O quarteto de cordas era, para Haydn e seus contemporâneos, um gênero recentemente inventado – por Boccherini e logo em seguida pelo próprio Haydn – e marcado pela igualdade entre os quatro instrumentos de cordas. Como um pai ou uma mãe com quatro filhos, o compositor não estabelecia uma hierarquia, embora aqui ou ali seu coração pudesse bater mais por um. Nos trios de Haydn, é outra história: ali, tratam-se sobretudo de Trios para piano com duas cordas acompanhando. Nesse ambiente intimista, desdobram-se ideias semelhantes às de um concerto para solista e orquestra, ou ainda as de uma ária ou um oratório sacro com ou dois solistas vocais e orquestra. Então, se os trios de Haydn oferecem uma diversidade de emoções, andamentos, melodias em uníssono e “solos” harmônicos do violino e do violoncelo estabelecendo bases para o piano brilhar, é verdade também que todos eles mantêm essa relação um tanto previsível entre os três instrumentos, mas os clichês e desenvolvimentos previsívels também estão presentes na grande maioria concertos para piano e estamos satisfeitos com isso.
Depois, Beethoven e Schubert escreveriam trios em que os papéis dos três instrumentos vão variando, a melodia lançada por um é refeita e variada dois compassos depois por outro instrumento… isso vai culminar naquele que – ao menos na minha opinião – seria o mais perfeito trio posterior ao classicismo vienense, o Trio de Ravel. Nessa obra de 1914, as melodias dos três instrumentos vão se entrelaçando como na estrutura incerta de um sonho, já tendo abandonado de vez o mundo tão racional e iluminista dos Trios de Haydn.
Mas voltando ao austríaco e aos seus trios que aparecem aqui hoje em instrumentos de época, às vezes na vida nós queremos ouvir música em que os instrumentos executam papéis bem definidos. Isso vale nas relações humanas também: desde que bem combinadas (o combinado não sai caro), as relações com estruturas demarcadas do tipo “X cozinha, Y lava” podem ser tão felizes quanto outras em que todo mundo cozinha e lava. Só o que é lamentável é a naturalização de certos papéis como o que descrevia Carlos Drummond na crônica Céu da boca. “A mãe praticamente não se sentava, ocupada em servir a todos, de sorte que ia comer no fim, ou ‘lambiscar’,” isso dizia o Drummond em 1955 se referindo ao passado e tomara que fique cada vez mais no passado mesmo, é o que desejamos, não é?
Franz Joseph Haydn (1732-1809):
1-3. Piano Trio No. 25, Op. 75 No. 1 In C Major (Hob. XV:27) (18:52)
4-6. Piano Trio No. 26, Op. 75 No. 2 In E Major (Hob. XV:28) (16:13)
7-9. Piano Trio No. 24, Op. 73 No. 3 In F Sharp Minor (Hob. XV:26) (14:49)
10-12. Piano Trio No. 22, Op. 73 No. 1 (Hob. XV:24) (14:13)
Recorded at Real World Studios, England, December 2008
Fortepiano by Paul McNulty after Anton Walter 1795
Cada vez mais tenho ouvido coisas velhas. Isso nada mais é do que uma constatação, não é nenhuma bandeira, nada contra as novidades, muito pelo contrário. É só uma fase, a vida é feita delas, de movimentos, e assim vamos tocando o barco. Futebol é momento, caixas de som também.
Mas dia desses, zanzando em algum streaming por aí, o algoritmo me recomendou esse disco, e taquei-lhe o play. Não conhecia nem o solista, nem o regente (o que certamente diz mais sobre mim do que sobre eles), e tampouco é uma orquestra que aparece muito nos lançamentos por aí.
E putz… que disco bom! Fiquei tão entusiasmado que foram duas audições no mesmo dia, e depois pulei para um outro disco dele, que cedo ou tarde vai aparecer aqui no blog também. Interpretações quentes, vivas, e como soa bem o violino de Menzel!
Um belo díptico de peças contrastantes, ainda que bem contemporâneas. Música muito bem feita.
Uma gravação de As Quatro Estações melhor do que esta de Carmignola + Marcon vai ser difícil…. Dia destes postei Haydn, com seu magnífico oratório “As Estações”, em homenagem à mudança de estação. Como ainda estamos vivenciando essa mudança de estação resolvi trazer essa gravação que particularmente é a minha favorita dentre as tantas existentes no mercado atualmente. Carmignola é um dos grandes violinistas da atualidade, e um dos maiores especialistas no violino barroco, e contando com a cumplicidade de Andrea Marcon e a excelente Venice Baroque Orquestra, dá um show de talento, versatilidade e técnica. Tudo bem, ele comete algumas liberdades que podem assustar alguns fãs mais fanáticos de Vivaldi, mas adoro esse CD em seu conjunto.
Para se ouvir em uma manhã como a de hoje, tipicamente de outono: temperatura agradável, sol ainda não tão forte e um ventinho frio, que nos deixa com vontade de voltar para a cama.
Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)
La Primavera • Spring • Der Frühling • Le Printemps – Concerto No. 1 In E Major, Op. 8, No. 1, RV 269 (E-Dur / En Mi Majeur / In Mi Maggiore)
I. Allegro 3:19
II. Largo 2:18
III. Allegro 3:36
L’Estate • Summer • Der Sommer • L’Été – Concerto No. 2 In G Minor, Op. 8, No. 2, RV 315 (G-Moll / En Sol Mineur / In Sol Minore)
I. Allegro Non Molto 4:57
II. Adagio 2:18
III. Presto 2:15
L’Autunno • Autumn • Der Herbst • L’Automne – Concerto No. 3 In F Major, Op. 8, No. 3, RV 293 (F-Dur / En Fa Majeur / In Fa Maggiore)
I. Allegro 4:34
II. Allegro Molto 3:21
III. Allegro 2:49
L’Inverno • Winter • Der Winter • L’Hiver – Concerto No. 4 In F Minor, Op. 8, No. 4, RV 297 (F-Moll / En Fa Mineur / In Fa Minore)
I. Allegro Non Molto 3:04
II. Largo 1:47
III. Allegro 2:39
3 Violin Concertos (Premiere Recording):
Concerto In E-Flat Major, RV 257 (Es-Dur / En Mi Bémol Majeur / In Mi Bemolle Maggiore)
I. Andante Molto E Quasi Allegro 4:25
II. Adagio 2:32
III. Allegro 2:58
Concerto In B-Flat Major, RV 376 (B-Dur / En Si Bémol Majeur / In Si Bemolle Maggiore)
I. Larghetto. Andante 4:25
II. Andante 2:24
III. Allegro 2:56
Concerto In D Major, RV 211 (D-Dur / En Ré Majeur / In Re Maggiore)
I. Allegro Non Molto 5:15
II. Larghetto 3:22
III. Allegro 5:29
Giuliano Carmignola – Baroque Violin
Andrea Marcon – Harpsichord, Organ & Conductor
Venice Baroque Orquestra
Mas FDPBach vai trazer mais uma integral dos Quartetos de Cordas de Beethoven? Já tem tantas postagens com essas obras no Blog !!
Nós melômanos nunca estamos satisfeitos, isso é certo. Lembro que antes do advento da internet meu acervo era muito, mas muito mais restrito. Escolhia os discos com atenção, claro que sempre de acordo com a disponibilidade no mercado e com meus parcos recursos financeiros. Uma integral dos quartetos era algo quase que impossível de se conseguir. Lembro que a DG oferecia uma caixa com todas as obras, e as dividia em Early, Middle & Last Quartets, intrepretadas pelo Melos Quartett. O preço era um tanto quanto inacessíveis para nós, pobres mortais assalariados, ou não. Enfim, eu sempre ficava namorando essas caixas nas lojas de disco. Nosso objetivo de acervo era muito mais modesto, uma integral destas já nos era suficiente.
O tempo passou, e eis que existe uma quantidade imensa de gravações disponíveis destes quartetos, integrais ou não. Havia inclusive uma discussão sobre o quão irregulares eram essas gravações de integrais. Alguns quartetos saiam quase perfeitos, outros parecia que tinham sido feitos em toque de caixa, para, possivelmente satisfazer os interesses da gravadora.
