Pietro Locatelli (1695-1764) – 4 Sonatas para Flauta – Wilbert Hazelzet & Ton Koopman

Pietro Locatelli (1695-1764) – 4 Sonatas para Flauta – Wilbert Hazelzet & Ton Koopman

Pietro Antonio Locatelli

Sonatas para Flauta, Op. 10, Nos. 2, 6, 7 & 10

Wilbert Hazelzet, flauta

Ton Koopman, cravo

Richte van der Meer, violoncelo

Como está difícil viajar, pelo menos para os simples mortais, vamos completar nossa miniturnê flautista, que iniciou em Leipzig com a música de Wilhelm Friedemann Bach, passou por Paris com a música charmosa de Boismortier, chegando à ensolarada Itália. Fechamos o ciclo com este disco contendo quatro sonatas de Locatelli. A bem da verdade, Locatelli passou boa parte de sua vida em Amsterdã, mas suas raízes são italianas e não é uma má ideia visitar Amsterdã.

O Ton holandês…

Apesar deste disco ter sido gravado em 1980, enquanto os anteriores são de 2005 (Bach) e 2014 (Boismortier), achei que o conjunto representa bem as diferenças dos estilos musicais. Aqui temos o modelo da sonata barroca que surgiu na Itália, com quatro movimentos: lento-rápido-lento-rápido. Locatelli foi aluno de Corelli e contemporâneo de Vivaldi. Em Amsterdã, ele ocupou-se, entre outras coisas, de assessorar os editores de música, por onde passaram as obras do outro Antonio.

Foto ‘vintage’ do Wilbert…

Estas peças de Locatelli, que era flautista e violinista, são ainda de um período no qual ele observava os modelos estabelecidos. Posteriormente sua obra ganhou mais em virtuosidade e ele faz parte da linhagem de virtuoses como seu antecessor  Torelli, seu quase exato contemporâneo Tartini e posteriormente Paganini. E já que mencionamos este tema, é justo ciar outro quase exato contemporâneo de Locatelli, mas de outro país, o virtuose Jean-Marie Leclair.

Um de seus contemporâneos disse de Locatelli que a expressividade de suas interpretações fariam um canário cair de seu poleiro em êxtase de prazer –  apesar de que como compositor lhe faltaria o inovador talento de Vivaldi. Mas, divago… O que interessa é o disco do Wilbert e Ton, que nos apresentam, com a ajuda do Richte, quatro lindas sonatas para flauta e baixo contínuo. O disco é do tempo em que não era necessário gravar todo o opus 10, bastando duas sonatas para cada lado do LP, permitindo aos músicos escolherem as sonatas que mais os agradavam. A mudança da tonalidade das sonatas deve ter influenciado a escolha da ordem de apresentação das mesmas. A segunda a ser apresentada é em sol menor, enquanto a terceira, que excepcionalmente é em três movimentos, em sol maior. O disco termina com uma sonata em ré maior.

Pietro Antonio Locatelli (1695 – 1764)

Sonatas para Flauta, Op. 10

Sonata No. 7 em lá maior

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Largo
  4. Allegro

Sonata No. 6 em sol menor

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Largo
  4. Allegro

Sonata No. 10 em sol maior

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Menuetto

Sonata No. 2 em ré maior

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Andante
  4. Presto

Wilbert Hazelzet, flauta

Ton Koopman, cravo

Richte van der Meer, violoncelo

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FLAC | 224 MB

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MP3 | 320 KBPS | 105 MB

Veja o que Nicholas Anderson disse sobre este disco, lá pelos idos de 1987…

I enjoyed these lively and imaginative performances. Hazelzet has a wonderfully supple rhythmic sense, a warm, rounded tone and a very impressive technique. He gives affectionate accounts of the four sonatas included in his recital and is alertly supported by an excellent continuo team, Ton Koopman and Richte van der Meer. […] Recommended.

Está esperando o que? Baixe logo os arquivos e ‘knock yourself out’!

