Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonia No. 10 in E menor, Op. 93

Shostakovich compôs a Sinfonia No. 9 em 1953, após um intervalo de 8 anos. A No. 9 havia sido composta em 1945, logo após a Segunda Grande Guerra. Talvez os ressaibos com Stálin tenha feito Shosta adiar a publicação da Décima. Ela foge do modelo do realismo soviético. No ano da morte de Stálin, o compositor a divulga para o mundo. A grande questão é que esta sinfonia é tonitroante, megalomaníaca (no bom sentido), cheia de poderes, de vigor, de reflexões atordoaras, capaz de gerar em nós uma vontade terrível de correr o mundo e chutar as costelas do Universo. Há tragicidade, há fúria, há cólera, êxtase, tranquilidade bucólica. Somente Shosta para fazer algo assim. O segundo movimento é sombrio, violento, enérgico – dizem os comentaristas – que é um retrato musical de Josef Stálin e seus anos de governo obscurantista. Somente ouvindo atentamente para perceber; somente prestando atenção, poder-se-á sentir os poderes atordoadores da arte Shostakovich. Shosta provoca arrepios em mim quando o escuto”. Compositores assim valem a pena. Esta versão com Ormandy dispensa comentários. Um bom deleite!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sinfonia No. 10 in E menor, Op. 93
01. Moderato
o2. Allegro
o3. Allegretto
o4. Andante – Allegro

Philadelphia Orchestra
Eugene Ormandy, regente

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Carlinus

Sergei Prokofiev – Complete Symphonies – Symphony n°3 in C Minor, op. 44, Symphony n°4 in C Major (Original 1930 version)

Senhores, fiz uma pequena confusão na postagem anterior, e acabei liberando aquele que seria o terceiro cd da série. Agora, então, estou postando o segundo CD, que tem as sinfonias n° 3 e 4.
Vamos então à terceira sinfonia. Por pura falta de tempo, peguei estas informações na wikipedia:

The music derives from Prokofiev’s opera The Fiery Angel. This opera had been accepted for performance in the 1927-28 season at the Berlin State Opera by Bruno Walter, but this production never materialised; in fact, the opera was never staged in Prokofiev’s lifetime. Prokofiev, who had been working on the opera for years, was reluctant to let the music languish unperformed, and after hearing a concert performance of its second act given by Serge Koussevitzky in June 1928, he adapted parts of the opera to make his third symphony (shortly afterwards, he drew on his ballet The Prodigal Son for his Symphony No. 4 in similar fashion).

Neste mesmo CD também temos a Sinfonia n°4, mas primeira versão, de op. 47. composta em 1930. Tirei as informações abaixo da mesma wikipedia:

As a concert pianist, Prokofiev travelled worldwide, and toured the United States during the 1925-26 season. In early 1927, he went on a two-month concert tour of the Soviet Union. He planned to return in 1928, but those plans fell through. In 1929, another planned Soviet tour was cancelled, this time because of a hand injury Prokofiev suffered in a car accident.
Throughout this time as a touring virtuoso, Prokofiev also continued to compose. (…) At the same time, Sergei Diaghilev, the ballet impresario, suggested that Prokofiev write a ballet on a Soviet subject. The resulting piece was Le pas d’acier (‘The Steel Steps’), Prokofiev’s third ballet for Diaghilev, which premiered in Paris in the summer of 1927.[2] He had also been working on an opera entitled The Fiery Angel, of which several premieres had been cancelled. He decided to salvage some of the material from the opera, and turned it into his Symphony No. 3 in C minor. In late 1928, with the aforementioned Soviet tour cancelled, Prokofiev decided to accept another ballet commission from Diaghilev. This piece, rather than being on futurist themes like Le pas d’acier, was based on a Biblical story: L’enfant Prodigue (Parable of the Prodigal Son from the Bible).The moralistic, Biblical subject matter was not an anomaly; such subjects were popular in the Parisian ballet scene in the late 1920s.[5]

As Prokofiev was composing The Prodigal Son in early 1929, he found that many of the themes he was creating would work better in a more developmental symphonic context, rather than the more episodic layout of a ballet. So, he began composing a new symphony, alongside the ballet. The two works share much of the same material, although one does not specifically borrow from the other: they were composed mostly concurrently.[6] The ballet, The Prodigal Son, premiered in Paris in the summer of 1929, to great critical acclaim.[7] It would be the last collaboration between Diaghilev and Prokofiev, because Diaghilev died just months later, in August.[8]
The symphony that resulted, Symphony No. 4 Op. 47, began from material originally written for the ballet’s fourth number. Prokofiev expanded the material into a sonata form, and the resulting music is the first movement of Symphony No. 4 Op. 47. The rest of the symphony draws on material that appears in the ballet, or that Diaghilev rejected as not fitting his vision for the ballet.
Koussevitsky had been discussing a commission for the fiftieth anniversary of the Boston Symphony Orchestra with Prokofiev in 1929. Prokofiev’s response was Symphony No. 4 Op. 47. However, because the commission fee was lower than Prokofiev was willing to accept, Prokofiev only allowed the Boston Symphony to purchase the manuscript of the work, rather than commission it. This meant that Prokofiev received less money, and the Boston Symphony did not get the prestige of a commission. Prokofiev worked on Symphony No. 4 Op. 47 on the long train rides he had to take during a tour of the United States in early 1930. However, because of disagreements with Koussevitsky, he returned to Paris in March, before the symphony’s premiere in Boston in November.

Um pouco confusa a história desta sinfonia, não acham?

Sergei Prokofiev – Complete Symphonies – Symphony n°3 in C Minor, op. 44, Symphony n°4 in C Major (Original 1930 version)

01 Symphony No.3 in C minor -I- Moderato
02 Symphony No.3 in C minor -II- Andante
03 Symphony No.3 in C minor -III- Allegro agitato
04 Symphony No.3 in C minor -IV- Andante mosso – Allegro agitato
05 Symphony No.4 in C -I- Andante assai – Allegro eroico
06 Symphony No.4 in C -II- Andante tranquillo
07 Symphony No.4 in C -III- Moderato, quasi allegretto
08 Symphony No.4 in C -IV- Allegro risoluto

Royal Scottish National Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

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FDPBach

Armando Prazeres – O último concerto

Essa é uma preciosidade que tenho na minha discoteca: um CD institucional da Petrobras com Armando Prazeres regendo a Petrobras Sinfônica (quando ainda se chamava Orquestra Petrobras Pró-Música) em três canções de Natal e algumas obras nacionais, com destaque para a belíssima Sinfonietta Prima de Ernani Aguiar e o conhecido Batuque, da suíte Reisado do Pastoreio de Oscar Lorenzo Fernandez.

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CVL

PS.: Favor não agradecer desmesuradamente. Isto é um cavalo dado.

Marjan Mozetich (1948) – Lament in the Trampled Garden

Não sei se os canadenses o chamam de márdjan ou márdjen (prefiro márian, que não tem equívoco – já que seus pais são eslovenos), só sei que Marjan Mozetich é um dos maiores compositores canadenses vivos e esse CD traz algumas de suas melhores obras de câmara com cordas. Em certas passagens, elas pendem para o impressionismo; em outras, para o romantismo francês; e na temática, assemelham-se muito a Rautavaara, em sua admiração por anjos e paisagens e animais do ártico. A peça principal do disco, o quarteto de cordas Lamento no jardim pisoteado, tem momentos de tanta luminosidade quanto o Cartas íntimas, de Janácek, mas não a destaco em particular: recomendo a oitiva do álbum inteiro.

***

Lament in the Trampled Garden

1. Angels in Flight: I. Arrival & Dialogue Penderecki String Quartet, Erica Goodman, Nora Shulman, Shalom Bard
2. Angels in Flight: II. Song to the Eternal Penderecki String Quartet, Erica Goodman, Nora Shulman, Shalom Bard
3. Angels in Flight: III. Departure Penderecki String Quartet, Erica Goodman, Nora Shulman, Shalom Bard
4. Lament in the Trampled Garden Penderecki String Quartet
5. Hymn of Ascension Penderecki String Quartet, Christopher Dawes
6. Scales of Joy and Sorrow: I. Slow and Expressive The Gryphon Trio
7. Scales of Joy and Sorrow: II. Arabesque The Gryphon Trio
8. Scales of Joy and Sorrow: III. Slow and Expressive The Gryphon Trio

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CVL

Robert Schumann (1810-1856): Sonata Nº 1 e Humoreske

Este CD é, provavelmente, muito bom. Mas não na minha opinião. Estas obras do compositor estão naquele grupo que considero insuportável. OK, o problema é meu e de mais ninguém. Desprezo mesmo! Estou escrevendo este post apenas porque sei que devo estar errado e essas musiquetas de Bobby são muito consideradas e ouvidas. Quem conhece bem Schummy poderia fazer um belo comentário para que eu suba para o post, não?

Agradeço antecipadamente.

Robert Schumann (1810-1856): Sonata Nº 1 e Humoreske

Piano Sonata No.1 in F sharp minor Op.11
1. I. Introduzione: Un poco … (13:51)
2. II. Aria (4:31)
3. III. Scherzo e intermezzo… (5:27)
4. IV. Allegro un poco maestoso (13:06)

Humoreske in B flat major Op.20
5. I. Einfach – Sehr rasch und leicht… (5:44)
6. II. Hastig – Nach und nach immer l… (5:24)
7. III. Einfach und zart – Intermezzo (4:33)
8. IV. Innig – Sehr lebhaft – Mit ein… (6:32)
9. Zum beschluss (6:41)

Angela Hewitt, piano

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PQP

Franz Joseph Haydn (1732-1809) – Three Favourite Concertos

Este é um daqueles CDs agradáveis que deve ser ouvido muitas e muitas vezes. O compositor é bom; a música é boa; os intérpretes são de boa qualidade. Em suma: dispensa maiores comentários. Nos três concertos aqui postados vemos um Haydn leve, poeta e compositor de grande beleza. Acredito que as peças postadas estão entre as maiores para cada um dos instrumentos para as quais foram compostas. No concerto para trompete, uma das peças mais belas conheço – principalmente o segundo movimento -, enchemo-nos de um sorriso nos olhos, como diz o Fernando Pessoa. Bom deleite!

Franz Joseph Haydn (1732-1809) – Three Favourite Concertos

Trumpet Concerto in E flat major, H. 7e/1
01. Allegro
02. Andante
03. Allegro

National Philharmonic Orchestra

Wynton Marsalis, trompete

Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2, Op. 101
04. Allegro moderato
05. Adagio
06. Allegro

English Chamber Orchestra
Yo-Yo Ma, violoncelo

Concerto in C Major for Violin and String Orchestra, Hob. VIIa, No. I
07. Allegro
08. Adagio
09. Presto

Minnesota Orchestra
Cho-Liang Lin, violino

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Carlinus

Robert Schumann (1810-1856) – Cenas infantis – e Fryderyk Szopen (1810-1849) – Sonata n° 3 e Noturno n° 2

“CD Caio Pagano, piano – Obras de Schumann e Chopin

“No 11º CD da série ‘Música de CONCERTO’, o pianista Caio Pagano interpreta Kinderszenen (Cenas Infantis) op. 15, de Schumann; e Sonata para piano nº 3 em si menor op. 58 e Noturno op. 27 nº 2 de Chopin.

“Caio Pagano é um concertista, professor e acadêmico renomado internacionalmente. Desde 1986 ele é professor de piano na Arizona State University, tendo recebido honroso título de professor regente (Regents’ Professor), uma das mais altas honrarias concedidas por universidades norte-americanas. Pagano combina um profundo conhecimento de música, literatura e outras artes, o que confere autoridade única a suas interpretações. Sua brilhante técnica está sempre acompanhada de um exuberante lirismo, inteligência e sendo de estilo. Caio Pagano é um artista Steinway.”

