.: interlúdio :. James Carter: Caribbean Rhapsody

.: interlúdio :. James Carter: Caribbean Rhapsody

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Demorei muito para desgrudar desta obra sensacional que é Caribbean Rhapsody. Trata-se de um brilhante álbum do saxofonista James Carter composto e orquestrado por Roberto Sierra e que foi lançado em 2011, um disco excelente que busca uma fusão entre o jazz e o clássico, fazendo-o de forma muito convincente e estimulante. É uma música que desafia aqueles que estão entediados com o comum e o repetitivo. O Concerto para Saxofones e Orquestra (3 movimentos) é um verdadeiro híbrido jazz-clássico e seria puro clássico se não houvesse seções para dar a JC a chance de mostrar suas habilidades de improvisação. O movimento de abertura às vezes soa como se fosse uma peça perdida de Stravinsky. É um belo trabalho que nos coloca em um modo mágico — como no cinema — para apreciar o quadro que está sendo pintado pela mistura de Carter. A combinação de clássico, jazz e de timbres e ritmos latinos ficou esplêndida, tanto no concerto quanto nas 3 outras peças. E a Caribbean Rhapsody é inacreditavelmente linda e MARAVILHOSA!

James Carter: Caribbean Rhapsody

1 Concerto para Saxofones e Orquestra: Rítmico
Composed By – Roberto Sierra
Conductor – Giancarlo Guerrero
Instruments – Sinfonia Varsovia Orchestra*
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
4:52

2 Concerto para Saxofones e Orquestra: Tender
Composed By – Roberto Sierra
Conductor – Giancarlo Guerrero
Instruments – Sinfonia Varsovia Orchestra*
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
7:04

3 Concerto para Saxofones e Orquestra: Playful – Fast (With Swing)
Composed By – Roberto Sierra
Conductor – Giancarlo Guerrero
Instruments – Sinfonia Varsovia Orchestra*
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
7:39

4 Tenor Interlude
Composed By – James Carter (3)
Tenor Saxophone – James Carter (3)
5:34

5 Caribbean Rhapsody
Bass – Kenny Davis
Cello, Leader – Akua Dixon
Composed By – Roberto Sierra
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – James Carter (3)
Viola – Ron Lawrence
Violin [1] – Patrisa Tomasini
Violin [2] – Chala Yancy
Violin [Solo] – Regina Carter
13:37

6 Soprano Interlude
Composed By – James Carter (3)
Soprano Saxophone – James Carter (3)
6:14

Concerto for Saxophones and Orchestra was recorded on 21 December 2009 at the Witold Lutoslawski Concert Studio of Polish Radio in Warsaw, Poland.

Caribbean Rhapsody was recorded on 18 March 2010 at Avatar Studios in New York City.

Tenor Interlude & Soprano Interlude were recorded on 19 March 2010 at Avatar Studios in New York City.

Track 5 features “The Akua Dixon String Quintet” consisting of: Patrisa Tomasini, Chala Yancy, Ron
Lawrence, Akua Dixon, and Kenny Dixon.

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Este James Carter não foi presidente dos EUA.

PQP

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

Ontem, muita gente estava comemorando os 50 anos do álbum Blue, de Joni Mitchell. Um amigo até me mandou um link do Guardian onde uma série de artistas que foram inspirados pelo trabalho de Joni escolhiam sua canção preferida do disco. Mais de 6 delas foram citadas. Blue tem 10.

Eu fiz questão de reouvir o disco para escolher a minha. Fiquei entre a comovente River e as harmonias de A Case of You. Eu não posso escolher só uma delas.

Conheci Blue lá por 1975 e acho que o ouço a cada dois ou três anos — o que é muito pra mim — e ele só melhora. Sou meio desligado da música popular, mas há coisas que vêm e ficam. Joni é uma grande compositora, letrista e contadora de histórias.

Aliás, que ano foi 1971! Construção (Chico), London London (Caetano), Who`s Next (The Who), Led Zeppelin IV, Fa-Tal (Gal), Ela (Elis Regina), Tapestry (Carole King), Ram (Paul McCartney), Imagine (John Lennon), Aqualung (Jethro Tull), All things must pass (George Harrison), o que mais?

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

1 All I Want 3:32
2 My Old Man 3:33
3 Little Green 3:25
4 Carey 3:00
5 Blue 3:00
6 California 3:48
7 This Flight Tonight 2:50
8 River 4:00
9 A Case Of You 4:20
10 The Last Time I Saw Richard 4:13

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Blue, uma das obras-primas de Joni

PQP

.: interlúdio [em caixinhas de música] :. Yuko Ikoma & Cécile “Colleen” Schott

.: interlúdio [em caixinhas de música] :. Yuko Ikoma & Cécile “Colleen” Schott

(Acontece seguido, me pararem na rua para perguntar: como vocês do PQP conseguem manter o fluxo de postagens excelentes, uma atrás da outra? Eu respondo contando um segredinho: ouvimos tanta música boa que precisamos organizar escalas para publicar um post, e frequentemente nos arremessamos à jugular um do outro por um lugar na fila. É assim que hoje, nesta madrugada, eu encaixo um interlúdio furtivo, enquanto espio nas postagens agendadas uma pérola do Avicenna esperando a manhã chegar para tomar seu justo lugar no topo do blog.

E é assim que eu imaginei o par de discos que trouxe hoje: quietos, noturnos, querendo passar despercebidos. Por um lado, sua natureza: (muito) mais próximos à musique concrète do que o costumeiro jazz dessa coluna. Por outro, pelo próprio clima das composições: as leituras para caixinha de música que Yuko Ikoma, a acordeonista que vimos logo ali, fez de Erik Satie, ressoam claras nas frequências agudas, e crocantes nas médias; com simplicidade, cortam a noite trazendo um conforto paradoxal, evocando imagens circenses e, claro, alguma infância.

E se a palavra é simplicidade, bem, que a reforcemos: tanto os temas escolhidos quanto os arranjos em si não primam por invenções de qualquer espécie. São composições conhecidas, e daí parte do prazer que o álbum proporciona: reassimilar estas versões suaves, macias, e no entanto de notas bem definidas, de um cuidado maior do que o aparente.

Dois anos antes, em Paris, uma artista realizou um experimento semelhante; Cécile “Colleen” Schott gravou um disco de composições suas para caixinha de música. Nesse caso, e como é de seu perfil, Colleen explora mais; utiliza pedais de loop e edição em computador para criar atmosferas mais complexas. Às vezes em vinhetas simples, passáveis; noutras em melodias brilhantes e determinadamente angélicas. (Blue Dog é um grande fã de Colleen e tem sonhos com Your Heart is So Loud como trilha sonora, porque é um sortudo.)

Não é um par de discos que se vai ouvir a toda hora, de cabo a rabo; no entanto podem relocalizar qualquer situação. É uma música que serve para fundo de longos olhares, e que acalma a noite dos insones; e que como toda boa música, se escutada de perto, traz alguma inquietação. E ainda por cima mostra que, com um único e medieval elemento, se pode fazer música contemporânea experimental de grande sensibilidade.)

Yuko Ikoma – Moisture with Music Box /2008 [192]

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01 1ére Gymnopédie
02 2éme Gymnopédie
03 3éme Gymnopédie
04 Je te veux
05 Menues Propos Enfantins – Chant guerrier du roi des haricots
06 Menues Propos Enfantins – Ce que dit la petite princesse des Tulipes
07 Menues Propos Enfantins – Valse du Chocolat aux amandes
08 Prestidigitateur Chinois
09 Rêverie du Paurve
10 1ére Gnossienne
11 4éme Gnossienne
12 Berceuse

Colleen – Et les Boîtes à Musique /2006 [V2]

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01 John Levers the Ratchet
02 What is a Componium? (Part 1)
03 Charles’s Birthday Card
04 Will You Gamelan for Me?
05 The Sad Panther
06 Under the Roof
07 What is a Componium? (Part 2)
08 A Bear is Trapped
09 Please Gamelan Again
10 Your Heart is so Loud
11 Calypso in a Box
12 Bicycle Bells
13 Happiness Nuggets
14 I’ll Read You a Story

Boa audição!

Yuko Ikoma: brincando lindamente com Satie. E longe do acordeon.

Blue Dog

.: interlúdio :. Eric Reed: The Dancing Monk

.: interlúdio :. Eric Reed: The Dancing Monk

Um bom e elegante CD. Reed é excelente pianista e seu grupo é ótimo ao recriar temas do grande Thelonius Monk. Reed não chega a transcender, ele não “magica”, então o disco não é um perfeição, mas dá seu recado. Todo pianista de jazz está em algum lugar na sombra de Thelonious Monk (1917-1982) e Eric Reed abraça essa sombra em The Dancing Monk. Interpretar a música mítica do pianista / compositor — quanto mais fazer um álbum inteiro com suas músicas — representa um desafio e tanto para qualquer músico moderno, especialmente para um pianista. Primeiro, as composições de Monk são, de fato, desafiadoras por si mesmas. São cheias de compassos estranhos, sincopados e ele escreveu algumas das melodias mais anti-intuitivas conhecidas. Em segundo lugar, o trabalho de Monk no teclado era completamente único e entrelaçado com sua música. Seu jeito de tocar piano era parte integrante dessas canções e um dos principais componentes de sua grandeza. É difícil imaginar um sem o outro. É aí que reside o problema. Um pianista moderno que interpreta essa música se depara com a difícil tarefa de separar a música de Monk de sua maneira de tocar piano, mantendo as composições e, em seguida, trazendo algo novo para a festa. A alternativa é arriscar simplesmente fazer uma cópia de performances que agora têm entre quarenta e sessenta anos. É preciso muita sensibilidade para tocar essa música de uma forma que retenha o que há de bom nas composições, sem massacrar a performance com um pianismo incongruente. Claro, é provável que seja exatamente esse desafio que mantém os músicos regularmente tentando esse feito musical, com graus amplamente variados de sucesso. Reed sai-se bem, mas… Que saudades dos originais de Thelonius!

.: interlúdio :. Eric Reed: The Dancing Monk

1 Ask Me Now 4:00
2 Eronel 3:42
3 Reflections 5:47
4 Light Blue 4:43
5 Ruby, My Dear 5:58
6 Pannonica 4:52
7 Ugly Beauty 4:19
8 The Dancing Monk 3:47
9 ‘Round Midnight 6:54
10 Blue Monk 4:44

Bass – Ben Wolfe
Drums – McClenty Hunter
Piano– Eric Reed

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Eric Reed tomando um solzinho na sede de Filadélfia da PQP Bach Corp.

