Jan Sibelius (1865-1957) e Magnus Lindberg (1958): Concertos para Violino (Batiashvili. Oramo)

Jan Sibelius (1865-1957) e Magnus Lindberg (1958): Concertos para Violino (Batiashvili. Oramo)

Muito bom CD! Lisa Batiashvili é ótima, mas ele vale mais pela qualidade da música do que pela interpretação. Batiashvili é perfeita — nasceu na Georgia, ex-União Soviética, em 1979. Estudou, mora na Alemanha e, bem, é linda. Boa para capas de discos. Também é excelente violinista, mas nós do PQP temos aquela mania da grande gravação, da melhor interpretação e, enfim, Heifetz nos deixou viciados. Pois Heifetz no Concerto de Sibelius é absolutamente fluente, de uma forma que parece inimitável. O esplêndido Concerto do também finlandês Lindberg finaliza o CD de forma inesperada. Ah, nem preciso dizer que Lindberg escreveu seu Concerto especialmente para a beldade. Olha, eu baixaria o CD.

Jan Sibelius (1865-1957) e Magnus Lindberg (1958): Concertos para Violino (Batiashvili. Oramo)

Jean Sibelius (1865 – 1957)
Violin Concerto in D minor, Op. 47
1)Allegro moderato (16:17)
2) Adagio di molto (8:33)
3) Allegro, ma non tanto (7:36)

Magnus Lindberg (1958 – )
Violin Concerto
4) 1st movement (12:04)
5) 2nd movement (10:07)
6) 3rd movement (3:45)

Lisa Batiashvili, violin
Finnish Radio Smphony Orchestra
Sakari Oramo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Charles Villiers Stanford (1852-1924): Violin Concerto, Op. 74 & Suite for Violin and Orchestra, Op. 32 (Marwood, BBC Scottish SO, Brabbins)

Charles Villiers Stanford (1852-1924): Violin Concerto, Op. 74 & Suite for Violin and Orchestra, Op. 32 (Marwood, BBC Scottish SO, Brabbins)

Stanford? Quem é? PQP enlouqueceu? Não! E vou lhes dizer que a CD é bastante bom! É muito bem gravado e sedutor desde o primeiro solo de violino, o qual é imediatamente seguido pela orquestra. Stanford é um desses românticos perdidos num mundo que não o era mais. Sua música é muito boa e penso que não seja tão divulgada porque nada se espera de um compositor inglês. Afinal, a Inglaterra têm excelentes orquestras, instrumentistas e concertos. Compositores? são poucos bons. A especialidade é o rock. O disco foi…

GRAMOPHONE ‘RECORDING OF THE MONTH’,
GRAMOPHONE EDITOR’S CHOICE,
GRAMOPHONE CRITICS’ CHOICE (chosen by three critics) e
CD REVIEW DISC OF THE WEEK.

Não é pouco e é merecido. Confira!

Charles Villiers Stanford (1852-1924): Violin Concerto, Op. 74 & Suite for Violin and Orchestra, Op. 32 (Marwood, BBC Scottish SO, Brabbins)

Suite For Violin And Orchestra Op 32 (28:20)
1 Ouverture 7:51
2 Allemande 3:24
3 Ballade 6:44
4 Tambourin 3:37
5 Rondo Finale 6:42

Violin Concerto In D Major Op 74 (38:09)
6 Allegro 17:37
7 Canzona – Andante 12:38
8 Allegro Moderato 7:53

Conductor – Martyn Brabbins
Leader [Of Orchestra] – Justine Watts
Orchestra – BBC Scottish Symphony Orchestra
Violin – Anthony Marwood

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O célebre Charles Stanford. A música erudita pode ser dividida entre antes e depois dele.

PQP

Louis Spohr (1784-1859): Obras para Harpa e Flauta (Adorjan, Nordmann)

Louis Spohr (1784-1859): Obras para Harpa e Flauta (Adorjan, Nordmann)

Ele nasceu Ludwig Spohr, porém é mais conhecido como Louis. Não chega a ser surpreendente que Spohr tenha escrito para a obscura harpa. Afinal, ainda jovem, apaixonou-se pela bela harpista de 18 anos Dorette Scheidler. Casou-se com ela. Durante o casamento, Dorette abandonou a carreira de harpista e se concentrou em criar os filhos. É a mesma história de Clara Schumann, apesar de Dorette ter morrido jovem, causando grande dor em Louis. Foi um compositor prolífico, que produziu mais de 150 obras com número de opus, além de muitas outras não catalogadas por numeração de opus. Escreveu música em todos os gêneros. Spohr era um conceituado violinista, e inventou a queixeira para violinos por volta de 1820.

O CD da Orfeo que posto hoje é bem interessante e agradável. Eram obras escritas para sua mulher, cheia das delicadezas de um casamento recém iniciado… Apesar de não ser devoto da sonoridade da harpa, ouvi-lo foi uma boa experiência. Méritos para o maridão.

Louis Spohr (1784-1859): Obras para Harpa e Flauta (Adorjan, Nordmann)

Sonata for flute and harp in D major/E flat major (“Sonata Concertante”), Op. 113
01. Allegro brillante
02. Adagio
03. Rondo, Allegretto

Sonata for flute and harp in G major/A flat major (“Sonata Concertante”), Op. 115
04. Larghetto G-Dur

Sonata for flute and harp in C minor, WoO 23
05. Adagio
06. Andante

Fantasia on themes by Handel and Vogler, for flute and harp or piano, Op. 118
07. Fantasie über Themen

Andras Adorjan, Flauta
Marielle Nordmann, Harpa

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

O compositor Spohrro

PQP

J. Brahms (1833-1897): Quartetos para Piano Nº 2 & 3 (Zimerman, Nowak, Bubnik, Okamoto)

J. Brahms (1833-1897): Quartetos para Piano Nº 2 & 3 (Zimerman, Nowak, Bubnik, Okamoto)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um esplêndida gravação da música romântica mais digna que se possa imaginar. Um registro que rivaliza com os do Beaux Arts. Nos Quartetos para Piano Nº 2 e 3, Brahms revela duas faces complementares de sua escrita camarística: no Segundo, predomina uma amplitude quase sinfônica, com movimentos largos, arquitetura sólida e uma energia rítmica que faz o piano dialogar de igual para igual com as cordas, criando uma sensação de expansão. Já o Terceiro, frequentemente associado a um período de crise pessoal, é mais sombrio e introspectivo, marcado por tensões contidas, contrastes abruptos e uma expressividade quase trágica, especialmente no primeiro movimento. Juntos, esses quartetos mostram Brahms oscilando entre o domínio clássico da forma e uma intensidade emocional profundamente romântica, em que a densidade estrutural nunca sufoca a urgência do sentimento. Vocês não precisam chorar durante o Andante do Nº 3, mas, se acontecer, somos solidários.

J. Brahms (1833-1897): Quartetos para Piano Nº 2 & 3 (Zimerman. Nowak, Bubnik, Okamoto)

Piano Quartet No. 3 In C Minor, Op. 60
1 I. Allegro Non Troppo 10:08
2 II. Scherzo. Allegro 3:41
3 III. Andante 9:47
4 IV. Finale. Allegro Comodo 9:56

Piano Quartet No. 2 In A Major, Op. 26
5 I. Allegro Non Troppo 14:31
6 II. Poco Adagio 11:42
7 III. Scherzo. Poco Allegro. Trio 10:28
8 IV. Finale. Allegro 8:57

Cello – Yuka Okamoto
Piano – Krystian Zimerman
Viola – Katarzyna Budnik
Violin – Maria Nowak

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O grupo do CD em recital.

PQP

Charles Villiers Stanford (1852-1924): Symphony No. 7, Op. 124 (Ulster Orchestra, Handley)

Charles Villiers Stanford (1852-1924): Symphony No. 7, Op. 124 (Ulster Orchestra, Handley)

Pois bem, um argentino louco resolveu postar este CD, mas tratou de ignorar a Irish Rhapsody Nº 3 e a Concert Piece para Órgão e Orquestra e acompanham a Sinfonia Nº 7. Talvez justificadamente ressentido pela insistência dos ingleses em permanecer nas Malvinas, tratou de cortar pela metade o CD de Sir Charles (diz-se Tials, em pronúncia cockney) Stanford.

A Sinfonia é bastante boa com seus dois últimos movimentos grudadinhos coisa e tal, mas o disco não é tão bom quanto o Stanford anterior que postamos. Vale a pena baixar e ouvir, claro. O fato de não ser tão bom quando o anterior não implica em ruindade.

The rest is silence y la mano de Dios.

Charles Villiers Stanford (1852-1924): Symphony No. 7, Op. 124 (Ulster Orchestra, Handley)

1. Symphony No. 7 in D minor, Op. 124: I. Allegro 7:20
2. Symphony No. 7 in D minor, Op. 124: II. Tempo di minuetto [Allegretto molto moderato] 5:47
3. Symphony No. 7 in D minor, Op. 124: III. Variations and Finale: Andante 7:52
4. Symphony No. 7 in D minor, Op. 124: III. Variations and Finale: Allegro giusto – Poco piu lento – Allegro maestoso [alla breve] 7:38

Ulster Orchestra
Vernon Handley

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Se você não conhecia Charles Stanford, fique sabendo que o importante é ter saúde.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – 9 e 15 (Kondrashin)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – 9 e 15 (Kondrashin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Sinfonia Nº 9, Op. 70, de Shostakovich, surpreendeu profundamente seu tempo. Composta em 1945, logo após a vitória soviética na Segunda Guerra, esperava-se uma obra grandiosa, triunfal, monumental — algo à altura da propaganda oficial. Em vez disso, Shostakovich entregou uma sinfonia leve, irônica, quase mozartiana em sua clareza e concisão. Essa aparente leveza, no entanto, carrega uma ambiguidade mordaz: por trás do humor e da transparência, há um gesto de recusa, talvez até de subversão, que desarma qualquer leitura simplista de celebração heroica.