Nosso guru e mentor, PQPBach ama estes quartetos, e os conhece muito bem, já ouviu dezenas de vezes cada um deles, com os mais diversos intérpretes. Não é o caso deste que vos entrega essa série, um mero admirador do belo, que até pouco tempo atrás satisfazia-se com o histórico registro do Amadeus Quartett, lá dos anos 50 e 60. Sem desmerecer jamais aquele que é considerado o melhor conjunto de cordas do século XX, sempre estou atrás das outras opções. E certa vez, em discussão do grupo do Whattsap do PQPBach, se não me engano nos tempos em que o nosso Vassily Genrikhovich encarou aquela maratona beethoveniana em comemoração aos 250 anos do nascimento do compositor, nos ofereceu diversas opções de registros destas obras, destaque para o Melos Quartett, dentre outros. A integral do Artemis Quartet foi, digamos assim, deixada de lado, devido exatamente a quantidade de outras ótimas opções.
Aproveitando meus últimos dias de férias de Natal e de Ano Novo resolvi preparar essa belíssima integral interpretada exatamente pelo Artemis Quartet, não tão recente, é verdade, afinal foi gravada entre 2006 – 2011. Não me darei ao trabalho de analisar as obras, já existem diversas postagens destes quartetos aqui no PQPBach, basta procurar para obter maiores informações.
E esta postagem está sendo feita exatamente no dia de meu aniversário de 61 anos de idade. FDPBach faz aniversário mas quem ganha o presente são os senhores. São sete cds ao todo, além do booklet, bem explicativo, por sinal.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)
String Quartet No.1 Op. 18 No. 1
1-1 1. Allegro Con Brio
1-2 2. Adagio Affetuoso Ed Appassionato
1-3 3. Scherzo. Allegro Molto – Trio
1-4 4. Allegro String Quartet No.4 Op. 18 No. 4
1-5 1. Allegro Ma Non Troppo
1-6 2. Scherzo. Andante Scherzoso Quasi Allegretto
1-7 3. Menuetto. Allegretto – Trio
1-8 4. Allegretto – Prestissimo String Quartet No.6 Op. 18 No. 6
1-9 1. Allegro Con Brio
1-10 2. Adagio Ma Non Troppo
1-11 3. Scherzo. Allegretto – Trio
1-12 4. La Malinconia. Adagio
1-13 5. Allegretto Quasi Allegro String Quartet No.2 Op. 18 No. 2
2-1 1. Allegro
2-2 2. Adagio Cantabile
2-3 3. Scherzo. Allegro – Trio
2-3 4. Allegro Molto, Quasi Presto String Quartet No.3 Op. 18 No. 3
2-5 1. Allegro
2-6 2. Andante Con Moto
2-7 3. Allegro – Minore – Maggiore
2-8 4. Presto String Quartet No. 5 Op. 18 No. 5
2-9 1. Allegro
2-10 2. Menuetto – Trio
2-11 3. Andante Cantabile
2-12 4. Allegro String Quartet No.7 Op. 59 No. 1 ‘Razumovsky’
3-1 1. Allegro
3-2 2. Allegretto Vivace E Sempre Scherzando
3-3 3. Adagio Molto E Mesto
3-4 4. Thème Russe. Allegro 7 String Quartet No.8 Op. 59 No. 2 ‘Razumovsky’
3-5 1. Allegro
3-6 2. Molto Adagio
3-7 3. Allegretto – Maggiore
3-8 4. Finale. Presto String Quartet No.9 Op. 59 No. 3 ‘Razumovsky’
4-1 1. Introduzione. Andante Con Moto – Allegro Vivace
4-2 2. Andante Con Moto Quasi Allegretto
4-3 3. Menuetto. Grazioso – Trio – Coda
4-4 4. Allegro Molto Strimg Quartet No.10 Op. 74 ‘Harp’
4-5 1. Poco Adagio – Allegro
4-6 2. Adagio Ma Non Troppo
4-7 3. Presto
4-8 4. Allegretto Con Variazioni String Quartet No.11 Op. 95 ‘Quartetto Serioso’
4-9 1. Allegro Con Brio
4-10 2. Allegretto Ma Non Troppo
4-11 3. Allegro Assai Vivace Ma Serioso
4-12 4. Larghetto Espressivo – Allegretto Agitato – Allegro String Quartet No.12 Op. 127
5-1 1. Maestoso – Allegro
5-2 2. Adagio, Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-3 3. Scherzando Vivace
5-4 4. Finale. Allegro String Quartet No.14 Op. 131
5-5 1. Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo
5-6 2. Allegro Molto Vivace
5-7 3. Allegro Moderato
5-8 4. Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-9 5. Presto
5-10 6. Adagio Quasi Un Poco Andante
5-11 7. Allegro String Quartet No.13 Op. 130, Op. 133
6-1 1. Adagio Ma Non Troppo – Allegro
6-2 2. Presto
6-3 3. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso
6-4 4. Alla Tedesca. Allegro Assai
8-5 5. Cavatina. Adagio Molto Espressivo
6-6 6. Grosse Fuge Op. 133 Overtura. Allegro. Fuga String Quartet Hess 34
6-7 1. Allegro Moderato
6-8 2. Allegretto
6-9 3. Allegro 3 String Quartet No.15 Op. 132
7-1 1. Assai Sostenuto – Allegro
7-2 2. Allegro Ma Non Tanto
7-3 3. Heiliger Dankgesang Eines Genesenen An Die Gottheit, In Der Lydischen Tonart
7-4 4. Alla Marcia, Assai Vivace
7-5 5. Allegro Appassionato – Presto String Quartet No.16 Op. 135
7-5 1. Allegretto
7-6 2. Vivace
7-7 3. Lento Assai, Cantante E Tranquillo
7-8 4. Der Schwer Gefasste Entschluss, Grave – Allegro
Há pouco mais de 50 anos, Charles Mingus, Eric Dolphy e o sexteto de Mingus davam esta inacreditável comprovação de musicalidade e talento para uma plateia de Bremen. Dois meses depois, Dolphy morreria da forma mais estúpida possível: na tarde de 18 de Junho de 1964, ele caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros não sabiam que ele era diabético e pensaram que ele (como acontecia com muitos jazzistas) estava sob overdose. Deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após o coma diabético. Aos 36 anos. Bastava-lhe uma injeção. São coisas que acontecem muito com negros.
O som do CD não é uma maravilha, mas é muito mais do que o suficiente para se notar que estamos entre gênios. Mingus era um sujeito duríssimo com sua banda. Certa vez acertou um direto no queixo de seu fiel trombonista Jimmy Knepper porque ele não acertava uma nota. Com Dolphy, a comunicação parecia ser telepática. Mingus dizia que não precisava conversar muito com Dolphy, que eles se entendiam silenciosamente antes de partir para outras dimensões. Verdade, partiam mesmo.
Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert
CD1
01 – A.T.F.W. [Art Tatum-Fats Waller]
02 – Sophisticated Lady
03 – So long Eric
04 – Parkeriana
CD2
01 – Meditations On Integration
02 – Fables Of Faubus
Charles Mingus, bass
Eric Dolphy, alto sax / flute / bass clarinet
Johnny Coles, trumpet
Clifford Jordan, tenor sax
Jacki Byard, piano
Dannie Richmond, drums
Thomas Tomkins (1572–1656) foi um importante compositor inglês da Renascença tardia e do início do Barroco, pertencente à grande tradição polifônica da Inglaterra elisabetana e jacobina. Ele é visto como um dos últimos grandes polifonistas da escola inglesa, encerrando uma era que começou com Tallis e Byrd. Sua música, especialmente a sacra, permaneceu em uso em catedrais inglesas mesmo após a Restauração (1660). Sua produção reflete tanto a solenidade da tradição litúrgica quanto a sensibilidade humanista do final do Renascimento. Trabalhou como organista e mestre de coro na Catedral de Worcester e, mais tarde, tornou-se Gentleman (membro) da Capela Real, servindo sob os reinados de Elizabeth I, Jaime I e Carlos I. Viveu em um período turbulento: testemunhou a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), que levou ao fechamento de muitas igrejas e capelas, interrompendo sua carreira musical institucional. Compôs hinos sacros tanto em estilo polifônico tradicional quanto em estilo mais declamatório (verse anthems), adaptando-se às necessidades litúrgicas da Igreja da Inglaterra. Escreveu também madrigais e canções, incluindo contribuições para a antologia The Triumphs of Oriana (1601), uma coletânea em homenagem à rainha Elizabeth I. Além disso, deixou obras para órgão e virginal, muitas vezes de caráter contrapontístico. Mesmo em meio à transição para o estilo Barroco (com homofonia e baixo contínuo), Tomkins manteve uma linguagem polifônica densa e rica, influenciada pela tradição de Byrd e Tallis.
