald
5:48

3 –Joe Henderson with Herbie Hancock Happy Madness
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Piano – Herbie Hancock
Producer [Original Recording] – Oscar Castro-Neves, Richard Seidel
Tenor Saxophone – Joe Henderson
3:12

4 –Jobim* and Elis Regina Chovendo Na Roseira (Double Rainbow)
Bass – Luizão Maia
Drums – Paulo Braga*
Guitar – Oscar Castro-Neves
Lyrics By, Piano, Guitar, Whistling – Antonio Carlos Jobim
Piano, Electric Piano, Arranged By – Cesar Camargo Mariano*
Producer [Original Recording] – Aloysio De Oliveira
Vocals – Elis Regina
3:10

5 –Stan Getz and Charlie Byrd Desafinado (Off Key)
Double Bass – Keter Betts
Drums – Buddy Deppenschmidt
Guitar – Charlie Byrd
Guitar, Bass – Gene Byrd
Percussion – Bill Reichenbach
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Tenor Saxophone – Stan Getz
5:50

6 –Astrud Gilberto A Felicidade
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Orchestra – Gil Evan’s Orchestra*
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Arranged By, Conductor, Piano – Gil Evans
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Drums – Grady Tate
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Guitar – Kenny Burrell
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Percussion – Dom Um Romão*
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Trumpet – Johnny Coles
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Valve Trombone – Bob Brookmeyer
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Vocals – Astrud Gilberto
2:46

7 –Stan Getz with Chick Corea O Grande Amor
Double Bass – Ron Carter
Drums – Grady Tate
Piano – Chick Corea
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Tenor Saxophone – Stan Getz
4:43

8 –Jobim* and Pat Metheny Insensatez (How Insensitive)
Guitar – Pat Metheny
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Lyrics By [English] – Norman Gimbel
Piano, Vocals – Antonio Carlos Jobim
Producer [Original Recording] – Don Sickler, Richard Seidel
4:00

9 –Wes Montgomery Amor Em Paz (Once I Loved)
Arranged By, Conductor – Oliver Nelson
Clarinet – Phil Woods
Congas – Candido Camero*
Double Bass – George Duvivier
Drums [or] – Grady Tate, Sol Gubin
Flugelhorn, Piccolo Flute, Clarinet – Jerry Dodgion
Flute, Alto Flute – Danny Bank
Flute, Clarinet – Bob Ashton*
Flute, Piccolo Flute, Clarinet, Oboe, English Horn – Romeo Penque
Guitar – Wes Montgomery
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Lyrics By [English] – Ray Gilbert
Piano [or] – Herbie Hancock, Roger Kellaway
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Trombone – Jimmy Cleveland, Quentin Jackson, Tony Studd, Wayne Andre
Trumpet – Danny Moore, Donald Byrd, Ernie Royal, Joe Newman
4:45

10 –Stan Getz & João Gilberto featuring Antonio Carlos Jobim Corcovado (Quiet Nights Of Quiet Stars)
Double Bass – Tommy Williams (3)
Guitar, Vocals – João Gilberto
Lyrics By – Jobim*
Lyrics By [English] – Gene Lees
Percussion – Milton Banana
Piano – Antonio Carlos Jobim
Producer – Creed Taylor
Tenor Saxophone – Stan Getz
Vocals – Astrud Gilberto
4:14

11 –Oscar Peterson Triste
Double Bass – Sam Jones
Drums – Bobby Durham
Piano – Oscar Peterson
Producer [Original Recording] – Hans Georg Brunner-Schwer
5:17

12 –Sarah Vaughan The Boy From Ipanema
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Lyrics By [English] – Norman Gimbel
Orchestra – Frank Foster’s Orchestra
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Arranged By, Conductor – Frank Foster
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Double Bass – George Duvivier
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Drums – Bobby Donaldson
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Flute – Jerome Richardson
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Guitar – Barry Galbraith
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Percussion – Willie Rodriguez
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Piano – Bob James
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Trombone – Benny Powell, Billy Byers, Britt Woodman, Richard Hixson, Wayne Andre
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Violin – Bernard Eichen, Charles Libove, Emanuel Green, Gene Orloff, Harry Lookofsky, Leo Kruczek, Lewis Eley, Tosha Samaroff
Producer [Original Recording] – Quincy Jones
Vocals – Sarah Vaughan
2:29

