Franz Liszt (1811-1886): Harmonies Du Soir (Nelson Freire)

Franz Liszt (1811-1886): Harmonies Du Soir (Nelson Freire)

Bem, meus caros. Eu não sou a pessoa mais indicada para comentar este disco. Sei de sua alta qualidade artística, mas não consegui ouvir até o final. É muito romantismo para meu coração duro e burro. É tudo muito bonito, mas penso que faltam sangue e música, sobrando ornamentos e virtuosismo. Aliás, esta é uma tola opinião (e agressão beócia) pessoal de quem não aprecia o gênero. É claro que o disco é incensado e todos o elogiam, é claro que trata-se de um real consenso, é claro que há poesia e conteúdo sob a técnica vistosa, mas o que posso fazer se não me dou conta deles? Sim, sei: Nelson Freire é um autêntico gênio. É também uma pessoa modesta e inteligente, cujo virtuosismo e sensibilidade são lendários, mas sabe quando é não pra gente? Pois é. Só que jamais deixaria de postar um disco do qual tantos de vocês fruirão sem dar a mínima para PQP Bach. E ele (o disco) está aí.

Franz Liszt (1811-1886): Harmonies Du Soir (Nelson Freire)

2 Etudes De Concert, S.145
1 No.1 Waldesrauschen 04:00

Années De Pèlerinage: 2ème Année: Italie, S.161
2 Sonetto 104 Del Petrarca 05:57

Valse Oubliée No.1 In F Sharp, S.215
3 Valse Oubliée No.1 In F Sharp, S.215 02:45

Ballade No.2 In B Minor, S.171
4 Ballade No.2 In B Minor, S.171 13:43

Années De Pèlerinage: 1e Année: Suisse, S.160
5 Au Lac De Wallenstadt 02:45

Hungarian Rhapsody No.3 In B Flat, S.244
6 Hungarian Rhapsody No.3 In B Flat, S.244 04:25

6 Consolations, S. 172
7 No. 1 In E Major (Andante Con Moto) 01:42
8 No. 2 In E Major (Un Poco Più Mosso) 02:31
9 No. 3 In D Flat Major (Lento, Placido) 04:22
10 No. 4 In D Flat Major (Quasi Adagio) 02:59
11 No. 5 In E Major (Andantino) 02:21
12 No. 6 In E Major (Allegretto, Sempre Cantabile) 02:11

Harmonies Du Soir
13 Harmonies Du Soir 08:37

Nelson Freire, piano

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Afasta de mim esse tanto de romantismo…

PQP

Bach/Busoni, Mendelssohn, Schubert/Liszt: Canções sem Palavras (Songs Without Words — Perahia)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Escrevo este textinho em 12 de junho, Dia dos Namorados, mas ele está programado para ir ao ar lá em 5 de julho, data em que está marcada a segunda dose de minha amada AstraZeneca, além de ser a dia de aniversário de minha mãe — ela faria 94 anos — e daquela pessoa que posso chamar de meu melhor amigo. Todas datas especiais, portanto. O disco do esplêndido Murray Perahia não tem nada a ver com isso. Mas é um bom disco, um disco, antes de tudo, inteligente. Ele explora os vários pontos fortes de Perahia. Estas peças exigem acima de tudo a capacidade de projetar e sustentar uma linha de canto, de moldar e dar forma a um som belo e cheio de nuances e de evocar a atmosfera de cada inspiração poética. Em suma, eles exigem um pianista com a sensibilidade e o temperamento de Perahia. Os Prelúdios Corais de Bach/Busoni são tocados com andamentos inteiramente naturais, não tão fúnebres como Nikolai Demidenko, mas nunca permitindo que os acompanhamentos, por mais floreados que sejam, soem apressados ​​ou agitados. Na seleção de canções de Mendelssohn, Perahia jamais chafurda nas peças mais lentas — um pecado comum em pianistas que as interpretam. Ele consegue trazer um sorriso ao nosso rosto com o final espirituoso. De todas essas riquezas, no entanto, eu estava mais interessado nas transcrições das canções de Schubert/Liszt. Perahia, um schubertiano natural e pianista de calor e pureza lírica, parece-me um candidato óbvio para esses arranjos maravilhosos e os resultados são sempre envolventes. A poesia pura deste disco é algo para se alegrar e a arte de Perahia brilha em cada compasso.

Bach/Busoni, Mendelssohn, Schubert/Liszt: Canções sem Palavras (Songs Without Words — Perahia)

Johann Sebastian Bach / Ferruccio Busoni
1 “Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme,” BWV 645 3:24
2 “Nun Komm, Der Heiden Heiland,” BWV 659 4:14
3 “Nun Freut Euch, Lieben Christen,” BWV 734 2:03
4 “Ich Ruf’ Zu Dir, Herr Jesu Christ,” BWV 639 3:04

Felix Mendelssohn
Lieder Ohne Worte
5 Opus 19, No. 3 2:07
6 Opus 67, No. 2 1:57
7 Opus 30, No. 4 2:27
8 Opus 19, No. 1 3:14
9 Opus 19, No. 5 2:13
10 Opus 30, No. 6 2:54
11 Opus 38, No. 3 2:13
12 Opus 102, No. 5 1:12
13 Opus 38, No. 2 1:58
14 Opus 30, No. 2 1:57
15 Opus 67, No. 1 2:02
16 Opus 38, No. 6 3:08
17 Opus 67, No. 4 1:43
18 Opus 53, No. 4 2:25
19 Opus 62, No. 2 1:47

Franz Schubert / Franz Liszt
20 “Auf Dem Wasser Zu Singen” 3:52
21 “In Der Ferne” 6:35
22 “Ständchen” 5:17
23 “Erlkönig” 4:28

Murray Perahia, piano

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OK, Murray eu sei dizer, mas e Perahia?

PQP

Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha, parte II (1951-1961) [Martha Argerich, 80 anos]


Em homenagem aos oitenta anos da Rainha, adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a segunda de oito partes:


Logo que ficou ficou óbvio que não haveria professores no Hemisfério Sul capazes de darem conta da pequena María Martha (porque eu tinha HOJE anos de idade quando descobri que Martha também é María), começaram as tratativas para que a niña precoz fosse estudar na Europa. A escolha de María era clara: queria ir para Viena estudar com Friedrich Gulda, um pianista brilhante que já granjeara fama de excêntrico e anticonvencional, e cujo antiacademicismo mui provocativo o tornava o mais improvável dos professores.

E isso tudo antes de adotar o visual que, a partir dos anos 70, fê-lo ser mimosamente comparado a um “cafetão sérvio”.

Como os Argerich não nadavam em recursos, a mãe de María resolveu tomar providências. A (assim a chamemos) mui assertiva Juanita, com quem Martha sempre teria uma relação complicada, resolveu as coisas com ninguém menos que Juan Domingo Perón. Nas palavras da filha:

Eu tinha pouco mais de 12 anos, tinha tocado no Teatro Colón e o Perón tinha me convidado para um encontro na residência presidencial. Mamãe perguntou se ela poderia vir comigo, e eles disseram que sim, é claro. Eu não era muito peronista; lembro-me que estava sempre colando pedacinhos de papel em todos os lugares que diziam “Balbín-Frondizi” [antiperonistas ferrenhos e candidatos da oposição às eleições de 1951]. Perón nos recebeu e me perguntou: “E para onde você quer ir, ñatita?” E eu queria ir para Viena, estudar com Friedrich Gulda. Ele gostou de eu não querer ir para os Estados Unidos. O mais engraçado foi que minha mãe, para bajulá-lo, disse a ele que eu adoraria fazer um show na UES [União dos Alunos do Ensino Médio]. E devo ter feito uma cara um tanto reveladora de que não gostei da ideia, pois o Perón começou a concordar com mamãe, dizendo “claro senhora, vamos organizar”, enquanto piscava para mim e, por baixo da mesa, fazia com um dedo que não. Ele estava contendo mamãe e isso me acalmou – percebeu que eu não queria. Fantástico, não é? E ele deu um emprego ao meu pai. Ele o nomeou adido econômico em Viena. E disse à mamãe que a achava também muito inteligente, empreendedora e capaz, e que conseguiu outro cargo para ela na embaixada.

Naqueles tempos, o que Perón mandava, o governo fazia: no ano seguinte, os Argerich deixariam Buenos Aires com mala e cuias, rumo a Viena e ao encontro de Gulda.

Martha e Gulda em Viena, sob o olhar atendo do filho mais ilustre de Aracati, o grande Jacques Klein (à esquerda). Foto do acervo de Nelson Freire, disponibilizada pelo Instituto Piano Brasileiro.

Foram apenas dezoito meses de estudo, durante os quais Martha foi a única aluna de Gulda, um mestre apenas onze anos mais velho que ela e de ademais pouquíssimos alunos. Ainda que viesse a receber lições de Maria Curcio, de Stefan Askenaze e de Arturo Benedetti Michelangeli, Gulda foi a mais decisiva influência na carreira de nossa Rainha. Ela sempre o idolatrou, e frequentemente o cita em suas entrevistas. O austríaco, no entanto, não se impressionou com o estrelato posterior de sua aluna, aparentemente por achá-lo convencional demais para seus heterodoxos parâmetros. E a vida pessoal de Martha, também, parecia bater recordes mesmo para os caóticos padrões guldanianos: ao encontrá-la num camarim, décadas depois, depois de um recital, Gulda – que ficaria notório por divulgar a notícia de sua morte um ano antes de morrer de fato, e que intitulou seu concerto seguinte “Festa da Ressurreição” – tascou:

O que fizeste da tua vida???
O que fazer da vida é a preocupação de todas as ex-crianças prodígio, e Martha, egressa dos estudos com Gulda, não sabia o que fazer dela. Estava longe da bajulação que tinha na Argentina, mas ainda controlada a cabresto pela mãe, e no coração dum continente onde se levantava uma pedra e, debaixo dela, saíam enxames de pianistas promissores. A saída mais óbvia eram as láureas em concursos de piano, e ela conseguiu duas em menos de um mês, em 1957: no Concurso Internacional Busoni em Bolzano (Itália), e no Concurso Internacional de Genebra (Suíça), o qual Gulda também vencera com 16 anos.

Enquanto botava as manguinhas de fora para morar sozinha, Martha excursionava extensamente pelo continente e, antes dos vinte anos, fez sua estreia discográfica oficial pela prestigiosa Deutsche Grammophon, ostentando na capa os cabelos cacheados e o olhar tristonho típicos daquela década. A relação da promissora jovem com seu instrumento, enfim, sempre tivera profundas rachaduras e muito poucas alegrias. Num dos trechos mais tocantes do documentário assinado por sua filha, Stéphanie, Martha está a olhar álbuns da infância e estimar sua idade nas fotos pela presença do sorriso – sinal de que o piano ainda não entrara em sua vida.

Esse difícil período de transição entre ex-criança prodígio e superestrela do teclado é admiravelmente coberto por esta caixa da Hänssler, que mostra que nossa Rainha era uma artista consumada antes de completar 20 anos. Em diversas gravações ao vivo de qualidade variável, além da supracitada gravação de estreia em estúdio, são óbvias as qualidades que até hoje, mais de sessenta anos depois, nos deixam boquiabertos. Entre várias interpretações de Mozart, um compositor a que voltaria relativamente pouco em sua carreira, e o primeiro de seus sete registros do concerto de Ravel, que é de seus cavalos de batalha favoritos, o curioso destaque – e a prova principal de que Martha estava disponível para todas empreitadas – é o registro de dois recitais em Leningrado (atual São Petersburgo), no qual ela acompanhava o já famoso violinista Ruggiero Ricci, vinte anos mais velho, e que permaneceu seu amigo por toda vida.


Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)

Concerto em Sol maior para piano e orquestra, M. 83
1 – Allegramente
2 – Allegro assai
3 – Presto
Südwestfunk-Sinfonieorchester Baden-Baden
Ernest Bour, regência
Gravação de 1960

Gaspard de la Nuit, três poemas para piano após Aloysius Bertrand, M. 55
4 – Ondine
5 – Le Gibet
6 – Scarbo
Gravação de 1960

Sonatina para piano em Fá sustenido menor, M. 40
7 – Modéré
8 – Mouvement de Menuet
9 – Animé
Gravação de 1960

Jeux d’eau, para piano, M. 30
10 – Très doux
Gravação de 1960

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonatina para violino e piano, Sz. 55, BB 102a (arranjo de A. Gertler)
11 – Cornemuses. Allegretto
12 – Danse De L’ours. Moderato
13 –  Finale: Allegro Vivace
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

Pablo Martín Melitón de SARASATE y Navascués (1844-1908)
Introdução e tarantela para violino e piano, Op. 43
14 – Moderato
Ruggiero Ricci, violino
Gravação de 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Concerto para piano e orquestra no. 21 em Dó maior, K. 467
1 -Allegro maestoso
2 – Andante
3 –  Allegro vivace assai
Kölner Rundfunk-Sinfonieorchester
Peter Maag, regência
Gravado em 1960

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Das Três sonatas para piano, Op. 10: 
No. 3 em Ré maior
4 – Presto
5 – Largo e Mesto
6 – Menuetto. Allegro
7 – Rondo. Allegro
Gravado em 1960

Das Três sonatas para violino e piano, Op. 12:
No. 3 em Mi bemol maior
8 – Allegro con spirito
9 – Adagio con molt’espressione
10 – Rondo. Allegro molto
Ruggiero Ricci, violino
Gravado em 1961

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Wolfgang Amadeus MOZART
Sonata para piano no. 8 em Lá menor, K. 310
1 – Allegro maestoso
2 – Andante cantabile con espressione
3 – Presto

Sonata para piano no. 13 em Si bemol maior, K. 333
4 – Allegro
5 – Andante cantabile
6 – Allegretto grazioso

Sonata para piano no. 18 em Ré maior, K. 576
7 – Allegro
8 –  Andante cantabile
9 – Allegretto grazioso
Gravadas em 1960

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Toccata em Dó maior para piano, Op. 7
10 – Allegro
Gravadas em 1960

Johannes BRAHMS (1833-1897)
Duas rapsódias para piano, Op. 79
11 – Agitato, em Si menor
12 – Molto passionato, ma non troppo allegro, em Sol menor
Gravadas em 1961

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Franz LISZT (1811-1886)
1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada em 1961

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)
2 – Barcarola em Fá sustenido maior para piano, Op. 60
3 – Scherzo para piano no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39
4 – Balada para piano no. 4 em Fá menor, Op. 52
Gravadas em 1960-61

Dos Doze estudos para piano, Op. 10
5 – No. 1 em Dó maior
Gravado em 1955 em Buenos Aires

Sergey Sergeyevich PROKOFIEV (1891-1953)
6 – Toccata para piano, Op. 11
7 – Sonata para piano no. 3 em Lá menor, Op, 28
Gravadas em 1961

Franz LISZT
8 1 – Rapsódia Húngara no. 6, para piano
Gravada ao vivo em 1957, durante o Concurso Internacional de Genebra

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Unsere Königin spricht Deutsch

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin • Listz • Ravel

Peças para Piano

Benjamin Grosvenor

 

Este disco é uma pérola para os amantes da boa música para piano! É o disco de estreia de Benjamin Grosvenor no selo DECCA em 2011, já faz meia eternidade, quando a data é vista sob a perspectiva de hoje. O então bem jovem pianista de 19 anos reuniu no disco os Scherzos de Chopin e Gaspard de la nuit, de Ravel, peças que constavam constantemente de seus recitais. Ele explica que as peças de Liszt servem como uma ponte entre esses dois compositores e não por acaso. O livreto tem um texto com título ‘From Chopin via Liszt to Ravel’.

O conjunto todo reúne uma coleção de peças produzidas por compositores-pianistas, Chopin e Liszt, além de Ravel, cuja composição excedia sua própria técnica de piano.

O disco inicia com o Scherzo No. 1 de Chopin com sua impetuosidade e passando pelo episódio mais sonhador – afinal, Chopin era um renomado romântico.

Em lugar de seguir apresentando os outros Scherzos, em ordem de publicação, assim como fazia nos recitais, para nos dar uma oportunidade de apreciar ainda mais as diferenças existentes entre um e outro, Grosvenor os intermedia com outras obras, três Noturnos.

O libreto nos ensina que Chopin foi o primeiro compositor a considerar um scherzo como uma peça independente, destacada de uma sonata ou sinfonia.

Depois disso, funcionando como o intermezzo, fazendo uma ponte para a grande peça final, três lindas peças de Liszt: duas transcrições para piano de canções de Chopin e um Noturno, de nome ‘En rêve’. Afinal, Chopin não foi o único nem o primeiro a compor noturnos.

