Bizet (1838-1875): Carmen (Highlights) – Jessye Norman – Orchestre National de France & Seiji Ozawa ֍

Bizet (1838-1875): Carmen (Highlights) – Jessye Norman – Orchestre National de France & Seiji Ozawa ֍

Georges Bizet

Carmen (Highlights)

Jessye Norman

Neil Schicoff

Simon Estes

ONF & Seiji Ozawa

Georges Bizet morreu sem ver o sucesso de sua obra prima – Carmen – uma ópera que é um marco na história da música. Apesar de ter sido precoce e ter tido seu talento musical reconhecido ainda criança, Georges Bizet demorou toda sua (curta) vida para conquistar a oportunidade de compor sua grande ópera. Ele deixou também as óperas Le pêcheurs de perle (1863), que tem o exotismo do oriente, e La Jolie fille de Perth (1867), que tem as características da opéra-comique e um libreto para lá de ruim.


Opéra-Comique é um teatro de ópera em Paris que abrigava um tipo de ópera leve, com números musicais bem recortados, com diálogos declamados, oriundas de espetáculos que eram apresentados em feiras. Este gênero operístico recebeu assim este nome. Seus principais compositores foram Gluck, Boieldieu, Auber, Grétry. La fille du regimento, de Gaetano Donizetti é um típico exemplo.


As críticas recebidas nesta última ópera deram um último empurrão e ele se propôs a abandonar este estilo que chamou ‘escola de flonflons, trilos e falsidades’.

Em 1869 casou-se com Geneviève Halévy, filha de Jacques Fromental Halévy, professor e compositor de ópera (compôs La juive). Neste período Bizet também andou ocupado com as coisas do mundo. Nasceu seu filho e ele serviu na Guarda Nacional, durante o cerco de Paris, na guerra com a Prússia.

Em 1872 ele compôs a música incidental para a peça L’Arlesienne e compôs a ópera de um ato, Djamileh, baseada em um conto oriental. A música incidental é ótima e marca sua evolução. A ópera não fez grande sucesso, mas a música é mais do que interessante e lhe valeu um contrato com o Opéra-Comique para uma ópera com libreto à sua escolha. Bizet se encantou com um conto de Prosper Mérimée sobre a Carmencita. Mérimée era ele mesmo um digno personagem de romance. Amores e duelos, viagem à Espanha para escrever sobre obras de museus para o jornal do pai, em Paris. Ele preferiu mais o ambiente fora dos museus e conviveu com as pessoas comuns. Sua história sobre Carmen envolve ciganas, soldados, contrabandistas, um toureiro, muita paixão, ciúmes e uma tragédia.

Bizet arranjou que os libretistas fossem Henri Meilhac e Ludovic Halévy (primo de sua mulher) que deram uma abrandada na história original, criaram Micaela, uma mocinha ingênua, que vem em busca de Don José, e cuja inocência faz contraponto à Carmen. Apesar de tudo, a estreia não foi um sucesso. A audiência esperava mais uma opéra-comique e não estava preparada para tantas novidades. Pessoas comuns, uma mulher empoderada escolhendo quem amaria, muito além dos típicos enredos de então. Além disso, Carmen segue a tradição dos diálogos falados entre os números musicais, mas à medida que a trama se aprofunda, os personagens vão se aproximando mais e mais da tragédia final. Assim, Carmen é precursora do verismo, estilo realístico que estava por surgir, como nas óperas Cavalleria rusticana (Mascagni – 1890), Pagliacci (Leoncavallo – 1892), Andrea Chénier (Giordano 1896) e a sublime Tosca (Puccini – 1890).

Um dia antes de morrer, Bizet assinou um contrato para que sua ópera fosse apresentada em Viena. Essa apresentação tornou Carmen conhecida no mundo todo e reconhecida finalmente também em Paris como uma obra prima.

Carmen é uma cigana que trabalha com suas amigas (Frasquita e Mercedes) em uma fábrica de cigarros. Don José é um cabo da Companhia Dragões de Alcalá e acaba seduzido (oh…) pela cigana. Deixa-a fugir (ela vive se metendo em confusões) e vai preso por isso. Micaela é uma jovem que mora na vila natal de Don José e vem trazer-lhe uma carta de sua mãezinha (dele, Don José).

Ao sair da prisão, Don José vai à taberna de Lillas Pastia atrás de Carmen (esse rapaz realmente não tem juízo). É claro, atrás dela também estão o toureiro (toreador…) e o Tenente da Guarda, um tal de Zuninga. Ia-me esquecendo, na taberna também estão os contrabandistas Dancairo e Remendado, que com as ciganas planejam seus atos ilícitos. Carmen espera atrair Don José para que se junte a eles. Uma desavença (ah, Carmen…) entre Zuninga e Don José o coloca definitivamente no mau caminho. Esse Don José está realmente encrencado.

Mais um ato, agora nas montanhas, ambiente dos contrabandistas, mas todos se encontram novamente – as ciganas (que estão lendo a sorte nas cartas… a sina de Carmen é nada boa), os contrabandistas, Don José. Aparece o toureiro, ciúme atiça Don José, mas tem a turma do ‘deixa disso’ e aparece Micaela, que avisa Don José da eminente morte de sua mãezinha. Este vai embora, mas avisa Carmen que voltará.

No último ato descobrimos que Carmen tornou-se amante de Escamilho, que vai enfim trabalhar… pobres touros. A última cena é o encontro dos ex-amantes, Carmen e Don José, que termina de maneira trágica.

Nesta seleção temos uma ótima impressão de tudo: a abertura é uma prova dos muitos dons de Bizet. Você ouvirá um microcosmo da ópera (1). Em seguida temos a Habanera (2), na qual Carmen faz sua declaração de mulher livre e que o amor é um pássaro rebelde! Mais adiante, ela também afirma que é um menino cigano que nunca conheceu lei… Ao final da ária, Carmen lança uma flor para Don José.

No próximo número, Carmen agora seduz definitivamente (como se precisasse) Don José, falando da taberna de Lillas Pastia (3).

Agora as ciganas cantam e dançam na taberna (4). Depois temos a ária do toureador, Escamilho nos conta tudo sobre a dura e saborosa vida do mata-touros (5).

Temos também um número com várias pessoas cantando (6), as ciganas, os contrabandistas…

Don José também é brindado com uma das mais lindas árias da ópera, a Ária da Flor, na qual ele se mostra desesperadamente apaixonado por Carmen (7). Na sequência (8), Carmen usa essa declaração para conseguir que ele se una aos contrabandistas (tsc, tsc, tsc).

Um momento que gosto em particular é quando a ciganas vêm a sorte nas cartas. A insistência da morte aparecendo para Carmen faz contraponto com a frivolidade das outras sinas: amor e fortuna (9).

Antes do número final, temos uma linda ária de Micaela, a meiga jovenzinha que vem em busca de Don José. Essa personagem foi introduzida na ópera pelos libretistas e não é criação do conto original de Mérimée (10).

A última faixa mostra como Bizet se distanciou do gênero leve e realmente inaugura uma nova maneira de compor óperas. São dez minutos que começa com o famoso tema do toureiro, interrompido por um trágico anúncio do que se seguirá. As vozes são levadas aos seus extremos (11). Você precisa ouvir isso tudo…

Georges Bizet (1838 – 1875)

Carmen (Highlights)

  1. Abertura (Prelude)
  2. “Mais nous ne voyons pas la Carmencita” – “L’amour est un oiseau rebelle” (Habanera) – Carmen
  3. “Près des remparts de Séville…Tais-toi” – Carmen
  4. “Les tringles des sistres tintaient” – Carmen, Mercedes e Frasquita
  5. “Votre toast, je peux vous le rendre” – “Toréador, en garde” – Escamilho
  6. “Nous avons en tête une affaire!” – Vários
  7. “La fleur que tu m’avais jetée” – Don José
  8. “Non, tu ne m’aimes pas!” – Carmen e Don José
  9. “Mêlons! Coupons!” – “En vain, pour éviter les répon- ses amères” – Carmen, Mercedes e Frasquita
  10. “Je dis que rien ne m’épouvante” – Micaela
  11. “C’est toi!” “C’est-moi!” – Carmen e Don José

Jessye Norman (Carmen)
Mirella Freni (Micaëla)
Neil Shicoff (Don José)
Simon Estes (Escamillo)
Ghylaine Raphanel (Frasquita)
Jean Rigby (Mercédès)
Gérard Garino (Le Remendado)
François Le Roux (Le Dancaïre)
Choeurs de Radio France
Orchestre National de France
Seiji Ozawa

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Jessye Norman

Aproveite!

René Denon

PS: Se você quiser aprofundar sua experiência, poderá ouvir a gravação integral acessando essa postagem aqui:

In memoriam Jessye Norman (1945-2019) – Georges Bizet (1838-1875) – “Carmen”, ópera em quatro atos

Dieterich Buxtehude (1637-1707): Membra Jesu Nostri (Cantus Cölln, Junghänel) & A filha feia

Dieterich Buxtehude (1637-1707):  Membra Jesu Nostri (Cantus Cölln, Junghänel) & A filha feia

Membra Jesu Nostri, de Dietrich Buxtehude, é uma série de 7 cantatas luteranas, com texto em latim, cada uma endereçada a uma parte do corpo de Jesus: aos pés, aos joelhos, às mãos, aos flancos, ao peito, ao coração e à face. É, na verdade, uma meditação sobre o sofrimento de Cristo durante a contemplação da cruz, olhando Jesus dos pés até a cabeça. Uma meditação barroca, de 1680, baseada no poema medieval Salve mundi salutaris. s cantatas são realmente comoventes, no sentido mais puro da palavra, e alguns momentos (como o Vulnerasti cor meum, da cantata 6) são de arrepiar qualquer um. Ah, e além dessas sete cantatas, o cd inclui também uma cantata alemã, Nimm von uns, Herr, du treuer Gott. No mesmo espírito, é uma súplica pela piedade divina diante das faltas humanas.

A filha feia

O jovem Johann Sebastian Bach era contratado na igreja da rica cidade de Arnstadt como organista. Lá, desfrutou de um novo órgão e de um bom salário. Ansioso por mais, em 1705 pediu uma licença de 4 semanas para ir a Lübeck visitar o velho mestre Buxtehude. Tinha apenas 20 anos de idade e viajou os mais de 320 quilômetros que separavam as duas cidades a pé. Surpreendido com a habilidade do jovem organista, Buxtehude propôs a Bach que ele permanecesse em Lübeck até sua morte e depois ocupasse o seu prestigioso posto. Porém, para ocupar tal posição, havia uma regra: o candidato tinha que casar com a filha mais velha do seu antecessor no cargo. A moça em questão, Ana Margarita, era vários anos mais velha do que Bach e não muito bonita, pelo que Bach recusou a oferta.

Handel passou alguns dias em Lübeck em 1703. Bach ficaria lá durante três meses em 1705. Como ele tinha sudo autorizado a ficar ausente por 4 semanas, provocou a fúria dos seus patrões ao fazê-lo durante meses. Essa longa viagem quase lhe custou seu emprego, mas valeu a pena. Ele aprendeu muito com o velho Buxtehude.

Buxtehude estava perto da aposentadoria e ansiava por um sucessor da mais alta qualidade. Claro, tanto Handel como Bach encheram-lhe de esperanças. Ele lhes ofereceu a sua bem paga posição, esclarecendo a questão com sua adorada filha mais velha. Apesar de solteiros, nenhum dos dois compositores concordou. O trabalho era atraente mas, dizem que a filha não era. Johann Mattheson, que seria um compositor proeminente e um notório teórico da música, também a rejeitou.

Bach, contudo, como passou muito mais do que 4 semanas em Lübeck, talvez estivesse pensando seriamente no caso. Digo talvez, porque acredita-se que o jovem Bach estava muito mais interessado em ficar ao lado de Buxtehude o máximo de tempo possível, para aprender tudo o que ele lhe pudesse ensinar.

Uma prova mais forte dos escassos encantos de Ana Margarita pode ser encontrada em visitas anteriores a de Bach. Em 1703, os consagrados Händel e Mattheson também visitaram Buxtehude, repito. Não quiseram ter aulas, vieram apenas para tentar suceder ao venerável organista na sua posição. Quando tomaram conhecimento das condições e de Ana Margarita, não hesitaram: deixaram Lübeck no dia seguinte.

Buxtehude, que tinha jurado não se aposentar até a sua filha se casar, ocupou o cargo até à morte, em 1707. Não pensem, contudo, que Anna Margareta foi deixada sozinha para o resto dos seus dias. O fiel assistente do seu pai, J.C. Schieferdecker, foi encorajado a desposá-la. Ele não é lembrado por mais nada, este foi seu grande feito. Para alguns foi uma atitude de gratidão, para outros, uma demonstração soberana de interesse monetário.

De fato, quando Buxtehude assumiu a posição de organista da Igreja de Santa Maria (Marienkirche), teve de cumprir uma condição semelhante: com a morte de Franz Tunder em Novembro de 1667, a posição de organista da Marienkirche, uma das mais importantes do norte da Alemanha, foi deixada vaga. Depois de muitos outros organistas tentarem o cargo e serem rejeitados, Buxtehude foi eleito em abril de 1668. Em julho do mesmo ano tornou-se cidadão de Lübeck e em agosto casou com Anna Margarethe Tunder, uma das filhas de seu antecessor. Era uma situação imposta para ser aceito no emprego, prática comum na época.

Dieterich Buxtehude (1637-1707): Membra Jesu Nostri (Cantus Cölln, Junghänel)

Membra Jesu Nostri, BuxWV 75 (Zyklus In 7 Kantaten)
Kantate Nr. 1 Ad Pedes 8:49
Kantate Nr. 2 Ad Genua 8:40
Kantate Nr. 3 Ad Manus 8:20
Kantate Nr. 4 Ad Latus 8:27
Kantate Nr. 5 Ad Pectus 9:45
Kantate Nr. 6 Ad Cor 9:15
Kantata Nr. 7 Ad Faciem 7:13

Nimm Von Uns, Herr, Du Treuer Gott BuxWV 78 13:31

Cantus Cölln
Konrad Junghänel

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Bux véio de guerra

PQP

.: interlúdio :. Dois grandes grupos com Don Cherry (1936-1995)

Este mês de janeiro tem sido de muitos momentos de alívio, alguns de tensão e muitos interlúdios jazzísticos aqui no PQPBach. Não rolou uma combinação nem uma pressão do patrão, apenas um daqueles transmimentos de pensação… Vamos então a mais dois álbuns em que os improvisos vão se construindo de forma horizontal e coletiva, difícil até de imaginar para certas cabeças obcecadas por ordem, dominação e esmagamento de uns por outros… Afinal, como disse meu colega WellBach, é difícil imaginar algo mais democrático que o Jazz.

