Reviews for Elīna Garanča’s Arie Favorite (2001) generally highlight her as a superb and rising talent, particularly praising her effortless, velvety mezzo-soprano technique.
Elīna adorou o Salão dos Espelhos do PQP Bach Tower em sua última visita ao head office da nossa corporação
Para a postagem desta edição da coluna “Domingo é Dia de Ópera”, que pode ir ao ar numa quinta-feira ou sábado, dependendo do humor do editor chefe do blog, escolhi um disco lançado em 2001 e que teve papel importante no início da carreira da simpatissíssima mezzo-soprano Elīna Garanča. sua carreira deslanchou completamente depois de suas performances no Festival de Salzburgo em 2003.
É claro, as árias foram escolhidas cuidadosamente para mostrar a beleza da voz e a técnica impecável da artista. O acompanhamento pela orquestra do seu país de origem é também muito bom e o disco é primoroso, na minha opinião.
Os compositores são do fim do século XVIII e início do século XIX, as árias em italiano, a menos de uma, em francês. Mozart, Rossini, Bellini, Donizetti e Massenet são eles. Eu conhecia razoavelmente as árias das óperas de Mozart e ‘Una voce poco fa’, do Barbeiro Rossiniano. As obras de Bellini e Donizetti ainda estão na minha lista de ‘o que fazer depois da aposentadoria’. Massenet também está lá com eles, me esperando. Pelo que ouvi aqui, haverá muita diversão.
De um entusiasta comprador do CD pela Amazon: Esta é uma gravação maravilhosa e Elīna Garanča está soberba. A quarta faixa, o “Parto, parto” de La Clemenza di Tito, de Mozart, vale o preço do CD por si só. Elīna Garanča faz a obra soar quase sem esforço, quando, obviamente, não é. Ela traz brilho à tradição dos papéis de mezzo-soprano, que muitas vezes são relegados a um segundo plano. Além disso, a gravação em si é exuberante e rica, e magistralmente executada.
Na ária por ele mencionada, ouça o clarinete-baixo que o Antonio Stadler e seu amigo Mozart curtiram imensamente.
Aproveite!
René Denon
Imagem enviada pela entusiasmada equipe de artes e produção do PQP Bach Publishing House para a postagem… mas, acho que confundiram os Bellinis…
Stockhausen foi um arrojado pretensioso, mas isso não pode ser considerado um defeito do compositor. Muita música de qualidade foi feita em terreno de soberba e egoísmo. Além disso, não podemos deixar de esquecer que há muita sinceridade nesta manipulação do destino, a crença do compositor que a música pode ter importância na transformação do mundo. Stockhausen acreditava que sua música conectava o homem a Deus assim como seres de outros mundos. Uma mistura de crenças judaico-cristãs com ufologia.
A ópera Licht, composta em sete partes, cada uma relacionada aos dia da criação, é o exemplo máximo desta pretensão. Ela teve início em 1977 e foi completada em 2003. A execução desta ópera é praticamente impossível de ser realizada, pois Stockhausen exige uma série de estruturas extra-musicais (diversos tipos de combinações sonoras, uma parafernália eletrônica,…) que levariam qualquer produtor ao desespero. A mais notável dessas exigências é o uso de quatro helicópteros (já postada aqui). O que vamos ouvir agora é um trecho de mais ou menos 48 minutos da ópera “Quinta-feira” chamado de Unsichtbare Chore (coros invisíveis). A gravação que temos aqui foi lançada pela gravadora Deutsche Grammophon no início desse ambicioso projeto (hoje um disco raríssimo de encontrar). A música é para coro com intervenções inusitadas.
Performed by West German Radio Chorus
Prepared by H. Schernus, G. Ritter and K. Stockhausen
Mais um petardo vindo de Kirill Kondrashin e do segundo melhor Exército Vermelho já formado.
Sinfonia Nº 3, Op. 20, “O Primeiro de Maio” (1929)
Não gosto. É música heróica para o Partido, entremeada de algumas modernagens para irritar os burocratas. Shosta resolveria melhor este dilema logo mais adiante, mas Kondrashin é tão bom que deixa a obra quase boa…
Sinfonia Nº 5, Op. 47 (1937)
Esta é a obra mais popular de Dmitri Shostakovich. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio, um scherzo composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os menos aficcionados, é uma obra apetitosa, por transformar a dura linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai a trouxe dizendo que era uma sinfonia muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele amava. Alguns consideram esta obra uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa freqüência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes…
A propósito, do último movimento, ele serviu para uma cena “estranha” do cineasta Alexander Sokurov que, ao desejar mostrar, no seu documentário sobre Shostakovich “Sonata para Viola”, a sempre questionável superioridade e a liberdade do Ocidente, comparou longamente a coda da quinta na versão de Lenny Bernstein (maravilhosa) e de Mravinsky (horrorosa). Sokurov é um brilhante diretor, mas entende patavinas de música… Não apenas a versão de Mravinsky é superior, como ele obedecia ao desejo de Shostakovich quanto ao andamento. Quem entende alguma coisa de música fica boiando ou manda o diretor às favas. Sokurov, já que tem ouvidos varicosos, deveria consultar qualquer ouvinte – mesmo médio – para não cometer tais escandalosos equívocos…
Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – Sinf. Nros. 3 e 5 (CD 3 de 11) (Kondrashin, MPO)
SYMPHONY No.3
1. in E Flat Major, Op.20, “The First of May”
SYMPHONY No.5 in D Minor, Op.47
2. Moderato. Allegro non troppo. Moderato
3. Allegretto
4. Largo
5. Allegro non troppo. Allegro
Recorded: March 27, 1968
Choirs of the Russian Republic, Alexander Yourlov, Conductor (1)
Moscow Philharmonic Orchestra (1 & 2)
Kirill Kondrashin, Conductor
Total time 68:16
Apesar da excelente orquestra, regente e cantores, não é um CD de enlouquecer. Trata-se de um bom disco que prova que Telemann era mais instrumental do que vocal.
Quando vi o CD, a cara de maluco de Hermann Max me assustou. Tinha me esquecido. O cara parece saído de uma comédia dos anos 60. Em vez de Telemann, fiquei pensando nas quantidades oceânicas de laquê que ele deve usar. Igualzinho a minha mãe há quarenta anos atrás.
Georg Philip Telemann (1681-1767): Passions-Oratorio / 2 Cantatas (Max, Das Kleine Konzert)
1. Betrachtung Der 9: Acccompagnato – Wilfried Jochens/Hans-Georg Wimmer/Harry Van Der Kamp/David Cordier
2. Betrachtung Der 9: Chorale – Rheinische Kantorei
3. Betrachtung Der 9: Recitativo – Wilfried Jochens
4. Betrachtung Der 9: Aria – Harry Van Der Kamp
5. Betrachtung Der 9: Chorale – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
6. Betrachtung Der 9: Recitativo – David Cordier
7. Betrachtung Der 9: Acccompagnato – Hans-Georg Wimmer
8. Betrachtung Der 9: Aria – Hans-Georg Wimmer
9. Betrachtung Der 9: Chorale – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
Composed by Georg Philipp Telemann
with David Cordier, Kleine Konzert Orchestra, Wilfried Jochens, Harry van der Kamp, Rheinische Kantorei, Stephan Schreckenberger, Kai Wessel
Conducted by Hermann Max
10. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Tenor Solo & Chorus – Wilfried Jochens
11. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Recitativo – Wilfried Jochens
12. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Aria – Wilfried Jochens
13. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
14. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Recitaivo – Kai Wessel
15. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Duetto – Stephan Schreckenberger/Kai Wessel
16. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
17. Ein Mensch Ist In Seinem Leben Wie Gras: Chorale – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
Composed by Georg Philipp Telemann
with David Cordier, Kleine Konzert Orchestra, Wilfried Jochens, Harry van der Kamp, Rheinische Kantorei, Stephan Schreckenberger, Kai Wessel
Conducted by Hermann Max
18. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Son – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
19. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
20. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Maria Zadori
21. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
22. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Wilfried Jochens
23. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Kai Wessel
24. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
25. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Aria – Stephan Schreckenberger
26. Herr, Ich Habe Lieb Die Statte Deinse Hasues: Chorus – Rheinische Kantorei/Das Kleine Konzert/Hermann Max
Composed by Georg Philipp Telemann
with David Cordier, Kleine Konzert Orchestra, Wilfried Jochens, Harry van der Kamp, Rheinische Kantorei, Stephan Schreckenberger, Kai Wessel
Conducted by Hermann Max
Dando continuidade à nossa integral das Sinfonias de Dmitri Shostakovich sob a regência de Kirill Kondrashin, iniciada aqui, publicamos mais duas sinfonias: a comum segunda e a notável décima-quarta.
CD 2
Sinfonia Nº 2, “A Outubro”, Op. 14 (1927)
Escrita sobre versos de Aleksander Bezimensky’s, é uma homenagem ao décimo ano da Revolução. Tem 16 minutos e é tem um movimento, dividido nas seções Largo – Allegro molto – Meno mosso – Choral Finale. Sua estréia ocorreu em 05/11/1927 com a Filarmônica de Leningrado e Coro. A sinfonia é da fase de experimentação de Shostakovich, só que quem experimentou e não gostou dela foi a burocracia comunista. Creio que o regime soviético tenha sucumbido por sua violência e mau gosto: chamaram a sinfonia de “formalista”, “antiproletária”, “burguesa”, etc. e até o jovem Shostakovich, na época um sincero comunista, ficou irritado com a repercussão incompreensiva. É que ele ainda não conhecera a ira de Stálin logo após Lady Macbeth… Não vira nada ainda…
Sinfonia Nº 14, Op. 135 (1969)
A Sinfonia Nº 14 – espécie de ciclo de canções – foi dedicada a Britten, que estreou-a em 1970 na Inglaterra. É a menos casual das dedicatórias. Seu formato e sonoridade é semelhante à Serenata para Tenor, Trompa e Cordas, Op. 31, e à Les Illuminations para tenor e orquestra de cordas, Op. 18, ambas do compositor inglês. Os dois eram amigos pessoais; conheceram-se em Londres em 1960, e Britten, depois disto, fez várias visitas à URSS. Se o formato musical vem de Britten, o espírito da música é inteiramente de Shostakovich, que se utiliza de poemas de Lorca, Brentano, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, sempre sobre o mesmo assunto: a morte.
