Não importa o que ele toque, a música está sempre repleta de espírito, perspicácia e reverência pelo gênero do momento.
[Mark Small]
Para inaugurar a coluna ‘Dois Pelo Preço de Um – Dose Dupla’, escolhi dois álbuns do violonista americano Jason Vieaux. Os dois discos não poderiam ser mais diferentes, registrando dois momentos de sua vitoriosa carreira.
Seville, The Music of Isaac Albeniz é um disco de música para violão clássico, gravado em 2003. Todas as peças são transcrições de originais escritas para piano, e mesmo assim, não poderiam ser mais idiomáticas. Se você tem visto algumas de minhas postagens sabe que adoro esse gênero e o disco eu achei espetacular.
O outro álbum, denominado apenas Play, é de 2014 e bem mais variado, podendo mesmo ser considerado um .: interlúdio :. Neste, a escolha das músicas / compositores vai do clássico ao popular, de Torrega, Leo Brouwer e Segóvia a Paulo Bellinati, Tom Jobim e Duke Ellington. Mas, como frisou no seu artigo e crítico Mark Small, a música está sempre repleta de espírito.
Eu ouvi muitas vezes os dois discos, inicialmente mais os o que coloquei primeiro. Estes dias, no entanto, tenho ouvido com frequência o Play, Ambos estão nas plataformas de streaming, como a TIDAL ou qobuz, o que facilita especialmente quando dirijo ou estou fora de casa.
Jongo é um batuque só, a Felicidade de Jobim é imensa e a Cavatina de The Deer Hunter não podia ser mais pungente. Tarrega tem uma pegada mais clássica em seu belíssimo Capricho Árabe, assim como Recuerdos de la Alhambra, algumas faixas logo depois. Sunburst foi uma grata surpresa para mim e é outra que passou por John William, que foi também padrinho da Cavatina. As Abelhas de Augustín Barrios é uma peça bem bonita, assim como foi o Tango en Skai de Roland Dyens. Pode seguir ouvindo o disco até a peça do Duke e não terá um momento que não esteja repleto de beleza e bom gosto.
Isaac Albeniz (1860 -1909)
- Sevilla
- Cadiz
- Rumores De La Caleta
- Córdoba
- Granada
- Cataluña
- Tango
- Mallorca
- Cuba
- Zortzico
- Asturias (Leyenda)
- Torre Bermeja
- Capricho Catalán
Jason Vieaux, violão
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MP3 | 320 KBPS | 149 MB

Play
- Paulo Bellinati: Jongo
- Julio Sagreras: El Colibri
- Antônio Carlos Jobim (Arranjo de Roland Dyens): A Felicidade
- Stanley Myers: ‘Cavatina’ From The Deer Hunter
- Francisco Tárrega: Capricio Arabe
- Andrew York: Sunburst
- Leo Brouwer: Danza Caracteristica
- Roland Dyens: Tango En Skai
- Francisco Tárrega: Recuerdos De La Alhambra
- Agustín Barrios: Las Abejas
- Andrés Segovia: Estudio Sin Luz
- Antonio Lauro: Vals Venezolano No. 3
- Fernando Bustamante (Arranjo de Jorge Morel): Misionera
- Música tradicional mexicana (Arranjo de Manuel Ponce): Por Ti Mi Corazon
- Regino Sainz de la Maza: Zapateado
- Agustín Barrios: Vals, Op. 8, No. 4
- Duke Ellington: In A Sentimental Mood
Jason Vieaux, violão
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MP3 | 320 KBPS | 140 MB

Aqui, Vieaux percorre o terreno já bastante explorado do recital de violão latino-americano, mas, mais uma vez, imprime sua marca pessoal com peças incomuns, como uma seleção da trilha sonora de O Franco-Atirador, In a Sentimental Mood, de Duke Ellington, e A Felicidade, de António Carlos Jobim. Mesmo nas escolhas mais convencionais, Vieaux demonstra uma segurança própria; ele parece transitar com desenvoltura entre as tradições nacionais, como se as estivesse apresentando a um pequeno grupo. Sua execução no violão é limpa e elegante. Talvez o melhor aspecto do álbum seja o som: o pequeno Azica, tocando em um local não especificado, alcança uma ressonância natural do violão que coloca o ouvinte perto do guitarrista, mas não, como em tantas outras gravações, dentro do instrumento. Há um fator X nesta gravação, proveniente de seu ecletismo descontraído, que a torna muito atraente.
Excellent choice of pieces (from Tarrega, Segovia to Brouwer, Andrew York and Ellington) played with gusto and virtuosity; justly rewarded with a Grammy award earlier this year (for the Best Classsical Instrumental Solo). Equally interesting for estabished fans of the instrument as for newcomers – a real treat. Clearly, I am a fan – solo guitar rarely sound so good!
É inútil tentar rotular as inclinações musicais do vencedor do Grammy, Jason Vieaux. Um dos guitarristas clássicos mais proeminentes da Geração X, ele embarcou em uma aventura musical que inclui incursões profundas na literatura clássica justapostas a expedições sérias pelo pop, jazz e outros gêneros musicais. Não importa o que ele toque, a música está sempre repleta de espírito, perspicácia e reverência pelo gênero do momento.
Aproveite! Aproveite!
René Denon

![Jason Vieaux: Seville, The Music of Isaac Albeniz & Play – [Dose Dupla] ֎֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/04/lohkte993dqe1-2.jpeg)