Thomas Tomkins (1572-1656) : Consort Music for Viols and Voices (Rose Consort of Viols)
1 Pavan in F Major 03:22
2 Almain in F Major 01:36
3 In Nomine 02:50
4 Verse Anthem: Above the stars 03:52
5 Fantasia XIV 03:32
6 Fantasia I 02:05
7 A Fancy: For Two to Play 02:22
8 Hexachord Fantasia: Ut re mi 06:46
9 Verse Anthem: O Lord, let me know mine end 05:35
10 Fantasia XII 02:50
11 In Nomine II 02:34
12 Paven and Galliard: Earl Strafford 07:21
13 Fantasia 03:39
14 Miserere 03:02
15 Voluntary in C Major 02:59
16 Pavan in A Minor 04:35
17 Galliard: Thomas Simpson 02:01
18 Verse Anthem: Thou art my King, O God 04:00
(Escrito em 2019). Este CD é um clássico que completa 60 anos em maio deste ano. Houve edição especial e shows da Mingus Big Band e outros. Charlie Mingus (1922-1979) pode ser definido como um compositor erudito que gosta de jazz. Por incrível que pareça, li esta definição numa dessas comunidades de jazz do Orkut. Ela é exata. Este CD abre com a pauleira de Better Git It In Your Soul e a calma Goodbye Pork Pie Hat (homenagem a Lester Young) e depois temos a ironia de Fables of Faubus — dedicada ao governador racista do Arkansas –, Open Letter To Duke, mais uma das dezenas de homenagens que Mingus fez a Duke Ellington, Bird Calls (para Charlie Parker), etc., mas o que interessa é a qualidade de todas as composições e a incrível forma da banda de Mingus. Este é, certamente, um dos dez discos mais importantes da história do jazz. E tenho dito!
Charlie Mingus – Mingus Ah Um – 320 kbps
1. Better Git It In Your Soul 7:20
2. Goodbye Pork Pie Hat 5:42
3. Boogie Stop Shuffle 4:59
4. Self-Portrait In Three Colors 3:07
5. Open Letter To Duke 5:49
6. Bird Calls 6:17
7. Fables Of Faubus 8:12
8. Pussy Cat Dues 9:12
9. Jelly Roll 6:15
10. Pedal Point Blues 6:28
11. GG Train 4:37
12. Girl Of My Dreams 4:07
Charles Mingus — bass, piano (with Parlan on 10)
John Handy — alto sax (1, 6–7, 9–12), clarinet (8), tenor sax (2)
Booker Ervin — tenor sax
Shafi Hadi — tenor sax (1–4, 7–8, 10), alto sax (5–6, 9, 12)
Willie Dennis — trombone (3–5, 12)
Jimmy Knepper — trombone (1, 7–10)
Horace Parlan — piano
Dannie Richmond — drums
Os “Concertos em Sete Partes” (Concerti Grossi in Seven Parts), de Charles Avison, têm uma relação direta com Domenico Scarlatti. Avison baseou explicitamente esses 12 concerti grossi (publicados em 1744) em temas extraídos das sonatas para cravo de Domenico Scarlatti. Avison admirava profundamente a inventividade melódica e harmônica de Scarlatti. Ele não apenas orquestrou as sonatas, mas realizou um trabalho de transcrição e adaptação, reorganizando e combinando temas de várias sonatas de Scarlatti (que eram peças para teclado solista) no formato do concerto grosso barroco, para orquestra de cordas e continuo, que era popular na Inglaterra da época, seguindo o modelo de Corelli. Essa coleção é considerada um dos exemplos mais extensos e ambiciosos da adaptação da obra de um compositor para um meio diferente no século XVIII. Foi uma forma de popularizar a música de Scarlatti no contexto de concerto inglês. Charles Avison era o mais importante compositor e teórico musical inglês de sua geração, atuando principalmente em Newcastle. Obviamente, nutria grande admiração pela música italiana, especialmente por Corelli, Geminiani e Scarlatti. Ele via em Scarlatti uma fonte de “Fantasia e Fogo” musical. A escolha de Scarlatti como fonte foi ousada, pois suas sonatas eram consideradas modernas, virtuosísticas e continham harmonias audaciosas para a época. Os Concertos em sete partes de Avison são, em essência, uma homenagem e uma reelaboração artística da obra de Domenico Scarlatti.
Charles Avison (1709-1770): Seis Concertos em Sete Partes sobre obras de D. Scarlatti (Cafe Zimmermann)
Concerto No. 6 En Ré Majeur
1 Largo 2:36
2 Con Furia 4:51
3 Adagio 1:57
4 Vivacemente 3:32
Concerto No. 5 En Ré Mineur
5 Largo 3:01
6 Allegro 1:43
7 Moderato 3:37
8 Allegro 2:17
Concerto No. 11 En Sol Majeur
9 Con Affetto 3:57
10 Allegro 3:21
11 Andante Moderato 3:00
12 Vivacemente 2:35
Concerto No. 3 En Ré Mineur
13 Largo Andante 1:27
14 Allegro Spiritoso 3:10
15 Amoroso 3:20
16 Allegro 2:04
Concerto No. 9 En Ut Majeur
17 Largo 1:32
18 Con Spirito-Andante-Con Spirito 3:48
19 Siciliana 3:04
20 Allegro 4:05
Concerto No. 12 En Ré Majeur
21 Grave Temporeggiato 2:02
22 Largo Tempo Giusto 1:19
23 Allegro Spiritoso 3:37
24 Lentemente 5:07
25 Temporeggiato 1:30
26 Allegro 3:21
Contrabass [Tutti] – Ludek Brany
Ensemble – Café Zimmermann
Harpsichord [Concertino] – Céline Frisch
Viola [Concertino] – Patricia Gagnon
Viola [Tutti] – Natan Paruzel
Violin [Concertino] – Amandine Beyer
Violin [Concertino], Concertmaster – Pablo Valetti
Violin [Tutti] – Alba Roca, Christophe Robert, Farran James, Helena Zemanová, Paula Waisman
Violoncello [Concertino] – Petr Skalka
Violoncello [Tutti] – Felix Knecht
O maestro Paavo Järvi tem bons contratos com gravadoras: após discos recentes dedicados a Messiaen, Mendelssohn e Bruckner (em Zürich, Suíça) e a Schubert e Beethoven (em Bremen, Alemanha), além de concertos para violino gravados com J. Jansen (Beethoven e Britten, aqui) e V. Mullova (Prokofiev) ele e os suíços iniciaram em 2025 uma integral de sinfonias de Mahler. Pode parecer mais do mesmo, afinal, a cada ano diversas opções de discos de Mahler têm surgido.
Mas comecei a ouvir essa Sinfonia nº 5 e fiquei convencido: a orquestra de Zürich mostra personalidade nas melodias de sabor levemente folclórico, nas danças e canções. Quando falo em personalidade, me refiro a fraseados, articulações que fogem do óbvio ao mesmo tempo que se encaixam no que pede a partitura, fugindo assim dos rubatos grotescos ou incompreensíveis.
No libreto do álbum, Järvi traz algumas opiniões: “Mahler abriu um novo universo com a Quinta Sinfonia, iniciando um estilo musical incrivelmente pessoal. As sinfonias anteriores têm, é claro, um alto nível de genialidade e com bastante diálogo interior. Mas essa maneira de iniciar nos colocando em uma marcha fúnebre militar, com essa atmosfera trágica, a ideia mesmo de começar assim uma sinfonia – tudo isso mostra que vai acontecer algo bem diferente.
