Satie / Hahn / Koechlin / Auric / Tansman / Roussel / Ravel: Sonatines pour le piano (Daniel Blumenthal) ֍

Satie /  Hahn / Koechlin / Auric / Tansman / Roussel / Ravel: Sonatines pour le piano (Daniel Blumenthal) ֍

Satie – Hahn – Koechlin

Auric – Tansman

Roussel – Ravel

Sonatines pour le piano

Daniel Blumenthal

 

Depois de uma semana ouvindo peças de mais de uma hora de duração, eu queria ouvir algo mais leve e curto, para variar. Foi assim que o nome deste disco me chamou a atenção. Sonatines pour le piano – umas sonatazinhas, para variar. E como o repertório era de compositores franceses, a animação aumentou.

O termo ‘sonatina’ tem sido usado por compositores desde muito tempo, incluindo Bach e Handel. O nome indica que há um certo compromisso com a forma sonata, mas o resultado será mais breve e espera-se uma certa leveza. No caso dos franceses, elegância também.

Daniel Blumenthal é um pianista que atua muitas vezes como acompanhante e como músico de câmara e também tem explorado em suas gravações como solista um repertório menos convencional.

O programa do disco começa e termina com obras de compositores bem conhecidos, mas as outras cinco peças também reservam excelentes momentos.

Erik Satie tinha um peculiar senso de humor e essa Sonatine bureaucratique é um pastiche das obras de Muzio Clementi, composta de forma irreverente em 1917 e prenuncia o neoclassicismo.

Reynaldo Hahn nasceu na Venezuela, mas era francês. Além de compositor, foi regente, crítico e cantor, especialmente famoso por suas canções. Além da Sonatazinha que aparece graciosamente neste disco, aparentemente foi o autor de uma frase bem famosa: À la recherche du temps perdu.

Charles Koechlin já tem frequentado nosso blog com suas elegantes peças de câmara e Georges Auric é um de Les six.

Alexandre Tansman nasceu na Polônia, mas  era francês. É um pioneiro do classicismo e famoso por ser um mestre em orquestração.

Albert Roussel começou a vida na marinha, mas tornou-se músico. Foi bastante influenciado por Debussy e Ravel e depois voltou-se para o neoclassicismo.

Para completar o disco a belíssima Sonatine de Maurice Ravel, que mais de uma vez tem aparecido nestas páginas.

Erik Satie (1866 – 1925)

Sonatine bureaucratique

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Vivace

Reynaldo Hahn (1874 – 1947)

Sonatine en ut

  1. Allegro non troppo
  2. Andantino rubato
  3. Final: vivo assai

Charles Koechlin (1867 – 1950)

Sonatine, Op. 59 No. 5

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Petite fugue
  4. Final

Georges Auric (1899 – 1983)

Sonatine

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Finale

Alexandre Tansman (1897 – 1937)

Sonatine transatlantique

  1. Foxtrot
  2. Spiritual and blues
  3. Charleston

Albert Roussel (1869 – 1937)

Sonatine, Op. 16

  1. Modéré – Vif et très léger
  2. Très lent

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Sonatine, M. 40

  1. Modéré
  2. Mouvement de menuet
  3. Animé

Daniel Blumenthal, piano

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A capa do disco, com suas efêmeras e diversas florezinhas é uma beleza e realmente sugere o que você ouvirá… A sonatazinha de Reynaldo Hahn, com seu lindo andantino rubato é muito charmosa e a Sonatine transatlantique, com seus movimentos associados aos ritmos populares também é bem especial.

Aproveite!

René Denon

Mozart (1756-1791): As Bodas de Fígaro (Highlights) – Die Hochzeit des Figaro (Höhepunkte) – Solistas – Berliner Philharmoniker – Ferdinand Leitner ֎

Mozart (1756-1791): As Bodas de Fígaro (Highlights) – Die Hochzeit des Figaro (Höhepunkte) – Solistas – Berliner Philharmoniker – Ferdinand Leitner ֎

MOZART

Die Hochzeit des Figaro

Grosser Opernquerschnitt in deutscher Sproche

Solisten

Berliner Philharmoniker

Ferdinand Leitner

Mozart era um compositor genial e profissional – podia compor obras primas em qualquer gênero musical vigente em seus dias. Música sacra, instrumental, de concerto, Lieder, sinfonias e óperas. Em minha opinião, seus maiores êxitos foram os concertos para piano e as óperas. Ele compôs óperas sérias, óperas alemãs e cômicas.

As Bodas de Fígaro, de 1786, foi a primeira das três colaborações com o libretista Lorenzo Da Ponte e tem como base uma peça de Beaumarchais. Esta peça estava proibida em Viena, por ridicularizar a nobreza. Dá para ver que a dupla gostava de desafios. Mas o libreto de Da Ponte ameniza as situações e explora exatamente o lado cômico – a buffonerie – da trama. A ópera foi apresentada nove vezes desde a estreia em 1 de maio de 1786 no Burgtheater de Viena, tendo o compositor como regente, desde o piano.

Apesar do pequeno número de apresentações, para os nossos padrões, o Fígaro foi um sucesso, pelo menos de público. Sabemos disso devido ao número de vezes que as partes da ópera tiveram que ser repetidas durante as apresentações. Tantas que o imperador decretou que apenas as árias poderiam ser bisadas. Pois que o Fígaro se destaca não apenas por suas árias, mas também pelos números nos quais grupos de cantores atuam.

Outra evidência de seu sucesso foi a sua tradução para o alemão, aproximando-a do outro gênero no qual Mozart era excelente, o Singspiel.

A postagem deste disco ilustra essa tradução, apresenta uma coletânea de árias além da abertura de Die Hochzeit des Figaro.

A gravação feita no início da década de 1960 é anterior a moda dos grupos que usam instrumentos de época com prática historicamente informada e reúne um elenco especialíssimo, acompanhados de uma das melhores orquestras da época, regida por um experiente regente, apesar de seu perfil bastante discreto. Não tenho certeza, mas presumo que a coleção foi extraída de uma gravação completa. De qualquer forma, essencialmente alguns recitativos não foram incluídos.

A abertura não cita qualquer tema das árias, mas revela a efervescência, o bom humor e os maravilhosos momentos que seguirão.

A seguir, farei uma lista dos números apresentados na gravação com os correspondentes originais em italiano, com eventuais breves comentários.

2 – Fünfe, zehne – Cinque… dieci…

Susana!

3 – Sollt’ einst die Gräfin – Se a caso madama (Fígaro e Susana)

Nestes dois números que seguem a abertura da ópera, a dupla Mozart-Da Ponte deixa claro como homens e mulheres são diferentes (grazie Dio). Fígaro está encantado com as ‘facilidades’ do quarto onde ele e Susana viverão após o casamento. Ele explica o quão perto ela estará do quarto da Condessa, caso ela precise de seus serviços – in due passi. Mas, em sua sagacidade, Susana alerta que, no caso em que o Conde envie Fígaro a uma tarefa distante – tre miglia lontan – ela ficará sozinha e o capiroto poderá colocar o Conde bem à sua porta. Die Teufel, em alemão parece até mais assustador. Assim se apresenta o enredo. O Conde tentando manter seus ‘direitos’ de prima notte, dos quais havia aberto mão, em jogada para a plateia. A revolta dos servos se monta, estabelecendo uma aliança com a Condessa. As mulheres, mesmo na nobreza, precisam lutar por seus direitos. E entre os próprios servos há os que estão prontos para tramar contra seus pares, visando proveitos próprios. Velha esta história.

Walter Berry, o Fígaro

4 – Will der Herr Graf – Se vuol ballare Signor Contino (Fígaro)

Nesta ária, Fígaro mostra sua frustração com o Conde. Na peça anterior, ele o ajudara ganhar o amor de Rosina, que tornar-se-ia Condessa. Conclui que o fará dançar segundo sua música.

5 – Ich weiß nicht – Non so più cosa son, cosa faccio…

Hanny Steffek, o Cherubino

Esta é a primeira de duas árias de Cherubino, um adolescente que se apaixona incessantemente por todas as mulheres a volta – Susana, Condessa… e acaba com Barberina, a filha do jardineiro. Tudo para apimentar ainda mais os jogos de ciúmes e traições.

6 –  Nun vergiß leises Fleh’n – Non più andrai, farfallone amoroso

Esta ária de Fígaro, cheia de toques militares, encerra o primeiro ato. Afinal, Cherubino tantas fez que é mandado de castigo a juntar-se ao regimento. Só assim deixará as mulheres e o Conde em paz. É claro que ele não irá e será disfarçado de mulher, para atiçar ainda mais a trama. Mais uma subversão ao Conde.

Maria Stader, a Condessa

7 – Hör mein Fleh’n – Porgi, amor, qualche ristoro

Esta belíssima ária da Condessa, que expressa sua tristeza pela mudança de atitude do Conde. Ele era muito mais dedicado antes do casamento, quando ela era ainda Rosina. Esta parte da história está na ópera escrita posteriormente, por Rossini.

8 – Sagt, holde Frauen – Voi che sapete che cosa è amor

Outra ária de Cherubino, papel destinado a um contralto. Era moda estes travestimentos nas óperas. Outro famoso papel deste tipo é o de Otaviano, no Cavaleiro da Rosa, de Richard Strauss. Richard sabia tudo sobre as óperas de Mozart.

9 – Warum gabst du bis heute – Crudel! Perche finora farmi languir cosi?

Neste delicioso dueto Susana e o Conde travam um diálogo de sedução e negação… tutto embromação!

Fischer-Dieskau, o Conde

10 – Der Prozeß schon gewonnen… Ich soll ein Glück entbehren – Hai gia vinto la causa…

Nesta ária o Conde se gaba de ter descoberta as tramas contra ele. Acredita que poderá manipular tudo e sair vencedor… Veremos!

11 – Und Susanna kommt nicht… Wohin flohen die Wonnestunden – E Susanna non vien… Dove sono i bei momenti

Outra bela ária da Condessa. Serve também para informar dos planos de travestimentos, dela com Susana, que causará enormes confusões…

12 – Wenn die sanften Abendwinde – Canzoneta sul’aria… Che soave zeffiretto

Este é um momento especial da ópera. Um dueto de sopranos – Condessa e Susana. Uma dita para a outra uma cançãozinha que servirá aos planos de engabelar o Conde e desmascará-lo. Em uma postagem da ópera inteira em italiano eu menciono essas coisas.

Ferdinand, espantado com a beleza da Susana

13- Alles ist richtig… Ach, öffnet eure Augen – Tutto è disposto. […] Aprite un po’ quegli’ occhi

Neste recitativo seguido de ária, Figaro acredita ter descoberto a traição de Susana e alerta a todos os homens – Abram os olhos! Cuidado com as mulheres… Apesar da confusão, que será esclarecida, Figaro afirma: fica a dica!

Rita Streich, a Susana

14 – Endlich naht sich die Stunde… O säume länger nicht – Giunse alfin il momento… Deh, vieni, non tardar, oh gioia bella

Aria de Susana, que anseia pelo fim das confusões.

Os cantores são excelentes. Maria Stader e Rita Streich fazem a Condessa e Susana, respectivamente. Hanny Steffek é Cherubino. Os papéis de Fígaro e do Conde têm os ótimos Walter Berry e Dietrich Fischer-Dieskau. Ferdinand Leitner rege a (lendária) Berliner Philharmoniker. Assim, espero que este disco desperte seu maior interesse pela ópera completa e também para os outros trabalhos de Mozart!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Die Hochzeit des Figaro (Höhepunkte)

Dietrich Fischer-Dieskau, Graf Almaviva

Maria Stader, Gräfin Almaviva

Hanny Steffek, Cherubin

Walter Berry, Figaro

Rita Streich, Susanne

Berliner Philharmoniker

Ferdinand Leitner, Dir

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Ferdinand Leitner, combinando as tretas com os cantores…

Aproveite!

René Denon

Se você gostou, pode tentar esta postagem:

Mozart (1756-1791): Le Nozze di Figaro – Carlo Maria Giulini

Béla Bartók (1881-1945) / Alberto Ginastera (1916-1983) / John Ogdon (1937-1989): 20th Century Piano Sonatas, Vol. 2 ֎

Béla Bartók (1881-1945) / Alberto Ginastera (1916-1983) / John Ogdon (1937-1989): 20th Century Piano Sonatas, Vol. 2 ֎

Bartók – Ginastera – Ogdon

Sonatas para Piano

Klára Würtz

Mariangela Vocatello

Tyler Hay

 

Eu costumava considerar o título ’20th Century Piano Sonatas’ como uma alusão a uma música nova, ‘moderna’. Eu mesmo costumava a me considerar uma pessoa do Século 20… Pois bem, o tempo passa, a fila anda, e é melhor rever as nossas considerações.

Eu já me considero alguém do Século 21 com boas lembranças do século passado. Quanto a música, provavelmente seguirei pelo que me resta de Século 21 explorando a música que foi escrita no Século 20 e nos anteriores também…

Alberto pronto para sacar uma foto dos entrevistadores do PQP Bach, quando ele visitou a sede do blog em POA.

