A Obra Completa de Béla Bartók (1881-1945) – Concerto para viola e orquestra, em suas várias versões #BRTK140

O patrão PQP já lhes apresentou e contou a história do concerto para viola, o fragmentário canto do cisne de Béla Bartók, que o deixou incompleto ao falecer de leucemia há exatos 76 anos. O querido chefinho (bonita camisa a sua, aliás) também mencionou que a obra, encomendada pelo virtuose William Primrose, era apenas um punhado de esboços, por mais que o compositor afirmasse ao encomendante que a tinha bastante adiantada.

Pois bem: passada a comoção pela morte de Bartók, coube a seu amigo, aluno e violista Tibor Serly (1901-1978) a incumbência de organizar os fragmentos e completá-los de forma a permitir sua execução. Se não lhe coube também o privilégio de ser o regente da première, exercido por Antal Doráti, tendo Primrose como solista, restou a Serly reger a primeira gravação, que já lhes apresentamos há alguns meses.

Por mais gratos que devamos ser a Serly, é bastante óbvio que sua edição não soa muito como Bartók e, para complicar, o compositor – que já estava muito enfermo ao iniciar a obra – não deixou anotados seus planos e intenções. A insatisfação geral com o trabalho de Serly impulsionou outras iniciativas de reconstruir o concerto, entre as quais a mais notória foi a edição crítica de 1995, publicada no cinquentenário da morte de Béla. Extensamente anotada e comentada, ela foi organizada pelo violista Paul Neubauer e teve a colaboração peso-pesado do próprio filho do compositor, Péter Bartók. Ainda que a versão Neubauer-Bartók tenha sido aclamada nos meios acadêmicos e pareça estar a ganhar vagarosamente a preferência dos violistas, as duas reconstruções que eu considero mais efetivas são aquela feita pelo violista húngaro Csaba Erdélyi, que foi gravada pelo próprio arranjador, e – por incrível que pareça – o arranjo para violoncelo da lavra de Serly, o qual, num conclave de amigos de Bartók, venceu a versão para viola pelo placar de 8 a 6.

Imagino as piadas de violista que vieram depois.

 

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Concerto para viola e orquestra, Sz. 120, BB 128
(1945)
Edição de Péter Bartók e Paul Neubauer (1995)
1 – Allegro moderato
2 – Lento
3 – (Finale) Allegretto

Dois quadros, Sz. 46
4 – Em plena floração. Poco adagio
5 – Dança no vilarejo. Allegro.

Concerto para viola e orquestra, Sz. 120, BB 128 (1945)
Completado e orquestrado por Tibor Serly (1945)
6 – Moderato
7 – Adagio religioso
8 – Allegro vivace

Tibor SERLY (1901-1978)

9 – Rapsódia para viola e orquestra

Xiao Hong-Mei, viola
Budapesti Filharmóniai Társaság Zenekara (Orquestra Filarmônica de Budapest)
János Kovacs, regência

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Béla BARTÓK

Concerto para viola e orquestra, Sz. 120, BB 128 (1945)
Reconstruído e orquestrado por Csaba Erdélyi (2001)

1 – Allegro Moderato – Ritornello – Lento – Ritornello – Scherzo – Allegro Vivace

Csaba Erdélyi, viola
New Zealand Symphony Orchestra
Marc Taddei, regência

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Antonín Leopold DVOŘÁK
(1841-1904)
Concerto em Si menor para violoncelo e orquestra, Op. 104
1 – Allegro
2 – Adagio ma non troppo
3 – Allegro moderato

Béla BARTÓK

Concerto para viola e orquestra, Sz. 120, BB 128 (1945)
Completado, orquestrado e transcrito para violoncelo por Tibor Serly (1945)
4 – Moderato
5 – Adagio religioso
6 – Allegro vivace

János Starker, violoncelo
Saint Louis Symphony Orchestra
Leonard Slatkin, regência

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PQP Bach, pelo querido Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Variações Goldberg – Murray Perahia

Poucas obras causam tanta discussão e comoção entre os membros do PQPBach como as Variações Goldberg. Cada um de nós tem seu intérprete favorito, portanto não existe um consenso. Depois do furação Angela Hewitt, que é, digamos assim, ‘Hors concours’, quem domina esse páreo neste início de século XXI, as discussões continuam, e nunca irão parar.

Murray Perahia encarou este desafio com brilhantismo lá no início do século XXI, ou final do século XX, como queiram, mais especificamente entre os dias 9 e 14 de julho de 2000. O que os senhores faziam na época? Eu, particularmente, era aluno do Curso de Graduação em História, em uma universidade do sul do país, já casado e feliz, apesar das correrias e tropeços que a vida nos traz. Mas Mr. Perahia trancou-se em um estúdio na Suíça durante seis dias e nos trouxe essa gravação tão especial e admirada. Um crítico do New York Times escreveu:

Many listeners still hold Glenn Gould´s 1955 recording as ‘The Goldberg’ gold standard. With this CD, Perahia has raised the bar … Perahia´s ‘Goldberg’ are a spetacular achievement.” 

Quem sou eu para duvidar do parecer de um crítico de um jornal tão famoso … ? Certo, vinte e um anos se passaram, envelhecemos, e com a idade, a vem naturalmente a maturidade. E creio que essa seja a palavra para definir esta gravação de Murray Perahia: maturidade. Aquele jovem dos anos setenta, que encarou o desafio de gravar os concertos de Mozart, sendo ele também o próprio regente, aquele jovem virou um senhor que passou por uma traumatizante experiência de saúde, que o impediu de fazer o que mais gostava, e o que melhor sabia fazer, tocar piano. Isso nos leva a questão da superação. Perahia conseguiu superar as adversidades e ressurgiu das cinzas qual uma Fênix, nos brindando com uma belíssima leitura de uma das mais instigantes e desafiadoras obras já compostas. e ele não gravou apenas as Variações Goldberg. Mas isso é assunto para outra postagem.

1 – 32 – Goldberg Variations

Murray Perahia – Piano

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Georg Friedrich Händel (1685-1759): Judas Maccabaeus (Robert King)

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Judas Maccabaeus (Robert King)

Muito bom disco apesar do bit rate baixo dos arquivos. The King’s Consort dá um espetáculo com todos os benefícios de timbre e textura autênticos e um impecável time de cantores. Handel compôs o oratório Judas Maccabeus no Verão de 1746, após Messiah, Samson, Belshazzar e Israel in Egypt. Com libreto do Rev. Thomas Morell, Judas Maccabeus relata a história da revolta dos Macabeus contra a ocupação dos sírios e também celebra a vitória do Duque de Cumberland sobre o Príncipe Carlos Eduardo da Escócia. O primeiro livro dos Macabeus relata a resistência do povo judeu à conquista da Judeia pelos sírios em 169 a.C. Com o oratório, Händel, um leal partidário da sucessão de Hanover ao trono de Inglaterra, pretendia celebrar a vitória militar do Duque de Cumberland na batalha de Culloden, que teve lugar em Abril de 1746. A rebelião jacobita do Príncipe Carlos Eduardo, sucessor dos Stuart e pretendente ao trono de Inglaterra, terminou em Culloden. Nesta mistureca militar, separadas por mais de 1500 anos, Händel escolheu o tema da vitória militar dos Macabeus para coroar a sua habitual série londrina de concertos de oratório. Estreada em 1 de Abril de 1747 em Londres no Teatro de Covent Garden, o oratório Judas Maccabeus foi um sucesso na sua estreia e tornou-se um dos mais populares de Händel. Durante a vida do compositor, foi executado pelo menos 54 vezes, 33 das quais sob a sua direção.

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Judas Maccabaeus (Robert King)

CD1:
01. Act I. Overture: [Grave] – Allegro – Lentement – Allegro
02. Chorus: Mourn, ye afflicted children, the remains
03. Recitative: Well, may your sorrows, brethren, flow (Israelitish man, Israelitish woman)
04. Duet: From this dread scene, these adverse pow’rs (Israelitish man, Israelitish woman)
05. Chorus: For Sion lamentation make
06. Recitative: Not vain is all this storm of grief (Israelitish man)
07. Air: Pious orgies, pious airs (Israelitish man)
08. Chorus: O Father, whose almighty pow’r
09. Recitative: I feel, I feel the Deity within (Simon)
10. Air – Chorus: Arm, arm, ye brave! A noble cause (Simon)
11. Recitative: ‘Tis well, my friends; with transport I behold (Judas Maccabaeus)
12. Air: Call forth thy pow’rs, my soul, and dare (Judas Maccabaeus)
13. Recitative: To heav’n’s almighty king we kneel (Israelitish woman)
14. Air: O liberty, thou choicest treasure (Israelitish woman)
15. Air: Come, ever-smiling liberty (Israelitish woman)
16. Recitative: O Judas, may these noble views inspire (Israelitish man)
17. Air: ‘Tis liberty, dear liberty alone (Israelitish man)
18. Duet: Come, ever-smiling liberty (Israelitish man, Israelitish woman)
19. Chorus: Lead on, lead on! Judah disdains
20. Recitative: So will’d my father, now at rest (Judas Maccabaeus)
21. Semi-chorus: Disdainful of danger, we’ll rush on the foe
22. Recitative: Ambition! If e’er honour was thine aim (Judas Maccabaeus)
23. Air: No unhallow’d desire (Judas Maccabaeus)
24. Recitative: Haste we, my brethren, haste we to the field (Israelitish man)
25. Chorus: Hear us, O Lord, on thee we call
26. Act II. Chorus: Fall’n is the foe; so fall thy foes, O Lord!
27. Recitative: Victorious hero! Fame shall tell (Israelitish man)
28. Air: So rapid thy course is
29. Recitative: Well may we hope our freedom to receive (Israelitish man)
30. Duet – Chorus: Sion now her head shall raise (Israelitish man, Israelitish woman)
31. Recitative: Oh, let eternal honours crown his name (Israelitish woman)
32. Air: From mighty kings he took the spoil (Israelitish woman)

CD2:
01. Duet – Chorus: Hail, hail, Judea. Happy land! (Israelitish man, Israelitish woman)
02. Recitative: Thanks to my brethren; but look up to heav’n (Judas Maccabaeus)
03. Air: How vain is man, who boasts in fight (Judas Maccabaeus)
04. Recitative: O Judas, O my brethren! (Messenger)
05. Air – Chorus: Ah! wretched, wretched Israel! Fall’n, how low (Israelitish woman)
06. Recitative: Be comforted, nor think these plagues are sent (Simon)
07. Air: The Lord worketh wonders (Simon)
08. Recitative: My arms! Against this Gorgias will I go (Judas Maccabaeus)
09. Air – Chorus: Sound an alarm! Your silver trumpets sound (Judas Maccabaeus)
10. Recitative: Enough! To heav’n we leave the rest (Simon)
11. Air: With pious hearts, and brave as pious (Simon)
12. Recitative: Ye worshippers of God (Israelitish man, Israelitish woman)
13. Air: Wise men, flatt’ring, may deceive us (Israelitish woman)
14. Duet – Chorus: Oh! Never, never bow we down (Israelitish woman, Israelitish man)
15. Act III. Air: Father of heav’n! From thy eternal throne (Priest)
16. Recitative: See, see yon flames, that from the altar broke (Israelitish man, Israelitish woman)
17. Air: So shall the lute and harp awake (Israelitish woman)
18. Recitative: From Capharsalama on eagle wings I fly (Messengers)
19. Chorus: See, the conqu’ring hero comes! (Chorus of youths, Chorus of virgins)
20. March
21. Chorus: Sing unto God, and high affections raise
22. Recitative: Sweet flow the strains, that strike my feasted ear (Judas Maccabaeus)
23. Air: With honour let desert be crown’d (Judas Maccabaeus)
24. Recitative: Peace to my countrymen; peace and liberty (Eupolemus)
25. Chorus: To our great God be all the honour giv’n
26. Recitative: Again to earth let gratitude descend (Israelitish woman)
27. Air: O lovely peace, with plenty crown’d (Israelitish woman)
28. Air – Chorus: Rejoice, O Judah! and, in songs divine (Simon)

Judas Maccabaeus – Jamie MacDougall
Israelitish woman – Emma Kirkby
Israelitish man – Catherine Denley
Simon – Michael George
Priest, Messenger – James Bowman
Eupolemus, Messenger – Simon Birchall
New College Choir, Oxford
The King’s Consort
Conductor – Robert King

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Gente, um disco com Emma Kirkby jamais será de todo ruim

PQP

Louis-Nicolas Clérambault (1676-1749), Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Cantatas

Nos tempos de Rameau e Clérambault, o cravista muitas vezes era o equivalente ao maestro nos concertos de música de câmara ou orquestral. Fazia o continuo, a “cama” sonora que dava a deixa para os outros instrumentos se expressarem. Naquela época, muitas vezes o que estava escrito na partitura era muitas vezes um esboço, com linhas gerais que o cravista devia preencher com improvisos, arpejos, ornamentos…

A partitura, portanto, era um guia inicial, a ser complementado pela inspiração do intérprete. Outro aspecto dessa liberdade que tinham os cravistas para aplicar sua inspiração sobre a partitura são os Prelúdios sem compasso (em francês: Prélude non mésuré), comuns na França mais ou menos entre 1650 e 1720. O prelúdio em lá menor de Rameau, que aparece neste CD, começa desse jeito sem compassos, e apenas no finzinho o compositor bota ordem na parada com um compasso 12/8.

Início, sem compasso, do Prelúdio

A cravista aqui é a jovem Akiko Sato. Seguindo a moda barroca, ela comanda do cravo o conjunto Les Bostonades, baseado em Boston, EUA. Nas cantatas, como já expliquei, o cravo dá o tom inicial de cada movimento em curtos recitativos, para em seguida entrarem os poucos instrumentos: uma viola da gamba, um violino, uma flauta barroca (traverso). É pouca gente, afinal a cantata francesa era assim mais intimista, para plateias seletas de amigos, ao contrário das óperas-ballets e tragédias líricas de Rameau que, naquele tempo, já arrastavam pequenas multidões.

O tenor Zachary Wilder é outro jovem talento que tem se destacado na música de Monteverdi, Bach e dos franceses que aparecem aqui. Ele brilha sobretudo na virtuosa cantata Orphée, de Clérambault. Todas as cantatas deste disco têm como tema o amor romântico e fazem referências à antiguidade clássica. Podemos supor que os membros da alta sociedade francesa conheciam bem a história de Orfeu e Eurídice, seja a partir de leituras, ou de espetáculos musicais como:

⋅ Orphée descendant aux Enfers (1683), cantata de Marc-Anoine Charpentier
⋅ Poi che riseppe Orfeo (circa 1680), L’Orfeo (circa 1702), cantatas de Alessandro Scarlatti
⋅ Orphée (circa 1720), cantata de Jean-Philippe Rameau
⋅ La mort d’Orphée (1827), cantata de Hector Berlioz composta para o Prix de Rome. Aliás, o Prix de Rome era um concurso que dava ao laureado a oportunidade de viver um ano ou mais na Itália, e apenas cantatas concorriam nesse prêmio, o que significou uma certa sobrevida artificial para esse gênero da cantata francesa. Enquanto o prêmio durou (até 1968), grandes compositores escreveram cantatas especificamente para esse concurso, embora seus interesses pessoais fossem bem distantes, mais próximos da ópera (Bizet, Massenet), da chanson com piano e da música orquestral (Debussy, Ravel, Dutilleux). Desses listados, apenas Ravel não ganhou o 1º prêmio e a viagem a Roma. Para fechar esses parênteses, cabe lembrar que Lili Boulanger foi a primeira mulher a vencer o prêmio em 1913.

A cantata de Rameau tem menos referências greco-romanas que as de Clérambault. Apenas uma menção (“enfant de Cythère”) à ilha de Citera, próxima a Esparta, e que seria o local de nascimento de Afrodite, a deusa do amor. A metáfora mais importante dessa cantata é mais próxima, mais da roça: pássaros no ninho, cantando em casal. Rameau, naquele período, vivia em Clermont-Ferrand, cidade no sul da França. É do dialeto do sul da França, aliás, a palavra “trovador”, que se refere aos poetas que, no fim da Idade Média, deram origem em prosa e verso – sobretudo verso – a essa ideia de amor romântico que tem ocupado esse imenso espaço no imaginário ocidental desde então.

Louis-Nicolas Clérambault: Pirame Et Tisbé, 4e Cantata du 2e Livre (1713)
1 Récitatif: Pirame, pour Tisbé, dès la plus tendre enfance Air: Si votre tendresse est extrême
2 Récitatif: Tisbé, pour résister à l’ardeur de ses vœux; Lentement et marqué: Aux pieds de ces tombeaux sacrés; Récitatif: Bientôt au gré de leur impatience
3 Air: Vole, vole, dit-elle amour
4 Récitatif: Elle cherchoit l’amant qui la tient asservie; Plainte: Quoi? Tisbé tu n’es plus?
5 Vivement: Venez monstres affreux; Lent: Aimable et cher objet, ton trépas est mon crime
6 Air: Amour, qui voudra désormais s’empresser à porter tes chaînes?
7 Jean-Philippe Rameau: Prélude en la mineur. Premier Livre de Pièces de Clavecin, RCT 1 (1706)
Jean-Philippe Rameau: L’ Impatience, RCT 26 Cantate pour une voix et une viole avec basse continue
8 Récitatif: Ces lieux brillent déjà d’une vive clarté; Air gai: Ce n’est plus le poids de ma chaîne
9 Récitatif: Les oiseaux d’alentour chantent dans ce bocage; Air tendre: Pourquoi leur envier leur juste récompense?
10 Récitatif: Mais Corine paraît, je vois enfin les charmes; Air léger: Tu te plais, enfant de Cythère
Jean-Philippe Rameau: Cinquième Concert, Rct 11. Pièces de Clavecin en Concert
11 I. La Forqueray
12 II. La Cupis
13 III. La Marais
Louis-Nicolas Clérambault: Orphée, 3e Cantata du 1er Livre (1710)
14 Récitatif: Le fameux chantre de la Thrace; Air tendre et piqué: Fidèles échos de ces bois
15 Récitatif: Mais que sert à mon désespoir
16 Air gai: Allez Orphée, allez, allez
17 Récitatif: Cependant le héros arrive sur l’infernale rive; Air fort lent et fort tendre: Monarque redouté de ces royaumes sombres
18 Récitatif: Pluton surpris d’entendre des accords; Air gai: Chantez la victoire éclatante

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A capa do 1º Livro de Peças para Cravo de Rameau (1706) – desisti de contar o nº de instrumentos

Pleyel

Frédéric Chopin (1810-1849): The Complete Waltzes (Fliter)

Frédéric Chopin (1810-1849): The Complete Waltzes (Fliter)

A argentina Ingrid Fliter (1973) dá recitais de piano desde os 11 anos de idade, estreou no Colón aos 16 e estudou na Europa sob o patrocínio de Martha Argerich. Posso dizer que a moça é um espanto, como pode ser comprovado neste CD. Além disso, é uma simpatia, como prova o pequeno filme abaixo, postado por ela mesma no YouTube. O som é ruim e o piano está desafinado, mas é muito divertido ver o tesão dela por tocar.

