Gustav Mahler (1860-1911): Des Knaben Wunderhorn / Adágio da Sinfonia Nº 10 (Boulez – Gerhaher – Kozená)

Gustav Mahler (1860-1911): Des Knaben Wunderhorn / Adágio da Sinfonia Nº 10 (Boulez – Gerhaher – Kozená)

Hoje, dia 18 de maio de 2011, se comemoram os 100 anos da morte de Gustav Mahler. Com certeza, uma data importante para celebrar aquele que foi um dos maiores compositores das história, um compositor único, que conseguiu em apenas 50 anos de vida criar um dos maiores ciclos de sinfonias, além de outras obras, já compostos pelo ser humano. Uma obra que causou, e ainda causa, grande impacto. São obras densas, de extrema complexidade, com uma orquestração ímpar, e que muito exige de todos os envolvidos: desde o regente até a orquestra e, claro, o próprio ouvinte, que de início não sabe bem como reagir, mas acaba por se render à grandiosidade e genialidade daquelas obras. Já postamos algumas integrais aqui no PQP, portanto, vocês podem optar.

Curiosamente, este CD que estou postando em homenagem a esta data, traz uma das obras que considero de mais fácil assimilação da obra mahleriana. Segundo a Wikipedia, “Des Knaben Wunderhorn (alemão, em português – literalmente: A trompa mágica do menino, referindo-se a um objeto mágico como a cornucópia) é uma coleção de textos de canções populares, publicada em três volumes em Heidelberg pelos poetas e escritores alemães Achim von Arnim e Clemens Brentano entre 1805 e 1808. A coleção contém canções da Idade Média até o Século XVIII”. Mahler musicou algumas delas, 24 na verdade, entre 1892 e 1902, porém, nesta gravação, Boulez gravou apenas 12. Mas basta para termos uma noção da escrita mahleriana, principalmente as canções.

Não sou nem pretendo ser um expert em Mahler, admiro-o imensamente e digamos que ainda estou me adaptando à sua linguagem (isso que ouço Mahler desde meus 18 anos de idade…).

Já ouso dizer que o Adágio da Sinfonia Nº 10 é não apenas o canto de cisne de Mahker como uma das maiores e antecipatórias peças de todos os tempos.

Boulez é um dos grandes regentes e compositores do século XX e deste início de século XXI. Podemos não concordar com algumas das escolhas que ele faz, mas jamais podemos negar seu talento enquanto regente. Nesta gravação ele tem “apenas” nossa musa, Madalena Kozená, e o excelente barítono Christian Gerhaher. A Orquestra de Cleveland já é uma velha conhecida nossa quando se trata deste repertório, principalmente nas mãos de Boulez.

Mas vamos ao que interessa: Viva Mahler !!!

Gustav Mahler – Des Knaben Wunderhorn – Adagio from Symphony n° 10 – Boulez – Gerhaher – Kozená

01 – Der Schildwache Nachtlied
02 – Verlorne Mueh’
03 – Trost im Unglueck
04 – Wer hat dies Liedlein erdacht
05 – Das irdische Leben
06 – Revelge
07 – Des Antonius von Padua Fischpredigt
08 – Rheinlegendchen
09 – Lied des Verfolgten im Turm
10 – Wo die schoenen Trompeten blasen
11 – Lob des hohen Verstandes
12 – Der Tambourg’sell

13 – Symphony no. 10-Adagio

Madalena Kozená – Mezzo-soprano
Christian Gerhaher – Barítono
The Cleveland Orchestra
Pierre Boulez – Conductor

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Um café da manhã da família Mahler. Alma parece não pensar ainda em Gropius. Ou já?

FDP (PQP)

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Doze canções irlandesas, WoO 154 – Doze canções de diversas nacionalidades, WoO 157 – Murray – Lott – Ainsley – Allen – Walker – Spence – Watson – Philogene – Robinson

Um dos aspectos mais peculiares da parceria entre o editor George Thomson e Beethoven era que, com raras exceções, nosso herói desconhecia completamente as letras que seriam apostas aos arranjos que ele fazia das melodias enviadas da Escócia. Muito se especulou sobre os motivos que levaram Thomson a adotar esse expediente. Algumas das explicações passavam pelas letras originais: uma boa parte das canções folclóricas eram em escocês ou irlandês, ou nos dialetos locais de inglês, considerados pouco elegantes – isso quando não tratavam de temas chulos que, no mínimo, fariam corar as senhoritas nos pudicos salões em que, como queria Thomson, os arranjos seriam ouvidos. O mais provável, no entanto, era que ele não confiasse nem em Beethoven, que realmente se enrolou muito nas negociações originais, nem nas complicadas rotas que transportavam partituras, correspondência e rusgas entre Edimburgo e Viena. Por isso, então, teria decido procurar letras para os arranjos só depois que eles tivessem cruzado a Mancha.

Ludwig protestou reiteradamente contra esse modus operandi do escocês, alegando que não teria como fazer arranjos adequados sem conhecer pelo menos do que tratavam as letras. Presenteado com esse vácuo de informações, preencheu as lacunas da maneira que sua imaginação permitiu, exagerando nas cores: as canções em tonalidade menor, por exemplo, são bastante lamuriosas; aquelas de amor, carregadas de sentimentalismo. Em várias delas Beethoven representou a paisagem sonora que ele, que nunca deixara a Europa continental, tinha das ilhas britânicas: baixos permeados por bordões, imitando as gaitas de foles que tanto o impressionaram quando um regimento escocês visitou Viena. A despeito dessas limitações, é inegável que ele fez um esmerado trabalho, refletido não só nas introduções e codas instrumentais muitas vezes elaboradas, como também no capricho na apresentação das partituras e até na sua habitualmente medonha caligrafia. Esboços de trechos dos arranjos aparecem até em seus cadernos de rascunho – uma honra reservada em geral apenas para anotações para suas obras mais importantes, o que também atesta a seriedade com que ele encarou a tarefa.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Doze canções irlandesas, arranjadas para voz e conjunto vocal misto, com acompanhamento de violino, violoncelo e piano, WoO 154
Arranjadas entre 1812-13
Publicadas em 1816

1 – No. 2: Oh harp of Erin. Andantino semplice espressivo
2 – No. 12: Duet – He promised me at parting. Allegretto con moto
3 – No.  4: The pulse of an Irishman. Vivace scherzando
4 – No.  3: The Farewell Song. Andantino con espressione
5 – No. 8: Save me from the grave and wise. Allegretto molto grazioso
6 – No. 9: Duet – Oh! would I were but that sweet linnet. Andante amoroso
7 – No. 10: Duet – The hero may perish. Andante con moto
8 – No. 6: Put round the bright wine. Allegretto quasi vivace
9 – No. 5: Oh! who, my dear Dermot. Andantino con espressione
10 – No. 7: From Garyone, my happy home. Allegretto amoroso
11 – No. 11: Duet – The Soldier in a Foreign Land. Andantino amoroso
12 – No. 1: The Elfin Fairies. Vivace

Janice Watson, soprano
Dame Felicity Lott, soprano
Ann Murray, mezzo-soprano
Ruby Philogene, mezzo-soprano
Sarah Walker, mezzo-soprano
John Mark Ainsley, tenor
Toby Spence, tenor
Thomas Allen, barítono
Marieke Blankestijn, violino
Elizabeth Layton, violino
Krysia Osostowicz, violino
Ursula Smith, violoncelo
Malcolm Martineau, piano

Doze canções de diversos povos, arranjadas para voz e conjunto vocal misto, com acompanhamento de violino, violoncelo e piano, WoO 157
Arranjadas entre 1815-20
Publicadas entre 1816-39

13 – No. 1: God save the King. Maestoso con molto spirito
14 – No. 2: The Soldier. Maestoso risoluto ed eroico
15 – No. 3: Charlie is my Darling. Allegretto con anima
16 – No. 4: O Sanctissima. Andante con moto, ma con pietà
17 – No. 5: The Miller of Dee. Allegretto con brio
18 – No. 6: A Health to the Brave. Alla marcia
19 – No. 9: Highlander’s Lament. Espressivo
20 – No. 8: By the Side of the Shannon. Allegro più tosto, scherzando
21 – No. 11: The Wandering Minstrel. Andantino quasi allegretto
22 – No. 10: Sir Johnnie Cope. Marcia, Allegretto spritioso e semplice
23 – No. 7: Robin Adair. Andante amoroso
24 – No. 12: La gondoletta. Allegretto scherzando

Janice Watson, soprano
Dame Felicity Lott, soprano
Ann Murray, mezzo-soprano
Ruby Philogene, mezzo-soprano
John Mark Ainsley, tenor
Timothy Robinson, tenor
Thomas Allen, barítono
Marieke Blankestijn, violino
Elizabeth Layton, violino
Krysia Osostowicz, violino
Ursula Smith, violoncelo
Malcolm Martineau, piano

 

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Poulenc (1899-1963): Música de Câmara – Ensemble Arabesques – Paul Rivinius

Poulenc (1899-1963): Música de Câmara – Ensemble Arabesques – Paul Rivinius

Francis Poulenc

Música da Câmara

(com Instrumentos de Sopro)

Ensemble Arabesques

Paul Rivinius

 

Houve um tempo em que as escolhas de repertório eram limitadas e a música que ouvíamos vinha dos LPs nos quais conseguíamos deitar a mão. Muito Tchaikovsky, uma porção discos de Karajan e maestros e músicos que os principais selos se davam ao trabalho de lançar por aqui. É claro, havia muita coisa boa, mas acho que vocês me entendem. O que havia é descrito pela expressão em inglês – mainstream – o repertório mais convencional.
Lembro de estar na loja do Rubão, o aristocrático Sr. Rubens, que flanava entre suas gôndolas repletas de LPs da Deutsche Grammophon e Philips, com seu blazer castanho e ar inglês, e ver entrar uma figura do meio artístico teatral buscando – música de câmara de Fauré. É preciso ouvir a música de câmara de Gabriel Fauré, afirmava ele… Pois é, ele quase desmaiou quando viu os preços.

Qual é o trompista e qual é o pianista?

Atualmente, com a facilidade oferecida pelas plataformas de música, muitos avatares digitais do que seria os LPs, temos o problema reverso – como escolher um bom disco em meio a tantas ofertas? É preciso muita, muita disposição e alguma disciplina.

Eu, que fora um assíduo praticante da Lei do Xadrez – disco colocado é disco ouvido! – tive que adaptar a regra. Adaptei para Sinfonia (Concerto, Sonata…) começada é Sinfonia ouvida. Mas como ouço muito Bruckner e Mahler, estou em negociação com a Casa dos Deliberantes Neurônios uma adaptação da Regra: Movimento (Lied, Ária de Ópera) começado é Movimento ouvido. Tudo isto por que o que nunca muda é que o dia é composto de 24 horas das quais precisamos dispor com alguma sabedoria…

Assim, quando chego a um disco – ou avatar digital de um álbum – um arquivo de música que ouço do começo ao fim e que deixa a sensação de que seria bom ouvir de novo, é por que a música muito me agradou. Certo, tem umas coisas de momento, mas em geral, o que vai bem no tardar da noite e se confirma pela manhã, é coisa boa.

Foi com esse tipo de disposição que cheguei a este lindo álbum com música de câmara de Poulenc, com instrumentos de sopro e piano. As peças que abrem e fecham o disco também estão em um álbum que postei dia destes, mas lá elas fazem companhia a dois concertos. Aqui elas estão entre peças do mesmo gênero.

O disco começa com a partitura mais antiga, o Trio para Piano, Oboé e Fagote, de 1926, dedicado a Manuel de Falla. Poulenc mencionou a influência de um alegro de Haydn para o primeiro movimento e do Segundo Concerto para Piano de Saint-Saëns no Rondó Final. O Sexteto é sparkling, acerbic and mocking (borbulhante, ácido e zombeteiro) segundo o biógrafo de Poulenc, Henri Hell. O contraste entre o episódio inicial da abertura com o trecho mais melancólico que segue é marcante.

