Alfred Schnittke (1934-1998): (K)ein Sommernachtstraum / Cello Concerto No. 2 (Ivashkin, Russian State Symphony Orch, Polyansky)

Alfred Schnittke (1934-1998): (K)ein Sommernachtstraum / Cello Concerto No. 2 (Ivashkin, Russian State Symphony Orch, Polyansky)

O concerto de Schnittke (1990) é triste e desolado. com bastante dissonância. A forma de tocar de Alexander Ivashkin é impressionante. Ele comanda um pesadelo inquietante com sons de arrepiar os cabelos. O violoncelo é imponente, até pela forma com que foi gravado. Eu preferiria ouvir mais a orquestra, especialmente porque ela está repleta de detalhes. A sepultura cavada é avassaladora e o amado cravo do compositor aparece aqui. A passacaglia final é o mais longo dos cinco movimentos e baseia-se num tema da sua música para o filme Agonia. É lindo e desesperado. Em suma, neste concerto, Schnittke vence fácil os escandinavos no jogo sombrio. Não adianta, este é o Schnittke pós-AVC de 1985, ele perdeu toda a muita alegria que tinha. Ele nos joga num redemoinho depressivo.

Na breve e divertida Sommernachtstraum (1985, antes do AVC), ele faz chover notas dissonantes. É um Mozart deslizando para frente e para trás no tempo, derretendo através de espelhos e perdido em algum circo enlouquecido do mundo interior de Schnittke. Impossível não rir disso. É hilário e deveria ser uma famosa peça de concerto se o conservadorismo e a falta de humor não grassassem tanto.

O elemento de dissonância é forte nestas obras, mas o sentido de melodia nunca está longe. Este CD é para ouvidos exigentes, prontos para desafios.

Alfred Schnittke (1934-1998): (K)ein Sommernachtstraum / Cello Concerto No. 2 (Ivashkin, Russian State Symphony Orch, Polyansky)

Cello Concerto No. 2 (42:00)
1 I Moderato – 3:20
2 II Allegro 9:34
3 III Lento – 8:26
4 IV Allegretto Mino – 4:34
5 V Grave 16:05

6 (K)ein Sommernachtstraum – (Not) A Midsummer Night’s Dream 10:37

Cello – Alexander Ivashkin
Composed By – Alfred Schnittke
Conductor – Valeri Polyansky
Orchestra – Russian State Symphony Orchestra

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O homem que ficou triste.

PQP

Jean Sibelius (1865-1957): As Sinfonias Completas e 3 fragmentos tardios (Storgårds, BBC)

Jean Sibelius (1865-1957): As Sinfonias Completas e 3 fragmentos tardios (Storgårds, BBC)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quem leu a obra-prima O Resto é Ruído, de Alex Ross, sabe que, por algum motivo, o público inglês e o norte-americano amam Sibelius apaixonadamente. Então, não chega ser surpreendente que a excelente orquestra da BBC se dedicasse ao compositor finlandês com tanto esmero, ainda mais se regida por um finlandês como Storgårds. Como deveria soar a música orquestral de Sibelius? Essas sinfonias são despedidas românticas tardias ou declarações visionárias e progressistas? Não temos respostas. Este ciclo antes suntuosamente gravado por nomes como Bernstein e Rattle merece ser ouvidos, e os aventureiros deveriam procurar também as gravações dos 1970 de Gennadi Rozhdestvensky com metais russos sensacionais. Cada uma das sete sinfonias ocupa um mundo sonoro muito distinto e, como acontece com Mahler, é difícil encontrar um maestro que acerte em todas. A propensão de Storgårds por tempos rápidos e texturas limpas rende enormes dividendos para seu registro e acho que você deve ouvir tudo com atenção — vale muito a pena. A caixa da Chandos inclui as transcrições de Timo Virtanen para três fragmentos recentemente desenterrados que podem ter feito parte daquilo que seria a muito aguardada — a vã espera durou décadas! — 8ª Sinfonia de Sibelius. São pouco mais do que fragmentos, mas o primeiro é particularmente magnífico, um dos melhores trechos de Sibelius que você ouvirá. Dizem que a oitava nunca saiu porque Sibelius bebia muito. Mas ele viveu 91 anos…

“Esta bebedeira – em si uma ocupação excepcionalmente agradável – foi longe demais”, Sibelius escreveu essas palavras em 1907, quando duas décadas de farras finalmente começavam a cobrar seu preço. Além de beber regularmente grandes quantidades de álcool — uma pintura famosa que coloco abaixo, O Simpósio, de Akseli Gallen-Kallela, mostra o compositor, sentado com seus companheiros, decididamente bebum durante uma sessão de álcool e rock n’ roll –, Sibelius também era um conhecedor de charutos finos, um hábito que pode ter aprendido com seu pai.

Sibelius fundou um clube de bebidas (ou para beber) em Helsinque. Ele bebia álcool para se fortalecer antes de realizar uma apresentação e era conhecido por desaparecer por dias seguidos. A última página de seu diário traz uma lista de compras de conhaque, champanhe e gim. Certa vez, Sibelius mudou-se para o campo para tentar abandonar seus hábitos de beber e fumar. Ele escreveu: “o isolamento e a solidão estão me levando ao desespero!”. Repito: viveu 91 anos, quase 92.

Jean Sibelius (1865-1957): As Sinfonias Completas e 3 fragmentos tardios (Storgårds, BBC)

Symphony No. 1 In E Minor Op. 39
1-01 I Andante Ma Non Troppo-Allegro Energico 11:16
1-02 II Andante (Ma Non Troppo Lento) 9:21
1-03 III Scherzo, Allegro 5:07
1-04 IV Finale (Quasi Una Fantasia) 12:41

Symphony No. 4 In A Minor Op. 63
1-05 I Tempo Molto Moderato, Quasi Adagio 9:19
1-06 II Allegro Molto Vivace 5:01
1-07 III Il Tempo Largo 10:54
1-08 IV Allegro 9:26

Three Late Fragments
1-09 HUL 1325 1:09
1-10 HUL 1326/9 0:15
1-11 HUL 1327/2. Allegro moderato 1:13

Symphony No. 2 In D Major Op. 43
2-01 I Allegretto 10:12
2-02 II Tempo Andante, Ma Rubato 15:05
2-03 III Vivacissimo 6:06
2-04 IV Finale, Allegro Moderato 14:14

Symphony No. 5 In E Flat Major Op. 82
2-05 I Tempo Molto Moderato-Allegro Moderato 14:03
2-06 II Andante Mosso, Quasi Allegretto 8:44
2-07 III Allegro Molto 9:37

Symphony No. 3 In C Major Op. 52
3-01 I Allegro Moderato 10:17
3-02 II Andantino Con Moto, Quasi Allegretto 9:48
3-03 III Moderato-Allegro 8:43

Symphony No. 6 In D Minor Op. 104
3-04 I Allegro Molto Moderato 8:48
3-05 II Allegretto Moderato 5:27
3-06 III Poco Vivace 3:45
3-07 IV Allegro Molto 10:04

Symphony No. 7 In C Major Op. 105
3-08 Adagio 9:40
3-09 Vivacissimo – Adagio 2:52
3-10 Allegro Molto Moderato – Allegro Moderato 4:03
3-11 Vivace – Presto 5:35

John Storgårds
BBC Philharmonic

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O Simpósio, de Akseli Gallen-Kallela (Sibelius está à direita, abaixo)

PQP

Brahms (1833 – 1897): The Schönberg Effect – Quartetos com Piano – Notos Quartett ֎

Brahms (1833 – 1897): The Schönberg Effect – Quartetos com Piano – Notos Quartett ֎

Johannes Brahms

Quarteto No. 1 Op. 25

Sinfonia No. 3 Op. 90

(Arr. A.N. Tarkmann)

Notos Quartett

 

Neste surpreendente disco é percorrido o caminho inverso do que vimos recentemente por aqui – uma orquestração do Quarteto para Piano e Cordas No. 1, com o festivo e impetuoso Presto alla zingarese final. Apresentados aqui, temos o tal Quarteto em sol menor op. 25, na sua versão original, e ao seu lado, um arranjo da Sinfonia No. 3 para a mesma formação – piano e cordas – feito pelo arranjador e compositor Andreas N. Tarkmann (nascido em 1956).

Andreas N Tarkmann

Arranjos de obras escritas originalmente para orquestra adaptadas para conjuntos menores ou mesmo para piano eram comuns na época anterior à música gravada, pois permitia que a música fosse apreciada ou por amadores ou mais facilmente executada. Há uma versão para trio com piano da Sinfonia No. 2 de Beethoven. Arnold Schoenberg arranjou a Canção da Terra, de Mahler, para um conjunto bem menor de instrumentos e, como você já deve saber, orquestrou o Quarteto No. 1.

Notos Quartett fotografado pela equipe de mídia do PQP Bach que é especializada em grupos de música pop…

A novidade aqui deve-se ao fato de que este arranjo da sinfonia de Brahms foi feito recentemente para o Notos Quartett pelo versátil e prolífico Andreas Tarkmann. A crítica do disco no The Guardian começa com a retórica pergunta: por que ouvir uma versão para um conjunto de câmara se há tantas gravações excelentes da versão para orquestra? Ao final chega-se à conclusão que é necessário realmente ouvir o disco para crer que o quarteto arranjado é tão bom quanto o escrito por Brahms. Como eu sempre gostei do Quarteto Cigano, ouvi o disco muitas vezes… e adorei. Vamos, dê uma chance ao jovem grupo musical e seu arranjador. Aposto uma cocada como você vai gostar. Depois me conte…

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Quarteto com Piano No. 1 em sol menor, Op. 25

  1. Allegro
  2. Intermezzo. Allegro man non troppo
  3. Andante con moto
  4. Rondo alla Zingarese. Presto

Sinfonia No. 3 em fá maior, Op. 90

(Arranjo para Quarteto com Piano – A.N. Tarkmann)

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Poco allegretto
  4. Allegro

Notos Quartett

Sindri Ledere, violino

Andrea Burger, viola

Philip Graham, violoncelo

Antonia Köster, piano

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MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Deu a maior trabalheira levar esses espelhos todos até o bosque do PQP Bach…

Parte da crítica que pode ser lida na íntegra aqui: […] listen to what the Notos players do with the Piano Quartet No. 1. This is a stupendous performance, which entirely gets the point of Brahms’s youthful energy and ambition. Antonia Köster’s piano playing is suitably aristocratic without being overwhelming, the ensemble between her and the three string players is clean, detailed, delicate as required, and miraculously, elastically organic; Sindri Lederer’s violin tone is opulent and beautifully voiced; Andrea Burger’s viola playing is ideal for this sort of repertoire; and Philip Graham endows the cello part with rich lyricism. Together they have worked out the work’s accumulative strengths, and the result is breathtaking. I’m still reeling from the sheer power of the Andante’s middle section. Highly recommended.