13 –Dizzy Gillespie Samba De Uma Nota Só (One Note Samba)
Double Bass – Chris White (3)
Drums – Rudy Collins
Flute – Leo Wright
Percussion – Pepito Riestria
Piano – Lalo Schifrin
Producer [Original Recording] – Quincy Jones
Trumpet – Dizzy Gillespie
5:16

14 –Joe Henderson Vivo Sonhando (Dreamer)
Bass – Nico Assumpçao*
Drums – Paulo Braga*
Guitar – Oscar Castro-Neves
Piano – Eliane Elias
Producer [Original Recording] – Oscar Castro-Neves, Richard Seidel
Tenor Saxophone – Joe Henderson
5:25

15 –Toots Thielemans with Elis Regina Wave
Harmonica – Toots Thielemans
Vocals – Elis Regina
3:08

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Ah, Tom, se todos fossem iguais a você…

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.:interlúdio:. A arte de Jacob do Bandolim (1918 – 1969)

.:interlúdio:. A arte de Jacob do Bandolim (1918 – 1969)

Olá pessoal!  Hoje tenho o imenso prazer de compartilhar uma verdadeira pérola da música brasileira, trata-se de um pouquinho da imensa obra do incrível Jacob Pick Bittencourt, ou Jacob do Bandolim nascido em 14/02/1918, no Rio de Janeiro. Morava na casa de n° 97, da Rua Joaquim Silva, na Lapa. Quando criança uma de suas distrações era ficar na janela de casa ouvindo um vizinho francês, cego, tocar violino. Ao ver o filho com tanto interesse ganhou um violino da mãe aos 12 anos, mas, por não se adaptar ao arco do instrumento, passou a usar grampos de cabelo para tocar as cordas. Depois de várias cordas arrebentadas, uma amiga da família disse: “..o que esse menino quer é tocar bandolim..”. Dias depois, Jacob ganhou um bandolim, comprado na Guitarra de Prata. Era um modelo “cuia”, estilo napolitano, e segundo o próprio Jacob: ” …aquilo me arrebentou os dedos todos, mas eu comecei…”. Aos 13 anos, ainda da janela de sua casa, escutou o primeiro choro: “É do que há” (CD2 faixa 00) – composto e gravado pelo famoso Luiz Americano – “Nunca mais esqueci a impressão que me causou”, afirmaria Jacob, anos mais tarde. Raramente saia à rua. Seu negócio era ir na escola e ficar em casa tocando bandolim. Costumava freqüentar a loja de instrumentos musicais Casa Silva, na rua do Senado, onde, para variar, ficava palhetando os bandolins. Em 1933 se apresentou pela primeira vez, ainda como amador, na Rádio Guanabara, com um grupo formado por amigos, o “Conjunto Sereno”. Ao tomar a decisão que o bandolim “era o seu negócio” e nele se concentrar iniciou a sua carreira radiofônica. O sucesso foi tanto que Jacob foi contratado pela rádio, passando a se revezar com o grupo do famoso flautista Benedito Lacerda, o “Gente do Morro”, no acompanhamento dos principais artistas da época, dentre eles, Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Lamartine Babo. Em conseqüência, seu grupo, que era formado por Osmar Menezes e Valério Farias “Roxinho” nos violões, Carlos Gil no cavaquinho, Manoel Gil no pandeiro e Natalino Gil no ritmo, passou a se chamar “Jacob e sua gente”.

1953 – Sentados: Donga-Pixinguinha-João-da-Bahiana-e-Jacob-do-Bandolim. Em pé no centro Ataúlfo Alves

Em 1940, Jacob se casou com Adylia Freitas, sua grande companheira para toda a vida. Nesta época se firmou uma profunda amizade com o violonista e histórico compositor Ernesto dos Santos – o Donga. Tempos difíceis, cachês fracos e o apoio pessoal e material que veio de Donga foi fundamental para o casal Jacob e Adylia costumavam comentar que “…Donga e a esposa Zaira de Oliveira mataram nossa fome algumas vezes…”. Mais experiente e conhecedor das dificuldades da profissão, Donga convenceu Jacob a prestar concurso público, idéia que o bandolinista abraçou, pois sempre pretendeu alcançar uma estabilidade que lhe permitisse realizar seus saraus e desenvolver sua arte sem ser obrigado a acompanhar cantores e calouros eternamente, isso somado ao temor de perder sua independência em virtude das pressões das gravadoras e dessa forma, por não querer fazer concessões à indústria fonográfica, JACOB prestou concurso, sendo nomeado Escrevente Juramentado da Justiça do Rio de Janeiro, mas continuou tocando bandolim, cada vez mais.