O ciclo, escrito para soprano, baixo, percussão e cordas, não deixa a margem à consolação, é música de tristeza sem esperança. Cada canção tem personalidade própria, indo do sombrio e elegíaco em A la Santé, An Delvig e A Morte do Poeta, ao macabro na sensacional Malagueña, ao amargo em Les Attentives, ao grotesco em Réponse des Cosaques Zaporogues e à evocação dramática de Loreley. Não há música mais direta e que trabalhe tanto para a poesia, chegando, por vezes, a casar-se com ela sílaba por sílaba para tornar-se mais expressiva. Há uma versão da sinfonia no idioma original de cada poema, mas sempre a ouvi em russo. Então, já que não entendo esta língua, tenho que ouvi-la ao mesmo tempo em que leio uma tradução dos poemas. Posso dizer que a sinfonia torna-se apenas triste se estiver desacompanhada da compreensão dos poemas – pecado que cometi por anos! Ela perde sentido se não temos consciência de seu conteúdo autenticamente fúnebre. Além do mais, os poemas são notáveis.
Possui indiscutíveis seus méritos musicais mas o que importa é sua extrema sinceridade. Me entusiasmam especialmente a Malagueña, feita sobre poema de Lorca e a estranha Conclusão (Schluss-Stück) de Rilke, que é brevíssima, sardônica e – puxa vida – muito, mas muito final.
SYMPHONY No.2
1. in B Major, Op.14, “To October”
Recorded: November 29, 1972
SYMPHONY No.14
For Soprano, Bass, String Orchestra and Percussion, Op.135
2. De Profundis (Garcia Lorca)
3. Malaguena (Garcia Lorca)
4. Loreley (Apollinaire)
5. The Suicide (Apollinaire)
6. On Watch (Appollinaire)
7. Madam! Look (Apollinaire)
8. In the Sante (Apollinaire)
9. The Zaporogian Cossacks’ Reply to the Sultan of Constantinople (Appolinaire)
10. O Delvig, Delvig! (Kuchelbecker)
11. Death of the Poet (Rilke)
12. Conclusion (Rilke)
Recorded: November 24, 1974
Evgenya Tselovalnik, Soprano / Evgeny Nesterenko, Bass / Ensemble of soloists from the Moscow Philharmonic Orchestra / Choirs of the Russian Republic / Alexander Yourlov, Conductor (2)
Moscow Philharmonic Orchestra / Kirill Kondrashin, Conductor
Um baita CD da Naxos. Repertório da virada do século XX, romanticamente coerente com o século XIX, como sempre foram Sibelius e Elgar. É óbvio que o concerto do finlandês é muito superior ao inglês.
Abaixo, uma nota biográfica de Sibelius retirada da Wikipedia:
Jean Sibelius (Hämeenlinna, 8 de dezembro de 1865 — Järvenpää, 20 de setembro de 1957) foi um compositor finlandês de música erudita, e um dos mais populares compositores do final do Século XIX e início do século XX. Sua genialidade musical também teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa.
Sibelius nasceu numa família que falava sueco e residia na cidade de Hämeenlinna, no Grão-Ducado da Finlândia, então pertencente ao Império Russo. Seu nome de batismo é Johan Julius Christian Sibelius e ele era conhecido como Janne por sua família, mas durante seus anos de estudo ele teve a idéia de usar a forma francesa de seu nome, Jean, após ver uma pilha de cartões postais de seu tio Johan, o irmão mais velho de seu pai, o Dr. Christian Gustaf Sibelius, que era médico na guarnição militar de Hämenlinna. O nome Johan lhe fora dado em homenagem a esse tio, que era capitão de navio e tinha morrido em Havana, em 1863. O prenome Jean era usado por ele quando estava no exterior.
Significativamente, indo de encontro ao largo contexto do então proeminente movimento Fennoman e suas expressões do nacionalismo romântico, sua família deciciu mandá-lo para um importante colégio de língua finlandesa, e ele freqüentou o The Hämeenlinna Normal-lycée de 1876 a 1885. O nacionalismo romântico ainda iria se tornar uma parte crucial na produção artística de Sibelius e na sua visão política.
A principal parte da música de Sibelius é sua coleção de sete sinfonias. Como Beethoven, Sibelius usou cada uma delas para trabalhar uma idéia musical e/ou desenvolver seu próprio estilo. Suas sinfonias continuam populares em gravações e salas de concerto.
Dentre as composições mais famosas de Sibelius, destacam-se:Concerto para Violino e Orquestra em ré menor (obra de grande expressão, melodiosidade profunda e virtuosismo, que goza de grande popularidade entre os violinistas e o público, tornando-se em um dos concertos para violino mais executados nas salas de concerto), Finlandia, Valsa Triste (o primeiro movimento da suíte Kuolema), Karelia Suite e O Cisne de Tuonela (um dos quatro movimentos da Lemminkäinen Suite). Outros trabalhos incluem peças inspiradas no poema épico Kalevala, cerca de 100 canções para piano e voz, música incidental para 13 peças, uma ópera (Jungfrun i tornet, A Senhora na Torre), música de câmara, peças para piano, 21 publicações separadas para coral e músicas para rituais maçônicos. Até meados de 1926 foi prolífico; entretanto, apesar de ter vivido mais de 90 anos, ele quase não completou composições nos últimos 30 anos de sua vida, após sua Sétima Sinfonia em 1924 e o poema musicado Tapiola em 1926.
E o mesmo para Elgar:
Filho de um afinador de pianos, e rodeado de música e instrumentos musicais na loja do pai em na Worcester High Street, o jovem Edward foi auto-didacta em música. No Verão levava nos seus passeios música para estudar, iniciando uma forte ligação entre música e natureza.
Deixando a escola aos 15 anos, começou por trabalhar com um advogado local, mas após um ano enveredou por uma carreira musical, aprendendo piano e violino. Aos 22 anos tornou-se chefe de banda no Worcester and County Lunatic Asylum, perto de Worcerter. Foi primeiro violino nos festivais de Worcester e Birmingham, e chegou a tocar a Sexta Sinfonia e o Stabat Mater de Antonin Dvorak sob a direcção do próprio compositor. Agradou-lhe especialmente, e influenciou-o bastante o estilo de orquestração de Dvorak.
Aos 29, através da actividade de ensino, conheceu a sua futura mulher Caroline Alice Robers, poetisa e escritora. Casaram-se três anos depois contra a vontade da família dela, e a prenda de Edward para Caroline foi a peça para violino e piano Salut d’amour. Os Elgars passaram a residir em Londres, centro da vida musical inglesa. Após algum tempo, constataram que não podiam subsistir apenas com o trabalho de compositor de Edward, pelo que ele retomou o ensino de música.
Durante a década de 1890, século XIX, Elgar construiu uma sólida reputação como compositor, especialmente de obra vocal para os festivais musicais das Midlands. The Black Knight, King Olaf (1896), The Light of Life e Caractacus tiveram algum sucesso, o que lhe permitiu obter um lugar de editor musical.
Em 1899, aos 42 anos de idade, compôs o seu primeiro grande trabalho orquestral, as Variações Enigma, estreadas em Londres dirigidas por Hans Richter. Recebendo o aplauso geral, Elgar tornou-se o compositor britânico mais conhecido da época. Este trabalho intitula-se Variations on an Original Theme (Enigma). O enigma é que, embora haja treze variações do tema original (‘enigma’), este nunca é ouvido. Em 1900 estreou em Birmingham a versão coral do poema do Cardeal Newman The Dream of Gerontius. Apesar da desastrosa estreia, a obra foi posteriormente reconhecida como uma das maiores de Elgar.
Elgar é principalmente conhecido pelas Marchas de Pompa e Circunstância (1901). Após compô-las, foi-lhe pedido para adaptar a letra de A. C. Benson para uma Ode à Coroação do Rei Eduardo VII de Inglaterra. O resultado foi Land of Hope and Glory.
Entre 1902 e 1914 Elgar teve um sucesso estrondoso, visitou quatro vezes os E.U.A., e ganhou bastante dinheiro com os direitos da sua obra. Entre 1905 e 1908 foi Professor de Música na Universidade de Birmingham.
A sua Sinfonia No. 1 (1908) foi cem vezes tocada no primeiro ano. Com a chegada da I Guerra Mundial, a música de Elgar ficou um pouco fora de moda, e, depois de ficar viúvo em 1920 pouco mais compôs. Pouco antes de falecer compôs o magnífico e elegíaco Concerto para Violoncelo. Talvez isto sugira que Alice Elgar era a sua principal influência e impulsionadora do seu êxito.
Armado cavaleiro em 1904 e tornado baronete em 1931. Em 1932, trabalhou como o jovem e talentoso violinista Yehudi Menuhin, que na altura tinha apenas 16 anos de idade, na gravação do seu Concerto para violino.
No fim da vida iniciou uma ópera e aceitou a proposta da BBC para compor uma Terceira Sinfonia. Esta encomenda foi persuadida pelo seu amigo George Bernard Shaw, a quem Elgar tinha dedicado a obra Severn Suite. A sua doença terminal impediu-o de a completar mas os esboços que deixou permitiram a Anthony Payne completá-la ao estilo do compositor. Morreu no dia 23 de Fevereiro de 1934. No espaço de apenas dois meses morreram outros dois importantes compositores ingleses – Gustav Holst e Frederick Delius.
Jean Sibelius (1865-1957) e Edward Elgar (1857-1934): Concertos para Violino (Kang, Leaper)
Concerto for Violin in D minor, Op. 47 (31:09) de Jean Sibelius
1. I. Allegro moderato
2. II. Adagio di molto
3. III. Allegro ma non tanto
Concerto for Violin in B minor, Op. 61 (45:43) de Edward Elgar
4. I. Allegro
5. II. Andante
6. III. Allegro molto
Dong-Suk Kang (Violin)
Adrian Leaper
Ensemble Polish Radio Symphony Orchestra
Quando postei de enfiada 6 CDs de Hiromi Uehara, escrevi que ela melhorava a cada disco que lançava. Então, dando-me razão, o Bluedog me apresentou seu mais recente trabalho, o maravilhoso, puramente instrumental e paradoxal Voice. Olha, meus amigos, que CD! O vídeo de lançamento (abaixo) talvez não demonstre o quanto é sólido, consistente, PAULEIRA e sério este trabalho de Hiromi. É inacreditável tamanha maturidade aos 32 anos, ainda mais com aquela cara de bonequinha japonesa.
Após um CD solo, o esplêndido Place to be Hiromi traz em Voice um formato trio piano-baixa-bateria e dá um banho. Como já disse, ao contrário de muitos outros artistas que se estabelecem numa zona de conforto, ela continua a evoluir e a redefinir seu estilo até o ponto onde se torna quase impossível imitá-la. É uma tempestade perfeita de talento técnico e criatividade musical, misturando elementos díspares da música clássica, bebop, jazz, fusion e rock como ninguém fez antes.
Em Voice, Hiromi usa e abusa dos ostinati como poucas vezes ouvi um pianista de jazz fazer. Se estilo está mais polifônico e variado do que nunca e seus companheiros… e seus companheiros… Vou até abrir um parágrafo para eles.
