Existe algum outro repertório no qual Herbert von Karajan tenha se destacado mais do que nas obras de Wagner? Seu talento teatral sempre fez maravilhas aqui e a sua abordagem renovou completamente nossa percepção da música wagneriana.
Reunir duas figuras polêmicas como Wagner e Karajan em uma única postagem envolve uma certa dose de risco. Vaias e tomates podem ocorrer, mas aqui no PQP Bach a música é fundamental. Apesar das controvérsias, Wagner foi inovador e a sua música continua influente e presente no cenário musical. Quanto a Karajan e a orquestra com a qual mais atuou, a Berliner Philharmoniker, há muitas gravações excelentes para se ouvir, como essas, de trechos orquestrais das óperas de Wagner.
As gravações desta postagem foram realizadas em 1974 no prédio da orquestra, chamado Berliner Philharmonie, construído entre 1960 e 1963, projetado pelo arquiteto Hans Scharoun, expoente do grupo expressionista Die Brücke e arquitetura orgânica.
As peças reunidas nestes dois ‘volumes’ apareceram em inúmeras edições de CDs pela antiga EMI, como pode ser visto nas ilustrações. É, portanto, uma boa oportunidade de tê-las reunidas assim, de forma mais organizada. Apesar de não ouvir essa música com frequência, gosto muito deste repertório e sempre tenho prazer quando a escuto.
O Prelúdio de Tristão e Isolda é bem possivelmente a mais icônica dessas peças e já apareceu na telinha da Globo como tema de novela. Mas, como não gostar de outros temas famosos e marcantes como os da Abertura de Tannhauser, de Lohengrin e o Graal? O cavaleiro Parsifal e a feérica abertura do Holandês Voador são de tirar o chapéu. Sobre essa última, não deixe de participar do PQP Bach Quizz, logo mais abaixo.
Richard Wagner (1813 -1883)
Volume 1
Tannhäuser: Overture (1861 Paris Version) (11:37)
Tannhäuser: Venusberg Music (1861 Paris Version) (12:13)
Lohengrin, Act 1: Prelude (9:41)
Tristan und Isolde: Prelude to Act 1 – Liebestod (Instrumental Version) (19:00)
Der fliegende Holländer: Overture (11:07)
Volume 2
Die Meistersinger von Nürnberg, Act 1: Prelude (9:35)
PQP Bach Quizz: A faixa 5 do primeiro volume e a faixa 2 do segundo volume são gravações diferentes da mesma abertura? Justifique a sua resposta se quiser ganhar a cocada virtual prêmio máximo do nosso famoso blog!
These are splendid Wagner performances, full of guts and devoid of the fussiness and overly smooth legato that so often make Karajan’s recordings a chore. I have always preferred his Berlin EMI recordings to his DG efforts, on the whole. There are times when the Berlin Philharmonic sounds like a different orchestra, with brass that don’t all lump together (check out the opening of The Flying Dutchman or the Tannhäuser Overture), and climaxes that benefit from more-than-usual bite.
Esta gravação desperta em mim um sentimento de pura nostalgia, não só pelos estudos de outrora imersos na ‘Escola Francesa’, mas também pelo poder evocativo desta música.
Janina Fialkowska
Este disco é ótimo! Uma coleção de peças de compositores franceses do Século XX compondo um recital coerente e delicioso.
É claro que um disco tão diferente das usuais coleções de obras de um dado compositor, como geralmente temos tido, só poderia ser resultado do desejo da artista de reviver as memórias de seus dias de estudante em Paris. É, assim, um disco com personalidade. Eu já o ouvi diversas vezes e, a cada vez, descubro mais uma pequena preciosidade para apreciar.
As quatro primeiras peças são de quatro diferentes compositores. Um Impromptu de Germaine Tailleferre, um Noturno de Gabriel Fauré, um Intermezzo de Francis Poulenc e a Habanera de Emmanuel Chabrier. Essa última peça me faz lembrar uma canção que quase consigo cantar junto, mas não consigo extamente precisar. Algumas peças de Debussy, incluindo o prelúdio que dá nome ao disco e a ultra conhecida Clair de lune. De Ravel, para completar o disco, o belíssimo Jeux d´eau e a Sonatine. Um disco que tem poesia até no nome!
Germaine Tailleferre (1892 – 1983)
Impromptu En Mi Majeur
Gabriel Fauré (1845 – 1924)
Nocturne No.4 En Mi Bemol Majeur
Francis Poulenc (1899 – 1963)
Intermezzo En la Bemol Majeur
Emmanuel Chabrier (1841 – 1894)
Habanera
Claude Debussy (1862 – 1918)
Poissons d’or
Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir
Nascida no Canadá, Janina Fialkowska iniciou seus estudos de piano com a mãe aos 4 anos, continuando em sua cidade natal, Montreal, com Yvonne Hubert. Em Paris, estudou com Yvonne Lefébure e, em Nova York, na Juilliard School, com Sascha Gorodnitzki, vivenciando o melhor das tradições pianísticas francesa e russa. Sua carreira decolou em 1974, quando o lendário Arthur Rubinstein tornou-se seu mentor após sua premiada apresentação no concurso inaugural de Master Piano Competition, chamando-a de “intérprete nata de Chopin”, estabelecendo assim as bases para sua identificação vitalícia com esse compositor. (Texto concebido pelo CHAT PQP B…)
Aproveite!
René Denon
Rubinstein contando para Janina como ele se dá bem com a turma do PQP Bach…
Reviews for Elīna Garanča’s Arie Favorite (2001) generally highlight her as a superb and rising talent, particularly praising her effortless, velvety mezzo-soprano technique.
Elīna adorou o Salão dos Espelhos do PQP Bach Tower em sua última visita ao head office da nossa corporação
Para a postagem desta edição da coluna “Domingo é Dia de Ópera”, que pode ir ao ar numa quinta-feira ou sábado, dependendo do humor do editor chefe do blog, escolhi um disco lançado em 2001 e que teve papel importante no início da carreira da simpatissíssima mezzo-soprano Elīna Garanča. sua carreira deslanchou completamente depois de suas performances no Festival de Salzburgo em 2003.
É claro, as árias foram escolhidas cuidadosamente para mostrar a beleza da voz e a técnica impecável da artista. O acompanhamento pela orquestra do seu país de origem é também muito bom e o disco é primoroso, na minha opinião.
Os compositores são do fim do século XVIII e início do século XIX, as árias em italiano, a menos de uma, em francês. Mozart, Rossini, Bellini, Donizetti e Massenet são eles. Eu conhecia razoavelmente as árias das óperas de Mozart e ‘Una voce poco fa’, do Barbeiro Rossiniano. As obras de Bellini e Donizetti ainda estão na minha lista de ‘o que fazer depois da aposentadoria’. Massenet também está lá com eles, me esperando. Pelo que ouvi aqui, haverá muita diversão.
De um entusiasta comprador do CD pela Amazon: Esta é uma gravação maravilhosa e Elīna Garanča está soberba. A quarta faixa, o “Parto, parto” de La Clemenza di Tito, de Mozart, vale o preço do CD por si só. Elīna Garanča faz a obra soar quase sem esforço, quando, obviamente, não é. Ela traz brilho à tradição dos papéis de mezzo-soprano, que muitas vezes são relegados a um segundo plano. Além disso, a gravação em si é exuberante e rica, e magistralmente executada.
Na ária por ele mencionada, ouça o clarinete-baixo que o Antonio Stadler e seu amigo Mozart curtiram imensamente.
Aproveite!
René Denon
Imagem enviada pela entusiasmada equipe de artes e produção do PQP Bach Publishing House para a postagem… mas, acho que confundiram os Bellinis…
Há várias formas de se relacionar e desfrutar da música. Você pode ligar o rádio sintonizando em uma estação de sua simpatia e seguir fazendo o que normalmente faz ouvindo a seleção escolhida pela produção. Há também plataformas de streaming onde você pode buscar um determinado álbum ou uma playlist. Alexa! Toque ‘As Quatro Estações’, de Vivaldi!.
Elementos que nos ajudam na escolha de algum álbum envolve a capa, o(s) compositor(es) e, especialmente, o(s) intérprete(s). Tudo isso é resultado de importantes etapas da produção. Há uma tendência em substituir o nome do compositor ou da música por um catchy title, um título atraente, intrigante. No caso do disco da postagem é “Crossing Borders”, Atravessando Fronteiras, traz música composta no período barroco interpretada pela ótima orquestra de câmara inglesa, “La Serenissima”, liderada por Adrian Chandler, que também é violinista.
La SerenissimaAdrian Chandler
Mas, o disco pode oferecer algo mais do que uma bela paisagem sonora, também oferece uma oportunidade de ampliar e aprofundar os seus conhecimentos sobre o momento cultural no qual essas obras floresceram. E aqui é que se revela as conexões entre os vários compositores das obras, Telemann e Vivaldi os dois mais famosos. O livreto narra uma boa teia de conexões ligando esses compositores de diferentes (e como!) países, num período muito fértil de desenvolvimento musical – o período barroco. As obras e os estilos desses artistas talentosos e criativos influenciavam uns aos outros e figuras que hoje são menos lembradas, como o compositor Johann Georg Pisendell, ajudaram a estabelecer essas relações. Está tudo lá no libreto, basta cavar um pouco mais, caso isso lhe atice a curiosidade.
Não há uma peça ruim no disco, pelo menos na minha perspectiva, mas há dois concertos dos quais eu gostei mais e os ouvi mais vezes do que os outros – o concerto para flauta doce, de Vivaldi, e o concerto pra flauta e flauta doce, de Telemann, uma raridade por ter esses dois instrumentos soando juntos, com seu efervescente e contagiante presto. A menos que você não suporte o som de flauta, e nesse caso sugiro que busque em outra postagem música que caia mais no gosto, há para gregos e baianos aqui no blog, tenho certeza que gostará do “Crossing Borders”!
Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Concerto for flute, strings and continuo in D major TWV51:D2
Moderato
Allegro
Largo
Vivace
Ignazio Sieber (c1680-1761)
Sonata for recorder and continuo No 8 in G minor
Preludio: Largo
Corrente: Allegro
Sarabanda: Largo
Allemanda: Allegro
Francesco Durante (1684-1755)
Sonata movement for violin and continuo in C minor
Giga
Antonio Vivaldi (1678-1741)
Concerto in F major RV442
Allegro con molto
Largo e cantabile
Allegro
Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Trio for flute, viola d’amore and continuo in D major TWV42:D15
Adagio
Presto
Con gravità ma non grave
Allegro
Giuseppe Antonio Brescianello (c1690-1758)
Concerto for two violins and continuo No 1 in E flat major
Grave – Presto – Adagio – Presto – Adagio
Allegro
Adagio
[Allegro]
Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Concerto for flute, recorder, strings and continuo in E minor TWV52:e1
Largo
Allegro
Largo
Presto
Antonio Vivaldi (1678-1741), arr. Adrian Chandler (b1974)
Largo e cantabile (Original slow movement of Concerto in F major, RV442)
Their second album of 2025, and their 11th album with Signum Records, baroque giants La Serenissima return with an album of works by composers including Telemann, Sieber, Durante, and Brescianello. The album explores how their styles changed and developed as they ‘crossed borders’ between Italy, Germany, France and other European countries.