Já a Sinfonia Nº 15, Op. 141, sua última sinfonia, composta em 1971, é uma obra enigmática e profundamente introspectiva. Aqui, o compositor parece olhar para trás e revisitar não apenas sua própria trajetória, mas toda a tradição musical que o formou. A sinfonia é atravessada por citações — de Rossini a Wagner — que surgem como memórias sonoras, fragmentos de um passado que reaparece de forma quase fantasmagórica. O clima é rarefeito, por vezes irônico, por vezes inquietante, como se a música hesitasse entre o jogo e a despedida.

Se a Nona parece negar o peso da história com um sorriso ambíguo, a Décima Quinta nos encara de forma oblíqua. Entre uma e outra, vemos dois gestos extremos de Shostakovich: o da ironia diante das expectativas externas e o da meditação diante do fim. Ambas, à sua maneira, recusam o grandioso em favor de algo mais sutil — e talvez mais perturbador: uma música que, em vez de afirmar, insinua.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – 9 e 15 (Kondrashin)

Symphony № 9 In E.Flat Major, Op. 70
1 1. Allegro 4:58
2 2. Moderato. Adagio 6:45
3 3. Presto 2:45
4 4. Largo 3:07
5 5. Allegretto. Allegro 6:34

Symphony № 15 In A.Major, Op.141
6 1. Allegretto 7:05
7 2. Adagio. Largo. Adagio. Largo 13:48
8 3. Allegretto 4:23
9 4. Adagio. Allegretto. Adagio. Allegretto 15:12

Conductor – Kirill Kondrashin
Orchestra – Moscow Philharmonic Orchestra

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

George Philipp Telemann (1681-1767): Darmstadt Overtures (Completas) (Harnoncourt)

George Philipp Telemann (1681-1767): Darmstadt Overtures (Completas) (Harnoncourt)

Nada de especial. O álbum quíntuplo do Alta Ripa dá um baile neste CD aqui. Aliás, normalmente não gosto das duras gravações de Harnoncourt. Porém… Os livros de Nikolaus Harnoncourt são grandes lições de um gênio e devem ser lidos por todos que queiram entender a música barroca e o classissismo. O Diálogo Musical e O Discurso dos Sons são grandes lições. Mas, se Harnoncourt escreve maravilhosamente e é um teórico de peso — sendo um dos caras que criaram a interpretação por instrumentos originais — , raramente acerta como regente. É o caso este CD duplo. Aqui, ele perde vários gols. Apesar de muito mais popular do que Bach, Telemann foi bem menor. A distância que o separa de meu pai não é tão grande quanto o abismo que há entre Michel Teló e Chico Buarque ou entre Philip Glass e Steve Reich ou John Adams.

George Philipp Telemann (1681-1767): Darmstadt Overtures (Completas) (Harnoncourt)

Disc: 1
1. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4: Overture (Grave-Allegro-Grave)
2. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4: Rondeau (Gayement)
3. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Les Irresoluts (a discretion)
4. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Les Capricieux
5. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Loure
6. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Gasconnade
7. Ov in g for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: g 4:Menuet I alternativement Menuet II

8. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Overture (Grave-Allegro-Allegro)
9. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Harlequinade
10. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Espagnol
11. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Bouree en Trompette
12. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Sommeille
13. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Rondeau
14. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: MenuetI alternativement Menuett II
15. Ov in C for 3 ob, 2 vn, va, and bass bc, TWV 55: C 6: Gigue

16. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Overture (Grave-Allegro-Grave)
17. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Menuet I alternativement Menuet II
18. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Gavotte
19. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Courante
20. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Air
21. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Loure
22. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Hornpipe
23. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Canaries
24. Ov in d for 3 ob, bn, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: d 3: Gigue

Disc: 2
1. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Overture
2. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Prld (Tres vite)
3. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Gigue
4. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Menuet I-Menuet II
5. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Harlequinade
6. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Loure
7. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Rondeau
8. Ov in D for 3 ob, 2 vn, va and bass bc, TWV 55: D 15: Rejouissance

9. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Overture
10. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Les Plaisirs
11. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Air a l’Italien
12. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Menuet l Alternativement Menuet II
13. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Rejouissance
14. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Passepied I/II
15. Ov in a for solo recorder, 2 vn, va and bc, TWV 55: a 2: Polonaise

16. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Overture
17. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Menuet I alternativement Menuett II
18. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Rondeau
19. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Sarabande
20. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Passepied
21. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Plainte
22. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Allemande
23. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Chaconne
24. Ov in f for 2 vn, va, 2 recorders and bc, TWV 55: f 1: Gigue

Vienna Concentus Musicus
Nikolaus Harnoncourt

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Darmstadt hoje

PQP

Karlheinz Stockhausen (1928-2007): Elektronische Musik 1952-1960

Karlheinz Stockhausen (1928-2007): Elektronische Musik 1952-1960

Eu gosto de Stockhausen, falecido dias atrás, mais exatamente em 5 de dezembro. Sua música sempre me fascinou e posso passar horas ouvindo Stock, mesmo sem absolutamente compreendê-lo.

Karlheinz Stockhausen foi certamente um dos mais talentosos e influentes compositores alemães do pós-guerra. Suas obras são de um abstracionismo talvez só possível em música, essa arte intangível, puro ar sonoro, como nos ensinou Busoni. São complexas e desarmônicas, mas por um motivo que não sei explicar, caem em meu ouvido com naturalidade. Quando dizem que tratava-se de um grande gênio, concordo. Era mesmo. Suas peças diferenciam-se claramente das de seus pares menos talentosos.

Stockhausen nasceu a 22 de agosto de 1928 em Mödrath, perto de Colônia, Alemanha. De 1947 a 1951, estudou na Escola Superior de Música de Colônia (piano e pedagogia musical) e na Universidade desta mesma cidade (germanística, filosofia e musicologia). Em 1952, realizou em Paris um curso de rítmica e estética musical com Oliver Messiaen, personagem fundamental em sua formação.

Durante tal curso, Stockhausen foi colega de estudos de outro grande pensador da música, Pierre Boulez. Nesse mesmo ano participou, também em Paris, das investigações com sons concretos realizadas por Pierre Schaeffer na Radio Française; em 1952 cria, nos estúdios da Rádio de Colônia, a primeira síntese de espectros sonoros sinusoidais produzidos eletronicamente e que fazem parte de nossa postagem. Foi, desde maio deste mesmo ano, diretor do Estúdio de música eletrônica desta rádio e, até 1977, seu diretor artístico.

Stockhausen compôs entre 1954 e a década de 60 uma percentagem substancial das obras que lhe renderam fama mundial, entre as quais o fenomenal “Klavierstücke”, peça para piano seguindo o princípio da música aleatória. Nesses anos, compôs também, entre outras, “Gesang der juenglinge”, “Kontakte”, “Momente” ou”Microphonie”, paradigmas de um compositor único.

Gostava de polêmica, escreveu “Helikopter-Streichquartett”, peça para quarteto de cordas e quatro helicópteros, onde a pauta de cada músico tinha apenas a cor que lhe correspondia. Os integrantes do quarteto subiam separados nos quatro helicópteros que ficavam parados, no ar, sobre a audiência. De lá, tocavam… Obviamente, só se ouviam os helicópteros, mas era bonito de ver. Vi na TV. Era engraçado, curioso e chegava a parecer mesmo uma obra de arte do gênero “instalação”. Podia ser lida de muitas formas, podia parecer um protesto risonho, por que não? Os helicópteros foram alugados pelo próprio Stock. Considerou o 11 de setembro de Nova Iorque outra obra de arte e teve defensores, muitos defensores. Não se manifestou sobre o 11 de setembro de Santiago do Chile.

Durante mais de 25 anos, Stockhausen escreveu a ópera monumental “Licht”, que dura 29 horas.

Este genial maestro, intérprete, pianista e criador tinha autenticamente uma visão peculiar do mundo, o que nem sempre foi bem acolhido pelo senso comum. Mas os leitores-ouvintes do PQP Bach são desprovidos de senso comum e gostarão da postagem, creio.

Karlheinz Stockhausen – Elektronische Musik 1952-1960

01 – Etude (1952)
02 – Studie I (1953)
03 – Studie II (1954)
04 – Gesang der Juenglinge (1955-56)
05 – Kontakte (1959-60) – Struktur I
06 – Kontakte (1959-60) – Struktur II
07 – Kontakte (1959-60) – Struktur III
08 – Kontakte (1959-60) – Struktur IV
09 – Kontakte (1959-60) – Struktur V
10 – Kontakte (1959-60) – Struktur VI
11 – Kontakte (1959-60) – Struktur VII
12 – Kontakte (1959-60) – Struktur VIII
13 – Kontakte (1959-60) – Struktur IX
14 – Kontakte (1959-60) – Struktur X
15 – Kontakte (1959-60) – Struktur XI
16 – Kontakte (1959-60) – Struktur XII
17 – Kontakte (1959-60) – Struktur XIII A
18 – Kontakte (1959-60) – Struktur XIII B
19 – Kontakte (1959-60) – Struktur XIII C
20 – Kontakte (1959-60) – Struktur XIII D
21 – Kontakte (1959-60) – Struktur XIII E
22 – Kontakte (1959-60) – Struktur XIII F
23 – Kontakte (1959-60) – Struktur XIV
24 – Kontakte (1959-60) – Struktur XV
25 – Kontakte (1959-60) – Struktur XVI A
26 – Kontakte (1959-60) – Struktur XVI B
27 – Kontakte (1959-60) – Struktur XVI C
28 – Kontakte (1959-60) – Struktur XVI D
29 – Kontakte (1959-60) – Struktur XVI E

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Onde enfio a porra daquele fio?