This is me playing the Chopin Minute Waltz at the Minneapolis Airport Terminal after a 20 hours flight. For my surprise I found this lonely piano awaiting for someone to play him… I couldn’t resist. It was fun to observe people reaction. They were quite confused I think 🙂

Frédéric Chopin (1810-1849): The Complete Waltzes (Fliter)

No.1 in E Flat Major Op.18 “Grande Valse Brillante”
No.2 in a Flat Major Op34 No.1 “Valse Brilliante”
No.3 in a Minor Op.34 No.2 “Valse”
No.4 in F Major Op.34 No.3 “Grande Valse Brilliante”
No.5 in a Flat Major Op.42
6 No.6 in D Flat Major Op.64 No.1 “Minute”
No.7 in C Sharp Minor Op.64 No.2
No.8 in a Flat Major Op.64 No.3
No.9 in a Flat Major Op.69 No.1 “L’Adieu”
No.10 in B Minor Op.69 No.2
No.11 in G Flat Major Op.70 No.1
No.12 in F Minor Op.70 No.2
No.13 in D Flat Major Op.70 No.3
No 14 in E Minor
No.15 in E Major
No.16 in E Minor
No.17 in E Flat Major
No.18 in E Flat Major Op.Posth “Sostenuto”
No.19 in a Minor Op.Posth
No.20 in F Sharp Minor Op.Posth “Melancolique”

Ingrid Fliter, piano

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Nada de jogar flit nela!
Nada de jogar flit nela, viu?

PQP

Béla Bartók (1881-1945): Para Crianças Vol. 3 e 4 / Duas Danças Romenas para Piano / Sete Esboços / Quatro Cantos Fúnebres (Zempléni / Szücs) #BRTK140 Vol. 20 de 29

Aqui, toda a coleção.

Este CD traz os volumes 3 e 4 de Para Crianças. Como já explicamos no volume 19, For Children é um ciclo de peças curtas para piano originalmente iniciada em 1908 e concluída em 1909, publicadas em quatro volumes. Cada peça é baseada em uma melodia folclórica, húngara nos dois primeiros volumes e eslovaca nos dois últimos. Em 1945, Bartók revisou o conjunto, removendo seis peças que usavam melodias que haviam sido transcritas incorretamente ou que não eram músicas folclóricas originais, alterando substancialmente a harmonização de várias outras. As peças foram escritas à medida que os alunos de Bartók trabalhavam e progrediam. No entanto, nos tempos modernos, alguns pianistas começaram a incluir alguns deles nos seus programas de recitais, citando o seu valor musical mesmo independentemente das suas origens pedagógicas.

As Duas Danças Romenas é uma obra para piano baseada na música folclórica romena. Eu amo essas peças, a primeira principalmente, especialmente rústica.

Na opinião de Bartók, seus Sete Esboços representaram uma nova direção para sua música para piano. Na verdade, é realmente um trabalho de duas faces; ou seja, olha para a frente e para trás. Bartók usou uma série de técnicas experimentais, junto com escalas de tons inteiros, politonalidade e cromaticismo nesses esboços, mas também empregou estruturas tonais claras, figuras de acompanhamento tradicionais e configurações de canções folclóricas. Essas peças são semelhantes em espécie às Quatorze Bagatelas, compostas no mesmo ano que Bartók começou a escrever seus Esboços.

Os 4 Cantos Fúnebres (Four Dirges) foram compostos entre 1909 e 1910. O conjunto nunca foi formalmente estreado e foi publicado inicialmente em 1912 em Budapeste. Foi apenas parcialmente tocada em Budapeste em 1917 pelo pianista Ernő Dohnányi.

Bartók, o pai carinhoso, com seu filho.

Béla Bartók (1881-1945): Para Crianças Vol. 3 e 4 / Danças Romenas para Piano / Sete Esboços / Quatro Cantos Fúnebres (Zempléni / Szücs) #BRTK140 Vol. 20 de 29

1 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 1. Allegro
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 1. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:29

2 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 2. Andante
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 2. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:54

3 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 3. Allegretto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 3. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:35

4 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 4. Andante. Lakodalmas
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 4. Wedding Song. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:40

5 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 5. Molto andante. Változatok
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 5. Variation. Molto andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
2:25

6 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 6. Allegro. I. Körtánc
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 6. Round Dance I. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:42

7 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 7. Andante. Bánat
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 7. Sorrow. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
1:06

8 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 8. Allegro non troppo. Táncdal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 8. Dance. Allegro non troppo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:38

9 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 9. Andante. II. Körtánc
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 9. Round Dance II. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:42

10 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 10. Largo. Temetésre szól az ének
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 10. Funeral Song. Largo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
1:36

11 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 11. Lento
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 11. Lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
1:30

12 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 12. Andante rubato
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 12. Andante rubato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:49

13 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 13. Allegro
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 13. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:41

14 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 14. Moderato
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 14. Moderato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:42

15 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 15. Molto tranquillo. Dudanóta
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 15. Bagpipe I. Molto tranquillo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:53

16 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 16. Lento. Panasz
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 16. Lament. Lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
1:05

17 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 17. Andante
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 17. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:49

18 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 18. Sostenuto. Gúnydal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 18. Teasing Song. Sostenuto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:44

19 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 19. Assai lento. Románc
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 19. Romance. Assai lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
1:38

20 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 20. Presto. Kergetõzés
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 20. Game of Tag. Presto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:29

21 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 21. Allegro moderato. Tréfa
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 21. Pleasantry. Allegro moderato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
1:05

22 For children, Volume 3 (1945 revision) for piano, Sz. 42/3/1–22, BB 53/43–64: No. 22. Molto allegro. Duhajkodó
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 3: No. 22. Revelry. Molto allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 3
0:51

23 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 23. Andante tranquillo
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 23. Andante tranquillo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:00

24 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 24. Andante
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 24. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:03

25 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 25. Allegretto. Scherzando)
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 25. Scherzando. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
0:43

26 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 26. Andante molto rubato. Furulyaszó
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 26. Peasant’s Flute. Andante molto rubato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:17

27 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 27. Allegro. Még egy tréfa
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 27. Pleasantry II. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
0:55

28 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 28. Andante molto rubato
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 28. Andante, Molto rubato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:08

29 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 29. Allegro non troppo. Kánon
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 29. Canon. Allegro non troppo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
0:51

30 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 30. Vivace. Szól a duda
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 30. Bagpipe II. Vivace
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
0:51

31 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 31. Allegro. Betyárnóta
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 31. The Highway Robber. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
0:45

32 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 32. Pesante
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 32. Pesante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:02

33 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 33. Andante tranquillo
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 33. Andante tranquillo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
0:57

34 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 34. Adagio. Búcsú
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 34. Farewell. Adagio
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:56

35 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 35. Moderato. Ballada
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 35. Ballad. Moderato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:53

36 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 36. Parlando, molto rubato / No. 37. Allegro moderato
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 36-37. Rhapsody. Parlando, molto rubato – Allegro moderato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
3:06

37 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 38. Lento. Siratóének
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 38. Dirge. Lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
1:39

38 For children, Volume 4 for piano, Sz. 42/4/23–43, BB 53/65–85: No. 39. Lento. Halotti ének
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 4: No. 39. Mourning Song. Lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 4
2:18

39 Romanian dances for piano, Sz. 43, BB 56 (Op. 8a): 1. Allegro vivace
piano:
Loránt Szücs
recording of:
Two Romanian Dances, Sz. 43, BB 56, No. 1: Allegro vivace
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1910)
part of:
Two Romanian Dances, Sz. 43, BB 56
5:19

40 Romanian dances for piano, Sz. 43, BB 56 (Op. 8a): 2. Poco allegro
piano:
Loránt Szücs
recording of:
Two Romanian Dances, Sz. 43, BB 56, No. 2: Poco allegro
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1910)
part of:
Two Romanian Dances, Sz. 43, BB 56
4:45

41 Seven sketches for piano, Sz. 44, BB 54 (Op. 9b): No. 1. Andante con moto. Leanyi arckep
piano:
Loránt Szücs
recording of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44: No. 1. Portrait of a Young Girl: Andante
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1910)
part of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44
2:21

42 Seven sketches for piano, Sz. 44, BB 54 (Op. 9b): No. 2. Comodo. Hinta palinta
piano:
Loránt Szücs
recording of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44: No. 2. See – Saw: Comodo
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1910)
part of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44
1:11

43 Seven sketches for piano, Sz. 44, BB 54 (Op. 9b): No. 3. Lento
piano:
Loránt Szücs
recording of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44: No. 3. Lento
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1910)
part of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44
2:53

44 Seven sketches for piano, Sz. 44, BB 54 (Op. 9b): No. 4. Non troppo lento
piano:
Loránt Szücs
recording of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44: No. 4. Non troppo lento
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1910)
part of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44
3:56

45 Seven sketches for piano, Sz. 44, BB 54 (Op. 9b): No. 5. Andante. Román népdal
piano:
Loránt Szücs
recording of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44: No. 5. Romanian Folksong: Andante
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1910)
part of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44
1:09

46 Seven sketches for piano, Sz. 44, BB 54 (Op. 9b): No. 6. Allegretto. Oláhos
piano:
Loránt Szücs
recording of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44: No. 6. In Wallachian Style: Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1910)
part of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44
0:39

47 Seven sketches for piano, Sz. 44, BB 54 (Op. 9b): No. 7. Poco lento
piano:
Loránt Szücs
recording of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44: No. 7. Poco lento
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1908 until 1910)
part of:
7 Sketches, op. 9b, Sz. 44
2:16

48 Four dirges for piano, Sz. 45, BB 58 (Op. 9a): No. 1. Adagio
piano:
Loránt Szücs
recording of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58, No. 1: Adagio
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58
2:14

49 Four dirges for piano, Sz. 45, BB 58 (Op. 9a): No. 2. Andante
piano:
Loránt Szücs
recording of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58, No. 2: Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58
2:15

50 Four dirges for piano, Sz. 45, BB 58 (Op. 9a): No. 3. Poco lento
piano:
Loránt Szücs
recording of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58, No. 3: Poco lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58
3:09

51 Four dirges for piano, Sz. 45, BB 58 (Op. 9a): No. 4. Assai andante
piano:
Loránt Szücs
recording of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58, No. 4: Assai andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
Four Dirges, Sz. 45, BB 58
3:25

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Há muitas fotos de Batrók com seu filho. O cara era um PAI.

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J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Akademie für Alte Musik Berlin / Faust / Tamestit)

J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Akademie für Alte Musik Berlin / Faust / Tamestit)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Bem, meus amigos, eu achava que esta (clica aí, amigo) era a melhor gravação dos Concertos de Brandenburgo. OK, ela permanece sendo fantástica, só que agora os seis notáveis concertos de Johann Sebastian Bach ganharam a companhia de outra, esta que a Akademie für Alte Musik Berlin acaba de lançar. A gravação, feita com a participação da violinista Isabelle Faust e do violista Antoine Tamestit volta à fonte inesgotável dos Brandenburgo. E ouvimos os concertos de uma forma diversa e esplêndida: ouvimos como episódios de uma peça de teatro musical apaixonada pela dança, pelo som transparente e pela liberdade. Confiram! Creio que é obrigatório!

Em 1721, Bach apresentou-se ao Margrave (comandante militar) Christian Ludwig de Brandenburgo. Queria um novo emprego. Ele compareceu com um manuscrito encadernado contendo seis concertos para orquestra de câmara com base nos Concertos Grossos italianos. Não há registro de que o Margrave tenha sequer agradecido a Bach pelo trabalho. Ele jamais imaginaria que aquele caderno — mais tarde chamado de Concertos de Brandenburgo — se tornaria uma referência da música barroca e ainda teria o poder de mover as pessoas três séculos mais tarde. Em outras palavras, Bach escreveu os Brandenburgo como uma espécie de demonstração de suas qualidades, um currículo para um novo emprego. A tentativa deu errado. O Margrave de Brandenburgo nunca respondeu ao compositor e as peças foram abandonadas, sendo vendidas por uma ninharia após sua morte. Mesmo rejeitados, os Concertos de Brandenburgo sobreviveram em seus manuscritos originais, aqueles mesmos que tinham sido enviados para o Margrave de Brandenburgo no final de março de 1721. O título que Bach lhes dera era o de: “Seis Concertos para diversos instrumentos”. Como foram encontrados? Ora, no inventário do Margrave dentro de um lote maior de 177 concertos de “obras mais importantes” de Valentini, Venturini e Brescianello.

A Akademie für Alte Musik Berlin (Academia de Música Antiga de Berlim, nome abreviado: Akamus) é uma orquestra de câmara alemã fundada em Berlim Oriental em 1982. Cerca de 30 músicos formam o núcleo da orquestra. Eles se apresentam sob a liderança de seus quatro maestros Midori Seiler, Stephan Mai, Bernhard Forck e Georg Kallweit ou maestros convidados como René Jacobs, Marcus Creed, Daniel Reuss, Peter Dijkstra e Hans-Christoph Rademann.

J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Akademie für Alte Musik Berlin / Faust / Tamestit)

Disc 1 (38:28)
1. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: I. [Ohne Satzbezeichnung] (03:33)
2. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: II. Adagio (03:19)
3. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: III. Allegro (03:58)
4. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: IV. Menuet – Trio I – Polonaise – Trio II (07:09)

5. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: I. [Ohne Satzbezeichnung] (04:46)
6. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: II. Andante (03:20)
7. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: III. Allegro assai (02:42)

8. Akademie für Alte Musik Berlin, Isabelle Faust & Antoine Tamestit – Brandenburg Concerto No. 3 in G Major, BWV 1048: I. [Ohne Satzbezeichnung] (05:10)
9. Akademie für Alte Musik Berlin, Isabelle Faust & Antoine Tamestit – Brandenburg Concerto No. 3 in G Major, BWV 1048: II. Adagio (00:16)
10. Akademie für Alte Musik Berlin, Isabelle Faust & Antoine Tamestit – Brandenburg Concerto No. 3 in G Major, BWV 1048: III. Allegro (04:15)

Disc 2 (48:58)
1. Akademie für Alte Musik Berlin & Isabelle Faust – Brandenburg Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: I. Allegro (06:31)
2. Akademie für Alte Musik Berlin & Isabelle Faust – Brandenburg Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: II. Andante (03:36)
3. Akademie für Alte Musik Berlin & Isabelle Faust – Brandenburg Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: III. Presto (04:25)

4. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: I. Allegro (09:37)
5. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: II. Affettuoso (05:05)
6. Akademie für Alte Musik Berlin – Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: III. Allegro (04:55)

7. Akademie für Alte Musik Berlin & Antoine Tamestit – Brandenburg Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: I. [Ohne Satzbezeichnung] (05:20)
8. Akademie für Alte Musik Berlin & Antoine Tamestit – Brandenburg Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: II. Adagio ma non tanto (04:05)
9. Akademie für Alte Musik Berlin & Antoine Tamestit – Brandenburg Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: III. Allegro (05:24)

Isabelle Faust
Antoine Tamestit
Akademie für Alte Musik Berlin (Akamus)

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O bom é que, quando os instrumentos caem, eles sabem o que fazer com eles.

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas, Op. 101 & 106 "Hammerklavier"

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas, Op. 101 & 106 "Hammerklavier"

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma gravação totalmente pessoal da Hammerklavier. Aqui, o trabalho de marcenaria fica mais claro, seja lá o que isso quiser dizer. Uchida não nos oferece uma versão limpinha, mas parece nos dizer “olhem o que este doido varrido inventou aqui”, “sintam como eu tenho que trabalhar aqui” ou “notem como esta fuga é diabólica”. Nada disso fica feio ou desmerece a sonata ou a pianista — que é tão grande ou maior que Nelson Freire, só para compará-la com quem foi postado ontem também interpretando Beethoven — , mas surpreende pela crueza. Eu adorei este disco, apaixonei-me perdidamente.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas, Op. 101 & 106 “Hammerklavier”

1. Piano Sonata No.28 in A, Op.101 – 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo) 5:00
2. Piano Sonata No.28 in A, Op.101 – 2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia) 6:32
3. Piano Sonata No.28 in A, Op.101 – 3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto) 10:52

4. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 1. Allegro 11:25
5. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 2. Scherzo (Assai vivace – Presto – Prestissimo – Tempo I) 2:42
6. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 3. Adagio sostenuto 19:49
7. Piano Sonata No.29 in B flat, Op.106 -“Hammerklavier” – 4. Largo – Allegro risoluto 12:24

Mitsuko Uchida, piano

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Baixou o santo em Mitsuko Uchida!

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Porpora / Hasse / Galuppi: Musica degli Ospedali (Le Grazie Veneziane)

Porpora / Hasse / Galuppi: Musica degli Ospedali (Le Grazie Veneziane)

A música sacra escrita para cantoras e instrumentistas do Ospedale della Pietà tornou-se célebre durante o século XVIII. Esta tradição musical única tornou-se amplamente famosa pelas obras de compositores notáveis ​​como Vivaldi, Hasse, Porpora e Galuppi, que foram professores ativos nos quatro “Ospedali grandi”. O que eram os Ospedali? Eram orfanatos que recebiam meninas órfãs ou abandonadas, que muitas vezes lá permaneciam por toda a vida, caso não fossem adotadas. Meninos eram aceitos apenas temporariamente, devendo partir aos 16 anos após aprenderem ofícios simples como carpintaria. O Ospedale tinha a chamada Roda dos Expostos ou Roda dos Enjeitados. Tais mecanismos ficavam nas fachadas de instituições religiosas, embutidas na parede, dando para a rua. Consistiam em mecanismos utilizados para abandonar os recém-nascidos indesejados, que assim ficavam ao cuidado da instituição. O mecanismo era uma caixa cilíndrica que girava sobre um eixo vertical com uma portinhola ou apenas uma abertura. Quem desejava abandonar um recém-nascido, colocava ali seu filho e girava o cilindro, dando meia volta. Desta forma, quem abandonava a criança não era visto por quem a recebia. As rodas também serviam para que pessoas piedosas oferecessem anonimamente alimentos e medicamentos a tais casas. As crianças eram normalmente filhas de pessoas pobres, para quem seria um peso receber mais uma boca para alimentar, ou filhas de mães solteiras, nobres ou burguesas, que não desejavam ver descoberta sua gravidez. Lá eram formadas orquestras dirigidas por nomes como os compositores deste disco e mais Vivaldi, por exemplo. Aqui, mais detalhes.

