IM-PER-DÍVEL !!!
Prepare-se para ouvir a Partita para Violino Solo Nº 2, BWV 1004, de Bach, como você nunca ouviu antes. Este não é um disco de música antiga convencional, é um thriller musicológico, uma investigação auditiva que promete transportar o ouvinte para a mente do compositor. Lançado em 2001, Morimur é uma ousadíssima colaboração entre o violinista Christoph Poppen, o extraordinário grupo vocal The Hilliard Ensemble (com a soprano Monika Mauch, o contratenor David James, o tenor John Potter e o barítono Gordon Jones) e a musicóloga alemã Helga Thoene. A teoria de Thoene é o coração pulsante do projeto: a famosa “Ciaccona” que encerra a Partita não é apenas uma peça virtuosística, mas sim um elaborado epitáfio musical para a primeira esposa de Bach, Maria Barbara, que faleceu em 1720 enquanto ele estava ausente. Vamos lá: para provar sua tese, Thoene identificou inúmeros fragmentos de corais luteranos, como “Christ lag in Todesbanden” e “Jesu, meine Freude”, ocultos na trama da linha do violino. O álbum transforma essa descoberta acadêmica em uma experiência sonora fascinante. Alternância teatral: a primeira parte do disco apresenta a Partita de forma tradicional (Allemanda, Corrente, Sarabanda, Giga), mas cada movimento é alternado com a versão vocal completa dos corais que, supostamente, o inspiraram. É como se estivéssemos assistindo a uma peça em dois atos, onde a narrativa musical se desenrola em camadas. O ponto alto é o tratamento dado à monumental “Ciaccona”. O disco a apresenta duas vezes. A primeira é normal, temos apenas Poppen e seu violino, uma execução belíssima por si só. Na segunda, o verdadeiro experimento: o Hilliard Ensemble se sobrepõe ao violino, cantando os corais “escondidos” na música. O resultado é assombroso e comovente, como se estivéssemos bisbilhotando os pensamentos de Bach. Como era de se esperar do produtor Manfred Eicher e do selo ECM, a produção é impecável. Gravado na abadia de St. Gerold, na Áustria, o som é ressonante e claro, criando uma atmosfera de recolhimento que casa perfeitamente com a proposta. A estética do álbum, com sua fotografia em preto e branco, contribui para a sensação de estar diante de um objeto de culto.
Morimur é um disco que divide opiniões. Para alguns, pode soar como um exercício acadêmico ou uma truque de estúdio. No entanto, a força da execução de Poppen e a beleza etérea do canto do Hilliard Ensemble são inegáveis. A crítica foi quase unânime em reconhecer o valor da obra, com publicações como Gramophone, The Observer (que o elegeu “CD da semana”) e a BBC tecendo rasgados elogios. Morimur é um convite à reflexão. Acredite ou não na teoria de Thoene, o disco consegue um feito raro: faz o ouvinte reouvir uma das peças mais conhecidas do repertório erudito com novos ouvidos, questionando o que está por trás das notas.
Numa noite fria do século XVIII, Bach escrevia a Chacona da Partita Nº 2 para violino solo. A música partia de sua imaginação (1) para o violino (2), no qual era testada, e daí para o papel (3). Anos depois, foi copiada (4) e publicada (5). Hoje, o violinista lê a Chacona (6) e de seus olhos passa o que está escrito ao violino (9) utilizando para isso seu controverso cérebro (7) e sua instável, ou não, técnica (8). Do violino, a música passa a um engenheiro de som (10) que a grava em um equipamento (11), para só então chegar ao ouvinte (12), que se desmilingúi (?) àquilo.
Na variação entre todas essas passagens e comunicações, está a infindável diversidade das interpretações. Mas ainda faltam elos, como a qualidade do violino – e se seu som for divino ou de lata, e se ele for um instrumento original ou moderno? E o calibre do violinista? E seu senso de estilo e cultura? E o ouvinte? E… as verdadeiras intenções de Bach? Desejava ele que o pequeno violino tomasse as proporções gigantescas e polifônicas do órgão? Mesmo? E quando se coloca um coral em cima?
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Morimur
Cantata No. 136, “Erforsche mich, Gott, und erfahre mein Herz,” BWV 136 (BC A111)
1 Chorale for 4 voices “Auf meinen lieben Gott” 2:04
Christ lag in Todes Banden (II), chorale setting for 4 voices, BWV 278 (BC F26.2)
2 Den Tod… (single voice excerpt) 0:26
Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004
3 Allemanda 4:11
4 Christ lag in Todes Banden (I), chorale setting for 4 voices, BWV 277 (BC F26.1) 1:29
Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004
5 Corrente 2:48
6 Christ lag in Todes Banden (II), chorale setting for 4 voices, BWV 278 (BC F26.2) 1:31
Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004
7 Sarabanda 4:00
Cantata No. 89, “Was soll ich aus dir machen, Ephraim?” BWV 89 (BC A155)
8 Chorale for 4 voices Text: “Wo soll ich fliehen hin” 0:51
Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004
9 Giga 4:19
Christ lag in Todes Banden (II), chorale setting for 4 voices, BWV 278 (BC F26.2)
10 Den Tod… (single voice excerpt) 0:29
Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004
11 Ciaccona 14:22
12 Christ lag in Todes Banden (I), chorale setting for 4 voices, BWV 277 (BC F26.1) 2:17
St. John Passion (Johannespassion), BWV 245 (BC D2)
13 Chorale for 4 voices “Dein Will gescheh'” 0:54
14 Befiehl du deine Wege (I), chorale setting for 4 voices, BWV 270 (BC 92.1) 1:24
15 Jesu, meine Freude, chorale setting for 4 voices, BWV 358 (BC F116) 1:06
Cantata No. 188, “Ich habe meine Zuversicht,” BWV 188 (BC A154)
16 Chorale for 4 voices “Auf meinen lieben Gott” 0:48
Cantata No. 5 “Wo soll ich fliehen hin,” BWV 5 (BC A145)
17 Chorale for 4 voices “Jesu Deine Passion” 1:08
St. John Passion (Johannespassion), BWV 245 (BC D2)
18 Chorale for 4 voices “In meines Herzens Grunde” 0:52
19 Nun lob, mein Seel, den Herren (I), chorale setting for 4 voices, BWV 389 (BC F153.1) 1:39
Christ lag in Todes Banden (II), chorale setting for 4 voices, BWV 278 (BC F26.2)
20 Den Tod…(single voice excerpt) 0:26
Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV 1004
21 Ciaccona, accompanied by chorale fragments 13:59
Christ lag in Todes Banden (II), chorale setting for 4 voices, BWV 278 (BC F26.2)
22 Den Tod… (single voice excerpt) 0:30
The Hilliard Ensemble
Christoph Poppen + Monika Mauch