Foi mais ou menos assim que me interessei pela série de discos do selo Brilliant – 20TH Century Piano Sonatas. Com um acervo enorme, mesmo que gravado por artistas menos conhecidos, o selo pode levar avante um projeto reunindo várias obras escritas por compositores que viveram a maior parte de suas vidas no Século 20. Já postamos o Volume 3 da série, motivado pela Sonata do Kapustin. Uma coisa puxa outra e hoje vamos de Volume 2, que inicia com uma Sonata de Bartók. Com isso, reforçamos o projeto #BRTK140. Mas as belezuras deste disco são as outras duas sonatas, uma do compositor hermano, Alberto Ginastera, a outra do pianista e compositor (nas poucas horas vagas que lhe restavam…) John Ogdon.

Klára…

A Sonata de Bartók é aqui interpretada pela pianista Klára Würtz que aqui tem comparecido, inclusive com a Integral das Sonatas para Piano de Mozart (muito boa essa aqui, BB, vale o descarrego do blog seguido de presta auditiva…). Sobre a Sonata foi dito que é tonal, mas dissonante, percussiva e cheia de notas repetidas e com clusters, o que lhe dá um certo ar folclórico, coisa do Béla.

Mariangela…

A Sonata No. 1, Op. 22, de Ginastera é aqui interpretada pela pianista italiana Mariangela Vacatello e descrita da seguinte forma: ‘Composta em 1952, a sonata para piano Op. 22 reflete essa integração mais complexa da identidade nacional e do método de composição por meio de uma fusão de vivas figurações rítmicas derivadas de danças, texturas evocativas e formas e idiomas musicais modernos’. Você poderá ler a descrição completa acessando o próprio site aqui.

John Ogdon

Para terminar, a Sonata do gentil gigante John Ogdon, que foi ‘Dedicada ao amigo Stephen Bishop’. Ganha um doce se adivinhar quem seria este tal Estevão. Pois a sonata é de 1961 e convencionalmente estruturada em três movimentos, com o mais longo sendo o segundo deles. A peça tem uma enorme variedade de efeitos pianísticos e texturas assim como uma inventividade melódica que a percorre do começo ao fim. Claro, resultado de uma mente que sabia tudo sobre pianos e sonatas. Aqui o intérprete é o relativamente jovem Tyler Hay.

Tyler…

Espero que este disco desperte a sua curiosidade pelas outras obras desses compositores, assim como pelos outros discos da série.

 

Béla Bartók (1881–1945)

Sonata para Piano, BB 88, Sz. 80

  1. Allegro moderato
  2. Sostenuto e pesante
  3. Allegro molto

Klára Würtz, piano

–\oOo/–

Alberto Ginastera (1916–83)

Sonata para Piano No. 1, Op. 22

  1. Allegro marcato
  2. Presto misterioso
  3. Adagio molto appassionato
  4. Ruvido ed ostinato

Mariangela Vacatello, piano

–\oOo/–

John Ogdon (1937–89)

Sonata para Piano ‘Dedicada ao amigo Stephen Bishop’

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Tyler Hay, piano

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Sobre John Ogdon: He won first prize at the London Liszt Competition in 1961 and consolidated his growing international reputation by winning another first prize at the International Tchaikovsky Competition in Moscow in 1962, jointly with Vladimir Ashkenazy.

Aproveite!

René Denon

DESAFIO PQP! -> Beethoven (1770-1827): Famosas Sonatas para Piano ֎

DESAFIO PQP! -> Beethoven (1770-1827): Famosas Sonatas para Piano ֎

BTHVN

Sonatas Famosas

Desafio revelado: A pianista é Dubravka Tomšič, nascida na linda cidade de Dubrovnik, na Croácia. O disco é uma dessas pequenas joias escondidas nos balaios de ofertas das lojas de disco ou nas franjas das páginas do tipo ML.

 

Luar sobre a Lagoa de Piratininga…

Três sonatas para piano que se destacaram por receberem apelidos: Patética, Ao Luar e Waldstein. Além da numeração ou da tonalidade, essas sonatas ganharam tanto a predileção do público que são conhecidas pelo nome. E realmente, se você quiser dar a alguém uma ideia de como a música de Beethoven é magistral, estas três sonatas serão um excelente ponto de partida. No conjunto há aqueles momentos de suspense, de enternecimento, nos quais os lencinhos vão aos olhos, também aqueles eloquentes silêncios e, principalmente, aquelas irrupções tempestuosas de acordes e de emoções que, se não destroem os pianos, podiam arrebentar uma corda ou duas.

Conde Waldstein

Aqueles entre nós que já ouvem música há mais tempo têm suas preferidas versões, suas escolhas já feitas. De qualquer forma, percorrer as prateleiras de CDs buscando aquela versão especial para ouvir no momento ou para mostrar a alguma companhia enquanto se bate um animado papo sobre música é uma boa antecipação do prazer. Se bem que CDs e prateleiras são cringe e o que é in agora é escolher o arquivo certo no aplicativo estiloso.

Eu tinha um amigo que gostava de adivinhações. Ele selecionava uns dois ou três discos (não tínhamos tantos naqueles dias) com música de um mesmo compositor e fazíamos audições às cegas – mais ou menos como se fazem nos cursos de degustação de vinhos – e depois tentávamos adivinhar as peças e os intérpretes. As peças era a parte mais fácil, mas adivinhar o intérprete era mais complicado e em muitos casos tínhamos interessantes surpresas.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata No. 8 em dó menor, Op. 13 – Pathetique

  1. Grave – Allegro di molto e con brio
  2. Adagio cantabile
  3. Rondo (Allegro)

Sonata  No. 14 em dó sustenido menor, Op. 27, 2 – Ao Luar

  1. Adagio sostenuto
  2. Allegretto
  3. Presto agitato

Sonata No. 21 em dó maior, Op. 53 – Waldstein

  1. Allegro con brio
  2. Introduzione. Adagio molto
  3. Rondo. Allegretto moderato – Prestissimo

Dubravka Tomšič, piano

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A surpresa da Dubravka quando lhe contamos do desafio feito aos nossos seguidores…

Assim, proponho essa brincadeira para nossos seguidores, de adivinhar o intérprete destas três lindas sonatas. Se você se divertir ouvindo os arquivos, já ficarei muito feliz. Se adivinhar quem está por trás das teclas, mais ainda. Aquele que enviar uma mensagem fazendo uma tentativa de acertar, terá acesso livre a tantos downloads quanto conseguir e, se além disso, acertar o nome, ganhará uma cocada (virtual)! Não deixe de participar da brincadeira e mantenha contato com o blog para quando houver a grande revelação!

Aproveite!

René Denon

Quem tem majestade…

Robert Schumann (1810-1856): Einsam – Peças para Piano – Nino Gvetadze ֎

Robert Schumann (1810-1856): Einsam – Peças para Piano – Nino Gvetadze ֎

Einsam

Peças para Piano

Nino Gvetadze

 

Schumann é um dos compositores de música para piano que eu ouço menos frequentemente, mas não porque não goste de suas peças, muito ao contrário. Ainda não sei bem o porquê disto, talvez seja simples falta de tempo. Tenho particular predileção pelo Carnaval, op. 9, e pelos chamados Estudos Sinfônicos. Assim, logo que vi este disco, com seu interessante repertório, decidi que deveria investir algumas horas nele. Em particular pelas Kreislerianas, ciclo de peças relevantes na obra do compositor. Pois o tempo investido rendeu muitos momentos de prazer, adorei o disco e, portanto, trago aqui para o blog.

Se você é novo neste repertório, note que nas duas obras nas quais se apresentam uma série de peças – Kinderszenen e Kreisleriana – se alternam movimentos mais intimistas, como o celebrado Traumerei, com outros mais extrovertidos. Como num caminho entre um bosque onde se alternam trechos ensolarados com outros sombreados. São os aspectos Eusebius (mais reflexivo) e Florestan (mais apaixonado e impulsivo) da personalidade do compositor. Bem, mais ou menos isso, que eu não sou especialista nestas coisas, se queres saber mais, há muito que ler por aí. De qualquer forma, espero que a ideia ajude a ouvir e gostar do disco.

A pianista Nino Gvetadze nasceu em Tbilisi e teve sua carreira deslanchada entre 2008 e 2010, quando se destacou em importantes concursos para piano. O título do disco – Einsam – reflete um pouco da melancolia de certos momentos do disco, que vale a pena conferir.

Robert Schumann (1810 – 1856)

Arabeske, Op. 18

  1. Arabeske

Kinderszenen, Op. 15

  1. Von fremden Landern und Menschen
  2. Curiose Geschichte
  3. Hasche-Mann
  4. Bittendes Kind
  5. Gluckes genug
  6. Wichtige Begebenheit
  7. Traumerei
  8. Am Camin
  9. Ritter vom Steckenpferd
  10. Fast zu ernst
  11. Furchtenmachen
  12. Kind im Einschlummern
  13. Der Dichter spricht

Kreisleriana, Op. 16

  1. Außerst bewegt
  2. Sehr innig und nicht zu rasch
  3. Sehr aufgeregt
  4. Sehr langsam
  5. Sehr lebhaft
  6. Sehr langsam
  7. Sehr rasch
  8. Schnell und spielend

Waldszenen, Op. 82

  1. Vogel als Prophet

3 Romanzen, Op.28

  1. Einfach

Nino Gvetadze, piano

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Nino ouvindo os bem-te-vis nos jardins da sede do PQP Bach Corp de Piratininga…

Crítica da Gramophone: ‘Filled with robust contrasts and with exquisitely sculpted phrasing throughout, Gvetadze’s sensitivity to Schumann’s vaunted ‘inner voices’ is unsurpassed. […]

Gvetadze’s focus is unerring and, if the expressive content of the music is always front and centre, she also has an uncanny ability to elucidate the overall structure with immense subtlety. If you don’t yet know her playing, great pleasures await.

Aproveite!

René Denon

Nikolai Kapustin (1937-2020): Peças para Piano – Yoel Eum Son ֍

Nikolai Kapustin (1937-2020): Peças para Piano – Yoel Eum Son ֍

Nikolai Kapustin

Peças para Piano

Yeol Eum Son

 

 

Dia destes fiz a postagem de um disco com Sonatas para Piano compostas no século 20. O destaque da postagem foi uma sonata do compositor Nikolai Kapustin, de quem até aquela data não havia ouvido qualquer peça. Pois a partir daí, acabei me deparando com várias outras peças dele. Pois chegou a hora de postar um disco só com obras dele.

A escolha do disco foi também motivada pela vontade de apresentar aos seguidores do blog esta linda e excelente pianista coreana, Yoel Eum Son. Ela tem sido medalha de prata em algumas das mais importantes competições de piano – atividade que pode ser injusta e certamente é acirradíssima. Só para ilustrar o que eu quero dizer, Daniil Trifonov, Igor Levit e Nobuyuki Tsujii são nomes que apareceram ao lado do dela nestas tais competições. O que importa mesmo são os resultados posteriores e a carreira dela está certamente bem estabelecida com ótimos discos lançados e recitais muito concorridos.

Por falar nisso, ela tem apresentado nestes recitais músicas de Kapustin, de quem foi amiga. Veja um trechinho de uma crítica de um destes recitais que poderá ser lida na integra aqui. ‘Para fechar a primeira parte do recital, ela tocou uma raridade: as Variações, op. 41, de Nikolai Kapustin, um compositor ucraniano nascido em 1937. Ele compôs as Variações em 1984, uma peça de jazz. Teria Orwell imaginado que esta música pudesse ser escrita atrás da Cortina de Ferro em 1984? Ele poderia imaginar qualquer coisa. Em sua interpretação, Son fez o jazz-equivalente a “rockin’ out”. Havia muita alegria na maneira como ela tocou assim como na música’.

Nikolai Kapustin (1937 – 2020)

Oito Estudos de Concerto, Op. 40

  1. Prelude. Allegro assai
  2. Reverie. Moderato
  3. Toccatina. Allegro
  4. Remembrance. Larghetto
  5. Raillary. Vivace
  6. Pastorale. Allegro moderato
  7. Intermezzo. Allegretto
  8. Final. Prestissimo

Variações Op. 41

  1. Variações

Moon Rainbow, Op. 161

  1. Moon Rainbow

Sonatina Op. 100

  1. Sonatina

Sonata No. 2, Op. 54

  1. Allegro molto
  2. Scherzo. Allegro assai
  3. Largo
  4. Perpetuum mobile. Allegro vivace

Yoel Eum Son, piano

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Yoel Eum Son

Sobre a música que ouviremos no disco, a apresentação do álbum a seguir antecipa um pouco, mas você precisa ouvir para crer. ‘There are many great contemporary composers of our time but few write music that we can relate to so easily and closely as Nikolai Kapustin. His exquisite use of techniques and musical languages of classical and jazz ensures that his music appeals to a wide range of listeners. To those who love classical music but know little about jazz it does not sound too unfamiliar and vice versa. Indeed, it gives great pleasure to even the most untrained ears of either genre of music.

The Korean pianist Yeol Eum Son has long been a champion of the composer and became friends with him. This album is therefore a personal and affectionate tribute to this unique genius and a wonderful introduction to his music’.