Porpora / Hasse / Galuppi: Le Grazie Veneziane

Nicola Antonio Porpora (1686-1768)
De profundis, for chorus & orchestra
1. De profundis clamavi
2. Fiant aures tuae intendentes
3. Si iniquitates observabis Domine
4. Quia apud te
5. Sustinuit anima mea
6. A custodia matutina
7. Quia apud Dominum
8. Gloria Patri
9. Sicut erat

Johann Adolf Hasse (1699-1783)
Laudate pueri in A major (Psalm 112), for soprano, mezzo-soprano, chorus & orchestra
10. Laudate pueri
11. A solis ortu
12. Excelsus super omnes gentes
13. Quis sicut Dominus
15. Qui habitare facit
16. Gloria Patri
17. Sicut erat

Baldassare Galuppi (1706-1785)
Dixit Dominus (Psalm 110)
18. Dixit Dominus
19. Tecum principium
20. Juravit Dominus
21. Dominus a dextris tuis
22. Judicabit in nationibus
23. De torrente
24. Gloria Patri

Maria Grazia Schiavo, soprano
Emanuela Galli, soprano
José Maria Lo Monaco, alto
Vocal Concert Dresden
Dresdner Instrumental-Concert
Peter Kopp, conductor

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O Ospedale della Pietà
O Ospedale della Pietà, onde trabalhou Vivaldi, ausente neste disco…

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Nikolaus Bruhns (1665-1697): Cantatas Alemãs (Junghanel)

Nikolaus Bruhns (1665-1697): Cantatas Alemãs (Junghanel)

Um belo disco, maravilhosamente interpretado pelo Cantus Cölln, dirigido por Konrad Junghänel! Bruhns foi um organista, violinista e compositor dinamarquês, um dos mais proeminentes de sua geração. Ele veio de uma família de músicos e compositores. Seu avô, Paul Jakob Bruhns (falecido em 1655), trabalhou como lutenista em Lübeck. Seus três filhos escolheram carreiras musicais. O pai de Bruhns, também chamado Paul (1640-c.1689), tornou-se organista em Schwabstedt, possivelmente depois de estudar com Franz Tunder. Nikolaus era aparentemente uma criança prodígio: de acordo com Ernst Ludwig Gerber, ele tocava órgão e compunha boas peças para teclado e voz desde cedo. Ele provavelmente recebeu suas primeiras aulas de música de seu pai. A obra sobrevivente de Bruhns é infelizmente pequena: apenas poucas peças vocais e 5 peças para órgão chegaram até nossos dias. Embora a escrita instrumental da maioria dessas obras sugira que Bruhns só contasse com músicos de habilidade média, há movimentos que apresentam texturas virtuosísticas altamente desenvolvidas. É quase certo que Bruhns escreveu música de câmara, que poderia ter sido de alta qualidade, mas nenhuma dessas obras sobreviveu. Uma pena.

Nikolaus Bruhns (1665-1697): Cantatas Alemãs (Junghanel)

1 Die Zeit Meines Abschieds Ist Vorhanden (Geistliches Konzert Für Vier Stimmen, Streicher Und Basso Continuo) 7:35
Muß Nicht Der Mensch Auf Dieser Erden In Stetem Streite Sein (Kantate Für Vier Singstimmen, Streicher, Zwei Clarini Und Basso Continuo) (13:32)
2 Muß Nicht Der Mensch
3 Doch Wer Sich Tapfer Hält, Behält Das Feld
Wohl Dem, Der Den Herren Fürchtet (Geistliches Konzert Für Zwei Soprane, Baß, Streicher Und Basso Continuo) (7:53)
4 Wohl Dem, Der Den Herren Fürchtet
5 Dein Weib Wird Sein Wie Ein Fruchtbarer Weinstock
6 Siehe Also Wird Gesegnet Der Mann
7 Der Herr Wird Dich Segnen Aus Zion
Ich Liege Und Schlafe (Kantate Für Vier Solostimmen, Streicher Und Basso Continuo) (17:26)
8 Ich Liege Und Schlafe Ganz Mit Frieden
9 Ich Hab, Gottlob, Das Mein Vollbracht
10 Ritornello
11 In Jesu Namen Schlaf Ich Ein
12 Ritornello
13 In Jesu Namen Fahr Ich Hin
14 Ich Liege Und Schlafe
Paratum Cor Meum (Geistliches Konzert Für Zwei Tenöre, Baß, Violine, Zwei Violen da Gamba Und Bass Continuo (Orgel)) (12:07)
15 Alleluja!
16 Confitebor Tibi In Populis, Domine
17 Exaltare Super Coelos, Deus
Hemmt Eure Tränenflut (Madrigal (Kantate) Für Vier Singstimmen, Streicher Und Basso Continuo) (14:50)
18 Hemmt Eure Tränenflut
19 Der Stein War Allzu Groß
20 Die Christi Grab Bewacht Sind Weg
21 Verlaß Ich Gleich Die Welt
22 Amen

Alto Vocals – Elisabeth Popien
Bass Vocals – Stephan Schreckenberger
Bassoon – Adrian Rovatkay
Ensemble – Cantus Cölln
Lute, Directed By – Konrad Junghänel
Organ – Carsten Lohff
Soprano Vocals – Johanna Koslowsky, Susanne Rydén
Tenor Vocals – Hans Jörg Mammel, Wilfried Jochens
Trumpet [Clarine] – Maarten van Weverwijk, Susan Williams (2)
Viola da Gamba – Christine Plubeau, Mieneke Van Der Velden
Violin – Anette Sichelschmidt, Ursula Bundies
Violone – Matthias Müller-Mohr

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Você pensa que é um Vermeer? Pois errou, é um Pieter de Hooch — Mulher Pesando Moedas de Ouro e Prata (c.1664)

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Béla Bartók (1881-1945): Dez Peças Fáceis / Duas Elegias / Para Crianças Vol. 1 / Para Crianças Vol. 2 (Szücs / Zempléni) #BRTK140 Vol. 19 de 29

Béla Bartók (1881-1945): Dez Peças Fáceis / Duas Elegias / Para Crianças Vol. 1 /  Para Crianças Vol. 2 (Szücs / Zempléni) #BRTK140 Vol. 19 de 29

Aqui, toda a coleção.

Sobre as Dez Peças Fáceis (1908): embora inicialmente tenham sido concebidas como Onze peças para recitais de piano, uma das peças foi descartada e usada como bagatela nas 14 Bagatelas de Bartók. No entanto, por uma obrigação contratual com sua editora, o compositor foi obrigado a escrever onze peças. Então ele escreveu uma dedicatória que não é numerada, mas que serve para complementar o conjunto. Por isso, as Dez Peças e as bagatelas se relacionam, tanto em seus estilos harmônicos e rítmicos quanto em sua vocação educativa. Essas obras foram fortemente influenciadas pelo fascínio de Bartók por Debussy e pela música folclórica.

Duas Elegias (1908-9): A Nº 1 foi escrita em fevereiro de 1908. A Elegia Nº 2 foi escrita quase dois anos depois, em dezembro de 1909. Então estas peças datam do mesmo período da conhecida obra pedagógica de Bartók, Para Crianças. No entanto, os dois conjuntos dificilmente poderiam ser mais diferentes. Enquanto que Para Crianças é uma obra de simplicidade, transparência e de inspiração folclórica, as Elegias são virtuosas, densas e até românticas em caráter. Na verdade, Bartók pensava que essas peças representavam uma espécie de regressão estilística, um retorno ao estilo de suas primeiras obras para piano. Enquanto a maior parte da música de Bartók dessa época refletisse fortemente a influência de seus estudos etnomusicológicos do folclore do Leste Europeu, as Elegias, em vez disso, mostram novamente o interesse de Bartók por Debussy e Liszt.

Para Crianças (1908-9): este é um ciclo de peças curtas para piano. Serve para as crianças e os adultos ouvirem e para as crianças ou os alunos iniciais praticarem. A coleção foi originalmente iniciada em 1908 e concluída em 1909. Compreendia 85 peças que foram publicadas em quatro volumes. Cada peça é baseada em uma melodia folclórica, húngara nos dois primeiros volumes (40 peças) e eslovaca nos dois últimos (43 peças). Em 1945, Bartók revisou o conjunto, removendo seis peças que usavam melodias que haviam sido transcritas incorretamente ou que não eram músicas folclóricas originais, alterando substancialmente a harmonização de várias outras.  As peças foram escritas à medida que os alunos do compositor trabalhavam e progrediam. No entanto, atualmente, alguns pianistas começaram a incluir algumas delas nos seus recitais, deixando claro seu valor musical independentemente das suas origens pedagógicas.

Retrato do compositor com criança

Béla Bartók (1881-1945): Dez Peças Fáceis / Duas Elegias / Para Crianças Vol. 1 / Para Crianças Vol. 2 (Szücs / Zempléni) #BRTK140 Vol. 19 de 29

1 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: Dedication
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51: Dedication
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
3:11

2 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 1. Paraszti nota
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 1: Peasant Song
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
0:53

3 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 2. Lassú vergodes
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 2: Painful Wrestling
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
2:07

4 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 3. Tot legenyek tanca
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 3: Slovakian Peasant’s Dance
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
0:56

5 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 4. Sostenuto
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 4: Sostenuto
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
1:58

6 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 5. Este a szekelyeknel
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 5: An Evening at the Village
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
3:10

7 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 6. Godollei piacteren leesett a ho
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 6: Hungarian Folksong
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
0:52

8 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 7. Hajnal
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 7: Dawn
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
2:09

9 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 8. Azt mondjak, nem adnak
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 8: Hungarian Folksong
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
1:44

10 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 9. Ujjgyakorlat
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 9: Finger Exercise
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
1:21

11 Ten easy pieces for piano, Sz. 39, BB 51: No. 10. Medvetanc
recording of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51, No. 10: Bear Dance
composer:
Béla Bartók (composer) (in 1908)
part of:
Ten Easy Pieces, Sz. 39, BB 51
1:57

12 Two elegies for piano, Sz. 41, BB 49 (Op. 8/b): I. Grave in D minor
piano:
Loránt Szücs
recording of:
2 Elegies, BB 49, Sz. 41 (op. 8b): I. Grave
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
2 Elegies, BB 49, Sz. 41, op. 8b
7:36

13 Two elegies for piano, Sz. 41, BB 49 (Op. 8/b): II. Molto adagio, rubato in C-sharp minor
piano:
Loránt Szücs
recording of:
2 Elegies, BB 49, Sz. 41 (op. 8b): II. Molto adagio, sempre rubato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
2 Elegies, BB 49, Sz. 41, op. 8b
8:27

14 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 1. Allegro. Játszó gyermekek
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 1. Children at Play. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:29

15 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 2. Andante. Gyermekdal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 2. Children’s Song. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:57

16 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 3. Quasi adagio
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 3. Quasi Adagio
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:55

17 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 4. Allegro. Párnatánc
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 4. Pillow Dance. Adagio
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:54

18 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 5. Allegretto. Játék
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 5. Play. Allegretto – Piu Mosso – Tempo I
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:10

19 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 6. Allegro. Balkéz-tanulmány
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 6. Study for the Left Hand. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:51

20 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 7. Andante grazioso. Játékdal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 7. Play Song. Andante grazioso
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:31

21 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 8. Allegretto. Gyermekjáték
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 8. Children’s Game. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:32

22 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 9. Adagio. Dal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 9. Song. Adagio
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:04

23 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 10. Allegro molto. Gyermektánc
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 10. Children’s Dance. Allegro molto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:43

24 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 11. Lento
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 11. Lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:10

25 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 12. Allegro
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 12. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:20

26 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 13. Andante. Ballada
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 13. Ballad. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:02

27 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 14. Allegretto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 14. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:34

28 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 15. Allegro moderato
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 15. Allegro moderato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:34

29 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 16. Andante rubato. Régi magyar dallam
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 16. Old Hungarian Tune. Andante rubato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:51

30 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 17. Lento. Körtánc
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 17. Round Dance. Lento
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:22

31 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 18. Andante non troppo. Katonadal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 18. Soldier’s Song. Andante non troppo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
1:09

32 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 19. Allegretto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 19. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:45

33 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 20. Allegro. Bordal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 20. Drinking Song. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:36

34 For children, Volume 1 for piano, Sz. 42/1–21, BB 56/1–21: No. 21. Allegro robusto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 1: No. 21. Allegro robusto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 1
0:54

35 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 22. Allegretto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 22. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:51

36 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 23. Allegro grazioso. Táncdal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 23. Dance Song. Allegro giocoso
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:53

37 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 24. Andante sostenuto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 24. Andante sostenuto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
1:11

38 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 25. Parlando
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 25. Parlando
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:49

39 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 26. Moderato
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 26. Moderato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:50

40 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 27. Allegramente. Tréfa
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 27. Jest. Allegramente
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:59

41 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 28. Andante. Kórusdal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 28. Chorale. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
1:54

42 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 29. Allegro scherzando. Ötfokú dallam
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 29. Pentatonic Tune. Allegro scherzando
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:56

43 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 30. Allegro ironico. Gúnydal
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 30. Jeering Song. Allegro ironico
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:50

44 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 31. Andante tranquillo
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 31. Andante tranquillo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
1:44

45 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 32. Andante
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 32. Andante
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
1:18

46 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 33. Allegro non troppo
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 33. Allegro non troppo
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:57

47 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 34. Allegretto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 34. Allegretto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:37

48 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 35. Con moto
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 35. Con Moto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:33

49 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 36. Vivace. Részegek nótája
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 36. Drunkard’s Song. Vivace
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:43

50 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 37. Allegro. Kanásznóta
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 37. Swineherd’s Song. Allegro
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
0:41

51 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 38. Molto vivace. Regös ének
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 38. Winter Solstice Song. Molto vivace
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
1:03

52 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 39. Allegro moderato
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 39. Allegro moderato
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
1:58

53 For children, Volume 2 (1945 revision) for piano, Sz. 42/2/22–42, BB 53/22–42: No. 40. Allegro vivace. Kanásztánc
piano:
Kornél Zempléni
recording of:
For Children, Book 2: No. 40. Swineherd’s Dance. Allegro vivace
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
For Children, Sz. 42, BB 53, Book 2
1:36

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Retrato de criança com compositor

PQP

Haydn (1732-1809) & Mozart (1756-1791): Sinfonias – Australian Chamber Orchestra & Richard Tognetti ֎

Haydn (1732-1809) & Mozart (1756-1791): Sinfonias – Australian Chamber Orchestra & Richard Tognetti ֎

Haydn: Sinfonias Nos. 49 & 104

Mozart: Sinfonia No. 25

Australian Chamber Orchestra

Richard Tognetti

 

Richard Tognetti rege a Australian Chamber Orchestra tocando violino. A foto que vi me deixou bem impressionado. Parte dos músicos, como os violinistas, tocam em pé e as partituras estão dispostas em tablets. Que fusão de tecnologias, pois a orquestra pode usar instrumentos de época ou instrumentos modernos, dependendo da situação.

O disco desta postagem reúne três sinfonias do período clássico. Duas de Haydn e uma de Mozart. As Sinfonias No. 49 de Haydn e No. 25 de Mozart foram gravadas em concertos em 2013 e a Sinfonia No. 104, de Haydn, foi gravada também ao vivo cinco anos depois. Apesar de serem típicas obras do classicismo, revelam a incrível evolução do gênero em um curto espaço de tempo, muito por conta da criatividade de Haydn.

Uma ótima La Passione, esta aqui…

A Sinfonia ‘La Passione’ (maravilhosa) é de 1768, quando Mozart tinha 12 anos, e a Sinfonia ‘pequena’ em sol menor, foi escrita por Mozart, um maduro compositor de 17 anos, que saboreava o sucesso de sua ópera séria, Lucio Silla, escrita um ano antes. A Sinfonia ‘La Passione’ é um excelente exemplo das obras produzidas por Haydn em seu período Sturm und Drang.

Já a impressionante Sinfonia ‘London’ veio coroar a série de 12 sinfonias escritas por Haydn para as suas viagens a Londres, a convite do empresário J.P. Salomon, e revela o compositor de 62 anos com completo domínio de sua maestria.

Se você já conhece este repertório, certamente gostará de ouvir a interpretação deste grupo que acompanhou a maravilhosa Angela Hewitt tocando os concertos de Bach. Caso você ainda esteja iniciando sua exploração das sinfonias deste período, certamente terá aqui uma excelente opção. De qualquer forma, um disco na medida certa para o prazer de conhecedores e iniciantes…

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sinfonia No. 49 em fá maior – ‘La Passione’

  1. Adagio
  2. Allegro di molto
  3. Menuet
  4. Finale (Presto)

Wolfgang Amandeus Mozart

Sinfonia No. 25 em sol menor, K183

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Menuetto
  4. Allegro

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sinfonia No. 104 em ré maior – ‘London’

  1. Adagio – Allegro
  2. Andante
  3. Menuet (Allegro)
  4. Finale (Spiritoso)

Australian Chamber Orchestra

Richard Tognetti

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FLAC | 286 MB

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MP3 | 320 KBPS | 148 MB

Veja o que o pessoal andou falando dos músicos e do disco:

“Richard Tognetti and his group (ACO) produced playing of fabulous alertness and tight ensemble; if there’s a better chamber orchestra in the world today, I haven’t heard it.”

One of the inextinguishable joys of music is hearing another performance of a work you know almost by heart, and hearing something you never heard before. There’s a lot of that in these performances. Want an example? Just listen to the trio section of the third movement of the Mozart “Little G Minor” Symphony. Wow!

Se você gostou desta postagem, poderá visitar esta aqui:

Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80 – BBC Philharmonic ● Nicholas Kraemer

Caso ainda tenha sobrado 16 minutos, o vídeo aqui explica a Sinfonia “London”…

Baltzar / Blow / Croft / Eccles / Keller / Matteis / Purcell: Purcell´s London – Consort Music in England from Charles II to Queen Anne (The Parley of Instruments)

Baltzar / Blow / Croft / Eccles / Keller / Matteis / Purcell: Purcell´s London – Consort Music in England from Charles II to Queen Anne (The Parley of Instruments)

Ouvindo este CD, a gente tem a impressão de que está vendo um filme de época, da Inglaterra do século XVII. Nada é muito brilhante, mas nada é totalmente ruim. Ah, mas tem Purcell! Bem, ele e sua alta qualidade aparecem por 1min11… O restante do tempo fica para compositores mais ou menos. No começo de cada faixa, vemos a entrada ou a presença da realeza… O CD funciona como uma vitrine de compositores ingleses e italianos pouco conhecidos que trabalharam em Londres. The Parley of Instruments faz um trabalho maravilhoso como sempre, só que é difícil salvar o barco das águas do Tâmisa.