Uma tendência do jazz dos anos 1970, que já aparece no disco de 1969 abaixo, foram os grupos sem um líder bem marcado. Naquela época se aposentavam ou saíam de cena Duke Ellington and his Orchestra, Thelonious Monk Quartet, John Coltrane Quartet, Miles Davis Quintet e as novidades eram Weather Report (com Joe Zawinul, Wayne Shorter e Jaco Pastorius dividindo holofotes), Return to Forever (Chick Corea, Stanley Clarke, Al Di Meola, Airto Moreira) ou o quarteto europeu de Keith Jarrett com um grande protagonismo de Jan Garbarek…

Don Cherry – supondo que dê pra conhecer a personalidade de alguém pelos seus solos de trompete e de flauta – tem um jeitão tranquilo, com alguns momentos mais intensos, gritos repentinos, mas predominância mesmo dos solos mais suaves (aqui!) e ao mesmo tempo imprevisíveis. Com essa suposta personalidade tranquila, apesar de ser uma das mais amadas figuras no jazz da segunda metade do século XX, ele não é tão lembrado pelos momentos em que organizou uma banda pra chamar de sua e exerceu liderança. Esse floreio é pra dizer que Don Cherry funciona bem em grupos mais democráticos.

O primeiro, lançado por um selo obscuro em 1969, tem uma história misteriosa: aparentemente o jovem James Mtume, de 23 anos, convenceu vários medalhões do jazz a gravarem um disco com suas composições e alguns trechos falados ligados ao movimento negro daquele período politicamente turbulento. O baterista Albert ‘Tootie’ Heath – tio de Mtume – parece ter sido quem conseguiu o contrato de gravação, e por isso ele aparecia na contracapa do LP. Já na reedição de 1975, Herbie Hancock e Don Cherry aparecem em letras maiores, o que não significa que eles tenham liderado as sessões, apenas que eram mais famosos.

Herbie Hancock frequentemente é quem faz a base das composições, junto com as percussões de Mtume, Tootie Heath e Ed Blackwell… sim, é um disco com bastante percussão, como já era de se esperar em um trabalho afrocentrado. Na 2ª faixa do álbum, temos voz muito interessante cantando sem palaras, aquele famoso “la-la-la”, mas na 3ª faixa a voz se intromete mais, supomos que seja a de Mtume, fazendo discurso político… os ouvidos mais apressados podem pular para a metade daquela faixa, quando as duas flautas ficam mais interessantes e a voz, mais discreta. Nos anos seguintes, Mtume tocaria percussão nas bandas de fusion de Miles Davies no início dos anos 1970, além de gravar alguns discos solo e, nos anos 80, lançar alguns hits pop/R&B (mais detalhes nesta resenha aqui).

Mas quando Don Cherry aparece ele quase sempre rouba a cena, ao contrário de Jimmy Heath, grande acompanhante (gravou com Milt Jackson, Freddie Hubbard e muitos outros), mais destinado ao papel de coadjuvante que ao de principal.

Ao contrário dessa breve e improvável constelação de estrelas que seguiriam seus rumos e nunca mais se encontrariam, o segundo disco de hoje é de um grupo que tocou junto por alguns anos, criou uma certa intimidade, o que não significa, claro, que tenham ligado o piloto automático e começado a se repetir, pecado imperdoável no jazz…

No disco de 1979, Codona, o nome do trio é uma junção de Collin, Don e Naná. Este último, o brasileiro Naná Vasconcellos, brilha no berimbau, cuíca e vários outros instrumentos de percussão. Nascido no Recife, Naná batucou desde pequeno em dezenas de instrumentos, gravou com Milton Nascimento (Milagre dos Peixes, entre outros) e, por intermédio de Gato Barbieri e Egberto Gismonti, se aproximou do jazz europeu de artistas que circulavam em volta da gravadora alemã ECM. Don Cherry e Collin Walcott nasceram nos EUA mas fizeram boa parte da carreira na Europa, com interesses musicais bem internacionais: Don se interessando por instrumentos africanos e Collin tendo estudado com Ravi Shankar e outros mestres indianos.

Kawaida (1969)
A1. Baraka
A2. Maulana
B1. Kawaida
B2. Dunia
B3. Kamili

Piano – Herbie Hancock; Trumpet [and flute?] – Don Cherry; Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – Jimmie Heath; Albert “Tootie” Heath; Percussion – Ed Blackwell; Congas [and voice?] – James Mtume; Bass – Buster Williams; Flute, Percussion on B1 – Billy Bonner
All tracks composed by Mtume, except B2 by Tootie Heath
Recording date: December 11 1969
Recording place: The Universe

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Capa da reedição de 1975, colocando Hancock e Cherry em letras maiores

Collin, Don e Naná: Codona 1 (1979)
1. Like That of Sky (Walcott)
2 Codona (Cherry, Vasconcelos, Walcott)
3. Colemanwonder: Race Face/Sortie/Sir Duke (Ornette Coleman/Coleman/Stevie Wonder)
4 Mumakata (Walcott)
5. New Light (Walcott)
Recorded at Tonstudio Bauer in Ludwigsburg, West Germany in September 1978

Collin Walcott — sitar, tabla, hammered dulcimer, kalimba, voice
Don Cherry — trumpet, wood flute, doussn’ gouni, voice
Naná Vasconcelos — percussion, cuíca, berimbau, voice

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Don Cherry (circa 1971). Dizem que quanto menor o trompete, maior a… coragem!

Pleyel

Johannes Brahms (1833-1897): Os Concertos para Piano / Variações sobre um tema de Handel e sobre um tema de Haydn (Ashkenazy / Haitink)

Johannes Brahms (1833-1897): Os Concertos para Piano / Variações sobre um tema de Handel e sobre um tema de Haydn (Ashkenazy / Haitink)

Estava desejoso por ouvir a música de Brahms e fui buscar logo este CD com os seus dois concertos para piano, com ninguém menos do que Haitink (regência) e Ashkhenazy (piano). Eu pareço ser repetitivo, mas é que a objetividade da língua não é capaz de captar, traduzir, descrever aquele suspiro mais íntimo da alma. Brahms é mais do que um compositor para mim. É a possibilidade de redenção. Seu romantismo não é piegas. Toca as emoções certas. O Concerto Nº 1 para piano e orquestra é de uma aspereza incomum, mas de um sonho e de uma expectativa redentiva inominável. Foi composto por um Brahms jovem. O alemão possuía apenas 25 anos ao compô-lo, mas a obra possui uma técnica equilibrada, o que levou Brahms a ser chamado de conservador. Reside aí o mistério na música de Brahms. Sua técnica é precisa, pura, honrando a tradição clássica. Num momento histórico em que a música de Liszt e Wagner dominava o mundo, Brahms constituiu-se numa contraparte — e o fez muito bem. O Concerto Nº 2 foi composto mais de vinte anos após o primeiro (1878). É menos áspero do que o primeiro, mas nem por isso menos denso. Nestes CDs, aparecem ainda duas belas variações — uma sobre um tema de Haydn e outra sobre um tema de Handel. Trata-se de um belo e poético post. Não deixe de ouvir.

Johannes Brahms (1833-1897): Os Concertos para Piano / Variações sobre um tema de Handel e sobre um tema de Haydn (Ashkenazy / Haitink)

DISCO 01

Piano Concerto No.1 in D minor Op.15

01. 1. Maestoso
02. 2. Adagio
03. 3. Rondo. Allegro non troppo

Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24
04. Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24

DISCO 02

Piano Concerto No.2 in B major Op.83
01. 1. Allegro non tropo
02. 2. Allegro appassionato
03. 3. Andante
04. 4. Allegretto grazioso

Variations on a Theme by Haydn, Op. 56a
05. Variations on a Theme by Haydn, Op. 56a

Vladimir Ashkenazy, piano
Amsterdam Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink, regente

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Haitink e Ashkenazy: passeio no bosque após uma visita ao Distrito da Luz Vermelha em Amsterdam

Carlinus

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Concertos (Freiburger Barockorchester)

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Concertos (Freiburger Barockorchester)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um belo disco de Concertos de W. F. Bach — talvez o melhor deles! Afinal, aqui temos a Freiburger Barockorchester, que é, usando terminologia técnica, um time muito foda. Temos humor e alegria de tocar, um cruzamento deslumbrante entre o Barroco e Beethoven! Esta gravação demonstra como Wilhelm Friedemann Bach é um compositor subestimado. As quatro obras aqui executadas são verdadeiras delícias. Temos a primeira gravação mundial de um belo Concerto para Flauta, bem como a gravação de um Concerto que sempre ouvi cravo — aqui com pianoforte. A Sinfonia (& Fuga) em Ré menor é uma peça notável de expressividade profunda e dramática que vale a pena ouvir. E o Concerto para 2 Cravos é uma verdadeira obra-prima em sua superabundância de idéias originais. Vale a pena ouvir!

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Concertos (Freiburger Barockorchester)

Concerto Per Il Flauto Traverso In D (BR C 15)
1 Un Poco Allegro 7:39
2 Largo 9:21
3 Vivace 5:07

Sinfonia In D (BR C 7)
4 Adagio 3:27
5 Allegro E Forte (Fuga) 4:54

Concerto Per Il Cembalo In E (BR C 12)
6 Allegretto 9:25
7 Adagio 8:39
8 Allegro Assai 5:14

Concerto A Due Cembali In Es (BR C 11)
9 Un Poco Allegro 10:56
10 Cantabile 3:11
11 Vivace 7:11

Cello – Kristin Von Der Goltz, Rebecca Ferri
Double Bass – Ludek Braný*
Flute – Karl Kaiser, Susanne Kaiser
Harpsichord – Michael Behringer (pianoforte nas faixas de 6 a 8), Robert Hill
Horn – Erwin Wieringa, Teunis van der Zwart
Orchestra – Freiburger Barockorchester
Timpani – Gerhard Hundt
Trumpet – Friedemann Immer, Ute Rothkirch
Viola – Christian Goosses, Claire Duquesnois
Violin – Anne Katharina Schreiber, Beatrix Hülsemann, Brigitte Täubl, Christoph Hesse (2), Gerd-Uwe Klein, Petra Müllejans
Violin, Conductor – Gottfried Von Der Goltz
Violin, Viola – Christa Kittel

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A Freiburger Barockorchester. Vocês reconhecem o chefe? É sempre bom conhecer o chefe. Ele está ali, ó.

PQP

Alexandr Borodin (1833-1887): Sinfonias 1 & 2, Nas Estepes da Ásia Central (RPO, Ashkenazy)

Alexandr Borodin (1833-1887): Sinfonias 1 & 2, Nas Estepes da Ásia Central (RPO, Ashkenazy)

Com sua riqueza de temas marcantes, ricamente melódicos e sua estrutura dramática original, a Segunda Sinfonia de Borodin deveria ser uma das sinfonias russas mais populares. Mas não é. Vá entender. As sinfonias de Borodin são criaturas estranhas, pois soam espontâneas e belas mas, ainda assim, não decolam realmente. Em outras palavras, muitas vezes soam como se fossem suítes. Há várias versões excelentes da No.2, como a de Kubelik, só que elas realmente não me convenciam de que esta fosse uma sinfonia de primeira linha. Esta versão de Ashkenazy é uma das poucas que torna essa música ótima.

A primeira sinfonia é apenas OK. O final é uma peça dançante alegre que soa polovistiana e que conquistou a admiração de Liszt.

A segunda, como disse, é muito mais conhecida e Ashkenazy consegue fazer com que pareça nova. O tema de abertura do primeiro movimento é o grande teste para mim. Ashkenazy realmente deixa rolar, dando-lhe naturalidade. Soa rico e portentoso. Cada momento soa bem para meus ouvidos. O delicioso Scherzo está sensacional. Em suma, uma boa interpretação dos dons líricos e sinfônicos de Borodin. Mesmo se você tiver muitas gravações da segunda, adicione esta à pilha – e você esquecerá rapidamente a maioria das outras. Ah – temos aqui uma ótima versão de Nas Estepes da Ásia Central também.

Alexandr Borodin (1833-1887): Symphonies 1 & 2, In The Steppes Of Central Asia (RPO, Ashkenazy)

1 In Central Asia 7:02

Symphony No. 1 In E Flat Major
2 I Adagio – Allegro – Andantino 13:01
3 II Scherzo: Presto – Trio: Allegro 6:56
4 III Andante 8:00
5 IV Allegro Molto Vivo 7:04

Symphony No. 2 In B Minor
6 I Allegro 7:03
7 II Scherzo: Prestissimo – Trio: Allegretto 5:07
8 III Andante 8:48
9 IV Finale: Allegro 5:59

Composed By – Alexander Borodin
Conductor – Vladimir Ashkenazy
Orchestra – The Royal Philharmonic Orchestra

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Sabiam que Borodin era químico?

PQP

Thomas Arne (1710-1778): Aberturas e Cantatas (Térey-Smith / Capella Savaria)

Thomas Arne (1710-1778): Aberturas e Cantatas (Térey-Smith / Capella Savaria)

OK, OK, dizem que não existe boa música inglesa de Purcell atá Britten. Eu até concordo, mas grosso modo. Tudo porque Arne é um bom compositor barroco, que nÃo faria feio entre os alemães e italianos NORMAIS. Claro, Arne não está entre os compositores mais conhecidos atualmente, mas certamente foi grande e influente em seu tempo, afastando-se das tradições barrocas para um estilo que retém a essência da tradição operística italiana, mas criando algo reconhecidamente britânico. É uma pena que apenas uma fração de sua obra tenha sobrevivido e menos ainda tenha sido registrada. Este disco, lançado para o 300º aniversário do nascimento de Arne, apresenta algumas das cantatas e aberturas de várias obras de palco de Arne. As cantatas são executadas com competência e divididas entre a soprano canadense Stefanie True — a quem já ouvi em um ótimo disco de Cantatas de Handel) e o tenor húngaro Zoltan Megyesi, que é “convincentemente inglês”. A música do conjunto Capella Savaria também é deliciosa sob a regência de Mary Terey-Smith.

Thomas Arne (1710-1778): Aberturas e Cantatas (Térey-Smith / Capella Savaria)

1 King Arthur: Overture. Con Spirito
2 King Arthur: Overture. Largo
3 King Arthur: Overture. March

4 The Spring, Cantata

5 Judith, Oratorio: Overture. Con Spirito
6 Judith, Oratorio: Overture. Andante
7 Judith, Oratorio: Overture. Minuet

8 Chaucer’s Recantation, Cantata

9 Love and Resentment, Cantata

10 Eliza: Overture. Largo
11 Eliza: Overture. Allegro Con Spirito
12 Eliza: Overture. Grave
13 Eliza: Overture. Andante Minuetto

14 Reffley Spring, Cantata

15 The Fairy Prince, Masque in 3 Acts: Overture. Allegro
16 The Fairy Prince, Masque in 3 Acts: Overture. Andante
17 The Fairy Prince, Masque in 3 Acts: Overture. Presto

Mary Térey-Smith (Conductor)
Capella Savaria (Orchestra)
Stefanie True (Performer)
Zoltán Megyesi (Performer)

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Já postamos compositores mais bem-apessoados.

PQP

Olivier Messiaen (1908-1992): Visons de l’amen (Aimard, Stefanovich) + peças curtas de Enescu, Knussen, Birtwistle

Após sua experiência no front e como prisioneiro de guerra, Messiaen voltou para Paris e compôs três obras bastante distantes de qualquer comentário mais engajado sobre os horrores da 2ª Guerra, talvez por buscar na religião a sanidade que tantos soldados tinham perdido. Essas três obras são: Visões do amém (1943), para dois pianos; 20 olhares sobre o menino Jesus, para piano (1944); Três pequenas liturgias (1944), para orquestra com importantíssima participação do piano. São três obras em que os truques de mágica pianística se repetem e se complementam, sendo interessante ouvi-las em sequência, mais ou menos como é interessante ouvir as Sinfonias 3 e 4 de Mahler e os ciclos de Lieder que ele compôs na mesma época e que se repetem nas sinfonias (guardadas as proporções entre dois compositores tão diferentes como Mahler e Messiaen).