Este álbum apresenta uma “banda” nova chamado Trio Project. O baixista é o célebre Anthony Jackson, que trabalhou com Al Di Meola no seu trio de álbuns fusion, marcos da década de 70. Ele trabalhou com muita gente boa longo dos anos, inclusive em dois ábuns anteriores de Hiromi: Another Mind e Brain — ambos postados por este que vos escreve. O baterista é o igualmente maravilhoso Simon Phillips, que muitas vezes parece um metaleiro. (Ouçam-no no vídeo abaixo playing very difficult music…). Apesar de mais conhecido por seu trabalho com Chick Corea, Simon já tocou com artistas como Judas Priest, Jeff Beck, Jack Bruce, Brian Eno, Mike Oldfield, Gary Moore e Mick Jagger, além de ter substituído Keith Moon no The Who do disco Join Together.
Hiromi, Jackson e Phillips complementam-se de forma incrível. Se Hiromi é uma orquestra inteira, Jackson traz o mais puro jazz fusion através de seu baixo e Phillips dá uma intensidade de metal drumming ao todo.
Mais uma joia postada por mim nesta semana e ah!
Talvez como uma homenagem a quem melhor utiizava os ostinati e para garantir o caráter macho do disco — OK, e também para que nosso coração volte a seu ritmo normal depois de tanta velocidade, musicalidade e, bem, pauleira — , Voice finaliza calmamente com uma improvisação sobre a Sonata Nº 8 de Beethoven, Patética. Sim, é o máximo da finesse.
Hiromi Uehara – Voice (2011)
1. Voice (9:13)
2. Flashback (8:39)
3. Now or Never (6:16)
4. Temptation (7:54)
5. Labyrinth (7:40)
6. Desire (7:19)
7. Haze (5:54)
8. Delusion (7:47
9. Beethoven’s Piano Sonata No. 8, Pathetique (5:13)
Hiromi Uehara, Piano
Anthony Jackson, Baixo
Simon Phillips, Bateria
Sou um grande admirador da Nona de Schubert e nunca a ouvi ser tão bem tocada como neste espantoso CD. Som perfeito, interpretação perfeita, não obstante o fato de tratarem-se de gravações dos anos 50 e 60. Tenho uma ligação especial e triste com esta música. Quando voltei do enterro de meu pai, em 1993, vitimado por um primeiro, fulminante e estarrecedor enfarto, notei que havia um CD no aparelho de som, provavelmente o último que ele ouvira. Sim, claro, a Nona de Schubert. Krips: nascido em Viena em abril de 1902, Josef Krips foi apresentado a mim por FDP Bach. Ele parece ter sido destinado aos clássicos alemães e vienenses. Krips foi um dos poucos maestros que podiam reger em 1945 em Viena, pois nunca tinha trabalhado sob o regime nazista. Foi o primeiro a conduzir a Filarmônica de Viena e o Festival de Salzburgo no período pós-guerra. De 1950 até 1954, Krips foi o maestro principal da Orquestra Sinfônica de Londres. Depois disso, entre 1963 até 1970, ele comandou a Orquestra Filarmônica de Buffalo e a Orquestra Sinfônica de São Francisco. Em 1970, ele se tornou o maestro titular da Ópera Alemã de Berlim. Entre 1970 e 1973, foi o principal maestro da Filarmônica de Viena. Krips morreu em Genebra, Suíça em 1974, aos setenta e dois anos. A Oitava com a Wiener Philharmoniker foi a última gravação de Krips para a Decca e o disco que ora postamos faz parte de uma série de cinco relançamentos dedicados à arte de Josef Krips. Se vocês procurarem as avaliações dos críticos sobre este CD vão ler os maiores, deslavados e merecidos elogios.
Locais de gravação: Kingsway Hall, Londres, maio de 1958 (Symphony No. 9); Sofiensaal, Viena, Áustria, março de 1969 (Symphony No. 8).
Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nº 9 e 8 (Krips)
Sinfonia N° 9, D. 944, A Grande
01. I. Andante – Allegro ma non troppo
02. II. Andante con moto
03. III. Scherzo (Allegro vivace)
04. IV. Allegro vivace
London Symphony Orchestra
Sinfonia Nº 8, D. 759, Inacabada
05. I. Allegro moderato
06. II. Andante con moto
Telemann gostava deste formato. Suas 12 Fantasias para Violino Solo foram publicadas em Hamburgo, no anos de 1735. É apenas uma das coleções de Telemann de música para instrumentos não acompanhados, sendo os outros as doze fantasias para flauta solo e as trinta e seis para cravo solo que foram publicados em Hamburgo em 1732-33. Há também um conjunto de doze fantasias para solo de viola da gamba que foi publicado em 1735, mas que hoje está perdido.
Telemann era um violinista autodidata. Muita das fantasias revelam a influência de sonatas e concertos italianos, mas o estilo-base é a polifonia alemã, tanto que as fantasias 2, 3, 5, 6, 10 incluem fugas.
Apenas dois anos depois da obra-prima de Jonathan Swift ser publicada, As Viagens de Gulliver foram musicadas na Alemanha. A suíte, escrita para dois violinos , se tornou uma sensação instantânea nos lares alemães. Afinal, quem não gostaria de seguir Gulliver em sua viagem emocionante?
Telemann interessava-se pela dança.A sátira de Swift deu-lhe ideia para uma diminuta suíte de danças programática, com cada um dos dedicados a cenas e personagens de Swift. Mais ousada do que imponente, é uma peça deliciosa.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): 12 Fantasias para Violino Solo
01 Fantasia in B-flat major (Largo—Allegro—Grave—Si replica l’allegro)
02 Fantasia in G major (Largo—Allegro—Allegro)
03 Fantasia in F minor (Adagio—Presto—Grave—Vivace)
04 Fantasia in D major (Vivace—Grave—Allegro)
05 Fantasia in A major (Allegro—Presto—Allegro—Andante—Allegro)
06 Fantasia in E minor (Grave—Presto—Siciliana—Allegro)
07 Fantasia in E-flat major (Dolce—Allegro—Largo—Presto)
08 Fantasia in E major (Piacevolumente—Spirituoso—Allegro)
09 Fantasia in B minor (Siciliana—Vivace—Allegro)
10 Fantasia in D major (Presto—Largo—Allegro)
11 Fantasia in F major (Un poco vivace—Soave—Da capo un poco vivace—Allegro)
12 Fantasia in A minor (Moderato—Vivace—Presto)
13 – Gulliver Suite (para dois violinos): Intrada
14 – Chaconne of the Lilliputians
15 – Gigue of the Brobdingngians
16 – Daydreams of the Laputians and their attendant flappers
17 – Loure of the well-mannered Houyhnhnms & Wilddance of the untamed Yahoos
Mano FDP Bach mostra o caminho, eu vou atrás. Foi assim nos lagos de belas adormecidas da semana passada e agora eu respondo às aberturas de Telemann com um petardo de quatro discos do MAK apresentando a Tafelmusik completa. Como os amantes do barroco alemão estão bem servidos nos últimos dias! A obra de Telemann — o compositor mais famoso na região na época de Bach — é muito boa. Por exemplo, o Concerto em Lá maior (CD1) é obra-prima. A ária (Tempo Giusto) da Abertura em ré maior, idem — esta ária foi depois utilizada por Handel num de seus concertos para órgão. E assim por diante. A interpretação de Goebel e amigos é, para variar, impecável. Mas vocês têm de trabalhar muito agora, afinal, são 580 MBytes do mais puro barroco em 320 kbps. Boa sorte! O motivo pelo qual estão todos juntos é que fiz um CD-R com todas as 70 faixas para ouvir no carro… Tornei-me fã da Tafelmusik de Telemann desde que comprei a caixa de vinis da Telefunken com o jovem Frans Bruggen e o Concerto Amsterdam. Isso há mais de 30 anos atrás. O registro de Bruggen ainda é bom… Mas Goebel o supera em todos os pontos que realmente contam.
Georg Phillip Telemann (1681-1767): Tafelmusik Completa — 4 CDs (Musica Antiqua Köln)
DISC 1
PRODUCTION I (Teil • Part • Partie • Parte I)
I. Ouverture — Suite
e-moll • in E minor • en mi mineur • in mi minore
1. Ouverture: Lentement — Vite — Lentement
2. Rejouissance
3. Rondeau
4. Loure
5. Passepied
6. Air. Un peu vivement
7. Gigue
II. Quatuor G-dur • in G major • en sol majeur • in sol maggiore
8. Largo — Allegro — Largo
9. Vivace — Moderato — Vivace D. c.
10. Grave
11. Vivace
III. Concert A-dur • in A major • en la majeur • in la maggiore
12. Largo
13. Allegro
14. Gratioso
15. Allegro
DISC 2
IV. Trio Es-dur • in E flat major • en mi bemol majeur • in mi bemolle maggiore
1. Affettuoso
2. (attacca) Vivace
3. Grave
4. Allegro
V. Solo
5. h-moll • in B minor • en si mineur • in si minore
6. Cantabile
7. Allegro
8. Dolce
9. Allegro
VI. Conclusion e-moll • in E minor • en mi mineur • in mi minore Allegro — Largo — Allegro D. c.
PRODUCTION II (Teil-Part Partie-Parte II)
I. Ouverture — Suite D-dur • in D major • en re majeur • in re maggiore
10. Ouverture: Lentement — Vite — Lentement
11. Air. Tempo giusto
12. Air. Vivace
13. Air. Presto
14. Air. Allegro
DISC 3 II. Quatuor d-moll • in D minor • en re mineur ■ in re minore
1. Andante
2. Vivace
3. Largo
4. Allegro
III. Concert F-dur in F major • en fa majeur • in fa maggiore
5. Allegro
6. Largo
7. Vivace
IV. Trio e-moll • in E minor ■ en mi mineur • in mi minore
8. Affettuoso
9. Allegro
10. Dolce
11. Vivace
V. Solo A-dur • in A major • en la majeur • in la maggiore
12. Andante
13. Vivace
14. Cantabile
15. Allegro — Adagio — Allegro — Adagio
VI. Conclusion D-dur • in D major ■ en re majeur • in re maggiore
16. Allegro — Adagio — Allegro D. c.
DISC 4
PRODUCTION III (Teil • Part • Partie • Parte III)