Aproveite!

René Denon

Kapustin testando um dos pianos da sede do PQP Bach de Gorlivka…

Os dez primeiros seguidores que enviarem mensagens contando suas impressões da música de Kasputin ganharão cópias da receita do borsch, tradicional prato da gastronomia ucraniana…

.: interlúdio :. Koko Taylor – Deluxe Edition ֍

.: interlúdio :. Koko Taylor – Deluxe Edition ֍

Gênero:

Funk / Soul, Blues

Estilo:

Rhythm & Blues, Chicago Blues, Electric Blues

 

Eu adoro tangerinas! Quando elas aparecem é inverno. Dependendo de onde você vem ou com quem você convive, pode chamá-las mexericas, ponkans, mimosas ou até morgotes, carregando no r antes do g.

Mas estou falando em tangerinas apenas para lembrar que se é inverno aqui, lá em Chicago é verão. E no verão de Chicago há festivais. Uma cidade a beira de um enorme lago, com ótimos espaços abertos que sabe usá-los quando chega o calor, que costuma ser forte e tem muita ‘humidez’, como dizia meu amigo gringo.

Um destes festivais é o Taste of Chicago, de comidas típicas das muitas etnias que a cidade congrega. Um enorme festival de comida de rua para enlouquecer o Sérgião Loroza.

Tem também o Chicago Blues Festival, pois Chicago é cidade do Blues – de grandes artistas e clubes famosos. Entre eles reinou The Queen – Koko Taylor, uma espécie assim de Tim Maia de saias que transpirava musicalidade e arrastava multidões. Ela e sua Blues Machine.

Buddy Guy

Este disco da postagem é uma compilação de gravações que ela fez para a Alligator Records e conta com alguns de seus maiores sucessos. Quem conhece Muddy Waters e sua Mannish Boy não vai estranhar a primeira música do disco – I’m a Woman. Depois, Born Under a Bad Sign vai mexer até com quem nasceu neste século, assim como Hey, Bartender.

Loroza, depois de provar mexican fried ice cream..

Eu que já estive em uns dois shows dela, sei o quanto Let the Good Times Roll e Wang Dang Doodle podem arrastar multidões.

Outra atração do disco são alguns convidados como Buddy Guy – que tem um ótimo clube de Blues em Chicago -, Pinetop Perkins, entre outros, até o famoso B.B. King. Enfim, como diria um arguto crítico amador: um álbum sem uma única faixa ruim…

Koko Taylor – Deluxe Edition

  1. I’m a Woman – (Ellas McDaniel / Koko Taylor)
  1. Beer Bottle Boogie – (Scott)
  1. Born Under a Bad Sign – (William Bell / Booker T. Jones)
  1. Mother Nature – (Milton Campbell)
  1. Hey Bartender – (Floyd Dixon)
  1. I’d Rather Go Blind – (Bill Foster / Ellington Jordan)
  1. Man Size Job – (Koko Taylor)
  1. Let the Good Times Roll – (Fleecie Moore / Sam Theard)
  1. Voodoo Woman – (Koko Taylor)
  1. Wang Dang Doodle – (Willie Dixon)
  1. Stop Watching Your Enemies – (Koko Taylor)
  1. Sure Had a Wonderful Time Last Night – (Louis Jordan)
  1. Come to Mama – (Willie Mitchell / Earl Randle)
  1. Time Will Tell – (Paul Gayten)
  1. Blues Hotel – (John Hahn / Jon Tiven)

Koko Taylor

and her Blues Machine

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The Queen, Koko Taylor!

Uma crítica deixada na página da Amazon: This is truly a great album. Koko’s range of vocals is absolutely amazing. From sweetness on the balads to the raw power on the blues to the groove on the rockers. The ability to mix them all on a single word make her talent unmatched. One minute she sounds as sweet as Etta James the next minute she sounds more raw than Janis joplin. Reminds why the classic rock and blues songs are classic. The musicians with her are great and the recording is clean balanced and well mixed. On a scale of five star this is a ⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

Se for a Chicago, não deixe de ir a algum Clube de Blues…

Aproveite!

René Denon

Prokofiev (1891-1953) / Scriabin (1872-1915) / Kapustin (1937-2020): 20th Century Piano Sonatas, Vol. 3 ֎

Prokofiev (1891-1953) / Scriabin (1872-1915) / Kapustin (1937-2020): 20th Century Piano Sonatas, Vol. 3 ֎

Prokofiev – Scriabin Kapustin

Sonatas para Piano

Vanessa Benelli Mosell

Vincenzo Maltempo

Sun Hee You

 

É o que tem para hoje! Esta frase costuma ser usada em situações desconfortáveis. Você queria aquele prato tão elogiado pelos amigos ao chegar no restaurante que demorou tanto para conseguir ir e ouve isto do maitre, oferecendo o guisadinho do dia e que você costuma comer em casa…

O disco desta postagem poderia vir acompanhado desta frase – é o que eu tenho para hoje! – mas, não desista da felicidade tão facilmente. Surpresas agradáveis também ocorrem.

O selo – Brilliant – vocês já conhecem e oferece gravações feitas em outras companhias, mas também produz seus próprios discos. Tem a característica de editar integrais, como a das Sonatas para Piano de Mozart, com a Klara Würtz, postada aqui nas nossas páginas. Alô, Bernardo, a Uchida é ótima, mas a Klara oferece uma outra opção que vale a pena ser ouvida.

Pois o selo arranjou uma série de discos com o tema Sonatas para Piano do Século 20, tomando peças de seu enorme acervo. Eu que adoro me aventurar por essas iniciativas um pouco afastadas do mainstream, decidi ouvir um ou outro disco da série.

Mas, a história do disco começa mesmo aqui. Ele estava na playlist de meu telefone, de onde ouço música quando vou caminhar. Pois que na minha última caminhada acabei me demorando um pouco mais e o disco entrou no circuito. Como as sonatas de Prokofiev e Scriabin são mais manjadas, decidi ir logo para a sonata do Kapustin, nome que minha embotada mente quase tomou por Rasputin. Som no headphone e Asics no pé, meio quarteirão depois achei que estava ouvindo um disco de jazz. Logo achei (teorias conspiratórias abundam) que o telefone havia se revoltado com as músicas de sempre e havia me pregado uma peça. Mas não, certifiquei-me no próximo poste, lá estava, Kapustin, Sonata para Piano, interpretada por Sun Hee You. E eu nem sabia o primeiro nome do camarada e nunca houvera falar da ou do pianista. Gostei muito e, como você já sabe, se gostei, acabo postando.

Nikolai! O nome dele é Nikolai Girshevich Kapustin, soube pelo Google assim que cheguei em casa. Nikolai, uma pena, morreu ano passado aos 83 anos. Como você deve ter adivinhado, era russo e teve perfeita formação musical. Graduou-se como pianista tocando o Concerto para Piano No. 2, de Prokofiev. Não é para fracos…

Quando descobriu o jazz recebeu apoio de seu professor, Avrelian Rubakh, e sua música incorporou muitos elementos jazzísticos. Mas ele sempre se considerou um músico no sentido clássico, mesmo atuando como pianista em orquestras russas de jazz. Pelo que entendi, ele afirmava que o que caracteriza o músico de jazz é a improvisação, enquanto toda a sua música era completamente estabelecida previamente, nas partituras, mesmo quando soavam improvisadas. Seja lá como for, o importante é se você gosta ou não. E eu gostei bastante.

Assim, vamos ficando por aqui e deixando o convite para que você também explore mais a música de Kapustin, coisa que eu já tenho feito. Espero em breve trazer mais um e outro disco com músicas dele. Ah, ia esquecendo, a Sun Hee You é uma linda jovem pianista coreana e você poderá saber mais alguma coisa dela visitando a sua página clicando aqui.

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)

Sonata para Piano No. 7 em si bemol maior, Op. 82

  1. Allegro inquieto
  2. Andante caloroso
  3. Precipitato

Vanessa Benelli Mosell, piano

Alexander Scriabin (1872 – 1917)

Sonata para Piano No. 5, Op. 53

  1. Sonata

Vincenzo Maltempo, piano

Nikolai Kapustin (1937 – 2020)

Sonata para Piano No. 1, Op. 39 – Sonata-Fantasia

  1. Vivace
  2. Largo
  3. Scherzo
  4. Allegro molto

Sun Hee You, piano

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Vanessa Benelli Mosell
Vincenzo Maltempo

 

 

 

 

 

Sun Hee You

Depois de escrever o texto da postagem, fui verificar no vault do PQP Bach o que havia de Kapustin e a única referência está nesta postagem aqui do Blue Dog, cujos links muito provavelmente estão boiando no espaço digital sideral. No entanto, o texto vale a visita.

Aproveite!
René Denon

PS: A Toccatina mencionado pelo Blue Dog não chegou ao disco da Yuja Wang, mas esteve no concerto como um dos encores.

Bach (1685-1750): Árias para Soprano – Only Bach – Sumi Jo ֎

Bach (1685-1750): Árias para Soprano – Only Bach – Sumi Jo ֎

BACH

Árias de Cantatas

Sumi Jo, soprano

Um sarau na casa do Sr. Ribeiro!

Gosto de imaginar como seria um momento de convívio musical informal na casa do Sr. João Sebastião Ribeiro. Um destes momentos em que se terminou de fazer as cópias das partes da cantata que será apresentada no próximo serviço religioso, tarefa que envolveu o staff do compositor. As partes foram copiadas do original que ele preparou, provavelmente usando trechos de antigas composições… Estas visitas a composições de períodos anteriores certamente trariam boas lembranças ou nem tanto, pois que apesar da alegria que o compositor cultivava, a vida tinha tido seus bons pedaços de bitter and sweet.

As tarefas do dia terminadas, uma boa paz invadindo a casa, uma certa dose de preguiça e alguém apanha o alaúde ou o violão esquecido desde a última visita do Sr. Sílvio Branco e dedilha um tema… Uma filha ou uma nora do Sr. Ribeiro, que tem uma boa voz, entoa aquela ária que tanto encantou os devotos no último serviço. Um entre os filhos ou genros, ou mesmo um agregado, apanha uma rabeca que ficara para ser encordoada e afinada e havia sido usada pelo Sr. Ribeiro enquanto revisara suas composições para violino solo. Até aquele oboé que ficara esquecido da última audição para o novo músico que atuaria na igreja acabou sendo usado.

E todos ficam de boas. Até imagino o Sr. Ribeiro pedindo uma xícara de café ou mesmo uma caneca daquela boa cerveja que a família produz…

Estas imagens me vieram ao ouvir este disco que gostei bastante. A voz da Sumi Jo é linda mesmo. Eu não a havia ouvido muito no período em que estava em moda, seus discos vendendo bastante… Eu sou assim, meio turrão, quando um artista é muito badalado eu o coloco na geladeira…

Aqui temos um disco agradável, recheado de big-hits do Sr. Ribeiro. Uma boa opção para ser ouvido naquela noite em que a TV só apresenta filmes de franquias furiosas e velozes.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

  1. Cantata “Gott ist unsere Zuversicht”, BWV 197 – Aria “Vergnügen und Lust” (Soprano)
  2. Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147 – Jesus bleibet meine Freude
  3. Chorale Prelude “Wachet auf, ruft uns die Stimme”, BWV 645
  4. Cantata “Ich geh’ und suche mit Verlangen”, BWV 49 – Aria “Ich bin herrlich, ich bin schön”
  5. Cantata “Also hat Gott die Welt geliebt”, BWV 68 – Aria “Mein gläubiges Herze”
  6. Ave Maria, (arr. de Gounod) do Prelúdio em dó maior, BWV 846
  7. Cantata “Ich armer Mensch, ich Sündenknecht”, BWV 55 – Aria “Erbarme dich” (Paixão segundo São Mateus)
  8. Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147 – Aria “Bereite dir, Jesu, noch itzo die Bahn”
  9. Chorale Prelude “Nun komm der Heiden Heiland”, BWV 65
  10. Cantata “Liebster Jesu, mein Verlangen”, BWV 32 – Aria “Liebster Jesu, mein Verlangen”
  11. Cantata, BWV 196 – Aria “Er segnet, die den Herrn fürchten”
  12. Chorale Prelude “Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ”, BWV 639
  13. “Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd”, BWV 208 – Aria “Schafe können sicher weiden”
  14. Christmas Oratorio, BWV 248 – Aria “Flößt, mein Heiland”
  15. Aria – Bist du bei mir, BWV 508

Sumi Jo, soprano

Suyoen Kim, violino

Marco Socias, violão

Christian Hommel, oboé

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MP3 | 320 KBPS | 145 MB

Adivinhem qual música eles estão ouvindo…

Aproveite para testar seus conhecimentos, ouvindo e adivinhando a origem de cada tema…

René Denon

Marco Socias
Christian Hommel
Sumi Jo
Suyoen Kim

Vivaldi (1678–1741): Con amore – Concertos Diversos – Tafelmusik Baroque Orchestra – Elisa Citterio ֍

Vivaldi (1678–1741): Con amore – Concertos Diversos – Tafelmusik Baroque Orchestra – Elisa Citterio ֍

Antonio Vivaldi

Con amore

Concertos Diversos

Tafelmusik Baroque Orchestra

Elisa Citterio

 

Esta é a postagem de número 300 que preparo para o PQP Bach! Para esta festiva oportunidade, pelo menos para mim, escolhi um disco delicioso, com música de Vivaldi. O programa do disco reflete a sua capa, um maravilhoso buque de diversidade. Além disso, optei por escolher um disco que não enfatiza a individualidade, mas celebra a coletividade. É um disco com lindos concertos diversos com seus solos distribuídos pelos membros da orquestra, na medida em que são demandados.

