Chopin / Mozart / Liszt, por Yulianna Avdeeva

Em minha modestíssima e insignificante opinião, a russa Yulianna Avdeeva é o grande nome feminino do piano da atualidade, e uma fortíssima candidata a ocupar o trono de Martha Argerich. Seu repertório vai de Bach a Prokofiev sem maiores problemas. Não teme se expor nas redes sociais, a acompanho no Facebook, onde de vez em quando faz postagens muito interessantes sobre as obras que está estudando. Quem tiver tempo livre, procurem no Youtube suas lives sobre o Cravo Bem Temperado. Como boa filha de seu tempo, Avdeeva sente-se perfeitamente a vontade na frente de uma câmera para analisar cada um dos prelúdios e fugas e expor suas dificuldades de interpretação.

Neste CD que ora vos trago, temos obras de três compositores bem diferentes. Começando com a maravilhosa ‘Fantasia in Fá Menor, op 49’, de Chopin, que já trouxe em outra ocasião com a mesma pianista, mas em outro contexto, gravado ao vivo. Aqui Yulianna está dentro de um estúdio, então temos uma abordagem diferente, mas igualmente de altíssima qualidade, afinal estamos falando de uma vencedora do dificílimo Concurso Chopin de Varsóvia. E isso é para poucos. Para mostrar ainda mais sua versatilidade e talento, ainda temos A Sonata nº6 de Mozart e duas obras de Liszt, incluíndo a dificílima ‘Après Une lecture Du Dante’, um tour de force para a nossa intérprete.

Chopin:
1 Fantasie In F Minor Op.49

Mozart:
Piano Sonata No.6 In D Major K.284
2 Allegro
3 Rondeau En Polonaise. Andante
4 Tema Con Variazione

Liszt:
5 Après Une Lecture Du Dante – Fantasia Quasi Sonata
6 Aida Di Giuseppe Verdi – Danza Sacra E Duetto Finale S.436

Yulianna Avdeva – Piano

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FDP

Bach (1685-1750) – Schubert (1797-1828) – Chopin (1810-1849): Peças para Piano – Jayson Gillham ֍

Bach (1685-1750) – Schubert (1797-1828) – Chopin (1810-1849): Peças para Piano – Jayson Gillham ֍

Bach – Schubert

Chopin

Peças para Piano

Jayson Gillham

 

Não é incomum que em seus primeiros álbuns, jovens pianistas reúnam obras de compositores que geralmente não se encontram assim, tão associados. Para exemplificar o que quero dizer, basta lembrar um dos primeiros discos de Martha Argerich com obras de Chopin, Brahms, Liszt, Ravel e Prokofiev. É claro que não há aqui qualquer intenção de comparar o pianista australiano de Queensland com a musa de nossos queridos colaboradores do blog, mas o disco da postagem da vez reúne obras de Bach, Schubert e Chopin. É claro que todos três foram excelentes intérpretes e compositores de música para teclado, mas não é todo dia que nos deparamos com um disco reunindo uma trinca destas. Não se preocupe, o disco funciona muito bem como um lindo recital.

Abrindo os trabalhos, a Toccata em dó menor, BWV 911, de Bach. Peça que também aparece em um disco todo dedicado a Bach, da Martha Argerich. A Toccata é uma peça de juventude de Bach e tem um certo ar de improvisação que Gillham realiza com muita propriedade.

Durante o Festival Internacional de Perth de 2016, um crítico observou que Jayson Gillham tem um bell-like tone and… sense of expressive lyricism.  Pois a escolha da Sonata em lá maior, D. 644, de Schubert, nos dá oportunidade de verificar esse tal senso de lirismo.

Funcionando como uma segunda parte do recital, temos as peças de Chopin. A transição da Sonata de Schubert para o universo de Chopin é bem marcada pelo Prelúdio que anuncia a Sonata No. 3, em si menor, Op. 58.

A crítica que eu li sobre o disco, que você pode acessar aqui, tem algumas reservas, mas é bastante positiva, vista em perspectiva. Eu, que sou fácil de agradar, gostei muito do disco, em particular da produção de gravação, aos cuidados de Andreas Neubronner, que costuma produzir discos de Murray Perahia.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Toccata em dó maior, BWV911

  1. Toccata

Franz Schubert (1797 – 1828)

Sonata para Piano em lá maior, D664

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Allegro

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

Prelúdio em dó sustenido menor, Op. 45

  1. Prelúdio

Sonata para Piano No. 3 em si menor, Op. 58

  1. Allegro maestoso
  2. Scherzo: Molto vivace
  3. Largo
  4. Finale: Presto, non tanto

Jayson Gillham, piano

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MP3 | 320 KBPS | 137 MB

O fotógrafo do PQP Bach teve muito trabalho para reunir os três compositores para esse flash…

Gillham says these particular works are close to his heart… Depois de ouvir o disco, eu diria: You bet!

Bach | Schubert | Chopin presents music of unparalleled beauty, vitality and joy by three masters of keyboard writing. The works highlight different aspects of Jayson’s superb musicianship.

Jayson Gillham

Frédéric Chopin (1810-1849): The Complete Waltzes (Fliter)

Frédéric Chopin (1810-1849): The Complete Waltzes (Fliter)

A argentina Ingrid Fliter (1973) dá recitais de piano desde os 11 anos de idade, estreou no Colón aos 16 e estudou na Europa sob o patrocínio de Martha Argerich. Posso dizer que a moça é um espanto, como pode ser comprovado neste CD. Além disso, é uma simpatia, como prova o pequeno filme abaixo, postado por ela mesma no YouTube. O som é ruim e o piano está desafinado, mas é muito divertido ver o tesão dela por tocar.

This is me playing the Chopin Minute Waltz at the Minneapolis Airport Terminal after a 20 hours flight. For my surprise I found this lonely piano awaiting for someone to play him… I couldn’t resist. It was fun to observe people reaction. They were quite confused I think 🙂

Frédéric Chopin (1810-1849): The Complete Waltzes (Fliter)

No.1 in E Flat Major Op.18 “Grande Valse Brillante”
No.2 in a Flat Major Op34 No.1 “Valse Brilliante”
No.3 in a Minor Op.34 No.2 “Valse”
No.4 in F Major Op.34 No.3 “Grande Valse Brilliante”
No.5 in a Flat Major Op.42
6 No.6 in D Flat Major Op.64 No.1 “Minute”
No.7 in C Sharp Minor Op.64 No.2
No.8 in a Flat Major Op.64 No.3
No.9 in a Flat Major Op.69 No.1 “L’Adieu”
No.10 in B Minor Op.69 No.2
No.11 in G Flat Major Op.70 No.1
No.12 in F Minor Op.70 No.2
No.13 in D Flat Major Op.70 No.3
No 14 in E Minor
No.15 in E Major
No.16 in E Minor
No.17 in E Flat Major
No.18 in E Flat Major Op.Posth “Sostenuto”
No.19 in a Minor Op.Posth
No.20 in F Sharp Minor Op.Posth “Melancolique”

Ingrid Fliter, piano

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Nada de jogar flit nela!
Nada de jogar flit nela, viu?

PQP

Chopin (1810-1849): Prelúdios; Liszt (1811-1886) e Scriabin (1871-1915): Sonatas – Daniil Trifonov

Os prelúdios de Chopin são obras-primas das variações de humor, alternando entre a alegria, a melancolia e outros sentimentos típicos do romantismo. Os primeiros prelúdios seguem o contraste mais comum entre tom maior (alegre, expansivo, com uma simplicidade quase infantil) e tom menor (lento, calmo). Mas ao longo da obra, a partir do 7º “Andantino” e do 8º “Molto agitato“, as coisas vão ficando mais complicadas e há uma certa inversão de papéis, pois os de tom maior maior vão se tornando mais sutis e lentos – como o prelúdio nº 15, apelidado de gota d’água, e que é de certa forma o centro dramático desse arco narrativo – e os de tom menor vão ficando apressados, tensos, ansiosos, com a agitação nervosa típica de um Schumann, que aliás é o outro grande mestre desse tipo de obra de contrastes.

E na gravação de Daniil Trifonov, esses contrates são exacerbados: acho que nunca ouvi o prelúdio nº 3 “Vivace” tão vivo, ou o 8º e o 22º “Molto agitato” tão agitados por uma certa energia oculta, demoníaca, como bem perceberam Martha Argerich e Gilles Macassar:

O que ele faz com suas mãos é tecnicamente incrível. Mas também o seu toque – tem a delicadeza mas também um elemento demoníaco. – Martha Argerich sobre Daniil Trifonov
Daniil Trifonov dá vida as partituras de Liszt, Scriabin ou Chopin com um virtuosismo nas fronteiras do sobrenatural. – Gilles Macassar, revista Télérama

Em alguns dos prelúdios mais animados e virtuosísticos, Trifonov se apressa enormemente, correndo riscos ao vivo, e dá até a impressão de ser apenas mais um pianista ruso querendo mostrar sua técnica prodigiosa para o público nova-iorquino, que já idolatrou tantos outros pianistas russos… Mas em alguns prelúdios mais introspectivos, Trifonov desacelera e vai a passos lentos, apreciando a paisagem. Por exemplo no prelúdio 21, “Cantabile“, no qual a mão direita deve cantar como em uma ária, ele segue um ritmo bem mais lento que os de Argerich, Nelson Freire ou Rafal Blechacz, tocando com a tranquilidade similar à de Maria João Pires, embora não tão devagar quanto o sui generis Grigory Sokolov – lembrando que este último é bem diferente dos clichês sobre pianistas russos, e não por acaso, faz muito mais sucesso na Europa do que nos EUA.

Assim como Trifonov (3ª e 9ª sonata) e Freire (4ª sonata), que já postei aqui tocando Scriabin ao vivo, Trifonov faz uma interpretação brilhante do compositor russo, com uma certa energia que dificilmente se encontra nas gravações de estúdio. Publicada em 1898, essa sonata tem um pequeno programa escrito por Scriabin:

“A primeira seção representa a calma de uma noite à beira do mar; o desenvolvimento é a agitação do mar profundo. A seção central mostra a lua aparecendo após a escuridão do começo da noite. O segundo movimento representa o oceano agitado em uma tempestade.”

Quero lembrar aqui que Debussy compôs La Mer apenas em 1905, o que mostra uma das várias coincidências entre esses dois compositores que provavelmente se conheceram muito pouco, mas viveram o mesmo ‘espírito do tempo’ (zeitgeist).

A Sonata de Liszt é uma das obras tecnicamente mais difíceis do repertório para piano. Não vou me alongar sobre ela, apenas comentar que – enquanto a 5ª sinfonia de Beethoven supostamente começaria com o destino batendo à porta – Liszt inicia sua obra com uma nota solitária, uma nota sol, com a marcação sotto voce, um sussuro ou, alternativamente, uma chamada no escuro, do tipo: tem alguém aí? Após a sonata marítima de Scriabin, Trifonov inicia essa sonata de Liszt com toda a calma do mundo, deixando o sussuro de Liszt se projetar em meio ao silêncio, como aquelas aves marinhas que cantam em uma só nota em meio ao vento e às ondas, sem saber se alguém vai ouvir. Uma nota é só uma nota e ao mesmo tempo é muito mais.

Alexander Scriabin: Piano Sonata No. 2 In G Sharp Minor Op, 19 “Sonata-Fantasy”
1 Andante 7:05
2 Presto 3:26

Franz Liszt: Piano Sonata In B Minor S 178
3 Lento Assai – Allegro Energico 11:13
4 Più Mosso – Andante Sostenuto 7:37
5 Allegro Energico – Andante Sostenuto – Lento Assai 10:59

Frédéric Chopin: 24 Preludes Op. 28
6 Nr. 1 In C Major 0:38
7 Nr. 2 In A Minor 2:03
8 Nr. 3 In G Major 0:49
9 Nr. 4 In E Minor 1:40
10 Nr. 5 In D Major 0:32
11 Nr. 6 In B Minor 1:51
12 Nr. 7 In A Major 0:47
13 Nr. 8 In F Sharp Minor 1:40
14 Nr. 9 In E Major 1:30
15 Nr. 10 In C Sharp Minor 0:28
16 Nr. 11 In B Major 0:38
17 Nr. 12 In G Sharp Minor 1:11
18 Nr. 13 In F Sharp Major 3:08
19 Nr. 14 In E Flat Minor 0:32
20 Nr. 15 In D Flat Major 5:25
21 Nr. 16 In B Flat Minor 1:04
22 Nr. 17 In A Flat Major 5:58
23 Nr. 18 In F Minor 0:50
24 Nr. 19 In E Flat Major 1:06
25 Nr. 20 In C Minor 1:30
26 Nr. 21 In B Flat Major 2:15
27 Nr. 22 In G Minor 0:40
28 Nr. 23 In F Major 1:06
29 Nr. 24 In D Minor 2:43

Nikolai Karlovich Medtner (1880-1951) (Encore)
30 Skazki Op. 26 – Fairy Tales – No. 2 In E Flat Major 1:25

Daniil Trifonov – piano
Live at Carnegie Hall, New York, USA, February 2013

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Franz Liszt

Pleyel

Chopin (1810-1849): Scherzos, etc – Michelangeli, Richter

Centro e noventa anos atrás,  no dia 8 de setembro de 1831, os russos capturaram Varsóvia após a rebelião ocorrida na Polônia em meio a outras balbúrdias que sacudiram a Europa desde 1830. Chopin, ligado ao grupo que defendia a independência polonesa, jamais voltaria à sua terra natal. Ele estava em uma curta viagem pela Alemanha e, poucos dias depois, ainda em setembro, chegaria a Paris. “Coloco minha tristeza no piano”, escreveu ele em seu diário. Nesses primeiros meses de exílio ele escreveu seu primeiro Scherzo. A palavra italiana, que significa brincadeira, tem aqui um sentido enigmático, talvez de humor doentio e sarcástico, porque são as composições de Chopin mais ligadas ao que Nietzsche nomeia como estado de alma trágico. O Scherzo nº 1, em si menor, começa com acordes pesados, passa por um breve momento de paz com uma citação da canção natalina polonesa “Lulajże Jezuniu” (Dorme Jesus), canção brutalmente interrompida pelos acordes trágicos. Hoje trago dois pianistas da época do vinil, que considero até hoje os maiores intérpretes desse Scherzo.

