The Vivaldi Album – Thibault Cauvin (violão) – Orchestre de chambre de Paris & Julien Masmondet ֎

The Vivaldi Album – Thibault Cauvin (violão) – Orchestre de chambre de Paris & Julien Masmondet ֎

O álbum de Vivaldi foi uma aventura e uma celebração, um exuberante Carnaval Veneziano que, creio, teria deixado o compositor orgulhoso. Essas maravilhosas simples e naturais notas musicais nos aproximam e nos fazem sentir bem. Um tributo à uma existência descuidada, elas celebram a vida.

A primeira motivação para explorar esse disco é (claro) a música, linda música de Vivaldi, no que ela tem de mais atraente: fluidez, colorido sonoro, melodias inesquecíveis. Música para instrumentos de cordas dedilhadas, beliscadas – alaúdes, bandolins, aqui interpretadas ao violão.

O artista também despertou a minha curiosidade, Thibault Cauvin nasceu em família de músicos e toca violão desde sempre. Ganhou uma lista enorme de prêmios, construiu carreira de concertista e visitou o mundo todo, aparentemente.

Desde então, Thibault viajou para mais de 120 países, realizando quase 1500 apresentações, dos palcos mais prestigiados aos lugares mais atípicos, do Carnegie Hall em Nova York à Torre Eiffel, da Sala Tchaikovsky em Moscou à Cidade Proibida em Pequim, do Queen Elizabeth Hall em Londres ao Acrópole de Cartago. A guitarra de Thibault não conhece fronteiras, não tem limites; numa noite, 40.000 pessoas podem ouvi-lo na praia de Royan, na França, e dois dias depois, ele toca em um templo em ruínas na costa do Equador para algumas 200 pessoas privilegiadas. Diversidade, contrastes, aventuras, descobertas, liberdade, encontros, tantos temas caros a Thibault, e que ouvimos em sua música.

Tantas experiências ao redor do mundo acabou resultando em um livro – Alter Ego. Veja a ‘propaganda’ do mesmo: Com sua mochila e violão nas costas, Pierre é um aventureiro que percorre o mundo. Ele encontra muitas vidas que transformam seu mundo: uma mulher argelina com deficiência visual, uma florista no Rio, um mestre do tempo em Ouagadougou, entre outros. Mas, vamos à música!

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto for Mandolin, Strings and Basso continuo in C major, RV 425
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto for Luth, Strings and Basso continuo in D major, RV 93
  1. Allegro giusto
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto for Violin, Strings and Basso continuo in A minor, RV 356, (L’Estro armonico n°6)
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Presto
Concerto for two Mandolins, Strings and Basso continuo in G major, RV 532
  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in G minor, RV 85
  1. Andante molto
  2. Larghetto
  3. Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in C major, RV 82
  1. Allegro non molto
  2. Larghetto
  3. Allegro

Thibault Cauvin, guitar

Orchestre de chambre de Paris

Julien Masmondet, conductor

Deborah Nemtanu, violin
Xuefei Yang, guitar (Concerto for two mandolins)
basso continuo:
Benoît Grenet, cello
Yvon Repérant, harpsichord
Damien Pouvreau, theorbo, baroque guitar

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MP3 | 320 KBPS | 132 MB

Gostei tanto do disco que passei a imaginar a vida do Padre Vermelho na Sereníssima República. É claro que, além da música, outros aspectos prazerosos da vida vêm à mente. A julgar pelas imagens de que nos chegaram, não diria que Vivaldi fosse glutão (como deve ter sido o Saxão Inglês), mas apreciaria a boa comida, os vinhos?

A cozinha veneziana era rica em pratos com frutos do mar, famosos até hoje, sem contar os produtos trazidos de outras partes pelos seus comerciantes – bons vinhos e mesmo bacalhau da Escandinávia. Uhmmm… água na boca!

Sarde in Saor

Sarde in saor é um maravilhoso prato de antipasto veneziano feito com sardinhas fritas em camadas com cebolas, passas e pinhões marinados em vinagre e açúcar.

Baccalà Mantecato

Bacalhau salgado batido até formar uma mousse aveludada com azeite e alho, servido sobre polenta grelhada. Cremoso, salgado e delicado — este prato conta a história das rotas comerciais marítimas de Veneza para a Escandinávia.

Seppie al nero

Sépia cozido com sua tinta preta, geralmente servido com polenta ou usado em risoto.

Thibault Cauvin é um dos guitarristas mais talentosos, carismáticos e procurados do mundo hoje. Ele está viajando pelo mundo todo o ano a convite dos festivais e salas de concerto mais prestigiados. Sua extensa programação de turnês varia de Nova York a Hong Kong, São Paulo a Istambul, Londres a Melbourne e Cingapura e Tel-Aviv, sendo calorosamente aceito pelos críticos em mais de 1000 ocasiões. Ele também participou de muitos programas de TV e rádio e colaborou com músicos, compositores e orquestras sinfônicas famosos. Considerado um artista inovador e criativo, Thibault é regularmente convidado de honra em festivais, universidades e conservatórios em todo o mundo para dar aulas de mestrado, palestras ou para julgar competições.

Aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos  companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)

01 – BWV 226 Der Geist hilft unsrer Schwachheit auf
02 – BWV 228 Fürchte dich nicht
03 – BWV 227 Jesu meine Freude
04 – BWV 229 Komm, Jesu, Komm
05 – BWV 230 Lobet den Herrn, alle Heiden
06 – BWV 225 Singet dem Herrn ein neues Lied

La Chappele Royalle
Collegium Vocale, Gent
Phillipe Herreweghe – Condutor

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Frans Hals: Dois meninos cantando (1620)

FDP Bach

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias, Suítes, Concerto para Cravo e Orq. (Lamon)

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias, Suítes, Concerto para Cravo e Orq. (Lamon)

Nós éramos muitos. Meu irmão WF foi o mais velho dentre os irmãos. Para mim, é difícil vê-lo como o homem velho — organista, cravista, professor e compositor — que aparece no Google. Para mim, ele sempre será o chato que era o preferido de nosso pai. Quando nosso pai morreu, ele começou a ter dificuldades pelo consumo excessivo de álcool. Ele se tornou muito sensível e nada confiável e, embora nunca houvesse dúvidas sobre seu talento, ele imaginava que sim. Viveu muito. Ensinou muito. Tocou muito. Complicou muito. Complicou inclusive a sua vida, meu caro bachiano, ao perder 100 Cantatas de nosso pai. Mas este disco é do caraglio. Ouça porque vale a pena. Lamon e seus músicos de mesa são muito competentes neste repertório que fica na transição entre o estilos barroco e o rococó-classicismo.

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias, Suítes, Concerto para Cravo e Orq. (Lamon)

Sinfonia In D Major, F. 64
1 1. Allegro E Maestoso 3:55
2 2. Andante 3:15
3 3. Vivace 3:24

Sinfonia In D Minor, F. 65
4 Adagio & Fugue

Suite In G Minor, BWV 1070 (Attrib.: W. F. Bach)
5 1. Ouverture – Larghetto 4:35
6 2. Torneo 1:58
7 3. Aria – Adagio 5:22
8 4. Menuetto Alternativo – Trio 4:48
9 5. Capriccio 3:31

Concerto For Harpsichord, Strings And Basso Continuo In D Major, F. 41
10 1. Allegro 5:50
11 2. Andante 5:34
12 3. Vivace 4:28

Sinfonia In F Major For Strings, F. 67
13 1. Vivace 4:22
14 2. Andante 4:48
15 3. Allegro 3:18
16 4. Menuetto 1 & 2 2:30

Bassoon – Michael McCraw
Cello – Christina Mahler, Sergei Istomin
Concert Flute – Christopher Krueger, Elissa Poole
Directed By – Jeanne Lamon
Double Bass – Alison Mackay
Harpsichord – Charlotte Nediger
Horn – Derek Conrod, Teresa Wasiak
Oboe – John Abberger, Washington McClain
Orchestra – Tafelmusik Baroque Orchestra
Viola – Elly Winer, Ivars Taurins, Patrick G. Jordan
Violin – Christopher Verrette, David Greenberg, Kevin Mallon, Linda Melsted, Rona Goldensher, Stephen Marvin, Thomas Georgi
Violin [Leader] – Jeanne Lamon

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O queridinho do papai.

PQP

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias, Concerto para Cravo (Akademie für Alte Musik Berlin)

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias, Concerto para Cravo (Akademie für Alte Musik Berlin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um belo CD da Akademie für Alte Musik Berlin. Johann Sebastian teve três filhos geniais. O primeiro fui eu, PQP. O segundo foi mano CPE, o melhor compositor dentre nós. E o terceiro foi WF, nosso primogênito e estranho irmão. Era também alcoolista, mas isso não se nota durante a audição desta maravilha. Wilhelm Friedemann — um bêbado, como dissemos, e homem difícil — foi também o filho favorito de papai. Escreveu música de grande variedade rítmica e harmônica, como as que este CD mostra. O Concerto para Cravo é riquíssimo em seu jogo entre solista e orquestra. As Sinfonias diferem em temperamento: uma é formal e elegante; outra é nervosa e divertida. Da mesma forma, os dois adágios e fugas aqui registrados diferem enormememte. Um nos deixa feliz, o outro é grave. WF tem voz própria e não soa como papai nem com nosso irmão mais conhecido, CPE Bach. Ele é mais peculiar e totalmente imprevisível. Este disco está cheio de surpresas.

W. F. Bach (1710-1784): Sinfonias, Concerto para Cravo

Sinfonie D-dur Fk 64
I. Allegro e maestoso 3:10
2 II. Andante 2:39
3 III. Vivace 3:01

Adagio & Fuge d-moll Fk 65´
4 I. Adagio 4:34
5 II. Fuge 4:52

Concerto für Cembalo, Streicher und Basso continuo e-moll Fk 43
6 I. Allegretto 9:15
7 II. Adagio 10:01
8 III. Allegro assai 5:33

Adagio & Fuge f-moll
9 I. Trio & Adagio 4:09
10 II. Fuge 3:13

Sinfonie F-dur Fk671
11 I. Vivace 3:48
12 II. Andante 5:03
13 III. Allegro 3:39
14 IV. Menuetto I & II 2:48

Raphael Alpermann, cravo
Akademie für Alte Musik Berlin
Stephan Mai

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Mano Wilhelm Friedemann: Eu bebo sim / Estou vivendo (fiquei imortal) / Tem gente que não bebe / E está morrendo
Mano Wilhelm Friedemann: Eu bebo sim / Estou vivendo (fiquei imortal) / Tem gente que não bebe / E está morrendo

PQ

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) – Grande Messe en ut mineur K 427 (417a) – La Capella Nacional de Catalunya, Le Concert Des Nations, Jordi Savall

A Grande Missa em Dó Menor, K. 427, de Mozart, é considerada uma das grandes realizações não apenas mozartianas, mas do espírito criativo humano, composta em um momento único na vida do compositor, que recém tinha casado. Mesmo inacabada, tornou-se uma obra-prima inconteste. Inacabada até agora, graças ao genial Jordi Savall e seu fiel colaborador e amigo Luca Guglielmi, que preencheu as lacunas faltantes, claro que com a supervisão de Savall. O excelente livreto em anexo traz todas as informações necessárias, com textos do próprio Savall e de Guglielmi, que explicam o minucioso trabalho de reconstituição e, por que não dizer, recriação feito.

Jordi Savall nos tem presenteado com gravações espetaculares nos últimos anos, como este Mozart e o Oratório ‘As Estações’ de Haydn, lançado no final de 2025. O homem não para de trabalhar, sempre cercado de excelentes artistas. Somos privilegiados por ter acesso a essas gravações, viva a tecnologia.

