Ludwig van Beethoven (1770-1827): Rondos, Andante favori, Fantasia, Bagatelle ‘Fur Elise’ (R. Brautigam)

A gravação das obras completas para piano solo de Beethoven por Ronald Brautigam, em pianofortes construídos com base em modelos da época do compositor, esteve entre os grandes acontecimentos ligados ao compositor renano neste século. Foi uma coleção de alto nível, primeiro com as sonatas, postadas por FDP Bach há muitos anos e um dia os links voltarão a funcionar…

Neste CD de hoje, o de nº 13 (de um total de 15), Brautigam reúne uma mistura de obras pouco conhecidas – seis Rondós, uma Polonaise, uma Fantasia, etc -, uma peça que tem um merecido reconhecimento – o Andante Favori – e uma peça que todo mundo já ouviu até cansar: a curtinha Für Elise.

A peça mais importante é mesmo o Andante Favori: aqui com 8min50s, ele inicialmente era o movimento lento da Sonata “Waldstein” op. 53 mas foi considerado longo demais para o contexto daquela sonata.

As biografias de Beethoven às vezes contêm informações pouco confiáveis, mas o libreto deste álbum recorda o relato de Ferdinand Ries, compositor e aluno de Beethoven: segundo Ries, um outro amigo ou aluno falou para Beethoven que aquele Andante não se encaixava bem na sonata, e a primeira reação foi de raiva, provavelmente um xingamento de Ludwig que, em outras ocasiões, também se revelou uma pessoa de pavio curto. Momentos depois, após refletir, Beethoven deu o braço a torcer: o amigo tinha razão. O Andante tornou-se uma peça avulsa, o apelido favori atesta sua popularidade, e pianistas de renome como Claudio Arrau, Wilhelm Kempff, Sviatoslav Richter e Nelson Freire o tinham em seu repertório.

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
1 Rondo in C major, WoO 48 (1783) 2’30
2 Rondo in A major, WoO 49 (1783) 2’41
3 Rondo in B flat major, Kinsky-Halm Anh. 6 7’10
4 Rondo in C major, Op. 51 No. 1 (1796 –97) 5’58
5 Rondo in G major, Op. 51 No. 2 (1800?) 9’06
6 Rondo “Alla ingharese quasi un capriccio” in G major (“Die Wut über den verlorenen Groschen, ausgetobt in einer Caprice” / ‘The Rage Over a Lost Penny, Vented in a Caprice’), Op. 129 (1795– 98?) 5’59
7 Ecossaise in E flat major, WoO 86 (1825) 0’20
8 Six Ecossaises, WoO 83 (c. 1806?) 2’09
9 Andante in F major (“Andante favori”), WoO 57 (1809) 8’50
10 Fantasie, Op. 77 (1800?) 9’40
11 Polonaise in C major, Op. 89 (1814) 5’21
12 Klavierstück ‘Für Elise’ 3’35 (1810, rev. version of 1822, ed. Barry Cooper)
13 Andante maestoso in C major (1826) 3’11 (“Ludwig van Beethoven’s letzter musikalischer Gedanke”)

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Ronald Brautigam tem menos probabilidade de ficar careca do que Flavio Bolsonaro de ser preso

Pleyel

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Variações Op.120 “Diabelli” e Op. 105 (R. Brautigam)

Uma dúvida: quais terão sido as obras de Beethoven que lhe renderam mais dinheiro em vida? Para responder a essa difícil questão, seria preciso converter entre as moedas de vários países da Europa, pois, assim como Haydn, Beethoven publicava suas partituras em várias cidades ao mesmo tempo, como uma forma de aumentar seus rendimentos.

Das obras gravadas por Brautigam neste CD, as Variações Diabelli op.120 foram publicadas em Viena, não sem tentativas de publicação em Londres (intermediadas por Ferdinand Ries, ex-aluno de Beethoven) e em Leipzig pela editora Peters, que existe até hoje. E as Variações sobre temas nacionais op.105 foram publicadas em Londres, durante uma pausa na composição das Variações Diabelli. Não poderiam ser mais diferentes, apesar de serem do mesmo período: as variações op. 105 são em estilo “agradável e não muito difícil” segundo o pedido do editor escocês, elas se baseiam sobretudo em temas populares escoceses, com algumas melodias de outras origens. Para aumentar as vendas, elas foram compostas para uma formação variável: piano e flauta ou violino ad libitum, o que significa que a flauta ou violino é opcional. E aqui, Brautigam toca sozinho em um pianoforte que é réplica de um instrumento de 1822 do austríaco Conrad Graf. Beethoven foi proprietário de um piano feito por Graf, já muito maior e mais potente do que aqueles em que compôs suas primeiras sonatas e concertos.

Já as variações Diabelli, como vocês já viram aqui e aqui, tiveram origem em uma valsa bastante simplória mas, após anos de labuta do compositor, se tornaram uma das obras mais complexas, sofisticadas, ousadas e longas do repertório para piano. Vou poupá-los de mais elogios a essas variações e voltar brevemente para a questão da grana, afinal, Beethoven não era um herdeiro como Mendelssohn nem um amante de mulher rica como Chopin, ele realmente precisava ganhar dinheiro com suas obras. Isso aparece nas histórias do biógrafo Schindler, que conhecia bem o homem, de quem foi secretário, mas também relatou algumas lendas pouco confiáveis. Schindler conta que Beethoven teria jogado no chão um romance de Walter Scott, gritando: “Este sujeito escreve para ganhar dinheiro”. Adorno e Horkheimer comentam que o Beethoven dos últimos anos fornece o exemplo mais grandioso da contradição entre mercado e autonomia na arte burguesa, ao compor música difícil e de pouco apelo comercial, ao mesmo tempo em que suas cartas revelam um negociante experiente: “Os que sucumbem à ideologia são exatamente os que ocultam a contradição, em vez de acolhê-la na consciência de sua própria produção, como Beethoven.” [1]

Essa contradição entre arte e mercadoria, diz Adorno, foi conscientemente vivida por Beethoven, e não jogada pra debaixo do tapete. Ele precisava de dinheiro para cuidar de seu sobrinho e precisava manter seu gosto por vinhos. Um exemplo desse Beethoven bem pé-no-chão aparece na sua correspondência com os editores de Mainz, cidade do oeste da Alemanha. Ao mesmo tempo em que discutia com os editores da família Schott sobre a publicação de algumas de suas obras mais sublimes – Nona Sinfonia, Missa Solemnis, Quarteto op. 127, todos foram publicados primeiro em Mainz – ele repetia em várias cartas o pedido de que lhe enviassem vinhos brancos, os únicos que seu médico permitia nos anos finais de sua longa doença.

Em 1º de março de 1827, por exemplo, ele escreveu: “Repito meu pedido anterior, relativo ao vinho do Reno ou Mosel. É infinitamente difícil conseguir algum aqui que seja genuíno e não adulterado, mesmo pelos maiores preços.” Poucos dias antes ele já tinha escrito: “Assim que tiver forças para tal, enviarei as marcações metronômicas de andamentos para a Missa [Solemnis], pois passarei por uma quarta operação neste período. Quanto antes, então, eu receber os vinhos do Reno ou Mosel, mais benefícios eles farão para minha presente condição”. Para outro amigo ele escrevia: “Eu posso beber Champagne… Primeiro o Dr. Malfatti permitia apenas Mosel [vinho da fronteira entre Alemanha, Luxemburgo e França] mas percebeu que não havia como obtê-lo aqui em Viena”. [2]

Voltando de vinhos para pianos: alguns preferirão Arrau, Brendel, Pollini ou Levit tocando as Diabelli em pianos modernos. Mas é inegável que a gravação de Brautigam, longe de ser apenas uma curiosidade (como as Diabelli soam em um pianoforte que imita aquele que Beethoven tinha em casa?), tem todas as características que não podem faltar nas Diabelli: o sarcasmo em relação ao tema saltitante, a seriedade do ‘último Beethoven’ e mesmo umas referências discretas às últimas sonatas, que Brautigam também gravou pela BIS.

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
1-34. 33 Veränderungen über einen Walzer von Anton Diabelli, Op. 120 (1819–23) (48’26)
35-40. 6 National Airs with Variations, Op. 105 (1818–19) (18’18)
Ronald Brautigam – fortepiano after Conrad Graf, c. 1822

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Pianoforte por Conrad Graf, com 5 pedais

[1] Adorno e Horkheimer, Dialética do Esclarecimento, Cap. “A indústria cultural”.
[2] Alexander Wheelock Thayer, The Life of Ludwig van Beethoven.

Pleyel

Beethoven: Symphonie Nr. 6 »Pastorale« / Schubert: Symphonie Nr. 4 »Tragische« (Carlo Maria Giulini)

Beethoven: Symphonie Nr. 6 »Pastorale« / Schubert: Symphonie Nr. 4 »Tragische« (Carlo Maria Giulini)

Esta é uma gravação que perdeu muito com os anos. Molho pesado demais, execução totalmente destituída de humor e leveza. A crítica é dura, mas encontra eco em parte da recepção que este CD, com a Filarmônica de Los Angeles e a Orquestra Sinfônica de Chicago, acumulou ao longo do tempo. Carlo Maria Giulini, um respeitado maestro em sua época, oferece aqui leituras que dividem opiniões: para alguns, são visões transcendentes e solenes; para outros, são interpretações que afogam a vivacidade das partituras em um excesso de gravidade (minha opinião).

Puro Giulini: este CD é um documento de uma abordagem que privilegia a visão grandiosa de Giulini em detrimento da espontaneidade e da leveza. Devemos ter Pastorais mais líricas e belas no PQP (quem sabe, né?). A gravação de Giulini, com o passar dos anos, parece ter se consolidado menos como uma referência importante e mais como um testemunho de sua arte discutível, onde a majestade suplanta a alegria e a simplicidade que estas obras podem/devem evocar.

