Igor Stravinsky (1882-1871): A História do Soldado

— 50 anos da morte de Igor Stravinsky —

A História do Soldado foi composta por Stravinsky em seu exílio na Suíça durante a 1ª Guerra Mundial. A partitura é tocada por um pequeno grupo de câmara com sete músicos, além de narrador(es). Normal naqueles tempos de guerra em que as grandes orquestras estavam paradas, isso quando seus músicos não tinha morrido. A primeira apresentação aconteceu em 28 de setembro de 1918, no Théâtre de Lausanne. Stravinsky ficou totalmente satisfeito, elogios chegaram de todos os lados.

Sua alegria, entretanto, durará pouco. A Suíça havia permanecido fora da guerra, mas não seria capaz de escapar da invasão invisível do vírus da Gripe Espanhola. Essa pandemia particularmente contagiosa e virulenta levou ao cancelamento da turnê prevista para o grupo de câmara que estreou a História do Soldado. A segunda apresentação ocorreria apenas em 1923, em Paris, segundo a RTBF(Bélgica).

É a primeira obra de Stravinsky que inclui elementos de jazz, ragtime e tango. Ele mesmo afirmou: “a História do Soldado marca meu rompimento final com a escola orquestral russa em que fui criado”.

A obra, inspirada no mito medieval de Fausto, conta a história do soldado que vende a própria alma, na forma de seu violino, ao Diabo. Ao descobrir a armadilha em que havia caído, ele passa a lutar de todas as formas para reaver seu instrumento. Como disse PQP há alguns anos: A História do Soldado nos mostra que na vida é possível fazer concessões, desde que não sejam fundamentais. Se vendermos o cerne, viramos “mortos-vivos”. A dificuldade está em discernir entre o que é dispensável e o que é vital.

1ª versão, em inglês: Rogers Waters e músicos do Festival de Bridgehampton

Roger Waters, ex-baixista e letrista do Pink Floyd, gosta de misturar música e temas políticos e sociais espinhosos, como bem sabem os brasileiros que foram em seus shows mais recentes. Não é o único de sua geração: Bob Dylan, John Lennon e Chico Buarque também não são do tipo que fica em cima do muro. Então não é surpreendente que Waters tenha gravado sua tradução da História do Soldado de Stravinsky. Não é que a obra de Stravinsky com libretto de Charles-Ferdinand Ramuz seja explicitamente militante ou mencione partidos políticos. Mas, tendo sido estreada na Suíça enquanto a 1ª Guerra Mundial ainda corria solta, são várias as indiretas pacifistas, como quando o soldado se senta:

And proceeds to do what a soldier does best:
He starts to complain.

Sem falar, é claro, no diabo, que manipula o soldado com promessas de riqueza. Como já sabia Paulo de Tarso, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1ª carta a Timóteo 6:10).

Stravinsky: The Soldier’s Tale
Bridgehampton Chamber Music Festival Musicians
Narrated by Roger Waters. Libretto adapted by Waters from the translation by M. Flanders and Kitty Black, original text by Charles-Ferdinand Ramuz
Recorded at the Bridgehampton Presbyterian Church, 2014

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2ª versão, em italiano: Luigi Maio e I Solisti della Scala

Para os meus ouvidos, nada supera essa gravação narrada em italiano, com músicos do Teatro alla Scala de Milão.

O violino, instrumento do soldado, tem um grande destaque na mixagem e uma diabólica interpretação por Domenico Nordio. E ainda temos de brinde a Suíte para trio, um arranjo do próprio compositor que fez uma reunião de “melhores momentos” ou de “gols da rodada”.

Stravinsky: L’Histoire du soldat
Bonus: Suite dall’Histoire du soldat per trio (Clarinetto, violino e pianoforte)

I Solisti della Scala
Domenico Nordio – violino
Fabrizio Meloni – clarinetto
Giorgia Tomassi – piano
Musicattore Luigi Maio. Libretto: traduzione e adattamento in italiano di L. Maio
Registrazione: Studio Magister, Preganziol, Treviso, 2004-2005

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Pleyel

Igor Stravinsky (1882-1971) – Ballets, Stage Works and Orchestral Works (Ansermet) – 50 anos de Falecimento

Exatos dez anos depois, aqui estamos mais uma vez, homenageando os 50 anos do falecimento de Stravinsky após 88 anos passados entre São Petersburgo, Paris, Suíça, Califórnia e Nova York. Ernest Ansermet foi o maestro que estreou várias das obras contidas nestes 8 CDs. Ele conhecia de cabo a rabo os famosos balés Pássaro de Fogo, Petrushka e Sagração da Primavera. Chamo atenção também para duas outras obras menos conhecidas: as Sinfonias para instrumentos de sopro, no CD 6, composta em homenagem a Debussy poucos anos após sua morte, nas quais Stravinsky emula a leveza de seu ídolo francês. A obra foi estreada em Londres por uma orquestra pouco familiarizada com esse tipo de música, e foi um fracasso. Ansermet, pelo que diz o encarte desta caixa, foi o primeiro a regê-la com uma orquestra devidamente preparada.

A outra obra que me dá arrepios na gravação de Ansermet é o Canto do rouxinol, em que ouvimos uma espécie de disputa de canto entre um rouxinol verdadeiro e um rouxinol mecânico… A obra tem a beleza bucólica dos pássaros orquestrados por Beethoven (Sinfonia Pastoral), Mahler (Sinfonia nº 3), Villa-Lobos (Uirapuru) e Messiaen (Réveil des oiseaux) ao mesmo tempo em que o lado mecânico e industrial de obras vanguardistas de Arthur Honegger (Pacific 231), Shostakovich (Sinfonia nº2 e outros momentos de realismo proletário) e novamente Villa-Lobos (Trenzinho do Caipira), tudo isso na mesma obra em um diálogo que resume algumas das grandes questões de sua época: o orgânico versus o mecânico, o improviso instintivo versus a perfeição das máquinas, o tradicional versus o novo, o selvagem versus o civilizado, a curva versus o ângulo reto. São questões que dialogam com as vanguardas futuristas dos anos 1910 e 20 e são ainda questões da nossa época. (Pleyel, 2021)

Ainda em homenagem ao aniversário de 40 anos [6 de abril de 2011] do falecimento de Igor Stravinsky, quero compartilhar essa maravilhosa e imperdível coleção de 8 cds com a Orchestre de la Suisse Romande na regência do extraordinário Ernest Ansermet, e trazer-lhes ainda, um pequeno trecho da reportagem do New York Times do dia do falecimento do compositor.

Igor Stravinsky, the Composer, Dead at 88

By DONAL HENAHAN

Igor Stravinsky, the composer whose “Le Sacre du Printemps” exploded in the face of the music world in 1913 and blew it into the 20th century, died of heart failure yesterday.
The Russian-born musician, 88 years old, had been in frail health for years but had been released from Lenox Hill Hospital in good condition only a week before his death, which came at 5:20 A.M. in his newly purchased apartment at 920 Fifth Avenue.
Stravinsky’s power as a detonating force and his position as this century’s most significant composer were summed up by Pierre Boulez, who becomes musical director of the New York Philharmonic next season:
“The death of Stravinsky means the final disappearance of a musical generation which gave music its basic shock at the beginning of this century and which brought about the real departure from Romanticism.
“Something radically new, even foreign to Western tradition, had to be found for music to survive, and to enter our contemporary era. The glory of Stravinsky was to have belonged to this extremely gifted generation and to be one of the most creative of them all.”

Leia AQUI o texto na íntegra .

Tenha uma ótima audição!

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Stravinsky – Ballets, Stage Works and Orchestral Works

CD 1 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
L’oiseau de feu – Pássaro de fogo
Le Chant du rossignol – O Canto do rouxinol

CD 2 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
Petrushhka
Le Sacre du printemps – Sagração da primavera

CD 3 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
Pulcinella (Marilyn Tyler, soprano / Carlo Franzini, tenor / Boris Carmeli, bass)
Apollon musagète – Apolo, líder das musas

CD 4 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
Le baiser de la fée – O Beijo da fada
Renard – A Raposa (estória burlesca) (Gerald English, John Mitchinson, tenors / Peter Glossop, baritone / Joseph Rouleau, bass)

CD 5 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
L’histoire du soldat (Suite) – A História do soldado (Suíte)
Pulcinella – Suite

CD 6 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
Symphony in C – Sinfonia em Dó Maior
Symphony in Three Movements – Sinfonia em três movimentos
Symphonies of Winds – Sinfonias para instrumentos de sopro

CD 7 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
Concerto for piano (Nikita Magaloff, piano)
Capriccio for piano (Nikita Magaloff, piano)
Suites 1-2 for Orchestra
4 Études for Orchestra
Scherzo à la russe

CD 8 – Download Here / Baixe Aqui – Mega ou Aqui – Mediafire
CD 08 – Download Here / Baixe Aqui
Symphony of Psalms (Choeur de jeunes de Lausanne and Choeur de Radio Lausanne)
Les Noces (Basia Retchitzka, soprano / Lucienne Devalier, contralto / Hugues Cuénod, tenor / Heinz Rehfuss, bass)
Mavra (Joan Carlyle, soprano / Helen Watts, contralto / Monica Sinclair, contralto / Kenneth Macdonald, tenor)

Booklet – Download Here / Baixe Aqui o encarte

Orchestre de la Suisse Romande, Ernest Ansermet

A capa dessa caixa de 8 CDs é um retrato de Igor Stravinsky por seu filho Théodore, que também fez os figurinos de uma montagem de Petrushka em 1944

Marcelo Stravinsky (2011), Pleyel (2021)

A Obra Completa de Bartók (1881-1945) – Miraculous Mandarin Suite, Piano Concerto no. 3 #BRTK140 + Stravinsky (1882-1971) – Firebird

Hoje, seguimos com as homenagens a Bartók e iniciamos uma série de postagens dedicadas a Igor Stravinsky, que morreu há 50 anos, em abril de 1971.

O russo Valery Gergiev foi maestro titular da Orquestra Sinfônica de Londres de 2007 a 2015. Eles gravaram, nesse período, todas as sinfonias de Mahler, de Prokofiev e de Scriabin. Tudo ao vivo. Além da ópera Barba-Azul, de Bartók. Stravinsky já faz parte do repertório de Gergiev há muito tempo, com a orquestra Mariinsky de São Petersburgo.

Nesta gravação ao vivo de 2015, muito bem captada, ouvimos um concerto inteiro da Orquestra Sinfônica de Londres, na turnê de despedida de Gergiev como maestro principal, antes de ele assumir a Filarmônica de Munique.

Na obra de abertura, a Suíte Mandarim Miraculoso, Sz. 73, a orquestra londrina mostra sua capacidade de criar as sonoridades mais diversas, da agitada e urbana introdução até as várias cenas noturnas de Bartók, um mestre em criar noturnos orquestrais com cordas graves misteriosas e sopros suaves. O ballet Mandarim Miraculoso (aqui reduzido pelo compositor a uma suíte, uma espécie de “melhores momentos”), tem como protagonista uma prostituta, apesar desse título que com certeza foi pensado para atenuar os escândalos (em 1947 por exemplo, Sartre estreava a peça de teatro La P… respectueuse, escrita assim porque a publicação da palavra p*** era proibida até 1962 na França). Normal, em uma obra desse tipo, que as cenas sejam quase todas noturnas.

O 3º Concerto para Piano de Bartók é o ponto mais fraco da noite. Há muitos momentos interessantes, mas no geral, o pianista Yefim Bronfman e os músicos londrinos não conseguem competir com gravações como a de Schiff/Fischer/Budapest Festival Orchestra. É uma obra de orquestração mais concisa com menos cordas, menos percussões, menos solos exuberantes de sopros, e que exige realmente uma grande sensibilidade dos músicos, apenas parcialmente atingida aqui.

No balé Pássaro de Fogo, de Stravinsky, voltamos às orquestrações exuberantes já desde o começo, com 8 contrabaixos, seguidos por 3 fagotes e dois contrafagotes, 3 harpas e por aí vai… Gergiev é um especialista nesse repertório e a qualidade dos músicos e da gravação completam o time vencedor. Um comentarista na Amazon descreve que, como a gravação foi realizada por uma estação de rádio, ele esperava qualidade de áudio não tão espetacular, mas se enganou, pois as dinâmicas captam bem desde os sons mais suaves aos mais barulhentos, e todos os instrumentos têm seus momentos para brilhar. Ele completa:

I was impressed with the recording quality, and it deserves to be in the well-engineered LSO series with no reservations. As for the Firebird, Gergiev doesn’t do anything radical: the tempi are fairly brisk compared to other favorite recordings, but not excessively so. What struck me every time through is how the work grabbed me: I wanted to hit the next track button to hear my favorite bits, but almost always got enthralled in the tension the LSO was building. The last few tracks are easily as good as any other recording of this work in my collection, and that covers over three dozen recordings. While there’s not the massive bass sound from the Telarc recording, for example, there’s no lack of bass here.