***

Essa é uma postagem da alçada de FDP e Carlinus, mas ocorreu-me de fazê-la em consideração a Avicenna pois recebi dele o presente CD em São Paulo. Esse disco com Caio Pagano foi o último a ser lançado pela Concerto, em 2010 (sabia dele mas, como não assino a revista, não o tinha ouvido ainda), e rende homenagem já sabida ao compositores citados – em tempo, não sei por que Hugo Wolf foi sumariamente esquecido em seu sesquicentenário de nascimento. Me agrada a interpretação de Pagano, porém como Schumann e Chopin me dão um desgosto profundo (vide posts e comentários meus por aí no blog), com certeza o destino desta gravação será a prateleira de alguma mulher refinada que eu venha a cortejar nas gafieiras da vida. Antes, compartilho-a com vocês.

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CVL

PS.: Ah, sim. Acostumem-se com a grafia do nome de Chopin em polonês.

Edward Elgar (1857-1934) – Concerto para Cello e orquestra em Si menor, Op. 85 e Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suites No. 1 em Sol para cello solo, BWV 1007

Um baita CD. Acreditem. Das obras de Elgar, acredito que o seu concerto para violoncelo e orquestra sejam uma das mais conhecidas. É uma obra importante para o intrumento. Foi escrita em 1919, no interior da Inglaterra, na casa de campo do compositor. A obra é repleta por um sentimento de angústia e desilusão. A ênfase na tristeza é resultado das reflexões do compositor sobre o fim da I Guerra Mundial. Já a outra obra do post é de Bach – As Suítes Nos. 1 e 2. Estava há algum tempo com a intenção de postá-la. Estava a procurar uma boa interpretação. Após ouvir a interpretação com Jacqueline du Pré as minhas dúvidas foram exorcizadas. Não deixe de ouvir. A dupla Jacqueline du Pré/Barbirolli é maravilhosa. Boa apreciação!

Edward Elgar (1857-1934) – Concerto para Cello e orquestra em Si menor, Op. 85
01. I. Adagio – Moderato
02. II. Lento – Allegro molto
03. III. Adagio
04. IV. Allegro ma non troppo

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suites No. 1 em Sol para cello solo, BWV 1007
05. I. Prélude
06. II. Allemande
07. III. Courante
08. IV. Sarabande
09. V. Menuetto I & II

Suites No. 2 em Ré menor para cello solo, BWV 1008
10. I. Prélude
11. II. Allemande
12. III. Courante
13. IV. Sarabande
14. V. Menuetto I & II
15. VI. Gigue

BBC Symphony Orchestra
Sir John Barbirolli, regente
Jacqueline du Pré, cello

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Carlinus

Música Erudita Brasilieira [link atualizado 2017]

Este post foi feito originalmente por CVL, que destacou a onbra de Henrique Oswald contida no álbum. Há, no entanto, toda uma linha cronológica com 14 faixas que mostram um caminho pelo qualç a música erudita brasileira trilhou desde o período colonial até a contemporaneidade.

Nas palavras do CVL:
Dando uma olhada no blog Música Brasileira de Concerto (onde nunca consegui achar pelo menos um álbum que eu já tivesse antes, eu que sou defensor perpétuo e repositório pretenso da música erudita brasileira), bati o olho nesse disco pelo repertório histórico amplo como poucas vezes vi em se tratando de obras nacionais – e ainda bem que é o primeiro de uma série, pois seria injusto com os compositores contemporâneos que ficaram de fora do volume um.

Fiquei mais curioso ainda porque tinha uma obra de Henrique Oswald. E, após ouvir o tal Andante, regozijei-me, pois jamais escutei algo do compositor romântico carioca para sair decepcionado.

Vejam, nossos compositores românticos, nenhum deles era incompetente: todos tinham bagagem para fazer bonito em qualquer lugar do planeta (Carlos Gomes que o diga), mas poucos (o campinense no meio) compunham coisas com tanto brilho – lembrando que sem traços nacionalistas, os quais seriam despertados com Nepomuceno.

Esse Andante do Oswald nem é a melhor obra dele (um dia postarei o encantador Concerto para violino e orquestra, mas daqui a meses ou anos), porém, se você gosta de Grieg, Tchaikovsky, Schumann ou Saint-Saëns, ponho minha reputação em jogo de como você vai concordar de que Oswald nada (i. é, CACETE NENHUM) deve aos grandes europeus, até porque foi lá que ele se formou.

Pena que ele faz parte de um país onde o espaço destinado à música erudita no imaginário do povo só tem espaço pra Villa-Lobos e a protofonia de O Guarani.

O CD, ao todo, possui 14 faixas:

Música Erudita Brasileira

01 Luís Álvares Pinto – Lições de Solfejo nos. XXII, XXIII e XIV, para cravo
02 J.J. Emerico Lobo de Mesquita – Para a benção da Cinza da Missa de 4ª feira de Cinzas
03 José Maurício Nunes Garcia – Lição nº12 em ré menor do Método de pianoforte (para cravo)
04 José Maurício Nunes Garcia – Te Deum Laudamus 1801 – I. Te Deum laudamus
05 José Maurício Nunes Garcia – Te Deum Laudamus 1801 – II. Te ergo quaesumus
06 José Maurício Nunes Garcia – Te Deum Laudamus 1801 – III. Aeterna fac
07 Anônimo brasileiro séc. XVIII (atrib. Antonio da Silva Leite) – Xula Carioca
08 Carlos Gomes – Ária de Colombo ‘Era un tramonto d’oro’
09 Henrique Oswald – Andante com variações para piano e orquestra
10 Alberto Nepomuceno – Scherzo 1897 para orquestra
11 Camargo Guarnieri – Abertura Festiva
12 Guilherme Bauer – Instantes Pianísticos – Mutações; Frequências
13 Eduardo Guimarães Álvares – A Falsa Rhumba, Estudo nº2 para marimba e vibrafone
14 Harry Crowl – Do Ciclo para Piano ‘Marinas’ – I. Guaratuba e Antonina; III. Cabo da Roca; VI. La Jolla

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CVL
Repostado por Bisnaga

Alfred Reed (1921-2005): Viva Música, First Suite for Band e Second Suite for Band ( Latinomexicana )

Isso que eu posto aqui hoje, não é um CD, e sim um fragmento de dois CD’s que eu não encontrei na Amazon. Penso que Alfred Reed tenha sido um dos mestres do século. Sempre compondo com gosto. Fazendo sempre bem feito o seu trabalho.
A orquestração para bandas sinfônicas é tida com muito preconceito. Tida como sendo um ramo da música que cresceu defeituoso. Acho que tudo isso seja ”prosopopéia flácida para acalentar bovinos.”
Vamos falar do post..
Eu já tive o prazer de tocar todas as músicas presentes neste post, e posso dizer com muita firmeza: É muito difícil. Alfred Reed. Reed ”contraponteia” toda a melodia. Ainda a melodia é toda quebrada nos instrumentos. Isso dá a impressão de união do conjunto. Como se o conjunto tocasse uma coisa só. É uma técnica muito utilizada, e tem resuldatos.

Composta em 1983, Viva Música é uma ”Abertura de Concerto” ( assim vem escrito na partitura: A Concert Overture for Winds ) ou seja, mostra toda a sonoridade que se pode extraír do conjunto. Mostra o som de todos, eu disse TODOS, os instrumentos seja como for. Desde a Clarineta até o Pandeiro. Ainda assim essa música é o terror na vida dos trompista, porque caso vocês escutem, tem um solo de trompa ( 1:16min. ) com sax alto. Os intervalos entre as notas são grandes, o que facilita muito mais as coisas para o músico. O compasso é um ”mix” de 7/8 e 8/8. Os atentos irão perceber que por mais que o compasso seja composto e sem o chamado ”tempo forte” a música flui muito bem. Os compassos 7/8 tem a concheia como principal figura rítmica. Reed agrupa as 3 primeiras colcheias no primeiro tempo, e as 4 seguidas, duas em um tempo e duas no outro tempo. Assim ficamos com 3 tempos em um compasso 7/8. Interpretando cada “I” como se fosse uma colcheira e o espaço entre eles a divisão do tempo ficaria assim ( III – II – II ). O interessante é que o compasso 8/8 funciona da mesma maneira ( III – III – II ). Eu fiquei embasbacado como esse cara conseguiu bolar isso. É uma música que eu recomendo ouvir atentamente. Cada segundo ouvindo é um aprendizado. Vale a pena tentar adivinhar qual o instrumento está tocando tal trecho.

A First Suite for Band é dividida entre uma abertura, em ritmo de marcha. esse movimento não quer expressar a música das ” bandas marciais” mas sim como um tema de aventura. Reed era trompetista. Isso faz com que ele utilize muito os naipes de metais. Principalmente trompa e trompete ( cornet, flugelhorn….. )

O segundo movimento é a coisa mais bela que eu já ouvi na vida. Me dá vontade de chorar toda vez que o ouço. É a coisa mais bela e melodiosa que eu já pude tocar. Não sei como descrever. Poderia ficar um mês inteiro atribuindo adjetivos para esse movimento mas deixo a voces a missão de dizer o que acharam deste movimento na caixa de comentário.

O terceiro movimento é um Rag. Isso nos trás às origens de da Música classica americana. Profetizada por Dvorák o Ragtimes é uma forma de compor nascida nos EUA. Aqui em baixo um trcho tirado da wikipédia sobre o Ragtimes.

”Ragtime (também ragged-time) é um gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918. Tal gênero tem tido vários períodos de renascimento, ainda hoje são produzidas composições. O ritmo foi o primeiro gênero musical autentico norte-americano, superando o jazz.[1] Começou como música de dança com cunho mais popular, anos antes de ser publicado como partitura popular para piano. Sendo *uma modificação da marcha foi primeiramente escrita na tempos 2/4 ou 4/4 com uma predominância da left hand pattern de notas graves em batidas com tempos diferentes e acordes em números de batidas pares, acompanhando uma melodia sincopada na mão direita. Uma composição nesse estilo é chamada de “rag”. Uma rag escrita em 3/4 é uma “valsa ragtime”.
Ragtime não é um “tempo” (métrica no mesmo sentido que a métrica marcial é 2/4 e a valsa com métrica 3/4). No entanto, é um gênero musical que usa um efeito que pode ser aplicado à qualquer métrica. A característica que define a música ragtime é um tipo específico de sincopação na qual os acentos melódicos ocorrem entre as batidas métricas. Isso resulta em uma melodia que parece evitar algumas batidas na métrica do acompanhamento, através da ênfase de notas que tanto antecipam ou seguem a batida. A última e (intencional) efeito no ouvinte é de fato acentuar a batida, sendo assim induzindo o ouvinte a vibrar com a música.”

Não preciso dizer mais nada né ?

Sobre o último movimento, não tenho nada a dizer. Só a escutar. É muito engraçado. Dá para rir ouvindo.

Sobre a Second Suite for Band.

Quando Alfred Reed compos essa peça, imagino que ele queria juntar rítmos presentes na América latina, Principalmente na parte colonizada por espanhóis. O Son Motuno é um rítmo proveniente da área Cubanda, Muitos estudiosos dizem que o Tango, a Salsa e outrs rímos saíram do Son Motuno. É uma peça que a pessoa que está ouvindo tem vontada de levantar e sair dançando.

Para não ficar confuso, o começo do segundo movimento ( Tango ) quer representar ondas do mar. Pode-se perceber que em toda a exucução da música tem o ”vai e vem” das ondas do mar. Isso foi uma grande sacada da parte de reed. Ainda prefiro a segundo movimento da Primeira Suíte.

