.: interlúdio :. Rhythm, Melody and Harmony ∞ Cyrus Chestnut (piano), Stacy Dillard (sax), Gerald Cannon (bass), Chris Beck (drums) ֎

.: interlúdio :. Rhythm, Melody and Harmony ∞ Cyrus Chestnut (piano), Stacy Dillard (sax), Gerald Cannon (bass), Chris Beck (drums) ֎
The future is bright with great possibilities for Cyrus. Expect once again this year to hear a unique and unforgettable recording that only can come from someone like Cyrus Chestnut.

Essa é a frase final do texto sobre o pianista Cyrus Chestnut na página de The Kennedy Center e está aí, cumprida como uma profecia – este disco da postagem acaba de ser lançado – 25/04/2025. Eu não conhecia qualquer outro disco dele, mas fui atraído pelo seu nome – Chestnut – e pelo nome do disco – Ritmo, Melodia e Harmonia.

Eu que tenho feito um esforço de ouvir música gravada mais recentemente possível, como você pode ter visto em minhas últimas postagens, dedicadas à chamada música clássica, pode imaginar como fiquei feliz em ouvir um disco que achei ótimo, lindo, com música de jazz.

Veja como um texto de ‘The Guardian’ fala de um outro disco de Cyrus Chestnut, e que poderia ser adaptado facilmente para descrever este aqui:

The Baltimore-born Cyrus Chestnut is a wonderful pianist, rather like Oscar Peterson in his heyday: one of the rare kind who isn’t forever trying to impress you. He doesn’t need to try. Now in his late 50s, he has been playing since, as a small child, he watched his father’s hands “in a passionate relationship with the piano”.

Among Chestnut’s many attractive points is his leaning towards melody. These tracks are full of tunes, some composed by him, some already well known, and some that just turn up in the course of playing.

Cyrus Chestnut, nascido em Baltimore, é um pianista maravilhoso, parecido com Oscar Peterson em seu auge: um daqueles raros pianistas que não estão sempre tentando impressionar. Ele não precisa se esforçar. Agora com quase 60 anos, ele toca desde que, ainda criança, observava as mãos do pai “numa relação apaixonada com o piano”.

Entre os muitos pontos positivos de Chestnut está sua inclinação para a melodia. Estas faixas estão repletas de melodias, algumas compostas por ele, algumas já conhecidas e outras que simplesmente surgem no decorrer da execução.

Sobre este disco, a maioria das músicas são do próprio Cyrus, menos três delas. As clássicas ‘Autumn Leaves’ e Moonlight in Vermont’, sendo que nesta última o pianista a interpreta solo. Em todas as outras ele é acompanhado pelos outros três (excelentes) músicos. Além das duas clássicas lindíssimas músicas, ‘There is a Fountain’ é uma referência direta às suas raízes – Cyrus cresceu frequentando a Mount Calvary Baptist Church, em Baltimore.

Rhythm, Melody and Harmony

  1. Cured and Seasoned
  2. Autumn Leaves
  3. Ami’s Dance
  4. Prelude for George
  5. Twinkle Tones
  6. Song for the Andes
  7. Big Foot
  8. Moonlight in Vermont
  9. There Is a Fountain

Cyrus Chestnut, piano

Stacy Dillard, saxophone

Gerald Cannon, bass

Chris Beck, drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 121 MB

Caso você tenha acesso às plataformas de distribuição de músicas, aqui está uma possibilidade para a audição:
Aproveite!

René Denon

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Les Sonates pour le Forte-Piano – Paul Badura-Skoda – CDs 3 de 5

Paul Badura-Skoda - Les Sonates pour le Forte-PianoNeste terceiro volume da série de Paul Badura-Skoda dedicada às sonatas de Mozart temos três obras primas, entre elas a favorita de muita gente, o K. 331, que tem a indefectível ‘Alla Turca’, talvez a peça para piano de Mozart mais conhecida. São menos de quatro minutos de pura alegria e criatividade. Coisa de gênio mesmo. Não gosto do que Gould fez com esse movimento, senti até um pouco de raiva nas primeiras vezes que ouvi, mas tudo bem, passou. Lembro de ter mostrado para uma amiga que se indignou, e pediu para tirar o disco imediatamente. Disse que parecia que ele estava brincando, e na verdade, creio que estivesse mesmo. Mas nosso querido e sumido Vassily Genrikhovich já meio que destrinchou a questão, quando postou a série do canadense. Procurem lá para saberem do que estou falando.
Mas Badura-Skoda leva o assunto mais a sério. Ouçam, tirem suas conclusões e depois me digam o que acharam.