[…] ouça o que os músicos do Notos fazem com o Quarteto de Piano No. 1. Esta é uma performance estupenda, que atinge inteiramente a energia e a ambição juvenil de Brahms. O piano de Antonia Köster é adequadamente aristocrático sem ser avassalador, o conjunto entre ela e os três tocadores de cordas é limpo, detalhado, delicado conforme necessário e, milagrosamente, elasticamente orgânico; O tom de violino de Sindri Lederer é opulento e lindamente dublado; A viola de Andrea Burger é ideal para esse tipo de repertório; e Philip Graham dota a parte do violoncelo de rico lirismo. Juntos, eles trabalharam os pontos fortes acumulados do trabalho e o resultado é de tirar o fôlego. Ainda estou me recuperando do poder absoluto da seção central do Andante. Altamente recomendado.

Aproveite!

René Denon

Beethoven (Arr. Mahler): Quarteto de Cordas, Op. 95 & Brahms (Orq. Schoenberg): Quarteto com Piano, Op. 25 – Wiener Philharmoniker & Christoph von Dohnányi ֍

Brahms / Schoenberg: Quarteto para Piano, Op. 25 (Arranjo para Orquestra de Arnold Schoenberg) (Comissiona)

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 47, 149 e 169 (Rilling)

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 47, 149 e 169 (Rilling)

Certa vez, há algumas décadas, uma namorada, vendo que eu também era tarado por Bach, resolveu me dar todas as Cantatas pelo Helmuth Rilling. Gostei, ainda mais que não existiam as integrais de hoje (a do pugilista Gardiner, a de Suzuki, a de Koopman, a coleção da Netherlands Bach Society, a da Bachstiftung… Ah, a de Harnoncourt-Leonhardt me parecia meio anêmica — aliás, até hoje parece anêmica a este amante do historicamente informado) e que Rilling dava de dez na coleção parcial de Richter. E, ainda hoje, muitas vezes pego na estante um CD aleatório da coleção para ouvir. Bem, nesta manhã peguei um e me apaixonei por este que é o volume 53 da série. Já tinha me apaixonado por outros, mas este é bom também. Destaque para a presença do tenor catarinense Aldo Baldin na gravação.  Prova de que havia vida inteligente em SC antes de todos se tornarem bolsonaristas.

Importamte: saibam que Rilling permanece vivo aos 90 anos e, parece-me, ainda ativo.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 47, 149 e 169 (Rilling)

1 Who Himself Exalteth, He Shall Be Made To Be Humble, Cantata BWV 47: 1. Chor – Arleen Auger/Phileppe Huttenlocher
2 Who Himself Exalteth, He Shall Be Made To Be Humble, Cantata BWV 47: 2. Aria – Arleen Auger
3 Who Himself Exalteth, He Shall Be Made To Be Humble, Cantata BWV 47: 3. Recitative – Philippe Huttenlocher
4 Who Himself Exalteth, He Shall Be Made To Be Humble, Cantata BWV 47: 4. Aria – Philippe Huttenlocher
5 Who Himself Exalteth, He Shall Be Made To Be Humble, Cantata BWV 47: 5. Chor – Arleen Auger/Phileppe Huttenlocher

6 They Sing Now Of Triumph With Joy, Cantata BWV 149: 1. Chor – Arleen Auger/Mechthild Georg/Aldo Baldin/Philippe Huttenlocher
7 They Sing Now Of Triumph With Joy, Cantata BWV 149: 2. Aria – Philippe Huttenlocher
8 They Sing Now Of Triumph With Joy, Cantata BWV 149: 3. Recitative – Mechthild Georg
9 They Sing Now Of Triumph With Joy, Cantata BWV 149: 4. Aria – Arleen Auger
10 They Sing Now Of Triumph With Joy, Cantata BWV 149: 5. Recitative – Aldo Baldin
11 They Sing Now Of Triumph With Joy, Cantata BWV 149: 6. Aria – Mechthild Georg/Aldo Baldin
12 They Sing Now Of Triumph With Joy, Cantata BWV 149: 7. Chor – Arleen Auger/Mechthild Georg/Aldo Baldin/Philippe Huttenlocher

13 God All Alone My Heart Shall Master, Cantata BWV 169: 1. Sinf – Helmuth Rilling
14 God All Alone My Heart Shall Master, Cantata BWV 169: 2. Arioso And Recitative – Carolyn Watkinson
15 God All Alone My Heart Shall Master, Cantata BWV 169: 3. Aria – Carolyn Watkinson
16 God All Alone My Heart Shall Master, Cantata BWV 169: 4. Recitative – Helmuth Rilling
17 God All Alone My Heart Shall Master, Cantata BWV 169: 5. Aria – Carolyn Watkinson
18 God All Alone My Heart Shall Master, Cantata BWV 169: 6. Recitative – Carolyn Watkinson
19 God All Alone My Heart Shall Master, Cantata BWV 169: 7. Chor – Arleen Auger/Mechthild Georg/Aldo Baldin/Philippe Huttenlocher

Soprano: Arleen Augér
Alto: Mechthild Georg
Tenor: Aldo Baldin
Baixo: Philippe Huttenlocher
Gächinger Kantorei Stuttgart
Bach-Collegium Stuttgart
Helmuth Rilling

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O grande Aldo Baldin

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Complete Lute Suites (Sharon Isbin)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Complete Lute Suites (Sharon Isbin)

Este CD da ótima violonista Sharon Isbin já tem mais de dez anos, doze para ser mais exato. Mas é de uma qualidade única. Até pouco tempo atrás eram poucas as mulheres solistas deste instrumento tão peculiar e masculino que é o violão. Felizmente, nos dias de hoje esse número cresceu.
Sharon Isbin fez as tarefas de casa direitinho. Estudou até mesmo com Rosalyn Tureck, uma das grandes especialistas em Bach no século XX. Tureck inclusive está por trás deste CD, auxiliando Isbin na sua concepção e edição das obras aqui interpretadas.

Enfim, para quem gosta do instrumento, sugiro sua audição com atenção. Bach explorou todos os recursos disponíveis do alaúde, e Isbin transpôs com grande habilidade e maestria para o violão. Sugiro os senhores darem uma olhada em sua página pessoal para melhor a conhecerem.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Complete Lute Suites (Sharon Isbin)

Suite BWV 1006a In E Major · E-Dur · Mi Majeur (17:08)
1 Prelude 4:23
2 Loure 2:45
3 Gavotte En Rondeau 3:11
4 Menuet I & II (Da Capo Menuet I) 2:57
5 Bourrée 1:55
6 Gigue 1:58

Suite BWV 995 In G Minor Performed In A Minor· A-Moll · La Mineur (21:34)
7.1 Prelude:
7.2 Trés Vite 6:45
8 Allemande 3:31
9 Courante 2:07
10 Sarabande 4:15
11 Gavotte I & II (En Rondeau) 2:41
12 Gigue 2:15

Suite BWV 996 In E Minor · E-Moll · Mi Mineur (17:28)
13.1 Praeludio: Passaggio
13.2 Presto 2:59
14 Allemande 3:09
15 Courante 2:24
16 Sarabande 4:46
17 Bourrée 1:20
18 Gigue 2:51

Suite BWV 997 In C Minor Performed In A Minor · A-Moll · La Mineur (22:12)
19 Prelude 3:10
20 Fugue 8:12
21 Sarabande 5:28
22 Gigue 2:43
23 Double 2:39

Sharon Isbin, violão

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sharon isbin
Sharon Isbin – Beleza e talento a serviço de Bach

FDP

Igor Stravinsky (1882-1971): Concerto para Violino e Orq. / Bela Bartók (1881-1945): Concerto No. 2 para Violino e Orq. (Mullova / Salonen)

Igor Stravinsky (1882-1971): Concerto para Violino e Orq. / Bela Bartók (1881-1945): Concerto No. 2 para Violino e Orq. (Mullova / Salonen)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Dias atrás, ocorreu uma pequena discussão neste blog. Não quis participar, porque já tinha discutido o assunto em outras oportunidades e as pessoas se tornam muito agressivas, sabe-se lá por quê. O tema era violinistas. Então vieram os passadistas que não leram Virginia Woolf (ou, OK, que não concordam com ela) e desfilaram uma série de nomes de pessoas mortas. Eu sempre defendi a tese de que os instrumentistas modernos são, em sua maioria, superiores aos do passado. Basta ouvir com atenção. O resto, meus amigos, vai por conta do afeto. Uma vez, em minha casa, criei grande confusão ao mostrar gravações de pianistas e violinistas de ontem e hoje. Entre outros grandes artistas, a confusão foi gerada por Viktoria Mullova, uma violinista que “só não é absolutamente fabulosa pelo fato de estar viva” (V.W.). Quase imbatíveis, ela, Gil Shaham, Shlomo Mintz, o russo aquele (Vengerov, acho) e outros violinistas cujos corações ainda batem, ganhavam a preferência de quase todos. E estávamos quase só entre músicos… Dávamos risadas e as pessoas diziam que “não, não pode ser”. Os únicos que efetivamente acompanhavam os modernos eram Heifetz, Oistrakh e Szeryng. Imaginem que Milstein foi chamado de amador por três vezes. Não sou apocalíptico e acho que os modernos fazem melhor por estarem sobre os ombros dos gigantes do passado. Quando o gigante Gould concebeu suas interpretações, não foi auxiliado por Gould. Já Hewitt foi. Deste modo, não é inteiramente estranho que faça tão bem quanto ou até melhor. Bem, esqueçam, este foi só um exemplo e talvez não o mais feliz deles.

Beijos.

P.S.– Ah, há Mullova neste CD. Muita Mullova!

Igor Stravinsky (1882-1971): Concerto para Violino e Orq. / Bela Bartók (1881-1945): Concerto No. 2 para Violino e Orq. (Mullova / Salonen)

Igor Stravinsky (1882-1971) – Violin Concerto in D major

01. No. 1, Toccata
02. No. 2, Aria I
03. No. 3, Aria II

Bela Bartók (1881-1945) – Violin Concerto No. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117

04. I. Allegro con troppo
05. II. Andante tranquillo
06. III. Allegro molto

Viktoria Mullova, violino
Los Angeles Philharmonic New Music Group
Esa-Pekka Salonen, regente

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Mullova: com um beijo aos passadistas

PQP

Poulenc (1899 – 1963) – Fauré (1845 – 1924) – Ravel (1875 – 1937): Sonatas para Violino e Piano: Arabella Steinbacher & Robert Kulek ֍

Poulenc (1899 – 1963) – Fauré (1845 – 1924) – Ravel (1875 – 1937): Sonatas para Violino e Piano: Arabella Steinbacher & Robert Kulek ֍

Poulenc

Fauré

Ravel

Sonatas para Violino

Arabella Steinbacher, violino

Robert Kulek, piano

Dei com o nome Arabella Steibacher em um artigo da BBC Music Magazine sobre a famosa violinista Anne-Sophie Mutter. Ela criou em 1997 uma fundação para apoiar jovens talentos do naipe de cordas e Arabella estava entre os beneficiados, assim como Daniel Muller-Schott (violoncelo), Roman Patkoló (contrabaixo) e Sergey Kachatryan (violinista). Os benefícios culturais de iniciativas como essa são muitos e enriquecem nossas vidas.