Baltzar / Blow / Croft / Eccles / Keller / Matteis / Purcell: Purcell´s London – Consort Music in England from Charles II to Queen Anne (The Parley of Instruments)

1 Sonata No.1 In D
Composed By – Godfrey Keller
5:12
2 Divisions On A Ground In D Minor
Composed By – Nicola Matteis
3:54
3 Pavan And Galliard In C
Composed By – Thomas Baltzar
6:12
4 Chaconne A 4 In G
Composed By – John Blow
4:35
5 Symphony For Mercury From The Judgment Of Paris
Composed By – John Eccles
6:08
6 Sonata In D ‘Con Concertino’
Composed By – Anonymous
6:50
7 Suite From The Play “The Twin Rivals”
Composed By – William Croft
16:16
8 Cibell In C
Composed By – Henry Purcell
1:11

The Parley Of Instruments

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Um panorama da Londres do século XVII mostrando a London Bridge desde Southwark

PQP

Giuseppe Verdi (1813-1901): “La Battaglia di Legnano” – ópera em quatro atos (Ricciarelli, Carreras, Manuguerra, Ghiuselev, Gardelli)

A estreia de “La Battaglia de Legnano” ocorreu em Roma, com a população nas ruas e a cidade tomada pelos ideais do Risorgimento. Havia muita indignação, pois o papa Pio IX não enviara ajuda à Lombardia, durante o levante de Milão. Mazzini e Garibaldi estavam em Roma e a república seria proclamada – de constituição liberal, eleições e liberdade religiosa…

Verdi acompanhou os ensaios e esteve presente no “Teatro Argentina”, que sediou a estreia. E quando o coro anunciou: “Viva Itália! Sacro un patto! Tutti stringi i figli suoi!”, a plateia explodia “Viva Itália! Viva Verdi!”. E, de tal forma, o tema exaltou o público, que os gritos e frenesi foram imensos, enquanto Pio IX refugiava-se…

A república romana teve curta duração, assim como os levantes na Lombardia e no Vêneto – esforços efêmeros, mas heroicos… A determinação popular estava consolidada e o sucessor da Sardenha-Piemonte, Vitor Emanuele, se tornaria líder e esperança da unificação… 

Assim terminava a “1ª guerra de independência”, com restabelecimento da ocupação austríaca e proteção dos estados aliados, absolutistas e conservadores… Seriam necessários dez anos até novo esforço fosse realizado – então exitoso!

Proclamação da república Romana, fevereiro de 1849 – abolida pelos exércitos austríacos, espanhóis e franceses, com retorno do Papa Pio IX, em 1850
  1. Aspectos iniciais

Entre as diversas óperas que tratam da liberdade, “La Battaglia di Legnano” foi escrita especialmente para o Risorgimento, para reafirmar os ideais e enaltecer as mobilizações – uma ópera de exaltação patriótica e temática italiana. A trajetória de Verdi esteve intrinsecamente ligada à independência e à unificação, causas pelas quais lutou, tornando-se símbolo do Risorgimento…

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi: Músico e entusiasta da unificação italiana

Ao longo de sua vida, Verdi compartilhou e festejou a unificação. Processo do início do sec. XIX, que prolongou-se até meados de 1870 e pelo qual muitos morreriam… Sobretudo, a partir de 1831, o Risorgimento fortaleceu-se com o pujante “Jovem Itália”, de Giuseppe Mazzini, que defendia a unificação mobilizando as camadas populares…

Estimulado pelo libretista Salvatori Cammarano e poeta Giusti, Verdi decidiu escrever mais uma ópera patriótica. Agora, desafiando a censura austríaca com a temática italiana, mesmo considerando aquele momento inadequado. Para Verdi, “a hora era de pegar em armas e lutar com determinação e heroísmo!”

A reação das nações europeias ao apelo do papa Pio IX, no entanto, foi enérgica e imediata. Em poucos meses, após estreia de “La Battaglia de Legnano”, ocorreu a retomada de territórios pelos austríacos, com apoio de franceses e espanhóis… Ainda assim, os levantes mostraram que a independência era possível e, de fato, seria alcançada, em dez anos…

De outro, os italianos suportariam por mais tempo a indesejável presença estrangeira e, com ela, a repressão e a censura. Humilhação exercida também pelas monarquias absolutistas italianas, que reafirmavam-se solidárias à Áustria

Conta-se, o Levante de Milão iniciou com uma campanha antiaustríaca, que desencadeou onda de revolta, com barricadas, apedrejamentos e tiros nas ruas, provocando enérgica reação dos soldados austríacos, com espadas e baionetas, o que transformou Milão numa praça de guerra, levando o experiente mal. Radetzki ordenar retirada das tropas austríacas…

“Cinco dias de Milão” – pintura de Carlo Bossoli

Os estranhamentos e provocações vinham do início de 1848, com o boicote ao fumo e ao jogo de loteria, produtos tarifados pelas autoridades austríacas… Nos “Cinco dias de Milão”, os austríacos seriam expulsos da Lombardia e do Vêneto, e diversas repúblicas proclamadas: em Roma, San Marino, na Toscana e na própria Lombardia…

Neste período, Verdi residia em Paris, onde havia estreado “Jerusalém” e, após 7 anos de viuvez, iniciava novo relacionamento, com a cantora Giuseppina Strepponi. Assim, na França concluiu “Il Corsaro” e compôs “La Battaglia di Legnano”. E, quando soube do levante de Milão, para lá se dirigiu…

“Il Duomo”, catedral de Milão, iniciada em 1386 e concuída em 1813, por Napoleão Bonaparte.

Para os milaneses a presença de forças estrangeiras era intolerável. Com registros de 400 AC, Milão era um centro histórico com intensa atividade cultural e comercial no norte da Itália. O levante, no entanto, ocorreu num conjunto de ações em vários estados, desencadeando a “1ª guerra de independência”…

E a derrota intensificou o ativismo de Mazzini e Garibaldi, Cavour e Vitor Emanuelle, e de artistas e intelectuais, como Verdi, Giusti, Grossi e outros. Além de notáveis personalidades femininas, como Cristina Trivulzio, Margaret Fuller, Anita Garibaldi e outras…

Além disto, havia uma complexidade adicional. A unificação requeria considerar a religiosidade popular e os estados pontifícios, que também seriam incorporados. Um duro golpe à Igreja, por fim, acordado no estado do Vaticano, bairro de Roma a ser administrado de forma autônoma – “Tratado de Latrão”, 1929

Estado do Vaticano – definido no “Tratado de Latrão”, 1929, com indenização da Igreja pelos territórios perdidos nas guerras da unificação italiana.

Tais mobilizações exigiam, sobretudo, grandes financiamentos, fossem de estados monárquicos ou apoiadores privados, a equipar, alimentar e transportar tropas, além de suportes em saúde e propaganda…

Na Itália, a ópera detinha imensa capacidade de comunicação e apelo popular – tornara-se o grande espaço de ativismo. E da plateia e das galerias vinham gritos e palavras de ordem, tais como “Viva VERDI” – “Viva Vitor Emanuele, Re D’Italia”!… E, se a temática fosse nacionalista, mais inflamado reagia o público, transformando os teatros em grandes e contundentes atos políticos!… Intenso ativismo, no qual Verdi e outros envolveram-se profundamente – na consolidação do sentimento nacional!

Interior do “Teatro Argentina”, Roma
Estreia de “La battaglia di Legnano”, 1849
Pintura de Giovanni Paolo Pannini
  • Líderes institucionais – Cavour, Vitor Emanuele II e Napoleão III

Diante da intensa pressão que vinha dos movimentos intelectuais e populares, os estados monárquicos posicionavam-se frente à unificação – fosse contra ou a favor… E nesta crise regional, entre confluências e disputas de interesses, movimentava-se a política oficial, interna e externa. A “1ª guerra de independência” foi mobilização estritamente interna, que mostrou força, mas não suficiente para afastar os austríacos…

Assim, a ordem do “Congresso de Viena” foi restabelecida. A “República Romana” e outras foram abolidas. E o papa Pio IX recuperou territórios. A derrota da Sardenha-Piemonte levou à renúncia de Carlos Alberto em favor do filho, Vitor Emanuele, que nomeou Cavour, chefe de gabinete

Cavour foi idealizador do periódico “Il Resurgimento”, 1847, que havia motivado o rei Carlos Alberto empreender a “1ª guerra de independência”. A escolha de Cavour como chefe de gabinete, portanto, sinalizava que a Sardenha-Piemonte se manteria na direção da unificação. Agora, através de cuidadoso trabalho diplomático, além da recuperação econômica do país

Camilo Benso, Conde Cavour, chefe de gabinete de Vitor Emanuele.

Sardenha-Piemonte era um estado moderno, que divergia dos modelos autoritários e absolutistas de outras monarquias italianas… E mesmo com o fracasso da “1ª guerra de independência”, Vitor Emanuele manteve a constituição liberal e anistiou os revolucionários, contrariando a Áustria – o que lhe custou perda de territórios, mas credenciou como líder e esperança da unificação…

Vitor Emanuele II, da Sardenha-Piemonte
Líder monárquico do Resurgimento  (Em trajes de caça)

E, se havia conflitos sobre a forma de governo, entre monarquia ou república, liberalismo ou socialismo, prevaleceria, como solução política, uma monarquia parlamentarista de constituição liberal, abandonando-se disputas ideológicas que adiassem a unificação… E a Casa de Saboia pleiteava a futura monarquia italiana…

Além disso, o recente manifesto comunista de Marx e Engels, 1848, questionava as relações de trabalho e denunciava as formas de dominação econômica. Pressões que exigiam decisões céleres, quando a unificação, por si, já representava imenso desafio… 

Luiz Napoleão, presidente na 2ª
república francesa e, depois, Napoleão III, na restauração do Império francês.

Tal como Verdi e outros receavam, o papel de Napoleão III foi ambíguo, visto que pleiteava também interesses franceses. Na 1ª guerra de independência, ainda como Luiz Napoleão, presidente da 2ª república francesa, lutou contra o Risorgimento. Apenas mais tarde, após autogolpe, tornando-se Napoleão III, apoiaria Vitor Emanuele na campanha e derrota da Áustria na “2ª guerra de independência”. Mas condicionando a desocupação da Lombardia à incorporação de territórios de tradição francesa – ainda assim, um apoio decisivo…

Com habilidade e priorizando a incorporação da Lombardia, Vitor Emanuele concordou com as reivindicações, desde que legitimadas por plebiscito. E os ducados de Saboia e Nice foram cedidos à França… Posteriormente, as tropas francesas também se retirariam de Roma, facilitando a tomada dos “estados pontifícios” pela Sardenha-Piemonte…

 Líderes populares no Risorgimento – “os três Giuseppes”

Giuseppe Mazzini, líder da “Jovem Itália” na unificação italiana

Três nomes impulsionaram a grande mobilização, tornando-se símbolos populares do Resurgimento: Giuseppe Mazzini, Giuseppe Verdi e Giuseppe Garibaldi – “os três Giuseppes”…

Giuseppe Mazzini foi líder revolucionário, intelectual e político. De início, integrou a sociedade secreta dos “carbonários” e, em 1831, fundou o “Jovem Itália”, um movimento popular para fomentar a liberdade, o sentimento nacional e uma nova nação – laica, democrática e republicana…

O ativismo de Mazzini, em grande parte, deu-se no exílio. “Jovem Itália” nasceu em Marselha, França. E Mazzini estimulou frentes semelhantes em outras nações. Visionário, sonhava também com uma ordem europeia, considerado entre os precursores da atual União Europeia. Foi considerado por Metternich, chanceler austríaco, ”o mais perigoso inimigo da ordem social”…

Com a derrota na “1ª guerra de independência” e abolição da república romana, ao apelo do papa Pio IX às “nações católicas”, Mazzini e Garibaldi partiram para novo exílio…

Marselha, 1833 – primeiro encontro entre os Giuseppes – Garibaldi (esquerda) e Mazzini (direita)

E nos anos de 1840, surgiria Giuseppe Verdi, compositor inspirado capaz de colocar música naqueles ideais, contribuindo para o amadurecimento dos sentimentos de identidade, nação e liberdade… Em 1848, o poeta Giuseppe Giusti escrevia à Verdi: “… neste momento, a tristeza que toma conta de nós, italianos, é de uma raça que sente necessidade de um destino melhor” – apelando a uma nova ópera de Verdi…

Giuseppe Giusti, poeta — entusiasta da unificação

A estes apelos, Verdi respondeu com “La Battaglia de Legnano”. Verdi dizia pouco entender de política, mas acompanhava os acontecimentos na Europa e, na Itália, era um ativista. Assim, integrou a delegação que levou adesão de Parma ao movimento de Vitor Emanuele; e no “Levante de Milão”, com outros intelectuais, buscou apoio da França, em carta que finalizava: “Não permitam que, no delírio do sofrimento e com aparente razão, erga-se o grito: infelizes os povos que acreditam nas promessas da França!”…

E, de fato, naquele momento – constituinte de 48, o apoio da França não viria. Pelo contrário, a França lutou contra o Risorgimento, enviando tropas para abolir a república romana. O apoio ocorreria dez anos após, com Napoleão III…

Giuseppe Verdi – entusiasta da unificação e nomeado senador pelo rei Vitor Emanuele, então monarca do reino da Itália, 1874.

Mazzini e Verdi estiveram juntos na estreia de “I Masnadieri”, 1847 – exílio de Mazzini em Londres. E reencontraram-se em Milão, no “Grande Levante”, 1848. Na ocasião, Mazzini pediu um novo hino à Verdi, por entender fraca a melodia de Michele Novaro “Il canto degli Italiani”, com versos de Goffredo Mamelli. A canção evocava a “Batalha de Legnano”, histórica vitória da “Liga Lombarda” sobre o Sacro Império Romano-Germânico”, 1176

Música de Michele Novaro, com poesia de Goffredo Mamelli – “Il canto degli Italiani”, 1847

Mazzini desejava um hino mais solene e Verdi aceitou, mas um tanto contrariado, pois a melodia de Novaro popularizava-se. Verdi atendeu com “Suona la Tromba”, sobre novos versos de Mamelli… Por fim, “Suona la Tromba” seria esquecida e adotada a Marcia Reale” da Casa de Sabóia, como hino da monarquia italiana, 1861. E a canção do Resurgimento – “Il canto degli Italiani” – se tornaria hino nacional apenas em 1946, permanecendo até a atualidade…

Enquanto Mazzini e Garibaldi lideravam movimentos populares e forças militares; Cavour e Vitor Emanule, como chefes de estado, interagiam com nações europeias e monarquias italianas; Verdi e outros intelectuais atuavam na sensibilização e fomento da identidade nacional, através da literatura e da música. Por fim, Vitor Emanuele homenagearia Verdi, nomeando-o senador da monarquia italiana, 1874…

Giuseppe Garibaldi,
herói de dois mundos

Já o republicano Giuseppe Garibaldi foi comandante de muitas lutas e amargou exílios. Na América do Sul, combateu na “Revolução Farroupilha”, sul do Brasil, onde chefiou a marinha farroupilha. Em Laguna, conheceu a catarinense e futura esposa Anita Garibaldi. Com a derrota dos farroupilhas para as forças imperiais, exilou-se no Uruguai e lutou contra forças argentinas

As incríveis façanhas de Garibaldi – deslocando embarcações por terra, puxadas por bois e sobre rodados de madeira, para escapar da marinha imperial brasileira, na “Revolução Farroupilha”

Sobre os farroupilhas, Garibaldi diria: “Quantas vezes desejei patentear ao mundo os feitos dessa gente viril e destemida, que sustentou, contra um poderoso império e por mais de nove anos, a mais encarniçada e gloriosa luta!” De outro, o armistício do “Poncho verde” seria maculado pelo controverso “massacre de Porongos”, onde os “lanceiros negros” seriam assassinados, como “parte do acordo com o Império”…

Do exílio sul-americano, Garibaldi retornou à Europa para lutar a “1ª guerra de independência”. E sob seu comando, os “camisas vermelhas” entraram em Roma, onde foi proclamada a república, 1849. Naquele ambiente conflagrado e de extremo patriotismo, ocorreu a estreia de “La Battaglia de Legnano”, com Verdi presente. Após a derrota, Garibaldi amargaria novo exílio, então nos Estados Unidos, de onde empreenderia viagens pela America do Sul e Oceania…

Garibaldi com a esposa Anita, grávida e doente, que morreria perto de Ravena, após a retirada de Roma, 1849

Ao retornar do 2° exílio, 1854, Garibaldi encontraria Mazzini em Londres. E, em seguida, publicaria artigos aproximando-se de Cavour. Possivelmente, o republicano Garibaldi passava a admitir a monarquia como solução viável para a unificação… E, há muito, Garibaldi colaborava com a Casa de Saboia, da qual receberia o comando dos “Caçadores dos Alpes” para empreender a 2ª guerra de independência, junto com forças francesas, na vitoriosa campanha de libertação da Lombardia – armistício de “Villafranca”, 1859… E os tempos eram tais, que até o resistente e obstinado Mazzini escreveria: “não se trata mais de república ou monarquia, trata-se da unidade nacional – de ser ou não ser!”

