Serguei Prokofiev (1891-1953): Piano Concertos 1, 3 e 4 – Kun-Woo Paik, Antoni Witt, Polish National Radio Symphony Orchestra

Creio que a primeira vez que ouvi no Concerto nº 3 de Prokofiev foi num CD do selo Olympia, com a pianista inglesa Moura Limpani, CD que comprei em um balaio de promoções na saudosa Livraria Belas Artes, na Avenida Paulista, em São Paulo. Trata-se de registro dos anos 50, mas muito bem gravado e remasterizado. O outro Concerto do CD era ‘apenas’ o Rach 3, ou seja, Limpani encarava dois petardos, dois dos maiores concertos para Piano do Século XX.  Ainda tenho este CD em meu acervo. Se houver interesse por parte dos senhores, posso providenciar.

Mas enfim, não estamos aqui para falar da grande Moura Limpani, mas sim de um registro bem mais recente do selo Naxos, que traz o pianista coreano Kun-Woo Paik acompanhado pelos poloneses da Polish National Radio Symphony Orchestra, nas sempre competentes mãos de Antoni Wit. E essa turminha encara os Concertos 1, 3 e 4 de Prokofiev. Sem tirar o mérito dos outros dois concertos, creio que o de nº 3 impera absoluto aqui. Aquele tema principal do terceiro movimento embalou meus sonhos de juventude, me fez encarar as dificuldades, não apenas da idade, mas da distância da família e dos amigos, morando sozinho em uma cidade de mais de 10 milhões de habitantes, na qual era apenas mais um. Lembro de ir trabalhar ouvindo meu cd player portátil tocando esse CD. Ou então, nas intermináveis viagens de ônibus, quando conseguia viajar para visitar meus pais no sul do País. Doze horas, com duas paradas. Claro que eram outros tempos, não havia estes insuportáveis congestionamentos dos dias de hoje.

Kun-Woo Paik é um grande pianista, um dos maiores intérpretes de Ravel e de Liszt. E sente-se a vontade tocando estes concertos de Prokofiev, nos brindando com uma execução enérgica, sem nunca perder o foco.

Eu esqueci de comentar com os senhores que a integral destes concertos que Kun-Woo Paik gravou com Antoni Wit ganhou o “Diapason d’Or and Grand Prix du Disque de la Nouvelle Académie du Disque“, importante prêmio da indústria fonográfica. Trarei os outros dois concertos em outra postagem.

01. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 I. Andante – Allegro
02. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 II. Tema con variazioni
03. Piano Concerto No. 3 in C Major, Op. 26 III. Allegro, ma non troppo
04. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 I. Vivace
05. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 II. Andante
06. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 III. Moderato
07. Piano Concerto No. 4 in B-Flat Major, Op. 53 IV. Vivace
08. Piano Concerto No. 1 in D-Flat Major, Op. 10

Kun-Woo Paik – Piano
Polish National Radio Symphony Orchestra
Antoni Wit – Condutor

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.: interlúdio .: Lou Donaldson & Grant Green – Cool Blues

Juntem dois geniais músicos, com uma excelente banda de apoio e o resultado só pode ser um: IM-PER-DÍ-VEL. Gravado ali no início dos anos 60, sim, aquele mesmo período em que os Dinossauros como Miles Davis e  John Coltrane caminhavam sobre a Terra, uma quantidade de discos de Jazz de altíssima qualidade era lançada por selos como Prestige, Vanguard, Columbia, Blue Note dentre tantos outros, muitos deles gravados e produzidos por um gênio dos estúdios chamado Rudy van Gelder, o que é o caso desse que ora vos trago.

Grant Green, assim como seu conterrâneo e contemporâneo Wes Montgomery, viveram pouco, mas intensamente. Por uma ironia do destino morreram j0vens, Green com meros 44 anos, e Montgomery com 45. Triste sina. Mas o que esses dois fizeram os alçaram ao panteão dos grandes músicos.

O parceiro de Grant Green aqui é o saxofonista Lou Donaldson que, ao contrário, viveu muito, morreu aos 98 anos de idade, agora em 2024. Para os fãs de Jazz nem preciso apresentá-lo, é nome conhecido, mas para quem não o conhece, basta dizer que tocou com Art Blakey, Clifford Brown, Horace Silver, Philly Joe Jones, dentre outros. É um dos maiores sax alto da história do Jazz.

Além de Green e de Donaldson, temos Baby Face Wallette no órgão Hammond e outro lendário músico, Brother Jack McDuff. Não sei vocês, mas adoro os nomes desses músicos de Blues e de Jazz.

Um disco para se ouvir em um sábado nublado, meio que chuvoso e frio. Espero que apreciem.

01 – A Foggy Day
02 – Here ‘Tis
03 – Cool Blues
04 – Watusi Jump
05 – Walk Wid Me
06 – Misty
07 – Please
08 – Man With a Horn
09 – Prisoner of Love
10 – Stardust

Lou Donaldson – Sax Alto
Grant Green – Guitarra
Baby Face Willette – Órgão Hammond (faixas 1 – 5)
Brother Jack McDuff – Órgão Hammond (faixas 6 – 10)
Dave Bayley – Bateria (faixas 1 – 5)
Joe Dukes – Bateria (faixas 6 – 10)

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Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nº 4 e 7 / Valsa Triste (Karajan, Berliner)

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nº 4 e 7 / Valsa Triste (Karajan, Berliner)

Antes de qualquer coisa, vou esclarecendo que admiro muitíssimo a obra do finlandês Jean (Johan Julius Christian) Sibelius. Suas sinfonias, poemas sinfônicos, suítes, aquele fantástico concerto para violino, assim como suas obras de câmara — sonatas (tão bem interpretadas por Glenn Gould) e quartetos — sempre estiveram próximos de meu CD Player. Já foi um autor popularíssimo, hoje não é mais. A obra que me parece ser seu ponto mais alto, o poema sinfônico Tapiola, recebe poucas gravações. Não entendo.

Aqui o temos com Karajan e a Filarmônica de Berlim, o que não é garantia de nada. Karajan gravava tanto que era impossível acertar sempre. Se ele acerta no ângulo ao dar à Sinfonia Nº 4 todas as soturnas trevas que ela merece — com seu belo solo inicial de violoncelo, aqui maravilhosamente tocado — , erra na Nº 7. Depois que Mravinski, em fevereiro de 1965, gravou a sétima, tudo deveria ter mudado. Mravinski (e também Sibelius!) fez com o trombone levasse à frente toda a música, dando-lhe enorme destaque. Karajan permaneceu numa concepção antiquada da obra, mesmo tendo-a registrado três anos depois do russo. O trombone está no mesmo nível dos outros instrumentos e, quando ouvimos a Filarmônica de Berlim, parece que alguma coisa no aparelho de som não está funcionando. Cadê o solo? O Alex Ross deve ter detestado essa gravação da sétima. Na Valsa Triste não há como errar. É uma terna peça de concerto, foi, ao lado do Bolero de Ravel e do Pássaro de Fogo de Stravinski, o carro-chefe do filme de Bruno Bozzetto Música e Fantasia (Allegro Non Troppo, 1976).

Jean Sibelius: Sinfonien 4 & 7 / Valse Triste

Sinfonie Nr. 4 Op. 63
1. Tempo molto moderato, quasi adagio
2. Allegro molto vivace
3. Il tempo largo
4. Allegro

Sinfonie Nr. 7 Op. 105
5. Adagio
6. Meno adagio
7. Poco rallentando al Adagio
8. Presto – Poco a poco rallentando al Adagio

9. Valse Triste Op. 44

Berliner Philharmoniker
Herbert Von Karajan

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Sibelius
Sibelius: bom disco, mesmo com algum sofrimento sob as mãos pesadas de Karajan

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 39, 73, 93, 105, 107, 131 (Herreweghe)

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 39, 73, 93, 105, 107, 131 (Herreweghe)

Eu posso contestar a escolha das Cantatas, mas não posso reclamar de Philippe Herreweghe e de sua orquestra e coral de Ghent — eles dão um show de interpretação. Só por isso o CD duplo, colocado por mim em apenas um arquivo, já mereceria ser baixado. Como vocês estão vendo, interrompo a série de Bach 2000 para postar mais Cantatas… É amor, gente. Acontece.

J. S. Bach: Cantatas BWV 39, 73, 93, 105, 107, 131 (Herreweghe)

Track listing:
Aus der Tiefen rufe ich, Herr, zu dir (bwv 131)
Herr, wie du willt, so schicks mit mir (bwv 73)
Herr, gehe nicht ins Gericht mit deinem Knecht (bwv 105)
Brich dem Hungrigen dein Brot (bwv 39)
Wer nur den lieben Gott läßt walten (bwv 93)
Was willst du dich betrüben (bwv 107)

cd1.01. BWV 131 – Aus der Tiefen rufe ich
cd1.02. BWV 131 – So du willst, Herr, Sünde zurenchnen
cd1.03. BWV 131 – Ich harre des Herrn
cd1.04. BWV 131 – Meine Seele wartet auf den Herrn
cd1.05. BWV 131 – Israel, hoffe auf den Herrn

cd1.06. BWV 73 – Herr, view du willt, so schick’s mit mir
cd1.07. BWV 73 – Ach, senke doch den Geist der Freuden
cd1.08. BWV 73 – Ach, unser Wille bleibt verkehrt
cd1.09. BWV 73 – Herr, so du willt
cd1.10. BWV 73 – Das ist des Vaters Wille

cd1.11. BWV 105 – Herr gehe nicht ins Gericht mit deinem Kn
cd1.12. BWV 105 – Mein Gott, verwirf michj nicht
cd1.13. BWV 105 – Wie zittern und wanken
cd1.14. BWV 105 – Wohl aber dem, der sienen Bürgen weiß
cd1.15. BWV 105 – Kann ich nur Jesum mir zum Freunde machen
cd1.16. BWV 105 – Nun, ich weiß, du wirst mir stillen

