Que coisa linda é um dia de sol!
O ar puro depois da tempestade,
O ar fresco parece já uma festa…
Que coisa linda é um dia de sol!
Que país europeu melhor inspiraria algum de seus poetas a escrever versos como estes que não fosse a Itália? Lembremo-nos da Sinfonia Italiana, de Mendelssohn. Há alguma sinfonia ainda mais ensolarada do que ela?
Pois na Itália há lugares lindos, como a região de Nápoles, com sua cidade entre o mar e o vulcão. Suas belezas inspiram seus habitantes há muitos séculos. Com uma cultura riquíssima, gastronomia e música entre elas, é certamente um lugar para se conhecer. Ainda não deu tempo de ir? Então, não deixe de ler o livro de Susan Sontag – O Amante do Vulcão –, e de ouvir as canções da postagem.
Primeira edição da coluna ‘Dois Pelo Preço de Um – Dose Dupla’ do tipo .: interlúdio :. , com dois álbuns contrastantes, mas sobre o mesmo tema e, em algum sentido, complementares.

Você pode estar se perguntando: como esse cara foi dar com seus costados em tais paragens? Pois bem, eu explico: perto de onde moro há um restaurante que serve comida italiana e em algumas noites da semana, terças e quintas-feiras, por exemplo, há música ao vivo. Tudo por conta de um simpaticíssimo chef-cantor, o Carmine. Nas quintas ele é acompanhado pelo maestro pianista que também o persegue levando o acordeão quando o tenor sai brindando algumas das mesas com uma canção específica, seja por um pedido especial, seja por ter aparecido algum comensal em dia de aniversário, e o contrabaixista, que dá deveras profundidade à música que eles produzem com clara cumplicidade e alegria. Canções napolitanas fazem parte forte do repertório e aprendi rápido que há algumas pérolas que brilham mesmo quando a interpretação não é perfeita, contanto que venha do coração. Marechiaro é uma delas, assim como a animada Funiculì, funiculà, você certamente já a ouviu por aí. Cada frequentador do restaurante que aparece mais de uma vez começa a desenvolver uma predileção por esta ou aquela. Eu adorei ‘O surdato ‘nnamurato. Foi assim que comecei a ouvir essas ‘canções napuletanas’ também fora do restaurante.
Este tipo de música popular tem raízes bem antigas nesta região de Nápoles e floresceu com muita força no fim do século XIX e início do século XX, com verdadeiros hits, tais como O sole mio, Torna a Surriento e o já mencionado hino aos bondinhos do vulcão, o Funiculì, funiculà, todas aí nos dois discos da postagem. O gênero é popular, mas sempre atraiu os grandes cantores de óperas – os tenores famosos –, desde Enrico Caruso, Tito Schipa, Mario Lanza, Giuseppe Di Stefano e Franco Corelli. É uma grande oportunidade para o cantor aproximar-se de um público que nem sempre está inclinado a ouvir música erudita. Os temas, como é de esperar, são de grande apelo: amores interrompidos, dores de cotovelo, saudades de algum lugar especial…
Eu escolhi dois álbuns que estão recheados de sucessos e, ao mesmo tempo, oferecem perspectivas diferentes destas tais ‘canções napuletanas’. O disco do Pene Pati – Serenata a Napoli – eu achei lindo e é bem recente. Ele tem uma voz muito bonita e a usa com leveza e suavidade. Além disso, o acompanhamento é primoroso, colocado ao encargo do grupo Il Pomo d’Oro, sob a liderança do guitarrista Antonello Paliotti, que nasceu em Nápoles. Além das canções, você ouvirá alguns números instrumentais.
Para uma perspectiva mais próxima da ópera, temos o disco do tenor José Carreras, gravado já há um bom tempo. Carreras é um dos vértices do famoso triângulo dos tenores, os outros dois, Pavarotti e Plácido Domingo. Eles também gravaram discos no gênero, mas eu me sinto mais à vontade com a abordagem do José. Ah, ia me esquecendo, no disco do Carreras o acompanhamento é da English Chamber Orchestra, aquela a que recorríamos para segurança da música barroca, antes do movimento dos instrumentos e práticas de época.
Para saber mais detalhes sobre as canções, seus compositores e letristas, busquei bastante e achei muito boa a página criada por Natalia Chernega, que você pode acessar aqui.
Nesta mencionada página há gravações antigas das canções lá mencionadas. Acabei assim montando um arquivo para cada disco, com gravações alternativas, são assim uma versão ‘genérica’ dos discos, completados por uma ou duas outras gravações que busquei no Youtube. A qualidade do som não chega a atender os requisitos do selo PQP Bach-Iso de Qualidade, mas a diversão é certamente garantida, com algumas boas surpresas.
Uma delas é o cantor Roberto Murolo, que canta a versão genérica da canção Marechiaro, uma pérola. Roberto é filho de um poeta, Ernesto Murolo, que escreveu letras de muitas canções napolitanas. Creio que ele merece uma postagem própria, mas primeiro vamos de Pati e Carreras.
Quais são as canções que eu gostei mais, que Carmine e eu recomendaríamos sem dúvida, aquelas que grudaram por mais tempo nos meus ouvidos?
Pois bem, ‘O surdato ‘nnamurato é minha mais preferida, ela grudou mesmo, especialmente o pedacinho em que se canta
Oje vita, oje vita mia!
Oje core ‘e chistu core!
Sì stata ‘o primmo ammore
E ‘o primmo e ll’urdemo sarraje pe’ mme!
A canção foi composta em 1915, durante a Primeira Grande Guerra e dá para entender o tema a partir daí.
Mas, Maria, Marì, Era di Maggio e ‘A vucchella são também belíssimas. Maggio, como você deve adivinhar, é o mês de Maio, que no Norte é o mês da Primavera. Lembram do lindo Lied de Schumann, Im wunderschönen Monat Mai?
