Desde a sua fundação, há dez anos, o Ensemble Ouranos tem como objetivo expandir o repertório para quinteto de sopros. “Constellations”, sua primeira gravação para a Alpha Classics, dá continuidade a essa tradição com transcrições de Shostakovich e Ravel. “Summer Music”, de Barber, completa o programa.
Em uma deliciosa crônica – O Recital – a fabulosa imaginação de LF Verissimo cria uma situação inusitada. No recital de um quarteto de cordas (poucas coisas seriam mais formais) surge um ‘quinto elemento’, um homem com uma tuba, vindo dos bastidores. Ele posta-se ao lado do violoncelista e quer tocar, ora bolas! Quer acompanhar o conjunto, improvisar algo, fazer o um-pá-pá…
Eu me lembrei desta crônica assim que vi o repertório do álbum da postagem. O Ensemble Ouranos é formado por cinco músicos que tocam instrumentos de sopros, nenhuma tuba, quase, mas flauta, clarinete, oboé, fagote e trompa. Como diz o libreto, o conjunto foi fundado por cinco solistas do Conservatoire Supérieur de Paris e explora o repertório para quinteto de sopros com liberdade e entusiasmo.

Como o tal repertório não é assim tão extenso, além de obras originais para essa formação, eles vão de arranjos, alguns bem inusitados, o que nos traz de volta ao início da postagem – quarteto de cordas e instrumentos de sopros. Neste álbum eles interpretam o Oitavo Quarteto de Cordas de Shostakovich em um arranjo para quinteto de cordas feito por David Walter.
Eu já havia ouvido o quarteto original antes e tudo indica que é, assim, um expoente na obra de DSCH, quem é mais entendido do que eu que o diga. Eu achei o arranjo convincente como peça de música, mas não é um quarteto de cordas.

No programa do álbum uma peça de Samuel Barber, escrita para a formação de quinteto de sopros, chamada Summer Music. A inspiração para a peça vem de Summertime (e do blues) de Gershwin e também em coisas de Stravinsky. É uma música bem bonita.
A peça da qual eu mais gostei foi o arranjo da suíte Le tombeau de Couperin, de Maurice Ravel.
O disco tem o mesmo jeitão dos lançamentos do selo Alpha, um pouco ‘fora da caixa’, mas tudo feito com muito bom gosto, em particular a capa, bem estilosa.
Maurice Ravel (1875-1937)
Le tombeau de Couperin (Transcription de Mason Jones)
- Prélude
- Fugue
- Menuet
- Rigaudon
Pavane pour une infante défunte (Transcription de Guy du Cheyron)
- Pavane
Samuel Barber (1910-1981)
Summer Music, OP. 31
- Slow and indolent
- Lively, still faster
- Faster
- Tempo primo, joyous and flowing
Dmitri Shostakovich (1906-1975)
Quatuor N° 8 en ut mineur, Op. 110 (Transcription de David Walter)
- Largo
- Allegro molto
- Allegretto
- Largo
- Largo
Élégie (Arrangement de Lady Macbeth de Mtsensk, op. 29 acte I Scène 3 : Zherebyonok kkobylke toropitsa, Transcription de Nicolas Ramez)
- Adagio
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 | 320 KBPS | 138 MB
Ensemble Ouranos
Mathilde Calderini, flauta
Amaury Viduvier, clarinete
Philibert Perrine, oboé
Rafael Angster, fagote
Nicolas Ramez, trompa
Postagem da highresaudio.com no fb: It is not a very conventional idea to think of Shostakovich as cozy. The Ouranos ensemble not only thinks so, they even play it that way. The outstanding French wind quintet proves this on its latest album, Constellations, complemented by works by Ravel and Barber. …
Viu? Enjoy, aproveite!
René Denon











Uchida não quis saber de regentes para fazer esta série de Concertos para Piano de Mozart. Não parece, mas são gravações feitas ao vivo, no Cleveland`s Severance Hall. Ela já tem uma integral destes concertos com a English Chamber Orchestra, sob a regência de Jeffrey Tate. 20 anos depois, nesta regravação destas obras-chave de seu repertório, Uchida vem um pouquinho pior… A culpa é mais da orquestra — dirigida por ela — do que da categoria da pianista, sempre excelente. Apesar do espetacular trabalho dos sopros, o tamanho da orquestra é demasiadamente grande para as peças. A abordagem também é excessivamente romântica para Mozart. Tate era mais Mozart na versão anterior de Uchida .


Pra lá de interessante este CD de Dudamel e sua turma da Venezuela. São três peças de longa duração escritas por Tchai sobre temas shakespearianos: Hamlet, A Tempestade e Romeu e Julieta. Um ideia bem óbvia, né? Dudamel parece o Rattle dos primeiros anos, erra pouco e parece levar muito bem sua vida entre um país e outro. Atualmente, é o maestro titular da extraordinária Orquestra Sinfônica de Gotemburgo e diretor musical da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, além de ser a grande estrela da Simón Bolívar. Um fenômeno. Afinal, este filho de um trombonista com uma professora de canto é um cara que começou no 



