15 anos de PQP Bach – De leitor-ouvinte a chapeiro-sênior: uma trajetória na PQP Corp. [Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para violoncelo solo, nas três versões de Julius Berger]

O PQP Bach (o blogue, claro, não o chefinho) chega hoje a seu baile de debutantes (por cuja trilha sonora, garanto, não perderão por esperar!), enquanto dou-me conta de que minha relação com ele (o blogue, não o chefinho, que eu só conheceria depois) já dura quase tanto quanto seus frescos quinze aninhos.

O blogue, afinal, tinha só algumas semanas de vida quando eu dele baixei a “Música para o Funeral da Rainha Mary”, de Purcell, na bela leitura de Gardiner (vão lá, que eu renovei o link). Estava à sua caça havia muitos anos e estava tão contente por consegui-la (pois os jovens entre vós nunca saberão o que era aguardar semanas para seu disco baixar no eMule, só para então descobrir que o arquivo era, na verdade, um filme mucosamente explícito) quanto surpreso com que alguém, sem nada ganhar com isso, resolvesse compartilhá-la com uma turba anônima.

Em breve, além das músicas, também textos passariam a brotar da cornucópia pequepiana. Eu, outrora jovem e com muito tempo livre, mudei-me então para perto dela, a fim de meus sentidos recebessem, sem anteparos, seus bem-humorados jorros. Por muitos anos, admito, eu fui um mero comensal, talvez um parasita, um sanguessuga, um chupim que tudo baixava, quase tudo ouvia, e nada comentava. Até me passou pela cabeça pedir para colaborar, mas ficava um pouco intimidado com aquela exibição impressionante de acervos fonográficos e textos afiados – mais ou menos como um menino a ver Messi e Cris Ro baterem uma bolinha sem nem sonhar como ter a cara de pedir para jogar com eles.

Não me furtava, no entanto, a acompanhar os longos fios de comentários. Desprezando o eventual pedante, que sempre dá as sebosas caras a desalmoçar regra para os outros, eu dava gargalhadas com as colaborações dos leitores-ouvintes (porque assim o blogue decidira chamá-los), que variavam do escracho arreganhado ao surto colérico. Nesse sentido, nada – nada MESMO – foi capaz de superar o ranger dos dentes que se seguiu à postagem do Malmsteen, nem mesmo as bissextas profecias, como a daquele vate após a inesquecível postagem de Saint-Preux:

– Sério, é o PQP chegando ao fundo do poço. O próximo é Richard Clayderman? TEREMOS RIEU?

[pano rápido]

ooOoo

Anos se passariam até que o fã obsessivo e fingidamente letárgico tivesse sua deixa: ganhei a oportunidade de conhecer o PQP Bach (agora sim o chefinho). Ganhei, não, orquestrei-a, após um ardiloso esquema que envolveu descobrir quem era sua esposa, transformar-me em contato dela numa rede social e – atenção para o calculismo quase psicopático – tornar-me amigo de ambos, entre imensas pilhas de conchas de moluscos bivalves, dir-se-iam  sambaquis contemporâneos. O bote final não tardaria: eu arranjei uma caixa cheinha de gravações de Chopin, compositor que sei que o patrão odeia, e lhe mandei. Expliquei que era uma edição relevante, Instituto Chopin de Varsóvia, e bibibi, e porque tu não postas isso, e bobobó, até que ele, enfim, sucumbiu:

– Por que tu não entras no blogue e postas isso tu mesmo?
– Já é.

😎

ooOoo

Entrei, enfim, para o blogue – produto mais notável do portfólio da já poderosa PQP Corp. Como bom novato, cometi meus sem-fins de babadas e gafes até ganhar algum prumo. Sonhava com um lugar de destaque, quiçá do lado direito do capo dei capi no mesão de reuniões lá da cobertura da PQP Tower. No entanto, apesar de prolífico e com fama de gozadinho, entrei para o folclore como um sujeito que até comete postagens bacanas, mas é preguiçoso e pouco confiável, porque produz em surtos. MEA MAXIMA CVLPA: de fato, pouco publiquei entre 2015 – quando meu afã de estagiário me fez postar diariamente por um semestre – e 2020 – ano do jubileu daquele renano cujo nome não pronunciarei, posto que lhe ofereci toda minha linfa em sacrifício.

