O flautista, maestro, luthier e lenda brasileira Ricardo Kanji (1948-2025) comanda este bom CD com obras de Telemann. Kanji fundou, em 1966, o lendário Musikantiga, com seu irmão Milton Kanji, Dalton de Lucca e Paulo Herculano. Foi um dos pioneiros mundiais na música barroca, foi sucessor de seu mestre Frans Brüggen no Conservatório Real de Haia e membro fundador da Orquestra do século XVIII. “Trabalhei com os melhores músicos da cena de música antiga, na qual me especializei. Na Europa, esse movimento começou há cinquenta anos. Na Holanda, eu e meus professores estudamos muito os tratados, os métodos dos séculos XVII e XVIII. Pesquisamos como a música era feita nessa época para entender o que eles achavam importante em termos de acentuação e de interpretação e conhecer os seus gostos pessoais. Fomos reunindo todas essas informações e desenvolvemos uma forma de tocar baseada nesses conceitos completamente diversa da maneira romântica de se tocar”, contou em 2005. Este disco corrobora o cuidado e a enorme qualidade do trabalho de Kanji. E o repertório é muito bom!
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Suítes e Concerto para Flauta (Baroque Orchestra Concerto ’91, Ricardo Kanji)
Ouverture In C Major (Wasser-Ouverture)
1 Ouverture
2 Sarabande: Die Schlafende Thetis
3 Bourrée: Die Erwachende Thetis
4 Loure: Der Verliebte Neptunus
5 Gavotte: Spielende Najaden
6 Harlequinade: Der Scherzende Tritonus
7 Tempête: Der Stürmende Aeolius
8 Menuet: Der Angenehme Zephir
9 Gigue: Ebbe Und Fluth
10 Canarie: Die Lustigen Bots Leute
Concert In A Minor For Recorder And Viola Da Gamba, Strings And Basso Continuo; Hamburg, ±1734
11 Grave
12 Allegro
13 Dolce
14 Allegro
Ouverture Des Nations Anciens Et Modernes, Strings And Basso Continuo; Hamburg, ±1721
15 Ouverture
16 Menuet I
17 Menuet II
18 Les Allemands Anciens
19 Les Allemands Modernes
20 Les Suédos Anciens
21 Les Suédos Modernes
22 Les Danois Anciens
23 Les Danois Modernes
24 Les Vieilles Femmes
Conclusion; From Tafelmusik I, 2 Flutes, Strings And Basso Continuo, Hamburg, ±1733
25 Allegro – Largo – Allegro
Conductor – Ricardo Kanji
Graphic Design – Cornel Graphics
Orchestra – Baroque Orchestra Concerto ’91
Recorder – Pieter-Jan Belder
Viola da Gamba – Asako Morikawa

PQP




IM-PER-DÍ-VEL !!!

Onde está você, Cristina Ortiz? Dando master classes em Londres e Nova Iorque? Pois esta baiana faz a maior falta ao Brasil. Ou a Porto Alegre, pois acabo de ler que ela 
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Thomas Tomkins (1572–1656) foi um importante compositor inglês da Renascença tardia e do início do Barroco, pertencente à grande tradição polifônica da Inglaterra elisabetana e jacobina. Ele é visto como um dos últimos grandes polifonistas da escola inglesa, encerrando uma era que começou com Tallis e Byrd. Sua música, especialmente a sacra, permaneceu em uso em catedrais inglesas mesmo após a Restauração (1660). Sua produção reflete tanto a solenidade da tradição litúrgica quanto a sensibilidade humanista do final do Renascimento. Trabalhou como organista e mestre de coro na Catedral de Worcester e, mais tarde, tornou-se Gentleman (membro) da Capela Real, servindo sob os reinados de Elizabeth I, Jaime I e Carlos I. Viveu em um período turbulento: testemunhou a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), que levou ao fechamento de muitas igrejas e capelas, interrompendo sua carreira musical institucional. Compôs hinos sacros tanto em estilo polifônico tradicional quanto em estilo mais declamatório (verse anthems), adaptando-se às necessidades litúrgicas da Igreja da Inglaterra. Escreveu também madrigais e canções, incluindo contribuições para a antologia The Triumphs of Oriana (1601), uma coletânea em homenagem à rainha Elizabeth I. Além disso, deixou obras para órgão e virginal, muitas vezes de caráter contrapontístico. Mesmo em meio à transição para o estilo Barroco (com homofonia e baixo contínuo), Tomkins manteve uma linguagem polifônica densa e rica, influenciada pela tradição de Byrd e Tallis.
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Os “Concertos em Sete Partes” (Concerti Grossi in Seven Parts), de Charles Avison, têm uma relação direta com Domenico Scarlatti. Avison baseou explicitamente esses 12 concerti grossi (publicados em 1744) em temas extraídos das sonatas para cravo de Domenico Scarlatti. Avison admirava profundamente a inventividade melódica e harmônica de Scarlatti. Ele não apenas orquestrou as sonatas, mas realizou um trabalho de transcrição e adaptação, reorganizando e combinando temas de várias sonatas de Scarlatti (que eram peças para teclado solista) no formato do concerto grosso barroco, para orquestra de cordas e continuo, que era popular na Inglaterra da época, seguindo o modelo de Corelli. Essa coleção é considerada um dos exemplos mais extensos e ambiciosos da adaptação da obra de um compositor para um meio diferente no século XVIII. Foi uma forma de popularizar a música de Scarlatti no contexto de concerto inglês. Charles Avison era o mais importante compositor e teórico musical inglês de sua geração, atuando principalmente em Newcastle. Obviamente, nutria grande admiração pela música italiana, especialmente por Corelli, Geminiani e Scarlatti. Ele via em Scarlatti uma fonte de “Fantasia e Fogo” musical. A escolha de Scarlatti como fonte foi ousada, pois suas sonatas eram consideradas modernas, virtuosísticas e continham harmonias audaciosas para a época. Os Concertos em sete partes de Avison são, em essência, uma homenagem e uma reelaboração artística da obra de Domenico Scarlatti.


Um grande disco com um belo concerto e três das melhores Aberturas (ou Suítes) de Telemann. Gosto muito de La Bouffonne e da Grillen, mas adoro mesmo é a Alster, com sua radical irreverência. A versão deste disco é mais comportada do que a da Akademie für alte Musik Berlin, mas ainda assim é muito digna. No vídeo abaixo, temos a Akademie dando um banho de conhecimento sobre como abordar o grande Telemann, compositor muito inferior a Bach, mas infinitamente mais popular do que o mestre em suas épocas. Ouçam por exemplo o vídeo abaixo a partir dos 8min30. A Akademie se esparrama, enquanto que O Collegium Musicum 90 apenas se deita.
Este é outro disco imperdível desta compositora polonesa muito pouco conhecida no Brasil. Uma injustiça. São obras realmente consistentes trazidas pela gravadora Chandos que acertou em cheio ao escalar a também polonesa Joanna Kurkowicz. O sétimo concerto é maravilhoso e mostra uma compositora — Bacewicz era também violinista — absolutamente segura. Os dois dois concertos também são bons, mas tão modernos quanto o sétimo.






O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.










