.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Escalandrum ‎– Piazzolla Plays Piazzolla #Piazzolla100

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Escalandrum ‎– Piazzolla Plays Piazzolla #Piazzolla100

Um bom disco de Piazzolla para fechar o dia dos 100 anos de Piazzolla. Escalandrum é um dos conjuntos musicais de tango e jazz mais bem-sucedidos da Argentina, liderado por Daniel “Pipi” Piazzolla, baterista e compositor multipremiado e neto do mestre do tango Astor Piazzolla. O repertório de Escalandrum inclui uma ampla gama de composições de tango de Astor Piazzolla, bem como a própria música da banda, que se baseia muito mais no jazz contemporâneo e reúne o melhor desses dois mundos. Curiosamente, Escalandrum não inclui bandoneonista nem vocalista.

Bem, poucas figuras na história da música argentina levaram o conceito de vanguarda tão a sério quanto Piazzolla. Traidor do tango para alguns, renovador do tango para outros, é inegável sua contribuição para que o ritmo portenho por excelência rompesse com uma certa rigidez do compasso de dois por quatro e voasse mais livre, como só o jazz pode ser. Aqui, temos um grupo competentíssimo comprovando isso.

Escalandrum ‎– Piazzolla Plays Piazzolla

1 Lunfardo 6:27
2 Buenos Aires Hora Cero 5:17
3 Vayamos Al Diablo 3:41
4 Oblivion 4:56
5 Tanguedia 1 4:37
6 Fuga 9 5:04
7 Escualo 4:00
8 Romance Del Diablo 5:37
9 Adios Nonino 8:52
10 Libertango 8:25

Alto Saxophone, Soprano Saxophone – Gustavo Musso
Bass Clarinet, Baritone Saxophone – Martin Pantyrer
Double Bass – Mariano Sivori
Drums – Daniel “Pipi” Piazzolla
Piano, Arranged By – Nicolás Guerschberg
Tenor Saxophone – Damián Fogiel

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A alegria contagiante do Escacandrum durante a festa de inauguração da sede portenha do PQP Bach.

PQP

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Piazzolla ‘78 #Piazzolla100

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Piazzolla ‘78 #Piazzolla100

11 de março de 2021 – ‘Astor faz Cem Anos’- poderia ser título de um filme de Saura, ele que nos deu o magnífico ‘Tango’. Enfim, aos grandes, a grandeza. E Astor, como seu nome bem o denota, andava neste mundo desviando a fronte das tramas estelares, donde vez por outra colhia melodias sem igual. Despertei essa manhã com a súbita consciência de que sendo um Piazzóllatra apaixonado não poderia cometer o desatino de não homenageá-lo com uma postagem. Sem qualquer receio de jazer datado, quero dizer que na noite ontem, dia 6 de março, no Teatro Colón, se deu o segundo concerto da série de 13 dedicados ao mestre, transmitidos ao vivo pelas rádios de Buenos Aires. Que noite, amigos! Que música, que músicos, que arranjos, que emoções! Foi revivido o seu octeto eletrônico com o repertório dos tempos de Libertango; mais a presença da monumental Amelita Baltar cantando os seus lapidares sucessos junto a Astor. A mais plena glória concedida ao que muitos chamaram de “assassino do tango”. Consideremos, Astor era pirracento e costumava lançar um balde de gasolina nesse fogaréu, falando por exemplo que La Cumparsita seria o pior dos tangos que já tocara ou criticando antigos mestres e estilos nos quais sua própria obra encontrava raízes. Peço perdão se esse texto sai engessado, carente de graça ou leveza. Nesse momento, sob um mundo adoecido e a cidade em estado de lei seca, devo poupar os últimos quatro dedos de whisky para o terceiro concerto logo mais às 17 horas. Caminhemos, como diria Herivelto Martins.

Esse disco, também lançado como ‘Mundial 78’ na época, foi um trabalho ligado a um campeonato de futebol. Seus títulos se remetem ao nobre esporte. Sou a pessoa menos indicada do mundo para falar de futebol, tarefa que deveria, pelo maior zelo da justiça, caber ao compadre mestre Milton Ribeiro. Todavia, na infância, em casa dos meus avós e pais, testemunhava a emoção que efervescia nas Copas do Mundo. Lembro de momentos verdadeiramente mágicos, onde via nomes como Garrincha, Pelé, Rivelino, Tostão, um filosófico e etílico Dr. Sócrates; e nomes estranhos como Cafuringa e Beto Fuscão. Sei que eram verdadeiros deuses, voavam, para eles não existiria limites de gravidade e inércia. A bola os obedecia. Eram magos, certamente. Hoje não sei se isso ainda existe. Astor não foi ligado ao futebol até se encantar com o magnífico Maradona. Preferia pescar tubarões, conforme nos conta a excelente biografia de Maria Susana Azzi, que tive a grande sorte de conseguir. Que livro, uma obra definitiva sobre Piazzolla. No presente disco, cada faixa se remete a elementos do futebol, como poderemos ler abaixo. É um disco pequeno, porém concentrado. Um pequeno frasco com matéria radioativa. Toda beleza e intensidade da música de Astor se encontra nessa miniatura. Seu estilo, diríamos, melodinâmico, que evoca pelejas de facas e amores lancinantes, emoções intensas e melodias inebriantes, se adapta perfeitamente à ideia da peleja esportiva, com suas tensões, disputas, anseios, suor e esforços, tropeços, faltas, pênaltis, gols, fracassos, esperanças, vitórias por vezes amargas…

Sintonizo agora a rádio La 2×4 de Buenos Aires, já vai começar o terceiro concerto em honra ao grande Piazzolla. Não perderei nenhum. Encerro esse texto mal engendrado com um breve trecho do filósofo romeno Emil Cioran, como prece e reflexão nesses tempos enfermos. E que as emoções e a beleza da obra de Astor nos fortaleçam, encorajem e abençoem.

“Que o entusiasmo irrompa na existência e que a alegria se assemelhe aos grandes êxtases, e que nosso desejo de ser seja tão universal quanto a tristeza de ser. Em sua luta, que o desejo de ser encha de paixão as trevas das tristezas e que nossa sede de absoluto sacie sua infinitude na obscuridade.”

Astor Piazzolla: Piazzola ‘78

1 Mundial 78
2 Marcación
3 Penal
4 Gambeta
5 Golazo
6 Wing
7 Corner
8 Campeón

Astor Piazzolla – Bandoneón, arranjos e direção
Arnaldo Ciato – Piano
Giani Zilioli – Órgão
Sergio Farina – Guitarra
Gigi Cappellotto, Giorgio Azzolini – Eletric Bass
Tullio de Piscopo – Drums
Sergio Almagano – Violino
Elsa Parravicini – Sax Alto
Hugo Heredia, Sergio Rigon, Giuseppe Parmigiani – Flautas
Paulo Salvi – Cello

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Astor faz 100 Anos

Wellbach

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Luna #Piazzolla100

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Luna #Piazzolla100

Este incrível álbum é um dos poucos documentos registrados do sex-tet e que representa a última fase da carreira de Astor Pantaleón Piazzolla (1921-1992). A música é extremamente apaixonante e intensa. Este CD apresenta sete faixas extraídos de um concerto ao vivo em Amsterdam gravado em junho de 1989, as notas do álbum afirmam que foi o último concerto de Piazzola com o seu sex-tet. Inclui clássicos do repertório como “Hora Cero” (originalmente intitulada “Buenos Aires Hora Cero”), “Milonga del Angel” e “Preludio y Fuga”. As outras quatro composições são geralmente menos conhecidas e pertencem ao período mais inovador do compositor, ou seja, quando a sua música se afastou mais do que nunca do ritmo estruturado do tango ao encontro do jazz do clássico moderno, influenciado por Bartók.

As faixas evoluem e o sex-tet toca mais como um apoio ao gênio de Piazzola, sem solos prolongados de violino ou piano. Além disso, são usados dois bandoneons em vez de um, o violoncello substitui o violino e as partes do piano e da guitarra reforçam os tempos rítmicos juntamente com o uso de um contrabaixo. A interpretação soberba e a gravação excelente.