PQP

Sou um admirador de alguns nacionalismos e, dentre eles, está o do grande Manuel de Falla, compositor espanhol. Além de grande pianista e compositor, de Falla participa da história literária de seu país ao tentar — figura de proa que era na Espanha — impedir o assassinato de seu amigo Federido García Lorca pelas milícias franquistas em 1936. Em vão. Seus últimos anos foram vividos no exílio, na Argentina. El Amor Brujo é uma bela peça, mas ainda é melhor na versão de câmara original que ora apresentamos. É incomum ouvi-la assim. Já El Corregidor y la Molinera é a primeira versão de O Chapéu de Três Bicos, que depois apareceu reescrita e com novo nome para o Balé Russo de Diaguilev.

Um jurássico razoável, entre o dureza de ouvir e o mais ou menos. 
IM-PER-DÍ-VEL !!! (Candidato a ser levado para a ilha deserta).
Esta é a versão reorquestrada e cantada em alemão de ”Acis e Galatea”, de Handel, realizada em 1788 para o Barão von Swieten, alguém rico que apaixonou-se para música barroca pero no mucho. Em sua forma original, em inglês com instrumentação simplificada, este trabalho de Handel foi muitas vezes apresentado na forma de concerto. Contudo o Barão queria um pouco mais de massa sonora e pediu uma versão mais parruda a Mozart. Nosso amigo agregou duas flautas, clarinetes e trompas, o que dá a orquestra uma sonoridade meio esquisita, mas que sublinha muito bem a partitura de Handel. Afinal, estamos falando de Mozart, não de um amador qualquer.
Johann Sebastian Mastropiero é um compositor clássico sobre o qual pouco se sabe. Suspeita-se que ele tenha nascido em 7 de fevereiro, embora o ano, o século e até mesmo o local sejam desconhecidos. Vários países o reivindicam como seu. Seu nome de batismo, Johann Sebastian, é motivo de debate, pois ele também era conhecido por outros nomes: Peter Illich, Wolfgang Amadeus, entre outros (por exemplo, assinou sua terceira sinfonia como Etcétera Mastropiero). Sabe-se que ele era filho de mãe italiana e tinha um irmão gêmeo, Harold Mastropiero, membro da máfia, que vivia nos Estados Unidos.