Assim, assisti resignadamente a ascensão, apogeu e glória de meus colegas de blogue. Vejo sentado à mesa, à direita do patrão, o outro decano do blogue: FDP Bach, irmão do chefe, sobre o qual jamais pairou qualquer acusação de nepotismo, dada a magnitude de seu legado de postagens, proporcional a seu pantagruélico acervo de gravações (“olhem só, preparei uma postagem de Fulaninho regendo a sinfonia de Beltraninho com a Filarmônica Jovem de Cacimbinhas”, “ixe, acho que FDP Bach já postou isso em 2007”, só para só constatarmos que, sim, FDP Bach postara aquilo em 2007). Vi meu sonhado lugar ao lado de Herr Peter Qualvoll Publizieren ser ocupado pelo formidável René Denon, um gentil cavalheiro que, além de preparar belíssimas publicações com uma frequência e regularidade que me dão certeza de que ele teria muito futuro no ramo das Exatas, ainda elogia a camisa do chefinho e lhe deseja saúde antes mesmo de espirrar. Sem dúvidas, um homem de aguçada visão corporativa.

Também vejo em seus lugares cativos o elegante Pleyel, que começou como leitor-ouvinte e, ao contrário de mim, soube entender as responsabilidades inerentes à colaboração com a PQP Corp; o boa praça Chucruten, virtuose das postagens comparativas, e o jovem Luke D. Chevalier, que, como as águas de março, é promessa de vida no coração. Pranteio, e seguirei pranteando, o passamento de nosso querido Ammiratore, desgraça terrível para a qual o único unguento tem sido o trabalho monumental e reverente que o Alex DeLarge tem feito, ao prosseguir aquele xodó de nosso falecido amigo, a integral da obra de Verdi. E, enquanto passo rodo no chão e preparo os cafezinhos, vejo passarem lendas vivas como o sábio monge Ranulfus, o fleumático Carlinus, o valente Bisnaga (valente?, perguntam vocês: SIM, ele é o homem que POSTOU SAINT-PREUX!), o não menos bravo Strava (que postou ZAMFIR!), e colaboradores menos assíduos, mas de participações sempre memoráveis, como Itadakimasu, nosso especialista na moderna música brasileira de concerto, e o infalível Wellbach, que nunca comparece sem legar-nos algo de antológico.

Ao ver tantas sumidades reunidas, enxugo o rodo e saboreio a resignação: afinal, sou feliz entre eles, e só tenho que ser grato à PQP Corp. por me ter proporcionado trampo e uniforme, alimento e água potável, uma jaulinha limpa no 3º subsolo da PQP Tower – e aquele broche de chapeiro-sênior de que tanto me orgulho.

ooOoo

Para que não me acusem de não falar de música (que preconceito contra chapeiros-sêniores, hein?), resolvi aqui revisitar minha primeira postagem no blogue.

Admito que me vem um sorriso nostálgico cada vez que a releio, e uma nesguinha de luz positiva rasga minha habitual autocrítica, que reconhece que fui razoavelmente feliz em minha crônica sobre a vida dos melômanos no começo dos anos 90. Escutei tantas vezes gravação em questão – as suítes para violoncelo solo de J. S. Bach por Julius Berger, num instrumento de cinco cordas – que por anos ela me serviu como “gabarito” para todas as outras que viria a ouvir. Com a chegada de meus grisalhos, e principalmente com a expansão de meus horizontes musicais (que, por óbvio, muito deve a este blog), percebi que ela talvez não fosse tão boa assim, e permiti que muitas outras (a maioria das quais, claro, encontrei aqui) lhe tomassem o quinhão de minha preferência.

Felizmente, imagino que Berger chegou à mesma conclusão, e que ela o levou a revisitar essas maravilhosas suítes em duas outras ocasiões.

Na primeira revisita, ele toca um precioso violoncelo Guadagnini de 1780 nas cinco primeiras suítes, e retoma o violoncelo de cinco cordas para tocar a sexta, escrita especificamente para um instrumento desses. O resultado é um som mais pleno e caloroso, com o microfone próximo captando atraentes ruídos de “marcenaria”, muito melhor que aquele um tanto seco da gravação anterior, e com a vocação coreográfica dos movimentos de dança muito mais evidente.

Na segunda, que intitulou “Choräle”, Berger toma a arrojada decisão de dividir as suítes em três séries e abrir cada uma delas com excertos de “One8”, de John Cage (composta para violoncelo solo com arco curvo), aos quais sobrepõe melodias de corais que encontrou insinuadas nos prelúdios das suítes, entoadas por seu filho, Immanuel Jun. Esses “prelúdios aos prelúdios”, que variam do etéreo ao fantasmagórico, preparam maravilhosamente a afirmação tonal das insuperáveis obras de Bach e me fazem pensar que o intérprete, talvez, tenha se embriagado na mesma fonte que, há quinze anos, nutre este blogue: aquela que o leva, entre colapsos de servidores e eventuais chuvas de tomates, e sem uma lhufa sequer de consideração por ouvidos embolorados, a polinizar beleza pela cyberesfera.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Seis suítes para violoncelo solo, BWV 1007-1012