E acrescenta Franzizka Gallusser, autora das notas do álbum: Mahler disse uma vez que sua Quinta Sinfonia é a obra que “ninguém entendia”. Já abordando o movimento final da Sinfonia, que traz a marcação “Fresco”, com cantos de pássaros após o clima mais melancólico do Adagietto para cordas, Gallusser comenta as ambiguidades de Mahler, mestre em criar expectativas e quebrá-las, bem ao contrário do seu professor Anton Bruckner, que era menos imprevisível e mais classicista em termos de desenvolvimentos:
“Mahler quebra a seriedade do movimento, parodiando a expectativa usual do ouvinte de que o último movimento inclua um coral que conclua a sinfonia. Um coral aparece no final da Sinfonia, embora tenha uma conotação irônica desde o início, já que a introdução consiste em elementos do próprio coral. O coral propriamente dito, no final do movimento, perde, assim, qualquer legitimidade e não possui solenidade; isso é ainda mais enfatizado por sua repetição em um estilo burlesco e lúdico. A música, portanto, foge de qualquer interpretação clara do destino da obra sinfônica e deixa o desfecho em aberto. Será que Mahler escreveu sua sinfonia dessa maneira de propósito para que ‘ninguém a entendesse’?”
Gustav Mahler: Sinfonia nº 5 (1904)
1. Trauermarsch (Marcha Fúnebre): In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt (At a measured pace. Strict. Like a funeral procession.) (A passos mesurados. Estrito. Como uma processão fúnebre)
2. Stürmisch bewegt, mit größter Vehemenz (Com movimento e tempestuoso, com grande veemência)
3. Scherzo. Kräftig, nicht zu schnell (Forte, não muito rápido)
4. Adagietto. Sehr langsam (Muito lento)
5. Rondo-Finale. Allegro – Allegro giocoso. Frisch (Fresco)
Um grande disco com um belo concerto e três das melhores Aberturas (ou Suítes) de Telemann. Gosto muito de La Bouffonne e da Grillen, mas adoro mesmo é a Alster, com sua radical irreverência. A versão deste disco é mais comportada do que a da Akademie für alte Musik Berlin, mas ainda assim é muito digna. No vídeo abaixo, temos a Akademie dando um banho de conhecimento sobre como abordar o grande Telemann, compositor muito inferior a Bach, mas infinitamente mais popular do que o mestre em suas épocas. Ouçam por exemplo o vídeo abaixo a partir dos 8min30. A Akademie se esparrama, enquanto que O Collegium Musicum 90 apenas se deita.
Babem:
G. P. Telemann (1681-1767): Concerto em ré maior / La Bouffonne / Grillen-Symphonie / Alster Overture (Standage)
1 Concerto for 3 Corni da caccia, 2 Oboes and Violin in D Major, TWV 54:D2: I. Allegro 4:07
2 Concerto for 3 Corni da caccia, 2 Oboes and Violin in D Major, TWV 54:D2: II. Grave 3:27
3 Concerto for 3 Corni da caccia, 2 Oboes and Violin in D Major, TWV 54:D2: III. Presto 2:45
4 Overture (Suite) in C Major, TWV 55:C5, “La bouffonne: I. Overture 7:09
5 Overture (Suite) in C Major, TWV 55:C5, “La bouffonne: II. Loure 2:17
6 Overture (Suite) in C Major, TWV 55:C5, “La bouffonne: III. Rigaudon I and II 3:11
7 Overture (Suite) in C Major, TWV 55:C5, “La bouffonne: IV. Menuett I and II 3:36
8 Overture (Suite) in C Major, TWV 55:C5, “La bouffonne: V. Entree 2:30
9 Overture (Suite) in C Major, TWV 55:C5, “La bouffonne: VI. Pastourelle 3:04
10 Sinfonia in G Major, TWV 50:1, “Grillen-Symphonie”: I. Etwas lebhaft 3:44
11 Sinfonia in G Major, TWV 50:1, “Grillen-Symphonie”: II. Tandelnd 2:38
12 Sinfonia in G Major, TWV 50:1, “Grillen-Symphonie”: III. Presto 3:05
13 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: I. Overture 5:15
14 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: II. Die canonierende Pallas (Pallas in canon) 3:01
15 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: III. Das Alster-Echo (Alster Echo) 1:56
16 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: IV. Die Hamburgischen Glockenspiele (Hamburg Carillons) 2:37
17 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: V. Der Schwanen Gesang (Swan Song) 2:53
18 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: VI. Der Alster Schaffer Dorff Music (Village music of the Alster shepherds) 2:03
19 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: VII. Die concertierenden Frosche und Krahen (Concertizing frogs and crows) 3:02
20 Overture (Suite) In F Major, Twv 55:F11, “Alster”: VIII. Der Ruhende Pan (Pan At Rest) 3:51
21 Overture (Suite) in F Major, TWV 55:F11, “Alster”: IX. Der Schaffer und Nymphen eilfertiger Abzug (The hurried departure of nymphs and shepherds) 3:29
Este é outro disco imperdível desta compositora polonesa muito pouco conhecida no Brasil. Uma injustiça. São obras realmente consistentes trazidas pela gravadora Chandos que acertou em cheio ao escalar a também polonesa Joanna Kurkowicz. O sétimo concerto é maravilhoso e mostra uma compositora — Bacewicz era também violinista — absolutamente segura. Os dois dois concertos também são bons, mas tão modernos quanto o sétimo.
Grażyna Bacewicz (1909-1969): Concertos para Violino Nº 1, 3 e 7 (Kurkowicz, Borowicz)
Violin Concerto No. 7
1) I. Tempo di mutabile
2) II. Largo
3) III. Allegro
Violin Concerto No. 3
4) I. Allegro molto moderato
5) II. Andante
6) III. Vivo
Violin Concerto No. 1
7) I. Allegro
8) II. Andante (molto espressivo)
9) III. Vivace
Joanna Kurkowicz, violin
Polish Radio Symphony Orchestra
Lukasz Borowicz
The Dialogue Between Bach and God: The Goldberg Variations, Yunchan Lim
Interlude – M. Buja
Yucham Lim, bem mais do que um pianista especialista em Rachmaninov
Há muitos discos bons sendo lançados quase que diariamente e mesmo discos ótimos, com qualidade técnica tanto dos artistas quanto das produções, numa onda enorme, a cada ano, cada mês. Nessa sequência de lançamentos, de vez em quando, surge um disco que além disso tudo nos oferece a oportunidade de ouvir uma grande obra ainda uma vez como se a primeira, nos revelando todo a sua beleza e encantamento. Foi o que me aconteceu ao ouvir este disco – Variações Goldberg, de Bach, com o pianista Yuncham Lim, gravadas ao vivo – que sortudos os presentes nestes concertos.
Eu havia selecionado duas gravações das tais variações para ouvir, esta e mais outra, que não vou citar nominalmente, ambas muito recentes. Gostei do libreto da outra, o arquivo desta oferecia apenas as faixas. Comecei com a outra, estranhei um pouco a lentidão da ária, mas alguns artistas querem fazer um contraste maior com a primeira e espiritada variação, sem contar com as tantas e tantas repetições. Insisti um pouco mais, mas acabei, pelo meio do caminho, decidindo mudar de disco, afinal não temos o dia todo para Goldbergues e a postagem requer um disco digno dos argutos e exigentes PQP Bachianos, frequentadores do blog.
Pois ao colocar o disco da postagem não senti qualquer coisa outra do que alegrias e prazeres. Sorrisos a cada dobra da partitura, o tempo passou a correr diferente, mais etéreo. Lá pela sétima variação (sei, sete é conta de mentiroso, mas você precisa tirar isso a limpo por si mesmo), com seus sons cristalinos, eu estava completamente fisgado. O disco é bom mesmo, é o que diz minha experiência de muitas ótimas gravações. Como posso afirmar isso tão peremptório? Pois ao terminar o disco, queria ouvir tudo de novo. Não deixe de ouvir!