I. Ouverture — Suite B-dur • in B flat major • en si bemol majeur • in si bemolle maggiore
1. Ouverture: Lentement — Presto — Lentement
2. Bergerie. Un peu vivement
3. Allegresse. Vite — Meno mosso — Vite D.c.
4. Postilions
5. Flaterie
6. Badinage. Tres vite
7. Menuet
II. Quatuor e-moll • in E minor • en mi mineur • in mi minore
8. Adagio
9. Allegro
10. Dolce
11. Allegro
III. Concert Es-dur • in E flat major • en mi bemol majeur • in mi bemolle maggiore
12. Maestoso
13. Allegro
14. Grave
15. Vivace
IV. Trio D-dur • in D major • en re majeur • in re maggiore
16. Andante
17. Allegro
18. Grave — Largo — Grave
19. Vivace
V. Solo g-moll • in G minor • en sol mineur • in sol minore
20. Largo
21. Presto
22. Tempo giusto
23. Andante
24. Allegro
VI. Conclusion B-dur • in B flat major • en si bemol majeur • in si bemolle maggiore
25. Furioso
Jonathan Cable
Phoebe Carrai
Florian Deuter
Werner Ehrhardt
Reinhard Goebel
Friedemann Immer
Laura Johnson
Andrew Joy
Andras Keller
Manfred Kramer
A Sinfonia Nº 4 de Shostakovich é das obras que mais cresceram na minha consideração nos últimos anos. Ouço-a repetidamente nos últimos meses e esta gravação de Gergiev com o pessoal de Munique é supimpa. O russo acentou momentos decididamente fantasmagóricos da obra, coisas a que jamais eu atentara. A Quarta é monumental e radical. Escrita entre 1935 e 1936, nasceu num momento de enorme tensão política na União Soviética, logo depois das críticas oficiais que o compositor sofreu após a ópera Lady Macbeth of Mtsensk. A sinfonia é gigantesca, com orquestra imensa e uma linguagem muito influenciada por Gustav Mahler: música irônica, brutal, às vezes grotesca, alternando explosões violentas com passagens de um silêncio quase inquietante. Tem algo de visionário e caótico, como se o mundo estivesse à beira de um colapso. (E não está ainda hoje com Trump, Bibi e os bolsonaristas?). Por medo das consequências políticas, Shostakovich retirou a obra antes da estreia, e ela só seria apresentada publicamente 25 anos depois, em 1961. Hoje é vista como uma das sinfonias mais perturbadoras do século XX. O adjetivo perturbador é muito verdadeiro.
A Paixão Segundo Mateus, de Bach, vai como uma Cantatona da mais alta qualidade até a ária Erbarme dich, quando a coisa se torna cósmica, inatingível, original, profunda. É como se a Erbarme fosse um portal para uma dimensão pisciana, em que estivéssemos submersos, ocupados não somente com o que acontece em nosso plano, mas também com o que há acima e embaixo. Isto pra quem crê que estamos no meio.
Então, esqueça o comércio, mande às favas os parentes e os presentes. Muito melhor do que sair fazendo compras neste dia 23 é ouvir esta estupenda versão da Paixão Segundo Mateus a cargo de um supertime: René Jacobs mais a Akademie für Alte Musik Berlin e solistas.
A Paixão Segundo Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum; em alemão: Matthäus-Passion), mais conhecida em países católicos como A Paixão segundo Mateus, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo o Evangelho de Mateus, com libreto de Picander (Christian Friedrich Henrici). Com uma duração de mais de duas horas e meia (em algumas interpretações, mais de três horas) é a obra mais extensa do compositor. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental. Esta e A Paixão segundo João são as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão Segundo Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros, corais, recitativos, ariosos e árias.
A obra foi escrita, provavelmente, em 1727 e foi apresentada pela primeira vez na Sexta-feira da Paixão de 1727 ou na Sexta-feira da Paixão de 1729 na Thomaskirche (Igreja de São Tomás) em Leipzig, onde Bach era o Kantor. Ele a revisou em 1736, apresentando-a novamente em março desse mesmo ano, incluindo dessa vez dois órgãos na instrumentação.
A Paixão Segundo Mateus não foi ouvida fora de Leipzig até 1829, quando Felix Mendelssohn apresentou uma versão abreviada em Berlim e foi vivamente aclamado. A redescoberta da Paixão Segundo Mateus através de Mendelssohn expôs a música de Bach — principalmente suas grandes obras — a uma atenção pública que persiste até hoje.
OK, há as duas versões de Gardiner (aquie aqui), mas este registro está ali juntinho de ambas em qualidade. São as campeãs. Fantástico! Grande Jacobs!
J. S. Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244 (Jacobs / AAM)
Disk: 1
1. Chor: Kommt, Ihr Töchter, Helft Mir Klagen (1. Teil)
2. Rezitativ: Da Jesus Diese Rede Vollendet Hatte
3. Choral: Herzliebster Jesu, Was Hast Du Verbrochen
4. Rezitativ: Da Versammelten Sich Die Hohepriester – Chor: Ja Nicht Auf Das Fest – Rezitativ: Da Nun Jesus
5. Rezitativ: Du Lieber Heiland Du
6. Arie: Buß’ Und Reu’
7. Rezitativ: Da Ging Hin Der Zwölfen Einer
8. Arie: Blute Nur, Du Liebes Herz
9. Rezitativ: Aber Am Ersten Tage Der Süßen Brot – Chor: Wo Willst Du, Daß Wir Dir Bereiten Das Osterlamm Zu Essen?
10. Choral: Ich Bins, Ich Sollte Büßen
11. Rezitativ: Er Antwortete Und Sprach
12. Rezitativ: Wiewohl Mein Herz In Tränen Schwimmt
13. Arie: Ich Will Dir Mein Herze Schenken
14. Rezitativ: Und Da Sie Den Lobgesang Gesprochen Hatten
15. Choral: Erkenne Mich, Mein Hüter
16. Rezitativ: Petrus Aber Antwortete Und Sprach Zu Ihm
17. Choral: Ich Will Hier Bei Dir Stehen
18. Rezitativ: Da Kam Jesus Mit Ihnen Zu Einem Hofe
19. Rezitativ: O Schmerz! Hier Zittert Das Gequälte Herz
20. Arie: Ich Will Bei Meinem Jesu Wachen
21. Rezitativ: Und Ging Hin Ein Wenig
22. Rezitativ: Der Heiland Fällt Vor Seinem Vater Nieder
23. Arie: Gerne Will Ich Mich Bequemen
24. Rezitativ: Und Er Kam Zu Seinen Jüngern
25. Choral: Was Mein Gott Will, Das G’scheh’ Allzeit
26. Rezitativ: Und Er Kam Und Fand Sie Aber Schlafend
27. Arie: So Ist Mein Jesus Nun Gefangen – Chor: Sind Blitze Und Donner In Wolken Verschwunden
28. Rezitativ: Und Siehe, Einer Aus Denen
29. Choral: O Mensch, Bewein’ Dein’ Sünde Groß
30. Arie: Ach, Nun Ist Mein Jesus Hin! (2. Teil)
31. Rezitativ: Die Aber Jesum Gegriffen Hatten
32. Choral: Mit Hat Die Welt Trüglich Gericht’t
33. Rezitativ: Und Wiewohl Viel Falsche Zeugen Herzutraten
34. Rezitativ: Mein Jesus Schweigt Zu Falschen Lügen Stille
35. Arie: Geduld! Wenn Mich Falsche Zungen Stechen
36. Rezitativ: Und Der Hohepriester Antwortete – Chor: Er Ist Des Todes Schuldig
37. Choral: Wer Hat Dich So Geschlagen
Disk: 2
1. Rezitativ: Petrus Aber Saß Draußen Im Palast
2. Chor: Wahrlich, Du Bist Auch Einer Von Denen
3. Arie: Erbarme Dich, Mein Gott
4. Choral: Bin Ich Gleich Von Dir Gewichen
5. Rezitativ: Des Morgens Aber Hielten Alle Hohepriester – Chor: Was Gehet Uns Das An
6. Rezitativ: Sie Hielten Aber Einen Rat
7. Choral: Befiehl Du Deine Wege
8. Auf Das Fest Aber Hatte Der Landpfleger Gewohnheit – Chor: Laß Ihn Kreuzigen
9. Choral: Wie Wunderbarlich Ist Doch Diese Strafe!
10. Rezitativ: Der Landpfleger Sagte
11. Rezitativ: Er Hat Uns Allen Wohlgetan
12. Arie: Aus Liebe Will Mein Heiland Sterben!
13. Rezitativ: Sie Schrieen Aber Noch Mehr – Chor: Laß Ihn Kreuzigen – Rezitativ: Da Aber Pilatus Sahe
14. Rezitativ: Erbarm’ Es Gott!
15. Arie: Können Tränen Meiner Wangen
16. Rezitativ: Da Nahmen Die Kriegsknechte – Chor: Gegrüßet Seist Du, Judenkönig – Rezitativ: Und Speieten Ihn An
17. Choral: O Haupt Voll Blut Und Wunden
18. Rezitativ: Und Da Sie Ihn Verspottet Hatten
19. Rezitativ: Ja! Freilich Will In Uns Das Fleisch Und Blut
20. Arie: Komm, Süßes Kreuz, So Will Ich Sagen
21. Rezitativ: Und Da Sie An Die Stätte Kamen – Chor: Der Du Den Tempel Gottes Zerbrichst – Rezitativ: Desgleichen Auch Die
22. Rezitativ: Ach Golgatha
23. Arie: Sehet, Jesus Hat Die Hand
24. Und Von Der Sechsten Stunde An – Chor: Der Rufet Den Elias – Und Bald Lief Einer Unter Ihnen – Chor: Halt! Laß Sehen
25. Choral: Wenn Ich Einmal Soll Scheiden
26. Rezitativ: Und Siehe Da, Der Vorhang Im Tempel Zerriß
27. Rezitativ: Am Abend, Da Es Kühle War
28. Arie: Mache Dich, Mein Herze, Rein
29. Rezitativ: Und Joseph Nahm Den Leib – Chor: Herr, Wir Haben Gedacht – Rezitativ: Pilatus Sprach Zu Ihnen
30. Rezitativ: Nun Ist Der Herr Zur Ruh’ Gebracht
31. Chor 1 Und 2: Wir Setzen Uns Mit Tränen Nieder
Extra:
32. Rezitativ: Ja! Freilich Will In Uns
33. Arie: Komm, Süßes Kreuz
Sunhae Im
Bernarda Fink
Werner Güra
Topi Lehtipuu
Johannes Weisser
Konstantin Wolff
RIAS Kammerchor
Akademie für Alte Musik Berlin
René Jacobs
Em 2025 um grande fenômeno da música pop foi o “álbum das cadeiras de plástico”, de um cantor porto-riquenho que realmente vale a pena conhecer porque ele utiliza muita coisa da linguagem da música caribenha e ao mesmo tempo com uma linguagem contemporânea. Hoje eu trago aqui dois discos lançados nos anos 1970, gravados nos EUA e que também traziam percussão afro-caribenha. Não em contextos de volta a um passado mítico, mas com aspectos inovadores como os então recentes piano elétrico (no disco de Hubbard) e sintetizador (no de Gillespie).
