Debussy (1862 – 1918): Integral da Obra para Piano – François Chaplin – Jean-Efflam Bavouzet – Jean-Yves Thibaudet – François-Joel Thiollier – Martino Tirimo – Noriko Ogawa – Théodore Paraskivesko ֍ #DEBUSSY160

Debussy (1862 – 1918): Integral da Obra para Piano – François Chaplin – Jean-Efflam Bavouzet – Jean-Yves Thibaudet – François-Joel Thiollier – Martino Tirimo – Noriko Ogawa – Théodore Paraskivesko ֍ #DEBUSSY160

A obra para piano de Claude Debussy é inovadora, belíssima e não é imensa. É uma tentação para os pianistas e gravadoras colocá-la toda em um conjunto de quatro a cinco discos – L’integrale de l’oeuvre pour piano!

Talvez o primeiro pianista a fazer isso tenha sido Walter Gieseking, mas muitos outros fizeram isso depois dele e certamente continuarão a fazê-lo.

Eu acho fascinante poder ouvir toda essa obra, uma maravilhosa coleção, em um período relativamente curto de tempo… O desenvolvimento de um compositor genial todo colocado ao seu dispor em, digamos, uma semana?

Alguns pianistas vão um pouco além e incluem todas as pecinhas, mesmo as de juventude, ou as versões para piano desta ou daquela obra para outro tipo de combinação de instrumentos, fazendo com que um quinto disco (ou mesmo um sexto) seja acrescentado ao usual conjunto de quatro discos.

Mas, quais são as obras que fazem o núcleo destas coleções? Há peças isoladas e algumas coleções – conjuntos, trípticos ou suítes. Vamos fazer uma lista dessas que você não pode perder, facilitando assim um pouco a sua navegação pelos arquivos da postagem.

Peças avulsas:

Rêverie (1890)
Deux arabesques (1890-1)
L’isle joyeuse (1903 – 04)
… d’un cahier d’esquisses (1903)
Hommage à Haydn (1909)
La plus que lente (1910)
Berceuse héroïque (1914)
Page d’album e Élégie (1915)

Conjuntos de Peças:

Images (oubliées) (1894)

Pour le piano (1894-1901)

Suite bergamasque (1890-1905)

Images I (1901-1905)

Estampes (1903)

Images II (1907)

Children’s Corner (1906-1908)

Préludes Livre I (1910) – Livre II (1913)

La Boîte a joujoux (1913)

Études (1915)

Há outras peças, mas esse é o mapa ao qual você poderá recorrer para navegar nas sete integrais que escolhi para a postagem. Afinal, é mês do aniversário de 160 anos do Claude!

Das peças avulsas, a maior e (talvez) a primeira a apresentar as características que distinguem as inovações de Debussy é L’isle joyeuse.

Entre as coleções, certamente se destacam as Images, Estampes, Préludes e Études. Esta última coleção, de um período difícil da vida de Debussy, é um resultado de sua amizade com o seu editor, Jacques Durand, que o encarregou de uma nova edição da obra de Chopin. Essa atividade o inspirou para produzir seus próprios estudos, cujo conjunto é, para muitos, sua mais completa obra-prima.

Aproveito para lhe fazer um convite: na medida em que for ouvindo as peças, faça um esforço para expandir seus interesses culturais além da música. Este pode ser um aspecto do legado que nos foi deixado por Debussy, que tinha enorme interesse nas outras artes, das quais tirava muitas inspirações. Pintura, escultura, poesia… as pistas estão em todas as partes. Tente fazer o percurso inverso enquanto desfruta deste maravilhoso mundo sonoro.

Vamos às nossas coleções.

  • François Chaplin – Uma das mais completas, teve seus discos gravados pela Disques Pierre Verany (Arion) ao longo dos anos 2000 até 2007. Como a gravadora e o pianista são franceses, temos certeza que o sotaque está correto. Além disso, as revistas francesas especializadas em música, como a Diapason, receberam muito bem os lançamentos, na medida em que iam saindo. O sexto disco é um apêndice e traz textos de Debussy (que escrevia sobre música com o pseudônimo de Monsieur Croche) recitados por Jean Piat, que são ilustrados musicalmente por François Chaplin.

Volume 1

[1-3] Estampes

[4-9] Children´s Corner

[10] The little negro

[11-13] Images I

[14-15] Deux Images oubliées

[16-18] Pour le piano

Volume 2

[1-12] Préludes, livre I

[13] Danse

[14] Morceau de concurs

[15] Danse bohémienne

[16] Masques

[17] L’isle joyeuse

Volume 3

[1-12] Préludes, livre I

[13-16] Suite bergamasque

[17-18] Aranesques

Volume 4

[1] Rêverie

[2] D’un cahier d’esquisses

[3-5] Images II

[6] Hommage à Haydn

[7] La plus que lente

[8-13] Epigraphes antiques

[14] Berceuse heroïque

[15] Page d’album

[16] Élégie

[17] Les soirs illuminés par l’ardeur du charbon

Volume 5

[1-12] Études

[13] Ballade

[14] Mazurka

[15] Nocturne

[16] Valse romantique

François Chaplin, piano

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MP3 | 320 KBPS | 902 MB

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  • François-Joel Thiollier – Viva a Naxos! Cinco lindos discos, em particular o disco com os prelúdios, muito bem gravados e lançados entre 1994 e 1997. O pianista Fançois-Joel Thiollier já havia provado seu valor com alguns discos (incluindo a integral da obra para piano) de Ravel. Na época de seu lançamento os concorrentes eram peso-pesado, como o excelente Zoltan Kocsis, mas Thiollier oferecia uma ótima opção, como você poderá ouvir aqui. Veja o que a American Record Guide disse: Thiollier plays it beautifully…it was a real treat to hear this warm, sweet piano tone emerge out of complete silence.

Volume 1

[1-4] Suite Bergamasque

[5] Nocturne

[6] Danse bohemienne

[7] Rêverie

[8] Mazurka

[9-10] Deux arabesques, L. 66

[11] Valse romantique (L. 71)

[12] Ballade

[13] Danse – Tarantelle styrienne

[14-16] Pour le piano

Volume 2

[1] Le petit nègre

[2-7] Children’s Corner

[8-11] La Boite A Joujoux

[12-17] 6 Epigraphes antiques

Volume 3

[1-3] Images pour piano I

[4-6] Images pour piano II

[7-9] Estampes

[10-12] Images oubliées

[13] La plus que lente

[14] L’isle joyeuse

Volume 4

[1-24] Préludes

Volume 5

[1-12] Études

[13] D’un cahier d’esquisses

[14] Hommage à Haydn

[15] Élégie, L138

[16] Morceau de concours

[17] Page d’album: Pièce pour l’oeuvre du ‘Vêtement du blessé’

[18] Berceuse héroïque

[19] Masques

Francois-Joel Thiollier, piano

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MP3 | 320 KBPS | 796 MB

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  • Jean-Efflam Bavouzet – Aqui temos mais um pianista francês, mas a produção é do selo Chandos que é inglês. Nesta coleção a integral de divide em cinco discos, mas o quinto contém três balés… Além disso, este conjunto já frequentou as páginas do blog antes, quando foi postada pelo nosso colaborador-raiz, FDP Bach. Esta talvez seja a integral mais ‘completa’ que reúne qualidades artísticas e técnicas que a colocam na preferência de muitas pessoas. Eu sou bastante reticente e desgosto um pouco das comparações, especialmente em se tratando de gravações musicais. Veja, cada gravação traz em si uma longa história e há muitos aspectos que podem ser apreciados, mas levei em consideração a qualidade global deste item para trazê-lo novamente em uma postagem.

Volume 1

[1-24] Préludes

[25] Les soirs illuminés par l’ardeur du charbon

Volume 2

[1] Ballade

[2] Valse romantique

[3] Danse (Tarantelle styrienne)

[4-6] Images (oubliées)

[7-9] Estampes

[10-12] Pour le piano

[13] Masques

[14] L’isle joyeuse

[15] …D’un cahier d’esquisses

Volume 3

[1] Nocturne

[2-5] Suite bergamasque

[6] Danse bohémienne

[7-8] Arabesques

[9] Rêverie

[10] Mazurka

[11-16] Children’s Corner

[17] Hommage à Haydn

[18] Morceau de Concours

[19] La plus que lente

[20] The little nigar

[21] Page d’album

[22] Berceuse héroïque

[23] Élégie

Volume 4

[1-3] Images I

[4-6] Images II

[7-19] Études (incluíndo o Étude retrouvée)

Volume 5

[1-8] Khamma (Légende dansée)

[9-18] Jeux (Poème dansé)

[19-22] La Boîte à joujoux (Ballet pour enfants)

Jean-Efflam Bavouzet, piano

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MP3 | 320 KBPS | 830 MB

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  • Jean-Yves Thibaudet – Ooppss… mais um pianista francês com selo inglês. Esta gravação é mais antiga do que a anterior, lançamentos entre 1996 e 2000, mas é espetacular, do ponto de vista técnico e tem a qualidade de colocar tudo (?) em quatro discos. Veja como o Penguin Guide fala bem dele (pelo menos dos dois primeiros discos): Beautifully recorded, […] looks set to take first place in a competitive field. The Préludes are among the finest in record. Sobre a gravação dos Prelúdios: Always a crisp and articulate pianist, Thibaudet´s Préludes display greater freedom and imagination than is sometimes the case with him.

Volume 1

[1-12] Préludes I

[13-15] Estampes

[16-17] Arabesques

[18] Rêverie

[19] Masques

[20] L’isle joyeuse

Volume 2

[1-12] Préludes II

[13] …D’un cahier d’esquisses

[14] Morceau de Concours

[15] Danse bohémienne

[16] Nocturne

[17-18] Deux Images (oubliées)

[19-21] Pour le piano

Volume 3

[1-3] Images I

[4-6] Images II

[7] Le petit negre

[8-13] Children’s Corner

[14] La plus que lente

[15] Valse romantique

[16] Ballade

[17] Danse (Tarantelle styrienne)

[18] Mazurka

Volume 4

[1-4] Suite bergamasque

[5] Hommage à Haydn

[6] Élégie

[7] Berceuse héroïque

[8] Page d’album

[9-20] Études

[21] Étude retrouvée

Jean-Yves Thibaudet, piano

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MP3 | 320 KBPS | 720 MB

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  • Martino Tirimo é cipriota, pianista desde a mais tenra idade, estudou em Londres e Viena. Ganhou muitos prêmios e é ótimo pianista. Tem gravações de (todas) as peças solo para piano de Beethoven, de Schubert, mas essa coleção de quatro CDs com a obra para piano de Debussy é o que eu mais ouvi dele e é ótima. Foi gravada entre 1988 e 1991 para o selo inglês Carlton Classics e já teve várias novas edições. Veja o que o Jed Distler, da Classics Today,  disse: For starters, Tirimo’s warm, beautifully nuanced sonority and the alluring resonance of the Rosslyn Hill Chapel in Hampstead mesh in a way that evokes the composer’s “piano without hammers” ideal without sacrificing rhythmic backbone. Tirimo’s strong rhythm and care with scaling dynamics factors into this impression. Sobre a gravação dos Prelúdios, o Penguin Guide disse: Complete on one super-baigain CD, Tirimo’s set offers excellent value, his sensitive playing enhanced by fine digital sound. Por um ano de minha vida, este disco (Prelúdios) foi o que eu mais ouvi da música para piano de Debussy e esta coleção é especial para mim.

Volume 1

[1-12] Études

[13-15] Estampes

[16] L’isle joyeuse

Volume 2

[1-24] Préludes

Volume 3

[1-4] Suite bergamasque

[5-6] Deux Images (oubliées)

[7] Rêverie

[8] Danse (Tarantelle styrienne)

[9-10] Arabesques

[11] Ballade

[12] Valse romantique

[13] Nocturne

[14] Danse bohémienne

[15-17] Pour le piano

Volume 4

[1-3] Images I

[4-6] Images II

[7] Berceuse héroïque

[8] Mazurka

[9] La plus que lente

[10] Masques

[11] Élégie

[12] The little negro

[13] Page d’album

[14] Morceau de concours

[15] Hommage à Haydn

[16] …D’un cahier d’esquisses

[17-22] Chisldren’s Corner

Martino Tirimo

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MP3 | 320 KBPS | 699 MB

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  • Noriko Ogawa estudou no Tokyo College of Music e na Julliard School, em Nova Iorque. Ganhou em 1987 o prestigioso Leeds International Piano Competition, o que definitivamente impulsionou sua carreira de pianista internacional. Esta coleção de seis discos com a obra completa para piano, de Debussy, gravada pelo excelente selo (ótimo som) BIS entre 2001 e 2011, certamente mostra que não é necessário nascer em solo francês para falar esse idioma musical. A Gramophone disse o seguinte sobre o segundo disco da série: We have had to wait some time for volume 2 of Noriko Ogawa’s Debussy cycle on BIS, but the wait is made gloriously worthwhile. Every bar of these new performances confirm Ogawa as a most elegant, scrupulously sensitive interpreter of ‘music like a dream from which one draws away the veil’ (Debussy). O Penguin Guide  afirma que ela é ‘a superb interpreter of this repertoire’.

CD1

[1-2] Arabesques

[3] Danse, “Tarantelle styrienne”

[4] Ballade

[5] Valse romantique

[6] Rêverie

[7-10] Suite bergamasque

[11] Mazurka

[12] Nocturne

[13.] Danse bohemienne

[14-16] Pour le piano

CD2

[1-3] Images, Book 1

[4-6] Images, Book 2

[7-9] Images oubliees

[10-12] Estampes

[13] Masques

[14] L’isle joyeuse

CD3

[1-12] Preludes, Book

[13] …D’un cahier d’esquisses

[14] Morceau de concours

[15] Hommage a Haydn

[16] The Little Nigar

[17-22] Children’s Corner

[23] La plus que lente

CD4

[1-12] Preludes, Book 2

[13] Berceuse heroique

[14] Page d’album, “Piece pour le Vetement du blesse”

[15] Élégie

[16-19] La boite a joujoux (version for piano)

CD5

[1-12] Études

[13] Étude retrouvée

[14] Intermede (arr. of Piano Trio No. 1: II. Scherzo-Intermezzo)

[15-20] Epigraphes antiques (version for solo piano)

[21] Les soirs illumines par l’ardeur du charbon

CD6

[1] Fugue pour le concours de fugue (1881) (arr. N. Ogawa for piano)

[2] Fugue pour le concours de fugue (1882) (arr. N. Ogawa for piano)

[3] Fugue pour le concours de fugue (1883) (arr. N. Ogawa for piano)

[4] Fugue pour le concours d’essai, Prix de Rome Competition (1882) (arr. N. Ogawa for piano)

[5] Fugue pour le concours d’essai, Prix de Rome Competition (incomplete) (1883) (arr. N. Ogawa for piano)

[6-8] Fantaisie

Noriko Ogawa, piano

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MP3 | 320 KBPS | 1 GB

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  • Théodore Paraskivesko nasceu na Romênia, mas naturalizou-se francês. Estudou com Magda Tagliaferro, Yvonne Lefébure e Nadia Boulanger. Faz assim uma ponte entre a tradição de pianistas franceses mais próximos ao tempo de Debussy com esta geração representada pelos outros pianistas. Nova geração, mas não exatamente novíssima… Estas gravações foram feitas entre 1976 e 1980, e as conheci já em CDs, lançados pelo selo Calliope. Ela muito contribuiu para meu enorme interesse e admiração pela obra para piano de Debussy.

Volume 1

[1-24] Préludes Images Premier Livre

Volume 2

[1-3] Images I

[4-6] Images II

[7] Berceuse Héroïque

[8-13] Children’s Corner

Volume 3

[1-3] Pour Le Piano

[4-6] Estampes

[7-10] Suite Bergamasque

[11] Nocturne

[12-17] Six Epigraphes Antiques

Théodore Paraskivesco

Volume 4

[1-2] Arabesques

[3] La Plus Que Lente

[4] Le Petit Nègre

[5] L’isle Joyeuse

[6-17] Douze Études

Théodore Paraskivesco, piano

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MP3 | 320 KBPS | 651 MB

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Com tantas comemorações, Claude precisou descansar e relaxar um pouquinho…

Tenho feito um esforço de virtualmente sempre disponibilizar arquivos flac e mp3 em minhas postagens, mas considerando o volume de informação desta particular postagem, optei por disponibilizar apenas os arquivos mp3. Espero contar com a compreensão daqueles que preferem os arquivos flac, mas tenho certeza que a qualidade dos arquivos disponibilizados não os desapontará nem deixará de fazer brilhar a beleza desta música de que tanto gosto. Espero que aproveite bastante, mas há muito mais Debussy em estoque!

René Denon

Dennis Russell Davies Performs Philip Glass

Dennis Russell Davies Performs Philip Glass

Não sei qual o motivo pelo qual estou postando este CD, já que não sou muito fã de Philip Glass, desde a primeira vez em que ouvi e assisti “Koyaanisqatsi” (creio que saí na metade do filme), mas eu era muito jovem, e o que sabem os jovens ali nos seus dezessete ou dezoito anos?

Mas enfim, o que me chamou a atenção neste CD que ora vos trago foi o belíssimo Segundo Movimento do “Concerto Tirol”. Vi um vídeo no Youtube e me encantei com esse movimento. Quando ouço essa parte me vem a cabeça uma sucessão de lembranças exatamente daquela época da minha vida, meus dezessete ou dezoito anos, mas curiosamente as imagens são por exemplo, da rua em eu morava em um dia de verão, vazia, sem movimento, ou do rio que passava nos fundos de minha casa. Esboços de imagens, eu diria. Ou a casa da esquina, um requintando palacete abandonado à própria sorte, cujos proprietários apareciam só de vez em quando, descendentes de uma família de muitas posses, e aquela era apenas mais uma de suas casas.

Mas este Segundo Movimento realmente me encantou e impressionou, e sabem como é, né? Assim como na juventude achamos que sabemos de tudo mas na verdade não sabemos de nada, na meia idade temos uma compreensão de que até podemos saber muito, mas ainda temos muito mais para aprender. Nunca estamos satisfeitos, precisamos alimentar nosso cérebro o tempo todo. Então, por algum motivo inexplicável, elegi este belíssimo Segundo Movimento como a trilha sonora deste momento de minha vida.

Denis Russel Davies é um fiel batalhador pela divulgação da obra de Glass, tem muitos CDs gravados com suas obras. Neste que ora vos trago, gravado em 2004, curiosamente é o solista e o regente da ótima Stuttgart Chamber Orchestra. Vale e muito a audição desse CD. Entendo ser uma ótima introdução para a obra do compositor.

Dennis Russell Davies Performs Philip Glass

01. Tirol Concerto – Movement I
02. Tirol Concerto – Movement II
03. Tirol Concerto – Movement III
04. Passages – Offering
05. Passages – Channels And Winds
06. Passages – Meetings Along the Edge

Stuttgart Chamber Orchestra
Dennis Russel Davies – Piano & Conductor

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FDP

Debussy (1862 – 1918): Études – Anne Queffélec – Michel Beroff – Mitsuko Uchida – Philippe Bianconi – Pierre-Laurent Aimard ֍ #DEBUSSY160

Debussy (1862 – 1918): Études – Anne Queffélec – Michel Beroff – Mitsuko Uchida – Philippe Bianconi – Pierre-Laurent Aimard ֍ #DEBUSSY160

Debussy

Études

Queffélec – Beroff

Uchida

Bianconi – Aimard

 

Os Estudos foram compostos por Debussy em 1915, como resultado de seu trabalho na edição das obras de Chopin. Essa tarefa lhe havia sido proposta por seu editor, Jacques Durand, parte de uma estratégia de animá-lo e ajuda-lo a passar por um período particularmente difícil da vida. O resultado é uma coleção de obras primas, por muitos consideradas o que há de melhor em sua obra. Ele mesmo teria dito que as peças ‘são um aviso aos pianistas para que nem tentem se profissionalizar, a menos que tenham mãos fenomenais’! Em sua correspondência com Durand, disse:

Estou certo que você irá concordar comigo que não há necessidade de

evidenciar o mecanismo instrumental apenas para parecer mais

comprometido, um toque de charme não vai machucar ninguém. Chopin

provou isso e fez com que essa necessidade se tornasse arrogante.

 

Nesta postagem trazemos algumas gravações desta coleção…

Anne Queffélec estudou no Conservatório de Paris e posteriormente em Viena com Paul Badura-Skoda, Jörg Demus e Alfred Brendel (assim como o fez Imogen Cooper). Teve sua carreira de pianista impulsionada ao ganhar competições de piano em Munique e Leeds. Desde os anos 1970 tem feito gravações de música principalmente francesa sempre com muito boa recepção de crítica e público. A Gramophone refere-se às suas gravações como “Delicious playing”, “Outstanding … thoughtful, poetic”, “Articulate, clear-textured and vivacious, this is commendable”.

Veja como ela respondeu a um de seus entrevistadores:

You will close the program with Debussy and Ravel. Why did you include those composers and those works?

AQ: The second half is dedicated to Debussy’s Reflets dans l’eau and Ravel’s Miroirs because I love these marvellous pieces! By programming Reflets and Miroirs together seemed to me connected to this idea of “reflections”, even if the music itself in Ravel ensemble, in the individual titles of the five pieces, don’t give us the key for the global name of Miroirs. This remains a mystery; we have to be like Alice in Wonderland, and agree to follow Ravel, and go through the mirrors in turn!

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MP3 | 320 KBPS | 112 MB

Veja esta postagem aqui:

Ravel (1875-1937): Miroirs – Le tombeau de Couperin – Anne Queffélec

Michel Beroff gravou essencialmente toda a obra para piano de Debussy nos anos 1970 para a EMI, oferecendo uma visão mais virtuosística e incisiva. Sua gravação dos Prelúdios está na postagem que dediquei a esta obra e aqui temos a sua gravação dos Estudos. Veja o que disse de suas gravações um crítico amador, mas arguto: My search for complete recording of Debussy’s solo piano music had ended there, until I came across Michel Beroff through his awe-inspiring recording of Messiaen’s Vingt regards and astounding Prokofiev Concerti recording.

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MP3 | 320 KBPS | 97 MB

Veja esta postagem aqui:

Serguei Prokofiev (1891-1953): Integral dos Concertos para Piano – Michel Béroff – Gewandhausorchester, Leipzig – Kurt Masur

Mitsuko Uchida – A partir de 1984 até 1989 a Philips lançou uma série de discos com música de Mozart, Sonatas e Concertos para piano, com uma solista japonesa – Mitsuko Uchida, que vieram a se tornar referência destas obras. Até acusadas de perfeitas, essas gravações foram… De qualquer forma, a menos de um disco com Sonatas para Piano de Chopin, o nome de Uchida ficou associado à Mozart. Posteriormente, gravou os Concertos para Piano de Beethoven, algum Schumann, alguma coisa da trinca Schoenberg, Berg e Webern e muito Schubert. Assim, sua gravação dos Estudos de Debussy desperta alguma surpresa, mas que surpresa! Para muitos, essa é a gravação que não pode faltar em qualquer coleção de discos de Debussy. Se eu fosse forçado por meios mesmo não muito cruéis a escolher uma gravação dos Estudos de Debussy, não vacilaria e a escolheria. Bom, é retórica, eu sei, mas dá a medida de quanto importante é esse disco. O Penguin Guide deixa de lado a tradicional fleuma inglesa e rasga a seda: Mitsuko Uchida’s remarkable account of the Études on Philips is not only one of the best Debussy piano records in the catalogue, but also one of the best recordings in the instrument. Em uma publicação semelhante, da Gramophone, lemos: The harmonic language and continuity of the Études is elusive even by Debussy’s standards, and it takes na artist of rare gifts to play them ‘from within’, at the same time as negotiating their finger-knotting (trança-dedos) intricacies. Mitsuko Uchida is such an artist.