cd2.01. BWV 39 – Brich dem Hungrigen dein Brot
cd2.02. BWV 39 – Der reiche Gott wirft seinen Überfluß
cd2.03. BWV 39 – Seinem Schöpfer noch auf Erden
cd2.04. BWV 39 – Wohlzutum und mitzuteilen
cd2.05. BWV 39 – Höchster, was ich habe
cd2.06. BWV 39 – Wie soll ich dir, o Herr
cd2.07. BWV 39 – Selig sind, die aus Erbarmen

cd2.08. BWV 93 – Wer nur den lieben Gott läßt walten
cd2.09. BWV 93 – Was helfen uns die schweren Sorgen
cd2.10. BWV 93 – Man halte nur ein wenig stille
cd2.11. BWV 93 – Er kennt die rechten Freudestunden
cd2.12. BWV 93 – Denk nicht in deiner Drangsalhitze
cd2.13. BWV 93 – Ich will auf den Herren schaun
cd2.14. BWV 93 – Sing, bet und geh auf Gottes Wegen

cd2.15. BWV 107 – Was willst du dich betrüben
cd2.16. BWV 107 – Denn Gott verlässet keinen
cd2.17. BWV 107 – Auf ihn magst du es wagen
cd2.18. BWV 107 – Wenn auch gleich aus der Höllen
cd2.19. BWV 107 – Er richt’s zu seinen Ehren
cd2.20. BWV 107 – Darum ich mich ihm ergebe
cd2.21. BWV 107 – Herr, gib, daß ich dein Ehre

Barbara Schlick – soprano (cd1)
Agnès Mellon – soprano (cd2)
Gérard Lesne – alto (cd1)
Charles Brett – alto (cd2)
Howard Crook – tenor
Peter Kooy – bass

dir. Philippe Herreweghe
Chorus and Orchestra of Collegium Vocale, Ghent

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Philippe Herreweghe: estudar é bom
Philippe Herreweghe: estudar é bom

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas, Vol. 1 (Koopman)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas, Vol. 1 (Koopman)

Papai faz anos e quem ganha o presente são vocês. Eu, FDP Bach, e meu irmão, PQP, estaremos hoje postando só obras de papai; afinal, não é todo dia que alguém completa 324 anos e continua tão vivo e emocionante.

Já cogitei em certa ocasião postar a integral das cantatas, mas, visto o tamanho da empreitada, acabei desistindo. Digo isso porque estou postando um dos melhores intérpretes de papai, Tom Koopman e sua Amsterdam Baroque Orchestra & Choir. Estou postando o primeiro box, que contém 3 cds. Ah, recomendo o excelente booklet, que traz um histórico das cantatas, além das letras das mesmas, traduzidas para o inglês e para o francês. As traduções para o português sugiro buscarem no site listado ao lado, Cantatas de Bach, feito por especialistas da área.

Quando consegui esta série fiquei me perguntando quando diabos teria tempo de ouvir tudo isso, afinal de contas são 67 cds. Mas passados 5 anos, posso dizer que já ouvi uma boa parte, e tiro o chapéu para a interpretação de Koopman, sempre correta, e sempre contando com excepcionais solistas,  além de uma orquestra montada por músicos especialistas no repertório não apenas bachiano, mas também barroco. Possuo outras duas integrais, a de Helmut Rilling, que não se importou com o aspecto “histórico” da interpretação, mas isso de forma alguma tira o mérito da empreitada, e aquela considerada por muitos a melhor de todas, dirigida por Nikolaus Harnoncourt, num projeto em que esteve envolvido durante mais vinte anos, e auxiliado simplesmente por Gustav Leonhardt. Coisa de gente grande que viveu e respirou a música de papai durante suas vidas inteiras.

Então, vamos ao que interessa:

“Ich hatte viel Bekümmernis” BWV 21
PRIMA PARTE
1 Sinfonia 3’00
Oboe, Violini, Viola, Fagotto, Organo, Violone
2 Coro: “Ich hatte viel Bekümmernis” 3’44
Oboe, Violini, Viola, Fagotto, Vwlone, Organo
3 Aria (Soprano): “Seufzer, Tränen, Kummer, Not” 4’46
Oboe, Violoncello, Organo
4 Recitativo (Soprano): “Wie hast du dich, mein Gott” 1’34
Violini, Viola, Violone, Organo, Fagotto
5 Aria (Soprano): “Bäche von gesalznen Zähren” 6’34
Violini, Viola, Violone, Organo
6 Coro: “Was betrübst du dich, meine Seele” 3’35
Oboe, Violini, Viola, Fagotto, Violone, Organo
SECONDA PARTE
7 Recitativo (Soprano, Basso): “Ach Jesu, meine Ruh” 1’35
Violini, Viola, Violone, Organo, Fagotto
8 Duetto (Soprano, Basso): “Komm, mein Jesu” 4’26
Violoncello, Organo
9 Coro: “Sei nun wieder zufrieden” 5’39
Oboe, Violini, Viola, Fagotto, Violoncello, Organo
10 Aria (Soprano): “Erfreue dich, Seele” 3’18
Violoncello, Organo
11 Coro: “Das Lamm, das erwürget ist” 2’53
Trombe, Timpani, Oboe, Violini, Viola, Fagotto, Violone, Organo

“Aus der Tiefe rufe ich, Herr, zu dir” BWV 131 22’15
Penitential Service? – Bußgottesdienst? – Office de Pénitence?
12 Sinfonia-Choral: “Aus der Tiefe rufe ich, Herr, zu dir” 4’18
Oboe, Fagotto, Violino, Viole, Violone, Organo
13 Aria (Basso, Choral): “So du willst, Herr, Sünde zurechnen” 4’20
Oboe, Violoncello, Organo
14 Coro: “Ich harre des Herrn” 3’35
Oboe, Fagotto, Violino, Viole, Violone, Organo
15 Aria (Tenore, Choral): “Meine Seele wartet auf den Herrn” 6’05
Violoncello, Organo
16 Coro: “Israel, hoffe auf den Herrn” 3’57
Oboe, Fagotto, Violine, Viole, Violone, Organo
“Ich hatte viel Bekümmernis” BWV 21 (Appendix):
17 Coro: “Sei nun wieder zufrieden'” 5’48
Oboe, Tromboni, Cornetto, Violini, Viola, Fagotto, Violoncello, Contrabasso, Organo

“Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit” (Actus tragicus) BWV 106 19’40
1 Sonatina 2’26
Flauti dolci, Viole da gamba, Violone, Organo
2 a [Coro]: “Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit” 8’24
b [Arioso] (Tenore): “Ach Herr, lehre uns bedenken”
c [Arioso] (Basso): “Bestelle dein Haus; denn du wirst sterben”
Flauto dolce, Viola da gamba, Violone, Organo
3 a [Aria] (Alto): “In deine Hände befehl ich meinen Geist” 5’56
b [Arioso – Choral] (Alto, Basso): “Heute wirst du mit mir im Paradies sein”
Viole da gamba, Flauti dolci, Violone, Organo
4 Coro: “Glorie, Lob, Ehr und Herrlichkeit” 2’54
Flauti dolci, Viole da gamba, Violone, Organo

“Der Herr denket an uns” BWV 196 10’54
Wedding cantata – Trauungskantate – Cantate de mariage
5 Sinfonia . 1’41
Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
6 Coro: “Der Herr denket an uns” 1’53
Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
7 Aria (Soprano): “Er segnet, die den Herrn fürchten” 2’35
Violino, Violoncello, Organo
8 Duetto (Tenore, Basso): “Der Herr segne euch” 2’09
Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
9 Coro: “Ihr seid die Gesegneten des Herrn” 2’36
Violini, Viola, Violoncello, Violone, Organo
Eis Bongers, soprano
Richard Bryan, alto
Joost van der Linden, tenor
Matthijs Mesdag, bass

“Gott ist mein König” BWV 71 18’15
Ratswechsel – For the Town Council Inauguration – Pour le changement du Conseil municipal • Mühlhausen, 4.2.1708
10 Coro: “Gott ist mein König” 1’48
Trombe, Timpani, Flauti, Oboi, Violini, Viola, Fagotto, Violoncello, Violone, Organo
11 Aria – Choral (T, S): “Ich bin nun achtzig Jahr” • “Soll ich auf dieser Welt” 3’29
Organo obbligato
12 Coro [a 4 voci]: “Dein Alter sei wie deine Jugend” 1’31
Organo
13 Arioso (Basso): “Tag und Nacht ist dein” 2’52
Flauti, Oboi, Fagotto, Violoncello, Organo
14 Aria (Alto): “Durch mächtige Kraft” 1’11
Trombe, Timpani, Organo
15 Coro: “Du wollest dem Feinde nicht geben” 3’51
Flauti, Oboi, Fagotto, Violini, Viola, Violoncello piccolo, Violone, Organo
16 Coro [Soli, Coro]: “Das neue Regiment” 3’33
Trombe, Timpani, Flauti, Oboi, Violini, Viola, Fagotto, Violoncello, Violone, Organo

“Nach dir, Herr, verlanget mich” BWV 150 14’34
Occasion unspecified – Ohne Bestimmung – Sans destination
17 Sinfonia 1’24
Fagotto, Violini, Violone, Organo
18 Coro: “Nach dir, Herr, verlanget mich” 3’08
Fagotto, Violini, Violone, Organo
19 Aria (Soprano): “Doch bin und bleibe ich vergnügt” 1’37
Violine, Violoncello, Organo
20 Coro: “Leite mich in deiner Wahrheit” 1’41
Fagotto, Violini, Violone, Organo
21 Aria (Terzetto: Alto, Tenore, Basso): “Zedern müssen von den Winden” 1’2O
22 Coro: “Meine Augen sehen stets zu dem Herrn” 2’03
Fagotto, Violini, Violone, Organo
23 Coro: “Meine Tage in dem Leide” 3’21
Fagotto, Violini, Violone, Organo
Anne Grimm, soprano
Peter de Groot, alto
Joost van der Linden, tenor
Donald Bentvelsen, bass