01. Sonata in A Minor K 310 (300d) – I. Allegro maestoso
02. Sonata in A Minor K 310 (300d) – II. Andante cantabile con espressione
03. Sonata in A Minor K 310 (300d) – III. Presto
04. Sonata in C Major K 330 (300h) – I. Allegro moderato
05. Sonata in C Major K 330 (300h) – II. Andante cantabile
06. Sonata in C Major K 330 (300h) –  III. Allegretto
07. Sonata in A Major K 331 (300i) – I. Tema Andante grazioso – Variazioni I-VI
08. Sonata in A Major K 331 (300i) – II. Menuetto
09. Sonata in A Major K 331 (300i) – III. Alla Turca. Allegretto

Paul Badura-Skoda – Pianoforte, Johann Schantz, Vienne, ca. 1790

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP

¡Que viva la Reina! – Martha Argerich, 84 anos [Rendez-vous with Martha Argerich, vol. 3]

Mais um outono para a Rainha, e desta feita ela nos presenteia com gravações novas – tão novas, claro, quanto podem ser as de alguém tão avessa aos estúdios e afeita a dividir a ribalta com jovens colegas e os parceiros de sempre. Estas que ora lhes apresento foram feitas algumas semanas depois do seu octagésimo aniversário, em junho de 2021, no festival que Martha vem consolidando em Hamburgo e no qual desfruta do privilégio de selecionar a pinça o tradicional petit comité que tem garantido muito de sua longeva alegria em pisar palcos.

No que tange a Sua Majestade, o melhor que ela nos oferece nesses volumes são a leitura da sonata Op. 30 no. 3 de Beethoven, com Renaud Capuçon – seu mais frequente e afiado parceiro ao arco, nos últimos anos -, um ebuliente Segundo Concerto de Ludwig, e o belíssimo Trio de Mendelssohn, ao lado de Mischa Maisky e da über-diva Anne-Sophie Mutter. A família Margulis – Jura, Alissa e Natalia – traz um azeitadíssimo Trio “Fantasma” e um mui tocante “Canto dos Pássaros”, joia folclórica catalã posta em pauta por Pau Casals. O variado cardápio também inclui as “Canções e Danças da Morte” de Mussorgsky, com o ótimo baixo Michael Volle, e uma Sonata para dois pianos e percussão de Bartók para a qual a Rainha, que tanto a tocou com nosso Nelson Freire, convidou seu outro Nelson favorito, o compatriota Goerner. O melhor retrogosto, entretanto, não foi o que veio de dedos hermanos, e sim das diminutas mãos de Maria João em Schubert – que maravilhosos, os dois improvisos! – e da última apresentação pública de Nicholas Angelich, um brahmsiano que sempre honrou o grande hamburguense e fez da Segunda Sonata para viola e piano seu canto de cisne.

ooOoo

Uma breve nota: a partir de hoje, mudarei a maneira de compartilhar música com os leitores-ouvintes. Cansei de ver a pedra rolar tantas vezes morro abaixo. Não farei mais comentários. Que venham os tomates.

Disco 1

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sete Variações para violoncelo e piano sobre “Bei Männern, welche Liebe fühlen”, da ópera “Die Zauberflöte” de Wolfgang Amadeus Mozart, WoO 46
1 – Thema. Andante
2 – Variation I
3 – Variation II
4 – Variation III
5 – Variation IV
6 – Variation V: Si prenda il tempo un poco più vivace
7 – Variation VI. Adagio
8 – Variation VII. Allegro ma non troppo

Mischa Maisky, violoncelo
Martha Argerich,
piano

Das Três Sonatas para violino e piano, Op. 30:
Sonata no. 3 em Sol maior
9 – Allegro assai
10 – Tempo di Minuetto, ma molto moderato e grazioso
11 – Allegro vivace

Renaud Capuçon,
violino
Martha Argerich,
piano

Dos Dois Trios para piano, violino e violoncelo, Op. 70:
No. 1 em Ré maior, “Fantasma”
12 – Allegro vivace e con brio
13 – Largo assai ed espressivo
14 – Presto

Alissa Margulis, violino
Natalia Margulis, violoncelo
Jura Margulis, piano


Disco 2

Ludwig van BEETHOVEN

Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 19
1 – Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondo. Molto allegro

Martha Argerich, piano
Symphoniker Hamburg
Sylvain Cambreling
, regência

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN-Bartholdy (1809-1847)

Trio para piano, violino e violoncelo no. 1 em Ré menor, Op. 49
4 – Molto allegro agitato
5 – Andante con moto tranquillo
6 – Scherzo: Leggiero e vivace
7 – Finale: Allegro assai appassionato