De um maravilhado crítico amador: For some inexplicable reason this is Uchida’s only disc of Debussy. She is an ideal Debussy musician, with the technique, the intelligence, the sensibility and the capacity to be mercurial that his music demands. With the étudess, only Aimard comes close. A classic account.

A capa deste disco é espetacular…

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MP3 | 320 KBPS | 109 MB

Philippe Bianconi já apareceu aqui em nossa versão de ‘o cantor mascarado’, quando interpretou os Concertos para Piano de Brahms. É um pianista notável e sua gravação chegou até aqui por apresentar uma visão um pouco mais ponderada, dando um pouco mais de ‘ar’ aos estudos. Além dos estudos, sua gravação traz outras peças para piano que levam a mão do sempre disponível e amigo André Caplet.  Vale a pena explorá-las.

 

 

Veja a lista de ‘extras’:

Élégie, L138

Le Martyre de Saint Sébastien – Suíte

I. La Cour des Lys. Prélude (transcription André Caplet)

II.Danse extatique (transcription André Caplet)

III. La Chambre magique (transcription André Caplet)

IV. La Passion (transcription André Caplet)

V. Le Laurier blessé (transcription André Caplet)

VI. Le Bon Pasteur (transcription André Caplet)

Les soirs illuminés par l’ardeur du charbon

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MP3 | 320 KBPS | 164 MB

Veja esta postagem aqui:

DESAFIO PQP! –> Brahms (1833-1897): Concertos para Piano

Pierre-Laurent Aimard é um pianista mais geralmente associado à música moderna e/ou contemporânea e foi colaborador de Pierre Boulez. Assim, sua abordagem da música mais tradicional, como os Concertos para Piano de Beethoven ou Mozart, das obras de Bach e, em particular, de Debussy, traz um olhar diferenciado. Veja a crítica que este disco recebeu do compêndio da Gramaphone de 2009: With Pierre-Laurent Aimard the sheer freshness and novelty of this music come across strongly. So does the ardour; whereas some players are content with mood and atmosphere, his communication of feeling is acute. Assim como foi o caso do disco do Bianconi, aqui os Estudos não estão sozinhos. Neste caso, estão acompanhados de uma ótima interpretação das Images.

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MP3 | 320 KBPS | 171 MB

Espero que tenha gostado das opções que apresento aqui… Acrescente também as ótimas gravações que estão na postagem da Integral das Obras para Piano com os pianistas François Chaplin, François-Joel Thiollier, Jean-Efflam Bavouzet, Jean-Yves Thibaudet, Martino Tirimo, Noriko Ogawa e Théodore Paraskivesko.

Aproveite!
René Denon

Claude, vendo ninguém à sua frente…

Anghel / Rotaru / Ciobanu / Marbé / Stanculescu-Vosganian: Romanian Women Composers Vol.1

Anghel / Rotaru / Ciobanu / Marbé / Stanculescu-Vosganian: Romanian Women Composers Vol.1

Para ser bem honesto, toda vez que vejo esses cds carregado de “gênero”, me bate uma desconfiança daquelas. Primeiro porque costumam ser ruins e parecem servir antes para mostrar que as mulheres são más compositoras, quando a função era para ser justamente inversa. Segundo porque são ainda mais carregados daquele ar chapa-branca que a média (motivo frequente para os cds serem ruins). E olha que a música clássica tem, pela maneira como evoluiu e pelos seus interesses, um enorme potencial chapa-branca (o que torna mais assustador me incomodar esse aspecto na confecção de um cd): o famoso “não há nada que possa me constranger aqui” que todos aqueles músicos bem alinhados tocando, no mais das vezes, com uma expressão impassível são capazes de criar. Apesar disso e tanto mais que é melhor calar, aqui estou eu a apresentar um desses cds e tecer tantos elogios quanto a seda me permite. Como sempre digo que os romenos têm alguma coisa de diferente na música contemporânea, as romenas também. Sem menoscabo de algumas compositoras pelas quais tenho carinho, como Ustvolskaya, Graciane Finzi, Marisa Rezende, Tatyana Mikheyeva, não tive a oportunidade de encontrar compositoras boas o suficiente para fazer um cd desses em nenhum outro lugar.

Irinel Anghel, compositora de Fascination II, nasceu em 1969 e é muito interessada em meios alternativos e sonoridades um tanto incomuns. Abundam em suas peças instrumentos exóticos e sons eletrônicos. Em Fascination II, tudo isso está m,uito presente e contribui para uma música muito delicada (apesar de umas sonoridades às vezes ásperas) e introspectiva, beirando o estático (no que me recorda seu professor, Octavian Nemescu, de quem já postei uma peça chamada rouaUruauor, linda, linda, hehe).

O contraste é enorme com a entrada de Umbre II, de Doina Rotaru (compositora nascida em 1951 e de quem já apresentei algumas peças aqui também). Ainda que continuemos numa atmosfera introspectiva, aqui a violência e a agitação predominam, e a placidez a que nos levava a peça de Anghel torna ainda mais violenta a ruptura a que somos trazidos. O emprego de sonoridades inusuais nos três instrumentos (piano, cello e violino) é soberbo: me cativa a construção da atmosfera densa, coesa e dinâmica, ou seja, tanta maturidade e virtuosismo arquitetônicos, dentro de uma linguagem tão atípica. Em minha modesta opinião, esta peça é a cereja do bolo delicioso que é este cd.

Maia Ciobanu (nascida em 1952) é, comparativamente, mais romântica, mais melódica. O uso de fitas magnéticas com instrumentos solos me parece ser uma constante em seu trabalho, e o resultado costuma me agradar muito. Em It shall come!, a fita magnética tem um quê um tanto cinematográfico, o que confere uma dramaticidade interessante para o clarinete solista.

Myriam Marbé, compositora que já apresentei no PQP Bach (nasceu em 1931 e morreu em 1997), é de uma geração mais antiga, da linha de frente da vanguarda romena surgida em meados dos anos 1950. Entre tantas coisas que me agradam, compôs um concerto para viola da gamba e orquestra que é de uma simplicidade e uma beleza candentes. Ainda que a música aqui apresentada seja bastante interessante (mereceria entrar no repertório dos flautistas por aí), Haykus começa num tom pouco ligeiro (ligeiro dentro dos padrões tipicamente espirituais que essas peças para flauta e piano costumam ter, sabe-se lá por quê), mas vai ganhando interesse e riqueza conforme avança.

Finalmente Mihaela Stanculescu-Vosganian, nascida em 1961, deixa-nos aqui a única peça cantada do cd, Armenian Interferences. A compositora escreveu diversas interferências, mas cada uma tem um formato um pouco diferenciado (embora eu creia que todas são para grupos de câmara). Como o título já deixa claro, é uma música de forte influência popular armênia, o que fica, dentro do possível de cantores líricos, óbvio mesmo na maneira de posicionar a voz no conjunto. Embora de maneira diferente, a peça de Vosganian se coaduna com a Ciobanu numa linguagem mais macia, menos agressiva (muito embora Ciobanu procure muita dramaticidade, enquanto Armenian Interferences seja uma peça mais relaxada, apaixonada).

Boa degustação!

Romanian Women Composers Vol.1

Irinel Anghel
01 Fascination II, para cello, gu zheng, flauta baixa, khaen, udu, water gongs (se alguém souber a tradução, agradeço) e fita magnética

Doina Rotaru
02 Umbre II, para violino, cello e piano

Maia Ciobanu
03 It shall come!, para clarinete e fita magnética

Myriam Marbé
04 Haykus, para flauta e piano

Mihaela Stanculescu-Vosganian

05 Armenian Interfaces, para mezzosoprano, clarineta/clarone e quarteto de cordas

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Irinel Anghel (1969)

itadakimasu

Vasily Kalinnikov (1866-1901): Sinfonias Nº 1 e 2 (Järvi)

Vasily Kalinnikov (1866-1901): Sinfonias Nº 1 e 2 (Järvi)

O argentino El Cuervo López foi um grande amigo que fiz nos blogs. Trocamos poucos mas importantes e-mails. Ele era de notável gentileza e dotado de um finíssimo humor que sempre me surpreendia. Havia um texto bem simples apresentação do blog que demonstrava toda a classe e inteligência do Cuervo e que poderia aproveitar aqui no PQP Bach:

Sé tolerante y no tan exigente con lo que obtienes de este Blog. Recuerda que todo lo que se te ofrece es GRATIS. Comenta, opina y agradece los aportes de quienes ceden generosamente su tiempo para hacer más llevadero el tuyo.

No ano passado, El Cuervo me informou em poucas palavras que estava doente. Pensei que fosse um achaque rotineiro, mas logo soube que ele havia morrido. Fiquei muito, muito triste. Seus amigos montaram um blog sensacional, o Oído Fino, que nasceu de uma espécie de homenagem ao querido amigo Gabriel El Cuervo López. El Cuervo foi o maior mahleriano que conheci. Ele sabia absolutamente tudo a respeito do compositor e de cada sinfonia. O Oído Fino mantém o viés mahleriano adotado por Gabriel. Foi El Cuervo quem me apresentou as Sinfonias de Kalinnikov e mais: foi a partir delas e daquilo que considerei um exagero — já lerão — que nos conhecemos.

Então não posso deixar falar nele hoje, quando ouvi as sinfonias de Kalinnikov e voltei a sentir falta do amigo argentino que sempre tinha boas palavras para me escrever.

Hace muchos años, cuando asistí a una función de la Filarmónica de Buenos Aires, en el Teatro Colón, mientras me preparaba para la próxima ejecución de la Sinfonía N° 1 de Kalinnikov, me preguntaba, mientras leía el programa, quien sería este ignoto compositor ruso tan alejado de los circuitos de fama que caminaban desde hace décadas apellidos tan ilustres como Tchaikovsky, Rachmaninov, Rimsky-Korsakov o Balakirev, por citar algunos.

Se lo comentaba a un señor mayor de quizá 70 años, que me sonrió con indulgencia y me dijo:

— Hijo, preparárese para escuchar, gozar y deleitarse con la sinfonía más bella que usted haya escuchado y escuchará en toda su vida.

Nunca olvidé esas palabras.

Y al terminar la ejecución de esta increíble obra, sentí deseos de llorar de emoción. Ya he presentado una semblanza de este notable compositor, muerto prematuramente de tuberculosis y de hambre. Sí. De hambre y miseria. No llegó a los 40 años, fue asistido con cuidados por Rachmaninov y Tchaikovsky, quienes admiraban el talento suyo.

Pero la Rusia del Zar no era generosa con sus artistas. Con fortuna póstuma, su viuda e hijos gozaron de un bienestar económico superlativo merced al triunfo post mortem que tuvieron las obras de Kalinnikov.

Esta Sinfonía es maravillosa.

El tema que desarrolla apenas iniciado el movimiento primero, es guía de toda la obra, y los dos minutos del movimiento final son de un romanticismo sublime.

Vanguardistas, abstenerse. Esto es música. La Sinfonía más bella jamás creada.

Si ven este disco, cómprenlo de inmediato. Es, al menos para mí, la mejor grabación, incluso que la de Svetlanov: Neeme Järvi con la Royal Scottish National Orchestra.

La Sinfonía N° 2 de Kalinnikov recoge la temática de su predecesora y ahonda más en ritmos bien rusos y orientales. Se percibe una fuerte influencia de Rimsky-Korsakov y Balakirev. Atenti el último movimiento. Poné los parlantes a todo trapo.

Acho que é uma música belíssima, mas não é a maior das sinfonias e nem sei como ele pode deixar Mahler de lado nesta avaliação. Mas que saudades de El Cuervo López!

Vasily Kalinnikov: Sinfonias Nº 1 e 2

1. Symphony No. 1 in G minor: I. Allegro moderato 14:12
2. Symphony No. 1 in G minor: II. Andante commodamente 7:15
3. Symphony No. 1 in G minor: III. Scherzo: Allegro non troppo – Moderato assai 7:40
4. Symphony No. 1 in G minor: IV. Finale: Allegro moderato 8:40

5. Symphony No. 2 in A major: I. Moderato – Allegro non troppo 10:17
6. Symphony No. 2 in A major: II. Andante cantabile 8:08
7. Symphony No. 2 in A major: III. Allegro scherzando 8:09
8. Symphony No. 2 in A major: IV. Andante cantabile – Allegro vivo

Royal Scottish National Orchestra
Neeme Järvi

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Kalinnikov: só a cara é de sonso
Kalinnikov: só a cara é de sonso

PQP

Radamés Gnattali (1906-1988): Moto Contínuo (Peças para Piano) – Luís Rabello ֍

Radamés Gnattali (1906-1988): Moto Contínuo (Peças para Piano) – Luís Rabello ֍

 

Radamés Gnattali

Peças para Piano

Luís Rabello, piano

 

 

Alô Radamés, te ligo
Aqui fala o Tom Jobim
Vamos tomar um chope
Te apanho na mesma esquina
Já comprei o amendoim

 

Imagine alguém que tenha sido parceiro de Tom Jobim, Villa-Lobos, Pixinguinha… O pai era músico nascido na Itália – apaixonado por óperas de Verdi. Quando nasceram os filhos foi logo tascando: Aída, Ernani… e Radamés!

Adivinhe o nome de pelo menos três enormes personagens da nossa música aqui reunidos…

Radamés Gnattali foi músico completo – pianista (interpretou o Concerto nº 1 de Tchaikovsky no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a regência de Arnold Glüchman), compositor, arranjador, regente. Seu Concerto para Piano No. 2 foi interpretado nos Estados Unidos da América por Arnaldo Estrella, acompanhado pela Orquestra da Filadélfia sob a regência de Eugene Ormandy, que escreveu na partitura usada na ocasião: To Mr. Gnattali – with admiration for his excellent Piano Concerto, E. O. Philadelphia, 3rd April 1943.

Radamés com o outro Rabello

Este disco da postagem foi uma agradabilíssima surpresa num domingo meio chato. Estava em busca de um disco de Raphael Rabello e dei com meus costados neste, de seu sobrinho, o pianista Luís Rabello. Gostei tanto do disco que imediatamente me pus a preparar a postagem. E que a música fale por si, baixe logo e aproveite – delicie-se!

 

Radamés Gnattali (1906 – 1988)

Moto Contínuo

  1. Moto Contínuo No. 1
  2. Moto Contínuo No. 2

Peças para Piano

  1. Uma rosa para o Pixinguinha
  2. Rapsódia Brasileira
  3. Poema Fim de Tarde
  4. Manhosamente – Choro

Vaidosas

  1. Vaidosa No. 1
  2. Vaidosa No. 2
  3. Vaidosa No. 3

Prelúdios

  1. Prelúdio Cigarra
  2. Prelúdio Paisagem
  3. Prelúdio Amolecado

Sonata para Piano No. 2

  1. Allegro Moderato
  2. Saudoso
  3. Ritmado

Estudo

  1. Choro

Exercícios sobre Rítmos Brasileiros

  1. Exercise No. 1
  2. Exercise No. 2
  3. Exercise No. 3
  4. Exercise No. 4

Guriatan de coqueiro

  1. Toada

Luís Rabello, piano

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MP3 | 320 KBPS | 144 MB

Quizz: Qual ator você escalaria para o papel de Luís Rabello?

Para saber um pouco mais sobre o maestro, pode ver aqui e aqui.

In the music of Radames Gnattali (1906-1988) you will discover a fabulous craftsman, a great inventor of memories, a relentless experimenter. Gnattali is one of the major figures of the Brasilian 20th century musical landscape and Luis Rabello is likely the most authoritative exponent of his piano output.

The album is a portrait of Gnattali’s piano music, with heart warming melodies, dazzling virtuosity and a blend of Brazilian musical flavours where Classical music meets Jazz, Bossa-Nova, Samba and Choro.

Luis Rabello is a Brazilian classical pianist living in the Netherlands. Rabello was born in Rio de Janeiro into a family of renowned musicians who represented traditional musical genres in Brazil such as the Choro, Samba and Bossa Nova. [Prestomusic.com]

Aproveite!

René denon

Um poema de Tom Jobim para Radamés Gnattali:

Meu amigo Radamés é coisa melhor que tem
É um dia de sol na floresta, é a graça de querer bem
Radamés é água alta, é fonte que nunca seca
É cachoeira de amor, é chorão, é rei da peteca
Deu sem saber que dava e deu muito mais que tinha
Multiplicaram-se os pães, multiplicou-se a sardinha
O Radar é concertista, compositor, pianista, orquestrador, maestrão
E, mais que tudo, é amigo, navega junto contigo
É constante doação
Ajudou a todo mundo, e mais ajudou a mim.
Alô Radamés, te ligo
Aqui fala o Tom Jobim
Vamos tomar um chope
Te apanho na mesma esquina
Já comprei o amendoim

Resposta do quizz:

Johnny (Leonard Hofsttadter) Galecki

Claude Debussy (1862-1918) – 160 anos… “Pelléas et Mélisande” – Ópera em cinco atos (Command, Taillon, Bacquier, Dormoy, Soyer, Baudo)

Claude Debussy (1862-1918) – 160 anos… “Pelléas et Mélisande” – Ópera em cinco atos (Command, Taillon, Bacquier, Dormoy, Soyer, Baudo)
Mary Garden, soprano escocesa, “Mélisande” na estreia de “Pelléas et Mélisande”, de Claude Debussy – Paris, 1902.

A música europeia foi pródiga em estilos e inovações. Desde o advento da notação musical, sec. XI, do canto gregoriano e “Ars antiqua”, primórdios da polifonia; até a “Ars nova”, renascença e barroco, apogeus da polifonia vocal e instrumental; chegando, por fim, à exuberância do classicismo e romantismo… E nesta trajetória, final do sec. XIX, um novo dilema: sistema tonal, concebido ao longo de séculos, inviabilizava-se; atingira seu ápice e parecia dissolver-se

E sobre os acordes de “Tristão e Isolda”, nova geração refletiria sobre a criação musical… A modulação permanente e os cromatismos wagnerianos, que encantaram jovens músicos, como Debussy, colocavam-nos também no final de uma jornada, do aparente esgotamento da linguagem… Liszt já havia composto sua “Bagatelle sans tonalité”. E, se muitos ainda seguiram os mestres românticos, explorando e reafirmando o sistema tonal, outros ousariam maior originalidade…

Período em que a música francesa foi protagonista. E o termo impressionista, que Debussy recusava, caracterizaria o novo estilo, que adotava certo exotismo oriental, as escalas pentatônicas e tons inteiros, além dos modos medievais… Também novas cores vocais e instrumentais, que combinavam um arcaísmo, solene e medido, às sonoridades vagas e estáticas, totalmente diversas do fluxo tonal, consolidado desde a música barroca…  

  • … “Claude de France”
Claude Debussy (1862/1918), músico impressionista francês.

Inovador por excelência, Debussy desafiou, permanentemente, o seu tempo. Contestador, por vezes, irônico e mordaz, desde jovem questionou mestres e tradições do conservatório de Paris, onde ingressou aos dez anos… Jovem e promissor pianista, acabou rejeitado por negligenciar provas e apresentações. No entanto, permaneceu no curso de composição, estudando com grandes nomes da época…

Também devotou admiração à Massenet, Fauré, Satie e Ravel. E propôs arte que agregasse à tradição francesa certos exotismos, orientais e até afro-americanos. Assim, resgatou modos da música medieval, mesclando-os aos acordes da música tonal e às escalas de tons inteiros, atenuando as resoluções tonais… E optou por dinâmicas discretas, entre “pianos e pianíssimos”, e eventualmente os “fortes e fortíssimos”, que resultaram em música de nuances, de imagens e cores sonoras, difusa e vaga, embora minuciosamente escrita… Além deste efeito, lânguido e estático, Debussy criou rítmicas complexas e virtuosísticas… 

“Danceuses de Delphes” – dos prelúdios para piano, Claude Debussy.

Em peregrinação à Bayreuth, foi impactado por Richard Wagner, pelos acordes e pelo canto de “Tristão e Isolda” – “a música do futuro”… Para Debussy, no entanto, “no lugar de um amanhecer, a música de Wagner representava um maravilhoso crepúsculo”… Então, gradualmente, afastou-se do mestre alemão, mas não de um todo, cuja influência musical foi avassaladora… Por fim, inovou e tornou-se referência da música francesa e universal – “Claude de France”…

“Prelúdio” de “Tristão e Isolda”, Richard Wagner.

Considerado precursor da música do séc. XX, ao lado do místico Scriabin, Debussy compôs música, por vezes, austera e solene, quase religiosa, e também de apelo erótico e sensual. Sobretudo, escreveu música evocativa, estimulado pela sensorialidade das imagens e sons da natureza – do vento, do mar e das vagas, das cores e nuances do dia e da noite, do amanhecer e do crepúsculo… Apesar deste imaginário, negava intenção de compor música descritiva. E os títulos de seus prelúdios, curiosamente, aparecem ao final da partitura, para serem ouvidos, essencialmente, como música pura…

“La damoiselle élue”, por Maurice Denis – Capa da edição musical, 1893.

Inutilmente, resistiu à denominação “músico impressionista” e exerceu diversas influências, desde Bartok e Messiaen, Stravinsky e Puccini, até o jazz e a bossa nova. Também musicou e foi assíduo leitor da poesia simbolista de Mallarmé, Verlaine e Baudelaire… E sua arte permanece, indissoluvelmente, ligada à virada do século XX e à Paris da “Belle Époque”… Coincidentemente, faleceu em 1918, vitimado por câncer e entristecido pelos horrores da guerra – pelo mundo que deixava de existir, ofuscado por incertezas e destruição…

  • … do “Prix de Rome” ao poema “Prélude à l’après-midi  d’un faune”

Desde as primeiras obras, Debussy buscou originalidade. Em Paris, era notória sua resistência à ortodoxia de Guiraud… Para Debussy, “o prazer devia ser a regra; o prazer ao ouvir”, no lugar de avaliar-se a beleza por cânones musicais… Por fim, surpreendeu ao conquistar o “Prix de Rome”, mais importante da França, com a cantata “L’enfant prodigue”...

A premiação possibilitava estudos em Roma, Itália. E, apesar da influência de Massenet, este, frente ao estilo disperso e vago, que Debussy experimentava, ironizava: “Ele é um enigma”… E em “Printemps” ou na cantata “La Damoiselle élue”, 1887/88, emergia um estilo, que adquiriu maior clareza, posteriormente, nas canções “Ariettes oubliées”, sobre versos de Verlaine

Orlando di Lassu (1532/94) – Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525/94) – Mestres Renascentistas: “única música de Igreja que aceitarei”, dizia Debussy, quando esteve na “Villa Medici”, em Roma, 1885/87.