Gillespie, que naquela época já era um veterano, já tinha feito gravações e apresentações com músicos latino-americanos desde a década de 1940. Já para Hubbard, o álbum gravado em 1969 parece um ponto de partida para outros experimentos que faria ao londo dos anos 1970. No caso de Gillespie, ele toca à frente de uma orquestra de músicos cubanos e de outras nacionalidades hispano-americanas. Hubbard não: ele toca com três músicos norte-americanos que participaram de outros álbuns do trompetista: James Spaulding no sax e flauta, Kenny Barron no piano acústico e elétrico, Reggie Workman no contrabaixo acústico. As duas faixas do lado A do então LP não têm destaque para a percussão – ali, em jams mais longas, quem brilha mais, além do líder do grupo, é o baixista. No lado B, aí sim, temos os tambores e chocalhos de Carlos Valdes, vulgo “Patato”.
Freddie Hubbard: The Black Angel
1. Spacetrack (Freddie Hubbard)
2. Eclipse (Hubbard)
3. The Black Angel (Kenny Barron)
4. Gittin’ Down (Hubbard)
5. Coral Keys (Walter Bishop Jr.)
Freddie Hubbard – trumpet, flugelhorn
James Spaulding – alto saxophone, flute
Kenny Barron – piano, electric piano
Reggie Workman – bass
Louis Hayes – drums
Carlos “Patato” Valdes – conga, maracas
Recorded: May 16, 1969, New York City, USA
Há várias formas de se relacionar e desfrutar da música. Você pode ligar o rádio sintonizando em uma estação de sua simpatia e seguir fazendo o que normalmente faz ouvindo a seleção escolhida pela produção. Há também plataformas de streaming onde você pode buscar um determinado álbum ou uma playlist. Alexa! Toque ‘As Quatro Estações’, de Vivaldi!.
Elementos que nos ajudam na escolha de algum álbum envolve a capa, o(s) compositor(es) e, especialmente, o(s) intérprete(s). Tudo isso é resultado de importantes etapas da produção. Há uma tendência em substituir o nome do compositor ou da música por um catchy title, um título atraente, intrigante. No caso do disco da postagem é “Crossing Borders”, Atravessando Fronteiras, traz música composta no período barroco interpretada pela ótima orquestra de câmara inglesa, “La Serenissima”, liderada por Adrian Chandler, que também é violinista.
La SerenissimaAdrian Chandler
Mas, o disco pode oferecer algo mais do que uma bela paisagem sonora, também oferece uma oportunidade de ampliar e aprofundar os seus conhecimentos sobre o momento cultural no qual essas obras floresceram. E aqui é que se revela as conexões entre os vários compositores das obras, Telemann e Vivaldi os dois mais famosos. O livreto narra uma boa teia de conexões ligando esses compositores de diferentes (e como!) países, num período muito fértil de desenvolvimento musical – o período barroco. As obras e os estilos desses artistas talentosos e criativos influenciavam uns aos outros e figuras que hoje são menos lembradas, como o compositor Johann Georg Pisendell, ajudaram a estabelecer essas relações. Está tudo lá no libreto, basta cavar um pouco mais, caso isso lhe atice a curiosidade.
Não há uma peça ruim no disco, pelo menos na minha perspectiva, mas há dois concertos dos quais eu gostei mais e os ouvi mais vezes do que os outros – o concerto para flauta doce, de Vivaldi, e o concerto pra flauta e flauta doce, de Telemann, uma raridade por ter esses dois instrumentos soando juntos, com seu efervescente e contagiante presto. A menos que você não suporte o som de flauta, e nesse caso sugiro que busque em outra postagem música que caia mais no gosto, há para gregos e baianos aqui no blog, tenho certeza que gostará do “Crossing Borders”!
Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Concerto for flute, strings and continuo in D major TWV51:D2
Moderato
Allegro
Largo
Vivace
Ignazio Sieber (c1680-1761)
Sonata for recorder and continuo No 8 in G minor
Preludio: Largo
Corrente: Allegro
Sarabanda: Largo
Allemanda: Allegro
Francesco Durante (1684-1755)
Sonata movement for violin and continuo in C minor
Giga
Antonio Vivaldi (1678-1741)
Concerto in F major RV442
Allegro con molto
Largo e cantabile
Allegro
Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Trio for flute, viola d’amore and continuo in D major TWV42:D15
Adagio
Presto
Con gravità ma non grave
Allegro
Giuseppe Antonio Brescianello (c1690-1758)
Concerto for two violins and continuo No 1 in E flat major
Grave – Presto – Adagio – Presto – Adagio
Allegro
Adagio
[Allegro]
Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Concerto for flute, recorder, strings and continuo in E minor TWV52:e1
Largo
Allegro
Largo
Presto
Antonio Vivaldi (1678-1741), arr. Adrian Chandler (b1974)
Largo e cantabile (Original slow movement of Concerto in F major, RV442)
Their second album of 2025, and their 11th album with Signum Records, baroque giants La Serenissima return with an album of works by composers including Telemann, Sieber, Durante, and Brescianello. The album explores how their styles changed and developed as they ‘crossed borders’ between Italy, Germany, France and other European countries.
Em seu segundo álbum de 2025, e o décimo primeiro com a Signum Records, os gigantes do barroco “La Serenissima” retornam com um álbum de obras de compositores como Telemann, Sieber, Durante e Brescianello. O álbum explora como seus estilos mudaram e se desenvolveram à medida que “cruzavam fronteiras” entre a Itália, a Alemanha, a França e outros países europeus.
Aproveite!
René Denon
La Serenissima ficou animadíssima quando viu o pessoal do PQP Bach chegando para assistir ao ensaio para as gravações do disco…
Uma joia. John Adams é um verdadeiro mestre e o CD da Chandos que junta Naive and Sentimental Music e Absolute Jest, de John Adams, na interpretação da Royal Scottish National Orchestra sob a regência de Peter Oundjian, oferece um díptico fascinante sobre as facetas criativas do compositor. Naive and Sentimental Music, composta entre 1997 e 1998 e aqui apresentada numa gravação de 2018, é uma obra sinfónica de grande fôlego que busca inspiração no ensaio de Schiller para explorar a tensão entre a expressão musical espontânea e a reflexão artística consciente, num arco de três andamentos que vai da meditação lírica ao moto-perpétuo rítmico. Em contraste, Absolute Jest (2011-2012) é um colossal scherzo de 25 minutos que consiste num jogo virtuosístico e exuberante pela história da música, colhendo fragmentos dos quartetos de cordas e sonatas de Beethoven e submetendo-os a uma mosaico típico de Adams. A gravação conta com a participação do Doric String Quartet e se beneficia da direção compreensiva de Oundjian e da Orquestra Escocesa, resultando numa leitura que privilegia a clareza dos detalhes e o contorno das peças sem perder o entusiasmo e muicalidade, captada com um som “sensualmente luxuoso”.
John Adams (1947): Naive and Sentimental Music & Absolute Jest (Doric String Quartet, Royal Scottish National Orchestra, Peter Oundjian)
Absolute Jest (2011, Revised 2012) (25:15)
1 ♩. =100 – Poco Più Mosso – Tranquillo (lo Stesso Tempo ♩. =100) – Tranquillo ♩ =98 – 10:35
2 Presto ♩. = 130 – Lo Stesso Tempo – 𝅗𝅥 = 97 – ♩. = 127 – Tranquillo ♩. = 116 – 𝅗𝅥 = 87 – ♩. = 116 – 3:36
3 Lo Stesso Tempo (♩. = 116) – 𝅗𝅥 = 87 – ♩ = 87 – 1:08
4 Meno Mosso ♩ = 80 – ♩ = 76 Moderato E Tranquillo – 𝅗𝅥. = 116 – 3:20
5 Vivacissimo (Lo Stesso Tempo Dotted 𝅗𝅥. = 116) – 1:56
6 Prestissimo ♩. = 116 – 𝅗𝅥 = 88 – 𝅗𝅥 = 102 – 𝅗𝅥 = 60 4:40
Naive And Sentimental Music (1997-98) (45:57)
7 I. Naive And Sentimental Music. ♪ = 92 – ♪ = 108 – ♪ = 116 – ♩ = 66 – ♩ = 132 = 𝅗𝅥 = C.98 – ♩ = C.145 – Agitato – ♩ = 152 – ♩ = 132 – ♩ = 144 18:45
8 II Mother Of The Man. Very Calm ♩ = 72 – ♩ = 60 – ♩ = 120 – ♩ = 72 – ♩ = 110 – ♩ = 72 15:45
9 III Chain To The Rhythm. ♩ = 92 – 𝅗𝅥 = 96 – 𝅗𝅥 = 72 – 𝅗𝅥 = 100 11:17
Cello [Doric String Quartet] – John Myerscough (tracks: 1 to 6)
Conductor – Peter Oundjian
Ensemble – Doric String Quartet (tracks: 1 to 6)
Guitar [Steel-String Guitar] – Sean Shibe (tracks: 7 to 9)
Orchestra – Royal Scottish National Orchestra
Viola [Doric String Quartet] – Hélène Clément (tracks: 1 to 6)
Violin [Doric String Quartet] – Alex Redington (tracks: 1 to 6), Jonathan Stone (4) (tracks: 1 to 6)
A gravação ocorreu em Kobe, no Japão. Os irmãos Suzuki eram muito competitivos e tentavam de tudo para que o outro sofresse na sombra – um cenário perfeito para uma gravação inspirada!
Dan Laurin
Dan testando um piccolo dolce da coleção do PQP Bach
Enquanto Bach tinha emprego fixo e, com isso, obrigações a cumprir, Handel era aventureiro e arriscava-se como empresário de óperas e oratórios. Vivia lautamente e convivia com nobres e ricos da sociedade inglesa, mas nem sempre a grana era certa. Pagar as contas dos fornecedores e manter a mesa de banquetes cheia podia ser complicado, com tantas intrigas dos compositores e companhias de ópera italianas. Assim, as publicações de sonatazinhas, concertos e música para teclado poderia vir a calhar, era uma fonte de renda que não se podia desprezar. E o Georg era um bamba da melodia fácil e certa para os instrumentos – violino, oboé, flautas. Ele e seu editor arranjaram muitas dessas sonatas e ótimas elas são, como atesta este excelente disco do flautista (doce) sueco, Dan Laurin. Ao seu lado os acompanhantes são da família Suzuki – Hidemi ao violoncelo e Masaaki nos teclados. Sobre essa parceria, você viu o que Dan escreveu…
De uma crítica fácil de localizar, especialmente para adeptos da IA: Por outro lado, o violoncelista barroco Hidemi Suzuki junta-se a Laurin e Masaaki Suzuki, e certamente imprime um ímpeto dinâmico em cada sonata. Um órgão substitui o cravo em três momentos, conferindo às peças uma sensação de foco suave. […] (Dan) Laurin, na flauta doce contralto, possui um timbre rico e luminoso. As suas interpretações, juntamente com as dos Suzukis, são majestosas, quase como concertos; a sua gama expressiva é ampla, as linhas cantáveis de Handel realmente (ahãmm) cantam.
