.: interlúdio :. Stéphane Grapelli: It might as well be swing

.: interlúdio :. Stéphane Grapelli: It might as well be swing

It Might as Well Be Swing é uma celebração da elegância. Com seu fraseado leve, inventivo e irresistivelmente melódico, Stéphane Grappelli (1908-1997) demonstra por que foi um dos grandes responsáveis por transformar o violino em instrumento do jazz. O disco transborda alegria sem jamais cair na superficialidade. Cada tema parece conversar com a tradição do swing ao mesmo tempo em que exibe a personalidade inconfundível de Grappelli: refinada, espirituosa e cheia de charme. É música que flui com naturalidade, como uma conversa entre velhos amigos, lembrando-nos que o jazz pode ser virtuoso sem perder a graça e sofisticado sem perder o sorriso.

.: interlúdio :. Stéphane Grapelli: It might as well be swing

1 You Took Advantage Of Me 4:56
2 Star Eyes 4:17
3 Anything Goes 4:32
4 Don’t Blame Me 5:04
5 Moonlight In Vermont 2:36
6 Caravan 7:15
7 It Might As Well Be Spring 4:53
8 Have You Met Miss Jones 4:02
9 Love Song 3:13
10 Sing Hallelujah 3:56
11 I Didn’t Know What Time It Was 5:50

Alto Saxophone, Tenor Saxophone, Clarinet – Phil Woods
Bass – Jean-Philippe Viret (tracks: 11), John Burr*
Drums – Louis Bellson
Guitar – Marc Fosset
Piano – McCoy Tyner (tracks: 11)
Violin – Stéphane Grappelli

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Grappelli com a camisa que ganhou de presente do pessoal do PQP.

PQP

.: interlúdio (ou não) :. Kronos Quartet: Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music Of Thelonious Monk with Ron Carter

.: interlúdio (ou não) :. Kronos Quartet: Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music Of Thelonious Monk with Ron Carter

Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music of Thelonious Monk é um daqueles encontros improváveis que acabam parecendo inevitáveis depois de acontecidos. O Kronos Quartet transporta o universo cheio de pontas, irônico e melancólico de Thelonious Monk para o território da música de câmara sem domesticá-lo. Pelo contrário: os arcos parecem revelar ainda mais as dissonâncias, os silêncios e o humor torto de Monk. A presença de Ron Carter dá peso e pulsação jazzística ao projeto, especialmente em “Off Minor/Epistrophy”, enquanto peças como “‘Round Midnight” e “Crepuscule with Nellie” ganham uma beleza quase fantasmagórica. Não é jazz tradicional nem música clássica convencional: é um disco raro, elegante e inquieto, feito por músicos que compreendem que Monk sempre foi, sobretudo, um grande compositor contemporâneo.

Kronos Quartet: Monk Suite: Kronos Quartet Plays Music Of Thelonious Monk with Ron Carter

1 Well, You Needn’t
Written-By – Thelonious Monk
4:58
2 Rhythm-a-ning
Written-By – Monk*
3:04
3 Crepuscule With Nellie
Written-By – Monk*
2:39
4 Off Minor / Epistrophy
Written-By – Monk*
8:10
5 ‘Round Midnight
Written By – Monk-Williams
Written-By – Williams*, Monk*
4:33
6 Misterioso
Written-By – Monk*
4:00
“Monk Plays Ellington”:
7 It Don’t Mean A Thing (If It Ain’t Got That Swing)
Written By – Ellington-Mills
Written-By – Ellington*, Mills*
4:03
8 Black And Tan Fantasy
Written By – Ellington-Miley
Written-By – Miley*, Ellington*
3:42
9 Brilliant Corners
Written-By – Monk*
5:04

Bass – Chuck Israels (tracks: B3, B4), Ron Carter (tracks: A1 to A4)
Cello – Joan Jeanrenaud
Drums – Eddie Marshall (2) (tracks: B3, B4)
Viola – Hank Dutt
Violin [First] – David Harrington
Violin [Second] – John Sherba

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With a little help from a friend

PQP

.:interlúdio:. John Surman: Selected Recordings (1976-1999) – Rarum, Vol. 13

.:interlúdio:. John Surman: Selected Recordings (1976-1999) – Rarum, Vol. 13

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Coletâneas são desiguais, mas têm a vantagem de nos darem uma visão bastante clara das diversas vertentes de um artista, se ele as tiver, claro. Algumas das faixas abaixo já foram divulgadas no PQP, casos de Edges Of Illusion e Gone to the dogs, mas há outras extraordinárias, que me fazem desejar conhecer inteiramente os álbuns de onde saíram. Esta coletânea é uma espécie de isca. E eu a fisguei e estou bem feliz de ser puxado pelo anzol de Surman. A qualidade do som dos saxes e clarinetes do inglês é inacreditável.

John Surman – Selected Recordings (1976-1999)

1 Druid’s Circle
2 Number Six
3 Portrait of a Romantic
4 Ogeda
5 The Returning Exile
6 Edges Of Illusion
7 The Buccaneers
8 The Snooper
9 Mountainscape VIII
10 Figfoot
11 Piperspool
12 Gone To The Dogs
13 Stone Flower

John Surman – Soprano Saxophone, baritone saxophone, bass clarinet, recorder, synthesizer, keyboard
John Abercrombie – guitar
Paul Bley – piano
Gary Peacock – double-bass
Barre Phillips – double-bass
Chris Pyne – trombone
Terje Rypdal – guitar

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Vá ter som bom aqui no PQP!
Vá ter som bom aqui no PQP!

PQP

.: interlúdio :. Egberto Gismonti & Charlie Haden in Montreal

.: interlúdio :. Egberto Gismonti & Charlie Haden in Montreal

IM-PER-DÍ-VEL !!!

In Montreal é um álbum de Egberto Gismonti e Charlie Haden gravado em 6 de julho de 1989 no Festival Internacional de Jazz de Montreal e lançado pela ECM em 2001. Aqui, temos dois monstros em plena forma em ação. Gismonti é mais dinâmico. Ele é a mola propulsora em peças de como Salvador, Maracatu e Em Família. Essas músicas mais agitadas de Gismonti são contrabalanceadas pelas composições majestosas e reflexivas de Haden. Um belo disco, lindamente interpretado e muito brasileiro. O ouvido de Haden para a música latina funciona perfeitamente, encaixando-se tanto ao violão de 10 cordas quanto ao piano de Gismonti. Este brinca muito, como em Lôro e em Frevo. Uma alegria ouvir esses dois.

P.S. de Pleyel em 2026 ao repostar: Tenho enorme apreço pelo primeiro disco lançado por Gismonti e Haden juntos, em um trio com o saxofonista J. Garbarek (aqui). Depois fui ouvir o álbum ao vivo lançado pela ECM em 2012 e este do duo lançado em 2001. Este aqui é o melhor dos ao vivo. Um diálogo simplesmente telepático.

Egberto Gismonti & Charlie Haden in Montreal

1 Salvador – composed by Egberto Gismonti (7:36)
2 Maracatú – composed by Egberto Gismonti (9:21)
3 First Song – composed by Charlie Haden (6:28)
4 Palhaço – composed by Egberto Gismonti, G.E. Carneiro (9:19)
5 Silence – composed by Charlie Haden (9:49)
6 Em Família – composed by Egberto Gismonti (10:03)
7 Lôro – composed by Egberto Gismonti (7:32)
8 Frevo – composed by Egberto Gismonti (6:43)
9 Don Quixote – composed by Egberto Gismonti, G.E. Carneiro (12:02)

Egberto Gismonti, violão, piano e o que pintar
Charlie Haden, baixo

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Charlie Haden e Egberto Gismonti combinando o que vamos ouvir.
Charlie Haden e Egberto Gismonti combinando o que vamos ouvir.

PQP

.: interlúdio .: Lou Donaldson & Grant Green – Cool Blues

Juntem dois geniais músicos, com uma excelente banda de apoio e o resultado só pode ser um: IM-PER-DÍ-VEL. Gravado ali no início dos anos 60, sim, aquele mesmo período em que os Dinossauros como Miles Davis e  John Coltrane caminhavam sobre a Terra, uma quantidade de discos de Jazz de altíssima qualidade era lançada por selos como Prestige, Vanguard, Columbia, Blue Note dentre tantos outros, muitos deles gravados e produzidos por um gênio dos estúdios chamado Rudy van Gelder, o que é o caso desse que ora vos trago.