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René Denon

Pietro Locatelli (1695-1764) – L´Art del Violin, op. 3 – Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Andrea Marcon

“L’arte del violino é uma composição musical notável e influente do violinista e compositor barroco italiano Pietro Locatelli. Os doze concertos foram escritos para violino solo, cordas e baixo contínuo e foram publicados em 1733 como a terceira obra do compositor. O estilo virtuoso e a arte presentes no trabalho influenciaram fortemente o violino no século XVIII e cimentaram a reputação de Locatelli como pioneira na técnica moderna de violino.”

Assim esta obra nos é apresentada na Wikipedia: Uma coleção de concertos para violino onde se exploram todos os recursos do instrumento. Pouco conhecidas, se comparadas com seu contemporâneo Antonio Vivaldi, estas obras não são muito interpretadas quanto as do veneziano ilustre, mas nos mostram o que acontecia na Europa naquelas primeiras décadas do século XVIII. Locatelli foi um cidadão do mundo, morou em diversas cidades na Europa, até se estabalecer em Amsterdam, onde veio a falecer, e foi ali que lançou esta coleção. Não as colocaria no mesmo nível das obras de Vivaldi, mas há de se destacar o virtuosismo e a evolução da técnica violinística que eles nos apresentam.
“Cada um dos doze concertos em L’arte del violino contém os três movimentos tradicionais, com a progressão típica de dois movimentos mais rápidos em torno de um movimento médio mais lento e mais contemplativo. Em cada concerto, os dois movimentos externos contêm o que é conhecido como capriccio. Esses capricci, geralmente com duração de vários minutos, podem ser descritos como uma espécie de cadência de violino tocada extemporaneamente, durante a qual o solista tem ampla oportunidade de mostrar sua habilidade com o instrumento. Os intervalos capricci contradizem o formato esperado do concerto solo, ocorrendo antes do ritornello final dos tutti. São esses 24 extraordinários intervalos capricci pelos quais L’arte del violino alcançou sua fama, pois são descritos como “as passagens de violino mais difíceis de toda a literatura barroca”.(Wikipedia)”
Para nos apresentar alguns destes concertos,  temos aqui um dos maiores especialistas em violino barroco da atualidade, Giuliano Carmignola, que creio dispensar apresentações.  O trio Carmignola / Venice Baroque Orchestra / Andrea Marcon já nos proporcionou ótimos momentos com seus já históricos registros das obras de Vivaldi.
Espero que apreciem, e aguardem, pois vem mais Locatelli por aí.

01. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – I. Allegro
02. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – Capriccio
03. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – II. Largo Andante
04. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – III. Andante
05. Concerto in F Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.10 – Capriccio
06. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – I. Allegro
07. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – Capriccio
08. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – II. Largo
09. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – III. Andante
10. Concerto in A Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.11 – Capriccio
11. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – I. Andante
12. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – Capriccio
13. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – II. Largo
14. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – III. Andante
15. Concerto in C Minor for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.2 – Capriccio
16. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – I. Allegro
17. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – II. Largo
18. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – Capriccio
19. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – III. Allegro
20. Concerto in D Major for Violin, Strings and Continuo, Op.3, No.1 – Capriccio

Giuliano Carmignola – Baroque Violin
Venice Baroque Orchestra
Andrea Marcon – Conductor

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Pietro Antonio Locatelli (1695-1764) – 6 Introduttioni Teatrali, op. 4 – Freiburger Barockorchester, Thomas Hengelbrock

A “Freiburger Barockorchester” já se consolidou há bastante tempo como um dos principais conjuntos de música barroca, tendo o grande violinista Gottfried von der Goltz como seu líder. Já trouxemos diversos CDs deles, e não canso de trazer mais. A sonoridade desta orquestra é exatamente a sonoridade que gosto de ouvir quando se trata de música barroca.
O compositor escolhido aqui é Pietro Antonio Locatelli, um italiano contemporâneo de Bach, Haendel, Vivaldi, entre tantos outros mestres do barroco.