Aproveite!
René Denon
Dan Laurin depois do almoço com o pessoal do PQP Bach…
Faz três anos, veio uma menina georgiana aqui na OSPA e nos deu uma interpretação notável — verdadeiramente sensível e bela — para a o Concerto Nº 1 de Shosta. Após o Concerto, fui cumprimentá-la e ela me disse que fora a primeira vez que o tocara o Concerto em público. Fiquei muito impressionado e disse: “Mas tu tocaste de cor!”. Ela me respondeu que ele tem momentos tão rápidos e intensos que era impossível ler, melhor decorar logo. Seu nome é Elisso Gogibedaschwili e, vi agora, ela é austríaca, mas de origem georgiana, claro.
Elisso Gogibedaschwili
Composto entre 1947 e 1948, o Concerto para Violino Nº 1 em Lá menor, Op. 77 (ou 99), de Dmitri Shostakovich é uma obra profundamente marcada pelo contexto político soviético. Escrito para o violinista David Oistrakh, a quem é dedicado, o concerto teve sua estreia adiada por sete anos devido à campanha contra o “formalismo” na música, que levou o compositor a ser publicamente censurado pelo regime stalinista. Sua estrutura incomum em quatro movimentos (Nocturne, Scherzo, Passacaglia e Burlesca) revela um universo de contrastes: da introspecção sombria do “Nocturne” à fúria demoníaca do “Scherzo”, onde surge a primeira aparição do motivo DSCH (a assinatura musical do compositor) . O coração da obra está na imponente e lindíssima “Passacaglia”, que desemboca em uma cadenza extensa e solitária antes da explosão virtuosística da “Burlesca” final, uma música que Oistrakh descreveu como portadora de um “profundo conteúdo artístico” e um papel “shakespeariano” para o solista.
Em contraste, o Concerto para Violino Nº 2, Op. 61, de Karol Szymanowski, composto em 1932-33, representa uma síntese tardia e mais serena da linguagem do compositor polonês. Escrito em memória do violinista Paweł Kochański, que o estreou meses antes de morrer, a obra afasta-se do cromatismo denso e da atmosfera orientalista do Primeiro Concerto em direção a uma certa luminosidade. Sua arquitetura é concisa, estruturada em um único movimento com duas seções principais separadas por uma cadenza, revisitando um modelo caro ao compositor. Aqui, Szymanowski busca inspiração no folclore das montanhas Tatra, criando uma narrativa musical que alterna passagens líricas e introspectivas com temas rítmicos e saltitantes que evocam as danças tradicionais da região. É uma obra de virtuosismo mais contido e transparente. É também muito bonito.
Shostakovich: Concerto Nº 1 para Violino e Orquestra, Op. 99 / Szymanowski: Concerto Nº 2 para Violino e Orquestra, Op. 61 (Lack, Köhler)
Violin Concerto No.1, Op. 99
Composed By – Dmitri Shostakovich
Conductor – Siegfried Köhler
Violin – Fredell Lack
Orchestra – The Berlin Symphony Orchestra
1 Moderato 11:44
2 Allegro 6:03
3 Andante 13:10
4 Allegro Con Briao 5:15
Violin Concerto No.2, Op. 61
Composed By – Karol Szymanowski
Conductor – Siegfried Köhler
Violin – Fredell Lack
Orchestra – The Berlin Symphony Orchestra
(22:31)
5-1 Moderato
5-2 Andante Sosternuto
5-3 Allegramente Molto Energico
O ódio, a injustiça, a traição, o amor, o sacrifício, o perdão, o remorso, a compaixão, a piedade do homem – tudo isso se reflete na profunda exposição musical do Evangelho feita por Bach, o quinto evangelista…
Quantas vezes você já foi pego por uma cena de filme que surge quando está dando um rolé com o controle remoto da TV? Tarde da noite, você ainda não está com sono e começa a procurar algo interessante para ver e vai que surge a cena de um julgamento – um interrogatório. Você presta pouca atenção, acabou de passar o canal de compras, quando surge uma pergunta: Qual é a acusação contra este homem? A pergunta te leva para dentro da trama, que ganha dramaticidade a medida que avança. Pronto, você está fisgado e vê o filme até o fim.
Foi mais ou menos isso que me aconteceu dia desses. Ou melhor, noite dessas. Tentando acionar o controle remoto do Denonzão, para fazer tocar um arquivo estocado no pendrive, acabei acionando a faixa 21 do arquivo que havia baixado uns dias antes – Johannes Passion, composta pelo padroeiro do blog, o JS Bachlein!
A gravação do grupo Pygmalion, sob a regência de Raphaël Pichon, está estalando de nova, foi gravada em abril de 2025 e lançada agora, em 2026. É disso que eu gosto, novidade! O que as novas gerações têm a dizer sobre as obras que já se perpetuaram como icônicas? Eles reviveram, para mim, as surpresas e os deslumbramentos que senti, quarenta anos atrás, ao ouvir a gravação desta mesma obra pelo então inovador e espetacular The Monteverdi Choir e The English Baroque Soloists, sob a direção de John Eliot Gardiner. Quase não dá para acreditar que já se foram 40 anos. Mas, o que nos interessa é a presente gravação. A capa traz um detalhe de uma pintura de Fabienne Verdier e contrasta com a capa do álbum de Gardiner por ser abstrata, enquanto a outra é figurativa (podemos até ver o discípulo que Jesus amava) mas ambas refletem a intensidade de cada uma das interpretações. O coro do Pygmalion é absurdamente ágil e intenso – uma as marcas registradas do Monteverdi Choir naqueles dias.
Nova geração de cantores também se apresenta, o evangelista é o tenor Prégardien, mas Julian, filho do Christoph, que nos deixou gravações antológicas.
Fabienne Verdier
Gostei tanto que ouvi tudo de novo, desta vez desde o começo. E que começo. O libreto, que você encontrará no arquivo, compara a inovação da abertura desta obra – sua aspereza e intensidade – com a abertura de outra obra-prima que seria escrita 200 anos depois, o início da Sagração da Primavera, por Stravinsky.
A Paixão segundo João, de Bach, é uma obra espetacular. Difere da outra Paixão escrita por ele, por nos lançar diretamente na ação, como num episódio do Tunel do Tempo. Na Paixão segundo Mateus, primeiro Jesus ceia com seus discípulos, o passo é outro. Aqui já nos deparamos com a turba e os soldados indo atrás dele, no Monte das Oliveiras. Se puder, siga a história, é um drama como poucos. Tem até uma espada arrancando uma orelha.
A estrutura da obra avança rapidamente, seis cenas encadeadas: a traição (Judas e a turba), a negação (Pedro), o julgamento (Pilatos, a turba, os sacerdotes), a crucificação (os soldados, a lança), morte (Es ist vollbracht) e sepultamento. A tensão da narrativa – o contraste entre o evangelista (tenor) e a turba (coro) é impressionante. Nos momentos cruciais, o evangelista diminui sua voz a um quase sussurro. O coro, quando faz a turba, grita, esganiça, só falta tacar pedra (Kreuzige!). Depois, tem que comentar e cantar docinho…
As árias também têm o papel de opinar sobre o drama e são belíssimas, a voz quase sempre acompanhada de um instrumento melódico. A primeira delas, para contralto, tem acompanhamento de oboés e depois, a ária para soprano vem com flautas, e violas no caso da ária para tenor. Na ária do Gólgota, o baixo é acompanhado pelo coro. A especial segunda ária para contralto é logo a seguir da morte de Jesus, Es ist vollbracht, e é acompanhada por viola da gamba. É um dos pináculos da obra. Antes dos coros finais ainda temos mais uma belíssima ária para soprano, acompanhada por flauta e oboé da caccia – Zerfliesse, mein Herze, in fluten der Zähren (Dissolva-se, meu coração, em torrentes de lágrimas). Percebeu?
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Johannes Passion
Prima parte
E xordium | Exorde
1 | 1. Chorus Herr, unser Herrscher 7’48
V errat und Gefangennahme | Trahison et Arrestation | Betrayal and Arrest
2 | 2a. Evangelista, Jesus Jesus ging mit seinen Jüngern über den Bach Kidron 2’30
3 | 3. Choral O große Lieb, o Lieb ohn’ alle Maße 0’54
4 | 4. Evangelista, Jesus Auf dass das Wort erfüllet würde 1’10
5 | 5. Choral Dein Will gescheh, Herr Gott, zugleich 0’54
6 | 6. Evangelista Die Schar aber und der Oberhauptmann 0’47
7 | 7. Aria (Alto) Von den Stricken meiner Sünden 4’20
Verleugnung | Reniement | Denial
8 | 8. Evangelista Simon Petrus aber folgete Jesu nach 0’20
9 | 9. Aria (Soprano) Ich folge dir gleichfalls mit freudigen Schritten 3’30
Raphaël foi conhecer o galpão onde o PQP Bach vai passar a estocar os arquivos baixados…
Bach never came closer to writing an opera than he did with the St John Passion. The leaner cousin of the more expansive St Matthew, it responds to incisive conducting and singers with a nose for drama, both of which this new recording possesses in spades.
Raphaël Pichon tears into the meat-grinding opening chorus with its agonised cries of desperation, later whipping his singers into a frenzy as they call for the release of Barrabas and demand that Christ be crucified. Pygmalion are razor-sharp throughout, including a vigorous engagement with the reflective chorale texts.
No one artist will ever have the last word on this masterwork, but Pichon’s fresh, re-envisioned approach helps us contemplate it from a different angle and in a different light. Such a compelling commitment to this famous score commands attention and rewards repeated listening.
Mais um grande disco do Belcea Quartet, agora com o excelente pianista Piotr Anderszewski no Quinteto para Piano de Shostakovich.
O Quinteto para piano, Op. 57 (1940)
A música perfeita. Trata-se de um irresistível quinteto escrito em cinco movimentos intensamente contrastantes. O prelúdio inicial estabelece três estilos distintos que voltarão a ser explorados adiante: um dramático, outro neo-clássico e o terceiro lírico. Todos os temas que serão ouvidos nos movimentos seguintes apresentam-se no prelúdio em forma embrionária. Depois vem uma rigorosa fuga puxada pelo primeiro violino e demais cordas até chegar ao piano. Sua melodia belíssima e lírica é seguida por um scherzo frenético. É um choque ouvir chegar o intermezzo que traz de volta a seriedade à música. Apesar do título, este intermezzo é o momento mais sombrio do quinteto. O Finale, cujo início parece uma improvisação pura do pianista, fará uma recapitulação condensada do prelúdio inicial. Este Quinteto para Piano recebeu vários prêmios como o Stálin e outros que não vale a pena referir aqui, mas o mais importante para Shostakovich foi a admiração que Béla Bartók dedicou a ele.
