Johann Sebastian Mastropiero é um compositor clássico sobre o qual pouco se sabe. Suspeita-se que ele tenha nascido em 7 de fevereiro, embora o ano, o século e até mesmo o local sejam desconhecidos. Vários países o reivindicam como seu. Seu nome de batismo, Johann Sebastian, é motivo de debate, pois ele também era conhecido por outros nomes: Peter Illich, Wolfgang Amadeus, entre outros (por exemplo, assinou sua terceira sinfonia como Etcétera Mastropiero). Sabe-se que ele era filho de mãe italiana e tinha um irmão gêmeo, Harold Mastropiero, membro da máfia, que vivia nos Estados Unidos.
A vida de Mastropiero nunca foi rigorosamente documentada. Seus detalhes biográficos, não verificados, dispersos e repletos de lacunas e inconsistências, tornam muito difícil escrever sequer uma biografia minimamente completa. No entanto, muitos detalhes são conhecidos sobre eventos específicos da vida do Maestro, geralmente relacionados à composição de algumas de suas obras. Um exemplo é sua apresentação de “Tangum gloria di Mastropiero” no Vaticano. Ele teve que compor essa glória às pressas a partir da partitura de um de seus tangos. Adaptou o texto em latim da melhor maneira possível e atribuiu a cada músico sua parte. Quando a obra foi apresentada perante o sínodo, a surpresa foi imensa. Os bispos ficaram impressionados e indignados. Mastropiero foi imediatamente excomungado, e a Guarda Suíça jogou os instrumentos, as partituras e Mastropiero pela janela.
Apesar de seus inúmeros casos amorosos, ele teve um relacionamento estável por um tempo com a Condessa de Shortshot. Com ela, teve vários filhos, cujos sobrenomes significam o mesmo que o da mãe em diferentes idiomas.
Sua reputação como compositor é essencialmente ruim, como afirma o grupo que o retrata na seguinte citação: “Sempre que — por necessidade financeira — Mastropiero era forçado a compor música sob encomenda, produzia obras medíocres e inexpressivas. Ao contrário, quando simplesmente seguia sua inspiração, jamais escrevia uma única nota.” Na verdade, a única certeza que se tem sobre Mastropiero é que, na Sexta-Feira Santa de 1729, a Catedral de Leipzig testemunhou a estreia de uma Paixão Segundo Mateus que definitivamente não era de sua autoria.
Ele teve uma vida amorosa muito ativa. Isso se demonstra no período cigano de Mastropiero com Azucena, cujo filho ele adotou posteriormente. Ele cortejou Gundula, mesmo sabendo que ela era casada. Conheceu a Condessa de Shortshot, com quem teve um relacionamento duradouro. E escreveu uma opereta para Elizabeth, que mais tarde o deixou por outro homem. Todos os casos são documentados em sua vasta obra. Sua morte é desconhecida; diz-se que ele morreu pelas mãos de seu irmão Harold, quando este descobriu que ele estava se passando por ele para ver Margaret, esposa de Harold, e o matou a tiros ao flagrá-lo. Outro rumor é que ele cometeu suicídio após terminar a opereta para Elizabeth. No entanto, sabe-se que em 1999 ele compôs um hino de exorcismo a pedido da Ordem de Nostradamus, para impedir o nascimento do Anticristo.
Sobre o CD: se existe um disco que prova que música e humor podem andar de mãos dadas (e trocar tapinhas nas costas), esse disco é Super Humor con Les Luthiers. Lançado originalmente em 1980 como uma coletânea, ele reúne algumas das melhores pérolas do grupo argentino — todas, claro, supostamente compostas pelo lendário Mastropiero. O Super Humor é uma porta de entrada perfeita para o universo de Les Luthiers. Você vai encontrar música de altíssima qualidade (sim, eles são músicos de verdade – tem até um licenciado em Química Biológica e Direção Orquestral no grupo!), humor inteligente, com trocadilhos, paródias e referências que vão do barroco ao jazz, passando pelo tango e pela música sacra, uma sátira deliciosa do mundo da música erudita, com Mastropiero como o compositor mais incompetente e genial que nunca existiu.