“Der Himmel lacht! die Erde jubilieret” BWV 31 20’56
On the 1st day of Easter – Am 1. Osterfeiertag – Pour la lère Fête de Pâques
1 Sonata 2’33
Trombae, Timpani, Oboi, Taille, Violini, Viole, Fagotto, Violone, Violoncello, Organo
2 Coro (Coro, Soprano, Alto): “Der Himmel lacht! die Erde jubilieret” 3’36
Trombe, Timpani, Oboi, Fagotto, Violini, Viole, Violone, Violoncello, Organo
3 Recitativo (Basso): “Erwünschter Tag! Sei, Seele, wieder froh” 2’05
Violoncello, Organo
4 Aria (Basso): “Fürst des Lebens, starker Streiter” 3’24
Violoncello, Organo
5 Recitativo (Tenore): “So stehe dann, du gottergebne Seele” l’O7
Violoncello, Organo
6 Aria (Tenore): “Adam muß in uns verwesen” 2’18
Violini, Viole, Violoncello, Violone, Organo
7 Recitativo (Soprano): “Weil dann das Haupt sein Glied” 0’50
Violoncello, Organo
8 Aria (Soprano): “Letzte Stunde, brich herein” 4’04
Oboe, Violini, Viole, Violoncello, Violone, Organo
9 Choral (Coro): “So fahr ich hin zu Jesu Christ” 0’59
Oboi, Taille, Violini, Viole, Fagotto, Tromba, Violone, Organo

“Barmherziges Herze der ewigen Liebe” BWV185 14’30
For the 4th Sunday after Trinity – Am 4. Sonntag nach Trinitatis – Pour le 4ème Dimanche après la Trinité
10 Aria (Duetto: Soprano, Tenore): “Barmherziges Herze der ewigen Liebe” 4’05
Oboe, Violoncello, Soprani di Coro, Organo
11 Recitativo (Alto): “Ihr Herzen, die ihr euch” 1’58
Violini, Viola, Violone, Organo
12 Aria(Alto): “Sei bemüht in dieser Zeit” 3’43
Oboe, Violini, Viola, Violone, Organo
13 Recitativo (Basso): “Die Eigenliebe schmeichelt sich” I’ll
Organo, Fagotto
14 Aria (Basso): “Das ist der Christen Kunst” 2’19
Organo, Fagotto
15 Choral (Coro): “Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ” 1’14
Oboe, Violini, Viola, Violone, Fagotto, Organo

«Christ lag in Todesbanden” BWV 4 18’50
For the 1st day of Easter – Am 1. Osterfeiertag – Pour la lère Fête de Pâques
16 Sinfonia 1’1O
Violini, Viole, Violone, Organo
17 [Coro] Versus I: “Christ lag in Todesbanden” 3’42
Violini, Viole, Violone, Organo
18 [Duetto] (Soprano, Alto) Versus II: “Den Tod niemand zwingen kunnt” 3’45
Cometto, Trombone, Violoncello, Organo
19 [Aria] (Tenore) Versus III: “Jesus Christus, Gottes Sohn” 2’03
Violino, Violone, Organo
20 [Coro] Versus IV: “Es war ein wunderlicher Krieg” 2’08
Violone, Organo
21 [Aria] (Basso) Versus V: “Hier ist das rechte Osterlamm” 2’55
Violini, Viole, Violone, Organo
22 [Duetto] (Soprano, Tenore) Versus VI: “So feiern wir das hohe Fest” 1’57
Violone, Organo
23 Choral (Coro) Versus VII: “Wir essen und leben wohl” l’IO
Violini, Viole, Violone, Organo

“Christ lag in Todesbanden” BWV 4 (Appendix):
24 Sinfonia l’O9
Violini, Viole, Violoncello, Contrabasso, Organo
25 [Coro] Versus I: “Christ lag in Todesbanden” 3’47
Violini, Viole, Cornetto, Tromboni, Violoncello, Contrabasso, Organo
26 [Duetto] (Soprano, Alto) Versus II: “Den Tod niemand zwingen kunnt” 4’10
Cometto, Trombone, Violoncello, Organo
27 Choral (Coro): Versus VII: “Wir essen und leben Wohl” 1’18
Violini, Cornetto, Viole, Trombone, Violoncello, Contrabasso, Organo

The Amsterdam Baroque Orchestra & Choir

Simon Schouten, Choirmaster
Tom Koopman, Conduktor

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Ton Koopman manda um oizinho para todos os pequepianos
Ton Koopman manda um oizinho para todos os pequepianos

FDP

.:interlúdio:. Stefano Bollani: Carioca

.:interlúdio:. Stefano Bollani: Carioca

Excelente disco! Stefano Bollani é um brilhante pianista italiano de jazz. Nascido em Milão no ano de 1972, é como muitos italianos, apaixonado pelo Brasil e costuma tocar nossa música em suas apresentações ao lado de composições suas. Conhecido por sua vasta cultura tanto sobre a música erudita moderna quanto jazzística, Bollani — conhecido por ser um workaholic — chega a assustar com a intimidade que demonstra com nossa música, chegando ao ponto de cantar “Trem das onze”, no único equívoco do disco pois ele está longe de ser um cantor. O CD foi gravado no Rio de Janeiro com músicos brasileiros e é muito bom. É, indiscutivelmente, em disco de jazz, mas ouçam a naturalidade com que Bollani enfrenta um chorinho! O cara é bom demais!

Stefano Bollani – Carioca – 2008

1 Luz negra (Nelson Cavaquinho)
2 Ao romper da aurora (Ismael Silva – Lamartine Babo – Francisco Alves)
3 Choro sim (Ismael Silva)
4 Valsa brasileira (Edu Lobo – Chico Buarque)
5 A voz no morro (Zé Keti)
6 Hora da razão (J. Luna – Batatinha)
7 Segura ele (Pixinguinha)
8 Doce de coco (Jacob do Bandolim)
9 Folhas secas (Nelson Cavaquinho – Guilherme de Brito)
10 Il domatore di pulci (Stefano Bollani)
11 Samba e amor (Chico Buarque)
12 Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu)
13 Caprichos do destino (Pedro Caetano – Claudionor da Cruz)
14 Na Baixa do sapateiro (Ary Barroso)
15 Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth)
16 Trem das onze / Figlio unico (João Rubinato / Riccardo del Turco)

Stefano Bollani piano, arrangements, vocal
Marco Pereira guitar
Jorge Helder bass
Jurim Moreira drums
Armando Marcal percussions
Zé Nogueira soprano sax
Nico Gori clarinet and bass clarinet
Mirko Guerrini tenor sax
Zé Renato vocal
Monica Salmaso vocal

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Stefano Bollani

PQP

.: interlúdio :. Apocalipse: Mahavishnu Orchestra

O final dos anos 70 foi um período de transformações em minha vida, e um dos causadores foi esse disco que ora vos trago. Nada seria como antes, tomando uma pequena liberdade com a clássica canção do Milton Nascimento, que não por acaso, conheci na mesma época. Imaginem um adolescente morando no interior do país, sem muito acesso a cultura, ou sequer a discos, de repente ganha uma caixa de discos de seu irmão mais velho, que está se mudando para o exterior. E nesta verdadeira cornucópia músical, sons que eu sequer imaginava que eram feitos. Lembro que era uma época de transformações e inovações na música, viviamos o apogeu da Era da Discoteca, e o que ouvíamos no rádio era Bee Gees, Donna Summer, Earth, Wind & Fire, The Chic, dentre tantos outros. Roberto Carlos imperava soberano, e muita gente que tinha se exilado por causa da Ditadura Militar começava a voltar para o Brasil.

No Jazz, após o seminal ‘Bitches Brew’ do Miles Davis, começavam a surgir grupos que acrescentaram ao estilo guitarras elétricas distorcidas, sons e instrumentos orientais, e uma Orquestra Sinfônica. É o caso desse disco que ora vos trago, e que foi um dos que mais me influenciaram naquela época da vida em que tentamos absorver tudo, para melhor podermos definir nossos gostos e costumes. ‘Apocalipse’, da Mahavishnu Orchestra, misturava tudo isso num caldeirão de sons em que se destacava o violino de Jean Luc Ponty e a guitarra nervosa e absurdamente virtuosística de John McLaughlin, talvez o meu primeiro Guitar Hero. Não conseguia entender direito o que estava ouvindo, só que me agradava muito. E de fundo, para acompanhar essa loucura sonora, tinha a Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência de Michael Tilson Thomas, falecido recentemente. Essa postagem, inclusive, é em sua homenagem.

Michael Tilson Thomas foi um maestro e compositor norte americano, nascido em Los Angeles em 1944, e falecido agora em 22 de abril de 2026. Dirigiu diversas orquestras, entre elas a Sinfônica de Londres, e nos últimos vinte e cinco anos de sua vida esteve a frente a Sinfônica de San Francisco, que estabeleceu como um dos principais conjuntos orquestrais norte americanos. Nosso mentor PQPBach postou uma excelente integral das Sinfonias de Mahler com Michael Tilson regendo essa orquestra. Vale a pena conhecer.

E para melhor conhecer esse maestro, sugiro a leitura desse artigo na revista Concerto:

Morre, aos 81 anos, o maestro Michael Tilson Thomas

O livreto que acompanha esse CD traz uma interessante apresentação do que se tornou conhecido como Fusion, esse estilo de jazz tão característico. Quando jovem, montei uma banda de rock com amigos, e meu sonho era tocar Fusion. Pobre rapaz, eu nem tinha formação musical, mas para meu espanto o meu ídolo John McLaughlin também não tinha, era autodidata. A banda até que durou bastante, tocaram até meados dos primeiros anos desse novo século, mas eu já saí no começo, quando fui embora para outra cidade conquistar meus sonhos.

John McLaughlin continua na ativa, no alto de seus quase oitenta e dois anos de idade e ainda lança discos discos, e também se apresentando ao vivo, com as mais diversas formações.

