Estivemos no meio de uma enxurrada de postagens de Mozart, e agora temos uma enxurrada de Shostakovichs. Mas não creio que alguém vai reclamar. Estas gravações que ora vos trago são históricas, gravadas no apogeu da Guerra Fria. Esqueçam Haitink, Barshai, e não sei mais quem. Kirill Kondrashin é o nome do cara. Sim, claro que estou exagerando, o ideal é deixar todas estas gravações juntas, para serem analisadas, comparadas, etc. Ouvi-las à exaustão, para melhor identificarem as diferenças de leitura de cada um destes grandes maestros. E vamos ao que viemos.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Complete Symphonies, CD 2 de 11 – Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 – Kondrashin, MPSO
01. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 I. Allegretto poco moderato
02. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 II. Moderato con moto
03. Symphony No. 4 in C minor, Op. 43 III. Largo
Falar sobre a importância destas duas obras na evolução musical do Século XX é como chover no molhado. Muito já se falou sobre elas, inclusive aqui no PQPBach, que já trouxe gravações de altíssimo nível, mas pesquisando no histórico de nossas postagens, nem são tantas assim. Destacaria Pierre Boulez, talvez um dos principais intérpretes do húngaro do final do século, em uma postagem de nosso mentor, PQPBach, lá de 2015.
Hoje trago aqui para os senhores a gravação do maestro suíço Charles Dutoit, em um registro de 1988, frente à Orquestra Sinfonica de Montreal, que dirigiu por 25 anos, e com quem gravou quase 100 discos. Vale a pena conhecer, Dutoit foi um craque nesse repertório, e conseguiu extrair da orquestra canadense uma interpretação coesa e extramente virtuosística.
Concerto For Orchestra
I. Introduzione
II. Giuoco Delle Coppie
III. Elegia
IV. Intermezzo Interrotto
V. Finale
Music For Strings, Percussion And Celesta
I. Andante Tranquillo
II. Allegro
III. Adagio
IV. Allegro Molto
Uma gravação de As Quatro Estações melhor do que esta de Carmignola + Marcon vai ser difícil…. Dia destes postei Haydn, com seu magnífico oratório “As Estações”, em homenagem à mudança de estação. Como ainda estamos vivenciando essa mudança de estação resolvi trazer essa gravação que particularmente é a minha favorita dentre as tantas existentes no mercado atualmente. Carmignola é um dos grandes violinistas da atualidade, e um dos maiores especialistas no violino barroco, e contando com a cumplicidade de Andrea Marcon e a excelente Venice Baroque Orquestra, dá um show de talento, versatilidade e técnica. Tudo bem, ele comete algumas liberdades que podem assustar alguns fãs mais fanáticos de Vivaldi, mas adoro esse CD em seu conjunto.
Para se ouvir em uma manhã como a de hoje, tipicamente de outono: temperatura agradável, sol ainda não tão forte e um ventinho frio, que nos deixa com vontade de voltar para a cama.
Antonio Vivaldi (1678-1741): Le quattro stagioni + 3 Concerti (Carmignola, Venice Baroque Orchestra, Marcon)
La Primavera • Spring • Der Frühling • Le Printemps – Concerto No. 1 In E Major, Op. 8, No. 1, RV 269 (E-Dur / En Mi Majeur / In Mi Maggiore)
I. Allegro 3:19
II. Largo 2:18
III. Allegro 3:36
L’Estate • Summer • Der Sommer • L’Été – Concerto No. 2 In G Minor, Op. 8, No. 2, RV 315 (G-Moll / En Sol Mineur / In Sol Minore)
I. Allegro Non Molto 4:57
II. Adagio 2:18
III. Presto 2:15
L’Autunno • Autumn • Der Herbst • L’Automne – Concerto No. 3 In F Major, Op. 8, No. 3, RV 293 (F-Dur / En Fa Majeur / In Fa Maggiore)
I. Allegro 4:34
II. Allegro Molto 3:21
III. Allegro 2:49
L’Inverno • Winter • Der Winter • L’Hiver – Concerto No. 4 In F Minor, Op. 8, No. 4, RV 297 (F-Moll / En Fa Mineur / In Fa Minore)
I. Allegro Non Molto 3:04
II. Largo 1:47
III. Allegro 2:39
3 Violin Concertos (Premiere Recording):
Concerto In E-Flat Major, RV 257 (Es-Dur / En Mi Bémol Majeur / In Mi Bemolle Maggiore)
I. Andante Molto E Quasi Allegro 4:25
II. Adagio 2:32
III. Allegro 2:58
Concerto In B-Flat Major, RV 376 (B-Dur / En Si Bémol Majeur / In Si Bemolle Maggiore)
I. Larghetto. Andante 4:25
II. Andante 2:24
III. Allegro 2:56
Concerto In D Major, RV 211 (D-Dur / En Ré Majeur / In Re Maggiore)
I. Allegro Non Molto 5:15
II. Larghetto 3:22
III. Allegro 5:29
Giuliano Carmignola – Baroque Violin
Andrea Marcon – Harpsichord, Organ & Conductor
Venice Baroque Orquestra
Mas FDPBach vai trazer mais uma integral dos Quartetos de Cordas de Beethoven? Já tem tantas postagens com essas obras no Blog !!
Nós melômanos nunca estamos satisfeitos, isso é certo. Lembro que antes do advento da internet meu acervo era muito, mas muito mais restrito. Escolhia os discos com atenção, claro que sempre de acordo com a disponibilidade no mercado e com meus parcos recursos financeiros. Uma integral dos quartetos era algo quase que impossível de se conseguir. Lembro que a DG oferecia uma caixa com todas as obras, e as dividia em Early, Middle & Last Quartets, intrepretadas pelo Melos Quartett. O preço era um tanto quanto inacessíveis para nós, pobres mortais assalariados, ou não. Enfim, eu sempre ficava namorando essas caixas nas lojas de disco. Nosso objetivo de acervo era muito mais modesto, uma integral destas já nos era suficiente.
O tempo passou, e eis que existe uma quantidade imensa de gravações disponíveis destes quartetos, integrais ou não. Havia inclusive uma discussão sobre o quão irregulares eram essas gravações de integrais. Alguns quartetos saiam quase perfeitos, outros parecia que tinham sido feitos em toque de caixa, para, possivelmente satisfazer os interesses da gravadora.
Nosso guru e mentor, PQPBach ama estes quartetos, e os conhece muito bem, já ouviu dezenas de vezes cada um deles, com os mais diversos intérpretes. Não é o caso deste que vos entrega essa série, um mero admirador do belo, que até pouco tempo atrás satisfazia-se com o histórico registro do Amadeus Quartett, lá dos anos 50 e 60. Sem desmerecer jamais aquele que é considerado o melhor conjunto de cordas do século XX, sempre estou atrás das outras opções. E certa vez, em discussão do grupo do Whattsap do PQPBach, se não me engano nos tempos em que o nosso Vassily Genrikhovich encarou aquela maratona beethoveniana em comemoração aos 250 anos do nascimento do compositor, nos ofereceu diversas opções de registros destas obras, destaque para o Melos Quartett, dentre outros. A integral do Artemis Quartet foi, digamos assim, deixada de lado, devido exatamente a quantidade de outras ótimas opções.
Aproveitando meus últimos dias de férias de Natal e de Ano Novo resolvi preparar essa belíssima integral interpretada exatamente pelo Artemis Quartet, não tão recente, é verdade, afinal foi gravada entre 2006 – 2011. Não me darei ao trabalho de analisar as obras, já existem diversas postagens destes quartetos aqui no PQPBach, basta procurar para obter maiores informações.