PQP

Lutosławski (1913-1994): Sinfonias nº 2 e 4 (Kofman)

Tenho uma teoria. Ou melhor, uma hipótese, sem grandes evidências, mas que para mim está colocada: Lutoslawski viveu bastante, até 1994, compôs obras relevantes entre as décadas de 1940 e 1990 (muito tempo!), essas obras foram bastante gravadas nos anos logo antes e logo depois da sua morte e depois houve um injusto encerramento no fluxo de gravações porque o mercado fonográfico já contava com 2 ou 3 bons CD, às vezes mais, pra cada obra importante.

Ele não era prolífico como Shostakovich com suas 15 Sinfonias e vários balés e obras diversas que podem sempre ser redescobertas por alguém. As principais obras que ele deu à luz são para orquestra – 4 sinfonias, um concerto para orquestra, um para violoncelo, um para piano – e mais um único quarteto de cordas. A concorrência é forte: apenas na década dele também nasceram Dutilleux, Ginastera e outros mestres das orquestrações sublimes. E ele não compôs para instrumentos mais, digamos, de nicho, como Messiaen (órgão), Mignone (fagote), Rodrigo (violão).

Minha impressão, então, é que mais ou menos de 2020 pra cá nós não temos visto boas gravações de Lutoslawski e isso é uma pena. Ele era bom demais.

Witold Lutosławski (1913-1994): Sinfonias nº 2 e 4
1. Symphony No 2 (1965-67) – 1. Hesitant
2. Symphony No 2 (1965-67) – 2. Direct
3. Symphony No 4 (1988-92)
Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrücken, RomanKofman
Recorded: 1995

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Lutosławski tomando vinho tinto. Ou seria suco de uva?

Pleyel

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 5 e Sinfonia de Câmara (Bernstein, New York Philharmonic, Barshai, Mito Chamber Orchestra)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 5 e Sinfonia de Câmara (Bernstein, New York Philharmonic, Barshai, Mito Chamber Orchestra)

Hoje, dia 25, faz 101 anos que Shostakovich nasceu. P.Q.P. Bach lembrou e homenageia o mais humano dos compositores. Utilizamos versões clássicas um CD de versões clássicas a cargo de Leonard Bernstein e de Rudolf Barshai.

Sinfonia Nº 5, Op. 47 (1937)

Porta de entrada mais utilizada para Shostakovich, a Sinfonia N° 5 é sua obra mais popular. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio um scherzo (o Alegretto) composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os aficcionados, é uma obra apetitosa, por transformar a linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai a trouxe dizendo que era uma sinfonia muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele, outro clássico, amava. Alguns consideram a quinta uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa freqüência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes…

Chamber Symphony

Sim, sim, não me culpem. É a quinta vez que publicamos esta pequena sinfonia de câmara, na verdade um arranjo do extraordinário Quarteto Nº 8 de Shosta. O que posso fazer se tal obra tornou-se a sobremesa padrão de muitos CDs? É uma iguaria triste, com um estranho gosto de morte, mas bela, muito bela. Houve uma postagem de três versões muito diferentes entre si num só arquivo (lembram?) e depois ela retornou naquele CD funéreo que também apresentava A Morte e a Donzela de Schubert. É grande música, vale a pena ouvir e reouvir.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 5 e Sinfonia de Câmara (Bernstein, New York Philharmonic, Barshai, Mito Chamber Orchestra)

Symphony No. 5, Op. 47
Conductor – Leonard Bernstein
Orchestra – New York Philharmonic
1 Moderato 17:42
2 Allegretto 5:23
3 Largo 16:02
4 Allegro Non Troppo 10:13

Chamber Symphony For String Orchestra, Op. 110a
Conductor – Rudolf Barshai
Orchestra – Mito Chamber Orchestra
5 Largo 4:34
6 Allegro Molto 3:33
7 Allegretto 4:25
8 Largo 4:54
9 Largo 3:41
This work is Rudolf Barshai’s 1960 arrangement of Shostakovich’s String Quartet No. 8.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Shostakovich e Kabalevsky em 1962. Uma rara foto de Shosta sorrindo.

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 2, “Ressurreição” (Philharmonia, Santtu-Matias Rouvali)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 2, “Ressurreição” (Philharmonia, Santtu-Matias Rouvali)

Nada excepcional. Não pedimos algo que chegue perto de um Rattle ou de um Bernstein ou de um Haitink, mas também não precisa ficar tão abaixo, né? Podemos combinar que esta é uma música de alto impacto? Pois é, parece que Santtu dá uma hesitada em ir com tudo nestes momentos. É estranho como a interpretação parece oscilar entre o prosaico e o exagerado. Basta observar a exposição do primeiro movimento: as páginas iniciais eletrizantes, ficaram carentes daquela tensão angustiante e arrebatadora. Em seguida, o segundo movimento demonstra qualidade, mas tenta, de forma autoconsciente, tocar as cordas de nossos corações como se fosse Hamnet. Uma coisa que Santtu faz bem e segue à risca são aqueles sprints impetuosos e vertiginosos que Mahler adora nos apresentar. Também atenta às pausas angustiantes, às súbitas inspirações, que pontuam momentos de grande drama. Por outro lado, ele estraga o clímax assustador do desenvolvimento, inserindo partes mais lentas que anulam o impacto de cair pesadamente naquela dissonância colossal e impiedosa. Rattle e Bernstein captam isso perfeitamente – a tática de choque que Mahler imaginou. OK, é uma boa Ressurreição, mas existem gravações superiores.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 2, “Ressurreição” (Philharmonia, Santtu-Matias Rouvali)

Symphony No. 2 In C Minor “Resurrection”
1-01 I Allegro Maestoso 21:55
2-01 II Andante Moderato 9:43
2-02 III In Ruhig Fließender Bewegung 9:19
2-03 IV “Urlicht” – Sehr Feierlich, Aber Schlicht 4:57
2-04 V(a) Im Tempo Des Scherzos 19:48
2-05 V(b) Langsam Misterioso ‘Aufersteh’n’ 6:04
2-06 V(c) Etwas Bewegter ‘O Glaube, Mein Herz’ 9:25

Conductor – Santtu-Matias Rouvali
Orchestra – Philharmonia Orchestra

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Santtu-Matias Rouvali

PQP

Les sons et les parfums – Coleção de Peças Para Piano – Janina Fialkowska ֎

Les sons et les parfums – Coleção de Peças Para Piano – Janina Fialkowska ֎

Esta gravação desperta em mim um sentimento de pura nostalgia, não só pelos estudos de outrora imersos na ‘Escola Francesa’, mas também pelo poder evocativo desta música.
Janina Fialkowska

Este disco é ótimo! Uma coleção de peças de compositores franceses do Século XX compondo um recital coerente e delicioso.

É claro que um disco tão diferente das usuais coleções de obras de um dado compositor, como geralmente temos tido, só poderia ser resultado do desejo da artista de reviver as memórias de seus dias de estudante em Paris. É, assim, um disco com personalidade. Eu já o ouvi diversas vezes e, a cada vez, descubro mais uma pequena preciosidade para apreciar.

As quatro primeiras peças são de quatro diferentes compositores. Um Impromptu de Germaine Tailleferre, um Noturno de Gabriel Fauré, um Intermezzo de Francis Poulenc e a Habanera de Emmanuel Chabrier. Essa última peça me faz lembrar uma canção que quase consigo cantar junto, mas não consigo extamente precisar. Algumas peças de Debussy, incluindo o prelúdio que dá nome ao disco e a ultra conhecida Clair de lune. De Ravel, para completar o disco, o belíssimo Jeux d´eau e a Sonatine. Um disco que tem poesia até no nome!

Germaine Tailleferre (1892 – 1983)

  1. Impromptu En Mi Majeur

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

  1. Nocturne No.4 En Mi Bemol Majeur

Francis Poulenc (1899 – 1963)

  1. Intermezzo En la Bemol Majeur

Emmanuel Chabrier (1841 – 1894)

  1. Habanera

Claude Debussy (1862 – 1918)

  1. Poissons d’or
  2. Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir
  3. Reflets dans l’eau
  4. Clair de lune

Maurice Ravel (1875 – 1937)

  1. Jeux d’eau

Sonatine

  1. Modere
  2. Mouvement de Menuet
  3. Anime

Janina Fialkowska, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 129 MB

Nascida no Canadá, Janina Fialkowska iniciou seus estudos de piano com a mãe aos 4 anos, continuando em sua cidade natal, Montreal, com Yvonne Hubert. Em Paris, estudou com Yvonne Lefébure e, em Nova York, na Juilliard School, com Sascha Gorodnitzki, vivenciando o melhor das tradições pianísticas francesa e russa. Sua carreira decolou em 1974, quando o lendário Arthur Rubinstein tornou-se seu mentor após sua premiada apresentação no concurso inaugural de Master Piano Competition, chamando-a de “intérprete nata de Chopin”, estabelecendo assim as bases para sua identificação vitalícia com esse compositor. (Texto concebido pelo CHAT PQP B…)

Aproveite!