Apesar das inúmeras gravações feitas por este gigante do Bandoeon, esta gravação é uma das que mais gosto. Nas mãos de Astor e do sex-tet, a expressão da música é elevada, as modulações, dissonâncias, mudanças dinâmicas conferem a este álbum um dos melhores do mestre.

As faixas maravilhosas seriam “Hora Cero”, “Tanguedia”, a impressionante atuação de “Milonga del Angel”, o mestre está em ótima forma, o que dizer do duelo com o piano de Gerardo Gandini em “Camorra 3” com virtuosismo quase violento, e a maravilhosa “Luna” que encerra o álbum – pode ser esta versão a mais rica e sublime das inúmeras atuações feitas por este músico da poesia – nos transportam ao núcleo deste sensual, misterioso e fascinante universo de sombras, parcialmente iluminado onde a desilusão e a fragmentação se fundem para conformar uma espécie de tragédia noturna delirante.

Divirtam-se com a grande viagem pelo maravilhoso álbum “Luna”, como concerto final do mestre, gravado ao vivo em Amsterdam, a 26 de junho de 1989.

Astor Piazzolla – LUNA

1-Hora Cero
2-Tanguedia
3-Milonga del Angel
4-Camorra 3
5-Preludio y Fuga
6-Sex-Tet
7-Luna

Astor Piazzolla New Tango Sex-Tet
Astor Piazzolla – Bandoneon
Daniel Binelli – Bandoneon
Horacio Malvicino – Guitar
Gerardo Gandini – Piano
José Bragato – Violoncello
Hector Console – Double Bass

Amsterdam, a 26 de junho de 1989

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Ammiratore

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Complete Tango! – Isabelle van Keulen Ensemble #Piazzolla100

Como definir um gênio? Difícil, não acham? Um músico do porte de Astor Piazzolla nasce a cada 100 anos, e olha lá. Nesta data, dia 11 de março, há exatos 100 anos nascia este imenso compositor e bandoneonista, Ástor Piazzola, que revolucionou o tango, e consequentemente, a música do Século XX.

O PQPBach não podia deixar esta data passar despercebida, então, em um esforço coletivo, e com poucos dias disponíveis, encaramos este desafio em fazer uma homenagem que faça jus à genialidade do aniversariante.

Infelizmente não poderei postar o meu disco favorito dele, que tenho apenas em LP, e no momento não tenho condições de converter para o formato digital. Trata-se do clássico álbum que a grande intérprete de Piazzolla, a cantora Amelita Baltar, gravou com canções do próprio e de seu fiel companheiro, Horacio Ferrer, onde ela faz o melhor registro que já ouvi da ‘Balada de un Loco’. Para quem não conhece, coloquei um link do Youtube aí embaixo parar conhecerem. Coisa de gênio …

Já venho postando cds do mestre argentino desde os primórdios do PQPBach, e nunca deixei de realçar suas qualidades, tanto quanto compositor quanto intérprete. O que estou trazendo para os senhores hoje são três cds que a violinista Isabelle van Keylen gravou em homenagem à ele, tendo para isso montado um conjunto que intitulou ‘Isabelle van Keulen Essemble’, um quarteto com um contrabaixo acústico, piano, o bandoneon e o violino de van Keulen. Alguém pode reclamar, ‘mas o que os holandeses entendem de tango?’, pode até ser que não entendam nada, mas entendem a importância da obra, e por isso fazem uma homenagem à altura. com o perdão da redundância. Aplicaria a mesma questão a três outros excepcionais músicos que também dedicaram álbuns a Piazzola, gravando com ele, inclusive, com o saxofonista norte americano Gerry Mulligan, o violinista lituano Gidon Kremer ou o acordeonista francês Richard Galliano. O que importa é que entenderam as ideias, os conceitos, e conseguiram nos proporcionar grandes e prazerosos momentos de audição para nós, meros mortais, apreciadores da bela arte.

Não quero me estender muito mais, pois quase todos os atuais membros do PQPBach toparam participar da empreitada. então, vamos ao que viemos.

CD1

1 Escualo
2 Verano Porteño
3 Invierno Porteño
4 Tristezas de un Doble A
5 Michelangelo ’70
6 Contrabajísimo
7 Oblivion
8 Libertango
9 Tangata
10 Tanti anni prima
11 Concierto para Quinteto

CD 2

1 Bando
2 Otoño porteño
3 Le grand tango (arr. Christian Gerber)
4 Soledad
5 Tres minutos con la realidad
6 Kicho
7 Primavera porteña
8 Adiós nonino
9 Tango para una ciudad

CD 3

1 Allegro tangabile
2 La Camorra I
3 Romance del diablo
4 Vayamos al diablo
5 Tango del diablo
6 Poema valseado
7 Fuga y misterio
8 Introducción al ángel
9 Milonga del ángel
10 Muerte del ángel
11 Resurrección del ángel

Isabelle van Keulen Ensemble
Isabelle van Keulen Violin
Christian Gerber bandoneon
Ulrike Payer piano
Rüdiger Ludwig double bass

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.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Piazzolla (1921-1992) por Piazzolla — mais 4 CDs, resultado de pedidos carinhosamente atendidos por nossa consultoria #Piazzolla100

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Piazzolla (1921-1992) por Piazzolla — mais 4 CDs, resultado de pedidos carinhosamente atendidos por nossa consultoria #Piazzolla100

Nosso consultor ignora o funcionamento do SAC do PQP. Aqui, os pedidos raramente são atendidos e a gente costuma dar gostosas gargalhadas com as repetidas súplicas. “O link deixou de funcionar”, “Quero este CD”, “Preciso ouvir isso, disso depende minha vida”, tsc, tsc, tsc. Mas ele, o consultor, contrariamente a nós, revelou ter bom coração e resolveu, imaginem, atender alguns pedidos desesperados. Acabo de ouvir o quarteto de discos que ele nos enviou e ele é novamente portentoso, não tanto quanto este quinteto, mas mesmo assim portentoso, repito. É Piazzolla.

Abaixo, antes da relação de discos, obras e links, faço uma singela homenagem a meu pai, que amava especialmente a canção Los Paraguas de Buenos Aires, colocada no início do lado B de algum disco de Piazzolla-Baltar. Como ele sabia bem mais espanhol do que eu — costumava ouvir rádios de Buenos Aires na infância e na adolescência, talvez em busca de um mundo mais culto do que o de nossa triste província — , certamente entendia de ouvido a bela poesia que Horacio Ferrer escreveu para a música e que coloco agora para os pequepianos. Hoje sei que orillas não são orelhas e sim calçadas ou beiradas ou margens, que paraguas não são paraguaios e sim guarda-chuva, que fruteros devem ser pomares, etc.

Los Paraguas de Buenos Aires

Voz de Amelita Baltar
Letra de Horacio Ferrer
Música de Astor Piazzolla

Está lloviendo en Buenos Aires, llueve
Y en los que vuelven a sus casas pienso
Y en la función de los teatritos pobres
Y en los fruteros que a las rubias besan
Pensando en quienes ni paraguas tienen
Siento que el mío para arriba tira
“No ha sido el viento si no hay viento”, digo
Cuando de pronto mi paraguas vuela
“No ha sido el viento si no hay viento”, digo
Cuando de pronto mi paraguas vuela
Vuela…

Y cruza lluvias de hace mucho tiempo
La que al final mojó tu cara triste
La que alegró el primer abrazo nuestro
La que llovió sin conocernos antes
Y desandamos tanta lluvia, tantas
Que el agua esta recién nacida, vamos
Que está lloviendo para arriba, llueve
Y con los dos nuestro paraguas sube
Que está lloviendo para arriba, llueve
Y con los dos nuestro paraguas sube
Sube…

A tanta altura va querido mío
Camino de un desaforado cielo
Donde la lluvia a sus orillas tiene
Y está el principio de los días claros
Tan alta el agua nos disuelve juntos
Y nos convierte en uno solo uno
Y solo uno para siempre, siempre
En uno solo, solo, solo, pienso
Y solo uno para siempre, siempre
En uno solo, solo, solo, pienso
Pienso…

Pienso en quien vuelve hacia su casa
Y en la alegría del frutero
Y en fin, lloviendo en Buenos Aires sigue
Yo no he traido ni paraguas, llueve
Y en fin, lloviendo en Buenos Aires sigue
Yo no he traido ni paraguas, llueve
Llueve…

.oOo.

