G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742, Dunedin, Butt)

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742, Dunedin, Butt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Dunedin e Butt novamente! Sensacional!

O Messias é o oratório mais popular de Handel. É grande número dos corais que atacam, confiantes e sorridentes, o coral Hallelujah. Eles estão certos, não serei eu que irei criticá-los. Só que esta peça está longe de figurar entre o que há de melhor neste oratório cheio de lirismo e de um melodismo raro, riquíssimo. É difícil de se encontrar árias mais inspiradas do que He shall feed His flock, Ev`ry valley shall be exalted, Why do the nations?, corais como For unto us a child is born, And the glory of the Lord, And He shall purify, além da ária-coral O thou thet tellest good tidings to Zion. Handel era genial e aqui tem seu ponto mais alto. A popularidade de O Messias é merecida.

O Messias normalmente ouvido por nós, principalmente no célebre Hallelujah, está bem longe daquilo que foi planejado originalmente por Handel. Pode parecer surpreendente a muitos o fato de que Handel, enquanto compunha o Oratório, lutava contra problemas administrativos que o levaram a utilizar um grupo pequeno de músicos, pela simples razão de que não os havia na Dublin de 1742 e de que era oneroso buscá-los em outras cidades. Handel dispunha apenas de 16 cantores-solistas e uma orquestra mínima e a estreia foi assim mesmo como Butt faz aqui. No curso destes mais de 270 anos, o popular Messias foi executado de todas as formas imagináveis. Nas antigas gravações da obra e até hoje, são ouvidos enormes corais, oboés dobrando as vozes – não há oboés na versão original -, fagotes no baixo contínuo – fagotes, que fagotes? – etc.

Nos anos 70, quando ouvi esta obra prima pela primeira vez, foi na mastodôntica versão de Karl Richter. Achei uma maravilha o que hoje acho estranho. Richter usou enorme coral e um potente conjunto instrumental, tudo muito pouco barroco. Só que os anos seguintes nos trouxeram as gravações em instrumentos originais, com as obras sendo executadas dentro de formações mais próximas do prescrito pelos compositores e muitas obras foram definhando em potência sonora para ganhar outros coloridos. A partir da década de 80, fomos nos acostumando a deixar o volume sonoro para compositores mais modernos e a fruir da delicadeza barroca. Não, não é proibido ouvir as velhas gravações que utilizam exércitos fortemente armados na interpretação deste oratório – e nem as novas que ainda fazem o mesmo! -, mas alguém com tendências puristas como eu, teve de acostumar-se ao uso de forças menores na interpretação do powerful Messiah. Hoje, parece a mim uma desonestidade ouvir uma obra interpretada dentro de uma concepção tão longínqua das intenções do compositor, ou seja, tão longe daquilo que Handel ouvia. Sei que estou em terreno perigoso e que há fóruns que estão discutindo isto há anos. Tudo começa com alguém perguntando “Mas, e se Handel dispusesse de um coral de 96 elementos e pudesse quadruplicar a orquestra, a música seria diferente?”. Tenho posições nestas questões, porém aqui a intenção é a de modestamente descrever e louvar um pouco de O Messias, esta delicada e poderosa obra de câmara…

É lendária velocidade com que Handel escrevia suas obras. Imaginem que os mais de 140 minutos deste oratório foram escritos em apenas 21 dias. Seus doze concerti grossi, opus 6, foram escritos em 24 dias, quando há pessoas que não conseguiriam sequer copiá-los neste período! Quando inspirado, o homem era rápido mesmo.

Mais curiosidades? Quando houve a elogiada e aplaudidíssima estréia em Dublin (em 13 de abril de 1742), Londres recebeu a obra com calculado distanciamento pela simples razão de que os londrinos não podiam ouvi-la. Ocorria que era proibido falar de coisas sagradas nos teatros e não se podia trazer profissionais dos teatros para cantarem numa igreja. Então o oratório, tal qual uma alma penada, caiu no limbo espírita. Mas Handel, velhinho, ainda teve tempo de ver seu oratório triunfar na capital.

O nome de Handel também aparece como Händel ou Haendel. Este alemão que produziu parte de sua obra na Inglaterra teve seu nome grafado nas três formas citadas. Seu nome original é Georg Friedrich Händel, mas ele tornou-se George e Handel na Inglaterra. Como sempre, o PQP usa todas as formas, dependendo da estação.

John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador
John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742)

1 Messiah, HWV 56: Part I: Grave – Allegro moderato 3:05
2 Messiah, HWV 56: Part I: Comfort ye my people (Tenor) 3:16
3 Messiah, HWV 56: Part I: Ev’ry valley shall be exalted (Tenor) 3:10
4 Messiah, HWV 56: Part I: And the glory of the Lord shall be revealed (Chorus) 2:56
5 Messiah, HWV 56: Part I: Thus saith the Lord of Hosts (Bass) 1:17
6 Messiah, HWV 56: Part I: But who may abide the day of His coming (Bass) 3:13
7 Messiah, HWV 56: Part I: And He shall purify (Chorus) 2:27
8 Messiah, HWV 56: Part I: Behold, a virgin shall conceive (Alto) 0:19
9 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest good tidings to Zion (Alto) 3:38
10 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest (Chorus) 1:32
11 Messiah, HWV 56: Part I: For behold, darkness shall cover the earth (Bass) 2:03
12 Messiah, HWV 56: Part I: The people that walked in darkness (Bass) 3:27
13 Messiah, HWV 56: Part I: For unto us a child is born (Chorus) 3:48
14 Messiah, HWV 56: Part I: Pifa (Pastoral Symphony) 2:46
15 Messiah, HWV 56: Part I: There were shepherds (Soprano) 0:12
16 Messiah, HWV 56: Part I: And lo, the Angel of the Lord (Soprano) 0:16
17 Messiah, HWV 56: Part I: And the angel said unto them (Soprano) 0:28
18 Messiah, HWV 56: Part I: And suddenly there was with the angel (Soprano) 0:16
19 Messiah, HWV 56: Part I: Glory to God in the highest (Chorus) 1:54
20 Messiah, HWV 56: Part I: Rejoice greatly, O daughter of Zion (Soprano) 6:19
21 Messiah, HWV 56: Part I: Then shall the eyes of the blind be open’d (Soprano) 0:23
22 Messiah, HWV 56: Part I: He shall feed His flock like a shepherd (Soprano) 5:07
23 Messiah, HWV 56: Part I: His yoke is easy, his burthen is light (Chorus) 2:18
24 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, The Lamb of God (Chorus) 3:09
25 Messiah, HWV 56: Part II: He was despised (Alto) 11:30
26 Messiah, HWV 56: Part II: Surely, He hath borne our griefs (Chorus) 1:46
27 Messiah, HWV 56: Part II: And with His stripes we are healed (Chorus) 1:41
28 Messiah, HWV 56: Part II: All we like sheep have gone astray (Chorus) 3:42
29 Messiah, HWV 56: Part II: But who may abide 0:27

Disc 2
1 Messiah, HWV 56: Part II: Recitative: All they that see Him (Tenor) 0:42
2 Messiah, HWV 56: Part II: He trusted in God that He would deliver Him (Chorus) 2:14
3 Messiah, HWV 56: Part II: Thy rebuke hath broken His heart (Soprano) 1:51
4 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, and see if there be any sorrow (Soprano) 1:22
5 Messiah, HWV 56: Part II: He was cut off out of the land of the living (Soprano) 0:16
6 Messiah, HWV 56: Part II: But Thou didst not leave His soul in hell (Soprano) 2:12
7 Messiah, HWV 56: Part II: Lift up your heads, O ye gates (Chorus) 3:06
8 Messiah, HWV 56: Part II: Unto which of the Angels (Tenor) 0:17
9 Messiah, HWV 56: Part II: Let all the angels of God worship Him (Chorus) 1:26
10 Messiah, HWV 56: Part II: Thou art gone up on high (Bass) 3:00
11 Messiah, HWV 56: Part II: The Lord gave the word (Chorus) 1:07
12 Messiah, HWV 56: Part II: How beautiful are the feet (Soprano, Alto) 3:35
13 Messiah, HWV 56: Part II: Why do the nations so furiously rage together (Bass) 1:27
14 Messiah, HWV 56: Part II: Let us break their bonds asunder (Chorus) 1:48
15 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven (Tenor) 0:21
16 Messiah, HWV 56: Part II: Hallelujah (Chorus) 4:02
17 Messiah, HWV 56: Part III: I know that my redeemer liveth (Soprano) 5:11
18 Messiah, HWV 56: Part III: Since by man came death (Chorus) 2:03
19 Messiah, HWV 56: Part III: Behold, I tell you a mystery (Bass) 0:36
20 Messiah, HWV 56: Part III: The trumpet shall sound (Bass) 8:28
21 Messiah, HWV 56: Part III: Then shall be brought to pass the saying (Alto) 0:12
22 Messiah, HWV 56: Part III: O death, where is thy sting (Alto, Tenor) 0:59
23 Messiah, HWV 56: Part III: But thanks be to God (Chorus) 2:08
24 Messiah, HWV 56: Part III: If God be for us (Soprano) 4:29
25 Messiah, HWV 56: Part III: Worthy is the Lamb that was slain (Chorus) 3:18
26 Messiah, HWV 56: Part III: Amen (Chorus) 4:50
27 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven shall laugh them to scorn 0:11
28 Messiah, HWV 56: Part II: Thou shalt break them with a rod of iron 2:03

Susan Hamilton
Annie Gill
Clare Wilkinson
Nicholas Mulroy
Matthew Brook
Dunedin Consort
Dunedin Players
John Butt

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Handel Messiah

PQP

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Os intérpretes deste dois CDs não chegam a ser brastemps, ou seja, talvez não façam jus à fragrância vivaldiana do raríssimo Zani, mas servem para demonstrar a tremenda qualidade da música violinística italiana — não enche o saco, eu sei que a Itália nem existia — daquele período. Zani é consistente, vale tranquilamente a audição, mas acho que principalmente o segundo CD mereceria melhores instrumentistas. Estes são mais dois discos enviados ao PQP Bach por nosso leitor-ouvinte S. Leal. Obrigado!

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Concerti da Chiesa, Op. 11 (1729)

1. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Vivace
2. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Largo
3. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Spiritoso

4. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Allegro
5. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Largo
6. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Allegro, ma non tanto

7. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Allegro
8. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Largo assai
9. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Allegro

10. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Allegro
11. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Largo assai
12. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Allegro

13. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Allegro
14. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Adagio
15. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Allegro

Alessandro Ciccolini, violino
Compagnia De Musici

Concerti Op. 4

1. Concerto in F major, Op.4/6: Allegro
2. Concerto in F major, Op.4/6: Largo
3. Concerto in F major, Op.4/6: Allegro

4. Concerto in G major, Op.4/5: Allegro
5. Concerto in G major, Op.4/5: Adagio
6. Concerto in G major, Op.4/5: Allegro

7. Concerto in D major, Op.4/1: Allegro
8. Concerto in D major, Op.4/1: Andante
9. Concerto in D major, Op.4/1: Allegro spiritoso

10. Concerto in E minor, Op.4/4: Vivace
11. Concerto in E minor, Op.4/4: Adagio
12. Concerto in E minor, Op.4/4: Allegro

13. Concerto in B flat major, Op.4/7: Andante spiccato
14. Concerto in B flat major, Op.4/7: Allegro
15. Concerto in B flat major, Op.4/7: Andante
16. Concerto in B flat major, Op.4/7: Allegro

Giovanni Battista Columbro, regente
Cappella Palatina

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Que condicionador será que ele usava?
Que condicionador será que ele usava?

PQP

Rachmaninoff (1873-1943): Rapsódia sobre um tema de Paganini / Falla (1876-1946): Noches en los jardines de España (Rubinstein, piano)

Em comemoração à 2ª Copa do Mundo da Espanha, reativamos essa postagem de gravações de um pianista que tinha grande identificação com aquela terra, sua cultura e sua música.

Na postagem de 4 dias atrás (recital de Shura Cherkassky, aqui) falei que, no início do século XX, ao piano romântico típico da Europa Oriental se opunha – trata-se aqui de um resumo esquemático, a realidade é sempre mais complexa – o piano francês de intérpretes que se identificavam com o estilo menos grandiloquente do “piano sem martelos” de Debussy. Mais ou menos vizinho e estilisticamente próximo desse grupo de compositores franceses, podemos colocar os nacionalistas espanhóis como Granados, Albéniz e Falla. Todos estes viveram algum período na França, assim como os pintores Picasso e Dalí e o escultor Miró também fizeram carreira e fortuna em Paris.

Nascido em Cádiz, na Andalusia, perto do estreito de Gibraltar e do Marrocos, Falla também viveu em Paris (1907-1914), Madrid (1914-1919) e Granada (1920-1939), antes de ir para a Argentina durante a 2ª Guerra e morrer naquele país. A Espanha que ele evoca nas suas Noites nos jardins de Espanha (1915) é sobretudo aquela da Andalusia, com clima quente, bem próxima da África em termos geográficos, embora também perto de Paris em termos estéticos.

Já a Rapsódia sobre um tema de Paganini, composta por Rachmaninoff em 1934, é a última obra para piano e orquestra do compositor russo. Posterior aos quatro concertos, essa Rapsódia é uma obra no esquema formal de tema e variações, com uma atmosfera romântica menos exagerada do que outras de Rach, mas compartilha com elas a parte difícil e impressionante para piano: um piano muitas vezes percussivo em alternância com momentos mais suaves.

