.: interlúdio :. Black Beauty: Miles Davis at Fillmore West (1970)

Daqui a poucos dias, Miles Davis completaria 100 anos de idade. Dou o pontapé inicial nas homenagens com um álbum ao vivo da fase fusion, um show pouco depois do lançamento do LP duplo Bitches Brew. As mudanças na banda de Miles, rumo a essa com instrumentos elétricos, foram graduais e o Bitches Brew, cujos temas compõem a maior parte do set list deste show, foi apenas o marco mais famoso e divulgado. Já no excelente Filles de Kilimanjaro, gravado em 1968, os fiéis escudeiros Ron Carter e Herbie Hancock usaram instrumentos elétricos, pouco antes de saírem da banda e darem lugar a outros grandes músicos. Também Tony Williams sairia pouco depois e seria substituído por Jack DeJohnette, que é o baterista aqui. E, além dos dois sopros, o destaque deste álbum ao vivo parece ser a dupla de percussionistas: DeJohnette brilha em todas as faixas e o brasileiro Airto Moreira rouba a cena em certos momentos com a cuíca e outras percussões que devem ter soado exóticas para os gringos. A presença de Airto, por cerca de dois anos na banda de Miles, é um dos ingredientes dessa fase fusion: depois ele seria substituído por outros percussionistas, mas em poucos momentos dos anos 1970 Miles tocaria com apenas uma pessoa na bateria/percussão.

Um detalhe sobre o lançamento desta gravação ao vivo: saiu em LP em 1973 apenas no Japão. Nos EUA e Europa, saiu apenas em 1997, já na era do CD. Possivelmente um dos motivos foi a dificuldade de se identificar os autores dos temas, devido à característica do show que era uma jam mais ou menos contínua, mas com base em temas já lançados, alguns de Miles e outros de outros autores. No LP de 1973, os 4 lados tinham apenas o nome Black Beauty I – IV, mas no CD as faixas vieram nomeadas. Outro motivo provável foi a abundância de gravações dos grupos de Miles naquele período, com o disco ao vivo no Fillmore East (junho de 1970) e outro chamado Live-Evil (fevereiro a dezembro de 1970). Mas neste último, apesar do nome, apenas parte da músca era realmente ao vivo e parte gravada em estúdio, com colagens pelo produtor Teo Macero. Também o LP Jack Johnson, gravado em estúdio (fevereiro-abril de 1970), juntava diferentes takes. Já neste Black Beauty, trata-se de um único show com começo, meio e fim. Finalmente, fica o registro de que o Fillmore West era uma casa de shows em San Francisco, terra que fervilhava com o rock psicodélico de Janis Joplin, Grateful Dead e outras bandas. Já o Fillmore East ficava em Nova York. Com capacidades entre 2.000 e 3.000 pessoas, ambas marcaram época e foram palco de dezenas de shows geniais, antes da triste era dos shows em estádios e arenas com suas acústicas de bosta. Vou repetir: show em estádio de futebol é uma das piores invenções de todos os tempos no que se refere à música ao vivo.

Miles Davis Sextet:
1-1 Directions 10:46
1-2 Miles Runs The Voodoo Down 12:22
1-3 Willie Nelson 6:23
1-4 I Fall In Love Too Easily 1:35
1-5 Sanctuary 4:01
1-6 It’s About That Time 9:59
2-1 Bitches Brew 12:53
2-2 Masqualero 9:07
2-3 Spanish Key/The Theme 12:15

Miles Davis – trumpet
Steve Grossman – saxophone
Chick Corea – electric piano
Dave Holland – electric and acoustic basses
Jack DeJohnette – drums
Airto Moreira – percussion
Recorded April 10, 1970 at “The Fillmore West,” San Francisco

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Corea, Airto, DeJohnette & Miles

Pleyel

.: interlúdio :. Homenagem a Wayne Shorter — Miles Davis: Filles de Kilimanjaro (1968) / Weather Report: Procession (1983)

Wayne Shorter (1933-2023) em 1969

Postagem original de 2023

Limpo como a água de um rio sem qualquer traço de poluição, com as borbulhas suaves de uma cachoeira nesse rio, o som do saxofone de Wayne Shorter pode ser comparado à pureza da voz de Milton Nascimento. E por um desses acasos da vida, os dois se tornaram bons amigos. Em sua longa carreira, Shorter gravou uma imensa discografia: aqui no blog, não faz tanto tempo que PQP postou um dos seus principais álbuns como instrumentista e compositor: Schizophrenia, de 1967. Anos antes, com Freddie Hubbard (trompete) e McCoy Tyner (piano), ele participou do grande álbum Ready for Freddie (1962). Vejamos a seguir outros momentos da discografia de Wayne Shorter em dois álbuns que não têm o seu nome na capa, mas que têm nele, como compositor, instrumentista, arranjador, um dos pilares de construções musicais coletivas.

Menos conhecido que álbuns mais dançantes e acelerados como Bitches Brew, Filles de Kilimanjaro é um disco do início da fase de experimentações de Miles Davis e seu grupo com instrumentos elétricos. Um delicioso disco mais calmo, cheio de floreios de blues lento, com bastante destaque para o sax tenor de Shorter e para o piano elétrico Fender Rhodes de Herbie Hancock. A linda mulher da capa é Betty Gray Mabry – depois Betty Davis – que se casou com Miles em 1968. O casamento durou apenas cerca de um ano, mas tudo indica que foi Betty quem fez Miles escutar a música psicodélica de gente como Jimi Hendrix, além de apresentar o guitarrista – amigo dela – ao trompetista. A faixa Mademoiselle Mabry também é uma referência a Mabry e se baseia em um dos riffs mais suaves de Hendrix, o da balada The wind cries Mary, lançada em 1967.

Em álbuns posteriores como o já citado Bitches Brew (“Miles wanted to call it Witches Brew, but I suggested Bitches Brew and he said, ‘I like that’.”Betty Davis), com a chegada da guitarra elétrica de John McLaughlin e de dois ou três percussionistas, Wayne Shorter teria menos destaque no grupo de Miles, do qual ele sairia em 1970 para fundar o grupo fusion Weather Report com o tecladista Joe Zawinul.

Miles Davis Quintet: Filles de Kilimanjaro
1. Frelon Brun
2. Tout de Suite
3. Petits Machins
4. Filles de Kilimanjaro
5. Mademoiselle Mabry
6. Tout de suite (alternate take)

Miles Davis – trumpet
Wayne Shorter – tenor saxophone
Herbie Hancock – electric piano on “Tout de Suite”, “Petits Machins”, and “Filles de Kilimanjaro”
Chick Corea – piano, RMI electra-piano on “Frelon Brun” and “Mademoiselle Mabry”
Ron Carter – electric bass on “Tout de Suite”, “Petits Machins”, and “Filles de Kilimanjaro”
Dave Holland – double bass on “Frelon Brun” and “Mademoiselle Mabry”
Tony Williams – drums
Recorded: June-September 1968, New York City, USA

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Filles de Kilimanjaro (mp3 320kbps)

Os discos mais famosos do Weather Report são aqueles com o fenomenal baixista Jaco Pastorius. Mas este Procession, de 1983, pouco após a saída de Jaco, é um outro interessante momento da discografia de Wayne Shorter que não merece ser esquecido. Se a faixa Where the Moon Goes, que dá início ao lado B do LP, inclui um coral com efeitos que alguns ouvidos não vão aprovar (os meus desaprovam), nas composições de Shorter – Plaza Real e The Well – temos aquele sax de som puro e calmo que mencionei lá em cima, associado aos sons muito originais dos sintetizadores de Zawinul e ao pau comendo nas percussões, que utilizam inovações dos anos 1980 sem soarem bregas, ao contrário de outros bateristas que abusararam de reverb e outros efeitos de gosto duvidoso naquela década.

Weather Report: Procession
1. Procession (Josef Zawinul)
2. Plaza Real (Wayne Shorter)
3. Two Lines (Zawinul)
4. Where the Moon Goes (Zawinul, lyrics by Nan O’Byrne and Zawinul)
5. The Well (Shorter, Zawinul)
6. Molasses Run (Omar Hakim)

Josef Zawinul – keyboards
Wayne Shorter – tenor and soprano saxophones
Omar Hakim – drums, guitar, vocals
Victor Bailey – bass
José Rossy – percussion, concertina
The Manhattan Transfer – vocals on “Where the Moon Goes”

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Procession (mp3 320kbps)

Wayne Shorter & Joe Zawinul, 2007

Pleyel

.: interlúdio :. Wayne Shorter: Schizophrenia (1967)

.: interlúdio :. Wayne Shorter: Schizophrenia (1967)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Wayne Shorter estava no auge de seus poderes criativos quando gravou Schizophrenia na primavera de 1967. Montou um sexteto que apresentava dois de seus companheiros de Miles Davis (o pianista Herbie Hancock e o baixista Ron Carter), mais o trombonista Curtis Fuller, o saxofonista alto / flautista James Spaulding e o baterista Joe Chambers, formando uma banda que era capaz de transmitir sua “esquizofrenia” musical, o que significa que esta é uma banda que pode tocar direitinho tão bem quanto pode estender os limites do jazz.