Anne-Sophie Mutter, violino
Mischa Maisky
, violoncelo
Martha Argerich
, piano

Johannes BRAHMS (1833-1897)

Das Duas Sonatas para clarinete e piano, Op. 120 (transcritas para viola e piano pelo compositor):
Sonata no. 2 em Mi bemol maior
8 – Allegro amabile
9 – Allegro appassionato
10 – Andante con moto – Allegro – Più tranquillo

Gérard Caussé, viola
Nicholas Angelich,
piano


Disco 3

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

Dos Improvisos para piano, D. 935 (Op. Posth. 142):
No. 2 em Lá bemol maior
1 – Allegretto
No. 3 em Si bemol maior, “Rosamunde”
2 – Andante

Sonata para piano em Lá maior, D. 664
3 – Allegro moderato
4 – Andante
5 – Allegro

Maria João Pires, piano

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sonata para piano a quatro mãos em Dó maior, K. 521
6 – Allegro
7 – Andante
8 – Allegretto

Martha Argerich e Maria João Pires, piano


Disco 4

Pau CASALS i Defilló (1876-1973)

1 – El Cant dels Ocells, para violino, violoncelo e piano

Alissa Margulis, violino
Natalia Margulis,
violoncelo
Jura Margulis,
piano

Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)

Suite Popular Espanhola, para violino e piano
2 – El Paño Moruno
3 – Nana
4 – Canción
5 – Polo
6 – Asturiana
7 – Jota

Tedi Papavrami, violino
Maki Okada, piano

César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert FRANCK (1822-1890)

Quinteto em Fá menor para dois violinos, viola, violoncelo e piano
8 – Molto moderato quasi lento – Allegro
9 – Lento, con molto sentimento
10 – Allegro non troppo ma con fuoco

Akiko Suwanai e Tedi Papavrami, violinos
Lyda Chen, viola
Alexander Kniazev, violoncelo
Evgeni Bozhanov, piano


Disco 5

Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

1 – Le Grand Tango

Gidon Kremer, violino
Georgijs Osokins, piano

Leonard BERNSTEIN (1918-1990)

Danças Sinfônicas de West Side Story, para dois pianos
2 – Prologue
3 – Somewhere
4 – Scherzo
5 – Mambo
6 – Cha-cha
7 – Meeting Scen
8 – Cool Fugue
9 – Rumble Track
10 – Finale

Anton Gerzenberg e Daniel Gerzenberg, pianos

Astor PIAZZOLLA

[Las] Estaciones Porteñas,para violino, violoncelo e piano
11 – Invierno Porteño
12 – Verano Porteño
13 – Otoño Porteño
14 – Primavera Porteña

Tedi Papavrami, violino
Eugene Lifschitz, violoncelo
Alexander Gurning, piano


Disco 6

Modest Petrovich MUSSORGSKY (1839-1881)

“Canções e Danças da Morte”
1 – Kolybel’naya [“Acalanto”]
2 – Serenada [Serenata]
3 – Trepak
4 – Polkovodets [“O Marechal de Campo”]

Michael Volle, baixo-barítono
Daniel Gerzenberg, piano

Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)

Sonata para dois pianos e percussão, Sz 110
5 – Assai lento
6 – Lento, ma non troppo
7 – Allegro non troppo

Martha Argerich e Nelson Goerner, pianos
Alexej Gerassimez e Lukas Böhm, percussão

Arno Harutyuni BABAJANYAN (1921-1983)

Trio em Fá sustenido menor para violino, violoncelo e piano
8 – Largo – Allegro espressivo – Maestoso
9 – Andante
10 – Allegro vivace

Michael Guttman, violino
Jing Zhao, violoncelo
Elena Lisitsian, piano

Disco 7

Dmitri Dmitriyevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

Sonata em Ré menor para violoncelo e piano, Op. 40
1 – Allegro non troppo
2 – Allegro
3 – Largo
4 – Allegro

Mischa Maisky, violoncelo
Martha Argerich, piano

Sergei Sergeiyevich PROKOFIEV (1891-1953)

Sonata em Ré maior para flauta e piano, Op. 94
5 – Moderato
6 – Presto – poco meno mosso
7 – Andante
8 – Allegro con brio – poco meno mosso

Susanne Barner, flauta
Martha Argerich, piano

Dmitri SHOSTAKOVICH

9 – Concertino em Lá menor para dois pianos, Op. 94

Martha Argerich e Lilya Zilberstein, pianos

Mieczysław WEINBERG (1919-1996)