“Partida dos Mil” de Garibaldi em direção ao sul da Itália, financiado pela Casa de Saboia

Ainda financiado pela Casa de Saboia, Garibaldi voltou-se para o sul – os “1.000 camisas vermelhas”, curiosamente, contavam 100 médicos, 250 advogados, 50 engenheiros e uma mulher, entre outros… E, apesar das baixas, voluntários chegavam de todas as partes, incorporando-se e fortalecendo a causa da unificação… Assim, a Sicília foi dominada, 1860…

Da Sicília, as forças atravessaram o estreito de Messina e adentraram a Calábria, já contando 20.000 voluntários, somados às deserções nas linhas inimigas, que mudavam de lado… Em Nápoles, Garibaldi encontrou a cidade desocupada e venceria os Bourbon em “Volturno”… Com a chegada das forças sardo-piemontesas, os “camisas vermelhas” incorporaram-se às tropas de Vitor Emanuele, que combatiam os estados pontifícios… E a monarquia italiana seria proclamada, 1861, com capital em Turim e depois Florença, 1865, antes mesmo da incorporação de Roma e do Vêneto…

“Encontro de Garibaldi e Vitor Emanuelle II, em Teano”, Pintura de Sebastiano de Albertis

Para legitimação da independência e recente monarquia, realizavam-se plebiscitos nas regiões ocupadas. A adesão popular era massiva, gradualmente, consolidando a unificação. E as façanhas de Garibaldi continuariam até a libertação do Vêneto, com apoio da Prússia, 1868, e tomada de Roma, 1870

  • As mulheres no Risorgimento – Cristina Trivulzio di Belgiojoso, Margaret Fuller e Anita Garibaldi

Para Alfred de Musset: “Cristina tinha os olhos terríveis de uma esfinge. Tão grandes, que me perdia dentro deles e não conseguia encontrar a saída”…

Cristina Trivulzio di Belgiojoso, líder e apoiadora do “Risorgimento”

Personagem de especial importância foi Cristina Trivulzio di Belgiojoso, lembrada como mulher de “cinco vidas” pelas diversas fases que empreendeu, fruto de exílios e perseguições… Após a queda de Napoleão, 1815, a Áustria passou a exercer rígido controle dos estados italianos, levando Cristina aderir aos movimentos de libertação, 1820…

Para Cristina: “Das liberdades políticas e civis, os italianos só tinham a esperança… E quando os governantes austríacos e Bourbon revelaram-se tiranos incuráveis ​​- que são, foram e sempre serão, os italianos sentiram o peso insuportável das correntes, amaldiçoando-as e preparando-se para os mais nobres sacrifícios”…

Marcante foi sua experiência em Roma, 1829, quando frequentou o salão de Hortênsia de Beauharnais e integrou-se aos republicanos “carbonários”. A casa de Hortência sediava a “carbonara romana”, onde Cristina conheceu o futuro imperador Napoleão III, depositando-lhe confiança e esperanças…

Franz Liszt, compositor e pianista, correspondente de Cristina Trivulzio – autor de inúmeras paráfrases sobre óperas de Verdi, Bellini e outros

Em Paris, conheceu a intelectualidade: escritores como Heine, Musset e Balzac; e músicos como Bellini e Liszt, que encantaram-se com a princesa italiana. Seus saraus eram tão prestigiados, quanto os de Marie d’Agoult, esposa de Liszt… Em Paris, apaixonou-se pelo historiador François Mignet, pai de sua filha Marie

Pertencente à rica família da Lombardia, Cristina financiou tropas, organizou hospitais e apoiou Mazzini em diversos motins. Nos dez anos em Paris, escreveu artigos e editou jornais políticos. Eram notórias suas discussões e divergências com Mazzini, sobretudo, quanto à ineficácia dos motins e rebeliões isoladas…

Na França, frequentou os saint-simonianos” e interessou-se pelo liberalismo católico... Em particular, pelo pensamento do abade Pierre-Louis Coeur, defensor de uma Igreja afinada com o progresso social. Por fim, Coeur frustrou-se, ao admitir tais expectativas muito distantes da realidade daqueles tempos…

“Chapéu com pena” de Ernani, símbolo de identidade e amor à pátria, usado pelo personagem na ópera de Verdi

Símbolo de identidade e subversão foi o “chapéu com pena”, do sec. XVI, que representava a prosperidade e as novas ideias, usado por “Ernani”, na 5ª ópera de Verdi. O adereço caracterizava o espanhol rebelde, que lutava contra injustiças. E a moda popularizou-se, evocando a luta contra a tirania e o amor pela pátria… Por fim, seria proibido por Lanzenfeld, chefe da polícia austríaca. Mas, a população o adotou nos “Cinco dias de Milão”, seguindo Cristina di Belgiojoso – ardorosa musa do Risorgimento…

Cristina Belgiojoso usando o “chapéu com pena”, do personagem de Verdi, representando a independência e amor à pátria

De volta à Lombardia, 1840, Cristina deparou-se com as condições miseráveis dos agricultores. Então, dedicou-se ao serviço social, criando escolas, asilos e creches, além de associações de trabalhadores, antecipando o sindicalismo. Neste período, manteve correspondência com Musset, Liszt e outros, cultivando antigas amizades…

Por duas vezes, reuniu-se com Luiz Napoleão: no exílio deste, no Reino-Unido, 1839, onde reiterou a necessidade de apoio internacional à causa italiana; e depois, na Fortaleza de Ham, França, 1845, onde o líder estava preso, após três tentativas de derrubar o rei Luis Felipe. O futuro Napoleão III, no entanto, era ambíguo. A depender da política europeia, não se posicionava com clareza à causa italiana…

Cristina, então, empenhou-se no fortalecimento da Casa de Saboia e do rei Carlos Alberto, que sozinho enfrentaria a Áustria, na 1ª guerra de independência. E, embora republicana, reconhecia a unificação mais urgente. Assim, admitia uma monarquia sob liderança da Sardenha-Piemonte…

Em Nápoles, 1848, financiou voluntários que decidiram lutar no norte da Itália, apoiando o Levante de Milão – cerca de 10.000 pessoas aglomeraram-se no porto para desejar sorte aos 200 combatentes… Em poucos meses, no entanto, os austríacos retomaram Milão e Cristina seria obrigada a fugir. Neste ínterim, buscou novo apoio da França, sem sucesso…

E viajou à Roma, 1849, para a linha de frente em defesa da república, que duraria 4 meses. Em Roma, organizou hospitais e apelou às mulheres, que aderiram solidarias à unificação… Com a derrota e abolição da república, sentiu-se traída por Luiz Napoleão, exilando-se novamente – um novo capítulo em sua vida…

Fuga de Cristina Belgioioso para Malta, com exílio em “Ciaq Maq Oglù”, Turquia – anistiada após cinco anos

Cristina fugiu para Malta e dirigiu-se à Turquia, instalando-se em “Ciaq Maq Oglù”, perto de Ancara. Então, organizou uma fazenda e escrevia artigos e contos, enviados à Europa sobre as aventuras no oriente. Assim, manteve-se por cinco anos. Em 1855, foi anistiada e retornou à Lombardia

Por fim, após 40 anos de lutas e a monarquia instaurada, Cristina deixou a política… Para tanto, mudou-se para Blevio, às margens do lago de Como, e levou dois assistentes: Budoz, um turco que a acompanhava, há dez anos; e Miss. Parker, governanta inglesa… Cristina di Belgiojoso morreu aos 63 anos, 1871, com o Vêneto incorporado e Roma tornada a capital…

Entusiasta do Resurgimento, Margaret Fuller foi primeira correspondente de guerra da unificação, no intuito de informar e conquistar simpatia do público pela causa italiana. De jornalista à gestora de hospital, a escritora americana atuou no “New York Tribune” e no periódico “The Duel”, com Ralph Waldo Emerson. Conheceu o revolucionário Mazzini e esteve em Roma, 1849, durante o cerco das tropas estrangeiras

Margaret Fuller, escritora americana com intensa participação no Risorgimento

Em Roma, a pedido de Cristina di Belgiojoso, dirigiu o hospital “Fate Bene Fratelli”. E um cônsul americano testemunhou: “O tempo estava quente e sua saúde, fraca. E os mortos e moribundos ao seu redor, em todas as formas de dor e horror… Seu coração e alma, no entanto, nunca desistiam. Margaret atendia todos aqueles que lutaram, fazendo o possível para confortá-los em seus sofrimentos”…

E, ao lado de Garibaldi, a guerreira Anita combateu na “1ª guerra de independência”, depois de participar da “Revolução Farroupilha”, sul do Brasil. A companheira brasileira esteve na instauração da república romana, 1849, quando adoeceu grávida, morrendo em Mandrioli, perto de Ravena, aos 28 anos…

Anita Garibaldi, brasileira, combatente e companheira de Giuseppe Garibaldi – Homenageada em 2021, pelos 200 anos de nascimento (30/08/1821)

Sepultada em vala simples, dez anos se passariam até Garibaldi retornar ao local para traslado do corpo à Nice, na França. No sec. XX, o governo italiano trouxe os restos mortais para Roma, erguendo monumento no “Gianicolo”… Assim, transcorreu o destino da jovem de 18 anos, que Garibaldi conheceu em Laguna, Santa Catarina…

Monumento à brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro (Anita Garibaldi) – Gianicolo, Roma

Por fim, curiosa é a trajetória de Hortênsia de Beauharnais, complexa personalidade e mãe de Napoleão III. A nobre francesa não foi ativista no Risorgimento, mas sua vida itinerante pela Europa, fruto da política francesa e crises no casamento com Luis Bonaparte, rei da Holanda, a levaram à Itália

Na Itália, sua casa sediou a “carbonara romana” e seus filhos lutaram ao lado dos republicanos contra o domínio austríaco. Com a queda de Napoleão, 1815, os Bonaparte tornaram-se “personae non gratae” na Europa. E Hortência, filha de Josefina e enteada de Napoleão, cultivou a tradição familiar, sempre lembrando os filhos do restabelecimento do Império… Atenta ao seu tempo, acompanhava os acontecimentos e novos cenários na política europeia…

Hortênsia de Beauharnais, rainha da Holanda, mãe de Napoleão III

Assim, o jovem e futuro Napoleão III lutou na Itália e, mais tarde, interviria na unificação. De início, considerado traidor por Cristina de Belgiojoso, posteriormente, seria decisivo na libertação da Lombardia... Talentosa e perspicaz, Hortência protegeu e preparou os filhos para a política e para o poder. Por fim, Napoleão III e Barão Haussmann, urbanista e prefeito de Paris, idealizariam a bela cidade, tal como é conhecida hoje…

– Na Itália, a adesão das mulheres ao Resurgimento foi imensa. Mulheres como Anna Zanardi, Giuditta Arquati, Sara Nathan, Giorgina Saffi e tantas heroínas anônimas… E aos insultos de Pio IX, Cristina di Belgiojoso respondeu: “Não vou discutir se entre as centenas de mulheres que cuidaram de feridos, houvesse as de costumes condenáveis… O que sei é que nunca se retiraram! Nem das cenas e funções mais repugnantes, nem do perigo maior, quando os hospitais eram alvos das bombas francesas”…

  • 14ª Ópera – “La Battaglia di Legnano”, 1849

Cenário, 1176: As forças de Federico Barbarossa e da Liga Lombarda marchavam entre Borsano e Legnano. E, mesmo informadas da proximidade, encontraram-se repentinamente, desencadeando o combate sem tempo para qualquer estratégia…

“La Battaglia di Legnano” – pintura de Amos Cassioli, 1860

Sob um cenário político conflagrado, ocorreu a estreia de “La Battaglia di Legnano”. Concebida com marchas militares e grandes coros, a ópera evoca a batalha travada na Idade Média e destinava-se a enaltecer os levantes e ideais do Risorgimento, através da histórica vitória da “Liga Lombarda” sobre o poderoso “Sacro Império Romano-Germânico”

A vitória resultou na “Paz de Constança”, 1183, quando o norte da Itália conquistou maior autonomia – entre concessões administrativas, políticas e jurídicas… “Canto degli Italiani”, de Mameli e Novaro, hino do Risorgimento, 1847, e atual hino nacional, faz referência à memorável vitória: “dos Alpes à Sicília, por toda parte é Legnano”…

Aos 35 anos e domínio do gênero, Verdi escreveu uma ópera curta – 1hora e 50min – para elevar o patriotismo e resgatar o caráter determinado do povo italiano, capaz de insurgir-se contra a dominação externa… Sem maior rigor histórico, o libreto trata de antecedentes diplomáticos e da batalha, intercalados por um drama amoroso entre os personagens Lida e os amigos Arrigo e Rolando…

Salvatori Cammarano, libretista de “La Battaglia di Legnano”, “Alzira” e “Luisa Miller”

Verdi buscou efeito grandiloquente e teatral. E o libretista Salvatori Cammarano sugeriu adaptação da peça “La Bataille de Toulouse”, de Joseph Mér, substituindo personagens, locais e eventos… Nos anos seguintes, alvo da censura, a ópera foi apresentada com diferentes títulos, cenários e personagens, como “L’assedio de Haarlem”, com o imperador Barbarossa passando a duque espanhol e os patriotas italianos, a holandeses. Após a unificação, seria liberada no original, 1861…

Em Roma, no Teatro Argentina, 27/01/1849, “La Battaglia di Legnano” obteve grandiosa aclamação, embora poucas récitas. O 4º ato foi bisado na estreia e demais récitas e, apesar do entusiasmo popular com os acontecimentos, Roma permaneceria palco de guerra, onde as tropas de Mazzini e Garibaldi seriam forçadas à retirada e a república abolida…

“Teatro Argentina”, Roma – estreia de “La Battaglia di Legnano”, janeiro/1849

“La Battaglia di Legnano” seria a última ópera a enfatizar a temática histórica associada à liberdade. E, apesar do momento intensamente nacionalista, há algum tempo, Verdi interessava-se por temas de maior lirismo e subjetividade, como “Luisa Miller” e “Stiffelio”. E as óperas deste período – chamado “os anos nas galés” – seguiriam encenadas com sucesso, cumprindo os papéis político e patriótico almejados. Através delas, Verdi permaneceria engajado no Risorgimento

2. Sinopse de “La Battaglia di Legano”

 Personagens: Lida, mulher de Rolando (soprano) – Arrigo, soldado de Verona (tenor) – Rolando, duque de Milão (barítono) – Federico Barbarossa (baixo) – Primo console (baixo) – Secondo console (baixo) – Marcovaldo, prisioneiro alemão (barítono) – Il Podesta di Como (baixo) – Imelda, auxiliar de Lida (mezzo soprano) – Um araldo (tenor) – Um scudiero di Arrigo (tenor)

Coros: Cavaleiros da Morte, Magistrados e líderes de Como, povo e senadores milaneses, Guerreiros de Verona, Brescia, Novara, Piacenza e Milão, e forças do “Sacro Império Romano-Germânico”

Cena de “La Battaglia di Legnano”, Giuseppe Verdi

A ópera inicia com uma “Sinfonia” (abertura orquestral)

Ato 1 – Ele está vivo! (Arrigo)

Cena 1: Nos arredores de Milão

A cena abre com um “Allegro Marzialle”, orquestral. Nos arredores da cidade, 1176, populares reúnem-se para saudar a “Liga Lombarda” – cidades do norte da Itália que enfrentarão as forças de Barbarossa, monarca do Sacro Império Romano-Germânico, na cena com coro “Viva Itália! Sacro un patto! Tutti stringi i figli suoi!” (“Viva Itália! Um pacto sagrado! Todos abraçam seus filhos!”). E Arrigo, um jovem soldado dado por morto, reaparece para integrar as tropas e também reencontrar Lida, sua antiga namorada. Ferido em batalha, Arrigo agradece os cuidados maternos, na cavatinaLa pia materna mano” (“A mão gentil de uma mãe”)…

Gaetano Fraschini – tenor heroico, “Arrigo” na estreia de “La Battaglia di Legnano”. Atuou em óperas de Verdi e Donizetti

Surpreso com a presença de Arrigo, surge Rolando, comandante da tropa milanesa, que cumprimenta com entusiasmo o velho amigo, na romanza “Ah, m’abbraccia d’esultanza” (“Ah! Venha aos meus braços”). Então, dá-se inicio ao grande “giuramento”, com solistas e coro em concertato, onde as tropas e cônsules comprometem-se a defender Milão da tirania, finalizando a cena com o “Allegro marzialle” inicial

Cena 2: Próximo às muralhas da cidade de Milão

Coro feminino saúda a chegada das forças a Milão, em “Plaude all’arrivo Milan dei forti, cui si commetono le nostri sorti” (“Aplaudam a chegada das forças, das quais depende nosso destino”). Com o desaparecimento de Arrigo, sua namorada, Lida, casou-se, não menos, com o amigo Rolando. Lida não compartilha da euforia nas ruas. Encontra-se deprimida, pois perdera pais e irmãos, além do antigo amor em guerras, o que lamenta em “Voi lo diceste, amiche, amo la pátria! Immensamente, io l’amo. Ma dove spande un riso la gioia, per me loco ivi non é” (“Vocês dizem, amigos, amo a pátria! E, imensamente, eu amo. Mas, onde expressam riso e alegria, a mim não cabe”), e na cavatina Quante volte come undono al signor la morte no chiesta” (“Quantas vezes a morte não é um presente do Senhor…”)

Teresa Di Giuli Borsi, soprano, “Lida” na estreia de “La Battaglia di Legnano”

Surge Imelda, auxiliar de Lida, e informa que Arrigo está vivo e que ambos, Rolando e Arrigo, encontraram-se. Surpresa, Lida expressa angústia e ansiedade na cabaleta “A frenarti il cor nel petto”… E, de fato, ao retornar para casa, Rolando traz o amigo desaparecido. Ao deparar-se com Arrigo, ambos descontrolam-se e confrontam-se. Em duetto, Arrigo, decepcionado, questiona Lida em “É ver? sei d’altri?” (“É verdade? Você é de outro?”), “Va… tu mi desti oror!” (“Vai… tu me causas horror!”); Lida responde ter sido encorajada pelo pai a casar-se, pois Arrigo fora dado por morto. Mas, indignada com os insultos, reage em “T’amai qual Ângelo, or qual demon t’abborro!” (“Te amei com um anjo, mas como demônio te abomino!”)…

 Ato 2 – “Barbarossa!”, na cidade de Como

No coro masculino “Udiste? La grande, la forte Milano”, líderes da cidade de Como aguardam Rolando e Arrigo, como embaixadores da Liga Lombarda. Como fora tomada pelos germânicos, mas as forças de Barbarossa encontraram resistência em Pádua. Assim, Rolando e Arrigo, no duetto “Ah! Ben vi scorgo nel sembiante l’alto”, alegam ser momento de mobilizar os cidadãos de Como na defesa da causa italiana…

Federico Barbarossa, monarca do “Sacro Império Romano-Germânico”

Mas são surpreendidos com a chegada do imperador Barbarossa. Com suas tropas cercando Como e ameaçando Milão, exige que Rolando e Arrigo retornem e negociem uma rendição pacífica… Em grande e magnífico concertato, a cena inicia com terceto entre Barbarossa, Rolando e Arrigo, “A che smarriti e pallidi vi scorgo al mio cospetto” (“Desnorteados e pálidos, vejo em minha presença”) e o coro responde em “Su te Milan gia tuona” (“Em voce Milão já troveja”) e no “Grande e libera Itália sarà!” (Grande e livre será a Itália!”). Ao que Federico Barbarossa retoma em “Il destino d’italia son Io”. A grande cena conclui na stretta “Guerra adunque terribile! a morte!”

 Ato 3 – “Infâmia!”