PQP

.: interlúdio :. John Coltrane: Coltrane Plays the Blues

.: interlúdio :. John Coltrane: Coltrane Plays the Blues

Um dos maiores quartetos de jazz de todos os tempos: Coltrane (tenor e soprano), McCoy Tyner (piano), o tremendo Elvin Jones (bateria) e Steve Davis (baixo, embora a banda de Trane contasse com frequência com Jimmy Garrison e às vezes Reggie Workman), tocando um programa de originais inspirado no blues. Essa banda significa calor, economia e interação descontraída. Coltrane é claramente o centro do palco aqui. Seu tom distinto o tornaria em breve um dos caras mais influentes no jazz. Coltrane Plays the Blues não é tão ousado quanto outros discos de Coltrane, mas ainda assim é poderoso. Quanto à frase “toca o blues” no título, isso não é um indicador de que as músicas sejam blues convencionais. É mais indicativo de uma sensibilidade blues.

John Coltrane: Coltrane Plays the Blues

01. Blues to Elvin
02. Blues to Bechet
03. Blues to You
04. Mr. Day
05. Mr. Syms
06. Mr. Knight
07. Untitled Original (Exotica)
08. Blues to Elvin (Alternate Take 1)
09. Blues to Elvin (Alternate Take 3)
10. Blues to You (Alternate Take 1)
11. Blues to You (Alternate Take 2)

John Coltrane (soprano & tenor saxophones)
McCoy Tyner (piano)
Steve Davis (acoustic bass)
Elvin Jones (drums)

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O Quarteto de Coltrane na passeando pela Praça da Alfândega, em Porto Alegre. Eles fizeram o show de inauguração da Sala Jazz PQP Bach da cidade.

PQP

.: interlúdio :. Dave Brubeck: Collections

.: interlúdio :. Dave Brubeck: Collections

Para muitos, Dave Brubeck foi a porta de entrada para o jazz. Depois, passa-se um ou dois anos e já é difícil de ouvir seus solos convencionais e sem muito tempero. Dele e de Paul Desmond. Ouvimos e gostamos mais por nostalgia. Mas os caras criaram temas que ficarão para sempre. Neste disco, Brubeck apresenta basicamente temas de outros compositores, além de mostrar um lado que sempre foi indiscutível para os amantes de jazz: ele sente-se muito bem nas jazzy songs, talvez até mais do que no jazz puro. Mas o que interessa é que Brubeck é um portal campeão de vendas e quem não conhece seus LPs Time Out e Time Further Out tem algum problema de formação musical. Por falar em formação musical, Brubeck não era muito interessado em aprender por métodos, simplesmente queria compor suas próprias melodias e por isso nunca aprendeu a ler partituras. Ele evitava aprender a ler durante as aulas de piano de sua mãe, alegando dificuldade de visão. Na faculdade, Brubeck quase foi expulso do curso, quando um de seus professores descobriu que ele não sabia ler partituras. Muitos outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, mas a escola continuou com medo de que isso pudesse causar um escândalo, e só concordou em lhe dar o diploma se ele concordasse em nunca dar aulas de piano…

Dave Brubeck: Collections

1 Take Five
2 In Your Own Sweet Way
3 Weep No More
4 That Old Black Magic
5 Take The ‘A’ Train
6 Maria
7 Summer Song
8 Autumn In Washington Square
9 Three To Get Ready
10 There’ll Be Some Changes Made

Vários grupos, sempre com Brubeck ao piano

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Dave Brubeck e Paul Desmond (os dois da frente) em 1961. Eles se conheceram no Exército de George Patton, durante a Segunda Guerra.

PQP

.: interlúdio :. Irvin Mayfield: A Love Letter To New Orleans

.: interlúdio :. Irvin Mayfield: A Love Letter To New Orleans

Com sua cultura inimitavelmente rica, Nova Orleans é uma cidade muito fácil de se amar. Além do Mardi Gras, Nova Orleans é muito conhecida também por ser o local de nascimento do jazz. Essa forma de arte exclusivamente americana se desenvolveu aqui há 100 anos, quando músicos afro-americanos absorveram elementos musicais europeus e criaram um som único. Até hoje em Nova Orleans, você ainda pode curtir um jazz sem compromisso em quase todas as esquinas ou ir a um legítimo clube de jazz. Uma viagem para Nova Orleans não está completa sem um bom e autêntico jazz. Em A Love Letter to New Orleans, o trompetista Irvin Mayfield tenta refletir sobre a cidade. Das turbulentas sessões de gravação durante o dia à introspecção noturna com mentores como Ellis e Wynton Marsalis, além de Herman Leonard, A Love Letter to New Orleans é uma crônica comovente do caso de amor de Mayfield com a cidade. O disco, altamente contrastante, vale muito a pena ouvir. Há de tudo aqui, como em New Orleans. As participações dos diversos grupos são sensacionais. Há canções, há jazz de primeira, há grupos latinos, corais, sinfônica, second lines (músicas para desfiles improvisados de rua, etc.).

Irvin Mayfield : A Love Letter To New Orleans

1. Mo’ Better Blues (With Ellis Marsalis)
2. Latin Tinge II (Los Hombres Calientes)
3. Romeo and Juliet (With Ellis Marsalis)
4. Old Time Indians Meeting of the Chiefs (Los Hombres Calientes With Cyril Neville, Donald Harrison Jr., Big Chief Bo Dollis Sr.)
5. James Booker (Los Hombres Calientes With Bill Summers, Carlos Henriquez)
6. El Negro, Pts. 1, 2, 3 (Los Hombres Calientes With Bill Summers, Horacio “El Negro” Hernandez)
7. Fatimah
8. Lynch Mob – Interlude (With Dillard University Choir)
9. Blue Dawn (With Wynton Marsalis)
10. George Porter (Los Hombres Calientes With George Porter Jr.)
11. Super Star (With Ellis Marsalis, Louisiana Philharmonic Orchestra)|
12. Wind Song (With Gordon Parks)
13. I’ll Fly Away (Los Hombres Calientes With Davell Crawford, Cyril Neville)
14. Mardi Gras Second Line (“Los Hombres Calientes With Troy “Trombone Shorty” Andrews, Kermit Ruffins, Rebirth Brass Band, John Boutte”)

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Irvin Mayfield, Embaixador de New Orleans

PQP

.: interlúdio :. Wes Montgomery: Smokin’ at the Half Note

.: interlúdio :. Wes Montgomery: Smokin’ at the Half Note

Sim, é verdade: Blue Dog esteve numa jornada ao centro da Terra e voltou pra contar a história. No entanto, foi constatado mais uma vez que ninguém presta atenção no que diz um cachorro — principalmente quando ele trata de si na terceira pessoa — , e como PQP encerrou o assunto com um peremptório “passa já pra dentro!”, o melhor que ele faz é retomar logo suas antigas atribuições.

Antes de trazer à tona novidades e avantgardismos resultantes das escavações, este post não precisa fazer qualquer esforço para agradar: chega logo propondo um disco de fácil consenso e clara influência. Trata-se de Wes Montgomery e a seção rítmica clássica de Miles Davis. Wes é gentil, faz jazz com aquele acento de blues, pode ser servido à mesa. O ouvinte se pega várias vezes prestando mais atenção na bateria do que no instrumento principal. Estamos todos em casa, felizes? Então bueno, que bueno.


Wes Montgomery – Smokin’ at the Half Note /1965 [V0]
—-> download – 68MB
Wes Montgomery (guitar),
Wynton Kelly (piano),
Paul Chambers (bass),
Jimmy Cobb (drums)
.

Faixas 1 e 2 gravadas ao vivo em junho de 1965. Faixas 3 a 5 gravadas em estúdio, em 22/07/1965. Produzido por Creed Taylor para a Verve

01 No Blues (Davis) 13′
02 If You Could See Me Now (Dameron, Sigman) 6’45
03 Unit 7 (Jones) 7’30
04 Four on Six (Montgomery) 6’45
05 What’s New? (Haggart, Burke) 6’00

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio, pero no mucho :. Pat Metheny: Road to the Sun (2021)

.: interlúdio, pero no mucho :. Pat Metheny: Road to the Sun (2021)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A carreira de quase 50 anos de Pat Metheny sempre equilibrou a tensão entre dois polos de desenvolvimento: (1) o refinamento e a expansão do alcance técnico e estético de sua “voz” virtuosa e exuberantemente romântica e (2) a construção de uma linguagem composicional ampla e em constante evolução que combina sofisticação harmônica e rítmica com acessibilidade. Road to the Sun é uma obra-prima e é o primeiro mergulho do violonista na composição de música clássica para violão.

O conjunto é composto primeiramente por duas longas suítes. A primeira metade do CD é dedicada aos quatro movimentos Four Paths of Light, escrita e interpretada pela sensação do violão clássico Jason Vieaux, cujas gravações abraçam o cânone do violão clássico, mas também o expandem para incluir modernistas como Astor Piazzolla, Baden Powell e Ernst Mahle. (Em 2005, Vieaux lançou Images of Metheny , no qual ele recriou as composições do jazzista para violão clássico solo). Como um todo, Four Paths of Light não lembra muito… Metheny. O primeiro e o quarto movimentos, altamente arpejados, cruzam o flamenco, o choro, o samba e os estudos clássicos pós-românticos, sem nunca revelar uma forma dominante. O segundo movimento lânguido é mais esparso e, bem, aqui parece o Metheny de New Chautauqua, de 1979 .

A suíte título em seis movimentos é composta para e executada pelo Los Angeles Guitar Quartet, formado por John Dearman , William Kanengiser , Scott Tennant e Matthew Greif. A estilo deles é o crossover. Seus shows e gravações envolvem de tudo, desde clássico e flamenco até o bluegrass, o rockabilly e o death metal. Road to the Sun une o impressionismo clássico de Debussy e Ravel a Django Reinhard. Os elementos de chamada e resposta são fundamentais no primeiro movimento, ao mesmo tempo hipnótico e sedutor. Reflete a influência de compositores clássicos canônicos como Francisco Tárrega. Depois, temos um familiar estilo “brasileiro”. Dá para pensar na obra César Guerra-Peixe. A parte quatro é construída de glissandi dos violões antes que a percussão dos mesmos nos dê uma sensação de desorientação e deslocamento. No quinto movimento, o dedilhar veloz de Metheny se junta ao do quarteto. Seu toque é inconfundível.

O CD é finalizado por uma leitura solo da peça para piano Für Alina de Arvo Pärt, tocada por Metheny no violão Pikasso I de 42 cordas e múltiplos braços. Road to the Sun apresenta as marcas musicais de Metheny, mas com um toque de coragem que vou lhes contar. E ele se sai brilhantemente na empreitada, revelando novas maneiras de confundir as fronteiras entre os gêneros.

O guitarrista e compositor Pat Metheny ganhou 20 prêmios Grammy em 12 categorias diferentes, incluindo Melhor Rock Instrumental, Melhor Gravação de Jazz Contemporâneo, Melhor Solo Instrumental de Jazz e Melhor Composição Instrumental. O Pat Metheny Group ganhou sete Grammys consecutivos em sete álbuns consecutivos. Sim, não é mole.

Pat Metheny: Road to the Sun (2021)

1. Jason Vieaux – Pat Metheny: Four Paths of Light, Pt. 1
2. Jason Vieaux – Pat Metheny: Four Paths of Light, Pt. 2
3. Jason Vieaux – Pat Metheny: Four Paths of Light, Pt. 3
4. Jason Vieaux – Pat Metheny: Four Paths of Light, Pt. 4

5. Los Angeles Guitar Quartet – Pat Metheny: Road to the Sun, Pt. 1
6. Los Angeles Guitar Quartet – Pat Metheny: Road to the Sun, Pt. 2
7. Los Angeles Guitar Quartet – Pat Metheny: Road to the Sun, Pt. 3
8. Los Angeles Guitar Quartet – Pat Metheny: Road to the Sun, Pt. 4
9. Los Angeles Guitar Quartet – Pat Metheny: Road to the Sun, Pt. 5
10. Los Angeles Guitar Quartet – Pat Metheny: Road to the Sun, Pt. 6

11. Pat Metheny – Arvo Pärt: Für Alina (arr. Pat Metheny for 42 string guitar)

Los Angeles Guitar Quartet
Pat Metheny
Jason Vieaux

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A Pikasso I foi criada e feita à mão pela luthier canadense Linda Manzer, a qual demorou dois anos para fabricá-la. Este violão acústico de 42 cordas e três braços foi popularizada por Pat Metheny.

PQP

.: interlúdio :. Thelonious Monk – Live At The Jazz Workshop

.: interlúdio :. Thelonious Monk – Live At The Jazz Workshop

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As fitas desses dois shows ficaram guardadas no cofre da Columbia Records por quase 20 anos, até que a gravadora lançou um LP duplo com elas logo após a morte de Monk. Seguiu-se o lançamento em CD duplo em 2001, sob o nome de “Live at the Jazz Workshop – Complete”, apresentando uma série de faixas bônus, quase dobrando a duração do álbum. No entanto, este é o lançamento original de 1982. Thelonious Monk (1917-1982) foi um pianista único no estilo de improvisar e tocar. Era famoso por seus improvisos de poucas e acertadas notas. Preciso, fazia com duas ou três notas o que outros pianistas faziam com nove ou dez. Cada nota adentrava perfeitamente no contexto da música, numa mistura melódica e rítmica. Sentado ao piano, tocava-o encurvado, com péssima postura, além de ter um dedilhado com os dedos rígidos, que ficavam perfeitamente retos e batiam nas teclas tal qual uma baqueta faria em um tambor. Thelonious não era muito bem visto pela crítica de sua época, porém era uma unanimidade entre os jazzistas. Compunha melodias e criava ritmos nada usuais. Compôs vários temas que hoje são considerados standards, como Epistrophy, ‘Round Midnight, Blue Monk, Misterioso, Well You Needn’t, etc. Apesar de ser lembrado como um dos fundadores do bebop, seu estilo, com o passar do tempo, evoluiu para algo muito próprio, de composições com harmonias dissonantes e guinadas melódicas, além do uso de silêncios e hesitações.

Thelonious Monk – Live At The Jazz Workshop

Disc 1

1 – Don’t Blame Me – 7:01
2 – Well You Needn’t – 7:20
3 – Evidence/Rhythm-A-Ning – 5:54
4 – ‘Round Midnight – 9:15
5 – I’m Getting Sentimental Over You – 7:41

Disc 2

1 – Bemsha Swing – 4:14
2 – Memories Of You – 9:15
3 – Blue Monk – 5:05
4 – Misterioso – 3:48
5 – Hackensack – 6:17
6 – Bright Mississippi – 6:08
7 – Epistrophy – 5:29

Thelonious Monk – piano
Charlie Rouse – tenor sax
Larry Gales – bass
Ben Riley – drums

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Thelonious Monk

PQP

.: interlúdio :. Umo Jazz Orchestra (1997)

.: interlúdio :. Umo Jazz Orchestra (1997)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não sou um grande especialista, mas tenho a impressão de que a cena do jazz europeu é hoje mais interessante do que  norte-americana. Estes finlandeses são bons demais e formam uma extraordinária orquestra com os pés firmados no campo do jazz. Confira a faixa de abertura enganosamente chamada, Frozen Petals com seus saxofonistas tenor ao estilo Brecker com uma verdadeira “tempestade perfeita” acontecendo atrás dele. Os caras amam muitas vozes, contrapontos, etc.

Financiado pela cidade de Helsinque, pela Finnish Broadcasting Company e pelo Ministério da Educação, a UMO é algo como a orquestra nacional de jazz da Finlândia. A big band foi fundada por músicos que tocavam na Radio Dance Orchestra do país, que existe desde 1957. A UMO fez turnês por todo o mundo e se apresentou com músicos de jazz como Thad Jones, Dizzy Gillespie, Larry Coryell, Joe Williams, McCoy Tyner e Muhal Richard Abrams, entre outros.

Umo Jazz Orchestra (1997)

1 Frozen Petals
Composed By – Kari Heinilä
Soloist [Tenor Saxophone] – Manuel Dunkel
5:47

2 All Blues
Arranged By – Eero Koivistoinen
Composed By – Miles Davis
Soloist [Flugelhorn] – Anders Bergcrantz
Vocals – Bina Nkwazi
5:01

3 Aldebaran
Composed By – Kari Komppa
Soloist [Tenor Saxophone] – Manuel Dunkel
9:32

4 What Is This?
Composed By – Eero Koivistoinen
Soloist [Drums] – Markus Ketola
Soloist [Piano] – Seppo Kantonen
Soloist [Trumpet] – Anders Bergcrantz
7:48

5 Bermuda
Composed By – Jukka Linkola
Soloist [Tenor Saxophone] – Manuel Dunkel
5:29
6 Blue In Distance
Composed By – Kari Heinilä
Soloist [Trombone] – Markku Veijonsuo
4:49

7 Cuckoo’s Nest
Composed By – Eero Koivistoinen
Soloist [Drums] – Markus Ketola
Soloist [Piano] – Seppo Kantonen
Soloist [Trumpet] – Anders Bergcrantz
7:28

8 Equinox
Arranged By – Eero Koivistoinen
Composed By – John Coltrane
Soloist [Baritone Saxophone] – Pertti Päivinen*
Soloist [Tenor Saxophone] – Eero Koivistoinen
6:28

9 Life Is A Cobra
Composed By – Jarmo Savolainen
Soloist [Soprano Saxophone] – Jouni Järvelä
7:08

10 Tarkovski
Composed By – Kirmo Lintinen
Soloist [Guitar] – Jarmo Saari
8:43

Umo Jazz Orchestra:
Alto Saxophone, Soprano Saxophone, Clarinet – Jouni Järvelä
Alto Saxophone, Soprano Saxophone, Flute – Pentti Lahti
Baritone Saxophone, Bass Clarinet, Flute – Pertti Päivinen*
Bass Trombone – Mikael Långbacka
Conductor – Kari Heinilä (tracks: 1, 2, 4, 6 to 8), Kirmo Lintinen (tracks: 3, 5, 9, 10)
Double Bass – Pekka Sarmanto
Drums – Markus Ketola
Electric Bass – Hannu Rantanen (tracks: 2, 5, 9)
Guitar – Jarmo Saari (tracks: 2, 4, 9, 10), Markku Kanerva (tracks: 5)
Percussion – Mongo Aaltonen
Piano – Seppo Kantonen
Synthesizer – Kirmo Lintinen (tracks: 5)
Tenor Saxophone, Bass Clarinet, Clarinet, Flute – Teemu Salminen
Tenor Saxophone, Flute – Manuel Dunkel
Trombone – Markku Veijonsuo
Trombone, Euphonium – Mikko Mustonen
Trombone, Tuba – Pekka Laukkanen
Trumpet, Flugelhorn – Esko Heikkinen, Mikko Pettinen, Teemu Mattsson, Timo Paasonen
Vocals [Additional Vocals] – Jarmo Saari (tracks: 9)

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A UMO apresentou-se em várias salas da PQP Bach Corp. Este concerto foi em nosso Salão Nobre de Arapiraca (AL).

PQP

.: interlúdio :. Like Minds – Pat Metheny, Gary Burton, Chick Corea, Dave Holland, Roy Haynes

.: interlúdio :. Like Minds – Pat Metheny, Gary Burton, Chick Corea, Dave Holland, Roy Haynes

 

Sou fascinado por este CD, desde quando o adquiri, ainda lá pelo início dos anos 2000. Os tempos eram outros, era complicado conseguir material em mp3, afinal ainda não tínhamos internet rápida em casa, apenas alguns conhecidos, estagiários na Universidade, ficavam madrugadas adentro fazendo downloads de música e de filmes dentro da própria Universidade, aproveitando a estrutura de rede altamente profissional que tinha sido montada.

Era o tempo do Napster, e-mule, e mais alguns sistemas de troca de arquivos. E um gravador de CD também era algo com preço quase proibitivo, então organizávamos sessões de gravação para a troca de material. E quando comprei este primor de CD que ora posto, devem ter sido feitas umas vinte cópias logo nos primeiros dias.

Este CD traz um quinteto de ouro do jazz, e também coloca lado a lado novamente Chick Corea e Gary Burton, dupla que gravou discos antológicos nos idos dos anos 70. E para completar, ainda tem Pat Metheny, Dave Holland e Roy Haynes… e muito talento reunido em um só CD.

Claro que é IM-PER-DÍ-VEL !!! E deve ser ouvido e admirado de preferência acompanhado por um bom vinho…

Like Minds – Pat Metheny, Gary Burton, Chick Corea, Dave Holland, Roy Haynes

01 – Question And Answer
02 – Elucidation
03 – Windows
04 – Futures
05 – Like Minds
06 – Country Roads
07 – Tears Of Rain
08 – Soon
09 – For A Thousand Years

Gary Burton – Vibraphone
Chick Corea – Piano
Pat Metheny – Guitar
Dave Holland – Bass
Roy Haynes – Drums

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Gary Burton Pat MethenyGary Burton & Pat Metheny – Encontro de Gigantes do Jazz

 

 

.: interlúdio :. Mike Longo and the New York State of the Art Jazz Ensemble: Oasis

.: interlúdio :. Mike Longo and the New York State of the Art Jazz Ensemble: Oasis

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mike Longo morreu em 22 de março de 2020 de complicações associadas à gripezinha. Nossa, quanto talento se perdeu! Oasis é um álbum de big band, mas completamente diferente dos sons tradicionalmente associados ao termo. Oasis é o que Longo chama de ‘música contrapontística com uma força melódica impulsionadora usando um conceito de grupo be-bop pequeno e moderno com uma seção de metais de 13 instrumentos’. A cada nova gravação, o pianista Mike Longo praticamente dá uma Master Class, mostrando como preencher a lacuna entre o be-bop e a era contemporânea, trazendo as melhores tradições à frente e adicionando inovações de ritmo e estrutura. Em Oasis, do selo CAP (Consolidated Artists Productions), ele exemplifica essa mistura de antigo com o novo.

Longo traz credenciais impecáveis ​​ao projeto — ele começou sua carreira com Cannonball Adderly, estudou com Oscar Peterson, tornou-se o pianista e diretor musical da banda de Dizzy Gillespie (tocou regularmente com Dizzy por 22 anos), escreveu nove livros sobre música e tocou no palco com incontáveis ​​músicos de jazz ao longo dos anos — Miles Davis, Milt Jackson, Coleman Hawkins, Gene Krupa, Jimmy Witherspoon, Lee Konitz, Roy Eldridge, James Moody, Buddy Rich e muitos outros. Oasis, o 18º álbum de Longo com seu próprio nome na capa, contém seus arranjos de 13 músicas — sete são composições originais — para uma big band de 17 integrantes — mais uma vocalista em três canções — que sempre incluem piano, guitarra, baixo, bateria, quatro trompetes , quatro trombones e cinco saxofones (dois contraltos, dois tenores e um barítono) embora os saxofonistas ocasionalmente toquem flauta ou clarinete e um trompetista faça um solo de flugelhorn.

.: interlúdio :. Mike Longo and the New York State of the Art Jazz Ensemble: Oasis

1. Bag of Bones (5:43)
2. Chanson (6:25)
3. Mike’s Lament (4:57)
4. Love Walked In (1:50)
5. Alone Together (6:18)
6. Infusion (5:29)
7. The Godfather (6:21)
8. Lazy Afternoon (7:17)
9. Covenant City (4:20)
10. Nocturnal Sea Voyage (7:33)
11. The Night We Called It a Day (6:21)
12. No More Blues (5:10)
13. Song of My Dream (for Duke) (5:54)

Mike Longo &
The New York State of the Art Jazz Ensemble:
Mike Longo–piano,
Adam Rafferty–guitar,
Santi Debriano–bass,
Darryll Pellegrini–drums,
Bob Magnuson–alto sax,
Lee Greene–alto sax,
Frank Perowsky–tenor sax,
Gerry Neiwood–tenor sax,
Matt Snyder–baritone sax,
Clarire Daly–baritone sax,
Gary Guzio–trumpet,
Joe Magnarelli–trumpet,
Nubate Isles–trumpet,
Freddie Hendrix–trumpet,
Waldron Ricks–trumpet,
Seneca Black–trumpet,
Bob Suttman–trombone,
Sam Burtis–trombone,
Eric Goletz–trombone,
Jonathan Greenberg–trombone,
Curtis Fowlkes–trombone,
Don Mikkelsen–trombone,
Special Guest: Hilary Gardner–vocals.

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Mike Longo observando do além os negacionistas.

PQP

.: interlúdio :. John Scofield: A Moment’s Peace

.: interlúdio :. John Scofield: A Moment’s Peace

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Neste álbum, todas as canções são muito melódicas. (Acabei de ouvir a penúltima música, mas não consigo imaginar que a última não se encaixe no padrão). A Moment’s Peace traz o brilho da guitarra de Scofield em seu melhor. Algumas das músicas têm alguns bons riffs de jazz e a maioria delas têm belos solos. O órgão e o piano de Larry Goldings dão excelente contribuição para o belo resultado. É um trabalho introspectivo e uma alegria de se ouvir, independentemente do humor. É um disco para dias nublados, é um trabalho para se ouvir enquanto viajamos ou quando queremos seduzir aquela pessoa, é um brilhante encontro de músicos, é rico, sensual e atemporal. A faixa de abertura, Simply Put, é impressionante. Assim como a versão sobre o clássico de 1968 dos Beatles, I Will. Scofield tem um I Want To Talk About You parece destilar tudo pelo qual Scofield é conhecido – belo tom, fraseado adequado, corridas emocionantes, melodia perfeita. E o que dizer da sensacional Gee, Baby, Ain’t I Good to You e de I Loves You Porgy?

Não há um fracasso neste álbum. Eu amo isso! Altamente recomendado!

John Scofield: A Moment’s Peace

1 “Simply Put” – 5:30
2 “I Will” (Lennon–McCartney) – 3:16
3 “Lawns” (Carla Bley) – 6:32
4 “Throw It Away” (Abbey Lincoln) – 6:05
5 “I Want to Talk About You” (Billy Eckstein) – 7:56
6 “Gee, Baby, Ain’t I Good to You” (Andy Razaf, Don Redman) – 5:01
7 “Johan” – 5:11
8 “Mood Returns” – 4:27
9 “Already September” – 5:33
10 “You Don’t Know What Love Is” (Gene De Paul, Don Raye) – 6:00
11 “Plain Song” – 5:01
12 “I Loves You Porgy” (George & Ira Gershwin) – 3:59

John Scofield – guitar
Larry Goldings – piano and organ
Scott Colley – bass
Brian Blade – drums

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Scofield agradecendo-nos por sua estreia do PQP Bach

PQP

.: interlúdio :. Wayne Shorter: Schizophrenia (1967)

.: interlúdio :. Wayne Shorter: Schizophrenia (1967)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Wayne Shorter estava no auge de seus poderes criativos quando gravou Schizophrenia na primavera de 1967. Montou um sexteto que apresentava dois de seus companheiros de Miles Davis (o pianista Herbie Hancock e o baixista Ron Carter), mais o trombonista Curtis Fuller, o saxofonista alto / flautista James Spaulding e o baterista Joe Chambers, formando uma banda que era capaz de transmitir sua “esquizofrenia” musical, o que significa que esta é uma banda que pode tocar direitinho tão bem quanto pode estender os limites do jazz.

E aqui eles fazem isso simultaneamente, como em Tom Thumb. A batida e o tema da música são diretos, mas a interação musical e os solos se arriscam e resultam em resultados imprevisíveis. E “imprevisível” é a palavra mágica para esse conjunto de pós-bop nervoso. As composições de Shorter (assim como a única contribuição de Spaulding, Kryptonita) têm temas fortes, mas levam a um território desconhecido, desafiando constantemente os músicos e o ouvinte. Essa música existe na fronteira entre o pós-bop e o free jazz — ou seja, é baseada no pós-bop, mas sabe o que está acontecendo além da fronteira. Dentro de alguns anos, esta linha seria cruzada, mas a Schizophrenia estala com a empolgação de Shorter e seus colegas tentando equilibrar os dois extremos.

Wayne Shorter: Schizophrenia

01. Tom Thumb
02. Go
03. Schizophrenia
04. Kryptonite
05. Miyako
06. Playground

Wayne Shorter (tenor saxophone)
James Spaulding (alto saxophone, flute)
Curtis Fuller (trombone)
Herbie Hancock (piano)
Ron Carter (bass)
Joe Chambers (drums).

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Wayne em 1969, preparando seu show no recém-inaugurado Salão Dourado do Jazz PQP Bach de Las Vegas.

PQP

.: interlúdio :. National Youth Jazz Orchestra (NYJO): Cookin’ With Gas

.: interlúdio :. National Youth Jazz Orchestra (NYJO): Cookin’ With Gas

Um bom disco, tecnicamente perfeito, impecável mesmo, mas ninguém vai roubar ou matar por ele. É uma big band jovem muito competente e só.

A National Youth Jazz Orchestra (NYJO) é uma orquestra de jazz britânica fundada em 1965 por Bill Ashton. Em 2010, Mark Armstrong assumiu o cargo de Diretor Musical da principal banda de atuação e Diretor Artístico da organização. Assim sendo, o fundador Bill Ashton tornou-se presidente vitalício.

Com sede em Westminster, Londres, a NYJO começou como London Schools’ Jazz Orchestra e evoluiu para se tornar uma orquestra nacional. Seu objetivo é o de oferecer uma oportunidade para jovens músicos talentosos do Reino Unido. Eles se apresentam nas principais salas de concerto, teatros, rádio e televisão, fazem gravações, encomendam novas obras a compositores e arranjadores britânicos e apresentam seu o amor pelo jazz para um considerável público. Enfim, coisa de primeiro mundo.

A NYJO é selecionada por audição e convite e tem idade máxima de 25 anos. Ela realiza cerca de 40 shows por ano, a grande maioria envolvendo oficinas educacionais para crianças em idade escolar. Ela ensaia todos os sábados no London Centre of Contemporary Music, perto da London Bridge, em Londres.

.: interlúdio :. National Youth Jazz Orchestra (NYJO) – Cookin’ With Gas

1.Beyond the Hatfield Tunnel 6:37
2.Hot Gospel 6:57
3.Step on the Gas 2:54
4.Mr. B. G. 4:07
5.Be Gentle 4:44
6.Behind the Gasworks 6:06
7.Cookin’ with Gas 5:57
8.S’wonderfuel 7:18
9.We Care for You 5:28
10.Big Girl Now 3:54
11.Gasanova 4:05
12.Afterburner 3:36
13.The Water Babies 9:02
14.The Heat of the Moment 3:29

Total time 70:40

Trumpets: Ian Wood, Mark Cumberland, Olly Preece, Gerard Presencer, Fred Maxwell, Neil Yates, Paul Cooper, Martin Shaw, Graham Russell, Mark White.
Trombones: Dennis Rollins, Pat Hartley, Winston Rollins, Tracy Holloway, Richard Henry, Mark Nightingale, Brian Archer.
Saxophones: Michael Smith, Howard, McGill, Scott Garland, Adrian Revell, Pete Long, Melanie Bush, Richard Williams, Nigel Crane.
Horn: Clare Lintott
Flute: Julie Davis
Piano: Steve Hill, Clive Dunstall.
Guitar: Paul Hudson, James Longworth.
Bass: Mark Ong
Drums: Chris Dagley
Percussion: Steve smith and John Robinson.
Vocals: Jacqui Hick.

