Handel (1685 – 1759) & Vivaldi (1678 – 1741): Concertos Grossi, Op. 6, Nos. 5 e 9 & Estro Armonico, Op. 3, Concerti Nos. 8 e 11 – Ars Combinatoria & Canco López – [Dose Dupla] ֎֎

Handel (1685 – 1759) & Vivaldi (1678 – 1741): Concertos Grossi, Op. 6, Nos. 5 e 9 & Estro Armonico, Op. 3, Concerti Nos. 8 e 11 – Ars Combinatoria & Canco López – [Dose Dupla] ֎֎
“A música barroca é uma celebração da beleza e da diversidade da experiência humana.”
[William Christie]

Para esta edição da coluna ‘Dois Pelo Preço de Um – Dose Dupla’, escolhi dois álbuns de um conjunto musical espanhol que bastante me impressionou, o Ars Combinatoria, orquestra e coro. Se bem que nos discos ouviremos apenas a orquestra.

Esse grupo surgiu em 1991 com o intuito de interpretar música polifônica espanhola do Século XVI, cantigas medievais e interpretar música de Bach, como conta a página do grupo, que você pode acessar clicando aqui.

Nestes dois discos estão reunidos apenas quatro concertos – dois de Handel, do opus 6, e dois de Vivaldi, do Estro Armonico. Acreditem, pouco tempo de música, mas muita qualidade.

Os dois concertos de Handel têm a adequada gravidade (gravitas), pomposidade, ajudada pela acústica do local de gravação (dos dois discos), o Mosteiro de Madalena, Sarria, na Galícia (no Caminho de Santiago).

Os dois concertos de Vivaldi, Nos. 8 e 11 (que tem uma fuga no seu primeiro movimento) e devem ter impressionado o padroeiro do blog, Sr. João Sebastião Ribeiro, quando este ainda jovem entrou em contato com a obra do Padre Vermelho. Tanto que fez transcrições para instrumentos de teclas de cinco deles, incluindo estes dois. Veja referências: [Rinaldo Alessandrini], [Simon Preston] ou [Keiko Nakata].

Como sugeriu WC em sua citação, vamos celebrar a experiência humana, pelo menos as positivas, ouvindo ótima música barroca!

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Concerto grosso Op. 6 nº 5 em sol maior, HWV 323

  1. Ouverture-Allegro
  2. Presto
  3. Largo
  4. Allegro
  5. Minuetto

Concerto grosso Op. 6 nº 9 em fá maior, HWV 327

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Larghetto
  4. Allegro
  5. Minuetto
  6. Giga

Elsa Ferrer & Liz Moore, violinos

María Saturno, violoncelo

Ars Combinatoria

Canco López

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MP3 | 320 KBPS | 81 MB

Este álbum pode ser encontrado na plataforma de streaming Tidal.

Ars Combinatoria dando um role no Caminho de Santiago

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Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto em lá menor para dois violinos e cordas, RV 522 (L’Estro Armonico, Op. 3, No. 8)

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro

Concerto em ré menor para dois violinos, violoncelo e cordas, RV 565 (L’Estro Armonico, Op. 3, No. 11)

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Elsa Ferrer & Liz Moore, violinos

María Saturno, violoncelo

Ars Combinatoria

Canco López

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MP3 | 320 KBPS | 49 MB

Este álbum pode ser encontrado na plataforma de streaming Tidal.

Trecho da página da gravadora sobre o disco de Handel: Estes concertos destacam-se pela energia e contrastes dinâmicos. O seu carácter festivo e luminoso alternado com melodias doces refletem a capacidade de Handel em combinar técnica e expressão.

Trecho da página da gravadora sobre o disco de VivaldiArs combinatoria escolhe os mesmos concertos que Johann Sebastian Bach escolheu para fazer as famosas transcrições de órgão, estes No. 8 em lá menor (BWV 593) e No. 11 em Ré menor (BWV 596).

Aproveite! Aproveite!

René Denon

Canco aproveitando o conforto das poltronas do Great Hall do PQP Bach Coo. em Gravataí

F. Mompou (1893-1987): Canciones y danzas / A. Ginastera (1916-1983): Doce preludios americanos (Reyes, piano)

Belíssimo disco do pianista cubano, por um selo francês, tocando peças de um catalão e de um argentino. Entre outras semelhanças, ambos os compositores passarem parte de sua vida no exílio (Mompou em Paris, Ginastera em Genebra) quando seus países de origem eram governados por ditaduras militares. O libreto do CD diz o seguinte:

Mompou compôs suas doze Canções e Danças entre 1918 e 1962 (para sermos mais exatos, ele escreveu uma 13ª, para violão, em 1960, e uma 14ª, para piano, em 1980). De todas suas composições – pouco numerosas e essencialmente dedicadas ao piano e à voz – as Canções e Danças são as únicas a se inspirarem em melodias populares catalãs. Mas, para além da homenagem a sua terra e da evocação de suas cores e perfumes, Mompou evita todo artifício, todo kitsch de cartão postal ou efeito pitoresco.

Formalmente, Mompou teve uma ideia brilhante ao associar a cada canção, com andamento mais lento, uma dança de ritmo mais acelerado, sempre buscando formar uma dupla coerente. Uma certa nostalgia aparece nessas obras e, como a maioria delas foi escrita quando Mompou residia em Paris, entre as duas Guerras Mundiais, não é abdurda a comparação com as Mazurkas que Chopin escreveu, também em Paris, pensando na sua Polônia natal. Não seria, aliás, o único ponto em comum entre os dois músicos, que se interessaram igualmente pelo estudo dos mistérios da escrita pianística e da disposição dos acordes na partitura, ao ponto que o pianista Ferdinand Motte-Lacroix (1882-1955) não hesitou em chamar Federico Mompou de “Frédéric II”.

Apesar da distância temporal entre a 1ª e a 12ª peça, o ciclo apresenta uma homogeneidade notável: desde suas primeiras obras, Mompou soube encontrar seu estilo. Ele inventou um sistema harmônico pessoal, nem verdadeiramente consonante, nem brutalmente dissonante, temperando a escrita mais tradicional com algumas notas aberrantes, estrangeiras aos acordes usuais, e com uma atenção particular às ressonâncias.

Por seu lado, Ginastera compôs seus Prelúdios americanos em 1944: nessas peças, também doze, encontra-se uma síntese de toda sua arte. Apesar das divergências de estilo (Ginastera parece mais pitoresco, barulhento e rude, Mompou mais sonhador e mais suave), diversas ligações existem entre as duas faces deste programa.
(traduzido do texto do encarte: Jérôme Bartianelli, 2017)

A partir daqui eu continuo a comparação de Mompou com Chopin. Com exceção dos dois Concertos do polonês, as obras de ambos são feitas para serem tocadas em salas na escala de dez, vinte, trinta pessoas. Não é música grandiosa como boa parte da música de concerto europeia dos séculos XIX e XX. Na Paris dos anos 1830 e 1840, Chopin vivia cercado de adoradores de Beethoven, como por exemplo o compositor Berlioz e o escritor Balzac, para citar apenas dois fãs de carteirinha do alemão então recém-falecido. O pintor Delacroix, em carta a um amigo em 1842, relatava um momento na casa da escritora George Sand e comparava Balzac “que não veio, e não lamento. Ele é um falador barulhento” e Chopin: “de quem gosto muito e que é um homem de rara distinção.”

Note-se, então, que Chopin colocava-se na minoria quando tinha como grandes mestres do passado Mozart e Bach. Naquela época, toda a Europa descobria com espanto a grandeza de Beethoven, as cidades construíam grandes salas de concerto e as orquestras sinfônicas iam aumentando os naipes de cordas e sopros… nada disso com a admiração do introspectivo Chopin. Essa rara distinção, citada por Delacroix, lembra um pouco o gosto musical de Federico Mompou: sonoridades e acordes cuidadosamente escolhidos, jamais banais, mas ao mesmo tempo menos vanguardistas do que a dodecafonia dos discípulos de Schoenberg nos anos 1940 a 1960 ou os experimentos eletroacústicos nos anos 1960 a 70.

1 – 6. Federico Mompou:
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 1. Quasi moderato – Allegro non troppo
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 2 Lento – Molt amable
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 5 Lento litúrgico – Senza rigore. Ritmado
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 6 Cantabile epressivo – Ritmado
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 8. Moderato cantabile con sentimento – Danza
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 10. Larghetto molto cantabile – Amabile

7 – 18. Alberto Ginastera:
Doce americanos preludios, Op. 12
I. Para los accentos. Vivace
II. Triste. Lento
III. Danza criolla. Rustico
IV. Vidala. Adagio
V. En el primer modo pentáfono menor. Andante
VI. Homenaje a Roberto Garcia Morillo. Presto
VII. Para las octavas. Allegro molto
VIII. Homenaje a Juan José Castro. Tempo di Tango
IX. Homenaje a Aaron Copland. Prestissimo
X. Pastoral. Lento
XI. Homenaje a Heitor Villa-Lobos. Vivace
XII. En el primer modo pentáfono mayor. Lento

19 – 24. Federico Mompou:
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 3. Modéré – Sardana
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 4. Moderato – Viv
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 7. Lento – Danza
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 9. Cantabile espressivo – Allegro
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 11. Lent et majestueux. Allegro moderato – Grazioso
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 12. Molto cantabile – Danza

25-26: Gabriel Urgell Reyes:
Piezas Familiares
II. Aqui contigo (Très intime et expressif)
III. Más de ti

Gabriel Urgell Reyes, piano
Recorded: 2014, 2016

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Federico Mompou

Pleyel

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (Nelsons, Orquestra Filarmônica de Viena)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (Nelsons, Orquestra Filarmônica de Viena)

A versão de Andris Nelsons que inaugura seu ciclo das gravações das Sinfonias de Mahler com a Filarmônica de Viena é muito digna de nota. É uma abordagem recomendada para ouvintes que valorizam interpretações ousadas, intelectualmente elaboradas e tecnicamente impecáveis — mesmo que isso venha às custas de um certo calor visceral. Não é recomendada para puristas que desejam uma Quinta Sinfonia tradicional, com um Adagietto romântico e uma narrativa dramática mais linear. Mahler linear? Ficaram loucos? A Quinta Sinfonia de Mahler é uma das obras mais monumentais e difíceis do repertório sinfônico — uma jornada de quase 80 minutos que parte da escuridão de uma marcha fúnebre e avança, através de tormentas e danças, rumo a um finale radiante. O problema é que Mahler não facilita: cada intérprete precisa decidir como contar essa história.