Para completar o concerto ao vivo, não podia faltar um bis, é claro. Gergiev traz mais um russo – na verdade ucraniano – com uma famosa melodia de Prokofiev.

CD1
Béla Bartók (1881–1945)
1-3. Suite from The Miraculous Mandarin, Op 19, Sz 73, BB 82 (1918–24)
4-6. Piano Concerto No 3 in E major, Sz 119, BB 127 (1945)

CD2
Igor Stravinsky (1882–1971)
1-9. The Firebird (complete ballet, 1910)
Sergei Prokofiev (1891–1953)
10. Suite No 2 from Romeo and Juliet, Op 64ter: “No 1: Montagues and Capulets” (1936)

London Symphony Orchestra
Valery Gergiev
Yefim Bronfman piano
Recorded live on 24 October 2015 at the New Jersey Performing Arts Center

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Quem desenhou esta ilustração presente em programas do Mandarim?

Pleyel

Stravinsky (1882-1971): Petrushka – A Sagração da Primavera – Seiji Ozawa ֎

Stravinsky (1882-1971): Petrushka – A Sagração da Primavera – Seiji Ozawa ֎

STRAVINSKY

Petrushka

A Sagração da Primavera

Seiji Ozawa

 

Este disco apareceu em uma postagem no dia 29 de maio de 2013 e hoje ressurge na série PQP-Originals.

Veja aqui o texto daquela postagem (com a tradicional objetividade PQP-niana):

Seguindo nossa homenagem aos 100 anos da estreia de A Sagração da Primavera, lá vai o segundo torpedo, este com Seiji Ozawa, grande regente que atualmente luta com problemas de saúde decorrentes de um câncer no esôfago contraído em 2009. Assim como no CD postado por FDP Bach, a Sagração vem com o brinde de Petrouchka, mas aqui temos também a curta e excelente Fogos de Artifício.

Agora você sabe a motivação da postagem original, o centenário da estreia de A Sagração da Primavera, em 29 de maio de 1913, no Théatre des Champs-Elysées, em Paris. A primeira parte do programa foi Les Sylphides, balé baseado na música de Chopin. Choque é uma palavra leve para descrever a reação da plateia. A Sagração da Primavera é uma das peças mais inovadoras e é um marco na História da Música. O balé é resultado de uma colaboração de Stravinsky com diversos outros artistas de outras áreas. Menciono isto apenas para colocar a originalidade da obra num contexto de mudanças que estavam, por assim dizer, no ar. A Sagração é parte de uma sequência de balés que começou com o Pássaro de Fogo e passou por Petrushka, a outra obra do álbum. Tudo isto em pouco mais de três anos, uma vez que a estreia do Pássaro de Fogo ocorreu em 1910.

Mas o que nos interessa hoje é a música e estas gravações são excelentes e merecem serem reapresentadas aos nossos leitores-seguidores.

Confesso, Seiji Ozawa não é o primeiro nome que me vem à mente ao pensar em um regente para essas (ou outras, por assim dizer) peças. Mas aqui temos duas orquestras americanas no auge de suas excelentes capacidades regidas por um jovem talentoso esperando se firmar no cenário artístico americano. Ozawa viria a se tornar o regente da Orquestra de Boston alguns anos depois.

As gravações de A Sagração e de Fogos de Artifício, a pequena peça que completa o programa, são de julho de 1968. A orquestra é a Chicago Symphony, que até 1963 fora comandada por Fritz Reiner. Em 1968 o regente principal era Jean Martinon, que estava de saída.

A gravação de Petrushka é de em novembro de 1969, com a Boston Symphony Orchestra, outra das ‘Big Five’ e que fora consolidada por Charles Munch. Nesta gravação, o pianista é outro jovem americano que viria a se firmar como um importante regente, Michael Tilson Thomas.

A produção de Peter Delheim [RCA High Performance] é um primor.

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

  1. [1-16] – Petrushka
  2. [17 – 23] – A Sagração da Primavera (Parte I)
  3. [24 – 29] – A Sagração da Primavera (Parte II)
  4. [30] – Fogos de Artifício
Michael Tilson Thomas, piano (Petrushka)

Boston Symphony Orchestra (Petrushka)

Chicago Symphony Orchestra (Sagração e Fogos de Artifício)

Seiji Ozawa

Observação: Os arquivos originais estão divididos em múltiplas faixas, que pode ser conveniente para acessar este ou aquele trecho. No entanto, em alguns leitores de arquivos musicais, especialmente os mais antigos, há sempre um pequeno intervalo de tempo entre as faixas. Eu acho isso muito chato. Assim, disponho também uma opção com arquivos nos quais algumas faixas foram reunidas, evitando assim essa interrupção.

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MP3 | 320 KBPS | 160 MB (Multitrack)

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FLAC | 342 MB

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Igor, de olho no ano que vem aí…

Veja o que o pessoal lá do Japão achou do disco:

やはり50年近く前の演奏だから若干古さは感じるがこの値段でこれが聴けるのは驚異的!オーケストラの演奏がやたら巧過ぎるので良い音楽が堪能できます。ピアノの音色とオーケストラの音がキラキラ光る様で実に美しくも素晴しい。

(É uma performance de quase 50 anos atrás, então parece um pouco velha, mas é incrível ouvir isso a esse preço! Você pode desfrutar de boa música porque o desempenho da orquestra é muito habilidoso. O som do piano e o som da orquestra estão brilhando, e é realmente lindo e maravilhoso.)

Aproveitem, ano novo, música nova!!

René Denon

Seiji ensaiando a OSPQP

The Journey ∞ Leon Fleisher, piano ∞

The Journey ∞ Leon Fleisher, piano ∞

Bach · Mozart

Beethoven · Chopin

Stravinsky

Leon Fleisher

(1928 – 2020)

 

Imagine ser um pianista famoso, com concertos marcados nas grandes salas ao redor do mundo, ter seus discos no topo das paradas de sucesso sempre acompanhados das melhores críticas – uma vida de sucesso – e perder tudo, de repente. Isto ocorreu com Leon Fleisher, um dos mais renomados pianistas que, no meio da década de 1960 teve que redirecionar toda a sua carreira profissional por machucar a sua mão direita a ponto de não poder mais usá-la. Ele passou a sofrer de distonia focal.

Ele morreu neste primeiro domingo de agosto, aos 92 anos.

Apesar de ter a carreira de concertista interrompida, Leon Fleisher continuou a fazer e viver a música, tocando o repertório para a mão esquerda, regendo e dando aulas, até que em 1995, após 30 anos de inatividade, recuperou satisfatoriamente os movimentos da mão e voltou a tocar piano com duas mãos. Isto foi possível graças a uma combinação de uma técnica de massagem profunda e injeções de Botox.

Esta história sempre me encantou. Tenho e ouço seus discos do período áureo, mas de uma certa forma, aprecio ainda mais aqueles que ele gravou posteriormente. Em 2003 ele gravou um disco com o expressivo nome Two Hands, que tem uma gravação muito especial da última grande sonata de Schubert. Em 2006 ele gravou o disco desta postagem – The Journey.

Este título tanto se aplica ao repertório, que vai de Bach até Stravinsky, passando por Mozart, Beethoven e Chopin, quanto à sua própria vida.

Além da música, o álbum contém um disco com uma entrevista dada a Bob Edwards, na qual Leon Fleisher fala de sua jornada.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Capricho em si bemol maior, BWV 992

  1. Arioso: Adagio
  2. Fughetta
  3. Adagissimo
  4. Andante
  5. Aria (do postilhão): Allegro poco
  6. Fuga

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sonata em mi bemol maior, K 282

  1. Adagio
  2. Menuetto I – II
  3. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Fantasia e Fuga Cromática em ré menor, BWV 903

  1. Fantasia
  2. Fuga

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

Berceuse em ré bemol maior, Op. 57

  1. Berceuse

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Serenata em lá maior

  1. Hymne
  2. Romanza
  3. Rondoletto
  4. Cadenza finala

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Bagatela em lá menor, WoO. 59 “Für Elise”

  1. Bagatela

Leon Fleisher, piano

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MP3 | 320 KBPS | 120 MB

Que a persistência e a atitude resiliente de Leon Fleisher nos inspire a enfrentar as nossas limitações e dificuldades e que possamos também percorrer uma boa jornada.

Aproveite!

René Denon

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrushka / Jeu de Cartes

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrushka / Jeu de Cartes

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aprendam: quando vocês passarem por algo que indique que há Gergiev e música russa disponíveis, se atirem porque a satisfação é garantida. O homem é um craque em todos os campos, mas joga em casa quando a coisa está russa. E que orquestração de Strava!!! A coisa é feérica e eufônica!

Petrushka é um balé burlesco composto de quatro cenas por Igor Stravinsky e coreografado por Michel Fokine. Foi composto entre 1910 e 11 e revisado em 1947. A peça foi montada pela primeira vez pela companhia russa de balé de Serguei Diaguilev em Paris, em 13 de junho de 1911. Vaslav Nijinski encarnou Petrouchka, com Tamara Karsavina como A Bailarina. Alexandre Orlov fazia o Mouro e Enrico Cecchetti o Mago.

A história é sobre um fantoche tradicional russo, Petrushka, que é feito da palha e com um saco de serragem como corpo que acaba por tomar vida com a capacidade de amar, numa história que se assemelha a de Pinocchio. Petruchka conta a história de amor e de inveja de três bonecos. Os três ganham vida graças ao Mago. Petruchka ama a Bailarina, mas ela o rejeita. A Bailarina prefere o Mouro. Petruchka fica furioso e desafia o Mouro. No duelo, o Mouro acaba matando Petruchka, cujo fantasma se levanta sobre o teatro de bonecos quando a noite cai. Ele desafia o Mago, que acaba o matando pela segunda vez. Petruchka traz música, dança e design unidos como um todo. É um dos balés mais populares da Rússia e geralmente é encenado com coreografia e desenhos originais. Grace Robert escreveu em 1949: “Ainda que mais de trinta anos tenham se passado desde sua estreia, sua posição como um dos grandes balés de todos os tempos permanece intocada. Sua perfeita fusão de música, coreografia, decoração e seu tema — a sempre atual tragédia do espírito humano — unem-se para fazer o apelo se tornar universal.”

Jeu de cartes (Jogo de cartas) é um balé em três movimentos, ou jogos, composto por Igor Stravinsky em 1936-37 com libreto do compositor em colaboração com M. Malaieff (um amigo do filho mais velho de Stravinsky, Théodore Stravinsky) e com coreografia de George Balanchine . O ballet foi estreado pelo American Ballet no Metropolitan Opera House , em Nova York, em 27 de abril de 1937, sob a direção do compositor. Mas não é Petrushka…

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrushka / Jeu de Cartes

Petrushka (1910–11)
Premier Tableau (First Scene)
1 I. Introduction (À la Foire Du Mardi-Gras) [The Shrovetide Fair (Introduction)] 1:26
2 II. Le Compère de la Foire Amuse la Foule Du Haut de Son Tréteau [The Crowds] 4:07
3 III. Le Tour de Passe-passe [The Conjuring Trick] 1:57
4 IV. Danse Russe [Russian Dance] 2:41

Deuxième tableau (Second Scene)
5 I. Chez Pétrouchka [Petrushka’s Cell] 4:45

Troisième Tableau (Third Scene)
6 I. Chez Le Maure [The Moor’s Cell] 3:03
7 II. Danse de la Ballerine [Dance Of The Ballerina] 0:48
8 III. Valse de la Ballerine Et Du Maure [Waltz (The Ballerina And The Moor)] 3:22

Quatrième Tableau (Fourth Scene)
9 I. La Foire Du Mardi Gras (vers Le Soir) [The Shrovetide Fair (towards Evening)] 1:10
10 II. Danse Des Nounous [Dance Of The Wet-Nurses] 2:17
11 III. Entre Un Paysan Avec Un Ours [A Peasant Enters With A Bear] 1:49
12 IV. Les Tziganes Dansent. Le Marchand Joue de L’accordéon [The Gypsy Girls Dance] 0:56
13 V. Danse Des Cochers Et Des Palefreniers [Dance Of The Coachmen And Grooms] 2:00
14 VI. Les Déguisés [The Mummers] 2:17
15 VII. Mort de Pétrouchka [Petrushka’s Death] 2:55

Jeu de cartes (1936–37)
16 I. Première Donne [First Deal]. Alla Breve – Moderato Assai – Tranquillo 5:41
17 II. Deuxième Donne [Second Deal]. Alla Breve – Marcia – Variazioni 1-5 – Coda – Marcia 9:16
18 III. Troisième Donne [Third Deal]. Alla Breve – Valse – Presto – Tempo Del Principio 7:20

Mariinsky Orchestra
Valery Gergiev

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Imagem de uma montagem de Petrushka

PQP

Stravinsky (1882-1971) & Prokofiev (1891-1953): Danse Russe – William Hagen (violino) & Albert Cano Smit (piano)

Stravinsky (1882-1971) & Prokofiev (1891-1953): Danse Russe – William Hagen (violino) & Albert Cano Smit (piano)

Stravinsky & Prokofiev

Música para Violino e Piano

William Hagen, violino

Albert Cano Smit, piano

Este disco foi lançado recentemente e é o primeiro álbum da dupla de violinosta e pianista. William Hagen e Albert Cano Smit estudaram em Colburn, uma escola para artes que fica em Los Angeles, na Califórnia. Você poderá descobrir mais sobre esta interessante instituição acessando a página deles aqui.