Desde o falecimento de Tilson Thomas eu vinha ensaiando postar esse disco, tão importante para a minha formação musical. Com certeza após ouvi-lo meus ouvidos estavam preparados para o que vinha a seguir, sem temer as novidades. Não saberia dizer se ele soa datado, depois de mais de cinquenta anos de seu lançamento, mas para mim continua sendo um dos melhores discos que já ouvi na minha vida.

01. Mahavishnu Orchestra – Power Of Love
02. Mahavishnu Orchestra – Vision Is A Naked Sword
03. Mahavishnu Orchestra – Smile Of The Beyond
04. Mahavishnu Orchestra – Wings Of Karma
05. Mahavishnu Orchestra – Hymn To Him

Mahavishnu Orchestra :
Jean Luc Ponty – Violino elétrico
Gayle Moran – Teclado e vocais
Marsha Westbrook – Viola
Carol Shive – Violino, vocais
Philip Hirschi – Cello, vocais
John MacLaughlin – Guitarras
Michael Walden – Bateria
Ralphe Armstrong – Baixo e vocais

London Symphony Orchestra
Condutor – Michael Tilson Thomas

Produção : George Martin

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FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)

Postei essa gravação nos primórdios do PQPBach, há incontáveis eras. Ainda é minha favorita, e de muita gente. Passei por uma fase kleiberiana ali no início do século, ouvi aquela gravação da Quinta e Sétima Sinfonias com a mesma Filarmônica de Viena ao menos uma centena de vezes. Não sei o porquê, só sei que ela é hipnótica, parece que o General Kleiber hipnotizou os músicos e tirou a alma deles, em uma das melhores interpretações da história destas sinfonias tão gravadas. E o mesmo se aplica aqui nessa historica gravação da Quarta Sinfonia.

Em um encontro com os membros do PQPBach semana passada em Porto Alegre, onde estiveram presentes o próprio ‘patrão’ PQPBach e o Alex de Large, além da esposa do próprio patrão, exímia violinista, comentamos que a Sinfônica de Porto Alegre havia encarado a Sinfonia de nº1, do mesmo Brahms,  e que o resultado foi excelente, com uma Maestrina que também é uma excelente pianista, Vanessa Benelli Mosell. Impossível que alguém seja insensível a música de Brahms. Ela tem aquele algo a mais que nos fisga, que nos envolve, que nos deixa em estado de êxtase. Tive a oportunidade de ouvir a mesma Primeira Sinfonia em sala de concerto, também já há incontáveis eras, e tenho certeza de que todos ficaram hipnotizados com a magnificiência da obra, sem exageros.

Carlos Kleiber era filho de Erich Kleiber, um dos grandes nomes da regência na primeira metade do século XX. Se vocês procurarem, encontrarão diversos registros de gravações dele. Mas aqui temos o filho Carlos, fazendo milagres, extraindo de uma das maiores orquestras o máximo que ela podia dar. Lembro de ter ouvido essa Quarta Sinfonia com gigantes como Karajan, Bernstein, Fürtwangler, Toscanini, mas Kleiber tem aquele algo a mais que nos hipnotiza. Seria essa a gravação que eu levaria pra uma ilha deserta, não por acaso esta relacionada nas principais listas de melhores gravações de todos os tempos.

A capa do LP da Deutsche Grammophon nos mostra uma foto de Carlos Kleiber concentrado, olhando para algum lugar indefinido. Sabe-se que não era muito de aparecer em público, era muito reservado, e são poucas as aparições em vídeo. Também não gravou muito, se comparado a seus contemporâneos. Segundo relatos de músicos que atuaram sob sua regência, era muito ríspido e rígido com os músicos.

Temos uma brincadeira dentro do PQPBach que chama essas gravações antigas de pré históricas. Essa aqui nem é tão antiga assim, foi realizada em 1981, ano em que o autor destas linhas era um adolescente ainda procurando o sentido da vida. Não conhecia ainda a música de Brahms nessa época, só adquiri a fita K7 com a gravação do Karajan alguns anos mais tarde, mas se tivesse conhecido com certeza já teria se tornado a trilha sonora de minha vida mais cedo. Mas talvez eu ainda não estivesse preparado para o impacto, era muito imaturo e irresponsável, algo típico da adolescência. Contei em postagem anterior da Primeira Sinfonia como foi o impacto que essa obra me causou em momento decisivo de minha vida. Nada foi como antes, lhes garanto, foi quase uma experiência mística, com o perdão do exagero.
Mas enfim, lhes deixo com essa impressionante gravação, como lhes comentei acima, e faço questão de ressaltar, um dos melhores registros que realizados.

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia nº 4 (Carlos Kleiber, Filarmônica de Viena)

01. I. Allegro non troppo
02. II. Andante moderato
03. III. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
04. IV. Allegro energico e passionato – Piu allegro

Wiener Philharmoniker
Carlos Kleiber – Condutor

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FDP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): The Wedding Cantatas (Kirkby, Hogwood)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): The Wedding Cantatas (Kirkby, Hogwood)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não sou um cara fino como o Milton Ribeiro, que entrevistou a Emma Kirkby, uma pena.

Sofrendo um grave crise de hipocantatemia bachiana, ontem botei este CD para tocar aqui em casa. Olha, que coisa maravilhosa! São cantatas solo e obras esparsas de Bach para soprano. A orquestra de Hogwood está impecável e Kirkby… O que dizer de Dame Emma Kirkby? Ela é perfeita, mas não devo elogiá-la muito porque meu colega FDP Bach morre de ciúmes.

Baita CD. Ouçam imediatamente, tá? Atenção para a primeira ária da Cantata 202. Não parece o lento caminhar de uma noiva? Alíás toda a 202 é fantástica, além do restante.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – The Wedding Cantatas

Cantata BWV 202, “Weichet nur, betrübte Schatten” [19:38]
01 – Arie – Weichet nur, betrübte Schatten
02 – Rezitativ – Die Welt wird wieder neu
03 – Arie – Phoebus eilt mit schnellen Pferden
04 – Rezitativ – Drum sucht auch Armor sein Vergnügen
05 – Arie – Wenn die Frühlingslüfte streichen
06 – Rezitativ – Und dieses ist das Glücke
07 – Arie – Sich üben im Lieben
08 – Rezitativ – So sei das Band der keuschen Liebe
09 – Gavotte – Sehet in Zufriedenheit

Aria “Bist Du bei mir”, BWV 508 (attrib. G.H. Stolzen) [2:21]
10 – Bist Du bei mir (Stolzen)

Aria “Gedenke doch, mein Geist”, BWV 509 (anon) [1:06]
11 – Gedenke doch, mein Geist (anon)

From Cantata BWV 82, Nr. 2 – Rezitativ- “Ich habe genug” [0:57]
12 – Nr. 2 – Rezitativ- Ich habe genug

From Cantata BWV 82, Nr. 3 – Arie- Schlummert ein, ihr matten Augen [7:31]
13 – Nr. 3 – Arie- Schlummert ein, ihr matten Augen

Cantata, BWV 210 – “O holder Tag, erwünschte Zeit” [32:00]
14 – Rezitativ – O holder Tag, erwünschte Zeit
15 – Arie – Spielet, ihr beseelten Lieder
16 – Rezitativ – Doch, haltet ein, ihr muntern Saiten
17 – Arie – Ruhet hie, matte Töne
18 – Rezitativ – So glaubt man denn, daß die Musik verführe
19 – Arie – Schweigt, ihr Flöten, schweigt ihr Töne
20 – Rezitativ – Was Luft was Grab
21 – Arie – Großer Gönner, dein Vergnügen
22 – Rezitativ – Hochteurer Mann, so fahre ferner fort
23 – Arie – Seid beglückt

Emma Kirkby, soprano
The Academy of Ancient Music
Christopher Hogwood, regente

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Emma Kirkby: referência absoluta no barroco
Emma Kirkby fica muito mais bonita quando crespa

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 51, 82a e 199 (Dessay, Le Concert d’Astrée, Haïm)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 51, 82a e 199 (Dessay, Le Concert d’Astrée, Haïm)

É mais um disco de Cantatas bastante conhecidas de Bach para soprano. Eu amo a francesa Dessay, mas talvez aqui ela seja dramática demais em alguns momentos — por vezes canta Bach com um acento tipicamente handeliano –, mas, no geral, sua interpretação é ótima. O álbum é dedicado a Martin Luther King. A voz de Dessay brilha especialmente entre os trompetes da Cantata BWV 51, mas pesa demais em Ich habe genug, recuperando-se notavelmente logo depois na ária Schlummert ein, ihr matten Augen. Sem dúvida, trata-se de um CD desigual, mas que vale a pena conhecer.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 51, 82a e 199 (Dessay, Le Concert d’Astrée, Haïm)

Cantata “Jauchzet Gott In Allen Landen” BWV 51
1) I Aria: Jauchzet Gott In Allen Landen
2) II Recitativo: Wir Beten Zu Dem Tempel An
3) III Aria: Höchster, Mache Deine Güte
4) IV Chorale: Sei Lob Und Preis Mit Ehren – V Finale: Alleluja!

Cantata No. 82, ‘Ich Habe Genug’ BWV 82a
5) Aria: Ich Habe Genug
6) Recit: Ich Habe Genug
7) Aria: Schlummert Ein
8. Recit: Mein Gott! Wann Kommt Das Schöne Nun!
9) Aria: Ich Freue Mich Auf Meinen Tod

Cantata “Mein Herze Schwimmt Im Blut” BWV 199
10) I Recitativo: Mein Herze Schwimmt Im Blut
11) II Aria & Recitativo: Stumme Seufzer, Stille Klagen
12) III Recitativo: Doch Gott Muss Mir Genädig Sein
13) IV Aria: Tief Gebückt Und Voller Reue
14) V Recitativo: Auf Diese Schmerzensreu
15) VI Chorale: Ich, Dein Betrübtes Kind
16) VII Recitativo: Ich Lege Mich In Diese Wunden
17) VIII Aria: Wie Freudig Ist Mein Herz

Natalie Dessay, soprano
Le Concert d’Astrée
Emmanuelle Haïm

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Aos 48 anos, Dessay largou a ópera. Hoje, só dá recitais e aulas.
Em 2013, aos 48 anos, Dessay largou a ópera. Hoje, só dá recitais e aulas.

PQP

.: interlúdio :. Bezerra da Silva (Coletânea)

.: interlúdio :. Bezerra da Silva (Coletânea)

Poucos sambistas tiveram em repertório tão interessante quanto o ex-militar da Marinha Bezerra da Silva (1927-2005). Ao invés de sambas românticos, ele caprichou na crítica social e na descrição do cotidiano do povo das favelas, seja dos pobres trabalhadores ou dos contraventores. Tudo com muito humor e cantado com uma divisão rítimica impecável que nada deixa a dever aos maiores mestres do gênero.

Rodrigo Faour

Seus sambas corrosivos e sarcásticos retratavam com maestria a malandragem e os problemas sociais da periferia do Rio. Drogas, violência policial, roubos e problemas familiares era seus temas. Bezerra foi um vanguardista que, ao dar voz aos marginalizados, criou um estilo único de samba, por vezes chamado de “sambandido”, que conectou o samba de morro com a juventude do rock e do rap, ao menos no âmbito temático. A coragem de Bezerra de gravar letras politicamente incorretas para a época, que falavam abertamente sobre a figura de traficantes que ajudavam comunidades e a vida dura na favela, sempre gerou boas controvérsias. PQP gosta, apesar da repetição da fórmula.

Bezerra da Silva (Coletânea)

1 Bicho Feroz
2 Malandragem Dá Um Tempo
3 Malandro Rife
4 Seqüestraram Minha Sogra
5 Não É Conselho
6 Fui Obrigado A Chorar
7 É Esse Aí Que É O Homem
8 Legítima Defesa
9 O Rei Da Cocada Preta
10 Saudação Às Favelas
11 Candidato Caô Caô
12 Aos Donos Da Nação
13 S.O.S. Baixada
14 Se Não Fosse A Ajuda Da Rapaziada
15 Overdose De Cocada
16 Cachorrinho De Polícia
17 Meu Pai É General De Umbanda
18 Violência Gera Violência

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Se segura, malandro

PQP

Arvo Pärt (1935): Fratres / Festina Lente / Summa / Cantus in Memory of Benjamin Britten (Benedek)

Arvo Pärt (1935): Fratres / Festina Lente / Summa / Cantus in Memory of Benjamin Britten (Benedek)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um disco excelente. Tem todas as diferentes orquestrações de Fratres, com Summa e Festina Lente como interlúdios e Cantus in Memoriam of Benjamin Britten como uma espécie de coda. Você pode questionar se ouvir o mesmo trabalho várias vezes não é chato. Respondo que não, pois cada uma é muito diferente da outra. O som é cintilante, claríssimo. Quase difícil de acreditar que é a mesma orquestra de cada vez. Os húngaros acertaram em cheio. Mas por que tantos Fratres? Ora porque a música é demais e recebeu várias versões de Pärt. Fratres (Irmãos) é uma composição do compositor do estoniano Pärt, que exemplifica um de seus estilos de composição, o tintinnabuli. É uma música de três partes, escrita em 1977, sem instrumentação fixa. Ela foi descrita como um “conjunto fascinante de variações sobre um tema que combina atividade frenética e imobilidade sublime que encapsula a observação de Pärt de que ‘o instante e a eternidade estão lutando dentro de nós'”. Fratres foi utilizada em Amor Pleno, de Terence Malick, em Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, em O Clube, de Pablo Larraín, em Inverno Quente, de Tom Tykwer e em mais de dez outros filmes.

Arvo Pärt (1935): Fratres / Festina Lente / Summa

1. Fratres for Strings and Percussion 08:54
2. Fratres for Violin, Strings and Percussion 10:44
3. Festina Lente for Strings and Harp Ad Libitum 07:50
4. Fratres for String Quartet 08:42
5. Fratres for Cello and Piano 11:52
6. Summa for Strings 03:46
7. Fratres for Eight Cellos 11:51
8. Fratres for Wind Octet and Percussion (arr. B. Brinner) 07:45
9. Cantus in Memory of Benjamin Britten for Strings and Bells 07:39

Hungarian State Opera Orchestra
Tamás Benedek

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Eu também sou irmão de Pärt, tá? Por isso é que ele sorri assim.

PQP

Arvo Pärt (1935): Passio Domini Nostri Jesu Christi Secundum Joannem (The Hilliard Ensemble)

Arvo Pärt (1935): Passio Domini Nostri Jesu Christi Secundum Joannem (The Hilliard Ensemble)

O Hilliard Ensemble apresenta solenemente a que deve ser a Paixão mais sombria e ritualística composta desde Heinrich Schutz em meados do século XVII. Arvo Pärt selecionou o estilo musical mais severo, distante e econômico para esta Paixão segundo São João. Mais um ato litúrgico do que uma peça de concerto, não faz nenhuma concessão às convenções modernas. Teimosamente repetitiva e monocromática, deliberadamente antidramático e neutra, alcança seu efeito extraordinário e nobre através dos meios mais simples: recitativos, refrões e um pequeno conjunto instrumental. A obra tem 70 minutos sem interrupções, fato enfatizado pelos engenheiros da ECM.

Arvo Pärt (1935): Passio Domini Nostri Jesu Christi Secundum Joannem (The Hilliard Ensemble)

1 Passio Domini Nostri Jesu Christi Secundum Joannem (1982) 1:10:52

Baritone Vocals [Evangelist Quartet] – Gordon Jones (2)
Bass Vocals [Jesus] – Michael George (3)
Bassoon – Catherine Duckett
Cello – Elisabeth Wilson (2)
Choir – The Western Wind Chamber Choir
Conductor – Paul Hillier
Countertenor Vocals [Evangelist Quartet] – David James (13)
Ensemble – Evangelist Quartet, The Hilliard Ensemble
Oboe – Melinda Maxwell
Organ – Christopher Bowers-Broadbent
Soprano Vocals [Evangelist Quartet] – Lynne Dawson
Tenor Vocals [Evangelist Quartet] – Rogers Covey-Crump
Tenor Vocals [Pilate] – John Potter (2)
Violin – Elizabeth Layton

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Arvo Pärt em visita à sede Rolling Estoniana da PQP Bach Corp.

PQP

Igor Stravinsky (1882-1871): Les Noces (As Bodas) e Missa (Bernstein, Argerich, Zimerman e grande elenco…)

Igor Stravinsky (1882-1871): Les Noces (As Bodas) e Missa (Bernstein, Argerich, Zimerman e grande elenco…)

Les Noces (em português: As Bodas) é um balé com cantores (cantata dançada) de Igor Stravinsky. Estreou em 13 de junho de 1923 pela Ballets Russes no Théâtre de la Gaîté-Lyrique, com coreografia de Bronislava Nijinska e condução por Ernest Ansermet.

Descrevendo a preparação duma festa camponesa de casamento típica da Rússia, a obra combina o folclore russo, ritmos irregulares, a sensibilidade modernista ou cubista. Está dividida em duas partes, quatro cenas: na primeira parte, a bênção da noiva (ou, na casa da noiva), a bênção do noivo (ou, na casa do noivo) e a saída da noiva; na segunda parte, a festa de casamento. Les Noces marca a transição do período russo para o neoclássico de Stravinsky.

Em 1913, Stravinsky começou a compor Les Noces sob comissão de Sergei Diaguilev. Escreveu o libreto por conta própria a partir de letras de canções russas de casamento coletadas por Pyotr Kireevsky (1911). As partituras para voz foram completadas na Suíça em meados de 1917. Durante seu desenvolvimento, a orquestração foi alterada dramaticamente. Foi primeiramente concebida para uma orquestra sinfônica estendida, à usada em A Sagração da Primavera, passou por diversas variações, incluindo a adição de uma pianola, címbalos e um harmônio. Terminada em 1919, essa versão da obra só estreou em 1981 em Paris, conduzida por Pierre Boulez. Entretanto, essa versão foi abandonada. A estrutura final foi finalmente montada em torno de 1921, resultando em soprano, mezzosoprano, tenor, baixo, coral misto, e dois grupos de instrumentos de percussão, e quatro pianos.

A influência da música de Les Noces é identificada em obras de Philip Glass, John Adams (Short Ride in a Fast Machine), George Antheil (Ballet mecanique), Carl Orff (Carmina Burana) e Leonard Bernstein (West Side Story). Por exemplo, em Carmina Burana também se destaca o coral, uma percussão rica na orquestra e harmonias que seguem os ritmos acentuados das vozes. Melodias extensas são substituídas por formas básicas que geram efeitos de abandono repentino.

Extraído DAQUI

Igor Stravinsky (1882-1871): Les Noces (As Bodas) e Missa (Bernstein, Argerich, Zimerman e grande elenco…)

Les Noces III (The Wedding), ballet in 4 tableaux for vocal soloists, chorus, 4 pianos & percussion
01. Svadebka: First Tableau
02. Svadebka: Second Tableau
03. Svadebka: Third Tableau
04. Svadebka: Fourth Tableau

Mass, for chorus & double wind quintet
05. Mass: Kyrie
06. Mass: Gloria
07. Mass: Credo
08. Mass: Sanctus
09. Mass: Agnus Dei

English Bach Festival Chorus English Bach Percussion Ensemble
Trinity Boys’ Choir
Leonard Bernstein, regente
Martha Argerich, piano
Krystian Zimerman, piano
Cyprien Katsaris, piano
Homero Francesch, piano
Anny Mory, soprano
Patricia Parker, mezzo-soprano
John Mitchinson, tenor
Paul Hudson, bass

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Vocês pensam que é fácil tocar "Les Noces", hein?
Vocês pensam que é fácil tocar “Les Noces”?

Carlinus

.: interlúdio:. Yamandu Costa: Lida

.: interlúdio:. Yamandu Costa: Lida

Em sua mais recente passagem pelo país, o maestro alemão Kurt Masur apelidou Yamandu Costa de “o Paganini do violão”. O gaúcho de Passo Fundo achou a comparação exagerada e se apressou em dizer que não tinha pacto com o demônio – segundo a lenda, o violinista Niccolà Paganini tinha. Além de ser um magnífico elogio, a alcunha inventada por Masur serviu para ressaltar o vínculo de Yamandu com o universo erudito. No mesmo ano em que estreou sua peça Bachbaridade (uma suíte para violões) no palco do Municipal do Rio de Janeiro, o músico gravou um disco com o sanfoneiro Dominguinhos, talvez o maior expoente vivo do forró. Agora solta mais um álbum – o oitavo da carreira – em que a música regional dá as cartas. (daqui)

O disco em questão, Lida, foi lançado em 2007, de forma independente, e está esgotado – como todos os outros de Yamandu. Assim como no Duofel postado há um tempo atrás, este cão se envereda pela seara dos violonistas – que evocam Radamés Gnatalli, Baden Powell e um certo regionalismo que é difícil de encontrar em dose igual à do talento instrumental (ok, não vou falar de Hermeto hoje). O resultado é essa sempre procurada sensação antagônica – de relaxamento cerebral ao mesmo tempo em que ele põe-se louco a decifrar a complexidade do que se ouve. E para mim, pouco brilho pode ser maior que este, em que uma trama tão desafiadora dá forma a algo tão belo quanto simples. A isso rotulam “genial”, e eu concordo meneando a cabeça, em respeitoso silêncio.

Yamandu Costa – Lida (320)
Yamandu Costa: violão de 7 cordas
Guto Wirtti: baixo acústico
Nicolas Krassik: violino

download – 83MB
01 Baionga
02 Missionerita
03 Dayanna
04 Lida
05 Ana Terra
06 Bem Baguala
07 Brincante
08 Adentro
09 Encerdando
10 Ventos dos Mortos

O Paganini do violão

Boa audição!
Blue Dog

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violoncelo (completas) (Isserlis, Levin)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violoncelo (completas) (Isserlis, Levin)

Nesta gravação, Steven Isserlis, juntamente com seu colaborador habitual, o pianista Robert Levin, apresenta as obras completas de Beethoven para violoncelo e piano, incluindo o arranjo de Beethoven para a sua Sonata para Trompa. O uso do pianoforte abre uma riqueza de possibilidades sonoras para essas obras. As cinco sonatas de violoncelo abrangem todas as fases de composição de Beethoven e, creio, são o ciclo mais importante de sonatas de violoncelo de todo o repertório. Isserlis escreve que o compositor “primeiro transforma o violoncelista num virtuoso confiante da forma clássica e, em seguida, um místico explorando estranhos mundos novos de beleza sobrenatural”. Não chego a ser apaixonado por estas Sonatas, mas a Op. 102, Nº 2, é fodíssima. Vale a pena,

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas pata Violoncelo (completas) (Isserlis, Levin)

CD 1 79:50

Cello Sonata In F Major Op 5 No. 1
1.1 Adagio Sostenuto 2:47
1.2 Allegro 14:11
1.3 Allegro Vivace 7:05

Cello Sonata In G Minor Op 5 No. 2
1.4 Adagio Sostenuto Ed Expressivo 5:19
1.5 Allegro Molto Più Tosto Presto 14:12
1.6 Rondo: Allegro 9:16

Cello Sonata In A Major Op 69
1.7 Allegro, Ma Non Tanto 12:35
1.8 Scherzo: Allegro Molto 5:24
1.9 Adagio Cantabile 1:30
1.10 Allegro Vivace 7:28

CD 2 79:08

Cello Sonata In C Major Op 102 No. 1
2.1 Andante 2:53
2.2 Allegro Vivace 5:11
2.3 Adagio Tempo D’andante 3:15
2.4 Allegro Vivace 4:28

Cello Sonata In D Major Op 102 No. 2
2.5 Allegro Con Brio 6:43
2.6 Adagio Con Molto Sentimento D’affetto 8:12
2.7 Allegro – Allegro Fugato 4:34
2.8 Variations In G Major On “See The Conqu’ring Hero Comes” From Handel’s Judas Maccabacus Wo 045 11:24
2.9 Variations In F Major On “Ein Mädchen Oder Weibchen” From Mozart’s Die Zauberflöte Op 66 9:17
2.10 Variations In E Flat Major On”Bei Männern, Weiche Liebe Fühlen” From Mozart’s Die Zauberflöte Wo 046 8:54

Horn Sonata In F Major Op 17, Arranged For Cello And Piano
2.11 Allegro Moderato 7:50
2.12 Poco Adagio, Quasi Andante 1:19
2.13 Rondo: Allegro Moderato 5:05

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Oi? | Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)
Oi? | Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)

PQP

.:interlúdio:. Tom Jobim: Matita Perê

.:interlúdio:. Tom Jobim: Matita Perê

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tom inventou Matita Perê (1973) e começou a gravá-lo no Rio. Não estava gostando do resultado. Achou que precisava de melhores músicos e maior qualidade de gravação.

(Ouvindo o disco, você logo entende que a exigência era enorme. O álbum alterna canções com música instrumental, indo com naturalidade do popular ao erudito).

Foi para Nova Iorque com os poucos brasucas que se salvaram da experiência carioca, bancou tudo do próprio bolso e fez um dos melhores álbuns de música brasileira de todos os tempos. Estava com 46 anos e tinha todo o prestígio e consideração do mundo.

Os temas escolhidos por Jobim para Matita Perê passam da leveza e doçura, das praias, barquinhos e garotas, para a natureza e lendas do um Brasil profundo, sertanejo. Ele compõe a partir de suas observações e da leitura de autores como Guimarães Rosa e dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Mário Palmério.

Para o crítico musical Zuza Homem de Mello, “Matita Perê é um disco que pouco a pouco foi sendo compreendido, entendido e principalmente admirado. É um marco na carreira de Tom Jobim”.

A faixa de abertura traz aquele que se tornaria um dos maiores clássicos do compositor, Águas de março, cujo título foi retirado de poema de Olavo Bilac.

Já a faixa-título, uma suíte, cita o folclore e nasce de suas leituras, em especial do conto Duelo de Guimarães Rosa, que contou com a colaboração de Paulo César Pinheiro na letra.

Paulo César Pinheiro falou sobre a parceria: “O Tom me procurou, porque eu tinha uma música no Festival da Canção chamada Sagarana, parceria com o João de Aquino. Tom ouviu, ficou impressionado e me ligou dizendo que tinha ideias semelhantes àquelas”.

(Quando vocês se depararem com a próxima lista de Melhores Canções Brasileiras de Todos os Tempos, procurem por uma chamada Matita Perê. Se ela não estiver presente, abandonem a lista e falem mal do criador dela).

Matita Perê marca o início da temática ecológica na obra de Tom Jobim, que seguiria com força em discos como Urubu (1975), Terra Brasilis (1980) e Passarim (1987).

Ao mesmo tempo, evidencia-se o Jobim sinfônico, claramente influenciado por Villa Lobos, em faixas como Crônica da casa assassinada, baseada no romance de Lúcio Cardoso, outra suíte com quase 10 minutos de duração, feita para a trilha do filme de Paulo César Sarraceni.

Não deixe de ouvir. É falha grave desconhecer este disco.

Tom Jobim: Matita Perê

1 Águas de Março (Antônio Carlos Jobim) — 3:56
2 Ana Luiza (Antônio Carlos Jobim) — 5:26
3 Matita Perê (Antônio Carlos Jobim, letra de Paulo César Pinheiro) — 7:11
4 Tempo do Mar (Antônio Carlos Jobim) — 5:09
5 The Mantiqueira Range (Paulo Jobim) — 3:31
6 Crônica da Casa Assassinada (Antônio Carlos Jobim) — 9:58
a. “Trem Para Cordisburgo”
b. “Chora Coração” (letra de Vinícius de Moraes)
c. “Jardim Abandonado”
d. “Milagre e Palhaços”
7 Rancho nas Nuvens (Antônio Carlos Jobim) — 4:04
8 Nuvens Douradas (Antônio Carlos Jobim) — 3:16

Antônio Carlos Jobim – piano, violão e vocal
Claus Ogerman – arranjos (exceto faixa 3) e regência
Dori Caymmi – arranjo da faixa 3
João Palma – bateria e percussão
Airto Moreira – bateria e percussão
George Devens – percussão
Harry Lookousky – spalla
Frank Laico – engenharia de áudio
Ray Beckenstein – flautas e madeiras
Phil Bodner – flautas e madeiras
Jerry Dodgion – flautas e madeiras
Don Hammond – flautas e madeiras
Romeo Penque – flautas e madeiras
Urbie Green – trombone
Ron Carter – baixo
Richard Davis – baixo

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O maestro soberano Tom Jobim ao lado de seu herói literário, no lançamento do disco Matita Perê, em 1973

PQP, 2019 (com Teca Lima)

.: interlúdio :. Silvia Telles: Amor em Hi-fi

.: interlúdio :. Silvia Telles: Amor em Hi-fi

Há discos que funcionam como cápsulas do tempo, capturando não apenas um som, mas o próprio ar que se respirava em um dado momento. Amor em Hi-Fi, de Sylvinha Telles, é um desses raros artefatos: lançado em 1960, no exato instante em que a bossa nova deixava de ser uma promessa de estúdio para se tornar um fenômeno, o álbum registra o gesto elegante e um pouco incerto de uma cantora que já era moderna antes mesmo de a modernidade ganhar nome. Sylvia Telles (1934–1966) pertence a essa linhagem de artistas que a história meio que desprezou. Não apenas por sua morte precoce, aos 32 anos, em um acidente automobilístico, mas porque sua obra ficou por décadas fora de catálogo, aguardando que o interesse pelo período pré-bossa a resgatasse do esquecimento. Cantora de voz frágil, sim — como quase todos os intérpretes da bossa —, mas dotada de um frescor e uma naturalidade que poucas de sua geração alcançaram, Sylvia foi figura central na cena que fermentava nos apartamentos de Copacabana no final dos anos 1950. Namorou João Gilberto, gravou Jobim antes de Jobim ser Tom Jobim, e trouxe para o disco uma leveza que parecia desafiar o peso das orquestras e a empostação da era do rádio.