A sinfonia abre com a famosa fanfarra do trompete solo — um chamado que anuncia a Trauermarsch (marcha fúnebre). Nelsons conduz este movimento insistindo na solenidade do ritual fúnebre, sem pressa. O segundo movimento é uma explosão de fúria que contrasta com a marcha inicial. Aqui, Nelsons demonstra domínio da orquestração mahleriana — os metais soam poderosos e o diálogo entre seções é cuidadosamente esculpido. Uma joia. O terceiro movimento, um Scherzo vienense gigantesco para orquestra (com destaque para as trompas), é frequentemente um ponto polêmico. Mahler exige uma Viena dançante e vertiginosa — mas também um senso de estrutura para sustentar mais de quinze minutos de música. Nelsons inicia com leveza e alegria de viver, mas acho que essa energia se dissipa ao longo do movimento. Ou não? O famoso Adagietto para cordas e harpa é, para muitos, a alma da sinfonia — uma declaração de amor a Alma Mahler. Nelsons, porém, recusa uma leitura romântica. Ele o apresenta não como uma canção de amor, porém mais como uma tranquila meditação. Seu tempo é lento (cerca de dez minutos) e o tom é profundo e comovente, realçando a fragilidade e a introspecção. O Rondo-Finale é uma explosão de energia, com citações de temas anteriores que precisam soar como uma espécie de vitória. Nelsons conduz este movimento com “alegria e vivacidade”, e os últimos acordes são retumbantes.

Como considero Mahler um romântico tardio, herdeiro da tradição germânica, expressão extrema e obsessão pelos temas da morte e da transcendência, talvez Nelsons seja meio traidor, mas acho que não muito. Está tudo lá, só que sem derramamentos desnecessários.

P.S. — Para mim, esta sinfonia está muito associada ao covid. Em fevereiro de 2020, em nossa última viagem internacional, eu e minha mulher estávamos em Roma e vimos o último concerto na Academia Nacional de Santa Cecília antes de fechar em razão da pandemia. O grande Daniele Gatti foi o regente. As primeiras máscaras já apareciam. Quando chegamos em Porto Alegre, ninguém usava ainda.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (Nelsons, Orquestra Filarmônica de Viena)

1 I. Trauermarsch: A. In Gemessenem Schritt 1:15
2 I. Trauermarsch: B. Etwas Gehaltener 2:02
3 I. Trauermarsch: C. Wieder Etwas Gehaltener 2:44
4 I. Trauermarsch: D. Plötzlich Schneller 0:48
5 I. Trauermarsch: E. A Tempo. F. Tempo I. 1:49
6 I. Trauermarsch: G. Schwer (15). H. Klagend 5:47

7 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: A. Sturmisch Bewegt 1:28
8 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: B. Bedeutend Langsamer 2:29
9 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: C. Tempo I Subito 0:53
10 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: D. Langsam Aber Immer 1:19
11 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: E. Tempo Moderato 1:36
12 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: F. Plötzlich Wieder Bedeutend Langsamer 1:36
13 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: G-J. Tempo I Subito. Etwas Langsamer. Nicht Eilen. Wuchtig 3:55
14 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: K. Pesante 1:29
15 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: L. Tempo I Subito 1:50

16 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: A-B. Kräftig, Nicht Zu Schnell 2:33
17 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: C. Etwas Ruhiger 1:05
18 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: D-E. Tempo I. Lansamer 1:50
19 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: F. Etwas Zurückhaltend 1:31
20 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: G-H. Molto Moderato. Nicht Eilen 3:28
21 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: I. A Tempo Molto Moderato 1:14
22 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: J-L. Poco Rit. A Tempo I. Nicht Eilen – Vorwärts Drängen 4:13
23 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: M-N. Tempo I. A Tempo Moderato 1:56
24 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: O. Tempo I Subito 0:59

25 IV. Adagietto. Sehr Langsam: A-B. Sehr Langsam. Wieder äußerst Langsam 4:47
26 IV. Adagietto. Sehr Langsam: C. Fliessender 1:57
27 IV. Adagietto. Sehr Langsam: D. Fliessend 0:52
28 IV. Adagietto. Sehr Langsam: E. Zurückhaltend 2:21
29 IV. Adagietto. Sehr Langsam: F. Zögernd 2:28

30 V. Rondo-Finale. Allegro: A-B. Allegro. Allegro Giocoso 1:19
31 V. Rondo-Finale. Allegro: C-D. Sempre L’Istesso Tempo. Grazioso 1:34
32 V. Rondo-Finale. Allegro: E. A Tempo I 0:35
33 V. Rondo-Finale. Allegro: F. Sempre L’Istesso Tempo 1:19
34 V. Rondo-Finale. Allegro: G. A Tempo 1:21
35 V. Rondo-Finale. Allegro: H-I. Sempre L’Istesso Tempo. Nicht Eilen 2:15
36 V. Rondo-Finale. Allegro: J. Nicht Eilen. A Tempo 1:31
37 V. Rondo-Finale. Allegro: K-L. Plötzlich Wieder Wie Zu Anfang. Unmerklich Etwas Einhaltend 2:36
38 V. Rondo-Finale. Allegro: M. Grazioso 2:08
39 V. Rondo-Finale. Allegro: N. Sehr Drängend 1:45

Wiener Philharmoniker
Andris Nelsons

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Nelsons: preocupadíssimo por ter sido retirado de Boston

PQP

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 5 (Haitink, Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara)

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 5 (Haitink, Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara)

Esta gravação da Sinfonia Nº 5, de Bruckner, por Bernard Haitink à frente da Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara é uma interpretação que privilegia a arquitetura da obra acima do efeito imediato. Haitink não procura monumentalidade teatral nem êxtases exagerados. Sua abordagem é de uma lucidez clássica, permitindo que a gigantesca construção de Bruckner apareça claramente ao ouvinte. A grande virtude desta leitura está no equilíbrio. Os tempos são raramente pesados e a extraordinária polifonia do último movimento emerge com clareza exemplar. A Orquestra da Rádio Bávara responde com sonoridade magnífica, especialmente nos metais, ricos e profundos. O resultado é uma Quinta menos dramática do que as de Furtwängler ou Jochum, mas mais transparente. Haitink conduz a música com paciência e inteligência, confiando que a força da partitura basta por si mesma. Para alguns críticos, essa objetividade chega a parecer excessivamente contida — para outros, trata-se justamente de uma das grandes realizações do catálogo moderno. É uma gravação para quem prefere contemplar a catedral em toda a sua grandiosidade estrutural, em vez de se deixar deslumbrar apenas pelos vitrais. Haitink nos mostra Bruckner como um mestre da forma — e, ao fazê-lo, alcança uma beleza serena e duradoura.

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 5 (Haitink, Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara)

I. Adagio – Allegro 20:38
II. Adagio 16:10
III. Scherzo: Molto vivace 13:40
IV. Finale: Adagio – Allegro moderato 25:14

Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Bernard Haitink

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Bruckner, o revolucionário piedoso

PQP

.: interlúdio :. Stéphane Grapelli: It might as well be swing

.: interlúdio :. Stéphane Grapelli: It might as well be swing

It Might as Well Be Swing é uma celebração da elegância. Com seu fraseado leve, inventivo e irresistivelmente melódico, Stéphane Grappelli (1908-1997) demonstra por que foi um dos grandes responsáveis por transformar o violino em instrumento do jazz. O disco transborda alegria sem jamais cair na superficialidade. Cada tema parece conversar com a tradição do swing ao mesmo tempo em que exibe a personalidade inconfundível de Grappelli: refinada, espirituosa e cheia de charme. É música que flui com naturalidade, como uma conversa entre velhos amigos, lembrando-nos que o jazz pode ser virtuoso sem perder a graça e sofisticado sem perder o sorriso.

.: interlúdio :. Stéphane Grapelli: It might as well be swing

1 You Took Advantage Of Me 4:56
2 Star Eyes 4:17
3 Anything Goes 4:32
4 Don’t Blame Me 5:04
5 Moonlight In Vermont 2:36
6 Caravan 7:15
7 It Might As Well Be Spring 4:53
8 Have You Met Miss Jones 4:02
9 Love Song 3:13
10 Sing Hallelujah 3:56
11 I Didn’t Know What Time It Was 5:50

Alto Saxophone, Tenor Saxophone, Clarinet – Phil Woods
Bass – Jean-Philippe Viret (tracks: 11), John Burr*
Drums – Louis Bellson
Guitar – Marc Fosset
Piano – McCoy Tyner (tracks: 11)
Violin – Stéphane Grappelli

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Grappelli com a camisa que ganhou de presente do pessoal do PQP.

PQP

Vaughan Williams / Delius / Walton: Greensleeves · The Lark Ascending · Summer Night on the River · On Hearing the First Cuckoo in Spring (Zukerman / Black / Orquestra de Câmara Inglesa / Barenboim)

Vaughan Williams / Delius / Walton: Greensleeves · The Lark Ascending · Summer Night on the River · On Hearing the First Cuckoo in Spring (Zukerman / Black / Orquestra de Câmara Inglesa / Barenboim)

Contemplativo and very english, este CD me encheu o saco. Há poucas boas músicas eruditas inglesas entre os dois gênios maiores da ilha: Purcell e Britten. O romance imensamente popular e “quintessencialmente inglês” de Vaughan Williams para violino e orquestra, The Lark Ascending,  recebeu muitas gravações. Não há nenhuma evidência que sugira que o próprio compositor tenha considerado a peça de alguma forma excepcional, então por que ele se transformou no sucesso clássico que quase todo mundo conhece? Enquanto outrora este romance despretensioso era ouvido como uma evocação direta dos 12 versos de George Meredith que prefaciam a partitura, o público mais amplo de hoje desconhece em grande parte a sua fonte poética. A etiqueta “quintessencialmente inglesa” aplicável aos versos vitorianos parece cada vez mais inadequada para explicar o apelo global da música. Em 2011, quando a rede de rádio pública de Nova York perguntou aos ouvintes o que eles gostariam de ouvir no 10º aniversário do 11 de setembro, The Lark Ascending ficou em segundo lugar, atrás de Adagio de Barber. Eu não entendo. E vocês?

