IM-PER-DÍ-VEL !!!
Hoje é o aniversário de PQP Bach. Não do blog, mas da pessoa. Então, neste 19 de agosto, resolvi postar só gravações extraordinárias.
A gravação da Paixão Segundo Mateus, de Johann Sebastian Bach, pelo Dunedin Consort, sob a direção de John Butt, é um marco da interpretação com critérios históricos. Lançada em 2008, este álbum destaca-se por uma abordagem corajosa que privilegia a clareza e a intimidade, em vez da grandiosidade sonora a que muitas vezes associamos esta obra monumental. O elemento mais distintivo e debatido desta gravação é a decisão de Butt de usar apenas um cantor por parte vocal (one voice per part). Em vez de um grande coro, a obra é interpretada por um conjunto de oito solistas que também desempenham as funções de coro. Esta escolha, baseada na recriação da versão final da obra, de cerca de 1742, está longe de ser consensual, mas é defendida com argumentos sólidos por Butt. Esta abordagem transforma a experiência auditiva. A textura musical torna-se transparente e cristalina, permitindo que cada linha vocal e cada detalhe instrumental sejam ouvidos com grande clareza. A obra, frequentemente vista como uma epopeia coral, ganha um caráter mais íntimo e dialógico, aproximando-se da teatralidade de uma ópera de câmara. A interação entre os personagens (Evangelista, Jesus, Pilatos, etc.) e os comentários dos fiéis (nas árias e corais) tornam-se mais diretos e pessoais. Importante.
A Paixão Segundo Mateus de John Butt e do Dunedin Consort é uma gravação indispensável para os amantes de Bach. Ela oferece uma perspectiva radicalmente diferente, de lupa, sobre a obra. É uma leitura que privilegia a arquitetura contrapontística, a clareza do discurso e a dramaturgia intimista em detrimento do pathos monumental. Ouvir esta gravação é como redescobrir a Paixão. Não vai agradar a todos, e a sua abordagem “nouvelle cuisine” poderá chocar os adeptos da “cuisine classique”. No entanto, a sua coerência, a beleza do seu som e a profundidade da sua visão artística tornam-na uma experiência inesquecível e uma contribuição vital para a compreensão moderna desta obra-prima de Bach.
J. S. Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus — Bach’s Last Performing Version, c.1742 (Dunedin Consort, Butt)
Matthew Passion BWV 244
1-1 Chorus: Kommt, Ihr Töchter, Helft Mir Klagen – Choral: O Lamm Gottes, Unschuldig 6:40
1-2 Evangelista, Jesus: Da Jesus Diese Rede Vollendet Hatte 0:41
1-3 Choral: Herzliebster Jesu, Was Hast Du Verbrochen 0:46
1-4 Evangelista: Da Versammleten, Sich Die Hohenpriester 0:23
1-5 Chorus: Ja Nicht Auf Das Fest 0:14
1-6 Evangelista: Da Nun Jesus War Zu Bethanien 0:31
1-7 Chorus: Wozu Dienet Diser Unrat ? 0:30
1-8 Evangelista, Jesus: Da Das Jesus Merkete 1:23
1-9 Recitativo: Du Lieber Heiland Du 0:53
1-10 Aria: Buss Und Reu 4:14
1-11 Evangelista, Judas: Da Ging Hin Der Zwölfen Einer 0:37
1-12 Aria: Blute Nur, Du Liebes Herz 4:40
1-13 Evangelista: Aber Am Ersten Tage Der Süssen Brot 0:14
1-14 Chorus: Wo Willst Du, Dass Wir Dir Bereiten 0:23
1-15 Evangelista, Jesus: Er Sprach: Gehet Hin In Die Stadt 1:16
1-16 Evangelista: Und Sie Wurden Sehr Betrübt 0:12
1-17 Chorus: Herr, Bin Ichs ? 0:12
1-18 Choral: Ich Bins, Ich Solle Büssen 0:49
1-19 Evangelista: Jesus, Judas: Er Antwortete Und Sprach 3:08
1-20 Recitativo: Wiewohl Mein Herz In Tränen Schwimmt 1:10
1-21 Aria: Ich Will Dir Mein Herze Schenken 3:09