No entanto, no momento que eu escrevo, isto será o máximo que poderá fazer, pois as atividades da escola estão completamente suspensas nestes dias de pandemia. Espero que tudo isto já seja passado, no momento que esta postagem vier à tona.

O disco é resultado de um desafiador projeto da dupla – escolher repertório, tratar das gravações, gerenciar o lançamento do álbum e torcer para que tudo funcione. Espero que esta divulgação do álbum aqui no blog resulte em algum retorno para os artistas. Lembremos que, dentro das condições de cada um, devemos dar suporte aos artistas.

Mas, a música? Linda, excitante (não hesitante), pulsante, cheia de humor e com alguns toques de nostalgia. Os (músicos) russos são ótimos nisto. Stravinsky e Prokofiev têm em comum o uso de melodias folclóricas, o interesse pela dança e os trabalhos que escreveram para Diaghilev.

A Suíte Italiana, de Stravinsky, é uma adaptação de alguns trechos do balé Pulcinella, inspirado pela (e adaptado da) música de Pergolesi e contribui fortemente para o sucesso do disco. Na verdade, Diaghilev apresentou para Stravinsky manuscritos de música do século dezoito escrita por compositores que estavam esquecidos. A música para Pulcinella tem a contribuição do veneziano Domenico Gallo, do Conde van Wassenaer, um diplomata holandês, e Carlo Ignazio Monza, um padre milanês. Houve uma primeira versão para violoncelo e piano, mas esta versão para violino e piano é igualmente vencedora.

O Divertimento que vem a seguir, também de Stravinsky, são adaptações de números do balé Le baiser de la fée, que por sua vez foi inspirado nas lindas melodias de Tchaikovsky, mas que tem a inigualável assinatura de Stravinsky.

Estas peças para violino e piano, assim como o Concerto para Violino, surgiram da colaboração de Stravinsky com o violinista americano, de origem polonesa, Samuel Dushkin.

Prokofiev contribui com a linda sonata para violino e piano, cuja primeira versão, para flauta e piano, pode ser ouvida nesta postagem aqui.  Para completar o disco, mais cinco pequenas peças, com destaque para a Marcha do Amor por Três Laranjas e arrematando com a arrasadora dança russa de Petrushka. Nas cinco últimas peças do disco a dupla faz uma certa homenagem aos grandes violinistas do passado – Jascha Heifetz, Nathan Milstein e Samuel Dushkin – que adaptaram trechos e peças para seus próprios concertos. Afinal, as lindas melodias não devem ficar restritas apenas às suas versões originais, não é mesmo?

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Suite Italianne

  1. Introduzione
  2. Serenata
  3. Tarantella
  4. Gavotta com due variazione
  5. Scherzino
  6. Minueto e finale

Divertimento (do balé Le baiser de la fée)

  1. Sinfonia e Danses Suisses
  2. Scherzo
  3. Pas de deux – Adagio
  4. Pas de deux – Variation
  5. Pas de deux – Coda

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)

Sonata para Violino No. 2 em ré maior, Op. 94a

  1. Moderato
  2. Scherzo
  3. Andante
  4. Allegro com brio

Tales of an Old Grandmother

  1. Andantino (arranjo de Nathan Milstein)
  2. Andante (arranjo de Nathan Milstein)

The Love for Three Oranges

  1. Marcha (Arranjo de Jascha Heifetz)

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Mavra

  1. Chanson russe (Arranjo de Samuel Dushkin)

Petrushka

  1. Danse russe (Arranjo de Samuel Dushkin)

William Hagen, violino

Albert Cano Smit, piano

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Albert Cano Smit …
… William Hagen

 

 

 

 

 

Enfim, um lindo disco para ouvir e encher a casa de alegria!

Aproveite!

René Denon

Igor Stravinsky – The Rite of Spring, Concerto for two piano solos, etc. – Leif Ove Andsnes, Marc-André Hamelin

A obra prima de Stravinsky dispensa apresentações. A novidade aqui é esta fantástica versão para dois pianos, com arranjo do próprio compositor, que, segundo seus biógrafos, primeiro escrevia as peças para o piano e depois a transcrevia para a orquestra. O piano era seu principal instrumento de trabalho. Ah, creio que tanto o Concerto para dois piano solos quanto as outras obras estão estreando aqui no PQPBach.
Dois grandes pianistas da atualidade se encarregam de interpretá-las nesta gravação, Leif Ove Andsnes, norueguês, e o canadense Marc-André Hamelin, que conhecemos por suas incursões na obra de Haydn e de Mozart. Com certeza, dois dos maiores pianistas da atualidade, músicos experientes, pois esta empreitada é para poucos. O criterioso trabalho de produção do excelente selo Hyperion torna tudo ainda mais especial.
Sim, eu sinto falta do barulho da orquestra, dos efeitos especiais, daquele caos sonoro. Mas lembro os senhores que o arranjo é do próprio compositor. Ouçam com atenção, e depois podem fazer as devidas comparações com sua versão orquestral favorita. A ‘Sagração da Primavera’ é uma das maiores composições do século XX, e vale a pena conhecer todas as possibilidades de interpretação. Lembro de ter trazido para os senhores a impressionante transcrição que o músico de jazz Larry Coryell fez para violão com cordas de aço. Quando puder, reposto este CD.

01 The Rite of Spring – Part 1, Introduction
02 The Rite of Spring – Part 1, Augurs of Spring (Dances of the Young Girls)
03 The Rite of Spring – Part 1, Game of Abduction
04 The Rite of Spring – Part 1, Spring Rounds
05 The Rite of Spring – Part 1, Game of the Two Rival Tribes
06 The Rite of Spring – Part 1, Procession of the Oldest and Wisest One
07 The Rite of Spring – Part 1, The Kiss of the Earth
08 The Rite of Spring – Part 1, Dancing Out of the Earth
09 The Rite of Spring – Part 2, Introduction
10 The Rite of Spring – Part 2, Mystic Circle of the Young Girls
11 The Rite of Spring – Part 2, Glorification of the Chosen One
12 The Rite of Spring – Part 2, Evocation of the Ancestors
13 The Rite of Spring – Part 2, Ritual Action of the Ancestors
14 The Rite of Spring – Part 2, Sacrificial Dance
15 Concerto for Two Solo Pianos – Con moto
16 Concerto for Two Solo Pianos – Notturno. Adagietto
17 Concerto for Two Solo Pianos – Quattro variazioni
18 Concerto for Two Solo Pianos – Preludio e fuga
19 Madrid
20 Tango
21 Circus Polka

Leif Ove Andnes, Marc-André Hamelin – Pianos

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Honegger (1892-1955): Sinfonias nº 2 e No. 3 “Liturgique” / Stravinsky: Concerto para orquestra de cordas

A sinfonia, após Beethoven, se tornou uma forma épica, apropriada para grandes obras afirmativas de sentimentos românticos, espirituais ou trágicos. Não é à toa que, no período imediatamente antes, durante e após a longa 2ª Guerra Mundial, abundam sinfonias de peso: do lado comunista do mundo, as de Shostakovich, Prokofiev e Lutoslaswki; do lado ocidental, a Sinfonia Litúrgica de Honegger, composta entre 1945 e 46, é a mais célebre por expressar a tragédia daquele período, com uma pontinha de esperança quand même.

O próprio Honegger escreveu um extenso programa para a sinfonia, deixando explícita a conexão da música com os horrores da guerra e o desejo de paz. “Eu quis simbolizar a reação do homem moderno contra a maré da barbárie, da estupidez, do sofrimento…”, escreveu o compositor. Como sabemos, o homem que não conhece a história está condenado a repeti-la.

Herbert von Karajan, que regia muito pouca música do século XX, colocou esta sinfonia no seu repertório habitual e foi um dos maiores intérpretes dela, assim como da 2ª sinfonia, para cordas e trompete, escrita durante a guerra. Como escreveram dois comentaristas da Amazon:

It’s never really been out of fashion amongst some to denigrate von Karajan for being smooth and suave when he should be rough and ready, etc. etc. In any event, when he was personally sold on a piece, and championed it in the concert hall, there were few rivals. The Honegger 3rd (and 2nd, really) was one such piece. And yes, Karajan’s magician’s way of getting the Berlin Philharmonic into, and becoming, the piece is certainly in evidence here.

To call the strings impeccable in Symphony 2, (composed 1941), is an understatement, this is the Berlin Philharmonic we’re talking about, under Karajan they were by far the finest strings in the world. Hell, they were the best orchestra in the world, period.
Symphony 3, “Liturgique”, (composed 1945-46), receives a one of a kind, supreme reading as well. It is nigh-definitive, the dies irae passionate, the adagio suitably expansive and moving, the final dona nobis pacem stunning in its virtuosity. Just like the second symphony this music was inspired by World War II and there’s plenty of tragic emotion in the work.

Honegger: Symphony No.2 For Trumpet And Strings (1941)
1. I: Molto moderato – allegro
2. II: Adagio mesto
3. III: Vivace, non troppo
Honegger: Symphony No.3, “Liturgique” (1946)
4. I: “Dies Irae” – Allegro marcato
5. II: “De Profundis Clamavi” – Adagio
6. III: “Dona Nobis Pacem” – Andante
Stravinsky: Concerto In D For String Orchestra, “Basler” (1946)
7. I: Vivace
8. II: Arioso. Andantino
9. III: Rondo. Allegro
Berliner Philharmoniker, Herbert von Karajan

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Karajan – amado e odiado por milhões. Em sua defesa, cabe lembrar que ele jamais plagiou discursos de Goebbels

Pleyel

Igor Stravinsky (1882-1971): Oedipus Rex e Symphonie de Psaumes

Igor Stravinsky (1882-1971): Oedipus Rex e Symphonie de Psaumes

CVL nos avisou que faz, hoje, quarenta anos da morte de Igor Stravinsky (esta postagem é originalmente de 6 de abril de 2011), uma das maiores personalidades da música do século XX.

Oedipus Rex foi escrito no período neoclássico de Stravinsky. O libreto da peça foi concebido por Jean Cocteau. A obra é baseada na tragédia homônima de Sofócles. Já a Sinfonia dos Salmos foi “composta em 1930, foi o resultado da encomenda que lha havia feito Sergei Koussevitzky para celebrar o 50º aniversario da Orquestra Sinfônica de Boston. Para evitar as conotações ligadas à tradição romântica, utilizou meios alheios ao gênero: coro infantil e masculino a quatro vozes e uma peculiar orquestra que incluía metal, madeira, dois pianos, percussão e uma secção de cordas reduzida, pois eliminou violinos e violas. Uma estranha sonoridade de claros e nítidos perfis onde domina a instrumentação arcaica, acentuada pelos frequentes ostinati que articulam numerosos trechos. No uso do latim, na combinação de modelos ligados à tradição ocidental e ao âmbito cultural russo-ortodoxo, há um desejo de superar a interpretação pessoal-expressiva e de alcançar certa objetividade, projetos que se materializam numa das criações mais importantes da música religiosa de nosso século. O começo é áspero, um seco acorde em Mi menor introduz a prece a Deus, omnipotente e distante. Fagotes e oboés são interrompidos pelo mesmo acorde que reaparecerá ao longo do movimento. O piano e a trompa os substituem e as cordas expõem o tema com que entrará o coro, “Exaudi orationem meam”, sobre o fundo das madeiras (fagotes, oboés, corno inglês). Este tema é retomado pelos contraltos, após uma breve passagem executada pelas flautas e oboés. Reaparece o acorde e entram os tenores e sopranos, com o acompanhamento dos dois pianos. De novo o acorde e , então somente com os instrumentos de sopro, desenvolve-se uma seção que leva ao crescendo e ao qual se une o resto dos instrumentos. Com as repetições de “remite mihi” o final discorre até o Sol. A parte central é um canto de esperança. O prelúdio, na seção de sopro, mostra as inauditas complexidades contrapontísticas que Stravinsky condensa neste movimento, construído como uma dupla fuga vocal e instrumental, em perfeito e denso equilíbrio, onde se combinam os mais estritos desenvolvimentos e inversões com tratamentos canônicos pessoais, registrados na estrutura polifônica. Depois da introdução, o coro, num clima tranqüilo começa sua declamação, “Expectus expectavi dominus”. Após uma passagem a capella e outra instrumental, todos os integrantes se unem fortissimo, para piano sobre “Sperabunt in Domino”. O salmo 150 é a base do canto de louvor final. O Dó menor de “aleluia” é levado, numa rápida modulação, ao Dó maior. As vozes entoam o primeiro versículo, criando, com suas repetições e com a trama instrumental, uma hipnótica sensação. A respeito do trecho seguinte, mais rápido, Stravinsky comentou que lhe fora sugerido “pela visão do carro de Elias subindo ao céu”. Esta vivaz seção, na qual ressalta um potente ostinati instrumental, guarda em seu centro uma passagem mais tranquila, que preludia a coda final, num ritmo de três por dois, e constitui “um hino sublime, quase imóvel, onde o tempo da música se une ao da eternidade”. Fonte.