Amor em Hi-Fi é, em muitos sentidos, o retrato dessa transição. O título já diz muito: “amor em alta fidelidade” — a promessa tecnológica do som estéreo, a nitidez da gravação, a captação próxima da voz que os microfones modernos permitiam. É um disco consciente do meio em que se insere, e essa consciência técnica se traduz em uma produção elegante, com arranjos de cordas, flautas, vibrafone e coros suaves que ora aproximam o som do jazz de câmara, ora o puxam de volta para as convenções orquestrais do passado. Como disse, é um trabalho incerto, de transição. O repertório é dividido entre aquele que seria o cânone bossa-novista e um punhado de standards norte-americanos. No primeiro grupo, ela entrega leituras adoráveis de “Samba Tôrto”, “Corcovado” e “Samba de Uma Nota Só” — canções que ainda estavam quentes do forno de Tom Jobim e João Gilberto. A versão de “Dindi”, em particular, é uma das mais melancólicas — e lindas!!! — já gravadas, condizente com a fama de que Sylvia teria dado a definição da canção. No segundo grupo — uma das faixas mais comentadas do disco — ela enfrenta um medley com “All The Way”, “The Boy Next Door” e “They Can’t Take That Away From Me”, canções de Sammy Cahn e Gershwin que ela canta com clareza de dicção e boa intenção, mas com uma evidente falta daquela ginga que a língua inglesa, cantada por uma brasileira, ainda não havia aprendido. É como se sua voz, tão à vontade na melancolia tropical, subitamente ganhasse um peso escolar: correta, afinada, mas sem o balanço.

Essa dualidade — o encanto e a hesitação — é, talvez, a maior marca do disco. A crítica da época já notava que Sylvia, embora fosse musa e heroína do movimento bossa-novista, por vezes caía nas armadilhas dos produtores de estúdio, mais afeitos às fórmulas dançantes do que à inovação rítmica que João Gilberto estava impondo. Em “Oba-lá-lá”, por exemplo, ela quase parodia a alegria saltitante que João imprimiu à canção. O resultado é um álbum que oscila entre momentos de cristalina perfeição (“Samba Tôrto”, “Dindi”) e outros em que o arranjo parece datado, preso a uma certa “lustrosa” sonoridade de fim de década. Ainda assim, vale repetir: a voz de Sylvia Telles está entre as mais belas que o Brasil já produziu. Não pela potência, mas pela intimidade. Ela canta como quem confidencia, e essa qualidade — raríssima — sustenta o disco mesmo em seus momentos menos inspirados. Ouvir Amor em Hi-Fi hoje é, portanto, um exercício de escuta generosa. Não se busca nele a revolução rítmica e harmônica de Chega de Saudade (lançado um ano antes, em 1959), mas o eco de um instante em que tudo ainda estava em aberto: o jazz e o samba, o estúdio e a sala de estar, a cantora de rádio e a musa da bossa. É o retrato de alguém que viveu na fronteira entre dois mundos — e que, por pouco, não se tornou a maior ponte entre eles.

Ouvir, fechar os olhos, imaginar o Rio do fim dos anos 1950. E agradecer a Sylvia por ter deixado esse registro, mesmo que imperfeito, mesmo que datado. Como ela mesma canta no encerramento do disco, em “Não Gosto Mais de Mim”: há uma tristeza que não se explica, mas que, cantada assim, de leve, quase nos reconcilia com a vida.

Silvia Telles: Amor em Hi-fi

A1 Samba Tôrto
Written-By – Aloysio De Oliveira, Antonio Carlos Jobim

A2.1 All The Way
Written-By – S. Cahn – J.V. Heusen*

A2.2 The Boy Next Door
Written-By – H. Martin*, R. Blane*

A2.3 They Can’t Take That Away From Me
Written-By – G. Gershwin-I. Gershwin*

A3 Corcovado
Written-By – Antonio Carlos Jobim

A4 Têtê
Written-By – Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli*

A5 Se É Tarde Me Perdoa
Written-By – Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli*

B1 Chora Tua Tristeza
Written-By – Luvercy Fiorini, Oscar Castro Neves*

B2 Dindi
Written-By – Aloysio De Oliveira, Antonio Carlos Jobim

B3 Oba-Lá-Lá
Written-By – Aloysio De Oliveira, João Gilberto

B4 Samba De Uma Nota Só
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça

B5 Por Causa De Você (Gardez Moi Pour Toujours)
Lyrics By [Versão De] – Serge Rodhe
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Dolores Duram*

B6 Não Gosto Mais De Mim
Written-By – Sérgio Ricardo

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Josquin Desprez (1440-1521): Missa Hercules dux Ferrariae (A Sei Voci)

Josquin Desprez (1440-1521): Missa Hercules dux Ferrariae (A Sei Voci)

Confesso ter me apaixonado por este disco mais devido ao trabalho impecável do time de músicos que participam da gravação do que pelas obras interpretadas. Desprez é um precursor da música francesa e, como tal, acerta de forma espetacular assim como erra bisonhamente, mas sempre mantendo um ar blasé. Talvez eu esteja sendo injusto com Desprez, porém aqui há falta de unidade. Há movimentos belíssimos ao lado de coisas para cumprir carnê. A missa é um carnê, não? Bom, vou parar por aqui. Tenho receio de que Clara Schumann fique muito indignada comigo. Ah, CD de som espetacular. Aumente o volume! E, ah!, o nome dele, em francês, é bem deprê.

Josquin Desprez (1440-1521) – Missa Hercules dux Ferrariae (A Sei Voci)

A Sei Voci – Maitrise Notre-Dame de Paris – Les Saqueboutiers de Toulouse –
Ensemble Labyrinthes

Year: 1996
Style: Sacred music
Country: France

TrackList:

01 – Josquin Desprez – Deus, In Nomine tuo salvum me fac
02 – Johannes Martini – Perfunde coeli rore

Josquin Desprez: Missa Hercules Dux Ferrariae:
03 – Josquin Desprez – Introit
04 – Josquin Desprez – Kyrie, Christe, Kyrie
05 – Josquin Desprez – Gloria
06 – Josquin Desprez – Credo
07 – Josquin Desprez – Sanctus, Benedictus
08 – Josquin Desprez – Agnus Dei

09 – Josquin Desprez – Inviolata, integra, et casta es, Maria
10 – Josquin Desprez – Miserere mei, Deus
11 – Eneas Dupre – Chi a martello dio gl’il toglia

A Sei Voci:
Raoul Le Chenadec – countertenor
Thierry Brehu – tenor
Eric Gruchet – tenor
James Gowings – baritone
Didier Bolay – bass

Maitrise Notre-Dame de Paris:
William Anger, Ambroise Audoin-Rouseau, Raphael Audoin-Rouseau,
Benjamin Limonet, Raphael Mas, Francois-Xavier Casadavant – treble
Aino Lund, Marie-Pierre Wattiez, Valerie Rio, Cyprile Meier,
Mathilde Ambrois – soprano
Andres Rojas Urrego, Cecile Pilorger, Helene Bordes – alto
Pascal Lefebvre, Christophe Poncet, Marc Manodritta, Nicolas Maire – tenor
Eric Lavoipierre, Robert Labrosse, Emmanuel Bouquey, Emmanuel Vistorky,
Serge Schoonbroodt – bass

Les Saqueboutiers de Toulouse:
Jean-Pierre Canihac – cornett
Daniel Lassalle, Stefan Legee – sackbut
Thierry Durant – bass sackbut
Gisele David – percussions

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Retrato do compositor Josquin Desprez, por Charles G. Housez

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Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos (Wiener Akademie, Martin Haselböck)

Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos (Wiener Akademie, Martin Haselböck)

Esse é um daqueles CDs a respeito do qual eu não esperava nada e que me surpreendeu positivamente, muito positivamente. Graun é uma espécie de Carl Phillip Emanuel sem zumbido na cabeça (o que torna CPE genial, bem entendido). Então, de forma um pouco mais convencional, Graun nos entusiasma com sua grande inventividade. Agora, vai entender porque está tão fora do repertório… Atenção, orquestras de câmara, confiram!

Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos (Wiener Akademie, Martin Haselböck)

1. Sinfonia Grosso in D major: I. Allegro maestoso 3:31
2. Sinfonia Grosso in D major: II. Arietta: Grazioso 2:59
3. Sinfonia Grosso in D major: III. Allegro scherzando 3:37

4. Violin Concerto in D minor: I. Allegro 5:37
5. Violin Concerto in D minor: II. Adagio 5:30
6. Violin Concerto in D minor: III. Allegro assai 6:00

7. Violin Concerto in A major: I. Allegretto 6:28
8. Violin Concerto in A major: II. Largo 6:17
9. Violin Concerto in A major: III. Allegro assai 5:50

10. Viola da Gamba Concerto in A major: I. Allegretto 9:13
11. Viola da Gamba Concerto in A major: II. Adagio 8:02
12. Viola da Gamba Concerto in A major: III. Allegro 5:32

Wiener Akademie
Martin Haselböck

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Mazááááá... Graun tem perfil no Facebook! Tão pensando o quê?
Mazááá… Graun tem perfil no Facebook! Tão pensando o quê?