IM-PER-DÍ-VEL !!!
Confesso que estas minhas postagens que tem sido feitas a toque de caixa nas últimas semanas, e que assim serão pelo menos até o mês de novembro, quando em tese devo ter uma pausa no serviço, enfim, estas postagens não me satisfazem. Pelo simples motivo de que deixam os senhores na mão para saberem maiores detalhes sobre estas pérolas que trago. Foi assim com o Mendelssohn, com o último Bach e este cd absolutamente perfeito com árias de óperas de Vivaldi com a magnífica Roberta Invernizzi.



IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Hoje, só teremos excelentes postagens! Afinal, é o aniversário de PQP Bach! Não, não é o aniversártio do blog e sim o MEU aniversário!
Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.
Something like a bird é a última declaração de um gigante o canto do cisne de Charles Mingus — o seu derradeiro testemunho musical. Gravado em janeiro de 1978, cerca de um ano antes da sua morte, este álbum capta o compositor e baixista num momento de profunda vulnerabilidade física, mas de inabalável criatividade. Já confinado a uma cadeira de rodas devido à esclerose lateral amiotrófica, Mingus não conseguiu tocar o seu inseparável contrabaixo nestas sessões, mas supervisionou cada detalhe, transmitindo as suas ideias musicais através de esboços e da orientação aos arranjadores. É, por isso, mais do que um álbum de jazz; é um documento histórico e um ato de resistência. Lançado postumamente em 1981, o álbum é composto por apenas duas peças. A faixa-título é uma suite de mais de 31 minutos, dividida em duas partes para acomodar o formato de vinil. É uma viagem épica e efervescente, construída sobre uma sequência de acordes boppish de uma composição anterior de Mingus, Extrasensory Perception. A peça, que incluiu uma orquestra de 27 músicos, com 11 saxofones e quatro guitarras, avança como uma conversa polifônica onde solos se erguem e se dissolvem em explosões de energia coletiva, ecoando o espírito das jam sessions da Jazz at the Philharmonic, como a crítica da época sublinhou. Em contraste, Farewell Farewell é uma balada mais contida e introspetiva. Arranjada para uma orquestra ligeiramente menor, a sua melancolia e o seu título parecem prenunciar a despedida iminente do seu criador. É um momento de serena beleza, um adeus elegíaco que encerra o álbum com uma nota de contemplação silenciosa, em vez do frenesim da faixa anterior.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Gosto dos maestros contemporâneos, especialmente de Rattle, Mäkelä e Nelsons. Gostei deste CD curtinho com a Sétima de Ludwig van. Esta gravação de Beethoven, com os Wiener Philharmoniker sob a direção de Sir Simon Rattle, pertence ao ciclo completo das nove sinfonias registrado ao vivo no Musikverein de Viena, em 2002. O projeto chegou com grande expectativa: Rattle, prestes a assumir a Filarmônica de Berlim, e os vienenses, uma orquestra de tradição inquestionável, a confrontarem-se com um repertório que ambos conhecem como poucos. O lançamento foi um evento muito comentado na época. A aposta de Rattle era clara e ambiciosa: conciliar a tradição interpretativa com as descobertas da investigação musicológica. Para isso, utilizou a edição Urtext de Jonathan Del Mar (não pensem que sei do que estou falando, apenas pesquisei), que procurou limpar a música das “camadas de verniz” acumuladas ao longo de décadas, e optou por um efeito sonoro mais transparente, com menos vibrato. A escolha da Filarmônica de Viena, uma orquestra com uma sonoridade inconfundível e profundamente enraizada no Romantismo, tornou a experiência particularmente fascinante — uma tentativa de modernizar ou arcaizar (depende do ângulo) o velho mundo a partir de seu interior.
IM-PER-DÍ-VEL !!!



