Dario Castello
Sonate Concertate
Musica Fiata
Roland Wilson
Antes de Google e Wikipedia, valíamos de enciclopédias e publicações desta sorte para escavar informações sobre compositores e suas obras. Mas as informações sobre Dario Castello não eram abundantes. E o advento de tanta tecnologia não acrescentou muita coisa.
As poucas evidências de sua existência se devem às duas publicações de suas obras, assim como reedições das mesmas. Em 1621 temos Sonate concertate in stil moderno, que nos conta que ele era Capo di Compagnia de Musichi d’Instrumenti da fiato, em Veneza – piffari!
Em 1624 ele constava como sonador di violino no grupo liderado por Claudio Monteverdi.
Sua segunda publicação, de 1929, música que preenche este álbum, diz que era Musico della Serenissima Signoria di Venetia, em San Marco e Capo di Compagnia de Instrumenti.

Encontrei o trabalho de Eleanor Selfridge-Field, do qual pude ler a apenas primeira página, com o sugestivo título ‘Dario Castello: A Non-Existent Biography’. Uma biografia não-existente! Além das evidências de suas publicações, há apenas confirmações duvidosas de sua existência. Isto é tanto surpreendente quando consideramos a qualidade, a popularidade e a dificuldade de suas obras, que são instrumentais, nos dias em que a música predominante era a música vocal.
Há registros de dois outros nomes com o sobrenome Castello. Um Francesco e outro Giovanni Battista. O Francesco foi contratado como trombonista em San Marco em 1624 e mais tarde no mesmo ano, Giovanni Battista como violinista e posteriormente como fagotista.
Um Francesco Castello, que seria o melhor violinista de Veneza, foi contratado por Heinrich Schütz para a Orquestra da Corte de Dresden em 1627 e teria morrido lá em 1631. O nome Giovanni Battista era muito comum na época (Viva São João!!!!) e pode ser que Dario e Giovanni tenham sido a mesma pessoa, talvez apenas uma mudança de nome.

Uma possibilidade é que ele teria morrido em 1630 de peste bubônica. Batendo três vezes na madeira, espero que tenha ocorrido outra possibilidade, pela qual ele teria vivido até os anos de 1650. De qualquer forma, uma nota em uma reedição de 1658 de suas sonatas sugere que então ele já havia morrido.
A importância da obra de Castello é ter levado a maturidade a música instrumental em um período no qual prevalecia a música coral. O livreto que acompanha os arquivos musicais nos diz que nestas revolucionárias sonatas, seus conceitos são tão consumados que permaneceram como modelo básico para os próximos cinquenta anos e mais.
No prefácio de sua publicação de 1629 Castello expressou seu desejo de que, assim como os pais desejam uma vida feliz para seus filhos, os ‘filhos’ de seu intelecto, concebidos com árduo trabalho, tivessem uma longa vida. Seu desejo realizou-se, uma vez que suas obras não só tiveram uma longa vida pelo século XVII como também têm experimentado vida nova em nossos dias.
Dario Castello (? – 1644)
Sonate concertate in stil moderno, 1629
- Sonata decima quarta a 4
- Sonata terza a 2
- Sonata decima quinta a 4
- Sonata decima a 3
- Sonata quinta a 2
- Sonata decima sesta a 4
- Sonata decima terza a 4
- Sonata settima a 2
- Sonata duodecima a 3
- Sonata quarta a 2
- Sonata nona a 3
- Sonata undecima a 3
- Sonata decima settima a 4 in ecco
Musica Fiata
- Annette Sichelschmidt, violino
- Roland Wilson, cornetto
- Christine Moran, viola
- Arno Paduch, cornetto
- Christine Moran, violin
- Christiane Volke, viola
- Adrian Rovatkay, dulcian
- Detlef Reimers, trombone
- Olaf Reimers, viocelo
- Peter Stelzl, trombone
- Christoph Anselm Noll, cravo ou órgão
- Axel Wolf, tiorba
- Johanna Seitz, harpa
Roland Wilson
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MP3 | 320 KBPS | 233 MB

A música vocal do inovador Claudio Monteverdi, como os duetos que observamos nas Vésperas da Virgem, certamente influenciaram a obra de Dario Castello. Veja lá e depois me conte…
Aproveite!
RD


















































































De todos apelidos de obras de Beethoven, quase todos apócrifos, talvez um dos mais justificáveis seja o deste quarteto do Op. 74, em que o amplo e inovativo uso do pizzicato no primeiro movimento, seja em arpejos distribuídos entre todos os instrumentos, seja na engenhosa alternância entre pizzicati e notas sustentadas do arco, pode mesmo evocar uma harpa. Esse Allegro, introduzido por um Adagio com o qual não tem qualquer relação temática, é uma obra-prima em seu atraente desenvolvimento e construção do clímax, uma virtuosística cadência do primeiro violino, acompanhada pelos arpejos de cordas beliscadas. Atraente, também, é o contraste entre o sentido, sereno Adagio, que parece não terminar, e sim calar-se, com o Scherzo temperamental e impetuoso que se segue a ele. Para encerrar, o que parece ser um ortodoxo Allegretto com variações vai tomando rumos inesperados, numa demonstração do tremendo virtuosismo de Beethoven na transfiguração de temas, até que uma súbita explosão de temperamento, como se os instrumentos se rebelassem contra a necessidade de variar uma vez mais o tema, faz-nos esperar uma coda acelerada e nervosinha só para que, enfim, o quarteto conclua de maneira sem-cerimoniosa e lacônica.