Guaracha, o própio nome quer dizer sobre o que se trata este movimento. É o mais curto de todos. Cerca de 2 minutos. Ainda assim é muito divertido. Ouvir este movimento é como ouvir uma criança brincando. Não tenho como descrever este movimento. Lá para o 1:17, sempre que tive a oportunidade de tocar esse solo me dava vontade de rir. Não sei porque. Simplesmente é muito belo e muito engraçado. 😀

Ahhhh, agora eu vou falar ! O 4º Movimento quer expressar toda a emoção de uma tourada. Quem não conhece o toque de trompete presente no 0:18 deste música ? Reed cria um eco, primeiro da clarineta, depois da flauta. Daí entra o Corne ingles e a clarineta tocando como um tema fúnebre. Um solo de Clarineta. O Lamento. Depois um compasso sincopado 5/4 deixa claro a corrida, a emoção. Entra as castanholas e as flautas. Intervenções de trompete. Tudo mais.

Vai-se para o compasso 3/4, como se representa uma dança, uma valsa. Ou até mesmo um ciclo de transe que as pessoas ficam. Peço atenção ao período da 3:10 até 3:30. É fantástico. Diz tudo, expressa tudo. Toda a emoção. O solo de Xilofone ao fundo é dificílimo de ser executado. É executado junto com trompetes com surdina e fica mais difícil pois ambos tem que tocar juntos. Sem nenhuma marca de erro e atraso. Neste período volta ao compasso 5/4 que ao mesmo tempo não te dá a sensação de estabilidade musical mas ao mesmo tempo não deixa a melodia depravada. Pelo contrário deixa ainda mais rica.

Bom, espero que gostem, e digam o que acham.

Alfred Reed (1921-2005): Viva Música, First Suite for Band e Second Suite for Band ( Latinomexicana ) – Tokio Kosei Wind Orchestra

1 – Viva Música
2 – First Suite for Band – March
3 – First Suite for Band – Melody
4 – First Suite for Band – Rag
5 – First Suite for Band – Gallop
6 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Son Montuno
7 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Tango (“Sargasso Serenade”)
8 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Guaracha
9 – Second Suite for Band (Latino Mexicana) – Paso Double (“A la Corrida!”)

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Gabriel Clarinet

Robert Schumann (1810-1856): Piano Sonata no1. in F-sharp minor, Op.11 & Carnaval, Op.9

Vocês sabem muito bem que eu não morro de amores por Bob Schumann, mas que há algumas obras que tocam meu duro coração bach-bartokiano. E o Carnaval é uma delas. Ouvi sem emoção a Sonata Nº 1. OK, deve ser uma maravilha e sou um idiota incompreensivo para com as belezas do período romântico. Mas me deixem assim, por favor. É uma questão genética, talvez. Me parece um mela-cueca sem sal, fazer o quê?

No Carnaval, Kissin dá um banho. Gostei muito. Que bom seria se ele abandonasse de vez Chopin e Schumann. Tenho esperanças de que ele canse logo.

Robert Schumann (1810-1856): Piano Sonata no1. in F-sharp minor, Op.11 & Carnaval, Op.9

Piano Sonata no1. in F-sharp minor, op.11
1. 1. Introduzione. Un poco Adagio -… (11:15)
2. 2. Aria. Senza passione, ma espre… (3:36)
3. 3. Scherzo ed Intermezzo. Allegri… (4:26)
4. 4. Finale. Allegro un poco maestoso (11:59)

Carnaval, scène mignonnes sur quatre notes (ASCH), op.9
5. 1. Préambule (2:08)
6. 2. Pierrot (1:09)
7. 3. Arlequin (1:01)
8. 4. Valse noble (2:08)
9. 5. Eusebius (2:09)
10. 6. Florestan (0:54)
11. 7. Coquette (1:33)
12. 8. Rélique (0:55)
13. 9. Papillons (0:41)
14. 10. ASCH/SCHA (Lett… (0:52)
15. 11. Chiariana (1:29)
16. 12. Chopin (1:18)
17. 13. Estrella (0:27)
18. 14. Reconnaissance (1:40)
19. 15. Pantalon et Col… (0:52)
20. 16. Valse allemande (0:55)
21. 17. Paganini (1:11)
22. 18. Aveu (1:09)
23. 19. Promenade (2:24)
24. 20. Pause (0:15)
25. 21. Marche des ‘Dav… (3:20)

Evgeny Kissin, piano

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PQP

Gustav Mahler ( 1860-1911 ) – Sinfonia Nº 6 – Trágica – R.Kubelik – Bavarian Symphonic Orchestra

Estava tentando terminar a série das sinfonias de Mahler até o final do ano. Mas pelo visto não conseguirei. Estou tendo sérios problemas com a Oi e sua péssima internet.
Aí vai mais uma….
SINFONIA No.6
Apelido: Trágica (não-oficial)
Tonalidade principal: Lá menor
Composição: 1903-1905
Revisão: 1908
Estréia: Essen, 27 de maio de 1906 (regência de Mahler)
1a.Publicação: 1906 (Leipzig, C.F. Kahnt Nachf)
Instrumentação:
Piccolo
4 Flautas (flautas 3 e 4 alt. piccolos)
4 oboés
Corne-Inglês
Clarinete em Mib (tb como 4o. clarinete)
3 clarinetes (Sib, Lá)
Clarone
4 fagotes
Contrafagote
8 trompas
6 trompetes
3 trombones
Trombone baixo
Tuba
Tímpanos
Sinos
Sinos de vaca
Glockenspiel
Xilofone
Celesta (2 ou mais se possível)
Triângulo
Tam-Tam
Pratos
Caixa Clara
Tamburim
Bombo
Martelo
2 harpas
Quinteto de cordas (violinos I, II, violas, cellos e baixos)
Duração: aprox. 80 minutos
Movimentos:
I- Allegro energico, ma non troppo. Heftig aber markig
II- Scherzo (Wuchtig)
III- Andante moderato
IV- Finale: Allegro moderato
Comentários: Considerada por muitos como a mais ‘difícil’ sinfonia de Mahler, ela é uma espécie de antítese da Quinta, pois cria uma compexa gama de tensões harmônicas, formais e dinâmicas sem resolvê-las no esperado final. É a mais ‘clássica’ de todas, com uma forma rigidamente sonata, estrutura quase beethoviana, mas, não obstante, sua mais pesada e tensa obra, e que lhe rendeu, muito propriamente, o apelido. O último movimento contém 3 estrondos monumentais, de simbologia um pouco obscura, mas de visão apocalíptica, composto estranhamente num dos períodos mais calmos e felizes de sua vida.

retirado daqui: http://repertoriosinfonico.blogspot.com/2007/06/sinfonias-informaes-tcnicas.html

Filipe Salles escreveu:
A antítese da Quinta é a Sexta, sinfonia que começa nos mesmos moldes, mas que não termina na resolução dos conflitos propostos, conservando as tensões harmônicas até o final, sendo por isso, conhecida como Sinfonia Trágica. Mahler a escreveu em 1905, quando descobriu que era portador de uma doença genética no coração, e que iria matá-lo em breve. Poucas obras musicais revelam com tamanha perfeição o conflito pessoal que o sufocava, tomando consciência de maneira bastante dura e irrevogável de sua condição humana, e, portanto, mortal. É uma sinfonia pesada, de orquestração maciça, harmonias fortes, mas também não sem encantos, sendo seu Andante uma das páginas mais apaixonadas de Mahler. De qualquer modo, não é uma sinfonia facilmente digerível; o clima angustiante de um herói às voltas com seu próprio limite permeia toda a sinfonia, incessantemente. Ao terminá-la, apesar de estar passando por um período relativamente tranqüilo de vida, viu expurgados anseios íntimos, antigas preocupações lhe afloraram.
FDP Bach escreveu:
Gosto muito desta sinfonia, principalmente de seu primeiro movimento, de caráter marcial. Nas mãos de Bernstein torna-se ainda mais incrível.
Ah, existe uma pequena controvérsia referente ao Scherzo e ao andante, melhor detalhada aqui. A opção de Bernstein será a primeira adotada por Mahler, a saber, primeiro o Scherzo, depois o andante. Outros regentes, farão a inversão dos movimentos, como Abbado.
Com relação ao tempo de duração, esta gravação tem 1h e 27 min. Ou seja, não caberia em apenas 1 cd, algo que outros regentes já conseguiram fazer, como o próprio Bernstein, em seu registro de 1967 com a Filarmônica de New York. Só para efeito de comentário, nesta versão que ora posto, o último movimento dura 33:16, enquanto que na versão anterior dura 28m:38s. É uma diferença considerável… mas, enfim, são detalhes referentes às escolhas que são feitas pelos regentes e seus produtores, e sobre isso já fiz outra comparação, que se vai encontrar nos comentários da postagem da sinfonia nº 5.

retirado daqui: http://www.sul21.com.br/blogs/pqpbach/gustav-mahler-1860-1911-sinfonia-n%C2%BA-6-e/

Gustav Mahler ( 1860-1911 ) – Sinfonia Nº 6 – Trágica – R.Kubelik – Bavarian Symphonic Orchestra

1 – Allegro energico, ma non troppo. Heftig, aber markig.
2 – Andante moderato
3 – Scherzo: Wuchtig
4 – Finale: Sostenuto – Allegro moderato – Allegro energico

Clique Aqui para fazer o Download – Megaupload

Gabriel Clarinet

Marcílio Onofre (1982) – Capricho Medonho e Eatenus

[Post publicado pela primeira vez em 10 de junho de 2010, com acréscimos atualizados em itálico.]

Esse “grande público” distinguiu-se com frequência, nos últimos três séculos, por seu conservadorismo estético: por vezes se queixa das mudanças que lhe tornam a música “incompreensível”, e sua preocupação em compreender (tão estranha diante de uma arte não significante) torna-se obsessiva. Mas não se deve ser sistemático: o artista profético à frente de seu tempo é um lugar-comum da história da música. A defasagem sempre existe, mas, de ordinário, é sempre superada: percebidas a princípio como anomalias, as novidades são integradas à tradição, servindo, por sua vez, para controlar novos progressos. A recusa categórica da música da música moderna por parte de uma maioria do público é uma singularidade de nosso tempo.

Roland de Candé, em História Universal da Música, vol. 1

Sábado passado postei o Concertino para violoncelo e cordas de Clóvis Pereira aqui no blog. Não tenho queixa quanto ao número de downloads, mas creio que se não fosse pelos figurões (Meneses e Haydn) aquele CD não seria tão acessado.

Transcrevi essa epígrafe acima para reforçar uma cantilena que expus tempos atrás. Não sei quantos pararam para ouvir Gilberto Agostinho, Eli-Eri Moura, Clóvis Pereira, Harry Crowl ou Dimitri Cervo, mas sei que o desconhecimento dos nomes espanta os menos ousados. Que alguém não goste de ouvir aquilo com que teve contato é compreensível; estranho é o arraigamento da rejeição àquilo que não se conhece. Daí fica meu convite, mais uma vez, para baixarem obras postadas por mim, CDF, Ranulfus e itadakimasu e comentarem o que quer que seja (desde que não seja para apontar erros gramaticais e de digitação, pois cachorros mortos não serão chutados: serão cremados mesmo aqui no nosso filtro da wordpress).

***

Preparei e publiquei o presente post, originalmente, na terça-feira de madrugada [antes do dia 10 de junho] e pouquíssimos puderam vê-lo. Nele, eu falava de como o Compomus (o Laboratório de Composição Musical da UFPB) tornou-se o maior celeiro de compositores nacionais durante esta última década e das parcerias entre esses compositores e grupos musicais locais, como o Brassil. [Só que aí a mudança de servidor mandou os textos do blog daquela semana pro beleléu e eu chutei o balde: reescrevi aquilo que pude recordar.]

