Hiroshima, ano 77 [Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano no. 1, Op. 15 – Argerich / Dai Fujikura (1977): Concerto para piano no. 4, “Akiko’s Piano” – Hagiwara]

Hiroshima, ano 77 [Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano no. 1, Op. 15 – Argerich / Dai Fujikura (1977): Concerto para piano no. 4, “Akiko’s Piano” – Hagiwara]

O pequeno piano de armário acima, da marca Ellington, foi feito pela Baldwin Piano Company em Cincinatti, nos Estados Unidos. Sua proprietária, uma japonesa de nome Shizuko, emigrou para os Estados Unidos sozinha depois de se formar em uma escola para moças. Isso não era comum no Japão da época, pois a sociedade fortemente patriarcal oferecia poucas oportunidades para que as mulheres pudessem viajar desacompanhadas, quanto mais para um outro país. Shizuko estabeleceu-se na Califórnia e casou-se com Genkichi Kawamoto, um imigrante japonês, em 1922.

Genkichi trabalhava em uma companhia de seguros e tinha o hábito de levar sua esposa, que ele amava muito, em suas viagens pela empresa. O piano foi um presente de Genkichi para ela, e Shizuko logo nele buscou conforto para os longos períodos de solidão e para os desafios de viver numa terra estranha. Em 25 de maio de 1926, algo da solidão dos Kawamoto arrefeceu: nasceu sua primeira filha, no Hospital Japonês de Los Angeles. “Esperamos tanto por ela!”, escreveu Genkichi em seu diário, “Espero que ela seja inteligente. Chamei-a de Akiko”.

O casal Kawamoto haveria de criar a primogênita com muito cuidado, quanto mais num ambiente crescentemente hostil aos japoneses e seus descendentes. Genkichi registrava seu peso e altura a cada poucos dias e anotou todos os sinais de seu crescimento. Em 1929, nasceria seu segundo filho, Nobuhiro. Em 1932, a família retornou ao Japão, que experimentava forte crescimento econômico e, também, vivia sob uma violenta retórica militarista que levara o país, no ano anterior, a invadir a Manchúria e, subsequentemente, a uma expansão imperialista que ocuparia – com muita truculência e a expensas de imenso sofrimento às populações locais – grande parte do Extremo Oriente e do Sudeste Asiático.

Os Kawamoto estabeleceram-se em Hiroshima, onde Akiko começou a frequentar a escola primária. Embora ela tivesse passado seus primeiros anos em um país anglófono, Genkichi e Shizuko fizeram o possível para que sua filha pudesse aprender japonês. Para praticar o idioma, a menina iniciou um diário, que manteria por onze anos e no qual anotaria, entre outras coisas, sua dedicação ao piano Ellington que os pais trouxeram dos Estados Unidos.

Em 1933, a família de Akiko mudou-se para uma casa localizada no Monte Mitaki, a noroeste de Hiroshima. Naquela época, poucas famílias tinham um piano em casa e, porque moravam num lugar remoto, eles pediram ao professor de piano que viesse à casa deles para aulas particulares. Durante a guerra, já nos anos 40, as condições de vida da família pioraram. Os Kawamoto alugaram um cômodo de sua casa para um conhecido, e a falta de espaço e de privacidade tirou-lhes muito da alegria com que celebravam festivais e aniversários. Em 1943, Akiko ingressou no curso de Economia Doméstica da Universidade de Hiroshima, o que a deixou radiante, embora viesse a se aborrecer com o pouco tempo para dedicar-se ao piano: além das exigências acadêmicas, havia aquelas, compulsórias e crescentes, para com os esforços de guerra, que incluíam trabalhar no Hospital do Exército, participar de exercícios antiaéreos e ajudar a cuidar de plantações.


9 de abril de 1944: Papai quer que eu continue meus estudos, mas mamãe, não. Isso me deixa confusa. É trabalho da mulher passar o dia todo preparando comida? Se sim, qual é o propósito da minha vida? Eu não teria tempo para estudar, e isso me deixaria infeliz”


Em 1944, ela começou a se preocupar com a saúde dos pais. Ela passou a tentar comer menos para que seus irmãos pudessem comer mais:


3 de maio de 1944: Minhas medidas do terceiro período: altura 159,1 cm; peso 51,5 kg; busto 73 cm. Estou 0,5 cm mais alta que no ano passado, mas perdi 1,5 kg e meu busto está 3,5 cm menor. Sinto-me mal, mas sou a única a tentar reduzir o arroz”


O trabalho nas plantações consumia todo tempo livre de Akiko, que largou o piano e, também, seu diário, no qual anotou, no final de 1944:


Tenho 19 anos. Sou estudante do segundo ano do Departamento de Economia Doméstica. Um terço ou um quarto da minha vida já passou”


Em 6 de agosto de 1945, o dia tórrido de verão começou como qualquer outra segunda-feira, e a população de Hiroshima, que se deslocava para o trabalho os estudos, pouco se impressionou com as sirenes que anunciaram a chegada de três bombardeiros B-29 sobre aqueles céus sem nuvens. Às 8h15, um clarão como nunca antes fora visto fez-se seguir duma violentíssima explosão, que pulverizou imediatamente vinte mil pessoas, mataria outras quarenta mil nos dias seguintes, e fecharia sua conta macabra em cento e vinte mil mortos nas décadas subsequentes. Akiko estava a poucos quilômetros do hipocentro, trabalhando como estudante mobilizada nos esforços de guerra. Sobreviveu à explosão por estar num prédio que não colapsou, e poucas horas depois começou a voltar a pé para casa. A devastação sem precedentes, que não preservara nem a alicerçagem das construções, deve tê-la impressionado. Como as pontes foram destruídas, ela foi forçada a atravessar o rio a nado. Quando chegou ao sopé do Monte Mitaki e avistou sua casa, sua energia se acabou, e ela não conseguia mais andar.

Shizuko não sabia da situação de Akiko e estava cuidando da casa, que desabou na explosão da bomba atômica. O piano sofrera danos no lado esquerdo e fora cravejado de fragmentos de vidro, mas estava inteiro. Foi quando um vizinho lhe avisou: “Sua filha está ali e não pode se mexer!”. Shizuko então correu para Akiko e a trouxe para casa. A menina parecia ter escapado por pouco da morte, mas logo perdeu a consciência: ela tinha sido exposta a níveis letais da radiação que chovia invisivelmente sobre Hiroshima, enquanto o “cogumelo atômico” gerado pela explosão se dissipava.


Mamãe, eu quero um tomate vermelho…


… implorou Akiko, em suas últimas palavras antes de morrer na manhã seguinte, depois de viver apenas “um terço de sua vida”.

ooOoo

Havia, na época, muitos tomates vermelhos no jardim dos Kawamoto, e, a cada verão depois do de 1945, até o final de seus 103 anos de vida, Shizuko cultivou tomates vermelhos, próximos ao imenso caquizeiro sob o qual sepultou as cinzas de Akiko.

O piano, que perdera aquela que mais o amou, passou grande parte dos sessenta anos seguintes em silêncio.  De vez em quando algumas crianças da vizinhança visitavam Shizuko e o tocavam, mas aos poucos algumas das teclas foram perdendo seu movimento e, por fim, seu som.

Uma menina e um piano, ambos nascidos nos Estados Unidos. Uma perdeu a vida; o outro perdeu o som.

O silêncio do piano Ellington durou até 2005, quando Tomie Futakuchi decidiu restaurá-lo. Ela foi vizinha dos Kawamoto e, quando criança, costumava visitá-los e receber o carinho de Shizuko, que lhe contava histórias sobre Akiko e seu amado amigo musical. Quando a casa da família foi demolida, em 2004, muitas lembranças da jovem, guardadas como tesouros por Shizuko, foram doadas ao Memorial da Paz de Hiroshima. O piano foi legado a Tomie, que, na esperança de que as crianças de Hiroshima pudessem transmitir uma mensagem de paz através do precioso instrumento, chamou o restaurador Hiroshi Sakaibara.

Tomie, Hiroshi e o Ellington, em 2005

O piano foi restaurado com todas as peças originais, e mantido nas condições em que estava imediatamente após o ataque a Hiroshima – incluindo os danos em seu lado esquerdo e os incontáveis pedaços de vidro que nele se incrustaram. Em 6 de agosto de 2005, no sexagésimo aniversário da desgraça, ele foi tocado em público pela primeira vez, e desde então encontra-se em exibição num salão do Parque Memorial da Paz.

A pianista Mami Hagiwara e a Sra. Futakuchi com o piano de Akiko, em seu local de exibição permanente, no Parque Memorial da Paz.

Martha Argerich, nossa Rainha, adora o Japão e não deve ter hesitado sequer um instante para aceitar o convite que a Orquestra Sinfônica de Hiroshima lhe fez para tocar na icônica cidade em 5 de agosto de 2015 – véspera do 70º aniversário do criminoso ataque à sua população. A apresentação da deusa do piano, que incluiu seu tradicional cavalo de batalha – aquele primeiro concerto de Ludwig que ela toca desde sempre -, foi o esperado sucesso, e ela permaneceu na cidade para a sentidas cerimônias do dia seguinte, que culminaram com a tradicional procissão das velas flutuantes que os cidadãos de Hiroshima e os visitantes largam ao sabor da corrente do rio Motoyasu, em memória das vítimas.

A procissão das velas flutuantes passa em frente ao Domo da Bomba Atômica – que abrigava a Exposição Comercial da Prefeitura de Hiroshima e foi o prédio mais próximo do hipocentro a permanecer de pé (foto do autor)

Durante as cerimônias, Martha foi apresentada a Tomie Futakuchi, que lhe contou a história de Akiko e de seu piano, e nossa Rainha, num arroubo de sua impetuosidade tão típica, decidiu fazer uma visita surpresa ao Memorial da Paz no dia seguinte, 7 de agosto, para conhecer e tocar o instrumento.

Martha não sabia disso, mas estava a tocar o piano de Akiko na hora e no dia exatos em que a menina falecera, setenta anos antes.


O encontro entre a estrela mundial do piano e o inestimável instrumento calou fundo no compositor Dai Fujikura, que se pôs imediatamente a compor um concerto, que foi oferecido a Martha e à memória de Akiko. A Rainha ficou muito lisonjeada com a dedicatória e, uma vez mais, aceitou sem titubear um novo convite para tocar em Hiroshima, dessa feita para estrear o concerto de Fujikura com a sinfônica local em agosto de 2020, por ocasião do septuagésimo quinto aniversário da morte de Akiko.

Nas palavras do compositor,


Este concerto muito especial para piano e orquestra, chamado “O Piano de Akiko”, foi escrito e dedicado à Embaixadora da Paz e da Música da Orquestra Sinfônica de Hiroshima, Martha Argerich.
(…)
Embora naturalmente este concerto tenha a ‘música para a paz’ como mensagem principal, eu, como compositor, gosto de concentrar nos pontos de vista pessoais. Sinto que essa visão microscópica, para a partir daí contar sobre assuntos universais, deve ser o caminho a percorrer em minhas composições: a visão de Akiko, uma garota comum de 19 anos que não tinha nenhum poder sobre a política (…) Deve haver histórias semelhantes à dessa garota de 19 anos em todas as guerras da história e em todos os países do mundo. Toda guerra deve ter uma Akiko.
(…)
Neste concerto, faço uso de dois pianos: um é o piano de cauda principal, e outro, o Piano de Akiko, o piano que sobreviveu à bomba atômica, tocado na cadenza do final, ambos pelo solista.

Para expressar um tema tão universal quanto a  ‘música para a paz’, a peça deve retratar o ponto de vista mais pessoal. Acho que esse é o caminho mais poderoso, e só através da Música se pode segui-lo.”


Em agosto de 2020, a pandemia impediu Martha de viajar o Japão. De sua casa na Suíça, ela gravou o vídeo seguinte, em inglês, no qual expressa seus sentimentos acerca da obra que lhe foi dedicada, do honroso convite que lhe foi feito, e de sua desolação por não poder honrá-lo:

O concerto de Fujikura foi, então, estreado na data prevista pela pianista Mami Hagiwara, juntamente com obras de J. S. Bach, Beethoven, Mahler e Penderecki – e a integral de sua première, incluindo a cadenza tocada no piano de Akiko, vocês podem conferir a seguir:

Todos os principais envolvidos na celebração da memória de Akiko Kawamoto – Martha Argerich, Dai Fujikura, Mami Hagiwara e os músicos da Orquestra Sinfônica de Hiroshima – autorizaram generosamente a publicação das gravações dos concertos supracitados em dois álbuns, cuja venda em linha, por período limitado, viu sua renda integralmente revertida para a preservação dos memoriais de Hiroshima e do piano de Akiko. E são essas as gravações, que adquiri na ocasião, que ora compartilho com nossos leitores-ouvintes, no septuagésimo sétimo aniversário do criminoso ataque a Hiroshima, em memória de suas dezenas de milhares de vítimas inocentes.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 1 em Dó maior, Op. 15
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondó: Allegro scherzando

Martha Argerich, piano
Hiroshima Symphony Orchestra
Kazuyoshi Akiyama, regência


BIS:
Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)

Das Fantasiestücke para piano, Op. 12
4 – No. 7: Traumes Wirren

Martha Argerich, piano

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Gravado ao vivo na Hiroshima Bunka Gakuen Hall, Hiroshima, Japão, em 5 de agosto de 2015


Dai FUJIKURA (1977)
1 – Concerto para piano e orquestra no. 4, “Akiko’s Piano” (estreia mundial)

Mami Hagiwara, pianos: Steinway & Sons, Hamburgo; e Baldwin, Cincinatti (cadenza, a partir de 16:45)

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Do Quarteto de cordas no. 13 em Si bemol maior, Op. 130
2 – Cavatina: Adagio molto espressivo (arranjo para orquestra de cordas)

Gustav MAHLER (1860-1911)
Kindertotenlieder, para voz e orquestra (1904)
3 –
Nun will die Sonn’ so hell aufgeh’n
4 –
Nun seh’ ich wohl, warum so dunkle Flammen
5 –
Wenn dein Mutterlein
6 –
Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen!
7 –
In diesem Wetter!