Doze Miniaturas para flauta e piano, Op. 29
10 – Improvisação
11 – Arietta
12 – Burlesque
13 – Capriccio
14 – Noturno
15 – Valsa
16 – Ode
17 – Duo
18 – Étude
19  – Intermezzo
20 – Pastorale

Susanne Barner, flauta
Akane Sakai, piano

Escute no/Listen on SPOTIFY:

Escute no/Listen on TIDAL:

 

Octogenarian Virtuoso Starter Kit [minus cigarettes and gallons of coffee]
Vassily

Read More

Christoph Willibald Gluck (1714-1787): Orfeu e Eurídice (Biel, Boog, Avemo, Drottningholm Theatre Chorus And Drottningholm Theatre Orchestra, Östman)

Christoph Willibald Gluck (1714-1787): Orfeu e Eurídice (Biel, Boog, Avemo, Drottningholm Theatre Chorus And Drottningholm Theatre Orchestra, Östman)

Orfeu e Eurídice de Gluck é uma obra venerável e importante. Esta é uma bela versão da ópera. Trata-se de uma das primeiras óperas a manterem seu lugar no repertório. Seu compositor, Christoph Willbald Gluck (1714-1787), foi um dos verdadeiros revolucionários da música. Ele mudou o caráter da ópera de um veículo para exibições floridas de  vocalistas para um drama no qual a música iluminava e fazia uma parceria com o texto. As três óperas revolucionárias de Gluck, Orfeu, Alceste e Paris e Helena foram escritas em Viena de 1762-1770 em estreita colaboração com o libertista, Ranieri d’Calabigi, em uma das colaborações mais movimentadas da história da música. Dessas três óperas, a mais conhecida de longe é Orfeu e Eurídice, escrita pela primeira vez em 1762.

A apresentação de Orfeu neste CD é do Drottningholm Theatre Chorus and Orchestra, conduzida por Arnold Ostman. Ostman e o Drottningholm também produziram um CD louvável de Alceste, usando a versão original raramente tocada de Gluck de 1767. A versão de Orfeu neste disco, da mesma forma, é a versão inicial de Viena de 1762. Há gravações de várias outras versões disponíveis — incluindo a revisão de Gluck de sua partitura em Paris em 1774, e edições de compositores posteriores, incluindo Hector Berlioz.

Orfeu e Eurídice é uma obra de paixão e simplicidade que nunca deixa de comover. A obra é baseada em um mito grego no qual Orfeu, sofrendo pela morte de sua esposa, tem a oportunidade de ganhá-la das profundezas do Hades sob a condição de que ele não olhe para ela até que o casal retorne à Terra e que ele não revele essa condição a ela. O dom da canção de Orfeu doma os espíritos do Hades, mas, infelizmente, o casal não consegue manter a condição e Eurídice morre novamente. A ópera termina felizmente com a vida de Eurídice restaurada uma segunda vez como um tributo à fidelidade de Orfeu.

A história fala do poder do amor humano e do poder da arte para redimir a vida. A música de Gluck é igual aos seus temas. Há apenas três personagens na ópera, todos geralmente cantados por mulheres. Neste CD, Orfeu é interpretado por Ann-Christine Biel, Eurídice por Maya Boog e Amor por Kerstin Avemo.

Há também uma grande parte coral e interlúdios orquestrais. Cada ária nesta ópera é dedicada à representação de uma emoção específica para iluminar o drama. Assim, a ópera apresenta uma mistura única de simplicidade, racionalismo e paixão. O caráter apaixonado e emocional desta música é frequentemente negligenciado.

As partes mais fortes da performance neste CD são a orquestra e o coro. As seções orquestrais são tocadas em instrumentos de época e os sopros e a percussão saem lindamente. A música soa mais transparente. O coro também se apresenta lindamente nas cenas de abertura e conclusão e no segundo ato, onde Orfeu doma os espíritos do submundo, como Bolsonaro, Trump e Elon Musk.

Christoph Willibald Gluck (1714-1787): Orfeu e Eurídice (Biel, Boog, Avemo, Drottningholm Theatre Chorus And Drottningholm Theatre Orchestra, Östman)

1 Overture 3:20

Act I, Scene 1
2 Ah, Se Intorno A Quest’Urna Funesta 3:05
3 Basta, Basta, O Compagni 0:41
4 Ballo 1:31
5 Ah, Se Intorno A Quest’Urna Funesta 2:24
6 Chiamo Il Mio Ben Così 1:05
7 Euridice, Ombra Cara 0:53
8 Cerco Il Mio Ben Così 1:03
9 Euridice, Euridice! 1:02
10 Piango Il Mio Ben Così 1:04
11 Numi, Barbari Numi 0:56

