Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Mosaïques é um excelente quarteto. Sabem que eles saíram de dentro do Concentus Musicus de Nikolaus Harnoncourt? Formaram o quarteto em 1985, quando ainda estavam na orquestra e seu violoncelista é o grande Christophe Coin. Eles são especializados no classicismo vienense, diga-se Haydn, Mozart e Schubert. E Beethoven. Vale a pena ouvi-los. Tocando com cordas de tripa e nos arcos de design do início do século 19, o Mosaïques trouxe calor e sutilezas a essas obras fascinantes. Hoje em dia, quando os conjuntos historicamente informados abundam, a gente nem deveria falar mais em instrumentos originais, mas aqui não podemos fugir do fato de que o Mosaïques estão fazendo isso há 35 anos! Durante esse período, eles exploraram e gravaram uma ampla gama de repertórios de quartetos, de Haydn a Mendelssohn. Porém, em disco — não em recitais –, eles têm sido muito mais cautelosos com Beethoven. As gravações das obras do Op. 18 apareceram incompletas há mais de uma década, depois vieram alguns quartetos intermediários e só agora é que chegaram ao ciclo completo dos cinco últimos quartetos.

Este é um campo altamente competitivo e, do Busch Quartet ao Takács, passando pelo Kodály, o padrão pode ser estratosférico. As performances dos Mosaïques são — até onde sei — a primeira gravação desses trabalhos em instrumentos de época, o que os distingue muito. Mas há mais: o fraseado parece surpreendentemente moderno, há muita leveza e equilíbrio em muitas passagens que podem se tornar exageradas — há muito mais luzes e sombras nas performance dos Mosaïques da Große Fuge, por exemplo, que eles tocam como o final da Op 130. Eu acho uma coisa sabem? Na maioria das gravações que ouço, retirando desta observação os deuses do repertório, a surpreendente originalidade dos quartetos tardios de Beethoven nos chegam um pouco abafada pelas cordas modernas e pelos estilos de tocar derivados da tradição cantabile romântica. O foco do Mosaïques é outro. Quando começa o Op.127, ouvimos um um timbre mais próximo dos conjuntos de música antiga do que de um quarteto moderno, a coisa vem livre de “expressivos” enjoativos. O desejo de remover camadas interpretativas bobas é realizado com mais força nos Op. 131 e 132, durante os quais o rosto franzido e a alma agonizante são substituídas pela pureza de linhas e suaves vibratos (aleluia!). A famosa Cavatina do Op. 130 possui uma clareza que a aproxima de um intermezzo mendelssohniano, fazendo com que o choque da poderosa Große Fuge seja ainda mais imponente. O Op. 132 é levado com extremo senso de estilo e com a devida profundidade. É sempre difícil escrever sobre uma música que amamos muito e que nos faz lembrar fatos pessoais. A primeira coisa que me vem à mente quando penso no Op. 132 foi aquele momento mágico e levemente fantasmagórico em que eu, sentado na tranquilamente na sala, ouvi iniciar o Allegro Appassionato (último movimento do quarteto) e vi que, logo aos primeiros compassos, minha filha, aos cinco anos de idade, entrava girando na sala, dançando a valsa sozinha, de olhos fechados, por puro prazer de ouvir a música… Foi tão marcante que hoje soa-me hipócrita dizer que o movimento principal deste quarteto é o imenso e perfeito Molto Adagio – Andante (Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der lydischen Tonart), um agradecimento à divindade pela recuperação que Beethoven obteve após grave enfermidade. Mas é, claro que é. O terceiro movimento, com suas duas explosões de alívio é o centro e razão de ser desta grande e fundamental obra. No terreno neoclássico do Op. 135, o Mosaïques inflama a música com um virtuosismo que talvez revele um novo caminho a seguir. Ele encerra um dos conjuntos mais reveladores e instigantes desses clássicos atemporais em décadas.

Não é uma gravação para ir ao pódio, mas que belisca, belisca.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques)

String Quartet No. 12 In E Flat Major, Op. 127
1-1 Maestoso – Allegro 6:59
1-2 Adagio Ma Non Troppo E Molto Cantabile – Andante Con Moto – Adagio Molto Espressivo 12:58
1-3 Scherzando Vivace – Presto 8:57
1-4 Finale. Allegro 6:30

String Quartet No. 14 In C Sharp Minor, Op. 131
1-5 Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo 6:09
1-6 Allegro Molto Vivace 3:08
1-7 Allegro Moderato – Adagio 0:41
1-8 Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile – Più Mosso – Andante Moderato E Lusinghiero – Adagio – Allegretto – Adagio Ma Non Troppo E Semplice – Allegretto 13:05
1-9 Presto 5:34
1-10 Adagio Quasi Un Poco Andante 1:40
1-11 Allegro 6:51

String Quartet No. 13 In B Flat Major, Op. 130
2-1 Adagio Ma Non Troppo – Allegro 14:32
2-2 Presto 2:03
2-3 Poco Scherzando. Andante Con Moto Ma Non Troppo 7:38
2-4 Alla Danza Tedesca. Allegro Assai 3:05
2-5 Cavatina, Adagio Molto Espressivo 6:09

2-6 String Quartet No. 17 In B Flat Major, Op. 133, ‘Grosse Fuge’: Overtura – Fuga. Allegro – Meno Mosso E Moderato – Allegro Molto E Con Brio 15:56

String Quartet No. 15 In A Minor, Op. 132
3-1 Assai Sostenuto – Allegro 9:47
3-2 Allegro Ma Non Tanto 8:45
3-3 Molto Adagio – Andante 15:07
3-4 Alla Marcia, Assai Vivace – Più Allegro 2:08
3-5 Allegro Appassionato 7:06

String Quartet No. 16 In F Major, Op. 135
3-6 Allegretto 7:04
3-7 Vivace 3:39
3-8 Lento Assai, Cantante E Tranquillo 7:01
3-9 Grave, Ma Non Troppo Tratto – Allegro 6:35

Quarteto Mosaïques:
Erich Höbarth, violino
Andrea Bischof, violino
Anita Mitterer, viola
Christophe Coin, violoncelo

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A foto de divulgação do excelente Mosaïques

PQP

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