A experiência em Roma pouco acrescentou ao antidiletante e futuro “Monsieur Croche”, pseudônimo em “La revue blanche”, 1901, que mostrou desapreço pela ópera italiana, de Donizetti e Verdi. Mas, interessou-se por músicos do sec. XVI – Orlando di Lassu e Palestrina, que ouviu em Santa Maria dell’Anima: “única música de Igreja que aceitarei”… E prezava as visitas do então abade Liszt à “Villa Medici”, para conhecer e interagir com os jovens músicos… 

Nadezhda von Meck, protetora de Tchaikovsky, contratou o jovem Claude Debussy, entre 1880/82.

“Chabrier, Moussorgsky, Palestrina, voilà ce que j’aime” – eles são o que amo, dizia… E a música russa despertara atenção desde que atuou na casa de Nadezhda von Meck, protetora de Tchaikovsky e pioneira das ferrovias na Rússia, depois estatizadas pelos bolcheviques. Debussy viajou com a família pela França, Itália e, inclusive, Moscou… “Trio para piano e cordas”, obra juvenil, foi composto para o conjunto residencial dos von Meck… Em correspondência com Nadezhda, Tchaikovsky mostrou simpatia pela música de Debussy – “embora incipiente e singela, de um jovem músico”…

Em Roma, permaneceu entre 1885/87. No retorno à Paris, ouviu “Tristão e Isolda”, nos “Concertos Lamoureux”, e encantou-se com as escalas e sonoridades dos gamelões javaneses, na “Exposição Universelle”, 1889. Também com a liberdade harmônica e cores instrumentais de Rimski-Korsakov, regendo as próprias obras – apesar da opinião desfavorável do russo à sua música

Maestro Lamoureux em “fortíssimo” – por Charles Léandre, 1890.

Período em que compôs pequenas obras para piano e canções – cerca de 27 delas, dedicadas a uma única mulher, Marie Vasnier… Embora talento reconhecido, a música de Debussy era de pouco interesse. Apesar disto, foi indicado ao comitê da “Société Nationale de Musique”, 1893, onde estreou seu “Quarteto op. 10”, obra arrojada, concebida na forma cíclica, proposta por Liszt e Franck… E o número de opus apenas dava título – uma provocação à tradição alemã, pois Debussy não numerava as obras…

Neste ano, ocorreu estreia, em Paris, de “Pelléas et Mélisande”, peça teatral do simbolista Maurice Maeterlinck. E a decisão de colocar música foi imediata. Fascinado pela peça, Debussy viajou à Ghent, Bélgica, para obter autorização do autor e adaptar uma ópera – concluída em 1895 e revisada nos anos seguintes…

E durante a composição de “Pelléas et Mélisande”, surgiria obra singular, o poema sinfônico “Prélude à l’après-midi d’un faune”, sobre poema de Mallarmé, 1894.  E disse o poeta: “Diferença única, entre sua ‘tarde de um fauno’ e meu poema, é que vai além, tanto em evocações de luz e nostalgia, quanto em delicadeza, inquietação e riqueza”… A música inicia com sugestivo tema, lânguido e cromático, da flauta, evocando lento e preguiçoso despertar do fauno – criatura híbrida, parte humana, parte animal, associada ao prazer, à diversão e à fertilidade… E pontua sonhos e desejos do personagem e seus encontros com “ninfas e náiades”… Pela novidade e sedução das sonoridades, anunciava a música do sec. XX…

Coreografia de Vaslav Nijinsky – “Prélude à l’après-midi d’un faune”, pelos “Ballets Rousses” de Serguei Diaghilev – Paris, 1912.

Assim, aos 32 anos e aparente indiferença, Debussy projetava-se no cenário parisiense. A obra foi um sucesso, embora com opinião controversa da crítica.”L’après-midi d’un faune” era parte inicial de um tríptico, com “Interlúdio” e “Final”, mas apenas o “Prelúdio” foi concluído. E após dezoito anos, teria famosa coreografia de Vaslav Nijinsky, nos “Ballets Rousses” de Serguei Diaghilev – Paris, 1912…

Maurice Maeterlinck (1862-1949), autor de “Pelléas et Mélisande”.

As inovações de Debussy deram-se pela sutileza e intimismo, no lugar da exuberância de meios… Sobretudo, buscou liberdade para experimentar e realizar o novo. E concebeu suas próprias regras, mesclando o antigo e o exótico… Certa vez, comentou: “se Mozart, Beethoven ou Wagner, batessem à minha porta, tocaria ‘Pelléas et Mélisande’ com prazer… Mas, se fosse Bach, ficaria pasmo demais…”, diante de “le bon Dieu de la musique”…

Ao tratar de “Pelléas et Mélisande”, obra densa e também revolucionária, cabe homenagear-se Maurice Maeterlinck… Ambos, compositor e autor, aos 160 anos de nascimento, sendo o belga longevo, falecido aos 86 anos, 1949…

  • … “Pelléas et Mélisande”

Na virada do século XX e estreia da ópera, Debussy integrava “les apaches” – título que aludia a uma subcultura, violenta e criminosa, que assolou Paris durante a “Belle Époque”, fruto do desemprego e da destruição da cidade, durante a “Comuna de Paris”, 1871… E como “párias artísticos”, liderados por Ravel, opunham-se ao conservadorismo da “Société Nationale de Musique”, reunindo poetas e músicos inovadores, como Stravinsky e Manuel de Falla, segregados pela instituição francesa… Neste período, Debussy concluiu “Nocturnes” para orquestra…

“Les apaches” – Debussy, Ravel, Stravinsky, De Falla, Satie.

E desde 1890, compartilhava com o excêntrico Eric Satie, os cafés e a boemia parisiense, além de apertos financeiros… E seus relacionamentos afetivos foram turbulentos, por vezes, escandalosos, resultando em crises, divórcio e sofrimento – capítulo à parte, que lhe rendeu indignação de amigos e desaprovação pública… Do casamento com Emma Bardac, nasceu a filha Claude-Emma Debussy, encantos do músico, carinhosamente apelidada “Chouchou”, a quem dedicou a suíte “Children’s Corner”

“Pelléas et Mélisande” trata de triângulo amoroso, à semelhança de “Tristão e Isolda” e “Francesca da Rimini”… Do despertar do amor e da paixão, quando uma das partes está comprometida… Quando vínculos são rompidos e outros iniciam-se, insinuando a incapacidade de controlar-se sentimentos e amores inevitáveis. E os personagens tornam-se reféns do próprio destino, surpreendidos pela afinidade e casualidade do encontro…

Ato 3 – Cena 1. “Mes longs cheveux” – “Mélisande” (Patricia Petibon) e “Pelléas” (Jean-Sébastien Bou) – “Théâtre des Champs-Elysées” – Paris, 2017.

E aprisionados, abandonam-se aos afetos. De um lado, inebriados e fortalecidos pelas descobertas do prazer e atração mútua; de outro, vulneráveis à sedução e ao imprevisível, por habitarem, inconscientes, universo maior que os envolve – “dos instintos naturais e dos afetos”…   

E, se em “Tristão e Isolda” haverá uma poção mágica, ingerida inadvertidamente, que determinará o amor entre os personagens, sugerindo a ideia de casualidade e do inevitável; em “Pelléas et Mélisande” será o olhar, a despertar a cumplicidade e a intensificar os afetos… Levando personagens, gradualmente, a se atraírem e se reconhecerem; ou, simplesmente, se renderem ao mistério e inevitabilidade do simples olhar – quem sabe, à “inconsciente cegueira do amor”… 

Georges Daubner – “Près de la fontaine dans le parc” – “Pelléas et Mélisande”.

Sobre “Pelléas et Mélisande”, Debussy diria: “Cuidei para que a ação dramática nunca se detivesse. Para isto, prescindi de temas repetitivos. A música deve ser contínua. E se, em geral, o espectador experimenta dois tipos de emoção: a emoção musical e a emoção do personagem; cuidei para que as duas estivessem unidas. E a melodia, se me permite dizê-lo, é antilírica” (no sentido da ópera sec. XIX)… Mas, Debussy definiu “Pelléas et Mélisande” como “drama lírico” – a música transcorre na forma de “prosa melódica”, com breves interlúdios orquestrais

O colorido orquestral domina a ação, evoluindo e pontuando drama e canto. Certamente, influência wagneriana, onde a orquestra interage e conduz a ação dramática; mas, com economia de meios, no lugar da grandiloquência do músico alemão… Também difere do singelo, por vezes simplista, acompanhamento orquestral dos séculos XVIII e XIX, onde o canto tinha proeminência – era do “bel canto”… Quem sabe, uma “ópera de câmara”, com intensa dramaticidade, intimismo e certo arcaísmo modal, típico da música de Debussy…

Claude Debussy – partitura de “Pelléas et Mélisande” – e a filha, “Chouchou”, ao fundo…
  • … Libreto e estreia de “Pelléas et Mélisande”

Libreto de “Pelléas et Mélisande” foi elaborado pelo próprio compositor, através de cortes e modificações do texto de Maeterlinck, que autorizou e, inclusive, sugeriu alguns… Debussy encantou-se com a personalidade do autor, que “dizia coisas extraordinárias de maneira simples. E quando agradeci por ‘Pelléas’, demonstrou ser ele, quem agradecia, por colocar música no texto”…

“Salle Favart” – Paris, 1902 – estreia de “Pelléas et Mélisande”, pelo “Théâtre National Opéra Comique”.

Em 1895, Debussy tinha a ópera elaborada, mas com o desafio de encená-la: “Sou mal recebido em todos os lugares”, confidenciou ao amigo Camille Maucler. Por fim, “Théâtre national Opéra-Comique” programou estreia na “Salle Favart”, 30/04/1902.  Iniciativa de André Messager, compositor e admirador de Debussy, quando assumiu direção musical, 1898…

E durante os ensaios, todas as dificuldades de uma nova obra. A música foi rejeitada pelos instrumentistas, além de incômodos de produção com o regente e com o próprio Maeterlinck – disputas entre as divas e amantes, pelo papel principal… E Albert Carré, diretor geral do “Opéra Comique”, sugeriu a escocesa Mary Garden, que conquistara os parisienses em “Louise”, de Charpentier, 1900…

Relutante de início, dado o sotaque inglês, Debussy concordou: “Era a voz suave que tinha imaginado, com charme hesitantemente terno e cativante”…  E seguia, priorizando revisão da partitura – a troca frequente de cenários exigia mais “interlúdios orquestrais”, quando a música se expandia em denso colorido e beleza. Para os críticos, intensificando a influência wagneriana… 

Primeira “Melisande”, Mary Garden – foto colorida, edição especial de “Le Théatre”, 1908.

Na estreia, “Pelléas et Mélisande” foi recebida com certa inquietação, mas predominando silêncio protocolar, quem sabe, perplexidade, tal ausência de números e melodias de praxe. E amigos do músico, como Paul Dukas, Pierre Louÿs e Paul Valery, assistiram convencidos do que se tratava: “obra única e récita histórica”… De outro, mais sensível à performance, do que à reação do público, Debussy entusiasmava-se com Mary Garden: “Ato V – morte de ‘Mélisande’ – foi um assombro, cuja emoção não poderia ser maior. Voz secretamente ouvida, com doçura desvanecida; arte tão cativante, que não acreditava ser possível”…

A crítica dividiu-se. Para uns, “música doentia e sem vida”, equivalente ao “ranger de uma porta; ou um móvel arrastado”… Debussy e Saint-Saëns eram oponentes implacáveis. E o compositor de “Samson et Dalila” defenestrou a obra. Entre os jovens, no entanto, houve entusiasmo. Romain Rolland considerou “realização das mais notáveis da música francesa” e Vincent D’Indy comoveu-se com o drama e atmosfera onírica…

André Messager, diretor do “Opéra Comique” – estreia de “Pelléas et Mélisande”, 1902.

Das récitas seguintes, André Messager diria: “(Não foi) um triunfo, mas longe do desastre inicial. Público comportou-se calmo e curioso para ouvir uma ópera, de que tanto se falava”… Após 14 récitas, “Pelléas et Mélisande” cobria custos e, em 10 anos, atingiria centésima apresentação em Paris, 1913… E para surpresa geral, virou moda e ganhou “seguidores”, que imitavam figurinos e penteados de Mary Garden…

No âmbito folhetinesco e pouco musical, Maeterlinck, durante celeuma que antecedeu estreia, abriu conflito público com Debussy. Em artigo no “Le Figaro”, dissociou-se da ópera: “algo que me é estranho e hostil… desejo fracasso imediato”… Também ficara ressentido pelo preterimento de Georgette Leblanc, sua companheira, como “Mélisande”. Ao que Debussy confidenciava: “Leblanc não apenas canta, mas fala desafinado”, alegando despreparo artístico – a ópera entremeava canto e fala, em recitado melódico contínuo… Início dos anos 20, após imenso sucesso, Maeterlinck reconheceria: “Estava equivocado e Debussy mil vezes certo”…

Debussy concebeu o libreto em cinco atos e 15 cenas… Drama se desenvolve de forma vaga, com insinuações, simbolismos e encadeamentos inconclusivos… Ao aproximar-se do final, no entanto, fatos vão se evidenciando, em mescla de ingenuidade e sutis cumplicidades; contrapostas à sentimentos de rejeição e dor, sobretudo, do progressivo tormento de “Golaud”, diante do amor entre “Pelléas et Mélisande”, levando ao trágico desfecho: a morte do jovem “Pelléas” e, depois, de “Mélisande”…

  • … Sinopse de “Pelléas et Mélisande”
“Poster” de Georges Rochegrosse, 1902 – na estreia da ópera “Pelléas et Mélisande”.

Ação ocorre no reino imaginário da Allemonde.

  • Personagens: Pelléas, neto de Arkel (barítono); Mélisande, esposa de Golaud (soprano); Golaud, irmão de Pelléas (barítono); Arkel, rei de Allemonde (baixo); Genevieve, mãe de Golaud e Pelléas (mezzo); Yniold, filho do 1° casamento de Golaud (soprano); um médico (baixo)
  • Coros: Coro feminino (das servas)…

… Breve introdução orquestral – “Très modéré”

  • Ato 1

Cena 1: Uma floresta

… Uma introdução orquestral prepara entrada de Golaud, filho de Arkel, rei da Allemonde, que vaga por uma floresta, até encontrar uma bela moça, caída junto a uma fonte. Mélisande revela seu nome, mas se recusa a falar da origem. Ao fundo da fonte, uma coroa… que Golaud quer recuperar, mas Mélisande o proíbe. A noite se aproxima e Golaud a convence de ir com ele…

Cena 2: Um quarto no castelo

… Passados seis meses, Geneviève, esposa do rei Arkel, lê uma carta ao velho rei, praticamente cego… A carta é endereçada ao filho, Pelléas, pelo irmão mais velho, Golaud. Nela, Golaud revela ter se casado com Mélisande, mas teme a ira do pai… Golaud pede à Pelléas iluminar a torre do castelo, voltada para o mar, caso Arkel aprove o casamento. Do contrário, partirá, navegando para terras distantes e nunca retornar…

Golaud era viúvo… Arkel pretendia casá-lo com a princesa Ursule, para mediar a paz com vizinhos e colocar fim à “guerras e ódios antigos”… Mas, aceita decisão e casamento de Golaud…

Jean (Alexis) Périer, barítono – “Pelléas”, na estreia de “Pélleas et Mélisande”, 1902.

Pelléas entra chorando… Recebeu notícias de que um amigo está no leito de morte. E quer viajar para se despedir. Arkel preferia que Pelléas aguardasse Golaud e Mélisande. Também o rei, idoso e doente, precisava de cuidados… Mas, Pelléas parte e Geneviève recomenda iluminar a torre do castelo, para avisar Golaud, da decisão de Arkel…

Cena 3: Ao largo do castelo

… pelas terras do castelo, passeiam Geneviève e Mélisande. Ao largo, uma floresta fechada e escura. Pelléas aproxima-se. Observam o crepúsculo e o mar distante, um grande navio e a luminosidade de um farol… Mélisande pressente um naufrágio e a noite cai…

Geneviève vai ao encontro do neto, Yniold, do primeiro casamento de Golaud… Mélisande está segurando flores e Pelléas tenta ajudá-la a transpor um obstáculo. Mélisande recusa… Pelléas comenta que talvez tenha que partir no dia seguinte… Mélisande indaga porque…

2° Ato – Cena 1, encontro de “Pélleas et Mélisande”, no parque (“fonte dos cegos”)…
  • Ato 2 

Cena 1: Uma fonte no parque

… Num dia de verão, Pelléas acompanha Mélisande até o parque, na “fonte dos cegos”… onde, dizia-se, as águas curavam a cegueira. Mas, desde que rei Arkel passou a sofrer da visão, local fora abandonado… Pelléas apreciava o lugar…

Mélisande recosta-se na borda do poço e tenta mirar o fundo… Muito longo e rubro, mexa de seu cabelo se desprende e cai sobre a água… Pelléas observa… E ao lembrar que Golaud encontrou Mélisande numa nascente, pergunta se o irmão tentou beijá-la…

Mélisande nada responde… E tira o anel de casamento do dedo, fazendo brincadeiras… O anel cai no poço. A torre anuncia doze horas, Pelléas tenta tranquilizá-la, mas Mélisande fica apreensiva… pergunta o que fazer e Pelléas responde: “diga a verdade”…

Cena 2: Um quarto no castelo

… Após queda de cavalo, Golaud está repousando. Quando a torre anunciava doze horas, seu cavalo disparou, causando o acidente… Mélisande, ao lado, sente-se triste e infeliz no castelo… Começa a chorar… Golaud pergunta porque, mas ela se recusa e diz querer deixar o castelo… Golaud indaga se Pelléas a incomoda… Mélisande diz que não, embora ache que Pelléas não goste dela…

Hector Dufranne, barítono – “Golaud”, na estreia de “Pelléas et Mélisande”, 1902.

Pelléas é muito jovem e desajeitado, diz Golaud, para ela não se preocupar… Mélisande reclama da escuridão no castelo… Golaud diz que não deveria chorar por tais motivos e pega sua mão, num gesto de carinho… Ao perceber ausência da aliança, se surpreende e fica furioso!…

Mélisande mente, diz que perdeu numa caverna, perto da praia, ao colher conchas com Yniold… Golaud exige que procure imediatamente, antes que a maré suba, mesmo com anoitecer se aproximando… Mélisande responde ter medo de retornar ao local… E Golaud responde: “leve Pelléas”…

Cena 3: Ao largo de uma caverna

… Na praia, Pelléas e Mélisande aproximam-se de uma caverna… Há muita escuridão e Mélisande não quer entrar… Pelléas lembra que ela precisa descrever o lugar, ao retornar… E ao sair o luar, a caverna é iluminada… Três mendigos ocupam o local… Pelléas observa que há muita fome no mundo e decide retornarem ao castelo…

  • Ato 3

Cena 1: Numa torre do castelo

… De uma janela do castelo, Mèlisande canta “Mes longs cheveux” (“Meus longos cabelos”), enquanto os penteia… Estando para viajar, Pélleas se aproxima… E para despedir-se, pede para beijá-la a mão… Pelléas não consegue tocá-la, mas os longos cabelos de Mélisande caem da janela… Envolto pelas mechas, Pelléas as toca, beija e acaricia…

Mary Garden, soprano escocesa, “Mélisande” na estreia da ópera, 1902.

E para brincar, amarra os cabelos a um salgueiro, apesar das reprimendas de Mélisande… Alguém poderia vê-los… Um bando de pombos levanta voo e Golaud aproxima-se… O irmão mais velho, aparentemente, trata Pelléas e Mélisande como duas crianças, mas chama Pelléas…

Cena 2: Nas abóbadas do castelo

… Levado por Golaud, Pelléas conhece as abóbadas do castelo, onde existem masmorras e águas fétidas e estagnadas – “cheiro de morte”… Golaud segura Pelléas, para que possa se inclinar na murada e olhar o abismo, dos paredões do castelo… Pelléas se angustia e ambos se retiram…

Cena 3: Terraço na entrada das abóbadas

… Aliviado com o retorno, Pelléas volta a respirar… De uma janela na torre, observa Geneviéve e Mélisande… Golaud repreende Pelléas… A brincadeira infantil, na noite anterior, não deve se repetir!… O menor choque pode perturbar a gravidez de Mélisande… Golaud desconfia de alguma atração entre Pelléas e Mélisande, e recomenda à Pelléas afastar-se, sem parecer grosseiro…

Ato 3 – Cena 4. Golaud (Simon Keenlyside) pede ao filho, Yniold (Chloé Briot), espionar Pelléas e Mélisande – “Théâtre des Champs-Elysées” – Paris, 2017.

Cena 4: Ao largo do castelo

… Na madrugada, antes do amanhecer, Golaud conversa com Yniold, seu filho…Tenta saber pelo filho, algo do comportamento de Pelléas e Mélisande, quando estão juntos… Yniold é uma criança inocente para entender a angústia do pai, mas revela que os viu, certa vez, se beijarem…

Então, Golaud leva o menino a uma janela e o ergue nos ombros para espionar… O menino responde que nada faziam, além de olhar para uma luz… Com a insistência de Golaud, Yniold fica agitado e incomodado… Golaud desiste e ambos se retiram…

  • Ato 4

Cena 1: Um quarto do castelo

… Rei Arkel está melhor de saúde e pede à Pelléas acompanhá-lo em viagem… Pelléas convida Mélisande para último encontro no parque – na “fonte dos cegos”, antes de partir…

Cena 2: Um quarto do castelo

… Rei Arkel fala à Mélisande da compaixão que sentiu, quando a viu chegar ao castelo… do “olhar estranho e perplexo, constantemente, à espera de uma calamidade”… mas, “portas de uma nova fase se abrirão”, prevê Arkel… E pede que o beije… 

Sangrando, Golaud adentra… Mélisande tenta ajudá-lo, mas ele rejeita e pede por sua espada… Outro camponês morrera de fome… Mélisande treme… Golaud diz que não vai matá-la… E ironiza inocência que Arkel enxerga nos olhos da esposa… Ordena que ela os feche, ou “vai fechá-los por longo tempo!”…

“Pelléas et Mélisande”, Ato 4 – Cena 2. “Desespero e violência de Golaud, ao suspeitar da fidelidade de Mélisande” – “Victorian Opera”, 2018.

Golaud está possesso!… Diz que Mélisande o enoja e a arrasta pelos cabelos!… Ao deixar o local, Arkel indaga se Golaud estava bêbado… Mélisande responde que Golaud não a ama mais… “Se fosse Deus, teria piedade do coração dos homens”, diz Arkel…

Cena 3: Uma fonte no parque

… Próximo à fonte, no parque, encontra-se o jovem Yniold, a procura de algo que perdera… Uma tragédia se anuncia, mas o garoto está alheio, inocente, diante dos sentimentos opressivos, que assolam sua família… E observa rebanho de ovelhas, que se aproxima e de depois se afasta do local…

Ato 4 – Cena 4. Último encontro de Pelléas (Stanislas de Barbeyrac) e Mélisande (Patricia Petibon), junto à “fonte dos cegos”, no parque…

Cena 4: Uma fonte no parque

… Pelléas está receoso… quer encontrar Mélisande pela última vez, antes de partir, mas teme a ira de Golaud… sente-se profundamente envolvido e quer revelar seus sentimentos… Mélisande chega… Tenta distanciar-se, mas, diante da viagem de Pelléas, mostra afeição…

Pelléas revela seu amor e Mélisande responde que o amou desde o primeiro momento… Portões do castelo são fechados… Sem poder retornar, resignam-se ao destino… Beijam-se e percebem um vulto movendo-se nas sombras… Golaud os observava… Golaud ataca, derruba Pelléas e o mata!… Também ferida, Mélisande foge para a floresta!…

  • Ato 5 – Um quarto no castelo

… Mélisande, doente, dá a luz a uma menina… Apesar de ferida, médico considera estado geral bom… Golaud sente-se culpado… Acredita ter matado Pelléas sem motivo. E que Pelléas e Mélisande haviam se beijado “apenas como irmãos”…

Mélisande acorda e Golaud pede que todos saiam… implora perdão à esposa, mas ainda dividido, a pressiona confessar seu amor por Pelléas… Ela nega, apesar da insistência e apelos desesperados de Golaud… Arkel e o médico retornam…

“Pelléas et Mélisande”, 5° Ato – “Morte de Mélisande” – soprano Patricia Petibon – “Théâtre des Champs-Elysées” – Paris, 2017.