Para arrematar, o Gaspard de la nuit, três poemas para piano segundo poemas de Aloysius Bertrand. Esta peça de Ravel destaca-se como uma das mais difíceis da literatura para piano e foi composta também com este propósito. Uma espécie de suíte, consta de três movimentos, de nomes Ondine, Le Gibet e Scarbo. Da literatura onde buscou a inspiração, Ravel traz um clima noturno, fantasmagórico, presente mesmo no nome. Ondine é uma ninfa que representa o perigo da atração da sereia, enquanto Le Gibet ressoa um sino que dobra ao longe enquanto se avista no horizonte o corpo de um enforcado sob a luz do por do Sol. Ravel se propôs o desafio de superar com Scarbo o já formidável virtuosismo do Islamey de Balakirev, que ocupava a posição de peça mais difícil da literatura para piano. Certas passagens, com um ritmo fascinante, em particular as repetidas notas em staccato, evocam claramente o piano de Liszt, em particular a Valsa-Mefisto, tendo Ravel pretendido, com esta partitura, “exorcizar o romantismo”, segundo a sua própria expressão.

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

  1. Scherzo No. 1 em si menor, Op. 20
  2. Noturno No. 5 em fá sustenido maior, Op. 15 No. 2
  3. Scherzo No. 4 em mi maior, Op. 54
  4. Noturno No. 19 em mi menor, Op. 72 No. 1
  5. Scherzo No. 3 em dó sustenido menor, Op. 39
  6. Noturno No. 20 em dó sustenido menor, Op. post.
  7. Scherzo No. 2 em si bemol menor, Op. 31

Franz Liszt (1811 – 1886)

Transcrição para Piano de Duas Canções de Chopin

  1. Moja pieszczotka (Minha Querida)
  2. Życzenie (O Desejo da Donzela)

Noturno

  1. ‘En rêve’, S207

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Gaspard de la Nuit

  1. Ondine
  2. Le gibet
  3. Scarbo

Benjamin Grosvenor, piano

Gravado no Lyndhurst Hall, Londres, em 26 de abril de 2011

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FLAC | 237 MB

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MP3 | 320 KBPS | 180 MB

Benjamin experimentando o grand piano do Salão de Retratos do PQP Bach Hall de Itaperuna

Ravel’s Gaspard holds no terrors for him. He is at his fluid best in Ondine. Others have created a darker atmosphere in Le Gibet (Pogorelich) and provided more attack in Scarbo (Berezovsky). This is to judge Grosvenor by the highest standards, as his brilliant pianism demands.

Phillip Scott

One of the most individual things about this stunning debut by Benjamin Grosvenor is his pervasive sense of balance and his unerring blend of Classical restraint and Romantic ardour…He is a virtuoso who declines the mantle of virtuoso, every gestures being put exclusively and exhilaratingly at the service of the music. Grosvenor’s playing exudes joy and spontaneity, seeming to release rather than interpret the music.

BBC Music Magazine, outubro de 2011

Aproveite!

René Denon

PS: Se você gostou deste álbum, não deixe de visitar…

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

Franz Liszt (1811-1886): Concertos para piano com Andor Foldes/BPO

Ontem, trouxe aqui as antológicas gravações da música para piano de Bartók por Andor Foldes. Hoje, seguimos com o mesmo pianista interpretando música húngara.

Andor Foldes é acompanhado pela Orquestra Filarmônica de Berlim, com uma sonoridade romântica potente que se encaixa muito melhor nesses concertos do que, por exemplo, nos de Beethoven. Os concertos para piano de Liszt não seguem o esquema tradicional em três movimentos. Os temas vão se transformando de forma mais livre, liberdade característica do romantismo e que Liszt explicou assim: “vinho novo exige garrafa nova”.

Liszt, aqui, se distancia de seus contemporâneos Chopin, Mendelssohn e Schumann, que compuseram em formas inovadoras para piano solo, mas não alteraram significativamente a forma do concerto para piano e orquestra que Mozart havia levado à perfeição. Eu gosto especialmente do concerto nº 1, que já começa com um tema muito interessante, que vai aparecer até o final. O genro de Liszt, Hans von Bülow, dizia que as notas do tema podiam ser cantadas como “das versteht ihr alle nicht, haha! (“Vocês não entendem nada, haha!”, ou em inglês, de sonoridade mais próxima do alemão: You don’t understand a thing, haha!). Segundo von Bülow, tratava-se de um aviso aos críticos musicais, o que torna este concerto uma espécie de Roman à clef*. Estreado em Weimar em 1855, com Hector Berlioz na regência, o concerto abriu as portas para obras inovadores para piano e orquestra das gerações seguintes, como os concertos de Brahms, as Variações Sinfônicas de Franck, as Noites nos jardins de Espanha, de Falla, e a Bachianas nº 3 de Villa-Lobos.

O segundo concerto de Liszt, estreado em 1857, também em Weimar, tem uma forma ainda mais diferentona, em um movimento único, assim como a assim como a sua sonata para piano.

Franz Liszt (1811-1886): Piano Concertos
1–3 Piano Concerto No. 1 in E flat major, S.124
4–9 Piano Concerto No. 2 in A major, S.125

Andor Foldes, piano
Berliner Philharmoniker
Leopold Ludwig
Recording: Jesus-Christus-Kirche, Berlin, Germany, February 1953

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Sim, o cabeludo sentado é Liszt

* Roman à clef – romance com chave, que adquiriria um novo significado quando lido a partir de uma certa chave de entendimento ligada a pessoas e situações da vida real. Em um romance do escritor Will Self, o protagonista afirma: a única possibilidade de eu escrever um roman à clef seria se eu perdesse as chaves do carro. Ao longo do livro a chaves somem várias vezes.

Pleyel

Boldog születésnapot! – Bartók, a zongoraművész (Bartók, o pianista) #BRTK140

 

“Boldog születésnapot!” não é uma sopa de letrinhas, e sim “feliz aniversário!” em húngaro – e as felicitações, claro, vão para o genial Béla Viktor János Bartók, em seu idioma nativo, no dia em que completaria 140 anos.

Não falo húngaro, nem jamais falarei. Limito-me a estudá-lo mui diletantemente, sem progresso algum, e há tantos anos que reconheço em meus esforços mais uma contemplação amedrontrada da legendária complexidade do magiar, com seus dezoito casos e vocabulário alheio ao léxico indo-europeu, do que uma pretensão real de algum dia dominar o Leviatã. Ainda assim, resolvi que os títulos das postagens de hoje seriam bilíngues, não para ostentar minha confessa semi-ignorância, e sim para homenagear devidamente o aniversariante, que tanto orgulho tinha de seu país, de sua cultura e de seu idioma, e que – mesmo notável poliglota – contemplava o resto do mundo a partir dessa inexpugnável ilha linguística.

Bartók, claro, também tocava piano (que o magiar, aliás, resolveu chamar de nada parecido com o italiano piano ou o alemão Klavier, e sim de ZONGORA). Reconhecia ritmos e melodias antes de balbuciar frases completas, e, antes de completar quatro anos, já estava tão familiarizado ao teclado que seu repertório contava com quarenta peças. Sua maior aliada era a mãe, Paula, uma professora de piano que começou a lhe dar aulas a partir dos cinco anos e não mediria esforços para garantir a melhor educação musical possível a seu filho, o que envolveu heroísmo depois da morte inesperada do marido, quando o menino tinha meros cinco anos. Sua admissão na classe de piano de István Thomán na Real Academia de Música de Budapest, aos dezoito anos, coroou a abnegação de Paula, a quem Béla permaneceria devotamente ligado até a morte dela.

Embora tenha feito várias turnês ao longo da vida – a primeira delas pela Alemanha, em 1903, ao graduar-se da Academia -, a carreira de Bartók como concertista sempre lhe teve um papel secundário, inda mais depois de ingressar no corpo docente da Academia, em 1908, como professor de piano. Com um emprego prestigioso e salário fixo, já não dependia mais dos recitais como ganha-pão, e podia assim lançar-se ao pleno cultivo de suas maiores paixões – a composição e o estudo da música folclórica húngara – até a reta final de sua vida, quando o fascismo e o envolvimento da Hungria na guerra obrigaram-no a refugiar-se nos Estados Unidos, onde viu-se obrigado novamente a sentar-se ao teclado para sustentar-se.

Mesmo com essa baixa prioridade dada à ribalta, Bartók legou-nos um número razoável de gravações em diferentes meios – incluindo cilindros de cera e o processo Welte-Mignon, semelhante à pianola – que não só servem como documentos fascinantes de seu pianismo, com também são testemunhos preciosos das concepções artísticas do gênio. A qualidade do som registrado pelos processos arcaicos não consegue, naturalmente, trazer a nossos tempos uma das virtudes mais laudadas por aqueles que ouviram Béla ao teclado: seu timbre, descrito como “belo”, “caloroso” e “profundamente convincente”. Muito evidentes, entretanto, são outras qualidades descritas por seus contemporâneos: a concentração (“sua execução de piano era desprovida de qualquer floreio superficial e irrelevante; cada tom era pura essência ”, segundo Lajos Hernádi), a inventividade (“ele foi um revolucionário na composição; sua performance ao piano também estava sob a égide da renovação, desprovida de qualquer rotina”, nas palavras de Géza Frid) e a espontaneidade (“há uma espécie de pureza virginal até em suas marteladas mais infernais… Isso é mais que o gênio do artista-intérprete; é o gênio inerente do artista criativo para tudo o que é criação”, como descreveu Aladár Tóth, esposo da grande pianista Annie Fischer).

As preciosidades que lhes apresento a seguir foram lançadas pelo selo Hungaroton em 1981, por ocasião do centenário do compositor, e compreendem a quase totalidade do legado fonográfico de Béla Bartók (a notória exceção é um recital com Joseph Szigeti na Livraria do Congresso em Washington, D. C., nos Estados Unidos, que será oportunamente publicada pelo colega Pleyel). Elas refletem o conforto com que ele assumia as funções de recitalista, camerista, acompanhador, pianista de duo e concertista, e atestam categoricamente sua destreza ao teclado. Alguns registros, como as sonatas de Scarlatti, dão a impressão de que o sisudo, quase ascético homem chegava mesmo divertir-se ao tocar piano. Outros, como o fragmento do “Concerto Patético” de Liszt, tocado com o colega de Academia e também compositor Dohnányi, contrastam seu estilo econômico com o som efusivo e ultrarromântico do segundo. E eletrizantes, acima de tudo, são as leituras suas próprias obras (algumas delas anunciadas em húngaros pelo próprio compositor), um legado inestimável para os pianistas que as desejam incorporar a seus repertórios e, pelo menos para mim, seu fã incondicional, fascinantes janelas para um passado não tão remoto em que o gênio estava entre nós.

BARTÓK HANGFELVÉTELEI CENTENÁRIUMI ÖSSZKIADÁS
(“Edição do centenário das gravações de Bartók”)
Editores:  László Somfai, Zoltán Kocsis, János Sebestyén
Hungaroton, 1991

I. BARTÓK ZONGORÁZIK 1920-1945 (“Bartók ao piano”)

Gravações em piano de rolo (processo Welte-Mignon)

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)

1 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – No. 5: Este a székelyeknél – Das Quinze canções camponesas húngaras, BB 79 – No. 6: Ballada
2 – Quinze canções camponesas húngaras, BB 79, Sz. 71 – Nos. 7-10, 12, 14, 15
3 – Sonatina para piano, BB 69, Sz. 55
4 – Danças folclóricas romenas para piano, Sz. 56, BB 68

Gravações fonográficas

5 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – No. 5: Este a székelyeknél – No. 10: Medvetanc (“Dança do Urso”)
6 – Das Duas danças romenas, Op. 8a, Sz. 43, BB56 –  No. 1: Allegro vivace
7 – Das Quatorze bagatelas para piano, Op. 6, BB 50 – No. 2: Allegro giocoso – Das Três Burlesques, BB 55 – No. 2:  Kicsit azottan
8 – Allegro barbaro, BB 63, Sz. 49

Suíte para piano, BB 70, Sz. 62, Op. 14
9 – I. Allegretto
10 – II. Scherzo
11 – III. Allegro molto – IV. Sostenuto

Suíte para piano, BB 70, Sz. 62, Op. 14
12 – I. Allegretto
13 – II. Scherzo
14 – III. Allegro molto – IV. Sostenuto

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

15 – Sonata em Sol maior, K. 427/L. 286/P. 286 – Sonata em Lá maior, K. 212/L. 135/P. 155
16 – Sonata em Lá maior, K. 537/L. 293/P. 541 – Sonata em Si bemol maior, K. 70/L. 50/P. 21

Ferenc LISZT (1811-1886)

Années de Pèlerinage, 3ème Année, S. 163
17 – No. 7: Sursum corda

Béla BARTÓK

18 – Das Quinze canções húngaras para piano, BB 79, Sz. 71 – Nos. 7-10, 12, 14, 15
19  – Dos Três rondós sobre melodias folclóricas eslovacas, BB 92, Sz. 84 – No. 1: Andante
20 – Das Nove pequenas peças para piano, BB 90 – No. 6: Dal – No. 8: Csorgotanc – Petite Suite, BB 113 – No. 5: Szol

Béla Bartók, piano

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Zoltán KODÁLY (1882-1967)

Arranjos de música folclórica húngara para vozes e piano:
1 – No. 1: Molnár Anna
2 – No. 6. Harom arva
3 – No. 7: Kitrakotty mese
4 – No. 8: A rossz feleseg
5 – No. 9: Szomoru fuzfanak
6 – No. 11: Elkialton – No. 10: Egy nagyoru
7 – No. 12: Kocsi – No. 16: Asszony, asszony
8 – No. 15: Akkor szep az erdo
9 – No. 13: Meghalok – No. 30: Szolohegyen
10 – No. 41: Kortefa – No. 14: Viragos
11 – No. 18: Kadar kata
12 – No. 19: A noverek
13 – No. 20: Tucsoklakodalom
14 – No. 21: Zold erdoben
15 – No. 23: Most jottem – No. 24: Ciganynota
16 – No. 32: Katona vagyok en
17 – No. 39: Megegett Racorszag – No. 33: Arrol alul
18 – No. 37: Kadar Istvan balladaja
19 – No. 40: Labanc gunydal a kurucra Labanc
20 – No. 42: Rákóczi kesergoje

Vilma Medgyaszay, soprano
Mária Basilides, contralto
Ferenc Székelyhidy, tenor
Béla Bartók, piano

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Béla BARTÓK

Cinco canções folclóricas húngaras, BB 97, Sz. 33
1 – No. 1: Elindultam – No. 2. Altal – No. 3: A gyulai
2 – No. 4: Nem messze van ide – No. 5: Vegigmentem a tarkanyi

Vilma Medgyaszay, soprano
Béla Bartók, piano

Canções folclóricas húngaras, Sz. 42
3 – No. 1: Fekete fod – No. 3: Asszonyok, asszonyok
4 – No. 2: Istenem, istenem – No. 5: Ha kimegyek
5 – No. 6. Toltik a – No. 7: Eddig valo dolgom – No. 8: Olvad a ho

Mária Basilides, contralto
Ferenc Székelyhidy, tenor
Béla Bartók, piano

6 – Melodias folclóricas húngaras (arranjo de Jozséf Szigeti para violino e piano)
7 – Danças folclóricas romenas para piano, Sz. 56, BB 68 (arranjo de Zoltán Székely para violino e piano)

Rapsódia no. 1 para violino e piano, BB 94a, Sz. 86
8 – Lassú
9 – Friss

József Szigeti, violino
Béla Bartók, piano

Contrastes, para violino, clarinete e piano, BB 116, Sz. 111
10 – I. Verbunkos
11 – II. Piheno
12 – III. Sebes

József Szigeti, violino
Benny Goodman, clarinete
Béla Bartók,
piano

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De Mikrokosmos, para piano, BB 105
1 – Vol. 5: No. 124. Staccato – Vol. 6: No. 146. Ostinato
2 – Vol. 4: No. 113. Ritmo búlgaro – Vol. 5: No. 129. Terças alternadas – Vol. 5: No. 131. Quartas – Vol. 5: No. 128. Dança campesina
3 – Vol. 4: No. 120. Acordes de quinta – Vol. 4: No. 109. Da ilha de Bali – Vol. 5: No. 138: Gaita de foles
4 – Vol. 4: No. 100. No estilo duma canção folclórica – Vol. 6: No. 142. Do diário duma mosca – Vol. 6: No. 140. Variações livres
5 – Vol. 5: No. 133. Síncopes – Vol. 6: Seis danças em ritmo búlgaro: No. 149 – No. 148
6 – Vol. 4: No. 108. Luta – Vol. 6: Seis danças em ritmo búlgaro: Nos. 150-151
7 – Vol. 3: No. 94. Era uma vez… – Vol. 6: Seis danças em ritmo búlgaro: Nos. 152 – 153
8 – Vol. 5: No. 126. Mudança de tempo – Vol. 4: No. 116. Melodia –  Vol. 5: No. 130. Piada de aldeia – Vol 5: No. 139. András, o contente
9 – Vol. 6: No. 143. Arpejos divididos – No. 147. Marcha
10 – No. 144. Segundas menores, sétimas maiores
11 – No. 97. Notturno – No. 118. Tríades – No. 141. Tema – No. 136. Tons inteiros – No. 125. Navegando – No. 114. Tema e inversão