Igor Stravinsky (1882-1971) Oedipus Rex e Symphonie de Psaumes

Oedipus Rex
01. Prologue. Acte I
02. Acte II. Epilogue

Symphonie de Psaumes
03. I. Exaudi orationem meam, Domine
04. II. Exspectans exspectavi Dominum
05. III. Alleluia, laudate Dominum

Czech Philharmonic Chorus And Orchestra
Karel Ancerl, regente

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Stravinsky fazendo café turco para a turma do PQP. Ficou mais ou menos.

Carlinus (e PQP, que não gostou de Édipo Rei, mas adorou a Sinfonia dos Salmos)

Ravel (1875-1937): Miroirs & La Valse – Stravinsky (1882-1971) – L’Oiseau de feu & Petrouchka – Beatrice Rana

Ravel (1875-1937): Miroirs & La Valse – Stravinsky (1882-1971) – L’Oiseau de feu & Petrouchka – Beatrice Rana

Ravel 

Stravinsky

Música para Piano

 

Por certo vocês já perceberam minha predileção pelo piano. Os compositores que se destacam por compor para este instrumento são sempre meus preferidos, especialmente aqueles que escreviam para piano antes que este fosse inventado e também por aqueles que desconstruíam seus primeiros protótipos com o exclusivo intuito de torná-los aquilo para o qual deveriam existir…

Quando encontro um disco que reúne repertório destes compositores interpretado por algum artista promissor, que traz uma certa ousadia ou um novo olhar para estas obras, não deixo de ouvir vezes e vezes. E foi isto o que aconteceu com este disco da postagem.

Dia destes postei um disco da Anne Queffélec interpretando a obra que abre este disco – Miroirs. Temos aqui uma outra espetacular interpretação, agora com a jovem e talentosíssima pianista italiana – Beatrice Rana. A moça é filha de pianistas profissionais e confessa que ficou chocada ao saber, ainda mais jovem, que as outras pessoas raramente têm pianos em suas casas.

Ravel e Stravinsky eram muito diferentes, mas tinham grande respeito um pelo outro. O ‘língua de trapo’ do Igor chamou Maurice de ‘o relojeiro suíço’ da música – é claro, caricaturando a obsessão de Ravel com a perfeição de suas peças. Mas também disse que Maurice fora o único que entendera sua música logo após o furor que foi a estreia de sua Sagração da Primavera. Além de Miroirs, o disco tem duas obras de Stravinsky. Alguns trechos do Oiseau de Feu transcritas para piano por Guido Agosti, um pianista que foi aluno de Ferruccio Busoni, entre outros, e três movimentos de Petrouchka, do próprio Stravinsky. Há uma gravação destes movimentos feita por Maurizio Pollini que é extraordinária, mas hoje o dia é da bela Beatrice.

Para completar o pacote, La Valse, de Maurice Ravel. Você verá que uma orquestra não cabe em um piano, mas quase. Além disso, não é hora de ficar procurando defeitos, agarre o par mais próximo e aproveite este disco espetacular!

Maurice Ravel (1875-1937)

Miroirs

  1. Noctuelles
  2. Oiseaux tristes
  3. Une Barque sur l’océan
  4. Alborada del gracioso
  5. La Vallée des cloches

Igor Stravinsky (1882-1971)

L’Oiseau de feu

  1. Dance infernale; Berceuse
  2. Finale

Petrouchka

  1. Danse russe; Chez Petrouchka; La Semaine grasse

Maurice Ravel (1875-1937)

La Valse

  1. La Valse

Beatrice Rana, piano

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Ah, a bela Beatrice é capa da Gramophone, recebeu loas de todas as partes e teve um disco com as Variações Goldberg postado aqui pelo próprio PQP Bach. Então, ande, baixe logo o álbum, escute muitas vezes e venha logo aqui dizer que gostou. Pode clicar no ‘LEAVE A COMMENT’, bem em baixo do nome do compositor, no alto da nossa página, para dizer, mesmo com poucas e mal traçadas linhas, que gostou!

Aproveite!

René Denon

A Quatro Mãos: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Franz Schubert (1797-1828) – Igor Stravinsky (1882-1971) – Duos para piano – Martha Argerich e Daniel Barenboim

81i-IsCDEEL._SL1400_Depois de aparecerem nesta série em companhias diferentes, Martha Argerich e Daniel Barenboim voltam num aclamado recital na Philarmonie de Berlim. Os dois grandes músicos portenhos conheceram-se em sua cidade natal, enquanto eram as mais famosas crianças-prodígio de Buenos Aires. Os estudos e a família levaram Argerich para Viena, ao passo que Barenboim tomou o rumo de Israel. Reuniram-se depois, já mundialmente famosos, e em muitas ocasiões Daniel conduziu orquestras para solos de Martha. Suas aparições como duo pianístico são bem mais raras, e este recital de 2014, em que a Philarmonie transbordou de cadeiras extras, foi o primeiro do gênero em mais de quinze anos. O programa é um clássico: a graciosa Sonata para dois pianos de Mozart e as Variações de Schubert abrindo as cortinas para a furiosa Sagração da Primavera de Stravinsky, depois da qual, parece, nada mais cabe tocar. A caprichada gravação foi lançada pelo interessante selo Peral, do próprio Barenboim, dedicado inteiramente ao lançamento fonográfico de seus trabalhos como pianista e regente via internet  – e, para quem não sabe, “peral” em espanhol significa “pereira”, que em alemão é “Birnbaum” e, em iídiche, “Barenboim”.

MARTHA ARGERICH – DANIEL BARENBOIM – PIANO DUOS

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sonata em Ré maior para dois pianos, K. 448
01 – Allegro con spirito
02 – Andante
03 – Allegro molto

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

04 – Variações sobre um Tema Original em Lá bemol maior, K. 813

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

La Sacre du Printemps, em versão para dois pianos do próprio compositor
05 – Primeira parte: A Adoração da Terra
06 – Segunda parte: O Sacrifício

Martha Argerich e Daniel Barenboim, pianos

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Martha e Daniel, ontem e hoje
Martha e Daniel, ontem e hoje

Vassily Genrikhovich

A Quatro Mãos: Reimagine – Anderson & Roe Piano Duo

71nqPbHmeIL._SX355_Fred Astaire e Ginger Rogers transpostos da pista de dança para o teclado“.

Só este veredito acerca do trabalho do duo pianístico de Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe já bastaria, cauteloso que sou acerca das sensibilidades da ala ultrarradical de nossos leitores-ouvintes, para colocar um sinal de .:interlúdio:. na frente do título. O duo Anderson & Roe, afinal, é jovem, bem-apessoado, bastante performático nos palcos, faz sucesso entre públicos que jamais sonhariam em escutar música para dois pianistas e, sacrilégio talvez maior ainda, usam amplamente a internet para granjearem sua fama.

Não coloquei qualquer ressalva .:interlúdica:., incluí os jovens em meio a gravações de Argerich, Barenboim e Lupu, e já ouço, por isso, os tomates zunindo em minha direção. Apresso-me em alcançar-lhes o contraponto: estes dois egressos da Juilliard School são excelentes pianistas, ótimos arranjadores e, de quebra, ainda têm um sensacional trabalho de duo. Vê-los tocando (e convido os leitores-ouvintes a explorarem a cybersfera para tanto) é se embasbacar com a precisão com que esses jovens dividem um teclado, entrecruzando as mãos de maneiras que não parecem fisiologicamente plausíveis, e a clareza que mantêm linhas melódicas que mesmo grandes pianistas deixam nubladas. Talvez falte um tanto de “peso” a este CD, que, à exceção da boa interpretação para a “Sagração da Primavera” de Stravinsky, é um bonito balaio de gatos composto tão só de transcrições e paráfrases de curtas obras alheias. O duo lançou posteriormente álbuns mais coesos, entre os quais um primoroso “The Art of Bach” que, depois que eu sair da base da pilha de pedras, eu postarei para vocês se os bramidos nas caixas de comentários não forem tão ferozes.

ANDERSON & ROE – REIMAGINE

01 – “Danse Macabre (remix)”, sobre “Dança Macabra, Poema Sinfônico Op. 40 de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

02 – “The Swan”, sobre “O Cisne” de “O Carnaval dos Animais”de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

03 – “A New Account of the Blue Danube Waltzes”, baseado em “An die schönen blauen Donau”, Op. 314 de Johann STRAUSS, filho (1825-1899)

04 – “The Cat’s Fugue”, sobre o tema da Sonata em Sol menor, K. 40, “A Fuga do Gato”, de Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

05 – Libertango, sobre obra de Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

06 – “The Cuckoo in Sussex”, sobre “Le Coucou” de Louis-Claude DAQUIN (1694-1772)

07 – “Erbarme dich”, sobre ária da “Paixão segundo Mateus” de Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

A Sagração da Primavera, para dois pianos
08 – Introduction to Part I
09 – The Augurs of Spring
10 – Ritual of Abduction
11 – Spring Rounds
12 – Ritual of the Two Rival Tribes
13 – Procession of the Oldest
14 – The Kiss of the Earth
15 – The Dancing Out of the Earth
16 – Introduction to Part II
17 – Mystic Circle of the Young Girls
18 – Glorification of the Chosen One
19 – Evocation of the Ancestors
20 – Ritual Actions of the Ancestors
21 – Sacrificial Dance

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)
22 – Danse Macabre, Op. 40 (arranjo de Anderson & Roe)

Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe, pianos e arranjos

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Eu disse que eles eram performáticos!
Eu disse que eles eram performáticos!

 

Vassily Genrikhovich

The Art of the Theremin – Clara Rockmore

The Art of the Theremin – Clara Rockmore

61nayAy+HeLMeu interesse em instrumentos musicais já me levou a tocar alguns deles em graus de sucesso que variam do sofrível ao ridículo. Minha experiência com todos, em especial os metais e as cordas, levou-me a admirar sobremaneira a dedicação dos instrumentistas para ajustarem suas bocas e dedos àqueles teimosos aparatos, extraindo deles não só sons agradáveis e condizentes com a intenção de um compositor, mas, o que é ainda mais impressionante, sem sucumbirem no processo.

Se acho uma façanha ser um virtuose de um instrumento que se toca tocando, que se pode dizer de um instrumento que se toca sem que se o toque?

Para mim, amigos, magia negra. Para o resto do mundo, é o assombroso teremim.

ooOoo

Inventado pelo físico russo Léon Theremin (Lev Termen, para os íntimos), este pioneiro entre os instrumentos eletrônicos é controlado pela posição das mãos do intérprete em relação a duas antenas: uma que regula a frequência, outra para o volume. O peculiar timbre resultante, já descrito como o de um “violoncelo perdido em neblina espessa, chorando por não saber como voltar para casa”, soa de melancólico a decididamente fantasmagórico. Não é à toa, portanto, que o teremim seja figurinha fácil de trilhas sonoras de filmes que abordam o incomum, o bizarro, e o inacreditável.

Parece difícil, e é mesmo. Por isso, talvez, passada a curiosidade inicial, o incrível instrumento de Theremin tenha ficado meio esquecido, e certamente limado de todos os círculos de música “séria”, até a entrada em cena de uma certa Clara Rockmore.