Grant Green, assim como seu conterrâneo e contemporâneo Wes Montgomery, viveram pouco, mas intensamente. Por uma ironia do destino morreram j0vens, Green com meros 44 anos, e Montgomery com 45. Triste sina. Mas o que esses dois fizeram os alçaram ao panteão dos grandes músicos.

O parceiro de Grant Green aqui é o saxofonista Lou Donaldson que, ao contrário, viveu muito, morreu aos 98 anos de idade, agora em 2024. Para os fãs de Jazz nem preciso apresentá-lo, é nome conhecido, mas para quem não o conhece, basta dizer que tocou com Art Blakey, Clifford Brown, Horace Silver, Philly Joe Jones, dentre outros. É um dos maiores sax alto da história do Jazz.

Além de Green e de Donaldson, temos Baby Face Wallette no órgão Hammond e outro lendário músico, Brother Jack McDuff. Não sei vocês, mas adoro os nomes desses músicos de Blues e de Jazz.

Um disco para se ouvir em um sábado nublado, meio que chuvoso e frio. Espero que apreciem.

01 – A Foggy Day
02 – Here ‘Tis
03 – Cool Blues
04 – Watusi Jump
05 – Walk Wid Me
06 – Misty
07 – Please
08 – Man With a Horn
09 – Prisoner of Love
10 – Stardust

Lou Donaldson – Sax Alto
Grant Green – Guitarra
Baby Face Willette – Órgão Hammond (faixas 1 – 5)
Brother Jack McDuff – Órgão Hammond (faixas 6 – 10)
Dave Bayley – Bateria (faixas 1 – 5)
Joe Dukes – Bateria (faixas 6 – 10)

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.:interlúdio:. Stefano Bollani: Carioca

.:interlúdio:. Stefano Bollani: Carioca

Excelente disco! Stefano Bollani é um brilhante pianista italiano de jazz. Nascido em Milão no ano de 1972, é como muitos italianos, apaixonado pelo Brasil e costuma tocar nossa música em suas apresentações ao lado de composições suas. Conhecido por sua vasta cultura tanto sobre a música erudita moderna quanto jazzística, Bollani — conhecido por ser um workaholic — chega a assustar com a intimidade que demonstra com nossa música, chegando ao ponto de cantar “Trem das onze”, no único equívoco do disco pois ele está longe de ser um cantor. O CD foi gravado no Rio de Janeiro com músicos brasileiros e é muito bom. É, indiscutivelmente, em disco de jazz, mas ouçam a naturalidade com que Bollani enfrenta um chorinho! O cara é bom demais!

Stefano Bollani – Carioca – 2008

1 Luz negra (Nelson Cavaquinho)
2 Ao romper da aurora (Ismael Silva – Lamartine Babo – Francisco Alves)
3 Choro sim (Ismael Silva)
4 Valsa brasileira (Edu Lobo – Chico Buarque)
5 A voz no morro (Zé Keti)
6 Hora da razão (J. Luna – Batatinha)
7 Segura ele (Pixinguinha)
8 Doce de coco (Jacob do Bandolim)
9 Folhas secas (Nelson Cavaquinho – Guilherme de Brito)
10 Il domatore di pulci (Stefano Bollani)
11 Samba e amor (Chico Buarque)
12 Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu)
13 Caprichos do destino (Pedro Caetano – Claudionor da Cruz)
14 Na Baixa do sapateiro (Ary Barroso)
15 Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth)
16 Trem das onze / Figlio unico (João Rubinato / Riccardo del Turco)

Stefano Bollani piano, arrangements, vocal
Marco Pereira guitar
Jorge Helder bass
Jurim Moreira drums
Armando Marcal percussions
Zé Nogueira soprano sax
Nico Gori clarinet and bass clarinet
Mirko Guerrini tenor sax
Zé Renato vocal
Monica Salmaso vocal

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Stefano Bollani

PQP

.: interlúdio:. Yamandu Costa: Lida

.: interlúdio:. Yamandu Costa: Lida

Em sua mais recente passagem pelo país, o maestro alemão Kurt Masur apelidou Yamandu Costa de “o Paganini do violão”. O gaúcho de Passo Fundo achou a comparação exagerada e se apressou em dizer que não tinha pacto com o demônio – segundo a lenda, o violinista Niccolà Paganini tinha. Além de ser um magnífico elogio, a alcunha inventada por Masur serviu para ressaltar o vínculo de Yamandu com o universo erudito. No mesmo ano em que estreou sua peça Bachbaridade (uma suíte para violões) no palco do Municipal do Rio de Janeiro, o músico gravou um disco com o sanfoneiro Dominguinhos, talvez o maior expoente vivo do forró. Agora solta mais um álbum – o oitavo da carreira – em que a música regional dá as cartas. (daqui)

O disco em questão, Lida, foi lançado em 2007, de forma independente, e está esgotado – como todos os outros de Yamandu. Assim como no Duofel postado há um tempo atrás, este cão se envereda pela seara dos violonistas – que evocam Radamés Gnatalli, Baden Powell e um certo regionalismo que é difícil de encontrar em dose igual à do talento instrumental (ok, não vou falar de Hermeto hoje). O resultado é essa sempre procurada sensação antagônica – de relaxamento cerebral ao mesmo tempo em que ele põe-se louco a decifrar a complexidade do que se ouve. E para mim, pouco brilho pode ser maior que este, em que uma trama tão desafiadora dá forma a algo tão belo quanto simples. A isso rotulam “genial”, e eu concordo meneando a cabeça, em respeitoso silêncio.

Yamandu Costa – Lida (320)
Yamandu Costa: violão de 7 cordas
Guto Wirtti: baixo acústico
Nicolas Krassik: violino

download – 83MB
01 Baionga
02 Missionerita
03 Dayanna
04 Lida
05 Ana Terra
06 Bem Baguala
07 Brincante
08 Adentro
09 Encerdando
10 Ventos dos Mortos

O Paganini do violão

Boa audição!
Blue Dog

.:interlúdio:. Tom Jobim: Matita Perê

.:interlúdio:. Tom Jobim: Matita Perê

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tom inventou Matita Perê (1973) e começou a gravá-lo no Rio. Não estava gostando do resultado. Achou que precisava de melhores músicos e maior qualidade de gravação.

(Ouvindo o disco, você logo entende que a exigência era enorme. O álbum alterna canções com música instrumental, indo com naturalidade do popular ao erudito).

Foi para Nova Iorque com os poucos brasucas que se salvaram da experiência carioca, bancou tudo do próprio bolso e fez um dos melhores álbuns de música brasileira de todos os tempos. Estava com 46 anos e tinha todo o prestígio e consideração do mundo.

Os temas escolhidos por Jobim para Matita Perê passam da leveza e doçura, das praias, barquinhos e garotas, para a natureza e lendas do um Brasil profundo, sertanejo. Ele compõe a partir de suas observações e da leitura de autores como Guimarães Rosa e dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Mário Palmério.

Para o crítico musical Zuza Homem de Mello, “Matita Perê é um disco que pouco a pouco foi sendo compreendido, entendido e principalmente admirado. É um marco na carreira de Tom Jobim”.

A faixa de abertura traz aquele que se tornaria um dos maiores clássicos do compositor, Águas de março, cujo título foi retirado de poema de Olavo Bilac.

Já a faixa-título, uma suíte, cita o folclore e nasce de suas leituras, em especial do conto Duelo de Guimarães Rosa, que contou com a colaboração de Paulo César Pinheiro na letra.

Paulo César Pinheiro falou sobre a parceria: “O Tom me procurou, porque eu tinha uma música no Festival da Canção chamada Sagarana, parceria com o João de Aquino. Tom ouviu, ficou impressionado e me ligou dizendo que tinha ideias semelhantes àquelas”.