Julius Berger, violoncelo


PRIMEIRA VERSÃO

Gravação realizada na igreja de Steingaden, Alemanha, em 1984 – Selo Orfeo

CD1 (suítes nos. 1, 4 & 5)
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CD2 (suítes nos. 2, 3 & 6)
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SEGUNDA VERSÃO

Gravada na igreja de San Virgilio Col San Martino, em Posmon, Itália (1996).  Selo Wergo

CD1 (suítes nos. 1, 2 & 3)
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CD2 (suítes nos. 4, 5 & 6)
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TERCEIRA VERSÃO

Gravada na Christkönigskirche des Regens-Wagner-Stifts, em Dillingen, Alemanha (2016).

Selo Solo Musica.

Com excertos da composição “One8”, para violoncelo solo com arco curvo, de John Cage (1912-1992)

Soprano infantil: Immanuel Jun Berger
CD1: trecho de “One8” (John Cage) + Coral “Von Himmel hoch da komm ich her” (Martin Luther) + Suítes nos. 1 & 2
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CD2: trecho de “One8” (John Cage) + Coral “Gelobt sei Gott im höchsten Thron” (Melchior Vulpius/Michael Weisse) + Suítes nos. 3 & 4
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CD2: trecho de “One8” (John Cage) + Coral “O Haupt Voll Blut Und Wunden” (Johann Crüger/Paul Gerhardt) + Suítes nos. 5 & 6
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Leitores-ouvintes de espírito aventureiro e ouvidos abertos à descoberta estão convidados a clicarem a imagem para baixar a integral de “One8” de John Cage, interpretada pelo dedicatário, Michael Bach, inventor de um arco curvo chamado BACH.Bogen, cujos recursos expressivos e harmônicos são amplamente explorados na peça de pouco mais de 40 minutos

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Cage, Cowell, Lundquist & Taïra: Música para Percussão

Cage, Cowell, Lundquist & Taïra: Música para Percussão

IM-PER-DÍ-VEL !!! Mas só para quem, como eu, curte os modernos.

Um belo ex-LP de música para percussão com os suecos do Kroumata, grupo fundado em 1978 e ainda ativo, com mais de 20 álbuns gravados. É claro que John Cage (1912-1992) domina o repertório com sua obra de quase sete minutos, mas a peça de Taïra (1937-2005) também é muito intrigante ao acoplar gritos dos instrumentistas, que parecem estar praticando artes marciais. Eu gostei demais de ouvir o Kroumata. Porém, se você é conservador em música, fuja deste post agora. Correndo!

Cage, Cowell, Lundquist & Taïra: Música para Percussão

John Cage (1912 – 1992)
1) Second Construction (1940) for four players [6:44]
Henry Cowell (1897 – 1965)
2) Pulse (1939) for five players [3:53]
Torbjörn Iwan Lundquist (1920 – 2000)
3) Sisu (1976) for six percussions [9:20]
Yoshihisa Taïra (1938 – 2005)
4) Hierophonie V pour six percussionnistes [19:32]

Kroumata Percussion Ensemble

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O grupo sueco manda ver.

PQP

.: interlúdio (ou não) :. Shani Diluka: Route 66 (American Piano Music)

.: interlúdio (ou não) :. Shani Diluka: Route 66 (American Piano Music)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um belo disco difícil de definir: é jazz ou erudito? Bem, na verdade eu nem noto mais a diferença. Ouço ambos os gêneros indistintamente. A pianista Shani Diluka, nascida no Sri Lanka, chama seu recital de 18 peças de compositores e improvisadores norte-americanos de Route 66. Nas anotações que vêm junto ao CD, ela liga cada peça a uma passagem de On the Road, de Jack Kerouac, embora a calma que prevalece na maioria das canções dificilmente evoque a narrativa contundente do romance. Ela demonstra um colorido maior do que normalmente se ouve dos chamados especialistas em música contemporânea. Isso é bom, claro. Porém, na maioria das peças líricas, no entanto, a dinâmica suave retrocede e murcha quase a ponto de desaparecer, especialmente quando Diluka faz diminuendos. Mas o saldo final é altamente positivo. A pianista é excelente e o repertório fantástico.