Em 1941, a convite de Ataulfo Alves, participou das gravações, “Leva Meu Samba” (Ataulfo Alves) e a famosa “Ai, que Saudades da Amélia” (Ataulfo Alves e Mário Lago). Em 1947, Jacob lança pela gravadora Continental, seu primeiro disco como solista, um 78 rpm, com um choro de sua autoria, “Treme-treme” (CD01 faixa 00) e a valsa “Glória”, de Bonfiglio de Oliveira, fazendo grande sucesso.

Em 1949, já residindo em Jacarepaguá, na Rua Comandante Rubens Silva, no 62, Jacob passou a realizar grandes saraus que contatavam na platéia com a presença de grandes nomes da política, artes e jornalistas que lá iam ouvir a arte: Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Serguei Dorenski, Ataulfo Alves, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Canhoto da Paraíba, Maestro Gaya, Darci Villa-Verde, Turíbio Santos e Oscar Cáceres (violonista uruguaio). Segundo Hermínio Bello de Carvalho, assíduo participante dessas reuniões musicais: “….. quem participou de seus célebres saraus, tornou-se não apenas um ouvinte privilegiado das noites mais cariocas que esta cidade já conheceu, mas um discípulo sem carteira de um Mestre que não sonegava lições, que fazia questão de repassá-las nas inúmeras atividades que exercia – inclusive como radialista. Proclamava não ser professor e, por isso, não ter formado alunos. Ignorava que, ao morrer, deixaria não apenas uma escola, mas uma universidade aberta a todos que um dia iriam estudar o gênero a que se dedicou com rara e profícua eficiência. Sua casa em Jacarepaguá era uma permanente oficina musical, onde reunia a nata dos chorões cariocas, proporcionando a eles o convívio com músicos de outros Estados, de quem fazia questão de registrar as obras para posterior divulgação. Canhoto da Paraíba, Rossini Pereira, Zé do Carmo, Dona Ceça e outros autores-instrumentistas eram recepcionados e hospedados em sua casa, num gesto de ampla generosidade por quase todos, reconhecido. Recebia também artistas internacionais do porte de Maria Luisa Anido, Sergei Dorenski e Oscar Cáceres em saraus memoráveis….”

Entre o final de 1956 e 1958, Radamés Gnatalli escreveu “Retratos”, uma suíte para bandolim, orquestra e conjunto regional, onde homenageou, em cada movimento, um dos quatro compositores que considerava geniais e fundamentais na formação da nossa música instrumental: Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga. Como se revelasse uma fotografia musical extraída da alma de cada um dos quatro homenageados, Radamés traz no primeiro movimento um Choro baseado em Carinhoso, no segundo, uma Valsa a partir de Expansiva, no terceiro, um Schottisch lembrando Três Estrelinhas e no quarto movimento, um Maxixe “a la” Corta Jaca. Uma obra de rara beleza e que exigia um solista sensível e com conhecimento musical. Radamés dedicou a suíte Retratos a Jacob que para executá-la foi obrigado a aprofundar seus estudos de teoria musical, que havia iniciado em 1949, e para isso contou com a ajuda de Chiquinho do Acordeon (Romeu Seibel) e com a sua própria obstinação. Jacob registrou em seu gravador a estréia radiofônica de Retratos interpretada por Chiquinho, na Rádio Nacional, no final dos anos 50 e a partir daí estudou a obra continuamente para enfim gravá-la em fevereiro de 1964 (Gravação compartilhada abaixo). Em maio do mesmo ano, Jacob escreve uma carta a Radamés para confessar que “…valeu estudar e ficar dentro de casa o Carnaval de 64, devorando e autopsiando os mínimos detalhes da obra…”. Jacob que começou na infância tocando “de ouvido” era fanático por ensaios, revelava agora uma nova face, o de musico estudioso. Em agosto de 64, Jacob fez a primeira audição pública de “Retratos”, acompanhado pela Orquestra da CBS, no saguão do Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro. “Retratos” foi um salto de qualidade na carreira de Jacob e na música brasileira. Com a fusão entre a linguagem camerística e a popular Radamés deu-nos uma nova leitura do Choro que, embora pouco reconhecido a época, amadureceria cerca de 20 anos depois.