A Sonata para Piano e Flauta, de 1957, é uma das obras mais conhecidas do disco, provavelmente, e foi estreada no Strasbourg Festival no mesmo ano, pelo compositor ao piano e o imenso Jean-Pierre Rampal, na flauta. Com um padrinho destes, a peça não poderia começar melhor.

Benny & Lenny

As duas últimas peças do disco foram compostas no final da vida de Poulenc e foram estreadas após sua morte. A Sonata para Oboé e Piano foi dedicada (postumamente) à Prokofiev e a Sonata para Clarinete e Piano foi estreada por Benny Goodman e Leonard Bernstein, em abril de 1963, no Carnegie Hall. Segundo Poulenc, estas duas sonatas ‘simmered in the same pot’ – foram cosidas na mesma panela!

O grupo musical que nos apresenta estas peças é excelente. O Arabesques Ensemble é um grupo de instrumentistas que surgiu com o festival criado em 2011 em Hamburgo e reúne músicos das três principais orquestras da cidade. O festival busca apresentar musica de compositores desconhecidos e peças musicais menos conhecidas.

O pianista Paul Rivinius estudou com Gerhard Oppitz em Munique e foi membro da  Gustav Mahler Youth Orchestra sob a direção de Claudio Abbado.

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Trio para piano, oboé e fagote, FP 43 (1926)

  1. Presto
  2. Andante
  3. Rondo

Sexteto para piano, flauta, oboé, clarinete, fagote e trompa, FP 100 (1932 – 39)

  1. Allegro vivace
  2. Andantino
  3. Prestissimo

Sonata para flauta e piano, FP 164 (1956 – 57)

  1. Allegro malinconico
  2. Cantilena
  3. Presto giocoso

Sonata para clarinete e piano, FP 184 (1962)

  1. Allegro tristemente
  2. Romanza (Très calme)
  3. Allegro con fuoco (Très animé)

Sonata para oboé e piano, FP 185 (1962)

  1. Élégie. Paisiblement
  2. Très animé
  3. Déploration. Très calme

Ensemble Arabesques

Eva Maria Thiébaud, flauta

Nicolas Thiébaud, oboé

Gaspare Buonomano, clarinete

Pascal Deuber, trompa

Christian Kunert, fagote

Paul Rivinius, piano

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FLAC | 281 MB

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MP3 | 320 KBPS | 177 MB

O pianista fez a foto…

Para nosso momento ‘The book is on the table’ escolhi uma frase de uma crítica feita ao disco no site da Amazon por Dean Frey: ‘This splendid collection of chamber music with piano is organized chronologically, but there’s no real story arc of development or decline here; just Poulenc’s prodigious, regular eruption of brightness and melancholy, of boisterous cheer and haunted longing’.

Concordo com ele em gênero, número e grau…

Aproveite!

RD

wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Quartetos para Piano – Festetics Quartet & Paul Badura-Skoda

Eis um agradabilíssimo CD para ser ouvido sem outro compromisso que não seja o prazer auditivo. Um conjunto de músicos excepcionais tocando Mozart, quem não deseja um começo de manhã desses?
Mozart compôs estes pouco comuns Quartetos para Piano em um momento de pleno fervor criativo, quando estava imerso na composição das suas ‘Bodas de Fígaro’, ou seja, sua cabeça estava a mil por hora, com certeza. E curioso é o tratamento que ele dá ao piano, quase concertante. O acompanhamento também tem um tratamento diferenciado do que dava aos seus Quartetos para Corda tradicionais. Outra curiosidade é que ambos Quartetos tem apenas três movimentos, ao contrário de outras obras de câmara que trazem quatro movimentos. Mozart inovando, como sempre.
Esta gravação é um prazer total também pelo fato dos músicos e do próprio PBS (para os íntimos) se utilizarem de instrumentos de época, nos trazendo uma belíssima possibilidade de interpretação historicamente informada. O instrumento que o pianista se utiliza é baseado em um modelo construído em 1790, ou seja, bem próximo ao modelo que Mozart se utilizava. Para as devidas comparações sugiro ouvirem o belíssimo registro que Rene Denon nos trouxe há algumas semanas, com o Paul Lewis e o Leopold String Quartets, onde temos instrumentos modernos. As mesmas obras com interpretações bem diferentes.
Mas vamos ao que viemos, pois o tempo passa, o tempo voa.

01. Piano Quartet in G minor, K478 I. Allegro
02. Piano Quartet in G minor, K478 II. Andante
03. Piano Quartet in G minor, K478 III. Rondeau
04. Piano Quartet in E-flat major, K 493 I. Allegro
05. Piano Quartet in E-flat major, K 493 II. Larghetto
06. Piano Quartet in E-flat major, K 493 III. Allegretto

Paul Badura- Skoda – Pianoforte
Festetics Quartet:
Itsván Kertész – Violino
Peter Ligéti – Viola
Reszö Pertorini – Violoncelo

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BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Vinte canções irlandesas, WoO 153 – Spence – Maltman – Philogene – Lott

A maior dificuldade relacionada à imensa série de arranjos de canções folclóricas que Ludwig para George Thomson – excluindo-se, claro, o caráter irascível de nosso herói – foi a comunicação. Mesmo nas melhores condições prevalentes, levar algo de Viena, no coração da Europa Ocidental, até Edimburgo envolvia uma pequena epopeia – e com Napoleão tocando o fordunço em boa parte do continente, e ainda por cima mantendo o Bloqueio Continental às ilhas inimigas, fazer partituras cruzarem canal da Mancha parecia tão plausível quanto levar La Grande Armée ao inverno russo. Ao completar a primeira série de arranjos em 1810, Beethoven mandou fazer três cópias e enviou-as a Thomson por rotas diferentes, e nenhuma delas chegou à Escócia. No ano seguinte, enviou outra cópia, que através dum convoluto caminho que passou por Trieste, percorreu vários portos italianos e chegou à distante Malta – recém-conquistada pelos britânicos -, de onde seguiu para Londres e, então, para Edimburgo.

Com o passar do tempo, descobriram que a rota mais confiável, incrivelmente, era aquela que passava por Paris, a capital do inimigo. Ainda assim, a travessia do canal, que não era feita por qualquer embarcação autorizada, tinha que ser feita por contrabandistas – ou, como os chamamos lá na minha terra, chibeiros, que, em vez de partituras de Beethoven, trazem cigarros do Paraguai.

Apesar da distância e das dificuldades de comunicação, não faltaram faíscas entre Ludwig e Thomson. O escocês queria arranjos para amadores e reclamava que o renano os complicava demais. Beethoven subiu nas tamancas e mandou chibear pela Mancha a seguinte resposta:

Não estou acostumado a retocar minhas composições. Nunca fiz isso, na certeza de qualquer mudança parcial nelas altera seu caráter. Lamento que você esteja do lado perdedor, mas você não pode me culpar, pois deveria ter sido você a me familiarizar com os gostos do seu país e com a pouca competência de seus músicos


Shame on you, Herr Thomson.

 

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Vinte canções irlandesas, arranjadas para voz e conjunto vocal misto, com acompanhamento de violino, violoncelo e piano, WoO 153
Arranjos feitos entre 1810-15
Publicados em 1814 e 1816

1 – No. 6: Sad and luckless was the season. Andante affettuoso e semplice assai
2 – No. 3: The British Light Dragoons. Vivace scherzando
3 – No. 1: Duet – When eve’s last rays. Andante con molto, espressivo
4 – No. 4: Since greybeards inform us. Allegretto scherzando
5 – No. 2: No riches from his scanty store. Amoroso con moto
6 – No. 5: Duet – I dream’d I lay where flow’rs were springing. Andantino
7 – No. 9: The kiss, dear maid, thy lip has left. Andante amoroso e teneramente
8 – No. 7: O soothe me, my lyre. Andantino grazioso
9 – No. 15: ’Tis but in vain. Andante amoroso, languidamente
10 – No. 11: When far from the home. Andantino amoroso
11 – No. 13: ’Tis sunshine at last. Andantino grazioso
12 – No. 8: Norah of Balamagairy. Allegretto grazioso
13 – No. 19: Judy, lovely, matchless creature. Andante amoroso
14 – No. 12: I’ll praise the Saints with Early Song. Andantino
15 – No. 18: No more, my Mary. Andante amoroso con molto espressivo
16 – No. 20: Thy ship must sail. Andante con espressione
17 – No. 14: Paddy O’Rafferty. Allegretto scherzando
18 – No. 16: O might I but my Patrick love. Andante amoroso con espressione teneramente
19 – No. 10: Duet – Oh! thou hapless soldier. Andante con molto, espressivo
20 – No. 17: Come, Darby dear. Allegretto più tosto vivace

Dame Felicity Lott, soprano
Ruby Philogene, mezzo-soprano
Toby Spence, tenor
Christopher Maltman, barítono
Marieke Blankestijn, violino
Elizabeth Layton, violino
Ursula Smith, violoncelo
Malcolm Martineau, piano

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Vivaldi (1678 – 1741) · ∾ · Le Passioni dell’Uomo · ∾ · Concertos para Violino ∞ La Magnifica Comunità ∞ Enrico Casazza ֍

Vivaldi (1678 – 1741) · ∾ · Le Passioni dell’Uomo · ∾ · Concertos para Violino ∞ La Magnifica Comunità ∞ Enrico Casazza ֍

Vivaldi

Concertos para Violino

La Magnifica Comunità

Enrico Casazza

 

Em 12 de maio de 2011 PQP Bach postou dois discos de Antonio Vivaldi que torno a postar. Motivações há várias, a principal é que a música é ótima e os links estavam já em avançado estado de decomposição. Além disso,

Giunt ‘é a Primavera e festosetti
La Salutan gl’ Augei com lieto canto

É chegada a Primavera!
Os pássaros celebram seu retorno com uma canção festiva

Esta postagem faz parte da já lendária série PQP Originals!!

Vejam aqui o texto da postagem original:

Esplêndido CD duplo da Deutsche Harmonia Mundi! Todos nós conhecemos e caracterizamos Totonho por seus concertos. Dos 241 concertos para violino que compôs, muitos deles têm títulos programáticos. O violinista barroco italiano Enrico Casazza, selecionou seis concertos cujos nomes referem-se às paixões humanas (L’Amoroso ou L’Inquietudine). O CD bônus inclui quatro concertos inicialmente compostos para outros instrumentos que não o violino. Estes trabalhos foram arranjados para violino e orquestra de cordas por Pablo Queipo de Llano. A orquestra de nome modestíssimo — La Magnifica Comunità — é, tá bom, bem boa mesmo.

Caso você queira ler os comentários da época, clique aqui.

Qual a melhor maneira de planejar um disco de Vivaldi? Há muitas, quase todas ótimas, o Padre Vermelho era um bamba e prolífico. Aqui temos um conjunto de concertos nomeados reunidos sob o tema – La Passioni dell’Uomo. Note que a paixão é barroca, o romantismo ainda estava por vir. Mas os concertos são espetaculares, especialmente Il Favorito, com seu movimento lento que conforta e embala qualquer coração.

O segundo disco é assim um spin-off e é bom também. Quatro concertos reconstruídos (algumas páginas dos originais estavam faltando).

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Le Passioni dell’Uomo / Concertos para Violino

Disco 1

Concerto para Violino em mi menor, RV 277 “Il Favorito”

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Concerto para Violino em ré maior, RV 234 “L’Inquietudine”

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para Violino em mi maior, RV271 ‘L’Amoroso’

  1. Allegro
  2. Cantabile
  3. Allegro

Concerto para Violino, cordas e baixo contínuo em dó menor, RV 199 “Il Sospetto”

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Concerto em si menor, RV 387 ‘Per Signora Anna Maria’

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para Violino em dó menor, RV 761 ‘Amato Bene’

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Disco 2

Concerto para Violino e cordas em si menor, RV 378R

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para Violino e cordas em sol menor, RV 320

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro non molto

Concerto para Violino e cordas em si bemol maior, RV 432R (originalmente para Flauta)

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro non molto

Concerto para Violino e cordas em sol menor, RV 322

  1. Allegro non molto
  2. Largo
  3. Allegro

La Magnifica Comunità

Enrico Casazza, Violino e regência

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FLAC | 563 MB

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MP3 | 320 KBPS | 239 MB

Enrico Casazza

Veja o que disse do disco Lindsay Kemp, da Gramophone: This is an attractive and expansive Vivaldi, at ease with himself it seems, and able to express delicate shades of emotion – can there be a sweeter opening to a Baroque concerto than that of L’amoroso?

