Um belo CD. Principalmente na parte exclusivamente instrumental. Um show. Mas não apressemos as coisas.
P.Q.P. Bach estava preocupadíssmo com a situação da música francesa por aqui. Estava dormindo mal, até. A história deste blog demonstra que as observações desconfiadas de PQP sobre a música francesa foram recebidas, certa vez, com a hostilidade de alguns europeus. Pois agora, paradoxalmente, é ele quem levanta bem alto (Raise high the roof beam, carpenters) a bandeira da França de tão belas mulheres e de música tão desigual.
Mas nem sempre foi assim: houve Rameau e outros. E há este grande CD que mistura a música instrumental (extraordinária, meus amigos) do compositor com sua música vocal.
Jean-Philippe Rameau nasceu em Dijon e faleceu em Paris. Filho do organista da catedral Notre-Dame de Dijon, distinguiu-se, desde cedo, como um organista de especial talento para a composição musical. Também tinha grande talento para a matemática embora não tenha contribuído para ela.
Foi enquanto organista em Clermont-Ferrand que ele escreveu seu famoso tratado de harmonia. Era também muito conhecido como professor de cravo, bastante em moda na Paris de sua época. A técnica da dedilhação dos instrumentos de teclado deve muito a Rameau e só foi modificada por meu pai, Johann Sebastian Bach, seu contemporâneo, com o uso mais efetivo do polegar. No final de sua vida, tornou-se “compositor do rei” e, ao falecer, teve todas as honras da nobreza e funeral público com grande pompa e circunstância.
Teórico eminente e amigo de Voltaire, protegido de poderosos representantes da nova burguesia, era bem o homem novo, que os progressistas de então tiveram a loucura de não reconhecer. As suas óperas (especialmente as suas obras-primas criadas entre 1733 e 1745) representam, no campo musical, um renascimento da ópera clássica francesa, apesar dos temas e encenações convencionais que ligam às “pompas de Versalles”. Aí, notam-se, especialmente, algumas aquisições italianas (ária da capo, grandes melodias do bel canto, importância da orquestra): arte muito mais audaciosa do que a de Lully, tanto do ponto de vista melódico como harmônico. As peças descritivas, especialmente notáveis, têm origem numa arte totalmente nova (o tremor de terra das Indes galantes, por exemplo).
A música religiosa, pelo contrário, adotou, de forma bastante convencional, o grande estilo italiano: parece que, ao contrário dos seus antecessores, Rameau considerou a composição para igreja uma obrigação fastidiosa. A música religiosa é ótima, prezado Jean-Philippe, mas a igreja é, com efeito, fastidiosa.
(O texto acima é meu, mas também é da Wiki e daqui.)
P.Q.P. Bach.
Jean-Philippe Rameau (1683-1764) – Cantates Profanes e Pièces en Concert
1. Pièce En Concert N.1 : La Coulicam
2. Pièce En Concert N.1 : La Livri
3. Pièce En Concert N.1 : La Vezinet
4. L’ Impatience : Récit : Ces Lieux Brillent …
5. L’ Impatience : Air Gai : Ce N’est Plus …
6. L’ Impatience : Récit : Les Oiseaux …
7. L’ Impatience : Air Tendre : Pourquoi Leur Envier …
8. L’ Impatience : Récit : Mais Corine Parait
9. L’ Impatience : Air Léger : Tu Te Plais …
10. Pièce En Concert N.3 : La Poplinière
11. Pièce En Concert N.3 : La Timide
12. Pièce En Concert N.3 : 1er Et 2e Tambourin
13. Thétis : Prélude
14. Thétis : Récit : Muses, Dans Vos Divin Concerts
15. Thétis : Air : Volez Tirans Des Airs
16. Thétis : Récit : Neptune En Ce Moment
17. Thétis : Air : Parlez, Volez …
18. Thétis : Récit : Quel Aveugle …
19. Thétis : Air Gracieux : Beauté …
20. Pièce En Concert N.5 : La Forqueray
21. Pièce En Concert N.5 : La Cupis
22. Pièce En Concert N.5 : La Marais
Christophe Coin (Violoncelliste, Gambiste),
Bernard Deletre (Basse),
Willem Jansen (Clavecin),
Sandrine Piau (Soprano),
Irene Troi (Violon)