Mihoko Fujimura, mezzo-soprano

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Orquestração de Hideo Saito (1902-1974)
Da Partita no. 2 em Ré menor para violino solo, BWV 1004
8 – Ciaccona

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FAIXA-BÔNUS (não consta no CD original, e foi extraída da transmissão radiofônica do concerto):

Krzysztof Eugeniusz PENDERECKI (1933-2020)
Do Réquiem Polonês (Polskie Requiem):
1 – Ciaccona

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Hiroshima Symphony Orchestra
Tatsuya Shimono, regência

Gravado ao vivo na Hiroshima Bunka Gakuen Hall, Hiroshima, Japão, em 5 e 6 de agosto de 2020


 

Vassily

Beethoven · Ravel · Bartók · Say: Violin Sonatas (Kopatchinskaja / Say)

Beethoven · Ravel · Bartók · Say: Violin Sonatas (Kopatchinskaja / Say)

Isto aqui está longe de ser apenas mais uma gravação da Sonata Kreutzer. Patricia Kopatchinskaja e Fazil Say compartilham uma abordagem radical, realizando cada nota da maneira mais vívida possível, deixando a suavidade em segundo plano. É inegavelmente emocionante, especialmente o primeiro movimento da Kreutzer, que, afinal, é bastante selvagem, mas mesmo aqui fiquei perturbado com a brevidade exagerada de muitas notas em staccato. Já o Bartók é uma mistura mais questionável, mas não podemos esquecer que a moça nasceu na Moldávia. E que Say é turco… No Ravel, ela(es) dá(ão) um banho. O espírito do movimento Blues é capturado totalmente, com alguns sons incomuns do piano e um toque violinístico espetacular. Não surpreende que a Sonata de Say também seja lindamente tocada. Escritos de forma imaginativa para os dois instrumentos e adotando um estilo direto e descomplicado, os cinco movimentos curtos traçam uma progressão da melancolia romântica para uma paisagem vazia e sombria. Ousado e altamente individual – este é um CD que vale a pena conhecer.

Beethoven · Ravel · Bartók · Say: Violin Sonatas (Kopatchinskaja / Say)

Violin Sonata No. 9 in A Major, Op. 47, “à Kreutzer”
Composed By – Ludwig van Beethoven
1 Adagio Sostenuto – Presto 10:15
2 Andante con Variazioni 13:17
3 Finale: Presto 6:29

Violin Sonata in G Major
Composed By – Maurice Ravel
4 Allegretto 8:19
5 Blues 6:17
6 Allegro – Perpetuum Mobile 3:41

Romanian Folk Dances Sz. 56
Composed By – Béla Bartók
Transcription By – Zoltàn Szèkely*
7 Allegro Moderato (Staff Dance from Voiniceni) 1:16
8 Allegro (Sash Dance from Egres) 0:31
9 Andante (Stamping Dance from Egres) 1:21
10 Molto Moderato (Dance from Bucium) 1:15
11 Allegro (Romanian Polka from Belenyes) 0:29
12 Allegro (Quick Dance from Belenyes & Nyegra) 0:54

Violin Sonata Opus 7
Composed By – Fazıl Say
13 I. Melancholy 3:21
14 II. Grotesque 2:07
15 III. Perpetuum Mobile 1:44
16 IV. Anonymous 3:09
17 V. Melancholy 3:07

Patricia Kopatchinskaja, violino
Fazil Say, piano

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Patricia Kopatchinskaja & Fazil Say: radicais

PQP

Haydn (1732-1809) • Beethoven (1770-1828) • Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano – Rafal Blechacz ֎

Haydn (1732-1809) • Beethoven (1770-1828) • Mozart (1756-1791): Sonatas para Piano – Rafal Blechacz ֎

Haydn • Beethoven

Mozart

Sonatas para Piano

Rafal Blechacz, piano

 

O disco desta postagem já apareceu PQP Bach em 27 de fevereiro de 2013. Foram duas as postagens feitas naquele dia, segundo palavras do Presidente-Diretor, o próprio PQP Bach, autor da postagem de então. Ele gostou do disco, confiram lá!

Rafal Blechacz, pianista do dia…

De qualquer forma, os links não estão mais ativos, há muito sumidos com o vanished rapidshare. Como gostei bastante, tratei de dedicar-lhe nova postagem, que aqui vai.

Ele reúne três sonatas para piano de três compositores clássicos, que viveram partes de suas vidas em Viena e, de certa forma, se conheceram bem uns aos outros, apesar de Beethoven e Mozart terem se encontrado pessoalmente muito brevemente.

As sonatas são representantes do gênero clássico e trazem características deste período, mas as similaridades acabam por aqui. Elas foram compostas em momentos totalmente diferentes nas carreiras de cada um deles e cada uma delas revela em parte as personalidades de seus criadores, que não poderiam ser mais diferentes.

A Sonata em mi bemol maior, Hob. XVI: 52 (Hoboken), também conhecida pela numeração L. 62 (Landon), é a última sonata para piano composta por Haydn, em 1794, no seu último período criativo. Ele estava no auge da fama, já aposentado dos serviços à família Esterházy, viajando para Londres a convite do empresário J.P. Salomon. A sonata foi dedicada à pianista inglesa Therese Jansen, de quem foi padrinho de casamento e a quem dedicou os Trios com Piano Hob. XV: 27-29.

Esta é possivelmente a sonata mais conhecida de Haydn e merece a fama. As características de bom humor e ótimo gosto estão presentes e eu fiquei muito impressionado com a transição do segundo (Adagio) para o terceiro movimento (Presto) nesta interpretação do Rafal Blechacz, em geral mais identificado com o repertório romântico, como a música de Chopin.

A Sonata em lá maior, op. 2, 2 faz parte do primeiro grupo de sonatas para piano que Beethoven publicou e foi dedicada a Haydn, de quem Beethoven foi ‘aluno’. Apesar do baixo número de opus, ela foi composta em 1796, quando Beethoven tinha 26 anos e algumas sonatas para piano em seu portfólio. É bom lembrar também que Beethoven oscilou, no início de sua carreira, entre intérprete e compositor. Naqueles dias sua fama recaia principalmente em seus talentos como improvisador. A sua sonata já se distingue das demais no disco por ter quatro movimentos, sonata grande, com um brincalhão scherzo seguindo o Largo appassionato, Beethoven sempre quebrando o clima, e é arrematada por um gracioso rondó.

A última sonata do disco é a mais antiga delas, Sonata em ré maior, K. 311, composta por Mozart em 1777 em sua estada em Augsburg e Mannheim, no caminho de Paris. Ela foi publicada lá, em conjunto com as Sonatas K. 309 e 310 e são de um período intermediário do compositor. O primeiro movimento é o que eu considero um exemplo de música líquida, devido à sua fluidez, especialmente na interpretação de Rafal Blechacz. Com sua elusiva simplicidade, é uma típica obra de Mozart – que nos conquista sem que saibamos por que, basta ouvir e sorrir.

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sonata para Piano em mi bemol maior, Hob. XVI:52
  1. Allegro (Moderato)
  2. Adagio
  3. Presto

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para Piano em lá maior, Op. 2 No. 2
  1. Allegro vivace
  2. Largo appassionato
  3. Allegretto
  4. Grazioso

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sonata para Piano em ré maior, K. 311
  1. Allegro con spirito
  2. Andantino con espressione
  3. Allegro

Rafal Blechacz, piano

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FLAC | 152 MB

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MP3 | 320 KBPS | 139 MB

Rafał Blechacz has been named the 2014 PQP Bach Artist…

Textural transparency, expressive economy, creative inspiration, high humour and strategically placed silences characterise these three Haydn, Beethoven and Mozart sonatas, as well as Rafal Blechacz’s splendid, beautifully recorded interpretations. […] . In short, Blechacz’s third solo release (his second for DG) is by far his strongest yet.

Aproveite!

René Denon

PS: Se você gostou desta postagem, poderá se interessar por estas outras.

Aqui, sonatas de Beethoven intercaladas com sonatas de Beethoven…

Haydn (1732-1809) & Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Olivier Cavé #BTHVN250

Aqui, uma excelente opção para as três sonatas do Opus 2 de Beethoven:

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Três sonatas para piano, Op. 2 – Perahia

Nas duas a seguir, Sonatas de Haydn, incluindo as três últimas:

Joseph Haydn (1732 – 1809): Sonatas para Piano – Paul Lewis, piano (2021) ֍

Haydn (1732-1809): Sonatas para Piano – Paul Lewis

Para arrematar, uma opção interessante para algumas sonatas de Mozart (parte de um integral) incluindo as Sonatas K. 309-311:

Mozart (1756 – 1791): Sonatas para Piano – Klára Würtz – 2/3 ֎

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos nº4, op. 58 e op. 61a – Nino Gvetadze, Phion, Orchestra of Gelderland & Overijssel, Benjamin Levy

Graças a internet temos acesso a CDs que nos apresentam instrumentistas que raramente entram no mainstream tradicional. É para se ouvir com atenção a performance de Nino Gvetadze encarando Beethoven. Podemos identificar uma instrumentista madura, focada e muito concentrada.
A moça foi ousada no repertório de CD interpretando duas obras de fôlego de Beethoven, além do Quarto Concerto também temos a versão para piano do op. 61, o maravilhoso Concerto para Violino, transcrito pelo próprio Beethoven para Piano, apesar de ser uma obra que soe meio estranha, acostumados que estamos com a obra para violino, principalmente sua bizarra cadenza com tímpanos. Maiores informações sobre essa obra aqui. 

O belíssimo Concerto de nº 4 é meio que desprezado no repertório tradicional, o que é uma pena. Além de belíssimo também é altamente revolucionário em sua estrutura. Lembro que demorei para ter uma gravação dele, nem lembro qual foi a primeira, provavelmente Arthur Rubinstein em uma fita cassete.

Não é a estréia de Nino Gvetadze aqui no PQPBach. Ela já apareceu aqui, em postagem do colega René Denon, que está sempre em busca de novidades.

Em seu site oficial encontramos estes dois comentários da imprensa européia:

Gvetadze makes her grand piano whisper and sing and let the rich colorite of the music shine beautifully. With her refined touch, she manages to touch the nocturnal, dreamy atmosphere” Het Parool, The Netherlands

It is clear: Nino Gvetadze is a pianist to discover!” Radio Klara, Belgium

Abaixo, algumas informações sobre a solista, tiradas de seu próprio site:

Born and raised in Tbilisi, Georgian pianist Nino Gvetadze leads an active international music life as a soloist and a chamber musician. Her performances have been praised by many critics throughout the Europe and Asia. Nino received various awards, the most important were the Second Prize, Press Prize and Audience Award at the International Franz Liszt Piano Competition 2008. She became the winner of prestigious Borletti-Buitoni Trust Award in 2010.
Nino Gvetadze has performed with many outstanding conductors such as Michel Plasson, Yannick Nézet-Séguin, Michel Tabachnik, John Axelrod and Jaap van Zweden and with orchestras such as the Rotterdam, Brussels, Warsaw, Seoul and Netherlands Philharmonic, Bergische and the Rheinische Philharmonie, Münchner Symphoniker, North Netherlands  and Residentie  Orchestra amongst others. She toured with the Mahler Chamber Orchestra, Kammerakademie Potsdam, Netherlands Youth Orchestra and Amsterdam Sinfonietta.”

Belíssimo currículo, não acham?

Com relação a Orquestra, por mim também desconhecida, encontrei estas informações:

“Phion, Orchestra of Gelderland & Overijssel, is the product of a merger in 2019 between The Arnhem Philharmonic Orchestra and the Netherlands Symphony Orchestra. The Arnhem Philharmonic Orchestra has roots dating back to 1889. Over recent decades, the orchestra was led by chief conductors Roberto Benzi, Lawrence Renes, Martin Sieghart and Antonello Manacorda. Under conductors including Martin Sieghart and Antonello Manacorda, it recorded several CDs with works by Mahler, Schubert and Brahms, among other composers.”

O maestro aqui é Benjamin Levy, que administra a performance com eficiência e competência. Espero que apreciem, afinal de contas temos obras de Beethoven por aqui, ora bolas, e lembro que o compositor tinha laços familiares na Holanda. Então ele praticamente está em casa.

01. Piano Concerto No. 4, Op. 58- I. Allegro moderato
02. Piano Concerto No. 4, Op. 58- II. Andante con moto
03. Piano Concerto No. 4, Op. 58- III. Rondo. Vivace
04. Piano Concerto, Op. 61a- I. Allegro ma non troppo
05. Piano Concerto, Op. 61a- II. Larghetto
06. Piano Concerto, Op. 61a- III. Rondo

Nino Gvetadze – Piano

Phion, Orchestra of Gelderland & Overijssel

Benjamin Levy – Conductor

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 9 em Ré menor, Op. 125 – "Coral" (Furtwängler)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 9 em Ré menor, Op. 125 – "Coral" (Furtwängler)

Não reclamem se insisto com mais uma gravação de Beethoven (e se reclamarem, não estarei nem aí). E no mais, não se trata de qualquer documento. É uma gravação de peso. Daquelas que dispensam comentários, simplesmente, pela relevância histórica que evoca. Furtwängler e Beethoven, uma combinação que deu certo, chegou a moldes de perfeição. Wilhelm Furtwängler nasceu em Berlim, no ano de 1886. Desde muito cedo estabeleceu uma relação de muita intimidade com a música. Aos 20 anos, já possuía várias peças compostas. Alguns estudiosos da vida do regente afirmam que Furtwängler tornou-se condutor com o escopo de executar suas próprias músicas. O  regente criou peças de certa relevância. Destaca-se a Sinfonia No. 2, composta nos momentos mais quentes da Segunda Grande Guerra. Inclusive, já subi o arquivo para postar por esses dias. A peça é regida pelo próprio Furtwängler. Os fatos mais discutíveis acerca da vida de Furtwängler transladam em torno da sua suposta relação com o nazismo. Segundo Alex Ross, Hitler tinha Furtwängler como o seu regente favorito. Várias foram as vezes que o líder supremo do Terceiro Reich compareceu aos ensaios da Filarmônica de Berlim para ver o regente em ação. Por exemplo, em 1938 Furtwängler foi diretor para os concertos da Juventude Hitlerista, conduzindo Os Mestres Cantores de Nurenberg, de Wagner, o compositor preferido de Adolf Hitler. O regente era imbatível conduzindo Beethoven, Brahms, Bruckner e Wagner. Com a derrocada do nazismo não ficou provada a sua relação de aprovação para com as sandices de Hitler. Talvez tenha sido coagido pelas circunstâncias assim como se deu com Richard Strauss. Com relação à gravação que ora posto, acredito que tenha sido uma das maiores que já ouvi da Nona Sinfonia. Por isso, não deixe de ouvir! Boa apreciação incontida!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia No. 9 em Ré menor, Op. 125 – “Coral”