 Cena 1: Na Basílica de Sant’Ambrogio, em Milão, Arrigo integra-se aos “Cavaleiros da Morte”, guerreiros comprometidos em lutar até a morte pela causa italiana. A cena abre em marcha fúnebre orquestral e o coro de cavaleiros entoa “Fra queste dense tenebre” (“Entre essas trevas densas”). Arrigo presta juramento no solo “Campioni de la morte”… E todos respondem, na grande cena com solista e coro, Giuriam d’Italia por fine ai danni” (“Juramos por fim aos danos à Itália”)

Arcos da basílica de “Santo Ambrósio”, construída entre os anos de 376/386, Milão, Itália

Cena 2: No castelo de Rolando, Lida é informada da adesão de Arrigo aos “Cavaleiros da Morte” e, apreensiva, tenta contatá-lo, enviando-lhe um bilhete, na cavatina “Questo foglio stornar potria contanta sciagura” (“Este bilhete irá reverter o infortúnio”), através de Imelda, sua auxiliar. Ao sair, Imelda depara-se com Rolando, que chegava para despedir-se de Lida e do filho.  Então, esconde o bilhete e sai furtivamente…

Ao despedir-se, Rolando pede á Lida, no caso de morte em batalha, educar o filho nos princípios do amor pela pátria, no duetto “Digli ch’è sangue italico”. Convocado por Rolando, entra Arrigo. Rolando desconhece a adesão do amigo aos “Cavaleiros da Morte” e, supondo que Arrigo fora designado para a guarda de Milão, pede que cuide da esposa e do filho, no caso de sua morte, na cavatina “Se al nuovo di pugnando al giorno, io chiudo il ciglio” (“Se lutando, um dia eu fechar os olhos”)…

Arrigo deixa a cena e surge Marcovaldo, um prisioneiro germânico, que possui certa liberdade. Apaixonado por Lida, Marcovaldo interceptara o bilhete de Imelda e, por ressentimento e vendetta, expõe Rolando à desonra, no solo “Rolando? M’ascolta”. Rolando explode em fúria, na cabaleta “Mi sccopia il cor! Ahi scellerate! Alme d’inferne! sposa ed amico tradir, tradir cosi!”, e sai à procura de Arrigo…

 Cena 3: Na torre do castelo, isolada num quarto e sem resposta ao bilhete, Lida decide encontrar Arrigo, que escrevia carta de despedida para sua mãe. No duetto “Regna la notte ancor”, ambos declaram amor um pelo outro e Arrigo, indagado, diz não ter recebido o bilhete. Lida procura dissuadi-lo da missão suicida, e Arrigo revela tristeza por vê-la casada. Finalmente, Lida declara que devam esquecer o antigo afeto, para preservar sua família. E Rolando, indignado, chega à procura de Arrigo. Assustada, Lida esconde-se…

Felippo Collini – barítono / “Rolando” na estreia de “La Battaglia di Legnano”

Rolando entra enfurecido e confronta Arrigo. Agora, ciente do juramento aos “Cavaleiros da Morte”, encoraja Arrigo a partir. Mas, ao mover-se no recinto, encontra Lida e extravasa em “Ah! d’un consorte, o perfidi”. No intenso e dramático tercetto “Vendetta d’un moment”, Arrigo confessa seu amor por Lida e, frustrado, diz preferir morrer em batalha, enquanto Lida declara-se culpada pelo bilhete…

Trombetas anunciam início da batalha, em “Le trombe i prodi appelanno!”. Como punição, Rolando aprisiona Arrigo na torre. impossibilitando-lhe de cumprir o juramento prestado aos “Cavaleiros da Morte” – um destino pior que a morte! Em desespero e defesa da honra, Arrigo salta da torre para o fosso do castelo, gritando “Viva a Itália!”… Rolando se retira para a batalha e Lida cai em lamentos…

  • Ato 4 – “Para morrer pela Pátria!”

Numa praça em Milão, ouvem-se, do interior do templo, preces pela vitória, no coro “Deus meus, pose illos ut rotam”. Lida associa-se ao coro na grande cena “Ah! se d’Arrigo e di Rolando, a te la vitta io raccomando” (“Ah! Arrigo e Rolando, desejo-lhes a vida”). Então, ouvem-se gritos, “Vitoria! Vitória!”. E um cônsul anuncia “Popol, gioisci! Vincemmo!” (Povo, alegrai-vos! Vencemos!”)…

Todos respondem “Dio clementi!” e cantam o hino da vitória “Dall’Alpi a Cariddi echeggi vitoria” (“dos Alpes à Cariddi ecoa a vitória”). Mas, ao lúgubre toque da trompa, Lida, angustiada, canta “Qual mesto suon” (“Que som triste”). E o coro anuncia um cavaleiro moribundo, enquanto outros afirmam que Barbarossa fora atingido em batalha por Arrigo…

“La Battaglia di Legnano”, por Massimo d’Azeglio,1831

Em cortejo, “Cavaleiros da Morte” entram carregando Arrigo, mortalmente ferido. Arrigo se dirige à Rolando em “Questa man, Rolando, pri che l’agghiacci, della morte il gelo, stringer” (“Esta mão, Rolando, você não quer apertar, antes do gelo da morte…”) e reafirma a dignidade de Lida em “Per la salvata Italia” e “Il cor di Lida è puro”. Ao reconciliar-se com Lida emPieta mi scende all’anima”, ao que ela responde em “Il doce afetto antico”, Rolando perdoa Arrigo…

Arrigo inicia o grandioso concertato final “Chi muore pela pátria”. Lida, Rolando e Imelda cantam “Apri, signor, l’empiro al tuo guerrier” (Abre senhor, teu império ao guerreiro”), sobre o coro, que entoa “Te Deum, te deum laudamus”… E Arrigo, em seu último alento, proclama “É salva Itália!”

–  Cai o pano  –

“La Battaglia di Legnano” representa o ápice do nacionalismo verdiano. Escrita num momento de grande ousadia, em que os italianos lançavam a primeira ofensiva pela independência. Para Verdi e outros, alcançar a vitória era primordial e “La Battaglia di Legnano” encerra sua fase de grande apelo patriótico…

Em dez anos, novo e exitoso esforço seria realizado pela unificação. Neste interregno, apesar de imbuído a escrever mais uma ópera patriótica, a partir de Luisa Miller e Stiffelio, Verdi ampliaria sua linguagem, migrando para o profundo lirismo de “Rigoletto”, “La traviata” e “Il trovatore”. E, novamente, surpreenderia o mundo musical, projetando a ópera italiana a novos patamares – obras que marcariam definitivamente o teatro lírico do século XIX…

Giuseppe Verdi: “O camponês de Roncole”

Após a estreia, “La Battaglia di Legnano” foi encenada no Teatro Carlo Felice, Gênova, 1850; Teatro Regio di Parma, 1860; Teatro San Carlo, Nápoles, 1861; e no Teatro alla Scala, Milão, 1916, retornando às temporadas e registros em áudio a partir de 1940…

Verdi não foi reformista, mas um progressista que elevou o gênero. Assim, suas óperas observam a forma tradicional de números – solos, ensembles, coros e concertatos, além dos ballets e trechos orquestrais. “La Battaglia di Legnano” é uma grande cantata cênica, onde sobressaem-se os coros e concertatos, embora com momentos solistas excepcionais. E, de forma sucinta – apenas 1hora e 50min. de música – aliam-se pompa e dramaticidade…

3. Vídeos e gravações de “La Battaglia di Legnano”

  • Vídeos e gravações 
  • Gravação em áudio, 1951 – licenciado para “Naxos”

“RAI Opera Orchestra”, direção de Fernando Previtali
Solistas: Caterina Mancini (Lida) – Amedeo Berdini (Arrigo) – Rolando Panerai (Rolando) – Mario Frosinin (Federico Barbarossa)
“RAI Chorus”, Milão, Itália

  • Gravação em áudio, 1959 – licenciado para “Naxos”

“Orquesta Maggio Musicale Fiorentino”, direção de Vittorio Gui
Solistas: Leyla Gencer (Lida) – Gastone Limarilli (Arrigo) – Giuseppe Taddei (Rolando) – Paolo Washington (Barbarossa) – Olga Carossi (Imelda)
“Maggio Musicale Fiorentino Chorus”, Floreça, Itália

  • Gravação em áudio, 1961 – licenciado para “Myto records”

Orchestra of the Teatro alla Scala”, direção de Gianandrea Gavazzeni. 
Solistas: Antonietta Stella (Lida) – Franco Corelli (Arrigo) – Ettore Bastianini (Rolando) – Marco Stefanoni (Barbarossa) – Aurora Catellani (Imelda)
“Chorus of the Teatro alla Scala”, direção de Norberto Mola
Milão, Itália

  • Gravação em áudio, 1963

“Orquesta Teatro Giuseppe Verdi di Trieste”, direção de Francesco Molinari-Pradelli
Solistas: Leyla Gencer (Lida) – João Gibi (Arrigo) – Ugo Savarese (Rolando) – Marco Stefanoni (Barbarossa) – Bruna Ronchini (Imelda)
“Chorus Teatro Giuseppe Verdi”, Trieste, Itália

 Gravação em áudio da Phillips, 1977

“ORF Radio Symphony Orchestra de Vienna”, direção de Lamberto Gardelli
Solistas: Katia Ricciarelli (Lida) – José Carreras (Arrigo) – Matteo Manuguerra (Rolando) – Nicola Ghiuselev (Barbarossa) – Ann Murray (Imelda)
“ORF Radio Chorus”, Viena, Áustria

  • Video, 2001

“Orquestra do Teatro Massimo Bellini”, direção de Walter Pagliaro
Solistas: Elisabete Matos (Lida) – Cesar Hernandez (Arrigo) – Giorgio Cebrian (Rolando) – Manrico Signorini (Federico Barbarossa) – Pina Sofia (Imelda)
“Chorus do Teatro Massimo Bellini”, direção de Tiziana Carlini, em Catania, Itália

 Video – 2012

“Orquesta Teatro Giuseppe Verdi di Trieste”, direção de Boris Brott
Solistas: Dimitra Theodossiou (Lida) – Andrew Richards (Arrigo) – Leonardo López Linares (Rolando) – Enrico Giuseppe Lori (Barbarossa) – Sharon Pierfederici (Imelda)
“Chorus Teatro Giuseppe Verdi”, Trieste, Itália

 Download no PQP Bach

Para download da música de Verdi em “La Battaglia di Legnano”, sugerimos gravação em áudio da Phillips, 1977, da “ORF Radio Symphony Orchestra de Vienna”, direção de Lamberto Gardelli e grandes solistas:

 Vozes solistas e direção

Catiuscia Maria Stella Ricciarelli – Katia Ricciarelli, soprano | “Lida” em “La Battaglia di Legnano”

“La Battaglia di Legnano” requer grande elenco. E o personagem “Lida”, uma voz magistral. Assim, pode-se apreciar a belíssima voz de Katia Ricciarelli, grande soprano italiano, em diversos e expressivos momentos, como “Quante volte come um dono”, no magnífico duetto “Digli ch’e sangue”, ou no concertato final “Chi muore pela pátria”…

Ann Murray, mezzo-soprano irlandesa | “Imelda” em “La Battaglia di Legnano”

No discreto personagem “Imelda”, o excelente e versátil mezzo soprano irlandês, Ann Murray, formada pelo “College of Music”, Dublin, atuando nos ensembles e grandioso “Chi muore pela pátria”…

Jose Carreras – tenor catalão | “Arrigo” em “La Battaglia di Legnano”

“La Battaglia di Legnano” privilegia, sobretudo, os papéis masculinos. Assim, aprecia-se o notável “Arrigo” do tenor catalão Jose Carreras, na plenitude vocal, em “La pia materna mano” ou no tercetto “Vendetta d’un moment”…

Nicola Ghiuselev – barítono | “Federico Barbarossa” em “La Battaglia di Legnano””

No personagem de ”Federico Barbarossa”, o excelente barítono búlgaro Nicola Ghiuselev, especialista em ópera russa e italiana. Ao longo de sua carreira, interpretou diversos papeis de Verdi, Mussorgski e outros. Muito expressivo no tercetto “A che smarriti e pallidi vi scorgo al mio cospetto”…

Matteo Manuguerra – barítono / “Rolando” em “La Battaglia di Legnano”

E no papel de “Rolando”, um grande barítono verdiano, o francês, nascido na Tunísia e filho de italianos, Matteo Manuguerra. Formado pelo Conservatório de Buenos Aires, iniciou os estudos musicais aos 35 anos, brilhando em “Se al nuovo di pugnando al giorno, io chiudo il ciglio” ou na cabaleta “Mi sccopia il cor! Ahi scellerate!…

Além do notável trabalho de Lamberto Gardelli, regendo a “ORF Radio Symphony Chorus and Orchestra”, de Viena, produzindo e resgatando grandes obras musicais

Lamberto Gardelli – regente

Por fim, cumprimentamos e aplaudimos a orquestra, os grandes coros e concertatos desta magnífica gravação. Ressaltamos que “La Battaglia di Legnano” está repleta de grande música, que vale ouvir e conhecer!

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

  • Em áudio, sugerimos também:
  1. Produção de 1959 do “Orquesta Maggio Musicale Fiorentino”, direção de Vittorio Gui, com excelentes interpretações de Leyla Gencer (Lida) – Gastone Limarilli (Arrigo) – Giuseppe Taddei (Rolando) – Paolo Washington (Barbarossa)

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Jose Carreras, 75 anos, cumprimenta equipe e leitores do PQP Bach!…

“Temos a arte para não morrer da verdade” (Friedrich Nietzsche)

Alex DeLarge

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concertos para Piano – Zimerman, Rattle, LSO

Kristian Zimerman me foi apresentado exatamente por seu belíssimo Beethoven gravado com o imenso Leonard Bernstein, já no final da vida do maestro, lá no final dos anos 80. Infelizmente, Lenny veio a falecer antes da conclusão do ciclo, gravado ao vivo em Viena, e Zimerman assumiu a direção da orquestra nos dois primeiros concertos.

Essa antiga gravação, trinta e poucos anos se passaram, foi a minha favorita durante alguns anos, baixei os vídeos inclusive, dirigidos por Humphrey Burton, e estes vídeos estão disponíveis no Youtube, para quem quiser procurar. O que me chamou a atenção na época, e ainda me chama a atenção até hoje, pois de vez em quando ainda volto a elas, enfim, é a tremenda musicalidade que praticamente exala de Zimerman, então um jovem e promissor pianista, recém ganhador do prestigioso Concurso Chopin, de Varsóvia (detalhe: venceu o Concurso com meros 19 anos de idade). Mesmo sem a presença de Bernstein, ele se destacava pelo domínio e destreza em dirigir a famosa orquestra e ainda tocar piano. Tudo bem que se tratava da Filarmônica de Viena, que nem precisa de maestro para executar estas obras, mas mesmo assim me agradou bastante, e também à crítica da época.

Mas trinta e poucos anos se passaram, e Zimerman resolveu voltar a este repertório. Hoje é um sóbrio e discreto senhor de barbas brancas, que dá aulas na destacada universidade suíça da Basiléia (ou Basel, como preferem alguns), mas não tem uma discografia muito grande. Cada disco seu é comemorado e celebrado, pois a maturidade se impõe e o talento, a técnica apurada e o virtuosismo continuam intactos, e convenhamos, não precisa provar mais nada para ninguém.

Para a empreitada chamou o renomado maestro inglês Sir Simon Rattle, em seus últimos dias de Sinfônica de Londres, depois de vários anos à frente da Filarmônica de Berlim (currículo para poucos, certeza). Como os dois tem quase a mesma idade – Rattle é de 1955 e Zimerman de 1956 – creio que a química deu certo.  Os senhores poderão conferir se deu certo ou não.

Não vou mais perder tempo com detalhes. Vamos portanto, ao que viemos: a mais recente integral dos Concertos para Piano de Beethoven, gravados por um dos maiores selos de música clássica de todos os tempos, nas mãos experientes de Kristian Zimerman e de Simon Rattle.

Vou trazer esta integral de uma só vez, para nelhor poderem apreciá-la.

01 Piano Concerto No. 1 in C Major Op. 15 I. Allegro con brio
02 Piano Concerto No. 1 in C Major Op. 15 II. Largo
03 Piano Concerto No. 1 in C Major Op. 15 III. Rondo. Allegro
04 Piano Concerto No. 2 in B Flat Major Op. 19 I. Allegro con brio
05 Piano Concerto No. 2 in B Flat Major Op. 19 II. Adagio
06 Piano Concerto No. 2 in B Flat Major Op. 19 III. Rondo. Molto allegro
07 Piano Concerto No. 3 in C Minor Op. 37 I. Allegro con brio
08 Piano Concerto No. 3 in C Minor Op. 37 II. Largo
09 Piano Concerto No. 3 in C Minor Op. 37 III. Rondo. Allegro
10 Piano Concerto No. 4 in G Major Op. 58 I. Allegro moderato
11 Piano Concerto No. 4 in G Major Op. 58 II. Andante con moto
12 Piano Concerto No. 4 in G Major Op. 58 III. Rondo. Vivace
13 Piano Concerto No. 5 in E Flat Major Op. 73 Emperor I. Allegro
14 Piano Concerto No. 5 in E Flat Major Op. 73 Emperor II. Adagio un poco mosso
15 Piano Concerto No. 5 in E Flat Major Op. 73 Emperor III. Rondo. Allegro

Kristian Zimerman – Piano
London Simphony Orchestra
Sir Simon Rattle – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Béla Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1 e 2 para Violino / Concerto para Viola (Kovács / Kórodi / Lukács / Németh) #BRTK140 Vol. 17 de 29

Aqui, toda a coleção.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ah, o amor. O Concerto Nº 1 para Violino e Orq. foi escrito nos anos de 1907 a 1908, mas só foi publicado em 1956, 11 anos após a morte do compositor, como “Concerto para Violino Nº 1, Op. Posth.” Foi estreado em 30 de maio de 1958. A razão disso? Ora, concerto foi dedicado à violinista Stefi Geyer, por quem Bartók estava apaixonado. Geyer não correspondeu aos sentimentos de Bartók e rejeitou tudo — o homem e o concerto –, atitude que chocou BB. (Geyer tornou-se depois uma importante violinista). Mas o concerto foi revivido depois que Bartók e Geyer morreram. A cópia do manuscrito de Geyer foi legada a Paul Sacher para ser interpretada por ele. O concerto foi logo gravado por David Oistrakh e Gennady Rozhdestvensky. Agora, volto àquilo de sempre. Eu jamais gostei deste concerto, mas… Ouvindo os húngaros… O concerto é sensacional!