Arkel repreende Golaud… diz que pode matar a esposa… Golaud responde: “já matei”… Arkel tenta colocar a filha recém-nascida nos braços de Mélisande… mas, a mãe está fraca demais… Mélisande morre silenciosamente… Serviçais, que adentravam o local, ajoelham-se… Compassivo, Arkel tenta confortar o perturbado e sofrido Golaud…

– Cai o pano –

A música de Debussy é única e inconfundível. Suas inovações melódicas e harmônicas mudaram paradigmas e enriqueceram diversos gêneros: para o piano, na “chanson”, música de câmara e nos coloridos orquestrais, sobretudo, em “Pelléas et Mélisande”, obra de maior envergadura… E seu legado, marcado pela liberdade, abriu espaço à originalidade e à diversidade… Assim, no lugar de criar escola e seguidores, contribuiu para que outros desenvolvessem estilo e linguagem próprios…

Claude Debussy, músico francês – “Claude de France” – 160 anos do nascimento (1862-1918).

Também marcantes, sua curiosidade e fascínio por culturas exóticas, e agregar novos elementos à sua música. Uma arte francesa, mas aberta e conectada ao mundo. Quem sabe, típica da Paris da “Belle Époque” e efervescente vanguarda, na virada do século XX. Assim, aos 160 anos do nascimento, podemos dizer – viva “Monsieur Croche” ou, melhor, viva “Claude de France!”…

Após estreia de “Pelléas et Mélisande”, em Paris, 1902, seguiram-se apresentações no “Manhattan Opera House”, New York, 1908; “Teatro alla Scala”, Milão, 1908, direção de Toscanini; “Covent Garden”, Londres, 1909;  “Teatro Municipal”, Rio de Janeiro, 1920; “Metropolitan Opera”, New York, 1925; e outras…

“Teatro Municipal do Rio de Janeiro”, Brasil. Estreia de “Pelléas et Mélisande”, em 1920.
  • … Gravações de “Pélleas et Mélisande”

E da perplexidade inicial, “Pelléas et Mélisande” obteve grande aceitação, sendo gravada e encenada com sucesso:

  • Gravação em áudio – vinil Melodies, 1941 – CD EMI, 1988

Orchestre de la Société des Concerts du Conservatoire de Paris”, direção Roger Désormière
Solistas: Jacques Jansen (Pelléas) – Irène Joachim (Mélisande) Henri-Bertrand Etcheverry (Golaud) – Paul Cabanel (Arkel) – Germaine Cernay (Geneviève) – Leila ben Sedira (Yniold) – Émile Rousseau (Le Berger) – Armand Narçon (Le Médecin)
Chœurs Conductor”, Yvonne Gouverné
Gravação em estúdio. Paris, França

  • Gravação em áudio, 1945 – CD Walhal Records (1996) – CD Naxos
Martial Singher (Pelléas) – Bidú Sayão (Mélisande). Metropolitan Opera, New York, USA, 1945.

Metropolitan Opera Orchestra and Chorus”, direção Emil Cooper
Solistas: Martial Singher (Pelléas) – Bidú Sayao (Mélisande) Lawrence Tibbett (Golaud) – Alexander Kpnis (Arkel) – Margaret Harshow (Geneviève) – Lilian Raymondi (Yniold) – Lorenzo Alvary (Le Berger, Le Médecin)
“Metropolitan Opera House”, New York, USA

Nesta gravação, personagem “Mélisande” realizado por Bidu Sayão, grande soprano brasileira, intérprete internacional do repertório operístico e, em especial, da música brasileira…

  • Gravação em áudio – vinil London Records, 1952 – CD Decca, 2009

“L’Orchestre De La Suisse Romande”, direção Ernst Ansermet
Solistas: Pierre Mollet (Pelléas) – Suzanne Danco (Mélisande) – Heinz Rehfuss Golaud) – André Vessières (Arkel) – Hélène Bouvier (Geneviève) – Flore Wend (Yniold) – Derrik Olsen (Le Berger, Le Médecin)

  • Gravação em áudio – vinil “Rodolphe Productions”, 1954

“Orchestra Sinfonica della RAI”, direção Herbert Von Karajan
Solistas: Ernst Haefliger (Pelléas) – Elisabeth Schwarzkopf (Mélisande) Michel Roux (Golaud) – Mario Petri (Arkel) – Christiane Gayraud (Geneviève) – Graziella Sciutti (Yniold) – Franco Calabrese (Le Berger, Le Médecin)
“Coro di Roma della RAI”, direção Nino Antonellini

Capa “Pelléas et Mélisande”, “Chœur et Orchestre de l’ORTF”, direção Désiré-Émile Inghelbrecht, 1955.
  • Gravação em áudio – “Radio broadcast” (transmissão de rádio), Paris, 1955

“Chœur et Orchestre de l’ORTF”, direção Désiré-Émile Inghelbrecht
Solistas: Jean-Paul Jeannotte (Pelléas) – Françoise Ogéas (Mélisande) Gérard Souzay (Golaud) – Roger Gosselin (Arkel) – Jeannine Collard (Geneviève) – Nicole Robin (Yniold) – Jacques Mars (Le Médecin)
“Champs-Elysées Theater”, Paris, França

René Leibowitz, no “L’Express”, elogiou direção de Inghelbrecht, sobretudo, performances vocais…

  • Gravação em áudio – vinil Angel records, 1957 – CD “Naxos”, 2008

“French National Radio Orchestra”, direção André Cluytens
Solistas: Jacques Jansen (Pelléas) – Victoria de los Angeles (Mélisande) – Gérard Souzay (Golaud) – Pierre Froumenty (Arkel) – Jeannine Collard (Geneviève)
“Raymond St. Paul Choir”, França

Capa do LP Decca de “Pelléas et Mélisande”, L’Orchestre de La Suisse Romande”, direção Ernest Ansermet, 1964.
  • Gravação em áudio – vinil Decca, 1964 – vinil London Records, 1965 – vinil World Record Club, 1978 – CD Decca, 2003 – CD Decca 2007

L’Orchestre De La Suisse Romande”, direção Ernst Ansermet
Solistas: Camille Maurane (Pelléas) – Erna Spoorenberg (Mélisande) George London (Golaud) – Guus Hoekman (Arkel) – Josephine Veasey (Geneviève) – Rosine Brédy (Yniold) – Gregore Kubrack (Le Berger) – John Shirley-Quirk (Le Médecin)
Le Chœur Du Grand Théâtre De Genève”, Suiça

  • Gravação em áudio “Orfeo”, 1971

“Symfonieorchester des Bayerischen Rundfunks”, direção Rafael Kubelik
Solistas: Nicolai Gedda (Pelléas) – Helen Donath (Mélisande) Dietrich Fischer-Dieskau (Golaud) – Peter Meven (Arkel) – Marga Schmil (Geneviève) – Walter Gampert (Le petit Yniold) – Raimund Grumbach (Un Médecin) – Josef Weber (Le Berger)
Chor des Bayerischen Rundfunks”, direção Josef Schmidhuber
“Münich Herkulesaal”, Alemanha

  • Gravação em áudio – vinil “Eurodisc”, 1978 – CD Lyrica/Ermitage

Orchestre de Lyon”, direção Serge Baudo
Solistas: Claude Dormoy (Pelléas) – Michèle Command (Mélisande) Gabriel Bacquier (Golaud) – Roger Soyer (Arkel) –  Jocelyne Taillon (Geneviève) – Monique Pouradier (Yniold) – Xavier Tamalet (Le Berger, Le Médecin)
“Ensemble Vocal de Bourgogne”, França

“L’Opéra national de Lyon”, França.
  • Gravação em áudio “Deutsche Grammophon”, 1978

“Berliner Philharmoniker”, direção Herbert Von Karajan
Solistas: Richard Stilwall (Pelléas) – Frederica von Stade (Mélisande) José van Dam (Golaud) – Ruggero Raimondi (Arkel) – Nadine Denize (Geneviève) – Christine Barbaux (Yniold) – Pascal Thomas (Le Berger, Le Médecin)
Chor der Deutschen Oper Berlin”, Alemanha, direção Walter Hagen-Groll

  • Gravação em áudio “Deutsche Grammophon”, 1983

“The Metropolitan Opera Orchestra and Chorus”, direção James Levine
Solistas: Dale Duesing (Pelléas) – Jeannette Pilou (Mélisande) José van Dam (Golaud) – Jerome Hines (Arkel) – Jocelyne Taillon (Geneviève) – David Owen (Yniold) – Norman Andersson (Le Berger) –  Julien Robbins (Le Médecin)
“Metropolitan Opera House”, New York, USA

Capa Decca de “Pelléas et Mélisande”, “Orchestre Synphonique de Montréal”, direção Charles Dutoit, 1991.
  • Gravação em áudio “Decca”, 1991

Orchestre Synphonique de Montréal”, direção Charles Dutoit
Solistas: Didier Henry (Pelléas) – Colette Alliot-Lugaz (Mélisande) Gilles Cachemaille (Golaud) – Pierre Thau (Arkel) – Claudine Carlson (Geneviève) – Françoise Golfier (Yniold) – Phillip Ens (Le Berger, Le Médecin)
Le Chœur de Orchestre Synphonique de Montréal”, Canadá

  • Gravação em vídeo “Deutsche Grammophon”, DVD – 1992

“Orchestra of Welsh Nacional Opera”, direção Pierre Boulez
Solistas: Neill Archer (Pelléas) – Alison Hagley (Mélisande) – Donald Maxwell (Golaud) – Keneth Cox (Arkel) – Penelope Walker (Geneviève) – Samuel Burkey (Yniold) – Peter Massocchi (Le Médecin, Le Berger)
“Chorus of Welsh Nacional Opera”, direção Garet Jones
Cardiff, País de Gales

  • Gravação em áudio “Deutsche Grammophon”, 1992

“Wiener Philharmoniker”, direção Claudio Abbado
Solistas: Didier Henry (Pelléas) – Colette Alliot-Lugaz (Mélisande) – Gilles Cachemaille (Golaud) – Pierre Thau (Arkel) – Claudine Carlson (Geneviève) – Françoise Golfie (Yniold) – Rudolf Mazzola (Le Médecin)
Wiener Staatsopernchor”, Viena, Áustria

  • Gravação em vídeo “NVC Arts” – DVD, 1999

“London Philharmonic Orchestra”, direção Andrew Davis
Solistas: Richard Croft (Pelléas) – Christiane Oelze (Mélisande) – John Tomlinson (Golaud) – Gwynne Howell (Arkel) – Jean Rigby (Geneviève) – Jake Arditti (Yniold) – Mark Beesley (Le Médecin) – David Gwynne (Le Berger)
“The Glyndebourne Chorus”, Glyndebourne, Reino Unido

  • Gravação em áudio “Naïve”, 2000

“Orchestre National de France”, direção Bernard Haitink
Solistas: Wolfgang Holzmair (Pelléas) – Anne Sofie von Otter (Mélisande) – Laurent Naouri (Golaud) – Alain Vernhes (Arkel) – Hanna Schaer (Geneviève) – Florence Couderc (Yniold) – Jérôme Varnier (Le Berger, Le Médecin)
“Choeur de Radio France”, Paris, França

“Le Théâtre des Champs-Elysées”, Paris.
  • Gravação em vídeo –  2017

“Orchestre National de France”, direção Marc Korovitch
Solistas: Jean-Sébastien Bou (Pelléas) – Patricia Petibon (Mélisande) – Kyle Ketelsen (Golaud) – Jean Teitgen (Arkel) – Sylvie Brunet-Grupposo (Geneviève) – Jennifer Courcier (Yniold) – Arnaud Richard (Le Berger, Le Médecin)
“Chœur de Radio France” – “Théâtre des Champs-Elysées” – Paris, França

  • Gravação em vídeo – Teatro Colon, Buenos Aires, 2018

“Orquesta estable del Teatro Colon”, direção Enrique Arturo Diemecke
Solistas: Giuseppe Filianotti (Pelléas) – Verónica Cangemi (Mélisande) David Maze (Golaud) – Lucas Debevec Mayer (Arkel) – Adriana Mastrángelo (Geneviève)
Coro estable del Teatro Colon”, Buenos Aires, Argentina

  • … Download no PQP Bach

Para download e compartilhamento da música de Debussy em “Pélleas et Mélisande”, sugerimos a gravação em áudio da “Orchestre de Lyon”, 1978, direção Serge Baudo e grandes solistas:

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (Pélleas et Mélisande, Baudo, Lyon, 1978)

  • Vozes solistas e direção
Michelle Command, soprano francesa, “Mélisande” em “Pelléas et Mélisande”, na produção da “Orchestre de l’Opéra national de Lyon”, 1978.

No papel de “Mélisande”, o grande soprano francês Michèle Command, formada no Conservatório de Grenoble e, depois, Paris. Neste registro, Command revela bela cor vocal e musicalidade, dramaticidade e amplo domínio técnico, em obra tão peculiar. Suas performances foram elogiadas por Olivier Messiaen, em repertório do século XX…

Joecelyne Taillon, contralto francesa – “Geneviève”, em Pelléas et Mélisande”, na produção da “Orchestre de l’Opéra national de Lyon”, 1978.

E o excelente contralto francês Joecelyne Taillon, interpreta o personagem “Geneviève, mãe de Pelléas e Golaud”. Taillon iniciou carreira na “Ópera de Bordeaux”, em “Ariane et Barbe-Bleue”, de Paul Dukas. Seguiram-se festivais em Aix-en-Provence, Nantes e Marselha. Depois, em Glyndebourne, Bruxelas, Salzburgo e Paris…

Finalmente, convidada pelo “Metropolitan Opera”, New York, atuou em diversificado repertório, como “La Gioconda”, de Ponchielli; “Les Troyens”, de Berlioz; “Falstaff”, de Verdi; e no personagem “Erda”, em “Der Ring des Nibelungen”, de Wagner… 

Gabriel Bacquier, barítono francês – “Golaud” em Pelléas et Mélisande”, na produção da “Orchestre de Lyon”, 1978.

No personagem “Golaud”, grande barítono francês, Gabriel Bacquier… Fascinado por música desde a infância, iniciou carreira internacional em Aix-en-Provence, França. Depois atuou nos festivais de Glyndebourne, Chicago e Filadélfia; além da “Royal Opera House”, de Londres, e “Metropolitan Opera”, de New York…

Destacou-se internacionalmente nos principais papéis de barítono e, especialmente em “Golaud” de “Pelléas et Mélisande”, particularmente reconhecido. Seu extenso repertório também engloba “chansons” de Fauré, Duparc, Ravel e outros…

Roger Soyer, baixo francês – “rei Arkel”, em Pelléas et Mélisande”, na produção da “Orchestre de Lyon”, 1978.

Interpretando Arkel, o expressivo baixo francês, Roger Soyer. A partir de suas atuações nos festivais de Aix-en-Provence, quando notabilizou-se no papel-título de “Don Giovanni”, seguiu brilhante carreira internacional, em Paris, Edimburgo, Genebra e Colônia, dividindo os palcos com grandes nomes da ópera…

Ao longo da carreira, preservou vínculos, sempre retornando à Aix-en-Provence. Condecorado pelo governo francês, tornou-se “Cavaleiro da Ordem do Mérito Nacional”…

A ópera de Debussy privilegia as vozes médias e graves. E interpretando o jovem “Pelléas”, a belíssima voz do barítono francês, Claude Dormoy, completando elenco e principais personagens…

Serge Baudo, diretor da “Orchestre de Lyon” – 1971/87.

Por 16 anos, diretor da “Orchestre de Lyon”, Serge Baudo é renomado regente francês. Nesta produção, com especial cuidado, valoriza a qualidade dos solistas e tratamento orquestral…

Em Lyon, criou “Festival Berlioz” e dirigiu trilhas sonoras para o oceanógrafo Jacques Cousteau… Ao longo da carreira, estreou as óperas “La mère coupable”, de Milhaud; e “Andrea del Sarto”, de Lesur. Além de atuar em prestigiadas salas de concerto e ópera na Europa, USA e Japão…

Finalmente, cumprimentamos e aplaudimos a orquestra e coros desta magnífica produção, genuinamente francesa, que nos permite apreciar a música de Debussy em sua única e definitiva ópera – música inovadora e representativa, que vale conhecer!

Capa CD Eurodisc de “Pelléas et Mélisande”, “L’Orchestre de Lyon”, direção Serge Baudo, 1978.

  • … Outras sugestões
  • Gravação em áudio de 1964: “L’Orchestre De La Suisse Romande” e “Le Chœur Du Grand Théâtre De Genève”, Suiça – com Camille Maurane (Pelléas) – Erna Spoorenberg (Mélisande) – George London (Golaud), direção Ernst Ansermet:

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (Pélleas et Mélisande, Ansermet, Suisse Romande, 1964)

  • Gravação em Video, 2017: “Orchestre National de France” – “Chœur de Radio France” – “Théâtre des Champs-Elysées”, com belas atuações Jean-Sébastien Bou (Pelléas) – Patricia Petibon (Mélisande) – Kyle Ketelsen (Golaud), direção de Marc Korovitch:

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“Claude Debussy e a filha, Claude-Emma, apelidada ‘Chouchou’…”

“Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida” (Platão)

Alex DeLarge

Stefan Niculescu (1927-2008): Dois álbuns (Conta / Georgescu / Brâncusi)

Stefan Niculescu (1927-2008): Dois álbuns (Conta / Georgescu / Brâncusi)

Há pouco mais de quatro anos morreu Stefan Niculescu, compositor romeno pouco conhecido, pouco gravado, sobretudo fora da Romênia, a quem tento, dentro das minhas parcas possibilidade, divulgar um pouquinho mais. Não sei bem por quê, mas a Radio România Muzical e um blog estavam por estes dias homenageando o compositor. Fizeram uma semana de programação na rádio, postaram algumas coisas no Youtube, publicaram uma entrevista inédita (em romeno, tristemente). Por que depois de quatro anos, não sei muito bem. Fico a imaginar aqui que talvez a ficha tenha caída e tenham resolvido prestar as devidas homenagens (que não aconteceram, pelo que pude notar, logo após sua morte), mas a gente sempre duvida do milagre. De qualquer forma, aproveitando que, com as “festividades”, andei escutando Niculescu demais (e sempre me surpreendendo, pois mesmo uma nova gravação de uma peça conhecida sempre carrega, pela forma como é escrita e pela liberdade de inflexão que permite ao intérprete, um sabor de coisa nova), resolvi postar aqui material de dois vinis que tentei com o maior carinho transferir para mp3 (embora o resultado sempre deixe a desejar). Espero que estejam a contento. Converti só um lado de cada LP, pois o outro de cada foi lançado em cd pela Olympia. Já postei esses cds (com as sinfonias 2 e 3), mas só para ficar o álbum completo, posto novamente aqui.

São — as peças aqui apresentadas — músicas pelas quais tenho um carinho sem fim. Niculescu sabe como nenhum outro compositor trafegar no escuro e no claro. Com doçura e violência. E a doçura é de uma intensidade tão impressionante quanto a violência. Acho que já disse isso aqui, mas me repito porque o argumento é importante para mim. Ao contrário de tantos compositores que escuto por aí, vários inclusive muito bons, alguns dos quais ainda pretendo postar aqui, a doçura, a comunicabilidade de uma peça como a Sincronia II não se apresenta em nenhum momento como um passo para trás. Ao contrário, é desbragada e ousada, uma coisa de quem não tem medo nem de abandonar os clichês da vanguarda (aproveitando-se de sua bagagem) nem resolve retroceder para o lugar protegido de um teórico público resistente a novidades.

Não comento as sinfonias 2 e 3, sobre as quais já falei anteriormente. As outras peças caminham mais claramente para a escuridão, conforme retrocedem no tempo (a Sincronia é de 1980; Unisonos II, de 1972; Tastenspiel, de 1968; e Heteromorfia, de 1967). As obras me interessam menos conforme retrocedem, o que não deixa de ser uma deliciosa prova de avanço e amadurecimento. Ainda assim, é bem verdade, tanto Unisonos II quanto Heteromorfia são peças fabulosas, cheias de sabor. Unisonos II parece brincar com a violência e a aspereza, guarda assim um fundinho delicioso do não levar a sério o clima que constrói, jogando com a ambiguidade (neste sentido, me lembra aquelas peças melancólicas do Villa, nas quais o que mais sobressai é o prazer, um prazer de melancolia que nos faz desconfiar de ser realmente melancolia, ainda que se derrame candente). Heteromorfia é, em vários aspectos, um estudo de heterofonia, técnica que foi cara a Niculescu, com incursões numa aleatoriedade controlada (num esquema um pouco diferente do de Lutoslawski, já que, de fato, as peças mudam muito conforme a interpretação); é uma peça de materialização, de moldar o som. Ainda mais violenta que Unisonos II, não há aqui qualquer nesga de ambiguidade, só um afundar-se no mundo denso da música.

Boa diversão!

Stefan Niculescu (1927-2008): Dois álbuns

ST-ECE 02036
01 Sinfonia nº2 “Opus Dacicum” (1979-80), para orquestra
02 Eteromorfie (Heteromorfia) (1967), para orquestra
03 Tastenspiel (O jogo das teclas) (1968), para piano

Alexandrina Zarleanu, piano (faixa 3)
Orquestra Filarmônica “Banatul”de Timisoara (faixa 1)
Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Romena (faixa 2)
Remus Georgescu (faixa 1)
Iosif Conta, regente (faixa 2)

ST-CS 0197
01 Sinfonia nº3 “Cantos” (1984), para sax e orquestra
02 Sincronia II “Homenagem a Enesco e Bartók” (1980), para orquestra
03 Unisonos II (1972), para orquestra

Daniel Kientzy, saxofones (faixa 1)
Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Romena
Iosif Conta, regente (faixa 1)
Cristian Brâncusi, regente (faixas 2 e 3)

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Stefan Niculesco (1927-2008)

itadakimasu

Debussy (1862 – 1918): Peças para Piano – Marc-André Hamelin (Images e Préludes, Livre II) & Vladimir Horowitz (Uma pequena coleção de peças) ֍ #DEBUSSY160

Debussy (1862 – 1918): Peças para Piano – Marc-André Hamelin (Images e Préludes, Livre II) & Vladimir Horowitz (Uma pequena coleção de peças) ֍ #DEBUSSY160

Claude Debussy

(Alguma) Música para Piano

A perspectiva do virtuose de piano

Parabéns!