Jacob do Bandolim no estúdio de gravação do LP Vibrações

Jacob produziu muitos Lps, mas o Lp “Vibrações”, de 1967, é considerado “o maior LP de choro de todos”, com gravações imortais de “Lamento” e “Brejeiro” (Ernesto Nazareth), uma beleza sem igual. Nos faz pensar e crer que um dia lá no futuro artistas como ele serão realmente reconhecidos como gênio. Que obra !!!!

No início de agosto de 1969, Jacob interrompeu uma estadia em Brasília, onde estava se tratando de dois enfartes com o “cardio-bandolinista” Dr. Veloso, retornou ao Rio de Janeiro para reassumir suas funções no Conselho de Música Popular do Museu da Imagem e do Som do RJ, onde ocupava a cadeira n° 22 e para retomar as gravações de seu programa de rádio na Rádio Nacional – “Jacob e seus Discos de Ouro” – um dos poucos programas especializados em choro e samba no rádio brasileiro, sempre transmitido as 23:30 hs. Nessa época, por precaução, após os dois enfartes, Adylia não permitia que Jacob saísse sozinho. Mas, no dia 13.08.69, uma quarta-feira, Jacob, que desde que havia retornado de Brasília insistia em ir ver seu amigo Pixinguinha pois soubera que este passava por problemas, resolveu ir a Ramos de qualquer jeito. D. Adylia que estava adoentada e não podia acompanhá-lo, relutou mas acabou concordando. Dentre outras coisas, Jacob queria acertar com o amigo Pixinga a realização de um velho sonho. A gravação de um disco só com músicas do velho mestre e com a renda revertida para ele. Jacob passou a tarde com Pixinguinha e ao retornar para sua residência em Jacarepaguá, ainda dentro do carro sofreu o terceiro infarte, falecendo na varanda de sua casa, nos braços da esposa, por volta das 19 hs.

Jacob e Cartola

Jacob sempre perseguiu a perfeição da execução e a excelência na preservação da nossa música, sem, contudo ser um conservador. Municiava-se de recursos tecnológicos de ponta à época (anos 50), para obter resultados inovadores, na busca de novas sonoridades, ou para melhorar o registro de seus arquivos. Da mesma forma, quando estudou, à fundo, a arte fotográfica, para poder microfilmar suas partituras, pois arquivos físicos não lhe bastavam, em se tratando de milhares de partituras a serem preservadas.

O jornalista e filho de Jacob, Sérgio Bittencourt, era famoso pelo estilo polêmico. Não economizava críticas ácidas ao escrever sobre música popular em jornais e revistas. Tornou-se também um rosto conhecido ao atuar como jurado nos programas de calouros de Flávio Cavalcanti. Mas as palavras ficavam doces ao falar sobre a admiração que tinha pelo pai, Jacob do Bandolim, um dos maiores músicos de choro da história do País. A morte de Jacob, em 1969, foi dura para o rapaz de 28 anos. Em sua homenagem, compôs a comovente Naquela Mesa: “Naquela mesa ele sentava sempre / E me dizia sempre o que é viver melhor / Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor… “ Há quem diga que a canção foi escrita durante o velório do pai. A música ficaria famosa nas vozes de Elizeth Cardoso e Nelson Gonçalves (Faixas bônus) e se tornaria um clássico, quase obrigatória em repertórios boêmios Brasil afora. Até mereceu um arranjo do maestro e arranjador francês Paul Mauriat.

Hoje, são raras as rodas de choro onde não se ouvem as cordas de um bandolim, são raros os bandolinistas que não tem em Jacob sua referência musical e, principalmente, é raro o país que teve o privilégio de ter tido um Jacob do Bandolim. O que dizer do choro “Odeon”, “Brejeiro”, “Noites Cariocas” ou a brincadeira com o Zimbo trio na última faixa do CD 03 “Chega De Saudade”….