Vaughan Williams / Delius / Walton: Greensleeves · The Lark Ascending · Summer Night on the River · On Hearing the First Cuckoo in Spring (Zukerman / Black / Orquestra de Câmara Inglesa / Barenboim)

1 Fantasia sobre “Greensleeves” para orquestra de cordas, harpa e duas flautas (1934)
Composta por – Ralph Vaughan Williams
4:29
Concerto para oboé e orquestra de cordas em lá menor (1944)
Composta por – Ralph Vaughan Williams
Oboé – Neil Black (3)
2 1. Rondo Pastoral: Allegro Moderato 6:54
3 2. Minueto e Musette: Allegro Moderato 2:48
4 3. Finale (Scherzo): Presto 8:54

Duas peças para pequena orquestra
Composta por – Frederico Delius
5 1. Ao ouvir o primeiro cuco na primavera (1912) 7:12
6 2. Noite de verão no rio (1911) 5:41

Duas Aquarelas (1938)
Organizado por – Eric Fenby
Composta por – Frederick Delius
7 1. Lento, Ma Non Troppo 2:44
8 2. Alegremente, mas não rápido 2:10
9 Intermezzo (da ópera “Fennimore e Gerda”) (1909-10)
Composta por – Frederico Delius
5:50

Duas peças para cordas da música do filme “Henrique V” (1943-44)
Composta por – William Walton *
10 1. Passacaglia: Morte de Falstaff 2:47
11 2. “Toque seus lábios macios e parte” 2:01
12 The Lark Ascendente (Romance para violino e orquestra) (1914, Rev. 1920)
Composta por – Ralph Vaughan Williams
Violino – Pinchas Zukerman

Maestro – Daniel Barenboim
Orquestra – Orquestra de Câmara Inglesa

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PQP

Frédéric Chopin (1810-1849): Polonaises (completas) (Idil Biret)

Frédéric Chopin (1810-1849): Polonaises (completas) (Idil Biret)

Eu não entendo nada dos românticos e nem dou muita bola pra eles, então o fato de eu ter gostado desta gravação talvez signifique que ela é uma merda. Estas talvez sejam interpretações musculosas demais. É justamente essa natureza “exagerada” que apreciei. Em fóruns de pianistas, ouvintes comuns elogiam Biret por colocar “muito sentimento e expressão”, enquanto que os especialistas não gostam muito. A gravação das Polonaises de Chopin pela turca Idil Biret representa uma visão muito pessoal e tecnicamente impecável dessas obras do período romântico. Porém, enquanto intérpretes mais clássicos podem buscar mais delicadeza, Biret aposta no drama, o que resulta em uma escuta vibrante e que certamente vai capturar sua atenção. Afinal, a coisa aqui é patriótica, né? Querem patriotismo sutil? Ah, vsf… 

Frédéric Chopin (1810-1849): Polonaises (completas) (Idil Biret)

1 Polonaise No. 1 in C-Sharp Minor, Op. 26, No. 1 09:26
2 Polonaise No. 2 in E-Flat Minor, Op. 26, No. 2 09:30
3 Polonaise No. 3 in A Major, Op. 40, No. 1, “Military” 06:24
4 Polonaise No. 4 in C Minor, Op. 40, No. 2 08:28
5 Polonaise No. 5 in F-Sharp Minor, Op. 44 11:39
6 Polonaise No. 6 in A-Flat Major, Op. 53, “Heroic” 07:13
7 Polonaise No. 7 in A-Flat Major, Op. 61, “Polonaise-Fantaisie” 12:30

Idil Biret, piano

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Idil Biret

PQP

Claudio Monteverdi (1567-1643): Orfeu (L`Orfeo) (San Petronio Cappella Musicale Orchestra, Vartolo)

Claudio Monteverdi (1567-1643): Orfeu (L`Orfeo) (San Petronio Cappella Musicale Orchestra, Vartolo)

A gravação de L’Orfeo de Claudio Monteverdi conduzida por Sergio Vartolo e lançada pela Naxos em 1997 é uma das raras versões da obra protagonizada por um elenco predominantemente italiano. Ela foi gravada em agosto de 1996 no Théâtre Municipal de Puy-en-Velay, na França. O que diferencia esta gravação é sua sonoridade deliberadamente grandiosa — Vartolo empregou cerca de 40 instrumentistas, uma orquestra consideravelmente maior do que a utilizada em sua regravação da obra uma década depois. Ficou pior… Esta edição de Vartolo possui uma característica única entre as gravações de L’Orfeo: ela inclui ambas as versões do finale da ópera. A primeira edição impressa do libreto (1607) termina com uma cena em que Orfeu é atacado por Bacantes enfurecidas — porém não há música preservada para essa cena. Em 1609, Monteverdi publicou uma versão alternativa com um final feliz, no qual Apolo desce e leva Orfeu aos céusVartolo opta por apresentar ambas: primeiro a cena das Bacantes com atores declamando — ou melhor, gritando — suas falas, uma sequência de arrepiar o sangue, e em seguida o finale musical de 1609 com o descenso de Apolo.

Claudio Monteverdi (1567-1643): L`Orfeo (San Petronio Cappella Musicale Orchestra, Vartolo) 

Disc 1
Monteverdi, Claudio
Striggio, Alessandro – Lyricist
L’Orfeo
1 Toccata 01:55
2 Prologue 07:18
3 Act I: Shepherd: In questo lieto e fortunato giorno 04:09
4 Act I: Chorus: Lasciate i monti 03:04
5 Act I: Orpheus: Rosa del ciel 03:37
6 Act I: Chorus: Lasciate i monti 02:19
7 Act I: Shepherd: Ma se il nostro gioir 07:32
8 Act II: Orpheus: Ecco pur ch’a voi 01:11
9 Act II: Shepherd: Mira ch’a se n’alletta 03:28
10 Act II: Orpheus: Vi ricorda, o bosch’ombrosi 03:00
11 Act II: Messenger: Ahi caso acerbo 10:51
12 Act II: Chorus: Ahi caso acerbo 02:59
13 Act II: Sinfonia 09:29

Disc 2
1 Act III: Orpheus: Scorto da te 05:58
2 Act III: Charon: O tu ch’innanzi 02:34
3 Act III: Orpheus: Possente spirto 15:15
4 Act III: Charon: Ben mi lusinga 05:51
5 Act III: Chorus: Nulla impresa per uom 02:56
6 Act IV: Proserpina: Signor, quell’infelice 08:18
7 Act IV: Chorus: Pietade, oggi, e Amore 00:53
8 Act IV: Orpheus: Qual onor di te 03:56
9 Act IV: Eurydice: Ahi, vista troppo dolce 03:24
10 Act IV: E la virtute un raggio 03:31
11 Act V: Orpheus: Questi i campi 08:38
12 Act V: Moresca 01:08
13 Act V: Baccanti 07:31
14 Act V: Sinfonia for Entry of Apollo 07:19
15 Act V: Final Chorus: Vanne Orfeo 01:01
16 Act V: Moresca 00:51

Total Playing Time: 02:19:56

Conductor(s): Vartolo, Sergio
Orchestra(s): San Petronio Cappella Musicale Orchestra
Artist(s): Carmignani, Alessandro; Frisani, Rosita; Lepore, Carlo; Pennicchi, Marinella; Pentasuglia, Giovanni; Sarti, Gastone; Vaccari, Patrizia

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Uma montagem do Orfeu. Bonita, né?

PQP

Il flauto dolce: Italian music from three centuries – Ashley Solomon (flute & recorder); Terence Charlstone (organ & harpsichord); Jan Spencer (cello) – [Meridien] ֎

A palavra gagliarda deriva do francês antigo gaillart e do provençal galhart, possuindo provável raiz celta (gal, que significa “força” ou “energia”)
Ashley Solomon

O título do disco – Três séculos de música italiana – pode parecer propaganda enganosa, afinal três séculos é um bocado de tempo para se enfiar em um CD, mas se olharmos para o rol dos compositores – e o período no qual eles viveram – a conta fecha.

O mais antigo é Giovanni Maria Radino, de quem não sabemos a data exata de nascimento, mas estima-se por volta de 1550. O disco traz quatro elegantes gagliardas compostas por ele – lindas, vigorosas, mostrando todo o frescor e a inventividade da música daqueles dias.

Não faltam obras de Corelli, Frescobaldi, Domenico Scarlatti (mesmo que apenas uma sonata) e Vivaldi. Se bem que o conjunto de sonatas sob o título Il Pastor Fido pode ter sido colocado na conta do Padre Vermelho por conta do sucesso de venda de suas músicas impressas. Mas, com tantas belezuras, você vai se importar?

De um dos mais recentes compositores, Francesco Maria Veracini, temos uma sonata composta para violino e contínuo, mas aqui interpretada lindamente à flauta pelo ótimo Ashley Solomon.

Arcangelo Corelli (1653 – 1713)

12 Violin Sonatas, Op. 5 No. 4, Sonata in F Major

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Vivace
  4. Adagio
  5. Allegro

Giovanni Maria Radino (c.1550 – 1607)

Four Gagliarda

  1. Gagliarda prima
  2. Gagliarda seconda
  3. Gagliarda terza
  4. Gagliarda quarta

Ottavio Bariolla (1573 – 1619)

  1. Canzon Vigesima et ultima

Girolamo Frescobaldi (1583 – 1643)

  1. Toccata per Spinettina e Violino

Francesco Maria Veracini (1690 – 1768)

Violin Sonata in E Minor, I.A.5.I / 6

  1. Fantasia. Largo
  2. Allemanda. Larghetto
  3. Pastorale. Adagio
  4. Gigo. Allegro

Bernardo Storace (1637 – 1707)

  1. Ciaccona in C Major

Francesco Barsanti (1690 – 1772)

6 Sonatas, Op. 1 No. 2 Sonata in C Major

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Largo
  4. Presto

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata in D Major, K. 281: Andante

Antonio Vivaldi  (1678 – 1741)

Il pastor fido, Op.13 No. 4 Sonata in A Major

  1. Preludio. Largo
  2. Allegro ma non presto
  3. Pastorale ad libitum
  4. Allegro

Ashley Solomon, flauta ou flauta doce

Terence Charlston, órgão ou cravo

Jan Spencer, violoncelo

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MP3 | 320 KBPS | 159 MB

O disco pode também ser ouvido em alguma das plataformas de streaming, como Qobuz ou Tidal

Active as a soloist and chamber musician, Ashley is the director of Florilegium, and much of his time is spent working and performing with this ensemble that he co-founded in 1991. As a soloist, he has performed worldwide, including concertos in the Sydney Opera House, Esplanade (Singapore), Teatro Colon (Buenos Aires), Concertgebouw (Amsterdam), Konzerthaus (Vienna), Beethoven-Haus (Bonn) and Frick Collection (New York). He also records as a solo artist with Channel Classics, and his recording of the complete Bach’s Flute Sonatas was voted the best overall version of these works on either modern or period flute by Gramophone Magazine (February 2017):

Trecho da página ContinuoConnect

In 1996, he expanded his exploration of Italian music with Il Flauto Dolce: Italian Music from Three Centuries on Meridian, a collection spanning Renaissance, Baroque, and early Classical periods, including sonatas and canzonas by composers like Giovanni Paolo Cima (?) and Arcangelo Corelli. Accompanied by harpsichordist Terence Charlston and organist Jan Spencer, the album demonstrated Solomon’s command of the recorder across stylistic evolutions, from polyphonic Renaissance forms to more expressive Baroque lines.