Os pais de Claude Debussy eram pessoas simples – uma costureira e um balconista – e ficaram cheios de planos quando ele, com apenas dez anos, foi aceito no Conservatório de Paris para estudar piano. Uma carreira como pianista, virtuose do instrumento, seria a realização de um sonho. Mas, bem pouco tempo depois, a realidade se mostrou outra, para grande exasperação tanto dos pais quanto dos professores. O garoto adorava distorcer cada efeito do pobre instrumento e não parava de murmurar, como se estivesse todo o tempo falando com o instrumento. A avaliação dos mestres: ótimo acompanhante e dono de grande invenção harmônica, mas não um pianista!

Hoje é impossível falar da música para piano sem mencionar Claude Debussy, cuja obra para piano certamente deixou sua marca e influência. Basta pensar nos Prelúdios e nos Estudos.

Neste momento em que o colocamos em destaque pela passagem de 160 anos de seu nascimento, decidi evidenciar nesta postagem o aspecto desta obra que lança um apelo aos pianistas virtuoses. É claro, não deu para explorar o tema até o fundo (ah, se Conde Vassily se atracasse com isso…), mas a ideia é pontuar, lembrar esse aspecto.

Minhas limitações e poucos recursos me deixaram com estes dois pianistas, um do século 20, que de certa forma, também foi o século da música para piano de Claude: Vladimir Horowitz; o outro é bem atual e atuante: Marc-André Hamelin.

O primeiro arquivo é o conteúdo de um disco gravado por Marc-André Hamelin, todo dedicado a peças de Debussy. Os dois conjuntos de três peças para piano cada um, Images I e II, escritos entre 1901 e 1907, e o segundo livro dos Prelúdios, de 1912-13.

A música contida aqui nos revela como Debussy era inspirado pelas mais diferentes formas de arte e como ele conseguia recriar, de forma inovadora, as diferentes belezas – impressões – palavra que ele mesmo não aceitava, em sua própria arte.

Mas, aviso aos navegantes! Se você ainda não conhece esta música, a primeira parte do disco demanda um bom momento para ser ouvida, sem pressas ou ansiedades. Permita que as belezas sonoras extraídas do piano possam ser devidamente apreciadas. Se você prefere mais ação, vá até os prelúdios, depois de ouvir alguns movimentos das Images e, depois, volte… Não há pressa!

Marc-André Hamelin, em pose de pianista…

Veja os nomes das peças das Images: Reflets dans l’eau, Et la lune descend sur le temple qui fut, Poissons d’or.  Para realizar estas peças é necessário sensibilidade, inteligência, controle do tempo e o requisito que motivou a postagem, virtuosismo. Basta pensar no último dos Prelúdios, aqui interpretado magistralmente por Hamelin: Feux d’artifice.

O segundo arquivo, que oferecemos apenas em mp3, é uma compilação de algumas (poucas, pena…) peças de Debussy que Volodya tocava. Ele, que assim como Marc-André Hamelin, poderia tocar ‘qualquer coisa’, tinha estas peças em seu repertório. Aqui reunimos gravações feitas em estúdio com gravações ‘ao vivo’. Na verdade, duas peças são apresentadas duas vezes cada uma, gravadas assim, primeiro em estúdio e depois a gravação ao vivo.

A faixa 00 lhe dará uma ideia de como reage o pessoal do PQP Bach quando Volodya aparece por aqui, mas se isso te incomodar muito, pode simplesmente excluí-la.

A seleção de Horowitz começa com alguns Prelúdios, quatro deles: “Les fées sont d’exquises danseuses, Bruyères, “General Lavine” – eccentrique e La terrasse des audiences du clair de lune.  Todos em comum com o Hamelin. Um estudo para mostrar que era perfeito nos arpejos e duas típicas peças de encores: Serenade for the doll, da Suíte Children’s Corner, para deixar a plateia bem quietinha (que um bom pianista é assim, bota todo o mundo sob seu feitiço), fechando o petit recital com L’isle joyeuse, para sair nos ombros da multidão!

Primeiro Arquivo

Claude Debussy (1862 – 1918)

Images pour piano – Livro 1

  1. Reflets dans l’eau
  2. Hommage à Rameau
  3. Mouvement

Images pour piano – Livro 2

  1. Cloches à travers les feuilles
  2. Et la lune descend sur le temple qui fut
  3. Poissons d’or

Préludes – Livro 2

  1. Brouillards: Modéré
  2. Feuilles mortes: Lent et mélancolique
  3. La Puerta del Vino: Mouvement de Habanera
  4. Les fées sont d’exquises danseuses: Rapide et léger
  5. Bruyères: Calme
  6. «General Lavine»—excentric: Dans le style et le mouvement d’un Cake-Walk
  7. La terrasse des audiences du clair de lune: Lent
  8. Ondine: Scherzando
  9. Hommage à S Pickwick Esq PPMPC: Grave
  10. Canope: Très calme et doucement triste
  11. Les tierces alternées: Modérément animé
  12. Feux d’artifice: Modérément animé

Marc-André Hamelin (piano)

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FLAC – HiRe| 990 MB

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MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Marc-André adorando conhecer a coleção de pianos do PQP Bach em Boston

The hallmarks of Hamelin’s style are always in evidence, and the clarity with which the polyphonic aspects of Reflets dans l’eau come through gives a sense of momentum rarely perceived in this piece.

BBC Music Magazine, janeiro de 2015

Hamelin’s stature, extraordinary from the start, increases with every new issue. And here in his latest album he subdues his legendary, transcendent technique to convey Debussy’s very essence with a surpassing ease and naturalness….Hamelin’s glistening sonority is flawlessly captured by the Hyperion team. This is a disc to treasure.

Gramophone, novembro de 2014

 Segundo Arquivo

Claude Debussy (1862 – 1918)

  1. Aplausos para Horowitz
  2. Prelude IV, Book II – Les fees sont d’exquises danseuses (Gravação em Estúdio)
  3. Prelude IV, Book II – Les fees sont d’exquises danseuses (Gravado ao Vivo)
  4. Prelude V, Book II – Bruyeres (Gravação em Estúdio)
  5. Prelude V, Book II – Bruyeres (Gravado ao Vivo)
  6. Prelude VI, Book II – General Lavine-eccentric Cake-Walk (Gravação em Estúdio)
  7. Préludes VII, Book II – La terrasse des audiences du clair de lune (Gravação ao Vivo)
  8. Étude – Pour les arpeges composes- Dolce e lusingando (Gravado ao Vivo)
  9. Serenade for the Doll – Allegretto ma non troppo (Gravado ao Vivo)
  10. L’isle joyeuse (Gravado ao Vivo)

Valdimir Horowitz, piano

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MP3 | 320 KBPS | 77 MB

As faixas 0, 2, 4 e 6 foram gravadas ao vivo em um concerto no Woolsey Hall da Yale University em 13 de novembro de 1966.

As faixas 1, 3 e 5 foram gravadas em estúdio entre 1962 e 1963. Produção de Thomas Frost. (Estas faixas fazem parte dos dois primeiros volumes de uma coleção lançada pela Sony com gravações de Horowitz e trazem as sessões de gravação feitas entre 1962 e 1963 no estúdio montado pela Columbia na mansão do artista, que se recusava a se mostrar num estúdio.)

As três últimas faixas foram gravadas no Concerto do Carnegie Hall de 1966. (Também fazem parte da coleção mencionada anteriormente.)

Não deixe de ler esta perspectiva sobre a arte de Horowitz.

Aproveite!

René Denon

Se você gostou do primeiro álbum, não vai deixar de apreciar estas postagens aqui:

Claude Debussy (1860 – 1911) • ∾ • Peças para Piano • ∾ • Steven Osborne ֍

Claude Debussy (1862-1918): Images I e II – Estampes – Ivan Moravec, piano

Claude Debussy (1862-1918): Nocturnes – quatro grandes gravações (e La Mer, Prelúdio, Petite Suite, etc) – Paray / Detroit, Ormandy / Philadelphia, Svetlanov / Philharmonia, Jaarvi / Cincinnati #DEBUSSY160

160 anos de Debussy

Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918)

Nocturne: Blue and Silver—Bognor, por James Whistler

Debussy escreveu esta nota introdutória para os Noturnos:

“O título Noturnos deve ser entendido aqui em um sentido geral e, sobretudo, decorativo. Não se trata, portanto, da forma usual de um noturno, mas das várias impressões e efeitos especiais da luz que a palavra sugere.

Nuages (Nuvens) evoca o aspecto imutável do céu com o movimento lento e melancólico das nuvens, que se dissolvem em tons de cinza com leves toques de branco.

Fêtes (Festas) trazem o ritmo vibrante, dançante da atmosfera, com lampejos súbitos de luz. Há também o episódio da procissão (uma visão deslumbrante, quimérica), que passa pela cena festiva e se mistura com ela. Mas o pano de fundo permanece sempre o mesmo: o festival com sua mistura de música e poeira luminosa participando do ritmo geral.

Sirènes (Sereias) nos mostra o mar com seus incontáveis ritmos e então, dentre as ondas prateadas pela luz da lua, ouve-se o canto misterioso das Sereias que riem e vão embora.”

Tão geniais quanto o Fauno e La Mer, e situados cronologicamente entre essas duas obras, os Noturnos dão às orquestras e regentes a oportunidade de mostrarem suas capacidades de produzirem sonoridades raras, suaves, momentos de luz e sombra, solos que dependem mais de um cuidadoso cantabile do que de virtuosismo acelerado. Nesse sentido, e só nesse, eles lembram os Noturnos para piano de Chopin, porque em aspectos mais formais essas composições são bem diferentes das do polonês: como o próprio Debussy deixou claro, não se trata de forma dos noturnos que as pianistas adoravam tocar para seus namorados e noivos. Debussy teria sido inspirado por uma série de quadros impressionistas, também intitulados Nocturnes, de James Whistler, pintor que vivia em Paris naquela época. Sem dúvida estão mais próximos da pintura do que dos Noturnos de Chopin.

Em homenagem aos 160 anos de Debussy, vamos fazer um passeio pelas grandes gravações desses Noturnos. De início, nos voltamos para dois regentes dos tempos da brilhantina e das fotos em preto e branco, dois franceses que alcançaram o auge de suas carreiras regendo repertório francês nos EUA: Charles Munch e Paul Paray. A gravação da Symphonie Fantastique de Berlioz por Paray é muito recomendável, assim como o Ravel de Munch, cheio de delicadeza e energia ao mesmo tempo, que você confere nas postagens de FDP Bach aqui (Bolero, La Valse, etc.) e aqui (Daphnis et Chloé). Ambos os maestros também gravaram versões espetaculares da Sinfonia com Órgão de Saint-Saëns, nos primeiros anos do stereo, gravações que muitos audiófilos usaram para testar equipamentos de som, tamanha era a potência dos graves da orquestra e do órgão nos LPs.

Mas o assunto hoje é Debussy, e mais especificamente os seus Noturnos, compostos ao longo de alguns anos, finalizados em 1899 e estreados em 1900 (1º e 2º movimentos) e em 1901 (3º mov.) O motivo para a demora na estreia do 3º movimento, “Sereias”, foi a dificuldade de se ter disponível um coral feminino de altíssimo nível para cantar apenas essa obra de cerca de 10 minutos. Provavelmente por esse motivo, Munch gravou em Boston apenas os dois primeiros noturnos, que não precisam de coral. Toscanini e Bernstein, ambos em Nova York, também gravariam apenas os dois primeiros, talvez pela falta de um coral à disposição.

Arturo Toscanini, aliás, tinha credenciais para se impor como referência em Debussy. Consta que, quando Toscanini regeu a estreia italiana da ópera Pelléas, em 1908, ele convidou Debussy para assistir aos ensaios e à grande estreia. Ele não foi, mas escreveu uma carta que mostra a intimidade entre os dois: “Coloco a sorte de Pelléas em suas mãos, certo como estou de que não poderia desejar outras mais leais ou mais capazes. Pelo mesmo motivo, gostaria de de ter trabalhado ela com você”. Ouçam La Mer com Toscanini, é uma das melhores gravações. Mas aqui, com base nas suas gravações dos Noturnos, ele foi desclassificado porque faltou o 3º movimento.

Paul Paray imitando Albert Einstein

O francês Paul Paray nasceu em 1886, mesmo ano do alemão W. Furtwangler, e as personalidades dos dois podem ser consideradas como polos extremos. Muito se falou, na crítica especializada, sobre Toscanini como o anti-Furtwangler: de fato, assim como o francês Paray, o italiano corre muito no primeiro movimento: as “Nuvens” parecem sopradas por um forte vento. Enfim, voltando a Paray, ele tentou a sorte como compositor e, após alguns sucessos na década de 1910, largou a caneta para se dedicar à batuta a partir de 1920, ou seja, dois anos após a morte de Debussy. Paray estreou obras de Maurice Ravel, Florent Schmitt, Lili Boulanger e muitos outros. Após passar a vida na França à frente das orquestras Lamoureux e Colonne (se demitindo desta em 1940 em protesto contra os nazistas), Paray deve ter ganhado bem mais dinheiro já idoso, quando assumiu a Orquestra Sinfônica de Detroit, que ele elevou ao nível das maiores do mundo no período em que ali viveu, 1953 a 1963, recebendo altos salários na cidade da Ford, que vivia o boom dos automóveis e do american way of life. As gravações de Paray são quase sempre com andamentos rápidos e um clima leve, despreocupado, é nesse sentido que ele polariza com seu contemporâneo Furtwangler, famoso pelos adagios intermináveis e temperamento sério e grave que, aos olhos de Debussy, soaria como pura prepotência vazia. A gravação de Paray dos Noturnos, porém, me parece exagerar no clima leve e apressado: as nuvens, como já disse, são sopradas com força, e a procissão do segundo movimento corre a ponto de suar… E as sereias, com Paray, cantam tudo em 7min46s, sem o ar de mistério e de suavidade que pedem as indicações da partitura (“modérément animé“, “sourdine“, “très expressif et très soutenu“…). Paray poderia ser eliminado nessa competição por queimar a largada, mas mantive sua gravação aqui para termos justamente essa diversidade de pontos de vista sobre Debussy, e repito: ponto de vista de um maestro que, como Toscanini, já era adulto quando Debussy morreu, conheceu vários de seus amigos, então não é nenhum palpiteiro que caiu de para-quedas nesse repertório. Além do mais, o álbum traz a interessante e pouco gravada Petite Suite, de 1889, originalmente para piano e aqui em orquestração de Henri Büsser. Supõe-se que Debussy aprovava essa orquestração, porque ele a regeu em uma das vezes em que pegou a batuta para ganhar uns trocados. Essas gravações da Petite Suite (obra bucólica e simples, que combina mais com o jeitão de Paray) e das Valsas Nobres e Sentimentais de Ravel são absolutamente sensacionais.

Além de Paray, escolhemos outra gravação dos primeiros anos do stereo, período em que a cada ano surgiam inovações nos microfones e outras mudanças tecnológicas muito rápidas. O Debussy da Orquestra da Filadélfia com Ormandy não é tão lembrado, mas chamou nossa atenção desde a primeira audição. Eugene Ormandy (Budapeste 1899 – Filadélfia 1985) estudou violino na Hungria, onde também foi aluno de Bartók e Kodály. Viajou para os EUA para atuar como solista, mas acabou se tornando maestro, primeiro acompanhando filmes mudos e depois passando para o repertório sinfônico.

Eugene Ormandy

De 1936 a 1980 esteve à frente da orquestra da Filadélfia, que ficou famosa pelo belo som de seu naipe de cordas, aliás, segundo alguns críticos, certas obras ficavam com uma beleza exterior e sem profundidade. Os maiores solistas da época gravaram na Filadélfia com Ormandy, incluindo Rubinstein, Oistrakh e muitos outros. Como, nos EUA dos anos 1950 e 60, o repertório francês estava praticamente “reservado” para Charles Munch, Paul Paray e Pierre Monteux, Ormandy se destacou em outros compositores como seu compatriota Bartók , o russo Mussorgsky e o espanhol Rodrigo. Mas essas obras de Debussy gravadas entre 1959 e 1964 mostram que Ormandy se sentia em casa também com este compositor – por quem Bartók nutria verdadeira adoração, aliás.

Além de um Prelúdio ao entardecer de um fauno de grande beleza e de uma Danse: Tarantelle styrienne na versão orquestrada por Ravel, temos aqui Noturnos que servem como pinturas detalhadas de três paisagens: primeiro o céu (Nuvens), depois a terra (Festas) e o mar (Sereias). Ormandy segura um pouco os andamentos para mostrar cada detalhe, como o faria depois Haitink com a orquestra do Concertgebouw. Talvez Debussy preferisse sereias um pouco mais agitadas, cantando um pouco mais depressa, mas perdoamos Ormandy pela enorme beleza do conjunto, que não soa arrastado nem pretensioso, ao contrário das interpretações de Giulini (Philharmonia) e Celibidache (Stuttgart). Estes dois últimos regentes (que, grosso modo, são continuadores da tradição germânica de Richard Strauss e Furtwangler) conduzem os Noturnos de forma pomposa, grandiosa, alemã, nada a ver com a suavidade imaginada por Debussy. E no extremo oposto, Paul Paray, o especialista em música francesa já mencionado lá em cima, que despachou os noturnos com uma pressa doida.

Então após ouvir Ormandy, Paray e os desclassificados Giulini e Celibidache, chegamos à conclusão de que a duração do canto das nereias no último noturno deve ficar com não menos que 8 e não mais que 11 minutos. O coro não deve soar heroico (não é Beethoven) nem devocional (não é música religiosa), nem soar carnal e próximo demais: na Odisseia de Homero, ao contrário da feiticeira Circe e da ninfa Calipso, as sereias não encostam em Ulisses, não consumam o ato, apenas cantam no mar enquanto os gregos navegam. Este movimento das Sereias provavelmente foi a partitura que Debussy mais revisou em sua vida, ao longo de vários anos, movido pela enigmática dificuldade de encaixar o som da orquestra e o do coro de mulheres cantando sempre distantes. Vamos ver como os outros maestros e orquestras encaram esse desafio…

Pularemos as décadas de 1970 e 1980, deixando apenas mencionadas três grandes, imensas gravações dos Noturnos que já apareceram aqui no PQPBach: Martinon/Orquestra da Radio Francesa em Paris, Haitink/Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam e Jordan/Orquestra da Suisse Romande em Genebra. Nos anos 1990, mais três grandes gravações na América do Norte: Dutoit em Montreal, Boulez em Cleveland, Salonen em Los Angeles. Claudio Abbado é outro maestro com uma forte ligação com esses Noturnos, que ele gravou duas vezes: em Boston (1970) e em Berlim (2001). Só a comparação entre essas duas gravações de Abbado já daria muito pano pra manga.

Mas vamos nos concentrar aqui em duas gravações menos famosas, a de Svetlanov/Philharmonia e a de Paavo Järvi/Cincinnati. Antes, breves palavras sobre duas gravações recentes: Jun Märkl e a Orchestre National de Lyon (2007) têm problemas muito sérios, como os tímpanos em pianissimo em Nuages que ficaram quase inaudíveis… O jovem francês Stéphane Denève e a Scottish National Orchestra (2012) soam bem mais interessantes e anotei aqui que preciso conhecer melhor esse maestro que também tem gravado Ravel, Franck, Roussel, Poulenc… A conferir.

Paavo Järvi (já notaram que os carecas se dão bem com Debussy?)

Paavo Järvi (não confundir com seu pai Neeme, também regente) foi eleito artista do ano pelas revistas Gramophone e Diapason no mesmo ano (2016), lançou uma integral de Tchaikovsky no ano passado, enfim, está no auge da sua carreira. Na década de 2010 foi regente principal em Frankfurt e também na Orchestre de Paris, onde curiosamente não gravou nenhum Debussy (seus principais discos em Paris: integral das sinfonias de Sibelius; Réquiem de Fauré; Chopin com Khatia Buniatishvili). Até 2022 esteve à frente da NHK, principal orquestra de Tóquio, e hoje chefia a Tonhalle-Orchester de Zürich, Suíça. Mas a gravação que trazemos aqui é anterior, Paavo Järvi aos quarenta e poucos anos regendo Debussy em Cincinnati, nos EUA.

Ele foi titular da Orquestra de Cincinnati entre 2001 e 2011, com várias gravações realizadas para o semi-defunto selo Telarc. Além do repertório mais famoso neste álbum – Prélude à l’après-midi d’un faune, Nocturnes, La Mer – temos uma obra curta e pouco gravada: Berceuse Héroïque, de 1914, um raríssimo momento em que Debussy expressa sentimentos tristes e solenes. Trata-se de uma “homenagem a Sua Majestade o Rei da Bélgica e a seus soldados”, composta logo após a invasão da Bélgica pelas tropas alemãs, sob resistência heroica dos belgas. É realmente estranho ouvir Debussy melancólico e heroico, mas afinal, o que a guerra não faz com as pessoas, não é?

Mas após esse breve passagem pela Berceuse (em francês: canção de ninar), voltemos aos Noturnos, compostos ainda muito antes de qualquer rumor de guerra: aqui temos o Debussy bem distante de sentimentos românticos, o que lhe preocupava era o lento movimento das nuvens, do mar e, quando ele chega ao elemento humano, no movimento central, são festas e procissões, nada de herói romântico solitário. E há algo de hipnótico nas sereias de Cincinnati, na forma como elas repetem seu canto. Nessa gravação elas estão meio distantes, parecem guardar alguns metros de distância da orquestra, mas talvez seja mera ilusão… é o tipo de música que pode iludir.

Além do canto das sereias que temos enfatizado aqui, outra coisa interessante de se comparar entre as gravações é o rufar grave dos tímpanos no início e do fim do primeiro noturno. Os tambores devem sempre soar discretos, um som atmosférico, pois a partitura indica pianissimo, alternando entre dois e quatro pês (pp, ppp, pppp). E ao mesmo tempo devem ser audíveis, missão nada fácil para músicos e engenheiros de som. Os tambores de Cincinnati com Järvi ficaram bem gravados, mas menos expressivos do que os da Philadelphia Orchestra com Ormandy.

Deixamos por último o disco que, na classificação aqui de casa, reina supremo como a maior gravação dos noturnos: não é um francês, e sim o russo Evgeny Svetlanov (1928-2002) regendo a orquestra inglesa Philharmonia em 1992. Muito lembrado por suas interpretações do repertório russo da chamada belle époque anterior à 1ª Guerra Muncial (Tchaikovsky, Rimsky-Korsakov, Glazunov, Scriabin) e também de Mahler, ele mostra aqui sua proximidade com a estética do compositor francês do mesmo período. Ou será que são os músicos da Philharmonia, orquestra fundada em Londres em 1945 e famosa por suas gravações com Klemperer? O timbre suave e elegante das cordas da Philharmonia lembra as orquestras germânicas, mas sem o ar grandiloquente que Debussy detestava em Wagner.

Na ressonante acústica de igreja onde Svetlanov e a Philharmonia gravaram, o fim do movimento Nuages, com as cordas agudas e os tímpanos suaves e misteriosos enquanto as cordas graves atacam em pizzicato, toda essa combinação ecoando poderia ter resultado em um desastre, mas o resultado aqui também é bastante interessante. O coro The Sixteen, mais famoso por suas gravações de música renascentista (aqui), mostra aqui que também se entende muito bem com esse repertório modernista: as sereias estão distantes e misteriosas, mas não tão distantes a ponto de se dissolverem na água salgada e na maresia. Enfim, uma gravação improvável, pouco badalada, em um selo pequeno, mas que eu considero IMPERDÍVEL.

Svetlanov preferia as gravações ao vivo, mas também gravou em estúdio: sinfonias de Scriabin, de Myaskovsky, de Shostakovich e muito mais. Ele era filho de uma cantora lírica do teatro Bolshoi, e costumava dizer: “Meu ideal é que uma orquestra tenha sua própria personalidade, focando em um som específico e não um som padrão. Com a Orquestra Estatal da URSS [e da Rússia desde 1989], consegui manter uma qualidade lírica especial por 30 anos: as boas orquestras são aquelas que cantam.”

Porém, mais do que em Moscou, ou em Paris onde ele também gravou Debussy com a Orchestre National de France, parece que Svetlanov brilhou mais ainda nesse repertório francês em Londres: lembremos, aliás, que essa cidade sempre acolheu muito bem a música de Debussy desde quando este ainda era vivo. As cordas da Philharmonia, as cantoras do The Sixteen, a acústica da St. Augustine’s Church, tudo funciona à perfeição aqui.

Conclusão: Todas as gravações aqui trazidas são interessantes, ainda que a do velho Paray em Detroit o seja mais por motivos históricos, para ouvirmos os noturnos na marcha apressada que também era a preferência de Toscanini, regente elogiado pelo próprio Debussy. Ormandy, na Filadélfia, atinge o sublime com o legato misterioso das cordas e com o som de seus sopros e do coro feminino gravado em stereo – tecnologia nova na época – com microfones bastante próximos, mostrando por exemplo as diferenças entre as sereias sopranos e as sereias mezzo-sopranos. Já a orquestra de Cincinnati, com Järvi, foi gravada com microfones mais distantes, uma sonoridade mais suave, um Debussy às vezes imerso em nuvens, às vezes com movimentos hipnóticos. E finalmente, meu favorito é um maestro que, a princípio, não teria currículo para disputar com especialistas em Debussy: o russo Svetlanov. A orquestra Philharmonia, gravada em uma igreja de Londres em 1992, consegue soar ao mesmo tempo próxima e distante, os instrumentos muitos claros mas misteriosos, enfim, tudo com uma fluência típica de um mar calmo ou do vento movendo as nuvens no horizonte.

Paul Paray/Detroit Symphony Orchestra (1958-1961)
1-3. Ravel: Daphnis et Chloé, Suite no. 2
4-11. Ravel: Valses nobles et sentimentales
12. Ravel: Bolero
13-15. Debussy: Nocturnes
16-19. Debussy: Petite Suite (orch. Henri Büsser)
Recorded: Detroit, 1958, 1959, 1961

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Eugene Ormandy/Philadelphia Orchestra (1959-1964)
1-3. La Mer
4. Prélude à l’après-midi d’un faune
5. Danse (Tarantelle Styrienne) (orch. Maurice Ravel)
6-8. Nocturnes
Recorded: Broadwood Hotel & Town Hall, Philadelphia, 1959, 1964

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Evgeny Svetlanov/Philharmonia (1992)
1-3. La Mer
4-6. Nocturnes
7. Prélude à l’après-midi d’un faune
Recorded: St Augustine’s Church, London, 1992

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Paavo Järvi/Cincinnati Symphony Orchestra (2004)
1. Prélude à l’après-midi d’un faune
2-4. Nocturnes
5-7. La Mer
8. Berceuse héroïque
Recorded: Music Hall, Cincinnati, 2004

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Svetlanov: nem à esquerda nem à direita

Pleyel

Debussy (1862 – 1918) – Préludes – Hiroko Sasaki, piano (Pleyel, 1873) ֍ #DEBUSSY160

Debussy (1862 – 1918) – Préludes – Hiroko Sasaki, piano (Pleyel, 1873) ֍ #DEBUSSY160

 

Claude Debussy

Préludes

Hiroko Sasaki, piano

 

O número 790 da 11th Avenue de NYC fica próximo a endereços famosos para os amantes da música – Carnegie Hall, Lincoln Center for Performing Arts e, uns três quarteirões dali, a Broadway.

Foi neste lugar que a pianista Hiroko Sasaki terminou a sua busca por um piano para realizar a gravação dos Prelúdios, de Debussy. O projeto já vinha amadurecendo há muitos anos e finalmente ela estava na fase de encontrar um instrumento adequado para realiza-lo, assim como o imaginava. No endereço citado, há uma firma de restauração de pianos de concerto e para colecionadores, a Klavierhaus. E foi buscando entre os pianos lá dispostos que ela avistou um piano realmente diferente –  vermelho com uma suntuosa decoração de apliques folheados a ouro, Chinoiserie – à Louis XV.

 

Ela o experimentou quase que por diversão e se apaixonou por ele. O instrumento é um piano Pleyel, construído em 1873 pela Pleyel, Lyon & Cie, de Paris. Foi construído em uma estrutura original de cravo, que o coloca ainda mais em uma situação sui-generis.

Hiroko conta que tocou alguns dos prelúdios no lindo piano e percebeu que havia encontrado o instrumento para realizar o seu projeto. Nem tudo estava perfeito, no entanto. Havia limitações, especialmente no volume de som a que nos acostumamos perceber nas interpretações de alguns prelúdios. Mas, os outros aspectos falaram mais alto e adaptações foram feitas pela pianista. O antigo piano lhe revelou coisas sobre essa música que ela ainda não percebera. Assim, espero que você ao ouvir o disco também descubra ou reencontre aspectos que essa maravilhosa música certamente pode lhe oferecer.

A famosa pianista Mitsuko Uchida arranjou para que a garota de Hiroko Sasaki, de 13 anos, deixasse o Japão para estudar na Yehudi Menuhin School, na Inglaterra. Aos 16 anos ela foi estudar com o lendário Leon Fleisher, no Curtis Institute, completando seus estudos em 1994. Além de carreira solo, Hiroko faz parte de um conjunto camerístico, o Amadeus Trio, ao lado de David Teie e Timothy Baker.

Essa postagem também faz parte das comemorações pelos 160 anos do nascimento de Claude Debussy (#DEBUSSY160) e eu escolhi esta gravação dos Prelúdios, que eu tanto gosto. É claro, esta é apenas uma gravação entre tantas, mas a cada audição, mesmo de não tão famosos intérpretes, consigo desfrutar dessa maravilhosa música.

O que você não pode deixar de ouvir?

Em se tratando dos Prelúdios, há muitos pequenos tesouros sonoros com os quais você pode se deleitar. A Catedral Submersa, no primeiro livro, certamente chama a atenção e gruda na memória. Mas há outros também, como o hiperativo Le vent dans la plaine. Mais um dos meus favoritos é Les sons et parfums tournent dans l’air du soir, pelo seu nome e atmosfera inebriante.

No livro 2, não deixe de passar pela Puerta del Vino, com toda a sua espanholice e deixe-se carregar pelos últimos dois – Les tierces alternées (o único título sem poesia, ou com poesia concreta) e os Fogos de Artifício, comemorando um 14 de julho, viva a França!

Claude Debussy (1862 – 1918)

Préludes – Livre 1

  1. Danseuses de Delphes
  2. Voiles
  3. Le vent dans la plaine
  4. Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir
  5. Les collines d’Anacapri
  6. Des pas sur la neige
  7. Ce qu’a vu le vent d’ouest
  8. La fille aux cheveux de lin
  9. La serenade interrompue
  10. La cathedrale engloutie
  11. La danse de Puck
  12. Minstrels

Préludes – Livre 2

  1. Brouillards
  2. Feuilles mortes
  3. La puerta del vino
  4. Les fees sont d’exquises danseuses
  5. Bruyeres
  6. General Lavine – eccentric
  7. La terrasse des audiences du clair de lune
  8. Ondine
  9. Hommage a S. Pickwick Esq. P.P.M.P.C
  10. Canope
  11. Les tierces alternees
  12. Feux d’artifice

Hiroko Sasaki, piano

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MP3 | 320 KBPS | 165 MB

Hiroko Sasaki

When acclaimed pianist Hiroko Sasaki was looking for an instrument to record the Debussy Preludes on, she happened to spot a strange looking instrument, which turned out to be a Pleyel concert grand built in 1873, and she instantly fell in love with it. The piano, built in a beautifully ornamented harpsichord case, offers her the special sonorities, dynamics and colours that she thinks are essential in Debussy, who himself owned a Pleyel piano, his favourite instrument.

The result is fascinating, the familiar music is clothed in a new sound, the pianissimos seem to come from “a piano without hammers”, as Debussy wanted it. But an instrument needs a master to sound great, and Hiroko Sasaki does marvels with these 24 character pieces, full of atmosphere, caprice and imagination.

Louis XV Chinoiserie…

“exquisite proportion, rare poetic understatement, and a connoisseur’s in-depth grasp of many unusual textual options.”

— Musical America

Debussy: Preludes Books I and II review – beautiful sound Debussy would have recognised

Hiroko Sasaki’s performances, on an immaculately restored piano from 1873, have a sense of rightness about them

— Andrew Clements

Não perca, especialmente descubra que as fadas são dançarinas exóticas!

René Denon

Se você gostou dos Prelúdios de Debussy, não deve deixar de visitar essa postagem aqui:

Debussy (1862-1918): Préludes – Paul Jacobs, piano

Paul Jacobs foi um pianista muito especial… As suas outras gravações de obras de Debussy para o selo Nonesuch poderão ser encontradas nas duas próximas postagens:

Debussy (1862-1918): Images e Estampes – Paul Jacobs

Debussy (1862-1918): Études – Paul Jacobs

Claude Debussy (1862-1918): Obras Orquestrais – Jean Martinon (4 CDs) #DEBUSSY160

Claude Debussy (1862-1918): Obras Orquestrais – Jean Martinon (4 CDs) #DEBUSSY160

160 anos de Debussy

Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918)

Debussy por Jean Martinon: esta nova garimpagem do amigo Daniel the Prophet atingiu o Monge Ranulfus de um modo bastante pessoal.

Em março de 1972 um adolescente brasileiro deixava o faroeste poeirento onde crescera para viver na capital do seu estado – no que alguns não veriam grande progresso, pois esta era tida como das mais provincianas do país. Sabedor dessa fama, mal pôde acreditar quando viu anunciada para breve a apresentação de uma das orquestras cujo nome via desde pequeno nos discos com que o pai fazia da casa uma ilha de experiências incomuns naqueles sertões.

Assim, em abril de 1972 a comemoração de 15 anos do adolescente Ranulfus foi assistir Jean Martinon regendo a ORTF em Curitiba – e regendo precisamente La Mer, que abre esta coleção de Debussy – numa espécie de dupla iniciação: do lado mais mundano, a primeira experiência de uma grande sala de concertos com artistas de renome mundial. Do lado mais sutil, um novo tipo de experiência auditiva, como uma  viagem por entre objetos sonoros quase palpáveis, diferente de andar ao longo dos rios, calmos ou turbulentos, que brotavam dos discos do pai, que não costumavam guardar nada composto depois de 1900.

44 anos depois [postagem original de 2016], a emoção de Ranulfus se renovou ao saber que estes quatro volumes de Debussy, juntamente com quatro de Ravel (que, fiquem calmos, também virão daqui uns dias), foram gravados nos dois anos seguintes àquele concerto, e que isso foi uma espécie de testamento de Martinon, que nos deixou já em 1976.

Este blog já tem a obra orquestral de Debussy com monstros como Boulez, Mravinski e Salonen, entre outros, e não sou eu quem se arriscará a comparar – mas não vou esconder que gosto imensamente do Debussy de Martinon: um Debussy firme, de um vigor másculo amadurecido – se posso me expressar assim – onde os timbres refulgem num espaço de extraordinária transparência e nitidez, a anos-luz das nebulosidades frouxas que se costumou associar à palavra “impressionismo”, como um clichê.

Enfim: vamos ouvir?

CD 1
LA MER
01. I: De l’aube à midi sur la mer
02. II: Jeux de vagues
03. III: Dialogue du vent et de la mer
TROIS NOCTURNES
04. I: Nuages
05. II: Fêtes
06. III: Sirènes (Choeurs de l’ORTF)

07. Prélude à l’après-midi d’un faune (Alain Marion, flute)
08. Marche écossaise
09. Berceuse Héroïque
MUSIQUES POUR LE ROI LEAR
10. I: Fanfare
11. II: Le Sommeil de Lear

CD 2
01. Jeux (poème dansé)
IMAGES
02. 1: Gigues
03. 2.1: Iberia: Par les rues et par les chemins
04. 2.2: Iberia: Les parfums de la nuit
05. 2.3: Iberia: Le Matin d’un jour de fête
06. 3: Rondes de Printemps
PRINTEMPS (orch. Henri Büsser)
07. Première partie
08. Deuxième partie (Michel Sedrez / Fabienne Boury, pianos)

CD 3
CHILDREN’S CORNER SUITE
(orch. André Caplet; Jules Goetgheluck, oboe)
01. 1. Doctor Gradus ad Parnassum
02. 2. Jimbo’s Lullaby
03. 3. Serenade for the Doll
04. 4. The Snow is Dancing
05. 5. The Little Shepherd
06. 6. Golliwoggs Cakewalk
PETITE SUITE (orch. Henri Büsser)
07. I: En Bateau
08. II: Cortège
09. III: Menuet
10. IV: Ballet
DANSE SACREE ET DANSE PROFANE
(Marie-Claire Jamet, harp)
11. I: Danse Sacrée
12. II: Danse Profane
LE BOITE À JOUJOUX (orch. André Caplet)
13. I: Le Magasin de jouets
14. II: Le Champ de bataille
15. III: La Bergerie à vendre
16. IV: Après fortune faite

CD 4
FANTAISIE POUR PIANO ET ORCHESTRE
(Aldo Ciccolini, piano)
01. I: Andante – Allegro
02. II: Lento e molto espressivo
03. III: Allegro molto

04. La Plus Que Lente (John Leach, címbalom)
05. Premiere Rapsodie pour orchestre avec clarinette principale
(Guy Dangain, clarinet)
06. Rapsodie pour orchestre et saxophone solo
(Jean-Marie Loneix, sax)
07. Khamma (légende dansée)
(orch. Charles Koechlin; Fabienne Boury, piano)
08. Danse: Tarantelle Styrienne (orch. Maurice Ravel)

Jean Martinon regendo a Orchestre Nationale de l’ORTF
(Office de Radiodiffusion-Télévision Française)
Gravado em 1973-74, Salle Wagram, Paris

CDs 1 + 2 : BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CDs 3 + 4 : BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Debussy dando um rolê na praia.
Debussy dando um rolê na praia.

Ranulfus (2016)

G. F. Handel (1685-1759): O Triunfo do Tempo e do Desengano (Il Trionfo del Tempo a del Disinganno) (Haim / Le Concert d’Astree)

G. F. Handel (1685-1759): O Triunfo do Tempo e do Desengano (Il Trionfo del Tempo a del Disinganno) (Haim / Le Concert d’Astree)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este não é apenas um oratório ou ópera que tem o mais belo título que conheço, é boa música. Handel era jovem, tinha 22 anos, estava com todo o leite e não perdeu a viagem. No texto do oratório as personagens Beleza, Prazer, Desengano e Tempo levam um papo. O tempo e o desengano triunfam sobre a beleza e o prazer, mas, mesmo assim, você pode ouvir o CD duplo.

Agora, deem uma olhada abaixo no nome de quem regeu a estreia da obra… Olhem, olhem!

IL TRIONFO DEL TEMPO E DEL DISINGANNO
Oratorio in 2 parti
Libretto di Benedetto Pamphili

Musica di Georg Friedrich Händel
Roma, Collegio Clementino , giugno 1707
PERSONAGGI VOCI
BELLEZZA Soprano (Beauty)
PIACERE Soprano (Pleasure)
DISINGANNO Alto (Disillusion)
TEMPO Tenor (Time)

Direttore: Arcangelo Corelli

G. F. Handel (1685-1759): O Triunfo do Tempo e do Desengano (Il Trionfo del Tempo a del Disinganno) (Haim / Le Concert d’Astree)

Disc 1:
1. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707): Overture 4:54
2. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria : “Fido specchio” (Bellezza) 4:59
3. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “Io che sono il Piacere” (Bellezza/Piacere) 0:25
4. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Fosco genio, e nero duolo” (Piacere) 3:08
5. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “Ed io, che’l Tempo sono” (Disinganno/Tempo) 0:21
6. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Se la Bellezza perde vaghezza” (Disinganno) 4:03
7. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.:”Dunque si predan l’armi” (Bellezza/Piacere) 0:15
8. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Una schiera de piaceri” (Bellezza) 3:28
9. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “I colossi del sol” (Tempo) 0:15
10. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Urne voi, che racchiudete” (Tempo) 7:04
11. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “Sono troppo crudeli” (Piacere) 0:10
12. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Duo: “Il voler nel fior degl’anni” (Bellezza/Piacere) 5:01
13. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “Della vita mortale” (Bellezza/Disinganno) 0:29
14. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Un pensiero nemico di pace” (Bellezza) 3:54
15. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recti.: “Folle, tu niegh’l tempo” (Bellezza/Piacere/Disinganno) 0:56
16. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Nasce l’uomo” (Tempo) 2:14
17. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “L’uomo sempre se spesso” (Disinganno) 2:35
18. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “Questa è la reggia mia” (Piacere) 1:30
19. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Sonata: “Taci, qual suono ascolto!” (Bellezza) 2:35
20. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Un leggiadro giovinetto” (Piacere) 3:43
21. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “Fra nella destra l’ali” (Bellezza) 0:13
22. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria “Venga il Tempo” (Bellezza) 3:18
23. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Crede l’uom ch’egli riposi” (Disinganno 7:53
24. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “Tu credi che sia lungi” (Bellezza/Disinganno/Tempo) 0:50
25. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Aria: “Folle, dunque tu sola presumi” (Tempo) 3:28
26. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Recit.: “La reggia del Piacer vedesti” (Disinganno/Tempo) 0:18
27. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part One: Quartetto: “Se non sei più ministro” (Bellezza/Piacere/Disinganno/Tempo) 4:09

Disc 2:
1. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Se del faso Piacere” (Tempo) 0:59
2. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Chiudi, chiudi vaghi rai” (Piacere) 3:21
3. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “In tre parti divise” (Tempo) 0:46
4. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Io sperai trovar nel vero” (Bellezza) 6:57
5. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Tu vivi invan dolente” (Piacere) 0:13
6. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Tu giurasti di mai non lasciarmi” (Piacere) 3:58
7. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Sguardo, che inferno ai rai” (Tempo) 0:21
8. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Io vorrei due cori in seno” (Bellezza) 3:45
9. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Io giurerei, che tu chiudesti” (Bellezza) 0:39
10. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Più non cura” (Disinganno) 4:51
11. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “E un’ ostinato errore” (Tempo) 0:12
12. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “E ben folle quel nocchier”(Tempo) 2:15
13. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Dicesti il vero” (Bellezza) 0:18
14. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Quartetto: “Voglio Tempo” (Bellezza/Piacere/Disinganno/Tempo) /Ann Hallenberg/Sonia Prina/Pavol Breslik 3:53

15. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Presso la reggia ove’l Piacer” (Bellezza/Disinganno) 1:14
16. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Lasci la spina” (Piacere) 6:25
17. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Con troppo chiare note” (Bellezza/Disunganno) 0:28
18. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Voglio cangiar desio” (Bellezza) 5:17
19. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Or che tiene la destra” (Bellezza) 0:16
20. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Chi già fu del bondo crine” (Disinganno) 2:12
21. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Mà che beggio? Che miro?” (Bellezza) 0:39
22. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Rico pino, nel cammino” (Bellezza) 4:03
23. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Si bella penutenza” (Bellezza) 0:45
24. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Duetto: “Il bel pianto dell’Aurora” (Disinganno/Tempo) 6:24
25. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Piacer, che meco già vivesti” (Bellezza) 0:28
26. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Come membo que fugge” (Piacere) 5:29
27. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Recit.: “Pure del cielo intelligenze” (Bellezza) 0:47
28. Il Trionfo del Tempo a del Disinganno, Oratorio in two parts HWV 46 a (1707), Part Two: Aria: “Tu del ciel ministro eletto” (Bellezza) 6:05

Natalie Dessay
Sonia Prina
Ann Hallenberg
Pavol Breslik
Patrick Beaugiraud
Astushi Sakai

Emmanuelle Haim
Le Concert d’Astree

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Handel pensando num futuro sem Bolsonaro

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Variações Goldberg – Murray Perahia

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Variações Goldberg – Murray Perahia

Poucas obras causam tanta discussão e comoção entre os membros do PQPBach como as Variações Goldberg. Cada um de nós tem seu intérprete favorito, portanto não existe um consenso. Depois do furação Angela Hewitt, que é, digamos assim, ‘Hors concours’, quem domina esse páreo neste início de século XXI, as discussões continuam, e nunca irão parar.

Murray Perahia encarou este desafio com brilhantismo lá no início do século XXI, ou final do século XX, como queiram, mais especificamente entre os dias 9 e 14 de julho de 2000. O que os senhores faziam na época? Eu, particularmente, era aluno do Curso de Graduação em História, em uma universidade do sul do país, já casado e feliz, apesar das correrias e tropeços que a vida nos traz. Mas Mr. Perahia trancou-se em um estúdio na Suíça durante seis dias e nos trouxe essa gravação tão especial e admirada. Um crítico do New York Times escreveu:

Many listeners still hold Glenn Gould´s 1955 recording as ‘The Goldberg’ gold standard. With this CD, Perahia has raised the bar … Perahia´s ‘Goldberg’ are a spetacular achievement.” 

Quem sou eu para duvidar do parecer de um crítico de um jornal tão famoso … ? Certo, vinte e um anos se passaram, envelhecemos, e com a idade, a vem naturalmente a maturidade. E creio que essa seja a palavra para definir esta gravação de Murray Perahia: maturidade. Aquele jovem dos anos setenta, que encarou o desafio de gravar os concertos de Mozart, sendo ele também o próprio regente, aquele jovem virou um senhor que passou por uma traumatizante experiência de saúde, que o impediu de fazer o que mais gostava, e o que melhor sabia fazer, tocar piano. Isso nos leva a questão da superação. Perahia conseguiu superar as adversidades e ressurgiu das cinzas qual uma Fênix, nos brindando com uma belíssima leitura de uma das mais instigantes e desafiadoras obras já compostas. e ele não gravou apenas as Variações Goldberg. Mas isso é assunto para outra postagem.

Goldberg Variations, BWV 988 (1:13:28)

Aria 3:58
Variation 1 1:51
Variation 2 1:36
Variation 3. Canon On The Unison 1:57
Variation 4 1:07
Variation 5 1:25
Variation 6. Canon On The Second 1:25
Variation 7 1:47
Variation 8 1:52
Variation 9. Canon On The Third 2:12
Variation 10. Fughetta 1:33
Variation 11 1:47
Variation 12. Canon On The Fourth 2:17
Variation 13 4:59
Variation 14 2:06
Variation 15. Canon On The Fifth 4:19
Variation 16. Overture 2:44
Variation 17 1:41
Variation 18. Canon On The Sixth 1:24
Variation 19 1:29
Variation 20 1:52
Variation 21. Canon On The Seventh 2:45
Variation 22 1:29
Variation 23 1:56
Variation 24. Canon On The Octave 2:32
Variation 25 7:24
Variation 26 1:58
Variation 27. Canon On The Ninth 1:39
Variation 28 2:11
Variation 29 2:10
Variation 30. Quodlibet 1:44
Aria Da Capo 2:20

Murray Perahia, piano

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LINK ALTERNATIVO

Perahia deve saber que quem aprecia o mundo artístico não vota em Bolsonaro

FDP

Claude Debussy (1862-1918): Prélude à l’après-midi d’un Faune, Nocturnes, La Mer, Images, Rapsódia para clarinete, Jeux, etc (Haitink/Concertgebouw) #DEBUSSY160

Toscanini faz um La Mer grandioso, mas apressa demais os Noturnos. Ansermet tem ideias geniais mas nem sempre sua orquestra está à altura. Haitink com a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam, pelo contrário, não erram jamais em suas gravações de Debussy. Onde é preciso suavidade, mistério, eles fazem isso com um colorido instrumental de primeira. E onde é preciso suor e potência, ou brilho e desejo, enfim, nada fica faltando.

De forma que, entre as gravações quase completas das obras de Debussy, esta aqui de Haitink é sempre uma das mais lembradas. É verdade que Jean Martinon gravou em Paris uma coleção maior, que hoje cabe em 4 CDs pois inclui obras de juventude (Fantasia para piano e orquestra…) e orquestrações de amigos de Debussy (Ravel, Koechlin, Büsser…) Então Martinon e Haitink dividem o pódio. É tudo tão bem feito que não vou mais me arriscar a comentar. Seguem abaixo as notas do encarte do disco.

Debussy e Satie: os dois eram amigos. O Buda no meio, não sei.

Pianista de formação, Debussy poderia se tornar um segundo Chopin, compondo quase exclusivamente para o piano, se não fosse sua sensibilidade exacerbada para as sonoridades mais raras, inclusive ao piano, o que o levaria a escrever para orquestra de uma maneira tão pessoal, buscando para cada instrumento o colorido mais incomum. Para o compositor Pierre Lalo – que hoje tem uma ou duas obras ainda lembradas, mas naquele tempo se achava em posição de dar lições ao compositor quatro anos mais velho que ele – isso era um defeito. Lalo escreveu em 1910, sobre Iberia: “Que abuso das percussões e madeiras, esses oboés e clarinetes e seu eterno som nasal! Esses metais sempre fechados [com surdina], esses instrumentos, nenhum deles empregado na sua função verdadeira e seu timbre normal, mas que sempre parecem rir com afetação, com uma voz de palhaço!”

Embora o objetivo fosse falar mal, a crônica de Lalo descreve bem o gosto de Debussy pelas madeiras, enquanto ele evita sempre fazer berrar os metais, defeito que ele via nos wagnerianos tão detestados, como Mahler. Ao mesmo tempo, as percussões deviam trazer alguns barulhos à memória (ressaca em La Mer) mais do que batidas fortes.

A orquestra de Debussy tem origem nos hábitos do fim do século XIX, mas com a presença de um timbre particular, como os címbalos antigos no fim do Prelúdio ao entardecer de um fauno, o coro feminino das Sereias (Noturnos) ou o oboé d’amour de Gigues. Uma invenção contínua sobre os timbres condiciona não somente a orquestração, mas também a forma, por assim dizer sui generis. Seu objetivo é reproduzir as atmosferas da vida e do mundo ao seu redor, transpostas com uma sensibilidade extrema para o plano musical, o que o compositor nomeava “a carne nua da emoção”. Não poderíamos definir melhor o conteúdo do “Prelúdio”, estreado triunfalmente em 22 de dezembro de 1894 e o único vestígio que sobrou de um tríptico planejado sobre “Églogue” do poeta Mallarmé (1842-1898), que evoca os desejos eróticos de um pequeno deus dos rebanhos no calor de uma tarde siciliana, assim como sua comunhão íntima com a paisagem. Para Ravel, era a obra musical mais perfeita jamais composta, tal era a ausência de “ligações” entre as seções.

“Gamins de Wissant”, por Virginie Demont-Breton (1859-1935)

A ideia de tríptico domina também as obras seguintes: os Três Noturnos, finalizados em 1899, concebidos inicialmente como “Cenas ao crepúsculo” para violino e orquestra. La Mer, estreado em 1905 em um ambiente de incompreensão geral, se assemelha mais a uma sinfonia edificada segundo os princípios de Franck, faltando somente a seção lenta: se Debussy não nos presenteou com um estático “luar no mar” (“clair de lune en mer”) como o fizeram outros, e ele mesmo na precedente Sirènes, é porque ele encontrou ali no elemento marinho uma maneira de empurrar a orquestra para o instante fugidio. Um dos grandes méritos dessa obra maior do século XX é associar o sentimento e a emoção do Prelúdio com a visão do universo explorada nos Noturnos, mas com uma objetividade mais explícita, pois para Debussy, não se tratava tanto de ver o mar quanto de recolher dele uma ambiência efetiva graças às sensações diversas provocadas pela música: gritos de gaivotas, ondas, vento violento ou gosto salgado.

E finalmente Images (1905-1912, não confundir com as Images para piano, da mesma época), tríptico que tem no meio um outro tríptico dedicado à Espanha. Para o compositor Manuel de Falla, Iberia “ensinou aos compositores espanhóis formas mais sutis de usarem seu próprio folclore”, embora a obra não cite nenhuma melodia espanhola. Já o movimento final de Images, “Rondes de printemps” (algo como cirandas de primavera), cita “Nous n’irons plus au bois”, canção infantil que Debussy dizia prefirir mil vezes ás Valquírias de Wagner. Em 1904, por encomenda da firma Pleyel, ele compôs Dança sagrada e dança profana para harpa, com o acompanhamento suave dedicado somente às cordas.

Jeux, sua última peça orquestral, foi escrita rapidamente, no verão de 1912, para os Ballets Russes, que já haviam estreado em Paris o Pássaro de Fogo de Stravinsky (1910), obra muito admirada por Debussy. Aqui, o colorido instrumental é mais do que nunca um fator predominante, com uma música elusiva, misteriosa, não-narrativa, não-cíclica, avançando de um momento para outro sem recapitulação. Jeux se manteve como uma das obras mais importantes para os vanguardistas do século XX, mas o balé foi um fracasso de público, o que não chega a ser uma surpresa, pois essa última obra-prima de Debussy, sem os elementos necessários para um sucesso teatral, tem a clareza luminosa e indecifrável de um sonho.

(Compilado das notas por Max Harrison e Bruno Gousset)

Claude Debussy (1862-1918):
CD1
01 – Berceuse Héroïque
Images pour Orchestre:
02 – I. Gigues
03-05 – II. Iberia: Par les rues et par les chemins; Les parfums de la nuit; Le Matin d’un jour de fête
06 – III. Rondes de Printemps
07 – Jeux (poème dansé)
08 – Marche Ecossaise

CD2
01 – Prélude à l’après-midi d’un faune
Nocturnes
02 – I. Nuages
03 – II. Fêtes
04 – III. Sirènes
La Mer
05 – I. De l’aube à midi sur la mer
06 – II. Jeux de vagues
07 – III. Dialogue du vent et de la mer
08 – Rapsodie pour orchestre avec clarinette principale
09 – Danses pour Harpe et Orchestre à Cordes – I. Danse Sacrée
10 – Danses pour Harpe et Orchestre à Cordes II. Danse Profane

Bernard Haitink
Eduard van Beinum (CD1 Track 1)
Royal Concertgebouw Orchestra
Recordings: 1959 (Beinum), 1976, 1977, 1979 (Haitink)

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Bônus:

Décadas depois de gravar Debussy no Concertgebouw de Amsterdam, Haitink gravaria em Paris a única ópera do compositor francês: Pelléas et Mélisande.
Gravação ao vivo no ano 2000, com uma sonoridade muito delicada, apropriada a esta ópera cheia de personagens misteriosos que não sabemos bem de onde vêm nem para onde vão. Uma ópera com florestas sombrias, fontes miraculosas e muitas pérolas orquestrais que Haitink e seus músicos e cantores apresentam sem a grandiosidade de Karajan/Berlim e Abbado/Viena ou a clareza vocal e orquestral de um regente francês que daqui a alguns dias aparecerá aqui no blog com aquela que meu colega Alex DeLarge considerou a maior gravação desta ópera (e eu concordo… daqui a uns dias neste mesmo canal!) Mas essa gravação que trago hoje é forte concorrente ao 2º ou 3º lugar pela sutileza e refinamento das partes orquestrais. Ao mesmo tempo, por ser ao vivo, temos ruídos da vida real como o virar de páginas da partitura…

Claude Debussy:
Pelléas et Mélisande
Orchestre National de France, direção Bernard Haitink
Solistas: Wolfgang Holzmair (Pelléas) – Anne Sofie von Otter (Mélisande) – Laurent Naouri (Golaud) – Alain Vernhes (Arkel) – Hanna Schaer (Geneviève) – Florence Couderc (Yniold) – Jérôme Varnier (Le Berger, Le Médecin)
Choeur de Radio France
Live Recording: mars 2000, Théatre des Champs-Élysees, Paris, France

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Bernard Haitink (1929-2021), um dos maiores maestros da era das gravações

Pleyel

Carl Nielsen (1865-1931): As Sinfonias Completas (Blomstedt)

Carl Nielsen (1865-1931): As Sinfonias Completas (Blomstedt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Depois de uma temporada no Tibet, onde estive apascentando os pensamentos após a última investida dos algozes capitalistas, estamos de volta com esta postagem im-per-dí-vel!!! Curiosamente, eu não conhecia, ainda, com intimidade, as sinfonias de Carl Nielsen. Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho do dinamarquês. Tive a oportunidade de escutá-las hoje à tarde enquanto trabalhava. Notei um certo “crescendo”, uma gradação, uma evolução no material sinfônico de Nielsen. As três primeiras estão bem próximas em qualidade e as sinfonias de número 4 e 5 são verdadeiras obras primas. A número 4, por exemplo, é de uma sofisticação orquestral inacreditável. O nível de dramaticidade nos posiciona diante de um dilema. Há cintilações da obra de Sibelius. Trata-se de obras escritas durante a Primeira Grande Guerra. Portanto, representa a crença de Nielsen na vida. É um dos trabalhos mais populares do compositor. Já a Quinta Sinfonia é, no dizer de Augustos dos Anjos, “um monstro de escuridão e rutilância”; um duelo entre as forças da ordem e do caos; o apolíneo e o dionísiaco, em menção nietzscheniana. A percussão que impele uma espécie de marcha, cria uma atmosfera de guerra, como se as forças do caos avançassem titanicamente. A insistência do instrumento de sopro é visceral, mas do outro lado há a percussão com o seu agravo. Tudo cresce e torna-se numa grande tensão. Num mundo sacudido pela Guerra (a Quinta foi composta nos anos de 1921 e 1922), pelas Revoluções, a sinfonia no. 5 parece ser uma metáfora filósofica do mundo. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Pitaco de PQP Bach: A primeira é um belo cartão de visitas. A segunda é fraquinha. A Espansiva é sensacional! A quarta é um horror, apesar do bom último movimento. A quinta é linda e interessante! Acho a sexta muitíssimo boa e zombeteira, muito zombeteira.

Carl Nielsen (1865-1931): As Sinfonias Completas (Blomstedt)

DISCO 01

Symphony No. 1 in G minor
01. I. Allegro Orgoglioso
02. II. Andante
03. III. Allegro Comodo
04. IV. Finale

Symphony No. 6
05. I. Tempo Giusto
06. II. Humoreske – Allegretto
07. III. Proposta Seria – Adagio
08. IV. Tema Con Variazioni – Allegro

DISCO 02

Symphony No. 2 ‘The Four Temperaments’
01. I. Allegro collerico
02. II. Allegro comodo e flemmatico
03. III. Andante malincolico
04. IV. Allegro sanguineo

Symphony No. 3 ‘Espansiva’
05. I. Allegro espansivo
06. II. Andante pastorale
07. III. Allegretto Un Poco
08. IV. Finale – Allegro

DISCO 03

Symphony No. 4 ‘The Inextinguishable’
01. I. Allegro
02. II. Poco Allegretto
03. III. Poco Adagio Quasi Andante
04. IV. Con Anima, Allegro

Symphony No. 5, Op. 50
05. I. Tempo Giusto
06. II. Adagio Non Troppo
07. III. Allegro
08. IV. Presto
09. V. Andante Un Poco Tranquillo
10. VI. Allegro

San Francisco Symphony
Herbert Blomstedt, regente

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Blomstedt (11 de julho de 1927) tem 95 anos aninhos, gente.

Carlinus

Claude Debussy (1862-1918): La Mer, Ibéria, Prélude à l’après-midi d’un Faune, 2 Nocturnes (Toscanini/NBC) #DEBUSSY160

Segundo testemunhas, Debussy teria dito: “Em minha opinião a inutilidade da sinfonia desde Beethoven já foi amplamente demonstrada.”

Mas La Mer, composta entre 1903 e 1905, é claramente uma sinfonia em três movimentos, apenas o cuidadoso subtítulo “Esboços sinfônicos” aponta para a diferença.

Se La Mer está apenas parcialmente na tradição sinfônica, não é tampouco um poema tonal tradicional. No 1º movimento encontramos a calma superfície das águas, o aparecimento do sol e a força crescente da luz (com uma intensificação gradual da dinâmica, ou seja, instrumentos tocando mais forte). No 2º movimento há uma contínua invenção na movimentação das melodias, imprevisíveis como as ondas, simplesmente uma brincadeira das ondas. No 3º movimento um diálogo entre o vento e o mar com todas suas nuances alternando rapidamente.

Em La Mer, nenhuma história está sendo contada, nenhuma ação narrada. Temos sobretudo a impressão de que a música se tornou como a natureza. Essa parece ter sido a intenção de Debussy, pois em suas próprias palavras, a música parecia destinada “não a expressar a natureza com uma maior ou menos fidelidade, mas a criar uma harmonia misteriosa entre natureza e imaginação”.

(Texto acima por Wolfgang Dömling, Professor na Universidade de Hamburgo, 1993)

Como descreveu muito bem o professor alemão citado, La Mer não tem um enredo definido, apenas cenas que cada um pode ouvir e preencher com sua própria imaginação. Arturo Toscanini (1867-1957) claramente tinha ideias bem formadas sobre como devia soar La Mer. Ele fez dessa obra um de seus cavalos de batalha em sua longa e internacional carreira. Entre as suas várias gravações da obra (incluindo uma de 1935 em Londres, esta de 1950 nos EUA e outra de 1953) há algumas mudanças, mas sobretudo a continuidade das convicções do maestro sobre como devia soar Debussy, convicções que vinham desde a década de 1900. Sob a batuta de Toscanini, com sua ênfase nos metais, o mar raramente parece calmo, sereno ou brincalhão: mais comuns são os momentos de navegação, de fanfarras marinheiras, enfim, um mar povoado de barcos e com ondas às vezes ameaçadoras. Ao mesmo tempo, com esse clima de marinheiros e fanfarras, a predominância dos metais nunca soa wagneriana ou mahleriana, falha que Debussy não perdoaria. Toscanini regeu bastante Wagner, mas compartilhava com Debussy o desprezo por Mahler: ele não gravou nenhuma das sinfonias do vienense.

Nos Noturnos e no Fauno, Toscanini também tem ideias muito particulares que lhe trouxeram sucesso com essas obras desde 1904, mas que não alcançaram uma unanimidade entre os ouvintes da era das gravações: ele despacha as Nuvens (1º mov. dos noturnos) em 5 minutos e meio, como se um forte vento estivesse as empurrando com força… Também o fauno corre um pouco apressado. Mas há momentos de parada pra respirar, como o sublime instante em que as cordas tocam um crescendo e tomam as rédeas entre 4:20 e 5:00, com uma respiração em tempo rubato cheia de elegância. Toscanini não havia caído de para-quedas nesse repertório, muito pelo contrário, tinha intimidade com aquelas obras que regeu quando ainda eram desconhecidas na Itália, e foi muito elogiado pelo próprio Debussy:

Em seu livro The real Toscanini, Cesare Civetta descreve a relação de Toscanini com Debussy e La Mer: “Debussy enviou a Toscanini a partitura completa de La Mer, com uma dedicação escrita à mão de uma página inteira, onde Debussy escreve: ‘Até agora achava que eu tinha escrito uma boa composição, no melhor das minhas capacidades. Agora eu sei que criei algo ainda melhor com a sua ajuda.’ Ele escreveu ‘com sua ajuda’ porque Toscanini explicou a Debussy vários detalhes pouco claros na partitura e lhe relatou as mudanças que ele fizera na orquestração, mudanças que Debussy aprovou.”

Vocês sabem que quem conta um conto aumenta um ponto, além disso Debussy deve ter se sentido grato a um maestro que divulgava sua música nos tradicionalíssimos Teatro alla Scala de Milão (estreia italiana da ópera Pelléas et Mélisande em 1908) e Teatro Regio de Turim (Prélude à l’après-midi d’un faune em 1904, Nuages em 1906). Se talvez haja algo de exagerado nesse relato, o fato é que há também cartas de Debussy a Toscanini, sempre elogiosas, assim como uma carta a um amigo em que Debussy o chama de “grande mágico” e de maior responsável pelo sucesso de La Mer em Turim em 1911:

Sua cordial lembrança e o relato que o senhor me faz da estreia de La Mer me trouxeram muito prazer… Quanto ao sucesso ele é, creia-me bem, inteiramente devido a este grande mágico chamado Toscanini! Não tenho antipatia dos “bons burgueses” de sua velha Turim por me terem olhado com maus olhos antes; e que eles gostem mais de Debussy por Toscanini do que da presença real de Debussy no fundo é apenas “nacionalismo” à terceira potência! (Carta de Claude Debussy a Leone Sinigaglia, 1911)
Votre cordial souvenir et le récit que vous me faites de la création de La Mer m’ont fait un grand plaisir… Quant au succès il est, croyez-le bien, entièrement dû à ce grand magicien qui s’appelle Toscanini ! Je n’en veux nullement aux « bons bourgeois » de votre vieux Turin de m’avoir fait grise mine ; et qu’ils aiment mieux Debussy à travers Toscanini que la présence réelle de Debussy n’est en somme que du « nationalisme » à la troisième puissance !
Claude Debussy (Lettre à Leone Sinigaglia, 1911)
Your account of the première de La Mer has given me a great pleasure… About the success it is, believe me, entirely due to this great magician called Toscanini! I don’t care if, before, the “good bourgeois” of Torino didn’t smile at me; and the fact that they like better Debussy by Toscanini than Debussy’s real presence is just some “nationalism” to the third potency! (Claude Debussy, 1911)

“Toscanini y a mis toute son âme, toute son intelligence, et toute sa volonté. Sa création de votre admirable chef-d’œuvre a été prodigieuse. Le public, méfiant au commencement (vous pouvez le penser ! Vous connaissez ça) a été conquis. […] Grand nombre de « nos bons bourgeois de la vieille ville de Turin » aiment Debussy !”

Lettre de L. Sinigaglia à Debussy, [Turin, 30 septembre 1911] (Carta respondida por Debussy acima. Ambas citadas por Malvano, 2012: Claude Debussy à l’Exposition internationale de Turin en 1911)

Em resumo: em La Mer todas as escolhas do grande mágico chamado Toscanini (palavras de Debussy) parecem perfeitas e inevitáveis, ao menos enquanto o ouvimos e estamos sob seu encanto. Nas outras obras, mesmo discordando de algumas escolhas do maestro, reconhecemos aqui uma gravação histórica de valor inestimável.

Arturo Toscanini, o maestro que fez a estreia italiana do Fauno em 1904 e da ópera Pelléas, em 1908

Claude Debussy (1862-1918):
La Mer
01. I: De l’aube à midi sur la mer
02. II: Jeux de vagues
03. III: Dialogue du vent et de la mer
04. Prélude à l’après-midi d’un faune
Ibéria (from Images)
05. I: Par les rues et par les chemins
06. II: Les parfums de la nuit
07. III: Le Matin d’un jour de fête
Nocturnes 1 & 2
08. I: Nuages
09. II: Fêtes
Recorded: 1950 (1-3), 1948, 1952, 1953
Arturo Toscanini, NBC Symphony Orchestra

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O mar de Toscanini é agitado! (Foto: “Fillette sur le Rocher”, 1888, por Virginie Demont-Breton, 1859-1935)

Pleyel

.: interlúdio :. Bassekou Kouyaté: Segu Blue (ou: sutis sinais malineses da ancestralidade africana do jazz)

.: interlúdio :. Bassekou Kouyaté: Segu Blue (ou: sutis sinais malineses da ancestralidade africana do jazz)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Cada vez que penso no Máli não consigo deixar de lembrar que a primeira caracterização desse país que uma enciclopédia me ofereceu começava dizendo: “um dos países mais pobres do mundo” – afirmação seguida, naturalmente, de uma série de números que, pela mentalidade ocidental dominante, resumem tudo o que existe de relevante no real.

Por isso vocês hão de imaginar meu espanto quando mais tarde descobri que há não tantos séculos assim esse era o nome de um nos impérios mais extensos e poderosos do mundo. Ao ver fotos de crianças lindas e evidentemente bem nutridas às margens do Rio Níger. Ao saber da imensa diversidade étnica e cultural que a região contém, e que se mostra exuberantemente todos os anos no Festival sur le Niger, na cidade de Segu ou Ségou. Diante da espantosa arquitetura em adobe de Djenné ou de Mopti, e dos 600 mil manuscritos remanescentes da universidade medieval de Tombúktu – etc. etc. E, talvez mais que tudo, diante da sutil e refinada tradição de música instrumental que se expressa, por exemplo, em Toumani Diabaté, de que já fiz uma postagem aqui.

O som que trago hoje parecerá menos “clássico” – quem sabe já por envolver palavra cantada em vozes não impostadas -, e não estranharei se alguém disser que “parece tudo igual”. Caso isso aconteça, pedirei antes de mais nada que o ouvinte lembre de conceitos como “minimalismo” antes de descambar pra palavras como “primarismo”; e em segundo lugar que microscopize um pouco mais sua atenção e seus ouvidos, lembrando que, segundo dizem, não apenas o diabo mas também Deus mora nos detalhes (hora em que cabe invocar o desafio de não lembro qual compositor dos anos 60-70 que o Padre Penalva lançava sempre aos seus alunos: “quando estiver achando uma música monótona, desconfie de si mesmo”).

Bassekou Kouyaté já trabalhou com Toumani Diabaté mas não toca a espécie de harpa que é a kora, toca ngoni, instrumento de cordas com braço. Seu conjunto de ngonis, percussão e voz se chama Ngoni Ba, e conta com a participação vocal da sua mulher Ami Sacko. O CD, premiado como o melhor de “world music” em 2007 pela BBC3, tem “blue” no nome. Um disco de blues?

Não. Ou… quem sabe talvez. Ou talvez de certa forma sim… Querem saber? Ouçam! Mas sugiro que também “ouvejam” o primeiro dos vídeos abaixo: no calor da interpretação ao vivo diante da multidão, parece gritante um caráter de blues – e na quietude “cool” da gravação de estúdio onde é que ele foi parar? É a mesma música… Minha impressão é que o tal caráter não está ausente, mas como que “virado para dentro”; ou em estado latente, potencial.