Arabella adorou as acomodações do Salão de Entrevistas do PQP Bach headquarters…

O disco me atraiu imediatamente pelo repertório: sonatas para violino e piano compostas por franceses cujas existências coincidiram em parte, mas que também representam diferentes gerações.

Gabriel Fauré é o mais velho, mas foi bem longevo. Ele compôs duas sonatas para violino, mas essa do disco, é a primeira delas, ainda no século XIX, por volta de 1875. A première oficial foi na Société Nationale de Musique, na Sala Pleyel, que promovia música ‘francesa’ em contraste com a música ‘germânica’. Essa composição foi importante para estabelecer a reputação de Fauré como compositor.

Maurice Ravel é possivelmente o mais conhecido destes compositores e também compôs duas sonatas para violino. Como a primeira delas só veio a público depois da morte do compositor, esta segunda sonata é geralmente tratada apenas como Sonata para Violino de Ravel. Composta nos anos da década de 1920, teve o jazz e o blues, que eram muito populares em Paris desde o início do século XX, como fonte de inspiração. O terceiro movimento é intitulado ‘blues’.

A peça mais recente é a que abre o disco, uma belezura composta por Francis Poulenc. No entanto, a composição de uma sonata para violino foi um projeto que demorou a ser realizado. Várias tentativas ocorreram, desde a juventude do compositor, mas só em 1942 se completou. A sonata foi dedicada à memória do poeta Garcia Lorca, mas teve como madrinha a violinista Ginette Neveu, que deu vários pitacos para a parte de violino e estreou a peça ao lado do compositor como o pianista. Para entender a relutância e dificuldade que Francis Poulenc enfrentou na composição da peça, basta ler essas linhas que ele deixou ao completar o rascunho da peça: Le monstre est au point. Je vais commencer la réalisation. Ce n’est pas mal, je crois, et en tout cas fort différent de la sempiternelle ligne de violon-mélodie des sonates françaises du XIXe siècle…. Le violon prima donna sur piano arpège, me fait vomir. (O monstro está no ponto. Vou começar a realização. Não está mal, eu acho, e de qualquer forma é muito diferente da eterna linha violino-melodia das sonatas francesas do século XIX. O violino prima donna sobre os arpejos do piano me dá engulhos). Eu diria que o resultado ficou excelente.

Para fechar o cortejo, assim como um ‘encore’, temos mais uma peça de Ravel, Tzigane, cuja inspiração está evidente no próprio nome.

Francis Poulenc (1899 – 1963)

Sonata para Violino, FP 119

  1. Allegro con fuoco
  2. Intermezzo. Très lent et calme
  3. Presto tragico

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Sonata para Violino No. 1 em lá maior, Op. 13

  1. Allegro molto
  2. Andante
  3. Allegro vivo
  4. Allegro quasi presto

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Sonata para Violino em sol maior

  1. Allegretto
  2. Blues. Moderato
  3. Perpetuum mobile. Allegretto

Tzigane

  1. Tzigane

Arabella Steinbacher, violino

Robert Kulek, piano

O duo dando uma palhinha para o pessoal do PQP Bach depois do encontro para a entrevista…

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MP3 | 320 KBPS | 170 MB

The Poulenc comes off best overall and there’s a lovely lightness of touch about the Ravel sonata.

Classic fm 2008

Aproveite!

René Denon

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonia Nº 8 (Inacabada) e Nº 9 (A Grande) (Blomstedt)

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonia Nº 8 (Inacabada) e Nº 9 (A Grande) (Blomstedt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Herbert Blomstedt realizou esta gravação aos 94 anos a fim de comemorar seus 95 anos. E é a melhor gravação para este repertório de todos os tempos da última semana. Estou brincando mas nem tanto. O que ouvi foi um registro extremamente cuidadoso, moderno, respeitoso e original. Blomstedt valorizou ao extremo as melodias de Schubert e, vocês sabem, Schubert era um gênio para inventar melodias. A delicadeza da abordagem favorece intensamente o compositor. Li que Blomstedt observa meticulosamente as marcações nas últimas edições, corrigindo erros em partituras do século XIX que se tornaram tradição. Curiosamente, na Inacabada, Blomstedt parece vê-la como um todo de dois movimentos, o Andante levando a obra a uma conclusão serena. Na Grande, não lembro de ter ouvido gravação melhor.  A Oitava e a Nona de Blomstedt,  tem a sabedoria, a experiência e o afeto acumulados durante uma vida inteira. CD obrigatório!

Franz Schubert (1797-1828) Sinfonia Nº 8 (Inacabada) e Nº 9 (A Grande) (Blomstedt)

Sinfonia nº 8 em si menor, D. 759 “Inacabada”
1.1 I. Allegro moderado 14:48
1.2 II. Andante com moto 11:06

Sinfonia nº 9 em dó maior, D. 944 “A Grande”
2.1 I. Andante. Allegro Ma Non Troppo 15:20
2.2 II. Andante com moto 14:37
2.3 III. Scherzo. Allegro Vivace 15:10
2.4 4. Allegro Vivace 16:22

Gewandhausorchester
Herbert Blomstedt

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Nada mais jovem do que o velho Blomstedt

PQP

Bartók / D’hoe / Franck / Scărlătescu / Tchaikovsky: Dances (Amandine Beyer & Laurence Beyer)

Por várias vezes já declarei aqui no PQPBach minha admiração por esta excepcional violinista chamada Amandine Beyer. Até pouco tempo só ouvira discos seus tocando mais especificamente o repertório barroco, mas aqui neste disco que ora vos trago ela mergulha fundo no século XX e XXI, desde nosso adorado Bártok, com suas “Danças Populares Romenas”, o até então por  mim desconhecidos  Jeron D´Hoe e Ion Scarlatescu, e também mergulha com corpo e alma na magnífica “Sonata em Lá Maior”, de César Franck e Tchaikovsky com sua Valse Scherzo. Um repertório bem eclético, com certeza, que serve antes de tudo para mostrar toda a versatilidade e talento de Amandine Beyer.

Sobre Jeroen D´Hoe encontrei as seguintes informações em um site:

“Jeroen D’hoe (1968) is a prolific composer, pianist and musicologist, who engages in various dialogues with other musical styles and other art disciplines, usually commissioned by orchestras, ensembles, festivals and museums. He received a DMA (Doctor of Musical Arts) and Master of Music in composition with John Corigliano from The Juilliard School (New York), in addition to Masters in composition (Piet Swerts) and piano (Johan Lybeert and Alan Weiss) at LUCA School of Arts, Campus Lemmens (Leuven) and a Master in Musicology (KU Leuven). Jeroen D’hoe won the National Composition Competition of Queen Elisabeth (2003), the SABAM Prize for Composition (2003) with Toccata-Scherzo, and the Composition Competition of the Province of Flemish Brabant (2002) with Festival Anthem. He received the “Golden Poppy” Award (SABAM) for his oeuvre in the classical composition category (2008).

Sobre Ion Scarlatescu encontrei informações em romeno na Wikipedia, que diz que ele foi um pedagogo e professor no Conservatório de Música de Bucareste, e viveu entre 1872 e 1922. Sua “Bagatelle em Si Bemol Menor”, obra que Beyer gravou neste disco, é sua obra mais conhecida.

Enfim, um belíssimo CD, creio que os senhores irão gostar muito. A incursão de Beyer no repertório contemporâneo e romântico foi uma grande surpresa para mim. E apenas demonstrou o que já sabia: que grande violinista que ela é !!!

Béla Bartók (1881-1945)

01. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ I. Bot tánc _ Jocul cu bâtă
02. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ II. Brâul
03. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ III. Topogó _ Pe loc
04. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ IV. Bucsumí tánc _ Buciumeana
05. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ V. Román polka _ Poarga Românească – Aprózó _ Mărunțel

Jeroen D’hoe (1968)

06. Dances for Violin and Piano_ I. Commencement dance
07. Dances for Violin and Piano_ II. Round
08. Dances for Violin and Piano_ III. Tango
09. Dances for Violin and Piano_ IV. Jig
10. Dances for Violin and Piano_ V. Chaconne
11. Dances for Violin and Piano_ VI. Ballet mécanique with spagnoletta

César Franck (1822-1890)

12. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ I. Allegretto ben moderato
13. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ II. Allegro
14. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ III. Recitativo Fantasia (ben moderato)
15. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ IV. Allegretto poco mosso

 Piotr Iliich Tchaikovsky (1840-1893)

16. Valse Scherzo in C Major, Op. 34, TH 58

Ion Scărlătescu (1872-1922)

17. Bagatelle in B-Flat Minor

Amandine Beyer – Violino
Laurence Beyer – Piano

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FDP

.: interlúdio :. McCoy Tyner – Nights of Ballads & Blues (1963)

McCoy Tyner era um pianista que, em resumo, tinha dois jeitos de tocar. Um estilo percussivo, com acordes batucados como os de My Favorite Things, sua estreia com John Coltrane e um hit em 1961. Um estilo extremamente suave, com escalas e arpejos agudos que lembram o piano de um Chopin, Fauré ou Debussy. Mas com “blue notes”, claro.

Ou seja, mais ou menos como um ator que interpretava dois tipos principais de personagem, mas entre esses dois tipos ele percorria, do pianissimo ao fortissimo, uma ampla gama de sonoridades: talvez por isso, por ter tanta preocupação com os timbres do piano de cauda, ele nunca aderiu ao piano elétrico, ao contrário de outros mais ou menos seus contemporâneos como Herbie Hancock e Chick Corea ou ainda Cesar Camargo Mariano. Breve parêntese: alguns dias atrás assisti Elis e Tom, filme que retrata a gravação do clássico LP de 1974 e ali vemos um clima tenso entre Tom Jobim (partidário do piano acústico) e C.C. Mariano (que alternava entre o Fender Rhodes elétrico e o “piano de pau”). Tensão que acaba se resolvendo: na vida como na harmonia.