Como comentei acima, o livreto em anexo traz todas as informações necessárias sobre a obra e sobre o processo de reconstrução dessa Missa, traduzido em vários idiomas, inclusive espanhol. Vale a pena ler.

Nouvelle version complétée (nº 10, 11) et reconstruite (nº 12, 13, 14, 15, 18, 19) par Luca Guglielmi à partir d’œuvres de Mozart, révisée par Jordi Savall

I. KYRIE
1. Kyrie eleison – Christe eleison (soprano I & chœur). Andante moderato

II. GLORIA
2. Gloria in excelsis Deo (chœur). Allegro vivace
3. Laudamus te (soprano II). Allegro aperto
4. Gratias agimus tibi (chœur). Adagio
5. Domine Deus, Rex coelestis (2 sopranos). Allegro moderato
6. Qui tollis peccata mundi (double chœur). Largo
7. Quoniam tu solus sanctus (2 sopranos & ténor). Allegro
8. Jesu Christe (chœur). Adagio
9. Cum Sancto Spiritu (chœur). Allegro

III. CREDO
10. Credo in unum Deum (chœur). Allegro maestoso
[révision des parties instrumentales de l’orchestre]
11. Et incarnatus est (soprano II). [Andante] [parties des cordes de l’orchestre complétées]
12. Crucifixus – Et resurrexit (soprano I). Andante – Allegro
[À partir de Davide penitente, KV 469, 8. « Tra le oscure ombre funeste », nouveau texte]
13. Et in Spiritum sanctum, « Tempo di Ciaccona ». Adagio – Primo tempo (chœur)
[Arr. d’un Credo alternatif inachevé de la Messe en ut majeur, KV 337, nouveau texte]

IV. SANCTUS
14. Sanctus (double chœur). Largo [reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
15. Hosanna in excelsis (double chœur). Allegro comodo
[reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
16. Benedictus (2 sopranos, ténor & basse). Allegro comodo
17. Hosanna in excelsis [da capo] (double chœur). Allegro comodo

V. AGNUS DEI
18. Agnus Dei (soprano I & chœur). Andante moderato
[Arrangement à partir du Kyrie eleison de la Messe en ut mineur, KV 427
& Solfeggio, KV 393, nº 2]
19. Dona nobis pacem (chœur). Allegro – Adagio
[Nouvelle composition sur les croquis de Mozart]

SOLISTES
Giulia Bolcato soprano I
Elionor Martínez soprano II
Marianne Beate Kielland mezzo-soprano
David Fischer ténor
Matthias Winckhler basse

LA CAPELLA NACIONAL DE CATALUNYA
LE CONCERT DES NATIONS
JORDI SAVALL Direction

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Archilei, Bardi, Caccini, Cavalieri, Malvezzi, Marenzio, Peri: Una Stravaganza dei Medici (Andrew Parrott / Taverner Consort, Choir & Players)

Archilei, Bardi, Caccini, Cavalieri, Malvezzi, Marenzio, Peri: Una Stravaganza dei Medici (Andrew Parrott / Taverner Consort, Choir & Players)

Este é um CD absolutamente maravilhoso da antiga coleção REFLEXE. Concebido pelo genial Andrew Parrott e seus Taverner Consort, reforçados por gente como Emma Kirkby, Tessa Bonner e Nigel Rogers, Una Stravaganza dei Medici nos leva à Florença do final do século XVI. Há vários locais onde se pode aprender sobre a importância histórica e política da música de Malvezzi, por exemplo, mas PQP Bach está mais interessado na perfeição deste conjunto, principalmente no senso de estilo vocal demonstrado por todos os participantes da gravação. Com cantores sem nenhuma entonação operística, Una Stravaganza dei Medici é a melhor aula de interpretação de música antiga que conheço. Esse pessoal que o papagaio conseguiu juntar não é mole. E o som dos trompetes naturais? Bá, chega de blá-blá-blá. Ouçam e confiram.

A gravação é de julho de 1986 e apresenta a música da extragavante festa de casamento entre Ferdinando de Medici e a Grande Duquesa Cristina da Toscana, em 1589. O casamento – de causas e conseqüências puramente políticas, não envolvendo paixão alguma – serviu para que os Medici se realinhassem à França, deixando a Espanha de lado. Cristina era amiga de Galileu, tendo conseguido para ele aquela famosa boquinha como professor na Universidade de Pisa. Chega. Baixem e ouçam!

Só mais uma coisinha, ignaro leitor. Foi numa cartinha escrita para Cristina que Galileu deixou por escrito que a Terra girava em torno do Sol. Isto o colocou contra Aristóteles e Ptolomeu. Ele garantia à Duquesa que os cálculos de Copérnico estava certinhos. A carta fez com que a Maravilhosa Igreja Católica se interessasse pela pele de Galileu e mandasse o pessoal da Inquisição fazer-lhe uma visitinha. PQP é CURTURA. Agora sim, chega!

Mas… Vocês sabem como Galileu comparava os tempos de suas experiências naquela época de péssimos relógios? Pois bem, ele cantava. Confiava mais em si cantando do que nos relógios. Fim.

Archilei, Bardi, Caccini, Cavalieri, Malvezzi, Marenzio, Peri: Una Stravaganza dei Medici (Andrew Parrott / Taverner Consort, Choir & Players)

Intermedi per “La Pellegrina” (1589)

Style: Early music

Intermedio I – The Harmony of the Spheres:
01 – Antonio Archilei – Emilio de’ Cavalieri – Dalle piu alte sfere
02 – Cristofano Malvezzi – Noi, che, cantando
03 – Cristofano Malvezzi – Sinfonia a 6 I
04 – Cristofano Malvezzi – Dolcissime Sirene – Non mai tanto splendore
05 – Cristofano Malvezzi – A voi, reali Amanti
06 – Cristofano Malvezzi – Coppia gentil

Intermedio II – The Singing Contest between the Pierides and the Muses:
07 – Luca Marenzio – Sinfonia a 5
08 – Luca Marenzio – Belle ne fe’ Natura
09 – Luca Marenzio – Chi dal defino
10 – Luca Marenzio – Se nelle voci nostre
11 – Luca Marenzio – O figlie di Piero

Intermedio III – Apollo Slays the Monster at Delphi:
12 – Luca Marenzio – Qui di carne si sfama
13 – Luca Marenzio – O valoroso Dio
14 – Luca Marenzio – O mille volte mille

Intermedio IV – The Golden Age is Foretold:
15 – Giulio Caccini – Io, che dal Ciel cader
16 – Cristofano Malvezzi – Sinfonia a 6 II
17 – Cristofano Malvezzi – Or che le due grand’Alme
18 – Giovanni de Bardi – Miseri abitator

Intermedio V – Arion and the Dolphin:
19 – Cristofano Malvezzi – Io, che l’onde raffreno
20 – Cristofano Malvezzi – E noi, con questa bella diva
21 – Girolamo Fantini – Fanfara
22 – Cristofano Malvezzi – Sinfonia a 6 III
23 – Jacopo Peri – Dunque fra torbide onde
24 – Cristofano Malvezzi – Lieti solcando il mare

Intermedio VI – Jove’s Gift to Mortals of Rhythm and Harmony:
25 – Cristofano Malvezzi – Dal vago e bel sereno
26 – Cristofano Malvezzi – O quale, O qual risplende
27 – Emilio de Cavalieri – Godi, turba mortal
28 – Cristofano Malvezzi – O fortunato giorno
29 – Emilio de Cavalieri – O che nuovo miracolo

Tessa Bonner (soprano), Emma Kirkby (soprano), Emily Van Evera (soprano), Nigel Rogers (tenor); Kate Eckersley, Twig Hall, Evelyn Tubb (sopranos); Mary Nichols, Caroline Trevor (altos); John Mark Ainsley, Simon Berridge, Joseph Cornwell, Rogers Covey-Crump, Philip Daggett, Charles Daniels, John Dudley, Paul Elliott, Philip Fryer, Andrew King, Rufus Müller, Leigh Nixon, Mark Padmore, Angus Smith (tenors); Jeremy Birchall, Stephen Charlesworth, Alan Ewing, Simon Grant, Donald Greig, John Milne, Bruce Russell, Richard Savage, Julian Walker, Richard Wistreich (basses); Rachel Bevan, Jill Crozet, Sally Dunkley, Carol Hall, Nicola Jenkin, Rachel Platt, Jane Seymour (sopranos); Terry Anderson, Catherine Woolf (altos); Philip Cartledge, Christopher Gunnes (tenors); Stephen Jackson, Philip Lawson, Simon Littlewood, Ken Roles, Francis Steele (basses); John Holloway (violin), Judy Tarling (viola), Pavlo Beznosiuk (lira da braccio), Nicholas Hayley (lira da braccio), Erin Headley (lirone), Wendy Gillespie (tenor viol), Mark Caudle (bass viol), Richard Boothby (bass viol), Julia Hodgson (bass viol), William Hunt (great bass viol), Alison Crum (great bass viol), Francis Baines (violone), Lisa Beznosiuk (flute), Bruce Dickey (cornet), Michael Harrison (cornet), Charles Toet (trombone), Richard Cheetham (trombone), Trevor Herbert (trombone), Martin Pope (bass trombone), John Toll (organ, regal), Lucy Carolan (organ), Alan Wilson (organ), Andrew Lawrence-King (psaltery, harp), Imogen Barford (psaltery), Frances Kelly (harp), Nigel North (chitarrone), Jakob Lindberg (chitarrone, bass lute), Paula Chateauneuf (chitarrone), William Badley (tenor lute, cittern), Hugh Cherry (tenor lute), David Miller (tenor lute), Paul O’Dette (tenor lute), Christopher Wilson (tenor lute, guitar), Timothy Crawford (bass lute), Martin Eastwell (bass lute), Tom Finucane (bass lute, guitar), James Tyler (mandora), Robert Howes (tambourine), Michael Laird (trumpet), Michael Harrison (trumpet)

Andrew Parrott – Taverner Consort, Choir & Players

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Andrew Parrott: “It is not up to musicologists to say what is and isn’t allowed”

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (Il Giardino Armonico, Giovanni Antonini)

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (Il Giardino Armonico, Giovanni Antonini)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Antes de qualquer coisa: aqui temos uma gravação de inacreditável qualidade dos Brandenburgo. E aqui, a gravação que eu mais gosto. Aliás, amo também o registro constante no post que você está lendo.

Não há como contestar a notável qualificação técnica do Il Giardino Armonico, mas seus tempi mais rápidos que o habitual e a utilização um pouco arbitrária de dinâmicas (piano, forte, fortissimo, etc.) talvez assuste alguns ouvidos mais cheios de pudores. Não é meu caso. Gosto de surpresas e não tenho uma relação reverente com a música. Não posso ser reverente com algo que me é tão íntimo e me faz tão feliz. Posso admirar minha mulher, mas, digamos, deveria reverenciá-la? Ora, se a arte não puder ser lúdica e alegre, o que pode? É claro que não gostaria de ouvir o Réquiem Alemão em versão heavy metal, mas uma acelerada aqui, uma freada ali, mesmo brusca, qual é o problema? A música é uma coisa viva, não? O mundo não gira apenas pela sensibilidade e senso de estilo, mas também pelo inusitado. Afinal, são os pequenos e suaves abusos que nos fazem felizes…

É uma gravação rápida, às vezes furiosa, e eu duvido que você a rejeite por inteiro, mesmo que seja um futuro ou atual membro da TFP.