Deixem eu contar uma história rapidinha para vocês. Certa vez, estava em Londres e fui assistir a um concerto sensacional onde um conhecido pianista interpretaria um Concerto de Mozart. Ele tocou maravilhosamente e foi muito aplaudido. Voltou três vezes ao palco. O pedido por um bis era óbvio. Então ele ergueu os braços e pediu silêncio. Disse que no dia anterior substituíra outro pianista que caíra doente. Tivera que ir até Praga para fazer o Concerto Nº 1 de Brahms. Estava no contrato. Na volta, o avião atrasara. Contou que estava cansadíssimo e que ia dar o bis tocando a peça que costumava tocar à noite, quando estava em casa e queria relaxar para dormir. E anunciou: “Vamos relaxar juntos. Vou tocar Peace Piece, de Bill Evans. Espero que vocês não durmam”. A ultra civilizada e culta plateia londrina, em vez de aplaudir, fez aquele som misto de aplausos e Uh, Uh! típicos dos concertos de jazz. Melhor cidade do mundo.

Shani Diluka: Route 66 (American Piano Music)

1 China Gates
Composed By – John Adams
4:40
2 My Wild Irish Rose
Arranged By – Keith Jarrett
5:05
3 Lullaby
Composed By – Percy Grainger
5:06
4 Pas De Deux
Composed By – Samuel Barber
3:59
5 Young Birches
Composed By – Amy Beach*
2:38
6 Waltz For Debby
Composed By – Bill Evans
2:10
7 Etude No. 9
Composed By – Philip Glass
2:17
8 For Felicia Montealegre
Composed By – Leonard Bernstein
1:59
9 In A Landscape
Composed By – John Cage
6:18
10 I Love Porgy
Arranged By – Keith Jarrett
Composed By – George Gershwin
5:10
11 Interlude
Composed By – Leonard Bernstein
1:36
12 Chandeliers
Composed By – Hyung-Ki Joo
6:26
13 Danza De La Mozo Donosa
Composed By – Alberto Ginastera
3:23
14 For Aaron Copland
Composed By – Leonard Bernstein
1:06
15 Piano Blues No. 1 “For Leo Smit”
Composed By – Aaron Copland
2:22
16 Peace Piece
Composed By – Bill Evans
7:05
17 Love Walked In
Arranged By – Percy Grainger
Composed By – George Gershwin
4:29
18 What Is This Thing Called Love
Arranged By – Raphaël Merlin
Composed By – Cole Porter

Piano – Shani Diluka
Vocals – Natalie Dessay (faixa 18)

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Diluka: às vezes delicada demais, mas com alto saldo positivo

PQP

Antoine Beuger (1955): Dialogues (Silences) / John Cage (1912-1992): Music for One — Música para Clarinete Solo

Antoine Beuger (1955): Dialogues (Silences) / John Cage (1912-1992): Music for One — Música para Clarinete Solo

MI0001497323Antoine Beuger usa ideias de Cage para fazer sua ultra provocativa obra Dialogues (Silences), de 1993Em termos de música aleatória, não poderia ser melhor. São poucas notas emitidas pelo clarinete, entremeadas de longos silêncios. Parece haver vários 4`33 dentro de Dialogues. Posso imaginar a reação do público e a calma necessária ao clarinetista. O que pensava Cage? Ora, questionando o paradigma da música ocidental, que explicava a música como uma série ordenada de notas, Cage se voltou para o silêncio de forma eminentemente conceitual. Todos os mínimos ruídos, comuns em salas de espetáculos, criam a aura de um happening, provocando o público e fazendo com que uma execução pública seja diferente da anterior e de contornos inesperados. Depois temos uma obra do próprio Cage, Music for One (1984), que parece até menos radical que a anterior. Na boa, eu curti o disco, mas não é para qualquer um, Tem que gostar de modernismos, estranhamentos e experimentações.

Antoine Beuger
1 Dialogues (Silences) 35:41

John Cage
2 Music For One 29:43

Clarinet – Jürg Frey

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É, né?
É, né?

PQP

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

61fyfAw73OL._SS500IM-PER-Dí-VEL !!!

Maravilhoso disco formado por dez peças menores de compositores que apenas se unem por terem sido vanguardistas em seu tempo. Num recital que abarca 3 séculos, o pianista Lubimov dá uma aula sobre como montar um repertório erudito. Inicia com uma daquelas estranhas Fantasias do mano CPE que, para falar com a inteligência de Maitê Proença, é tudo di bom. Numa demonstração de parentesco inteiramente provocativa, mas pertinente, Lubimov dá seguimento ao recital com In a landscape, de John Cage. É notável como ambas combinam. E depois ele segue adiante com uma série de peças meditabundas. O mosaico fica lindo. O CD é da ECM. Com efeito, Manfred Eicher veio ao mundo para viabilizar as idéias mais doidas dos artistas. E para nos mostrar fatos nunca dantes pressentidos.