René Denon

Rubinstein contando para Janina como ele se dá bem com a turma do PQP Bach…

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos para Violino (Butt, Bernardini)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos para Violino (Butt, Bernardini)

Bach Dunedin

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Temos outras duas joias dos escoceses do Dunedin Consort em nosso blog, aqui e aqui. Hoje vim trabalhar com eles em meus ouvidos. Só depois de uns quinze minutos me dei conta de que caminhava sorrindo, graças à bela compreensão que a turma de Butt demonstrava dos atléticos e felizes concertos de Bach, escritos em seu período de Koethen. Não há infelicidade que sobreviva a isto. É melhor do que qualquer autoajuda. É como ir para Pasárgada. Para ter a mulher que quiser na cama que escolher. Fui-me embora pra Pasárgada.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Concertos para Violino

Concerto for violin and oboe in C minor, BWV 1060R
1 Allegro 4:50
2 Adagio 4:46
3 Allegro 3:30

Violin Concerto in E major, BWV 1042
4 Allegro 7:40
5 Adagio 5:31
6 Allegro assai 2:48

Ich hatte viel Bekümmernis, BWV 21
7 Sinfonia 2:46

Violin Concerto in A minor, BWV 1041
8 [Allegro] 3:48
9 Andante 6:04
10 Allegro assai 3:40

Concerto for two violins in D minor, BWV 1043
11 Vivace 3:40
12 Largo ma non tanto 6:17
13 Allegro 4:33

Cecilia Bernardini, violino
Alfredo Bernardini, oboé
Huw Daniel, violino
Dunedin Consort
John Butt

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Cecilia Bernardini preparando a maravilha que você vai ouvir.
Cecilia Bernardini preparando a maravilha que você vai ouvir.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – A Sétima (CD 6 de 11) (Kondrashin)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – A Sétima (CD 6 de 11) (Kondrashin)

A Sétima Sinfonia, “Leningrado”, talvez seja a obra mais famosa de Shostakovich. Ele dedicou-a “a nosso combate contra o fascismo, a nossa vitória sobre o inimigo em Leningrado, a minha cidade natal”. As circunstâncias em que foi escrita e estreada a fizeram famosíssima. Imaginem uma cidade cercada por alemães há 18 meses, uma orquestra improvisada vestida com suéteres e jaquetas de couro, todos magérimos pela fome, a rádio transmitindo o concerto, várias cidades soviéticas estreando a obra ao mesmo tempo, Arturo Toscanini – anti-fascista de cabo a rabo – pedindo a partitura nos Estados Unidos (ela foi levada de avião até Teerã, de carro ao Cairo, de avião à Londres, de onde um outro avião da RAF levou a música ao maestro), Shostakovich na capa da Time. Ou seja, a Sétima é importante. Nos EUA, em poucos meses, foi interpretada por Kussevítki, Stokovski, Rodzinski, Mitropoulos, Ormandy, Monteaux, etc. Um espanto.

Numa das maiores homenagens recebidas por uma obra musical, Anna Akhmátova escreveu o seguinte poema ao ser posta à salvo das bombas alemãs pelas autoridades soviéticas:

Todos vocês teriam gostado de me admirar quando,
no ventre do peixe voador,
escapei da perseguição do mal e,
sobre as florestas cheias de inimigos,
voei como se possuída pelo demônio,
como aquela outra que,
no meio da noite,
voou para Brocken.
E atrás de mim,
brilhando com seu segredo,
vinha a que chama a si mesma de Sétima,
correndo para um festim sem precedentes.
Assumindo a forma de um caderno cheio de notas,
ela estava voltando para o éter onde nascera.

Pois é. Mas falemos a sério: não é a maior sinfonia de Shosta. Fica atrás da oitava, décima, décima-primeira, décima-terceira, décima-quarta e décima-quinta. Mas que é famosésima, é.

Há grandes momentos nela: o primeiro é a preparação para receber o inimigo, baseada no Bolero de Ravel, é espantosa. Nota-se perfeitamente o significado do tema principal e do acompanhamento das cordas, cada vez mais ameaçador. O segundo é o espetacular finale, sempre ouvido pelo público em pé, e onde reaparece o tema inicial da sinfonia, demonstrando a tranqüilidade ansiada pelo povo russo após o sofrimento da guerra. Tem que conhecer. É cultura.

Informações em parte colhidas no livro sobre Shostakovich de Lauro Machado Coelho.

CD 6

SYMPHONY No.7 in C Major, Op.60 “Leningrad”

1. Allegretto
2. Moderato (poco allegretto)
3. Adagio
4. Allegro non troppo

Recorded: July 3, 1975
Moscow Philharmonic Orchestra
Kirill Kondrashin, Conductor
Total time 71:10

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Sim, ele esteve na Segunda Guerra ao vivo e cores, pero no mucho.

PQP

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Aberturas, Sonatas e Concertos (5 CDs, Musica Alta Ripa)

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Aberturas, Sonatas e Concertos (5 CDs, Musica Alta Ripa)

AB-SO-LU-TA-MEN-TE IM-PER-DÍ-VEL !!!

O prolífico e popular Telemann dominou a música daqueles pequenos principados e reinos aos quais hoje chamamos Alemanha. Nasceu 4 anos antes de Bach, mas já está numa posição entre Bach e seus filhos, dando os primeiros passos dentro do estilo galante — muito mais simples, despreocupado e metido a bonitinho. Telemann era um imenso talento, mas sua música sem grandes dramas ficou para trás, meio perdida em meio à profundidade bachiana, à grandiosidade handeliana, aos saracoteios italianos de Vivaldi e os grandes compositores que vieram logo a seguir: Haydn e Mozart.

Hoje, deve ter menos gravações do que o mano CPE Bach, um consistente e agressivo antecessor de Beethoven, a quem parece ter passado magicamente o amor aos temas curtos e afirmativos, aquela coisa de macho. (Opa! Nada temos a favor do masculinismo ou de Bolsonaro, desejamos mais é que ele vá tomar no cu).

Este grupo de 5 CDs é uma joia que postamos hoje para comemorar a morte de Jesus Cristo, célebre personagem fantástico presente em muitas músicas. A piada é que ele teria morrido hoje e ressuscitado três dias depois — segunda-feira, portanto. A ressurreição é considerada por muitos como base para o cristianismo. Jesus foi crucificado, morreu e foi enterrado. Então, teria descido ao inferno. Só que, no terceiro dia, ele voltou da morte, ascendeu ao céu e sentou-se ao lado direito de Deus, Pai Todo-Poderoso. Ninguém viu mas foi assim, dizem os cristãos e deístas.

Como ele nunca aparece e para não precisarmos ficar contando essas lorotas para elas, no domingo enchemos nossas crianças de chocolates. Elas ficam na delas, felizes. Eu também gosto de chocolate. Podem me mandar.

Well, divirtam-se com Telemann. Ah, o Musica Alta Ripa é sensacional!

George Philipp Telemann (1681-1767): Aberturas, Sonatas e Concertos (5 CDs, Musica Alta Ripa)

CD 1
Quartet For Flute, Violin, Viola & Continuo In F Major (4th Book Of Quartets, No. 2), TWV 43:F1 (8:53)
1.1 Adagio
1.2 (Allegro)
1.3 Andante
1.4 Allegro

Concerto For Recorder, Strings & Continuo In C Major, TWV 51:C1 (16:30)
1.5 Allegretto
1.6 Allegro
1.7 Andante
1.8 Tempo Di Minuet

Overture, Suite For Strings & Continuo In F Sharp Minor (Tafelmusik No. 10), TWV 55:fis1 (18:45)
1.9 Ouverture
1.10 Les Plaisirs
1.11 Angloise
1.12 La Badinerie Italienne
1.13 Loure
1.14 Menuet I/II
1.15 Courante
1.16 Le Batelage

Quartet For Flute, Violin, Viola & Continuo In G Minor, TWV 43:g4 (8:22)
1.17 Allegro
1.18 Adagio
1.19 Allegro

Concerto For Viola, Strings & Continuo In G Major, TWV 51:G9 (12:58)
1.20 Largo
1.21 Allegro
1.22 Andante
1.23 Presto

CD 2
Quartet For Flute, Violin, Viola & Continuo In D Minor (4th Book Of Quartets, No. 6), TWV 43:d2 (9:38)
2.1 Largo
2.2 Allegro
2.3 Andante
2.4 Presto

Concerto For Recorder, Bassoon, Strings & Continuo In F Major, TWV 52:F1 (16:42)
2.5 Largo
2.6 (Allegro)
2.7 (Grave)
2.8 Allegro

Sextet (Sonata), For 2 Violins, Alto Viol, Tenor Viol, Cello & Continuo In F Minor, TWV 44:32 (7:01)
2.9 Adagio
2.10 Allegro
2.11 Largo
2.12 Presto

Sonata For Cello & Continuo In D Major (GMM No. 16), TwWV41:D6 (8:46)
2.13 Lento
2.14 Allegro
2.15 Largo
2.16 Allegro

Overture, Suite For Violin, Strings & Continuo In B Minor, TWV 55:h4 (20:14)
2.17 Ouverture
2.18 Gavotte
2.19 Loure
2.20 Rejouissance
2.21 La Bravoure
2.22 Menuet I/II
2.23 Rodomontade
CD 3
Quartet For Flute, Violin, Viola & Continuo In D Major (4th Book Of Quartets, No. 1), TWV 43:D4 (7:43)
3.1 (Largo)
3.2 (Allegro)
3.3 Adagio
3.4 (Allegro)

Concerto Da Camera, For Recorder, Strings And Continuo In G Minor, TWV 43:g3 (13:45)
3.5 (Allegro)
3.6 Siciliana
3.7 Bouré
3.8 Menuet

Sonatina For Recorder (Or Bassoon Or Cello) & Continuo In C Minor (Neue Sonatinen No. 2), TWV 41:c2 (39:50:28)
3.9 Largo
3.10 Allegro
3.11 Dolce
3.12 Vivace

Quintet (Trio Or Overture), For 2 Chalumeaux (Or 2 Violettas) & Continuo In F Major, TWV 44:6 (also Twv 55:F2)
3.13 Ouverture
3.14 Menuet
3.15 Gavotte
3.16 Passepied
3.17 Air
3.18 Gigue

Sonatina For Recorder (Or Bassoon Or Cello) & Continuo In A Minor (Neue Sonatinen No. 5), TWV 41:a4 (8:25)
3.19 Andante
3.20 Allegro
3.21 Andante
3.22 Presto

Sonata For 2 Violins (Or 2 Flutes) & Continuo In B Minor (Sonates Corellisantes No. 3), TWV 42:h3 (8:56)
3.23 Grave
3.24 Vivace
3.25 Adagio E Staccato
3.26 Allegro Assai
3.27 Soave
3.28 Presto

CD 4
Quartet For Flute, Violin, Viola & Continuo In G Major (4th Book Of Quartets, No. 5), TWV 43:G5 (9:39)
4.1 Adagio
4.2 Presto
4.3 Largo
4.4 Allegro