Trecho da página Grokipedia

Aproveite!

René Denon

O laborioso setor de imagens da PQP Bach Publishing House enviou essa ilustração para a postagem após ter acesso à lista de nomes dos compositores… Resta a pergunta: Como Vito descobriu que foi Emilio Barzini?

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Pois bem, após várias solicitações, não apenas do Sander, mas de vários outros de nossos leitores / ouvintes, trago para os senhores a Missa Solemnis. Sempre citando Maynard Solomon, temos a seguinte descrição e detalhes da obra:

“Tal como a primeira missa de Beethoven, a Missa Solemnis, op. 123, foi escrita para uma ocasião específica: destinava-se a celebrar a investidura do arquiduque Rudolph (1788-1831) como arcebispo de Olmütz (na Morávia) em 9 de março de 1820. Rudolph, filho do imperador Leopold II e irmão do imperador Franz era o mais importante dos mecenas de Beethoven desde 1809 em diante, e o beneficiário de nada menos que 15 dedicatórias, incluindo as dos Concertos para Piano nº 4 e 5, o Trio, op 97 (Arquiduque), as Sonatas opp. 106 e 111, e a Grosse Fugue, op. 133.

(…) A Missa tornou-se a paixão absorvente de Beethoven durante quatro anos, substituíndo Fidélio como a grande ‘obra problemática’ de sua carreira; Com efeito, há um sentido em que a Missa Solemnis passou a ser encarada por Beethoven como uma composição talismática, cujo valor para ele era tão grande que – como vimos antes – enveredou por uma série incomum de negociações e manipulações financeiras a respeito de sua publicação, o que lhe custou não poucas amizades e lhe granjeou a desagradável reputação de práticas comerciais desonestas.

(…) Embora possamos estar certos de que Beethoven verteu na Missa Solemnis seus mais profundos sentimentos religiosos, podemos estar certos de que não foi a adesão ao catolicismo que inspirou a obra. Conforme tem sido frequentemente assinalado, a peça nunca esteve inteiramente à vontade na sala de concerto nem na igreja. Em várias ocasiões, Beethoven sugeriu que ela poderia ser executada como “um grande oratório” (…)

(…) Entretanto, deve-se reconhecer também o papel desempenhado pela imaginação produtiva, e, embora existam muitos ‘caminhos novos para velhas ideias’, na Missa Solemnis, sua importância histórica reside predominantemente no modo como, muito mais do que reproduzidas, nela foram remodeladas as tradições da música litúrgica. Isso foi feito praticamente pelo mesmo método que criou a grande música religiosa dos predecessores de Beethoven, de Dufay a Josquin, a Handel e Bach, ou seja, uma recusa em aceitar as formas e linguagens recebidas como modelos eternos, e uma infusão de elementos seculares derivados de estilos musicais não-litúrgicos que ampliaram as possibilidades expressivas da forma, dando origem a novos significados associacionistas que, por seu turno, se embutiram na matriz da gramática musical mais recente.” (SOLOMON, p. 406-411)

Lendo este texto, não pude deixar de concordar quando ele diz que a Missa Solemnis sente-se pouco a vontade se executada numa igreja. Ou seja, Beethoven criou uma nova música sacra que, embora imbuída de profunda religiosidade, não necessariamente pode ser considerada música sacra, nos moldes a que nos acostumamos ao ouvir dos grandes mestres do gênero, como papai Bach, ou Handel. O próprio Beethoven teria escrito que considerava a música a capella o único estilo eclesiástico verdadeiro, “talvez por não desejar que a obra servisse a sua normal função apaziguadora como uma idealização da perpetuidade e imutabilidade da crença (SOLOMON, p. 409-410).

Curiosamente, enquanto escrevo este texto, ouço uma das melhores versões da 9º sinfonia que já tive a oportunidade de ouvir, uma contribuição da Laís Vogel, que está me ajudando  entender esta análise tão pormenorizada de Solomon. Em outras palavras, antes o homem que a fé. “A religião permanece constante, só O homem é inconstante”, terie escrito Beethoven a um amigo, discutindo sobre a imortalidade.

Para concluir, basta acrescentar que Beethoven considerava essa Missa a maior obra que compusera até então. Gosto muito da conclusão de Solomon em sua análise desta obra:

“(…) E assim, o conflito em curso entre a fé e a dúvida em Beethoven é revelado na Missa Solemnis. Como Riezler sabia, no “Donna nobis pacem”, com seus sons de discórdia e guerra, e seus angustiados clamores de paz, interior e exterior, Beethoven ‘atrevera-se a permitir que a confusão do mundo exterior invadisse o domínio sagrado da música eclesiastica’. Neste sentido, a Missa Solemnis antevê as questões e dúvidas teológicas – a par da guerra travada entre ciência e religião – que dominariam o campo da batalha intelectual do século XIX.”

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

1 – Kyrie 11`55
2 – Gloria 16`59
3 – Credo 17`41
4 – Sanctus 5`16
5 – Benedictus 9`22
6 – Agnus Dei 16`09

Rosa Mannion – Soprano
Birgit Remmert – Contralto
James Taylor  – Tenor
Cornelius Hauptmann – baixo
Choir de la Chapelle Royale et du Collegium Vocale
Orchestre des Champs Elysées
Phillipe Herreweghe – Director

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O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem
O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem

FDP Bach

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos em transcrições para cravo solo (Enrico Baiano)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos em transcrições para cravo solo (Enrico Baiano)

Seu sobrenome é Baiano, mas ele pode fazer as coisas velozmente… O cravista Enrico Baiano parece uma figura retirada das páginas de um livro de Pirandello. Bigodudo, e com uma incrível cara de quem está maquinando alguma coisa contra alguém. Mas ele se acabou se ralando, pois sua gravadora (a obscura Symphonía Digital italiana) fechou e este CD tornou-se uma raridade a ponto de os sites ostentarem a palavrinha “discontinued” nas apresentações que fazem do disco. Com tanta porcaria por aí, é uma ocorrência imerecida para este bom Baiano de movimentos rápidos cercando os delicados os adágios, largos, andantes e que tais vivaldianos. Os concertos foram retirados do Estro Armonico e da Stravaganza o que é garantia de um pedigree veneziano autêntico. Abaixo, mostro a vocês a latinha de Enrico Baiano. Não, não o acho bonito, contudo confesso que ela (a cara dele) me faz como se visse um personagem muito esperto de uma comédia italiana do passado. A propósito, Baiano gravou elogiados CDs de Sonatas de Domenico Scarlatti. Basta ouvir este CD para concluir que ele nasceu para tocar Scarlatti, o homem que tinha um caso com a princesa portuguesa Maria Bárbara de Bragança, fato verídico que Clara Schumann, direto da cidade do Porto, insiste em negar.

Vivaldi – Concerti pour clavecin, du Manuscrit de Ann Dawson (Bibliothèque de Manchester)

Origem dos concertos: Op. IV:10, IV:6, IV:3, IV:4, IV:1 de La Stravaganza; Op. III:7, III:9, III:5, III:12 de L’Estro Armonico

01 Opus IV, 10-1-Spiritoso
02 Opus IV, 10-2-Adagio
03 Opus IV, 10-3-Allegro

04 Opus IV, 6-1-Allegro
05 Opus IV, 6-2-Largo
06 Opus IV, 6-3-Allegro

07 Opus IV, 3-1-Allegro
08 Opus IV, 3-2-Largo
09 Opus IV, 3-3-Allegro Assai

10 Opus III, 7-1-Andante
11 Opus III, 7-2-Adagio, Allegro
12 Opus III, 7-3-Adagio, Allegro

13 Opus VII, 4-1-Allegro
14 Opus VII, 4-2-Grave
15 Opus VII, 4-3-Allegro assai

16 Opus III, 9-1-Allegro
17 Opus III, 9-2-Andante
18 Opus III, 9-3-Allegro

19 Opus III, 5-1-Allegro
20 Opus III, 5-2-Adagio e cantabile
21 Opus III, 5-3-Allegro

22 Opus IV, 1-1-Allegro
23 Opus IV, 1-2-Largo e cantabile
24 Opus IV, 1-3-Allegro assai

25 Opus III, 12-1-Allegro
26 Opus III, 12-2-Largo
27 Opus III, 12-3-Allegro

Enrico Baiano, clavecin François-Etienne Blanchet de 1733, copie de Olivier Fadini

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Um Baiano napolitano

PQP

Antonio Vivaldi: Concertos para Violino (e um para Alaúde) (Mullova, Giardino, Antonini)

Antonio Vivaldi: Concertos para Violino (e um para Alaúde) (Mullova, Giardino, Antonini)

Tenho mil razões para acreditar que esta é uma gravação pirata. E duas mil razões para mostrá-la aqui no PQP. Talvez vocês não saibam que eu e Bluedog temos verdadeira paixão pelas gravações ao vivo. E quanto menos maquiadas melhor. É ao vivo que o artista faz o contato direto com aquilo que imagina ser seu público; é ao vivo e no entusiasmo causado pela interação física do artista e seu público, que temos a expressão mais sincera e direta; é sem a mediação de engenheiros de som, produtores e outros que tais que o verdadeiro artista criará a expressão só possível de ser reinventada na presença do receptor. Para mim, o concerto ao vivo é a prova de que temos um artista autêntico ou algo produzido em laboratório. E a genial Viktoria Mullova, na esplêndida companhia do Il Giardino Armonico de Giovanni Antonini, dão uma das maiores demonstrações de musicalidade e tesão de amor pela música que tenho visto. Há erros? Sim, Mullova até desafina e se atrasa. E isto é que é sensacional. Ela deixou-se levar de tal maneira pelo clima e pela velocidade proposta por Antonini que mandou às favas a técnica na tentativa de fazer o melhor Vivaldi daquele dia de 2004, naquela Lugano, naquele teatro, para servir àquele público.

Trata-se de um CD arrepiante, entremeado de tosses e espirros da platéia e com os entusiasmados aplausos cortados subitamente por nosso “editor” pirata. E não adianta, eu não sei quem toca alaúde no R. 93.

CD espetacular! (Ah, a qualidade de som é inteiramente aceitável).