Entre os truques, invenções e manias pianísticas de Messiaen, o pianista francês Pierre-Laurent Aimard chama atenção para um que, confesso, eu não havia reparado, mas é daquelas coisas que, uma vez que lhe abrimos os olhos, podemos enxargá-la por todos os lados: me refiro aos frequentes sons de sinos nas Visions de l’amen. Com a palavra, Aimard:

Eu toquei as Visions de l’Amen desde os quinze anos, virei as páginas quando Yvonne Loriod e Messiaen as executaram, as estudei com ele e toquei incontáveis vezes – inevitavelmente transportado pela força irresistível da visão de Messiaen.
Se ter uma casa realmente significa alguma coisa, então esta obra é minha casa.
Os inúmeros sinos que intoxicam o Amém da Criação e o da Consumação encontrarão um complemento musical nas composições do profético Enescu, do poético Knussen e do radical Birtwistle. Elas ressoam para nos mostrar o quanto o som do sino, esse choque inicial com desdobramentos harmônicos infinitos, é emblemático da música de Messiaen. (Pierre-Laurent Aimard)

Olivier Messiaen (1908-1992): Visons de l’amen
1 I. Amen de la Création
2 II. Amen des étoiles, de la planète à l’anneau
3 III. Amen de l’agonie de Jésus
4 IV. Amen du Désir
5 V. Amen des Anges, des Saints, du chant des oiseaux
6 VI. Amen du Jugement
7 VII. Amen de la Consommation

Tamara Stefanovich, piano I
Pierre-Laurent Aimard, piano II

George Enescu (1881-1955)
8 Carillon Nocturne (from Suite No. 3, Op. 18 “Pièces Impromptues”) (piano: Aimard)

Oliver Knussen (1952-2018)
9 Prayer Bell Sketch, Op. 29 (piano: Stefanovich)

Harrison Birtwistle (1934-2022)
10 Clock IV (from Harrison’s Clocks) (piano: Aimard)

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PS: O amém é aquele mesmo, pronunciado no fim das orações… Com o significado mais imediato de “que assim seja” e outros por extensão, o “amém” deu asas à imaginação de Messiaen nessa obra de mais de 40 minutos.

Olivier Messiaen (esq.) e Laurent Aimard (dir.)

Pleyel

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Quartetos K. 421 e 465 (Dissonances) e Divertimento K. 138 (Ébène)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Quartetos K. 421 e 465 (Dissonances) e Divertimento K. 138 (Ébène)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Álbum de 2011 do Quarteto Ébène, ainda com Mathieu Herzog na viola. Ele foi trocado depois pela igualmente ótima Marie Chilemme. Aqui temos dois dos mais belos quartetos de Mozart e ainda o Divertimento K. 138 em versão para Quarteto de Cordas.

O Divertimento também é conhecido — em sua versão para cordas — como Sinfonia de Salzburgo Nº 3. Alguns estudiosos acreditam que os 3 Divertimentos K. 136, 137 e 138, compostos quando Mozart tinha 16 anos, são, na verdade, quartetos de cordas. Outros acham que são sinfonias às quais faltaria acrescentar as partes dos instrumentos de sopro. Entretanto, não parece haver nada de inacabado nessas obras.

O Quarteto de Cordas nº 19 em dó maior , K. 465, “Dissonâncias”, tem este nome devido a sua introdução lenta incomum. É talvez o mais famoso de seus quartetos. É o último do conjunto de seis compostos entre 1782 e 1785 e dedicados a Haydn.

O Quarteto de Cordas nº 15 em ré menor , K. 421, é o segundo dos Quartetos dedicados a Haydn e o único do conjunto em tom menor. Embora não datado no autógrafo, acredita-se que tenha sido concluído em 1783, enquanto sua esposa Constanze Mozart estava em trabalho de parto de seu primeiro filho, Raimund. Constanze afirmou que as figuras de cordas crescentes no segundo movimento correspondiam aos seus gritos da outra sala…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Quartetos K. 421 e 465 (Dissonances) e Divertimento K. 138 (Ébène)

String Quartet Nº 15 K 421 In D Minor
1 I Allegro Moderato 8:05
2 II Andante 6:09
3 III Menuetto And Trio. Allegretto 4:05
4 IV Allegretto Ma Non Troppo 8:35

Divertimento K 138 In F Major
5 I Allegro 3:53
6 II Andante 5:00
7 III Presto 2:24

String Quartet Nº 19 K 465 ‘Dissonance’ In C Major
8 I Adagio – Allegro 11:33
9 II Andante Cantabile 8:14
10 III Menuetto And Trio. Allegro 5:08
11 IV Allegro Molto 7:55

Quarteto Ébène
Cello – Raphaël Merlin
Viola – Mathieu Herzog
Violin – Gabriel Le Magadure, Pierre Colombet

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As fotos do velho Ébène são cada vez mais raras. Todo mundo só quer Marie…

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Castello / Merula / Marini / Bertoli / Buonamente / Frescobaldi / Rossi / Turini: The Contest of Apollo and Pan (Apollo & Pan)

Castello / Merula / Marini / Bertoli / Buonamente / Frescobaldi / Rossi / Turini: The Contest of Apollo and Pan (Apollo & Pan)

Um disco delicado e muito bom de música antiga. São obras que estão todas dentro de um período de 35 anos, oferecendo notável variedade de humor e texturas nas quatro partes para teclado solo para três instrumentos diferentes — cravo, órgão de câmara e espineta –, que aquecem a harmonia sustentada, dobrando linhas melódicas. A espineta é particularmente cativante. Atenção para a brilhante Ciacona de Merula. Cinco Sonatas de 1629 de Dario Castello, fornecem o núcleo do programa. As duas coleções de música instrumental virtuosística de Castello são marcos no repertório e levaram a um número considerável de reimpressões durante várias décadas após sua publicação inicial.

Castello / Merula / Marini / Bertoli / Buonamente / Frescobaldi / Rossi / Turini: The Contest of Apollo and Pan (Apollo & Pan)

1 Sonata para 3 instrumentos & Continuo No. 10 (Sonata Concertate II/10)
Composição : Dario Castello
2 Ciacona, para 2 violinos e baixo contínuo (Canzone Overo Sonate Concertate)
Composição : Tarquínio Merula
3 Sonata para 2 instrumentos & Continuo No. 4 (Sonata Concertate II/4)
Composição : Dario Castello
4 Sonata Sopra “Fuggi Dolente Core”, Para Instrumentos de Câmara e Continuo
Composição : Biagio Marini
5 Sonata No. 7 Para Dulcian & Continuo (Compositioni Musicali)
Composição : Giovanni Antonio Bertoli
6 Sinfonia para 2 violinos e Continuo (Livro 4)
Composta por – Giovanni Battista Buonamente
7 Brando Terzo
Composta por – Giovanni Battista Buonamente
8 Gagliarda Terza
Composta por – Giovanni Battista Buonamente
9 Corrente Terza E Quarta
Composta por – Giovanni Battista Buonamente
10 Toccate D’intavolatura … No.1, Toccate Dodeci
Composição de – Girolamo Frescobaldi
11 Toccate d’intavolatura … No.14, Capriccio Fra Jacopino sopra L’Aria Di Ruggiero
Composição de – Girolamo Frescobaldi
12 Sonata No.5 Sopra Un Aria Francese, Livro 4
Composição : Salomone Rossi
13 Sonata para 2 instrumentos & Continuo No. 7 (Sonata Concertate II/7)
Composição : Dario Castello
14 Âncora Che Col Partire, Madrigal
Composta por – Cipriano de Rore , Giovanni Battista Spadi
15 Sonata para 2 instrumentos e contínuo nº 8 em ré menor (Sonata Concertate II/8)
Composição : Dario Castello
16 Il Zontino, Balletto Para 2 Violinos & Continuo, Op. 22/01
Composição : Biagio Marini
17 Sonata para 2 violinos, Dulcian & Continuo No. 9 (Sonata Concertante II/9)
Composição : Dario Castello
18 Sonata à 3 “E Tanto Tempo Hormai” (fFom Madrigals Livro 3)
Composição : Francesco Turini

Dulcian – Sally Holman
Conjunto – Apollo & Pan
Órgão, Cravo – Steven Devine
Violino – Ben Sansom (2)
Violino, encarte – Tassilo Erhardt

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.: interlúdio :. John Coltrane Quintet with Eric Dolphy – Live, 1961: Copenhagen, Baden-Baden, Paris

John Coltrane devia ter muitos admiradores em Copenhagen, porque após este show gravado em excelente qualidade de áudio na segunda-feira 20/11/1961, e após circular por outros países da Europa do norte, seu quinteto voltaria à capital da Dinamarca para um segundo show no domingo 26/11.

Além de faixas mais comuns no repertório de Coltrane, como Impressions, Naima e a balada de Cole Porter Ev’ry Time We Say Goodbye, o destaque do show de Copenhagen é Delilah, um tema de tipo orientalista (no sentido de Edward Saïd: um oriente mais nos olhos de quem vê) que, antes de ser introduzida ao mundo do jazz pelo timbre cool do trompete de Clifford Brown, havia sido composta como parte da trilha sonora de um Sansão e Dalila, superprodução bíblica de Hollywood em 1949. Aqui, esse tema serve para o quinteto “se esquentar”: começando meio lenta e também cool, a música ganha solos sucessivos de Coltrane e Dolphy, depois um de Tyner, para finalmente decolar nas notas rápidas do sax soprano de Coltrane nos minutos finais…

Jones na bateria, Coltrane no sax soprano (Baden-Baden 1961)

O outro destaque dessa turnê europeia foi o show em um estúdio de TV em Baden-Baden, Alemanha, todo gravado em som e vídeo, coisa rara na época. O quinteto de Coltrane certamente tinha algum grau de estranhamento com a ideia de serem gravados pelas diversas câmeras de um estúdio de TV. As câmeras, para músicos de jazz naquela época, eram bem mais raras do que os gravadores. Então eles escolheram o repertório mais tocado, para não correrem riscos: três temas que apareciam em quase todas as apresentações de 1961 e 62. Dois deles haviam sido lançados no LP My Favorite Things e o terceiro (a composição modal Impressions) ainda era inédito para os públicos mas vinha sendo retrabalhado pelo grupo praticamente a cada noite. Talvez seja o único registro em vídeo do grupo de Coltrane ainda com Reggie Workman, que sairia no ano seguinte. É verdade que Jimmy Garrison duraria mais tempo com Coltrane e faria solos mais longos (hipótese: os solos de baixo e bateria entram em 1962 para cobrir o buraco com a saída de Dolphy?) Mas Workman – que esteve em gravações como Olé Coltrane, Africa/Brass, Village Vanguard – também é um baixista sofisticado que, nas últimas notas de Ev’ry time we say goodbye, ataca o contrabaixo com o arco, como dá pra ver no vídeo mais abaixo, que também segue para download, para os excêntricos que ainda baixam vídeos.

Jones na bateria, Dolphy na flauta (Baden-Baden 1961)

A My Favorite Things de Copenhagen deve ser uma das mais longas já tocadas por Coltrane: dura 28 minutos com longos solos de (nesta ordem) Tyner no piano, Dolphy na flauta e Coltrane no sax. Pra não dizerem que não avisei: enquanto o solo de Tyner é brilhante mas ao mesmo tempo harmonicamente situado nas mudanças de acordes da versão do LP de 1960, o solo de flauta de Dolphy é bem mais free jazz, sem medo de em certos momentos soar em desalinho com os outros instrumentos. Já na “Things” de Baden-Baden, o quinteto funciona sob a pressão do relógio da gravação televisiva, o que por um lado poda as alturas alcançáveis, mas por outro lado coloca restrições que levam os músicos a inventar novas ideias.. O solo de pouco menos de 3 minutos de Dolphy na flauta (dos 6 aos 9 minutos do vídeo) é uma verdadeira obra-prima do improviso jazzístico.

Com uma qualidade de gravação pior e, portanto, apenas para os fãs mais dedicados – embora em primeiro na lista abaixo que é cronológica na ordem da turnê – temos o show no Olympia de Paris, outra grande casa de espetáculos, em atividade até hoje e com lugares para cerca de duas mil pessoas. Ali, o quinteto toca Blue Train, do disco homônimo de 1957-58, o primeiro lançado por Coltrane como artista principal e não coadjuvante. Blue Train começa com frases em uníssono dos dois saxofones (tenor de Coltrane, alto de Dolphy), que soam bastante interessantes com o eco da sala L’Olympia. Mas a gravação (que, pelo eco, podemos supor que foi feita da plateia e não do palco ou da mesa de som) deixa a desejar sobretudo nos detalhes de piano, baixo e bateria. Então as prioridades são o show em Copenhagen e a sessão televisionada em Baden-Baden.

John Coltrane Quintet:
L’Olympia, Paris – November 18, 1961 (late show)
1. Blue Train (J. Coltrane)
2. I Want to Talk About You (Billy Eckstine)
3. My Favorite Things (Rogers/Hammerstein)

Falconer Salen, Copenhagen – November 20, 1961
1. Intro by Norman Granz
2. Delilah (Victor Young)
3. Ev’ry Time We Say Goodbye
4. Impressions (J. Coltrane)
5. Naima (J. Coltrane)
6. My Favorite Things (false start) > Announcement by Coltrane
7. My Favorite Things (Rogers/Hammerstein)

Südwestfunk TV Studio, Baden-Baden – December 4, 1961
1. My Favorite Things (Rogers/Hammerstein) 11:06
2. Ev’ry Time We Say Goodbye (C. Porter) 5:25
3. Impressions (J. Coltrane) 7:30

Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – John Coltrane
Alto Saxophone, Bass Clarinet, Flute – Eric Dolphy
Piano – McCoy Tyner
Drums – Elvin Jones
Bass – Reggie Workman

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (link para pasta com os três shows separados)

McCoy Tyner, durante o solo, olha para o piano – reparem que na outra foto abaixo ele olha para Coltrane enquanto o acompanha
Jones, Coltrane (sax soprano), Workman, Tyner: Baden-Baden 1961
Workman (baixo), Coltrane (sax tenor), Dolphy (sax alto) em Baden-Baden, 1961

Dolphy died on June 29, 1964 in a diabetic coma, leaving a short but tremendous legacy in the jazz world. He was quickly honored with his induction into the Down Beat magazine Hall of Fame in 1964. Coltrane paid tribute to Dolphy in an interview: “Whatever I’d say would be an understatement. I can only say my life was made much better by knowing him. He was one of the greatest people I’ve ever known, as a man, a friend, and a musician.”

