[Restaurado] Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Abertura de “Le Nozze di Figaro” – Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para piano e orquestra em Dó maior, Op. 15 – Maurice Ravel (1875-1937): Rapsodie Espagnole – Pavane pour une Infante Défunte – Alborada del Gracioso – Boléro – Argerich – Barenboim #BTHVN250

Vocês me permitem só mais uma gravação de Martha tocando o concerto em Dó maior de Ludwig?

Só mais uminha?

Pois bem: ela é a minha favorita, a mais brilhante, fluida e à vontade que ela já fez dessa obra que toca quase desde a mórula. O ambiente certamente ajuda: o magnífico Teatro Colón, onde ela estreou há mais de setenta anos, em sua Buenos Aires natal, na qual passa uma aclamada temporada por ano e é merecidamente tratada como divindade terrena. A companhia, seguramente também: nenhum parceiro artístico a conhece há tanto tempo quanto seu conterrâneo Daniel Barenboim, com o qual formou a mais notória dupla portenha de crianças-prodígio e brincava de esconde-esconde sob os pianos das soirées em que tocaram juntos, antes das carreiras os levarem para distintas plagas e se reencontrarem tantas vezes pelo mundo. Daniel é extremamente reverente a Martha, e isso fica claro nessa interpretação do concerto: a solista parece tocar com total liberdade, e o regente a segue impecavelmente. O restante da gravação, feita ao vivo, traz a abertura de “As Bodas de Fígaro”, aquele clássico pontapé inicial dos concertos em matinês, e uma seleção considerável da obra de Maurice Ravel para seu instrumento favorito, a orquestra sinfônica. Barenboim e sua West-Eastern Divan estão tão confortáveis nesse repertório que lhes sobra energia para um extenso bis, com uma das suítes de excertos orquestrais da “Carmen” de Bizet e um tango de Mariano Mores – Martha, mantendo seu costume, dá um rápido bis com Schumann antes de sumir para as coxias para mais um de seus compulsórios cigarrillos. Apesar da sempre tussígena e algo alvoroçada plateia do Colón, a gravação do selo Peral (“Pereira” em espanhol, que é “Birnbaum” em alemão e “Barenboim” em iídiche) consegue captar bem o que deve ter sido uma noite e tanto naquela banda do rio da Prata.

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Le Nozze di Figaro, K. 491
01 – Abertura

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto em Dó maior para piano e orquestra, Op. 15
02 – Allegro con brio
03 – Largo
04 – Rondo. Allegro scherzando

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Fantasiestücke, Op. 12
05 – No. 7: Traumes-Wirren

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Rapsodie Espagnole, M. 54
06 – Prélude à la Nuit
07 – Malagueña
08 – Habanera
09 – Feria

Alborada del Gracioso, M. 43
10 – Assez vif

Pavane pour une Infante Défunte, M. 19
11 – Assez doux, mais avec d’une sonorité large

Boléro, M. 81
12 – Tempo di bolero moderato assai

Alexandre César Léopold (Georges) BIZET (1838-1875)

Suíte no. 1 da ópera “Carmen”
13 – Aragonaise
14 – Intermezzo
15 – Les Dragons d’Alcalà
16 – Les Toréadors

Mariano Alberto Martínez, dito MARIANO MORES (1918-2016)
17 – El Firulete, tango

Martha Argerich, piano
West-Eastern Divan Orchestra
Daniel Barenboim, regência

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Sete décadas de parceria ❤️

Vassily

[restaurado por Vassily em 5/6/2021, em homenagem aos oitenta anos da Rainha!]

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