O programa começa mui propriamente com uma abertura de ópera – Ottone – uma sinfonia, passando para um tradicionalíssimo concerto para violino – Amato Bene –, seguindo para concertos com instrumentos de sopros – fagote e oboés. E como o tema do disco é amor, temos o Concerto L’Amoroso, seguido por um concerto de câmara, com destaque para um alaúde. Para fechar a programação, dois concertos com muitos instrumentos, para fazer brilhar de vez a orquestra e os seus membros, numa festa pródiga em amor e alegria, coisas que andam aí um bocado em falta.

Este é o primeiro disco gravado pela Tafelmusik Baroque Orchestra sob a nova direção de Elisa Citterio que também é solista em alguns dos concertos.

Eu ouvi o disco numa preguiçosa manhã de domingo, sentado na varanda, tomando um solzinho nas pernas e lendo os jornais atrasados da semana (aqui recebemos os jornais em papel nas sextas-feiras, sábados e domingos) e fazendo as palavras cruzadas acolhendo as dicas dadas pela minha querida!

Antonio Vivaldi (1678 – 1741)

Ottone in Villa – Abertura

  1. Allegro
  2. Larghetto

Concerto para Violino em dó menor, RV 761 – ‘Amato Bene’

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para fagote em ré menor, RV 481

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro non molto

Concerto para 2 Oboés em dó maior, RV 534

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para violino em mi maior, RV271 – ‘L’Amoroso’

  1. Allegro
  2. Cantabile
  3. Allegro

Concerto para alaúde em ré maior, RV 93

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto para 4 violinos, viola e baixo contínuo, RV553

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Concerto for 2 violinos, 2 oboés e fagote em ré maior, RV 564a

  1. Allegro
  2. Adagio non molto
  3. Allegro

Elisa Citterio, violino e direção

Cristina Zacharias, violino

Patricia Ahern, violino

Geneviève Gilardeau, violin

Julia Wedman, violino

John Abberger, oboé

Marco Cera, oboé

Dominic Teresi, fagote

Lucas Harris, alaúde

Tafelmusik Baroque Orchestra

Gravado entre 30 de outubro até 2 de novembro de 2018, em Humbercrest United Church, Toronto, Canada
Gravado por TRITONUS Musikproduktion, Stuttgart, Alemanha

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Elisa testando a acústica do Salão Rosa do prédio do PQP Bach Corp. em Guapimirim

“In the collective imagination Vivaldi truly represents ‘l’italianità,’ or the Italian character.

Vivaldi’s music speaks unambiguously to people’s hearts.” —Elisa Citterio

The tempos all feel right, faster movements sounding upbeat but never breakneck, and slower movements given space to breathe but not enough to drag. Metrically, meanwhile, it’s precise but also far from rigid-sounding, thanks to sensitively shaped and coloured phrases and inventive ornamentation…where some bands will make a feature of their period instruments’ slightly less couth tonal tendencies, this lot definitely prefer polish.

Gramophone – January 2020

Two Baroque Violins

Depois você me escreva contando como foi que desfrutou desta belezura de disco!

Viva Vivaldi! Salve a Tafelmusik!

Tafelmusik

Aproveite!

René Denon

Uma palhinha…

Mozart (1756–1791): Concertos para Piano Nos. 9 & 17 – Olga Pashchenko & Il Gardellino ֎

Mozart (1756–1791): Concertos para Piano Nos. 9 & 17 – Olga Pashchenko & Il Gardellino ֎

Mozart

Concertos para Piano Nos. 9 & 17

Olga Pashchenko

Il Gardellino

 

 

Gostei de tudo neste disco, começando pela capa, colorida e jovial. E como a cada vez que acabo de ouvi-lo quero ouvir de novo, achei que deveria postá-lo.

É uma mistura de inovação e tradição que abrilhanta ainda mais o resultado. Temos dois excelentes concertos para piano de Mozart, mas não ainda aqueles maiorzões que viriam do vinte em diante. Os concertos são interpretados por uma jovem fortepianista russa que merece toda a nossa atenção (há outros surpreendentes discos da moça por aí…), acompanhada pela orquestra Il Gardellino, que foi formada há já mais de trinta anos pelo oboísta Marcel Ponseele e pelo flautista Jan De Winne.  O selo Alpha garantia de bom acabamento.

Dito isso, sei que você já vai colocar o mouse em outros ícones, pois que eu também receava os instrumentos de época, mas calma, experimente este aqui. Os fortepianos (um para cada concerto) soam muito bem e audíveis aqui e a interpretação vale ser apreciada. Assim, se você quiser ouvir esta linda música com ouvidos renovados, vá em frente, caso contrário e insista em ser cringe, siga para outras gravações como a combinação Serkin, LSO e Abbado nos mesmos concertos. Nada contra, mas…

Estes dois concertos têm em comum o fato de terem sido compostos por Mozart para duas pianistas que cruzaram seu caminho em diferentes situações. O Concerto No. 9 foi composto para Victorie Jenamy, pianista francesa que passava por Salzburgo e era filha de um famoso coreógrafo. Ela o deve ter tocado pela primeira vez em 4 de outubro de 1777. Eu adoro o movimento lento deste concerto que é um dos mais significativos dos que foram compostos em Salzburgo.

Babette

O Concerto No. 17 foi escrito para uma aluna de Mozart, Maria Anna Barbara Ployer, que o estreou em 13 de junho de 1784 em um concerto no qual esteve presente Giovanni Paisello. Mozart devia confiar muito nos talentos da aluna com quem tocou também a Sonata para dois pianos, K. 448. Deve ter sido uma noite e tanto. A instrumentação do concerto é bem rica para os padrões, com flauta, oboés, fagotes e trompas, além das cordas. Ouça com atenção o início do movimento lento, quando esperamos ouvir a entrada do piano e ouvimos um pequeno trecho de flauta, oboé e fagote…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Piano No. 9 em mi bemol maior, K271 “Jeunehomme”

  1. Allegro
  2. Andantino
  3. Rondeau.Presto

Concerto para Piano No. 17 em sol maior, K453

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Alegretto – Presto

Olga Pashchenko

Il Gardellino

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Olga em sua última visita à sede do PQP Bach de Porto Alegre, tomando uma brisa às margens do Guaíba…

I am happy to say that Pashchenko and colleagues catch both [concertos] beautifully. Pashchenko is full of play and exuberance but never at the expense of the darker undercurrents of the music.

[…]

You can tell by my comparisons, that I feel Pashchenko’s conception of these works is essentially operatic rather than symphonic, which I think is as it should be. Without a sense of the dramatic narrative of these works, something of their magic gets lost and I, for one, believe that, in almost everything he wrote, Mozart was composing operas.

Trechos de uma crítica que você poderá ler na íntegra aqui.

Aproveite!

René Denon

O piano, forte, de Mozart…

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Órgão, BWV 592 – 596 – Simon Preston ֍

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Órgão, BWV 592 – 596 – Simon Preston ֍

Bach

Concertos para Órgão

Simon Preston

 

 

A história de hoje tem um príncipe que morreu jovem, na flor da idade, como se costumava dizer. Ele tinha tudo para passar essencialmente anônimo para a posteridade, mas a sorte o colocou em contato com o genial Johann Sebastian Bach. Em troca, ele colocou Bach em contato com outro tipo de genial compositor, que morava mais ao sul, na bem mais ensolarada e colorida Veneza.

O príncipe Johann Ernst von Sachsen-Weimar era sobrinho do Duque Wilhelm Ernst, patrão de Bach em sua estada em Weinmar entre 1708 e 1717.

Johann Ernst era um talentoso músico e foi aluno de Johann Gottfried Walther, organista de Weinmar e aparentado de Bach. Em 1711, Ernst foi estudar na Universidade de Utrecht, na Holanda, onde ouviu organistas tocando transcrições para órgão de concertos de compositores italianos, cujas publicações eram feitas na Holanda.

Ao retornar a Weinmar, Johann Ernst levou consigo vários destes concertos que a seu pedido foram transcritos para cravo ou para órgão por Walther e por Bach.

Neste disco, um dos que ainda tenho das gravações para órgão feitas por Simon Preston para a Deutsche Grammophon, temos 4,3333… concertos transcritos por Bach para órgão. Há três que eram originalmente de Vivaldi (as indicações dos concertos originais estão logo a seguir, na relação das faixas) e um concerto e um movimento de concerto que foram originalmente compostos pelo jovem e talentoso príncipe. Lamentavelmente, ao fim de 1713 o príncipe adoeceu e morreu perto de um ano depois.

É possível que Bach entrasse em contato com a música de Vivaldi e de outros compositores italianos mesmo que não tivesse conhecido o príncipe, mas gosto de pensar que o mesmo ajudou nisto e maior tributo do que ter suas próprias obras (mesmo que mais modestas do que as do mestre italiano) transcritas por Bach não pode haver.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto para Órgão em ré menor, BWV 596

(Transcrição do Concerto Op. 3, No. 11 em ré menor, RV 565, de Vivaldi)

  1. […]
  2. Grave
  3. Fuga
  4. Largo e spiccato
  5. […]

Concerto para Órgão em lá menor, BWV 593

(Transcrição do Concerto Op. 3, No. 8 em lá menor, RV 522, de Vivaldi)

  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro

Concerto para Órgão em dó maior, BWV 594

(Transcrição do Concerto ‘Grosso Mogul’, em ré maior, RV 208, de Vivaldi)

  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro

Concerto em sol maior, BWV 592

(Transcrição do Concerto em sol maior, do Príncipe Johann Ernst)

  1. […]
  2. Grave
  3. Presto

Concerto em dó maior, BWV 595

(Transcrição do Primeiro Movimento do Concerto em dó maior, do Príncipe Johann Ernst)

  1. […]

Simon Preston, órgão

(Catedral de Lübeck)

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Simon antes de testar o Grande Órgão do PQP Bach Concert Hall de Nova Holanda

A crítica deste disco em uma das edições do Penguin Guide é bem ‘inglesa’: It was Prince Johann Ernst who introduce Bach to the Italian string concertos; […] The two Ernst works show a lively and inventive if not original musicianship. The performances are first class and the recording admirably lucid and clear, yet with an attractively resonant ambience.

Órgão da Catedral de Lübeck em foto de 1970

Está esperando o que, ande, aproveite, é primeira classe…

René Denon

The French Album – Jorge Federico Osorio, piano ֎

The French Album – Jorge Federico Osorio, piano ֎

Fauré • Debussy

Rameau

Chabrier • Ravel

Peças para Piano

Jorge Federico Osorio

Este disco é uma pérola! Adoro este repertório e tudo aqui está excelente. Imagine que você seja um pianista dono de uma soberba musicalidade, técnica poderosa, tenha uma imaginação vibrante e possua uma profunda paixão… Suponha ainda que disponha de uma gravadora interessada em produzir um álbum com o repertório que você escolheu e que você disponha de um ambiente ideal – familiar e tecnicamente impecável – com condições ideais para as gravações. Tudo para resultar assim em um dico primoroso.

Pois foi o que aconteceu aqui. O pianista Jorge Federico Osorio tem todas as qualificações listadas acima, segundo o livreto e como você poderá confirmar ao ouvir o disco. Ele mora em Chicago onde exerce as carreiras artística e acadêmica – é professor da Roosevelt University’s Chicago College of Performing Arts. A gravadora Cedille Records, de Chicago, tem por objetivo promover os artistas locais, criando assim as condições ideais para a produção do disco que foi gravado no Reva and David Logan Center of Arts da Universidade de Chicago em janeiro de 2020.

O programa consiste em oito prelúdios de Debussy e mais duas peças de outras coleções e são típicas da sonoridade que associamos à música francesa. O livreto diz: A fascinação de Debussy com as sonoridades do piano inspirara a criação de seus prelúdios. Eles podem ser ouvidos como experimentos sonoros: quais são as possibilidades das harmonias cromáticas e escalas não tradicionais?

Osorio fez suas escolhas entre as peças e as coloca na ordem que lhe agrada, o que acrescenta uma dose de surpresa na sequência. Começamos com a belíssima e extrovertida peça chamada Les collines d’Anacapri e passamos para a mais introvertida La terrasse des audiences du clair de lune. Para continuar no clima, Clair de lune, possivelmente a peça mais conhecida de Debussy, o movimento lento da Suíte Bergamasque. Mais beleza com a irrequieta peça Ce qu’a vu le d’Ouest seguida do segundo dos prelúdios, Voiles. Depois, ouvir o prelúdio da Catedral Submersa seguido de Fogos de Artifício é de tirar o fôlego. Osorio sai do universo de Debussy pisando em Fuilles mortes para entrar no clima dos precursores de música francesa para teclado com três lindas peças de Rameau, compostas originalmente para cravo.