VIVALDI – CONCERTI R281, R187, R580, R93, R208. MULLOVA. GIARDINO. ANTONINI. EN VIVO

1 Concerto in Mi minore R281 «Il Favorito». I Allegro.mp3
2 Concerto in Mi minore R281 «Il Favorito». II Largo.mp3
3 Concerto in Mi minore R281 «Il Favorito». III Allegro.mp3

4 Concerto in Do Maggiore R187. I Allegro.mp3
5 Concerto in Do Maggiore R187. II Largo ma non molto.mp3
6 Concerto in Do Maggiore R187. III Allegro.mp3

7 Concerto in Si minore R580. I Allegro.mp3
8 Concerto in Si minore R580. II Largo.mp3
9 Concerto in Si minore R580. III Allegro.mp3

10 Concerto per Liuto in Re Maggiore R93. I Allegro.mp3
11 Concerto per Liuto in Re Maggiore R93. II Largo.mp3
12 Concerto per Liuto in Re Maggiore R93. III Allegro.mp3

13 Concerto in Re Maggiore R208. «Grosso Mogul» I Allegro.mp3
14 Concerto in Re Maggiore R208. «Grosso Mogul» II Largo.mp3
15 Concerto in Re Maggiore R208. «Grosso Mogul» III Allegro.mp3

Viktoria Mullova
Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini

Grabación en vivo. Lugano, Palacio de Congresos, 7.6.2004.

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PQP

.: interlúdio (ou não) :. Kronos Quartet: Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music Of Thelonious Monk with Ron Carter

.: interlúdio (ou não) :. Kronos Quartet: Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music Of Thelonious Monk with Ron Carter

Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music of Thelonious Monk é um daqueles encontros improváveis que acabam parecendo inevitáveis depois de acontecidos. O Kronos Quartet transporta o universo cheio de pontas, irônico e melancólico de Thelonious Monk para o território da música de câmara sem domesticá-lo. Pelo contrário: os arcos parecem revelar ainda mais as dissonâncias, os silêncios e o humor torto de Monk. A presença de Ron Carter dá peso e pulsação jazzística ao projeto, especialmente em “Off Minor/Epistrophy”, enquanto peças como “‘Round Midnight” e “Crepuscule with Nellie” ganham uma beleza quase fantasmagórica. Não é jazz tradicional nem música clássica convencional: é um disco raro, elegante e inquieto, feito por músicos que compreendem que Monk sempre foi, sobretudo, um grande compositor contemporâneo.

Kronos Quartet: Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music Of Thelonious Monk with Ron Carter

1 Well, You Needn’t
Written-By – Thelonious Monk
4:58
2 Rhythm-a-ning
Written-By – Monk*
3:04
3 Crepuscule With Nellie
Written-By – Monk*
2:39
4 Off Minor / Epistrophy
Written-By – Monk*
8:10
5 ‘Round Midnight
Written By – Monk-Williams
Written-By – Williams*, Monk*
4:33
6 Misterioso
Written-By – Monk*
4:00
“Monk Plays Ellington”:
7 It Don’t Mean A Thing (If It Ain’t Got That Swing)
Written By – Ellington-Mills
Written-By – Ellington*, Mills*
4:03
8 Black And Tan Fantasy
Written By – Ellington-Miley
Written-By – Miley*, Ellington*
3:42
9 Brilliant Corners
Written-By – Monk*
5:04

Bass – Chuck Israels (tracks: B3, B4), Ron Carter (tracks: A1 to A4)
Cello – Joan Jeanrenaud
Drums – Eddie Marshall (2) (tracks: B3, B4)
Viola – Hank Dutt
Violin [First] – David Harrington
Violin [Second] – John Sherba

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With a little help from a friend

PQP

Tchaikovsky: String Quartet No. 1 / Borodin: String Quartet No. 2 / Shostakovich: String Quartet No. 8 (Gabrieli, Borodin)

Tchaikovsky: String Quartet No. 1 / Borodin: String Quartet No. 2 / Shostakovich: String Quartet No. 8 (Gabrieli, Borodin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há discos que são clássicos instantâneos e discos que se tornam clássicos com o tempo. Este aqui é ambas as coisas. O álbum reúne três dos quartetos mais importantes do repertório russo — o Quarteto de Cordas nº 1, Op. 11 de Tchaikovsky, o Quarteto de Cordas nº 2 de Borodin e o Quarteto de Cordas nº 8, Op. 110 de Shostakovich — interpretados por dois grupos lendários. A escolha dos intérpretes já é um golpe de gênio. O Gabrieli String Quartet (ingleses conhecidos pela precisão e elegância) assume o Tchaikovsky, gravado em 1976 . Já o Borodin Quartet — em sua formação original de 1962, com Rostislav Dubinsky no primeiro violino — interpreta Borodin e Shostakovich. E por que isso importa? Porque o Borodin Quartet trabalhou pessoalmente com o próprio Shostakovich, que supervisionou suas interpretações.

O resultado é um contraste fascinante. No Quarteto de Tchaikovsky, a execução do Gabrieli é limpa, elegante e precisa, com uma certa contenção emocional tipicamente inglesa . O famoso Andante Cantabile — que fez Tolstói chorar ao ouvi-lo — ganha aqui uma leitura refinada, talvez até distante do sentimentalismo eslavo que muitos esperam.

Já no Borodin e no Shostakovich, o Borodin Quartet vem com o oposto. Não que sejam selvagens, são extatos, perfeitos, sensíveis, mas o clima é muito mais emocional. O Notturno do Quarteto nº 2 de Borodin — originalmente dedicado à esposa do compositor — é uma das peças mais belas já escritas para quarteto de cordas, e esta gravação é considerada a versão de referência. O violoncelo de Valentin Berlinsky conduz a melodia com uma ternura de cortar a alma.

E então vem Shostakovich. O Quarteto nº 8 é outro tipo de animal. Escrito em apenas três dias em 1960, o compositor o dedicou “à memória das vítimas do fascismo e da guerra” — mas todos sabiam que ele estava escrevendo seu próprio réquiem. As iniciais DSCH (Ré-Mi-Si-Dó em alemão, seu monograma musical) aparecem como um mantra obsessivo ao longo dos cinco movimentos . O Borodin Quartet interpreta isso com um conhecimento de causa que nenhum outro grupo pode reivindicar.

No fim das contas, não é um cedezinho de peças famosas, mas sim um documento histórico. O Borodin Quartet é a tradição dessas obras. Ouvir esta gravação é o mais próximo que podemos chegar de ouvir Shostakovich explicar sua própria música.

Veredito final: Essencial para qualquer coleção de música de câmara. O Borodin sozinho já vale o preço do disco.

Tchaikovsky: String Quartet No. 1 / Borodin: String Quartet No. 2 / Shostakovich: String Quartet No. 8 (Gabrieli, Borodin)

Pyotr Ilyich Tchaikovsky String Quartet No. 1 In D Major, Op.11
Ensemble – Gabrieli String Quartet*
(28:05)
1 – I. Moderato E Semplice 10:37
2 – II. Andante Cantabile 6:32
3 – III. Scherzo & Trio: Allegro Non Tanto E Con Fuoco 3:53
4 – IV. Finale: Allegro Giusto 6:50

Alexander Borodin String Quartet No. 2 In D Major
Ensemble – Borodin String Quartet
(27:47)
5 – I. Allegro Moderato 7:52
6 – II. Scherzo 4:44
7 – III. Notturno: Andante 8:09
8 – IV. Finale: Andante – Vivace 6:54

Dmitri Shostakovich String Quartet No. 8 In C Minor, Op.110
Ensemble – Borodin String Quartet
(19:41)
9 – I. Largo – 4:24
10 – II. Allegro Molto – 2:43
11 – III. Allegretto – 3:59
12 – IV. Largo – 5:12
13 – V. Largo 3:25

Cello – Keith Harvey (faixas: 1 to 4), Valentin Berlinsky (faixas: 5 to 13)
Viola – Dmitri Shebalin (faixas: 5 to 13), Ian Jewel (faixas: 1 to 4)
Violin [II] – Brendan O’Reilly (4) (faixas: 1 to 4), Yaroslav Alexandrov (faixas: 5 to 13)
Violin [I] – Kenneth Sillito (faixas: 1 to 4), Rostislav Dubinsky (faixas: 5 to 13)

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O Borodin original.

PQP

.:interlúdio:. John Surman: Selected Recordings (1976-1999) – Rarum, Vol. 13

.:interlúdio:. John Surman: Selected Recordings (1976-1999) – Rarum, Vol. 13

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Coletâneas são desiguais, mas têm a vantagem de nos darem uma visão bastante clara das diversas vertentes de um artista, se ele as tiver, claro. Algumas das faixas abaixo já foram divulgadas no PQP, casos de Edges Of Illusion e Gone to the dogs, mas há outras extraordinárias, que me fazem desejar conhecer inteiramente os álbuns de onde saíram. Esta coletânea é uma espécie de isca. E eu a fisguei e estou bem feliz de ser puxado pelo anzol de Surman. A qualidade do som dos saxes e clarinetes do inglês é inacreditável.

John Surman – Selected Recordings (1976-1999)

1 Druid’s Circle
2 Number Six
3 Portrait of a Romantic
4 Ogeda
5 The Returning Exile
6 Edges Of Illusion
7 The Buccaneers
8 The Snooper
9 Mountainscape VIII
10 Figfoot
11 Piperspool
12 Gone To The Dogs
13 Stone Flower

John Surman – Soprano Saxophone, baritone saxophone, bass clarinet, recorder, synthesizer, keyboard
John Abercrombie – guitar
Paul Bley – piano
Gary Peacock – double-bass
Barre Phillips – double-bass
Chris Pyne – trombone
Terje Rypdal – guitar

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Vá ter som bom aqui no PQP!
Vá ter som bom aqui no PQP!

PQP

Addy / El Din / Hakmoun / Maraire / Suso / Tamusuza / Volans: Pieces of Africa (Kronos Quartet)

Addy / El Din / Hakmoun / Maraire / Suso / Tamusuza / Volans: Pieces of Africa (Kronos Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Lançado em 1992, Pieces of Africa é um marco na trajetória do Kronos Quartet e na própria história da música contemporânea. O álbum reúne obras encomendadas pelo quarteto a sete compositores africanos — do Zimbábue, Marrocos, Gâmbia, Uganda, Egito, Gana e África do Sul — num gesto que, à época, foi tão audacioso quanto necessário. O mérito maior de Pieces of Africa está na abordagem: o Kronos não “usa” a África como cenário. Em cada faixa, os compositores tocam seus instrumentos tradicionais ao lado do quarteto — o sintir de Hassan Hakmoun, a kora de Foday Musa Suso, o tar de Hamza El Din — e o grupo se coloca, muitas vezes, como acompanhante, não como protagonista. A colaboração é genuína, e o resultado é um álbum que respira alegria, calor e, sim, alguma melancolia. Três décadas depois, a relevância do disco foi formalmente reconhecida: em 2024, Pieces of Africa foi incluído no National Recording Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, ao lado de gravações consideradas “cultural, histórica ou esteticamente significativas”. Para quem busca uma porta de entrada para o Kronos Quartet — ou para a ideia de que o quarteto de cordas pode ser muito mais do que Haydn, Mozart e Beethoven — este disco continua sendo um ponto de partida excelente, vibrante e surpreendentemente acessível.

