O álbum de Vivaldi foi uma aventura e uma celebração, um exuberante Carnaval Veneziano que, creio, teria deixado o compositor orgulhoso. Essas maravilhosas simples e naturais notas musicais nos aproximam e nos fazem sentir bem. Um tributo à uma existência descuidada, elas celebram a vida.
A primeira motivação para explorar esse disco é (claro) a música, linda música de Vivaldi, no que ela tem de mais atraente: fluidez, colorido sonoro, melodias inesquecíveis. Música para instrumentos de cordas dedilhadas, beliscadas – alaúdes, bandolins, aqui interpretadas ao violão.
O artista também despertou a minha curiosidade, Thibault Cauvin nasceu em família de músicos e toca violão desde sempre. Ganhou uma lista enorme de prêmios, construiu carreira de concertista e visitou o mundo todo, aparentemente.
Desde então, Thibault viajou para mais de 120 países, realizando quase 1500 apresentações, dos palcos mais prestigiados aos lugares mais atípicos, do Carnegie Hall em Nova York à Torre Eiffel, da Sala Tchaikovsky em Moscou à Cidade Proibida em Pequim, do Queen Elizabeth Hall em Londres ao Acrópole de Cartago. A guitarra de Thibault não conhece fronteiras, não tem limites; numa noite, 40.000 pessoas podem ouvi-lo na praia de Royan, na França, e dois dias depois, ele toca em um templo em ruínas na costa do Equador para algumas 200 pessoas privilegiadas. Diversidade, contrastes, aventuras, descobertas, liberdade, encontros, tantos temas caros a Thibault, e que ouvimos em sua música.
Tantas experiências ao redor do mundo acabou resultando em um livro – Alter Ego. Veja a ‘propaganda’ do mesmo: Com sua mochila e violão nas costas, Pierre é um aventureiro que percorre o mundo. Ele encontra muitas vidas que transformam seu mundo: uma mulher argelina com deficiência visual, uma florista no Rio, um mestre do tempo em Ouagadougou, entre outros. Mas, vamos à música!
Antonio Vivaldi (1678 – 1741)
Concerto for Mandolin, Strings and Basso continuo in C major, RV 425
- Allegro
- Largo
- Allegro
Concerto for Luth, Strings and Basso continuo in D major, RV 93
- Allegro giusto
- Largo
- Allegro
Concerto for Violin, Strings and Basso continuo in A minor, RV 356, (L’Estro armonico n°6)
- Allegro
- Largo
- Presto
Concerto for two Mandolins, Strings and Basso continuo in G major, RV 532
- Allegro
- Andante
- Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in G minor, RV 85
- Andante molto
- Larghetto
- Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in C major, RV 82
- Allegro non molto
- Larghetto
- Allegro
Thibault Cauvin, guitar
Orchestre de chambre de Paris
Julien Masmondet, conductor
Deborah Nemtanu, violin
Xuefei Yang, guitar (Concerto for two mandolins)
basso continuo:
Benoît Grenet, cello
Yvon Repérant, harpsichord
Damien Pouvreau, theorbo, baroque guitar
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 | 320 KBPS | 132 MB
Gostei tanto do disco que passei a imaginar a vida do Padre Vermelho na Sereníssima República. É claro que, além da música, outros aspectos prazerosos da vida vêm à mente. A julgar pelas imagens de que nos chegaram, não diria que Vivaldi fosse glutão (como deve ter sido o Saxão Inglês), mas apreciaria a boa comida, os vinhos?
A cozinha veneziana era rica em pratos com frutos do mar, famosos até hoje, sem contar os produtos trazidos de outras partes pelos seus comerciantes – bons vinhos e mesmo bacalhau da Escandinávia. Uhmmm… água na boca!

Sarde in saor é um maravilhoso prato de antipasto veneziano feito com sardinhas fritas em camadas com cebolas, passas e pinhões marinados em vinagre e açúcar.

Bacalhau salgado batido até formar uma mousse aveludada com azeite e alho, servido sobre polenta grelhada. Cremoso, salgado e delicado — este prato conta a história das rotas comerciais marítimas de Veneza para a Escandinávia.

Sépia cozido com sua tinta preta, geralmente servido com polenta ou usado em risoto.
Thibault Cauvin é um dos guitarristas mais talentosos, carismáticos e procurados do mundo hoje. Ele está viajando pelo mundo todo o ano a convite dos festivais e salas de concerto mais prestigiados. Sua extensa programação de turnês varia de Nova York a Hong Kong, São Paulo a Istambul, Londres a Melbourne e Cingapura e Tel-Aviv, sendo calorosamente aceito pelos críticos em mais de 1000 ocasiões. Ele também participou de muitos programas de TV e rádio e colaborou com músicos, compositores e orquestras sinfônicas famosos. Considerado um artista inovador e criativo, Thibault é regularmente convidado de honra em festivais, universidades e conservatórios em todo o mundo para dar aulas de mestrado, palestras ou para julgar competições.
Aproveite!
René Denon




Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um CD absolutamente maravilhoso da antiga coleção REFLEXE. Concebido pelo genial Andrew Parrott e seus Taverner Consort, reforçados por gente como Emma Kirkby, Tessa Bonner e Nigel Rogers, Una Stravaganza dei Medici nos leva à Florença do final do século XVI. Há vários locais onde se pode aprender sobre a importância histórica e política da música de Malvezzi, por exemplo, mas PQP Bach está mais interessado na perfeição deste conjunto, principalmente no senso de estilo vocal demonstrado por todos os participantes da gravação. Com cantores sem nenhuma entonação operística, Una Stravaganza dei Medici é a melhor aula de interpretação de música antiga que conheço. Esse pessoal que o papagaio conseguiu juntar não é mole. E o som dos trompetes naturais? Bá, chega de blá-blá-blá. Ouçam e confiram.