Nascida Klara Reisenberg em Vilnius (Lituânia), foi uma criança-prodígio no violino e chegou a estudar com Leopold Auer (sim, o professor de Heifetz; sim, o sujeito que esnobou o Concerto de Tchaikovsky) no Conservatório de São Petersburgo. Problemas de saúde fizeram-na abandonar o violino e a Música como um todo até encontrar, já nos Estados Unidos, o inventor Theremin. Trabalharam juntos no aperfeiçoamento do instrumento como meio de expressão artística. Foram tão próximos que Léon, que não era bobo, nem nada, lhe propôs casamento. Klara deu-lhe o fora, casou-se com um certo Rockmore, passou a chamar-se Clara e, emprestando ao teremim sua extraordinária musicalidade, transformou-se em sua primeira virtuose.

O vídeo acima, apesar do som precário, dá a vocês uma melhor ideia do que lhes tento dizer (além, claro,de ser deliciosamente funéreo!). O timbre, como já falamos, talvez seja um gosto adquirido, mas é assombrosa a expressividade que Rockmore obtém sem nada tocar além do éter. Se vocês perceberem, ao contrário da maior parte dos instrumentos, dos quais os silêncios são obtidos tão só pela suspensão da emissão do som, as pausas no teremim também têm que ser produzidas, através da ação a mão do volume (no caso de Rockmore, a esquerda).

Espero que, vencendo a natural estranheza, vocês possam apreciar a complicada arte desta virtuose incomum.

THE ART OF THE THEREMIN – CLARA ROCKMORE

Sergey Vasilyevich RACHMANINOV (1873-1943)

01 – Canções, Op. 34 – no. 14: Vocalise
02 – Romances, Op. 4 – no. 4: “Ne poj, krasavitsa” [NOTA DO AUTOR: conhecida como “Canção de Grusia”, não se refere a qualquer pessoa, mas sim à região caucasiana da Geórgia, que tem este nome em russo]

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

03 – O Carnaval dos Animais – no. 13: O Cisne

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

04 – El Amor Brujo – Pantomima

Yosif Yuliyevich AKHRON (1886-1943)

05 – Melodia hebreia, Op. 33

Henryk WIENIAWSKI (1835-1880)

06 – Concerto para violino no. 2 em Ré menor, Op. 22 – Romance

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

07 – O Pássaro de Fogo: Berceuse

Joseph-Maurice RAVEL (1875-1937)

08 – Pièce en forme de Habanera

Pyotr Ilyitch TCHAIKOVSKY (1840-1893)

09 – Dix-Huit Morceaux, Op. 72 – No. 2: Berceuse
10 – Six Morceaux, Op. 51 – No. 6: Valse sentimentale
11 – Sérénade Mélancolique, para violino e piano, Op. 26

Aleksandr Konstantinovich GLAZUNOV (1865-1936)

12 – Chant du ménestrel, Op.71

Clara Rockmore, teremim e arranjos
Nadia Reisenberg, piano

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Boris theremin

Vassily Genrikhovich

Sabine Devieilhe – Mirages – Alexandre Tharaud, François-Xavier Roth, Les Siècles

A voz da soprano Sabine Devieilhe é o grande destaque deste belíssimo CD. E é ela quem o apresenta:

“Este álbum veio através do meu desejo de gravar Lakmé, um papel que tem sido muito querido para o meu coração desde que eu o fiz pela primeira vez no palco em 2012.
Para este personagem de Lakmé, Leo Delibés compôs algumas das mais belas músicas já compostas para soprano coloratura. Sua abordagem artística era essencialmente francesa, pois sempre fazia da voz o centro das atenções, com uma orquestração que às vezes é diáfana (quando uma heroína recita uma oração) e às vezes deslumbrante (nos grandes duetos amorosos).
Foi esse trabalho que despertou meu amor pela ópera francesa do século XIX. Mas Lakmé também surgiu no contexto de artistas europeus, tornando-se mais abertos a influências de terras distantes. Os ouvidos ocidentais estavam ansiosos por fazer viagens musicais e poéticas, e as pessoas eram cada vez mais receptivas a perfumes de longe.” Esta sua apresentação em sua íntegra se encontra no booklet que está anexado ao arquivo.

Dois momentos memoráveis deste CD é a magnífica ”Viens, Mallika’, com a ‘Duo das Flores’, uma das mais belas árias já compostas, e ‘La Romance d’Ariel” de Debussy. A voz de Sabine Devieilhe é alguma coisa de outro mundo. Tenho certeza que os senhores irão amar este CD.

1 Messager Madame Chrysanthème, Act 3 ‘Le jour sous le soleil béni’ (Madame Chrysanthème)
2 Debussy Pelléas et Mélisande, Act 3 ‘Mes longs cheveux descendent’ (Mélisande)
3 Delibes Lakmé, Act 2 ‘Où va la jeune Hindoue’ (Lakmé)
4 Delage 4 poèmes hindous – I. Madras
5 Delage 4 poèmes hindous – II. Lahore
6 Delage 4 poèmes hindous – III. Bénarès
7 Delage 4 poèmes hindous – IV. Jeypur
8 Debussy La Romance d’Ariel
9 Delibes Lakmé, Act 1 ‘Viens, Mallika’ (Lakmé, Mallika)
10 Stravinsky Le Rossignol, Act 2 ‘Ah, joie, emplis mon coeur’ (Le Rossignol)
11 Thomas Hamlet, Act 4 ‘À vos jeux, mes amis’ (Ophélie)
12 Berlioz La mort d’Ophélie
13 Massenet Thaïs, Act 2 ‘Celle qui vient est plus belle’ (La Charmeuse, Crobyle, Myrtale)
14 Koechlin Le voyage
15 Delibes Lakmé, Act 3 ‘Tu m’as donné le plus doux rêve’ (Lakmé)

Sabine Devieilhe – Soprano
Alexandre Tharaud – Piano
Jodie Devos – Soprano
Marianne Crebassa – Mezzo-Soprano
Les Siècles
François-Xavier Roth – Conductor

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Stravinsky (1882-1971): Petruschka / Prokofiev (1891-1953): Sonata Nº 7 / Webern (1883-1945): Variações / Boulez (1925-2016): Segunda Sonata

Stravinsky (1882-1971): Petruschka / Prokofiev (1891-1953): Sonata Nº 7 / Webern (1883-1945): Variações / Boulez (1925-2016): Segunda Sonata

O disco perfeito. Ou quase, não fora a presença de Webern… Mesmo assim, é um dos que levaria para a ilha deserta. Os três movimentos de Petruschka e a Sonata de Prokofiev foram gravados em 1971 e a notável Sonata de Boulez e as Variações de Webern são de 1976. Eram dois discos, viraram um CD. Um grande CD que é reeditado e reeditado pela DG, que o publicou nas Legendary Recordings da gravadora.

Meu Deus – e notem que sou ateu! – o que Pollini faz na Petruschka e nas Sonatas de Prokofiev e Boulez só pode ser explicado pelo diabo. Já na obrinha de Webern, o diabo tem mais é que explicar a existência destas variações… Porém, meu caro Pollini, eu te perdôo tudo neste mundo e tu podes até tocar toda a obrinha de menos de duas horas de Webern que eu não me importo.

Bom, vocês sabem que Pollini é meu pianista preferido. Não sou muito original nisto. Abaixo, duas notícias sobre ele.

Retirada daqui: Maurizio Pollini nasceu em 1942 em Milão e estudou piano com Carlo Lonati e Carlo Vidusso. Depois de vencer o Concurso Internacional Chopin de Varsóvia em 1960, percorreu uma destacada carreira internacional, apresentando-se nas mais importantes salas de concerto e festivais, colaborando com as mais prestigiadas orquestras e com maestros de renome, como Karl Böhm, Sergiu Celibidache, Herbert von Karajan, Claudio Abbado, Pierre Boulez, Riccardo Chailly, Zubin Mehta, Wolfgang Sawallisch, e Riccardo Muti, entre muitos outros.

Em 1987, após a interpretação dos concertos para piano de Beethoven, em Nova Iorque, Maurizio Pollini foi galardoado pela Orquestra Filarmónica de Viena com o prestigiado Ehrenring. Em 1996 recebeu o prémio Ernst-von-Siemens, em Munique, e em 1999 o prémio A Life for Music – Arthur Rubinstein, em Veneza. No ano 2000, foi distinguido com o prémio Arturo Benedetti Michelangeli, em Milão.

Em 1995, Maurizio Pollini abriu o festival que a cidade de Tóquio dedicou a Pierre Boulez. No mesmo ano e em 1999, organizou e interpretou os seus próprios ciclos de concertos e recitais no Festival de Salzburgo, seguindo-se o Carnegie Hall de Nova Iorque (em 1999-2000 e 2000-2001), a Cité de la Musique, em Paris, e Tóquio (ambos em 2002) e o Parco della Musica, em Roma (Março de 2003). Reflectindo o vasto leque das sua preferências musicais, a programação escolhida para estes eventos incluiu música orquestral e de câmara, abarcando compositores desde Gesualdo e Monteverdi até aos contemporâneos. No Verão de 2004, foi o «Artist Étoile» do Festival Internacional de Lucerna, dando um recital e concertos com orquestra sob a direcção de Claudio Abbado e Pierre Boulez.

O repertório de Maurizio Pollini estende-se de Johann Sebastian Bach até aos compositores contemporâneos (incluindo estreias de obras de Nono, Manzoni e Sciarrino) tendo, como componente central, o ciclo integral das sonatas de Beethoven, que o pianista apresentou em Berlim, Munique, Milão, Nova Iorque, Londres, Viena e Paris.

Maurizio Pollini gravou numerosos discos dedicados ao repertório clássico, romântico e contemporâneo. Neste último domínio, possui uma extensa discografia dedicada à obra pianística de Schönberg, Berg, Webern, Nono, Manzoni, Boulez e Stockhausen, que foi largamente aclamada pela crítica e que constitui um testemunho eloquente da grande paixão que o intérprete nutre pela música do século XX.

A recente gravação dos Nocturnos de Chopin foi também recebida com grande entusiasmo pelo público e pelos críticos: em 2007 ganhou um Grammy na categoria de «Melhor Interpretação solista». Em 2006 recebeu os prémios Echo (Alemanha), «Choc» da revista Le Monde de la Musique, e Diapason d’Or de l’Année (França).

Sua primeira gravação pela Deutsche Grammophon: “Três Movimentos de Petrushka” de Stravinsky e a Sonata nº 7 de Prokofiev, feita em 1971, é o início de uma notável discografia.

Pollini é artista de grande refinamento, de alto rigor técnico e extremamente intelectual. A música contemporânea tem sido parte do repertório de Pollini desde que este pianista começou a sua carreira de concertista internacional.

Arnold Schoenberg teve seu centenário de nascimento comemorado em 1974.No mesmo ano, em Londres, Pollini tocou a integral das obras para piano deste compositor. Berg, Webern, Pierre Boulez e até mesmo Stockhausen tem lugar no repertório deste pianista.

Em 1987, toca os cinco Concertos de Beethoven com a Orquestra Filarmônica de Viena, sob a regência de Claudio Abbado. Pollini apresenta o ciclo completo das 32 sonatas de Beethoven em 1993-94 em Berlim, Munique, Nova Iorque, Milão, Paris, Londres e Viena.

Em 2001, sua gravação das Variações Diabelli de Beethoven , ganha o prêmio ” Diapason d’or”.

Stravinsky (1882-1971): Petruschka / Prokofiev (1891-1953): Sonata Nº 7 / Webern (1883-1945): Variações / Boulez (1925-2016): Segunda Sonata

Igor Stravinsky (1882-1971) – Petruschka
1. Three movements ‘Petruschka’ – Danse russe. Allegro giusto 2:34
2. Three movements ‘Petruschka’ – Chez Pétrouchka 4:17
3. Three movements ‘Petruschka’ – La semaine grasse. Con Moto – Allegretto – Tempo giusto – Agitato 8:29

Sergei Prokofiev (1891-1953) – Sonata Nro. 7
4. Piano Sonata No.7 in B flat, Op.83 – 1. Allegro inquieto – Andantino – Allegro inquieto – Andantino – Allegro inquieto 7:37
5. Piano Sonata No.7 in B flat, Op.83 – 2. Andante caloroso – Poco più animato – Più largamente – un poco agitato – Tempo I 6:12
6. Piano Sonata No.7 in B flat, Op.83 – 3. Precipitato 3:17

Anton Webern (1883-1945) – Variações
7. Piano Variations, Op.27 – 1. Sehr mässig 1:59
8. Piano Variations, Op.27 – 2. Sehr schnell 0:40
9. Piano Variations, Op.27 – 3. Ruhig, fliessend 3:29

Pierre Boulez (1925) – Segunda Sonata
10. Piano Sonata No.2 – 1. Extrèmement rapide 6:09
11. Piano Sonata No.2 – 2. Lent 11:04
12. Piano Sonata No.2 – 3. Modéré, presque vif 2:14
13. Piano Sonata No.2 – 4. Vif 10:12

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Pollini: o maior pianista da época dos registros gravados

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Igor Stravinsky (1882-1971): Divertimento | Maurice Ravel (1875-1937): Sonata Nº 2 para Violino e Piano | Sergei Prokofiev (1891-1953): Sonata para Violino e Piano

Igor Stravinsky (1882-1971): Divertimento | Maurice Ravel (1875-1937): Sonata Nº 2 para Violino e Piano | Sergei Prokofiev (1891-1953): Sonata para Violino e Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Se o Divertimento de Stravinsky não é lá essas coisas, as Sonatas de Ravel e Prokofiev são das melhores coisas escritas para violino e piano no século XX.

O baixinho Ravel escreveu sua Sonata Nº 2 para Violino e Piano entre 1923 a 1927. Ele foi inspirado pela música norte-americana — leia-se jazz e blues. Acontece que a clássica banda de blues de W.C. Handy exibiu o estilo do blues de St. Louis em Paris. Ravel ouviu e foi enfeitiçado. Meu deus, ouçam a maravilha que é o movimento Blues desta Sonata. Elementos de jazz também podem ser encontrados no Concerto para a Mão Esquerda e outros trabalhos.

A notável Sonata Nº 2 para Violino e Piano, Op. 94a, de Prokofiev, foi baseada em sua irmã gêmea para Flauta e Piano (1942) e arranjada para violino em 1943, quando Prokofiev vivia em Perm, nos Montes Urais, um abrigo remoto para artistas soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial. Prokofiev transformou o trabalho em uma sonata de violino por sugestão de seu célebre amigo, o violinista David Oistrakh. Minha mulher, que é uma violinista russa, toca maravilhosamente bem esta obra-prima.

Igor Stravinsky (1882-1971): Divertimento | Maurice Ravel (1875-1937): Sonata Nº 2 para Violino e Piano | Sergei Prokofiev (1891-1953): Sonata para Violino e Piano

Stravinsky — Divertimento
1 Sinfonia 6:40
2 Danses Suisses 4:33
3 Scherzo 3:07
4 Pas De Deux: Adagio – Variation – Coda 6:14

Ravel — Sonata Nº 2 For Violin And Piano
5 Allegretto 8:24
6 Blues (Moderato) 5:11
7 Perpetuum mobile (Allegro) 3:48

Prokofiev — Sonata Nº 2, Op. 94a For Violin and Piano
8 Moderato 7:24
9 Scherzo (Presto) 4:41
10 Andante 3:19
11 Allegro Con Brio 7:13

Viktoria Mullova, violin
Bruno Canino, piano

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Conheço gente que roubaria e mataria por Mullova.

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Igor Stravinsky (1882-1971): Oedipus Rex

Igor Stravinsky (1882-1971): Oedipus Rex

Oedipus Rex é uma “ópera-oratório segundo Sófocles”, de Igor Stravinsky, para orquestra, narrador, solistas e coro masculino. O libreto, baseado na tragédia de Sófocles, foi escrito por Jean Cocteau em francês e depois traduzido pelo abade Jean Daniélou para o latim. A narração, no entanto, é sempre no idioma da plateia. Oedipus Rex foi escrito no início do período neoclássico de Stravinsky e é considerado um dos melhores trabalhos desta fase da carreira do compositor. Ele havia considerado usar o grego antigo, mas acabou se decidindo pelo latim. A estreia aconteceu em Paris em 1927 no formato de concerto, mas pode ter o formato de ópera.

Igor Stravinsky (1882-1971): Oedipus Rex

1 Prologue: “Spectateurs! Vous Allez Entendre Une Version Latine D’ Oedipe-Roi” 0:49
2 Act I: “Caedit Nos Pestis” 3:24
3 Act I: Liberi Vos Liberabo 3:26
4 Act I: Respondit Deus 3:07
5 Act I: Non Reperias Vetus Scelus 3:28
6 Act I: Oedipe Interroge La Fontaine de Verite 2:21
7 Act I: Dicere Non Possum 2:25
8 Act I: Rex Peremptor Regis Est – Invidia Fortunam Odit 3:11
9 Act I: Gloria! 1:09
10 Act II: La Dispute Des Princes Attire Jocaste 0:54
11 Act II: Gloria! 1:10
12 Act II: Nonn’ Erubescite, Reges 4:20
13 Act II: Ne Probentur Oracula 2:20
14 Act II: Cave Oracula! – Trivium, Trivium 1:27
15 Act II: Oracula Mentiuntur 2:01
16 Act II: Le Témoin Du Meurtre Sort de L’ombre 0:30
17 Act II: Adest Omniscius Pastor 2:24
18 Act II: Oportebat Tacere 1:31
19 Act II: Nonne Monstrum Rescituri 1:21
20 Act II: In Monte Reppertus Est 1:00
21 Act II: Natus Sum Quo Nefastum Est 0:46
22 Act II: Et Maintenant, Vous Allez Entendre 1:18
23 Act II: Divum Iocastea Caput Mortuum! 3:04
24 Act II: Ekke! Regem Oedipoda 2:21

Baritone Vocals [Creon/messenger] – Simon Estes
Bass Vocals [Tiresias] – Hans Sotin
Choir – The Eric Ericson Chamber Choir*, Orphei Drängar, Swedish Radio Choir*
Narrator – Patrice Chéreau
Soprano Vocals [Jocasta] – Anne Sofie Von Otter
Tenor Vocals [Oedipus] – Vinson Cole
Tenor Vocals [shepherd] – Nicolai Gedda
Swedish Radio Symphony Orchestra*
Esa-Pekka Salonen

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Stravinsky regendo Oedipus Rex

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Serguei Rachmaninov (1873-1943) – Piano Concerto nº 1 in F-Sharp, op.1, Igor Stravinsky (1882-1971) – Capriccio for Piano & Orchestra, Rodion Shchedrin (1966) – Piano Concerto nº 2,

Completando a série das gravações dedicadas a Rachmaninov pela dupla Gergiev / Matsuev,  trago para os senhores o Primeiro Concerto, que segundo consta, o jovem Sergey compôs aos dezessete anos de idade, e mais tarde veio a revisá-lo.

Dos quatro concertos que Rach talvez este seja o mais “simples”,  se o compararmos com seus outros três companheiros. Mas mesmo assim já identificamos nele alguns elementos que já mostram a assinatura do compositor.

Para aqueles que querem ampliar os seus conhecimentos da lingua russa, o libreto em anexo lhes dará essa possibilidade, para os que não tem a mínima noção daquela língua, também tem texto em inglês.

01. Rachmaninov Piano Concerto No.1 – I. Vivace
02. Rachmaninov Piano Concerto No.1 – II. Andante
03. Rachmaninov Piano Concerto No.1 – III. Allegro vivace
04. Stravinsky Capriccio – I. Presto
05. Stravinsky Capriccio – II. Andante rapsodico
06. Stravinsky Capriccio – III. Allegro capriccioso ma tempo giusto
07. Shchedrin Piano Concerto No.2 – I. Dialogues Tempo rubato
08. Shchedrin Piano Concerto No.2 – II. Improvisations Allegro
09. Shchedrin Piano Concerto No.2 – III. Contrasts Andante – Allegro

Denis Matsuev – Piano
Mariinsky Orchestra
Valery Gergiev – Conductor

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Igor Stravinsky (1882-1971): Concerto para Piano & Sopros / Capricho para Piano & Orquestra / Movimentos para Piano & Orquestra / Sinfonias para Sopros

Igor Stravinsky (1882-1971): Concerto para Piano & Sopros / Capricho para Piano & Orquestra / Movimentos para Piano & Orquestra / Sinfonias para Sopros

A inteligente e agradável música neoclássica de Stravinsky pelas mãos de dois especialistas, Salonen e Crossley. Por neoclassicismo entende-se um retorno à música do passado, particularmente à música dos séculos XVII e XVIII, através de seus modelos formais e estruturas melódicas e rítmicas. Mas isso se dá não como imitação ou recriação, mas com a criação de novos modelos a partir de referências passadas. O neoclassicismo surge como uma reação ao carácter exacerbadamente emocional da música do século XIX, buscando o caráter mais racional nos períodos clássico e barroco. As obras de Stravinsky entre 1920 e 1952 fazem uma revisitação destes períodos, aos quais junta as influências da música popular como o jazz, o ragtime e ainda de compositores do séc. XIX. (Parcialmente copiado daqui).

Capriccio For Piano & Orchestra (1949 Version)
1 I – Presto 6:39
2 II – Andante Rapsodico 5:11
3 III – Allegro Capriccioso Ma Tempo Giusto

4 Symphonies Of Wind Instruments (1947 Version) 8:41

Concerto For Piano & Wind Instruments (1950 Version)
5 I – Largo; Allegro 7:07
6 II -Largo 7:02
7 III – Allegro 4:56

Movements For Piano & Orchestra
8 I – ♪=110 2:49
9 II – ♩=52 1:20
10 III – ♪=72 0:57
11 IV = ♪=80 1:49
12 V – ♪=104 1:52

Orchestra – London Sinfonietta
Piano – Paul Crossley
Conductor – Esa-Pekka Salonen

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Stravinsky acordando para você

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Igor Stravinsky (1882-1971): O Pássaro de Fogo / Jogo de Cartas

Igor Stravinsky (1882-1971): O Pássaro de Fogo / Jogo de Cartas

Eu não sou apaixonado por O Pássaro de Fogo, mas a maioria acha que é a peça é fundamental na obras de Stravinsky. Então tá, eu me curvo. L’Oiseau de feu (1910) é um balé de Igor Stravinsky baseado em contos populares russos sobre um pássaro mágico brilhante que é tanto uma bênção como uma perdição para o seu captor. A música foi pela primeira vez apresentada como balé pelos Ballets Russes de Sergei Diaghilev e foi a primeira das produções da companhia feita com música especialmente composta para ela. O Pássaro tem significado histórico por ser a peça que deu a Stravinsky o primeiro grande êxito, e por ter sido o início de uma colaboração entre Diaghilev e Stravinsky de que iria também resultar nas obras-primas PetrushkaA Sagração da Primavera. Jeu de cartes (Jogo de Cartas) é outro balé de Igor Stravinsky, composto em 1936-37, com libreto do compositor em colaboração com M. Malaieff e coreografia de George Balanchine. O balé foi estreado pelo American Ballet no Metropolitan Opera House, em Nova York, em 27 de abril de 1937, com a condução do compositor. A ideia é o pôquer. Diferentemente de O Pássaro, Jogo de Cartas foi escrito durante o período neoclássico de Stravinsky, iniciado pelo maravilhoso Pulcinella, lá por 1920.

The Firebird • Der Feuervogel • L’Oiseau De Feu (Complete Original 1910 Version)
1 Introduction (Molto Moderato) 2:59
Tableau I:
2 Kashchei’s Enchanted Garden 1:39
3 The Firebird Appears, Pursued By Prince Ivan (Allegro Assai) 2:15
4 Dance Of The Firebird 1:23
5 The Firebird Is Captured By Prince Ivan 0:52
6 The Firebird’s Pleading (Adagio) 6:02
7 Appearance Of The Thirteen Enchanted Princesses 2:21
8 The Princesses Play With The Golden Apples (Scherzo: Allegretto) 2:15
9 Prince Ivan Suddenly Appears (Larghetto) 1:07
10 Khorovod (Round Dance) Of The Princesses (Moderato) 4:51
11 Day Break (Più Mosso) 1:24
12 Prince Ivan Enters Kashchei’s Palace. Fairy Carillon. Kashchei’s Guardian-Monsters Appear And Capture Prince Ivan 1:16
13 Arrival Of Kashchei The Immortal (Sostenuto) 1:08
14 Dialogue Between Kashchei And Prince Ivan (Poco Meno Mosso) 1:07
15 The Princesses Intercede (Andantino Dolente) 1:10
16 The Firebird Appears 0:32
17 Dance Of Kashchei’s Court, Bewitched By The Firebird (Allegro) 0:44
18 Infernal Dance Of Kashchei’s Subjects (Allegro Feroce) 4:22
19 Lullaby (The Firebird) 2:44
20 Kashchei Awakens 1:07
Tableau II:
21 Death Of Kashchei 1:19
22 The Palace And Creatures Of Kashchei Disappear. The  Petrified Knights Come To Life. General Rejoicing. 3:07

Jeu De Cartes
23 First Deal 5:16
24 Second Deal 9:19
25 Third Deal 7:41

Philharmonia Orchestra
Esa-Pekka Salonen

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Strava jogava mesmo

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Igor Stravinsky (1882-1971): Apollon Musagète • Concerto In D • Cantata

Igor Stravinsky (1882-1971): Apollon Musagète • Concerto In D • Cantata

Apollon Musagète (Apolo, líder das Musas) é um bailado em duas cenas de Igor Stravinsky, encomendado por Elizabeth Sprague Coolidge e composto entre 1927 e 1928. Na década de 1950, o título da obra foi abreviado para Apollo.