Beethoven: Symphonie Nr. 6 »Pastorale« / Schubert: Symphonie Nr. 4 »Tragische« (Carlo Maria Giulini)

Symphonie Nr. 6 F-Dur Op. 68 »Pastorale«
Composed By – Ludwig van Beethoven
Orchestra – Los Angeles Philharmonic Orchestra
1 Erwachen Heiterer Empfindungen Bei Der Ankunft auf dem Lande: Allegro ma non troppo 10:37
2 Szene Am Bach: Andante Molto Mosso 13:22
3 Lustiges Zusammensein Der Landleute: Allegro 5:33
4 Gewitter – Sturm: Allegro 3:59
5 Hirtengesang: Frohe Und Dankbare Gefühle Nach Dem Sturm: Allegretto 10:33

Symphonie Nr. 4 C-Moll D 417 »Tragische«
Composed By – Franz Schubert
Orchestra – Chicago Symphony Orchestra
6 Adagio Molto – Allegro Vivace 10:47
7 Andante 8:49
8 Menuetto. Allegro Vivace – Trio 3:51
9 Allegro 8:21

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Giulini, grande coisa.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 / Romances (Mutter, NYP, Masur)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 / Romances (Mutter, NYP, Masur)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Posso ser polêmico? Pois, para mim, esta gravação ao vivo é a melhor deste célebre concerto. Mas talvez não deva ser a primeira versão a ser ouvida por um jovem ouvinte. A interpretação pessoalíssima vem de uma Mutter madura e ousada, que tem desagradado os conservadores em função da “jazzificação” de seus solos. Sim, sua interpretação desta grande obra-prima está a léguas da ortodoxia. Eu entendo essas pessoas em seu desconforto. Elas querem mais do mesmo e cada vez mais perfeito, tudo bem longe de quaisquer riscos. Aí aparece Mutter e vira tudo de cabeça para baixo. E tais ouvintes parecem não captar a diferença entre uma improvisação altamente artística e a vulgaridade. Beethoven era uma alma romântica presa em uma moldura clássica e, se voltasse hoje, acho que adoraria ouvir as improvisações da genial Mutter. O que Mutter fez foi projetar uma peça de música celestial para a paisagem onde nós, mortais, vivemos. Sou muito grato.

Beethoven: Violin Concerto In D, Op.61
1 Allegro ma non troppo – Cadenza: Fritz Kreisler 27:08
2 Larghetto 10:58
3 Rondo. Allegro (Cadenza: Fritz Kreisler) 10:10

4 Beethoven: Violin Romance No.1 In G Major, Op.40 7:10
5 Beethoven: Violin Romance No.2 In F Major, Op.50 8:22

Anne-Sophie Mutter
New York Philharmonic
Kurt Masur

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Anne Sophie Mutter, muito obrigado.
Anne Sophie Mutter, muito obrigado.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 (Mutter, BP, Karajan)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 (Mutter, BP, Karajan)

Talvez desse para fazer uma parede com as capas das reedições da DG para esta gravação clássica. Mutter, em seus dias jovens, foi uma pupila de Karajan e esta capa a mostra bochechuda e não a elegante e magérrima senhora de hoje. Coerente.

A imagem é um documento histórico por si só. Aos 13 anos, quando Karajan a descobriu, ela era apenas uma menina prodígio da pequena Rheinfelden. O maestro, que já tinha péssimas experiências com jovens talentos, tornou-se seu mentor e patrocinador. Foi ele quem a incluiu no cast da Deutsche Grammophon e com quem ela fez as suas primeiras gravações, incluindo os concertos de Mozart, Beethoven, Mendelssohn, Bruch, Tchaikovsky e Brahms. Dizem que Karajan a considerava “o maior talento desde Menuhin”. O que se ouve nesta gravação de 1980 (a de estúdio, a de “referência”) é, por isso, um documento duplamente fascinante. Por um lado, a segurança e o talento brutal de uma adolescente que já tocava com elevada expressividade e convicção. Por outro, a mão experiente de um velho maestro. O que se ouve é o equilíbrio perfeito entre a jovem solista e os filarmônicos de Berlim. É um encontro geracional que ficou para a história.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 (Mutter, BP, Karajan)

Concerto For Violin And Orchestra In D Major Op. 61 (48:20)
1 1. Allegro Ma Non Troppo 26:34
2 2. Larghetto 11:24
3 3. Rondo. Allegro 10:22

Cadenza – Fritz Kreisler
Conductor – Herbert von Karajan
Orchestra – Berliner Philharmoniker
Violin – Anne-Sophie Mutter

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PQP

Bach / Beethoven / Lasser: The Berlin Concert (Simone Dinnerstein)

The Berlin Concert é o ótimo registro ao vivo da estreia de Simone Dinnerstein na Kammermusiksaal da Filarmônica de Berlim, a 22 de novembro de 2007. Mais do que um recital, é uma declaração artística que explora a profunda e duradoura influência de Johann Sebastian Bach, tecendo um fio condutor que liga a música de três séculos num programa de uma notável coerência. Dinnerstein programou obras que, embora separadas por centenas de anos, mantêm um diálogo íntimo entre si, todas enraizadas no universo de Bach. A Suíte Francesa nº 5, BWV 816, de J.S. Bach, recebe uma interpretação de grande vitalidade, revelando uma abordagem cheia de sutileza. As 12 Variações sobre um Coral de J.S. Bach, de Philip Lasser é o momento mais “contemporâneo” do disco e a sua gravação de estreia mundial. O compositor norte-americano, amigo de longa data da pianista, cria uma peça que oscila estilisticamente entre o Impressionismo e o Jazz, pendulando entre a energia contrapontística e momentos de percussão ou de impressionismo etéreo. A Sonata para Piano nº 32, Op. 111, de Ludwig van Beethoven é a derradeira sonata de Beethoven. Ela é aqui apresentada como um marco de transição. O primeiro movimento, com a sua escrita angulosa, olha para o futuro (Liszt), enquanto o segundo movimento, um conjunto de variações sobre uma arietta semelhante a um coral, olha para trás, para Bach, e até para a frente, para o Jazz.

O ponto alto do disco é, talvez, a forma como Dinnerstein une este universo. A sua interpretação da monumental sonata de Beethoven, que ela trata com uma entrega poderosa e nostálgica, culminando num bis de cortar a respiração: a Variação 13 das Variações Goldberg de Bach. Este gesto final é uma afirmação que fecha o círculo e confirma Bach como a pedra fundamental.

Bach / Beethoven / Lasser: The Berlin Concert (Simone Dinnerstein)

Johann Sebastian Bach French Suite No. 5 in G Major, BWV 816
1 – 1 Allemande 3:30
2 – 2 Courante 1:31
3 – 3 Sarabande 5:22
4 – 4 Gavotte 0:58
5 – 5 Bourrée 1:07
6 – 6 Loure 2:37
7 – 7 Gigue 3:14

Philip Lasser Twelve Variations On A Chorale By J.S. Bach “Nimm Von Uns, Herr, Du Treuer Gott” (Cantata 101)
8 – Chorale: “Nimm Von Uns, Herr, Du Treuer Gott” 1:00
9 – Variation 1: Sempre Espressivo E Molto Legato 0:54
10 – Variation 2: Più Vivo 0:18
11 – Variation 3: Più Vivo – Sempre Leggero E Poco Staccato 0:29
12 – Variation 4: Evenly, Maintaining A Strange Disembodied Expressivity 1:28
13 – Variation 5: Largo 1:24
14 – Variation 6: Allegro Vivace 0:53
15 – Variation 7: Robusto 0:50
16 – Variation 8: Maestoso 1:46
17 – Variation 9: Largo 3:07
18 – Variation 10: Presto, Quasi Una Toccata 1:21
19 – Variation 11: Variation Of Variations – Allegro Amabile 5:09
20 – Variation 12: Andante Con Moto 3:37

Ludwig van Beethoven Piano Sonata No. 32 In C Minor, Op. 111 (1821-22)
21 – Maestoso: Allegro Con Brio E Appassionato 9:17
22 – Arietta: Adagio Molto Semplice E Cantabile 18:48

Encore

23 Johann Sebastian Bach– Goldberg Variations, BWV 988: Variation 13 5:24

Piano – Simone Dinnerstein

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Simone esperando que algum bolsonarista diga algo inteligente. Está nesta posição até hoje.

PQP

Alban Berg (1885-1935) & Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Violino (Faust / Abbado)

Alban Berg (1885-1935) & Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Violino (Faust / Abbado)

Como bem coloca o historiador Eric Hobsbawm, o século XIX só acaba em 1914 com o início da 1ª guerra imperialista. Na música, seu último suspiro no ocidente europeu se dá com as obras de Mahler, Richard Strauss e outros românticos tardios. A geração seguinte, como Debussy e Stravinsky, embora formados na antiga “escola” do romantismo, fariam a transição para os novos tempos, tentando criar uma música nova que se libertasse dos padrões românticos, cujos limites de desenvolvimento já haviam sido atingidos.

Seria um desses compositores de transição que iria causar o maior rompimento com a música ocidental até então. Arnold Schoenberg, contraditoriamente, estava preocupado em manter a supremacia que a música alemã detinha até ali. Extremamente conservador, totalmente alinhado com a tradição musical alemã, Schoenberg sairia na frente na fundação de uma nova escola que encerrará não só o domínio da música alemã sobre a tradição da música ocidental, mas do domínio de qualquer escola. Buscando criar um novo paradigma já conservador em sua própria concepção, daria as bases para os compositores mais vanguardistas do século XX: aqueles ligados ao dodecafonismo e ao serialismo.

A segunda escola de Viena, iniciada por Schoenberg, teria dois discípulos, Alban Berg e Anton Webern. Berg, mais moderado, será o “mestre da transição mínima”, tentando juntar elementos do romantismo tardio com o dodecafonismo. Já Webern vai levar os ensinamentos de Schoenberg ao limite, dando as bases para o posterior serialismo integral. No geral, a música da segunda escola de Viena nada mais é do que a música do tempo em que o velho morreu mas o novo ainda não pode nascer. Isto é, uma música de um tempo de transformações sociais inacabadas, ainda em conflito, deixando os indivíduos criadores (artistas), numa confusão completa, sem um paradigma.

Em 1935, Berg recebe a encomenda de um concerto para violino. Apesar de a rejeitar num primeiro momento, devido a sua dedicação exclusiva à finalização da ópera Lulu, posteriormente Berg aceita a encomenda, principalmente pelo alto valor que seria pago pela obra. Sem saber exatamente como serão as formas gerais deste concerto, fica sabendo da morte de Manon Gropius, filha de Alma Mahler e Walter Gropius. Este acontecimento pessoal definirá o conteúdo íntimo de seu concerto. Berg, que conhecia a filha do casal desde tenra idade, profundamente afetado, coloca a dedicatória da obra “à memória de um anjo“.

