Mozart was a genius and prodigy in Vienna and Paris and celebrated at such, but he was a rock star in Prague.
Mozart certamente era celebrado por todos os lugares que passava, mas a sua relação com a cidade de Praga era especial. Como bem colocou o maestro Wilbur Lin, em Praga ele era amado, o equivalente ao que hoje chamamos de estrela de roque! Em Praga foi estreada a ópera Don Giovanni e ele compôs uma sinfonia para a cidade, a Sinfonia Praga.
Mais uma edição da coluna ‘Dois Pelo Preço de Um – Dose Dupla’ na qual temos dois álbuns com a mesma orquestra regida pelo seu regente, mas em selos diferentes, tocando música de Mozart. Basta baixar os arquivos e mandar ver…
É claro que a estrela da postagem é Mozart, com três de suas sinfonias de maturidade, lindas e muito bem apresentadas pelos músicos da cidade que o recebeu como uma verdadeira estrela. As Sinfonias Nos. 35 e 36 figuram no álbum com selo harmonia mundi – France. O outro álbum, do selo Supraphon, traz a Sinfonia No. 38, apelidada Sinfonia Praga. Acompanha a única sinfonia composta por Jan Voříšek, compositor boêmio que é da geração posterior a Mozart, ainda enraizado no classicismo, mas já com aspirações românticas. Aliás, esse compositor andou aqui pelo blog dia desses, a pedidos. É verdade, ele não chega a ser um Mozart, mas tem seus bons momentos. De qualquer forma, não devia ser fácil escrever sinfonias pouco tempo depois da morte de Mozart e quando ainda atuavam Haydn e o jovem Beethoven. De qualquer forma, vale a pena conferir.
Aqui, a parte ‘boa’ da crítica feita por Andrew Clements: the playing of the Czech strings in particular is impressively flexible, and their rhythmic pointing in the faster music is exhilarating.
Trecho de uma crítica num site tcheco, sobre o disco da Supraphon: Here then is a new title from the workshop of the Prague Philharmonia, offering fresh evidence of its musicians´ exceptional flair, being issued to mark the orchestra’s anniversary. The selections – Mozart’s “Prague” Symphony and Vorisek´s Symphony in D major – furnished the players and conductor alike with a golden opportunity literally to shine in their presentation of these compositional jewels. Their account is breathtaking indeed. Jewels of compositional art inequally brilliant readings by the Prague Philharmonia.
Veja como eles escrevem por lá:
W. A. Mozart
Symfonie č. 35 D dur “Haffnerova”, KV 385
Symfonie č. 36 C dur “Linecká”, KV 425
“Toto provedení Mozarta je úžasné, plné zářivé krásy, čímž má být řečeno, že je nezvykle propracované, má hloubku a zápal.”
“Esta interpretação de Mozart é maravilhosa, repleta de beleza radiante, ou seja, é excepcionalmente elaborada, profunda e apaixonada.”
– Classics Today
Aproveite! Aproveite!
René Denon
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Tenho meus problemas com Herbert von, porém, apesar do molho pesado de sempre, gostei deste CD. Quase chorei no Lacrimosa, não pela regência, mas pela lembrança do final de Vá e Veja. Aqui temos um programa duplo das obras sacras de Mozart: o monumental Réquiem, K. 626, e o muito legal Exsultate, Jubilate, K. 165. Trata-se de um lançamento que reúne duas gravações de arquivo da Deutsche Grammophon, sob a batuta de dois maestros distintos: Herbert von Karajan rege a Filarmônica de Berlim no Réquiem, enquanto Bernhard Klee comanda a Orquestra Estatal de Dresden no Ex.
O Réquiem é a última e incompleta obra de Mozart, envolta em mistério e concluída por Franz Xaver Süssmayr após a morte do compositor. A obra, composta em 1791, é uma missa de réquiem que se destaca pela sua intensidade dramática e profundidade emocional. Do Requiem aeternam inicial ao Lux aeterna, passado pelo Lacrimosa, a música transita entre o sombrio e o esperançoso, criando uma atmosfera de solene contemplação.
Em contraste, Exsultate, Jubilate é uma obra da juventude de Mozart, composta em 1773 durante a sua terceira viagem à Itália. Este moteto para soprano é uma peça de pura alegria e virtuosismo, com a sua famosa secção final, o “Alleluia”, a exigir da solista grande técnica vocal. A obra é um “hino de alegria”, um “cântico de exultação” que representa o oposto da atmosfera fúnebre do Réquiem.
Como disse, gostei do Réquiem, porém a interpretação de Karajan é uma leitura em tudo estranha. O maestro, conhecido pelo seu estilo grandioso, imprime à obra uma envergadura romântica excessivamente e desnecessariamente pesada. Sei disso. Sua abordagem confere ao Réquiem é operística quase Verdi. Esta visão contrasta com outras gravações mais contidas e historicamente informadas. Por exemplo, a de Peter Schreier com a Staatskapelle Dresden, que é certamente alternativa superior. Apesar das críticas, a grandiosidade da Filarmônica de Berlim e a qualidade do Wiener Singverein são inegáveis, criando momentos de grande impacto sonoro, ainda que por vezes à custa da clareza dos contrapontos.
O Exsultate, Jubilate, sob a direção de Bernhard Klee, oferece um contraste refrescante. Esta gravação, com a soprano Edith Mathis, é brilhante e muito elegante, captando a exuberância e a leveza da obra. A interpretação de Klee é mais direta e límpida, contrastando com a densidade arrotativa de Karajan.
W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem, Exultate Jubilate (Berliner, Karajan / Dresden, Klee)
Requiem In D Minor, KV 626
1 Requiem
2 II. Kyrie
3 No. 1 Dies Irae
4 No. 2 Tuba Mirum
5 No. 3 Rex Tremendae
6 No. 4 Recordare
7 No. 5 Confutatis
8 No. 6 Lacrimosa
9 No. 1 Domine Jesu
10 No. 2 Hostias
11 V. Sanctus
12 VI. Benedictus
13 VII. Agnus Dei
14 Lux Aeterna
Conductor – Bernhard Klee (faixas: 15), Herbert von Karajan (faixas: 1 to 14)
Orchestra – Berliner Philharmoniker (faixas: 1 to 14), Dresden State Orchestra* (faixas: 15)
Organ – Hans Otto (faixas: 15), Wolfgang Meyer (2) (faixas: 1 to 14)
Vocals – Agnes Baltsa (faixas: 1 to 14), Anna Tomowa-Sintow (faixas: 1 to 14), Edith Mathis (faixas: 15), José van Dam (faixas: 1 to 14), Werner Krenn (faixas: 1 to 14)
O CD The Imaginary Music Book of J. S. Bach, gravado pelos franceses do Café Zimmermann, apresenta-se como um exercício de especulação histórica e criatividade musical que vai muito além de uma simples antologia. O programa parte de uma premissa fascinante: e se Johann Sebastian Bach tivesse compilado um caderno de música para seu próprio uso, um diário musical íntimo que refletisse seus gostos e influências, em vez dos cadernos didáticos que dedicou à família? Partindo dessa ideia, o grupo, liderado pelo violinista argentino Pablo Valetti e pela cravista Céline Frisch, constrói um recital de câmara de rara elegância e perspicácia, que é menos uma antologia e mais um diálogo imaginado com o compositor.
A espinha dorsal do disco é uma sequência engenhosa que contextualiza a música de Bach. A abertura com a Sinfonia da Cantata BWV 29, executada com uma vivacidade que dispensa a instrumentação original, já anuncia a abordagem do grupo: arranjos e transcrições são feitos com tanta naturalidade que soam como versões definitivas. O ponto central do programa é a grandiosa Sonata Trio da Oferenda Musical (BWV 1079), que é habilmente emoldurada pela Sonata Trio em Si bemol (Wq. 161/2) de seu filho, Carl Philipp Emanuel Bach. Esta justaposição é um golpe de mestre, pois permite ao ouvinte perceber com clareza a transição estilística entre a linguagem contrapontística de Johann Sebastian e o estilo galante e mais livre de C.P.E. Bach, que já anuncia o classicismo. O filho, longe de ser uma mera curiosidade, atua como um comentarista musical que impede a audição de se tornar um ato de devoção monolítica.
A seleção do restante do repertório é astuta, mesclando árias de cantatas, arranjadas para flauta, violino e contínuo, com arranjos atribuídos a ninguém menos que Wolfgang Amadeus Mozart. A inclusão do Adagio e Fuga, KV 404a, baseado em obras de Bach, não apenas sublinha a influência do compositor sobre as gerações futuras, como também insere uma reflexão sobre o “caderno imaginário”, transformando-o num documento que ultrapassa a própria vida de Bach. O programa se encerra com o coral Vor deinen Thron tret ich hiermit (BWV 668), uma peça envolta na lenda apócrifa de ter sido ditada pelo compositor em seu leito de morte.
Em sua formação reduzida para este projeto, o Café Zimmermann soa claro, preciso e polido. O fraseado é ágil e a interação entre os músicos – Karel Valter na flauta traversa, Petr Skalka no violoncelo, além de Valetti e Frisch – é de uma cumplicidade que cativa o ouvinte, que se vê transportado para a atmosfera do lendário café Zimmermann em Leipzig, onde Bach e seu Collegium Musicum entreteriam o público com sua alegria de tocar . Ainda que o conceito do “caderno imaginário” possa parecer um tanto vago e o programa uma colcha de retalhos para alguns, o resultado musical é de uma beleza tão suave e convincente que a busca por uma lógica programática se torna supérflua, pelamor. Este disco é um convite para folhear as páginas de um livro que nunca existiu, mas que soa como se sempre tivesse feito parte do nosso imaginário musical.
