Telemann (1681-1767): Concertos para Viola – Aberturas – Fantasias – Antoine Tamestit & Akademie für Alte Musik Berlin ֎

Telemann (1681-1767): Concertos para Viola – Aberturas – Fantasias – Antoine Tamestit & Akademie für Alte Musik Berlin ֎

Telemann

Concertos para Viola e Aberturas

Sonata e Fantasias

Antoine Tamestit, viola

Akademie für Alte Musik Berlin

 

Ano novo, disco novo! O disco é de 2022 e tem muitas virtudes: ótimo solista e excelente orquestra. A escolha do repertório também. Cheguei a ele atraído pelo Concerto para Viola, que conhecia de um disquinho produzido pela Naxos. E o concerto está renovado neste disco, como que renascido. Há na parte de trás do disco um texto mencionando o pioneirismo de Telemann ao escrever música para solo de viola. Pois ouvindo tudo, lembro também a enorme habilidade que ele tinha de encontrar uma melodia adequada para cada instrumento.

Antoine Tamestit

O programa também nos oferece uma boa variação. Temos duas suítes orquestrais com música colorida e com um certo sabor exótico, uma sonata para duas violas e duas fantasias escritas para violino solo, arranjadas para viola pelo solista, Antoine Tamestit. Para fechar o programa, um concerto para duas violas.

Antoine Tamestit atua como músico de câmara, fazendo parte de um Trio de Cordas, com o violinista Frank Peter Zimmermann e com o violoncelista Christian Poltéra, com os quais gravou trios de Mozart e Beethoven. Tem atuado com a Akademie für Ancient Musik Berlin, participando da gravação dos Concertos de Brandemburgo. Antoine também gravou um concerto para viola escrito para ele pelo compositor contemporâneo Jörg Widmann. Este disco eu não ouvi, mas fiquei curioso.

Georg Philipp Telemann (1681 – 1767)

Overture (Suite) TWV 55:B8 em si bemol maior para cordas e b.c. ‘Ouverture burlesque’

  1. Ouverture. Lentement – Vif – Lentement
  2. Scaramouches. Vite
  3. Harlequinade. Plaisant
  4. Colombine. Con grazia
  5. Pierrot. Vite
  6. Menuet I – Menuet II. Vivement
  7. Mezzetin en Turc. Très vite

Concerto TWV 51:G9 em sol maior para viola, cordas e b.c.

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Andante
  4. Presto

Sonata en Canon TWV 40:121 em ré menor

  1. Vivace ma moderato
  2. Piacevole non largo
  3. Presto

Fantasia para solo de violino No. 2 em sol maior, TWV 40:15

arr. for viola: Antoine Tamestit

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Allegro

Overture (Suite) TWV 55:g2 em sol menor para cordas e b.c. ‘La Changeante’

  1. Overture. Lentement – Vite – Lentement
  2. Loure
  3. Les Scaramouches. Vitement
  4. Menuet I – Menuet II. Doux
  5. La Plaisanterie
  6. Hornpip
  7. Avec douceur
  8. Canarie

Fantasia para solo de violino No. 1 em si bemol maior, TWV 40:14

Arr. for viola: Antoine Tamestit

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Grave
  4. Allegro da capo

Concerto TWV 52:G3 em sol maior para duas violas, cordas e b.c.

  1. Avec douceur
  2. Gaÿ
  3. Largo
  4. Vivement

Antoine Tamestit, viola

Sabine Fehlandt, segunda viola (Sonata e Concerto)

Akademie für Alte Musik Berlin

Bernhard Forck

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FLAC | 350 MB

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MP3 | 320 KBPS | 168 MB

Viola e seu irmãozinho

A precursor in this field as in so many others, Telemann gave the viola its very first masterpieces, immediately establishing it as a solo instrument in its own right.

Alongside Sabine Fehlandt and the musicians of the Akademie für Alte Musik Berlin, Antoine Tamestit pays splendid tribute to this pioneering music, which blends melodic charm and contrapuntal rigour into an organic whole.

AAM Berlin

Aproveite!
René Denon

E não me venham com piadas sobre a viola…

Chopin – Etudes, op. 25, 4 Scherzi – Beatrice Rana

Este com certeza foi um dos discos mais aguardados de 2021, desde os primeiros comentários e releases da Warner já fiquei ansioso por seu lançamento. E não canso de dizer que valeu a espera. Não por acaso, a prestigiosa revista Gramophone, entre outras revistas especializadas, o listou como um dos principais lançamentos do ano. e alçou o nome de Beatrice Rana ao dos grandes pianistas da atualidade, fato já comprovado em outros lançamentos da pianista.

Beatrice Rana é uma jovem pianista italiana, apenas 28 anos de idade, e depois desta extraordinária execução destes dificílimos estudos de Chopin, fico pensando em quais serão seus projetos para o futuro? Qual preciosidade irá nos entregar? Por que, convenhamos, lançar um CD com estudos de Chopin ainda tão no início de carreira pode ser uma temeridade, não acham?

Desde o início do CD já entendemos que o assunto será tratado com muita seriedade, porém com leveza. Intensa nos momentos em que assim é exigido, suave nos momentos mais líricos, mas em ambos os casos, o que ouvimos é pura poesia. A impressão que tenho é que procura o tempo todo conter os impetos de seu sangue italiano. Vejam esse vídeo do Youtube para entenderem do que estou falando:

A própria Warner disponibiliza outros vídeos desta gravação. Vale a pena assistir e entender o processo de formação de uma estrela. Ainda vamos ouvir falar muito dessa mocinha.

01. 12 Études, Op. 25- No. 1 in A-Flat Major, -Aeolian Harp-
02. 12 Études, Op. 25- No. 2 in F Minor
03. 12 Études, Op. 25- No. 3 in F Major
04. 12 Études, Op. 25- No. 4 in A Minor
05. 12 Études, Op. 25- No. 5 in E Minor
06. 12 Études, Op. 25- No. 6 in G-Sharp Minor
07. 12 Études, Op. 25- No. 7 in C-Sharp Minor
08. 12 Études, Op. 25- No. 8 in D-Flat Major
09. 12 Études, Op. 25- No. 9 in G-Flat Major, -Butterfly-
10. 12 Études, Op. 25- No. 10 in B Minor
11. 12 Études, Op. 25- No. 11 in A Minor, -Winter Wind-
12. 12 Études, Op. 25- No. 12 in C Minor
13. Scherzo No. 1 in B Minor, Op. 20
14. Scherzo No. 2 in B-Flat Minor, Op. 31
15. Scherzo No. 3 in C-Sharp Minor, Op. 39
16. Scherzo No. 4 in E Major, Op. 54

Beatrice Rana – Piano

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J.S. Bach (1685-1750): Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne — Missa BWV 234 / Cantata BWV 198 / Peças para órgão (Kobow, MacLeod, Jacob, Fuge, Mena, Luis Otavio Santos, Ricercar Consort, Philippe Pierlot)

J.S. Bach (1685-1750): Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne — Missa BWV 234 / Cantata BWV 198 / Peças para órgão (Kobow, MacLeod, Jacob, Fuge, Mena, Luis Otavio Santos, Ricercar Consort, Philippe Pierlot)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD sensacional, verdadeiramente imperdível. Aqui, como acontece nos grandes trabalhos, o todo é maior do que a soma das partes. Os solistas e músicos estão perfeitos e Philippe Pierlot extrai o melhor deles com base em sua compreensão técnica e intuitiva do que é essa esplêndida música. Além disso, dificilmente posso citar outro CD que seja melhor projetado para capturar o calor e os detalhes de uma apresentação musical do que este. O repertório é muito bem concebido, e o uso do órgão de Francis Jacob tocando para marcar a divisão entre as principais obras neste disco é apenas um exemplo da consideração que foi dada a cada detalhe na produção. Se não for muito fantasioso, sou tentado a pensar na inserção do Prelúdio BWV 544 entre a Missa e a Cantata 198 serve como como a água que servida junto com café espresso, para limpar e ativar as papilas gustativas. Claro que o Prelúdio têm mérito por si só, mas você se beneficiará com isso, entre outros toques cuidadosos, ao reproduzir o CD completo.  No mais, são obras lindíssimas de Bach, especialmente o Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne. Ouça e você voltará a essa música muitas vezes.

Destaque para a presença do grande Luis Otavio Santos como spalla da orquestra. Esse mineiro é genial! Nascido em 1972, Luis Otavio Santos é formado em violino barroco pelo Koninlkijk Conservatorium de Haia (Holanda), onde foi discípulo de Sigiswald Kuijken e obteve o Master’s degree em 1996. Desde 1992, desenvolve intensa carreira na Europa como líder e solista de eminentes grupos de música antiga, tais como La Petite Bande (Bélgica), Ricercar Consort (Bélgica) e Le Concert Français (França). Foi professor na Scuola di Musica di Fiesole, em Florença (de 1997 a 2001) e no Conservatoire Royale de Musique de Bruxelles (de 1998 a 2005). Luis Otavio atua como diretor artístico do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora. Também é fundador e coordenador do Núcleo de Música Antiga da EMESP, onde leciona violino barroco. É doutor em música pela UNICAMP.

J.S. Bach (1685-1750): Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne — Missa BWV 234 / Cantata BWV 198 / Peças para órgão (Kobow, MacLeod, Jacob, Fuge, Mena, Luis Otavio Santos, Ricercar Consort, Philippe Pierlot)

Missa A 4 Voici. 2 Travers. 2 Violini, Viola E Continuo, BWV 234
1 Kyrie 2:43
2 Christe, Lente E Piano 1:44
3 Kyrie, Vivace 1:24
4 Gloria, Vivace – Adagio E Piano E Forte-Adagio E Piano – Vivace E Forte-Adagio E Piano-Vivace E Forte-Adagio 5:28
5 Domine Deus, Andante 5:52
6 Qui Tollis 6:16
7 Quoniam 3:41
8 Cum Sancto Spiritu, Grave-Vivace

9 Praeludium In Organo Pleno, Pedal, BWV 544 6:51

Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne, BWV 198
10 Chorus: “Lass, Fürstin, Lass Noch Einen Strahl” 5:28
11 Recitativo: “Dein Sachsen, Dein Bestürztes Meissen” 1:18
12 Aria: “Verstummt, Verstummt, Ihr Holden Saiten!” 3:19
13 Recitativo: “Der Glocken Bebendes Getön” 0:58
14 Aria: “Wie Starb Die Heldin So Vergnügt!” 6:56
15 Recitativo: “Ihr Leben Lies Die Kunst Zu Sterben” 1:02
16 Chorus: “An Dir, Du Fürbild Grosser Frauen” 1:56
17 “Herzlich Tut Mich Verlangen” A 2 Claviers Et Pédale, BWV 727 2:33

Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne, BWV 198
18 Aria: “Der Ewigkeit Saphirnes Haus” 3:56
19 Recitativo: “Was Wunder Ist’s? Du Bist Es Wert” 2:32
20 Chorus Ultimus Post 2am Partem: “Doch Königin Du Stirbest Nicht!” 4:59

21 Fuga, BWV 544 6:07

Alto Vocals [Soloist] – Carlos Mena (2)
Bass Vocals [Soloist] – Stephan MacLeod
Cello – Julie Borsodi, Rainer Zipperling
Contrabass – Frank Coppieters
Directed By – Philippe Pierlot (2)
Ensemble – Ricercar Consort
Flute – Georges Barthel, Marc Hantaï
Harpsichord – François Guerrier
Lute – Eduardo Egüez
Oboe d’Amore – Alessandro Piqué*, Peter Wuttke
Organ – Francis Jacob
Soprano Vocals [Soloist] – Katharine Fuge
Tenor Vocals [Soloist] – Jan Kobow
Viola – Gabriel Grosbard, Stephen Freeman (2)
Viola da Gamba – Kaori Uemura, Philippe Pierlot (2), Sofia Diniz
Violin – Blai Justo, Dmitri Badiarov*, Mika Akiha, Sandrine Dupé, Sophie Gent
Violin, Concertmaster – Luis Otavio Santos

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Luis Otávio Santos

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 14, 17 & 21

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 14, 17 & 21

Este é daqueles discos necessários em qualquer boa discoteca. Quem tem vivência com eruditos até já encheu um pouco o saco; quem não tem tanta rodagem, tem que conhecer. A interpretação de Maria João Pires mais a regência de Claudio Abbado são garantia de qualidade. Ambos são competentíssimos e grandes especialistas em Mozart. Para quem está sendo apresentado às obras, procure ouvir a delicadeza do dedilhado e do som da fantástica portuguesa Maria João. O que você ouvirá é uma das mais perfeitas expressões do mestre de Salzburgo. Aproveite.