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Um bom e curioso CD. Cole Porter, George Gershwin – Canções, Versões é um projeto do letrista Carlos Rennó, reunindo pela primeira vez em disco um conjunto de seus trabalhos como autor de versões. Tudo é muito bom e as soluções encontrdas por Rennó são sempre brilhantes. Ele apresenta uma seleção de catorze canções — soberbamente interpretadas — dos dois grandes compositores da era clássica da canção americana – sete de cada. O repertório reúne canções dos anos 20 aos 40 que Cole Porter (1891 – 1962) e George (1898 – 1937) e Ira Gershwin (1896 – 1983) compuseram para musicais da Broadway ou Hollywood. A lista de cantores ao lado já dá o tom da qualidade dos caras.
Aproveito que presenteei vocês no Natal com Sivuca para presenteá-los novamente com uma pérola discográfica do sanfoneiro paraibano.
Severino Dias de Oliveira, vulgo Sivuca (1930-2006), está na história da música brasileira por ter sido um de seus maiores acordeonistas – no Nordeste, diga-se sanfoneiros. Com isso se pensa que ele só compôs forrós e mesmo no Nordeste é difícil para os fãs do apontar outro sucesso de Sivuca que não seja Feira de mangaio (e ainda assim, muitos não sabem o nome da música), porém sua discografia se situa entre as mais ricas dentre os músicos nordestinos e seu catálogo abrange frevos, choros, jazz, canções e outros gêneros.
IM-PER-DÍ-VEL !!!


Não sou um apaixonado por Dvořák, mas esta gravação é esplêndida. A parceria entre Yo-Yo Ma e Kurt Masur na Sony Classical, em 1995, é um desses registros que se impõem menos pela pirotecnia e mais pela serena gravidade e categoria. Trata-se de uma leitura do Concerto para Violoncelo, de Antonín Dvořák, que respira naturalidade e onde o violoncelo de Ma nunca se sobrepõe à orquestra, mas antes flutua sobre ela como uma voz lírica e melancólica. Masur, longe de qualquer gesto efusivo, permite que os temas folclóricos do compositor tcheco revelem sua faceta mais sombriaa, sem perder o ímpeto dramático. O que impressiona é a escuta mútua: o violoncelo canta, chora e exulta dentro da massa orquestral, não contra ela. Já no Concerto para Violoncelo em Mi menor, de Victor Herbert – uma obra mais rara, de inspiração romântica e leveza quase operística –, Ma e Masur giram a chave com naturalidade. Aqui, a gravação recupera o charme da belle époque: o violoncelo exibe seu lado mais cantabile e virtuosístico, com passagens de agilidade solar. A sonoridade é quente, detalhada e analógica no melhor sentido. No fim, o que fica é a impressão de que os dois concertos, tão díspares em espírito, foram unificados por uma visão de rara integridade musical: a de que o violoncelo é, acima de tudo, a voz humana.




IM-PER-DÍ-VEL !!!









A Banda Mantiqueira é um dos projetos mais sensacionais da música instrumental brasileira, reunindo alguns dos melhores sopros do país sob a liderança do saxofonista e arranjador Nailor Proveta. Com uma formação que remete às big bands, mas com espírito brasileiro muito marcado, o grupo transita com naturalidade entre o jazz e gêneros como o choro, o samba e o frevo. O que mais impressiona é a energia coletiva: arranjos sofisticados, cheios de humor e invenção, aliados a uma execução precisa e, ao mesmo tempo, profundamente solta — como se tradição e improviso conversassem o tempo todo. Já o disco Bixiga é um belo retrato dessa identidade. O repertório homenageia compositores brasileiros, sobretudo ligados ao universo do choro e da música urbana, com releituras que preservam o espírito original, mas expandem as possibilidades sonoras através de arranjos criativos. Há momentos de grande lirismo, outros de explosão rítmica, sempre com destaque para o diálogo entre os instrumentos. É um álbum que celebra não apenas um bairro — o Bixiga — mas uma forma de fazer música: coletiva, pulsante e profundamente enraizada na cultura brasileira.
IM-PER-DÍ-VEL !!!!![Wagner (1813 – 1883): Aberturas e Prelúdios – Berliner Philharmoniker & Herbert von Karajan [EMI] ֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/04/rec-shop-detail-gallery-f4_v_kar_105_mj0924.jpg)












W.F. Bach (1710-1784): Kantaten, Vols. 1 e 2 (Max)
16. Sinfonia: Allegro maestoso





Um lindo trabalho de Gaillard sobre estas obras notáveis de Vivaldi. Tudo muito bonito e bem gravado. As Sonatas para Violoncelo do Padre Vermelho são um capítulo à parte em sua obra, revelando uma faceta mais íntima e contemplativa do compositor, distante da exuberância de seus famosos concertos. Ele nutria uma particular afeição pelo violoncelo. Para além dos mais de 25 concertos que compôs para o instrumento, legou à posteridade nove sonatas para violoncelo e baixo contínuo, além de uma décima que se perdeu. Escritas em sua maioria entre 1720 e 1730, estas obras não foram concebidas para o grande público. Acredita-se que tenham sido criadas para um círculo restrito de alunos, amigos e patronos influentes. Entre esses patronos, destacavam-se aristocratas que eram violoncelistas amadores, como o Conde Rudolf Franz Erwein von Schönborn, que mantinha um rica biblioteca com várias destas partituras. Esta origem “privada” confere às sonatas um caráter mais pessoal e intimista. Elas seguem a forma da sonata barroca em quatro movimentos, com um padrão de andamentos Lento – Rápido – Lento – Rápido. Esta estrutura cria uma narrativa musical equilibrada, onde a calma e a reflexão se alternam com a agilidade e o virtuosismo. São um ponto fora da curva de Vivaldi, mas que ponto!

AB-SO-LU-TA-MEN- TE IM-PER-DÍ-VEL !!!

IM-PER-DÍ-VEL !!!
