Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Les Indes Galantes – Frans Brüggen, Philippe Herreweghe, Kenneth Gilbert, Pierre Hantaï & Skip Sempé

Jean-Philippe Rameau

Les Indes Galantes

Philippe Herreweghe

Frans Brüggen

Kenneth Gilbert

Pierre Hantaï & Skip Sempé

A motivação para esta postagem múltipla começa (é claro!) com a música. Música barroca francesa em ótimas interpretações e som de muito bom para excelente. O eixo principal que une estes quatro álbuns é a música que Jean-Philippe Rameau compôs para a ópera-balé Les Indes Galantes em 1735, com diversos ‘puxadinhos’ posteriores.

Para ter uma ideia do esplendor da época e como esta música correspondia plenamente a este esplendor, assista aqui um pedacinho do filme ‘Marie Antoniette’, de Sofia Coppola.

Em minha opinião esta música requer um ar de solenidade, de pompa. Pressa está fora de questão. Tenho passado alguns dias de imersão nestes discos e a cada minuto gosto mais.

Temos, portanto, quatro álbuns contendo a música de uma ‘suíte’ da ópera, interpretada por excelentes músicos, especializados em música barroca, usando instrumentos e prática de época. Dois apresentam a música na versão orquestral e dois nos quais a música é interpretada ao(s) cravo(s). A razão para tal abundância é uma tentativa de mostrar a música em suas diferentes perspectivas. Os discos nos quais a música é apresentada com orquestra têm algumas peças em comum, mas cada um deles apresenta números que não constam no outro. Tampouco a ordem é mantida. Além disso, nas peças coincidentes, os andamentos e o próprio som, refletindo diferentes períodos de gravação, mostram diferenças interessantes. Maestro Brüggen, por exemplo, dá uma atenção especial aos flautistas. Acho o som do disco do Herreweghe um pouquinho datado, mas o ouvido logo se acostuma, quando a interpretação é tão especial.

Diversão garantida é ouvir tentando descobrir quais são os trechos coincidentes e como eles estão diferentes nesta ou naquela gravação. Preste atenção especial no minueto que é usado no filme. Ele está nas duas gravações com orquestra, mas há uma pequena sutileza. Se descobrir qual é, mande uma mensagem…

A contradança é matadora, assim como os tamborins. Não deixe de notar lá mais para o fim dos discos a ária dos selvagens e a chaccone.

Bem, e os outros discos, aqueles com cravo? O que eles nos dizem?

Quando passo algum tempo imerso na mesma música, ouvindo e reouvindo diversas vezes, tento imaginar o contexto em que a música surgiu, penso muito no processo criativo do compositor. A criatividade é uma das coisas que não me canso de admirar. Imagino o compositor com suas pautas desprovidas de notas e suas ideias se encadeando para gerar os sons que tanto nos encantarão. Ele certamente poderia confiar em um instrumento amigo para testar algumas ideias, ver como elas poderiam ficar. Imagine Rameau sentado ao cravo criando a tal solene abertura. Pode nem ter sido assim, mas gostaria de pensar que poderia e o excelente Kenneth Gilbert nos dá uma ideia de como isso poderia ter sido.

J-P Rameau

E depois, quando algumas árias e outros números já estivessem prontos, chega a visita dos amigos, quiçá um empresário interessado em uma nova ópera-balé. Rameau certamente poderia contar com a ajuda de algum visitante habilidoso ao teclado ou mesmo um aluno que estivesse por ali. Aproximam-se dois dos cravos do estúdio do compositor e a música agora soa ainda mais rica, alguns efeitos para preencher ainda mais a sala e a imaginação dos presentes, antecipando o momento da apresentação no teatro. Os cravistas Pierre Hantaï e Skip Sempé são excelentes e aqui reúnem forças para apresentar um disco magistral.

O disco do Gilbert é bem antigo, nasceu na era dos long-plays, quando não havia tanta preocupação em encher o disco com pelo menos 70 minutos de música. O disco do Hantaï e Sempé é bem mais recente e está recheado, para nosso grande deleite, de linda música, com um som espetacular.

O título do disco, Symphonies à deux clavecins, enfatiza este aspecto da sonoridade. Criar um som grandioso a partir dos dois cravos. Muitos números de Les Indes Galantes estão aí, mas também há partes de outras obras, como Les Paladins, Dardanus, Zoroastre. Pierre Hantaï, que é famosos por suas interpretações da música de Bach, e Skip Sempé, que cresceu na maravilhosa cidade de New Orleans, têm em comum períodos trabalhando sob a orientação de Gustav Leonhardt.

Esta postagem propõe algo diferente em relação à apreciação musical. Ouvir, comparar, refletir. Fazer da atividade ‘ouvir música’ algo que ultrapasse a superficialidade. Provavelmente é o mesmo com você… eu tenho que conter meus mais primitivos instintos quando ouço a famosa frase: ‘Eu gosto de música clássica, ela me acalma. Ponho ali no rádio e deixo bem baixinho…’

As listagens das faixas dos três últimos discos se encontram nos arquivos. Apenas o disco de Herreweghe está sem o livreto. Optei por não as listar aqui para deixar uma postagem mais objetiva e concisa. Nesta mesma linha, evitei falar sobre o plot da ópera. Não falta informações sobre isso na rede e também nos livretos. Basta dizer que o original consta de um prólogo e de quatro ‘atos’, cada um em um país ‘exótico’ diferente, as tais Índias… O que mantem o todo coeso, se é que tal proeza seja possível, é o tema do amor. Ah, l’amour… O importante é que com isto há espaço para música de todos os tipos, desde árias amorosas até danças saltitantes e exuberantes.

 

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

Les Indes Galantes – Suite d’Orchestre

  1. Ouverture
  2. Entree des Quatre-Nations
  3. Air Polonois
  4. Menuets
  5. Air pour les Guerriers portans les drapeaux
  6. Air pour les Amants qui suivent Bellone et pour les Amantes qui tachent de les retenir
  7. Gavotte
  8. Air pour les Amours
  9. Air pour les Esclaves Africains
  10. Rigaudons en Rondeau
  11. Tambourins
  12. Air des Sauvages
  13. Contredanses
  14. Ritournelle des fleurs
  15. Loure en Rondeau
  16. Gavotte
  17. Orage – Air pour Borée et la Rose
  18. Air pour Zéphire
  19. Marche des Persans
  20. Gavotte
  21. Air tendre pour la Rose
  22. Air grave pour les Incas du Pérou
  23. Adoration du Soleil
  24. Chaconne

Orchestre de la Chapelle Royale

Philippe Herreweghe

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Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

Les Indes Galantes – Suite

[1-9] – Prologue

[10-12] – Le Turc généreux

[13-16] – Les Incas du Pérou

[17-20] – Les Fleurs

[21-22] – Les Sauvages

Orchestra of the 18th Century

Frans Brüggen

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Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

Les Indes galantes

Airs et Danses transcrits pour clavecin par le compositeur

Kenneth Gilbert, clavecin Donzelague (Lyon, 1716)

Gravação de 1979

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Lamentamos a morte de Kenneth Gilbert dia 16 de abril de 2020. O músico canadense tinha 88 anos e sofria de Alzheimer. A revista Scherzo escreveu no seu obituário: “Levava anos dessa terrível doença que primeiro rouba a memória e depois leva a alma, antes de arrebatar a vida”.

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Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

Symphonies à deux clavecins

(Incluindo diversos números de Les Indes Galantes)

Pierre Hantaï

Skip Sempé

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Peço então ouçam estes discos, não importa em qual ordem, mas com o coração e a mente…  Aproveitem os dias de ‘far niente’ e depois me digam, é ou não, uma beleza, a música das galantes Índias?

René Denon

Nem a chuva atrapalhou a visita do Skip e do Pierre às instalações do PQP Bach Coop.

3 comments / Add your comment below

  1. Oi René, bela postagem….. como você disse “…imaginar o contexto em que a música surgiu…” para mim também é um exercício bem divertido.
    Um abração!

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