(Quando vocês se depararem com a próxima lista de Melhores Canções Brasileiras de Todos os Tempos, procurem por uma chamada Matita Perê. Se ela não estiver presente, abandonem a lista e falem mal do criador dela).

Matita Perê marca o início da temática ecológica na obra de Tom Jobim, que seguiria com força em discos como Urubu (1975), Terra Brasilis (1980) e Passarim (1987).

Ao mesmo tempo, evidencia-se o Jobim sinfônico, claramente influenciado por Villa Lobos, em faixas como Crônica da casa assassinada, baseada no romance de Lúcio Cardoso, outra suíte com quase 10 minutos de duração, feita para a trilha do filme de Paulo César Sarraceni.

Não deixe de ouvir. É falha grave desconhecer este disco.

Tom Jobim: Matita Perê

1 Águas de Março (Antônio Carlos Jobim) — 3:56
2 Ana Luiza (Antônio Carlos Jobim) — 5:26
3 Matita Perê (Antônio Carlos Jobim, letra de Paulo César Pinheiro) — 7:11
4 Tempo do Mar (Antônio Carlos Jobim) — 5:09
5 The Mantiqueira Range (Paulo Jobim) — 3:31
6 Crônica da Casa Assassinada (Antônio Carlos Jobim) — 9:58
a. “Trem Para Cordisburgo”
b. “Chora Coração” (letra de Vinícius de Moraes)
c. “Jardim Abandonado”
d. “Milagre e Palhaços”
7 Rancho nas Nuvens (Antônio Carlos Jobim) — 4:04
8 Nuvens Douradas (Antônio Carlos Jobim) — 3:16

Antônio Carlos Jobim – piano, violão e vocal
Claus Ogerman – arranjos (exceto faixa 3) e regência
Dori Caymmi – arranjo da faixa 3
João Palma – bateria e percussão
Airto Moreira – bateria e percussão
George Devens – percussão
Harry Lookousky – spalla
Frank Laico – engenharia de áudio
Ray Beckenstein – flautas e madeiras
Phil Bodner – flautas e madeiras
Jerry Dodgion – flautas e madeiras
Don Hammond – flautas e madeiras
Romeo Penque – flautas e madeiras
Urbie Green – trombone
Ron Carter – baixo
Richard Davis – baixo

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O maestro soberano Tom Jobim ao lado de seu herói literário, no lançamento do disco Matita Perê, em 1973

PQP, 2019 (com Teca Lima)

.: interlúdio :. John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

.: interlúdio :. John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Alguém aí já deve ter notado que eu adoro John Surman. E é grande o número de downloads a cada postagem. O homem é mesmo espantoso. Este trabalho é muito mais jazzístico do que os últimos que postei. Não obstante, Surman segue interessado na música folclórica e religiosa da Inglaterra, mas desta vez dá-lhe outra feição. A banda é toda inglesa. O disco começa calma e livremente, com Canticle with response, de clara influência religiosa, e A distant spring. Fecha da mesma forma, com a totalmente improvisada Triptych, quase 15 minutos de interação altamente inteligente e empática entre os quatro músicos. No meio do disco há música vigorosa, incluindo Tess — Surman é um grande leitor, fã de Thomas Hardy — e Across the Bridge. Surman é sempre lírico e apaixonado. Muito estimulante. Dá-lhe.

John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

1. Canticle With Response 6:09
2. A Distant Spring 7:42
3. Tess 6:39
4. Promising Horizons * 5:30
5. Across The Bridge 7:52
6. Moonshine Dancer 6:42
7. Running Sands 9:07
8. Triptych * 14:43

composed by Surman except * by Surman/Taylor/Laurence/Marshall

recorded December 1993, Rainbow Studio, Oslo

John Surman, baritone and soprano saxophones, alto and bass clarinets;
John Taylor, piano;
Chris Laurence, bass;
John Marshall, drums

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Surman esteve recentemente em Porto Alegre. E poderia ter dito sobre o início do show: “Entro sozinho e hipnotizo todo mundo” | Foto: Eduardo Quadro
Surman esteve recentemente em Porto Alegre. E ele poderia ter dito: “Entro sozinho e hipnotizo todo mundo” | Foto: Eduardo Quadros

PQP

.: interlúdio :. Miles Davis: My Funny Valentine (1964)

Centenário de Miles Davis (26 de maio de 1926 – 28 de setembro de 1991)
🎂

Gravado no New York Philharmonic Hall, sala inaugurada em 1962 para abrigar a N.Y. Philharmonic – a casa anterior da orquestra era o famoso Carnegie Hall, onde Miles também tocou – esse álbum marca o peso do nome de Miles Davis, para lotar uma sala daquela proporção e renome. Gravado no dia 12 de fevereiro de 1964, dois dias antes do dia dos namorados norte-americano, talvez esse seja o motivo para o grupo ter tocado o standard originado em um musical da Broadway de 1937 com música de Richard Rodgers, autor de vários outras melodias que seriam adotadas por gênios do jazz, com destaque para My Favorite Things, gravada por Coltrane. Rodgers, aliás, era filho de um judeu cujo sobrenome (Rogazinsky) foi americanizado. Triste constatação: há 90 anos alguns dos judeus mais famosos criavam belas melodias (Rodgers, Gershwin) ou não tão belas mas complexas e influentes (Schöenberg), enquanto hoje alguns judeus famosos estão lançando bombas sobre crianças e idosos.

Voltando para Miles Davis: naquele ano de 1964 ele finalmente havia montado um novo grupo estável, após alguns anos de muitas mudanças após o seu famoso grupo que incluía John Coltrane e os pianistas Bill Evans e Winton Kelly. Os jovens músicos Herbie Hancock e Tony Williams, assim como os um pouco menos jovens Ron Carter e George Coleman ajudaram Miles a trilhar novos caminhos e, com exceção do saxofonista Coleman, todos eles seguiriam tocando com Miles – no estúdio e ao vivo – até 1968 ou 69. Sobre a saída Coleman, o seu substituto Wayne Shorter respondeu, em 1992, em uma entrevista, se talvez os outros músicos consideravam Coleman antiquado, ‘old-fashioned’. Shorter respondeu:

Não sei. Herbie, Ron e Tony nunca disseram nada negativo sobre George Coleman. Eles estavam voltando do Japão e o empresário de Miles Davis me ligou: “Quer tocar com Miles? Ele está sem saxofonista, em Los Angeles, com data no Hollywood Bowl.” Nunca comentaram nada sobre por que motivo George não estava mais lá. Mas eu sentia que quando alguém começava a comparar os saxofonistas que tocaram com Miles – George, John Coltrane, Sonny Sitt e eu – Herbie, Ron e Tony nunca deixavam essas comparações acontecer. Diziam: “Cada um é diferente.” Eram bastante protetores de modo natural. Não deixavam ninguém jogar pedras nos seus parceiros. (entrevista aqui)

Seja como for, naquele fevereiro de 1964 os sopros de George Coleman e Miles Davis estavam se entendendo bastante bem e aquele concerto rendeu dois LPs: um de baladas mais lentas, este aqui, e outro com faixas mais rapidinhas intitulado “Four & More”. Nos temas mais rápidos, segundo o próprio Miles, a banda se entusiasmou – talvez pelo nervosismo de tocar naquela sala tão especial – e acelerou os andamentos para além do usual. Nesses temas mais lentos, a intensidade emocional soa mais equilibrada e bem acabada. Em sua autobiografia Miles lembrou ainda que o dinheiro da bilheteria seria doado para instituições beneficentes e os músicos de sua banda ficaram sabendo disso minutos antes de entrarem no palco, o que não os deixou exatamente satisfeitos… “Acredito que a raiva criou um fogo, uma tensão que alcançou o instrumento de cada um, e talvez essa seja uma das razões de por que todos tocaram com tanta intensidade”, disse Miles Davis. Ao vivo é assim, cada dia é um dia.

Miles Davis Quintet: My Funny Valentine
Miles Davis – trumpet
George Coleman – tenor saxophone
Herbie Hancock – piano
Ron Carter – double bass
Tony Williams – drums
Recorded: February 12, 1964

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Esse tocava alguma coisa.