Se você nunca ouviu Les Luthiers, comece por aqui. Se já é fã, este disco é um clássico que merece estar na sua coleção.
A letra de Gloria Hosanna, That`s the Question:
Hosanna, hosanna dolorem gloria
Hosanna, hosanna dolorem gloria
Hosanna, hosanna dolorem gloria
Hosanna, hosanna ultimatum gloria
Desideratum, factotum, vademecum gloria
Contra natura, ex libris, maremagnum gloria
Superavit.
Hosanna, hosanna dolorem gloria
Curriculum, vade retro, ad libitum, verbigratia
Curriculum, vade retro, ad libitum, verbigratia
Hosanna dolorem gloria.
Hosanna quorum exequias gratis
Hosanna quorum exequias gratis
Hosanna quorum exequias gratis
Memorandum
Planetarium
Post datam
Ad hoc
Pandemonium ad hoc
Quo vadis
Hosanna
Secula
Seculorum
Gloria
Superavit gloria
Referendum gloria
Sui generis gloria
Gloria
Johann Sebastian Mastropiero (7 de fevereiro): Super Humor com Les Luthiers
1 Concerto Grosso Alla Rustica 3:26
2 Tristezas De Manuela (Manuela’s Blues) 4:00
3 El Alegre Cazador Que Vuelve A Su Casa Con Un Fuerte Dolor Aca (Scherzo Concertante) 4:02
4 Pieza En Forma De Tango 4:16
5 Gloria Hosanna, That’s The Question (Nomenclator Sacro Polifónico) 3:16
6 Quinteto De Vientos (3er Movimiento) 2:50
7 Romanza Escocesa Sin Palabras 2:35
8 Voglio Entrare Per La Finestra 6:47
9 Suite Los Noticiarios Cinematograficos 8:00
Les Luthiers:
Marcos Mundstock (voz, apresentação, sopros)
Jorge Maronna (cordas, voz)
Daniel Rabinovich (sopros, percussões, cordas, voz)
Carlos López Puccio (violino, teclados, percussão, voz)
Carlos Núñez Cortés (teclados, sopros, voz)
Ernesto Acher (sopros, teclados, voz)

PQP


IM-PER-DÍ-VEL !!!
Confesso que estas minhas postagens que tem sido feitas a toque de caixa nas últimas semanas, e que assim serão pelo menos até o mês de novembro, quando em tese devo ter uma pausa no serviço, enfim, estas postagens não me satisfazem. Pelo simples motivo de que deixam os senhores na mão para saberem maiores detalhes sobre estas pérolas que trago. Foi assim com o Mendelssohn, com o último Bach e este cd absolutamente perfeito com árias de óperas de Vivaldi com a magnífica Roberta Invernizzi.



IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Hoje, só teremos excelentes postagens! Afinal, é o aniversário de PQP Bach! Não, não é o aniversártio do blog e sim o MEU aniversário!
Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.
Something like a bird é a última declaração de um gigante o canto do cisne de Charles Mingus — o seu derradeiro testemunho musical. Gravado em janeiro de 1978, cerca de um ano antes da sua morte, este álbum capta o compositor e baixista num momento de profunda vulnerabilidade física, mas de inabalável criatividade. Já confinado a uma cadeira de rodas devido à esclerose lateral amiotrófica, Mingus não conseguiu tocar o seu inseparável contrabaixo nestas sessões, mas supervisionou cada detalhe, transmitindo as suas ideias musicais através de esboços e da orientação aos arranjadores. É, por isso, mais do que um álbum de jazz; é um documento histórico e um ato de resistência. Lançado postumamente em 1981, o álbum é composto por apenas duas peças. A faixa-título é uma suite de mais de 31 minutos, dividida em duas partes para acomodar o formato de vinil. É uma viagem épica e efervescente, construída sobre uma sequência de acordes boppish de uma composição anterior de Mingus, Extrasensory Perception. A peça, que incluiu uma orquestra de 27 músicos, com 11 saxofones e quatro guitarras, avança como uma conversa polifônica onde solos se erguem e se dissolvem em explosões de energia coletiva, ecoando o espírito das jam sessions da Jazz at the Philharmonic, como a crítica da época sublinhou. Em contraste, Farewell Farewell é uma balada mais contida e introspetiva. Arranjada para uma orquestra ligeiramente menor, a sua melancolia e o seu título parecem prenunciar a despedida iminente do seu criador. É um momento de serena beleza, um adeus elegíaco que encerra o álbum com uma nota de contemplação silenciosa, em vez do frenesim da faixa anterior.