Em seu segundo álbum de 2025, e o décimo primeiro com a Signum Records, os gigantes do barroco “La Serenissima” retornam com um álbum de obras de compositores como Telemann, Sieber, Durante e Brescianello. O álbum explora como seus estilos mudaram e se desenvolveram à medida que “cruzavam fronteiras” entre a Itália, a Alemanha, a França e outros países europeus.
Aproveite!
René Denon
La Serenissima ficou animadíssima quando viu o pessoal do PQP Bach chegando para assistir ao ensaio para as gravações do disco…
A gravação ocorreu em Kobe, no Japão. Os irmãos Suzuki eram muito competitivos e tentavam de tudo para que o outro sofresse na sombra – um cenário perfeito para uma gravação inspirada!
Dan Laurin
Dan testando um piccolo dolce da coleção do PQP Bach
Enquanto Bach tinha emprego fixo e, com isso, obrigações a cumprir, Handel era aventureiro e arriscava-se como empresário de óperas e oratórios. Vivia lautamente e convivia com nobres e ricos da sociedade inglesa, mas nem sempre a grana era certa. Pagar as contas dos fornecedores e manter a mesa de banquetes cheia podia ser complicado, com tantas intrigas dos compositores e companhias de ópera italianas. Assim, as publicações de sonatazinhas, concertos e música para teclado poderia vir a calhar, era uma fonte de renda que não se podia desprezar. E o Georg era um bamba da melodia fácil e certa para os instrumentos – violino, oboé, flautas. Ele e seu editor arranjaram muitas dessas sonatas e ótimas elas são, como atesta este excelente disco do flautista (doce) sueco, Dan Laurin. Ao seu lado os acompanhantes são da família Suzuki – Hidemi ao violoncelo e Masaaki nos teclados. Sobre essa parceria, você viu o que Dan escreveu…
De uma crítica fácil de localizar, especialmente para adeptos da IA: Por outro lado, o violoncelista barroco Hidemi Suzuki junta-se a Laurin e Masaaki Suzuki, e certamente imprime um ímpeto dinâmico em cada sonata. Um órgão substitui o cravo em três momentos, conferindo às peças uma sensação de foco suave. […] (Dan) Laurin, na flauta doce contralto, possui um timbre rico e luminoso. As suas interpretações, juntamente com as dos Suzukis, são majestosas, quase como concertos; a sua gama expressiva é ampla, as linhas cantáveis de Handel realmente (ahãmm) cantam.
Aproveite!
René Denon
Dan Laurin depois do almoço com o pessoal do PQP Bach…
O ódio, a injustiça, a traição, o amor, o sacrifício, o perdão, o remorso, a compaixão, a piedade do homem – tudo isso se reflete na profunda exposição musical do Evangelho feita por Bach, o quinto evangelista…
Quantas vezes você já foi pego por uma cena de filme que surge quando está dando um rolé com o controle remoto da TV? Tarde da noite, você ainda não está com sono e começa a procurar algo interessante para ver e vai que surge a cena de um julgamento – um interrogatório. Você presta pouca atenção, acabou de passar o canal de compras, quando surge uma pergunta: Qual é a acusação contra este homem? A pergunta te leva para dentro da trama, que ganha dramaticidade a medida que avança. Pronto, você está fisgado e vê o filme até o fim.
Foi mais ou menos isso que me aconteceu dia desses. Ou melhor, noite dessas. Tentando acionar o controle remoto do Denonzão, para fazer tocar um arquivo estocado no pendrive, acabei acionando a faixa 21 do arquivo que havia baixado uns dias antes – Johannes Passion, composta pelo padroeiro do blog, o JS Bachlein!
A gravação do grupo Pygmalion, sob a regência de Raphaël Pichon, está estalando de nova, foi gravada em abril de 2025 e lançada agora, em 2026. É disso que eu gosto, novidade! O que as novas gerações têm a dizer sobre as obras que já se perpetuaram como icônicas? Eles reviveram, para mim, as surpresas e os deslumbramentos que senti, quarenta anos atrás, ao ouvir a gravação desta mesma obra pelo então inovador e espetacular The Monteverdi Choir e The English Baroque Soloists, sob a direção de John Eliot Gardiner. Quase não dá para acreditar que já se foram 40 anos. Mas, o que nos interessa é a presente gravação. A capa traz um detalhe de uma pintura de Fabienne Verdier e contrasta com a capa do álbum de Gardiner por ser abstrata, enquanto a outra é figurativa (podemos até ver o discípulo que Jesus amava) mas ambas refletem a intensidade de cada uma das interpretações. O coro do Pygmalion é absurdamente ágil e intenso – uma as marcas registradas do Monteverdi Choir naqueles dias.
Nova geração de cantores também se apresenta, o evangelista é o tenor Prégardien, mas Julian, filho do Christoph, que nos deixou gravações antológicas.
Fabienne Verdier
Gostei tanto que ouvi tudo de novo, desta vez desde o começo. E que começo. O libreto, que você encontrará no arquivo, compara a inovação da abertura desta obra – sua aspereza e intensidade – com a abertura de outra obra-prima que seria escrita 200 anos depois, o início da Sagração da Primavera, por Stravinsky.
A Paixão segundo João, de Bach, é uma obra espetacular. Difere da outra Paixão escrita por ele, por nos lançar diretamente na ação, como num episódio do Tunel do Tempo. Na Paixão segundo Mateus, primeiro Jesus ceia com seus discípulos, o passo é outro. Aqui já nos deparamos com a turba e os soldados indo atrás dele, no Monte das Oliveiras. Se puder, siga a história, é um drama como poucos. Tem até uma espada arrancando uma orelha.
A estrutura da obra avança rapidamente, seis cenas encadeadas: a traição (Judas e a turba), a negação (Pedro), o julgamento (Pilatos, a turba, os sacerdotes), a crucificação (os soldados, a lança), morte (Es ist vollbracht) e sepultamento. A tensão da narrativa – o contraste entre o evangelista (tenor) e a turba (coro) é impressionante. Nos momentos cruciais, o evangelista diminui sua voz a um quase sussurro. O coro, quando faz a turba, grita, esganiça, só falta tacar pedra (Kreuzige!). Depois, tem que comentar e cantar docinho…
As árias também têm o papel de opinar sobre o drama e são belíssimas, a voz quase sempre acompanhada de um instrumento melódico. A primeira delas, para contralto, tem acompanhamento de oboés e depois, a ária para soprano vem com flautas, e violas no caso da ária para tenor. Na ária do Gólgota, o baixo é acompanhado pelo coro. A especial segunda ária para contralto é logo a seguir da morte de Jesus, Es ist vollbracht, e é acompanhada por viola da gamba. É um dos pináculos da obra. Antes dos coros finais ainda temos mais uma belíssima ária para soprano, acompanhada por flauta e oboé da caccia – Zerfliesse, mein Herze, in fluten der Zähren (Dissolva-se, meu coração, em torrentes de lágrimas). Percebeu?
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Johannes Passion
Prima parte
E xordium | Exorde
1 | 1. Chorus Herr, unser Herrscher 7’48
V errat und Gefangennahme | Trahison et Arrestation | Betrayal and Arrest
2 | 2a. Evangelista, Jesus Jesus ging mit seinen Jüngern über den Bach Kidron 2’30
3 | 3. Choral O große Lieb, o Lieb ohn’ alle Maße 0’54
4 | 4. Evangelista, Jesus Auf dass das Wort erfüllet würde 1’10
5 | 5. Choral Dein Will gescheh, Herr Gott, zugleich 0’54
6 | 6. Evangelista Die Schar aber und der Oberhauptmann 0’47
7 | 7. Aria (Alto) Von den Stricken meiner Sünden 4’20
Verleugnung | Reniement | Denial
8 | 8. Evangelista Simon Petrus aber folgete Jesu nach 0’20
9 | 9. Aria (Soprano) Ich folge dir gleichfalls mit freudigen Schritten 3’30
Raphaël foi conhecer o galpão onde o PQP Bach vai passar a estocar os arquivos baixados…
Bach never came closer to writing an opera than he did with the St John Passion. The leaner cousin of the more expansive St Matthew, it responds to incisive conducting and singers with a nose for drama, both of which this new recording possesses in spades.
Raphaël Pichon tears into the meat-grinding opening chorus with its agonised cries of desperation, later whipping his singers into a frenzy as they call for the release of Barrabas and demand that Christ be crucified. Pygmalion are razor-sharp throughout, including a vigorous engagement with the reflective chorale texts.
No one artist will ever have the last word on this masterwork, but Pichon’s fresh, re-envisioned approach helps us contemplate it from a different angle and in a different light. Such a compelling commitment to this famous score commands attention and rewards repeated listening.
Ludovico: – Signore Rossini, componha mais barbeiros! Continue a compor óperas-buffa!
Tendo em conta o enorme e retumbante sucesso das postagens com música lírica, esse vosso escrevinhador de postagens animou-se ainda mais e na seção ‘Domingo é Dia de Ópera’ e traz agora uma gravação completa de uma ótima peça – Il Barbiere di Siviglia.
Vejam, mesmo morando em cidades diferentes e distantes até no tempo (30 anos de diferença), Mozart e Rossini frequentavam a mesma barbearia – Beaumarchais Barber Shop –, e eram atendidos sempre pelo mesmo mestre barbeiro, um tal de Figaro. A tal barbearia atraia realmente muitos compositores de óperas, Giovanni Paisiello entre eles…
Em todos os Figaros, bilhetes iam para lá e para cá…
Rossini compôs seu ‘Il Barbiere di Siviglia’ trinta anos depois de Mozart haver composto sua ópera ‘Le Nozze di Figaro’, mas os eventos descritos na ópera de Rossini precedem aqueles da obra de Mozart. Ambos libretos são baseados nas peças de Beaumarchais, que mostra a nobreza às voltas com as mundanas complicações da ralé. Na ópera de Rossini o Conde de Almaviva se diz Lindoro e precisa da ajuda de Figaro para casar-se com Rosina, aquela que será a Condessa na ópera de Mozart. Na narrativa de Wolfgang (e Da Ponte) eles já se encontram casados (o nome Rosina é mencionado uma única vez) e o casório agora é do barbeiro, que se tornou o ajudante pessoal do Conde.
Mas como nas franquias de filmes de aventuras, não é necessário conhecer essa ópera antes ou aquela outra, ambas são ótimas, divertidíssimas e nos podem proporcionar música de primeira. Em comum as tramas e confusões – bilhetes, disfarces e uma horda de gentes tentando enrolar uns aos outros, mais atrapalhados do que safos.
Ela: o que o Salieri está fazendo por aqui? Isso é Rossini…
Hoje vamos de Rossini, uma gravação que tem como estrela a ótima Cecilia Bartoli como Rosina e Leo Nucci como o famoso barbeiro. O conde-Lindoro é William Matteuzzi e o Coro e Orquestra do Teatro Comunale di Bologna estão sob a regência de Giuseppe Patanè.
O que você não pode perder?
No primeiro ato estão as principais árias. “Ecco, ridente in cielo”, cantada pelo Conde é uma das primeiras e, depois, uma das mais famosas de todas, “Largo al factótum” na qual Figaro conta quem ele é e como vive ocupadíssimo: Figaro qua, Figaro la, Figaro qua, Figaro la, Figaro su, Figaro giu, Figaro su, Figaro giu!