Dai em diante, as origens latinas do pianista muito provavelmente entraram em consonância com o fascínio que os compositores franceses tinham com a música de origem espanhola. O clima fica ibérico com a Habanera de Chabrier, La Puerta del Vino e La soirée dans Grenade de Debussy e passa para a Alborada del gracioso de Ravel.

O disco se fecha assim como foi aberto, com uma Pavane. A peça da abertura é de Fauré e para completar, Ravel. Ótima hora e um quarto de excelente música.

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

  1. Pavane

Claude Debussy (1862 – 1918)

  1. Les collines d’Anacapri
  2. La terrasse des audiences du clair de lune
  3. Clair de lune
  4. Ce qu’a vu le vent d’Ouest
  5. Voiles
  6. La Cathédrale engloutie
  7. Feux d’artifice
  8. Feuilles mortes

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

  1. Les Tricotets
  2. Menuets 1 & 2
  3. L’Egyptienne

Emmanuel Chabrier (1841 – 1894)

  1. Habanera

Claude Debussy

  1. La Puerta del Vino
  2. La soirée das Grenade

Maurice Ravel (1875 – 1937)

  1. Alborada del gracioso
  2. Pavane pour une infante défunte

Jorge Federico Osorio, piano

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A famosa Puerta del Vino

Momento ‘The Book is on the Table’:

What appears to be a hodgepodge of French pieces actually emerges as a carefully crafted program. […] All told, an enjoyable and well-put-together recital.

… he [Osorio] plays with beauty and charm, a delicate touch, and a genuine grace, with expressive, nuanced singing in his piano playing. He is a richly expressive piano virtuoso of international fame, and in my experience has never demonstrated anything but sensitive, immaculate, committed, passionate playing, a most-refined pianist whose best work comes in expressively lyrical passages.

Producer James Ginsburg and Cedille’s ace engineer Bill Maylone recorded the music in the Reva and David Logan Center for the Arts at the University of Chicago in January 2020. The sound is gorgeous: not too sharp or bright; not too dull or soft. It simply sounds like a real piano in a real hall setting, with just the right amount of ambient bloom, room acoustics, and lifelike detail to bring it to life.

Aproveite!

René Denon

Jorge explicando para o pessoal do PQP Bach: Federico, não Frederico, Fe-de-rico…

 

Se você gostou deste disco, poderia se interessar por estas postagens aqui:

Stephen Hough’s Spanish Album – Peças de A. Soler, E. Granados, I. Albeniz, F. Mompou, F. Longas, C. Debussy, M. Ravel, F. X. Scharwenka, W. Niemann e S. Hough

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

J. Haydn (1732 – 1809): Sinfonia N0. 99 • F. Schubert (1797 – 1828): Sinfonia No. 5 – Concentus musicus Wien • Stefan Gottfried ֎

J. Haydn (1732 – 1809): Sinfonia N0. 99 • F. Schubert (1797 – 1828): Sinfonia No. 5 – Concentus musicus Wien • Stefan Gottfried ֎

Haydn • Schubert

Sinfonia No. 99 • Sinfonia No. 5

Concentus musicus Wien

Stefan Gottfried

 

Há vida após a morte. A orquestra Concentus musicus Wien – Ensemble für Alte Musik – foi criada por Nikolaus Harnoncourt bem no início de sua carreira de músico dedicado a interpretação de música antiga na forma como era tocada quando foi composta. A orquestra e seu maestro conviveram por mais de 60 anos desde o início desta jornada em busca de autenticidade.

O trabalho deles certamente contribuiu para que tivéssemos uma perspectiva mais realista da música antiga, mas o mais importante para nós, amantes da boa música, é que eles enriqueceram nossas audições com ótimas interpretações vibrantes e intensas.

Apesar do interesse em música ‘antiga’, o lema de Harnoncourt era ‘Arte é sempre nova’ (Art is always new) e esteve sempre presente em suas interpretações e reinterpretações das principais obras do repertório musical.

Pois foi com muita alegria que ouvi este disco com duas lindas sinfonias de compositores vienenses gravadas ao vivo e mostrando que a vida e a orquestra continuam sua vibrante jornada.

O novo diretor musical é o regente Stefan Gottfried e nomes ligados a orquestra, como Erich Höbarth e Andrea Bischof (membros do Quatuor Mosaïques) estão também presentes.

No programa uma sinfonia de Haydn, de seu período de maturidade, e uma sinfonia do jovem e talentosíssimo Schubert. A Sinfonia No. 99 é uma das que foram escritas para serem apresentadas em Londres nos concertos promovidos por Salomon, o empresário que promoveu duas visitas de Haydn a Londres. Esta foi estreada em 10 de fevereiro de 1794 no Hanover Square Rooms e possivelmente por influência de Mozart é a primeira das sinfonias de Haydn onde é usado clarinete na orquestração. Isso mostra que mesmo aos 61 anos, ele estava aberto a inovações.

A Sinfonia No. 5 de Schubert, apesar de ter sido composta quando o compositor ainda estava com 19 anos, mostra todo o seu talento. Apesar de uma orquestração mais modesta, sem uso de clarinete, trompete ou tímpano, talvez considerando as reais chances de ter a obra apresentada por alguma orquestra, esta obra tem uma grande afinidade com a música de Mozart.

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sinfonia No. 99 em mi bemol maior, Hob. I: 99

  1. Adagio – Vivace assai
  2. Adagio
  3. Menuetto e Trio – Allegretto
  4. Finale. Vivace

Franz Schubert (1797 – 1828)

Sinfonia No. 5 em si bemol maior, D. 485

  1. Allegro
  2. Andante con moto
  3. Menuetto. Allegro molto
  4. Allegro vivace

Concentus musicus Wien

Stefan Gottfried

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Concentus musicus Wien e seu novo diretor musical Stefam Gottfried

A real treat! Aproveite!

René Denon

Outra gravação da linda sinfonia de Schubert:

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nos. 5 e 6 – Camerata Academica des Mozarteums Salzburg – Sandor Végh

Gustav Mahler (1860–1911): Sinfonia No. 3 – Berliner Philharmoniker – Gustavo Dudamel ֍

Gustav Mahler (1860–1911): Sinfonia No. 3 – Berliner Philharmoniker – Gustavo Dudamel ֍

Gustav Mahler

Sinfonia No. 3 em ré menor

Berliner Philharmoniker

Gustavo Dudamel

 

Há dias ensaiava uma postagem com alguma obra de Mahler. Eu adoro a música de Mahler, especialmente pelos Lieder, mas confesso que preciso manter um certo distanciamento dessa música de tempos em tempos. É música muito intensa para ser ouvida levianamente. Assim vivo uns períodos de imersão e depois, distanciamento novamente.

Pois minha última imersão se deu esses dias e foi pela Terceira Sinfonia, que quase encerrou o ciclo das Sinfonias do Wunderhorn, aquelas que dividem material musical e usam poemas da coleção chamada Des Knaben Wunderhorn. Ela só não fechou este ciclo pois seu material acabou gerando mais uma sinfonia, a lindíssima Quarta Sinfonia, que usa o Lied ‘Das himmlische Leben’, que era programado para ser o último movimento da Terceira.

Há uma série de maravilhosas gravações desta Terceira Sinfonia e não resisto a mencionar algumas das minhas preferidas. Começo mencionando uma rara gravação comercial feita nos anos 70 pela London Symphony Orchestra regida por Jascha Horenstein e outra também relativamente antiga, regida por um dos primeiros regentes a difundir efetivamente a música de Mahler, Leonard Bernstein, a frente da New York Philharmonic, no selo CBS Masterworks, posteriormente comprado pela Sony. Pelo selo amarelo, há duas gravações muito interessantes feitas pelo saudoso Claudio Abbado, a primeira regendo a Wiener Philharmoniker e a segunda regendo a maravilhosa Berliner Philharmoniker. Esta última orquestra também aparece numa gravação da Philips, agora sob a regência do sempre competente Bernard Haitink. E como as orquestras voltam às obras importantes, a London Symphony Orchestra também aparece numa linda gravação no selo Sony, regida pelo americano Michael Tilson Thomas. Nesta gravação, há um ótimo bônus, com a excelente Janet Baker cantando os Rückert Lieder.

A gravação que eu estava namorando para postar tem a regência de Ivan Fischer, mas foi atropelada pela gravação que aqui apresento e que foi enviada pelo amigo FDP Bach! Dudamel regendo a espetacular Berliner Philharmoniker. Quando botei minhas mãos na mesma, fui logo ouvir o Coro dos Anjos, pois se fazia tarde e a sinfonia é longa. Eu adoro este movimento desde que o ouvi pela primeira vez no famoso LP da Deustche Grammaphon – Mahler para Milhões, com a Orquestra da Rádio Bávara regida por Rafael Kubelik, com o Tölzer Knabenchor.

O que me chamou a atenção especialmente nesta versão foi a qualidade da gravação. Incrível! Imperdível, diriam outros… Depois descobri, esta gravação é parte de um ciclo completo das Sinfonias de Mahler no selo da Berliner Philharmoniker, com todas as gravações feitas ao vivo com a orquestra, com possíveis diferentes regentes.

Sobre a Sinfonia, o que dizer? Que é impressionantemente grande, que foi concebida tendo um plano de progressivo desenvolvimento, do terreno para o etéreo… Os nomes dos movimentos originalmente enfatizavam este planejamento: O despertar de Pan; O que as flores dos campos me dizem; O que os animais da floresta me dizem; O que me dizem os seres humanos; O que me dizem os anjos; O que o Amor me diz. Mas os planos iniciais foram se ajustando na medida que a composição foi avançando. O primeiro movimento foi o último a ser terminado e é imenso. Seu desenvolvimento impressionou o próprio Mahler, que escreveu para seu protegido Bruno Walter dizendo: É terrível, a forma como ele continua a crescer, a se expandir, muito além de tudo o que eu já compus até agora, deixando até minha Segunda Sinfonia se parecer a um bebê. Como já mencionei, o plano original considerava um sétimo movimento com o Lied que acabou no final da sinfonia seguinte e isso deu a esta sinfonia mais uma característica especial que é a de terminar em um adagio, que trata do Amor…

Depois da primeira audição, Mahler subtraiu todos os títulos dos movimentos, apresentando a sinfonia como música absoluta, como se os títulos fossem andaimes que podiam ser retirados uma vez que a obra estava em pé, numa feliz comparação feita pelo Bruno Walter.

Gustav Mahler (1860 – 1911)

Sinfonia No. 3 em ré menor

  1. Kräftig. Entschieden
  2. Tempo di Menuetto. Sehr mäßig
  3. Comodo. Scherzando. Ohne Hast
  4. Sehr langsam. Misterioso. Durchaus ppp
  5. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck
  6. Langsam. Ruhevoll. Empfunden

Gerhild Romberger, contralto

Damen des Rundfunkchors Berlin

Knaben des Staats- und Domchors Berlin

Berliner Philharmoniker

Gustavo Dudamel

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MP3 | 320 KBPS | 227 MB

Gustavo Dudamel is in charge of the Third Symphony. […] This reading of the Third impresses from the very start. […] Overall, there’s all the necessary colour and swagger in a marvellous account of this opening movement.

Part II of the symphony encompasses the remaining five movements. […} The […} ‘Bimm bamm’ movement is fresh and sprightly; the choirs are well-disciplined. The long finale opens raptly. […] This is one of the peaks of this set. Parte da crítica que pode ser lida na íntegra aqui.

Dudamel em tempos de Covid…

Aproveite!
René Denon

Handel: Música para os Reais Fogos de Artifício • Concerti a due cori – Tafelmusik • Jeanne Lamon ֎

Handel: Música para os Reais Fogos de Artifício • Concerti a due cori – Tafelmusik • Jeanne Lamon ֎

Handel

Music for the Royal Fireworks

Concerti a due cori

Tafelmusik

Jeanne Lamon

 

Os nomes Tafelmusik e Jeanne Lamon passaram muitos anos juntos e apareceram em inúmeras capas de excelentes álbuns de música, vários deles marcando presença nas páginas do PQP Bach.

A combinação sempre foi garantia de ótima qualidade e o amor e a dedicação da diretora e violinista à sua orquestra realçava a sua arte que transparece em suas gravações.

Eu gosto particularmente dos concertos para violino de Bach, alguns álbuns de Vivaldi que eventualmente são acompanhados do violoncelista Anner Bylsma.

Outro álbum que tenho ouvido por muitos anos é este da postagem, que traz a festiva música de Handel.

Esta postagem presta uma homenagem a Jeanne Lamon, que morreu dia 20 de junho de 2021, aos 71 anos, vítima de câncer. Jeanne deixa a companheira Christina Mahler, que já foi a Principal Violoncelista da Tafelmusik.

Que este iluminado disco com a sua belíssima música de Handel, fruto da arte e do talento de Jeanne e seus músicos possam servir para nos lembrar que mesmo em circunstâncias tão adversas a arte pode servir de consolo e bálsamo. Penso nos muitos brasileiros que nesses dias têm os diagnósticos ou os tratamentos desta terrível doença adiados ou prejudicados devido aos destrambelhos da pandemia.