E esta postagem está sendo feita exatamente no dia de meu aniversário de 61 anos de idade. FDPBach faz aniversário mas quem ganha o presente são os senhores. São sete cds ao todo, além do booklet, bem explicativo, por sinal.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)
String Quartet No.1 Op. 18 No. 1
1-1 1. Allegro Con Brio
1-2 2. Adagio Affetuoso Ed Appassionato
1-3 3. Scherzo. Allegro Molto – Trio
1-4 4. Allegro String Quartet No.4 Op. 18 No. 4
1-5 1. Allegro Ma Non Troppo
1-6 2. Scherzo. Andante Scherzoso Quasi Allegretto
1-7 3. Menuetto. Allegretto – Trio
1-8 4. Allegretto – Prestissimo String Quartet No.6 Op. 18 No. 6
1-9 1. Allegro Con Brio
1-10 2. Adagio Ma Non Troppo
1-11 3. Scherzo. Allegretto – Trio
1-12 4. La Malinconia. Adagio
1-13 5. Allegretto Quasi Allegro String Quartet No.2 Op. 18 No. 2
2-1 1. Allegro
2-2 2. Adagio Cantabile
2-3 3. Scherzo. Allegro – Trio
2-3 4. Allegro Molto, Quasi Presto String Quartet No.3 Op. 18 No. 3
2-5 1. Allegro
2-6 2. Andante Con Moto
2-7 3. Allegro – Minore – Maggiore
2-8 4. Presto String Quartet No. 5 Op. 18 No. 5
2-9 1. Allegro
2-10 2. Menuetto – Trio
2-11 3. Andante Cantabile
2-12 4. Allegro String Quartet No.7 Op. 59 No. 1 ‘Razumovsky’
3-1 1. Allegro
3-2 2. Allegretto Vivace E Sempre Scherzando
3-3 3. Adagio Molto E Mesto
3-4 4. Thème Russe. Allegro 7 String Quartet No.8 Op. 59 No. 2 ‘Razumovsky’
3-5 1. Allegro
3-6 2. Molto Adagio
3-7 3. Allegretto – Maggiore
3-8 4. Finale. Presto String Quartet No.9 Op. 59 No. 3 ‘Razumovsky’
4-1 1. Introduzione. Andante Con Moto – Allegro Vivace
4-2 2. Andante Con Moto Quasi Allegretto
4-3 3. Menuetto. Grazioso – Trio – Coda
4-4 4. Allegro Molto Strimg Quartet No.10 Op. 74 ‘Harp’
4-5 1. Poco Adagio – Allegro
4-6 2. Adagio Ma Non Troppo
4-7 3. Presto
4-8 4. Allegretto Con Variazioni String Quartet No.11 Op. 95 ‘Quartetto Serioso’
4-9 1. Allegro Con Brio
4-10 2. Allegretto Ma Non Troppo
4-11 3. Allegro Assai Vivace Ma Serioso
4-12 4. Larghetto Espressivo – Allegretto Agitato – Allegro String Quartet No.12 Op. 127
5-1 1. Maestoso – Allegro
5-2 2. Adagio, Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-3 3. Scherzando Vivace
5-4 4. Finale. Allegro String Quartet No.14 Op. 131
5-5 1. Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo
5-6 2. Allegro Molto Vivace
5-7 3. Allegro Moderato
5-8 4. Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-9 5. Presto
5-10 6. Adagio Quasi Un Poco Andante
5-11 7. Allegro String Quartet No.13 Op. 130, Op. 133
6-1 1. Adagio Ma Non Troppo – Allegro
6-2 2. Presto
6-3 3. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso
6-4 4. Alla Tedesca. Allegro Assai
8-5 5. Cavatina. Adagio Molto Espressivo
6-6 6. Grosse Fuge Op. 133 Overtura. Allegro. Fuga String Quartet Hess 34
6-7 1. Allegro Moderato
6-8 2. Allegretto
6-9 3. Allegro 3 String Quartet No.15 Op. 132
7-1 1. Assai Sostenuto – Allegro
7-2 2. Allegro Ma Non Tanto
7-3 3. Heiliger Dankgesang Eines Genesenen An Die Gottheit, In Der Lydischen Tonart
7-4 4. Alla Marcia, Assai Vivace
7-5 5. Allegro Appassionato – Presto String Quartet No.16 Op. 135
7-5 1. Allegretto
7-6 2. Vivace
7-7 3. Lento Assai, Cantante E Tranquillo
7-8 4. Der Schwer Gefasste Entschluss, Grave – Allegro
Creio que seja inevitável que em determinado momento de nossas vidas as lembranças comecem a dominar nossos pensamentos, ainda mais quando nos tornamos sexagenários. Quando crianças essa idade nos parece tão longínqua, e sou de uma geração que nem imaginava que viveria tanto.
Mas essa pequena introdução serve apenas para dar uma certa ‘motivação’ para esta postagem, como se isso fosse necessário. Eu ainda estava nos meus vinte e poucos anos quando conheci a Concerto para Piano nº 4 de Beethoven, com Claudio Arrau e o Colin Davis em Dresden. Na verdade, foi esse LP que me apresentou os Concertos para Piano de Beethoven. Até um ano antes, eu morava no interior do Paraná, longe da capital, e longe das lojas de discos. Então me mudei para a capital catarinense, e ali conheci uma loja de discos com um setor inteiro dedicado a música clássica, e com um gerente que conhecia muito do assunto. E foi ele quem me apresentou esse LP, recém lançado. Fui ansioso para casa e o coloquei para tocar no velho Philips 3×1. A partir de então entendi o porque se reverenciava tanto Beethoven. Comecei a procurar os outros concertos, com outros intérpretes e regentes. Ali iniciou minha obsessão pela música, no sentido de procurar outras interpretações, outras leituras. E esse mundo me cativou, e desde então, vivo imerso nele. Não sei quantas vezes ouvi esses concertos, com os mais diversos músicos. E era curioso também observar como um mesmo pianista, por exemplo, poderia ter versões diferentes das mesmas obras. Claro que depois entendi que a maturidade os incentivava a isso.
Um exemplo claro do que vos falo é Alfred Brendel. Li uma crítica de sua integral com Simon Rattle onde o crítico questionava isso, para que diabos lançar outra integral, se já tinha outras já consagradas, como a minha favorita, com o mesmo Colin Davis em Londres. No mesmo texto, o crítico justificava exatamente dessa forma: Brendel precisava ‘corrigir’ alguma coisa que não o deixara satisfeito nas outras gravações. Haveria necessidade? Talvez não, mas talvez tenha entrado na conversa alguma cláusula contratual que o obrigou a isso. Não sei, nem me interessa saber. O importante é que são registros gravados em épocas diferentes de sua vida, e só isso já me responde satisfatoriamente a pergunta do crítico.
Quando gravou essa integral que ora vos trago, Claudio Arrau já estava com oitenta e poucos anos de idade. E é a maturidade que se destaca aqui. Ele já havia gravado e tocado esses concertos inúmeras vezes, mas resolveu encarar novamente o desafio. Veio a falecer alguns anos depois, em 1991. Mas o que quero destacar aqui é a tranquilidade e serenidade que o velho mestre imprime à sua interpretação. Maturidade, com a certeza de que não precisa provar mais nada.
Espero que apreciem. Gosto muito destas gravações.
CD 1
Klavierkonzert Nr.1 In C-Dur , Op.15
1 Allegro Con Brio
2 Largo
3 Rondo (Allegro Scherzando) Klavierkonzert Nr. 2 B-Dur, Op.19
4 Allegro Con Brio
5 Adagio
6 Rondo (Molto Allegro)
CD 2
Klavierkonzert Nr. 3 C-Moll, Op.37
1 Allegro Con Brio
2 Rondo (Allegro)
3 Rondo (Molto Allegro)
4 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 1. Allegro
5 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 2. Allegretto
6.Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 3. Presto
CD 3
Klavierkonzert Nr. 4 G-Dur, Op.58
1 Allegro Moderato
2 Andante Con Moto
3 Rondo Vivace
4 32 Variationen über ein eigenes Thema c-moll
Klavierkonzert Nr. 5 Es-Dur, Op.73 “
1 Allegro
2 Adagio Con Poco Mosso
3 Rondo (Allegro)
Claudio Arrau – Piano
Staatskapelle Dresden
Colin Davis – Conductor
“Escuridão, magia, mistério e sedução. Forças sobrenaturais, criaturas de outras dimensões e personagens de contos de fadas. Esta é a atmosfera evocada em Intrigas da Escuridão.
Este mundo de fantasia sombria começa em seu ponto mais profundo e assustador com a Sonata para Piano nº 9 de Alexander Scriabin – comumente conhecida como Sonata da Missa Negra. Arrepios! O próprio Scriabin se referiu a esta peça como “visões de pesadelo da maldade”. É como se ele abrisse a porta diretamente para o inferno. Do outro lado dessa porta, há um abismo negro gigante que o suga, reprimindo qualquer tentativa de fuga.” (livremente traduzido e adaptado por FDPBach).
Este é o início do texto de apresentação deste CD de Anna Fedorova, pianista ucraniana que venho admirando cada vez mais, a cada lançamento seu. Independente, ele não teme em criticar o regime russo pela invasão de sua terra natal.
Em cada CD lançado vemos um artista que não teme arriscar, nos oferecendo um repertório desafiador, onde desfila seu talento e versatilidade.
Nesse CD que ora vos trago, começa com Scriabin, em seguida temos Ravel, com sua ‘Gaspart de La Nuit’, trechos de “El Amor Brujo’, de Manuel de Falla e conclui com o “tour de force’ que é ‘Pictures at an Exhibition’, de Mussorgsky, uma das maiores obras já compostas para piano, em minha modesta opinião, e uma de minhas favoritas, diga-se de passagem.