1-22 Evangelista, Jesus: Und Da Sie Den Lobgesang Gesprochen Hatten 1:06
1-23 Choral: Erkenne Mich, Mein Hüter 1:00
1-24 Evangelista, Petrus, Jesus: Petrus Aber Antwortete Und Sprach Zu Ihm 1:00
1-25 Choral: Ich Will Hier Bir Stehen 0:55
1-26 Evangelista, Jesus: Da Kam Jesus Mit Ihnen Zu Einem Hofe 1:39
1-27 Recitativo, O Schmerz ! Hier Zittert Das Gequälte Herz – Choral: Was Ist Die Ursach Aller Solcher Plagen ? 1:53
1-28 Aria: Ich Will Bei Meinem Jesu Wachen – Chorus: So Schlafen Unsre Sünden Ein 4:50
1-29 Evangelista, Jesus: Und Ging Hin Ein Wenig 0:45
1-30 Recitativo: Der Heiland Fälltvor Seinem Vater Nieder 0:57
1-31 Aria: Gerne Will Ich Mich Bequemmen 4:26
1-32 Evangelista, Jesus: Und Er Kam Zu Seinen Jüngern 1:20
1-33 Choral: Was Main Gott Will, Das G’scheh Allzeit 1:08
1-34 Evangelista, Jesus, Judas: Und Er Kam Und Fand Sie Aber Schlafend 2:14
1-35 Aria: So Ist Mein Jesus Nun Gefangen – Chorus: Lasst Ihn, Haltet, Bindet Nicht ! 3:32
1-36 Chori: Sind Blitze, Sind Donner In Wolken Verschwunden ? 1:04
1-37 Evnagelista, Jesus: Uns Sieheeiner Aus Denen, Die Mit Jesu Waren 1:59
1-38 Choral: O Mensch, Bewein Dein Sünde Gross 5:43
2-1 Aria: Ach, Nun Ist Mein Jesus Hin! – Chorus: Wo Ist Denn Dein Freund Hingegangen 4:02
2-2 Evangelista: Die Aber Jesum Gegriffen Hatten 1:01
2-3 Choral: Mir Hat Die Welt Trüglich Gericht’ 0:44
2-4 Evangelista, Testis I/Ii, Pontifex: Und Wiewohl Viel Falsche Zeugen Herzutraten 1:04
2-5 Recitativo: Mein Jesus Schweight Zu Falschen Lügen Stille 1:02
2-6 Aria: Geduld! 3:29
2-7 Evangelista, Pontifex, Jesus: Und Der Hohepriester Antwortete 1:15
2-8 Chori: Er Ist Des Todes Schuldig! 0:14
2-9 Evangelista: Da Speieten Sie Aus In Sein Angesicht 0:13
2-10 Chori: Weissage Uns, Christe 0:21
2-11 Choral: Wer Hat Dich So Geschlagen 0:51
2-12 Evangelista, Ancilla I/Ii, Petrus: Petrus Aber Saß Draußen In Palast 0:54
2-13 Chorus: Wahrlich, Du Bist Auch Einer Von Denen 0:11
2-14 Evangelista, Petrus: Da Hub Er An, Sich Zu Verfluchen 1:17
2-15 Aria: Erbarme Dich, Mein Gott 6:22
2-16 Choral: Bin Ich Gleich Von Dir Gewichen 1:07
2-17 Evangelista, Judas: Des Morgens Aber Hielten Alle Hohepriester 0:52
2-18 Chori: Was Gehet Uns Das An? 0:08
2-19 Evangelista, Pontifex I/Ii: Und Er Warf Die Silberlinge In Den Tempel 0:38
2-20 Aria: Gebt Mir Meinen Jesum Wieder! 2:51
2-21 Evangelista, Pilatus, Jesus: Sie Hielten Aber Einen Rat 2:06
2-22 Choral: Befiehl Du Deine Wege 0:54
2-23 Evangelista, Pilatus, Uxor Pilati, Chori: Auf Das Fest Aber Hatte Der Landpfleger Gewohnheit 1:51
2-24 Chori: Laß Ihn Kreuzigen! 0:21
2-25 Choral: Wie Wunderbarlich Ist Doch Diese Strafe! 0:38
2-26 Evangelista, Pilatus: Der Landpfleger Sagte 0:17
2-27 Recitativo: Er Hat Uns Allen Wohlgetan 1:03
2-28 Aria: Aus Liebe Will Mein Heiland Sterben 4:37
2-29 Evangelista: Sie Schrieen Aber Noch Mehr – Chori: Laß Ihn Kreuzigen! 0:22
2-30 Evangelista, Pilatus: Da Aber Pilatus Sahe 0:25
2-31 Chori: Sein Blut Komme Über Uns 0:40
2-32 Evantelista: Da Gab Er Ihnen Barrabam Los 0:18
2-33 Recitativo: Erbarm Es Gott! 0:58
2-34 Aria: Können Tränen Meiner Wangen 7:13
3-1 Evangelista: Da Nahmen Die Kriegsknechte 0:38
3-2 Chori: Gegrusset Seist Du, Judenkonig! 0:12
3-3 Evangelista: Und Speieten Ihn An 0:14
3-4 Choral: O Haupt Voll Blut Und Wunden 1:53
3-5 Evangelista: Und Da Sie Ihn Verspottet Hatten 0:56
3-6 Recitativo: Ja Freilich Will In Uns Das Fleisch Und Blut 0:37
3-7 Aria: Komm, Susses Kreuz, So Will Ich Sagen 6:43