Na obra, a homenagem fúnebre da obra fica evidente por duas características:
Primeiro, pelo tema de Es ist genug (É o bastante), da cantata O Ewigkeit du Donnerwort (BWV 60) de Bach, que é explorado em alguns momentos da obra, mas, principalmente, no final. Segundo, pela melodia folclórica da Caríntia, talvez em homenagem à mãe de Webern, Amalie Webern, que fora enterrada na região, e onde Berg escreve o concerto. Mas essas citações, embora elucidativas, não esgotam o caráter “fúnebre” da obra. Se pensarmos que todo o concerto evoca, transfigura e reapresenta esses elementos musicais e tantos outros, vemos, além da capacidade criativa de Berg, a própria indefinição social universal  daquele tempo que se expressava mesmo na mais particular de suas obras. E aí está o maior mérito da obra: conseguir exprimir no particular, o movimento de uma transformação universal da música e da própria sociedade europeia.

Por tais conteúdos podemos dizer que o concerto para violino de Berg é, praticamente, um “concerto fúnebre”, que faria, voluntária e involuntariamente, homenagem a quatro mortes: primeiro, a de Manon Gropius, segundo, à mãe de Webern, terceiro, ao próprio Berg (que morreria não muito tempo depois de completada a obra), e, finalmente, à morte da civilização burguesa europeia, que entraria em seu maior período de reação e contrarrevolução em toda sua história.

Escrevendo em plena Áustria pré-nazista, surpreende um pouco o aparente alheamento de Berg enquanto compositor dos acontecimentos de sua época. A Áustria só seria anexada à Alemanha em 1938, mas desde a ascensão de Hitler ao poder em 1932, fascistas e nazistas em todo o mundo já haviam se infiltrado em governos favoráveis à extrema-direita ou tomado o poder por eleições ou golpes. Para ter uma ideia do clima que já rondava a Europa, basta saber que desde 1932 muitos artistas já haviam imigrado para os Estados Unidos, inclusive o antigo mestre de Berg, Schoenberg, que tinha ascendência judia. Berg, sendo um compositor da alta classe média austríaca e bem posicionado socialmente, provavelmente não tinha preocupações de ordem política em seu dia a dia.

Talvez esse próprio alheamento tenha lhe possibilitado ser um dos melhores compositores de sua época, tomando o distanciamento necessário para exprimir o que lhe era particular através do universal. Trazendo o universal de uma maneira particular. E de uma maneira particular que exprimisse o próprio sentimento do presente em seu movimento incerto para o futuro. Como diz um de seus alunos, Theodor Adorno, numa passagem:

“In some of its simplest, intellectually most irritating passages, for instance the two-fold quotation of the Carinthian folk song, the Violin Concerto acquires an almost heartbreaking emotive power unlike almost anything else Berg ever wrote. He was granted something accorded only the very greatest artists: access to that sphere, most comparable with Balzac, in which the lower realm, the not quite fully formed, suddenly becomes the highest. . . . The way, however, in which the imagerie of the nineteenth century stirs within Berg is forward-looking. Nowhere in this music is it a matter of restoring a familiar idiom or of alluding to a childhood to which he seeks a return. Berg’s memory embraced death. Only in the sense that the past is retrieved as something irretrievable, through its own death, does it become part of the present.” (fonte, grifo meu)

É interesse notar o que Adorno diz aqui. Os elementos do século XIX que Berg traz em seu concerto não buscam um retorno, mas um avanço. Em nenhuma parte Berg procura um retorno a um passado ideal ou ao retorno do que era familiar ou tradicional. Toda rememoração é uma forma de aceitação do que está morto, algo que não tem volta, mas que ainda é parte do presente. Esta síntese do Adorno coloca Berg como o principal compositor da segunda escola de Viena, na medida em que Berg consegue, como ninguém, sintetizar em sua “transição mínima” este momento onde o velho morreu mas o novo ainda não pode nascer.

Seu concerto para violino é praticamente sua última obra. Poucas semanas depois, acometido por uma infeção sanguínea, Berg faleceria. Sua ópera Lulu, um grande marco do repertório operístico ocidental, ficaria inacabada. Mas seu concerto para violino se tornaria um grande marco do repertório para violino solo. Um dos maiores nomes da música moderna burguesa, Alban Berg, deixaria a vida, mas entraria para a história da música ocidental em lugar de destaque por esta e por outras obras.

Para terminar, fiquem com os versos finais de Es ist genug:

Es ist genug,
Herr, wenn es dir gefällt,
so spanne mich doch aus.
Mein Jesus kömmt!
Nun gute Nacht, o Welt!
Ich fahr ins Himmelshaus,
ich fahre sicher hin mit Frieden;
Mein feuchter Jammer bleibt darnieden.
Es ist genug!

Tradução livre:

É o bastante,
Senhor, se a ti lhe satisfaz,
Então dai me a liberdade final.
Meu Jesus vens!
Dou-lhe boa noite, ó mundo.
Vou-me à casa celestial.
Tenho certeza que vou com paz.
Meus sombrios sofrimentos deixados para trás.
É o bastante!

Berg & Beethoven: Violin concertos

Alban Berg (1885-1935):
Violin concerto “to the memory of an angel”:
01 I. Andante – Allegretto
02 II. Allegro – Adagio

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Violin concerto in D major, Op. 61
03 I. Allegro ma non troppo – Adagio
04 II. Larghetto
05 III. Rondo allegro

Orchestra Mozart
Claudio Abbado, conductor
Isabelle Faust, violin

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Alban Berg ou Oscar Wilde?

Luke

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nº 3 e 9 “Kreutzer” (Mullova, Bezuidenhout)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nº 3 e 9 “Kreutzer” (Mullova, Bezuidenhout)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Fiz esta postagem lá em 2012, incrível, já se passaram oito anos. Muita água rolou embaixo da ponte de lá para cá, mas uma coisa continua igual: o altíssimo nível de interpretação destes dois incríveis músicos, principalmente Viktoria Mullova. Os comentaristas são quase unânimes ao considerarem esta sua leitura da Sonata a Kreutzer como uma das melhores já realizadas. E tenho quase certeza de que os senhores irão concordar. Pena que essa gravação não se transformou em um projeto de gravar a integral destas sonatas … mas estamos falando de Mullova, e como comentei abaixo, a qualidade acima da quantidade.

Viktoria Mullova, para variar, dá um show neste baita CD onde interpreta duas sonatas para violino do gênio de Bonn, a sonata n°3 do op. 12, e a obra máxima para esta formação, a divina “Sonata a Keutzer”. Como parceiro tem o excelente “pianofortista” Kristian Bezuidenhout. Tenho este CD já há algum tempo, porém reconheço que também faz tempo que não dou atenção a ele, pois estava meio inacessível em um HD externo, que fica guardado em um armário. De vez em quando pego ele, para procurar alguma coisa diferente para postar.

Como salientei diversas vezes nos últimos tempos, estou trabalhando como um condenado, e este foi meu primeiro domingo livre em mais de um mês, portanto desconheço o que significa a expressão “descansar no final de semana”. Se não tenho respondido á solicitações de reupagens, respondo agora: não, infelizmente não há condições mínimas de reupar arquivos deletados pelos Megauploads e rapidshares. É material que está em hds externos, partições de hds de computadores que foram descartados e do qual não foram feitos backups, e o que é pior, material que foi gravado em cds e dvds que simplesmente não são mais lidos. Trata-se da famosa “redundância cíclica de dados”. O computador trava mas não consegue ler os dados gravados naquela mídia.

Voltando à Mullova, que é o que interessa aqui, tenho a dizer o seguinte: baixem e ouçam… é Beethoven, porra!!! Interpretado por uma das maiores violinistas de sua geração. Não tenho informações se ela chegou a encarar gravar todas as sonatas para violino e piano de Beethoven, assim como o fez Anne-Sophie Mutter, há algum tempo atrás, ou outros tantos violinistas de renome. Mullova prefere a qualidade à quantidade. Grava pouco, porém é difícil dizer que um CD dela não é tão bom quanto outro.

Deleitem-se.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nº 3 e 9 “Kreutzer” (Mullova, Bezuidenhout)

01 Violin Sonata no.3 in E flat op.1
02 II. Adagio con spirito
03 III. Rondo Allegro molto

04 Violin Sonata no.9 in A op.47 ‘Kreutzer’
05 II. Andante con variazioni
06 III. Presto

Viktoria Mullova – Violin
Kristian Bezuidenhout – Fortepiano

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Grandíssimo pianista.O problema é dizer seu nome: Bezuidenhout.

FDP / PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 7 (Wiener, Rattle)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 7 (Wiener, Rattle)

Gosto dos maestros contemporâneos, especialmente de Rattle, Mäkelä e Nelsons. Gostei deste CD curtinho com a Sétima de Ludwig van. Esta gravação de Beethoven, com os Wiener Philharmoniker sob a direção de Sir Simon Rattle, pertence ao ciclo completo das nove sinfonias registrado ao vivo no Musikverein de Viena, em 2002. O projeto chegou com grande expectativa: Rattle, prestes a assumir a Filarmônica de Berlim, e os vienenses, uma orquestra de tradição inquestionável, a confrontarem-se com um repertório que ambos conhecem como poucos. O lançamento foi um evento muito comentado na época. A aposta de Rattle era clara e ambiciosa: conciliar a tradição interpretativa com as descobertas da investigação musicológica. Para isso, utilizou a edição Urtext de Jonathan Del Mar (não pensem que sei do que estou falando, apenas pesquisei), que procurou limpar a música das “camadas de verniz” acumuladas ao longo de décadas, e optou por um efeito sonoro mais transparente, com menos vibrato. A escolha da Filarmônica de Viena, uma orquestra com uma sonoridade inconfundível e profundamente enraizada no Romantismo, tornou a experiência particularmente fascinante — uma tentativa de modernizar ou arcaizar (depende do ângulo) o velho mundo a partir de seu interior.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 7 (Wiener, Rattle)

1 I. Poco Sostenuto – Vivace
2 II. Allegretto
3 III. Presto – Assai Meno Presto
4 IV. Allegro Con Brio

Conductor – Sir Simon Rattle
Orchestra – Wiener Philharmoniker

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Sir Simon

PQP

Beethoven (1770 – 1828): Concerto para Piano No. 3 – Caroline Shaw (1982 – ): Watermark – Jonathan Biss (piano), Swedish Radio Symphony Orchestra & Malin Broman – [Orchid Classics] ֎

Beethoven (1770 – 1828): Concerto para Piano No. 3 – Caroline Shaw (1982 –     ): Watermark – Jonathan Biss (piano), Swedish Radio Symphony Orchestra & Malin Broman – [Orchid Classics] ֎
The man who can wield the power of this sword can summon to him an army more deadly than any that walks this earth. Put aside the Ranger. Become who you were born to be. Take the Dimholt Road.
Torne-se quem você nasceu para ser!

