IM-PER-DÍ-VEL !!!
Esse é um disco belíssimo e bastante singular. Gavin Bryars não faz arranjos convencionais de Purcell e Gluck. Ele cria uma espécie de meditação sobre essas obras, preservando sua essência emocional enquanto as desloca para uma paisagem sonora contemporânea. Poucos compositores atuais transitam com tanta naturalidade entre o passado e o presente quanto Bryars. Em Dido and Orfeo (After Purcell and Gluck), ele não procura reescrever Purcell e Gluck nem competir com eles. Sua intenção é outra, muito mais delicada: ouvir o que permanece ressoando dessas obras quando o tempo parece ter apagado seus contornos. Claro, para ouvir o CD, é bom conhecer Dido e Eneas (Purcell) assim como Orfeu e Eurídice (Gluck).
As duas figuras míticas reunidas no disco — Dido e Orfeu — compartilham um destino comum. Ambos conhecem a perda irreparável. Ambos vivem a experiência da despedida. Bryars transforma essa afinidade numa longa reflexão musical sobre a memória, o luto e a permanência do amor. Em vez de reconstruir as partituras originais, o compositor trabalha com fragmentos, harmonias e repetições quase hipnóticas. Melodias familiares surgem como lembranças distantes, envolvidas por uma atmosfera de extraordinária serenidade. É música que parece existir entre o silêncio e a recordação.
A escrita de Bryars aproxima-se frequentemente do minimalismo, mas sem a pulsação insistente de Steve Reich. Sua música respira lentamente. Cada nota parece ocupar um espaço preciso, convidando o ouvinte a escutar o tempo em vez do acontecimento. A interpretação faz justiça a esse universo contemplativo. As vozes evitam qualquer excesso dramático e preservam uma nobre simplicidade, onde cada detalhe encontra seu lugar sem romper o equilíbrio. O resultado não é uma ópera reduzida nem uma reconstrução histórica, mas uma nova obra que dialoga respeitosamente com seus modelos.
Há momentos em que reconhecemos claramente o lamento de Dido ou a atmosfera de Orfeo e Euridice. Em outros, resta apenas uma sombra melódica, suficiente para despertar a memória do ouvinte. Bryars parece sugerir que as grandes obras nunca desaparecem completamente, elas continuam existindo como vestígios que cada geração reaprende a ouvir. Dido and Orfeo não é um disco para impressionar pelo virtuosismo nem pela grandiosidade. Sua força reside justamente na contenção. É uma música de penumbra, de silêncio e de contemplação, que exige escuta paciente e recompensa o ouvinte com uma beleza discreta e profundamente comovente.
Não, nada de atualizar os clássicos, Gavin Bryars escolhe o caminho oposto: reduz, simplifica, desacelera. E, nesse gesto de delicadeza, revela uma verdade rara. Às vezes, a maneira mais profunda de homenagear o passado não é repeti-lo, mas escutar os ecos que ele ainda produz em nosso presente.
Ah, Ida Toninato é um MONSTRO de saxofonista!
Gavin Bryars: Dido and Orfeo (After Purcell and Gluck)
After Purcell: Dido and Aeneas
1 Overture 2:02
2 Banish Sorrow 2:05
3 Ah, Belinda 2:03
4 To The Hills 1:29
5 Prelude For The Witches 3:49
6 In Our Deep Vaulted Cell 1:56
7 Haste Haste 3:17
8 The Triumphing Dance 1:35
9 Thanks To The Lonesome Vales 2:38
10 Cupid Only 2:44
11 Dance B (After Gluck: Orfeo Et Euridice) 4:11
12 With Drooping Wings 2:30
13 Dido’s Lament 4:24
After Gluck: Orfeo Et Euridice
14 Air 2:00
15 Pantomime 1:51
16 Ah, Si Intorno 3:18
17 Dance Of The Furies 2:57
18 Ah Quale Incognito 1:36
19 Dance A 1:25
20 Vieni A Regni 2:06
21 Sposa 5:31
22 Men Tiranne 3:44
23 Trio 5:54
Cello – Jean-Christophe Lizotte
Piano, Music Director – Njo Kong Kie
Soprano Saxophone, Alto Saxophone, Baritone Saxophone – Ida Toninato
Viola – Jennifer Thiessen

PQP



IM-PER-DÍ-VEL !!!![W. A. Mozart (1756 – 1791): Sinfonias Nos. 35, 36 & 38 – J. V. Voříšek (1791 – 1825): Sinfonia em ré maior – Prague Philharmonia & Jiří Bělohlávek [harmonia mundi & Supraphon] [Dose Dupla] ֎֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/07/Jiri-Belohlavek_04_c_Petra-Hajska-960x413.jpg)










IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD maravilhoso estava comigo há mais de um ano, mas foi somente hoje que eu o escutei. A Cantata Itaipu foi composta por Glass no ano de 1989 em homenagem à hidrelétrica de mesmo nome, construída sobre o Rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. O trabalho foi encomendado pela Orquestra Sinfônica de Atlanta. Atualmente, o presidente paraguaio Fernando Lugo, quer “um preço de mercado justo” (palavras dele) pela energia que o Paraguai vende ao Brasil. Mas isso é outra história. O texto da cantata de Glass foi composta em guarani, com tradução feita por Daniela Thomas, por informações não oficiais, parece que ela é filha do cartunista Ziraldo. Corrijam-me se estiver errado. Aproveitem!