Voltando para McCoy Tyner: há discos em que ele transita entre os dois estilos básicos: por exemplo Open Sesame, com o quinteto de Hubbard, ou A Love Supreme, com o quarteto de Coltrane. Já em Ballads, com Coltrane, e neste Nights of Ballads and Blues, ele harmoniza tudo com toques suaves e elegantes nas teclas do piano. O baixista Steve Davis – que, anos antes, também estava na gravação de My Favorite Things – e o baterista Lex Humphries fazem o básico, o arroz com feijão e quem brilha é sempre o piano ao longo dos quase 40 minutos.

Thelonious Monk em pintura de Edú Marron

O repertório tem um tema de Tyner, dois de Thelonious Monk, um de Duke Ellington, duas canções de filmes da época e uma outra canção de melodia facilmente cantarolável mesmo que instrumental: We’ll Be Together Again. No lado B, Blue Monk (de Monk) e Groove Waltz (de Tyner), pelo contrário, são harmonicamente mais imprevisíveis, o que torna mais difícil assobiá-las. Monk (1917-1982), embora não tenha vendido discos na casa dos milhões, era muito respeitado por seus pares e foi, junto com Ellington, o compositor de jazz com o maior número de obras gravadas por outros artistas.

McCoy Tyner – Nights of Ballads & Blues
1. Satin Doll (Ellington, Mercer, Strayhorn) – 5:40
2. We’ll Be Together Again (Fischer, Laine) – 3:40
3. ‘Round Midnight (Monk) – 6:23
4. For Heaven’s Sake (Elise Bretton, Edwards, Donald Meyer) – 3:48
5. Star Eyes (De Paul, Raye) – 5:03
6. Blue Monk (Monk) – 5:22
7. Groove Waltz (Tyner) – 5:31
8. Days of Wine and Roses (Mancini, Mercer) – 3:21

McCoy Tyner – piano
Steve Davis – bass
Lex Humphries – drums

Recorded: 4 march 1963, Van Gelder Studio, New Jersey, USA

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Pleyel

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 36 “Linz”, 33 & 27 (Capella Istropoltana / Wordsworth)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 36 “Linz”, 33 & 27 (Capella Istropoltana / Wordsworth)

The Guardian sentenciou: “Absolutamente de primeira linha… entre as performances mais frescas e lindamente tocadas que você pode encontrar em qualquer lugar, maravilhosamente gravadas.” Este é o disco mais leve dos cinco das Sinfonias de Mozart com Wordsworth. Ele destaca as virtudes de sua abordagem. As articulações superprecisas e despojadas, embora estimulantes nas sinfonias maiores, ficariam arrogantes com peças lúdicas como a Sinfonia nº 27. uma qualidade de Wordsworth reside em sua disposição de deixar a música respirar. O movimento de abertura da Nº 33 é lento o suficiente para exibir o gracioso senso da obra: nada melancólico, mas majestoso (isso vale também para o fantástico primeiro movimento adagio-come-allegro da Nº 36). Os movimentos lentos têm a alegria suave e pensativa da famosa pintura de uma jovem e seu livro de Fragonard. E os alegres movimentos finais giram em alegria. A combinação de instrumentos modernos e a presença de câmara da Capella Istropolitana ajudam muito a tornar esta música perfeita.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 36 “Linz”, 33 & 27 (Capella Istropoltana / Wordsworth)

Symphony No.36 in C Major ‘Linz’, K. 425
1 Adagio. Allegro Spiritoso 10:42
2 Poco Adagio 6:55
3 Menuetto 3:34
4 Presto 8:07

Symphony No.33 in B Flat Major, K. 319
5 Allegro Assai 7:55
6 Andante Moderato 4:32
7 Minuetto 2:54
8 Finale. Allegro Assai 4:49

Symphony No.27 in G Major, K. 199/K. 161b
9 Allegro 4:43
10 Andante Grazioso 5:48
11 Presto 4:47

Capella Istropolitana
Barry Wordsworth

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O Fragonard que cito.

PQP

Robert Schumann (1810-1856): Obras Completas para Sopros e Piano (Drucker / Kuyper / Robinson / Shapiro)

Robert Schumann (1810-1856): Obras Completas para Sopros e Piano (Drucker / Kuyper / Robinson / Shapiro)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD extraordinário de obras não tão divulgadas de Schumann. Afinal, Schumann não parece combinar muito com trompas, clarinetes e oboés, certo? Bom, eu acho que as pessoas pensam assim, em sua maioria. O único problema é que as peças foram ordenadas por qualidade descrescente. Ou seja, o disco inicia com uma absoluta obra-prima — sem exagero, o Andante e Variações é isso mesmo, uma obra-prima –, segue com (muito) boas peças e termina meio combalido. O CD tem 66 minutos, mas cansa no final. Experimente!

Robert Schumann (1810-1856): Obras Completas para Sopros e Piano (Drucker / Kuyper / Robinson / Shapiro)

1 Andante und Variationen, Op. 46 20:07

2 Adagio und Allegro, Op. 70: Langsam – mit innigem Ausdruck 04:07
3 Adagio und Allegro, Op. 70: Rasch und feurig 04:46

4 Phantasiestücke, Op. 73: Zart und mit Ausdruck 03:01
5 Phantasiestücke, Op. 73: Lebhaft – Leicht 03:16
6 Phantasiestücke, Op. 73: Rasch und mit Feuer 03:40

7 Drei Romanzen, Op. 94: Nicht schnell 03:15
8 Drei Romanzen, Op. 94: Einfach – innig 03:47
9 Drei Romanzen, Op. 94: Nicht schnell 04:07

10 Märchenerzählungen, Op. 132: Lebhaft – nicht zu schnell 02:50
11 Märchenerzählungen, Op. 132: Lebhaft – und sehr markirt 03:22
12 Märchenerzählungen, Op. 132: Ruhiges Tempo – mit zartem Ausdruck 04:18
13 Märchenerzählungen, Op. 132: Lebhaft – sehr markirt 04:24

Stanley Drucker, clarinete
L. William Kuyper, trompa
Joseph Robinson, oboé
Hetch & Shapiro, duo de pianistas

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Bob Schumann era bem apessoado, não acham?

PQP

.: interlúdio :. Rachel Grimes: Book of leaves

.: interlúdio :. Rachel Grimes: Book of leaves

Conheci Rachel Grimes porque sou fã de sua banda, chamada Rachel’s. (A história do nome tem bem menos ego do que se pode imaginar). Sobre ela, resume bem a wikipedia: The group’s work is strongly influenced by classical music, particularly inspired by the minimalist music of the late 20th century, and its compositions reflects this. The group’s recordings and performances feature a varying ensemble of musicians, who play a range of string instruments (including viola and cello) in combination with piano, guitars, electric bass guitar, and a drum set that includes a large orchestral bass drum. Embora não esteja dito nesse trecho, Rachel’s é classificada como uma banda de post-rock — o que eu considero uma grande incorreção, apesar de não saber em que gênero enquadrá-los. A palavra “neoclássico” vem à mente, mas isso é apenas uma indicação.

Este primeiro trabalho solo da pianista e compositora Rachel vai pelo mesmo caminho. Não é jazz, mas lembra alguns momentos (os mais esparsos) de Herbie Hancock; não é música clássica, mas não soa estranho quando lhe categorizam como “contemporary classical”. Como sabemos, tudo isso faz pouca diferença — principalmente se o resultado é brilhante, e felizmente é este o caso. Rachel criou um álbum belíssimo. Os temas são curtos e entrelaçados, quase sempre bastante lentos, e com o piano a criar paisagens de tranquilidade e introspecção. E é só ele que se ouvirá no disco, além de uns passarinhos, bem no fundo, em determinados momentos. Não parece relaxante? Ao cabo de pouco mais de meia hora, fica-se com a impressão de se ter passado por um spa cerebral. Não que seja música simplista, ou fácil, ou (argh!) new age. Rachel, em solo ou com a banda, tem a virtude de criar canções que são agradáveis e ao mesmo tempo desafiam — e mais do que isso, que trazem identidade bem definida e por isso, causam saudade e fazem voltar à audição.

Rachel Grimes – Book of Leaves (2009)

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01 Long Before Us
02 Every Morning
03 The Corner Room
04 She Was Here
05 On The Morrow
06 My Dear Companion
07 Far Light
08 Mossgrove
09 Bloodroot
10 At the Pond
11 Starwhite
12 The Side View
13 Every Morning Birds
14 A Bed of Moss

Boa audição!
Blue Dog

Hermann Goetz (1840-1876): Concertos para Piano Nº 1 & 2 (Banfield / Albert)

Hermann Goetz (1840-1876): Concertos para Piano Nº 1 & 2 (Banfield / Albert)

Fechando esta dupla de postagens dedicadas a românticos obscuros — a outra é esta –, lá vai um CD verdadeiramente excelente. Goetz, sim, Goetz. Quando você quiser impressionar alguém, diga que você é fascinado pelo sabor mendelssohniano de seu primeiro concerto e com o caráter lírico e nostálgico do segundo que, como disse um comentarista, parece prenunciar o fim do romantismo. Se a pessoa não conhecer Goetz, faça cara de surpresa e sugira que quem não conhece o compositor… Bem, o que importa é ter saúde, né? Diga também que Goetz é uma mistura de Beethoven, Mendelssohn e Schumann e não esqueça da cara de louco de Goetz (veja abaixo).

Hermann Goetz (1840-1876): Concertos para Piano Nº 1 & 2

Concerto No.1 in E flat
01. Andante – Allegro 7:06
02. Adagio – Tempo I 12:18

Concerto No.2, Op.18
03. Massig bewegt 14:46
04. Massig langsam 11:05
05. Langsam – Belebter 11:14

Volker Banfield, piano
Radio Philarmonie Hannover des NDR
Werner Andreas Albert

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Goetz tinha um ar meio songamonga, não?

PQP

Grupo Piap – Obras brasileiras inéditas para percussão (1997)

Grupo Piap – Obras brasileiras inéditas para percussão (1997)

Sinhá pode até não querer batuque na cozinha, mas que a gente gosta de uma boa percussão, ô se gosta! E é impossível falar do ensino de percussão no Brasil sem mencionar o incontornável trabalho do Grupo de Percussão do Instituto de Artes da Unesp, o Piap. Fundado e dirigido por mais de três décadas por John Boudler, o Piap formou gerações e gerações de percussionistas do mais alto nível, espalhados pelo mundo afora. Hoje o grupo é dirigido por Carlos Stasi e Eduardo Gianesella, outros dois nomes de peso na percussão orquestral brasileira.

Se é de grande importância para os estudantes e músicos, o Piap também desempenha, desde sua fundação em 1978, um papel de extrema relevância na formação de público, não só explorando o repertório canônico e de significação histórica como também dando vida às novas criações de compositores vivos e atuantes. O Piap tem plena consciência da importância de escutarmos a música que se faz hoje, agora, e que aponta caminhos para o futuro.