Alexander Scriabin (1872-1915)
1 PIANO SONATA NO.9, OP.68
Maurice Ravel (1875-1937) GASPARD DE LA NUIT, M.55
2 I. ONDINE
3 II. LE GIBET
4 III. SCARBO
Manuel de Falla (1876-1946) EL AMOR BRUJO
5 I. PANTOMIME
6 II. DANCE OF TERROR
7 III. MAGICAL CIRCLE
8 IV. RITUAL DANCE OF FIRE
Modest Mussorgsky (1839-1881) PICTURES AT AN EXHIBITION
9 PROMENADE I
10 I. GNOMUS
11 PROMENADE II
12 II. IL VECCHIO CASTELLO
13 PROMENADE III
14 III. TUILERIES (DISPUTE D’ENFANTS APRÈS JEUX)
15 IV. BYDŁO
16 PROMENADE IV
17 V. BALLET OF THE UNHATCHED CHICKS
18 VI. “SAMUEL” GOLDENBERG UND “SCHMUŸLE”
19 PROMENADE V
20 VII. LIMOGES, LE MARCHÉ (LA GRANDE NOUVELLE)
21 VIII. CATACOMBÆ (SEPULCRUM ROMANUM)
22 CUM MORTUIS IN LINGUA MORTUA
23 IX. THE HUT ON FOWL’S LEGS (BABA-YAGÁ)
24 X. THE GREAT GATE OF KIEV
Por algum motivo até agora inexplicável, os Motetos de papai ainda não foram postados. Não sei o porque, talvez mano PQP esteja guardando algum trunfo na manga, mas resolvi atender a alguns pedidos insistentes, feitos no correr dos últimos meses, aproveitando uma pequena folga que terei nesta semana. Obras corais extremamente complexas, inexplicavelmente pouco gravadas (talvez mesmo pela sua dificuldade de interpretação), estes motetos são verdadeiras obras primas de papai. Introspectivas, meditativas, elas exigem do ouvinte concentração absoluta, de preferência sem barulhos externos que atrapalhem suas peculiaridades. Herreweghe, bem, Herreweghe é um dos maiores regentes da obra de papai. Até agora não li nenhum comentário negativo de suas gravações. A Chapelle Royale e o Collegium Vocale Gent são seus eternos companheiros, e graças a eles e seus solistas, temos tido acesso a interpretações magníficas, não apenas das obras de papai, mas também de diversos outros compositores barrocos.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Motetos, BWVs 225-230 (Herreweghe)
01 – BWV 226 Der Geist hilft unsrer Schwachheit auf
02 – BWV 228 Fürchte dich nicht
03 – BWV 227 Jesu meine Freude
04 – BWV 229 Komm, Jesu, Komm
05 – BWV 230 Lobet den Herrn, alle Heiden
06 – BWV 225 Singet dem Herrn ein neues Lied
La Chappele Royalle
Collegium Vocale, Gent
Phillipe Herreweghe – Condutor
A Grande Missa em Dó Menor, K. 427, de Mozart, é considerada uma das grandes realizações não apenas mozartianas, mas do espírito criativo humano, composta em um momento único na vida do compositor, que recém tinha casado. Mesmo inacabada, tornou-se uma obra-prima inconteste. Inacabada até agora, graças ao genial Jordi Savall e seu fiel colaborador e amigo Luca Guglielmi, que preencheu as lacunas faltantes, claro que com a supervisão de Savall. O excelente livreto em anexo traz todas as informações necessárias, com textos do próprio Savall e de Guglielmi, que explicam o minucioso trabalho de reconstituição e, por que não dizer, recriação feito.
Jordi Savall nos tem presenteado com gravações espetaculares nos últimos anos, como este Mozart e o Oratório ‘As Estações’ de Haydn, lançado no final de 2025. O homem não para de trabalhar, sempre cercado de excelentes artistas. Somos privilegiados por ter acesso a essas gravações, viva a tecnologia.
Como comentei acima, o livreto em anexo traz todas as informações necessárias sobre a obra e sobre o processo de reconstrução dessa Missa, traduzido em vários idiomas, inclusive espanhol. Vale a pena ler.
Nouvelle version complétée (nº 10, 11) et reconstruite (nº 12, 13, 14, 15, 18, 19) par Luca Guglielmi à partir d’œuvres de Mozart, révisée par Jordi Savall
I. KYRIE
1. Kyrie eleison – Christe eleison (soprano I & chœur). Andante moderato
II. GLORIA
2. Gloria in excelsis Deo (chœur). Allegro vivace
3. Laudamus te (soprano II). Allegro aperto
4. Gratias agimus tibi (chœur). Adagio
5. Domine Deus, Rex coelestis (2 sopranos). Allegro moderato
6. Qui tollis peccata mundi (double chœur). Largo
7. Quoniam tu solus sanctus (2 sopranos & ténor). Allegro
8. Jesu Christe (chœur). Adagio
9. Cum Sancto Spiritu (chœur). Allegro
III. CREDO
10. Credo in unum Deum (chœur). Allegro maestoso
[révision des parties instrumentales de l’orchestre]
11. Et incarnatus est (soprano II). [Andante] [parties des cordes de l’orchestre complétées]
12. Crucifixus – Et resurrexit (soprano I). Andante – Allegro
[À partir de Davide penitente, KV 469, 8. « Tra le oscure ombre funeste », nouveau texte]
13. Et in Spiritum sanctum, « Tempo di Ciaccona ». Adagio – Primo tempo (chœur)
[Arr. d’un Credo alternatif inachevé de la Messe en ut majeur, KV 337, nouveau texte]
IV. SANCTUS
14. Sanctus (double chœur). Largo [reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
15. Hosanna in excelsis (double chœur). Allegro comodo
[reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
16. Benedictus (2 sopranos, ténor & basse). Allegro comodo
17. Hosanna in excelsis [da capo] (double chœur). Allegro comodo
V. AGNUS DEI
18. Agnus Dei (soprano I & chœur). Andante moderato
[Arrangement à partir du Kyrie eleison de la Messe en ut mineur, KV 427
& Solfeggio, KV 393, nº 2]
19. Dona nobis pacem (chœur). Allegro – Adagio
[Nouvelle composition sur les croquis de Mozart]
SOLISTES
Giulia Bolcato soprano I
Elionor Martínez soprano II
Marianne Beate Kielland mezzo-soprano
David Fischer ténor
Matthias Winckhler basse
LA CAPELLA NACIONAL DE CATALUNYA
LE CONCERT DES NATIONS
JORDI SAVALL Direction
FDP Bach teve uma semana complicada, apesar de curta, que se encerrou com seu desligamento da empresa em que trabalhava. Ou seja, sua cabeça estava envolvida em outras coisas, por esse motivo deixou o blog um pouco às moscas. Mas felizmente seu caro irmão PQP voltou de férias, e colocou ordem na casa. Volto com mais barroco, numa bela gravação de Trevor Pinnock e seu English Concert, com suas gravações com instrumentos de época. E o que é mais importante, tocando Telemann, compositor muito caro a este que vos escreve e ao seu irmão PQP, e também ao nosso leitor/ouvinte Pedro, que teceu grandes elogios à ele, quando da última postagem realizada deste compositor. Tratam-se de um Concerto com três trompetes solistas, além de duas Suítes. Portanto, mais barroco com quem entende do assunto.
Enjoy it.
George Philipp Telemann (1681-1767): Concerto in D Major, Overture – Suite in G Minor, TWV 55:g4, Overture Suite in D Major, TWV 55:D1 (The English Concert, Pinnock)
01 – Concerto in D major – Intrada – Grave
02 – Concerto in D major – Allegro
03 – Concerto in D major – Largo
04 – Concerto in D major – Vivace
Mark Bennett, Michael Harrison, Nicholas Thompson – trumpets
Paul Goodwin, Lorraine Wood – Oboes
05 – Overture-Suite in G minor – Ouverture
06 – Overture-Suite in G minor – Rondeau- Gayement
07 – Overture-Suite in G minor – Les Irresoluts
08 – Overture-Suite in G minor – Les Capricieuses
09 – Overture-Suite in G minor – Loure
10 – Overture-Suite in G minor – Gasconnade
11 – Overture-Suite in G minor – Menuet I , II
Paul Goodwin, Lorraine Wood, Sophias McKenna – Oboes
Alberto Grazzi – Fagott
12 – Overture-Suite in D major – Ouverture- Lentement – Vite – Lentement
13 – Overture-Suite in D major – Air- Tempo giusto
14 – Overture-Suite in D major – Air- Vivace
15 – Overture-Suite in D major – Air- Presto
16 – Overture-Suite in D major – Air- Allegro
17 – Overture-Suite in D major – Conclusion- Allegro – Adagio – Allegro
Paul Goodwin – Oboe
Mark Bennett – Trumpet
Alberto Grazzi – Fagott
Peter Hanson, Walter Reiter – Violin
Trevor Jones – Viola
Jane Coe – Cello
The English Concert (on authentic instruments)
Trevor Pinnock – Director, Harpsichord
Alguns compositores calam fundo na gente, não acham? E Ravel é um deles. Mesmo que sua produção não tenha sido tão grande, o que compôs marcou toda uma época. Seu Concerto para Piano, que já trouxemos em inúmeras versões aqui para o PQPBach é um dos pilares da leitura pianística do século XX, assim como o genial Concerto para a Mão Esquerda.