Destaquei em particular o jovem Marcílio Onofre, que passou de aluno a professor do Compomus em poucos anos, e esta magnífica obra dele [- o Capricho medonho – ] cujo áudio descobri no YouTube, interpretada pelo próprio Onofre junto com a Sinfônica Jovem da Paraíba – orquestra que dedica um concerto por ano para estrear obras dos alunos do Laboratório (nem orquestras profissionais fazem isso no Brasil, atualmente).

[Removi o link porque recebi este arquivo e o seguinte de um colega meu que garantiu que o compositor não tem a menor bronca com downloads.]

No mais, boa audição. Vale a pena dar uma conferida.

BAIXE AQUI

***

Fiquei (e continuo) muito bem impressionado com o Capricho medonho acima. Mas medonha é a presente partitura, Eatenus (algo que em latim quer dizer “longe pra caralho, nos confins das pregas do universo”), para flauta, clarineta, fagote, trompa, violino, viola, violoncelo e contrabaixo. As duas obras, lado a lado, mostram uma tendência observada entre os compositores da Paraíba: a de comporem peças experimentais um tanto áridas (como Eatenus) – ligadas às pesquisas desenvolvidas nas áreas de música, musicologia e tecnologia – e a de, consequentemente, terem cabedal para criar obras competentíssimas seguindo referências tradicionais (como o Capricho, que seria digno de ter sido escrito por aluno de Prokofiev ou Bartók caso conhecesse a música modal nordestina).

A interpretação é do grupo residente do Festival de Inverno de Campos do Jordão 2009.

BAIXE AQUI

***

Nos próximos cinco dias, fiquem com o reload dos Quartetos de Cordas do Villa (que já estavam agendados antes do “apagão”) enquanto ajeito os posts do box de música sacra da Harmonia Mundi.

[Deixei esse trecho pra todo mundo voltar a ficar puto com o veto que levamos, de privar vocês das obras do Villa.]

CVL

Os melhores do ano segundo CDF

Eu sempre fui muito influenciado por listas. Se encontro algo dizendo “Os Dez melhores…” procuro uma canetinha para anotar. Pensando bem, quase tudo que conheço (música, livros,…) foi por indicação. Claro que com a idade ganhei certa autonomia nas escolhas. Mas se alguém diz “você deve ler esse livro”, vou na loja comprar. Li até Paulo Coelho. Por outro lado, minha capacidade de convencer outra pessoa é sofrível. Já dei livros e discos a torto e a direito sem nenhum feedback. Por essas e por outras é que fiquei motivado a fazer essa pequena listas dos 5 melhores discos que ouvi esse ano. Pois esse frustrado que vos fala se realiza por aqui, com a boa vontade e interesse de vocês. Não tive preocupação de escolher esses discos por período ou ano que foi realizado, foi simplesmente pelos números de vezes que coloquei no meu toca-discos esse ano.
Começo com Haydn, o maior dos compositores. Bach, Mozart ou Beethoven quase nos convencem de uma certa transcendência; com Haydn, isso não acontece. Ele sempre nos coloca no chão, na vida real. Mesmo em suas missas ou oratórios a celebração não é para Deus, mas à Natureza e ao homem. Por isso o século do romantismo rejeitou o mestre da luz. Em suas óperas, tanto tempo desprezadas, podemos também encontrar a ironia e clareza que também não cativam aqueles de coração mole. “Il Mondo della luna” e “Orlando Paladino” são óperas imperdíveis, que desnudam o lado bom e engraçado da natureza humana. Sorte nossa que Haydn ganhou fôlego com sua visita a Inglaterra, lugar único na valorização de um gênio. Áustria sempre foi injusta com seus compositores em vida: Mozart, Haydn, Schubert, Mahler e Schoenberg. Salzburg, terra onde Mozart nasceu, era o lugar mais provinciano do mundo. As recordações de Mozart daquele lugar sempre foram as piores possíveis, hoje essa cidade sobrevive do turismo em cima do filho que tanto desprezou, vendendo chocolate e camisinhas com a marca Mozart. Com Haydn aconteceu a mesma coisa, sempre foi tratado como serviçal na Áustria. Já na Inglaterra, foi recebido como celebridade, vindo a ganhar um bom dinheiro, o suficiente para comprar uma bela casa e viver independente. O disco “Haydn in London” mostra um desses frutos preciosos que devemos a Londres. Na verdade, são trios para piano, flauta e violoncelo cuja riqueza está justamente em sua simplicidade cristalina.
Mahler foi outro que também passou por dificuldades na Áustria, principalmente quando dirigia a ópera de Viena. Mas ele foi tão genial que conseguiu respirar um pouco a brisa do triunfo. Só que depois de sua morte, em 1911, Mahler ainda continuou sendo desprezado por seu país por um longo tempo. Foi pela boa vontade de seus amigos Bruno Walter, Mengelberg, Klemperer e outros que sua música ainda continuou sendo ouvida nas décadas que se seguiram. Trago para vocês o ciclo de canções orquestrais “Das Knaben Wunderhorn” interpretado por Dietrich Fischer-Dieskau, Elisabeth Schwarzkopf, regida por George Szell (meu maestro preferido junto com Carlos Kleiber). Eu tenho ótimas versões dessa obra, mas aqui o negócio é diferente. O disco já começa com Revelge, a canção militarizada com toda aquela pompa instrumental, como se tivéssemos assistindo uma parada do exército rumo à um bela batalha, mas a ironia do “tralali, tralalei, tralalera” e a sensação de desastre iminente é bem típica do maior profeta da música.
Vamos agora para a Rússia, com o Grand Duet (1959) para violoncelo e piano de Ustvolskaya. A compositora, morta em 2006, teve um caso amoroso com Shostakovich; talvez um pouco traumático, já que aquela, nos últimos anos de sua vida, vilipendiava a imagem do compositor. A mulher era o cão, sua música retrata bem essa personalidade. O Grand Duet tem cinco longos movimentos com nenhum momento de alívio ou encanto. Uma obra genial por sua economia e sonoridade. No disco ainda temos a segunda sonata para cello e piano de Schnittke, no mesmo nível de “humor”. Engraçado é encontrar no início do disco uma peça de Piazzolla; bem fora do contexto, mas genial. Interpretação de Rostropovich.
Os próximos dois discos, Canções de Brahms com a mezzo-soprano argentina Bernada Fink e “Dream of Gerontius” de Elgar, foram meus preferidos esse ano. Pois é, senhores, Elgar sim. Tenho raiva do compositor por tratar sua genialidade com pouco rigor. Se ele tivesse enxugado um pouco mais suas obras, ele chegaria no primeiro escalão. Mas os momentos geniais de “Dream of Gerontius” valem o esforço de ouvir passagens pouco inspiradas. As canções de Schubert e Schumann são bem gravadas e conhecidas, mas não tanto as canções de Brahms. Depois de ouvir esse disco encantador, é difícil entender porque. Estão entre as melhores de todos os tempos. A interpretação de Bernarda Fink é soberba.

Ok, pessoal, encerro minha lista esperando convencer vocês 🙂

Feliz Ano Novo!!!

cdf

Baixe Aqui – Haydn in London
Baixe Aqui – Mahler – Das Knaben Wanderhorn
Baixe Aqui – Ustvolskaya
Baixe Aqui – Elgar- Dream of Gerontius – Disco 1
Baixe Aqui – Elgar- Dream of Gerontius – Disco 2
Baixe Aqui – Brahms

Krzysztof Penderecki (1933-) Symphony No.2 ‘Christmas Symphony’, Te Deum, Lacrimosa, Magnificat e Kanon

Como estamos no período do Natal, achei oportuno fazer a postagem desse extraordinário CD.  O fato é que a moçada aqui do PQP Bach anda numa fase fabulosa de postagens antológicas. FDP andou tirando umas preciosidades do Piazzolla da manga; Ranulfus sacou um oratório do Saint-Säens que eu nem sonhava que existisse; PQP desferiu um golpe no qual ficamos atordoados – postou 8 CDs com “padre vermelho”, Antonio Vivaldi, Telemann e outros. Pelo que tenho escutado nos bastidores, outras coisinhas surgirão para deslumbrar. Imaginem! FDP preparou o Oratório de Natal de Bach com Richter. Irá ao ar à meia-noite. Ranulfus está preparando uma de suas postagens cheias de erudição e bom gosto. Avicenna com sua alma filosoficamente cândida, deve também trazer algo especial. PQP deve está em alguma floresta traçando uma ninfa, como um fauno voraz que é, mas também deve trazer algo muito bom. Eu que não sou bobo, resolvi postar este baita CD  do compositor polonês Krzysztof Penderecki, uma das personalidades marcantes da música contemporânea. Advirto: é preciso ter nervos de  aço e um estômago musical forte para ouvir o polonês. A música é bastante condimentada. Densa. De emoções ásperas, trágica. A Sinfonia No. 2, “Sinfonia de Natal”, é uma daqueles obras que ouvimos, ouvimos e ouvimos; e em cada nova audição somos surpreendidos. Não disponho informações quanto ao regente e quanto aos cantores. Nosso Natal com Penderecki será ríspido, trágico. Mas nem por isso, deixará de ser belo. Imagine se não iremos para o Paraíso e teremos 20 virgens cada um para nos embriagarmos de amor!? Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

*Desejo a todos paz, saúde e muita alegria.

Krzysztof Penderecki (1933-) Symphony No.2 ‘Christmas Symphony’, Te Deum, Lacrimosa, Magnificat e Kanon

DISCO 01

Symphony No.2 ‘Christmas Symphony’
01. Symphony No.2 ‘Christmas Symphony’

Polish Radio National Symphony Orchestra

Te Deum
02. Te Deum

Polish Radio National Symphony
Orchestra
Polish Radio Chorus Of Krakow

DISCO 02

Lacrimosa
01. Lacrimosa

Polish Radio Chorus Of Krakow

Magnificat
02. I. Fuga (Quia respexit) – Et misericordia
03. II. Fecit potentiam
04. III. Passacaglia (Desposuit potentes)
05. IV. Sicut locutus est – Gloria

Polish Radio National Symphony Orchestra
Polish Radio Chorus Of Krakow
Krakow Philharmonic Chorus

Kanon
06. Kanon

Polish Radio National Symphony Orchestra

BAIXAR AQUI CD1
BAIXAR AQUI CD2

Carlinus

G. F. Händel (1685-1759): As seis sonatas para dois oboés e contínuo

Não encontrei maiores referências a este excelente CD que me foi enviado pelo comentarista Sidney Leal. Não está à venda na Amazon. É daqueles discos que sei lá; só sei que existem porque há capas escaneadas e coisa e tal — além de um som maravilhoso. Na verdade, trata-se de um belo CD nacional da Paulus, de 1998. O fato de ser nacional explica o fato de ser injustamente obscuro… Olha, mas meus parabéns, é muito bom. Confiram! Fiquei feliz de ouvir.

Obrigado, Sid!

G. F. Händel (1685-1759): As seis sonatas para dois oboés e contínuo

01 – Sonata I in B flat..
02 – Sonata I in B flat..
03 – Sonata I in B flat..

04 – Sonata II in D min..
05 – Sonata II in D min..
06 – Sonata II in D min..
07 – Sonata II in D min..

08 – Sonata III in E fl..
09 – Sonata III in E fl..
10 – Sonata III in E fl..
11 – Sonata III in E fl..

12 – Sonata IV in F maj..
13 – Sonata IV in F maj..
14 – Sonata IV in F maj..
15 – Sonata IV in F maj..

16 – Sonata V in G majo..
17 – Sonata V in G majo..
18 – Sonata V in G majo..

19 – Sonata V in D majo..
20 – Sonata V in D majo..
21 – Sonata V in D majo..
22 – Sonata V in D majo..