Vucchella, vocês sabem o que é? Eu meio que custei a descobrir… Vucca significa boca no dialeto napolitano e vucchella significa boquinha, assim como no Português a terminação faz o diminutivo. Aliás, ouvindo o Roberto Murolo cantar me fez lembrar da nossa língua, de vez em quando.
Falando nisso, não deixe de ouvir a canção Marechiaro, outra que eu ouço sem cançar. Core ‘ngrato é bonita, começa com o cara dizendo o nome da moça: Catarì, Catarì… e Dicitencello vuie chegou a aparecer no álbum da Zizi Possi, que canta lá umas coisas bem bonitas, ainda vou passar algum tempo ouvindo a moça.
Assim, você poderá também explorar e descobrir um pouco dessa arte tão popular, mas também bem próxima do canto lírico.
Eduardo Di Capua / Giovanni Capurro
- O sole mio
Paolo Costa (Pasquale Mario Costa) / Salvatore Di Giacomo
- Napulitanata
Eduardo Di Capua / Vincenzo Russo
- Maria, Marì
Antonello Paliotti
- Variazioni sul Basso di Tarantella: I. Preludio
- Variazioni sul Basso di Tarantella: II. Variazioni
Paolo Costa (Pasquale Mario Costa) / Salvatore Di Giacomo
- Era di maggio
Francesco Paolo Tosti / Gabriele D’Annunzio
- A vucchella
Antonello Paliotti
- Inquietudine
Enrico Cannio / Aniello Califano
- O surdato ‘nnammurato
Francesco Buongiovanni / Aniello Califano
- Mandulinata a mare
Paolo Costa (Pasquale Mario Costa) / Salvatore Di Giacomo
- Serenata Napoletana
Antonello Paliotti
- Romance
Salvatore Gambardella / Gennaro Ottaviano
- ‘O marenariello
Francesco Paolo Tosti
- Marechiaro
Gaetano Lama / Libero Bovio
- Silenzio Cantatore
Antonello Paliotti
- Tarantella storta
Gaetano Lama / Libero Bovio
- Reginella
Francesco Buongiovanni / Salvatore Di Giacomo
- Palomma ‘e notte
Ermes Alessandro Mario
- Canzone appassiunata
Antonello Paliotti
- Fronna e Ballo del Pomo d’Oro: I. Fronna d’o limone
- Fronna e Ballo del Pomo d’Oro: II. Ballo
Eduardo Di Capua / Vincenzo Russo
- I te vurria vasà
Luigi Denza / Giuseppe Turco
- Funiculì, funiculà
Pene Pati
Il pomo d’oro
Antonello Paliotti
Giulio d’Alessio
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MP3 | 320 KBPS | 168 MB
Arquivo Genérico do disco
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MP3 | 320 KBPS | 75 MB
Este álbum pode ser ouvido na plataforma Tidal…
Luigi Denza / Giuseppe Turco
- FuniculÌ, funiculà
Salvatore Cardillo / Riccardo Cordiferro
- Core ‘ngrato
Vincenzo D’Annibale / Libero Bovio
- ‘O paese d’o sole
Rodolfo Falvo / Enzo Fusco
- Dicitencello vuie
Gaetana Lama / Libero Bovio
- Silenzio cantatore
Ermes Alessandro Mario
- Santa Lucia luntana
Ernesto Di Curtis / Libero Bovio
- Tu, ca nun chiagne!
Eduardo di Capua / Giovanni Capurro
- ‘O sole mio
Eduardo Di Capua / Vincenzo Russo
- I’ te vurria vasà
Ernesto Tagliaferri, Nicola Valente / Libero Bovio
- Passione
Giuseppe Cioffi / Gigi Pisano
- Na sera ‘e maggio
Enrico Cannio / Annielo Califano
- ‘O Surdato ‘nnamurato
Ernesto de Curtis / Giambattista de Curtis
- Torna a Surriento
José Carreras
English Chamber Orchestra
Edoardo Müller
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MP3 | 320 KBPS | 100 MB
Arquivo Genérico do disco
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MP3 | 320 KBPS | 83 MB
Este álbum pode ser ouvido na plataforma Qobuz…
A voz de tenor brilhante de Pene Pati, descrita pelo Le Monde como “cheia de luz solar”, faz dele o intérprete ideal para papéis como Rodolfo em La bohème e o Duque de Mântua em Rigoletto. Agora, com Serenata a Napoli, ele traz seu calor singular para outra forma de arte tipicamente italiana: a canção napolitana. Além de grandes sucessos como “O sole mio” e “Funiculì funiculà”, a era de ouro da canzone napoletana (1880-1930) produziu abundantes expressões líricas de paixão, melancolia e alegria. Evocando uma autêntica atmosfera napolitana, Pene Pati é acompanhado por oito instrumentistas do Il Pomo d’Oro, liderados pelo guitarrista napolitano Antonello Paliotti, que tocam instrumentos de corda friccionada, dedilhada e percussão – e castanholas.
“Abordei essas canções da mesma forma que abordaria as canções tradicionais da minha própria herança samoana”, diz Pene Pati. “Sejam de Samoa ou de Nápoles, canções como essas sempre contam uma história – falam de amor, família, da sua terra natal… Não se tratava apenas de escolher as peças mais populares, mas sim de encontrar as canções que evocam as memórias e conexões mais profundas. Também quis prestar muita atenção a cada detalhe em relação ao povo napolitano – o sotaque, a atmosfera, as emoções – queria tentar fazê-los acreditar que eu era napolitano… Trabalhei em estreita colaboração com o Il Pomo d’Oro, ouvindo as letras, as histórias dos napolitanos e, a partir daí, moldando a minha própria compreensão.”
José Carreras traz seu calor lírico característico, interpretação apaixonada e fraseado delicado para canções napolitanas e italianas. Críticos e fãs elogiam sua narrativa emotiva em clássicos como “Core ‘ngrato” e “Torna a Surriento”, embora os puristas observem que seu estilo operístico, inerentemente vigoroso, por vezes carece das nuances mais leves e idiomáticas dos cantores nativos.
Aproveite! Aproveite!
René Denon
PS: Nas listas com os créditos dos discos, os nomes estão colocados aos pares: Compositor / Letrista. As eventuais fotos são sempre do compositor.
![.: interlúdio :. Serenata a Napoli (Pene Pati) & O Sole Mio (José Carreras) – [Dose Dupla] ֎֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/06/pati-pene.jpg)














Felix Mendelssohn foi um dos mais espantosos prodígios da história da música. Se Mozart impressionava aos cinco anos, Mendelssohn, aos 13, já compunha obras de uma complexidade e frescor que desmentiam sua idade. Este CD, com o trio Andreas Staier (fortepiano), Rainer Kussmaul (violino) e o Concerto Köln, oferece um mergulho fascinante nesse universo, capturando a energia bruta e a elegância em formação do compositor. A grande sacada deste disco é o uso de instrumentos de época e uma orquestra de câmara reduzida. Afinal, estas obras foram concebidas para serem ouvidas nos salões da família Mendelssohn, não em grandes salas de concerto. O Concerto Köln respeita essa origem intimista, utilizando, em certos momentos, apenas um instrumento por parte. Acho a abordagem do Concerto Köln ácida até mesmo para os padrões de instrumentos de época, tornando os tutti orquestrais (especialmente nos movimentos lentos) uma experiência um tanto estranha. Em vez de um tapete aveludado, o acompanhamento é pontiagudo — uma escolha que prioriza a clareza rítmica e a energia juvenil sobre a doçura. Se a orquestra é agressiva, os solistas são a alma poética do disco. Andreas Staier, craque na arte da performance historicamente informada, toca um fortepiano Fritz de 1825. O som do instrumento é muito diferente do piano de concerto moderno: tem menor projeção e ataque mais seco. Isso explica por que Mendelssohn escreveu tantas passagens em arpejos e escalas — era a forma de fazer o som aparecer. Staier navega com virtuosismo por essas águas, mas é no Concerto Duplo que a dinâmica fica mais interessante. O grande destaque, contudo, é o violinista Rainer Kussmaul. Ele toca com uma rara pureza, usando o vibrato de forma contida. Enquanto o piano de Staier muitas vezes se perde em meio à escrita juvenil (cheia de notas, mas nem sempre melódica), o violino de Kussmaul canta com uma doçura lírica que prende a atenção. Há um diálogo interessante no Concerto Duplo: Kussmaul puxa a emoção, enquanto Staier (que também rege a orquestra a partir do teclado) sustenta a estrutura. Este CD não é para quem busca uma audição relaxante ou uma entrada fácil no mundo de Mendelssohn. A abordagem do Concerto Köln é ríspida e vibrante, o que pode incomodar tanto quanto impressiona. No entanto, para os aficionados por música de época e para quem se interessa pelo processo criativo dos grandes compositores, este é um documento precioso. Andreas Staier e Rainer Kussmaul são guias excepcionais, mostrando como estas obras “menores” já continham as sementes do gigante romântico. A experiência é a de olhar um esboço de Leonardo da Vinci: não é a Mona Lisa, mas a genialidade do traço é inconfundível.