In a new recording by Yunchan Lim, the youngest winner of the Van Cliburn International Piano Competition in 2022, The Goldberg Variations are set out in a beautiful array. Recorded in Carnegie Hall, on the Perelman Stage in the Stern Auditorium, the modern Goldberg is presented in its finest garb.
Aproveite!
René Denon
Yucham aguardando o pessoal do PQP Bach para a entrevista
Já que nossa querida colega Clara Schumann se antecipou postando um Vivaldi maravilhoso, FDP Bach declara iniciado o nosso festival Barroco. Confesso que há pouco tempo ouço Telemann com atenção. Não sei se devido ao fato de ter feito mais sucesso que nosso pai em sua época (reconheço que a inveja é uma merda) ou se devido à dificuldade de se conseguir gravações suas, só sei que tive acesso à sua obra à pouco tempo, claro, com exceção de suas obras para flauta. Mas agora que tive acesso às interpretações de Reinhard Goebel e seu Musica Antiqua Köln, posso dizer que realmente estou ouvindo um gênio do barroco executado por mestres absolutos das gravações ditas de época. E por um selo que dispensa comentários, a “Archiv Produktion”. São obras para Flauta doce e transversal, além de oboé, executadas com maestria pelo conjunto de Goebel, e que revelam um total domínio da arte da composição. Peças curtas, mas que demonstram a genialidade de Telemann. Tenho certeza que todos irão adorá-las.
Georg Phillip Telemann (1681-1767): Flötenquartette (Musica Antiqua Köln)
01 – in g TWV43 g4 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro
04 – in G TWV 43 G6 – – Allegro
05 – Grave
06 – Allegro
07 – in d TWV 43 d3 – Adagio
08 – Allegro
09 – Largo
10 – Allegro
11 – in G TWV 43 G11 – Affettuoso
12 – Allegro
13 – Adagio
14 – Allegro
15 – in a TWV 43 a3 – Adagio
16 – Allegro
17 – Adagio
18 – Vivace
19 . in G TWV 43 G12 – Dolce
20 – Allegro
21 – Soave
22 – Vivace
23 – in B flat TWV 43 B2 – Spirituoso
24 – Grave
25 – Allegro
26 – in G TWV 43 G10 – Vivace
27 – Andante
28 – Vivace
Musica Antiqua Köln
On authentic instruments
Maurice Steger – recorder
Verena Fischer – transversal flute
Diego Nadra – oboe
Stephan Schardt – violin
Reinhard Goebel – violin & viola
Klaus-Dieter Brandt – violoncello
Léon Berben – harpsichord
O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.
André Mehmari: … de árvores e valsas
1 Um Anjo Nasce
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Flute, Bandolin, Organ, Percussion, Clarinet – André Mehmari
1:30
2 Os Amores Difíceis
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Drums, Sampler – André Mehmari
4:19
3 Noturno Espanhol
Piano, Flute, Drums, Bass, Clarinet – André Mehmari
4:51
4 Mairiporã
Acoustic Bass – Zé Alexandre Carvalho
Piano, Guitar, Flute, Violin, Viola, Cello, Bandolin, Electric Guitar, Drums, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:31
5 Modular Paixões
Piano, Flute, Violin, Viola, Bandolin, Sampler, Clarinet – André Mehmari
Vocals – José Miguel Wisnik
3:49
6 Veredas
Piano, Accordion, Electric Bass, Flute, Rabeca, Viola, Cello, Drums, Synth, Voice, Percussion – André Mehmari
5:08
7 Valsa-Blue
Piano, Electric Bass, Flute, Clarinet, Violin, Electric Guitar, Drums, Whistle – André Mehmari
4:55
8 Vento Bom
Piano, Flute, Guitar, Percussion, Synth, Drums, Bass – André Mehmari
Vocals – Sergio Santos
4:13
9 Passeio
Clarinet – Gabriele Mirabassi
Piano – André Mehmari
3:50
10 O Espelho
Contrabass – Zé Alexandre Carvalho
Drums – Sergio Reze
Piano – André Mehmari
Vocals – Mônica Salmaso
4:15
11 Lullaby Zuzu
Piano, Synth, Electric Bass – André Mehmari
2:35
12 Toada
Baritone Saxophone – Teco Cardoso
Piano, Electric Piano, Electric Bass, Drums, Percussion, Synth, Accordion, Bandolin, Violin, Flute, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:46
13 Ná!
Drums – Sergio Reze
Piano, Electric Bass, Guitar, Flute, Clarinet, Violin, Accordion, Synth – André Mehmari
3:24
14 Eternamente
Synth, Effects – André Mehmari
1:21
15 Aria
Drums, Gong – Sergio Reze
Piano, Synth, Electric Bass, Voice, Handclaps, Percussion – André Mehmari
5:16
16 Um Anjo Nasce
Piano – André Mehmari
1:47
17 Ouro Preto
Piano, Viola, Organ, Clavichord, Electric Bass, Percussion, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
2:31
Desde a sua fundação, há dez anos, o Ensemble Ouranos tem como objetivo expandir o repertório para quinteto de sopros. “Constellations”, sua primeira gravação para a Alpha Classics, dá continuidade a essa tradição com transcrições de Shostakovich e Ravel. “Summer Music”, de Barber, completa o programa.
Em uma deliciosa crônica – O Recital – a fabulosa imaginação de LF Verissimo cria uma situação inusitada. No recital de um quarteto de cordas (poucas coisas seriam mais formais) surge um ‘quinto elemento’, um homem com uma tuba, vindo dos bastidores. Ele posta-se ao lado do violoncelista e quer tocar, ora bolas! Quer acompanhar o conjunto, improvisar algo, fazer o um-pá-pá…
Eu me lembrei desta crônica assim que vi o repertório do álbum da postagem. O Ensemble Ouranos é formado por cinco músicos que tocam instrumentos de sopros, nenhuma tuba, quase, mas flauta, clarinete, oboé, fagote e trompa. Como diz o libreto, o conjunto foi fundado por cinco solistas do Conservatoire Supérieur de Paris e explora o repertório para quinteto de sopros com liberdade e entusiasmo.
O pessoal do Ensemble Ouranos foi conhecer o novo PQP Bach Warehouse Space, em Erechim
Como o tal repertório não é assim tão extenso, além de obras originais para essa formação, eles vão de arranjos, alguns bem inusitados, o que nos traz de volta ao início da postagem – quarteto de cordas e instrumentos de sopros. Neste álbum eles interpretam o Oitavo Quarteto de Cordas de Shostakovich em um arranjo para quinteto de cordas feito por David Walter.
Eu já havia ouvido o quarteto original antes e tudo indica que é, assim, um expoente na obra de DSCH, quem é mais entendido do que eu que o diga. Eu achei o arranjo convincente como peça de música, mas não é um quarteto de cordas.
Deu um trabalhão, mas conseguimos ver o Samuel sorrir…
No programa do álbum uma peça de Samuel Barber, escrita para a formação de quinteto de sopros, chamada Summer Music. A inspiração para a peça vem de Summertime (e do blues) de Gershwin e também em coisas de Stravinsky. É uma música bem bonita.
A peça da qual eu mais gostei foi o arranjo da suíte Le tombeau de Couperin, de Maurice Ravel.
O disco tem o mesmo jeitão dos lançamentos do selo Alpha, um pouco ‘fora da caixa’, mas tudo feito com muito bom gosto, em particular a capa, bem estilosa.
Maurice Ravel (1875-1937)
Le tombeau de Couperin (Transcription de Mason Jones)
Prélude
Fugue
Menuet
Rigaudon
Pavane pour une infante défunte (Transcription de Guy du Cheyron)
Pavane
Samuel Barber (1910-1981)
Summer Music, OP. 31
Slow and indolent
Lively, still faster
Faster
Tempo primo, joyous and flowing
Dmitri Shostakovich (1906-1975)
Quatuor N° 8 en ut mineur, Op. 110 (Transcription de David Walter)
Largo
Allegro molto
Allegretto
Largo
Largo
Élégie (Arrangement de Lady Macbeth de Mtsensk, op. 29 acte I Scène 3 : Zherebyonok kkobylke toropitsa, Transcription de Nicolas Ramez)
Postagem da highresaudio.com no fb: It is not a very conventional idea to think of Shostakovich as cozy. The Ouranos ensemble not only thinks so, they even play it that way. The outstanding French wind quintet proves this on its latest album, Constellations, complemented by works by Ravel and Barber. …
Enjoy this very fine and beautifully recorded album. Highly recommended *****
Viu? Enjoy, aproveite!