Mike, na Amazon: Un’interpretazione superlativa dei concerti per violino vivaldiani, molti dei quali con eponimo e in modo minore (primo cd) altri (secondo cd) inediti in quanto ricostruzioni da frammenti isolati. […]  Anche sotto il profilo tecnico nulla si può eccepire in un doppio cd da non lasciarsi sfuggire.

Aproveite! Non lasciarsi sfuggire!

René Denon

Grande Canal, Venezia

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Antônio Vivaldi (1678-1741): 8 Concerti Solenni – First Recording

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Vinte e cinco canções irlandesas, WoO 152 – Lott – Murray – Ainsley – Maltman – Blankestijn – Layton – Smith – Martineau


Se poucos sabem que, em termos quantitativos, o arranjo de canções folclóricas foi o gênero mais cultivado por Beethoven, menos ainda são os que sabem que, entre esses arranjos, predominam os de canções irlandesas.

Embora George Thomson tenha encomendado inicialmente adaptações de canções de sua Escócia natal, os trancos e barrancos de sua correspondência com Ludwig, dificultada pelo Bloqueio Continental de Napoleão às ilhas britânicas, levaram o trabalho a ser completado em desordem. Somem-se a isso a sempiterna desorganização do compositor e seu pendor em abandonar trabalhos quase conclusos para assumir outros que lhe aliviassem a corda financeira no pescoço, e entende-se por que as canções irlandesas ficaram prontas antes de suas contrapartes escocesas.

Dentro de sua peculiar abordagem de pedir que os músicos arranjassem as melodias sem as letras, e de encomendar os textos sem que os poetas conhecessem os arranjos, Thomson encomendou ao dublinense Thomas Moore (1779-1852) os poemas para as canções arranjadas por Beethoven. Moore declinou, e Thomson recorreu a seus conterrâneos Robert Burns e Sir Walter Scott (1771-1832, o autor de Ivanhoe), entre outros, para completarem a encomenda. O resultado foi uma das melhores entre as coleções de canções folclóricas, dado o cuidado de Beethoven no trabalho instrumental, particularmente nas introduções e codas, sem perder de vista o sentido de simplicidade que lhe pediu o encomendante.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Vinte e cinco canções irlandesas, arranjadas para voz e conjunto vocal misto, com acompanhamento de violino, violoncelo e piano, WoO 152
Arranjos feitos entre 1810-13
Publicados em 1814

1 – No. 1 – The Return to Ulster. Larghetto affettuoso
2 – No. 7 – His boat comes on the sunny tide. Andante affettuoso
3 – No. 4 – The morning air plays on my face. Allegretto (più tosto vivace) grazioso
4 – No. 2 – Duet – Sweet power of song. Andantino grazioso
5 – No. 5 – The Massacre of Glencoe
6 – No. 10 – The Deserter. Andante con moto – affanato e agitato
7 – No. 12 – English Bulls. Allegretto più tosto vivace
8 – No. 6 – Duet – What shall I do to shew how much I love her? Allegretto affettuoso
9 – No. 21 – Morning a cruel turmoiler is. Vivace scherzando
10 – No. 3 – Once more I hail thee. Andante espressivo amoroso
11 – No. 8 – Come draw we round a cheerful ring. Allegretto più tosto vivace
12 – No. 9 – The Soldier’s Dream. Andante espressivo assai amoroso
12 – No. 18 – Duet – They bid me slight my Dermot dear. Allegretto scherzando
14 – No. 13 – Musing on the roaring ocean. Allegretto amoroso e grazioso
15 – No. 14 – Dermot and Shelah. Allegretto scherzando
16 – No. 25 – Oh harp of Erin. Andante semplice espressivo
17 – No. 22 – From Garyone, my happy home. Allegretto amoroso
18 – No. 11 – Thou emblem of faith. Andante affettuoso assai espressivo
19 – No. 15 – Let brain-spinning swains. Allegretto scherzando
20 – No. 16 – Hide not thy anguish. Andante amoroso con espressivo
21 – No. 19 – Duet – Wife, Children and Friends. Allegretto
22 – No. 17 – In vain to this desert. Andante espressivo
23 – No. 23 – A wand’ring gypsey, Sirs, am I. Allegretto più tosto vivace
24 – No. 20 – Duet – Farewell bliss and farewell Nancy. Andante con molto espressione
25 – No. 24 – The Traugh Welcome. Allegretto scherzando

Dame Felicity Lott, soprano 
Ann Murray, mezzo-soprano 
John Mark Ainsley, tenor 
Christopher Maltman, barítono 
Marieke Blankestijn, violino 
Elizabeth Layton, violino 
Ursula Smith, violoncelo 
Malcolm Martineau, piano 

 

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Vivaldi (1678 – 1741) · ∾ · Avanti L’Opera e Concerti · ∾ · L’Arte Dell’Arco ∞ Christopher Hogwood ֍

Vivaldi (1678 – 1741) · ∾ · Avanti L’Opera e Concerti  · ∾ ·  L’Arte Dell’Arco ∞ Christopher Hogwood ֍

Vivaldi

Sinfonias de Óperas e Concertos

L’Arte Dell’Arco

Christopher Hogwood

(Frederico Guglielmo)

 

Christopher Hogwood foi o diretor da Academy of Ancient Musik e no auge do movimento HIP gravou uma imensidão de discos regendo esta orquestra, acompanhando diversos solistas, para o selo L’Oiseau Lyre, que se tornou um ramo da DECCA, dirigido por Peter Wadland e dedicado à música antiga, barroca e clássica.

Notoriamente eles gravaram as sinfonias de Beethoven e Mozart, algumas de Haydn. Com Christoph Coin deixou alguns lindos discos, alguns destes de Vivaldi, assim como também de outros mestres. Gosto especialmente da gravação das Suítes Orquestrais de Bach.

Conforme a onda HIP foi se arrefecendo, Hogwood interagiu com outras orquestras, inclusive convencionais. Assim, não foi surpresa ver seu nome em um disco de outro selo, regendo outra orquestra que não a AAM, mas mesmo assim, chamou-me a atenção. Como gosto bastante de seus discos de Vivaldi, tratei logo de investigar este aqui. Temos aqui uma coleção de peças que Vivaldi usava na abertura de suas óperas, mas não são aberturas no mesmo sentido que as aberturas de óperas de Mozart ou Rossini. São mesmo concertos, na maioria com três movimentos e várias combinações de instrumentos, inclusive instrumentos de sopros. A crítica na Gramophone nos dá mais algumas poucas informações:

A maioria das peças foram compostas para cordas, mas a revigorante Abertura de Bajazet, o cara que foi conquistado por Tarmelano, encampa um ressonante par de trompas, enquanto oboés se destacam proeminentemente na abertura da primeira ópera de Vivaldi, Ottone in Villa. Vivaldi sabia usar o artifício de emprestar de suas próprias obras e temos um pouquinho disto aqui. Notavelmente em Dorilla in Tempe, onde ele cita o primeiro movimento da ‘Primavera’, das Quatro Estações, e L’Olimpiade, que no seu último movimento, ele empresta material de ‘Ut collocet’, do Laudate pueri (RV 601), provavelmente escrito dois anos antes.

Federico Guglielmo

A contracapa nos diz que Federico Guglielmo é figura importante no projeto que ele idealizou e no papel que desempenhou na preparação da orquestra. De qualquer forma, os esforços conjuntos funcionaram e o disco é um primor.

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Il Bajazet – Sinfonia em fá maior, RV 703

  1. Allegro (I)
  2. Andante molto (II)
  3. Allegro (III)

L’Olimpiade – Sinfonia em dó maior, RV725

  1. Allegro (I)
  2. Adagio – Presto – Adagio (II)
  3. Allegro (III)
  4. Allegro molto con l’arco attacco (IV)

La Verità in cimento – Sinfonia em sol maior, RV 739

  1. Allegro (I)
  2. Andante (II)
  3. Allegro, e forte (III)

Concerto para Violino em dó menor, RV 761  ‘Amato bene’

  1. Allegro (I)
  2. Largo (II)
  3. Allegro (III)

Ottone in Villa – Sinfonia em dó maior, RV 729

  1. Allegro (I)
  2. Larghetto (II)

Concerto em fá maior, RV 571

  1. Allegro (I)
  2. Largo (II)
  3. Allegro (III)

Dorilla in Tempe – Sinfonia em dó maior, RV 709

  1. (I) (sem indicação de tempo)
  2. Andante (II)
  3. Allegro (III)

Il Farnace

  1. Sinfonia em dó maior, RV 711

Sinfonia em sol maior, RV 149

  1. Allegro molto (I)
  2. Andante (II)
  3. Allegro (III)

Concerto em ré menor, RV 128

  1. Allegro non molto (I)
  2. Largo (II)
  3. Allegro (III)

Il Giustino – Sinfonia em dó maior, RV 717

  1. (I) (sem indicação de tempo)
  2. Andante (II)
  3. Allegro (III)

Christopher Hogwood

L’Arte Dell’Arco

O projeto foi planejado e a orquestra ensaiada por Federico Guglielmo

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FLAC | 365 MB

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MP3 | 320 KBPS | 158 MB

Hogwood

Para nosso ‘Momento Babel’: Crítica na Amazon: This is why Hogwood will be sorely missed. Vibrant, dynamic pieces and performances – if you don’t know Viv’s operatic overtures, snap this gem up.

Outra: Dirigenten und Liebhaber barocker Instrumente, wie sie das L’ARTE DELL’ARCO besitzt, sind bravourös dargestellt. Als Hilfsmittel gegen malade Stimmungen ist diese CD sehr zu empfehlen!

Realmente, este CD é altamente recomendado contra monotonia! Aproveite!

René Denon

PS: Se você gostou deste álbum, poderá gostar desta postagem aqui:

Vivaldi – Double Concertos .:. The Academy of Ancient Music – Christopher Hogwood – 1978

.: interlúdio :. Hiromi´s Sonic Bloom – Beyond Standard

Ouvir Hiromi Uehara sempre é uma grande experiência, nunca sabemos o que podemos esperar desta gigante do piano, a moça que está reescrevendo o lugar do piano no Jazz. Um cliente da amazon a situou entre Errol Garner e Mahavishnu Orchestra, o que quer que isso possa significar. Bem uma coisa posso afirmar, sem temer: parece que Hiromi está sempre ligada em uma tomada, ela extravasa energia, se não concordam, ouçam o que ela faz com a mítica ‘Caravan’, de Duke Ellington.  Além do clássico, extrapola todos os limites, todas as barreiras do convencional: ah, isso é Ellington, não podemos ousar tanto. A ousadia é a marca registrada da pianista. Por isso a amo.

Quando resolve fazer uma releitura absolutamente estonteante dos ‘standards’, desconstruindo Gershwin, Coltrane, Debussy (sim, ela toca Clair de Lune), ela reescreve a história do piano no Jazz. É a evolução natural de Thelonius Monk, de Oscar Peterson, de Chick Corea, de Keith Jarrett, de Herbie Hancock e mais recentemente, Brad Mehldau. É a soma de todos, mais o seu talento natural. Não por acaso gravou discos sensacionais com Stanley Clarke, o genial baixista, um dos pais do Fusion, e com o próprio Chick Corea citado acima.

Outro detalhe a destacar é o incrível trio que a acompanha, a Hiromi´s Sonicbloom, formado por excepcionais músicos, que nos proporcionam ótimos momentos.

Esse CD é de 2008, tudo bem, mas continua de um frescor, de uma naturalidade que parece que foi gravado ontem.  E como todos os outros Cds dela que eu e PQPBach já trouxemos aqui, este é mais um que leva o selo de “IM-PER-DÍ-VEL!!’ do PQPBach.