Bert Lucarelli e Arcádio Minczuk, oboés
Fábio Cury, fagote
Helena Jank, cravo

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PQP

George Philipp Telemann (1681 – 1767): Essercizii Musici (Completos)

Este é tipo de álbum que fará a alegria dos amantes do barroco e da história da música. São 4 CDs com os Essercizii Musici de Telemann completos.

Telemann foi, talvez criminosamente, o compositor alemão mais famoso na época de Bach. Mas não precisamos detestá-lo por isso. Publicava e escrevia demais, era isso. Escrevia mais música do que Luiz Nassif publica de posts. Ele compôs em todas as formas e estilos existentes em sua época. Sua música tem caráter inconfundível, é clara e tão fluente quanto os gols do Mazembe no Inter. Apesar de ser apenas quatro anos mais velho do que seus contemporâneos Bach e Haendel, utilizou um estilo um pouco mais moderno e pode ser considerado um precursor do clássico. Entre os diversos gêneros musicais que compôs, destacam-se a sua Música vocal sacra, sendo notável o extraordinário número de cantatas (aproximadamente 1700), a Música vocal secular, dentre as quais figuram nove óperas, a Música orquestral, a Música de câmara e a Música para teclado. Hoje, a gente ouve quase só a música instrumental e esta… não parece acabar nunca.

George Philipp Telemann (1681 – 1767): Essercizii Musici

01 Sonata for violin & continuo in F major (Essercizii Musici No. 1/1), TWV 41:F4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Cologne Camerata, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

02 Trio for recorder, oboe & continuo in C minor (Essercizii Musici No. 1/2), TWV 42:c2
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

03 Sonata for flute & continuo in D major No. 2 (Essercizii Musici No. 2/3), TWV 41:D9
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

04 Trio for viola da gamba, harpsichord & continuo in G major (Essercizii Musici No. 2/4), TWV 42:G6
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

05 Sonata for viola da gamba & continuo in A minor (Essercizii Musici No. 3/5), TWV 41:a6
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

06 Trio for violin, oboe & continuo in G minor (Essercizii Musici No. 3/6), TWV42:g5
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

07 Sonata for recorder & continuo in D minor (Essercizii Musici No. 4/7), TWV 41:d4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

08 Trio for flute, harpsichord & continuo in A major (Essercizzi Musici No. 4/8), TWV 42:A6
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

09 Solo, for oboe & continuo in B flat major (Essercizi musici No. 5/9), TWV 41:B6
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

10 Trio for recorder, violin & continuo in A minor (Essercizii Musici No. 5/10), TWV 42:a4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

11 Solo, suite for harpsichord in C major (Essercizii Musici No. 6), TWV 32:3
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

12 Trio for flute, viola da gamba & continuo in B minor (Essercizii Musici No. 6/12), TWV 42:h4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

13 Sonata for violin & continuo in A major (Essercizii Musici No. 7/13), TWV 41:A6
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

14 Trio for recorder, viola da gamba & continuo in F major (Essercizii musici No. 7/14), TWV 42:F3
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

15 Sonata for flute & continuo in G major (Essercizii Musici No. 8/15), TWV 41:G9
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

16 Trio for recorder, harpsichord & continuo in B flat major (Essercizii Musici No. 8/16), TWV42:B4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

17 Sonata for viola da gamba & continuo in E minor (Essercizii Musici No. 9/17), TWV 41:e5
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

18 Trio for flute, violin & continuo in E major (Essercizii Musici No. 9/18), TWV 42:E4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

19 Sonata for recorder & continuo in C major (Essercizii Musici No. 10/19), TWV 41:C5
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

20 Trio for violin, viola da gamba & continuo in D major (Essercizii Musici No. 10/20), TWV 42:D9
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

21 Sonata for oboe & continuo in E minor (Essercizii Musici No. 11/21), TWV 41:e6
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

22 Trio for flute, oboe & continuo in D minor (Essercizii Musici No. 11/22), TWV 42:d4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

23 Solo, suite for harpsichord in F major (Essercizii Musici No. 12), TWV 32:4
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

24 Trio for oboe, harpsichord & continuo in E flat major (Essercizii Musici No. 12/24), TWV42:Es3
Composed by Georg Philipp Telemann
with Sabine Bauer, Ghislaine Wauters-Zipperling, Mary Utiger, Harald Hoeren, Yasunori Imamura, Hans-Peter Westermann, Michael Schneider, Rainer Zipperling

CAMERATA KÖLN
Michael Schneider, recorder
Karl Kaiser, transverse flute
Hans-Peter Westermann, oboe
Mary Utiger, violin
Rainer Zipperling, viola da gamba / violoncello
Ghislaine Wauters, viola da gamba
Yasunori Imamura, theorbo
Sabine Bauer / Harald Hoeren, harpsichord / organ

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PQP

Camile Saint-Säens (1835-1921) – Complete Works for Cello and Orchestra – Moser

Um baita CD, com um excelente solista, e uma ótima orquestra, aliados a belíssimas obras compostas para violoncelo, pelo nome em questão atualmente, o Camile. Assim mato dois coelhos com uma cajadada: o pessoal pedindo mais obras do compositor francês e o Raphael-Cello nos alertando que faz mais de um mês que não postamos nada com o instrumento que ele tanto ama. Tá bom assim? Ah, vai vir mais um cd com violoncelo pelos próximos dias, tá bom, Raphael? Não precisa se preocupar.
Não sou especialista na obra do Camile, mas a admiro. Desconhecia até então este Oratório que o Ranulfus postou. Sou fã de seus concertos para violino, e adoro o tradicionalíssimo “Carnaval dos Animais”. Lembro de ter assistido uma montagem muito engraçada dessa peça, com a narração do Carlos Moreno, o ator que interpreta o garoto bombril. Os músicos eram da Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo, e lembro também que tinha muita criança assistindo aquele espetáculo. Todos aplaudiram de pé.
Destes concertos para cello, creio que o segundo seja o mais famoso, se não me engano já o tinha postado aqui no PQP com a Jacqueline Du Pré.
Está seguindo em anexo o libreto do CD, que traz uma interessante entrevista com tal do Johannes Moser.

Espero que este CD lhes agrade. A mim agradou, e muito.

Camile Saint-Säens (1835-1921) – Complete Works for Cello and Orchestra – Moser

01. Saint-Saens Cello Concerto No.1 A minor, Op.33
02. Saint-Saens Cello Concerto No.2 D minor, Op.119 – I. Allegro moderato e maestoso
03. Saint-Saens Cello Concerto No.2 D minor, Op.119 – II. Allegro non troppo – Cadenza
04. Saint-Saens Suite for Violoncello and Orchestra D minor, Op.16 – I. Pr’elude
05. Saint-Saens Suite for Violoncello and Orchestra D minor, Op.16 – II. S’er’enade
06. Saint-Saens Suite for Violoncello and Orchestra D minor, Op.16 – III. Scherzo
07. Saint-Saens Suite for Violoncello and Orchestra D minor, Op.16 – IV. Romance
08. Saint-Saens Suite for Violoncello and Orchestra D minor, Op.16 – V. Finale
09. Saint-Saens Romance for Violoncello and Orchestra F major, Op.36
10. Saint-Saens Allegro appassionato for Violoncello and Orchestra, Op.43
11. Saint-Saens Le Cygne (The Swan), from¡GLe carnaval des animaux

Johannes Moser – Cello
Radio-Sinfonieorchester Sttutgart des SWR
Fabrice Bolon – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

A cultura e a ilusão do mercado

Por John Neschling

Juca Ferreira representa um tipo de político que chama para si a responsabilidade de viabilizar o que o mercado jamais terá interesse em fazer

Na abertura da temporada do Teatro Alla Scala de Milão, o evento mais importante da pauta operística do mundo, o maestro Daniel Baremboim dirigiu-se ao público presente na sala, fazendo sua a preocupação da comunidade produtora e consumidora de cultura na Itália e na Europa em relação aos cortes drásticos de subvenções e à retração do Estado de suas responsabilidades culturais.

Foi delirantemente aplaudido. Fora do teatro, uma grande manifestação popular de repúdio aos cortes estatais teve que se ver com a repressão policial do governo Berlusconi. Fosse italiano, o cineasta Luiz Carlos Barreto estaria do lado da turma do Berlusconi, gritando a plenos pulmões que o Estado não deve ser provedor de cultura.

Ao menos é o que se depreende da leitura de seu artigo “Nem fica nem sai Juca”, publicado nesta Folha no dia 9 deste mês.

No seu texto, na verdade um manifesto anti-Juca Ferreira, Barreto desclassifica toda uma mobilização espontânea de importante parte da classe artística, que vem apoiando a permanência de Ferreira no Ministério da Cultura, em diferentes partes do Brasil, afirmando que tal movimento não conta com a participação da “classe artística”.

E o que somos nós, músicos, cantores, diretores de teatro, pensadores culturais, dançarinos, produtores etc., que temos, sim, nos engajado publicamente pela sua recondução ao cargo?

Talvez Luiz Carlos ache que eu seja beneficiário de uma verba astronômica dirigida à “cultura de salão” e nem me considere artista digno de discutir a questão cultural no país. Talvez ele desconsidere a linguagem cultural que eu represento, a julgar pela forma pejorativa com que se refere à música clássica.

Barreto é o tipo de produtor artístico que Berlusconi tem como ideal para o século 21, aquele que recebe as benesses do Estado, mas o isenta da enfadonha responsabilidade de pensar a cultura e apresentar democraticamente propostas definidas de política cultural.

Evidentemente que, com esse perfil, Barreto jamais apoiará um ministro como Juca Ferreira. Ferreira representa um tipo de político que encara o Estado como um pensador e enunciador de política cultural, com projetos definidos, e que chama para si a responsabilidade de viabilizar aquilo que o mercado jamais terá interesse em realizar.

Curioso é perceber que justamente essa produção cultural “autônoma”, que Barreto enaltece, viveu as últimas décadas mamando nas tetas generosas do Estado, beneficiando-se justamente dos “mecanismos de clientelismo” que o produtor cinematográfico critica.

Reclamando eternamente da penúria em que são mantidos os “autônomos”, se opõe a um ministro que propõe uma discussão democrática sobre o emprego das verbas oficiais para a cultura, alegando que se trata de prática autoritária.

Realmente, para Barreto, como ele mesmo afirma, não é importante discutir se Juca fica ou não. Aliás, para essa tendência que representa, não é fundamental um ministro que pensa e que discute. Aliás, nem é importante ter um ministro da Cultura, sonho de Berlusconi. Basta um mecanismo de distribuição de verbas e esmolas para o pátio dos milagres das artes brasileiras.

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JOHN NESCHLING, maestro, é diretor artístico da Cia. Brasileira de Ópera. Foi diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Também dirigiu os teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro e os teatros São Carlos (Lisboa), St. Gallen (Suíça), Massimo (Palermo) e a Ópera de Bordeaux.

PQP

Restaurado – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Fidelio, Op. 72 (ópera em 2 atos) – Klemperer

Fidelio é uma ópera de Beethoven. O trabalho está dividido em dois atos. A seguir está escrita de forma mais pormenorizada uma explicação da Wikipédia:

Personagens

Don Fernando, (Ministro de Estado) baixo
Don Pizarro, (Governador da Prisão) baixo
Florestan, (Esposo de Leonore, prisioneiro político) tenor
Leonore, (Esposa de Florestan, mas disfarçada de Fidélio) soprano
Rocco, (Carcereiro-Chefe) baixo
Marzelline, (filha de Rocco) soprano
Jaquino, (Porteiro da prisão) baixo

Ato I

Pátio do presídio, Marzelline, filha do carcereiro-chefe Rocco, engoma à porta da casa de seu pai, enquanto sonha com a felicidade de viver junto do homem que ama. Chega Jaquino, porteiro da prisão, que aproveita o seu encontro a sós com a moça para paquerá-la. Porém, Marzelline não presta o menor interesse às suas intenções amorosas: apesar de estar prometida a Jaquino, ama na verdade Fidelio, um jovem, que é há pouco tempo ajudante de Rocco. Entra em cena Rocco, seguido de Fidelio, que carrega as correntes consertadas pelo ferreiro. Fidelio é, na verdade, a jovem mulher do nobre espanhol Florestan. Sob a aparência masculina, Leonore infiltrou-se na prisão para investigar se o seu marido desaparecido, está escondido na prisão. Florestan poderá ter sido preso injustamente pelo seu inimigo, Don Pizarro, governador da prisão. Dada as circunstancias, Leonore, que também aos olhos de Rocco é preferível a Jaquino, como futuro marido de Marzelline, vê-se obrigada a aceitar o afeto da filha do carcereiro-chefe para não levantar suspeitas sobre sua identidade. Num quarteto, os quatro personagens expressam os seus diferentes sentimentos: Marzelline e Rocco, manifestam o seu desejo de um futuro casamento entre a jovem e Fidelio; Leonore declara a sua angústia pelo marido e a sua preocupação perante a paixão que despertou em Marzelline, Jaquino, por sua vez, apercebe-se que o coração da sua namorada se encontra cada vez mais longe de si, e sai de cena. Rocco revela a Marzelline e a Fidelio o seu desejo de um rápido casamento entre ambos e, de seguida, declara a sua fé, na importância do dinheiro como elemento de estabilidade num casal. Mas Fidelio acrescenta uma circunstancia que será igualmente vital para a sua própria felicidade: que Rocco permita que o ajude nas suas tarefas mais árduas, pois tem a secreta esperança de poder entrar nas masmorras, onde tem esperança de encontra o seu marido ainda vivo lá. O carcereiro-chefe fala-lhe então de um prisioneiro desconhecido que, por ordem do governador da prisão, está sendo alimentado somente com pão e água. Leonore, angustiada perante a possibilidade de que o torturado seja o seu marido desaparecido, insiste no seu pedido e convence, finalmente, o carcereiro-chefe a pedir permissão ao governador para poder o acompanhar nas masmorras. Uma marcha anuncia a entrada de Pizarro. Os guardas abrem a porta ao governador que surge em cena acompanhado por vários oficiais. À sua chegada, Pizarro recebe a notícia da intenção do ministro de investigar a situação dos prisioneiros do Estado presos na Fortaleza, perante os rumores da sua repressão em condições desumanas. Alarmado pela futura descoberta de sua crueldade para com os prisioneiros, o governado ordena a um oficial que quando avistar o ministro chegar que toque na trombeta com um sinal. Em seguida, paga a Rocco para que ele cave uma fossa na cisterna para Florestan, a quem, para além disso, terá que assassiná-lo. Contudo, o carcereiro-chefe nega-se a fazer o papel de carrasco. Perante a recusa do seu empregado, Pizarro lhe comunica a sua intenção de se disfarçar e ele próprio assassinar Florestan. Ambos homens abandonam a cena e entra Leonore, que amaldiçoa com raiva o cruel e tirano governador e, em seguida, sai para o jardim. Surge Marzelline seguida de Jaquino, que se queixa ao carcereiro-chefe das evasivas de sua filha. Chega então Leonore, que pede a Rocco que permita que os prisioneiros saiam para o jardim, para tomar um banho de sol, aproveitando a ausência do governador. O carcereiro-chefe decide atender o pedido de seu genro: Lenore e Jaquino abrem as portas das celas e, lentamente, surgem o pobres presioneiros, que expressam a sua felicidade e agradecimento pelo favor que foi lhes concedido. Após o coro dos prisioneiros, Rocco comunica a Leonore que lhe foi concedido a permissão para que Leonore o acompanhe nas masmorras para ajuda-lo, assim como o seu concentimento para que possa celebrar o seu casamento com Marzelline. Finalmente, acrescenta que Leonore o há de acompanhar à cisterna para que o ajude a cavar a cova do prisioneiro desconhecido, que vai ser assassinado pelo próprio Pizarro. Leonore, visivelmente aflita, aceita a tarefa de modo a aproximar-se daquele que poderá o seu marido. Entram subitamente Marzelline e Jaquino. A moça avisa ao seu pai de que o governador ficou com muita raiva ao tomar conhecimento de que os prisioneiros foram libertados da prisão para o jardim. Surge Pizarro, enfurecido, e acompanhado por vários oficiais e guardas, a quem Rocco consegue acalmar, explicando-lhe que tal favor se deve ao fato de, neste dia, se celebrar o aniversário do rei. Os presos voltam, desolados, para suas celas e Pizarro ordena ao carcereiro-chefe que cumpra imediatamente a tarefa que o mandou fazer. Fim do 1º Ato.

Ato II

Numa masmorra subterrânea e sombria. Florestan, preso, lamenta o seu amargo destino. Num momento de delírio pensa ver a sua esposa em forma de anjo que o conduz ao descanso eterno. Depois, desolado e esgotado, deita-se sobre um banco de pedra com o rosto entre as mãos. Rocco e Leonore descem com as ferramentas para cavar a cova. Quando chegam a cisterna, encontram o condenado à morte, aparentemente imóvel. Apesar de suas tentativas, Leonore não consegue reconhecer o rosto de seu marido e então decide ajudar Rocco a cavar a cova. Num momento de descanso, Leonore consegue ver o rosto de Florestan, que se reanima por breves instantes. O preso pergunta a Rocco, quem é o governador da prisão, Rocco lhe diz que se trata de Don Pizarro. Florestan pede-lhe que procure por Leonore em sevilha, mas Rocco afirma que não pode lhe conceder o seu desejo, pois seria sua perdição, limitando-se a oferecer-lhe um pouco de vinho. Depois, Leonore oferece com emoção um pedaço de pão ao seu marido, que o consome com rapidez. Florestan, profundamente comovido, agradece aos seus carcereiros as suas amostras de solidariedade. Chega em seguida o cruel Don Pizarro, que oculto por uma capa, está disposto para concluir seu propósito. O governador anuncia a Florestan que o vai matar para se vingar dele, que um dia o tentou derrubar, tirando um punhal. Mas, no momento em que vai meter-lhe o punhal, Leonore interpõe-se e revela, perante os três homens surpreendidos, qual é a sua verdadeira identidade. Soa nesse momento a trompeta que avisa a eminente chegada do ministro de Sevilha. Leonore e Florestan abraçam-se apaixonadamente perante a admiração do malvado Don Pizarro. Surge então Jaquino, acompanhado por vários oficiais e soldados, comunicando a chegada do ministro. O criminoso governador, enfurecido e desesperado perante o seu previsível destino, abandona a cena.No pátio de armas da prisão. Os prisioneiros e os parentes do presos recebem com alegria o ministro Don Fernando que anuncia, por ordem do rei, a imediata libertação dos presos políticos. Aparecem, procedentes da cisterna: Rocco, Florestan e Leonore. O carcereiro-chefe reclama justiça para o casal. Don Fernando reconhece o réu, que é o seu amigo Florestan e que pensava estar morto. Rocco dá então a conhecer ao ministro a proeza de Leonore – para visível surpresa de Marzelline – revelando-lhe como o cruel Pizarro queria tirar a vida de Florestan. Don Fernando ordena de imediato a prisão do cruel governador e pede a Leonore que liberte o seu marido das suas injustas correntes. Todos os presentes exaltam o amor e a coragem da mulher, que conseguiu com a sua resolução o triunfo final da justiça. Fim do 2º ato.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Fidelio, Op. 72 (ópera em 2 atos)

DISCO 01

01 Ouverture

Ato I

02. Jetzt, schätzchen, jetzt sind wir allein
03. Der arme Jaquino dauert mich beinahe
04. O wär’ ich schon mit dir vereint
05. Guten Tag, Marzeline. Ist Fidelio noch nicht zurück _
06. Mir ist so wunderbar
07. Höre, Fidelio, weist du, was ich tue _
08. Hat man nicht auch Gold beineben
09. Ihr könnt das leicht sagen, Meister Rocco
10. Gut, Söchnchen, gut, hab’ immer Mut
11. Der Gouverneur … der gouverneur soll heut’ erlauben
12. Nur auf der Hut, dann geht es gut
13. March (orchestra)
14. Wo sind die Depeschen _
15. Ha! Welch’ ein Augenblick!
16. Hauptmann, besteigen Sie mit einem Trompeter sogleich den Turm
17. Jetzt, Alter, jetzt hat es Eile!
18. Abscheulicher! Wo eilst du hin_
19. Komm, Hoffnung, lass den letzten Stern
20. Rocco, Ihr verspracht mir so oft
21. O welche Lust!
22. Wir wollen mit Vertrauen auf Gottes Hülfe bauen
23. Nun sprecht, wie ging’s
24. Ach! Vater, eilt!
25. Verwegener Alter
26. Leb wohl, du warmes Sonnenlicht

DISCO o2

01. Introduktion

Ato II

02. Gott! Welch’ Dunkel hier!
03. In des Lebens Frühlingstagen
04. Und spür’ ich nicht linde
05. Wie kalt ist es
06. Nur hurtig fort, nur frisch gegraben
07. Er erwacht!
08. Euch werde Lohn in besser’n Welten
09. Alles ist bereit
10. Er sterbe!
11. Vater Rocco!
12. Es schlägt der Rache Stunde!
13. O namenlose Freude!
14. Heil sei dem Tag
15. Des besten Königs Wink und Wille
16. Wohlan! So helfet, helft den Armen!
17. Du schlossest auf des Edlen Grab
18. O Gott! O welch’ ein Augenblick!
19. Wer ein holdes Weib errungen

20. Ouvertüre- Leonore Nr. 3

Philharmonia Chorus & Orchestra
Otto Klemperer, regente
Gottlob Frick, Gerhard Unger,
Raymond Wolansky, Christa Ludwig,
Kurt Wehofschitz, Jon Vickers,
Franz Crass, Walter Berry,
Ingeborg Hallstein

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Carlinus

[restaurado por Vassily em 18/7/2020]

Piotr Ilich Tchaikovsky – Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos – Alice Sara Ott

Final de tarde meio deprimente… estava estudando Direito Constitucional até agora, e minha cabeça está a mil. Não consigo distinguir uma tecla da outra. Aí resolvi postar. Escolhi um CD bem novo, lançado agora no final de outubro, com uma nova intérprete, e duas obras hiper conhecidas. A notícia da saída do mano bluedog da nossa equipe, desde o começo comigo e com o mano PQP aqui no blog, me deixou aborrecido, e triste, talvez mais triste do que aborrecido, confesso.  Então, de certa forma, essa postagem é feita em sua homenagem.

Não existe mais nada para se falar destes dois concertos. Amo os dois. Tenho diversas gravações deles, e sempre destaco o grande Sviatoslav Richter como o grande intérprete para qualquer um deles. Mas ele morreu, deixou seu legado, claro, mas a indústria não pode parar. Então lançam novos intérpretes como as montadoras lançam novos modelos de seus carros, mas o repertório básico continua o mesmo: talvez um pouco mais de conforto, GPS, airbags, entre outras inovações. Nas grandes gravadoras é a mesma coisa. Novos rostos, porém a idéia básica permanece a mesma: uma excelente orquestra, com seus 100 músicos, em média, um regente, um Steinway Grand Piano, e um solista. Ou uma solista.