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 14, 17 & 21

1. Mozart: Piano Concerto No.14 In E Flat, K.449 – 1. Allegro vivace 8:34
2. Mozart: Piano Concerto No.14 In E Flat, K.449 – 2. Andantino 6:51
3. Mozart: Piano Concerto No.14 In E Flat, K.449 – 3. Allegro ma non troppo 5:59

4. Mozart: Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 1. Allegro (Live At Teatro Comunale, Ferrara 1993) 12:02
5. Mozart: Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 2. Andante (Live At Teatro Comunale, Ferrara 1993) 9:52
6. Mozart: Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 3. Allegretto (Live At Teatro Comunale, Ferrara 1993) 7:24

7. Mozart: Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 1. Allegro 14:03
8. Mozart: Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 2. Andante 6:09
9. Mozart: Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 3. Allegro vivace assai 6:39

Maria João Pires, piano
Chamber Orchestra of Europe
Vienna Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado

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Pires e Abbado combinam: vamos fazer o melhor Mozart que esses caras já ouviram
Pires e Abbado combinam: vamos fazer o melhor Mozart que esses caras já ouviram

PQP

.: interlúdio :. Miles Davis: Kind of Blue

.: interlúdio :. Miles Davis: Kind of Blue

FDP escreveu em 26 de maio de 2008:

Já foram vários os pedidos para que este álbum fosse postado, mas sempre fomos protelando. Hoje, conversando com um amigo (que me lembrou do dia 25), resolvi encarar.

O que podemos falar sobre “Kind of Blue”, considerado pela crítica especializada o melhor álbum de jazz já gravado, aquele que encabeça a maior parte das listas de Top 10 desde seu lançamento em 1959, o maior sucesso de vendas da carreira de Miles, aquele que segundo reza a lenda a Columbia, e posteriormente a Sony, jamais deixaram de prensar, seja em LP, seja em CD, um disco por muitos considerados perfeito, difícil de se encontrar um momento que possa ser considerado mais fraco? Sem palavras… Coltrane, Cannonball Aderley, Bill Evans, Paul Chambers, Winton Kelly e Jimmy Cobb.. poucas formações foram tão fantásticas quanto esta..

E BlueDog respondeu na mesma data:

Kind of Blue em tópicos rápidos:
• Gravado em 22 de março (lado A, as três primeiras faixas) e 09 de abril de 1959 (lado B)
• Lançado em 17 de agosto daquele mesmo ano
• O álbum mais vendido da história do jazz
• E um dos mais importantes e influenciais de toda a música
• Nasceu do esgotamento do bebop diante da criatividade de Miles
• E do seu encontro com um livro chamado Lydian Chromatic Concept of Tonal Organization
• Kind of Blue, em termos de composição, foi precedido pela faixa Milestones, do disco homônimo de 58
• Marca o surgimento do jazz modal – baseado em escalas, ao invés de acordes
• E disso, um retorno à melodia, ao invés do duo técnica + velocidade do bebop
• É um disco que flui fácil nos ouvidos à primeira audição; na segunda, se percebe a enorme complexidade dos temas
• Gênio? disse Bill Evans: “Miles conceived these settings (as escalas) only hours before the recording dates.

“So What” consists of a mode based on two scales: sixteen measures of the first, followed by eight measures of the second, and then eight again of the first. “Freddie Freeloader” is a standard twelve bar blues form. “Blue in Green” consists of a ten-measure cycle following a short four-measure introduction. “All Blues” is a twelve bar blues form in 6/8 time. “Flamenco Sketches” consists of five scales, each to be played “as long as the soloist wishes until he has completed the series”.

• Evidentemente, a banda também não sabia quase nada sobre o que gravaria ao chegar no estúdio
• Wynton Kelly, que havia substituído Bill Evans há pouco no grupo de Davis, toca apenas “Freddie Freeloader”
• E Cannonball Adderley não participa de “Blue in Green”
• Sobre a obra, definiu Chick Corea: “It’s one thing to just play a tune, or play a program of music, but it’s another thing to practically create a new language of music, which is what Kind of Blue did.”

Este cão, que não sabe contar – e muito menos entende de teoria musical – apenas esmigalha informação disponível, e lembranças, para os leitores. Assim como não esquece da melhor crônica que já leu sobre Kind of Blue, escrita no blog de Rafael Galvão – e compartilha. Inadvertidamente, a copio abaixo. É também resenha do livro de Ashley Kahn sobre Kind of Blue. Leiam logo, antes que ele descubra. 

Kind of Blue
Oct 5th, 2007 por Rafael Galvão

Há algo de desgraçado no jazz. Algo que faz com que ninguém o ouça impunemente, que condena aquele que o conhece a nunca mais conseguir voltar atrás, a nunca mais se contentar de verdade com menos que aquilo; algo que eleva, para sempre, os padrões pelos quais se julga a música, qualquer tipo de música, não apenas a popular.

É difícil, para aquele que ouve o trompete de Louis Armstrong, ouvir qualquer outra música com trompete e não exigir que tenha a mesma qualidade, a mesma qualidade dramática, a mesma síncope, o mesmo swing — em última instância, as mesmas notas altas e desesperadas. E isso vale também para o piano, para o trombone, para o saxofone. É no jazz que a banda de música tradicional atinge o ápice, que eleva a arte de tocar esses instrumentos à perfeição.

O jazz é a forma superior de música popular. É o que de melhor fez um século que viu a música erudita se diluir em redundâncias medíocres como as trilhas para cinema ou grandes vazios como a música experimental, e que teve como principal trilha sonora o rock e o pop, galhos menos floridos do mesmo tronco que gerou o jazz.

E Kind of Blue, disco de Miles Davis, é a forma superior de jazz. Nunca mais o jazz atingiria um ponto semelhante, de perfeição quase absoluta. Foi ali, em um disco com a participação de mestres como John Coltrane e Bill Evans, gravado em duas sessões, com o primeiro take sendo o que valia, que o jazz atingiu a perfeição. Kind of Blue é um desses discos fundamentais por uma razão: é perfeito. Das notas iniciais de So What à última nota de All Blues, o que se tem não é a apenas a obra-prima do que chamavam jazz modal; é uma síntese de tudo o que o jazz tinha feito até aquele momento, do dixieland ao bebop: é a música popular elevada ao nível máximo que ela pode alcançar, quase ao nível da música erudita tradicional.

Embora tenham sido Louis Armstrong e Duke Ellington a dar ao jazz o status de arte, foi aquela geração — Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Miles Davis e John Coltrane, pela ordem — que elevou o jazz ao ponto máximo da música ocidental. Uma geração ambiciosa, consistente, que explodia os limites da música e apontava uma infinidade de caminhos ao mesmo tempo em que solidificava, com um talento nunca mais igualado, uma tradição de 50 anos de jazz. Infelizmente, quase na mesma época surgiria Ornette Coleman com uma nova mudança, e a porteira seria aberta para bobagens como free jazz e fusion; mas isso não importa. Ouve Ornette Coleman quem quer e quem gosta. O importante, mesmo, é que há um disco que explica, sem sequer uma palavra, o que é o jazz, que concentra em cinco faixas cinqüenta anos do mais assombroso gênero musical que o século XX criou. E esse disco é Kind of Blue.

A Barracuda, do Freddy Bilyk, lançou no começo deste ano um livro que conta a saga desse disco: “Kind of Blue — A história da obra prima de Miles Davis“, de Ashley Kahn, conta a história desse disco de maneira inteligente e simples. Contextualiza o disco em sua época e nas trajetórias de seus músicos, sem perder tempo com fofocas e explorações sensacionalistas ou simplesmente mundanas de detalhes pouco importantes, como os problemas com drogas que praticamente todos eles enfrentaram.

Kahn mostra o processo de criação das músicas, explicando a razão de cada termo utilizado com clareza e simplicidade notáveis. Detalha cada sessão, e explica cada música de um jeito simples mas completo. Explica por que o disco foi tão importante. E explora o legado de um álbum que foi recebido sem tanta euforia, mas que aos poucos se consolidou como o disco mais importante da história do jazz.

A importância de Miles Davis pode ser medida pelo que ele disse em um jantar na Casa Branca. Naquela ocasião, ele não mentiu. E Kind of Blue foi uma dessas revoluções. Talvez não tão importante, do ponto de vista “revolucionário”, quanto Birth of Cool; mas um disco estupidamente superior.

Por explorar com simplicidade um assunto tão fascinante mas ao mesmo tempo tão complexo, “Kind of Blue” é um daqueles livros indispensáveis para quem gosta de jazz, mas também para músicos que querem saber como pode funcionar uma sessão de gravação. É importante, também, para compositores que buscam densidade em seu processo criativo.

Há alguns anos, a Gabi me convidou para escrever uma coluna sobre jazz no site da Antena 1. A resposta foi a costumeira, uma recusa, mas dessa vez não foi apenas pela falta de tempo crônica: eu sabia que jamais poderia escrever sobre jazz porque isso requer uma erudição que eu, definitivamente, não tenho. Palavras e expressões como diatônica, escala cromática, modalismo não fazem parte do meu vocabulário habitual. E ler “Kind of Blue” me deixou com a certeza de que eu estava certíssimo ao dizer não. Mas, ainda mais que isso, me deu o conforto de saber que um sujeito como Ashley Kahn pode tornar essas palavras difíceis compreensíveis até para mim.

Miles Davis – Kind of Blue

01 – So What
02 – Freddie Freeloader
03 – Blue In Green
04 – All Blues
05 – Flamenco Sketches
06 – Flamenco Sketches (Alternate Take)

Miles Davis – Trompete
Julian “Cannonball” Adderley – Saxofone Alto (exceto “Blue in Green”)
John Coltrane – Saxofone Tenor
Bill Evans – Piano (exceto “Freddie Freeloader”)
Wynton Kelly – Piano ( em “Freddie Freeloader”)
Paul Chambers – Contrabaixo
Jimmy Cobb – Bateria

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Foto de uma das sessões de gravação de Kind of Blue

FDP / BlueDog

.: interlúdio :. John Coltrane: A Love Supreme

.: interlúdio :. John Coltrane: A Love Supreme

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Love Supreme — 50 anos

(Já começo desvirtuando a regra do blog: não indico o nome do compositor no início do título do post. Como fui convidado a ocupar algumas arestas por aqui — e não dividir a casa ao meio, diferencio para facilitar a navegação dos leitores que preferirem a programação normal.)