Alexei Lubimov – Der Bote

1 Carl Philipp Emanuel Bach: Fantasie für Klavier f-Moll
2 John Cage: In a landscape
3 Tigran Mansurian: Nostalgia
4 Franz Liszt: Abschied
5 Michail Glinka: Nocturne f-Moll “”La séparation””
6 Frédéric Chopin: Prélude c-Moll op. 45
7 Valentin Silvestrov: Elegie
8 Claude Debussy: Elégie
9 Béla Bartók: Vier Klagelieder op. 9a, Nr. 1
10 Valentin Silvestrov: Der Bote

Alexei Lubimov, Piano

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Grande Lubimov!
Grande Lubimov!

PQP

John Cage (1912-1992): Music for Prepared Piano (Vol. 2)

John Cage (1912-1992): Music for Prepared Piano (Vol. 2)

As fotografias denunciam e a música comprova: John Cage foi um sujeito talentoso, alegre e feliz. Se você não é absolutamente conservador em matéria musical, deve ouvir as obras deste CD e do anterior, de Cage, que postamos. São peças coloridas e interessantes do cara que criou a coisa mais estapafúrdia e intrigante de todos os tempos, 4`33″. O piano preparado de Cage, neste CD e no anterior, aparece em timbres realmente inusitados. Sua música talvez deixe corado alguns minimalistas, Quem ouvir saberá dizer por quê.

Aqui, uma interessante versão de 4’33” — em transcrição para grande orquestra — para o povo pequepiano (próximo dos 3 min o maestro faz uma piada). Mais de 1,3 milhão de pessoas já assistiram o filme no youtube, gravado no Barbican Center, em Londres:

https://youtu.be/zY7UK-6aaNA

John Cage (1912-1992): Music for Prepared Piano (Vol. 2)

1. The Perilous Night: No. 1. – 2:32
2. The Perilous Night: No. 2. – 0:54
3. The Perilous Night: No. 3. – 4:16
4. The Perilous Night: No. 4. – 1:19
5. The Perilous Night: No. 5. – 0:44
6. The Perilous Night: No. 6. – 3:42
7. Tossed as it is Untroubled 3:04
8. Daughters of the Lonesome Isle 9:30
9. Root of an Unfocus 4:57
10. Primitive 4:28
11. Mysterious Adventure 8:15
12. And the Earth shall Bear Again 3:29
13. The Unavailable Memory of 4:08
14. Music for Marcel Duchamp 5:05
15. Totem Ancestor 2:05
16. A Room 2:03
17. Prelude for Meditation 1:02

Boris Berman, piano

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Cage: talentoso e feliz
Cage: talentoso e feliz

PQP

John Cage (1912-1992): Sonatas and Interludes for Prepared Piano (Vol. 1)

John Cage (1912-1992): Sonatas and Interludes for Prepared Piano (Vol. 1)

Roubado daqui. Reportagem de Irinêo Baptista Netto.

Uma lupa descansa sobre a mesa a alguns metros do piano. “Este é o nosso instrumento de trabalho”, diz a pianista Vera Di Domênico, pegando a lente de aumento para mostrar as anotações feitas à mão por John Cage (1912-1992) na fotocópia da partitura de Sonatas e Interlúdios, peça a ser tocada na íntegra pelas pianistas Grace Torres e Lilian Nakahodo no palco do Teatro HSBC.

(…)

Por algum motivo obscuro, poucos se dispõem a enfrentar a obra de John Cage.

O compositor norte-americano, um dos homens que debulharam a música erudita no século 20 – e poucos foram capazes disso –, explorou o silêncio como ninguém antes dele. Defendia uma música permeada pelos sons cotidianos e chegou a criar mecanismos como o “piano preparado” para dar conta daquilo que tinha em mente.

Sonatas e Interlúdios é a composição mais famosa de Cage para o “piano preparado”, criada entre 1946 e 1948. Ele não permitiu que passassem suas anotações a limpo e cabe aos músicos desvendarem as partes mais ambíguas do registro, feito com bico de pena (o que explica a lupa).

O “piano preparado” parece um objeto de ficção científica. Das cordas do instrumento, pendem parafusos, pedaços de plástico e até uma típica borracha escolar, meio vermelha e meio azul. É um instrumento saído da imaginação de um doutor Frankenstein – neste caso, Cage.

Uma “bula” acompanha a partitura de Sonatas e Interlúdios, com indicações minuciosas sobre onde encaixar cada um dos objetos. Ao todo, 45 notas são alteradas e o resultado deixa de ser um piano para se tornar outro instrumento, mais percussivo, que remete às orquestras de gamelão da Indonésia. Uma hipótese para a resistência dos músicos a Cage é exatamente essa transformação que arranca o pianista de sua zona de conforto.