As leituras de Giovanni Antonini merecem ser respeitadas e seu Giardino nem se fala. O pessoal que bate papo amigavelmente na capa do CD toca demais. O andamento vivíssimo do terceiro concerto, o destaque dado ao trompete no segundo e às trompas no primeiro, o último movimento do quarto concerto e todo o sexto — com o ingresso de um alaúde no baixo contínuo, o que acentua o timbre grave de um concerto sabidamente sem violinos –, são realizações e serem consideradas..

A gravação do Giardino já foi taxada de sinful, de ser rock n´roll e outros absurdos. Por quê? Os modelos têm de ser fixos, a seriedade absoluta tem de ser nosso algoz até na música? Ora, vá, vá!

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (Il Giardino Armonico, Giovanni Antonini)

Disc: 1

1. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
2. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Adagio
3. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
4. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Menuetto

5. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro
6. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Andante
7. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro Assai

8. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
9. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Adagio
10. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro

Disc: 2

1. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Allegro
2. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Adante
3. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Presto

4. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
5. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Affettuoso
6. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro

7. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
8. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Adagio ma non tanto
9. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro

Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini

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Doença: o flautista e regente Antonini em ação
O flautista e regente Antonini em ação

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concertos e Obras Orquestrais com o Café Zimmermann — 6 CDs miraculosos, irresistíveis e indispensáveis

J. S. Bach (1685-1750): Concertos e Obras Orquestrais com o Café Zimmermann — 6 CDs miraculosos, irresistíveis e indispensáveis

IM-PER-DÍ-VEL !!!

333 anos de Bach!

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de março de 1685 — Leipzig, 28 de julho de 1750).

Eu já tinha postado os quatro primeiros CDs desta fantástica coleção, mas agora ela está completa. O Café Zimmermann, liderado pelo violinista argentino Pablo Valetti e que tem sua base na França, é um dos melhores grupos da nova geração de conjuntos barrocos a oferecer interpretações rarefeitas e enérgicas em instrumentos históricos. O nome do grupo refere-se a um café de Leipzig, onde o grupo de Bach, o Collegium Musicum, apresentava-se no século XVIII. A Cantata do Café é uma homenagem ao Zimmermann. Há indícios de quem nem Bach teria sido tão econômico em número de músicos quanto o pequeno efetivo de Valetti. Meu pai teria solicitado uma orquestra de 24 instrumentistas ao Conselho de Leipzig para executar a Suíte Nº 3, por exemplo. Mas, OK, esqueçam. O alto nível de musicalidade e a leitura franca e arejada de Valetti compensam de longe.

Maravilhosa orquestra
Maravilhosa orquestra

Nos CDs abaixo estão todos os Brandemburgo, todas as Suítes orquestrais e mais alguns concertos. Neste momento, não consigo pensar em nada melhor.

O Café Zimmermann recebeu o Diapason d’Or por esta integral dos “Concerts avec plusieurs instruments de Jean-Sébastien Bach vol I-VI “.

J. S. Bach (1685-1750): Concertos e Obras Orquestrais com o Café Zimmermann — 6 CDs miraculosos, irresistíveis e indispensáveis

Disc 1:
1. Concerto pour clavecin en Ré Mineur, BWV 1052: I. Allegro 7:26
2. Concerto pour clavecin en Ré Mineur, BWV 1052: II. Adagio 6:13
3. Concerto pour clavecin en Ré Mineur, BWV 1052: III. Allegro 7:28

4. Concerto pour hautbois d’amour en La Majeur, BWV 1055: I. Allegro 4:13
5. Concerto pour hautbois d’amour en La Majeur, BWV 1055: II. Larghetto 4:28
6. Concerto pour hautbois d’amour en La Majeur, BWV 1055: III. Allegro ma non tanto 4:01

7. Concerto pour violon en Mi Majeur, BWV 1042: I. Allegro 7:20
8. Concerto pour violon en Mi Majeur, BWV 1042: II. Adagio 5:29
9. Concerto pour violon en Mi Majeur, BWV 1042: III. Allegro Assai 2:41

10. Concert Brandebourgeois No. 5 en Ré Majeur, BWV 1050: I. Allegro 9:42
11. Concert Brandebourgeois No. 5 en Ré Majeur, BWV 1050: II. Affettuoso 5:01
12. Concert Brandebourgeois No. 5 en Ré Majeur, BWV 1050: III. Allegro 5:14

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Disc 2:
1. Concert Brandebourgeois No. 3 en Sol Majeur, BWV 1048: I. Allegro – Adagio 5:18
2. Concert Brandebourgeois No. 3 en Sol Majeur, BWV 1048: II. Allegro 4:18

3. Concerto pour deux violons & cordes en Ré Mineur, BWV 1043: I. Vivace 3:25
4. Concerto pour deux violons & cordes en Ré Mineur, BWV 1043: II. Largo ma non tanto 5:57
5. Concerto pour deux violons & cordes en Ré Mineur, BWV 1043: III. Allegro 4:10

6. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: I. Ouverture 9:02
7. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: II. Courante 2:04
8. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: III. Gavottes I & II 2:38
9. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: IV. Forlane 1:07
10. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: V. Menuets I & II 2:53
11. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: VI. Bourrées I & II 2:21
12. Suite en Ut Majeur, BWV 1066: VII. Passepieds I & II 3:09

13. Concerto pour hautbois & violon en Ut Mineur, BWV 1060: I. Allegro 4:18
14. Concerto pour hautbois & violon en Ut Mineur, BWV 1060: II. Adagio 4:32
15. Concerto pour hautbois & violon en Ut Mineur, BWV 1060: III. Allegro 3:08

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Disc 3:
1. Concert Brandebourgeois No. 4 en Sol Majeur, BWV 1049: I. Allegro 6:09
2. Concert Brandebourgeois No. 4 en Sol Majeur, BWV 1049: II. Andante 3:50
3. Concert Brandebourgeois No. 4 en Sol Majeur, BWV 1049: III. Presto 4:21

4. Concerto pour hautbois d’amour en Ré Majeur, transcription du concerto pour clavecin en Mi Majeur, BWV 1053: I. 7:05
5. Concerto pour hautbois d’amour en Ré Majeur, transcription du concerto pour clavecin en Mi Majeur, BWV 1053: II. Siciliano 4:46
6. Concerto pour hautbois d’amour en Ré Majeur, transcription du concerto pour clavecin en Mi Majeur, BWV 1053: III. Allegro 6:06

7. Concerto pour trois clavecins en Do Majeur, BWV 1064: I. 5:40
8. Concerto pour trois clavecins en Do Majeur, BWV 1064: II. Adagio 5:17
9. Concerto pour trois clavecins en Do Majeur, BWV 1064: III. Allegro 4:28

10. Suite en Si Mineur, BWV 1067: I. Ouverture 10:05
11. Suite en Si Mineur, BWV 1067: II. Rondeau 1:28
12. Suite en Si Mineur, BWV 1067: III. Sarabande 3:15
13. Suite en Si Mineur, BWV 1067: IV. Bourrée I & II 2:04
14. Suite en Si Mineur, BWV 1067: V. Polonaise & Double 3:44
15. Suite en Si Mineur, BWV 1067: VI. Menuet 0:54
16. Suite en Si Mineur, BWV 1067: VII. Badinerie 1:23

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Disc 4:
1. Concerto pour violon en La Mineur, BWV 1041: I. 3:29
2. Concerto pour violon en La Mineur, BWV 1041: II. Andante 6:45
3. Concerto pour violon en La Mineur, BWV 1041: III. Allegro assai 3:31

4. Concerto pour 2 clavecins en Ut Majeur, BWV 1061: I. 6:46
5. Concerto pour 2 clavecins en Ut Majeur, BWV 1061: II. Adagio 4:43
6. Concerto pour 2 clavecins en Ut Majeur, BWV 1061: III. Vivace 5:25

7. Concerto pour flûte, violon & clavecin en La Mineur, BWV 1044: I. Allegro 7:56
8. Concerto pour flûte, violon & clavecin en La Mineur, BWV 1044: II. Adagio ma non tanto e dolce 4:55
9. Concerto pour flûte, violon & clavecin en La Mineur, BWV 1044: III. Tempo di Allabreve 6:14

10. Concert Brandebourgeois No. 2 en Fa Majeur, BWV 1047: I. 4:51
11. Concert Brandebourgeois No. 2 en Fa Majeur, BWV 1047: II. Andante 3:36
12. Concert Brandebourgeois No. 2 en Fa Majeur, BWV 1047: III. Allegro assai 2:49

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Disc 5:
1. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: I. Ouverture 9:33
2. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: II. Air 3:32
3. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: III. Gavottes I et II 3:54
4. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: IV. Bourrée 1:06
5. Ouverture No. 3 en Ré Majeur, BWV 1068: V. Gigue 2:38

6. Concerto pour clavecin en Fa Mineur, BWV 1056: I. Allegro 3:06
7. Concerto pour clavecin en Fa Mineur, BWV 1056: II. Adagio 2:43
8. Concerto pour clavecin en Fa Mineur, BWV 1056: III. Presto 3:17

9. Concerto Brandebourgeois No. 6 en Si Bémol Majeur, BWV 1051: I. 5:27
10. Concerto Brandebourgeois No. 6 en Si Bémol Majeur, BWV 1051: II. Adagio ma non tanto 4:38
11. Concerto Brandebourgeois No. 6 en Si Bémol Majeur, BWV 1051: III. Allegro 5:45

12. Concerto pour trois clavecins en Ré Mineur, BWV 1063: I. 4:36
13. Concerto pour trois clavecins en Ré Mineur, BWV 1063: II. Alla siciliana 3:39
14. Concerto pour trois clavecins en Ré Mineur, BWV 1063: III. Allegro 4:29

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Disc 6:
1. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: I. Ouverture 11:11
2. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: II. Bourrées I & II 2:55
3. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: III. Gavotte 1:45
4. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: IV. Menuets I & II 3:20
5. Ouverture No. 4 en Ré Majeur, BWV 1069: V. Réjouissance 2:36

6. Concerto pour clavecin en La Majeur, BWV 1055: I. Allegro 4:02
7. Concerto pour clavecin en La Majeur, BWV 1055: II. Larghetto 3:48
8. Concerto pour clavecin en La Majeur, BWV 1055: III. Allegro ma non tanto 3:48

9. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: I. 3:52
10. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: II. Adagio 3:34
11. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: III. Allegro 4:02
12. Concert Brandebourgeois No. 1 en Fa Majeur, BWV 1046: IV. Menuet & Polonaise 5:47

13. Concerto pour quatre clavecins en Ré Mineur, BWV 1065: I. Allegro 3:25
14. Concerto pour quatre clavecins en Ré Mineur, BWV 1065: II. Adagio 2:08
15. Concerto pour quatre clavecins en Ré Mineur, BWV 1065: III. Allegro 3:07

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Cafe Zimmermann
Pablo Valetti, Violon & Konzertmeister
Céline Frisch, cravo

O Café Zimmermann reunido em frente ao alto comando pró-enchente do Governo do Estado do RS.

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Collegium Aureum)

J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Collegium Aureum)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Vou-lhes contar uma coisa: na minha opinião, esta é a melhor versão dos Concertos de Brandenburgo que já ouvi. Mas tenho de lhes contar outra coisa: este foi, em 1973 0u 74, o primeiro disco de música erudita que comprei. Tinha 16 ou 17 anos. É claro que os fatos devem estar ligados. Quando comprei aquele belíssimo álbum duplo importado de uma tal Deutsche Harmonia Mundi que me custara os olhos da cara, jamais imaginaria que ele me acompanharia por tanto tempo. E é realmente uma gravação extraordinária. Liderado pelo violinista Franzjosef Maier e tendo a seu serviço o cravista Gustav Leonhardt, o Collegium Aureum e a Harmonia Mundi alemã me mostravam um mundo de sonoridade diferente daquela que meu pai (ou padrasto, sei lá, pois não sou filho de Bach?) ouvia em casa. O segredo estava escrito na capa em letras amarelas: auf Originalinstrumenten, com instrumentos originais. Ainda hoje ouço esta gravação e a tenho como a melhor. Já a submeti a vários músicos, que ficaram entre a surpresa e o encanto. Se estou no mesmo caso da propaganda do primeiro sutiã? (A primeira vez a gente nunca esquece…) Talvez, mas ouçam antes. O registro é de 1969.