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Música para os Reais Fogos de Artifício, HWV 351

  1. Ouverture
  2. Bourrée
  3. La Paix
  4. La Réjouissance
  5. Menuet I
  6. Menuet II

Concerto da due cori No. 2, em fá maior, HWV 333

  1. Pomposo – Allegro
  2. A tempo giusto
  3. Largo
  4. Allegro ma non troppo
  5. A tempo ordinario

Concerto da due cori No. 1, em si bemol maior, HWV 332

  1. Ouverture – Allegro ma non troppo
  2. Allegro
  3. Largo
  4. A tempo ordinario
  5. Alla breve modera
  6. Menuet

Concerto da due cori No. 3, em fá maior, HWV 334

  1. Ouverture – Allegro
  2. Allegro ma non troppo
  3. Adagio
  4. Andante larghetto
  5. Allegro

Tafelmusik

Jeanne Lamon

Christina Mahler, primeiro violoncelo

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Jeanne e Christina

The Book in on the Table: “This is clear, clean, crisp playing, that is lively, joyful, and, dare I say it, perfect in every way! The recording quality is superb as well. I have purchased many recordings with Jeanne Lamon conducting her group Tafelmusik, and I am starting to think that Lamon can do no wrong when it comes to conducting.”  John Doe (no Amazon)

Eu concordo com o Joe!

Aproveite!
René Denon

Outra postagem que poder interessar:

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias, Suítes, Concerto para Cravo e Orq. (Lamon)

Mendelssohn (1809 – 1847) & Tchaikovsky (1840 – 1893): Concertos para Violino – Akiko Suwanai – Czech Philharmonic Orchestra & Vladimir Ashkenazy ֍

Mendelssohn (1809 – 1847) & Tchaikovsky (1840 – 1893): Concertos para Violino – Akiko Suwanai – Czech Philharmonic Orchestra & Vladimir Ashkenazy ֍

Mendelssohn • Tchaikovsky

Concertos para Violino

Akiko Suwanai

Czech Philharmonic Orchestra

Vladimir Ashkenazy

Eu achava que se houvesse um pedacinho da cozinha do céu aqui na terra, esse seria o Bar das Freiras, que fazia o melhor queijo quente com banana do planeta. Ao lado da lanchonete das freirinhas, cuja féria vai toda para a caridade, fica o elevador que era pilotado pela Chica, a ascensorista com o maior sorriso que eu conheci e que morava em Niterói. Isto tudo aconteceu na minha outra vida, antes que eu soubesse que também moraria em Niterói.

Numa daquelas tardes, tive que correr para pegar o elevador: Chica, Chica, péra-aí! A porta já quase fechava e eu estava atrasado para o Seminário de Topologia. Acomodei-me e ataquei de assobio o tema do último movimento do Concerto para Violino que naqueles dias não saia da minha vitrola – fá, fá-fá-fi-fáá… Afinal, havia comprado na famosa Modern Sound aquele cobiçado LP do Heifetz e não ouvia outra coisa.   Foi então que ouvi a pergunta vinda do senhor professor: Mendelssohn ou Tchaikovsky? Olhei-o com alguma surpresa, afinal, não imaginava que professores de física se interessassem por música. Deve ser um destes concertos românticos, acrescentou ele. Eu ri e disse que era o tema do último movimento do Concerto de Brahms. Não muito fora da marca, riu ele, faz tempo que não ouço meus discos. Ficamos amigos e falávamos com frequência sobre nossas audições, sempre no vai-e-vem do elevador, cada um para o seu respectivo andar.

Lembrei-me dessas coisas ouvindo este disco da postagem com dois dos grandes concertos românticos para violino: Mendelssohn e Tchaikovsky! Quais outros? Bem, tem o pai de todos, o Concerto de Beethoven, o já mencionado Concerto de Brahms, já são quatro. Eu acrescentaria ‘o’ Concerto de Bruch, de Sibelius (certamente) e, talvez, Glazunov? Na verdade, basta olhar as gravações de Heifetz…

Na gravação deste disco a solista Akiko Suwanai usa o violino Dolphin Stradivarius, um violino feito em 1714 pelo famoso Antonio Stradivari e que também pertenceu ao Jascha Heifetz.

Atualmente a moça toca outro instrumento, mas nesta gravação temos uma feliz coincidência, afinal deve ser o mesmo instrumento ouvido nas gravações de Heifetz. E para acrescentar muita qualidade ao disco, temos a ótima Orquestra Filarmônica Tcheca, regida por Vladimir Ashkenazy, com gravações feitas no excelente Dvořák Hall – Rudolfinum -, em Praga.

Felix Mendelssohn (1809 – 1847)

Concerto para Violino em mi menor, Op. 64

  1. Allegro molto appassionato
  2. Andante
  3. Allegretto non troppo – Allegro molto vivace

Piotr Tchaikovsky (1840 – 1893)

Concerto para Violino em ré maior, Op. 35

  1. Allegro moderato
  2. Canzonetta: Andante
  3. Allegro vivacíssimo

Akiko Suwanai, violino

Czech Philharmonic Orchestra

Vladimir Ashkenazy

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Momento ‘Sol Nascente’: メンデルスゾーンとチャイコフスキーのヴァイオリン協奏曲どちらも大好きですが、諏訪内晶子さんの演奏も素敵な魅力を感じました。

Eu amo os concertos para violino de Mendelssohn e Tchaikovsky, mas a performance de Akiko Suwanai também foi fascinante. (Tradutor do Google)

E também: Akiko Suwanai’s Tchaikovsky is one of the most musical renditions of the Tchaikovsky violin concerto. Just listen to around 1:00 of the first track, where she introduces the main theme. It is so beautiful and moving, not like any version I listened to.

Forte, ma non tanto…

Aproveitem!

René Denon

Prokofiev (1891 – 1953): Concertos para Piano Nos. 1 & 3 – Simon Trpčeski – RLPO – Vasily Petrenko ֍

Prokofiev (1891 – 1953): Concertos para Piano Nos. 1 & 3 – Simon Trpčeski – RLPO – Vasily Petrenko ֍

PRKFV

Concertos para Piano Nos. 1 & 3

Abertura sobre Temas Hebraicos

Simon Trpčeski, piano

Royal Liverpol Philharmonic Orchestra

Vasily Petrenko

Não me canso de ouvir estes concertos para piano… São os dois entre os cinco compostos por Prokofiev que ouço com mais frequência. O juvenil e impetuoso Concerto No. 1 é conciso e brilhante, como se esperava de um autoconfiante estudante que buscava se firmar como compositor e pianista. O outro concerto, o Terceiro, é mais espetacular ainda. Se bem que não é necessário fazer comparações…

Simon Trpčeski

Essas maravilhosas peças andaram em minha vitrola no disco que o FDP Bach repostou dia destes, na interpretação do ótimo Horácio Gutiérrez e como nada é por acaso, pouco depois me dei com este disco. O pianista macedônio Simon Trpčeski nos oferece uma excelente interpretação. Veja o que nos diz uma crítica que apareceu no The Guardian: ‘Nas mãos de ST, os dois concertos de Prokofiev no disco estão maravilhosamente apresentados – articulação impetuosa, ritmos atrevidos, uma habilidade de contornar as curvas com uma arrogância a um só tempo ágil e robusta’.

Vasily Petrenko

A Royal Liverpol Philharmonic Orchestra sob a regência de Vasily Petrenko está em ótima forma, inclusive na faixa entre os dois concertos, a bem-humorada Abertura sobre Temas Hebraicos.

Realmente, a tríplice aliança Trpčeski / RLPO / Petrenko tem colocado ótimos discos no mercado e, assim que obtivermos sinal verde da direção para postar Rachmaninov no blog, além de Prokofiev, voltaremos à carga…

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)

Concerto para Piano No. 1 em ré bemol maior, Op. 10

  1. Allegro brioso – Andante assai – Allegro scherzando

Abertura sobre Temas Hebraicos, Op. 34 bis

  1. Abertura

Concerto para Piano No. 3 em dó maior, Op. 26

  1. Andante – Allegro
  2. Tema e Variações: Andantino
  3. Allegro ma non troppo

Simon Trpčeski, piano

Royal Liverpol Philharmonic Orchestra

Vasily Petrenko

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Simon, Vasily e a RLP

Momento ‘The Book is on The Table’: The performances by Trpčeski and the Royal Liverpool Philharmonic Orchestra under Vasily Petrenko are very strong, capturing the exuberance of the Piano Concerto No. 1 and delivering a crowd-pleasing, sparkling Third with no hint of the mordant quality many attach to the work. The Overture on Hebrew Themes, Op. 34bis, is a fine, little-known entr-acte. A crowd-pleasing Prokofiev release.

Aproveite!

René Denon

Tchaikovsky (1840 – 1893): Concertos para Piano Nos. 1 & 2 – Simon Trpčeski – RLPO – Vasily Petrenko ֍

Tchaikovsky (1840 – 1893): Concertos para Piano Nos. 1 & 2 – Simon Trpčeski – RLPO – Vasily Petrenko ֍

Tchaikovsky

Concertos para Piano Nos. 1 & 2

Simon Trpčeski, piano

Royal Liverpol Philharmonic Orchestra

Vasily Petrenko

 

Naqueles dias éramos felizes (sem o saber) e uma das diversões era a ronda – a visita às lojas de discos. Havia as lojas elitistas, com seus conhecidos, conhecedores e em geral desdenhosos vendedores, assim como também havia os xexelentos sebos, em geral com seus peculiares donos.

Nós, os frequentadores, já nos conhecíamos e entre nós havia alguma intimidade nascida das constantes coincidências. É claro que acabávamos descobrindo as preferências e gostos uns dos outros. Um dos insultos que prazerosamente lançávamos uns aos outros era a resposta dada à pergunta feita por quem acabava de entrar na loja, em geral em tom mais afoito: Muitas novidades? Mandávamos de volta: Já pegamos tudo que havia de bom, sobrou aí uma porção de Tchaikovskys para você!

O fato era que as novidades chegavam em geral em pequenos números de discos. Quantas vezes suspirávamos vendo alguém levar ao caixa o último CD de algum disco com Gilels tocando Sonatas para Piano de Beethoven… O sortudo ia exibindo o disco como um troféu e cabia a nós outros torcer para que a nova remessa fosse logo liberada pela alfândega e fosse um pouquinho mais pródiga.

Simon Trpčeski

Mas, os Tchaikovskys, estes nunca faltavam e daí, em parte, a razão de nossa brincadeira. Em especial, estava sempre presente em todas as lojas ‘o’ Concerto para Piano, em muitos casos em diferentes gravações – antigas ou recentes… Demorou para que me desse conta que Piotr havia escrito mais do que um concerto para piano. Este, o Número Um, o mais popular e frequentemente tocado e gravado entre todos os concertos para piano, recebe aqui uma gravação que achei primorosa. É verdade, fazia uma era que não ouvia o velho Cavalo de Batalha, mas o ouvi com muito prazer. Claro, isso foi graças a excelente interpretação do pianista macedônio Simon Trpčeski, acompanhado pela Royal Liverpol Philharmonic Orchestra, regida por Vasily Petrenko. A escolha do disco, que passou pelos intérpretes, também teve sua dose de influência pelo lado B, o Segundo Concerto, do qual gostei bastante e que apesar de bem menos famoso do que seu irmão mais velho, oferece muitos ótimos momentos, especialmente nesta gravação.

Assim, só posso lhe dizer, aproveite muito bem estes Tchaikovskys que aí estão!

Piotr Tchaikovsky (1840 – 1893)

Concerto para Piano No. 1 em si bemol menor, Op. 23

  1. Allegro non troppo e molto maestoso – Allegro con spirito
  2. Andante semplice – Prestissimo
  3. Allegro con fuoco

Concerto para Piano No. 2 em sol maior, Op. 44

  1. Allegro brillante e molto vivace
  2. Andante non troppo
  3. Allegro com fuoco

Simon Trpčeski, piano

Royal Liverpol Philharmonic Orchestra

Vasily Petrenko

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O maestro é o que está com a batuta…

Veja como o disco foi bem acolhido pela crítica:

“[In No. 2] Trpčeski begins like a racehorse out of the starting gate…Still, overall he sounds less impetuous and more poised than Denis Matsuev in his recent recording…Petrenko is always of a mind with his soloist, and shapes some powerful long crescendos, but lets the orchestra veer dangerously close to bombast.” BBC Music Magazine, September 2014 ***

“Trpceski’s take on the B flat minor dazzles.” Sunday Times, 5th October 2014

Aproveite!