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Às vezes fica difícil de ilustrar

PQP

.: interlúdio :. Journal Intime Joue Jimi Hendrix: Lips on Fire

.: interlúdio :. Journal Intime Joue Jimi Hendrix: Lips on Fire

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma abordagem à altura do grande homenageado, Jimi Hendrix. Um disco excepcional não só pela qualidade, mas também pela qualidade dos instrumentistas — ouçam a sensacional Angel! O Journal Intime é um trio (às vezes quarteto e até quinteto) de metais que emula o mítico trio de Hendrix usando extrema criatividade. Lips on Fire mostra a personalidade musical única de Hendrix, sua técnica tão pessoal, o ecletismo dos seus gostos, e sua particularíssima noção de ritmo. É uma forma vanguardista e também psicodélica de iluminar e prolongar este grande artista. O grupo consegue capturar os gestos, as distorções e o espírito de nossa querida Voodoo Child.

Journal Intime Joue Jimi Hendrix — Lips on Firee

1 Foxy People
Written-By – F. Gastard*
2 Lover Man
Written-By – J. Hendrix*
3 Viens !
Written-By – F. Gastard*
4 If 6 Was 9
Written-By – J. Hendrix*
5 Angel
Written-By – J. Hendrix*
6 Odysseus Praeludium
Written-By – F. Gastard*
7 Lips On Fire
Written-By – Journal Intime (2)
8 Hey Baby
Written-By – J. Hendrix*
9 All Along The Watchtower
Written-By – B. Dylan*
10 Little Blowing
Written-By – M. Mahler*
11 1983… (A Merman I Should Turn To Be)
Written-By – J. Hendrix*
12 Villanova Junction
Written-By – J. Hendrix*

Bass Saxophone, Tenor Saxophone, Soprano Saxophone, Piano, Keyboards [Ms10 Korg & Fender Bass Rhodes] – Frédéric Gastard
Drums, Percussion, Shaker – Denis Charolles
Trombone – Matthias Mahler
Trumpet, Bugle – Sylvain Bardiau
Vocals, Electric Guitar – Rodolphe Burger

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Journal Intime: olho no olho com Jimi Hendrix

PQP

.: interlúdio :. Jazz Sabbath

Um interessante CD de jazz, com um ótimo trio tocando versões de canções clássicas do mítico grupo de rock ‘Black Sabbath’. Por si só, este CD poderia ser apenas um CD de covers, igual a dezenas de outros que vemos por aí. Mas os meninos resolveram contar uma história, que em um primeiro momento, pode soar verdadeira, mas depois de um tempo entendemos se tratar de uma brincadeira.

Enfim, resumindo a história, o Jazz Sabbath teria sido fundado em 1968 pelo pianista Milton Keanes, pelo baixista Jacque T´Fono, e pelo baterista Juan Také, e logo se destacaram no cenário do Jazz Londrino de final de década.  Teriam gravado um disco cujo lançamento foi marcado para a Sexta Feira 13, do mês de Fevereiro de 1970. Porém Milton Keanes sofreu um sério ataque do coração e o lançamento foi cancelado. E  enquanto se recuperava, o tal do material, ainda inédito, teria sido repassado para uma banda de Heavy Metal recém formada, convenientemente chamada ‘Black Sabbath’, que se apropriou destas canções e as transformou nas clássicas canções que os fãs da banda tão bem conhecem. A Fita Master, com a gravação original teria se perdido em um incêndio no galpão onde o estúdio guardava seu material. Passados quase cinquenta anos, aquele velho prédio foi vendido e o comprador encontrou a tal da Fita Master, que mostrava a origem daquelas canções. Ou seja, a famosa banda, que criou o Heavy Metal, era na verdade uma farsa, fazendo sucesso com música alheia.

Quando li essa história pela primeira vez,  me assustei, afinal sou fã do Black Sabbath, e ouço a banda desde minha adolescência. Repassei a história para os colegas daqui do PQPBach, que também se assustaram. Mas depois de uma pesquisa no Google, verificamos que se tratava apenas de uma jogada de marketing, os caras querendo ser famosos inventaram essa história.

Estratégias de marketing a parte, é um bom disco, nada excepcional. Deixam irreconhecíveis petardos como ‘Iron Man’, ‘Fairies Wear Boots’ e ‘Children of the Grave’. Keanes é um excelente improvisador, merece ser conhecido. E na verdade, Milton Keanes, na verdade, é Adam Wakeman, filho do tecladista Rick Wakeman, e que já toca com a banda há algum tempo, assim como seu pai, que é o responsável pelo piano em ‘Changes’, no mítico álbum ‘Volume 4″.

01. Fairies Wear Boots
02. Evil Woman
03. Rat Salad
04. Iron Man
05. Hand Of Doom
06. Changes
07. Children Of The Grave

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Confiram o nível da ‘farsa’ assistindo ao ótimo documentário abaixo :

 

.: interlúdio :. Hommage à Eberhard Weber – Pat Metheny, Jan Garbarek, Gary Burton, etc.

.: interlúdio :. Hommage à Eberhard Weber – Pat Metheny, Jan Garbarek, Gary Burton, etc.

Este CD me caiu em mãos por acaso, e o ouvia ocasionalmente, sem prestar muita atenção nele. Mas aproveitei estas pequenas férias coletivas de final de ano para ouvir alguns CDs com mais atenção, e esse foi um deles.

Minha geração (nasci em 1965) cresceu ouvindo e procurando os LPs e posteriormente os  CDs do selo de Manfred Eicher (ECM) ansiosamente nas lojas de discos. Músicos como Jan Garbarek, Gary Burton e Pat Metheny se tornaram nossa referência, e buscávamos ansiosamente todos os seus lançamentos. E tocando com toda essa galera, um nome se destacava, o do baixista alemão Eberhard Weber. Procurei então seus discos solos, e também seu trabalho ao lado de outros músicos geniais. Dono de um estilo único, com um timbre facilmente identificável, ele se destacou principalmente entre os anos 70 e 80. Infelizmente foi acometido por um derrame, o que o afastou dos palcos, mas não da música.

Este CD que ora vos trago foi gravado ao vivo, e tem um timaço de músicos envolvidos, começando pelos citados acima, Burton, Garbarek e Metheny, dentre outros, além da fantástica SWR Big Band,  Juntamente com seu amigo, o saxofonista norueguês Jan Garbarek e do guitarrista norte americano Pat Metheny, Weber se aproveitou da tecnologia, criando novas composições a partir de solos seus em trabalhos anteriores. São obras únicas, intimistas, que contam com a altíssima sensibilidade dos músicos envolvidos, Ouçam a incrível ‘Resumé Variations’, que abre o CD, onde Garbarek desfila todo o seu talento e versatilidade, ou então a suíte ‘Hommage’, composta por Pat Metheny, com 31 minutos de duração para entenderem o que digo. O texto de Metheny no encarte do CD também é bem esclarecedor:

“I was asked to participate in a special event to be held in January 2015 to honor Eberhard’s incredible life as a musician. My idea was to try to create something special for this very unique musician. Since Eberhard’s stroke in 2007, he has not been able to play. But I felt that his sonic identity was such a huge component in his work that I wanted to somehow acknowledge it in whatever form I could.

It came to me that it would be interesting to take the idea of sampling one step further; to find video elements of Eberhard improvising and then reorganize, chop, mix and orchestrate elements of those performances to gether into a new composition with a large projection of the Eberhard moments that I chose filling a screen behind us as we performed. It seemed like a new way to compose for me that would almost take the form of visual sampling. Although this seemed like an Eberhard-worthy idea, technically it was quite difficult to do. As it happened, there were only two really usable performances that included long stretches of Eberhard improvising on screen to be found, one from 1986 in Stuttgart and another brief interlude from a Jan Garbarek concert in 1988 in Leverkusen.

The challenges were many, but first and foremost was the issue how to create from scratch an extended piece that would honor Eberhard and also utilize the skills and talents of the commissioning large ensemble, the excellent SWR Big Band.”

Espero que apreciem. Este CD foi a minha trilha sonora de final de ano. E com esta postagem pretendo reiniciar meus trabalhos aqui no PQPBach, depois de alguns meses de ausência, devido a diversos problemas, desde saúde até profissionais. Mas estou acreditando que este novo ano vai me ajudar a superar os desafios que o ano velho trouxe.

FELIZ 2021 !!!

Hommage à Eberhard Weber – Pat Metheny, Jan Garbarek, Gary Burton, etc.

01. Resumé Variations
02 – Hommage
03 – Touch
04 – Maurizius
05 – Tübingen
06 – Notes After An Evening
07 – Street Scenes (Bonus Track)

PAT METHENY guitars
JAN GARBAREK soprano saxophone
GARY BURTON vibraphone
SCOTT COLLEY double bass
DANNY GOTTLIEB drums
PAUL McCANDLESS English horn, soprano saxophone
KLAUS GRAF alto saxophone
ERNST HUTTER euphonium
MICHAEL GIBBS arranger, conductor
RALF SCHMID arranger
RAINER TEMPEL arranger
LIBOR ŠÍMA arranger
and the SWR BIG BAND
HELGE SUNDE conductor

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FDP

Balaio de Preconceitos

Balaio de Preconceitos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta é uma postagem de maio de 2011, preparada pelo sumido CDF Bach. São 6 excelentes CDs, uns  extraordinários, outros menos, todos muito bons. Espero que eles sirvam de bom augúrio para um melhor 2021 para todos nós. Adeus 2020, fique longe!

Depois do texto de CDF, logo após a marcação “.oOo.“, coloco as capas e os detalhes da cada disco. 

Lembro bem que minha primeira experiência como ouvinte atento foi com esse disco ao vivo de Chuck Mangioni. Foi uma revolução, pois na época eu só ouvia o que passava nas rádios (imaginem!). Não sei como foi parar em minhas mãos. Mérito meu não foi, meu miolo era mole demais para isso na época. Lembro, contudo, que as faixas 2 à 6, eu ouvia quase todos os dias, e claro, o clássico “Round Midnight”. O disco ainda me agrada, não sei se pela qualidade dos músicos (participações especiais de Dizzy Gilespie e Chick Corea) ou pelas lembranças de minha época de fedelho. Mas quem sabe outro menino desavisado acesse esse disco e sofra do mesmo impacto prazeroso e transformador.