Mas o que trago hoje para os senhores é sua obra de câmera. E é assim que a gravadora Onyx, em sua página na internet nos apresenta o disco:
This new album is an all-Ravel programme, a composer particularly close to the Nash Ensemble, and is both a beautiful set of performances and a perfect introduction for the listener discovering these exquisite masterworks for the first time. For lovers of Ravel’s chamber music, this will be an indispensable recording to add to their collection.
Não são obras que aparecem com muita frequência aqui no PQPBach, o que é uma pena. Esse CD foi lançado no final de Novembro, ou seja, recém saído dos fornos da gravadora. A competência do Nash Ensemble está mais do que provada no correr dos últimos sessenta anos, com diversas gravações de destaque.
Eu destacaria no repertório a belíssima versão para dois pianos da obra ‘La Valse’, originalmente composta para orquestra e posteriormente adaptada para dois pianos pelo próprio Ravel.
Com uma instrumentação no mínimo original, onde temos um Quarteto de Cordas acompanhado de uma Harpa, de uma Flauta e de um Clarinete, sabemos que a ‘Introduction and Allegro‘ foi encomendada por um fabricante de Harpas. Mas é exatamente essa instrumentação que dá a obra uma textura única. No livreto em anexo os senhores podem saber maiores detalhes sobre as obras interpretadas nesse disco.
1 Introduction and Allegro M.46
Lucy Wakeford harp · Philippa Davies flute · Richard Hosford clarinet
Stephanie Gonley, Jonathan Stone violins · Lars Anders Tomter viola · Adrian Brendel cello
Piano Trio in A minor M.67
2 I. Modéré
3 II. Pantoum: Assez vif
4 III. Passacaille: Très large
5 IV. Final: Animé
Benjamin Nabarro violin · Adrian Brendel cello · Simon Crawford-Phillips piano
6 La Valse M.72a (two piano version)
Alasdair Beatson primo · Simon Crawford-Phillips secondo
String Quartet in F M.35
7 I. Allegro moderato, très doux 7.39
8 II. Assez vif, très rythmé 5.55
9 III. Très lent 7.55
10 IV. Vif et agité 5.05
Benjamin Nabarro, Jonathan Stone violins · Lars Anders Tomter viola · Adrian Brendel cello
Em minha humilde opinião, estas Sonatas são por demais explícitas em sua intensidade e força, um romantismo intenso, porém muito bem controlado aqui pelos intérpretes. Foram compostas em parcerias de Schumann com alguns de seus amigos instrumentistas como os violinistas Joseph Joachim e Ferdinand David, e do grande amigo do casal Schumann, Johannes Brahms, todos músicos que o incentivaram a compor estas peças, São obras já da maturidade do compositor, e mostram o total domínio da escrita musical por sua parte. Sugiro a leitura do livreto que acompanha o arquivo.
Não por acaso, este CD está na lista dos melhores discos de 2025 segundo a revista Gramophone. Ibragimova e Thiberghien nos brindam com uma interpretação segura, intensa, porém controlada, como comentei acima. A música de Schumann penetra fundo em nossa alma, suas angústias, desejos e medos estão ali presentes. Nos envolve, e por vezes nos inebria com tanta emoção. Espero que apreciem.
Violin Sonata No 1 in A minor Op 105
1 Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2 Allegretto
3 Lebhaft
Violin Sonata No 2 in D minor Op 121
4 Ziemlich langsam – Lebhaft
5 Sehr lebhaft
6 Leise, einfach
7 Bewegt
Violin Sonata No 3 in A minor WoO27
8 Ziemlich langsam – [Lebhaft]
9 Intermezzo: Bewegt, doch nicht zu schnell
10 Scherzo: Lebhaft
11 Finale: Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo
Alina Ibragimova – Violin
Cédric Thiberghien – Piano
Conheci Diana Krall por meio do DVD da qual foram tiradas as faixas deste CD, um registro ao vivo em Paris lá nos inícios do novo século. E foi um choque, lhes garanto. Depois disso virei fã de carteirinha dela.
Minha vida era um tanto quanto conturbada ali nos inícios dos anos 2000. Por motivo de estudo e de trabalho, vivia longe de minha esposa, então minha rotina era trabalho – universidade – casa, e no sábado após o trabalho, embarcava para a cidade onde minha esposa residia, também por motivos de trabalho e também por estar na época cuidando de seus pais, já idosos. Enfim, era uma rotina cansativa, desgastante, mas que ajudou a solidificar a relação. E foi também nesta época que comecei a colecionar mp3. E então foi nesta época que este disco da canadense me caiu em mãos por meio de um amigo, também fã de Jazz, que disse que era para ouvir. De posse então de meu velho discmann da Panasonic, inseri o disco e o ouvi em uma destas viagens. Foi um choque, pois ela reunia o que eu procurava: um talento nato, uma voz de veludo, tocava piano com muita propriedade, e neste disco abordava um repertório pelo qual eu já era apaixonado, o das velhas canções norte americanas, de Irvin Berlin a Cole Porter, passando por Gershwin, Burt Bacharach e concluindo com Billy Joel.
As canções interpretadas com muita qualidade, e com uma banda absolutamente perfeita, liderada pela dupla John Clayton e Jeff Hamilton, baixista e baterista respectivamente, e acompanhada em certos momentos por uma orquestra. Aquilo me pareceu de um nível altíssimo de sofisticação e elegância. Ela era muito discreta, mas podíamos sentir que tocava com alma. Comprei então em seguida o DVD do show, que traz outras canções, e o mais importante, pude vê-la e aos seus músicos, e entender que aquilo que senti ao ouvir era real, e que a discrição e uma certa timidez eram a cereja do bolo daquele disco.
Diana Krall continua sendo muito discreta, ainda mais depois que se casou com o cantor Elvis Costello, suas apresentações se tornaram mais esporádicas, assim como seus discos. Já veio ao Brasil algumas vezes, onde gravou um DVD, encarando ‘Garota de Ipanema’, entre outros clássicos da Bossa Nova, mas isso é assunto para outra postagem.
Considero ‘Look of Love”, “Devil May Care”, “Fly Me to the Moon” e “Just the Way Yoy Are” os grandes momentos do CD, mas ele é muito bem conduzido e produzido. O que ouvimos aqui é gente que leva muito a sério o que faz, e o que talvez seja mais importante, que se respeita muito e a própria música que faz em altíssimo nível, faço questão de salientar novamente. Nada de estrelismos, pelo menos enquanto estão tocando.
Espero que apreciem. Estou ouvindo este CD agora creio que pela milésima vez, e continuo tendo as mesmas sensações, mesmo após vinte e poucos anos. Também colocarei abaixo o link para o Show Completo no Youtube.
1 I Love Being Here With You
2 Let’s Fall In Love
3 ‘Deed I Do
4 The Look Of Love
5 East Of The Sun (And West Of The Moon)
6 I’ve Got You Under My Skin
7 Devil May Care
8 Maybe You’ll Be There
9 ‘S Wonderful
10 Fly Me To The Moon
11 A Case Of You
12 Just The Way You Are
Diana Krall – Piano e Voz
John Clayton – Contrabaixo
Jeff Hamilton – Bateria
Anthony Wilson – Guitarra
Paulinho da Costa – Percussão
Orchestre Symphonique Europeen
Alan Broudband – Condutor
Belo e ensolarado domingo, e nada como um belo e bem interpretado Concerto para Violoncelo de Dvorák para tornar o dia ainda mais agradável. Não entendo como o mano PQP pode não gostar deste compositor mas tudo bem, cada um tem seu gosto e isso aprendi a respeitar nas pessoas.