Pleyel

.: interlúdio :. Miles Davis: Someday my Prince will come (1961)

Jazz waltzes were still fairly rare back in 1961, and Paul Chambers’ pedal point intro keeps the meter a mystery during the opening seconds. Cobb is part of the conspiracy, and refuses to signal the downbeat, while Wynton Kelly floats over their throbbing pulse. These opening feints — forty seconds of sweetness and light — are worth the price of admission alone . . . but then Miles enters and shows how he can put his stamp on a song just by playing the melody. His solo is a minimalist canvas, perfectly matched by Kelly’s crisp comping. The swing gets stronger with Mobley’s tenor and during Kelly’s solo, but when Coltrane enters with his “sheets of sound” the temperature in the studio rises at least ten degrees. The handsome prince has arrived on a Harley, ready to burn rubber. But Chambers rushes back like a protective dueña, instilling decorum with his pedal point, and this magical performance makes a complete circle back to its starting point. What a ride! (jazz.com)

Este é um disco que, talvez injustamente, ficou marcado pela faixa-título – onde, como se não bastasse o arranjo brilhante, ainda se ouve dois solos grandiosos de John Coltrane. Someday My Prince Will Come é também um período de trasição para Miles: gravado em três sessões, entre 7 e 21 de março de 1961, marcava a saída de Kind of Blue para um período de diversidade de estilos, até fixar-se nas bandas do fusion ao final daquela década. Se, por um lado, foi brilhante revendo uma valsa, as composições de Miles são, na verdade, o melhor neste álbum. Há cool jazz uptempo em “Pfrancing”, há (um adequadíssimo) blues em “Drad Dog”, e outra show de Trane em “Teo”, homenagem ao produtor e amigo. Exige do ouvinte, apenas, paciência com Hank Mobley; essas faixas seriam as últimas que Coltrane gravaria com Davis, e o “peso-médio” Mobley (nas palavras do All About Jazz), se não compromete, é prejudicado pelo desnível imediato que a assinatura sonora de Coltrane traz quando entra em campo.

Não se pode culpar Mobley, claro.

Quanto à moça da capa, uma curiosidade pessoal antiga, não encontrei nenhuma informação – a não ser que Miles condicionou o lançamento do álbum à obrigatoriedade de sua foto na fronte. Fico imaginando Miles atrás do fotógrafo, talvez um meio sorriso, amarrando com um pouco de autobiografia outro de seus grandes trabalhos. [Pleyel, ao repostar em 2026, copia a informação do comentário do Victor: A moça da capa é a Frances Taylor,segunda esposa do Miles, que dançou West Side Story na Brodway.]

Miles Davis – Someday My Prince Will Come
01 Someday My Prince Will Come (Churchill, Morey) 9’04
02 Old Folks (Robison, Hill) 5’14
03 Pfrancing (Davis) 8’31
04 Drad Dog (Davis) 4’29
05 Teo (Davis) 9’34
06 I Thought About You (Van Heusen, Mercer) 4’53
07 Blues No. 2 (Davis) 7’08
08 Someday My Prince Will Come [alt take] 5’34

Miles Davis: trumpete
Hank Mobley: sax tenor (exceto faixa 5)
John Coltrane: sax tenor (faixas 1 e 5)
Wynton Kelly: piano
Paul Chambers: baixo
Jimmy Cobb: bateria (exceto faixa 7)
Philly Joe Jones: bateria (faixa 7)
Gravado em março de 1961 – New York City, USA
Produzido por Teo Macero para a Columbia

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320 kbps)

Boa audição!
Blue Dog (2009)

.: interlúdio :. Black Beauty: Miles Davis at Fillmore West (1970)

Daqui a poucos dias, Miles Davis completaria 100 anos de idade. Dou o pontapé inicial nas homenagens com um álbum ao vivo da fase fusion, um show pouco depois do lançamento do LP duplo Bitches Brew. As mudanças na banda de Miles, rumo a essa com instrumentos elétricos, foram graduais e o Bitches Brew, cujos temas compõem a maior parte do set list deste show, foi apenas o marco mais famoso e divulgado. Já no excelente Filles de Kilimanjaro, gravado em 1968, os fiéis escudeiros Ron Carter e Herbie Hancock usaram instrumentos elétricos, pouco antes de saírem da banda e darem lugar a outros grandes músicos. Também Tony Williams sairia pouco depois e seria substituído por Jack DeJohnette, que é o baterista aqui. E, além dos dois sopros, o destaque deste álbum ao vivo parece ser a dupla de percussionistas: DeJohnette brilha em todas as faixas e o brasileiro Airto Moreira rouba a cena em certos momentos com a cuíca e outras percussões que devem ter soado exóticas para os gringos. A presença de Airto, por cerca de dois anos na banda de Miles, é um dos ingredientes dessa fase fusion: depois ele seria substituído por outros percussionistas, mas em poucos momentos dos anos 1970 Miles tocaria com apenas uma pessoa na bateria/percussão.

Um detalhe sobre o lançamento desta gravação ao vivo: saiu em LP em 1973 apenas no Japão. Nos EUA e Europa, saiu apenas em 1997, já na era do CD. Possivelmente um dos motivos foi a dificuldade de se identificar os autores dos temas, devido à característica do show que era uma jam mais ou menos contínua, mas com base em temas já lançados, alguns de Miles e outros de outros autores. No LP de 1973, os 4 lados tinham apenas o nome Black Beauty I – IV, mas no CD as faixas vieram nomeadas. Outro motivo provável foi a abundância de gravações dos grupos de Miles naquele período, com o disco ao vivo no Fillmore East (junho de 1970) e outro chamado Live-Evil (fevereiro a dezembro de 1970). Mas neste último, apesar do nome, apenas parte da músca era realmente ao vivo e parte gravada em estúdio, com colagens pelo produtor Teo Macero. Também o LP Jack Johnson, gravado em estúdio (fevereiro-abril de 1970), juntava diferentes takes. Já neste Black Beauty, trata-se de um único show com começo, meio e fim. Finalmente, fica o registro de que o Fillmore West era uma casa de shows em San Francisco, terra que fervilhava com o rock psicodélico de Janis Joplin, Grateful Dead e outras bandas. Já o Fillmore East ficava em Nova York. Com capacidades entre 2.000 e 3.000 pessoas, ambas marcaram época e foram palco de dezenas de shows geniais, antes da triste era dos shows em estádios e arenas com suas acústicas de bosta. Vou repetir: show em estádio de futebol é uma das piores invenções de todos os tempos no que se refere à música ao vivo.

Miles Davis Sextet:
1-1 Directions 10:46
1-2 Miles Runs The Voodoo Down 12:22
1-3 Willie Nelson 6:23
1-4 I Fall In Love Too Easily 1:35
1-5 Sanctuary 4:01
1-6 It’s About That Time 9:59
2-1 Bitches Brew 12:53
2-2 Masqualero 9:07
2-3 Spanish Key/The Theme 12:15

Miles Davis – trumpet
Steve Grossman – saxophone
Chick Corea – electric piano
Dave Holland – electric and acoustic basses
Jack DeJohnette – drums
Airto Moreira – percussion
Recorded April 10, 1970 at “The Fillmore West,” San Francisco

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Corea, Airto, DeJohnette & Miles

Pleyel

.: interlúdio :. Homenagem a Wayne Shorter — Miles Davis: Filles de Kilimanjaro (1968) / Weather Report: Procession (1983)

Wayne Shorter (1933-2023) em 1969

Postagem original de 2023

Limpo como a água de um rio sem qualquer traço de poluição, com as borbulhas suaves de uma cachoeira nesse rio, o som do saxofone de Wayne Shorter pode ser comparado à pureza da voz de Milton Nascimento. E por um desses acasos da vida, os dois se tornaram bons amigos. Em sua longa carreira, Shorter gravou uma imensa discografia: aqui no blog, não faz tanto tempo que PQP postou um dos seus principais álbuns como instrumentista e compositor: Schizophrenia, de 1967. Anos antes, com Freddie Hubbard (trompete) e McCoy Tyner (piano), ele participou do grande álbum Ready for Freddie (1962). Vejamos a seguir outros momentos da discografia de Wayne Shorter em dois álbuns que não têm o seu nome na capa, mas que têm nele, como compositor, instrumentista, arranjador, um dos pilares de construções musicais coletivas.