“[A música de Cage] diz muito do momento atual, do ser humano de hoje”, diz Vera, e emenda uma comparação. “Você pode sair na rua com uma roupa do século 17. Uma roupa linda que você gosta, mas ela é de outra época. O mesmo serve para a música. Se você me perguntar se gosto de Beethoven… Eu adoro! Assim como adoro Cage.”

Há pelo menos duas décadas que Vera pensa em levar Sonatas e Interlúdios para o palco. Lilian e Grace se tornaram alunas dela em parte pelo interesse da professora nos compositores contemporâneos. Numa conversa cerca de dois anos atrás, surgiu a ideia de um projeto para oferecer às leis de incentivo. Vera se lembrou de Cage no ato.

“Para o Cage, a música não pode se alienar dos sons da vida”, diz Grace. Seu primeiro contato com a obra do norte-americano foi por meio de um livro de poesia, embora ele não seja lembrado como poeta. Amigo do pintor Jackson Pollock (1912-1956), que parecia fazer com a artes plásticas o que Cage fazia com a música, o compositor causou um forrobodó com 4’33’’, uma peça de 4 minutos e 33 segundos de duração em que não há uma nota sequer. Uma proposta extravagante, sem dúvida.

“Apesar dos parafusos, a música de Cage [Sonatas e Interlúdios] leva as pessoas a pensarem em imagens delicadas, de vidros e de água”, diz Lilian, citando as reações daqueles que tiveram chance de ouvir os ensaios.

Para Grace, a irreverência de Cage era uma característica memorável. Ele foi um dos primeiros a fazer a “música do acaso” (chance music), explorando a aleatoriedade, uma noção que se insinua no “piano preparado” – pois cada instrumento produz sons diferentes depois da inserção da parafernália citada na “bula”.

“O que ouvi no ensaio, apesar de minha cultura a respeito das gravações já existentes dessa obra ser limitada, me deu a certeza de estar diante de uma execução perfeita, em alto nível técnico e de excelência interpretativa”, escreveu o músico e historiador André Egg, professor Faculdade de Artes do Paraná, no blog Amálgama. “O que vi foi uma coisa impressionante.”

São 16 sonatas e quatro interlúdios que somam 70 minutos, divididos entre Lilian e Grace, que deverão usar um figurino desenhado para o espetáculo. Será uma das poucas ocasiões em que os músicos não deverão se incomodar com uma tosse ocasional, ou outros barulhos vindos da plateia. Ao menos em tese, a música de Cage é capaz de incorporar todos os sons não previstos na partitura.

John Cage (1912-1992): Sonatas and Interludes for Prepared Piano (Vol. 1)

1. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 1 3:10
2. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 2 2:32
3. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 3 2:26
4. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 4 2:06
5. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: First Interlude 3:29
6. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 5 1:51
7. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 6 2:28
8. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 7 2:31
9. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 8 2:54
10. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Second Interlude 4:03
11. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Third Interlude 2:17
12. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 9 4:27
13. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 10 4:08
14. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 11 3:39
15. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 12 3:33
16. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Fourth Interlude 2:47
17. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 13 3:57
18. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 14 and No. 15, ‘Gemini’ (after the work by Richard Lippold) 6:21
19. Sonatas and Interludes for Prepared Piano: Sonata No. 16 4:47

Boris Berman, piano

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Cage, parafusos, durex, sonatas
Cage, parafusos, durex, sonatas

PQP

John Cage (1912-1992): The Seasons e outras peças

John Cage (1912-1992): The Seasons e outras peças

Este disco surpreendente e extraordinário é, pensamos, a melhor coleção de música de John Cage em catálogo. Ele é o mais geral. Demonstra o radicalismo do compositor, bem como o seu humor, tudo isso em várias fases. As obras são também são muito diferentes entre si. É muito bom ouvir a Suite for Toy Piano (1948) , que emprega apenas as teclas brancas em uma única oitava, e a versão belamente orquestrada que se segue (escrita por Lou Harrison, um amigo de Cage, em 1963). Mas três das obras-primas absolutas de Cage também estão aqui: a misteriosa Seventy-Four (1992) , a música para balé The Seasons (1947) e o fascinante Concerto para Piano Preparado e Orquestra de Câmara (1950-51). Muito do que você precisa saber sobre John Cage está aqui. No mais, ouça 4´33, o auge do radicalismo e ironia.