1 – Introduttione 1 D-Dur
2 – Introduttione 2 F-Dur

Freiburger Barockorchester
Thomas Hengelbrock

3 – Sonate D-Dur Op.8 No.2 I. Adagio
4 – II. Allegro
5 – III. Presto-Lento-Presto

Gottfried von der Goltz – Violin
Anne Catherina Schreiber – Violin
Guido Larisch – Violoncello
Torsten Johann – Harpsichord

6 – Introduttione 3 B-Dur
7 – Introduttione 4 G-Dur

Freiburger Barockorchester
Thomas Hengelbrock

8 – Sonata e-Moll Op.5 No.2 I. Largo-Andante
9 – II. Allegro (2)
10 – III. Allegro

Gottfried von der Goltz – Violin
Anne Catherina Schreiber – Violin
Guido Larisch – Violoncello
Torsten Johann – Harpsichord

11 – Introduttione 5 D-Dur

Freiburger Barockorchester
Thomas Hengelbrock

12 – Sonate A-Dur Op.8 No.10 I. Cantabile
13- II. Allegro (3)
14 – III. Vivace
15 – Introduttione 6 C-Dur

Gottfried von der Goltz – Violin
Anne Catherina Schreiber – Violin
Guido Larisch – Violoncello
Torsten Johann – Harpsichord

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Vivaldi, Leo, J. S. Bach, Locatelli, Fasch e Handel: Concerti Virtuosi

Vivaldi, Leo, J. S. Bach, Locatelli, Fasch e Handel: Concerti Virtuosi

717pUeRpI6L._SY355_Um bom CD da canadense Tafelmusik. É a típica coletânea barroca que a quase todos agrada. Apenas me parece que aqui temos uma obra bem superior às outras: o concerto grosso de Handel. Tal fato não condena os outros autores e obras, é apenas uma constatação curiosa. Quando entra o Handel, a sala se ilumina mais. Boa música para um domingo de tempo horroroso em Porto Alegre.

Vivaldi, Leo, J. S. Bach, Locatelli, Fasch e Handel: Concerti Virtuosi

Vivaldi – Concerto for 2 oboes in la minore RV.536

1. Concerto in A Minor for 2 oboes & strings, RV 536 : I. Allegro
2. Concerto in A Minor for 2 oboes & strings, RV 536 : II. Largo
3. Concerto in A Minor for 2 oboes & strings, RV 536 : III. Allegro

Leo – Concerto for violoncello in re minore
4. Concerto in D Minor for violoncello : I. Andante grazioso
5. Concerto in D Minor for violoncello : II. Col spirito
6. Concerto in D Minor for violoncello : III. Amoroso
7. Concerto in D Minor for violoncello : IV. Allegro

J.S.Bach – Concerto for oboe d’amore in G Major, after BWV100,170,30
8. Concerto for oboe d’amore in G Major, after BWV 100, 170 & 30 : I. Allegro
9. Concerto for oboe d’amore in G Major, after BWV 100, 170 & 30 : II. Adagio
10. Concerto for oboe d’amore in G Major, after BWV 100, 170 & 30 : III. Allegro

Locatelli – Concerto grosso in D Major, op.1, no.5
11. Concerto grosso in D Major Op.1 No.5 : I. Largo
12. Concerto grosso in D Major Op.1 No.5 : II. Allegro
13. Concerto grosso in D Major Op.1 No.5 : III. Largo
14. Concerto grosso in D Major Op.1 No.5 : IV. Allegro

Fasch – Concerto in C Minor for bassoon, 2 oboes & strings
15. Concerto in C Minor for bassoon, 2 oboes & strings : I. Allegro
16. Concerto in C Minor for bassoon, 2 oboes & strings : II. Largo
17. Concerto in C Minor for bassoon, 2 oboes & strings : III. Allegro

Handel – Concerto grosso in A Minor, Op.6. no.4
18. Concerto grosso in A Minor, Op.6 No.4 : I. Larghetto affettuoso
19. Concerto grosso in A Minor, Op.6 No.4 : II. Allegro
20. Concerto grosso in A Minor, Op.6 No.4 : III. Largo e piano
21. Concerto grosso in A Minor, Op.6 No.4 : IV. Allegro

Vivaldi – Concerto in E Minor for 4 violins, op.3, no.4
22. Concerto in E Minor for 4 violins, Op.3 No.4 : I. Andante
23. Concerto in E Minor for 4 violins, Op.3 No.4 : II. Allegro assai
24. Concerto in E Minor for 4 violins, Op.3 No.4 : III. Adagio
25. Concerto in E Minor for 4 violins, Op.3 No.4 : IV. Allegro

Tafelmusik Baroque Orchestra
Jeanne Lamon

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Jeanne Lamon em dois tempos.
Jeanne Lamon em dois tempos.