Eu simplesmente adoro essas frases de Lord Elrond, personagem do “Senhor dos Anéis”, dirigindo-se a Aragorn, criações do genial J. R. R. Tolkien, e lembrei-me dela ao pensar no período vivido por Beethoven durante a criação de seu Terceiro Concerto para Piano, o único em dó menor. Você deve saber que o ponto de partida foi o Concerto para Piano No. 24, também em dó menor, de Mozart. (Veja mais sobre esse tema aqui, por exemplo.) De qualquer forma, entre 1800, quando o concerto começou a ser escrito, e 1803, quando foi tocado pela primeira vez, tendo o próprio compositor como solista, improvisando a cadência, Ludwig tornou-se Beethoven, como definitivamente o conheceríamos. Claro, muito ainda restava em estoque, mas a mudança dos dois primeiros concertos ‘oficiais’ para este terceiro, é significativa. Acho interessante ouvi-lo assim, desgarrado de seus outros pares, e essa gravação com o pianista Jonathan Biss nos apresenta uma interpretação, digamos assim, contemporânea. Depois dos excessos românticos de gerações de pianistas lendários, depois das revisões feitas pelas interpretações historicamente informadas, com instrumentos de época, talvez essa gravação traga um certo equilíbrio, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Jonathan Biss nasceu em uma família de músicos e aos 17 anos, após já muitos estudos de piano, tornou-se aluno de Leon Fleisher no Curtis Institute of Music.

Este disco faz parte de um conjunto de cinco, cada um com um dos concertos para piano de Beethoven, mais uma obra contemporânea, encomendada para a ocasião. Este foi gravado ao vivo e a obra que acompanha o Concerto No. 3 é de Caroline Adelaide Shaw, chama-se Watermark e tem várias citações do concerto. O disco foi gravado ao vivo.

While Mr. Biss’s life in music provides him with tremendous satisfaction, playing music remains ever a struggle. He regards it as a pleasure and privilege to live this struggle, and to share its results with other people. [Embora a vida musical proporcione ao Sr. Biss imensa satisfação, tocar música continua sendo uma luta constante. Ele considera um prazer e um privilégio vivenciar essa luta e compartilhar seus resultados com outras pessoas.]

Ludwig van Beethoven (1770 – 1828)

Piano Concerto No. 3 in C minor, Op. 37

  1. Allegro con brio
  2. Largo
  3. Rondo: Allegro – Presto

Caroline Shaw (1982 –     )

Watermark

  1. I
  2. II
  3. III

Jonathan Biss, piano

Swedish Radio Symphony Orchestra

Malin Broman

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MP3 | 320 KBPS | 133 MB

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Caroline adorou estrear no PQP Bach…

Caroline Adelaide Shaw is an American composer of contemporary classical music, violinist, and singer. She won the 2013 Pulitzer Prize for Music for her a cappella piece Partita for 8 Voices. Shaw received the 2022 Grammy Award for Best Contemporary Classical Composition for her Narrow Sea, and the 2025 Grammy Award for Best Chamber Music/Small Ensemble Performance for her Rectangles and Circumstance.

Caroline Adelaide Shaw é uma compositora americana de música clássica contemporânea, violinista e cantora. Ela ganhou o Prêmio Pulitzer de Música de 2013 por sua peça a cappella Partita for 8 Voices. Shaw recebeu o Grammy de Melhor Composição Clássica Contemporânea em 2022 por Narrow Sea e o Grammy de Melhor Performance de Música de Câmara/Pequeno Conjunto em 2025 por Rectangles and Circumstance.

Jonathan Biss is widely admired for his Beethoven – and this recording of the Third Concerto helps cement his reputation. It may be a middle-of-the-road interpretation: certainly, it aims for neither the edgy drama of Rubinstein’s version with Toscanini (RCA, 1/91) nor the deliberation (in several senses) of Arrau with Colin Davis (Philips, 6/89). But it’s middle-of-the-road in the best sense, offering imagination without eccentricity, pressure without pushiness, elegance without pretension, detail without fuss. Even when the playing is daringly flexible (say, the beginning of the second movement), it never loses shape; even when it turns volatile (say, the pounce at bar 57 in the finale), it never loses decorum. If you’re looking for one recording to live with, Biss’s is a plausible choice.

Jonathan Biss é amplamente admirado por suas interpretações de Beethoven – e esta gravação do Terceiro Concerto ajuda a consolidar sua reputação. Pode ser uma interpretação moderada: certamente, não busca o drama vibrante da versão de Rubinstein com Toscanini (RCA, 1/91) nem a ponderação (em vários sentidos) de Arrau com Colin Davis (Philips, 6/89). Mas é moderada no melhor sentido, oferecendo imaginação sem excentricidade, pressão sem agressividade, elegância sem pretensão, detalhe sem afetação. Mesmo quando a execução é ousadamente flexível (digamos, no início do segundo movimento), nunca perde a forma; mesmo quando se torna volátil (digamos, o ataque no compasso 57 do finale), nunca perde o decoro. Se você procura uma única gravação para ter sempre consigo, a de Biss é uma escolha plausível.

Escolha plausível, vindo da stiff Gramophone, é um baita elogio… eu recomendo!

Aproveite!

René Denon

PS: Se você apreciou essa postagem, talvez queira visitar também essa aqui:

Mozart (1756 – 1791): Concertos para Piano Nos. 21 e 22 – Jonathan Biss & Orpheus Chamber Orchestra ֎

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

Pois bem, após várias solicitações, não apenas do Sander, mas de vários outros de nossos leitores / ouvintes, trago para os senhores a Missa Solemnis. Sempre citando Maynard Solomon, temos a seguinte descrição e detalhes da obra:

“Tal como a primeira missa de Beethoven, a Missa Solemnis, op. 123, foi escrita para uma ocasião específica: destinava-se a celebrar a investidura do arquiduque Rudolph (1788-1831) como arcebispo de Olmütz (na Morávia) em 9 de março de 1820. Rudolph, filho do imperador Leopold II e irmão do imperador Franz era o mais importante dos mecenas de Beethoven desde 1809 em diante, e o beneficiário de nada menos que 15 dedicatórias, incluindo as dos Concertos para Piano nº 4 e 5, o Trio, op 97 (Arquiduque), as Sonatas opp. 106 e 111, e a Grosse Fugue, op. 133.

(…) A Missa tornou-se a paixão absorvente de Beethoven durante quatro anos, substituíndo Fidélio como a grande ‘obra problemática’ de sua carreira; Com efeito, há um sentido em que a Missa Solemnis passou a ser encarada por Beethoven como uma composição talismática, cujo valor para ele era tão grande que – como vimos antes – enveredou por uma série incomum de negociações e manipulações financeiras a respeito de sua publicação, o que lhe custou não poucas amizades e lhe granjeou a desagradável reputação de práticas comerciais desonestas.

(…) Embora possamos estar certos de que Beethoven verteu na Missa Solemnis seus mais profundos sentimentos religiosos, podemos estar certos de que não foi a adesão ao catolicismo que inspirou a obra. Conforme tem sido frequentemente assinalado, a peça nunca esteve inteiramente à vontade na sala de concerto nem na igreja. Em várias ocasiões, Beethoven sugeriu que ela poderia ser executada como “um grande oratório” (…)

(…) Entretanto, deve-se reconhecer também o papel desempenhado pela imaginação produtiva, e, embora existam muitos ‘caminhos novos para velhas ideias’, na Missa Solemnis, sua importância histórica reside predominantemente no modo como, muito mais do que reproduzidas, nela foram remodeladas as tradições da música litúrgica. Isso foi feito praticamente pelo mesmo método que criou a grande música religiosa dos predecessores de Beethoven, de Dufay a Josquin, a Handel e Bach, ou seja, uma recusa em aceitar as formas e linguagens recebidas como modelos eternos, e uma infusão de elementos seculares derivados de estilos musicais não-litúrgicos que ampliaram as possibilidades expressivas da forma, dando origem a novos significados associacionistas que, por seu turno, se embutiram na matriz da gramática musical mais recente.” (SOLOMON, p. 406-411)

Lendo este texto, não pude deixar de concordar quando ele diz que a Missa Solemnis sente-se pouco a vontade se executada numa igreja. Ou seja, Beethoven criou uma nova música sacra que, embora imbuída de profunda religiosidade, não necessariamente pode ser considerada música sacra, nos moldes a que nos acostumamos ao ouvir dos grandes mestres do gênero, como papai Bach, ou Handel. O próprio Beethoven teria escrito que considerava a música a capella o único estilo eclesiástico verdadeiro, “talvez por não desejar que a obra servisse a sua normal função apaziguadora como uma idealização da perpetuidade e imutabilidade da crença (SOLOMON, p. 409-410).

Curiosamente, enquanto escrevo este texto, ouço uma das melhores versões da 9º sinfonia que já tive a oportunidade de ouvir, uma contribuição da Laís Vogel, que está me ajudando  entender esta análise tão pormenorizada de Solomon. Em outras palavras, antes o homem que a fé. “A religião permanece constante, só O homem é inconstante”, terie escrito Beethoven a um amigo, discutindo sobre a imortalidade.

Para concluir, basta acrescentar que Beethoven considerava essa Missa a maior obra que compusera até então. Gosto muito da conclusão de Solomon em sua análise desta obra:

“(…) E assim, o conflito em curso entre a fé e a dúvida em Beethoven é revelado na Missa Solemnis. Como Riezler sabia, no “Donna nobis pacem”, com seus sons de discórdia e guerra, e seus angustiados clamores de paz, interior e exterior, Beethoven ‘atrevera-se a permitir que a confusão do mundo exterior invadisse o domínio sagrado da música eclesiastica’. Neste sentido, a Missa Solemnis antevê as questões e dúvidas teológicas – a par da guerra travada entre ciência e religião – que dominariam o campo da batalha intelectual do século XIX.”

