BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Aberturas “Coriolan”, Op. 62 – “Die Geschöpfe des Prometheus, Op. 43” – “Egmont”, Op. 84 – “Die Ruinen von Athen”, Op. 113 – “Zur Namensfeier”, Op. 115 – “König Stephan”, Op. 117 – “Die Weihe des Hauses”, Op. 124 – “Fidelio” & “Leonore” I-III – Abbado

“Coriolano” é, possivelmente, a primeira abertura de concerto de que se tem registro. Ela leva o nome da peça de Shakespeare sobre a vida dum semilegendário general romano, mas que em verdade foi inspirada na obra muito menos conhecida do hoje obscuro dramaturgo austríaco Heinrich Joseph von Collin (1771–1811).

Nas duas versões da tragédia, Coriolano é exilado de sua cidade e, acolhido pelos volscos, organiza os exércitos desses antigos inimigos para atacar Roma. Às portas dela e no ponto alto do drama, a mãe e a esposa de Coriolano tentam demovê-lo da ideia, no que têm sucesso. O general, então, prefere se matar a comandar a retirada de suas tropas. Pano rápido. Fim.

A música de Beethoven é apropriadamente dramática, contrapondo um tema trágico em Dó menor a um lírico, em Mi bemol maior, representando o embate entre a sanha bélica do general e os sentimentos evocados pelas mulheres de sua vida. O retorno do tema soturno em outra tonalidade parece representar sua decisão final, e seu vagaroso apagar, claro, a sua morte. Apesar de ter usado aqui o termo “abertura”, “Coriolan” é uma peça independente: não há registro sequer da intenção de fazê-la seguir-se de outros números de música incidental, como era a praxe da época. Assim, ao escrever uma obra musical autônoma inspirada por uma outra, literária, Beethoven inaugurava um novo gênero: a abertura de concerto, pedra fundamental da tradição de música programática que, em algumas décadas, ganharia corpo com o trabalho de Berlioz, Liszt e companhia.

O excelente álbum duplo que lhes alcanço, com o infalível Claudio Abbado liderando os filarmônicos vienenses, contém a integral das aberturas de Beethoven. Aqui estão tanto as aberturas de concerto quanto as outras tantas destinadas a suas incursões na música para o palco – as quais foram abordadas, ou assim o serão, ao longo dessa nossa integral de sua obra. A  exceção de Zur Namensfeier, Op. 115, da qual passaremos ao largo e não comentaremos, porque é uma das peças mais “nhé” do compositor e, enfim, temos muito mais o que fazer.

A clareza e o vigor do registro são, claro, aqueles que sempre se pode esperar de Abbado, e as duas obras-primas da coleção – “Coriolan” e “Egmont” – são de levantar da cadeira de tão eletrizantes. Para uma leitura bastante diferente, mas igualmente empolgante, recomendo a audição comparada do álbum do conde de la Fontaine und d’Harnoncourt-Unverzagt, vulgo Nikolaus, que restaurei aqui na postagem do patrão PQP.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Die Geschöpfe des Prometheus, música para o ballet de Salvatore Viganò, Op. 43
01 – Abertura

Música incidental para “König Stephan”, de August von Kotzebue, Op. 117
02 – Abertura

Música incidental para “Die Ruinen von Athen”, de August von Kotzebue, Op. 113
03 – Abertura

Música para o Festival de Carl Meisl
04 – Abertura “Die Weihe des Hauses”, Op. 124

5 – “Zur Namensfeier”, Grande Abertura em Dó maior, Op. 115

6 – “Coriolan”, Abertura em Dó menor sobre a tragédia de Heinrich von Collin, Op. 62

Música para a tragédia “Egmont” de Johann Wolfgang von Goethe, Op.84
7 – Abertura

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Aberturas para Fidelio/Leonore, Op. 72

Abertura “Fidelio”, Op. 72b
1 – Allegro – Adagio – Presto

Abertura “Leonore I”, Op. 138
2 – Andante con moto – Allegro con brio

Abertura “Leonore II”, Op. 72
3 – Adagio – Allegro – Adagio – Presto

Abertura “Leonore III”, Op. 72a
4 – Adagio – Allegro – Presto

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Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado, regência

 


“Coriolan” era uma das peças preferidas de Arturo Toscanini, que a gravou meia dúzia de vezes. Ei-lo doman…, er, ensaiando a orquestra no trecho central da peça, com seu tradicional estilo vigoroso e suas legendárias broncas bilíngues nos músicos…


… muito embora suas cobranças ao contrabaixistas não cheguem aos pés desse legendário esporro (posso escrever “esporro” aqui?) que deve estar doendo até no bisneto do primeiro contrabaixista dessa orquestra. Aproveitem, que não é todo dia que a gente ouve uma criatura nascida em 1867 chamando alguém de “rompicoglioni” – que, sinceramente, virou meu impropério favorito.

 


FAIXA BÔNUS : a versão de “Coriolan” para banda de rock progressivo, por nosso leitor-ouvinte Eduardo D’Elboux

 

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

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