01. Furtwangler parle de la Newvieme Symphonie
02. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
03. Molto vivace
04. Adagio molto e cantabile
05. Presto
06. Allegro assai
07. Allegro assai vivace
08. Andante maestoso – allegro energico – prestissimo

*Gravado em 1954 no Festival de Lucerne

Philharmonia Orchestra
Wilhelm Furtwängler, regente
Elisabeth Schwarzkopf, soprano
Elsa Cavelti, contralto
Ernst Häfliger, tenor
Otto Edelmann, baixo

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Wilhelm Furtwängler desesperado com as violas

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos nº 1 e 3 – Michelangeli, Giulini, Sinfônica de Viena

71ArBE8JV3L._SX425_Gosto muito desse CD, que reúne dois dos grandes músicos italianos do século XX no apogeu de suas carreiras.  Os dois concertos para piano de Beethoven aqui reunidos estão em muito boas mãos. Dizem que o Arturo Benedeti Michelangeli era uma figura ímpar, excêntrico em algumas manias, e eram raros os seus recitais. Aparentemente não gostava de multidões reunidas em um local fechado. Estranha mania para quem resolveu viver como músico.
Independente de suas manias, Michelangeli foi um dos maiores pianistas do século XX. Suas gravações das obras de Debussy são consideradas definitivas. Infelizmente não gravou muito. Esse Beethoven que ora vos trago me é conhecido já há alguns anos, e gosto muito dos andamentos escolhidos por Giulini e pelo próprio Michelangeli. Mesmo gravados quando ambos os músicos já eram músicos maduros, eles transmitem uma jovialidade poucas vezes encontrada em outras gravações. Pensando em cores, quando ouço por exemplo, a abertura do Concerto nº 3 as cores que enxergo são sempre alegres, claras, vivas. Como comentei no início da postagem, foram dois músicos excepcionais e no momento em que se juntaram para realizarem estas gravações estavam no apogeu de suas carreiras.

Beethoven (1770-1827) – Concertos para piano e orquestra nº 1 e 3
01. I. Piano Concerto nº 1 in C major, op. 15 – Allegro con brio
02. II. Largo
03. III. Rondo. Allegro
04. Piano Concerto nº3 in C minor – I. Allegro con brio
05. II. Largo
06. III. Rondo. Allegro

Arturo Benedetti Michelangeli – Piano
Wiener Symphoniker
Carlo Maria Giulini – Conductor
Recorded: 1980 (1st), 1987 (3rd)

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A expressão concentrada de Arturo Benedeti Michelangeli já nos dá uma amostra do excepcional músico que ele foi.

FDP

¡Larga vida a la Reina! – Carte Blanche [Martha Argerich, 81 anos]


Nossa Rainha completou hoje 81 anos, antes que eu completasse a tarefa de lhe prestar homenagem pelas oitenta primaveras. Vá lá que a intenção original, que era a de tão só trazer um apanhado geral do que de mais significativo ela legou a cada década, expandiu por demais seu escopo e acabou por se tornar um tremendo trampo que desembocará numa discografia completa de Marthinha. E venha lá, também, que não é nem o hábito deste blogue, nem condizente com o tempo de que disponho, promover um imenso derramamento de gravações a cada poucos dias. Ainda assim, e enquanto lhes prometo que As Idades de Marthinha em breve estarão completas, desejo redimir-me junto à homenageada. Para isso, e na falta de qualquer lançamento com gravações inéditas desde seu último aniversário, alcanço-lhes um álbum duplo lançado em 2015, mas gravado naquele que ora nos parece incrivelmente distante 2007, durante o Festival de Verbier, Suíça.

Carte Blanche é o registro duma luxuosa noite de recitais para a qual Martha teve carta branca (e os xerloques de plantão já deduziram o porquê do título) para escolher quem quisesse para com ela tocar. Ao abrir os trabalhos, a Rainha adotou a praxe de rodear-se de músicos bálticos para tocar trios com piano, ainda que, em lugar do violinista habitué, o letão Gidon Kremer, seja o lituano Julian Rachlin que se some à dona da festa e ao outro letão quase compulsório, o violoncelista Mischa Maisky, para uma leitura marcante do trio “Fantasma” de Beethoven. Em seguida, a anfitriã abre uma raríssima exceção à sua moratória de recitais solo (tão rara que eu só a posso atribuir ao cancelamento de última hora de algum convidado) para recriar, com aquele estilo espontâneo, quase improvisatório que lhe é tão peculiar, as Cenas Infantis de Schumann. Quando ela termina, Lang Lang senta-se a seu lado e começam a tocar uma peça improvável para o repertório de ambos, o Rondó a quatro mãos de Schubert. Parece faltar um tanto de entendimento entre eles (quem ouvir Martha e Barenboim tocando a mesma peça concordará), o que talvez não deva surpreender num duo de músicos de tanta verve e impulsividade. Tudo melhora – e demais – na peça seguinte, a Mamãe Gansa de Ravel, em que a verve e impulsividade supracitadas vêm bem a calhar para encerrar de maneira estimulante a obra e seu Jardim Feérico. Não tenho muito a falar de bom do item seguinte, a Arpeggione de Schubert, na qual o brilhante Yuri Bashmet parece padecer, pela imprecisão de sua performance, do mal que muitas vezes aflige os grandes instrumentistas quando se dedicam à regência: se falta de tempo, ou de estudo, ou de ambos, deixo para vocês me dizerem. Na continuação, a irresistível sonata no. 1 de Bártok está ótima, por menos acostumados que estejamos a ouvir o timbre redondinho, caloroso de Renaud Capuçon a serviço dos ferrenhos ataques bartokianos às cordas e à mesmice rítmica. Os trabalhos se encerram com uma estimulante interpretação daquele cavalo de batalha dos recitais de Martha e Nelson Freire, as Variações Paganini de Lutosławski, com a venezuelana Gabriela Montero no lugar de nosso saudoso compatriota. Como bis, à guisa de cafezinho e petit four, Gabriela dá uma palhinha de sua impressionante capacidade de improvisação (confiram no YouTube, que vale a pena!) e faz a batidíssima “Parabéns a você” passar por vários ritmos e roupagens para homenagear a pianista Lily Maisky, filha de Mischa, que estava de aniversário no dia da Carte Blanche – mas é claro que os xerloques também já se deram conta de que eu desejei que, enquanto ouvíssemos Montero, nós todos déssemos os parabéns à Rainha.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Dos Dois trios para piano, violino e violoncelo, Op. 70 – no. 1 em Ré maior, “Fantasma”
1 – Allegro vivace e con brio
2 – Largo assai ed espressivo
3 – Presto

Martha Argerich, piano
Julian Rachlin, violino
Mischa Maisky, violoncelo

Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Kinderszenen, para piano, Op. 15
4 – Von fremden Ländern und Menschen
5 – Kuriose Geschichte
6 – Hasche-Mann
7 – Bittendes Kind
8 – Glückes genug
9 – Wichtige Begebenheit
10 – Träumerei
11 – Am Kamin
12 – Ritter vom Steckenpferd
13 – Fast zu ernst
14 – Fürchtenmachen
15 – Kind im Einschlummern
16 – Der Dichter spricht

Martha Argerich, piano

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)
Rondó em Lá maior para piano a quatro mãos, D. 951, “Grand Rondeau”
17 – Allegretto quasi andantino

Joseph Maurice RAVEL (1875-1937)
Ma Mère l’Oye, suíte para piano a quatro mãos, M. 62
18 – Pavane de la Belle au Bois Dormant: Lent
19 – Petit Poucet: Très modéré
20 – Laideronnette, Impératrice des Pagodes: Mouvement de Marche
21 – Les Entretiens de la Belle et de la Bête: Mouvement de Valse très modéré
22 – Le Jardin Féerique: Lent et Grave

Martha Argerich e Lang Lang, piano

Franz SCHUBERT
Sonata para arpeggione e piano em Lá menor, D. 821
(transcrita para viola e piano)
23 – Allegro moderato
24 – Adagio
25 – Allegretto

Yuri Bashmet, viola
Martha Argerich, piano

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Sonata para violino e piano no. 1, Sz. 75
26 – Allegro appassionato
27 – Adagio
28 -Allegro

Renaud Capuçon, violino
Martha Argerich, piano

Witold Roman LUTOSŁAWSKI (1913-1994)
Variações sobre um tema de Paganini, para dois pianos
29 –  Tema – Variações I-XII – Coda

Martha Argerich e Gabriela Montero, pianos

Gabriela MONTERO (1970)
30 – Improvisação sobre “Parabéns a você”

Gabriela Montero, piano

Gravado ao vivo em 27 de julho de 2007, durante o Festival de Verbier, Suíça

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Vassily

Beethoven (1770-1827) e Brahms (1833-1897): Concertos Triplo e Duplo (Poseidon / Järvi)

Beethoven (1770-1827) e Brahms (1833-1897): Concertos Triplo e Duplo (Poseidon / Järvi)


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Grande gravação do Trio Poseidon com a Orquestra de Gotemburgo, sob a direção de Neeme Järvi (os titulares da orquestra são Järvi, Gustavo Dudamel e Christian Zacharias). Gostei mais da gravação do Poseidon para o Triplo de Beethoven do que as dos registros de gigantes como o trio Richter, Oistrakh e Rostropovich ou Barenboim, Perlman e Ma. Não é pouca coisa não e sei que nem todos concordarão. A primeira qualidade deste trabalho é a interpretação mais coesa — afinal, eles formam um trio! –, a segunda é a excelente qualidade sonora, sob o altíssimo padrão Chandos.

Beethoven (1770-1827) e Brahms (1833-1897): Concertos Triplo e Duplo

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Concerto for Piano, Violin, Cello and Orchestra, Op.56
1 Triple Concerto For Violin, Cello And Piano In C Major, Op. 56: I. Allegro 17:58
2 Triple Concerto For Violin, Cello And Piano In C Major, Op. 56: II. Largo – 5:41
3 Triple Concerto For Violin, Cello And Piano In C Major, Op. 56: III. Rondo Alla Polacca 12:57

Johannes Brahms (1833-1897):
Concerto for Violin, Cello and Orchestra, Op.102
4 Double Concerto For Violin And Cello In A Minor, Op. 102: I. Allegro 17:08
5 Double Concerto For Violin And Cello In A Minor, Op. 102: II. Andante 6:58
6 Double Concerto For Violin And Cello In A Minor, Op. 102: III. Vivace Non Troppo 8:30

Trio Poseidon
Gothenburg Symphony Orchestra
Neeme Järvi

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Trio Poseidon
Trio Poseidon

PQP

In memoriam Radu Lupu (1945-2022)

O som e o mundo perderam Radu Lupu no último dia 17, e novamente vejo-me aqui a tentar homenagear, com minha escrita capenga, alguém que era tremendamente mais do que ela. E, se não podemos dizer que a morte nos privou de um artista que ainda teria o que nos legar – pois o Mestre, que não gravava havia décadas, escolhera deixar os palcos há três anos -, eu reconheço que seu desaparecimento frustrou a nesguinha de esperança que eu ainda tinha de ouvi-lo ao vivo. Quem teve esse privilégio – entre eles, muitos de seus colegas de instrumento, que invariavelmente o idolatravam – conta que ninguém, vivo ou morto, se comparava a Lupu.

 

(Lupu) transcende qualquer questão técnica ou musical e cria uma certa magia que ele evoca na sala de concertos. Ele consegue criar uma atmosfera muito íntima”

(Kirill Gerstein)


[Lupu] tem o dom incomum de iluminar tudo que ele toca com rara inteligência musical”

(András Schiff)


Lupu tem o raro dom de deixar a música falar por si mesma”

(Nikolai Lugansky)

As eulogias que recebeu nos últimos dias não foram menos enfáticas. A minha preferida é


Surreal e sensível”

 

… que chega bem perto de definir o Mestre que, no entanto, era muito inseguro acerca de suas tremendas capacidades. Ao amigo Kirill Gerstein, afirmou que não era realmente um pianista, mas que sabia “tocar frases musicais”. A um produtor, tascou: “você gosta de boa articulação? Ouça Perahia“! À insegurança, que o fazia odiar estúdios de gravação e a perenidade de seus registros, somava-se um perfeccionismo notório, ainda que mais preocupado com a coerência da narrativa musical do que com a perfeição nota a nota: o mesmo produtor que foi mandado ouvir Perahia afirmou, em sua eulogia, que “suas gravações quase sempre foram sensacionalmente bem recebidas, mas tendo ouvido os takes que ele rejeitou, só posso recomendar que, se você encontrar suas gravações ao vivo, é nelas que você ouvirá o autêntico Lupu”.

(o Mestre, infelizmente, não se deixava gravar ao vivo – a não ser que o desobedecessem, como foi no caso dessa gravação do concerto no. 27 de Amadeus que o Pleyel conseguiu, e que FDP Bach publicou ontem, juntamente com, vejam só, um disco do duo Lupu-Perahia)

Um “pianista dos pianistas”? Provavelmente, a julgar pelos tantos nomes célebres que se apinhavam em seu camarim nos raríssimos recitais, e pela frequência com que sua figura hirsuta e brahmsiana, mas também sorridente e bonachona, aparecia nas redes sociais de outros músicos menos afeitos à reclusão, como vemos acima. E também aos completos diletantes, aos tocadoresdepiano como eu, Lupu soava como nenhum outro: era, mais que músico maiúsculo, um consumado poeta do piano. Se não acreditam em mim, hão de se convencer por este punhado de gravações que ora lhes alcanço, que se juntará ao outro punhado que já existia aqui no PQP Bach, e que não estará muito longe de formar a discografia completa desse gênio tão bissexto aos estúdios. A primeira, com os improvisos de Schubert, foi a que me tornou lupumaníaco para sempre: nunca escutei qualquer gravação que se lhe comparasse. A segunda, com a impressionante sonata que Brahms escreveu aos tenros 20 anos, já tinha sido recomendada até pelo patrão, mas ainda não aparecera aqui. Completo meu tributo a mostrar-lhes outros veios do talento do Mestre: seu camerismo nos quintetos para piano e sopros de Mozart e Beethoven; prestando um acompanhamento de luxo para Barbara Hendricks num belo CD com Lieder de Schubert, que faz par com outro que o chefinho já postara aqui; e como concertista, tocando um Primeiro de Brahms cheio de nuances que, como sói acontecer sob seus dedos, soa igual a nenhum outro.