Hiromi Uehara – piano, keyboards
David “Fuze” Fiuczynski – fretted and fretless guitar
Tony Grey – electric bass
Martin Valihora – drums

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BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Vinte e cinco canções escocesas, Op. 108 – Allen – El Zein – Pérez – Bernard – Lièvre-Picard – Rouchon – Fagiuoli – Musto – Armengaud

Entre o final do século XVIII e o início do século XIX, a música folclórica estava em voga em boa parte da Europa. Não se tratava, evidentemente, do fruto de trabalho de etnomusicologia, disciplina que ainda nem sonhava ser um zigoto, e sim de canções atraentes que servissem a instrumentistas e cantores amadores para, em suas casas, fazerem música com os recursos que tivessem disponíveis. Entre os vários personagens que se dedicaram a proporcionar partituras para esses afãs, dois são de nosso especial interesse:  o editor escocês George Thomson (1757-1851) e, claro, nosso herói em jubileu, Ludwig van Beethoven. 
 
Thomson era amigo, entre outros, do bardo Robert Burns (1757-1796 –  o poeta nacional da Escócia, imortalizado pela célebre Auld Lang Syne  [alerta de André Rieu ativo] [sim, fiz de propósito] – e dedicou-se a colecionar canções das ilhas britânicas, particularmente de sua terra natal. Percebendo o quão infecciosamente elas eram transmitidas e repetidas pelos melômanos,  passou a publicar suas melodias em novas roupagens, com letras feitas por distintos poetas e em arranjos encomendados aos maiores nomes da música da época, como Haydn e Hummel. No início do século XIX, ao ouvir falar de um tal Beethoven de que muito se falava em Viena, resolveu escrever-lhe para propor-lhe negócios.
 
Thomson e Beethoven nunca se encontraram pessoalmente, mas sua rocambolesca relação epistolar daria seguramente uma ópera bufa (que certamente não encomendaríamos ao renano, dada sua reticência para com o gênero). Ainda que lhes concedamos o desconto por conta do bloqueio continental a que Napoleão submeteu as ilhas britânicas e a imensa dificuldade de levar um grão de areia que fosse de Edimburgo a Viena, tudo foi, no mínimo, enroladinho: o primeiro convite de Thomson foi enviado em 1803, mas Beethoven só fechou negócio em 1809 e demoraria ainda outro ano para entregar a primeira encomenda. O resultado dessa parceria, publicado em Edinburgo e Londres para os bolsos de Thomson e em Viena para a surrada capanga de Ludwig, foram cento e sessenta arranjos de canções da Escócia e de diversos outros países. Dentro desse prolífico e pouco conhecido veio da produção beethoveniana, a coleção de vinte e cinco canções escocesas publicadas como Op. 108 foi a única a receber um número de opus, e por ela começaremos.
 
Admito que, antes de insensatamente me propor a este projeto da travessia da obra completa de Ludwig, eu nunca escutara esses arranjos. Esperava algo muito enfadonho, talvez merecidamente esquecido como mero trampo pagador de contas, mas me surpreendi com a qualidade do que ouvi. Se nada há de memorável, e em que pese o tom decididamente sentimental da maioria dos arranjos, é óbvio que Beethoven se dedicava com gosto em burilá-los, ainda mais porque envolviam o trio com piano, conjunto com o qual estrearia seu catálogo de obras e para o qual já compusera tanta coisa importante. Espero que gostem – e, se não for o caso, sugiro que aqui retornem em 4 de outubro, quando já teremos quitado todos os arranjos em nossa lista e já teremos passado a outro capítulo obscuro da produção beethoveniana.

Ludwig van BEETHOVEN
(1770-1827)

Vinte e cinco canções escocesas, para voz, coro misto, violino, violoncelo e piano, Op. 108
Arranjadas entre 1815-1818
Publicadas em 1818

1 – Music, Love and Wine. Allegretto più tosto vivace
2 – Sunset. Andante con molto espressione
3 – O sweet were the hours. Andante con moto semplice
4 – The maid of Isla. Allegretto ma con espressione
5 – The sweetest lad was Jamie. Andantino un poco allegretto
6 – Dim, dim is my eye. Andante amoroso con molto espressione
7  – Bonny Laddie, Highland Laddie. Allegretto quasi vivace
8 – The lovely lass o’ Inverness. Affettuoso assai ed espressione
9 – Dueto – Behold, my love, how green the groves. Grazioso
10 – Sympathy. Andantino più tosto allegretto
11 – O! thou art the lad of my heart. Allegretto più tosto vivace
12 – Oh, had my fate been join’d with thine. Andante teneramente con molto espressione
13 – Come fill, fill, my good fellow! Spirituoso ma non troppo presto
14 – O how can I be blythe and glad. Andante poco allegretto
15 – O cruel was my father. Andante con molto espressione
16 – Could this ill world have been contriv’d. Allegretto grazioso e un poco scherzoso
17 – O Mary, at thy window be!. Andantino quasi allegretto
18 – Enchantress, farewell. Andantino grazioso con espressione
19 – O swiftly glides the bonny boat. Andante poco allegretto
20 – Faithfu’ Johnie. Andantino semplice amoroso teneramente
21 – Jeanie’s Distress. Andantino quasi allegretto
22 – The Highland Watch. Spirituoso e marziale
23 – The Shepherd’s Song. Allegretto
24 – Again, my Lyre. Andante affettuoso assai
25 – Sally in our alley. Andantino con moto grazioso e semplice assai

Juliette Allen, soprano
Dania El Zein, soprano
Natalie Pérez, mezzo-soprano
John Bernard, tenor
Vincent Lièvre-Picard, tenor
François Rouchon, barítono
Alessandro Fagiuoli, violino
Andrea Musto, violoncelo
Jean-Pierre Armengaud, piano

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano (A. Rubinstein)

#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano (A. Rubinstein)

Este CD foi enviado pela Lais Vogel, co-gestora e fundadora da Fundação Maurizio Pollini. E, como estamos falando em amigos, coloco a seguir trecho de um e-mail enviado pelo escritor Fernando Monteiro.

Rubinstein executava acima de tudo Chopin com uma espécie de boêmia nas noites ciganas de elegância e tristeza muito longe dos estúdios de 400 mil canais da modernidade eletrônica up-to-date onde se ouve pulsarem as móleculas mais inquietas da madeira dos pianos. Sua elegância era como a de Fred Astaire — que era, também, um pouco “descuidado” até certo ponto… Havia uma espécie de porção de humilde pó humano — demasiadamente humano — nos dedos do velho Arthur perdido na recordação das noites das baronesas se protegendo da chuva sob as palmeiras imperiais do mundo austro-húngaro, se é que você me entende e não encara a música mais ou menos como um colecionador de selos de lupa, na mão gelada.

Depois disso, não devo escrever mais nada.

Beethoven – Sonatas para piano

01 Piano Sonata No. 8 in C minor (‘Pathétique’) Op. 13- Grave – Allegro di molto e con brio.mp3
02 Piano Sonata No. 8 in C minor (‘Pathétique’) Op. 13- Andante cantabile.mp3
03 Piano Sonata No. 8 in C minor (‘Pathétique’) Op. 13- Rondo, Allegro.mp3
04 Piano Sonata No. 14 in C sharp minor (‘Moonlight’), Op. 27-2- Adagio sostenuto.mp3
05 Piano Sonata No. 14 in C sharp minor (‘Moonlight’), Op. 27-2- Allegretto.mp3
06 Piano Sonata No. 14 in C sharp minor (‘Moonlight’), Op. 27-2- Presto agitato.mp3
07 Piano Sonata No. 23 in F minor (‘Appassionata’) Op. 57- Allegro assai.mp3
08 Piano Sonata No. 23 in F minor (‘Appassionata’) Op. 57- Andante con moto.mp3
09 Piano Sonata No. 23 in F minor (‘Appassionata’) Op. 57- Allegro ma non troppo.mp3
10 Piano Sonata No. 26 in E flat major (‘Les Adieux’) Op. 81a- Adagio – Allegro.mp3
11 Piano Sonata No. 26 in E flat major (‘Les Adieux’) Op. 81a- Andante espressivo.mp3
12 Piano Sonata No. 26 in E flat major (‘Les Adieux’) Op. 81a- Vivacissimamente.mp3

Arthur Rubinstein, piano

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Arthur Rubinstein

PQP

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Temas com variações para piano, Opp. 105 & 107 – Mustonen

Ao encomendar os “temas variados” a Beethoven, George Thomson insistiu em que as peças devessem ser apropriadas à execução por amadores. Sua experiência prévia com profissionais como Haydn e Hummel, no entanto, jamais teria sido capaz de prepará-lo para o trato com alguém como Ludwig, que, embora precisasse do dinheiro, não tinha lá muito tino para compor para amadores. Nosso herói escreveu para Thomson doze séries de variações em 1818 e outras quatro em 1819, incluindo posteriormente alternativas mais simples para variações que Thomson considerou muito difíceis. Essas versões simplificadas ainda acabaram bem longe do alcance dos dedos dos diletantes, e o editor, temendo pelas vendas e erguendo uma bandeira branca, pediu a Beethoven que incluísse ao menos uma parte ad libitum para flauta ou violino, que nós já lhes apresentamos ontem e anteontem. Não adiantou: apenas nove dos doze temas variados foram publicados em Londres, com vendas mornas. O compositor não se importou muito com o insucesso de Thomson, pois planejava desde o início publicar as obras também na Europa continental, e assim levou à prensa seis dos temas variados em Viena como seu Op. 105, e os dez remanescentes (incluindo aqueles descartados por Thomson) em Bonn, com seu velho amigo Simrock e sob o Op. 107. Os temas britânicos foram sugeridos por Thomson, que legou a Beethoven a responsabilidade de escolher melodias continentais que fossem de seu agrado. De olho nas vendas, Beethoven escolheu temas muito populares dos Singspiele  e comédias vienenses, bem como temas folclóricos de outros países. O interesse pela Rússia era grande, na época, de modo que várias canções nominalmente russas aparecem na coletânea, embora a maior parte dela tenha sua origem na Ucrânia – oficialmente chamada de “Pequena Rússia” nos tempos czaristas.

As variações em sua forma original, para piano, parecem menos triviais que as versões em duo que já ouvimos e, ainda que não deem voos altos como as grandes séries de variações paridas por Beethoven, elas são atraentes o bastante para entreter sem comprometer. A escolha da gravação foi fácil, porque é a única disponível comercialmente: menos pior que quem a fez foi Olli Mustonen, um ótimo pianista finlandês que muito se dedica às obras de Beethoven e que parece se divertir ao colorir e inventar (pois, além de intérprete, ele também é compositor) sobre esses mimosos caça-níqueis que Ludwig nos legou ao entrar na reta final de sua danada vida.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Seis temas folclóricos com variações para piano, Op. 105
Compostas entre 1818-19
Publicadas em 1819

1 –  Air écossais (The Cottage Maid). Andantino quasi allegretto
2 – Air écossais (Of Noble Stock was Shinkin). Allegretto scheroso
3 – Air autrichien (A Schüsserl und a Reindel). Andantino
4 – Air écossais (Sad and luckless was the season). Andante espressivo assai
5 – Air écossais (Put round the bright wine). Allegretto spiritoso
6 – Air écossais (English Bulls). Allegretto più tosto vivace

Dez temas folclóricos com variações para piano, Op. 107
Compostas entre 1818-19
Publicadas em 1820

7 – Air tirolien (I bin a Tiroler Bua). Moderato
8 – Air écossais (Bonny Laddie, Highland Laddie). Allegretto, quasi vivace
9 – Air de la petite Russie. Vivace
10 – Air écossais (The Pulse of an Irishman). Allegretto scherzo
11 – Air tirolien (A Madel, ja a Madel). Moderato
12 – Air écossais (Merch Megan). Andante commodo
13 – Air russe (Schöne Minka). Andante
14 – Air écossais  (O Mary, at thy Window Be). Andantino quasi allegretto
15 – Air écossais (Oh, Thou art the Lad of my Heart). Allegretto più tosto vivace
16 – Air écossais (The Highland Watch). Spirituoso e marciale

Olli Mustonen, piano

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“Mustonen”, em finlandês, significa “adoro o sabor de meu lábio inferior”

 

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este espetacular CD foi indicado ao blog por um ou dois comentaristas que poderiam deixar seus nomes aí nos comentários. Sou agradecido a eles. Talvez esta seja minha quinquagésima Goldberg. E é das mais especiais. A expressividade da Ária (depois que nos refazemos da surpresa) e a boa interpretação demonstra o enorme respeito do músico para com a obra e a resistência da mesma ao maiores abusos. Abusos? Por que chamar de abuso? As notas estão todas aí e os bons músicos devem ter liberdade para dar à obra suas interpretações, é claro. Bem, procuremos caminhos menos polêmicos.