Uma curiosidade: Franzjosef Maier foi professor e o principal mentor de Reinhard Goebel, o fundador e líder do Musica Antiqua de Köln.

Recomendo fortemente!!! Para ouvir e comprar!!!

J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Collegium Aureum)

CD1:

1. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
2. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Adagio
3. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
4. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Menuetto

5. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro
6. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Andante
7. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro Assai

8. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
9. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Adagio
10. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro

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CD2:

11. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Allegro
12. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Andante
13. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Presto

14. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
15. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Affettuoso
16. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro

17. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
18. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Adagio ma non tanto
19. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro

Collegium Aureum
Franzjosef Maier (Violino e regência)
Gustav Leonhardt (Solista no Concerto Nº 5 e baixo contínuo nos outros)

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O violinista e Franzjosef Maier
O violinista e Konzertmeister Franzjosef Maier

PQP

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nº 3 & 4 (Slovak Philharmonic, Leaper)

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nº 3 & 4 (Slovak Philharmonic, Leaper)

Gosto muito do movimento central da Sinfonia Nº 3 e do finale da Nº 4, mas, de resto, não são sinfonias que eu ame apaixonadamente. Só que, claro, são Sinfonias de um sinfonista, então são obras fundamentais dele, Jean Sibelius. A Sinfonia Nº 3, Op. 52 (1907) e a Sinfonia Nº 4, Op. 63 (1911) representam polos opostos em sua produção. A Terceira é uma obra de espírito quase neoclássico, culminando num finale grandioso. Em contraste radical, a Quarta é uma das sinfonias mais sombrias e introspectivas já escritas, mergulhando em uma linguagem harmônica austera, atonalidade incipiente e estruturas fragmentadas, refletindo uma crise pessoal do compositor e uma visão de mundo profundamente pessimista. Se a Terceira olha para fora, para a natureza e a epopeia nacional, a Quarta volta-se para os abismos interiores, marcando a transição decisiva de Sibelius do Romantismo Tardio para o Modernismo.

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nº 3 & 4 (Slovak Philharmonic, Leaper)

Symphony No. 3 in C Major, Op. 52
1 I. Allegro moderato 10:09
2 II. Andantino con moto, quasi allegretto 07:49
3 III. Moderato – Allegro (ma non tanto) 08:35

Symphony No. 4 in A Minor, Op. 63
4 I. Tempo molto moderato, quasi adagio 09:41
5 II. Allegro molto vivace 04:49
6 III. Il tempo largo 11:01
7 IV. Allegro 09:29

Conductor(s): Leaper, Adrian
Orchestra(s): Slovak Philharmonic Orchestra

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O jovem Sibelius.

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (Pandolfo, Alessandrini)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (Pandolfo, Alessandrini)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (BWV 1027-1029), de Johann Sebastian Bach, são três obras-primas do repertório barroco de câmara, compostas provavelmente durante o período em Leipzig (por volta de 1740). Elas representam um diálogo refinado entre dois instrumentos, onde a viola da gamba e o cravo (com a mão esquerda atuando como baixo contínuo e a direita como parceira melódica, palavra de leigo) têm papéis de igual importância. A viola da gamba foi popular nos séculos XVI-XVIII, especialmente na França e na Alemanha. Tem um som mais suave e nasal que o violoncelo, e era associado à aristocracia e à música intimista. Bach escreveu para a gamba em algumas de suas obras (como as Paixões), mas essas sonatas estão entre suas poucas peças que a colocam como solista. Elas surgem num momento de transição, quando o violoncelo começava a substituir (e eliminar) a gamba. O cravo aqui é obbligato, ou seja, é diferente do baixo contínuo simples, muitas vezes improvisado — aqui a parte do cravo é totalmente escrita e essencial para o contraponto, funcionando como um verdadeiro dueto. Tão pensando o quê? PQP é curtura! Ah, a transcrição da Suíte Nº 5 para violoncelo solo é para se ouvir de joelhos. Obrigado, Pandolfo. Aliás, Paolo Pandolfo não é apenas um excelente intérprete da viola da gamba – ele é uma das figuras mais influentes na revitalização moderna do instrumento. Sua abordagem vai muito além da “recriação histórica”: é uma reinvenção cantante, poética e filosófica do som e do papel da gamba.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (Pandolfo, Alessandrini)

Sonate BWV 1027
en Sol majeur / G major / G-dur
· Adagio (4’34)
· Allegro non tanto (3’36)
· Andante (2’37)
· Allegro moderato (2’56)

Sonate BWV 1028
en Ré majeur / D major / D-dur
· [Adagio] (1’59)
· [Allegro] (3’31)
· Andante (4’32)
· Allegro (3’53)

Sonate BWV 1029
en sol mineur / G minor / g-moll
· Vivace (5’21)
· Adagio (6’24)
· Allegro (3’38)

Suite pour viole de gambe seule
en ré mineur / D minor / d-moll
(transcription de la Suite pour violoncelle n°5 BWV 1011 et de la Suite pour luth BWV 995)
· Prélude (6’09)
· Allemande (6’00)
· Courante (2’24)
· Sarabande (3’48)
· Gavottes I & II (4’11)
· Gigue (2’27)

Paolo Pandolfo, viola da gamba
Rinaldo Alessandrini, cravo

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Pandolfo: um artista maravilhoso

PQP

Prokofiev & Rachmaninov: Concertos para Piano – Gary Graffman (piano) / The Cleveland Orchestra & George Szell / New York Philharmonic Orchestra & Leonard Bernstein ֎

Prokofiev & Rachmaninov: Concertos para Piano – Gary Graffman (piano) / The Cleveland Orchestra & George Szell / New York Philharmonic Orchestra & Leonard Bernstein ֎

An ideal coupling of unsurpassed performances, these stereo recordings of Gary Graffman’s performances of Prokofiev’s First and Third piano concertos should be heard by anyone who loves Prokofiev’s music.    (James Leonard)
Sobre o disco de música de Rachmaninov: This performance is a prime example of the phrase, “Oldie but goodie.” Inkpotter Isaak Koh called it well-paced and beautifully played.

 

Gary costumava ser um nome comum nos Estados Unidos e em países de língua inglesa lá pelos anos vinte do século passado, até as décadas de 50 e 60, como no caso dos atores Gary Cooper e, mais recentemente, Gary Oldman, sem esquecer o regente Gary Bertini. Há também uma cidade estadunidense chamada Gary, que fica em Indiana, na beira do Lago Michigan, perto de Chicago. Gary, a cidade, é famosa pela siderurgia, que lhe dá um aspecto acinzentado, e por ter sido cenário de alguns filmes de suspense… Se te oferecerem passar as férias em Gary deve ser alguma pegadinha. Mas, o Gary da postagem é outro – Gary Graffman – e nos deixou no ano passado, já bem idoso. Gary Graffman foi um pianista espetacular, como atestam os dois discos da postagem. Virtuose do mais alto calibre, mas também músico profundo, sensível e abrangente.

O fotografo do PQP Bach estava tentando colocar todo mundo na mesma polaroid… (orçamento curto)

Foi também professor, atuando no Curtis Institute of Music, da Filadélfia. Lang Lang foi seu aluno, assim como Yuja Wang e, mais recentemente, Haochen Zhang.

Para a postagem em sua lembrança escolhi dois discos que tem similaridades (compositores russos virtuoses do piano), mas que diferem pelo apelo ao público. Enquanto Rachmaninov, com seu Concerto No. 2 e as Variações sobre um tema de Paganini são peças de grande apelo popular, os Concertos Nos. 1 e 3 de Prokofiev são mais ‘modernosos’, oferecendo um bom contraste entre os discos.

Ambos são verdadeiros clássicos da discografia de Concertos para Piano e oferecem, cada um à sua maneira, grandes possibilidades de entretenimento. Afinal, agradar a gregos e baianos não é tarefa fácil.

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)

Piano Concerto No. 3 In C Major, Op. 26

  1. Andante, Allegro
  2. Andantino (Tema Con Variazioni)
  3. Allegro Ma Non Troppo

Piano Concerto No. 1 In D Flat Major, Op. 10

  1. Allegro Brioso – Poco Piú Mosso – Tempo Primo
  2. Meno Mosso
  3. Andante Assai
  4. Sostenuto

Piano Sonata No. 2 In D Minor, Op. 14

  1. Allegro, Ma Non Troppo
  2. Scherzo. Allegro Marcato
  3. Andante
  4. Vivace

Piano Sonata No. 3 In A Minor, Op. 28, “From Old Notebooks”

  1. Sonata

Gary Graffman, piano

The Cleveland Orchestra

George Szell

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MP3 | 320 KBPS | 153 MB

Sergei Rachamaninov (1873 – 1943)

Concerto No. 2 In C Minor For Piano And Orchestra, Op. 18

  1. I – Moderato
  2. II – Adagio Sostenuto
  3. III – Allegro Scherzando

Rhapsody On A Theme Of Paganini, Op. 43

  1. Rhapsody

Gary Graffman, piano

New York Philharmonic Orchestra

Leonard Bernstein

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MP3 | 320 KBPS | 124 MB

The power and dexterity of his First Concerto is astonishing, but it is Graffman’s capacity to articulate the inexpressible yearning of its Andante assai that makes his performance indescribable. Szell and his Cleveland Orchestra are models of responsible support, Columbia’s mid-’60s stereo sound is clear and deep, and the inclusion of Graffman’s outstanding 1962 recordings of Prokofiev’s Second and Third piano sonatas is as enjoyable as it is inescapable.

 

Gary Graffman’s recording of Rachmaninoff’s Piano Concerto No. 2 with Bernstein and the NYP is generally hailed as a powerful, emotionally charged performance, known for its dramatic interplay, intense energy, and Graffman’s brilliant, sometimes fiery, pianism.

Aproveite!

René Denon

Gary, Indiana… vai?

F. J. Haydn (1732-1809) & G. M. Monn (1717-1750): Concertos para Violoncelo (Queyras, Müllejans, Freiburger Barockorchester)

F. J. Haydn (1732-1809) & G. M. Monn (1717-1750): Concertos para Violoncelo (Queyras, Müllejans, Freiburger Barockorchester)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Alguns de vocês vão pensar que eu e CVL combinamos fazer isso, outros vão achar que eu resolvi encher o saco dele, metendo uma gravação muito boa só para lhe fazer concorrência. Calma, os fatos são mais simples. Eu amo estes concertos de Haydn e, quando vi que havia uma só gravação recebendo o Diapason d`Or, o Choc de Classica e o Editor`s Choice da Gramophone, encomendei a maravilha. Ela chegou em minha datcha trás-anteontem (ou seria tresanteontem?), dia 30, e passei dois dias ouvindo a coisa sem parar. Posso dizer duas coisas: (1) é DISPARADA a melhor gravação que já ouvi destes concertos — Queyras é extraordinário — e (2) não ouvi ainda a gravação do Menezes postada ontem por CVL.

Há um agravante que me fez comprar este CD rapidamente: na minha opinião a Freiburger Barockorchester é o melhor conjunto barroco da atualidade e tenho inclusive DVDs do grupo. É um melhor do que o outro. Bem, se vocês ainda desconfiam que sacaneei CVL, peço que vão tomar nos seus cus.