Addy / El Din / Hakmoun / Maraire / Suso / Tamusuza / Volans: Pieces of Africa (Kronos Quartet)

1 Dumisani Maraire– Mai Nozipo (“Mother Nozipo”)
Percussion [Ngoma], Composed By, Hosho – Dumisani Maraire*
6:54

2 Hassan Hakmoun– Saade (“I’m Happy”)
Bendir, Vocals – Said Hakmoun
Lead Vocals, Sintir, Composed By – Hassan Hakmoun
Oud, Vocals – Radouane Laktib
Realization – Itaal Shur, Richard Horowitz
3:21

3 Foday Musa Suso– Tilliboyo (“Sunset”)
Kora, Composed By – Foday Musa Suso
4:20

4 Justinian Tamusuza– Ekitundu Ekisooka (“First Movement”)
Composed By – Justinian Tamusuza
5:36

5 Hamza El Din– Escalay (“Waterwheel”)
Composed By, Drum [Tar] – Hamza El Din
Realization – Tohru Ueda
12:17

6 Obo Addy– Wawshishijay (“Our Beginning”)
Performer [Aketse], Vocals – Kronos Quartet
Realization – Chris Baum (3)
Talking Drum [Donno], Percussion [Brekete], Performer [Pretia, Aketse, Gidi], Vocals, Composed By – Obo Addy
4:50

Kevin Volans White Man Sleeps
Composed By – Kevin Volans
(22:07)
7 – I. 4:01
8 – II. 5:04
9 – III. 3:22
10 – IV. 6:14
11 – V. 3:16

12 Dumisani Maraire*– Kutambarara (“Spreading”)
Choir – Oakland Interfaith Gospel Choir
Directed By [Choir] – Terrence Kelly*
Hosho – Dan Pauli
Lead Vocals, Mbira, Composed By – Dumisani Maraire*

Kronos Quartet:
Cello – Joan Jeanrenaud
Viola – Hank Dutt
Violin – David Harrington, John Sherba

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O Kronos em 1992, quando desta gravação.

PQP

Mozart (1756 – 1791) & Haydn (1732 – 1809): Sinfonias Júpiter & Londres – Accademia Bizantina & Ottavio Dantone ֎

Mozart (1756 – 1791) & Haydn (1732 – 1809): Sinfonias Júpiter & Londres – Accademia Bizantina & Ottavio Dantone ֎

Toda a companhia ficou extremamente satisfeita, e eu também. Ganhei 4.000 florins nesta noite: algo assim só é possível na Inglaterra.

[Haydn, em seu diário]

Uma ótima ideia, reunir em um disco a última sinfonia escrita por Mozart e a última sinfonia escrita por Haydn. Como Haydn nasceu antes de Mozart, podemos ficar com a impressão de que a sinfonia de Haydn tenha sido escrita antes do que a de Mozart, mas não é esse o caso. Mozart completou sua última sinfonia em 10 de agosto de 1788 e recebeu o apelido de ‘Júpiter’ do empresário Johann Peter Solomon, que atuava em Londres. Pois foi o próprio Solomon quem proporcionou a Haydn visitas a Londres, onde este passou bons períodos. A Sinfonia ‘London’ foi composta em 1795, em sua segunda visita.

O disco faz parte do projeto musical ‘Imprinting’, no qual a Accademia Bizantina e Ottavio Dantone interpretam as grandes obras-primas do final do século XVIII e início do século XIX.

Neste álbum, eles reinterpretam duas obras-primas absolutas da transição entre dois séculos, utilizando instrumentos de época: a Sinfonia Júpiter de Mozart e a Sinfonia Londres de Haydn.

A capa do disco é de fundo laranja com marcas de impressões digitais, parte da identidade do projeto.

Veja o comentário de Ottavio Dantone sobre as obras: Embora se movam dentro de uma linguagem formal comum, as duas sinfonias revelam abordagens profundamente diferentes: a de Mozart é mais especulativa e universal, a de Haydn mais concreta, teatral e enraizada na experiência da audição. Em ambos os casos, porém, nos deparamos com o apogeu de uma forma que, precisamente por meio dessas obras, tornou-se um modelo essencial para o desenvolvimento da sinfonia do século XIX. Gravar essas duas últimas sinfonias significa, portanto, não apenas justapor duas obras-primas absolutas, mas também observar o fim de uma era e a abertura de novas perspectivas estéticas que marcarão indelevelmente a história da música.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Symphony No. 41 in C major, K551 ‘Jupiter’

  1. Allegro vivace
  2. Andante cantabile
  3. Menuetto. Allegretto
  4. Molto allegro

Franz Joseph Haydn (1732 – 1809)

Symphony No. 104 in D major ‘London’

  1. Adagio – Allegro
  2. Andante
  3. Menuetto. Allegro
  4. Finale. Spiritoso

Accademia Bizantina

Ottavio Dantone

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MP3 | 320 KBPS | 139 MB

Link para o qobuz  e para  o TIDAL

 

 

 

Trecho de uma crítica na Scherzo: Poderíamos qualificar como arquitetônica a visão destas obras de parte de Dantone. Parece haver um desejo de mostrar a estrutura desses dois monumentos da música sinfônica do final do século XVIII em toda a sua clareza.

E aí, de qual sinfonia você gostou mais?

Aproveite!

René Denon

Dantone ensaiando a PQP Bach Sinfonietta

Se você gostou da postagem, talvez queira visitar esta outra aqui:

Mozart (1756 – 1791): Sinfonias Nos. 35 ‘Haffner’, 40 e 36 ‘Linz’ – Deutsche Kammerphilharmonie Bremen & Tarmo Peltokoski ֎

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo executadas no Violoncello da Spalla (Sigiswald Kuijken)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo executadas no Violoncello da Spalla (Sigiswald Kuijken)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH. IMAGENS POR VASSILY EM 30/10/2015,

Aproveitando a carona dessa nossa série sobre a Família das Cordas, reabilitamos os links para essa estupenda gravação do belga Sigiswald Kuijken. Sempre houve muita discussão dessas Suítes BWV 1007-1012, pois não há autógrafo do compositor, apenas uma cópia do punho de sua esposa Anna Magdalena, cheia de erros e inconsistências. Além disso, a verdadeira natureza do instrumento para o qual Bach concebeu essas obras também é objeto de polêmica, particularmente por conta da Suíte no. 6, que demanda um instrumento de cinco cordas. Alguns sustentaram que ele seria uma certa viola pomposa inventada pelo compositor, sobre cuja existência nunca houve provas além de anedotas. Outra possibilidade é o violoncello da spalla, cujo maravilhoso timbre, sob as mãos do violinista Kuijken, soa tão convincente que as dúvidas parecem dirimir.

Vassily Genrikhovich

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 21/3/2009, EDITADA EM 28/2/2012

Filhos bastardos, eu e FDP não lembramos do 21 de março antes do dia de ontem. Improvisamos uma homenagem meio de qualquer jeito e acho que deu certo. Foram 5 posts com 10 impecáveis CDs.

Finalizamos nossa homenagem aos 324 anos de papai com uma nova versão para as Suítes para Violoncelo, tocadas pelo genial Sigiswald Kuijken num instrumento que hoje não se utiliza mais: o violoncello da spalla.

Ecce homo [Vassily]
Ei-los [Vassily]
Maior ainda que a viola, mas manuseado como se fosse um violino, o “violoncelo de ombro” presta-se a uma belíssima interpretação das suítes. E salve Mestre Kuijken!

IMPERDÍVEL!!!

Bach: Suítes para Violoncelo, BWV 1007-1012

CD 1

Suite N°1 in G major BWV 1007
1. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Prelude
2. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Allemande
3. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Courante
4. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Sarabande
5. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Menuett
6. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Gigue

Suite N°2 in d minor BWV 1008
7. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Prelude
8. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Allemande
9. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Courante
10. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Sarabande
11. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Menuett
12. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Gigue

Suite N°3 in C major BWV 1009
13. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Prelude
14. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Allemande
15. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Courante
16. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Sarabande
17. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Bouree
18. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Gigue

CD 2

Suite N°4 in E flat major BWV 1010
1. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Prelude
2. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Allemande
3. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Courante
4. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Sarabande
5. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Bourree
6. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Gigue

Suite N°5 in c minor BWV 1011
7. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Prelude
8. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Allemande
9. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Courante
10. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Sarabande
11. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Gavotte
12. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Gigue

Suite N°6 in D major BWV 1012
13. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Prelude
14. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Allemande
15. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Courante
16. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Sarabande
17. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Gavotte
18. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Gigue

Sigiswald Kuijken, violoncello da spalla

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Sigiswald Kuijken faz uma careta especial para o povo pequepiano | Imagem roubada do Facebook do grande violinista e maestro brasileiro Luis Otavio Santos

PQP

Antonio Caldara (1670-1736): Maddalena ai piedi di Cristo (Jacobs)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este estupendo CD duplo traz o especialista em música barroca René Jacobs com um super time num lançamento da Harmonia Mundi alemã. Tudo perfeito se acrescentarmos que Maddalena ai piedi di Cristo é uma obra-prima.

Trata-se de um disco para ouvir e comprar. Ah, mas quem é Caldara? Eu também conhecia pouco, mas fiquei espantadíssimo com esta gravação multi-premiada.

Antonio Caldara foi um compositor italiano do período barroco, conhecido como compositor de óperas, cantatas e oratórios. Caldara nasceu em Veneza em uma família de músicos. Seu primeiro professor foi seu pai, Giuseppe, que foi violinista. Aos onze anos, estudou sob a direção de Giovanni Legrenzi, foi corista na Catedral de San Marco em Veneza, onde aprendeu vários instrumentos. Em 1699 mudou-se para Mântua, onde se tornou Mestre di cappella Charles IV, Duque de Mântua. Foi um dos mais prolíficos autores da sua geração. Caldara ocupou cargos importantes em Mântua, Roma e Viena, num momento em que a música vocal italiana estava a atravessar um processo de desenvolvimento rápido. Durante os anos seguintes, fez inúmeras viagens na Itália e no estrangeiro. Em 1708 é contratado pelo arquiduque Carlos, e mudou-se para Barcelona, onde compõe várias óperas que representam as primeiras óperas italianas da Península Ibérica. Caldara iria influenciar a escola de Mannheim, bem como Haydn e Mozart.