![Handel (1685 – 1759) & Vivaldi (1678 – 1741): Concertos Grossi, Op. 6, Nos. 5 e 9 & Estro Armonico, Op. 3, Concerti Nos. 8 e 11 – Ars Combinatoria & Canco López – [Dose Dupla] ֎֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/05/cover-5-960x441.jpg)









A versão de Andris Nelsons que inaugura seu ciclo das gravações das Sinfonias de Mahler com a Filarmônica de Viena é muito digna de nota. É uma abordagem recomendada para ouvintes que valorizam interpretações ousadas, intelectualmente elaboradas e tecnicamente impecáveis — mesmo que isso venha às custas de um certo calor visceral. Não é recomendada para puristas que desejam uma Quinta Sinfonia tradicional, com um Adagietto romântico e uma narrativa dramática mais linear. Mahler linear? Ficaram loucos? A Quinta Sinfonia de Mahler é uma das obras mais monumentais e difíceis do repertório sinfônico — uma jornada de quase 80 minutos que parte da escuridão de uma marcha fúnebre e avança, através de tormentas e danças, rumo a um finale radiante. O problema é que Mahler não facilita: cada intérprete precisa decidir como contar essa história.

Esta gravação da Sinfonia Nº 5, de Bruckner, por Bernard Haitink à frente da Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara é uma interpretação que privilegia a arquitetura da obra acima do efeito imediato. Haitink não procura monumentalidade teatral nem êxtases exagerados. Sua abordagem é de uma lucidez clássica, permitindo que a gigantesca construção de Bruckner apareça claramente ao ouvinte. A grande virtude desta leitura está no equilíbrio. Os tempos são raramente pesados e a extraordinária polifonia do último movimento emerge com clareza exemplar. A Orquestra da Rádio Bávara responde com sonoridade magnífica, especialmente nos metais, ricos e profundos. O resultado é uma Quinta menos dramática do que as de Furtwängler ou Jochum, mas mais transparente. Haitink conduz a música com paciência e inteligência, confiando que a força da partitura basta por si mesma. Para alguns críticos, essa objetividade chega a parecer excessivamente contida — para outros, trata-se justamente de uma das grandes realizações do catálogo moderno. É uma gravação para quem prefere contemplar a catedral em toda a sua grandiosidade estrutural, em vez de se deixar deslumbrar apenas pelos vitrais. Haitink nos mostra Bruckner como um mestre da forma — e, ao fazê-lo, alcança uma beleza serena e duradoura.
It Might as Well Be Swing é uma celebração da elegância. Com seu fraseado leve, inventivo e irresistivelmente melódico, Stéphane Grappelli (1908-1997) demonstra por que foi um dos grandes responsáveis por transformar o violino em instrumento do jazz. O disco transborda alegria sem jamais cair na superficialidade. Cada tema parece conversar com a tradição do swing ao mesmo tempo em que exibe a personalidade inconfundível de Grappelli: refinada, espirituosa e cheia de charme. É música que flui com naturalidade, como uma conversa entre velhos amigos, lembrando-nos que o jazz pode ser virtuoso sem perder a graça e sofisticado sem perder o sorriso.