J. S. Bach (1685-1750) / C.P.E. Bach (1714-1788) / W. A. Mozart (1756-1791): The Imaginary Music Book Of J. S. Bach (Café Zimmermann)
Wir Danken Dir, Gott, BWV 29
1 Sinfonia In D major 3:26
Trio Sonata In B Flat Major, Wq. 161/2
Composed By – Carl Philipp Emanuel Bach
2 I. Allegro 6:11
3 II. Adagio Ma Non Troppo 4:45
4 III. Allegretto 6:58
Adagio And Fugue KV 404a
5 Adagio E Dolce (After Sonata N° 3 In D Minor, BWV 527 by Johann Sebastian Bach) 3:27
6 Fugue – Allegro (After The Art Of Fugue, BWV 1080 by Johann Sebastian Bach) 7:00
Composed By – Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart
Wir Danken Dir, Gott, BWV 29
7 Aria Hallelluja, Stärk’ Und Macht 4:42
Himmelskönig, Sei Wilkommen, BWV 182
8 Sinfonia In G Major 1:52
Gott Soll Allein Mein Herze Habe, BWV 169
9 Aria Gott Soll Allein Mein Herze Haben 5:25
Schwingt Freudig Euch Empor, BWV 36
10 Aria Auch Mit Gedämpften, schwachen Stimmen 6:17
Ein Ungefärbt Gemüthe, BWV 24
11 Aria Ein Ungefärbt Gemüthe 3:06
Sonate Sopr’il Soggetto Reale, BWV 1079
12 I. Largo 5:15
13 II. Allegro 5:50
14 III. Andante 2:44
15 IV. Allegro 3:09
16 Vor Deinen Thron Tret Ich Hiermit, BWV 668 4:17
Ensemble – Café Zimmermann
Flute – Karel Valter
Harpsichord – Céline Frisch
Violin – Pablo Valetti
Violoncello – Petr Skalka
Toda a companhia ficou extremamente satisfeita, e eu também. Ganhei 4.000 florins nesta noite: algo assim só é possível na Inglaterra.
[Haydn, em seu diário]
Uma ótima ideia, reunir em um disco a última sinfonia escrita por Mozart e a última sinfonia escrita por Haydn. Como Haydn nasceu antes de Mozart, podemos ficar com a impressão de que a sinfonia de Haydn tenha sido escrita antes do que a de Mozart, mas não é esse o caso. Mozart completou sua última sinfonia em 10 de agosto de 1788 e recebeu o apelido de ‘Júpiter’ do empresário Johann Peter Solomon, que atuava em Londres. Pois foi o próprio Solomon quem proporcionou a Haydn visitas a Londres, onde este passou bons períodos. A Sinfonia ‘London’ foi composta em 1795, em sua segunda visita.
O disco faz parte do projeto musical ‘Imprinting’, no qual a Accademia Bizantina e Ottavio Dantone interpretam as grandes obras-primas do final do século XVIII e início do século XIX.
Neste álbum, eles reinterpretam duas obras-primas absolutas da transição entre dois séculos, utilizando instrumentos de época: a Sinfonia Júpiter de Mozart e a Sinfonia Londres de Haydn.
A capa do disco é de fundo laranja com marcas de impressões digitais, parte da identidade do projeto.
Veja o comentário de Ottavio Dantone sobre as obras: Embora se movam dentro de uma linguagem formal comum, as duas sinfonias revelam abordagens profundamente diferentes: a de Mozart é mais especulativa e universal, a de Haydn mais concreta, teatral e enraizada na experiência da audição. Em ambos os casos, porém, nos deparamos com o apogeu de uma forma que, precisamente por meio dessas obras, tornou-se um modelo essencial para o desenvolvimento da sinfonia do século XIX. Gravar essas duas últimas sinfonias significa, portanto, não apenas justapor duas obras-primas absolutas, mas também observar o fim de uma era e a abertura de novas perspectivas estéticas que marcarão indelevelmente a história da música.
Trecho de uma crítica na Scherzo: Poderíamos qualificar como arquitetônica a visão destas obras de parte de Dantone. Parece haver um desejo de mostrar a estrutura desses dois monumentos da música sinfônica do final do século XVIII em toda a sua clareza.
E aí, de qual sinfonia você gostou mais?
Aproveite!
René Denon
Dantone ensaiando a PQP Bach Sinfonietta
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Algumas semanas após trazer aqui uma gravação do Réquiem de Mozart regida pelo velho Celibidache, consagrado maestro que dividiu opiniões no século passado, hoje é a vez de uma gravação deste século, lançada em 2025 em mais uma premiada série do selo Naxos, desta vez com todas as missas de Mozart por Poppen e Cologne Chamber Orchestra. Para a revista da BBC, este 5º CD da série de 6 manteve os “high standards already attained by previous issues” e o som também é notável: “recorded sound, from the Deutschlandfunk Kammermusiksaal, Cologne, is similarly impressive”.
Não tenho todos os CDs da série, no momento vou postar apenas este, mas deixo o registro de que são poucas as gravações e apresentações ao vivo desse repertório sacro de Mozart, a única outra integral que me vem à mente é a coleção com Harnoncourt/Concentus musicus Wien postada pelo Avicenna (aqui), série mais longa do que a de Poppen, porque a de Harnoncourt incluiu toda a obra sacra: Exsultate Jubilate, três Regina Coeli, etc.
As três missas aqui não estão entre as mais famosas de Mozart. A mais antiga das três, estreada em 1768 quando o pequeno prodígio tinha inacreditáveis 12 anos, é também a mais longa, com mais ampla orquestração incluindo trombones, trompetes e tímpano. Ao contrário da maioria das missas (estreadas em Salzburgo), essa missa de 1768 foi encomendada para a inauguração de um novo Orfanato em Viena e estreada com Mozart regendo um coro de crianças órfãs. Com um Kyrie longo e solene, com toques de melancolia talvez em referência à difícil situação dos órfãos, a missa se encaminha depois para tons mais festivos e alegres. O libreto do álbum da Naxos diz ainda: a grandeza e a complexa orquestração da Missa solemnis ‘Waisenhausmesse’ levou estudiosos vienenses a duvidas que tivesse sido de fato composta por um jovem de doze anos. Era, de fato, a primeira vez que Mozart escrevia para um conjunto tão grande, mas as pesquisas posteriores confirmam que a Missa foi mesmo da mão do adolescente, com assistência mínima de seu pai apenas, aparentemente, na cópia da parte para baixo contínuo. A estreia em Viena teve unânime aprovação e admiração.
A sonoridade dessa orquestra não tão famosa de Colônia (ou Köln) me agradou bastante. Ouvindo obras de Mozart, sobretudo os concertos para piano, não foram poucas as vezes em que o som orquestral me pareceu insatisfatório. É difícil alcançar o equilíbrio demandado por Mozart: um tênue equilíbrio entre suavidade e drama, entre seriedade e alegria. Aqui os músicos comandados por Christoph Poppen – regente titular dessa orquestra desde 2013 – alcançam esse equilíbrio, utilizando instrumentos modernos mas com práticas historicamente informadas.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791):
1-6. Missa solemnis in C Minor, K. 139, “Waisenhausmesse” (Orphanage Mass) (39:00)
7-12. Missa brevis in C Major, K. 259, “Orgelsolomesse” (Organ Solo Mass) (13:43)
13-18. Missa solemnis in C Major, K. 337 (21:29)
Cologne Chamber Orchestra (Kölner Kammerorchester), Christoph Poppen
Cologne Cathedral Vocal Ensemble (Vokalensemble Kölner Dom)
Katharina Ruckgaber, Carolina Ullrich – Soprano / Elvira Bill, Marie Henriette Reinhold – Alto / Paul Schweinester, Angelo Pollak – Tenor / Jonas Müller, Konstantin Krimmel – Bass
Este CD traz uma das mais belas versões da Sinfonia ‘Praga’ de Mozart que já ouvi, nas mãos do excelente violinista Andrew Manze, que se tornou um excelente regente, frente a uma ótima orquestra alemã, a NDR Radiophilharmonie, de Hanover.
O que torna essa gravação Sinfonia Praga tão especial? Não sei, talvez pela leveza e ao mesmo tempo, energia que Manze consegue impor, deixando os músicos a vontade, sem muita pressão. Essa é a impressão que tive, depois de ouvir essa obra dezenas, quiçá centenas de vezes. O Primeiro movimento, dividido em dois, um Adagio e um Allegro, é um primor de execução. Impossível não se render a tanta vitalidade expressa nessa sinfonia tão importante de Mozart, a porta de entrada para as três obras primas que viriam a seguir, as Sinfonias nº 39, 40 e 41, três marcos da música sinfônica.
Sempre que lembro destas últimas quatro sinfonias de Mozart, o primeiro nome que me vem a cabeça é o de Karl Böhm, tanto as suas gravações com a Filarmônica de Berlim quanto com a Filarmônica de Viena. Mas são gravações antigas, anos 60 e 70, e muita coisa mudou desde então. As novas gerações que vem surgindo svem mostrando que ainda muito se pode extrair desse repertório. O selo Alpha, por exemplo, vem lançando uma série de gravações com jovens intérpretes dos Concertos de Mozart. Creio que algumas destes CDs já estejam disponíveis aqui no PQPBach, mas assim que possível, trarei o que já tenho.
É esse então o Mozart que estamos ouvindo e apreciando nesta segunda década do Século XXI. Lembro que Andrew Manze, em seu inicio de carreira como violinista se destacou como um dos principais nomes das interpretações historicamente informadas, então ele está mais que habilitado a fazer essa mais atualizada, porém sem perder a essência.
01 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- I. Adagio – Allegro
02 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- II. Andante
03 – Symphony No. 38 in D Major, K.504 ”Prague”- III. Finale. Presto
04 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- I. Adagio – Allegro
05 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- II. Andante con moto
06 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- III. Menuetto – Trio
07 – Symphony No. 39 in E-flat Major, K.543- IV. Finale. Allegro
A Missa de Réquiem é uma das obras mais populares de Mozart e ocupava no repertório de Sergiu Celibidache uma posição tão importante quanto as sinfonias de Beethoven, Brahms e Bruckner. Entre as décadas de 1960 e 90, há gravações ao vivo do Réquiem com Celibidache regendo em Turim, Milão, Paris e Munique. Isso se eu não tiver perdido alguma na breve busca que fiz a respeito. Note-se ainda que, ao contrário de outros maestros como Klemperer, Abbado e Karajan, o romeno não se notabilizou por reger óperas de Mozart. Já a música coral e religiosa era bem mais frequente em seu repertório: Missa de Bruckner, Sinfonia de Salmos de Stravinsky e os outros Réquiem mais famosos, os de Verdi, Fauré e Brahms.
A Orquestra da Rádio-Teledifusão Francesa estava em uma excelente fase, tendo gravado poucos anos antes a inesquecível série de obras de Debussy com Jean Martinon (aqui) e discos também muito bons de Saint-Säens com o mesmo maestro. O naipe de cordas dos franceses, muito bem guiados aqui por Celibidache e pouco antes por Martinon, contribui com uma sonoridade que mistura beleza e gravitas. Outro destaque é a bela e suave voz de Arleen Auger nos solos para soprano.
Uma última observação: não são raros os casos de intérpretes que vão tocando ou regendo mais devagar conforme avançam em idade. Aqui, a orquestra de Paris e Celibidache (aos 61 anos) fazem todos os movimentos do Réquiem de Mozart em andamentos mais rápidos do que na gravação de 1995 em Munich, quando o maestro tinha mais de 80 anos. Especialmente no movimento inicial, com sua introdução orquestral misteriosa, Celibidache escolhe aqui um passo mais lento que o da maioria das gravações, mas em 1995 esse movimento duraria um minuto a mais. Em ordem decrescente, algumas minutagens do Introitus para comparação: Celibidache em Munique – 7:51 / Celibidache em Paris – 6:47 / Schreier em Dresden – 5:15 / Marriner em Londres – 5:01 / Abbado em Berlim – 4:28
W. A. Mozart (1756-1791): Réquiem em Ré Menor, K626
1. Introitus: Requiem aeternam
2. Kyrie eleison
3. Dies irae
4. Tuba mirum
5. Rex tremendae majestatis
6. Recordare, Jesu pie
7. Confutatis maledictis
8. Lacrimosa dies illa
9. Domine Jesu Christe
10. Hostias et preces
11. Sanctus
12. Benedictus
13. Agnus Dei
14. Lux aeterna
Arleen Auger, soprano
Gurli Plesner, contralto
Adalbert Kraus, tenor
Roger Soyer, bass
Choeur et Orchestre National de l’ORTF, Sergiu Celibidache
Recorded: Paris, 22 fev 1974
Reviews for Elīna Garanča’s Arie Favorite (2001) generally highlight her as a superb and rising talent, particularly praising her effortless, velvety mezzo-soprano technique.
Elīna adorou o Salão dos Espelhos do PQP Bach Tower em sua última visita ao head office da nossa corporação
Para a postagem desta edição da coluna “Domingo é Dia de Ópera”, que pode ir ao ar numa quinta-feira ou sábado, dependendo do humor do editor chefe do blog, escolhi um disco lançado em 2001 e que teve papel importante no início da carreira da simpatissíssima mezzo-soprano Elīna Garanča. sua carreira deslanchou completamente depois de suas performances no Festival de Salzburgo em 2003.
É claro, as árias foram escolhidas cuidadosamente para mostrar a beleza da voz e a técnica impecável da artista. O acompanhamento pela orquestra do seu país de origem é também muito bom e o disco é primoroso, na minha opinião.
Os compositores são do fim do século XVIII e início do século XIX, as árias em italiano, a menos de uma, em francês. Mozart, Rossini, Bellini, Donizetti e Massenet são eles. Eu conhecia razoavelmente as árias das óperas de Mozart e ‘Una voce poco fa’, do Barbeiro Rossiniano. As obras de Bellini e Donizetti ainda estão na minha lista de ‘o que fazer depois da aposentadoria’. Massenet também está lá com eles, me esperando. Pelo que ouvi aqui, haverá muita diversão.
De um entusiasta comprador do CD pela Amazon: Esta é uma gravação maravilhosa e Elīna Garanča está soberba. A quarta faixa, o “Parto, parto” de La Clemenza di Tito, de Mozart, vale o preço do CD por si só. Elīna Garanča faz a obra soar quase sem esforço, quando, obviamente, não é. Ela traz brilho à tradição dos papéis de mezzo-soprano, que muitas vezes são relegados a um segundo plano. Além disso, a gravação em si é exuberante e rica, e magistralmente executada.
Na ária por ele mencionada, ouça o clarinete-baixo que o Antonio Stadler e seu amigo Mozart curtiram imensamente.
Aproveite!
René Denon
Imagem enviada pela entusiasmada equipe de artes e produção do PQP Bach Publishing House para a postagem… mas, acho que confundiram os Bellinis…
Uma capa meio estranha: parece que a cantora e o maestro estão sentindo um cheiro forte, se seria um fedor (será que havia no estúdio um francês que estava há 3 dias sem banho?) ou um aroma sublime de flores da primavera, deixo a escolha para nossos leitores. Mas se os dois talvez não sejam tão convincentes na capa (ou seria culpa do fotógrafo?), no álbum a visão de Mozart que eles apresentam é bastante convincente. Com um repertório centrado na primeira metade da carreira do precoce compositor, eles misturam música sacra e profana, mostrando a originalidade e beleza das obras.
No libreto do álbum, uma entrevista do maestro traz o seu ponto de vista sobre as obras da primeira metade da carreira de Mozart: interessa para ele mostrar como certos aspectos da visão de mundo barroca estão presentes ali.
I mentioned earlier the theatricality of Baroque and Classical music: every one of my projects concerns this. In my opinion, it’s enough to look at a painting from these periods to see the extreme theatricality of the representations, to which music is obviously no exception, whether secular or sacred. With this programme, I wanted to mix sacred and secular works in a dramatic perspective. It seems to me that this was how music was conceived during Mozart’s lifetime, as testimonies always mention extremely moving singers with persuasive power and highly expressive, contrasting voices… even in church music! Contrary to the 19th century’s ethereal image of the genre, 18th-century treatises indicate that voices must be large and highly expressive in order to convey the message of the text in vast spaces dedicated to worship. There is therefore a porous boundary between the vocal idiom of the sacred and secular repertoires which is doubtless a matter for further reflection. The motet Exsultate, jubilate, around which this programme was built, illustrates this very well: Mozart composed it for the castrato Venanzio Rauzzini, having been won over by his performance of his opera Lucio Silla. The two works don’t have the same subject matter at all, which shows that it was Rauzzini’s intrinsic qualities that prompted Mozart to approach an operatic and a sacred piece in the same spirit.
How do the other works presented here relate to Exsultate? I wanted to create a journey centred on Mozart in the dying years of the Baroque, at the crossroads with Classicism, so I chose works from the decade 1770-80. When he composed the Exsultate, he was 17 years old and still very much imbued with the virtuosic Neapolitan writing inherited from the previous generation, that of Hasse, Jommeli or Traetta. The arias of La Betulia Liberata or Davide Penitente (itself derived from the Great Mass in C minor), or his 17th symphony, whose opening pages are reminiscent of an opera seria aria, testify to this. Mozart did not feel free in Salzburg: he was at the mercy of his employer, Archbishop Colloredo, and imprisoned within a certain tradition… which he worked to crack open, as demonstrated by his Church Sonatas – veritable miniature symphonies whose thematic material he would later reuse.
Rather than thinking of Mozart as having a ‘Mozartian’ style, I prefer to think of him as someone who was constantly searching and questioning himself in order to progress. Mozart must have been very afraid of getting bored – you can sense this in the perpetual forward motion of his works. And in this quest for freedom, youth and ardour that strikes our ears, he achieves suspended moments of poetry and transcendence: the Agnus Dei from the Coronation Mass, the Laudate Dominum from the Vesperæ solennes de confessore, which reminds me of bel canto and Bellini’s “Casta Diva”, with its long, highly refined line in the form of an arch above the regular motion of the orchestra…
W.A. Mozart (1756-1792):
1. La Betulia Liberata, K. 118/74c: Aria: Quel nocchier che in gran procella (Amital) 06:09
2. Sinfonia nº 17 em Sol Maior, K. 129: I. Allegro 04:17
3. Sinfonia nº 17 em Sol Maior, K. 129: II. Andante 04:01
4. Sinfonia nº 17 em Sol Maior, K. 129: III. Allegro 03:55
5. Davide Penitente, K. 469: Aria: Lungi le cure ingrate 04:48
6. Church Sonata in D Major, K. 69 02:36
7. Church Sonata in G Major, K. 274 03:34
8. Church Sonata in D Major, K. 144 03:16
9. Mass in C Major, K. 317 ‘Coronation’: Agnus Dei 03:11
10. Church Sonata in E-Flat Major, K. 67 02:39
11.Exsultate, jubilate, K. 165: I. Exsultate, jubilate 04:43
12.Exsultate, jubilate, K. 165: II. Fulget amica dies 00:50
13.Exsultate, jubilate, K. 165: III. Tu virginum corona 05:38
14.Exsultate, jubilate, K. 165: IV. Alleluia, alleluia 02:35
15.Vesperæ solennes de confessore, K. 339: V. Laudate Dominum 02:42
Karine Deshayes, soprano
Les Paladins, Jérôme Correas
Nascida em 1942 em Tibilisi, capital da Geórgia e cidade natal também do compositor Aram Khachaturian, Elisso tem um estilo mais ou menos parecido com o de Richter, pianista com quem conviveu por muitos anos em Moscou. Ambos tinham muita afinidade com as obras de Schumann e Prokofiev, além de tocarem peças menos óbvias do classicismo vienense: no caso de Richter, sonatas de Haydn; no de Elisso, peças avulsas de Mozart como as Fantasias e Rondós para piano. A outra Fantasia em dó menor, K. 475, também foi gravada por ela, assim como as obscuras variações sobre o tema “Ah vous dirai-je, Maman”.
Aqui, temos a mistura de dois recitais de piano, um de 1991 (Milão) e um de 1997 (Stuttgart). Wirssaladze começa com um Mozart mais sério do que o das sonatas para piano. A seriedade da Fantasia nº 2 é um elemento em comum com as Fantasias para piano nº 3 (em ré menor) e nº 4 (também em dó menor, aqui) do mesmo compositor. Depois temos obras curtas de Brahms e Prokofiev e uma série de bises: Mozart, Chopin, Schumann.
Na verdade a já citada Fantasia K. 396 de Mozart é apenas um fragmento. O número de catálogo K. 385f também é usado para indicar que a obra foi finalizada pelo Abade Maximilian Stadler poucos anos depois da morte de Mozart. Stadler teve acesso a inúmeros papéis deixados pelo jovem falecido e falava, digamos, o mesmo “idioma” do que hoje chamamos classicismo vienense, mas não faltariam puristas apontando tal e tal diferença entre os seus “remendos” e os originais de Mozart. Eu gosto muito dessa Fantasia, então não me incomodo com os puristas.
O selo alemão Live Classics lançou nos anos 1990 e 2000 muita coisa dos pianistas Sviatoslav Richter e Elisso Wirssaladze, da violoncelista Natalia Gutman, do violinista Oleg Kagan e mais um punhado de artistas, quase todos oriundos da ex-URSS e tudo ao vivo como o nome já indica.
Elisso Wirsaladze:
1. W.A. Mozart:
Fantasy No. 2 in C Minor, K. 396
2-5. J. Brahms:
Klavierstucke, op. 119
6-11. S. Prokofiev:
Sarcasmes, op. 17
Toccata, op. 11
12. W.A. Mozart:
Romance in A-Flat Major, K. Ann. 205
13. F. Chopin:
Valse op. 34 no. 1
14. R. Schumann:
Waldszenen, op. 82 – Der Vogel als Prophet
Uchida não quis saber de regentes para fazer esta série de Concertos para Piano de Mozart. Não parece, mas são gravações feitas ao vivo, no Cleveland`s Severance Hall. Ela já tem uma integral destes concertos com a English Chamber Orchestra, sob a regência de Jeffrey Tate. 20 anos depois, nesta regravação destas obras-chave de seu repertório, Uchida vem um pouquinho pior… A culpa é mais da orquestra — dirigida por ela — do que da categoria da pianista, sempre excelente. Apesar do espetacular trabalho dos sopros, o tamanho da orquestra é demasiadamente grande para as peças. A abordagem também é excessivamente romântica para Mozart. Tate era mais Mozart na versão anterior de Uchida .
W. A. Mozart (1756-1791): Concertos No. 23, K. 488 & No.24, K. 491 (Cleveland, Uchida)
1. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 1. (Allegro) 14:43
2. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 2. Larghetto 8:04
3. Piano Concerto No.24 In C Minor, K.491 – 3. (Allegretto) 9:55
4. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 1. Allegro 11:43
5. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 2. Adagio 6:47
6. Piano Concerto No.23 In A, K.488 – 3. Allegro Assai 8:18
Certa vez, o cidadão André Carrara, pianista da Ospa, perguntou sobre bons programas para orquestras. Fiz uma reles listinha, mas peço a ele que venha aqui. Por exemplo, o programa do disco abaixo, Tchaikovsky & Shakespeare, é maravilhoso e o deste disco também. Sim, sei, só cordas, mas e daí? É um belo programa com três peças populares e muito bonitas. Todos os elogios a Yuri Bashmet e seus Moscow Soloists. Aqui há música pra mais de metro. Das três peças, garanto-vos que Grieg e Tchai são fantasticamente bem interpretados. Não ouvi o Mozart pela simples razão de que já enchi o saco da Eine kleine Nachtmusik.
Grieg: Holberg Suite / Mozart: Eine kleine Nachtmusik / Tchaikovsky: Serenade for Strings
“Holberg Suite” (From Holberg’s Time), for string orchestra, Op. 40, de Edvard Grieg
1. Praeludium: Allegro vivace 2:38
2. Sarabande: Andante 3:28
3. Gavotte: Allegretto – Musette: Un poco mosso – Gavotte 3:30
4. Air: Andante religioso 5:22
5. Rigaudon: Allegro con brio 4:17
Serenade No. 13 for strings in G major (“Eine kleine Nachtmusik”), K. 525, de Wolfgang Amadeus Mozart
6 . Allegro 7:43
7. Romance: Andante 5:25
8. Menuetto: Allegretto 1:53
9. Rondo: Allegro 5:06
Serenade for strings (or piano, 4 hands) in C major, Op. 48
10. Pezzo in forma di sonatina: Andante non troppo – Allegro moderato 9:35
11. Walzer: Moderato, tempo di valse 3:29
12. Elegie: Larghetto elegiaco 8:35
13. Finale (Tema russo): Andante – Allegro con spirito 7:21
A Grande Missa em Dó Menor, K. 427, de Mozart, é considerada uma das grandes realizações não apenas mozartianas, mas do espírito criativo humano, composta em um momento único na vida do compositor, que recém tinha casado. Mesmo inacabada, tornou-se uma obra-prima inconteste. Inacabada até agora, graças ao genial Jordi Savall e seu fiel colaborador e amigo Luca Guglielmi, que preencheu as lacunas faltantes, claro que com a supervisão de Savall. O excelente livreto em anexo traz todas as informações necessárias, com textos do próprio Savall e de Guglielmi, que explicam o minucioso trabalho de reconstituição e, por que não dizer, recriação feito.
Jordi Savall nos tem presenteado com gravações espetaculares nos últimos anos, como este Mozart e o Oratório ‘As Estações’ de Haydn, lançado no final de 2025. O homem não para de trabalhar, sempre cercado de excelentes artistas. Somos privilegiados por ter acesso a essas gravações, viva a tecnologia.
Como comentei acima, o livreto em anexo traz todas as informações necessárias sobre a obra e sobre o processo de reconstrução dessa Missa, traduzido em vários idiomas, inclusive espanhol. Vale a pena ler.
Nouvelle version complétée (nº 10, 11) et reconstruite (nº 12, 13, 14, 15, 18, 19) par Luca Guglielmi à partir d’œuvres de Mozart, révisée par Jordi Savall
I. KYRIE
1. Kyrie eleison – Christe eleison (soprano I & chœur). Andante moderato
II. GLORIA
2. Gloria in excelsis Deo (chœur). Allegro vivace
3. Laudamus te (soprano II). Allegro aperto
4. Gratias agimus tibi (chœur). Adagio
5. Domine Deus, Rex coelestis (2 sopranos). Allegro moderato
6. Qui tollis peccata mundi (double chœur). Largo
7. Quoniam tu solus sanctus (2 sopranos & ténor). Allegro
8. Jesu Christe (chœur). Adagio
9. Cum Sancto Spiritu (chœur). Allegro
III. CREDO
10. Credo in unum Deum (chœur). Allegro maestoso
[révision des parties instrumentales de l’orchestre]
11. Et incarnatus est (soprano II). [Andante] [parties des cordes de l’orchestre complétées]
12. Crucifixus – Et resurrexit (soprano I). Andante – Allegro
[À partir de Davide penitente, KV 469, 8. « Tra le oscure ombre funeste », nouveau texte]
13. Et in Spiritum sanctum, « Tempo di Ciaccona ». Adagio – Primo tempo (chœur)
[Arr. d’un Credo alternatif inachevé de la Messe en ut majeur, KV 337, nouveau texte]
IV. SANCTUS
14. Sanctus (double chœur). Largo [reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
15. Hosanna in excelsis (double chœur). Allegro comodo
[reconstruction des parties vocales (5 à 8) manquantes]
16. Benedictus (2 sopranos, ténor & basse). Allegro comodo
17. Hosanna in excelsis [da capo] (double chœur). Allegro comodo
V. AGNUS DEI
18. Agnus Dei (soprano I & chœur). Andante moderato
[Arrangement à partir du Kyrie eleison de la Messe en ut mineur, KV 427
& Solfeggio, KV 393, nº 2]
19. Dona nobis pacem (chœur). Allegro – Adagio
[Nouvelle composition sur les croquis de Mozart]
SOLISTES
Giulia Bolcato soprano I
Elionor Martínez soprano II
Marianne Beate Kielland mezzo-soprano
David Fischer ténor
Matthias Winckhler basse
LA CAPELLA NACIONAL DE CATALUNYA
LE CONCERT DES NATIONS
JORDI SAVALL Direction
Domingo é dia de ópera – pelo menos para a Rádio MEC – e nada como um disco com árias de óperas de Mozart para encher a sala de música com os mais diversos sons e sentimentos – raiva, medo, persuasão – você pode nomear, vai encontrar tudo lá, inclusive um bocado de gozação. O disco é uma compilação de muitas gravações pelo selo amarelo, mas todas relativamente recentes, com cantores magníficos.
Liderando o time a soprano Anna Netrebko, cantando também o galês Bryn Terfel, Thomas Quasthoff, Elīna Garanča e outros. Entre os regentes Claudio Abbado e Charles Mackerras. A lista completa dos créditos está logo a seguir.
Eu gostei do disco, que parte logo para a ação, nada de ouverture, começamos logo com a anfitriã cantando uma ária da personagem Susanna, de As Bodas de Fígaro. A seguir alguns comentários (em parte amparados pelo Chat PQP Bach) sobre as árias apresentadas no disco.
Terfel como Fígaro
“Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar” (Susanna, de As Bodas de Fígaro): Esta é uma ópera buffa, por excelência. Trocas de papéis, jovem disfarçado de garota (papel sempre interpretado por cantora), um tentando passar a perna no outro. Nesta ária, Susanna está vestida como a Condessa e finge cantar uma canção de amor para o Conde; há uma enorme sinceridade nesta “falsa ária”, porque na verdade ela está cantando para Fígaro (embora ele não saiba disso e fica extremamente enciumado). Falsa nobreza, mas sentimentos verdadeiros; um sonho para os amantes do teatro.
“Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro” (Conde, de As Bodas de Fígaro): O Conde quer dar uma de bonzinho, abriu mão do direito da ‘primeira noite’, mas está de ‘olho na butique’ da Susanna, até perceber que está sendo engabelado por todos, praticamente. É claro, fica furioso… Ária típica de ópera buffa.
“Parto, parto, ma tu, ben mio” (Sesto, La clemenza di Tito): ‘Ópera séria’, a última composta por Mozart, e esta é uma ária cantada pelo personagem Sesto (um contralto ou meio-soprano, de novo, mulher fazendo papel de homem), expressando seu conflito ao ter que partir, apesar do amor por Tito, seu amigo e imperador. Eu conheço pouco essa obra, nunca ouvi uma gravação completa, mas a ária é bem especial. Chama a atenção a interação da voz com o clarinete obbligato. Certamente Mozart, que era um perfeito ‘alfaiate’ para as vozes dos cantores com quem estava trabalhando, também prezava as amizades com os músicos. Aqui, o papel do clarinete certamente se deve ao seu amigo Anton Stadler.
Thomas, como ele mesmo…
“Madamina, il catalogo è questo” (Leporello, Don Giovanni): Essa é figurinha carimbada, a famosa ária do catálogo, na qual Leporello, o faz-tudo do mulherengo Don Giovanni, conta à pobre Donna Elvira, a lista de conquistas do famoso sedutor, revelando o mau caratísmo do famoso nobre.
“Oh smania! oh furie!” (Orestes, Idomeneo): É um famoso recitativo e ária dramática da ‘ópera séria’ que demonstra a maestria de Mozart em expressar emoções intensas, particularmente no personagem atormentado de Oreste, marcando um passo significativo em sua maturidade como compositor de ópera. O texto em italiano expressa tormento extremo, raiva e desespero, condizentes com a situação desesperadora de Orestes.
“In diesen heil’gen Hallen” (Saratro, A Flauta Mágica): Aqui uma ária para baixo profundo, personagem típico das companhias de ópera daquela época. O primeiro Sarastro chamava-se Franz Xaver Gerl e era membro da troupe de Emanuel Schikaneder, outro amigão de Wolfie. Ele foi o primeiro Papageno. A Flauta Mágica não era uma ‘ópera’ (no sentido buffa ou séria), era um Singspiel, uma brincadeira em alemão.
“Fuggi, crudele, fuggi!” (Donna Anna e Don Ottavio, Don Giovanni): Neste caso um dueto com a prima dona da ópera e o tenor. O dueto é dramático, os dois cantam na presença do corpo do Comendador, pai de Donna Anna, morto por Don Giovanni. Don Ottavio é o noivo da moça e quer protegê-la e tal, mas está mais para um ‘dois de paus’. Ah, mas suas árias são lindíssimas.
“Là ci darem la mano” (Don Giovanni, Zerlina): Nesse belíssimo dueto, daquele que não esquecemos mais, o péssimo Don Giovanni tenta seduzir a povera raggazza, Zerlina, que está noiva de Masetto. O Don quase consegue seus intentos, mas é impedido pela chegada dos outros personagens da ópera, que estão na sua cola…
Königin der Nacht
“Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen” (Rainha da Noite, A Flauta Mágica): Ária icônica, até quem não ouve música clássica, que dirá ópera, conhece. A Rainha da Noite promete mover as forças das profundas para conseguir seus intentos vingativos. Há quem diga que Mozart inspirou-se na sogra para esse papel. A Vingança do Inferno Ferve no Meu Coração. Barra pesada…
“Der Vogelfänger bin ich ja” (Papageno, A Flauta Mágica) Nesta deliciosa ária o lado mais terreno do quarteto principal da ópera se apresenta: o caçador de pássaros sou eu! Papageno é aquele que sente fome, tem sede, quer encontrar sua Papagena! Maraviglia!
“Ah, perdona al primo affetto” (Annio e Servilia, La clemenza di Tito): Dueto do Ato I da ópera, cantado pelos personagens Annio (um jovem nobre romano, frequentemente interpretado por uma mezzo-soprano) e Servilia (irmã de Sesto). É um momento de terno amor juvenil e resignação, que ocorre depois que Annio descobre que o Imperador Tito escolheu Servilia para ser sua imperatriz. Tipo, Tristão e Isolda, mas bem distante, viu…
“Zeffiretti lusinghieri” (Ilia, Idomeneo): Ária da princesa troiana cativa, na qual ela expressa seu amor por Idamante, pedindo aos ventos que levem suas declarações, em um momento de solidão e ternura antes de saber da ameaça de sacrifício que paira sobre seu amado. Parece enredo de novela de fim de tarde, mas é isso, tudo muito bonito.
“Soave sia il vento” (Fiordiligi, Dorabella e Don Alfonso, Così fan tutte) É um belíssimo trio no qual as irmãs Fiordiligi e Dorabella, junto com o cínico Don Alfonso, se despedem de seus amados Ferrando e Guglielmo, que estão em um barco fingindo ir para a guerra. É enrolado, mas tudo faz parte da aposta entre os rapazes e Don Alfonso. Elas estão pedindo que o vento seja suave e as ondas calmas para os amantes possam navegar tranquilamente. Um momento de paz e beleza lírica, encerrando assim o programa do álbum.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar
Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro
Parto, parto, ma tu, ben mio
Madamina, il catalogo è questo
Oh smania! Oh furie…
In diesen heil’gen Hallen
Fuggi, crudele, fuggi!
Là ci darem la mano
Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen
Der Vogelfänger bin iIch ja
Ah, perdona al primo affetto
Zeffiretti lusinghieri
Soave sia il vento
Anna Netrebko (1, 5, 7, 12)
Elīna Garanča (3, 11)
Bryn Terfel (2, 13)
Thomas Quasthoff (4, 8, 10)
René Pape (6)
Christoph Strehl (7)
Erika Miklósa (9)
Miah Persson e Christine Rice (13)
Orchestra Mozart & Claudio Abbado (1, 5, 7, 12)
Scottish Chamber Orchestra & Charles Mackerras (2, 13)
Staatskapelle Dresden & Sebastian Weigle (3, 4, 8. 10, 11)
This is, in other words, a collection of golden eggs worth anyone’s money. It must be regretted that DG have omitted texts and translations but at least provide thumbnail resumes of the contents of each number.
Aproveite!
René Denon
Sir Charles encorajando o grupo do PQP Bach Opera CIA
Indiscutivelmente, uma das melhores gravações destas extraordinárias obras. A Orpheus Chamber Orchestra realiza aqui um trabalho de rara sensibilidade. São 212 minutos de grande Mozart. Que música, meus amigos!
A Orpheus é um conjunto que trabalha sem maestro. Os solistas para este conjunto de discos são todos membros da Orpheus e, presumivelmente, bem conhecidos de seus colegas. O resultado é esplêndido. Destaque para o Concerto para Clarinete, o para Flauta e Harpa e os para Flauta solo, além da Sinfonia Concertante. Divirtam-se.
W. A. Mozart (1756-1791): Todos os Concertos para Sopros (The Complete Wind Concertos) (Orpheus)
CD1
01 Sinfonia Concertante in E flat, (297b) -1) Allegro
02 Sinfonia Concertante in E flat, (297b) -2) Adagio
03 Sinfonia Concertante in E flat, (297b) -3) Andantino con variazio
04 Clarinet Concerto in A, K 622 -1) Allegro
05 Clarinet Concerto in A, K 622 -2) Adagio
06 Clarinet Concerto in A, K 622 -3) Rondo. Allegro
07 Andante for Flute and Orchestra in C, K 315 (285e)
# Sinfonia concertante for oboe, clarinet, horn, bassoon & orchestra in E flat major, K(3) 297b (K. Anh. C 14.01) (spurious)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with David Singer, Stephen Taylor, William Purvis, Steven Dibner
# Clarinet Concerto in A major, K. 622
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Charles Neidich
# Andante for flute & orchestra in C major, K. 315 (K. 285e)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Susan Palma
-=-=-=-=-=-
CD2
01 Bassoon Concerto in B-flat K 191 (186e) -1) Allegro
02 Bassoon Concerto in B-flat K 191 (186e) -2) Andante ma adagio
03 Bassoon Concerto in B-flat K 191 (186e) -3) Rondo. Tempo di Menuetto
04 Horn Concerto No 2 in E-flat, K 417 -1) Allegro
05 Horn Concerto No 2 in E-flat, K 417 -2) Andante
06 Horn Concerto No 2 in E-flat, K 417 -3) Rondo. Allegro
07 Horn Concerto No 1 in D, K 412 (386b) -1) Allegro
08 Horn Concerto No 1 in D, K 412 (386b) -2) Rondo. Allegro
09 Horn Concerto No 3 in E-flat, K 447 -1) Allegro
10 Horn Concerto No 3 in E-flat, K 447 -2) Romance. Larghetto
11 Horn Concerto No 3 in E-flat, K 447 -3) Allegro
12 Horn Concerto No 4 in E-flat, K 495 -1) Allegro maestoso
13 Horn Concerto No 4 in E-flat, K 495 -2) Romance. Andante cantabile
14 Horn Concerto No 4 in E-flat, K 495 -3) Rondo. Allegro vivace
# Bassoon Concerto in B flat major, K. 191 (K. 186e)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Frank Morelli
# Horn Concerto No. 2 in E flat major, K. 417
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with William Purvis
# Horn Concerto No. 1 in D major, K. 412/514 (K. 386b)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with David Jolley
# Horn Concerto No. 3 in E flat major, K. 447
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with William Purvis
# Horn Concerto No. 4 in E flat major, K. 495
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with David Jolley
-=-=-=-=-=-
CD3
01 Oboe Concerto in C, K 314 (285d; 271k ) -1) Allegro Aperto
02 Oboe Concerto in C, K 314 (285d; 271k ) -2) Adagio non Troppo
03 Oboe Concerto in C, K 314 (285d; 271k ) -3) Rondo. Allegretto
04 Flute Concerto No 1 in G, K 313 (285c) -1) Allegro Maestoso
05 Flute Concerto No 1 in G, K 313 (285c) -2) Adagio ma non Troppo
06 Flute Concerto No 1 in G, K 313 (285c) -3) Rondo. Tempo di Menuetto
07 Flute, Harp Concerto in C, K 299 (297c) -1) Allegro
08 Flute, Harp Concerto in C, K 299 (297c) -2) Andantino
09 Flute, Harp Concerto in C, K 299 (297c) -3) Rondeau. Allegro
# Oboe Concerto in C major, K. 314 (K. 285d)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Randall Wolfgang
# Flute Concerto No. 1 in G major, K. 313 (K. 285c)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Susan Palma
# Concerto for flute, harp & orchestra in C major, K. 299 (K. 297c)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Susan Palma, Nancy Allen
What I hear on the streaming isn’t what I hear in the hall!
Garrick Ohlsson ganhou o Concurso Chopin de Piano em 1970 e é conhecido como um excepcional intérprete da obra do compositor polonês, mas tem um repertório enorme, que inclui obras de Beethoven, Rachmaninov, Brahms, Granados, Scriabin, Bartók, Prokofiev, Liszt, entre outros.
Garrick foi o presidente do júri da edição deste ano do Concurso Chopin, cujo vencedor foi Eric Lu. A decisão certamente levantou mais comentários do que tem em geral acontecido. Talvez tenha sido o excesso de talentos ou mesmo outras as razões. O próprio Ohlsson explicou em entrevistas disponíveis na net as dificuldades de se chegar a um resultado em uma competição deste nível. Veja a frase que escolhi para iniciar a postagem.
Mas, hoje o dia é de Mozart, uma linda gravação feita ao vivo do Concerto para Piano No. 27, o último composto por Mozart. Pelo que entendi, Garrick Ohlsson foi chamado para substituir Igor Levitt como solista no concerto, devido a problemas de saúde deste último. Certamente seria uma noite mágica, mas, talvez, devido a isso, Garrick Ohlsson fez uma ótima apresentação – uma interpretação cristalina, muito bonita, mesmo aristocrática do último concerto de Mozart.
A orquestra e o regente Franz Welser-Möst, o atual diretor musical, certamente estavam em perfeita colaboração com o solista. A Orquestra de Cleveland e sua longa linhagem de famosos diretores musicais com ótimas gravações de obras de Mozart, mostra todas as suas qualidades.
Isso fica evidente na obra que completa o programa, a Sinfonia No. 29, obra que Mozart compôs entre seus 18 ou 19 anos, quando ainda morava em Salzburgo. Não há evidências que esta obra tenha sido apresentada em Salzburgo (eles não sabem o que perderam), mas em 1783, quando já morava em Viena, Mozart pediu a seu pai que lhe enviasse a partitura da obra e é bem possível que então a obra tenha sido apresentada. A interpretação aqui é do tipo ‘big band’, orquestra moderna, mas não se preocupe com isso, aproveite essa quase uma hora de ótima música.
“Ohlsson’s virtuosity here isn’t speed or extremes of technique but rather exceptional clarity. Even where the composer turns playful, as in the third movement, the pianist retains his stunning equanimity, allowing not so much as a single measure to sound muddy or hurried.”
Um bom e estranho CD. Talvez haja algum fato técnico que una essas obras de Mozart e Prokofiev, algo certamente acima de minha pouca compreensão. Ou será que a bonita e excelente Gesa Lücker apenas gosta das obras e fim? Ou adoro aquela Giga de Mozart e a Sonata Nº 8 de Prokofiev. O resto me pareceu limpinho e sem drama. A Sonata Nº 8 faz parte da trilogia de Sonatas compostas durante a Segunda Guerra. Não é uma obra fácil. Ela mescla violência rítmica, lirismo e uma serenidade triunfal ao final. É jornada musical intensa que vai da angústia à transcendência. Será que a pianista queria justamente o contraste?
W. A. Mozart (1756-1791) / S. Prokofiev (1891-1953): Sonatas e outras obras (Lücker)
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Sonata No. 5 in G major, KV 283
1) Allegro
2) Andante
3) Presto
4) Adagio in B minor, KV 540
5) Rondo in D major, KV 485
6) Gigue in G major, KV 574
Sergei Prokofiev (1891-1953)
Sonata No. 8 in flat major, op. 84
7) Andante dolce
8. Andante sognando
9) Vivace
A nominata galática dos executantes e dos compositores não garante um grande CD. Talvez eu esteja equivocado, mas nem o Op. 16 de Beethoven e menos ainda o Quinteto K. 452 são grandes obras. Falo em equívoco, pois considero inconcebível que venha a tratar como algo de importância menor um CD que some Mozart, Beethoven, Brendel, Holliger, etc.
01. Mozart – Quintet in E flat K.452 Largo – Allegro molto
02. Mozart – Quintet in E flat K.452 Larghetto
03. Mozart – Quintet in E flat K.452 Allegretto
04. Beethoven – Quintet in E flat Op.16 Grave – Allegro ma non troppo
05. Beethoven – Quintet in E flat Op.16 Andante cantabile
06. Beethoven – Quintet in E flat Op.16 Rondo
Alfred Brendel
Heinz Holliger
Eduard Brunner
Hermann Baumann
Klaus Thunemann
“Começou de forma muito simples: apenas uma pulsação no registro mais baixo. Então, de repente, bem acima, soou uma única nota no oboé, que ficou ali, inabalável, me perfurando, até que a respiração não conseguiu mais segurá-la, e um clarinete a tirou de mim e a adoçou em uma frase de tal deleite que me fez tremer. A luz tremeluziu na sala. Meus olhos ficaram nublados… pareceu-me que eu tinha ouvido uma voz de Deus…”
Peter Shaffer: Amadeus (trad. de René Denon).
Salieri disse estas palavras em Amadeus, referindo-se ao dilacerante e lindíssimo Adágio desta Serenata. A tradução acima foi realizada e depois roubada por mim deste blog. A Serenata K. 361 é uma obra-prima de Mozart para alegrar os corações de nossos ouvintes-leitores neste dia 7 de julho, o qual não significa nada em especial para este que vos escreve… Uma bela e surpreendente gravação do pessoal da Chamber Orchestra. Não seja louco de não baixar.
W. A. Mozart (1756-1791): Serenata No. 10 para 13 Instrumentos de Sopro, K. 361, ‘Gran Partita’ (Wind Soloists of The Chamber Orchestra of the Europe)
Serenade No. 10 In B Flat For 13 Wind Instruments, K361 “Gran Partita” (1781/4)
1 First Movement : Largo. Allegro Moderato 9:55
2 Second Movement : Menuetto 9:22
3 Third Movement : Adagio 5:15
4 Fourth Movement : Menuetto. Allegretto 5:09
5 Fifth Movement : Romanze. Adagio 9:12
6 Sixth Movement : Tema Con Variazioni 9:39
7 Seventh Movement : Rondo 3:20
Wind Soloists of The Chamber Orchestra of the Europe
Alexander Schneider
Espetaculares gravações realizadas por Karl Böhm em Berlim nos anos de 1964 e 1966, republicadas pela DG em sua coleção The Originals. Realmente, registros a serem lembrados, apesar do som de qualidade apenas razoável e da concepção algo estranha a nossos ouvidos pós-revolucionários (falo da revolução dos instrumentos autênticos que virou tudo de ponta cabeça). Mas Böhm conhecia este repertório como ninguém, tinha na mão solistas e orquestra de primeira linha, tinha Mozart e sua espetacular Sinfonia Concertante K. 364 — uma das músicas mais admiradas por mim por sua enorme profundidade, principalmente de seu Andante — e o resultado foi digno de tudo isso, o que fez a DG repor o disco em seu catálogo.
Baita CD.
Mozart – Sinfonie Concertanti
1. Sinfonia Concertante in Eb Major KV 364 – Allegro Maestoso
2. Sinfonia Concertante in Eb Major KV 364 – Andante
3. Sinfonia Concertante in Eb Major KV 364 – Presto
4. Sinfonia Concertante in Eb Major KV 297b – Allegro
5. Sinfonia Concertante in Eb Major KV 297b – Adagio
6. Sinfonia Concertante in Eb Major KV 297b – Andantino convariazioni
Viola – Giusto Cappone
Violin – Thomas Brandis
Bassoon – Günther Piesk
Clarinet – Karl Leister
Horn – Gerd Seifert
Oboe – Karl Steins
Berliner Philharmoniker
Karl Böhm
Clara Haskil morreu em 1960, mas continua por aí. Esse CD saiu em 1991 na coleção Dokumente da DG e voltou a ser editada de forma ampliada em 2003 na grande coleção The Originals. A versão que aqui apresentamos é a de 1991. Haskil é mozartiana até o último fio de seus cabelos brancos e aqui dá um belo recital acompanhada pelo genial Ferenc Fricsay. Não dá nada, mas nada mesmo errado. O som é de lata, mas as interpretações são de se ouvir de joelhos. Eu fico com vontade de falar mal de Haskil só para provocar reações de quem gosta de dizer “Tremei, infiel!”, mas não dá, ela não concede espaço à crítica, a veínha era boa demais.
Outro baita CD.
Mozart: Concertos para Piano N° 19 & 27
1. Piano Concerto No.19 in F, K.459 – 1. Allegro – Cadenza: Wolfgang Amadeus Mozart 12:46
2. Piano Concerto No.19 in F, K.459 – 2. Allegretto 8:08
3. Piano Concerto No.19 in F, K.459 – 3. Allegro assai – Cadenza: Wolfgang Amadeus Mozart 7:06
Clara Haskil, piano
Berlin Philharmonic Orchestra
Ferenc Fricsay
4. Piano Concerto No.27 in B flat, K.595 – 1. Allegro 13:15
5. Piano Concerto No.27 in B flat, K.595 – 2. Larghetto 7:39
6. Piano Concerto No.27 in B flat, K.595 – 3. Allegro 8:41
Clara Haskil, piano
Munich Bavarian State Orchestra
Ferenc Fricsay
Este CD da Harmonia Mundi France foi o vencedor do Diapason d`Or de 2004. Se este fato coloca uma grife na gravação, sua audição coloca outras nestas obras que já receberam polêmicas abordagens, como as de Glenn Gould (no mínimo estranha e temperamental), as da “neo-brasileira” Maria João Pires (talvez a melhor) e de Mitsuko Uchida (a que mais ouvia, don`t ask me why). Pode ser que Uchida e Pires acabem substituídas por Staier como meu preferido, mas ainda é cedo para tais considerações que certamente não terão a menor repercussão fora dos poucos metros quadrados de minha sala…
Um anônimo deixou a nota a seguir num site norte-americano. Eu a assinaria, sem dúvida. Gostaria de imaginar que vocês também, após audição deste excelente trabalho de Andreas Staier.
A new standard for Mozart piano performance, June 8, 2005
By A Music Lover
First the essential information: This performance is on a period fortepiano, not a modern instrument. This performance is not always “pretty”, but often percussive and dynamic. Also, Mr. Staier chooses to add ornamentation that is not in the manuscript but is in accordance with the style and practice of the 18th century. Still interested? I hope so, because if you miss this, you will miss a very exciting performance of 3 of Mozart’s finest works. Not for the faint of heart or those who insist that Mozart always sound beautiful. There certainly are moments of beauty, and poignancy, but there is also fire. Mozart played as the logical precursor to Beethoven. Frankly, I’ve never completely been won over by Mozart’s piano sonatas. There always seemed to be something lacking, a feeling of them being almost, but not quite, perfect. This performance has convinced me that they are indeed masterworks. Staier’s choice of ornamentation is both tasteful and exciting, with an improvisatory feeling that adds to the almost operatic, vocal quality of the melodic line. Of course, these choices are “frozen” on disc and lose that improvisatory feel somewhat on repeated listenings, but overall I prefer this approach to a more “straight” reading. Staier doesn’t shy away from dynamic contrasts, either, at some points sounding as though he is pushing the instrument to its breaking point. But it works very well. This is a clear contender for recording of the year, along with Ronald Brautigam’s exciting fortepiano performances of Beethoven Sonatas on the Bis label.
W. A. Mozart (1756-1791) – Sonatas para Piano K. 330, 331 e 332 (Staier)
Piano Sonata No. 10 in C major, K. 330 (K. 300h)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
with Andreas Staier, pianoforte
1. Allegro Moderato
2. Andante Cantabile
3. Allegretto
Piano Sonata No. 11 in A major (“Alla Turca”) K. 331 (K. 300i)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
with Andreas Staier, pianoforte
4. Andante Grazioso (Theme Et Variations)
5. Menuetto-Trio
6. Alla Turca. Allegretto
Piano Sonata No. 12 in F major, K. 332 (K. 300k)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
with Andreas Staier, pianoforte
7. Allegro
8. Adagio
9. Allegro Assai
Sim, Mozart teria ficado feliz. Ouvi o Exsultate, jubilate na Rádio da UFRGS e meu prazer foi quase sexual. Ela canta como a gente sonha ouvir alguém cantar. E então passamos ao CD: é uma jóia após outra. Dizer o quê? Eu adoro a voz de Cecilia Bartoli, amo mesmo. Como deve ser maravilhoso ter a capacidade de abrir a boca e, diferentemente de mim, não dizer bobagens com uma voz feia. Ela efetivamente tem toda uma riqueza musical muito pessoal e própria. E chega de babação.
Mozart Portraits — Cecilia Bartoli
1. Così fan tutte / Act 1 – “Temerari! Sortite!” – “Come scoglio!” 5:50
2. Così fan tutte / Act 2 – “Ei parte…Per pietà” 9:04
3. Così fan tutte / Act 1 – “In uomini, in soldati” 2:42
4. Le nozze di Figaro / Act 3 – “E Susanna non vien!” – “Dove sono i bei momenti” 6:43
5. Le nozze di Figaro / Act 4 – Giunse alfin il momento…Al desio di chi t’adora 7:19
6. Don Giovanni / Act 1 – “Batti, batti, o bel Masetto” 3:48
7. In quali eccessi… Mi tradi, K.540c – (Da Ponte)/Recitative and Aria (No.21bis) for Don Giovanni (version Vienna 1788) 5:48
8. Davidde Penitente, K.469 – 3. Aria: “Lungi le cure ingrate” 4:56
9. Exsultate, jubilate, K.165 14:37
Cecilia Bartoli
György Fischer
Vienna Chamber Orchestra
Vocês pensam que a lua é de queijo, que o PQP é a fila da Disney, que a vida é um morango? Pois fiquem sabendo que não é nada disso, mas que hoje postamos dois CDs, ambos bastante bons de um período que se pode chamar rigorosamente de “clássico”. Postagens coerentes uma com a outra, uma raridade em nosso blog.
O polonês Blechacz é um jovem pianista — nasceu em 1985 — que é bom pra caralho e que está cheio de gravações na DG. Sua especialidade é Chopin, mas aqui ele dá um show alhures. Muito bom CD!
Haydn / Beethoven / Mozart: Sonatas para Piano (Blechacz)
Franz Joseph Haydn (1732 – 1809)
Piano Sonata in E flat, H.XVI No.52 1) 1. Allegro [7:32]
2) 2. Adagio [7:07]
3) 3. Finale (Presto) [5:30]
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) Piano Sonata No.2 in A, Op.2 No.2
4) 1. Allegro vivace [6:23]
5) 2. Largo appassionato [7:45]
6) 3. Scherzo (Allegretto) [2:58]
7) 4. Rondo (Grazioso) [6:21]
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) Piano Sonata No.9 in D, K.311 8) 1. Allegro con spirito [4:11]
9) 2. Andantino con espressione [6:07]
10) 3. Rondeau (Allegro) [6:41]
Para honrar a memória e celebrar o legado extraordinário de Arthur Moreira Lima, um dos maiores brasileiros de todos os tempos, publicaremos a integral da coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – seu testamento musical – de 16 de julho, seu 85° aniversário, até 30 de outubro de 2025, primeiro aniversário de seu falecimento. Esta é a sexta das onze partes de nossa eulogia ao gigante.
No minuto derradeiro do concerto [no. 3] de Rachmaninoff, durante a coda, em meio ao crescendo da orquestra rumo ao apoteótico final da peça, Arthur levantou os olhos do piano e se deixou levar. Admirou entorpecido aquela deslumbrante sala lotada, como quem sonha acordado. Atrás de si, era fitado por um gigantesco retrato de Tchaikovsky. Os dedos agiam por conta própria no teclado. Nesses segundos, ele teve a dimensão do momento, a exata sensação de que uma fase de sua vida terminava, num espetacular rito, diante dos melhores do planeta. Desceu a mão com força descomunal no último acorde, levantou-se quase saltando e foi aplaudido com furor. Quase vinte minutos. Soltou um grito primal, entre lágrimas, mandando a modéstia, e o resultado do concurso, às favas:
– P***a, consegui… Eu cheguei até aqui…, repetia, enquanto se curvava em agradecimentos.
Nesse trecho de “O Piano e a Estrada” (Casa Maior Editora, 2009 – fora de catálogo, mas facilmente disponível no grande brique da interné), Marcelo Mazuras descreve a epifania que abraçou Arthur Moreira Lima nos momentos derradeiros de sua gloriosa participação no Concurso Tchaikovsky de 1970, na Grande Sala do Conservatório de Moscou. Favorito do público (“Arthur – nosso“, lembram?), aclamado pelos pares (como o gigante Emil Gilels, que o chamou de “um artista maduro, com sua própria paleta de sons” num edital do Pravda para os 250 milhões de soviéticos), e veterano de mais vivências do que parecia caber em seus recém-feitos trinta anos, nosso herói punha assim um fim a seu período formativo para dar partida no resto de sua vida.
Com duas filhas pequenas, Beatriz e Martha (um nome que é prova cabal de que a disputa com La Argerich em 1965 não deixou qualquer ressentimento, só admiração), e sem a bolsa do Ministério da Cultura da União Soviética, poderia haver alguma preocupação com carnês a pagar. Arthur, todavia, parece ter dispensado o anticlimático ritual de passagem que aflige todos os formandos, aquela memorável noite em que se vai dormir estudante e se acorda desempregado. Afinal, as muitas láureas nos concursos, aqueles moedores implacáveis de tantos bons pianistas, garantiram chuvas de convites. Seu equipamento era o melhor possível: a reputação de virtuoso jovem e carismático; mãos que coriscavam um repertório de vinte e quatro concertos e tantos quantos programas de recitais solo; um som tão russo quanto o dos grandes mestres daquela Escola; e um passaporte brasileiro que permitia uma liberdade de movimentos muito maior que a de seus colegas soviéticos, sempre amarrados por autorizações de saída, vistos de entrada e arapongas de butuca.
A supernova do piano contemplou brevemente a possibilidade de voltar ao Brasil, mas os prantos e o tilintar do chumbo que de cá ouvia disseram-lhe que não, não era ainda hora de voltar. Disposto a afinal colocar em seus bornais algo além de rublos, e já com alguns anos de gravações e concertos programados em várias repúblicas da União Soviética, Arthur escolheu então sua nova morada: seria Viena, uma metrópole tão encharcada de Arte quanto Moscou, donde poderia com facilidade lançar incursões para os dois lados da férrea Cortina.
Deu muito certo, certo até demais: sua agenda abarrotada fez seu apartamento vienense receber quase mais pernoites de colegas ilustres, como o amigo Emil Gilels e a supracitada Martha Argerich, que dele próprio. Em alguns anos, talvez saudoso de algo do calor e da radiação ultravioleta de sua São Sebastião natal, o carioca zarparia para Barcelona, acompanhando a esposa, a diplomata e pianista Eliana. Mal conseguiu gastar os solados das chinelas catalãs, ocupadíssimo que estava com intensas turnês. Numa delas, num dia de clima especialmente miserável na brumenta Glasgow, rodeado por escoceses de sotaque tão espesso que não conseguia entender, enfim perguntou-se:
– O que eu tô fazendo aqui???
A grande ficha caíra. No final da Década de Sangue e Chumbo, o Brasil estava cada vez mais a chamar de volta sua tanta gente que partira em aviões e rabos de foguete. Nosso herói, enfim, atenderia seu chamado, não sem antes iniciar uma guinada de repertório e rumos que culminaria, anos mais tarde, na boleia dum caminhão-teatro, com o mais épico capítulo da história do Piano Brasileiro.
ARTHUR MOREIRA LIMA – MEU PIANO/TRÊS SÉCULOS DE MÚSICA PARA PIANO Coleção publicada pela Editora Caras entre 1998-99, em 41 volumes Idealizada por Arthur Moreira Lima Direção artística de Arthur Moreira Lima e Rosana Martins Moreira Lima
Volume 4: BEETHOVEN – SONATAS FAMOSAS
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano no. 8 em Dó menor, Op. 13, “Patética”
1 – Grave – Allegro di molto e con brio
2 – Andante cantabile
3 – Rondo: Allegro
Sonata para piano no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar”
4 – Adagio sostenuto
5 – Allegretto
6 – Presto agitato
Sonata para piano no. 23 em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”
7 – Allegro assai
8 – Andante con moto
9 – Allegro ma non troppo
Arthur Moreira Lima, piano
Gravação: St. Philip’s Church, Londres, Reino Unido, 1997 Engenheiro de som: Peter Nicholls Idealização e direção musical: Arthur Moreira Lima Idealização, direção musical, produção e edição: Rosana Martins Moreira Lima Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima
Concerto para piano e orquestra n° 22 em Mi bemol maior, K. 482
1 – Allegro (cadenza: Arthur Moreira Lima)
2 – Andante
3 – Allegro (cadenza: Arthur Moreira Lima)
Franz Joseph HAYDN (1732-1809)
Concerto para piano e orquestra em Sol maior, Hob. XVIII:4
4 – Allegro moderato
5 – Adagio
6 – Rondo: Presto
Arthur Moreira Lima, piano Orquestra de Câmara de Moscou Rudolf Barshai, regência
Gravações: Estúdio no. 1 da Rádio de Moscou, União Soviética, 1971 (Mozart) e 1974 (Haydn) Engenheiro de som: Igor Veprintsev Produção: Larysa Abelyan Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1998.
Sonata para piano em Lá menor, K. 310
1 – Allegro maestoso
2 -Andante cantabile con espressione
3 – Presto
Sonata para piano em Fá maior, K. 332 4 – Allegro
5 – Adagio
6 – Allegro assai
Sonata para piano em Ré maior, K. 576
7 – Allegro
8 – Adagio
9 – Allegretto
Arthur Moreira Lima, piano
Gravação: Rosslyn Hill Chapel, Hampstead, Londres, Reino Unido, 1999 Engenheiro de som: Peter Nicholls Idealização e direção musical: Arthur Moreira Lima Idealização, direção musical, produção e edição: Rosana Martins Moreira Lima Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima
Concerto para piano e orquestra n° 23 em Lá maior, K. 488
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Allegro assai
Rondó em Ré maior para piano e orquestra, K. 382
4 – Allegretto grazioso
Arthur Moreira Lima, piano Orquestra de Câmara de Moscou Rudolf Barshai, regência
Gravações: Estúdio no. 1 da Rádio de Moscou, União Soviética, 1971 Engenheiro de som: Igor Veprintsev Produção: Larysa Abelyan Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima
Sonata para piano em Lá menor, K. 331
5 – Andante grazioso – Tema con variazioni
6 – Menuetto
7 – Alla turca: Allegretto
Gravação: Rosslyn Hill Chapel, Hampstead, Londres, Reino Unido, 1999 Engenheiro de som: Peter Nicholls Idealização e direção musical: Arthur Moreira Lima Idealização, direção musical, produção e edição: Rosana Martins Moreira Lima Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1998.
Dentro da insana agenda de Arthur como astro internacional nos anos 70, destaca-se sua relação muito especial com o Japão. A notória devoção japonesa ao Chopin polonês – que outro país do mundo tem uma Revista Chopin mensal? – converteu-se, naturalmente, em muito apetite pela arte do Chopin de Estácio, que voltaria ao país por doze anos consecutivos, legando-nos, entre outros, estes frutos colhidos do pomar do – quem mais? – Instituto Piano Brasileiro:
Um primoroso LP da Denon/Nippon Columbia (1976) com som imaculado e uma leitura das valsas de Chopin ainda melhor que sua outra, lançada na década seguinte.
Um dos recitais da maratona (doze concertos em vinte dias) da primeira visita de Arthur ao Japão, em 1976, que também rendeu o álbum acima.
Outro álbum primoroso da Denon/Nippon Columbia, totalmente dedicado a Chopin (1978)
Outro recital, de inda outra maratona japonesa, no mesmo 1984 em que Arthur fez sua gravação legendária do Rach 3.
Shopan wa suki desu ka?
“6ª parte da entrevista do pianista Arthur Moreira Lima a Alexandre Dias, em que ele falou sobre o disco de Chopin que gravou pela Marcus Pereira em 1976, sua ligação com o Japão nesta época, e o novo repertório que passou a explorar nesta época, ligando-se a músicos populares, incluindo músicos de choro, como Época de Ouro e Waldir Azevedo. Comentou sobre como foi sua volta ao Brasil, em meio a uma plena carreira internacional de sucesso, falou sobre outros LPs que gravou pela Marcus Pereira e Kuarup, e sobre sua admiração por Radamés Gnattali, com quem teve bastante contato, chegando a gravar e estrear obras suas. Por fim, falou sobre sua admiração por outro grande mestre, o Laércio de Freitas, que fez os arranjos de músicas de Piazzolla que Arthur depois gravou em disco.”
Em homenagem a Fluminense Moreira Lima, seguimos com o álbum de figurinhas dos campeões da Copa Rio de 1952. Na imagem, o imberbe lateral-esquerdo João Ferreira, vulgo Bigode (1922-2003). Escalado para a infame tarefa de marcar Alcides Ghigghia no Maracanazo de 16 de julho de 1950, só não foi mais massacrado pela opinião pública que o arqueiro Barbosa após o tento da virada uruguaia. A conquista da Copa Rio, em 1952, foi sua redenção no mesmo gramado que antes o condenara – e, não, não encontrei qualquer imagem do moço com o adereço piloso homônimo.