E aqui eles fazem isso simultaneamente, como em Tom Thumb. A batida e o tema da música são diretos, mas a interação musical e os solos se arriscam e resultam em resultados imprevisíveis. E “imprevisível” é a palavra mágica para esse conjunto de pós-bop nervoso. As composições de Shorter (assim como a única contribuição de Spaulding, Kryptonita) têm temas fortes, mas levam a um território desconhecido, desafiando constantemente os músicos e o ouvinte. Essa música existe na fronteira entre o pós-bop e o free jazz — ou seja, é baseada no pós-bop, mas sabe o que está acontecendo além da fronteira. Dentro de alguns anos, esta linha seria cruzada, mas a Schizophrenia estala com a empolgação de Shorter e seus colegas tentando equilibrar os dois extremos.

Wayne Shorter: Schizophrenia

01. Tom Thumb
02. Go
03. Schizophrenia
04. Kryptonite
05. Miyako
06. Playground

Wayne Shorter (tenor saxophone)
James Spaulding (alto saxophone, flute)
Curtis Fuller (trombone)
Herbie Hancock (piano)
Ron Carter (bass)
Joe Chambers (drums).

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P.S. de Pleyel ao repostar em 2026: de uns meses pra cá, estou completamente viciado neste disco. Um ponto muito alto da carreira de Wayne Shorter e dos outros músicos. Pelo caráter imprevisível das composições, elas permitem várias audições sem cansar.

Wayne em 1969, preparando seu show no recém-inaugurado Salão Dourado do Jazz PQP Bach de Las Vegas.

PQP

.: interlúdio :. Banda Mantiqueira: Bixiga

.: interlúdio :. Banda Mantiqueira: Bixiga

A Banda Mantiqueira é um dos projetos mais sensacionais da música instrumental brasileira, reunindo alguns dos melhores sopros do país sob a liderança do saxofonista e arranjador Nailor Proveta. Com uma formação que remete às big bands, mas com espírito brasileiro muito marcado, o grupo transita com naturalidade entre o jazz e gêneros como o choro, o samba e o frevo. O que mais impressiona é a energia coletiva: arranjos sofisticados, cheios de humor e invenção, aliados a uma execução precisa e, ao mesmo tempo, profundamente solta — como se tradição e improviso conversassem o tempo todo. Já o disco Bixiga é um belo retrato dessa identidade. O repertório homenageia compositores brasileiros, sobretudo ligados ao universo do choro e da música urbana, com releituras que preservam o espírito original, mas expandem as possibilidades sonoras através de arranjos criativos. Há momentos de grande lirismo, outros de explosão rítmica, sempre com destaque para o diálogo entre os instrumentos. É um álbum que celebra não apenas um bairro — o Bixiga — mas uma forma de fazer música: coletiva, pulsante e profundamente enraizada na cultura brasileira.

.: interlúdio :. Banda Mantiqueira: Bixiga

1 . Prêt-à-Porter De Tafetá
Aldir Blanc , João Bosco
2 Três no Choro
2 a . Aperitivo
Pernambuco (Ayres da Costa Pessoa) , Mário Rossi
2 b . Arranca Toco
Meira (Jaime Tomás Florence)
2 c . Modulando
Rubens Leal Brito (Britinho)
3 . Bixiga
Nailor Proveta (Nailor Aparecido Azevedo)
4 . Catavento E Girassol
Aldir Blanc , Guinga (Carlos Althier de Souza Lemos Escobar)
5 Cartola e Cavaquinho
5 a . As Rosas Não Falam
Cartola (Angenor de Oliveira)
5 b . Folhas Secas
Nelson Cavaquinho (Nelson Antônio da Silva) , Guilherme de Brito
5 c . Notícia
Nelson Cavaquinho (Nelson Antônio da Silva) , Alcides Caminha , Nourival Bahia
6 . Baião De Lacan
Aldir Blanc , Guinga (Carlos Althier de Souza Lemos Escobar)
7 . Urubu Malandro
Pixinguinha , João de Barro (Braguinha) , Louro (Lourival Inácio de Carvalho)

Banda Mantiqueira

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Um pedaço da Banda Mantiqueira

PQP

.: interlúdio :. Hiromi Uehara: Voice (2011)

.: interlúdio :. Hiromi Uehara: Voice (2011)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando postei de enfiada 6 CDs de Hiromi Uehara, escrevi que ela melhorava a cada disco que lançava. Então, dando-me razão, o Bluedog me apresentou seu mais recente trabalho, o maravilhoso, puramente instrumental e paradoxal Voice. Olha, meus amigos, que CD! O vídeo de lançamento (abaixo) talvez não demonstre o quanto é sólido, consistente, PAULEIRA e sério este trabalho de Hiromi. É inacreditável tamanha maturidade aos 32 anos, ainda mais com aquela cara de bonequinha japonesa.

Após um CD solo, o esplêndido Place to be Hiromi traz em Voice um formato trio piano-baixa-bateria e dá um banho. Como já disse, ao contrário de muitos outros artistas que se estabelecem numa zona de conforto, ela continua a evoluir e a redefinir seu estilo até o ponto onde se torna quase impossível imitá-la. É uma tempestade perfeita de talento técnico e criatividade musical, misturando elementos díspares da música clássica, bebop, jazz, fusion e rock como ninguém fez antes.

Em Voice, Hiromi usa e abusa dos ostinati como poucas vezes ouvi um pianista de jazz fazer. Se estilo está mais polifônico e variado do que nunca e seus companheiros… e seus companheiros… Vou até abrir um parágrafo para eles.

Este álbum apresenta uma “banda” nova chamado Trio Project. O baixista é o célebre Anthony Jackson, que trabalhou com Al Di Meola no seu trio de álbuns fusion, marcos da década de 70. Ele trabalhou com muita gente boa longo dos anos, inclusive em dois ábuns anteriores de Hiromi: Another Mind e Brain — ambos postados por este que vos escreve. O baterista é o igualmente maravilhoso Simon Phillips, que muitas vezes parece um metaleiro. (Ouçam-no no vídeo abaixo playing very difficult music…). Apesar de mais conhecido por seu trabalho com Chick Corea, Simon já tocou com artistas como Judas Priest, Jeff Beck, Jack Bruce, Brian Eno, Mike Oldfield, Gary Moore e Mick Jagger, além de ter substituído Keith Moon no The Who do disco Join Together.

Hiromi, Jackson e Phillips complementam-se de forma incrível. Se Hiromi é uma orquestra inteira, Jackson traz o mais puro jazz fusion através de seu baixo e Phillips dá uma intensidade de metal drumming ao todo.

Mais uma joia postada por mim nesta semana e ah!

Talvez como uma homenagem a quem melhor utiizava os ostinati e para garantir o caráter macho do disco — OK, e também para que nosso coração volte a seu ritmo normal depois de tanta velocidade, musicalidade e, bem, pauleira — , Voice finaliza calmamente com uma improvisação sobre a Sonata Nº 8 de Beethoven, Patética. Sim, é o máximo da finesse.

Hiromi Uehara – Voice (2011)

1. Voice (9:13)
2. Flashback (8:39)
3. Now or Never (6:16)
4. Temptation (7:54)
5. Labyrinth (7:40)
6. Desire (7:19)
7. Haze (5:54)
8. Delusion (7:47
9. Beethoven’s Piano Sonata No. 8, Pathetique (5:13)

Hiromi Uehara, Piano
Anthony Jackson, Baixo
Simon Phillips, Bateria

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Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos...
Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos…

PQP

.: interlúdio :. Freddie Hubbard (1938 – 2008), Dizzy Gillespie (1917 – 1993) y Machito (1909 – 1984) – álbuns de jazz com percussão caribenha

Em 2025 um grande fenômeno da música pop foi o “álbum das cadeiras de plástico”, de um cantor porto-riquenho que realmente vale a pena conhecer porque ele utiliza muita coisa da linguagem da música caribenha e ao mesmo tempo com uma linguagem contemporânea. Hoje eu trago aqui dois discos lançados nos anos 1970, gravados nos EUA e que também traziam percussão afro-caribenha. Não em contextos de volta a um passado mítico, mas com aspectos inovadores como os então recentes piano elétrico (no disco de Hubbard) e sintetizador (no de Gillespie).

Gillespie, que naquela época já era um veterano, já tinha feito gravações e apresentações com músicos latino-americanos desde a década de 1940. Já para Hubbard, o álbum gravado em 1969 parece um ponto de partida para outros experimentos que faria ao londo dos anos 1970. No caso de Gillespie, ele toca à frente de uma orquestra de músicos cubanos e de outras nacionalidades hispano-americanas. Hubbard não: ele toca com três músicos norte-americanos que participaram de outros álbuns do trompetista: James Spaulding no sax e flauta, Kenny Barron no piano acústico e elétrico, Reggie Workman no contrabaixo acústico. As duas faixas do lado A do então LP não têm destaque para a percussão – ali, em jams mais longas, quem brilha mais, além do líder do grupo, é o baixista. No lado B, aí sim, temos os tambores e chocalhos de Carlos Valdes, vulgo “Patato”.


Freddie Hubbard: The Black Angel
1. Spacetrack (Freddie Hubbard)
2. Eclipse (Hubbard)
3. The Black Angel (Kenny Barron)
4. Gittin’ Down (Hubbard)
5. Coral Keys (Walter Bishop Jr.)