Overture, Suite For Oboe D’amore, Strings & Continuo In E Major, TWV 55:E2 (18:44)
4.5 Ouvertüre
4.6 Entrée
4.7 Rigaudon I / II
4.8 Air
4.9 Rondeau Hanaquoise
4.10 Passepied
4.11 Harlequinade
4.12 Menuet I / II / III

Concerto For 2 Recorders, Strings & Continuo In B Flat Major, TWV 52:B1 (8:03)
4.13 Grave
4.14 Vivace
4.15 Tendrement
4.16 Gayment

Sonata For Violin & Continuo In D Major (Sonates à Violon Seul No. 2), TWV 41:D1 (12:33)
4.17 Allemanda: Largo
4.18 Corrente: Vivace
4.19 Sarabanda
4.20 Gigue

Quartet For Flute, Oboe, Violin & Continuo In A Minor, TWV 43:a3 (10:56)
4.21 Adagio
4.22 Allegro
4.23 Adagio
4.24 Vivace

CD 5
Quartet For Flute, Violin, Viola & Continuo In A Major (4th Book Of Quartets, No. 3), TWV 43:A4 (9:00)
5.1 Adagio
5.2 Allegro
5.3 Grave
5.4 Allegro

Sonata For Recorder, Violin & Continuo In D Minor, TWV 42:d10 (9:12)
5.5 Allegro
5.6 Adagio
5.7 Allegro
5.8 Presto

Overture, Suite For 2 Violins, Strings & Continuo In G Minor, TWV 55:g8 (20:34)
5.9 Apertura
5.10 Rondeau
5.11 Passepied
5.12 Sarabande
5.13 Eccho Vistement
5.14 Passacaglia
5.15 Menuet 1/2

Quartet For Recorder, Oboe, Violin & Continuo In G Major, TWV 43:G6 (7:25)
5.16 Allegro
5.17 Grave
5.18 Allegro

Concerto For 4 Violins In C Major, TWV 40:203 (8:22)
5.19 Grave
5.20 Allegro
5.21 Largo E Staccato
5.22 Allegro

Partia, For Violin (Or Flute/oboe) & Continuo In E Minor (KCM No. 5), TWV 41:e1 (10:23)
5.23 Andante
5.24 Aria 1. Vivace
5.25 Aria 2. Presto
5.26 Aria 3. Vivace
5.27 Aria 4. Siciliana
5.28 Aria 5. Vivace
5.29 Aria 6. Presto

Musica Alta Ripa:
Anne Rohrig (violin)
Ulla Bundies (violin)
Christoph Heidemann (violin, viola)
Susanne Dietz (violin)
Juris Teichmanis (cello)
Albert Bruggen (cello)
Michael McCraw (bassoon)
Dennis Götte (theorbo, baroque guitar)
Barbara Hofmann (violone)
Bernward Lohr (harpsichord)
Danya Segal (recorder)
Hans-Peter Westermann (oboe, oboe d’amore)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

O Alta Ripa, até onde sei, não é um agrupamento militar.

PQP

Arie Favorite – Elīna Garanča (mezzo-soprano) – Latvian National Symphony Orchestra – Aleksandrs Viļumanis ֎

Arie Favorite – Elīna Garanča (mezzo-soprano) – Latvian National Symphony Orchestra – Aleksandrs Viļumanis  ֎

Reviews for Elīna Garanča’s Arie Favorite (2001) generally highlight her as a superb and rising talent, particularly praising her effortless, velvety mezzo-soprano technique.
Elīna adorou o Salão dos Espelhos do PQP Bach Tower em sua última visita ao head office da nossa corporação

Para a postagem desta edição da coluna “Domingo é Dia de Ópera”, que pode ir ao ar numa quinta-feira ou sábado, dependendo do humor do editor chefe do blog, escolhi um disco lançado em 2001 e que teve papel importante no início da carreira da simpatissíssima mezzo-soprano Elīna Garanča. sua carreira deslanchou completamente depois de suas performances no Festival de Salzburgo em 2003.

É claro, as árias foram escolhidas cuidadosamente para mostrar a beleza da voz e a técnica impecável da artista. O acompanhamento pela orquestra do seu país de origem é também muito bom e o disco é primoroso, na minha opinião.

Os compositores são do fim do século XVIII e início do século XIX, as árias em italiano, a menos de uma, em francês. Mozart, Rossini, Bellini, Donizetti e Massenet são eles. Eu conhecia razoavelmente as árias das óperas de Mozart e ‘Una voce poco fa’, do Barbeiro Rossiniano. As obras de Bellini e Donizetti ainda estão na minha lista de ‘o que fazer depois da aposentadoria’. Massenet também está lá com eles, me esperando. Pelo que ouvi aqui, haverá muita diversão.

Arie Favorite

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Le Nozze di Figaro

  1. Non so più cosa son, cosa faccio (Cherubino)
  2. Voi che sapete (Cherubino)

La Clemenza di Tito

  1. Deh per questo istante (Sesto)
  2. Parto, parto (Sesto)

Goachino Rossini (1792 – 1868)

Il Barbiere di Siviglia

  1. Una voce poco fa (Rosina)

La Cenerentola

  1. Nacqui all’affanno (Angelina)

Vincenzo Bellini (1801 – 1835)

I Capuleti e I Montecchi

  1. Se Romeo t’uccise un figlio (Romeo)

Gaetano Donizetti (1797 – 1848)

La Favorita

  1. Fia dunque vero – O, mio Fernando (Leonora)

Anna Bolena

  1. Per questa fiamma indomita (Giovanna)

Jules Massenet (1842 – 1912)

Werther

  1. Werther, Werther (Charlotte)

Elīna Garanča, mezzo-soprano

Latvian National Symphony Orchestra

Aleksandrs Viļumanis

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 186 MB

De um entusiasta comprador do CD pela Amazon: Esta é uma gravação maravilhosa e Elīna Garanča está soberba. A quarta faixa, o “Parto, parto” de La Clemenza di Tito, de Mozart, vale o preço do CD por si só. Elīna Garanča faz a obra soar quase sem esforço, quando, obviamente, não é. Ela traz brilho à tradição dos papéis de mezzo-soprano, que muitas vezes são relegados a um segundo plano. Além disso, a gravação em si é exuberante e rica, e magistralmente executada.

Na ária por ele mencionada, ouça o clarinete-baixo que o Antonio Stadler e seu amigo Mozart curtiram imensamente.

Aproveite!

René Denon

Imagem enviada pela entusiasmada equipe de artes e produção do PQP Bach Publishing House para a postagem… mas, acho que confundiram os Bellinis…

Karlheinz Stockhausen (1928-2007): Unsichtbare Chöre from DONNERSTAG aus LICHT (West German Radio Chorus)

Karlheinz Stockhausen (1928-2007): Unsichtbare Chöre from DONNERSTAG aus LICHT (West German Radio Chorus)

Stockhausen foi um arrojado pretensioso, mas isso não pode ser considerado um defeito do compositor. Muita música de qualidade foi feita em terreno de soberba e egoísmo. Além disso, não podemos deixar de esquecer que há muita sinceridade nesta manipulação do destino, a crença do compositor que a música pode ter importância na transformação do mundo. Stockhausen acreditava que sua música conectava o homem a Deus assim como seres de outros mundos. Uma mistura de crenças judaico-cristãs com ufologia.

A ópera Licht, composta em sete partes, cada uma relacionada aos dia da criação, é o exemplo máximo desta pretensão. Ela teve início em 1977 e foi completada em 2003. A execução desta ópera é praticamente impossível de ser realizada, pois Stockhausen exige uma série de estruturas extra-musicais (diversos tipos de combinações sonoras, uma parafernália eletrônica,…) que levariam qualquer produtor ao desespero. A mais notável dessas exigências é o uso de quatro helicópteros (já postada aqui). O que vamos ouvir agora é um trecho de mais ou menos 48 minutos da ópera “Quinta-feira” chamado de Unsichtbare Chore (coros invisíveis). A gravação que temos aqui foi lançada pela gravadora Deutsche Grammophon no início desse ambicioso projeto (hoje um disco raríssimo de encontrar). A música é para coro com intervenções inusitadas.

Performed by West German Radio Chorus
Prepared by H. Schernus, G. Ritter and K. Stockhausen

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

E agora é só apertar um botão, tá?
E agora é só apertar o botão, tá?

CDF / PQP (Revalidação)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – Sinf. Nros. 3 e 5 (CD 3 de 11) (Kondrashin, MPO)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – Sinf. Nros. 3 e 5 (CD 3 de 11) (Kondrashin, MPO)

Mais um petardo vindo de Kirill Kondrashin e do segundo melhor Exército Vermelho já formado.

Sinfonia Nº 3, Op. 20, “O Primeiro de Maio” (1929)

Não gosto. É música heróica para o Partido, entremeada de algumas modernagens para irritar os burocratas. Shosta resolveria melhor este dilema logo mais adiante, mas Kondrashin é tão bom que deixa a obra quase boa…

Sinfonia Nº 5, Op. 47 (1937)

Esta é a obra mais popular de Dmitri Shostakovich. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio, um scherzo composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os menos aficcionados, é uma obra apetitosa, por transformar a dura linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai a trouxe dizendo que era uma sinfonia muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele amava. Alguns consideram esta obra uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa freqüência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes…

A propósito, do último movimento, ele serviu para uma cena “estranha” do cineasta Alexander Sokurov que, ao desejar mostrar, no seu documentário sobre Shostakovich “Sonata para Viola”, a sempre questionável superioridade e a liberdade do Ocidente, comparou longamente a coda da quinta na versão de Lenny Bernstein (maravilhosa) e de Mravinsky (horrorosa). Sokurov é um brilhante diretor, mas entende patavinas de música… Não apenas a versão de Mravinsky é superior, como ele obedecia ao desejo de Shostakovich quanto ao andamento. Quem entende alguma coisa de música fica boiando ou manda o diretor às favas. Sokurov, já que tem ouvidos varicosos, deveria consultar qualquer ouvinte – mesmo médio – para não cometer tais escandalosos equívocos…

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – Sinf. Nros. 3 e 5 (CD 3 de 11) (Kondrashin, MPO)

SYMPHONY No.3

1. in E Flat Major, Op.20, “The First of May”

SYMPHONY No.5 in D Minor, Op.47

2. Moderato. Allegro non troppo. Moderato
3. Allegretto
4. Largo
5. Allegro non troppo. Allegro

Recorded: March 27, 1968
Choirs of the Russian Republic, Alexander Yourlov, Conductor (1)
Moscow Philharmonic Orchestra (1 & 2)
Kirill Kondrashin, Conductor
Total time 68:16

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Shosta e Kondra

PQP

Georg Philip Telemann (1681-1767): Passions-Oratorio / 2 Cantatas (Max, Das Kleine Konzert)

Georg Philip Telemann (1681-1767): Passions-Oratorio / 2 Cantatas (Max, Das Kleine Konzert)

Apesar da excelente orquestra, regente e cantores, não é um CD de enlouquecer. Trata-se de um bom disco que prova que Telemann era mais instrumental do que vocal.