IM-PER-DÍ-VEL !!!








IM-PER-DÍ-VEL !!!
Gosto muito do movimento central da Sinfonia Nº 3 e do finale da Nº 4, mas, de resto, não são sinfonias que eu ame apaixonadamente. Só que, claro, são Sinfonias de um sinfonista, então são obras fundamentais dele, Jean Sibelius. A Sinfonia Nº 3, Op. 52 (1907) e a Sinfonia Nº 4, Op. 63 (1911) representam polos opostos em sua produção. A Terceira é uma obra de espírito quase neoclássico, culminando num finale grandioso. Em contraste radical, a Quarta é uma das sinfonias mais sombrias e introspectivas já escritas, mergulhando em uma linguagem harmônica austera, atonalidade incipiente e estruturas fragmentadas, refletindo uma crise pessoal do compositor e uma visão de mundo profundamente pessimista. Se a Terceira olha para fora, para a natureza e a epopeia nacional, a Quarta volta-se para os abismos interiores, marcando a transição decisiva de Sibelius do Romantismo Tardio para o Modernismo.
IM-PER-DÍ-VEL !!!











IM-PER-DÍ-VEL !!!




IM-PER-DÍ-VEL !!!!


IM-PER-DÍ-VEL !!!
















Atendendo a pedidos, postamos a Sinfonia Nº 2 de Sibelius. Adoro as Sinfonias do Cabeça de Ovo. Dentre as sinfonias do finlandês, minhas preferências são as de Nº 2, 4, 5 e 7, ou seja, quase todas. Para nossa alegria, há um bom CD da Naxos onde a segunda vem acompanhada da maravilhosa sétima, apesar de que a gravação que mora nos ouvidos de PQP é uma ainda mais antiga, a cargo do grande Evgueni Mravinski (1903-1988), junto à Filamônica de Leningrado, na qual o trombonista dá um show de competência. Aliás, acho que nesta gravação o engenheiro de som achatou o trombonista, que executa o principal tema desta vertiginosa sinfonia em um movimento. O registro de Leaper não é nada ruim — longe disso! — e hoje ficaremos com ela.

O álbum Contínua Amizade (2011) de André Mehmari e Hamilton de Holanda é uma joia a música instrumental brasileira contemporânea. É um encontro de metres — são dois dos maiores instrumentistas e compositores da sua geração que uniram em um projeto de diálogo musical. Ambos são conhecidos por sua técnica virtuosística, criatividade e domínio de linguagens que vão do choro e samba ao jazz e à música erudita. Contínua Amizade reflete não apenas a parceria artística, mas a amizade pessoal entre eles, resultando em uma comunicação musical fluida e orgânica. Mehmari traz sua formação erudita e influências jazzísticas, enquanto Hamilton é o grande revolucionário do bandolim, expandindo os limites do bandolim de 10 cordas. Juntos, criam um som que é ao mesmo tempo raiz e vanguarda. O disco é majoritariamente autoral, com composições de ambos, além de algumas releituras significativas.



Uma bela gravação. Bem, como esta Sinfonia é muito conhecida e comentada — deve ter sido postada mil vezes neste blog –, vamos pelas margens. O que é o tal “movimento Blumine”? Este movimento “Das Flores” foi suprimido da Primeira Sinfonia de Gustav Mahler. Ele fazia parte da obra em suas primeiras versões. Sua história é reveladora do quanto Mahler considerava a repercussão de seus trabalhos. A sinfonia foi estreada em 1899 na cidade de Budapeste como um Poema Sinfônico com cinco movimentos, sendo o segundo movimento o “Blumine”. Ele é lírico e pastoral, dominado por uma melodia serena levada pelo trompete solo (ou às vezes no corne inglês), acompanhada por cordas suaves. O “Blumine” representava um momento de inocência e amor juvenil – uma pausa lírica antes do turbilhão do scherzo. Por que Mahler o removeu? Ah, houve críticas… O movimento foi considerado “muito leve” e desconexo do caráter épico e conflituoso do resto da obra. Críticos o chamaram de “supérfluo” ou “kitsch”, coisa que Mahler não suportou… Então Mahler assentiu e resolveu reforçar a unidade dramática da sinfonia. O “Blumine” soaria como um resquício de música incidental, que quebrava o fluxo sinfônico. Em 1893 (Hamburgo) e 1896 (Berlim), Mahler já havia cortado o movimento. Na versão definitiva (1906), a sinfonia consolidou-se em quatro movimentos, no formato clássico. Palavras do compositor: ele disse que o movimento era “muito ingênuo” para o conjunto, e que sua doçura soava como uma “lembrança excessivamente direta” da música de teatro. Eu? Eu achei o Blumine bem chatinho.
A maioria das pessoas geralmente associa uma canção de protesto a uma música rock ou folk que usa a letra para abordar temas como guerra, direitos civis, desigualdade, ganância e outros males sociais. Ao consultar listas das melhores canções de protesto, encontramos pouquíssimos assuntos fora dos Estados Unidos e do mundo ocidental, nenhum jazz e certamente nenhuma música instrumental. Parece que quem compila essas listas não está muito familiarizado com Charlie Haden. Ao longo de quatro décadas, Haden gravou vários álbuns com a Liberation Music Orchestra, um conjunto que liderou com Carla Bley, todos focados na opressão e injustiça em diferentes partes do mundo. Curiosamente, todos foram lançados durante governos republicanos nos EUA.