Freddie Hubbard – trumpet, flugelhorn
James Spaulding – alto saxophone, flute
Kenny Barron – piano, electric piano
Reggie Workman – bass
Louis Hayes – drums
Carlos “Patato” Valdes – conga, maracas
Recorded: May 16, 1969, New York City, USA

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Dizzy Gillespie: Afro-Cuban Jazz Moods
1. Oro, Incienso y Mirra – 15:38
2. Galidoscopico – 5:05
3. Pensativo – 5:20
4. Exuberante – 5:48

Dizzy Gillespie – trumpet
Machito – marimba, clavinet, leader
Chico O’Farrill – arranger, conductor
Recorded: June 4–5, 1975, New York City, USA

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Gillespie e Hubbard tocando juntos em 1990

Pleyel

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning

IM-PER-DÍ-VEL !!!

In This House, On This Morning é um álbum duplo de jazz que se estende por quase duas horas de duração — uma jornada musical que ultrapassa o simples repertório de canções para se aproximar de uma suíte programática inspirada numa celebração dominical de uma igreja afro-estadunidense. A obra foi concebida como uma narrativa musical: cada música ou segmento descreve um aspecto diferente de um serviço religioso. Composto para um septeto, o álbum inclui diversos instrumentistas-chave — como o trombonista Wycliffe Gordon, o pianista Eric Reed e o saxofonista Todd Williams –, e até participações vocais, como a poderosa cantora Marion Williams no trecho In This House. Musicalmente, a obra mistura blues e gospel, refletindo profundamente as raízes da música afro-americana; elementos do jazz tradicional e pós-bebop, com referências claras ao legado de figuras como Duke Ellington; além de transições e temas programáticos que exigem atenção do ouvinte, aproximando o álbum de um tipo de “sinfonia em jazz” para septeto. Na época do lançamento, lembro que alguns críticos observaram que a obra era “demasiado intelectual” ou hermética em certos momentos, com passagens que soam mais como transições do que melodias definidas — o que pode exigir paciência do ouvinte menos acostumado a estruturas extensas. Além disso, embora a influência de Ellington e tradições do jazz clássico seja vista como inspiração, alguns críticos foram menos entusiasmados com essa abordagem e a consideraram datada em certas passagens. De qualquer forma, In This House, On This Morning é um marco — uma obra que desafia as fronteiras entre jazz, música programática e narrativa sonora. Não é simplesmente um álbum de canções, mas uma experiência que requer atenção, absorção e reflexão. Para ouvintes que gostam de jazz que explora tradições profundas, histórias culturais e arquiteturas musicais amplas, este é um trabalho inesquecível.

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning

Part I
Devotional 3:00
Call To Prayer 5:56
Processional 4:35
Representative Offerings 6:46
(a) The Lord’s Prayer 3:48

Part II
Hymn 3:47
Scripture 4:11
Prayer
(a) Introduction To Prayer 2:24
(b) In This House 3:10
(c) Choral Response 5:10
Local Announcements 3:34
Altar Call 1:30
Altar Call (Introspection) 8:41

Part III: In The Sweet Embrace Of Life
Sermon
(a) Father 16:02
(b) Son 4:58
(c) Holy Ghost 6:56
Invitation 5:59
Recessional 10:34
Benediction 3:25
Uptempo Posthude 7:44
Pot Blessed Dinner 2:40

Alto Saxophone – Wessell Anderson
Bass – Reginald Veal
Composed By – Wynton Marsalis
Piano – Eric Reed
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – Todd Williams
Trombone – Wycliffe Gordon
Trumpet – Wynton Marsalis
Vocals – Marion Williams

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É um septeto, mas eu contei seis na capa do disco. Na contracapa tem sete…

PQP

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

Um bom CD que vale pale segunda faixa, Elveen, homenagem ao baterista Elvin Jones, que está no grupo nesta faixa e na 5ª. De resto, adoro Marsalis, mas ouvi este disco sem real entusiasmo apesar do incrível apuro técnico e musicalidade do quinteto. As harmonias são lindas, mas nenhum dos temas é particularmente memorável e, embora os solos individuais sejam bons, não acontece muita coisa. No geral, é uma homenagem bastante estranha ao blues. Na verdade, o principal significado deste conjunto é que, aqui o grande trompetista reuniu pela primeira vez o núcleo do seu quinteto. Musicalmente esta trilogia pode ser contornada. ouça as gravações mais recentes de Marsalis. Não obstante, este é um álbum relaxante. Wynton Marsalis é um músico, compositor, líder de banda, aclamado educador e um dos principais defensores da cultura americana. Ele é o primeiro artista de jazz a tocar e compor em todo o espectro do gênero, desde as raízes de Nova Orleans até o bebop e o jazz moderno. Ao criar e executar uma ampla gama de músicas para quartetos e big bands, de conjuntos de música de câmara a orquestras sinfônicas, de sapateado a balé, Wynton expandiu o vocabulário do jazz e criou um corpo vital de trabalho que o coloca entre os mais importantes músicos de nosso tempo.

.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south

1 Harriet Tubman 7:39
2 Elveen 12:12
3 Thick In The South 10:14
4 So This Is Jazz, Huh 12:25
5 L.C. On The Cut 13:29

Bass – Bob Hurst
Drums – Elvin Jones (tracks: 2, 5), Jeff Watts
Piano – Marcus Roberts
Tenor Saxophone – Joe Henderson
Trumpet – Wynton Marsalis

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Wynton, um gênio.

PQP

.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

.: interlúdio :. Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco maravilhoso de um baterista. Lembro que emprestei o vinil para um baterista amigo meu e ele devolveu o disco cheio de partituras e anotações sobre os tempos. Claro que ele comprou o disco após enlouquecer desta maneira. Me contou que começou ouviu o disco às 22h e terminou às 7 da manhã. Ah, lembrei: ele ficou com o meu disco. me devolveu um novo porque disse que meu tinha sido muito usado. Bem, o álbum Special Edition, de Jack DeJohnette, marca um momento decisivo na trajetória do baterista como líder. Lançado no início dos anos 1980, o disco apresenta um quarteto poderoso — com David Murray, Arthur Blythe e Peter Warren — que se move com liberdade entre o pós-bop, o free jazz e estruturas mais abertas. Desde as primeiras faixas, percebe-se que não se trata apenas de um grupo de apoio, mas de um organismo coletivo vibrante, em que cada músico contribui com forte identidade, criando uma música tensa, expansiva e profundamente comunicativa. O que distingue Special Edition é justamente essa combinação entre energia bruta e senso de forma. A bateria de DeJohnette não é apenas rítmica, mas arquitetônica — ela conduz, comenta e reorganiza constantemente o fluxo musical. Os sopros alternam momentos de lirismo com explosões quase selvagens, enquanto o conjunto mantém uma coesão impressionante, mesmo nos trechos mais livres. O resultado é um álbum que soa ao mesmo tempo cerebral e visceral, afirmando-se como um dos registros mais marcantes do jazz contemporâneo daquele período — um encontro de forças criativas em estado de alerta permanente. Ouça ou, se for burro, morra!

Jack DeJohnette – Special Edition (1979)

1. One For Eric (DeJohnette)
2. Zoot Suite (DeJohnette)
3. Central Park West (Coltrane)
4. India (Coltrane)
5. Journey To The Twin Planet (DeJohnette)

David Murray – Clarinet (Bass), Sax (Tenor)
Arthur Blythe – Sax (Alto)
Jack DeJohnette – Drums, Synthesizer, Guitar, Piano, Melodica, Main Performer, Producer, Keyboards, Mellophonium
Peter Warren – Bass, Cello

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Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.
Jack DeJohnette em 1979. Autor de um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.

PQP

.: interlúdio .: Omar Sosa & Yilian Cañizares – Aguas (2018, MDC)

Dois músicos cubanos fazendo um tipo de música que às vezes cai pro lado do jazz, depois parece meio música de hall de hotel mas mais à frente traz momentos mais tortos que não cairiam tão bem no suposto hall onde os supostos turistas não querem nada que saia do controle.
Yilian Canizares alterna entre seu lado violinista e seu lado cantora. É nessa alternância que surgem as surpresas mais interessantes do álbum. Desnecessário explicar o motivo pelo qual certos momentos de influência africana soam familiares para ouvidos brasileiros, aliás o título de um disco mais recente de Yilian é Habana-Bahia.
Omar já tinha aparecido no blog (aqui), Tilian faz sua estreia hoje e, salvo engano, não tem histórico de muitas visitas ao Brasil. É uma pena: sua música é bastante compreensível para os nossos ouvidos e ao mesmo tempo foge dos lugares comuns de gêneros como o latin jazz, a salsa e a bossa nova.