3-8 Evangelista: Und Da Sie An Die Statte Kamen 1:40
3-9 Chori: Der Du Den Tempel Gottes Zerbrichst 0:30
3-10 Evangelista: Desgleichen Auch Die Hohenpriester 0:09
3-11 Chori: Andern Hat Er Geholfen 0:50
3-12 Evangelista: Desgleichen Schmaheten Ihn Auch Die Morder 0:15
3-13 Recitativo: Ach Golgatha, Unselges Golgatha! 1:22
3-14 Aria: Sehet, Jesus Hat Die Hand; Chorus: Wohin? 3:09
3-15 Evangelista, Jesus: Und Von Der Sechsten Stunde An 1:25
3-16 Chorus: Der Rufet Dem Elias!; Evangelista: Und Bald Lief Einer Unter Ihnen 0:17
3-17 Chori: Halt! Lass Sehen 0:07
3-18 Evangelista: Aber Jesus Schriee Abermal Laut 0:24
3-19 Choral: Wenn Ich Einmal Soll Scheiden 1:07
3-20 Evangelista: Und Siehe Da, Der Vorhang Im Tempel Zerriss 0:56
3-21 Chori: Wahrlich, Dieser Ist Gottes Sohn Gewesen 0:18
3-22 Evangelista: Und Es Waren Viel Weiber Da 1:14
3-23 Recitativo: Am Abend, Da Es Kuhle War 2:01
3-24 Aria: Mache Dich, Mein Herze, Rein 6:17
3-25 Evangelista: Und Joseph Nahm Den Leib 0:55
3-26 Chori: Herr, Wir Haben Gedacht 0:56
3-27 Evangelista, Pilatus: Pilatus Sprach Zu Ihnen 0:36
3-28 Recitativo: Nun Ist Der Herr Zur Ruh Gebracht; Chorus: Mein Jesu, Gute Nacht! 1:53
3-29 Chorus: Wir Setzen Uns Mit Tranen Nieder 5:30
Alto Vocals – Annie Gill, Clare Wilkinson
Bass Vocals – Brian Bannatyne-Scott
Bass Vocals [Jesus], Baritone Vocals – Matthew Brook
Conductor – John Butt
Orchestra, Choir – Dunedin Consort & Players*
Soprano Vocals – Cecilia Osmond, Susan Hamilton (2)
Tenor Vocals – Malcolm Bennett (2)
Tenor Vocals [Evangelist] – Nicholas Mulroy

PQP

IM-PER-DÍ-VEL !!!
Hoje, só teremos excelentes postagens! Afinal, é o aniversário de PQP Bach! Não, não é o aniversártio do blog e sim o MEU aniversário!
Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.
Something like a bird é a última declaração de um gigante o canto do cisne de Charles Mingus — o seu derradeiro testemunho musical. Gravado em janeiro de 1978, cerca de um ano antes da sua morte, este álbum capta o compositor e baixista num momento de profunda vulnerabilidade física, mas de inabalável criatividade. Já confinado a uma cadeira de rodas devido à esclerose lateral amiotrófica, Mingus não conseguiu tocar o seu inseparável contrabaixo nestas sessões, mas supervisionou cada detalhe, transmitindo as suas ideias musicais através de esboços e da orientação aos arranjadores. É, por isso, mais do que um álbum de jazz; é um documento histórico e um ato de resistência. Lançado postumamente em 1981, o álbum é composto por apenas duas peças. A faixa-título é uma suite de mais de 31 minutos, dividida em duas partes para acomodar o formato de vinil. É uma viagem épica e efervescente, construída sobre uma sequência de acordes boppish de uma composição anterior de Mingus, Extrasensory Perception. A peça, que incluiu uma orquestra de 27 músicos, com 11 saxofones e quatro guitarras, avança como uma conversa polifônica onde solos se erguem e se dissolvem em explosões de energia coletiva, ecoando o espírito das jam sessions da Jazz at the Philharmonic, como a crítica da época sublinhou. Em contraste, Farewell Farewell é uma balada mais contida e introspetiva. Arranjada para uma orquestra ligeiramente menor, a sua melancolia e o seu título parecem prenunciar a despedida iminente do seu criador. É um momento de serena beleza, um adeus elegíaco que encerra o álbum com uma nota de contemplação silenciosa, em vez do frenesim da faixa anterior.