Mais um rosto bonitinho nas capas dos cds da Deutsche Grammophon. Creio que foi o José Eduardo quem comentou dia desses essa nova “política” da DG, ou da Universal, sei lá: novos rostos e de preferência, bonitinhos, com um ar sensual, mas que muitas vezes deixam a desejar com relação ao talento. Lembram da Lara St John seminua na capa de seu CD tocando papai Bach? Blasfêmia para alguns. Inovador para outros. A polêmica passou, e ela recém lançou um novo CD tocando Bach, porém arranjou algum DJ que remixou,sampleou ou sei lá mais o quê, a obra. Não sei nem quero saber o resultado disso. Não me interessa.

Mas aqui temos mais um rosto bonitinho. Com uma capa interessante, na qual se destaca uma bela jovem, uma foto que poderia estar no editorial de qualquer revista especializada em moda, mas não, esta foto é a capa de um CD da DG que traz dois pilares da música ocidental, duas obras que sustentam um gênero musical conhecido como romantismo: os primeiros concertos para piano de Tchaikovsky e de Liszt. Alguém poderia dizer que se trata apenas de uma modelo, que a solista é uma velha matrona, como era a grande Ingrid Haebler, quando tive a oportunidade de assisti-la tocando concertos de Mozart, uma austera senhora austríaca, meio obesa, porém com mãos de anjo tocando o Steinway do Teatro Municipal de São Paulo. Não, não, não. Essa jovem é a solista.

Um risco da gravadora? Pode ser. Mas por trás disso tudo, existe um engenheiro de som e um produtor que conhecem a fundo o que fazem, e se arriscam. Um risco calculado, é lógico. Afinal de contas, o nome da poderosa Detsche Grammophon está em jogo. Sim, sim, eu sei que eles já lançaram muita coisa ruim, vide as últimas gravações de Karajan. Mas o que mais me chama a atenção nisso tudo, tirando o fator técnico ou musical, é que a gravadora está se renovando. Lembram daquelas clássicas capas pretas dos finais dos anos 60 e início dos 70? A pose clássica do mesmo Karajan com as integrais das sinfonias de Beethoven?

Mas afinal, para que gravar novamente essas obras, que já existem tantas outras gravações? Vamos relacionar alguns: o já mencionado Richter, Gilels, Horowitz, Argerich, Byron Janis, Zimerman, entre tantos outros, gravações antológicas, que deixaram seu legado. Mas aquelas gravações são para as antigas gerações, a minha incluída (estou me encaminhando para os 46 anos). Para a nova geração ter interesse é necessário uma nova roupagem. Então colocam uma bela jovem, vestindo um jeans surrado, e não um vestido de concerto, em uma paisagem meio que bucólica eu diria. Lembram do Nigel Kennedy tocando as Quatro Estações de Vivaldi em pleno Royal Albert Hall, vestido como um punk com cabelo cortado ao estilo moicano? O cara vendeu um bilhão de LPs, e vende até hoje… alguns puristas reclamaram, mas a EMI ri à toa até hoje.

Mas voltemos à nossa jovem Alice Sara Ott. Definitivamente, um grande talento. Seu Tchaikovsky me emocionou, confesso, e olhem que as versões que estava ouvindo até então era a do Richter e a do Byron Janis, as duas melhores realizadas até hoje, porém gravadas nos anos 60. A jovem Alice não tem medo. Ela explora os labirintos extremamente técnicos dessas duas peças tão difíceis como gente grande, com grande experiência. Não é por acaso que os dois comentaristas até agora da amazon lhe deram cinco estrelas. E sua linha de argumentação é parecida com a minha, ou a minha com a deles, sei lá: uma das características das verdadeiras obras-primas, dos verdadeiros clássicos, é exatamente sua capacidade de renovação a cada nova leitura. E o que ouço nesta gravação é isso: uma tentativa de novas explorações, de novos caminhos. Posso estar equivocado, e daqui a duas semanas volte ao Richter e ao Byron Janis. Mas por enquanto, é o que estou ouvindo, e é o que estou sentindo.

Com relação à poderosa Münchner Philharmoniker não há o que se falar. o genial Celibidache a moldou, lhe deu a forma, e a deixou afinadíssima pelos próximos 50 anos. Qualquer outro regente que vá dirigi-la não deve ter grandes problemas.

Maiores informações sobre esse jovem talento acessem: http://www.alice-sara-ott.com/

Espero que apreciem.

Piotr Ilich Tchaikovsky – Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos – Alice Sara Ott

1. Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23 – 1. Allegro Non Troppo E Molto Maestoso – Allegro Con Spirito
2. Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23 – 2. Andantino Semplice – Prestissimo – Tempo I
3. Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23 – 3. Allegro Con Fuoco
4. Piano Concerto No.1 In E Flat, S.124 – 1. Allegro Maestoso
5. Piano Concerto No.1 In E Flat, S.124 – 2. Quasi Adagio – Allegretto Vivace – Allegro Animato
6. Piano Concerto No.1 In E Flat, S.124 – 3. Allegro Marziale Animato – Presto

Alice Sara Ott – Piano

Münchner Philharmoniker

Thomas Hengelbrock – Conductor

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FDPBach

Gustav Mahler ( 1860-1911 ) – Sinfonia Nº 5 – Kubelik – Bavarian Symphonic Orchestra

SINFONIA No.5
Tonalidade principal: Dó sustenido menor
Composição: 1901-1902
Revisão: 1904, 1905, 1907 e 1909
Estréia: Colônia, 18 de outubro de 1904 (regência de Mahler)
1a.Publicação: 1905 (Leipzig, C.F.Peters)
Instrumentação:
4 flautas (flautas 3 e 4 alternam com piccolos)
3 oboés (oboe 3 alt. corne-inglês)
3 clarinetes (Lá, Sib, Dó – 3o. tb clarinete em ré)
Clarone
2 Fagotes
Contrafagote (tb como 3o. fagote)
6 trompas
4 trompetes
3 trombones
Tuba
Tímpanos
Glockenspiel
Pratos
Bombo
Caixa Clara
Triângulo
Tam-Tam
Harpa
Quinteto de cordas (violinos I, II, violas, cellos e baixos)
Duração: aprox. 75 minutos
Movimentos:
Parte I
I -Trauermarsch. In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt
II-Stürmisch bewegt. Mit grösser Vehemenz
Parte II
III – Scherzo. Kräftig. Nich zu schnell
Parte III
IV- Adagietto. Sehr langsam
V- Rondo-Finale. Allegro. Allegro giocoso. Frisch

retirado daqui : http://repertoriosinfonico.blogspot.com/2007/06/sinfonias-informaes-tcnicas.html

Sinfonia no.5 em Dó # menor
A quinta é uma obra importante, talvez sua mais conhecida obra, e também divisora de águas. É quando Mahler pela primeira vez prescinde da voz humana e consegue conceber um grande universo apenas de sons instrumentais, sem textos explícitos. É a primeira sinfonia que nada deve (pelo menos de maneira clara) às canções do Wunderhorn. Escrita entre 1901-2 e revista em 1910, ela representa o mais puro ideal sonoro que antes já havia dirigido Mahler nas sinfonias precedentes: a evolução do trágico ao triunfo, da condenação à redenção. Pela importância estrutural e metafísica desta obra que, apesar de não conter palavras, diz muito, sua interpretação é igualmente complexa. Sua performance satisfatória depende de um domínio técnico absoluto da arte da regência, para que a imaginação e a sensibilidade do maestro estejam livres para poder dar vida a esta criação sublime.

retirado daqui: http://www.gustavmahlerfanclub.hpg.ig.com.br/gravacoes/sinfonias.htm

Na opinião do crítico e historiador musical Deryck Cooke, a quinta sinfonia de Mahler possui caráter “esquizofrênico”, já que nela, convivem perfeitamente separados o mais trágico e o mais alegre dos mundos. Consta de cinco movimentos, sendo os dois primeiros quase temáticos, explorando o lado trágico da vida. O primeiro movimento, uma escura marcha fúnebre, começa com uma fanfarra de trompetes que aparecerá repetidamente, dando-lhe uma atmosfera especial de inquietude e desolação. O segundo, um frenético allegro, muda completamente o espírito do movimento anterior; seu caráter histérico alterna com o de marcha fúnebre, onde ao final da exposição parece triunfar um relativo otimismo, para cair novamente na angústia e na escuridão. É no scherzo, do terceiro movimento, que surge com maior clareza o citado caráter esquizofrênico, em absoluta contradição com a atmosfera nihilista anterior, saltamos, sem solução de continuidade, à visão mais alegre da vida. São dois modos de ver a existência impossível de reconciliar. Tanto o ländler como a valsa do trio estão, ainda com seu ar de nostalgia, muito longe do desespero inicial da sinfonia. O famoso adagietto para cordas e harpas, constituindo o Quarto movimento, é um remanso de paz entre a força do scherzo e do último movimento, estando impregnado de um desejo de distanciar-se das tensões e lutas para refugiar-se da solidão interior. O quinto movimento finale, parte de motivos populares, possuindo um caráter exuberante e alegre. Em seu clímax final recupera e funde o caráter angustiante dos primeiros dois movimentos com a alegria dos últimos, combinando assim os elementos tão díspares de escuridão e luz que convivem na Sinfonia.

retirado daqui : http://pt.wikipedia.org/wiki/Sinfonia_n.%C2%BA_5_(Mahler)

É isso,

Gustav Mahler ( 1860-1911 ) – Sinfonia Nº 5 – Kubelik – Bavarian Symphonic Orchestra

1 – Marcha fúnebre
2 – Allegro
3 – Scherzo
4 – Adagietto
5 – Finale Rondó

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Gabriel Clarinet

Entrevista com Nikolaus Harnoncourt: "El sonido más fiel"

Retirada daqui.

Nikolaus Harnoncourt es un grande de la dirección de orquesta mundial y uno de los mayores intelectuales de la música. Con su formación, Concentus Musicus, devolvió la autenticidad y la esencia a la interpretación de la música antigua y barroca. Varias generaciones han seguido su estela. El libro La música es más que las palabras reúne toda su sabiduría.

Los preocupantes síntomas de hinchazón llevaron a Nikolaus Harnoncourt (Berlín, 1929) en los cincuenta a cambiar la historia de la música en la descorazonada Austria de posguerra. El entonces violonchelista había detectado un bulto romántico, según confiesa personalmente, el moratón repetitivo de un arte que había perdido carácter y corría el riesgo de infectar sin remedio los oídos del público con aburrimiento, programas previsibles y ejecuciones cansinas: Brahms y Beethoven; Beethoven y Brahms con un interludio de valses de Strauss por año nuevo.

Leonhardt tuvo reparos conmigo porque había pertenecido a las Juventudes Hitlerianas, pero, una vez le aclaré que no había más opciones, nos hicimos amigos

Él no era ningún nombre de postín todavía. Un disciplinado e inquieto miembro de la Sinfónica de Viena que dirigía por aquel entonces Herbert von Karajan. Corrían tiempos en los que las batutas ni admitían discusiones, ni réplicas, ni preguntas. Así que Harnoncourt y sus amigos tuvieron que reunirse clandestinamente en su casa para llevar a cabo el milagro: crear una corriente de interpretación de la música barroca y antigua con instrumentos de época. Bach y compañía recuperados en su pura esencia. “Objetivarlo todo”, como dice él en el libro La música es más que las palabras (Paidós).

Viena despertaba de la pesadilla monstruosa del nazismo entre guerras subterráneas de espías y añoranzas de un imperio que luego resultó rentable para el turismo. Pero seguía siendo el lugar donde casi siempre se había regenerado la música, a veces de forma violenta. Hoy, en el XXI, existen escuelas, grupos y miles de partituras recuperadas por todo el mundo gracias a esa revolución iniciada por él con su grupo Concentus Musicus.

En su ánimo imperaba la discusión, la obsesión por el debate. Los gérmenes de lo que luego le ha hecho pasar a la historia por sus discursos sabios y revolucionarios acerca de la interpretación. Entonces chocaba con las maneras dictatoriales de Karajan, a quien respetaba, por otra parte. Pero sobre todo con cierto conservadurismo que no podía combatirse. No se admitían peros. Esa era una actitud poco convincente con quien desde niño había aprendido a pensar por sí mismo precisamente por rebeldía. “Los directores entonces no admitían sugerencias. Yo hice tres preguntas en mi etapa de violonchelista y me respondieron: ‘Porque lo digo yo’. Ahora, cuando me preguntan a mí contesto hasta que se me acaban los argumentos y si no convenzo, entonces admito mi equivocación y cambio de opinión”.

A Harnoncourt, su paso por las Juventudes Hitlerianas -una obligación para los niños que no se podían permitir el lujo de quedar apestados- le enseñó a ponerlo todo en solfa. Tanto bramido, tanto dogma, le repelía. “Debía de obedecer, decir sí a cada orden, pero en mi interior me preguntaba constantemente: ¿y si en vez de sí es no?”.

Era un niño sensible, obsesionado con los teatros de marionetas. “De haber comprobado que podía ganarme la vida con ello, me hubiese dedicado a eso”, confiesa desde su casa del Tirol, rodeado de montañas nevadas que hoy ya no puede escalar, pero que aún le soplan el sonido acuchillado del viento. Pero fue la música la que le ofreció un futuro. La música que siempre estuvo ahí, compañera fiel.

Nunca imaginó que el destino le deparara un lugar así en la historia. Las inquietudes constantes le llevaron lejos. Desde aquellas reuniones ocultas para Karajan hasta su nombre reivindicado hoy como punto de referencia mundial, ha llovido. “No le decíamos a Karajan qué hacíamos. De mí, sabía que tocaba por entonces la viola de gamba y adoraba a Bach, pero todo era secreto”.

Tanto que comenzaron a ensayar y a reunirse en 1953, pero vieron la luz por primera vez en 1957. “Fue muy difícil, entonces no existían los instrumentos que necesitábamos. Tuvimos que pedirlos prestados en los museos para ensayar”, relata Harnoncourt. También decidieron leer y leer partituras. Despojarlas de las interpretaciones y los cambios que habían ido sufriendo con el tiempo. Volver radicalmente a la esencia, sobre todo con Bach, su obsesión, pero sin perder el ancla de su tiempo. “Decidimos que interpretaríamos a los barrocos, con toda su pureza, en el cincuenta por ciento de nuestro repertorio. La otra mitad sería para los creadores contemporáneos”.

El Concentus Musicus de Harnoncourt se convirtió así en doble referencia. “Acudieron a vernos trabajar desde Stravinski a Hindemith, que, por cierto, eran mucho menos fieles a sus propias partituras que nadie. Cambiaban sus tempos como les venía en gana, no se atenían a lo escrito. Muy curioso”.

Poco a poco fueron extendiendo una tela de araña que crecía, crecía y envolvía con una nueva dimensión la interpretación musical más antigua. La contradicción era gloriosa. El sonido puro más fiel a las épocas pasadas se revelaba como algo completamente nuevo. Un efecto de autenticidad impactante que convirtió aquella corriente en una religión de la que hoy son devotas tres generaciones de músicos. De Harnoncourt a Fabio Biondi, pasando por John Eliot Gardiner, William Christie, Jordi Savall, Ton Koopman…

Los lazos no tardaron en surgir. Primero llegaron los holandeses, con figuras como Gustav Leonhardt a la cabeza. A la larga, él ha sido más papista que el Papa. “Sé que al principio tuvo reparos conmigo porque había pertenecido a las Juventudes Hitlerianas, pero, una vez le aclaré que no había más opciones, nos hicimos amigos”. Luego apenas ha habido tensión entre ellos pese a que Harnoncourt ha seguido con todos los repertorios de las épocas que le ha apetecido y el holandés, una especie de monje de clausura de la música antigua, no quiere saber nada de instrumentos más modernos que el clave o el órgano: “A Leonhardt, un piano le da miedo”, asegura Harnoncourt. No puede entender que las partituras de Bach se adapten a un monstruo tan moderno.

Tampoco hace falta ser tan radical, cree el músico. “Yo lo soy, en muchas cosas, pero sé que nunca se puede lograr el cien por cien de los objetivos que se pone uno en la vida”. Harnoncourt siempre ha sabido distinguir y entender lo que es sagrado o no lo es. Como las estructuras de pensamiento. Ambos campos se relacionan para el director.

La música que él ha resucitado está consagrada a la gloria de Dios. Fue el principal motor de Bach. “Entender que el arte es lo que nos hace humanos puede ser una especie de bendición relativa a un sentimiento religioso. No existe pueblo en la tierra, entre Siberia o África, que no consagre su creatividad a un sentido elevado. Siempre nos enfrentamos a un gran misterio sobre lo sagrado”.

Las preguntas trascendentes nos diferencian de otras especies. “Creo que existen dos formas de pensamiento. La lógica y la fantástica. Un mono puede contar con la primera. Puede coger una piedra y partir una nuez. Es decir, utilizar la tecnología. Un mono podría fabricar un ordenador, pero no hacer un poema, para eso necesita el pensamiento fantástico. La música pertenece a este tipo de pensamiento”.

Tampoco es que reniegue de los avances. Aunque sí ha llegado a una conclusión: “No creo en el progreso, pero sí en el cambio”. Un matiz amplio que da para mucho, aunque las grandes preguntas, las grandes dudas en el arte permanecen intactas y sin posibilidad de resolución: “Desde los griegos, seguimos planteándonos las mismas cuestiones”.

Después está la emoción. Y gran parte de la culpa de que el Concentus Musicus se pusiera en funcionamiento tuvo que ver con la búsqueda de nuevas sensaciones. “Cuando interpretábamos música barroca producía aburrimiento. Eso nos llevó a preguntarnos algo muy sencillo: ¿Por qué si al contemplar una escultura de Bernini nos pone los pelos de punta no nos sucede lo mismo con la música que se hacía en la época?”.

La respuesta estaba clara. Cuando contemplaban una obra de arte lo hacían sin tapujos, transparentemente ante sus ojos, pero cuando escuchaban una partitura había sido tan despojada de su primitivo sentido, adaptada con tanto artificio a su tiempo, que había perdido la capacidad de emocionar.

Y esa búsqueda, para Harnoncourt, es intemporal. La concienzuda recuperación del pasado ha regenerado también la interpretación de todos los repertorios. También del romanticismo, periodo en el que este músico se centra sobre todo en su libro de entrevistas. En él realiza disquisiciones interesantes que abarcan la obra de Beethoven, Schubert o los Strauss. “El primero me parece un agitador de su época, un luchador por la libertad, el romántico de dimensiones heroicas, mientras que Schubert es el romántico pegado al alma, el de dimensiones íntimas y trágicas que no pudo llegar a escuchar sus sinfonías”.

En cuanto a los Strauss, para Harnoncourt guardan una dimensión crucial en la identidad vienesa: “Cada ciudad interesante tiene su folclore, los Strauss y en cierto sentido también Schubert son folclore vienés sin que eso signifique que hicieran una música frívola o ligera, en absoluto”.

La música es más que las palabras. Nikolaus Harnoncourt. Traducción de Isidro Arias Pérez. Paidós. Barcelona, 2010. 384 páginas. 29,90 euros.

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Tres generaciones consagradas al barroco

Retirado daqui.

La interpretación historicista de la música pretérita es sin duda el debate de mayor calado que ha conocido este sector de la cultura a partir de la segunda mitad del siglo XX. De hecho se trata de un debate que entronca directamente con la modernidad por lo que tiene en su origen de experimentalismo. Solo que este, comparado con otros que no prosperaron, ha acabado por crear un nuevo público, es decir, un mercado dinámico y estable. ¿Cómo empezó todo? Nikolaus Harnoncourt, precisamente, ha reflexionado a fondo sobre el hecho de que, tan solo 200 años atrás, la música que se interpretaba y se escuchaba era la estrictamente contemporánea, mientras que la compuesta apenas unas décadas antes quedaba irremisiblemente arrumbada en el desván o, a lo sumo, reciclada como una extravagancia alla antica. Tenía que ser el historicismo romántico el que estableciera una nueva forma de aproximarse a ese repertorio como objeto de arte, portador de unos valores que volvían a conectar con el espíritu del hombre contemporáneo. Hay una fecha comúnmente citada como fundacional de esa inversión de óptica: la dirección de Felix Mendelssohn, en Berlín, en 1829, de la olvidada Pasión según san Mateo de Bach. Esa fue la punta de lanza destinada a atravesar el siglo XX: en su estela, a partir de los años treinta, Pau Casals normalizó las Suites para violonchelo como repertorio de concierto, mientras que Wanda Landowska haría lo propio con las Variaciones Goldberg. Ese afán por el redescubrimiento llega reforzado hasta nuestros días y en este sentido cabría concluir, con Adolfo Salazar, que seguimos siendo deudores del Romanticismo. Ahora bien, a partir de la década de los años cincuenta, en consonancia con el creciente interés que en todas las disciplinas artísticas suscita la cuestión del lenguaje, se introduce un nuevo cambio de perspectiva con el repertorio antiguo. La operación no es ya la de acercar el pasado a la sensibilidad contemporánea, sino al revés, de conducir a esta hasta un supuesto “sonido original” construido científicamente, es decir, previo contraste de fuentes, pormenorizado análisis de la partitura e investigación profunda de los instrumentos de época. Los dos grandes padres fundadores de esta tendencia fueron Harnoncourt y Gustav Leonhardt cuando acometieron la grabación de las cantatas de Bach. Esa operación revolucionaria suscitó un encendido debate entre apocalípticos e integrados: los primeros despreciaban la frialdad de laboratorio de esas interpretaciones y las pocas concesiones a la emoción que se permitían, al tiempo que los segundos defendían sus postulados como la única verdad revelada.

¿Qué ha ocurrido después? Pues que el oído del público ha aprendido a escuchar el “nuevo sonido original” y lo ha hecho mayoritariamente suyo. Ello ha sido posible gracias a la segunda generación de intérpretes con instrumentos originales, nacidos a partir de los cuarenta, como Ton Koopman, Christopher Hogwood, Eliot Gardiner o Jordi Savall. Este último sintetiza mejor que nadie el boom de esta música cuando, en 1991, recupera el repertorio para viola de Sainte-Colombe y Marin Marais (siglo XVII) para la película Tous les matins du monde, de Alain Corneau. Esa música, como el gregoriano de los monjes de Silos, se convirtió por esos años en un inesperado fenómeno de masas que entró incluso en las discotecas a la hora del cierre.

¿Dónde estamos ahora? Para la tercera generación de intérpretes de música antigua la discusión lingüística ha quedado definitivamente atrás. Se acercan al repertorio sin complejos, con la misma tenacidad que sus predecesores para volver a la luz las obras que lo merecen, pero con menos remilgos filológicos y restricciones interpretativas a la hora de consignarlas. Y si las dos primeras generaciones pertenecieron mayoritariamente al centro y el norte de Europa (no se olvide que Savall se formó en Basilea), la tercera ha ampliado hacia el sur su radio de acción. Dos casos han sido modélicos en la recuperación del repertorio barroco de sus respectivos países: el italiano Fabio Biondi, que se formó, entre otros, con Savall e intervino en la banda sonora de Tous les matins du monde, por la misma época en que fundaba su grupo Europa Galante; y el español Eduardo López Banzo, que estudió en Ámsterdam con Leonhardt y a su regreso en 1988 fundó el grupo Al Ayre Español. Son dos ejemplos vivos de que la música interpretada con instrumentos originales no ha dicho aún su última palabra. Pero para que ello sea posible hizo falta que una primera generación rompiera el hielo, ni que fuera con las armas de la intransigencia.

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