Omar Sosa, Yilian Cañizares:
1 Duo de Aguas 3:12
2 Dos Bendiciones 4:01
3 De La Habana y Otras Nostalgias 4:28
4 Milonga 7:17
5 O Le Le 5:03
6 Sanzara 5:38
7 Sonrisas de Ninos 3:58
8 Oshun 3:51
9 Se Van Los Mios 5:31
10 La Respiracion 4:37
11 D2 de Africa 7:15

Recording: Cavalicco, Italia, 2017
Omar Sosa: Piano, Fender Rhodes, Keyboards, Programming & Samples, Backing Vocals
Yilian Cañizares: Violin, Vocals, Programming & Samples

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Yilian Cañizares

Pleyel

.: interlúdio :. Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

Nascida em 1937, Alice Coltrane foi uma pianista de jazz que fez seu nome – antes de ter esse sobrenome – a partir de 1960 como improvisadora em Paris e Detroit. Quando tocava em Nova York com o vibrafonista Terry Gibbs em 1962, ela conheceu John Coltrane. No ano seguinte, Alice saiu abruptamente da banda de Terry Gibbs, dizendo a ele que ia se casar com Coltrane. John e Alice tiveram três filhos juntos. Em toda a década de 60, a música de John Coltrane tomava progressivamente uma dimensão espiritual. Ele dizia que, após esse acordar espiritual, “não dá mais para esquecê-lo. Torna-se parte de tudo que você faz.”

John Coltrane morreu de câncer de fígado em 1967. Por algum tempo, Alice dormiu mal, teve visões, emagreceu. Nas profundezas de sua dor, Alice tornou-se discípula de Swami Satchidananda, guru indiano especialista em Hatha Yoga. Seus conselhos e orientação espiritual acalmaram seu espírito, enquanto ela estudava harpa, instrumento que, segundo a lenda, teria sido encomendado por John Coltrane mas ele não teve tempo de vê-la tocando. (informações tiradas daqui)

O tipo de “spiritual jazz” que Alice Coltrane fez na década de 1970 se insere em um movimento que também contou com o inglês John McLaughlin (Mahavishnu Orchestra) e o mexicano/americano Carlos Santana, ambos também muito influenciados por Coltrane. E no álbum Journey in Satchidananda, de 1970, temos músicos do último grupo liderado por Coltrane: Pharoah Sanders no sax e Rashied Ali na bateria e percussão. Além, é claro, de Alice, que tinha substituído o pianista McCoy Tyner no fim de 1965. Na última faixa, gravada ao vivo, Charlie Haden aparece no baixo, mas a estrela desse momento final do álbum é o diálogo entre a harpa e o oud (instrumento da família do alaúde, comum no mundo islâmico), pontuado por aparições do sax.

O título do álbum dá boas pistas: é uma jornada. Alice Coltrane nos leva a um território inexplorado no jazz, com base em múltiplas culturas e diversos instrumentos, mas sobretudo com base na emoção.

Alice Coltrane (1937-2007) – Journey in Satchidananda (1970)

1. Journey in Satchidananda – 6:39
2. Shiva-Loka – 6:37
3. Stopover Bombay – 2:54
4. Something About John Coltrane – 9:44
5. Isis and Osiris – 11:49
All compositions by Alice Coltrane

Tracks 1-4
Alice Coltrane – piano, harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Cecil McBee – double bass
Rashied Ali – drums
Tulsi – tanpura
Majid Shabazz – bells, tambourine
Recorded at the Coltrane home studio, Dix Hills, New York, on November 8, 1970

Track 5
Alice Coltrane – harp
Pharoah Sanders – soprano saxophone, percussion
Rashied Ali – drums
Charlie Haden – bass
Vishnu Wood – oud
Recorded live at The Village Gate, New York City, on July 4, 1970

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Alice Coltrane tocando harpa

Pleyel (postagem original de 2022)

 

.: interlúdio :. Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

.: interlúdio :. Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há pouco mais de 50 anos, Charles Mingus, Eric Dolphy e o sexteto de Mingus davam esta inacreditável comprovação de musicalidade e talento para uma plateia de Bremen. Dois meses depois, Dolphy morreria da forma mais estúpida possível: na tarde de 18 de Junho de 1964, ele caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros não sabiam que ele era diabético e pensaram que ele (como acontecia com muitos jazzistas) estava sob overdose. Deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após o coma diabético. Aos 36 anos. Bastava-lhe uma injeção. São coisas que acontecem muito com negros.

O som do CD não é uma maravilha, mas é muito mais do que o suficiente para se notar que estamos entre gênios. Mingus era um sujeito duríssimo com sua banda. Certa vez acertou um direto no queixo de seu fiel trombonista Jimmy Knepper porque ele não acertava uma nota. Com Dolphy, a comunicação parecia ser telepática. Mingus dizia que não precisava conversar muito com Dolphy, que eles se entendiam silenciosamente antes de partir para outras dimensões. Verdade, partiam mesmo.

Charles Mingus & Eric Dolphy: The Complete Bremen Concert

CD1
01 – A.T.F.W. [Art Tatum-Fats Waller]
02 – Sophisticated Lady
03 – So long Eric
04 – Parkeriana

CD2
01 – Meditations On Integration
02 – Fables Of Faubus

Charles Mingus, bass
Eric Dolphy, alto sax / flute / bass clarinet
Johnny Coles, trumpet
Clifford Jordan, tenor sax
Jacki Byard, piano
Dannie Richmond, drums

in April 16, 1964

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Charles Mingus e Eric Dolphy: muita genialidade em pouco espaço
Charles Mingus e Eric Dolphy: muita genialidade em pouco espaço físico

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.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

.: interlúdio :. Charlie Mingus: Mingus Ah Um

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Escrito em 2019). Este CD é um clássico que completa 60 anos em maio deste ano. Houve edição especial e shows da Mingus Big Band e outros. Charlie Mingus (1922-1979) pode ser definido como um compositor erudito que gosta de jazz. Por incrível que pareça, li esta definição numa dessas comunidades de jazz do Orkut. Ela é exata. Este CD abre com a pauleira de Better Git It In Your Soul e a calma Goodbye Pork Pie Hat (homenagem a Lester Young) e depois temos a ironia de Fables of Faubus — dedicada ao governador racista do Arkansas –, Open Letter To Duke, mais uma das dezenas de homenagens que Mingus fez a Duke Ellington, Bird Calls (para Charlie Parker), etc., mas o que interessa é a qualidade de todas as composições e a incrível forma da banda de Mingus. Este é, certamente, um dos dez discos mais importantes da história do jazz. E tenho dito!

Charlie Mingus – Mingus Ah Um – 320 kbps

1. Better Git It In Your Soul 7:20
2. Goodbye Pork Pie Hat 5:42
3. Boogie Stop Shuffle 4:59
4. Self-Portrait In Three Colors 3:07
5. Open Letter To Duke 5:49
6. Bird Calls 6:17
7. Fables Of Faubus 8:12
8. Pussy Cat Dues 9:12
9. Jelly Roll 6:15
10. Pedal Point Blues 6:28
11. GG Train 4:37
12. Girl Of My Dreams 4:07

Charles Mingus — bass, piano (with Parlan on 10)
John Handy — alto sax (1, 6–7, 9–12), clarinet (8), tenor sax (2)
Booker Ervin — tenor sax
Shafi Hadi — tenor sax (1–4, 7–8, 10), alto sax (5–6, 9, 12)
Willie Dennis — trombone (3–5, 12)
Jimmy Knepper — trombone (1, 7–10)
Horace Parlan — piano
Dannie Richmond — drums

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Clássico
Clássico

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.: interlúdio :. André Mehmari: … de árvores e valsas

.: interlúdio :. André Mehmari: … de árvores e valsas

O álbum … de árvores e valsas (2014) de André Mehmari é uma obra fundamental em sua discografia, que revela uma faceta mais íntima, contemplativa e profundamente lírica do multi-instrumentista e compositor. Diferente do projeto colaborativo de “Contínua Amizade”, este é um trabalho essencialmente solo, centrado no piano, e funciona como uma declaração poética e pessoal. O título já evoca um universo nostálgico. O álbum é uma coleção de valsas e peças de caráter lírico, onde Mehmari explora a forma da valsa não apenas como dança, mas como um estado de espírito. Mehmari mostra toda a sua maturidade como pianista. O som é delicado e introspectivo. É possível ouvir ecos do Choro e Valsa Brasileira — a alma de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth está presente, mas filtrada pela contemporaneidade –, também há ecos de jazz nas improvisações e da música erudita com o impressionismo de Debussy e Ravel, e até da música minimalista, na construção de atmosferas. A qualidade da gravação e a riqueza de detalhes pedem uma escuta atenta. É possível ser profundamente brasileiro e universal, tradicional e inovador.