Daí pra frente, descobri que a música não foi feita só pra dançar, tomar cachaça ou pensar na namorada. Depois de muitos anos intensos, ainda continuo desfazendo alguns dos meus preconceitos no mundo musical. Um bem antigo e ainda atual é sobre a importância de Telemann para história da música. Quem aqui já não leu que esse compositor alemão escreveu mais de 3000 trabalhos? Quase o que todos os outros grandes compositores escreveram em todas as épocas juntos. Um verdadeiro compositor de “quantidade”. Não era aceitável que Telemann, na época, pudesse ser mais famoso e importante que o velho papai Bach. Mas a vingança não tardou, Telemann caiu feio nas épocas seguintes, enquanto Bach subia no pedestal. Essa justiça dos tempos, no entanto, é imperfeita, nega a possibilidade de entendermos a fama e importância de Telemann na época.Trago para vocês três discos para mostrar um pouco da diversidade e qualidade desse grande compositor. O primeiro disco traz uma micro-ópera chamada Pimpinone, que costumava ser apresentada nos intervalos das grandes óperas de Handel. A obra é musicalmente divertidíssima e empolgante com apenas duas personagens, o chefe da casa Pimpinone e sua empregada Vespeta. Algo muito próximo de La Serva Padrona de Pergolesi. Pimpinone é uma ópera italiana em língua alemã. No segundo disco já vamos ver Telemann fazendo música religiosa, com aquele tom sombrio e ao mesmo tempo esperançoso da música alemã. São cantatas intimistas com poucos instrumentos que, sem exagerar, estão em pé de igualdade com algumas cantatas de Bach. No terceiro disco, vamos para a Espanha, onde Telemann com maestria única e original faz uma pequena peça musical sobre o “cavaleiro da triste figura” – Don Quichotte auf der Hochzeit des Comacho. Uma obra-prima ainda desconhecida da maioria dos ouvintes.

Outro injustiçado que até virou motivo de piada – Muzio Clementi. Em 1780, o pobre Clementi participou de uma pequena “competição” com Mozart para ver quem melhor interpretava e improvisava. Nem preciso dizer quem causou mais forte impressão. Mozart escreveu ao pai “ ele toca até bem…mas não tem bom gosto…muito mecânico” e depois em 1783 escreveu “Clementi é um charlatão, assim como todos os italianos”. Clementi foi basicamente um compositor para piano, e muito das suas sonatas iniciais apresentam, apesar do virtuosismo cativante, um pouco desse característica “mecânica” apontada por Mozart. No entanto, creio que Mozart teria mudado de opinião se ouvisse as sonatas do último período de Clementi. São sonatas beethovianas, com aquelas transições inesperadas e inspiradas. Prestem atenção na harmonia inicial da sonata op.40 n.2. As sonatas op.50 são às vezes mais inspiradas que as sonatas de Mozart (quem diria?).

Falo agora não apenas de um compositor desconhecido ou injustiçado, mas de uma época toda – a nossa. A música pós-1945 não convenceu o público e ainda não continua convencendo, com raríssimas exceções. Britten, Shostakovich, Arvo Part entre outros que estão fora do mainstream moderno, não contam. Falo dos compositores que estão na ponta da locomotiva, aqueles que escreveram a história do modernismo, esses estão na corda bamba da imortalidade. Citados em livros, porém desconhecidos nos palcos. “Culpa deles?” Só se a exploração de novos mundos for considerada um defeito. George Crumb é um compositor americano, um grande experimentador de possibilidades sonoras, abriu um novo espectro sonoro e pessoal, mas sem perder o foco de sua inspiração, aliás, inspiração muito ligada a poesia de Garcia Lorca. Esse disco trata de estudos moderníssimos para piano, algo que deixaria Chopin ou Liszt assustados. Na minha primeira audição imaginei ouvir um pequeno ensemble de músicos, mas foi engano meu, temos apenas o pianista e seu piano. Makrokosmos (1972-1973) é composto de dois volumes com 12 fantasias cada um sobre os símbolos do zodíaco. É preciso ouvir para acreditar. Absolutamente imperdível.

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Chuck Mangione – Tarantella

1 Tarantellas
2 The XIth Commandment Suite
3 Legend Of The One-Eyed Sailor
4 Bellavia
5 Hill Where The Lords Hide
6 Lake Placid Fanfare
7 Things To Come
8 ‘Round Midnight
9 Manteca
10 My One And Only Love
11 All Blues

Acoustic Guitar, Electric Guitar – Paul Viapiano
Alto Saxophone, Tenor Saxophone – Joe Romano
Baritone Saxophone – Bob Militello*
Bass Trombone – Jim Daniels
Congas, Percussion – Ralph McDonald*
Drums, Percussion – Dan D’Imperio, James Bradley, Jr.*
Drums, Timpani [Tympani] – Steve Gadd
Electric Bass – Charles Meeks, Jeff D’Angelo
Electric Guitar – Carl Lockett, Eric Gale
Flute – Kathyryn Moses*
French Horn – Jay Wadenpfuhl, Jerry Peel
Percussion – Dave Mancini
Piano [Acoustic Piano], Electric Piano – Gap Mangione
Piano [Acoustic Piano], Electric Piano, Trumpet, Percussion – Chick Corea
Producer, Conductor, Flugelhorn, Electric Piano – Chuck Mangione
Saxophone, Flute – Chris Vadala
Tenor Saxophone – Pat LaBarbera, Sal Nistico
Trombone – Birch Johnson, Keith O’Quinn, Rick Chamberlain
Trumpet, Flugelhorn – Jeff Tyzik, Joe Mosello, Lew Soloff
Trumpet, Jew’s Harp – Dizzy Gillespie

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Telemann – Pimpinone

01. Intermezzo I. Arie: Wer will mich? Bin Kammermädchen (Vespetta)
02. Rezitativ: Ich suche zwar ein Glück
03. Arie: Hoflich reden, lieblich singen (Vespetta)
04. Rezitativ: Doch was kann dieses wohl fur Lust erwecken
05. Arie: Wie sie mich ganz verwirren kann (Pimpinone, dazu Vespetta)
06. Rezitativ: Was aber denkt ihr nun zu tun
07. Duett: Mein Herz erfreut sich in der Brust (Vespetta, Pimpinone)
08. Intermezzo II. Rezitativ: Vespetta, willst du von mir gehen?
09. Andante und Arioso: Hab’ ich in dem Dienste (Vespetta)
10. Rezitativ: Schweig, schweig, du hast ja alles recht gemacht
11. Arie: Sieh doch nur das Feuer (Pimpinone)
12. Rezitativ: Er schweige nur
13. Arie: Ich bin nicht häßlich geboren (Vespetta)
14. Rezitativ: So geht es gut!
15. Arie/Duett: Reich die Hand mir, o welche Freude (Vespetta, Pimpinone)
16. Intermezzo III. Rezitativ: Ich will dahin, wohin es mir beliebet, gehn
17. Arie: Ich weiß, wie man redet (Pimpinone)
18. Rezitativ: Fur dieses Mal sei ihr der Ausgang unbenommen
19. Arie: Wie die andern will ich’s machen (Vespetta)
20. Rezitativ: Wie aber, wenn ich’s auch so machen wollte?
21. Arie/Duett: Wilde Hummel, böser Engel (Vespetta, Pimpinone)
22. Rezitativ: Du eigensinn’ger Esel, schau
23. Arie/Duett: Schweig hinkunftig, albrer Tropf! (Vespetta, Pimpinone)

Vespetta – Erna Roscher
Pimpinone – Reiner Süß
Staatskapelle Berlin
Conductor – Helmut Koch

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Telemann – Cantatas

Kein Vogel Kann Im Weiten Fliegen Twv 1:994 (Kantate Nr. 44 Aus Harmonischer Gottesdienst)
1 Aria: Kein Vogel Kann Im Weiten Fliegen 3:56
2 Recitativo: Kein Mensch Darf Den Geringer Schatzen 1:04
3 Aria: Erwage, Sichrer Mensch, Mit Beben 5:54

Deines Neuen Bundes Gnade Twv 1:212 (Kantate Nr. 47 Aus Harmonischer Gottesdienst)
4 Aria: Deines Neuen Bundes Gnade 4:53
5 Rezitativ: Wer Hat Den Schaum Der Wilden Wasserwogen 1:50
6 Ich Zweifle Nicht, Ich Bin Gerecht 4:04

Schau Nach Sodom Nicht Zurücke Twv 1:1243 (Kantate Nr. 48 Aus Harmonischer Gottesdienst)
7 Aria: Schau Nach Sodom Nicht Zurucke 3:40
8 Recitativo: Durch Christum Von Gesetze Los Zu Sein 1:16
9 Aria: Enthatlet Euch, Das Zu Erfullen 4:36

Die Ehre Des Herrlichen Schöpfers Zu Melden Twv 1:334 (Kantate Nr. 54 Aus Harmonischer Gottesdienst
10 Aria: Die Ehre Des Herrlichen Schopfers Zu Melden 2:59
11 Recitativo: Der Undank Ist Zu Gross 1:32
12 Aria: Singet Gott In Eurem Herzen 3:49

Verfolgter Geist, Wohin? Twv 1:1467 (Kantate Nr. 55 Aus Harmonischer Gottesdienst)
13 Aria: Verfolgter Geist, Wohin? 2:52
14 Recitativo: So Ist Es Gross Ist Die Gefahr 2:24
15 Aria: So Kampfet, Gerustete Krieger, Mit Freuden! 3:56

Locke Nur, Erde, Mit Schmeichelndem Reize Twv 1:1069 (Kantate Nr. 57 Aus Harmonischer Gottesdienst)
16 Aria: Locke Nur, Erde, Mit Schmeichelndem Reize 4:47
17 Recitativo: Verstummet Nur, Verkehrte Lehrer 1:06
18 Aria: Verlass Den Bau Der Ird’schen Hutte 3:58

Packe Dich, Gelähmter Drache Twv 1:1222 (Kantate Nr. 64 Aus Harmonischer Gottesdienst)
19 Aria: Packe Dich, Gelahmter Drache 4:04
20 Recitativo: Der Helfer Sei Gelobt 2:11
21 Aria: Hinweg, O Hollisches Getummel 4:00

Affourtit, Pieter
Bernardini, Alfredo
Beuse, Christian
Darmstadt, Gerhart
Eichberger, Myriam
Frimmer, Monika
Hammer, Christoph
Hirtreiter, Bernhard
Kotz-Geitner, Petra
Schwarz, Gotthold