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Missa Solemnis, Op. 123 (Herreweghe)

1 – Kyrie 11`55
2 – Gloria 16`59
3 – Credo 17`41
4 – Sanctus 5`16
5 – Benedictus 9`22
6 – Agnus Dei 16`09

Rosa Mannion – Soprano
Birgit Remmert – Contralto
James Taylor  – Tenor
Cornelius Hauptmann – baixo
Choir de la Chapelle Royale et du Collegium Vocale
Orchestre des Champs Elysées
Phillipe Herreweghe – Director

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O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem
O regente Herreweghe é ateu confesso, dizem

FDP Bach

Beethoven (1770-1827): Os 5 Concertos para Piano com Paul Lewis (revalidado)

Conheci Paul Lewis através de uma gravação ao vivo da última sonata de Beethoven, a Op. 111. Realização extraordinária, cuja aparente simplicidade e profunda verdade cativaram minha atenção ao pianista para sempre.

Não muito tempo depois consegui a gravação integral das sonatas em estúdio, que Paul Lewis realizou entre 2006 e 2008 (disponibilizada aqui), e viciei: confesso que de lá pra cá raramente consigo suportar ouvi-las nas realizações de outros pianistas.

Nada mais natural, portanto que também quisesse disponibilizar os concertos de Beethoven com Lewis – o que fiz aqui originalmente em 16/09/2012 – mas confesso que não senti o mesmo entusiasmo que com as sonatas. Na ocasião levantei a hipótese de que o maestro não estivesse à altura da genialidade interpretativa do pianista –

… mas admito que pode ser um julgamento totalmente injusto. O fato é que qualquer interpretação de Lewis (inclusive as das sonatas) exige algum tempo de convívio, de audição repetida, até chegarmos a reconhecer toda a sua sutil grandeza. E é engraçado como a idade vem me tirando o gosto de ouvir massas orquestrais, me deixando cada vez mais fã da beleza do pequeno… E então simplesmente não parei para ouvir estas gravações por tanto tempo quanto a das sonatas. Quer dizer: ainda não me concedi a chance de me entusiasmar.

Seja como for, a esta altura já não dá pra falar de piano de Beethoven no século XXI sem levar Paul Lewis em conta. No mínimo por isso, estas gravações merecem ser conhecidas. Por isso tratei de incluí-las logo na “campanha de revalidação” dos links das postagens de Ranulfus (iniciada há poucos dias com as duas postagens de Porgy and Bess: na versão original e integral de Gershwin, e na extraordinária releitura de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald).

Mas, enfim, falávamos de Beethoven; vamos a ele, então!

BEETHOVEN: OS CINCO CONCERTOS PARA PIANO
BBC Symphony Orchestra regida por Jirí Belohlávek
Piano: Paul Lewis

Concerto No 1, em Do Maior, op.15 (1796-97)
I. Allegro con brio
II. Largo
III. Rondò: Allegro scherzando

Concerto No 2, em Si b Maior, op.19 (1787-89-95)
I. Allegro con brio
II. Adagio
III. Rondò: Molto allegro

Concerto No 3, em Do menor, op.37 (1800)
I. Allegro con brio
II. Largo
III. Rondò: Allegro

Concerto No 4, em Sol Maior, op.58 (1805-06)
I. Allegro moderato
II. Andante con moto in E minor
III. Rondò (Vivace)

Concerto No 5, em Mi b Maior, op. 73, “Imperador” (1809-11)
I. Allegro
II. Adagio un poco mosso
III. Rondò: Allegro ma non troppo

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Ranulfus, com a colaboração de FDP Bach

P.S. do Pleyel ao repostar em 2026: Nós, colaboradores do PQPBach, moramos em cidades diferentes. Por um acaso do destino, eu morei perto do Ranulfus nos seu últimos anos de vida. Estivemos juntos em alguns concertos e recitais de piano e pude constatar o amplo conhecimento que ele tinha do instrumento, além do seu gosto um tanto peculiar, o que é um elogio, pois preferimos (aqui o incluo por pura dedução) as extravagâncias de um gosto peculiar do que a mesmice de quem fica caçando likes e compartilhamentos com base no que todo mundo está achando. Então sempre levo a sério as recomendações dele – Debussy com Werner Haas / Noel Lee (pianos) e Martinon / ORTF, Chopin com Guiomar Novaes, Franck com André Isoir e este Beethoven com Paul Lewis, além dos “interlúdios” com Roberta Flack, Baden Powell, Egberto Gismonti/Naná Vasconcelos, Nara Leão e muitos outros…

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violoncelo (completas) (Isserlis, Levin)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violoncelo (completas) (Isserlis, Levin)

Nesta gravação, Steven Isserlis, juntamente com seu colaborador habitual, o pianista Robert Levin, apresenta as obras completas de Beethoven para violoncelo e piano, incluindo o arranjo de Beethoven para a sua Sonata para Trompa. O uso do pianoforte abre uma riqueza de possibilidades sonoras para essas obras. As cinco sonatas de violoncelo abrangem todas as fases de composição de Beethoven e, creio, são o ciclo mais importante de sonatas de violoncelo de todo o repertório. Isserlis escreve que o compositor “primeiro transforma o violoncelista num virtuoso confiante da forma clássica e, em seguida, um místico explorando estranhos mundos novos de beleza sobrenatural”. Não chego a ser apaixonado por estas Sonatas, mas a Op. 102, Nº 2, é fodíssima. Vale a pena,

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas pata Violoncelo (completas) (Isserlis, Levin)

CD 1 79:50

Cello Sonata In F Major Op 5 No. 1
1.1 Adagio Sostenuto 2:47
1.2 Allegro 14:11
1.3 Allegro Vivace 7:05

Cello Sonata In G Minor Op 5 No. 2
1.4 Adagio Sostenuto Ed Expressivo 5:19
1.5 Allegro Molto Più Tosto Presto 14:12
1.6 Rondo: Allegro 9:16

Cello Sonata In A Major Op 69
1.7 Allegro, Ma Non Tanto 12:35
1.8 Scherzo: Allegro Molto 5:24
1.9 Adagio Cantabile 1:30
1.10 Allegro Vivace 7:28

CD 2 79:08

Cello Sonata In C Major Op 102 No. 1
2.1 Andante 2:53
2.2 Allegro Vivace 5:11
2.3 Adagio Tempo D’andante 3:15
2.4 Allegro Vivace 4:28

Cello Sonata In D Major Op 102 No. 2
2.5 Allegro Con Brio 6:43
2.6 Adagio Con Molto Sentimento D’affetto 8:12
2.7 Allegro – Allegro Fugato 4:34
2.8 Variations In G Major On “See The Conqu’ring Hero Comes” From Handel’s Judas Maccabacus Wo 045 11:24
2.9 Variations In F Major On “Ein Mädchen Oder Weibchen” From Mozart’s Die Zauberflöte Op 66 9:17
2.10 Variations In E Flat Major On”Bei Männern, Weiche Liebe Fühlen” From Mozart’s Die Zauberflöte Wo 046 8:54

Horn Sonata In F Major Op 17, Arranged For Cello And Piano
2.11 Allegro Moderato 7:50
2.12 Poco Adagio, Quasi Andante 1:19
2.13 Rondo: Allegro Moderato 5:05

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Oi? | Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)
Oi? | Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 74 & 130 (Chiaroscuro Quartet)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 74 & 130 (Chiaroscuro Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Quarteto Op. 74, conhecido como “das Harpas”, foi composto em 1809, durante os anos em que Napoleão sitiou Viena. A alcunha vem do primeiro movimento: Beethoven cria um efeito de harpa através de pizzicatos que se espalham pelos quatro instrumentos, uma textura leve e mágica que ilumina todo o quarteto. É uma obra de surpreendente serenidade para um período tão conturbado. O movimento lento, um adágio de beleza contida, desenha longas linhas melódicas que parecem flutuar acima da agitação de Donald Trumpo. O Scherzo irrompe com violência rítmica, quase brutal, mas é o finale que impressiona: uma variação com contratempos e síncopes que desafiam o ouvinte a encontrar o tempo, num jogo de desorientação deliciosa. O Op. 74 é Beethoven no meio de sua vida: maduro, contido, mas ainda capaz de explosões de humor e invenção.

Já o Op. 130, composto entre 1825 e 1826, pertence ao território do último Beethoven, onde as regras já foram “flexibilizadas”… A obra tem seis movimentos, uma estrutura inédita, e o primeiro movimento alterna momentos de dança quase ingênua com interjeições violentas. O segundo movimento é um Presto curto e frenético, uma corrida alucinada de dois minutos. O terceiro, um “Andante con moto ma non troppo”, desenha uma melodia simples que vai sendo quebrada e reconstruída a cada repetição. O quarto movimento é uma dança alemã, a Danza tedesca, de uma leveza que parece vir de outro século. Mas é o quinto movimento, a “Cavatina”, que rasga a coração: Beethoven escreveu-a em prantos, segundo testemunhas, e ela é uma página de tal desnudamento emocional que parece parar o tempo. E então vem o finale original, a “Grande Fuga”, um monstro sagrado de contraponto e dissonância que os editores da época pediram que Beethoven deixasse separado. Hoje sabemos que a Fuga é uma das portas para o século XX. Beethoven então escreveu um novo finale, mais leve e dançante, e o Op. 130 ganhou dois finais possíveis – um que encerra em paz, outro que explode o quarteto em mil pedaços. É o próprio Beethoven: a um passo do abismo, dançando sobre o vazio. Aqui, encerramos em paz.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 74 & 130 (Chiaroscuro Quartet)

String Quartet No.10 In E Flat Major, ‘Harp’, Op. 74 (29:29)
1 I. Poco Adagio — Allegro 9:28
2 II. Adagio Ma Non Troppo 8:59
3 III. Presto — Più Presto Quasi Prestissimo — Tempo I 4:56
4 IV. Allegretto Con Variazioni 5:51

String Quartet No.13 In B Flat Major, Op.130 (41:10)
5 I. Adagio Ma Non Troppo — Allegro 13:23
6 II. Presto 2:08
7 III. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso 6:47
8 IV. Alla Danza Tedesca. Allegro Assai 3:09
9 V. Cavatina. Adagio Molto Espressivo 5:54
10 VI. Finale. Allegro 9:22