Foi coreografado e estreado em 27 de abril de 1928 pela companhia de Adolph Bolm, em Washington, D.C., mas o autor ignorou esta estreia, pois havia vendido os direitos para os Ballets Russes de Sergei Diaghilev, estreando na Europa em 12 de junho de 1928, no Teatro Sarah Bernhardt, em Paris, com coreografia de George Balanchine, cenário de André Bauchant e figurino de Coco Chanel.

A história está centrada em Apolo, que é visitado pelas musas Terpsícore, Polímnia e Calíope. O deus ensina-lhes as suas artes, conduzindo-as ao Parnaso, numa reinvenção da tradição dos mitos clássicos. A música é executada por uma orquestra de cordas de 34 instrumentos, e a obra tem uma feição intencionalmente classicista.

O Concerto in D para orquestra de cordas foi composto em Hollywood entre o início de 1946 e estreado em 8 de agosto do mesmo ano. A grana veio de Paul Sacher para celebrar o vigésimo aniversário do Basler Kammerorchester, e por esta razão é por vezes referido como o Concerto “Basileia”.

A Cantata de Igor Stravinsky é uma obra para soprano, tenor, coro feminino e conjunto instrumental (de duas flautas, oboé, cor anglais) e foi composta de abril de 1951 a agosto de 1952.

Tudo aqui, mas tudíssimo mesmo, é do período neoclássico de Strava. O trabalho de Salonen é impecável. Eu gosto moderadamente das obras.

Igor Stravinsky (1882-1971): Apollon Musagète • Concerto In D • Cantata

Apollo (Apollon Musagète) — Ballet In Two Scenes (1947 Revised Version) First Scene (Prologue)
1 Apollo’s Birth 5:18
Apollo (Apollon Musagète) — Ballet In Two Scenes (1947 Revised Version) Second Scene
2 Apollo’s Variation (Apollo And The Muses) 2:45
3 Pas D’action (Apollo And The Three Muses: Calliope, Polyhymnia, And Terpsichore) 3:37
4 Calliope’s Variation (Alexandrine) 1:18
5 Polyhymnia’s Variation 1:14
6 Terpsichore’s Variation 1:35
7 Apollo’s Variation 2:42
8 Pas De Deux (Apollo And Terpsichore) 2:33
9 Coda (Apollo And The Muses) 3:04
10 Apotheosis 3:25

Concerto In D For String Orchestra (1946 Revised Version)
11 I. Vivace 5:43
12 II. Arioso: Andantino 2:33
13 III. Rondo: Allegro 3:26

Cantata
14 A Lyke-Wake Dirge (Versus I): Prelude (Chorus) 1:40
15 Ricercar I: “The Maidens Came…” (Soprano) 3:27
16 A Lyke-Wake Dirge (Versus II): 1st Interlude (Chorus) 1:40
17 Ricercar II: “Tomorrow Shall Be…” (Sacred History) (Tenor) 9:32
18 A Lyke-Wake Dirge (Versus III): 2nd Interlude (Chorus) 1:40
19 Westron Wind (Soprano & Tenor) 1:55
20 A Lyke-Wake Dirge (Versus IV): Postlude (Chorus) 2:19

Stockholm Chamber Orchestra
London Sinfonietta Orchestra
London Sinfonietta Chorus
Yvonne Kenny
John Aler
Esa-Pekka Salonen

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Stravinsky conversando com Mazzaropi e Audrey Hepburn

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Igor Stravinsky (1882-1971): Pulcinella • Octet • Renard • Ragtime

Igor Stravinsky (1882-1971): Pulcinella • Octet • Renard • Ragtime

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Baita disco. Todas obras FUNDAMENTAIS do século XX, retiradas da fase neoclássica de Strava. Pulcinella é uma obra-prima, mas o Octeto, o Ragtime e Renard não ficam muito atrás. Abaixo, copio dois textos sobre Pulcinella publicados aqui.

A Suite Pulcinella, com sua elegância e originalidade, é o coroamento da fase em que Stravinsky permaneceu retirado em seu refúgio na Suíça, quando dedicou-se particularmente à criação de uma grande e inspirada série de obras de câmara. Isto se deu um ano antes de sua mudança para Paris. Terminada a 20 de abril de 1920 e estreada com enorme sucesso a 15 de maio do mesmo ano, Pulcinella nasceu não só da encomenda de Sergei Diaghilev para o seu balé russo, mas foi também a realização, para Stravinsky, de um antigo sonho de trabalhar com Picasso, com quem há muito se identificava esteticamente. Já de seus encontros com o genial pintor espanhol nos idos de 1917, em Roma e Nápoles (onde Stravinsky estivera para reger Pássaro de Fogo e Fogos de Artifício com o balé russo), nascera o acordo entre os dois de trabalharem juntos no resgate de antigas aquarelas italianas para o palco das “commedia dell”arte” renascentistas. A encomenda de Diaghilev vinha de encontro a uma fase em que Stravinsky se ocupava intensamente com música antiga. Diaghilev sabia disso e não perdeu a oportunidade de se aproveitar destas condições favoráveis ao descobrir, em Nápoles e Londres, a música de Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736), que o encantou e seduziu. A ela juntou o texto escolhido de um compêndio composto por várias comédias do folclore napolitano, manuscrito datado de 1700 e encontrado em Nápoles, do qual foram excluídos os nomes dos autores. O texto chamava-se Os Quatro Pulcinellas Iguais e contava a história de Pulcinella, um rapaz aventureiro, amado por todas as moças do lugar e odiado pelos noivos destas. Então três destes enciumados rapazes se fantasiaram de Pulcinella e se apresentaram às suas noivas como tal, aproveitando-se da situação para atacar e se ver livre do que eles achavam ser o verdadeiro Pulcinella. Só que aquele que eles deixam estirado no chão como morto, pensando com isto terem se livrado de seu rival, não era outro senão um sósia que Pulcinella colocara em seu lugar ao perceber toda a trama. Pulcinella, então, fantasia-se de mágico, faz uma cena como que ressuscitando o morto e acaba casando os três noivos com três das noivas, tomando para si próprio a Pimpinella como mulher, a quem ele queria. Para o balé de oito cenas, Stravinsky escreveu 15 números musicais, que contaram não só com a sua genialidade, mas também com a de Picasso – que se encarregou dos cenários e dos costumes, a de Massine, responsável pela coreografia, e a de Diaghilev, dirigindo o balé russo. A Suite Pulcinella é uma forma concertante, portanto reduzida, do balé, a qual teve sua revisão definitiva em 1949.

Outro comentário

Em 1919, Diaghilev, o diretor dos Ballets Russes de Paris, concebe um novo projeto: Pulcinella (Polichinelo), um espetáculo com personagens da Commedia Dell”Arte. O cenário e os figurinos acabaram sendo realizados por Picasso e a música por Stravinsky, baseada em temas atribuídos a Pergolesi (1710-1736). A música de Stravinsky até então era marcada pela inspiração na arte popular russa, em obras como Pribaoutki, Sagração da Primavera e Petruchka, as duas últimas também em colaboração com Diaghilev. Pulcinella tem um valor simbólico na trajetória do compositor, caracterizando o momento em que ele passa a olhar para o passado. Ouvimos aqui uma recriação de obras caídas no esquecimento, de compositores do século XVIII, entre eles Giovanni Baptista Pergolesi, Alessandro Parisotti, Domenico Gallo, Carlo Ignazio Monza e Unico Wilhelm van Wassenaer. As melodias e harmonias originais são mantidas intactas, assim como a duração e a estrutura das peças. Stravinsky opera basicamente com o timbre, procurando novas cores harmônicas e redistribuindo o material original numa orquestração “caleidoscópica”. Em seu livro Stravinsky, Boucourechliev define este processo: “Neoclássica, Pulcinella não o é: trata-se de uma obra propriamente clássica, inteiramente composta, ou antes, recomposta a partir de músicas existentes”. Para Stravinsky, esta peça marca uma descoberta do passado que o nortearia dali por diante. A partir daí, ele faria novas recriações, baseando-se em obras de Gesualdo, Bach e Tchaikovsky, por exemplo. Mas Pulcinella tem também um significado no contexto da música do século XX. Ao mesmo tempo em que ouvimos um grande criador, uma sutilíssima invenção timbrística, ouvimos também a substituição do presente pelo passado na criação. Um crítico diria: “Em todas essas composições planeja o artesanato mais perfeito, unido ao mais inatual dos anacronismos. (…) A rigor, os retornos sucessivos de Stravinsky não significam outra coisa que a incapacidade de escrever música nova, criando seu próprio estilo”. Hoje, após tantos anos, podemos ver que as tentativas de outros compositores de escrever “música nova”, mesmo de altíssima qualidade, também não resolveram o beco sem saída da música erudita no século XX. Este trágico século deixou uma marca profunda também nesta arte. Será necessário compor hoje música do passado para criar algo de belo?

Pulcinella (1965 Revised Edition) – Ballet In One Act. (For Small Orchestra With Three Solo Voices. After Giambattista Pergolesi and others)
1 Overture. Allegro Moderato 2:02
2 Serenata. Larghetto 2:43
3 Scherzino. Allegro 5:48
4 Ancora Poco Meno 2:04
5 Allegro Assai 1:53
6 Allegro (Alla Breve) 2:11
7 Andante 4:00
8 Presto 1:33
9 Allegro – Alla Breve 1:17
10 Tarantella 1:12
11 Andantino 2:53
12 Allegro 0:52
13 Gavotta Con Due Variazioni. Allegro Moderato 3:47
14 Vivo 1:26
15 Tempo Di Minuetto. Molto Moderato 2:33
16 Allegro Assai 1:57
Bass Vocals – John Tomlinson (2)
Soprano Vocals – Yvonne Kenny
Tenor Vocals – John Aler

17 Ragtime For Eleven Instruments (1918) 4:23

Renard The Fox – A Burlesque Tale In Song And Dance
18 Marche 0:59
19 Allegro 0:57
20 Meno Mosso 3:27
21 (Salto Mortale) 0:40
22 Con Brio 2:03
23 Meno Mosso 2:27
24 (Salto Mortale) 0:44
25 Moderato 0:55
26 Scherzando 1:00
27 Poco Meno Mosso 1:04
28 Vivo 1:16
29 Marche 0:26
Baritone Vocals – David Wilson-Johnson
Bass Vocals – John Tomlinson (2)
Tenor Vocals [1st Tenor] – John Aler
Tenor Vocals [2nd Tenor] – Nigel Robson

Octet For Wind Instruments (Revised 1952 Version) (13:66)
30 Sinfonia. Lento – Allegro Moderato 3:39
31 Tema Con Variazioni. Andantino 7:09
32 Finale (Tempo Giusto) 3:18

London Sinfonietta
Esa-Pekka Salonen

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Stravinsky de papo com dois amigos.

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Igor Stravinsky (1882-1971): Petrouchka / Orpheus

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrouchka / Orpheus

IM-PER-Dí-VEL !!!

O sensacional Petrouchka é um balé burlesco cuja música foi composta por Igor Stravinsky e coreografado por Michel Fokine. Foi escrito entre 1910 e 11 e revisado em 1947. Petrouchka foi montado pela primeira vez pela companhia russa de balé de Serguei Diaguilev em Paris, em 13 de junho de 1911. Vaslav Nijinski encarnou Petrouchka. A história é sobre um fantoche tradicional russo, feito da palha e com um saco de serragem como corpo que acaba por tomar vida e ter a capacidade amar, uma história que se assemelha um pouco a de Pinocchio. Petrouchka conta a história de amor de inveja de três bonecos. Os três ganham vida graças ao Charlatão. Petrouchka ama a Bailarina, mas ela o rejeita. A Bailarina prefere o Mouro. Petrouchka fica furioso e desafia o Mouro. No duelo, o Mouro acaba matando Petrouchka, cujo fantasma se levanta sobre o teatro de bonecos quando a noite cai. Ele desafia o Charlatão, que acaba o matando pela segunda vez. Stravinsky é tão genial que a coisa funciona fantasticamente mesmo sem o balé. Basta ouvir. É uma obra muito popular em zonas mais civilizadas do planeta.

Orpheus é de outra fase de Strava. Trata-se de um balé neoclássico escrito em colaboração com o coreógrafo George Balanchine em Hollywood em 1947. A música é chatinha, ainda mais depois de ouvir Petrouchka

Salonen e a Philharmonia são os campeões neste repertório.

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrouchka / Orpheus

1. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Shrove-tide Fair
2. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Russian Dance
3. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Petrushka
4. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Blackamoor
5. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Waltz
6. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Shrove-tide Fair (towards evening)
7. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Wet-Nurses’ Dance
8. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Peasant with Bear
9. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Gypsies and a Rake Vendor
10. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Dance of the Coachmen
11. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Masqueraders
12. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – The Scuffle (Blackamoor and Petrushka)
13. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Death of Petrushka
14. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Police and the Juggler
15. Petrouchka – Burlesque in Four Scenes (1947 version) – Apparition of Petrushka’s Double

16. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Orpheus
17. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Air de danse
18. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Dance of the Angle of Death
19. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Interlude
20. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Dance of the Furies
21. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Air de danse
22. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Interlude
23. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Air de danse
24. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Pas d’action
25. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Pas de deux
26. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Interlude
27. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Pas d’action
28. Orpheus – Ballet in Three Scenes – Orpheus’ Apothesis

Philharmonia Orchestra
Esa-Pekka Salonen

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Stravinsky muito à vontade numa festa lá em casa. Eu estava buscando os copos.

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Igor Stravinsky (1882-1971): Sagração da Primavera e Sinfonia em 3 Movimentos

Igor Stravinsky (1882-1971): Sagração da Primavera e Sinfonia em 3 Movimentos

PQP Bach
12 anos de Prazer


IM-PER-DÍ-VEL !!!

A indumentária da versão de Nijínsky: vestuário pesado e pés para dentro
A indumentária da versão de Nijínsky: vestuário pesado e pés para dentro

Estava quente em Paris na noite de dia 29 de maio de 1913. Durante o dia, os termômetros chegaram aos 30 graus, temperatura anormal para a primavera parisiense. Ao final da tarde, uma multidão acotovelava-se na frente do Théâtre des Champs-Élysées, onde o Balé Russo de Serguei Diághilev faria uma apresentação de gala. O público era heterogêneo, conforme descreveu Jean Cocteau:

Uma plateia da alta sociedade, elegante, de vestidos decotados, pérolas, penas na cabeça, plumas de avestruz, ternos escuros, cartolas […] ao lado, os intelectuais estetas faziam de tudo para demonstrar seu ódio a estes “elegantes”, que sentariam nos camarotes […] havia ali mil nuances de esnobismo, superesnobismo e contraesnobismo.

Todos sabiam que o empresário Diághilev gostava de escândalos. Afinal, eram lucrativos. Em comunicado à imprensa, ele dissera que preparara um novo frisson que, sem dúvida, inspiraria acalorados debates. Falava sério. O programa daquela noite começava com o inofensivo As Sílfides, drama com melodias de Chopin arranjadas para orquestra por Stravinsky. Era um antigo número do Balé Russo. Após os aplausos, as luzes se apagaram e um fagote começou a emitir notas agudas, entoando uma melodia que depois foi abraçada e continuada por outros instrumentos de sopro. E, quando entrou a segunda parte, a música enlouqueceu totalmente, ao menos para os ouvidos da plateia de 100 anos atrás.

Igor Stravinsky (1882-1971) em 1946 | Foto: Arnold Newman
Igor Stravinsky (1882-1971) em 1946 | Foto: Arnold Newman

O ritmo. Havia uma pulsação constante, mas os acentos eram inteiramente aleatórios, imprevisíveis, dentro e fora do compasso. Quando se deve bater o pezinho?

um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito

Quando ouviu aquilo pela primeira vez, até Diághilev ficou assustado. “Vai continuar assim por muito tempo?”, ele perguntou ao autor da obra, Igor Stravinsky. “Até o fim, meu caro”. A coreografia de Nijínsky trocava o gestual clássico e os dançarinos nas pontas do pés por mulheres dançando com os pés para dentro e outras esquisitices. Vendo hoje, parece mais uma brincadeira. Os dançarinos tremem, sacodem-se, sapateiam, dão saltos e giram pelo palco como numa dança de roda primitiva, eslava. Por trás, uma paisagem com colinas e árvores de cores brilhantes que, com a dança e a música, tornam-se pagãs.

O vídeo a seguir é de uma apresentação da Sagração da Primavera no Teatro Marinsky de São Petersburgo, com a coreografia de Nijinsky remontada por Millicent Hodson e a regência de Valery Gergiev:

Na época, os mais ricos e conservadores acomodavam-se nos camarotes. Mas não que demonstrassem alguma finesse. Quando o ritmo acelerou, começaram a vir de lá urros de desaprovação. Em resposta, os raivosos intelectuais da plateia berravam mandando-os calar a boca; afinal apenas desejavam silêncio para fruir o balé. Era a uma representação da luta de classes: “Calem a boca, suas putas do seizième!”, gritavam em provocação às damas da alta sociedade do décimo sexto arrondissement. Se havia um sacrifício no palco, havia uma guerra na plateia. A escritora Gertrude Stein esteve lá: “Após a curta introdução, não se podia mais ouvir o som da música. Minha atenção estava fixada em um homem que, no camarote ao lado, ameaçava outro com sua bengala. Por fim, usando a bengala, acabou esmagando a cartola do que discordava”.

O filme Coco Chanel & Igor Stravinsky (2010), de Jan Kounen, mostra um pouco da confusão da estreia da Sagração da Primavera:

Depois desta estreia, o espetáculo foi repetido e logo os ouvintes parisienses descobriram que a linguagem da Sagração não estava tão distante de sua sensibilidade: tratava-se de canções folclóricas de melodias simples com acordes nada incomuns mas usados de forma diferente, ritmo mutante e irresistível. Logo, as vaias foram substituídas por aplausos e, nas apresentações seguintes, Stravinsky e Nijinsky voltaram ao palco três ou quatro vezes para receberem ovações. No ano seguinte, foi marcada uma apresentação em concerto. Os jornais falaram em “aplausos efusivos” e “adoração febril”. Era a vitória de uma postura anti-romântica. Leonard Bernstein fala em início do modernismo. Outros, estão provavelmente corretos ao citar que a Sagração fugira finalmente da semântica germânica e dera espaço para o surgimento dos nacionalismos musicais, os quais tiveram seus rebentos em todo o mundo, incluindo a música de Villa-Lobos no Brasil.

Nijinsky dançando L’après-midi d’un faune
Nijinsky dançando L’après-midi d’un faune

O enredo da Sagração não era nada convencional: numa Rússia primitiva, uma virgem é escolhida e deve dançar até morrer num ritual de sacrifício à primavera que se inicia. A invenção foi do próprio Stravinsky. Nenhum povo pagão, com exceção dos astecas, exigia o sacrifício de jovens. Ou seja, aquilo nunca ocorrera na Rússia. Para o palco, Diághilev queria uma atuação ousada. No ano anterior, Nijinsky já havia causado grande escândalo em Paris com a coreografia de L’après-midi d’un faune, baseado na obra de Debussy. Ou seja: o empresário sabia bem o que estava fazendo. Diághilev já tinha contratado Stravinsky para fazer a música de outros dois balés: O Pássaro de Fogo (1910) e Petrushka (1911). O trabalho seguinte seria uma certa Primavera Sagrada. Vendo-se agora (primeiro vídeo, acima), a coreografia mais parece um provocativo e quase infantil simulacro de dança, inteiramente diferente das dramáticas montagens posteriores, como a de Pina Bausch (último vídeo, abaixo).

Romântico, o regente da estreia, Pierre Monteux, disse nunca ter gostado da Sagração da Primavera
Romântico, o regente da estreia, Pierre Monteux, disse nunca ter gostado da Sagração da Primavera

Stravinsky terminou a composição em março de 1913. Pierre Monteux, que depois se tornaria uma grande estrela da música erudita, detestara a música, mas foi o regente que conduziu a orquestra na estreia da obra. Aliás, a citada estreia em concerto também foi sob sua direção, prova de que os conceitos podem mudar rapidamente. Ou não. Anos depois, ele confessou que nunca tinha gostado daquela música, mas que foi convencido por Diághilev a regê-la. “É uma obra-prima, Monteux! Ela vai revolucionar a música e o fará famoso, pois é você quem vai conduzi-la”, dizia o homem que desconfiava dos ritmos da Sagração. Os músicos da orquestra não pensavam diferente do regente: achavam que aquilo era uma loucura absoluta. O fagotista do solo inicial estava especialmente contrariado pelo tratamento “ridículo” que a partitura lhe impunha.

Stravinsky em 1913, ano da estreia da obra
Stravinsky em 1913, ano da estreia da obra

No ocidente, a Sagração tornou-se imediatamente obra fundamental e exemplar. As plateias mais afeitas ao moderno ficaram encantadas não somente com sua fúria, mas com a precisão e clareza. Aqueles que desejavam sepultar de vez o romantismo elogiavam o predomínio dos metais e madeiras e a redução da presença das cordas. Principalmente dos violinos, os tradicionais cantores de melodias ardentes. Porém, na Rússia revolucionária, a Sagração foi considerada um modismo barulhento e a fama de Stravinsky no exterior – comparada à hostilidade russa – foi decisiva no rompimento de laços do compositor com a terra natal.

A comprovação da universalidade da Sagração não veio somente dos compositores e amantes da música erudita: os músicos de jazz gostaram demais daquele compositor que falava numa língua parecida com a deles. Para dar um exemplo curioso, Charlie “Bird” Parker incorporou a primeiras notas da Sagração à Salt peanuts e, certa vez, enquanto se apresentava, avistou Stravinsky numa das mesas do Birdland de Nova Iorque. Imediatamente, incluiu um tema do Pássaro de Fogo em seu solo sobre um tema de sua autoria, Koko, o que acabou fazendo com que o compositor cuspisse seu uísque de volta no copo, tão grande o susto.

Os jazzistas entenderam rapidamente o trabalho de Stravinsky na Sagração
Os jazzistas entenderam rapidamente o trabalho de Stravinsky na Sagração

Passados 100 anos, a Sagração é ouvida como uma peculiar e clássica peça do repertório. Ela pode ser ouvida e vista em concertos — a Ospa vai tocá-la em outubro — e em balés no mundo inteiro. Talvez a mais extraordinária versão em balé seja a célebre coreografia criada pela alemã Pina Bausch, cujo vídeo completo disponibilizamos abaixo:

Considerando que a Sagração da Primavera combina com modernidade, vamos atravessar o ritmo e, para finalizar, inserir três frases informais de uma brasileiríssima opinião deixada no Facebook pelo melômano Isaías Malta que, na última quarta-feira, dia dos 100 anos da estreia, dialogava conosco sobre a obra:

Música que despedaça o nosso senso de ritmo, aliás, sacoleja um ritmo próprio, primal, que é a anarquização do ritmo. Diz-se que Schoenberg dissolveu a melodia e Stravinsky desconstruiu o ritmo. Se tudo isso é verdade, também é verdade que Tom Jobim, juntando os cacos, adoçou o que foi quebrado e gingou o despedaçado.

Igor Stravinsky, por Picasso
Igor Stravinsky, por Picasso

Salonen Conducts Stravinsky

The Rite of Spring:
1 Part I, The Adoration of the Earth – Introduction 3:23
2 Part I, The Adoration of the Earth – The Auguries of Spring 2:47
3 Part I, The Adoration of the Earth – Game of Abduction 1:15
4 Part I, The Adoration of the Earth – Spring Round Dances 3:47
5 Part I, The Adoration of the Earth – Games of the Rival Tribes 1:40
6 Part I, The Adoration of the Earth – Procession of the Oldest-and-Wisest 0:36
7 Part I, The Adoration of the Earth – The Oldest-and-Wisest 0:16
8 Part I, The Adoration of the Earth – Dance of the Earth 1:10
9 Part II, The Sacrifice – Introduction 4:14
10 Part II, The Sacrifice – Mystical Circles of the Young Girls 2:58
11 Part II, The Sacrifice – Glorification of the Chosen One 1:29
12 Part II, The Sacrifice – Evocation of the Ancestors 0:40
13 Part II, The Sacrifice – Ritual Action of the Ancestors 3:28
14 Part II, The Sacrifice – Sacrificial Dance – The Chosen Victim 4:20

Symphony in Three Movements:
15 I. 9:11
16 II. Andante 5:38
17 Interlude 0:22
18 III. Con moto 5:48

Philharmonia Orchestra
Esa-Pekka Salonen

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