André Mehmari: … de árvores e valsas

1 Um Anjo Nasce
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Flute, Bandolin, Organ, Percussion, Clarinet – André Mehmari
1:30
2 Os Amores Difíceis
Acoustic Bass – Neymar Dias
Piano, Drums, Sampler – André Mehmari
4:19
3 Noturno Espanhol
Piano, Flute, Drums, Bass, Clarinet – André Mehmari
4:51
4 Mairiporã
Acoustic Bass – Zé Alexandre Carvalho
Piano, Guitar, Flute, Violin, Viola, Cello, Bandolin, Electric Guitar, Drums, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:31
5 Modular Paixões
Piano, Flute, Violin, Viola, Bandolin, Sampler, Clarinet – André Mehmari
Vocals – José Miguel Wisnik
3:49
6 Veredas
Piano, Accordion, Electric Bass, Flute, Rabeca, Viola, Cello, Drums, Synth, Voice, Percussion – André Mehmari
5:08
7 Valsa-Blue
Piano, Electric Bass, Flute, Clarinet, Violin, Electric Guitar, Drums, Whistle – André Mehmari
4:55
8 Vento Bom
Piano, Flute, Guitar, Percussion, Synth, Drums, Bass – André Mehmari
Vocals – Sergio Santos
4:13
9 Passeio
Clarinet – Gabriele Mirabassi
Piano – André Mehmari
3:50
10 O Espelho
Contrabass – Zé Alexandre Carvalho
Drums – Sergio Reze
Piano – André Mehmari
Vocals – Mônica Salmaso
4:15
11 Lullaby Zuzu
Piano, Synth, Electric Bass – André Mehmari
2:35
12 Toada
Baritone Saxophone – Teco Cardoso
Piano, Electric Piano, Electric Bass, Drums, Percussion, Synth, Accordion, Bandolin, Violin, Flute, Clarinet, Vocals – André Mehmari
5:46
13 Ná!
Drums – Sergio Reze
Piano, Electric Bass, Guitar, Flute, Clarinet, Violin, Accordion, Synth – André Mehmari
3:24
14 Eternamente
Synth, Effects – André Mehmari
1:21
15 Aria
Drums, Gong – Sergio Reze
Piano, Synth, Electric Bass, Voice, Handclaps, Percussion – André Mehmari
5:16
16 Um Anjo Nasce
Piano – André Mehmari
1:47
17 Ouro Preto
Piano, Viola, Organ, Clavichord, Electric Bass, Percussion, Synth, Clarinet, Vocals – André Mehmari
2:31

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.: interlúdio :. André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

.: interlúdio :. André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

O álbum Contínua Amizade (2011) de André Mehmari e Hamilton de Holanda é uma joia a música instrumental brasileira contemporânea. É um encontro de metres — são dois dos maiores instrumentistas e compositores da sua geração que uniram em um projeto de diálogo musical. Ambos são conhecidos por sua técnica virtuosística, criatividade e domínio de linguagens que vão do choro e samba ao jazz e à música erudita. Contínua Amizade reflete não apenas a parceria artística, mas a amizade pessoal entre eles, resultando em uma comunicação musical fluida e orgânica. Mehmari traz sua formação erudita e influências jazzísticas, enquanto Hamilton é o grande revolucionário do bandolim, expandindo os limites do bandolim de 10 cordas. Juntos, criam um som que é ao mesmo tempo raiz e vanguarda. O disco é majoritariamente autoral, com composições de ambos, além de algumas releituras significativas.

André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade

1 Rosa
2 Notícia
3 Choro Da Contínua Amizade
4 Acontece
5 Di Menor
6 Choro Negro
7 O Sonho
8 Enchendo o latão
9 Vivo Entre Valsas
10 Baião Malandro
11 Love Theme (From Cinema Paradiso)
12 Choro Negro (primeiro ensaio)
13 Notícia (primeiro ensaio)
14 Choro Da Contínua Amizade (primeiro ensaio)

André Mehmari, piano
Hamilton de Holanda, bandolim

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Mehmari e Hamilton

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.: interlúdio:. Charlie Haden & Carla Bley: The Ballad of the Fallen

A maioria das pessoas geralmente associa uma canção de protesto a uma música rock ou folk que usa a letra para abordar temas como guerra, direitos civis, desigualdade, ganância e outros males sociais. Ao consultar listas das melhores canções de protesto, encontramos pouquíssimos assuntos fora dos Estados Unidos e do mundo ocidental, nenhum jazz e certamente nenhuma música instrumental. Parece que quem compila essas listas não está muito familiarizado com Charlie Haden. Ao longo de quatro décadas, Haden gravou vários álbuns com a Liberation Music Orchestra, um conjunto que liderou com Carla Bley, todos focados na opressão e injustiça em diferentes partes do mundo. Curiosamente, todos foram lançados durante governos republicanos nos EUA.

Charlie Haden cresceu no Meio-Oeste americano e, desde cedo, percebeu a injustiça que se manifestava de diversas formas contra negros, pobres e outras minorias. Ao escolher a vida de músico de jazz e participar do movimento free jazz dos anos 60, ele teve uma experiência adulta com o racismo. Ele também estava bem ciente da opressão ao redor do mundo, um tema que o século XX não deixou de abordar. Com a escalada da Guerra do Vietnã no final dos anos 60, ele decidiu formar a Liberation Music Orchestra (LMO), que se tornou uma das expressões políticas mais contundentes do jazz. Considero esse ativismo admirável, não pelo aspecto político da mensagem, mas sim pela profunda compaixão humana que o fundamenta. Charlie Haden disse certa vez: “Sempre fui um idealista e acredito que dentro de cada ser humano que nasce neste planeta existe a capacidade de sentir emoções profundas. Penso que esses sentimentos são sufocados ou suprimidos pelo ambiente, pelo sistema em que vivemos. E acredito firmemente que todo ser humano carrega o universo dentro de si desde o princípio dos tempos.”

Haden não se furtava a expressar suas opiniões, mesmo quando confrontado com perigo real. Em 1971, juntou-se a Ornette Coleman na turnê do Newport Jazz Festival pela Europa, uma caravana que reunia os maiores nomes do jazz da época, incluindo Miles Davis, Duke Ellington, Dexter Gordon, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e outros. A turnê o levou a Lisboa. Na época, Portugal tinha colônias na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique e combatia movimentos nacionalistas nessas regiões, usando força militar pesada contra os insurgentes e suprimindo direitos humanos básicos. Durante o concerto, ao apresentar sua composição “Song for Che”, escrita em memória de Che Guevara, Haden dedicou a canção aos movimentos de libertação dos povos negros nessas colônias. Os estudantes portugueses liberais presentes no concerto o aplaudiram de pé durante toda a execução da música de 12 minutos. Como era de se esperar, esse evento não foi bem recebido pelas autoridades portuguesas, que prenderam Haden no dia seguinte no aeroporto. A embaixada americana interveio, mas não antes que ele tivesse que passar um dia em uma cela de prisão.

Em 1982, Charlie Haden gravou o segundo álbum de estúdio da Liberation Music Orchestra, The Ballad of the Fallen. Assim como no primeiro álbum, ele incluiu canções da Guerra Civil Espanhola, mas desta vez, refletindo sobre as atividades do governo Reagan na América do Sul, adicionou canções de El Salvador, Chile e uma canção portuguesa associada ao movimento de resistência do início dos anos 70, que ele conheceu uma década antes. Na contracapa do álbum, ele apresentou uma pintura de um refugiado salvadorenho com a seguinte inscrição: “Não à intervenção dos EUA. Invasor ianque de El Salvador – Nosso único crime é sermos pobres – estamos cansados ​​de tantas balas enviadas por Ronald Reagan”. Muito bem dito. Mais sobre isso em uma excelente entrevista com a lenda do jazz Charlie Haden sobre sua vida, sua música e sua política.

The Ballad of the Fallen é o álbum que mais gosto na discografia do LMO. Há algo de muito melancólico, mas ao mesmo tempo esperançoso, nessas melodias espanholas e sul-americanas, e os arranjos de Carla Bley lhes fazem um grande favor. Claro que ajuda o fato de o conjunto ser formado por alguns dos maiores músicos de free jazz da época: Don Cherry, Michael Mantler, Jim Pepper, Dewey Redman, Gary Valente, Paul Motian e outros. A sintonia rítmica entre Motian e Haden é quase telepática. Por décadas, eles foram uma das melhores duplas rítmicas do jazz, tocando com o quarteto americano de Keith Jarrett e em vários álbuns, como Etudes . Bill Frisell guarda uma ótima lembrança de tocar com os dois: “O primeiro show que fiz com Charlie Haden foi no Seventh Ave. South com a Liberation Music Orchestra. O palco era minúsculo. Não havia espaço suficiente. De alguma forma, consegui me espremer embaixo da bateria, entre Paul Motian e Charlie. O baixo estava a 7,5 cm de uma orelha, os pratos a 7,5 cm da outra. Nunca vou me esquecer disso. Que som! Era o paraíso. Era ESTÉREO!”

Os momentos de improvisação livre ao longo do álbum contrastam com as belas canções e adicionam um lado confrontador de protesto à música. Afinal, as questões em pauta realmente irritam esses músicos. Surpreendentemente, a revista Downbeat elegeu The Ballad of the Fallen como o melhor álbum de jazz do ano em 1984.

A faixa-título de The Ballad of the Fallen é uma canção folclórica de El Salvador. De acordo com as notas do encarte do disco, trata-se de um poema encontrado no corpo de um estudante morto durante um massacre perpetrado pela Guarda Nacional de El Salvador, apoiada pelos Estados Unidos, em uma manifestação na universidade de San Salvador. Segue abaixo:

Não me pergunte quem eu sou,
ou se você me conhecia.
Os sonhos que eu tinha
continuarão a crescer, mesmo que eu não esteja mais aqui.
Eu não estou vivo, mas minha vida continua
naquilo que continua sonhando.
Outros que seguem a luta
farão crescer novas rosas.
Em nome de todas essas coisas,
você encontrará meu nome.