Menos conhecido que álbuns mais dançantes e acelerados como Bitches Brew, Filles de Kilimanjaro é um disco do início da fase de experimentações de Miles Davis e seu grupo com instrumentos elétricos. Um delicioso disco mais calmo, cheio de floreios de blues lento, com bastante destaque para o sax tenor de Shorter e para o piano elétrico Fender Rhodes de Herbie Hancock. A linda mulher da capa é Betty Gray Mabry – depois Betty Davis – que se casou com Miles em 1968. O casamento durou apenas cerca de um ano, mas tudo indica que foi Betty quem fez Miles escutar a música psicodélica de gente como Jimi Hendrix, além de apresentar o guitarrista – amigo dela – ao trompetista. A faixa Mademoiselle Mabry também é uma referência a Mabry e se baseia em um dos riffs mais suaves de Hendrix, o da balada The wind cries Mary, lançada em 1967.

Em álbuns posteriores como o já citado Bitches Brew (“Miles wanted to call it Witches Brew, but I suggested Bitches Brew and he said, ‘I like that’.”Betty Davis), com a chegada da guitarra elétrica de John McLaughlin e de dois ou três percussionistas, Wayne Shorter teria menos destaque no grupo de Miles, do qual ele sairia em 1970 para fundar o grupo fusion Weather Report com o tecladista Joe Zawinul.

Miles Davis Quintet: Filles de Kilimanjaro
1. Frelon Brun
2. Tout de Suite
3. Petits Machins
4. Filles de Kilimanjaro
5. Mademoiselle Mabry
6. Tout de suite (alternate take)

Miles Davis – trumpet
Wayne Shorter – tenor saxophone
Herbie Hancock – electric piano on “Tout de Suite”, “Petits Machins”, and “Filles de Kilimanjaro”
Chick Corea – piano, RMI electra-piano on “Frelon Brun” and “Mademoiselle Mabry”
Ron Carter – electric bass on “Tout de Suite”, “Petits Machins”, and “Filles de Kilimanjaro”
Dave Holland – double bass on “Frelon Brun” and “Mademoiselle Mabry”
Tony Williams – drums
Recorded: June-September 1968, New York City, USA

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Filles de Kilimanjaro (mp3 320kbps)

Os discos mais famosos do Weather Report são aqueles com o fenomenal baixista Jaco Pastorius. Mas este Procession, de 1983, pouco após a saída de Jaco, é um outro interessante momento da discografia de Wayne Shorter que não merece ser esquecido. Se a faixa Where the Moon Goes, que dá início ao lado B do LP, inclui um coral com efeitos que alguns ouvidos não vão aprovar (os meus desaprovam), nas composições de Shorter – Plaza Real e The Well – temos aquele sax de som puro e calmo que mencionei lá em cima, associado aos sons muito originais dos sintetizadores de Zawinul e ao pau comendo nas percussões, que utilizam inovações dos anos 1980 sem soarem bregas, ao contrário de outros bateristas que abusararam de reverb e outros efeitos de gosto duvidoso naquela década.

Weather Report: Procession
1. Procession (Josef Zawinul)
2. Plaza Real (Wayne Shorter)
3. Two Lines (Zawinul)
4. Where the Moon Goes (Zawinul, lyrics by Nan O’Byrne and Zawinul)
5. The Well (Shorter, Zawinul)
6. Molasses Run (Omar Hakim)

Josef Zawinul – keyboards
Wayne Shorter – tenor and soprano saxophones
Omar Hakim – drums, guitar, vocals
Victor Bailey – bass
José Rossy – percussion, concertina
The Manhattan Transfer – vocals on “Where the Moon Goes”

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Procession (mp3 320kbps)

Wayne Shorter & Joe Zawinul, 2007

Pleyel

.: interlúdio :. Wayne Shorter: Schizophrenia (1967)

.: interlúdio :. Wayne Shorter: Schizophrenia (1967)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Wayne Shorter estava no auge de seus poderes criativos quando gravou Schizophrenia na primavera de 1967. Montou um sexteto que apresentava dois de seus companheiros de Miles Davis (o pianista Herbie Hancock e o baixista Ron Carter), mais o trombonista Curtis Fuller, o saxofonista alto / flautista James Spaulding e o baterista Joe Chambers, formando uma banda que era capaz de transmitir sua “esquizofrenia” musical, o que significa que esta é uma banda que pode tocar direitinho tão bem quanto pode estender os limites do jazz.

E aqui eles fazem isso simultaneamente, como em Tom Thumb. A batida e o tema da música são diretos, mas a interação musical e os solos se arriscam e resultam em resultados imprevisíveis. E “imprevisível” é a palavra mágica para esse conjunto de pós-bop nervoso. As composições de Shorter (assim como a única contribuição de Spaulding, Kryptonita) têm temas fortes, mas levam a um território desconhecido, desafiando constantemente os músicos e o ouvinte. Essa música existe na fronteira entre o pós-bop e o free jazz — ou seja, é baseada no pós-bop, mas sabe o que está acontecendo além da fronteira. Dentro de alguns anos, esta linha seria cruzada, mas a Schizophrenia estala com a empolgação de Shorter e seus colegas tentando equilibrar os dois extremos.

Wayne Shorter: Schizophrenia

01. Tom Thumb
02. Go
03. Schizophrenia
04. Kryptonite
05. Miyako
06. Playground

Wayne Shorter (tenor saxophone)
James Spaulding (alto saxophone, flute)
Curtis Fuller (trombone)
Herbie Hancock (piano)
Ron Carter (bass)
Joe Chambers (drums).

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P.S. de Pleyel ao repostar em 2026: de uns meses pra cá, estou completamente viciado neste disco. Um ponto muito alto da carreira de Wayne Shorter e dos outros músicos. Pelo caráter imprevisível das composições, elas permitem várias audições sem cansar.

Wayne em 1969, preparando seu show no recém-inaugurado Salão Dourado do Jazz PQP Bach de Las Vegas.

PQP

.: interlúdio :. Banda Mantiqueira: Bixiga

.: interlúdio :. Banda Mantiqueira: Bixiga

A Banda Mantiqueira é um dos projetos mais sensacionais da música instrumental brasileira, reunindo alguns dos melhores sopros do país sob a liderança do saxofonista e arranjador Nailor Proveta. Com uma formação que remete às big bands, mas com espírito brasileiro muito marcado, o grupo transita com naturalidade entre o jazz e gêneros como o choro, o samba e o frevo. O que mais impressiona é a energia coletiva: arranjos sofisticados, cheios de humor e invenção, aliados a uma execução precisa e, ao mesmo tempo, profundamente solta — como se tradição e improviso conversassem o tempo todo. Já o disco Bixiga é um belo retrato dessa identidade. O repertório homenageia compositores brasileiros, sobretudo ligados ao universo do choro e da música urbana, com releituras que preservam o espírito original, mas expandem as possibilidades sonoras através de arranjos criativos. Há momentos de grande lirismo, outros de explosão rítmica, sempre com destaque para o diálogo entre os instrumentos. É um álbum que celebra não apenas um bairro — o Bixiga — mas uma forma de fazer música: coletiva, pulsante e profundamente enraizada na cultura brasileira.

.: interlúdio :. Banda Mantiqueira: Bixiga

1 . Prêt-à-Porter De Tafetá
Aldir Blanc , João Bosco
2 Três no Choro
2 a . Aperitivo
Pernambuco (Ayres da Costa Pessoa) , Mário Rossi
2 b . Arranca Toco
Meira (Jaime Tomás Florence)
2 c . Modulando
Rubens Leal Brito (Britinho)
3 . Bixiga
Nailor Proveta (Nailor Aparecido Azevedo)
4 . Catavento E Girassol
Aldir Blanc , Guinga (Carlos Althier de Souza Lemos Escobar)
5 Cartola e Cavaquinho
5 a . As Rosas Não Falam
Cartola (Angenor de Oliveira)
5 b . Folhas Secas
Nelson Cavaquinho (Nelson Antônio da Silva) , Guilherme de Brito
5 c . Notícia
Nelson Cavaquinho (Nelson Antônio da Silva) , Alcides Caminha , Nourival Bahia
6 . Baião De Lacan
Aldir Blanc , Guinga (Carlos Althier de Souza Lemos Escobar)
7 . Urubu Malandro
Pixinguinha , João de Barro (Braguinha) , Louro (Lourival Inácio de Carvalho)

Banda Mantiqueira

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Um pedaço da Banda Mantiqueira

PQP

.: interlúdio :. Hiromi Uehara: Voice (2011)

.: interlúdio :. Hiromi Uehara: Voice (2011)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando postei de enfiada 6 CDs de Hiromi Uehara, escrevi que ela melhorava a cada disco que lançava. Então, dando-me razão, o Bluedog me apresentou seu mais recente trabalho, o maravilhoso, puramente instrumental e paradoxal Voice. Olha, meus amigos, que CD! O vídeo de lançamento (abaixo) talvez não demonstre o quanto é sólido, consistente, PAULEIRA e sério este trabalho de Hiromi. É inacreditável tamanha maturidade aos 32 anos, ainda mais com aquela cara de bonequinha japonesa.

Após um CD solo, o esplêndido Place to be Hiromi traz em Voice um formato trio piano-baixa-bateria e dá um banho. Como já disse, ao contrário de muitos outros artistas que se estabelecem numa zona de conforto, ela continua a evoluir e a redefinir seu estilo até o ponto onde se torna quase impossível imitá-la. É uma tempestade perfeita de talento técnico e criatividade musical, misturando elementos díspares da música clássica, bebop, jazz, fusion e rock como ninguém fez antes.

Em Voice, Hiromi usa e abusa dos ostinati como poucas vezes ouvi um pianista de jazz fazer. Se estilo está mais polifônico e variado do que nunca e seus companheiros… e seus companheiros… Vou até abrir um parágrafo para eles.

Este álbum apresenta uma “banda” nova chamado Trio Project. O baixista é o célebre Anthony Jackson, que trabalhou com Al Di Meola no seu trio de álbuns fusion, marcos da década de 70. Ele trabalhou com muita gente boa longo dos anos, inclusive em dois ábuns anteriores de Hiromi: Another Mind e Brain — ambos postados por este que vos escreve. O baterista é o igualmente maravilhoso Simon Phillips, que muitas vezes parece um metaleiro. (Ouçam-no no vídeo abaixo playing very difficult music…). Apesar de mais conhecido por seu trabalho com Chick Corea, Simon já tocou com artistas como Judas Priest, Jeff Beck, Jack Bruce, Brian Eno, Mike Oldfield, Gary Moore e Mick Jagger, além de ter substituído Keith Moon no The Who do disco Join Together.

Hiromi, Jackson e Phillips complementam-se de forma incrível. Se Hiromi é uma orquestra inteira, Jackson traz o mais puro jazz fusion através de seu baixo e Phillips dá uma intensidade de metal drumming ao todo.

Mais uma joia postada por mim nesta semana e ah!

Talvez como uma homenagem a quem melhor utiizava os ostinati e para garantir o caráter macho do disco — OK, e também para que nosso coração volte a seu ritmo normal depois de tanta velocidade, musicalidade e, bem, pauleira — , Voice finaliza calmamente com uma improvisação sobre a Sonata Nº 8 de Beethoven, Patética. Sim, é o máximo da finesse.

Hiromi Uehara – Voice (2011)

1. Voice (9:13)
2. Flashback (8:39)
3. Now or Never (6:16)
4. Temptation (7:54)
5. Labyrinth (7:40)
6. Desire (7:19)
7. Haze (5:54)
8. Delusion (7:47
9. Beethoven’s Piano Sonata No. 8, Pathetique (5:13)

Hiromi Uehara, Piano
Anthony Jackson, Baixo
Simon Phillips, Bateria

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Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos...
Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos…

PQP

.: interlúdio :. Freddie Hubbard (1938 – 2008), Dizzy Gillespie (1917 – 1993) y Machito (1909 – 1984) – álbuns de jazz com percussão caribenha

Em 2025 um grande fenômeno da música pop foi o “álbum das cadeiras de plástico”, de um cantor porto-riquenho que realmente vale a pena conhecer porque ele utiliza muita coisa da linguagem da música caribenha e ao mesmo tempo com uma linguagem contemporânea. Hoje eu trago aqui dois discos lançados nos anos 1970, gravados nos EUA e que também traziam percussão afro-caribenha. Não em contextos de volta a um passado mítico, mas com aspectos inovadores como os então recentes piano elétrico (no disco de Hubbard) e sintetizador (no de Gillespie).

Gillespie, que naquela época já era um veterano, já tinha feito gravações e apresentações com músicos latino-americanos desde a década de 1940. Já para Hubbard, o álbum gravado em 1969 parece um ponto de partida para outros experimentos que faria ao londo dos anos 1970. No caso de Gillespie, ele toca à frente de uma orquestra de músicos cubanos e de outras nacionalidades hispano-americanas. Hubbard não: ele toca com três músicos norte-americanos que participaram de outros álbuns do trompetista: James Spaulding no sax e flauta, Kenny Barron no piano acústico e elétrico, Reggie Workman no contrabaixo acústico. As duas faixas do lado A do então LP não têm destaque para a percussão – ali, em jams mais longas, quem brilha mais, além do líder do grupo, é o baixista. No lado B, aí sim, temos os tambores e chocalhos de Carlos Valdes, vulgo “Patato”.


Freddie Hubbard: The Black Angel
1. Spacetrack (Freddie Hubbard)
2. Eclipse (Hubbard)
3. The Black Angel (Kenny Barron)
4. Gittin’ Down (Hubbard)
5. Coral Keys (Walter Bishop Jr.)

Freddie Hubbard – trumpet, flugelhorn
James Spaulding – alto saxophone, flute
Kenny Barron – piano, electric piano
Reggie Workman – bass
Louis Hayes – drums
Carlos “Patato” Valdes – conga, maracas
Recorded: May 16, 1969, New York City, USA

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Dizzy Gillespie: Afro-Cuban Jazz Moods
1. Oro, Incienso y Mirra – 15:38
2. Galidoscopico – 5:05
3. Pensativo – 5:20
4. Exuberante – 5:48

Dizzy Gillespie – trumpet
Machito – marimba, clavinet, leader
Chico O’Farrill – arranger, conductor
Recorded: June 4–5, 1975, New York City, USA

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Gillespie e Hubbard tocando juntos em 1990

Pleyel

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning

IM-PER-DÍ-VEL !!!

In This House, On This Morning é um álbum duplo de jazz que se estende por quase duas horas de duração — uma jornada musical que ultrapassa o simples repertório de canções para se aproximar de uma suíte programática inspirada numa celebração dominical de uma igreja afro-estadunidense. A obra foi concebida como uma narrativa musical: cada música ou segmento descreve um aspecto diferente de um serviço religioso. Composto para um septeto, o álbum inclui diversos instrumentistas-chave — como o trombonista Wycliffe Gordon, o pianista Eric Reed e o saxofonista Todd Williams –, e até participações vocais, como a poderosa cantora Marion Williams no trecho In This House. Musicalmente, a obra mistura blues e gospel, refletindo profundamente as raízes da música afro-americana; elementos do jazz tradicional e pós-bebop, com referências claras ao legado de figuras como Duke Ellington; além de transições e temas programáticos que exigem atenção do ouvinte, aproximando o álbum de um tipo de “sinfonia em jazz” para septeto. Na época do lançamento, lembro que alguns críticos observaram que a obra era “demasiado intelectual” ou hermética em certos momentos, com passagens que soam mais como transições do que melodias definidas — o que pode exigir paciência do ouvinte menos acostumado a estruturas extensas. Além disso, embora a influência de Ellington e tradições do jazz clássico seja vista como inspiração, alguns críticos foram menos entusiasmados com essa abordagem e a consideraram datada em certas passagens. De qualquer forma, In This House, On This Morning é um marco — uma obra que desafia as fronteiras entre jazz, música programática e narrativa sonora. Não é simplesmente um álbum de canções, mas uma experiência que requer atenção, absorção e reflexão. Para ouvintes que gostam de jazz que explora tradições profundas, histórias culturais e arquiteturas musicais amplas, este é um trabalho inesquecível.