A gravação dos quatro Scherzi por Richer era uma grande referência do Penguin Guide e outras enciclopédias musicais que deixaram de existir com a internet. Richter era um pianista de múltiplos talentos, mas provavelmente sua maior vocação era para a música mais “séria”, com uma certa solenidade, não era um homem de piadas e brincadeiras (para voltarmos à palavra italiana scherzo). Por isso ele é considerado um grande intérprete das últimas sonatas de Beethoven e de Schubert, bem como do Cravo Bem Temperado de Bach. A exceção que confirma a regra é o Concerto de Gerswhin, que surpreendeu o conselho consultivo do PQPBach por seu swing e leveza. Os Scherzi, gravados em 1977, recebem nessa edição em CD uma boa companhia com a série de miniaturas de Schumann. Aliás, Schumann era um grande admirador de Chopin e escreveu, sobre o primeiro scherzo: “Como se vestirão suas obras graves, se a piada já está sob véus negros?”

F. Chopin (1810-1849):
1. Scherzo No. 1 In B Minor, Op.20
2. Scherzo No. 3 in B-flat Minor, Op.31
3. Scherzo No. 3 in C-Sharp Minor, Op.39
4. Scherzo No. 4, E major, Op.54

R. Schumann (1810–1856):
5-18. Bunte Blätter, Op. 99 (Colorful Leaves – Folhas Coloridas)

Sviatoslav Richter, piano

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Chopin, por Eugène Delacroix

Depois da referência, a obscura gravação ao vivo. Michelangeli se notabilizou pela sua interpretação de um pequeno número de obras de Chopin: a Balada nº 1, a Sonata nº 2 “Marcha Fúnebre” e mais algumas. Perfeccionista, ele lapidava como diamantes as poucas obras de seu repertório. Era um frequente parceiro do maestro Sergiu Celibidache e compartilhava com ele o perfeccionismo e outras manias. Após as mortes dos dois ( Michelangeli em 1995, Celibidache em 1996), foram aparecendo gravações ao vivo disputadas pelos fãs, incluindo algumas dos dois juntos nos concertos de Ravel, Schumann e Beethoven.

Entre elas, essas gravações de Chopin, em recitais ao vivo entre 1962 e 1990. No Scherzo nº 1, a sonoridade de Michelangeli é aquela que os fãs conhecem: meticulosamente planejada, nada é por acaso: mesmo nos acordes mais fortes e intensos, cada nota é necessária para recriar a atmosfera sombria e trágica que passava pela cabeça de Chopin. O andamento bastante lento escolhido por Michelangeli faz parte dessa exposição transparente de todos os momentos, nada fica escondido, e nisso também, na lentidão, podemos lembrar de Celibidache.

Na Fantasia em Fá menor, obra que alterna entre momentos trágicos e outros de bravura virtuosística, Michelangeli mostra que sua técnica é realmente prodigiosa. Nas valsas e mazurkas que completam o álbum, Michelangeli tem concepções interessantes mas bastante excêntricas. Não temos aqui o ritmo dançante das mazurkas de Barbosa, de Novaes ou de Freire – esses pianistas brasileiros que parecem ter nascido para tocar esse Chopin mais dançante, onde o aspecto trágico também está presente mas apenas nas entrelinhas, mascarado pela dança.

1. Scherzo No. 1 in B Minor Op. 20 13:10
2. Fantaisie in F Minor Op. 49 14:30
3. Valse in A Minor Op. 34.2 7:23
4. Valse in A Flat Major Op. 34.1 5:40
5. Valse in A Flat Major Op. 69.1 4:18
6. Mazurka in A Minor Op. 68.2 3:07
7. Mazurka in F Minor Op. 68.4 3:41
8. Mazurka in A Flat Major Op. 41.4 1:45
9. Mazurka in G Sharp Minor Op. 33.1 2:50
10. Mazurka in D Flat Major Op. 30.3 2:58
11. Mazurka in G Minor Op. 67.2 2:34
12. Mazurka in B Minor Op. 33.4 8:06
Arturo Benedetti Michelangeli, piano

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Richter e Michelangeli em 1964

“Quanto precisou sofrer este povo para poder tornar-se tão belo! Agora,
porém, acompanha-me à tragédia e sacrifica comigo no templo de ambas as divindades!”
(Nietzsche – O Nascimento da Tragédia)

Pleyel

Chopin (1810-1849): Noturnos – Maria João Pires

A portuguesa Maria João Pires é frequentadora assídua do PQP Bach. Ela já esteve por aqui com Mozart e Beethoven (Sonatas e Concertos dos dois), Schumann (Cenas Infantis, Cenas da Floresta), Chopin (Concertos, Prelúdios, Fantasia). Vocês também já viram Pires fazendo música de câmara com o violinista Dumay (Beethoven, Mozart) e com os violoncelistas Meneses (Beethoven, Schubert, Brahms) e Gomziakov (Chopin, Lugubre Gondola de Liszt).

Mas faltavam os Noturnos de Chopin, talvez o CD mais aplaudido e lembrado de toda sua discografia. O que falar dessa gravação da década de 1990, além de dizer que combina a maturidade de uma artista já com uma carreira de sucesso e a naturalidade de uma pianista que evita arroubos performáticos? Há um documentário sobre Maria João – cito de memória – em que a origem desse disco é assim narrada: a gravadora perguntou se ela tocava todos os noturnos de Chopin, ela puxa pela memória e percebe que sim, que tocava todos… Uma constatação casual como a de uma jardineira que percebe que seu jardim tem – por acaso! – flores das sete cores do arco-íris. Maria João vive em Belgais, no interior de Portugal, onde ela cria galinhas, colhe azeitonas e assa pão.

Estou tateando a admirável personalidade de Maria João Pires, ao invés de falar dos Noturnos de Chopin, mas o fato é que ela e os noturnos parecem feitos um para o outro. O toque delicado, a preocupação com os detalhes, os ornamentos e cantabile reminiscentes da música vocal e ao mesmo tempo a polifonia discreta mas sempre presente… Tudo isso combina com Maria João, da mesma forma que a dramaticidade mais pesada e trágica dos Scherzos combina com Richter.

Outra gravação muito aplaudida e premiada dos Noturnos foi a de Maurizio Pollini nos anos 2000. Mais do que Maria João, ele costuma dar peso igual às duas mãos, enfatizando a escrita polifônica de Chopin que, como sabemos, era um grande conhecedor do Cravo Bem Temperado de Bach. Em 2009, PQP postou esse disco de Pollini sem economizar nos elogios: “Abaixo os pianistas mela-cuecas! Aqui temos técnica, sabedoria, musicalidade e sentimento, não temos um lacrimoso deprimido fingindo-se de apaixonado com a bunda colada na frente do piano.”

O link para download dos Noturnos com Pollini estava fora do ar e recebemos pedidos de repostagem desde 2010. Vocês sabem que nossa fila de espera é mais longa e mais lenta do que a do judiciário brasileiro, mas hoje finalmente estou reativando os links dos Noturnos com Pollini, assim como a gravação de Nikita Magaloff, outro pianista cuja personalidade se encaixa como uma luva nessas obras.

F. Chopin (1810 – 1849): Noturnos, com o Deus do piano

Um Chopin franjudo no Parque Łazienki de Varsóvia

Frédéric Chopin – Noturnos – Nikita Magaloff

Magaloff tem uma tendência a tocar mais devagar, mostrando alguns detalhes escondidos em cada ornamento e cada mudança de pianissimo para forte, cada crescendo e cada diminuendo. Pollini, também enfatiza essas diferenças de forma bem marcada, mas com andamentos mais rápidos e em um sentido mais racional, mais de forma a mostrar a genialidade do compositor. O Chopin de Pires parece mais improvisado, menos deliberado e mais liberado. Em resumo, são três excelentes gravações dos Noturnos para vocês compararem e apreciarem em uma noite à luz das estrelas.

Frédéric Chopin (1810-1849)
Noturnos no.1 a 21
Maria João Pires – piano
Gravado em 1995-1996

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Maria João de quarentena em Belgais, Portugal (março de 2020)

Pleyel

O Mestre Esquecido, Epílogo (Chopin – Mazurcas (1983) – Antonio Guedes Barbosa)

Teria já encerrado esta série – e não sem tempo, pois há já seis anos que a comecei – se não me tivesse dado conta de que a emblemática integral das mazurcas de Chopin que Antonio lançou, sob aclamação, no final da década de 80, fora antecedida por outra gravação completa, bem mais obscura e que ora lhes alcanço.

Talvez tenha sido o último fã de Barbosa a descobri-lo, pois jurava que o álbum de 1987 fosse tão só um relançamento desse aqui. Talvez, também, devesse me constranger por isso, mas me foi pura felicidade descobrir que, lá em 1983, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro resolveu dar um tempo nas sidras e nas frutas cristalizadas e presentear seus investidores no final do ano com a fina papa das cinquenta e uma mazurcas, servidas pelas mãos de seu maior intérprete brasileiro.

Embora fossem tempos (ou, pelo menos, assim os imagino) de maior prestígio para nossos grandes pianistas – Arthur Moreira Lima tinha até um programa semanal na TV aberta -, a quantidade de exemplares desse álbum triplo à venda nos sebos, alguns inclusive envoltos no celofane original, faz pensar que os investidores talvez tivessem preferido arrotar frisante. Pior para eles: apesar do som medíocre, e de eu nunca ter encontrado um exemplar desse álbum em boas condições, o registro de Barbosa para a Bolsa tem a mesma qualidade artística daquele de 1987, à qual se soma uma irresistível espontaneidade que nos traz, mais do que qualquer outra gravação dele, a impressão de estarmos num de seus magníficos recitais.

A maestria de nosso herói na complicada agógica das mazurcas – calcanhar de Aquiles de tantos grandes pianistas – foi efusivamente elogiada por Horowitz, com quem Antonio conviveu estreitamente na última década do velho mestre, ídolo seu e o de tantos outros. Em minha desimportante opinião, estas duas séries das cinquenta e tantas elusivas miniaturas colocam nosso Mestre Esquecido num rol só seu entre os pianistas brasileiros, e no primeiro lugar entre os “mazurqueiros” do mundo todo.

E era isso, leitores-ouvintes – ou quase isso, se não houver um posfácio.