Quando vi o CD, a cara de maluco de Hermann Max me assustou. Tinha me esquecido. O cara parece saído de uma comédia dos anos 60. Em vez de Telemann, fiquei pensando nas quantidades oceânicas de laquê que ele deve usar. Igualzinho a minha mãe há quarenta anos atrás.

Georg Philip Telemann (1681-1767): Passions-Oratorio / 2 Cantatas (Max, Das Kleine Konzert)

1. Betrachtung Der 9: Acccompagnato – Wilfried Jochens/Hans-Georg Wimmer/Harry Van Der Kamp/David Cordier
2. Betrachtung Der 9: Chorale – Rheinische Kantorei
3. Betrachtung Der 9: Recitativo – Wilfried Jochens
4. Betrachtung Der 9: Aria – Harry Van Der Kamp
5. Betrachtung Der 9: Chorale – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
6. Betrachtung Der 9: Recitativo – David Cordier
7. Betrachtung Der 9: Acccompagnato – Hans-Georg Wimmer
8. Betrachtung Der 9: Aria – Hans-Georg Wimmer
9. Betrachtung Der 9: Chorale – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max

Composed by Georg Philipp Telemann
with David Cordier, Kleine Konzert Orchestra, Wilfried Jochens, Harry van der Kamp, Rheinische Kantorei, Stephan Schreckenberger, Kai Wessel
Conducted by Hermann Max

10. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Tenor Solo & Chorus – Wilfried Jochens
11. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Recitativo – Wilfried Jochens
12. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Aria – Wilfried Jochens
13. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
14. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Recitaivo – Kai Wessel
15. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Duetto – Stephan Schreckenberger/Kai Wessel
16. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
17. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Chorale – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max

Composed by Georg Philipp Telemann
with David Cordier, Kleine Konzert Orchestra, Wilfried Jochens, Harry van der Kamp, Rheinische Kantorei, Stephan Schreckenberger, Kai Wessel
Conducted by Hermann Max

18. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Son – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
19. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
20. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Maria Zadori
21. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
22. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Wilfried Jochens
23. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Kai Wessel
24. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
25. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Stephan Schreckenberger
26. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max

Composed by Georg Philipp Telemann
with David Cordier, Kleine Konzert Orchestra, Wilfried Jochens, Harry van der Kamp, Rheinische Kantorei, Stephan Schreckenberger, Kai Wessel
Conducted by Hermann Max

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Negativo, não é peruca, é Hermann Max.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – Sinf. Nros. 2 e 14 (CD 2 de 11) (Kondrashin, MPO)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – Sinf. Nros. 2 e 14 (CD 2 de 11) (Kondrashin, MPO)

Dando continuidade à nossa integral das Sinfonias de Dmitri Shostakovich sob a regência de Kirill Kondrashin, iniciada aqui, publicamos mais duas sinfonias: a comum segunda e a notável décima-quarta.

CD 2

Sinfonia Nº 2, “A Outubro”, Op. 14 (1927)

Escrita sobre versos de Aleksander Bezimensky’s, é uma homenagem ao décimo ano da Revolução. Tem 16 minutos e é tem um movimento, dividido nas seções Largo – Allegro molto – Meno mosso – Choral Finale. Sua estréia ocorreu em 05/11/1927 com a Filarmônica de Leningrado e Coro. A sinfonia é da fase de experimentação de Shostakovich, só que quem experimentou e não gostou dela foi a burocracia comunista. Creio que o regime soviético tenha sucumbido por sua violência e mau gosto: chamaram a sinfonia de “formalista”, “antiproletária”, “burguesa”, etc. e até o jovem Shostakovich, na época um sincero comunista, ficou irritado com a repercussão incompreensiva. É que ele ainda não conhecera a ira de Stálin logo após Lady Macbeth… Não vira nada ainda…

Sinfonia Nº 14, Op. 135 (1969)

A Sinfonia Nº 14 – espécie de ciclo de canções – foi dedicada a Britten, que estreou-a em 1970 na Inglaterra. É a menos casual das dedicatórias. Seu formato e sonoridade é semelhante à Serenata para Tenor, Trompa e Cordas, Op. 31, e à Les Illuminations para tenor e orquestra de cordas, Op. 18, ambas do compositor inglês. Os dois eram amigos pessoais; conheceram-se em Londres em 1960, e Britten, depois disto, fez várias visitas à URSS. Se o formato musical vem de Britten, o espírito da música é inteiramente de Shostakovich, que se utiliza de poemas de Lorca, Brentano, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, sempre sobre o mesmo assunto: a morte.

O ciclo, escrito para soprano, baixo, percussão e cordas, não deixa a margem à consolação, é música de tristeza sem esperança. Cada canção tem personalidade própria, indo do sombrio e elegíaco em A la Santé, An Delvig e A Morte do Poeta, ao macabro na sensacional Malagueña, ao amargo em Les Attentives, ao grotesco em Réponse des Cosaques Zaporogues e à evocação dramática de Loreley. Não há música mais direta e que trabalhe tanto para a poesia, chegando, por vezes, a casar-se com ela sílaba por sílaba para tornar-se mais expressiva. Há uma versão da sinfonia no idioma original de cada poema, mas sempre a ouvi em russo. Então, já que não entendo esta língua, tenho que ouvi-la ao mesmo tempo em que leio uma tradução dos poemas. Posso dizer que a sinfonia torna-se apenas triste se estiver desacompanhada da compreensão dos poemas – pecado que cometi por anos! Ela perde sentido se não temos consciência de seu conteúdo autenticamente fúnebre. Além do mais, os poemas são notáveis.

Possui indiscutíveis seus méritos musicais mas o que importa é sua extrema sinceridade. Me entusiasmam especialmente a Malagueña, feita sobre poema de Lorca e a estranha Conclusão (Schluss-Stück) de Rilke, que é brevíssima, sardônica e – puxa vida – muito, mas muito final.

SYMPHONY No.2
1. in B Major, Op.14, “To October”

Recorded: November 29, 1972

SYMPHONY No.14
For Soprano, Bass, String Orchestra and Percussion, Op.135

2. De Profundis (Garcia Lorca)
3. Malaguena (Garcia Lorca)
4. Loreley (Apollinaire)
5. The Suicide (Apollinaire)
6. On Watch (Appollinaire)
7. Madam! Look (Apollinaire)
8. In the Sante (Apollinaire)
9. The Zaporogian Cossacks’ Reply to the Sultan of Constantinople (Appolinaire)
10. O Delvig, Delvig! (Kuchelbecker)
11. Death of the Poet (Rilke)
12. Conclusion (Rilke)

Recorded: November 24, 1974

Evgenya Tselovalnik, Soprano / Evgeny Nesterenko, Bass / Ensemble of soloists from the Moscow Philharmonic Orchestra / Choirs of the Russian Republic / Alexander Yourlov, Conductor (2)
Moscow Philharmonic Orchestra / Kirill Kondrashin, Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Shostakovich em 15 de junho de 1973, em Chicago

PQP

Jean Sibelius (1865-1957) e Edward Elgar (1857-1934): Concertos para Violino (Kang, Leaper)

Jean Sibelius (1865-1957) e Edward Elgar (1857-1934): Concertos para Violino (Kang, Leaper)

Um baita CD da Naxos. Repertório da virada do século XX, romanticamente coerente com o século XIX, como sempre foram Sibelius e Elgar. É óbvio que o concerto do finlandês é muito superior ao inglês.

Abaixo, uma nota biográfica de Sibelius retirada da Wikipedia:

Jean Sibelius (Hämeenlinna, 8 de dezembro de 1865 — Järvenpää, 20 de setembro de 1957) foi um compositor finlandês de música erudita, e um dos mais populares compositores do final do Século XIX e início do século XX. Sua genialidade musical também teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa.

Sibelius nasceu numa família que falava sueco e residia na cidade de Hämeenlinna, no Grão-Ducado da Finlândia, então pertencente ao Império Russo. Seu nome de batismo é Johan Julius Christian Sibelius e ele era conhecido como Janne por sua família, mas durante seus anos de estudo ele teve a idéia de usar a forma francesa de seu nome, Jean, após ver uma pilha de cartões postais de seu tio Johan, o irmão mais velho de seu pai, o Dr. Christian Gustaf Sibelius, que era médico na guarnição militar de Hämenlinna. O nome Johan lhe fora dado em homenagem a esse tio, que era capitão de navio e tinha morrido em Havana, em 1863. O prenome Jean era usado por ele quando estava no exterior.

Significativamente, indo de encontro ao largo contexto do então proeminente movimento Fennoman e suas expressões do nacionalismo romântico, sua família deciciu mandá-lo para um importante colégio de língua finlandesa, e ele freqüentou o The Hämeenlinna Normal-lycée de 1876 a 1885. O nacionalismo romântico ainda iria se tornar uma parte crucial na produção artística de Sibelius e na sua visão política.

A principal parte da música de Sibelius é sua coleção de sete sinfonias. Como Beethoven, Sibelius usou cada uma delas para trabalhar uma idéia musical e/ou desenvolver seu próprio estilo. Suas sinfonias continuam populares em gravações e salas de concerto.

Dentre as composições mais famosas de Sibelius, destacam-se:Concerto para Violino e Orquestra em ré menor (obra de grande expressão, melodiosidade profunda e virtuosismo, que goza de grande popularidade entre os violinistas e o público, tornando-se em um dos concertos para violino mais executados nas salas de concerto), Finlandia, Valsa Triste (o primeiro movimento da suíte Kuolema), Karelia Suite e O Cisne de Tuonela (um dos quatro movimentos da Lemminkäinen Suite). Outros trabalhos incluem peças inspiradas no poema épico Kalevala, cerca de 100 canções para piano e voz, música incidental para 13 peças, uma ópera (Jungfrun i tornet, A Senhora na Torre), música de câmara, peças para piano, 21 publicações separadas para coral e músicas para rituais maçônicos. Até meados de 1926 foi prolífico; entretanto, apesar de ter vivido mais de 90 anos, ele quase não completou composições nos últimos 30 anos de sua vida, após sua Sétima Sinfonia em 1924 e o poema musicado Tapiola em 1926.

E o mesmo para Elgar:

Filho de um afinador de pianos, e rodeado de música e instrumentos musicais na loja do pai em na Worcester High Street, o jovem Edward foi auto-didacta em música. No Verão levava nos seus passeios música para estudar, iniciando uma forte ligação entre música e natureza.

Deixando a escola aos 15 anos, começou por trabalhar com um advogado local, mas após um ano enveredou por uma carreira musical, aprendendo piano e violino. Aos 22 anos tornou-se chefe de banda no Worcester and County Lunatic Asylum, perto de Worcerter. Foi primeiro violino nos festivais de Worcester e Birmingham, e chegou a tocar a Sexta Sinfonia e o Stabat Mater de Antonin Dvorak sob a direcção do próprio compositor. Agradou-lhe especialmente, e influenciou-o bastante o estilo de orquestração de Dvorak.

Aos 29, através da actividade de ensino, conheceu a sua futura mulher Caroline Alice Robers, poetisa e escritora. Casaram-se três anos depois contra a vontade da família dela, e a prenda de Edward para Caroline foi a peça para violino e piano Salut d’amour. Os Elgars passaram a residir em Londres, centro da vida musical inglesa. Após algum tempo, constataram que não podiam subsistir apenas com o trabalho de compositor de Edward, pelo que ele retomou o ensino de música.

Durante a década de 1890, século XIX, Elgar construiu uma sólida reputação como compositor, especialmente de obra vocal para os festivais musicais das Midlands. The Black Knight, King Olaf (1896), The Light of Life e Caractacus tiveram algum sucesso, o que lhe permitiu obter um lugar de editor musical.

Em 1899, aos 42 anos de idade, compôs o seu primeiro grande trabalho orquestral, as Variações Enigma, estreadas em Londres dirigidas por Hans Richter. Recebendo o aplauso geral, Elgar tornou-se o compositor britânico mais conhecido da época. Este trabalho intitula-se Variations on an Original Theme (Enigma). O enigma é que, embora haja treze variações do tema original (‘enigma’), este nunca é ouvido. Em 1900 estreou em Birmingham a versão coral do poema do Cardeal Newman The Dream of Gerontius. Apesar da desastrosa estreia, a obra foi posteriormente reconhecida como uma das maiores de Elgar.

Elgar é principalmente conhecido pelas Marchas de Pompa e Circunstância (1901). Após compô-las, foi-lhe pedido para adaptar a letra de A. C. Benson para uma Ode à Coroação do Rei Eduardo VII de Inglaterra. O resultado foi Land of Hope and Glory.

Entre 1902 e 1914 Elgar teve um sucesso estrondoso, visitou quatro vezes os E.U.A., e ganhou bastante dinheiro com os direitos da sua obra. Entre 1905 e 1908 foi Professor de Música na Universidade de Birmingham.

A sua Sinfonia No. 1 (1908) foi cem vezes tocada no primeiro ano. Com a chegada da I Guerra Mundial, a música de Elgar ficou um pouco fora de moda, e, depois de ficar viúvo em 1920 pouco mais compôs. Pouco antes de falecer compôs o magnífico e elegíaco Concerto para Violoncelo. Talvez isto sugira que Alice Elgar era a sua principal influência e impulsionadora do seu êxito.

Armado cavaleiro em 1904 e tornado baronete em 1931. Em 1932, trabalhou como o jovem e talentoso violinista Yehudi Menuhin, que na altura tinha apenas 16 anos de idade, na gravação do seu Concerto para violino.

No fim da vida iniciou uma ópera e aceitou a proposta da BBC para compor uma Terceira Sinfonia. Esta encomenda foi persuadida pelo seu amigo George Bernard Shaw, a quem Elgar tinha dedicado a obra Severn Suite. A sua doença terminal impediu-o de a completar mas os esboços que deixou permitiram a Anthony Payne completá-la ao estilo do compositor. Morreu no dia 23 de Fevereiro de 1934. No espaço de apenas dois meses morreram outros dois importantes compositores ingleses – Gustav Holst e Frederick Delius.

Jean Sibelius (1865-1957) e Edward Elgar (1857-1934): Concertos para Violino (Kang, Leaper)

Concerto for Violin in D minor, Op. 47 (31:09) de Jean Sibelius

1. I. Allegro moderato
2. II. Adagio di molto
3. III. Allegro ma non tanto

Concerto for Violin in B minor, Op. 61 (45:43) de Edward Elgar

4. I. Allegro
5. II. Andante
6. III. Allegro molto

Dong-Suk Kang (Violin)
Adrian Leaper
Ensemble Polish Radio Symphony Orchestra

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Elgar ligava-se num charutón

PQP

.: interlúdio :. Hiromi Uehara: Voice (2011)

.: interlúdio :. Hiromi Uehara: Voice (2011)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando postei de enfiada 6 CDs de Hiromi Uehara, escrevi que ela melhorava a cada disco que lançava. Então, dando-me razão, o Bluedog me apresentou seu mais recente trabalho, o maravilhoso, puramente instrumental e paradoxal Voice. Olha, meus amigos, que CD! O vídeo de lançamento (abaixo) talvez não demonstre o quanto é sólido, consistente, PAULEIRA e sério este trabalho de Hiromi. É inacreditável tamanha maturidade aos 32 anos, ainda mais com aquela cara de bonequinha japonesa.

Após um CD solo, o esplêndido Place to be Hiromi traz em Voice um formato trio piano-baixa-bateria e dá um banho. Como já disse, ao contrário de muitos outros artistas que se estabelecem numa zona de conforto, ela continua a evoluir e a redefinir seu estilo até o ponto onde se torna quase impossível imitá-la. É uma tempestade perfeita de talento técnico e criatividade musical, misturando elementos díspares da música clássica, bebop, jazz, fusion e rock como ninguém fez antes.

Em Voice, Hiromi usa e abusa dos ostinati como poucas vezes ouvi um pianista de jazz fazer. Se estilo está mais polifônico e variado do que nunca e seus companheiros… e seus companheiros… Vou até abrir um parágrafo para eles.

Este álbum apresenta uma “banda” nova chamado Trio Project. O baixista é o célebre Anthony Jackson, que trabalhou com Al Di Meola no seu trio de álbuns fusion, marcos da década de 70. Ele trabalhou com muita gente boa longo dos anos, inclusive em dois ábuns anteriores de Hiromi: Another Mind e Brain — ambos postados por este que vos escreve. O baterista é o igualmente maravilhoso Simon Phillips, que muitas vezes parece um metaleiro. (Ouçam-no no vídeo abaixo playing very difficult music…). Apesar de mais conhecido por seu trabalho com Chick Corea, Simon já tocou com artistas como Judas Priest, Jeff Beck, Jack Bruce, Brian Eno, Mike Oldfield, Gary Moore e Mick Jagger, além de ter substituído Keith Moon no The Who do disco Join Together.

Hiromi, Jackson e Phillips complementam-se de forma incrível. Se Hiromi é uma orquestra inteira, Jackson traz o mais puro jazz fusion através de seu baixo e Phillips dá uma intensidade de metal drumming ao todo.

Mais uma joia postada por mim nesta semana e ah!

Talvez como uma homenagem a quem melhor utiizava os ostinati e para garantir o caráter macho do disco — OK, e também para que nosso coração volte a seu ritmo normal depois de tanta velocidade, musicalidade e, bem, pauleira — , Voice finaliza calmamente com uma improvisação sobre a Sonata Nº 8 de Beethoven, Patética. Sim, é o máximo da finesse.