Os coadjuvantes também cantam: “La calunnia è um venticello”, de Basílio, professor de música da doce Rosina, e “A un dottor della mia sorte”, de Bartolo, o tutor de Rosina, com quem quer casar-se. Ambas famosas e ótimas.
Além de óperas, Rossini deixou sua marca também na gastronomia…
Como se trata de uma ópera-buffa, há cenas engraçadas envolvendo vários personagens, o que muito contribui para o sucesso da peça. O mocinho, Conde de Almaviva, para se aproximar de sua amada Rosina disfarça-se de Lindoro, depois finge ser um soldado bêbado e finalmente ‘Don Alonso’, professor de música.
Há uma cena da lição de música, quando o pretenso professor dá aulas a Rosina e Figaro engabela o doutor Bartolo. Outro número imperdível é o quinteto (Figaro, Bartolo, Basilio, Rosina e Lindoro) “Buona sera”. Assim, de truques e bilhetes, vamos até o final feliz do Conde casando-se com Rosina, que passa a ser a Condessa… Afinal, o grande Ludovico não poderia errar, vaticinando que “Il Barbiere” faria sucesso enquanto houvesse algo como ópera-buffa sendo encenada pelo mundo afora.
Cecilia não poderia ter sido mais simpática com a equipe de fotógrafos do PQP Bach….Lição de música!
This is a light, comic opera, and so it should sound joyous and fun. This performance achieves that perfectly, in great quality sound. And there are no bad performers in this, no one spoils the fun or one’s enjoyment by substandard singing or playing or conducting; it is a very solid performance of this great opera.
Patane recording – What jumps out at me is the joy of the artists’ musicmaking. The orchestra clearly has this music in its blood and they play with precision and panache, underlining what a talented orchestrator Rossini was. Another plus is a young Cecilia Bartoli as Rosina, a role which first brought her to prominence in the year before this recording.
Aproveite!
René Denon
Vai um Tournedos Rossini ao ponto? Aos veganos, as batatas…
Nestes três CDs eu tenho o enorme prazer de apresentar sete jovens pianistas extremamente talentosos que fizeram suas estreias no Ruhr Piano Festival 2019. Artistas promissores dos quais podemos esperar e certamente ouviremos muito mais no futuro.
Franz Xaver Ohnesorg, Director
Em função do enorme sucesso da postagem com gravações feitas no Klavier-Festival Ruhr, insistimos em apoquentar nossos seguidores com mais esta leva – três discos repletos de boa música. O tema da edição de 2019 é ‘Festivaldebüts’ – apresentação de pianistas que, naqueles dias, estavam em início de carreira.
Giuseppe Guarrera
Como nos discos da postagem anterior, os artistas vão se alternando nas apresentações das peças e cada disco promove um programa coerente.
Tiffany ficou casadinha depois da Sonata de Haydn…
O primeiro disco reúne algumas Sonatas de Scarlatti, uma sonata para piano e um andante com variazioni de Haydn. Completando o disco, uma melodia húngara de Schubert e as Variações sobre um tema de Schumann, de Brahms. Eu gostei muito das sonatinhas do Domenico, especialmente de umas interpretadas pelo siciliano Giuseppe Guarrera, das quais eu não me recordava ou conhecia. A transição para a Sonata No. 62 (Hob. XVI/52) de Haydn é impactante, foi a última que ele escreveu, após sua primeira viagem a Londres. O adágio é pré-romântico e o finale-presto deve ter impressionado o jovem Ludovico.
Nicolas Namoradze
O segundo disco é do qual eu mais gostei, com música para teclado, de Bach. Após uma das Sinfonias a três vozes, uma das Partitas e duas Suítes, uma inglesa e uma francesa. A Partita é a dramática Sexta. A Suíte Francesa é a que eu mais gosto, a Quinta, e está nas mãos de Tiffany Poon, a mesma pianista da Sonata de Haydn. Se você não ouvir essa peça pelo menos duas vezes é porque tens um coração de pedra.
O último disco muda de fase, vamos para o escancarado romantismo, depois das Variações sobre um tema de Paganini, de Brahms, um punhado de peças de Liszt. Os Sonetos de Petrarca são peças bem bonitas.
Elisabeth Brauss
Tudo gravado ao vivo com intérpretes jovens, de grande talento, mostrando ao público a que vieram. Eu gostei de tudo (é claro, mais disto ou daquilo do que daquilo outro) e cabe a você descobrir por que a música tem tanto poder de impressionar e mover as pessoas.
CD1
DOMENICO SCARLATTI (1685 – 1757)
Sonate in D-Dur K 492 [03:42]
Sonate in E-Dur K 380 [02:51]
Sonate in f-Moll K 386 [02:38]
Sonate in c-Moll K 56 [03:40]
ELISABETH BRAUß, piano
Sonate in d-Moll K 9 [02:49]
Sonate in d-Moll K 32 [02:31]
Sonate in e-Moll K 394 [04:16]
Sonate in G-Dur K 125 [01:06]
Sonate in f-Moll K 466 [04:02]
Sonate in F-Dur K 107 [02:29]
GIUSEPPE GUARRERA, piano
JOSEPH HAYDN (1732 – 1809)
Sonate in Es-Dur Hob. XVI:52
Allegro [06:16]
Adagio [07:50]
Finale. Presto [04:15]
TIFFANY POON, piano
Andante con variazioni in f-Moll Hob. XVII:6 [08:55]
ALEXANDER ULLMAN, piano
FRANZ SCHUBERT (1797 – 1828)
Ungarische Melodie in h-Moll D 817 [03:38]
ALEXANDER ULLMAN, piano
JOHANNES BRAHMS (1833 – 1897)
Variationen über ein Thema von Robert Schumann in fis-Moll op. 9 [17:49]
O Klavier-Festival Ruhr 2026 abordará “Die Welt des György Kurtág” e terá como participantes: Igor Levit & Markus Becker / Diana Krall / Krystian Zimerman und viele weitere Künstler…
Aproveite!
René Denon
Till Hoffmann ganhou a aposta feita com o pessoal do PQP Bach – tocou Bach até ‘descostas’…
Camille: – O que se pode escrever depois de Beethoven?
Claude: – Reflets dans l’ eau!
É possível que eu esteja um pouco assim como os compositores franceses num certo momento da história da música – cansado do modelo musical ‘alemão’, forma sonata serrando por cima, três movimentos para os concertos, quatro movimentos para as sinfonias e quartetos e tal.
Tenho preferido ouvir mais o repertório fruto dessa ‘rebeldia’, busca de uma outra maneira de compor, seja música ‘francesa’ ou na ‘espanhola’, um pouco de jazz e ópera.
Metropole Ruhr Essen
Foi nesta toada que dei com meus costados nesta coleção de quatro CDs gravados em 2018 na correspondente edição do Klavier-Festival Ruhr. Sei, fica na Alemanha, mas o tema daquela edição do festival foi “Vive la France!”, tá aí explicado.
Este festival ocorre ao longo de três meses, todos os anos, a partir de maio (Im wunderschönen Monat Mai), nesta parte da Alemanha, o Ruhrgebiet, cuja maior cidade é Dortmund. O pacote de quatro CDs nos oferece música para piano, canções e música de câmara. Eu havia decidido postar o primeiro CD, com peças para piano de Debussy, do qual eu gostei muito e ouvi diversas vezes. Mas, repensei a decisão e aqui estão também os outros três discos.
O segundo disco tem música para piano de Saint-Saëns, que escreveu, ao longo de sua relativamente longa e produtiva vida, pouco para piano solo, sempre peças características, nada de sonatas, essas coisas. Ele dizia “O que se pode escrever depois de Beethoven?”. Eu ouvi quase todo o disco, mas confesso que ainda estou lidando com ele, especialmente depois do disco do Debussy, ao qual acabo retornando. Os pianistas nos dois primeiros discos são ótimos, especialmente Mao Fujita, que mais recentemente mudou da Naxos para a Sony.
O terceiro disco promete, são canções desses dois compositores, mas eu ouvi mesmo algumas poucas. De qualquer forma, como o pianista que acompanha os cantores é o Graham Johnson, o cara da Edição Schubert da Hyperion, e tantas outras grandes empreitadas, temos mais que garantia de ótima qualidade, ficando apenas a questão do gosto musical a ser decidido pelas audições.
O quarto disco traz o Trio com Piano de Debussy, uma obra de juventude, escrita enquanto ele passava o verão de 1880 na idílica pequena cidade de Fiesole, que fica nas colinas próximas da cidade de Florença. (Chato, não é?) Debussy fora contratado como pianisra e professor de piano da família de Nadezhda von Meck, a ricaça mecenas de Tchaikovsky. A peça é bem bonita, mas não parece exatamente Debussy de seus dias posteriores. A outra peça é um Concerto para Piano, Violino e Quarteto de Cordas de Chausson. Eu achei a peça um pouco congestionada, mas talvez deva ouvir mais vezes. Certamente tem bons momentos, mas isso também tem as óperas de Wagner. Espero que você goste.
CD1
CLAUDE DEBUSSY (1862 – 1918)
Images I (1904 – 05)
Reflets dans l’ eau
Hommage à Rameau
Mouvement
Images II (1907)
Cloches à travers les feuilles
Et la lune descend sur le temple qui fut
Poissons d’or
Sergei Redkin, piano
Moers, Martinstift | Live Recording: 23. Mai 2018
L’ isle joyeuse (1904)
L’ isle joyeuse
Jamina Gerl, piano
Wattenscheid, Zeche Holland | Live Recording: 03. Mai 2018
Estampes (1903)
Pagodes
Soirée dans Grenade
Jardins sous la pluie
Mao Fujita, piano
Bochum, Kunstmuseum | Live Recording: 02. Juni 2018
Deux Arabesques (1888)
Arabesque Nr. 1 in E-Dur
Arabesque Nr. 2 in G-Dur
Inga Fiolia, piano
Essen, Haus Fuhr | Live Recording: 09. Juni 2018
Pour le Piano (1894 – 1901)
Prélude
Sarabande
Toccata
Mao Fujita, piano
Bochum, Kunstmuseum | Live Recording: 02. Juni 2018
Camille Saint-Saëns escreveu aproximadamente vinte obras para piano solo: seu estilo neoclássico melodioso e elegante deve ter se encaixado perfeitamente com a atmosfera cultivada nos salões parisienses.
No final do século XIX, um dos locais mais prestigiados onde os artistas parisienses se reuniam era o salão do compositor Ernest Chausson. Maurice Ravel era presença frequente nesse ilustre círculo, assim como Debussy, com quem Chausson cultivou uma significativa amizade. Por exemplo, os dois estudaram juntos a partitura de Boris Godunov, de Mussorgsky, e se maravilharam com suas sonoridades completamente incomuns.
Aproveite!
René Denon
Na região do Ruhr, a tradição mineira e a história industrial encontram o estilo hipster e as visões do futuro. Esta antiga área de indústria pesada transformou-se numa das regiões mais vibrantes da Alemanha.
O melhor de Rigoletto é sem dúvida sua intensidade dramática e genialidade melódica, apresentando momentos icônicos como “La donna è mobile”, do Duque, “Caro nome”, de Gilda, e o profundo quarteto do Ato 3, “Bella figlia dell’amore”.