In memoriam Radu Lupu (Galaţi, Romênia, 30/11/1945 – Lausanne, Suíça, 17/4/2022)


Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

Improvisos para piano, D. 899 (Op. 90)
1 – No. 1 em Dó menor: Allegro molto moderato
2 – No. 2 em Mi bemol maior: Allegro
3 – No. 3 em Sol bemol maior: Andante
4 – No. 4 em Lá bemol maior: Allegretto

Improvisos para piano, D.935 (Op. 142)
5 – No. 1 em Fá menor: Allegro moderato
6 – No. 2 em Lá bemol maior: Allegretto
7 – No. 3 em Si bemol maior: Tema e variações
8 – No. 4 em Fá menor: Allegro scherzando

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Johannes BRAHMS (1833-1897)

Sonata para piano no. 3 em Fá menor, Op. 5
1 – Allegro maestoso
2 – Andante espressivo
3 – Scherzo. Allegro energic
4 – Intermezzo. Andante molto
5 – Allegro moderato ma rubato

6 – Tema e Variações em Ré menor (arranjo do Sexteto para cordas em Si bemol maior, Op. 18)

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Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Quinteto em Mi bemol maior para piano e sopros, K. 452
1 – Largo – Allegro moderato
2 – Larghetto
3 – Rondo: Allegretto

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Quinteto em Mi bemol maior para piano e sopros, Op. 16
4 – Grave – Allegro ma non troppo
5 – Andante cantabile
6 – Rondo: Allegro ma non troppo

Han de Vries, oboé
George Pieterson, clarinete
Vicente Zarzo, trompa
Brian Pollard, fagote

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Franz SCHUBERT

De Schwanengesang, D. 957
1 – No. 1: Liebesbotschaft (Rellstab)
2 – No. 2: Ständchen (Rellstab)

3 – Lachen und weinen, D. 777 (Rückert)

De Refrainlieder, D. 866
4 – No. 3: Die Männer sind mechant! (Seidl)

5 – Auf dem Strom, D. 943 (Rellstab)
com Bruno Schneider, trompa

6 – Sehnsucht, D. 879 (Seidl)
7 – An den Mond, D. 193 (Hölty)
8 – Versunken, D. 715 (Goethe)

9 – Der Hirt Auf Dem Felsen, D. 965 (von Chézy/Müller)
com Sabine Meyer, clarinete

10 – Du liebst mich nicht, D. 756  (von Platen-Hallermünde)
11 – Die Liebe hat gelogen, D. 751 (von Platen-Hallermünde)
12 – Die junge Nonne, D. 828 (Jachelutta)
13 – Klaglied, D. 23  (Rochlitz)
14 – Ellen’s Dritter Gesang (Ave Maria), D. 839 (Scott)

De Zwei Szenen aus dem Schauspiel ‘Lacrimas’, D. 857:
15 – No. 1: Delphine (Schütz)

16 – Heidenröslein, D. 257 (Goethe)

Barbara Hendricks, soprano

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Johannes BRAHMS

Concerto para piano e orquestra no. 1 em Ré menor, Op. 15
1 – Maestoso
2 – Adagio
3 – Rondo: Allegro non troppo

London Philharmonic Orchestra
Edo de Waart, regência

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Radu Lupu, piano


Para completar a homenagem, restaurei alguns links com o precioso som de Lupu, que estavam inativos…

Edvard Grieg – Piano Concerto in A minor, op. 16, Robert Schumann – Piano Concerto in A Minor, op. 54 – Radu Lupu, London Symphony Orchestra, André Previn

Cesar Franck – Sonata in A Major for Violin & Piano, Claude Debussy – Sonata for Violin & Piano – Kyung Wha Chung and Radu Lupu

… e lhes recomendo fortemente esta postagem do colega René Denon, com um Schumann para a eternidade:

Schumann (1810-1856): Peças para Piano – Radu Lupu

Radu Lupu por Reinhold Möller, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=117004371

Vassily

Mariss Jansons / Concertgebouw Orchestra – The Radio Recordings 1990-2014 – CDs 6-9 de 13

É claro que alguns de vocês vão baixar apenas alguns volumes desta caixa de 13 CDs de Jansons com a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam. Alguns terão vontade de ouvir esse grande conjunto atacando Sibelius e Beethoven mas não terão fôlego para a sétima de Mahler. Outros, mais curiosos quanto à música composta nas últimas décadas, vão querer conhecer um pouco mais sobre Berio, Andriessen e Gubaidulina. Essa caixa cheia de raridades deve agradar, pelo menos um pouquinho, a todos os apreciadores da sonoridade sempre elegante dos músicos do Concertgebouw.

Os CDs que trago hoje se iniciam com uma luxuosa gravação da Sinfonia nº 1 de Schumann (a “sinfonia pastoral” desse compositor). É coisa fina mesmo, muito bem gravada ao vivo em 2008 na famosa sala de concertos de Amsterdam. São gravações ao vivo em um só take, sem colagens de outras datas… E em seguida vêm as obras-primas do século XX, das quais faço questão de comentar três delas.

A Música para cordas percussão e celesta é uma das obras mais influentes de Bartók, composta nos anos 1930, mesma época dos quartetos de cordas 5 e 6. Em sua última fase (anos 1940) ele criaria algumas obras com melodias e harmonias mais tradicionais, como os belíssimos Concertos para Orquestra e para piano nº 3. Mas aqui temos o Bartók mais vanguardista e a orquestra do Concertgebouw (ao vivo em Berlim, 2010) acerta em todos os detalhes, além da excelente captura dos engenheiros de som.

O Hino para grande orquestra é uma das primeiras obras de Messiaen. É muito baseado nas ideias que ele tinha sobre colorido orquestral. Messiaen, que confessava ser vítima de (ou privilegiado com) sinestesia – via música nas cores e cores na música – gostava de listar em entrevistas alguns de seus grandes modelos de orquestração: Debussy, Wagner, Stravinsky e, um pouco mais surpreendente, Monteverdi e Villa-Lobos: “Os Choros de Villa-Lobos, que considero maravilhas de orquestração, foram para mim o ponto de partida de algumas justaposições de timbres”. Todos esses compositores, para os peculiares ouvidos de Messiaen, faziam música muito colorida, ao contrário da 2ª escola de Viena:

– Você disse uma vez que a música de certos autores modernos é cinza, associada a um tipo de sentimento pessimista, uma espécie de monotonia, talvez.

O.Messiaen: Bem, bem, pode ser verdade que a escola serial escreveu apenas sobre assuntos mórbidos e obras quase sempre passadas à noite. Não é por acaso que Erwartung de Schoenberg se passa à noite e é um assunto horrível, uma mulher que vê o cadáver de seu amante…

– E podemos adicionar Wozzeck e…

O.M.: Muitas outras que são obras-primas, sem dúvida, mas são obras-primas sombrias.

Messiaen bem jovem, ainda com cabelos (uma semelhança entre Schoenberg, Bartók e Messiaen: a calvície)

Trago essa longa citação para adicionarmos a essa lista de obras-primas sombrias a peça de Schoenberg que Jansons/Concertgebouw gravaram ao vivo em 2012: Um Sobrevivente de Varsóvia, Op. 46 (em inglês: A Survivor from Warsaw) é um oratório para narrador, coro masculino e orquestra. Em estilo dodecafônico, e com apenas cerca de 7 minutos, ela consegue no entanto comunicar inúmeras emoções ligadas aos campos de concentração da Segunda Guerra. É considerada uma das mais importantes obras musicais dedicadas ao holocausto. Milan Kundera, por exemplo, dizia que toda a essência existencial do drama dos judeus do século XX se mantém viva ali, em toda a sua terrível grandeza que não deve ser esquecida.

Schönberg compôs essa obra em 1947, portanto quase 40 anos após Erwartung, mas são várias as semelhanças entre essas duas obras sombrias com uma orquestra fazendo descrições sonoras impressionantes do que uma voz solo vai narrando. Ao menos para mim, essas duas obras de Schönberg com um triste enredo são muito mais interessantes do que as suas obras instrumentais para piano ou quarteto de cordas.

Mariss Jansons / Concertgebouw Orchestra – The Radio Recordings 1990-2014

CD 6:
Robert SCHUMANN
Symphony No. 1 in B flat major, Op. 38, ‘Spring’ (1841)

Jean SIBELIUS
Symphony No. 1 in E minor, Op. 39 (1899)

Baixe aqui – Download here – CD6

CD 7:
Béla BARTÓK
Music for Strings, Percussion and Celesta (1936)

Ludwig van BEETHOVEN
Overture ‘Egmont’, Op. 84 (1810)
Symphony No. 5 in C minor, Op. 67 (1808)

Baixe aqui – Download here – CD7

Arnold Schoenberg. Auto retrato, 1910

CD 8:
Arnold SCHÖNBERG
A Survivor from Warsaw, Op. 46 (1947)
Sergei Leiferkus – narrator
Rundfunkchor Berlin

Modest MUSSORGSKY
Songs and Dances of Death (1877, orch. D. Shostakovich, 1962)
Ferruccio Furlanetto – bass

Leoš JANÁČEK
Taras Bulba (1918)

Sofia GUBAIDULINA
Feast During a Plague (2005)

Baixe aqui – Download here – CD8

CD 9:
Igor STRAVINSKY
Capriccio (1929, rev.1949)
Emanuel Ax – piano

Edgard VARÈSE
Amériques (1921)

Olivier MESSIAEN
Hymne au Saint-Sacrement (1932)

Igor STRAVINSKY
Symphony of Psalms (1930, rev.1948)
Rundfunkchor Berlin

Baixe aqui – Download here – CD9

Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam, Mariss Jansons

Mariss Jansons (1943-2019)

Pleyel

Scriabin, Ravel, Prokofiev, Haydn, Beethoven, Chopin, Debussy – Sviatoslav Richter – Out of Later Years

Teofil Danilovich Richter (1872–1941), pai de Sviatoslav, foi um pianista, organista e compositor, de família alemã, que estudou no Conservatório de Viena e deu aula muitos anos no Conservatório de Odessa, atualmente na Ucrânia.

Na Segunda Guerra Mundial, como o pai de Sviatoslav Richter era alemão, ele estava sob suspeita das autoridades e foi feito um plano para que a família fugisse do país. Envolvida com um outro homem, sua mãe não queria sair e assim eles permaneceram em Odessa. Em agosto de 1941, seu pai foi preso e considerado culpado de espionagem, sendo condenado à morte em 6 de outubro de 1941. Não era difícil conseguir uma sentença de morte no regime stalinista. E não é preciso ser um discípulo de Freud para supor que alguém com essa história familiar se tornaria uma pessoa excêntrica, neurótica, peculiar…

Após se tornar famoso mundialmente e receber aplausos e gravações em Moscou, Londres, Praga, Nova York etc., Richter passaria suas últimas décadas frequentando cidades muito menores como Aldeburgh (Inglaterra), la Grange de Meslay, no vale do Loire (França), Ludwigshafen am Rhein (Alemanha). Ele pedia que os palcos fossem menos iluminados, dizendo que assim o público prestaria mais atenção na música do que em assuntos irrelevantes como as expressões faciais e gestos do pianista.

É comum que músicos idosos e respeitados tirem do seu repertório alguns compositores e voltem seu foco para alguns que tocam mais fundo em seu coração, afinal, já não precisam mais provar nada pra ninguém. É o caso, por exemplo, de Nelson Freire que, quando velho, tirou de seu repertório orquestral alguns concertos como os de Liszt, Tchaikovsky e Bartók, se concentrando sobretudo nos concertos de Brahms, no 2º de Chopin e nos dois últimos de Beethoven: ele tocou inúmeras vezes cada um desses nos seus últimos 20 anos de carreira. E nos recitais solo, Freire de barba grisalha raramente saiu do palco sem tocar algo de Chopin, compositor que ele parece ter admirado cada vez mais ao longo dos anos.

Nos concertos do velho Richter com orquestra, por outro lado, surgem obras raras do repertório como o concerto de Gershwin e o 5º de Saint-Saens. Nos recitais solo de Richter, ao contrário de Freire, Chopin foi ficando raro: nos anos 90, segundo as listas dos richterófilos, não há registro de que o russo tenha tocado os Scherzos, os Prelúdios, os Estudos, a Barcarolle, mas sobra uma obra grandiosa, a Polonaise-Fantaisie.

E o pianista russo (ucraniano de nascimento) parece ter tido um reencontro tardio com a música de Ravel: obras que não apareciam nos seus programas de recitais desde os anos 1960 ressurgem a partir de 1992 e ocupam boa parte de um dos álbuns ao vivo dessa série da Live Classics. Importante ressaltar que cada CD se dedica a uma só noite, ao contrário de outras edições que fazem colagens.

Também aparecem alguns russos no repertório: não os Quadros de uma Exposição de Mussorgsky, cavalo de batalha de Richter quando jovem, nem Shostakovich nem Stravinsky. Os escolhidos nesses recitais de 1992 e 94 são Prokofiev e Scriabin. O pianista e professor José Eduardo Martins fez uma recente homenagem, em seu blog, aos 150 anos de Scriabin. Diz ele:

Se as criações de Chopin (1810-1849) exerceram influência na escrita de Scriabine, não desprovida das raízes russas, mas sem cariz popular, seria contudo mais acentuadamente a partir do início do século XX que o compositor-pensador empreenderá um caminho singular, personalíssimo (aqui e aqui). Caminho que já aparece discretamente nas Mazurkas op. 40 (1903) e de forma escancarada no Poème-Nocturne op. 61 (1912) e na Sonata nº 7, op. 64 (1912). Noturno, como sabemos, é um gênero tão associado a Chopin quanto a Mazurka. Scriabin escreveu alguns Noturnos curtos e chopinianos quando mais jovem, mas esse Poema-Noturno escolhido por Richter é bem mais longo e já cheio do clima misterioso do compositor russo, com curtas frases seguidas por rápidos cromatismos ascendentes ou descendentes. Segundo J.E.Martins, são motivos curtos neurótico-obsessivos, que vão se acentuando conforme o compositor chega à maturidade. Richter, o pianista famoso por sua construção sólida de longas frases nas sonatas de Beethoven, Brahms e Schubert, se adapta surpreendentemente bem a esse clima noturno-neurótico de Scriabin, clima no qual algumas notas são cuidadosamente aproximadas e alcançadas para em seguida se quebrarem em dissonâncias.

Debussy e Ravel, é claro, eram compositores de música mais solar, menos noturna, mas ao tocá-los depois de Scriabin, ficam evidentes as semelhanças na linguagem dessas obras do comecinho do século XX. Se as gravações dos Prelúdios de Debussy por Richter não me empolgam tanto, aqui o pianista septuagenário emerge profundamente no mundo de Debussy e sobretudo no de Ravel com seus pássaros tristes, seu barco no oceano, sua alvorada e seu vale de sinos (Oiseaux tristes, Une Barque sur l’Océan, Alborada del gracioso, Vallée des cloches).

E as sonatas de Beethoven, essas pelo jeito nunca estiveram distantes do coração e dos dedos de Richter (aliás os 3 B’s estiveram nos seus programas do início ao fim da carreira). Aqui ele toca a penúltima sonata de Beethoven, uma obra madura interpretada por um Richter maduro que sabia aquilo de trás pra frente mas sempre trazia um algo mais de emoção nessa sonata. Ainda mais considerando que ele havia dedicado o recital à memória de sua amiga pessoal de longa data, a atriz e cantora alemã Marlene Dietrich (Berlim, 27 de dezembro de 1901 — Paris, 6 de maio de 1992).

Sviatoslav Richter – Out of Later Years Vol. 2
01. Prokofiev: Klaviersonate Nr. 2 D-Moll Op.14, Allegro ma non troppo
02. Prokofiev: Klaviersonate Nr. 2 D-Moll Op.14, Scherzo – Allegretto Marcato
03. Prokofiev: Klaviersonate Nr. 2 D-Moll Op.14, Andante
04. Prokofiev: Klaviersonate Nr. 2 D-Moll Op.14, Vivace
05. Scriabin: Klaviersonate Nr.7 Op.64 – Allegro
06. Ravel: Valses nobles et sentimentales
07. Ravel: Miroirs, Noctuelles. Très Léger
08. Ravel: Miroirs, Oiseaux tristes. Très Lent
09. Ravel: Miroirs, Une Barque sur l’Océan. D’un Rythme Souple
10. Ravel: Miroirs, Alborada del gracioso. Assez Vif
11. Ravel: Miroirs, La Vallée des cloches. Très Lent
Sviatoslav Richter – piano
Ludwigshafen, 1994-05-19

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Sviatoslav Richter – Out of Later Years Vol. 3
01. Haydn: Andante con variazioni in F minor H17-6
02. Beethoven: Sonata No.31 in A flat major Op.110 – I Moderato cantabile
03. Beethoven: Sonata No.31 in A flat major Op.110 – II Allegro molto
04. Beethoven: Sonata No.31 in A flat major Op.110 – III Andante molto cantabile
05. Chopin: Polonaise-Fantaisie in A flat major Op.61
06. Scriabin: Mazurka Op.40 No.1 in D flat major
07. Scriabin: Mazurka Op.40 No.2 in F sharp major
08. Scriabin: Poème-Nocturne Op.61
09. Debussy: L’isle joyeuse
10. Ravel: Miroirs, La Vallée des cloches. Très Lent
Sviatoslav Richter – piano
München (Munich), 1992-05-16

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Sviatoslav Richter pensando em levar todas aquelas cervejas ali sem que ninguém note

Pleyel

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano Nos. 14, 23 & 17 – Ao Luar, Appassionata & A Tempestade – Nikolai Lugansky ֎

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano Nos. 14, 23 & 17 – Ao Luar, Appassionata & A Tempestade – Nikolai Lugansky ֎

BTHVN

Sonatas para Piano

Ao Luar – Appassionata – A Tempestade

Nikolay Lugansky, piano

 

Quanto tempo você demora até perceber que um disco é bom? Há discos que você sabe na hora, e este é um deles. Bom não, ótimo!

Nikolai Lugansky

Nikolai Lugansky é um pianista virtuose já bem estabelecido, até fiquei surpreso por ser esta a sua estreia no blog. Como é possível adivinha pelo nome, Nikolai nasceu em Moscou e seus pais eram cientistas. Ele aprendeu uma sonata de Beethoven antes mesmo de saber ler música e Tatiana Nikolaieva foi sua professora, entre outros.

Na verdade, ele já gravou duas destas sonatas antes – ‘Ao Luar’ e ‘Appassionata’, para o selo Erato, em 2005. Aliás, ótimo disco, quem sabe dia destes aparece por aqui. Mas este traz a novidade com ele, acaba de ser lançado, e tem a ótima sonata: ‘A Tempestade’, como complemento.

Esta última sonata é a segunda de um conjunto de três, que integram o opus 31 do Ludovico, obras que ele compôs aos 31 anos, às quais ele se referia como um recomeço: Estou trilhando um caminho novo! Creio que ele se referia em particular a esta entre as três, que é cheia de dramáticos contrastes. É claro que a Sonata ‘Ao Luar’, que inicia piano, segue acelerando e termina con fuoco, e a ‘Apassionata’, cujo nome lhe cabe tão bem, recebem aqui interpretações excelentes, como ele já o fizera no disco anterior.

Eu adorei o disco e tenho ouvido o mesmo com frequência. Tanto que decidi postá-lo, para que vocês possam tirar suas conclusões.

Ah, depois de ouvirem a tempestuosa sonata, me digam se a conhecida anedota na qual Beethoven teria enigmaticamente respondido – Leiam A Tempestade, de Shakespeare! – ao ser interpelado sobre o sentido desta obra, é verossímil ou não… Puro Sturm und Drang!

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para Piano No. 14 em dó sustenido menor, Op. 27 No. 2 ‘Ao Luar’

  1. Adagio sostenuto
  2. Allegretto
  3. Presto agitato

Sonata para Piano No. 23 em fá menor, Op. 57 ‘Appassionata’

  1. Allegro assai
  2. Andante con moto
  3. Allegro ma non troppo – Presto

Sonata para Piano No. 17 em ré menor, Op. 31 No. 2 ‘A Tempestade’

  1. Largo – Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto

Nikolai Lugansky, piano

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Lugansky no Salão dos Espelhos do prédio da Fundação PQP Bach, em POA…

Comentário do Prestomusic: For this second volume of Beethoven sonatas, Nikolai Lugansky goes back in time and selects three milestones in the composer’s stylistic evolution: the ‘Moonlight’, the ‘Tempest’ and the ‘Appassionata’. The Master of Bonn gradually broke with the models he had inherited from the codes of Viennese Classicism in order to give free rein to affect, emotion and Romantic gesture.

With these three works, Beethoven laid the foundations of a free and humanistic art.

Aproveite!

René Denon

Miranda e a temestade, por J.W. Waterhouse

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos nº 4 & 5 – Curzon, Knappertsbusch, Wiener Philharmoniker

Vamos voltar no tempo, mais especificamente entre 1957 e 1958, nos estúdios da gravadora DECCA, quando três gigantes da música, três titãs, eu diria, se reuniram para gravar os dois últimos concertos para piano de Beethoven: o pianista inglês Sir Clifford Curzon, o maestro alemão Hans Knappterbusch e a Orquestra Filarmônica de Viena. Sim, eu sei, já se passaram sessenta e poucos anos, diversos outros pianistas e maestros fizeram gravações memoráveis dessas obras depois disso, mas e daí? Sempre precisamos nos ancorar nos ombros de gigantes para podermos visualizar o futuro, não acham? E foram esses velhinhos aí que estabeleceram os alicerces para o que viria depois. Além disso, depois da epopéia beethoveeniana do colega Vassily em 2020, haveria a necessidade de mais gravações do gênio de  Bonn aqui no PQPBach? Bem, eu diria que Beethoven nunca é demais.

Hans Knappterbusch não era muito afeito aos estúdios. Seu elemento era o palco, ainda mais se fosse no Festival wagneriano de Bayreuth, ao qual esteve associado durante quase toda sua vida profissional. Só nesse festival ele regeu o “Parsifal” 55 vezes (???).  Durante muitos anos seu nome também era muito ligado à Filarmônica de Viena, onde era muito querido. John Culshaw assim descreveu essa relação:

Não é sempre que existe um verdadeiro vínculo de afeto entre uma orquestra e um maestro, e especialmente no caso de uma orquestra com uma tradição tão longa e orgulhosa como a Filarmônica de Viena. Os membros mais velhos ainda falam com admiração sobre Furtwängler e Richard Strauss. Eles falam com profundo respeito pelas memórias de Erich Kleiber e Clemens Krauss e Bruno Walter. Para outros, ainda vivos, eles têm sentimentos mistos que vão do ódio à admiração. Mas por Hans Knappertsbusch, eles tinham amor“.(Wikipedia). 

Herr Knapp feliz da vida depois de saber que ia aparecer no PQPBach.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sir Clifford Curzon foi um pianista inglês nascido em 1907 e falecido em 1982, e foi aluno de Arthur Schnabel e Wanda Landowska, Dominou como poucos o repertório clássico e romântico, sendo um grande especialista em Mozart, Beethoven, Schubert e Beethoven. Assim como Knappterbusch, não era muito fã dos estúdios de gravação e seus registros só foram lançados após sua morte.

Sir Clifford testando o Steinway da sede da PQP Inc. em Londres.

 

 

 

 

 

 

 

 

Como comentei acima, estas gravações foram realizadas entre 1957 e 1958. Em se tratando de músicos deste nível, o que temos aqui são registros históricos, altamente elogiados pela crítica especializada. No site da Amazon os clientes foram quase unânimes em dar cinco estrelas, e com razão. Na minha humilde opinião temos aqui uma das mais belas gravações do Concerto nº4, um primor de execução e sensibilidade artística.

 

Piano Concerto No. 4 In G Major, Op. 58
First Movement: Allegro Moderato (Cadenza By Beethoven)
Second Movement: Andante Con Moto
Third Movement: Rondo (Vivace) (Cadenza By Beethoven)

Piano Concerto No. 5 (“Emperor”) In E Flat Major, Op. 73
First Movement: Allegro
Second Movement: Adagio Un Poco Mosso
Third Movement: Rondo (Allegro)

Sir Clifford Curzon – Piano
Wiener Philharmoniker
Hans Knappterbusch – Conductor

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Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano Op. 78 • 101 • 111 – Ingrid Marsoner ֍

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano Op. 78 • 101 • 111 – Ingrid Marsoner ֍

Beethoven

Sonata para Piano, Op. 101

Rondó Op. 129

Sonatas para Piano, Op. 78 & 111

Ingrid Marsoner

 

Fui até uma farmácia, paguei R$ 120 e um simpático enfermeiro enfiou-me nas narinas (nas ventas, teria dito meu saudoso pai) um cotonete que de tão longo parecia o espadachim do Zorro. Quinze minutos depois ele deu-me o resultado: positivo para Covid. Ou, DETECTADO, como diz lá no resultado. Detectado resultado reagente para Antígeno SARS-CoV-2 na amostra. Nunca fiquei tão desapontado com um resultado positivo em toda a minha vida, mas vocês hão de convir, essa coisa de resultado é relativa.

Como não sou negacionista e dou muita atenção para o que diz a ciência, estou com todas as três doses de vacina tomadas e também a vacina da gripe. Assim, espero passar esta fase como todos aqueles que escutaram a voz da razão e buscaram os recursos disponíveis, com sintomas leves e em casa. Até aqui, tudo bem…

O que você faria neste caso? Provavelmente, o mesmo que eu, com pequenas variações, dependendo do seu próprio grau de neurose…

Ingrid flagrada em um passeio no Jardim Botânico da sede do PQP Bach do Rio de Janeiro…

Eu decidi ouvir este disco com sonatas para piano de Beethoven. A intérprete, Ingrid Marsoner, é austríaca e foi aceita na Academia de Música de Graz aos 11 anos, como aluna de Sebastian Benda, que fora aluno de Edwin Fischer. Depois foi estudar com Rudolf Kehrer em Viena. Suas principais  inspirações musicais são os eminentes pianistas Tatiana Nikolaieva, Paul Badura-Skoda e Alfred Brendel.

O repertório do disco é muito interessante. Peças para piano de Beethoven de seu último período, pelo menos a linda Sonata op. 101, que inicia o disco, e a Sonata op. 111, a última do compositor e do disco. Há também famoso Rondó – Raiva pela perda de um real! – que é uma obra de juventude e foi publicada tardiamente, o que explica o elevado número de opus. No manuscrito da peça se encontra este nome, mas não nos garranchos do Ludovico, e podem muito bem ser do seu secretário marketeiro e imaginoso Anton Schindler. De qualquer forma, a propósito da estrutura do Rondó, o libreto menciona muito poeticamente uma citação de Christian Friedrich Hobbel – Uma pessoa só pode se transformar naquilo que ela já é!

A sonata dedicada à Teresa Brunswick parece ser também uma espécie de exercício, mas que beleza de sonatina. O Rondo é a sonatazinha fazem um certo interlúdio para a grande e última sonata, op. 111. O livreto também fala na diferença entre a poesia e a filosofia. Texto um pouco hermético, pelo menos para moi, mas que lindas ideias. Ouvir essa música buscando o caminho da poesia e não da filosofia, me deixou mais animado no fim do dia.

Não deixe de ouvir este desimportante e im-PER-DÍ-VEL disco, sem compará-lo com esta ou aquela interpretação – apenas sente-se e aproveite. Depois, me conte…

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para Piano No. 28 em lá maior, Op. 101

  1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung. Allegretto ma non troppo
  2. Lebhaft. Marschmäßig. Vivace alla marcia
  3. Langsam und sehnsuchtsvoll. Adagio, ma non troppo, con affetto + IV. Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit. Allegro

Rondo a capriccio em sol maior, Op. 129 “Raiva pela perda de um real!”

  1. Rondó

Sonata para Piano No. 24 em fá sustenido maior, Op. 78 “à Thérèse”

  1. Adagio cantabile-Allegro ma non troppo
  2. Allegro vivace

Sonata para Piano No. 32 em dó menor, Op. 111

  1. Maestoso-Allegro con brio ed appassionato
  2. Arietta. Adagio molto semplice e cantabile

Ingrid Marsoner, piano

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Ludovico procurando por seu secretário…

Vejam o que o pessoal entendido achou do disco:

“Ingrid Marsoner’s interpretation of Sonata Op. 78 is fluent and nuanced, genuine and devoted, sensitive and inspired, with rhapsodic tension and conviction. She extracts many a design secret from this wonderful F# major Sphinx.”
Klassik Heute – Rainer E. Janka – July 2017

“It may be in the craggy, windswept heights of Op 111 that Marsoner is most impressive … Here, Marsoner’s ability to suggest the mighty integrity of Beethoven’s architecture from multiple points of view within the musical narrative is particularly impressive. This is mature Beethoven which will be understandable by virtually anyone, even as it remains engagingly personal in expression. Without awe, Marsoner expresses her reverence for Beethoven with scrupulous attention to detail. This well-recorded disc will be a welcome addition to any library of Beethoven piano music

Gramophone – Patrick Rucker – July 2017

Aproveite!

René Denon

Homenagem a Ammiratore [Verdi/Beethoven: Quartetos em arranjos para orquestra de cordas – Previn]

Hoje é aniversário de nosso querido, saudoso Ammiratore e, por mais que quiséssemos, não conseguiríamos colocar em palavras a falta que ele nos faz. Assim, claro, vamos homenageá-lo com música.

Eu lhe alcancei esta gravação algumas semanas dele inaugurar sua imensa empreitada de publicar e comentar a obra completa de seu amado Verdi, que prossegue com o empenho e a minúcia do colega Alex DeLarge. Eu a recomendei primordialmente, como já decerto perceberam, pela presença da única obra de câmara deixada por Verdi: seu quarteto de cordas, uma peça despretensiosa, competentemente escrita durante um hiato ocioso na produção de “Aida”, e estreada diante de tão só alguns amigos. Aqui, ela tem uma roupagem orquestral dada por Arturo Toscanini e uma leitura muito hábil por André Previn, que mantém as texturas límpidas e muito afeitas à graça do original.

Menos óbvia, mas igualmente significativa, é a ligação entre Ammiratore e a obra que abre a gravação. O quarteto de cordas em Dó sustenido menor de Beethoven – certamente sua mais extensa, e provavelmente sua mais ambiciosa obra do gênero – não escapou ao projeto BTHVN 250, que nosso amável amigo acompanhou e comentou com entusiasmo durante todo 2020. Ele gostou tanto das publicações que teve a gentileza de me escrever em privado, agradecendo pelo empenho em completar o projeto, que muito o inspirou a encarar seu extenso Projeto Verdi. Além disso, ele também me era grato por apresentar-lhe obras de Ludwig que ele nunca antes conseguira antes acessar, como os últimos quartetos de Beethoven, que lhe teriam sido revelados (vejam como era gentil!) pelas minhas publicações. Passamos algum tempo a comentar pormenores dessas obras visionárias, até que ele mencionou que nenhuma delas lhe parecia tão sinfônica quanto o imenso Op. 131. Alcancei-lhe então esta gravação de Previn, que conduz o arranjo de Dmitri Mitropoulos ante os filarmônicos de Viena, para que pudesse experimentar a obra tocada pelas forças de uma orquestra.

Se não sei se ele a chegou a escutá-la, certamente nós outros o faremos agora, em sua memória – para que, enquanto a escutamos, também a escute o Ammiratore, lá nas Esferas.

Em nome de todos colaboradores do PQP Bach,

Vassily Genrikhovich


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Quarteto para dois violinos, viola e violoncelo em Dó sustenido menor, Op. 131
Arranjo para orquestra de cordas por Dmitri Mitropoulos (1896-1960)

1 –  Adagio, ma non troppo e molto espressivo
2 – Allegro molto vivace – attaca:
3 – Allegro moderato – attaca:
4 – Andante, ma non troppo e molto cantible – Andante moderato e lusinghiero – Adagio – Allegretto – Adagio, ma non troppo e semplice – Allegretto – attaca:
5 – Presto – Molto poco adagio – attaca:
6 – Adagio quase un poco andante – attaca:
7 – Allegro

Giuseppe Fortunino Francesco VERDI (1813-1901)
Quarteto para dois violinos, viola e violoncelo em Mi menor
Arranjo para orquestra de cordas por Arturo Toscanini (1867-1957)

8 – Allegro
9 – Andantino
10 – Prestissimo
11 – Scherzo – Fuga

Wiener Philharmoniker
André Previn, regência

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PQP Bach, pelo querido Ammiratore (1970-2021)

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas Nº 3 e 21 (Waldstein) e outras peças (Alice Sara Ott)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas Nº 3 e 21 (Waldstein) e outras peças (Alice Sara Ott)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A vida pode ser muito atemorizante. Este disco da talentosa Alice Sara Ott é de 2010, mas…

Em 2018, Alice Sara Ott acordou em estado de colapso, a princípio a culpa recaiu sobre o estresse. A célebre pianista, na época com 30 anos, acabara de retornar de uma desafiadora turnê pelo Japão com seu recital Nightfall. Lutando contra um forte resfriado, ela seguiu trabalhando, determinada a não cancelar nenhuma apresentação, apesar de se sentir mal. “Depois do último concerto, percebi que tinha os lábios dormentes”, diz ela. “Quando voei para casa em Munique, ao acordar, não conseguia sair da cama e nem conseguia focar os olhos. Eu estava vendo tudo em dobro. Demorou quase duas semanas até que eu pudesse andar novamente.”

Ela escreveu isto em 2019:

«Hoje eu gostaria de compartilhar algo muito pessoal com você. Como alguns de vocês devem saber, recentemente tive alguns problemas de saúde que levantaram preocupações e impactaram meu trabalho. Depois de muitas consultas e exames médicos, fui finalmente diagnosticada com esclerose múltipla em 15 de janeiro deste ano.

Quando os médicos levantaram a possibilidade disso pela primeira vez no ano passado, senti como se o mundo tivesse desabado ao meu redor. Passei por uma montanha-russa de sentimentos de pânico e medo. Eu tinha muitas, muitas perguntas. Como isso impactaria minha vida? Em meu trabalho?

Desde então, passei muito tempo pesquisando a esclerose múltipla e suas implicações e me encontrei com muitos médicos. A cada nova informação, percebo que antes tinha uma falsa imagem dessa doença. A esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central e, embora não exista cura conhecida, graças aos enormes avanços da medicina ao longo dos anos, a grande maioria das pessoas afetadas por ela é capaz de viver uma vida plena e plena.

Vou demorar um pouco para conhecer essa condição e como vou resolvê-la sozinha. Haverá momentos em que terei que enfrentar desafios e fazer ajustes, mas, ao encontrar o equilíbrio certo no tratamento, estou confiante e otimista de que continuarei a viver minha vida – e a viajar e me apresentar – como antes. Estou ansiosa para continuar minha temporada conforme planejado.

Compartilhar isso com todos não foi uma decisão fácil, mas acredito que seja a mais acertada. A EM é uma doença muito mal compreendida em nossa sociedade e, sendo aberto sobre ela, espero poder encorajar outras pessoas (especialmente aquelas que são diagnosticadas quando pensam que suas vidas estão apenas começando) a fazer o mesmo. O reconhecimento não é uma fraqueza, mas uma forma de proteger e ganhar forças, tanto para si como para os que estão ao nosso redor. Sou grata aos meus entes queridos que me mostraram tanto apoio e amor nos últimos meses. Eles não apenas tiveram que lidar com suas próprias emoções, mas também tiveram que enfrentar questões sobre meu bem-estar. Ao esclarecer minha situação, também espero aliviá-los e dar-lhes tempo e espaço para processar isso.

Às vezes a vida leva você por um caminho inesperado, e eu estou bem no começo deste novo caminho para mim. No entanto, acredito fortemente que cabe a nós fazer o melhor ».

Assim esperamos, Alice. Este disco, por exemplo, é PRIMOROSO!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas Nº 3 e 21 (Waldstein) e outras peças (Alice Sara Ott)

Piano Sonata No. 3 In C Major Op. 2 No. 3
1 Allegro Con Brio 10:51
2 Adagio 6:52
3 Scherzo. Allegro 3:32
4 Allegro Assai 5:25

Piano Sonata No.21 In C Major Op. 53 “Waldstein”
5 Allegro Con Brio 11:16
6 Introduzione. Adagio Molto – Attacca 3:29
7 Rondo. Allegretto Moderato – Prestissimo 9:59

Andante Favori In F Major WoO 57
8 Andante Grazioso Con Moto 7:52

Rondo A Capriccio In G Major Op. 129 “Rage Over A Lost Penny”
9 Allegro Vivace 6:20

Alice Sara Ott

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Alice Sara Ott

PQP

Beethoven (Arr. Mahler): Quarteto de Cordas, Op. 95 & Brahms (Orq. Schoenberg): Quarteto com Piano, Op. 25 – Wiener Philharmoniker & Christoph von Dohnányi ֍

Beethoven (Arr. Mahler): Quarteto de Cordas, Op. 95 & Brahms (Orq. Schoenberg): Quarteto com Piano, Op. 25 – Wiener Philharmoniker & Christoph von Dohnányi ֍

Beethoven/Mahler

Quarteto de Cordas ‘Serioso’

Brahms/Schoenberg

Quarteto com Piano ‘alla zingarese’

Wiener Philharmoniker

Christoph von Dohnániy

Qual é o limite entre música de câmara e música orquestral? Uma forma bem simples de decidir a questão é considerar o número de instrumentos usados na apresentação e estabelecer a fronteira – um noneto ainda seria música de câmara? Isso sem falar nas obras escritas para orquestra de câmara e toda a música escrita no período que vagamente denominamos ‘barroco’.

No entanto, há outros aspectos que transcendem o número dos instrumentos e que se refere à natureza da própria música. Quantos são os comentários que tratam das ‘dimensões orquestrais’ de certas sonatas para piano de Beethoven ou das ‘características camerísticas’ de algumas obras orquestrais de Mahler?

Como tudo na vida e em especial na música, a tentativa de rotular e estabelecer compartimentos estanques para colocar as coisas (e, pior ainda, as pessoas) sempre encontrará contraexemplos e deve ser tomado no sentido mais flexível possível.

Dia destes postei um disco com ‘reduções’ de obras orquestrais para conjuntos camerísticos – disco no qual se destacavam os nomes do Quarteto Arditti e de Arnold Schoenberg. O disco desta postagem vai na outra direção, onde temos arranjos para conjuntos maiores de obras originalmente escritas para conjuntos de câmara.

O arranjo de Quarteto Serioso, de Beethoven, feito por Mahler para orquestra (completa) de cordas foi destinado a um concerto com a Wiener Philharmoniker em 1899, a mesma orquestra desta gravação. Mahler fez arranjos e ajustes em obras que ele acreditava poderem atingir desta forma toda a sua potencialidade, levando em conta os recursos de sua magnífica orquestra. Imagine o tamanho do desafio colocado às cordas da orquestra, de manter o equilíbrio de música de câmera e a mesma agilidade esperada de um conjunto com poucos elementos, acrescentando o brilho e o volume possíveis de alcançar com a nova formação. Será que eles conseguiram em 1899 e nesta gravação? Você poderá julgar, pelo menos a segunda possibilidade.

De natureza um pouco diferente é a orquestração feita por Schoenberg do Quarteto com Piano de Brahms. As razões que o levaram a tal empreitada foram dadas por ele mesmo em uma carta escrita ao crítico americano Alfred Frankenstein: 1) Eu gosto desta peça; 2) Ela é raramente apresentada; 3) É sempre muito mal tocada, pois quanto melhor o pianista, mais alto ele toca e você nada ouve das cordas. Eu queria pelo menos uma vez ouvir tudo, e isto foi alcançado.

Apesar do uso de uma orquestra moderna, com muita percussão, incluindo xilofone, e novidades como glissando de trombone, a proposta de Schoenberg foi de ‘permanecer estritamente no estilo de Brahms’. Será que ele conseguiu? O que esta gravação nos diz?

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Quarteto de Cordas em fá menor, Op. 95

Arranjo para Orquestra de Cordas feito por Gustav Mahler (1860 – 1911)

  1. Allegro con brio
  2. Allegretto ma non troppo
  3. Allegro assai vivace ma serioso
  4. Larghetto esspressivo – Allegretto agitato

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Quarteto com Piano em sol menor, Op. 25

Orquestrado por Arnold Schoenberg (1874 – 1951)

  1. Allegro
  2. Intermezzo: Allegro non troppo
  3. Andante con moto
  4. Rondo alla zingarese: Presto

Wiener Philharmoniker

Christoph von Dohnányi

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O regente, Christoph Dohnányi, é alemão de origem húngara e nasceu em 1929. É neto do pianista e compositor Ernö Dohnanyi e fez sua carreira passando pelas posições de assistente e diretor nas casas de ópera e balés. Recebeu apoio de George Solti e teve importantes posições como Diretor de Ópera de Hamburgo e Frankfurt. Atuou também por bom tempo com a Cleveland Orchestra, da qual é Music Director Laureate.

Gramophone: Dohnanyi’s performance is lucid, transparent and generally well played – especially by the strings. The sound is pleasingly luminous…

Então, está esperando o que? Aproveite!

René Denon

O Conjunto de Câmara da Wiener Philharmoniker

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios Op.38 e Op.11 “Gassenhauer”

Após os medalhões sagrados, os jovens talentos. Sim, depois do grandes especialistas em instrumentos antigos Jörg Demus e Franzjosef Maier, temos agora um trio de músicos finlandeses que têm gravado pela Naxos e pela Brilliant Classics, selos que costumam atrair menos holofotes mas muitos elogios dos melômanos.