Recebendo Prêmio Edison no Concertgebouw de Amsterdam (1961)

Pleyel

Claudio Monteverdi (1567-1643): L`Orfeo (Gardiner)

Claudio Monteverdi (1567-1643): L`Orfeo (Gardiner)

Se você, como eu, gosta de música antiga, vai adorar isso. Chamada às vezes La Favola d’Orfeo (A Fábula de Orfeu), L`Orfeo é uma Fabula em Música, ou uma ópera de Claudio Monteverdi, que data do período de transição entre a Renascença e o Barroco. Baseada na lenda grega de Orfeu que desce ao reino dos mortos, de Hades, na tentativa de trazer sua bem amada Eurídice de volta à vida, foi escrita em 1607 para uma encenação no carnaval da corte de Mântua. Embora não tenha sido a primeira ópera a ser composta, esta honra é de Jacopo Petri, Orfeo tem a distinção de ser a mais antiga ópera ainda regularmente executada hoje em dia. Esta obra teve um papel pioneiro no desenvolvimento do gênero visto que é a que mais se aproxima do modelo que se consagraria depois. É justamente considerada a primeira obra-prima do gênero operático. Tecnicamente, é uma ópera, mas não é o estereótipo criado depois e, creio, esta é a melhor versão disponível.

Prólogo
O “Espírito da Música” explica o poder da música, e especificamente o poder de Orfeu, cuja música é tão poderosa que é capaz de mudar a atitude dos próprios deuses.

Ato I
Orfeu e Euridice comemoram a chegada do dia do casamento.

Ato II
Orfeu recebe a terrível notícia de que Euridice havia morrido com a picada de uma serpente, decidindo ir até o Tártaro, de Hades, para poder resgatar a sua amada. Ele fala como a felicidade humana é passageira. O coro final termina com um lamento fúnebre.

Ato III
Esperança acompanha Orfeu à entrada do Tártaro. Orfeu encontra Caronte, o guardião do Tártaro e barqueiro do rio Estige, que o atravessa após ouvir uma canção pungente e emocionada de sua lira. A canção da lira também adormece Cérbero, o cão de três cabeças guardião dos portões do Tártaro permitindo que Orfeu passe por ele.

Ato IV
Prosérpina, a rainha do Tártaro e esposa de Plutão, é comovida pela música de Orfeu e, com isso, Plutão, rei do Tártaro, deixa Eurídice ir. Mas Plutão só a libera com uma condição: que Orfeu não olhe para trás onde segue Eurídice. Plutão libera a amada de Orfeu. Assim Orfeu e sua amada Eurídice se retiram do Tártaro, para irem para a Terra, mas num momento de fraqueza humana, Orfeu olha para trás e vê o ombro de Eurídice. Então, sem tempo para começar a olhar o rosto de Eurídice, ela é fulminada e volta como fantasma para o Tártaro.

Ato V
Orfeu é consumido pela dor, e Apollo, o seu pai, vem do céu para levar seu filho, onde lá ele poderá ver para sempre a imagem de Euridice no céu, formada pelas estrelas.

Claudio Monteverdi (1567-1643): L`Orfeo (Gardiner)

L’Orfeo. Favola In Musica (1607)
1-1 Toccata 1:38

Prologo
1-2 Dal Mio Permesso (La Musica) 5:44

Atto Primo
1-3 In Questo Lieto E Fortunato Giorno (Pastore I) / Vieni, Imeneo (Coro Di Ninfe E Pastori) / Muse, Onor Di Parnaso (Ninfa) 3:28
1-4 Balletto: Lasciate I Monti (Coro Di Ninfe E Pastori) / Ma Tu, Gentil Cantor (Pastore III) 2:34
1-5 Rosa Del Ciel (Orfeo / Io Non Dirò Qual Sia (Euridice) / Balletto: Lasciate I Monti / Vieni, Imeneo (Coro Di Ninfe E Pastori) 4:27
1-6 Ma Se Il Nostro Gioir (Pastore II, Pastore I, Pastore III, Pastore IV, Ninfa) / Ecco Orfeo, Cui Pur (Coro Di Ninfe E Pastori) 5:09

Atto Secondo
1-7 Sinfonia / Ecco Pur Ch’a Voi Ritorno (Orfeo) 0:49
1-8 Mira Che Sé N’alletta (Pastore I, Pastore II) / Dunque Fa Degni, Orfeo (Coro Di Ninfe E Pastori) 2:16
1-9 Vi Ricorda, O Bosch’ombrosi (Orfeo, Pastore I) 2:51
1-10 Ahi, Caso Acerbo / In Un Fiorito Prato (Messaggiera, Pastore I, Pastore II, Pastore III, Orfeo) 9:28
1-11 Ahi, Caso Acerbo (Coro Di Ninfe E Pastori) / Ma Io, Che In Questa Lingua (Messaggiera) 2:49
1-12 Sinfonia / Chi Ne Consola, Ahi Lassi / Ahi, Caso Acerbo / Ma Dove, Ah Dove / Ahi, Caso Acerbo (Pastore I, Pastore II, Coro Di Ninfe E Pastori) 7:09

Atto Terzo
2-1 Sinfonia / Scorto Da Te, Mio Nume (Orfeo) / Ecco L’atra Palude (Speranza) / Dove, Ah Dove Ten Vai (Orfeo) 6:29
2-2 O Tu, Ch’inanzi Morte (Caronte) 2:13
2-3 Possente Spirto (Orfeo) 8:23
2-4 Be Mi Lusinga (Caronte / Ahi, Sventurato Amante (Orfeo) / Ei Dorme, E La Mia Cetra (Orfeo) 5:21
2-5 Nulla Impresa Per Uom (Coro Di Spiriti) 2:48

Atto Quarto
2-6 Signor, Quel Infelice (Proserpina) / Benché Severo (Plutone) / O Degli Abitator (Spirito I, Spirito II) / Quali Grazie Ti Rendo (Proserpina) / Tue Soavi Parole (Plutone) 6:54
2-7 Pietade, Oggi, E Amore (Coro Di Spiriti) / Ecco Il Gentil Cantor (Spirito I) 0:40
2-8 Qual Onor Di Te (Orfeo) / O Dolcissimi Lumi (Orfeo / Rotto Hai La Legge (Spirito III) 3:15
2-9 Ahi, Vista Troppo Dolce (Euridice) / Torn’a L’ombra (Spirito I) / Dove Ten Vai (Orfeo) 2:34
2-10 È La Virtute Un Raggio (Coro Di Spiriti) 2:27

Atto Quinto
2-11 Questi I Campi Di Tracia (Orfeo, Eco) 8:09
2-12 Sinfonia / Perché A Lo Sdegno (Apollo, Orfeo) 5:47
2-13 Vanne Orfeo (Coro Di Ninfe E Pastori) 0:59
2-14 Moresca 1:18

Alto Vocals – Ashley Stafford, Brian Gordon (2), Christopher Royall, Julian Clarkson, Patrick Collin
Bass Vocals – Charles Pott, Richard Savage, Simon Birchall, Stephen Charlesworth (2)
Cello, Viola da Gamba – Angela East, Richard Campbell
Chitarrone – Timothy Crawford*
Chitarrone, Cittern, Cittern [Ceterone] – Robin Jeffrey
Chorus [Coro Di Ninfe E Pastori, Coro Di Spiriti] – The Monteverdi Choir
Composed By – Claudio Monteverdi
Conductor – John Eliot Gardiner
Cornett – Jeremy West
Double Bass – Amanda MacNamara*, Valerie Botwright
Ensemble – His Majesties Sagbutts & Cornetts*, The English Baroque Soloists
Guitar [Baroque Guitar], Chitarrone – Jakob Lindberg
Harp [Double Harp] – Frances Kelly
Libretto By – Alessandro Striggio, Jr.*
Organ [Chamber Organ, Chest Organ, Regal], Harpsichord, Virginal – Alastair Ross, Linnhe Robertson, Paul Nicholson
Percussion – David Corkhill
Recorder – David Pugsley, Rachel Beckett
Sackbut [Baroque Sackbut] – Paul Nieman, Peter Goodwin, Richard Cheetham, Stephen Saunders, Susan Addison
Soprano Vocals – Carol Hall (2), Jane Fairfield, Mary Seers, Nicola Jenkin, Rachel Platt, Suzanne Flowers
Tenor Vocals – Angus Smith, Clifford Armstrong, David Roy, Howard Milner, Leigh Nixon
Trumpet – Crispian Steele-Perkins
Trumpet, Cornett – David Staff
Viola – Annette Isserlis, Jan Schlapp, Nicholas Logie, Rosemary Nalden
Violin – Elizabeth Wilcock, Hildburg Williams, Julie Miller (2), Susan Carpenter Jacobs*
Violin, Violino Piccolo – Graham Cracknell
Violin, Violino Piccolo, Concertmaster – Roy Goodman
Vocals [Caronte, Spirito III] – John Tomlinson (2)
Vocals [Euridice] – Julianne Baird
Vocals [La Musica] – Lynne Dawson
Vocals [Messaggiera] – Anne Sofie von Otter
Vocals [Ninfa] – Nancy Argenta
Vocals [Orfeo] – Anthony Rolfe Johnson
Vocals [Pastore I, Eco] – Mark Tucker (5)
Vocals [Pastore II, Apollo] – Nigel Robson
Vocals [Pastore III] – Michael Chance
Vocals [Pastore IV] – Simon Birchall
Vocals [Plutone] – Willard White
Vocals [Proserpina] – Diana Montague
Vocals [Speranza] – Mary Nichols
Vocals [Spirito I] – Howard Milner
Vocals [Spirito II, Chorus] – Nicolas Robertson

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Monteverdi pintou na sua telinha com seu bigodón sexy.

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Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonatas For Cravo e Violino (Loreggian, Guglielmo)

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonatas For Cravo e Violino (Loreggian, Guglielmo)

Sim, cravo e violino. Invertido assim mesmo! As sonatas para teclado e violino representam uma parte menos conhecida da obra de Carl Philipp Emanuel Bach. São executadas com muito menos frequência do que suas obras orquestrais, que os três quartetos que compôs no último ano de sua vida ou as sonatas para flauta, seja com baixo contínuo ou com uma parte teclado obbligato. Seu pai, Johann Sebastian, foi o primeiro compositor alemão a escrever sonatas para cravo e violino (BWV 1014-1019). Seu filho os avaliou muito bem: “Os 6 trios de Clavier … estão entre as melhores obras escritas por meu querido falecido pai. Eles ainda soam muito bem hoje e me dão grande prazer, apesar de terem mais de 50 anos. Há certos Adágios nelas cujas qualidades cantabiles são insuperáveis ​​até hoje”, afirmou ele em uma carta a Johann Nicolaus Forkel em 1774. Parece provável que ele tenha composto suas próprias sonatas pensando no pai. Este disco termina com uma Sonata que por muito tempo foi considerada como sendo de Johann Sebastian. Meus ouvidos dizem que é mesmo! Mas a visão geral é que não seria uma obra de JS, e que provavelmente também não é de CPE Bach. Poderia ser algum aluno de JS. É notável que CPE se referisse às sonatas para teclado e violino de seu pai como ‘trios’. Assim também são chamadas suas próprias sonatas para esta partitura. Isso era bastante comum na época: as duas mãos no teclado eram contadas como duas partes. Lembre-se de que os quartetos a que me referi no parágrafo de abertura foram marcados para três instrumentos. E é incrível que essas excelentes sonatas sejam tocadas tão raramente.

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonatas For Cravo e Violino (Loreggian, Guglielmo)

Sonata In D Major, Wq. 71
1 I. Adagio Ma Non Molto 2:50
2 II. Allegro 2:19
3 III. Adagio 2:26
4 IV. Menuet No. 1 – Menuet No. 2 2:54

Sonata In D Major, Wq. 72
5 I. Adagio Ma Non Troppo 2:43
6 II. Allegro 2:01
7 III. Allegro 3:08

Sonata In C Major, Wq. 73
8 I. Allegro Di Molto 3:16
9 II. Andante 3:53
10 III. Allegretto 7:19

Sinfonia In D Major, Wq. 74
11 I. Allegro 4:36
12 II. Andante 2:54
13 III. Tempo Di Minuetto 2:23

Sonata In B Minor, Wq. 76
14 I. Allegro Moderato 7:19
15 II. Poco Andante 4:52
16 III. Allegretto Siciliano 7:47

Sonata In G Minor, H. 542.5
17 I. – 3:43
18 II. Adagio 2:47
19 III. Allegro 5:13

Roberto Loreggian, cravo
Federico Guglielmo, violino

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Federico Guglielmo pensando nos motivos que levaram a Itália a ficar fora da Copa.

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.: interlúdio :. John Coltrane: Meditations (1965)

Após o sucesso dos álbuns Giant Steps (1959-60), My Favorite Things (1960-61) e A Love Supreme (1964), John Coltrane era uma celebridade internacional e ele poderia passar muitos anos repetindo a formação de quarteto e lotando show dos dois lados do Atlântico Norte, ganhando prêmios e, claro, dinheiro.

Mas se repetir certamente não era o objetivo de Coltrane. No álbum Meditations, gravado em 1965, temos o quarteto “clássico” dos anos anteriores aumentado para sexteto com o saxofone de Pharoah Sanders e a a percussão de Rashied Ali. Mas na maior parte do tempo o piano e o baixo ficam mais discretos e o foco musical circula entre saxofones e percussão. Há exceções, como o fim de Consequences e o início de Serenity, onde finalmente temos uma participação mais marcante do pianista McCoy Tyner.

Através de sua carreira, a música de Coltrane foi tomando progressivamente uma dimensão espiritual. Ele dizia que, após esse acordar espiritual, “não dá mais para esquecê-lo. Torna-se parte de tudo que você faz. Nesse aspecto, este álbum é uma extensão de A Love Supreme, já que minha concepção dessa força continua mudando. Meu objetivo ao meditar sobre isso pela música, no entanto, continua o mesmo. É colocar as pessoas para cima, o máximo que eu posso. Inspirá-las a realizar mais e mais da sua capacidade de ter vidas cheias de sentido. Porque certamente há sentido na vida.” (John Coltrane no booklet de Meditations)

Por volta de 1957-58 ele havia largado o vício em álcool e heroína, embora essas substâncias sejam a provável causa do câncer de fígado que causaria sua morte aos 40 anos. E a partir desses fins dos anos 50, sua música vai se tornando cada vez mais permeada de religiosidade em um sentido amplo pois, como Coltrane dizia, “Acredito em todas as religiões”.

Rashied Ali (1935-2009) com vergonha de sorrir pra câmera

Ao mesmo tempo a música do Coltrane dos últimos anos vai se tornando mais estranha e inovadora, também, com influências do free jazz de Ornette Coleman e de Eric Dolphy (que tocou com Coltrane por cerca de um ano em 1961-62). Em Meditations, gravado em novembro de 1965, temos dois bateristas – e outra característica da última fase de Coltrane é a presença mais forte da percussão nos arranjos. Dizia ele que sentia necessidade de “mais ritmo ao meu redor. E com mais de um baterista, o ritmo pode ser mais multi-direcional.” Trata-se do último álbum com a presença do grande pianista McCoy Tyner, que por tantos anos fez a cama sonora para Coltrane brilhar. Justamente esse chão harmônico de Tyner não era mais o que Coltrane buscava a partir de meados de 1965, e o oposto também é verdadeiro: Tyner parecia um pouco sufocado pelas percussões intensas e, em muitos momentos de Meditations, sua participação é discreta, apesar de dois belos solos, sobretudo o do final de Consequences. Poucos meses depois, Tyner sairia do grupo (“I didn’t see myself making any contribution to that music… I didn’t have any feeling for the music, and when I don’t have feelings, I don’t play”), após mais de cinco anos juntos. Entraria no seu lugar Alice Coltrane, que já era uma pianista de longa carreira antes de adquirir esse sobrenome de casada. Com um estilo mais baseado em notas soltas e menos em acordes, ela se encaixaria bem nessa última fase da banda. Depois da morte de John, Alice gravaria alguns álbuns com Pharoah no sax, Garrison no baixo e/ou Rashied na bateria.