Já trouxe outras duas versões para esta mesma obra, primeiramente a mais consagrada de todas, com um dos maiores violoncelistas do século XX, quem sabe talvez o maior deles, Rostropovich. Para muitos, trata-se da gravação definitiva. Pode ser. Particularmente, a minha favorita é com o Pierre Fournier, mas não vem ao caso discutir isso aqui agora.
Posteriormente trouxe outra gravação, desta vez com a Jacqueline Du Pré, que viveu pouco entre nós, mas que deixou sua marca.
Hoje trago mais uma gravação deste concerto, e desta vez é com o jovem Jean-Guihen Queyras. Resolvi dar voz aos novos intérpretes, e quando se trata de uma gravação da Harmonia Mundi precisamos prestar atenção ao que vem pela frente, pois geralmente se trata de material de primeira qualidade.
“Beauty. Slow Beauty”!, “This is a great one”, “ How Do You Spell ‘magnificent’ in Czech?”, são alguns dos comentários dos clientes da amazon, que deram 5 estrelas para este CD, e tenho de concordar com eles.
A Orquestra que acompanha o jovem Jean-Guihen é a The Prague Philharmonia regida por Jíri Belohlavek, que faz um belo trabalho, diga-se de passagem.
A outra obra que vem junto deste cd é o trio mais conhecido de Dvorák, o “Dumky” Trio. Nesta obra, Queyras é acompanhado pela violinista Isabelle Faust, e pelo pianista Alexander Melnikov.
01 – Concerto pour violoncelle – I. Allegro
02 – Concerto pour violoncelle – II. Adagio ma non troppo
03 – Concerto pour violoncelle – III. Allegro moderato
04 – Trio n 4 ‘Dumky’ – I. Lento maestoso – Allegro quasi doppio movimento
05 – Trio n 4 ‘Dumky’ – II. Poco adagio – Vivace non troppo
06 – Trio n 4 ‘Dumky’ – III. Andante – Vivace non troppo
07 – Trio n 4 ‘Dumky’ – IV. Andante moderato – Allegretto scherzando
08 – Trio n 4 ‘Dumky’ – V. Allegro
09 – Trio n°4 ‘Dumky’ – VI. Lento maestoso – Vivace
Jean-Guihen Queyras – Cello
Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov – Piano
The Prague Philharmonia
Jiri Behlolávek – Conductor
A música de Chopin sempre me fascinou. Lembro de ouvir um disco com algumas obras dele na casa da minha irmã, eu deveria ter uns 13 ou 14 anos de idade e a intensidade daquela música me envolveu totalmente. A partir de então fui atrás de discos, claro que dentro das condições financeiras de um adolescente, até que me caiu em mãos um daqueles fascículos da Editora Abril, o pianista era Peter Franckl, se não me engano. Ouvi tanto aquele LP que ele acabou riscando.
Enfim, essa pequena introdução serviu para me lembrar que ouço Chopin há uns quarenta e poucos anos, e talvez, com exceção de Brahms e Beethoven, talvez seja o compositor que mais ouvi na minha vida. Seus Concertos, Baladas, Scherzos, sonatas, enfim, frequento esse universo encantado desde minha adolescência.
Esse é o disco que virou a cabeça do jovem FDPBach.
Idel Biret é uma pianista turca, nascida em 1941, e que com meros 7 anos de idade foi estudar em Paris, onde teve professores como Nadia Boulanger e Alfred Cortot. Tem uma extensa discografia, em sua maior parte pelo selo Naxos, e por este selo gravou a obra integral de Chopin. De vez em quando, trazemos algum volume desta série.
Este CD que or vos trago foi gravado em 1995 e ganhou diversos prêmios da crítica especializada. Sugiro a leitura do booklet interno, onde a pianista analisa a obra e a vida de Chopin. Vale a pena.
Fryderyk Chopin (1810 – 1849) – Sonatas para Piano – Idil Biret
Piano Sonata No. 1 In C Minor, Op. 4
1 Allegro Maestoso
2 Menuetto
3 Larghetto
4 Finale
Piano Sonata No. 2 In B Flat Minor, Op. 35
1 Grave – Doppio Movimento
2 Scherzo
7. Marche funèbre: Lento
8 Finale: Presto
Piano Sonata No. 3 In B Minor, Op. 58
1 Allegro Maestoso
2 Scherzo: Molto Vivace
3 Largo
4 Finale: Presto, Non Tanto
Já estava na hora de postarmos outra versão deste concerto, com certeza uma das maiores obras já compostas pelo ser humano. E postar uma versão recente, já que as anteriores foram gravações históricas, como a do David Oystrakh, postada ainda nos primórdios do blog.
A amazon deu 4 estrelas e meia para este cd, e o editorialista escreveu o seguinte:
The inside covers of this CD’s booklet show violinist and conductor engaged in a whimsical pose of arm wrestling. It’s a curious visual misnomer for the actual character of the Brahms Violin Concerto, which is notably not cast as a bravura showdown between soloist and orchestra. Rather, as this live performance recorded in Chicago Symphony Hall in 1997 so amply demonstrates, the score’s beauty and fascination emanate in large part from its spaciously symphonic conception. Maxim Vengerov imbues his account with all the variety of expressive color, intellectual weight, and deeply personal statement necessary to make Brahms’s poetry vivid–he even supplies his own cadenza in lieu of the usual one by Joachim–yet never detours from the larger vision at stake. The first movement’s coda in fact creates the sensation of a beguiling reverie from which both violinist and ensemble are reluctant to awaken. Gently tapered phrasing from Vengerov, together with Daniel Barenboim’s attention to the gorgeously crafted woodwind scoring, creates a statement of lofty serenity in the Adagio. And in the finale, where performances too often tend to sound watered-down after the weight of what has preceded, bold, snappy accents ensure an exhilarating momentum. A more intimate example of the synergy between Vengerov and Barenboim can be heard in Brahms’s D Minor Violin Sonata. In contrast to Anne-Sophie Mutter’s huge, luxurious sound, Vengerov brings a more introspective but no less passionate demeanor to bear. Despair and peace alternate with moving contrast in this superb work, which has been interpreted as a character portrait of its dedicatee, conductor Hans von Bülow. –Thomas May
O texto abaixo tiro do meu livro de cabeceira sobre Brahms, de Malcolm McDonald:
“A célebre declaração de Josef Hellmesberger de que o Concerto para violino de Brahms, op. 77 não era um concerto ‘para, mas contra o violino’ (e a réplica de Bronislaw Hubermande que é ‘para violino contra orquestra’ – e o violino sempre vence!)” provavelmente devem ser encaradas como respostas às características decididamente ‘sinfônicas’ da obra. E ela assim se afiguraria ainda mais se Brahms tivesse cumprido sua intenção original: uma estrutura em quatro movimentos cujos esboçados movimento lento e scherzo (…) foram totalmente substituídos, fora do tempo, pelo adágio que conhecemos. De fato o Concerto é, em muitos aspectos o sucessor natural da Sinfonia nº 2- na mesma tonalidade em ré menor – e as similaridades são especialmente fortes no primeiro movimento, cuja semelhança com o da SInfonia foi comentada por Clara Schuman na primeira vez que Joachim e Brahms o tocaram todo para ela. Esta aí, de novo, um espaçoso e aparentemente descansado esquema em 3/4, calorosamente romântico em sua coloração orquestral, em seus temas construídos sobre uma formação em tríade e, embora em si mesmos não especialmente prolongados, evoluindo de um para o outro em imensos parágrafos e raramente muito afastados do caráter de uma valsa calma, porém apaixonada. (…)
(…) O tratamento virtuosístico do violino é inaudito em Brahms e sagazmente matizado de muitos elementos. Estão entre estes seus estudos dos grandes concertos clássicos, muito obviamente os de Beethoven mas também aqueles de um mestre menor, Viotti, cujo Concerto nº22 era um dos preferidos de Joachim e Brahms. Também se invoca a escrita para violino de Bach, cuja chacona em ré menor ele transcrevera para piano no ano anterior. E além disso é infuenciado por suas observações, ao longos dos anos, da ardente execução e da honesta personalidade musical de Joachim, o solista para quem o concerto desde o começo foi projetado.”
Como salientou o editorialista da amazon, a cadenza interpretada por Vengerov não é a de Joachim, e sim dele mesmo, Maxim Vengerov. O cabra é macho mesmo. Mexeu num dos cânones da interpretação violinística dos séculos XIX e XX.
Ah, o cd traz também a Sonata nº 3, para piano e violino, numa inspirada interprtação da mesma dupla Vengerov / Baremboim, sendo este último o responsável pelo piano.