Fiquei pensando em de que forma começar desde que aceitei participar do PQP Bach. Depois de considerar algumas opções – querendo fazer uma assertiva inicial dessa escolha -, optei pela primeira idéia. Verdade: começar a falar sobre jazz com “A Love Supreme”, de John Coltrane, é arriscar demais cair num clichê. Mas o ouvinte qualificado – e o é certamente o leitor deste blog – jamais qualificaria este disco como qualquer coisa próxima a datado.

“A Love Supreme” foi gravado em uma única sessão direta, executada na ordem em que as músicas aparecem no disco, no dia 9 de dezembro de 1964. Desde lá, tem sido responsável por 33 minutos que frequentemente o definem como uma das maiores gravações de jazz de todos os tempos. Um álbum que qualificou Coltrane como um deus do jazz – uma suíte dividida em quatro partes, dedicada… a Deus.

During the year 1957, I experienced by the grace of God, a spiritual awakening which was to lead me to a richer, fuller, more productive life. At that time, in gratitude, I humbly asked to be given the means and privilege to make others happy through music. [original liner notes]

Em 57 Coltrane havia sido deixado pelas mudanças de direção musical do quinteto de Miles Davis, e estava em péssimo estado, físico e mental, debilitando pelo vício em heroína. 7 anos depois ele estava limpo, havia tocado com Monk, liderado seu próprio quarteto, aceitado as influências das religiões orientais em sua concepção de divino – e pronto para compor sua obra-prima.

A versão aqui apresentada de “A Love Supreme” só não vai agradar aos já veteranos do assunto: é a [última] edição de luxo, que além da gravação original, traz o registro ao vivo da única noite em que a suíte completa foi interpretada. Coltrane, no entanto, teria ficado pouco satisfeito com a qualidade do áudio — o que é fato. Apesar disso é um show que mostra, 6 meses depois do álbum, que o quarteto tomava a firme direção do free jazz.

Além disso, estão incluídos takes alternativos de Resolution e Acknowledgement – estes últimos, objetos de anos e anos de espera de aficcionados por contar com mais dois músicos na formação: o sax tenor de Archie Shepp e Art Davis num segundo baixo. Os takes foram gravados no dia seguinte, 10/12/64.

A Love Supreme (320 kbps)
John Coltrane: tenor saxophone, bandleader
McCoy Tyner: piano
Jimmy Garrison: bass
Elvin Jones: drums
Produzido por Bob Thiele para a Impulse!

DISC ONE | Original Album
A1999 Part 1 – Acknowledgement 999 7:43
A2 Part 2 – Resolution 7:20
B Part 3 – Pursuance 10:42
Part 4 – Psalm 7:05

DISC TWO | Bonus
01 Introduction by André Francis 1:13
02 Part 1 – Acknowledgement (Live Version) 6:12
03 Part 2 – Resolution (Live Version) 11:37
04 Part 3 – Pursuance (Live Version) 21:30
05 Part 4 – Psalm (Live Version) 8:49
06 Part 2 – Resolution (Alternative Take) 7:25
07 Part 2 – Resolution (Breakdown) 2:13
08 Part 1 – Acknowledgement (Alternative Take) 9:09
09 Part 1 – Acknowledgement (Alternative Take) 9:23

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John Coltrane, um clássico aos 50 anos
John Coltrane, um clássico aos 50 anos

Blue Dog

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Baixo – David Greco – Luthers Bach Ensemble – Tymen Jan Bronda ֎

BACH

Cantatas BWV 56, 82 & 158

David Greco, baixo

Luthers Bach Ensemble

Tymen Jan Bronda

Este disco contém três cantatas para solo de baixo. Duas delas são espetaculares – BWV 56 e 82. Pesquisadores acreditam que ambas foram escritas para o mesmo solista, um estudante de direito em Leipzig, chamado Johann Christian Samuel Lipsius.

Eu tenho uma forte predileção pela Cantata BWV 82 e acho que o Johann Sebastian também tinha. Há quatro versões dela e a ária ‘Schlumert ein’, uma das mais bonitas que ele escreveu, também aparece em um caderno de música de Anna Magdalena Bach. É uma linda canção de ninar. Mas, um aviso aos navegantes, Albert Schweitzer a chamava Canção de Ninar para o Sono Eterno! Isso é porque toda a cantata reflete a perspectiva que o ambiente onde Bach vivia tinha sobre a morte – Ich habe genug –, o título e primeira frase da cantata, é algo assim como ‘Já deu para mim’. A morte era a passagem do misere terrestre, com dores e furúnculos, para o alívio e descanso eterno. Bom, muito o que pensar aqui, mas vamos a música, que é ótima!

Greco dando uma força para os baixos do Coral do PQP Bach em uma apresentação dia destes…

O solista do disco da postagem é australiano – David Greco – e completou sua formação na Holanda, onde colaborou com o pessoal do Luthers Bach Ensemble desde a sua formação. Assim, apesar de bastante jovem, ele é muito experiente para interpretar estas grandes obras.

Eu sei que este repertório já foi gravado por muitos cultuados intérpretes. Eu particularmente gosto das interpretações (bastante diferentes) de Olaf Bär, Thomas Quasthoff e Peter Kooy. Mas deixem essas feras guardadas e aproveitem esta beleza de disco. Ouça como a escolha de instrumentos dedilhados para reforçar o baixo contínuo torna esta gravação ótima.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Cantata BWV 82 ‘Ich habe genug’

  1. Ich habe genug
  2. Ich habe genug! Mein Trost ist nur allein
  3. Schlummert ein, ihr matten Augen
  4. Mein Gott! Wann kömmt das schöne
  5. Ich freue mich auf meinen Tod

Cantata BWV 158 ‘Der Friede sei mit dir’

  1. Der Freide sei mit dir
  2. Welt, ade, ich bin dein müde
  3. Recitative and Arioso. Nun Herr, regiere meinen Sinn
  4. Hier ist das rechte Osterlamm

Cantata BWV 56 ‘Ich will den Kreuzstab gerne tragen’

  1. Ich will den Kreuzstab gerne tragen
  2. Mein Wandel auf der Welt
  3. Endlich, endlich wird mein Joch
  4. Recitative and Aria. Ich stehe fertig und bereit
  5. Coro: Komm, o Tod, du Schlafes Bruder

David Greco, baixo

Joanna Huszcza, violino

Amy Power, oboé

Luthers Bach Ensemble

Tymem Jan Bronda

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FLAC | 221 MB

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MP3 | 320 KBPS | 116 MB

O pessoal do Luthers Bach Ensemble

Descansem bem estes olhinhos…

Aproveite!

René Denon

Gravação antológica da Cantata ‘Ich habe genug’

.: interlúdio :. Bossa Nova (vários)

.: interlúdio :. Bossa Nova (vários)

Este é um disco gringo, altamente gringo. É uma bossa nova mais instrumental e jazzística do que a bossa nova realmente foi mas… Achei interessante ouvir a salada de sons de uma época de grande sofisticação harmônica — e notáveis melodias –, mas que eram meio mal gravadas. Sim, sei da “influência do jazz” sobre o samba, mas aqui a tentativa parece ser a de sublinhar o jazz, basta ler a lista dos artistas envolvidos. Sabemos: a bossa nova surgiu no Brasil no final da década de 50, na intimidade dos apartamentos e boates da Zona Sul do Rio de Janeiro — reduto da classe média — estudantes e jovens em geral. É claro que foi mais uma dessas ousadas revoluções que se tornaram clássicas. Em termos musicais, a ela evoluiu no sentido do desenvolvimento da criação melódica, as canções tornaram-se mais difíceis de serem cantadas, pois as complicadas incursões melódicas exigiam um encadeamento harmônico mais evoluído. Além disso a bossa nova trouxe a orquestração econômica, nascidas em apartamentos. Sendo um movimento musical tecnicamente evoluído, a bossa nova não tardou a ultrapassar nossas fronteiras, assimilada rapidamente nos Estados Unidos. Com a vinda ao Brasil de Herbie Mann, Charles Byrd, Stan Getz e Zoot Sims, ela foi logo exportada. Aceita e praticada pelos melhores músicos americanos, entre eles, Frank Sinatra. E aqui temos parte da explicação para esta coletânea de 2006, toda gravada no exterior.

O disco vale por vários registros fantásticos, mas principalmente por Ella Fitzgerald cantando Inútil Paisagem. Aquilo ali é demais prum pobre coração.

.: interlúdio :. Bossa Nova (vários)

1 Tamba Trio– Mas Que Nada
Bass, Vocals – Bebeto Castilho
Drums, Vocals – Helcio Milito*
Piano, Vocals – Luizinho Eca*
Written-By – Jorge Ben
2:45

2 Sergio Mendes Trio*– The Girl From Ipanema (Garota De Ipanema)
Bass – Sebastiao Neto*
Drums – Chico Batera
Flugelhorn – Art Farmer
Guitar, Written-By – Antonio Carlos Jobim
Piano – Sergio Mendes*
Written-By – Vinicius De Moraes
2:49

3 Klaus Doldinger Quartet*– Copacabana
Bass – Helmut Kandlberger
Drums – Klaus Weiss
Guitar – Bert Helsing
Organ – Ingfried Hoffmann
Percussion – Rolf Ahrens
Tenor Saxophone – Klaus Doldinger
Written-By – Alberto Ribeiro Da Vinha*, Joao De Barro*
2:06

4 Sylvia Telles– Discussão
Bass – Sergio Portella Barroso*
Drums – Chico Batera
Percussion – Rosinha De Valenca*, Rubens Bassini
Piano – Salvador Da Silva Filho
Vocals – Sylvia Telles
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonca*
1:54

5 Baden Powell– Tristeza
Bass – Sergio*
Drums – Milton Banana
Guitar – Baden Powell
Percussion – Alfredo Bessa, Amauri Coelho
Written-By – Haroldo Lobo, Niltinho
3:19

6 Joe Pass– El Gento
Bass – Eberhard Weber
Drums – Kenny Clare
Guitar – Joe Pass
Written-By – Willi Fruth
4:01

7 Edu Lobo– Upa, Neguinho
Bass – Sergio Portella Barroso*
Drums – Chico Batera
Flute – J. T. Meirelles*
Percussion – Jorge Arena, Rubens Bassini
Piano – Salvador Da Silva Filho
Vocals, Guitar, Written-By – Edu Lobo
Written-By – Gianfrancesco Guarnieri
2:12

8 The Oscar Peterson Trio– Triste
Bass – Sam Jones
Drums – Bob Durham*
Piano – Oscar Peterson
Written-By – Antonio Carlos Jobim
5:23

9 Art Van Damme– Wave
Accordion – Art Van Damme
Bass – Peter Witte
Drums – Charly Antolini
Guitar – Freddie Rundquist
Vibraphone – Heribert Thusek
Written-By – Antonio Carlos Jobim
2:53

10 Ella Fitzgerald– Useless Landscape (Inútil Paisagem)
Bass – Frank De La Rosa
Drums – Ed Thigpen
Piano – Tommy Flanagan
Vocals – Ella Fitzgerald
Written-By – Aloysio De Oliveira, Antonio Carlos Jobim, Ray Gilbert
5:10