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Gosto dos maestros contemporâneos, especialmente de Rattle, Mäkelä e Nelsons. Gostei deste CD curtinho com a Sétima de Ludwig van. Esta gravação de Beethoven, com os Wiener Philharmoniker sob a direção de Sir Simon Rattle, pertence ao ciclo completo das nove sinfonias registrado ao vivo no Musikverein de Viena, em 2002. O projeto chegou com grande expectativa: Rattle, prestes a assumir a Filarmônica de Berlim, e os vienenses, uma orquestra de tradição inquestionável, a confrontarem-se com um repertório que ambos conhecem como poucos. O lançamento foi um evento muito comentado na época. A aposta de Rattle era clara e ambiciosa: conciliar a tradição interpretativa com as descobertas da investigação musicológica. Para isso, utilizou a edição Urtext de Jonathan Del Mar (não pensem que sei do que estou falando, apenas pesquisei), que procurou limpar a música das “camadas de verniz” acumuladas ao longo de décadas, e optou por um efeito sonoro mais transparente, com menos vibrato. A escolha da Filarmônica de Viena, uma orquestra com uma sonoridade inconfundível e profundamente enraizada no Romantismo, tornou a experiência particularmente fascinante — uma tentativa de modernizar ou arcaizar (depende do ângulo) o velho mundo a partir de seu interior.
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Gravado em 25 de julho de 1993, num dia ligeiramente chuvoso em Tóquio, este concerto documenta o Trio de Keith Jarrett no auge da sua telepatia musical. Uma década após a formação do grupo — que liderou um revivalismo do jazz acústico — Jarrett, Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria) oferecem uma demonstração magistral de interação, improvisação e virtuosismo. O programa equilibra standards do cânone jazzístico, originais e surpresas. A abertura com “In Your Own Sweet Way” de Dave Brubeck estabelece o tom: uma abordagem respeitosa mas radicalmente pessoal do material. O ponto alto indiscutível é a interpretação de “Solar” de Miles Davis, que se estende por uns impressionantes 26 minutos numa “Extension” que incorpora uma influência oriental, transformando o tema numa jornada hipnótica que nunca perde o ímpeto. Outros momentos de destaque incluem “Oleo” de Sonny Rollins — uma leitura vibrante que revela a cumplicidade do trio, com DeJohnette sempre a desafiar Jarrett com explorações rítmicas –, “The Cure” — o original de Jarrett, com uma groove contagiante que sublinha a sua veia mais rítmica –, “Bye Bye Blackbird” — uma das interpretações mais celebradas do trio, aqui captada com uma intensidade comovente — e a bela “Butch and Butch”. A química entre estes três músicos é verdadeiramente notável. Gary Peacock, em particular, revela uma sintonia extraordinária com Jarrett, trocando provocações musicais que evidenciam anos de cumplicidade. Jack DeJohnette, com a sua abordagem inventiva à bateria, demonstra porque é considerado um dos mais influentes percussionistas da sua geração — e a realização em vídeo (aqui temos apenas o áudio) permite observar de perto as suas técnicas sutis, desde o swing mais tradicional até aos sons mais únicos que produzem.