Enquanto o pianista Tyner estava perto de sair, o saxofonista Pharoah Sanders era um recém-chegado. O álbum utiliza bem a tecnologia stero, ainda recente à época, apenas por volta de 1958 surgem no mercado vitrolas capazes de reproduzir em dois canais separados, enquanto as transmissões de rádio FM em stereo se iniciaram em 1960. Sanders toca no canal direito, Coltrane no canel esquerdo (com fone de ouvido isso fica mais evidente… e os dois bateristas também estão um de cada lado!) Quando fazia uma dobradinha de saxofonistas com Cannonball Adderley (fim dos anos 50) ou com Eric Dolphy (início dos anos 60), Coltrane e seu colega frequentemente tocavam instrumentos de tamanho e alcance diferente: um no sax tenor e um no sax alto ou soprano, ou ainda no clarinete baixo. Aqui nessa fase final da carreira de Coltrane, que infelizmente durou apenas dois anos até sua morte precoce, Pharoah Sanders – que estava vivo e tocando fantasticamente até 2022 – toca um sax tenor igual ao de Coltrane, mas cada um com um timbre diferente, ao mesmo tempo em que um influencia o outro: muitos momentos de sopro intenso, forte e dando a impressão de estar forçando o instrumento para além do seu limite sonoro nos agudos…

Mas como Coltrane diz na entrevista que aparece no encarte de Meditations, não se chega nunca nesse limite:

“Nunca existe um fim”, Coltrane disse ao concluir nossa conversa sobre este álbum. “Sempre existem novos sons para se imaginar, novos sentimentos para se alcançar. E sempre há a necessidade de seguir purificando esses sentimentos e sons para vermos o que nós descobrimos no seu estado mais puro. Então podemos ver mais e mais claramente o que nós somos. Dessa forma, podemos chegar à essência, ao melhor do que somos. Mas para isso, a cada momento, temos que estar sempre limpando o espelho.”

Entenderam? Mais ou menos, né? Se fosse fácil de entender, não teria tanta graça…

John Coltrane: Meditations
1. The Father and the Son and the Holy Ghost
2. Compassion
3. Love
4. Consequences
5. Serenity

Personnel
John Coltrane – tenor saxophone, percussion (left channel)
Pharoah Sanders – tenor saxophone, tambourine, bells (right channel)
McCoy Tyner – piano
Jimmy Garrison – bass
Elvin Jones – drums (right channel)
Rashied Ali – drums (left channel)

Released: August 1966
Recorded: November 23, 1965, Van Gelder Studio, New Jersey
All tracks written by John Coltrane

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Pharoah Sanders em 1969

Pleyel

.: interlúdio :. Billie Holiday (1915-1959): All or nothing at all – Songs for Distingué Lovers & Body and Soul (Produção de Norman Granz – Verve) ֍

.: interlúdio :. Billie Holiday (1915-1959): All or nothing at all – Songs for Distingué Lovers & Body and Soul (Produção de Norman Granz – Verve) ֍

All or nothing at all

Songs for Distingué Lovers

Body and Soul

Billie Holiday, vocals

Harry “Sweets” Edison, trumpet

Bem Webster, tenor sax

 

Jimmy Rowles, piano

Barney Kessel, guitar

Red Mitchell or Joe Mondragon, bass

Alvin Stoller, drums

 

Ela nasceu Eleanora Fagan, em 1915. Tornou-se Billie Holiday, cantora inovadora e precoce. Viveu num período difícil de ser mulher negra americana e teve uma vida cheia de relacionamentos complicados, com pessoas e substâncias. Ganhou de seu amigo e parceiro musical Lester Young o (lindo) apelido Lady Day. É uma das cantoras americanas mais incônicas e ao ouvir sua voz você entenderá a razão. Seu legado é apaixonante.

Suas principais inspirações, segundo ela mesma, foram Louis Armstrong e Bessie Smith, que ela conheceu ouvindo seus discos nos lugares onde viveu, trabalhou e começou a cantar. Ela tentava fazer com sua voz aquilo que ouvia Louis fazer com seus solos de trompete e de Bessie admirava a maneira intensa como ela cantava blues e como usava as suas características vocais.

Billie viveu 44 anos, dos quais muitos foram minados pelos seus problemas pessoais, mas seu legado é enorme. Aos 23 anos já havia gravado ou se apresentado com personalidades do jazz tais como Duke Ellington, Count Basie, Lester Young, Teddy Wilson, Benny Carter, Artie Shaw, entre outros.

Lester ‘Prez’ Young

Seu estilo de cantar se concentrava nas palavras, nas letras das canções, sua dicção e a maneira como apresenta a canção são inesquecíveis. Nesta postagem apresentaremos música que ela gravou em dois períodos (principais) de sua carreira. Por sete anos, iniciando em 1935, gravou lindas canções acompanhadas do pianista Teddy Wilson e seus músicos. Entre essas teremos as típicas I’ll Never Be the Same e Mean to Me, gravações onde poderemos ouvir o saxofone de seu amigo Lester Young, que ganhou dela o apelido de President, Prez… O estilo de Lester Young contrastava enormemente dos saxofonistas famosos daquela época, como Coleman Hawkins, por adotar uma maneira mais relaxada de tocar, mais cool, usando sofisticadas harmonias.

Norman Granz, produtor (Verve)

A partir de 1952 Billie Holiday gravou muitas canções para o selo Clef (posteriormente Verve) do produtor Norman Granz, culminando com uma série de seções em agosto de 1956 e janeiro de 1957.

O contraste entre as gravações feitas com Teddy Wilson e as gravações no selo Verve é grande. Muitos preferem as primeiras, onde a voz de Billie está em boa forma e as canções são dançantes e alegres. Nas gravações posteriores, a voz da cantora já apresentava o desgaste resultante de sua vida difícil. Por outro lado, a qualidade das canções escolhidas é espetacular assim como o acompanhamento musical, sem contar a qualidade sonora. Além disso, as interpretações certamente amadureceram com a cantora que ainda contava com perto dos 40 anos.

Ben Webster, sax tenor nas gravações da Verve

Escolhi três discos (CDs) para a postagem. Um disco de banca, da Coleção da Folha de São Paulo, trazendo 10 canções com produção de Norman Granz, gravadas principalmente em 1952, e 3 canções cujos acompanhamentos são de Teddy Wilson, gravadas na década de 1930.

Os outros dois CDs formam o Volume 7 da Billie Holiday Story na Verve. Esse conjunto reúne 26 canções que foram gravadas nas das seções de 1956 e 1957 e foram lançadas em três LPs – Body and Soul (1957), Songs for Distingué Lovers (1958) e All or Nothing at All (1959).

 

O primeiro CD dá um panorama desses dois períodos e contém algumas pérolas musicais, como Blue Moon, Love for Sale e How Deep is the Ocean? As outras músicas que formam os três LPs lançados entre 1957 e 1959 são verdadeiras joias musicais e formam um conjunto de canções americanas praticamente insuperáveis. Todos os monstros sagrados da música americana as gravaram e vários deles se declararam influenciados pelas interpretações de Billie Holiday. Você encontrará essas músicas associadas a nomes como Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, entre outros. Os músicos que a acompanharam nestas gravações eram os melhores e todos se conheciam muito bem. No libreto descobrimos que essas gravações pareciam ser apenas ‘one more for the road’ – apenas uma saideira, até a próxima seção, mas tornaram-se muito especiais. Nestas canções, a cantora deu uma dimensão a mais, devido às suas experiências pessoais e com a música. Como disse Miles Davis: ‘Sometimes you can sing a song words every night for years, and all of a sudden it dawns on you what the song means’ (Você pode cantar as palavras de uma canção por anos a fio, e assim como que de repente, o significado da canção se revela para você). Ele certamente disse com bastante mais poesia…

Se você não conhece a língua inglesa, mas tem alguma curiosidade, vale a pena penetrar em algumas dessas canções. Eu sou fascinado por elas e acho que merecem nossa atenção por si só, mas a interpretação da Billie joga ainda mais beleza sobre elas.

Os compositores e letristas desse conjunto de canções formam um grupo formidável, como os irmãos Gershwin, Irving Berlin, Cole Porter, Kurt Weil e Duke Ellington, alguns dos mais conhecidos. Muitas delas foram escritas para musicais da Broadway e algumas foram cantadas pela primeira vez por Bing Crosby, no palco e nos filmes. As letras são a um tempo imaginativas e cativantes. Uma boa maneira de penetrar na língua inglesa, pelo menos como é falada na terra do Tio Sam.Se você tiver pouco tempo para essa coisa das letras, escolha algumas poucas e faça uma tentativa. As recompensas podem ser enormes. Veja, por exemplo, Let’s Call The Whole Thing Off, de George e Ira Gershwin. A canção é uma enorme brincadeira sobre as diferentes maneiras de pronunciar as palavras, dependendo do sotaque: you say ‘ider’ and I say ‘aider’, you say ‘nither’ and say ‘naither’… Adorable! Essa canção também faz parte do repertório de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, jogando um para o outro…

Outra letra adorável é Comes Love, de Lew Brown. Diante de qualquer eventualidade, mesmo uma dor de dente, você já sabe o que fazer… mas quando é amor, nothing can be done! Nada se pode fazer. Ah, e a música! Solos de guitarra, de sax, intermediados com as letras. Você precisa ouvir muitas vezes.

Há canções que contam uma pequena história, ou narram uma cena, coisa de crônica. Veja, por exemplo, A Foggy Day, ainda dos irmãos Gershwin. Em poucas palavras descobrimos que a americana está em um nublado dia em Londres, se arrastando pelo Museu Britânico, mas o dia se torna ensolarado (metaforicamente, dã…) com a presença de ‘alguém’… E lá está, de novo, a música do pequeno enorme conjunto musical. Outra pequena crônica está em One For My Baby (And One More for the Road). O pobre garçom do bar tem que ouvir mais uma história…

Aqui LD ao lado de Jimmy Rowles, o pianista das gravações para a Verve

Todas as letras dessas canções estão ao alcance de seus dedos, na internet, e se você se der ao trabalho, dobrará ainda mais o prazer de ouvir a maravilhosa Lady Day, acompanhada por Ben Webster, ora por Lester Young ou Oscar Peterson e tantos outros.

Moonlight in Vermont e Stars Fell on Alabama são também inesquecíveis. Na verdade, não se pode deixar qualquer uma de fora.

 

Solitude (Coleção Folha de S.Paulo)

  1. Solitude (Ellington/Mills/De Lange)
  2. Blue Moon (Rodgers/Hart)
  3. East of the Sun (Bowman/Brooks)
  4. These Foolish Things (Link/Marvell/Strachey)
  5. Tenderly (Gross/Lawrence)
  6. Autumn in New York (Vernon Duke)
  7. Love for Sale (Cole Porter)
  8. Stormy Weather (Arlen/Koehler)
  9. Yesterdays (Kern/Harbach)
  10. How Deep Is the Ocean? (Irving Berlin)
  11. I’ll Never Be the Same (Kahn/Malneck/Signorelli)
  12. Mean to Me (Turk/Ahlert)
  13. Miss Brown to You (Rainger/Robin/Whiting)

Billie Holiday, vocals

Faixas 1 a 6: Charlie Shavers (trompete); Flip Phillips (sax tenor); Oscar Peterson (piano); Barney Kessel (guitarra); Ray Brown (baixo); Alvin Stoller (bateria); Norman Granz (1952)

Faixa 7: Oscar Peterson (piano); Norman Granz (1952)

Faixas 8 e 9: Joe Newman (trompete); Paul Quinichette (sax tenor); Oscar Peterson (piano e órgão); Freddie Green (guitarra); Ray Brown (baixo); Gus Johnson (bateria); Norman Granz (1952)

Faixa 10: Charlie Shavers (trompete); Oscar Peterson (piano), Herb Ellis (guitarra); Ray Brown (baixo); Ed Shaughnessy (bateria). Norman Granz (1954)

Faixas 11 a 13: Teddy Wilson (piano); Buck Clayton (trompete, 11 e 12); Roy Eldridge (trompete, 13); Buster Bailey (clarinete, 11 e 12); Benny Goodman (clarinete, 13); Lester Young (sax tenor, 11 e 12); Ben Webster (sax tenor, 13); Freddie Green (guitarra, 11); Allan Reuss (guitarra, 12); John Trueheart (guitarra, 13); Walter Page (baixo, 11); Artie Bernstein (baixo, 12); John Kirby (baixo, 13); Jo Jone (bateria, 11); Cozy Cole (bateria, 12 e 13) – (1937, 11 e 12; 1935, 13)

Lester ‘President’ Young

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MP3 | 320 KBPS | 96 MB

Body and Soul

  1. Body And Soul (John W. Green – Edward Heyman – Robert Sour – Frank Eyton)
  2. They Can’t Take That Away From Me (George e Ira Gershwin)
  3. Darn That Dream (James Van Heusen – Edgar de Lange)
  4. Let’s Call The Whole Thing Off (George e Ira Gershwin)
  5. Comes Love (Lew Brown – Sam H. Stept – Charles Tobias)
  6. Gee, Baby, Ain’t I Good To You (Donald Matthew “Don” Redman – Andy Razaf)
  7. Embraceable You (George e Ira Gershwin)
  8. Moonlight In Vermont (Karl Suessdorf – John Blackburn)

Songs For Distingué Lovers

  1. Day In, Day Out (Rube Bloom – John Herndon “Johnny” Mercer)
  2. A Foggy Day (George e Ira Gershwin)
  3. Stars Fell On Alabama (Frank S. Perkins – Mitchell Parish)
  4. One For My Baby (And One More For The Road) (Harold Arlen – Johnny Mercer)
  5. Just One Of Those Things (Cole Albert Porter)
  6. I Didn’t Know What Time It Was (Richard Rodgers – Lorenz Hart)

All or Nothing at All

  1. Do Nothin’ Till You Hear From Me (Edward Kennedy “Duke” Ellington – Bob Russell)
  2. Cheek To Cheek (Irving Berlin)
  3. Ill Wind (You’re Blowin’Me No Good) (Harold Arlen – Theodore “Ted” Koehler)
  4. Speak Low (Kurt Weill – Ogden Nash)
  5. I Wished On The Moon (Ralph Rainger – Dororthy Parker)
  6. But Not For Me (George e Ira Gershwin)
  7. All Or Nothing At All (Arthur Altman – Jack Lawrence)
  8. We’ll Be Together Again (Carl Fischer – Frankie Lane)
  9. Sophisticated Lady (Duke Ellington – Mitchell Parish – Irving Mills)
  10. April In Paris (Vernon Duke – E. Y. “Yip” Harburg)
  11. Say It Isn’t So (Irving Berlin)
  12. Love Is Here To Stay (George e Ira Gershwin)

Billie Holiday, vocal

Harry Edison, trumpet

Ben Webster, tenor saxophone

Jimmy Rowles, piano

Barney Kessel, guitar

Red Mitchell, double bass

Alvin Stoller, drums

Joe Mondragon, double bass

Larry Bunker, drums

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MP3 | 320 KBPS | 311 MB

Billie Holiday, a Lady Day!