11 J. T. Meirelles*– O Barquinho
Bass – Sergio Portella Barroso*
Drums – Chico Batera
Flute – J. T. Meirelles*
Piano – Salvador Da Silva Filho
Written-By – Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli
2:11

12 Coleman Hawkins– Desafinado
Arranged By – Manny Albam
Bass – Major Holley
Drums – Eddie Locke
Guitar – Barry Galbraith, Howard Collins
Percussion – Willie Rodriguez
Piano – Tommy Flanagan
Tenor Saxophone – Coleman Hawkins
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonca*
5:47

13 Astrud Gilberto– Água De Beber
Arranged By – Marty Paich
Bass – Joe Mondragon
Guitar, Backing Vocals, Written-By – Antonio Carlos Jobim
Percussion – Unknown Artist
Piano – Joao Donato*
Vocals – Astrud Gilberto
Written-By – Vinicius De Moraes
2:18

14 Luiz Bonfa*– Bossa Nova Cha Cha
Arranged By [Strings], Conductor – Lalo Schifrin
Bass – Iko Castro Neves
Drums, Percussion – Roberto Pontes-Dias
Flute – Leo Wright
Guitar, Vocals, Written-By – Luiz Bonfa*
3:21

15 Bob Brookmeyer– A Felicidade
Guitar – Jim Hall, Jimmy Raney
Percussion – Carmen Costa, Jose Paulo*, Willie Bobo
Piano – Bob Brookmeyer
Vibraphone – Gary McFarland
Written-By – Andre Michel Charles Salvet*, Antonio Carlos Jobim, Vinicius De Moraes
3:15

16 Elsie Bianchi– Meditation
Bass – Siro Bianchi
Drums – Charly Antolini
Vocals, Piano – Elsie Bianchi
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonca*
3:47

17 Stan Getz & Laurindo Almeida– Once Again (Outra Vez)
Bass – George Duvivier
Drums – Dave Bailey, Edison Machado, Jose Soarez
Guitar – Laurindo Almeida
Percussion – Jose Paulo*, Luiz Parga
Tenor Saxophone – Stan Getz
Written-By – Antonio Carlos Jobim
6:40

18 Antonio Carlos Jobim– Chega De Saudade
Arranged By [Strings], Conductor – Claus Ogerman
Bass – George Duvivier
Flute – Leo Wright
Piano, Guitar, Written-By – Antonio Carlos Jobim
Written-By – Vinicius De Moraes
4:19

Feito por – EDC, Germany – 51673210
Masterizado em – Emil Berliner Studios, Langenhagen

Créditos
Compiled By – Matthias Künnecke
Design – Knut Schötteldreier
Photography By – Boris Schrage

Notas
Original recordings – digitally remastered.
Mastered at Emil Berliner Studios, Langenhagen

Track 1 recorded 1963, Rio de Janeiro.
Track 2 recorded 1964, New York City.
Track 3 recorded December 10, 1962, Hamburg.
Track 4 recorded November 4, 1966, Villingen.
Track 5 recorded June 1 & 2, 1966, Rio de Janeiro.
Track 6 recorded June 1974, Villingen.
Track 7 recorded November 14, 1966, Villingen.
Track 8 recorded 1970, New York City.
Track 9 recorded May 1969, Villingen.
Track 10 recorded October 1968, San Francisco.
Track 11 recorded November 14, 1966, Villingen.
Track 12 recorded September 17, 1962, New Jersey.
Track 13 recorded January 27 & 28, 1965, Los Angeles.
Track 14 recorded December 31, 1962, New York City.
Track 15 recorded August 23, 1962, New York City.
Track 16 recorded November 25, 1965, Villingen.
Track 17 recorded March 1963, New York City.
Track 18 recorded May 9, 1963, New York City.

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PQP

.: interlúdio :. Elza Soares pertinho do céu

Em uma entrevista ao Pasquim em 1969, Tom Jobim teve de dar notas a alguns artistas. É claro que Millôr, Ziraldo e cia. queriam gerar intriga. Ele respondeu: Nara Leão, 10. Elis Regina, 10. Elza Soares, 9. Moreira da Silva, 10. Jorge Ben, 10. Villa-Lobos, 1500. Dercy Gonçalves, 7. Nelson Rodrigues, não digo.

Elza Soares foi muita coisa, vocês sabem e lembrarão esses dias. Mas ela não era bossa-nova. Não era um doce balanço a caminho do mar. Talvez por isso a nota 9 acima. Cala a boca, Jobim!

Nos despedimos dessa cantora nada bossa-nova com um medley de Opinião (Zé Keti) com O Morro não tem vez (Tom Jobim/Vinicius)

Barbara Strozzi (1619-1677): Diporti di Euterpe (Galli / Beier)

Barbara Strozzi (1619-1677): Diporti di Euterpe (Galli / Beier)

Um bom disco, sem muito entusiasmo. Já ouvi outros bem melhores com composições de Strozzi.

Barbara Strozzi ocupa uma posição importante na história da música europeia como uma das melhores compositoras do barroco italiano. Nasceu na Veneza de Claudio Monteverdi em 1619, seu pai natural foi provavelmente o artista e poeta Giulio Strozzi, sua mãe uma de suas servas. Os talentos musicais de Barbara foram desenvolvidos cedo; na adolescência, ela já era o centro das atenções, atuando no encontro semanal de artistas e literatos venezianos, a Accademia dei Unisoni, que se reunia no palácio de Strozzi. Ela publicou seu primeiro livro de canções em 1644, explicando que é “a primeira obra que eu, como mulher, ousadamente trago à luz do dia”. No prefácio, ela dá crédito a Francesco Cavalli, aluno e colaborador de Monteverdi, como seu professor. As obras gravadas aqui pela soprano Emanuella Galli e Galatea vêm de sua sétima publicação em 1659, intitulada Diporti di Euterpe, ou Os Prazeres de Euterpe. Nesta obra, Strozzi colabora com alguns dos mais importantes poetas do período para criar obras musicalmente ao menos do ponto de vista literário. 

Barbara Strozzi (1619-1677): Diporti di Euterpe (Galli / Beier)

1. Tradimento (Barbara Strozzi) (2:19)
2. Lagrime Mie (Barbara Strozzi) (9:47)
3. Cos non la Voglio (Barbara Strozzi) (3:52)
4. Appresso ai Molli Argenti (Barbara Strozzi) (11:33)
5. Sete pur Fastidioso (Barbara Strozzi) (3:21)
6. Fin Che tu Spiri (Barbara Strozzi) (9:43)
7. Non Occorre (Barbara Strozzi) (4:16)
8. A Pena il Sol (Barbara Strozzi) (4:55)
9. Pensaci Ben mio Core (Barbara Strozzi) (6:41)
10. Mi fa Rider (Barbara Strozzi) (3:29)
11. Sino alla Morte (Barbara Strozzi) (14:15)

Emanuela Galli, soprano
Ensemble Galilei
Paul Beier

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Babi Strozzi na sede veneziana do PQP Bach em 1639

PQP

Gluck / Haydn / Richter / Carl Stamitz / Johann Stamitz: Concertos para Flauta – Barthold Kuijken, Tafelmusik, Jeanne Lamon

Eis um CD adorável para se ouvir em um sábado de tarde, no primeiro dia de suas férias, assim podendo relaxar para melhor poder apreciar. Quando se fala em interpretação historicamente informada logo nos vem os nomes de Harnoncourt e seus fiéis parceiros, os irmãos Kuijken. Olhando as gravações que já postamos desses irmãos o nome que mais se destaca é o do irmão violinista, Sigiswald, infelizmente relegando a um segundo plano o irmão flautista, Barthold. Mas que família talentosa, não acham ???

Este Cd que ora vos trago pertencia à coleção Vivarte, da gravadora Sony, que muito nos brindou com gravações excepcionais, que iam do barroco ao romantismo, mas sempre do viés do historicamente informado. Temos aqui Concertos para Flauta compostos por contemporâneos de Mozart e de Haydn, e claro, de Beethoven. Stamitz, Xavier-Richter, Haydn, Gluck, compositores do período clássico. Não temos Mozart, o que é uma pena.

O Grupo Tafelmusik acompanha Barthold com a mesma eficiência e categoria de sempre dirigido pela violinista Jeanne Lamon, recentemente falecida, nos brinda com uma direção segura, correta, sem se deixar cair em armadilhas. Espero que apreciem, eu gostei bastante.

Concerto For Flute, Strings, 2 Oboes, 2 Horns And Basso Continuo In G Major, Op. 29
Composed By – Carl Stamitz
1 I. Allegro
2 II. Andante Non Troppo Moderato
3 III. Rondo – Allegro

Concerto For Flute, Strings And Basso Continuo In E Minor
Composed By – Franz Xaver Richter
4 I. Allegro Moderato
5 II. Andantino
6 III. Allegro Non Troppo Presto

Concerto For Flute, Strings And Basso Continuo In G Major
Composed By – Johann Stamitz
7 I. Allegro
8 II. Adagio
9 III. Presto

Concerto For Flute, Strings, 2 Horns And Basso Continuo In D Major
Composed By – Joseph Haydn, Leopold Hofmann
10 I. Allegro Moderato
11 II. Adagio
12 III. Allegro Molto

13 Orphée Et Eurydice ; Ballet Des Ombres Heureuses
Composed By – Christoph Willibald Gluck

Barthold Kujiken – Flute
Tafelmusik
Jeanne Lamon – Conductor

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FDP

.: interlúdio :. Charles Mingus: Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus (Five Mingus)

.: interlúdio :. Charles Mingus: Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus (Five Mingus)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Dia 22 de abril, comemoramos os 100 anos de Charlie Mingus)

Este CD absolutamente impressionante foi gravado no ano de 1963 e mostra o compositor e baixista Charles Mingus no auge. Na verdade, ele parecia padecer de um surto de criatividade desde 1956, mas em 63 ele não só deu centenas de concertos como até gravou um álbum solo tocando piano… Mingus pode ser definido como um autor erudito que gostava de jazz. Este disco é mais solto do que a maioria, mas dá para notar claramente seu amor às alterações de ritmo e outras complicações que servem à música, e não apenas para torturar seu grupo. Grupo, aliás, sensacional com Mingus, Dolphy, Byard , Richmond… Bem, ouçam aí.

Charlie Mingus: Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus

1. II B.S. (Charles Mingus)
2. I X Love (Charles Mingus)
3. Celia (Charles Mingus)
4. Mood Indigo (Duke Ellington-Irving Mills-Albany Bigard)
5. Better Get Hit in Yo’ Soul (Charles Mingus)
6. Theme for Lester Young (Charles Mingus)
7. Hora Decubitus (Charles Mingus)

Personnel: (2, 3, 5)
Rolf Ericson, Richard Williams (tp)
Britt Woodman (tb)
Don Butterfield (tu)
Jerome Richardson (fl, ss, bars)
Dick Hafer (fl, ts)
Charlie Mariano (as)
Jaki Byard (p)
Jay Barliner (g)
Charles Mingus (b, p)
Dannie Richmond (ds)
NYC, January 20, 1963

(1 ,4, 6, 7)
Eddie Preston, Richard Williams (tp)
Quentin Jackson (tb)
Don Butterfield (tu)
Jerome Richardson (fl, ss, bars)
Dick Hafer (fl, cl, ts)
Eric Dolphy (as, fl)
Booker Ervin (ts)
Jaki Byard (p)
Jay Barliner (g)
Charles Mingus (b, nar)
Walter Perkins (ds)
NYC, September 20, 1963

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Charles Mingus: super talento como compositor, band leader e baixista
Charles Mingus: super talento como compositor, band leader e baixista

PQP

Bach (1685-1750): Toccata e Fuga BWV 565 e outras peças para órgão – Simon Preston ֎

Bach (1685-1750): Toccata e Fuga BWV 565 e outras peças para órgão – Simon Preston ֎

BACH

Obras para Órgão

Simon Preston

 

 

A primeira obra para órgão de Bach que ouvi foi a Toccata e Fuga em ré menor, interpretada pelo enigmático Capitão Nemo, no filme 20 000 Léguas Submarinas.