René Denon
Além do homem do um-pá-pá, há outras pessoas querendo acompanhar o grupo Ouranos
Simone Dinnerstein chega romanticamente com um variado programa de obras (barrocas) de Bach e transcrições de Busoni (Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ), Kempff (Nun freut euch, lieben Christen gmein) e Myra Hess (Jesus bleibet meine Freude) tocada em um piano moderno que ressoa com toda uma gama de sons com um certo abuso de pedal que embaça e mistura as vozes. Nos Concertos Nº 1 e 5 para teclado (OK…) e orquestra é acompanhada pela Kammerorchester Staatskapelle Berlin de forma muito precisa com uma pulsação hipnótica e uma forte linha de baixo. Mas o melhor é provavelmente a Suíte Inglesa Nº 3 de onde emerge toda a estranha personalidade da pianista. O disco alterna momentos genuinamente inspirados se alternam com execuções, digamos, idiossincráticas. Dinnerstein é uma pianista séria, claro, mas ainda não chega a Perahia, Schiff e Hewitt. A apresentação do CD é linda, com pinturas a óleo da própria pianista e o som é esplêndido.
J. S. Bach (1685-1750): Bach: A Strange Beauty (Dinnerstein)
1 Ich Ruf Zu Dir, Herr Jesu Christ, BWV 639
Arranged By [Arr.] – Busoni*
3:40
Keyboard Concerto No. 5 In F Minor, BWV 1056
2 Allegro 3:17
3 Largo 2:56
4 Presto 2:48
5 Nun Freut Euch, Lieben Christen Gmein, BWV 734
Arranged By [Arr.] – Kempff*
2:26
English Suite No. 3 In G Minor, BWV 808
6 Prélude 2:53
7 Allemande 5:02
8 Courante 1:59
9 Sarabande 4:13
10 Gavotte I/II 2:50
11 Gigue 2:20
Keyboard Concerto No. 1 In D Minor, BWV 1052
12 Allegro 8:00
13 Adagio 7:16
14 Allegro 7:13
15 Jesus Bleibet Meine Freude (Jesu, Joy Of Man’s Desiring), BWV 147
Arranged By [Arr.] – Hess*
3:53
Composed By – Johann Sebastian Bach
Orchestra – Kammerorchester Staatskapelle Berlin*
Piano – Simone Dinnerstein
Uchida não quis saber de regentes para fazer esta série de Concertos para Piano de Mozart. Não parece, mas são gravações feitas ao vivo, no Cleveland`s Severance Hall. Ela já tem uma integral destes concertos com a English Chamber Orchestra, sob a regência de Jeffrey Tate. 20 anos depois, nesta regravação destas obras-chave de seu repertório, Uchida vem um pouquinho pior… A culpa é mais da orquestra — dirigida por ela — do que da categoria da pianista, sempre excelente. Apesar do espetacular trabalho dos sopros, o tamanho da orquestra é demasiadamente grande para as peças. A abordagem também é excessivamente romântica para Mozart. Tate era mais Mozart na versão anterior de Uchida .
W. A. Mozart (1756-1791): Concertos No. 23, K. 488 & No.24, K. 491 (Cleveland, Uchida)
1. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 1. (Allegro) 14:43
2. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 2. Larghetto 8:04
3. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 3. (Allegretto) 9:55
4. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 1. Allegro 11:43
5. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 2. Adagio 6:47
6. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 3. Allegro Assai 8:18
Telemann foi um compositor extraordinariamente prolífico dentro da música para grupos camarísticos, explorando com maestria a forma do concerto grosso e do concerto para instrumentos solo, destacando-se pela invenção melódica e pelo colorido harmônico. Estas obras personificam a síntese característica do compositor, fundindo elegantemente a clareza e graça da música francesa, a vitalidade rítmica da escola italiana e o vigor contrapontístico e a solidez estrutural germânica. Também demonstrou uma curiosidade enorme sobre timbres, escrevendo concertos de câmara para combinações inusitadas e instrumentos considerados exóticos, como a viola d’amore, o chalumeau e a trombeta marinha. Compostos em sua maioria para o ambiente doméstico e social das burguesias de Frankfurt e Hamburgo, estes concertos são acessíveis em termos de técnica, porém ricos em conteúdo, permanecendo como pilares do repertório barroco e testemunhos do gênio eclético de Telemann. O MAK realizou muitas gravações de Telemann, fazendo a nossa vida mais feliz.
Georg Philip Telemann (1681-1767): Concertos da Câmara (Musica Antiqua Köln, Reinhard Goebel)
Konzert A-dur Für Zwei Skordierte Violinen Und Continuo 9:06
A1 1. Affettuoso 2:29
A2 2. Vivace 1:35
A3 3. Aria 2:21
A4 4. Bourrée 2:40
Konzert D-dur Für Vier Violinen Ohne Continuo 6:28
A5 1. Adagio 0:52
A6 2. Allegro 1:56
A7 3. Grave 2:11
A8 4. Allegro 1:25
Konzert A-moll Für Blockflöte, Viola Da Gamba, Streicher Und Continuo 14:56
A9 1. (Ohne Tempoangabe) 4:00
A10 2. Allegro 4:03
A11 3. Dolce 3:15
A12 4. Allegro 3:35
Konzert G-moll Für Blockflöte, Violinen Und Continuo 13:35
B1 1. (Allegro) 3:36
B2 2. Siciliana 5:33
B3 3. Bourrée 0:54
B4 4. Menuett 3:30
Konzert C-dur Für Vier Violinen Ohne Continuo 7:55
B5 1. Grave 1:22
B6 2. Allegro 3:09
B7 3. Largo E Staccato 1:54
B8 4. Allegro 1:30
Pra lá de interessante este CD de Dudamel e sua turma da Venezuela. São três peças de longa duração escritas por Tchai sobre temas shakespearianos: Hamlet, A Tempestade e Romeu e Julieta. Um ideia bem óbvia, né? Dudamel parece o Rattle dos primeiros anos, erra pouco e parece levar muito bem sua vida entre um país e outro. Atualmente, é o maestro titular da extraordinária Orquestra Sinfônica de Gotemburgo e diretor musical da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, além de ser a grande estrela da Simón Bolívar. Um fenômeno. Afinal, este filho de um trombonista com uma professora de canto é um cara que começou no El Sistema venezuelano e ainda não completou 32 anos. Muito se ouvirá ainda falar deste baixinho que também é violinista. Em Los Angeles, onde passa meses sem ir, é conhecida a expressão Where the hell is Dudamel?, de tal forma sua ausência é sentida.
Tchaikovsky & Shakespeare
1. Hamlet – Fantasy Overture after Shakespeare op. 67 [18:38]
2. The Tempest – Symphonic Fantacy after Shakespeare op. 18 [24:41]
3. Romeo and Juliet – Fantasy Overture after Shakespeare [22:14]
Simón Bolívar Symphony Orchestra of Venezuela
Gustavo Dudamel
Certa vez, o cidadão André Carrara, pianista da Ospa, perguntou sobre bons programas para orquestras. Fiz uma reles listinha, mas peço a ele que venha aqui. Por exemplo, o programa do disco abaixo, Tchaikovsky & Shakespeare, é maravilhoso e o deste disco também. Sim, sei, só cordas, mas e daí? É um belo programa com três peças populares e muito bonitas. Todos os elogios a Yuri Bashmet e seus Moscow Soloists. Aqui há música pra mais de metro. Das três peças, garanto-vos que Grieg e Tchai são fantasticamente bem interpretados. Não ouvi o Mozart pela simples razão de que já enchi o saco da Eine kleine Nachtmusik.