Este é um álbum que sempre aparece nas minhas listas de mp3 para ouvir enquanto dirijo. O disco é composto por seis faixas de uma música predominantemente indiana e da melhor qualidade. É interessante salientar que apesar das distancias geográficas que separam os dois compositores, Glass em Nova Yorque e Shankar em Madras, o álbum possui uma unidade surpreendente.![Beethoven (1770 – 1828): Concerto para Piano No. 3 – Caroline Shaw (1982 – ): Watermark – Jonathan Biss (piano), Swedish Radio Symphony Orchestra & Malin Broman – [Orchid Classics] ֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2026/07/JonathanBissHeader2024copy-960x576.jpg)







Há compositores que não são para amadores ou diletantes. Mahler tem sorte; raramente ouvi gravações de suas obras que não fossem de alto nível. Herreweghe realiza um excelente trabalho em Des Knaben Wunderhorn e, se não chega ao nível dos grandes mahlerianos, dá-nos uma boa versão de uma das mais importantes obras do marido de Alma.
Tenho meus problemas com Herbert von, porém, apesar do molho pesado de sempre, gostei deste CD. Quase chorei no Lacrimosa, não pela regência, mas pela lembrança do final de Vá e Veja. Aqui temos 

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Sem delongas, que a tarde vai caindo e o fim de semana nos espera.
Este CD com o poema sinfônico Also sprach Zarathustra (Assim falou Zaratustra) e as Quatro Últimas Canções, de Richard Strauss, oferece um retrato fascinante do compositor em dois extremos de sua carreira — o jovem audacioso de 1896 e o octogenário que, em 1948, compôs uma despedida serena e comovente.
Tentar definir a música – que em todo caso não é um produto mas um processo – é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada. (Luciano Berio)
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Eugène Ysaÿe foi o extravagante sucessor de Wieniawski na tradição francesa de virtuosismo violinístico. No entanto, ele se elevou a um novo patamar – o de bom compositor — com suas seis sonatas para violino solo de 1924. Cada sonata é dedicada a uma das estrelas em ascensão da nova geração de virtuosos e o trabalho seria uma resposta do século XX para o Seis Sonatas e Partitas para violino solo de Bach… As duas obras para violino e piano nesta gravação estão numa vertente menos virtuosa e datam de cerca de trinta anos antes. Rêve d’enfant é uma canção de ninar e combina curto concurso no espírito de Fauré, enquanto o Élégiaque Poème nos dá uma curiosa mistura de Fauré com Wagner.

Este CD reúne duas faces do talento de Leonard Bernstein como regente: o Tchaikovsky mais pungente com a New York Philharmonic e o Stravinsky mais vibrante com a Israel Philharmonic Orchestra. É uma combinação que demonstra seu estilo apaixonado e teatral, ainda que com resultados distintos, para o bem e, eventualmente, para o mal. A Sinfonia Nº 6 “Patética”, foi gravada ao vivo em 1986, esta é uma interpretação que prioriza o drama. Bernstein oferece uma leitura intensa e profundamente pessoal, explorando a angústia e o desespero da obra. Fãs de interpretações mais contidas podem achar exagerada, mas para quem busca uma “Patética” visceral, é uma escuta, digamos, poderosa. Em contraste, as Scènes de ballet de Stravinsky, gravadas em 1982 com a Filarmônica de Israel, mostram um Bernstein que domina a linguagem do compositor. Esta é uma obra mais leve e neoclássica e Bernstein se diverte. A energia da execução ao vivo confere um brilho especial à gravação. Em resumo, o CD é um excelente retrato de… o Bernstein. A “Patética” não é uma gravação de referência, mas é uma declaração artística fascinante. Já as Scènes de ballet são um deleite, apresentando o lado mais sofisticado e dançante de Stravinsky sob a batuta de um maestro que entendia profundamente o teatro musical.
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Eu não sei que CD é este. Só sei que ele está no 
Este CD reúne gravações da violinista sul-coreana Kyung-Wha Chung em dois momentos distintos de sua parceria com grandes orquestras e regentes. (A carreira de Chung infelizmente foi interrompida em 2005 por uma lesão no dedo indicador esquerdo). De um lado, Dvořák sob Riccardo Muti com a Philadelphia Orchestra (1988); de outro, as Rapsódias de Bartók dirigidas por Sir Simon Rattle com a City of Birmingham Symphony Orchestra (1992). O resultado é um disco que exibe o virtuosismo e a sensibilidade de Chung, mas que é duvidoso quanto à sintonia entre solista e regentes. Não vou falar do Dvořák, que detestei (pareceu-me que Muti e Chung se odiaram), mas sim das obras de Bartók, que são mais a minha praia: Rattle costuma compreender e obedecer aos solistas, mas, novamente, aqui há uma disparidade de estilos. Enquanto Chung traz a cor e a energia do grande húngaro, Rattle e a orquestra vêm com “a angústia e a ansiedade de Schoenberg”. Vai ver que a Chung é uma baita chata.