Hiromi Uehara – Voice (2011)

1. Voice (9:13)
2. Flashback (8:39)
3. Now or Never (6:16)
4. Temptation (7:54)
5. Labyrinth (7:40)
6. Desire (7:19)
7. Haze (5:54)
8. Delusion (7:47
9. Beethoven’s Piano Sonata No. 8, Pathetique (5:13)

Hiromi Uehara, Piano
Anthony Jackson, Baixo
Simon Phillips, Bateria

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos...
Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos…

PQP

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nº 9 e 8 (Krips)

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nº 9 e 8 (Krips)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sou um grande admirador da Nona de Schubert e nunca a ouvi ser tão bem tocada como neste espantoso CD. Som perfeito, interpretação perfeita, não obstante o fato de tratarem-se de gravações dos anos 50 e 60. Tenho uma ligação especial e triste com esta música. Quando voltei do enterro de meu pai, em 1993, vitimado por um primeiro, fulminante e estarrecedor enfarto, notei que havia um CD no aparelho de som, provavelmente o último que ele ouvira. Sim, claro, a Nona de Schubert. Krips: nascido em Viena em abril de 1902, Josef Krips foi apresentado a mim por FDP Bach. Ele parece ter sido destinado aos clássicos alemães e vienenses. Krips foi um dos poucos maestros que podiam reger em 1945 em Viena, pois nunca tinha trabalhado sob o regime nazista. Foi o primeiro a conduzir a Filarmônica de Viena e o Festival de Salzburgo no período pós-guerra. De 1950 até 1954, Krips foi o maestro principal da Orquestra Sinfônica de Londres. Depois disso, entre 1963 até 1970, ele comandou a Orquestra Filarmônica de Buffalo e a Orquestra Sinfônica de São Francisco. Em 1970, ele se tornou o maestro titular da Ópera Alemã de Berlim. Entre 1970 e 1973, foi o principal maestro da Filarmônica de Viena. Krips morreu em Genebra, Suíça em 1974, aos setenta e dois anos. A Oitava com a Wiener Philharmoniker foi a última gravação de Krips para a Decca e o disco que ora postamos faz parte de uma série de cinco relançamentos dedicados à arte de Josef Krips. Se vocês procurarem as avaliações dos críticos sobre este CD vão ler os maiores, deslavados e merecidos elogios.

Locais de gravação: Kingsway Hall, Londres, maio de 1958 (Symphony No. 9); Sofiensaal, Viena, Áustria, março de 1969 (Symphony No. 8).

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nº 9 e 8 (Krips)

Sinfonia N° 9, D. 944, A Grande
01. I. Andante – Allegro ma non troppo
02. II. Andante con moto
03. III. Scherzo (Allegro vivace)
04. IV. Allegro vivace

London Symphony Orchestra

Sinfonia Nº 8, D. 759, Inacabada
05. I. Allegro moderato
06. II. Andante con moto

Wiener Philharmoniker
Josek Krips

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Eu adoro Krips sabor calabresa.

PQP

Georg Philipp Telemann (1681-1767): 12 Fantasias para Violino Solo (Manze, Balding)

Georg Philipp Telemann (1681-1767): 12 Fantasias para Violino Solo (Manze, Balding)

Telemann gostava deste formato. Suas 12 Fantasias para Violino Solo foram publicadas em Hamburgo, no anos de 1735. É apenas uma das coleções de Telemann de música para instrumentos não acompanhados, sendo os outros as doze fantasias para flauta solo e as trinta e seis para cravo solo que foram publicados em Hamburgo em 1732-33. Há também um conjunto de doze fantasias para solo de viola da gamba que foi publicado em 1735, mas que hoje está perdido.

Telemann era um violinista autodidata. Muita das fantasias revelam a influência de sonatas e concertos italianos, mas o estilo-base é a polifonia alemã, tanto que as fantasias 2, 3, 5, 6, 10 incluem fugas.

Apenas dois anos depois da obra-prima de Jonathan Swift ser publicada, As Viagens de Gulliver foram musicadas na Alemanha. A suíte, escrita para dois violinos , se tornou uma sensação instantânea nos lares alemães. Afinal, quem não gostaria de seguir Gulliver em sua viagem emocionante?

Telemann interessava-se pela dança. A sátira de Swift deu-lhe ideia para uma diminuta suíte de danças programática, com cada um dos dedicados a cenas e personagens de Swift. Mais ousada do que imponente, é uma peça deliciosa.

Georg Philipp Telemann (1681-1767): 12 Fantasias para Violino Solo

01 Fantasia in B-flat major (Largo—Allegro—Grave—Si replica l’allegro)
02 Fantasia in G major (Largo—Allegro—Allegro)
03 Fantasia in F minor (Adagio—Presto—Grave—Vivace)
04 Fantasia in D major (Vivace—Grave—Allegro)
05 Fantasia in A major (Allegro—Presto—Allegro—Andante—Allegro)
06 Fantasia in E minor (Grave—Presto—Siciliana—Allegro)
07 Fantasia in E-flat major (Dolce—Allegro—Largo—Presto)
08 Fantasia in E major (Piacevolumente—Spirituoso—Allegro)
09 Fantasia in B minor (Siciliana—Vivace—Allegro)
10 Fantasia in D major (Presto—Largo—Allegro)
11 Fantasia in F major (Un poco vivace—Soave—Da capo un poco vivace—Allegro)
12 Fantasia in A minor (Moderato—Vivace—Presto)

13 – Gulliver Suite (para dois violinos): Intrada
14 – Chaconne of the Lilliputians
15 – Gigue of the Brobdingngians
16 – Daydreams of the Laputians and their attendant flappers
17 – Loure of the well-mannered Houyhnhnms & Wilddance of the untamed Yahoos

Andrew Manze, violino
Caroline Balding, violino

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vida complicada
Gulliver: Vida complicada entre os liliputianos para depois privar da educação e inteligência dos Houyhnhnms

PQP

Georg Phillip Telemann (1681-1767): Tafelmusik Completa — 4 CDs (Musica Antiqua Köln)

Georg Phillip Telemann (1681-1767): Tafelmusik Completa — 4 CDs (Musica Antiqua Köln)

Mano FDP Bach mostra o caminho, eu vou atrás. Foi assim nos lagos de belas adormecidas da semana passada e agora eu respondo às aberturas de Telemann com um petardo de quatro discos do MAK apresentando a Tafelmusik completa. Como os amantes do barroco alemão estão bem servidos nos últimos dias! A obra de Telemann — o compositor mais famoso na região na época de Bach — é muito boa. Por exemplo, o Concerto em Lá maior (CD1) é obra-prima. A ária (Tempo Giusto) da Abertura em ré maior, idem — esta ária foi depois utilizada por Handel num de seus concertos para órgão. E assim por diante. A interpretação de Goebel e amigos é, para variar, impecável. Mas vocês têm de trabalhar muito agora, afinal, são 580 MBytes do mais puro barroco em 320 kbps. Boa sorte! O motivo pelo qual estão todos juntos é que fiz um CD-R com todas as 70 faixas para ouvir no carro… Tornei-me fã da Tafelmusik de Telemann desde que comprei a caixa de vinis da Telefunken com o jovem Frans Bruggen e o Concerto Amsterdam. Isso há mais de 30 anos atrás. O registro de Bruggen ainda é bom… Mas Goebel o supera em todos os pontos que realmente contam.

Georg Phillip Telemann (1681-1767): Tafelmusik Completa — 4 CDs (Musica Antiqua Köln)

DISC 1

PRODUCTION I (Teil • Part • Partie • Parte I)

I. Ouverture — Suite
e-moll • in E minor • en mi mineur • in mi minore
1. Ouverture: Lentement — Vite — Lentement
2. Rejouissance
3. Rondeau
4. Loure
5. Passepied
6. Air. Un peu vivement
7. Gigue

II. Quatuor G-dur • in G major • en sol majeur • in sol maggiore
8. Largo — Allegro — Largo
9. Vivace — Moderato — Vivace D. c.
10. Grave
11. Vivace

III. Concert A-dur • in A major • en la majeur • in la maggiore
12. Largo
13. Allegro
14. Gratioso
15. Allegro

DISC 2
IV. Trio Es-dur • in E flat major • en mi bemol majeur • in mi bemolle maggiore
1. Affettuoso
2. (attacca) Vivace
3. Grave
4. Allegro

V. Solo
5. h-moll • in B minor • en si mineur • in si minore
6. Cantabile
7. Allegro
8. Dolce
9. Allegro

VI. Conclusion e-moll • in E minor • en mi mineur • in mi minore Allegro — Largo — Allegro D. c.

PRODUCTION II (Teil-Part Partie-Parte II)
I. Ouverture — Suite D-dur • in D major • en re majeur • in re maggiore
10. Ouverture: Lentement — Vite — Lentement
11. Air. Tempo giusto
12. Air. Vivace
13. Air. Presto
14. Air. Allegro

DISC 3 II. Quatuor d-moll • in D minor • en re mineur ■ in re minore

1. Andante
2. Vivace
3. Largo
4. Allegro

III. Concert F-dur in F major • en fa majeur • in fa maggiore
5. Allegro
6. Largo
7. Vivace

IV. Trio e-moll • in E minor ■ en mi mineur • in mi minore
8. Affettuoso
9. Allegro
10. Dolce
11. Vivace

V. Solo A-dur • in A major • en la majeur • in la maggiore
12. Andante
13. Vivace
14. Cantabile
15. Allegro — Adagio — Allegro — Adagio

VI. Conclusion D-dur • in D major ■ en re majeur • in re maggiore
16. Allegro — Adagio — Allegro D. c.

DISC 4

PRODUCTION III (Teil • Part • Partie • Parte III)

I. Ouverture — Suite B-dur • in B flat major • en si bemol majeur • in si bemolle maggiore
1. Ouverture: Lentement — Presto — Lentement
2. Bergerie. Un peu vivement
3. Allegresse. Vite — Meno mosso — Vite D.c.
4. Postilions
5. Flaterie
6. Badinage. Tres vite
7. Menuet

II. Quatuor e-moll • in E minor • en mi mineur • in mi minore
8. Adagio
9. Allegro
10. Dolce
11. Allegro

III. Concert Es-dur • in E flat major • en mi bemol majeur • in mi bemolle maggiore
12. Maestoso
13. Allegro
14. Grave
15. Vivace

IV. Trio D-dur • in D major • en re majeur • in re maggiore
16. Andante
17. Allegro
18. Grave — Largo — Grave
19. Vivace

V. Solo g-moll • in G minor • en sol mineur • in sol minore
20. Largo
21. Presto
22. Tempo giusto
23. Andante
24. Allegro

VI. Conclusion B-dur • in B flat major • en si bemol majeur • in si bemolle maggiore
25. Furioso

Jonathan Cable
Phoebe Carrai
Florian Deuter
Werner Ehrhardt
Reinhard Goebel
Friedemann Immer
Laura Johnson
Andrew Joy
Andras Keller
Manfred Kramer

Musica Antiqua Köln
Direção: Reinhard Goebel

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP