Não conheço quem desgoste de Haydn. Pode ser que fiquemos indiferentes, mas detestar o gentil, talentoso e simpático Haydn? Nunca! Um autor muito inteligente e às vezes cômico — será que eu já não escrevi isso aqui antes? –, Peter Gammond, disse que Haydn teria sido tão grande quanto Mozart se não houvesse sido tão feliz. Faltava-lhe uma pitada de drama e só alguém absolutamente sem problemas teria escrito tanta coisa… incondicionalmente feliz. Talvez Gammond tenha razão. Haydn escreveu, por exemplo, missas maravilhosas, só que de religiosidade pra lá de duvidosa. Sua verdadeira religião era a música. Não acho convincente o Haydn dos oratórios e missas, mas acho convincente o compositor. Por que escrevo isso? Sei lá.
Eu não sei se este CD foi lançado desta forma ou se alguém juntou estas gravações de Fischer. O único que posso dizer é que meus ouvidos garantem que são de primeira linha. São belos registros de algumas das Sinfonias do mestre.
F. J. Haydn (1732-1809): 4 sinfonias com apelidos: “Philosopher” (22), “La Roxelane” (63), “Laudon” (69) e “La Chasse” (73) (Adam Fischer)
Symphony No. 22 in E flat major (“Philosopher”), H. 1/22
1. Adagio
2. Presto
3. Minueto
4. Finale: Presto
Symphony No.63 in C major ‘La Roxelane’
5. Allegro
6. La Roxelane, allegretto (o piu tosto allegro)
7. Menuet & trio
8. Finale, presto
Symphony No.69 in C major ‘Laudon’
9. Vivace
10. Un poco adagio piu tosto andante
11. Menuetto & trio
12. Finale, presto
Symphony No.73 in D major ‘La Chasse’
13. Adagio-allegro
14. Andante
15. Menuetto & trio, allegretto
16. Finale, allegro assai
Austro-Hungarian Haydn Orchestra
Conductor: Adam Fischer
Nota inicial de Ranulfus: Há um mês o mesmo repertório deste CD (Brandenburgos e Aberturas) voltou à baila executado pelos canadenses da Taffelmusik, em postagem do colega FDP Bach. Ouvi, gostei e recomendo – mas para meu gosto pessoal esta realização de Masaaki Suzuki continua campeã absoluta. Baste dizer que eu sempre havia considerado o 1º Brandenburgo um tanto massudo em comparação com os demais, até chato… mas ao arrancá-lo do salão para o galpão, recuperando a energia e rusticidade das trompas não sem razão chamadas “de caça”, Mr Suzuki conseguiu transformá-lo para mim, de golpe, em uma das peças mais excitantes e queridas do velho Bach!
Daí o meu choque ao descobrir que os links desta postagem estavam vencidos há anos. Inconformado, tomei a postagem de assalto e renovei os links, com ligeira reformulação da apresentação, sem nem pedir licença ao autor da postagem, nosso Grão-Mestre PQP Bach – esperando que ele abrevie em pelo menos dois anos minha condenação às galés pelo fato de preservar a seguir o seu texto original:
É óbvio que as pessoas que mantêm o PQP Bach têm vários parafusos soltos. Em primeiro lugar pela constância e absoluto saco de fazer os ups, em segundo lugar (há vários outros “lugares”) por inventar efemérides onde não há. E a moda do momento é fazer o 200º post de Bach. Nós simplesmente adotamos o desafio do “Raphael – Cello” de chegar JÁ ao post 200 e entramos num alucinado tour de force. Pois agora eu respondo ao Carlinus com o mesmo repertório de seu post de ontem, só que na interpretação de Masaaki Suzuki e do Bach Collegium Japan. Acho que ninguém vai reclamar de novos Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais, né? As duas versões que apresentamos hoje são esplêndidas, o que destrói qualquer tentativa de encontrar um registro mais correto, pois ambas são NOTÁVEIS e MUITO DIFERENTES.
Comprovem dando uma ouvida com que fez Suzuki no 2º movimento do 3º Brandenburguês. Sim, cinco minutos onde não há nada (na minha gravação da Orq. de Freiburg este movimento tem 13 segundos !!!).
J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo e Suítes Orquestrais – Masaaki Suzuki / Bach Collegium Japan
Brandenburg Concerto No. 1 in F major, BWV 1046
1.1. (No tempo indication)
1.2. Adagio
1.3. Allegro
1.4. Menuet – Trio – Menuet – Polonaise – Menuet – Trio – Menuet
Brandenburg Concerto No. 2 in F major, BWV 1047
2.1. (No tempo indication)
2.2. Andante
2.3. Allegro
Brandenburg Concerto No. 3 in G major, BWV 1048 3.1. (No tempo indication)
3.2. Adagio
3.3. Allegro
Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV 1049 4.1. Allegro
4.2. Andante
4.3. Presto
Brandenburg Concerto No. 5 in D major, BWV 1050 5.1. Allegro
5.2. Affettuoso
5.3. Allegro
Brandenburg Concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051 6.1. (No tempo indication)
6.2. Adagio ma non tanto
6.3. Allegro
Orchestral Suite No. 1 in C major, BWV 1066 1.1. Ouverture
1.2. Courante
1.3. Gavotte 1/2
1.4. Forlane
1.5. Menuet 1/2
1.6. Bourrée 1/2
1.7. Passepied 1/2
Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068 3.1. Ouverture
3.2. Air
3.3. Gavott 1/2
3.4. Bourrée
3.5. Gigue
Orchestral Suite No. 4 in D major, BWV 1069 4.1. Ouverture
4.2. Bourrée 1/2
4.3. Gavotte
4.4. Menuet 1/2
4.5. Réjouissance
Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067 2.1. Ouverture
2.2. Rondeau
2.3. Sarabande
2.4. Bourrée 1/2
2.5. Polonaise – Double
2.6. Menuet
2.7. Badinerie
Domingo é dia de ópera – pelo menos para a Rádio MEC – e nada como um disco com árias de óperas de Mozart para encher a sala de música com os mais diversos sons e sentimentos – raiva, medo, persuasão – você pode nomear, vai encontrar tudo lá, inclusive um bocado de gozação. O disco é uma compilação de muitas gravações pelo selo amarelo, mas todas relativamente recentes, com cantores magníficos.
Liderando o time a soprano Anna Netrebko, cantando também o galês Bryn Terfel, Thomas Quasthoff, Elīna Garanča e outros. Entre os regentes Claudio Abbado e Charles Mackerras. A lista completa dos créditos está logo a seguir.
Eu gostei do disco, que parte logo para a ação, nada de ouverture, começamos logo com a anfitriã cantando uma ária da personagem Susanna, de As Bodas de Fígaro. A seguir alguns comentários (em parte amparados pelo Chat PQP Bach) sobre as árias apresentadas no disco.
Terfel como Fígaro
“Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar” (Susanna, de As Bodas de Fígaro): Esta é uma ópera buffa, por excelência. Trocas de papéis, jovem disfarçado de garota (papel sempre interpretado por cantora), um tentando passar a perna no outro. Nesta ária, Susanna está vestida como a Condessa e finge cantar uma canção de amor para o Conde; há uma enorme sinceridade nesta “falsa ária”, porque na verdade ela está cantando para Fígaro (embora ele não saiba disso e fica extremamente enciumado). Falsa nobreza, mas sentimentos verdadeiros; um sonho para os amantes do teatro.
“Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro” (Conde, de As Bodas de Fígaro): O Conde quer dar uma de bonzinho, abriu mão do direito da ‘primeira noite’, mas está de ‘olho na butique’ da Susanna, até perceber que está sendo engabelado por todos, praticamente. É claro, fica furioso… Ária típica de ópera buffa.
“Parto, parto, ma tu, ben mio” (Sesto, La clemenza di Tito): ‘Ópera séria’, a última composta por Mozart, e esta é uma ária cantada pelo personagem Sesto (um contralto ou meio-soprano, de novo, mulher fazendo papel de homem), expressando seu conflito ao ter que partir, apesar do amor por Tito, seu amigo e imperador. Eu conheço pouco essa obra, nunca ouvi uma gravação completa, mas a ária é bem especial. Chama a atenção a interação da voz com o clarinete obbligato. Certamente Mozart, que era um perfeito ‘alfaiate’ para as vozes dos cantores com quem estava trabalhando, também prezava as amizades com os músicos. Aqui, o papel do clarinete certamente se deve ao seu amigo Anton Stadler.
Thomas, como ele mesmo…
“Madamina, il catalogo è questo” (Leporello, Don Giovanni): Essa é figurinha carimbada, a famosa ária do catálogo, na qual Leporello, o faz-tudo do mulherengo Don Giovanni, conta à pobre Donna Elvira, a lista de conquistas do famoso sedutor, revelando o mau caratísmo do famoso nobre.
“Oh smania! oh furie!” (Orestes, Idomeneo): É um famoso recitativo e ária dramática da ‘ópera séria’ que demonstra a maestria de Mozart em expressar emoções intensas, particularmente no personagem atormentado de Oreste, marcando um passo significativo em sua maturidade como compositor de ópera. O texto em italiano expressa tormento extremo, raiva e desespero, condizentes com a situação desesperadora de Orestes.
“In diesen heil’gen Hallen” (Saratro, A Flauta Mágica): Aqui uma ária para baixo profundo, personagem típico das companhias de ópera daquela época. O primeiro Sarastro chamava-se Franz Xaver Gerl e era membro da troupe de Emanuel Schikaneder, outro amigão de Wolfie. Ele foi o primeiro Papageno. A Flauta Mágica não era uma ‘ópera’ (no sentido buffa ou séria), era um Singspiel, uma brincadeira em alemão.
“Fuggi, crudele, fuggi!” (Donna Anna e Don Ottavio, Don Giovanni): Neste caso um dueto com a prima dona da ópera e o tenor. O dueto é dramático, os dois cantam na presença do corpo do Comendador, pai de Donna Anna, morto por Don Giovanni. Don Ottavio é o noivo da moça e quer protegê-la e tal, mas está mais para um ‘dois de paus’. Ah, mas suas árias são lindíssimas.
“Là ci darem la mano” (Don Giovanni, Zerlina): Nesse belíssimo dueto, daquele que não esquecemos mais, o péssimo Don Giovanni tenta seduzir a povera raggazza, Zerlina, que está noiva de Masetto. O Don quase consegue seus intentos, mas é impedido pela chegada dos outros personagens da ópera, que estão na sua cola…
Königin der Nacht
“Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen” (Rainha da Noite, A Flauta Mágica): Ária icônica, até quem não ouve música clássica, que dirá ópera, conhece. A Rainha da Noite promete mover as forças das profundas para conseguir seus intentos vingativos. Há quem diga que Mozart inspirou-se na sogra para esse papel. A Vingança do Inferno Ferve no Meu Coração. Barra pesada…
“Der Vogelfänger bin ich ja” (Papageno, A Flauta Mágica) Nesta deliciosa ária o lado mais terreno do quarteto principal da ópera se apresenta: o caçador de pássaros sou eu! Papageno é aquele que sente fome, tem sede, quer encontrar sua Papagena! Maraviglia!
“Ah, perdona al primo affetto” (Annio e Servilia, La clemenza di Tito): Dueto do Ato I da ópera, cantado pelos personagens Annio (um jovem nobre romano, frequentemente interpretado por uma mezzo-soprano) e Servilia (irmã de Sesto). É um momento de terno amor juvenil e resignação, que ocorre depois que Annio descobre que o Imperador Tito escolheu Servilia para ser sua imperatriz. Tipo, Tristão e Isolda, mas bem distante, viu…
“Zeffiretti lusinghieri” (Ilia, Idomeneo): Ária da princesa troiana cativa, na qual ela expressa seu amor por Idamante, pedindo aos ventos que levem suas declarações, em um momento de solidão e ternura antes de saber da ameaça de sacrifício que paira sobre seu amado. Parece enredo de novela de fim de tarde, mas é isso, tudo muito bonito.
“Soave sia il vento” (Fiordiligi, Dorabella e Don Alfonso, Così fan tutte) É um belíssimo trio no qual as irmãs Fiordiligi e Dorabella, junto com o cínico Don Alfonso, se despedem de seus amados Ferrando e Guglielmo, que estão em um barco fingindo ir para a guerra. É enrolado, mas tudo faz parte da aposta entre os rapazes e Don Alfonso. Elas estão pedindo que o vento seja suave e as ondas calmas para os amantes possam navegar tranquilamente. Um momento de paz e beleza lírica, encerrando assim o programa do álbum.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar
Ho già vinto la causa! … Vedrò mentr’io sospiro
Parto, parto, ma tu, ben mio
Madamina, il catalogo è questo
Oh smania! Oh furie…
In diesen heil’gen Hallen
Fuggi, crudele, fuggi!
Là ci darem la mano
Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen
Der Vogelfänger bin iIch ja
Ah, perdona al primo affetto
Zeffiretti lusinghieri
Soave sia il vento
Anna Netrebko (1, 5, 7, 12)
Elīna Garanča (3, 11)
Bryn Terfel (2, 13)
Thomas Quasthoff (4, 8, 10)
René Pape (6)
Christoph Strehl (7)
Erika Miklósa (9)
Miah Persson e Christine Rice (13)
Orchestra Mozart & Claudio Abbado (1, 5, 7, 12)
Scottish Chamber Orchestra & Charles Mackerras (2, 13)
Staatskapelle Dresden & Sebastian Weigle (3, 4, 8. 10, 11)
This is, in other words, a collection of golden eggs worth anyone’s money. It must be regretted that DG have omitted texts and translations but at least provide thumbnail resumes of the contents of each number.
Aproveite!
René Denon
Sir Charles encorajando o grupo do PQP Bach Opera CIA
Atendendo a pedidos, postamos a Sinfonia Nº 2 de Sibelius. Adoro as Sinfonias do Cabeça de Ovo. Dentre as sinfonias do finlandês, minhas preferências são as de Nº 2, 4, 5 e 7, ou seja, quase todas. Para nossa alegria, há um bom CD da Naxos onde a segunda vem acompanhada da maravilhosa sétima, apesar de que a gravação que mora nos ouvidos de PQP é uma ainda mais antiga, a cargo do grande Evgueni Mravinski (1903-1988), junto à Filamônica de Leningrado, na qual o trombonista dá um show de competência. Aliás, acho que nesta gravação o engenheiro de som achatou o trombonista, que executa o principal tema desta vertiginosa sinfonia em um movimento. O registro de Leaper não é nada ruim — longe disso! — e hoje ficaremos com ela.
Symphony No. 2 in D major, Op. 43 Performed by:Slovak Philharmonic Orchestra Conducted by:Adrian Leaper
I. Allegretto – Poco allegro – Tranquillo, ma poco a poco revvivando il tempo al allegro 10:05
II. Tempo andante, ma rubato – Andante sostenuto 13:50
III. Vivacissimo – Lento e suave – Largamente 6:00
IV. Finale: (Allegro moderato) 13:21
Symphony No. 7 in C major, Op. 105 Performed by:Slovak Philharmonic Orchestra Conducted by:Adrian Leaper
O álbum Contínua Amizade (2011) de André Mehmari e Hamilton de Holanda é uma joia a música instrumental brasileira contemporânea. É um encontro de metres — são dois dos maiores instrumentistas e compositores da sua geração que uniram em um projeto de diálogo musical. Ambos são conhecidos por sua técnica virtuosística, criatividade e domínio de linguagens que vão do choro e samba ao jazz e à música erudita. Contínua Amizade reflete não apenas a parceria artística, mas a amizade pessoal entre eles, resultando em uma comunicação musical fluida e orgânica. Mehmari traz sua formação erudita e influências jazzísticas, enquanto Hamilton é o grande revolucionário do bandolim, expandindo os limites do bandolim de 10 cordas. Juntos, criam um som que é ao mesmo tempo raiz e vanguarda. O disco é majoritariamente autoral, com composições de ambos, além de algumas releituras significativas.
André Mehmari & Hamilton de Holanda: Contínua Amizade
1 Rosa
2 Notícia
3 Choro Da Contínua Amizade
4 Acontece
5 Di Menor
6 Choro Negro
7 O Sonho
8 Enchendo o latão
9 Vivo Entre Valsas
10 Baião Malandro
11 Love Theme (From Cinema Paradiso)
12 Choro Negro (primeiro ensaio)
13 Notícia (primeiro ensaio)
14 Choro Da Contínua Amizade (primeiro ensaio)
André Mehmari, piano
Hamilton de Holanda, bandolim
Um dia, estava dirigindo para o trabalho e a Sinfonia Singular começou a tocar na rádio da UFRGS. Cheguei a meu destino ao final do primeiro movimento e não consegui sair de dentro do carro até o final. Eu simplesmente TINHA que saber o que era aquilo. Era 1989. Então, o locutor anunciou Franz Berwald? Berwald? Who the fuck is Berwald? Importei um vinil alemão e, com a Singular, veio este notável Concerto para Piano que também há neste CD da Naxos.
Fiquei meio abobalhado. Depois conheci o Septeto (que logo pretendo postar) e outras obras igualmente muito boas. A magia quebrou-se com os Poemas Sinfônicos, que não chegam aos pés das sinfonias e das obras de câmara que possuo.
Mas o que importa é que — sério! — este é um dos melhores CDs que tenho. É absolutamente inesperado e surpreendente. O sueco Berwald pode não ter sido constante, mas quando acertava uma obra, acertava mesmo. Não deixem de ouvir com atenção a Singular. É música de primeiríssima linha. O primeiro movimento é irresistível e o resto não lhe fica muito atrás. O Concerto para Piano também é excelente! Pois é, Berwald foi um mestre!
Franz Berwald (1796-1868): Sinfonia Nº 3 “Singular”, Nº 4 “Naive” e Concerto para Piano (Kamu)
1. Symphony No. 3 in C major, “Sinfonie singulière”: I. Allegro fuocoso 11:47
2. Symphony No. 3 in C major, “Sinfonie singulière”: II. Adagio – Scherzo: Allegro assai – Adagio 9:02
3. Symphony No. 3 in C major, “Sinfonie singulière”: III. Finale: Presto 8:25
4. Piano Concerto in D major: I. Allegro con brio 9:27
5. Piano Concerto in D major: II. Andantino 5:14
6. Piano Concerto in D major: III. Allegro molto 6:06
7. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: I. Allegro risoluto 8:54
8. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: II. Adagio 6:33
9. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: III. Scherzo: Allegro molto 5:32
10. Symphony No. 4 in E flat major, “Sinfonie naive”: IV. Finale: Allegro vivace 6:36
Niklas Sivelöv, piano
Helsingborg Symphony Orchestra
Okko Kamu
Uma bela gravação. Bem, como esta Sinfonia é muito conhecida e comentada — deve ter sido postada mil vezes neste blog –, vamos pelas margens. O que é o tal “movimento Blumine”? Este movimento “Das Flores” foi suprimido da Primeira Sinfonia de Gustav Mahler. Ele fazia parte da obra em suas primeiras versões. Sua história é reveladora do quanto Mahler considerava a repercussão de seus trabalhos. A sinfonia foi estreada em 1899 na cidade de Budapeste como um Poema Sinfônico com cinco movimentos, sendo o segundo movimento o “Blumine”. Ele é lírico e pastoral, dominado por uma melodia serena levada pelo trompete solo (ou às vezes no corne inglês), acompanhada por cordas suaves. O “Blumine” representava um momento de inocência e amor juvenil – uma pausa lírica antes do turbilhão do scherzo. Por que Mahler o removeu? Ah, houve críticas… O movimento foi considerado “muito leve” e desconexo do caráter épico e conflituoso do resto da obra. Críticos o chamaram de “supérfluo” ou “kitsch”, coisa que Mahler não suportou… Então Mahler assentiu e resolveu reforçar a unidade dramática da sinfonia. O “Blumine” soaria como um resquício de música incidental, que quebrava o fluxo sinfônico. Em 1893 (Hamburgo) e 1896 (Berlim), Mahler já havia cortado o movimento. Na versão definitiva (1906), a sinfonia consolidou-se em quatro movimentos, no formato clássico. Palavras do compositor: ele disse que o movimento era “muito ingênuo” para o conjunto, e que sua doçura soava como uma “lembrança excessivamente direta” da música de teatro. Eu? Eu achei o Blumine bem chatinho.
Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 1, Titã (Halász, incluindo, ao final, o movimento Blumine)
Symphony No. 1 In D Major “Titan”
1 Langsam, Schleppend 16:19
2 Kräftig Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell 7:32
3 Feierlich Und Angemessen, Ohne Zu Schleppen 10:02
4 Stürmisch Bewegt 19:29
5 Blumine (Original 2nd Movement) 7:15
Conductor – Michael Halász
Orchestra – Polish National Radio Symphony Orchestra (Katowice)*
A maioria das pessoas geralmente associa uma canção de protesto a uma música rock ou folk que usa a letra para abordar temas como guerra, direitos civis, desigualdade, ganância e outros males sociais. Ao consultar listas das melhores canções de protesto, encontramos pouquíssimos assuntos fora dos Estados Unidos e do mundo ocidental, nenhum jazz e certamente nenhuma música instrumental. Parece que quem compila essas listas não está muito familiarizado com Charlie Haden. Ao longo de quatro décadas, Haden gravou vários álbuns com a Liberation Music Orchestra, um conjunto que liderou com Carla Bley, todos focados na opressão e injustiça em diferentes partes do mundo. Curiosamente, todos foram lançados durante governos republicanos nos EUA.
Charlie Haden cresceu no Meio-Oeste americano e, desde cedo, percebeu a injustiça que se manifestava de diversas formas contra negros, pobres e outras minorias. Ao escolher a vida de músico de jazz e participar do movimento free jazz dos anos 60, ele teve uma experiência adulta com o racismo. Ele também estava bem ciente da opressão ao redor do mundo, um tema que o século XX não deixou de abordar. Com a escalada da Guerra do Vietnã no final dos anos 60, ele decidiu formar a Liberation Music Orchestra (LMO), que se tornou uma das expressões políticas mais contundentes do jazz. Considero esse ativismo admirável, não pelo aspecto político da mensagem, mas sim pela profunda compaixão humana que o fundamenta. Charlie Haden disse certa vez: “Sempre fui um idealista e acredito que dentro de cada ser humano que nasce neste planeta existe a capacidade de sentir emoções profundas. Penso que esses sentimentos são sufocados ou suprimidos pelo ambiente, pelo sistema em que vivemos. E acredito firmemente que todo ser humano carrega o universo dentro de si desde o princípio dos tempos.”
Haden não se furtava a expressar suas opiniões, mesmo quando confrontado com perigo real. Em 1971, juntou-se a Ornette Coleman na turnê do Newport Jazz Festival pela Europa, uma caravana que reunia os maiores nomes do jazz da época, incluindo Miles Davis, Duke Ellington, Dexter Gordon, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e outros. A turnê o levou a Lisboa. Na época, Portugal tinha colônias na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique e combatia movimentos nacionalistas nessas regiões, usando força militar pesada contra os insurgentes e suprimindo direitos humanos básicos. Durante o concerto, ao apresentar sua composição “Song for Che”, escrita em memória de Che Guevara, Haden dedicou a canção aos movimentos de libertação dos povos negros nessas colônias. Os estudantes portugueses liberais presentes no concerto o aplaudiram de pé durante toda a execução da música de 12 minutos. Como era de se esperar, esse evento não foi bem recebido pelas autoridades portuguesas, que prenderam Haden no dia seguinte no aeroporto. A embaixada americana interveio, mas não antes que ele tivesse que passar um dia em uma cela de prisão.
Em 1982, Charlie Haden gravou o segundo álbum de estúdio da Liberation Music Orchestra, The Ballad of the Fallen. Assim como no primeiro álbum, ele incluiu canções da Guerra Civil Espanhola, mas desta vez, refletindo sobre as atividades do governo Reagan na América do Sul, adicionou canções de El Salvador, Chile e uma canção portuguesa associada ao movimento de resistência do início dos anos 70, que ele conheceu uma década antes. Na contracapa do álbum, ele apresentou uma pintura de um refugiado salvadorenho com a seguinte inscrição: “Não à intervenção dos EUA. Invasor ianque de El Salvador – Nosso único crime é sermos pobres – estamos cansados de tantas balas enviadas por Ronald Reagan”. Muito bem dito. Mais sobre isso em uma excelente entrevista com a lenda do jazz Charlie Haden sobre sua vida, sua música e sua política.
The Ballad of the Fallen é o álbum que mais gosto na discografia do LMO. Há algo de muito melancólico, mas ao mesmo tempo esperançoso, nessas melodias espanholas e sul-americanas, e os arranjos de Carla Bley lhes fazem um grande favor. Claro que ajuda o fato de o conjunto ser formado por alguns dos maiores músicos de free jazz da época: Don Cherry, Michael Mantler, Jim Pepper, Dewey Redman, Gary Valente, Paul Motian e outros. A sintonia rítmica entre Motian e Haden é quase telepática. Por décadas, eles foram uma das melhores duplas rítmicas do jazz, tocando com o quarteto americano de Keith Jarrett e em vários álbuns, como Etudes . Bill Frisell guarda uma ótima lembrança de tocar com os dois: “O primeiro show que fiz com Charlie Haden foi no Seventh Ave. South com a Liberation Music Orchestra. O palco era minúsculo. Não havia espaço suficiente. De alguma forma, consegui me espremer embaixo da bateria, entre Paul Motian e Charlie. O baixo estava a 7,5 cm de uma orelha, os pratos a 7,5 cm da outra. Nunca vou me esquecer disso. Que som! Era o paraíso. Era ESTÉREO!”
Os momentos de improvisação livre ao longo do álbum contrastam com as belas canções e adicionam um lado confrontador de protesto à música. Afinal, as questões em pauta realmente irritam esses músicos. Surpreendentemente, a revista Downbeat elegeu The Ballad of the Fallen como o melhor álbum de jazz do ano em 1984.
A faixa-título de The Ballad of the Fallen é uma canção folclórica de El Salvador. De acordo com as notas do encarte do disco, trata-se de um poema encontrado no corpo de um estudante morto durante um massacre perpetrado pela Guarda Nacional de El Salvador, apoiada pelos Estados Unidos, em uma manifestação na universidade de San Salvador. Segue abaixo:
Não me pergunte quem eu sou,
ou se você me conhecia.
Os sonhos que eu tinha
continuarão a crescer, mesmo que eu não esteja mais aqui.
Eu não estou vivo, mas minha vida continua
naquilo que continua sonhando.
Outros que seguem a luta
farão crescer novas rosas.
Em nome de todas essas coisas,
você encontrará meu nome.
Não se lembre do meu rosto,
pois era o rosto da guerra.
Enquanto eu estava em minha terra,
era necessário esconder meu rosto verdadeiro.
No céu para onde vou,
você verá como era meu verdadeiro rosto.
Poucas pessoas ouviram minha risada,
mas quando você estiver presente na floresta,
encontrará diante de si meu sorriso ignorado.
.: interlúdio:. Charlie Haden & Carla Bley: The Ballad of the Fallen
1 Els Segadors (The Reapers) 4:11
2 The Ballad Of The Fallen 4:22
3 If You Want To Write Me 3:59
4 Grandola Vila Morena 2:13
5 Introduction To People 3:48
6 The People United Will Never Be Defeated 1:41
7 Silence 5:40
8 Too Late 8:22
9 La Pasionaria 10:25
10 La Santa Espina 7:00
Bass – Charlie Haden
Clarinet, Flute, Alto Saxophone, Soprano Saxophone – Steve Slagle
Drums, Percussion – Paul Motian
Flute, Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – Jim Pepper
French Horn – Sharon Freeman
Guitar – Mick Goodrick
Piano, Glockenspiel – Carla Bley
Producer – Manfred Eicher
Tenor Saxophone – Dewey Redman
Trombone – Gary Valente
Trumpet – Michael Mantler
Trumpet [Pocket] – Don Cherry
Tuba – Jack Jeffers
Eu sou contra a divulgação de gravações históricas apenas porque eram aquelas que tínhamos em casa — ai, que saudades — ou meramente pelo nome do regente, do executante ou da orquestra — ai, deve ser bom. Mas algumas têm de ser resgatadas por sua qualidade ou escândalo. Aqui, o caso é de extrema qualidade. Na minha opinião, só o Enescu deste disco já vale a audição. E Enescu nasceu num 19 de agosto, que é a data mais correta para um bom homem nascer. Mas o velho e veemente Dorati faz a orquestra de Londres tornar-se meio cigana e dá um show também nas Rapsódias de Liszt. Liszt não sabia muito bem o que era a música cigana de raiz, digamos assim, só a música das cidades, mas, nossa, que melodias e orquestração! Quem foi a campo buscar a verdadeira musica cigana húngara e romena foram Bartók e Kodály, com quem Dorati estudou. E está feita a confusão e parte do mérito deste CD.
Liszt
2 Hungarian Rhapsody No 1 In F Minor 10:47
3 Hungarian Rhapsody No 2 In D Minor 9:41
4 Hungarian Rhapsody No 3 In D Major 8:25
5 Hungarian Rhapsody No 4 In D Minor 10:40
6 Hungarian Rhapsody No 5 In E Minor (“Héroïde Elégaique”) 10:00
7 Hungarian Rhapsody No 6 In D Major (“Carnival In Pesth”) 12:12
Vamos voltar à Rússia com o Grand Duet (1959) para violoncelo e piano de Galina Ustvolskaya. A compositora, morta em 2006, teve um caso amoroso com Shostakovich; talvez um pouco traumático, já que aquela, nos últimos anos de sua vida, vilipendiava a imagem do compositor. A mulher era o cão e sua música retrata bem essa personalidade. O Grand Duet tem cinco movimentos com nenhum momento de alívio ou encanto. Uma obra genial por sua economia e sonoridade. No disco ainda temos a Sonata Nº 2 para Cello e Piano de Alfred Schnittke, no mesmo nível de “humor”. Já Epilogue, também de Schnittke, é uma OBRA-PRIMA. Engraçado é encontrar no início do disco uma peça de Piazzolla; bem fora do contexto, mas ótima. A interpretação de Rostropovich é esplêndida.
Piazzolla (1921-92) / Ustvolskaya (1919-2006) / Schnittke (1934-98) / Schnittke: Le Grand Tango / Grand Duet / Cello Sonata No. 2 / Epilogue
1 Le Grand Tango
(Composed By – Piazzolla) 9:33
Mstislav Rostropovich (cello), Igor Uriash (piano)
Cello Sonata No. 2
(Composed By – Schnittke)
7 I. Senza Tempo 4:11
8 II. Allegro 2:05
9 III. Largo 4:26
10 IV. Allegro 3:41
11 V. Lento 2:26
Mstislav Rostropovich (cello), Igor Uriash (piano)
12 Epilogue For Cello, Piano And Tape (From The Ballet, Peer Gynt)
(Composed By – Schnittke) 25:49
Mstislav Rostropovich (cello), Igor Uriash (piano)
Georg Philipp Telemann. Artistas: Simon Standage, violino; Micaela Comberti, violino; Jane Coe, violoncelo; Rachel Brown, flauta barroca; Siu Peasgood, flauta barroca; Collegium Musicum 90, dir. Simon Standage. Gravado de 24 a 26 de abril de 1991 na All Hallows Church em Gospel Oak, Londres. Publicado pela primeira vez em 1991. Tempo total: 64min06.
Cinco peças menos conhecidas (uma suíte orquestral e quatro concertos instrumentais) da abundante pena de Georg Philipp Telemann são apresentadas nesta segunda coleção pelo conjunto britânico Collegium Musicum 90, aqui dirigido por seu co-fundador, o talentoso violonista Simon Standage, cujas primeiras gravações com The English Concert e The Academy of Ancient Music foram muito admiradas pelo mundo da música erudita. A lista de músicos envolvidos, de fato, contém muitos nomes que os fãs de música antiga associarão aos dois conjuntos que acabamos de nomear, então não é surpresa que muito do que será ouvido aqui soe exatamente como se esperaria do The English Concert ou da Academy: as peças são jogadas com bom gosto e energia. Dicas para ouvir: o Mezzetin en Turc da Abertura Burlesca e os 21 min do Concerto for 2 Flutes, Violin and Cello. Duas joias.
1 Overture (Suite) in B-Flat Major, TWV 55:B8, “Ouverture burlesque”: I. Ouverture 5:04
2 Overture (Suite) in B-Flat Major, TWV 55:B8, “Ouverture burlesque”: II. Scaramouches 1:22
3 Overture (Suite) in B-Flat Major, TWV 55:B8, “Ouverture burlesque”: III. Harlequinade 1:00
4 Overture (Suite) in B-Flat Major, TWV 55:B8, “Ouverture burlesque”: IV. Colombine 2:14
5 Overture (Suite) in B-Flat Major, TWV 55:B8, “Ouverture burlesque”: V. Pierrot 1:27
6 Overture (Suite) in B-Flat Major, TWV 55:B8, “Ouverture burlesque”: VI. Menuet I – Menuet II 2:24
7 Overture (Suite) in B-Flat Major, TWV 55:B8, “Ouverture burlesque”: VII. Mezzetin en Turc 1:24
8 Violin Concerto in G Major, TWV 51:G7: I. Andante 2:08
9 Violin Concerto in G Major, TWV 51:G7: II. Allegro 3:17
10 Violin Concerto in G Major, TWV 51:G7: III. Siciliana 2:46
11 Violin Concerto in G Major, TWV 51:G7: IV. Presto 3:04
12 Concerto for 2 Flutes, Violin and Cello in D Major, TWV 54:D1: I. Vivace 5:29
13 Concerto for 2 Flutes, Violin and Cello in D Major, TWV 54:D1: II. Siciliana 5:35
14 Concerto for 2 Flutes, Violin and Cello in D Major, TWV 54:D1: III. Allegro 5:41
15 Concerto for 2 Flutes, Violin and Cello in D Major, TWV 54:D1: IV. Gavotte 4:43
16 Violin Concerto in F-Sharp Minor, TWV 51:fis1: I. Adagio 1:49
17 Violin Concerto in F-Sharp Minor, TWV 51:fis1: II. Allegro 2:52
18 Violin Concerto in F-Sharp Minor, TWV 51:fis1: III. Adagio 1:23
19 Violin Concerto in F-Sharp Minor, TWV 51:fis1: IV. Allegro 1:43
20 Concerto for 2 Violins in G Major, TWV 52:G2: I. Grave 1:25
21 Concerto for 2 Violins in G Major, TWV 52:G2: II. Allegro 2:12
22 Concerto for 2 Violins in G Major, TWV 52:G2: III. Largo 1:37
23 Concerto for 2 Violins in G Major, TWV 52:G2: IV. Presto 3:24
O gaúcho Radamés Gnattali foi um arranjador, compositor e pianista brasileiro. Filho primogênito de uma pianista descendente de italianos, Adélia Fossati, e de um imigrante italiano radicado em Porto Alegre, Alessandro Gnattali, professor de música e maestro. Radamés foi iniciado na música aos seis anos, tendo as primeiras lições de piano com a mãe e de violino com a prima Olga Fossati. Formou-se em piano em 1924 no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, orientado por Guilherme Fontainha. Neste ano apresentou-se no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, recebendo elogios do Jornal do Brasil, e em 1925 foi convidado por Mário de Andrade para dar um recital no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Voltando a Porto Alegre, começou sua carreira profissional dando aulas de piano e tocando piano em cinemas e bailes. Também era hábil no cavaquinho e violão, participando de serestas e blocos carnavalescos. Em 1925 trocou o violino pela viola, integrando-se ao Quarteto Henrique Oswald, onde permaneceu quatro anos. Em 1929 foi convidado pelo professor Fontainha a se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como solista do Concerto Nº 1 de Tchaikovski, recebendo grandes elogios da crítica carioca. Mudou-se então para o Rio, ganhando a vida como músico de teatros e hotéis. Convidado por uma companhia russa como assistente do maestro, excursionou pela Argentina.
Em 1932 deu um concerto como pianista solista no Theatro Municipal do Rio, sob a regência de Francisco Braga, e começou a se aproximar da música popular, trabalhando nas rádios como pianista, arranjador e maestro, além de atuar como maestro e compositor de música ligeira para o teatro. Colaborou com as orquestras de Romeu Silva e Simon Bountman em bailes de carnaval, rádios e operetas, e atuou como pianista das orquestras Típica Victor, Diabos do Céu e Guarda Velha. Gravou suas valsas Vibrações D`dalma e Saudosa pela Orquestra Típica Victor em 1933. Em 1934 seu choro Serenata do Joá e sua valsa Vilma foram gravadas por Luís Americano na Odeon. Nesse ano passou a ser o orquestrador da gravadora Victor e dois anos depois participou da inauguração da Rádio Nacional.
Em 1936 foi contratado como maestro e arranjador da Rádio Nacional, onde permaneceria por cerca de 30 anos. Ali fundou o Trio Carioca com o violoncelista Iberê Gomes Grosso e o violonista Romeu Ghipsman, gravando várias composições. O grupo evolui para a Orquestra Carioca, e em 1943 se transformou na Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, que tocava sucessos internacionais em novos arranjos no programa “Um Milhão de Melodias”, chamando a atenção pela originalidade de suas soluções instrumentais, permanecendo treze anos no ar, além de ser o primeiro a prestar homenagens a compositores como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu.[5] Alinhou-se às propostas do governo de Getúlio Vargas para a criação de uma música nacionalista e de fundo educativo, mas permanecia influenciado pelo jazz. A partir de 1945 se distanciou do nacionalismo, dando às suas composições uma voz mais original. Sua experiência no rádio seria determinante na consolidação do seu estilo pessoal, principalmente em termos de orquestração.
Foi o autor da parte orquestral de gravações célebres como a do cantor Orlando Silva para a música Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, ou ainda da famosa gravação original de Aquarela do Brasil (Ary Barroso) ou de Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro) – esta última imortalizada na voz de Dick Farney. Na década de 1950 colaborou com o cineasta Nelson Pereira dos Santos e com o sambista Zé Keti em filmes importantes como Rio, Zona Norte (1957) e Rio 40 Graus (1955).
No ano de 1960 embarcou para Europa, integrando a II Caravana Oficial da Música Popular Brasileira, apresentando-se em Portugal, França, Alemanha, Itália e Inglaterra com o Sexteto Continental, que incluía acordeão, guitarra, bateria e contrabaixo, e que resultou num disco. Em 1963 partiu outra vez para a Europa para apresentar-se em duo de piano e violoncelo com Iberê Gomes Grosso, passando por Berlim e Roma e, posteriormente, Jerusalém e Tel-Aviv, em Israel.
Na década de 1960 deixou o rádio para ser arranjador e maestro da TV Excelsior e na TV Globo. Radamés teve influência na composição de choros, incentivando jovens instrumentistas como Raphael Rabello, Joel Nascimento e Mauricio Carrilho, e para a formação de grupos de choro como o Camerata Carioca.
Foi parceiro de Tom Jobim. No seu círculo de amizades estavam Cartola, Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez e Camargo Guarnieri. É autor do hino do Estado de Mato Grosso do Sul — a peça foi escolhida em concurso público nacional.
Em maio de 1983, numa série de eventos em homenagem a Pixinguinha, Radamés e Elizeth Cardoso apresentaram o recital Uma Rosa para Pixinguinha e, em parceria com a Camerata Carioca, gravou o disco Vivaldi e Pixinguinha.
A sua saúde começou a fraquejar em 1986, quando Radamés sofreu um derrame que o deixou com o lado direito do corpo paralisado. Em 1988, em decorrência de problemas circulatórios, sofreu outro derrame, falecendo no dia 13 de fevereiro de 1988 na cidade do Rio de Janeiro.
Os dois CDs abaixo fazem parte da caixa comemorativa pelos 100 anos de nascimento do maestro Radamése cuja capa está no início do post.
Radamés interpreta Radamés
1 . Papo De Anjo – Radamés Gnattali
2 . Puxa-Puxa – Radamés Gnattali
3 . Bolacha Queimada – Radamés Gnattali
4 . Pé De Moleque – Radamés Gnattali
5 . Zanzando Em Copacabana – Radamés Gnattali
6 . Gatinhos No Piano – Radamés Gnattali
7 . Amargura – Radamés Gnattali , Alberto Ribeiro
8 . Vou Andar Por Aí – Radamés Gnattali
9 . Cheio De Malícia – Radamés Gnattali
10 . Escrevendo Pra Você – Radamés Gnattali
11 . De Amor Em Amor – Radamés Gnattali , Silva Costa
12 . Seu Ataulfo – Radamés Gnattali
Radamés Gnattali (piano)
José Menezes (cavaquinho e violão)
Luciano Perrone (bateria)
Heitor dos Prazeres (afoxé e reco-reco)
Pedro Vidal Ramos (contrabaixo)
Dizem por aí que Anton Bruckner tinha o ar tolo de uma criança grande. Não vou discutir, mas se você continuar achando que o homem não tem profundidade após ouvir esta Sinfonia, vai me deixar nervoso. A Nona de Bruckner tem três movimentos pelo simples fato do compositor ter morrido durante o desenvolvimento da obra. Esta gravação de Rattle e dos filarmônicos berlinenses traz o quarto movimento. É uma reconstrução de musicólogo, com todos aqueles riscos e abusos esperados. Na boa, a Nona é a minha sinfonia preferida de Bruckner, mas o quarto movimento não funcionou muito bem. Boa tentativa, meninos.
A gravação vale — E MUITO, DEMAIS MESMO — é pelo sublime Bruckner autêntico.
Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 9 (em 4 movimentos…) (BPO, Rattle)
1. Symphony No.9: I. Feierlich: Misterioso 23:58
2. Symphony No.9: II. Scherzo: Bewegt, lebhaft 10:56
3. Symphony No.9: III. Adagio: Langsam 24:33
4. Symphony No.9: IV. Finale: Misterioso, nicht schell 22:41
— Nada disso, princesa, quero te mostrar aqueles motivos curtos e repetitivos.
— Repetitivos está OK, mas curtos…?
— Sim, e afirmativos.
— Em riste?
— Certamente! Vamos para aquele cantinho ali? Me parece mais adequado.
Os dois foram. A mulher já se preparava para os amassos quando o homem tirou um fone de ouvidos do bolso e um celular. Deixou tudo no ponto e introduziu levemente os fones no ouvido da mulher, que não entendia nada.
— É a 10ª de Beethoven.
A mulher fez uma cara de decepção e respondeu.
— Um, eu não estou aqui para ouvir eruditos, quero testosterona, meu! E, dois, Beethoven jamais chegou à décima, assim como tu jamais chegarias à 2ª, quiçá à 1ª!
— Nada disso. Acabam de remontar o primeiro movimento da décima.
— Quem?
— Um Cooper ou um Wyn qualquer coisa, não lembro.
— Vin? A propósito, podias ser um cavalheiro e pedir um vinho pra aquecer.
— Garçom!
— Então podemos retirar Beethoven da “Maldição da Décima”?
— O que é isso?
— Veio, tu não sabes que Bruckner, Mahler, Dvorargh, Beethoven, Schubert e Spohr escreveram nove sinfonias e aí veio um raio e fulminou com todos? Isto é, com um de cada vez… Não sabia?
— Mas Mahler fez o Adagio da Décima.
— Sim, mas era um adagio, não tinha muita ação. Aquilo lá devia estar moribundo como o teu Ludwig van.
— Então a décima é perigosa? Pode matar?
— Sim, haja disposição para chegar lá…
— Eu tenho.
Ele bem que tentou, mas acabou por deixar a segunda inacabada. Ainda hoje se encontram.
Beethoven: 10ª Sinfonia (Fragmento- Gravado em 1993)
1. Symphony No. 10 in E flat (19:44)
2. A História da Décima de Beethoven (28:50)
Uma das minhas recentes descobertas foi o compositor americano Michael Daugherty. Há três anos tive o primeiro contato com sua música, num concerto na Holanda, onde tocaram sua obra mais popular Metropolis Symphony , que foi escrita em homenagem ao superman. A obra é despretensiosa e engraçada, mas extremamente bem escrita. O passado desse compositor é estranho e eclético, já foi músico de Jazz, Rock, Funk, …mas percebeu que pra escrever música sinfônica ou “clássica” tinha que suar a camisa. Foi pra Europa estudar com Boulez e Ligeti (boas referências, não?).
Vamos ao disco que foi gravado ao vivo. Fire and Blood é um concerto para violino inspirado nos murais de Detroit, concebidos pelo pintor mexicano Diego Rivera. A música é muito empolgante. O violino virtuoso e sempre presente. O segundo movimento é lindíssimo, forte presença da música mexicana (ex: ouçam o que acontece em 02:40). O terceiro movimento é arrebatador, o público no fim vai ao delírio. MotorCity Triptych é outra obra que também merece nossa atenção.
Espero que vocês apreciem esse joker que, de certa forma, indica um novo rumo da música clássica.
CDF
Michael Daugherty (1954-): Fire & Blood, Motorcity Triptych and Raise the Roof
1. Fire and Blood: I. Volcano
2. Fire and Blood: II. River Rouge
3. Fire and Blood: III. Assembly Line
4. MotorCity Triptych: I. Motown Mondays
5. MotorCity Triptych: II. Pedal-to-the-Metal
6. MotorCity Triptych: III. Rosa Parks Boulevard
7. Raise the Roof
Detroit Symphony Orchestra
Ida Kavafian (violin) and Brian Jones
Neeme Jarvi
Quando um compositor não tem referências culturais em sua infância e junto a isso, uma vida entediante e normal, dificilmente sua obra terá características próprias e originais. Por outro lado, na nossa sociedade descartável, muitos compositores negam suas origens por vergonha mesmo. Que compositor teria coragem de colocar em suas obras traços influenciados pelas bailarinas do chacrinha ou da égua pocotó? Mas ao negar sua origem, o compositor abusa de referências alemãs serialistas e sonoridades stockhausianas. Por isso a música deste tipo de compositor soa travestida, esse mundo ele não viveu.
O compositor americano Daugherty não se acovarda, além de não esconder suas referências culturais, ele as homenageia. Fã do super-homem desde menino, escreveu uma sinfonia em comemoração aos cinquenta anos (1988) da criação deste personagem. Eu já tive a oportunidade de ver está a sinfonia Metropolis ser apresentada na Holanda. Todo o público ficou satisfeito com a riqueza orquestral, mas o melhor de tudo, e o público sabia disso, aquele mundo era nosso. Os movimentos sinfônicos estão nesta ordem: 1 – Lex, referencia ao super vilão Lex Luthor, aqui representado por um violino endiabrado; 2 – Krypton, o planeta destruído do super-homem. O movimento é sombrio, os detalhes percussivos são riquíssimos; 3 Mxyzptlk, o duende da quinta dimensão. Pelas firulas das flautas, este movimento representa o scherzo da sinfonia. 4- Oh Lois! é um movimento alucinante, um pequeno concerto para orquestra em 5 minutos. Referência óbvia à jornalista Lois Lane. 5 – Red Cape Tango, o último movimento, a trágica batalha do super-homem com Doomsday, o canto medieval Dies Irae é desenvolvido, assim como no final da sinfonia fantástica de Berlioz, para dá o tom fúnebre ao destino do super-homem.
Já a outra obra do disco, Deus Ex Machina (2007) para piano e orquestra, é um concerto dedicado aos trens. O concerto tem o padrão rápido-lento-rápido dos concertos clássicos, mas a orquestra e piano estão em pé de igualdade, podemos dizer que está peça está mais para uma sinfonia concertante para piano e orquestra. Muito empolgante.
Faixas:
1. Metropolis Symphony: I. Lex
2. Metropolis Symphony: II. Krypton
3. Metropolis Symphony: III. Mxyzptlk
4. Metropolis Symphony: IV. Oh, Lois!
5. Metropolis Symphony: V. Red Cape Tango
6. Deus ex Machina: I. Fast Forward (Di andata veloce)
7. Deus ex Machina: II. Train of Tears
8. Deus ex Machina: III. Night Steam
Orchestra Nashville Symphony
Conductor by Giancarlo Guerrero
Eu adoro a barroca Bergamasque, mas normalmente acho um porre a música para piano de Debussy. Ela é ideal para dormir. Tem tantos admiradores, mas tantos, que certamente é mais um de meus problemas. (Tenho muitos, mas não sou bolsonarista). Sabem?, acho perfeitamente legítimo e até comum ter uma relação complexa com a música para piano de Debussy. Ela exige um tipo de escuta específica e foge de muitas expectativas. Das minhas, principalmente. Gosto dos vanguardistas, só que Debby faz a anti-sonata. Sua revolução é a de dissolver a narrativa em sensações (uhhh, ohhh) e resulta, para mim, numa sensação de ausência de destino, de andamento sem chegada e isto que eu corro 5 Km duas vezes por semana dando voltas numa pista. Admiro sua importância histórica – ele libertou o som, mas, pessoalmente, muitas de suas peças me soam como impressionismo de salão: atmosféricas demais, emocionalmente esquivas. Apesar de tudo isto, Weissenberg (1929-2012) é um mestre e realmente não entedia a gente, só faz dormir bem.
Claude Debussy (1862-1918): Suite Bergamasque, Estampes, Children`s Corner, etc. (Weissenberg)
1. Estampes: Pagodes
2. Estampes: La Soiree Dans Grenade
3. Estampes: Jardins Sous La Pluie
4. Etude N°11 : Arpèges Composés
5. Suite Bergamasque: Prelude
6. Suite Bergamasque: Menuet
7. Suite Bergamasque: Clair De Lune
8. Suite Bergamasque: Passepied
9. Children’s Corner: Doctor Gradus Ad Parnassum
10. Children’s Corner: Jimbo’s Lullaby
11. Children’s Corner: Serenade For The Doll
12. Children’s Corner: The Snow Is Dancing
13. Children’s Corner: The Little Shepherd
14. Children’s Corner: Golliwogg’s Cake-Walk
15. La Fille Aux Cheveux De Lin
16. L’isle Joyeuse
17. La Plus Que Lente
Composé par Claude Debussy
avec Alexis Weissenberg, piano.
Indiscutivelmente, uma das melhores gravações destas extraordinárias obras. A Orpheus Chamber Orchestra realiza aqui um trabalho de rara sensibilidade. São 212 minutos de grande Mozart. Que música, meus amigos!
A Orpheus é um conjunto que trabalha sem maestro. Os solistas para este conjunto de discos são todos membros da Orpheus e, presumivelmente, bem conhecidos de seus colegas. O resultado é esplêndido. Destaque para o Concerto para Clarinete, o para Flauta e Harpa e os para Flauta solo, além da Sinfonia Concertante. Divirtam-se.
W. A. Mozart (1756-1791): Todos os Concertos para Sopros (The Complete Wind Concertos) (Orpheus)
CD1
01 Sinfonia Concertante in E flat, (297b) -1) Allegro
02 Sinfonia Concertante in E flat, (297b) -2) Adagio
03 Sinfonia Concertante in E flat, (297b) -3) Andantino con variazio
04 Clarinet Concerto in A, K 622 -1) Allegro
05 Clarinet Concerto in A, K 622 -2) Adagio
06 Clarinet Concerto in A, K 622 -3) Rondo. Allegro
07 Andante for Flute and Orchestra in C, K 315 (285e)
# Sinfonia concertante for oboe, clarinet, horn, bassoon & orchestra in E flat major, K(3) 297b (K. Anh. C 14.01) (spurious)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with David Singer, Stephen Taylor, William Purvis, Steven Dibner
# Clarinet Concerto in A major, K. 622
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Charles Neidich
# Andante for flute & orchestra in C major, K. 315 (K. 285e)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Susan Palma
-=-=-=-=-=-
CD2
01 Bassoon Concerto in B-flat K 191 (186e) -1) Allegro
02 Bassoon Concerto in B-flat K 191 (186e) -2) Andante ma adagio
03 Bassoon Concerto in B-flat K 191 (186e) -3) Rondo. Tempo di Menuetto
04 Horn Concerto No 2 in E-flat, K 417 -1) Allegro
05 Horn Concerto No 2 in E-flat, K 417 -2) Andante
06 Horn Concerto No 2 in E-flat, K 417 -3) Rondo. Allegro
07 Horn Concerto No 1 in D, K 412 (386b) -1) Allegro
08 Horn Concerto No 1 in D, K 412 (386b) -2) Rondo. Allegro
09 Horn Concerto No 3 in E-flat, K 447 -1) Allegro
10 Horn Concerto No 3 in E-flat, K 447 -2) Romance. Larghetto
11 Horn Concerto No 3 in E-flat, K 447 -3) Allegro
12 Horn Concerto No 4 in E-flat, K 495 -1) Allegro maestoso
13 Horn Concerto No 4 in E-flat, K 495 -2) Romance. Andante cantabile
14 Horn Concerto No 4 in E-flat, K 495 -3) Rondo. Allegro vivace
# Bassoon Concerto in B flat major, K. 191 (K. 186e)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Frank Morelli
# Horn Concerto No. 2 in E flat major, K. 417
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with William Purvis
# Horn Concerto No. 1 in D major, K. 412/514 (K. 386b)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with David Jolley
# Horn Concerto No. 3 in E flat major, K. 447
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with William Purvis
# Horn Concerto No. 4 in E flat major, K. 495
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with David Jolley
-=-=-=-=-=-
CD3
01 Oboe Concerto in C, K 314 (285d; 271k ) -1) Allegro Aperto
02 Oboe Concerto in C, K 314 (285d; 271k ) -2) Adagio non Troppo
03 Oboe Concerto in C, K 314 (285d; 271k ) -3) Rondo. Allegretto
04 Flute Concerto No 1 in G, K 313 (285c) -1) Allegro Maestoso
05 Flute Concerto No 1 in G, K 313 (285c) -2) Adagio ma non Troppo
06 Flute Concerto No 1 in G, K 313 (285c) -3) Rondo. Tempo di Menuetto
07 Flute, Harp Concerto in C, K 299 (297c) -1) Allegro
08 Flute, Harp Concerto in C, K 299 (297c) -2) Andantino
09 Flute, Harp Concerto in C, K 299 (297c) -3) Rondeau. Allegro
# Oboe Concerto in C major, K. 314 (K. 285d)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Randall Wolfgang
# Flute Concerto No. 1 in G major, K. 313 (K. 285c)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Susan Palma
# Concerto for flute, harp & orchestra in C major, K. 299 (K. 297c)
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart
Performed by Orpheus Chamber Orchestra
with Susan Palma, Nancy Allen
Nada posso fazer, este é mais um CD imperdível. Trata-se do próprio Khachaturian regendo a Filarmônica de Viena em duas de suas obras mais importantes, os balés Spartacus e Gayaneh. Não é uma música tímida, muito pelo contrário, a coisa é boa e barulhenta pacas. Este armênio é pouco divulgado, mas gosto muito do que conheço dele. A música vai do sereno ao agitado, da tradição ocidental ao exótico e é tão extraordinária que me dá uma estranha vontade de ver balé. Vejam só.
O único problema deste disco é suportar o Glazunov. Que bosta.
Aram Khachaturian (1903-1978): Spartacus & Gayaneh / Alexander Glazunov (1865-1936): The Seasons
1 Khachaturian: Spartacus – Adagio Of Spartacus And Phrygia 9:10
2 Khachaturian: Spartacus – Variation Of Aegina & Bacchanalia 3:19
3 Khachaturian: Spartacus – Scene & Dance With Crotalums 3:39
4 Khachaturian: Spartacus – Scene Of The Gaditanae Maidens & Victory Of Spartacus 6:55
Meu pai trabalhava numa fábrica e me ensinou desde pequeno que, na produção em escala industrial, tão importante quanto a qualidade é a padronização dos produtos. O gosto e a aparência de um refrigerante feito no Oiapoque no ano passado e de outro da mesma marca engarrafado ontem no Chuí devem ser idênticos. Vinhos, por outro lado, não são assim: é natural que um vinho de Santa Catarina seja diferente de um produzido no vale do São Francisco e de um terceiro da Serra Gaúcha, sem falar em safras diferentes, etc.
E o que isso tem a ver com o órgão? É que esse instrumento de tradição milenar, assim como os vinhos, vem resistindo às tentativas de padronização. Hoje muita gente reclama que as orquestras estão soando mais parecidas, os pianistas ao redor do mundo estão seguindo a mesma cartilha (será?), mas em relação aos órgãos, como podemos ouvir nessa série de órgãos holandeses, mesmo dentro de um país e do chamado “período barroco”, cada um é diferente. Assim como vinhos, há órgãos mais de acordo com o padrão, mais certinhos, e há outros com personalidade forte, inconfundíveis. Este órgão de Culemborg, na Holanda, me parece o mais peculiar dos quatro. São especialmente belos os registros que imitam instrumentos de sopro: flautas, oboés, trompetes… A fuga de Buxtehude, a Pastorella e o adagio de Bach, os corais de Reger usam muito esses sons de sopros. As obras de Bach também podem ser chamadas de únicas: ele escreveu dezenas de Prelúdios e Fugas, seis Triosonatas, mas só uma Pastorella, peça bucólica que provavelmente era tocada na época do Natal, com inspirações galantes italianas, e apenas uma obra para órgão com a forma da BWV 564, com um sublime movimento lento (adagio) no meio de dois rápidos (tocata e fuga), formato que lembra até os concertos à maneira de Vivaldi.
Dietrich Buxtehude (1673-1707):
01. Praeludium in D major, BuxWV 139
02. Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ, BuxWV 196
03. Fuga in C major, BuxWV 174 J.S. Bach (1685-1750):
04. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 1
05. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 2
06. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 3
07. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 4
08. Toccata, Adagio und Fuge in C major, BWV 564 Max Reger (1873-1916):
09. Jesus, meine Zuversicht, Opus 67 No. 20
10. Jesus meine Freude, Opus 67 No. 21
11. Introduktion und Passacaglia in d minor Zoltan Kodaly (1882-1967):
12. Praeludium Piet Kee (1927-):
13. Erschienen ist der herrlich Tag
“Só com o renascimento de Bach teremos total liberdade” Max Reger
Reger é um compositor alemão pouco lembrado, talvez por ter nascido no mesmo país e século do último Beethoven, de Schumann, Brahms e Wagner, talvez por ter construído sua música ainda sobre as bases de Bach em plena virada do século XX.
A música de câmara e orquestral de Reger é pouco tocada, mas para o órgão ele é sem dúvida o grande alemão depois de Bach, seja em quantidade de obras (ocupam uns 15 CDs) seja pela qualidade de suas Suítes, Sonatas, Prelúdios e Fugas com contraponto aplicado à sonoridade orquestral do órgão do século XIX. Suas passacaglias e toccatas usam registros de órgão que não existiam na época de Bach.
Este é um típico disco da Naxos: órgão e organista pouco conhecidos mas de grande conexão com o repertório tocado, com som muito bem gravado. A primeira suíte, de 1895, foi dedicada à “sombra de J.S. Bach” e elogiada pelo idoso Johannes Brahms. A segunda, de 1905, é de mais fácil audição por ter mais movimentos, mais curtos, incluindo um romanze de belos timbres e duas fugas.
Organ Suite No. 1 in E Minor, Op. 16, “Den Manen J.S. Bachs”
1. I. Introduction and Fugue 00:14:14
2. II. Adagio assai 00:08:51
3. III. Intermezzo – Trio 00:12:28
4. IV. Passacaglia 00:11:48 Organ Suite No. 2 in G Minor, Op. 92
5. I. Prelude 00:03:24
6. II. Fugue 00:02:42
7. III. Intermezzo 00:04:55
8. IV. Basso ostinato 00:03:30
9. V. Romanze 00:05:58
10. VI. Toccata 00:03:10
11. VII. Fugue 00:03:52
Kirsten Sturm – Sandtner Organ (1979)
St. Martin’s Cathedral, Rottenburg am Nektar, Germany
Estes quartetos costumam ser companheiros de CDs e vinis. Quando aparece um, vem o outro grudado. Mas dá para entender. São dois dos melhores compositores franceses, ambos escreveram somente um quarteto de cordas, e apenas 10 anos anos os separam. O Claude Debussy é de 1893 e p de Maurice Ravel é de 1902-03). Ambos os quartetos são pilares do repertório moderno e mostram dois caminhos para renovar a tradição. Enquanto Debussy dissolve as fronteiras formais em sensação, Ravel as reinventa com cuidado. O de Debussy faz uma revolução silenciosa no gênero, rompendo com a tradição germânica (Beethoven, Brahms) e abrindo caminho para o modernismo francês. O de Ravel foi muito combatido, porém, para nossa sorte, Ravel recusou-se a reescrevê-lo, dizendo: “Não toquem numa nota; está perfeito como está.” Hoje, é um modelo de modelo de concisão e elegância no repertório camarístico. Excelente CD!
Debussy & Ravel: Quartetos de Cordas / Ravel: Introduction and Allegro (Kodály Quartet, Győngyőssy, Kovács, Maros)
Debussy, Claude
String Quartet in G Minor, Op. 10
1 I. Animé et tres decide 06:13
2 II. Assez vif et bien rythme 03:50
3 III. Andantino doucement expressif 07:57
4 IV. Tres modéré 07:07
Ravel, Maurice
String Quartet in F Major
5 I. Allegro moderato. Tres doux 07:57
6 II. Assez vif. Tres rythme 06:14
7 III. Tres lent 08:09
8 IV. Vif et agite 05:12
Introduction et Allegro
9 Introduction and Allegro for Harp, Flute, Clarinet and String Quartet 10:18
Um belo CD com um repertório mais raro de Prokofiev: obras que datam em sua maioria de quando o compositor tinha cerca de 30 anos e experimentava, aqui mais e ali menos, com uma linguagem mais dissonante do que a de certas obras mais maduras (Sonatas 6 a 8, Sinfonias 5 a 7). É como se o Prokofiev mais jovem estivesse flertando com as inovações de Debussy, Scriabin, Stravinsky e Schoenberg, sem perder a sua voz particular, enquanto o Prokofiev de mais de 40 anos retornaria a um tonalismo em comparação mais conservador, provavelmente por imposição das instituições soviéticas, mas aí essa reflexão já ultrapassa esse repertório. O que temos aqui são várias miniaturas: as vinte Visões Fugitivas, os cinco Sarcasmos, mais Gavotas avulsas; e ainda uma Sonata, a 5ª, composta em 1923 e revisada por Prokofiev 30 anos depois. Segundo o encarte do disco, as mudanças na sonata ocorreram pois “na sua forma original ela não mais o convencia. Nessa forma revisada, que ouvimos aqui, o modernismo marcante da sonata foi suavizado por pitadas mais classicistas, mas ainda ouvimos o ‘estilo refinado’ que o compositor considerava a marca dessa obra”.
Formado em Moscou e radicado na Alemanha desde 1978, o pianista E. Koroliov mostra aqui muita familiaridade com este repertório. A escolha de repertório – suponho aqui que seja do pianista – é notável, pois ficam evidentes as semelhanças da 5ª sonata, especialmente no seu movimento lento, com as delicadas miniaturas das Visões Fugitivas. Isso nos faz lembrar, afinal, que o jovem Prokofiev tinha em comum com Scriabin, Mendelssohn, Schubert, Schumann e Chopin o gosto pelas miniaturas para piano, obras nas quais as ideias chegam, se apresentam e depois vão embora como borboletas voando ou como flores murchando. Para usarmos uma metáfora mais ao gosto dos soviéticos, é como dizia Marx: tudo que era sólido se desmancha no ar. São peças sem desenvolvimentos dramáticos, sem acordes frenéticos, que podem ser (mal-)tocadas por pianistas iniciantes mas nas mãos de profissionais como Koroliov revelam nuances e mais nuances.
Serguei Prokofiev (1891-1953): Sarkasmen, op. 17
I Tempestoso
II Allegro Rubato
III Allegro Precipitato
IV Smanioso
V Precipitosissimo
Visions fugitives, op. 22
Sonata no. 5, op. 135 (revised version)
Allegro Tranquillo / Andantino / Un Poco Allegretto
Retrato de Prokofiev por Anna Ostroumova – Paris, 1926
P.S. Ao constatar esse lado menos lembrado do Prokofiev autor de miniaturas de beleza fugitiva, ouvi pela primeira vez as Melodias de 1925 para piano e violino, disponíveis aqui no blog com Kremer e Argerich. Vocês lembravam dessas?
Telemann foi o compositor mais conhecido de sua época. Viveu inacreditáveis — para a época — 86 anos, era respeitadíssimo e Bach dava a impressão de concordar com a primeira posição do moço dentre os compositores daquilo que hoje é chamado de Alemanha. Papai era um sujeito modesto, nunca aspirou a posição que lhe foi dada postumamente na história da música, nem se importou com outros protagonismos. Ele era amigo de Telemann, que se tornou padrinho de um de meus irmãos. Apesar do equívoco, Telemann era efetivamente um cara muito bom, principalmente quando lograva fazer as coisas com calma, o que não é o mais comum. Como estava sempre com encomendas e mais encomendas de poderosos, escrevia muito e produzia muita merda, mas não se enganem, era talentosíssimo. Esses dois discos são esplêndidos. Confiram! Podem até começar pelo lindo Concerto para Flauta que fica entre as faixas 16 e 19 do CD do MAK. O final é SENSACIONAL.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Dois discos espetaculares de Concertos, Suítes, Sinfonias (The Parley Of Instruments, MAK)
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Suite em A menor, Concerto em F maior, Concerto em C maior e Sinfonia em F maior
Suite em A menor [30:15]
01. Ouverture
02. Les Plaisirs
03. Air a I’talien
04. Menuet 1&2
05. Rejouissance
06. Passpied
07. Polonaise
Concerto em F maior [13:44]
08. Affettuoso
09. Allegro
10. Adagio
11. Menuet 1&2
Concerto em C maior [14:47]
12. Allegretto
13. Allegro
14. Andante
15. Tempo di Minuet
Sinfonia em F maior [6:57]
16. Alla breve
17. Andante
18. Vivace
1. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 1. Moderato 2:40
2. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 2. Allegro 3:20
3. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 3. Largo 3:07
4. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 4. Vivace 2:38
5. Concerto in B flat major for 3 Oboes, 3 Violins and Basso Conti. – 1. Allegro 2:24
6. Concerto in B flat major for 3 Oboes, 3 Violins and Basso Conti. – 2. Largo 2:33
7. Concerto in B flat major for 3 Oboes, 3 Violins and Basso Conti. – 3. Allegro 4:00
8. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 1. Largo 4:13
9. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 2. Allegro 3:00
10. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 3. Adagio 2:25
11. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 4. (Vivace) 1:37
12. Trumpet Concerto in D – 1. Adagio 1:45
13. Trumpet Concerto in D – 2. Allegro 1:48
14. Trumpet Concerto in D – 3. Grave 2:00
15. Trumpet Concerto in D – 4. Allegro 1:33
16. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 1. Largo 3:39
17. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 2. Allegro 3:45
18. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 3. Largo 3:28
19. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 4. Presto 2:25
20. Concerto in D major for Trumpet, Violine, Strings and Basso Cont – 1. Vivace 3:20
21. Concerto in D major for Trumpet, Violine, Strings and Basso Cont – 2. Adagio 4:22
22. Concerto in D major for Trumpet, Violine, Strings and Basso Cont – 3. Allegro 4:36
Um disco verdadeiramente espetacular. A Música Aquática de Telemann, mais a muito irreverente Suíte Alster são para ouvir e se divertir, ouvir e se divertir, ouvir e se divertir. Acho que, de todas as suítes orquestrais de Telemann, a Alster é minha preferida. O New London Consort é um excelente conjunto, fazendo inteira justiça a esta grande música.
“Hamburger Ebb und Fluth” (A Maré de Hamburgo), conhecida como “Wassermusik” (1723), é uma Suíte Orquestral (ouverture) composta para as celebrações do centenário do Collegium musicum e do Almirantado de Hamburgo em 1723. Telemann, então diretor musical da cidade, criou uma obra que retrata musicalmente a vida marítima do grande porto hanseático. Telemann era conhecido por seu humor e criatividade. Em “Wassermusik”, ele não apenas descreve o mar, mas também personagens mitológicos e humanos em interação com a água, criando um panorama sonoro quase teatral.
A “Suíte Alster” (Overture “Alster-Echo”) é uma das obras mais encantadoras e humorísticas de Telemann, perfeito exemplo de seu espírito inventivo e sua capacidade de “pintar” cenas com música. O Rio Alster, que corta Hamburgo, era (e ainda é) um local de lazer, passeios de barco e vida social. Telemann, sempre atento ao cotidiano da cidade, compôs esta suíte por volta de 1720-1730 como uma obra programática leve e cômica, retratando sons e cenários às margens do rio. A obra é construída em torno do efeito de eco, representando as colinas e margens do Alster respondendo aos sons. Telemann brinca com repetições inesperadas, frases truncadas e respostas “tolas” da orquestra. A suíte tem uma sequência de danças e peças com nomes que sugerem cenas específicas (alguns títulos em francês, outros em alemão). Em meio a danças cortesãs (como a sarabanda), surgem imitações de animais e sons triviais, criando um contraste deliberadamente cômico entre a corte e o campo.
Em suma, se a Wassermusik é uma epopeia marítima, a Alster é uma comédia pastoral em forma musical, perfeita para mostrar que o Barroco também sabia rir de si mesmo, e como! 🐸🎻
G. P. Telemann (1681-1767): Water Music / Alster Overture (New London Consort, Philip Pickett)
1. Wassermusik Overture in C, Ouverture
2. Wassermusik Overture in C, Sarabande
3. Wassermusik Overture in C, Bour e
4. Wassermusik Overture in C, Loure
5. Wassermusik Overture in C, Gavotte
6. Wassermusik Overture in C, Harlequinade
7. Wassermusik Overture in C, Der St rmende Aeolus
8. Wassermusik Overture in C, Menuet
9. Wassermusik Overture in C, Gigue
10. Wassermusik Overture in C, Canarie
11. Die Relinge Concerto in A, The Frogs
12. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Adagio
13. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Menuet
14. Alster Overture in F, Alster Overture
15. Alster Overture in F, Die canonierende Pallas
16. Alster Overture in F, Das Alster Echo
17. Alster Overture in F, Die Hamburgischen Glockenspiele
18. Alster Overture in F, Der Schwanen Gesang
19. Alster Overture in F, Der Alster Sch ffer Dorff Music
20. Alster Overture in F, Die concertirenden Fr sche (und) Kr hen
21. Alster Overture in F, Der ruhende Pan
22. Alster Overture in F, Der Sch ffen und Nymphen eilfertiger Abzug