1965
CONCIERTO EN EL PHILARMONIC HALL DE NEW YORK (Quinteto)
Polydor 27136 L.P. Grabado en estudios en Buenos Aires.
TANGO DIABLO.
ROMANCE DEL DIABLO.
VAYAMOS AL DIABLO.
CANTO DE OCTUBRE.
MAR DEL PLATA ’70.
TODO BUENOS AIRES.
MILONGA DEL ANGEL.
RESURRECCION DEL ANGEL.
LA MUFA.
(Todos temas de A.Piazzolla).
Formación: Astor Piazzolla (bandoneón), Jaime Gosis (piano), Antonio Agri (violín), Kicho Díaz
(contrabajo), Oscar López Ruiz (guitarra).

ANOS 70
CON AMELITA BALTAR
PRELUDIO PARA EL AÑO 3001 (A.Piazzolla – H.Ferrer).
BALADA PARA MI MUERTE (A.Piazzolla – H.Ferrer).
BALADA PARA UN LOCO (A.Piazzolla – H.Ferrer).
VAMOS NINA (A.Piazzolla – H.Ferrer).
LAS CIUDADES (A.Piazzolla – H.Ferrer).
LOS PARAGUAS DE BUENOS AIRES (A.Piazzolla – H.Ferrer).
LA PRIMERA PALABRA (A.Piazzolla – H.Ferrer).
NO QUIERO OTRO (A.Piazzolla – H.Ferrer).
PEQUEÑA CANCION PARA MATILDE (A.Piazzolla – P.Neruda).
VIOLETAS POPULARES (A.Piazzolla – M.Trejo).
Várias formações

1985
MILVA – PIAZZOLLA (Quinteto)
Polydor 825 125-1-B L.P. Grabado en vivo en París en el teatro Bouffes du Nord.
BALADA PARA MI MUERTE (A.Piazzolla – H.Ferrer).
LOS PAJAROS PERDIDOS (A.Piazzolla – M.Trejo).
DECARISIMO (A.Piazzolla).
AÑOS DE SOLEDAD (A.Piazzolla – M.Le Forestier).
BALADA PARA UN LOCO (A.Piazzolla – H.Ferrer).
VAMOS NINA (A.Piazzolla – H.Ferrer).
YO OLVIDO (A.Piazzolla – D.McNeil).
CHE TANGO CHE (A.Piazzolla – J.C. Carriere).
PRELUDIO PARA EL AÑO 3001 (A.Piazzolla – H.Ferrer).
FINALE ENTRE BRECHT ET BREL (A.Piazzolla – C.Lemesle).
FORMACION:
Astor Piazzolla (bandoneón), Pablo Ziegler (piano), Fernando Suárez Paz (violín), Oscar López Ruiz
(guitarra), Héctor Console (contrabajo).

1986
HORA ZERO (Quinteto)
American Clave CD AMCL 1013. Grabado en EE.UU.
TANGUEDIA III.
MILONGA DEL ANGEL.
CONCIERTO PARA QUINTETO.
MILONGA LOCA.
MICHELANGELO ’70.
CONTRABAJISIMO.
MUMUKI.
(Todos temas de A.Piazzolla).
FORMACION:
Astor Piazzolla (bandoneón), Pablo Ziegler (piano), Fernando Suárez Paz (violín, Horacio Malvicino
(guitarra), Héctor Console (contrabajo).

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tango

PQP

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Piazzolla (1921-1992) por Piazzolla — 5 CDs criteriosamente escolhidos por nossa consultoria #Piazzolla100

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Piazzolla (1921-1992) por Piazzolla — 5 CDs criteriosamente escolhidos por nossa consultoria #Piazzolla100

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Foda. Sim, PQP Bach é foda. Um de nossos consultores entrou em contato conosco através do Facebook declarando possuir 60 LPs e 20 CDs de Astor. Em outras palavras, ele tem a atual discografia completa.

Algumas palavras de nosso consultor:

Posso colaborar com Piazzollas se precisar. Tenho tudo. // tens algum disco em mente? // passo pra mp3 e te mando // ou posso escolher? // vamos homenagear o velho // vou te mandar 4 (Mandou 5)  // dois novos e 2 com 10 anos de diferença // é que subir os 80 discos fica meio complicado // hehehe // mas tenho só Piazzolla por Piazzolla // nada de interpretações de outros // todos com ele tocando // não gosto muito de outras interpretações, perdem muito da violência intrínseca // que me (nos) gusta // para quem viu o velho tocando bem de perto … // ah sim, vi 3 vezes aqui (vi uma) // vou até ver se acho os ingressos para postar // acho que tenho ainda // essa minha mania de guardar coisas // hehehe // to pensando num disco bem antigo pra subir // não decidi ainda, só sei que não será dos de 78 rpm // um com interpretações bem diferentes // vou lá ver enquanto sobe aqui // coloquei tudo em 192 KBPs, acho é bom // vou subir depois o Piazzolla 1960, de vinil, no original, só vou tirar uns clicks.

Pedi-lhe la crème de la crème e abaixo está o resultado. Tchê, estou ouvindo o último disco. Cara, SÃO DEMAIS. Grandes discos, estou muito feliz.

Fonte das informações abaixo: aqui. Mais leitura aqui.

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PIAZZOLLA INTERPRETA A PIAZZOLLA (Quinteto) — 1961
RCA Victor AVL 3383 L.P.

ADIOS NONINO
BERRETIN
CONTRABAJEANDO (A.Piazzolla – A.Troilo)
TANGUISIMO
DECARISIMO
LO QUE VENDRA
LA CALLE 92
CALAMBRE
LOS POSEIDOS
NONINO.

Todos os temas são de Piazzolla, menos os indicados.

Astor Piazzolla (bandoneón), Jaime Gosis (piano), Simón Bajour (violin), Kicho Díaz (contrabajo), Horacio Malvicino (guitarra).

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PULSACION (Orquesta) — 1970
Trova ST 5038 L.P.

PULSACION 1
PULSACION 2
PULSACION 4
PULSACION 5
FUGA Y MISTERIO
CONTRAMILONGA A LA FUNERALA
ALLEGRO TANGABILE
TOCATA REA
TANGATA DEL ALBA.

Todos os temas são de Piazzolla.

Astor Piazzolla (bandoneón), Jaime Gosis (piano), Antonio Agri, Hugo Baralis (violines), Víctor Pontino (cello), Néstor Panik (viola), Kicho Díaz (contrabajo), Cacho Tirao (guitarra), Arturo Schneider (flauta y saxo), José Corriale (percusión), Tito Bisio (vibrafón, xilofón , campanelli). En los temas de Pulsación, Dante Amicarelli (piano) por Jaime Gosis, Simón Zlotnik (viola) por Néstor Panik y José Bragato (cello) por Victor Pontino.

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PIAZZOLLA 77 (Orquesta) — 1977
Trova DA 5011 L.P. Grabado en Italia. Sello Original: Carosello. Productor: Aldo Pagani.

CIUDAD TANGO
PLA-SOL-LA-SOL
LARGO TANGABILE
PERSECUTA
WINDY
MODERATO TANGABILE
CANTO Y FUGA.

Todos os temas são de Piazzolla.

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TANGO APASIONADO — 1988
American Clave Nº 1019. Grabado en EE.UU.

PROLOGUE TANGO APASIONADO
MILONGA FOR THREE
STREET TANGO
MILONGA PICARESQUE
KNIFE FIGHT
LEONORA’S SONG
PRELUDE TO THE CYCLICAL NIGHT
BUTCHER’S DEATH
LEIJIA’S GAME
MILONGA REPRISE
BAILONGO
LEONORA’S LOVE
FINALE TANGO APASIONADO
PRELUDE TO THE CYCLICAL NIGHT (Part Two).

Todos os temas são de Piazzolla.

FORMACION:
Astor Piazzolla (bandoneón). Pablo Zinger (piano; no hay error se trata de otro pianista; Zinger suele colaborar con Paquito D’ Rivera), Fernando Suárez Paz (violín). Paquito D’Rivera (saxo alto). Andy González (bajo). Rodolfo Alchourrón (guitarra).

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LA CAMORRA (Quinteto) — 1989
American Clave Nº 1021. Grabado en EE.UU.

