Na minha opinião, uma obra-prima do jazz contemporâneo. Jazz? Será mesmo? Não será erudito? Estranhamente, fiquei entusiasmadíssimo ouvindo este CD com fones, na rua. Tal entusiasmo diminuiu um pouco quando o ouvi em casa. Quem sabe é algo para se ouvir com som muito alto? Pode ser. A faixa que mais me deixou feliz foi talvez a menos erudita, Furrow 6, de tema espetacularmente jazzistíco. Este é um disco que surpreende até mesmo os ouvintes mais familiarizados com a vasta discografia de Evan Parker. Em Boustrophedon, o saxofonista britânico, conhecido por sua improvisação iconoclasta, revela-se como compositor, uma faceta que aqui ocupa o centro do palco. Gravado ao vivo em Munique em setembro de 2004, o álbum é o sucessor lógico de Composition/Improvisation Nos. 1, 2 & 3, de Roscoe Mitchell, e conta com o mesmo grupo de 14 músicos: o Transatlantic Art Ensemble. Não é um disco para os puristas estilísticos ou para os corações mais frágeis. É uma música que exige atenção e desafia as concepções prévias sobre o que a música pode ser. Mas, para aqueles dispostos a mergulhar em sua complexidade, o álbum oferece uma experiência musical gratificante. É um testemunho do poder criativo de Parker e uma prova de que, mesmo após mais de 250 álbuns, ele ainda é capaz de surpreender e emocionar.
Evan Parker – Boustrophedon
1. Overture (1:21)
2. Furrow 1 (8:09)
3. Furrow 2 (5:46)
4. Furrow 3 (11:07)
5. Furrow 4 (5:21)
6. Furrow 5 (8:20)
7. Furrow 6 (12:52)
8. Final (6:19)
Evan Parker: soprano sax
Roscoe Mitchell: alto sax, soprano sax
Anders Svanoe: alto sax
John Rangecroft: clarinet
Neil Metcalfe: flute
Corey Wilkes: trumpet, flugelhorn
Nils Bultmann: viola
Philipp Wachsmann: violin
Marcio Mattos: cello
Craig Taborn: piano
Jaribu Shahid: double-bass
Barry Guy: double-bass
Tani Tabbal: drums, percussion
Paul Lytton: drums, percussion

PQP
Olá caríssimo PQP!
Adoro os presentes dos Interlúdios jazzzzeiros. Está cada dia melhor. Sempre com uma indicação nova (e de fud…!!!). Não sabem o quanto sou grato por ter conhecido o blog.
Através dele eu conheci mundos estranhos e desconhecidos que ignoram limites entre aquela ou aquela cor (sonora). Quando escrevo escuto um novo CD (nosssa, que coisa! quase uma traição… ) downado no Jazzever, favorito desta confraria. O album de 1981 do guitarrista Ralph Towner e Abercrombie, Five Years Later. O Towner eu conheci aqui, assim como o Pet Metheny. Mesmo achando (e eu só posso achar mesmo) que o Metheny é melhor guitarrista, tenho ouvidos mais inclinados à Ralph. Motivo? Lá sei eu. ‘Caminata’, do album que estou ouvindo…
Bom, o fato é que tenho que falar de outra banda que conheci aqui, em post do Blue Dog (CADE VOCÊ?!). A Polar Bear!! Ela, ela, simplesmente mudou a forma como eu via o jazz contemporâneo. E exatamente por isso eu downei Esbjorn Svensson Trio e vou a cata, agora, do Evan Parker.
Muito. Muitíssimo obrigado.
Longa vida aos filhos de Bach,
que viveram e continuam firmes no propósito de polinizar beleza.