Wolfgang Dimetrik (nascido em 6 de janeiro de 1974) é um acordeonista austríaco. Aos seis anos de idade recebeu sua primeira aulas no instrumento. Tendo completado os seus estudos de acordeão na Escola de Música de Graz (1992-2001), Dimetrik hoje apresenta-se com diversos grupos de câmara na Europa, como o Musikfabrik Nordrhein-Westfalen, Neues Ensemble Hannover, o Ensemble Recherche e a Ensemble Modern.

Além disso, o músico participou em várias produções de ópera contemporânea, incluindo Die Wände, de Adriana Holszky, e a estreia da ópera de Arnold Schoenberg Die Hand glückliche, conduzida por Peter Hirsch.

Sua abordagem das Goldberg é muito interessante e esta é a pequena homenagem que faço a meu pai no dia de seu 325º aniversário.

Bach: Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

01. Aria
02. Variation 1
03. Variation 2
04. Variation 3: Canona all’unisono
05. Variation 4
06. Variation 5
07. Variation 6: Canone alla seconda
08. Variation 7
09. Variation 8
10. Variation 9: Canone alla terza
11. Variation 10: Fughetta
12. Variation 11
13. Variation 12: Canona alla quarta
14. Variation 13
15. Variation 14
16. Variation 15: Canona alla quinta
17. Variation 16: Ouvertüre
18. Variation 17
19. Variation 18: Canona alla sesta
20. Variation 19
21. Variation 20
22. Variation 21: Canona alla settima
23. Variation 22: Alle breve
24. Variation 23
25. Variation 24: Canona all’ottava
26. Variation 25
27. Variation 26
28. Variation 27: Canona alla nona
29. Variation 28
30. Variation 29
31. Variation 30: Quodlibet
32. Aria

Wolfgang Dimetrik, acordeão

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PQP

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Temas com variações para violino e piano, Opp. 105 & 107 – Barton-Pine – Hagle

Se os “temas variados” que lhes apresentamos ontem na roupagem para piano e flauta foram gravados por um sem-número de flautistas, os violinistas – a quem, convenhamos, não falta repertório muito superior – passaram grandemente ao largo das discretas obras. É uma pena, pois elas soam mais idiomáticas com o instrumento de cordas e, na primeira edição, contavam até com trechos alternativos para o violino, com pizzicati e passagens em cordas duplas indicados em trechos nos quais o executante não quisesse se ater a tocar a melodia escrita para flauta. Até recentemente, só havia uma gravação com violino e piano do Op. 105, num despretensioso CD que apresentamos com, admito, imerecida ironia. Em 2019, o grande Leonidas Kavakos encontrou um espacinho no álbum duplo que dedicou ao concerto para violino e ao septeto de Beethoven para gravar quatro desses dezesseis temas variados. A notícia da falta de gravações integrais dessas obscuras peças chegou, então, aos ouvidos da violinista Rachel Barton-Pine, que, sempre disposta a explorar novo repertório (inclusive a aprender outros instrumentos para conquistá-lo!), resolveu assim o problema:

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Seis temas folclóricos com variações para piano com flauta ou violino, Op. 105
Compostas entre 1818-19
Publicadas em 1819

1 –  Air écossais (The Cottage Maid). Andantino quasi allegretto
2 – Air écossais (Of Noble Stock was Shinkin). Allegretto scheroso
3 – Air autrichien (A Schüsserl und a Reindel). Andantino
4 – Air écossais (Sad and luckless was the season). Andante espressivo assai
5 – Air écossais (Put round the bright wine). Allegretto spiritoso
6 – Air écossais (English Bulls). Allegretto più tosto vivace

Dez temas folclóricos com variações para piano com flauta ou violino, Op. 107
Compostas entre 1818-19
Publicadas em 1820

7 – Air tirolien (I bin a Tiroler Bua). Moderato
8 – Air écossais (Bonny Laddie, Highland Laddie). Allegretto, quasi vivace
9 – Air de la petite Russie. Vivace
10 – Air écossais (The Pulse of an Irishman). Allegretto scherzo
11 – Air tirolien (A Madel, ja a Madel). Moderato
12 – Air écossais (Merch Megan). Andante commodo
13 – Air russe (Schöne Minka). Andante
14 – Air écossais  (O Mary, at thy Window Be). Andantino quasi allegretto
15 – Air écossais (Oh, Thou art the Lad of my Heart). Allegretto più tosto vivace
16 – Air écossais (The Highland Watch). Spirituoso e marciale

Rachel Barton-Pine, violino
Matthew Hagle, piano

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Já dissemos que Rachel gosta de se aventurar no repertório?

#BTHVN250, por René Denon

Vassily0910

Glinka (1804-1857) e Alabiev (1787-1851): Música de Câmara

Glinka (1804-1857) e Alabiev (1787-1851): Música de Câmara

Ah, OK, é bom, mas não é apaixonante. Ninguém vai enlouquecer ouvindo este comportado Glinka e seu escudeiro Alabiev. São românticos legaiszinhos, com algum sotaque do oriente, nada mais do que isso. Glinka tem considerável importância histórica: pespegaram-lhe o título de Pai da Música Russa. Há pais melhores; o meu, por exemplo.

Glinka (1804-1857) e Alabiev (1787-1851): Música de Câmara

Mikhail Glinka (1804-1857)
Trio Pathétique in D minor
01-I. Allegro moderato
02-II. Scherzo: Vivacissimo – Trio: Meno mosso
03-Largo
04-Allegro con spirito – Alla breve, ma moderato

The Lark, arranged for piano by Balakirev
05-Andante quasi recitativo – Andantino

Viola Sonata in D minor
06-Allegro moderato
07-Larghetto ma non troppo (Andante)

Waltz-Fantasia
08-Waltz-Fantasia

Variations on a theme by Alabiev (The Nightingale)
09-Variations on a theme by Alabiev (The Nightingale)

Alexander Alabiev (1787-1951)

Violin sonata in E minor
10-Allegro con brio
11-Adagio cantabile
12-Rondo: Allegretto scherzando

Adrian Chandler, violino
Norbert Blume, viola
Colin Lawson, clarinete
Alberto Grazzi, basson
Olga Tverskaya, pianoforte

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Glinka: já tivemos melhores dias em nosso blog

PQP

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Temas com variações para flauta e piano, Opp. 105 & 107 – Gallois – Prinz

Com o trio “Arquiduque”, que coroa aquilo que se convencionou chamar de período intermediário na produção de Beethoven, nossa travessia de sua obra aproximou-se da admirável guirlanda de obras-primas visionárias que ele compôs na última década e tanto de sua vida. No entanto, dentro da intenção de alcançarmos aos leitores-ouvintes a obra completa do renano turrão, nós não poderíamos – sob pena de criar um anticlímax – fazer os últimos quartetos de cordas serem seguidos, tão só por deveres completistas, por alguma outra composição menos inspirada. Assim, daremos uma guinada em nossa série em direção àquelas obras que, a despeito do menor valor artístico, ajudam a completar e melhor entender a incrível trajetória que transformou o garoto que escreveu uma canção para um poodle num dos maiores nomes da Arte.

Começaremos com as diversas obras comissionadas pelo escocês George Thomson, um endinheirado colecionador e editor de música em Edinburgh, com o qual Beethoven teve uma relação (para variar) conturbada. Teremos outras (muitas outras, asseguro!) oportunidades de falar sobre as rusgas dos dois, de modo que prossigo a contar-lhes que estas dezenas de obras basearam-se em canções folclóricas de diversos paíse, com ênfase, evidentemente, nas ilhas britânicas. A imensa maioria delas consistiu de arranjos de canções para conjuntos vocais com acompanhamento de piano, violino e violoncelo. As notáveis exceções – os dois conjuntos de variações publicados sob os Opp. 105 e 107 – são as obras que lhes apresentarei hoje.

Compostas a pedido de Thomson para a execução por músicos diletantes, consistem de variações sobre temas folclóricos britânicos e continentais. Originalmente escritas para piano, elas continham, se não altos voos de virtuosidade, alguns trechos que estavam fora do alcance do dândi médio. Assim, o editor pediu a Beethoven que simplificasse algumas variações mais complicadas de modo a não aturdir seus consumidores. Ademais, para aumentar o apelo entre os amadores que faziam música em casa, e possivelmente para a irritação de Beethoven – que, como sabemos, tinha bem mais com o que se preocupar e odiava editores – Thomson também solicitou que fosse adicionada uma parte opcional para um instrumento melódico, como flauta ou violino. Ludwig acedeu, escrevendo linhas melódicas agradáveis e quase completamente prescindíveis, que hoje são mais frequentemente executadas com flauta. Quando as duas séries foram à prensa, ganharam o título de “temas variados para piano com acompanhamento opcional de flauta ou violino”, que dá a exata medida do que esperar. Apesar de nada haver de memorável, ainda assim, achei interessante conhecer a grande capacidade de Beethoven de compor, ainda que fosse só para pagar contas, com simplicidade e despojamento. Entre o bom número de gravações que há no mercado, que incluem figurões como Rampal e Buchbinder, preferi apresentar-lhes este álbum da Naxos, feito com a competência costumeira da gravadora nos registros de música de câmara, em que o ótimo flautista Patrick Gallois elabora a frugal parte que Ludwig compôs para seu instrumento com ornamentações e improvisações, competentemente acompanhado pela pianista búlgara Maria Prinz. Se não lhes for uma delícia, garanto que pelo menos passarão uma hora divertidinha.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Seis temas folclóricos com variações para piano com flauta ou violino, Op. 105
Compostas entre 1818-19
Publicadas em 1819

1 –  Air écossais (The Cottage Maid). Andantino quasi allegretto
2 – Air écossais (Of Noble Stock was Shinkin). Allegretto scheroso
3 – Air autrichien (A Schüsserl und a Reindel). Andantino
4 – Air écossais (Sad and luckless was the season). Andante espressivo assai
5 – Air écossais (Put round the bright wine). Allegretto spiritoso
6 – Air écossais (English Bulls). Allegretto più tosto vivace

Dez temas folclóricos com variações para piano com flauta ou violino, Op. 107
Compostas entre 1818-19
Publicadas em 1820

7 – Air tirolien (I bin a Tiroler Bua). Moderato
8 – Air écossais (Bonny Laddie, Highland Laddie). Allegretto, quasi vivace
9 – Air de la petite Russie. Vivace
10 – Air écossais (The Pulse of an Irishman). Allegretto scherzo
11 – Air tirolien (A Madel, ja a Madel). Moderato
12 – Air écossais (Merch Megan). Andante commodo
13 – Air russe (Schöne Minka). Andante
14 – Air écossais  (O Mary, at thy Window Be). Andantino quasi allegretto
15 – Air écossais (Oh, Thou art the Lad of my Heart). Allegretto più tosto vivace
16 – Air écossais (The Highland Watch). Spirituoso e marciale

Patrick Gallois, flauta
Maria Prinz, piano

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As gravações de Bach de Murray Perahia são discretas, na linha sugerida pela modéstia de Bach nas palavras Clavier-Übung, prática de teclado. Não há nada da excentricidade de Glenn Gould e nem da dura monumentalidade de András Schiff. Perahia se contenta em ser franco e simples, escolhendo dar ênfases com cuidado e parcimônia. No início, sua forma de tocar, como o título de Bach, parece muito modesta, mas logo você percebe que, pela clareza absoluta em texturas polifônicas, ele é excelente entre os pianistas que enfrentam as Partitas. Sim, deixemos os cravistas de fora. Eles, os cravistas são mesmos melhores para este repertório.