John Cage (1912-1992): The Seasons e outras peças

01. Seventy-Four (Versoin I) (12:15)

02. The Seasons – Prelude I, Winter (03:12)
03. The Seasons – Prelude II, Spring (03:43)
04. The Seasons – Prelude III, Summer (05:51)
05. The Seasons – Prelude IV, Fall (03:52)

06. Concerto for Prepared Piano and Orchestra – First Part (08:08)
07. Concerto for Prepared Piano and Orchestra – Second Part (08:09)
08. Concerto for Prepared Piano and Orchestra – Third Part (04:22)

09. Seventy-Four (Version II) (12:05)

Margaret Leng Tan e um de seus pianos de brinquedo
Margaret Leng Tan e um de seus pianos de brinquedo

10. Suite For Toy Piano – I (01:32)
11. Suite For Toy Piano – II (01:33)
12. Suite For Toy Piano – III (01:27)
13. Suite For Toy Piano – IV (01:22)
14. Suite For Toy Piano – V (01:09)

15. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – I (01:43)
16. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – II (01:33)
17. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – III (01:24)
18. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – IV (01:35)
19. Suite For Toy Piano (Orchestration: Lou Harrison) – V (00:55)

Margaret Leng Tan, prepared piano, toy piano
American Composers Orchestra
Dennis Russell Davies

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Cage: esse estava sempre rindo
Cage: esse estava sempre rindo

PQP

John Cage (1912 -1992) – Imaginary Landscape

Cannon

Já recebi críticas muito convincentes sobre a ausência de música “nova” nas minhas postagens. Tem dois motivos para isso: primeiro, o meu conhecimento limitado e o segundo, menos nobre, meu desinteresse. Já estive em concertos pelo mundo (poucos, confesso) dedicados a jovens compositores. O enfado foi grande. Um mistura de música tonal com atonal, eletrônica ou neo-romântica, nada realmente “novo”. Vi um concerto que a pianista, no meio da cadenza, entrava com um martelo dentro do piano. Mas tirando o belo corpo e as marteladas, não guardo mais nada na memória. Noutra ocasião um violoncelista usava seu instrumento como percussão numa sonata. As cordas quase desnecessárias. É verdade que tenho ouvido coisas interessantes na chamada música espectral e quase geniais na música eletrônica, mas nada além das possibilidades alcançadas pelo velho e defunto Stockhausen. Há vários anos a música “nova” não vem mudando.

Quando disseram a John Cage que qualquer um poderia ter escrito 4´33´´, ele respondeu: “É verdade, mas fui eu que fiz”. Após a morte de Beethoven, o compositor devia abraçar a originalidade como requisito básico; após Cage, a transgressão envelheceu. A idéia do progresso na música também caiu por terra. No entanto, hoje encontramos muitos compositores razoáveis escrevendo músicas razoáveis, mas que trazem tantas referências (algo normal na música de todas as épocas, mas não tão exagerado) que fica difícil ouvir a impressão do próprio compositor. Mesmo no período barroco, que foi de certo modo a cultura do exagero e imitação, era possível identificar nas grandes obras as assinaturas dos mestres. Hoje não se identifica nada. E como não tenho muito tempo a perder, e não sou adepto nem a tradição ou a originalidade, mas a “voz” de cada artista, eu prefiro ir direto a fonte de tudo isso.

A série Imaginary Landscape são obras chaves. Os três primeiros (escrito entre 1939 e 1942) são bastante percussivos, com a participação quase pioneira de elementos eletrônicos. Grupos como Uakti ou coisas similares no mundo da “World Music” devem ter bebido dessa fonte. Imaginary Landscape n.4 já é uma mudança total de paradigma. Escrita para 12 rádios (se possível, em AM), cada um com dois músicos operando a sintonia e o volume com absoluto rigor. Cage, ao contrário do que se pensa, tinha total interesse no controle dessa nova linguagem. Paradoxal, mas a aleatoriedade era controlada.

Obras fascinantes e insuperáveis no quesito originalidade.

CDF

Disco:
1 – Imaginary Landscape No. 1, for 2 variable speed turntables, frequency records, muted piano & cymbal 8:45
2 – Imaginary Landscape No. 2, for 5 percussionists 6:35
3 – Imaginary Landscape No. 3, for 6 percussionists 3:05
4 – Imaginary Landscape No. 4, for 12 radios, 24 players & conductor (March No. 2) 5:00
5 – Imaginary Landscape No. 5, for any 42 recordings, to be realized on tape 1:31
6 – But What About the Noise…, for percussion ensemble of 3-10 players 26:00

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Leonard Bernstein Discusses and Conducts XX-Century Music

Leonard Bernstein foi um mestre em quase tudo. Homem de vastíssima cultura musical, músico com repertório extenso e memorável. Mas um dos pontos que merecem destaque foi sua habilidade como divulgador da música clássica. Há uma série famosa feita para televisão nos anos 1960, os concertos para juventude, que são muito prazerosos de ver link. É impressionante contemplar o Carnegie Hall lotado de crianças e Bernstein dando um show como professor, aulas com exemplos brilhantes e cativantes. Nunca caindo na simplificação, ou desmerecendo a inteligência de seus pequenos ouvintes.