John Cage em visita ao Piap, nos anos 80. Cage está de camisa clara, ao centro. À sua direita, Boudler e Elizabeth Del Grande, recém-homenageada após completar 50 anos de Osesp. Gianesella é o 2º em pé, à esq. de Cage

Esse disco, de 1997, traz a estreia de seis obras encomendadas a compositores brasileiros ligados ao meio universitário, todas compostas naquele mesmo ano: Flo Menezes (Unesp), Mário Ficarelli (USP), Edmundo Villani-Côrtes (Unesp), Eduardo Seincman (Usp), José Augusto Mannis (Unicamp) e Almeida Prado (Unicamp).

“On the other hand…”, de Flo Menezes (1962 – ), busca expressar por meios puramente instrumentais procedimentos e estéticas essencialmente eletroacústicos, com músicos dispostos no palco, ao redor do público e no meio da platéia. “Tempestade óssea”, de Mário Ficarelli (1935-2014), faz uso exclusivo do naipe das madeiras e dialoga com o universo sonoro dos ossos. “Impressões de um ensaio geral”, de Edmundo Villani-Côrtes (1930 – ), nos leva para o interior de um ensaio de uma escola de samba, com direito a sinos, tiros e sirene de polícia. “Seres imaginários”, de Eduardo Seincman (1955 – ), é inspirado em “O livro dos seres imaginários”, do escritor argentino Jorge Luis Borges. “Arapongas”, de José Augusto Mannis (1956 – ), para onze instrumentistas, surgiu da imagem sonora de um casal de arapongas, a simpática e loquaz ave que grita pelo Brasil afora. E “Maranduba”, do mestre Almeida Prado (1943-2010), desfia uma série de estórias (maranduba, em tupi-guarani, significa “narração” ou “estória”) sonoras, para oito percussionistas.

Piap em concerto, 2018

Embora um quarto de século já nos separe das obras que integram o disco, elas soam tão modernas que poderiam ter sido escritas amanhã ou em 2027. Ouvir música viva é bom demais, não é? Vida longa ao Piap!

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Obras brasileiras inéditas para percussão

1. Flo Menezes – “On the other hand…”
2. Mário Ficarelli  – “Tempestade óssea”
3. Edmundo Villani Côrtes – “Impressões de um ensaio geral”
4. Eduardo Seincman – “Seres imaginários”
5. José Augusto Mannis – “Arapongas”
6. Almeida Prado – “Maranduba”

Grupo de Percussão do Instituto de Artes da Unesp – Piap
John Boudler, direção
Eduardo Gianesella, direção

Karlheinz

Gustav Mahler (1860-1911): Canções orquestrais – Gerhaher, Sinfônica de Montreal, Nagano

Se podemos afirmar sem exagero que Gustav Mahler (1860-1911) subiu às “máximas alturas” do solilóquio de Augusto dos Anjos, e no lar deste repórter o velho cavalheiro boêmio é de fato santo de máxima devoção, é principalmente por conta de suas criações no universo sinfônico. As nove sinfonias completas e os fragmentos da décima estão entre os mais notáveis exemplares do gênero, abraçando os caminhos trilhados até ali e apontando para o futuro. Nós nunca mais fomos os mesmos após passarmos pelas sinfonias de Mahler.

A imponência deste conjunto de obras, se por um lado tende a ofuscar outro rico repertório, também oferece inúmeras possibilidades de diálogo com essas criações. Outra faceta importantíssima da obra mahleriana são as canções, sejam elas do repertório camerístico (em geral uma voz acompanhada ao piano) ou feitas para que uma orquestra acompanhe o canto. Mahler deixou ao todo quarenta e seis canções, agrupadas em ciclos ou dispersas de forma autônoma.

Este belíssimo disquinho que trazemos hoje traz três dos ciclos mais importantes deixados pelo mestre austríaco: Lieder eines fahrenden Gesellen (“Canções de um viajante”, 1885), Kindertotenlieder (“Canções sobre a morte das crianças”, 1901-4) e Rückert-Lieder (“Canções de Rückert”, 1901-2), perfazendo ao todo catorze canções. Enquanto os textos de Lieder eines fahrenden Gesellen – uma obra de juventude impregnada de ardente paixão – também saíram da pena de Mahler, os outros dois foram compostos a partir de versos do poeta alemão Friedrich Rückert (1788-1866).

Quem dá voz ao álbum é um dos cantores de agenda mais concorrida das temporadas européias, o barítono alemão Christian Gerhaher. É batata: se o nome de Gerhaher está no pôster, é sinal de casa cheia. E, francamente? É mais do que justo. Dono de um timbre belo e encorpado, Gerhaher domina como poucos a arte do Lied. Ao seu lado, parceiros acertadíssimos: uma orquestra com uma sonoridade brilhante e cheia de cores como a Sinfônica de Montreal (por mais de duas décadas lapidada pelo mestre Charles Dutoit) e um regente de ouvido apurado, atenção ao detalhe e sólido senso de arquitetura do todo como o japonês Kent Nagano, chefe do grupo desde 2006.

Um pequeno destaque de caráter estritamente pessoal é a canção que fecha o disco, Ich bin der Welt abhanden gekommen (algo como “Estou perdido para o mundo”). Na humilde opinião deste escriba, é uma das mais belas canções orquestrais já escritas, uma daquelas coisas que fazem a gente agradecer por ter nascido.

Gustav Mahler, rascunho de “Ich bin der Welt abhanden gekommen”

Gustav Mahler (1860-1811)

Lieder eines fahrenden Gesellen
1. Wenn mein Schatz Hochzeit macht
2. Ging heut’ morgen über’s Feld
3. Ich hab’ ein glühend Messer
4. Die zwei blauen Augen

Kindertotenlieder
5. Nun will die Sonn’ so hell aufgehn!
6. Nun seh’ ich wohl, warum so dunkle Flammen
7. Wenn dein Mütterlein
8. Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen!
9. In diesem Wetter!

Rückert-Lieder
10. Blick’ mir nicht in die Lieder!
11. Ich atmet’ einen linden Duft
12. Um Mitternacht
13. Liebst du um Schönheit
14. Ich bin der Welt abhanden gekommen

Christian Gerhaher, barítono
Orchestre Symphonique de Montréal
Kent Nagano, regência

Gerhaher, Nagano e a Sinfônica de Montreal em concerto

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Karlheinz

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Octeto para Cordas, Op. 20, Sexteto para Piano, Op. 110 (Prazak Quartet, Kocian Quartet)

Um baita CD, que venho ouvindo já há alguns anos e que me agrada muito. Dois excelentes conjuntos de Câmara tchecos unem forças para encararem o genial Octeto para cordas de Mendelssohn. Coerência, eu diria, é a palavra chave para esta gravação do Octeto. Oito pessoas tocando juntas requer muito domínio, e principalmente, confiança e companheirismo. Uma derrapada de um pode atrapalhar o outro.

O Sexteto com Piano é outro peso pesado do repertório de Mendelssohn. Infelizmente, é pouco interpretado.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Octeto para Cordas, Op. 20, Sexteto para Piano, Op. 110 (Prazak Quartet, Kocian Quartet)

01 – 1. Octuor A Cordes En Mi Bémol Majeur, Opus 20 _ Allegro Moderato
02 – 2. Octuor A Cordes En Mi Bémol Majeur, Opus 20 _ Andante
03 – 3. Octuor A Cordes En Mi Bémol Majeur, Opus 20 _ Scherzo, Allegro Leggierissimo
04 – 4. Octuor A Cordes En Mi Bémol Majeur, Opus 20 _ Presto

05 – 5. Sextuor En Ré Majeur, Opus 110 _ Allegro, Vivace
06 – 6. Sextuor En Ré Majeur, Opus 110 _ Adagio
07 – 7. Sextuor En Ré Majeur, Opus 110 _ Minuetto
08 – 8. Sextuor En Ré Majeur, Opus 110 _ Allegro Vivace

Prazak Quartet
Kocian Quartet
Jaromir Keplac – Piano
Jiri Hudec – Double Bass

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O Quarteto Pražák existe desde 1974. Já ocorreram diversas substituições. Esta é a sua formação de 2021.

FDPBach

O Clarinete na obra de Bruno Kiefer (1923-1987) – Diego Grendene, clarinete

O quinteto de sopros – clarinete, flauta, oboé, fagote e trompa – é uma formação que surgiu na época de Mozart e Haydn, porém nenhum dos dois compôs obras exatamente para esse grupo de instrumentos. Mozart provavelmente conhecia esse tipo de quinteto que aparece no catálogo Breitkopf desde 1782, diz Harold C. Robbins Landon, mas “ele negligenciou completamente essa combinação, assim como os trios e quartetos de mesmo tipo. Ele parecia firmemente convencido de que ao utilizar sopros em música de câmara isoladamente e não em pares, ele só garantiria a homogeneidade que estimava essencial se utilizasse instrumentos de acompanhamento – teclado ou grupo de cordas. Acompanhar um instrumento de sopro com cordas não era inovação, e a prática mais comum era trocar um primeiro violino de um quarteto de cordas por um sopro. Assim Mozart compôs seus quartetos para flauta e um quarteto para oboé.” (palavras de H.C.R. Landon)

Nas suas obras orquestrais, Mozart empregava constantemente os sopros em duplas: por exemplo no Requiem há dois clarinetes baixos, dois fagotes, dois trompetes e três trombones, no Concerto para Clarinete a orquestra tem duas flautas, dois fagotes e duas trompas, já na peça de adolescência “Exsultate, jubilate” e nos Concertos para Violino, são dois oboés e duas trompas. Haydn também passou longe dessa formação do quinteto, o mais perto a que chegou foi quando compôs um Sexteto em 1793 com dois clarinetes, dois fagotes e duas trompas. Bach, como chamei atenção aqui [BWV 127], utilizou pares de flautas e de oboés em várias cantatas e nas Paixões, somando a isso três trompetes na obras mais festivas.

Já a fusão entre um instrumento de sopro de cada tipo, ao contrário das duplas de iguais, gera combinações um tanto estranhas se comparadas com o som da união de violino, viola e violoncelo, que formam um conjunto bem mais homogêneo – ou, em outra interpretação, mais careta. O quinteto de sopros com um representante de cada instrumento, portanto, se já era vagamente conhecido por Mozart, ganhou um repertório mais vasto pouco após a morte do gênio de Salzburg com as obras do alemão Franz Danzi (1763-1826), do tcheco/alemão Anton Reicha (1770-1836) e do francês George Onslow (1784–1853): mais ou menos da geração de Beethoven, eram compositores que buscavam novas sonoridades diferentes dos já um tanto saturados quarteto de cordas e trio com piano. E, convenhamos, nomes em suma de pouca relevância.