As três partitas apresentadas neste programa podem parecer um trio improvável, mas elas formam um todo convincente. Incorporam o afastamento progressivo das estruturas convencionais do conjunto de danças de estilo francês que forneceram o projeto básico de Bach. Ouça o tratamento de Perahia na excitação crescente da Courante da Partita No. 3, BWV 827, faixa 9, ainda mais eficaz porque é controlada com extrema segurança. Perahia faz com que a grande Allemande da Partita No. 4, BWV 828, de nove minutos, desapareça no tempo. Ele canta. O estilo de Perahia não vai agradar a todos, mas, para quem gosta de coisas transparentes, é um raro acepipe.

A engenharia alemã da Sony deve ser especialmente saudada: as ressonâncias das notas graves do piano de Perahia, tão cuidadosamente esculpidas pela artista, emergem com suas cores perfeitamente reproduzidas.

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

Partita Nr. 2 c-moll, BWV 826 – 21:07
1. I. Sinfonia – 4:43
2. II. Allemande – 4:52
3. III. Courante – 2:14
4. IV. Sarabande – 3:58
5. V. Rondeau – 1:32
6. VI. Capriccio – 3:47

Partita Nr. 3 a-moll, BWV 827 – 19:08
7. I. Fantasia – 2:03
8. II. Allemande – 3:11
9. III. Courante – 3:01
10. IV. Sarabande – 4:09
11. V. Burlesca – 2:10
12. VI. Scherzo – 1:05
13. VII. Gigue – 3:29

Partita Nr. 4 D-dur, BWV 828 – 32:04
14. I. Ouverture – 6:16
15. II. Allemande – 9:21
16. III. Courante – 3:32
17. IV. Aria – 2:16
18. V. Sarabande – 5:10
19. VI. Menuet – 1:39
20. VII. Gigue – 3:50

Murray Perahia, piano

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Depois de mais de 40 anos na Sony, Perahia assinou com a DG e ficou com esta cara.

PQP

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trio para piano, violino e violoncelo em Si bemol maior, Op. 97, “Arquiduque” [The Piano Trios – Florestan Trio]

Entre todos patronos de Beethoven, nenhum lhe foi mais querido que o arquiduque Rudolph, filho caçula do imperador. Apesar dumas poucas rusgas, a relação entre o compositor e a única pessoa a quem ensinou a sério composição foi de admiração mútua e, a despeito de todo desespero financeiro do primeiro e da fortuna do segundo, muito genuína. A correspondência entre ambos foi abundante e calorosa, e Beethoven retribuiu a generosa devoção do arquiduque com um rol de composições que, provavelmente, o tornam o dedicatário mais privilegiado da história. Contando somente as obras mais importantes, Rudolph recebeu as dedicatórias dos concertos nos. 4 e 5 para piano, da Grande Fuga para quarteto de cordas, das sonatas para piano “Lebewohl”, “Hammerklavier” e Op. 111, da Missa Solemnis e, por último mas não menos importante, o maravilhoso trio que hoje conhecemos como “Arquiduque”.

Não lhes consigo falar criticamente dessa obra que tanto amo. Desde seu primeiro gesto – o majestoso tema de abertura – ela sempre me captura para uma audição embevecida. Reconheço que o movimento que mais aprecio, e sem dúvidas o cerne da obra, é o Andante cantabile, com suas belíssimas variações. Tudo, no entanto, soa-me genial – o scherzo logo após o nobre movimento inicial, por exemplo, e a engenhosa construção do finale e suas ousadias tonais em preparação para uma mui efetiva coda. Esse trio é a joia da coroa do período intermediário da carreira de Beethoven, depois da qual ele só poderia mesmo voltar-se para uma arte muito diferente, mais radical, e visionária.

Não sou muito afeito a pintar as dores físicas de Beethoven, por acreditar que sua admirável história de superação de adversidades muitas vezes é amplificada a ponto de insinuar que devêssemos escutar suas obras com piedade, e não como frutos de um dos maiores gênios criadores que já existiram. Ainda assim, algumas histórias realmente me comovem, e uma delas é a da estreia do Op. 97. Ela ocorreu em 11 de abril de 1814, no hotel no hotel vienense “Zum römischen Kaiser”, na presença da nobreza e da intelligentsia locais. Beethoven fez questão de estrear sua obra ao piano, fazendo-se acompanhar dos amigos com o violinista Ignaz Schuppanzigh e o violoncelista Josef Linke. Sua surdez já era óbvia para todas as pessoas próximas, mas sua legendária teimosia fê-lo crer que quase nada escutar não lhe seria impedimento para tocar em público o instrumento de que fora o maior virtuose da Europa. O resultado, atesta-o Ludwig Spohr, violinista e compositor, presente na estreia:


Não foi uma boa execução. Em primeiro lugar, o piano estava totalmente desafinado, o que pouco preocupou Beethoven, porque ele não o conseguia ouvir. Em segundo lugar, por causa de sua surdez, quase nada restou do virtuosismo do artista que antes fora tão admirado. Nas passagens fortes, o pobre surdo batia nas teclas até as cordas tilintarem, e no piano ele tocava tão baixinho que grupos inteiros de notas eram omitidos, de modo que a música era ininteligível. Fiquei profundamente triste com um destino tão cruel. É uma grande desgraça ser surdo, mas como pode um músico suportar isso sem ceder ao desespero? De agora em diante, a melancolia contínua de Beethoven não era mais um enigma para mim.


E não seria mesmo, para mais ninguém. Alguns meses depois, num recital durante o Congresso de Viena, Beethoven tocaria pela última vez em público. Ao despedir-se dos palcos, enquanto via seus estipêndios minguarem, pois muitos de seus patronos não mais priorizavam sua música numa Europa devastada pelas guerras napoleônicas, passou a depender completamente da composição – e das complicadas negociações com editores – para seu sempre incerto sustento. Pior ainda, mergulhava num mundo de profundo silêncio, entrecortado tão só por zumbidos, onde só havia o som que conseguisse imaginar.

Para trazer-lhes o “Arquiduque”, escolhi a primorosa gravação do Florestan Trio, com o som sempre excelente da Hyperion. Como fiquei com pena de mutilar a série dos trios de Beethoven que eles registraram antes de infelizmente encerrarem suas atividades, resolvi trazê-la em toda sua gloriosa integridade, para que possam uma vez testemunhar a extraordinária evolução artística do jovem compositor do Op. 1 até o consumado mestre do Op. 97.

 

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trio em Si bemol maior para piano, violino e violoncelo, Op. 97, “Arquiduque”
Composto entre 1810-11, revisado em 1814
Publicado em 1816
Dedicado ao arquiduque Rudolph da Áustria

1 – Allegro moderato
2 – Scherzo: Allegro
3 – Andante cantabile ma però con moto – Poco più adagio – attacca:
4 – Allegro moderato – Presto

Allegretto para piano, violino e violoncelo em Mi bemol maior, WoO Unv. 9 (Hess 48) (1790?)
5 – Allegretto

Variações em Sol maior sobre a ária “Ich bin der Schneider Kakadu” da ópera “Die Schwestern von Prag” de Wenzel Müller, para piano, violino e violoncelo, Op. 121a
Compostas em 1803, revisadas em 1816
Publicadas em 1824

6 – Introduzione
7 – Thema
8 – Variation I
9 – Variation II
10 – Variation III
11 – Variation IV
12 – Variation V
13 – Variation VI
14 – Variation VII
15 – Variation VIII
16 – Variation IX
17 – Variation 10
18 – Allegretto

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Dois trios para piano, violino e violoncelo, Op. 70
Compostos em 1808
Publicados em 1809
Dedicados à condessa Anna Maria von Erdődy

No. 1 em Ré maior, “Fantasma”

1 – Allegro vivace e con brio
2 – Largo assai ed espressivo
3 – Presto

No. 2 em Mi bemol maior

4 – Poco sostenuto – Allegro, ma non troppo
5 – Allegretto
6 – Allegretto ma non troppo
7 – Finale. Allegro

Allegretto para piano, violino e violoncelo em Si bemol maior, WoO 39 (1812)
08 – Allegretto

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Dos Três Trios para piano, violino e violoncelo, Op. 1:
Publicados e estreados em 1795
Dedicados ao príncipe Karl von Lichnowsky

Trio no. 1 em Mi bemol maior

1 – Allegro
2 – Adagio cantabile
3 – Scherzo. Allegro assai
4 – Finale. Presto

Trio no. 2 em Sol maior
5 – Adagio – Allegro vivace
6 – Largo con espressione
7 – Scherzo. Allegro
8 – Finale. Presto

Trio para piano, violino e violoncelo em Mi bemol maior, WoO 38 (?1791)
9 – Allegro moderato
10 – Scherzo: Allegro ma non troppo
11 – Rondo: Allegretto

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Dos Três Trios para piano, violino e violoncelo, Op. 1:

Trio no. 3 em Dó menor

1 – Allegro con brio
2 – Andante cantabile con variazioni
3 – Minuetto. Quasi allegro
4 – Finale. Prestissimo

Variações em Mi bemol maior sobre um tema original, para piano, violino e violoncelo, Op. 44
Compostas em 1792
Publicadas em 1804

5 – Thema – Variationen I-XIV

Trio em Si bemol maior para violino ou clarinete, piano e violoncelo, Op. 11, “Gassenhauer”
Composto em 1797
Publicado em 1798
Dedicado a
Maria Wilhelmine von Thun

6 – Allegro con brio
7 – Adagio
8 – Tema con variazioni (“Pria ch’io l’impegno”: Allegretto)

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The Florestan Trio:
Susan Tomes,
piano
Anthony Marwood,
violino
Richard Lester,
violoncelo

 

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

.: interlúdio :. Gunnar Vargas: Circo Incandescente

.: interlúdio :. Gunnar Vargas: Circo Incandescente

Circo Incandescente, de Gunnar Vargas, é um grande disco de música popular brasileira. Excelentes letras e melodias, cada canção com personalidade e tratamento próprio e apropriado. Os sambas falam de amor, da mulher, de separações  e muito de nossa pindaíba, sempre relatando — com humor — casos quase desesperados. É um trabalho muito, mas  muito brasileiro. O tom fica entre o lírico e o bem-humorado. A voz de Gunnar é grave e bonita e a banda que o acompanha é grande e muito boa, permitindo as imensas variações nos arranjos. Onde encontrei o cara? Bem, este é um arquivo que baixei no falecido, querido e saudoso blog Um que tenha (RIP) por indicação de um amigo.

Nenhuma canção é esquecível, mas destaco o susto da abertura com a competente Circo Incandescente, a linda Vestido Preto, a dançável e sem dinheiro Osso Duro, a cômica Assim não, Assunção, o esplêndido arranjo de Mulher, a bela Chove e a sensacional O Encontro de Antigos Amantes. A referência de Gunnar parece ser Chico Buarque, que ganha, inclusive, curta citação em Assim não, Assunção.

Vale muito a audição!