Podemos comparar as gravações do trio “Gassenhauer” e ver que os finlandeses fazem um Beethoven com alguns andamentos bem mais ágeis do que os alemães/austríacos do LP de 1979 que postei ontem. Outra diferença: no LP da Harmonia Mundi, eram utilizados instrumentos originais da época de Beethoven. Já neste CD gravado em 2019, o Trio Origo usa um clarinete e um fortepiano fabricados há pouco tempo, mas copiando modelos respectivamente de 1784 e 1800. Esses instrumentos copiam o design e os materiais dos instrumentos antigos, mas têm como vantagem o frescor da madeira e cordas, que não estão gastas pelo tempo. O pianista Ronald Brautigam e o cravista Pierre Hantaï estão entre os músicos que preferem instrumentos desse tipo.

A outra obra do CD é um arranjo, pela mão do próprio compositor, para o Septeto opus 20. Hoje o arranjo é mais tocado do que o original, provavelmente pela dificuldade de se juntar um conjunto com quatro cordas diferentes (violino, viola, cello e contrabaixo) e mais clarinete, trompa e fagote. É um Beethoven típico da primeira fase, ainda sem vontade de chocar o gosto musical da aristocracia vienense. Os adagios são mais cantabile e menos revolucionários. O que não significa que não apareçam elementos próprios de Beethoven, que os melômanos encontrarão aos montes.

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Trio for Clarinet, Cello and Fortepiano in B flat major “Gassenhauer”, Op.11 (1797)
1. Allegro con brio
2. Adagio
3. Tema con variazioni (“Pria ch’io l’impegno”: Allegretto)

Trio for Clarinet, Cello and Fortepiano in E flat major, Op.38, arrangement of the Septet Op.20 by the composer (1802-3)
4. Adagio – Allegro con brio
5. Adagio cantabile
6. Tempo di menuetto
7. Andante con variazioni
8. Scherzo: Allegro molto e vivace
9. Andante con moto alla marcia – Presto

Trio Origo:
Asko Heiskanen clarinet after H. Grenser, ca. 1800
Jussi Seppänen cello by Anon., 18th century
Jerry Jantunen fortepiano after J.A. Stein, 1784

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Beethoven em 1803

Pleyel

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios “Fantasma” e “Gassenhauer”

Ludwig van Beethoven não sabia exatamente quantos anos tinha. É o que indicam um diário de 1818, anotações de 1820 e 1823 e vários depoimentos. Como nos informa esta página, a culpa provavelmente é do pai, que queria valorizar o menino prodígio e o apresentava, já em março de 1778, como uma criança de 6 anos, quando na realidade teria 7.

Quando falo “na realidade”, é segundo os historiadores atuais, que fixaram o ano de 1770 com base no documento do batizado. Mas o próprio Ludwig desconfiava desse documento. Então a realidade, ao menos na cabeça dele, era confusa e o seu nascimento estava envolvido em densas névoas. Então hoje homenageamos os 201 anos do seu nascimento, ou talvez, quem sabe?, os 200 ou 199, com uma obra tão misteriosa quanto a vida do compositor, e uma outra obra mais galante e simples.

O trio em ré maior, opus 70 nº 1, publicado em 1809, foi chamado Geistertrio (Trio des Esprits, Ghost Trio, Trio “Fantasma” ou “dos Fantasmas”, o que faz diferença) devido ao seu longo, lento e misterioso movimento central, com a indicação de tempo “Largo assai ed espressivo“. Houve também quem associasse estes fantasmas ao fato de Beethoven, entre 1808 e 1809, estar trabalhando paralelamente numa ópera sobre Macbeth. Mas ao que tudo indica, o apelido “fantasma” aparece – ao menos por escrito – apenas nos anos 1840, a partir de Carl Czerny, pupilo de Beethoven. Ele é característico da face (e da fase) mais heróica, mais emocionalmente intensa do compositor, justamente a face de Beethoven com a qual os Românticos do século XIX iriam se identificar e reverenciar. Também a Sonata “ao luar” (1801) ganharia esse apelido apenas em 1832, cinco anos após a morte do compositor. E o famoso tema inicial da Quinta Sinfonia (1808) só aparece descrito como uma representação do “destino batendo na porta” em 1840 na biografia publicada por Anton Schindler, o mesmo que escreveu que Beethoven comparava à 17ª Sonata para Piano à Tempestade de Shakespeare. Schindler foi secretário e assistente do compositor, então talvez sua interpretação seja a correta. Ou não. O importante aqui é notar essa profusão post mortem de apelidos românticos para obras que realmente têm (ou não tem?) uma expressão romântica e misteriosa.

Já o Trio para piano, clarinete e violoncelo opus 11, de 1797, é menos misterioso e foi muito popular na época em que foi lançado. O apelido “Gassenhauer” significa algo como um hit cantado nas ruas e esquinas, e faz referência ao tema do último movimento, uma melodia que todos conheciam na Áustria (tá vendo Sérgio? Voltamos com a Áustria, recém-riscada do mapa neste blog). Aqui, o compositor de vinte e poucos anos já mostrava sua habilidade na forma “Tema e variações”, que aparecerá em obras como as variações opus 35 (1802), o final da Sinfonia Eroica (1804) e depois em várias de suas últimas sonatas e nas enormes variações sobre um tema de Diabelli (1823).

Este disco de 1979 recebeu uma excelente transferência para o digital e não se ouve o chiado do LP. E o elenco aqui é de primeira linha:

O austríaco Jörg Demus (1928-2019) foi um pioneiro nas interpretações com instrumentos antigos. Ele gravou, em sua longa carreira, obras de Beethoven para piano solo, a quatro mãos, piano e violoncelo, piano e violino, quinteto com sopros… Enfim, teve experiência com toda a obra, e não só com as sonatas e concertos.

O alemão Franzjosef Maier (1925-2014) foi spalla do Collegium Aureum desde sua formação. Esse grupo baseado em Colônia (Köln) gravou muito pela Harmonia Mundi, mesmo selo que lançou este LP de hoje. Os outros dois músicos também tocavam com o Collegium Aureum.

O genial Franzjosef Maier

Ludwig van Beethoven (1770-1827):
Lado A
Geistertrio – Trio Op. 70 No. 1, “Fantasma”, em ré maior
I. Allegro vivace e con brio
II. Largo assai ed espressivo
III. Presto

Lado B
Gassenhauertrio – Trio Op. 11 para piano, violoncelo e clarinete
I. Poco sostenuto – Allegro, ma non troppo
II. Allegretto, C major/minor
III. Allegretto ma non troppo
IV. Finale. Allegro

Jörg Demus – fortepiano (Hammerflügel) por Conrad von Graf, Viena
Franzjosef Maier – violino por N. Gagliano, Nápoles 1728
Rudolf Mandalka – violoncelo por J. & A. Gagliano, Nápoles 1747
Hans Deinzer – clarinete por Turz, Innsbruck, 1790
LP by Deutsche Harmonia Mundi, 1979

BAIXE AQUI – FLAC

BAIXE AQUI – MP3

Estátua de Beethoven na casa onde ele nasceu em Bonn

Pleyel

BTHVN251 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Leonore, oder Der Triumph der ehelichen Liebe (versão de 1806) – Soustrot

Incrível, mas já faz um ano que lhes alcancei o epílogo do imenso tributo que fiz a Ludwig em seu jubileu. Ainda mais impressionante, parece-me, é que tenhamos resistido a mais um ano de tanatocracia e que tudo o que nos reste para comemorar, talvez, seja tão só não estarmos no rol de suas centenas de milhares de vítimas fatais.

Quem for capaz de comemorar algo mais que esse extraordinário fenômeno que é estar vivo no Brasil de 2021 poderá celebrar, entre hoje e amanhã, mais um natalício do genial renano, que provavelmente nasceu num 16 de dezembro como hoje e foi batizado no dia seguinte, o 17 de dezembro que se convencionou considerar seu aniversário. E, já que suponho que ainda estejam a digerir a fartadela de postagens e gravações beethovenianas com que abarrotei este blogue no ano passado, em vez dum banquete pantagruélico, então, hei de oferecer-lhes somente um digestivo, um fino chocolatinho mentolado.

A despeito do enganoso título de “A Obra Completa de Ludwig van Beethoven”, nosso esforço de alcançar-lhes a integral do grande homem teve algumas desimportantes lacunas, quase todas por conta de obras fragmentárias, ou rascunhos, ou coisas que ele próprio houve por bem não levar à prensa. De significativo, sem dúvidas, faltou apenas a segunda versão de sua única ópera, lançada como “Leonore” e que viria a se tornar “Fidelio”, cuja gravação não encontrara em lugar algum…

… até que a encontrei.

Com um ano de atraso, alcanço-lhes a primeira e até agora única gravação comercial já realizada da segunda versão de “Leonore”. Composta por dois atos, foi estreada em 29 de março de 1806, meros quatro meses depois do naufrágio da versão original em três atos, muito por conta de que o público da première em Viena era composto de invasores franceses que provavelmente entendiam lhufas de alemão e, mesmo que entendessem, não aplaudiriam um libelo daquele naipe contra a opressão. Beethoven, como era seu hábito, tomou para si os engulhos do fracasso e, aconselhado por amigos e com a ajuda de um dos melhores deles, Stephan von Breuning, tratou de podar “Leonore” para deixá-la com um ato a menos.

Nem tudo foram cortes: foi adicionada uma marcha para a entrada do vilão Pizarro e, mais notavelmente, uma poderosa abertura, que se ouve amiúde, por si mesma, nas salas de concertos, e que depois se convencionou chamar de “Leonore no. 3”. Ela é uma adaptação daquela da versão original, transfigurada num portento sinfônico que contrasta, e alguns dirão que não favoravelmente, com o singelo número vocal inicial. Não só este, mas boa parte da tertúlia entre Marzelline e Jaquino por conta de Fidelio, que tomava praticamente todo o primeiro dos atos da versão de 1805, foi sumariamente decepada. Também foram tosadas uma ária inteira de Rocco e a discussão entre Don Fernando e a turba sobre a punição de Pizarro, no final da ópera. O maravilhoso dueto “O namenlose Freude” foi cortado pela metade, e o início da ária “Ach! brich noch nicht!” de Leonore (que se tornaria “Abscheulicher!” na versão de 1814) foi abreviado. As apressadas machetadas surtiram efeito, e a nova “Leonore” foi um sucesso em sua estreia, ainda que a temporada viesse a ter apenas mais uma récita, por conta de brigas (para variar) entre o compositor turrão e a direção do teatro.

Para todos que se interessam por “Leonore”/”Fidelio”, indiscutivelmente a maior fonte de gastura e cabelos brancos para Beethoven entre todas suas obras, essa gravação da versão de 1806 é um pitéu. Reconstruída pelos musicólogos dos Arquivos Beethoven de Bonn, torna-se especialmente fascinante quando cotejada com a versão anterior e a final da ópera. Dessa forma, ela nos mostra como funcionava o estaleiro musical do renano, ao coletar os restos dum naufrágio de bilheterias e transfigurá-lo num razoável, ainda que tardio, sucesso. Ademais, ela se sustenta por si só, em especial pela notável Leonore de Pamela Coburn – uma das melhores Leonores entre todos “Fidelios” e “Leonores” que há no mercado fonográfico -, pelo ótimo coro e pelo competente acompanhamento sob a regência de Marc Soustrot, muito bem gravados por uma orquestra e num teatro conterrâneos do aniversariante de amanhã. O ponto fraco, como sói acontecer em gravações deste Singspiel, são os diálogos, aqui gravados por atores, cujas vozes têm timbres completamente diferentes dos cantores, e cujas intervenções são separadas dos números musicais por pausas que destroem qualquer fluência na trama. Minha sugestão é a habitual: pular os diálogos, indicados abaixo por aspas simples, e ouvir só a grande música do renano.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Leonore, oder Der Triumph der ehelichen Liebe (“Leonore, ou O Triunfo do Amor Conjugal”), ópera em dois atos (versão de 1806, Hess 110)

Libreto de Joseph Sonnleithner, baseado na peça “Leonore, ou L’Amour Conjugal” de Jean-Nicolas Bouilly, editado por Stephan von Breuning

DISCO 1

1 – Abertura em Dó maior, Op. 72b (“Leonore III”)

PRIMEIRO ATO

2 – ‘Fidelio kommt noch nicht zurück!’
3 – No. 1, ária: ‘O war ich schon mit dir vereint’
4 – ‘Wenn ich diese Thüre heute nicht schön’
5 – No. 2, dueto: ‘Jetzt, schatzchen, jetzt sind wir allein’
6 – ‘Es ist hein anderes Mittel übrig’
7 – No. 3, quarteto: ‘Mir ist so wunderbar’
8 – ‘Höre, Fidelio, wenn ich auch nicht weiß’
9 – No. 4, trio: ‘Gut, Sohnchen, gut’
10 – ‘Aber nun es Zeit, daß ich’
11 – No. 5: Marcha
12 – ‘Drey Schildwachen auf den Wall’
13 – No. 6, ária com coro: ‘Ha! Welch ein Augenblick!’
14 – ‘Ich darf keinen Augenblick säumen’
15 – No. 7, dueto: ‘Jetzt, Alter, hat es Eile!’
16 – ‘Ha! Rocco spricht noch immer mit dem Gouverneur!”
17 – No. 8, recitativo e ária: ‘Ach, brich noch nicht, du mattes Herz!…’
18 – ‘Sieh’ doch, da bist du schon wieder allein’
19 – No. 9 dueto: ‘Um in der Ehe froh zu leben’
20 – ‘Sieh’ lieber Fidelio, so anhänglich’

DISCO 2

1 – ‘Ha! so habe ich dich endlich ertappt’ – ‘Was habt ihr beyde dann wieder mit einander zu zanken?’
2 – No. 10, trio: ‘Ein Mann ist bald genommen’
3 – ‘Immer erregt es in mir wohlthätige Empfindung’
4 – No. 11, finale: ‘O welche Lust, in freier Luft’ – ‘Nun sprecht, wie ging’s?’ – ‘Wir müssen gleich zum Werke schreiten’ – ‘Auf euch nur will ich bauen’