Neste disco de obras de câmara de Bruno Kiefer, o quinteto e o trio de sopros (este último para clarinete, flauta e fagote) me parecem as obras de maior envergadura, representando interessantes experimentos com os timbres. Nesse quinteto de sopros composto em 1975, estamos em um mundo bem diferente da elegante Viena de Haydn: Kiefer combina os instrumentos criando sons estranhos, enigmáticos (nome de um movimento), quase o oposto exato do ideal sonoro dos vienenses. E nessa busca por sonoridades humorísticas, bizarras ou com qualquer outra característica menos a homogeneidade, Kiefer se aproxima de outros grandes compositores de século XX que reabilitaram o quinteto de sopros: Milhaud, Villa-Lobos, Schoenberg, Ligeti e outros. É uma formação que convinha para aqueles criadores que queriam ir além do sentimentalismo dos românticos e ao mesmo tempo não queriam repetir a homogeneidade e a pose “antigo regime” do classicismo vienense

Para mais informações sobre o brasileiro nascido na Alemanha e vivendo no sul do Brasil desde criança, deixo-os com parte de um texto que, aliás, anunciava um concerto celebrando o centenário de Kiefer. Este centenário, em abril de 2023, passou batido aqui no PQPBach mas, como dizem os gaúchos: bah, antes tarde do que nunca!

A entrada no Departamento de Música da UFRGS [em 1969] permitiu a Kiefer se dedicar todos os dias à composição musical – o resultado foi um catálogo que está entre os mais importantes da música brasileira de concerto da segunda metade do século passado.

A lista das mais de 130 composições de Bruno Kiefer inclui música sinfônica, música coral, música para piano, canções e música de câmara. Ele se dedicou a todos os tipos de música que estavam à sua disposição, construindo um estilo composicional único, caracterizado pelas melodias angulares, pela harmonia inovadora e pela temática que passa por um profundo enraizamento na terra – a terra gaúcha que Kiefer adotou como sua, transformando-a em música.
(Celso Loureiro Chaves, compositor e professor do Departamento de Música da UFRGS, aqui)

Bruno Kiefer (1923-1987): obras de câmara com clarinete
1-3. Três Poemas: O exílio, Poema da devastação, Estão enferrujados (barítono, piano, clarinete)
4. Monólogo (clarinete)
5. Pequena música (dois clarinetes)
6. Saudade (clarinete, piano)
7-9. Música para dois: I. Traquinice, II. Pequena Fuga, III. Espirituoso (clarinete, flauta)
10-12. Poema do Horizonte III: I. Moderado, II. Imploração, III. Enigmático (quinteto de sopros)
13-14. Coxilhas: I. Quase lento, II. Devagar – Mais Vivo etc (clarinete, flauta, fagote)

Diego Grendene (clarinete) – todas as faixas
Marcelo Coutinho (barítono), Thalyson Rodrigues (piano) – faixas 1-3
Cristiano Alves (clarinete) – faixa 5
Willian Lizardo (piano) – faixa 6
Sammy Fuks (flauta) – faixas 7-9
Sammy Fuks (flauta), Rodrigo Herculano (oboé), Jeferson Souza (fagote), Josué Soares (trompa) – faixas 10-12
Sammy Fuks (flauta), Jeferson Souza (fagote) – faixas 13-14

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Bruno Kiefer

Pleyel

Sylvius Leopold Weiss (1687-1750): Concertos para Alaúde (Richard Stone / Tempesta Di Mare)

Sylvius Leopold Weiss (1687-1750): Concertos para Alaúde (Richard Stone / Tempesta Di Mare)

Um bom disco! Uma namorada minha — isso há várias décadas, porque éramos adolescentes –, foi a um concerto de música barroca e veio me contar que tinha assistido um Concerto para ATAÚDE. Ela era muito bonita e eu, que sabia do erro, fiquei bem quieto porque queria beijá-la — o máximo que fazíamos na época. Dias depois, com a relação mais estável, perguntei-lhe o que eles faziam com um ataúde no palco… Bem, como essas obras só sobreviveram na parte solo de alaúde, este disco representa um impressionante esforço de Richard Stone, que reorquestrou de forma convincente tudo o que é ouvido aqui. E como ele deu vida a essas peças há muito perdidas! Weiss compôs alguns concertos para alaúde e cordas, mas as partes para cordas não chegaram até nós. Aí é que entra Mr. Stone. Weiss era reconhecido em sua época principalmente por suas improvisações fantásticas e suas suítes para alaúde solo, mas também deve ter sido um bom solista em concertos. Um bom disco!

Sylvius Leopold Weiss (1687-1750): Concertos para Alaúde (Richard Stone / Tempesta Di Mare)

Concerto A Cinque In C Major, SC 90 (9:46)
1 I. Allegro 4:50
2 II. Andante 2:29
3 III. Tempo Di Minuetto 2:28

Concerto In D Minor, SC 58 (15:16)
4 I. Largo 2:59
5 II. Allegro 4:51
6 III. Largo 3:24
7 IV. Allegro Assai 4:02

Concerto For Lute And Flute In F Major, SC 9 (11:36)
8 I. Adagio 1:28
9 II. Allegro 2:15
10 III. Amoroso 3:21
11 IV. Allegro 4:31

Concerto Grosso In B Flat Major, SC 57 (11:07)
12 I. Allegro 4:59
13 II. Largo 2:55
14 III. Allegro 4:12

Concerto In F Major, SC 53 (14:29)
15 I. Largo 2:35
16 II. Allegro 4:24
17 III. Largo 3:09
18 IV. Allegro 4:22

Concerto For Lute And Flute In B Flat Major, SC 6 (12:16)
19 I. Adagio 2:51
20 II. Allegro 4:06
21 III. Grave 1:59
22 IV. Allegro 3:20

Bass – Anne Peterson
Cello [Violoncello] – Eve Miller, Vivian Barton Dozor
Ensemble – Tempesta Di Mare
Flute – Gwyn Roberts (2)
Harpsichord – Barbara Weiss
Lute – Richard Stone
Viola – Fran Berge
Viola [Da Gamba] – Ann Marie Morgan
Violin – Cynthia Roberts, Daniel Elyar, Dongmyung Ahn, Emlyn Ngai, Mark Zaki, Sara De Corso

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Esse era alaudista!

PQP

La Belle Époque: Música Francesa Para Duo de Pianos – Karin Lechner & Sergio Tiempo ֍

La Belle Époque: Música Francesa Para Duo de Pianos – Karin Lechner & Sergio Tiempo ֍

Milhaud: Scaramouche

Ravel: Daphnis et Chloé & La Valse

Fauré: Dolly Suíte

Debussy: Nuages & Fètes

Karin Lechner & Sergio Tiempo

 

Aqui em casa gostamos de comida chinesa e pedimos pelo aplicativo – eu adoro frango xadrez. Mas, gostamos mesmo é dos biscoitos da sorte. Adoramos essas frases minúsculas de ‘sabedoria chinesa’, como a maravilhosa: O segredo da longevidade é comer a metade, andar o dobro e rir o triplo’!

Se está ali, escrito, não é segredo, mas chegou apenas no seu biscoito da sorte. Parece algo que foi feito só para você. Ah, depois dessa, só pedimos meias-porções, andamos até a entrada do condomínio para buscar a comida e rimos à beça, especialmente de nós mesmos.

Bom, alegria mesmo nos deu foi esse álbum da postagem, música da Belle Époque, cheia de charme e elegância, de virtuosismo e melodias inesquecíveis. Os compositores franceses desse período, início do século 20, escreveram ou transcreveram muita música linda para duo de pianos ou piano a quatro mãos. Eu adoro esse tipo de repertório e já andei postando alguns discos dessa estirpe por aqui. Esse é de 2010, mas só agora cruzou comigo. Eu já conhecia os intérpretes, que são irmãos, mas não os havia ouvido como um duo.

Karin Lechner nasceu em Buenos Aires, Argentina. Ela passou a maior parte de sua juventude em Caracas, Venezuela, onde começou seus estudos musicais com sua mãe, Lyl Tiempo. Ela fez sua primeira aparição pública aos cinco anos de idade, e sua estreia com orquestra quando tinha 11 anos.

Mudou-se para a Europa e continuou seus estudos de piano com Maria Curcio e Pierre Sancan e também recebeu conselhos musicais de Martha Argerich, Nelson Freire, Daniel Barenboim, Nikita Magaloff e Rafael Orozco.

Sergio Tiempo fez sua estreia profissional no Amsterdam Concertgebouw aos quatorze anos, e logo se tornou internacionalmente conhecido por sua energia bruta e versatilidade musical, de Brahms a Villa-Lobos e Ginastera.

Nascido em Caracas, Venezuela, Sergio Tiempo iniciou seus estudos de piano com sua mãe, Lyl Tiempo. Enquanto esteve na Fondazione per il Pianoforte em Como, Itália, trabalhou com Dimitri Bashkirov, Fou Tsong, Murray Perahia e Dietrich Fischer-Dieskau. Ele recebeu orientação musical frequente, assim como conselhos de Martha Argerich e Nelson Freire e se apresenta regularmente com o conterrâneo e amigo Gustavo Dudamel.

O repertório do disco é ótimo. Scaramuche é uma suíte escrita por Darius Milhaud, que andou pelo Brasil como adido cultural da Embaixada Francesa, e essa experiência pode ser ouvida no terceiro e último movimento da suíte.

Depois temos transcrições da Segunda Suíte do balé Daphnis et Chloé, de Maurice Ravel, feitas por Lucien Garban, que era editor de música na editora Durand e foi amigo de Ravel por toda a vida.

No centro do disco uma peça para piano a quatro mãos, a Suíte Dolly, de Gabriel Fauré, famosa por sua inspiração no universo das crianças e que termina em um tour de force, Le pas espagnol, um enorme sucesso aqui em casa.

Depois dois noturnos de Debussy – Nuages e Fètes – transcritos para duo de pianos por Ravel. E para completar esse lindo disco, La valse, também de Ravel, em uma transcrição para duo de pianos pelo próprio compositor.

Darius Milhaud (1892 – 1974)

Scaramouche

  1. Vif
  2. Modéré
  3. Braziliera

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Daphnis et Chloé

  1. Lever du Jour
  2. Pantomime & Danse Générale

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Dolly Suite, Op. 56

  1. Berceuse
  2. Mi-a-ou
  3. Le jardin de Dolly
  4. Kitty-valse
  5. Tendresse
  6. Le pas espagnol

Claude Debussy (1862 – 1918)

Trois Nocturnes

  1. Nuages
  2. Fètes

Maurice Ravel

La Valse

  1. La Valse

Karin Lechner & Sergio Tiempo, piano(s)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 162 MB

Seção “The Book is on the Table”: …without doubt one of the most electrifying recordings of four-hand piano music I have ever heard. Fauré’s Dolly is invested with a subtly expressive detail that makes you listen with fresh ears to this well-worn favourite… La valse is a thrilling tour de force. Gramophone Magazine January 2010

Do site da gravadora: It is always a musical highlight when both brother and sister join forces to offer us a truly virtuosic but also highly inspired moment of music. Their first album for avanticlassic focuses on one of the most interesting musical periods in France history: La Belle Époque. With Scaramouche from Darius Milhaud, Daphnis and Chloé by Maurice Ravel, Dolly by Gabriel Fauré, two Nocturnes from Debussy and a haunting la Valse from Maurice Ravel, they chose an inspired program displaying the intimacy, the magic, but also the fascinating musical concepts arising from this culturally rich era.