O Quarteto N° 3 foi lançado em Moscou pelo quarteto Beethoven, a quem é dedicado, em dezembro de 1946. Ele foi escrito por Shosta logo após ver sua Sinfonia Nº 9 censurada. Ele também tem cinco movimentos:
Allegretto
Moderado com moto
Allegro non troppo
Adagio ( attacca )
Moderato
Para a estreia, certamente para que não fosse acusado de “formalismo” ou “elitismo “, Shostakovich renomeou os movimentos à maneira de uma história de guerra. Deixo aqui o título de cada movimento a fim de que os visitadores do blog possam dar gargalhadas relacionando “tema” e música.
O engano de ignorar o futuro cataclismo
Alguns estrondos de inquietação e antecipação
As forças de guerra são desencadeadas
Em memória dos mortos
A eterna pergunta: por que e para quê?
Um arranjo de sinfonia de câmara (Op. 73a) foi feito a partir deste quarteto por Rudolph Barshai.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quinteto para Piano / Quarteto de Cordas N° 3
Piano Quintet In G Minor, Op. 57
Piano – Piotr Anderszewski
1 I. Prelude (Lento) 4:46
2 II. Fugue (Adagio) 11:34
3 III. Scherzo (Allegretto) 3:37
4 IV. Intermezzo (Lento) 7:02
5 V. Finale (Allegretto) 7:40
String Quartet No. 3 In F Major, Op. 73
6 I. Allegretto 7:27
7 II. Moderato Con Moto 5:37
8 III. Allegro Non Troppo 4:12
9 IV. Adagio 6:00
10 V. Moderato 11:12
Ensemble – Belcea Quartet
Cello – Antoine Lederlin
Viola – Krzysztof Chorzelski
Violin – Corina Belcea e Axel Schacher
Piano – Piotr Anderszewski
In This House, On This Morning é um álbum duplo de jazz que se estende por quase duas horas de duração — uma jornada musical que ultrapassa o simples repertório de canções para se aproximar de uma suíte programática inspirada numa celebração dominical de uma igreja afro-estadunidense. A obra foi concebida como uma narrativa musical: cada música ou segmento descreve um aspecto diferente de um serviço religioso. Composto para um septeto, o álbum inclui diversos instrumentistas-chave — como o trombonista Wycliffe Gordon, o pianista Eric Reed e o saxofonista Todd Williams –, e até participações vocais, como a poderosa cantora Marion Williams no trecho In This House. Musicalmente, a obra mistura blues e gospel, refletindo profundamente as raízes da música afro-americana; elementos do jazz tradicional e pós-bebop, com referências claras ao legado de figuras como Duke Ellington; além de transições e temas programáticos que exigem atenção do ouvinte, aproximando o álbum de um tipo de “sinfonia em jazz” para septeto. Na época do lançamento, lembro que alguns críticos observaram que a obra era “demasiado intelectual” ou hermética em certos momentos, com passagens que soam mais como transições do que melodias definidas — o que pode exigir paciência do ouvinte menos acostumado a estruturas extensas. Além disso, embora a influência de Ellington e tradições do jazz clássico seja vista como inspiração, alguns críticos foram menos entusiasmados com essa abordagem e a consideraram datada em certas passagens. De qualquer forma, In This House, On This Morning é um marco — uma obra que desafia as fronteiras entre jazz, música programática e narrativa sonora. Não é simplesmente um álbum de canções, mas uma experiência que requer atenção, absorção e reflexão. Para ouvintes que gostam de jazz que explora tradições profundas, histórias culturais e arquiteturas musicais amplas, este é um trabalho inesquecível.
.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning
Part I
Devotional 3:00
Call To Prayer 5:56
Processional 4:35
Representative Offerings 6:46
(a) The Lord’s Prayer 3:48
Part II
Hymn 3:47
Scripture 4:11
Prayer
(a) Introduction To Prayer 2:24
(b) In This House 3:10
(c) Choral Response 5:10
Local Announcements 3:34
Altar Call 1:30
Altar Call (Introspection) 8:41
Part III: In The Sweet Embrace Of Life
Sermon
(a) Father 16:02
(b) Son 4:58
(c) Holy Ghost 6:56
Invitation 5:59
Recessional 10:34
Benediction 3:25
Uptempo Posthude 7:44
Pot Blessed Dinner 2:40
Alto Saxophone – Wessell Anderson
Bass – Reginald Veal
Composed By – Wynton Marsalis
Piano – Eric Reed
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – Todd Williams
Trombone – Wycliffe Gordon
Trumpet – Wynton Marsalis
Vocals – Marion Williams
Como não poderia deixar de ser, o último CD lançado pela violinista Amandine Beyer e seu conjunto Gli Incogniti é um primor, tanto por suas sempre bem vindas pesquisas histórico – musicológicas quanto pelo frescor em suas interpretações, tirando o mofo de obras já conhecidas em centenas, quiçá milhares de gravações no correr das últimas décadas. Claro que nunca vou deixar de ouvir antigos conjuntos como “I Musici”, que ‘ressuscitou’ o barroco ainda lá nos anos 50, mas como discutíamos dia destes no whattsap do grupo, nada como uma lufada de ar fresco neste repertório.
Amandine Beyer já nos proporcionou outros momentos de prazer com seu incrível conjunto especializado em música historicamente interpretada, e a cada novo CD sabemos que vem ouro puro por aí. Neste incrível CD que ora vos trago, Bach from Italy, lançado em 2025, ela nos mostra as influências e ‘releituras’ que Bach faz dos compositores italianos em sua época, especialmente Antonio Vivaldi e os irmãos Marcello, Alessandro e Benedetto Marcello, que eram muito populares na Alemanha naquele início de Século XVIII. Como bem sabemos, nosso querido Johann Sebastian era pouco conhecido por seus contemporâneos, apenas após a sua morte foi reconhecido pelo gênio que era.
Sugiro a leitura do livreto em anexo, que traz maiores detalhes e informações. Para os fãs do Barroco, eis um bom momento para atualizarem suas audições.
JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)
Brandenburg Concerto No.4 in G major BWV 1049 PSS, AG, AB
Sol majeur / G-Dur
1 | I. Allegro 6’25
2 | II. Andante 3’34
3 | III. Presto 4’25
ANTONIO VIVALDI (1678-1741)
Concerto for 2 Violins and Cello in D minor RV 565 AB, VM, MC
Ré mineur / d-Moll (L’estro armonico Op.3, No. 11)
4 | I. Allegro 0’42
5 | II. Adagio e spiccato 0’24
6 | III. Allegro 2’50
7 | IV. Largo e spiccato 2’16
8 | V. Allegro 2’12
JOHANN SEBASTIAN BACH
Brandenburg Concerto No. 3 in G major BWV 1048 AB AR YK – VM OR MP – MC PS FB
Sol majeur / G-Dur
9 | I. Allegro – II. Adagio 5’34
10 | III. Allegro
JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for 2 Violins in D minor BWV 1043 AB, AR
Ré mineur / d-Moll
14 | I. Vivace 3’25
15 | II. Largo ma non tanto 5’42
16 | III. Allegro 4’13
Oboe d’amore Concerto in A major BWV 1055R EL
La majeur / A-Dur
17 | I. Allegro 4’01
18 | II. Larghetto 4’15
19 | III. Allegro ma non tanto
JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for 3 Violins in D major BWV 1064R AB, VM, YK
Ré majeur / D-Dur
1 | I. Allegro
2 | II. Adagio
3 | III. Allegro
BENEDETTO MARCELLO (1686-1739)
Violin Concerto in E minor S.C788
Mi mineur / e-Moll
(12 Concerti a cinque con Violino Solo e Violoncello obbligato Op. 1, No.2) AB
Solo violin part after J. S. Bach’s Concerto BWV 981
4 | I. Adagio staccato
5 | II. Allegro assai
6 | III. Adagio
7 | IV. Prestissimo
JOHANN SEBASTIAN BACH
Brandenburg Concerto No. 5 in D major BWV 1050 MG, AB, AF
Ré majeur / D-Dur
8 | I. Allegro
9 | II. Affettuoso
10 | III. Allegro
ANTONIO VIVALDI
Concerto for 4 Violins and Cello in B minor RV 580 AB, KV, YK, AR, MC
Si mineur / h-Moll
(L’estro armonico Op.3, No. 10)
11 | I. Allegro
12 | II. Largo – Larghetto – Adagio – Largo
13 | III. Allegro
JOHANN SEBASTIAN BACH
Concerto for Oboe and Violin in C minor BWV 1060R EL, AB
Do mineur / c-Moll
14 | I. Allegro
15 | II. Adagio
16 | III. Allegro
A gente ouve Weinberg e logo pensa em Shostakovich. Mas num Shosta mais modesto do ponto de vista artístico. A relação entre a música de Mieczysław Weinberg e Dmitri Shostakovich é uma das mais fascinantes e complexas da música do século XX. A conexão começou em 1943, quando Weinberg, então um jovem compositor refugiado da Polônia na União Soviética, enviou sua Primeira Sinfonia a Shostakovich. Impressionado, Shostakovich não só o ajudou a se mudar para Moscou, como se tornou seu amigo mais próximo e mentor. Weinberg declarou: “Embora eu nunca tenha tido aulas com ele, considero-me seu aluno, sua carne e seu sangue”. Esta frase resume a dívida artística que sentia, mas a realidade é que o intercâmbio de ideias era uma via de mão dupla. A influência de Shostakovich na música de Weinberg pode ser percebida em diversos aspectos. Primeiramente pela estética compartilhada: ambos viveram sob a opressão do regime soviético, e essa experiência se traduziu em uma música de grande tensão emocional, ironia amarga, e uma profunda introspecção. Eles compartilhavam uma visão similar sobre o “papel da música” como um testemunho de seu tempo. Depois pela linguagem musical: é possível encontrar paralelos no uso de certos gestos musicais, como melodias líricas e melancólicas, scherzos grotescos e frenéticos, e uma predileção por formas como a passacaglia. E finalmente pela música judaica: Um dos elos mais fortes foi o interesse comum pela música folclórica judaica. Weinberg, filho de um diretor musical de teatro iídiche, trouxe essa herança em sua obra. Acredita-se que ele tenha sido uma fonte crucial para o florescimento do interesse de Shostakovich por esses temas, que resultou em obras-primas como o Segundo Trio com Piano e o ciclo “Da Poesia Popular Judaica”.