Pois, em verdade, vos digo: a gente passa a vida esperando a interpretação perfeita e às vezes a encontra, nem que seja apenas por alguns meses ou anos. É o caso. Vale a pena escurecer a sala e ouvir APENAS os concertos. Ah, esqueçam o simpático Monn. A grandeza aqui é toda de Haydn!

F. J. Haydn (1732-1809) & G. M. Monn (1717-1750): Concertos para Violoncelo (Queyras, Müllejans, Freiburger Barockorchester)

Cello Concerto No. 1 in C major, H. 7b/1, de Franz Joseph Haydn
1. Moderato
2. Adagio
3. Finale, Allegro Molto

Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2 (Op. 101), de Franz Joseph Haydn
4. Allegro Moderato
5. Adagio
6. Allegro

Cello Concerto in G minor, de Georg Matthias Monn
7. Allegro
8. Adagio
9. Allegro Non Tanto

Freiburg Baroque Orchestra
Jean-Guihen Queyras, violoncelo
Petra Müllejans, regência

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Queyras, um disco totalmente fora da curva | Foto: Marco Borggreve

PQP

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Heinrich Schütz (1585-1672): Musikalische Exequien, Motetos e Concertos (Gardiner)

Heinrich Schütz (1585-1672): Musikalische Exequien, Motetos e Concertos (Gardiner)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um cidadão chamou minha atenção para um fato deveras chocante: não havia Heinrich Schütz em nosso blog! Não havia, há agora.

(Este post é de 2008)

Por exemplo, uma das músicas mais belas e fundamentais já postadas várias vezes por nosso blog foi Um Réquiem Alemão de Johannes Brahms. Pois você sabia a quem é dedicado seu último movimento, o coral Chor: “Selig sind die Toten, die in dem Herrn sterben”? Pois é, a Schütz, um compositor absolutamente fantástico e único na história da música.

Vindo lá do começo do barroco alemão, meditando sobre a morte, quase sempre à capela, com pouco baixo contínuo… Tudo para ser chato, não? Nada disso, sua música de sincera religiosidade, cheia de dissonâncias radicais e inesperadas o deixam ao lado dos maiores compositores de seu século: Monteverdi e Purcell. As obras que compõem este disco foram as que me convenceram, algumas décadas atrás, a conferir se havia mais vida inteligente antes de meu pai. São nestas obras — partes de suas Symphoniae sacrae, de 1649, que Schütz revela-se mais moderno e tocado pela teatralidade italiana, mas dentro de um clime de fervor coletivo, facultado pela enorme tradição polifônica alemã.

Gravação impecável de Gardiner. Ouça primeiro a faixa 3 e deixe-se convencer por Schütz.

Heinrich Schütz (1585-1672) – Musikalische Exequien, Motetos e Concertos (Gardiner)

Motetos e Concertos
1. Freue Dich Des Weibes Deiner Jugend
2. Ist Nict Ephraim Mein Teurer Sohr
3. Saul, Saul Was Verfolgst Du Mich?
4. Auf Dem Gebirge Hat Man Ein Geschrei Gehoret

Musikalische Exequien
5. Concerto In Form Einer Teutschen Begrabnis-Missa
6. Motette>>Herr, Wenn Ich Nur Dich Habe<<
7. Canticum Simeonis

Ashley Stafford
Michael Chance
Frieder Lang
Monteverdi Choir
The English Baroque Soloists
His Majesty’s Sagbutts and Cornetts
John Eliot Gardiner

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Esse merece rir, que talento!

PQP

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 26, 52, 53 e de 82 a 92 (5 CDs – Orchestra of the Age of Enlightenment, La Petite Bande, Sigiswald Kuijken)

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 26, 52, 53 e de 82 a 92 (5 CDs – Orchestra of the Age of Enlightenment, La Petite Bande, Sigiswald Kuijken)

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

A série de livros “Manual do Blefador” (Ediouro) dá dicas a pessoas que não querem passar vergonha entre entendidos. Você chega num grupo intelectualizado e começa a externar generalidades brilhantes sobre vários assuntos. Mesmo sem saber do que se trata, sem ter lido, ouvido ou tido algum contato com o tema, você se torna subitamente um especialista. Há vários desses livrinhos: sobre música, vinhos, literatura, arte moderna, filosofia, teatro, etc. Eles são ótimos, engraçadíssimos, como demonstra este verbete sobre Haydn, retirado de “Manuel do Blefador: Música”:

Haydn.

O pai da sinfonia. Ao contrário do normal, ninguém soube quem foi sua mãe. Haydn decidiu que as sinfonias deviam ter princípio, meio e fim, além de primeiros movimentos que soma como aberturas nas sonatas, missas e trios. Beethoven, em seu estilo grosseiro, desconsiderou e estragou esse belo modelo convencional.

O sentimento geral é de que Haydn podia ser tão bom quanto Mozart se não tivesse sido tão incuravelmente feliz durante a vida. Esse espírito de contentamento insinuou-se por toda sua música e diluiu-se. As últimas sinfonias foram compostas em Londres para ganhar dinheiro vivo, e a sombra do contrato que pairava sobre ele acrescentou-lhe aquela pitadinha de desgraça que tanto lhe faltara antes. Talvez somente um homem verdadeiramente sem coração poderia ter composto algo tão assombrosamente feliz quanto o final da Sinfonia Nº 88.

Existem muitas e muitas sinfonias que praticamente não são tocadas e que você pode considerar suas favoritas, mas o excelente comentário sobre Haydn é afirmar que o melhor de suas músicas foram as missas — e não haverá necessidade de falar sobre isso.

Peter Gammond — Manual do Blefador: Música

Sigiswald Kuijken faz uma careta especial para o povo pequepiano | Imagem roubada do Facebook do grande violinista e maestro brasileiro Luis Otavio Santos
Sigiswald Kuijken faz uma careta especial para o povo pequepiano | Imagem roubada do Facebook do grande violinista e maestro brasileiro Luis Otavio Santos

Elegância, equilíbrio, senso de estilo, alegria, linda sonoridade, todos os elogios valem para esta coleção de sinfonias de Haydn. Quem aprecia este imenso compositor do classicismo ficará muito feliz em ouvir Sigiswald Kuijken dirigindo dois esplêndidos grupos: a Orchestra of the Age of Enlightenment e, pois creio que seja, a sua La Petite Bande.

Haydn, ao lado de Mozart, personifica o classicismo vienense. Para quem não sabe, compôs mais de 100 delas, além de mais de 60 quartetos de cordas e dezenas de criações em diversos gêneros instrumentais e vocais, sacros e profanos. Ele é chamado o “Pai da Sinfonia”, mas pode também ser chamado de “Pai do Quarteto de Cordas”, gênero inventado por ele. Mozart chamava-o de “Papai Haydn”.

O musicólogo Charles Rosen escreveu:

Não há uma passagem, mesmo a mais séria, dessas grandes obras que não seja marcada pelo humor de Haydn, e seu humor cresce de forma tão poderosa e tão eficiente que se torna uma espécie de paixão, uma força ao mesmo tempo onívora e criativa.

Franz Josef Haydn (1732-1809)
Franz Josef Haydn (1732-1809)

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 26, 52, 53 e de 82 a 92 (5 CDs – Orchestra of the Age of Enlightenment, La Petite Bande, Sigiswald Kuijken)

CD 1
Symphony No. 26 in D minor (‘Lamentatione’), H. 1/26
1. I. Allegro con spirito
2. II. Adagio
3. III. Menuet & trio
Symphony No. 52 in C minor, H. 1/52
4. I. Allegro con brio
5. II. Andante
6. III. Menuetto (Allegro) & trio
7. IV. Finale: Presto
Symphony No. 53 in D major (‘L’Impériale’/’Festino’), H. 1/53
8. I. Largo maestoso – Vivace
9. II. Andante
10. III. Menuetto & trio
11. IV. Finale: Capriccio – Moderato

CD 2
Symphony No. 82 in C major (‘The Bear’), H. 1/82
1. I. Vivace assai
2. II. Allegretto
3. III. Menuet – Trio
4. IV. Finale: Vivace
Symphony No. 83 in G minor (‘The Hen’), H. 1/83
5. I. Allegro spiritoso
6. II. Andante
7. III. Menuet: Allegretto – Trio
8. IV. Finale: Vivace
Symphony No. 84 in E flat major (‘In Nomine Domini’), H. 1/84
9. I. Largo – Allegro
10. II. Andante
11. III. Menuet: Allegretto – Trio
12. IV. Finale: Vivace

CD 3
Symphony No. 85 in B flat major (‘La Reine’), H. 1/85
1. I. Adagio – Vivace
2. II. Romance: Allegretto
3. III. Menuetto: Allegretto – Trio
4. IV. Finale: Presto
Symphony No. 86 in D major, H. 1/86
5. I. Adagio – Allegro spiritoso
6. II. Capriccio: Largo
7. III. Menuet: Allegretto – Trio
8. IV. Finale: Allegro con spirito
Symphony No. 87 in A major, H. 1/87
9. I. Vivace
10. II. Adagio
11. III. Menuet – Trio
12. IV. Finale: Vivace

CD 4
Symphony No. 88 in G major (‘Letter V’), H. 1/88
1. I. Adagio – Allegro
2. II. Largo
3. III. Allegretto
4. IV. Allegro con spirito
Symphony No. 89 in F major (‘Letter W’), H. 1/89
5. I. Vivace
6. II. Andante con moto
7. III. Menuet
8. IV. Vivace assai
Symphony No. 92 in G major (‘Oxford’/’Letter Q’), H. 1/92
9. I. Adagio – Allegro spiritoso
10. II. Adagio
11. III. Allegretto
12. IV. Presto

CD 5
Symphony No. 90 in C major (‘Letter R’), H. 1/90
1. I. Adagio – Allegro assai
2. II. Andante
3. III. Menuet
4. IV. Allegro assai
Symphony No. 91 in E flat major (‘Letter T’), H. 1/91
5. I. Largo – Allegro assai
6. II. Andante
7. III. Menuet
8. IV. Vivace

Orchestra of the Age of Enlightenment
La Petite Bande
Sigiswald Kuijken

Total playing time: 348:38
Recorded 1988-91 | Released 2002

Recording:
1988-91, Haarlem, The Netherlands | London

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Sigiswald Kuijken: um esplêndido trabalho em Haydn
Sigiswald Kuijken: um esplêndido trabalho em Haydn

PQP

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo (Jean-Guihen Queyras)

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo (Jean-Guihen Queyras)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Dizem claramente meus ouvidos que esta talvez seja a melhor das gravações das célebres suítes. No mínimo, o extraordinário trabalho de Queyras fica no mesmo nível de outras grandes gravações. E, por favor, não me falem em Rostropovich e Yo-Yo Ma. É óbvio que são notáveis violoncelistas, mas em outro gênero de repertório. Falta-lhes o senso de estilo que sobra ao francês Queyras. Ouço a custo os Concertos para Violoncelo de Shosta por outro que não seja Rostrô. Mas ele ou Ma com Bach não dá. Bem, nesta espetacular gravação da Harmonia Mundi, Queyras mostra o que se deve acentuar, onde se deve acelerar, o momento de desacelerar, quando brecar, etc. E tudo com o som do caraglio, limpinho, limpinho, de seu cello feito em 1696 por Goffredo Cappa. E, ah, aquela gravação fantástica dos concertos de Haydn com a Freiburger Barockorchester é com ele também… Tá explicado.