Cello [Chiaroscuro Quartet] – Claire Thirion
Viola [Chiaroscuro Quartet] – Emilie Hornlund*
Violin [Chiaroscuro Quartet] – Alina Ibragimova, Pablo Hernán Benedí

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O pessoal do Chiaroscuro passeando pelo relvado da Livraria Bamboletras em Porto Alegre

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 4-6 (Chiaroscuro Quartet)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 4-6 (Chiaroscuro Quartet)

Uma gravação muito, mas muito boa! Os últimos três Quartetos do Op. 18, escritos entre 1798 e 1800, mostram Beethoven se despedindo do classicismo de Haydn e Mozart para ensaiar seus primeiros gestos de, digamos, rebeldia. O Quarteto Nº 4  é o mais tempestuoso do conjunto. Ele pulsa com a urgência dramática e os contrastes bruscos que antecipam o Beethoven maduro. O segundo movimento, um scherzo nervoso e sincopado, parece menos uma dança e mais um tique nervoso… Já o Nº 5 funciona como uma pausa luminosa. Seu primeiro movimento é gracioso e arioso, quase mozartiano — o tema do minueto já carrega um sotaque campestre e a voz tipicamente beethoveniana. O destaque vem do movimento lento, um conjunto de variações sobre uma melodia melancólica que ganha contornos de ária trágica, intercalada por súbitos lampejos de furor. Por fim, o Nº 6 fecha o opus com um enigma. O quarteto é conhecido pelo final, intitulado “La Malinconia” (A Melancolia). Beethoven introduz um adagio lento e arrastado, cheio de pausas e harmonias dissonantes que parecem suspensas no ar, e então, sem aviso, irrompe em uma alegre dança vienense. É como se a melancolia fosse a sombra inevitável da leveza. Com esses quartetos, Beethoven prova que já dominava a forma herdada dos mestres, mas seu temperamento inquieto — e uma certa tristeza — já começava a rachar a moldura clássica por dentro.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 4-6 (Chiaroscuro Quartet)

String Quartet N°4 In C Minor Op.18 N°4 (23:28)
1 I. Allegro Ma Non Tanto 8:31
2 II. Andante Scherzoso Quasi Allegretto 6:28
3 III. Menuetto 3:48
4 IV. Allegro – Prestissimo 4:53

String Quartet N°5 In A Major Op.18 N°5 (30:13)
5 I. Allegro 9:19
6 II. Menuetto 4:15
7 III. Andante Cantabile 9:45
8 IV. Allegro 7:08

String Quartet N°6 In B Flat Major Op.18 N°6 (25:11)
9 I. Allegro Con Brio 8:33
10 II. Adagio Ma Non Troppo 6:27
11 III. Scherzo 2:57
12 IV. La Malinconia 7:45

Cello [Chiaroscuro Quartet] – Claire Thirion
Viola [Chiaroscuro Quartet] – Emilie Hornlund*
Violin [Chiaroscuro Quartet] – Alina Ibragimova, Pablo Hernán Benedí

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O pessoal do ótimo Chiaroscuro na fase clara.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 1-3 (Chiaroscuro Quartet)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 1-3 (Chiaroscuro Quartet)

Os seis quartetos de cordas do Op. 18 representam a primeira grande abordagem de Beethoven a uma forma que Haydn e Mozart haviam levado à perfeição. Publicados em 1801 mas compostos ao longo de vários anos, esses quartetos ainda respiram o ar do classicismo vienense, porém com uma tensão muscular e um ímpeto dramático que já anunciam o homem de Bonn. Os três primeiros quartetos, numerados de 1 a 3, são particularmente fascinantes por revelarem um compositor praticando as regras enquanto testa suas fronteiras. O Quarteto número 1, talvez o mais direto do conjunto, abre com uma elegância quase haydniana, mas logo exibe surpresas rítmicas e ousadias harmônicas que nenhum mestre do período teria se permitido. O segundo é um compêndio de contrastes: o primeiro movimento dança com graça, enquanto o Adagio cantabile e sonhador parece antecipar a languidez de Chopin. Já o terceiro quarteto, guarda no seu coração um movimento lento de beleza comovente e sombria, quase operística, como se Beethoven já ensaiasse as lágrimas que mais tarde vertaria nos quartetos finais. O que une os três é a clareza da escrita e o respeito pela conversa entre os quatro instrumentos – vozes que se interrompem, se imitam, se abraçam. Não há ainda o Beethoven fraturado dos quartetos tardios, mas há um jovem mestre que, ao herdar uma forma, já a empurra para o abismo. Essas obras respiram a liberdade recém-conquistada do compositor que se despede do século dezoito. E ao ouvi-las, imaginamos um Beethoven que sorri enquanto dobra a meta.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 1-3 (Chiaroscuro Quartet)

String Quartet No. 1 In F Major, Op. 18
I. Allegro Con Brio 8:59
II. Adagio Affetoso Ed Appassionato 9:42
III. Scherzo. Allegro Molto 3:17
IV. Allegro 6:52

String Quartet No. 2 In G Major, Op. 18
I. Allegro 7:42
II. Adagio Cantabile 5:19
III. Scherzo. Allegro 4:12
IV. Allegro Molto, Quasi Presto 5:46

String Quartet No. 3 In D Major, Op. 18
I. Allegro 7:58
II. Andante Con Moto 7:08
III. Allegro 3:03
IV. Presto 6:25

Cello [Chiaroscuro Quartet] – Claire Thirion
Viola [Chiaroscuro Quartet] – Emilie Hornlund*
Violin [Chiaroscuro Quartet] – Alina Ibragimova, Pablo Hernán Benedí

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Enfim, o Chiaroscuro em foto.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Concerto, op. 61, Romances / Franz Schubert (1797-1828): Rondo in A Major for Violin & Orchestra, D. 438 (Ehnes / Manze)

Gostaria de dedicar esta postagem, na verdade, repostagem, à memória de meu irmão mais velho, Maurício, que faleceu há pouco menos de quatro anos, e que faria aniversário no dia de hoje, 16 de setembro. Ele era um entusiasta da música, e foi em uma caixa de discos que ele me mandou que encontrei uma gravação deste imortal concerto, nas imortais mãos de David Oistrakh. Descanse em paz, mano, um dia nos reencontraremos novamente para ouvir boa música !!!

Nosso querido mentor, PQPBach, e sua namorada, que é violinista, consideram James Ehnes um dos principais violinistas da atualidade. E não há como negarmos tal afirmativa.  O cara tem um talento incrível, e sempre nos oferece novas possibilidades, mesmo naquelas obras tão conhecidas do repertório, como neste concerto de Beethoven, que creio que todos conhecem de cor e já devem ter ouvido dezenas de vezes com diversos outros intérpretes. Ouçam a cadenza escrita pelo lendário Fritz Kreisler para entenderem do que estou falando.

Além do concerto, também temos aqui os dois Romances, também escritos para Violino e Orquestra, e o belíssimo Rondo in A major, de Schubert.

Para completar o pacote, o regente é o Andrew Manze, que conhecemos bem com um excelente violinista, especializado no repertório barroco. Em outras palavras, os senhores estão em muito boas mãos.

Resumindo, trata-se de um esplêndido CD, seríssimo candidato a lançamento do mês da Revista Gramophone, quiçá, melhor lançamento do ano, da mesma revista.

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)

VIOLIN CONCERTO in D major op61
1 i Allegro ma non troppo* 23.24
2 ii Larghetto 9.40
3 iii Rondo*: Allegro 9.52

*Cadenzas by Fritz Kreisler

4 ROMANCE No.1 in G major for violin & orchestra op40 6.40

5 ROMANCE No.2 in F major for violin & orchestra op50 8.08

FRANZ SCHUBERT (1797-1828)

6 Rondo in A major for violin & orchestra D438 13.33
Adagio – Allegro giusto

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FDP

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino de 1 a 3 (Op. 12) – Variações sobre ‘Se vuol’ballare’ (Ehnes, Armstrong)

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino de 1 a 3 (Op. 12) – Variações sobre ‘Se vuol’ballare’ (Ehnes, Armstrong)

O 250º aniversário de Beethoven está chegando em 2020, mas os maiores craques, orquestras e gravadoras estão comemorando antes. Pela DG, Andris Nelsons já lançou uma extraordinária integral das sinfonias e Ehnes vem a passos largos gravando as Sonatas. Talvez isso acabe esvaziando a data de 17 de dezembro de 2020. Nós, por exemplo, postaremos a integral de Nelsons em 17 de dezembro de 2019… Este disco é excelente, apesar dessas primeiras Sonatas não serem tudo aquilo. Mas gosto muito da alegria da Sonata Nº 2 e das 12 Variações sobre um tema de Mozart. Tudo muito lindinho.

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino de 1 a 3 (Op. 12) – Variações sobre ‘Se vuol’ballare’

Beethoven: Violin Sonata No. 1 in D major, Op. 12 No. 1 20:19
I. Allegro con brio 8:47
II. Tema con Variazioni 6:42
III. Rondo – Allegro 4:50

Beethoven: Violin Sonata No. 2 in A major, Op. 12 No. 2 16:57
I. Allegro vivace 6:45
II. Andante, piu tosto Allegretto 5:00
III. Allegro piacevole 5:12

Beethoven: Violin Sonata No. 3 in E flat major, Op. 12 No. 3 18:19
I. Allegro con spirito 8:21
II. Adagio con molt’ espressione 5:37
III. Rondo – Allegro molto 4:21

Beethoven: Variations (12) for piano & violin in F major on Mozart’s ‘Se vuol’ballare’, WoO 40 10:41

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

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Ehnes e Armstrong, uma dupla que tem tudo para se tornar uma lenda

PQP

BTHVN250 — Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 7 & 10 (Ehnes / Armstrong)

BTHVN250 — Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 7 & 10 (Ehnes / Armstrong)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um lançamento recentíssimo que me apresso a postar antes da data máxima. Ouvi-o rapidamente e fiquei muito feliz com ele. Duas excelentes Sonatas executadas pela incrível competência e elegância de Ehnes, acompanhado por seu fiel escudeiro Armstrong. Este disco, que finaliza a integral das Sonatas de Beethoven da dupla, confirma as qualidades especiais dos lançamentos anteriores: conjunto imaculado, equilíbrio, uma sensação da estrutura da música estar se desdobrando perfeitamente e com espontaneidade, criando a impressão de que os músicos vão descobrindo as qualidades especiais da música como se fosse a primeira vez. Ehnes não é um bobão, faz música sem o menor indício de ser um “solista em ação”. Alguns podem achar que a personalidade criativa de Beethoven é um pouco subprojetada aqui. No entanto, a perfeição de Ehnes — cada nota possui especial brilho — é uma fonte constante de admiração. O mesmo ocorre com a habilidade fantástica de Armstrong de fazer parceria com o violino de uma forma que sutilmente disfarça a disparidade entre o potencial de sonoro dos dois instrumentos (da qual Beethoven estava bem ciente).