Não se lembre do meu rosto,
pois era o rosto da guerra.
Enquanto eu estava em minha terra,
era necessário esconder meu rosto verdadeiro.
No céu para onde vou,
você verá como era meu verdadeiro rosto.
Poucas pessoas ouviram minha risada,
mas quando você estiver presente na floresta,
encontrará diante de si meu sorriso ignorado.

(Texto traduzido pelo Google, roubado daqui).

.: interlúdio:. Charlie Haden & Carla Bley: The Ballad of the Fallen

1 Els Segadors (The Reapers) 4:11
2 The Ballad Of The Fallen 4:22
3 If You Want To Write Me 3:59
4 Grandola Vila Morena 2:13
5 Introduction To People 3:48
6 The People United Will Never Be Defeated 1:41
7 Silence 5:40
8 Too Late 8:22
9 La Pasionaria 10:25
10 La Santa Espina 7:00

Bass – Charlie Haden
Clarinet, Flute, Alto Saxophone, Soprano Saxophone – Steve Slagle
Drums, Percussion – Paul Motian
Flute, Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – Jim Pepper
French Horn – Sharon Freeman
Guitar – Mick Goodrick
Piano, Glockenspiel – Carla Bley
Producer – Manfred Eicher
Tenor Saxophone – Dewey Redman
Trombone – Gary Valente
Trumpet – Michael Mantler
Trumpet [Pocket] – Don Cherry
Tuba – Jack Jeffers

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PQP

The Peasant Girl, com Viktoria Mullova

The Peasant Girl, com Viktoria Mullova

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O que dizer deste surpreendente álbum duplo de Viktoria Mullova? Que ela é doida? Que ela é uma perfeita cigana? Que ela é uma das melhores violinistas de todos os tempos? Que ela não se importa de correr riscos?

Acho que todas as possibilidades acima estão corretas.

Mullova pegou um repertório belíssimo e pouco divulgado para estabelecer com clareza o estrago que a música cigana causou no século XX. Ou seja, dentro de um programa altamente eclético, ela reflete sobre a profunda influência cigana na música clássica e no jazz (SIM!) no século 20. Sob roupagem erudita ou jazzística, a música dos ciganos está em nossas vidas com seu acelerado e marcado pulso. O CD apresenta obras de Bartók e Kodály ao lado de coisas do mundo do jazz, incluindo John Lewis e Django Reinhardt além de faixas da banda Weather Report. A russa Mullova tem fortes ligações pessoais com o campo e os ciganos. Parte de sua família é ucraniana e, quando criança, ela passava temporadas numa pequena aldeia do interior do país, convivendo com camponeses. A música destes CDs nos permite vislumbrar um outro lado desta artista fascinante e de, pelamor, sangue quentíssimo.

(Maiores detalhes sobre as faixas estão no arquivo que vocês, creio, vão baixar).

The Peasant Girl, com Viktoria Mullova

1. For Nedim (For Nadia) 5:36
2. Django 6:44
3. Dark Eyes 6:53
4. Er Nemo Klantz , Bartók Duos 8:20
5. The Peasant 9:35
6. 7 Duos with Improvisations 10:51
7. Yura 4:44

1. Bi Lovengo 3:06
2. The Pursuit of the Woman with the Feathered Hat 5:58
3. Life 4:42
4. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: I. Allegro serioso 7:39
5. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: II. Adagio 8:11
6. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: III. Maestoso e largamente, ma non troppo 8:07

Viktoria Mullova
The Matthew Barley Ensemble

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Russa sangue quente (e bom).
Mullova: russa sangue quente. E bom.

PQP

.: interlúdio :. Paolo Fresu & Omar Sosa (com Jaques Morelenbaum): Alma

.: interlúdio :. Paolo Fresu & Omar Sosa (com Jaques Morelenbaum): Alma

Tentar acompanhar os projetos musicais do pianista cubano Omar Sosa ou do trompetista italiano Paolo Fresu é algo quase atlético. Chamar qualquer um de prolífico é um eufemismo, mas, mais impressionante do que a quantidade de música que eles lançam é a qualidade de sua produção. Amo ambos. Ambos exploram uma fonte de criatividade que escapa à maioria dos artistas. Grande parte dos temas deste CD é bastante discreta, mas sempre de alto em conteúdo emocional. O uso de percussão e da eletrônica em alguns lugares — juntamente com a presença do violoncelista brasileiro Jaques Morelenbaum, dá ao projeto uma sensação de profundidade e variedade, mas essa união de duas almas musicais espiritualmente conectadas teria sido suficiente para fazer a mágica, se esta fosse simplesmente uma gravação nua de piano + trompete. Morelenbaum, Fresu e Sosa criam uma mistura celestial na pacífica faixa-título, que começa em um lugar sereno e chega a um espaço latino firme, enquanto equilibra humores sombrios e imponentes em “Crepuscolo”.

Paolo Fresu & Omar Sosa com Jaques Morelenbaum: Alma

1 S’Inguldu 5:35
2 Inverno Grigio 5:28
3 No Trance 3:36
4 Alma 5:49
5 Angustia 4:34
6 Crepuscolo 3:15
7 Moon On The Sky 5:59
8 Old D Blues 6:36

Medley
9 Niños 4:00
10 Nenia 5:23

11 Under African Skies 7:28
12 Rimanere Grande! 2:58

Cello – Jaques Morelenbaum
Composed By – Omar Sosa (faixas: 2 to 8, 9), Paolo Fresu (faixas: 1, 3, 9, 10, 12), Paul Simon (faixas: 11)
Piano [Acoustic], Sampler, Electric Piano [Fender Rhodes], Synthesizer [Microkorg], Percussion, Vocals, Effects [Multieffects], Producer – Omar Sosa
Trumpet, Flugelhorn, Percussion, Whistle, Effects [Multieffects], Producer – Paolo Fresu

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Omar Sosa e Paolo Fresu

PQP

.: interlúdio :. Eberhard Weber – The Colours of Chloë

.: interlúdio :. Eberhard Weber – The Colours of Chloë

Talvez o principal segredo de Manfred Eicher tenha sido o de viabilizar gravações àquele pessoal talentoso que fica atrás no palco. Eberhard Weber é um exemplo disso. Nascido em 1940, Weber fez seu disco de estréia em 1974, com este bom The Colours of Chloë. Músico de jazz e erudito, Weber era músico de apoio de Joe Pass, Stephane Grappelli, Baden Powell e outros quando fez sua proposta a Eicher. Sua vida mudou e ele pode até montar um grupo próprio de jazz, além de ter se tornado um contumaz baixista de outras grandes estrelas da gravadora como Pat Metheny, Gary Burton, Jan Garbarek e Ralph Towner, representantes mais importantes do som ECM. The Colours of Chloë não é nenhuma maravilha, mas acho curiosa e agradável de ouvir a tentativa de Weber de fazer um som jazzístico próximo àquele que faziam alguns grupos de rock em 1974, como Yes, Pink Floyd, Gentle Giant, etc. É estranho, mas, por alguma razão, é um CD irresistível para quem completou 17 anos no distante 1974. É uma música feita de climas e ostinatos, é também melancólica e muito mais organizada do que o bom jazz deve ser. Parece de vanguarda, mas é aquela coisa que, apesar de bonita, não possui rumo e pula de estilo em estilo. Bom, aí está.

Eberhard Weber – The Colours of Chloë

1. More Colours 6:41
2. The Colours Of Chloë 7:51
3. An Evening With Vincent Van Ritz 5:50
4. No Motion Picture 19:37

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Para mim, Weber sempre será nome de restaurante em praia gaúcha (Tramandaí feelings)
Para mim, Weber sempre será nome de restaurante em praia gaúcha (Tramandaí anos 60 feelings)

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.: interlúdio .: Terry Riley (1935) e Don Cherry (1936-1995): Live in Köln 1975 e dois bônus

Em tempos nebulosos, com ar abafado e horizonte sombrio, faz muito bem um arco-íris no céu. A música de Terry Riley (nasc. Califórnia, 1935) tem trazido muitas cores ao mundo, incluindo seu fantástico LP de música eletrônica A Rainbow in Curved Air (1969) e sua obra-prima In C, que desde os anos 1960 tem sido tocada e gravada por vários grupos dedicados à música contemporânea. Cada performance de In C é bastante diferente das outras, porque a partitura deixa muitas decisões para serem tomadas pelos músicos. Riley foi um dos pioneiros do que hoje chamamos minimalismo, mas também sempre esteve próximo do jazz e do improviso, de forma que é difícil saber se o álbum de hoje é um .:interlúdio:. ou não. E isso pouco importa.

Don Cherry e Terry Riley em 1970 – imagem postada por Riley em seu twitter

O que importa é o diálogo riquíssimo de Riley com Don Cherry (1936-1995), trompetista e multi-instrumentista americano de ascendência indígena e africana, que também cultivou a arte do improviso e ajudou a levá-la por caminhos inesperados. Como Riley, tocou com instrumentistas asiáticos e também teve um grande trio que incluiu o percussionista Naná Vasconcelos, Don Cherry também foi um dos músicos do influente LP Free Jazz (A Collective Improvisation by the Ornette Coleman Double Quartet), álbum de 1961 em que a palavra “free” pode ser entendida como um adjetivo (jazz livre) mas também como um verbo (libertem o jazz!). Nos anos 1970, Don Cherry estava morando na Suécia e fazendo turnês pela Europa, gravando com gente como o compositor Krzysztof Penderecki. E nesse encontro em Köln, Riley e Cherry estavam tocando juntos pela 2ª ou 3ª vez, mas os dois se entendem como se fossem amigos de infância.