Johannes Brahms (1833-1896): Violin Concerto in D major, Op. 77, Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108 (Vengerov, Barenboim)
1. I. Violin Concerto in D major, Op. 77 – Allegro non troppo
2. II. Adagio
3. III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace
4. Sonata for Violin & Piano No. 3 in D minor, Op. 108 – I. Allegro
5. II. Adagio
6. III. Un poco presto e con sentimento
7. IV. Presto agitato
Maxim Vengerov – Violin
Chicago Symphony Orchestra
Daniel Barenboim – Piano e Conductor
Fiz uma confusão tremenda ontem, e acabei agendando uma postagem sem ter subido o arquivo para o rapidshare. Desculpem a confusão, ando meio atrapalhado nos últimos dias, ansioso, na verdade, devido às burocracias referentes à contratação em um novo emprego. Por este motivo, só ao chegar em casa hoje, perto das 3 da tarde, e que vi que a postagem sem o link.E como bobagem pouca é bobagem, no final das contas acabei deletando a postagem. Bem, vou resumir o que falei: Perlman está afiadíssimo neste cd, mostrando todo o seu virtuosismo, ao lado de seu amigo de longa data, Daniel Barenboim, nos bons tempos em que este era diretor da Orchestre des Paris, no começo dos anos 80. Então, eis duas obras famosas do repertório violinistico. Espero que apreciem. Ah, antes que me esqueça, o cd também traz uma obra de Berlioz, mas meu cd está com defeito nesta faixa, e simplesmente se recusa a ser convertido para mp3.
6 – Saint-Saens- Concerto pour violon et orchestre op. 61- 1. Allegro non troppo
7 – Saint-Saens- Concerto pour violon et orchestre op. 61- 2. Andantino quasi allegretto
8 – Saint-Saens- Concerto pour violon et orchestre op. 61- 3. Molto moderato e maestoso – Allegro non troppo
Itzhak Perlman – Violino
Orchestre des Paris
Daniel Barenboim – Conductor
O solo de Trompa que abre o Segundo Movimento da Quinta Sinfonia de Tchaikovsky é uma das mais belas páginas da história da música, sem dúvida alguma. Seu tema principal é um lamento, transmite uma angústia latente, daquelas que ficam presas na nossa garganta. A cada vez que a ouço parece que entra um cisco no meu olho, e a lágrima é inevitável. A repetição do tema principal pelas cordas amplia essa angústia.
A vida de Stanislaw Skrowaczewski não foi nem um pouco fácil. Foi um jovem prodígio ao piano já aos oito anos de idade (incrível como existem excepcionais pianistas poloneses) sendo solista e regente do Terceiro Concerto de Beethoven já nesta tenra idade. Porém foi obrigado a desistir do instrumento quando machucou as duas mãos em um bombardeio da Segunda Guerra Mundial. A partir de então, começou seus estudos de regência e composição ainda em sua Polônia natal. Em 1960 se exilou nos Estados Unidos, onde ele e sua esposa se naturalizaram norte-americanos.
Trarei uma série de CDs deste grande maestro do século XX, registros ao vivo com a NHK Symphony Orchestra, de Tõquio, entre 1996 e 1999. Stanislaw Skrowaczewski faleceu em 2017, com a idade de 94 anos de idade. Mesmo já idoso, podemos sentir um grande vigor em sua regência, mesmo em obras tão densas e complexas quanto a Sinfonia ‘Patética‘, já citada acima. E não podemos deixar de citar sua incursão na obra de Bruckner, cujas sinfonias gravou na integra, junto com a Saarbrucken Radio Symphony Orchestra, gravação que foi premiada.
Este primeiro CD inicia com a Abertura Leonore, de Beethoven, e se conclui com uma belíssima interpretação da Quinta Sinfonia de Tchaikovsky. A NHK Symphony Orchestra é uma orquestra muito versátil, e encara as duas peças com muita competência.
1 “Leonore Nr.2” Ouvertüre
Symphony No.5
2 I. Andante
3 II. Andante Cantabile
4 III. Allegro Moderato
5 IV. Finale
Trago hoje para os senhores uma obra que pouco apareceu cá pelas bandas do PQPBach, e que na verdade, também é meio ‘esquecida’ nos palcos e nos estúdios de gravação. Tudo bem, é uma obra longa, que exige muito do solista, mas ao mesmo tempo, é considerada por alguns colegas daqui do PQPBach como o melhor Concerto para Piano que Tchaikovsky escreveu. Polêmicas e gostos a parte, resolvi encará-lo para as devidas e inevitáveis comparações com o Primeiro Concerto, que ouço desde praticamente desde minha adolescência.
A pianista chinesa Xiayin Wang encarou o desafio de gravar esse Segundo Concerto, com o aval do poderoso selo inglês Chandos e o resultado é muito bom, e curiosamente, já o ouvi por duas vezes seguidas nesta manhã de domingo, e não, não o considero por demais longo. Tchaikovsky ousou muito aqui, lembrando que esta versão que ora vos trago é a versão original, sem cortes. Talvez a curiosidade fique por conta do seu Segundo Movimento, dividido em várias partes, e objeto de crítica de solistas na época de sua estréia, o que ocasionou uma outra versão mutilada. Cadenzas extremamente complexas, belíssimas melodias e uma orquestração sem muitos excessos, trata-se de uma belíssima obra, se os senhores tiverem a paciência de dedicar 42 minutos de seu tempo para ouvi-lo sem atropelos.
Xiayin Wang nos traz tambérm nesse CD o magnífico Concerto de Kachaturian, cujo Segundo Movimento sempre me faz sentir extremamente emocionado, e um cisco sempre insiste em me cair nos olhos. Quando ouço sempre desejo que esse movimento nunca acabe.
A Royal Scottish National Orchestra, dirigida por Peter Oundjian, fez um grande trabalho, nos trazendo duas obras épicas. E Xiayin Wang é uma excepcional pianista, muito técnica, e encar os dois petardos com confiança e muita energia.
Pyotr Il’yich Tchaikovsky (1840-1893) Concerto No. 2, Op. 44 (1879-80) in G major• in G-Dur en sol majeur for Piano and Orchestra
(original version)
À mon ami Nicolas Rubinstein
1 Allegro brillante e molto vivacе – L’istesso tempo – Tempo giusto – [Cadenza] –
2 Tempo I – [Cadenza.] Un poco capriccioso e a tempo rubato – Tempo giusto –
3 [Cadenza.] Meno mosso moderato assai – Vivacissimo – Tempo del Comincio – Andante – Prestissimo – Tempo di Comincio
4 Tempo I – L’istesso tempo – Tempo giusto
5 II Andante non troppo – Più mosso – Cadenza [Violin solo] –
Tempo I – Cadenza [Piano solo] – [Tempо I]
Maya Iwabuchi violin
Aleksei KiselioV cello
6 III Allegro con fuoco – L’istesso tempo – Poco più mosso
Aram Khachaturian (1903-1978) Concerto, Оp. 38 (1936) in D flat major in Des-Dur en ré bémol majeur for Piano with Orchestra
To Lev Oborin
7 I Allegro maestoso – [Cadenza.] Poco meno – Lento – Allegro – Poco più mosso e stretto in tempo – Tempo I – Tempo moderato –
[Cadenza.] Vivo – Meno mosso – Moderato con sentimento – Tempo I – Allargando – Più maestoso
8 II Andante con anima – Poco più mosso – Poco meno mosso Tempo I- [ ] – Tempo I – Lento – Tempo I – Lento
9 III Allegro brillante – L’istesso tempo – Più mosso – [Cadenza] – Tempo I – Più mosso – Moderato – Maestoso – Poco accelerando
Xiayin Wang piano
Royal Scottish National Orchestra
Maya Iwabuchi leader
Peter Oundjian
Para muitos, um paradigma a ser quebrado, uma das maiores gravações da história da indústria fonográfica, um “must have”, enfim, Tchaikovsky sob a batuta de Mravinsky. Alguns dizem que um dos motivos que tornaram possíveis este desempenho é que Mravinsky mergulhou fundo na alma russa presente nestas obras e a arrancou com sangue, suor e lágrimas. Exageros a parte, temos aqui um Tchaikovsky em sua essência, para satisfazer o mano PQP, que só admite este autor quando interpretado pelo grande maestro russo.