Gravado em 25 de julho de 1993, num dia ligeiramente chuvoso em Tóquio, este concerto documenta o Trio de Keith Jarrett no auge da sua telepatia musical. Uma década após a formação do grupo — que liderou um revivalismo do jazz acústico — Jarrett, Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria) oferecem uma demonstração magistral de interação, improvisação e virtuosismo. O programa equilibra standards do cânone jazzístico, originais e surpresas. A abertura com “In Your Own Sweet Way” de Dave Brubeck estabelece o tom: uma abordagem respeitosa mas radicalmente pessoal do material. O ponto alto indiscutível é a interpretação de “Solar” de Miles Davis, que se estende por uns impressionantes 26 minutos numa “Extension” que incorpora uma influência oriental, transformando o tema numa jornada hipnótica que nunca perde o ímpeto. Outros momentos de destaque incluem “Oleo” de Sonny Rollins — uma leitura vibrante que revela a cumplicidade do trio, com DeJohnette sempre a desafiar Jarrett com explorações rítmicas –, “The Cure” — o original de Jarrett, com uma groove contagiante que sublinha a sua veia mais rítmica –, “Bye Bye Blackbird” — uma das interpretações mais celebradas do trio, aqui captada com uma intensidade comovente — e a bela “Butch and Butch”. A química entre estes três músicos é verdadeiramente notável. Gary Peacock, em particular, revela uma sintonia extraordinária com Jarrett, trocando provocações musicais que evidenciam anos de cumplicidade. Jack DeJohnette, com a sua abordagem inventiva à bateria, demonstra porque é considerado um dos mais influentes percussionistas da sua geração — e a realização em vídeo (aqui temos apenas o áudio) permite observar de perto as suas técnicas sutis, desde o swing mais tradicional até aos sons mais únicos que produzem.


Ignoro quem foi o autor desta façanha. Além do bitrate rasante, todos os CDs com esta gravação de Gardiner têm também uma obra de Schütz, compositor que amo, chamada O Bone Jesu, Fili Mariae. Quem botou este CD na rede esquartejou a coisa, retirando esta peça que abria o disco e que deve ser interessante. E, por falar em esquartejamento, Membra Jesu Nostri é um ciclo de sete pequenas cantatas compostas em 1680. A letra, Salve mundi salutare – também conhecida como Rhythmica oratio – é um poema atribuído às vezes a São Bernardo de Claraval (1153), outras vezes a Arnulf de Louvain (1250), ambos da ordem cisterciense. Cada uma das sete partes em que se divide a obra é dedicada a uma parte do corpo crucificado de Jesus: pés, joelhos, mãos, costas, peito, coração e cabeça. É música sacra da melhor qualidade. Buxtehude, tenho a dizer que era imenso compositor, organista admiradíssimo por meu pai – que viajou algumas vezes para encontrá-lo e vê-lo tocar – e que seria mais conhecido, não fora a presença sufocante de papai em nossa cultura. Entre nós, os mais jovens da família, era conhecido como tio Bux.
Lançado em 2024 pelo próprio selo da Orquestra de Cleveland, este CD apresenta um programa bem audacioso: o Quarteto de Cordas Nº 3 de Bartók numa nova transcrição para orquestra de cordas (da autoria do violista da orquestra, Stanley Konopka), junto com a extraordinária Suite de O Mandarim Miraculoso. Gravado ao vivo no Mandel Concert Hall em janeiro de 2024, o disco é um testemunho do virtuosismo e da aposta em repertório pouco convencional que marcam a atual direção musical de Franz Welser-Möst na excelente orquestra da cidade. A novidade deste disco é a transcrição de Konopka para o Quarteto Nº 3. Considerado por muitos o mais “duro” e concentrado dos seis quartetos de Bartók, a obra, composta em 1927, é uma estrutura contínua de implacável lógica interna. Konopka, inspirado por arranjos semelhantes, optou por não apenas dobrar as partes originais, mas por reconceber a obra para duas orquestras de cordas separadas, seguindo o exemplo de Bartók na sua Música para Cordas, Percussão e Celesta. O resultado é surpreendente. As cordas de Cleveland, em estado de graça, aproveitam a oportunidade para trazer uma perspectiva sonora completamente diferente a uma obra familiar. Welser-Möst suaviza algumas arestas, tornando a obra, paradoxalmente, mais acessível e próxima do espírito da Música para Cordas do que da agressividade do quarteto original. A escolha da Suite de O Mandarim Miraculoso como complemento é ideal, contrastando a densidade do quarteto com uma música crua e forte. A orquestra dá uma execução virtuosística, com solos de sopros muito expressivos. No entanto, a abordagem de Welser-Möst revela estranha dualidade: se a dança final recebe a injeção de adrenalina adequada, a Introdução, com as suas sonoridades de paisagem urbana, é por demais polida para uma música que deveria transmitir violência. Porém o final, com a perseguição frenética, mostra que a orquestra sabe arder quando conduzida a isto.


IM-PER-DÍ-VEL !!!