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 7 & 10 (Ehnes / Armstrong)

01. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: I. Allegro con brio
02. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: II. Adagio cantabile
03. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: III. Scherzo (Allegro)
04. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: IV. Finale (Allegro)

05. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: I. Allegro moderato
06. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: II. Adagio espressivo
07. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: III. Scherzo (Allegro)
08. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: IV. Poco allegretto

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

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PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 4, 5, 8 Rondó & Seis Danças Germânicas (Ehnes / Armstrong) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 4, 5, 8 Rondó & Seis Danças Germânicas (Ehnes / Armstrong) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

James Ehnes é o violinista dos violinistas. Deu para sentir isso em fevereiro deste ano, quando o vimos em ação ao vivo no Wigmore Hall. Bem, as duas primeiras sonatas deste CD são extraordinárias. A célebre Primavera nem se fala, mas não conhecia a fundo o lindo Op. 23. Este é o terceiro CD das sonatas de violino de Beethoven com James Ehnes e Andrew Armstrong e era aguardado com muita expectativa pelo mundo erudito. Os álbuns anteriores — Nº.9 ‘Kreutzer’ e 6 e Nº.1-3, Variações WoO40 — receberam críticas excelentes. A Gramophone escreveu sobre este lançamento: “Com alguns discos, você pode dizer antecipadamente que tudo vai dar certo”. E aqui, a popular sonata Primavera é emoldurada pela estranha e sedutora quarta sonata e a modesta oitava — apesar do irresistível último movimento (Allegro vivace). Um antigo Rondó e um conjunto de danças alemãs completam o generoso programa.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 4, 5, 8 Rondó & Seis Danças Germânicas (Ehnes / Armstrong)

01. Violin Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: I. Presto
02. Violin Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: II. Andante scherzoso piu Allegretto
03. Violin Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: III. Allegro molto

04. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: I. Allegro
05. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: II. Adagio molto espressivo
06. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: III. Scherzo. Allegro molto
07. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: IV. Rondo. Allegro ma non troppo

08. Six German Dances, WoO 42

09. Rondo for violin & piano in G Major, WoO 41

10. Violin Sonata No. 8 in G Major, Op. 30/3: I. Allegro assai
11. Violin Sonata No. 8 in G Major, Op. 30/3: II. Tempo di Minuetto, ma molto moderato e grazioso
12. Violin Sonata No. 8 in G Major, Op. 30/3: III. Allegro vivace

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

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Ehnes e Armstrong ensaiando no Wigmore Hall

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’ (Ehnes, Armstrong)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’ (Ehnes, Armstrong)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Muito me surpreenderei se James Ehnes não for um interessado em literatura, artes plásticas ou outro gênero de arte. É muito cultura envolvida, muito conhecimento e fineza de estilo, isso não vem apenas da música. Esta é a opinião de minha mulher, também uma violinista. Ehnes e o pianista Andrew Armstrong tocam juntos como só velhos parceiros de crime conseguem. Ambos fizeram notáveis gravações de Franck, Bartók, Strauss, Debussy e Elgar; agora eles se voltam para Beethoven com a mesma combinação de toque leve e clareza de ideias. Eles nunca precisam exagerar — tome a frase inicial da Kreutzer, a maneira impecavelmente eloquente com que o acorde de abertura toma-se de esplendor.

Este é o primeiro disco de sonatas de Beethoven gravado por James Ehnes e eu espero que ele e Armstrong sigam até gravar todas. O acoplamento da Kreutzer com a Op. 30/1 também é astuto, pois — poucos sabem disso — o Presto da Kreutzer era, originalmente, o movimento final do Op. 30/1.

Eles iniciam pela Kreutzer e seu movimento de abertura é incrivelmente bem tocado. Os silêncios são bem utilizados e os pizzicatos na casa dos 3min, a 6min31  e na casa dos 11 min estão suficientemente presentes. Os momentos finais são levados com extrema classe, reduzindo a dinâmica e o ritmo antes da explosão final.

Eles são um pouco mais lentos no Andante do que, por exemplo, Dumay e Pires ou Faust e Melnikov, mas assim que as variações começam, a coisa decola lindamente. Ibragimova e Tiberghien formam um dupla capaz de enfrentar Ehnes e seu parceiro, mas estes são muito mais atraentes no finale, mesmo sem deixar de lado a delicadeza.

A Op 30 nº 1 vem de um outro mundo. A abertura se desenrola muito bem. Faust e Melnikov parecem melhores, mas… Ehnes e Armstrong são arrebatadores no movimento lento, verdadeiramente molto espressivo, enquanto uma sensação de diversão fica latente, colocando o selo de IMPERDÍVEL à já notável discografia de Ehnes e Armstrong.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’

Violin Sonata No.9 in A op.47 ‘Kreutzer’
1 Adagio sostenuto 13min43
2 Andante con variazioni 16min07
3 Finale: Presto 8min23

Violin Sonata No.6 in A op.30/1
4 Allegro 7min54
5 Adagio molto espressivo 7min23
6 Allegretto con variazioni 8min16

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

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James Ehnes e Andrew Armstrong ensaiando na Sala de Transcendência e Imanência da sede campestre do PQP Bach

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50 (Kremer, Harnoncourt)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50 (Kremer, Harnoncourt)

51dAwfocJGL._SY355_Gosto imensamente do Opus 61 de Beethoven, cheio sensibilidade, leveza e reflexão. Há outras três ou quatro versões aqui no blog. Esta que trarei agora é com um dos meus condutores favoritos, que entende tudo e mais um pouco de regência e música, Nikolaus Harnoncourt. Ao violino temos o grande Gidon Kremer. Separei para os próximos dias uma versão muito boa com uma das minhas violinistas favoritas da atualidade, Anne-Sophie Mutter, que gosto duplamente pelos seguintes motivos: (1) pela técnica apurada e pela maturidade musical que a moça quase cinquentona conquistou; e (2) pela beleza, pela compleição física. Alguns dirão: “Ela não é nada!” Para mim o é. Tenho devaneios com aquela mulher. O Previn é quem se deu bem. Que pena! Por que não nasci na Alemanha? Voltando ao concerto: Beethoven escreveu o Concerto para violino e orquestra, Op. 61 em 1806. A obra não fez sucesso quando da estreia e foi pouco executada nos anos seguintes. Mendelssohn, em 1844, retomou as execuções desse concerto que de lá para cá tornou-se um dos principais concertos para o instrumento, o violino. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 61
01. Allegro ma non troppo
02. Larghetto
03. Rondo, Allegro

Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40
05. Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40

Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50
06. Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt, regente
Gidon Kremer, violino

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Alguém pode me explicar que porra foi aquela que fizeram nas cadenzas do meu belíssimo concerto?

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)

Mas FDPBach vai trazer mais uma integral dos Quartetos de Cordas de Beethoven? Já tem tantas postagens com essas obras no Blog !!

Nós melômanos nunca estamos satisfeitos, isso é certo. Lembro que antes do advento da internet meu acervo era muito, mas muito mais restrito. Escolhia os discos com atenção, claro que sempre de acordo com a disponibilidade no mercado e com meus parcos recursos financeiros. Uma integral dos quartetos era algo quase que impossível de se conseguir. Lembro que a DG oferecia uma caixa com todas as obras, e as dividia em Early, Middle & Last Quartets, intrepretadas pelo Melos Quartett. O preço era um tanto quanto inacessíveis para nós, pobres mortais assalariados, ou não. Enfim, eu sempre ficava namorando essas caixas nas lojas de disco. Nosso objetivo de acervo era muito mais modesto, uma integral destas já nos era suficiente.

O tempo passou, e eis que existe uma quantidade imensa de gravações disponíveis destes quartetos, integrais ou não. Havia inclusive uma discussão sobre o quão irregulares eram essas gravações de integrais. Alguns quartetos saiam quase perfeitos, outros parecia que tinham sido feitos em toque de caixa, para, possivelmente satisfazer os interesses da gravadora.

Nosso guru e mentor, PQPBach ama estes quartetos, e os conhece muito bem, já ouviu dezenas de vezes cada um deles, com os mais diversos intérpretes. Não é o caso deste que vos entrega essa série, um mero admirador do belo, que até pouco tempo atrás satisfazia-se com o histórico registro do Amadeus Quartett,  lá dos anos 50 e 60. Sem desmerecer jamais aquele que é considerado o melhor conjunto de cordas do século XX, sempre estou atrás das outras opções. E certa vez, em discussão do grupo do Whattsap do PQPBach, se não me engano nos tempos em que o nosso Vassily Genrikhovich encarou aquela maratona beethoveniana em comemoração aos 250 anos do nascimento do compositor, nos ofereceu diversas opções de registros destas obras, destaque para o Melos Quartett, dentre outros. A integral do Artemis Quartet foi, digamos assim, deixada de lado, devido exatamente a quantidade de outras ótimas opções.

Aproveitando meus últimos dias de férias de Natal e de Ano Novo resolvi preparar essa belíssima integral interpretada exatamente pelo Artemis Quartet, não tão recente, é verdade, afinal foi gravada entre 2006 – 2011. Não me darei ao trabalho de analisar as obras, já existem diversas postagens destes quartetos aqui no PQPBach, basta procurar para obter maiores informações.