Reiner e Rubinstein

A sinfônica de Chicago, naquela década de 1950, era uma das orquestras mais famosas do mundo. Com o húngaro Fritz Reiner, fizeram grandes gravações às quais os melômanos retornam até hoje (como este disco de música de Bartók tantas vezes reeditado). Há uma história não confirmada – um daqueles boatos ou causos – segundo a qual Reiner teria ficado insatisfeito com a performance de Rubinstein quando gravaram o 2º concerto de Rach, na mesma época em que gravaram a rapsódia, e por isso outras gravações já agendadas do pianista com Reiner em Chicago foram desmarcadas. Não faltaram, é claro, outras grandes orquestras e maestros radicados nos EUA para gravarem com ele: na Philadelphia, com Ormandy, ele regravaria por volta de 1970 boa parte de seu repertório (Chopin, Brahms…) e também as Noches de Manuel de Falla. Mas prefiro a gravação desta última obra em 1958, quando o pianista era mais jovem (71 anos) e arriscava alguns fraseados que ele não exibiria quando na casa dos 80. Aqui ele é acompanhado por Enrique Jordá, maestro espanhol que esteve à frente da orquestra de San Francisco de 1954 a 63.

Reiner num dia de bom humor

Eram tempos em que os grandes maestros eram ricos, famosos e intocáveis, frequentemente praticando atos que hoje seriam considerados assédio moral, bullying ou machismo. Não sei afirmar se Reiner era um dos mais extravagantes e assediadores mas, olhando para a cara dele, eu não iria querê-lo como inimigo!

Serguei Rachmaninoff (1873-1943): Rapsódia sobre um tema de Paganini
1-26. Introduction, Theme, Variations I-XXIV
Manuel de Falla (1876-1946): Noches en los jardines de España
27-29. I. En el Generalife – II. Danza lejana/(attacca.) – III. En los jardines de la Sierra de Córdoba

Arthur Rubinstein, piano
Chicago Symphony Orchestra & Fritz Reiner (Rachmaninoff)
Chicago & San Francisco Symphony Orchestra & Enrique Jorda (Falla)

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Mural de Rubinstein em sua Łódź natal, por Eduardo Kobra.

Pleyel

.: interlúdio :. Thelonious Monk: Blue Monk

.: interlúdio :. Thelonious Monk: Blue Monk

Este CD da coleção Jazz Hour, lançado no Brasil pela Movieplay, é uma compilação que reúne seis faixas do lendário pianista Thelonious Monk, gravadas ao vivo em 1964 durante uma turnê pela Europa. Para os fãs de jazz, é uma oportunidade de ouvir o quarteto de Monk em grande forma, com destaque para a participação do saxofonista Charlie Rouse, que na época já tinha uma parceria consolidada com o pianista. A seleção de músicas é primorosa e representa bem o universo de Monk. A faixa-título, “Blue Monk”, um dos seus blues mais famosos, ganha uma interpretação estendida de quase 12 minutos, cheia de belos solos e daquele espaço característico que Monk dava aos músicos. Outras composições suas, como “Hackensack”, “Light Blue” e “Evidence”, mostram sua genialidade como compositor, com melodias tortas e ritmos que desafiam o ouvinte. A inclusão de “Jackie-Ing” e “Ruby My Dear” completa o panorama, mostrando tanto a vertente mais aventureira quanto a mais lírica do pianista. Comop sempre, a edição da Movieplay Brasil é direta. A qualidade do som é até boa, capturando a energia de uma apresentação ao vivo. Embora não seja uma edição com extras ou remasterizações especiais, ela cumpre muito bem seu papel: oferecer um ótimo registro de Monk em um momento inspirado, a um preço que era acessível na época. É um disco essencial para quem quer conhecer a obra de um dos maiores gênios do jazz.

.: interlúdio :. Thelonious Monk: Blue Monk

1 Hackensack 11:05
2 Light Blue 10:58
3 Evidence 11:41
4 Blue Monk 11:46
5 Jackie-Ing 10:09
6 Ruby My Dear 8:45

Bass – Larry Gales
Drums – Ben Riley
Piano – Thelonious Monk
Tenor Saxophone – Charlie Rouse

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PQP

Tomaso Albinoni (1671-1751): Sinfonie a Cinque, Op. 2 (Ensemble 415, Chiara Banchini)

Não sou tão familiarizado assim com a música para pequenos conjuntos do período barroco, com exceção dos Concertos de Brandenburgo de Bach e dos trios (Pièces de clavecin en concert) de Rameau. Então esse disco do grupo chefiado pela violinista Chiara Banchini causou nos meus ouvidos uma certa surpresa: essas obras, publicadas em 1700, aparecem aqui em certa medida como predecessoras dos quartetos de Haydn e dos quintetos de Mozart, estes últimos com formação quase igual – dois violinos, duas violas, um violoncelo. A diferença, em termos de instrumentação, é que além dos “cinco” que dão nome às sonatas/sinfonias, aqui temos também o baixo contínuo, executado em algumas das peças com cravo e em outras apenas pelo contrabaixo com teorba, instrumento da família do alaúde.

É claro que há outras diferenças entre as seis sinfonias de Albinoni (o nome sinfonia na época se aplicava a qualquer peça com harmonia entre mais de uma voz, não fazia portanto alusão a orquestra, basta lembrar que J.S. Bach nomeou “Invenções a duas vozes e Sinfonias a três vozes” as peças para cravo que hoje são numeradas BWV 772-801) e os quintetos de cordas de Mozart ou o quinteto tardio de Schubert. Mas a semelhança notável é o diálogo interessante, inteligente, erudito, equilibrado entre as diferentes vozes dos instrumentos que ora soam individuais, ora em consonância.

Tomaso Albinoni (1671-1751):
Sinfonie a Cinque, Op. 2 (Ensemble 415, Chiara Banchini)
Sonata nº 2 em dó maior
1 Largo
2 Allegro
3 Grave
4 Allegro
Sonata nº 6 em sol menor
5 Adagio
6 Allegro
7 Grave
8 Allegro
Sonata nº 4 em dó menor
9 Grave
10 Allegro Assai
11 Adagio
12 Allegro
Sonata nº 5 em si b maior
13 Largo
14 Allegro Assai
15 Grave
16 Allegro
Sonata nº 1 em sol maior
17 Grave – Adagio
18 Allegro
19 Adagio
20 Allegro
Sonata nº 3 em lá maior
21 Grave
22 Allegro
23 Adagio
24 Allegro

Ensemble 415, Chiara Banchini (violino e direção)
Recorded: 2008, Église Évangélique Allemande, Paris, France

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“A opera seconda (op. 2) de Albinoni, publicada em Veneza em 1700 e dedicada ao Duque de Mantova, marca o fim do período de juventude do compositor. Alternando seis sonatas (ou sinfonias) com seis concertos, Albinoni marca o nascimento de uma nova linguagem. Essas obras revelam, em sua riqueza de progressões harmônicas, suas fugas e contrapontos, sua flexibilidade melódica e no rigor rítmico de suas danças, não apenas um excepcional compositor, mas também as tradições nas quais a inimitável comédia veneziana criou raízes.”
(Olivier Fourés)

Pleyel

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 2 (Virzaladze, Borodin)

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 2 (Virzaladze, Borodin)

A música de câmara de Brahms frequentemente respira de forma sinfônica e poucas obras exemplificam isso tão bem quanto seu Quinteto para Piano, Op. 34. Composta originalmente como uma sonata para dois pianos e depois como um quinteto de cordas, a obra encontrou sua forma definitiva ao unir o piano a um quarteto, criando uma textura de densidade e paixão orquestrais. Nesta gravação histórica, o lendário Quarteto Borodin e a pianista georgiana Eliso Virsaladze enfrentam este desafio com uma combinação de considerável poder e elegância. A performance do Quinteto é marcada por uma urgência que se impõe desde os acordes uníssonos e ameaçadores da abertura. O Borodin, conhecido por seu som encorpado, traz uma leitura limpa e de textura clara. Virsaladze se revela uma pianista que se iguala em estatura à força do quarteto. Sua performance dominante, especialmente nos momentos de clímax, como no Scherzo, onde a energia beira o feroz. Esta abordagem confere à obra uma dramaticidade impressionante, destacando a luta e a paixão intrínsecas à partitura. O Quarteto de Cordas No. 2, que completa o disco, recebe uma interpretação igualmente excelente. Os membros do Borodin, com mais de duas décadas de parceria na época da gravação, exibem um toque polido que confere à obra uma leitura “aristocrática”. A performance é bela, com o movimento lento transmitindo uma doçura melancólica e o finale se mostrando perfeito, na minha opinião.

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 2 (Virzaladze, Borodin)

Piano Quintet In F Minor, Op. 34
1 Allegro Non Troppo 15:13
2 Andante, Un Poco Adagio 9:03
3 Scherzo: Allegro ∙ Trio 7:33
4 Finale: Poco Sostenuto ∙ Allegro Non Troppo 10:30

String Quartet No. 2 In A Minor, Op. 51,2
5 Allegro Non Troppo 13:21
6 Andante Moderato 9:34
7 Quasi Minuetto, Moderato 4:56
8 Allegretto Vivace 7:06

Ensemble – Borodin Quartet*
Viola [Borodin Quartet] – Dmitri Shebalin
Violin [1 Violin Borodin Quartet] – Mikhail Kopelman
Violin [2 Violin Borodin Quartet] – Andrei Abramenkov
Violoncello [Borodin Quartet] – Valentin Berlinsky
Piano – Elizo Virzaladze

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Brahms antes de ficar barbudo e gordo.

PQP

Ravel & Bartók – Ma mère l’oye (Suíte) & Divertimento – Czech Philharmonic & Jiří Bělohlávek – [Supraphon] ֎

Ravel & Bartók – Ma mère l’oye (Suíte) & Divertimento – Czech Philharmonic & Jiří Bělohlávek – [Supraphon] ֎

Aceite nosso convite para um encontro com Jiří Bělohlávek, que amava a música acima de tudo e a serviu com a lealdade de um cavaleiro até o fim.
[frase citada no site Presto Classic]

As gravações reunidas neste disco são do início da carreira do grande maestro tcheco Jiří Bělohlávek, que amava a música acima de tudo, e o mostram preocupado em revelar as muitas qualidades da excelente orquestra. Eu presumo que a gravação foi feita na casa de concertos Rodolfinum, em Praga, reconhecida mundialmente por sua acústica espetacular, o que acrescenta ainda mais beleza no som capturado.

As obras não poderiam ser mais contrastantes, apesar da peça de Bartók haver sido composta apenas duas décadas depois da Suíte de Ravel. A Pavane pour une infante défunte e a Suíte Ma mère l’oye são para orquestra completa, o Divertimento, de Bartók, foi composto para orquestra de cordas. Essa peça foi encomendada por Paul Sacher, o maestro e mecenas suíço, que regia sua própria orquestra.

As peças de Ravel surgiram em versões para piano ou piano a quatro mãos, mas ganharam suas versões (magníficas) para orquestra e evocam outras épocas ou o universo dos contes de fada.

A peça de Bartók tem um que de neoclassicismo, com seus três movimentos, rápido-lento-rápido, evocando o concerto grosso. O lento movimento central, com seu caráter de noturno, é ladeado por dois movimentos que evocam danças e tem ritmos acelerados, com texturas realçadas por cordas beliscadas. Achei o primeiro movimento realmente irresistível.

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Pavane pour une infante défunte

  1. Pavane

Ma Mère l’Oye

  1. Pavane de la Belle au bois dormant
  2. Petit Poucet
  3. Laideronette, impératrice des Pagodes
  4. Les entretiens de la Belle et de la Bete
  5. Le Jardin féerique

Béla Bartók (1881 – 1945)

Divertimento for Strings, Sz. 113

  1. Allegro non troppo
  2. Molto adagio
  3. Allegro assai

Czech Philharmonic Orchestra

Jiří Bělohlávek

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MP3 | 320 KBPS | 118 MB

As obras deste disco estão [também] em um conjunto de 8 CDs, fazendo parte de uma antologia da carreira do maestro. Os trechos a seguir foram extraídos de uma crítica deste pacote e pode ser lida na íntegra aqui.

Then we delve back into the vaults for the Ravel diptych, performances dating from 1973 and the very early days of his LP catalogue – with the Czech Philharmonic […].

Bartók’s Divertimeto has been on CD before – it dates from 1973 – possibly because it’s with the Czech Philharmonic[…]. It’s quite a rare example of Bělohlávek conducting Bartók.

These eight CDs offer a fair and thoughtful summation of Bělohlávek’s studio legacy and demonstrate the high level of interpretative control and consistency he displayed throughout his career.

Aproveite!

René Denon

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Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Franz Schubert (1797-1828): “Trout” Quintet / “Wanderer” Fantasy (Borodin Quartet, Sviatoslav Richter)

Franz Schubert (1797-1828): “Trout” Quintet / “Wanderer” Fantasy (Borodin Quartet, Sviatoslav Richter)

Um documento histórico de interpretação musical. Lançado originalmente pela EMI e posteriormente relançado em diversas edições, este disco coloca frente a frente duas obras-primas do compositor vienense sob a ótica de um dos maiores pianistas e quartetos de cordas do século XX.

Quinteto “A Truta”, gravado ao vivo em junho de 1980 no Castelo de Hohenems, na Áustria, é apresentado sob uma perspectiva notavelmente pessoal e, para muitos, surpreendente. A interpretação de Richter, em colaboração com os violinistas Mikhail Kopelman e Dmitri Shebalin, o violoncelista Valentin Berlinsky e o contrabaixista Georg Hörtnagel, é marcada por andamentos que se contam entre os mais lentos já registrados, uma escolha que confere à obra uma dimensão de intensidade hipnótica e lirismo profundo, afastando-se do jovial e despreocupado que muitas vezes se associa à peça. Longe de ser um defeito, essa abordagem mais ponderada e “richteriana” revela uma faceta menos explorada do quinteto, mergulhando em suas estruturas e na beleza melódica com uma seriedade que beira o contemplativo, como se pode notar especialmente no andamento Andante, que ganha uma duração excepcional e atmosfera onírica. Embora o Scherzo possa parecer um tanto duro para alguns, perdendo parte da leveza habitual, a troca é compensada por uma riqueza de detalhes e uma união de propósitos entre os músicos, que se equilibram com notável sensibilidade, valorizando os momentos em que as cordas devem brilhar, como na cantilena para viola e violoncelo no segundo movimento.

Porém, na minha nada abalizada opinião, o grande atrativo do disco, é a Fantasia “Wanderer” (D. 760), registrada em estúdio em 1963, em Paris, que serve como um complemento de peso e revela o outro lado da personalidade artística de Richter. Aqui, o pianista se entrega à obra com a fúria e a majestade de um titã, enfrentando as imensas dificuldades técnicas com uma desenvoltura que beira o sobre-humano e transformando a peça num monumento de poder e virtuosismo, contrastando com a introspecção do quinteto. Conhecido por sua aversão a gravações em estúdio com edições, Richter imprime uma fluidez impressionante, onde a fúria do Allegro con fuoco e a energia do Presto dão lugar a um Adagio de uma beleza transcendental e toques de uma delicadeza surpreendente. A inclusão desta gravação, que por muito tempo foi difícil de encontrar, transforma o CD em uma peça de colecionador, especialmente para os admiradores do pianista.

Franz Schubert (1797-1828): “Trout” Quintet / “Wanderer” Fantasy ( Borodin Quartet, Sviatoslav Richter)

Quintet For Piano, Violin, Viola, Cello And Double Bass In A Major, D 667 “The Trout”
I. Allegro Vivace 13:32
II. Andante 8:28
III. Scherzo. Presto – Trio 4:28
IV. Thema. Andantino – Var.I-IV 7:38
V. Allegro Giusto 9:57

Fantasy For Piano In C Major, D 760 “Wanderer”
VI. Allegro Con Fuoco Ma Non Troppo 5:54
VII. Adagio 6:51
VIII. Presto 4:33
IX. Allegro 3:34

Sviatoslav Richter (piano)
Mikhail Kopelman (violino)
Dmitri Shebalin (viola)
Valentin Berlinsky (violoncelo)
Georg Hörtnagel (contrabaixo)

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Sviatoslav Richter pensando na morte da bezerra.

PQP

Prokofiev: Sinfonia Nº 3 / Varèse: Arcana / Mosolov: Zavod – Fundição de Ferro (Concertgebouw, Chailly)

Prokofiev: Sinfonia Nº 3 / Varèse: Arcana / Mosolov: Zavod – Fundição de Ferro (Concertgebouw, Chailly)

Este CD reúne a Sinfonia nº 3 de Serguei Prokofiev (1891-1953), Arcana de Edgard Varèse (1883-1965) e Zavod (Iron Foundry) de Alexander Mosolov (1900-1973), é bom um retrato da modernidade musical do início do século XX. Chailly explora as afinidades entre três obras que, cada uma à sua maneira, celebram a energia, a violência e a transformação de um mundo novo. A Sinfonia Nº 3 de Prokofiev impressiona por sua força dramática e por seu caráter quase expressionista, herdado da ópera O Anjo de Fogo. Em Arcana, Varèse cria uma paisagem sonora monumental, feita de massas orquestrais em constante ebulição. É incrpivel! Já Zavod (Fundição de Ferro) continua sendo uma das mais melhores representações musicais da máquina industrial já compostas. A Orquestra do Concertgebouw responde com virtuosismo extraordinário às exigências dessas partituras. O resultado é uma gravação eletrizante, que combina precisão técnica, impacto sonoro e clareza estrutural. Mais do que uma reunião de obras modernas, este disco revela um momento em que a música procurava reinventar sua linguagem para expressar a velocidade, a inquietação e as promessas de um novo século.

Prokofiev: Sinfonia Nº 3 / Varèse: Arcana / Mosolov: Zavod – Fundição de Ferro (Concertgebouw, Chailly)

Mosolov
Zavod = Iron Foundry (Fundição de Ferro) 3:36

Prokofiev
Symphony No.3, Op.44
I Moderato 13:19
II Andante 7:04
III Allegro Agitato 7:42
IV Andante Mosso – Allegro Moderato 6:34

Varèse
Arcana 18:30

Conductor – Riccardo Chailly
Orchestra – Royal Concertgebouw Orchestra

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Zavod

PQP

J. S. Bach (1685-1750) / C.P.E. Bach (1714-1788) / W. A. Mozart (1756-1791): The Imaginary Music Book Of J. S. Bach (Café Zimmermann)

J. S. Bach (1685-1750) / C.P.E. Bach (1714-1788) / W. A. Mozart (1756-1791): The Imaginary Music Book Of J. S. Bach (Café Zimmermann)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O CD The Imaginary Music Book of J. S. Bach, gravado pelos franceses do Café Zimmermann, apresenta-se como um exercício de especulação histórica e criatividade musical que vai muito além de uma simples antologia. O programa parte de uma premissa fascinante: e se Johann Sebastian Bach tivesse compilado um caderno de música para seu próprio uso, um diário musical íntimo que refletisse seus gostos e influências, em vez dos cadernos didáticos que dedicou à família? Partindo dessa ideia, o grupo, liderado pelo violinista argentino Pablo Valetti e pela cravista Céline Frisch, constrói um recital de câmara de rara elegância e perspicácia, que é menos uma antologia e mais um diálogo imaginado com o compositor.

A espinha dorsal do disco é uma sequência engenhosa que contextualiza a música de Bach. A abertura com a Sinfonia da Cantata BWV 29, executada com uma vivacidade que dispensa a instrumentação original, já anuncia a abordagem do grupo: arranjos e transcrições são feitos com tanta naturalidade que soam como versões definitivas. O ponto central do programa é a grandiosa Sonata Trio da Oferenda Musical (BWV 1079), que é habilmente emoldurada pela Sonata Trio em Si bemol (Wq. 161/2) de seu filho, Carl Philipp Emanuel Bach. Esta justaposição é um golpe de mestre, pois permite ao ouvinte perceber com clareza a transição estilística entre a linguagem contrapontística de Johann Sebastian e o estilo galante e mais livre de C.P.E. Bach, que já anuncia o classicismo. O filho, longe de ser uma mera curiosidade, atua como um comentarista musical que impede a audição de se tornar um ato de devoção monolítica.

A seleção do restante do repertório é astuta, mesclando árias de cantatas, arranjadas para flauta, violino e contínuo, com arranjos atribuídos a ninguém menos que Wolfgang Amadeus Mozart. A inclusão do Adagio e Fuga, KV 404a, baseado em obras de Bach, não apenas sublinha a influência do compositor sobre as gerações futuras, como também insere uma reflexão sobre o “caderno imaginário”, transformando-o num documento que ultrapassa a própria vida de Bach. O programa se encerra com o coral Vor deinen Thron tret ich hiermit (BWV 668), uma peça envolta na lenda apócrifa de ter sido ditada pelo compositor em seu leito de morte.

Em sua formação reduzida para este projeto, o Café Zimmermann soa claro, preciso e polido. O fraseado é ágil e a interação entre os músicos – Karel Valter na flauta traversa, Petr Skalka no violoncelo, além de Valetti e Frisch – é de uma cumplicidade que cativa o ouvinte, que se vê transportado para a atmosfera do lendário café Zimmermann em Leipzig, onde Bach e seu Collegium Musicum entreteriam o público com sua alegria de tocar . Ainda que o conceito do “caderno imaginário” possa parecer um tanto vago e o programa uma colcha de retalhos para alguns, o resultado musical é de uma beleza tão suave e convincente que a busca por uma lógica programática se torna supérflua, pelamor. Este disco é um convite para folhear as páginas de um livro que nunca existiu, mas que soa como se sempre tivesse feito parte do nosso imaginário musical.

J. S. Bach (1685-1750) / C.P.E. Bach (1714-1788) / W. A. Mozart (1756-1791): The Imaginary Music Book Of J. S. Bach (Café Zimmermann)

Wir Danken Dir, Gott, BWV 29
1 Sinfonia In D major 3:26

Trio Sonata In B Flat Major, Wq. 161/2
Composed By – Carl Philipp Emanuel Bach
2 I. Allegro 6:11
3 II. Adagio Ma Non Troppo 4:45
4 III. Allegretto 6:58

Adagio And Fugue KV 404a
5 Adagio E Dolce (After Sonata N° 3 In D Minor, BWV 527 by Johann Sebastian Bach) 3:27
6 Fugue – Allegro (After The Art Of Fugue, BWV 1080 by Johann Sebastian Bach) 7:00
Composed By – Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart

Wir Danken Dir, Gott, BWV 29
7 Aria Hallelluja, Stärk’ Und Macht 4:42

Himmelskönig, Sei Wilkommen, BWV 182
8 Sinfonia In G Major 1:52

Gott Soll Allein Mein Herze Habe, BWV 169
9 Aria Gott Soll Allein Mein Herze Haben 5:25

Schwingt Freudig Euch Empor, BWV 36
10 Aria Auch Mit Gedämpften, schwachen Stimmen 6:17

Ein Ungefärbt Gemüthe, BWV 24
11 Aria Ein Ungefärbt Gemüthe 3:06

Sonate Sopr’il Soggetto Reale, BWV 1079
12 I. Largo 5:15
13 II. Allegro 5:50
14 III. Andante 2:44
15 IV. Allegro 3:09

16 Vor Deinen Thron Tret Ich Hiermit, BWV 668 4:17

Ensemble – Café Zimmermann
Flute – Karel Valter
Harpsichord – Céline Frisch
Violin – Pablo Valetti
Violoncello – Petr Skalka

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O Café Zimmermann (o conjunto)

PQP

.: interlúdio :. Sun Ra ao vivo em 1978 e 1983

Uma aura de mistério cerca a biografia de Sun Ra: até o momento em que ele partiu para outro planeta (em 1993), ninguém sabia dizer ao certo o seu nome de batismo, data e local de nascimento. Mais tarde, biógrafos garantiram que foi em 22 de maio de 1914 no Alabama, estado vizinho daqueles onde se convém dizer que nasceu o blues estadunidense, New Orleans e Mississipi. A mistura entre aspectos do som de New Orleans do começo do século XX com teclados eletrônicos da 2ª metade do século torna o som de Sun Ra inclassificável: ao contrário de uma penca de músicos negros que aderiram ao jazz fusion por volta de 1969 ou 70 (Miles Davis, Freddie Hubbard, Herbie Hancock, Wayne Shorter, etc), Sun Ra já usava teclados eletrônicos muito antes e não abandonou o piano. Nesses dois álbuns, gravados quando a moda do fusion já estava menos predominante, Sun Ra fica indo e vindo entre os sons, digamos, tradicionais do seu piano e os teclados que ele toca sem nenhum paralelo com o estilo, por exemplo, do Hancock aqui citado, que escolhia timbres e acordes menos ousados, menos de vanguarda.

Aqui uma interrupção: Sun Ra, obviamente um músico de vanguarda e pouco preocupado em lançar hit singles nas rádios, achava que os músicos de vanguarda se levavam, em geral, muito a sério. Por isso, nos anos 1950 começou a usar roupas coloridas inspiradas em temas de ficção científica ou do Egito dos faraós, o que dava uma identidade visual única e um pouco cômica para seus grupos. Outro parêntese: Pharoah Sanders recebeu o seu nome artístico por uma sugestão de Sun Ra.

Mas talvez o mais surpreendente nesses shows seja outra coisa: lembrar que Sun Ra já tinha passado dos 60 anos e, no de 1983, já tinha 69. São poucos, pouquíssimos os artistas que, com essa idade, se reinventam de um mês pro outro, trocam de instrumentos, de repertório, improvisam a cada noite nos vários sentidos do verbo improvisar. E nesses dois shows ele se apresenta sem a Sun Ra Arkestra, grupo que servia como um certo porto seguro misturando trechos improvisados com trechos já ensaiados pelo grupo de mais de dez músicos que incluia desde 1968 a cantora June Tyson. Aqui, sem June Tyson e sem uma parte dos seus fiéis escudeiros (o sax alto de Marshall Allen, por exemplo, está no show de 1983 mas não no de 1978), Sun Ra parece ainda mais livre do que em outros registros ao vivo.

No disco de 1978 temos um quarteto: além de Sun Ra, Michael Ray (trompete), John Gilmore (sax) e Luqman Ali (bateria). No de 1983, a banda de estrelas com a qual Sun Ra fez uma breve turnê europeia, incluindo Don Cherry (trompete), Archie Shepp (sax) e Richard Davis (baixo).

Última observação: outro dia assisti ao filme oscarizado The Sinners, que aliás achei bem mediano e previsível por motivos que não vêm ao caso aqui. Apesar do roteiro pasteurizado, o filme traz certos aspectos do blues que não deixam de ser interessantes. É curioso pensar que o filme se passa em 1932, ano em que Sun Ra certamente já tocava piano em algum lugar, provavelmente no sul dos EUA e muito antes de ficar famoso. Podemos lembrar ainda que o músico jovem do filme, com cerca de 20 anos, nasceu na mesma década de Sun Ra, assim como vários outros músicos de blues até hoje lembrados. Howlin’ Wolf, por exemplo, nasceu no Mississipi em 1910 e depois se mudaria para Chicago, onde gravou uma série de singles. Bem depois, em 1969, sairia seu primeiro LP com essa capa aqui ao lado, dizendo que ele não gostou do disco e nem da sua guitarra elétrica da primeira vez que a usou. A cena final do filme faz alusão à passagem do violão para a guitarra elétrica. Sun Ra – que aliás também viveu em Chicago nos anos 1950 e gravou naquela cidade seus primeiros LPs – viveu esse mesmo período, e foi um dos pioneiros na transição do acústico para o elétrico, só que para o caso dos teclados. Não tendo abandonado o piano elétrico, assim como não abandonou certos ritmos típicos do jazz pré-2ª-guerra, Sun Ra foi acrescentando novas cartas ao seu baralho e, ainda na década de 1980, em turnê pela Europa, acrescentava mais e mais, sem medo de ser feliz.


Sun Ra Quartet: Disco 3000
CD1
Disco 3000
Sun of the Cosmos
Echos of the World
Geminiology
Sky Blues
Friendly Galaxy

CD2
Third Planet including Friendly Galaxy
Dance of the Cosmo Aliens
Spontaneous Simplicity
Images including Over the Rainbow
When There Is No Sun
We Travel the Spaceways

Line-up & Recording Date:
Sun Ra – organ, piano, drum box, etc; Michael Ray – trumpet; John Gilmore – tenor sax; Luqman Ali – drums
Live in Italy, January 1978
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Sun Ra All-Stars: Live in Zürich, 1983
1. Unidentified Title
2. Unidentified Ra Piano Solo 3. Unidentified Blues
4. Lights on a Satellite
5. What’s New
6. Cocktails for Two
7. Poinciana

Zürich Jazz Festival, 28/10/1983

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Pleyel

Claude Debussy (1862-1918) – Solo Piano Music – Angela Hewitt #DEBUSSY160

81HTIkJIvML._SL1400_Este CD foi lançado em 2012, mas merece ser ouvido com todo carinho e dedicação necessários. Sendo uma das grandes pianistas da atualidade, Hewitt encara estas obras tão delicadas com sobriedade, uma técnica apurada e uma maturidade musical exemplar. Os clientes da amazon são unânimes em dar cinco estrelas para esse CD.

E como é o mês dele, Claude Debussy, vamos então lhes apresentar outro grande CD do selo Hyperion, em outro grande momento de Angela Hewitt.

Claude Debussy (1862-1918) – Solo Piano Music – Angela Hewitt

01. Children’s Corner – 1. Doctor Gradus ad Parnassum
02. Children’s Corner – 2. Jimbo’s Lullaby
03. Children’s Corner – 3. Serenade for the Doll
04. Children’s Corner – 4. The snow is dancing
05. Children’s Corner – 5. The Little Shepherd
06. Children’s Corner – 6. Golliwog’s Cake-Walk
07. Suite Bergamasque – 1. Prélude
08. Suite Bergamasque – 2. Menuet
09. Suite Bergamasque – 3. Clair de lune
10. Suite Bergamasque – 4. Passepied
11. Danse
12. 2 Arabesques – 1. Andantino
13. 2 Arabesques – 2. Allegretto scherzando
14. Pour le piano – 1. Prelude
15. Pour le piano – 2. Sarabande
16. Pour le piano – 3. Toccata
17. Masques
18. L’isle joyeuse
19. La plus que lente

Angela Hewitt – Piano

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P.S. de Pleyel: muitos alunos intermediários de piano passam pelos Arabesques e pelo Clair de lune, mas não se enganem, é música muito sofisticada apesar da relativa simplicidade técnica. Angela Hewitt deixa isso muito claro aqui.

FDP (2018) / Pleyel (2026)

Também foram reativados os links para:

Claude Debussy (1862-1918): La Mer, Ibéria, Prélude à l’après-midi d’un Faune, 2 Nocturnes (Toscanini/NBC) #DEBUSSY160

Chausson (1855-1899): Viviane, Poemas para soprano e para violino / Lekeu (1870-1894): Fantasia, Adagio para cordas / Dukas (1865-1935): Aprendiz de feiticeiro / Debussy (1862-1918): Fantasia para piano, Rapsódia para clarinete, Prélude à l’après-midi d’un faune (Armin Jordan, Orquestras Suisse Romande e Monte-Carlo) #DEBUSSY160

Sofia Gubaidulina (1931-2025) / Osvaldo Golijov (1960): Passions (Rilling, Guinand)

Sofia Gubaidulina (1931-2025) / Osvaldo Golijov (1960): Passions (Rilling, Guinand)

Sofia Gubaidulina e Osvaldo Golijov compuseram obras monumentais para o projeto Passion 2000 da Bachakademie Stuttgart. Ambas as composições redefinem a tradição clássica da Paixão com abordagens modernas, linguagens multiculturais e reflexões místicas profundas.

A monumental Johannes-Passion de Gubaidulina impressiona pela intensidade mística, pela riqueza tímbrica e por uma linguagem que une tradição religiosa e modernidade radical. A compositora russa baseou-se nos textos do Evangelho de São João e do Livro do Apocalipse, criando a primeira “Paixão” escrita em língua russa. A obra tem um caráter estritamente litúrgico, profundo e místico. Marcada por uma predominância de vozes graves e metais, a música evoca a ressonância de eras antigas, contrapondo os eventos sombrios da crucificação com a esperança da ressurreição, expandida na sequência St John Easter.

Já La Pasión según San Marcos, de Golijov, apresenta uma visão vibrante e multicultural, em que ritmos latino-americanos, elementos populares e força dramática convivem numa celebração de extraordinária energia. O compositor argentino une a música folclórica sul-americana, ritmos cubanos, influências judaicas e o canto litúrgico, trazendo o relato bíblico para um contexto contemporâneo e universal. A obra destaca-se pela alta dramaticidade e vitalidade rítmica, usando a percussão e o canto visceral para retratar Jesus não como o estereótipo europeu, mas como um homem latino-americano e de cor.

O contraste entre os dois compositores é fascinante: Gubaidulina busca a transcendência pelo recolhimento e pela contemplação; Golijov, pela exuberância e pelo movimento. O resultado é um disco que convida à reflexão sobre a diversidade das linguagens musicais contemporâneas e sobre a permanência de temas espirituais num mundo aparentemente secularizado. Uma audição exigente, mas profundamente recompensadora, que revela duas maneiras muito diferentes — e igualmente poderosas — de transformar fé, sofrimento e esperança em música.

Sofia Gubaidulina (1931-2025) / Osvaldo Golijov (1960): Passions (Rilling, Guinand)

St. John Passion = Johannes-Passion
Composed By – Sofia Gubaidulina
1-1 Das Wort = The word 1:20
1-2 Fußwaschung = The Washing Of Feet 10:34
1-3 Das Gebot Des Glaubens = The Commandment Of Faith 1:58
1-4 Das Gebot Der Liebe = The Commandment Of Love 2:51
1-5 Hoffnung = Hope 1:58
1-6 Liturgie Im Himmel = Liturgy In Heaven 13:25
1-7 Verrat, Verleugnung, Geißelung, Verurteilung = Betrayal, Denial, Flagellation, Condemnation 13:38
1-8 Gang Nach Golgotha = The Way To Golgotha 14:29
1-9 Eine Frau, Mit Der Sonne Bekleidet = A Woman Clothed With The Sun 1:37
1-10 Grablegung = Entombment 5:11
1-11 Die Sieben Schalen Des Zorns = The Seven Bowls Of Wrath 6:30

Nicholas Isherwood, Corby Welch, Julia Sukmanova, Bernd Valentin
Kammerchor der Musikhochschule Trossingen, Gächinger Kantorei, Radio-Sinfonieorchester Stuttgart des SWR
Helmuth Rilling

St. John Easter = Johannes-Ostern
Composed By – Sofia Gubaidulina
2-1 Ostermorgen = Easter Morning 2:42
2-2 Maria Magdalena = Mary Magdalene 3:08
2-3 Erste Erscheinunge Des Auferstandenen Christus Vor Den Jüngern „Empfanget Den Heiligen Geist“ = Christ’s First… 2:43
2-4 “Ich Glaube Nicht” = I Will Not Believe 4:06
2-5 Der Reiter Auf Dem Weißen Pferd = The Rider On A White Horse 5:31
2-6 Zweite Erscheinung Des Auferstandenen Christus Vor Den Jüngern „Und Sei Nicht Ungläubig“ = Christ’s Second Appearance… 1:14
2-7 Intermedium = Interlude 2:45
2-8 „Ich Bin Das Lebendige Brot“ = I Am The Living Bread“ 1:50
2-9 Die Finsternis Vergeht = The Darkness Is Passing Away 1:14
2-10 Dritte Erscheinunge Des Auferstandenen Christus Vor Den Jüngern „Abschied“ = Christ’s Third Appearance To His… 13:25
2-11 Das Gericht = The Judgement 2:53
2-12 „Und Ich Sah Einen Neuen Himmel Und Eine Neue Erde“ = „I Saw A New Heaven And A New Earth“ 6:27

Julia Sukmanova, Nicholas Isherwood, Corby Welch, Bernd Valentin
Radio-Sinfonieorchester Stuttgart des SWR, Kammerchor der Musikhochschule Trossingen, Gächinger Kantorei
Helmuth Rilling

La Pasión Según San Marcos = St. Mark Passion
Composed By – Osvaldo Golijov
Parte 1
3-1 Visión: Bautismo En la Cruz = Vision: Baptism On The Cross (1. Part) 1:02
3-2 Danza Del Pescador Pescado = Dance Of The Ensnared Fisherman 0:51
3-3 Primer Anuncio = First Announcement 3:42
3-4 Segundo Anuncio = Second Announcement 2:15
3-5 Tercero Anuncio: En Fiesta No = Third Announcement: Not On The Feast Day 1:02
3-6 Dos Dias = Two Days 1:37
3-7 Unción En Betania = The Anointment In Bethany 1:30
3-8 ¿Por Qué? = Why? 3:56
3-9 Oración Lucumí (Aria Con Grillos) = Lukumi Prayer (Aria With Crickets)) 2:02
3-10 El Primer Día = The First Day 1:34
3-11 Judas. El Cordero Pascual = The Paschal Lamb 4:29
3-12 Quisiera Yo Renegar (Aria de Judas) = I Wish To Forswear (Aria Of Judas) 2:43
3-13 Eucaristía = The Eucharist 3:18
3-14 Demos Gracias Al Señor = We Give Thanks To The Lord 5:00
3-15 En El Monte de Los Olivos = On The Mount Of Olives 1:08
3-16 Cara A Cara = Face To Face 1:10
3-17 En Getsemaní = In Gethsemane 1:41
3-18 Agonía (Aria de Jesús) = Agony (Aria Of Jesus) 7:52
3-19 Arresto = The Arrest 2:34
3-20 Danza de la Sábana Blanca = Dance Of The White Sheet 1:30
3-21 Ante Caifás = Before Caiaphas 1:44

Reynaldo González-Fernandez, Luciana Souza, Samia Ibrahim
Orquesta La Pasion, Schola Cantorum de Caracas, Cantoria Alberto Grau
Maria Guinand

Parte 2
4-1 Soy Yo (Confesión) = I Am (Confession)) 2:27
4-2 Escarnio y Negación = Scorn And Denial 1:52
4-3 Desgarro de la Túnica = Tearing Of The Garment 1:23
4-4 Lúa Descolorida (Aria de Las Lágrimas de Pedro) = Colorless Moon (Aria Of Peter’s Tears) 5:51
4-5 Amanecer: Ante Pilato = Morning: Before Pilate 3:46
4-6 Silencio = Silence 1:46
4-7 Sentencia = Sentence 1:56
4-8 Comparsa Al Gólgotha = Parade: To Golgotha 3:24
4-9 Danza de la Sábana Púrpura – Manto Sagrado = Dance Of The Holy Purple Robe 0:36
4-10 Crucifixión = Crucifixion 2:03
4-11 Muerte = Death 1:03
4-12 Kaddish 6:31

Samia Ibrahim, Luciana Souza
Orquesta La Pasion, Schola Cantorum de Caracas, Cantoria Alberto Grau
Maria Guinand

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O feliz platense Osvaldo Golijov

PQP

Richard Strauss (1864-1949): Vier letzte Lieder & Orchesterlieder (Norman, Gewandhausorchester, Masur)

Richard Strauss (1864-1949): Vier letzte Lieder & Orchesterlieder (Norman, Gewandhausorchester, Masur)

Quando certa manhã PQP Bach acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama tomado por uma monstruosa vontade de ouvir as “Quatro Últimas Canções” de Strauss com a Jessye Norman e o Kurt Masur. Estava deitado sobre suas costas duras de torcedor colorado e, ao levantar um pouco a cabeça, olhou para a estante e não encontrou esse disco. Procurou na caixinha de busca do site e ele tampouco estava ali. Suas duas pernas, torneadas pelos quilômetros corridos nas calçadas da capital gaúcha, repousavam desamparadas diante de seus olhos.

“Eu é que não vou ouvir esse disco no YouTube”, pensou.

Não era um sonho. E foi assim que, como o bater de asas da famosa borboleta e seu efeito, nasceu a cadeia de acontecimentos que fez esse disco vir parar aqui no blog. Lacuna braba, que agora a gente vem mui humildemente preencher. O próprio PQP diria: Im-per-dí-vel! Incontornável, basilar, seminal, referência, enfim, dê o nome que quiser, esse disco é tudo isso e mais um pouco. João Gilberto dizia que não sabia se a perfeição existe, mas que a perfeição o incomodava pra caramba. Pois bem, existe sim, e é esse disco aqui.

Jessye Norman clicada por Irving Penn, 1983

Um repertório transcendental, uma cantora estupenda e uma orquestra em estado de graça, sob o comando de um de seus Kapellmeister mais marcantes. Ruim, não teria como ser, mas putz, que encontro, que milagre, que grande feito humano que é esse disquinho. Se Deus está morto, como querem alguns (entre os que acreditam que Ele(a)/ele(a) existe), esse disco bem que poderia ter sido tocado em seu funeral — que, segundo os relatos, foi um senhor rolê, com o trio final de Der Rosenkavalier regido por Sir Georg Solti, nas vozes de Marianne Schech, Maud Cunitz e Gerda Sommerschuh. Mas essa é outra história, para outro dia.

Compostas quando Strauss tinha 84 anos e já vislumbrava o doce suspiro da morte, as Vier letzte Lieder são algumas das mais belas canções de todo o repertório de concerto. O sublime como poucas vezes foi atingido na história dessa nossa combalida espécie. Quem as reuniu como um ciclo de quatro pontas não foi o compositor, mas seu amigo e editor Ernest Roth, da Boosey & Hawkes. As três primeiras canções são a partir de poemas de Hermann Hesse, e a última, Im Abendrot, de Joseph von Eichendorff. Aliás, um poemaço:

Im Abendrot
Wir sind durch Not und Freude

gegangen Hand in Hand;
vom Wandern ruhen wir
nun überm stillen Land.
Rings sich die Täler neigen,
es dunkelt schon die Luft.
Zwei Lerchen nur noch steigen
nachträumend in den Duft.
Tritt her und laß sie schwirren,
bald ist es Schlafenszeit.
Daß wir uns nicht verirren
in dieser Einsamkeit.
O weiter, stiller Friede!
So tief im Abendrot.
Wie sind wir wandermüde—
Ist dies etwa der Tod?

A tradução da Wikipedia, não creditada, vai assim:

No crespúsculo
Através de dores e alegrias,

nós caminhamos de mãos dadas;
agora descansamos da nossa errância
sobre uma terra silenciosa.
Em torno de nós se inclinam os vales
e já escurece o céu.
Apenas duas cotovias alçam voo,
sonhando no ar perfumado.
Aproxime-se, e deixe-as voejar.
Logo será hora de dormir.
Venha, que não nos percamos
nesta grande solidão.
Ó paz imensa e tranquila
tão profunda no crepúsculo!
Como nós estamos cansados dessa jornada —
Seria talvez isso já a morte?

Strauss infelizmente não viveu para ouvir a obra; a estreia foi em maio de 1950, com Kirsten Flagstad cantando e ninguém mais, ninguém menos que Wilhelm Furtwängler regendo a Philharmonia Orchestra. O lado B do disco é um apanhado de seis outras canções orquestrais de Strauss, de diferentes opuses e poetas. Uma mais linda que a outra. Você, caro leitor, cara leitora, tem alguma preferida?

O velho Strauss sorrindo para você que, além de nos ler, comenta nas postagens do blog

Richard Strauss (1864-1949)

Vier Letzte Lieder
1 – Frühling (Hesse)
2 – September (Hesse)
3 – Beim Schlafengehen (Hesse)
4 – Im Abendrot (Eichendorff)

Orchesterlieder
5 – Cäcilie, op. 72, nº 2 (Hart)
6 – Morgen, op. 27, nº 4 (Mackay)
7 – Wiegenlied, op. 41 nº 1 (Dehmel)
8 – Ruhe, meine Seele, op. 27 nº 1 (Henckell)
9 – Meinem Kinde, op. 37 nº 3 (Falke)
10 – Zueignung, op. 10 nº 1 (Von Gilm, orch. Robert Hegel)

Jessye Norman, soprano
Gewandhausorchester Leipzig
Kurt Masur, regência

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“E o salário, ó”

Karlheinz

Shostakovich: Symphony No. 13 ‘Babi Yar’ / Arvo Pärt: De Profundis (Albert Dohmen, Estonian National Male Choir, BBC Philharmonic, John Storgårds)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Lançado em maio de 2024 pelo selo Chandos, este álbum que reúne a Sinfonia nº 13 de Dmitri Shostakovich e o De profundis de Arvo Pärt, sob a direção de John Storgårds, é mais do que um simples registo de duas obras do repertório do século XX, o disco propõe um diálogo sombrio e contemplativo entre a memória da tragédia e a esperança. A escolha de Storgårds por abrir o programa com a breve peça de Arvo Pärt revela-se, desde o primeiro instante, uma declaração de intenções. Composto em 1980 e aqui apresentado na versão de 2008 para coro masculino e orquestra de câmara, De profundis é uma meditação sobre o Salmo 130, construída na característica linguagem “tintinnabuli” do compositor . Sob a batuta de Storgårds, e com o Estonian National Male Choir a revelar uma precisão e uma profundidade textual notáveis, a peça soa como um lento cortejo fúnebre, uma descida às profundezas da alma onde a dor se encontra com a possibilidade da redenção. A atmosfera é de uma serenidade gelada, e o toque final do sino, que se extingue no silêncio, prepara de forma magistral o terreno para o turbilhão de angústia que se seguirá.

É esse turbilhão que ocupa o centro do disco: a Sinfonia nº 13, op. 113, “Babi Yar”. Escrita por Shostakovich em 1962 sobre poemas de Yevgeny Yevtushenko, esta é uma obra de uma coragem e uma subversão raras, que denuncia o antissemitismo e a opressão na União Soviética, começando pelo massacre de 33.771 judeus na ravina de Babi Yar, na Ucrânia. É aqui que a interpretação de John Storgårds se diferencia mais radicalmente das abordagens tradicionais. O seu “estilo britânico” afasta-se do expressionismo visceral e da fúria contida que caracterizam as leituras de maestros russos como Kirill Kondrashin. Em vez disso, Storgårds opta por uma leitura contida, de uma clareza quase analítica, onde a tragédia é sugerida mais pela tensão acumulada e pelo relevo dado ao texto do que por gestos ostensivos. Este enfoque é corroborado pela escolha do solista, o baixo-barítono alemão Albert Dohmen. A sua voz, mais conhecida pelos papéis wagnerianos de Wotan e Gurnemanz, não possui o peso agreste e a cor negra de um baixo russo “à Boris Godunov”. Dohmen canta com uma sobriedade e uma elegância que, à primeira escuta, podem parecer deslocadas na ferocidade poética de Yevtushenko. No entanto, esta abordagem permite que a ironia corrosiva de Shostakovich se imponham por si mesmas, sem o véu de um pathos demasiado evidente. A sua interpretação é particularmente eficaz nos momentos de reflexão e no sarcasmo do movimento final, “Career”, onde a sua linha vocal mais introspetiva se ajusta perfeitamente à crítica irónica aos burocratas e à defesa dos verdadeiros criadores.

A resposta da BBC Philharmonic e do Estonian National Male Choir é de uma excelência inquestionável. O coro é impecável, com uma projeção clara e um sentido dramático apurado, que vai do sussurro ao ataque incisivo no movimento satírico “Humour”. A orquestra, por seu lado, tira de letra a complexa e multifacetada partitura de Shosta. As madeiras são ácidas e zombeteiras, os metais soam rudes e ameaçadores, e as cordas criam camadas de textura de uma frieza gélida, especialmente nos movimentos “In the Store” e “Fears”, onde o clima de paranoia e desolação é magistralmente construído. A qualidade da gravação capta com impressionante clareza o peso do tímpano, o toque lúgubre do sino e os mais recatados pianíssimos do coro.

Este não é um álbum para quem procura uma catarse imediata ou uma recriação visceral da estreia russa da obra. A proposta de John Storgårds é deliberadamente mais intelectual, mais fria e, curiosamente por isso, profundamente melancólica. Ao colocar o grito de revolta de Shostakovich ao lado do recolhimento religioso de Pärt, o maestro finlandês convida-nos a uma escuta que transcende o protesto político e se aproxima de uma meditação sobre o sofrimento humano. Para alguns críticos, esta abordagem soou comedida, para outros representou uma visão poderosamente alternativa, que encontra a sua força não na tempestade, mas na profundidade silenciosa do seu olhar. É um registo que não se impõe facilmente, mas que, uma vez compreendido, revela grande integridade artística e coerência.

Shostakovich: Symphony No. 13 ‘Babi Yar’ / Arvo Pärt: De Profundis (Albert Dohmen, Estonian National Male Choir, BBC Philharmonic, John Storgårds)

Arvo Pärt– De Profundis (2008) 6:50

Dmitri Shostakovich Symphony No. 13 In B Flat Minor, Op. 113 ‘Babiy Yar’ (1962)
Bass-Baritone Vocals – Albert Dohmen
(1:02:35)
2 – 1. Babiy Yar. Adagio ‒ Più Mosso ‒ Adagio ‒ Più Mosso ‒ Allegro ‒ Adagio ‒ Poco Più Mosso ‒ Adagio ‒ Più Mosso 16:07
3 – 2. Humour. Allegretto 8:31
4 – 3. In The Store. Adagio ‒ Meno Mosso. Sostenuto ‒ Adagio ‒ Meno Mosso ‒ [Più Mosso] ‒ Meno Mosso ‒ Largo ‒ Adagio ‒ 12:00
5 – 4. Fears. Largo ‒ Sostenuto ‒ Più Mosso ‒ Moderato ‒ Largo ‒ Poco Più Mosso ‒ Sostenuto ‒ Allegretto ‒ Largo ‒ 12:00
6 – 5. Career. Allegretto ‒ Pesante ‒ Meno Mosso ‒ Allegretto ‒ Adagio ‒ Allegretto ‒ Adagio ‒ Allegretto ‒ Meno Mosso 13:49

Choir – Estonian National Male Choir
Conductor – John Storgårds
Leader – Zoë Beyers
Orchestra – BBC Philharmonic
Vocal Coach [Language Coach] – Alexandre Naoumenko

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John Storgårds: mais tranquilo, menos indignado e político, talvez mais profundo.

PQP

Gustav Mahler (1860-1909): Sinfonia Nº 3 (Neumann, Orquestra Filarmônica Tcheca)

Gustav Mahler (1860-1909): Sinfonia Nº 3 (Neumann, Orquestra Filarmônica Tcheca)

Eu adoro esta Sinfonia Nº 3 de Mahler. Para mim, é a melhor. É uma das obras mais monumentais do repertório sinfônico, ultrapassando muitas vezes os 100 minutos de duração. Mahler a descreveu como “a coisa mais louca que já escrevi”, tamanha sua ambição e complexidade. Neumann e seus tchecos são realmente muito bons! A obra está dividida em seis movimentos que traçam uma jornada filosófica ascendente desde a natureza primitiva até o amor divino:

1. Pã Desperta: o Verão Marcha: um enorme movimento de abertura enorme (cerca de 40 min) que emerge de uma textura densa e “primitiva”.
2. O que as Flores do Campo me Contam.
3. O que os Animais da Floresta me Contam: inclui um famoso solo de trompa, que cria uma atmosfera nostálgica e distante.
4. O que o Homem me Conta: um movimento para contralto solo, dá-lhe Christa!
5. O que os Anjos me Contam: envolve coro feminino e infantil, celebrando a alegria celestial.
6. O que o Amor me Conta: um adágio final muito bonito e comovente, onde as cordas e metais criam uma sensação de redenção.

Para Mahler, “uma sinfonia deve ser como o mundo. Deve conter tudo”. Assim, a obra transita entre o assustador e o sublime, combinando momentos de pura exuberância e profunda melancolia .

Gustav Mahler (1860-1909): Sinfonia Nº 3 (Neumann, Orquestra Filarmônica Tcheca)

I. Kräftig. Entschieden (Beg.) 26:28
I. Kräftig. Entschieden (Concl.) 4:33
II. Tempo Di Menuetto. Sehr Mässig 8:42
III. Comodo. Scherzando. Ohne Hast 16:27
IV. Sehr Langsam. Misterioso 9:50
V. Lustig Im Tempo Und Keck Im Ausdruck 4:36
VI. Langsam. Ruhevoll. Empfunden 19:58

Chorus – Kühnův Dětský Sbor (tracks: D1), Pražský Filharmonický Sbor*
Chorus Master – Jiří Chvála (tracks: D1), Josef Veselka
Conductor – Václav Neumann
Contralto Vocals – Christa Ludwig
Orchestra – Česká Filharmonie*

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Václav Neumann (1920-1995)

PQP

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 85, 62 e 50 (Kammerorchester Basel, Antonini)

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 85, 62 e 50 (Kammerorchester Basel, Antonini)

Este é o volume 15 da maravilhosa série capitaneada por Giovanni Antonini e a Orquestra de Câmara de Basel, assim como Il Giardino Armonico. A ideia da série é a de gravar todas as sinfonias até 2032, quando Haydn completará 300 de vida, pois está vivo até hoje. Diferentemente de uma abordagem cronológica tradicional, Antonini opta por agrupar as sinfonias por temas ou conceitos. O fio condutor do volume 15 são as figuras reais, fazendo referência direta à Sinfonia nº 85, apelidada de “La Reine”. A lenda conta que esta era a sinfonia favorita da Rainha Maria Antonieta da França. As outras obras do disco também possuem conexões reais, ainda que menos diretas: a Sinfonia nº 50 foi apresentada durante uma visita da Imperatriz Maria Teresa da Áustria, e a Sinfonia nº 62 foi composta no ano da morte da mesma imperatriz. A regência de Antonini recebe elogios quase unânimes da crítica especializada. O estilo é descrito como uma combinação feliz de vigor rítmico e sensibilidade lírica, sem recorrer a exageros ou efeitos que possam cansar em audições repetidas. Este Volume 15 – “La Reine” é um triunfo. Ele captura a essência do que torna a música de Haydn tão especial: a capacidade de ser ao mesmo tempo previsível e surpreendente, elegante e robusta, cheia de humor e profunda emoção. Com uma combinação inteligente de obras conhecidas e injustamente negligenciadas, com performances que respiram vitalidade e inteligência musical, este disco é um presente para os amantes de Haydn e um testemunho da importância de se ter um projeto de integrais bem planejado e executado.

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 85, 62 e 50 (Kammerorchester Basel, Antonini)

Symphony No.85 In B Flat Major, Hob. I:85 ‘La Reine’
1 I. Adagio – Vivace 10:51
2 II. Romance. Allegretto 6:55
3 III. Menuet. Allegretto – Trio 3:18
4 IV. Finale. Presto 3:18

Symphony No.62 In D Major, Hob. I:62
5 I. Allegro 7:39
6 II. Allegretto 5:41
7 III. Menuet. Allegretto – Trio 2:19
8 IV. Finale. Allegro 7:57

Symphony No.50 In C Major, Hob. I:50
9 I. Adagio E Maestoso – Allegro Di Molto 4:42
10 II. Andante Moderato 4:38
11 III. Menuet – Trio 3:40
12 IV. Finale. Presto 5:23

Conductor – Giovanni Antonini
Orchestra – Kammerorchester Basel

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PQP

Haydn (1732 – 1809) – Rachmaninov (1873 – 1943) – Prokofiev (1891 – 1953) – Peças para Piano – Lukáš Vondráček – [TwoPianists] ֎

Haydn (1732 – 1809) – Rachmaninov (1873 – 1943) – Prokofiev (1891 – 1953) – Peças para Piano – Lukáš Vondráček – [TwoPianists] ֎
A musicalidade natural e segura de Lukáš Vondráček, aliada a uma técnica notável, há muito o destacam como um músico talentoso e maduro. 
Lukáš olhando a capa do disco de estreia e achando linda!

Após uma semana ouvindo canções napolitanas (e adorando isso) dei com meus costados neste disco que achei maravilhoso, refrescante, cheio de vigor e verve.

O pianista checo Lukáš Vondráček já nos brindou com uma ótima integral dos concertos para piano de Rachmaninov, que você pode desfrutar clicando aqui, numa ancestral postagem da coluna Dose Dupla – Dois pelo preço de um.

O disco desta postagem é mais antigo do que a gravação dos concertos, é o primeiro disco ‘comercial’ do moço. O repertório é de largo espectro, como convém para o primeiro projeto de um jovem talentoso artista. Começa com uma clássica sonata de Haydn com suas melhores características evidenciadas – humor memorável, ritmos marcantes e temas adoráveis. Em seguida, quase 20 minutos de romantismo tardio lançando um olhar sobre um tema marcante na história da música – La Folia – na peça Variações sobre um tema de Corelli, de Rachmaninov. Para terminar, um banho de modernidade, a espetacular Sonata No. 7, de Prokofiev, uma das Três Sonatas da Guerra.

Eu ouvi o disco umas três vezes de enfiada e continuo voltando a ele, especialmente pelas sonatas. Ah, mas o tema de Corelli também é muito bonito.

Franz Joseph Haydn (1732-1809)

Sonata in C major, Hob. XVI:50

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro molto

Sergei Rachmaninoff (1873-1943)

Variations on a Theme by Corelli, Op. 42

  1. Variations

Sergei Prokofiev (1891-1953)

Sonata No. 7, Op. 83

  1. Allegro inquieto
  2. Andante caloroso
  3. Precipitato

Lukáš Vondráček, piano

Recorded at: Endler Hall, StellenboschUniversity, South Africa, 29 – 30/09/2012
Produced by: Luis Magalhães
Balance engineer: Gerhard Roux

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 146 MB

Lukáš Vondráček

TwoPianists Records is delighted to introduce Lukáš in his first major solo disc. […] What appealed to us about his playing is Lukáš’ immense musical personality – untamed, fresh, individual and above all, effortless. In an industry filled with talent, Lukáš Vondráček is most certainly a name to watch!

Czech pianist Lukáš Vondráček’s album featuring Haydn, Rachmaninov, and Prokofiev showcases his immense, untamed musical personality. Critics praise his effortless technique, where he balances volatile, thunderous power in Rachmaninov and Prokofiev with a rare, crystalline clarity and imagination in Haydn’s classical structures.

Enjoy!

Aproveite!

René Denon

O álbum pode ser ouvido na plataforma Tidal

Iannis Xenákis (1922-2001): Phlegra / Jalons / Keren / Nomos / Alpha / Thalleïn (Pierre Boulez, Michel Tabachnik)

Não é um CD para todos. É de 1992 e eu acho lindo! Este álbum com o Ensemble InterContemporain sob a direção de Pierre Boulez e Michel Tabachnik, é uma das portas de entrada para o universo de Iannis Xenákis. Reunindo obras compostas entre 1965 e 1986, o disco apresenta um compositor que pensa a música como arquitetura sonora: massas de som em movimento, explosões de energia e texturas de uma força quase física. Esta gravação continua sendo indispensável para quem ouve a música quase contemporânea… Mais do que desafiar o ouvinte, Xenákis o coloca dentro de uma experiência sonora radical, em que a percepção é constantemente testada e renovada. Nestas interpretações precisas e intensamente comprometidas, Boulez e Tabachnik revelam não apenas a violência e a complexidade dessa música, mas também sua surpreendente beleza. Convém evitar os dois extremos: o entusiasmo vazio (“Uau, música revolucionária!”) e o tecnicismo excessivo. Ela sugere algo essencial sobre sua obra: por trás da matemática, da arquitetura e da violência sonora, há uma busca genuína pela beleza — uma beleza diferente da de Debussy ou Mahler, mas nem por isso menos intensa.

Iannis Xenákis (1922-2001): Phlegra / Jalons / Keren / Nomos / Alpha / Thalleïn (Pierre Boulez, Michel Tabachnik)

1 Phlegra 13:15
2 Jalons 14:30
3 Keren
Trombone – Benny Sluchin
6:33
4 Nomos Alpha
Cello – Pierre Strauch
12:31
5 Thalleïn 17:22

Bass Clarinet – Guy Arnaud (tracks: 1 to 2)
Bassoon – Pascal Gallois (tracks: 1, 2, 5)
Cello – Pierre Strauch (tracks: 1, 2, 5)
Clarinet – Alain Damiens (tracks: 1), André Trouttet (tracks: 2, 5)
Composed By, Recording Supervisor – Iannis Xenákis
Conductor – Michel Tabachnik (tracks: 1, 5), Pierre Boulez (tracks: 2)
Double Bass – Axel Bouchaux (tracks: 1, 2, 5), Frédéric Stochl (tracks: 1, 2, 5)
Ensemble – Ensemble Intercontemporain (tracks: 1, 2, 5)
Flute – Emmanuelle Ophèle (tracks: 1), Laszlo Hadady (tracks: 1, 5), Sophie Cherrier (tracks: 2, 5)
Harp – Marie-Claire Jamet (tracks: 2)
Horn – Jacques Deleplancque (tracks: 1 to 2), Jens McManama (tracks: 5)
Oboe – Didier Pateau (tracks: 2)
Percussion – Daniel Ciampolini (tracks: 5), Vincent Bauer (tracks: 5)
Piano – Alain Neveux (tracks: 5)
Trombone – Benny Sluchin (tracks: 1, 2, 5), Jérôme Naulais (tracks: 1, 2, 5)
Trumpet – Antoine Cure (tracks: 1), Jean-Jacques Gaudon (tracks: 2, 5)
Tuba – Gérard Buquet (tracks: 2)
Viola – Garth Knox (tracks: 2, 5), Jean Sulem (tracks: 1)
Violin – Jacques Ghestem (tracks: 2, 5), Jeanne Marie Conquer (tracks: 1), Maryvonne Le Dizes (tracks: 2, 5)

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Em janeiro de 1945, Xenákis foi atingido por um obus, perdendo um olho.

PQP

Corrette / La Garde / Marais / De Grandval / Courbois: Dom Quichotte – Cantates & Concertos Comiques (Visse, Café Zimmermann)

Este CD do Café Zimmermann com o contratenor Dominique Visse, é uma deliciosa incursão por um lado menos conhecido do barroco francês: o da sátira, da paródia e do humor musical. O programa reúne cantatas e concertos cômicos de compositores hoje pouco frequentados, mas que revelam um século XVIII espirituoso e surpreendentemente irreverente. o barroco também sabia rir de si mesmo. Não é um imperdível, mas eu me diverti com ele. O Marais é maravilhoso, assim como o La Garde. O Café Zimmermann, liderado pelo argentino Pablo Valetti é um grupo muito foda.

Corrette / La Garde / De Grandval / Marais / Courbois: Dom Quichotte – Cantates & concertos comiques (Visse, Café Zimmermann)

Concerto Comique V ‘La Femme Est Un Grand Embarras’
Composed By – Michel Corrette
1 Allegro 2:09
2 Adagio 1:57
3 Allegro 1:48

Cantate ‘La Sonate’
Composed By – Pierre de La Garde
4 – 5:03
5 N’Admirés Vous Pas Ce Tableau… 2:44
6 Ainsi Par Des Sons Tout S’Exprime… 3:21

7 La Sonnerie De Ste Geneviève Du Mont De Paris
Composed By – Marin Marais
7:10

Cantate ‘La Matrone D’Ephèse’
Composed By – Nicolas Racot De Grandval
8 – 3:24
9 Un Autre Mort En Grand Silence… 6:03
10 Vous Êtes Mon Vainqueur… 4:58
11 Qu’Entends-je !… 3:51

Concerto Comique XXIV ‘La Marche Du Huron’
Composed By – Michel Corrette
12 Allegro 3:09
13 Amorozo 2:08
14 Allegro 1:56

Cantate ‘Dom Quichotte’
Composed By – Philippe Courbois
15 – 3:08
16 Air : Loin Des Yeux Qui M’Ont Fait Captif 3:41
17 Signalons Sur Ces Monts 5:43
18 Le Fameux Chevalier À La Triste Figure 3:43

Countertenor Vocals – Dominique Visse (tracks: 4 to 11, 15 to 18)
Ensemble – Café Zimmermann
Flute – Diana Baroni
Harpsichord, Organ – Céline Frisch
Lute, Guitar [Baroque Guitar] – Eric Bellocq
Other [Thank You] – Reiko Arai
Viola da Gamba – Guido Balestracci
Violin – David Plantier
Violin, Concertmaster – Pablo Valetti
Violoncello – Petr Skalka

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PQP

.: interlúdio :. Serenata a Napoli (Pene Pati) & O Sole Mio (José Carreras) – [Dose Dupla] ֎֎

.: interlúdio :. Serenata a Napoli (Pene Pati) & O Sole Mio (José Carreras) – [Dose Dupla] ֎֎

Que coisa linda é um dia de sol!
O ar puro depois da tempestade,
O ar fresco parece já uma festa…
Que coisa linda é um dia de sol!

Que país europeu melhor inspiraria algum de seus poetas a escrever versos como estes que não fosse a Itália? Lembremo-nos da Sinfonia Italiana, de Mendelssohn. Há alguma sinfonia ainda mais ensolarada do que ela?

Pois na Itália há lugares lindos, como a região de Nápoles, com sua cidade entre o mar e o vulcão. Suas belezas inspiram seus habitantes há muitos séculos. Com uma cultura riquíssima, gastronomia e música entre elas, é certamente um lugar para se conhecer. Ainda não deu tempo de ir? Então, não deixe de ler o livro de Susan Sontag – O Amante do Vulcão –, e de ouvir as canções da postagem.

Primeira edição da coluna ‘Dois Pelo Preço de Um – Dose Dupla’ do tipo .: interlúdio :. , com dois álbuns contrastantes, mas sobre o mesmo tema e, em algum sentido, complementares.

Carmine no Borello

Você pode estar se perguntando: como esse cara foi dar com seus costados em tais paragens? Pois bem, eu explico: perto de onde moro há um restaurante que serve comida italiana e em algumas noites da semana, terças e quintas-feiras, por exemplo, há música ao vivo. Tudo por conta de um simpaticíssimo chef-cantor, o Carmine. Nas quintas ele é acompanhado pelo maestro pianista que também o persegue levando o acordeão quando o tenor sai brindando algumas das mesas com uma canção específica, seja por um pedido especial, seja por ter aparecido algum comensal em dia de aniversário, e o contrabaixista, que dá deveras profundidade à música que eles produzem com clara cumplicidade e alegria. Canções napolitanas fazem parte forte do repertório e aprendi rápido que há algumas pérolas que brilham mesmo quando a interpretação não é perfeita, contanto que venha do coração. Marechiaro é uma delas, assim como a animada Funiculì, funiculà, você certamente já a ouviu por aí. Cada frequentador do restaurante que aparece mais de uma vez começa a desenvolver uma predileção por esta ou aquela. Eu adorei ‘O surdato ‘nnamurato. Foi assim que comecei a ouvir essas ‘canções napuletanas’ também fora do restaurante.

Este tipo de música popular tem raízes bem antigas nesta região de Nápoles e floresceu com muita força no fim do século XIX e início do século XX, com verdadeiros hits, tais como O sole mio, Torna a Surriento e o já mencionado hino aos bondinhos do vulcão, o Funiculì, funiculà, todas aí nos dois discos da postagem. O gênero é popular, mas sempre atraiu os grandes cantores de óperas – os tenores famosos –, desde Enrico Caruso, Tito Schipa, Mario Lanza, Giuseppe Di Stefano e Franco Corelli. É uma grande oportunidade para o cantor aproximar-se de um público que nem sempre está inclinado a ouvir música erudita. Os temas, como é de esperar, são de grande apelo: amores interrompidos, dores de cotovelo, saudades de algum lugar especial…

Eu escolhi dois álbuns que estão recheados de sucessos e, ao mesmo tempo, oferecem perspectivas diferentes destas tais ‘canções napuletanas’. O disco do Pene Pati – Serenata a Napoli – eu achei lindo e é bem recente. Ele tem uma voz muito bonita e a usa com leveza e suavidade. Além disso, o acompanhamento é primoroso, colocado ao encargo do grupo Il Pomo d’Oro, sob a liderança do guitarrista Antonello Paliotti, que nasceu em Nápoles. Além das canções, você ouvirá alguns números instrumentais.

Para uma perspectiva mais próxima da ópera, temos o disco do tenor José Carreras, gravado já há um bom tempo. Carreras é um dos vértices do famoso triângulo dos tenores, os outros dois, Pavarotti e Plácido Domingo. Eles também gravaram discos no gênero, mas eu me sinto mais à vontade com a abordagem do José. Ah, ia me esquecendo, no disco do Carreras o acompanhamento é da English Chamber Orchestra, aquela a que recorríamos para segurança da música barroca, antes do movimento dos instrumentos e práticas de época.

Para saber mais detalhes sobre as canções, seus compositores e letristas, busquei bastante e achei muito boa a página criada por Natalia Chernega, que você pode acessar aqui.

Nesta mencionada página há gravações antigas das canções lá mencionadas. Acabei assim montando um arquivo para cada disco, com gravações alternativas, são assim uma versão ‘genérica’ dos discos, completados por uma ou duas outras gravações que busquei no Youtube. A qualidade do som não chega a atender os requisitos do selo PQP Bach-Iso de Qualidade, mas a diversão é certamente garantida, com algumas boas surpresas.

Uma delas é o cantor Roberto Murolo, que canta a versão genérica da canção Marechiaro, uma pérola. Roberto é filho de um poeta, Ernesto Murolo, que escreveu letras de muitas canções napolitanas. Creio que ele merece uma postagem própria, mas primeiro vamos de Pati e Carreras.

Quais são as canções que eu gostei mais, que Carmine e eu recomendaríamos sem dúvida, aquelas que grudaram por mais tempo nos meus ouvidos?

Pois bem, ‘O surdato ‘nnamurato é minha mais preferida, ela grudou mesmo, especialmente o pedacinho em que se canta

Oje vita, oje vita mia!

Oje core ‘e chistu core!

Sì stata ‘o primmo ammore

E ‘o primmo e ll’urdemo sarraje pe’ mme!

A canção foi composta em 1915, durante a Primeira Grande Guerra e dá para entender o tema a partir daí.

Mas, Maria, Marì, Era di Maggio e ‘A vucchella são também belíssimas. Maggio, como você deve adivinhar, é o mês de Maio, que no Norte é o mês da Primavera. Lembram do lindo Lied de Schumann, Im wunderschönen Monat Mai?

Vucchella, vocês sabem o que é? Eu meio que custei a descobrir… Vucca significa boca no dialeto napolitano e vucchella significa boquinha, assim como no Português a terminação faz o diminutivo. Aliás, ouvindo o Roberto Murolo cantar me fez lembrar da nossa língua, de vez em quando.

Falando nisso, não deixe de ouvir a canção Marechiaro, outra que eu ouço sem cançar. Core ‘ngrato é bonita, começa com o cara dizendo o nome da moça: Catarì, Catarì… e Dicitencello vuie chegou a aparecer no álbum da Zizi Possi, que canta lá umas coisas bem bonitas, ainda vou passar algum tempo ouvindo a moça.

Assim, você poderá também explorar e descobrir um pouco dessa arte tão popular, mas também bem próxima do canto lírico.

‍Eduardo Di Capua‍ / Giovanni Capurro

  1. O sole mio‍

Paolo Costa ‍(Pasquale Mario Costa) / Salvatore Di Giacomo

  1. Napulitanata

Eduardo Di Capua‍ / Vincenzo Russo

  1. Maria, Marì‍

Antonello Paliotti‍

  1. Variazioni sul Basso di Tarantella: I. Preludio
  2. Variazioni sul Basso di Tarantella: II. Variazioni‍‍

‍Paolo Costa ‍(Pasquale Mario Costa) / Salvatore Di Giacomo

  1. Era di maggio

‍Francesco Paolo Tosti‍ / Gabriele D’Annunzio

  1. A vucchella

Antonello Paliotti‍

  1. Inquietudine‍

Enrico Cannio / Aniello Califano‍

  1. O surdato ‘nnammurato‍

Francesco Buongiovanni‍ / Aniello Califano

  1. Mandulinata a mare‍

Paolo Costa ‍(Pasquale Mario Costa) / Salvatore Di Giacomo

  1. Serenata Napoletana‍

Antonello Paliotti‍

  1. Romance‍

Salvatore Gambardella‍ / Gennaro Ottaviano

  1. ‘O marenariello‍

Francesco Paolo Tosti‍

  1. Marechiaro‍

Gaetano Lama / Libero Bovio

  1. Silenzio Cantatore

Antonello Paliotti‍

  1. Tarantella storta

Gaetano Lama / Libero Bovio

  1. Reginella‍‍

Francesco Buongiovanni / Salvatore Di Giacomo

  1. ‍Palomma ‘e notte‍

Ermes Alessandro Mario‍

  1. Canzone appassiunata‍

Antonello Paliotti‍

  1. Fronna e Ballo del Pomo d’Oro: I. Fronna d’o limone
  2. Fronna e Ballo del Pomo d’Oro: II. Ballo‍

Eduardo Di Capua‍ / Vincenzo Russo

  1. I te vurria vasà‍

Luigi Denza‍ / Giuseppe Turco

  1. Funiculì, funiculà

Pene Pati

Il pomo d’oro

Antonello Paliotti

Giulio d’Alessio

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MP3 | 320 KBPS | 168 MB

Arquivo Genérico do disco

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Luigi Denza / Giuseppe Turco

  1. FuniculÌ, funiculà

Salvatore Cardillo / Riccardo Cordiferro

  1. Core ‘ngrato

Vincenzo D’Annibale / Libero Bovio

  1. ‘O paese d’o sole

Rodolfo Falvo / Enzo Fusco

  1. Dicitencello vuie

Gaetana Lama / Libero Bovio

  1. Silenzio cantatore

Ermes Alessandro Mario

  1. Santa Lucia luntana

Ernesto Di Curtis / Libero Bovio

  1. Tu, ca nun chiagne!

Eduardo di Capua / Giovanni Capurro

  1. ‘O sole mio

Eduardo Di Capua‍ / Vincenzo Russo

  1. I’ te vurria vasà

Ernesto Tagliaferri, Nicola Valente / Libero Bovio

  1. Passione

Giuseppe Cioffi / Gigi Pisano

  1. Na sera ‘e maggio

Enrico Cannio / Annielo Califano

  1. ‘O Surdato ‘nnamurato

Ernesto de Curtis / Giambattista de Curtis

  1. Torna a Surriento

José Carreras

English Chamber Orchestra

Edoardo Müller

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MP3 | 320 KBPS | 100 MB

Arquivo Genérico do disco

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MP3 | 320 KBPS | 83 MB

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A voz de tenor brilhante de Pene Pati, descrita pelo Le Monde como “cheia de luz solar”, faz dele o intérprete ideal para papéis como Rodolfo em La bohème e o Duque de Mântua em Rigoletto. Agora, com Serenata a Napoli, ele traz seu calor singular para outra forma de arte tipicamente italiana: a canção napolitana. Além de grandes sucessos como “O sole mio” e “Funiculì funiculà”, a era de ouro da canzone napoletana (1880-1930) produziu abundantes expressões líricas de paixão, melancolia e alegria. Evocando uma autêntica atmosfera napolitana, Pene Pati é acompanhado por oito instrumentistas do Il Pomo d’Oro, liderados pelo guitarrista napolitano Antonello Paliotti, que tocam instrumentos de corda friccionada, dedilhada e percussão – e castanholas.

“Abordei essas canções da mesma forma que abordaria as canções tradicionais da minha própria herança samoana”, diz Pene Pati. “Sejam de Samoa ou de Nápoles, canções como essas sempre contam uma história – falam de amor, família, da sua terra natal… Não se tratava apenas de escolher as peças mais populares, mas sim de encontrar as canções que evocam as memórias e conexões mais profundas. Também quis prestar muita atenção a cada detalhe em relação ao povo napolitano – o sotaque, a atmosfera, as emoções – queria tentar fazê-los acreditar que eu era napolitano… Trabalhei em estreita colaboração com o Il Pomo d’Oro, ouvindo as letras, as histórias dos napolitanos e, a partir daí, moldando a minha própria compreensão.”

José Carreras traz seu calor lírico característico, interpretação apaixonada e fraseado delicado para canções napolitanas e italianas. Críticos e fãs elogiam sua narrativa emotiva em clássicos como “Core ‘ngrato” e “Torna a Surriento”, embora os puristas observem que seu estilo operístico, inerentemente vigoroso, por vezes carece das nuances mais leves e idiomáticas dos cantores nativos.

Aproveite! Aproveite!

René Denon

PS: Nas listas com os créditos dos discos, os nomes estão colocados aos pares: Compositor / Letrista. As eventuais fotos são sempre do compositor.

Felix Mendelssohn (1809-1847): Concerto para Piano e Cordas em lá menor / Concerto para Violino, Piano e Cordas em ré menor (Staier, Kussmaul, Concerto Köln)

Felix Mendelssohn (1809-1847): Concerto para Piano e Cordas em lá menor / Concerto para Violino, Piano e Cordas em ré menor (Staier, Kussmaul, Concerto Köln)

Felix Mendelssohn foi um dos mais espantosos prodígios da história da música. Se Mozart impressionava aos cinco anos, Mendelssohn, aos 13, já compunha obras de uma complexidade e frescor que desmentiam sua idade. Este CD, com o trio Andreas Staier (fortepiano), Rainer Kussmaul (violino) e o Concerto Köln, oferece um mergulho fascinante nesse universo, capturando a energia bruta e a elegância em formação do compositor. A grande sacada deste disco é o uso de instrumentos de época e uma orquestra de câmara reduzida. Afinal, estas obras foram concebidas para serem ouvidas nos salões da família Mendelssohn, não em grandes salas de concerto. O Concerto Köln respeita essa origem intimista, utilizando, em certos momentos, apenas um instrumento por parte. Acho a abordagem do Concerto Köln ácida até mesmo para os padrões de instrumentos de época, tornando os tutti orquestrais (especialmente nos movimentos lentos) uma experiência um tanto estranha. Em vez de um tapete aveludado, o acompanhamento é pontiagudo — uma escolha que prioriza a clareza rítmica e a energia juvenil sobre a doçura. Se a orquestra é agressiva, os solistas são a alma poética do disco. Andreas Staier, craque na arte da performance historicamente informada, toca um fortepiano Fritz de 1825. O som do instrumento é muito diferente do piano de concerto moderno: tem menor projeção e ataque mais seco. Isso explica por que Mendelssohn escreveu tantas passagens em arpejos e escalas — era a forma de fazer o som aparecer. Staier navega com virtuosismo por essas águas, mas é no Concerto Duplo que a dinâmica fica mais interessante. O grande destaque, contudo, é o violinista Rainer Kussmaul. Ele toca com uma rara pureza, usando o vibrato de forma contida. Enquanto o piano de Staier muitas vezes se perde em meio à escrita juvenil (cheia de notas, mas nem sempre melódica), o violino de Kussmaul canta com uma doçura lírica que prende a atenção. Há um diálogo interessante no Concerto Duplo: Kussmaul puxa a emoção, enquanto Staier (que também rege a orquestra a partir do teclado) sustenta a estrutura. Este CD não é para quem busca uma audição relaxante ou uma entrada fácil no mundo de Mendelssohn. A abordagem do Concerto Köln é ríspida e vibrante, o que pode incomodar tanto quanto impressiona. No entanto, para os aficionados por música de época e para quem se interessa pelo processo criativo dos grandes compositores, este é um documento precioso. Andreas Staier e Rainer Kussmaul são guias excepcionais, mostrando como estas obras “menores” já continham as sementes do gigante romântico. A experiência é a de olhar um esboço de Leonardo da Vinci: não é a Mona Lisa, mas a genialidade do traço é inconfundível.

Felix Mendelssohn (1809-1847): Concerto para Piano e Cordas em lá menor / Concerto para Violino, Piano e Cordas em ré menor (Staier, Kussmaul, Concerto Köln)

Concerto For Piano And Strings In A Minor
1 Allegro 15:13
2 Adagio 9:11
3 Finale: Allegro Ma Non Troppo 10:16

Concerto For Violin, Piano And Strings In D Minor
4 Allegro 17:59
5 Adagio 10:03
6 Allegro Molto 8:40

Fortepiano – Andreas Staier
Violin – Rainer Kussmaul
Ensemble – Concerto Köln

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Mendelssohn sem pente.

PQP

Robert Schumann (1810-1856): Carnaval op. 9, Etudes symphoniques op. 13, Kreisleriana op. 16 (Géza Anda, piano)

Nessas gravações da década de 1950, Géza Anda mostra grande afinidade com as alterações bruscas de humor nesses três ciclos de Schumann.
Os Estudos Sinfônicos (Études symphoniques, Sinfonischen Etüden) seguem a forma “Tema e Variações”, bem conhecida dos ouvintes de J.S. Bach e Beethoven. Em uma edição revisada no fim de sua vida, Schumann mudou o nome da obra para Estudos em forma de variações, mas este segundo nome não pegou. A obra contém algumas das passagens mais difíceis da pena do compositor alemão, e faz parte do repertório de outros pianistas especialistas em Schumann, como Novaes (aqui), Richter e Arrau, mas para mim os grandes destaques do álbum são os outros dois ciclos.
No Carnaval, Schumann também faz variações sobre quatro notas: Lá Mi bemol, Dó e Si, o que na notação alemã corresponde a A S C H – letras que aparecem no seu sobrenome, assim como na palavra alemã para carnaval, entre outros possíveis criptogramas. O fato é que cada movimento vai se apresentando com um caráter muito próprio, de modo que rapidamente o aspecto mais intelectual das variações é esquecido e a apreciação musical, digamos, torna-se mais romântica e menos racional.
Na Kreisleriana, assim como no Carnaval, os movimentos vão se alternando de forma mais imprevisível do que nos Estudos. Os temas que reaparecem são fluidos e vagos como memórias do passado, nunca rígidos e idênticos à sua aparição anterior. Schumann, aqui, se situa entre a forma miniatura (usada, por exemplo, nos Noturnos e Mazurkas de Chopin, Impromptus de Schubert e Bagatelas de Beethoven) e as formas mais amplas, porque cada momento tem sua lógica interna de miniatura e, ao mesmo tempo, a publicação do ciclo como um conjunto dá aos pianistas uma certa obrigação de tocar tudo junto, o que (antes da era dos LPs e CDs) nunca tinha sido o caso com os Noturnos e Mazurkas e Chopin, publicados separados ao longo de décadas. O dicionário Grove de 1980 fala o seguinte sobre as formas cíclicas: o termo “cíclico” descreve as obras em que ocorrem ligações temáticas entre diferentes movimentos. Exemplos podem ser encontrados em obras instrumentais do século 17, e em diversas obras sacras, como a Missa em Si Menor de Bach. Mas os exemplos são raros no século 18. Beethoven e Berlioz estabeleceram as fundações sobre as quais Mendelssohn, Schumann, Liszt e Franck elevariam princípios cíclicos a grande importância, estabelecendo uma coesão em obras com múltiplos movimentos.

Robert Schumann (1810-1856):
1-21. Carnaval, op. 9
22-36. Etudes symphoniques, op. 13
37-46. Kreisleriana, op. 16
Géza Anda, piano
Recorded in Abbey Road, London, 1953 & 1955

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Pleyel

Handel (1685 – 1759) & Vivaldi (1678 – 1741): Concertos Grossi, Op. 6, Nos. 5 e 9 & Estro Armonico, Op. 3, Concerti Nos. 8 e 11 – Ars Combinatoria & Canco López – [Dose Dupla] ֎֎

Handel (1685 – 1759) & Vivaldi (1678 – 1741): Concertos Grossi, Op. 6, Nos. 5 e 9 & Estro Armonico, Op. 3, Concerti Nos. 8 e 11 – Ars Combinatoria & Canco López – [Dose Dupla] ֎֎
“A música barroca é uma celebração da beleza e da diversidade da experiência humana.”
[William Christie]

Para esta edição da coluna ‘Dois Pelo Preço de Um – Dose Dupla’, escolhi dois álbuns de um conjunto musical espanhol que bastante me impressionou, o Ars Combinatoria, orquestra e coro. Se bem que nos discos ouviremos apenas a orquestra.

Esse grupo surgiu em 1991 com o intuito de interpretar música polifônica espanhola do Século XVI, cantigas medievais e interpretar música de Bach, como conta a página do grupo, que você pode acessar clicando aqui.

Nestes dois discos estão reunidos apenas quatro concertos – dois de Handel, do opus 6, e dois de Vivaldi, do Estro Armonico. Acreditem, pouco tempo de música, mas muita qualidade.

Os dois concertos de Handel têm a adequada gravidade (gravitas), pomposidade, ajudada pela acústica do local de gravação (dos dois discos), o Mosteiro de Madalena, Sarria, na Galícia (no Caminho de Santiago).

Os dois concertos de Vivaldi, Nos. 8 e 11 (que tem uma fuga no seu primeiro movimento) e devem ter impressionado o padroeiro do blog, Sr. João Sebastião Ribeiro, quando este ainda jovem entrou em contato com a obra do Padre Vermelho. Tanto que fez transcrições para instrumentos de teclas de cinco deles, incluindo estes dois. Veja referências: [Rinaldo Alessandrini], [Simon Preston] ou [Keiko Nakata].

Como sugeriu WC em sua citação, vamos celebrar a experiência humana, pelo menos as positivas, ouvindo ótima música barroca!

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Concerto grosso Op. 6 nº 5 em sol maior, HWV 323

  1. Ouverture-Allegro
  2. Presto
  3. Largo
  4. Allegro
  5. Minuetto

Concerto grosso Op. 6 nº 9 em fá maior, HWV 327

  1. Largo
  2. Allegro
  3. Larghetto
  4. Allegro
  5. Minuetto
  6. Giga

Elsa Ferrer & Liz Moore, violinos

María Saturno, violoncelo

Ars Combinatoria

Canco López

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Ars Combinatoria dando um role no Caminho de Santiago

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Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Concerto em lá menor para dois violinos e cordas, RV 522 (L’Estro Armonico, Op. 3, No. 8)

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro

Concerto em ré menor para dois violinos, violoncelo e cordas, RV 565 (L’Estro Armonico, Op. 3, No. 11)

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Elsa Ferrer & Liz Moore, violinos

María Saturno, violoncelo

Ars Combinatoria

Canco López

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Trecho da página da gravadora sobre o disco de Handel: Estes concertos destacam-se pela energia e contrastes dinâmicos. O seu carácter festivo e luminoso alternado com melodias doces refletem a capacidade de Handel em combinar técnica e expressão.

Trecho da página da gravadora sobre o disco de VivaldiArs combinatoria escolhe os mesmos concertos que Johann Sebastian Bach escolheu para fazer as famosas transcrições de órgão, estes No. 8 em lá menor (BWV 593) e No. 11 em Ré menor (BWV 596).

Aproveite! Aproveite!

René Denon

Canco aproveitando o conforto das poltronas do Great Hall do PQP Bach Coo. em Gravataí

F. Mompou (1893-1987): Canciones y danzas / A. Ginastera (1916-1983): Doce preludios americanos (Reyes, piano)

Belíssimo disco do pianista cubano, por um selo francês, tocando peças de um catalão e de um argentino. Entre outras semelhanças, ambos os compositores passarem parte de sua vida no exílio (Mompou em Paris, Ginastera em Genebra) quando seus países de origem eram governados por ditaduras militares. O libreto do CD diz o seguinte:

Mompou compôs suas doze Canções e Danças entre 1918 e 1962 (para sermos mais exatos, ele escreveu uma 13ª, para violão, em 1960, e uma 14ª, para piano, em 1980). De todas suas composições – pouco numerosas e essencialmente dedicadas ao piano e à voz – as Canções e Danças são as únicas a se inspirarem em melodias populares catalãs. Mas, para além da homenagem a sua terra e da evocação de suas cores e perfumes, Mompou evita todo artifício, todo kitsch de cartão postal ou efeito pitoresco.

Formalmente, Mompou teve uma ideia brilhante ao associar a cada canção, com andamento mais lento, uma dança de ritmo mais acelerado, sempre buscando formar uma dupla coerente. Uma certa nostalgia aparece nessas obras e, como a maioria delas foi escrita quando Mompou residia em Paris, entre as duas Guerras Mundiais, não é abdurda a comparação com as Mazurkas que Chopin escreveu, também em Paris, pensando na sua Polônia natal. Não seria, aliás, o único ponto em comum entre os dois músicos, que se interessaram igualmente pelo estudo dos mistérios da escrita pianística e da disposição dos acordes na partitura, ao ponto que o pianista Ferdinand Motte-Lacroix (1882-1955) não hesitou em chamar Federico Mompou de “Frédéric II”.

Apesar da distância temporal entre a 1ª e a 12ª peça, o ciclo apresenta uma homogeneidade notável: desde suas primeiras obras, Mompou soube encontrar seu estilo. Ele inventou um sistema harmônico pessoal, nem verdadeiramente consonante, nem brutalmente dissonante, temperando a escrita mais tradicional com algumas notas aberrantes, estrangeiras aos acordes usuais, e com uma atenção particular às ressonâncias.

Por seu lado, Ginastera compôs seus Prelúdios americanos em 1944: nessas peças, também doze, encontra-se uma síntese de toda sua arte. Apesar das divergências de estilo (Ginastera parece mais pitoresco, barulhento e rude, Mompou mais sonhador e mais suave), diversas ligações existem entre as duas faces deste programa.
(traduzido do texto do encarte: Jérôme Bartianelli, 2017)

A partir daqui eu continuo a comparação de Mompou com Chopin. Com exceção dos dois Concertos do polonês, as obras de ambos são feitas para serem tocadas em salas na escala de dez, vinte, trinta pessoas. Não é música grandiosa como boa parte da música de concerto europeia dos séculos XIX e XX. Na Paris dos anos 1830 e 1840, Chopin vivia cercado de adoradores de Beethoven, como por exemplo o compositor Berlioz e o escritor Balzac, para citar apenas dois fãs de carteirinha do alemão então recém-falecido. O pintor Delacroix, em carta a um amigo em 1842, relatava um momento na casa da escritora George Sand e comparava Balzac “que não veio, e não lamento. Ele é um falador barulhento” e Chopin: “de quem gosto muito e que é um homem de rara distinção.”

Note-se, então, que Chopin colocava-se na minoria quando tinha como grandes mestres do passado Mozart e Bach. Naquela época, toda a Europa descobria com espanto a grandeza de Beethoven, as cidades construíam grandes salas de concerto e as orquestras sinfônicas iam aumentando os naipes de cordas e sopros… nada disso com a admiração do introspectivo Chopin. Essa rara distinção, citada por Delacroix, lembra um pouco o gosto musical de Federico Mompou: sonoridades e acordes cuidadosamente escolhidos, jamais banais, mas ao mesmo tempo menos vanguardistas do que a dodecafonia dos discípulos de Schoenberg nos anos 1940 a 1960 ou os experimentos eletroacústicos nos anos 1960 a 70.

1 – 6. Federico Mompou:
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 1. Quasi moderato – Allegro non troppo
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 2 Lento – Molt amable
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 5 Lento litúrgico – Senza rigore. Ritmado
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 6 Cantabile epressivo – Ritmado
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 8. Moderato cantabile con sentimento – Danza
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 10. Larghetto molto cantabile – Amabile

7 – 18. Alberto Ginastera:
Doce americanos preludios, Op. 12
I. Para los accentos. Vivace
II. Triste. Lento
III. Danza criolla. Rustico
IV. Vidala. Adagio
V. En el primer modo pentáfono menor. Andante
VI. Homenaje a Roberto Garcia Morillo. Presto
VII. Para las octavas. Allegro molto
VIII. Homenaje a Juan José Castro. Tempo di Tango
IX. Homenaje a Aaron Copland. Prestissimo
X. Pastoral. Lento
XI. Homenaje a Heitor Villa-Lobos. Vivace
XII. En el primer modo pentáfono mayor. Lento

19 – 24. Federico Mompou:
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 3. Modéré – Sardana
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 4. Moderato – Viv
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 7. Lento – Danza
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 9. Cantabile espressivo – Allegro
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 11. Lent et majestueux. Allegro moderato – Grazioso
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 12. Molto cantabile – Danza

25-26: Gabriel Urgell Reyes:
Piezas Familiares
II. Aqui contigo (Très intime et expressif)
III. Más de ti

Gabriel Urgell Reyes, piano
Recorded: 2014, 2016

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Federico Mompou

Pleyel