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W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem, K. 626 (Celibidache, ORTF)

A Missa de Réquiem é uma das obras mais populares de Mozart e ocupava no repertório de Sergiu Celibidache uma posição tão importante quanto as sinfonias de Beethoven, Brahms e Bruckner. Entre as décadas de 1960 e 90, há gravações ao vivo do Réquiem com Celibidache regendo em Turim, Milão, Paris e Munique. Isso se eu não tiver perdido alguma na breve busca que fiz a respeito. Note-se ainda que, ao contrário de outros maestros como Klemperer, Abbado e Karajan, o romeno não se notabilizou por reger óperas de Mozart. Já a música coral e religiosa era bem mais frequente em seu repertório: Missa de Bruckner, Sinfonia de Salmos de Stravinsky e os outros Réquiem mais famosos, os de Verdi, Fauré e Brahms.

A Orquestra da Rádio-Teledifusão Francesa estava em uma excelente fase, tendo gravado poucos anos antes a inesquecível série de obras de Debussy com Jean Martinon (aqui) e discos também muito bons de Saint-Säens com o mesmo maestro. O naipe de cordas dos franceses, muito bem guiados aqui por Celibidache e pouco antes por Martinon, contribui com uma sonoridade que mistura beleza e gravitas. Outro destaque é a bela e suave voz de Arleen Auger nos solos para soprano.

Uma última observação: não são raros os casos de intérpretes que vão tocando ou regendo mais devagar conforme avançam em idade. Aqui, a orquestra de Paris e Celibidache (aos 61 anos) fazem todos os movimentos do Réquiem de Mozart em andamentos mais rápidos do que na gravação de 1995 em Munich, quando o maestro tinha mais de 80 anos. Especialmente no movimento inicial, com sua introdução orquestral misteriosa, Celibidache escolhe aqui um passo mais lento que o da maioria das gravações, mas em 1995 esse movimento duraria um minuto a mais. Em ordem decrescente, algumas minutagens do Introitus para comparação: Celibidache em Munique – 7:51 / Celibidache em Paris – 6:47 / Schreier em Dresden – 5:15 / Marriner em Londres – 5:01 / Abbado em Berlim – 4:28

W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem em Ré Menor, K626
1. Introitus: Requiem aeternam
2. Kyrie eleison
3. Dies irae
4. Tuba mirum
5. Rex tremendae majestatis
6. Recordare, Jesu pie
7. Confutatis maledictis
8. Lacrimosa dies illa
9. Domine Jesu Christe
10. Hostias et preces
11. Sanctus
12. Benedictus
13. Agnus Dei
14. Lux aeterna

Arleen Auger, soprano
Gurli Plesner, contralto
Adalbert Kraus, tenor
Roger Soyer, bass
Choeur et Orchestre National de l’ORTF, Sergiu Celibidache
Recorded: Paris, 22 fev 1974

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Arleen Auger, soprano (1939 – 1993)

Pleyel

.: interlúdio :. John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

.: interlúdio :. John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Alguém aí já deve ter notado que eu adoro John Surman. E é grande o número de downloads a cada postagem. O homem é mesmo espantoso. Este trabalho é muito mais jazzístico do que os últimos que postei. Não obstante, Surman segue interessado na música folclórica e religiosa da Inglaterra, mas desta vez dá-lhe outra feição. A banda é toda inglesa. O disco começa calma e livremente, com Canticle with response, de clara influência religiosa, e A distant spring. Fecha da mesma forma, com a totalmente improvisada Triptych, quase 15 minutos de interação altamente inteligente e empática entre os quatro músicos. No meio do disco há música vigorosa, incluindo Tess — Surman é um grande leitor, fã de Thomas Hardy — e Across the Bridge. Surman é sempre lírico e apaixonado. Muito estimulante. Dá-lhe.

John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

1. Canticle With Response 6:09
2. A Distant Spring 7:42
3. Tess 6:39
4. Promising Horizons * 5:30
5. Across The Bridge 7:52
6. Moonshine Dancer 6:42
7. Running Sands 9:07
8. Triptych * 14:43

composed by Surman except * by Surman/Taylor/Laurence/Marshall

recorded December 1993, Rainbow Studio, Oslo

John Surman, baritone and soprano saxophones, alto and bass clarinets;
John Taylor, piano;
Chris Laurence, bass;
John Marshall, drums

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Surman esteve recentemente em Porto Alegre. E poderia ter dito sobre o início do show: “Entro sozinho e hipnotizo todo mundo” | Foto: Eduardo Quadro
Surman esteve recentemente em Porto Alegre. E ele poderia ter dito: “Entro sozinho e hipnotizo todo mundo” | Foto: Eduardo Quadros

PQP

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Cello Concertos / Sinfonia concertante (Suzuki, La Petite Bande, Kuijken)

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Cello Concertos / Sinfonia concertante (Suzuki, La Petite Bande, Kuijken)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Difícil encontrar melhores gravações destes concertos. Hidemi Suzuki e Sigiswald Kuijken fazem misérias nos belíssimos concertos de Haydn e na Concertante. Não é nada surpreendente o fato deste CD ter aparecido em todas as listas de melhores do ano quando de seu lançamento. Equilíbrio, musicalidade, senso de estilo, tudo parece ter sido minuciosamente pensado e executado.

Franz Josef Haydn (1732-1809):
Cello Concertos / Sinfonia concertante

1. Cello Concerto No. 1 in C major, H. 7b/1: 1. Moderato
2. Cello Concerto No. 1 in C major, H. 7b/1: 2. Adagio
3. Cello Concerto No. 1 in C major, H. 7b/1: 3. Allegro molto

5. Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2 (Op. 101): 1. Allegro moderato
6. Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2 (Op. 101): 2. Adagio
7. Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2 (Op. 101): 3. Rondo. Allegro

8. Sinfonia Concertante for violin, cello, oboe, bassoon & orchestra, H. 1/105: 1. Allegro
9. Sinfonia Concertante for violin, cello, oboe, bassoon & orchestra, H. 1/105: 2. Andante
10. Sinfonia Concertante for violin, cello, oboe, bassoon & orchestra, H. 1/105: 3. Allegro con spirito

Hidemi Suzuki, violoncelo
La Petite Bande
Sigiswald Kuijken

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Grande Suzuki !!!

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.: interlúdio :. Miles Davis: My Funny Valentine (1964)

Centenário de Miles Davis (26 de maio de 1926 – 28 de setembro de 1991)
🎂

Gravado no New York Philharmonic Hall, sala inaugurada em 1962 para abrigar a N.Y. Philharmonic – a casa anterior da orquestra era o famoso Carnegie Hall, onde Miles também tocou – esse álbum marca o peso do nome de Miles Davis, para lotar uma sala daquela proporção e renome. Gravado no dia 12 de fevereiro de 1964, dois dias antes do dia dos namorados norte-americano, talvez esse seja o motivo para o grupo ter tocado o standard originado em um musical da Broadway de 1937 com música de Richard Rodgers, autor de vários outras melodias que seriam adotadas por gênios do jazz, com destaque para My Favorite Things, gravada por Coltrane. Rodgers, aliás, era filho de um judeu cujo sobrenome (Rogazinsky) foi americanizado. Triste constatação: há 90 anos alguns dos judeus mais famosos criavam belas melodias (Rodgers, Gershwin) ou não tão belas mas complexas e influentes (Schöenberg), enquanto hoje alguns judeus famosos estão lançando bombas sobre crianças e idosos.

Voltando para Miles Davis: naquele ano de 1964 ele finalmente havia montado um novo grupo estável, após alguns anos de muitas mudanças após o seu famoso grupo que incluía John Coltrane e os pianistas Bill Evans e Winton Kelly. Os jovens músicos Herbie Hancock e Tony Williams, assim como os um pouco menos jovens Ron Carter e George Coleman ajudaram Miles a trilhar novos caminhos e, com exceção do saxofonista Coleman, todos eles seguiriam tocando com Miles – no estúdio e ao vivo – até 1968 ou 69. Sobre a saída Coleman, o seu substituto Wayne Shorter respondeu, em 1992, em uma entrevista, se talvez os outros músicos consideravam Coleman antiquado, ‘old-fashioned’. Shorter respondeu:

Não sei. Herbie, Ron e Tony nunca disseram nada negativo sobre George Coleman. Eles estavam voltando do Japão e o empresário de Miles Davis me ligou: “Quer tocar com Miles? Ele está sem saxofonista, em Los Angeles, com data no Hollywood Bowl.” Nunca comentaram nada sobre por que motivo George não estava mais lá. Mas eu sentia que quando alguém começava a comparar os saxofonistas que tocaram com Miles – George, John Coltrane, Sonny Sitt e eu – Herbie, Ron e Tony nunca deixavam essas comparações acontecer. Diziam: “Cada um é diferente.” Eram bastante protetores de modo natural. Não deixavam ninguém jogar pedras nos seus parceiros. (entrevista aqui)

Seja como for, naquele fevereiro de 1964 os sopros de George Coleman e Miles Davis estavam se entendendo bastante bem e aquele concerto rendeu dois LPs: um de baladas mais lentas, este aqui, e outro com faixas mais rapidinhas intitulado “Four & More”. Nos temas mais rápidos, segundo o próprio Miles, a banda se entusiasmou – talvez pelo nervosismo de tocar naquela sala tão especial – e acelerou os andamentos para além do usual. Nesses temas mais lentos, a intensidade emocional soa mais equilibrada e bem acabada. Em sua autobiografia Miles lembrou ainda que o dinheiro da bilheteria seria doado para instituições beneficentes e os músicos de sua banda ficaram sabendo disso minutos antes de entrarem no palco, o que não os deixou exatamente satisfeitos… “Acredito que a raiva criou um fogo, uma tensão que alcançou o instrumento de cada um, e talvez essa seja uma das razões de por que todos tocaram com tanta intensidade”, disse Miles Davis. Ao vivo é assim, cada dia é um dia.

Miles Davis Quintet: My Funny Valentine
Miles Davis – trumpet
George Coleman – tenor saxophone
Herbie Hancock – piano
Ron Carter – double bass
Tony Williams – drums
Recorded: February 12, 1964

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Esse tocava alguma coisa.

Pleyel