Grieg: Holberg Suite / Mozart: Eine kleine Nachtmusik / Tchaikovsky: Serenade for Strings
“Holberg Suite” (From Holberg’s Time), for string orchestra, Op. 40, de Edvard Grieg
1. Praeludium: Allegro vivace 2:38
2. Sarabande: Andante 3:28
3. Gavotte: Allegretto – Musette: Un poco mosso – Gavotte 3:30
4. Air: Andante religioso 5:22
5. Rigaudon: Allegro con brio 4:17
Serenade No. 13 for strings in G major (“Eine kleine Nachtmusik”), K. 525, de Wolfgang Amadeus Mozart
6 . Allegro 7:43
7. Romance: Andante 5:25
8. Menuetto: Allegretto 1:53
9. Rondo: Allegro 5:06
Serenade for strings (or piano, 4 hands) in C major, Op. 48
10. Pezzo in forma di sonatina: Andante non troppo – Allegro moderato 9:35
11. Walzer: Moderato, tempo di valse 3:29
12. Elegie: Larghetto elegiaco 8:35
13. Finale (Tema russo): Andante – Allegro con spirito 7:21
Este é um belo disco de Frans Brüggen em seus tempos de solista. E, puxa vida, o homem toca muito! Não é para menos que sua companhia é formada apenas por Anner Bylsma e Gustav Leonhardt. As sonatas são interpretadas pelo trio e as fantasias são obras para flauta solo. Eles todos estão perfeitos nestas obras do compositor que nosso amigo Pedro diz ser o melhor depois de nosso pai. (Não está longe da verdade, certo?) Um aviso: lá pelo meio do CD há uma ou duas faixas que apresentam pequenos defeitos. Eu optei por publicar porque é um grande CD e porque só poderei fazer a correção quando a dona do mesmo voltar do Chile, lá pelo final de fevereiro. Mas, repito, estamos frente a um belíssimo CD.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Sonatas e Fantasias para Flauta Doce (Brüggen, Bylsma, Leonhardt)
1. Sonata In F Major TWV 41:F2: Vivace
2. Sonata In F Major TWV 41:F2: Largo
3. Sonata In F Major TWV 41:F2: Allegro
4. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Largo
5. 12 Fantaisies A Travers, Sans Basse – Fantasia In D Minor TWV 40:4: Vivace
6. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Largo
7. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Vivace
8. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Allegro
9. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Largo
10. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Allegro
11. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Largo
12. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Vivace
13. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Largo – Spirituaoso – Allegro
14. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Adagio – Allegro
15. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Larghetto
16. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Vivace
17. Fantasia In A Minor TWV 40:11: A Tempo Giusto
18. Fantasia In A Minor TWV 40:11: Presto
19. Fantasia In A Minor TWV 40:11: Moderato
20. Fantasia In C Major TWV 40:2: Vivace
21. Fantasia In C Major TWV 40:2: Allegro
22. Der Getreue Music – Meister – Sonata In F Minor TWV 41:f1: Triste
23. Sonata In F Minor TWV 41:f1: Allegro
24. Sonata In F Minor TWV 41:f1: Andante
25. Sonata In F Minor TWV 41:f1: Vivace
26. Fantasia In B Flat Major TWV 40:12: Allegro – Adagio – Vivace – Adagio
27. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Affettuoso
28. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Presto
29. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Grave
30. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Allegro
31. Fantasia In F Major TWV 40:8: Alla Francese
32. Fantasia In F Major TWV 40:8: Presto
33. Sonata In C Major TWV 41:C2: Cantabile
34. Sonata In C Major TWV 41:C2: Allegro
35. Sonata In C Major TWV 41:C2: Grave
36. Sonata In C Major TWV 41:C2: Vivace
Frans Brüggen – flauta
Anner Bylsma – cello
Gustav Leonhardt – cravo
Um disco raro que foi relançado com outra capa pela Harmonia Mundi France. É esta a edição que eu tenho. O título da HM francesa é mais exato: Miniatures for young pianists, pois é disto que se trata. Tem muito exercício e muita fofura. Por exemplo, as 24 peças de Tchai para crianças foram composta exclusivamente com fins pedagógicos. As pecinhas, todas curtas, são intituladas como “A Doença da Boneca”, “Marcha dos Soldados de Chumbo”, etc. e foram dedicadas a seu sobrinho. O objetivo era proporcionar a jovens pianistas peças musicalmente ricas, porém tecnicamente acessíveis, que desenvolvessem tanto a técnica quanto a expressividade. Prokô e Shosta seguiram a onda. Um álbum agradável.
Tchaikovski / Prokofiev / Shostakovitch: Miniatures Russes Pour Piano (Rimma Bobritskaia, piano)
Album Pour Enfants Op. 29
Composed By – Pyotr Ilyich Tchaikovsky
1 Prière Du Matin 1:13
2 Matin D’hiver 1:02
3 Jouons à Dada! 0:37
4 Maman 0:56
5 Marche Des Soldats de Bois 0:50
6 La Poupée Malade 1:44
7 Enterrement de la Poupée 1:39
8 Valse 1:04
9 La Nouvelle Poupée 0:27
10 Mazurka 1:05
11 Chanson Russe 0:27
12 Le Paysan Joue de L’harmonica 0:44
13 Kamarinskïa 0:30
14 Polka 1:11
15 Chanson Italienne 0:58
16 Ancienne Chanson Française 1:13
17 Chanson Allemande 0:55
18 Chanson Napolitaine 1:02
19 Conte de la Nourrice 0:42
20 Baba-Yaga 0:38
21 Rêve Délicieux 2:14
22 Chant de L’alouette 0:52
23 Chanson Du Joueur de L’orgue de Barbarie 1:52
24 A L’église 0:46
Musique Pour Enfants Op. 65
Composed By – Sergei Prokofiev
25 Le Matin 1:53
26 Promenade 0:51
27 Historiette 2:13
28 Tarentelle 0:54
29 Repentir 1:49
30 Valse 1:07
31 Cortège Des Sauterelles 1:01
32 La Pluie Et L’arc En Ciel 1:15
33 Attrape Qui Peut 0:53
34 Marche 1:25
35 Le Soir 2:20
36 Sur Les Prés la Lune Se Promène 1:39
Pene Pati, o primeiro tenor samoano a se apresentar nos principais palcos da Europa, possui uma versatilidade excepcional em uma ampla gama de papéis, abrangendo compositores como Mozart, Massenet, Donizetti, Gounod, Puccini e Verdi.
Domingo é dia de ópera e o disco de hoje é um álbum com árias para tenor interpretadas per Pene Pati, um jovem cantor que nasceu na ilha Samoa e cresceu em Auckland, Nova Zelândia. Ele cantava desde sempre, mas tornar-se cantor de ópera veio um pouco depois. Fez parte de um trio – Sol 3 Mio – que teve um disco nas paradas de sucesso da Nova Zelandia em 2014.
Depois de completar sua formação lírica em Cardiff, no Reino Unido, com ajuda da Fundação e do apoio de Kiri Te Kanawa, vencer várias competições, ganhou os palcos dos teatros de ópera de todo o mundo.
Pene está literalmente casado com a ópera. Sua esposa, Amina Edris, também é cantora de ópera e tem uma participação especial no álbum, assim como Amitai Pati, irmão de Pene.
O programa do álbum consiste em 18 números escolhidos para mostrar as características do cantor, mas também reflete seu gosto pessoal. O resultado é uma mistura de árias muito conhecidas – Nessun dorma!, que dá nome ao álbum e talvez seja a mais famosa ária de ópera para tenor, ou Che gelida manina, também de Puccini – com outras menos conhecidas e mesmo alguma raridade.
O disco também alterna peças em italiano (de compositores como Puccini, Verdi, Mascagni) e em francês (Massenet, Berlioz, Gounod). Enfim, uma joia de disco, com ótimas peças para que você desfrute um ‘momento na ópera’!