Contemplativo and very english, este CD me encheu o saco. Há poucas boas músicas eruditas inglesas entre os dois gênios maiores da ilha: Purcell e Britten. O romance imensamente popular e “quintessencialmente inglês” de Vaughan Williams para violino e orquestra, The Lark Ascending, recebeu muitas gravações. Não há nenhuma evidência que sugira que o próprio compositor tenha considerado a peça de alguma forma excepcional, então por que ele se transformou no sucesso clássico que quase todo mundo conhece? Enquanto outrora este romance despretensioso era ouvido como uma evocação direta dos 12 versos de George Meredith que prefaciam a partitura, o público mais amplo de hoje desconhece em grande parte a sua fonte poética. A etiqueta “quintessencialmente inglesa” aplicável aos versos vitorianos parece cada vez mais inadequada para explicar o apelo global da música. Em 2011, quando a rede de rádio pública de Nova York perguntou aos ouvintes o que eles gostariam de ouvir no 10º aniversário do 11 de setembro, The Lark Ascending ficou em segundo lugar, atrás de Adagio de Barber. Eu não entendo. E vocês?

Eu não entendo nada dos românticos e nem dou muita bola pra eles, então o fato de eu ter gostado desta gravação talvez signifique que ela é uma merda. Estas talvez sejam interpretações musculosas demais. É justamente essa natureza “exagerada” que apreciei. Em fóruns de pianistas, ouvintes comuns elogiam Biret por colocar “muito sentimento e expressão”, enquanto que os especialistas não gostam muito. 
A gravação de L’Orfeo de Claudio Monteverdi conduzida por Sergio Vartolo e lançada pela Naxos em 1997 é uma das raras versões da obra protagonizada por um elenco predominantemente italiano. Ela foi gravada em agosto de 1996 no Théâtre Municipal de Puy-en-Velay, na França. 







Pois bem, após várias solicitações, não apenas do Sander, mas de vários outros de nossos leitores / ouvintes, trago para os senhores a Missa Solemnis. Sempre citando Maynard Solomon, temos a seguinte descrição e detalhes da obra:
Seu sobrenome é Baiano, mas ele pode fazer as coisas velozmente… O cravista Enrico Baiano parece uma figura retirada das páginas de um livro de Pirandello. Bigodudo, e com uma incrível cara de quem está maquinando alguma coisa contra alguém. Mas ele se acabou se ralando, pois sua gravadora (a obscura Symphonía Digital italiana) fechou e este CD tornou-se uma raridade a ponto de os sites ostentarem a palavrinha “discontinued” nas apresentações que fazem do disco. Com tanta porcaria por aí, é uma ocorrência imerecida para este bom Baiano de movimentos rápidos cercando os delicados os adágios, largos, andantes e que tais vivaldianos. Os concertos foram retirados do Estro Armonico e da Stravaganza o que é garantia de um pedigree veneziano autêntico. Abaixo, mostro a vocês a latinha de Enrico Baiano. Não, não o acho bonito, contudo confesso que ela (a cara dele) me faz como se visse um personagem muito esperto de uma comédia italiana do passado. A propósito, Baiano gravou elogiados CDs de Sonatas de Domenico Scarlatti. Basta ouvir este CD para concluir que ele nasceu para tocar Scarlatti, o homem que tinha um caso com a princesa portuguesa Maria Bárbara de Bragança, fato verídico que Clara Schumann, direto da cidade do Porto, insiste em negar.



Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music of Thelonious Monk é um daqueles encontros improváveis que acabam parecendo inevitáveis depois de acontecidos. O Kronos Quartet transporta o universo cheio de pontas, irônico e melancólico de Thelonious Monk para o território da música de câmara sem domesticá-lo. Pelo contrário: os arcos parecem revelar ainda mais as dissonâncias, os silêncios e o humor torto de Monk. A presença de Ron Carter dá peso e pulsação jazzística ao projeto, especialmente em “Off Minor/Epistrophy”, enquanto peças como “‘Round Midnight” e “Crepuscule with Nellie” ganham uma beleza quase fantasmagórica. Não é jazz tradicional nem música clássica convencional: é um disco raro, elegante e inquieto, feito por músicos que compreendem que Monk sempre foi, sobretudo, um grande compositor contemporâneo.
IM-PER-DÍ-VEL !!!

IM-PER-DÍ-VEL !!!
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