Sergio e Karin

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O pessoal do PQP Bach marcou uma entrevista com o duo de pianistas do disco e disse para o pessoal da imprensa que eles eram irmãos. Pois o departamento de artes foi logo tascando uma foto do arquivo….

Aproveite!

René Denon

PS: Darius fez essa cara quando lhe explicamos o ocorrido…

A frase que estava no biscoito da sorte dele foi: Quem está feliz, faz os outros felizes!

Chopin: Estudos completos, Allegro de Concerto, Fantasia-Impromptu, Barcarola (Arrau, piano)

– Se eu lhe contar, doutor, que chorei como uma criança quando
soube da morte de Chopin, vosmecê se admira?
– Eu não me admiro de nada.
– Que Chopin? – perguntou Bibiana.
Luzia, paciente, voltou-se para a sogra.
– É um compositor, dona Bibiana. Um homem que escrevia músicas, lindas músicas. Aquela valsa que eu toco e que a senhora gosta é dele…
Bibiana sorriu enigmaticamente.
– Pois chorei, doutor – continuou Luzia. – E sabe por que chorei mais? Porque Chopin morreu em 1849 e só três anos depois é que fiquei sabendo […] (Erico Verissimo, O Tempo e o Vento)

.:.

A compositora e pianista Dinorá de Carvalho escreveu no Correio Paulistano (12 jun 1956):

Mãos de Chopin
Chopin é o suave poeta dos “Noturnos”, cujas mãos exprimem doçura, carícia, amor…
Mãos que espalharam pelo mundo as mais deliciosas harmonias, trazendo numa vida de sonhos, esperanças e amores a história do seu sofrimento intérmino.
Mãos, como contavam alguns de seus discípulos, a princesa Czartoryska, Mme. Dubois, Georges Mathias, que [Chopin] colocava no teclado planas, horizontais; tocava com a ponta dos dedos para não ferir as teclas, obtendo assim efeitos estranhos nos “Estudos”.

.:.

Para Maria Abreu, no Brasil “Chopin foi paradigma por ter sido espelho. O espelho que reproduziu nossa imagem sentimental.” (Do livro O Piano na Música Brasileira, 1992, p.45)

Essa “nossa imagem sentimental”, nas palavras da pianista e jornalista Maria Abreu (Porto Alegre, 1916-1995), se refere a uma certa fração do Brasil que ela conheceu quando jovem, não valendo para uma “imagem sentimental” brasileira em todos os tempos e lugares. Em todo caso, nota-se como a música do polonês, como um espelho, pode refletir imagens diferentes. O Chopin de Claudio Arrau tem essência diferente do de Guiomar Novaes que é diferente do Artur Rubinstein que é diferente do de Arturo B. Michelangeli que é diferente do de Samson François, para falarmos só de grandes pianistas em atividade nos anos 1950, década em que Arrau gravou os “24 Estudos” principais e os menos inspirados “3 Novos Estudos”. Essas gravações de Arrau foram todas feitas em Londres e saíram pelos selos Decca e Columbia. Depois, Arrau gravaria muito Chopin pelo selo Philips (anos 1970-80), mas os Estudos ele não gravaria nos anos finais da sua longa carreira. Os Estudos por Novaes também estão no acervo do blog. Rubinstein e Michelangeli fugiam desse repertório, tocando apenas estudos avulsos, nunca o conjunto inteiro.

Entre as características interessantes dessas gravações de Arrau, chamo atenção para a diferença de sonoridade entre as duas mãos em estudos como o opus 10 nº 6 e o opus 25 nº 6. Cada mão, ou seja, cada voz tem um tipo de dinâmica, de ataque nas teclas produzindo um timbre específico. Essa diferenciação fica ainda mais evidente no opus 10, de andamento Lento ma non troppo e apelido “Tristesse”, que tem praticamente três vozes, com alguns graves que fazem mais ou menos o papel dos pedais no órgão. Aliás, Chopin conhecia bem os Prelúdios e Fugas do Cravo Bem Temperado de Bach, que foram o ponto de partida para os seus próprios prelúdios, e é provável que conhecesse também algumas obras para órgão de Bach e as Invenções a duas e três vozes. Ou seja, Chopin compunha com um olho voltado para a polifonia do organista de Weimar e Leipzig e outro olho apontando para a melancolia que agradaria brasileiros (e até mais brasileiras, como as das três epígrafes acima). Na Barcarola, escrita 10 anos após os Prelúdios e também gravada aqui por Arrau, as harmonias mais cromáticas e os arpejos suaves apontam para sucessores franceses de Chopin como Fauré e Debussy.

Frédéric Chopin (1810-1849):
CD1
12 Études Op.10
Allegro de Concerto, opus 46
3 Nouvelles Études, op. posth.

CD2
12 Études Op.25
Fantaisie-Impromptu, opus 66
Barcarolle, opus 60

Claudio Arrau, piano
Recorded: 1956 (op. 10, 25, 46, posth.), 1953 (op. 60, 66)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320kbps)

Chopin (1835), em aquarela de Maria Wodzińska, com quem fumou mas não tragou, digo, noivou mas não casou

Pleyel

Maurice Ravel (1875-1937): Complete Orchestral Works (3 CDs) (Abbado)

Maurice Ravel (1875-1937): Complete Orchestral Works (3 CDs) (Abbado)

Adquiri esse cd numa leva de 21 que comprei de uma só vez. Bons tempos aqueles, pois era desprovido de dívidas e obrigações mensais, gastava tudo do jeito que bem entendia. Os preços eram verificados através de selos e somente quando cheguei em casa, percebi que esse cd triplo tinha saído pelo preço de duplo, pois estava, erroneamente, com apenas dois selos. Como tinha comprado uma quantidade razoável, não me senti culpado…

A partir desse álbum triplo pude ter um contato mais próximo com a obra orquestral de Ravel, pois até antes dele, só conhecia o Bolero e a orquestração para Quadros de uma Exposição de Mussorgsky. Aqui pude apreciar e me encantar à primeira audição, o que Stravinsky considerava uma das mais belas obras do século XX, o bailado Daphnis et Chloé, considerado por muitos sua obra-prima, uma verdadeira sinfonia coreográfica.

Fiquei igualmente extasiado ao ouvir, também pela primeira vez, a obra “neobarroca” Le Tombeau de Couperin e suas sutilezas orquestrais, é notório à todos a genialidade orquestral do compositor francês. Sem falar em uma das melodias mais lindas de todos os tempos, Pavane pour une infante défunte é sublime.

A chocante La Valse, com seus acordes dissonantes, foi encomendada por Diaghilev que acabou por não apreciá-la, recusando-se a chamar a obra de balé. Cinco anos depois Ravel, ainda magoado, recusou-se a apertar a mão de Diaghilev, o que motivou o russo a desafiá-lo a um duelo. Um episódio ridículo e evitado por muito pouco. Mais tarde Diaghilev viria a se retratar devido a persuasão de amigos comuns.

Francês de nascença, mas com descendência espanhola por parte de mãe, Ravel revela seu lado ibérico através de obras como Bolero, Rapsodie Espagnole e Alborada Del Gracioso.

Espero que apreciem e se encantem tanto quanto eu. Boa audição!

.oOo.

Maurice Ravel (1875-1937): Complete Orchestral Works (3 CDs) (Abbado)

CD1

1. BoleroTempo di Bolero moderato assai (14:26)

Rapsodie Espagnole
2. I. Prélude à la nuit: Très modéré (4:26)
3. II. Malagueña: Assez vif (2:03)
4. III. Habanera: Assez lent et d’un rythme las (2:41)
5. IV. Feria: Assez animé (6:00)

Ma Mère L’oye – Orchestral version
6. Prélude: Très lent (3:25)
7. 1er Tableau: Danse du rouet et scène – Allegro (3:32)
8. 2e Tableau: Pavane de la Belle au bois dormant – Lent – Allegro – Mouvement de Valse modéré (2:47)
9. 3e Tableau: Les entretiens de la Belle et de la Bête – Mouvement de Valse modéré (5:15)
10. 4e: Petit Poucet  – Très modéré (4:45)
11. 5e Tableau: Laideronnette, Impératrice des Pagodes – Mouvement de Marche – Allegro – Très modéré (4:48)
12. Apothéose: Le jardin féerique – Lent et Grave (3:43)

13. Pavane pour une infante défunteLent (6:37)

CD2

Daphnis et Chloé – Ballet en 3 parties (complete)

Première partie
1. Introduction. Lent – Entrent des jeunes gens – Très modéré (3:31)
2. Danse religieuse. Modéré (2:35)
3. Tout au fond – Chloé le rejoint – Un peu plus lent – Emotion douse (3:13)
4. Vif – Les jeunes filles attirent Daphnis (0:50)
5. A ce moment, elle est entraînée dans la danse des jeunes gens (0:56)
6. Danse générale – Beaucoup moins vif (0:43)
7. Vif – Plus modéré – Très modéré – Pesant – qui termine (2:37)
8. Assez lent – Tous invitent Daphnis – Vif (2:54)
9. Lent – Moins lent – Très libre (1:42)
10. Très modéré – Plus lent – 1er Mouvement (1:35)
11. Modérément animé – Au second plan – Un peu plus animé – Elle se jette – Très animé – Lent – Très agitè (1:35)
12. Modéré – La 2e Nymphe – La 3me Nymphe – Plus lent (1:54)
13. Lent et très souple de mesure – 1er Mouvement – Plus lent – 1er Mouvement – Peu à peu  (3:30)

Deuxième partie
14. Même mesure – Des appels de trompes – Une lueur sourde (2:52)
15. Animé et très rude – (Au camp des pirates) (2:00)
16. Un peu moins animé (1:54)
17. Très rude – Bryaxis lui ordonne – Modéré – Animé – Assez lent – Animé – Lent (3:31)
18. Assez animé – Le chef l’emporte (0:29)
19. Lent – Modére – Par endroits – Cà et là – Les chèvres-pieds (2:09)

Troisième partie
20. Lent – Peu à peu – Un autre berger – Entre un groupe (4:49)
21. Le vieux berger – Lent – Daphnis: Pan apparaît – Au Mouvement – Désepéré, il arrache (2:01)
22. Très lent – En animant toujours (4:08)
23. Lent – Animé – Lent – Animé (1:01)
24. Danse générale – Danse de Daphnis et Chloé – Danse de Dorcon (3:36)

Valses Nobles et Sentimentales
25. I. Modéré – très franc (1:18)
26. II. Assez lent – avec une expression intense (1:52)
27. III. Modéré (1:31)
28. IV. Assez animé (1:10)
29. V. Presque lent – dans un sentiment intime (0:59)
30. VI. Assez vif (0:43)
31. VII. Moins vif (2:53)
32. VIII. Épilogue (Lent) (3:15)

CD3

Le tombeau de Couperin – Orchestral version
1. I. Prélude: Vif (3:01)
2. II. Forlane: Allegretto (5:32)
3. III. Menuet: Allegro moderato (4:36)
4. IV. Rigaudon: Assez vif (3:03)

5. Alborada del GraciosoAssez vif (7:16)

6. Shéhérazade – Ouverture de féerie – Modéré (13:33)

7. Menuet Antique – for Orchestra – Maestoso (6:17)

8. Une barque sur l’océan – Très souple de rythme (7:15)

9. Fanfare from “L’Eventail de Jeanne”Allegro moderato (1:49)

10. La Valse – Choreographic poem, for Orchestra – Mouvement de valse viennoise (12:28)

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado

CD 1 – BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Saudades de Abbado!