Béla Bartók, piano

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Sonata para dois pianos e percussão, BB 115, Sz. 110
1 – I. Assai lento – Allegro molto
2 – II. Lento, ma non troppo
3 – III. Allegro non troppo

Béla Bartók e Ditta Bartók-Pásztory, pianos
Henry Baker e Edward Rubsam, percussão

4 – Petite Suite, BB 113
5 – Das Quatorze bagatelas, Op. 6, Op. 6, BB 50 – No. 2: Allegro giocoso – Dos Três rondós sobre melodias folclóricas eslovacas – No. 1:. Andante
6 – Das Improvisações sobre canções camponesas húngaras, Op. 20, Sz. 74: Nos. 1, 2, 6, 7 & 8
7 – Das Nove pequenas peças para piano, BB 90 – No. 9: Preludio: All’ungherese
8 – Melodias folclóricas húngaras, BB 80b

Béla Bartók, piano

9 – Das Sete peças do ‘Mikrokosmos’ para dois pianos, BB 120 – Nos. 2, 5 &  6

Béla Bartók e Ditta Bartók-Pásztory, pianos

10 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – “Noite na Transilvânia” – “Dança do Urso”

De Para crianças, BB 53:
11 – Vol. 1: No. 3. Quasi adagio – No. 4. Dança da almofada – No. 6. Estudo para a mão esquerda – No. 10. Dança infantil – No. 12. Allegro
12 – Vol. 1: No. 13. Ballade – No. 15. Allegro moderato – No. 18. Canção do soldado – No. 19. Allegretto – No. 21. Allegro robusto
14 –  Vol. 2: No. 26. Moderato – No. 34. Allegretto – No. 35. Con moto – No. 31. Andante tranquillo – No. 30. Canção de zombaria

Béla Bartók, piano

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II. BARTÓK HANGARCHIVUM
Bartók hangja és zongorajátéka
1912-1944
(“Arquivo de gravações de Bartók – Bartók fala e toca piano”)

Fonográf-, Gépzongora- És Rádiófelvételek
(“gravações de fonógrafo, piano de rolo e rádio”)

Béla BARTÓK

1 – De Para Crianças, BB 53 – Vol. 3: No. 62. Molto allegro – Dos Sete esboços, Op. 9b, BB 54 – No. 3. Lento (excerto)
2 – Das Dez peças fáceis, BB 51 – No. 10: Medvetanc – Dos Sete esboços, Op. 9b, BB 54 – No. 6. No estilo da Valáquia
3 – Das Quatorze bagatelas, Op. 6, BB 50 – No. 10. Allegro
4 – Das Quatorze bagatelas, Op. 6, BB 50 – No. 7. Allegretto molto – De Para crianças, BB 53 – Vol. 1, No. 10. Allegro molto
5 – Das Danças folclóricas romenas, BB 68 – No. 1: Joc cu bata (excerto)
6 – Das Danças folclóricas romenas, BB 68 – No. 3: Pe loc – No. 4: Buciumeana – No. 5: Poarga romaneasca – No. 6: Maruntel
7 – Das Duas danças romenas, Op. 8a, BB 56 – No. 1:. Allegro vivace
8 – Das Improvisações sobre canções camponesas húngaras, Op. 20, Sz. 74 – No. 1: Allegro vivace 9 – Allegro barbaro, BB 63
10 – Das Dez peças fáceis, Sz. 39, BB 51 – No. 5. Este a szekelyeknel (excerto)
11 – Das Dez peças fáceis, Sz. 39, BB 51 – No. 10: Medvetanc
12 –  Das Duas danças romenas, Op. 8a, BB 56 – No. 1:. Allegro vivace (excerto)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Da Partita no. 5 em Sol maior, BWV 829:
13 – No. 1: Praeambulum
14 – No. 6: Passepied – No. 7: Gigue (excerto)

Zoltán KODÁLY
Das Sete peças para piano, Op. 11:
15 – No. 2: Székely keserves – No. 4: Sirfelirat
16 – No. 6: Székely nota

Johann Sebastian BACH
Do Concerto para teclado em Lá maior, BWV 1055:
17 – I. Allegro (excerto)

Béla Bartók, piano
Budapesti Filharmóniai Társaság Zenekara (Orquestra Filarmônica de Budapeste)
Ernő Dohnányi, regência

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
18 – Rondó em Lá maior para piano, K. 386 (excerto)

Ferenc LISZT
19 – Variações sobre o tema “Weinen, klagen, sorgen, zagen”, S180/R24 (excertos)

Béla Bartók, piano

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Babitsné/Makai Anyag (“coleções Babitsné/Makai”)

Béla BARTÓK
Concerto para piano e orquestra no. 2, BB 101

1 – I. Allegro – II. Adagio – III. Allegro molto (excertos)

Béla Bartók, piano
Budapesti Szimfonikus Zenekara (Orquestra Sinfônica de Budapeste)
Ernest Ansermet, regência

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
2 – Seis variações sobre um tema original em Fá maior, Op. 34 (excerto)

Johannes BRAHMS (1833-1897)
3 – Das Klavierstücke, Op. 76 –  No. 2: Capriccio in Si menor

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
4 – Dos Dois noturnos, Op. 27 – No. 1 em Dó sustenido menor

Béla BARTÓK
De Mikrokosmos, BB 105:
5 – Vol. 5: No. 138. Gaita de foles
6 – Vol. 4: No. 109. Da ilha de Bali (excerto)
7 – Vol. 6: No. 148. Seis danças em ritmo búlgaro: No. 1 (excerto)

Béla Bartók, piano

Wolfgang Amadeus MOZART
Sonata para dois pianos em Ré maior, K. 448

8 – I. Allegro con spirito (excerto)
9 – II. Andante (excerto)
10 – III. Allegro molto (excerto)

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
En blanc et noir, para dois pianos, L. 134
11 –  I. Avec emportement (excerto)
12 – II. Lent, Sombre (excertos)
13 – III. Scherzando (excertos)

Béla Bartók e Ditta Pásztory-Bartók, pianos

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Béla BARTÓK
1 – Rapsódia para piano e orquestra, Op. 1, Sz. 27 (excertos)

Béla Bartók, piano
Magyar Királyi Operaház Zenekara (Orquestra da Ópera Real Húngara)
Ernő Dohnányi, regência

Johannes BRAHMS
Sonata para dois pianos em Fá menor, Op. 34bis
2 – I. Allegro non troppo
3 – II. Andante un poco adagio
4 – III. Scherzo: Allegro
5 – IV. Finale: Poco sostenuto – Allegro non troppo

Béla Bartók e Ditta Pásztory-Bartók, pianos

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Béla BARTÓK
1 – Rapsódia no. 1 para violino e piano, Sz. 86, BB 94
2 – Magyar népdalok (Canções folclóricas húngaras), BB 109 (arranjo de Tivadar Országh para violino e piano)

Ede Zathureczky, violino
Béla Bartók, piano

Ferenc LISZT
3 – Concerto pathétique, para dois pianos, S258/R 356

Béla Bartók e Ernő Dohnányi, pianos

Prózai Anyagok (“material falado”)

Béla BARTÓK
Entrevistas, conferências e pronunciamentos:

4 – Texto da “Cantata profana” (em húngaro)
5 – Conferência sobre a expedição à Anatólia (em húngaro)
6 – Entrevista na Radio Bruxelles (em francês)
7 – Entrevista para a série “Ask the Composer” (em inglês)
8 – Gravações familiares (em húngaro)

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Bartók a zongoránál

PQP Bach, por Ammiratore

Vassily

The Diabelli Project – Rudolf Buchbinder #BTHVN250

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Tinha separado essa gravação para publicá-la na série com a obra integral de Beethoven para, no fim, preteri-la. Gosto muito de Buchbinder, que há anos nos vem presenteando com gravações muito boas de Ludwig, de Wolfgang e de Franz Peter, mas sua nova leitura das “Diabelli”, que ocupa o primeiro disco desse álbum duplo, soou-me um tanto insossa: tecnicamente impecável, mas sem o colorido e os contrastes dinâmicos com que os grandes pianistas costumam tratar esse monumento da literatura para teclado.

O segundo disco, muito mais interessante, traz variações modernas sobre a valsa de Diabelli, dedicadas ao próprio pianista, somadas a algumas daquelas da Vaterländische Künstlerverein de que Buchbinder fez uma das primeiras gravações completas. A abordagem conservadora das variações de Beethoven, assim, acaba aumentando a surpresa com as frescas peças que abrem o segundo disco e trazem ao primeiro uma perspectiva diferente. Se isso foi ou não intencional, eu não lhes saberia dizer, mas recomendo a experiência, nem que seja só pelas obras modernas, e pela homenagem que o pianista faz ao compositor e à obra que mais marcaram sua vida.

Em suas próprias palavras,

Nenhum compositor esteve ao meu lado com tanta intensidade quanto Ludwig van Beethoven, e nenhuma de suas obras se tornou um leitmotiv de minha vida como suas Variações Diabelli. Sessenta anos atrás, meu professor de piano Bruno Seidlhofer deu sua partitura a mim, seu aluno mais jovem na Academia de Música de Viena, a quem gostava de chamar de “Burli” (“rapazinho”). ‘Ao meu querido Rudolf Buchbinder, os melhores votos para o futuro’, escreveu ele com uma caneta esferográfica na primeira página. A ‘última valsa’ de Beethoven está comigo desde então.

Foi também Seidlhofer quem me deixou tocar as primeiras 25 de um total de 50 variações da chamada “Vaterländischer Künstlerverein” em um concerto de estudantes – variações feitas por contemporâneos de Beethoven que também haviam se baseado no tema da valsa de Diabelli. Entre eles estavam Carl Czerny,  aluno de Beethoven, e seu aluno de 11 anos, Franz Liszt; o professor de Czerny, Johann Nepomuk Hummel; o filho de Mozart, Franz Xaver Wolfgang Mozart; e Franz Schubert, cuja variação em Dó menor deve ter parecido sobrenatural até para os ouvintes daquela época.

Quando, em 1973, fui aos estúdios Teldec de Berlim para gravar as Variações Diabelli de Beethoven pela primeira vez, foi-me natural registrar também as variações de seus contemporâneos. Afinal, suas peças eram um passeio musical pela Viena de Beethoven. Quando retomei o ciclo, apenas três anos depois, alguns colegas já me haviam apelidado de “Monsieur Diabelli”. Em 2007, eu, com muito gosto, contribuí com um concerto beneficente para ajudar a Beethovenhaus em Bonn a adquirir o manuscrito autógrafo desta peça, um documento que nos permite um vislumbre do meticuloso processo de trabalho de Beethoven: de ataques de raiva ilegíveis a correções cuidadosas. Tinta preta, verde e vermelha e lápis – música que Beethoven rabiscou parcialmente no papel.

E, de fato, até hoje, as Variações Diabelli continuam sendo uma das minhas peças mais executadas. Meu tio, que desde cedo reconheceu e cultivou meu talento musical, anotou minhas apresentações em uma pasta preta, um hábito que continuei, por curiosidade, após sua morte. É por isso que sei que executei o ciclo das Diabelli em público exatamente 99 vezes antes do aniversário de Beethoven em 2020. “Diabelli 2020” é, portanto, também um jubileu privado para mim e para minha relação com Beethoven.

Era, assim, natural que eu quisesse retomar o ciclo de variações no ano do jubileu, bem como minhas variações favoritas dos outros 50 compositores. Eles formam o contraste camerístico com minhas gravações dos concertos de piano de aniversário com Andris Nelsons e a Orquestra Gewandhaus, Mariss Jansons e a Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks, Valery Gergiev e a Filarmônica de Munique, Christian Thielemann e a Staatskapelle Dresden e com Riccardo Muti e a Filarmônica de Viena.

Anton Diabelli não era apenas um editor, mas também um empresário muito astuto. O volume com as 50 variações impressas de sua valsa era algo como as paradas de sucesso de seu tempo, obras de superestrelas musicais que podiam ser tocadas nos salões. Uma estratégia de marketing engenhosa, que Beethoven, entretanto, evitou. Isso se deveu, por um lado, ao grande número de suas 33 variações, que ultrapassaram todos os limites, e, por outro, à sua (naquela época) pura impossibilidade de serem tocadas! Somente 30 anos após sua publicação é que o Op. 120 foi executado pela primeira vez pelo pianista e maestro Hans von Bülow e, mesmo depois disso, as Variações Diabelli, que Bülow chamou de “microcosmo do gênio de Beethoven”, continuaram a serem vistas como dificuldades.

Para mim, as Variações Diabelli são talvez a obra mais emocionante de Beethoven. Eles são música sobre música. Beethoven foi evidentemente inspirado pelas “Variações Goldberg” de Bach, mas também cita outros “deuses”, como Haydn ou Mozart, a quem dedica a 22ª variação com o tema do “Don Giovanni”. No final, Beethoven volta a si mesmo, citando sua última sonata, Op.111, na 33ª variação, e revelando sua genialidade ao desmontar uma simples valsa em suas partes estruturais para remontá-las em toda a sua complexidade à sua própria imagem. Você também poderia dizer: Beethoven come a valsa de Diabelli e a digere ante nossos ouvidos.

Isso por si só já seria notável; o que é, em última análise, um golpe de gênio é que Beethoven não conduz esse processo só pelo processo em si, mas usa as etapas das variações individuais para levantar um compêndio de questões humanas fundamentais e, com base nas variações, explorar a diversidade da natureza humana. Beethoven coloca cada elemento da valsa de Diabelli contra a luz da história da Música e conscientemente o atribui ao ideal de seu presente. Para mim, a 33ª variação entra em um estado em que minhas associações sobre Beethoven, sobre tocar piano e sobre as Variações Diabelli também evanescem em outras esferas.

Ficou claro para mim: meu projeto “Diabelli 2020” iria transpor uma lacuna do tempo, e uma nova gravação do ciclo Diabelli só faria sentido se pedisse a compositores contemporâneos que contribuíssem com uma variação sobre a valsa. Claro, hoje não pensamos mais regionalmente ou nacionalmente como Diabelli, mas sabemos que, em 2020, Beethoven já chegou ao nosso mundo global.

Estou orgulhoso da gama de compositores envolvidos neste projeto: da maravilhosa Lera Auerbach a Max Richter. Também estou encantado com a participação de Tan Dun, que eu, como cinéfilo, naturalmente admiro por sua música vencedora do Oscar para o clássico de cinema de Ang Lee “O Tigre e o Dragão”. Toshio Hosokawa, provavelmente o mais importante compositor contemporâneo do Japão, apresentou-me sua partitura após um concerto em seu país: caracteres japoneses escritos a lápis na página de rosto.

O australiano Brett Dean dedicou sua variação, e essa é uma grande honra para mim, “para RB com admiração” e abre com um con fuoco louco; Toshio Hosokawa batizou sua obra de “Perda”, começa com um Adagio sostenuto e então – como é sua marca registrada – passeia pelas paisagens sonoras de Diabelli com serenidade japonesa. Não importa o quão casualmente o compositor austríaco Johannes Maria Staud intitulou sua variação “A propos … de Diabelli” e pediu ao intérprete para tocar “suavemente e obstinadamente”: ele certamente me desafiou com sua notação extremamente criativa. Já para o maestro e compositor alemão Christian Jost, a valsa de Diabelli é uma inspiração para uma performance alegre, como pode ser visto no título “Rock it, Rudi!“, que realmente me inspirou enquanto a estudava. Brad Lubman também traça um arco através da história da música em sua “Variação para RB“, assim como o compositor francês Philippe Manoury, que programaticamente chama sua peça de “Dois Séculos Depois” e prepara o palco para o metrônomo (uma ferramenta que se tornou popular no tempo de Beethoven). Ele prescreve pelo menos 12 indicações  metronômicas diferentes. O compositor russo Rodion Shchedrin começa sua variação quase improvisato, e o compositor e clarinetista Jörg Widmann explora traços característicos de Beethoven em sua variação detalhada e com várias partes – fiquei particularmente encantado quando encontrei o subtítulo “Boogie Woogie“, porque é música que também gosto de associar a Beethoven.