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Gosto dos maestros contemporâneos, especialmente de Rattle, Mäkelä e Nelsons. Gostei deste CD curtinho com a Sétima de Ludwig van. Esta gravação de Beethoven, com os Wiener Philharmoniker sob a direção de Sir Simon Rattle, pertence ao ciclo completo das nove sinfonias registrado ao vivo no Musikverein de Viena, em 2002. O projeto chegou com grande expectativa: Rattle, prestes a assumir a Filarmônica de Berlim, e os vienenses, uma orquestra de tradição inquestionável, a confrontarem-se com um repertório que ambos conhecem como poucos. O lançamento foi um evento muito comentado na época. A aposta de Rattle era clara e ambiciosa: conciliar a tradição interpretativa com as descobertas da investigação musicológica. Para isso, utilizou a edição Urtext de Jonathan Del Mar (não pensem que sei do que estou falando, apenas pesquisei), que procurou limpar a música das “camadas de verniz” acumuladas ao longo de décadas, e optou por um efeito sonoro mais transparente, com menos vibrato. A escolha da Filarmônica de Viena, uma orquestra com uma sonoridade inconfundível e profundamente enraizada no Romantismo, tornou a experiência particularmente fascinante — uma tentativa de modernizar ou arcaizar (depende do ângulo) o velho mundo a partir de seu interior.
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Gravado em 25 de julho de 1993, num dia ligeiramente chuvoso em Tóquio, este concerto documenta o Trio de Keith Jarrett no auge da sua telepatia musical. Uma década após a formação do grupo — que liderou um revivalismo do jazz acústico — Jarrett, Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria) oferecem uma demonstração magistral de interação, improvisação e virtuosismo. O programa equilibra standards do cânone jazzístico, originais e surpresas. A abertura com “In Your Own Sweet Way” de Dave Brubeck estabelece o tom: uma abordagem respeitosa mas radicalmente pessoal do material. O ponto alto indiscutível é a interpretação de “Solar” de Miles Davis, que se estende por uns impressionantes 26 minutos numa “Extension” que incorpora uma influência oriental, transformando o tema numa jornada hipnótica que nunca perde o ímpeto. Outros momentos de destaque incluem “Oleo” de Sonny Rollins — uma leitura vibrante que revela a cumplicidade do trio, com DeJohnette sempre a desafiar Jarrett com explorações rítmicas –, “The Cure” — o original de Jarrett, com uma groove contagiante que sublinha a sua veia mais rítmica –, “Bye Bye Blackbird” — uma das interpretações mais celebradas do trio, aqui captada com uma intensidade comovente — e a bela “Butch and Butch”. A química entre estes três músicos é verdadeiramente notável. Gary Peacock, em particular, revela uma sintonia extraordinária com Jarrett, trocando provocações musicais que evidenciam anos de cumplicidade. Jack DeJohnette, com a sua abordagem inventiva à bateria, demonstra porque é considerado um dos mais influentes percussionistas da sua geração — e a realização em vídeo (aqui temos apenas o áudio) permite observar de perto as suas técnicas sutis, desde o swing mais tradicional até aos sons mais únicos que produzem.


Ignoro quem foi o autor desta façanha. Além do bitrate rasante, todos os CDs com esta gravação de Gardiner têm também uma obra de Schütz, compositor que amo, chamada O Bone Jesu, Fili Mariae. Quem botou este CD na rede esquartejou a coisa, retirando esta peça que abria o disco e que deve ser interessante. E, por falar em esquartejamento, Membra Jesu Nostri é um ciclo de sete pequenas cantatas compostas em 1680. A letra, Salve mundi salutare – também conhecida como Rhythmica oratio – é um poema atribuído às vezes a São Bernardo de Claraval (1153), outras vezes a Arnulf de Louvain (1250), ambos da ordem cisterciense. Cada uma das sete partes em que se divide a obra é dedicada a uma parte do corpo crucificado de Jesus: pés, joelhos, mãos, costas, peito, coração e cabeça. É música sacra da melhor qualidade. Buxtehude, tenho a dizer que era imenso compositor, organista admiradíssimo por meu pai – que viajou algumas vezes para encontrá-lo e vê-lo tocar – e que seria mais conhecido, não fora a presença sufocante de papai em nossa cultura. Entre nós, os mais jovens da família, era conhecido como tio Bux.