1 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – I. Andante sostenuto – Moderato con anima – Moderato assai, quasi andante – Allegro vivo
2 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – II. Andantino in modo di canzone
3 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – III. Scherzo. Pizzicato ostinato. Allegro
4 – Symphonie Nr.4 f-moll op.36 – IV. Finale. Allegro con fuoco
5 – Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – I. Andante – Allegro con anima
6 – Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – II. Andante cantabile, con alcuna licenza – Moderato con anima – Andante mosso – Allegro non troppo
7 – Tchaikovsky Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – III. Valse. Allegro moderato
8 – Tchaikovsky Symphonie Nr.5 e-moll op.64 – IV. Finale. Andante maestoso – Allegro vivace – Molto vivace-Moderato assai e molto maestoso
9 – Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – I. Adagio – Allegro non troppo
10 – Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – II. Allegro con grazia
11- Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – III. Allegro molto vivace
12 – Tchaikovsky Symphonie Nr.6 h-moll op.74 ‘Pathetique’ – IV. Finale. Adagio lamentoso
Creio que esta seja a terceira vez que estou postando este CD, que considero um de meus favoritos. A qualidade da música e dos músicos envolvidos não deixa dúvidas: esta provavelmente é uma das melhores gravações já realizadas destas obras.
Este é um daqueles cds fundamentais em minha discoteca, um daqueles que me acompanharia se fosse para viver em uma ilha deserta. A dupla formada por Sviatoslav Richter e Mstislav Rostropovich é a minha favorita para este repertório, desde que comprei esse mesmo cd em formato de LP duplo, há uns vinte e sete anos ou mais. E ainda o tenho guardado ali no armário. Enfim, um cd fundamental, obrigatório. E tenho dito e mais não preciso dizer.
CD 1
01. No. 1- I. Adagio sostenuto – Allegro
02. No. 1- II. Rondo (Allegro vivace)
03. No. 4- I. Andante – Allegro vivace
04. No. 4- II. Adagio – Tempo d’andante – Allegro vivace
05. No. 5- I. Allegro con brio
06. No. 5- II. Adagio con molto sentimento d’affetto
07. No. 5- III. Allegro – Allegro fugato
CD 2
01. No. 2- I. Adagio sostenuto ed espressivo – Allegro molto piu tosto presto
02. No. 2- II. Rondo (Allegro)
03. No. 3- I. Allegro ma non tanto
04. No. 3- II. Scherzo (Allegro molto)
05. No. 3- III. Adagio cantabile – Allegro vivace
Sviatoslav Richter – Piano
Mstislav Rostropovich – Cello
Estou renovando aqui uma postagem lá de 2018, nem tão antiga assim, mas mesmo assim, muita água já passou por baixo da ponte. Vale conferir, os dois intérpretes aqui são feras e referências em seus instrumentos. Além disso, é Beethoven, pôxa, com uma abordagem ‘diferente’.
Por que nunca nos cansamos de postar cds com obras de Beethoven? Ora, porque se trata de Beethoven … mais do que isso se torna redundante falar ou explicar.
Achei esta coleção em um velho HD externo que estava guardado já há algum tempo, e me supreendi ao ouvi-lo, não que ouvir o pianista van Immerseel ainda me supreenda, mas a sonoridade dos instrumentos, não digo apenas do pianoforte, mas o som do violino de Midori Seiler é incrível. Soa por vezes rústico, nos oferecendo um Beethoven diferente daquele que estamos acostumados a ouvir, principalmente aquelas leituras mais românticas por assim dizer.
Amo estas obras, e não canso de ouvi-las, talvez nunca canse, e esta é daquelas gravações que se possível devem ser ouvidas com um bom fone de ouvido para podermos melhor captar os detalhes da obra.
Lembro de que se trata de interpretações com instrumentos de época, com dois especialistas na área, o piano de Immerseel foi construído em 1888 e o violino de Midori é um violino barroco construido com modelo de um instrumento do século XVIII, semelhante ao utilizado por Beethoven na composição destas obras.
CD 1
01. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – I. Allegro
02. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – II. Adagio molto espressivo
03. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – III.Scherzo. Allegro molto
04. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – IV. Rondo. Allegro ma non troppo
05. Violin Sonata No.1 in D major, op.12, no.1 – I. Allegro con brio
06. Violin Sonata No.1 in D major, op.12, no.1 – II. Tema con variazoni.
07. Violin Sonata No.1 in D major, op.12, no.1 – III. Rondo. Allegro
08. Violin Sonata No.2 in A major, op.12, no.2 – I. Allegro vivace
09. Violin Sonata No.2 in A major, op.12, no.2 – II. Andante più tosto allegretto
10. Violin Sonata No.2 in A major, op.12, no.2 – III. Allegro piacèvole
11. Violin Sonata No.3 in E flat major, op.12, no.3 – I. Allegro con spirito
12. Violin Sonata No.3 in E flat major, op.12, no.3 – II.Adagio con molta espressione
13. Violin Sonata No.3 in E flat major, op.12, no.3 – III. Rondo Allegro molto
CD 2
1 Sonata No. 6 in A, Op. 30 No. 1: I. Allegro
2 Sonata No. 6 in A, Op. 30 No. 1: II. Adagio molto espressivo
3 Sonata No. 6 in A, Op. 30 No. 1: III. Allegretto con variazioni
4 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: I. Allegro con brio
5 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: II. Adagio cantabile
6 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: III. Scherzo. Allegro
7 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: IV. Finale. Allegro
8 Sonata No. 10 in G, Op. 96: I. Allegro moderato
9 Sonata No. 10 in G, Op. 96: II. Adagio espressivo
10 Sonata No. 10 in G, Op. 96: III. Scherzo. Allegro
11 Sonata No. 10 in G, Op. 96: IV. Poco allegretto – Adagio espressivo – Allegro
CD 3
1 Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: I. Presto
2 Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: II. Andante scherzoso più allegretto
3 Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: III. Allegro molto
4 Sonata No. 8 in G, Op. 30 No. 3: I. Allegro assai
5 Sonata No. 8 in G, Op. 30 No. 3: II. Tempo di minuetto ma molto moderato e grazioso
6 Sonata No. 8 in G, Op. 30 No. 3: III. Allegro vivace
7 Sonata « Kreutzer » No. 9 in A, Op. 47: I. Adagio sostenuto – Presto
8 Sonata « Kreutzer » No. 9 in A, Op. 47: II. Andante con variazioni
9 Sonata « Kreutzer » No. 9 in A, Op. 47: III. Presto
Midori Seiler – Violin
Jos Van Immerseel – Pianoforte
Poucas obras me impactaram tanto quanto “Rhapsody In Blue“, Não lembro quando foi que ouvi essa obra pela primeira vez na versão orquestral, lembro da versão para dois pianos interpretada pelas irmãs Labeque, em disco que já postei há alguns anos, e que já devorava nos meus vinte anos. Comprei este disco que ora vos trago há mais de trinta anos, mas infelizmente me desfiz dele nos tempos de vacas magras, e gosto muito destas gravações, tenho um carinho muito especial por elas, tanto que depois de muito procurar, consegui adquiri-lo novamente em vinil há alguns meses. Gravada nos tempos de Lorin Maazel à frente da Orquestra de Cleveland, em meados dos anos 70, esse disco é tremendamente bem executado pela sempre excelente orquestra e o solista Ivan Davis também faz um belo trabalho, com uma técnica apurada e uma grande sensibilidade nos momentos mais românticos e sensíveis.
A grande surpresa do disco é a ótima “Abertura Cubana“, Maazel e a turma de Cleveland se sentem a vontade para explorar o ritmo latino presente na obra sem perderem o rebolado. “An American in Paris” é outro grande momento do álbum, fã confesso que sou fã dessa obra, me considero até suspeito em tecer maiores comentários. Assim como “Rhapsody In Blue”, foi a trilha sonora romântica de minha juventude.
Logo depois de gravar este disco, Maazel encarou outra obra prima de Gershwin, a ópera “Porgy and Bess”, mas isso é conversa para outra postagem.
Enfim, temos aqui um belíssimo disco, que vale cada minuto de sua audição. Sugiro fortemente que o baixem.
Retorno a Schumann pouco mais de um ano depois de ter postado estas mesmas sinfonias, porém com a leitura de Heras-Casado dirigindo a poderosa Filarmônica de Munique. Naquela postagem comentei o quanto amo estas sinfonias, e quanto elas me fazem bem, me deixam de bem com a vida.
Um ano mais velho, agora já sexagenário, retorno a elas, tentando captar novas emoções e sentimentos, e de cara já digo que as emoções já estão mais a flor da pele, e que alguns sentimentos esquecidos com a loucura do dia a dia retornam com força quando ouço essa música tão poderosa. Marek Janowski é um maestro experiente, e neste registro que ora vos trago, dirigindo a Dresdner Philharmonie, sim, orquestra da mesma Dresden tão bem descrita e homenageada em postagem acima do mano PQPBach. Creio que por terem passado por tantas privações, dores e sofrimentos com o bombardeio na Segunda Guerra Mundial seus moradores e músicos se tornaram ainda mais sensíveis e emotivos, e com razão.