SEGUNDO ATO

5 – No. 12: Introdução em Ré maior – Recitativo e ária: ‘Gott! Welch Dunkel hier!…’ – ‘In des Lebens Frühlingstagen’
6 – ‘Wie kalt ist es in diesen unterrdischen Gewölbe!’
7 – No. 13, dueto:  ‘Nur hurtig Fort, nur frisch Gegraben’
8 – ‘Er erwacht!’
9 – No. 14, trio: ‘Euch werde Lohn in bessern Welten’
10 – ‘Alles ist bereit; ich gehe das Signal geben!’
11 – No. 15, quarteto: ‘Er sterbe! Doch er soll erst wissen’
12 – ‘Verlaß uns nicht! O hilf – ‘
13 – No. 16, recitativo e dueto: ‘Ich kann mich noch nicht fassen’ – ‘O namenlose Freude!’
14 – ‘O Leonore, sprich! durch welches Wunder’
15 – No. 17, finale: ‘Zur Rache! Zur Rache!’ – ‘Hinweg mit diesem Bösewicht’

 

Pamela Coburn, soprano (Leonore)
Christine Neithardt-Barbaux, soprano (Marzelline)
Mark Baker, tenor (Florestan)
Jean-Philippe Lafont,  tenor (Pizarro)
Benedikt Kobel, tenor (Jaquino)
Eric Martin-Bonnet, baixo (Don Fernando)
Victor von Halem, baixo (Rocco)
Kölner Rundfunkchor
Orchester der Beethovenhalle Bonn
Marc Soustrot, regência

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 Leonore de 1805/Leonore de 1806

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

ANIVERSÁRIO DO PQP BACH!!! — 15 ANOS DEPOIS, A REEDIÇÃO DA PRIMEIRA POSTAGEM DE FDPBACH — Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonias Nos. 5 e 7 – Carlos Kleiber, WPO

 

Essa postagem foi minha estréia no PQPBach. Incrível que já tenha se passado tanto tempo, como diz a famosa expressão, “o tempo passa, o tempo voa”. Podemos nos orgulhar de sermos um dos primeiros blogs de música clássica no Brasil, anteriormente conversávamos em grupos especializados no saudoso Orkut, e foi ali que conheci o próprio PQPBach. Trocamos alguns Cds, discordamos sobre algumas gravações e  imediatamente nos tornamos amigos. Eu recém tinha me formado, e também me mudara de cidade, e batia perna distribuindo currículos. No estresse do dia a dia, postar no PQPBach foi uma forma de relaxar, ouvir novamente meus discos favoritos, e conversar com pessoas que tinham o mesmo gosto que o meu. Até então, eu era apenas um melômano, colecionava discos, gastando praticamente boa parte de meu salário na sua aquisição.

Muitos blogs vieram e se foram, outros ficaram. As próprias gravadoras acabaram se adaptando a realidade, então surgiram alguns sites maiores, como o Avaxhome, ou o Israbox, se tornaram grandes fornecedores de conteúdo multimídia, fossem CDs, fossem livros digitais, ou até mesmo filmes. Os até então odiados MP3 se tornaram ainda mais frequentes, e as gravadoras tiveram de se adaptar. Era como se essas gravadoras e os próprios estúdios holywoodianos entendessem que seria bobagem lutar contra a maré da ‘revolução’ que se instalava por meio da Internet.  E os engenheiros de som criaram novos formatos, para compensar a tal da perda de qualidade que o processo de conversão do áudio original para MP3 causava, surgindo assim os arquivos .FLAC, com melhor qualidade (mais perceptível para quem possui equipamentos de som de Alta Fidelidade). O aumento da velocidade de transmissão de dados também contribuiu para essa evolução. De ridículos 1 mb/s proporcionados pelos antigos modem adsl de quando comecei a postar, tivemos um aumento exponencial, e graças a instalação de cabeamento de fibra ótica, hoje as operadoras nos oferecem planos com velocidade de até  1, 5 TB / s, impensável  até há alguns anos.

Mas o que importa é que o PQPBach conseguiu completar quinze anos. Alguns novos colegas chegaram, outros vieram e nos deixaram, um querido membro do grupo veio a falecer, o nosso saudoso Ammiratore, enfim, entre idas e vindas,  continuamos firmes em nossa proposta original, proporcionar música de qualidade para nossos leitores – ouvintes. Como o Vassily faz questão de realçar, não nos preocupamos com quantidade, e sim com a qualidade. Alguns amigos me perguntam até hoje o que eu ganho com tanto empenho e trabalho. Respondo sempre que minha recompensa é a satisfação dos nossos leitores / ouvintes.

E é aos senhores que agradeço nestas comemorações.

E esse CD com o qual iniciei minha contribuição é muito especial.

No mar de gravações disponíveis das sinfonias de Beethoven, quase todo mundo tem suas preferências. Por isto, é surpreendente que as gravações do berlinense Carlos Kleiber (1930-2004) tenham se tornado um consenso nos últimos anos. Excêntrico e considerado um gênio por outros regentes, Kleiber tinha um repertório menor do que o comum dos maestros, os quais costumam aceitar qualquer empreitada. Gravou poucas óperas e poucos autores sinfônicos, mas suas intervenções, principalmente em Beethoven e Brahms, mereceram sempre os elogios mais rasgados. A gravação da 5ª Sinfonia de Beethoven, vinda diretamente do acervo de F.D.P. Bach, recebeu considerações nestes termos: “É como se Homero tivesse retornado para nos recitar a Ilíada”.

E, bem, trata-se de um Homero de extraordinária energia e entusiasmo. Não poderíamos iniciar melhor a participação de Beethoven no P.Q.P. Bach.

1. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 1 – Allegro con brio
2. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 2 – Andante con moto
3. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 3 – Allegro
4. Symphony No. 5 In C Minor, Op. 67: 4 – Allegro

5. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 1 – Poco sostenuto – vivace
6. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 2 – Allegretto
7. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 3 – Presto
8. Symphony No. 7 In A Major, Op. 92: 4 – Allegro con brio

Vienna Philharmonic Orchestra
Reg.: Carlos Kleiber

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Abraços, e uma boa semana.
Franz Dietrich Putz Bach.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (1, 2 e 3 de 9) (Guarneri)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral dos Quartetos de Cordas (1, 2 e 3 de 9) (Guarneri)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quer todos? Clica aqui, ó. Ah, não esqueçam disto aqui.

Iniciamos os Quartetos de Beethoven pelo extraordinário Op. 18. Como de costume, P.Q.P. Bach mostra uma integral a cargo de mais de um conjunto. (Tal coleção já está postada, gente, basta clicar no link acima para vê-la!) Em termos de Op. 18, em mais de cinco décadas nunca ouvimos nada comparável nada comparável à versão do Quarteto Guarneri.

É apenas uma opinião. Nada de nervos, por favor.

Um dos integrantes do Quarteto Guarneri gosta de dar uma cantadinha a la Gould enquanto toca. Até aí, tudo bem, a qualidade do conjunto compensa a cantoria. Só que ouçam a partir dos 5min36 do terceiro movimento do Quarteto Nº 5; o cara parece ter sentido uma indisposição qualquer. Confira. Na minha opinião e na de quase todo mundo, os quartetos 5 e 6 são as grandes estrelas do Op. 18. É necessário grande verve para interpretá-los e o Guarneri sai-se esplendidamente. Um sensacional álbum triplo!

Beethoven — Os Seis Quartetos de Cordas Op. 18

Quartet in F, Op. 18 No. 1
1 Allegro con brio
2 Adagio affettuoso ed appassionato
3 Scherzo: Allegro molto; Trio
4. Allegro

Quartet in G, Op. 18 No. 2
5 Allegro
6 Adagio cantabile; Allegro; Tempo I
7 Scherzo: Allegro; Trio
8 Allegro molto; quasi presto

BAIXE AQUI O CD1 — DOWNLOAD CD1 HERE

Quartet in D, Op. 18 No. 3
1 Allegro
2 Andante con moto
3 Allegro
4 Presto

Quartet in C Minor, Op 18 No. 4
5 Allegro ma non tanto
6 Scherzo: Andante scherzoso quasi allegretto
7 Menuetto: Allegretto; Trio
8 Allegro; Prestissimo

BAIXE AQUI O CD2 — DOWNLOAD CD2 HERE

Quartet in A, Op. 18, No. 5

1. Allegro
2. Menuetto; Trio
3. Andante cantabile; Variazioni 1-5; Poco adagio
4. Allegro

Quartet in B-Flat, Op. 18 No. 6
5. Allegro con brio
6. Adagio ma non troppo
7. Scherzo: Allegro; Trio
8. La Malinconia: Adagio; Allegretto quasi allegro; Prestissimo

BAIXE AQUI O CD3 — DOWNLOAD CD3 HERE

Guarneri Quartet

guarneri

P.Q.P. Bach

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concerto nº5, in E-Flat major, op. 73 “Emperor” – Perahia, Haitink, Concertgebow Orchestra

Então chegamos finalmente àquele que muitos consideram o mais belo e mais perfeito Concerto para Piano já composto. Sua composição data de 1809, e desde sua estréia já foi aclamado e ovacionado como a obra prima que é, a suprema realização de Beethoven em seu mais caro e querido instrumento, o piano. A grandiloquência da obra, com sua abertura estonteante, deu-lhe a alcunha de “Imperador”.
E como comentei na primeira postagem desta série, considero esta gravação da dupla Perahia / Haitink contando com a cumplicidade dessa magnífica orquestra holandesa, como uma das melhores já realizadas. Serve para mim como padrão de referência para esse concerto, quando ouço alguma outra versão. O velho LP, comprado há uns trinta anos atrás, está ali na prateleira. Ele já me acompanhou em diversas mudanças, e provavelmente me acompanhará até o final de meus dias. O valor sentimental dele é muito grande para ser vendido.
Mas chega de lero-leros e óbvios ululantes e vamos ao que viemos, dando por concluído a postagem dessa magnífica integral dos Concertos para  Piano de Beethoven com esse timaço, que não canso de repetir, bate um bolão, tornando cada um destes discos facilmente classificáveis como “IM-PER-DÍ-VEIS” !!!!

P.S. Dedico essa série a nosso colega Vassilly, que confidenciou-nos certa vez que de vez em quando troca e-mails com Murray Perahia e Andre Watts. Pediria inclusive ao Vassily que assim que possível, transmitir os cumprimentos a Mr. Perahia por essa magnífica gravação, da parte de um grande admirador de seu talento.

Ludwig van Beethoven – Piano Concerto no.5 in E flat major, Op. 73, ‘Emperor’

01. Piano Concerto no.5 in E flat major, Op. 73, ‘Emperor’; I. Allegro
02. Piano Concerto no.5 in E flat major, Op. 73, ‘Emperor’; II. Adagio un poco moto
03. Piano Concerto no.5 in E flat major, Op. 73, ‘Emperor’; III. Rondo Allegro

Murray Perahia – Piano
Royal Concertgebow Orchestra
Bernard Haitink – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos nº 3 e nº 4 – Perahia, Haitink, Royal Concertgebow Orchestra

Dando continuidade a essa integral, trago hoje os Concertos de nº 3 e 4. O intérprete é Murray Perahia, acompanhado por Bernard Haitink e a maravilhosa Concertgebow Orchestra, de Amsterdam, a melhor orquestra da atualidade, na verdade, diria que já fazem algumas décadas que ela ostenta esse título.
Como não poderia deixar de ser, a qualidade do intérprete, da orquestra e do regente, amplificam a qualidade destas obras, com Perahia totalmente a vontade, e explorando a verve mais romântica delas, sabendo-se que principalmente o Concerto nº 3 pertence a uma fase de transição nas composições de Beethoven. Prestem atenção movimento Largo do Terceiro Concerto para entenderem o que estou dizendo. Lírico, e profundamente emotivo, diria que os mais emotivos até segurariam uma lágrima ao ouvirem a forma com que Perahia se entrega em sua interpretação.

Piano Concertos nº 3 e nº 4 – Perahia, Haitink, Royal Concertgebow Orchestra

01. Piano Concerto No 3 – Allegro con brio
02. Largo
03. Rondo Allegro
04. Piano Concerto No 4 – Allegro moderato
05. Andante con moto
06. Rondo vivace

Murray Perahia – Piano
Royal Concertgebow Orchestra, Amsterdam
Bernard Haitink – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – The Piano Concertos – Piano Concertos 1 & 2 – Perahia, Haitink, RCO

ESTOU REVALIDANDO ESTES LINKS EM HOMENAGEM AO GRANDE BERNARD HAITINK, UM DOS MAIORES MAESTROS DO SÉCULO XX E XXI, E, COMO COMENTOU NOSSO VASSILY , ERA , “COM SOBRAS, O MAIOR REGENTE A RESPIRAR NESTA ATMOSFERA.” NOS PRÓXIMOS DIAS REVALIDAREMOS ANTIGAS POSTAGENS, E NOVIDADES QUE NUNCA APARECERAM POR AQUI. SUA DISCOGRAFIA ERA IMENSA, MAS TENTAREMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, TRAZER AO MENOS UMA AMOSTRA DO SEU TALENTO. 

Esta foi a primeira integral dos Concertos para Piano de Beethoven que adquiri. Era muito popular e comum nas lojas de disco nos anos 80. OS velhos LPs já se foram, em uma crise financeira nos inícios dos anos 90 fui obrigado a vender muitos discos, o que lamento profundamente, nem gosto de lembrar daquela época de minha vida.
Mas foi através destas gravações de Beethoven que conheci Murray Perahia, e esta sua parceria com o imenso Bernard Haitink e a inigualável Royal Concertgebow Orchestra de Amsterdam marcou época. em minha vida. Seu Concerto Imperador é um primor de eficiência técnica e estilística, uma gravação que guardo com muito carinho e ao qual sempre recorro para fazer alguma comparação, ou até mesmo para satisfação pessoal.
Mas neste primeiro CD temos os dois primeiros concertos, e sempre que trago essas obras as defino como essencialmente mozartianas, mas já trazendo embutidos em sua alma o DNA beethovenniano. Ou ao contrário. Os senhores decidem.
P.S. Prestem atenção à cadenza do primeiro movimento, recentemente descoberta, e magistralmente interpretada por Perahia.

Nem preciso então dizer que trata-se de uma integral IM-PER-DÍ-VEL !!!.

01. Piano Concerto No 1 – I Allegro con brio
02. Cadenza
03. II – Largo
04. III – Rondo Allegro scherzando
05. Piano Concerto No 2 – I Allegro con brio
06. Cadenza
07. II – Adagio
08. III – Rondo Molto allegro

Murray Perahia – Piano
Royal Concertgebow Orchestra, Amsterdam
Bernard Haitink – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE