Este é outro disco imperdível desta compositora polonesa muito pouco conhecida no Brasil. Uma injustiça. São obras realmente consistentes trazidas pela gravadora Chandos que acertou em cheio ao escalar a também polonesa Joanna Kurkowicz. O sétimo concerto é maravilhoso e mostra uma compositora — Bacewicz era também violinista — absolutamente segura. Os dois dois concertos também são bons, mas tão modernos quanto o sétimo.
Grażyna Bacewicz (1909-1969): Concertos para Violino Nº 1, 3 e 7 (Kurkowicz, Borowicz)
Violin Concerto No. 7
1) I. Tempo di mutabile
2) II. Largo
3) III. Allegro
Violin Concerto No. 3
4) I. Allegro molto moderato
5) II. Andante
6) III. Vivo
Violin Concerto No. 1
7) I. Allegro
8) II. Andante (molto espressivo)
9) III. Vivace
Joanna Kurkowicz, violin
Polish Radio Symphony Orchestra
Lukasz Borowicz
The Dialogue Between Bach and God: The Goldberg Variations, Yunchan Lim
Interlude – M. Buja
Yucham Lim, bem mais do que um pianista especialista em Rachmaninov
Há muitos discos bons sendo lançados quase que diariamente e mesmo discos ótimos, com qualidade técnica tanto dos artistas quanto das produções, numa onda enorme, a cada ano, cada mês. Nessa sequência de lançamentos, de vez em quando, surge um disco que além disso tudo nos oferece a oportunidade de ouvir uma grande obra ainda uma vez como se a primeira, nos revelando todo a sua beleza e encantamento. Foi o que me aconteceu ao ouvir este disco – Variações Goldberg, de Bach, com o pianista Yuncham Lim, gravadas ao vivo – que sortudos os presentes nestes concertos.
Eu havia selecionado duas gravações das tais variações para ouvir, esta e mais outra, que não vou citar nominalmente, ambas muito recentes. Gostei do libreto da outra, o arquivo desta oferecia apenas as faixas. Comecei com a outra, estranhei um pouco a lentidão da ária, mas alguns artistas querem fazer um contraste maior com a primeira e espiritada variação, sem contar com as tantas e tantas repetições. Insisti um pouco mais, mas acabei, pelo meio do caminho, decidindo mudar de disco, afinal não temos o dia todo para Goldbergues e a postagem requer um disco digno dos argutos e exigentes PQP Bachianos, frequentadores do blog.
Pois ao colocar o disco da postagem não senti qualquer coisa outra do que alegrias e prazeres. Sorrisos a cada dobra da partitura, o tempo passou a correr diferente, mais etéreo. Lá pela sétima variação (sei, sete é conta de mentiroso, mas você precisa tirar isso a limpo por si mesmo), com seus sons cristalinos, eu estava completamente fisgado. O disco é bom mesmo, é o que diz minha experiência de muitas ótimas gravações. Como posso afirmar isso tão peremptório? Pois ao terminar o disco, queria ouvir tudo de novo. Não deixe de ouvir!
In a new recording by Yunchan Lim, the youngest winner of the Van Cliburn International Piano Competition in 2022, The Goldberg Variations are set out in a beautiful array. Recorded in Carnegie Hall, on the Perelman Stage in the Stern Auditorium, the modern Goldberg is presented in its finest garb.
Aproveite!
René Denon
Yucham aguardando o pessoal do PQP Bach para a entrevista
Já que nossa querida colega Clara Schumann se antecipou postando um Vivaldi maravilhoso, FDP Bach declara iniciado o nosso festival Barroco. Confesso que há pouco tempo ouço Telemann com atenção. Não sei se devido ao fato de ter feito mais sucesso que nosso pai em sua época (reconheço que a inveja é uma merda) ou se devido à dificuldade de se conseguir gravações suas, só sei que tive acesso à sua obra à pouco tempo, claro, com exceção de suas obras para flauta. Mas agora que tive acesso às interpretações de Reinhard Goebel e seu Musica Antiqua Köln, posso dizer que realmente estou ouvindo um gênio do barroco executado por mestres absolutos das gravações ditas de época. E por um selo que dispensa comentários, a “Archiv Produktion”. São obras para Flauta doce e transversal, além de oboé, executadas com maestria pelo conjunto de Goebel, e que revelam um total domínio da arte da composição. Peças curtas, mas que demonstram a genialidade de Telemann. Tenho certeza que todos irão adorá-las.
Georg Phillip Telemann (1681-1767): Flötenquartette (Musica Antiqua Köln)
01 – in g TWV43 g4 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro
04 – in G TWV 43 G6 – – Allegro
05 – Grave
06 – Allegro
07 – in d TWV 43 d3 – Adagio
08 – Allegro
09 – Largo
10 – Allegro
11 – in G TWV 43 G11 – Affettuoso
12 – Allegro
13 – Adagio
14 – Allegro
15 – in a TWV 43 a3 – Adagio
16 – Allegro
17 – Adagio
18 – Vivace
19 . in G TWV 43 G12 – Dolce
20 – Allegro
21 – Soave
22 – Vivace
23 – in B flat TWV 43 B2 – Spirituoso
24 – Grave
25 – Allegro
26 – in G TWV 43 G10 – Vivace
27 – Andante
28 – Vivace
Musica Antiqua Köln
On authentic instruments
Maurice Steger – recorder
Verena Fischer – transversal flute
Diego Nadra – oboe
Stephan Schardt – violin
Reinhard Goebel – violin & viola
Klaus-Dieter Brandt – violoncello
Léon Berben – harpsichord
O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.
André Mehmari: … de árvores e valsas
1 Um Anjo Nasce
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Flute, Bandolin, Organ, Percussion, Clarinet – André Mehmari
1:30
2 Os Amores Difíceis
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Drums, Sampler – André Mehmari
4:19
3 Noturno Espanhol
Piano, Flute, Drums, Bass, Clarinet – André Mehmari
4:51
4 Mairiporã
Acoustic Bass – Zé Alexandre Carvalho
Piano, Guitar, Flute, Violin, Viola, Cello, Bandolin, Electric Guitar, Drums, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:31
5 Modular Paixões
Piano, Flute, Violin, Viola, Bandolin, Sampler, Clarinet – André Mehmari
Vocals – José Miguel Wisnik
3:49
6 Veredas
Piano, Accordion, Electric Bass, Flute, Rabeca, Viola, Cello, Drums, Synth, Voice, Percussion – André Mehmari
5:08
7 Valsa-Blue
Piano, Electric Bass, Flute, Clarinet, Violin, Electric Guitar, Drums, Whistle – André Mehmari
4:55
8 Vento Bom
Piano, Flute, Guitar, Percussion, Synth, Drums, Bass – André Mehmari
Vocals – Sergio Santos
4:13
9 Passeio
Clarinet – Gabriele Mirabassi
Piano – André Mehmari
3:50
10 O Espelho
Contrabass – Zé Alexandre Carvalho
Drums – Sergio Reze
Piano – André Mehmari
Vocals – Mônica Salmaso
4:15
11 Lullaby Zuzu
Piano, Synth, Electric Bass – André Mehmari
2:35
12 Toada
Baritone Saxophone – Teco Cardoso
Piano, Electric Piano, Electric Bass, Drums, Percussion, Synth, Accordion, Bandolin, Violin, Flute, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:46
13 Ná!
Drums – Sergio Reze
Piano, Electric Bass, Guitar, Flute, Clarinet, Violin, Accordion, Synth – André Mehmari
3:24
14 Eternamente
Synth, Effects – André Mehmari
1:21
15 Aria
Drums, Gong – Sergio Reze
Piano, Synth, Electric Bass, Voice, Handclaps, Percussion – André Mehmari
5:16
16 Um Anjo Nasce
Piano – André Mehmari
1:47
17 Ouro Preto
Piano, Viola, Organ, Clavichord, Electric Bass, Percussion, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
2:31
Desde a sua fundação, há dez anos, o Ensemble Ouranos tem como objetivo expandir o repertório para quinteto de sopros. “Constellations”, sua primeira gravação para a Alpha Classics, dá continuidade a essa tradição com transcrições de Shostakovich e Ravel. “Summer Music”, de Barber, completa o programa.
Em uma deliciosa crônica – O Recital – a fabulosa imaginação de LF Verissimo cria uma situação inusitada. No recital de um quarteto de cordas (poucas coisas seriam mais formais) surge um ‘quinto elemento’, um homem com uma tuba, vindo dos bastidores. Ele posta-se ao lado do violoncelista e quer tocar, ora bolas! Quer acompanhar o conjunto, improvisar algo, fazer o um-pá-pá…
Eu me lembrei desta crônica assim que vi o repertório do álbum da postagem. O Ensemble Ouranos é formado por cinco músicos que tocam instrumentos de sopros, nenhuma tuba, quase, mas flauta, clarinete, oboé, fagote e trompa. Como diz o libreto, o conjunto foi fundado por cinco solistas do Conservatoire Supérieur de Paris e explora o repertório para quinteto de sopros com liberdade e entusiasmo.
O pessoal do Ensemble Ouranos foi conhecer o novo PQP Bach Warehouse Space, em Erechim
Como o tal repertório não é assim tão extenso, além de obras originais para essa formação, eles vão de arranjos, alguns bem inusitados, o que nos traz de volta ao início da postagem – quarteto de cordas e instrumentos de sopros. Neste álbum eles interpretam o Oitavo Quarteto de Cordas de Shostakovich em um arranjo para quinteto de cordas feito por David Walter.
Eu já havia ouvido o quarteto original antes e tudo indica que é, assim, um expoente na obra de DSCH, quem é mais entendido do que eu que o diga. Eu achei o arranjo convincente como peça de música, mas não é um quarteto de cordas.
Deu um trabalhão, mas conseguimos ver o Samuel sorrir…
No programa do álbum uma peça de Samuel Barber, escrita para a formação de quinteto de sopros, chamada Summer Music. A inspiração para a peça vem de Summertime (e do blues) de Gershwin e também em coisas de Stravinsky. É uma música bem bonita.
A peça da qual eu mais gostei foi o arranjo da suíte Le tombeau de Couperin, de Maurice Ravel.
O disco tem o mesmo jeitão dos lançamentos do selo Alpha, um pouco ‘fora da caixa’, mas tudo feito com muito bom gosto, em particular a capa, bem estilosa.
Maurice Ravel (1875-1937)
Le tombeau de Couperin (Transcription de Mason Jones)
Prélude
Fugue
Menuet
Rigaudon
Pavane pour une infante défunte (Transcription de Guy du Cheyron)
Pavane
Samuel Barber (1910-1981)
Summer Music, OP. 31
Slow and indolent
Lively, still faster
Faster
Tempo primo, joyous and flowing
Dmitri Shostakovich (1906-1975)
Quatuor N° 8 en ut mineur, Op. 110 (Transcription de David Walter)
Largo
Allegro molto
Allegretto
Largo
Largo
Élégie (Arrangement de Lady Macbeth de Mtsensk, op. 29 acte I Scène 3 : Zherebyonok kkobylke toropitsa, Transcription de Nicolas Ramez)
Postagem da highresaudio.com no fb: It is not a very conventional idea to think of Shostakovich as cozy. The Ouranos ensemble not only thinks so, they even play it that way. The outstanding French wind quintet proves this on its latest album, Constellations, complemented by works by Ravel and Barber. …
Enjoy this very fine and beautifully recorded album. Highly recommended *****
Viu? Enjoy, aproveite!
René Denon
Além do homem do um-pá-pá, há outras pessoas querendo acompanhar o grupo Ouranos
Simone Dinnerstein chega romanticamente com um variado programa de obras (barrocas) de Bach e transcrições de Busoni (Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ), Kempff (Nun freut euch, lieben Christen gmein) e Myra Hess (Jesus bleibet meine Freude) tocada em um piano moderno que ressoa com toda uma gama de sons com um certo abuso de pedal que embaça e mistura as vozes. Nos Concertos Nº 1 e 5 para teclado (OK…) e orquestra é acompanhada pela Kammerorchester Staatskapelle Berlin de forma muito precisa com uma pulsação hipnótica e uma forte linha de baixo. Mas o melhor é provavelmente a Suíte Inglesa Nº 3 de onde emerge toda a estranha personalidade da pianista. O disco alterna momentos genuinamente inspirados se alternam com execuções, digamos, idiossincráticas. Dinnerstein é uma pianista séria, claro, mas ainda não chega a Perahia, Schiff e Hewitt. A apresentação do CD é linda, com pinturas a óleo da própria pianista e o som é esplêndido.
J. S. Bach (1685-1750): Bach: A Strange Beauty (Dinnerstein)
1 Ich Ruf Zu Dir, Herr Jesu Christ, BWV 639
Arranged By [Arr.] – Busoni*
3:40
Keyboard Concerto No. 5 In F Minor, BWV 1056
2 Allegro 3:17
3 Largo 2:56
4 Presto 2:48
5 Nun Freut Euch, Lieben Christen Gmein, BWV 734
Arranged By [Arr.] – Kempff*
2:26
English Suite No. 3 In G Minor, BWV 808
6 Prélude 2:53
7 Allemande 5:02
8 Courante 1:59
9 Sarabande 4:13
10 Gavotte I/II 2:50
11 Gigue 2:20
Keyboard Concerto No. 1 In D Minor, BWV 1052
12 Allegro 8:00
13 Adagio 7:16
14 Allegro 7:13
15 Jesus Bleibet Meine Freude (Jesu, Joy Of Man’s Desiring), BWV 147
Arranged By [Arr.] – Hess*
3:53
Composed By – Johann Sebastian Bach
Orchestra – Kammerorchester Staatskapelle Berlin*
Piano – Simone Dinnerstein
Uchida não quis saber de regentes para fazer esta série de Concertos para Piano de Mozart. Não parece, mas são gravações feitas ao vivo, no Cleveland`s Severance Hall. Ela já tem uma integral destes concertos com a English Chamber Orchestra, sob a regência de Jeffrey Tate. 20 anos depois, nesta regravação destas obras-chave de seu repertório, Uchida vem um pouquinho pior… A culpa é mais da orquestra — dirigida por ela — do que da categoria da pianista, sempre excelente. Apesar do espetacular trabalho dos sopros, o tamanho da orquestra é demasiadamente grande para as peças. A abordagem também é excessivamente romântica para Mozart. Tate era mais Mozart na versão anterior de Uchida .
W. A. Mozart (1756-1791): Concertos No. 23, K. 488 & No.24, K. 491 (Cleveland, Uchida)
1. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 1. (Allegro) 14:43
2. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 2. Larghetto 8:04
3. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 3. (Allegretto) 9:55
4. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 1. Allegro 11:43
5. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 2. Adagio 6:47
6. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 3. Allegro Assai 8:18
Telemann foi um compositor extraordinariamente prolífico dentro da música para grupos camarísticos, explorando com maestria a forma do concerto grosso e do concerto para instrumentos solo, destacando-se pela invenção melódica e pelo colorido harmônico. Estas obras personificam a síntese característica do compositor, fundindo elegantemente a clareza e graça da música francesa, a vitalidade rítmica da escola italiana e o vigor contrapontístico e a solidez estrutural germânica. Também demonstrou uma curiosidade enorme sobre timbres, escrevendo concertos de câmara para combinações inusitadas e instrumentos considerados exóticos, como a viola d’amore, o chalumeau e a trombeta marinha. Compostos em sua maioria para o ambiente doméstico e social das burguesias de Frankfurt e Hamburgo, estes concertos são acessíveis em termos de técnica, porém ricos em conteúdo, permanecendo como pilares do repertório barroco e testemunhos do gênio eclético de Telemann. O MAK realizou muitas gravações de Telemann, fazendo a nossa vida mais feliz.
Georg Philip Telemann (1681-1767): Concertos da Câmara (Musica Antiqua Köln, Reinhard Goebel)
Konzert A-dur Für Zwei Skordierte Violinen Und Continuo 9:06
A1 1. Affettuoso 2:29
A2 2. Vivace 1:35
A3 3. Aria 2:21
A4 4. Bourrée 2:40
Konzert D-dur Für Vier Violinen Ohne Continuo 6:28
A5 1. Adagio 0:52
A6 2. Allegro 1:56
A7 3. Grave 2:11
A8 4. Allegro 1:25
Konzert A-moll Für Blockflöte, Viola Da Gamba, Streicher Und Continuo 14:56
A9 1. (Ohne Tempoangabe) 4:00
A10 2. Allegro 4:03
A11 3. Dolce 3:15
A12 4. Allegro 3:35
Konzert G-moll Für Blockflöte, Violinen Und Continuo 13:35
B1 1. (Allegro) 3:36
B2 2. Siciliana 5:33
B3 3. Bourrée 0:54
B4 4. Menuett 3:30
Konzert C-dur Für Vier Violinen Ohne Continuo 7:55
B5 1. Grave 1:22
B6 2. Allegro 3:09
B7 3. Largo E Staccato 1:54
B8 4. Allegro 1:30
Pra lá de interessante este CD de Dudamel e sua turma da Venezuela. São três peças de longa duração escritas por Tchai sobre temas shakespearianos: Hamlet, A Tempestade e Romeu e Julieta. Um ideia bem óbvia, né? Dudamel parece o Rattle dos primeiros anos, erra pouco e parece levar muito bem sua vida entre um país e outro. Atualmente, é o maestro titular da extraordinária Orquestra Sinfônica de Gotemburgo e diretor musical da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, além de ser a grande estrela da Simón Bolívar. Um fenômeno. Afinal, este filho de um trombonista com uma professora de canto é um cara que começou no El Sistema venezuelano e ainda não completou 32 anos. Muito se ouvirá ainda falar deste baixinho que também é violinista. Em Los Angeles, onde passa meses sem ir, é conhecida a expressão Where the hell is Dudamel?, de tal forma sua ausência é sentida.
Tchaikovsky & Shakespeare
1. Hamlet – Fantasy Overture after Shakespeare op. 67 [18:38]
2. The Tempest – Symphonic Fantacy after Shakespeare op. 18 [24:41]
3. Romeo and Juliet – Fantasy Overture after Shakespeare [22:14]
Simón Bolívar Symphony Orchestra of Venezuela
Gustavo Dudamel
Certa vez, o cidadão André Carrara, pianista da Ospa, perguntou sobre bons programas para orquestras. Fiz uma reles listinha, mas peço a ele que venha aqui. Por exemplo, o programa do disco abaixo, Tchaikovsky & Shakespeare, é maravilhoso e o deste disco também. Sim, sei, só cordas, mas e daí? É um belo programa com três peças populares e muito bonitas. Todos os elogios a Yuri Bashmet e seus Moscow Soloists. Aqui há música pra mais de metro. Das três peças, garanto-vos que Grieg e Tchai são fantasticamente bem interpretados. Não ouvi o Mozart pela simples razão de que já enchi o saco da Eine kleine Nachtmusik.
Grieg: Holberg Suite / Mozart: Eine kleine Nachtmusik / Tchaikovsky: Serenade for Strings
“Holberg Suite” (From Holberg’s Time), for string orchestra, Op. 40, de Edvard Grieg
1. Praeludium: Allegro vivace 2:38
2. Sarabande: Andante 3:28
3. Gavotte: Allegretto – Musette: Un poco mosso – Gavotte 3:30
4. Air: Andante religioso 5:22
5. Rigaudon: Allegro con brio 4:17
Serenade No. 13 for strings in G major (“Eine kleine Nachtmusik”), K. 525, de Wolfgang Amadeus Mozart
6 . Allegro 7:43
7. Romance: Andante 5:25
8. Menuetto: Allegretto 1:53
9. Rondo: Allegro 5:06
Serenade for strings (or piano, 4 hands) in C major, Op. 48
10. Pezzo in forma di sonatina: Andante non troppo – Allegro moderato 9:35
11. Walzer: Moderato, tempo di valse 3:29
12. Elegie: Larghetto elegiaco 8:35
13. Finale (Tema russo): Andante – Allegro con spirito 7:21
Este é um belo disco de Frans Brüggen em seus tempos de solista. E, puxa vida, o homem toca muito! Não é para menos que sua companhia é formada apenas por Anner Bylsma e Gustav Leonhardt. As sonatas são interpretadas pelo trio e as fantasias são obras para flauta solo. Eles todos estão perfeitos nestas obras do compositor que nosso amigo Pedro diz ser o melhor depois de nosso pai. (Não está longe da verdade, certo?) Um aviso: lá pelo meio do CD há uma ou duas faixas que apresentam pequenos defeitos. Eu optei por publicar porque é um grande CD e porque só poderei fazer a correção quando a dona do mesmo voltar do Chile, lá pelo final de fevereiro. Mas, repito, estamos frente a um belíssimo CD.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Sonatas e Fantasias para Flauta Doce (Brüggen, Bylsma, Leonhardt)
1. Sonata In F Major TWV 41:F2: Vivace
2. Sonata In F Major TWV 41:F2: Largo
3. Sonata In F Major TWV 41:F2: Allegro
4. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Largo
5. 12 Fantaisies A Travers, Sans Basse – Fantasia In D Minor TWV 40:4: Vivace
6. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Largo
7. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Vivace
8. Fantasia In D Minor TWV 40:4: Allegro
9. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Largo
10. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Allegro
11. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Largo
12. Canonic Sonata In B Flat Major TWV 41:B3: Vivace
13. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Largo – Spirituaoso – Allegro
14. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Adagio – Allegro
15. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Larghetto
16. Fantasia In G Minor TWV 40:9: Vivace
17. Fantasia In A Minor TWV 40:11: A Tempo Giusto
18. Fantasia In A Minor TWV 40:11: Presto
19. Fantasia In A Minor TWV 40:11: Moderato
20. Fantasia In C Major TWV 40:2: Vivace
21. Fantasia In C Major TWV 40:2: Allegro
22. Der Getreue Music – Meister – Sonata In F Minor TWV 41:f1: Triste
23. Sonata In F Minor TWV 41:f1: Allegro
24. Sonata In F Minor TWV 41:f1: Andante
25. Sonata In F Minor TWV 41:f1: Vivace
26. Fantasia In B Flat Major TWV 40:12: Allegro – Adagio – Vivace – Adagio
27. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Affettuoso
28. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Presto
29. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Grave
30. Sonata In D Minor TWV 41:D4: Allegro
31. Fantasia In F Major TWV 40:8: Alla Francese
32. Fantasia In F Major TWV 40:8: Presto
33. Sonata In C Major TWV 41:C2: Cantabile
34. Sonata In C Major TWV 41:C2: Allegro
35. Sonata In C Major TWV 41:C2: Grave
36. Sonata In C Major TWV 41:C2: Vivace
Frans Brüggen – flauta
Anner Bylsma – cello
Gustav Leonhardt – cravo
Um disco raro que foi relançado com outra capa pela Harmonia Mundi France. É esta a edição que eu tenho. O título da HM francesa é mais exato: Miniatures for young pianists, pois é disto que se trata. Tem muito exercício e muita fofura. Por exemplo, as 24 peças de Tchai para crianças foram composta exclusivamente com fins pedagógicos. As pecinhas, todas curtas, são intituladas como “A Doença da Boneca”, “Marcha dos Soldados de Chumbo”, etc. e foram dedicadas a seu sobrinho. O objetivo era proporcionar a jovens pianistas peças musicalmente ricas, porém tecnicamente acessíveis, que desenvolvessem tanto a técnica quanto a expressividade. Prokô e Shosta seguiram a onda. Um álbum agradável.
Tchaikovski / Prokofiev / Shostakovitch: Miniatures Russes Pour Piano (Rimma Bobritskaia, piano)
Album Pour Enfants Op. 29
Composed By – Pyotr Ilyich Tchaikovsky
1 Prière Du Matin 1:13
2 Matin D’hiver 1:02
3 Jouons à Dada! 0:37
4 Maman 0:56
5 Marche Des Soldats de Bois 0:50
6 La Poupée Malade 1:44
7 Enterrement de la Poupée 1:39
8 Valse 1:04
9 La Nouvelle Poupée 0:27
10 Mazurka 1:05
11 Chanson Russe 0:27
12 Le Paysan Joue de L’harmonica 0:44
13 Kamarinskïa 0:30
14 Polka 1:11
15 Chanson Italienne 0:58
16 Ancienne Chanson Française 1:13
17 Chanson Allemande 0:55
18 Chanson Napolitaine 1:02
19 Conte de la Nourrice 0:42
20 Baba-Yaga 0:38
21 Rêve Délicieux 2:14
22 Chant de L’alouette 0:52
23 Chanson Du Joueur de L’orgue de Barbarie 1:52
24 A L’église 0:46
Musique Pour Enfants Op. 65
Composed By – Sergei Prokofiev
25 Le Matin 1:53
26 Promenade 0:51
27 Historiette 2:13
28 Tarentelle 0:54
29 Repentir 1:49
30 Valse 1:07
31 Cortège Des Sauterelles 1:01
32 La Pluie Et L’arc En Ciel 1:15
33 Attrape Qui Peut 0:53
34 Marche 1:25
35 Le Soir 2:20
36 Sur Les Prés la Lune Se Promène 1:39
Pene Pati, o primeiro tenor samoano a se apresentar nos principais palcos da Europa, possui uma versatilidade excepcional em uma ampla gama de papéis, abrangendo compositores como Mozart, Massenet, Donizetti, Gounod, Puccini e Verdi.
Domingo é dia de ópera e o disco de hoje é um álbum com árias para tenor interpretadas per Pene Pati, um jovem cantor que nasceu na ilha Samoa e cresceu em Auckland, Nova Zelândia. Ele cantava desde sempre, mas tornar-se cantor de ópera veio um pouco depois. Fez parte de um trio – Sol 3 Mio – que teve um disco nas paradas de sucesso da Nova Zelandia em 2014.
Depois de completar sua formação lírica em Cardiff, no Reino Unido, com ajuda da Fundação e do apoio de Kiri Te Kanawa, vencer várias competições, ganhou os palcos dos teatros de ópera de todo o mundo.
Pene está literalmente casado com a ópera. Sua esposa, Amina Edris, também é cantora de ópera e tem uma participação especial no álbum, assim como Amitai Pati, irmão de Pene.
O programa do álbum consiste em 18 números escolhidos para mostrar as características do cantor, mas também reflete seu gosto pessoal. O resultado é uma mistura de árias muito conhecidas – Nessun dorma!, que dá nome ao álbum e talvez seja a mais famosa ária de ópera para tenor, ou Che gelida manina, também de Puccini – com outras menos conhecidas e mesmo alguma raridade.
O disco também alterna peças em italiano (de compositores como Puccini, Verdi, Mascagni) e em francês (Massenet, Berlioz, Gounod). Enfim, uma joia de disco, com ótimas peças para que você desfrute um ‘momento na ópera’!
Pene Pati
Giacomo Puccini (1858 – 1924)
Turandot, Act III: “Nessun Dorma”
Charles Gounod (1818 – 1893)
Faust, Act III: “Salut, demeure chaste et pure”
“Et toi, malheureux Faust” – C’est l’enfer qui t’envoie” – world premiere recording
Jules Massenet (1842 – 1912)
Manon, Act III: “Je suis seul”- Ah! fuyez douce image”
“É sempre um processo delicado criar um álbum que conte a sua história como artista e capture o seu crescimento como músico e a sua trajetória como cantor”, escreve Pene Pati. “Nessun Dorma demonstra o meu amor pela arte de contar histórias e pelas emoções que ela pode evocar… Ao ouvir este álbum, espero que ele o leve a uma jornada emocional.”
De minha parte, eu apenas espero que você tenha muito prazer em conhecer o trabalho desse artista genial, com uma enorme carreira ainda para percorrer.
Aproveite!
René Denon
Imagem de um ‘tenor nascido na Samoa’ enviada pela sempre prestativa equipe do Departamento de Artes do PQP Bach Publishing House a tempo de completar a postagem…
Esta caixa é tão, mas tão maravilhosa que nem vou perder tempo justificando a postagem de mais uma série. Apenas digo que serão 27 CDs em 320 kbps que trarão todas as 15 sinfonias, todos os 15 quartetos, todas as sonatas para algum instrumento + piano, o quinteto, trios, os concertos para piano, violino e violoncelo, as suítes… Enfim, é um tesouro! Enjoy!
Ah, tinha esquecido: IM-PER-DÍ-VEL!!!
(Os textos abaixo foram “roubados” do amigo Milton Ribeiro.
The Dmitri Shostakovich Edition (CDs 1, 2 e 3 de 27)
Sinfonia Nº 1, Op. 10 (1924-1925)
Shostakovich começou a escrever esta sinfonia quando tinha dezessete anos. Antes disso, tinha composto alguns scherzi que só interessaram à musicólogos. Sua estréia foi mesmo com esta Nº 1, terminada antes do autor completar vinte anos. Ela tornou aquele estudante de música, mais conhecido por ser o pianista-improvisador de três cinemas mudos de Petrogrado, internacionalmente célebre. Tal fama pode ser atribuída por Shostakovich ser o primeiro rebento musical do comunismo, mas ouvindo a sinfonia hoje, não nos decepcionamos de modo algum. É música de um futuro mestre.
Ela começa com um toque de trompete ao qual, se acrescentarmos um crescendo, tornar-se-á um tema de Petrouchka, de Igor Stravinski. Alguns regentes russos fazem esta introdução exatamemente igual à Petroushka. É algo curioso que o jovem Dmitri tenha feito esta homenagem, quando dizia que seus modelos – e isto foi comprovadíssimo logo adiante – eram Mahler, Bach, Beethoven e Mussorgski. Mas há mesmo algo de “boneca triste” no primeiro movimento desta sinfonia. O segundo movimento possui um curioso tema árabe, que é a primeira grande paródia encontrada em sua obra. Um achado.
O movimento lento, muito triste, é daqueles que a Veja consideraria uma comprovação do sofrimento do compositor sob o comunismo e de uma postura fatalista do tipo isto-não-vai-dar-nada-certo, porém acreditamos que a morte de seu pai, ocorrida alguns meses antes e a internação de Dmitri num sanatório da Criméia (ele contraíra tuberculose) tenha mais a ver. Há um belíssimo solo funéreo de oboé neste movimento.
CD 1
Symphony No. 1 in F minor Op. 10
1. Allegretto. Allegro ma non troppo
2. Allegro
3. Lento
4. Allegro molto, Lento Allegro molto
5. Symphony No. 2 in B major Op. 14 for Chorus & Orchestra
6. Symphony No. 3 in E flat major in E Flat major for Chorus & Orchestra
Rundfunkchor
WDR Sinfonieorchester
Rudolf Barshai
Sinfonia Nº 4, Op. 43 (1936) Uma sinfonia decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão os monumentais ecos destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios rarefeitos: Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minha preferência vai para o também mahleriano scherzo central. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro para a alienação e daí iria novamente para as mortes, representadas pela iminente segunda guerra. Trata-se de um Big Mac seríssimo.
CD 2
Symphony No. 4 in C minor Op. 43
1. Allegro poco moderato
2. Moderato con moto
3. Largo. Allegro
WDR Sinfonieorchester
Rudolf Barshai
Sinfonia Nº 5, Op. 47 (1937) Esta é a obra mais popular de Dmitri Shostakovich. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio, um scherzo composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os aficcionados, é uma obra apetitosa, por transformar a linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai a trouxe dizendo que era uma sinfonia muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele amava. Alguns consideram esta obra uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa freqüência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes…
Sinfonia Nº 6, Op. 54 (1939) Uma perfeição esta sinfonia cujo dramático, concentrado e lírico primeiro movimento (um enorme Largo) é seguido por dois allegros, sendo o último pra lá de burlesco, chegando a ser mesmo circense (Presto). A estrutura estranha e inexplicável tem o efeito, ao menos em mim, de uma compulsão por ouvi-la e reouvi-la. Acho que volto sempre a ela com a finalidade de conferir se o primeiro movimento é mesmo tão perfeito e profundo e para buscar uma explicação para a galinhagem final – isto aqui não é uma tese acadêmica, daí a palavra “galinhagem” ser permitida… Nossa sorte é que existe aquele segundo Allegro central para tornar a passagem menos chocante. Esta belíssima obra talvez faça a alegria de qualquer maníaco-depressivo. É uma trilha sonora perfeita para quem sai das trevas para um humor primaveril em trinta minutos. Começa estática e intelectual para terminar num circo. Simplesmente amo esta música! É um pacote completo e de só uma via com desespero, sorrisos e gargalhadas.
CD 3
Symphony No. 5 in D minor Op. 47
1. Moderato. Allegro non troppo. Moderato
2. Allegretto
3. Largo
4. Allegro non troppo. Allegro
Symphony No. 6 in B minor Op. 54
5. Largo
6. Allegro
7. Presto
Fechamos a caixa 6 com duas obras-primas absolutas. Ambas curtas, o Salmo 51, BWV 1083 — uma declaração de amor à música italiana na forma da adaptação de uma obra de Vivaldi, não? — e o Oratório da Páscoa se inscrevem com tranquilidade dentre as maiores composições de Bach. Logo logo o Avicenna ou outro dirá quem são os intérpretes, mas posso lhes garantir com tranquilidade que são de primeira linha. Um dos julgamentos que considero fatais em Bach é a forma — translúcida ou não — com que os gajos interpretam a ária Sanfte soll mein Todeskummer, do Oratório da Páscoa. Essa versão satisfez inteiramente o alto Padrão de Qualidade exigido por PQP Bach. Te mete!
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Bach 2000 – Caixa 6, CD 13
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BWV1083 Psalm 51 01 Versus 1 “Tilge,Höchster,meine Sünden”
BWV1083 Psalm 51 02 Versus 2 “Ist mein Herz”
BWV1083 Psalm 51 03 Versus 3 “Missetaten,die mich drücken”
BWV1083 Psalm 51 04 Versus 4 “Dich erzürnt mein Tun und Lassen”
BWV1083 Psalm 51 05 Versus 5-6 “Wer wird seine Schuld verneinen”
BWV1083 Psalm 51 06 Versus 7 “Sieh,Ich bin in Sünd empfangen”
BWV1083 Psalm 51 07 Versus 8 “Sieh,du willst die Wahrheit haben”
BWV1083 Psalm 51 08 Versus 9 “Wasche mich doch rein von Sünden”
BWV1083 Psalm 51 09 Versus 10 “Laß mich Freud und Wonne spüren”
BWV1083 Psalm 51 10 Versus 11-15 “Schaue nicht auf meine Sünden”
BWV1083 Psalm 51 11 Versus 16 “Öffne Lippen,Mund und Seele”
BWV1083 Psalm 51 12 Versus 17-18 “Denn du willst kein Opfer haben”
BWV1083 Psalm 51 13 Versus 19-20 “Laß dein Zion blühend dauern”
BWV1083 Psalm 51 14 Amen
BWV0245A Himmel, Reisse, Wet, Erbebe
BWV0245B Zerschmettert mich, Ihr felsen und ihr Hügel
BWV0245C Ach windet euch nicht so, geplagte seelen
Faz algum tempo postei aqui o que considero uma das realizações mais importantes da música instrumental brasileira: os 4 discos do Quinteto Armorial. Esse grupo pernambucano começou a gravar em 1974 e infelizmente não gravou mais depois de 1980.
Interessantemente, no ano seguinte começa a carreira discográfica do outro grupo cujo trabalho eu vejo entre os mais importantes da música instrumental brasileira – e me inclino a dizer que entre as realizações musicais mais relevantes do fim do século XX no mundo: o grupo mineiro (levado ao forno na Bahia) Uakti (nome indígena que por muito tempo eu pronunciei “uákti” e depois me disseram ser “uaktí”).
O Uakti toca principalmente composições de seu fundador Marco Antônio Guimarães, com algumas poucas composições alheias (especialmente canções de Milton Nascimento) arranjadas pelo próprio Marco para o instrumental experimental desenvolvido por ele.
A propósito desse instrumental, o site oficial do grupo traz fotos e algumas informações mais, porém bastante lacônicas. Os encartes originais destes 3 vinis trazem informação rica, mas só terei novamente em mãos daqui a alguns meses. Por outro lado, as melhores informações que encontrei sobre o próprio Marco e se background estão no artigo “Grupo Uakti”, de Artur Andrés Ribeiro. Foi lá que fiquei sabendo o seguinte:
Marco Antônio Guimarães nasceu em Belo Horizonte em 1948, em uma família com raízes no interior e forte tradição de trabalho artesanal em madeira, couro, metal, etc. Na época de sua juventude a Universidade Federal da Bahia havia se tornado um dos principais polos de inovação musical no Brasil, inicialmente com a presença de Hans Joachim Koellreuter, e depois com os suíços Ernst Widmer e Walter Smetak – este uma espécie de cientista maluco da invenção de instrumentos e da experimentação musical radical. Marco se mudou para Salvador para estudar Regência e Composição, e o encontro com Smetak veio de brinde, abrindo a perspectiva de fundir sua própria busca musical com a tradição artesanal da família.
Mas a relação com Smetak é até demasiado óbvia. O que me interessou mais foi a relação com o outro suíço, Ernst Widmer (1927-1990), o qual veio para o Brasil com 29 anos, 4 anos depois se naturalizou, e conseguiu melhor que muitos brasileiros natos realizar a síntese de escrever música moderna efetivamente brasileira. Widmer desenvolveu inclusive uma série de cinco volumes para o ensino do piano, com um conceito geral análogo ao do Mikrokosmos de Béla Bartók, intitulada Ludus Brasiliensis. Widmer parece um tanto esquecido no momento, mas não é de nenhum modo um compositor menor – e será fantástico se a música do Uakti, entre suas outras virtudes, ainda tiver a de nos chamar atenção para a obra desse compositor.
Voltando ao ponto de partida: ao contrário do Quinteto Armorial, que gravou só quatro discos, todos em uma década, o Uakti já tem doze gravados, de 1981 a 2009 – incluindo Águas da Amazônia, de 1999, composição de Philip Glass instrumentada por Marco Antônio a pedido do primeiro. A tentação inicial é dizer que o som do Armorial se volta ao passado, ao tradicional, ao arcaico, e o do Uakti soa de algum modo “futurista” – mas definitivamente não é tão simples assim; inclusive há momentos em que as sonoridades dos dois se cruzam, conversam.
Por outro lado, em trabalhos posteriores às vezes há momentos em que o som do Uakti parece se aproximar algo perigosamente de um mero “new age”. Consequências da colaboração com Glass? Não sei. O trabalho que me bate mais forte ainda é o terceiro, “Tudo e Todas as Coisas”, o último desta postagem – mas talvez seja questão de se aprofundar: estes três eu conheço desde o lançamento, os outros só vim a conhecer agora.
Ficaram querendo os próximos, né? Especialmente o das composições de Glass… Calma, estão no forno! Eu não iria me arriscar a falar deles pra vocês sem estar prevenido, hehehehe…
UAKTI OFICINA INSTRUMENTAL (1981)
1 Promessas do Sol (Milton Nascimento, Fernando Brant – arr. M.A.Guimarães)
2 Dança da chuva (Marco Antônio Guimarães)
3 Maíra (Marco Antônio Guimarães)
4 As nove esferas (Marco Antônio Guimarães)
5 Uakti (Uakti)
6 Planeta-terra (Marco Antônio Guimarães)
UAKTI 2 (1982)
1 Canto de Iarra [Dança das espadas] (Marco Antônio Guimarães)
2 Cio da Terra (Chico Buarque, Milton Nascimento – arr. M.A.Guimarães)
3 Arabesque (Bento de Menezes Neto)
4 Cartiano Marra (Marco Antônio Guimarães)
5 Passo da Lua (Marco Antônio Guimarães)
6 Barroca [Mil e uma noites] (Marco Antônio Guimarães)
7 Marimba d’Angelim (Marco Antônio Guimarães)
TUDO E TODAS AS COISAS (1984)
1 Água (Marco Antônio Guimarães)
Vidro (Marco Antônio Guimarães)
2 As 7 tribos (Marco Antônio Guimarães)
3 O ovo da serpente (Marco Antônio Guimarães)
4 A grande virgem [Para Walter Smetak – In memoriam]
(Rufo Herrera, Marco Antônio Guimarães)
5 Dança das abelhas (Marco Antônio Guimarães)
Flor e mel (Marco Antônio Guimarães)
6 Pêndulo celeste [Para o cometa Halley] (Artur Andrés Ribeiro)
Lua Ganimedes (Marco Antônio Guimarães)
7 Árvore da vida (Marco Antônio Guimarães)
8 Maracatu Elefante (Marco Antônio Guimarães)
Integrantes regulares:
Marco Antônio Guimarães, Paulo Santos, Artur Andrés, Décio Ramos
Pois é, este arquivo foi mandado por um de vocês de presente. Isto aconteceu há muuuuito tempo, talvez uns 15 anos… Não lembro quem foi. Este disco é uma junção das quatro primeiras faixas do primeiro álbum e de todo o segundo. Loucura, né? Gostei bastante do Castelnuovo-Tedesco, muito boa música. Composto em 1950, durante o exílio do compositor nos Estados Unidos, o Quinteto Op. 143 é uma obra-prima do repertório neorromântico, que funde a tradição lírica italiana com as harmonias coloridas e os ritmos agitados característicos de Castelnuovo-Tedesco. A peça é esplêndida pela forma engenhosa como equilibra e integra o timbre íntimo da violão com a massa sonora e a potência do quarteto de cordas, superando um desafio histórico de escrita para essa formação. Dividido em quatro movimentos, o quinteto alterna entre o vigor rítmico (notavelmente no finale, uma tarantela) e momentos de profunda melancolia e lirismo cantabile, refletindo a nostalgia do compositor por sua Itália natal. É considerada uma das contribuições mais significativas do século XX para o repertório de violão de câmara, mantendo-se como uma peça central e frequentemente executada por sua inventividade, emoção e perfeito domínio da escrita instrumental. E aqui Yamashita demonstra enorme categoria e musicalidade.
Já ao ouvir os Quadros lembrei da piada do Keith Richards: “Sabe por que o cão lambe o seu saco? Porque consegue!”. Yamashita consegue, parabéns Yamashita! O único problema é que não quero ouvir nunca mais. É muita habilidade para ficar BEM PIOR do que o original e do que os arranjos de Ravel e Ashkenazy. Peço perdão a quem me deu este presente, mas tudo tem limite!
Mario Castelnuovo-Tedesco (1895-1968): Quinteto para Violão e Quarteto de Cordas, Op. 143 & Modest Mussorgsky (1839-1881): Quadros de uma Exposição (Kazuhito Yamashita, Tokyo String Quartet)
1 Quintet for Guitar & String Quartet, Op. 143: Allegro, Vivo E Schietto
2 Quintet for Guitar & String Quartet, Op. 143: Andante Mesto
3 Quintet for Guitar & String Quartet, Op. 143: Scherzo: Allegro Con Spirito, Alla Marcia
4 Quintet for Guitar & String Quartet, Op. 143: Finale: Allegro Con Fuoco
5 Promenade
6 Gnomus
7 Promenade
8 Il Vecchio Castello
9 Promenade
10 The Tuileries
11 Bydlo
12 Promenade
13 Ballet Of The Little Chickens
14 Samuel Goldenberg Und Schmuyle
15 A Market Place In Limoges
16 Catacombae
17 Con Mortuis In Lingua Mortua
18 The Hut Of Baba-Yaga
19 The Bahatyr Gate Of Kiev
‘La Bohème’ é uma das mais encantadoras histórias de amor que chegaram ao palco da ópera. Na Paris do século 19 um poeta e uma florista vivem uma paixão ardente em meio às alegrias e dificuldades da vida boêmia – vie charmante et vie terrible.
Coleção Folha GO
Hoje é domingo, dia de ópera! E que ópera é essa, estreada em 1 de fevereiro de 1896, 130 anos do dia que escrevo estas mal traçadas… Na batuta estava o batuta Arturo Toscanini, grande amigo do Giacomo, o Giacomino Puccini.
O charme e encantamento de uma noite na ópera pode ser sentido na sequência do filme Moonstruck, O Feitiço da Lua, em português. Os protagonistas, a deslumbrante Cher e o jovem Nicholas Cage, antes de se tornar o endiabrado motociclista, marcam um encontro no Metropolitan, para assistir exatamente a uma apresentação de La Bohème.
O disco da postagem apresenta nos papéis de sweetlovers os cantores Robert Alagna e Angela Ghioghiu, que chegaram a ser casados na vida real. O time é de primeira, a orquestra não poderia ser mais apropriada e o regente, vocês sabem, Riccardo é um bamba.
O que você não pode deixar de ouvir, vezes e mais vezes, nessa versão já resumida? A ária ‘Che gelida manina’ (não é ‘que menina geladinha’, mas sim, ‘Que mãozinha mais gelada!’) é o momento em que o mocinho, Rodolfo, que é um poeta, se apresenta a Mimi, a protagonista. Ele diz: ‘Que faço? Escrevo! Como eu vivo? Vivo!’ Essa é figurinha carimbada, cantada por todos os tenores famosos ou nem tão famosos assim. Pavarotti, Domingo, Carreras, a fila é longa. Aqui Rodolfo está incorporado no Alagna.
Essa ária é seguida pela ‘Sì, mi chiamano Mimi’, a resposta da mocinha, falando sobre si mesma: sou bordadeira e sou tranquila e feliz.
Ainda neste ato primo, tem o dueto de amor: ‘O soave fanciulla’, maraviglia!
Mas nem só de mocinho e mocinha se faz uma ópera e o ato segundo começa com uma cena envolvendo muitos personagens, sons e movimentação. Numa sequência de trivialidades, a amiga da mocinha, Musetta, canta sua valsa… ‘Quando me’n vo’ soletta per la via’, as pessoas param e olham… me examinam da cabeça aos pés’.
Desentendimentos, ciúmes, separações, doença e muito frio, pois que é fevereiro em Paris. A mocinha está doente, mas encontra seu amor…
No quarto ato chega a primavera, mas as coisas não estão nada boas. Não sou de dar spoiler, mas essa é fatal, a mocinha morre no final.
Não se preocupe tanto com entendimentos, a ópera nos chega pelo coração, passando pelos ouvidos. Coloque o arquivo para ouvir e deixe-se envolver pela linda música. Aposto que vai acabar procurando o resto da história…
Giacomo Puccini (1858 – 1924)
La Bohème (Highlights)
Act 1 – -Questo mar rosso
Act 1 – Chi è là- – Si sente meglio- (Extract)
Act 1 – -Che gelida manina
Act 1 – -Sì. Mi chiamano Mimì
Act 1 – -O soave fanciulla
Act 2 – Aranci, ninnoli! Caldi i marroni e caramelle
With this new recording, Decca has pretty much sewn up the market on three generations of outstanding Bohèmes. Tebaldi and Bergonzi (still my personal favorite) represent the 1950s, Freni and Pavarotti represent the 70s, and now Gheorghiu and Alagna take us into the new millennium with a recording that ranks among the very best. Only de los Angeles and Björling (on EMI, conducted by Beecham) can really compete with these three recordings.
Aproveite!
René Denon
Ilustração de Arturino e Giacomino enviada pela prestativa equipe de artes do PQP Publishing House…
Acho que estou passando por um Período Savall. Mas não creio que vocês tenham vontade de reclamar. Este é um disco festivo e luminoso como são a Música Aquática e a Música para os Reais Fogos de Artifício. Savall e sua orquestra dão um banho como o que aconteceu na estreia da Música para os Reais Fogos de Artifício.
A Música Aquática (Water Music) é uma suíte orquestral cuja estreia ocorreu em 17 de julho de 1717, após o rei Jorge I encomendar um concerto para ser executado sobre o rio Tâmisa. O concerto foi interpretado originalmente por cerca de 50 músicos que ficavam sobre uma barca próxima ao barco real, a partir do qual o monarca escutava a peça com sua corte. O rei teria gostando tanto das suítes que pediu a seus músicos, já esgotados, que tocassem-na por três vezes…
No dia 21 de Abril de 1749, contra a vontade do compositor, realizou-se a estreia da Música para os Reais fogos de Artifício. Handel escreveu-a para comemorar a assinatura do tratado de Aix-la-Chapelle, que pôs fim à Guerra da Sucessão da Áustria. A primeira apresentação desta obra, no dia 21 de Abril, foi mais um ensaio público do que uma estreia, pois a estreia estava marcada para o dia 27. No entanto, este ensaio juntou 12.000 pessoas, causando enorme engarrafamento na ponte de Londres. Da estreia propriamente dita, o mínimo que se pode dizer é que foi atribulada. Aconteceu no dia 27 de Abril de 1749 e a emoção não esteve ausente: a estrutura montada especialmente para a ocasião incendiou parcialmente, além de ter chovido durante o concerto, o que apagou os fogos-de-artifício, além de molhar o público.
Georg Friederich Handel: Water Music / Music for the Royal Fireworks
1. Water Music, Ste I: Prld
2. Water Music, Ste I: Menuet I
3. Water Music, Ste I: Menuet II
4. Water Music, Ste I: Rigaudon I
5. Water Music, Ste I: Rigaudon II
6. Water Music, Ste I: Menuet I
7. Water Music, Ste I: Menuet II
8. Water Music, Ste I: Gigue I
9. Water Music, Ste I: Gigue II
10. Water Music, Ste I: Bourree
11. Water Music, Ste I: Lentement
12. Water Music, Ste I: Alla Hornpipe
13. Water Music, Ste II in F: Ov
14. Water Music, Ste II in F: Adagio E Staccato
15. Water Music, Ste II in F: Allegro
16. Water Music, Ste II in F: Andante, Allegro
17. Water Music, Ste II in F: Menuet
18. Water Music, Ste II in F: Air
19. Water Music, Ste II in F: Bourree
20. Water Music, Ste II in F: Hornpipe
21. Water Music, Ste II in F: Aria
22. Water Music, Ste II in F: Menuet
23. Music For The Royal Fireworks, Ov: Adagio
24. Music For The Royal Fireworks: Allegro-Lentement-Allegro
25. Music For The Royal Fireworks: Bourree
26. Music For The Royal Fireworks, La Paix: Largo Alla Siciliana
27. Music For The Royal Fireworks, La Rejouissance: Allegro
28. Music For The Royal Fireworks: Menuet II – Menuet I – Menuet II
Creio que seja inevitável que em determinado momento de nossas vidas as lembranças comecem a dominar nossos pensamentos, ainda mais quando nos tornamos sexagenários. Quando crianças essa idade nos parece tão longínqua, e sou de uma geração que nem imaginava que viveria tanto.
Mas essa pequena introdução serve apenas para dar uma certa ‘motivação’ para esta postagem, como se isso fosse necessário. Eu ainda estava nos meus vinte e poucos anos quando conheci a Concerto para Piano nº 4 de Beethoven, com Claudio Arrau e o Colin Davis em Dresden. Na verdade, foi esse LP que me apresentou os Concertos para Piano de Beethoven. Até um ano antes, eu morava no interior do Paraná, longe da capital, e longe das lojas de discos. Então me mudei para a capital catarinense, e ali conheci uma loja de discos com um setor inteiro dedicado a música clássica, e com um gerente que conhecia muito do assunto. E foi ele quem me apresentou esse LP, recém lançado. Fui ansioso para casa e o coloquei para tocar no velho Philips 3×1. A partir de então entendi o porque se reverenciava tanto Beethoven. Comecei a procurar os outros concertos, com outros intérpretes e regentes. Ali iniciou minha obsessão pela música, no sentido de procurar outras interpretações, outras leituras. E esse mundo me cativou, e desde então, vivo imerso nele. Não sei quantas vezes ouvi esses concertos, com os mais diversos músicos. E era curioso também observar como um mesmo pianista, por exemplo, poderia ter versões diferentes das mesmas obras. Claro que depois entendi que a maturidade os incentivava a isso.
Um exemplo claro do que vos falo é Alfred Brendel. Li uma crítica de sua integral com Simon Rattle onde o crítico questionava isso, para que diabos lançar outra integral, se já tinha outras já consagradas, como a minha favorita, com o mesmo Colin Davis em Londres. No mesmo texto, o crítico justificava exatamente dessa forma: Brendel precisava ‘corrigir’ alguma coisa que não o deixara satisfeito nas outras gravações. Haveria necessidade? Talvez não, mas talvez tenha entrado na conversa alguma cláusula contratual que o obrigou a isso. Não sei, nem me interessa saber. O importante é que são registros gravados em épocas diferentes de sua vida, e só isso já me responde satisfatoriamente a pergunta do crítico.
Quando gravou essa integral que ora vos trago, Claudio Arrau já estava com oitenta e poucos anos de idade. E é a maturidade que se destaca aqui. Ele já havia gravado e tocado esses concertos inúmeras vezes, mas resolveu encarar novamente o desafio. Veio a falecer alguns anos depois, em 1991. Mas o que quero destacar aqui é a tranquilidade e serenidade que o velho mestre imprime à sua interpretação. Maturidade, com a certeza de que não precisa provar mais nada.
Espero que apreciem. Gosto muito destas gravações.
CD 1
Klavierkonzert Nr.1 In C-Dur , Op.15
1 Allegro Con Brio
2 Largo
3 Rondo (Allegro Scherzando) Klavierkonzert Nr. 2 B-Dur, Op.19
4 Allegro Con Brio
5 Adagio
6 Rondo (Molto Allegro)
CD 2
Klavierkonzert Nr. 3 C-Moll, Op.37
1 Allegro Con Brio
2 Rondo (Allegro)
3 Rondo (Molto Allegro)
4 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 1. Allegro
5 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 2. Allegretto
6.Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 3. Presto
CD 3
Klavierkonzert Nr. 4 G-Dur, Op.58
1 Allegro Moderato
2 Andante Con Moto
3 Rondo Vivace
4 32 Variationen über ein eigenes Thema c-moll
Klavierkonzert Nr. 5 Es-Dur, Op.73 “
1 Allegro
2 Adagio Con Poco Mosso
3 Rondo (Allegro)
Claudio Arrau – Piano
Staatskapelle Dresden
Colin Davis – Conductor
Que tal embarcar em um avião imaginário rumo à ensolarada Espanha com Domingo Hindoyan e a RLPO? Seu mais recente álbum, ‘Iberia’, apresenta a Espanha através do olhar francês de Chabrier, Debussy e Ravel, e é pura alegria desde as primeiras notas.
A orquestra é inglesa, seu regente é venezuelano, o selo é londrino e os compositores franceses, mas a música é ibérica! Sensual, insinuante, ritmos envolventes, sonoridade grandiosa. Você não se decepcionará, se está buscando música para alegrar seu momento.
O repertório reflete o fascínio dos compositores franceses e artistas franceses com a cultura do país vizinho, especialmente no início do século passado. Nas décadas de 1960 e 70 surgiram ótimos discos com essa temática. O disco da Orquestra Sinfônica de Chicago regida por Fritz Reiner é um exemplo.
A peça que abre o programa desta postagem, España, de Emmanuel Chabrier, é icônica, e as outras peças de Debussy e Ravel seguem a mesma trilha com primor. É uma ótima oportunidade para a orquestra e seu diretor mostrarem seus méritos e alta qualidade. A produção também está impecável e o programa nos reserva uma hora e tanto de ótima audição, terminando com uma gravação do Bolero que me manteve ligado até a última nota.
Emmanuel Chabrier (1841-1894)
España
Claude Debussy (1862-1918)
Images – Ibéria: I. Par les rues et les chemins
Images – Ibéria: II. Les parfums de la nuit
Images – Ibéria: III. Le matin d’un jour de fête
Maurice Ravel (1875-1937)
Rapsodie espagnole: I. Prélude à la nuit
Rapsodie espagnole: II. Malagueña
Rapsodie espagnole: III. Habanera
Rapsodie espagnole: IV. Feria
Miroirs: IV. Alborada del gracioso
Pavane pour une infante défunte
Boléro
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra/Domingo Hindoyan
Domingo apontando os caminhos para as violas da PQP Bach Sinfonietta
Do crítico da plataforma Presto Classical, falando deste álbum e mais um outro, gravados pela mesma orquestra e regente: I admit I’ve had the English album on repeat for the last three weeks, but ‘Iberia’ has quickly grabbed hold of me for its sheer [consults dictionary] alegría de vivir.
Alegria de viver! Aproveite!
René Denon
Ilustração enviada para a postagem pelo Dept. de Artes do PQP Bach Publishing House
Se você gostou desta postagem, talvez queira visitar essas outras:
Os poemas sinfônicos de Sibelius são como paisagens finlandesas transformadas em sons — densos e impregnados do espírito do norte. Em obras como “Finlândia” (hino nacional não oficial), “Karelia Suite” e “O Cisne de Tuonela” (misterioso e estático), Sibelius vai além da descrição musical: ele captura mitos, florestas, lagos e a própria luta identitária de seu povo. Com uma orquestração inovadora – onde timbres escuros, melodias que brotam de motivos mínimos e silêncios tensionados criam uma geografia emocional única. Não, esses poemas não narram histórias, mas evocam atmosferas onde a natureza e a alma humana se fundem. São, talvez, a expressão mais pura do que se chamou “o espírito do Norte”: austero, grandioso e profundamente lírico. O CD começa com Finlândia, termina com Valsa Triste e é — todo — bom demais. Querem comprovar? Ouçam a Valsa Triste desta orquestra checoslovaca (sim, antes da separação). Um pouco mais rápida que o habitual, mas com uma sensibilidade e compreensão abobantes. Confiram, por favor. Excelente!
Jean Sibelius (1865-1957): Finlândia, Suíte Karelia, Suíte Lemminkainen, Valsa Triste, etc. (CSR, Schermerhorn)
1. Finlandia, Op. 26 8:30
2. Karelia Suite, Op. 11: I. Intermezzo: Moderato 3:48
3. Karelia Suite, Op. 11: II. Ballade: Tempo di menuetto 6:21
4. Karelia Suite, Op. 11: III. Alla marcia: Moderato 4:34
José Carlos do Amaral Vieira Filho, ou simplesmente Amaral Vieira, é daqueles músicos que – a despeito da quantidade de prêmios conquistados (10 como intérprete e 16 como compositor), da extensão de seu catálogo (no qual constam mais de 500 obras) e do reconhecimento de público e crítica – fazem muito mais sucesso no exterior do que aqui. (É bem provável que ele tenha se apresentado mais no Japão do que na cidade onde nasceu, São Paulo.) Com isso, já tava na hora de ele aparecer em nosso blog, inclusive em resposta a pedidos educados e conscientemente desprendidos de qualquer expectativa – que nosso SAC falhou em registrar. Hoje e daqui a 15 dias disponibilizarei dois dos vários álbuns que possuo de Amaral Vieira. Só não tenho, por ora, como me estender nas palavras.
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Amaral Vieira (1952): Fantasia coral In nativitate Domini
1. Choral-Fantasy ‘In Nativitate Domini’ Op.260 – Eloisa Baldin/Amaral Vieira/Selma Asprino/Norma Rodrigues/Coral Pro Musica Sacra/Luiz Roberto Borges
2. Tecladofonia Op.104: Allegro Moderato-Attacca
3. Tecladofonia Op.104: Non Troppo Lento
4. Tecladofonia Op.104: Scherzando-Attacca
5. Tecladofonia Op.104: Finale: Maestoso
6. Magnificat Op.254 – Eloisa Baldin/Sao Paulo State Chor/Jose Ferraz De Toledo
Amaral Vieira Te Deum in stilo barocco Missa Choralis
Ouvir Amaral Vieira e descobrir quais foram os compositores que inspiraram a concepção de cada obra – da estruturação à orquestração, do contraponto à temática – é um saudável e complexo exercício que recomendo aos mais bem aventurados fazê-lo. Aqui vão duas das melhores obras coral-sinfônicas do compositor paulistano. A Missa Choralis em particular é um primor de majestade musical, valendo-se apenas de três instrumentos para dar suporte ao coral: duas trompas e um piano.
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Amaral Vieira – Te Deum in stilo barocco e Missa Choralis
Te Deum
1. Abertura
2. Te Deum laudamus
3. Te ergo quaesumos
4. Aeterna fac
5. Salvum fac populum
6. In te Domine speravi
Missa
7. Kyrie
8. Gloria
9. Credo
10. Sanctus
11. Post elevationem (Benedictus)
12. Agnus Dei
Orquestra Filarmônica da Eslováquia e Coro, regidos por Mario Kosik e Jan Rozehnal
Aqui vai o último dos cinco melhores CDs de obras de Amaral Vieira. Os demais serão postados ao longo dos próximos quinze anos. Também deixo um brinde, enviado por um dos visitantes do blog a quem agradeço desde já, embora não lembre de seu nome.
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Amaral Vieira (1952): Stabat Mater e Missa pro defunctis
1. Stabat Mater, Op 240: 1. Stabat Mater
2. Stabat Mater, Op 240: 2. Cujus animam
3. Stabat Mater, Op 240: 3. O quam tristis
4. Stabat Mater, Op 240: 4. Quae moerebat
5. Stabat Mater, Op 240: 5. Quis est homo
6. Stabat Mater, Op 240: 6. Quis non posset
7. Stabat Mater, Op 240: 7. Pro peccatis
8. Stabat Mater, Op 240: 8. Vidit suum dulcem
9. Stabat Mater, Op 240: 9. Eia Mater
10. Stabat Mater, Op 240: 10. Fac ut ardeat
11. Stabat Mater, Op 240: 11. Sancta Mater
12. Stabat Mater, Op 240: 12. Tui nati vulnerati
13. Stabat Mater, Op 240: 13. Fac me tecum
14. Stabat Mater, Op 240: 14. Juxta crucem
15. Stabat Mater, Op 240: 15. Virgo virginum
16. Stabat Mater, Op 240: 16. Fac ut portem
17. Stabat Mater, Op 240: 17. Fac me plagis
18. Stabat Mater, Op 240: 18. Flammis ne urar
19. Stabat Mater, Op 240: 19. Christe
20. Stabat Mater, Op 240: 20. Quando corpus morietur
21. Missa por defunctis, Op 187: 1. Introitus
22. Missa por defunctis, Op 187: Kyrie
23. Missa por defunctis, Op 187: 2. Dies Irae
24. Missa por defunctis, Op 187: 3. Offertorium
25. Missa por defunctis, Op 187: 4. Sanctus
26. Missa por defunctis, Op 187: Benedictus
27. Missa por defunctis, Op 187: 5. Agnus Dei
28. Missa por defunctis, Op 187: 6. Libera me
Amaral Vieira (1952): Poemas de Amor y Uma Canción Desesperada opus 179b Versos de Pablo Neruda & Música de Amaral Vieira
1. Amaral Vieira, Brasil:
Cuerpo de Mujer, para canto e piano [3:46]
2. Ignacio Cervantes, Cuba (1874-1905):
La Celosa, dança cubana para piano [1:07]
3. Amaral Vieira, Brasil:
En su llama mortal, para canto e piano [3:07]
4. Enrique Soro, Chile (1884-1954):
Zamacueca, baile popular chileno para piano [3:00]
5. Amaral Vieira, Brasil:
Ah vastedad de pinos, para canto e piano [2:40]
6. Alberto Williams, Argentina (1862-1954):
Cortejo campestre, para piano [2:45]
7. Amaral Vieira, Brasil:
Es la mañana llena de tempestad, para canto e piano [2:44]
8. Armando Palmero, Bolívia (1900-1968):
Poema Índio, para piano [1:43]
9. Amaral Vieira, Brasil:
Te recuerdo, para canto e piano [4:39]
10. Dalmiro Costa, Uruguai (1836-1901):
La Pecadora, Habanera para piano [3:21]
11. Amaral Vieira, Brasil:
Para mi corazón, para canto e piano [3:04]
12. Reynaldo Hahn, Venezuela (1875-1947):
Si mes vers avaient des ailles, para piano [1:20]
13. Amaral Vieira, Brasil:
Puedo escribir los versos más tristes, para canto e piano [5:56]
14. Amaral Vieira, Brasil:
La Canción Desesperada, para canto e piano [7:04]
ELOISA BALDIN, meio-soprano
AMARAL VIEIRA, piano
Gravação ao vivo: Memorial da América Latina
Primeira gravação mundial
Selo Vela/Concertos 22-C005
[Obrigado ao Antônio Duarte pela relação de faixas. Em retribuição, reproduzo o comentário dele acerca deste CD] É uma grande alegria ter o Stabat Mater de Amaral Vieira disponibilizado neste blog. Já escrevi anteriormente que considero essa a mais importante obra sacra de compositor brasileiro. Como já tenho este cd, comentarei sobre o Tributo a Neruda, que é uma novidade para mim. Já pudemos constatar nas obras sacras que A. Vieira escreve magnificamente bem para a voz e isso se confirma nas 9 canções incluídas neste post. É admirável o lirismo de “Te recuerdo” e “Para mi corazon”, o drama de “Es la mañana llena de tempestad” e de “La Canción Desesperada”, a delicadeza de “Ah vastedad de pinos”, a sensualidade de “Cuerpo de Mujer”. As pequenas jóias latino-americanas para piano que entremeiam as canções são tocadas de modo muito refinado. É difícil imaginar que o cd inteiro tenha sido gravado ao vivo no Memorial da América Latina de São aulo, que tem uma das mais complicadas acústicas do planeta. Eloisa Baldin uma vez mais comprova sua excelência na interpretação de obras de Amaral Vieira (já a conhecíamos nas gravações da Fantasia-Coral e do Magnificat). Uma única ressalva: na reprodução do fundo de caixa do cd, Eloisa Baldin consta como soprano, mas no meu modesto entender o seu registro está mais para meio-soprano ou até mesmo contralto.