Importam também os bônus que seguem mais abaixo, mostrando Terry Riley seu lado mais como compositor do que como instrumentista, mas no fundo tudo se mistura:

“Sunrise and G Song were both pieces that I had worked out in another form. I started with something I knew already when I started writing again; they were pieces I had played myself and had worked out kind of a form for them.” — Terry Riley

Um dos temas gravados na Alemanha em 1975 (Riley toca sozinho neste, sem Don Cherry) se repete na composição de 1980: Sunrise of the Planetary Dream Collector, a primeira peça que Riley compôs para quarteto de cordas, a pedido do Quarteto Kronos. Como In C, ela tem uma série de unidades modais, riffs breves, fragmentos de melodia e padrões rítmicos que os músicos tocam à vontade, adicionando sua própria dinâmica e fraseado, de modo que o quarteto se torna parte do processo criativo tanto quanto o próprio Riley. E é muito boa a interpretação dos holandeses do Nieuw Amsterdams Peil! Eles são partidários da música atual, mas alguns de seus membros também tocam em orquestras sinfônicas e o violoncelista gravou pela Hyperion quintetos de Schubert e Mendelssohn. Dá pra notar que os andamentos e o ataque aos instrumentos é mais suave, menos rock’n’roll do que costuma ser o som do Kronos Quartet.

E o outro bônus é um arranjo para octeto de cellos de Requiem for Adam, composição dos anos 1990, quando Riley já tinha na bagagem várias obras para quarteto de cordas e usa técnicas mais diversas, principalmente glissandos. Menos ligada ao minimalismo, essa obra mostra que Riley tem criatividade demais para se limitar a este ou aquele ‘-ismo’…

Don Cherry

Terry Riley and Don Cherry – Live in Köln 1975
1. Descending Moonshine Dervishes
2. Sunrise of the Planetary Dream Collector
3. Untitled (Descending Moonshine Dervishes part 2)

1975-02-23
Terry Riley – organ, loops
Don Cherry – trumpet, doussn’gouni
Grosser Sendesaal des Westdeutschen Rundfunks
WDR FM Radio, Köln, Germany

LIVE 1975: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (flac)

LIVE 1975: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320kbps)


Amsterdam – World Minimal Music Festival 2017
1. Sunrise of the Planetary Dream Collector, for string quartet (composed in 1980)
2017-04-06
Muziekgebouw aan het IJ, Amsterdam (Netherlands)

O Muziekgebouw aan het IJ fica bem perto da estação de trens de Amsterdam

Performed by Nieuw Amsterdams Peil:
Heleen Hulst – violin, Josje ter Haar – violin, Pieter van Loenen – violin, Emma Breedveld – viola, Mick Sterling – cello

Live in Groningen 2002
1. Requiem for Adam, for string quartet (composed in 1999, here arr. for cello octet)
2002-10-13
Terry Riley Festival 2002
Kleine Zaal, Oosterpoort, Groningen (Netherlands)
Performed by Cello Octet Conjunto Ibérico

LIVE 2002, 2017: BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320kbps)

Terry Riley
Não, não é um sábio chinês, é Terry Riley

Pleyel

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo (Baixo contínuo) (Petri, Jarrett) / Modern Jazz Quartet – Blues on Bach

Com a escusa de PQP, FDP e Clara, este interlúdio é, também, um quase-interlúdio do jazz; desvio um pouco para a seara dos colegas e trago, também, um pouco de clássico. Bach! Interpretado, ou relido, por respeitáveis jazzmen.

Keith Jarrett, pianista que começou nos Jazz Messengers de Art Blakey e tocou com Miles Davis no início dos anos 70, firmou-se por incorporar o clássico, o gospel e o blues ao seu estilo de jazz. Um músico diferenciado, criou sua carreira não apenas tocando em conjuntos, mas também lançando diversos álbuns-solo de piano. (De um de seus shows, puro improviso ao instrumento, vem um dos discos mais reverenciados do jazz, The Köln Concert, que certamente figurará neste blog em algum momento.)

Sua relação com a música clássica sempre acompanhou a trajetória jazzística. Desde 1973, compõe e executa para o estilo. Neste disco de 1992, convidou a virtuose dinamarquesa Michala Petri para interpretar sonatas de Bach. Não se trata de um disco de jazz; aqui ele é, antes, uma inspiração para as execuções.

J.S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo (Baixo contínuo) (Petri, Jarrett)

Sonata for Flute and Harpsichord in B minor, BWV 1030
01 I Andante – 08’18
02 II Largo e dolce – 03’28
03 III Presto – 01’25
04 IV Allegro – 04’14

Sonata for Flute and Harpsichord in E flat major, BWV 1031
05 I Allegro moderato – 03’07
06 II Siciliano – 02’02
07 III Allegro – 04’10

Sonata for Flute and Harpsichord in A major, BWV 1032
08 I Vivace – 04’31
09 II Largo e dolce – 02’50
10 III Allegro – 04’13

Sonata for Flute and Harpsichord in C major, BWV 1033
11 I Andante – Presto – 01’35
12 II Allegro – 02’11
13 III Adagio – 01’40
14 IV Menuetto I & II – 02’49

Sonata for Flute and Basso Continuo in E minor, BWV 1034
15 I Adagio ma non tanto – 02’57
16 II Allegro – 02’22
17 III Andante – 03’08
18 IV Allegro – 04’26

Sonata for Flute and Basso Continuo in E major, BWV 1035
19 I Allegro ma non tanto – 02’19
20 II Allegro – 02’52
21 III Sicilano – 03’32
22 IV Allegro assai – 02’57

Keith Jarrett: cravo
Michala Petri: flauta doce

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1172182694 Blues On Bach
O Modern Jazz Quartet foi um dos grupos mais duradouros e originais do jazz; começaram em 1952, tocando bop, e encerraram as atividades no final dos ’70 como expoentes do third stream – estilo que se pretende um ponto de encontro entre jazz e música clássica. Evidentemente, o rótulo (cunhado por Gunther Schuller) é polêmico; já a música do MJQ, não. Sempre vistos como precursores, usaram o barroco e o blues de combustíveis para firmarem-se como visionários. Neste Blues on Bach, de 1973, o grupo intercala quatro composições originais, inspiradas em Bach, à cinco adaptações de trabalhos clássicos do compositor. Respeitosamente: sem improvisos, e usando o cravo ao invés do piano. Milt Jackson, um dos maiores vibrafonistas da música, destaca-se em passagens brilhantes.

Modern Jazz Quartet – Blues on Bach (320)

Milt Jackson: vibrafone
John Lewis: piano, cravo
Percy Heath: baixo
Connie Kay: bateria

1 Regret? – 2’04
02 Blues in B Flat – 4’56
03 Rise up in the Morning – 3’28
04 Blues in A Minor – 7’53
05 Precious Joy – 3’12
06 Blues in C Minor – 7’58
07 Don’t Stop This Train – 1’45
08 Blues in H (B) – 5’46
09 Tears from the Children – 4’25

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Boa audição!

Blue Dog

.: interlúdio :. Dizzy Gillespie: Verve/Gitanes Jazz in Paris Series: Cognac Blues

.: interlúdio :. Dizzy Gillespie: Verve/Gitanes Jazz in Paris Series: Cognac Blues

Sempre tive pavor de coletâneas – mas com o tempo, aprendi a fazer uma exceção ao jazz. O estilo, generoso como só ele, não apenas permite que se arranque pedaços de álbum sem dor; é capaz de dar novas cores à compilação e seus temas pela mistura diferente criada entre elas. (Claro, ninguém aqui pensa em tirar pedaços de A Love Supreme ou Sketches of Spain; sempre há exceções, óbvio.) Para sair um pouco da linha habitual de John “Dizzy” Gillespie – o velocíssimo bop -, hoje trazemos um componente da série Jazz in Paris, da Verve/Gitanes – mais de 100 títulos lançados com raridades em apresentação suntuosa – mostrando faixas gravadas entre 1952 e 53, na capital francesa.

Paris, which had developed into the jazz center of Europe already in the beginning of the 20th century, offered many of these musicians a safe haven as well as a permanent home (later, Denmark, Sweden and sometimes Germany usurped that role) and jazz thrived because of it. One can even be as bold as to state that without Paris and Europe, jazz might never have been recognized as an art form. It was in Europe that jazz had gained that kind of recognition and, as far as I recall, it was jazz critics such as Leonard Feather (England) and Dan Morgenstern (Austria), who spent their entire lifetimes promoting it as an art form in the United States. daqui

É o lado mais swing e groove de um dos fundadores do bebop (ao lado de Parker); em momentos já afro-jazz, em outros quase cool, gravações parisienses cheias de atmosfera (incluindo alguns chiados, mesmo com remasterização – o que me deixa deveras feliz. Nada pior que uma limpeza asséptica em algo capaz de tirar vida do ruído). Coletânea para desfrutar e agradecer ao gênio; a relação das músicas, logo abaixo, mostra toda uma constelação. E evoca as noites de uma Paris dos anos 50 que jamais conheci, capaz de provocar uma romântica nostalgia enviesada.