Creio que muito de nós aqui no Brasil nunca tiveram a chance de encontrar um personagem parecido com o Bernstein na nossa juventude, alguém que apresentasse o vasto mundo musical, sem doutrinação do que é certo ou errado. Gostamos de música clássica (ou Jazz) simplesmente por nossos próprios méritos, e isso é louvável, principalmente num país que preza a mediocridade. No entanto, ainda pagamos um preço alto por isso. Não gostaria de colocar como exemplo, a obra 4´33´´ de Cage. Achar ridícula uma peça é um julgamento que deve caber ao próprio ouvinte mesmo. Devemos realmente conviver com este tipo de diversidade de opinião. Mas é importante, antes de tudo, conhecer a obra em profundidade, ou mesmo ler a respeito antes de ouvi-la, e só depois podemos condená-la ao nosso limbo musical ou, como costumo fazer, dá uma outra oportunidade no futuro.

Como a música que defendo é mesmo de difícil digestão, achei necessário pedir a ajuda do Leonard Bernstein. Esse disco-aula realizado também nos anos 1960, Bernstein se desdobra para divulgar a famigerada música que se fazia em seu tempo. Apresenta exemplos de obras bem importantes e complexas para uma platéia adulta e inquieta (aplausos e vaias no fim de cada obra). Percebemos que aquele registro foi feito num momento decisivo e tenso para história da música, uma crise fascinante tratada com brilhantismo por Bernstein. Comentários muito interessantes sobre o novo espectro que o mundo musical vislumbrava. Mesmo sendo um registro feito há mais de 40 anos atrás, é atualíssimo para o ouvinte brasileiro.

Obras de Xenakis, Boulez e Cage são analisadas por Bernstein antes de cada perfomance, num inglês fácil de entender.

A obra que abre o disco é de Copland e foi feito para uma audiência mais jovem, apenas um pequeno refresco.

Copland – An Outdoor Overture
1. Introduction by Bernstein
2. Perfomance
3. Post- perfomance

Xenakis – Pithoprakta
4. Introduction by Bernstein
5. Perfomance
6. Post- perfomance

Henry Brant – Antiphony One
7. Introduction by Bernstein
8. Perfomance

Boulez – Improvisation sur Mallarmé I
9. Introduction by Bernstein
10. Perfomance

Cage – Atlas Eclipticalis
11. Introduction by Bernstein
12. Perfomance

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John Cage (1912 -1992) – 4´33´´

Os homens são mesmos fascinantes e engraçados. Afirmam-se como indivíduos, mas inevitavelmente são destinados a serem peças de encaixe do muro histórico. 4´33´´ é uma obra inevitável, mesmo se Cage não tivesse existido. A música sempre levou a busca dos extremos, e o fim acabaria sendo esse: 4 minutos e 33 segundos nos quais os músicos param. E a música, também pára? Segundo Cage, não. A música criada pelo evento ou constrangimento (sussuros, xingamentos, ruídos, ou o próprio silêncio [parte importante da música]) seria nova a cada apresentação desta obra. Assim como já vinha ocorrendo com suas obras aleatórias, 4´33´´ abre possibilidades interessantes e inesperadas.

Nesta rara gravação podemos ouvir 4´33´´ sendo interpretada por um grupo excelente de percussionistas, que parecem ter gravado numa bela manhã de primavera. É possível ver duas outras versões desta mesma peça no youtube, uma para grande orquestra link e outra para piano link. Outra obra de Cage que merece destaque é Amores, música para piano preparado e percussão. Muito empolgante. Participação do pianista Zoltán Kocsis, cujo piano produz um som realmente estranho e percussivo. O disco termina com o ótimo Third Construction de Cage para 4 percussionistas.

Ah, já ia esquecendo, aqui você encontra uma das melhores interpretações de Ionisation de Varèse.

1. Ionisation, for 13 percussion instruments (Edgard Varese)
2. Toccata for orchestra (Carlos Chavez)
3. 4’33” (John Cage)
4. Double Music for percussion quartet (John Cage, Lou Harrison)
5. Amores, for prepared piano & 3 percussion: I – Solo for Piano
6. II – Trio
7. III – Trio
8. IV – Solo for Piano
9. Third Construction, for 4 percussionists (John Cage)

Amadinda Percussion Group

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