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo (Jean-Guihen Queyras)

CD 1
1. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 1. Prélude
2. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 2. Allemande
3. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 3. Courante
4. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 4. Sarabande
5. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 5. Menuets 1 & 2
6. Suite No. 1 in G major, BWV 1007: 6. Gigue

7. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 1. Prélude
8. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 2. Allemande
9. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 3. Courante
10. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 4. Sarabande
11. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 5. Menuets 1 & 2
12. Suite No. 2 in D minor, BWV 1008: 6. Gigue

13. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 1. Prélude
14. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 2. Allemande
15. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 3. Courante
16. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 4. Sarabande
17. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 5. Bourrées 1 & 2
18. Suite No. 3 in C major, BWV 1009: 6. Gigue

CD 2
1. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 1. Prélude
2. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 2. Allemande
3. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 3. Courante
4. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 4. Sarabande
5. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 5. Bourrées 1 & 2
6. Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010: 6. Gigue

7. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 1. Prélude
8. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 2. Allemande
9. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 3. Courante
10. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 4. Sarabande
11. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 5. Gavottes 1 & 2
12. Suite No. 5 in C minor, BWV 1011: 6. Gigue

13. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 1. Prélude
14. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 2. Allemande
15. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 3. Courante
16. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 4. Sarabande
17. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 5. Gavottes 1 & 2
18. Suite No. 6 in D major, BWV 1012: 6. Gigue

Jean-Guihen Queyras, violoncelo

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Music Abstract Painting Image Suite No. 1, by Carmen Guedez - Copyright © www.carmenguedez
Music Abstract Painting Image Suite No. 1, by Carmen Guedez – Copyright © www.carmenguedez

PQP

G.F. Händel (1685-1759): Concertos para órgão, Op. 4 (Ottavio Dantone, Accademia Bizantina)

Um disco de grande beleza sonora com os seis Concertos para órgão e orquestra publicados por Handel em 1738. Há algumas gravações integrais com todos os concertos para órgão de Handel, dos quais talvez o “Cuco e o Rouxinol” (Concerto nº 13, HV 295, que não foi publicado com nº de opus) possivelmente é o mais notável de todos. Mas a falta desse concerto aqui não diminui as interpretações dos músicos da Accademia Bizantina – grupo fundado em Ravenna, Itália, em 1984

No libreto do disco, temos uma aprofundada apresentação dessas obras estreadas na Inglaterra ao longo da década de 1730. Aqui vão alguns trechos:

Sendo um organista, compositor de concertos e amante dos efeitos teatrais, era inevitável que Handel um dia inventasse o concerto para órgão. Mas foi uma longa gênesa: a primeira combinação de órgão com orquestra por Handel ocorreu em 1707, em seu período na Itália. O Oratório Il Trionfo del Tempo e del Disenganno precisava de um interlúdio instrumental para expressar os prazeres das sensações: Handel criou então uma sensual “Sonata” para órgão e orquestra seguida de uma ária com órgão obbligato. Esses movimentos deram a Handel a possibilidade de fazer sucesso no papel duplo de compositor e solista. Por motivos semelhantes, as óperas Agrippina (Veneza, 1709) e Rinaldo (Londres, 1711) tiveram áreas com cravo obbligato. Handel, então, abandonou a ideia por um tempo, provavelmente até cerca de 1733 ou 1735.

Os Concertos para órgão interpretados por Handel entre os atos dos seus Oratórios tornaram-se favoritos das plateias de Londres e a publicidade logo começou a mencionar peças para órgão e orquestra “never heard before” (nunca ouvidas antes).

Handel provavelmente tocava os concertos em um pequeno órgão portátil [pequeno para padrões de órgãos! – Pleyel] de onde ele também acompanhava cantores e regia a orquestra. Esses instrumentos tinham um tom delicado e não tinham pedais. O que o público dos teatros mais gostava era, talvez, a excitação de ouvir o compositor improvisar em tempo real. O historiador do século XVIII Sir John Hawkins afirma que Handel costumava começar cada concerto com um improviso “concatenado com suprema arte, e ao mesmo tempo perfeitamente inteligível, com a aparência de grande simplicidade”. Ao longo do Concerto, Handel continuava fazendo pequenos improvisos nos ornamentos: quem assistisse a duas apresentações em noites seguidas não ouviria a mesma música duas vezes. Isso fica claro na edição impressa como opus 4: a música é cheia de marcações “ad libitum”, indicando que o intérprete devia sentir a liberdade de criar.

G.F. Händel (1685-1759):
Seis Concertos para órgão, op. 4
Accademia Bizantina
Ottavio Dantone – órgão e direção
Recording: Bartholomäuskirche, Halle, 2008

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Caricatura de Handel por Goupy, 1754

Pleyel

F. J. Haydn (1732-1809): 4 sinfonias com apelidos: “Philosopher” (Nº 22), “La Roxelane” (63), “Laudon” (69) e “La Chasse” (73) (Adam Fischer)

F. J. Haydn (1732-1809): 4 sinfonias com apelidos: “Philosopher” (Nº 22), “La Roxelane” (63), “Laudon” (69) e “La Chasse” (73) (Adam Fischer)
Hã? Cadê o CD?

Não conheço quem desgoste de Haydn. Pode ser que fiquemos indiferentes, mas detestar o gentil, talentoso e simpático Haydn? Nunca! Um autor muito inteligente e às vezes cômico — será que eu já não escrevi isso aqui antes? –, Peter Gammond, disse que Haydn teria sido tão grande quanto Mozart se não houvesse sido tão feliz. Faltava-lhe uma pitada de drama e só alguém absolutamente sem problemas teria escrito tanta coisa… incondicionalmente feliz. Talvez Gammond tenha razão. Haydn escreveu, por exemplo, missas maravilhosas, só que de religiosidade pra lá de duvidosa. Sua verdadeira religião era a música. Não acho convincente o Haydn dos oratórios e missas, mas acho convincente o compositor. Por que escrevo isso? Sei lá.

Eu não sei se este CD foi lançado desta forma ou se alguém juntou estas gravações de Fischer. O único que posso dizer é que meus ouvidos garantem que são de primeira linha. São belos registros de algumas das Sinfonias do mestre.

F. J. Haydn (1732-1809): 4 sinfonias com apelidos: “Philosopher” (22), “La Roxelane” (63), “Laudon” (69) e “La Chasse” (73) (Adam Fischer)

Symphony No. 22 in E flat major (“Philosopher”), H. 1/22
1. Adagio
2. Presto
3. Minueto
4. Finale: Presto

Symphony No.63 in C major ‘La Roxelane’
5. Allegro
6. La Roxelane, allegretto (o piu tosto allegro)
7. Menuet & trio
8. Finale, presto

Symphony No.69 in C major ‘Laudon’
9. Vivace
10. Un poco adagio piu tosto andante
11. Menuetto & trio
12. Finale, presto

Symphony No.73 in D major ‘La Chasse’
13. Adagio-allegro
14. Andante
15. Menuetto & trio, allegretto
16. Finale, allegro assai

Austro-Hungarian Haydn Orchestra
Conductor: Adam Fischer

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Você sabia que há dois crânios no túmulo de Haydn? Se quer saber mais detalhes, vá estudar.

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais (Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan)

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais (Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan)
Version 1.0.0

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Nota inicial de Ranulfus: Há um mês o mesmo repertório deste CD (Brandenburgos e Aberturas) voltou à baila executado pelos canadenses da Taffelmusik, em postagem do colega FDP Bach. Ouvi, gostei e recomendo – mas para meu gosto pessoal esta realização de Masaaki Suzuki continua campeã absoluta. Baste dizer que eu sempre havia considerado o 1º Brandenburgo um tanto massudo em comparação com os demais, até chato… mas ao arrancá-lo do salão para o galpão, recuperando a energia e rusticidade das trompas não sem razão chamadas “de caça”, Mr Suzuki conseguiu transformá-lo para mim, de golpe, em uma das peças mais excitantes e queridas do velho Bach!

Daí o meu choque ao descobrir que os links desta postagem estavam vencidos há anos. Inconformado, tomei a postagem de assalto e renovei os links, com ligeira reformulação da apresentação, sem nem pedir licença ao autor da postagem, nosso Grão-Mestre PQP Bach – esperando que ele abrevie em pelo menos dois anos minha condenação às galés pelo fato de preservar a seguir o seu texto original:

É óbvio que as pessoas que mantêm o PQP Bach têm vários parafusos soltos. Em primeiro lugar pela constância e absoluto saco de fazer os ups, em segundo lugar (há vários outros “lugares”) por inventar efemérides onde não há. E a moda do momento é fazer o 200º post de Bach. Nós simplesmente adotamos o desafio do “Raphael – Cello” de chegar JÁ ao post 200 e entramos num alucinado tour de force. Pois agora eu respondo ao Carlinus com o mesmo repertório de seu post de ontem, só que na interpretação de Masaaki Suzuki e do Bach Collegium Japan. Acho que ninguém vai reclamar de novos Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais, né? As duas versões que apresentamos hoje são esplêndidas, o que destrói qualquer tentativa de encontrar um registro mais correto, pois ambas são NOTÁVEIS e MUITO DIFERENTES.

Comprovem dando uma ouvida com que fez Suzuki no 2º movimento do 3º Brandenburguês. Sim, cinco minutos onde não há nada (na minha gravação da Orq. de Freiburg este movimento tem 13 segundos !!!).

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais – Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan

Brandenburg Concerto No. 1 in F major, BWV 1046
1.1. (No tempo indication)
1.2. Adagio
1.3. Allegro
1.4. Menuet – Trio – Menuet – Polonaise – Menuet – Trio – Menuet

Brandenburg Concerto No. 2 in F major, BWV 1047
2.1. (No tempo indication)
2.2. Andante
2.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 3 in G major, BWV 1048
3.1. (No tempo indication)
3.2. Adagio
3.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV 1049
4.1. Allegro
4.2. Andante
4.3. Presto

Brandenburg Concerto No. 5 in D major, BWV 1050
5.1. Allegro
5.2. Affettuoso
5.3. Allegro

Brandenburg Concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051
6.1. (No tempo indication)
6.2. Adagio ma non tanto
6.3. Allegro

Orchestral Suite No. 1 in C major, BWV 1066
1.1. Ouverture
1.2. Courante
1.3. Gavotte 1/2
1.4. Forlane
1.5. Menuet 1/2
1.6. Bourrée 1/2
1.7. Passepied 1/2

Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068
3.1. Ouverture
3.2. Air
3.3. Gavott 1/2
3.4. Bourrée
3.5. Gigue

Orchestral Suite No. 4 in D major, BWV 1069
4.1. Ouverture
4.2. Bourrée 1/2
4.3. Gavotte
4.4. Menuet 1/2
4.5. Réjouissance

Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067
2.1. Ouverture
2.2. Rondeau
2.3. Sarabande
2.4. Bourrée 1/2
2.5. Polonaise – Double
2.6. Menuet
2.7. Badinerie

Bach Collegium Japan
Masaaki Suzuki

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Suzuki, um monstro
Suzuki, um monstro

PQP

Mozart (1756 – 1791): Árias de Óperas – Anna Netrebko • Elīna Garanča • Bryn Terfel • Thomas Quasthoff ֎

Mozart (1756 – 1791): Árias de Óperas – Anna Netrebko • Elīna Garanča • Bryn Terfel • Thomas Quasthoff ֎

Deh, vieni, non tardar, oh gioia bella,
vieni ove amore per goder
Anna, como Susanna

Domingo é dia de ópera – pelo menos para a Rádio MEC – e nada como um disco com árias de óperas de Mozart para encher a sala de música com os mais diversos sons e sentimentos – raiva, medo, persuasão – você pode nomear, vai encontrar tudo lá, inclusive um bocado de gozação. O disco é uma compilação de muitas gravações pelo selo amarelo, mas todas relativamente recentes, com cantores magníficos.

Liderando o time a soprano Anna Netrebko, cantando também o galês Bryn Terfel, Thomas Quasthoff, Elīna Garanča e outros. Entre os regentes Claudio Abbado e Charles Mackerras. A lista completa dos créditos está logo a seguir.

Eu gostei do disco, que parte logo para a ação, nada de ouverture, começamos logo com a anfitriã cantando uma ária da personagem Susanna, de As Bodas de Fígaro. A seguir alguns comentários (em parte amparados pelo Chat PQP Bach) sobre as árias apresentadas no disco.

Terfel como Fígaro

“Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar” (Susanna, de As Bodas de Fígaro): Esta é uma ópera buffa, por excelência. Trocas de papéis, jovem disfarçado de garota (papel sempre interpretado por cantora), um tentando passar a perna no outro. Nesta ária, Susanna está vestida como a Condessa e finge cantar uma canção de amor para o Conde; há uma enorme sinceridade nesta “falsa ária”, porque na verdade ela está cantando para Fígaro (embora ele não saiba disso e fica extremamente enciumado). Falsa nobreza, mas sentimentos verdadeiros; um sonho para os amantes do teatro.

“Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro” (Conde, de As Bodas de Fígaro): O Conde quer dar uma de bonzinho, abriu mão do direito da ‘primeira noite’, mas está de ‘olho na butique’ da Susanna, até perceber que está sendo engabelado por todos, praticamente. É claro, fica furioso… Ária típica de ópera buffa.

“Parto, parto, ma tu, ben mio” (Sesto, La clemenza di Tito): ‘Ópera séria’, a última composta por Mozart, e esta é uma ária cantada pelo personagem Sesto (um contralto ou meio-soprano, de novo, mulher fazendo papel de homem), expressando seu conflito ao ter que partir, apesar do amor por Tito, seu amigo e imperador. Eu conheço pouco essa obra, nunca ouvi uma gravação completa, mas a ária é bem especial. Chama a atenção a interação da voz com o clarinete obbligato. Certamente Mozart, que era um perfeito ‘alfaiate’ para as vozes dos cantores com quem estava trabalhando, também prezava as amizades com os músicos. Aqui, o papel do clarinete certamente se deve ao seu amigo Anton Stadler.

Thomas, como ele mesmo…

“Madamina, il catalogo è questo” (Leporello, Don Giovanni): Essa é figurinha carimbada, a famosa ária do catálogo, na qual Leporello, o faz-tudo do mulherengo Don Giovanni, conta à pobre Donna Elvira, a lista de conquistas do famoso sedutor, revelando o mau caratísmo do famoso nobre.

“Oh smania! oh furie!” (Orestes, Idomeneo): É um famoso recitativo e ária dramática da ‘ópera séria’ que demonstra a maestria de Mozart em expressar emoções intensas, particularmente no personagem atormentado de Oreste, marcando um passo significativo em sua maturidade como compositor de ópera. O texto em italiano expressa tormento extremo, raiva e desespero, condizentes com a situação desesperadora de Orestes.

“In diesen heil’gen Hallen” (Saratro, A Flauta Mágica): Aqui uma ária para baixo profundo, personagem típico das companhias de ópera daquela época. O primeiro Sarastro chamava-se Franz Xaver Gerl e era membro da troupe de Emanuel Schikaneder, outro amigão de Wolfie. Ele foi o primeiro Papageno. A Flauta Mágica não era uma ‘ópera’ (no sentido buffa ou séria), era um Singspiel, uma brincadeira em alemão.

“Fuggi, crudele, fuggi!” (Donna Anna e Don Ottavio, Don Giovanni): Neste caso um dueto com a prima dona da ópera e o tenor. O dueto é dramático, os dois cantam na presença do corpo do Comendador, pai de Donna Anna, morto por Don Giovanni. Don Ottavio é o noivo da moça e quer protegê-la e tal, mas está mais para um ‘dois de paus’. Ah, mas suas árias são lindíssimas.

“Là ci darem la mano” (Don Giovanni, Zerlina): Nesse belíssimo dueto, daquele que não esquecemos mais, o péssimo Don Giovanni tenta seduzir a povera raggazza, Zerlina, que está noiva de Masetto. O Don quase consegue seus intentos, mas é impedido pela chegada dos outros personagens da ópera, que estão na sua cola…

Königin der Nacht

“Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen” (Rainha da Noite, A Flauta Mágica): Ária icônica, até quem não ouve música clássica, que dirá ópera, conhece. A Rainha da Noite promete mover as forças das profundas para conseguir seus intentos vingativos. Há quem diga que Mozart inspirou-se na sogra para esse papel. A Vingança do Inferno Ferve no Meu Coração. Barra pesada…

“Der Vogelfänger bin ich ja” (Papageno, A Flauta Mágica) Nesta deliciosa ária o lado mais terreno do quarteto principal da ópera se apresenta: o caçador de pássaros sou eu! Papageno é aquele que sente fome, tem sede, quer encontrar sua Papagena! Maraviglia!

“Ah, perdona al primo affetto” (Annio e Servilia, La clemenza di Tito): Dueto do Ato I da ópera, cantado pelos personagens Annio (um jovem nobre romano, frequentemente interpretado por uma mezzo-soprano) e Servilia (irmã de Sesto). É um momento de terno amor juvenil e resignação, que ocorre depois que Annio descobre que o Imperador Tito escolheu Servilia para ser sua imperatriz. Tipo, Tristão e Isolda, mas bem distante, viu…

“Zeffiretti lusinghieri” (Ilia, Idomeneo): Ária da princesa troiana cativa, na qual ela expressa seu amor por Idamante, pedindo aos ventos que levem suas declarações, em um momento de solidão e ternura antes de saber da ameaça de sacrifício que paira sobre seu amado. Parece enredo de novela de fim de tarde, mas é isso, tudo muito bonito.

“Soave sia il vento” (Fiordiligi, Dorabella e Don Alfonso, Così fan tutte) É um belíssimo trio no qual as irmãs Fiordiligi e Dorabella, junto com o cínico Don Alfonso, se despedem de seus amados Ferrando e Guglielmo, que estão em um barco fingindo ir para a guerra. É enrolado, mas tudo faz parte da aposta entre os rapazes e Don Alfonso. Elas estão pedindo que o vento seja suave e as ondas calmas para os amantes possam navegar tranquilamente. Um momento de paz e beleza lírica, encerrando assim o programa do álbum.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

  1. Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar
  2. Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro
  3. Parto, parto, ma tu, ben mio
  4. Madamina, il catalogo è questo
  5. Oh smania! Oh furie…
  6. In diesen heil’gen Hallen
  7. Fuggi, crudele, fuggi!
  8. Là ci darem la mano
  9. Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen
  10. Der Vogelfänger bin iIch ja
  11. Ah, perdona al primo affetto
  12. Zeffiretti lusinghieri
  13. Soave sia il vento

Anna Netrebko (1, 5, 7, 12)

Elīna Garanča (3, 11)

Bryn Terfel (2, 13)

Thomas Quasthoff (4, 8, 10)

René Pape (6)

Christoph Strehl (7)

Erika Miklósa (9)

Miah Persson e Christine Rice (13)

Orchestra Mozart & Claudio Abbado (1, 5, 7, 12)

Scottish Chamber Orchestra & Charles Mackerras (2, 13)

Staatskapelle Dresden & Sebastian Weigle (3, 4, 8. 10, 11)

Mahler Chamber Orchestra & Claudio Abbado (6, 9)

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MP3 | 320 KBPS | 140 MB

Claudio já nos seus últimos dias

This is, in other words, a collection of golden eggs worth anyone’s money. It must be regretted that DG have omitted texts and translations but at least provide thumbnail resumes of the contents of each number.

Aproveite!

René Denon

Sir Charles encorajando o grupo do PQP Bach Opera CIA

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nos. 2 & 7 (Leaper, Slovak Philharmonic)

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nos. 2 & 7 (Leaper, Slovak Philharmonic)

Atendendo a pedidos, postamos a Sinfonia Nº 2 de Sibelius. Adoro as Sinfonias do Cabeça de Ovo. Dentre as sinfonias do finlandês, minhas preferências são as de Nº 2, 4, 5 e 7, ou seja, quase todas. Para nossa alegria, há um bom CD da Naxos onde a segunda vem acompanhada da maravilhosa sétima, apesar de que a gravação que mora nos ouvidos de PQP é uma ainda mais antiga, a cargo do grande Evgueni Mravinski (1903-1988), junto à Filamônica de Leningrado, na qual o trombonista dá um show de competência. Aliás, acho que nesta gravação o engenheiro de som achatou o trombonista, que executa o principal tema desta vertiginosa sinfonia em um movimento. O registro de Leaper não é nada ruim — longe disso! — e hoje ficaremos com ela.

Jean Sibelius (1865–1957): Sinfonias Nos. 2 & 7 (Leaper, Slovak Philharmonic)

Symphony No. 2 in D major, Op. 43
Performed by:Slovak Philharmonic Orchestra
Conducted by:Adrian Leaper

I. Allegretto – Poco allegro – Tranquillo, ma poco a poco revvivando il tempo al allegro 10:05
II. Tempo andante, ma rubato – Andante sostenuto 13:50
III. Vivacissimo – Lento e suave – Largamente 6:00
IV. Finale: (Allegro moderato) 13:21

Symphony No. 7 in C major, Op. 105
Performed by:Slovak Philharmonic Orchestra
Conducted by:Adrian Leaper

V. Symphony No. 7 in C major, Op. 105 20:25

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Muitos carecas tiveram cabelos rebeldes na juventude

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.: interlúdio :. André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

.: interlúdio :. André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

O álbum Contínua Amizade (2011) de André Mehmari e Hamilton de Holanda é uma joia a música instrumental brasileira contemporânea. É um encontro de metres — são dois dos maiores instrumentistas e compositores da sua geração que uniram em um projeto de diálogo musical. Ambos são conhecidos por sua técnica virtuosística, criatividade e domínio de linguagens que vão do choro e samba ao jazz e à música erudita. Contínua Amizade reflete não apenas a parceria artística, mas a amizade pessoal entre eles, resultando em uma comunicação musical fluida e orgânica. Mehmari traz sua formação erudita e influências jazzísticas, enquanto Hamilton é o grande revolucionário do bandolim, expandindo os limites do bandolim de 10 cordas. Juntos, criam um som que é ao mesmo tempo raiz e vanguarda. O disco é majoritariamente autoral, com composições de ambos, além de algumas releituras significativas.

André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

1 Rosa
2 Notícia
3 Choro Da Contínua Amizade
4 Acontece
5 Di Menor
6 Choro Negro
7 O Sonho
8 Enchendo o latão
9 Vivo Entre Valsas
10 Baião Malandro
11 Love Theme (From Cinema Paradiso)
12 Choro Negro (primeiro ensaio)
13 Notícia (primeiro ensaio)
14 Choro Da Contínua Amizade (primeiro ensaio)

André Mehmari, piano
Hamilton de Holanda, bandolim

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Mehmari e Hamilton

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Franz Berwald (1796-1868): Sinfonia Nº 3 “Singular”, Nº 4 “Naive” e Concerto para Piano (Kamu, Sivelöv)

Franz Berwald (1796-1868): Sinfonia Nº 3 “Singular”, Nº 4 “Naive” e Concerto para Piano (Kamu, Sivelöv)

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Um dia, estava dirigindo para o trabalho e a Sinfonia Singular começou a tocar na rádio da UFRGS. Cheguei a meu destino ao final do primeiro movimento e não consegui sair de dentro do carro até o final. Eu simplesmente TINHA que saber o que era aquilo. Era 1989. Então, o locutor anunciou Franz Berwald? Berwald? Who the fuck is Berwald? Importei um vinil alemão e, com a Singular, veio este notável Concerto para Piano que também há neste CD da Naxos.