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning

Part I
Devotional 3:00
Call To Prayer 5:56
Processional 4:35
Representative Offerings 6:46
(a) The Lord’s Prayer 3:48

Part II
Hymn 3:47
Scripture 4:11
Prayer
(a) Introduction To Prayer 2:24
(b) In This House 3:10
(c) Choral Response 5:10
Local Announcements 3:34
Altar Call 1:30
Altar Call (Introspection) 8:41

Part III: In The Sweet Embrace Of Life
Sermon
(a) Father 16:02
(b) Son 4:58
(c) Holy Ghost 6:56
Invitation 5:59
Recessional 10:34
Benediction 3:25
Uptempo Posthude 7:44
Pot Blessed Dinner 2:40

Alto Saxophone – Wessell Anderson
Bass – Reginald Veal
Composed By – Wynton Marsalis
Piano – Eric Reed
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – Todd Williams
Trombone – Wycliffe Gordon
Trumpet – Wynton Marsalis
Vocals – Marion Williams

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É um septeto, mas eu contei seis na capa do disco. Na contracapa tem sete…

PQP

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

Um bom CD que vale pale segunda faixa, Elveen, homenagem ao baterista Elvin Jones, que está no grupo nesta faixa e na 5ª. De resto, adoro Marsalis, mas ouvi este disco sem real entusiasmo apesar do incrível apuro técnico e musicalidade do quinteto. As harmonias são lindas, mas nenhum dos temas é particularmente memorável e, embora os solos individuais sejam bons, não acontece muita coisa. No geral, é uma homenagem bastante estranha ao blues. Na verdade, o principal significado deste conjunto é que, aqui o grande trompetista reuniu pela primeira vez o núcleo do seu quinteto. Musicalmente esta trilogia pode ser contornada. ouça as gravações mais recentes de Marsalis. Não obstante, este é um álbum relaxante. Wynton Marsalis é um músico, compositor, líder de banda, aclamado educador e um dos principais defensores da cultura americana. Ele é o primeiro artista de jazz a tocar e compor em todo o espectro do gênero, desde as raízes de Nova Orleans até o bebop e o jazz moderno. Ao criar e executar uma ampla gama de músicas para quartetos e big bands, de conjuntos de música de câmara a orquestras sinfônicas, de sapateado a balé, Wynton expandiu o vocabulário do jazz e criou um corpo vital de trabalho que o coloca entre os mais importantes músicos de nosso tempo.

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

1 Harriet Tubman 7:39
2 Elveen 12:12
3 Thick In The South 10:14
4 So This Is Jazz, Huh 12:25
5 L.C. On The Cut 13:29

Bass – Bob Hurst
Drums – Elvin Jones (tracks: 2, 5), Jeff Watts
Piano – Marcus Roberts
Tenor Saxophone – Joe Henderson
Trumpet – Wynton Marsalis

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Wynton, um gênio.

PQP

.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco maravilhoso de um baterista. Lembro que emprestei o vinil para um baterista amigo meu e ele devolveu o disco cheio de partituras e anotações sobre os tempos. Claro que ele comprou o disco após enlouquecer desta maneira. Me contou que começou ouviu o disco às 22h e terminou às 7 da manhã. Ah, lembrei: ele ficou com o meu disco. me devolveu um novo porque disse que meu tinha sido muito usado. Bem, o álbum Special Edition, de Jack DeJohnette, marca um momento decisivo na trajetória do baterista como líder. Lançado no início dos anos 1980, o disco apresenta um quarteto poderoso — com David Murray, Arthur Blythe e Peter Warren — que se move com liberdade entre o pós-bop, o free jazz e estruturas mais abertas. Desde as primeiras faixas, percebe-se que não se trata apenas de um grupo de apoio, mas de um organismo coletivo vibrante, em que cada músico contribui com forte identidade, criando uma música tensa, expansiva e profundamente comunicativa. O que distingue Special Edition é justamente essa combinação entre energia bruta e senso de forma. A bateria de DeJohnette não é apenas rítmica, mas arquitetônica — ela conduz, comenta e reorganiza constantemente o fluxo musical. Os sopros alternam momentos de lirismo com explosões quase selvagens, enquanto o conjunto mantém uma coesão impressionante, mesmo nos trechos mais livres. O resultado é um álbum que soa ao mesmo tempo cerebral e visceral, afirmando-se como um dos registros mais marcantes do jazz contemporâneo daquele período — um encontro de forças criativas em estado de alerta permanente. Ouça ou, se for burro, morra!

Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

1. One For Eric (DeJohnette)
2. Zoot Suite (DeJohnette)
3. Central Park West (Coltrane)
4. India (Coltrane)
5. Journey To The Twin Planet (DeJohnette)

David Murray – Clarinet (Bass), Sax (Tenor)
Arthur Blythe – Sax (Alto)
Jack DeJohnette – Drums, Synthesizer, Guitar, Piano, Melodica, Main Performer, Producer, Keyboards, Mellophonium
Peter Warren – Bass, Cello

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Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.
Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.

PQP

.: interlúdio .: Omar Sosa & Yilian Cañizares – Aguas (2018, MDC)

Dois músicos cubanos fazendo um tipo de música que às vezes cai pro lado do jazz, depois parece meio música de hall de hotel mas mais à frente traz momentos mais tortos que não cairiam tão bem no suposto hall onde os supostos turistas não querem nada que saia do controle.
Yilian Canizares alterna entre seu lado violinista e seu lado cantora. É nessa alternância que surgem as surpresas mais interessantes do álbum. Desnecessário explicar o motivo pelo qual certos momentos de influência africana soam familiares para ouvidos brasileiros, aliás o título de um disco mais recente de Yilian é Habana-Bahia.
Omar já tinha aparecido no blog (aqui), Tilian faz sua estreia hoje e, salvo engano, não tem histórico de muitas visitas ao Brasil. É uma pena: sua música é bastante compreensível para os nossos ouvidos e ao mesmo tempo foge dos lugares comuns de gêneros como o latin jazz, a salsa e a bossa nova.

Omar Sosa, Yilian Cañizares:
1 Duo de Aguas 3:12
2 Dos Bendiciones 4:01
3 De La Habana y Otras Nostalgias 4:28
4 Milonga 7:17
5 O Le Le 5:03
6 Sanzara 5:38
7 Sonrisas de Ninos 3:58
8 Oshun 3:51
9 Se Van Los Mios 5:31
10 La Respiracion 4:37
11 D2 de Africa 7:15

Recording: Cavalicco, Italia, 2017
Omar Sosa: Piano, Fender Rhodes, Keyboards, Programming & Samples, Backing Vocals
Yilian Cañizares: Violin, Vocals, Programming & Samples

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Yilian Cañizares

Pleyel

.: interlúdio :. Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

Nascida em 1937, Alice Coltrane foi uma pianista de jazz que fez seu nome – antes de ter esse sobrenome – a partir de 1960 como improvisadora em Paris e Detroit. Quando tocava em Nova York com o vibrafonista Terry Gibbs em 1962, ela conheceu John Coltrane. No ano seguinte, Alice saiu abruptamente da banda de Terry Gibbs, dizendo a ele que ia se casar com Coltrane. John e Alice tiveram três filhos juntos. Em toda a década de 60, a música de John Coltrane tomava progressivamente uma dimensão espiritual. Ele dizia que, após esse acordar espiritual, “não dá mais para esquecê-lo. Torna-se parte de tudo que você faz.”