Uma boa ópera precisa de um vilão, um mau-caráter de carteirinha! A fila destes personagens é longa e variada. Don Giovanni, Scarpia, Iago, Rainha da Noite são nomes que lá estão, sem dúvida. Ao lado do Don, no grupo dos mulherengos, está o Duque de Mântua, personagem importante de Rigoletto, a ópera de hoje, que é domingo.
Nos arquivos da postagem um convite diferente para ouvir as melodias do Giuseppe Verdi, os melhores momentos de uma gravação feita pela Naxos. No comando o ótimo regente de origem Persa, que estudou na Áustria com Hans Swarovsky, Alexander Rahbari.
Nesta ópera o protagonista é Rigoletto, o disforme bobo da corte do Duque de Mântua pai da mocinha Gilda, que cairá nas garras do volúvel Duque, vilão do dia. Você pode descobrir tudo e mais um pouco sobre essa obra prima, criada originalmente por Victor Hugo e transformada em ópera de tremendo sucesso por Verdi, acessando a postagem de nosso Verdi-expert, Alex Delarge. A postagem de hoje serve apenas de appetizer, quase um trailer para a ‘real-thing’. Quem sabe, ouvindo essa versão curta você se anima e mergulha neste mundo de emoções, sentimentos exacerbados, gestos imensos e muita paixão. Ópera é a arte do exagero.
Eduard Tumagian sem a corcunda de Rigoletto
O resumo da ópera? Tragédia, está na cara, não é? Uma maldição – na corte do Duque de Mântua, um incorrigível Don Juan, o corcunda e disforme Rigoletto faz pouco caso dos cortesãos para agradar ao Duque. Sua afiada língua acaba atraindo a maldição de um deles, sem contar o rancor de tantos outros. Logo ele que tem telhado de vidro. Vidro não, cristal! Sua linda filha – Gilda – a mocinha da ópera que vive escondida, longe dos olhares de todos. Preciso dizer mais? A povera ragazza cai nas manhas e artimanhas do Duque, que ela pensa ser um tal de Gualtier Maldè. ‘Caro nome’ é uma linda ária, que você não deve deixar de ouvir.
Yordi não encontrou a foto vestido de Duca e mandou essa onde ele está vestido de Pedrillo mesmo…
Vai rolar um contrato para a morte do Duque, o assassino de aluguel também tem nome de restaurante italiano – Sparafucile – mas, o destino joga sujo com o corcunda. Para mais detalhes, vá para a postagem oficial. Mas, aqui você encontrará uns bons trechos, como as duas árias do Duque – Questa o quella – logo no início da ópera, e a famosa ‘La donna è mobile’, que ele canta ao sair da taberna para onde fora atraído pelo Sparafucile, com a ajuda de sua irmã, Madalena.
Outro trecho impressionante é de Rigoletto, que canta ‘Cortegiani, vil razza dannata’, maldizendo de volta a turba de baba-ovos que vive em torno do Duque.
Há também momentos de conjunto, com o Rigoletto e sua ‘figlia’, ou com vários personagens cantando juntos. Verdi foi mesmo um bamba!
Giuseppe Verdi (1813 – 1901)
Rigoletto (Highlights)
Act I: Prelude
Act I Scene 1: Ballata: Questa o quella per me pari sono (Duca)
Act I Scene 2: Pari siamo! (Rigoletto)
Act I Scene 2: Figlia! … Mio padre! – Gia da tre lune – Ah! Veglia, o donna (Rigoletto, Gilda, Giovanna, Duca)
Act I Scene 2: E il sol dell’anima (Duca, Gilda)
Act I Scene 2: Gualtier Malde – Caro nome che il mio cor (Gilda)
Act I Scene 2: Zitti, zitti, moviamo a vendetta (Chorus)
Act II: Ella mi fu rapita! – Parmi veder le lagrime (Duca)
Com árias suaves e arrebatadoras como “Questa o quella” e a incrivelmente cativante “La donna è mobile” (tão cativante, aliás, que Verdi se recusou a revelá-la ao elenco até os ensaios finais para manter a melodia em segredo), o lascivo Duque de Mântua prova que nem todos os tenores são heróis.
Rigoletto é considerada uma das melhores e mais eficazes obras de Verdi, combinando situações intensas e dramáticas com um brilhantismo melódico.
Aproveite!
René Denon
Rahbari de olho nas violas da PQP Bach Sinfonieta durante uma apresentação em Bagé
The Dialogue Between Bach and God: The Goldberg Variations, Yunchan Lim
Interlude – M. Buja
Yucham Lim, bem mais do que um pianista especialista em Rachmaninov
Há muitos discos bons sendo lançados quase que diariamente e mesmo discos ótimos, com qualidade técnica tanto dos artistas quanto das produções, numa onda enorme, a cada ano, cada mês. Nessa sequência de lançamentos, de vez em quando, surge um disco que além disso tudo nos oferece a oportunidade de ouvir uma grande obra ainda uma vez como se a primeira, nos revelando todo a sua beleza e encantamento. Foi o que me aconteceu ao ouvir este disco – Variações Goldberg, de Bach, com o pianista Yuncham Lim, gravadas ao vivo – que sortudos os presentes nestes concertos.
Eu havia selecionado duas gravações das tais variações para ouvir, esta e mais outra, que não vou citar nominalmente, ambas muito recentes. Gostei do libreto da outra, o arquivo desta oferecia apenas as faixas. Comecei com a outra, estranhei um pouco a lentidão da ária, mas alguns artistas querem fazer um contraste maior com a primeira e espiritada variação, sem contar com as tantas e tantas repetições. Insisti um pouco mais, mas acabei, pelo meio do caminho, decidindo mudar de disco, afinal não temos o dia todo para Goldbergues e a postagem requer um disco digno dos argutos e exigentes PQP Bachianos, frequentadores do blog.
Pois ao colocar o disco da postagem não senti qualquer coisa outra do que alegrias e prazeres. Sorrisos a cada dobra da partitura, o tempo passou a correr diferente, mais etéreo. Lá pela sétima variação (sei, sete é conta de mentiroso, mas você precisa tirar isso a limpo por si mesmo), com seus sons cristalinos, eu estava completamente fisgado. O disco é bom mesmo, é o que diz minha experiência de muitas ótimas gravações. Como posso afirmar isso tão peremptório? Pois ao terminar o disco, queria ouvir tudo de novo. Não deixe de ouvir!
In a new recording by Yunchan Lim, the youngest winner of the Van Cliburn International Piano Competition in 2022, The Goldberg Variations are set out in a beautiful array. Recorded in Carnegie Hall, on the Perelman Stage in the Stern Auditorium, the modern Goldberg is presented in its finest garb.
Aproveite!
René Denon
Yucham aguardando o pessoal do PQP Bach para a entrevista
Desde a sua fundação, há dez anos, o Ensemble Ouranos tem como objetivo expandir o repertório para quinteto de sopros. “Constellations”, sua primeira gravação para a Alpha Classics, dá continuidade a essa tradição com transcrições de Shostakovich e Ravel. “Summer Music”, de Barber, completa o programa.
Em uma deliciosa crônica – O Recital – a fabulosa imaginação de LF Verissimo cria uma situação inusitada. No recital de um quarteto de cordas (poucas coisas seriam mais formais) surge um ‘quinto elemento’, um homem com uma tuba, vindo dos bastidores. Ele posta-se ao lado do violoncelista e quer tocar, ora bolas! Quer acompanhar o conjunto, improvisar algo, fazer o um-pá-pá…
Eu me lembrei desta crônica assim que vi o repertório do álbum da postagem. O Ensemble Ouranos é formado por cinco músicos que tocam instrumentos de sopros, nenhuma tuba, quase, mas flauta, clarinete, oboé, fagote e trompa. Como diz o libreto, o conjunto foi fundado por cinco solistas do Conservatoire Supérieur de Paris e explora o repertório para quinteto de sopros com liberdade e entusiasmo.
O pessoal do Ensemble Ouranos foi conhecer o novo PQP Bach Warehouse Space, em Erechim
Como o tal repertório não é assim tão extenso, além de obras originais para essa formação, eles vão de arranjos, alguns bem inusitados, o que nos traz de volta ao início da postagem – quarteto de cordas e instrumentos de sopros. Neste álbum eles interpretam o Oitavo Quarteto de Cordas de Shostakovich em um arranjo para quinteto de cordas feito por David Walter.
Eu já havia ouvido o quarteto original antes e tudo indica que é, assim, um expoente na obra de DSCH, quem é mais entendido do que eu que o diga. Eu achei o arranjo convincente como peça de música, mas não é um quarteto de cordas.
Deu um trabalhão, mas conseguimos ver o Samuel sorrir…
No programa do álbum uma peça de Samuel Barber, escrita para a formação de quinteto de sopros, chamada Summer Music. A inspiração para a peça vem de Summertime (e do blues) de Gershwin e também em coisas de Stravinsky. É uma música bem bonita.
A peça da qual eu mais gostei foi o arranjo da suíte Le tombeau de Couperin, de Maurice Ravel.
O disco tem o mesmo jeitão dos lançamentos do selo Alpha, um pouco ‘fora da caixa’, mas tudo feito com muito bom gosto, em particular a capa, bem estilosa.
Maurice Ravel (1875-1937)
Le tombeau de Couperin (Transcription de Mason Jones)
Prélude
Fugue
Menuet
Rigaudon
Pavane pour une infante défunte (Transcription de Guy du Cheyron)
Pavane
Samuel Barber (1910-1981)
Summer Music, OP. 31
Slow and indolent
Lively, still faster
Faster
Tempo primo, joyous and flowing
Dmitri Shostakovich (1906-1975)
Quatuor N° 8 en ut mineur, Op. 110 (Transcription de David Walter)
Largo
Allegro molto
Allegretto
Largo
Largo
Élégie (Arrangement de Lady Macbeth de Mtsensk, op. 29 acte I Scène 3 : Zherebyonok kkobylke toropitsa, Transcription de Nicolas Ramez)
Postagem da highresaudio.com no fb: It is not a very conventional idea to think of Shostakovich as cozy. The Ouranos ensemble not only thinks so, they even play it that way. The outstanding French wind quintet proves this on its latest album, Constellations, complemented by works by Ravel and Barber. …
Enjoy this very fine and beautifully recorded album. Highly recommended *****
Viu? Enjoy, aproveite!
René Denon
Além do homem do um-pá-pá, há outras pessoas querendo acompanhar o grupo Ouranos
Pene Pati, o primeiro tenor samoano a se apresentar nos principais palcos da Europa, possui uma versatilidade excepcional em uma ampla gama de papéis, abrangendo compositores como Mozart, Massenet, Donizetti, Gounod, Puccini e Verdi.
Domingo é dia de ópera e o disco de hoje é um álbum com árias para tenor interpretadas per Pene Pati, um jovem cantor que nasceu na ilha Samoa e cresceu em Auckland, Nova Zelândia. Ele cantava desde sempre, mas tornar-se cantor de ópera veio um pouco depois. Fez parte de um trio – Sol 3 Mio – que teve um disco nas paradas de sucesso da Nova Zelandia em 2014.
Depois de completar sua formação lírica em Cardiff, no Reino Unido, com ajuda da Fundação e do apoio de Kiri Te Kanawa, vencer várias competições, ganhou os palcos dos teatros de ópera de todo o mundo.