Aproveite!

René Denon

Bartók: Contrastes / Milhaud: Suíte para Violino, Clarinete & Piano / Khachaturian: Trio para Clarinete, Violino, & Piano / Prokofiev: Overture On Hebrew Themes para Clarinete, 2 Violinos, Viola, Cello & Piano (de Peyer, Hurwitz*, Crowson, Members Of The Melos Ensemble Of London)

Bartók: Contrastes / Milhaud: Suíte para Violino, Clarinete & Piano / Khachaturian: Trio para Clarinete, Violino, & Piano / Prokofiev: Overture On Hebrew Themes para Clarinete, 2 Violinos, Viola, Cello & Piano (de Peyer, Hurwitz*, Crowson, Members Of The Melos Ensemble Of London)

Sem dúvida, as duas obras mais interessantes deste LP/CD são Contrastes, de Béla Bartók e o Trio de Khachaturian. A extraordinária Contrastes é uma composição de 1938 baseada em melodias de dança húngaras e romenas. Bartók escreveu a obra em resposta a uma encomenda do clarinetista Benny Goodman. Na época, o compositor já residia nos EUA, fugido do nazismo. Aram Khachaturian é geralmente celebrado como o principal compositor armênio do século XX, fazendo a junção da música clássica européia com elementos marcantes da música folclórica de seu país. Excelente maestro e professor, Khachaturian é lembrado hoje principalmente por sua música orquestral que compreende sinfonias, concertos, música para balé e filmes. Ele nasceu e foi criado em Tbilisi, Geórgia (então parte do império russo). Aos dezessete anos mudou-se para Moscou para buscar uma educação superior, primeiro em biologia, depois em performance de violoncelo e finalmente composição. Após anos de estudo e prática, Khachaturian alcançaria uma reputação internacional atraindo elogios de Prokofiev e Shostakovich, que, como o próprio Khachturian, ganhou prêmios e censuras fulminantes do estado soviético. Embora tenha escrito pouca música de câmara, em 1932 Khachaturian compôs um maravilhoso trio em três movimentos para clarinete, violino e piano. Este é magistral e único, uma mostra perfeita da mistura de elementos folclóricos clássicos e exóticos de Khachaturian, particularmente enfatizados pela instrumentação colorida. O primeiro movimento cujo título é Andante con dolore, con molto espressione, imediatamente evoca um novo mundo sonoro. Aqui e ao longo do trio, você ouve melodias ondulantes que evocam cantos emotivos e improvisados. O segundo movimento celebra a dança. O final mais moderado é um tema e variações baseadas em uma melodia folclórica uzbeque.

Bartók: Contrastes / Milhaud: Suíte para Violino, Clarinete & Piano / Khachaturian: Trio para Clarinete, Violino, & Piano / Prokofiev: Overture On Hebrew Themes para Clarinete, 2 Violinos, Viola, Cello & Piano (de Peyer, Hurwitz*, Crowson, Members Of The Melos Ensemble Of London)

Contrasts, For Violin, Clarinet & Piano
Composed By – Bartók
1st Movement: Verbunkos (Recruiting Dance) – Moderato, Ben Ritmato
2nd Movement: Pihenö (Relaxation) – Lento
3rd Movement: Sebes (Fast Dance) – Allegro Vivace

Suite For Violin, Clarinet & Piano
Composed By – Milhaud
1st Movement: Ouverture
2nd Movement: Divertissement
3rd Movement: Jeu
4th Movement: Introduction Et Final

Trio For Clarinet, Violin & Piano
Composed By – Khachaturian
1st Movement: Andante Con Dolore, Con Molto Espressione
2nd Movement: Allegro
3rd Movement: Moderato

Overture On Hebrew Themes, Op. 34 For Clarintet, 2 Violins, Viola, ‘Cello & Piano
Composed By – Prokofiev

Cello – Terence Weil
Clarinet – Gervase de Peyer
Ensemble – Members Of The Melos Ensemble Of London
Piano – Lamar Crowson
Viola – Cecil Aronowitz
Violin – Emanuel Hurwitz, Ivor McMahon

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Um sofá de peso: Prokofiev, Shostakovich e Khachaturian de papo em 1945

PQP

.: interlúdio :. John Coltrane Quartet – Live, 1962: Konserthuset (Estocolmo, Suécia) e Stefaniensaal (Graz, Áustria)

McCoy Tyner em 1961

O instrumento mais próximo do meu coração é o piano, por mais que dezenas de outros disputem minha preferência: flauta, reco-reco, cuíca, órgão, sintetizador… Não tem jeito, desde bebê gorducho tenho fotos em um velho e desafinado piano de armário da família, não um Pleyel francês mas um Bentley inglês. Não me considero um pianista, mas uns dias atrás me sentei em frente a um Essenfelder em um bar praiano e, após algumas cervejas, acompanhei o amigo que tocava violão, tudo no improviso, apenas dando uma olhada nos acordes que ele tocava… posso dizer que não fiz muito feio, até porque a maresia tinha comido várias notas médias então tive uma boa desculpa para me concentrar em terças agudas fortes e extremos graves suaves… E os amigos alcoolizados foram pouco exigentes.

E nesses dias quentes, meu coração tem batido novamente por John Coltrane, mais especificamente pela sua íntima relação com o pianista McCoy Tyner, que tocou com ele de 1960 a 65. Quando Tyner não estava disponível, Coltrane tocava sem piano, com a exceção de uma gravação com Duke Ellington, um ídolo bem mais velho para quem não seria possível dizer não…

McCoy Tyner tinha 22 anos quando começou a tocar no quarteto de Coltrane, mas já estava pronto musicalmente, com todas as suas características: um toque percussivo, agressivo quando necessário, mas harmonicamente muito elegante, preciso, ao contrário da suavidade de um Bill Evans ou da agressividade de um Thelonious Monk, que se dava tanto em termos de peso nas mãos quanto de harmonias (intencionalmente?) caóticas – um crítico chamou Monk de “elephant on the keyboard”! Tyner era agressivo no toque, na dinâmica, dançante e negro nos ritmos (negro demais no coração, diria o Vinícius de Moraes), e ao mesmo tempo com harmonias e arpejos que daria pra confundir com um Chopin.

Outra característica de Tyner é sua facilidade com melodias cantáveis de standards como, nesse ao vivo na Áustria, Autumn Leaves (que Nat King Cole e vários outros gravaram) e Ev’ry Time We Say Goodbye (canção de Cole Porter). Essas duas canções têm melodias tão notáveis que Coltrane e Tyner nem precisam se esforçar tanto, é só seguirem a linha melódica e harmônica, é bola pronta pra chutar pro gol. Esse tipo de invenção jazzística mais contida sobre melodias notáveis ocupa todo o álbum Ballads, gravado em estúdio nos EUA apenas uma semana antes da turnê europeia que rendeu estes registros ao vivo, embora nenhum tema de Ballads apareça aqui.

Já em Bye-Bye Blackbird e My Favorite Things, melodias mais simples e banais, o quarteto faz um jazz bem mais modal, no qual a melodia original é apenas um pretexto inicial para invenções ao sabor do momento. Também é tipicamente modal a composição Impressions, do próprio John Coltrane, e que aparece no concerto na Áustria em um andamento mais lento e relaxado do que na gravação (também ao vivo) de 1961 no álbum de mesmo nome. Irmã de So What, do disco Kind of Blue no qual Coltrane também tocou, Impressions tem a mesma sequência de modos da composição de Miles Davis, que vão se repetindo tendo sempre o piano de Tyner como a cama, o chão.

O outro álbum que trago hoje, gravado na Suécia no mesmo mês de 1962, não tem o show inteiro, apenas dois destaques longos e cheios de improvisos: o standard Bye Bye Blackbird (de novo) e a autoral Traneing in. Lançado em 1981, este álbum ao vivo deu a Coltrane um Grammy póstumo de melhor performance de jazz instrumental.

John Coltrane Quartet: Konserthuset Stockholm, Sweden, 19 November 1962
1 Bye Bye Blackbird
2 Traneing In

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John Coltrane logo após descer do avião (aeroporto de Schiphol-Amsterdam)

John Coltrane Quartet: Grosser Stefanien-Saal, Graz, Austria, 28 November 1962
1 Bye Bye Blackbird
2 The Inchworm
3 Autumn Leaves
4 Every Time We Say Goodbye
5 Mr. P.C.
6 I Want to Talk About You
7 Impressions
8 My Favorite Things

ORF Radio Broadcast

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John Coltrane – tenor and soprano saxophones
McCoy Tyner – piano
Jimmy Garrison – double bass
Elvin Jones – drums

Um outro detalhe curioso: o quarteto de Coltrane podia brilhar tanto em grandes salas de concerto na Europa com cerca de 2 mil assentos (além dessas de Graz e Estocolmo, o Concertgebouw de Amsterdam e o Olympia de Paris), como também em inferninhos americanos. De forma geral, as grandes salas de concerto nos EUA pareciam menos abertas ao jazz: talvez a única aparição de Coltrane no Carnegie Hall tenha sido em um enorme evento beneficente em 1957 que incluía o saxofonista na banda de Thelonius Monk além de Billie Holiday, etc. Na Filadélfia, terra natal de Coltrane e Tyner, não sei se eles tocaram nas salas onde se apresentava na época a grande orquestra local com Eugene Ormandy, mas sei que em 1963 o quarteto de Coltrane se apresentou algumas vezes no Showboat, localizado no porão de um hotel, com capacidade para 200 pessoas bem apertadas, que pediam drinks aos garçons e certamente fumavam enquanto os músicos tocavam. Longe de mim dizer que esse espaço esfumaçado convenha menos ao jazz do quarteto de Coltrane do que a arquitetura e acústica refinada das salas europeias. Coltrane, Tyner, Garrison e Jones transitavam por esses dois ambientes e isso faz parte da sua grandeza.

A grandiosa sala de concertos em Graz data de 1885, lembra o Concertgebouw de Amsterdam, construído na mesma década

John Coltrane’s music is a cry, revolting against the coldness of our world […] Moreover he seems to be the only one who is able to present ballads with the emotional depth of a Hawkins, Webster or Elridge. His playing is characterized by straightforward, harmonically traditional themes that are the basis for ranging note cascades. (Review of a concert in Vienna Konzerthaus, Austria, 1962-11-27, by Willie Gschwedner)

Pleyel

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias / Concerto para Clavecin (Akademie Für Alte Musik Berlin, Alpermann)

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias / Concerto para Clavecin (Akademie Für Alte Musik Berlin, Alpermann)

Um bom disco de obras do filho predileto de Johann Sebastian com a extraordinária Akademie für Alte Musik Berlin. São Sinfonias e um belo concerto para cravo. Já falamos bastante de WF que, com suas reviravoltas cativantes e inesperadas,  criam uma linguagem musical expressiva e única, mas aqui vai um pouco mais. Após sua morte, Wilhelm Friedemann Bach sofreu com a visão unilateral que muitos de seus contemporâneos tiveram dele em seus anos finais. O romance de Albert Emil Brachvogel, Wilhelm Friedemann Bach, insinuou que ele não era nada estranho à beligerância ou à embriaguez. Mas neste CD ele não briga nem se embriaga. Dá para ouvir sem medo. Nossa, a Sinfonia que fecha este CD (faixa 11 em diante) é uma obra-prima.

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias / Concerto para Clavecin (Akademie Für Alte Musik Berlin, Alpermann)

Sinfonie D-dur Fk 64 (8:51)
1 Allegro E Maestoso 3:10
2 Andante 2:39
3 vivace 3:01

Adagio & Fuge D-moll Fk65 (9:26)
4 adágio 4:34
5 fuga 4:52

Concerto Für Cembalo, Streicher Und Basso Continuo E-moll Fk43 (24:49)
6 Allegretto 9:15
7 adágio 10:01
8 Allegro Assai 5:33

Adagio & Fuge F-moll (7:22)
9 Trio & Adagio 4:09
10 fuga 3:13

Sinfonie F-dur Fk67 (15:18)
11 vivace 3:48
12 Andante 5:03
13 Alegro 3:39
14 Menuetto I e II 2:48

Fagote – Christian Beuse
Violoncelo – Antje Geusen , Jan Freiheit
Concertino – Stephan Mai
Contrabaixo – Matthias Winkler
Ensemble – Akademie Für Alte Musik Berlin
Flauta – Antje Schurrock , Christoph Huntgeburth
Cravo – Raphael Alpermann
Horn – Christoph Moinian , Oliver Kersken
Oboé – Kristin Linde , Xenia Löffler
Viola – Anja-Regine Graewel , Annette Geiger , Clemens Nußbaumer , Stephan Sieben (2)
Violin – Barbara Paulsen , Birgit Schnurpfeil , Daniel Deuter , Dörte Wetzel , Erik Dorset , Georg Kallweit , Kerstin Erben , Stephan Mai , Uta Peters

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A AKAMUS

PQP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano de 1 a 7 (Angela Hewitt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Fãs confessos que somos de Angela Hewitt, cada lançamento seu é muito comemorado por nós. E ganhamos de presente neste Natal de 2022 sua incursão nas sonatas para piano de Mozart. Não sei qual a reação dos senhores, mas cada vez que ouço qualquer uma destas sonatas sinto-me de bem com a vida. Essas obras animam e alegram meu coração, e como não se render a elas, mesmo às primeiras, obras juvenis, que já mostram o imenso talento do compositor?

Não sei se já comentei anteriormente com os senhores, mas estas sonatas me foram apresentadas pela primeira vez por Glenn Gould, e confesso que não entendi nada, ainda era jovem, e na verdade não entendi até hoje o que o grande pianista canadense pretendia. Algum tempo depois conheci Ingrid Haebler, pianista austríaca e uma das maiores intérpretes de Mozart, e foi só então que tive a oportunidade de apreciar melhor essas obras e poder imergir neste universo tão amplo, apesar de certos críticos considerarem  as sonatas para piano obras menores dentre outras obras de Mozart.
Curiosamente, temos aqui outra canadense explorando este repertório, mas com maestria e respeito, com todo o respeito aos fãs de Gould, aos quais me incluo, mas mais especificamente às suas intervenções bachianas, estas sim geniais. As excentricidades cometidas por ele nestas obras me assustam até hoje. Para quem não sabe do que estou falando, sugiro uma das melhores postagens já feitas no PQPBach, com autoria do nosso querido Vassily Genrikhovich, que traduziu para nossa lingua uma ‘entrevista’ de Gould, onde ele explica as excentricidades citadas. E obviamente, nos traz as nefastas gravações.

Segundo Hewitt, que por sua vez cita Köchel, o responsável pela catalogação das obras de Mozart, estas sete primeiras sonatas foram datadas em 1778, então temos aqui um jovem de 22 anos de idade explorando todas as possibilidades do pianoforte, instrumento novo que ainda tentava se impor nas salas de concerto.