John Coltrane morreu de câncer de fígado em 1967. Por algum tempo, Alice dormiu mal, teve visões, emagreceu. Nas profundezas de sua dor, Alice tornou-se discípula de Swami Satchidananda, guru indiano especialista em Hatha Yoga. Seus conselhos e orientação espiritual acalmaram seu espírito, enquanto ela estudava harpa, instrumento que, segundo a lenda, teria sido encomendado por John Coltrane mas ele não teve tempo de vê-la tocando. (informações tiradas daqui)

O tipo de “spiritual jazz” que Alice Coltrane fez na década de 1970 se insere em um movimento que também contou com o inglês John McLaughlin (Mahavishnu Orchestra) e o mexicano/americano Carlos Santana, ambos também muito influenciados por Coltrane. E no álbum Journey in Satchidananda, de 1970, temos músicos do último grupo liderado por Coltrane: Pharoah Sanders no sax e Rashied Ali na bateria e percussão. Além, é claro, de Alice, que tinha substituído o pianista McCoy Tyner no fim de 1965. Na última faixa, gravada ao vivo, Charlie Haden aparece no baixo, mas a estrela desse momento final do álbum é o diálogo entre a harpa e o oud (instrumento da família do alaúde, comum no mundo islâmico), pontuado por aparições do sax.

O título do álbum dá boas pistas: é uma jornada. Alice Coltrane nos leva a um território inexplorado no jazz, com base em múltiplas culturas e diversos instrumentos, mas sobretudo com base na emoção.

Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

1. Journey in Satchidananda – 6:39
2. Shiva-Loka – 6:37
3. Stopover Bombay – 2:54
4. Something About John Coltrane – 9:44
5. Isis and Osiris – 11:49
All compositions by Alice Coltrane

Tracks 1-4
Alice Coltrane – piano, harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Cecil McBee – double bass
Rashied Ali – drums
Tulsi – tanpura
Majid Shabazz – bells, tambourine
Recorded at the Coltrane home studio, Dix Hills, New York, on November 8, 1970

Track 5
Alice Coltrane – harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Rashied Ali – drums
Charlie Haden – bass
Vishnu Wood – oud
Recorded live at The Village Gate, New York City, on July 4, 1970

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE – mp3 320kbps

Alice Coltrane tocando harpa

Pleyel (postagem original de 2022)

 

.: interlúdio :. Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

.: interlúdio :. Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há pouco mais de 50 anos, Charles Mingus, Eric Dolphy e o sexteto de Mingus davam esta inacreditável comprovação de musicalidade e talento para uma plateia de Bremen. Dois meses depois, Dolphy morreria da forma mais estúpida possível: na tarde de 18 de Junho de 1964, ele caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros não sabiam que ele era diabético e pensaram que ele (como acontecia com muitos jazzistas) estava sob overdose. Deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após o coma diabético. Aos 36 anos. Bastava-lhe uma injeção. São coisas que acontecem muito com negros.

O som do CD não é uma maravilha, mas é muito mais do que o suficiente para se notar que estamos entre gênios. Mingus era um sujeito duríssimo com sua banda. Certa vez acertou um direto no queixo de seu fiel trombonista Jimmy Knepper porque ele não acertava uma nota. Com Dolphy, a comunicação parecia ser telepática. Mingus dizia que não precisava conversar muito com Dolphy, que eles se entendiam silenciosamente antes de partir para outras dimensões. Verdade, partiam mesmo.

Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

CD1
01 – A.T.F.W. [Art Tatum-Fats Waller]
02 – Sophisticated Lady
03 – So long Eric
04 – Parkeriana

CD2
01 – Meditations On Integration
02 – Fables Of Faubus

Charles Mingus, bass
Eric Dolphy, alto sax / flute / bass clarinet
Johnny Coles, trumpet
Clifford Jordan, tenor sax
Jacki Byard, piano
Dannie Richmond, drums

in April 16, 1964

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Charles Mingus e Eric Dolphy: muita genialidade em pouco espaço
Charles Mingus e Eric Dolphy: muita genialidade em pouco espaço físico

PQP

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Escrito em 2019). Este CD é um clássico que completa 60 anos em maio deste ano. Houve edição especial e shows da Mingus Big Band e outros. Charlie Mingus (1922-1979) pode ser definido como um compositor erudito que gosta de jazz. Por incrível que pareça, li esta definição numa dessas comunidades de jazz do Orkut. Ela é exata. Este CD abre com a pauleira de Better Git It In Your Soul e a calma Goodbye Pork Pie Hat (homenagem a Lester Young) e depois temos a ironia de Fables of Faubus — dedicada ao governador racista do Arkansas –, Open Letter To Duke, mais uma das dezenas de homenagens que Mingus fez a Duke Ellington, Bird Calls (para Charlie Parker), etc., mas o que interessa é a qualidade de todas as composições e a incrível forma da banda de Mingus. Este é, certamente, um dos dez discos mais importantes da história do jazz. E tenho dito!

Charlie Mingus – Mingus Ah Um – 320 kbps

1. Better Git It In Your Soul 7:20
2. Goodbye Pork Pie Hat 5:42
3. Boogie Stop Shuffle 4:59
4. Self-Portrait In Three Colors 3:07
5. Open Letter To Duke 5:49
6. Bird Calls 6:17
7. Fables Of Faubus 8:12
8. Pussy Cat Dues 9:12
9. Jelly Roll 6:15
10. Pedal Point Blues 6:28
11. GG Train 4:37
12. Girl Of My Dreams 4:07

Charles Mingus — bass, piano (with Parlan on 10)
John Handy — alto sax (1, 6–7, 9–12), clarinet (8), tenor sax (2)
Booker Ervin — tenor sax
Shafi Hadi — tenor sax (1–4, 7–8, 10), alto sax (5–6, 9, 12)
Willie Dennis — trombone (3–5, 12)
Jimmy Knepper — trombone (1, 7–10)
Horace Parlan — piano
Dannie Richmond — drums

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Clássico
Clássico

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.: interlúdio :. André Mehmari: … de árvores e valsas

.: interlúdio :. André Mehmari: … de árvores e valsas

O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.

André Mehmari: … de árvores e valsas

1 Um Anjo Nasce
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Flute, Bandolin, Organ, Percussion, Clarinet – André Mehmari
1:30
2 Os Amores Difíceis
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Drums, Sampler – André Mehmari
4:19
3 Noturno Espanhol
Piano, Flute, Drums, Bass, Clarinet – André Mehmari
4:51
4 Mairiporã
Acoustic Bass – Zé Alexandre Carvalho
Piano, Guitar, Flute, Violin, Viola, Cello, Bandolin, Electric Guitar, Drums, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:31
5 Modular Paixões
Piano, Flute, Violin, Viola, Bandolin, Sampler, Clarinet – André Mehmari
Vocals – José Miguel Wisnik
3:49
6 Veredas
Piano, Accordion, Electric Bass, Flute, Rabeca, Viola, Cello, Drums, Synth, Voice, Percussion – André Mehmari
5:08
7 Valsa-Blue
Piano, Electric Bass, Flute, Clarinet, Violin, Electric Guitar, Drums, Whistle – André Mehmari
4:55
8 Vento Bom
Piano, Flute, Guitar, Percussion, Synth, Drums, Bass – André Mehmari
Vocals – Sergio Santos
4:13
9 Passeio
Clarinet – Gabriele Mirabassi
Piano – André Mehmari
3:50
10 O Espelho
Contrabass – Zé Alexandre Carvalho
Drums – Sergio Reze
Piano – André Mehmari
Vocals – Mônica Salmaso
4:15
11 Lullaby Zuzu
Piano, Synth, Electric Bass – André Mehmari
2:35
12 Toada
Baritone Saxophone – Teco Cardoso
Piano, Electric Piano, Electric Bass, Drums, Percussion, Synth, Accordion, Bandolin, Violin, Flute, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:46
13 Ná!
Drums – Sergio Reze
Piano, Electric Bass, Guitar, Flute, Clarinet, Violin, Accordion, Synth – André Mehmari
3:24
14 Eternamente
Synth, Effects – André Mehmari
1:21
15 Aria
Drums, Gong – Sergio Reze
Piano, Synth, Electric Bass, Voice, Handclaps, Percussion – André Mehmari
5:16
16 Um Anjo Nasce
Piano – André Mehmari
1:47
17 Ouro Preto
Piano, Viola, Organ, Clavichord, Electric Bass, Percussion, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
2:31

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