Muitas vezes me perguntam o que se passa em minha mente enquanto toco uma obra como as Variações Diabelli. Minha resposta é simples: não muito! O processo de pensar e se envolver com Beethoven deve ser concluído muito antes de a primeira nota ser tocada. Durante um concerto, Beethoven convida o pianista a se deixar levar. Não quero dizer nadar sem rumo nas ondas de som. Deixar-se flutuar com Beethoven exige saber onde se está o tempo todo, conhecer a navegação musical, o céu estrelado, os ventos e os pontos cardeais do cosmos de Beethoven.

Qualquer pessoa que tenha estudado a música para piano de Beethoven intensamente sabe que Beethoven conhecia-nos, pianistas, assustadoramente bem, e nossas fraquezas e impaciência quando se trata de obter efeitos baratos, tomar o tempo em nossas próprias mãos ou impressionar o público com um design dinâmico idiossincrático. Vamos considerar a 10ª variação: ela começa com as palavras sempre staccato, ma leggiermente. Então, Beethoven quer ouvir um staccato leve. Com a indicação dinâmica pp, ou seja, pianíssimo, ele descreve o nada de que se origina essa variação. Apenas oito compassos depois, ele já parece não confiar mais em nós. Só assim se pode explicar porque levanta o dedo e volta a escrever na partitura: sempre staccato e pianissimo. Como Beethoven não forneceu nenhuma nova marcação dinâmica até este ponto, não deveria ser preciso dizer que ainda estamos em pianíssimo no oitavo compasso. Mas Beethoven suspeita que a velocidade da variação, associada ao staccato, pode nos seduzir a tocar mais alto. Ele poderia ter escrito: ‘Caro pianista, mesmo que você queira tocar mais alto aqui, controle-se e fique em pianíssimo um pouco mais!’

Tudo isso só é revelado quando você compara as edições individuais, porque absurdamente, algumas editoras eliminaram essas duplicações da impressão como erros. É importante se manter próximo ao texto original de Beethoven. Porque quanto mais alguém está preparado para curvar sua própria vontade ante a vontade do compositor, mais certo é que atingirá o tom que Beethoven pretendia. Para encurtar a história: é tarde demais para começar a pensar antes de tocar a primeira nota das Variações Diabelli. No momento do concerto, o que importa é confiar em Beethoven e deixar-se levar pela enorme criatividade de suas variações”


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trinta e três variações em Dó maior para piano sobre uma valsa de Anton Diabelli, Op. 120
Compostas entre 1819–23
Publicadas em 1823
Dedicadas a Antonie Brentano

1 – Thema: Vivace
2 – Variation 1: Alla marcia maestoso
3 – Variation 2: Poco allegro
4 – Variation 3: L’istesso tempo
5 – Variation 4: Un poco più vivace
6 – Variation 5: Allegro vivace
7 – Variation 6: Allegro ma non troppo e serioso
8 – Variation 7: Un poco più allegro
9 – Variation 8: Poco vivace
10 – Variation 9: Allegro pesante e risoluto
11 – Variation 10: Presto
12 – Variation 11: Allegretto
13 – Variation 12: Un poco più moto
14 – Variation 13: Vivace
15 – Variation 14: Grave e maestoso
16 – Variation 15: Presto scherzando
17 – Variation 16: Allegro
18 – Variation 17: Allegro
19 – Variation 18: Poco moderato
20 – Variation 19: Presto
21 – Variation 20: Andante
22 – Variation 21: Allegro con brio – Meno allegro – Tempo primo
23 – Variation 22: Allegro molto, alla « Notte e giorno faticar » di Mozart
24 – Variation 23: Allegro assai
25 – Variation 24: Fughetta (Andante)
26 – Variation 25: Allegro
27 – Variation 26: (Piacevole)
28 – Variation 27: Vivace
29 – Variation 28: Allegro
30 – Variation 29: Adagio ma non troppo
31 – Variation 30: Andante, sempre cantabile
32 – Variation 31: Largo, molto espressivo
33 – Variation 32: Fuga: Allegro
34 – Variation 33: Tempo di Menuetto moderato

Lera AUERBACH (1973)
35 – Diabellical Waltz

Brett DEAN (1961)
36 – Variation For Rudi

Toshio HOSOKAWA (1955)
37 – Verlust

Christian JOST (1963)
38 – Rock It, Rudi!

Brad LUBMAN

39 – Variation For RB

Philippe MANOURY (1952)

40 – Zwei Jahrhunderte Später…

Max RICHTER (1966)
41 – Diabelli

Rodion Konstantinovich SHCHEDRIN (1932)

42 – Variation On A Theme Of Diabelli

Johannes Maria STAUD (1974)

43 – À propos de… Diabelli

Tan DUN (1957)

44 – Blue Orchid

Jörg WIDMANN (1973)

45 – Diabelli-Variation

Da parte II da  Vaterländischer Künstlerverein (“Associação Patriótica de Artistas”)

Johann Nepomuk HUMMEL (1778–1837)
46 – Variação XVI [Sem indicação de andamento]

Friedrich KALKBRENNER (1785–1849)
47 – Variação XVIII: Allegro non troppo

Conradin KREUTZER (1780–1849)
48  – Variação XXI: Vivace

Franz LISZT (1811–1886)
49 – Variação XXIV: Allegro

Ignaz MOSCHELES (1794–1870)
50 – Variação XXVI [Sem indicação de andamento]

Franz Xaver Wolfgang MOZART (1791–1844), listado como “Wolfgang Amadeus Mozart Filho”
51 – Variação XXVIIIa: Con fuoco

Franz Peter SCHUBERT (1797–1828)
52 – Variação XXXVIII [Sem indicação de andamento] (D. 718)

Carl CZERNY
53 – Coda

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Rudolf Buchbinder, piano

Vassily

BTHVN250 – Anton Diabelli (1781-1858) et al. – Vaterländischer Künstlerverein – Buchbinder

Certa vez, há muitos anos, o irmão de um amigo estava num bar com um pequeno palco e um violão à disposição daqueles que quisessem fazer um pouco de música. Ele, um bom violonista, animou-se e lá foi tocar algumas coisinhas. Recebeu aplausos sinceros e, enquanto voltava ao seu lugar, viu o dono do estabelecimento afobar-se rumo ao microfone:

– Gurizada, acabo de saber que está aqui conosco uma das maiores revelações da Música brasileira, e queria chamá-lo agora ao palco.

Era Yamandu Costa, que atendeu ao chamado e, claro, logo começou a derramar maravilhas do violão. Enquanto isso, o irmão de meu amigo, sentindo-se um procarionte, saía de fininho e, até onde sei, nunca mais tocou em público.

ooOoo

Sentimento semelhante deve ter tomado conta de cinquenta entre os cinquenta e um colaboradores do projeto Vaterländischer Künstlerverein, quando o colaborador restante, um alemão de nome Beethoven, enviou ao editor Diabelli não somente a variação que este pedira sobre uma sua valsinha, mas trinta e três transfigurações dela que, juntas, formam a maior obra em variações da história da Música.


Ei-las

Ninguém tem certeza sobre os motivos que levaram Diabelli, um pianista e violonista amador cuja notoriedade resumia-se à composição de numerosas bagatelas pedagógicas, a organizar o projeto. Como sócio duma editora, pode-se sempre supor que o motivo fosse caçar bufunfa. Corre a lenda, no entanto, de que ele, horrorizado com a penúria dos órfãos e feridos de guerra em Viena, resolveu convocar a Associação Patriótica de Artistas (uma das traduções possíveis para Vaterländischer Künstlerverein) para aliviar o sofrimento daqueles miseráveis, através duma composição beneficente. O fato é que esse alívio, se de fato houve, demorou a chegar, pois, entre a composição da primeira variação (por Czerny, em 1819) e a da última (por Wittasek, em 1824), cinco anos se passaram. Nesse meio-tempo, Beethoven –  obviamente obcecado pelo tema de Diabelli – pariu trinta e três variações, escritas entre os exigentes trabalhos da Missa Solemnis e das três últimas sonatas para piano, e as publicou antes de todas as demais, em 1823, como o primeiro volume da Vaterländischer Künstlerverein. As cinquenta contribuições restantes só iriam à prensa no ano seguinte, formando seu segundo e obscuro volume.

Ninguém sabe, tampouco, a quantos compositores Diabelli enviou seu convite e a cópia da hoje célebre valsinha. O que houve, e disso já sabemos, foram cinquenta e uma respostas. Afora o renano aberrante com suas trinta e três geniais variações, houve dois outros compositores que se deram ao trabalho de escrever mais de uma variação. Gottfried Rieger e Franz Xaver Wolfgang Mozart (filho de Amadeus e por isso chamado, na primeira edição, de “Wolfgang Amadeus Mozart Filho”) contribuíram cada qual com um par, do qual Diabelli escolheu apenas uma (as outras, que acabaram descartadas, estão inclusas na gravação que ouvirão).

Entre os outros quarenta e oito, há um gênio: o então pouco conhecido Franz Schubert, cuja singela variação praticamente grita sua autoria e soa como um dos seus “moments musicaux”. Há também músicos que fizeram o movimento oposto e desceram do alto do panteão musical para um relativo esquecimento, como o mui competente Johann Nepomuk Hummel, cujo  maior defeito e tremendo azar foi ser contemporâneo de Ludwig. Entre as muitas celebridades pianísticas da época que legaram suas variações, duas eram muito próximas a Beethoven: Carl Czerny, seu aluno de piano e fundador duma linha pedagógica que chegou a nossos tempos, e Ignaz Moscheles, que o auxiliou na organização de Fidelio e lhe foi um amigo extraordinário nos dolorosos anos finais. Outras dessas celebridades hoje mal ocupam notas de rodapé, como Friedrich Kalkbrenner, o mais famoso pianista de Paris quando da chegada de Chopin àquela cidade e dedicatário do primeiro concerto para piano do polonês (Op. 11), e de J. P. Pixis, um artista famoso pelo nariz descomunal e que também recebeu uma dedicatória de Chopin – aquela da Fantasia sobre Temas Poloneses (Op. 13). Escondidos sob a forma alemã de seus sobrenomes – Tomaschek e Worzischek – estão dois bons compositores boêmios, Václav Tomášek e Jan Voříšek. Também encontramos no rol alguns cidadãos de oblíqua fama, como Michael Umlauf, o regente de fato da première da Nona Sinfonia de Beethoven (pois o regente oficial era Beethoven, que nada mais escutava e menos ainda regia), e Anselm Hüttenbrenner, amigo de Schubert e fiel depositário dos manuscritos da Sinfonia Inacabada. Encontramos alguns falsos cognatos – um Czerny que nada tem a ver com o Czerny famoso, autor daquelas centenas de estudos que são o terror dos estudantes de piano, e um Kreutzer sem relações com aquele que esnobou a sonata que imortalizou seu nome. No mais, somente nomes dos quais nada mais sabemos, nem por notas de rodapé, com duas exceções.

A primeira exceção é a sigla S. R. D., que para os íntimos significa Serenissimus Rudolphus Dux e designa o arquiduque Rudolph da Áustria, grande amigo e generoso patrono de Beethoven, de quem foi o único aluno de composição. Rudolph, que se preparava para assumir a arquidiocese de Olmütz (atual Olomouc, Tchéquia), estava um tanto afastado da Música e deve ter, por isso, preferido a discrição.

A segunda é um “menino de onze anos, nascido na Hungria”, de nome…


O então desconhecido moleque de Raiding tinha oito anos quando Czerny, seu influente professor, escreveu sua variação, e treze quando sua própria variação foi publicada. Liszt ainda não sonhava com a fama e a histeria em que surfaria por toda a Europa nas décadas seguintes, e certamente ingressou no rol de Diabelli por  influência de Czerny. Curiosamente, Liszt, Czerny e o supracitado Pixis juntar-se-iam futuramente a Chopin, Thalberg e Herz na publicação duma outra obra colaborativa: o Hexameron (1837), composto por variações sobre uma marcha de Bellini e organizado por Liszt.

Convites enviados, variações recebidas, restava organizá-las para publicação. E qual o critério escolhido para fazê-lo? O mais mocorongo possível: a ordem alfabética.


Francamente, Herr Diabelli!

Para não ficar tão feio, Diabelli pediu a Czerny, seu primeiro colaborador no projeto, que compusesse uma coda que arrematasse a colcha de retalhos. Apesar de seu cuidado, o mexidão pianístico não deu tão certo e, mesmo que lhe concedamos a cortesia de não escutarmos as “Diabelli” de Beethoven primeiro, o segundo volume da Vaterländische Künstlerverein é dureza de ouvir. A posteridade foi rápida no veredito e concedeu-lhe, por fim, a mais definitiva das cortesias: o completo esquecimento.

Não fosse a abnegação de gente como Rudolf Buchbinder a tirar-lhes o bolor, soprar-lhes a poeira e volta e meia tocá-las (Buchbinder significa “encadernador”, e talvez isso explique sua predileção por papel roído por cupins), vocês só saberiam dessas cinquenta outras variações através de poentos volumes e debaixo de violentos acessos de rinite. Por isso, agradeçam a Buchbinder e ao PQP Bach pelo duvidoso privilégio, sem esquecer daquele valeuzinho para mim, que tanto trabalho tive digitando nomes obscuros para identificar as faixas e as categorias na lista de compositores publicados aqui no blog – o qual, certamente, nunca ganhou tantas figurinhas novas num só dia.

De nada.

Anton DIABELLI (1781–1858) [organizador]

Vaterländischer Künstlerverein – Veränderungen für das Piano-Forte über ein vorgelegtes Thema componiert von den vorzüglichsten Tonzetzern und Virtuosen Wiens und der kaiserlichen-königlichen österreichischen Staaten (“Associação Patriótica de Artistas – Variações sobre um tema proposto, compostas pelos mais renomados compositores e virtuosos de Viena e dos estados imperiais e reais da Áustria”)

PARTE I

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trinta e três variações em Dó maior para piano sobre uma valsa de Anton Diabelli, Op. 120
Compostas entre 1819–23
Publicadas em 1823
Dedicadas a Antonie Brentano

1 – Thema: Vivace
2 – Variation 1: Alla marcia maestoso
3 – Variation 2: Poco allegro
4 – Variation 3: L’istesso tempo
5 – Variation 4: Un poco più vivace
6 – Variation 5: Allegro vivace
7 – Variation 6: Allegro ma non troppo e serioso
8 – Variation 7: Un poco più allegro
9 – Variation 8: Poco vivace
10 – Variation 9: Allegro pesante e risoluto
11 – Variation 10: Presto
12 – Variation 11: Allegretto
13 – Variation 12: Un poco più moto
14 – Variation 13: Vivace
15 – Variation 14: Grave e maestoso
16 – Variation 15: Presto scherzando
17 – Variation 16: Allegro
18 – Variation 17: Allegro
19 – Variation 18: Poco moderato
20 – Variation 19: Presto
21 – Variation 20: Andante
22 – Variation 21: Allegro con brio – Meno allegro – Tempo primo
23 – Variation 22: Allegro molto, alla « Notte e giorno faticar » di Mozart
24 – Variation 23: Allegro assai
25 – Variation 24: Fughetta (Andante)
26 – Variation 25: Allegro
27 – Variation 26: (Piacevole)
28 – Variation 27: Vivace
29 – Variation 28: Allegro
30 – Variation 29: Adagio ma non troppo
31 – Variation 30: Andante, sempre cantabile
32 – Variation 31: Largo, molto espressivo
33 – Variation 32: Fuga: Allegro
34 – Variation 33: Tempo di Menuetto moderato

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PARTE II

Anton DIABELLI
1 – Thema: Vivace

Ignaz ASSMAYER (1790–1862)
2 – Variação I: Moderato

Carl Maria von BOCKLET (1801–1881)
3 – Variação II: Vivace

Leopold Eustachius CZAPEK (1792–1840)
4 – Variação III: Vivace molto legato

Carl CZERNY (1791–1857)
5 – Variação IV [Sem indicação de andamento]

Joseph CZERNY (1785–1842)
6 – Variação V[Sem indicação de andamento]

Moritz Joseph Johann, Príncipe de DIETRICHSTEIN (1775–1864)
7 –  Variação VI: Tempo vivo del Thema

Joseph DRECHSLER (1782–1852)
8 – Variação VII: Quasi overture: Adagio – Allegro

Emanuel Aloys FÖRSTER (1748–1823
9 – Variação VIII: Capriccio: Allegro

Franz Jakob FREYSTÄDTLER (1761–1841)
10 – Variação IX [Sem indicação de andamento]

Johann Baptist GÄNSBACHER (1778–1844)
11 – Variação X [Sem indicação de andamento]

Joseph GELINEK (1758–1825)
12 – Variação XI: Presto

Anton HALM (1789–1872)
13 – Variação XII: Dolce

Joachim HOFFMANN (1788–1856)
14 – Variação XIII: Fugato: Vivo

Johann HORZALKA (1798–1860)
15 – Variação XIV: Adagio

Joseph HUGLMANN (1768–1839)
16 – Variação XV: Allegro

Johann Nepomuk HUMMEL (1778–1837)
17 – Variação XVI [Sem indicação de andamento]

Anselm HÜTTENBRENNER (1794–1868)
18 – Variação XVII: Allegro

Friedrich KALKBRENNER (1785–1849)
19 – Variação XVIII: Allegro non troppo

Friedrich August KANNE (1778–1833)
20 – Variação XIX [Sem indicação de andamento]

Joseph KERZKOWSKY (1791?)
21 – Variação XX: Moderato con espressione

Conradin KREUTZER (1780–1849)
22  – Variação XXI: Vivace

Eduard, Barão de LANNOY (1787–1853)
23 – Variação XXII [Sem indicação de andamento]

Maximilian Joseph LEIDESDORF (1787–1840)
24 – Variação XXIII: Vivace

Franz LISZT (1811–1886)
25 – Variação XXIV: Allegro

Joseph MAYSEDER (1789–1863)
26 – Variação XXV: Allegro

Ignaz MOSCHELES (1794–1870)
27 – Variação XXVI [Sem indicação de andamento]

Ignaz Franz Edler von MOSEL (1772–1844)
28 – Variação XXVII [Sem indicação de andamento]

Franz Xaver Wolfgang MOZART (1791–1844), listado como “Wolfgang Amadeus Mozart Filho”
29 – Variação XXVIIIa: Con fuoco
30 – Variação XXVIIIb [Sem indicação de andamento]

Joseph PANNY (1796–1838)
31 – Variação XXIX: Allegro con brio

Hieronymus PAYER (1787–1845)
32 – Variação XXX [Sem indicação de andamento]

Johann Peter PIXIS (1788–1874)
33 – Variação XXXI [Sem indicação de andamento]

Wenzel PLACHY (1785–1858)
34 – Variação XXXII: Con fuoco

Gottfried RIEGER (1764–1855)
35 – Variação XXXIIIa: Allegro ma no troppo
36 – Variação XXXIIIb: [Sem indicação de andamento]

Philipp Jakob RIOTTE (1776–1856)
37 – Variação XXXIV: Allegro

Franz de Paula ROSER (1779–1830)
38 – Variação XXXV [Sem indicação de andamento]

Johann Baptist SCHENK (1753–1836)
39 – Variação XXXVI: Caprice: Moderato

Franz SCHOBERLECHNER (1797–1843)
40 – Variação XXXVII [Sem indicação de andamento]

Franz Peter SCHUBERT (1797–1828)
41 – Variação XXXVIII [Sem indicação de andamento] (D. 718)

Simon SECHTER (1788–1867)
42 -Variação XXXIX: Imitatio quasi Canon a 3 voci

“S.R.D.” (Serenissimus Rudolfus Dux, Arquiduque RUDOLPH da Áustria) (1788–1831)
43 – Variação XL: Fuga: Allegro

Maximilian STADLER (1748–1833)
44 – Variação XLI [Sem indicação de andamento]

Joseph von SZALAY (1800–1860)
45 – Variação XLII [Sem indicação de andamento]

Wenzel Johann Tomaschek (Václav Jan TOMÁŠEK) (1774–1850)
46 – Variação XLIII: Polonaise: Tempo giusto

Michael UMLAUF (1781–1842)
47 – Variação XLIV: Presto

Friedrich Dionysius Weber (Bedřich Diviš WEBER) (1766–1842)
48 – Variação XLV: Con fuoco

Franz WEBER (1805–1876)
47 – Variação XLVI: Brillante

Carl Angelus von WINKHLER (1796–1845)
48 – Variação XLVII: Allegro con fuoco

Franz WEISS (1778–1830)
49 – Variação XLVIII [Sem indicação de andamento]

Johann Nepomuk August Wittasek (Jan Nepomuk August VITÁSEK) (1770–1839)
50 – Variação XLIX: Un poco moderato

Johann Hugo Worzischek (Jan Václav VOŘÍŠEK) (1791–1825)
51 – Variação L [Sem indicação de andamento]

Carl CZERNY
52 – Coda

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Rudolf Buchbinder, piano

BTHVN250, por René Denon

Vassily

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trinta e três variações sobre uma valsa de Anton Diabelli, Op. 120 – Staier

Sou ávido ouvinte da chamada interpretação historicamente informada, a ponto de ter uma discografia historicamente informada paralela à de interpretações, assim digamos, convencionais. A música de Beethoven, que esteve por décadas além dos limites de exploração da turma dos instrumentos originais, foi por ela enfim acolhida, e a produção pianística de Ludwig, tão fundamental ao repertório, não ficou de fora, e o mundo viu surgirem muitas atraentes leituras das sonatas, tocadas em fortepianos por mestres como Paul Badura-Skoda e Ronald Brautigam.

 

Faltavam, no entanto, as Variações Diabelli.

É bem provável que, por sua transcendência e exigências ao instrumento e ao executante, elas tenham ficado fora da alçada das aventuras dos primeiros fortepianistas contemporâneos. Beethoven, que já estava completamente surdo quando compôs as “Diabelli”, nunca as escutou, exceto em sua imaginação. Suas frequentes  reclamações quanto às limitações dos pianos de sua época, no entanto, permitem-nos supor que ele desejasse para as “Diabelli” um instrumento mais potente, com timbre mais uniforme entre os registros, e vasta gama dinâmica – um instrumento, enfim, como os modernos pianos de concerto.

Entra em cena Andreas Staier, um fortepianista com toque de Midas, disposto a recriar as “Diabelli” dum modo que ninguém antes as ouvira: numa cópia dum instrumento de Conrad Graf, semelhante ao que o compositor mantinha em seu caótico apartamento, e baseado no manuscrito autógrafo que, depois de cento e oitenta anos flanando entre coleções privadas, foi enfim adquirido pela Beethovenhaus em Bonn.

Tão logo anunciaram esse projeto de Staier, passei a esperar, claro, pelo sublime. Não me frustrei: sua gravação, parida em 2012, nasceu clássica. Mesmo se tivesse sido feita num piano moderno, ela seria excelente, pelo afinco com que Staier abraçou o conceito beethoveniano de sintetizar, com as “Diabelli”, o estado da arte pianístico daqueles 1820’s. À sua exploração aventurosa do teclado soma-se o domínio dos timbres do fortepiano, usados em todos seus recursos – incluindo seus pedais de abafamento e efeitos de registros, como o de fagote (que dá um toque fanhoso às notas) e o dito “registro janízaro”, que tenta emular a percussão das bandas de regimentos otomanos, feito para saciar o apetite europeu por “música turca”, naquela época.

Staier não para por aí: ele adiciona ornamentos e ligeiras variações às repetições; usa as pausas de maneira extremamente expressiva – por vezes irônica, noutras muito dramática – tanto durante as variações quanto entre elas; e, não menos importante, abre a gravação com doze das variações que diversos compositores (entre eles Liszt e Schubert) mandaram a Diabelli, para que sirvam de prelúdio à obra-prima de Beethoven. Para arredondar, presenteia-nos com uma introdução improvisada antes da obra de Beethoven, que é sua própria variação sobre a marota valsinha.

Nas palavras de Staier:

Minha intenção com a introdução foi criar um espaço sonoro que separa os doze ‘prelúdios’, de Czerny a Schubert, do grande ciclo de Beethoven. É uma pausa para respirar no meio do que, de outra forma, seria música rigorosamente composta. Por isso, eu acho que o elemento improvisado é aqui perfeitamente apropriado. Dessa forma, pode-se garantir que a valsa de Diabelli tenha o frescor necessário na segunda vez que for tocada. […] Este manuscrito fascinante nos permite inferir o lado colérico e impaciente de Beethoven, mas não o lado irônico de seu caráter. As anotações mostram suas preocupações e dificuldades durante um processo de composição bastante trabalhoso. O que começou como uma cópia limpo se transforma cada vez mais em um manuscrito funcional. Com a dinâmica da caligrafia e as muitas correções e rasuras, ele fornece toda uma gama de indicadores para as intenções do compositor. É um tesouro para o intérprete”

Nada que eu e Staier lhes contemos será capaz de dar-lhes ideia da delícia que é ouvir este álbum, uma apoteose do fortepiano e, acima de tudo, uma afirmação de suas qualidades ante suas potentes contrapartes modernas. Calo-me, portanto, para que vocês se deleitem.

Bom proveito!

Anton DIABELLI (1781–1858) [organizador]

De Vaterländischer Künstlerverein – Veränderungen über ein vorgelegtes Thema componiert von den vorzüglichsten Tonzetzern und Virtuosen Wiens und der kaiserlichen-königlichrn österreichischen Staaten (“Associação de Artistas Patrióticos – Variações sobre um tema proposto, compostas pelos mais renomados compositores e virtuosos de Viena e dos estados imperiais e reais da Áustria”)

Anton DIABELLI
1 – Thema: Vivace

Carl CZERNY (1791–1857)
2 – Variação IV [Sem indicação de andamento]

Johann Nepomuk HUMMEL (1778–1837)
3 – Variação XVI [Sem indicação de andamento]

Friedrich Wilhelm Michael KALKBRENNER (1785–1849)
4 – Variação XVIII: Allegro non troppo

Joseph KERZKOWSKY (1791?)
5 – Variação XX: Moderato con espressione

Conradin KREUTZER (1780–1849)
6 – Variação XXI: Vivace

Franz LISZT (1811–1886)
7- Variação XXIV: Allegro

Ignaz MOSCHELES (1794–1870)
8- Variação XXVI [Sem indicação de andamento]

Johann Peter PIXIS (1788–1874)
9 – Variação XXXI [Sem indicação de andamento]

Franz Xaver Wolfgang MOZART (1791–1844)
10 – Variação XXVIIIa: Con fuoco

Franz Peter SCHUBERT (1797–1828)
11 – Variação XXXVIII [Sem indicação de andamento]


Andreas STAIER (1955)
12 – Introduktion (improvisação)


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trinta e três variações em Dó maior para piano sobre uma valsa de Anton Diabelli, Op. 120
Compostas entre 1819–23
Publicadas em 1823
Dedicadas a Antonie Brentano

13 – Thema: Vivace
14 – Variation 1: Alla marcia maestoso
15 – Variation 2: Poco allegro
16 – Variation 3: L’istesso tempo
17 – Variation 4: Un poco più vivace
18 – Variation 5: Allegro vivace
19- Variation 6: Allegro ma non troppo e serioso
20 – Variation 7: Un poco più allegro
21 – Variation 8: Poco vivace
22 – Variation 9: Allegro pesante e risoluto
23 – Variation 10: Presto
24 – Variation 11: Allegretto
25 – Variation 12: Un poco più moto
26 – Variation 13: Vivace
27 – Variation 14: Grave e maestoso
28 – Variation 15: Presto scherzando
29 – Variation 16: Allegro
30 – Variation 17: Allegro
31 – Variation 18: Poco moderato
32 – Variation 19: Presto
33 – Variation 20: Andante
34 – Variation 21: Allegro con brio – Meno allegro – Tempo primo
35 – Variation 22: Allegro molto, alla « Notte e giorno faticar » di Mozart
36 – Variation 23: Allegro assai
37 – Variation 24: Fughetta (Andante)
38 – Variation 25: Allegro
39 – Variation 26: (Piacevole)
40 – Variation 27: Vivace
41 – Variation 28: Allegro
42 – Variation 29: Adagio ma non troppo
43 – Variation 30: Andante, sempre cantabile
44 – Variation 31: Largo, molto espressivo
45 – Variation 32: Fuga: Allegro
46 – Variation 33: Tempo di Menuetto moderato

Andreas Staier, fortepiano (baseado num modelo de Conrad Graf)

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“Conrad Graf – Fabricante de Fortepianos da Corte Imperial e Real – Viena – Próximo à Igreja de São Carlos, na rua Mondschein [“Luar”], no. 102″
Da coleção do Metropolitan Museum of Art, New York City, Estados Unidos (licença Creative Commons CC0 1.0)
BTHVN250, por René Denon

Vassily

Impromptu – Peças para Piano – Shai Wosner

Impromptu – Peças para Piano – Shai Wosner

IMPROMPTU 

Schubert & CIA

SHAI WOSNER

 

 

O álbum desta postagem parte de uma ideia simples – excelente – e é muito bem feito. Achei a capa ótima, com os nomes dos compositores e o do intérprete grafitados sobre uma foto informal, alegre, jovial. Traduz o espírito do disco.

Imagine reunir um grupo de compositores que também foram grandes intérpretes de suas obras e improvisadores em torno de um piano – numa espécie de jam session. Eles se alternam ao teclado, apresentando suas habilidades e seus poderes de improvisação. O tema do disco – Impromptu – é uma forma musical que, apesar de completamente escrita pelo compositor, é o que temos de mais próximo de suas improvisações. Assim como as peças intituladas Fantasias.

Uma maneira divertida de ouvir o disco é fazê-lo sem decorar a lista das peças e ir adivinhando qual é o compositor da vez ou qual deles ‘sentou-se’ ao piano naquele momento.

Agora é a minha vez…

Schubert é assim um pouco o anfitrião, o dono do piano, pois ao longo do recital ouvimos quatro dos seus impromptus. Temos também algumas surpreendentes presenças, mesmo que mais momentâneas, com Liszt, Dvořák, Gershwin e – pasmem – Charles Ives. Adorei ouvir o ensolarado Impromptu em lá bemol maior de Chopin surgindo logo após uma peça de Gershwin. Chopin senta-se três vezes ao piano e o grande Ludovico, apesar de só sentar-se uma vez, fica por lá quase dez minutos. Sua estranha Fantasia é um exemplo escrito de suas muitas e famosas improvisações, que a classifica para a lista do disco.

O pianista israelense Shai Wosner é excelente. Estudou com Andre Hajdu, professor que valorizava a improvisação e a considerava uma forma de busca do entendimento musical.

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em fá menor, D. 935, 1

Charles Ives (1874 – 1954)

  1. Improvisação para piano, No. 3

Antonín Dvořák (1841 – 1904)

  1. Impromptu em ré menor, B 129

George Gershwin (1898 – 1937)

  1. Impromptu in two Keys

Frederik Chopin (1810 – 1849)

  1. Impromptu em lá bemol maior, Op. 29

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em lá bemol maior, D. 935, 2

Frederik Chopin (1810 – 1849)

  1. Impromptu em fá sustenido maior, Op. 36

Franz Liszt (1811 – 1886)

  1. Impromptu S 191 (1872)

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em si bemol maior, D. 935, 3

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

  1. Fantasia em sol menor, Op. 77

Frederik Chopin (1810 – 1849)

  1. Impromptu em sol bemol maior, Op. 51

Charles Ives (1874 – 1954)

  1. Improvisação para piano, No. 1

Frans Schubert (1797 – 1828)

  1. Impromptu em fá menor, D. 935, 4

Shai Wosner, piano

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FLAC | 241 MB

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MP3 | 320 KBPS | 190 MB

Don’t be Shai…

Para uma palhinha, clique aqui!

Aproveite!
René Denon

Classical Music For Dummies – The essentials – vol. 2/50 – Vladimir Horowitz (1903-1989)

“Música Clássica para Leigos” (“Classical Music For Dummies”) é uma série de lançamentos projetados pela Deutsche Grammophon para oferecer aos  leigos recém-chegados uma introdução perfeita ao mundo da música clássica.

A série é composta por 50 CDs de música clássica dedicados a diferentes compositores, maestros, pianistas, violinistas e cantores, a maioria contratados ou ex-contratados pela gravadora.

Vladimir Horowitz – The Essentials

Vladimir Samoylovych Horowitz, Kiev, 1 de outubro de 1903Nova Iorque, 5 de novembro de 1989) foi um pianista russo-americano. É considerado como um dos mais brilhantes pianistas de todos os tempos, devido à sua excepcional técnica aliada às suas performances contagiantes. (1) Destacou-se pelo seu toucher sem igual, pelo controle dinâmico excepcional e pela sua mecânica única. As suas interpretações mais conhecidas e tidas como inigualáveis se referem às obras que variam do barroco Domenico Scarlatti, passando pelos românticos Chopin, Schumann, Liszt e chegando ao moderno Prokofiev. É considerado por muitos o indiscutível mestre em Scriabin e Rachmaninoff.

BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia no. 5 em Dó menor, Op. 67 – Sinfonia no. 6 em Fá maior, Op. 68, “Pastoral” – transcrições para piano de Franz Liszt (1811-1886) – Gould

Acho esta a melhor de todas as notáveis gravações – fosse pela qualidade, fosse pelas idiossincrasias – que Glenn Gould fez das obras de Beethoven. Como é Gould um de meus intérpretes favoritos, e Ludwig me é um amor de vida toda, dizer isso não tem pouco peso para mim. De fato, acho a gravação da transcrição de Liszt para a Quinta uma das melhores coisas que Gould fez na vida – tão boa que ela me soa como uma grande sonata do renano, quase sem que se perceba qualquer toque do magiar.

Gould, claro, detestava Liszt com todas as forças, tanto pelo extremo romantismo e virtuosismo vazio de grande parte de sua obra, quanto principalmente por ele ter sido o epítomo do virtuose-concertista a prestidigitar o teclado e entrar em grandes embates entre solista e orquestra, o que Gould rechaçava como um “esporte sangrento”. Ainda que tivesse as mesmas restrições quanto aos grandes nomes do romantismo pianístico, como Chopin e Schumann, soube abrir-lhes exceções: gravou uma ótima, ainda que sui generis, terceira sonata do polonês e tocou a música de câmara do saxão em vários festivais. Liszt, por sua vez, afora duas peças – uma tocada num recital nos tempos de conservatório, e outra que estudou por imposição de seu professor, o chileno Alberto García Guerrero -, foi solenemente ignorado.

Isso tudo torna ainda mais notória esta gravação, que foi a primeira a ser feita de qualquer das transcrições de Liszt para as sinfonias de Beethoven. Gould, sempre crítico, achava enfadonhas as soluções pianísticas propostas para a transcrição (“se houver um rufar de tímpanos por dez compassos, Liszt vai lá é coloca um tremolo em oitavas no baixo por dez compassos!”). Por outro lado, a maneira reverente com que Liszt trouxe as obras do grande mestre para seu instrumento protegeu-as dos muitos floreios e firulas que espocam de seus demais arranjos, o que, talvez, tenha ajudado Gould a vencer seu ranço com o trabalho do húngaro e até cogitar a gravação do ciclo completo de suas transcrições de Beethoven.

Como já mencionei, a Quinta sob Gould soa eletrizante, cheia de inflexões e detalhes que nunca tinha percebido na versão orquestral. Ele já abandonara os palcos havia três anos, e sua dedicação obsessiva ao estúdio levou-o a superpor gravações para conseguir, em alguns trechos do finale, o efeito que desejava (“Liszt é adepto do ‘não-importa-o-quão-precário-isto-soe-mas-você-tem-que-agradecer-por-estar-ouvindo-a-obra-original-nota-a-nota’, e eu não concordo com essa abordagem”). Recorreu ao mesmo expediente várias outras vezes em sua carreira (como na gravação da transcrição de Liszt para a abertura dos “Mestres Cantores de Nürnberg”, de Wagner) e não tinha o menor problema de admiti-lo: estava acostumado a fazer picadinho de seus takes e colar os retalhos de maneira que as interpretações ficassem exatamente como queria, e cismava que a assombrosa técnica de oitavas de Vladimir Horowitz, a quem muito admirava, também fosse fruto dum truque desses.

As sessões de gravação da Quinta em New York permitiram também a gravação do primeiro movimento da “Pastoral”, incluso no primeiro disco. Esta gravação permaneceu incompleta, e Gould só voltou à “Pastoral” no ano seguinte, para uma transmissão radiofônica no seu Canadá natal. Além da notória diferença de andamentos – o primeiro movimento é quase três minutos mais longo na versão canadense -, ele parece simplesmente querer saborear cada nota da sinfonia, destacando suas vozes com a clareza que lhe era peculiar, o que acaba muitas vezes fazendo-a perder elã. Embora sempre fique a imaginar como seria a gravação nova-iorquina completa, sua contraparte canadense, tão extática quanto estática, também me revelou detalhes que não percebera no original. Como sói acontecer com quase tudo que Gould fez, vale a pena conhecer – nem que seja para odiar por toda a vida depois.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Transcrições para piano de Franz LISZT (1811-1886) (S. 464)

Sinfonia no. 5 em Dó menor, Op. 67

1 – Allegro con brio
2 – Andante con moto
3 – Scherzo. Allegro
4 – Allegro

Sinfonia no. 6 em Fá maior, Op. 68, “Pastoral”

5 – Allegro ma non troppo – Erwachen heiterer Empfindungen bei der Ankunft auf dem Lande (“Despertar de sentimentos alegres com a chegada ao campo”)

Gravado no estúdio da CBS em New York City (1967)

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Sinfonia no. 6 em Fá maior, Op. 68, “Pastoral”

1 – Allegro ma non troppo – Erwachen heiterer Empfindungen bei der Ankunft auf dem Lande (“Despertar de sentimentos alegres com a chegada ao campo”)
2 – Andante molto mosso – Szene am Bach (“Cena à beira de um regato”)
3 – Allegro – Lustiges Zusammensein der Landleute (“Alegre reunião de camponeses”)
4 – Allegro – Gewitter, Sturm  (“Trovões, tempestade”)
5 – Allegretto – Hirtengesang. Frohe und dankbare Gefühle nach dem Sturm (“Canção de pastores. Sentimentos alegres e gratos, após a tempestade”)

Gravado no estúdio da Canadian Broadcasting Corporation (CBC) para transmissão radiofônica (1968)

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Glenn Gould, piano

Trecho dum documentário da CBC sobre Gould, em que ele toca trechos da transcrição da “Pastoral”, sentado em sua clássica e baixíssima cadeira de estimação, feita por seu pai, num teatro bizarramente vazio – como as cenas em que a câmera corre por cadeiras vazias fazem questão de mostrar. Mais tarde, ele fala sobre sua vida (em termos, pois a dublagem em alemão se sobrepõe à voz de Gould) e cantarola trechos da “Pastoral” enquanto caminha pela Natureza.

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

 

Robert Schumann (1810-1856): Concerto para Piano em Lá menor – Três gravações históricas (Michelangeli, Arrau, Richter)

Robert Schumann apagaria 210 velinhas no dia 8 de junho de 2020!

Vamos começar pelo futuro de Schumann. O Concerto para Piano em lá menor tem sido muito tocado por todo o mundo, talvez com mais frequência do que qualquer outra obra do compositor alemão. Se por acaso o vietnamita Dang Thai Son, os brasileiros Nelson Freire ou Linda Bustani, a russa Eliso Virsaladze ou a argentina Martha Argerich forem tocar esse concerto numa sala próxima a você, não pense duas vezes. São grandes artistas, já com cabelos brancos, mas com muitos anos de Schumann pela frente. Sem falar na geração mais nova. Prestigie os artistas vivos!

Hoje, porém, com temporadas de concertos adiadas, vamos aproveitar o aniversário do compositor  para ouvir, comparar, saborear três gravações antológicas do seu Concerto  com três grandes pianistas do passado: Michelangeli, Arrau e Richter. O concerto foi estreado em Dresden, com Clara Schumann ao piano. Desde então, quase todos os grandes pianistas já o tocaram, emprestando a ele sotaques e ritmos diferentes. Como toda obra-prima, o concerto é multifacetado e se encaixa com diversos pontos de vista.

lo scambiano per accelerando o rallentando: è invece il modo di respirare(confundem o rubato com aceleradas e freios: é, em vez disso, a forma de respirar)
Arturo Benedetti Michelangeli (1920 – 1995), sobre o rubato

A descrição mais simples e mais comum de Michelangeli cabe em uma palavra: perfeccionista. Alguns críticos consideraram suas interpretações dos concertos românticos um tanto fria, contida, sem emoção (as mesma críticas são feitas ao seu aluno Maurizio Pollini). Muita gente, por outro lado, ficava de queixo caído com a técnica espetacular e o cuidado meticuloso com cada nota do pequeno repertório que o pianista italiano tocava. De Schumann, salvo engano, ele tocava em seus recitais apenas o Carnaval op. 9 e o Carnaval de Viena op. 26.  E tocou este concerto inúmeras vezes pelo mundo, é claro. Há gravações que vão da década de 1950 até 1992, poucos meses antes de Michelangeli se aposentar e três anos antes de sua morte. Michelangeli soa mais espontâneo nessa gravação que trago hoje, de 1962 com a Orchestra Sinfonica della RAI di Roma, Gianandrea Gavazzeni, do que na gravação de 1992 com Celibidache/Munique. Se quiserem podem ir no Youtube e confiram como as gravações diferem em andamentos, concepção sonora, etc. Essas diferenças mostram que o perfeccionismo do pianista, longe de gerar uma interpretação fixa e rígida, levava a um cuidado cada vez maior com cada detalhe, com novas descobertas ao longo dos anos.

O perfeccionismo de Michelangeli, para os ouvidos deste humilde escriba, se apresenta mais claramente nos ornamentos, que são aquelas notas curtas coladas na nota principal. Enquanto outros pianistas como Arrau e Lipatti aproveitavam esses momentos para aproximar a nota principal como quem faz uma carícia, Michelangeli faz quase sempre os ornamentos com o mesmo peso no dedo da nota curta (ornamento) e da principal, lembrando um pouco os abundantes ornamentos nas obras para cravo de Bach, Rameau ou Scarlatti. São em aspectos como esse que Michelangeli parece estar sempre exibindo sua técnica impecável, mesmo nas gravações ao vivo (que são quase todas: como Richter e Celibidache, ele detestava gravar em estúdio).

Esta gravação que trago aqui, por exemplo, foi realizada ao vivo no Vaticano, com a presença do Papa João XXIII na plateia. Em seguida, Michelangeli ainda tocou a Totentanz (Dança dos Mortos) de Liszt. É preciso fazer um último elogio à gravação da Radio Vaticana, que provavelmente tinha mais experiência com gravações de discursos do Papa e de cardeais, mas realizou um excelente trabalho: esta gravação de 1962 soa muito melhor do que a gravação ao vivo de Lipatti e não deve nada à respeitada equipe de gravação da Philips/Concertgebouw de Amsterdam.

1. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – I. Allegro affetuoso
2. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – II. Intermezzo, III. Allegro vivace
3. Liszt – Totentanz, Paraphrase sur le Dies iræ, for Piano and Orchestra

Arturo Benedetti Michelangeli, piano
Orchestra Sinfonica della RAI di Roma, Gianandrea Gavazzeni
Live Recording – 28/04/1962, Vatican

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Michelangeli fumava: os perfeccionistas também têm seus pequenos pecados

“A música de Schumann nunca é quieta. Sempre, mesmo nos trechos líricos, há uma turbulência subterrânea.”
Claudio Arrau (1903 – 1991)

O Schumann de Arrau/Concertgebouw já tinha aparecido aqui nos primórdios deste blog, em 2008, quando FDP apresentou Arrau como um grande especialista nos românticos, e definiu o pianista chileno assim: Seu fraseado é claro, e é muito contido. Extrai da melodia toda a beleza nela contida, sem cair em tentações maiores. Aqui é ajudado pelo grande Christoph von Dohnanyi, que dirige a excecpional Royal Concertgebouw Orchestra, Amsterdam. Com certeza, um grande momento do piano romântico.

No disco de Arrau, o concerto de Schumann faz uma dobradinha com o de Grieg, dupla muito comum nos LPs e CDs: são dois concertos em lá menor, os únicos para piano que cada compostor escreveu, e além disso a influência de Schumann sobre Grieg é explicita no ataque dramático do piano logo no início do concerto após um dramático acorde orquestral.

Arrau, que era vendido pelas gravadoras ao mesmo tempo como “pianista-pensador” e como “o último dos românticos” (houve tantos últimos, né?),  se equilibra o tempo todo entre seu lado erudito, que buscava expressar com fidelidade as intenções do compositor, e seu lado romântico com as credenciais de quem teve como mentor pianístico um alemão que foi aluno de Liszt. É nesse tênue equilíbrio que o Schumann não soa nem muito livre nem muito certinho, equilíbrio essencial também no concerto de Grieg, representante do romantismo tardio e exagerado no mesmo estilo de Tchaikovsky e Rachmaninoff.

1. Grieg – Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 1 – Allegro molto moderato
2. Grieg – Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 2 – Adagio
3. Grieg – Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 3 – Allegro moderato molto e marcato
4. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 1 – Allegro affetuoso
5. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 2 – Intermezzo
6. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 3 – Allegro vivace

Claudio Arrau, piano
Royal Concertgebouw Orchestra, Christoph von Dohnányi
Recording – May 1963, Concertgebouw, Amsterdam

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Arrau fazia a linha do “pianista-pensador”: gostava de posar com livros, ainda mais com este sobre ele próprio

Richter me magnetizava, como ele fazia com muitos outros, e eu não perdia um concerto dele por nada. Eu entendo agora que o mais forte elemento no seu apelo magnético às plateias é a sua convicção de que o que ele está fazendo é absolutamente certo naquele momento exato. Isso vem do fato de que ele criou seu próprio mundo interior, e se você discutir com ele sobre alguma coisa, não adianta quase nada. Após a performance, muitas vezes eu discordo das suas escolhas, mas enquanto ouço eu percebo que tudo se encaixa e é completamente sincero, o que me convence.
Sviatoslav Richter (1915 – 1997), nas palavras do pianista russo Vladimir Ashkenazy

Richter é o terceiro grande pianista desta série. Suas gravações de Schumann são sempre impressionantes: ele não tinha medo de socar o piano tirando um som forte, quase percussivo, nas passagens mais enérgicas. É impressionante, também, que este blog não tivesse até hoje nenhuma gravação de Schumann por Richter. Neste CD, temos também o ultrarromântico concerto de Grieg e os Papillons, obra de juventude de Schumann. Outros pianistas, como Guiomar Novaes, Nelson Freire ou Wilhelm Kempff, realizaram gravações antológicas de Papillons, poéticas, sonhadoras… Arrau, como mostra a citação acima, busca mostrar a cada momento os dois lados de Schumann ao mesmo tempo. Pois Richter é bem diferente: está sempre buscando enfatizar os contrastes entre as duas faces de Schumann: em um momento o calmo e afetuoso Eusebius e em seguida o furioso, impetuoso Florestan. Richter, como de costume, usa toda a sonoridade do piano moderno, um pouco diferente de como soavam os instrumentos em meados do século XIX, é claro, mas ainda assim uma interpretação única, inconfundível.

1. Grieg – Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 1 – Allegro molto moderato
2. Grieg – Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 2 – Adagio
3. Grieg – Piano Concerto in A Minor, op. 16 – 3 – Allegro moderato molto e marcato
4. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 1 – Allegro affetuoso
5. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 2 – Intermezzo
6. Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – 3 – Allegro vivace
7. Schumann – Papillons, op. 2

Sviatoslav Richter, piano
Orchestre National de l’Opéra de Monte-Carlo, Lovro Von Matačić
Recording – November 1974, Palais Garnier, Monte Carlo (1 to 6); live recording 21/10/1962, Florence (7).

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Richter por vezes era brutal ao piano. Espero que não tenha socado o idoso Rubinstein
O casal Schumann: Clara estreou o concerto em 1845. Ela também compôs um concerto que está disponível no PQP, cliquem no nome dela na nossa lista de compositores à direita ––>

Pleyel

Franz Liszt (1811-1886): Transcrições e peças com o tema B-A-C-H – Leslie John Howard, piano

Este maravilhoso CD que ora compartilho com os amigos do blog traz as transcrições que Liszt fez de algumas das mais sublimes peças de órgão de Bach. Estas transcrições são distintas de suas ‘paráfrases’ (algumas já postadas por AQUI), pois tentam transferir a obra o mais fielmente possível de sua originalidade para o piano. As paráfrases de Liszt são como uma fantasia em constante desenvolvimento, combinação e metamorfose de temas, no caso das paráfrases de ópera, era bem comum o mestre húngaro evocar o virtuosismo. Por outro lado, nas transcrições de Bach, Liszt foi reverente e respeitoso a escrita do mestre alemão adequando a necessidade de incorporar as partes dos pedais à música para piano a duas mãos. Liszt não mostrou nenhuma inclinação para inventar notas e novas sonoridades, manteve-se fiel a escrita. No caso de seus cuidadosos arranjos de sete dos maiores trabalhos de órgão de Bach, deve-se mencionar que Liszt estava na vanguarda do renascimento do estudo sério da reprodução de órgãos polifônicos e do estudo independente da pedaleira, a fim de restaurar o negligenciado Bach para o público. Liszt também publicou uma edição da música de órgão de Bach, na qual ele também adicionou outras duas peças de Bach que transcreveu para o  órgão.

“A la Chapelle Sixtine” é um trabalho muito incomum, inspirado por Liszt ouvindo dois motivos muito diferentes na Capela Sistina: o famoso “Miserere mei Deus” de Gregorio Allegri (1582-1652) e o último trabalho de Mozart desse tipo – o “Ave verum corpus” K618, de 1791. A história da obra de Allegri composta para o coro papal na época de Urbano VIII, conta que a obra não teve permissão para ser publicada e não circulou por séculos. Mozart, de catorze anos, copiou a peça da memória e a levou para o mundo. Embora a peça original seja famosa por seu coro, Liszt concentra-se nas maravilhosas harmonias de seu início e as usa para gerar uma passacaglia cujas variações atingem um clímax tempestuoso antes que a peça de Mozart seja revelada da maneira mais simples. Uma obra linda !

Agora, as obras de órgão de Bach, que apareceram inúmeras vezes aqui no PQP, nos são muito familiares, originalmente datadas da época em que Bach trabalhou em Weimar e Leipzig. Nas suas transcrições, Liszt dobra cuidadosamente a parte do pedal em oitavas, sempre que possível e apropriado, quase nunca alterando a partitura original, além de algumas transposições de oitavas necessárias para permitir que as mãos alcancem todas as vozes.

Ampliar ainda mais a música de J.S.Bach pode parecer um desafio impossível, pois já é perfeito e bonito… mas ao ouvir essas transcrições extraordinárias de F. Liszt, essa impossibilidade se torna uma possibilidade …! Liszt entendeu tão bem o espírito integrando seu gênio, sua ciência e sua técnica, que o que ouvimos há sempre o eco de Bach e incrivelmente soa novamente como um órgão ! Acho todas as transcrições bárbaras, para este simples admirador algumas das obras mais belas que já ouvi na vida são especialmente o “Preludes & Fugues, S 462” (Bach BWV 543, faixa 02 e 03)) e a majestosa “Fantasia & Fugue S 463” (Bach BWV 542, faixa 14 e 15). Reverência total aos dois mestres !!!!!

Leslie Howard in action

Para incrementar mais ainda o post temos o incrível pianista nascido na Austrália, Leslie John Howard (1948). Este artista pesquisou, estudou e gravou tudo o que Liszt escreveu. Estima-se que foram cerca de 14.000 peças para piano! Liszt era f…. e o Leslie que gravou tudo, outro f….dão. Foi um conjunto de caixas contendo 99 discos lançado pela Hyperion Records em 2011 em homenagem ao 200º aniversário do nascimento de Liszt. Ao longo do tempo iremos postando algumas destas preciosidades. O próprio Howard disse que nem todas as obras ele executou “de cabeça”, temos alguns CDs que a interpretação soa pouco fria, mas “katzu”, o cara fez uma pesquisa única, conseguiu reunir as peças que sobreviveram até o nosso século e gravou para nosso deleite incluindo todas as 17 obras para piano e orquestra, merece respeito.

O projeto da Hyperion / Howard foi realizado durante 14 anos, abrange também muitos manuscritos não publicados de Liszt e alguns trabalhos inéditos. O último disco foi gravado em dezembro de 1998 e lançado em outubro de 1999, no aniversário de F. Liszt. Desde a conclusão do projeto, houve dois volumes suplementares, à medida que outros manuscritos de F. Liszt apareceram. Este projeto aclamado pela crítica mereceu a entrada de Leslie Howard no “Guinness Book of World Records”, seis “Grands Prix du Disque”, a “Medalha de Santo Estêvão”, o prêmio “Pro Cultura Hungarica” e um troféu de bronze da mão de Liszt presenteada pelo presidente húngaro.

Este CD é sem dúvida um dos mais bem-sucedidos da série de 99 Cds de Liszt (sim ouvi todos com calma e repetições por quase um ano, amo Liszt) … não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela qualidade de sua interpretação …..as críticas e reservas que às vezes se pode emitir à interpretação do Leslie Howard (superficialidade, falta de preparação, impressão de que está lendo a partitura…etc.) está bem longe neste conjunto. Um exemplo é a majestosa “Fantasia & Fugue S 463” (Bach BWV 542), que é sem dúvida uma das obras-primas de Bach, liberdade, modernidade incrível … transcrita por Liszt, respeitando a partitura original, destaca a complexidade contrapontística e a escrita de órgãos (2 mãos + 2 pés …!) ainda permanece legível e claro reduzido a “apenas” 10 dedos ! Não posso esquecer de mencionar de novo a transcrição “A la Chapelle Sixtine”, “Andante” da sexta de Beethoven, as duas versões do  “Praeludium und Fuge uber das Motiv B-a-c-h” são razões mais que suficientes para baixar este CD. São transcrições ótimas, dramáticas e teatrais do mestre  F. Liszt, e Howard toca o seu máximo e com um bom som gravado.

Pessoal, um dos mais belos CDs de piano que tenho. Divirtam-se !

FRANZ LISZT (1811-1886) – Transcrições

01 – A La Chapelle Sixtine,S461-Miserere D’Allegri et Ave veru (1862)
02 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 543 Prelude in Am (1842-1850)
03 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 543 Fugue in Am
04 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 545 Prelude in C
05 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 545 Fugue in C
06 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 546 Prelude in Cm
07 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 546 Fugue in Cm
08 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 547 Prelude in C
09 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 547 Fugue in C
10 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 548 Prelude in Em
11 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 548 Fugue in Em
12 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 544 Prelude in Bm
13 – 6 Preludes & Fugues,S462 =From Bach=BWV 544 Fugue in Bm
14 – Fantasia & Fugue in Gm,S463 =From Bach=BWV 542 Fantasia (1872)
15 – Fantasia & Fugue in Gm,S463 =From Bach=BWV 542 Fugue (1872)
16 – Symphony No.6,S464-6-Szene am Bach-Andante molto moto
17 – Orgel-Fantasie und Fuge in Gm[Bach],S463i-Fantasy[1st ver
18 – Orgel-Fantasie und Fuge in Gm[Bach],S463i-Fugue[1st ver]
19 – Praeludium und Fuge uber das Motiv B-a-c-h,S529i[1st ver]
20 – Fantasie und Fuge,S529-On the Theme of B-A-C-H
21 – Variationen Uber Das Motiv Von Bach,S180

LESLIE HOWARD piano
Gravações de março a outubro de 1990

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Leslie Howard, dando aquele sorriso para as objetivas do PQPBach !

Ammiratore

Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 7 de 7 – Kurt Masur, Michel Béroff, Gewandhausorchester Leipzig

A magistral ‘Totendanz” encerra essa série dedicada a Franz Liszt com chave de ouro, com uma interpretação segura e extremamente virtuosística de Michel Béroff.
Além dessa obra, o CD traz outras transcrições de Liszt, baseadas ou em sua própria obra, ou então de Beethoven e de Berlioz. Aliás, dentro desta série dedicada a este compositor, pretendo repostar as incríveis transcrições para piano das sinfonias de Beethoven.
Fico entre cético e maravilhado com a capacidade criativa deste compositor único. Venerado por muitos, provavelmente o maior pianista do século XIX, segundo relatos, dedicou sua vida a explorar todas as possibilidades do instrumento. Como comentei anteriormente, existe uma coleção do selo inglês Hyperion, que tem 99 CDs com sua obra pianística! É algo impressionante. Talvez apenas C.P.E. Bach tenha se dedicado tanto a este instrumento anteriormente.
Vamos então encerrar mais uma coleção?

01. Fantasie uber ungarische Volksmelodien
02. Fantasie uber Motiven aus Beethovens Ruinen von Athen
03. Grande Fantaisie symphonique uber Themen aus Berlioz’s Lelio
04. Malediction
05. Totentanz

Michel Béroff – Piano
Gewandhausorchester Leipzig
Kurt Masur – Conductor

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Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 6 de 7 – Kurt Masur, Michel Béroff, Gewandhausorchester Leipzig

Então encerramos esta coleção dedicada a Franz Liszt com as obras orquestrais, Poemas Sinfônicos e as duas Sinfonias. Nos dois últimos CDs traremos a obra composta para Piano e Orquestra. Antes que perguntem, as Rapsódias Hungaras já estão programadas, tanto a versão para piano quanto a versão para orquestra, mas com outra orquestra e outro maestro.

Liszt compôs apenas dois concertos para piano e orquestra, o que é interessante, considerando a monumental obra pianística do compositor. O pianista inglês Leslie Howard, associado ao selo inglês Hyperion, lançou 99 Cds com o que seria toda essa obra. Nosso colega Ammiratore tem esta coleção, e dise que quem sabe um dia, talvez, traga para os senhores. Eu diria que seria um projeto de aposentadoria do colega, pois atualmente ele se encontra totalmente atarefado com outros compromissos. Mas vamos aos Concertos.

O Concerto nº 1 tem meros 20  minutos de duração, mas é muito intenso e conciso, com temas bem desenvolvidos pelo solista e pela orquestra. Os rascunhos iniciais datam de 1830, porém ele só completou a obra em 1849, fez alguns ajustes em 1853 e finalmente a estreou em 1855, atuando como solista e tendo seu amigo Berlioz como regente. Bártok a descreveu como “a primeira realização perfeita da forma de sonata cíclica, com temas comuns sendo tratados com base no princípio da variação “.  Adoro o tema do Segundo Movimento, um “Quasi adagio” o considero uma das mais belas passagens da história da música. E que bela transição para o terceiro movimento, um “Alegretto vivace” !!! O Concerto termina em um Allegro marziale animato, onde alguns temas anteriores são repetidos com variações, até seu final. Um belíssimo concerto, sem dúvidas.

No Segundo Concerto Liszt nos traz novas idéias e possibilidades, e novamente dá muito trabalho ao solista, em uma obra que praticamente não tem intervalo entre seus seis movimentos. Aliás, nos rascunhos, o compositor dizia que se tratava de um “Concerto Sinfônico”. ele intercala movimentos lentos, líricos, delicados, para depois se tornar uma explosão de virtuosismo e técnica.  O grande pianista Alfred Brendel assim analisa a obra de Franz Liszt:

“Há algo fragmentário no trabalho de Liszt; seu argumento musical, talvez por sua natureza, muitas vezes não é levado a uma conclusão. Mas o fragmento não é a forma mais pura e legítima de romantismo? Quando a utopia se tornar o objetivo principal, quando for feita uma tentativa de conter o ilimitado, o formulário deverá permanecer “aberto” para que o ilimitado possa entrar. Cabe ao intérprete nos mostrar como uma pausa geral pode se conectar ao invés de separar dois parágrafos, como uma transição pode transformar misteriosamente o argumento musical. Esta é uma arte mágica. Por algum processo incompreensível para o intelecto, a unidade orgânica se estabelece, a “forma aberta” chega a suas conclusões no infinito.”

Os senhores conhecem a magnífica obra de Franz Schubert intitulada “Wanderer Fantasy”? Já a trouxemos aqui algumas vezes. Pois o inquieto Liszt transcreveu a obra para Piano e Orquestra. O resultado? Bem, os senhores julgam. Até adquirir esta coleção eu não fazia idéia que existisse tal obra.Outra novidade para mim foi outra transcrição, desta vez baseada na obra Carl Maria von Weber, a ‘Polonaise Brillante’.

Todos os grandes pianistas mais cedo ou mais tarde precisam encarar estes dois petardos. Os primeiros nomes que me vem a mente são os de Kristian Zimerman, que me apresentou estas obras há uns trinta anos, ao lado de Seiji Ozawa, Alfred Brendel, com certeza, na histórica gravação ao lado de Bernard Haitink frente a Filarmônica de Londres, Sviatoslav Richter com Kiril Kondrashin com a Sinfônica de Londres, Claudio Arrau com Colin Davis também frente a Sinfônica de Londres, e muitos outros. Algumas destas gravações já apareceram por aqui, mas não creio que ainda tenham seus links ativos.

Michel Béroff é um eximio pianista, com uma técnica apuradíssima e que não se deixa cair nas armadilhas destas obras, que são muitas. E conta com a cumplicidade de uma das principais orquestras alemãs, a do Gewandhaus de Leipzig, nos áureos tempos de Kurt Masur.

01. Piano Concerto No.1 in E flat major – I. Allegro maestoso
02. Piano Concerto No.1 in E flat major – II. Quasi adagio
03. Piano Concerto No.1 in E flat major – III. Allegretto vivace
04. Piano Concerto No.1 in E flat major – IV. Allegro marziale animato
05. Piano Concerto No.2 in A major – I. Adagio sostenuto assai
06. Piano Concerto No.2 in A major – II. Allegro agitato assai
07. Piano Concerto No.2 in A major – III. Allegro moderato
08. Piano Concerto No.2 in A major – IV. Allegro deciso
09. Piano Concerto No.2 in A major – V. Marziale un poco meno allegro
10. Piano Concerto No.2 in A major – VI. Allegro animato
11. Schubert. Wanderer Fantasy
12. Weber. Polonaise brillante

Michel Béroff – Piano
Gewandhausorchester Leipzig
Kurt Masur – Conductor

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Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 5 de 7 – Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig

Em Zwei Episoden Von Lenaus Faust Liszt retoma a clássica história imortalizada por Goethe. Os episódios intitulam-se “Der nächtliche Zug” e a famosa ‘Mephisto Waltz No.1’, uma das mais conhecidas obras de Listz. Posteriormente as duas obras seriam transcritas para piano.
Encontrei essa descrição para cada um dos movimentos:

“Der nächtliche Zug”
“É uma noite quente de primavera, escura e sombria, mas os rouxinóis estão cantando. Faust entra a cavalo, deixando o cavalo passear silenciosamente. Logo, luzes são vistas através das árvores, e uma procissão religiosa se aproxima, cantando … A procissão passa e Faust, deixado sozinho, chora amargamente na crina de seu cavalo.

“Mephisto Waltz No.1”
Fausto e Mefistófeles entram na estalagem em busca de prazer; os camponeses estão dançando, e Mephisto apreende o violino e intoxica a platéia com sua execução. Abandonam-se a fazer amor e, duas a duas, saem para a noite estrelada, Faust com uma das meninas; então o canto do rouxinol é ouvido através das portas abertas.

Em “Eine Sinfonie Zu Dantes Divina Commedia” (Uma Sinfonia sobre a Divina Comédia de Dante), como o próprio nome diz, Liszt novamente dá asas à sua imaginação para compor uma Sinfonia baseada em outra obra prima da literatura, A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Especialistas, entretanto, divergem sobre esta obra ser uma Sinfonia, dizem que na verdade tratam-se de dois Poemas Sinfônicos.  E como não poderia deixar de ser, seus dois movimentos se intitulam “Inferno” e “Purgatório”. Originalmente, Liszt compôs um movimento baseado no “Paraíso” mas foi desaconselhado pelo seu genro, Richard Wagner, vindo então a retirar o movimento da obra.

Uma interessante descrição, por sinal, desta Sinfonia pode ser encontrada na Wikipedia, com maiores detalhes.

01. Zwei Episoden Von Lenaus Faust – I. Der Nachtliche Zug
02. Zwei Episoden Von Lenaus Faust – II. Mephisto Waltz No.1
03. Eine Sinfonie Zu Dantes Divina Commedia – I. Inferno
04. Eine Sinfonie Zu Dantes Divina Commedia – II. Purgatorio

Volker Arndt – Knabenasoprano
Frauenchor des Thomanerchors Leipzig
Gewandshausorchester Leipzig
Kurt Masur – Conductor

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Dante Alighieri

 

Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 4 de 7 – Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig

“Von Der Wiege Bis Zum Grabe” é o último dos treze poemas sinfônicos de Liszt. De acordo com informações, foi livremente inspirado em um tríptico do pintor húngaro  Michaël Zichy.
Se compõe de três movimentos: O Berço (Die Wiege) , O Combate pela Existência (Der Kampf ums Dasein)  e Rumo ao Túmulo, Berço da Vida Futura (Zum Grabe, die Wiege des zukunftigen Lebens).
A segunda parte do CD traz a Sinfonia Fausto, uma leitura pessoal da obra prima de Goethe. Divide-se em três movimentos, cada um deles identificado com o nome de um personagem do livro: do próprio personagem que dá título a obra, Fausto, de sua amada Gretchen e Mephistopheles.

01. Von Der Wiege Bis Zum Grabe – I. Die Wiege
02. Von Der Wiege Bis Zum Grabe – II. Der Kampf Um’s Dasein
03. Von Der Wiege Bis Zum Grabe – III. Zum Grabe
04. Ein Faust-Sinfonie in Drei Charakterbildern – I. Faust
05. Ein Faust-Sinfonie in Drei Charakterbildern – II. Gretchen
06. Ein Faust-Sinfonie in Drei Charakterbildern – III. Mephistopheles

Klaus König – Tenor
Männerchor des Rundfunkchors Leipzig
Gewandhausorchester Leipzig
Kurt Masur

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Johann Wolfgang von Goethe

Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 3 de 7 – Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig

Nestes tempos de pandemia, nada como a música para nos confortar e ajudar a preencher aquele tempo ocioso que o isolamento social provoca. E estes poemas sinfônicos se encaixam como luva, não acham?
Franz Liszt não frequenta muito o PQPBach. Recentemente o colega Ammiratore postou dois CDs do pianista Claudio Arrau dedicados ao compositor, mas reconheço que temos pouca coisa dele. A postagem desta série de Cds dedicados a sua obra orquestral ajuda a cobrir um pouco essa lacuna.
Este terceiro CD traz algumas peças não tão conhecidas, mas graças ao brilhantismo desta incrível Orquestra de Leipzig podemos conhece-las melhor. Talvez a mais conhecida seja ‘Hamlet’, baseado na peça homônima de Shakespeare.
Sem mais delongas, vamos ao que viemos.

01. Hungaria
02. Hamlet
03. Hunnenschlacht
04. Die Ideale

Gewandhausorchester Leipzig
Kurt Masur – Conductor

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Postagem restaurada – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphony No.9 – Bruno Walter – Leslie Howard

61+AufDLfcLPUBLICADA ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 31/5/2014, RESTAURADO POR VASSILY EM 02/4/2020

Eis finalmente a nossa mui amada, salve, salve, Nona Sinfonia, in D Minor, de Beethoven, outro monumento da música ocidental, uma das mais importantes obras da criação humana. E mais não tenho o que dizer.
Confesso que fiquei um pouco decepcionado com a falta de comentários sobre esse projeto. Com raríssimas exceções, o silêncio dominou o campo dos comentários. Tivemos a grata satisfação de conhecermos o Beto, que nos deu uma verdadeira aula sobre as transcrições que Liszt realizou. frontAgradeço imensamente a ele, que mostrou como o PQPBach pode ser coletivo. Ninguém aqui é dono absoluto da razão, ou sabe tudo sobre tudo e todos.
Bruno Walter foi um dos maiores maestros do século XX, foi um regente que atravessou o século XX trazendo na bagagem uma vasta experiência nos palcos. Foi contemporâneo e amigo pessoal de Mahler, e só isso já seria um grande diferencial, mas sua arte ultrapassou barreiras. Beethoven, Brahms e Bruckner, sem contar obviamente Mahler, foram suas especialidades, mas também são memoráveis suas gravações das sinfonias de Mozart. Felizmente a tecnologia conseguiu nos trazer esses seus registros, que oferecemos aos senhores com o maior prazer, para mostrar os tesouros que existem no passado. E espero poder trazer mais dessas maravilhosas gravações.
Leslie Howard ainda frequenta os palcos. Esse excepcional pianista, talvez o maior especialista vivo em Liszt, com toda a sua versatilidade, nos mostrou um Beethoven diferente, sob a visão de um visionário, e não podemos negar que Liszt o fosse. Um compositor além de seu tempo, que mostrou um respeito muito grande pelo gênio de Bonn quando realizou essas transcrições.

01 – Symphony No.9 in D minor, Op. 125 ‘Choral’ – I. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
02 – II. Molto vivace
03 – III. Adagio molto e cantabile
04 – IV. Presto
05 – Rezitativo O Fewunde, nicht diese Tone! Allegro assai

Leslie Howard – Piano
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Emilia Cundari – Soprano
Nell Rankin – Mezzo Soprano
Albert da Costa – Tenor
William Wildermann – Bass
Westminster Symphonic Choir
Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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FDPBach

Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 2 de 7 – Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig

Neste segundo CD da saga lisztiana temos uma de minhas obras favoritas deste compositor, a ‘Mazeppa’, que conheci em tenra idade, em um velho LP que pertencia a uma tia, intitulado ‘Músicas Ligeiras’. Nunca entendi muito bem esse conceito mas,enfim, ele me apresentou Liszt. Posteriormente Herbert von Karajan me fez admirar ainda mais essa obra em um LP dedicado ao compositor. As informações abaixo foram tiradas da Wikipedia:

“Mazeppa S.100 é um dos treze poemas sinfónicos de Franz Liszt, composto em 1851. É o número 6 dos seus poemas sinfônicos, escritos durante o seu período em Weimar. Conta a história da vida da personagem homónima, Ivan Mazepa, um sedutor de uma nobre dama da Polónia que foi amarrado nu a um cavalo selvagem, que o transportou até à Ucrânia. Aí os cossacos libertaram-no e fizeram dele o seu hetman (titulo dado a oficial de alta patente dos exércitos poloneses e posteriormente, cossacos).
O compositor segue a narrativa huguiana para descrever a cavalgada do herói através das imensas estepes no primeiro andamento. As cordas abordam o tema principal, que se transforma e distorce com seis batidas dos timbales, que evocam a queda do cavaleiro. Após um silêncio, as cordas, o fagote e uma trompa solo traduzem o estupor do acidentado, ressuscitado pelos trompetes em Allegro marziale. Os cossacos colocam Mazeppa à frente do seu exército (ouve-se uma marcha) e o tema do herói desdobra-se para concluir em glória.”

Gosto muito da dinâmica destes Poemas Sinfônicos. Eles são muito intensos, com melodias quase pegajosas, que nos fazem sair assobiando-as posteriormente. E além disso, Liszt era inegavelmente um grande orquestrador. Mas vamos ao que viemos.

01. Prometheus
02. Mazeppa
03. Festklange
04. Heroide Funebre
05. Mephisto Waltz No.2

Gewandhausorchester Leipzig
Kurt Masur – Conductor

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Franz Liszt (1811-1886) – Orchesterwerke – Werk für Klavier & Orchester – CD 1 de 7 – Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig

Teremos uma overdose de Franz Liszt durante essa semana. Em conversa com outros colegas, comentei que tinha esta caixa que começo a postar hoje, com a obra orquestral do compositor e imediatamente o colega Ammiratore se entusiasmou dizendo que sempre quis conhecer estas gravações do Kurt Masur. Então me propus a postar mais uma coleção. Serão sete volumes, e vou postar um por dia, para fechar uma semana e claro, para os senhores melhor degustarem o material.
Os quatro primeiros CDs se intitulam ‘Weimarer Sinfonische Dichtungen’, os Poemas Sinfônicos de Weimar”, e trazem os doze poemas sinfônicos, além da Sinfonia Faust.
Kurt Masur e a magnífica Orquestra do Gewandhaus de Leipzig dão um show de interpretação, como não poderia deixar de ser, em se tratando de músicos deste nível.
Este primeiro CD já traz uma obra prima indiscutível, ‘Les Preludes’, uma verdadeira aula de orquestração. Creio que seu genro Wagner tenha se inspirado bastante com essa obra.

01. Ce qu’on entend sur la montagne
02. Tasso. Lamento e Trionfo
03. Les Preludes
04. Orpheus

Gewandhausorchester Leipzig
Kurt masur – -Conductor

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Postagem restaurada – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonies Nos. 5 & 6 – Bruno Walter – Leslie Howard #BTHVN250

61+AufDLfcLPUBLICADA ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 23/5/2014, RESTAURADO POR VASSILY EM 31/3/2020

Às vezes forço minha memória para tentar lembrar quando foi que ouvi os acordes iniciais da Quinta Sinfonia pela primeira vez, mas não consigo. Lembro de ter ouvido a Sétima Sinfonia pela primeira vez num radinho de pilha, nos tempos em que era um jovem adolescente ainda conhecendo o mundo. A memória nos prega peças, e neste caso específico, insiste em esconder esta informação. Não que isso fosse mudar alguma coisa na minha vida. Ao contrário. Talvez por isso mesmo não consigo lembrar.

frontJá com relação à Sexta Sinfonia, não tenho dúvidas que foi com o filme “Fantasia” da Disney, em alguma longínqua Sessão da Tarde global, lá nos idos dos anos setenta, em alguma tarde de minha infância ou adolescência. Só mais tarde apareceu o vídeo cassete, e então pude rever aquela animação, que marcou tantas gerações.

Enfim, mais dois monumentos da criatividade humana. Ah, antes que me esqueça, essa versão da Sexta Sinfonia nas mãos de Bruno Walter é considerada uma das melhores de toda a história da indústria fonográfica. Ouçam e tirem suas próprias conclusões.

Symphony No.5 in C minor, Op. 67
I. Allegro Con Brio
II. Andante Con Moto
III. Allegro
IV. Allegro

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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Symphonie Nr. 6 F-dur «Pastorale», Op. 68
I. Erwachen heiterer Empfindungen bei der
II. Szene am Bach (Andante molto mosso)
III. Lustiges Zusammensein der Landleute (Allegro)
IV. Gewitter. Sturm (Allegro)
V. Hirtengesang. Frohe und dankbare

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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FDPBach

Postagem restaurada – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonies Nos. 3 & 4 – Bruno Walter – Leslie Howard #BTHVN250

61+AufDLfcLPUBLICADA ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 21/5/2014, RESTAURADO POR VASSILY EM 30/3/2020

Mais duas sinfonias de Beethoven, em sua versão original para orquestra e na versão transcrita para piano por Liszt. Desta vez temos a monumental Sinfonia nº 3, uma das mais belas páginas da história da música ocidental, que dispensa apresentações. Mesmo depois de tantos anos ouvindo-a constantemente, não me canso jamais de ouvi-la. Sua Marcha Fúnebre está com certeza entre as mais belas páginas já escritas na história da música.

frontA outra sinfonia é a de nº 4, um tanto quanto menosprezada, afinal estaria entre duas obras primas absolutas de Beethoven, a terceira e a quinta. Mas trata-se obviamente de um equívoco considerá-la uma obra menor do repertório sinfônico do gênio de Bonn. Não tem o mesmo impacto das acima citadas, mas precisamos colocá-la como uma obra de transição, um estudo que o compositor realizou para testar os limites do que poderia ser feito até chegar à uma fórmula ideal. Seu denso adagio inicial em um primeiro momento consegue esconder o que virá pela frente e sua explosão em um allegro vivace sempre me surpreende.

Symphony No.3 in E-flat Major, Op. 55 ‘Eroica’
I. Allegro con brio
II. Marcia funebre. Adagio assai
III. Scherzo. Allegro vivace
IV. Finale. Allegro molto

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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01 – Symphonie Nr. 4 B-dur, Op. 60
I. Adagio. — Allegro vivace
II. Adagio
III. Allegro vivace. — Un poco meno allegro
IV. Allegro ma non troppo

Leslie Howard – Piano
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Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor
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FDPBach

Franz Liszt (1811-1886): Coleção Claudio Arrau parte 2 de 2

Nesta segunda parte das interpretações que Claudio Arrau (1903-1991) faz das peças de Liszt (1811-1886) ouvimos o grande pianista usando e abusando da sua excelente técnica, perspicaz penetrante, domínio interpretativo e tom brilhante. Na minha opinião, obviamente esta técnica significa a capacidade de produzir sons pianísticos expressivos, sensíveis ao contexto e não apenas pressões rápidas dos tons certos (ai vira uma máquina de escrever!).

 

CD4 (1973-1978)
Esta é a gravação que mais gosto da Sonata de Liszt. O som da gravação é excelente e a apresentação do Cláudio Arrau não é exagerada ou bombada – pelo contrário, muito poética. Claro que há Horowitz, Zimmermann, Bolet, Argerich, Richter, Guilels, Brendel e outros gigantes, mas Arrau está sublime. Este álbum parece reunir uma espécie de quintessência das composições mais bonitas ou das mais profundas ou virtuosas (principalmente nos estudos de concerto e em certas passagens da sonata). Aqui domina os temas poderosos e a evolução do discurso, a narração da história, contada com o timbre do piano que Claudio Arrau domina tão bem. Ele toca cada nota audivelmente, nenhuma é deixada sumir debaixo da onda sonora dos “glissandi” (gosto muito do Horowitz mas ele peca nesse ponto). Acho que a emoção da música se manifesta de maneira mais reveladora e espetacular nesse tipo de versão do que nas performances abertamente ousadas. Sua visão nas três peças da “Harmonies poetiques et religieuses “ é ampla, percebe todos os pequenos detalhes que podem contribuir para a impressão geral de uma magnífica obra para piano, que é ao mesmo tempo revelada como uma das obras supremas da arte musical da era romântica. Tem uma historinha legal a respeito da Sonata: num recital de Liszt, na Corte de Weimar, em meio a apresentação da dita Sonata o compositor J. Brahms deu uma cochilada bonita, com direito a ronco e baba. Quando acordou teve que justificar polidamente que estava exausto de viajar (uma testemunha ocular relatou, num extenso fórum a respeito do tema no PQPBach Convention Center, que ele namorou demais a Clara e foi ao recital logo em seguida. Convenhamos: ai ninguém aguenta, da soninho mesmo). O resultado foi que Liszt teria ficado magoado com o belo e talentoso Johannes e nunca mais quis saber do compositor.

01 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 1. Lento assai
02 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 2. Grandioso
03 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 3. Andante sostenuto
04 – Liszt – Sonate Klavier h-moll 4. Allegro energico
05 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 5. Moderato
06 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 6. Andante
07 – Liszt – Harmonies poetiques et religieuses Nr.3 7. Quasi Preludio
08 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert1. Il lamento
09 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert2. La leggierezza
10 – Liszt – Estude S144 R5 Trois etudes de concert3. Un sospiro

Piano: Claudio Arrau

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CD5 (1969)
Este quinto CD contém trechos de “Années de pèlerinage” e dois Estudos de Concerto são peças que tem seu brilho próprio. Ao longo da elaboração dos três livros do ciclo “Années de pèlerinage” Liszt teve muita influência. Ele estudou diversos estilos de música ao longo dos anos das viagens. O problema com Liszt é que ele foi em muitas direções melódicas. Há Liszt, o virtuoso, Liszt, o compositor germânico, Liszt, o húngaro, e Liszt, o compositor francês, e de alguma forma, nesses três livros, temos um pouco de tudo isso. Além disso, é incrivelmente romântico, no sentido de que tudo é influenciado pela poesia, pelo que ele estava lendo. Os três livros retratam as descobertas musicais enquanto ele viajava pela Suíça e Itália. Arrau neste CD interpreta de forma lógica, orgânica e, acima de tudo, com bastante emoção. Absolutamente recomendado.

01 – Liszt – Sonetto 104 del Petrarca
02 – Liszt – Ballade Nr.2 h-moll
03 – Liszt – Sonetto 123 de Petrarca
04 – Liszt – Vallee d’Obermann
05 – Liszt – Valse oubliee Nr.1 Fis-dur
06 – Liszt – Les jeux d’eaux р la villa d’Este
07 – Liszt – Konzert-Studie Nr.1 Waldesrauschen – Murmures de la foret
08 – Liszt – Konzert-Studie Nr.2 Gnomenreigen – Ronde des lutins

Piano: Claudio Arrau

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CD6 (1976-1979)
Sobre o Concerto número um de Liszt, Béla Bartók descreveu-a como “a primeira realização perfeita da forma de sonata cíclica, com temas comuns sendo tratados com base no princípio da variação”. Os principais temas do primeiro concerto são do garoto Liszt de dezenove anos (1830) ele foi revisando até a versão estreada em Weimar em 1855, com o compositor ao piano e Hector Berlioz na regência. Liszt fez ainda mais alterações antes da publicação em 1856. Esta gravação que Arrau fez dos concertos para piano datam do final de 1979 – no início das gravações digitais da Philips. Os três Estudos de concerto foram gravados antes dos dois concertos para piano, no final de 1976. A interpretação de Claudio Arrau dessas obras de Liszt é poderosa, nos leva para outra dimensão, rica em nuances delicadas, nunca com a mão pesada. A qualidade do som deste CD é excelente. A música de Arrau é algo a ser valorizado tentaremos fazê-lo com mais frequência aqui no blog.

01 Piano Concerto No.1 – Allegro Maestroso
02 Piano Concerto No.1 – Quasi Adagio
03 Piano Concerto No.1 – Allegretto
04 Piano Concerto No.1 – Allegro Marziale Animato
05 Piano Concerto No.2 – Adagio Sostenuto Assai
06 Piano Concerto No.2 – Allegro Moderato
07 Piano Concerto No.2 – Allegro Deciso
08 Piano Concerto No.2 – Allegro Animato
09 Etude De Concert – Il Lamento
10 Etude De Concert – La Leggierezza
11 Etude De Concert – Un Sospiro

Piano: Claudio Arrau
London Symphony Orchestra
Regente: Sir Colin Davis

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Claudio Arrau: Tela sob caneta preta – Studios Pixel-PQPBach – PQPlândia