Fiquei meio abobalhado. Depois conheci o Septeto (que logo pretendo postar) e outras obras igualmente muito boas. A magia quebrou-se com os Poemas Sinfônicos, que não chegam aos pés das sinfonias e das obras de câmara que possuo.

Mas o que importa é que — sério! — este é um dos melhores CDs que tenho. É absolutamente inesperado e surpreendente. O sueco Berwald pode não ter sido constante, mas quando acertava uma obra, acertava mesmo. Não deixem de ouvir com atenção a Singular. É música de primeiríssima linha. O primeiro movimento é irresistível e o resto não lhe fica muito atrás. O Concerto para Piano também é excelente! Pois é, Berwald foi um mestre!

Franz Berwald (1796-1868): Sinfonia Nº 3 “Singular”, Nº 4 “Naive” e Concerto para Piano (Kamu)

1. Symphony No. 3 in C major, “Sinfonie singulière”: I. Allegro fuocoso 11:47
2. Symphony No. 3 in C major, “Sinfonie singulière”: II. Adagio – Scherzo: Allegro assai – Adagio 9:02
3. Symphony No. 3 in C major, “Sinfonie singulière”: III. Finale: Presto 8:25

4. Piano Concerto in D major: I. Allegro con brio 9:27
5. Piano Concerto in D major: II. Andantino 5:14
6. Piano Concerto in D major: III. Allegro molto 6:06

7. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: I. Allegro risoluto 8:54
8. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: II. Adagio 6:33
9. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: III. Scherzo: Allegro molto 5:32
10. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: IV. Finale: Allegro vivace 6:36

Niklas Sivelöv, piano
Helsingborg Symphony Orchestra
Okko Kamu

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O topetinho do bofe…

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 1, Titã (Halász, incluindo, ao final, o movimento Blumine)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 1, Titã (Halász, incluindo, ao final, o movimento Blumine)

Uma bela gravação. Bem, como esta Sinfonia é muito conhecida e comentada — deve ter sido postada mil vezes neste blog –, vamos pelas margens. O que é o tal “movimento Blumine”? Este movimento “Das Flores” foi suprimido da Primeira Sinfonia de Gustav Mahler. Ele fazia parte da obra em suas primeiras versões. Sua história é reveladora do quanto Mahler considerava a repercussão de seus trabalhos. A sinfonia foi estreada em 1899 na cidade de Budapeste como um Poema Sinfônico com cinco movimentos, sendo o segundo movimento o “Blumine”. Ele é lírico e pastoral, dominado por uma melodia serena levada pelo trompete solo (ou às vezes no corne inglês), acompanhada por cordas suaves. O “Blumine” representava um momento de inocência e amor juvenil – uma pausa lírica antes do turbilhão do scherzo. Por que Mahler o removeu? Ah, houve críticas… O movimento foi considerado “muito leve” e desconexo do caráter épico e conflituoso do resto da obra. Críticos o chamaram de “supérfluo” ou “kitsch”, coisa que Mahler não suportou… Então Mahler assentiu e resolveu reforçar a unidade dramática da sinfonia. O “Blumine” soaria como um resquício de música incidental, que quebrava o fluxo sinfônico. Em 1893 (Hamburgo) e 1896 (Berlim), Mahler já havia cortado o movimento. Na versão definitiva (1906), a sinfonia consolidou-se em quatro movimentos, no formato clássico. Palavras do compositor: ele disse que o movimento era “muito ingênuo” para o conjunto, e que sua doçura soava como uma “lembrança excessivamente direta” da música de teatro. Eu? Eu achei o Blumine bem chatinho.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 1, Titã (Halász, incluindo, ao final, o movimento Blumine)

Symphony No. 1 In D Major “Titan”
1 Langsam, Schleppend 16:19
2 Kräftig Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell 7:32
3 Feierlich Und Angemessen, Ohne Zu Schleppen 10:02
4 Stürmisch Bewegt 19:29
5 Blumine (Original 2nd Movement) 7:15

Conductor – Michael Halász
Orchestra – Polish National Radio Symphony Orchestra (Katowice)*

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Mahler sabia recuar.

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.: interlúdio:. Charlie Haden & Carla Bley: The Ballad of the Fallen

A maioria das pessoas geralmente associa uma canção de protesto a uma música rock ou folk que usa a letra para abordar temas como guerra, direitos civis, desigualdade, ganância e outros males sociais. Ao consultar listas das melhores canções de protesto, encontramos pouquíssimos assuntos fora dos Estados Unidos e do mundo ocidental, nenhum jazz e certamente nenhuma música instrumental. Parece que quem compila essas listas não está muito familiarizado com Charlie Haden. Ao longo de quatro décadas, Haden gravou vários álbuns com a Liberation Music Orchestra, um conjunto que liderou com Carla Bley, todos focados na opressão e injustiça em diferentes partes do mundo. Curiosamente, todos foram lançados durante governos republicanos nos EUA.

Charlie Haden cresceu no Meio-Oeste americano e, desde cedo, percebeu a injustiça que se manifestava de diversas formas contra negros, pobres e outras minorias. Ao escolher a vida de músico de jazz e participar do movimento free jazz dos anos 60, ele teve uma experiência adulta com o racismo. Ele também estava bem ciente da opressão ao redor do mundo, um tema que o século XX não deixou de abordar. Com a escalada da Guerra do Vietnã no final dos anos 60, ele decidiu formar a Liberation Music Orchestra (LMO), que se tornou uma das expressões políticas mais contundentes do jazz. Considero esse ativismo admirável, não pelo aspecto político da mensagem, mas sim pela profunda compaixão humana que o fundamenta. Charlie Haden disse certa vez: “Sempre fui um idealista e acredito que dentro de cada ser humano que nasce neste planeta existe a capacidade de sentir emoções profundas. Penso que esses sentimentos são sufocados ou suprimidos pelo ambiente, pelo sistema em que vivemos. E acredito firmemente que todo ser humano carrega o universo dentro de si desde o princípio dos tempos.”

Haden não se furtava a expressar suas opiniões, mesmo quando confrontado com perigo real. Em 1971, juntou-se a Ornette Coleman na turnê do Newport Jazz Festival pela Europa, uma caravana que reunia os maiores nomes do jazz da época, incluindo Miles Davis, Duke Ellington, Dexter Gordon, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e outros. A turnê o levou a Lisboa. Na época, Portugal tinha colônias na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique e combatia movimentos nacionalistas nessas regiões, usando força militar pesada contra os insurgentes e suprimindo direitos humanos básicos. Durante o concerto, ao apresentar sua composição “Song for Che”, escrita em memória de Che Guevara, Haden dedicou a canção aos movimentos de libertação dos povos negros nessas colônias. Os estudantes portugueses liberais presentes no concerto o aplaudiram de pé durante toda a execução da música de 12 minutos. Como era de se esperar, esse evento não foi bem recebido pelas autoridades portuguesas, que prenderam Haden no dia seguinte no aeroporto. A embaixada americana interveio, mas não antes que ele tivesse que passar um dia em uma cela de prisão.

Em 1982, Charlie Haden gravou o segundo álbum de estúdio da Liberation Music Orchestra, The Ballad of the Fallen. Assim como no primeiro álbum, ele incluiu canções da Guerra Civil Espanhola, mas desta vez, refletindo sobre as atividades do governo Reagan na América do Sul, adicionou canções de El Salvador, Chile e uma canção portuguesa associada ao movimento de resistência do início dos anos 70, que ele conheceu uma década antes. Na contracapa do álbum, ele apresentou uma pintura de um refugiado salvadorenho com a seguinte inscrição: “Não à intervenção dos EUA. Invasor ianque de El Salvador – Nosso único crime é sermos pobres – estamos cansados ​​de tantas balas enviadas por Ronald Reagan”. Muito bem dito. Mais sobre isso em uma excelente entrevista com a lenda do jazz Charlie Haden sobre sua vida, sua música e sua política.

The Ballad of the Fallen é o álbum que mais gosto na discografia do LMO. Há algo de muito melancólico, mas ao mesmo tempo esperançoso, nessas melodias espanholas e sul-americanas, e os arranjos de Carla Bley lhes fazem um grande favor. Claro que ajuda o fato de o conjunto ser formado por alguns dos maiores músicos de free jazz da época: Don Cherry, Michael Mantler, Jim Pepper, Dewey Redman, Gary Valente, Paul Motian e outros. A sintonia rítmica entre Motian e Haden é quase telepática. Por décadas, eles foram uma das melhores duplas rítmicas do jazz, tocando com o quarteto americano de Keith Jarrett e em vários álbuns, como Etudes . Bill Frisell guarda uma ótima lembrança de tocar com os dois: “O primeiro show que fiz com Charlie Haden foi no Seventh Ave. South com a Liberation Music Orchestra. O palco era minúsculo. Não havia espaço suficiente. De alguma forma, consegui me espremer embaixo da bateria, entre Paul Motian e Charlie. O baixo estava a 7,5 cm de uma orelha, os pratos a 7,5 cm da outra. Nunca vou me esquecer disso. Que som! Era o paraíso. Era ESTÉREO!”

Os momentos de improvisação livre ao longo do álbum contrastam com as belas canções e adicionam um lado confrontador de protesto à música. Afinal, as questões em pauta realmente irritam esses músicos. Surpreendentemente, a revista Downbeat elegeu The Ballad of the Fallen como o melhor álbum de jazz do ano em 1984.

A faixa-título de The Ballad of the Fallen é uma canção folclórica de El Salvador. De acordo com as notas do encarte do disco, trata-se de um poema encontrado no corpo de um estudante morto durante um massacre perpetrado pela Guarda Nacional de El Salvador, apoiada pelos Estados Unidos, em uma manifestação na universidade de San Salvador. Segue abaixo:

Não me pergunte quem eu sou,
ou se você me conhecia.
Os sonhos que eu tinha
continuarão a crescer, mesmo que eu não esteja mais aqui.
Eu não estou vivo, mas minha vida continua
naquilo que continua sonhando.
Outros que seguem a luta
farão crescer novas rosas.
Em nome de todas essas coisas,
você encontrará meu nome.

Não se lembre do meu rosto,
pois era o rosto da guerra.
Enquanto eu estava em minha terra,
era necessário esconder meu rosto verdadeiro.
No céu para onde vou,
você verá como era meu verdadeiro rosto.
Poucas pessoas ouviram minha risada,
mas quando você estiver presente na floresta,
encontrará diante de si meu sorriso ignorado.

(Texto traduzido pelo Google, roubado daqui).

.: interlúdio:. Charlie Haden & Carla Bley: The Ballad of the Fallen

1 Els Segadors (The Reapers) 4:11
2 The Ballad Of The Fallen 4:22
3 If You Want To Write Me 3:59
4 Grandola Vila Morena 2:13
5 Introduction To People 3:48
6 The People United Will Never Be Defeated 1:41
7 Silence 5:40
8 Too Late 8:22
9 La Pasionaria 10:25
10 La Santa Espina 7:00

Bass – Charlie Haden
Clarinet, Flute, Alto Saxophone, Soprano Saxophone – Steve Slagle
Drums, Percussion – Paul Motian
Flute, Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – Jim Pepper
French Horn – Sharon Freeman
Guitar – Mick Goodrick
Piano, Glockenspiel – Carla Bley
Producer – Manfred Eicher
Tenor Saxophone – Dewey Redman
Trombone – Gary Valente
Trumpet – Michael Mantler
Trumpet [Pocket] – Don Cherry
Tuba – Jack Jeffers

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