É claro, há a versão orquestrada no Fantasia, o famoso filme de Walt Disney, mas hoje estamos falando de órgão. Esta obra, apesar de ser uma das mais populares peças de Bach, assim como o coral Jesus, Alegria dos Homens e a tal Ária na Corda Sol, pode até ter nascido como uma peça para violino e há alguma dúvida se seria mesmo da autoria do grande compositor.

Não há muito o que se preocupar, apenas aproveite esta boa música, intensa e tão bem interpretada aqui pelo Simon Preston.

Simon prestando muita atenção aos pedidos feitos pelos nossos seguidores…

No entanto, devo dizer que cheguei a este disco em busca de outra peça, esta sim de Bach, as Variações Canônicas sobre o Hino de Natal ‘Vom Himmel hoch, da komm’ ich her’, BWV 769. Andava as voltas com o texto da última postagem de A Arte da Fuga e acabei mencionando-a. De enfiada, fui buscar alguma gravação para ouvir e lembrei-me dos discos gravados pelo ótimo Simon Preston, dos quais já postamos dois (1 & 2). O editor chefe postou uma antologia da série que pode ser acessada aqui.

Mas, voltando ao disco desta postagem, além das já mencionadas Toccata e Fuga e Variações Canônicas, há ainda outras excelentes peças. Destaque para a Fantasia e sol maior, que é uma delícia de se ouvir, e a última peça do disco, a imponente Prelúdio e Fuga ‘St. Anne’.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Toccata e Fuga em ré menor, BWV565
  1. Toccata: Adagio
  2. Fuga
Fantasia em sol maior, BWV572
  1. Très vitement
  2. Gravement
  3. Lentement
Variações Canônicas sobre o Hino de Natal ‘Vom Himmel hoch, da komm ich her’, BWV769
  1. Variatio 1: Nel canone all’ottava
  2. Variatio 2: Alio modo, nel canone alla quinta
  3. Variatio 3: Canone alla settima
  4. Variatio 4: Per augementationem. nel canone all’ottava
  5. Variatio 5: L’altra sorte del canone al rovescio: 1) alla sesta, 2) alla terza, 3) alla seconda e 4) alla nona
Prelúdio e Fuga em ré maior, BWV532
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Pastoral em fá maior, BWV 590
  1. em fá maior (I)
  2. em dó maior
  3. em dó menor
  4. em fá maior (II)
Prelúdio Fuga em mi bemol maior, BWV552 ‘St Anne’
  1. Prelúdio pro organo pleno
  2. Fuga a 5 con pedale pro organo pleno

Simon Preston, órgão

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FLAC | 309 MB

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MP3 | 320 KBPS | 143 MB

Kreuzbergkirche, Bonn. Local da gravação…

Recorded in 1988, the disc shows Simon Preston at his freshest and most communicative!

Aproveite!

René Denon

PS: Se você gosta de música de Bach para órgão, não deixe de visitar esta postagem aqui…

Bach (1685-1750): Joy of Bach – Keiko Nakata

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphonic Suite From War And Peace / Suite From The Duenna / Russian Overture (Järvi)

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphonic Suite From War And Peace / Suite From The Duenna / Russian Overture (Järvi)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco muito bom daquele Prokofiev mais agitado do qual tanto gostamos. Lá em 2009, esta performance foi a Gravação do Mês na Gramofone. É a única gravação disponível da Suíte Sinfônica da ópera Guerra e Paz e aqui vem combinada com a bela Abertura Russa e a Suíte de uma Noite de Verão. Järvi e a Filarmônica parecem totalmente familiarizados com essas partituras, e a qualidade de som da Chandos é espetacular. É um Prokofiev típico, apesar de pouco familiar, que fornece um apêndice altamente estimulante para o repertório sinfônico do compositor. Järvi disse uma vez que desconhece compositor mais melódico do que Prokofiev. Aqui está uma comprovação… Sim, nas melodias irregulares e melodiosas dos anos de Prokofiev na URSS. Um excelente disco!

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphonic Suite From War And Peace / Suite From The Duenna / Russian Overture

War And Piece: Symphonic Suite
I. The Ball
1 Fanfare And Polonaise. Maestoso E Brioso 2:59
2 Waltz. Allegro, Man Non Troppo 5:40
3 Mazurka. Animato 2:58
II. Intermezzo – May Night
4 Andante Assai 5:53
III. Finale
5 Snowstorm. Tempestoso 2:11
6 Battle. Allegro 3:56
7 Victory. Allegro Fastoso – Andante Maestoso 3:13

Summer Night: Suite From ‘The Duenna”, Op. 123
8 I. Introduction. Moderato, Ma Con Brio – Piú Animato 2:25
9 II. Serenade. Adagio 6:01
10 III. Minuet. Allegro Ma Non Troppo 2:46
11 IV. Dreams. Andante Tranquilo 8:01
12 V. Dance. Allegretto 3:05

Russian Overture, Op. 72
13 Allegro Con Brio – Moderato – Tempo Primo – Andante Cantabile – Piú Mosso 14:08

Composed By – Sergey Sergeyevich Prokofiev*
Conductor – Neeme Järvi

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Neeme Järvi com a torcida do Inter antes de cantarem o “Arerê, o Grêmio vai jogar a Série B”

PQP

Bach (1685-1750): A Arte da Fuga – Evgeni Koroliov, piano ֍

Bach (1685-1750): A Arte da Fuga – Evgeni Koroliov, piano ֍

BACH

A Arte da Fuga

Evgeni Koroliov, piano

 

O ano 2021 não terminou, mas esperneia seus últimos dias, o Natal já é folhinha arrancada do calendário. Eu olho a lista de decisões para o próximo ano e vejo: ouvir a Arte da Fuga, muitas vezes!

Entre as obras de Bach, esta é certamente uma das mais enigmáticas e, por isso, há fake news em torno dela.

Uma delas é a romântica visão de Johann Sebastian, já em ânsias de morte, escrevendo ainda uma fuga e sendo arrebatado pela süsse Tod, deixando-a assim, inacabada. Ou seja, como há uma fuga inacabada, fica a impressão que esta tenha sido a última obra composta por ele. Na verdade, a composição da Arte da Fuga remonta aos anos iniciais de 1740, o mesmo período de outras obras mais abstratas, Clavierübung, Cravo Bem Temperado e Variações Goldberg. Os últimos esforços de Bach foram para a publicação destas obras.

Outra questão foi mencionada pelo leitor Mario Olivero em sua resposta deixada nos comentários da postagem A Arte da Fuga/Le Consort de Violes des Voix Humaines sobre qual instrumento deveria ser usado na execução da obra, ou mesmo se a mesma teria sido escrita para ser executada ou apenas ‘lida’.

 

Essa pergunta se deve ao fato de a obra ter sido publicada sem qualquer indicação além das notas. Este tipo de escrita musical era usado para complicadas peças para órgão desde o século anterior. O próprio Bach havia publicado as Variações Canônicas sobre Vom Himmel hoch, BWV 769, primeiro nesta forma e posteriormente numa versão ‘executável’.

Acredito que Johann Sebastian muito apreciaria ver sua obra sendo executada e eu gosto de ouvi-la nas mais diferentes maneiras. Se bem que tenho uma certa predileção pelas gravações feitas ao piano. A menção da obra nos comentários mencionados certamente me colocou em boa disposição para audições e fui então mexer em meus guardados. Foi assim que cheguei a esta gravação, feita pelo Evgeni Koroliov. Algumas de suas gravações de outras obras (partitas, suítes francesas…) haviam me deixado um pouco reticente e só agora realmente ouvi a Arte da Fuga. Pois fui gostando um pouquinho mais a cada audição, tanto que decidi postá-la.

Nesta gravação, as fugas (contrapontos) estão dispostas em sequência e intercalados vez ou outra pelos cânones. A faixa 20, Fuga à 3 soggetti (Contrapunctus XIV) é aquela que Bach deixou inconclusa. As duas últimas faixas tocam após uma pequena pausa, com duas fugas para quatro mãos (2 claviere) que Bach deixou como fugas alternativas. Nestas peças Koroliov é acompanhado por Ljupka Hadzi-Georgieva.

Acho que nos próximos dias ouvirei as suas outras gravações novamente. Veremos…

Johan Sebastian Bach (1685 – 1750)

A Arte da Fuga

  1. Contrapunctus I
  2. Contrapunctus II
  3. Contrapunctus III
  4. Contrapunctus IV
  5. Contrapunctus V
  6. Contrapunctus VI à 4 in stylo francese
  7. Canon allà ottava
  8. Contrapunctus VII à 4 per augmentationem et diminutionem
  9. Canon per augmentationem in contrario motu
  10. Contrapunctus VIII à 3
  11. Contrapunctus IX à 4 alla duodecima
  12. Contrapunctus X à 4 alla decima
  13. Contrapunctus XI à 4
  14. Canon III alla decima in contrapunto alla terza
  15. Contrapunctus XII à 4 in forma rectus
  16. Contrapunctus XII à 4 in forma inversus
  17. Contrapunctus inversus XIIIa à 3 forma recta
  18. Contrapunctus inversus XIIIb à 3 forma inversa
  19. Canon IV alla duodecima in contrapunto alla quinta
  20. Fuga à 3 soggetti (Contrapunctus XIV)
  21. Fuga à 2
  22. Fuga inversa à 2 claviere

Evgeni Koroliov, piano

Ljupka Hadzi-Georgieva, piano II (faixas 21 e 22)

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FLAC | 311 MB

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MP3 | 320 KBPS | 199 MB

Gyorgy Ligeti said “if I am allowed only one musical work on my desert island, then I should choose Koroliov’s Bach, because forsaken, starving and dying of thirst, I would listen to it right up to my last breath.”
That’s written on the back of this CD package. What’s inside the package totally justifies the hyperbole. It is, in fact, one of the rare performances of Art of Fugue that truly transcends the idea that it is a work more for the eye and brain than the ear and heart.
This is playing of thoughtful mastery, profound and supremely articulated. As with Gould, there’s a strong personality at work, but this one is a bit less impious. Koroliov’s WTC and Goldbergs are excellent but this is his finest recording.

Aproveite!

René Denon

.: interlúdio :. Allan Holdsworth

Quando pensamos ou lemos sobre guitarristas influentes, é raro ver Allan Holdsworth mencionado. É um crime! E eu não entendo bem o motivo. Talvez a descrição da Wiki dê uma pista:

Holdsworth é conhecido por seu uso esotérico e idiossincrático de conceitos avançados de teoria musical, especialmente no que se refere à melodias e harmonias. Sua música incorpora um amplo campo de progressões complexas de acordes, frequentemente utilizando acordes inusitados de maneiras abstratas, e intrincados solos improvisados através da variação de centros tonais. Sua técnica particular de solos em legato vêm de seu desejo original de tocar saxofone. Sem dinheiro para comprar um, ele buscou usar a guitarra para criar linhas suaves de notas semelhantes às do sax. Ele também é associado a uma forma de sintetizador de guitarra chamada SynthAxe.