Antonio Caldara (1670-1736): Maddalena ai piedi di Cristo (Jacobs)

CD 1
1. Part 1. No. 1. Sinfonia
2. Part 1. No. 2. Aria. Dormi, o cara, e farmi il sonno
3. Part 1. No. 3. Recitativo. Così godea la mente
4. Part 1. No. 4. Aria. Deh, librate amoretti
5. Part 1. No. 5. Recitativo. Del sonno lusinghiero
6. Part 1. No. 6. Aria. La ragione, s’un’alma conseglia
7. Part 1. No. 7. Recitativo. Così sciolta da’lacci de’ sui error
8. Part 1. No. 8. Allegro. Alle vittorie
9. Part 1. No. 9. Recitativo. Oimè, troppo importuno
10. Part 1. No. 10. Aria. In un bivio è il mio volere
11. Part 1. No. 11. Recitativo. Maddelena, nel cielo fissa la sguardo
12. Part 1. No. 12. Aria. Spera, consolati
13. Part 1. No. 13. Recitativo. Troppo dura è la legge
14. Part 1. No. 14. Aria. Fin che danzan le grazie sul viso
15. Part 1. No. 15. Recitativo. Germana, al ciel, deh, volgi
16. Part 1. No. 16. Aria. Non sdegna il ciel le lacrime
17. Part 1. No. 17. Recitativo. Omai spezza quel nodo
18. Part 1. No. 18. Aria. Pompe inutili
19. Part 1. No. 19. Recitativo. E voi, dorati crini
20. Part 1. No. 20. Aria. Il sentier ch’ora tu prendi
21. Part 1. No. 21. Recitativo. Maddalena, coraggio!
22. Part 1. No. 22. Aria. Dilenti non più vanto
23. Part 1. No. 23. Recitativo. Dell’anima tua grande
24. Part 1. No. 24. Aria. Vattene, corri, vola
25. Part 1. No. 25. Recitativo. Marta, ho risolto
26. Part 1. No. 26. Aria. Voglio piangere
27. Part 1. No. 27. Recitativo. A tuo dispetto, Amor Terreno
28. Part 1. No. 28. Duetto. La mia virtude

CD 2
1. Part 2. No 1. Sinfonia
2. Part 2. No 2. Recitativo. Donna grande e fastosa
3. Part 2. No 3. Aria. Parti, che di virtù il gradito splendore
4. Part 2. No 4. Recitativo. Cingan pure quest’alma
5. Part 2. No 5. Aria. Chi con sua cetra
6. Part 2. No 6. Recitativo. Maddalena, deh, ferma!
7. Part 2. No 7. Aria. In lagrime stemprato il cor qui cade
8. Part 2. No 8. Recitativo. Oh ciel, chi vide mai la penitenza
9. Part 2. No 9.Aria. Ride il ciel e gl’astri brillano
10. Part 2. No 10. Recitativo. A tuo dispetto, Amor Terreno
11. Part 2. No 11. Aria. Me ne rido di tue glorie
12. Part 2. No 12. Recitativo. Se non ho forza a superar costei
13. Part 2. No 13. Aria. Orribili, terribili
14. Part 2. No 14. Recitativo. Maddalena, costanza
15. Part 2. No 15. Aria. O fortunate lacrime
16. Part 2. No 16. Recitativo. Mio Dio, mio Redentor
17. Part 2. No 17 .Aria. Chi drizzar di pianta adulta
18. Part 2. No 18. Recitativo. D’esser costante, o mio Gesù, non temo
19. Part 2. No 19. Aria. Per il mar del pianto mio
20. Part 2. No 20. Recitativo. L’atto immenso che, uscito
21. Part 2. No 21. Aria. Del senso soggiogar
22. Part 2. No 22. Recitativo. Di miei dardi possenti
23. Part 2. No 23. Aria. Da quel strale che stilla veleno
24. Part 2. No 24. Recitativo. Sempre dagl’astri scende
25. Part 2. No 25. Aria. Questi sono arcani ignoti
26. Part 2. No 26. Recitativo. Cittadini del ciel
27. Part 2. No 27. Aria. Sù, lieti festeggiate
28. Part 2. No 28. Recitativo. Voi, che in mirarmi oppresso ogn’or godete
29. Part 2. No 29. Aria. Voi del Tartaro
30. Part 2. No 30. Recitativo. Va dunque Maddalena
31. Part 2. No 31. Aria. Chi serva la beltà

Maddalena – Maria Christina Kiehr
Marta – Rosa Dominguez
Amor Terreno – Bernarda Fink
Amor Celeste – Andreas Scholl
Fariseo – Ulrich Messthaler
Cristo – Gerd Türk

Chiara Banchini: violin, dir.

Schola Cantorum Basiliensis
René Jacobs (cond.)

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Antonio Caldara

PQP

.: interlúdio :. Egberto Gismonti & Charlie Haden in Montreal

.: interlúdio :. Egberto Gismonti & Charlie Haden in Montreal

IM-PER-DÍ-VEL !!!

In Montreal é um álbum de Egberto Gismonti e Charlie Haden gravado em 6 de julho de 1989 no Festival Internacional de Jazz de Montreal e lançado pela ECM em 2001. Aqui, temos dois monstros em plena forma em ação. Gismonti é mais dinâmico. Ele é a mola propulsora em peças de como Salvador, Maracatu e Em Família. Essas músicas mais agitadas de Gismonti são contrabalanceadas pelas composições majestosas e reflexivas de Haden. Um belo disco, lindamente interpretado e muito brasileiro. O ouvido de Haden para a música latina funciona perfeitamente, encaixando-se tanto ao violão de 10 cordas quanto ao piano de Gismonti. Este brinca muito, como em Lôro e em Frevo. Uma alegria ouvir esses dois.

P.S. de Pleyel em 2026 ao repostar: Tenho enorme apreço pelo primeiro disco lançado por Gismonti e Haden juntos, em um trio com o saxofonista J. Garbarek (aqui). Depois fui ouvir o álbum ao vivo lançado pela ECM em 2012 e este do duo lançado em 2001. Este aqui é o melhor dos ao vivo. Um diálogo simplesmente telepático.

Egberto Gismonti & Charlie Haden in Montreal

1 Salvador – composed by Egberto Gismonti (7:36)
2 Maracatú – composed by Egberto Gismonti (9:21)
3 First Song – composed by Charlie Haden (6:28)
4 Palhaço – composed by Egberto Gismonti, G.E. Carneiro (9:19)
5 Silence – composed by Charlie Haden (9:49)
6 Em Família – composed by Egberto Gismonti (10:03)
7 Lôro – composed by Egberto Gismonti (7:32)
8 Frevo – composed by Egberto Gismonti (6:43)
9 Don Quixote – composed by Egberto Gismonti, G.E. Carneiro (12:02)

Egberto Gismonti, violão, piano e o que pintar
Charlie Haden, baixo

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Charlie Haden e Egberto Gismonti combinando o que vamos ouvir.
Charlie Haden e Egberto Gismonti combinando o que vamos ouvir.

PQP

Beethoven (1770-1827): Os 5 Concertos para Piano com Paul Lewis (revalidado)

Conheci Paul Lewis através de uma gravação ao vivo da última sonata de Beethoven, a Op. 111. Realização extraordinária, cuja aparente simplicidade e profunda verdade cativaram minha atenção ao pianista para sempre.

Não muito tempo depois consegui a gravação integral das sonatas em estúdio, que Paul Lewis realizou entre 2006 e 2008 (disponibilizada aqui), e viciei: confesso que de lá pra cá raramente consigo suportar ouvi-las nas realizações de outros pianistas.

Nada mais natural, portanto que também quisesse disponibilizar os concertos de Beethoven com Lewis – o que fiz aqui originalmente em 16/09/2012 – mas confesso que não senti o mesmo entusiasmo que com as sonatas. Na ocasião levantei a hipótese de que o maestro não estivesse à altura da genialidade interpretativa do pianista –

… mas admito que pode ser um julgamento totalmente injusto. O fato é que qualquer interpretação de Lewis (inclusive as das sonatas) exige algum tempo de convívio, de audição repetida, até chegarmos a reconhecer toda a sua sutil grandeza. E é engraçado como a idade vem me tirando o gosto de ouvir massas orquestrais, me deixando cada vez mais fã da beleza do pequeno… E então simplesmente não parei para ouvir estas gravações por tanto tempo quanto a das sonatas. Quer dizer: ainda não me concedi a chance de me entusiasmar.

Seja como for, a esta altura já não dá pra falar de piano de Beethoven no século XXI sem levar Paul Lewis em conta. No mínimo por isso, estas gravações merecem ser conhecidas. Por isso tratei de incluí-las logo na “campanha de revalidação” dos links das postagens de Ranulfus (iniciada há poucos dias com as duas postagens de Porgy and Bess: na versão original e integral de Gershwin, e na extraordinária releitura de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald).

Mas, enfim, falávamos de Beethoven; vamos a ele, então!

BEETHOVEN: OS CINCO CONCERTOS PARA PIANO
BBC Symphony Orchestra regida por Jirí Belohlávek
Piano: Paul Lewis

Concerto No 1, em Do Maior, op.15 (1796-97)
I. Allegro con brio
II. Largo
III. Rondò: Allegro scherzando

Concerto No 2, em Si b Maior, op.19 (1787-89-95)
I. Allegro con brio
II. Adagio
III. Rondò: Molto allegro

Concerto No 3, em Do menor, op.37 (1800)
I. Allegro con brio
II. Largo
III. Rondò: Allegro

Concerto No 4, em Sol Maior, op.58 (1805-06)
I. Allegro moderato
II. Andante con moto in E minor
III. Rondò (Vivace)

Concerto No 5, em Mi b Maior, op. 73, “Imperador” (1809-11)
I. Allegro
II. Adagio un poco mosso
III. Rondò: Allegro ma non troppo

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Ranulfus, com a colaboração de FDP Bach

P.S. do Pleyel ao repostar em 2026: Nós, colaboradores do PQPBach, moramos em cidades diferentes. Por um acaso do destino, eu morei perto do Ranulfus nos seu últimos anos de vida. Estivemos juntos em alguns concertos e recitais de piano e pude constatar o amplo conhecimento que ele tinha do instrumento, além do seu gosto um tanto peculiar, o que é um elogio, pois preferimos (aqui o incluo por pura dedução) as extravagâncias de um gosto peculiar do que a mesmice de quem fica caçando likes e compartilhamentos com base no que todo mundo está achando. Então sempre levo a sério as recomendações dele – Debussy com Werner Haas / Noel Lee (pianos) e Martinon / ORTF, Chopin com Guiomar Novaes, Franck com André Isoir e este Beethoven com Paul Lewis, além dos “interlúdios” com Roberta Flack, Baden Powell, Egberto Gismonti/Naná Vasconcelos, Nara Leão e muitos outros…

W. A. Mozart (1756-1791): Missas K. 139, K. 259 e K. 337 (Poppen, Köln)

Algumas semanas após trazer aqui uma gravação do Réquiem de Mozart regida pelo velho Celibidache, consagrado maestro que dividiu opiniões no século passado, hoje é a vez de uma gravação deste século, lançada em 2025 em mais uma premiada série do selo Naxos, desta vez com todas as missas de Mozart por Poppen e Cologne Chamber Orchestra. Para a revista da BBC, este 5º CD da série de 6 manteve os “high standards already attained by previous issues” e o som também é notável: “recorded sound, from the Deutschlandfunk Kammermusiksaal, Cologne, is similarly impressive”.