O Concerto para Violino Nº 2, escrito entre 1937 e 1938, foi dedicado ao violinista virtuoso húngaro Zoltán Székely, que pediu a composição em 1936. Bartók compôs o concerto em uma difícil situação pessoal. Afinal, ele não era um fascista e estava enormemente preocupado pela força crescente do nazismo de Hitler. Ele tinha firmes posições políticas e antifascista, e por isso tornou-se o alvo de vários ataques na Hungria pré-guerra. Entretanto, a composição é tão, mas tão bonita que sei lá.

O Concerto para Viola e Orquestra foi uma das últimas peças escritas por Béla Bartók. Ele começou a compô-la enquanto vivia em Saranac Lake, Nova York, em julho de 1945. A peça foi encomendada por William Primrose, um respeitado violista que sabia que Bartók poderia fornecer uma peça desafiadora. Disse que Bartók não deveria “se sentir de forma alguma preso pelas aparentes limitações técnicas do instrumento”. Bartók, no entanto, estava no estágio terminal de leucemia que o matou e deixou apenas esboços no momento de sua morte. Primrose pediu a Bartók que escrevesse o concerto no fim de 1944. Há várias cartas trocadas entre eles a respeito da peça. Em um de 8 de setembro de 1945, Bartók afirma que está quase terminando e só tem a orquestração para terminar. Os esboços, entretanto, mostram que ele estava exagerando, não era este realmente o caso. Depois da morte de Bartók, seu Concerto para Viola e Orquestra foi finalizado pelo colega e amigo Tibor Serly. Uma primeira revisão foi feita pelo filho de Bartók e depois por Csaba Erdélyi. O Concerto foi estreado em 2 de dezembro de 1949 pela Orquestra Sinfônica de Minneapolis, com Antal Doráti como regente e William Primrose na viola. Tibor Serly também transcreveu o Concerto para o violoncelo. Pobres violistas! Uma reunião de amigos de Bartók expressou preferência pela adaptação para o violoncelo em relação ao original. A votação acabou com o placar de 8 x 6. Mas uma célula terrorista de violistas — os Genocidas Armados na Defesa do Original, G. A. D. O. — ameaçou de morte os amigos de Bartók alegando que eles não tinham usado o voto IMPRESSO e AUDITÁVEL e a versão para violoncelo acabou sendo roubada e destruída pelos milicianos.

Béla Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1 e 2 para Violino / Concerto para Viola (Kovács / Kórodi / Lukács / Németh) #BRTK140 Vol. 17 de 29

1 Violin Concerto No. 1, Sz. 36, BB 48/a (Op. Posth.): I. Andante sostenuto
violin:
Dénes Kovács
orchestra:
Budapest Philharmonic Orchestra
conductor:
András Kórodi (conductor)
recording of:
Concerto for Violin and Orchestra no. 1, Sz. 36, BB 48a: I. Andante sostenuto
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
Concerto for Violin and Orchestra no. 1, Sz. 36, BB 48a
8:11

2 Violin Concerto No. 1, Sz. 36, BB 48/a (Op. Posth.): II. Allegro giocoso
violin:
Dénes Kovács
orchestra:
Budapest Philharmonic Orchestra
conductor:
András Kórodi (conductor)
recording of:
Concerto for Violin and Orchestra no. 1, Sz. 36, BB 48a: II. Allegro giocoso
composer:
Béla Bartók (composer)
part of:
Concerto for Violin and Orchestra no. 1, Sz. 36, BB 48a
11:37

3 Violin Concerto No. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117: I. Allegro con troppo
violin:
Dénes Kovács
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
Ervin Lukács (conductor)
recording of:
Violin Concerto no. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117: I. Allegro non troppo
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1937 until 1938)
part of:
Violin Concerto no. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117
15:14

4 Violin Concerto No. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117: II. Andante tranquillo
violin:
Dénes Kovács
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
Ervin Lukács (conductor)
recording of:
Violin Concerto no. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117: II. Andante tranquillo
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1937 until 1938)
part of:
Violin Concerto no. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117
8:58

5 Violin Concerto No. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117: III. Allegro molto
violin:
Dénes Kovács
orchestra:
Budapest Symphony Orchestra (a.k.a. Budapest Symphony)
conductor:
Ervin Lukács (conductor)
recording of:
Violin Concerto no. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117: III. Allegro molto
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1937 until 1938)
part of:
Violin Concerto no. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117
11:32

6 Viola Concerto (1949 Tibor Serly completion), Sz. 120, BB 128: I. Moderato (attacca)
viola:
Géza Németh (violist)
orchestra:
Budapest Philharmonic Orchestra
conductor:
András Kórodi (conductor)
recording of:
Concerto for Viola and Orchestra, Sz. 120, BB 128: I. Moderato
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1945-07 to ????)
publisher:
Boosey & Hawkes (publisher; do NOT use as release label)
part of:
Concerto for Viola and Orchestra, Sz. 120, BB 128
11:32

7 Viola Concerto (1949 Tibor Serly completion), Sz. 120, BB 128: II. Adagio religioso – allegretto (attacca)
viola:
Géza Németh (violist)
orchestra:
Budapest Philharmonic Orchestra
conductor:
András Kórodi (conductor)
recording of:
Concerto for Viola and Orchestra, Sz. 120, BB 128: II. Adagio religioso
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1945-07 to ????)
publisher:
Boosey & Hawkes (publisher; do NOT use as release label)
part of:
Concerto for Viola and Orchestra, Sz. 120, BB 128
4:14

8 Viola Concerto (1949 Tibor Serly completion), Sz. 120, BB 128: III. Allegro vivace
viola:
Géza Németh (violist)
orchestra:
Budapest Philharmonic Orchestra
conductor:
András Kórodi (conductor)
recording of:
Concerto for Viola and Orchestra, Sz. 120, BB 128: III. Allegro vivace
composer:
Béla Bartók (composer) (from 1945-07 to ????)
publisher:
Boosey & Hawkes (publisher; do NOT use as release label)
part of:
Concerto for Viola and Orchestra, Sz. 120, BB 128

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Bartók em foto cuja data é desconhecida, mas que é certamente de seu período estadunidense.

PQP

.: interlúdio :. Elina Duni

Atenção: este post pode levá-lo pra dentro da toca do coelho.

Fosse pressionada a apontar minha maior descoberta nesses anos afastada do PQP Bach, hesitaria pouco antes de apontar Elina Duni. Não apenas por seu estilo único de jazz contemporâneo, mas por ter me arrastado a uma jornada inesquecível e pela qual sou imensamente grata.

Elina nasceu na Albânia em 1981, e aos cinco de idade já estreava em cima de um palco. Mudou-se aos 11, levada pela mãe para a Suíça, fugindo da instabilidade pós-queda do regime comunista. Provinda de uma família artística, não encontrou obstáculos à decisão de estudar jazz, canto e composição. Depois de emprestar seus vocais para a banda de rock kosovar Retrovizorja em 2004, estreou propriamente em 2008, com o belíssimo Baresha, e estabeleceu seu quarteto a partir de 2010, com Lume Lume. Foi o suficiente para que fosse absorvida no elenco da prestigiosa ECM, para quem gravou quatro álbuns desde então.

Se deixou geograficamente a Albânia, não se livrou da paixão que tornou-se sua maior influência e estilo: as canções folclóricas dos Bálcãs. Em seus discos, Elina registra as músicas, muitas vezes anônimas e arraigadas na cultura local, e as traduz para a linguagem do jazz, incorporando elementos como o andamento “irregular” e as danças percussivas, e dando-lhes uma inefável sofisticação que jamais soa esnobe ou distante. Poderia ser uma ponte entre os mundos, mas seu talento não se basta: é também a correnteza desse rio imaginário que separa as Europas — a ocidental, rica e desenvolvida, e a oriental, combalida e de sofrências, mas cujos enclaves repletos de história recusam calar-se.

Elina canta em albanês, búlgaro, grego, romeno, francês; e essa é uma lista resumida. Em quarteto, com piano, baixo e bateria, em dupla com guitarra, ou solo com seu violão, vai construindo uma carreira brilhante, mas cujas peculiaridades — rítmicas, linguísticas — a mantêm um pouco abaixo dos radares. Prefiro assim. O underground faz bem à criatividade, e torna as descobertas ainda mais saborosas.

“Kaval Sviri”, a canção do vídeo acima, é um excelente exemplo do que Elina é capaz. Forte o suficiente para iniciar a canção com um scat de três minutos e meio, mas generosa com seus instrumentistas — o solo do pianista Colin Vallon é excepcional. Sua versão dessa canção tradicional búlgara paga tributo e revive com energia a inventividade e a tensão emocional dessas músicas, potencializando seus efeitos. Minha paixão me levou a cavar e decorar a letra da faixa; a descobrir que o kaval é uma flauta tradicional da região, junto à gaita de foles kaba gaida, e a gadulka, prima da rabeca. Me arremessou a investigar a música ethno búlgara; encontrar o trabalho dos musifolcloristas no pós-Segunda Guerra, que viajavam pelo interior recolhendo as canções e dando-lhes arranjos e memória; compreender o papel fundamental da Balkanton, gravadora estatal que registrava tais trabalhos; embasbacar com a vocalização conversada e rebelde dos corais típicos; decifrar blogs-repositórios cujo cirílico me confunde tanto quanto fascina; cair de quatro pelo alcance e pelas modulações de musas secretas como Olga Borisova e Kalinka Valcheva; descobrir novos grupos de jazz urbano que também valorizam a herança musical da região. (E nem vou começar a falar da Albânia, porque senão esse post não termina.) Há artistas envolventes, e há Elina, que não pede licença para provocar esses afetos e transtornar qualquer trajetória linear. Kaval sviri, mamo, gore dole. Gore dole, mamo, pod seloto. Ja shte ida, mamo, da go vidja. Da go vidya, mamo, da go chuja. Eu concordo: ouço o kaval sendo tocado na cidade, mamãe, e estou indo dançar.

Escolher um dos álbuns de Elina para compartilhar foi terrivelmente difícil, mas optei por Lume Lume por ser composto de 90% versões dos Bálcãs, e especialmente cativante. O encarte incluso no pacote informa as origens e reconta as letras — quase sempre pungentes e doloridas. Acredito desnecessário sugerir que, em caso de curiosidade e qualquer pequeno encantamento, se vá atrás de seus outros álbuns. Intimistas, de difícil tradução, mas de imediato carisma, provocam uma audição altamente gratificante — e cheia de pequenas surpresas e apaixonamentos. Ou, ocasionalmente, a tradução é fácil mesmo: antes do link, deixo vocês com essa versão cortante de Amália Rodrigues, registrada no disco solo Partir, de 2018.

Elina Duni Quartet – Lume Lume (2010). Aqui.

E se eu não for expulsa de vez do PQP por furar a fila de postagens e ainda cometer um duplo interlúdio, logo mais eu volto.

—Blue Dog

.: interlúdio :. Oregon in Moscow (1999)

.: interlúdio :. Oregon in Moscow (1999)

Eu gosto muito do Oregon. É um grupo que existe há quase 40 anos e seus integrantes possuem tanto carreira solo quanto se juntam periodicamente para criar os álbuns. Desde 1970, são 27 CDs! São jazzistas que, juntos, às vezes tendem à world music, mas que, na verdade, fazem música de vanguarda. Penso que o tempo tornou os 4 integrantes muito diferentes musicalmente — Colin Walcott já fez parte do Oregon — e que, desta forma, as composições sejam muito diversas entre si, o que torna o grupo às vezes assim, às vezes assado.

O álbum duplo Oregon in Moscow, de 1999, recebeu nota máxima em 17 avaliações da Amazon. Apesar da estranha presença de uma orquestra, o trabalho foi brilhantemente pensado, concebido e executado. Nota-se que o quarteto deu especial atenção a este projeto. As composições de McCandless “Round Robin” e “All That Mornings Bring”, soam como se tivessem sido originamente para orquestra e grupo de jazz. Fiel a seu estilo, Ralph Towner traz uma magnífica e espaçosa “The Templars”, que emerge com grande pompa e circunstância do quarteto e orquestra. “Icarus” é uma peça clássica de Towner, que fez sua estréia com o Paul Winter Consort e a Orquestra Sinfônica de Indianápolis, em 1970. “Spirits of Another Sort”, “Firebat”, “Zephyr”, “Free-Form Piece for Orchestra and Improvisors” são muito boas, mas não adianta, minha preferência sempre irá para “Anthem” (do álbum solo de Towner com o mesmo nome), música pela qual guardo incondicional amor. Aquele “não adianta” NÃO foi escrito por causa da ausência da grande orquestra em “Anthem”, foi por puro gosto pessoal.

Oregon in Moscow (1999)

Tracks CD 1:

01.- Round Robin
02.- Beneath an Evening Sky
03.- Acis and Galatea
04.- The Templars
05.- Anthem
06.- All The Mornings Bring
07.- Along the Way
08.- Arianna
09.- Icarus

Tracks CD 2:

01.- Waterwheel
02.- Spanish Stairs
03.- Free-Form Piece for Orchestra and Improvisors
04.- Spirits of Another Sort
05.- Firebat
06.- Zephyr

Ralph Towner: classical guitar, 12-string guitar, piano, synths
Paul McCandless: Oboe, English horn, soprano sax, bass clarinet
Glen Moore: acoustic bass
Mark Walker: drums and percussion
Tchaikovsky Symphony Orchestra of Moscow Radio

Recorded at State Recording House GDRZ, Studio 5, Moscow, Russia in June 1999.

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O Oregon numa foto da época deste CD, circa 1999.
O Oregon numa foto da época deste CD, circa 1999.

PQP

Satie / Hahn / Koechlin / Auric / Tansman / Roussel / Ravel: Sonatines pour le piano (Daniel Blumenthal) ֍

Satie /  Hahn / Koechlin / Auric / Tansman / Roussel / Ravel: Sonatines pour le piano (Daniel Blumenthal) ֍

Satie – Hahn – Koechlin

Auric – Tansman

Roussel – Ravel

Sonatines pour le piano

Daniel Blumenthal

 

Depois de uma semana ouvindo peças de mais de uma hora de duração, eu queria ouvir algo mais leve e curto, para variar. Foi assim que o nome deste disco me chamou a atenção. Sonatines pour le piano – umas sonatazinhas, para variar. E como o repertório era de compositores franceses, a animação aumentou.

O termo ‘sonatina’ tem sido usado por compositores desde muito tempo, incluindo Bach e Handel. O nome indica que há um certo compromisso com a forma sonata, mas o resultado será mais breve e espera-se uma certa leveza. No caso dos franceses, elegância também.

Daniel Blumenthal é um pianista que atua muitas vezes como acompanhante e como músico de câmara e também tem explorado em suas gravações como solista um repertório menos convencional.

O programa do disco começa e termina com obras de compositores bem conhecidos, mas as outras cinco peças também reservam excelentes momentos.

Erik Satie tinha um peculiar senso de humor e essa Sonatine bureaucratique é um pastiche das obras de Muzio Clementi, composta de forma irreverente em 1917 e prenuncia o neoclassicismo.

Reynaldo Hahn nasceu na Venezuela, mas era francês. Além de compositor, foi regente, crítico e cantor, especialmente famoso por suas canções. Além da Sonatazinha que aparece graciosamente neste disco, aparentemente foi o autor de uma frase bem famosa: À la recherche du temps perdu.

Charles Koechlin já tem frequentado nosso blog com suas elegantes peças de câmara e Georges Auric é um de Les six.

Alexandre Tansman nasceu na Polônia, mas  era francês. É um pioneiro do classicismo e famoso por ser um mestre em orquestração.

Albert Roussel começou a vida na marinha, mas tornou-se músico. Foi bastante influenciado por Debussy e Ravel e depois voltou-se para o neoclassicismo.

Para completar o disco a belíssima Sonatine de Maurice Ravel, que mais de uma vez tem aparecido nestas páginas.

Erik Satie (1866 – 1925)

Sonatine bureaucratique

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Vivace

Reynaldo Hahn (1874 – 1947)

Sonatine en ut

  1. Allegro non troppo
  2. Andantino rubato
  3. Final: vivo assai

Charles Koechlin (1867 – 1950)

Sonatine, Op. 59 No. 5

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Petite fugue
  4. Final

Georges Auric (1899 – 1983)

Sonatine

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Finale

Alexandre Tansman (1897 – 1937)

Sonatine transatlantique

  1. Foxtrot
  2. Spiritual and blues
  3. Charleston

Albert Roussel (1869 – 1937)

Sonatine, Op. 16

  1. Modéré – Vif et très léger
  2. Très lent

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Sonatine, M. 40

  1. Modéré
  2. Mouvement de menuet
  3. Animé

Daniel Blumenthal, piano

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FLAC | 216 MB

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MP3 | 320 KBPS | 179 MB

A capa do disco, com suas efêmeras e diversas florezinhas é uma beleza e realmente sugere o que você ouvirá… A sonatazinha de Reynaldo Hahn, com seu lindo andantino rubato é muito charmosa e a Sonatine transatlantique, com seus movimentos associados aos ritmos populares também é bem especial.

Aproveite!

René Denon

CPE Bach / Firsowa / Yun / Karg-Elert / Jolivet / Wildberger / JS Bach: Peças para Flauta Solo (Kollé)

CPE Bach / Firsowa / Yun / Karg-Elert / Jolivet / Wildberger / JS Bach: Peças para Flauta Solo (Kollé)

Um bom disco. Andrea Kollé toca todo tipo de flautas, seja transversa, seja doce, barrocas, o diabo. Seu repertório é amplo. É uma musicista que trabalha como solista de obras sinfônicas, de óperas ou de peças de câmara. Nasceu em Amsterdam, estudou na Holanda com Abbie de Quant e na Basiléia com Aurèle Nicolet. Desde 1990 é membro da Orquestra da Ópera de Zurique e toca na Orquestra Barroca “La Scintilla”, também de Zurique. A música contemporânea é particularmente importante para ela, tendo feito várias estreias mundiais, principalmente a estreia holandesa da peça solo (T)air(E) de Heinz Holliger, em 1985. O compositor romeno Dan Dediu dedicou seu Naufragi para flauta solo a ela em 2001. Andrea Kollé fez várias gravações em CD, incluindo este, com composições de Bach, Yun, Firsowa, Wildberger e Karg-Elert. Ela também fez gravações como parte do Zürcher Bläser Quintett para as gravadoras Jecklin Edition e Musique Suisse. Eu curti moderadamente.