Nós passaremos por esse mundo, mas estas quatro obras primas do repertório sinfônico continuarão presentes e empolgando e emocionando novas gerações de ouvintes. A música de Schumann procura nos mostrar um mundo ideal, mas sabemos que as coisas não são assim tão simples. Então, por trás de camadas harmônicas de beleza cativante, e por vezes estonteantes, somos envolvidos em processos e estruturas complexas que nos mostram que nem tudo são flores. Espero que apreciem.
01. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring I. Andante un poco maestoso – Allegro molto vivace – Animato
02. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring II. Larghetto
03. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring III. Scherzo. Molto vivace – Trio I & Trio II. Molto più vivace
04. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring IV. Allegro animato e grazioso – Andante – Poco a poco accelerando
05. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 I. Sostenuto assai – Un poco più vivace – Allegro ma non troppo
06. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 II. Scherzo – Trio I – Trio 2 – Coda. Allegro vivace
07. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 III. Adagio espressivo
08. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 IV. Allegro molto vivace
09. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 I. Lebhaft (Vivace)
10. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 II. Scherzo. Sehr mäßig (Molto moderato)
11. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 III. Nicht schnell (Moderato)
12. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 IV. Feierlich (Maestoso)
13. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 V. Lebhaft (Vivace)
14. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 I. Ziemlich langsam (Lento assai) – Lebhaft (Vivace)
15. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 II. Romanze. Ziemlich langsam (Lento assai)
16. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 III. Scherzo – Trio. Lebhaft (Vivace)
17. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 IV. Langsam (Lento) – Lebhaft (Vivace) – Schneller (Più animato) – Presto
Uma deliciosa postagem lá de 2008, uma das últimas realizadas por Claudio Abbado, ao lado do genial violinista italiano Giulano Carmignola,em sua primeira incursão na obra de Mozart. Por algum motivo essa postagem nunca teve os links atualizados. Resolvi trazer novamente, eram outros tempos, internet lenta, baixo bitrate dos arquivos, enfim, pré história do PQPBach. Foram muitos os pedidos para repostar, então vamos atendê-los.
Mas FDP Bach está novamente postando Mozart? O que aconteceu? Um surto repentino de repertório mozartiano é sempre bem vindo, tenho certeza. Além disso, fiquei tão empolgado com este cd, que logo quis compartilhar com os senhores. Explico. Por um destes motivos inexplicáveis, até então o blog não havia postado estas obras, ou seja, os concertos para violino. Talvez o mano pqp tenha postado a Sinfonia Concertante, mas não me lembro dos outros concertos. Fiquei me enrolando por um bom tempo, tentando definir qual era a versão escolhida, entre tantas que tinha.. Mutter, Kremer, Oistrakh, Grumiaux, Mintz, Mullova, e sei lá mais quem, são várias as versões que possuo. Mas esta aqui em especial me chamou a atenção por trazer um mestre do violino barroco, Giuliano Carmignola. Sei que alguns pedirão este ou aquele solista, mas estas gravações de Carmignola são uma das melhores que já tive a oportunidade de ouvir na minha vida.
Eis um comentário encontrado na rede:
Renowned period-instrument violinist Giuliano Carmignola makes his first Mozart recording, and internationally acclaimed maestro Claudio Abbado records Mozart for the first time on period instruments! Abbado and Carmignola are long-standing collaborators and have performed Mozart together for some time; the album was born out of their feeling that it was time to commit their interpretations to disc. In addition to the five violin concertos, Carmignola teams with violist Danusha Waskiewicz on another audience favorite, the Sinfonia concertante. One of five releases celebrating Claudio Abbado’s 75th birthday, this attractively priced two-disc set promises to be one of the most important Mozart recordings of the year.
Alguns irão torcer o nariz por se tratar de Abbado, ainda mais tocando pela primeira vez com uma orquestra com instrumentos de época, mas não se preocupem.. é material de primeiríssima qualidade.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Os Concertos para Violino + Sinfonia Concertante, K. 364 (Carmignola, Abbado)
CD 1
1 – Concerto for Violin and Orchestra nº 1 in B Flat Major, K. 207 – Allegro moderato
2 – Concerto for Violin and Orchestra nº 1 in B Flat Major, K. 207 – Adagio
3 – Concerto for Violin and Orchestra nº 1 in B Flat Major, K. 207 – Presto
4 – Concerto for violin and Orchestra nº 1 in D Major, K. 211 – Allegro moderato
5 – Concerto for violin and Orchestra nº 2 in D Major, K. 211 – Andante
6 – Concerto for violin and Orchestra nº 2 in D Major, K. 211 – Rondeau – allegro
7 – Concerto for violin and Orchestra nº 3 in G Major, K. 216 – Allegro
8 – Concerto for violin and Orchestra nº 3 in G Major, K. 216 – Adagio
9 – Concerto for violin and Orchestra nº 3 in G Major, K. 216 – Rondeau – Allegro
CD 2
1 – Concerto for violin and orchestra nº 4 in D Major, K. 218 – Allegro
2 – Concerto for violin and orchestra nº 4 in D Major, K. 218 – Andante cantabile
3 – Concerto for violin and orchestra nº 4 in D Major, K. 218 – Rondeau – Andante grazioso
4 – Concerto for violin and orchestra nº 5 in A Major, K. 218 – Allegro aperto
5 – Concerto for violin and orchestra nº 5 in A Major, K. 218 – Adagio
6 – Concerto for violin and orchestra nº 5 in A Major, K. 218 – Rondeau – tempo di minueto
7 – Sinfonia Concertante in E flat major, K. 364 – Allegro maestoso
8 – Sinfonia Concertante in E flat major, K. 364 – Andante
9 – Sinfonia Concertante in E flat major, K. 364 – Presto
Repostagem de dois cds imperdíveis de Claudio Abbado frente à Orquestra Mozart que ele mesmo fundou, escolhendo a dedo seus membros. Já havia feito outra repostagem há alguns anos, mas os links expiraram e entendo que são CDs fundamentais para os fãs do grande maestro e claro, de Mozart.
Por algum motivo desconhecido, decidi que Mozart é o ideal para se ouvir neste final de semana com feriado caindo no sábado, Dia das Crianças, e Dia de Nossa Senhora Aparecida da, Padroeira do Brasil.
Trago então dois CDs deliciosos, ótimos para ouvir numa manhã de sábado de primavera.
Claudio Abbado reúne a excelente Orchestra Mozart para tocar uma peça infelizmente pouco interpretada de nosso querido Wolfgang, a Sinfonia Concertante para Sopros e Orquestra, e o belíssimo Concerto para Flauta e Harpa, K. 299.
A inusitada formação dos instrumentos solistas da Sinfonia Concertante, com oboé, clarinete, fagote e trompa, nos traz melodias lindíssimas, tocadas com muita sensibilidade e leveza, e que nos deixa de bem com a vida.
O Concerto para Flauta e Harpa já nos é conhecido, devem ter umas duas ou três versões publicadas nos últimos anos aqui no PQPBach, e traz, em minha opinião, uma das mais belas melodias já compostas na história da Música, seu segundo movimento, um Andantino. Os que não conhecem ouçam com atenção e depois me digam se não tenho razão. O segundo cd também nos traz Claudio Abbado e sua Orchestra Mozart, porém desta vez temos o 4 Concertos para Trompa, interpretados por Alessio Allegrini. Redundante seria dizer que trata-se de música para a alma e para o espírito, e que Mozart nos proporciona isso com certeza. Portanto, vamos ao que interessa.
01. Sinfonia concertante in E flat major K. 297b – I. Allegro
02. II. Adagio (Andante)
03. II. Andantino con variazioni
04. Concerto for Flute, Harp and Orchestra in C major K. 299 (297c) – I. Allegro
05. II. Andantino
06. III. Rondeau – Allegro
01. Concerto for Horn and Orchestra Nº1 in D mayor K. 412/514 – I. Allegro
02. II. Rondo (Allegro)
03. Concerto for Horn and Orchestra Nº2 in E flat mayor K. 417 – I. Allegro maestoso
04. II. Andante
05. III. Rondo
06. Concerto for Horn and Orchestra Nº3 in E flat mayor K. 447 – I. Allegro
07. II. Romanze (Larghetto)
08. III. Allegro
09. Concerto for Horn and Orchestra Nº4 in E flat mayor K. 495 – I. Allegro moderato
10. II. Romanza (Andante)
11. III. Rondo (Allegro vivace)