SOLEDAD
LA CAMORRA I
LA CAMORRA II
LA CAMORRA III
FUGATA
SUR – LOS SUEÑOS
REGRESO AL AMOR.

Todos os temas são de Piazzolla.
Histórico: es la última grabación del Quinteto.

FORMACION:
Astor Piazzolla (bandoneón), Pablo Ziegler (piano), Fernando Suárez Paz (violín), Horacio Malvicino (guitarra), Héctor Console (contrabajo).

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Ainda bem que abriste os botões da camisa, Astor
Ainda bem que abriste os botões da camisa, Astor

PQP

.: interlúdio :. 100 anos de Astor Piazzolla: Concierto para bandoneón – Tres tangos – Piazzolla – Schifrin #Piazzolla100

De Ástor não lhes falarei – meus colegas falarão mais, e melhor. Limitar-me-ei a contribuir, na justa homenagem a seu centenário, com uma entre as tantas gravações desse gênio multifacetado que esparramou criatividade para todos os gêneros, como se prisma fosse, a partir de suas firmes fundações tanguísticas.

Se escolhi este disco entre tantos, claro, não foi sem bons motivos. Afinal, um dos mimimis mais consistentes durante a carreira de Piazzolla foi o dos que protestavam contra as audições de sua  música nos sacrossantos palcos em que, criam eles, só se deveria ouvir música de concerto. Hoje, quase três décadas depois de sua morte, tantos são os grandes concertistas a levarem suas obras no repertório a todos os palcos do mundo que nos fica difícil imaginar possível um reproche desses. No entanto, muitos tomates zuniam sobre Piazzolla a cada tentativa, usualmente magistral, de integrar as tradições da música de concerto, do tango e do jazz, e dá-las ao mundo através de seu Nuevo Tango. Imagino, assim, que sua vontade de provocar os detratores e ganhar uma tomatina privê fosse a maior de sua vida ao compor, em 1979, seu concerto para bandoneon e orquestra.

Ainda que composto na tradicional forma de três movimentos, sendo um lento flanqueado por dois rápidos, o concerto mostra de quem é criatura logo nos primeiros, vigorosos compassos, com a entrada imediata do solista num assertivo tango, acompanhado por uma orquestra que, claramente, é tão só um disfarce camerístico para o tradicional quinteto piazzolliano. A notável adição à turma de cordas, piano e percussão é a harpa, de participação marcante no primeiro movimento e convidada de honra do bandoneon no belo dueto do segundo. O finale, claramente inspirado em La Muerte del Ángel, cita um tango composto para a trilha sonora de Con alma y vida – escolha que, como Ástor nos contou, também,não foi à toa:

Não sabia como o terminar. Então disse a mim mesmo: vou-lhes dar um tango, de modo que os eruditos saibam que, quando quero, eu posso compor como eles, e que quando eu quero eu faço as coisas do meu jeito”

Se os “eruditos” tivessem qualquer dúvida disso, bastar-lhes-ia acompanhar a engenhosa transformação da seção assinalada como Melancolico final na erupção rítmica que arremata o concerto: coisa de consumado mestre, cujo legado viverá muito mais que o desses pobres-diabos.

 

Ástor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

Concierto para Bandoneón y Orquesta

1 – Allegro marcato
2 – Moderato
3 – Presto – Melancolico final

Tres Tangos para Bandoneón y Orquesta

4 – Allegro tranquillo
5 – Moderato místico
6 – Allegro molto marcato

Ástor Piazzolla, bandoneón
Orchestra of St. Luke’s
Lalo Schifrin, regência

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“Diminuto bandoneonista argentino”: anúncio da estreia profissional de Piazzolla na Argentina, em 1936, depois de voltar com sua família dos Estados Unidos, onde viveram.
O “disminuto bandoneinista” Ástor, como menino-jornaleiro, e seu ídolo Carlos Gardel no filme “El día que me quieras” (1935). O filme foi rodado em “Nueva York”, onde os Piazzollas viviam, e o astro afeiçoou-se ao jovem músico, convidando-o para fazer essa ponta. Fez-lhe também o convite para se juntar à turnê de seu conjunto, mas o pai do moleque não permitiu. Essa recusa salvaria a vida de Ástor: Gardel e seus músicos morreriam num desastre aéreo em Medellín, no ano em que o filme foi lançado. Mais tarde, superado o trauma colossal da morte de “Carlitos”, Piazzolla comentaria jocosamente que, se tivesse desobedecido seu pai e acompanhado Gardel, ele estaria “tocando harpa, e não bandoneón”

Vassily

P. S.: Para completar a homenagem a Ástor, restaurei dois links quebrados:

Astor Piazzolla (1921-1992): Five Tango Sensations com Piazzolla e o Kronos Quartet – LINK REVALIDADO

.: interlúdio :. Astor Piazzolla (1921-1992) — Los Tangueros (com Pablo Ziegler e Emanuel Ax)

Astor Piazzolla: os 100 anos do combativ(d)o vanguardista

Essa semana a gente deveria ser arrogante como um portenho. Deveria ser literariamente perfeito como um portenho. Deveria só beber té con leche. E deveria manter profundo respeito pela música deles. Afinal, dia 11 comemora-se os 100 anos de nascimento de Astor Pantaleón Piazzolla (1921-1992).

O homem no centro da cena do filme abaixo é o argentino, uruguaio ou francês Carlos Gardel (1890-1935). E o menino de 13 anos que faz o papel de um jornaleiro e que está à esquerda na cena de El día que me quieras chamava-se Astor Piazzolla e era o filho único dos imigrantes italianos Vicente Piazzolla e Asunta Manetti que, anos depois, revolucionaria o tango argentino. Desnecessário dizer que esta cena possui um poderoso valor emblemático na história do tango. El día que me quieras foi filmado no ano de morte de Gardel e ali casualmente aparecia, ainda menino, aquele que, anos depois, viraria o tango de cabeça para baixo. Por que justamente o menino Astor foi figurante na película? Ora, o filme foi rodado em Nova Iorque, naquela época a família de Piazzolla morava na cidade, conhecia Gardel e, bem, o garoto estava disponível.

É claro que a maioria de nós não tem a mesma imagem do tango que os argentinos têm. Para nós, Piazzolla é a estrela internacional que é gravado tanto por pequenos grupos de tangueiros como por grandes orquestras sinfônicas ou de câmara, pois sua música efetivamente abarca o popular e o erudito, como tentaremos comprovar abaixo. Aos estrangeiros como nós surpreende ler, sempre associada a seu nome, a palavra Revolução. Por exemplo, a página oficial de Astor Piazzolla na Internet, onde consta sua biografia, começa com letras garrafais: Astor Piazzolla: Cronología de una Revolución, ou seja, a briga com os tangueiros tradicionais não foi esquecida e, quando lemos que os deuses de Piazzolla eram Bach, Stravinsky, Bartók e o jazzista Stan Kenton e, mais, que ele estudou com Nadia Boulanger na Paris dos anos 50, começamos a entender alguma coisa. Ele bebeu de tantas fontes que sua criação haveria de ser muito diversa do habitual.

Astor Piazzolla | Foto: Carlos Ebert

Piazzolla nasceu em 11 de março de 1921 em Mar Del Plata e, quando tinha 4 anos, sua família mudou-se para Nova Iorque. Residiram nos EUA entre 1925 e 1936. Foi lá que, aos 8 anos de idade, ele ganhou de seu pai o primeiro bandoneón — , comprado numa loja de penhores por 19 dólares. Estudou o instrumento por um ano com Andrés DÁquila e aos 10 anos de idade, em 1931, realizou sua primeira gravação, Marionete Spagnol, um acetato não comercial resultado de uma participação radiofônica numa rádio de Nova Iorque. Em 1933, começou a ter aulas de piano com o húngaro Bela Wilda, discípulo de Rachmaninov, e sobre o qual Piazzolla diria mais tarde “Com ele, comecei a amar Bach”.

Retornou em 1936 com sua família para Mar del Plata, onde fez sua segunda grande descoberta, bem longe do barroco tardio de Bach. Ouviu no rádio o sexteto de Elvino Vardaro. A forma diferente que o sexteto tinha de interpretar tangos impressionou Piazzolla profundamente e levou-o a Buenos Aires em 1938. Tinha apenas 17 anos. Tudo foi muito rápido. No ano seguinte, já estava entrando como bandeonista na orquestra de Anibal “Pichuco” Troilo.