CPE Bach / Firsowa / Yun / Karg-Elert / Jolivet / Wildberger / JS Bach: Peças para Flauta Solo (Kollé)

Carl Philipp Emanuel Bach [1714 – 1788)
Sonate a-moll, WQ 132
1) Poco adagio [4:56]
2) Allegro [3:46]
3) Allegro [3:15]

Elena Firsowa (1950 – )
Zwel Inventionen
4) I. Andante [3:44]
5) II. Allegretto [2:32]

Isang Yun (1917 – 1995)
6) Salomo [7:28]

Sigfrid Karg-Elert (1877 – 1933)
7) Sonate “Appassionata” fis-moll [5:09]

André Jolivet (1905 – 1974)
8) Incantation “Pour que l’image devienne symbole” [3:54]

Jacques Wildberger (1922 – 2006)
9) Retrospective II [5:14]

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
10) Allemande [3:47]
11) Corrente [2:33]
12) Sarabande [3:47]
13) Bourée [1:48]

Andrea Kollé, flauta

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Andrea Kollé apresenta suas armas na recepção da PQP Bach Van Gogh Foundation de Amsterdam.

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano do Nº 24 a 27 (Larrocha / Solti)

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano do Nº 24 a 27 (Larrocha / Solti)

Meu deus, o que escrever? Um disco ruim, mas de alto nível artístico? Sim, é isso.

Ou não. Um disco bom, mas de concepção muito antiquada. Sim, também.

O que é sensacional? Sensacional é Alicia. Sensacional é o repertório feito de concertos magníficos de Mozart. O toque e o fraseado da Grande Dama Espanhola são exatamente como devem ser… Ela canta durante todo o tempo. É lindo de ouvir. Mas quando entram os violinos e o tamanho da orquestra, ouve-se um dos molhos mais pesados que já engoli. Parece que a orquestra de Solti tem mais violinos do que havia de Oompa-Loompas da fábrica de Willy Wonka. É uma feijoada gordurosa que causa azia e outros desconfortos. Um completo horror, sem a menor transparência, tentando destruir a beleza de tudo que Larrocha cria. O CD1 (Concerto Nº 24 & Nº 26) foi gravado em 1985 pela Chamber Orchestra of Europe (Chamber só na casa do caralho) e Solti-Wonka. O CD2 (Concerto Nº 25 & Nº 27) foi gravado em 1977 pela London Philharmonic Orchestra e Solti-Wonka. Depois dizem que o século XXI é uma desgraça… OK, podem acabar com o planeta, mas sob música muito melhor. A música mudou muito — e para melhor — em pouco tempo. Fiquei chocado ao ouvir estes CD. Parece um desabamento.

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano do Nº 24 a 27 (Larrocha / Solti)

Piano Concerto No.24 In C Minor, K491 (31:46)
I Allegro 14:50
II Larghetto 7:47
III Allegretto 9:09

Piano Concerto No.26 In D Major, K537 “Coronation” (31:09)
I Allegro 14:23
II Larghetto 5:56
III Allegretto 10:50

Piano Concerto No.25 In C Minor, K503 (33:21)
I Allegro Maestoso 15:23
II Andante 8:45
III Allegretto 9:13

Piano Concerto No.27 In B Flat Major, K595 (32:06)
I Allegro 14:47
II Larghetto 8:08
III Allegro 9:11

Alicia De Larrocha
Chamber Orchestra Of Europe
London Philharmonic Orchestra*
Sir Georg Solti

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Ela era pequenina, mas saiu com vida após os vários desabamentos que a orquestra de Solti promoveu sobre ela.

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741): 6 Concertos para Violoncelo (Coin / Hogwood / AAM)

Antonio Vivaldi (1678-1741): 6 Concertos para Violoncelo (Coin / Hogwood / AAM)

Um bom disco. Vivaldi escreveu 24 concertos para violoncelo e aqui temos 6 dos mais belos deles, interpretados de forma exuberante, em instrumentos autênticos, pela Academy of Ancient Music, com seu diretor Hogwood ao cravo e o grande Christophe Coin ao violoncelo. Os concertos, a maioria escrita durante a década de 1720, são criações repletas de lirismo, além de verve rítmica e invenção. A inclusão de quatro composições em tons menores dão vazão à natureza introspectiva  e frequentemente reprimida do compositor. Um disco indispensável para quem ama o violoncelo e Vivaldi. Hogwood garante um som cheio. As sonoridades das cordas são de seda, sem agudos incômodos. Se não me engano, trata-se de uma gravação de 1989, mas que soa como nova em folha ainda hoje.

Antonio Vivaldi (1678-1741): 6 Concertos para Violoncelo ( Coin / Hogwood / AAM)

01. Concerto in B minor, RV 424 – I. Allegro non molto
02. Concerto in B minor, RV 424 – II. Largo
03. Concerto in B minor, RV 424 – III. Allegro

04. Concerto in G minor, RV 416 – I. Allegro
05. Concerto in G minor, RV 416 – II. Adagio
06. Concerto in G minor, RV 416 – III, Allegro

07. Concerto in A minor, RV 418 – I. Allegro
08. Concerto in A minor, RV 418 – II. (Largo)
09. Concerto in A minor, RV 418 – III. Allegro

10. Concerto in F major, RV 412 – I. (Allegro)
11. Concerto in F major, RV 412 – II. Larghetto
12. Concerto in F major, RV 412 – III. Allegro

13. Concerto in C minor, RV 401 – I. Allegro non molto
14. Concerto in C minor, RV 401 – II. Adagio
15. Concerto in C minor, RV 401 – III. Allegro ma non molto

16. Concerto in G major, RV 413 – I. Allegro
17. Concerto in G major, RV 413 – II. Largo
18. Concerto in G major, RV 413 – III. Allegro

Christophe Coin – Cello
The Academy of Ancient Music
Christopher Hogwood – Conductor

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Christophe Coin ficou puto porque o pessoal da limpeza da PQP Bach Corp. passou cloro em seu violoncelo.

PQP

Chopin (1810-1849): Prelúdios; Liszt (1811-1886) e Scriabin (1871-1915): Sonatas – Daniil Trifonov

Os prelúdios de Chopin são obras-primas das variações de humor, alternando entre a alegria, a melancolia e outros sentimentos típicos do romantismo. Os primeiros prelúdios seguem o contraste mais comum entre tom maior (alegre, expansivo, com uma simplicidade quase infantil) e tom menor (lento, calmo). Mas ao longo da obra, a partir do 7º “Andantino” e do 8º “Molto agitato“, as coisas vão ficando mais complicadas e há uma certa inversão de papéis, pois os de tom maior maior vão se tornando mais sutis e lentos – como o prelúdio nº 15, apelidado de gota d’água, e que é de certa forma o centro dramático desse arco narrativo – e os de tom menor vão ficando apressados, tensos, ansiosos, com a agitação nervosa típica de um Schumann, que aliás é o outro grande mestre desse tipo de obra de contrastes.

E na gravação de Daniil Trifonov, esses contrates são exacerbados: acho que nunca ouvi o prelúdio nº 3 “Vivace” tão vivo, ou o 8º e o 22º “Molto agitato” tão agitados por uma certa energia oculta, demoníaca, como bem perceberam Martha Argerich e Gilles Macassar:

O que ele faz com suas mãos é tecnicamente incrível. Mas também o seu toque – tem a delicadeza mas também um elemento demoníaco. – Martha Argerich sobre Daniil Trifonov
Daniil Trifonov dá vida as partituras de Liszt, Scriabin ou Chopin com um virtuosismo nas fronteiras do sobrenatural. – Gilles Macassar, revista Télérama

Em alguns dos prelúdios mais animados e virtuosísticos, Trifonov se apressa enormemente, correndo riscos ao vivo, e dá até a impressão de ser apenas mais um pianista ruso querendo mostrar sua técnica prodigiosa para o público nova-iorquino, que já idolatrou tantos outros pianistas russos… Mas em alguns prelúdios mais introspectivos, Trifonov desacelera e vai a passos lentos, apreciando a paisagem. Por exemplo no prelúdio 21, “Cantabile“, no qual a mão direita deve cantar como em uma ária, ele segue um ritmo bem mais lento que os de Argerich, Nelson Freire ou Rafal Blechacz, tocando com a tranquilidade similar à de Maria João Pires, embora não tão devagar quanto o sui generis Grigory Sokolov – lembrando que este último é bem diferente dos clichês sobre pianistas russos, e não por acaso, faz muito mais sucesso na Europa do que nos EUA.

Assim como Trifonov (3ª e 9ª sonata) e Freire (4ª sonata), que já postei aqui tocando Scriabin ao vivo, Trifonov faz uma interpretação brilhante do compositor russo, com uma certa energia que dificilmente se encontra nas gravações de estúdio. Publicada em 1898, essa sonata tem um pequeno programa escrito por Scriabin:

“A primeira seção representa a calma de uma noite à beira do mar; o desenvolvimento é a agitação do mar profundo. A seção central mostra a lua aparecendo após a escuridão do começo da noite. O segundo movimento representa o oceano agitado em uma tempestade.”

Quero lembrar aqui que Debussy compôs La Mer apenas em 1905, o que mostra uma das várias coincidências entre esses dois compositores que provavelmente se conheceram muito pouco, mas viveram o mesmo ‘espírito do tempo’ (zeitgeist).

A Sonata de Liszt é uma das obras tecnicamente mais difíceis do repertório para piano. Não vou me alongar sobre ela, apenas comentar que – enquanto a 5ª sinfonia de Beethoven supostamente começaria com o destino batendo à porta – Liszt inicia sua obra com uma nota solitária, uma nota sol, com a marcação sotto voce, um sussuro ou, alternativamente, uma chamada no escuro, do tipo: tem alguém aí? Após a sonata marítima de Scriabin, Trifonov inicia essa sonata de Liszt com toda a calma do mundo, deixando o sussuro de Liszt se projetar em meio ao silêncio, como aquelas aves marinhas que cantam em uma só nota em meio ao vento e às ondas, sem saber se alguém vai ouvir. Uma nota é só uma nota e ao mesmo tempo é muito mais.

Alexander Scriabin: Piano Sonata No. 2 In G Sharp Minor Op, 19 “Sonata-Fantasy”
1 Andante 7:05
2 Presto 3:26

Franz Liszt: Piano Sonata In B Minor S 178
3 Lento Assai – Allegro Energico 11:13
4 Più Mosso – Andante Sostenuto 7:37
5 Allegro Energico – Andante Sostenuto – Lento Assai 10:59

Frédéric Chopin: 24 Preludes Op. 28
6 Nr. 1 In C Major 0:38
7 Nr. 2 In A Minor 2:03
8 Nr. 3 In G Major 0:49
9 Nr. 4 In E Minor 1:40
10 Nr. 5 In D Major 0:32
11 Nr. 6 In B Minor 1:51
12 Nr. 7 In A Major 0:47
13 Nr. 8 In F Sharp Minor 1:40
14 Nr. 9 In E Major 1:30
15 Nr. 10 In C Sharp Minor 0:28
16 Nr. 11 In B Major 0:38
17 Nr. 12 In G Sharp Minor 1:11
18 Nr. 13 In F Sharp Major 3:08
19 Nr. 14 In E Flat Minor 0:32
20 Nr. 15 In D Flat Major 5:25
21 Nr. 16 In B Flat Minor 1:04
22 Nr. 17 In A Flat Major 5:58
23 Nr. 18 In F Minor 0:50
24 Nr. 19 In E Flat Major 1:06
25 Nr. 20 In C Minor 1:30
26 Nr. 21 In B Flat Major 2:15
27 Nr. 22 In G Minor 0:40
28 Nr. 23 In F Major 1:06
29 Nr. 24 In D Minor 2:43

Nikolai Karlovich Medtner (1880-1951) (Encore)
30 Skazki Op. 26 – Fairy Tales – No. 2 In E Flat Major 1:25

Daniil Trifonov – piano
Live at Carnegie Hall, New York, USA, February 2013

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Franz Liszt

Pleyel

.: interlúdio :. John Zorn – Nova Express

.: interlúdio :. John Zorn – Nova Express

John Zorn nasceu em Nova Iorque e, ainda criança, aprendeu a tocar piano, violão e flauta. Sua família possuía gostos musicais variados e ele ouvia música clássica e world music através de sua mãe, uma professora. Através de seu pai, um cabeleireiro, conheceu o jazz, as chansons francesas, e a música country. E o irmão  trouxe-lhe o rock dos anos 50. Zorn relembra um episódio de sua vida: após comprar uma gravação de Mauricio Kagel em 1968 — tinha 15 anos — o choque foi enorme, criando nele um grande interesse pela música experimental e a avant-garde. Nova Express traz de volta o lirismo atonal peculiar da música de Zorn. Interpretadas por um quarteto de jazz moderno formado por vibrafone, piano, baixo e bateria, essas composições episódicas, dinâmicas e temperamentais apresentam algumas das composições mais fortes de Zorn. O grupo é sensacional, são mestres a trazerem o som emocionante do estranho mundo do compositor. É jazz de câmara, moderno e repleto de belos detalhes e paixões dramáticas compostas e conduzidas por nosso alquimista do East Village.

.: interlúdio :. John Zorn – Nova Express

1. Chemical Garden
2. Port of Saints
3. Rain Flowers
4. The Outer Half
5. Dead Fingers Talk
6. The Ticket that Exploded
7. Blue Veil
8. IC 2118
9. Lost Words
10. Between Two Worlds

Personnel:

Nova Quartet:
Joey Baron: Drums
Trevor Dunn: Bass
John Medeski: Piano
Kenny Wollesen: Vibes

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O Nova Quartet merece todos os aplausos.

PQP

Chopin (1810-1849): Scherzos, etc – Michelangeli, Richter

Centro e noventa anos atrás,  no dia 8 de setembro de 1831, os russos capturaram Varsóvia após a rebelião ocorrida na Polônia em meio a outras balbúrdias que sacudiram a Europa desde 1830. Chopin, ligado ao grupo que defendia a independência polonesa, jamais voltaria à sua terra natal. Ele estava em uma curta viagem pela Alemanha e, poucos dias depois, ainda em setembro, chegaria a Paris. “Coloco minha tristeza no piano”, escreveu ele em seu diário. Nesses primeiros meses de exílio ele escreveu seu primeiro Scherzo. A palavra italiana, que significa brincadeira, tem aqui um sentido enigmático, talvez de humor doentio e sarcástico, porque são as composições de Chopin mais ligadas ao que Nietzsche nomeia como estado de alma trágico. O Scherzo nº 1, em si menor, começa com acordes pesados, passa por um breve momento de paz com uma citação da canção natalina polonesa “Lulajże Jezuniu” (Dorme Jesus), canção brutalmente interrompida pelos acordes trágicos. Hoje trago dois pianistas da época do vinil, que considero até hoje os maiores intérpretes desse Scherzo.

A gravação dos quatro Scherzi por Richer era uma grande referência do Penguin Guide e outras enciclopédias musicais que deixaram de existir com a internet. Richter era um pianista de múltiplos talentos, mas provavelmente sua maior vocação era para a música mais “séria”, com uma certa solenidade, não era um homem de piadas e brincadeiras (para voltarmos à palavra italiana scherzo). Por isso ele é considerado um grande intérprete das últimas sonatas de Beethoven e de Schubert, bem como do Cravo Bem Temperado de Bach. A exceção que confirma a regra é o Concerto de Gerswhin, que surpreendeu o conselho consultivo do PQPBach por seu swing e leveza. Os Scherzi, gravados em 1977, recebem nessa edição em CD uma boa companhia com a série de miniaturas de Schumann. Aliás, Schumann era um grande admirador de Chopin e escreveu, sobre o primeiro scherzo: “Como se vestirão suas obras graves, se a piada já está sob véus negros?”

F. Chopin (1810-1849):
1. Scherzo No. 1 In B Minor, Op.20
2. Scherzo No. 3 in B-flat Minor, Op.31
3. Scherzo No. 3 in C-Sharp Minor, Op.39
4. Scherzo No. 4, E major, Op.54

R. Schumann (1810–1856):
5-18. Bunte Blätter, Op. 99 (Colorful Leaves – Folhas Coloridas)

Sviatoslav Richter, piano

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Chopin, por Eugène Delacroix

Depois da referência, a obscura gravação ao vivo. Michelangeli se notabilizou pela sua interpretação de um pequeno número de obras de Chopin: a Balada nº 1, a Sonata nº 2 “Marcha Fúnebre” e mais algumas. Perfeccionista, ele lapidava como diamantes as poucas obras de seu repertório. Era um frequente parceiro do maestro Sergiu Celibidache e compartilhava com ele o perfeccionismo e outras manias. Após as mortes dos dois ( Michelangeli em 1995, Celibidache em 1996), foram aparecendo gravações ao vivo disputadas pelos fãs, incluindo algumas dos dois juntos nos concertos de Ravel, Schumann e Beethoven.

Entre elas, essas gravações de Chopin, em recitais ao vivo entre 1962 e 1990. No Scherzo nº 1, a sonoridade de Michelangeli é aquela que os fãs conhecem: meticulosamente planejada, nada é por acaso: mesmo nos acordes mais fortes e intensos, cada nota é necessária para recriar a atmosfera sombria e trágica que passava pela cabeça de Chopin. O andamento bastante lento escolhido por Michelangeli faz parte dessa exposição transparente de todos os momentos, nada fica escondido, e nisso também, na lentidão, podemos lembrar de Celibidache.

Na Fantasia em Fá menor, obra que alterna entre momentos trágicos e outros de bravura virtuosística, Michelangeli mostra que sua técnica é realmente prodigiosa. Nas valsas e mazurkas que completam o álbum, Michelangeli tem concepções interessantes mas bastante excêntricas. Não temos aqui o ritmo dançante das mazurkas de Barbosa, de Novaes ou de Freire – esses pianistas brasileiros que parecem ter nascido para tocar esse Chopin mais dançante, onde o aspecto trágico também está presente mas apenas nas entrelinhas, mascarado pela dança.

1. Scherzo No. 1 in B Minor Op. 20 13:10
2. Fantaisie in F Minor Op. 49 14:30
3. Valse in A Minor Op. 34.2 7:23
4. Valse in A Flat Major Op. 34.1 5:40
5. Valse in A Flat Major Op. 69.1 4:18
6. Mazurka in A Minor Op. 68.2 3:07
7. Mazurka in F Minor Op. 68.4 3:41
8. Mazurka in A Flat Major Op. 41.4 1:45
9. Mazurka in G Sharp Minor Op. 33.1 2:50
10. Mazurka in D Flat Major Op. 30.3 2:58
11. Mazurka in G Minor Op. 67.2 2:34
12. Mazurka in B Minor Op. 33.4 8:06
Arturo Benedetti Michelangeli, piano

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Richter e Michelangeli em 1964

“Quanto precisou sofrer este povo para poder tornar-se tão belo! Agora,
porém, acompanha-me à tragédia e sacrifica comigo no templo de ambas as divindades!”
(Nietzsche – O Nascimento da Tragédia)

Pleyel