Uma menina me pede que eu diga quais as 10 (dez) obras de Bach que, na minha opinião, as pessoas teriam que ouvir ao menos uma vez na vida. Putz, vou tentar…
1. Missa em si menor, BWV 232
Uma síntese monumental da tradição sacra — uma verdadeira catedral sonora.
2. Variações Goldberg, BWV 988
Um universo inteiro construído a partir de um único tema. Foi escrita para curar a insônia de um nobre…
3. Concertos de Brandenburgo, BWV 1046–1051
Brilho, invenção e alegria — Bach em sua face mais luminosa.
4. Suites para Violoncelo Solo, BWV 1007–1012
Pureza absoluta — música que parece nascer do próprio instrumento.
5. O Cravo Bem-Temperado, BWV 846–893
Fundamental para a história da música — um laboratório infinito de formas e afetos.
6. Paixão segundo Mateus, BWV 244
Drama, fé e arquitetura musical em estado supremo.
7. Paixão segundo João, BWV 245
Mais concisa que a Mateus, mas de intensidade dramática impressionante.
8. Sonatas e Partitas para Violino Solo, BWV 1001–1006
O ápice da escrita polifônica para um instrumento de cordas. A Chacone que encerra a Partita No. 2…
9. Concerto Italiano, BWV 971
Uma linda carta de amor à música italiana e a Vivaldi.
10. A Arte da Fuga, BWV 1080
Obra tardia, quase abstrata — o contraponto levado ao limite do pensamento musical.
P.S.: Deixar ‘A Oferenda Musical’ e o ‘Oratório de Natal’ de fora pode me causar problemas na hora de entrar no paraíso. Problemas maiores do que ser ateu, sem dúvida.
Sibelius era um romântico tardio. Um romântico tardio bem esquisito do qual gosto muito. Meu primeiro contato com suas obras para piano foi um belo e pesado disco de vinil. O pianista era Glenn Gould. Somando-se esquisitice com esquisitice o resultado era excelente. Heinonen, o pianista deste CD, mantém o clima preferido do finlandês: uma sintaxe à princípio pouco convidativa, fria, mas gentil e cheia de surpresas. Eu gosto. Não são obras para serem ouvidas apenas uma vez, elas custam a convencer, mas convencem. Sibelius foi um cara fundamental para a independência da Finlândia, que ficava ora em mãos russas, ora em suecas. Sua música teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa. Tudo aqui é nacionalismo, cada nota, apesar do jeitão intimista do moço.
A seleção inclui a Sonata Op. 12, importante obra do Siba, e um arranjo para piano de Finlândia, a música mais famosa daquela parte fria e escura do mundo. E o que dizer da língua maluca que eles falam?
Jan Sibelius (1865-1957): Obras para Piano (Eero Heinonen)
1. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 1. The Village Church Eero Heinonen (piano) 3:31
2. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 2. The Fiddler Eero Heinonen (piano) 2:28
3. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 3. The Oarsman Eero Heinonen (piano) 2:26
4. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 4. The Storm Eero Heinonen (piano) 1:42
5. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 5. In Mournful Mood Eero Heinonen (piano) 2:04
6. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 1. Largamente Eero Heinonen (piano) 3:10
7. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 2. Andantino Eero Heinonen (piano) 4:47
8. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 3. Commodo Eero Heinonen (piano) 3:18
9. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 1. Maisema (Landscape) Eero Heinonen (piano) 2:58
10. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 2. Talvikuvia (Winter Scene) Eero Heinonen (piano) 2:09
11. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 3. Metsälampi (Forest Lake) Eero Heinonen (piano) 1:36
12. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 4. Metsälaulu (Song in the Forest) Eero Heinonen (piano) 2:27
13. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 5. Kevätnäky (Spring in Vision) Eero Heinonen (piano) 1:34
14. Sonata in F major, Op. 12 – I Allegro molto Eero Heinonen (piano) 6:41
15. Sonata in F major, Op. 12 – II Andantino Eero Heinonen (piano) 7:01
16. Sonata in F major, Op. 12 – III Allegro pochettino moderato Eero Heinonen (piano) 4:23
17. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 1. Bellis Eero Heinonen (piano) 1:42
18. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 2. Œillet Eero Heinonen (piano) 2:00
19. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 3. Iris Eero Heinonen (piano) 3:08
20. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 4. Aquileja Eero Heinonen (piano) 2:14
21. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 5. Campanula Eero Heinonen (piano) 2:13
22. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 1 in G sharp minor (gis-moll) Eero Heinonen (piano) 3:52
23. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 2 in C sharp minor (cis-moll) Eero Heinonen (piano) 1:56
24. Finlandia, Op. 26/7 (transcription by the composer) 8:56
POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 11/9/2013,
LINKS REATIVADOS POR VASSILY EM 19/12/2019,
LINKS REREATIVADOS POR PQP BACH EM 29/03/2026
Nota de Vassily: mais uma interpretação desse monumento da literatura pianística do século XX, desta feita pelo discreto – e EXCELENTE – Alexander Melnikov. De todas as interpretações que conheço, e estamos quase a completar a lista delas aqui no PQP, esta é a que mais cresce em meu gosto cada vez que a revisito.
Falando em lista, olhem ela aqui:
Konstantin Scherbakov
Vladimir Ashkenazy
Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e a derradeira (1990)
Keith Jarrett
Peter Donohoe
Alexander Melnikov
BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta
Quase lá!
Vassily
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Creio que esta seja a terceira integral desta grande obra de Shostakovich que publico. A primeira foi a de Scherbakov, depois veio a de Nikolayeva e agora a de Melnikov. Todas são excelentes — talvez a de Nikolayeva vença — , mas o que interessa é que o Op. 87 é uma composição incontornável de nosso amigo Shosta. Abaixo, para dar uma contextualizada, copio o início de um trabalho acadêmico sobre a obra encontrado na internet.
Para compreendermos o contexto o compositor russo Dmitri Shostakovich compôs os 24 Prelúdios e Fugas, Op.87 (1950) devemos voltar alguns anos no tempo. Em 1942, Shostakovich (1906-1975) estreou da sua Sétima Sinfonia, Op. 60, a qual obteve grande sucesso, tendo sido aclamada como um ícone da resistência das tropas russas contra o cerco nazista em Leningrado (FANNING & FAY, 2009). Logo após este sucesso, o compositor viu sua Oitava Sinfonia, Op. 65, ser duramente criticada. Afirmava-se que Shostakovich havia composto uma “sinfonia otimista (a sétima) quando o país estava sob uma terrível ameaça e agora uma pessimista (a oitava) quando a vitória estava à vista.” (FANNING & FAY, 2009, pg. 1). A partir deste episódio, gradativamente as críticas à sua obra foram ficando ainda mais duras. Havia a expectativa de que sua Nona Sinfonia, Op. 70 (1945) fosse uma sinfonia triunfal em comemoração à vitória soviética sobre os alemães. A obra, estreada no pós-guerra, não atendeu às estas expectativas do Estado, o que resultou em um artigo condenatório publicado no jornal Pravda em 1948, que veio a ser um duro golpe na sua carreira. Como consequência, Shostakovich compôs pouco nos cinco anos seguintes (BRYNER, 2004). A pouca produção de composições foi acompanhada da tarefa a ele delegada de representar a União Soviética em congressos internacionais ao redor do mundo (FANNING & FAY, 2009).
Como o compositor russo mais conhecido no exterior, Shostakovich era o espelho da música russa para o Ocidente, mesmo sendo censurado dentro de seu próprio país. Apesar deste paradoxo, estes eventos foram importantes para sua reabilitação artística (BRYNER, 2004).
No ano de 1950, o compositor foi convidado para participar como jurado de um concurso de piano em um evento, na então Alemanha Oriental, em homenagem ao bicentenário da morte de J. S. Bach. O compositor ficou muito impressionado com a pianista russa Tatiana Nikolayeva, que venceu o concurso, e decidiu ele próprio compor um conjunto de prelúdios de fugas em todas as tonalidades (assim como o Cravo Bem Temperado de J. S. Bach), o qual Shostakovich dedicou à pianista (SEO, 2003). Ele compôs esta obra entre outubro de 1950 e fevereiro de 1951.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Prelúdios e Fugas, Op. 87
Disc: 1
1. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 1 in C major. Moderato
2. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 1 in C major. Moderato (4-voice)
3. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 2 in A minor. Allegro
4. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 2 in A minor. Allegretto (3-voice)
5. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 3 in G major. Moderato non troppo
6. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 3 in G major. Allegro molto (3-voice)
7. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 4 in E minor. Andante
8. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 4 in E minor. Adagio (4-voice double fugue)
9. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 5 in D major. Allegretto
10. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 5 in D major. Allegretto (3-voice)
11. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 6 in B minor. Allegretto
12. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 6 in B minor. Moderato (4-voice)
13. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 7 in A major. Allegro poco moderato
14. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 7 in A major. Allegretto (3-voice)
15. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 8 in F sharp minor. Allegretto
16. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 8 in F sharp minor. Andante (3-voice)
17. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 9 in E major. Moderato non troppo
18. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 9 in E major. Allegro (2-voice)
19. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 10 in C sharp minor. Allegro
20. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 10 in C sharp minor. Moderato (4-voice)
21. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 11 in B major. Allegro
22. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 11 in B major. Allegro (3-voice)
23. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 12 in G sharp minor. Andante
24. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 12 in G sharp minor. Allegro (4-voice)
Disc: 2
1. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 13 in F sharp minor. Moderato con moto
2. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 13 in F sharp minor. Adagio (5-voice)
3. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 14 in E flat minor. Adagio
4. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 14 in E flat minor. Allegro non troppo (3-voice)
5. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 15 in D flat major. Allegretto
6. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 15 in D flat major. Allegro molto (4-voice)
7. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 16 in B flat minor. Andante
8. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 16 in B flat minor. Adagio (3-voice)
9. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 17 in A flat major. Allegretto
10. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 17 in A flat major. Allegretto (4-voice)
11. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 18 in F minor. Moderato
12. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 18 in F minor. Moderato con moto (4-voice)
13. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 19 in E flat major. Allegretto
14. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 19 in E flat major. Moderato con moto (3-voice)
15. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 20 in C minor.
16. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 20 in C minor. Moderato (4-voice)
17. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 21 in B flat major. Allegro
18. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 21 in B flat major. Allegro non troppo (3-voice)
19. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 22 in G minor. Moderato non troppo
20. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 22 in G minor. Moderato (4-voice)
21. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 23 in F major. Adagio
22. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 23 in F major. Moderato con moto
23. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 24 in D minor. Andante
24. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 24 in D minor. Moderato (4-voice double fugue)