E esta postagem está sendo feita exatamente no dia de meu aniversário de 61 anos de idade. FDPBach faz aniversário mas quem ganha o presente são os senhores. São sete cds ao todo, além do booklet, bem explicativo, por sinal.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (Artemis Quartet)

String Quartet No.1 Op. 18 No. 1
1-1 1. Allegro Con Brio
1-2 2. Adagio Affetuoso Ed Appassionato
1-3 3. Scherzo. Allegro Molto – Trio
1-4 4. Allegro
String Quartet No.4 Op. 18 No. 4
1-5 1. Allegro Ma Non Troppo
1-6 2. Scherzo. Andante Scherzoso Quasi Allegretto
1-7 3. Menuetto. Allegretto – Trio
1-8 4. Allegretto – Prestissimo
String Quartet No.6 Op. 18 No. 6
1-9 1. Allegro Con Brio
1-10 2. Adagio Ma Non Troppo
1-11 3. Scherzo. Allegretto – Trio
1-12 4. La Malinconia. Adagio
1-13 5. Allegretto Quasi Allegro
String Quartet No.2 Op. 18 No. 2
2-1 1. Allegro
2-2 2. Adagio Cantabile
2-3 3. Scherzo. Allegro – Trio
2-3 4. Allegro Molto, Quasi Presto
String Quartet No.3 Op. 18 No. 3
2-5 1. Allegro
2-6 2. Andante Con Moto
2-7 3. Allegro – Minore – Maggiore
2-8 4. Presto
String Quartet No. 5 Op. 18 No. 5
2-9 1. Allegro
2-10 2. Menuetto – Trio
2-11 3. Andante Cantabile
2-12 4. Allegro
String Quartet No.7 Op. 59 No. 1 ‘Razumovsky’
3-1 1. Allegro
3-2 2. Allegretto Vivace E Sempre Scherzando
3-3 3. Adagio Molto E Mesto
3-4 4. Thème Russe. Allegro 7
String Quartet No.8 Op. 59 No. 2 ‘Razumovsky’
3-5 1. Allegro
3-6 2. Molto Adagio
3-7 3. Allegretto – Maggiore
3-8 4. Finale. Presto
String Quartet No.9 Op. 59 No. 3 ‘Razumovsky’
4-1 1. Introduzione. Andante Con Moto – Allegro Vivace
4-2 2. Andante Con Moto Quasi Allegretto
4-3 3. Menuetto. Grazioso – Trio – Coda
4-4 4. Allegro Molto
Strimg Quartet No.10 Op. 74 ‘Harp’
4-5 1. Poco Adagio – Allegro
4-6 2. Adagio Ma Non Troppo
4-7 3. Presto
4-8 4. Allegretto Con Variazioni
String Quartet No.11 Op. 95 ‘Quartetto Serioso’
4-9 1. Allegro Con Brio
4-10 2. Allegretto Ma Non Troppo
4-11 3. Allegro Assai Vivace Ma Serioso
4-12 4. Larghetto Espressivo – Allegretto Agitato – Allegro
String Quartet No.12 Op. 127
5-1 1. Maestoso – Allegro
5-2 2. Adagio, Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-3 3. Scherzando Vivace
5-4 4. Finale. Allegro
String Quartet No.14 Op. 131
5-5 1. Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo
5-6 2. Allegro Molto Vivace
5-7 3. Allegro Moderato
5-8 4. Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile
5-9 5. Presto
5-10 6. Adagio Quasi Un Poco Andante
5-11 7. Allegro
String Quartet No.13 Op. 130, Op. 133
6-1 1. Adagio Ma Non Troppo – Allegro
6-2 2. Presto
6-3 3. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso
6-4 4. Alla Tedesca. Allegro Assai
8-5 5. Cavatina. Adagio Molto Espressivo
6-6 6. Grosse Fuge Op. 133 Overtura. Allegro. Fuga
String Quartet Hess 34
6-7 1. Allegro Moderato
6-8 2. Allegretto
6-9 3. Allegro 3
String Quartet No.15 Op. 132
7-1 1. Assai Sostenuto – Allegro
7-2 2. Allegro Ma Non Tanto
7-3 3. Heiliger Dankgesang Eines Genesenen An Die Gottheit, In Der Lydischen Tonart
7-4 4. Alla Marcia, Assai Vivace
7-5 5. Allegro Appassionato – Presto
String Quartet No.16 Op. 135
7-5 1. Allegretto
7-6 2. Vivace
7-7 3. Lento Assai, Cantante E Tranquillo
7-8 4. Der Schwer Gefasste Entschluss, Grave – Allegro

Artemis Quartet

Cello – Eckart Runge
Viola – Friedemann Weigle, Volker Jacobsen
Violin – Gregor Sigl, Heime Müller, Natalia Prischepenko

Aproveitem.

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FDPbach

 

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) – Piano Concertos, Claudio Arrau, Stattskapelle, Colin Davis

Creio que seja inevitável que em determinado momento de nossas vidas as lembranças comecem a dominar nossos pensamentos, ainda mais quando nos tornamos sexagenários. Quando crianças essa idade nos parece tão longínqua, e sou de uma geração que nem imaginava que viveria tanto.

Mas essa pequena introdução serve apenas para dar uma certa ‘motivação’ para esta postagem, como se isso fosse necessário. Eu ainda estava nos meus vinte e poucos anos quando conheci a Concerto para Piano nº 4 de Beethoven, com Claudio Arrau e o Colin Davis em Dresden. Na verdade, foi esse LP que me apresentou os Concertos para Piano de Beethoven. Até um ano antes, eu morava no interior do Paraná, longe da capital, e longe das lojas de discos. Então me mudei para a capital catarinense, e ali conheci uma loja de discos com um setor inteiro dedicado a música clássica, e com um gerente que conhecia muito do assunto. E foi ele quem me apresentou esse LP, recém lançado. Fui ansioso para casa e o coloquei para tocar no velho Philips 3×1. A partir de então entendi o porque se reverenciava tanto Beethoven. Comecei a procurar os outros concertos, com outros intérpretes e regentes. Ali iniciou minha obsessão pela música, no sentido de procurar outras interpretações, outras leituras. E esse mundo me cativou, e desde então, vivo imerso nele. Não sei quantas vezes ouvi esses concertos, com os mais diversos músicos. E era curioso também observar como um mesmo pianista, por exemplo, poderia ter versões diferentes das mesmas obras. Claro que depois entendi que a maturidade os incentivava a isso.

Um exemplo claro do que vos falo é Alfred Brendel. Li uma crítica de sua integral com Simon Rattle onde o crítico questionava isso, para que diabos lançar outra integral, se já tinha outras já consagradas, como a minha favorita, com o mesmo Colin Davis em Londres. No mesmo texto, o crítico justificava exatamente dessa forma: Brendel precisava ‘corrigir’ alguma coisa que não o deixara satisfeito nas outras gravações. Haveria necessidade? Talvez não, mas talvez tenha entrado na conversa alguma cláusula contratual que o obrigou a isso. Não sei, nem me interessa saber. O importante é que são registros gravados em épocas diferentes de sua vida, e só isso já me responde satisfatoriamente a pergunta do crítico.

Quando gravou essa integral que ora vos trago, Claudio Arrau já estava com oitenta e poucos anos de idade. E é a maturidade que se destaca aqui. Ele já havia gravado e tocado esses concertos inúmeras vezes, mas resolveu encarar novamente o desafio. Veio a falecer alguns anos depois, em 1991. Mas o que quero destacar aqui é a tranquilidade e serenidade que o velho mestre imprime à sua interpretação. Maturidade, com a certeza de que não precisa provar mais nada.

Espero que apreciem. Gosto muito destas gravações.

CD 1

Klavierkonzert Nr.1 In C-Dur , Op.15
1 Allegro Con Brio
2 Largo
3 Rondo (Allegro Scherzando)
Klavierkonzert Nr. 2 B-Dur, Op.19
4 Allegro Con Brio
5 Adagio
6 Rondo (Molto Allegro)

CD 2

Klavierkonzert Nr. 3 C-Moll, Op.37
1 Allegro Con Brio
2 Rondo (Allegro)
3 Rondo (Molto Allegro)
4 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 1. Allegro
5 Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 2. Allegretto
6.Piano sonata No. 6 op 10 No. 2 – 3. Presto

CD 3

Klavierkonzert Nr. 4 G-Dur, Op.58
1 Allegro Moderato
2 Andante Con Moto
3 Rondo Vivace
4 32 Variationen über ein eigenes Thema c-moll

Klavierkonzert Nr. 5 Es-Dur, Op.73 “
1 Allegro
2 Adagio Con Poco Mosso
3 Rondo (Allegro)

Claudio Arrau – Piano
Staatskapelle Dresden
Colin Davis – Conductor

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 10 (sério!) (Morris)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 10 (sério!) (Morris)

Beeth10— E daí, gata, tenho uma coisa pra te mostrar.

— Eu não curo reumatismo, viu?

— Nada disso, princesa, quero te mostrar aqueles motivos curtos e repetitivos.

— Repetitivos está OK, mas curtos…?

— Sim, e afirmativos.

— Em riste?

— Certamente! Vamos para aquele cantinho ali? Me parece mais adequado.

Os dois foram. A mulher já se preparava para os amassos quando o homem tirou um fone de ouvidos do bolso e um celular. Deixou tudo no ponto e introduziu levemente os fones no ouvido da mulher, que não entendia nada.

— É a 10ª de Beethoven.

A mulher fez uma cara de decepção e respondeu.

— Um, eu não estou aqui para ouvir eruditos, quero testosterona, meu! E, dois, Beethoven jamais chegou à décima, assim como tu jamais chegarias à 2ª, quiçá à 1ª!

— Nada disso. Acabam de remontar o primeiro movimento da décima.

— Quem?

— Um Cooper ou um Wyn qualquer coisa, não lembro.

— Vin? A propósito, podias ser um cavalheiro e pedir um vinho pra aquecer.

— Garçom!

— Então podemos retirar Beethoven da “Maldição da Décima”?

— O que é isso?

— Veio, tu não sabes que Bruckner, Mahler, Dvorargh, Beethoven, Schubert e Spohr escreveram nove sinfonias e aí veio um raio e fulminou com todos? Isto é, com um de cada vez… Não sabia?

— Mas Mahler fez o Adagio da Décima.

— Sim, mas era um adagio, não tinha muita ação. Aquilo lá devia estar moribundo como o teu Ludwig van.

— Então a décima é perigosa? Pode matar?

— Sim, haja disposição para chegar lá…

— Eu tenho.

Ele bem que tentou, mas acabou por deixar a segunda inacabada. Ainda hoje se encontram.

Beethoven: 10ª Sinfonia (Fragmento- Gravado em 1993)

1. Symphony No. 10 in E flat (19:44)
2. A História da Décima de Beethoven (28:50)

London Symphony Orchestra
Wyn Morris

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La decima

PQP