Mas FDPBach vai trazer mais uma integral dos Quartetos de Cordas de Beethoven? Já tem tantas postagens com essas obras no Blog !!
Nós melômanos nunca estamos satisfeitos, isso é certo. Lembro que antes do advento da internet meu acervo era muito, mas muito mais restrito. Escolhia os discos com atenção, claro que sempre de acordo com a disponibilidade no mercado e com meus parcos recursos financeiros. Uma integral dos quartetos era algo quase que impossível de se conseguir. Lembro que a DG oferecia uma caixa com todas as obras, e as dividia em Early, Middle & Last Quartets, intrepretadas pelo Melos Quartett. O preço era um tanto quanto inacessíveis para nós, pobres mortais assalariados, ou não. Enfim, eu sempre ficava namorando essas caixas nas lojas de disco. Nosso objetivo de acervo era muito mais modesto, uma integral destas já nos era suficiente.
O tempo passou, e eis que existe uma quantidade imensa de gravações disponíveis destes quartetos, integrais ou não. Havia inclusive uma discussão sobre o quão irregulares eram essas gravações de integrais. Alguns quartetos saiam quase perfeitos, outros parecia que tinham sido feitos em toque de caixa, para, possivelmente satisfazer os interesses da gravadora.
Nosso guru e mentor, PQPBach ama estes quartetos, e os conhece muito bem, já ouviu dezenas de vezes cada um deles, com os mais diversos intérpretes. Não é o caso deste que vos entrega essa série, um mero admirador do belo, que até pouco tempo atrás satisfazia-se com o histórico registro do Amadeus Quartett, lá dos anos 50 e 60. Sem desmerecer jamais aquele que é considerado o melhor conjunto de cordas do século XX, sempre estou atrás das outras opções. E certa vez, em discussão do grupo do Whattsap do PQPBach, se não me engano nos tempos em que o nosso Vassily Genrikhovich encarou aquela maratona beethoveniana em comemoração aos 250 anos do nascimento do compositor, nos ofereceu diversas opções de registros destas obras, destaque para o Melos Quartett, dentre outros. A integral do Artemis Quartet foi, digamos assim, deixada de lado, devido exatamente a quantidade de outras ótimas opções.
Aproveitando meus últimos dias de férias de Natal e de Ano Novo resolvi preparar essa belíssima integral interpretada exatamente pelo Artemis Quartet, não tão recente, é verdade, afinal foi gravada entre 2006 – 2011. Não me darei ao trabalho de analisar as obras, já existem diversas postagens destes quartetos aqui no PQPBach, basta procurar para obter maiores informações.
E esta postagem está sendo feita exatamente no dia de meu aniversário de 61 anos de idade. FDPBach faz aniversário mas quem ganha o presente são os senhores. São sete cds ao todo, além do booklet, bem explicativo, por sinal.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)
String Quartet No.1 Op. 18 No. 1
1-1 1. Allegro Con Brio
1-2 2. Adagio Affetuoso Ed Appassionato
1-3 3. Scherzo. Allegro Molto – Trio
1-4 4. Allegro
String Quartet No.4 Op. 18 No. 4
1-5 1. Allegro Ma Non Troppo
1-6 2. Scherzo. Andante Scherzoso Quasi Allegretto
1-7 3. Menuetto. Allegretto – Trio
1-8 4. Allegretto – Prestissimo
String Quartet No.6 Op. 18 No. 6
1-9 1. Allegro Con Brio
1-10 2. Adagio Ma Non Troppo
1-11 3. Scherzo. Allegretto – Trio
1-12 4. La Malinconia. Adagio
1-13 5. Allegretto Quasi Allegro
String Quartet No.2 Op. 18 No. 2
2-1 1. Allegro
2-2 2. Adagio Cantabile
2-3 3. Scherzo. Allegro – Trio
2-3 4. Allegro Molto, Quasi Presto
String Quartet No.3 Op. 18 No. 3
2-5 1. Allegro
2-6 2. Andante Con Moto
2-7 3. Allegro – Minore – Maggiore
2-8 4. Presto
String Quartet No. 5 Op. 18 No. 5
2-9 1. Allegro
2-10 2. Menuetto – Trio
2-11 3. Andante Cantabile
2-12 4. Allegro
String Quartet No.7 Op. 59 No. 1 ‘Razumovsky’
3-1 1. Allegro
3-2 2. Allegretto Vivace E Sempre Scherzando
3-3 3. Adagio Molto E Mesto
3-4 4. Thème Russe. Allegro 7
String Quartet No.8 Op. 59 No. 2 ‘Razumovsky’
3-5 1. Allegro
3-6 2. Molto Adagio
3-7 3. Allegretto – Maggiore
3-8 4. Finale. Presto
String Quartet No.9 Op. 59 No. 3 ‘Razumovsky’
4-1 1. Introduzione. Andante Con Moto – Allegro Vivace
4-2 2. Andante Con Moto Quasi Allegretto
4-3 3. Menuetto. Grazioso – Trio – Coda
4-4 4. Allegro Molto
Strimg Quartet No.10 Op. 74 ‘Harp’
4-5 1. Poco Adagio – Allegro
4-6 2. Adagio Ma Non Troppo
4-7 3. Presto
4-8 4. Allegretto Con Variazioni
String Quartet No.11 Op. 95 ‘Quartetto Serioso’
4-9 1. Allegro Con Brio
4-10 2. Allegretto Ma Non Troppo
4-11 3. Allegro Assai Vivace Ma Serioso
4-12 4. Larghetto Espressivo – Allegretto Agitato – Allegro
String Quartet No.12 Op. 127
5-1 1. Maestoso – Allegro
5-2 2. Adagio, Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-3 3. Scherzando Vivace
5-4 4. Finale. Allegro
String Quartet No.14 Op. 131
5-5 1. Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo
5-6 2. Allegro Molto Vivace
5-7 3. Allegro Moderato
5-8 4. Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-9 5. Presto
5-10 6. Adagio Quasi Un Poco Andante
5-11 7. Allegro
String Quartet No.13 Op. 130, Op. 133
6-1 1. Adagio Ma Non Troppo – Allegro
6-2 2. Presto
6-3 3. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso
6-4 4. Alla Tedesca. Allegro Assai
8-5 5. Cavatina. Adagio Molto Espressivo
6-6 6. Grosse Fuge Op. 133 Overtura. Allegro. Fuga
String Quartet Hess 34
6-7 1. Allegro Moderato
6-8 2. Allegretto
6-9 3. Allegro 3
String Quartet No.15 Op. 132
7-1 1. Assai Sostenuto – Allegro
7-2 2. Allegro Ma Non Tanto
7-3 3. Heiliger Dankgesang Eines Genesenen An Die Gottheit, In Der Lydischen Tonart
7-4 4. Alla Marcia, Assai Vivace
7-5 5. Allegro Appassionato – Presto
String Quartet No.16 Op. 135
7-5 1. Allegretto
7-6 2. Vivace
7-7 3. Lento Assai, Cantante E Tranquillo
7-8 4. Der Schwer Gefasste Entschluss, Grave – Allegro
Artemis Quartet
Cello – Eckart Runge
Viola – Friedemann Weigle, Volker Jacobsen
Violin – Gregor Sigl, Heime Müller, Natalia Prischepenko
Aproveitem.
FDPbach

IM-PER-DÍ-VEL !!!
Thomas Tomkins (1572–1656) foi um importante compositor inglês da Renascença tardia e do início do Barroco, pertencente à grande tradição polifônica da Inglaterra elisabetana e jacobina. Ele é visto como um dos últimos grandes polifonistas da escola inglesa, encerrando uma era que começou com Tallis e Byrd. Sua música, especialmente a sacra, permaneceu em uso em catedrais inglesas mesmo após a Restauração (1660). Sua produção reflete tanto a solenidade da tradição litúrgica quanto a sensibilidade humanista do final do Renascimento. Trabalhou como organista e mestre de coro na Catedral de Worcester e, mais tarde, tornou-se Gentleman (membro) da Capela Real, servindo sob os reinados de Elizabeth I, Jaime I e Carlos I. Viveu em um período turbulento: testemunhou a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), que levou ao fechamento de muitas igrejas e capelas, interrompendo sua carreira musical institucional. Compôs hinos sacros tanto em estilo polifônico tradicional quanto em estilo mais declamatório (verse anthems), adaptando-se às necessidades litúrgicas da Igreja da Inglaterra. Escreveu também madrigais e canções, incluindo contribuições para a antologia The Triumphs of Oriana (1601), uma coletânea em homenagem à rainha Elizabeth I. Além disso, deixou obras para órgão e virginal, muitas vezes de caráter contrapontístico. Mesmo em meio à transição para o estilo Barroco (com homofonia e baixo contínuo), Tomkins manteve uma linguagem polifônica densa e rica, influenciada pela tradição de Byrd e Tallis.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Os “Concertos em Sete Partes” (Concerti Grossi in Seven Parts), de Charles Avison, têm uma relação direta com Domenico Scarlatti. Avison baseou explicitamente esses 12 concerti grossi (publicados em 1744) em temas extraídos das sonatas para cravo de Domenico Scarlatti. Avison admirava profundamente a inventividade melódica e harmônica de Scarlatti. Ele não apenas orquestrou as sonatas, mas realizou um trabalho de transcrição e adaptação, reorganizando e combinando temas de várias sonatas de Scarlatti (que eram peças para teclado solista) no formato do concerto grosso barroco, para orquestra de cordas e continuo, que era popular na Inglaterra da época, seguindo o modelo de Corelli. Essa coleção é considerada um dos exemplos mais extensos e ambiciosos da adaptação da obra de um compositor para um meio diferente no século XVIII. Foi uma forma de popularizar a música de Scarlatti no contexto de concerto inglês. Charles Avison era o mais importante compositor e teórico musical inglês de sua geração, atuando principalmente em Newcastle. Obviamente, nutria grande admiração pela música italiana, especialmente por Corelli, Geminiani e Scarlatti. Ele via em Scarlatti uma fonte de “Fantasia e Fogo” musical. A escolha de Scarlatti como fonte foi ousada, pois suas sonatas eram consideradas modernas, virtuosísticas e continham harmonias audaciosas para a época. Os Concertos em sete partes de Avison são, em essência, uma homenagem e uma reelaboração artística da obra de Domenico Scarlatti.


Um grande disco com um belo concerto e três das melhores Aberturas (ou Suítes) de Telemann. Gosto muito de La Bouffonne e da Grillen, mas adoro mesmo é a Alster, com sua radical irreverência. A versão deste disco é mais comportada do que a da Akademie für alte Musik Berlin, mas ainda assim é muito digna. No vídeo abaixo, temos a Akademie dando um banho de conhecimento sobre como abordar o grande Telemann, compositor muito inferior a Bach, mas infinitamente mais popular do que o mestre em suas épocas. Ouçam por exemplo o vídeo abaixo a partir dos 8min30. A Akademie se esparrama, enquanto que O Collegium Musicum 90 apenas se deita.
Este é outro disco imperdível desta compositora polonesa muito pouco conhecida no Brasil. Uma injustiça. São obras realmente consistentes trazidas pela gravadora Chandos que acertou em cheio ao escalar a também polonesa Joanna Kurkowicz. O sétimo concerto é maravilhoso e mostra uma compositora — Bacewicz era também violinista — absolutamente segura. Os dois dois concertos também são bons, mas tão modernos quanto o sétimo.






O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.












Uchida não quis saber de regentes para fazer esta série de Concertos para Piano de Mozart. Não parece, mas são gravações feitas ao vivo, no Cleveland`s Severance Hall. Ela já tem uma integral destes concertos com a English Chamber Orchestra, sob a regência de Jeffrey Tate. 20 anos depois, nesta regravação destas obras-chave de seu repertório, Uchida vem um pouquinho pior… A culpa é mais da orquestra — dirigida por ela — do que da categoria da pianista, sempre excelente. Apesar do espetacular trabalho dos sopros, o tamanho da orquestra é demasiadamente grande para as peças. A abordagem também é excessivamente romântica para Mozart. Tate era mais Mozart na versão anterior de Uchida .


Pra lá de interessante este CD de Dudamel e sua turma da Venezuela. São três peças de longa duração escritas por Tchai sobre temas shakespearianos: Hamlet, A Tempestade e Romeu e Julieta. Um ideia bem óbvia, né? Dudamel parece o Rattle dos primeiros anos, erra pouco e parece levar muito bem sua vida entre um país e outro. Atualmente, é o maestro titular da extraordinária Orquestra Sinfônica de Gotemburgo e diretor musical da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, além de ser a grande estrela da Simón Bolívar. Um fenômeno. Afinal, este filho de um trombonista com uma professora de canto é um cara que começou no 



Este é um belo disco de Frans Brüggen em seus tempos de solista. E, puxa vida, o homem toca muito! Não é para menos que sua companhia é formada apenas por Anner Bylsma e Gustav Leonhardt. As sonatas são interpretadas pelo trio e as fantasias são obras para flauta solo. Eles todos estão perfeitos nestas obras do compositor que nosso amigo 
Um disco raro que foi relançado com outra capa pela Harmonia Mundi France. É esta a edição que eu tenho. O título da HM francesa é mais exato: Miniatures for young pianists, pois é disto que se trata. Tem muito exercício e muita fofura. Por exemplo, as 24 peças de Tchai para crianças foram composta exclusivamente com fins pedagógicos. As pecinhas, todas curtas, são intituladas como “A Doença da Boneca”, “Marcha dos Soldados de Chumbo”, etc. e foram dedicadas a seu sobrinho. O objetivo era proporcionar a jovens pianistas peças musicalmente ricas, porém tecnicamente acessíveis, que desenvolvessem tanto a técnica quanto a expressividade. Prokô e Shosta seguiram a onda. Um álbum agradável.








IM-PER-DÍ-VEL !!! 
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Faz algum tempo postei aqui o que considero uma das realizações mais importantes da música instrumental brasileira: os 4 discos do Quinteto Armorial. Esse grupo pernambucano começou a gravar em 1974 e infelizmente não gravou mais depois de 1980.
juventude a Universidade Federal da Bahia havia se tornado um dos principais polos de inovação musical no Brasil, inicialmente com a presença de Hans Joachim Koellreuter, e depois com os suíços Ernst Widmer e Walter Smetak – este uma espécie de cientista maluco da invenção de instrumentos e da experimentação musical radical. Marco se mudou para Salvador para estudar Regência e Composição, e o encontro com Smetak veio de brinde, abrindo a perspectiva de fundir sua própria busca musical com a tradição artesanal da família.