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Telemann – Don Quichotte

Nr. 1 Aria (Don Quichotte) “Ein Wahrer Held Eilt Schon Ins Feld” 3:30
2 Nr. 2 Recitativo (Sancho Pansa) “Vortrefflich, Herr!” 1:26
3 Nr. 3 Aria (Sancho Pansa) “Mich Deucht, Ich Sehe Noch Die Fürchterliche Decke” 3:52
4 Nr. 4 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa) “So Kannst Du Denn Die Prellung Nicht Verschmerzen” 1:10
5 Nr. 5 Aria (Don Quichotte) “Kleinmütiger, Hör Auf Zu Klagen” 3:23
6 Nr. 6 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa) Bestrebst Du Dich Also, Dem Beispiel Nachzuahmen” 1:21
7 Nr. 7 Aria (Sancho Pansa) “Hat Mich Der Große Menschenfresser” 3:27
8 Nr. 8 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa) “Sieh, Sancho, Sieh! Hier Gibt’s Ein Neues Abenteuer” 0:48
Zweite Szene
9 Nr. 9 Coro (Sopran Solo, Chor Der Schäfer) “Die Schönste Schäferin Beglückt Den Reichsten Hirten Dieser Flur” 3:32
10 Nr. 10 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa, Grisostomo, Pedrillo) “Herr! Han Ich’s Nicht Gesagt?” 1:39
11 Nr. 11 Aria (Don Quichotte) “Beim Amadis, Beim Ritter Von Der Sonne!” 2:50
12 Nr 12 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa, Pedrillo) “Was Sagt Mein Herr?” 1:43
13 Nr. 13 Aria (Sancho Pansa) “Mein Esel Ist Das Beste Tier” 2:46
14 Nr. 14 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa, Grisostomo, Pedrillo) “So Sehr Nun Dieser Tag Die Flur Erfreut” 1:18
15 Nr. 15 Aria (Grisostomo) “Kein Schlaf Besucht Die Starren Augenlider” 4:19
16 Nr. 16 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa, Grisostomo) “Er Dauert Mich!” 1:31
17 Nr. 16a Coro “Die Schönste Schäferin” 3:30
18 Nr. 17 Recitativo (Sancho Pansa, Grisostomo, Pedrillo) “Mich Dünkt, Es Steigt Ein Dampf Von Wohlgerüchen” 0:48
19 Nr. 18 Duetto (Don Quichotte, Sancho Pansa) “Wenn Ich Die Trommel Rühren Höre” 3:18
Dritte Szene
20 Nr. 19 Recitativo (Don Quichotte, Sancho Pansa, Grisostomo) “Dort Kommt Die Braut” 1:08
21 Nr. 20 Aria E Coro (Grisostomo, Pedrillo, Chor Der Schäfer) “Dich, Schäfer, Dessen Glück Die Wälder Widerhallen” 1:48
22 Nr. 21 Recitativo (Comacho, Pedrillo, Chor Der Schäfer) “Geliebte Freundin, Höre” 0:41
Vierte Szene
23 Nr. 21a Recitativo Accompagnato (Basilio, Sancho Pansa, Quiteria, Comacho, Chor Der Freunde Des Basilio) “Schau Her, Quiteria!” 3:19
24 Nr. 22 Aria (Basilio) “Nun Bist Du Mein” 0:59
25 Nr. 23 Recitativo (Chor Der Freunde Des Comacho, Comacho, Don Quichotte, Sancho Pansa) “O List!” 1:00
26 Nr. 24 Aria (Quiteria) “Behalte Nur Dein Gold” 0:44
Fünfte Szene
27 Nr. 25 Recitativo (Comacho, Basilio, Sancho Pansa) “Nur Nicht Zu Stolz” 1:18
28 Nr. 26 Coro (Quiteria, Basilio, Don Quichotte, Sancho Pansa, Chor Der Schäfer) “Die Klugheit Ist Vom Günstigen Geschicke Das Kostbarste Geschenk” 1:31

Alto Vocals [Comacho] – Annette Kohler*
Bass Vocals [Don Quichotte] – Raimund Nolte
Bass Vocals [Sancho Pansa] – Michael Schopper
Bassoon – Rhoda Patrick
Chorus – Vokalensemble Der Akademie Für Alte Musik Bremen
Chorus Master – Manfred Cordes
Conductor – Michael Schneider (2)
Double Bass – Love Persson
Harpsichord [I] – Harald Hoeren
Harpsichord [II] – Sabine Bauer
Leader – Anke Backhaus
Libretto By – Daniel Schiebeler
Orchestra – La Stagione
Percussion, Timpani – Ekkehard Leue
Piccolo Flute – Karl Kaiser
Soprano Vocals [Grisostomo] – Mechthild Bach
Soprano Vocals [Pedrillo] – Silke Stapf
Soprano Vocals [Quiteria] – Heike Hallaschka
Tenor Vocals [Basilio] – Karl-Heinz Brandt
Theorbo – Michael Dücker
Trumpet – Friedemann Immer, Hannes Kothe
Viola – Claudia Steeb, Klaus Bundies
Violin [I] – Anke Vogelsänger, Hajo Bäß, Ruth Weber
Violin [II] – Barbara Kralle, Helmut Hausberg, Mechthilde Werner, Veronica Schepping
Violoncello – Nicholas Solo, Rainer Zipperling

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Clementi – Piano Sonatas

Piano Sonata in G major Op 40 No 1[24’52]
1 Allegro molto vivace[7’42]
2 Adagio, sostenuto e cantabile[5’41]
3 Allegro[6’17]
4 Finale: Presto[5’12]

Piano Sonata in B minor Op 40 No 2[15’54]
5 Movement 1: Molto adagio e sostenuto – Allegro con fuoco e con espressione[8’10]
6 Movement 2a: Largo mesto e patetico[2’10]
7 Movement 2b: Allegro – Tempo I – Presto[5’34]

Piano Sonata in D major Op 40 No 3[19’13]
8 Adagio molto – Allegro[10’30]
9 Adagio con molto espressione[3’39]
10 Allegro[5’04]

Piano Sonata in A major Op 50 No 1[21’06]
11 Allegro maestoso e con sentimento[8’29]
12 Adagio sostenuto e patetico[4’25]
13 Allegro vivace[8’12]

Piano Sonata in D minor Op 50 No 2[19’03]
14 Allegro non troppo ma con energia[8’19]
15 Adagio con espressione[4’20]
16 Allegro con fuoco, ma non troppo presto[6’24]

Piano Sonata in G minor ‘Didone abbandonata’ Op 50 No 3[25’35]
17 Largo patetico e sostenuto – Allegro ma con espressione[11’18]
18 Adagio dolente[5’57]
19 Allegro agitato, e con disperazione[8’20]

Howard Shelley (piano)

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Crumb – Makrokosmos I+II

Makrokosmos I
1 Klänge Des Ursprungs (Genesis I) (Krebs) 4:16
2 Proteus (Fisch) 1:17
3 Pastorale (Aus Dem Königreich Atlantis, Ca. 10,000 V. Chr.) (Stier) 2:10
4 Kruzifixus [Symbol] (Steinbock) 2:43
5 Der Gespenstische Gondoliere (Skorpion) 3:03
6 Nachtzauber I (Schütze) 4:13
7 Schattenmusik (Für Äolsharfe) (Waage) 2:40
8 Der Magische Kreis Der Unendlichkeit (Moto Perpetuo) [Symbol] (Löwe) 1:55
9 Der Abgrund Der Zeit (Jungfrau) 2:53
10 Frühlingsfeuer (Widder) 1:56
11 Traumbilder (Liebestod-Musik) (Zwilling) 4:52
12 Spiral-Galaxis [Symbol] (Wassermann) 2:46

Makrokosmos II
13 Morgenmusik (Genesis II) (Krebs) 2:53
14 Der Mystische Klang (Schütze) 3:01
15 Regen- Tod-Variatonen (Fisch) 1:46
16 Zwillings-Sonnen [Symbol] (Zwilling) 3:40
17 Gespenster-Nocturne: Für Die Druiden Von Stonehenge (Nachtzauber II) (Jungfrau) 3:14
18 Wasserspeier (Stier) 1:24
19 Tora! Tora! Tora! (Skorpion) 2:22
20 Eine Weissagung Nostradamus’ [Symbol] (Widder) 4:13
21 Kosmischer Wind (Waage) 3:37
22 Stimmen Aus 〈Corona Borealis〉 (Wassermann) 3:13
23 Litanei Der Glocken Der Milchstrasse (Löwe) 3:14
24 Agnus Dei [Symbol] (Steinbock) 3:56

Piano – Robert Groslot

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.: interlúdio :. McCoy Tyner with Stanley Clarke and Al Foster

O ano está acabando e quem não perdeu uma tia, um professor, uma cunhada ou um irmão querido, de sangue ou não, em 2020? Para homenagear tantos idosos e idosas que se foram, eu dedico uma segunda postagem ao pianista McCoy Tyner (11 de dezembro de 1938 – 6 de março de 2020).

McCoy Tyner ganhou três prêmios Grammy de melhor álbum de jazz instrumental, em 1988, 1995 e 2004, em cada um desses álbuns ele estava acompanhado de grandes músicos, como o trompetista Terence Blanchard e os saxofonistas Pharoah Sanders e Michael Brecker. Mas na opinião do aspirante a pianista que escreve essas linhas, os mais importantes álbuns de McCoy Tyner como líder são na formação de trios. Sem instrumentos de sopro, a imensa ausência de John Coltrane não pesa tanto e podemos ouvir com mais atenção um dos pianistas mais originais do último século.

Na década de 1970, McCoy gravou alguns excelentes álbuns no formato de trio, incluindo um grande disco ao vivo no Japão com o onipresente baixista Ron Carter (parceiro de Miles Davis, Chet Baker, Wayne Shorter, aliás díficil é citar alguém que não tocou com ele!) e o quase onipresente baterista Tony Williams. Há também um, chamado Supertrios por incluir duas duplas diferentes de baixistas/bateristas (Ron e Tony estão lá, é claro), com uma bela interpretação de Wave (Tom Jobim) e de outros standards. Esses dois álbuns podem ser encontrados na homenagem que McCoy recebeu logo após sua morte no blog jazz-rock-fusion-guitar, que assim como o PQP Bach, existe desde os tempos da internet discada, com algumas mudanças de endereço porque ninguém é de ferro.