Neste CD duplo, Angela nos traz estas sete primeiras sonatas, e nos promete mais dois volumes, ambos cds duplos, onde pretende nos trazer a integral dessas obras. Esperamos ansiosamente. Enquanto isso, vamos degustando estas delícias aos poucos, como se estivessemos degustando um bom vinho.

Então vamos ao que viemos.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano de 1 a 7 (Angela Hewitt)

01. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in C major, K279 – 1: Allegro
02. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in C major, K279 – 2: Andante
03. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in C major, K279 – 3: Allegro

04. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in F major, K280 – 1: Allegro assai
05. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in F major, K280 – 2: Adagio
06. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in F major, K280 – 3: Presto

07. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in B flat major, K281 – 1: Allegro
08. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in B flat major, K281 – 2: Andante amoroso
09. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in B flat major, K281 – 3: Rondeau: Allegro

10. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in E flat major, K282 – 1: Adagio
11. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in E flat major, K282 – 2: Menuetto I & II
12. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in E flat major, K282 – 3: Allegro

13. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in G major, K283 – 1: Allegro
14. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in G major, K283 – 2: Andante
15. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in G major, K283 – 3: Presto

16. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 1: Allegro
17. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 2: Rondeau en polonaise: Andante
18. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 3: Tema: Andante –
19. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 4: Variation 1 –
20. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 5: Variation 2 –
21. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 6: Variation 3 –
22. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 7: Variation 4
23. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 8: Variation 5 –
24. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 9: Variation 6
25. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 10: Variation 7: Minore
26. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 11: Variation 8: Maggiore –
27. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 12: Variation 9 –
28. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 13: Variation 10
29. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 14: Variation 11: Adagio cantabile
30. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in D major, K284 – 15: Variation 12: Allegro

31. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in C major, K309 – 1: Allegro con spirito
32. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in C major, K309 – 2: Andante un poco adagio
33. Angela Hewitt – Mozart: Piano Sonata in C major, K309 – 3: Rondo: Allegretto grazioso

Angela Hewitt, piano

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FDP

.: interlúdio :. Milt Jackson & John Coltrane – Bags & Trane

51lRi9eV21L._SL500_AA280_A primeira vez em que ouvi esta versão de “Be-Bop” foi em uma coletânea, um LP duplo, e fiquei impressionado. E não poderia deixar de ficar, afinal foi esta lendária música que nomeou o ritmo de jazz que se tornaria famoso no mundo inteiro, e que revelou gente com Dizzie Gillespie, Charlie Parker, Miles Davis, Coltrane entre tantos outros. E o que Coltrane e Jackson fazem aqui é de arrepiar.
Milton Jackson e John Coltrane são duas lendas no mundo do jazz, disso ninguém em sã consciência duvida. E o resultado da parceria desta dupla só poderia ser esse disco, “Bags & Trane”, fácil, fácil, classificável como um dos melhores discos de jazz gravados na história da indústria fonográfica. Ele é tão perfeito que fica difícil qualquer comentário, a única coisa que posso dizer aos senhores é para ouvir e ouvir e ouvir, e não esqueçam de ouvir inteiro, novamente, para preencherem seus cérebros com o que de melhor produziram dois dos maiores gênios da música do século XX.  Lhes garanto que após sua audição irão enxergar o mundo com outros olhos, e um sorriso lhes vai brotar nos lábios quando lembrarem que quando chegarem em casa, este disco vai estar lhes esperando para ser ouvido, novamente.

Milt Jackson & John Coltrane – Bags & Trane

1 Stairway to the Stars (Matty Malneck, Mitchell Parish, Frank Signorelli)
2 The Late Late Blues (Milt Jackson)
3 Bags & Trane (Milt Jackson)
4 Three Little Words (Harry Ruby)
5 The Night We Called It a Day (Matt Dennis, Tom Adair)
6 Be-Bop (Dizzy Gillespie)
7 Blues Legacy (Milt Jackson)
8 Centerpiece” (Sweets Edison, Bill Tennyson)

Milt Jackson (vibraphone)
John Coltrane (tenor saxophone)
Hank Jones (piano)
Paul Chambers (bass)
Connie Kay (drums)

Recorded: January 15, 1959 – Atlantic Studios, New York City
Released: July 1961

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Milt Jackson (1923-1999)

FDP Bach (postagem original, 2014) / Pleyel (repostagem, 2023)

Witold Lutoslawski / Matyas Seiber / Howard Blake: Concertos para Clarinete (King)

Witold Lutoslawski / Matyas Seiber / Howard Blake: Concertos para Clarinete (King)

Um disco alegre e muito bem interpretado por Thea King e orquestra. O som alegre do clarinete presta-se não apenas a Poulenc… Gostei demais das peças de Lutoslawski e de Seiber! Nos anos imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial, os músicos e cineastas da Polônia floresceram repentinamente. Foi um notável ressurgimento, mas o regime comunista exigia uma música que fosse ‘acessível’ e folclórica. Witold Lutoslawski cumpria os requisitos sem comprometer muito seus princípios. Os Prelúdios de Dança são um produto desse período difícil e continuam sendo uma de suas obras mais populares. Mátyás Seiber foi um compositor que buscou refúgio na Grã-Bretanha durante tirania nazista. Seiber, aluno de Kodály em Budapeste, trouxe consigo sua herança húngara e o amor pelo jazz, bem como o conhecimento da música de seus contemporâneos mais ilustres, Bartók e Hindemith. Todas essas influências eventualmente se destilaram em um estilo pessoal cujo desenvolvimento foi cruelmente interrompido em 24 de setembro de 1960 por um acidente de carro fatal no Parque Nacional Kruger durante uma visita à África do Sul. Howard Blake nasceu em Londres em 1938. Aos dezoito anos ganhou uma bolsa de estudos para a Royal Academy of Music em Londres, onde estudou piano com Harold Craxton e composição com Howard Ferguson. Então, durante os dez anos seguintes, ele provou ser um músico versátil, trabalhando em Londres como pianista, regente e orquestrador, mas especialmente como compositor. Em 1971 ele deixou Londres para viver em Sussex, onde começou a forjar um estilo pessoal de composição – rítmico, contrapontístico e, acima de tudo, melódico.

Witold Lutoslawski / Matyas Seiber / Howard Blake: Concertos para Clarinete (King)

Witold Lutoslawski Dance Preludes (Preludia Taneczne)
A1 – Allegro Molto 1:56
A2 – Andantino 2:26
A3 – Allegro Giocoso 1:11
A4 – Andante 1:32
A5 – Allegro Molto 1:32

Matyás Seiber* Concertino For Clarinet And String Orchestra
A6 – Toccata (Allegro) 2:38
A7 – Variazioni Semplici (Andante) 3:39
A8 – Scherzo (Allegro) 2:45
A9 – Recitativo (Introduzione) (Rubato) 2:55
A10 – Finale (Allegro) 3:14

Howard Blake Clarinet Concerto
B1 – Invocation: Recitativo – Moderato, Molto Deciso 7:51
B2 – Ceremony: Recitativo – Lento Serioso 7:12
B3 – Round Dance: Vivace 6:28

Clarinet – Thea King
Composed By – Howard Blake (faixas: B1 to B3), Matyás Seiber (faixas: A6 to A10), Witold Lutoslawski (faixas: A1 to A5)
Conductor – Andrew Litton (faixas: A1 to A10), Howard Blake (faixas: B1 to B3)
Leader – José-Luis Garcia
Orchestra – English Chamber Orchestra

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Lutoslawski prestando muita atenção. Arrã…

PQP

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Trios Para Piano – The Nash Ensemble

Belíssimo CD com os igualmente belíssimos Trios para Piano de Mendelssohn, um CD que estava guardado em um cantinho e reencontrá-lo e ouvi-lo novamente depois de algum tempo foi um prazer único. Quando foi ‘lançado’ Schumann comentou que era o melhor trio lançado em sua época, ao lado de dois outros de Beethoven e um de Schubert. A parte os exageros estilíscos de Schumann, comuns mas geralmente acertados, não há como negar a grandeza das obras. O de op. 49 nos propicia desde os primeiros acordes do violoncelo uma das mais belas páginas da história da música. E Mendelssohn, com estas obras, se estabeleceu em definitivo como o grande compositor que já era. Muitas vezes é difícil entendermos tal riqueza harmônica e contrapontística em uma obra para apenas três instrumentos. Apenas gênios conseguem isso.

Essa primorosa edição foi lançada em 2005, e a qualidade permanece. Sempre é um prazer imenso ouvir Mendelssohn, sua obra tem um quê de melancolia e tristeza juntas e misturadas.  Escrevo este texto em um final de tarde de sábado, e entendo que é com chave de ouro que encerro essa semana que tirei de férias, segunda feira volto  a rotina estressante, mas feliz.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Trios Para Piano – The Nash Ensemble

01. Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 49 I. Molto allegro ed agitato
02. Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 49 II. Andante con moto tranquillo
03. Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 49 III. Scherzo. Leggiero e vivace
04. Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 49 IV. Allegro assai appassionato

05. Piano Trio No. 2 in C minor, Op. 66 I. Allegro energico e con fuoco
06. Piano Trio No. 2 in C minor, Op. 66 II. Andante espressivo
07. Piano Trio No. 2 in C minor, Op. 66 III. Scherzo. Molto allegro – quasi presto
08. Piano Trio No. 2 in C minor, Op. 66 IV. Finale. Allegro appassionato

09. Variations concertantes, for cello & piano in D major, Op. 17

The Nash Ensemble
Marianne Thorsen – Violin
Paul Watkins – Cello
Ian Brown – Piano

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Uakti: MAPA (1992), I CHING (1994), 21 (1996), TRILOBYTE (1996) + ÁGUAS DA AMAZÔNIA (ballet de Philip Glass, 1999)

Uakti: MAPA (1992), I CHING (1994), 21 (1996), TRILOBYTE (1996) + ÁGUAS DA AMAZÔNIA (ballet de Philip Glass, 1999)

Complementando os 3 discos dos anos 80 postados há uma semana, vão aqui os 5 dos anos 90, que formam um pacote encomendado pelo selo Point Music, de Philip Glass. Mas antes de falar deles quero anotar alguns pensamentos pessoais sobre o trabalho do Uakti em geral.

Antes de mais nada, é provável que haja quem pense que há sons ou efeitos produzidos eletronicamente no trabalho do Uakti – mas é tudo acústico.

Nunca esqueci a primeira vez que ouvi esses sons: foi em 1980-81, no meio de dois anos na Inglaterra. Visitava uma brasileira casada com europeu, personagem típico daquela época pré-internet: acabava de chegar do Brasil trazendo “o último do Chico, o último do Milton, uma cachacinha de Minas, uma goiabada cascão divina…” – e o último do Milton era Sentinela, onde o Uakti gravou pela primeira vez, respondendo pelo arranjo e acompanhamento de “Peixinhos do Mar”. (Isto é: primeira vez em disco, pois um ano antes haviam feito a trilha do filme Cabaré Mineiro).

Hoje é difícil imaginar o impacto inovador que cada disco de Milton Nascimento representou, de 1967 até este ou pouco depois – e a partir deste o que houve de inovação respondeu precisamente pelo nome Uakti. Lembro de ter ficado embasbacado não só pelo som em si, como também pelo fato de o Milton “ter recorrido a um arranjo inteiramente eletrônico” – pois sons assim só saíam do novo instrumento lançado havia 10 anos, o tal do “sintetizador”. Imaginem o tamanho da incredulidade quando me disseram que todo som ali era acústico.

Mas haverá algum valor especial em extrair de instrumentos acústicos sons que já se podiam gerar antes disso por meio eletrônico? Minha impressão é a de que há, sim, um valor especial – mas não me perguntem por quê. Do mesmo modo como se alguém conseguir com as tradicionais tintas a óleo efeitos de cor que pensamos só serem possíveis por computação gráfica. Não sei por quê, mas… vocês também não sentem isso?

Uma segunda coisa que me faz pensar é que o único instrumento “clássico” usado regularmente pelo Uakti é a flauta transversal. Acontece que esse também é o caso no Quinteto Armorial (pois o violino que há aí não é violino, é rabeca) – e em grande medida também nos conjuntos de choro. Será que isso sugere alguma conexão especial entre a flauta transversal e o jeito brasileiro de ser?

Avançando além da instrumentação: a uma audição superficial Uakti pode muitas vezes soar como “new age”, mera ambientação sonora… mas à audição atenta o ouvido experiente percebe claramente que é muito mais. Não é só a dimensão “timbre” que é explorada experimentalmente, são também as escalas, os ritmos, as formas (mesmo se geralmente constituem objetos pequenos, de duração relativamente curta). Isso se dá tanto como experimentação abstrata, cerebral (construções matemáticas) quanto aproveitando sugestões de fontes étnicas – isso porém no nível estrutural das composições, não como os “efeitos característicos” exteriores do século 19 e ainda antes, que geravam uma espécie de música vestida para baile à fantasia…

Há, p.ex., peças construídas sobre um pulso rítmico ao modo de música indígena das Américas. Quem já não tiver dado atenção a esse assunto sequer perceberá: é música universal, e ponto. Mas ao mesmo tempo é desenvolvimento das possibilidades do modo ameríndio de conviver com o som… sem precisar trombetear isso com nenhum cocar na cabeça. (No inesquecível Curso Latino-Americano de Música Contemporânea, em janeiro de 1978, em São João del Rei, fiquei muito impressionado com as pesquisas do compositor argentino Oscar Bazán nesse sentido. Agora me ocorreu: será que o Marco Antônio Guimarães também estava lá?)

Do mesmo modo, no balé I Ching (encomendado pelo Grupo Corpo), o trabalho com os elementos da concepção chinesa clássica do mundo e com as transformações de padrões combinatórios não tem nada de um misticismo nebuloso e sentimental, e sim com exercícios da razão e da observação do próprio mundo material. E o balé seguinte, “21”, explora de modo semelhante o nem sempre delicado mas sempre sutil espírito da arte poética japonesa.

O disco anterior e o posterior a esses dois balés (Mapa e Trilobyte) voltam a transitar entre o experimental e o melódico, este extraído mais uma vez de Milton Nascimento (Dança dos Meninos, Raça, Lágrimas do Sul) mas também de fontes como uma canção grega, e do “trovador renascentista do sertão baiano” Elomar Figueira de Melo, resultando, no meu ver, numa das faixas mais pungentes e hipnotizantes de toda essa discografia, Arrumação (faixa 5 de Trilobyte) – na qual o ouvido atento perceberá torrentes ao modo do jeu perlé (“toque perolado”) do piano do século 19 ambientando de modo insólito a regularidade sóbria dos versos madrigalescos.

O último dos 5 discos encomendados por Philip Glass terminou sendo preenchido com música do próprio, a qual foi também uma encomenda, desta vez do Grupo Corpo, para mais um balé. Já disse aqui que (assim como ao mestre PQP) de modo geral a música de Philip Glass me parece exasperantemente pretensiosa ao mesmo tempo que rala – mas aqui, com a instrumentação de Marco Antônio Araújo, confesso que acabei gostando bastante deste Águas da Amazônia (que vem com uma recriação de Metamorphosis I como bônus).

De que discos gosto mais? Acho que, no conjunto, do sétimo (Trilobyte, de 1996) e do terceiro (Tudo e Todas as Coisas, de 1984) –

… e aproveito para dizer aqui o que não gostei no trabalho deles: as elaborações em cima de standards de Bach e de “clássicos” diversos; não senti que o encontro enriqueceu nenhuma das partes, antes pelo contrário. Com isso, apesar de ainda me faltar ouvir um dos discos dos anos 00, aviso que prefiro parar com o que ainda me entusiasma, e deixar minhas postagens do Uakti só por estes oito álbuns já postados.

MAPA – 1992
(o nome homenageia o músico Marco Antônio Pena Araújo, falecido na época)
1 Aluá
(Marco Antônio Guimarães)
2 Dança dos meninos
(Marco Antônio Guimarães, Milton Nascimento)
3 Trilobita
(Artur Ribeiro, Paulo Sergio Santos, Marco Antônio Guimarães)
4 Mapa
(Marco Antônio Guimarães)
5 A lenda
(Marco Antônio Guimarães)
6 Bolero
(Ravel)

I CHING – 1994
Balé comissionado pelo Grupo Corpo
1 Céu
(Marco Antônio Guimarães)
2 Terra
(Marco Antônio Guimarães)
3 Trovão
(Marco Antônio Guimarães)
4 Água
(Marco Antônio Guimarães)
5 Montanha
(Marco Antônio Guimarães)
6 Vento
(Marco Antônio Guimarães)
7 Fogo
(Marco Antônio Guimarães)
8 Lago
(Marco Antônio Guimarães)
9 Dança dos hexagramas
(Marco Antônio Guimarães)
10 Alnitax
(Artur Andrés Ribeiro, Marco Antônio Guimarães)
11 Ponto de mutação
(Artur Andrés Ribeiro, Marco Antônio Guimarães)

“21” – 1996
Balé comissionado pelo Grupo Corpo
(falta determinar autoria das faixas)
1. Abertura
2. Hai Kai I
3. Hai Kai II
4. Hai Kai III
5. Hai Kai IV
6. Hai Kai V
7. Hai Kai VI
8. Hai Kai VII
9. Tema Em Sete
10. Figuras Geométricas

TRILOBYTE – 1995
1 Raça
(Milton Nascimento, Fernando Brant)
2 Lágrima do sul
(Marco Antônio Guimarães)
3 Xenitemeno mu puli [Meu pequeno pássaro em terras estrangeiras]
(Kristos Leonis, Albert Garcia)
4 O segredo das 7 nozes
(Artur Andrés Ribeiro)
5 Arrumação
(Elomar Figueira de Melo)
6 Música para um antigo templo grego
(Artur Andrés Ribeiro)
7 Trilobita II
(Paulo Sergio dos Santos)
8 Trilogia para Krishna:
Krishna I [Santa Afirmação]
(Artur Andrés Ribeiro)
9 Krishna II [Santa Negação]
(Artur Andrés Ribeiro)
10 Krishna III [Santa Reconciliação]
(Artur Andrés Ribeiro)
11 Parque das Emas
(Marco Antônio Guimarães)
12 Haxi
(Marco Antônio Guimarães)
13 Onze
(Marco Antônio Guimarães)

ÁGUAS DA AMAZÔNIA – 1999
Balé comissionado pelo Grupo Corpo
Todas as faixas de Philip Glass,
instrumentadas por Marco Antônio Guimarães
1 Rio Tiquiê
2 Rio Japurá
3 Rio Purus
4 Rio Negro
5 Rio Tapajós
6 Rio Madeira
7 Rio Paru
8 Rio Xingu
9 Rio Amazonas

10 Metamorphosis I

CDs MAPA, I CHING, 21 e TRILOBYTE
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CD ÁGUAS DA AMAZÔNIA
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Uakti: barulhos bons

Ranulfus

.: interlúdio :. BASIE JAM 2 & 3, 1976

.: interlúdio :. BASIE JAM 2 & 3, 1976

Um país que concede carteira de habilitação automobilística a um sujeito como eu, ‘barbeiro de carteirinha’, não pode ser um país sério, embora hoje, nesta data de 2 de janeiro de 2022 d.C., saibamos o quanto podemos ser seríssimos (pelo menos em pouco mais de 50% da população). Permitam-me contar, a propósito da tal credencial, que há alguns anos, quando ainda não aprendêramos a duríssimas penas o quanto poderíamos ser tão sérios, precisei renovar a carteira de motorista. Aproveitando o ensejo de estar num Taxi, indaguei ao chofer como andavam as coisas quanto a ‘renovação de carteira’. Ele me olhou ‘seríssimo’ e de olhos esbugalhados, me falou: “Ah, isso agora é uma DEMOCRACIA!”. Eu jamais cometeria a indelicadeza de rir do meu seríssimo informante e condutor, decerto desabituado a utilizar o termo ‘burocracia’; apenas me veio a ideia de que contaria o ocorrido a alguns colegas do meu círculo musical e eles dariam boas gargalhadas. Hoje, sob o lábaro do nosso gratíssimo momento histórico, me vem a lembrança deste divertido episódio, mais a referência de um ótimo livro de Tom Holland (historiador inglês, não o ator do Homem Aranha mais insosso do cinema). Em seu formidável “Fogo Persa”, Mr. Holland nos traz detalhes sobre a criação da Democracia (por vezes um verdadeiro presente de grego, mas ainda assim a melhor filosofia). Na lente da História os antigos nos sabem a semideuses. O fato é que onde há poder e porfia pelo mesmo, há veneno. Clístenes, filho de dona Agarista de Sicião com o compadre Mégacles, assomou pelos milênios como um dos pais, senão o pai, da chamada Democracia. Clístenes, vendo-se quase que literalmente com a peixeira no pescoço, num momento de sagacidade digna do Odisseu, lançou à multidão a ideia democrática e cativou o público. Angariando, todavia, o ódio dos asseclas com os quais chegara a Atenas aspirando a tirania. Enfim, em nossa História, só foi santo J. S. Bach. Evoco a Democracia nessa postagem, não apenas porque é a palavra do momento e a virtude cívica pela qual devemos primar. Trago o termo também porque não existe gênero musical mais democrático do que o Jazz.

Também não existe gênero musical mais difícil de se classificar, analisar e definir, quanto o Jazz – que um dia foi Jass. Fosse um termo indecoroso referente ao refocilo da carne ou uma referência aos jasmins dos cabelos das ninfas de ébano de New Orleans, este derivado do blues com o ragtime cumpriu uma celeríssima evolução no espaço de poucas décadas, na dinâmica de um século vertiginoso. Fazendo o século XX, como diria Dizzy Gillespie, soar como nenhum outro. No Jazz temos estilos conforme o tempo e lugar, e dentro de cada estilo intérpretes, os quais, cada um em si constitui um universo particularíssimo de manifestação musical. Não há também estilo mais gregário e dúctil, aberto a influências conforme diferentes culturas e veículo de novas expressões – únicas, a cada artista que o cultiva. Para além disso, o Jazz é dificílimo de se conceituar. Existem intérpretes que mal usam o material do blues, elemento considerado fundamental no gênero, embora seu espírito esteja presente. Defender que a preeminência da improvisação define o Jazz é plausível, todavia, a peça Fontainebleau, de Tadd Dameron, é escrita com o rigor de uma fuga barroca, sem espaços para improviso, e é Jazz. Mais inúmeros arranjos de orquestras e big-bands estruturadíssimos, apesar dos momentos de solo. O elemento do swing pode ser apontado como fator determinante para definir o que seria Jazz, porém que swing? New Orleans Style, Be-bop, Hard Bop, Jazz Manouche, Fusion… Louis Armstrong, Django Reinhardt, Basie, Ellington, Moacir Santos, Hermeto Pascoal… Impossível capturar uma definição precisa. Convenhamos, nada menos aplicável a uma arte do que um dogma. Assim sendo, melhor seguir o conselho do meu tio Wilde e aproveitar a rosa, ao invés de ficarmos analisando suas raízes num microscópio.

O mais puro exercício de democracia em música acontece numa Jam Session, onde cada um tem a sua vez na construção musical. Mesmo que parte da chamada cozinha, bass e drums, não se pronunciem em solo em todas as faixas, haverá sempre seus momentos, o que os ressalta de forma especialíssima. Não há ostracismo na Jam Session. Os longos movimentos em Tacet, onde o pobre tocador de pratos numa certa sinfonia de Tschaikovsky fica de castigo até o último momento. O chorus (o bloco harmônico a ser utilizado ao longo de certo número de compassos) é dividido em número pré estabelecido entre os solistas, e a ordem de atuação deve ser respeitada. Cada nota é um voto pela construção da obra total e, grande lição, pelo bem comum. Não há partidos numa Jam Session. E o único roubo se dá quando um solista aproveita e desenvolve uma ideia tocada pelo outro ao final do seu solo. Na verdade, uma reciclagem motívica.

Esta postagem traz dois tesouros da Pablo Records, que tantas maravilhas jazzísticas nos legou, envoltas em suas características e belas capas em preto e branco: Basie Jam 2 e 3 de 1976. Escolhi estes e não o Basie Jam 1, de 1973 (que poderá vir futuramente) porque ambos, 2 e 3, trazem o mesmíssimo grupo em ação e foram gravados em sequência. Temos aqui um brilhantíssimo exemplo da democracia musical supracitada, nas mãos de verdadeiros tótens do Jazz, liderados por Sua Majestade (sem qualquer apologia monárquica) Count Basie. Certa vez lhe indagaram como desenvolveu o seu lacônico estilo ao piano. Sutis tilintares no mar sereno da condução rítmica e harmônica, monossilábicas blue-notes que dizem tudo o que precisamos saber – ou sentir. Ele respondeu que tocando nas noites se via obrigado a revezar a sua mão direita entre o piano, o copo de whisky, o charuto e as mãos dos que vinham cumprimentá-lo. Ora, o que para outros gêneros musicais poderia ser uma limitação, no Jazz transmuta-se em estilo. Orbitando o piano de Basie, um gigante do trompete, o queridíssimo Clark Terry. Um daqueles artistas reconhecíveis com apenas duas notas. Dono de uma habilidade e verve que marcaram a história do gênero. Aqui deflagrando estonteantes solos repletos de feeling. Ao seu lado, no sax tenor, Eddie “Lockjaw” Davis, também chamado “Jaws” (nada a ver com o cara dos filmes de 007), devorando os solos como se come pelas beiradas um delicioso pastel quente. No trombone, Al Grey, egresso das melhores big bands, especialmente de Count Basie, onde se notabilizou pelo som vibrante, pelo contagiante swing dos seus solos e pelo uso da surdina plunger (desentupidor de pia), com a qual tecia verdadeiros e quase vocálicos comentários no efeito ‘wa-wa’. Integrando essa constelação, o grande Benny Carter no sax alto. Um dos músicos mais representativos do Jazz, como multi-instrumentista, compositor e arranjador, além de uma personalidade ímpar e admirável. Junto com Johnny Hodges foi pioneiro no seu instrumento (embora deva ser lembrado Frank Trumbauer, colega de copo e de orquestra do genial Bix Beiderbecke, que tocava algo similar, um chamado Sax Melody). Carter foi um dos mais destacados, prolíficos e queridos músicos do Jazz. Por trás desta quadra de ases, à guitarra, Joseph Anthony Jacobi Passalaqua, mais conhecido como o fenomenal Joe Pass. Outro dos mais relevantes e atuantes criadores daquele idioma musical, especialmente no seu instrumento, do qual é, inegavelmente e junto a Django Reinhardt, Charles Christian e Wes Montgomery, um dos maiores e influentes nomes – um daqueles nomes dos quais duas ou três postagens ainda seria pouco para se falar. No Double Bass, John Heard, baixista, mas também artista plástico. Pintor e escultor. Músico de extensa atuação junto a demarcados artistas e que aqui se ressalta especialmente pela virtude que se espera de um grande contrabaixista: uma base fidelíssima e cheia de swing, que a certa altura percebemos ser fundamental; sem a qual nada poderia acontecer na linha de frente. Finalmente, no trono da bateria, um dos brilhantes nomes desse instrumento junto a Chick Webb e Gene Krupa, o ítalo-americano Luigi Paulino Alfredo Francesco Antonio Balassoni: Louis Bellson, com sua ‘discretíssima’ e famosa peruca. Drumer, bandleader, compositor e arranjador, educador musical (ufa!); ah, e pioneiro no uso de dois Bass Drums, os tambores maiores da bateria. Como podemos ver, amigos, num time desses só falta o Rei Pelé – que Deus o tenha!

Dedico esta postagem ao amigo José Maria Avallone (em memória), clarinetista e artista plástico, um dos maiores amantes e conhecedores do Jazz que conheci.

BASIE JAM 2
1 Mama don’t Wear No Drawers (Basie, Carter, Terry)
2 Doggin’ Around (Battel, Evans)
3 Kansas City Line (Basie)
4 jump (Basie, Carter, Tery, J.J. Johnson)

BASIE JAM 3
1 Bye Bye Blues (Bennet, Gray, Lows)
2 Moten Swing (Bennie Moten)
3 I Surrender Dear (Berris, Clifford)
4 Song of the Islands (Charles King)

BASIE JAM 2
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BASIE JAM 3
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Nada mais democrático que o Jazz.

WellBach

Vladimir Martynov (1946): Music Of Vladimir Martynov (Kronos Quartet)

Vladimir Martynov (1946): Music Of Vladimir Martynov (Kronos Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Talvez você já tenho ouvido com enorme prazer a música de Martynov e nem se deu conta. É dele parte da trilha sonora do notável filme A Grande Beleza, Oscar de filme estrangeiro de 2014. Lembram do passeio pelo Tibre durante os créditos finais? Bem, anos antes do filme, o Kronos solicitou ao autor que transcrevesse um de seus corais para quarteto de cordas. Martynov aceitou e o Kronos gravou a nova versão. É a obra que foi utilizada no filme. Ela se chama As Beatitudes. E, bem, na verdade o Quarteto Kronos encomendou todas estas obras ao compositor russo. As Beatitudes é fundamentalmente tonal, reiterando e distorcendo constantemente um belo tema. Em Schubert-Quintet (Unfinished) é o movimento lento do Quinteto de Cordas de Schubert que serve de modelo subjacente para ambas partes da obra, cada uma com mais de dez minutos de duração. No primeiro movimento, uma declaração de abertura robusta é comentada pelo violoncelo e violinos. O segundo faz quase a mesma coisa, mas é mais suave e introspectivo. O Kronos Quartet toca com um fraseado lindamente discreto. Der Abschied é o memorial de Martynov a seu pai. Ele abre com uma sucessão aparentemente interminável de acordes dissonantes e caminhantes e dá lugar, por fim, ao Abschied de Mahler de Das Lied von der Erde. É tocada de maneira linda e comovente.

Talvez a gente possa chamar Martynov de minimalista, mas esqueça o minimalismo feérico dos norte-americanos. Aqui é tudo paz, profundidade e emoção.

Vladimir Martynov (1946): Music Of Vladimir Martynov (Kronos Quartet)

1 The Beatitudes 5:24

Schubert-Quintet (Unfinished) (23:22)
2 Movement I 12:02
3 Movement II 11:20

4 Der Abschied 39:57

Cello – Jeffrey Zeigler
Viola – Hank Dutt
Violin – David Harrington, John Sherba

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Vladimir Martynov: um minimalismo diferente

PQP