Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) Concertos para piano nº 12, k. 414 e nº 24. k. 491

Como prometido, eis Pollini interpretando o concerto nº 12, K. 414, além do de nº 24, K. 491. Sou sincero ao admitir que prefiro esta versão à versão de Brendel. E só o PQP mesmo para trazer uma gravação dessas, ainda quentinha, recém saída dos fornos da Deutsche Grammophon [postagem original de 2008]. Eis o comentário da amazon:

Product Description

About that recording, The Times [London] stated: ‘ You hear a man in love…he plays Mozart with real feeling, leading us into the music s depth, its inner melodies, never content with the surface…the music always moves forward, developing, growing, with the subtlest range of colours…These are performances of conversational intimacy.’

When one is in love, one can never get enough, so Pollini has done it again: in summer 2007 he and the Vienna Philharmonic recorded the early, cheerful Piano Concerto in A, K. 414 and the famous C minor Concerto, K. 491, a mature work of brooding pathos.

Once again, Pollini and the Vienna Philharmonic work without a conductor, in front of a live audience in Vienna s famous Musikverein, parlaying their deep mutual understanding and respect into one of the noblest and most profound Mozart experiences imaginable.

Quando baixei esta versão, algumas semanas atrás, jamais poderia imaginar que era tão recente. Peço desculpas pela informação errada que passei na postagem anterior, atribuindo esta gravação ao ano de 2006.

Temos aqui um Pollini maduro, nos brindando com um Mozart alegre, brilhante e cheio de vida, e à frente de sua tão conhecida Filarmônica de Viena. E o grau de intimidade entre ambos (solista e orquestra) é tão grande que dispensaram um maestro.

Saboreiem este belíssimo cd.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) Concertos para piano nº 12, k. 414 e nº 17. k. 491

01. Piano Concerto No.12 A major, K.414 – I – Allegro
02. Piano Concerto No.12 A major, K.414 – II – Andante
03. Piano Concerto No.12 A major, K.414 – III – Rondeau. Allegretto
04. Piano Concerto No.24 C minor, K.491 – I – Allegro
05. Piano Concerto No.24 C minor, K.491 – II – Larghetto
06. Piano Concerto No.24 C minor, K.491 – III – Allegretto

Maurizio Pollini – Piano
Wiener Philarmoniker (Live, 2007)

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FDPBach

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) Concertos para piano nº 17, K. 453, e nº 21, K. 467

Dois dos mais belos e famosos concertos para piano de Mozart, na interpretação de Maurizio Pollini. Mais dois belos momentos do italiano Pollini frente à sua orquestra tão conhecida, a Filarmônica de Viena.

Um comentarista da amazon reclama do barulho da audiência, mas confesso que ouvi apenas os aplausos finais, que não creio que desmereçam a qualidade do cd. Já tivemos excepcionais intérpretes destes concertos aqui no blog, como Géza Anda e o próprio Brendel em sua tradicional versão com a ASMF. Mas confesso que ainda prefiro uma antiga gravação de Malcolm Billson e Trevor Pinnock, que um dia tive em LP, ou então minha primeira gravação do concerto nº 21, com o Rubinstein. Ouvi tanto esta fita cassete que ela arrebentou.

Enfim, mais um belo momento, para quem quiser tirar suas conclusões, ou simplesmente queira ouvir outra versão destes concertos, nas mãos de um exímio instrumentista que se revela um regente competente. Também, com esta orquestra …

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) Concertos para piano nº 17, K. 453, e nº 21, K. 467

1. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 1. Allegro
2. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 2. Andante
3. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 3. Allegretto
4. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 1. Allegro
5. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 2. Andante
6. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 3. Allegro vivace assai

Maurizio Pollini – Piano, conductor
Wiener Philarmoniker (Live, 2005)

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Mozart (1756-1791): Integral das Sonatas para Piano – Mitsuko Uchida ֎

Mozart (1756-1791): Integral das Sonatas para Piano – Mitsuko Uchida ֎

Mozart

Sonatas para Piano

Mistuko Uchida

 

Quando consideramos sonatas para piano, as peças de Beethoven vêm logo à mente, pois que formam um conjunto formidável de obras-primas, que foi construído ao longo de toda a vida produtiva do compositor. Além disso, como Beethoven produziu suas obras depois de Mozart, pode se ter a primitiva imagem que suas obras são, em algum sentido, melhores ou mais difíceis. Mas, uma viagem pela obra de Wolfgang, seja como ouvinte ou como intérprete, pode revelar que as questões podem ser bem mais difíceis de resolver.

As sonatas de Mozart oferecem desafios e tanto a quem se disponha interpretá-las e a escolha da gravação mais satisfatória pode ser muito divertido.

Mesmo as sonatas produzidas no início de sua carreira de compositor, como a maravilhosa Sonata em mi bemol maior, K. 282 (ouça os primeiros compassos e perceberá que há muita coisa linda a ser desfrutada) ou a primeira ‘grande sonata’ em ré maior, K. 284 ‘Dürnitz’.

Após a série de sonatas clássicas do primeiro período, você terá pela frente obras igualmente originais e belíssimas, como a Sonata em lá maior, K. 331, que inicia com um conjunto de variações e termina com a Marcha Turca.

Em nossas páginas não faltam Sonatas para Piano de Mozart. Eu mesmo já postei a integral com a Klára Würtz (1, 2 e 3) e mais alguns discos avulsos com algumas das sonatas, com o Murray Perahia e com a Alicia de Larrocha. Nosso editor chefe recentemente repostou a integral com a pianista Maria João Pires, na gravação da DG. Pela enfiada de comentários – os leitores de antes eram bem mais loquazes e participativas… – podemos concluir que a postagem foi um enorme sucesso.

Apesar disso tudo, considerando que é Natal, tomei a brava iniciativa de postar o ciclo completo (seja lá o que isso queira dizer) com a Mitsuko Uchida. Faço isso por amor que tenho às Sonatas do Wolferl e por que a interpretação da Uchida oferece uma opção que demanda ser ouvida por novos e não novos amantes da música de Mozart, inclusive em perspectiva das outras integrais mencionadas. Tudo isso sem entrar no mérito de comparações classificatórias, pois que já disse propriamente Stravinsky (ou seria Bartók?) que corridas são para cavalos…

Ah, já ia quase me esquecendo, faço isso também por que o BB pediu…

Cumpra-se!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1796)

Sonatas para Piano

Disco 1

Sonata No. 1 em dó maior, K279

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Sonata No. 2 em fá maior, K280

  1. Allegro assai
  2. Adagio
  3. Presto

Sonata No. 3 em si bemol maior, K281

  1. Allegro
  2. Andante amoroso
  3. Rondeau (Allegro)

Sonata No. 4 em mi bemol maior, K282

  1. Adagio
  2. Menuetto I-II
  3. Allegro

Sonata No. 5 em sol maior, K283

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto

Mitsuko Uchida, piano

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Disco 2

Sonata No. 6 em ré maior, K284 “Dürnitz”

  1. Allegro
  2. Rondeau en Polonaise (Andante)
  3. Tema con variazione

Sonata No. 7 em dó maior, K309

  1. Allegro con spirito
  2. Andante, un poco adagio
  3. Rondeau (Allegretto grazioso)

Sonata No. 8 em lá menor, K310

  1. Allegro maestoso
  2. Andante cantabile con espressione
  3. Presto

Mitsuko Uchida, piano

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MP3 | 320 KBPS | 142 MB

Dame Mitsuko Uchida prestigiando um torneio de tênis promovido pelo PQP Bach, nas lindas quadras de Piratininga…

Disco 3

Sonata No. 9 em ré maior, K311

  1. Allegro con spirito
  2. Andantino con espressione
  3. Rondeau (Allegro)

Sonata No. 10 em dó maior, K330

  1. Allegro moderato
  2. Andante cantabile
  3. Allegretto

Sonata No. 11 em lá maior, K331 ‘Alla Turca’

  1. Tema (Andante grazioso) con variazioni
  2. Menuetto
  3. Alla turca. Allegretto

Mitsuko Uchida, piano

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Disco 4

Sonata No. 12 em fá maior, K332

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro assai

Sonata No. 13 em si bemol maior, K333

  1. Allegro
  2. Andante cantabile
  3. Allegretto grazioso

Fantasia em dó menor, K475

  1. Adagio – Allegro – Andantino – Più allegro -Tempo I

Sonata No. 14 em dó menor, K457

  1. Molto allegro
  2. Adagio
  3. Allegro assai

Fantasia em ré menor, K. 385g – 397

  1. Fantasia

Mitsuko Uchida, piano

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MP3 | 320 KBPS | 177 MB

Disco 5

Sonata No. 16 em dó maior, K545 ‘Facile’

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Sonata No. 17 em si bemol maior, K570

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto

Sonata No. 18 em ré maior, K576 ‘Hunt’

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto

Sonata No. 15 em fá maior, K533 / 494

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegretto

Adagio em si menor, K540

  1. Adagio

Eine kleine Gigue em sol maior, K574

  1. Gigue

Mitsuko Uchida, piano

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MP3 | 320 KBPS | 188 MB

This is unfailingly clean, crisp and elegant playing, that avoids anything like a romanticised view of the early sonatas such as the delightfully fresh G major, K283. On the other hand, Uchida responds with the necessary passion to the forceful, not to say Angst-ridden, A minor Sonata, K310. Indeed, her complete series is a remarkably fine achievement, comparable with her account of the piano concertos. The recordings were produced in the Henry Wood Hall in London and offer excellent piano sound; thus an unqualified recommendation is in order for one of the most valuable volumes in Philips’s Complete Mozart Edition. Don’t be put off by critics who suggest that these sonatas are less interesting than some other Mozart compositions, for they’re fine pieces written for an instrument that he himself played and loved. [Gramophone Classical Music Guide]

Aproveite!

René Denon

W. A. Mozart (1756-1791): Todas as Sonatas para Piano (Maria João Pires)

W. A. Mozart (1756-1791): Todas as Sonatas para Piano (Maria João Pires)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Completistas, alegrai-vos! Aqui vocês têm todas as Sonatas para Piano Solo de Mozart! São mais de 5h de música que ouvi ontem à noite. Uma vez eu disse que preferia compositores viscerais e dramáticos a outros mais felizes e elegantes. O Mozart de MJ Pires é estupendamente limpo, elegante e feliz. Mas só a partir do CD3 há a tragédia e o drama que tanto adoramos. São dois CDs alegrinhos onde a gente espera pelo endividamento e inacreditável insucesso das obras mais maduras de Mozart em meio àquele público burro de sua época… E aí sim! Faz tempo que não ouço a Uchida tocando estas sonatas, mas acho que a portuguesa fica um degrau acima do nível de Mitsuko, não? Sim, sei que é meio consenso que a japonesa é a campeã, mas prefiro MJP.

W. A. Mozart (1756-1791): As Sonatas para Piano

Disc 1:

1. Piano Sonata No.1 in C, K.279 – 1. Allegro 6:59
2. Piano Sonata No.1 in C, K.279 – 2. Andante 8:57
3. Piano Sonata No.1 in C, K.279 – 3. Allegro 5:27

4. Piano Sonata No.2 in F, K.280 – 1. Allegro assai 6:33
5. Piano Sonata No.2 in F, K.280 – 2. Adagio 8:48
6. Piano Sonata No.2 in F, K.280 – 3. Presto 4:36

7. Piano Sonata No.3 in B flat, K.281 – 1. Allegro 6:48
8. Piano Sonata No.3 in B flat, K.281 – 2. Andante amoroso 8:16
9. Piano Sonata No.3 in B flat, K.281 – 3. Rondeau (Allegro) 5:06

Disc 2:

1. Piano Sonata No.4 in E flat, K.282 – 1. Adagio 7:16
2. Piano Sonata No.4 in E flat, K.282 – 2. Menuetto I-II 4:02
3. Piano Sonata No.4 in E flat, K.282 – 3. Allegro 3:23

4. Piano Sonata No.5 in G, K.283 – 1. Allegro 5:30
5. Piano Sonata No.5 in G, K.283 – 2. Andante 6:31
6. Piano Sonata No.5 in G, K.283 – 3. Presto 6:13

7. Piano Sonata No.6 in D, K.284 “Dürnitz” – 1. Allegro 7:37
8. Piano Sonata No.6 in D, K.284 “Dürnitz” – 2. Rondeau en Polonaise (Andante) 5:30
9. Piano Sonata No.6 in D, K.284 “Dürnitz” – 3. Tema con variazione 17:04

Disc 3:

1. Piano Sonata No.7 in C, K.309 – 1. Allegro con spirito 8:49
2. Piano Sonata No.7 in C, K.309 – 2. Andante, un poco adagio 6:37
3. Piano Sonata No.7 in C, K.309 – 3. Rondeau (Allegretto grazioso) 7:06

4. Piano Sonata No.9 in D, K.311 – 1. Allegro con spirito 6:58
5. Piano Sonata No.9 in D, K.311 – 2. Andantino con espressione 5:55
6. Piano Sonata No.9 in D, K.311 – 3. Rondeau (Allegro) 6:52

7. Piano Sonata No.8 in A minor, K.310 – 1. Allegro maestoso 8:00
8. Piano Sonata No.8 in A minor, K.310 – 2. Andante cantabile con espressione 9:11
9. Piano Sonata No.8 in A minor, K.310 – 3. Presto 2:49

Disc 4:

1. Piano Sonata No.10 in C major, K.330 – 1. Allegro moderato 9:08
2. Piano Sonata No.10 in C major, K.330 – 2. Andante cantabile 6:54
3. Piano Sonata No.10 in C major, K.330 – 3. Allegretto 7:48

4. Piano Sonata No.11 in A, K.331 -“Alla Turca” – 1. Tema (Andante grazioso) con variazioni 14:12
5. Piano Sonata No.11 in A, K.331 -“Alla Turca” – 2. Menuetto 5:42
6. Piano Sonata No.11 in A, K.331 -“Alla Turca” – 3. Alla Turca (Allegretto) 3:42

7. Piano Sonata No.12 in F, K.332 – 1. Allegro 9:17
8. Piano Sonata No.12 in F, K.332 – 2. Adagio 4:44
9. Piano Sonata No.12 in F, K.332 – 3. Allegro assai 9:58

Disc 5:

1. Piano Sonata No.13 in B flat, K.333 – 1. Allegro 9:57
2. Piano Sonata No.13 in B flat, K.333 – 2. Andante cantabile 12:15
3. Piano Sonata No.13 in B flat, K.333 – 3. Allegretto grazioso 6:34

4. Fantasia in C minor, K.475 11:58

5. Piano Sonata No.14 in C minor, K.457 – 1. Molto allegro 8:14
6. Piano Sonata No.14 in C minor, K.457 – 2. Adagio 7:28
7. Piano Sonata No.14 in C minor, K.457 – 3. Allegro assai 4:37

Disc 6:

1. Piano Sonata “No.18” in F, K.533/K.494 – 1. Allegro, K.533 10:01
2. Piano Sonata “No.18” in F, K.533/K.494 – 2. Andante, K.533 10:11
3. Piano Sonata “No.18” in F, K.533/K.494 – 3. Rondo (Allegretto), K.494 6:41

4. Piano Sonata No.15 in C, K.545 “Facile” – 1. Allegro 4:15
5. Piano Sonata No.15 in C, K.545 “Facile” – 2. Andante 6:03
6. Piano Sonata No.15 in C, K.545 “Facile” – 3. Rondo (Allegretto) 1:38
7. Piano Sonata No.16 in B flat, K.570 – 1. Allegro 8:38
8. Piano Sonata No.16 in B flat, K.570 – 2. Adagio 8:42
9. Piano Sonata No.16 in B flat, K.570 – 3. Allegretto 3:43

10. Piano Sonata No.17 in D, K.576 – 1. Allegro 5:02
11. Piano Sonata No.17 in D, K.576 – 2. Adagio 6:16
12. Piano Sonata No.17 in D, K.576 – 3. Allegretto 4:48

Maria João Pires, piano

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Ah, minha linda Maria João, que grande Mozart!
Ah, minha linda Maria João, que grande Mozart!

PQP

Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nos. 25 & 20 – Jeremy Denk & The Saint Paul Chamber Orchestra ֎

Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nos. 25 & 20 – Jeremy Denk & The Saint Paul Chamber Orchestra ֎

MOZART

Concerto para Piano No. 25, K. 503

Rondo em lá maior, K. 511

Concerto para Piano No. 20, K. 466

The Saint Paul Chamber Orchestra

Jeremy Denk

Dia destes nosso editor-chefe postou quatro concertos para piano de Mozart numa evidente relação de amor e ódio – sob a perspectiva da interpretação, é claro – com a solista Alicia de Larrocha e o regente, Georg Solti.

É impressionante como algumas gravações sofrem, com o passar do tempo, o efeito de carregarem os usos e modismos do momento em que foram feitas. Basta lembrar os LPs da Archiv Produktion com suas capas de fundo creme ornadas apenas pelo logotipo da AP, títulos e nomes dos compositores e músicos, com um ar que sugeria uma publicação científica, trazendo música antiga gravada pelos experts da época. Karl Richter um notório exemplo.

É fato que algumas gravações desafiam o tempo, enquanto outras rapidamente esmaecem e fenecem e passam a interessar a apenas uma magra fatia dos alucinados melômanos.

Estes não muito organizados pensamentos me ocorrem numa manhã linda de domingo enquanto me debato entre a necessidade de corrigir algumas avaliações, trocar de imóvel e escolher o almoço. Para afastar de vez todas estas maçantes atribuições, Mozart!

Este disco com dois espetaculares concertos para piano, interpretados pelo articuladíssimo pianista e cronista, Jeremy Denk, além de cair, na minha opinião, naquela categoria dos discos que desafiarão o tempo, vem bem a calhar.

A sua audição, acompanhada da leitura do artigo do Jeremy, que você pode encontrar aqui, muito contribuiu para minha boa disposição em chegar contente ao fim do domingo.

Ele menciona que o melhor de Mozart está nas suas óperas e concertos para piano. Eu não poderia concordar mais…

Um disco com dois concertos, primeiro o Concerto em dó maior, que se lança com ares marciais, lembrando a canção do Fígaro, e o outro, em ré menor, tão conhecido por seus tons mais trágicos. Os concertões são separados, ou melhor, unidos, pelo Rondo em lá menor, que devido ao seu caráter mais melancólico e tristonho funciona como um momento de reflexão para o ouvinte, gerando um intervalo entre eles.

Miles Kending, assessor especial para discos com concertos para piano de Mozart

Eis um disco que deve agradar a antigos ouvintes de Concertos para Piano de Mozart, assim como aqueles que os estão descobrindo agora. Certo, Miles?

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano No. 25 em dó maior, K. 503

  1. Allegro maestoso
  2. Andante
  3. Allegretto

Rondo em lá menor, K. 511

  1. Rondo

Concerto para Piano em ré menor, K. 466

  1. Allegro
  2. Romance
  3. Allegro assai

The Saint Paul Chamber Orchestra

Jeremy Denk

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Jeremy se acostumando com o Steinway do PQP Bach Hall de São Gonçalo…

 

Chopin / Mozart / Liszt, por Yulianna Avdeeva

Em minha modestíssima e insignificante opinião, a russa Yulianna Avdeeva é o grande nome feminino do piano da atualidade, e uma fortíssima candidata a ocupar o trono de Martha Argerich. Seu repertório vai de Bach a Prokofiev sem maiores problemas. Não teme se expor nas redes sociais, a acompanho no Facebook, onde de vez em quando faz postagens muito interessantes sobre as obras que está estudando. Quem tiver tempo livre, procurem no Youtube suas lives sobre o Cravo Bem Temperado. Como boa filha de seu tempo, Avdeeva sente-se perfeitamente a vontade na frente de uma câmera para analisar cada um dos prelúdios e fugas e expor suas dificuldades de interpretação.

Neste CD que ora vos trago, temos obras de três compositores bem diferentes. Começando com a maravilhosa ‘Fantasia in Fá Menor, op 49’, de Chopin, que já trouxe em outra ocasião com a mesma pianista, mas em outro contexto, gravado ao vivo. Aqui Yulianna está dentro de um estúdio, então temos uma abordagem diferente, mas igualmente de altíssima qualidade, afinal estamos falando de uma vencedora do dificílimo Concurso Chopin de Varsóvia. E isso é para poucos. Para mostrar ainda mais sua versatilidade e talento, ainda temos A Sonata nº6 de Mozart e duas obras de Liszt, incluíndo a dificílima ‘Après Une lecture Du Dante’, um tour de force para a nossa intérprete.

Chopin:
1 Fantasie In F Minor Op.49

Mozart:
Piano Sonata No.6 In D Major K.284
2 Allegro
3 Rondeau En Polonaise. Andante
4 Tema Con Variazione

Liszt:
5 Après Une Lecture Du Dante – Fantasia Quasi Sonata
6 Aida Di Giuseppe Verdi – Danza Sacra E Duetto Finale S.436

Yulianna Avdeva – Piano

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FDP

Diversos Compositores: Günter Wand em Concerto ֍

Diversos Compositores: Günter Wand em Concerto ֍

Haydn • Mozart

Beethoven • Brahms

Tchaikovsky • Sain-Saëns

Günter Wand

 

Houve um tempo em que grandes pianistas e violinistas andavam sobre a terra e dominavam o planeta! Inclusive, foi nesta época que os pianos tiveram que ser reforçados, ganharam tonalidades mais escuras e os violinos eram venerados e conhecidos por nomes próprios ou apelidos. Era o período que nós, os estudiosos do que ficou registrado nas fitas magnéticas da época, mastertapes, chamamos de Período Jurássico.

Sempre que surge um registro novo, algo que se encontrava esquecido em alguma prateleira de algum estúdio ou arquivo de rádio, segue um reboliço, um frisson, um alvoroço nesta comunidade de paleantapeólogos…

Firkušný

Pois o que vos trago nesta postagem é uma série de registros deste tempo passado, mas jamais esquecido… O denominador comum é o regente, ele também uma versão de regente-jurássico, que por diversas vezes apareceu em nossas páginas, mas quase sempre em gravações comerciais regendo sinfonias… Aqui ele faz o papel de regente acompanhante, na maioria das obras – Günter Wand a frente de duas orquestras de rádios alemãs.

Explorador de arquivos jurássicos…

Os solistas, como você pode imaginar, são figuras quase míticas, principalmente pianistas, mas um violinista também, a título de diversidade. Esta conversa toda não deve causar qualquer preocupação entre aqueles que, como eu, ao ouvirem falar de grandes nomes e gravações esquecidas já antecipam chiados e pigarros das plateias, sem contar som encaixotado e tenebroso. Não será necessário colocar colete ou chapéu de antropólogo explorador para se enveredar nos arquivos sonoros, pois que o som é sempre para lá de decente.

Magaloff

Temos quatro concertos para piano, quatro ao todo, iniciando no período clássico e culminando em dois enormes cavalos de batalha.

Nikita Magaloff, conhecido por suas gravações de Chopin, aqui faz as honras a um lindo concerto de Haydn, e Rudolf Firkušný, que conhecemos aqui por outras gravações de concertos clássicos, mais uma vez toca um concerto de Mozart. E um em tonalidade menor…

Gilels

Para o grande Emperor foi escalado o lendário pianista Emil Gilels, que deixou pelo menos três registros comerciais deste concerto. Acompanhado pela Orquestra de Cleveland regida por George Szell em uma delas e outra acompanhado pela Philarmonia Orchestra, regida por Leopold Ludwig. Mas há ainda uma gravação, esta sim bem datada, com orquestra regida por Kurt Sanderling.

Bolet

Como para dar um descanso aos seus solistas, Wand rege uma (linda) Serenata de Brahms, que ensaiou bastante antes de escrever sua Primeira Sinfonia.

Avançando com os concertos, temos o mais conhecido dos concertos para piano, se não o mais amado pelos connoisseurs, o Concerto de Tchaikovsky, interpretado pelo virtuose americano de origem cubana, Jorge Bolet. Sparkling!

Outro americano, este violinista de ascendência italiana, Ruggiero Ricci, interpreta um concerto de Camille Saint-Saëns.

Ricci

Para fechar este cortejo, três lindas aberturas de óperas de Mozart…

Estas gravações foram compiladas de uma caixa na qual havia muitas outras coisas, mas o que eu gostei mais está aqui. Tenho certeza de que cada um entre os leitores poderá encontrar aqui um bom trecho de música para se deliciar e apreciar a arte destes grandes intérpretes. As outras coisas da caixa resolvemos deixar para os outros blogs mais especializados…

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Concerto para Piano em ré maior, Hob. XVIII/11

  1. Vivace
  2. Un poco Adagio
  3. Rondo all’Ungarese. Allegro assai

Nikita Magaloff, piano

NDR Sinfonieorchester

Günter Wand

Gravação de 2 de dezembro de 1985, Hamburg Musikhalle

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano em ré menor, Nr. 20,  K 466

  1. Allegro
  2. Romance
  3. Allegro assai

Rudolf Firkušný, piano

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação de 13 de setembro de 1969, Köln

Produção: Hermann Lang

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Concerto para Piano Nr. 5 em mi bemol maior, Op. 73 – Emperor

  1. Allegro
  2. Adagio un poco mosso (attacca) & Rondo. Allegro

Emil Gilels, piano

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação de 13 de dezembro de 1974, Köln

Direção de gravação: Otto Nielen

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Serenata em ré maior, Op. 11

  1. I Allegro molto
  2. II Scherzo, Allegro non troppo
  3. III Adagio non troppo
  4. IV Menuetto
  5. V Scherzo, Allegro
  6. VI Rondo. Allegro

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação de 2 de Outubro de 1968

Funkhaus am Wallraff-Platz, Saal 1, Köln

Direção de gravação e som: Otto Nielen

Pyotr I. Tchaikovsky (1840 – 1893)

Concerto para Piano Nr. 1 em si bemol menor, Op. 23

  1. Allegro non troppo e molto maestoso – Allegro con spirito
  2. Andantino semplice – Prestissimo – Tempo I
  3. Allegro con fuoco – Molto meno mosso – Allegro vivo

Jorge Bolet, piano

NDR Sinfonieorchester

Günter Wand

Gravação de 13 de novembro de 1985, Musikhalle Hamburg

Produção executiva: Rolf Beck

Camille Saint-Saëns (1835 – 1921)

Concerto para Violino Nr. 3 em si menor, Op. 61

  1. Allegro non troppo
  2. Andantino quasi Allegretto
  3. Molto moderato e maestoso – Allegro non troppo

Ruggiero Ricci, violino

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

Gravação entre 1 e 5 de dezembro de 1970, Köln

Diretor de gravação: Hans-Georg Daehn

Wolfgang Amadeus Mozart

Aberturas

  1. Così fan tutte K588
  2. Zauberflöte K620
  3. Le Nozze di Figaro K492

Kölner Rundfunk-Sinfonie-Orchester (Hoje: WDR Sinfonieorchester Köln)

Günter Wand

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MP3 | 320 KBPS | 488 MB

Nosso selo Jurássico de Qualidade

Aproveite!

Günter Wand regendo uma serenata…

René Denon

Essa foi a cara que o Ruggiero fez quando um de nossos entrevistadores lhe perguntou se ele atuara na série dos Soprano…
Rudolf disse que não estava vendo nenhum outro pianista a sua frente

 

 

 

 

 

 

 

Se você gostou desta postagem, não deixe de visitar:

Brahms & Schubert: Sinfonias // Liszt: Les Preludes – Philharmonia Orchestra & Karajan

Beethoven (1770-1827): Concerto para Piano No. 5, Op. 73 – Emperor – Christoph Eschenbach – Boston SO – Seiji Ozawa

Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

 

Haydn (1732-1809) & Mozart (1756-1791): Sinfonias – Australian Chamber Orchestra & Richard Tognetti ֎

Haydn (1732-1809) & Mozart (1756-1791): Sinfonias – Australian Chamber Orchestra & Richard Tognetti ֎

Haydn: Sinfonias Nos. 49 & 104

Mozart: Sinfonia No. 25

Australian Chamber Orchestra

Richard Tognetti

 

Richard Tognetti rege a Australian Chamber Orchestra tocando violino. A foto que vi me deixou bem impressionado. Parte dos músicos, como os violinistas, tocam em pé e as partituras estão dispostas em tablets. Que fusão de tecnologias, pois a orquestra pode usar instrumentos de época ou instrumentos modernos, dependendo da situação.

O disco desta postagem reúne três sinfonias do período clássico. Duas de Haydn e uma de Mozart. As Sinfonias No. 49 de Haydn e No. 25 de Mozart foram gravadas em concertos em 2013 e a Sinfonia No. 104, de Haydn, foi gravada também ao vivo cinco anos depois. Apesar de serem típicas obras do classicismo, revelam a incrível evolução do gênero em um curto espaço de tempo, muito por conta da criatividade de Haydn.

Uma ótima La Passione, esta aqui…

A Sinfonia ‘La Passione’ (maravilhosa) é de 1768, quando Mozart tinha 12 anos, e a Sinfonia ‘pequena’ em sol menor, foi escrita por Mozart, um maduro compositor de 17 anos, que saboreava o sucesso de sua ópera séria, Lucio Silla, escrita um ano antes. A Sinfonia ‘La Passione’ é um excelente exemplo das obras produzidas por Haydn em seu período Sturm und Drang.

Já a impressionante Sinfonia ‘London’ veio coroar a série de 12 sinfonias escritas por Haydn para as suas viagens a Londres, a convite do empresário J.P. Salomon, e revela o compositor de 62 anos com completo domínio de sua maestria.

Se você já conhece este repertório, certamente gostará de ouvir a interpretação deste grupo que acompanhou a maravilhosa Angela Hewitt tocando os concertos de Bach. Caso você ainda esteja iniciando sua exploração das sinfonias deste período, certamente terá aqui uma excelente opção. De qualquer forma, um disco na medida certa para o prazer de conhecedores e iniciantes…

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sinfonia No. 49 em fá maior – ‘La Passione’

  1. Adagio
  2. Allegro di molto
  3. Menuet
  4. Finale (Presto)

Wolfgang Amandeus Mozart

Sinfonia No. 25 em sol menor, K183

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Menuetto
  4. Allegro

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sinfonia No. 104 em ré maior – ‘London’

  1. Adagio – Allegro
  2. Andante
  3. Menuet (Allegro)
  4. Finale (Spiritoso)

Australian Chamber Orchestra

Richard Tognetti

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Veja o que o pessoal andou falando dos músicos e do disco:

“Richard Tognetti and his group (ACO) produced playing of fabulous alertness and tight ensemble; if there’s a better chamber orchestra in the world today, I haven’t heard it.”

One of the inextinguishable joys of music is hearing another performance of a work you know almost by heart, and hearing something you never heard before. There’s a lot of that in these performances. Want an example? Just listen to the trio section of the third movement of the Mozart “Little G Minor” Symphony. Wow!

Se você gostou desta postagem, poderá visitar esta aqui:

Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80 – BBC Philharmonic ● Nicholas Kraemer

Caso ainda tenha sobrado 16 minutos, o vídeo aqui explica a Sinfonia “London”…

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano do Nº 24 a 27 (Larrocha / Solti)

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano do Nº 24 a 27 (Larrocha / Solti)

Meu deus, o que escrever? Um disco ruim, mas de alto nível artístico? Sim, é isso.

Ou não. Um disco bom, mas de concepção muito antiquada. Sim, também.

O que é sensacional? Sensacional é Alicia. Sensacional é o repertório feito de concertos magníficos de Mozart. O toque e o fraseado da Grande Dama Espanhola são exatamente como devem ser… Ela canta durante todo o tempo. É lindo de ouvir. Mas quando entram os violinos e o tamanho da orquestra, ouve-se um dos molhos mais pesados que já engoli. Parece que a orquestra de Solti tem mais violinos do que havia de Oompa-Loompas da fábrica de Willy Wonka. É uma feijoada gordurosa que causa azia e outros desconfortos. Um completo horror, sem a menor transparência, tentando destruir a beleza de tudo que Larrocha cria. O CD1 (Concerto Nº 24 & Nº 26) foi gravado em 1985 pela Chamber Orchestra of Europe (Chamber só na casa do caralho) e Solti-Wonka. O CD2 (Concerto Nº 25 & Nº 27) foi gravado em 1977 pela London Philharmonic Orchestra e Solti-Wonka. Depois dizem que o século XXI é uma desgraça… OK, podem acabar com o planeta, mas sob música muito melhor. A música mudou muito — e para melhor — em pouco tempo. Fiquei chocado ao ouvir estes CD. Parece um desabamento.

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano do Nº 24 a 27 (Larrocha / Solti)

Piano Concerto No.24 In C Minor, K491 (31:46)
I Allegro 14:50
II Larghetto 7:47
III Allegretto 9:09

Piano Concerto No.26 In D Major, K537 “Coronation” (31:09)
I Allegro 14:23
II Larghetto 5:56
III Allegretto 10:50

Piano Concerto No.25 In C Minor, K503 (33:21)
I Allegro Maestoso 15:23
II Andante 8:45
III Allegretto 9:13

Piano Concerto No.27 In B Flat Major, K595 (32:06)
I Allegro 14:47
II Larghetto 8:08
III Allegro 9:11

Alicia De Larrocha
Chamber Orchestra Of Europe
London Philharmonic Orchestra*
Sir Georg Solti

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Ela era pequenina, mas saiu com vida após os vários desabamentos que a orquestra de Solti promoveu sobre ela.

PQP

Mozart (1756-1791): As Bodas de Fígaro (Highlights) – Die Hochzeit des Figaro (Höhepunkte) – Solistas – Berliner Philharmoniker – Ferdinand Leitner ֎

Mozart (1756-1791): As Bodas de Fígaro (Highlights) – Die Hochzeit des Figaro (Höhepunkte) – Solistas – Berliner Philharmoniker – Ferdinand Leitner ֎

MOZART

Die Hochzeit des Figaro

Grosser Opernquerschnitt in deutscher Sproche

Solisten

Berliner Philharmoniker

Ferdinand Leitner

Mozart era um compositor genial e profissional – podia compor obras primas em qualquer gênero musical vigente em seus dias. Música sacra, instrumental, de concerto, Lieder, sinfonias e óperas. Em minha opinião, seus maiores êxitos foram os concertos para piano e as óperas. Ele compôs óperas sérias, óperas alemãs e cômicas.

As Bodas de Fígaro, de 1786, foi a primeira das três colaborações com o libretista Lorenzo Da Ponte e tem como base uma peça de Beaumarchais. Esta peça estava proibida em Viena, por ridicularizar a nobreza. Dá para ver que a dupla gostava de desafios. Mas o libreto de Da Ponte ameniza as situações e explora exatamente o lado cômico – a buffonerie – da trama. A ópera foi apresentada nove vezes desde a estreia em 1 de maio de 1786 no Burgtheater de Viena, tendo o compositor como regente, desde o piano.

Apesar do pequeno número de apresentações, para os nossos padrões, o Fígaro foi um sucesso, pelo menos de público. Sabemos disso devido ao número de vezes que as partes da ópera tiveram que ser repetidas durante as apresentações. Tantas que o imperador decretou que apenas as árias poderiam ser bisadas. Pois que o Fígaro se destaca não apenas por suas árias, mas também pelos números nos quais grupos de cantores atuam.

Outra evidência de seu sucesso foi a sua tradução para o alemão, aproximando-a do outro gênero no qual Mozart era excelente, o Singspiel.

A postagem deste disco ilustra essa tradução, apresenta uma coletânea de árias além da abertura de Die Hochzeit des Figaro.

A gravação feita no início da década de 1960 é anterior a moda dos grupos que usam instrumentos de época com prática historicamente informada e reúne um elenco especialíssimo, acompanhados de uma das melhores orquestras da época, regida por um experiente regente, apesar de seu perfil bastante discreto. Não tenho certeza, mas presumo que a coleção foi extraída de uma gravação completa. De qualquer forma, essencialmente alguns recitativos não foram incluídos.

A abertura não cita qualquer tema das árias, mas revela a efervescência, o bom humor e os maravilhosos momentos que seguirão.

A seguir, farei uma lista dos números apresentados na gravação com os correspondentes originais em italiano, com eventuais breves comentários.

2 – Fünfe, zehne – Cinque… dieci…

Susana!

3 – Sollt’ einst die Gräfin – Se a caso madama (Fígaro e Susana)

Nestes dois números que seguem a abertura da ópera, a dupla Mozart-Da Ponte deixa claro como homens e mulheres são diferentes (grazie Dio). Fígaro está encantado com as ‘facilidades’ do quarto onde ele e Susana viverão após o casamento. Ele explica o quão perto ela estará do quarto da Condessa, caso ela precise de seus serviços – in due passi. Mas, em sua sagacidade, Susana alerta que, no caso em que o Conde envie Fígaro a uma tarefa distante – tre miglia lontan – ela ficará sozinha e o capiroto poderá colocar o Conde bem à sua porta. Die Teufel, em alemão parece até mais assustador. Assim se apresenta o enredo. O Conde tentando manter seus ‘direitos’ de prima notte, dos quais havia aberto mão, em jogada para a plateia. A revolta dos servos se monta, estabelecendo uma aliança com a Condessa. As mulheres, mesmo na nobreza, precisam lutar por seus direitos. E entre os próprios servos há os que estão prontos para tramar contra seus pares, visando proveitos próprios. Velha esta história.

Walter Berry, o Fígaro

4 – Will der Herr Graf – Se vuol ballare Signor Contino (Fígaro)

Nesta ária, Fígaro mostra sua frustração com o Conde. Na peça anterior, ele o ajudara ganhar o amor de Rosina, que tornar-se-ia Condessa. Conclui que o fará dançar segundo sua música.

5 – Ich weiß nicht – Non so più cosa son, cosa faccio…

Hanny Steffek, o Cherubino

Esta é a primeira de duas árias de Cherubino, um adolescente que se apaixona incessantemente por todas as mulheres a volta – Susana, Condessa… e acaba com Barberina, a filha do jardineiro. Tudo para apimentar ainda mais os jogos de ciúmes e traições.

6 –  Nun vergiß leises Fleh’n – Non più andrai, farfallone amoroso

Esta ária de Fígaro, cheia de toques militares, encerra o primeiro ato. Afinal, Cherubino tantas fez que é mandado de castigo a juntar-se ao regimento. Só assim deixará as mulheres e o Conde em paz. É claro que ele não irá e será disfarçado de mulher, para atiçar ainda mais a trama. Mais uma subversão ao Conde.

Maria Stader, a Condessa

7 – Hör mein Fleh’n – Porgi, amor, qualche ristoro

Esta belíssima ária da Condessa, que expressa sua tristeza pela mudança de atitude do Conde. Ele era muito mais dedicado antes do casamento, quando ela era ainda Rosina. Esta parte da história está na ópera escrita posteriormente, por Rossini.

8 – Sagt, holde Frauen – Voi che sapete che cosa è amor

Outra ária de Cherubino, papel destinado a um contralto. Era moda estes travestimentos nas óperas. Outro famoso papel deste tipo é o de Otaviano, no Cavaleiro da Rosa, de Richard Strauss. Richard sabia tudo sobre as óperas de Mozart.

9 – Warum gabst du bis heute – Crudel! Perche finora farmi languir cosi?

Neste delicioso dueto Susana e o Conde travam um diálogo de sedução e negação… tutto embromação!

Fischer-Dieskau, o Conde

10 – Der Prozeß schon gewonnen… Ich soll ein Glück entbehren – Hai gia vinto la causa…

Nesta ária o Conde se gaba de ter descoberta as tramas contra ele. Acredita que poderá manipular tudo e sair vencedor… Veremos!

11 – Und Susanna kommt nicht… Wohin flohen die Wonnestunden – E Susanna non vien… Dove sono i bei momenti

Outra bela ária da Condessa. Serve também para informar dos planos de travestimentos, dela com Susana, que causará enormes confusões…

12 – Wenn die sanften Abendwinde – Canzoneta sul’aria… Che soave zeffiretto

Este é um momento especial da ópera. Um dueto de sopranos – Condessa e Susana. Uma dita para a outra uma cançãozinha que servirá aos planos de engabelar o Conde e desmascará-lo. Em uma postagem da ópera inteira em italiano eu menciono essas coisas.

Ferdinand, espantado com a beleza da Susana

13- Alles ist richtig… Ach, öffnet eure Augen – Tutto è disposto. […] Aprite un po’ quegli’ occhi

Neste recitativo seguido de ária, Figaro acredita ter descoberto a traição de Susana e alerta a todos os homens – Abram os olhos! Cuidado com as mulheres… Apesar da confusão, que será esclarecida, Figaro afirma: fica a dica!

Rita Streich, a Susana

14 – Endlich naht sich die Stunde… O säume länger nicht – Giunse alfin il momento… Deh, vieni, non tardar, oh gioia bella

Aria de Susana, que anseia pelo fim das confusões.

Os cantores são excelentes. Maria Stader e Rita Streich fazem a Condessa e Susana, respectivamente. Hanny Steffek é Cherubino. Os papéis de Fígaro e do Conde têm os ótimos Walter Berry e Dietrich Fischer-Dieskau. Ferdinand Leitner rege a (lendária) Berliner Philharmoniker. Assim, espero que este disco desperte seu maior interesse pela ópera completa e também para os outros trabalhos de Mozart!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Die Hochzeit des Figaro (Höhepunkte)

Dietrich Fischer-Dieskau, Graf Almaviva

Maria Stader, Gräfin Almaviva

Hanny Steffek, Cherubin

Walter Berry, Figaro

Rita Streich, Susanne

Berliner Philharmoniker

Ferdinand Leitner, Dir

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Ferdinand Leitner, combinando as tretas com os cantores…

Aproveite!

René Denon

Se você gostou, pode tentar esta postagem:

Mozart (1756-1791): Le Nozze di Figaro – Carlo Maria Giulini

W. A. Mozart (1756-1791): Serenatas para Sopros K. 361 (Gran Partita) e K. 375 (Akademie für Alte Musik Berlin)

W. A. Mozart (1756-1791): Serenatas para Sopros K. 361 (Gran Partita) e K. 375 (Akademie für Alte Musik Berlin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu costumo citar sempre a mesma coisa quando posto a Gran Partita: a famosa cena do filme Amadeus onde Salieri fala do lindíssimo Adágio da obra:

Na página não parecia nada! O princípio simples, quase cômico. Só uma pulsação. Trompas, fagotes… Como uma sanfona enferrujada. E depois, subitamente… Lá bem no alto… Um oboé. Uma única nota, ali pendurada, decidida. Até que um clarinete a substitui, adoçando-a numa frase  voluptuosa… Isto não era uma composição de um macaco amestrado. Era música como eu nunca tinha ouvido. Cheia de uma saudade, de uma saudade não realizada. Parecia-me que estava a ouvir a voz de Deus.

Este é o texto de uma das mais belas cenas de Amadeus (1984), de Milos Forman. Quem o diz é F. Murray Abraham no papel de Salieri. Ele recebeu o Oscar de Melhor Ator.

A Serenata Nº 10 para sopros, K. 361, foi escrita para treze instrumentos: 2 oboés, 2 clarinetes, 2 corni di bassetto (os mesmos do Réquiem), 2 fagotes, 4 trompas e um contrabaixo. Foi composta em 1781 ou 1782 e é conhecida pelo apelido de Gran Partita, embora o título não tenha vindo da mão de Mozart. É enorme, tem sete movimentos. O K. 375 que abre este CD também é muito bom, mas fala sério, a Gran Partita é disparado a estrela do disco.

Esta gravação de duas das Serenatas de Mozart é uma joia que você deve ouvir. São duas obras-primas interpretadas com extremo bom gosto e senso do estilo mozartiano. A Akademie für Alte Musik Berlin é sinônimo de muito alta qualidade. Sempre!

W. A. Mozart (1756-1791): Serenatas para Sopros K. 361 (Gran Partita) e K. 375 (Akademie für Alte Musik Berlin)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791): Serenade No. 11 in E -Flat Major, K. 375
1 Serenade No. 11 in E-Flat Major, K. 375: I. Allegro maestoso 07:39
2 Serenade No. 11 in E-Flat Major, K. 375: II. Menuetto – Trio 03:36
3 Serenade No. 11 in E-Flat Major, K. 375: III. Adagio 05:45
4 Serenade No. 11 in E-Flat Major, K. 375: IV. Menuetto – Trio 02:21
5 Serenade No. 11 in E-Flat Major, K. 375: V. Finale. Allegro 03:40

Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran partita”
6 Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran partita”: I. Largo – Molto allegro 09:49
7 Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran Partita”: II. Menuetto – Trio I – Trio II 08:56
8 Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran partita”: III. Adagio 05:19
9 Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran Partita”: IV. Menuetto. Allegretto – Trio I – Trio II 04:55
10 Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran partita”: V. Romance. Adagio 06:31
11 Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran Partita”: VI. Tema con variazioni. Andante 09:38
12 Serenade No. 10 in B-Flat Major, K. 361 “Gran partita”: VII. Finale. Molto allegro 03:31

Akademie für Alte Musik Berlin

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Pobre do Salieri original. O filme faz-lhe a maior das sacanagens póstumas, mas é tão bom que deixa assim.

PQP

 

W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem / Inter Natos Mulierum / Misericordias Domini (Schuldt-Jensen)

W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem / Inter Natos Mulierum / Misericordias Domini (Schuldt-Jensen)

Um bom disco. Já ouvi melhores Réquiens de Mozart, creio eu. Este e este são melhores, por exemplo. Para quem não sabe, o Réquiem K. 626 é uma missa fúnebre encomendada pelo Conde Franz von Walsegg e foi deixada incompleta devido à morte de Mozart em 5 de Dezembro de 1791. É sua última composição, deixada assim devido à sua morte, um Réquiem. É claro que isso acabaria em lendas, histórias, ficções, etc.

Mozart conseguiu terminar apenas poucas partes do Réquiem. Toda a orquestração do Requiem Aeternam, um rascunho detalhado do Kyrie, trechos instrumentais, o coro e o baixo cifrado do Sequentia até a Lacrimosa, que apresentava apenas 8 compassos. Também havia todas as vozes e baixos cifrados do Domine Jesu e do Hostias. Cinco dias após sua morte, em 10 de Dezembro de 1791, o Introitus foi tocado em um serviço para o próprio Mozart na Igreja de Miguel Arcanjo em Viena (os seus tímpanos e trompetes foram adicionados posteriormente por Franz Xaver Süßmayr).

Em 21 de Dezembro de 1791, o jovem Joseph Eybler foi encarregado por Constanze de terminar a obra, afinal, Mozart deixou dívidas enormes para Constanze, fazendo com que ela precisasse dos outros 25 ducados restantes da comissão. No entanto, após completar todas as partes dos instrumentos de cordas da Sequentia e toda a orquestração do Dies Irae e do Confutatis, além de ter adicionado dois compassos na linha do soprano da Lacrimosa, Eybler desistiu por razões desconhecidas.

Após tentar com que vários compositores terminassem a obra, Constanze aproximou-se de Süßmayr. Ele coletou diversos rascunhos e finalizou a orquestração da obra, além de compor o resto da Lacrimosa, todo o Sanctus, Benedictus e Agnus Dei, e repetir parte do Requiem Aeternam para a Lux Aeterna. Ficou bonzinho, mas não se compara com as partes Mozart do Réquiem.

W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem / Inter Natos Mulierum / Misericordias Domini (Schuldt-Jensen)

1 Inter Natos Mulierum, K. 72 5:09
2 Misericordias Domini, K. 222 6:02

Requiem In D Minor, K. 626 40:54

3 I. Introitus: Requiem Aeternam 4:05
4 Kyrie Eleison 2:15

III Sequentia:
5 Dies Irae 1:38
6 Tuba Mirum 2:46
7 Rex Tremendae Majestatis 1:47
8 Recordare, Jesu Pie 4:27
9 Confutatis Maledictis 1:51
10 Lacrimosa Dies Illa 2:38

IV Offertorium
11 Domine Jesu Christe 3:05
12 Hostias Et Preces 3:18
13 V Sanctus 1:23
14 VI Benedictus 4:24
15 VII Agnus Dei 2:25
16 VIII Lux Aeterna 4:52

Bass Vocals – Martin Snell (2)
Choir – GewandhausKammerchor, GewandhausKammerchor
Composed By – Wolfgang Amadeus Mozart (tracks: 1 to 12)
Composed By [Completed By] – Franz Xaver Süssmayr (tracks: 7 to 16)
Conductor – Morten Schuldt-Jensen
Mezzo-soprano Vocals – Anne Buter
Orchestra – Leipziger Kammerorchester, Leipziger Kammerorchester
Soprano Vocals – Miriam Allan
Tenor Vocals – Marcus Ullmann

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Morten Schuldt-Jensen comandando a massa e dando as ordens no terreiro. Alô, alô, seu Chacrinha, velho guerreiro.

PQP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Isaac Stern Plays Mozart

Havia um tempo, não muito tempo atrás, em que a Terra era dominada por excepcionais violinistas, mestres supremos e soberanos de seus instrumentos: David Oistrakh, Jascha Heifetz, Henryk Szering, Nathan Milstein, Isaac Stern, entre outros. E todos eles eram contemporâneos, habitavam o planeta ao mesmo tempo, e dominavam os palcos do mundo todo.

Dentre estes acima citados, Isaac Stern era o mais novo. Morreu em 2001, aos 81 anos. Apesar de ter nascido na Ucrânia, ainda bebê seus pais imigraram para os Estados Unidos, se estabelecendo em San Francisco.

Estas gravações dos concertos de Mozart valem cada minuto de sua audição. Nomes como George Szell, Pinchas Zukerman, Jean Pierre Rampal e Daniel Barenboim estão entre os maestros que o acompanham, então a qualidade está garantida.

Espero que apreciem.

CD 1

01-Concerto No 1 in B-flat Major for Violin – I. Allegro moderato
02-Concerto No 1 in B-flat_Major_for_Violin –  II. Adagio
03-Concerto No 1 in B-flat Major_for_Violin – III. Presto

Columbia Symphony Orchestra
George Szell – Conductor
Isaac Stern – Violin

04-Concerto No 2 in D Major for Violin – I. Allegro moderato
05-Concerto No 2 in D Major for Violin – II. Andante
06-Concerto No 2 in D Major for Violin – III. Rondo. Allegro

English Chamber Orchestra]
Alexander Schneider – Conductor

07-Concerto No 3 in G Major for Violin – I. Allegro
08-Concerto No 3 in G Major for Violin – II. Adagio
09-Concerto No 3 in G Major for Violin – III. Rondo. Allegro

Members of Cleveland Orchestra

CD 2

1. Concerto Nº 4 in D Major for Violin I. Allegro
2. II. Andante cantabile
3. III. Rondeau. Andante grazioso

English Chamber Orchestra
Alexander Schneider – Conductor

4. Concerto No 5 in A Major for Violin I. Allegro aperto
5. II. Adagio
6. III. Rondeau – Tempo di Menuetto

Columbia Symphony Orchestra
George Szell – Conductor

7. Adagio for Violin and Orchestra in E Major, K. 261
8. Rondo for Violin and Orchestra in C Major, K. 373

English Chamber Orchestra
Alexander Schneider – Conductor

Disc: 3
1. Concertone in C Major for Two Violins I. Allegro spiritoso
2. II. Andantino grazioso
3. III. Tempo di Menuetto – Vivace
4. Sinfonia Concertante for_Violin Viola I. Allegro maestoso
5. II. Andante
6. III. Presto

Pinchas Zukerman – Violin, Viola
English Chamber Orchestra
Daniel Baremboim – Conductor

7. Serenade No6 in D Major K239 I. Marcia. Maestoso
8. II. Menuetto
9. III. Rondeau. Allegretto

Franz Liszt Chamber Orchestra

CD 4
01-March in D Major K.249
02. Serenade in D Major K.250 248b Haffner I. Allegro maestoso – Allegro molto – Jean-Pierre Rampal
03. II. Andante
04. III. Menuetto
05. IV. Rondeau. Allegro
06. V. Menuetto galante – Trio
07. VI. Andante
08. VII. Menuetto
09. VIII. Adagio – Allegro assai

Franz Liszt Chamber Orchestra
Jean Pierre Rampal – Conductor

10. Adagio for Violin and Orchestra in E Major, K. 261
11. Rondo for Violin and Orchestra, K. 373

Franz Liszt Chamber Orchestra

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FDP

Mozart (1756–1791): Concertos para Piano Nos. 9 & 17 – Olga Pashchenko & Il Gardellino ֎

Mozart (1756–1791): Concertos para Piano Nos. 9 & 17 – Olga Pashchenko & Il Gardellino ֎

Mozart

Concertos para Piano Nos. 9 & 17

Olga Pashchenko

Il Gardellino

 

 

Gostei de tudo neste disco, começando pela capa, colorida e jovial. E como a cada vez que acabo de ouvi-lo quero ouvir de novo, achei que deveria postá-lo.

É uma mistura de inovação e tradição que abrilhanta ainda mais o resultado. Temos dois excelentes concertos para piano de Mozart, mas não ainda aqueles maiorzões que viriam do vinte em diante. Os concertos são interpretados por uma jovem fortepianista russa que merece toda a nossa atenção (há outros surpreendentes discos da moça por aí…), acompanhada pela orquestra Il Gardellino, que foi formada há já mais de trinta anos pelo oboísta Marcel Ponseele e pelo flautista Jan De Winne.  O selo Alpha garantia de bom acabamento.

Dito isso, sei que você já vai colocar o mouse em outros ícones, pois que eu também receava os instrumentos de época, mas calma, experimente este aqui. Os fortepianos (um para cada concerto) soam muito bem e audíveis aqui e a interpretação vale ser apreciada. Assim, se você quiser ouvir esta linda música com ouvidos renovados, vá em frente, caso contrário e insista em ser cringe, siga para outras gravações como a combinação Serkin, LSO e Abbado nos mesmos concertos. Nada contra, mas…

Estes dois concertos têm em comum o fato de terem sido compostos por Mozart para duas pianistas que cruzaram seu caminho em diferentes situações. O Concerto No. 9 foi composto para Victorie Jenamy, pianista francesa que passava por Salzburgo e era filha de um famoso coreógrafo. Ela o deve ter tocado pela primeira vez em 4 de outubro de 1777. Eu adoro o movimento lento deste concerto que é um dos mais significativos dos que foram compostos em Salzburgo.

Babette

O Concerto No. 17 foi escrito para uma aluna de Mozart, Maria Anna Barbara Ployer, que o estreou em 13 de junho de 1784 em um concerto no qual esteve presente Giovanni Paisello. Mozart devia confiar muito nos talentos da aluna com quem tocou também a Sonata para dois pianos, K. 448. Deve ter sido uma noite e tanto. A instrumentação do concerto é bem rica para os padrões, com flauta, oboés, fagotes e trompas, além das cordas. Ouça com atenção o início do movimento lento, quando esperamos ouvir a entrada do piano e ouvimos um pequeno trecho de flauta, oboé e fagote…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano No. 9 em mi bemol maior, K271 “Jeunehomme”

  1. Allegro
  2. Andantino
  3. Rondeau.Presto

Concerto para Piano No. 17 em sol maior, K453

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Alegretto – Presto

Olga Pashchenko

Il Gardellino

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Olga em sua última visita à sede do PQP Bach de Porto Alegre, tomando uma brisa às margens do Guaíba…

I am happy to say that Pashchenko and colleagues catch both [concertos] beautifully. Pashchenko is full of play and exuberance but never at the expense of the darker undercurrents of the music.

[…]

You can tell by my comparisons, that I feel Pashchenko’s conception of these works is essentially operatic rather than symphonic, which I think is as it should be. Without a sense of the dramatic narrative of these works, something of their magic gets lost and I, for one, believe that, in almost everything he wrote, Mozart was composing operas.

Trechos de uma crítica que você poderá ler na íntegra aqui.

Aproveite!

René Denon

O piano, forte, de Mozart…

In memoriam Rosana Martins (1948-2020) [W. A. Mozart: Sonatas para piano, K. 331 e K. 332]

Há um ano, Rosana Martins nos deixava. Muito querida por todos que a conheceram, ela teve um papel muito importante na história do piano brasileiro, tanto por seu trabalho junto ao selo Connoisseur Society, responsável pela maior parte das gravações do grande Antonio Guedes Barbosa (1943-1993), quanto como produtora de “Meu Piano”, a memorável coleção de 41 CDs gravados por Arthur Moreira Lima que levou um vasto repertório pianístico, a preços muito acessíveis, a um público brasileiro que o desconhecia. Rosana tinha estreito contato com grandes nomes da música em todo mundo, e era especialmente próxima de Nelson Freire, a quem muito apoiou como empresária e grande amiga.

Nelson e Rosana (foto do acervo pessoal de Rosana Martins)

Meu contato com Rosana, ainda que breve e estritamente virtual, deixou-me as melhores lembranças: foi uma das primeiras integrantes de um grupo que criei na internet para lembrar Antonio Guedes Barbosa, que abastecia com memórias de seu contato com o extraordinário artista pessoense. Quem frequentava os fóruns sobre piano nas redes sociais não demorava a encontrar suas contribuições e fascinantes mementos de outros encontros memoráveis.

Rosana e uma outra senhora que, dizem, toca direitinho (acervo pessoal de Rosana Martins)

Nossa homenagem a Rosana, no entanto, traz um precioso registro de sua própria carreira como pianista. Criança-prodígio, ela venceu, aos doze anos, o Concurso Internacional das Juventudes Musicais em Berlim, o que acabou por lhe abrir portas para estudos no exterior. Não lhes saberei contar a trajetória tão bem quanto ela própria nessa entrevista ao incansável, indispensável Alexandre Dias, diretor do Instituto Piano Brasileiro (você ainda não apoia o IPB? Pois deveria):

Rosana deixou os estudos pianísticos aos 18 anos, para dedicar-se a seus outros interesses, mas voltou ao teclado aos 21 para fazer a gravação que lhes alcançamos agora. Realizada pelo selo Connoisseur Society, e tendo como engenheiro de som Péter Bartók (o filho do próprio), este registro de duas das mais célebres sonatas de Amadeus recebeu resenhas entusiasmadas e láureas quando de seu lançamento, em 1969. Permaneceu no limbo por décadas – assim como permanece, inexplicavelmente, quase todo precioso acervo da Connoisseur Society – até vir à tona novamente há alguns anos, num popular canal pianístico do YouTube, atestando a grandeza da mui modesta Rosana como pianista, para os tantos que, como eu, a desconheciam. A leitura, como ouvirão, é extraordinária – clara, transparente, impecável! -, e aqui está, creio, numa qualidade sonora melhor que a de todas outras fontes disponíveis nas redes: a digitalização, feita a partir dum LP que estava lacrado até o ano passado, foi-me alcançada por um generoso melômano e leitor-ouvinte dos Estados Unidos, que escolheu permanecer anônimo e a quem agradeço demais pela contribuição à memória de Rosana e para o deleite de PQPianos de todo mundo!

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sonata para piano em Lá maior, K.331
1 – Andante grazioso
2 – Menuetto
3 – Alla turca – Allegretto

Sonata para piano em Fá maior, K.332
4 – Allegro
5 – Adagio
6 – Allegro Assai

Rosana Maria Martins, piano

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Rosana (aos 12 anos) na casa dum velhinho, aí (acervo pessoal de Rosana Martins)

BÔNUS: O triunfo da menina Rosana no concurso da FIJM em Berlim levou-a a gravar Schumann (Papillons, Op. 2) e Debussy (“Poissons d’Or”) com a Deutsche Grammophon em Hannover, para o álbum comemorativo. Para escutar o prodígio de doze anos, clique AQUI.

[em tempo: no mesmo concurso e na categoria etária imediatamente acima daquela de Rosana, a medalha de prata foi para uma garota portuguesa chamada… Maria João]

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 7 a 9 de 9 – Mitsuko Uchida, Jeffrey Tate, English Chamber Orchestra

Vamos concluir mais uma integral dos Concertos para Piano de Mozart, com a dupla Mitsuko Uchida, sempre acompanhada por Jeffrey Tate, que dirige a English Chamber Orchestra,.

Aqui temos a fina flor dos Concertos, como os de nº 21, 25, 26 e 27. Obras fundamentais no repertório pianístico, nem precisam de apresentação. E sempre é um imenso prazer ouvir estas obras tocadas por Uchida. Creio que o prazer será compartilhado pelos senhores.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 7 a 9 de 9 – Mitsuko Uchida, Jeffrey Tate, English Chamber Orchestra

CD 7

01. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22 – Allegro
02. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22 – Andante
03. Concerto in E Flat, K. 482, nº 22  – Allegro – Andante cantabile – Tempo I
04. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Allegro
05. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Adagio
06. Concerto in A, K. 488, nº 23 – Allegro assai

CD 8

01. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Allegro
02. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Larghetto
03. Concerto in C Minor, KV. 491, nº 24 – Allegretto
04. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Allegro maestoso
05. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Andante
06. Concerto in C, K. 503, nº 25 – Allegretto

CD 9

01. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Allegro
02. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Larghetto
03. Concerto in D, K. 537, nº 26 – Allegro
04. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Allegro
05. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Larghetto
06. Concerto in B Flat, K. 595, nº 27 – Allegro

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor

FDP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 4 – 6 de 9 – Mitsuko Uchida, Jeffrey Tate, Englisch Chamber Orchestra

Vamos dar continuidade a esta integral dos Concertos para Piano de Mozart, sempre nas competetentes mãos de Mitsuko Uchida e de seu fiel parceiro, Jeffrey Tate, que dirige a sempre ótima English Chamber Orchestra. Uma curiosidade sobre este maestro: também se formou médico, e especializou-se em cirurgia ocular. Infelizmente veio a falecer em 2017.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 4 – 6 de 9 – Mitsuko Uchida, Jeffrey Tate, Englisch Chamber Orchestra

CD 4

Concerto in D, K. 451, nº 16 – Allegro Assai
Concerto in D, K. 451, nº 16 – Andante
Concerto in D, K. 451, nº 16 – Rondeau (Allegro di molto)
Concerto in G, K. 453, nº 17 – Allegro
Concerto in F, K. 423, nº 17 – Andante
Concerto in F, K. 423, nº 17 – Allegretto
Rondo in D, KV. 382 – Allegretto grazioso
Rondo in D, KV. 382 – Adagio
Rondo in D, KV. 382 – Allegro

CD 5

01. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Allegro Vivace
02. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Andante un poco sotenuto
03. Concerto in B Flat, KV. 456, nº 18 – Allegro Vivace
04. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegro Vivace
05. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegretto
06. Concerto in F, K. 459, nº 19 – Allegro Assai\

01. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Allegro
02. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Romance
03. Concerto in D Minor, K. 466, nº 20 – Allegro Assai
04. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Allegro
05. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Andante
06. Concerto in C, K. 467, nº 21 – Allegro vivace assai

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor

FDP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 1 a 3 de 9 – Mitsuko Uchida, Jeffrey Tate, English Chamber Orchestra

Assim como eu, muitos foram apresentados aos Concertos de Mozart pelas hábeis e talentosas mãos da pianista Mitsuko Uchida, ali por meados da década de 80. Os bolachões, ou LPs, como quiserem, estavam sempre a venda nas lojas de discos, mas os preços não eram muito acessíveis, podíamos comprar um ou dois por mês, e olha lá. Não cheguei a concluir a coleção, nem lembro quantos discos comprei. Mas era Mozart, e tremendamente bem tocado. Emocionante lembrar daqueles períodos de vacas magras (não que elas tenham conseguido engordar muito), quando fazíamos muitos sacrifícios para termos acesso a música de qualidade. O velho 3×1 da Philips tocava sem parar.

Mitsuko Uchida é uma reconhecida pianista japonesa, porém cidadã britânica, e que gravou muito entre os anos 80 e 90, sempre pelo selo Philips.  Hoje, já adentrada nos setenta e poucos anos, ainda grava e se apresenta em recitais. Recentemente postei uma integral dos concertos para piano de Beethoven com ela e com Sir Simon Rattle ainda nos tempos de Filarmônica de Berlim, creio que foi uma das últimas gravações do maestro frente à sua ex-orquestra.

Em pleno ano dedicado às comemorações dos 250 anos de nascimento de Beethoven, impossível deixarmos Mozart de lado. Esse compositor é fundamental, talvez tão necessário quanto o ar que respiramos. Mesmo em obras da mais terna juventude, ou até mesmo infância, a genialidade do gênio de Salzburg é algo que se manifesta a todo momento, impossível negar tal fato. Por isso achei interessante, e oportuno, esta série de postagens.

Uchida se uniu ao maestro Jeffrey Tate para realizar a empreitada. Mozartiano de mão cheia, muito experiente nesse repertório, ele nos entrega um Mozart robusto, coerente, e sua cumplicidade com a solista se sobressai ao não permitir que a orquestra se sobreponha ao piano. Com certeza esta série é uma referência nesse repertório.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – CDs 1 a 3 de 9 – Mitsuko Uchida =, Jeffrey Tate, English Chamber Orchestra

CD 1

01. KV 175 in D, (1) Allegro
02. KV 175 in D, (2) Andante ma poco adagio
03. KV 175 in D, (3) Allegro
04. KV 238 in B flat, (1) Allegro aperto
05. KV 238 in B flat, (2) Andante un poco adagio
06. KV 238 in B flat, (3) Rondeau (Allegro)
07. KV 271 in E flat, Jeunehomme (1) Allegro
08. KV 271 in E flat, Jeunehomme (2) Andantino
09. KV 271 in E flat, Jeunehomme (3) Rondo (Presto)

CD 2

01. Concerto in C, KV 246 Lutzow (1) Allegro aperto
02. Concerto in C, KV 246 Lutzow (2) Andante
03. Concerto in C, KV 246 Lutzow (3) Rondeau (Tempo di menuetto)
04. Concerto in F, KV 413 (1) Allegro
05. Concerto in F, KV 413 (2) Larghetto
06. Concerto in F, KV 413 (3) Tempo di menuetto
07. Concerto in A, KV 414 (1) Allegro
08. Concerto in A, KV 414 (2) Andante
09. Concerto in A, KV 414 (3) Rondeau (Allgretto)

CD 3

01. Concerto in C, KV 415 1. Allegro
02. Concerto in C, KV 415 2. Andante
03. Concerto in C, KV 415 3. Rondeau (Allegretto )
04. Concerto in E flat, KV 449 1. Allegro vivace
05. Concerto in E flat, KV 449 2. Andantino
06. Concerto in E flat, KV 449 3. Allegro ma non troppo
07. Concerto in B flat, KV 450 1. Allegro
08. Concerto in B flat, KV 450 2. Andante
09. Concerto in B flat, KV 450 3. Allegro

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Mitsuko Uchida – Piano
English Chamber Orchestra
Jeffrey Tate – Conductor

FDP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos – Radu Lupu, André Previn, Leif Andsnes

Hoje trago uma postagem um pouco diferente para os senhores. O mesmo compositor, a mesma obra, mas interpretadas por músicos e em épocas diferentes.

Tenho um grande apreço muito grande por dois destes concertos que trago hoje, o de nº 20 e o de nº 21. Os considero os melhores, dentre todos o que Mozart compôs.

Importante salientar que são três CDs que foram gravados em períodos bem distintos, quarenta anos se passaram entre um e outro. Mas ambos conseguem extrair aquela magia da música de Mozart que apenas os grandes músicos conseguem extrair. O da dupla Previn / Lupu foi gravado lá no início da década de 80, enquanto que o do pianista norueguês Leif Ove Andsnes foi recém lançado agora mesmo neste mês de maio de 2021. Muita água passou sob a ponte, o Planeta Terra é muito diferente daquele dos anos 80. Não posso dizer que aqueles eram tempos mais liberais (Tatcher / Reagan, Afeganistão), talvez mais intensos, e a interpretação precisa de Lupu demonstra isso, se comparados com este sombrio período que vivemos, em plena Pandemia. Mas a música de Mozart continua fresca, única e muito atual. Existe algo mais delicado e belo que o tema do Andante do Concerto de nº 21? Alguns podem considerar a interpretação de Andsnes um tanto quanto fria, calculista, metódica, mas creio que ele apenas reflete os tempos em que vivemos. A essência continua ali, presente, nas notas extraidas do piano. Cabe a nós localizá-la  …

Como diria Mestre Carlinus, uma boa apreciação e que melhores tempos venham pela frente … a trilha sonora o PQPBach vem fornecendo para os senhores.

01. Concerto for 2 Pianos No. 10 in E-Flat Major, K. 365-316a- I. Allegro
02. Concerto for 2 Pianos No. 10 in E-Flat Major, K. 365-316a- II. Andante
03. Concerto for 2 Pianos No. 10 in E-Flat Major, K. 365-316a- III. Rondo. Allegro
04. Piano Concerto No. 20 in D Minor, K. 466- I. Allegro (Cadenza by Beethoven)
05. Piano Concerto No. 20 in D Minor, K. 466- II. Romance
06. Piano Concerto No. 20 in D Minor, K. 466- III. Rondo. Allegro assai (Cadenza by Previn)

Radu Lupu – Piano (Concerto nº20)
André Previn Piano (Concerto nº 10) e Condutor
London Symphony Orchestra

CD 1
01 Piano Concerto No. 20 in D minor K. 466 I. Allegro
02 Piano Concerto No. 20 in D minor K. 466 II. Romanze
03 Piano Concerto No. 20 in D minor K. 466 III. Rondo Allegro assai
04 Piano Concerto No. 21 in C Major K. 467 I. Allegro maestoso
05 Piano Concerto No. 21 in C Major K. 467 II. Andante
06 Piano Concerto No. 21 in C Major K. 467 III. Allegro vivace assai

 

CD 2

01 Fantasia in C Minor K. 475
02 Piano Quartet in G Minor K.478 I. Allegro
03 Piano Quartet in G Minor K.478 II. Andante
04 Piano Quartet in G Minor K.478 III. Rondo
05 Maurerische Trauermusik (Masonic Funeral Music) in C Minor K. 477 (K. 479a)
06 Piano Concerto No. 22 in Es-Dur Major K. 482 I. Allegro
07 Piano Concerto No. 22 in Es-Dur Major K. 482 II. Andante
08 Piano Concerto No. 22 in Es-Dur Major K. 482 III. Allegro

Leif Ove Landsnes – Piano e Condutor
Mahler Chamber Orchestra

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W.A. Mozart sobre J.S. Bach: Adagios & Fugues (Akademie Für Alte Musik Berlin)

W.A. Mozart sobre J.S. Bach: Adagios & Fugues (Akademie Für Alte Musik Berlin)

Depois de se estabelecer em Viena, sem se importar com a terrível advertência de papai Leopold, Mozart aproveitou todas as oportunidades para impressioná-lo com a seriedade de seus propósitos. Em abril de 1782, ele informou a seu pai que ‘Todos os domingos, às 12 horas, vou à casa do Barão van Swieten, onde não se toca nada além de Bach e Handel. No momento, estou fazendo uma coleção de fugas de Bach…”. Para as matinês semanais barrocas do Barão, Mozart também transcreveu diversas fugas de Bach para cordas, seis para trio e cinco para quarteto. Seu entusiasmo por Bach pode ter sido estimulado ainda mais por sua noiva, Constanze, que se era uma espécie de fugólatra.

Para seus arranjos de quarteto, Mozart favoreceu as fugas de som mais arcaico. Quando foram publicadas, eram precedidas, de maneira um tanto incongruente, por novos prelúdios de autoria desconhecida — era um Bach filtrado por um prisma galante. A Akademie für Alte Musik complementa três das transcrições de Mozart com arranjos anônimos de quinteto de cordas, com novos prelúdios. Fica tudo muito estranho. Para compensar a severidade potencial em uma sucessão de fugas lentas, a Akademie varia as cores instrumentais: cordas solo, orquestra de cordas, oboés, trombones e fagote.

Um disco interessantíssimo!

W.A. Mozart sobre J.S. Bach: Adagios & Fugues (Akademie Für Alte Musik Berlin)

1 Prelude & Fugue In D Minor K405/4 6:03
2 Larghetto Cantabile In D Major & Fugue K405/5 4:45
3 Adagio & Fugue in A Minor 5:55
4 Allegro In C Minor K Anh 44 & Fuga A Due Cembali K426 4:33
5 Adagio Cantabile & Fugue In E Flat Major 3:55
6 Adagio & Fugue In C Minor K546 6:32
7 Adagio & Fugue in E Major K405/3 5:08
8 Adagio & Fugue in B Minor 6:08
9 Adagio & Fugue in D Minor 7:28

Akademie Für Alte Musik Berlin

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Bach e Mozart: conexões

PQP

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha: a Segunda Década (1951-1960) [Martha Argerich, 80 anos]


Em homenagem aos oitenta anos da Rainha, adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a segunda de oito partes:


Logo que ficou ficou óbvio que não haveria professores no Hemisfério Sul capazes de darem conta da pequena María Martha (porque eu tinha HOJE anos de idade quando descobri que Martha também é María), começaram as tratativas para que a niña precoz fosse estudar na Europa. A escolha de María era clara: queria ir para Viena estudar com Friedrich Gulda, um pianista brilhante que já granjeara fama de excêntrico e anticonvencional, e cujo antiacademicismo mui provocativo o tornava o mais improvável dos professores.

E isso tudo antes de adotar o visual que, a partir dos anos 70, fê-lo ser mimosamente comparado a um “cafetão sérvio”.

Como os Argerich não nadavam em recursos, a mãe de María resolveu tomar providências. A (assim a chamemos) mui assertiva Juanita, com quem Martha sempre teria uma relação complicada, resolveu as coisas com ninguém menos que Juan Domingo Perón. Nas palavras da filha:

Eu tinha pouco mais de 12 anos, tinha tocado no Teatro Colón e o Perón tinha me convidado para um encontro na residência presidencial. Mamãe perguntou se ela poderia vir comigo, e eles disseram que sim, é claro. Eu não era muito peronista; lembro-me que estava sempre colando pedacinhos de papel em todos os lugares que diziam “Balbín-Frondizi” [antiperonistas ferrenhos e candidatos da oposição às eleições de 1951]. Perón nos recebeu e me perguntou: “E para onde você quer ir, ñatita?” E eu queria ir para Viena, estudar com Friedrich Gulda. Ele gostou de eu não querer ir para os Estados Unidos. O mais engraçado foi que minha mãe, para bajulá-lo, disse a ele que eu adoraria fazer um show na UES [União dos Alunos do Ensino Médio]. E devo ter feito uma cara um tanto reveladora de que não gostei da ideia, pois o Perón começou a concordar com mamãe, dizendo “claro senhora, vamos organizar”, enquanto piscava para mim e, por baixo da mesa, fazia com um dedo que não. Ele estava contendo mamãe e isso me acalmou – percebeu que eu não queria. Fantástico, não é? E ele deu um emprego ao meu pai. Ele o nomeou adido econômico em Viena. E disse à mamãe que a achava também muito inteligente, empreendedora e capaz, e que conseguiu outro cargo para ela na embaixada.

Naqueles tempos, o que Perón mandava, o governo fazia: no ano seguinte, os Argerich deixariam Buenos Aires com mala e cuias, rumo a Viena e ao encontro de Gulda.

Martha e Gulda em Viena, sob o olhar atendo do filho mais ilustre de Aracati, o grande Jacques Klein (à esquerda). Foto do acervo de Nelson Freire, disponibilizada pelo Instituto Piano Brasileiro.

Foram apenas dezoito meses de estudo, durante os quais Martha foi a única aluna de Gulda, um mestre apenas onze anos mais velho que ela e de ademais pouquíssimos alunos. Ainda que viesse a receber lições de Maria Curcio, de Stefan Askenaze e de Arturo Benedetti Michelangeli, Gulda foi a mais decisiva influência na carreira de nossa Rainha. Ela sempre o idolatrou, e frequentemente o cita em suas entrevistas. O austríaco, no entanto, não se impressionou com o estrelato posterior de sua aluna, aparentemente por achá-lo convencional demais para seus heterodoxos parâmetros. E a vida pessoal de Martha, também, parecia bater recordes mesmo para os caóticos padrões guldanianos: ao encontrá-la num camarim, décadas depois, depois de um recital, Gulda – que ficaria notório por divulgar a notícia de sua morte um ano antes de morrer de fato, e que intitulou seu concerto seguinte “Festa da Ressurreição” – tascou:

O que fizeste da tua vida???
O que fazer da vida é a preocupação de todas as ex-crianças prodígio, e Martha, egressa dos estudos com Gulda, não sabia o que fazer dela. Estava longe da bajulação que tinha na Argentina, mas ainda controlada a cabresto pela mãe, e no coração dum continente onde se levantava uma pedra e, debaixo dela, saíam enxames de pianistas promissores. A saída mais óbvia eram as láureas em concursos de piano, e ela conseguiu duas em menos de um mês, em 1957: no Concurso Internacional Busoni em Bolzano (Itália), e no Concurso Internacional de Genebra (Suíça), o qual Gulda também vencera com 16 anos.

Enquanto botava as manguinhas de fora para morar sozinha, Martha excursionava extensamente pelo continente e, antes dos vinte anos, fez sua estreia discográfica oficial pela prestigiosa Deutsche Grammophon, ostentando na capa os cabelos cacheados e o olhar tristonho típicos daquela década. A relação da promissora jovem com seu instrumento, enfim, sempre tivera profundas rachaduras e muito poucas alegrias. Num dos trechos mais tocantes do documentário assinado por sua filha, Stéphanie, Martha está a olhar álbuns da infância e estimar sua idade nas fotos pela presença do sorriso – sinal de que o piano ainda não entrara em sua vida.

Esse difícil período de transição entre ex-criança prodígio e superestrela do teclado é admiravelmente coberto por esta caixa da Hänssler, que mostra que nossa Rainha era uma artista consumada antes de completar 20 anos. Em diversas gravações ao vivo de qualidade variável, além da supracitada gravação de estreia em estúdio, são óbvias as qualidades que até hoje, mais de sessenta anos depois, nos deixam boquiabertos. Entre várias interpretações de Mozart, um compositor a que voltaria relativamente pouco em sua carreira, e o primeiro de seus sete registros do concerto de Ravel, que é de seus cavalos de batalha favoritos, o curioso destaque – e a prova principal de que Martha estava disponível para todas empreitadas – é o registro de dois recitais em Leningrado (atual São Petersburgo), no qual ela acompanhava o já famoso violinista Ruggiero Ricci, vinte anos mais velho, e que permaneceu seu amigo por toda vida.


Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Concerto em Sol maior para piano e orquestra, M. 83
1 – Allegramente
2 – Allegro assai
3 – Presto
Südwestfunk-Sinfonieorchester Baden-Baden
Ernest Bour, regência
Gravação de 1960

Gaspard de la Nuit, três poemas para piano após Aloysius Bertrand, M. 55
4 – Ondine
5 – Le Gibet
6 – Scarbo
Gravação de 1960

Sonatina para piano em Fá sustenido menor, M. 40
7 – Modéré
8 – Mouvement de Menuet
9 – Animé
Gravação de 1960

Jeux d’eau, para piano, M. 30
10 – Très doux
Gravação de 1960

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonatina para violino e piano, Sz. 55, BB 102a (arranjo de A. Gertler)
11 – Cornemuses. Allegretto
12 – Danse De L’ours. Moderato
13 –  Finale: Allegro Vivace
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

Pablo Martín Melitón de SARASATE y Navascués (1844-1908)
Introdução e tarantela para violino e piano, Op. 43
14 – Moderato
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Concerto para piano e orquestra no. 21 em Dó maior, K. 467
1 -Allegro maestoso
2 – Andante
3 –  Allegro vivace assai
Kölner Rundfunk-Sinfonieorchester
Peter Maag, regência
Gravado em 1960

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Das Três sonatas para piano, Op. 10: 
No. 3 em Ré maior
4 – Presto
5 – Largo e Mesto
6 – Menuetto. Allegro
7 – Rondo. Allegro
Gravado em 1960

Das Três sonatas para violino e piano, Op. 12:
No. 3 em Mi bemol maior
8 – Allegro con spirito
9 – Adagio con molt’espressione
10 – Rondo. Allegro molto
Ruggiero Ricci, violino
Gravado em 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART
Sonata para piano no. 8 em Lá menor, K. 310
1 – Allegro maestoso
2 – Andante cantabile con espressione
3 – Presto

Sonata para piano no. 13 em Si bemol maior, K. 333
4 – Allegro
5 – Andante cantabile
6 – Allegretto grazioso

Sonata para piano no. 18 em Ré maior, K. 576
7 – Allegro
8 –  Andante cantabile
9 – Allegretto grazioso
Gravadas em 1960

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Toccata em Dó maior para piano, Op. 7
10 – Allegro
Gravadas em 1960

Johannes BRAHMS (1833-1897)
Duas rapsódias para piano, Op. 79
11 – Agitato, em Si menor
12 – Molto passionato, ma non troppo allegro, em Sol menor
Gravadas em 1961

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Franz LISZT (1811-1886)
1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada em 1961

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)
2 – Barcarola em Fá sustenido maior para piano, Op. 60
3 – Scherzo para piano no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39
4 – Balada para piano no. 4 em Fá menor, Op. 52
Gravadas em 1960-61

Dos Doze estudos para piano, Op. 10
5 – No. 1 em Dó maior
Gravado em 1955 em Buenos Aires

Sergey Sergeyevich PROKOFIEV (1891-1953)
6 – Toccata para piano, Op. 11
7 – Sonata para piano no. 3 em Lá menor, Op, 28
Gravadas em 1961

Franz LISZT
8 1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada ao vivo em 1957, durante o Concurso Internacional de Genebra

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Unsere Königin spricht Deutsch

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha: a Primeira Década (1941-1950) [Martha Argerich, 80 anos]


Em homenagem aos oitenta anos da Rainha, adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a primeira de oito partes:


Marthinha, nossa Rainha, começou a tocar piano aos três anos.

Três anos!

Ela foi tão escandalosamente bem que, ao cinco, arranjaram-lhe aulas com o mais famoso professor de Buenos Aires, o calabrês Scaramuzza.

Cinco anos!

Scaramuzza era austero e feroz, mas bom pedagogo, e alguns anos sob sua tutela foram bastantes para que a menina virasse, juntamente com o garoto Daniel, a mais célebre Wunderkind portenha. Daí para que ela estreasse nos palcos foi um tapinha:

Programa da estreia de Marthita sob a regência de seu professor, Scaramuzza, em setembro de 1949. Notem que, a despeito dela ter completado oito anos em junho, atribuem-lhe sete anos.

Seus programas, além do concerto em Ré menor de Mozart, incluíam duas obras que seriam pedras angulares de seu repertório: o concerto no. 1 de Beethoven, e o concerto em Lá menor de Schumann – exatamente aqueles que, pelo resto da vida, seriam seus compositores favoritos. As gravações a seguir, restauradas a partir de registros de rádios argentinas, mostram a pequena notável já em grande forma, devorando os concertos com a naturalidade que lhe é tão peculiar.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto para piano e orquestra no. 1 em Dó maior, Op. 15
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondo: Allegro

Martha Argerich, piano (aos oito anos)
Orquesta Sinfónica de Radio El Mundo
Alberto Castellanos, regência

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Concerto em Lá menor para piano e orquestra, Op. 54
4 – Allegro affettuoso
5 – Intermezzo: Andantino grazioso
6 – Allegro vivace

Martha Argerich, piano (aos onze anos)
Orquesta Sinfónica de la Ciudad de Buenos Aires
Washington Castro, regência

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BÔNUS: o concerto em Ré menor de Mozart, numa transmissão radiofônica cujo locutor, curiosamente, atribui sete anos à solista de oito (o que, obviamente, não diminui meu pasmo com a precocidade de nossa Rainha)

1 – Introdução em espanhol (excerto)

Wolfgang Amadeus MOZART
 (1756-1791)
Concerto para piano e orquestra no. 20 em Ré maior, K. 466
2 – Allegro
3 – Romanze
4 – Rondo: Allegro assai

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto para piano e orquestra no. 1 em Dó maior, Op. 15
4 – Allegro con brio
5 – Largo
6 – Rondo: Allegro

Martha Argerich, piano (aos oito anos)
Gran Orquesta Clásica de LR1
Alberto Castellanos, regência

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Nuestra Reina, en castellano

Se você gosta de Marthinha e dos concertos de Beethoven, recomendo fortemente esta gravação – sua única do concerto no. 3, que ela diz que “toca, mas mal”:

Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano No 3 & No 2 – Martha Argerich – Mahler CO – Claudio Abbado

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

 

 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concertos para Violino – Contzen, Goebel, Bayerische Kammerphilarmonie

Já ouvi tantas vezes estes Concertos para Violino de Mozart que praticamente os sei de cor. Cada detalhe, cada nuance, enfim, são mais de trinta anos que os ouço, com os mais variados solistas e orquestras. Mesmo depois de tanto tempo, nunca cheguei a uma conclusão ou definição de quais seriam as minhas gravações favoritas. Talvez o bom e velho Henryk Szeryng figure no topo da lista das 10 melhores, dentre as mais antigas, e recentemente, a ótima violinista alemã Isabelle Faust também realizou um notável trabalho em sua incursão nestas obras.

Mas estou sempre a procura de novas gravações, de novas possibilidades, de novas e inovadoras soluções (fui redundante?), afinal trata-se de Mozart, e quando se trata de Mozart, sabemos que nada nunca será definitivo. Esta gravação que ora vos trago me chamou a atenção por ter o maestro Reinhold Goebel, nosso velho conhecido, à frente de uma orquestra até então para mim desconhecida, e acompanhando uma solista que também confesso que não conhecia, Mirijan Contzen. Goebel tem um currículo respeitável em se tratando de gravações historicamente informadas, e não me surpreendeu ouvi-lo trazer aquilo que sempre procuro em minha incansável caça por Cds: novas soluções para velhos problemas.

Estes registros já tem dez anos mas não sofreram a ação do tempo, como tantas gravações que conhecemos tão bem. Talvez a novidade seja exatamente a solista que corajosamente escreveu as cadenzas dos concertos. Ato de coragem, repito, pois em se tratando de obras tão conhecidas, apresentar algo novo e diferente pode não agradar a todos. Sabemos que nós melômanos temos nossas manias e  alguns são (somos) extremamente conservadores. Fui procurar maiores informações e principalmente, as críticas referentes a estas gravações, mas só as encontrei na amazon alemã (tradução nas coxas, com a ajuda do tradutor do Google):

“Uma gravação de alto nível, historicamente informada, dos concertos para violino de Mozart, que também é sonoramente convincente. Elogios aos intérpretes e ao engenheiro de som!” (5 estrelas)

Outro foi mais incisivo em declarar que não gostou:

“Esta gravação não pode ser levada a sério, mas como uma piada de festa ou susto, é muito cara, mesmo pelo preço comparativamente baixo. Interpretações absurdas e toque de violino sem gosto. Felizmente, ninguém precisa decidir quem está jogando pior aqui. Maestro, solista e orquestra estão igualmente além do bem e do mal.” (Apenas 1 estrela)

Bem, confesso que realmente levei alguns sustos na audição, mas nada que pudesse mudar minhas convicções: os músicos envolvidos foram corajosos e ousados. Vale a pena conhecer.

Segue booklet em anexo. Sugiro muito sua leitura, altamente informativa.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concertos para Violino – Contzen, Goebel, Bayerische Kammerphilarmonie

CD 1
Konzert in B-Dur für Violine und Orchester KV 207
[01] I. Allegro moderato
[02] II. Adagio
[03] III. Presto
Konzert in D-Dur für Violine und Orchester KV 211
[04] I. Allegro moderato
[05] II. Andante
[06] III. Rondeau. Allegro
Konzert in G-Dur für Violine und Orchester KV 216
[07] I. Allegro
[08] II. Adagio
[09] III. Rondeau. Allegro

CD 2
Konzert in D-Dur für Violine und Orchester KV 218
[01] I. Allegro 08:13
[02] II. Andante cantabile
[03] III. Rondeau. Andante grazioso 06:11
Konzert in A-Dur für Violine und Orchester KV 219
[04] I. Allegro aperto – Adagio –
Allegro aperto
[05] II. Adagio
[06] III. Rondeau. Tempo di Menuetto
Konzert in D-Dur für Violine und Orchester KV 271a
[07] I. Allegro maestoso
[08] II. Andante
[09] III. Rondo. Allegro

As cadenzas são da própria solista, Mirijam Contzen

Mirijam Contzen – Violin
Bayerische Kammerphilharmonie

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Mirijam Contzen na sala de Concertos do PQPHall em Munique.

Mozart (1756 – 1791): Così fan tutte • (Homenagem ao Ammiratore) • solistas • Philharmonia Orchestra & Karl Böhm ֍

Mozart (1756 – 1791): Così fan tutte • (Homenagem ao Ammiratore) • solistas • Philharmonia Orchestra & Karl Böhm ֍

MOZART

Così fan tutte

Schwarzkopf • C. Ludwig

Kraus • G. Taddei

Berry • H. Steffek

Philharmonia Orchestra

Karl Böhm

Para homenagear nosso gentil e saudoso amigo, compare Ammiratore, como eu gostava de chamá-lo, decidi postar uma linda ópera. Não vou tentar fazer uma postagem no estilo dele, resultado de meticulosa pesquisa, com detalhes históricos e ilustrações bem específicas, além da apresentação de diferentes gravações… Eu não tenho estas habilidades que eram típicas dele. Costumava dizer-lhe que minhas (poucas) postagens de óperas buscam mais contagiar os visitantes do blog pelo meu amor por elas, por uma pequena anedota eventualmente introduzida e que o atraísse para a obra, contando que ela (a música) fizesse então a mágica. Ainda aposto nesta abordagem e tenho certeza de que nosso querido amigo aprovaria a postagem.

Così fan tutte é a terceira ópera surgida da colaboração de Mozart e Lorenzo da Ponte. As duas anteriores, Le Nozze di Figaro e Don Giovanni, não poderiam ser mais diferentes desta última. Enquanto Figaro e Don Giovanni estão repletas de personagens marcantes e árias fenomenais, Così se destaca por números apresentados por conjuntos de cantores: duos, trios, sextetos. As personagens aparecem aos pares: duas mocinhas, dois galãs e um casal formado pelo cínico filósofo e sua colaboradora, a camareira das moças. Outro aspecto que distingue esta obra das anteriores é ser politicamente incorreta e mais deliciosa ainda por isso. Afinal, o título, Così fan tutte, fala por si, mesmo sem tradução.

Veja como a trama é descrita em um dos sites que andei visitando: ‘Uma comédia com elementos nitidamente sérios, a peça traz um conto satírico de traição, onde a confiança é testada até o limite. Afinal, é possível que dois casais aparentemente fiéis tenham suas vidas afetivas arruinadas por um jogo de traições aparentemente inofensivo?’

Elisabeth e Christa ensaiando para uma apresentação no PQP Bach Opera Theater de Resende…

Assim é a ópera, repleta de troca de papéis, de disfarces e confusões. O libreto foi escrito por da Ponte sem um especial modelo literário e aparentemente tudo surgiu de uma história que lhe foi contada pelo próprio imperador austríaco. É claro que o tema não era de todo ausente da literatura, mas certamente chocou muitas pessoas na época de sua composição. A ópera também não ficou muito tempo em cartaz devido a morte do imperador. Assim, Così fan tutte firmou-se mesmo como uma das grandes óperas de Mozart, passando a integrar o repertório dos principais teatros do mundo a partir do século XX.

Quando Mozart iniciou a sua composição em novembro de 1789, estava financeiramente quebrado e a obra foi composta em tempo recorde – com a primeira apresentação em fins de janeiro de 1790. As reservas das pessoas sobre o tema e a morte do imperador, fechando os teatros para o luto oficial, contribuíram para que a ópera não salvasse as finanças de Mozart, o que foi realmente uma pena. A experiência de Mozart na composição de música de câmera certamente influenciou nas suas composições para grupos de cantores.

As moças e os galãs…

A história inicia com uma aposta feita pelo experiente Don Alfonso com os jovens Guglielmo e Ferrando, confiantes na fidelidade de suas amadas Fiordiligi e Dorabella. É claro que segue uma enfiada de confusões, disfarces e idas e vindas que incluem envenenamento e seções de mesmerização, até que as duas lindas se rendem aos encantos dos mocinhos disfarçados de bigodudos albaneses. Afinal, così fan tutte…

Bom, é curioso que naqueles dias Mozart havia escrito uma carta para a sua Constanze, que passava uns dias em uma estância de águas em Baden recuperando a saúde, admoestando-a a ser mais… discreta. Mas Mozart era realmente um ser humano diferenciado. Veja um outro trecho de carta, da mesma época: An astonishing number of kisses are flying about! I see a whole crowd of them. Ha! Ha! I have just caught three — They are delicious… I kiss you millions of times.

A gravação da postagem é clássica. Alguns diriam até jurássica. Bem, eu digo impecável, inigualável. As cantoras Elisabeth Schwarzkopf e Christa Ludwig (a quem aqui mais uma vez prestamos homenagem) estão perfeitas. O tenor Alfredo Kraus como Ferrando e Giuseppe Taddei como Guglielmo completam o quarteto central. Walter Berry, que fora casado com a Christa Ludwig, é Don Alfonso e Hanny Steffek uma ótima Despina. A Philharmonia Orchestra está sob o comando de Karl Böhm, cuja expertise em Mozart era indisputável naqueles dias, e a produção de Walter Legge completa o conjunto magnificamente.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Così fan tutte

Ópera buffa em dois atos

Fiordiligi – Elisabeth Schwarzkopf, soprano

Dorabella – Christa Ludwig, mezzosoprano

Ferrando – Alfredo Kraus, tenor

Guglielmo – Giuseppe Taddei, barítono

Don Alfonso – Walter Berry, baixo

Despina – Hanny Steffek, soprano

Philharmonia Orchestra & Chorus

Karl Böhm

Produção – Walter Legge

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FLAC | 732 MB

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MP3 | 320 KBPS | 379 MB

Karl era bom em Mozart, Strauss e Wagner. Já em certos outros assuntos…

Böhm já havia gravado a ópera para a DECCA em 1955 e voltaria a gravá-la em 1977 para o selo amarelo. Mas esta gravação, feita sob a supervisão de Walter Legge e com um time dos sonhos de cantores é, sem dúvida, a melhor escolha. O Penguin Guide diz: Its glorius singing is headed by the incomparable Fiordiligi of Schwazkopf and the equally moving Dorabella of Christa Ludwig; it remains a superb memento of Walter Legge’s recording genius and remains unserpassed…

Aproveite!

RD

Linda imagem da produção de Così fan tutte feita por J. E. Gardiner

Para uma visão geral da ópera, visite este site aqui.

Outra gravação para contrastar:

W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte

 

Mozart (1756-1791): Sinfonias Nros. 23, 25, 28, 29, 31, 35, 36, Sinfonia Concertante e Posthorn (Berliner Philharmoniker / Abbado) ֍

Mozart (1756-1791): Sinfonias Nros. 23, 25, 28, 29, 31, 35, 36, Sinfonia Concertante e Posthorn (Berliner Philharmoniker / Abbado) ֍

Mozart

(Algumas) Sinfonias

Berliner Philharmoniker

Claudio Abbado

 

Como eu gosto muito de música que envolva piano – sonatas, concertos – acabo negligenciando um pouco os outros gêneros. Para manter uma dieta musical equilibrada é necessário, portanto, um certo planejamento. Foi assim que escolhi uma cesta de discos com sinfonias e me dei conta que estava há um bom tempo sem ouvir sinfonias de Mozart.

As Sinfonias eram ouvidas em casa assim, antes das vitrolas…

Wolfferl escreveu sinfonias desde que usava calças curtas e podemos dizer que ao longo de sua vida o gênero floresceu e ganhou proporções maiores. Certamente as sinfonias compostas por Haydn eram muito estimulantes, mas as últimas sinfonias produzidas por Mozart (que foram compostas quase três anos antes de sua morte) estabelecem elas próprias novos espetaculares padrões.

Confesso razoável desinteresse pelas pequenas obras de juventude e os discos que reuni com o mais destas obras ficaram pouco tempo sob a agulha da minha vitrola. Mesmo os conjuntos historicamente informados, com suas muitas repetições não ajudaram muito.

As capas do yellow label eram ‘muito’ melhores…

Assim, foi com bastante prazer que encontrei um pacote com várias sinfonias (já de maturidade) mas que ainda antecedem as grandes quatro últimas poderosas sinfonias. A orquestra, pasmem, Berliner Philharmoniker! Mas, acalmem seus desnecessários temores, em vez de Darth Vader, segurando a batuta está o gentil Claudio Abbado. Estas sinfonias são parte de uma série de gravações feitas pela Berliner Philharmoniker sob a regência de Abbado para a Sony, numa das primeiras gravações da orquestra fora do yellow label em muitos anos.

Como vocês possivelmente sabem, Claudio Abbado foi escolhido para suceder a Herbert von Karajan como o regente principal da orquestra e permaneceu neste cargo de 1990 até 2002. Com as simples e revolucionárias palavras ‘I’m Claudio for everyone. No titles!’ ele se apresentou e inaugurou uma nova etapa na vida artística de uma das maiores orquestras de todos os tempos.

A cara de felicidade de Claudio ao saber que seria o regente da BP

Como os berlinenses estavam em busca de uma imagem diferente daquela associada a HvK, as interpretações destas obras sob a batuta do novo Herr Direktor, que não queria ser assim chamado, soam bastante inovadoras – um som mais translúcido, mais leve. Houve até um certo ranger de dentes entre os críticos e fãs mais arraigados às velhas práticas da orquestra de som laqueado e opulento. Eu gostei bastante da nova abordagem. Como achei o material um pouco extenso, acabei fazendo uma seleção com as ‘mais-mais’. Espero que você goste.

No pacote temos duas sinfonias intermediárias – a ‘Pequena’ Sinfonia em sol menor, assim chamada para diferenciá-la da Sinfonia No. 40, também em sol menor, e a adorável Sinfonia No. 29 em lá maior. Depois temos uma Sinfonia Parisiense, em três movimentos, feita para agradar os ouvidos franceses. Em seguida duas maravilhosas sinfonias compostas para ocasiões específicas – a Sinfonia ‘Haffner’ e a Sinfonia ‘Linz’. Estas sinfonias são o prelúdio das quatro últimas majestosas que ainda estavam a caminho. Como gosto muito desta obra, inclui também a Sinfonia Concertante para Viola e Violino e uma ‘Sinfonia’ formada por três movimentos extraídos da Serenata Posthorn, uma espécie de encore para terminar o alentado programa.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sinfonia No. 25 em sol menor, K183

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Menuetto – Trio
  4. Allegro

Sinfonia No. 29 em lá maior, K. 201

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Menuetto
  4. Allegro con spirito

Sinfonia No. 31 em ré maior, K297 ‘Paris’

  1. Allegro assai
  2. Andantino
  3. Allegro

Sinfonia No. 35 em ré maior, K. 385 “Haffner”

  1. Allegro con spirito
  2. Andante
  3. Menuetto
  4. Finale. Presto

Sinfonia No. 36 em dó maior, K. 425 “Linz”

  1. Adagio – Allegro spiritoso
  2. Andante
  3. Menuetto – Trio
  4. Presto

Sinfonia concertante em mi bemol maior, K. 364

  1. Allegro maestoso
  2. Andante
  3. Presto

Sinfonia da Serenade No. 9 em ré maior, K320 ‘Posthorn’

  1. Adagio maestoso – Allegro con spirito
  2. Andantino
  3. Finale. Presto

Wolfram Christ, viola (K 364)

Rainer Kussmaul, violino (K 364)

Berliner Philharmoniker

Claudio Ababdo

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FLAC | 809 MB

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MP3 | 320 KBPS | 415 MB

One bad review from Amazon-critics: Revisiting this disc was an act of penance. Was it efficacious? Not in the least. In fact, it just stoked my anger – a mortal sin in itself – that the most over-rated conductor on the planet would so mutilate the Berlin Phil to gain street-cred with the likes of Jeggy and Norrington. Nor am I that much of a sinner, sad to say, that I need to undergo this trial again in preparation for the Pascal Mystery to come.

A much warmer one: When first issued in 1993-94, these Mozart performances from Abbado and the Berlin Phil. were ill-fated. No one could quite accept that long-time DG artists had switched to Sony, and sales were poor. Now the performances have resurfaced in impeccable “enhanced” DSD sound, and they couldn’t be better. A direct comparison to Levine’s Sym. 31 with the Vienna Phil. (DG) is telling: it’s the Berliners who sound free, joyous, and alive inside–all Viennese virtues–while the Viennese themselves sound rushed and indifferent.

Here a professional one, on the Symphonies Nos. 29 & 35: Though Abbado’s Berlin sound is weighty, the results are not just big-scale but elegante too, with horns whooping out brightly. Abbado is never mannered and his phrasing and pointing of rhythm are delicately affectionate, conveying na element of fun and with speeds never allowed to drag. Slow movements are kept flowing, and finales are hectically fast, but played with such a verve and diamond-bright articulation that there is no feeling of breathlessness. [Trecho do Penguin’s Guide to CDs]

Brilho diamantino! Aproveite!

René Denon

– O que o pessoal do PQP Bach achou deste adagio?