Troilo e Piazzolla

Sentindo a necessidade de avançar musicalmente — mesmo já sendo o arranjador da orquestra Troilo — , em 1941 tornou-se aluno do compositor erudito Alberto Ginastera e depois estudou piano com Raúl Spivak. Seus arranjos e obras tornaram-se avançados demais para Troilo, que obrigava-se a cortes e mais cortes de modo a não assustar os bailarinos na pista…

Em 1943, Piazzolla começou a escrever composições de caráter “erudito”, como a Suite para cordas, harpa e orquestra, e decidiu abandonar orquestra de Troilo a fim de participar de outra: a que acompanhava o cantor Francisco Fiorentino. Ficou nela até 1946, quando criou sua primeira orquestra. Ela tinha formação semelhante às outras orquestras da época, porém as composições e orquestrações tinham cada vez maiores complexidades harmônicas. Datam desta época as primeiras rusgas com os tangueiros tradicionais.

Em 1949, Piazzolla dissolveu a orquestra e voltou a estudar. Desta vez, seu foco era Bartók e Stravinsky. Estudou regência com o extraordinário maestro Hermann Scherchen e passou a ouvir a montanhas de disco de jazz. Torna-se obsessão a busca por um novo estilo, por um novo tango. Tinha 28 anos.

Entre 1950 e 1954 cria um grupo de obras inteiramente fora da concepção de tango da época e onde começa a definir seu estilo: Para lucirse, Tanguango, Prepárense, Contrabajeando, Triunfal, Lo que vendrá. Em 1953, inscreve Buenos Aires (Tres movimientos Sinfónicos) — trabalho de 1951 — no concurso Fabien Sevitzky. Vence o concurso e a obra é mostrada na Faculdade de Direito de Buenos Aires pela Orquestra Sinfônica da Rádio do Estado com a adição de dois bandoneóns, tudo sob a direção do próprio Sevitzky. Foi um enorme escândalo: o setor “culto” da plateia indignou-se em razão da presença de dois instrumentos estranhos e populares com a sinfônica.

Nadia Boulanger e Astor Piazzolla em Paris no ano de 1955

Outro dos prêmios que Piazzolla ganhou neste concurso foi uma bolsa do governo francês para estudar em Paris com Nadia Boulanger, considerada na época como a melhor educadora do mundo da música. De início, Piazzolla tentou esconder seu passado tangueiro no bandeonón, pensando em tornar-se um compositor erudito. Mas a velha mestra descobriu seu tango Triunfal, ouviu-o, e fez a histórica recomendação: “Astor, suas peças clássicas são bem escritas, mas o Piazzolla está nisto que me mostraste”.

Convencido, Piazzolla retorna ao tango e a seu instrumento, o bandoneón. O que antes era música erudita ou tango, agora será música erudita e tango, ou melhor dizendo, música erudita sob a paixão do tango, ou o contrário… Em Paris, ele compõe e grava uma série de tangos com uma orquestra de cordas e passa a tocar o bandoneón em pé, com uma perna sobre uma cadeira, algo que iria caracterizá-lo para sempre e será mais uma incomodação para os tradicionalistas que o queriam sentado.

Quando Piazzolla retornou à Argentina em 1955 retomou a orquestra de cordas e também formou outro grupo, o Octeto Buenos Aires, que marca efetivamente o início da era do tango contemporâneo. Com dois bandonéons, dois violinos, baixo, violoncelo, piano e guitarra elétrica, produziu obras inovadoras e interpretações que produziram uma ruptura com o tango tradicional. Era uma música que fugia ao modelo clássico da orquestra de tango e onde não tinha espaço para o cantor. Começava sua revolução solitária e a inimizade eterna para com o pessoal do tango ortodoxo, despertando contra si as críticas mais impiedosas. As gravadoras e as rádios organizaram um boicote contra sua música, admirada apenas pelos vanguardistas.

Enquanto os eruditos foram rapidamente dobrados pela qualidade de sua música, os tradicionalistas criaram um problema de estado. Estavam mexendo no tango. Piazzolla não colaborava muito para a paz, mantendo sua postura e respondendo com ironias.

Cansado, em 1958, Astor “no es tango” Piazzola dissolveu o octeto e a orquestra a fim de viajar para Nova York. Trabalharia como arranjador e viveria com maior conforto. Na Argentina, a controvérsia sobre se sua música seria tango ou não seguiu seu curso, mas agora seu sucesso no exterior começava a gerar intensa inveja entre a comunidade tangueira, o que não melhorava em nada o ambiente. Ele acenou com a possibilidade de paz chamado sua música de “música contemporânea da cidade de Buenos Aires”, mas continuava provocando com sua vestimenta informal e sua pose de tocar o bandoneón em pé (por que não senta?) e com suas respostas nada reverentes.

Entre 1958 e 1960, trabalhou nos EUA. Lá, escreveu Adiós Nonino, homenagem a seu pai que morrera. Ao retornar, forma o primeiro de seus grandes quintetos, o Nuevo Tango (bandoneon, violino, piano, baixo e guitarra). A partir de então, o quinteto seria o formato preferencial — era a síntese que melhor expressava suas ideias.

Jorge Luis Borges e Astor Piazzolla em 1965

É de 1963 a peça Três Tangos Sinfónicos e de 1965 a gravação de dois de seus discos mais importantes: Piazzolla en el Philarmonic Hall de Nova York e El Tango, resultado de uma parceria com Jorge Luis Borges.

Em 1968, compõe a “pequena ópera” María de Buenos Aires e, pela primeira vez chega ao tango canción. Não é casual que isto ocorresse durante seu namoro com a cantora Amelita Baltar. No ano seguinte, compõe com Horacio Ferrer Balada para un loco, canção de alta temperatura emocional apresentada no Primeiro Festival da Canção da América Latina, onde foi premiada com um muito polêmico segundo lugar. Foi seu primeiro grande sucesso popular. Amelita Baltar costumava cantar a canção tendo o próprio Piazzolla com regente de orquestra.

Mais um ano e é a vez do oratório El Pueblo Joven, cuja estreia acontece em Saarbruck (Alemanha) em 1971. Nesse mesmo ano, ele formou o Conjunto 9, atuando em Buenos Aires e na Itália, onde gravou vários programas para a RAI. Este grupo foi como um sonho para Piazzolla: o grupo de câmara que ele sempre quis ter e para o qual produziu sua música mais elaborada. Porém era muito caro e Piazzolla não conseguiu mantê-lo.

Em 1972, seu tango chegou ao Teatro Colón em Buenos Aires, mas junto com o tango tradicional. No ano seguinte, após um período de grande produtividade como compositor, teve um ataque cardíaco que o obrigou a reduzir suas atividades artísticas.

Reduziu, pero no mucho. Naquele mesmo ano, decidiu mudar-se para a Itália, onde empreendeu inacreditável série de gravações. Foram 5 anos. Libertango, seu disco mais famoso, é desta época e serviu como carta de apresentação para o público europeu, que nunca mais o largaria.



Durante esses anos, forma o Conjunto Electrónico: um octeto formado por bandoneón, piano elétrico ou acústico, guitarra, órgão, baixo elétrico, bateria, sintetizador e violino, mais tarde substituído por flauta ou saxofone. Era algo muito original e alguns falam em jazz-rock. Mas Piazzola negava: “Aí está minha música, muito tango e nada de rock”.

Em 1974, separou-se de Baltar. Naquele mesmo ano, gravou com o saxofonista Gerry Mulligan um outro grande disco: Summit, com uma orquestra italiana. A música que Piazzolla compôs para este disco revela profundo respeito pela forma. São melodias para bandoneón e sax barítono sobre uma base rítmica, obra feita por ele e um gigante do jazz, Mulligan. Um esforço muito bem sucedido.

Os dez anos seguintes são de colheita. Ele intensifica seus shows em todo o mundo: Europa, América do Sul, Japão e Estados Unidos. A série de concertos é feita em sua maioria com o quinteto ou como solista de orquestras de câmara. Existem inúmeras gravações ao vivo desses concertos, em CD. Na época, dizia-se que a música de Piazzolla não existia sem ele, o que hoje é apenas uma piada.

Em 1982, escreve Le Grand Tango para Violoncelo e Piano, dedicado ao violoncelista russo Mtislav Rostropovich e, fi-nal-men-te,  em 1983, o Teatro Colón de Buenos Aires, o local da música clássica na Argentina, convida-o para um concerto inteiramente dedicado a sua música. Para a ocasião, ele reúne o Conjunto 9 e sola em seu célebre Concerto para bandoneón e orquestra. Vencera os argentinos. Ou contornara os tradicionalistas.

No final da década de 80, Piazzolla lança mais uma extraordinária série de discos, desta vez nos EUA de sua infância: Tango Zero Hour, Tango Apasionado, La Camorra, Five Tango Sensations (com o Kronos Quartet), Piazzolla con Gary Burton, etc.

Em 1988, poucos meses após a gravação do que seria o último registro com o quinteto La Camorra, recebe quatro pontes de safena. Seguem os concertos até 4 de agosto de 1990, em Paris, onde sofre um acidente vascular cerebral. Morre em Buenos Aires em 4 de julho de 1992.

Hoje, basta caminhar pelas ruas de Buenos Aires para ouvir Piazzolla. Pode não ser uma música de sua autoria, mas sentimos sua presença. A notável forma como os músicos eruditos adotaram sua obra é também digna de nota, mas ela também influencia músicos populares como os japoneses do mama!milk…

eruditos brasileiros…

o multinacional nascido em Paris Gotan Project…

E os argentinos do Escalandrum, sensacional grupo do neto Daniel Piazzolla (baterista).

Com contribuições do site http://www.piazzolla.org/, de onde alguns trechos foram simplesmente traduzidos, e de muitas outras fontes que não saberia precisar.

.: interlúdio :. Hugo Díaz: ‘Tangos’ e ‘Grandes Obras’

.: interlúdio :. Hugo Díaz: ‘Tangos’ e ‘Grandes Obras’

Certos artistas excedem. Excedem ao nível do milagre. Hugo Diaz foi um dos maiores músicos de todos os tempos. Seu instrumento, a Harmônica, é algo muito particular e pouco popular se comparado aos outros instrumentos. Muito usual no blues, gênero no qual inúmeros nomes se assomam – porém destaco Paul deLay – a Harmônica (ou Gaita de boca – que não me ouçam os profissionais) floresce entre as fronteiras da música chamada popular e folclórica e o Jazz, gênero este que conta com o monumental Toots Thielemans em justo e inegável destaque. No Brasil temos os formidáveis Mauricio Einhorn e Rildo Hora, lembrando o ancestral e vistuosíssimo Edu da Gaita. Quando ouvimos Hugo Diaz não ouvimos uma Harmônica da maneira como usualmente a reconhecemos. Ouvimos “Hugo Diaz”. Assim como ocorre com o trompete em Louis Armstrong, Chet Baker e Miles Davis; ou na guitarra de Django Reinhardt e no sax-soprano de Sidney Bechet; nos acordeons de Sivuca e Dominguinhos. Encontramos o artista em toda sua inteireza. Seu sotaque, sua marca e timbre, sua expressão integral e presença quase física. Ele e instrumento são unos. No caso de Hugo isto se reforça também devido à coadjuvância dos seus ruídos. Diaz resfolega, grunhe, rosna, geme, soluça – lembro aos assépticos puristas de que Glenn Gould sem as suas intervenções naso-vocálicas não seria o mesmo. Diaz é artista que se arrebata e nos arrebata. Extrapola as possibilidades do seu instrumento. Nos induz à curiosidade de saber o que irá fazer na próxima faixa. Arrisca, anda na corda bamba dos sons, encontra soluções como verdadeiro mestre improvisador. Diaz briga. Briga e vence, muitas vezes não arremata o último acorde, deixa o ‘coup de grâce’ para os seus brilhantes acompanhadores. Em faixas como Vida Mia alguém desavisado poderia indagar que espécie de instrumento é aquele. Em suma, Diaz faz o que bem quer com seu instrumento e com a música. Ouvimos sons inéditos, em seu instrumento e, para mim, na música. É um mestre supremo, que com todo mérito e razão foi celebradíssimo em seu tempo e contexto e produziu fartamente. Victor Hugo Diaz nasceu a 10 de agosto de 1927 em Santiago de Estero, Argentina e se foi em Buenos Aires, em 1977. De família humilde, Hugo ficou cego aos 5 anos devido a uma bolada de futebol (esporte abominável para mim). Mais tarde uma cirurgia lhe restituiria apenas parte da visão, ou seja, Diaz se inscreve no rol dos gênios musicais cegos ou, que assim como o “amigo Hermeto, não exerga mesmo muito bem.” Aos 7 anos já se apresentava na rádio local. Embora conhecido principalmente por suas performances de Tango, sua música tem profundas raízes rurais, sobretudo na música folclórica de sua província natal: zambas, milongas camperas, chacareiras. Apesar do seu sucesso, sempre foi fiel aos músicos acompanhantes de sua juventude, como os Irmãos Abalo e o percussionista Domingo Cura. Numa turnê em 1953 encontrou Toots Thielemans, com mútua admiração. Nos Estados Unidos tocou com Louis Armstrong e Oscar Peterson – que desgraça não terem gravado, eu daria um olho para ouvir isso. Seu maior legado no repertório de Tango foi gravado nos anos 70. Seu último álbum foi dedicado a Gardel, em 1975. Hugo foi casado com Victória Cura, irmã do seu compadre percussionista. Sua filha Maria Victória – Maria ‘Mavi’ Diaz, tornou-se uma ressaltada representante do Rock Argentino. Trago, portanto, dois discos de Hugo Diaz. Agradeço ao harmonicista Diego Orrico por me apresentar a este soberbo artista. E, conforme dizia o Sr. Nogueira Pessoa, “sentir? sinta quem lê!” – ou quem quiser ouvir.

Mas, somente “porque hoje é Sábado” me lembrei do formidável Vinícius de Moraes. Conta-se que pouco tempo antes do poeta ser tolhido pelas Musas de volta ao Olimpo, um jornalistazinho insolente o abordou com uma indagação, se teria medo da morte. O poeta de olhos sábios e diluídos numa atmosfera de poesia e whisky, respondeu: “Não sinto medo da morte, mas saudades da vida.” Ora, neste histórico momento de Quarentena sentimos muitas saudades, se não da vida em si, das esquinas da mesma e dos seus botecos. E por virtude desta alvissareira lembrança de nosso poeta, trago um dos seus textos do livro “Para uma menina com uma flor” – “Depois da Guerra.” O que teria a ver Vinícius com Hugo Diaz? Para mim tudo, em poesia e intensidade. Mais explicações ficam a cargo da “Tonga da Mironga do Kabuletê.” E… não saiam de casa, fiquem ouvindo Hugo Diaz e lendo o velho Vini.

“Depois da Guerra vão nascer lírios nas pedras, grandes lírios cor de sangue, belas rosas desmaiadas. Depois da Guerra vai haver fertilidade, vai haver natalidade, vai haver felicidade. Depois da Guerra, ah meu Deus, depois da Guerra, como eu vou tirar a forra de um jejum longo de farra! Depois da Guerra vai-se andar só de automóvel, atulhado de morenas todas vestidas de short. Depois da Guerra, que porção de preconceitos vão se acabar de repente com respeito à castidade! Moças saudáveis serão vistas pelas praias, mamães de futuros gêmeos, futuros gênios da pátria. Depois da Guerra, ninguém bebe mais bebida que não tenha um bocadinho de matéria alcoolizante. A coca-cola será relegada ao olvido, cachaça e cerveja muita, que é bom pra alegrar a vida! Depois da Guerra não se fará mais a barba, gravata só pra museu, pés descalços, braços nus. Depois da Guerra, acabou burocracia, não haverá mais despachos, não se assina mais o ponto. Branco no preto, preto e branco no amarelo, no meio uma fita de ouro gravada com o nome dela. Depois da Guerra ninguém corta mais as unhas, que elas já nascem cortadas para o resto da existência. Depois da Guerra não se vai mais ao dentista, nunca mais motor no nervo, nunca mais dente postiço. Vai haver cálcio, vitarnina e extrato hepático correndo nos chafarizes, pelas ruas da Cidade. Depois da Guerra não haverá mais Cassinos, não haverá mais Lídices, não haverá mais Guernicas. Depois da Guerra vão voltar os bons tempinhos do carnaval carioca com muito confete, entrudo e briga. Depois da Guerra, pirulim, depois da Guerra, vai surgir um sociólogo de espantar Gilberto Freyre. Vai se estudar cada coisa mais gozada, por exemplo, a relação entre o Cosmos e a mulata. Grandes poetas farão grandes epopéias, que deixarão no chinelo Camões, Dante e Itararé. Depois da Guerra, meu amigo Graciliano pode tirar os chinelos e ir dormir a sua sesta. Os romancistas viverão só de estipêndios, trabalhando sossegados numa casa na montanha. Depois da Guerra vai-se tirar muito mofo de homens padronizados pra fazer penicilina. Depois da Guerra não haverá mais tristeza: todo o mundo se abraçando num geral desarmamento. Chega francês, bate nas costas do inglês, que convida o italiano para um chope Alemão. Depois da Guerra, pirulim, depois da Guerra, as mulheres andarão perfeitamente à vontade. Ninguém dirá a expressão “mulher perdida”, que serão todas achadas sem mais banca, sem mais briga. Depois da Guerra vão se abrir todas as burras, quem estiver mal de cintura, logo um requerimento. Os operários irão ao Bife de Ouro, comerão somente o bife, que ouro não é comestível. Gentes vestindo macacões de fecho zíper dançarão seu jiterburgue em plena Copacabana. Bandas de música voltarão para os coretos, o povo se divertindo no remelexo do samba. E quanto samba, quanta doce melodia, para a alegria da massa comendo cachorro-quente! O poeta Schmidt voltará à poesia, de que anda desencantado e escreverá grandes livros. Quem quiser ver o poeta Carlos criando, ligará a televisão, lá está ele, que homem magro! Manuel Bandeira dará aula em praça pública, sua voz seca soando num bruto de um megafone. Murilo Mendes ganhará um autogiro, trará mensagens de Vênus, ensinando o povo a amar. Aníbal Machado estará são como um perro, numa tal atividade que Einstein rasga seu livro. Lá no planalto os negros nossos irmãos voltarão para os seus clubes de que foram escorraçados por lojistas da Direita (rua). Ah, quem me dera que essa Guerra logo acabe e os homens criem juízo e aprendam a viver a vida. No meio tempo, vamos dando tempo ao tempo, tomando nosso chopinho, trabalhando pra família. Se cada um ficar quieto no seu canto, fazendo as coisas certinho, sem aturar desaforo; se cada um tomar vergonha na cara, for pra guerra, for pra fila com vontade e paciência – não é possível! Esse negócio melhora, porque ou muito me engano, ou tudo isso não passa, de um grande, de um doloroso, de um atroz mal-entendido!”

HUGO DIAZ – “TANGOS”:

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HUGO DIAZ – “TANGOS” e “GRANDES OBRAS” – coletânea:

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Vinícius, em flagrante carinho.

WellBach

Astor Piazzolla (1921-1992) – Soul of the Tango – The Music of Astor Piazzolla – Yo-Yo Ma

A despeito do destaque na capa, o ótimo Yo-Yo Ma não tem tanto protagonismo neste álbum de pérolas de Astor Piazzolla. Com a reverência que lhe é tão própria, ele se alinha a grandes nomes do tango, ao Duo Assad e, notavelmente, ao próprio Astor Piazzolla (no dueto “Tango Rememberances”, cujas partes foram gravadas com dez anos de diferença) para render tributo ao mestre argentino. Claro que há muito mais em sua obra desenfreada do que cabe num só CD, e que existem roupagens muito mais radicais dessas composições já tantas vezes regravadas. Ainda assim, o que ouvimos nesta “Alma do Tango” é uma tremenda introdução a Piazzolla, com um belíssimo “Libertango” que eu deixaria tocando em loop pelo resto dos meus dias.

YO-YO MA – SOUL OF THE TANGO – THE MUSIC OF ASTOR PIAZZOLLA

Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

1 – Libertango

2 – Tango suite, para dois violões: Andante

3 – Tango suite, para dois violões: Allegro

4 – Regreso al Amor (da trilha sonora do filme “Sur”)

5 – Le Grand Tango

6 – Fugata

Astor Pantaleón PIAZZOLLA e Jorge CALANDRELLI (1939)

7 – Tango Rememberances

Astor Pantaleón PIAZZOLLA

8 – Mumuki

9 – Tres Minutos con la Realidade

10 – Milonga del Ángel

11 – Café 1930

Yo-Yo Ma, violoncelo

Astor Piazzolla, bandoneón (faixa 7)

Sergio e Odair Assad, violões

Kathrin Scott, piano

Nestor Marconi, bandoneón

Antonio Agri, violino

Horacio Malvicino, violão

Hector Console, contrabaixo

Leonardo Marconi, piano

Gerardo Gandini, piano

Frank Corliss, piano

Edwin Barker, contrabaixo

Jorge Calandrelli, direção musical

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Vassily

De quando Piazzolla aprendeu a fazer caipirinha, por Beto Barreiros (https://www.revistaversar.com.br/memorias-do-box-quando-astor-piazzolla-aprendeu-a-fazer-caipirinha/)

 

 

 

 

 

.: interlúdio :. Daniel Barenboim, Rodolfo Mederos e Hector Console dão show de Piazzolla

mi-buenos-aires-querido-tangos-among-friendsTangos

Daniel Barenboim, ao piano
Rodolfo Mederos, ao bandoneón
Hector Console, no baixo

 

Uma coleção de tangos, dos mais refinados e nostálgicos, interpretados por 3 monstros sagrados: Daniel Barenboim, ao piano, diretor da  Chicago Symphony Orchestra de 1991 a 2006, nascido na Argentina onde viveu até seus 9 anos de idade; Rodolfo Mederos, ao bandoneón, que por muitos anos tocou com Piazzolla, e Hector Console, no baixo, considerado um dos melhores intérpretes de Piazzolla, com quem tocou por muitos anos, também.

A inspiração clássica de Barenboim brilha na sua performance ao piano, e o sabor do tango é ditado pelo bandonéon de Rodolfo Mederos, evocando a doce melancolia de lembranças passadas, principalmente em Adiós Nonino. A coleção também inclui uma das mais refinadas interpretações de El Dia Que Me Quieras.

Viaje pelos tangos imortais da “Guardia Vieja” como Gardel e Troilo (Pichuco), através do genial Ginastera e se delicie com o revolucionário Astor Piazzolla.

Tudo temperado com o molho de Piazzolla.

1. Mi Buenos Aires Querido (Gardel, Le Pera)
2. Verano Porteño (Astor Piazzolla)
3. La Moza Donosa (Alberto Ginastera)
4. Don Agustin Bardi (Horacio Salgan)
5. Tzigane Tango (Astor Piazzolla)
6. Invierno Porteño (Astor Piazzolla)
7. Aquellos Tangos Camperos (Ubaldo De Lio, Horacio Salgan)
8. Adiós Nonino (Astor Piazzolla)
9. El Dia Que Me Quieras (Gardel, Le Pera)
10. Primavera Porteña (Astor Piazzolla)
11. A Fuego Lento (Horacio Salgan)
12. Otoño Porteño (Astor Piazzolla)
13. Contrabajeando (Astor Piazzolla, Anibal Troilo)
14. Bailecito (José Resta)

Mi Buenos Aires Querido – Tangos Among Friends – 1996
Daniel Barenboim (piano)
Rodolfo Mederos (bandoneón)
Héctor Console (Bass)

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MP3 320 kbps – 108,3 MB – 51,6 min
powered by iTunes 12.5.1

Boa audição!

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Avicenna

.: interlúdio:. Beata Söderberg: Beatitudes (Tangos)

.: interlúdio:. Beata Söderberg: Beatitudes (Tangos)

Apreciei com moderação este álbum de Beata Söderberg. Beata compõe, toca tango, música folclórica escandinava e o que vier pela frente. Mas sua maior especialidade parece ser  a composição e interpretação de seus tangos, dos quais já gravou cinco discos. Sua música parece ser crossculture, se esta expressão existe. Apesar de seu grupo ser interpretado por ela e um grupo de músicos argentinos, seu tango é violento e melódico como o heavy metal finlandês. Achei Beatitudes estranho, mas alguns amigos que vieram aqui em casa e que gostam mais do gênero, adoraram ouvi-lo. O CD recebeu muitos prêmios.

Beata Söderberg: Beatitudes (Tangos)

1 Viviana 3:37
2 Temprano 4:43
3 Chicago 3:30
4 Tomoto 4:39
5 Candombeata 6:18
6 Besos 3:52
7 Steinway Street Milonga 3:24
8 Dube 4:34
9 Tango Uno 4:38
10 Un Corazón para Llevar 2:43
11 Variaciones Sobre una Sonrisa 3:41
12 Año Nuevo 6:36

Beata Söderberg: Cello
Juan Esteban Cuacci: Piano
Walter Rios: Bandoneon
Roberto Tormo: Contrabajo
José Luis Colzani: Percusión

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De Beata é que ela não tem nada
De Beata é que ela não tem nada

PQP

Astor Piazzolla (1921-1992): Piazzollando (Ao Vivo) Com Daniel Binelli

Gosto muito da obra de Astor Piazzolla (simplesmente adoro a pequena fuga intitulada Fuga 9), especialmente desta gravação, principalmente pelo toque tupiniquim dado as peças do mestre argentino. Uma das melhores gravações de Piazzolla que já tive a oportunidade de ouvir. Excelente disco!

A seguir, texto retirado do encarte do CD.

Se o sinfônico Bernstein compôs West Side Story e o songwriter Gershwin nos deu Porgy And Bess, este revezar de estéticas no século XX já tentou Ravel e Stravinsky com o jazz, e povoou as polirritmias de Villa-Lobos com cantos ameríndios, batuques africanos e com a ginga do choro.

Muito desta música que torce o nariz dos eruditos “xiitas”, que os indecisos mal rotulam de “crossover”, e que as redações não sabem qual crítico mandar cobrir… É um fenômeno musical atual que mal ou bem começa a preencher o vácuo deixado pelo impasse da chamada música contemporânea (de herança clássica).

Astor Piazzolla é um exemplo desta renovação, e do interesse que certos compositores passam a despertar em intérpretes de formação tanto popular quanto clássica. Este disco reúne “eruditos” como Lilian Barreto e Paulo Bosísio a “populares” como os irmãos Cazes e Omar Cavalheiro, mediados pelo “poliglota” Paulo Sérgio Santos. Como convidado especial, Daniel Binelli, companheiro de palco do Piazzolla dos últimos anos, e que galgou à posição de solista sinfônico como intérprete natural da obra concertante do revolucionário argentino.

Piazzolla sempre foi um músico de tango (apesar de ter inaugurado seu primeiro bandoneón tocando uma peça de Bach). Primeiro com Gardel, depois com Troilo, e muito rápido por conta própria, sempre tocou o que chamava de “música contemporânea da cidade de Buenos Aires”. Combatido pelos tradicionalistas, mas gênio desde sempre, a melhor lição que lhe deu Nadia Boulanger foi a de “nunca deixar de ser Piazzolla”.

E ele próprio, na descrição dos movimentos da História do Tango, nos mostra também a trajetória de sua música:
“Bordel 1900: O tango nasce em Buenos Aires em 1882… É uma música cheia de graça e vivacidade. (…) O tango é alegre.
Café 1930: (…) Agora se escuta e não se dança como antes. É mais musical e romântico. A transformação é total. Mais lento, novas harmonias e eu diria muito melancólico.
Night Club 1960: A época internacional. (…) Bossa-nova e novo-tango em luta conjunta. Música para os músicos.
Concerto de hoje: Esta é a música de tango com conceitos da nova música. (…) Este é o tango de hoje e do futuro. Embaixo está o tango, acima está a música…”

Sua obra é este “concerto de hoje”. Com os melhores elementos da Escola Moderna, sobretudo Bartok e Stravinsky, e não esquecendo sua base bachiana, Piazzolla construiu uma linguagem revolucionária que jamais traiu a essência estética do tango. Neste ponto assemelha-se a Duke Ellington, que levou sua música às salas de concerto sem nunca deixar de fazer jazz.

Se nossa irreverência nos permite meter o sotaque brasileiro neste assunto, é por duas razões: uma porque nossa musicalidade nos garante,  e outra porque o gênio de Piazzolla já o tornou universal.

Mario de Aratanha

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Astor Piazzolla: Piazzollando (Ao Vivo) Com Daniel Binelli

01 Fuga 9 (2:55)
Arranjo: Henrique Cazes

História Del Tango
02 Bordel 1900 (4:01)
03 Café 1930 (5:47)
04 Night Club 1960 (5:28)
Arranjo: Henrique Cazes

05 Años de Soledad (4:49)
Arranjo: Leandro Braga

Suite Del Angel
06 Milonga Del Angel (5:29)
07 Muerte Del Angel (2:52)
08 Ressurección Del Angel (6:49)
Arranjo: José Bragato

09 La Casita De Mis Viejos (J. C. Cobián) (3:35)
Arranjo: Astor Piazzolla

10 Retrato de Milton (1ª gravação) (5:35)
Arranjo: José Bragato adaptado por Henrique Cazes

11. Adiós Nonino (10:06)
Arranjo: Daniel Binelli com cadência de piano de Lilian Barreto

Daniel Binelli: bandoneon
Lilian Barreto: piano
Paulo Bosísio: violino
Henrique Cazes: guitarra, cavaquinho, violão
Paulo Sérgio Santos: sax soprano, alto, clarineta, clarone
Omar Cavalheiro: contrabaixo
Beto Cazes: percussão
Produzido por Mario de Aratanha e Henrique Cazes

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Marcelo Stravinsky

.: interlúdio – Orquesta Tipica El Afronte :.

Recebi agora há pouco o e-mail abaixo, de um leitor que preferiu permanecer tímido:

“olá, Blue Dog!

estive em Buenos Aires há uns dias, e encontrei esse bando de hippies tocando tango em San Telmo. são jovens cabeludos (o do vocalista é até vermelho), em grande grupo: quatro bandoneons, quatro violinos, cello, baixo, piano e voz. ótimos músicos. o repertório é 100% tangueiro, sem milongas ou delongas (cof). sei que não é jazz, mas também sei que não fica tão longe assim, e já vi Piazzolla no PQP; por isso estou te enviando um link. faça uso se achar pertinente. e não deixe de escutar a versão que fazem de Tresnochando.

um abração!
xxxxx.”

Não apenas compartilho, como em pesquisinha rápido acho até uma dica, caro xxxxx: a Orquesta Típica El Afronte se apresenta todas as quartas no Maldito Tango – Perú 571, San Telmo. Às 21h, ministram aula; duas horas depois, fazem show. Se voltares à cidade, já sabes. E obrigado pela pérola! Nós, vira-latas, temos muito em comum com músicos que não têm medo das ruas. Este disco não apenas traz belíssimas interpretações tangueiras – também me faz sentir em casa.

Orquesta Tipica El Afronte – Tango al Palo, 2006 (192)
elafronte.com.ar

Pablo Schaffino: piano
Maurício Beltrán: baixo
Jano Seitún: cello
Angela Goussinsky, Andrea Marina Sosa, Gabriel Atúm, Agustín Volpi: violino
Claudio Ferrari, Adrián Barile, Matías Nori, Martín Viña: bandoneón
Marco Bellini: voz

download – 51MB
01 Ojos Negros (Greco) 2’48
02 Maldita Monogamia (Atúm) 2’46
03 Una Canción (Troilo, Castillo) 3’12
04 Pa’ que bailen los muchachos (Troilo, Cadícamo) 2’54
05 Pueblada (Atúm) 2’58
06 Inspiración (Paulos, Rubistein) 3’17
07 Responso (Troilo) 3’08
08 Nunca Tuvo Novio (Bardi, Cadícamo) 3’20
09 Cuesta Abajo (Gardel, Le Pera) 3’11
10 Bahía Blanca (Di Sarli) 2’49
11 Trasnochando (Baliotti, Adamini) 3’37
12 Libertango (Piazzolla) 3’22

Boa audição!
Blue Dog