Pene Pati
Giacomo Puccini (1858 – 1924)
Turandot, Act III: “Nessun Dorma”
Charles Gounod (1818 – 1893)
Faust, Act III: “Salut, demeure chaste et pure”
“Et toi, malheureux Faust” – C’est l’enfer qui t’envoie” – world premiere recording
Jules Massenet (1842 – 1912)
Manon, Act III: “Je suis seul”- Ah! fuyez douce image”
“É sempre um processo delicado criar um álbum que conte a sua história como artista e capture o seu crescimento como músico e a sua trajetória como cantor”, escreve Pene Pati. “Nessun Dorma demonstra o meu amor pela arte de contar histórias e pelas emoções que ela pode evocar… Ao ouvir este álbum, espero que ele o leve a uma jornada emocional.”
De minha parte, eu apenas espero que você tenha muito prazer em conhecer o trabalho desse artista genial, com uma enorme carreira ainda para percorrer.
Aproveite!
René Denon
Imagem de um ‘tenor nascido na Samoa’ enviada pela sempre prestativa equipe do Departamento de Artes do PQP Bach Publishing House a tempo de completar a postagem…
Esta caixa é tão, mas tão maravilhosa que nem vou perder tempo justificando a postagem de mais uma série. Apenas digo que serão 27 CDs em 320 kbps que trarão todas as 15 sinfonias, todos os 15 quartetos, todas as sonatas para algum instrumento + piano, o quinteto, trios, os concertos para piano, violino e violoncelo, as suítes… Enfim, é um tesouro! Enjoy!
Ah, tinha esquecido: IM-PER-DÍ-VEL!!!
(Os textos abaixo foram “roubados” do amigo Milton Ribeiro.
The Dmitri Shostakovich Edition (CDs 1, 2 e 3 de 27)
Sinfonia Nº 1, Op. 10 (1924-1925)
Shostakovich começou a escrever esta sinfonia quando tinha dezessete anos. Antes disso, tinha composto alguns scherzi que só interessaram à musicólogos. Sua estréia foi mesmo com esta Nº 1, terminada antes do autor completar vinte anos. Ela tornou aquele estudante de música, mais conhecido por ser o pianista-improvisador de três cinemas mudos de Petrogrado, internacionalmente célebre. Tal fama pode ser atribuída por Shostakovich ser o primeiro rebento musical do comunismo, mas ouvindo a sinfonia hoje, não nos decepcionamos de modo algum. É música de um futuro mestre.
Ela começa com um toque de trompete ao qual, se acrescentarmos um crescendo, tornar-se-á um tema de Petrouchka, de Igor Stravinski. Alguns regentes russos fazem esta introdução exatamemente igual à Petroushka. É algo curioso que o jovem Dmitri tenha feito esta homenagem, quando dizia que seus modelos – e isto foi comprovadíssimo logo adiante – eram Mahler, Bach, Beethoven e Mussorgski. Mas há mesmo algo de “boneca triste” no primeiro movimento desta sinfonia. O segundo movimento possui um curioso tema árabe, que é a primeira grande paródia encontrada em sua obra. Um achado.
O movimento lento, muito triste, é daqueles que a Veja consideraria uma comprovação do sofrimento do compositor sob o comunismo e de uma postura fatalista do tipo isto-não-vai-dar-nada-certo, porém acreditamos que a morte de seu pai, ocorrida alguns meses antes e a internação de Dmitri num sanatório da Criméia (ele contraíra tuberculose) tenha mais a ver. Há um belíssimo solo funéreo de oboé neste movimento.
CD 1
Symphony No. 1 in F minor Op. 10
1. Allegretto. Allegro ma non troppo
2. Allegro
3. Lento
4. Allegro molto, Lento Allegro molto
5. Symphony No. 2 in B major Op. 14 for Chorus & Orchestra
6. Symphony No. 3 in E flat major in E Flat major for Chorus & Orchestra
Rundfunkchor
WDR Sinfonieorchester
Rudolf Barshai
Sinfonia Nº 4, Op. 43 (1936) Uma sinfonia decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão os monumentais ecos destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios rarefeitos: Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minha preferência vai para o também mahleriano scherzo central. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro para a alienação e daí iria novamente para as mortes, representadas pela iminente segunda guerra. Trata-se de um Big Mac seríssimo.
CD 2
Symphony No. 4 in C minor Op. 43
1. Allegro poco moderato
2. Moderato con moto
3. Largo. Allegro
WDR Sinfonieorchester
Rudolf Barshai
Sinfonia Nº 5, Op. 47 (1937) Esta é a obra mais popular de Dmitri Shostakovich. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio, um scherzo composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os aficcionados, é uma obra apetitosa, por transformar a linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai a trouxe dizendo que era uma sinfonia muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele amava. Alguns consideram esta obra uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa freqüência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes…
Sinfonia Nº 6, Op. 54 (1939) Uma perfeição esta sinfonia cujo dramático, concentrado e lírico primeiro movimento (um enorme Largo) é seguido por dois allegros, sendo o último pra lá de burlesco, chegando a ser mesmo circense (Presto). A estrutura estranha e inexplicável tem o efeito, ao menos em mim, de uma compulsão por ouvi-la e reouvi-la. Acho que volto sempre a ela com a finalidade de conferir se o primeiro movimento é mesmo tão perfeito e profundo e para buscar uma explicação para a galinhagem final – isto aqui não é uma tese acadêmica, daí a palavra “galinhagem” ser permitida… Nossa sorte é que existe aquele segundo Allegro central para tornar a passagem menos chocante. Esta belíssima obra talvez faça a alegria de qualquer maníaco-depressivo. É uma trilha sonora perfeita para quem sai das trevas para um humor primaveril em trinta minutos. Começa estática e intelectual para terminar num circo. Simplesmente amo esta música! É um pacote completo e de só uma via com desespero, sorrisos e gargalhadas.
CD 3
Symphony No. 5 in D minor Op. 47
1. Moderato. Allegro non troppo. Moderato
2. Allegretto
3. Largo
4. Allegro non troppo. Allegro
Symphony No. 6 in B minor Op. 54
5. Largo
6. Allegro
7. Presto
Fechamos a caixa 6 com duas obras-primas absolutas. Ambas curtas, o Salmo 51, BWV 1083 — uma declaração de amor à música italiana na forma da adaptação de uma obra de Vivaldi, não? — e o Oratório da Páscoa se inscrevem com tranquilidade dentre as maiores composições de Bach. Logo logo o Avicenna ou outro dirá quem são os intérpretes, mas posso lhes garantir com tranquilidade que são de primeira linha. Um dos julgamentos que considero fatais em Bach é a forma — translúcida ou não — com que os gajos interpretam a ária Sanfte soll mein Todeskummer, do Oratório da Páscoa. Essa versão satisfez inteiramente o alto Padrão de Qualidade exigido por PQP Bach. Te mete!
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Bach 2000 – Caixa 6, CD 13
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BWV1083 Psalm 51 01 Versus 1 “Tilge,Höchster,meine Sünden”
BWV1083 Psalm 51 02 Versus 2 “Ist mein Herz”
BWV1083 Psalm 51 03 Versus 3 “Missetaten,die mich drücken”
BWV1083 Psalm 51 04 Versus 4 “Dich erzürnt mein Tun und Lassen”
BWV1083 Psalm 51 05 Versus 5-6 “Wer wird seine Schuld verneinen”
BWV1083 Psalm 51 06 Versus 7 “Sieh,Ich bin in Sünd empfangen”
BWV1083 Psalm 51 07 Versus 8 “Sieh,du willst die Wahrheit haben”
BWV1083 Psalm 51 08 Versus 9 “Wasche mich doch rein von Sünden”
BWV1083 Psalm 51 09 Versus 10 “Laß mich Freud und Wonne spüren”
BWV1083 Psalm 51 10 Versus 11-15 “Schaue nicht auf meine Sünden”
BWV1083 Psalm 51 11 Versus 16 “Öffne Lippen,Mund und Seele”
BWV1083 Psalm 51 12 Versus 17-18 “Denn du willst kein Opfer haben”
BWV1083 Psalm 51 13 Versus 19-20 “Laß dein Zion blühend dauern”
BWV1083 Psalm 51 14 Amen
BWV0245A Himmel, Reisse, Wet, Erbebe
BWV0245B Zerschmettert mich, Ihr felsen und ihr Hügel
BWV0245C Ach windet euch nicht so, geplagte seelen