Pene está literalmente casado com a ópera. Sua esposa, Amina Edris, também é cantora de ópera e tem uma participação especial no álbum, assim como Amitai Pati, irmão de Pene.
O programa do álbum consiste em 18 números escolhidos para mostrar as características do cantor, mas também reflete seu gosto pessoal. O resultado é uma mistura de árias muito conhecidas – Nessun dorma!, que dá nome ao álbum e talvez seja a mais famosa ária de ópera para tenor, ou Che gelida manina, também de Puccini – com outras menos conhecidas e mesmo alguma raridade.
O disco também alterna peças em italiano (de compositores como Puccini, Verdi, Mascagni) e em francês (Massenet, Berlioz, Gounod). Enfim, uma joia de disco, com ótimas peças para que você desfrute um ‘momento na ópera’!
Pene Pati
Giacomo Puccini (1858 – 1924)
Turandot, Act III: “Nessun Dorma”
Charles Gounod (1818 – 1893)
Faust, Act III: “Salut, demeure chaste et pure”
“Et toi, malheureux Faust” – C’est l’enfer qui t’envoie” – world premiere recording
Jules Massenet (1842 – 1912)
Manon, Act III: “Je suis seul”- Ah! fuyez douce image”
“É sempre um processo delicado criar um álbum que conte a sua história como artista e capture o seu crescimento como músico e a sua trajetória como cantor”, escreve Pene Pati. “Nessun Dorma demonstra o meu amor pela arte de contar histórias e pelas emoções que ela pode evocar… Ao ouvir este álbum, espero que ele o leve a uma jornada emocional.”
De minha parte, eu apenas espero que você tenha muito prazer em conhecer o trabalho desse artista genial, com uma enorme carreira ainda para percorrer.
Aproveite!
René Denon
Imagem de um ‘tenor nascido na Samoa’ enviada pela sempre prestativa equipe do Departamento de Artes do PQP Bach Publishing House a tempo de completar a postagem…
‘La Bohème’ é uma das mais encantadoras histórias de amor que chegaram ao palco da ópera. Na Paris do século 19 um poeta e uma florista vivem uma paixão ardente em meio às alegrias e dificuldades da vida boêmia – vie charmante et vie terrible.
Coleção Folha GO
Hoje é domingo, dia de ópera! E que ópera é essa, estreada em 1 de fevereiro de 1896, 130 anos do dia que escrevo estas mal traçadas… Na batuta estava o batuta Arturo Toscanini, grande amigo do Giacomo, o Giacomino Puccini.
O charme e encantamento de uma noite na ópera pode ser sentido na sequência do filme Moonstruck, O Feitiço da Lua, em português. Os protagonistas, a deslumbrante Cher e o jovem Nicholas Cage, antes de se tornar o endiabrado motociclista, marcam um encontro no Metropolitan, para assistir exatamente a uma apresentação de La Bohème.
O disco da postagem apresenta nos papéis de sweetlovers os cantores Robert Alagna e Angela Ghioghiu, que chegaram a ser casados na vida real. O time é de primeira, a orquestra não poderia ser mais apropriada e o regente, vocês sabem, Riccardo é um bamba.
O que você não pode deixar de ouvir, vezes e mais vezes, nessa versão já resumida? A ária ‘Che gelida manina’ (não é ‘que menina geladinha’, mas sim, ‘Que mãozinha mais gelada!’) é o momento em que o mocinho, Rodolfo, que é um poeta, se apresenta a Mimi, a protagonista. Ele diz: ‘Que faço? Escrevo! Como eu vivo? Vivo!’ Essa é figurinha carimbada, cantada por todos os tenores famosos ou nem tão famosos assim. Pavarotti, Domingo, Carreras, a fila é longa. Aqui Rodolfo está incorporado no Alagna.
Essa ária é seguida pela ‘Sì, mi chiamano Mimi’, a resposta da mocinha, falando sobre si mesma: sou bordadeira e sou tranquila e feliz.
Ainda neste ato primo, tem o dueto de amor: ‘O soave fanciulla’, maraviglia!
Mas nem só de mocinho e mocinha se faz uma ópera e o ato segundo começa com uma cena envolvendo muitos personagens, sons e movimentação. Numa sequência de trivialidades, a amiga da mocinha, Musetta, canta sua valsa… ‘Quando me’n vo’ soletta per la via’, as pessoas param e olham… me examinam da cabeça aos pés’.
Desentendimentos, ciúmes, separações, doença e muito frio, pois que é fevereiro em Paris. A mocinha está doente, mas encontra seu amor…
No quarto ato chega a primavera, mas as coisas não estão nada boas. Não sou de dar spoiler, mas essa é fatal, a mocinha morre no final.
Não se preocupe tanto com entendimentos, a ópera nos chega pelo coração, passando pelos ouvidos. Coloque o arquivo para ouvir e deixe-se envolver pela linda música. Aposto que vai acabar procurando o resto da história…
Giacomo Puccini (1858 – 1924)
La Bohème (Highlights)
Act 1 – -Questo mar rosso
Act 1 – Chi è là- – Si sente meglio- (Extract)
Act 1 – -Che gelida manina
Act 1 – -Sì. Mi chiamano Mimì
Act 1 – -O soave fanciulla
Act 2 – Aranci, ninnoli! Caldi i marroni e caramelle
With this new recording, Decca has pretty much sewn up the market on three generations of outstanding Bohèmes. Tebaldi and Bergonzi (still my personal favorite) represent the 1950s, Freni and Pavarotti represent the 70s, and now Gheorghiu and Alagna take us into the new millennium with a recording that ranks among the very best. Only de los Angeles and Björling (on EMI, conducted by Beecham) can really compete with these three recordings.
Aproveite!
René Denon
Ilustração de Arturino e Giacomino enviada pela prestativa equipe de artes do PQP Publishing House…
Que tal embarcar em um avião imaginário rumo à ensolarada Espanha com Domingo Hindoyan e a RLPO? Seu mais recente álbum, ‘Iberia’, apresenta a Espanha através do olhar francês de Chabrier, Debussy e Ravel, e é pura alegria desde as primeiras notas.
A orquestra é inglesa, seu regente é venezuelano, o selo é londrino e os compositores franceses, mas a música é ibérica! Sensual, insinuante, ritmos envolventes, sonoridade grandiosa. Você não se decepcionará, se está buscando música para alegrar seu momento.
O repertório reflete o fascínio dos compositores franceses e artistas franceses com a cultura do país vizinho, especialmente no início do século passado. Nas décadas de 1960 e 70 surgiram ótimos discos com essa temática. O disco da Orquestra Sinfônica de Chicago regida por Fritz Reiner é um exemplo.
A peça que abre o programa desta postagem, España, de Emmanuel Chabrier, é icônica, e as outras peças de Debussy e Ravel seguem a mesma trilha com primor. É uma ótima oportunidade para a orquestra e seu diretor mostrarem seus méritos e alta qualidade. A produção também está impecável e o programa nos reserva uma hora e tanto de ótima audição, terminando com uma gravação do Bolero que me manteve ligado até a última nota.
Emmanuel Chabrier (1841-1894)
España
Claude Debussy (1862-1918)
Images – Ibéria: I. Par les rues et les chemins
Images – Ibéria: II. Les parfums de la nuit
Images – Ibéria: III. Le matin d’un jour de fête
Maurice Ravel (1875-1937)
Rapsodie espagnole: I. Prélude à la nuit
Rapsodie espagnole: II. Malagueña
Rapsodie espagnole: III. Habanera
Rapsodie espagnole: IV. Feria
Miroirs: IV. Alborada del gracioso
Pavane pour une infante défunte
Boléro
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra/Domingo Hindoyan
Domingo apontando os caminhos para as violas da PQP Bach Sinfonietta
Do crítico da plataforma Presto Classical, falando deste álbum e mais um outro, gravados pela mesma orquestra e regente: I admit I’ve had the English album on repeat for the last three weeks, but ‘Iberia’ has quickly grabbed hold of me for its sheer [consults dictionary] alegría de vivir.
Alegria de viver! Aproveite!
René Denon
Ilustração enviada para a postagem pelo Dept. de Artes do PQP Bach Publishing House
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O álbum de Vivaldi foi uma aventura e uma celebração, um exuberante Carnaval Veneziano que, creio, teria deixado o compositor orgulhoso. Essas maravilhosas simples e naturais notas musicais nos aproximam e nos fazem sentir bem. Um tributo à uma existência descuidada, elas celebram a vida.
A primeira motivação para explorar esse disco é (claro) a música, linda música de Vivaldi, no que ela tem de mais atraente: fluidez, colorido sonoro, melodias inesquecíveis. Música para instrumentos de cordas dedilhadas, beliscadas – alaúdes, bandolins, aqui interpretadas ao violão.
O artista também despertou a minha curiosidade, Thibault Cauvin nasceu em família de músicos e toca violão desde sempre. Ganhou uma lista enorme de prêmios, construiu carreira de concertista e visitou o mundo todo, aparentemente.
Desde então, Thibault viajou para mais de 120 países, realizando quase 1500 apresentações, dos palcos mais prestigiados aos lugares mais atípicos, do Carnegie Hall em Nova York à Torre Eiffel, da Sala Tchaikovsky em Moscou à Cidade Proibida em Pequim, do Queen Elizabeth Hall em Londres ao Acrópole de Cartago. A guitarra de Thibault não conhece fronteiras, não tem limites; numa noite, 40.000 pessoas podem ouvi-lo na praia de Royan, na França, e dois dias depois, ele toca em um templo em ruínas na costa do Equador para algumas 200 pessoas privilegiadas. Diversidade, contrastes, aventuras, descobertas, liberdade, encontros, tantos temas caros a Thibault, e que ouvimos em sua música.
Tantas experiências ao redor do mundo acabou resultando em um livro – Alter Ego. Veja a ‘propaganda’ do mesmo: Com sua mochila e violão nas costas, Pierre é um aventureiro que percorre o mundo. Ele encontra muitas vidas que transformam seu mundo: uma mulher argelina com deficiência visual, uma florista no Rio, um mestre do tempo em Ouagadougou, entre outros. Mas, vamos à música!
Antonio Vivaldi (1678 – 1741)
Concerto for Mandolin, Strings and Basso continuo in C major, RV 425
Allegro
Largo
Allegro
Concerto for Luth, Strings and Basso continuo in D major, RV 93
Allegro giusto
Largo
Allegro
Concerto for Violin, Strings and Basso continuo in A minor, RV 356, (L’Estro armonico n°6)
Allegro
Largo
Presto
Concerto for two Mandolins, Strings and Basso continuo in G major, RV 532
Allegro
Andante
Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in G minor, RV 85
Andante molto
Larghetto
Allegro
Trio Sonata for Luth, Violin and Basso continuo in C major, RV 82
Gostei tanto do disco que passei a imaginar a vida do Padre Vermelho na Sereníssima República. É claro que, além da música, outros aspectos prazerosos da vida vêm à mente. A julgar pelas imagens de que nos chegaram, não diria que Vivaldi fosse glutão (como deve ter sido o Saxão Inglês), mas apreciaria a boa comida, os vinhos?
A cozinha veneziana era rica em pratos com frutos do mar, famosos até hoje, sem contar os produtos trazidos de outras partes pelos seus comerciantes – bons vinhos e mesmo bacalhau da Escandinávia. Uhmmm… água na boca!
Sarde in Saor
Sarde in saor é um maravilhoso prato de antipasto veneziano feito com sardinhas fritas em camadas com cebolas, passas e pinhões marinados em vinagre e açúcar.
Baccalà Mantecato
Bacalhau salgado batido até formar uma mousse aveludada com azeite e alho, servido sobre polenta grelhada. Cremoso, salgado e delicado — este prato conta a história das rotas comerciais marítimas de Veneza para a Escandinávia.
Seppie al nero
Sépia cozido com sua tinta preta, geralmente servido com polenta ou usado em risoto.
Thibault Cauvin é um dos guitarristas mais talentosos, carismáticos e procurados do mundo hoje. Ele está viajando pelo mundo todo o ano a convite dos festivais e salas de concerto mais prestigiados. Sua extensa programação de turnês varia de Nova York a Hong Kong, São Paulo a Istambul, Londres a Melbourne e Cingapura e Tel-Aviv, sendo calorosamente aceito pelos críticos em mais de 1000 ocasiões. Ele também participou de muitos programas de TV e rádio e colaborou com músicos, compositores e orquestras sinfônicas famosos. Considerado um artista inovador e criativo, Thibault é regularmente convidado de honra em festivais, universidades e conservatórios em todo o mundo para dar aulas de mestrado, palestras ou para julgar competições.
An ideal coupling of unsurpassed performances, these stereo recordings of Gary Graffman’s performances of Prokofiev’s First and Third piano concertos should be heard by anyone who loves Prokofiev’s music. (James Leonard)
Sobre o disco de música de Rachmaninov: This performance is a prime example of the phrase, “Oldie but goodie.” Inkpotter Isaak Koh called it well-paced and beautifully played.
Gary costumava ser um nome comum nos Estados Unidos e em países de língua inglesa lá pelos anos vinte do século passado, até as décadas de 50 e 60, como no caso dos atores Gary Cooper e, mais recentemente, Gary Oldman, sem esquecer o regente Gary Bertini. Há também uma cidade estadunidense chamada Gary, que fica em Indiana, na beira do Lago Michigan, perto de Chicago. Gary, a cidade, é famosa pela siderurgia, que lhe dá um aspecto acinzentado, e por ter sido cenário de alguns filmes de suspense… Se te oferecerem passar as férias em Gary deve ser alguma pegadinha. Mas, o Gary da postagem é outro – Gary Graffman – e nos deixou no ano passado, já bem idoso. Gary Graffman foi um pianista espetacular, como atestam os dois discos da postagem. Virtuose do mais alto calibre, mas também músico profundo, sensível e abrangente.
O fotografo do PQP Bach estava tentando colocar todo mundo na mesma polaroid… (orçamento curto)
Foi também professor, atuando no Curtis Institute of Music, da Filadélfia. Lang Lang foi seu aluno, assim como Yuja Wang e, mais recentemente, Haochen Zhang.
Para a postagem em sua lembrança escolhi dois discos que tem similaridades (compositores russos virtuoses do piano), mas que diferem pelo apelo ao público. Enquanto Rachmaninov, com seu Concerto No. 2 e as Variações sobre um tema de Paganini são peças de grande apelo popular, os Concertos Nos. 1 e 3 de Prokofiev são mais ‘modernosos’, oferecendo um bom contraste entre os discos.
Ambos são verdadeiros clássicos da discografia de Concertos para Piano e oferecem, cada um à sua maneira, grandes possibilidades de entretenimento. Afinal, agradar a gregos e baianos não é tarefa fácil.
Sergei Prokofiev (1891 – 1953)
Piano Concerto No. 3 In C Major, Op. 26
Andante, Allegro
Andantino (Tema Con Variazioni)
Allegro Ma Non Troppo
Piano Concerto No. 1 In D Flat Major, Op. 10
Allegro Brioso – Poco Piú Mosso – Tempo Primo
Meno Mosso
Andante Assai
Sostenuto
Piano Sonata No. 2 In D Minor, Op. 14
Allegro, Ma Non Troppo
Scherzo. Allegro Marcato
Andante
Vivace
Piano Sonata No. 3 In A Minor, Op. 28, “From Old Notebooks”
The power and dexterity of his First Concerto is astonishing, but it is Graffman’s capacity to articulate the inexpressible yearning of its Andante assai that makes his performance indescribable. Szell and his Cleveland Orchestra are models of responsible support, Columbia’s mid-’60s stereo sound is clear and deep, and the inclusion of Graffman’s outstanding 1962 recordings of Prokofiev’s Second and Third piano sonatas is as enjoyable as it is inescapable.
Gary Graffman’s recording of Rachmaninoff’s Piano Concerto No. 2 with Bernstein and the NYP is generally hailed as a powerful, emotionally charged performance, known for its dramatic interplay, intense energy, and Graffman’s brilliant, sometimes fiery, pianism.
Domingo é dia de ópera – pelo menos para a Rádio MEC – e nada como um disco com árias de óperas de Mozart para encher a sala de música com os mais diversos sons e sentimentos – raiva, medo, persuasão – você pode nomear, vai encontrar tudo lá, inclusive um bocado de gozação. O disco é uma compilação de muitas gravações pelo selo amarelo, mas todas relativamente recentes, com cantores magníficos.
Liderando o time a soprano Anna Netrebko, cantando também o galês Bryn Terfel, Thomas Quasthoff, Elīna Garanča e outros. Entre os regentes Claudio Abbado e Charles Mackerras. A lista completa dos créditos está logo a seguir.
Eu gostei do disco, que parte logo para a ação, nada de ouverture, começamos logo com a anfitriã cantando uma ária da personagem Susanna, de As Bodas de Fígaro. A seguir alguns comentários (em parte amparados pelo Chat PQP Bach) sobre as árias apresentadas no disco.
Terfel como Fígaro
“Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar” (Susanna, de As Bodas de Fígaro): Esta é uma ópera buffa, por excelência. Trocas de papéis, jovem disfarçado de garota (papel sempre interpretado por cantora), um tentando passar a perna no outro. Nesta ária, Susanna está vestida como a Condessa e finge cantar uma canção de amor para o Conde; há uma enorme sinceridade nesta “falsa ária”, porque na verdade ela está cantando para Fígaro (embora ele não saiba disso e fica extremamente enciumado). Falsa nobreza, mas sentimentos verdadeiros; um sonho para os amantes do teatro.
“Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro” (Conde, de As Bodas de Fígaro): O Conde quer dar uma de bonzinho, abriu mão do direito da ‘primeira noite’, mas está de ‘olho na butique’ da Susanna, até perceber que está sendo engabelado por todos, praticamente. É claro, fica furioso… Ária típica de ópera buffa.
“Parto, parto, ma tu, ben mio” (Sesto, La clemenza di Tito): ‘Ópera séria’, a última composta por Mozart, e esta é uma ária cantada pelo personagem Sesto (um contralto ou meio-soprano, de novo, mulher fazendo papel de homem), expressando seu conflito ao ter que partir, apesar do amor por Tito, seu amigo e imperador. Eu conheço pouco essa obra, nunca ouvi uma gravação completa, mas a ária é bem especial. Chama a atenção a interação da voz com o clarinete obbligato. Certamente Mozart, que era um perfeito ‘alfaiate’ para as vozes dos cantores com quem estava trabalhando, também prezava as amizades com os músicos. Aqui, o papel do clarinete certamente se deve ao seu amigo Anton Stadler.
Thomas, como ele mesmo…
“Madamina, il catalogo è questo” (Leporello, Don Giovanni): Essa é figurinha carimbada, a famosa ária do catálogo, na qual Leporello, o faz-tudo do mulherengo Don Giovanni, conta à pobre Donna Elvira, a lista de conquistas do famoso sedutor, revelando o mau caratísmo do famoso nobre.
“Oh smania! oh furie!” (Orestes, Idomeneo): É um famoso recitativo e ária dramática da ‘ópera séria’ que demonstra a maestria de Mozart em expressar emoções intensas, particularmente no personagem atormentado de Oreste, marcando um passo significativo em sua maturidade como compositor de ópera. O texto em italiano expressa tormento extremo, raiva e desespero, condizentes com a situação desesperadora de Orestes.
“In diesen heil’gen Hallen” (Saratro, A Flauta Mágica): Aqui uma ária para baixo profundo, personagem típico das companhias de ópera daquela época. O primeiro Sarastro chamava-se Franz Xaver Gerl e era membro da troupe de Emanuel Schikaneder, outro amigão de Wolfie. Ele foi o primeiro Papageno. A Flauta Mágica não era uma ‘ópera’ (no sentido buffa ou séria), era um Singspiel, uma brincadeira em alemão.
“Fuggi, crudele, fuggi!” (Donna Anna e Don Ottavio, Don Giovanni): Neste caso um dueto com a prima dona da ópera e o tenor. O dueto é dramático, os dois cantam na presença do corpo do Comendador, pai de Donna Anna, morto por Don Giovanni. Don Ottavio é o noivo da moça e quer protegê-la e tal, mas está mais para um ‘dois de paus’. Ah, mas suas árias são lindíssimas.
“Là ci darem la mano” (Don Giovanni, Zerlina): Nesse belíssimo dueto, daquele que não esquecemos mais, o péssimo Don Giovanni tenta seduzir a povera raggazza, Zerlina, que está noiva de Masetto. O Don quase consegue seus intentos, mas é impedido pela chegada dos outros personagens da ópera, que estão na sua cola…
Königin der Nacht
“Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen” (Rainha da Noite, A Flauta Mágica): Ária icônica, até quem não ouve música clássica, que dirá ópera, conhece. A Rainha da Noite promete mover as forças das profundas para conseguir seus intentos vingativos. Há quem diga que Mozart inspirou-se na sogra para esse papel. A Vingança do Inferno Ferve no Meu Coração. Barra pesada…
“Der Vogelfänger bin ich ja” (Papageno, A Flauta Mágica) Nesta deliciosa ária o lado mais terreno do quarteto principal da ópera se apresenta: o caçador de pássaros sou eu! Papageno é aquele que sente fome, tem sede, quer encontrar sua Papagena! Maraviglia!
“Ah, perdona al primo affetto” (Annio e Servilia, La clemenza di Tito): Dueto do Ato I da ópera, cantado pelos personagens Annio (um jovem nobre romano, frequentemente interpretado por uma mezzo-soprano) e Servilia (irmã de Sesto). É um momento de terno amor juvenil e resignação, que ocorre depois que Annio descobre que o Imperador Tito escolheu Servilia para ser sua imperatriz. Tipo, Tristão e Isolda, mas bem distante, viu…
“Zeffiretti lusinghieri” (Ilia, Idomeneo): Ária da princesa troiana cativa, na qual ela expressa seu amor por Idamante, pedindo aos ventos que levem suas declarações, em um momento de solidão e ternura antes de saber da ameaça de sacrifício que paira sobre seu amado. Parece enredo de novela de fim de tarde, mas é isso, tudo muito bonito.
“Soave sia il vento” (Fiordiligi, Dorabella e Don Alfonso, Così fan tutte) É um belíssimo trio no qual as irmãs Fiordiligi e Dorabella, junto com o cínico Don Alfonso, se despedem de seus amados Ferrando e Guglielmo, que estão em um barco fingindo ir para a guerra. É enrolado, mas tudo faz parte da aposta entre os rapazes e Don Alfonso. Elas estão pedindo que o vento seja suave e as ondas calmas para os amantes possam navegar tranquilamente. Um momento de paz e beleza lírica, encerrando assim o programa do álbum.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar
Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro
Parto, parto, ma tu, ben mio
Madamina, il catalogo è questo
Oh smania! Oh furie…
In diesen heil’gen Hallen
Fuggi, crudele, fuggi!
Là ci darem la mano
Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen
Der Vogelfänger bin iIch ja
Ah, perdona al primo affetto
Zeffiretti lusinghieri
Soave sia il vento
Anna Netrebko (1, 5, 7, 12)
Elīna Garanča (3, 11)
Bryn Terfel (2, 13)
Thomas Quasthoff (4, 8, 10)
René Pape (6)
Christoph Strehl (7)
Erika Miklósa (9)
Miah Persson e Christine Rice (13)
Orchestra Mozart & Claudio Abbado (1, 5, 7, 12)
Scottish Chamber Orchestra & Charles Mackerras (2, 13)
Staatskapelle Dresden & Sebastian Weigle (3, 4, 8. 10, 11)
This is, in other words, a collection of golden eggs worth anyone’s money. It must be regretted that DG have omitted texts and translations but at least provide thumbnail resumes of the contents of each number.
Aproveite!
René Denon
Sir Charles encorajando o grupo do PQP Bach Opera CIA
“Ele revelou uma imensa musicalidade que convenceu em cada nuance”
Carsten Dürer, Piano News
Esta deve ser a minha primeira postagem em 2026 – um disco espetacular que tem várias características que me atraem imediatamente. É o primeiro disco de um artista extremamente promissor – um jovem pianista que ganhou prêmios significativos, como o Concurso Geza Anda de Zurique e o Martha Argerich Steinway Prize, pianista com a qual ele tem feito boas parcerias.
O repertório do disco é instigante – reúne peças que exigem virtuosismo do intérprete e que têm diversas relações umas com as outras, sempre se referindo de volta a uma peça de Ravel. Afinal, o título do disco é Reflexões Ravelianas, numa tradução livre, como dizem por aí, os (mal)tra(du)tores.
O disco começa com o mistério e o fantástico de Gaspard de la nuit (Ondine, Le gibet e Scarbo) – obra especialíssima de Ravel, inspirada pelos poemas de Aloysius Bertrand e que se propunha ao desafio de se tornar ‘a mais difícil’ peça para piano, superando a famosa Islamey, de Mily Balakirev, a próxima peça do disco. Essa parte do disco é uma enorme exibição de virtuosismo, mas também de muita musicalidade.
Para a próxima parte duas peças que se conectam especialmente: Jeux d’eau, uma das primeiras obras-primas de Ravel, seguida de sua precursora Les jeux d’eaux à la Villa d’Este, de Liszt. Esta peça de Liszt é verdadeiramente sensacional. Essas duas peças também se relacionam com Reflets dans l’eau, a primeira peça do Primeiro Volume de Images, de Debussy, mas que não faz parte deste disco, só mencionei porque eu adoro essas coisas.
A próxima conexão é com Viena, das valsas. As Valsas Nobres e Sentimentais, de Ravel, foram inspiradas nas valsas de Schubert, mas também na música do rei das valsas, Johann Strauss II. Assim, para refletir tudo isso, completando o programa, uma peça de um quase exato contemporâneo de Ravel, Leopold Godowsky. Ele foi um pianista-compositor virtuose tão exacerbado que não se satisfazia com as dificuldades das obras dos outros autores, dava a elas um extra spin, uma torcida a mais. Lembre-se do que ele fez aos Estudos de Chopin e veja o que ele fez com os temas do Fledermaus. Impressionante!
Maurice Ravel (1875 – 1937)
Gaspard de la nuit
Mily Balakirev (1837 – 1910)
Islamey
Maurice Ravel
Jeux d’eau
Franz Liszt (1811 – 1886)
Les jeux d’eaux à la Villa d’Este
Maurice Ravel
Valses nobles et sentimentales
Leopold Godowsky (1870 – 1938)
Metamorfoses Sinfônicas sobre Temas de ‘Die Fledermaus’, de J. Strauss II
Anton Gerzenberg, born in 1996 in Hamburg, is an outstanding artist of the younger piano generation. After winning first prize at the Geza Anda Concours in Zurich in 2021 and being presented as a “Great Talent” at the Wiener Konzerthaus from 2022 to 2024, he established himself with a remarkably versatile repertoire. His virtuosic, subtly nuanced playing captivates both audiences and critics. In June 2024 he received the Martha Argerich Steinway Prize.
The 2025/26 season opened with a duo recital with Martha Argerich at the Summer Music Days in Hitzacker (described by NDR Kultur as “a concert from another star”) and with several programs at the prestigious Accademia Chigiana in Siena.
Taí um disco do qual eu compraria uma cópia física!
Para os ouvintes, estas obras a quatro mãos oferecem uma dupla recompensa: o prazer imediato de uma música bem elaborada e discursiva e a satisfação mais profunda de sentir as vozes de dois pianistas unindo-se numa única arquitetura expressiva. Esta música – compacta em escopo, expansiva em sentimento – permanece um testemunho do gênio de Schubert: uma arte da conversa que faz com que um espaço pareça, de repente e para sempre, mais íntimo.
James Jolly
Como Schubert morreu relativamente jovem, eu achava que a sua ‘Sinfonia Inacabada’ assim ficara por ‘justa causa’, o compositor morreu e a obra ficou sem ser arrematada. É vero que ele a deixou inacabada ao morrer, mas não foi a morte que o impediu de a terminar, uma vez que a composição da sinfonia ocorreu em 1822. A razão para abandonar a obra deve ser bem mais prosaica, a falta de perspectiva de executá-la ou mesmo por razões estéticas, não foi só esta obra que ele deixou (in)completa.
Na verdade, no ano de sua morte, Schubert estava artisticamente muito vivo, este período resultou em uma cesta cheia de obras primas. O quanto Schubert estava consciente de sua iminente morte é um mistério. Apesar de incrivelmente talentoso, Schubert poderia ser bastante tímido. Viveu na mesma cidade que Beethoven, a quem idolatrava, mas nunca o visitou. E, pasmem, passou a ter aulas de contraponto com Simon Sechter! Queria aperfeiçoar-se!
Todas as obras desse disco foram compostas nesse ano de 1828, a fuga reflete mais evidentemente esses estudos. A Fantasia em fá menor é bem provavelmente a mais famosa delas, outras interessantes e famosas interpretações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.
Bertrand e Leif adoraram conhecer o parreiral da Vinícula PQP Bach em Alegrete
O livreto que acompanha o arquivo traz uma entrevista com os dois (excelentes) pianistas feita por James Jolly (ex-editor da Gramophone). Nesta entrevista descobrimos algumas curiosidades, como a diferença, para os pianistas, entre tocar um piano a quatro mãos, situação na qual os dois dividem o mesmo teclado, e o caso das interpretações em duo pianistico. Leif Ove Andsnes já compareceu aqui na lojinha tocando nessa formação com Marc-André Hamelin, num disco com obras de Stravinsky, que você pode acessar aqui.
Franz Schubert (1797 – 1828)
Fantasia in F minor D.940 (January–March 1828)
Allegro in A minor D.947 “Lebensstürme” (May 1828)
Pianists Bertrand Chamayou and Leif Ove Andsnes join forces to record Schubert’s magnificent Fantasia in F minor, presenting a landmark Schubert 4 Hands album. This release arrives 40 years after Radu Lupu and Murray Perahia’s legendary CBS recording and 60 years after Benjamin Britten and Sviatoslav Richter’s historic Aldeburgh Festival performance.
Parte da entrevista, traduzida pelo Chat PQP, agora com inteligência artificiosa: (Em 1828, Schubert procurou o compositor e professor Simon Sechter para orientação em contraponto – não exatamente a atitude de um homem que sabia que estava perto da morte.) LOA: “Todo esse novo interesse por mais vozes, vozes independentes, manifesta-se maravilhosamente nessas peças. Há tanta coisa acontecendo. Quero dizer, o domínio de certas passagens e a vivacidade das vozes intermediárias em Lebensstürme são simplesmente inacreditáveis. E a Fantasia, em seu uso do contraponto, é uma peça realmente magistral. E a pequena Fuga em Mi menor mostra claramente como ele estava estudando contraponto. Acho uma fuga incomum e realmente bela.” BC: “O interesse pelo contraponto foi claramente um desenvolvimento em sua escrita. E o fato de ele estar trabalhando com Sechter é uma prova de que ele estava interessado em desenvolver ainda mais suas habilidades em contraponto. É curioso que tantos compositores, em algum momento perto do fim de suas vidas, como Chopin, por exemplo, se dediquem cada vez mais ao contraponto. Esse tipo de desenvolvimento, essa busca por mais linhas melódicas, é claramente o que Schubert almejava naquele momento.”
Aproveitem!
René Denon
Ilustração da dupla enviada pela turma do Dpt. de Artes da PQP Bach Publishing House
O foco da primeira postagem da série (?) ‘Ele, por elas…’ foi a Sonata ‘Waldstein’, um marco na produção de meio período do Ludovico, assim como a Sonata ‘Appassionata’. Eu gosto das interpretações temerárias, que vão na linha ‘fogo, foguinho…’, como a do Mikhail Pletnev (aqui), Maurizio Pollini (algum lugar no blog, eu aposto) e a própria Valentina Lisitsa (aqui).
A postagem de hoje é mais uma coisa de conjunto – a última vez que Beethoven comporia sonatas para piano, mais uma vez um grupo de três, mesmo que neste caso cada sonata tenha recebido um número de opus individual. Ouvir as três sonatas do Op. 2 (1795-6) e depois as sonatas deste disco, com op. 109 (1820), op. 110 (1821) e op. 111 (1822), revela uma jornada de uma vida artística genial. Experiência similar pode ser feita com os quartetos, comparando os seis quartetos do op. 18 e o grupo dos chamados Últimos Quartetos.
É verdade que a experiência e a impetuosidade podem ser ferramentas importantes para o intérprete, especialmente num conjunto de obras como estas. Não consigo deixar de comparar as interpretações do jovem Maurizio Pollini com as do maduro Willem Kempff. E vejam que Pollini as regravou no seu próprio período de maturidade. Bom, divago, como sempre… Vamos dar atenção à essa pianista espetacular, chamada Anne Queffélec. Com uma ótima discografia, ela gravou peças que demandam muita técnica, dando ênfase aos compositores franceses. Mais recentemente ela tem gravado obras de Scarlatti, Handel, Mozart.
O disco da postagem é relativamente recente, um disco maravilhoso dedicado a Beethoven, que reúne essas três sonatas que transcendem o estilo clássico ainda mais do que a Hammerklavier. O domínio da técnica, impecável, e a experiência desta pianista lhe dão a liberdade para nos brindar com sua sensível interpretação, trazendo a sua perspectiva da maturidade do genial compositor.
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109
Vivace ma non troppo, sempre legato – Adagio espressivo
To echoe Beethoven’s own words: “Music is the only incorporeal introduction to the world of knowledge (…) a higher revelation than all wisdom and philosophy… reaching beyond even the starry sky to the original source”. That is indeed where the epiphanies of the ultima verba uttered by the last three sonatas take us: on a journey of initiation that could not be undertaken in reverse. Let us listen to it…
“The rest is silence”
(Anne Queffélec)
Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico
Salmo 126:2
Feliz Natal!
A Cantata Unser Mund sei voll Lachens teve sua estreia no Serviço Matinal (às 7 da manhã) da Igreja de São Tomás, em Leipzig, no Dia de Natal do ano 1725, há exatos 300 anos! Sua música foi adaptada da Suíte Orquestral No. 4. O festivo primeiro movimento saúda o recém-nascido e a parte rápida da abertura está cheia de bocas sorridentes.
Três anos antes Bach preparara a música para seu primeiro Natal como cantor da Igreja de São Tomás e para tanto compusera uma primeira versão do Magnificat. Dessa composição, ele também ‘emprestou’ um trechinho de música, adaptando o Virga Jesse floruit (de Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara o Salvador…) para o coro Ehre sei Gott in der Höhe (Louvado seja Deus, nas alturas), o cara era mesmo fera!
Jos feliz com a afinação dos meninos sopranos do PQP Bach Choir
No disco desta natalícia postagem o Magnificat é a versão posterior preparada por Bach em 1733, com nova orquestração e apenas com os trechos cantados em latim. Na primeira versão, identificada por BWV 243a, Bach interpola os textos em latim por ‘interlúdios’, que foram suprimidos na nova versão. Como explica Jos van Veldehoven no livreto do disco: ‘Essas interpolações já eram conhecidas no século XVI. Compositores acrescentaram canções de Natal alemãs e latinas entre os versos do Magnificat, tornando o texto deste último inseparável do Natal’.
A peça adaptada para a cantata, o Virga Jesse floruit é o quarto destes interlúdios, que na cantata tornou-se o coral Ehre sei Gott in der Höhe. Nesta gravação do Magnificat, o regente, que é holandês, usa música de três compositores holandeses (Dirck Janszoon Sweelinck, Jan Baptist Verrijt e Johann Hermann Schein) e um parente de João Sebastião (Johann Michael Bach) para seguir a tradição e usar ‘interlúdios’ na apresentação do Magnificat.
Aproveito a postagem para desejar a todos um feliz Natal e que muito se deliciem ao som dos holandeses… tocando Bach.
Como é Natal, você ganha o presente: The Netherlands Bach Society’s recording of Bach Cantata 110 (“Unser Mund sei voll Lachens”) and the Magnificat, led by Jos van Veldhoven, is universally acclaimed for its vibrant, joyful, and pristine sound, featuring fresh-sounding, first-rate soloists and choir, demonstrating both majesty and intimacy, with critics praising its technical brilliance and authentic spirit, often highlighting the captivating instrumental work and welcome inclusion of 17th-century Dutch motets within the Magnificat.
Escrevo estas mal traçadas ainda em novembro, mas com dezembro já quase virando a esquina. Contrariando todas as mais acuradas previsões climáticas, nem mesmo o INPE conseguiu prever essa, já há árvores cuneiformes com seus galhos cheios de neve nas mais diversas partes de Niterói. O clima de Jingle Bells está no ar…
Uma das coisas que eu mais gosto nesta época do ano é a motivação para ouvir velhas canções natalinas em suas diferentes formas, sempre com uma nota de saudosismo, mas também uma de esperança. Eu já andei postando alguns álbuns com essa temática, como você poderá desencavar aqui, aqui ou ainda aqui.
Para este ano, seguindo minha nova tendência de ouvir jazz e coisas afins, escolhi o álbum de um pianista estadunidense que se mudou de mala, bagagens e piano para a Europa, ficando o resto da vida na Dinamarca.
A talented bop-based pianist, Kenny Drew was somewhat underrated due to his decision to permanently move to Copenhagen in 1964. He recorded with Howard McGhee in 1949 and in the 1950s was featured on sessions with a who’s who of jazz, including Charlie Parker, Coleman Hawkins, Lester Young, Milt Jackson, Buddy DeFranco, Dinah Washington, and Buddy Rich. […] He also appeared as a sideman on classic Blue Note albums including John Coltrane Blue Train, Dexter Gordon Dexter Calling, Grant Green Sunday Mornin’, and Jackie McLean Bluesnik. […] Drew recorded many dates for SteepleChase in the 1970s and remained active up until his death.
One of America’s piano greats meets one of Japan’s most traditional reedmen — in a setting that would prove to be a real highlight for both musicians at the time!
Esse disco é uma ‘postagem pronta’! Pensei em usar o subtítulo ‘Ocidente se encontra com Oriente’, no estilo ‘West meets East’, mas achei apelativo, sem contar que poderia levantar falsas expectativas. Sem contar que poderiam achar que estou falando de Istambul.
O disco reúne dois expoentes do jazz, em excelente forma, o pianista Teddy Wilson e o clarinetista Eiji Kitamura. É quase um detalhe geográfico que Teddy era estadunidense, Eiji é japonês e o disco foi gravado em Tokyo, no dia 5 de outubro de 1970. Nada surpreendente para o atual panorama globalizado, mas naqueles dias, a situação era outra. Os dois geniais músicos estavam acompanhados por Buffalo Bill Robinson na bateria, Masanaga Harada no baixo e Ichiro Masuda no vibrafone.
O programa é de clássicos do jazz como a magnífica ‘Stars fell on Alabama (last night)’, ‘On the sunny side of the street’, ‘Dream a little dream of me’, ‘Body and Soul’ e mais algumas, num total de 10 faixas para se deleitar.
Teddy Wilson foi um pianista magistral (um de seus álbuns ganhou o título ‘The Impeccable Mr. Wilson’). Há dois álbuns de Lester Young (outro mestre do swing jazz), nos quais o acompanhamento de piano é de Teddy Wilson em um e no outro Oscar Peterson. Vale a pena conferir.
Mas, o instrumento melódico deste disco é o clarinete de Eiji Kitamura, que desde sua primeira aparição no disco, no lado ensolarado da rua, vai te transportar para um clube de jazz em algum lugar como New Orleans, tal a pureza e beleza do som.
Há também o vibrafone de Ichiro Masuda que dá um colorido sonoro bem especial ao disco. O grupo parece ter tocado a metade da vida juntos (bem, a outra metade passaram fazendo outras coisas…), de tão integrados que são.
O disco todo respira uma certa inocência remetendo a um tempo mesmo anterior aos anos 1970, quando foi gravado. Teddy Wilson não mudou seu estilo ao longo de toda a sua carreira e, no caso dele, creio que podemos tomar como um elogio.
Kitamura devoted himself to clarinet playing while still an undergraduate at Keio University in Tokyo. He first came to prominence in the U.S. at the 20th Anniversary Jam Session of the Monterey Jazz Festival in 1977. His following in Japan was built previous to this on his regular television program.
He prefers to interpret traditional swing jazz rather than modern jazz and according to Allmusic is most strongly influenced by Benny Goodman and Woody Herman.
Teddy Wilson was one of the swing era’s finest pianists, a follower of Earl Hines’ distinctive “trumpetstyle” piano playing. Wilson forged his own unique approach from Hines’ influence, as well as from the styles of Art Tatum and Fats Waller. He was a truly orchestral pianist who engaged the complete range of his instrument, and he did it all in a slightly restrained, wholly dignified manner at the keyboard.
During his time with Benny Goodman, Wilson made some of his first recordings as a leader. These records featured such greats as Lester Young, Billie Holiday, Lena Horne, and Ella Fitzgerald. Wilson’s arrangements with Holiday in particular constitute some of the singer’s finest work, mostly due to Wilson’s ability to find the right sound to complement Holiday’s voice and singing style.
This is a musical letter from my heart: my Inspirations.
Um ótimo disco para ouvir na tarde de domingo, depois daquele almoço de família, quando todo o mundo busca algum cantinho para relaxar e esperar o futebol. A vovó e a acompanhante se atracam num desses filmes de terror que as fazem dar gritinhos e dizerem ah… a todo momento. A vovó aqui é adepta da TV por streaming e só vê a novela se for de época. O tiozão prefere o sofá em frente da outra TV onde verá o jogo de Palmeiras contra o Mirassol, o Brasileirão está na reta final e pegando fogo. A patroa prefere um soninho na cama mesmo e eu vou de Romain Leleu com sua corneta.
Cheguei aos discos dele quase por acaso, primeiro um com Concertos clássicos para trompete, Haydn, Hummel e Neruda. Depois outro com concertos mais recentes, um composto por Jolivet e outro que foi composto para ele, o cara é bom.
O foco de hoje é em um disco de 2016 no qual ele é acompanhado por um Quinteto de Cordas.
Eu adorei o disco, ouvi logo duas vezes, deu tempo certinho antes do começo do jogo. O disco faz uma mistura de canções arranjadas para trompete e cordas, realmente do arco da velha. A batidíssima ‘Ária na Corda Sol’ me soou muito bem e o que dizer do virtuosismo da Fantasia Carmen? Só ouvindo… E tem o tema de Cinema Paradiso, pois é, diversidade.
Deixe de ser preconceituoso, relaxe na poltrona e deixe-se envolver por essas ondas de som, a combinação das cordas com o trompete está ótima. Gostei também das três canções brasileiras, como são bonitas! Águas de Março e Chega de Saudade, de Tom Jobim, e Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá, que fecha o disco.
Eu certamente vou me divertir durante o jogo, os rubro-negros aqui de casa certamente estarão com um secador de cabelo em cada mão….
Joseph Kosma (txt. Jacques Prévert), Les Feuilles mortes (4’24)
Grigoraş Dinicu, Hora Staccato (2’01)
Astor Piazzolla (txt. Horacio Ferrer), Fuga y misterio (5’34)
Ennio & Andrea Morricone, Cinema Paradiso (5’23)
Gabriel Fauré (txt. Romain Bussine), Après un rêve (3’05)
Georges Bizet & Manuel Doutrelant, Fantaisie sur Carmen (11’29)
Reynaldo Hahn (txt. Paul Verlaine), L’Heure exquise (2’39)
Louis-Claude Daquin, Le Coucou (1’48)
Antônio Carlos Jobim, Águas de Março (3’44)
Antônio Carlos Jobim (txt. Vinícius de Moraes), Chega de saudade (3’58)
Vincent Peirani, Random Obsession (creation) (8’21)
Johann Sebastian Bach, Aria (extrait de / from BWV 1068) (2’53)
Pablo de Sarasate, Zapateado (3’47)
Kurt Weill (txt. Roger Fernay), Youkali (extrait de / from Marie Galante) (3’42)
Luiz Bonfá (txt. Maria Antonio), Manhã de Carnaval (5’18)Romain Leleu (soloist)
“The man who is restoring the trumpet’s prestige” is how Télérama described Romain Leleu, both a worthy representative of the purest tradition of the French trumpet school and a musician-adventurer, always ready to explore new universes.
Veja o recado dele, Romain Leleu:
My chosen palette was rich in warm and primary colours, a sonority that was at once both brilliant and lyrical, even sensual. Day in, day out, we, as an ensemble, tried out new work, commissioned new arrangements and played them before live audiences to get their response.
This new album represents the results of my search for that purest and richest of sounds.
This is a musical letter from my heart, a soundscape that is both personal and mythic: my Inspirations.
Thanks to everyone who encouraged me to share this music with you.