Muito complicado? Sendo completamente tapada em teoria musical, eu não identifico nada disso. Sim, ele soa diferente, o que é o seu charme e talento — mas não me parece difícil, distante ou acadêmico. Pelo contrário: é o que faz dele extremamente interessante, e o levou a ser referência não só no jazz fusion, mas também no rock e no metal. Além de ser citado como ídolo por pintas como Eddie Van Halen, Joe Satriani e Yngwie Malmsteen, Zappa dizia que era o guitarrista mais interessante do planeta. Além de sua influência marcante no prog metal, todo um subgênero basicamente deve seu desenvolvimento à mistura de metal técnico às abordagens dissonantes de Holdsworth. De fato, já vi dizerem que era um guitarrista de rock tocando jazz; eu não concordo, mas entendo o ângulo. Um bom exemplo é a faixa abaixo: o riff de abertura é hard rock, sem qualquer dúvida, antes do solo fluente (e inegavelmente fusion) iniciar.

(Os dois discos da The New Tony Williams Lifetime são um espetáculo à parte, aliás.)

Holdsworth gravou com meio mundo, além de uma série de discos solo. Parte da cena britânica do fim dos 1960/início dos 1970, estreou em 1969 com a ‘Igginbottom, uma banda de soft fusion onde também ofereceu seus vocais; prometeu jamais cantar de novo, o que é uma pena. Foi guitarrista de bandas menos conhecidas de prog/fusion, como Nucleus e Tempest; gravou Bundles com a genial Soft Machine, e três álbuns com a Gong; trouxe seu talento para jazzistas como Bill Brufford, Stanley Clarke e Gordon Beck, e está presente no meu disco preferido do Jean Luc-Ponty. E isso é só uma amostra; tocou com mais uma pá de gente que eu (ainda) não conheço. Holdsworth não se dava a estrelismos e, por isso, era bastante prolífico, pra nossa sorte.

Pra essa postagem, trago os dois primeiros lançamentos oficiais da sua discografia solo, meus favoritos. “Water on the Brain Pt. 2”, minha faixa preferida, é uma boa amostra do que se pode encontrar:

A partir de Atavachron, de 1986, passou a incorporar o uso do SynthAxe, a guitarra controladora de sintetizador, que expande a abordagem que já realizava: timbres suaves enfatizando texturas e com reverb generoso. Seus solos são vigorosos, inspirados, singulares. Navegar pelos seus álbuns exige alguma dedicação (dica: além dos que citei, cate The Sixteen Men of Tain, de 2000), mas o retorno é demais prazeroso. Apesar da apreciação irrestrita de seus pares, Holdsworth ainda merece maior aclamação popular. Generoso sobre sua técnica, deixando três livros e alguns vídeos onde explica sua abordagem, o guitarrista faleceu em 2017, aos 70 anos, ainda na ativa, e deixou um legado a ser descoberto e apreciado.

Allan Holdsworth – Road Games (1983). Aqui.
Allan Holdsworth – I.O.U. (1985). Aqui.

—Blue Dog

Esaias Reusner (1636-1679): Suítes para Alaúde (Konrad Junghänel)

Esaias Reusner (1636-1679): Suítes para Alaúde (Konrad Junghänel)

Um tranquilo e excelente disco de música solo barroca para alaúde. Pode servir como música para ambientes cultos, mas quando a gente presta atenção, nota o quanto são boas as composições de Reusner. Konrad Junghänel apenas o valoriza com sua extraordinária musicalidade.

Esaias Reusner, o jovem (29 de abril de 1636 – 1 de maio de 1679) — o compositor deste CD — foi um alaudista e compositor alemão. Reusner nasceu em Löwenberg na Silésia , hoje Lwówek Śląski, Polônia. Seu primeiro professor de alaúde foi seu pai, também chamado Esaias. O filho foi uma criança prodígio e junto com seu pai viajou e se apresentou por muitas cidades do que hoje é a Alemanha. Ele escreveu duas coleções de suítes para alaúde – Deliciae testudinis e Neue Lauten-früchte. Nos anos de 1655 a 1672, esteve a serviço do duque da Silésia. Posteriormente, trabalhou por um curto período como professor de flauta e alaúde na Universidade de Leipzig . Finalmente, em 1674, ele foi nomeado advogado da câmara na corte de Frederico Guilherme, eleitor de Brandemburgo em Berlim, Alemanha, onde permaneceu até sua morte, aos 43 anos. Ele é considerado um dos melhores virtuosos do alaúde de seu tempo.

Esaias Reusner (1636-1679): Suítes para Alaúde (Konrad Junghänel)

Suite D-Moll / D Minor
1 Praeludium 2:46
2 Paduan 3:04
3 Allemanda 2:37
4 Couranta 1:57
5 Saraband 2:19
6 Gavotte 1:05
7 Gigue 1:30

Suite C-Moll / C Minor
8 Allemanda 2:43
9 Courant 1:35
10 Sarabanda 1:57
11 Gavotte 0:55
12 Gigue 0:57

Suite D-Dur / D Major
13 Sonatina 3:28
14 Allemanda 2:30
15 Courant 1:14
16 Sarabanda 2:02
17 Gavotte 0:58
18 Gigue 1:34
19 Passacaglia 3:55

Suite G-Moll / G Minor
20 Allemanda 2:29
21 Courant 1:07
22 Sarabanda 2:01
23 Aria I 0:42
24 Aria II 1:12
25 Ballett 0:48
26 Gigue 0:53

Suite C-Moll / C Minor
27 Paduana 3:25
28 Allemanda 3:53
29 Couranta 2:11
30 Sarabanda 1:56
31 Gigue 2:09

Suite E-Moll / E Minor
32 Allemanda 3:35
33 Couranta 1:35
34 Sarabanda 3:21
35 Gigue 2:00

Konrad Junghänel, alaúde

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Em análise da Comissão Estética do PQP Bach, concluímos que já postamos compositores fisicamente mais belos

PQP

Fauré / Honegger / Lalo / Saint-Saëns: Four Visions Of France (Müller-Schott, Deutsches Symphonie-Orchester Berlin, Bloch)

Creio que ouvi mais música francesa em 2021 do que ouvi em praticamente minha vida inteira. Compositores que conhecia apenas de nome me foram apresentados, e puder conferir que havia vida na música francesa além de Debussy, Ravel e Saint-Säens. Claro que falo com relação ao período que compreendia o século do XIX e início do Século XX. E mesmo assim ainda me considero em débito com os três compositores citados acima. Gostaria de ouvi-los mais, e mesmo se eu deixar como projeto de aposentadoria, ainda assim não teria tempo suficiente para ouvir tanta coisa.

As ‘descobertas’ referem-se a Poulenc, Chausson e Fauré, uma trinca que lamento não ter ouvido com tanta atenção até hoje. Claro que poderia me desculpar alegando a falta de acesso a esse material, e que apenas com o advento da Internet consegui conhecê-los e claro, ouvi-los. Tive em um primeiro momento de me curar do vício adquirido ouvindo os compositores alemães e austríacos do Barroco e do Romantismo, e prestando atenção, por exemplo, em Saint-Säens e seu magnífico Primeiro Concerto para Violoncelo, comecei a perceber e entender sua linguagem tão única, tão pessoal.

Este belo CD que ora vos trago é um primor de execução, temos um solista jovem (nasceu em 1976), e que resolveu, assim como eu, ver o que a música francesa tinha a oferecer para si, enquanto violoncelista. O resultado é uma das melhores gravações que já tive a oportunidade de ouvir do Concerto de Saint-Säens, e olha que a concorrência é grande. A maturidade artística de Müller-Schott se sobressai em cada nota que extrai de seu instrumento, seja em peças mais introvertidas, como a ‘Elégie’ de Fauré, em um arranjo para Violoncelo e Orquestra, ou namorando com a modernidade de Honneger em seu Concerto para Violoncelo. O músico não teme em encarar um repertório tão diferente (ouçam a pequena ‘cadenza’ do Segundo Movimento do Concerto de Honneger para poderem apreciar ainda mais sua versatilidade).   

Claro que nessa seleção não poderia faltar Lalo e seu Concerto em Ré menor. Fico feliz ao ver que mesmo após a morte de gigantes como Fournier, Rostropovich ou Starker, as novas gerações vem mostrando a que vieram, preenchendo aquelas lacunas com talento, virtuosismo e amor à causa. Claro que ao nome de Müller-Schott posso acrescentar os nomes de outros jovens talentosos, como Sol Gabetta, Gautier Capuçon, entre outros, e mais recentemente, o formidável Sheku Kanneh-Mason, cujo último álbum quero trazer para os senhores assim que possível.

Então vamos ao que viemos. Espero que apreciem este belíssimo CD, recentemente lançado. Eu gostei muito.

Cello Concerto No. 1 In A Minor, Op. 33, R. 193
Composed By – Camille Saint-Saëns
1 I. Allegro Non Troppo
2 II. Allegretto Con Moto
3 III. Allegro Non Troppo

4 Élégie, Op. 24 (Version For Cello & Orchestra)
Composed By – Gabriel Fauré

Cello Concerto In C Major, H. 72
Composed By – Arthur Honegger
5 I. Andante
6 II. Lento
7 III. Allegro Marcato

Cello Concerto In D Minor
Composed By – Édouard Lalo
8 I. Prélude. Allegro Maestoso
9 II. Intermezzo. Andantino Con Moto. Allegro Presto
10 III. Introduction. Andante. Allegro Vivace

11 Romance In F Major, Op. 36, R. 195 (Version For Cello & Orchestra)
Composed By – Camille Saint-Saëns

Daniel Müller-Schott – Cello
Deutsches Symphonie-Orchester Berlin
Alexandre Bloch – Conductor

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FDP

Franz-Joseph Haydn (1732-1809) – 4 Masses, Stabat Mater, Die Sieben letzten Worte unseres Erlösers am Kreuse – Cds 5 e 6 de 6 – Harnoncourt, Concentus musicus Wien

frontFDP: Vamos então concluir esta coleção com chave de ouro, trazendo “Die Sieben letzten Worte unseres Erlöseres am Kreuze”, ou seja, As Sete últimas palavras de Cristo na Cruz, e a belissima “Schöpungsmesse”, a Missa da Criação, que cita algumas frases musicais desse imenso oratório.
Volto a sugerir a leitura do booklet, que traz uma excelente contextualização histórica das obras gravadas magistralmente por Harnoncourt e seu Concentus musicus Wien, apoiados por este que não canso de dizer que é um dos maiores grupos corais do mundo, o Arnold Schöenberg Choir. Para os que não dominam o inglês, usem o Google Translator e um bom dicionário.

Pleyel: Quando Haydn compôs as suas últimas missas, já era uma celebridade internacional, após um sucesso estrondoso na Inglaterra com suas últimas sinfonias. Especialmente as duas últimas missas, compostas após o sucesso do oratório A Criação, que em poucos meses foi ouvido e incensado em Viena, Budapeste, Paris, Amsterdam, São Petersburgo… Em 1801 um Jornal constatava: “Nunca uma obra musical causou tamanha sensação ou teve uma audiência tão grande quanto a Criação de Haydn.”