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)

LP 1

A1 – Quatro Mazurcas, Op. 6 – No. 1 em Fá sustenido menor
A2 – Quatro Mazurcas, Op. 6 – No. 2 em Dó sustenido menor
A3 – Quatro Mazurcas, Op. 6 – No. 3 em Mi maior
A4 – Quatro Mazurcas, Op. 6 – No. 4 em Mi bemol menor
A5 – Cinco Mazurcas, Op. 7 – No. 1 em Si maior
A6 – Cinco Mazurcas, Op. 7 – No. 2 em Lá menor
A7 – Cinco Mazurcas, Op. 7 – No. 3 em Fá menor
A8 – Cinco Mazurcas, Op. 7 – No. 4 em Lá bemol maior
A9 – Cinco Mazurcas, Op. 7 – No. 5 em Dó Maior
A10 – Quatro Mazurcas, Op. 17 – No. 1 em Si maior
B1 – Quatro Mazurcas, Op. 17 – No. 2 em Mi menor
B2 – Quatro Mazurcas, Op. 17 – No. 3 em Lá bemol maior
B3 – Quatro Mazurcas, Op. 17 – No. 4 em Lá menor
B4 – Quatro Mazurcas, Op. 24 – No. 1 em Sol menor
B5 – Quatro Mazurcas, Op. 24 – No. 2 em Dó maior
B6 – Quatro Mazurcas, Op. 24 – No. 3 em Lá bemol maior
B7 – Quatro Mazurcas, Op. 24 – No. 4 em Si bemol menor

LP 2

C1 – Quatro Mazurcas, Op. 30 – No. 1 em Dó menor
C2 – Quatro Mazurcas, Op. 30 – No. 2 em Si menor
C3 – Quatro Mazurcas, Op. 30 – No. 3 em Ré bemol maior
C4 – Quatro Mazurcas, Op. 30 – No. 4 em Dó sustenido menor
C5 – Quatro Mazurcas, Op. 33 – No. 1 em Sol sustenido menor
C6 – Quatro Mazurcas, Op. 33 – No. 2 em Dó maior
C7 – Quatro Mazurcas, Op. 33 – No. 3 em Ré maior
C8 – Quatro Mazurcas, Op. 33 – No. 4 em Si menor
D1 – Quatro Mazurcas, Op. 41 – No. 1 em Mi menor
D2 – Quatro Mazurcas, Op. 41 – No. 2 em Si maior
D3 – Quatro Mazurcas, Op. 41 – No. 3 em Lá bemol maior
D4 – Quatro Mazurcas, Op. 41 – No. 4 em Dó sustenido menor
D5 – Três Mazurcas, Op. 50 – No. 1 em Sol maior
D6 – Três Mazurcas, Op. 50 – No. 2 em Lá bemol maior
D7 – Três Mazurcas, Op. 50 – No. 3 em Sol sustenido menor
D8 – Três Mazurcas, Op. 56 – No. 1 em Si maior

LP 3

D1 – Três Mazurcas, Op. 56 – No. 2 em Dó maior
D2 – Três Mazurcas, Op. 56 – No. 3 em Dó menor
D3 – Três Mazurcas, Op. 59 – No. 1 em Lá menor
D4 – Três Mazurcas, Op. 59 – No. 2 em Lá bemol maior
D5 – Três Mazurcas, Op. 59 – No. 3 em Fá sustenido menor
D6 – Três Mazurcas, Op. 63 – No. 1 em Si maior
D7 – Três Mazurcas, Op. 63 – No. 2 em Fá menor
D8 – Três Mazurcas, Op. 63 – No. 3 em Dó sustenido menor
E1 – Mazurca em Lá menor, Op. póstumo
E2 – Mazurca em Lá menor, ‘Notre Temps’
E3 – Quatro Mazurcas, Op. 67 – No. 1 em Sol maior
E4 – Quatro Mazurcas, Op. 67 – No. 2 em Sol menor
E5 – Quatro Mazurcas, Op. 67 – No. 3 em Dó maior
E6 – Quatro Mazurcas, Op. 67 – No. 4 em Lá menor
E7– Quatro Mazurcas, Op. 68 – No. 1 em Dó maior
E8 – Quatro Mazurcas, Op. 68 – No. 2 em Lá menor
E9 – Quatro Mazurcas, Op. 68 – No. 3 em Fá maior
E10 – Quatro Mazurcas, Op. 68 – No. 4 em Fá maior

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Antônio Guedes Barbosa, piano
Gravações feitas no Estúdio Intersom (São Paulo), em 1983
LPs distribuídos em 1983, em circulação limitada
Como vingança é um prato que se come frio, e como cansamos de ver gravações de Barbosa serem lançadas lá fora sem nunca darem as caras por aqui, essa aqui – MUAHAHAHA – essa aqui nunca foi lançada nos Estados Unidos 😀

 


O Instituto Piano Brasileiro fez mais das suas: publicou esse recital incrível de AGB, magistralmente gravado por Frank Justo Acker, cujo inestimável acervo o IPB tem digitalizado e disponibilizado ao mundo. Você ainda não apoia o IPB? Pois DEVERIA.

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Yuliana Avdeeva – Chopin – 16th International Fryderyck Chopin Piano Competition in Warsaw 2010

A pianista russa Yulianna Avdeeva nasceu em 1985, em Moscou. Já aos cinco anos de idade sentava-se ao piano, e com vinte e cinco anos vencia o prestigioso Concurso Chopin de Varsóvia. As gravações destes Cds que trarei para os senhores são registros daquelas apresentações do Concurso. As consegui em algum antigo blog já há alguns anos. Detalhe: Yulianna foi a primeira mulher a ganhar este Concurso desde Martha Argerich, que foi a vencedora em 1965 (trinta e cinco anos antes !!!).
Considerando o nível altíssimo destas competições, não é de admirar a qualidade destas interpretações. Avdeeva é uma pianista perfeccionista, como venho observando quase que semanalmente em suas lives no Facebook. Ali, durante algumas semanas, ela analisou e interpretou os dois Cadernos do Cravo Bem Temperado de Bach, peça por peça. Um trabalho minucioso, que demonstra a total dedicação e respeito da artista tanto à obra quanto ao compositor.
Mas aqui tratamos de Chopin, senhores. E Avdeeva se encontra totalmente a vontade quando interpreta petardos como a Fantasia, op. 49, ou a imensa Balada em Fá Menor, op. 52, ou o meu amado Concerto nº 1 para piano, acompanhado pelo experiente maestro Antoni Witt, três obras extremamente difíceis onde a entrega do músico tem de ser total.
Vou trazer alguns cds desta incrível pianista para os senhores. É com imenso prazer que apresento Yulianna Avdeeva para quem não a conhece, para poderem desfrutar do talento de um artista em formação, mas já completamente ciente de sua capacidade e talento.  Não foi apenas pela sua beleza que o grande maestro belga Frans Brüggen gravou com ela os dois Concertos para Piano de Chopin, que vou trazer para os senhores assim que possível.

01 – Fantasy in F minor Op.49
02 – Nocturne in D-flat major Op.27 No.2
03 – Ballade in F minor Op.52
04 – Piano Concerto No.1 in E Minor Op.11 I – Allegro Maestoso
05 – Piano Concerto No.1 in E Minor Op.11 II – Romance. Larghetto
06 – Piano Concerto No.1 in E Minor Op.11 III – Rondo. Vivace

Yulianna Avdeeva – Piano
Warsaw Philharmonic Orchestra
Antoni Witt – Conductor

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Schumann / Chopin / Tchaikovsky / Dupont: Davidsbündlertänze / Polonaise-fantaisie, Op. 61 / 18 Pieces, Op. 72 / La maison dans les dunes (von Eckardstein)

Schumann / Chopin / Tchaikovsky / Dupont: Davidsbündlertänze / Polonaise-fantaisie, Op. 61 / 18 Pieces, Op. 72 / La maison dans les dunes (von Eckardstein)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco perfeito! Imenso pianista e intérprete da obra de Robert Schumann, o alemão Severin von Eckardstein oferece aqui uma versão intensa de um dos ciclos mais complexos do século XIX, as Davidsbündlertänze Op. 6. Este CD, um deslumbrante caleidoscópio de humores, também envolve obras de Chopin e Tchaikovsky, mantendo a atmosfera particularmente apaixonada. Trata-se de outra das maiores joias do ano de 2021. Fazia anos que eu não ouvia um pianista tão  convincente em sua visão desta obra de Schumann. E olha que a última vez que ouvi as Davidsbündlertänze foi na Kammermusiksaal da Filarmônica de Berlim e o interprete foi András Schiff. Uma pena que as pessoas insistam em ouvir pianistas do jurássico em vez de Severin von Eckardstein, por exemplo. Ele é melhor do que quase todos. Confiram.

Schumann / Chopin / Tchaikovsky / Dupont: Davidsbündlertänze / Polonaise-fantaisie, Op. 61 / 18 Pieces, Op. 72 / La maison dans les dunes (von Eckardstein)

Polonaise-fantaisie in A-Flat Major, Op. 61 (Allegro maestoso) (Frédéric Chopin)
01. Polonaise-fantaisie in A-Flat Major, Op. 61 (Allegro maestoso)

Davidsbündlertänze (Robert Schumann)
02. I. Lebhaft
03. II. Innig
04. III. Mit Humor (Etwas hahnbüchen)
05. IV. Ungeduldig
06. V. Einfach
07. VI. Sehr rasch und in sich hinein
08. VII. Nicht schnell, und mit äusserst starker Empfindung
09. VIII. Frisch
10. IX. Lebhaft (Hierauf schloss Florestan und es zuckte ihm schmerzlich um die Lippen)
11. X. Balladenmässig – Sehr rasch
12. XI. Einfach
13. XII. Mit Humor
14. XIII. Wild und lustig
15. XIV. Zart und singend
16. XV. Frisch
17. XVI. Mit gutem Humor
18. XVII. Wie aus der Ferne
19. XVIII. Nicht schnell (Ganz zum Überfluss meinte Eusebius noch Folgendes, dabei sprach aber viel Seligkeit aus seinen Augen)

18 Pieces, Op. 72, TH 151 (Pyotr Illitch Tchaïkovski)
20. 18 Pieces, Op. 72, TH 151: XIV. Chant élégiaque (Adagio – Più mosso moderato assai – Più tosto allegro)

La maison dans les dunes (Gabriel Dupont)
21. La maison dans les dunes: I. Dans les dunes, par un clair matin (Alternative Version to the 2018 Recording)
22. La maison dans les dunes: II. Voiles sur l’eau (Alternative Version to the 2018 Recording)
23. La maison dans les dunes: VII. Le soir dans les pins (Alternative Version to the 2018 Recording)
24. La maison dans les dunes: IX. Clair d’étoiles (Alternative Version to the 2018 Recording)

Severin von Eckardstein, piano

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Severin von Eckardstein segue fazendo maravilhas enquanto você ouve pianistas mortos

PQP

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha, parte III (1961-1971) [Martha Argerich, 80 anos]


Em homenagem aos oitenta anos da Rainha, adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a terceira de oito partes:


Os conturbados anos sessenta foram um redemoinho para Martha. Depois dum breve período a morar sozinha, longe da mãe, a viver la vida loca em Viena, desiludiu-se com a carreira de concertista e cogitou de tudo, até estudar Medicina (!). Insegura sobre sua capacidade como artista, resolveu dar um tempo ao piano e mudou-se para Nova York.

O motivo? Vladimir Horowitz.

Martha soube que sua gravação da Rapsódia Húngara no. 6 impressionara Horowitz, e achou que isso seria credencial bastante para tornar-se aluna do ídolo. Enganou-se: isso nunca aconteceu – nunca, aliás, se encontraram – e, para desnortear ainda mais seu rumo, viu-se grávida de sua primeira filha, Lyda.


Depois de três anos sem tocar, Martha retorna ao piano. Seu objetivo é o Concurso Internacional Chopin, em Varsóvia, em 1965.


Logo na primeira etapa da competição, fica óbvio que seu maior concorrente seria o brasileiro Arthur Moreira Lima, aluno do Conservatório de Moscou, que conquistou o público com suas interpretações e com sua semelhança física com o próprio Chopin, de quem seria um dos mais distintos intérpretes. Arthur venceu a primeira etapa, Martha, as duas seguintes, e na grande final, com sua interpretação do concerto em Mi menor, ela acabou por conquistar o primeiro prêmio.

Ei-los

O resto, como dizem, é história.

ooOoo

Apresento-lhes agora todas as gravações que consegui recolher da trajetória de Martha no VII Concurso Internacional Chopin, em 1965, que deixa óbvio por que nossa Rainha conquistou o júri, atacando o teclado com a fúria e a paixão habituais, sem medo de correr riscos (ao que abdicam muitos participantes de concursos pianísticos). O mais impressionante, talvez, é que não fosse a qualidade medíocre do som, poderíamos jurar que as performances são de anteontem, tamanha era a maturidade da artista, então com 23 anos, e tão espetacular que é sua técnica hoje, aos oitenta.

1 – Anúncio

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)

Sonata para piano no. 3 em Si menor, Op. 58
2 – Allegro maestoso
3 – Scherzo: Molto vivace
4 – Largo
5 – Finale: Presto non tanto

Dos Dois noturnos para piano, Op. 55:
6 – No. 2 em Mi bemol maior

Dos Doze estudos para piano, Op. 10:
7 – No. 10 em Lá bemol maior

8 – Barcarola em Fá sustenido maior, Op. 60

Dos Doze estudos para piano, Op. 10:
9 – No. 1 em Dó maior
10 – No. 5 em Dó sustenido menor

Dos Vinte e quatro prelúdios para piano, Op. 28
11 – No. 19 em Mi bemol maior
12 – No. 20 em Dó menor
13 – No. 21 em Si bemol maior
14 – No. 22 em Sol menor
15 – No. 23 em Fá maior
16 – No. 24 em Ré menor

17 – Polonaise em Lá bemol maior, Op. 53, “Heroica”

Dos Três noturnos para piano, Op. 15
18 – No. 1 em Fá maior

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Das Três valsas para piano, Op. 34:
1 – No. 2 em Lá bemol maior

2 – Scherzo para piano no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39

Concerto para piano e orquestra no. 1 em Mi menor, Op. 11
3 – Allegro maestoso
4 – Larghetto
5 – Rondo. Vivace.

Orkiestra Filharmonii Narodowej w Warszawie (Orquestra Filarmônica Nacional de Varsóvia)
Witold Rowicki, regência

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Martha Argerich, piano
Gravado ao vivo na Sala Filarmônica de Varsóvia, Polônia, em março de 1965

Programa original da participação de Martha no VII Concurso Internacional Chopin, em 1965. Notem que há diferenças entre o programa previsto e aquele realmente executado, mais notavelmente o concerto da etapa final.

 

Trailer do documentário “Martha Argerich in Warsaw 1965”, que aborda o marco zero do nascimento da superestrela. Notem a participação de Arthur Moreira Lima, um excelente artista que, convenhamos, teve muito azar de disputar a primazia com uma das melhores pianistas de todos os tempos.

Our Queen speaking in English

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha, parte II (1951-1961) [Martha Argerich, 80 anos]


Em homenagem aos oitenta anos da Rainha, adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a segunda de oito partes:


Logo que ficou ficou óbvio que não haveria professores no Hemisfério Sul capazes de darem conta da pequena María Martha (porque eu tinha HOJE anos de idade quando descobri que Martha também é María), começaram as tratativas para que a niña precoz fosse estudar na Europa. A escolha de María era clara: queria ir para Viena estudar com Friedrich Gulda, um pianista brilhante que já granjeara fama de excêntrico e anticonvencional, e cujo antiacademicismo mui provocativo o tornava o mais improvável dos professores.

E isso tudo antes de adotar o visual que, a partir dos anos 70, fê-lo ser mimosamente comparado a um “cafetão sérvio”.

Como os Argerich não nadavam em recursos, a mãe de María resolveu tomar providências. A (assim a chamemos) mui assertiva Juanita, com quem Martha sempre teria uma relação complicada, resolveu as coisas com ninguém menos que Juan Domingo Perón. Nas palavras da filha:

Eu tinha pouco mais de 12 anos, tinha tocado no Teatro Colón e o Perón tinha me convidado para um encontro na residência presidencial. Mamãe perguntou se ela poderia vir comigo, e eles disseram que sim, é claro. Eu não era muito peronista; lembro-me que estava sempre colando pedacinhos de papel em todos os lugares que diziam “Balbín-Frondizi” [antiperonistas ferrenhos e candidatos da oposição às eleições de 1951]. Perón nos recebeu e me perguntou: “E para onde você quer ir, ñatita?” E eu queria ir para Viena, estudar com Friedrich Gulda. Ele gostou de eu não querer ir para os Estados Unidos. O mais engraçado foi que minha mãe, para bajulá-lo, disse a ele que eu adoraria fazer um show na UES [União dos Alunos do Ensino Médio]. E devo ter feito uma cara um tanto reveladora de que não gostei da ideia, pois o Perón começou a concordar com mamãe, dizendo “claro senhora, vamos organizar”, enquanto piscava para mim e, por baixo da mesa, fazia com um dedo que não. Ele estava contendo mamãe e isso me acalmou – percebeu que eu não queria. Fantástico, não é? E ele deu um emprego ao meu pai. Ele o nomeou adido econômico em Viena. E disse à mamãe que a achava também muito inteligente, empreendedora e capaz, e que conseguiu outro cargo para ela na embaixada.

Naqueles tempos, o que Perón mandava, o governo fazia: no ano seguinte, os Argerich deixariam Buenos Aires com mala e cuias, rumo a Viena e ao encontro de Gulda.

Martha e Gulda em Viena, sob o olhar atendo do filho mais ilustre de Aracati, o grande Jacques Klein (à esquerda). Foto do acervo de Nelson Freire, disponibilizada pelo Instituto Piano Brasileiro.

Foram apenas dezoito meses de estudo, durante os quais Martha foi a única aluna de Gulda, um mestre apenas onze anos mais velho que ela e de ademais pouquíssimos alunos. Ainda que viesse a receber lições de Maria Curcio, de Stefan Askenaze e de Arturo Benedetti Michelangeli, Gulda foi a mais decisiva influência na carreira de nossa Rainha. Ela sempre o idolatrou, e frequentemente o cita em suas entrevistas. O austríaco, no entanto, não se impressionou com o estrelato posterior de sua aluna, aparentemente por achá-lo convencional demais para seus heterodoxos parâmetros. E a vida pessoal de Martha, também, parecia bater recordes mesmo para os caóticos padrões guldanianos: ao encontrá-la num camarim, décadas depois, depois de um recital, Gulda – que ficaria notório por divulgar a notícia de sua morte um ano antes de morrer de fato, e que intitulou seu concerto seguinte “Festa da Ressurreição” – tascou:

O que fizeste da tua vida???
O que fazer da vida é a preocupação de todas as ex-crianças prodígio, e Martha, egressa dos estudos com Gulda, não sabia o que fazer dela. Estava longe da bajulação que tinha na Argentina, mas ainda controlada a cabresto pela mãe, e no coração dum continente onde se levantava uma pedra e, debaixo dela, saíam enxames de pianistas promissores. A saída mais óbvia eram as láureas em concursos de piano, e ela conseguiu duas em menos de um mês, em 1957: no Concurso Internacional Busoni em Bolzano (Itália), e no Concurso Internacional de Genebra (Suíça), o qual Gulda também vencera com 16 anos.

Enquanto botava as manguinhas de fora para morar sozinha, Martha excursionava extensamente pelo continente e, antes dos vinte anos, fez sua estreia discográfica oficial pela prestigiosa Deutsche Grammophon, ostentando na capa os cabelos cacheados e o olhar tristonho típicos daquela década. A relação da promissora jovem com seu instrumento, enfim, sempre tivera profundas rachaduras e muito poucas alegrias. Num dos trechos mais tocantes do documentário assinado por sua filha, Stéphanie, Martha está a olhar álbuns da infância e estimar sua idade nas fotos pela presença do sorriso – sinal de que o piano ainda não entrara em sua vida.

Esse difícil período de transição entre ex-criança prodígio e superestrela do teclado é admiravelmente coberto por esta caixa da Hänssler, que mostra que nossa Rainha era uma artista consumada antes de completar 20 anos. Em diversas gravações ao vivo de qualidade variável, além da supracitada gravação de estreia em estúdio, são óbvias as qualidades que até hoje, mais de sessenta anos depois, nos deixam boquiabertos. Entre várias interpretações de Mozart, um compositor a que voltaria relativamente pouco em sua carreira, e o primeiro de seus sete registros do concerto de Ravel, que é de seus cavalos de batalha favoritos, o curioso destaque – e a prova principal de que Martha estava disponível para todas empreitadas – é o registro de dois recitais em Leningrado (atual São Petersburgo), no qual ela acompanhava o já famoso violinista Ruggiero Ricci, vinte anos mais velho, e que permaneceu seu amigo por toda vida.


Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Concerto em Sol maior para piano e orquestra, M. 83
1 – Allegramente
2 – Allegro assai
3 – Presto
Südwestfunk-Sinfonieorchester Baden-Baden
Ernest Bour, regência
Gravação de 1960

Gaspard de la Nuit, três poemas para piano após Aloysius Bertrand, M. 55
4 – Ondine
5 – Le Gibet
6 – Scarbo
Gravação de 1960

Sonatina para piano em Fá sustenido menor, M. 40
7 – Modéré
8 – Mouvement de Menuet
9 – Animé
Gravação de 1960

Jeux d’eau, para piano, M. 30
10 – Très doux
Gravação de 1960

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonatina para violino e piano, Sz. 55, BB 102a (arranjo de A. Gertler)
11 – Cornemuses. Allegretto
12 – Danse De L’ours. Moderato
13 –  Finale: Allegro Vivace
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

Pablo Martín Melitón de SARASATE y Navascués (1844-1908)
Introdução e tarantela para violino e piano, Op. 43
14 – Moderato
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Concerto para piano e orquestra no. 21 em Dó maior, K. 467
1 -Allegro maestoso
2 – Andante
3 –  Allegro vivace assai
Kölner Rundfunk-Sinfonieorchester
Peter Maag, regência
Gravado em 1960

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Das Três sonatas para piano, Op. 10: 
No. 3 em Ré maior
4 – Presto
5 – Largo e Mesto
6 – Menuetto. Allegro
7 – Rondo. Allegro
Gravado em 1960

Das Três sonatas para violino e piano, Op. 12:
No. 3 em Mi bemol maior
8 – Allegro con spirito
9 – Adagio con molt’espressione
10 – Rondo. Allegro molto
Ruggiero Ricci, violino
Gravado em 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART
Sonata para piano no. 8 em Lá menor, K. 310
1 – Allegro maestoso
2 – Andante cantabile con espressione
3 – Presto

Sonata para piano no. 13 em Si bemol maior, K. 333
4 – Allegro
5 – Andante cantabile
6 – Allegretto grazioso

Sonata para piano no. 18 em Ré maior, K. 576
7 – Allegro
8 –  Andante cantabile
9 – Allegretto grazioso
Gravadas em 1960

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Toccata em Dó maior para piano, Op. 7
10 – Allegro
Gravadas em 1960

Johannes BRAHMS (1833-1897)
Duas rapsódias para piano, Op. 79
11 – Agitato, em Si menor
12 – Molto passionato, ma non troppo allegro, em Sol menor
Gravadas em 1961

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Franz LISZT (1811-1886)
1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada em 1961

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)
2 – Barcarola em Fá sustenido maior para piano, Op. 60
3 – Scherzo para piano no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39
4 – Balada para piano no. 4 em Fá menor, Op. 52
Gravadas em 1960-61

Dos Doze estudos para piano, Op. 10
5 – No. 1 em Dó maior
Gravado em 1955 em Buenos Aires

Sergey Sergeyevich PROKOFIEV (1891-1953)
6 – Toccata para piano, Op. 11
7 – Sonata para piano no. 3 em Lá menor, Op, 28
Gravadas em 1961

Franz LISZT
8 1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada ao vivo em 1957, durante o Concurso Internacional de Genebra

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Unsere Königin spricht Deutsch

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Debussy (1862 – 1918) – Chopin (1810 – 1849) – Mussorgsky (1839 – 1881): Peças para Piano – Behzod Abduraimov ֍

Debussy (1862 – 1918) – Chopin (1810 – 1849) – Mussorgsky (1839 – 1881): Peças para Piano – Behzod Abduraimov ֍

Debussy • Chopin

Mussorgsky

Peças para Piano

Behzod Abduraimov

 

Este disco chamou-me a atenção pelo que me pareceu de imediato um inusitado programa. Claro, adoro estas obras, logo eu que gosto de piano, mas confesso não as imaginava reunidas em um mesmo recital. Debussy e Chopin têm uma conexão, é certo, mas, Mussorgsky?

Além disso, havia visto o jovem virtuose, nascido no Uzbequistão, com o para mim estranho nome Behzod Abduraimov, associado a discos com Concertos para Piano do tipo arrasa-quarteirão.

No entanto, uma leitura do livreto trouxe a frase ‘O todo geralmente é maior do que a soma de suas partes’. E mais, nas palavras do próprio pianista: ‘Cada movimento é uma miniatura em si mesmo, e juntos formam um caleidoscópio de todos os tipos de imagens e emoções humanas’.

Uma das críticas compara as interpretações de Behzod com aquelas de pianistas como Pascal Rogé, Jean-Yves Thibaudet e Jean-Efflam Bavouzet, dizendo que estes conseguem mais sofisticação, mas não a mesma inocência infantil que ele consegue na suíte de Debussy. Eu fiquei pensando em quão privilegiados somos de poder contar com tantas opções…

Claude Debussy (1862 – 1918)

[1-6] – Children’s Corner

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

[7-30] – Préludes, Op. 24

Modest Mussorgsky (1839 – 1881)

[31-44] – Quadros de uma Exposição

Behzod Abduraimov, piano

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A Exposição…

Uma crítica bastante favorável na famosa Gramophone explica que as peças têm feito parte dos recitais de Behzod quando em suas turnês e certamente sua interpretação dessas lindas pecinhas que tomadas assim, juntas, somam um universo, transformam a audição do disco o do recital uma agradabilíssima experiência.

Aproveite!

René Denon

Behzod mostrando um diminuendo para o pessoal do PQP Bach…

Se você gostou desta postagem, talvez queira visitar esta aqui…

Frederic Chopin (1810-1849): Préludes, Op. 28 – Eric Lu, piano

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin • Listz • Ravel

Peças para Piano

Benjamin Grosvenor

 

Este disco é uma pérola para os amantes da boa música para piano! É o disco de estreia de Benjamin Grosvenor no selo DECCA em 2011, já faz meia eternidade, quando a data é vista sob a perspectiva de hoje. O então bem jovem pianista de 19 anos reuniu no disco os Scherzos de Chopin e Gaspard de la nuit, de Ravel, peças que constavam constantemente de seus recitais. Ele explica que as peças de Liszt servem como uma ponte entre esses dois compositores e não por acaso. O livreto tem um texto com título ‘From Chopin via Liszt to Ravel’.

O conjunto todo reúne uma coleção de peças produzidas por compositores-pianistas, Chopin e Liszt, além de Ravel, cuja composição excedia sua própria técnica de piano.

O disco inicia com o Scherzo No. 1 de Chopin com sua impetuosidade e passando pelo episódio mais sonhador – afinal, Chopin era um renomado romântico.

Em lugar de seguir apresentando os outros Scherzos, em ordem de publicação, assim como fazia nos recitais, para nos dar uma oportunidade de apreciar ainda mais as diferenças existentes entre um e outro, Grosvenor os intermedia com outras obras, três Noturnos.

O libreto nos ensina que Chopin foi o primeiro compositor a considerar um scherzo como uma peça independente, destacada de uma sonata ou sinfonia.

Depois disso, funcionando como o intermezzo, fazendo uma ponte para a grande peça final, três lindas peças de Liszt: duas transcrições para piano de canções de Chopin e um Noturno, de nome ‘En rêve’. Afinal, Chopin não foi o único nem o primeiro a compor noturnos.

Para arrematar, o Gaspard de la nuit, três poemas para piano segundo poemas de Aloysius Bertrand. Esta peça de Ravel destaca-se como uma das mais difíceis da literatura para piano e foi composta também com este propósito. Uma espécie de suíte, consta de três movimentos, de nomes Ondine, Le Gibet e Scarbo. Da literatura onde buscou a inspiração, Ravel traz um clima noturno, fantasmagórico, presente mesmo no nome. Ondine é uma ninfa que representa o perigo da atração da sereia, enquanto Le Gibet ressoa um sino que dobra ao longe enquanto se avista no horizonte o corpo de um enforcado sob a luz do por do Sol. Ravel se propôs o desafio de superar com Scarbo o já formidável virtuosismo do Islamey de Balakirev, que ocupava a posição de peça mais difícil da literatura para piano. Certas passagens, com um ritmo fascinante, em particular as repetidas notas em staccato, evocam claramente o piano de Liszt, em particular a Valsa-Mefisto, tendo Ravel pretendido, com esta partitura, “exorcizar o romantismo”, segundo a sua própria expressão.

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

  1. Scherzo No. 1 em si menor, Op. 20
  2. Noturno No. 5 em fá sustenido maior, Op. 15 No. 2
  3. Scherzo No. 4 em mi maior, Op. 54
  4. Noturno No. 19 em mi menor, Op. 72 No. 1
  5. Scherzo No. 3 em dó sustenido menor, Op. 39
  6. Noturno No. 20 em dó sustenido menor, Op. post.
  7. Scherzo No. 2 em si bemol menor, Op. 31

Franz Liszt (1811 – 1886)

Transcrição para Piano de Duas Canções de Chopin

  1. Moja pieszczotka (Minha Querida)
  2. Życzenie (O Desejo da Donzela)

Noturno

  1. ‘En rêve’, S207

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Gaspard de la Nuit

  1. Ondine
  2. Le gibet
  3. Scarbo

Benjamin Grosvenor, piano

Gravado no Lyndhurst Hall, Londres, em 26 de abril de 2011

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FLAC | 237 MB

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MP3 | 320 KBPS | 180 MB

Benjamin experimentando o grand piano do Salão de Retratos do PQP Bach Hall de Itaperuna

Ravel’s Gaspard holds no terrors for him. He is at his fluid best in Ondine. Others have created a darker atmosphere in Le Gibet (Pogorelich) and provided more attack in Scarbo (Berezovsky). This is to judge Grosvenor by the highest standards, as his brilliant pianism demands.

Phillip Scott

One of the most individual things about this stunning debut by Benjamin Grosvenor is his pervasive sense of balance and his unerring blend of Classical restraint and Romantic ardour…He is a virtuoso who declines the mantle of virtuoso, every gestures being put exclusively and exhilaratingly at the service of the music. Grosvenor’s playing exudes joy and spontaneity, seeming to release rather than interpret the music.

BBC Music Magazine, outubro de 2011

Aproveite!

René Denon

PS: Se você gostou deste álbum, não deixe de visitar…

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

Boldog születésnapot! – Bartók, a zongoraművész (Bartók, o pianista) #BRTK140

 

“Boldog születésnapot!” não é uma sopa de letrinhas, e sim “feliz aniversário!” em húngaro – e as felicitações, claro, vão para o genial Béla Viktor János Bartók, em seu idioma nativo, no dia em que completaria 140 anos.

Não falo húngaro, nem jamais falarei. Limito-me a estudá-lo mui diletantemente, sem progresso algum, e há tantos anos que reconheço em meus esforços mais uma contemplação amedrontrada da legendária complexidade do magiar, com seus dezoito casos e vocabulário alheio ao léxico indo-europeu, do que uma pretensão real de algum dia dominar o Leviatã. Ainda assim, resolvi que os títulos das postagens de hoje seriam bilíngues, não para ostentar minha confessa semi-ignorância, e sim para homenagear devidamente o aniversariante, que tanto orgulho tinha de seu país, de sua cultura e de seu idioma, e que – mesmo notável poliglota – contemplava o resto do mundo a partir dessa inexpugnável ilha linguística.

Bartók, claro, também tocava piano (que o magiar, aliás, resolveu chamar de nada parecido com o italiano piano ou o alemão Klavier, e sim de ZONGORA). Reconhecia ritmos e melodias antes de balbuciar frases completas, e, antes de completar quatro anos, já estava tão familiarizado ao teclado que seu repertório contava com quarenta peças. Sua maior aliada era a mãe, Paula, uma professora de piano que começou a lhe dar aulas a partir dos cinco anos e não mediria esforços para garantir a melhor educação musical possível a seu filho, o que envolveu heroísmo depois da morte inesperada do marido, quando o menino tinha meros cinco anos. Sua admissão na classe de piano de István Thomán na Real Academia de Música de Budapest, aos dezoito anos, coroou a abnegação de Paula, a quem Béla permaneceria devotamente ligado até a morte dela.

Embora tenha feito várias turnês ao longo da vida – a primeira delas pela Alemanha, em 1903, ao graduar-se da Academia -, a carreira de Bartók como concertista sempre lhe teve um papel secundário, inda mais depois de ingressar no corpo docente da Academia, em 1908, como professor de piano. Com um emprego prestigioso e salário fixo, já não dependia mais dos recitais como ganha-pão, e podia assim lançar-se ao pleno cultivo de suas maiores paixões – a composição e o estudo da música folclórica húngara – até a reta final de sua vida, quando o fascismo e o envolvimento da Hungria na guerra obrigaram-no a refugiar-se nos Estados Unidos, onde viu-se obrigado novamente a sentar-se ao teclado para sustentar-se.

Mesmo com essa baixa prioridade dada à ribalta, Bartók legou-nos um número razoável de gravações em diferentes meios – incluindo cilindros de cera e o processo Welte-Mignon, semelhante à pianola – que não só servem como documentos fascinantes de seu pianismo, com também são testemunhos preciosos das concepções artísticas do gênio. A qualidade do som registrado pelos processos arcaicos não consegue, naturalmente, trazer a nossos tempos uma das virtudes mais laudadas por aqueles que ouviram Béla ao teclado: seu timbre, descrito como “belo”, “caloroso” e “profundamente convincente”. Muito evidentes, entretanto, são outras qualidades descritas por seus contemporâneos: a concentração (“sua execução de piano era desprovida de qualquer floreio superficial e irrelevante; cada tom era pura essência ”, segundo Lajos Hernádi), a inventividade (“ele foi um revolucionário na composição; sua performance ao piano também estava sob a égide da renovação, desprovida de qualquer rotina”, nas palavras de Géza Frid) e a espontaneidade (“há uma espécie de pureza virginal até em suas marteladas mais infernais… Isso é mais que o gênio do artista-intérprete; é o gênio inerente do artista criativo para tudo o que é criação”, como descreveu Aladár Tóth, esposo da grande pianista Annie Fischer).

As preciosidades que lhes apresento a seguir foram lançadas pelo selo Hungaroton em 1981, por ocasião do centenário do compositor, e compreendem a quase totalidade do legado fonográfico de Béla Bartók (a notória exceção é um recital com Joseph Szigeti na Livraria do Congresso em Washington, D. C., nos Estados Unidos, que será oportunamente publicada pelo colega Pleyel). Elas refletem o conforto com que ele assumia as funções de recitalista, camerista, acompanhador, pianista de duo e concertista, e atestam categoricamente sua destreza ao teclado. Alguns registros, como as sonatas de Scarlatti, dão a impressão de que o sisudo, quase ascético homem chegava mesmo divertir-se ao tocar piano. Outros, como o fragmento do “Concerto Patético” de Liszt, tocado com o colega de Academia e também compositor Dohnányi, contrastam seu estilo econômico com o som efusivo e ultrarromântico do segundo. E eletrizantes, acima de tudo, são as leituras suas próprias obras (algumas delas anunciadas em húngaros pelo próprio compositor), um legado inestimável para os pianistas que as desejam incorporar a seus repertórios e, pelo menos para mim, seu fã incondicional, fascinantes janelas para um passado não tão remoto em que o gênio estava entre nós.

BARTÓK HANGFELVÉTELEI CENTENÁRIUMI ÖSSZKIADÁS
(“Edição do centenário das gravações de Bartók”)
Editores:  László Somfai, Zoltán Kocsis, János Sebestyén
Hungaroton, 1991

I. BARTÓK ZONGORÁZIK 1920-1945 (“Bartók ao piano”)

Gravações em piano de rolo (processo Welte-Mignon)

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)

1 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – No. 5: Este a székelyeknél – Das Quinze canções camponesas húngaras, BB 79 – No. 6: Ballada
2 – Quinze canções camponesas húngaras, BB 79, Sz. 71 – Nos. 7-10, 12, 14, 15
3 – Sonatina para piano, BB 69, Sz. 55
4 – Danças folclóricas romenas para piano, Sz. 56, BB 68

Gravações fonográficas

5 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – No. 5: Este a székelyeknél – No. 10: Medvetanc (“Dança do Urso”)
6 – Das Duas danças romenas, Op. 8a, Sz. 43, BB56 –  No. 1: Allegro vivace
7 – Das Quatorze bagatelas para piano, Op. 6, BB 50 – No. 2: Allegro giocoso – Das Três Burlesques, BB 55 – No. 2:  Kicsit azottan
8 – Allegro barbaro, BB 63, Sz. 49

Suíte para piano, BB 70, Sz. 62, Op. 14
9 – I. Allegretto
10 – II. Scherzo
11 – III. Allegro molto – IV. Sostenuto

Suíte para piano, BB 70, Sz. 62, Op. 14
12 – I. Allegretto
13 – II. Scherzo
14 – III. Allegro molto – IV. Sostenuto

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

15 – Sonata em Sol maior, K. 427/L. 286/P. 286 – Sonata em Lá maior, K. 212/L. 135/P. 155
16 – Sonata em Lá maior, K. 537/L. 293/P. 541 – Sonata em Si bemol maior, K. 70/L. 50/P. 21

Ferenc LISZT (1811-1886)

Années de Pèlerinage, 3ème Année, S. 163
17 – No. 7: Sursum corda

Béla BARTÓK

18 – Das Quinze canções húngaras para piano, BB 79, Sz. 71 – Nos. 7-10, 12, 14, 15
19  – Dos Três rondós sobre melodias folclóricas eslovacas, BB 92, Sz. 84 – No. 1: Andante
20 – Das Nove pequenas peças para piano, BB 90 – No. 6: Dal – No. 8: Csorgotanc – Petite Suite, BB 113 – No. 5: Szol

Béla Bartók, piano

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Zoltán KODÁLY (1882-1967)

Arranjos de música folclórica húngara para vozes e piano:
1 – No. 1: Molnár Anna
2 – No. 6. Harom arva
3 – No. 7: Kitrakotty mese
4 – No. 8: A rossz feleseg
5 – No. 9: Szomoru fuzfanak
6 – No. 11: Elkialton – No. 10: Egy nagyoru
7 – No. 12: Kocsi – No. 16: Asszony, asszony
8 – No. 15: Akkor szep az erdo
9 – No. 13: Meghalok – No. 30: Szolohegyen
10 – No. 41: Kortefa – No. 14: Viragos
11 – No. 18: Kadar kata
12 – No. 19: A noverek
13 – No. 20: Tucsoklakodalom
14 – No. 21: Zold erdoben
15 – No. 23: Most jottem – No. 24: Ciganynota
16 – No. 32: Katona vagyok en
17 – No. 39: Megegett Racorszag – No. 33: Arrol alul
18 – No. 37: Kadar Istvan balladaja
19 – No. 40: Labanc gunydal a kurucra Labanc
20 – No. 42: Rákóczi kesergoje

Vilma Medgyaszay, soprano
Mária Basilides, contralto
Ferenc Székelyhidy, tenor
Béla Bartók, piano

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Béla BARTÓK

Cinco canções folclóricas húngaras, BB 97, Sz. 33
1 – No. 1: Elindultam – No. 2. Altal – No. 3: A gyulai
2 – No. 4: Nem messze van ide – No. 5: Vegigmentem a tarkanyi

Vilma Medgyaszay, soprano
Béla Bartók, piano

Canções folclóricas húngaras, Sz. 42
3 – No. 1: Fekete fod – No. 3: Asszonyok, asszonyok
4 – No. 2: Istenem, istenem – No. 5: Ha kimegyek
5 – No. 6. Toltik a – No. 7: Eddig valo dolgom – No. 8: Olvad a ho

Mária Basilides, contralto
Ferenc Székelyhidy, tenor
Béla Bartók, piano

6 – Melodias folclóricas húngaras (arranjo de Jozséf Szigeti para violino e piano)
7 – Danças folclóricas romenas para piano, Sz. 56, BB 68 (arranjo de Zoltán Székely para violino e piano)

Rapsódia no. 1 para violino e piano, BB 94a, Sz. 86
8 – Lassú
9 – Friss

József Szigeti, violino
Béla Bartók, piano

Contrastes, para violino, clarinete e piano, BB 116, Sz. 111
10 – I. Verbunkos
11 – II. Piheno
12 – III. Sebes

József Szigeti, violino
Benny Goodman, clarinete
Béla Bartók,
piano

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De Mikrokosmos, para piano, BB 105
1 – Vol. 5: No. 124. Staccato – Vol. 6: No. 146. Ostinato
2 – Vol. 4: No. 113. Ritmo búlgaro – Vol. 5: No. 129. Terças alternadas – Vol. 5: No. 131. Quartas – Vol. 5: No. 128. Dança campesina
3 – Vol. 4: No. 120. Acordes de quinta – Vol. 4: No. 109. Da ilha de Bali – Vol. 5: No. 138: Gaita de foles
4 – Vol. 4: No. 100. No estilo duma canção folclórica – Vol. 6: No. 142. Do diário duma mosca – Vol. 6: No. 140. Variações livres
5 – Vol. 5: No. 133. Síncopes – Vol. 6: Seis danças em ritmo búlgaro: No. 149 – No. 148
6 – Vol. 4: No. 108. Luta – Vol. 6: Seis danças em ritmo búlgaro: Nos. 150-151
7 – Vol. 3: No. 94. Era uma vez… – Vol. 6: Seis danças em ritmo búlgaro: Nos. 152 – 153
8 – Vol. 5: No. 126. Mudança de tempo – Vol. 4: No. 116. Melodia –  Vol. 5: No. 130. Piada de aldeia – Vol 5: No. 139. András, o contente
9 – Vol. 6: No. 143. Arpejos divididos – No. 147. Marcha
10 – No. 144. Segundas menores, sétimas maiores
11 – No. 97. Notturno – No. 118. Tríades – No. 141. Tema – No. 136. Tons inteiros – No. 125. Navegando – No. 114. Tema e inversão

Béla Bartók, piano

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Sonata para dois pianos e percussão, BB 115, Sz. 110
1 – I. Assai lento – Allegro molto
2 – II. Lento, ma non troppo
3 – III. Allegro non troppo

Béla Bartók e Ditta Bartók-Pásztory, pianos
Henry Baker e Edward Rubsam, percussão

4 – Petite Suite, BB 113
5 – Das Quatorze bagatelas, Op. 6, Op. 6, BB 50 – No. 2: Allegro giocoso – Dos Três rondós sobre melodias folclóricas eslovacas – No. 1:. Andante
6 – Das Improvisações sobre canções camponesas húngaras, Op. 20, Sz. 74: Nos. 1, 2, 6, 7 & 8
7 – Das Nove pequenas peças para piano, BB 90 – No. 9: Preludio: All’ungherese
8 – Melodias folclóricas húngaras, BB 80b

Béla Bartók, piano

9 – Das Sete peças do ‘Mikrokosmos’ para dois pianos, BB 120 – Nos. 2, 5 &  6

Béla Bartók e Ditta Bartók-Pásztory, pianos

10 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – “Noite na Transilvânia” – “Dança do Urso”

De Para crianças, BB 53:
11 – Vol. 1: No. 3. Quasi adagio – No. 4. Dança da almofada – No. 6. Estudo para a mão esquerda – No. 10. Dança infantil – No. 12. Allegro
12 – Vol. 1: No. 13. Ballade – No. 15. Allegro moderato – No. 18. Canção do soldado – No. 19. Allegretto – No. 21. Allegro robusto
14 –  Vol. 2: No. 26. Moderato – No. 34. Allegretto – No. 35. Con moto – No. 31. Andante tranquillo – No. 30. Canção de zombaria

Béla Bartók, piano

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II. BARTÓK HANGARCHIVUM
Bartók hangja és zongorajátéka
1912-1944
(“Arquivo de gravações de Bartók – Bartók fala e toca piano”)

Fonográf-, Gépzongora- És Rádiófelvételek
(“gravações de fonógrafo, piano de rolo e rádio”)

Béla BARTÓK

1 – De Para Crianças, BB 53 – Vol. 3: No. 62. Molto allegro – Dos Sete esboços, Op. 9b, BB 54 – No. 3. Lento (excerto)
2 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – No. 10: Medvetanc – Dos Sete esboços, Op. 9b, BB 54 – No. 6. No estilo da Valáquia
3 – Das Quatorze bagatelas, Op. 6, BB 50 – No. 10. Allegro
4 – Das Quatorze bagatelas, Op. 6, BB 50 – No. 7. Allegretto molto – De Para crianças, BB 53 – Vol. 1, No. 10. Allegro molto
5 – Das Danças folclóricas romenas, BB 68 – No. 1: Joc cu bata (excerto)
6 – Das Danças folclóricas romenas, BB 68 – No. 3: Pe loc – No. 4: Buciumeana – No. 5: Poarga romaneasca – No. 6: Maruntel
7 – Das Duas danças romenas, Op. 8a, BB 56 – No. 1:. Allegro vivace
8 – Das Improvisações sobre canções camponesas húngaras, Op. 20, Sz. 74 – No. 1: Allegro vivace 9 – Allegro barbaro, BB 63
10 – Das Dez peças fáceis, Sz. 39, BB 51 – No. 5. Este a szekelyeknel (excerto)
11 – Das Dez peças fáceis, Sz. 39, BB 51 – No. 10: Medvetanc
12 –  Das Duas danças romenas, Op. 8a, BB 56 – No. 1:. Allegro vivace (excerto)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Da Partita no. 5 em Sol maior, BWV 829:
13 – No. 1: Praeambulum
14 – No. 6: Passepied – No. 7: Gigue (excerto)

Zoltán KODÁLY
Das Sete peças para piano, Op. 11:
15 – No. 2: Székely keserves – No. 4: Sirfelirat
16 – No. 6: Székely nota

Johann Sebastian BACH
Do Concerto para teclado em Lá maior, BWV 1055:
17 – I. Allegro (excerto)

Béla Bartók, piano
Budapesti Filharmóniai Társaság Zenekara (Orquestra Filarmônica de Budapeste)
Ernő Dohnányi, regência

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
18 – Rondó em Lá maior para piano, K. 386 (excerto)

Ferenc LISZT
19 – Variações sobre o tema “Weinen, klagen, sorgen, zagen”, S180/R24 (excertos)

Béla Bartók, piano

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Babitsné/Makai Anyag (“coleções Babitsné/Makai”)

Béla BARTÓK
Concerto para piano e orquestra no. 2, BB 101

1 – I. Allegro – II. Adagio – III. Allegro molto (excertos)

Béla Bartók, piano
Budapesti Szimfonikus Zenekara (Orquestra Sinfônica de Budapeste)
Ernest Ansermet, regência

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
2 – Seis variações sobre um tema original em Fá maior, Op. 34 (excerto)

Johannes BRAHMS (1833-1897)
3 – Das Klavierstücke, Op. 76 –  No. 2: Capriccio in Si menor

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
4 – Dos Dois noturnos, Op. 27 – No. 1 em Dó sustenido menor

Béla BARTÓK
De Mikrokosmos, BB 105:
5 – Vol. 5: No. 138. Gaita de foles
6 – Vol. 4: No. 109. Da ilha de Bali (excerto)
7 – Vol. 6: No. 148. Seis danças em ritmo búlgaro: No. 1 (excerto)

Béla Bartók, piano

Wolfgang Amadeus MOZART
Sonata para dois pianos em Ré maior, K. 448

8 – I. Allegro con spirito (excerto)
9 – II. Andante (excerto)
10 – III. Allegro molto (excerto)

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
En blanc et noir, para dois pianos, L. 134
11 –  I. Avec emportement (excerto)
12 – II. Lent, Sombre (excertos)
13 – III. Scherzando (excertos)

Béla Bartók e Ditta Pásztory-Bartók, pianos

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Béla BARTÓK
1 – Rapsódia para piano e orquestra, Op. 1, Sz. 27 (excertos)

Béla Bartók, piano
Magyar Királyi Operaház Zenekara (Orquestra da Ópera Real Húngara)
Ernő Dohnányi, regência

Johannes BRAHMS
Sonata para dois pianos em Fá menor, Op. 34bis
2 – I. Allegro non troppo
3 – II. Andante un poco adagio
4 – III. Scherzo: Allegro
5 – IV. Finale: Poco sostenuto – Allegro non troppo

Béla Bartók e Ditta Pásztory-Bartók, pianos

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Béla BARTÓK
1 – Rapsódia no. 1 para violino e piano, Sz. 86, BB 94
2 – Magyar népdalok (Canções folclóricas húngaras), BB 109 (arranjo de Tivadar Országh para violino e piano)

Ede Zathureczky, violino
Béla Bartók, piano

Ferenc LISZT
3 – Concerto pathétique, para dois pianos, S258/R 356

Béla Bartók e Ernő Dohnányi, pianos

Prózai Anyagok (“material falado”)

Béla BARTÓK
Entrevistas, conferências e pronunciamentos:

4 – Texto da “Cantata profana” (em húngaro)
5 – Conferência sobre a expedição à Anatólia (em húngaro)
6 – Entrevista na Radio Bruxelles (em francês)
7 – Entrevista para a série “Ask the Composer” (em inglês)
8 – Gravações familiares (em húngaro)

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Bartók a zongoránál

PQP Bach, por Ammiratore

Vassily

Chopin (1810-1849): Baladas e Impromptus – Anna Vinnitskaya ֎

Chopin (1810-1849): Baladas e Impromptus – Anna Vinnitskaya ֎

Chopin

Baladas e Impromptus

Anna Vinnitskaya

 

 

Frederico amava Maria, mas a mãe dela se opôs ao casamento devido à má saúde dele. Desolado, mas apesar disto, Frederico amou então Aurora, mesmo dizendo inicialmente que ela era antipática! O amor deles era por demais singular, pois Aurora não era uma mulher típica de seu tempo. Se bem que Frederico estava longe de ser um simples mortal. Com idas e vindas, o amor de Frederico e Aurora perdurou por uns dez anos e teve, digamos assim, seus momentos. No período em que estiveram juntos, eles frequentavam os salões da aristocracia parisiense. Ele ganhou a admiração e o apoio de um banqueiro, que o apresentou aos aristocratas, que se tornaram seus alunos de piano, resolvendo seus problemas financeiros. Conta-se que após as aulas, eles deixavam discretamente l’argent sobre um certo móvel, enquanto Frederico virava-se para outro lado, para não avistar o ato…

Os amigos do casal eram compositores, escritores e outros artistas. Eles passaram um período em um paraíso idílico, mas a má saúde dele e as peculiaridades do casal despertaram a desconfiança dos tacanhos habitantes do local. Refugiaram-se em um convento, mas a saúde dele piorou ao ponto de fazê-los retornar ao continente. Apesar de tudo este período foi produtivo, ele compôs e ela escreveu. Depois, cada um seguiu seu caminho, mas a relação deles é lembrada até hoje, de tão singular que foi.

Os personagens desta novela são Frederic Chopin e Amandine-Aurore-Lucile Dupin, Aurore Dudevant de um certo casamento, mas literariamente conhecida por George Sand. Maria era Maria Wodzinska, da família Wodzinski, que eram amigos da família Chopin, da Polônia. O banqueiro era James Rothschild e os amigos artistas incluíam Schumann, Mendelssohn, Cherubini, Rossini, Liszt, Berlioz, Delacroix, Heine, Alfred de Vigny. Eu lembrei disto tudo depois de ouvir este maravilhoso disco da postagem.

Ser blogueiro estagiário aqui no PQP Bach Coorporation tem muitas vantagens. Uma delas é ter acesso a eventuais pré-lançamentos!! Este disco será oficialmente lançado em 19 de fevereiro. Anna Vinnitskaya é uma pianista espetacular, com excelente formação e muitos talentos. O disco é formado de duas partes. A primeira tem as quatro Baladas de Chopin. Se você quer mostrar a alguém o que é romantismo, em estado bruto, faça com que ouça a Balada No. 1. Todas as Baladas são exemplos de consumado romantismo e a linda Anna nos brinda com interpretações arrebatadoras, mas a primeira delas é especial. Portanto, se você tem algum tipo de intolerância a essa coisa, fique longe. Mas, espero que como é o meu caso, goste de, vez por outra, ser arrebatado nestas ondas de emoção. Bom, calma, aqui o bom gosto prevalece e a técnica da moça é impecável.

A outra metade do programa muda para os salões aristocráticos, num ambiente mais íntimo, onde Chopin, cercado de connoisseurs e nobres exibia todo seu talento. Os Impromptus são peças deliciosas e servem de ótimo exemplo para música de salão, mas no melhor sentido das palavras.

Frederic Chopin (1810 – 1849)

Baladas

  1. em sol menor, op. 23
  2. em fá maior, op. 38
  3. em lá bemol maior, op. 47
  4. fá menor, op. 52

Impromptus

  1. em lá bemol maior, op. 29
  2. em fá sustenido maior, op. 36
  3. em sol bemol maior, op. 51
  4. em dó sustenido menor, op. 66 – ‘Fantasie-Impromptu’

Anna Vinnitskaya, piano

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FLAC | 137 MB

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Como gostei muito, não resisti e preparei logo a postagem!

Aproveite!

René Denon

Uma crítica sobre outro disco da Anna, mas que pode se aplicar também a este da postagem: BBC Music Magazine

Russian-born pianist Anna Vinnitskaya is clearly a name to reckon with. […]

There’s little doubt that she has the measure of each work, demonstrating not only formidable technical control but also a truly remarkable range of tonal colouring. […] Yet there’s no denying the sheer beauty and richness of her sound, the central movement presented in a particularly haunting manner.

O Mestre Esquecido, capítulo XI (Chopin – Polonaises – Antonio Guedes Barbosa)

Mais de cinco anos depois da primeira publicação, e de pelo menos duas republicações de todas as postagens anteriores por conta de colapsos em servidores, poderia até parecer que eu me tivesse esquecido da série sobre o Mestre Esquecido. Não foi o caso: depois de tanto fosfato dedicar a Beethoven, voltam-me tempo e vergonha na cara bastantes para tentar concluir nossa sincera, ainda que morosa, homenagem ao maravilhoso Antonio Guedes Barbosa.

Diferentemente de suas demais gravações de Chopin, a versão de Barbosa para as polonaises não me cativou imediatamente. Veteranos de seus desesperados scherzi e de suas lépidas valsas, meus ouvidos estranharam seu rubato e a aparente preferência pela tonitruância em detrimento da clareza, especialmente nas primeiras obras da série. Aos poucos, percebi que Antonio – assim como o próprio Chopin, acredito – não encarava as polonaises como danças e não fez questão de aderir estritamente a seu ritmo. Em lugar disso, preferiu usá-lo tão só como plataforma de lançamento para a exploração das ousadias harmônicas propostas por Chopin, com o colorido timbrístico que lhe era tão peculiar, e que aqui lembra, talvez mais que em qualquer outra de suas gravações, o de Horowitz. Não por acaso, revisito mais suas leituras das três grandes polonaises finais, especialmente a extraordinária Polonaise-Fantaisie em que a dança polonesa é tão só um pretexto para a uma das mais radicais criações do mestre polonês, a última obra-prima que concluiria, e para a qual Barbosa deu minha interpretação favorita.

Fryderyk Franciszek CHOPIN
(1810-1849)

Duas polonaises para piano, Op. 26
1 – No. 1 em Dó sustenido menor
2 – No. 2 em Mi bemol maior

Duas polonaises para piano, Op. 40
3 – No. 1 em Lá maior, “Militar”
4 – No. 2 em Dó menor

Polonaise para piano em Fá sustenido menor, Op. 44
5 – Moderato

Polonaise para piano em Lá bemol maior, Op. 53, “Heroica”
6 – Maestoso

Polonaise-Fantaisie para piano em Lá bemol maior, Op. 61
7 – Allegro maestoso

Antonio Guedes Barbosa, piano
LP da Connoisseur Society, lançado nos Estados Unidos em 1972 – e, para variar, nunca lançado no Brasil

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PQPBach, por Ammiratore

Vassily

Fredéric Chopin (1810-1839) – Piano sonata No. 3 (1954), Impromptus, Berceuse – Nikita Magaloff

Na verdade existe um décimo quarto cd nesta série do pianista Nikita Magaloff, com registros realizados lá no longínquo ano de 1954, do tempo em que os dinossauros caminhavam pela Terra. Vou postar, pois acho interessante essa possibilidade de entender a evolução da interpretação das obras de Chopin, além, é claro, da evolução da maturidade artística de Magaloff, lembrando que os outros volumes da série já foram realizados no final da vida do músico, em plenos anos 70. Outra informação é a de que este registro foi realizado antes do advento do Estéreo, então digamos que seria uma gravação para os mais ‘puristas’. Mas lhes garanto que a qualidade da interpretação já é a de um grande mestre, alguém que conhece profundamente a obra.

Vamos então ao que viemos. Hoje é domingo e ainda pretendo sair dar umas pedaladas.

01. Piano sonata No. 3 (1954) – I. Allegro maestoso

02. Piano sonata No. 3 – II. Scherzo

03. Piano sonata No. 3 – III. Largo

04. Piano sonata No. 3 – IV. Finale presto non tanto

05. Impromptu No. 1, Op. 29

06. Impromptu No. 2, Op. 36

07. Impromptu No. 3, Op. 51

08. Impromptu No. 4, Op. 66

09. Berceuse Op. 57

Nikita Magaloff – Piano

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Fredéric Chopin (1810-1839) – Variations brillantes, Op. 12, Souvenir de Paganini, Variations sur la Marche des Puritains de Bellini, etc. – Nikita Magaloff

Por algum motivo inexplicável não trouxe para os senhores o décimo terceiro CD desta imperdível coleção, uma das principais de meu acervo. Aqui o imenso pianista que foi Nikita Magaloff interpreta obras um tanto obscuras do repertório chopiniano. Vale a pena conhecer. Quero agradecer à leitora Isolda que me chamou a  atenção e lembrou desta falha. Para variar, minha vida anda uma loucura, então quase nem tenho participado com muita frequência do blog, de qualquer forma, estamos aí quando possível.

Sem mais delongas, vamos ao que viemos.

01. Variations brillantes, Op. 12

02. Souvenir de Paganini

03. Variations sur la Marche des Puritains de Bellini

04. Variations sur un air national allemand

05. Rondeau in C minor, Op. 1

06. Rondeau “À la Mazurka” in F major, Op. 5

07. Rondeau in E flat major, Op. 16

08. Rondeau for 2 pianos in C major, Op. 73

09. Variations for piano 4 hands ‘Sur un air national de Moore’

Nikita Magaloff – Piano

Michel Dalberto – Piano (faixas 8 e 9)

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Fréderic Chopin (1810-1849) – Four Ballades & Four Scherzos – Stephen Hough

Chopin é indiscutivelmente um daqueles compositores que nos calam fundo na alma. Há alguma coisa em sua música que nos deixa em transe, quando acaba uma peça sua precisamos de um tempo para nos recuperar, para voltar à realidade. Sim, porque sua música nos leva a outra dimensão, não terrena, mas etérea. Para mim foi assim, ainda adolescente, desde que ouvi um velho LP de capa amarela, com esta imensa Balada nº4, op. 52, e com a incomparável Polonaise, op. 53, duas obras primas absolutas.
Não sou músico, mas creio que para um pianista conseguir transmitir essa sensação de transe, ele também precisa entrar no clima. Não creio que seja possível uma interpretação destas obras sem uma forte dose de emoção. Por isso, acredito que essa sua investida nestas obras tenha de ocorrer quando ele já tiver a maturidade suficiente para compreender que existe algo muito além do que está escrito ali na partitura, e e claro que essa maturidade só se atinge com a idade. Por isso, meu Chopin favorito sempre será o de Arthur Rubinstein, e não sou só eu quem diz isso, existe ainda uma imensa legião de fãs que também o afirma, mesmo depois de tanto tempo após seu falecimento, com quase 100 anos de idade, ainda lá nos anos 80.
Stephen Hough é um grande pianista, já com muitos anos de estrada, e essa sua incursão no universo sonoro de Chopin é datada de 2004. Um belo registro, com certeza, com um músico ciente e maduro, pleno do vigor físico necessário para tal empreitada. As reclamações de alguns clientes da amazon dizem respeito mais à qualidade da gravação do que necessariamente à interpretação em si. O que é de se estranhar, em se tratando de uma gravação do excelente selo inglês Hyperion. Inclusive um dos comentaristas disse que sentiu Chopin em sua alma. E não era disso que eu estava falando acima?
Então vamos de Chopin hoje. Não se preocupem, o restante caixa do Grieg está sendo preparada.

01. Chopin Ballade No.1 in G minor Op.23
02. Chopin Scherzo No.1 in B minor Op.20
03. Chopin Ballade No.2 in A minor Op.38
04. Chopin Scherzo No.2 in B flat minor Op.31
05. Chopin Ballade No.3 in A flat major Op.47
06. Chopin Scherzo No.3 in C sharp minor Op.39
07. Chopin Ballade No.4 in F minor Op.52
08. Chopin Scherzo No.4 in E major Op.54

Stephen Hough – Piano

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In memoriam Leon Fleisher (1928-2020): Two Hands

O terceiro ato da incrível trajetória de Leon Fleisher começou na década de 90, quando, após mais de trinta anos sem tocar com as duas mãos, a misteriosa condição que levou seus dedos da direita a desobedecerem-no ganhou um nome.

A distonia focal, de causas ainda não bem compreendidas e sem cura definitiva, leva os músculos a contraírem-se involuntariamente. Fleisher, que nunca desistira de voltar a tocar com as duas mãos, submeteu-se a tratamentos experimentais com toxina botulínica e recuperou o controle sobre os dedos amotinados. Depois de alguns recitais pouco divulgados, anunciou, para assombro do mundo, que voltaria aos palcos com um repertório convencional.

Enquanto deixava claro que não estava curado, pois as injeções de Botox precisavam ser repetidas a cada poucos meses, Fleisher pegou novamente a estrada e voltou a ser aclamado, também, por sua mão direita. Embora sem dúvidas tenha sido cuidadoso com as dificuldades propostas pelo repertório – o que, enfim, qualquer pianista a caminho dos oitenta anos faria de qualquer maneira -, jogou-se com muito apetite à carreira bimanual. Sem abandonar suas atividades pedagógicas, passou a apresentar em concertos e recitais não só o repertório para uma e duas mãos, com também regeu concertos do teclado e peças orquestrais do pódio (o trabalho de regente, brincava ele, dava-lhe a sensação da “bunda crescer dez vezes, depois de tantos anos escondendo-a da plateia”). Tocou muito jazz, também, instigado pelo filho Julian, compositor e cantor do gênero que, por ser o primeiro filho do segundo casamento de Fleisher, era por ele bem-humoradamente chamado de “Op. 2, no. 1”.

Em 2004, depois de quarenta anos sem gravar com as duas mãos, ele lançou um álbum chamado… “Duas Mãos”. O repertório combina um pot pourri de peças curtas, pelas quais Fleisher tinha carinho especial – a peça de Bach/Petri lhe soava como um “antônimo ao 11 de setembro”, e o noturno de Chopin era a peça favorita de sua mãe – com a monumental, derradeira sonata de Schubert, uma das peças favoritas do pianista. e que ele já gravara no vigor de seus trinta e poucos anos. Mesmo que desmerecêssemos a obstinada, belíssima trajetória de superação que tornou possível esta gravação, não precisamos olhá-la com admiração ou piedade para apreciar seus imensos méritos artísticos. Talvez os dedos do jovem virtuoso que conseguiu a proeza de tocar George Szell sem levar um sabão sequer do tirano fossem capazes de mais prestigitação melhor, mas quem compara a gravação da D. 960 com aquela que Fleisher fez da mesma obra aos trinta e poucos anos encontra na versão de 2004 um maravilhoso controle do andamento e uma sabedoria, especialmente no expressivo uso dos silêncios, que escancaram sua superioridade.

A sonata de Schubert é daquelas obras, como a Op. 111 de Beethoven, à qual só se pode seguir silêncio. Com ela, pois, encerramos nossa homenagem ao grande homem que nos deixou há exatos trinta dias, depois de tanto dar ao mundo em oito décadas de carreira.

Descanse em paz, Leon – e grato por tudo.

LEON FLEISHER – TWO HANDS

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Transcrição de Myra Hess (1890-1965)

1 – Jesu, Joy of Man’s Desiring (transcrição para piano do coral “Jesus bleibet meine Freude”, da cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Transcrição de Egon Petri (1881-1962)

2 – Sheep May Safely Graze (transcrição para piano da ária “Schafe können sicher weiden”, da cantata “Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd”, BWV 208)

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

3 – Sonata em Mi maior, K. 380 (L. 23)

Fryderik Franciszek CHOPIN (1810-1849)

4 – Mazurka em Dó sustenido menor, Op. 50 no. 3
5 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 27 no. 2

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)

6 – Suite Bergamasque: Clair de Lune

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

Sonata em Si bemol maior, D. 960, Opus Póstumo

7 – Molto moderato
8 – Andante sostenuto
9 – Allegro vivace con delicatezza
10 – Allegro ma non troppo

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Leon Fleisher – Two Hands from Thomas Duperre on Vimeo.
A incrível trajetória de Leon Fleisher e seu comovente retorno ao repertório para as duas mãos inundam de emoção os vinte minutos de “Two Hands – The Leon Fleisher Story”, documentário realizado por Nathaniel Kahn em 2006.

Vassily

The Journey ∞ Leon Fleisher, piano ∞

The Journey ∞ Leon Fleisher, piano ∞

Bach · Mozart

Beethoven · Chopin

Stravinsky

Leon Fleisher

(1928 – 2020)

 

Imagine ser um pianista famoso, com concertos marcados nas grandes salas ao redor do mundo, ter seus discos no topo das paradas de sucesso sempre acompanhados das melhores críticas – uma vida de sucesso – e perder tudo, de repente. Isto ocorreu com Leon Fleisher, um dos mais renomados pianistas que, no meio da década de 1960 teve que redirecionar toda a sua carreira profissional por machucar a sua mão direita a ponto de não poder mais usá-la. Ele passou a sofrer de distonia focal.

Ele morreu neste primeiro domingo de agosto, aos 92 anos.

Apesar de ter a carreira de concertista interrompida, Leon Fleisher continuou a fazer e viver a música, tocando o repertório para a mão esquerda, regendo e dando aulas, até que em 1995, após 30 anos de inatividade, recuperou satisfatoriamente os movimentos da mão e voltou a tocar piano com duas mãos. Isto foi possível graças a uma combinação de uma técnica de massagem profunda e injeções de Botox.

Esta história sempre me encantou. Tenho e ouço seus discos do período áureo, mas de uma certa forma, aprecio ainda mais aqueles que ele gravou posteriormente. Em 2003 ele gravou um disco com o expressivo nome Two Hands, que tem uma gravação muito especial da última grande sonata de Schubert. Em 2006 ele gravou o disco desta postagem – The Journey.

Este título tanto se aplica ao repertório, que vai de Bach até Stravinsky, passando por Mozart, Beethoven e Chopin, quanto à sua própria vida.

Além da música, o álbum contém um disco com uma entrevista dada a Bob Edwards, na qual Leon Fleisher fala de sua jornada.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Capricho em si bemol maior, BWV 992

  1. Arioso: Adagio
  2. Fughetta
  3. Adagissimo
  4. Andante
  5. Aria (do postilhão): Allegro poco
  6. Fuga

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sonata em mi bemol maior, K 282

  1. Adagio
  2. Menuetto I – II
  3. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Fantasia e Fuga Cromática em ré menor, BWV 903

  1. Fantasia
  2. Fuga

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

Berceuse em ré bemol maior, Op. 57

  1. Berceuse

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Serenata em lá maior

  1. Hymne
  2. Romanza
  3. Rondoletto
  4. Cadenza finala

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Bagatela em lá menor, WoO. 59 “Für Elise”

  1. Bagatela

Leon Fleisher, piano

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MP3 | 320 KBPS | 120 MB

Que a persistência e a atitude resiliente de Leon Fleisher nos inspire a enfrentar as nossas limitações e dificuldades e que possamos também percorrer uma boa jornada.

Aproveite!

René Denon

Impromptu – Peças para Piano – Shai Wosner

Impromptu – Peças para Piano – Shai Wosner

IMPROMPTU 

Schubert & CIA

SHAI WOSNER

 

 

O álbum desta postagem parte de uma ideia simples – excelente – e é muito bem feito. Achei a capa ótima, com os nomes dos compositores e o do intérprete grafitados sobre uma foto informal, alegre, jovial. Traduz o espírito do disco.

Imagine reunir um grupo de compositores que também foram grandes intérpretes de suas obras e improvisadores em torno de um piano – numa espécie de jam session. Eles se alternam ao teclado, apresentando suas habilidades e seus poderes de improvisação. O tema do disco – Impromptu – é uma forma musical que, apesar de completamente escrita pelo compositor, é o que temos de mais próximo de suas improvisações. Assim como as peças intituladas Fantasias.

Uma maneira divertida de ouvir o disco é fazê-lo sem decorar a lista das peças e ir adivinhando qual é o compositor da vez ou qual deles ‘sentou-se’ ao piano naquele momento.

Agora é a minha vez…

Schubert é assim um pouco o anfitrião, o dono do piano, pois ao longo do recital ouvimos quatro dos seus impromptus. Temos também algumas surpreendentes presenças, mesmo que mais momentâneas, com Liszt, Dvořák, Gershwin e – pasmem – Charles Ives. Adorei ouvir o ensolarado Impromptu em lá bemol maior de Chopin surgindo logo após uma peça de Gershwin. Chopin senta-se três vezes ao piano e o grande Ludovico, apesar de só sentar-se uma vez, fica por lá quase dez minutos. Sua estranha Fantasia é um exemplo escrito de suas muitas e famosas improvisações, que a classifica para a lista do disco.

O pianista israelense Shai Wosner é excelente. Estudou com Andre Hajdu, professor que valorizava a improvisação e a considerava uma forma de busca do entendimento musical.

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em fá menor, D. 935, 1

Charles Ives (1874 – 1954)

  1. Improvisação para piano, No. 3

Antonín Dvořák (1841 – 1904)

  1. Impromptu em ré menor, B 129

George Gershwin (1898 – 1937)

  1. Impromptu in two Keys

Frederik Chopin (1810 – 1849)

  1. Impromptu em lá bemol maior, Op. 29

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em lá bemol maior, D. 935, 2

Frederik Chopin (1810 – 1849)

  1. Impromptu em fá sustenido maior, Op. 36

Franz Liszt (1811 – 1886)

  1. Impromptu S 191 (1872)

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em si bemol maior, D. 935, 3

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

  1. Fantasia em sol menor, Op. 77

Frederik Chopin (1810 – 1849)

  1. Impromptu em sol bemol maior, Op. 51

Charles Ives (1874 – 1954)

  1. Improvisação para piano, No. 1

Frans Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em fá menor, D. 935, 4

Shai Wosner, piano

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MP3 | 320 KBPS | 190 MB

Don’t be Shai…

Para uma palhinha, clique aqui!

Aproveite!
René Denon

Classical Music For Dummies – The essentials – vol. 2/50 – Vladimir Horowitz (1903-1989)

“Música Clássica para Leigos” (“Classical Music For Dummies”) é uma série de lançamentos projetados pela Deutsche Grammophon para oferecer aos  leigos recém-chegados uma introdução perfeita ao mundo da música clássica.

A série é composta por 50 CDs de música clássica dedicados a diferentes compositores, maestros, pianistas, violinistas e cantores, a maioria contratados ou ex-contratados pela gravadora.

Vladimir Horowitz – The Essentials

Vladimir Samoylovych Horowitz, Kiev, 1 de outubro de 1903Nova Iorque, 5 de novembro de 1989) foi um pianista russo-americano. É considerado como um dos mais brilhantes pianistas de todos os tempos, devido à sua excepcional técnica aliada às suas performances contagiantes. (1) Destacou-se pelo seu toucher sem igual, pelo controle dinâmico excepcional e pela sua mecânica única. As suas interpretações mais conhecidas e tidas como inigualáveis se referem às obras que variam do barroco Domenico Scarlatti, passando pelos românticos Chopin, Schumann, Liszt e chegando ao moderno Prokofiev. É considerado por muitos o indiscutível mestre em Scriabin e Rachmaninoff.

Fréderic Chopin – Piano Concertos – Kristian Zimerman, Giulini, LAPO

Amo os Concertos para Piano de Chopin. Tenho por eles muito carinho, e sempre que posso, os ouço. Eles tem uma incrível capacidade de me relaxar, mesmo sabendo de todas as críticas que se fazem deles, principalmente relativo à sua orquestração, calcanhar de Aquiles de Chopin, de acordo com algumas críticas, com as quais não concordo, mas, e daí que não gostem? Eu gosto.

Escolhi esta dupla também por ter um carinho muito grande por eles. Tanto Kristian Zimerman quanto o maestro Carlo Maria Giulini me agradam muito pela sensibilidade de suas interpretações. Sentimos que eles não tem pressa, a música flui facilmente, sem grandes obstáculos, há uma cumplicidade entre os músicos, então isso nos permite uma audição sem maiores sobressaltos, ainda mais em se tratando destes Concertos.

Lembro de ter postado uma outra gravação destes Concertos com o mesmo Kristian Zimerman, porém ali ele atua tanto como regente quanto solista, registro bem mais recente (1999), creio que o link já deva ter expirado. Neste CD que ora vos trago, temos um jovem pianista, cheio de gás e energia, querendo mostrar serviço, gravando ao lado de um dos grandes maestros do século XX.

O que mais admiro nesta gravação é a maturidade com que Zimernan encara o concerto, ele tinha apenas 22 anos na época desta gravação, porém alguns anos antes, vencera o Concurso Internacional Frederic Chopin, em sua Polônia natal. Ou seja, mesmo sendo tão jovem, já era veterano nos palcos.

Então vamos ao que viemos. Vamos voltar quarenta anos no tempo, lá para 1978, e admirar dois grandes músicos, um já veterano, outro ainda em início de carreira.

01. Piano Concerto No. 1 in E minor op. 11 – I Allegro maestoso
02. Piano Concerto No. 1 in E minor op. 11 – II Romanze. Larghetto
03. Piano Concerto No. 1 in E minor op. 11 – III Rondo. Vivace
04. Piano Concerto No. 2 in F minor op. 21 – I Maestoso
05. Piano Concerto No. 2 in F minor op. 21 – II Larghetto
06. Piano Concerto No. 2 in F minor op. 21 – III Allegro vivace

Kristian Zimerman – Piano
Los Angeles Philharmonic Orchestra
Carlo Maria Giulini – Conductor

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R. Schumann (1810–1856): Kreisleriana ; F. Chopin (1810-1849): 2 Noturnos, Scherzo nº 3, Fantasia (Linda Bustani)

“Sentimos em certas obras de Schumann a ausência de certa razão soberana. Ao menor desvio, a ideia escapa ao compositor e, quando ele consegue reencontrá-la, é depois de uma corrida contra mil obstáculos” Camille Bellaigue (1885)

Se Beethoven, para alguns, era uma divindade soberana, Schumann era humano, demasiado humano. Seus ciclos estão sempre refletindo os sentimentos do ser humano: a solidão, a alegria, a melancolia… A Kreisleriana, fantasia para piano em oito movimentos, é um dos melhores exemplos: além das diferenças entre os movimentos, cada um deles também apresenta várias mudanças. É uma estética curiosamente parecida com os nossos tempos em que ouvimos canções curtas de 2 minutos ou damos risadas com memes de 3 segundos… Como vocês sabem, as tecnologias trouxeram o encurtamento do que em inglês se chama attention span (nos explica a wikipedia: quantidade de tempo em que uma pessoa consegue se concentrar em uma tarefa sem se distrair).

O título da obra é inspirado no personagem Johannes Kreisler, criado pelo autor romântico alemão E. T. A. Hoffmann (1776-1822), personagem também marcado por uma sensibilidade exagerada e por mudanças de humor.

A Kreisleriana foi dedicada a Frédéric Chopin, por quem Schumann tinha uma forte admiração. A admiração, ao que parece, não foi muito correspondida. Já que comecei com os perfis psicológicos de botequim, vou continuar com eles: Schumann era famoso por seu humor instável, mas por outro lado foi um crítico musical com vasta cultura e um gosto estável e influente: foi um dos responsáveis pela entronização de J.S.Bach e Beethoven no panteão germânico e um hábil cultivador de relações, elogiando a música de Chopin, Mendelssohn, Berlioz e Brahms. Já Chopin, socialmente, parece ter sido muito mais tímido: suas principais relações intelectuais (escândalo na época!) aparentemente foram com mulheres: suas alunas na alta sociedade parisiense e a escritora George Sand. Ao contrário de Schumann, nunca atuou como maestro. Tocou muito mais vezes em salões aristocráticos do que em salas de concerto. O polonês era, em suma, um sonhador recluso, enquanto seu contemporâneo alemão era um sonhador extremamente sociável, com episódios de delírios ou depressão aqui e ali, mas sempre ajudando os amigos.

A pianista Linda Bustani nasceu em Rondônia, estudou com Arnaldo Estrella e Antonio Guedes Barbosa no Rio de Janeiro – onde vive até hoje – e com Elisso Virsaladze em Moscou. Estreou no Brasil alguns concertos pouco tocados, como o 4º de Prokofiev, para a mão equerda. Suas interpretações dos compositores românticos – Chopin, Schumann, Tchaikovsky – são celebradas, sobretudo as de Schumann, compositor com o qual ela tem forte ligação desde a juventude. Tem tocado a música de câmara de Schumann por todo o Brasil, principalmente o quinteto e o quarteto para piano e cordas. Também é parceira do Quinteto Villa-Lobos, extraordinário grupo de sopros fundado em 1962, o mais antigo em atuação ininterrupta no Brasil (os músicos foram passando o bastão). Já que estamos falando de flutuações emocionais, de instabilidade e estabilidade, finalizo tirando o chapéu para Linda e seus parceiros de música de câmara, que representam há décadas uma estabilidade rara na música de nosso país, tão cheia de voos de galinha.

R. Schumann (1810–1856): Kreisleriana, opus 16 – Phantasien für das Pianoforte
1. Äußerst bewegt (Extremely animated), D minor
2. Sehr innig und nicht zu rasch (Very inwardly and not too quickly), B♭ major.
3. Sehr aufgeregt (Very agitated), G minor
4. Sehr langsam (Very slowly), B♭ major/G minor
5. Sehr lebhaft (Very lively), G minor
6. Sehr langsam (Very slowly), B♭ major
7. Sehr rasch (Very fast), C minor/E♭ major
8. Schnell und spielend (Fast and playful), G minor

F. Chopin (1810-1849):
9. Nocturne opus 27 n° 2 en ré dièse mineur
10. Nocturne opus 48 n° 1 en ut mineur
11. Fantaisie opus 49 en fa mineur
12. Scherzo N° 3 opus 39 en ut dièse mineur

Linda Bustani, piano

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Linda no Teatro Solís, em Montevideo

Pleyel