René Denon

Martinů (1890-1959) • Honegger (1892–1955) • Stravinsky (1882–1971): Peças para Orquestra – Kammerorchester Basel & Christopher Hogwood ֍

Martinů (1890-1959) • Honegger (1892–1955) • Stravinsky (1882–1971): Peças para Orquestra – Kammerorchester Basel & Christopher Hogwood ֍

Martinů • Honegger

Stravinsky

Peças para Orquestra

Kammerorchester Basel

Christopher Hogwood

Paul Sacher

Paul Sacher viveu por todo o século XX e de 1926 até 1987 dirigiu a orquestra que ele mesmo fundou, a Basler Kammerorchester. Isto já é impressionante, mas além disso, Sacher foi um homem de seu próprio tempo e queria ouvir e interpretar música que estava sendo composta naqueles dias. Para estrear nos concertos da orquestra, ele encomendou obras aos renomados (e em alguns casos, nem tão renomados assim) compositores atuantes e o catálogo das obras compostas nestas condições é enorme.

Este disco reúne três destas obras e replica o concerto da noite de 21 de janeiro de 1947, celebrando vinte anos da orquestra. Estas foram encomendadas especialmente para este dia.

Bohuslav Martinů compôs uma peça em três movimentos – Toccata e due canzoni, que tem um piano obbligato. Veja como a peça é descrita no allmusic.com: Com a duração de aproximadamente 25 minutos, esta obra com três movimentos para orquestra e com uma proeminente parte para piano é equivalente a uma sinfonia em importância e escopo, se não pelo nome ou forma. O tom consistentemente cada vez mais expressivo da obra contradiz a impressão que o título dá, de que este pode ser um exercício leve em formas neoclássicas.

A obra de Stravinsky, o Concerto em ré maior para Orquestra de Cordas – Basler – é bastante famoso e reflete o período clássico do compositor. Completando o programa uma sinfonia, a quarta de Arthur Honegger, com o sugestivo nome ‘Deliciae Basilienses’, com um lindo colorido orquestral e ritmos influenciados por jazz.

A surpresa do disco é a regência de Christopher Hogwood, mais comumente associado ao repertório barroco e clássico, assim como à prática dos instrumentos de época e tal. Para a nossa sorte, em 2001 quando o disco foi produzido, a onda HIP já havia se arrefecido e Christopher estava empregando seus méritos, préstimos e talento em outras freguesias. Ouvindo o disco numa tarde estranhamente quieta de um domingo de maio, acredito que o pessoal aplaudiu o Paul Sacher e sua orquestra de pé e voltou encantado para casa.

Bohuslav Martinů (1890-1959)

Toccata e due canzoni (1946)

  1. Toccata
  2. Canzone No. 1
  3. Canzone No. 2

Igor Stravinsky (1882–1971)

Concerto em ré maior para Orquestra de Cordas ‘Basler’

  1. Vivace
  2. Arioso
  3. Rondo

Arthur Honegger (1892–1955)

Sinfonia No. 4 ‘Deliciae Basilienses’

  1. Lento e misterioso
  2. Larghetto
  3. Allegro

Kammerorchester Basel

Christopher Hogwood

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Kammerorchester Basle

Depois que vocês gostaram do disco, o pessoal ficou bem mais animado…

 

 

 

 

 

 

“Christopher Hogwood leads near ideal performances of all three items, and they respond well to his crisp, period-instrument-influenced approach…wholly recommendable.” CLASSICS TODAY

The archives of the Sacher Stiftung in Basel contain many treasures of contemporary music commissioned by Sacher, and first performed by him. In addition the documentation of more than 50 years of concert giving, both with the Basler Kammerorchester and the Collegium Musicum Zürich demonstrates his masterly sense of the possibilities of combining old and new music to best effect.

Aproveite!

René Denon

Debussy (1862 – 1918) – Chopin (1810 – 1849) – Mussorgsky (1839 – 1881): Peças para Piano – Behzod Abduraimov ֍

Debussy (1862 – 1918) – Chopin (1810 – 1849) – Mussorgsky (1839 – 1881): Peças para Piano – Behzod Abduraimov ֍

Debussy • Chopin

Mussorgsky

Peças para Piano

Behzod Abduraimov

 

Este disco chamou-me a atenção pelo que me pareceu de imediato um inusitado programa. Claro, adoro estas obras, logo eu que gosto de piano, mas confesso não as imaginava reunidas em um mesmo recital. Debussy e Chopin têm uma conexão, é certo, mas, Mussorgsky?

Além disso, havia visto o jovem virtuose, nascido no Uzbequistão, com o para mim estranho nome Behzod Abduraimov, associado a discos com Concertos para Piano do tipo arrasa-quarteirão.

No entanto, uma leitura do livreto trouxe a frase ‘O todo geralmente é maior do que a soma de suas partes’. E mais, nas palavras do próprio pianista: ‘Cada movimento é uma miniatura em si mesmo, e juntos formam um caleidoscópio de todos os tipos de imagens e emoções humanas’.

Uma das críticas compara as interpretações de Behzod com aquelas de pianistas como Pascal Rogé, Jean-Yves Thibaudet e Jean-Efflam Bavouzet, dizendo que estes conseguem mais sofisticação, mas não a mesma inocência infantil que ele consegue na suíte de Debussy. Eu fiquei pensando em quão privilegiados somos de poder contar com tantas opções…

Claude Debussy (1862 – 1918)

[1-6] – Children’s Corner

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

[7-30] – Préludes, Op. 24

Modest Mussorgsky (1839 – 1881)

[31-44] – Quadros de uma Exposição

Behzod Abduraimov, piano

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A Exposição…

Uma crítica bastante favorável na famosa Gramophone explica que as peças têm feito parte dos recitais de Behzod quando em suas turnês e certamente sua interpretação dessas lindas pecinhas que tomadas assim, juntas, somam um universo, transformam a audição do disco o do recital uma agradabilíssima experiência.

Aproveite!

René Denon

Behzod mostrando um diminuendo para o pessoal do PQP Bach…

Se você gostou desta postagem, talvez queira visitar esta aqui…

Frederic Chopin (1810-1849): Préludes, Op. 28 – Eric Lu, piano

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin (1810–1849), Liszt (1811–1886) & Ravel (1875–1937): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Chopin • Listz • Ravel

Peças para Piano

Benjamin Grosvenor

 

Este disco é uma pérola para os amantes da boa música para piano! É o disco de estreia de Benjamin Grosvenor no selo DECCA em 2011, já faz meia eternidade, quando a data é vista sob a perspectiva de hoje. O então bem jovem pianista de 19 anos reuniu no disco os Scherzos de Chopin e Gaspard de la nuit, de Ravel, peças que constavam constantemente de seus recitais. Ele explica que as peças de Liszt servem como uma ponte entre esses dois compositores e não por acaso. O livreto tem um texto com título ‘From Chopin via Liszt to Ravel’.

O conjunto todo reúne uma coleção de peças produzidas por compositores-pianistas, Chopin e Liszt, além de Ravel, cuja composição excedia sua própria técnica de piano.

O disco inicia com o Scherzo No. 1 de Chopin com sua impetuosidade e passando pelo episódio mais sonhador – afinal, Chopin era um renomado romântico.

Em lugar de seguir apresentando os outros Scherzos, em ordem de publicação, assim como fazia nos recitais, para nos dar uma oportunidade de apreciar ainda mais as diferenças existentes entre um e outro, Grosvenor os intermedia com outras obras, três Noturnos.

O libreto nos ensina que Chopin foi o primeiro compositor a considerar um scherzo como uma peça independente, destacada de uma sonata ou sinfonia.

Depois disso, funcionando como o intermezzo, fazendo uma ponte para a grande peça final, três lindas peças de Liszt: duas transcrições para piano de canções de Chopin e um Noturno, de nome ‘En rêve’. Afinal, Chopin não foi o único nem o primeiro a compor noturnos.

Para arrematar, o Gaspard de la nuit, três poemas para piano segundo poemas de Aloysius Bertrand. Esta peça de Ravel destaca-se como uma das mais difíceis da literatura para piano e foi composta também com este propósito. Uma espécie de suíte, consta de três movimentos, de nomes Ondine, Le Gibet e Scarbo. Da literatura onde buscou a inspiração, Ravel traz um clima noturno, fantasmagórico, presente mesmo no nome. Ondine é uma ninfa que representa o perigo da atração da sereia, enquanto Le Gibet ressoa um sino que dobra ao longe enquanto se avista no horizonte o corpo de um enforcado sob a luz do por do Sol. Ravel se propôs o desafio de superar com Scarbo o já formidável virtuosismo do Islamey de Balakirev, que ocupava a posição de peça mais difícil da literatura para piano. Certas passagens, com um ritmo fascinante, em particular as repetidas notas em staccato, evocam claramente o piano de Liszt, em particular a Valsa-Mefisto, tendo Ravel pretendido, com esta partitura, “exorcizar o romantismo”, segundo a sua própria expressão.

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

  1. Scherzo No. 1 em si menor, Op. 20
  2. Noturno No. 5 em fá sustenido maior, Op. 15 No. 2
  3. Scherzo No. 4 em mi maior, Op. 54
  4. Noturno No. 19 em mi menor, Op. 72 No. 1
  5. Scherzo No. 3 em dó sustenido menor, Op. 39
  6. Noturno No. 20 em dó sustenido menor, Op. post.
  7. Scherzo No. 2 em si bemol menor, Op. 31

Franz Liszt (1811 – 1886)

Transcrição para Piano de Duas Canções de Chopin

  1. Moja pieszczotka (Minha Querida)
  2. Życzenie (O Desejo da Donzela)

Noturno

  1. ‘En rêve’, S207

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Gaspard de la Nuit

  1. Ondine
  2. Le gibet
  3. Scarbo

Benjamin Grosvenor, piano

Gravado no Lyndhurst Hall, Londres, em 26 de abril de 2011

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Benjamin experimentando o grand piano do Salão de Retratos do PQP Bach Hall de Itaperuna

Ravel’s Gaspard holds no terrors for him. He is at his fluid best in Ondine. Others have created a darker atmosphere in Le Gibet (Pogorelich) and provided more attack in Scarbo (Berezovsky). This is to judge Grosvenor by the highest standards, as his brilliant pianism demands.

Phillip Scott

One of the most individual things about this stunning debut by Benjamin Grosvenor is his pervasive sense of balance and his unerring blend of Classical restraint and Romantic ardour…He is a virtuoso who declines the mantle of virtuoso, every gestures being put exclusively and exhilaratingly at the service of the music. Grosvenor’s playing exudes joy and spontaneity, seeming to release rather than interpret the music.

BBC Music Magazine, outubro de 2011

Aproveite!

René Denon

PS: Se você gostou deste álbum, não deixe de visitar…

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

J. S. Bach (1685–1750): Trio Sonatas – Simon Preston, órgão ֍

J. S. Bach (1685–1750): Trio Sonatas – Simon Preston, órgão ֍

BACH

Trio Sonatas BWV 525 – 530

Simon Preston, órgão

 

Nos anos 90, quem apreciava a música para órgão de Bach aguardava ansiosamente os lançamentos de duas séries de gravações realmente espetaculares. Simon Preston pela Deutsche Grammophon, com capas em um estilo que reforçava o fato de as gravações serem digitais, e Christopher Herrick, pela Hyperion, com capas bem mais tradicionais – barrocas. Ambos competiam em altíssimo nível e as comparações eram tão inevitáveis quanto inconclusivas. Pena que os discos da Hyperion enferrujaram, eram muito mais vulneráveis ao clima daqui. Já os CDs do Preston ainda estão aqui e continuam a ser desfrutados. E como já faz um bom tempo que o órgão de Bach não é postado, vamos de Trio Sonatas, com o Simon!

WF Bach

Este é um disco espetacular e reúne as seis peças deste tipo que Bach compilou e arrumou para a prática de seu filho mais velho, Wilhelm Friedemann, que realmente tornou-se um dos melhores organistas de seu tempo. Cada sonata tem três movimentos, rápido – lento – rápido. Um bom número dos dezoito movimentos que formam o conjunto foi arranjado de peças já existentes enquanto os restantes foram compostos para a empreitada. Era comum a apresentação assim de coleções de seis peças.

O que torna especial este conjunto de sonatas é o fato de serem adaptações para um instrumento de teclado e pedais, como o órgão, das Sonatas em Trio, obras para conjuntos de instrumentos, dois melódicos, acompanhados de um cravo. Assim, cada uma das mãos apresenta o material de um dos instrumentos melódicos e os pés ficam encarregados do baixo contínuo, a parte atribuída ao cravo, nos conjuntos de câmara.

Particularmente instrutivo é comparar o adagio da Sonata em ré menor, BWV 527, com sua adaptação para flauta, violino e cravo, que se tornou o movimento lento do Concerto Tríplice, BWV 1044.

O fato de que esta música que surgiu de propósitos didáticos, digamos assim, tenha a capacidade de continuar encantando intérpretes e ouvintes até hoje é uma prova da profunda genialidade de Bach.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Trio Sonata No. 1 em mi bemol maior, BWV 525

  1. [Sem indicação de tempo]
  2. Adagio
  3. Allegro

Trio Sonata No. 2 em dó menor, BWV 526

  1. Vivace
  2. Largo
  3. Allegro

Trio Sonata No. 3 em ré menor, BWV 527

  1. Andante
  2. Adagio e dolce
  3. Vivace

Trio Sonata No. 4 em mi menor, BWV 528

  1. Adagio – Vivace
  2. Andante
  3. Un poc’allegro

Trio Sonata No. 5 em dó maior, BWV 529

  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro

Trio Sonata No. 6 em sol maior, BWV 530

  1. Vivace
  2. Lento
  3. Allegro

Simon Preston, órgão

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Simon Preston

Simon Preston, at the Klais organ of St Katharina’s, Blankenburg, displays some outstanding musicianship here. He commands such a technique that it enables the various influences on Bach’s style to guide and colour the music. Thus the aria-like slow movements of the Second and Fourth Sonatas unravel a lovely sense of line and freedom, and the sparkling concertante outer movements are delivered with flair.