Não tenho todos os CDs da série, no momento vou postar apenas este, mas deixo o registro de que são poucas as gravações e apresentações ao vivo desse repertório sacro de Mozart, a única outra integral que me vem à mente é a coleção com Harnoncourt/Concentus musicus Wien postada pelo Avicenna (aqui), série mais longa do que a de Poppen, porque a de Harnoncourt incluiu toda a obra sacra: Exsultate Jubilate, três Regina Coeli, etc.

As três missas aqui não estão entre as mais famosas de Mozart. A mais antiga das três, estreada em 1768 quando o pequeno prodígio tinha inacreditáveis 12 anos, é também a mais longa, com mais ampla orquestração incluindo trombones, trompetes e tímpano. Ao contrário da maioria das missas (estreadas em Salzburgo), essa missa de 1768 foi encomendada para a inauguração de um novo Orfanato em Viena e estreada com Mozart regendo um coro de crianças órfãs. Com um Kyrie longo e solene, com toques de melancolia talvez em referência à difícil situação dos órfãos, a missa se encaminha depois para tons mais festivos e alegres. O libreto do álbum da Naxos diz ainda: a grandeza e a complexa orquestração da Missa solemnis ‘Waisenhausmesse’ levou estudiosos vienenses a duvidas que tivesse sido de fato composta por um jovem de doze anos. Era, de fato, a primeira vez que Mozart escrevia para um conjunto tão grande, mas as pesquisas posteriores confirmam que a Missa foi mesmo da mão do adolescente, com assistência mínima de seu pai apenas, aparentemente, na cópia da parte para baixo contínuo. A estreia em Viena teve unânime aprovação e admiração.

A sonoridade dessa orquestra não tão famosa de Colônia (ou Köln) me agradou bastante. Ouvindo obras de Mozart, sobretudo os concertos para piano, não foram poucas as vezes em que o som orquestral me pareceu insatisfatório. É difícil alcançar o equilíbrio demandado por Mozart: um tênue equilíbrio entre suavidade e drama, entre seriedade e alegria. Aqui os músicos comandados por Christoph Poppen – regente titular dessa orquestra desde 2013 – alcançam esse equilíbrio, utilizando instrumentos modernos mas com práticas historicamente informadas.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791):
1-6. Missa solemnis in C Minor, K. 139, “Waisenhausmesse” (Orphanage Mass) (39:00)
7-12. Missa brevis in C Major, K. 259, “Orgelsolomesse” (Organ Solo Mass) (13:43)
13-18. Missa solemnis in C Major, K. 337 (21:29)

Cologne Chamber Orchestra (Kölner Kammerorchester), Christoph Poppen
Cologne Cathedral Vocal Ensemble (Vokalensemble Kölner Dom)
Katharina Ruckgaber, Carolina Ullrich – Soprano / Elvira Bill, Marie Henriette Reinhold – Alto / Paul Schweinester, Angelo Pollak – Tenor / Jonas Müller, Konstantin Krimmel – Bass

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Mozart aos oito anos de idade segurando um ninho de pássaro, por J. J. Zaufallij, 1764/65

Pleyel

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sinfonias nº 38 & 39 (Andrew Manze, NDR Radiophilharmonie)

Este CD traz uma das mais belas versões da Sinfonia ‘Praga’ de Mozart que já ouvi, nas mãos do excelente violinista Andrew Manze, que se tornou um excelente regente, frente a uma ótima orquestra alemã, a NDR Radiophilharmonie, de Hanover.

O que torna essa gravação Sinfonia Praga tão especial? Não sei, talvez pela leveza e ao mesmo tempo, energia que Manze consegue impor, deixando os músicos a vontade, sem muita pressão. Essa é a impressão que tive, depois de ouvir essa obra dezenas, quiçá centenas de vezes. O Primeiro movimento, dividido em dois, um Adagio e um Allegro, é um primor de execução. Impossível não se render a tanta vitalidade expressa nessa sinfonia tão importante de Mozart, a porta de entrada para as três obras primas que viriam a seguir, as Sinfonias nº 39, 40 e 41, três marcos da música sinfônica.

Sempre que lembro destas últimas quatro sinfonias de Mozart, o primeiro nome que me vem a cabeça é o de Karl Böhm, tanto as suas gravações com a Filarmônica de Berlim quanto com a Filarmônica de Viena. Mas são gravações antigas, anos 60 e 70, e muita coisa mudou desde então. As novas gerações que vem surgindo svem mostrando que ainda muito se pode extrair desse repertório. O selo Alpha, por exemplo, vem lançando uma série de gravações com jovens intérpretes dos Concertos de Mozart. Creio que algumas destes CDs já estejam disponíveis aqui no PQPBach, mas assim que possível, trarei o que já tenho.

É esse então o  Mozart que estamos ouvindo e apreciando nesta segunda década do Século XXI. Lembro que Andrew Manze, em seu inicio de carreira como violinista se destacou como um dos principais nomes das interpretações historicamente informadas, então ele está mais que habilitado a fazer essa mais atualizada, porém sem perder a essência.

01 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- I. Adagio – Allegro
02 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- II. Andante
03 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- III. Finale. Presto
04 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- I. Adagio – Allegro
05 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- II. Andante con moto
06 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- III. Menuetto – Trio
07 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- IV. Finale. Allegro

NDR Radiophilharmonie
conducted by Andrew Manze

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Serguei Prokofiev (1891-1953): Piano Concertos 1, 3 e 4 – Kun-Woo Paik, Antoni Witt, Polish National Radio Symphony Orchestra

Creio que a primeira vez que ouvi no Concerto nº 3 de Prokofiev foi num CD do selo Olympia, com a pianista inglesa Moura Limpani, CD que comprei em um balaio de promoções na saudosa Livraria Belas Artes, na Avenida Paulista, em São Paulo. Trata-se de registro dos anos 50, mas muito bem gravado e remasterizado. O outro Concerto do CD era ‘apenas’ o Rach 3, ou seja, Limpani encarava dois petardos, dois dos maiores concertos para Piano do Século XX.  Ainda tenho este CD em meu acervo. Se houver interesse por parte dos senhores, posso providenciar.

Mas enfim, não estamos aqui para falar da grande Moura Limpani, mas sim de um registro bem mais recente do selo Naxos, que traz o pianista coreano Kun-Woo Paik acompanhado pelos poloneses da Polish National Radio Symphony Orchestra, nas sempre competentes mãos de Antoni Wit. E essa turminha encara os Concertos 1, 3 e 4 de Prokofiev. Sem tirar o mérito dos outros dois concertos, creio que o de nº 3 impera absoluto aqui. Aquele tema principal do terceiro movimento embalou meus sonhos de juventude, me fez encarar as dificuldades, não apenas da idade, mas da distância da família e dos amigos, morando sozinho em uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes, na qual era apenas mais um. Lembro de ir trabalhar ouvindo meu cd player portátil tocando esse CD. Ou então, nas intermináveis viagens de ônibus, quando conseguia viajar para visitar meus pais no sul do País. Doze horas, com duas paradas. Claro que eram outros tempos, não havia estes insuportáveis congestionamentos dos dias de hoje.

Kun-Woo Paik é um grande pianista, um dos maiores intérpretes de Ravel e de Liszt. E sente-se a vontade tocando estes concertos de Prokofiev, nos brindando com uma execução enérgica, sem nunca perder o foco.

Eu esqueci de comentar com os senhores que a integral destes concertos que Kun-Woo Paik gravou com Antoni Wit ganhou o “Diapason d’Or and Grand Prix du Disque de la Nouvelle Académie du Disque“, importante prêmio da indústria fonográfica. Trarei os outros dois concertos em outra postagem.

01. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 I. Andante – Allegro
02. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 II. Tema con variazioni
03. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 III. Allegro, ma non troppo
04. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 I. Vivace
05. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 II. Andante
06. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 III. Moderato
07. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 IV. Vivace
08. Piano Concerto No. 1 in D-Flat Major, Op. 10

Kun-Woo Paik – Piano
Polish National Radio Symphony Orchestra
Antoni Wit – Condutor

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.: interlúdio .: Lou Donaldson & Grant Green – Cool Blues

Juntem dois geniais músicos, com uma excelente banda de apoio e o resultado só pode ser um: IM-PER-DÍ-VEL. Gravado ali no início dos anos 60, sim, aquele mesmo período em que os Dinossauros como Miles Davis e  John Coltrane caminhavam sobre a Terra, uma quantidade de discos de Jazz de altíssima qualidade era lançada por selos como Prestige, Vanguard, Columbia, Blue Note dentre tantos outros, muitos deles gravados e produzidos por um gênio dos estúdios chamado Rudy van Gelder, o que é o caso desse que ora vos trago.

Grant Green, assim como seu conterrâneo e contemporâneo Wes Montgomery, viveram pouco, mas intensamente. Por uma ironia do destino morreram j0vens, Green com meros 44 anos, e Montgomery com 45. Triste sina. Mas o que esses dois fizeram os alçaram ao panteão dos grandes músicos.

O parceiro de Grant Green aqui é o saxofonista Lou Donaldson que, ao contrário, viveu muito, morreu aos 98 anos de idade, agora em 2024. Para os fãs de Jazz nem preciso apresentá-lo, é nome conhecido, mas para quem não o conhece, basta dizer que tocou com Art Blakey, Clifford Brown, Horace Silver, Philly Joe Jones, dentre outros. É um dos maiores sax alto da história do Jazz.

Além de Green e de Donaldson, temos Baby Face Wallette no órgão Hammond e outro lendário músico, Brother Jack McDuff. Não sei vocês, mas adoro os nomes desses músicos de Blues e de Jazz.

Um disco para se ouvir em um sábado nublado, meio que chuvoso e frio. Espero que apreciem.

01 – A Foggy Day
02 – Here ‘Tis
03 – Cool Blues
04 – Watusi Jump
05 – Walk Wid Me
06 – Misty
07 – Please
08 – Man With a Horn
09 – Prisoner of Love
10 – Stardust

Lou Donaldson – Sax Alto
Grant Green – Guitarra
Baby Face Willette – Órgão Hammond (faixas 1 – 5)
Brother Jack McDuff – Órgão Hammond (faixas 6 – 10)
Dave Bayley – Bateria (faixas 1 – 5)
Joe Dukes – Bateria (faixas 6 – 10)

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