PQP

Alma Latina: Bolivian Baroque: Music from the Missions of the Chiquitos, Moxos and La Plata (Sucre) – Florilegium Ensemble & Arakaencar Bolivia Choir

Bolivian Baroque_ Music from the Missions of the Chiquitos, Moxos and La Plata (Sucre)Bolivian Baroque
Music from the Missions of the Chiquitos, Moxos and La Plata

Florilegium Ensemble
Arakaencar Bolivia Choir

Maestro Ashley Solomon

Ao invés de focar em manuscritos esquecidos através de toda a América Latina, Ashley Solomon e seu grupo Florilegium preferem concentrar seus esforços nos arquivos na Bolívia.

Salomon fundou um coro lá, e ambos os seus grupos aparecem regularmente no festival renascentista bienal e barroco nas missões jesuítas da região dos Chiquitos. A sua última compilação inclui peças dessas missões e das de Moxos, juntamente com música da catedral de La Plata, a atual cidade de Sucre.

Embora as fontes nem sempre sejam claras, é uma sequência animada e bem variada, principalmente de obras que mostram o excelente coro de Arakaencar de Salomon, intercaladas com trio-sonatas anônimos e peças de órgãos gravadas em um instrumento maravilhosamente corajoso na igreja missionária de Santa Ana, na parte boliviana da bacia amazônica. (texto extraído e adaptado da internet)

Ignacio Balbi (1720-1771)
01. Sonata No IX – 1. Allegro assai
02. Sonata No IX – 2. Andante Spirituoso
03. Sonata No IX – 3. Allegro
Juan de Araujo (Villafranca, España, 1646 – Chuquisaca, Bolívia 1712)
04. Viillancico a tres con continuo – Cayósole de Alba
Jan Josef Ignác Brentner (Czech, 1689-1742)
05. Himno – Glória et hónore
Anônimo (séc. XVIII)
06. Motete para la Virgen Maria – Stella coeli extirpávit
07. Aria – Quis me a te sponse separabit
Giovanni Battista Bassani (Italia, ca. 1650-1716)
08. Missa Encarnación – 1. Kyrie
09. Missa Encarnación – 2. Glória
10. Missa Encarnación – 3. Credo
11. Missa Encarnación – 4. Sanctus
12. Missa Encarnación – 5. Agnus Dei
Pietro Locatelli (1695-1764)
13. Sonata No X – 1. Untitled
14. Sonata No X – 2. Andante
15. Sonata No X – 3. Allegro
Juan de Araujo (Villafranca, España, 1646 – Chuquisaca, Bolívia 1712)
16. Viillancico a cuatro con continuo – Si el Amor se qedare dormido
Anônimo (séc. XVIII)
17. Aria – Tota salutis
18. Antífona Mayor – Salve, Regina
19. Motete para la Virgen Maria – Tota pulchra es Maria
Traditional Bolivian Melody (Anónimo)
20. Don Januario

Bolivian Baroque: Music from the Missions of the Chiquitos, Moxos and La Plata (Sucre) – 2006
Florilegium Ensemble & Arakaencar Bolivia Choir. Maestro Ashley Solomon

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MP3 320 kbps – 137 MB – 1,4 horas

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Boa audição!

Avicenna

Bach, Hindemith, C.Guarnieri, Fauré, Schubert e mais, na flauta & piano: dois recitais memoráveis

Duo Morozowicz 1 http://i30.tinypic.com/2vke3kg.jpgPublicado originalmente em 23.07.2010

Como vocês devem imaginar, escolhi vinis pelos quais tenho muito carinho para começar minha carreira de digitalizador amador – mas por estes dois o carinho é todo especial.

Tadeusz Morozowicz (pronunciado Morozóvitch) nasceu na Polônia em 1900, e em 1925 se instalou em Curitiba, onde dois anos depois fundaria o que se diz ter sido a segunda escola de balé do país.

Duo Morozowicz 2 http://i28.tinypic.com/6e3hv5.jpgNão sei se a escola foi mesmo a segunda, mas acho que Tadeusz realizou proeza maior: todos os três filhos foram leading figures da vida artística paranaense da segunda metade do século XX: Milena como coreógrafa, professora de dança, diretora de balé; Zbigniew Henrique como pianista, organista, compositor, professor formal e não formal com sua presença sempre questionadora e profunda; Norton, como flautista – aluno de ninguém menos que Aurèle Nicolet – e mais recentemente também como regente e diretor de festivais.

Henrique e Norton http://i27.tinypic.com/2w7274j.jpgAtuando em duo desde 1971, em 1975 Norton e Henrique resolveram transformar em disco um recital que haviam dado na Sala Cecília Meireles, no Rio. Gravadoras, como se sabe, sempre deram menos bola para qualidade que para a vendabilidade dos nomes; pouquíssimos músicos clássicos brasileiros eram gravados na época, sobretudo se não morassem no Rio. Sempre inventivo, Henrique lançou uma lista de venda antecipada – que tive o gosto de assinar -, e com isso levantou a verba para o primeiro destes discos. Com o segundo, três anos depois, não lembro os detalhes, mas também foi produção independente.

Quer dizer: a circulação destas gravações foi muito limitada até hoje – o que me parece um despropósito, dada a qualidade do material. Bom, pelo menos eu sinto assim. E é claro que, como frente a qualquer artista, pode-se discordar desta ou daquela opção – mas depois de ouvirem algumas vezes, duvido que vocês me digam que estou superestimando devido ao afeto por um professor marcante!

Ainda umas poucas observações: tenho certa preferência pela sonoridade do volume 2, onde Norton optou por menos vibrato e Henrique por menos staccato, mas isso não me impede de me deliciar com o volume 1, que começa com a singeleza das Pequenas Peças de Koechlin (que os franceses pronunciam Keklã, embora eu também já tenha ouvido Keshlã. Não conhecem? Bem, aluno de Fauré, professor de Poulenc e do português Lopes-Graça), passa pela consistência de Hindemith e pelo lirismo espantosamente ‘brasileiro’ da Fantasia de Fauré (para mim a faixa mais marcante), chegando a um final que, a despeito de minhas resistências a Bach no piano, me parece não menos que arrebatador.

Mas o ponto alto do conjunto me parecem ser as Variações de Schubert que ocupam todo um lado do volume 2 – e olhem que Schubert nem está entre meus compositores prediletos. Mas essa peça está, sim, entre as minhas prediletas, implantada que foi por ação desta dupla.

É preciso apontar ainda que em cada disco há uma seqüência de três pequenas peças de Henrique de Curitiba – ‘nome de compositor’ do pianista, adotado nos anos 50, ainda antes dos anos em Varsóvia, enquanto estudava com Koellreuter e Henry Jolles na Escola Livre de Música de São Paulo – junto com tantos nomes decisivos da nossa música, no geral bem mais velhos.

Renée Devrainne Frank foi a primeira professora de piano de Henrique. Nascida na França, emigrada para Curitiba com 9 anos, depois formada em Paris na escola de Alfred Cortot, Renée era casada com o flautista Jorge Frank e formava o Trio Paranaense com a cunhada cellista Charlotte Frank e a violinista Bianca Bianchi – tendo composto consideravelmente para as formações que esse grupo proporcionava. Pode-se dizer que sua peça gravada é puro Debussy fora de época, mas… sinceramente, dá para ignorar a beleza e a qualidade da escrita? Fico pensando em quantas donas Renée terão deixado obras de qualidade, Brasil e mundo afora, e permanecem desconhecidas – enquanto se lambem os sapatos de tantas nulidades promovidas pela indústria & mídia!

Enfim, achei que vocês gostariam de ter a seqüência dos dois discos fluindo juntos numa pasta só – espero não ter me enganado!

DUO MOROZOWICZ
Norton Morozowicz, flauta
Henrique Morozowicz, piano

VOLUME 1
Gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles
Rio de Janeiro, 30.05.1975

Charles Koechlin (1867-1950): SEIS PEQUENAS PEÇAS
101 Beau soir (Noite bonita) 1:23
102 Danse (Dança) 0:51
103 Vieille chanson (Velha canção) 0:42
104 Danse printanière (Dança primaveril) 0:53
105 Andantino 1:23
106 Marche funèbre (Marcha Fúnebre) 2:30

Paul Hindemith (1895-1963): SONATA PARA FLAUTA E PIANO (1936)
107 Heiter bewegt (com movimento alegre) 4:51
108 Sehr langsam (muito lento) 4:30
109 Sehr lebhaft (muito vivo) 3:36
110 Marsch (marcha) 1:22

Gabriel Fauré (1845-1924):
111 FANTASIA op.79 5:45

Henrique de Curitiba (1934-2008):
112 TRÊS EPISÓDIOS 3:54

J.S. Bach (1685-1750): SONATA EM SOL MENOR, BWV 1020
113 Allegro 3:40
114 Adagio 2:42
115 Allegro 3:42

VOLUME 2
Gravado ao vivo no Teatro Guaíra
Curitiba, 22.08.1978

Pietro Locatelli (1693-1764): SONATA EM FA
201 Largo 2:31
202 Vivace 2:14
203 Cantabile 4:16
204 Allegro 1:57

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993):
205 IMPROVISO n.º 3 para flauta solo (1949) 3:50

Henrique de Curitiba (1934-2008):
206 TRÊS PEÇAS CONSEQÜENTES para piano solo (1977) 6:19

Renée Devrainne Frank (1902-1979):
207 IMPROVISANDO (1970) 4:15

Franz Schubert (1797-1828):
208 Introdução e variações sobre ‘Ihr Blümlein alle’, op.160 18:34

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Ranulfus

La Casa del Diavolo – Vários compositores

Um CD divertido do extraordinário conjunto italiano Il Giardino Armonico. O grupo de Giovanni Antonini está afiadíssimo. E é coisa do demônio, que sempre é mais interessante do que anjinhos bonitinhos, etc. Se que querem comprovação, basta ler Doutor Fausto de Thomas Mann… Livro, aliás, que todos, mas todos mesmo, deveriam ler.

Notem o belo trabalho que Boccherini (faixa 20, a última) fez sobre a Dança das Fúrias (faixa 1). de Gluck. Vale a pena ouvir um logo após o outro. O concerto do mano Friede é igualmente maravilhoso, com um arrebatador Andante.

P.Q.P. Bach

La Casa del Diavolo – Il Giardino Armonico:

Christoph Willibald GLUCK (1714-1787)
Dance of the Spectres and the Furies, Allegro non troppo (1761) [4:07]
1. I. Allegro Non Troppo

Carl Philip Emanuel BACH (1714-1788)
Sinfonia Wq. 182/5 in B minor for strings and continuo [10:36]
2. I. Allegretto
3. II. Largo
4. III. Presto

Pietro Antonio LOCATELLI (1695-1764)
Concerto Grosso Op. 7/6 in E flat major “Il pianto d’Arianna” for violin, strings and continuo (1741) [17:35]
5. I. Andante, Allegro
6. II. Adagio
7. III. Andante, Allegro
8. IV. Largo
9. V. Largo Andante
10. VI. Grave
11. VII. Allegro
12. VIII. Largo

Wilhelm Friedemann BACH (1710-1784)
Concerto in F minor for harpsichord, strings and continuo [17:48]
13. I. Allegro Di Molto
14. II. Andante
15. III. Prestissimo

Luigi BOCCHERINI (1743-1805)
Sinfonia Op. 10/4 in D minor “La casa del diavolo” for two oboes, two horns, strings and continuo (1771) [19:18]
16. I. Andante Sostenuto
17. II. Allegro Assai
18. III. Andantino Con Moto
19. IV. Andante Sostenuto
20. V. Allegro Assai Con Moto

Il Giardino Armonico
Reg.: Giovanni Antonini
Enrico Onofri (violin)
Ottavio Dantone (harpsichord)

Recorded in March, August and October 2004, Pieve di Palazzo, Pignano, Cremona, Italy.

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