Gunnar Vargas: Circo Incandescente

1. Circo Incandescente
2. Vestido Preto
3. Osso Duro
4. Assim Não, Assunção
5. Samba no Xadrez
6. Mulher
7. Vai em Paz
8. Mais um Samba
9. Promessa de Paz
10. Chove
11. Vai Me Procurar
12. O Encontro de Antigos Amantes

Gunnar Vargas, voz e violão
Luiz Waack, arranjos e guitarras
Marco da Costa, baterua
Reinaldo Chulapa, baixo
Fernando Moura, piano
Bocato, trombones
Leonardo Muniz Corrêa, sax tenor e clarinete
Amilcar Rodrigues, trompete
Hugo Hori, sax soprano
Ricardo Garcia, percussão
Antonio Bombarda, acordeon
Marcia Castro, voz
Paula de Paz. voz

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Gunnar Vargas | Foto retirada do blog do artista (Anderson Silva – Gessé)

PQP

BTVHN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonata Kreutzer e Sonata Primavera – Rubinstein & Szeryng

Já contei essa história aqui no PQPBach certa vez, mas vou contar de novo: em certa ocasião, ouvindo o mesmo Henrik Szeryng tocando esta mesma Sonata “Primavera”, mas com a Ingrid Heubler, em alto volume, fui chamado pela vizinha. Pensei que ia reclamar do volume alto, mas para minha surpresa, ela veio perguntar que música tão linda era aquela que eu estava ouvindo. Falei que era Beethoven e desde então, ficamos amigos. Beethoven unindo duas pessoas que até então nunca haviam se falado, mesmo vivendo um ao lado do outro.

Quero inaugurar a Primavera deste ano tão tenso e triste como tem sido o de 2020 como duas obras que antes de tudo me trazem esperança de dias melhores. Não quero soar piegas, nem repetir o bordão de certo canal de TV que tem uma campanha aqui no Estado que diz que ‘vai passar’. Mas sim, sempre passa. O tempo não para.

O pianista Arthur Rubinstein e o violinista Henrik Szeryng foram grandes estrelas em seus instrumentos, verdadeiras lendas do século XX.  E assim como em outra gravação que trouxe em outra ocasião para os senhores com esta dupla, onde tocavam as Sonatas de Brahms, aqui trago as duas obras primas de Beethoven, as Sonatas ‘Primavera’ e a ‘Sonata a Kreutzer’, interpretadas com maestria, há exatos sessenta anos, sim, meus caros, lá do tempo em que os dinossauros dominavam a Terra. O tempo não para, a fila anda, como sempre me lembra René Denon, e para alguns estas interpretações podem soar datadas, mas quem se importa? A essência está ali, é Beethoven no seu apogeu criativo.

Assim como minha vizinha se sentiu inspirada ao ouvir esta “Sonata Primavera” naquela ocasião, espero que os senhores ouçam estas obras com o coração, deixem a beleza penetrar, sintam a genialidade de um genial compositor aelmão surdo, e que viveu há mais de duzentos anos, calar fundo em suas almas, e pensem neste início de Primavera como um novo início para nós, pobres e reles seres mortais que se consideram superiores ao que os cerca.

Sonata para Piano e Violino nº 9 em Lá Maior, op. 47 “Kreutzer”

  1. Adagio sostenuto – Presto
  2. Andante con variazone
  3. Finale – Presto

Sonata para Piano e Violino nº 5 em Fá Maior, op. 24 “Primavera”

4. 1 Allegro
4.2 Adagio molto espressivo
4.3 Scherzo. Allegro ma non troppo

4.4 Rondo. Allegro ma non troppo

Arthur Rubinstein – Piano
Henryk Szeryng – Violino

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BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonata para violino e piano em Sol maior, Op. 96 – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonata para violino e teclado em Dó menor, BWV 1017 – Arnold Schönberg (1874-1951) – Fantasia para violino e piano, Op. 47 – Menuhin – Gould

A histórica esnobada de Rodolphe Kreutzer não criou em Beethoven urticárias para com violinistas franceses. Muito pelo contrário: admirador de Pierre Rode (1774-1830), violinista titular da corte de Napoleão, aproveitou uma visita do colega a Viena em 1812 para compor-lhe uma sonata para o instrumento. Rode, que fora um dos mais renomados violinistas da Europa, estava em declínio técnico por condições de saúde. Seu modus gallicus não era exatamente afeito nem ao temperamento, nem ao estilo de Ludwig. No entanto, aceitou a oferta, bancada pelo dedicatário da obra, o arquiduque Rudolph, que foi o pianista da estreia.

A obra composta para Rode marcou o retorno de Beethoven à sonata para violino, dez anos após sua composição anterior no gênero, para uma última experiência que praticamente arremata seu chamado período intermediário. Aquele ano de 1812 viu surgirem poucas composições, talvez pela dor de cotovelo trazida pela desilusão final com Antonie Brentano – aquela que foi, salvo melhor juízo, a “Amada Imortal” da  famosa carta que nunca chegou à destinatária. Foi o ano, também, em que escreveria em seu diário:


Tudo que se chama vida deve ser sacrificado ao sublime e tornar-se santuário da Arte”


Seria a limitada produção daquele 1812 um retiro de um sacerdote da Música a oferecer sacrifícios antes da fase mais ascética e visionária de sua vida? É bem possível. Assim como em obras do mesmo período – o quarteto Op. 95 e a sonata para piano, Op. 90, já apresentados em nossa série – Beethoven lança mão na Op. 96 de formas mais concisas para, de modo mui concentrado, expressar suas ideias. O contraste com a antecessora, a sonata que todos chamam de “Kreutzer”, mas deveriam chamar “Bridgetower”, não poderia ser maior. Em lugar do virtuosismo e da verve da “Bridgetower”, que abre com aqueles vigorosos acordes do violino solo e logo liberta a fúria concertística que permeará seu primeiro e último movimentos, a sonata que Beethoven escreveu a Rode é plácida, muito equilibrada, de caráter meio etéreo, meio pastoral. Ela inicia com extrema simplicidade: o primeiro movimento tem um tema principal que começa de maneira incomum, com um trinado, e perpassa todo o movimento com diálogos entre violino e piano, que repetem entre si, com poucos compassos de diferença, todo material temático que vai surgindo. No movimento lento, o piano tem um tema ao estilo de um hino religioso, ao qual o violino responde com um outra, mais cantável, que leva a um scherzo temperamental, com um sossegado trio. O finale foi escrito especificamente para o estilo de Rode, como Beethoven confessou ao arquiduque: “Não me apressei indevidamente para compor o movimento final, pois, em vista da execução de Rode, eu tive que mudar meus planos para esse movimento. Em nossos finales gostamos de passagens ruidosas, mas R não as aprecia – e por isso me senti um pouco tolhido”. Assim, ele escolheu abrir o movimento com um tema desconcertantemente despojado – ele sempre me lembra alguém a assobiar – sobre o qual desenvolvem-se variações cada vez mais rápidas, até que Beethoven parece abandonar os planos e mergulhar num prolongado Adagio, só para retomar o tema e encaminhar o movimento para um final rápido e efetivo.

Já lhes alcancei essa sonata numa interpretação excelente, pelo magnífico Kavakos. Achei, no entanto, que não poderia perder a oportunidade de oferecer-lhes este histórico encontro entre dois importantes músicos que nada tinham em comum, exceto o respeito um pelo outro: o pianista Glenn Gould (1933-1982) e o violinista Yehudi Menuhin (1916-1999). O precioso registro foi feito a partir do áudio de um especial de TV que foi ao ar em 1965, o qual alcançarei a vocês ao final da postagem, com obras de J. S. Bach, Beethoven e Schönberg que abarcam três séculos da tradição da música para violino e teclado. Melhores que as interpretações, talvez, sejam os diálogos que Gould e Menuhin travam acerca das obras antes de executá-las. Infelizmente, não encontrei uma versão legendada em português, nem uma transcrição dos textos. No entanto, acho que o contraste entre as posturas do fleumático Menuhin, com seu sotaque afiado pelos já tantos anos radicado no Reino Unido, e o palavroso Gould é tão interessante que dispensará tradutores. Os resultados que conseguem com seu duo, embora longe de serem interpretações de referência, não desagradarão mesmo aos numerosos detratores destes artistas incomuns, graças, a meu ver e ouvir, à imensa capacidade que Menuhin tinha de compreender e assimilar o estilo de seus colegas e responder-lhes com muito respeito, que lhe permitiria parcerias memoráveis e muito convincentes com músicos como Ravi Shankar e Stéphane Grappelli.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Sonata para violino e teclado em Sol menor, BWV 1017

1 – Siciliano. Largo
2 – Allegro
3 – Adagio
4 – Allegro

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para violino e piano em Sol maior, Op. 96
Composta em 1812
Publicada em 1816
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustria

5 – Allegro moderato
6 – Adagio espressivo
7 – Scherzo: Allegro – Trio
8 – Poco allegretto

Arnold SCHÖNBERG (1874-1951)

Fantasia para violino com acompanhamento de piano, Op. 47

9 – Grave – Più mosso – Meno mosso – Lento – Grazioso – Tempo I – Più mosso
10 – Scherzando – Poco tranquillo – Scherzando – Meno mosso – Tempo I

Yehudi Menuhin, violino
Glenn Gould, piano

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J. S. Bach: Sonata, BWV 1017


Beethoven: Sonata, Op. 96


Schönberg: Fantasia, Op. 47

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Mahler: Sinfonia Nº 10 / Schoenberg: Sinfonia de Câmara Nº 1, Op. 9 / Strauss: Suíte de O Cavaleiro de Rosa, Op. 59

Mahler: Sinfonia Nº 10 / Schoenberg: Sinfonia de Câmara Nº 1, Op. 9 / Strauss: Suíte de O Cavaleiro de Rosa, Op. 59

IM-PER-DÍ-VEL !!! (Obrigado, Cássio!)

Três obras contrastantes da Viena de pouco antes da Primeira Guerra Mundial em versões de câmara que revelam os contrastes e as semelhanças entre elas. Aqui temos performances sofisticadas e vibrantes. Este disco é muito novo, lançado em julho deste ano pela DG.

Todas as três obras olham para trás e para a frente e, cada uma de uma maneira diferente, refletem a tensão entre modernismo e tradição da época. Ajuda que neste disco tudo é ouvido em rarefeitas e transparentes versões para conjunto de câmara.

O fascinante em ouvir o Adagio de Mahler brilhantemente reduzido a apenas sete instrumentos é que a clareza traz à tona a ousadia e o modernismo de Mahler. Enquanto Mahler, em suas sinfonias, lutava com o legado de Beethoven, também olhava para o futuro e, em sua décima sinfonia, sua desastrosa vida pessoal deu uma contribuição significativa. Sua esposa teve um caso com o arquiteto Walter Gropius e Mahler procurou aconselhamento com Sigmund Freud. Seu desespero infiltra-se constantemente na obra. Sem o luxo da orquestração de Mahler, podemos apreciar a notável sustentação dessa estrutura.

Adorei a forma como a peça é aberta, fazendo uma declaração sobre o mundo sonoro em que estamos entrando. Cada instrumentista interage de forma brilhante e esta versão funciona como música de câmara, não como uma sinfonia reduzida. Sim, esta versão para em pé mesmo sem o habitual colorido orquestral mahleriano. Um disco para ser ouvido muitas vezes.

O resto do CD também é muito bom, mas não chega aos pés de Mahler.

Mahler: Sinfonia Nº 10 / Schoenberg: Sinfonia de Câmara Nº 1, Op. 9 / Strauss: Suíte de O Cavaleiro de Rosa, Op. 59

1 Gustav Mahler (1860-1911), arr. Martyn Harry, Adagio from Symphony No. 10 (1910) [23:58]
2 Arnold Schoenberg (1874-1951), arr Anton Webern – Chamber Symphony No. 1 Op. 9 (1907) [21:12]
3 Richard Strauss (1864-1949), arr. Martyn Harry – Der Rosenkavalier: Suite Op. 59 (1910) [22:11]

O Alban Berg Ensemble Wien posa na Sala de Recepção à Música do Século XX da sede rural do PQP Bach (Foto: divulgação do perfil do Facebook do grupo)

:
Sebastian Gurtler, Regis Bringolf violins,
Subin Lee viola,
Florian Berner cello,
Silvia Careddu flute,
Alexander Neubauer clarinet,
Airane Haering piano
Nora Cismondi oboe
Alois Posch double bass

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PQP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Violin Concertos – Faust, Il Giardino Armonico, Antonini

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Novos links para uma gravação muito especial que postei lá em 2017, com essa gracinha chamada Isabelle Faust. Os prêmios que ganhou já são uma grande apresentação deste baita CD duplo da Harmonia Mundi !  