Este é um belo disco de Frans Brüggen em seus tempos de solista. E, puxa vida, o homem toca muito! Não é para menos que sua companhia é formada apenas por Anner Bylsma e Gustav Leonhardt. As sonatas são interpretadas pelo trio e as fantasias são obras para flauta solo. Eles todos estão perfeitos nestas obras do compositor que nosso amigo 
Um disco raro que foi relançado com outra capa pela Harmonia Mundi France. É esta a edição que eu tenho. O título da HM francesa é mais exato: Miniatures for young pianists, pois é disto que se trata. Tem muito exercício e muita fofura. Por exemplo, as 24 peças de Tchai para crianças foram composta exclusivamente com fins pedagógicos. As pecinhas, todas curtas, são intituladas como “A Doença da Boneca”, “Marcha dos Soldados de Chumbo”, etc. e foram dedicadas a seu sobrinho. O objetivo era proporcionar a jovens pianistas peças musicalmente ricas, porém tecnicamente acessíveis, que desenvolvessem tanto a técnica quanto a expressividade. Prokô e Shosta seguiram a onda. Um álbum agradável.








IM-PER-DÍ-VEL !!! 
Clique aqui
Faz algum tempo postei aqui o que considero uma das realizações mais importantes da música instrumental brasileira: os 4 discos do Quinteto Armorial. Esse grupo pernambucano começou a gravar em 1974 e infelizmente não gravou mais depois de 1980.
juventude a Universidade Federal da Bahia havia se tornado um dos principais polos de inovação musical no Brasil, inicialmente com a presença de Hans Joachim Koellreuter, e depois com os suíços Ernst Widmer e Walter Smetak – este uma espécie de cientista maluco da invenção de instrumentos e da experimentação musical radical. Marco se mudou para Salvador para estudar Regência e Composição, e o encontro com Smetak veio de brinde, abrindo a perspectiva de fundir sua própria busca musical com a tradição artesanal da família.












IM-PER-DÍ-VEL !!!










Os poemas sinfônicos de Sibelius são como paisagens finlandesas transformadas em sons — densos e impregnados do espírito do norte. Em obras como “Finlândia” (hino nacional não oficial), “Karelia Suite” e “O Cisne de Tuonela” (misterioso e estático), Sibelius vai além da descrição musical: ele captura mitos, florestas, lagos e a própria luta identitária de seu povo. Com uma orquestração inovadora – onde timbres escuros, melodias que brotam de motivos mínimos e silêncios tensionados criam uma geografia emocional única. Não, esses poemas não narram histórias, mas evocam atmosferas onde a natureza e a alma humana se fundem. São, talvez, a expressão mais pura do que se chamou “o espírito do Norte”: austero, grandioso e profundamente lírico. O CD começa com Finlândia, termina com Valsa Triste e é — todo — bom demais. Querem comprovar? Ouçam a Valsa Triste desta orquestra checoslovaca (sim, antes da separação). Um pouco mais rápida que o habitual, mas com uma sensibilidade e compreensão abobantes. Confiram, por favor. Excelente!![Amaral Vieira (1952): Fantasia coral In nativitate Domini [link atualizado 2017]](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2012/08/amaral_vieira1.jpg)
![Amaral Vieira (1952): Te Deum in stilo barocco e Missa Choralis [link atualizado 2017]](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2014/11/AmaralViera.jpg)


Bem, como já disse várias vezes, os discos de Telemann devem ser muito bem garimpados. O cara tem uma obra muito grande e boa parte dela é descartável. Então é muito complicado navegar no mar telemiano, por assim dizer. Este CD é daquelas exceções. Ele é apenas maravilhoso. A Suíte é esplêndida e pelo menos um dos Concertos para Flauta é simplesmente extraordinário — não, não descarto os outros. Vale a pena ouvir tudo. A Suíte para Flauta de Telemann é um exemplar perfeito do estilo francês, combina a elegância das danças barrocas (como minuetos e gavotas) com uma escrita fluente e expressiva para o solista. É uma obra encantadora, que exige musicalidade acima do mero virtuosismo técnico. Rothert brinca bastante. Já os Concertos para Flauta de Telemann revelam a vitalidade do estilo italiano, com movimentos vivos e melódicos que alternam entre o brilho do solista e o diálogo com o tutti orquestral. São peças equilibradas e inventivas, onde o compositor explora com leveza o contraste entre os registros e a agilidade da flauta. Prestem atenção ao Concerto em “E minor” (mi menor em português). A coisa só vai melhorando até chegar a um espetacular Presto.


Dizem que os Concertos para Violoncelo de Dvořák e Elgar são os dois pilares absolutos do repertório romântico para o instrumento, só que representam universos emocionais e estéticos muito distintos. Uma comparação clássica é que o de Dvořák é como uma paisagem épica, enquanto o de Elgar é um retrato psicológico íntimo. Acho os dois horrorosos e só posto porque sei que meus gostos são um tanto particulares. É curioso como estes concertos estão ligados a alguns grandes solistas. O de Dvořák é associado a Pablo Casals, que o popularizou, e a gravações de grande força como a de Rostropovich + Karajan ou Fournier + Szell. O de Elgar está indissociavelmente ligado a Jacqueline du Pré. Sua gravação com Barbirolli (1965) capturou a juventude, a dor e a paixão vulcânica da obra de uma forma definitiva, tornando-a um ícone. Outras leituras — como a de Truls Mørk — são mais introspectivas e sombrias. Gosto moderadamente desta última.