Dizzy Gillespie em 1955

Dizzy Gillespie – Verve/Gitanes Jazz in Paris Series: Cognac Blues (320)

Dizzy Gillespie: trumpet, vocal
Don Byas: tenor saxophone
Art Simmons, Arnold Ross, Wade Legge: piano
Jean-Jacques Tilché: guitar
Joe Benjamin, Lou Hackney: double bass
Bill Clark, Al Jones: drums
Humberto Canto Morales: congas

01 Cognac Blues 2’40
02 Cocktails For Two 3’23
03 Moon Nocturne 3’03
04 Sabla Y Blu 3’05
05 Blue And Sentimental 2’42
06 Just One More Chance 3’10
07 They Can’t Take That Away from Me 3’14
08 Break at the Beginning (Taking a Chance on Love) 2’42
09 When It’s Sleepy Time Down South 2’55
10 Lullaby in Rhythm 4’22
11 Just Blues (One More Blues) 2’59
12 Ain’t Misbehavin’ 2’56
13 Summertime 4’16
14 Blue Moon 4’25
15 Mama’s blues (Mrs. Dizzy blues) 4’00
16 Undecided 2’32
17 The Way You Look Tonight 4’12
18 They Can’t Take That Away From Me [alt take] 3’59
19 Taking a Chance on Love [alt tk 1] 3’27
20 Taking a Chance on Love [alt tk 2] 3’36
21 Lullaby in Rhythm [alt take] 4’05

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BlueDog

.: interlúdio :. McCoy Tyner, Jackie McLean, Woody Shaw, Cecil McBee, Jack DeJohnette, Cecil Taylor, Bennie Wallace – One Night With Blue Note, Town Hall, NYC, 1985, Vol 2

Dando prosseguimento às homenagens ao baterista Jack DeJohnette, temos aqui um álbum de belíssima capa, parte de uma série de gravações ao vivo de 1985 para marcar o renascimento do selo Blue Note, que havia sido extinto por uns anos… Lançado tanto em LP como CD (era a fase da transição), com essa bela capa mostrando de certa maneira o quanto é impressionante termos preservados – como em potes de remédio típicos da época em que a Blue Note foi fundada: 1939! – encontros de brilhantes músicos como McCoy Tyner (1938-2020), Jack DeJohnette (1942-2025) e outros menos famosos mas de muito extensa ficha corrida, como Jackie McLean (1931-2006) e Cecil McBee (nasc. 1935).

Jack DeJohnette mostra, nesse registro ao vivo cheio de espontaneidade, seus vários tipos de viradas rítmicas, batendo nos tambores com a força de um baterista de rock’n’roll.

One Night With Blue Note Preserved, Volume 2
1. Sweet And Lovely
2. Appointment in Ghana
3. Passion Dance
4. Blues on the Corner
5. Pontos Cantados
6. Broadside

Tracks 1-4 – McCoy Tyner (piano), Jackie McLean (alto sax), Woody Shaw (trumpet), Cecil McBee, Cecil McBee (bass), Jack DeJohnette (drums)
Track 5 – Cecil Taylor (piano)
Track 6 – Bennie Wallace (tenor sax), Cecil McBee (bass), Jack DeJohnette (drums)

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McCoy Tyner
Jack DeJohnette

Pleyel

.: interlúdio :. Vigleik Storaas, Pale Danielsson, Jack DeJohnette (ao vivo, 2009)

Antes que o ano se encerre, vamos de mais uma homenagem a uma das baixas que tivemos neste ano em que também se foram os tão queridos Hermeto Pascoal, Jards Macalé e Lô Borges. Mas hoje me refiro ao baterista Jack DeJohnette, que ainda estava bastante ativo pouco antes de partir aos 83 anos de idade.

Como resume o site luso Jazz ponto PT, DeJohnette desempenhou um papel fundamental em praticamente todas as fases do jazz desde o início dos anos 1960. O mesmo site afirma – não fui conferir – que DeJohnette é o músico que mais gravou pela gravadora europeia ECM. “Refira-se, em especial, que a colaboração de DeJohnette com a ECM remonta aos primórdios da editora, atuando em duo com Keith Jarrett em Ruta and Daitya, gravado em 1971” (que postei meses atrás, aqui).

Os portugueses comentam, entre outros pontos altos de sua discografia, o Standards Trio, pelo qual meu colega FDP Bach já expressou mais de uma vez sua admiração incondicional (aqui e aqui). Os portugas disseram, sobre esse trio formado nos anos 1980 por Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette: “Todos os registos do grupo são excelentes, pelo que destacar um é sempre uma escolha pessoal. Aqui, a cumplicidade é total: tocam com depuração e liberdade, com um gesto simultaneamente leve e jubiloso. O diálogo é sempre novo e emocionalmente intenso.”

Eu trago hoje, porém, um álbum lançado em 2025, gravação de um show de 2009. Aqui, o selo não é ECM e não temos Keith Jarrett. Mas por coincidência o baixista é o mesmo do velho quarteto escandinavo de Jarret (ativo de 1974 a 79). Enfim, coincidência não tão rara nesse mundo do jazz onde os grupos vão se fazendo e refazendo: no caso de DeJohnette seu currículo inclui ainda bandas como a de Miles Davis na fase fusion, a do guitarrista John Abercrombie e o Special Edition, que era liderado pelo baterista e costumava contar com dois ou três saxofonistas que faziam arranjos de sopros junto com a bateria e os teclados. Aliás, uma curiosidade sobre DeJohnette é que ele também estudou piano e costumava tocar teclados acústicos e elétricos nos seus álbuns solo.

Mas aqui o pianista é o norueguês Vigleik Storaas, nascido em 1963, um nome da nova geração. OK, não tão nova assim, mas mais jovem que o falecido baterista e o baixista que – noto agora – deixou este mundo em 2024. Storaas toca um piano limpo, suave, sem momentos percussivos como às vezes faziam outros como K. Jarrett e M. Tyner. Talvez por não estarem tocando há anos na estrada juntos, os músicos às vezes soam mais contidos, mas os três conseguem seus momentos de brilho e os dois veteranos no baixo e na bateria mostram o que os anos lhe ensinaram.

Vocês conhecem aquela piada, né, em que um escorrega fala para o outro: os ânus passam depressa! Esse disco, gravado por Danielsson e DeJohnette quando ambos se aproximavam dos 70 anos, nos apresenta o melhor da maturidade: três instrumentistas seguros de si, com som polido, bem cuidado, elegante, resultado de décadas de apresentações e ensaios.

Storaas, Danielsson, DeJohnette: Live at Trondheim Jazzfestival
Alice in Wonderland (Sammy Fain)
Isotope (Joe Henderson)
Palle’s Headache (Palle Danielsson)
Eiderdown (Steve Swallow)
Lines (Vigleik Storaas)
Falling Grace (Steve Swallow)
Everybody’s Song But My Own (Kenny Wheeler)

Vigleik Storaas – piano
Palle Danielsson – bass
Jack DeJohnette – drums
Recorded 06/06/2009 at Trondheim, Norway / Released 2025

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A felicidade é toda nossa!

Pleyel

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

Feliz Natal!

Escrevo estas mal traçadas ainda em novembro, mas com dezembro já quase virando a esquina. Contrariando todas as mais acuradas previsões climáticas, nem mesmo o INPE conseguiu prever essa, já há árvores cuneiformes com seus galhos cheios de neve nas mais diversas partes de Niterói. O clima de Jingle Bells está no ar…

Uma das coisas que eu mais gosto nesta época do ano é a motivação para ouvir velhas canções natalinas em suas diferentes formas, sempre com uma nota de saudosismo, mas também uma de esperança. Eu já andei postando alguns álbuns com essa temática, como você poderá desencavar aqui, aqui ou ainda aqui.

Para este ano, seguindo minha nova tendência de ouvir jazz e coisas afins, escolhi o álbum de um pianista estadunidense que se mudou de mala, bagagens e piano para a Europa, ficando o resto da vida na Dinamarca.

The Kenny Drew Trio – Season’s Greetings

  1. Blue Christmas
  2. Jingle Bells
  3. White Christmas
  4. Quiet Cathedral
  5. The Christmas Song
  6. Silent Night
  7. Greensleeves
  8. Away In A Manger
  9. Quiet Cathedral (Solo Piano Version)

Kenny Drew, piano

Niels-Henning Ørsted Pedersen, bass

Ed Thigpen, drums

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MP3 | 320 KBPS | 116 MB

A talented bop-based pianist, Kenny Drew was somewhat underrated due to his decision to permanently move to Copenhagen in 1964. He recorded with Howard McGhee in 1949 and in the 1950s was featured on sessions with a who’s who of jazz, including Charlie Parker, Coleman Hawkins, Lester Young, Milt Jackson, Buddy DeFranco, Dinah Washington, and Buddy Rich. […] He also appeared as a sideman on classic Blue Note albums including John Coltrane Blue Train, Dexter Gordon Dexter Calling, Grant Green Sunday Mornin’, and Jackie McLean Bluesnik. […] Drew recorded many dates for SteepleChase in the 1970s and remained active up until his death.

Aproveite!

René Denon

Kenny Drew