Algum bluesman que tocou com Bassekou (não lembro qual, desculpem, li faz anos) saiu declarando que havia descoberto a região de origem do blues. Suspeito que seja exagero. Quando falo de “ancestralidade” no título não quero dizer que essa música do Máli seja avó do blues ou do jazz ou algo assim, e sim que têm ancestralidade em comum. Afinal, Bassekou Kouyaté vive hoje, nasceu quando Muddy Waters e Howlin’ Wolf já tinham mais de 50 anos (cada!), e as vias que unem a África ao resto do mundo não são de mão única. Bassekou é um cultor atual da música de raiz de sua terra, mas nesse cultivo não deixa de levar em conta o aroma dos frutos que a mesma árvore produziu quando transplantada a outros continentes. E muito mais que um avô, eu o veria como um primo dos jazzmen e bluesmen desse mundo.

Bom, essa a minha impressão – e agora é com vocês.

Bassekou Kouyate & Ngoni Ba: SEGU BLUE (2007)
01 Tabeli te
02 Bassekou
03 Jonkoloni
04 Juru nani
05 Mbowdi
06 The River Tune
07 Andra’s Song
08 Ngoni fola
09 Banani
10 Bala
11 Segu tonjon
12 Sinsani
13- Lament For Ali Farka
14- Segu Blue (Poyi)

. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Requiem K. 626 (Böhm, WP)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Requiem K. 626 (Böhm, WP)

Esta é uma gravação clássica e poderosa, antiquada e convincente. Karl Böhm e os Filarmônicos de Viena dão uma bela e exagerada demonstração do que era um bom Mozart lá nos anos 70.

O Réquiem em ré menor (K. 626), encomendado pelo Conte Franz von Walsegg, foi deixado incompleto devido à morte de Mozart em 5 de dezembro de 1791, sendo completado posteriormente pelos amigos e discípulos de Mozart, Franz Xaver Süßmayr, Joseph Leopold Eybler e possivelmente Franz Jacob Freystädtler. É sua última composição, talvez uma de suas mais famosas obras, não apenas pela música em si, mas também pelos debates em torno de até qual parte da obra foi preparada por Mozart antes de sua morte. Essa obra também se destaca pelo enorme número de versões e revisões feitas à versão de Süßmayr desde o século XX.

Bem, em 14 de fevereiro de 1791, Anna Walsegg, esposa de Franz von Walsegg faleceu aos 20 anos. Em julho do mesmo ano, bateu à porta de Mozart um desconhecido (possivelmente Franz Anton Leitgeb ou Johann Nepomuk Sortschan) a mando de Walsegg, que desejava uma missa de réquiem para o memorial de sua falecida esposa, mas que planejava dizer que fora ele quem compusera a obra (por isso o anonimato). Recusando-se a se identificar, o mensageiro deixa Mozart encarregado da composição de um Réquiem. Deu-lhe um adiantamento de 25 ducados e avisou que retornaria em um mês com os outros 25 restantes. Mas, pouco tempo depois, o compositor foi chamado para Praga com o pedido de que ele escrevesse a ópera A Clemência de Tito, para festejar a coroação de Leopoldo II. Quando subia com sua esposa Constanze na carruagem que os levaria a esta cidade, o desconhecido ter-se-ia apresentado outra vez, perguntando por sua encomenda. Mozart lhe prometeu que a completaria assim que voltasse de sua viagem.

Todavia, Mozart conseguiu terminar apenas poucas partes do Réquiem antes da sua morte: toda a orquestração da Réquiem Aethernam, um rascunho detalhado da Kyrie, trechos instrumentais, o coro e o baixo cifrado da Sequentia até a Lacrymosa, esta que apresenta apenas 8 compassos. Também havia todas as vozes e baixos cifrados do Domine Jesu e da Hostias. Wolfgang também deixou alguns rascunhos, dentre eles uma fuga Amém e outros papéis perdidos. Cinco dias após sua morte, em 10 de dezembro de 1791, a introdução foi tocada em um serviço memorial para o próprio Mozart na Igreja de Miguel Arcanjo em Vienna, tendo quase toda sua orquestração completada por Franz Jacob Freystädtler (madeiras, cordas e trombones), tendo os seus tímpanos e trompetes adicionados posteriormente por Franz Xaver Süßmayr. Vale ressaltar que a participação de Freystädtler não é uma certeza, sendo alvo de discussões entre diversos historiadores e musicologistas.

Em 21 de dezembro de 1791, o jovem Joseph Eybler foi encarregado por Constanze de terminar a obra, afinal, Mozart deixou dívidas enormes para Constanze, fazendo com que ela precisasse dos outros 25 ducats restantes da comissão. No entanto, após completar todas as partes dos instrumentos de cordas da Sequentia e toda a orquestração do Dies Irae e do Confutatis, além de ter adicionado dois compassos na linha do soprano da Lacrymosa, Eybler desistiu por razões desconhecidas.

Após tentar com que vários compositores terminassem a obra, Constanze enfim se aproximou de Süßmayr. Ele coletou diversos rascunhos e finalizou a orquestração da obra, além de compôr o resto da Lacrymosa, todo o Sanctus, Benedictus e Agnus Dei, e repetir parte do Réquiem Aethernam para a Lux Aetherna e a Kyrie para o Cum Sanctis Tuis.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Requiem K. 626 (Böhm, WP)

1. Introit: Requiem Aethernam / Kyrie 9:30
2. Dies Irae 1:58
3. Tuba Mirum 4:15
4. Rex Tremendae 3:09
5. Recordare 7:00
6. Confutatis 3:50
7. Lacrimosa 4:07
8. Domine Jesu 4:37
9. Hostias 5:03
10. Sanctus 1:55
11. Benedictus 6:50
12. Agnus Dei 11:24

Bass Vocals – Karl Ridderbusch
Choir – Wiener Staatsopernchor
Conductor – Karl Böhm
Conductor [Choir] – Norbert Balatsch
Contralto Vocals – Julia Hamari
Orchestra – Wiener Philharmoniker
Organ – Hans Haselböck
Soprano Vocals – Edith Mathis
Tenor Vocals – Wiesław Ochman

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Primeira página do manuscrito do Réquiem

PQP

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

160 anos de Debussy

Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918)

Vi que algumas pessoas pediram este CD, mesmo sujeitas a levar um esporro como resposta. Recebi o disco recentemente e ele estava lacrado até agora – nem quis saber de escutá-lo enquanto o copiava via Windows Media Player porque tinha/tenho/terei realmente mais o que fazer. Muito menos gosto de postar CDs quando estes são recém-lançados porque acho isso o cúmulo do pão-durismo por parte do ouvinte/admirador, mas decidi ser caridoso. Espero que tenha valido a pena meu esforço e que o número de downloads exploda.
CVL (2009)

Lucia Branco, a principal professora de piano de Nelson Freire em sua infância, foi quem lhe apresentou Debussy, e ela lhe alertava sobre o risco de tocar lento demais. Mais tarde, Debussy criaria uma grande proximidade com Guiomar Novaes, grande intérprete de Debussy – aliás o compositor ouviu e elogiou a jovem pianista recém-chegada em Paris. Guiomar também tinha uma relação com a música de Debussy em que os andamentos não pendiam para o lento: às vezes o colorido das escalas de tons inteiros pode estimular uma abordagem mais relaxada e calma, mas ao mesmo tempo é preciso manter o fluxo das coisas andando, ao menos na abordagem de Debussy por Freire e por esses dois pianistas que ele amava apaixonadamente: Guiomar Novaes e Walter Gieseking.

Nelson Freire não era o tipo de músico que grava integrais. (Disse ele para o IPB: “não gosto de fazer sempre a mesma coisa, me aborrece… Por isso acho também que recital de piano deve ser uma coisa variada, se não é muito entediante chegar lá e ouvir o mesmo estilo o tempo todo.”) O livro I de Prelúdios de Debussy, os Noturnos e Prelúdios de Chopin, a Prole do Bebê de Villa-Lobos  estão entre os poucos ciclos que ele abordou por inteiro. Ele tinha um vínculo profundo com essas obras, que o acompanharam por décadas, muitas vezes como bis nos recitais, assim como Poissons d’or, das Imagens. Neste álbum gravado por Nelson aos 63 anos, ele também toca o ciclo de inspiração infantil Children’s Corner, que o René postou recentemente na orquestração de André Caplet, amigo e colaborador de Debussy.
Pleyel (2022)

Claude Achille Debussy (1862-1918), Música para Piano

1. Préludes – Book 1 – 1. Danseuses de Delphes (Lent et grave)
2. Préludes – Book 1 – 2. Voiles (Modéré)
3. Préludes – Book 1 – 3. Le vent dans la plaine (Animé)
4. Préludes – Book 1 – 4. Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir (Modéré)
5. Préludes – Book 1 – 5. Les collines d’Anacapri (Très modéré)
6. Préludes – Book 1 – 6. Des pas sur la neige (Triste et lent)
7. Préludes – Book 1 – 7. Ce qu’a vu le vent d’ouest (Animé et tumultueux)
8. Préludes – Book 1 – 8. La fille aux cheveux de lin (Très calme et doucement expressif)
9. Préludes – Book 1 – 9. La sérénade interrompue (Modérément animé)
10. Préludes – Book 1 – 10. La cathédrale engloutie (Profondément calme)
11. Préludes – Book 1 – 11. La danse de Puck (Capricieux et léger)
12. Préludes – Book 1 – 12. Minstrels (Modéré)
13. D’un cahier d’esquisses
14. Children’s Corner – 1. Doctor Gradus Ad Parnassum
15. Children’s Corner – 2. Jimbo’s Lullaby
16. Children’s Corner – 3. Serenade for the Doll
17. Children’s Corner – 4. The Snow is Dancing
18. Children’s Corner – 5. The Little Shepherd
19. Children’s Corner – 6. Golliwogg’s Cakewalk
20. Suite Bergamasque – 3. Clair de Lune

Nelson Freire, piano
Recording: Hamburg, June 11-15 2008

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Debussy é muito feio, vamos de Freire então.
Mais uma foto de mar ilustrando postagem de Debussy

CVL (2009) e Pleyel (2022)

Claude Debussy (1862-1918): La Mer, Prelude à l’après-midi d’un Faune, Jeux – Boulez, New Philharmonia Orchestra #DEBUSSY160

51qd4kO8axL._SL500_AA300_Este foi um dos primeiros cds que postei, lá nos primórdios do PQPBach, e lá se passaram ao menos uns oito anos e meio. Sempre foi o minha gravação favorita, tanto do “Prelude a l’Apres Midi d’un Faune” quanto de “La Mer”. Comprei esse LP nos tempos em que vagava solitário pelas ruas de São Paulo, ainda no começo dos anos 90. A vida era um tanto quanto difícil, morava longe da família, dos amigos, e esse belíssimo disco ajudou a combater a solidão. Criei uma certa cumplicidade com ele e consequentemente com a magnífica música de Debussy.

Mas a vida dá voltas, e agora, vinte e poucos anos depois, eis-me aqui, oferecendo essa verdadeira jóia da indústria fonográfica aos senhores. Podem apreciar sem moderação. É música de primeira, interpretada por um dos maiores especialistas em Debussy dos últimos tempos.

Claude Debussy (1862-1918): La Mer, Prelude à l’après-midi d’un Faune, Jeux
1-3. La Mer
1 De l’aube à midi sur la mer (Très lent)
2 Jeux de vagues (Allegro)
3 Dialogue du vent et de la mer (Animé et tumultueux)
4 Prelude à l’après-midi d’un faune
5 4Jeux

New Philharmonia Orchestra
Pierre Boulez – Conductor

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Debussy revolucionário, charge de 1912

FDP Bach (2015)

Joaquin Rodrigo – Concierto de Aranjuez, Mario Castelnuovo-Tedesco – Concerto in D for Guitar & Orchestra – Williams, Ormandy, Philadelphia Orchestra

John+Williams+Guitarist+Two+Favourite+Guitar+Concertos+504788

NOVOS LINKS !! POSTAGEM ORIGINAL DE 2016. ESTE CD NÃO PODE FICAR INDISPONÍVEL !!! ABSOLUTAMENTE IM-PER-DÍ-VEL !!!

Para reparar um mal entendido de uma postagem anterior, resolvi trazer o meu concerto para violão favorito, na minha versão favorita, que já ouço há pelo menos uns 45 anos. Chamei este Concierto de Aranjuez de famigerado, mas no sentido positivo do termo. Eu já o escutei tantas vezes que conheço cada nota, cada pausa, cada suspiro do solista e do maestro. Ele supre todas as minhas necessidades sentimentais, aquelas que evocam tempos passados, me lembra o jardim da velha casa, a chuva caindo e molhando a grama daquele jardim, do por de sol, enfim, é uma explosão de sentimentos quando ouço este concerto. Ainda mais esta gravação do John Williams ainda jovem, mas já um fenômeno do instrumento. Os braços abertos do Ormandy vestindo um traje de um verde de gosto duvidoso  e regendo sua amada Orquestra de Filadélfia me inspirava e procurava imitar seus gestos. Foi o meu primeiro contato com a música clássica, imaginava estar regendo uma orquestra, mexia os braços como se fosse o maestro, ou então pegava meu velho violão e simulava que estava tocando …
Ainda tenho o velho LP, e ainda me emociono quando ouço o seu adágio, que considero uma das mais belas páginas já escritas na história da música. Este adágio me traz lembranças de minha infância, quando minha mãe botava este LP para tocar na velha radiola e mesmo depois de ter terminado o disco ela ainda ficava cantarolando pela casa. Lembranças boas de um tempo que não volta mais. Pelo menos ficam guardadas na memória.

O Concerto de Castelnuovo-Tedesco também é de primeirissima qualidade, pena que seja pouco gravado, como comentei em postagem anterior.

Joaquin Rodrigo (1901-1999):
01. Concierto de Aranjuez for Guitar and Orchestra I.  Allegro con spirito
02. Concierto de Aranjuez for Guitar and Orchestra II. Adagio
03. Concierto de Aranjuez for Guitar and Orchestra III.  Allegro gentile
Mario Castelnuovo-Tedesco (1895-1968):
04. Concerto in D Major for Guitar and Orchestra, Op. 99 I. Allegretto
05. Concerto in D Major for Guitar and Orchestra, Op. 99 II. Andantino alla romanza
06. Concerto in D Major for Guitar and Orchestra, Op. 99 III. Ritmico e cavalleresco

John Williams – Guitar
Members of The Philadelphia Orchestra
Eugene Ormandy – Conductor

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1957
John Williams – Retrato do Artista quando jovem

Debussy (1862 – 1918): Debussy Orchestrated – Orchestre National des Pays de la Loire & Pascal Rophé ֍ #DEBUSSY160

Debussy (1862 – 1918): Debussy Orchestrated – Orchestre National des Pays de la Loire & Pascal Rophé ֍ #DEBUSSY160

Debussy

Petite Suite

La boîte à joujoux

Children’s Corner

Orchestre National des Pays de la Loire

Pascal Rophé

Se houvesse um único critério para estabelecer se este ou aquele compositor teria passagem para o panteão dos imortais, na minha opinião, seria o reconhecimento imediato de alguma de suas peças, melodia (tune), vocês me entendem, pelos ‘trouxas’, aquelas pessoas que não são como nós e raramente ouvem música ‘clássica’, quem dirá leem os nomes das peças nas capas dos discos ou nos visores do streaming.

Lembra-se da sequência no início do filme ‘Amadeus’, de Milos Forman, na qual o idoso Salieri experimentando seu já não tão lento afundamento no esquecimento? Nenhum de seus ‘hits’ é reconhecido pelo padre que o assiste, mas eis que por encanto, um delas ascende os olhos do sacerdote desejoso de agradar ao decrépito Salieri – Sim, está sim, eu reconheço bem! – Pois esta não é minha, é da ‘criatura’! Assim é como Salieri se referia à Mozart.

Aplicando este mundano (admito) critério a Debussy ele teria passe livre para o tal panteão, um único bilhete no qual estaria escrito Clair de lune! Uma única evidência para tão ousada afirmação: basta lembrar do filme Frankie and Johnny (1996), com a deslumbrante Michelle Pfeiffer e o carismático Al Pacino. Se você não se lembra do filme, busque a última cena dele. Eu digo pela música, a melodia de Clair de lune surge na forma como foi composta por Debussy, para piano, e depois vai se transmutando em uma peça para orquestra. A continuidade das cenas embalada pela música é bastante interessante, levando em conta o momento em que o filme foi feito.

Henri Büsser, quando jovem…

Neste disco temos algo assim, a música composta originalmente por Debussy para piano é apresentada em roupas de música para orquestra.  A orquestração não é de Debussy, mas é quase como se fosse. Os orquestradores eram muito próximos, colaboradores e amigos dele, Henri Büsser e André Caplet.

Começamos com a Petit suíte, composta em 1899 para piano a quatro mãos e orquestrada por Henri Büsser em 1907, que foi plenamente aprovada por Debussy e é um sucesso desde então. A posto que você nunca deixará de reconhecer os acordes iniciais do primeiro movimento, En bateau.

Adivinhe qual ator seria escalado para fazer o papel do Caplet…

Em 1905 nasceu Chouchou, a filha de Debussy, que acabou escrevendo para ela a suíte Children´s Corner. A dedicatória ‘dear little Chouchou, with tender apologies from her father for what follows’, assim como os títulos dos movimentos, foram dados em inglês pelo próprio Claude. Ele gostava de inglês, especialmente dos escritos de Edgar Allan Poe. A orquestração ficou aos cuidados de André Caplet, amigo e colaborador de Debussy e também compositor. Entre os movimentos desta suíte, a Serenade for the Doll era um dos encores de Horowitz.

Em 1913, o ilustrador André Hellé (veja a capa do disco) sugeriu a Debussy que compusesse um balé para fantoches, descrevendo as aventuras de brinquedos que ganham vida. O tema faz sucesso desde sempre. Debussy certamente conhecia os balés de Tchaikovsky e de seu contemporâneo inovador Stravinsky. O resultado foi La Boîte à joujou que ele compôs para piano e iniciou a orquestração, mas que só foi terminada em 1919, de novo, por Caplet.

Claude Debussy (1862 – 1918)

Petite Suite

  1. En bateau
  2. Cortège
  3. Menuet
  4. Ballet

La Boite A Joujoux

  1. Prélude
  2. 1, Le magasin de jouets
  3. 2, Le champ de bataille
  4. 3, La bergerie à vendre
  5. 4, Après fortune faite
  6. Épilogue

Children’s Corner

  1. Doctor Gradus ad Parnassum
  2. Jimbo’s Lullaby
  3. Serenade for the Doll
  4. The Snow Is Dancing
  5. The Little Shepherd
  6. Golliwog’s Cake-Walk

Orchestre National des Pays de la Loire

Pascal Rophé

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FLAC | 261 MB

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MP3 | 320 KBPS | 157 MB

Pascal Rophé e a ONPL achando a Sala de Concertos do PQP Bach em Pomerode encantadora…

With the present disc, Pascal Rophé and his Orchestre National des Pays de la Loire pay tribute to their great countryman, Claude Debussy – but not with the standard orchestral fare. Debussy Orchestrated paints a portrait of a light-hearted composer, seen through the eyes of two of his collaborators, Henri Büsser and André Caplet, who transferred the works recorded here from the keyboard to the orchestra.  [Resumo do site Prestomusic]

Both La boîte à joujoux and the similarly enchanting Children’s Corner are performed with deft panache by this quality orchestra, whose subtly shaded tone and style sound much more like those of earlier French vintages than the globalised full-colour sonority dominating elsewhere today. There are outstanding individual players, among them the principal oboe, whose haunting contribution to ‘The Little Shepherd’ in Children’s Corner is a special moment. [BBC Music Magazine, maio de 2022]

the playing is exquisite….a wonderfully engaging disc of great charm. [Gramophone, abril de 2022]

Aproveite!
René Denon

Pascal Rophé… Rophé!

Resposta do nosso quizz:

Quizz 2: Qual o nome da rádio, do programa de rádio e do apresentador do mesmo, no filme Frankie e Johnny?

Claude Debussy (1862-1918) – Prélude a l’àpres-midi d’un faune, La Mer, Jeux, Khamma (Orquestre de La Suisse Romande, Ansermet) #DEBUSSY160

51uz4GxHy+L._SS500_SS280Ernest Ansermet foi um regente suíço e um dos grandes regentes do repertório clássico francês, principalmente Debussy.

Este CD que ora vos trago faz parte da Coleção DECCA Legends, e não está aqui por acaso. Trata-se de uma das melhores gravações já realizadas deste repertório, principalmente em minha opinião do ‘Prélude à l’après-midi d’un faune’. Ainda tenho por favorita a versão de Boulez, mais etérea, idílica, eu diria, mas Ansermet dá mais vida a obra, tira aquela áurea espectral que permeia a leitura de Boulez, e nos oferece uma possibilidade diferente. Fica à vosso critério escolher a favorita. Não por acaso a revista Gramophone destacou exatamente a capacidade de Ansermet de nos mostrar o que está por debaixo daquelas brumas boulezianas. Claro que estou ciente que a gravação de Ansermet é anterior a de Boulez, mas um antecipa o outro, em minha opinião.
De qualquer forma, este é um CD antológico que merece toda a sua atenção.

Claude Debussy (1862-1918):
01. Prélude à l’après-midi d’un faune
02-04. La Mer (I. De l’aube à midi sur la mer, II. Jeux de vagues, III. Dialogue du vent et de la mer)
05. Jeux
06. Khamma (Légende dansée)

L´Orchestre de La Suisse Romande
Ernest Ansermet – Conductor

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BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – mp3 320kbps

Ernest Ansermet em pose clichê.

FDP (2016)

Claude Debussy (1862-1918) – Solo Piano Music – Angela Hewitt #DEBUSSY160

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160 anos de Debussy

Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918)

Este CD foi lançado em 2012, mas merece ser ouvido com todo carinho e dedicação necessários. Sendo uma das grandes pianistas da atualidade, Hewitt encara estas obras tão delicadas com sobriedade, uma técnica apurada e uma maturidade musical exemplar. Os clientes da amazon são unânimes em dar cinco estrelas para esse CD.

E como é o mês dele, Claude Debussy, vamos então lhes apresentar outro grande CD do selo Hyperion, em outro grande momento de Angela Hewitt.

Claude Debussy (1862-1918) – Solo Piano Music – Angela Hewitt

01. Children’s Corner – 1. Doctor Gradus ad Parnassum
02. Children’s Corner – 2. Jimbo’s Lullaby
03. Children’s Corner – 3. Serenade for the Doll
04. Children’s Corner – 4. The snow is dancing
05. Children’s Corner – 5. The Little Shepherd
06. Children’s Corner – 6. Golliwog’s Cake-Walk
07. Suite Bergamasque – 1. Prélude
08. Suite Bergamasque – 2. Menuet
09. Suite Bergamasque – 3. Clair de lune
10. Suite Bergamasque – 4. Passepied
11. Danse
12. 2 Arabesques – 1. Andantino
13. 2 Arabesques – 2. Allegretto scherzando
14. Pour le piano – 1. Prelude
15. Pour le piano – 2. Sarabande
16. Pour le piano – 3. Toccata
17. Masques
18. L’isle joyeuse
19. La plus que lente

Angela Hewitt – Piano

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P.S. de Pleyel: muitos alunos intermediários de piano passam pelos Arabesques e pelo Clair de lune, mas não se enganem, é música muito sofisticada apesar da relativa simplicidade técnica. Angela Hewitt deixa isso muito claro aqui.

FDP (2018) / Pleyel (2022)