Então o Haydn dessas últimas missas é um pouco como o Garcia Marquez após Cem anos de solidão, como Beethoven após a Nona ou Picasso após Guernica: um mestre de renome internacional, sem precisar mais provar nada pra ninguém. Imaginem o que representava, para o renome do Príncipe e da Princesa de Esterházy, ter um compositor de tal fama internacional como seu leal servidor… Foi sob o patrocínio dos Esterházy – após o período em que Haydn esteve sem patrão e foi a Londres ganhar dinheiro – que foram compostas essas seis últimas missas, entre 1796 e 1802.

Franz-Joseph Haydn (1732-1809):
CD 5
“Die Sieben letzten Worte unseres Erlöseres am Kreuze”, Hob.XX:2

01 – Intruduzione
02 – I ‘Vater, vergib ihnen’
03 – II ‘Führwahr, ich sag es dir’
04 – III ‘Frau, hier siehe deinen Sohn’
05 – IV ‘Mein Gott, mein Gott’
06 – Introduzione
07 – V ‘Jesus rufet’
08 – VI ‘Es ist vollbracht’
09 – VII ‘Vater, in deine Hande’
10 – Terremoto ‘Er ist nicht mehr’

Inga Nielsen – Soprano
Margareta Hintermeier – Mezzo Soprano
Anthony Rolf Johnson – Tenor
Robert Holl – Bass baritone
Arnold Schöenberg Choir
Concentus musicus Wien
Nikolaus Harnoncourt – Conductor

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CD 6
Missa “da Criação”, “Schöpungsmesse”, Hob. XXII:13, Si bemol maior

01 – I. Kyrie – Adagio
02 – Allegro moderato
03 – II. Gloria
04 – Quonian
05 – III. Credo
06 – Et incarnatus
07 – Et resurrexit
08 – IV. Sanctus
09 – V. Benedictus
10 – VI. Agnus Dei
11 – Dona nobis pacem

Christiane Oelze – Soprano
Elizabeth von Magnus – Mezzo Soprano
Herbert Lippert – tenor
Gerald Finley – Bass Baritone
Arnold Schöenberg Choir
Concentus musicus Wien
Nikolaus Harnoncourt – Conductor
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Esterhazy palace, não deve ser barato pra manter né ?

FDPBach/Pleyel

Scriabin (1871-1915): Sonate-Fantaisie, Valsas, Mazurkas, Noturnos etc. (Coombs)

Às vezes esquecemos o quanto Chopin e Scriabin foram precoces, flores que desabrocharam cedo, e não só com obras simpáticas e juvenis, mas também com inovações. Chopin compõe entre os 19 e os 25 anos dois livros com 12 estudos em cada, que estão até hoje igualmente presentes nas salas de concerto e nas salas de estudos. Qualquer jovem pianista passa pelos seus estudos, após já ter tocado seus noturnos e valsas, muito deles compostos até os 23 anos.

Scriabin, aos 15 anos compôs um estudo (opus 2 número 2) que Horowitz tocava maravilhosamente. Aos 22 anos publica um livro com 12 estudos, que não devem nada aos de Chopin, embora sua linguagem assuste muitos pianistas até hoje.

As obras reunidas neste disco foram compostas quando Scriabin tinha entre 12 e 22 anos de idade. A semelhança com Chopin não se restringe à idade: os próprios títulos das obras aqui tocadas por Stephen Coombs já entregam a influência: quatro noturnos, três valsas, duas mazurkas, um estudo… A fuga (de 1891), que ele escreveu quando era aluno de Arensky no Conservatório de Moscou, me parece a obra mais fraca, realmente uma obra de estudante de conservatório. Já as mazurkas foram compostas quando ele fazia apenas aulas privadas de piano e ainda pensava em seguir carreira militar: simples e dançantes, elas me agradam bastante, assim como a Sonate-Fantaisie (de 1886), muito mais sofisticada, com uma linguagem cromática que já lembra várias obras maduras de Scriabin. É impressionante que essa Sonata-Fantasia tenha sido composta por um pirralho de 14 anos.

Entre as várias obras raras gravadas Estudo Op.8 Nº12 é a única obra deste álbum que faz parte do repertório mais comum de grandes intérpretes de Scriabin como os velhos Horowitz e Magaloff . Mas esse estudo é tocado aqui em uma versão alternativa, com diferenças na harmonia, que o compositor enviou para seu editor mas só veio a público após sua morte.

Alexander Scriabin (1871-1915): The Early Scriabin
1-3. Sonata in E flat minor (2nd mvt. completed by Stephen Coombs)
4. Valse in F minor Op. 1
5. Valse in G sharp minor
6. Valse in D flat major
7. Variations on a theme by Mlle. Egorova
8. Nocturne in A flat major
9. Nocturne in F sharp minor Op. 5 No. 1
10. Nocturne in A major Op. 5 No. 2
11. Sonate-Fantaisie in G-sharp minor
12. Fugue in E minor
13. Canon in D minor
14. Mazurka in B minor
15. Mazurka in F major
16. Étude in D sharp minor Op. 8 No. 12 (second version)
17. Prélude in C sharp minor for the left hand Op. 9 No. 1
18. Nocturne in D flat major for the left hand Op. 9 No. 2
19. Allegro appassionato Op. 4

Stephen Coombs, piano

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Alexander Scriabin por Leonid Osipovic Pasternak (1909)

Pleyel

Franz-Joseph Haydn (1732-1809) – 4 Masses, Stabat Mater, Die Sieben letzten Worte unseres Erlösers am Kreuse – Cds 3 e 4 de 6 – Harnoncourt, Concentus musicus Wien

frontFDP: Sempre fico impressionado com a qualidade dos corais haydnianos, desde a primeira vez que ouvi o oratório “A Criação” e aquela que considero sua obra máxima, “As Estações” (sim, podem jogar as pedras para dizer que estou maluco e que a “Criação” é A obra absolutamente imbatível do repertório haydniano) que postei aqui já há alguns anos atrás, e cujos links já devem ter ido pras cucuias, como dizem aqui pelo sul. Mas isso é outra história, porque o que temos aqui é a magnífica “Harmoniemesse”, e para variar, Harnoncourt e sua troupe dão um show.

Pleyel: Os corais em latim das missas Haydn são realmente divinos. Porém, na cantata secular em italiano “Qual Dubbio Ormai?” (Qual dúvida agora?) o coro chega só no último movimento, dá a impressão de que se atrasaram e chegaram na festa já quando a comida estava esfriando. O destaque dessa cantata é a ária para soprano com cordas e uma elaborada parte para teclado obbligato, tocada por um órgão nesta gravação do Concentus musicus Wien. Essa cantata, o Te Deum e o Stabat Mater, são obras de quando Haydn tinha seus trinta e poucos anos, enquanto a “Harmoniemesse”, ele escreveu aos setenta. O nome da missa não foi dado por Haydn: vem da grande quantidade de instrumentos de sopro na orquestração, pois uma “Banda de Harmonia” era o nome alemão para um conjunto de sopros. Naquele momento (1802) o Príncipe Esterházy tinha recontratado os músicos (dois clarinetista, dois fagotistas, etc) que haviam sido dispensados uns anos antes em um momento de relativa pindaíba da família, momento em que Haydn foi duas vezes a Londres ganhar uns trocados de outros patrões e o resto é a história das suas últimas sinfonias (1791-95).

O Stabat Mater, de 1767, tem características da fase de Haydn chamada Sturm und Drang, marcada por forte expressividade e contrastes. A obra foi publicada em Paris e Londres, com cópias também em Madri e Itália. Foi, portanto, um dos primeiros sucessos internacionais de Haydn.

Franz-Joseph Haydn (1732-1809):
CD 3
Harmoniemesse, Missa Hob.XXII:14, Si bemol maior
01 – Kyrie
02 – Gloria In Exelsis Deo
03 – Gratias Agimus Tibi
04 – Quoniam Tu Solas Credo
05 – Credo In Unum Deum
06 – Et Incarnatus Est
07 – Et Resurrexit Tertia Die
08 – Sanctus
09 – Benedictus Agnus Dei
10 – Agnus Dei
11 – Dona Nobis Pacem
Cantata “Qual Dubbio Ormai?, Hob.XXIVa:4
12 – Recitativo accompagnato: Qual dubbio ormai?
13 – Aria: Se ogni giorno Prence invito
14 – Recitativo Saggio il pensier
15 – Coro: Scenda propzio un raggio
Te Deum, Hob.XXIIIc:1, Dó maior
16 – Te Deum Laudamus
17 – Te Ergo Quasumus
18 – Aeterna Fac Cum Sanctis Tuis

Eva Mei – Soprano
Elizabeth von Magnus – Mezzo Soprano
Herbert Lippert – Tenor
Oliver Widmer – Bass baritone
Arnold Schoenberg Choir
Concentus musicus Wien
Nikolaus Harnoncourt – Conductor

CD 4
Stabat Mater, Hob.XXbis
01 – Stabat Mater Dolorosa
02 – O Quam Tristis Et Afflicta
03 – Quis Est Homo
04 – Quis Non Posset Contristari
05 – Pro Peccatis Suae Gentis
06 – Vidit Suum Dulcem Natum
07 – Eia Mater, Fons Amoris
08 – Sancta Mater, Istud Agas
09 – Fac Me Vere Tecum Flere
10 – Virgo Virginum Praeclara
11 – Flammis Ocri Ne Succedar
12 – Fac Me Cruce Custodiri
13 – Quando Corpus Morietur
14 – Paradisi Gloria

Barbara Bonney – Soprano
Elizabeth von Magnus – Mezzo Soprano
Herbert Lippert – Tenor
Alaistair Miles – Bass Baritone
Arnold Schoenberg Choir
Concentus musicus Wien
Nikolaus Harnoncourt – Conductor

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Haydnsaal of the Esterházy Palace

FDPBach/Pleyel

Franz-Joseph Haydn (1732-1809) – 4 Masses, Stabat Mater, Die Sieben letzten Worte unseres Erlösers am Kreuse – Cd 2 de 6 – Harnoncourt, Concentus musicus Wien

front FDP: Fontes seguras me contaram que a “Nelsonmesse” seria a favorita de PQPBach, que continua em suas férias sabáticas, refletindo sobre o futuro do blog. Mas se for, podemos dizer que o gosto requintado e refinado de nosso mentor intelectual continua apurado. Com certeza, essa missa é uma das mais belas obras de Haydn. E nas mãos de Harnouncourt, e com as vozes do “Arnold Schoenberg Choir” fica ainda mais bela.
Gostaria também de lembrar que nosso querido Nikolaus Harnoncourt é um descendente direto dos Habsburgo, a família real que governou o Império Austro-Húngaro por mais de 200 anos. Abaixo dos Habsburgo, estava a família dos Príncipes de Esterházy, donos de imensas terras ali na região da atual fronteira entre Áustria e a Hungria, e que foram os principais “patrões” do mesmo Haydn, por mais de quarenta anos. Maiores detalhes e informações vão estar no excelente booklet.

Pleyel: A “Nelsonmesse” ganhou esse apelido alguns anos após sua estrreia, porque foi tocada durante a visita do Almirante Nelson a Viena em 1800. Esse Almirante inglês derrotou Napoleão na Batalha do Nilo em 1798, ano em que foi composta a missa citada. A Áustria dos Habsburgos estava sob constante ameaça de ser invadida e aquela derrota dos franceses representou um pequeno alívio. Apelidos à parte, o título que o próprio Haydn deu à obra foi Missa in Angustiis (Missa em angústia). É a única missa de Haydn em um tom menor, com um clima de ansiedade, marcado pelo trompete e percussão. Outra grande gravação é a de Trevor Pinnock/English Concert.