Lançado em 2024 pelo próprio selo da Orquestra de Cleveland, este CD apresenta um programa bem audacioso: o Quarteto de Cordas Nº 3 de Bartók numa nova transcrição para orquestra de cordas (da autoria do violista da orquestra, Stanley Konopka), junto com a extraordinária Suite de O Mandarim Miraculoso. Gravado ao vivo no Mandel Concert Hall em janeiro de 2024, o disco é um testemunho do virtuosismo e da aposta em repertório pouco convencional que marcam a atual direção musical de Franz Welser-Möst na excelente orquestra da cidade. A novidade deste disco é a transcrição de Konopka para o Quarteto Nº 3. Considerado por muitos o mais “duro” e concentrado dos seis quartetos de Bartók, a obra, composta em 1927, é uma estrutura contínua de implacável lógica interna. Konopka, inspirado por arranjos semelhantes, optou por não apenas dobrar as partes originais, mas por reconceber a obra para duas orquestras de cordas separadas, seguindo o exemplo de Bartók na sua Música para Cordas, Percussão e Celesta. O resultado é surpreendente. As cordas de Cleveland, em estado de graça, aproveitam a oportunidade para trazer uma perspectiva sonora completamente diferente a uma obra familiar. Welser-Möst suaviza algumas arestas, tornando a obra, paradoxalmente, mais acessível e próxima do espírito da Música para Cordas do que da agressividade do quarteto original. A escolha da Suite de O Mandarim Miraculoso como complemento é ideal, contrastando a densidade do quarteto com uma música crua e forte. A orquestra dá uma execução virtuosística, com solos de sopros muito expressivos. No entanto, a abordagem de Welser-Möst revela estranha dualidade: se a dança final recebe a injeção de adrenalina adequada, a Introdução, com as suas sonoridades de paisagem urbana, é por demais polida para uma música que deveria transmitir violência. Porém o final, com a perseguição frenética, mostra que a orquestra sabe arder quando conduzida a isto.


IM-PER-DÍ-VEL !!!


IM-PER-DÍ-VEL !!!![W. A. Mozart (1756 – 1791): Sinfonias Nos. 35, 36 & 38 – J. V. Voříšek (1791 – 1825): Sinfonia em ré maior – Prague Philharmonia & Jiří Bělohlávek [harmonia mundi & Supraphon] [Dose Dupla] ֎֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/07/Jiri-Belohlavek_04_c_Petra-Hajska-960x413.jpg)










IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD maravilhoso estava comigo há mais de um ano, mas foi somente hoje que eu o escutei. A Cantata Itaipu foi composta por Glass no ano de 1989 em homenagem à hidrelétrica de mesmo nome, construída sobre o Rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. O trabalho foi encomendado pela Orquestra Sinfônica de Atlanta. Atualmente, o presidente paraguaio Fernando Lugo, quer “um preço de mercado justo” (palavras dele) pela energia que o Paraguai vende ao Brasil. Mas isso é outra história. O texto da cantata de Glass foi composta em guarani, com tradução feita por Daniela Thomas, por informações não oficiais, parece que ela é filha do cartunista Ziraldo. Corrijam-me se estiver errado. Aproveitem!

Este é um álbum que sempre aparece nas minhas listas de mp3 para ouvir enquanto dirijo. O disco é composto por seis faixas de uma música predominantemente indiana e da melhor qualidade. É interessante salientar que apesar das distancias geográficas que separam os dois compositores, Glass em Nova Yorque e Shankar em Madras, o álbum possui uma unidade surpreendente.![Beethoven (1770 – 1828): Concerto para Piano No. 3 – Caroline Shaw (1982 – ): Watermark – Jonathan Biss (piano), Swedish Radio Symphony Orchestra & Malin Broman – [Orchid Classics] ֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/07/JonathanBissHeader2024copy-960x576.jpg)







Há compositores que não são para amadores ou diletantes. Mahler tem sorte; raramente ouvi gravações de suas obras que não fossem de alto nível. Herreweghe realiza um excelente trabalho em Des Knaben Wunderhorn e, se não chega ao nível dos grandes mahlerianos, dá-nos uma boa versão de uma das mais importantes obras do marido de Alma.
Tenho meus problemas com Herbert von, porém, apesar do molho pesado de sempre, gostei deste CD. Quase chorei no Lacrimosa, não pela regência, mas pela lembrança do final de Vá e Veja. Aqui temos 