Aproveite!

René Denon

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Mozart (1756 – 1791): Così fan tutte • (Homenagem ao Ammiratore) • solistas • Philharmonia Orchestra & Karl Böhm ֍

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MOZART

Così fan tutte

Schwarzkopf • C. Ludwig

Kraus • G. Taddei

Berry • H. Steffek

Philharmonia Orchestra

Karl Böhm

Para homenagear nosso gentil e saudoso amigo, compare Ammiratore, como eu gostava de chamá-lo, decidi postar uma linda ópera. Não vou tentar fazer uma postagem no estilo dele, resultado de meticulosa pesquisa, com detalhes históricos e ilustrações bem específicas, além da apresentação de diferentes gravações… Eu não tenho estas habilidades que eram típicas dele. Costumava dizer-lhe que minhas (poucas) postagens de óperas buscam mais contagiar os visitantes do blog pelo meu amor por elas, por uma pequena anedota eventualmente introduzida e que o atraísse para a obra, contando que ela (a música) fizesse então a mágica. Ainda aposto nesta abordagem e tenho certeza de que nosso querido amigo aprovaria a postagem.

Così fan tutte é a terceira ópera surgida da colaboração de Mozart e Lorenzo da Ponte. As duas anteriores, Le Nozze di Figaro e Don Giovanni, não poderiam ser mais diferentes desta última. Enquanto Figaro e Don Giovanni estão repletas de personagens marcantes e árias fenomenais, Così se destaca por números apresentados por conjuntos de cantores: duos, trios, sextetos. As personagens aparecem aos pares: duas mocinhas, dois galãs e um casal formado pelo cínico filósofo e sua colaboradora, a camareira das moças. Outro aspecto que distingue esta obra das anteriores é ser politicamente incorreta e mais deliciosa ainda por isso. Afinal, o título, Così fan tutte, fala por si, mesmo sem tradução.

Veja como a trama é descrita em um dos sites que andei visitando: ‘Uma comédia com elementos nitidamente sérios, a peça traz um conto satírico de traição, onde a confiança é testada até o limite. Afinal, é possível que dois casais aparentemente fiéis tenham suas vidas afetivas arruinadas por um jogo de traições aparentemente inofensivo?’

Elisabeth e Christa ensaiando para uma apresentação no PQP Bach Opera Theater de Resende…

Assim é a ópera, repleta de troca de papéis, de disfarces e confusões. O libreto foi escrito por da Ponte sem um especial modelo literário e aparentemente tudo surgiu de uma história que lhe foi contada pelo próprio imperador austríaco. É claro que o tema não era de todo ausente da literatura, mas certamente chocou muitas pessoas na época de sua composição. A ópera também não ficou muito tempo em cartaz devido a morte do imperador. Assim, Così fan tutte firmou-se mesmo como uma das grandes óperas de Mozart, passando a integrar o repertório dos principais teatros do mundo a partir do século XX.

Quando Mozart iniciou a sua composição em novembro de 1789, estava financeiramente quebrado e a obra foi composta em tempo recorde – com a primeira apresentação em fins de janeiro de 1790. As reservas das pessoas sobre o tema e a morte do imperador, fechando os teatros para o luto oficial, contribuíram para que a ópera não salvasse as finanças de Mozart, o que foi realmente uma pena. A experiência de Mozart na composição de música de câmera certamente influenciou nas suas composições para grupos de cantores.

As moças e os galãs…

A história inicia com uma aposta feita pelo experiente Don Alfonso com os jovens Guglielmo e Ferrando, confiantes na fidelidade de suas amadas Fiordiligi e Dorabella. É claro que segue uma enfiada de confusões, disfarces e idas e vindas que incluem envenenamento e seções de mesmerização, até que as duas lindas se rendem aos encantos dos mocinhos disfarçados de bigodudos albaneses. Afinal, così fan tutte…

Bom, é curioso que naqueles dias Mozart havia escrito uma carta para a sua Constanze, que passava uns dias em uma estância de águas em Baden recuperando a saúde, admoestando-a a ser mais… discreta. Mas Mozart era realmente um ser humano diferenciado. Veja um outro trecho de carta, da mesma época: An astonishing number of kisses are flying about! I see a whole crowd of them. Ha! Ha! I have just caught three — They are delicious… I kiss you millions of times.

A gravação da postagem é clássica. Alguns diriam até jurássica. Bem, eu digo impecável, inigualável. As cantoras Elisabeth Schwarzkopf e Christa Ludwig (a quem aqui mais uma vez prestamos homenagem) estão perfeitas. O tenor Alfredo Kraus como Ferrando e Giuseppe Taddei como Guglielmo completam o quarteto central. Walter Berry, que fora casado com a Christa Ludwig, é Don Alfonso e Hanny Steffek uma ótima Despina. A Philharmonia Orchestra está sob o comando de Karl Böhm, cuja expertise em Mozart era indisputável naqueles dias, e a produção de Walter Legge completa o conjunto magnificamente.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Così fan tutte

Ópera buffa em dois atos

Fiordiligi – Elisabeth Schwarzkopf, soprano

Dorabella – Christa Ludwig, mezzosoprano

Ferrando – Alfredo Kraus, tenor

Guglielmo – Giuseppe Taddei, barítono

Don Alfonso – Walter Berry, baixo

Despina – Hanny Steffek, soprano

Philharmonia Orchestra & Chorus

Karl Böhm

Produção – Walter Legge

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Karl era bom em Mozart, Strauss e Wagner. Já em certos outros assuntos…

Böhm já havia gravado a ópera para a DECCA em 1955 e voltaria a gravá-la em 1977 para o selo amarelo. Mas esta gravação, feita sob a supervisão de Walter Legge e com um time dos sonhos de cantores é, sem dúvida, a melhor escolha. O Penguin Guide diz: Its glorius singing is headed by the incomparable Fiordiligi of Schwazkopf and the equally moving Dorabella of Christa Ludwig; it remains a superb memento of Walter Legge’s recording genius and remains unserpassed…

Aproveite!

RD

Linda imagem da produção de Così fan tutte feita por J. E. Gardiner

Para uma visão geral da ópera, visite este site aqui.

Outra gravação para contrastar:

W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte

 

Mozart (1756-1791): Sinfonias Nros. 23, 25, 28, 29, 31, 35, 36, Sinfonia Concertante e Posthorn (Berliner Philharmoniker / Abbado) ֍

Mozart (1756-1791): Sinfonias Nros. 23, 25, 28, 29, 31, 35, 36, Sinfonia Concertante e Posthorn (Berliner Philharmoniker / Abbado) ֍

Mozart

(Algumas) Sinfonias

Berliner Philharmoniker

Claudio Abbado

 

Como eu gosto muito de música que envolva piano – sonatas, concertos – acabo negligenciando um pouco os outros gêneros. Para manter uma dieta musical equilibrada é necessário, portanto, um certo planejamento. Foi assim que escolhi uma cesta de discos com sinfonias e me dei conta que estava há um bom tempo sem ouvir sinfonias de Mozart.

As Sinfonias eram ouvidas em casa assim, antes das vitrolas…

Wolfferl escreveu sinfonias desde que usava calças curtas e podemos dizer que ao longo de sua vida o gênero floresceu e ganhou proporções maiores. Certamente as sinfonias compostas por Haydn eram muito estimulantes, mas as últimas sinfonias produzidas por Mozart (que foram compostas quase três anos antes de sua morte) estabelecem elas próprias novos espetaculares padrões.

Confesso razoável desinteresse pelas pequenas obras de juventude e os discos que reuni com o mais destas obras ficaram pouco tempo sob a agulha da minha vitrola. Mesmo os conjuntos historicamente informados, com suas muitas repetições não ajudaram muito.

As capas do yellow label eram ‘muito’ melhores…

Assim, foi com bastante prazer que encontrei um pacote com várias sinfonias (já de maturidade) mas que ainda antecedem as grandes quatro últimas poderosas sinfonias. A orquestra, pasmem, Berliner Philharmoniker! Mas, acalmem seus desnecessários temores, em vez de Darth Vader, segurando a batuta está o gentil Claudio Abbado. Estas sinfonias são parte de uma série de gravações feitas pela Berliner Philharmoniker sob a regência de Abbado para a Sony, numa das primeiras gravações da orquestra fora do yellow label em muitos anos.

Como vocês possivelmente sabem, Claudio Abbado foi escolhido para suceder a Herbert von Karajan como o regente principal da orquestra e permaneceu neste cargo de 1990 até 2002. Com as simples e revolucionárias palavras ‘I’m Claudio for everyone. No titles!’ ele se apresentou e inaugurou uma nova etapa na vida artística de uma das maiores orquestras de todos os tempos.

A cara de felicidade de Claudio ao saber que seria o regente da BP

Como os berlinenses estavam em busca de uma imagem diferente daquela associada a HvK, as interpretações destas obras sob a batuta do novo Herr Direktor, que não queria ser assim chamado, soam bastante inovadoras – um som mais translúcido, mais leve. Houve até um certo ranger de dentes entre os críticos e fãs mais arraigados às velhas práticas da orquestra de som laqueado e opulento. Eu gostei bastante da nova abordagem. Como achei o material um pouco extenso, acabei fazendo uma seleção com as ‘mais-mais’. Espero que você goste.

No pacote temos duas sinfonias intermediárias – a ‘Pequena’ Sinfonia em sol menor, assim chamada para diferenciá-la da Sinfonia No. 40, também em sol menor, e a adorável Sinfonia No. 29 em lá maior. Depois temos uma Sinfonia Parisiense, em três movimentos, feita para agradar os ouvidos franceses. Em seguida duas maravilhosas sinfonias compostas para ocasiões específicas – a Sinfonia ‘Haffner’ e a Sinfonia ‘Linz’. Estas sinfonias são o prelúdio das quatro últimas majestosas que ainda estavam a caminho. Como gosto muito desta obra, inclui também a Sinfonia Concertante para Viola e Violino e uma ‘Sinfonia’ formada por três movimentos extraídos da Serenata Posthorn, uma espécie de encore para terminar o alentado programa.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sinfonia No. 25 em sol menor, K183

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Menuetto – Trio
  4. Allegro

Sinfonia No. 29 em lá maior, K. 201

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Menuetto
  4. Allegro con spirito

Sinfonia No. 31 em ré maior, K297 ‘Paris’

  1. Allegro assai
  2. Andantino
  3. Allegro

Sinfonia No. 35 em ré maior, K. 385 “Haffner”

  1. Allegro con spirito
  2. Andante
  3. Menuetto
  4. Finale. Presto

Sinfonia No. 36 em dó maior, K. 425 “Linz”

  1. Adagio – Allegro spiritoso
  2. Andante
  3. Menuetto – Trio
  4. Presto

Sinfonia concertante em mi bemol maior, K. 364

  1. Allegro maestoso
  2. Andante
  3. Presto

Sinfonia da Serenade No. 9 em ré maior, K320 ‘Posthorn’

  1. Adagio maestoso – Allegro con spirito
  2. Andantino
  3. Finale. Presto

Wolfram Christ, viola (K 364)

Rainer Kussmaul, violino (K 364)

Berliner Philharmoniker

Claudio Ababdo

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One bad review from Amazon-critics: Revisiting this disc was an act of penance. Was it efficacious? Not in the least. In fact, it just stoked my anger – a mortal sin in itself – that the most over-rated conductor on the planet would so mutilate the Berlin Phil to gain street-cred with the likes of Jeggy and Norrington. Nor am I that much of a sinner, sad to say, that I need to undergo this trial again in preparation for the Pascal Mystery to come.

A much warmer one: When first issued in 1993-94, these Mozart performances from Abbado and the Berlin Phil. were ill-fated. No one could quite accept that long-time DG artists had switched to Sony, and sales were poor. Now the performances have resurfaced in impeccable “enhanced” DSD sound, and they couldn’t be better. A direct comparison to Levine’s Sym. 31 with the Vienna Phil. (DG) is telling: it’s the Berliners who sound free, joyous, and alive inside–all Viennese virtues–while the Viennese themselves sound rushed and indifferent.

Here a professional one, on the Symphonies Nos. 29 & 35: Though Abbado’s Berlin sound is weighty, the results are not just big-scale but elegante too, with horns whooping out brightly. Abbado is never mannered and his phrasing and pointing of rhythm are delicately affectionate, conveying na element of fun and with speeds never allowed to drag. Slow movements are kept flowing, and finales are hectically fast, but played with such a verve and diamond-bright articulation that there is no feeling of breathlessness. [Trecho do Penguin’s Guide to CDs]

Brilho diamantino! Aproveite!

René Denon

– O que o pessoal do PQP Bach achou deste adagio?