Franz-Joseph Haydn (1732-1809): ‘Missa in augustiis’ – “Nelsonmesse”, Hob. XXII:11
1.  Kirie
2. Gloria
3. Credo
4. Sanctus
5. Bendictus
6. Agnus Dei
7. Te Deum, Hob. XXIIXc:2

Luba Organasova – Soprano
Elisabeth von Magnus – Mezzo Soprano
Deon van der Walt – Tenor
Alaistair Miles – Bass baritone
Arnold Schoenberg Choir
Concentus musicus Wien
Nikolaus Harnoncourt – Conductor

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Esqueçam aquele mito do Haydn sempre alegre. Aqui temos um Haydn de pura angústia com os canhões de Napoleão

FDPBach/Pleyel

.: interludio :. Keith Jarrett Trio – At The Blue Note

Ouvi alguns estalos em meu estabilizador  de energia e isso me fez temer uma queda, o que tornaria minha tarde extremamente enfadonha. Moro em um apartamento sem graça, no meio de um bairro sem graça, em uma cidade sem muitos atrativos, então meus ‘hobbys’ são a música e o cinema. Já passei tardes dentro de uma sala de cinema, às vezes assistindo o mesmo filme por duas sessões seguidas, para melhor apreciar detalhes que tinham passado na primeira sessão. Aprendi isso com uma querida amiga, cinéfila até a alma, até fez uma Pós Graduação na área quando morava na Europa, lá nos anos 90. Antes disso frequentávamos as salas de cinema com tanta frequência que já éramos conhecidos das moças que vendiam ingresso, ou dos antigos ‘lanterninhas’.

A repetição se tornou uma constante em minha vida. A apreciação daquilo que chamamos de música clássica, ou até mesmo do Jazz, que é o caso desta postagem, exige que prestemos mais atenção ao que ouvimos do que quando ouvimos alguma rádio, por exemplo. No serviço, por exemplo, gosto de ouvir uma rádio de Florianópolis, que acompanho há décadas. Meus colegas não iriam entender se eu deixasse estes Cds tocando como música ambiente. É uma música que exige atenção, antes de tudo. Lembro que quando adquiri esta caixa a ouvi durante o resto daquele ano inteiro. Eram os tempos dos Discman, e eu levava o meu para cima e para baixo o tempo todo. Alguns Cds riscaram, o que me obrigou a adquiri-los novamente, pagando os olhos da cara, ou então pedindo emprestados os de meus amigos para gravá-los, quando começaram a chegar os primeiros gravadores de Cds, o que foi o caso dessa série do Keith Jarrett, série de shows na célebre casa de Jazz novaiorquina, a Blue Note.

São seis CDs, um mais espetacular que outro, nunca consegui decidir qual o melhor. Os trouxe já há mais de uma década, nos primórdios do PQPBach. Jarrett e seus colegas recriam clássicos do cancioneiro norte-americano, e eles fazem isso de uma forma única, dando viva voz a improvisação. É uma releitura muito pessoal, altamente intuitiva, que traz três músicos no ápice de sua capacidade técnica e criativa.

Mas vamos ao que viemos. Espero que apreciem. Eu particularmente amo essa caixa, e tenho certeza de que ela vai me acompanhar até o último de meus dias.

Cd 1

1 In Your Own Sweet Way
2 How Long Has This Been Going On
3 While We’re Young
4 Partners
5 No Lonely Nights
6 Now’s The Time
7 Lament

CD 2

1 I’m Old Fashioned
2 Everything Happens To Me
3 If I Were A Bell
4 In The Wee Small Hours Of The Morning
5 Oleo
6 Alone Together
7 Skylark
8 Things Ain’t What They Used To Be

CD 3

1 Autumn Leaves
2 Days Of Wine And Roses
3 Bop-Be
4 You Don’t Know What Love IsMuezzin
5 When I Fall In Love

CD 4

1 How Deep Is The Ocean
2 Close Your Eyes
3 Imagination
4 I’ll Close My Eyes
5 I Fall In Love Too Easily_The Fire Within
6 Things Ain’t What They Used To Be

Cd 5

1. On Green Dolphin Street
2. My Romance
3. Don’t Ever Leave Me
4. You’d Be So Nice To Come Home To
5. La Valse Bleue
6. No Lonely Nights
7. Straight, No Chaser

CD 6
1. Time After Time
2. For Heaven’s Sake
3. Partners
4. Desert Sun
5. How About You

Keith Jarrett – Piano
Gary Peacock  – Double Bass
Jack DeJohnette – Drums

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Nós é que agradecemos, Mr DeJohnette … !!

 

Prokofiev: Concerto para Piano no. 2; Rachmaninoff: Variações, Prelúdio, etc. (Ashkenazy/Rozhdestvensky, Postnikova)

A velha Rússia… A Rússia da velha proprietária do Jardim das Cerejeiras de Tchekov, a Rússia dos irmãos Karamazov, do grande inverno que deteve até Napoleão e Hitler… A Rússia onde as ideias liberais chegam sempre com atraso – “ideias fora lugar” lá e cá, diz Roberto Schwarz -, a Rússia onde o progresso é uma desgraça e o atraso uma vergonha…

Neste disco de hoje, alguns pontos altos do piano russo. Quase tudo aqui é em tom menor, com pouco espaço para festas ou gracinhas. Prokofiev aparece com seu 2º concerto, composto pouco antes da Revolução de 1917 e do seu período de exílio. Numa coincidência que vem a calhar, o intérprete é o jovem Vladimir Ashkenazy em 1961, dois anos antes dele também se exilar. A orquestra da União Soviética, regida por Rozhdestvensky, tem um som pesado, grave, ouçam por exemplo os metais do início do 3º movimento, Allegro moderato: pesante… A gravação que Ashkenazy faria depois, com Previn e Sinfônica de Londres (1975), também é muito boa mas menos intensa, um pouco açucarada. Nessa gravação ao vivo em Moscou, a tensão é maior, lembrando que neste concerto de Prokofiev não há um movimento lento e lírico no meio, ao contrário dos concertos nº 3 e 4.

Em seguida temos Rachmaninoff, com suas Variações sobre um tema de Chopin em Dó menor e seu famoso Prelúdio em Dó # menor, apelidado Os sinos de Moscou. São duas obras de quando ele ainda vivia na Rússia, antes de sua vida virar uma longa turnê de concertos, pois ele se tornaria um dos mais célebres pianistas-compositores do planeta nas décadas de 1920 e 30. Entre as duas peças mais pesadas de Rach, uma Polka dá uma alegrada no álbum, que termina com uma curta composição de Anton Arensky. Este último, mais conhecido por seus trios, foi professor de composição de Rach no conservatório de Moscou. Todas essas obras para piano solo são tocadas por Viktoria Postnikova, pianista russa nascida em 1944 e que segue em atividade, ao contrário de Ashkenazy que recentemente anunciou sua aposentadoria após muitas décadas de música.

Prokofiev, Sergei (1891-1953):
Piano Concerto No. 2 in G Minor, Op. 16
I. Andantino—Allegretto
II. Scherzo: Vivace
III. Intermezzo: Allegro moderato
IV. Finale: Allegro tempestoso

Rachmaninoff, Sergei (1873-1943):
Variations on a Theme by Chopin in C Minor, Op. 22
Polka de W. R. in A Flat
Prelude in C-Sharp Minor, Op. 3 no. 2

Arensky, Anton (1861-1906):
Prelude to The Fountain of Bakhchisaray, Op. 46

Vladimir Ashkenazy, piano; Gennady Rozhdestvensky conducting USSR State Symphony Orchestra (Prokofiev)
Viktoria Postnikova, piano (Rachmaninoff, Arensky)

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Prokofiev com penteado e ângulo escolhidos para esconder a calvície que, pouco depois, ele assumiria de vez

Pleyel

Antes tarde do que nunca, amigos… twitter.com/pqpbach instagram.com/pqpbach

.: interlúdio :. Max Roach – Jazz In 3/4 Time + Contemporary Noise Quartet – Theatre Play Music

Embora não tenha sido a primeira vez em que valsas foram vertidas para o jazz, Jazz in 3/4 Time talvez tenha sido o obelisco que a ideia necessitava para ser visitada e revisitada com mais frequencia. A proposta do álbum não foi de Max Roach; na verdade, ele ficou bem pouco entusiasmado com o pedido da EmArcy. Mas a partir do resultado, é possível afirmar que um Max Roach de má vontade continua valendo por uns doze virtuoses modernos da bateria, todos altamente motivados e encharcados de energético. E no fim, a gravadora tinha razão — quem melhor poderia comandar as sessões deste disco?

E não fica por aí, porque logo à frente está o saxofone de Sonny Rollins, e um nada tímido Kenny Dorham assume com personalidade o lugar de Clifford Brown, morto um ano antes, no quinteto de Roach. Das sessões originais (15 a 18 de março de 1957, em Nova Iorque) saíram quatro faixas, sendo “Valse Hot”, composição de Rollins, o grande momento do disco. É uma longa jam de 14 minutos — bem mais do que as valsas costumam ser permitidas, mesmo no jazz. O solo do pianista Billy Wallace é delicioso. Na reedição de 2005 que vem nesse post, há ainda outras duas músicas, gravadas um pouco mais tarde, dentro do mesmo conceito. Leve, com andamento e clima transparecendo certa qualidade cinemática, Jazz in 3/4 Time tanto é um estudo de possibilidades quanto um disco de audição extremamente agradável, e pela doçura que geralmente acompanha as valsas, é recomendado para todos os públicos.

Falava em qualidade cinemática? Ano passado descobri um álbum que me remeteu imediatamente a este Jazz in 3/4 Time. Theatre Play Music, como o próprio nome indica, brinca ser trilha incidental; e executa em valsas e tangos um leitmotif menor, tristonho, mas determinadamente belo. O Contemporary Noise Quintet — nome que em nada remete a um grupo de jazz da crescente cena polonesa — tem diversas encarnações (como -Quartet ou -Sextet) e é destas bandas que estão fazendo a ponte entre o jazz tradicional e o século XXI, mundo onde a guitarra ganhou o centro e o rock foi revirando em si até esgotar o post-rock e virar chamber music (há mais elos em Rachel’s do que o ouvido facilmente demonstra). Álbum curto e preciso, Theatre Play Music proporciona pequenas viagens e não nega ter saído do leste europeu; não é ambicioso, mas complementa certeiro, e em belo contraste, o legado valsístico (?) registrado por Roach, 50 anos antes.


Max Roach – Jazz In 3/4 Time /1957 [320]
Max Roach (drums), Sonny Rollins (tenor sax), Kenny Dorham (trumpet), George Morrow (bass), Billy Wallace (piano)
download – 98MB

01 Blues Waltz (Roach)
02 Valse Hot (Rollins)
03 I’ll Take Romance (Oakland)
04 Little Folks (Roach)
05 Lover (Rodgers)
06 Most Beautiful Girl in the World (Rodgers)


Contemporary Noise Quartet – Theatre Play Music /2008 [192]
Kuba Kapsa (piano), Bartek Kapsa (drums), Kamil Pater (guitar), Patryk Węcławek (double bass)
download – 40MB

01 Main Tune
02 Bitches Tune
03 Tango Lesson
04 Main Tune II
05 Gramophone
06 Chinese Customer
07 Chilly Tango
08 Bitches Tune II
09 Main Tune (Waltz version)

Boa audição!
Blue Dog