No ano 2000, já com mais de 60 anos, McCoy lançou um CD em trio com dois grandes nomes um pouco mais jovens: Stanley Clarke se revezando entre o baixo acústico e o elétrico, Al Foster na bateria. Eles começam com um tema em homanegam a Coltrane (Trane-like), com os acordes um tanto percussivos de McCoy Tyner fazendo progressões harmônicas mais ou menos no estilo dos álbuns My Favorite Things e Olé Coltrane. Mas após essa homenagem o trio percorre muitos outros caminhos: um flerte animado com a música latino-americana (Carriba), momentos em que o baixo de Stanley Clarke flerta com o fusion e o funk (I want to tell you ‘bout that) e momentos mais calmos, em que o pianista, mais do que na década de 1960, se sente à vontade para improvisar em um clima mais intimista, suave, de quem não precisa mais provar nada pra ninguém e pode calmamente valorizar o swing das melodias do standard Never let me go e da autoral Memories.

Também em 2000, McCoy Tyner explicou em uma entrevista que Stanley e Al já tinham tocado com ele algumas vezes desde os anos 70, e que cada vez que se encontravam novamente a conexão era muito forte. Ele prossegue: “gosto de fornecer espaço suficiente para que a pessoa se sinta confortável para fazer o que faz. Eu não gosto de algemar pessoas. Mas, ao mesmo tempo, ele precisa entender que, quando está tocando comigo, ele também precisa ouvir. Ouvir e responder são coisas muito importantes.”

Sobre a presença do jazz no dia a dia dos EUA, ele compara:

Minha mãe sabia quem eram Billie Holiday, Count Basie e Duke Ellington. Ela sabia quem eles eram porque faziam parte da comunidade e tínhamos orgulho dessas pessoas. Esse tipo de acessibilidade não parece mais existir nesse nível – o nível em que a dona de casa, encanador ou carpinteiro comum conhece dessa música. Lembro de entrar em um ônibus em Chicago uma vez e o motorista do ônibus disse “Ah, você toca com Coltrane! Vocês estão por aqui? Eu vou assistir!” Era o motorista do ônibus! A música era acessível. Tínhamos nosso quinhão de tempo de rádio. Mas agora está tão inundado de coisas que não estão no mesmo nível de qualidade, mas vendem. Isso dá uma ideia geral do estado de espírito do público. Eu não estou descartando isso, a música comercial tem seu lugar. Naquela época havia gospel, jazz, blues, rock e pop. O jazz não era promovido como as estrelas do pop, mas o público tinha mais acesso do que hoje.

McCoy Tyner with Stanley Clarke and Al Foster (2000)
1. Trane-Like – 9:12
2. Once Upon a Time – 5:31
3. Never Let Me Go (Evans, Livingston) – 4:19
4. I Want to Tell You ‘Bout That – 5:19
5. Will You Still Be Mine? (Adair, Dennis) – 6:46
6. Goin’ ‘Way Blues – 6:31
7. In the Tradition Of (Clarke) – 7:38
8. The Night has a Thousand Eyes” (Bernier, Brainin) – 4:53
9. Carriba – 5:41
10. Memories – 3:43
11. I Want to Tell You ‘Bout That [alternate take] – 5:57
All compositions by McCoy Tyner except as indicated

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BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – MP3 320 kbps

“This lovely album seems to have a little bit of everything – ballads and blues, standards and originals, subtle swing and funky dance rhythms.” – Donald Elfman

McCoy Tyner em 2005
(Foto: Joe Mabel, wikipedia)

Pleyel

.: interlúdio :. Duke Ellington: Jazz Moods | Hot

.: interlúdio :. Duke Ellington: Jazz Moods | Hot

Este volume da série Jazz Moods, da Legacy, mostra a big band de Duke Ellington durante suas três primeiras décadas. O CD vai desde os primeiros dias da carreira do grande band leader e compositor em 1927, até o ano de 1941. Todas as faixas aqui são clássicas de Ellington e foram gravadas muitas vezes, mas essas versões, em quase todos os casos, são as originais. Há a gravação original de It Don’t Mean a Thing (If It Ain’t Got That Swing) com a vocalista Ivie Anderson à frente da banda — o outro vocalista nessas sessões de 1932 era um cara chamado Bing Crosby. Cotton Tail, de 1940, apresenta um solo sensacional de saxofone do grande Ben Webster. Também está incluída a versão de 1928 de The Mooche. E há um belo solo de trompete de Juan Tizol na gravação de Caravan em 1937, e 11 outros clássicos “quentes” de Ellington. Embora não haja nada de novo neste disco, o som é mais do que digno e é bom ter tantos originais de um período tão fértil em um só lugar. Aproveitem!

Duke Ellington ‎– Jazz Moods | Hot

1 Hot And Bothered 2:52
2 It Don’t Mean A Thing (If You Ain’t Got That Swing) 3:08
3 Coton Tail 3:03
4 The Mooche (78rpm Version) 3:14
5 Battle Of Swing 2:57
6 Rockin’ In Rhythm 3:14
7 Braggin’ In Brass 2:43
8 Caravan 3:05
9 Ring Dem Bells 2:48
10 Merry-Go-Round 2:57
11 East St. Louis Toodle-Do 3:04
12 In A Jam 2:58
13 Take The “A” Train 2:53
14 Tootin’ Through The Roof 2:52

O disco original não informa as várias formações das big bands de Ellington nas faixas.

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Duke Ellington e sua turma dando uma canja na sede municipal da PQP Bach Corp. em Faxinal do Soturno

PQP

.: interlúdio :. Egberto Gismonti Group – Infância (1991)

.: interlúdio :. Egberto Gismonti Group – Infância (1991)

Neste dia muito musical aqui em casa, lá vai outro CD. Gosto muito de Gismonti, muito mesmo. Este belo CD não chega a ser uma anormalidade em sua carreira ultra produtiva. Com dificuldades para gravar no Brasil, Gismonti encontrou ancoradouro na grande ECM de Manfred Eicher, onde gravou dezenas de CDs para nosso prazer. Destaque para a extraordinária Infância e 7 Anéis, mas tudo é bom nesta grande gravação de Gismonti com amigos.

Egberto Gismonti Group – Infância (1991)

01. Ensaio De Escola De Samba (Danca Dos Escravos) 8:47
02. 7 Anéis 9:07
03. Meninas 7:14
04. Infância 10:45
05. A Fala Da Paixao 6:09
06. Recife & O Amor Que Move O Sol E Outras Estrelas 10:58
07. Danca №1 5:18
08. Danca №2 4:07

Egberto Gismonti – piano, guitars
Nando Carneiro – synthesizers, guitar
Zeca Assumpcao – bass
Jacques Morelenbaum – cello

Produced by Manfred Eicher

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PQP

.: interlúdio :. Bela Fleck / Zakir Hussain / Edgar Meyer: The Melody Of Rhythm

.: interlúdio :. Bela Fleck / Zakir Hussain / Edgar Meyer: The Melody Of Rhythm

Esses irrepetíveis CDs “fora de gênero”… Isto é jazz em razão de Bela Fleck? É world music por causa do grande Zakir Hussain? É clássica devido a Edgar Meyer? Bem, o mais importante é dizer que é tudo isso e que é tudo acessível, agradável e bem feito. Não é uma miscelânea de estilos, é algo com unidade e química próprias. Há as músicas em trio e há a participação de uma orquestra sinfônica com regência do excelente Leonard Slatkin.

Classifiquei o CD em jazz, mas não sei. Há improvisação mas não é jazz, certamente. Não é absolutamente vanguarda, nem free, nem world. Erudito seria adequado, mas não contaria toda a história. OK, fica sob o largo guarda-chuva do jazz.

Para vocês saberem se vão gostar, só ouvindo.

Bela Fleck / Zakir Hussain / Edgar Meyer – Melody Of Rhythm (2009)

1. Babar 6:10

2. Out Of The Blue 4:58

3. Bubbles 7:12

4. The Melody Of Rhythm, Movement 1 11:51
5. The Melody Of Rhythm, Movement 2 6:26
6. The Melody Of Rhythm, Movement 3 9:39

7. Cadence 3:56

8. In Conclusion 6:34

9. Then Again 6:40

Bela Fleck – five string banjo
Zakir Hussain – tabla
Edgar Meyer – double bass

Detroit Symphony Orchestra
Leonard Slatkin

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Bela Fleck, Edgar Meyer e Zakir Hussain na Sala Jazz de Detroit da PQP Bach Corp.

PQP

.: interlúdio :. John Zorn: Spy Vs Spy (The Music of Ornette Coleman)

.: interlúdio :. John Zorn: Spy Vs Spy (The Music of Ornette Coleman)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Meus amigos pequepianos, meus amores, não vou lhes enganar. Este CD de John Zorn é de uma tal pauleira que pulveriza os esforços e torna dietética a imensa maioria dos grupos de heavy metal. O que quero dizer é que a grande música contida em Spy Vs Spy não é para estômagos fracos que iniciam seus domingos ouvindo a primavera de Vivaldi e sim para aqueles que desejam ver os passarinhos vivaldianos perecerem arregalados sob o tremor de baixo, bateria e saxofones alucinantes. O CD começa em altíssima rotação, depois até pisa no freio, reduzindo a velocidade para os 220 Km/h.

Mas assim é a música de Coleman e assim é Zorn, que a acentuou. Sua intensidade é a do rock, mas a dificuldade é absurda. Há fanáticos por este disco e há pessoas que o odeiam mortalmente. Difícil ficar indiferente quando de uma audição. Eu e meu filho estamos no primeiro grupo. Mas nunca o toco perto de outrem que desconheço. Não sou louco.

Volume bem alto, OK? A menos que vocês tenham vizinhos bregas armados. Ou milicianos.

São dois saxofones, duas baterias e um seguríssimo baixo dando o maior chocolate.

John Zorn: Spy Vs Spy (The Music of Ornette Coleman)

1 WRU 2:38
2 Chronology 1:08
3 Word For Bird 1:14
4 Good Old Days 2:44
5 The Disguise 1:18
6 Enfant 2:37
7 Rejoicing 1:38
8 Blues Connotation 1:05
9 C. & D. 3:05
10 Chippie 1:08
11 Peace Warriors 1:20
12 Ecars 2:28
13 Feet Music 4:45
14 Broad Way Blues 3:42
15 Space Church 2:28
16 Zig Zag 2:54
17 Mob Job 4:24

Bass – Mark Dresser
Drums – Joey Baron, Michael Vatcher
Saxophone – Tim Berne
Saxophone, Producer – John Zorn

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PQP