GRAMOPHONE CLASSICAL MUSIC AWARDS WINNER 2017 !! CATEGORIA CONCERTO !!

Assim como um cliente da amazon, não consigo parar de ouvir este CD. Recém lançado pela Harmonia Mundi traz um Mozart vívido, alegre, triunfante sem ser óbvio, e que mostra que sim, o talento faz a diferença e uma violinista do nível de Isabelle Faust tem este talento de sobra para nos mostrar o que ainda se pode extrair destes concertos tão gravados e interpretados.
O conjunto ‘Il Giardino Armonico’ e seu diretor Giovanni Antonini continuam mostrando o porque são um dos melhores da atualidade. Coisa de gente grande, e um belo presente de Natal, mesmo que atrasado.
É música para não parar de se ouvir. Mozart nas mãos de Isabelle Faust é música para os anjos ouvirem.

CD 1

I. Allegro moderato
2. II. Adagio
3. III. Presto
4. Rondo for Violin and Orchestra, in B-Flat Major, K. 269/261a: Allegro
5. Concerto for violin and orchestra no.2, in D major, K211 I. Allegro moderato
6. II. Andante
7. III. Rondeau. Allegro
8. Violin Concerto I. Allegro
9. II. Adagio
10. III. Rondeau. Allegro- Andante – Allegretto – Tempo primo

CD 2

1. Rondo for Violin and Orchestra, in C Major, K. 373
2. Concerto for violin and orchestra no.4, in D major, K218 I. Allegro
3. II. Andante cantabile
4. III. Rondeau. Andante grazioso
5. Adagio for violin and orchestra, in E major, K261
6. Concerto for violin and orchestra no.5, in A major, K219 6 I. Allegro aperto – Adagio – Allegro aperto
7. II. Adagio
8. III. Rondeau Tempo di Menuetto-Allegro-Tempo di Menuetto

Isabelle Faust – Violin
Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini – Conductor

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BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quarteto de cordas em Fá menor, Op. 95, “Serioso” – Franz Schubert (1797-1828) – Quarteto de cordas em Ré menor, D. 810, “A Morte e a Donzela” – Arranjos de Gustav Mahler para orquestra de cordas – Bashmet

Muito se fala da relação de Gustav Mahler com a música de Beethoven a partir de sua propensão a fazer “retoques” nas sacrossantas obras do renano. A controversa, ainda que bem-intencionada prática, fermentou a ponto de azedar os ânimos em torno da tão esperada chegada de Mahler ao cargo de diretor da Hofoper de Viena, o posto máximo da vida musical austro-húngara naquele final do século XIX. A nomeação foi antecedida por uma conversão ao catolicismo que já antevia as dificuldades que teria, como judeu, ao se tornar a maior vidraça musical do Império. Ademais, ela coroava da extraordinária carreira do maior regente de seu tempo, após galgar a escadaria que o trouxera das províncias até o Teatro Municipal de Hamburgo – onde sua reputação virara um pau de galinheiro justamente após a estreia de um Retusche à Nona de Beethoven.

A chegada de Mahler a Viena coincidiu com a eclosão, naquela capital, do movimento multicêntrico conhecido como Secessão, em que artistas plásticos, rompidos com o status quo, criavam sob o lema “A cada época, sua arte – à arte, sua liberdade”. Mahler trouxe suas maneiras irascíveis e perfeccionistas à reacionária casa de ópera, granjeando o ressentimento de seus músicos e aclamação do público pelas produções que conduzia. Seu envolvimento quase imediato com a Secessão tornou-se um caso de família quando, em 1902, casou-se com Alma Schindler, enteada do pintor secessionista Carl Moll. Mais ainda: quando da inauguração duma exposição do grupo no prédio homônimo em Viena, dedicada a representação de Beethoven nas artes, fez ouvir um arranjo para conjunto de câmara, e cheio de Retuschen, para um trecho do finale coral da até então inviolável Nona Sinfonia do mestre de Bonn.

O prédio da Secessão (Secessionsgebäude) em Viena, com o moto do movimento: “A cada época, sua arte – à arte, sua liberdade”. Foto do autor.
Tal exposição, obviamente, não teria como não ser controversa, mas os secessionistas capricharam na provocação. Para começar, a peça central era uma escultura do alemão Max Klinger (1857-1920) em que Beethoven, ídolo santificado pelos vienenses, aparecia seminu:

 

“Beethoven”, de Max Klinger (1852-1920). Museu de Artes de Leipzig, Alemanha. Foto do autor.


Para completar, Gustav Klimt (1862-1918) pintou um imenso friso para decorar as paredes do prédio da Secessão, incluindo um bom número de figuras exóticas, incluindo animais selvagens e mulheres nuas:

 

“Friso Beethoven”, de Gustav Klimt (1862-1918). Secessionsgebäude, Viena, Áustria. Foto do autor.



Uma das figuras de maior destaque no “Friso Beethoven”, como ficou conhecido, era um cavaleiro em trajes de ouro, aparentemente venerado pelas figuras circunjacentes:

“Friso Beethoven”, de Gustav Klimt (1862-1918). Secessionsgebäude, Viena, Áustria. Foto do autor.
Cuja fisionomia, para os vienenses, lembrava muito a do detestado judeu que comandava a Ópera Imperial:

 

Sim: Mahler


Nada disso, claro, ajudou a melhorar a reputação de Mahler na xenófoba e antissemítica Viena, tampouco entre seus esgotados músicos. Depois de muito entrevero, e do crescente descontentamento com o tempo que dedicava ao afã de compor, ele fechou um polpudo contrato com a Metropolitan Opera de New York, deixou a Hofoper e passou a dividir seu tempo entre exaustivas temporadas na América e verões na Europa a compor em bucólicas casinhas no campo:

A última das três “cabanas de composição” de Mahler que chegaram aos nossos dias, em Toblach/Dobbiaco, Tirol do Sul, Itália. Nela, ele passou compondo seus três últimos verões (1908-1910). Foto do autor.


Uma das mais selvagemente atacadas recriações beethovenianas de Mahler foi a do quarteto Op. 95, que ele  tinha em alta consideração como uma das mais visionárias de suas obras. Eu esperava escutar na transcrição para orquestra de cordas algo que o trouxesse para mais perto duma “Noite Transfigurada” de Schönberg (composta naquele mesmo ano), mas só consigo ouvir – afora algumas mudanças na articulação e dinâmica, em particular do uso do contraste entre subgrupos dos naipes e um eventual instrumento solista – uma releitura reverente que realça o pathos da obra do velho mestre e. Por ora, Gustav parece inocente de todas as acusações que lhe fizeram, mas sugiro que, antes de baterem o martelo e darem o veredito, aguardem a versão que lhes trarei de sua Nona retocada.

Preparem os tomates.

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

Quarteto para dois violinos, viola e violoncelo em Ré menor, D. 810, “A Morte e a Donzela”
Arranjo para orquestra de cordas de Gustav Mahler (1860-1911)

1 – Allegro
2 – Andante con moto
3 – Scherzo: Allegro molto
4 – Presto

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Quarteto para dois violinos, viola e violoncelo em Ré menor, D. 810, “A Morte e a Donzela”
Arranjo para orquestra de cordas de Gustav Mahler

5 – Allegro con brio
6 – Allegretto ma non troppo
7 – Allegro assai vivace ma serioso – Più allegro
8 – Larghetto espressivo – Allegretto agitato – Allegro

Solistas de Moscou (Solisti Moskvi)
Yuri Bashmet, regência

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E aqui vai mais um nude de Lud Van, porque, enfim, isso não se tem todo dia. Busto por Max Klinger (1852-1920), Museum of Fine Arts, Boston, Estados Unidos (foto do autor)
#BTHVN250, por René Denon

Vassily

J. S. Bach (1685-1750) & H.I.F. Biber (1644-1704): Sonatas para Violino – Evgeny Sviridov

J. S. Bach (1685-1750) & H.I.F. Biber (1644-1704): Sonatas para Violino – Evgeny Sviridov

Bach & Biber

Sonatas para Violino

Evgeny Sviridov, violino

Zita Mikijanska, cravo

 

Até o momento em que começo a escrever esta postagem não consegui verificar se Bach e Biber encontraram-se alguma vez, mas eu creio que não. Heinrich Ignaz Franz (von) Biber nasceu em 1644, 41 anos antes de Bach, e quando morreu, Bach era um jovem de 19 anos. Mas acredito que Bach conhecia alguma música de Biber, especialmente por este ter sido um grande violinista e suas composições, como as sonatas deste disco, além das famosíssimas Sonatas do Rosário (Die Rosenkranz Sonaten) expandiram as técnicas de tocar o violino.

Foto do artista quando muito jovem…

De qualquer forma, a combinação das peças de Bach com as do músico mais antigo, dão um toque interessante ao programa. Ouça de olhos fechados, ou pegue uma faixa qualquer aleatoriamente. Acredito que você conseguirá adivinhar logo qual dos dois é o compositor. As sonoridades de Biber são um tanto mais técnicas enquanto a música de Bach me parece mais melodiosa (uso esta por não me ocorrer alguma palavra mais apropriada). As tais scordaturas dão um toque especial às peças de Biber, assim como sua inventividade. Por exemplo, o último movimento de uma de suas sonatas tem uma ária com variações.

Mas as peças foram escolhidas para mostras as habilidades do jovem violinista. Evgeny Sviridov nasceu em São Petersburgo e iniciou seus estudos no conservatório da cidade. Enquanto ainda estudava participou de competições como Menuhin Competition em Cardiff e Paganini Competition em Gênova, em 2008. Mas foi em 2010 que ocorreu algo realmente especial. Aparentemente inspirado pelas interpretações de música em instrumentos de época, como as de Reinhard Goebel, inscreveu-se no International Bach Competition e ganhou o primeiro prêmio. Este disco de 2011 é uma consequência disto. Isto catapultou sua carreira e ele aprofundou seus estudos nesta área. Hoje, Sviridov tem uma carreira completamente estabelecida e suas atividades como artista e como professor são impressionantes, como você poderá descobrir lendo seu perfil nesta página aqui.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata para violino e cravo No. 3 em mi maior, BWV 1016

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Adagio ma non tanto
  4. Allegro

Heirich Ignaz Franz Biber (1644 – 1704)

Sonata para violino No. 4 em ré maior, c. 141

  1. Presto
  2. Gigue – Adagio
  3. Adagio – Adagio
  4. Aria – Variatio 1 – 2 – 3 – 4 – Finale – Presto

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata para violino em sol maior, BWV 1021

  1. Adagio
  2. Vivace
  3. Largo
  4. Presto

Heirich Ignaz Franz Biber (1644 – 1704)

Sonata para violino No. 8 em lá maior, c. 145

  1. Sonata – Allegro
  2. Aria
  3. Sarabanda
  4. Allegro – Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Partita para violino solo No. 3 em mi maior, BWV 1006

  1. Preludio
  2. Loure
  3. Gavotte em rondeau
  4. Menuet I – II
  5. Bourre
  6. Gigue

Evgeny Sviridov, violino

Zita Mikijanska, cravo

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FLAC | 378 MB

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MP3 | 320 KBPS | 152 MB

Retrato mais atual do artista

Para nosso espaço Babel, selecionei alguns trechos de críticas dos trabalhos do Evgeny..

“Seine Interpretation ist ein Ereignis. Da ist nicht ein Bogenstrich unkontrolliert oder unreflektiert. Jeder Akzent, jede Klangfarbe erweist sich als wohlüberlegt und präzise gesetzt.”

“If you think the Baroque violin sounds wiry and thin, Sviridov’s silky, silvery tones will make you think again. Fingerwork and bowings are supple, light-weight and agile, producing effects by turns balletic, poetic, rhetorical and lyrical.”

“Ce très grand interprète donne ici une splendide illustration de ce qu’on peut faire de mieux avec des œuvres majeures même dès le jeune âge. Il est troublant de ressentir à l’écoute d’œuvres connues, maintes fois entendues, une nouvelle émotion. C’est simplement magnifique !”

 

Resumindo: ‘É simplesmente magnífico!’

Aproveite!

René Denon