Marcelo Stravinsky

.: interlúdio :. Rachel Grimes: Music for Egon Schiele / Handwriting / The Sea and the Bells / Selenography / Systems/Layers

Nos comentários do post sobre Rachel Grimes, o leitor Felipe faz menção aos discos da “banda-mãe” Rachel’s, em especial “Music for Egon Schiele”. Sendo esta uma obra tão — TÃO — bela, e dada a dificuldade em se encontrar Rachel’s em boa qualidade na internet (sem pagar), me parece que não, não fica nem um pouco deslocada a postagem da discografia do grupo aqui.

“Music for Egon Schiele” é provavelmente o disco mais indicado aos amantes de música clássica que já postei nesse blog. (Ou ainda: é o mais próximo da música clássica que já me senti.) Procuro ficar de fora dessa área porque, como é sabido entre os leitores mais antigos, este cão, além de mau ouvinte, não entende lhufas do assunto. Mas o review da Amazon me diz que não arrisco tanto assim:

Originally performed as a live accompaniment for a 1995 theater-dance production about the life of painter Egon Schiele, this is the both the exception to the Rachel’s rule and their defining moment. Though they are normally a three-headed, multiperson new-music and classical ensemble centered around Jason Noble, Christian Frederickson, and Rachel Grimes, this suite was written entirely by Grimes and performed by Grimes (on piano), Frederickson (viola), and cellist Wendy Doyle. As always, the music is spellbinding; the fact that this is classical music by –and for– people who grew up on indie rock in no way diminishes it, nor does it make the music too low-brow for those with a classical background. For a more complete picture of what the entire Rachel’s ensemble is capable of, both Handwriting and The Sea and the Bells are recommended.Randy Silver

Se a resenha acima une bem os três primeiros discos, já “Selenography” e “Systems/Layers” tem maior dose de experimentalismo (não confundir com psicodelia ou bagunça. Os Rachels são tão sérios quanto sensíveis). Meus preferidos são Music for Egon Schiele e Selenography. É música que pode ocupar meu background e me deixar mais criativo, ou que pode ocupar toda minha atenção e me deixar de queixo caído. Acho que vocês, que ainda não conhecem, deveriam tentar. Não garanto seu dinheiro de volta, mas prometo ir direto pro inferno com minhas boas intenções.

Music for Egon Schiele /1996 (v0)

Rachel Grimes (piano), Christian Frederickson (viola), Wendy Doyle (cello)

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01 Family Portrait
02 Egon & Gertie
03 First Self-Portrait Series
04 Mime Van Osen
05 Second Self-Portrait Series
06 Wally, Egon & Models in the Studio
07 Promenade
08 Third Self-Portrait Series
09 Trio Goes to a Movie
10 Egon & Wally Embrace and Say Farewell
11 Egon & Edith
12 Second Family Portrait

Handwriting /1995 (v0)

download – 68MB

Rachel Grimes (piano); Christian Frederickson (viola); Richard Barber (contra bass); Nat Barrett (cello); Marnie Christensen (violin); Kevin Coultas (drums); Mark Greenberg (vibraphone); Gregory King (hand drums); Michael Kurth (double bass); Eve Miller (violoncello); Jason Noble (electric bass, guitars, tapes); Jeff Mueller (orator)

01 Southbound to Marion
02 M. Daguerre
03 Saccharin
04 Frida Kahlo
05 Seratonin
06 Full on Night
07 Handwriting

The Sea and the Bells /1996 (v0)

download – 92MB

Rachel Grimes (piano, vibes, linen sheet); Christian Frederickson (viola, matchbooks); John Baker (bells); Kevin Coultas (drum set, timpani); Edward Grimes (drum kit); Thomas Hatte (contrabass); Sarah Hong (cello); Ann Kim (violin); Greg King (boatswain); Jim Maciukenas (musical saw); Matthew McBride (viola); Eve Miller (violoncello, breton plotter, notepad)

01 Rhine & Courtesan
02 The Voyage of Camille
03 Tea Merchants
04 Lloyd’s Register
05 With More Air Than Words
06 All Is Calm
07 Cypress Branches
08 The Sirens
09 Night at Sea
10 Letters Home
11 To Rest Near to You
12 The Blue-Skinned Waltz
13 His Eyes

Selenography /1999 (v0)

download – 93MB

Rachel Grimes (vocals, piano, harpsichord, keyboards); Jason Noble (guitar, keyboards, bass, percussion); Eve Miller (cello); Christian Frederickson (viola, accordion, keyboards); Dominic Johnson (viola); Edward Grimes (vibraphone, drum kit); Gregory King (percussion); Kyle Crabtree (drum kit); Steve Buttleman (trumpet); Giovanna Cacciola (vocals)

01 A French Galleasse
02 On Demeter
03 The Last Night
04 Kentucky Nocturne
05 Honeysuckle Suite
06 Artemisia
07 Old Road 60
08 An Evening of Long Goodbyes
09 Cuts the Metal Cold
10 The Mysterious Disappearance of Louis LePrince
11 Forgiveness
12 Hearts and Drums

Systems/Layers /2003 (v0)

download – 98MB

Rachel Grimes (piano, keyboards); Christian Frederickson (viola, keyboards); Jason Noble (bass, guitar, drums, toolbelt, keyboards); Kyle Crabtree (drum kit); Edward Grimes (drums, keyboards); Eve Miller (cello); Matthew Annin (french horn); Wendy Doyle (cello); Doug Elmore (stand-up bass); Jane Halliday (violin); Sarah Hill (violin); Shannon Wright (vocals); Greg King (films)

01 Moscow Is in the Telephone
02 Water from the Same Source
03 Systems/Layers
04 Expect Delays
05 Arterial
06 Even/Odd
07 Wouldn’t Live Anywhere Else
08 Esperanza
09 Packet Switching
10 Where_Have_All_My_Files_Gone?
11 Reflective Surfaces
12 Unclear Channel
13 Last Things Last
14 Anytime Soon
15 Air Conditioning/A Closed Feeling
16.Singing Bridge
17.And Keep Smiling
18.4 or 5 Trees
19 NY Snow Globe

Boa audição!
Blue Dog

Erik Satie (1866-1925) / John Cage (1912-1992): Furniture Music (Ars Nova Ensemble / Scheleiemacher)

Erik Satie (1866-1925) / John Cage (1912-1992): Furniture Music (Ars Nova Ensemble / Scheleiemacher)

E eis que este insolente cão irrompe numa madrugada de terça-feira para meter-se numa seara para si desconhecida, onde nada sabe. Ainda mais, fica no quintal de CDF Bach – e mexe com uma paixão de Clara Schumann. Mas, como se sabe, no PQP postamos o que estamos ouvindo, e como eu estava ouvindo, ora, vim postar. Desde já vou deixando o espaço em aberto, para que o próprio CDF, ou Clara, o adicionem com mais pertinência, ou ao efeito de links e novidades vindos dos comentários.

O fato é que não apenas o jazz me interessa; me interessam muitas outras coisas mais, e no terreno da música, uma delas é o ambient. E em pesquisas fui descobrir que bem antes de Brian Eno criar o “Music for Airports” em 1978, quem primeiro concebeu a idéia de uma música feita para lugares, ao invés de pessoas, foi Erik Satie.

Isso em 1920.

Satie, nome nada estranho aos freqüentadores deste blog com certeza, criou a furniture music. A música do local e dos objetos que nos cercam. De curta duração e produção, resumiu-se a cinco peças – que vem a diferenciar-se, conceitualmente, do ambient atual pelo fato de que não apresentam variação. Ou seja, são curtos temas clássicos, repetidos muitas e muitas vezes, destinados primariamente a ser pano de fundo dos intervalos no teatro francês. Apesar da intenção, um entr’act de Satie não foi bem sucedido:

Allegedly, the public did not obey Satie’s intention: they kept silently in their places and listened, trained by a habit of incidental music, much to the frustration of the avant-garde musicians, who tried to save their idea by inciting the public to get up, talk, and walk around. wikipedia

No pacote lincado logo abaixo, estão três gravações das peças da furniture music, encontradas nesta página. Além delas, há também anexada a única – que eu saiba – referência direta a este trabalho: a peça Furniture Music Etcetera, uma variação livre (de quase 21 minutos) composta por John Cage, em 1980, para Curtain of a Voting Booth.

Nestas faixas ouço uma concretude que se descortina genial pela proposta, e pelo efeito que consegue.

Se eu estiver muito maluco, me mandem vacinar.

Furniture Music, Part 1: Curtain of a Voting Booth 5’56
Furniture Music, Part 2: Tapestry of Wrought Iron: for the arrival of the guests – grand reception – to be played in an entrance hall 3’00
Furniture Music, Part 3: Phonic Tiles – may be performed at a luncheon 2’25
Ars Nova Ensemble
Marius Constant: director
Michel Dalberto: piano
Pierre Thibaudm Bernard Jeannoutot: trumpets
Erato Records 4700W

Furniture Music Etcetera 20’43
Steffen Scheleiemacher: piano
John Cage: Complete Piano Music Vol. 10
diz um reviewer da amazon: “This work is barely more than a sketch for realisation by the performer: it consists of instructions on when to play fragments of Satie and when to play fragments of Cage. Schleiermacher’s reconstruction, thus, is necessarily speculative, but it entertains for its 20 minute duration.”

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

John Cage

Boa audição!
Blue Dog