Contrariando a letra do Sérgio Bittencourt aonde diz “… e hoje ninguém mais fala do seu bandolim….”. Hoje falamos e mando este petardo em homenagem ao grande músico que foi, é, e sempre será – Jacob do Bandolim.

Fontes bibliográficas:
Tributo a Jacob (Discografia) / Sergio Prata e Maria V. Pugliesse / Rio, CECAC, 2003; / Arquivos da família Bittencourt; / Depoimentos de Déo Rian, Elena Bittencourt e César Faria ; / Jacob do Bandolim / Ermelinda de Azevedo Paz , Rio, Funarte, 1997; / O Choro: do Quintal ao Municipal / Henrique Cazes, São Paulo, Editora 34, 1998. / http://jacobdobandolim.com.br/biografia.html

Pessoal, divirtam-se com estes arquivos que ora disponibilizamos. Bom Sarau!

Jacob Do Bandolim – Gravações Originais
CD 01


1-0 Treme Treme
1-1 Noites Cariocas
1-2 Despertar Da Montanha
1-3 Dolente
1-4 Pé-De-Moleque
1-5 Simplicidade
1-6 Bonicrates De Muletas
1-7 Cristal
1-8 Mexidinha
1-9 Choro De Varanda
1-10 Vascaíno
1-11 Bole-Bole
1-12 Nostalgia
1-13 Odeon
1-14 Confidências
1-15 Atlântico
1-16 Faceira
1-17 Biruta
1-18 Migalhas De Amor
1-19 Alvorada

CD2


2-0 É do que há
2-1 Doce De Coco
2-2 Reminiscências
2-3 Entre Mil… Você!
2-4 Mimosa
2-5 Sapeca
2-6 Carícia
2-7 Santa Morena
2-8 Tira Poeira
2-9 Diabinho Maluco
2-10 Cochichando
2-11 Agüenta, Seu Fulgêncio
2-12 Sempre Teu
2-13 Implicante
2-14 Lábios Que Beijei
2-15 Serra Da Boa Esperança
2-16 Flor Do Abacate
2-17 Chorando
2-18 Gostosinho
2-19 Noites Cariocas

CD 03


3-1 Assanhado
3-2 Feia
3-3 Bola Preta
3-4 Benzinho
3-5 A Ginga Do Mané
3-6 O Vôo Da Mosca
3-7 Ernesto Nazareth – 2º Movimento Da Suíte Retratos (Retrato B)
3-8 Chiquinha Gonzaga – 4º Movimento Da Suíte Retratos (Retrato D)
3-9 Vibrações
3-10 Receita De Samba
3-11 Ingênuo
3-12 Lamentos
3-13 Murmurando
3-14 Floraux
3-15 Brejeiro
3-16 Noites Cariocas
3-17 Modinha
3-18 Chega De Saudade

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Vibrações


01 – VIBRAÇÕES (Jacob do Bandolim)
02 – RECEITA DE SAMBA (Jacob do Bandolim)
03 – INGÊNUO (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
04 – PÉROLAS (Jacob do Bandolim)
05 – ASSIM MESMO (Luis Americano)
06 – FIDALGA (Ernesto Nazareth)
07 – LAMENTO (Pixinguinha)
08 – MURMURANDO (Fon-Fon)
09 – CADÊNCIA (Juventino Maciel)
10 – FLORAUX (Ernesto Nazareth)
11 – BREJEIRO (Ernesto Nazareth)
12 – VÉSPER (Ernesto Nazareth)

JACOB DO BANDOLIM & CONJUNTO ÉPOCA DE OURO – 1967 ( RCA Camden ) FAIXAS DO ÁLBUM VIBRAÇÕES (Compositor) JACOB DO BANDOLIM: Bandolim / DINO 7 CORDAS: Violão 7 cordas / CESAR FARIA E CARLINHOS: Violão / JONAS: Cavaquinho / GILBERTO D’ÁVILA: Pandeiro / JORGINHO: Percussão

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Suíte Retratos


Jacob do Bandolim – Radamés Gnattali e Orquestra – SUITE RETRATOS – gravação de 1964

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Naquela mesa
Naquela mesa – Nelson Gonçalves
Sergio Bittencourt e Elizeth Cardoso – Naquela mesa
Paul Mauriat – Naquela Mesa

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Jacob afinando o seu Bandolim na sala de Luteria do PQP

Ammiratore