Ignoro quem foi o autor desta façanha. Além do bitrate rasante, todos os CDs com esta gravação de Gardiner têm também uma obra de Schütz, compositor que amo, chamada O Bone Jesu, Fili Mariae. Quem botou este CD na rede esquartejou a coisa, retirando esta peça que abria o disco e que deve ser interessante. E, por falar em esquartejamento, Membra Jesu Nostri é um ciclo de sete pequenas cantatas compostas em 1680. A letra, Salve mundi salutare – também conhecida como Rhythmica oratio – é um poema atribuído às vezes a São Bernardo de Claraval (1153), outras vezes a Arnulf de Louvain (1250), ambos da ordem cisterciense. Cada uma das sete partes em que se divide a obra é dedicada a uma parte do corpo crucificado de Jesus: pés, joelhos, mãos, costas, peito, coração e cabeça. É música sacra da melhor qualidade. Buxtehude, tenho a dizer que era imenso compositor, organista admiradíssimo por meu pai – que viajou algumas vezes para encontrá-lo e vê-lo tocar – e que seria mais conhecido, não fora a presença sufocante de papai em nossa cultura. Entre nós, os mais jovens da família, era conhecido como tio Bux.
Lançado em 2024 pelo próprio selo da Orquestra de Cleveland, este CD apresenta um programa bem audacioso: o Quarteto de Cordas Nº 3 de Bartók numa nova transcrição para orquestra de cordas (da autoria do violista da orquestra, Stanley Konopka), junto com a extraordinária Suite de O Mandarim Miraculoso. Gravado ao vivo no Mandel Concert Hall em janeiro de 2024, o disco é um testemunho do virtuosismo e da aposta em repertório pouco convencional que marcam a atual direção musical de Franz Welser-Möst na excelente orquestra da cidade. A novidade deste disco é a transcrição de Konopka para o Quarteto Nº 3. Considerado por muitos o mais “duro” e concentrado dos seis quartetos de Bartók, a obra, composta em 1927, é uma estrutura contínua de implacável lógica interna. Konopka, inspirado por arranjos semelhantes, optou por não apenas dobrar as partes originais, mas por reconceber a obra para duas orquestras de cordas separadas, seguindo o exemplo de Bartók na sua Música para Cordas, Percussão e Celesta. O resultado é surpreendente. As cordas de Cleveland, em estado de graça, aproveitam a oportunidade para trazer uma perspectiva sonora completamente diferente a uma obra familiar. Welser-Möst suaviza algumas arestas, tornando a obra, paradoxalmente, mais acessível e próxima do espírito da Música para Cordas do que da agressividade do quarteto original. A escolha da Suite de O Mandarim Miraculoso como complemento é ideal, contrastando a densidade do quarteto com uma música crua e forte. A orquestra dá uma execução virtuosística, com solos de sopros muito expressivos. No entanto, a abordagem de Welser-Möst revela estranha dualidade: se a dança final recebe a injeção de adrenalina adequada, a Introdução, com as suas sonoridades de paisagem urbana, é por demais polida para uma música que deveria transmitir violência. Porém o final, com a perseguição frenética, mostra que a orquestra sabe arder quando conduzida a isto.


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IM-PER-DÍ-VEL !!!![W. A. Mozart (1756 – 1791): Sinfonias Nos. 35, 36 & 38 – J. V. Voříšek (1791 – 1825): Sinfonia em ré maior – Prague Philharmonia & Jiří Bělohlávek [harmonia mundi & Supraphon] [Dose Dupla] ֎֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/07/Jiri-Belohlavek_04_c_Petra-Hajska-960x413.jpg)










IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD maravilhoso estava comigo há mais de um ano, mas foi somente hoje que eu o escutei. A Cantata Itaipu foi composta por Glass no ano de 1989 em homenagem à hidrelétrica de mesmo nome, construída sobre o Rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. O trabalho foi encomendado pela Orquestra Sinfônica de Atlanta. Atualmente, o presidente paraguaio Fernando Lugo, quer “um preço de mercado justo” (palavras dele) pela energia que o Paraguai vende ao Brasil. Mas isso é outra história. O texto da cantata de Glass foi composta em guarani, com tradução feita por Daniela Thomas, por informações não oficiais, parece que ela é filha do cartunista Ziraldo. Corrijam-me se estiver errado. Aproveitem!