Scene 2
12 T’Assiste Amore! 1:31
13 Gli Sguardi Trattieni 2:15
14 Che Disse? Che Ascoltai? 1:39
15 End Of Act I 0:28

Act II, Scene 1
16 Ballo 1:06
17 Chi Mai Dell’Erebo Fra Le Caligini 0:27
18 Ballo 0:40
19 Chi Mai Dell’Erebo Fra Le Caligini 1:01
20 Ballo 1:04
21 Deh Placatevi Con Me 2:04
22 Misero Giovane, Che Vuoi, Che Mediti 0:47
23 Mille Pene 0:45
24 Ah, Quale Incognito Affetto Flebile 0:45
25 Men Tiranne 0:41
26 Ah, Quale Incognito Affetto Flebile 1:09

Scene 2
27 Ballo 1:09
28 Che Puro Ciel 4:26
29 Vieni A’ Regni Del Riposo 1:43
30 Ballo 1:21
31 Anime Avventurose 0:42
32 Torna, O Bella, Al Tuo Consorte 1:47

Act III, Scene 1
33 Vieni, Segui I Miei Passi 4:29
34 Vieni Appaga Il Tuo Consorte 3:16
35 Qual Vita È Questa Mai 1:12
36 Che Fiero Momento 2:51
37 Ecco In Nuovo Tormento! 3:04
38 Che Farò Senza Euridice? 3:26
39 Ah Finisca E Per Sempre 1:08

Scene 2
40 Orfeo, Che Fai? 1:36

Scene 3
41 Trionfi Amore 2:39

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Uma montagenzinha de Orfeu e Eurídice

PQP

 

Piotr Ilich Tchaikovsky (1840-1893): Os 3 Concertos para Piano (Mikhail Pletnev)

Piotr Ilich Tchaikovsky (1840-1893): Os 3 Concertos para Piano (Mikhail Pletnev)

O que mais se pode escrever sobre o Concerto para Piano Nº 1 de Tchaikovsky senão que é uma das mais belas obras já compostas pelo ser humano? Desde seu originalíssimo tema inicial, que simplesmente é abandonado antes da metade do primeiro movimento, até seu magnífico Andante Semplice, de um lirismo sem igual, ao Allegro con Fuoco final, o que mais transparece na música é a beleza de suas melodias. Mano PQP comentou certa vez que tinha ouvido tanto que tinha enjoado. (PQP completa dizendo que prefere o Concerto Nº 2). Eu diria que já ouvi tanto que a cada nova audição mais me apaixono pela obra. Mikhail Pletnev tem a mesma alma eslava daqueles gênios do piano russo como Gilels e Richter. É um pianista de altíssimo nível, assim como um excelente regente, suas gravações das Sinfonias de Rachmaninoff foram elogiadíssimas. Por algum motivo, as outras obras contidas neste cd duplo são dificilmente gravadas, talvez por não estarem no mesmo nível do Concerto Nº 1, mas são igualmente bonitas, E Pletnev não joga a toalha por se tratarem de obras menores, ao contrário, procura realçar suas qualidades.

PQP decide intervir:

O melhor Concerto para Piano de Tchaikovsky

Tem gente que nem sabe que Tchaikovsky tem um segundo e terceiro Concertos para Piano. Muitos músicos de orquestra, inclusive, pensam que há apenas um, o famoso primeiro.

Só que meu pai era um colecionador de música romântica que reclamava de minha predileção pelas músicas mais difíceis, coisa que a Elena repete, mas sem a voz de um pai ou de uma mãe quando a gente é pré-adolescente. Ele tinha um LP com o segundo concerto e eu dizia que aquele era melhor que o primeiro. Olha, até hoje concordo comigo. Gosto da decisão do primeiro movimento, mas minha maior consideração vai para o muito estranho segundo movimento, que é quase um não-concerto.

Este movimento lento começa com um trio. Acompanhado apenas pelas cordas, o violino toca um tema belíssimo, depois o piano dialoga primeiro com o violino e depois com o violoncelo, como se fossem três solistas em vez de um piano com acompanhamento orquestral. Ora, essa estrutura é mais típica de música de câmara do que de um concerto romântico para piano.

Neste movimento, o piano não é o protagonista imediato — ele entra apenas depois de longas passagens do violino e do violoncelo. Quando finalmente aparece, ele assume um papel mais de acompanhamento, o que é totalmente incomum para um concerto.

É tudo muito melancólico e introspectivo. Aos poucos, a orquestra entra com delicadeza, expandindo a música de câmara, mas o violino e o violoncelo sempre voltam. É um noturno, se me entendem, não é o movimento lento típico de um concerto.

Houve um idiota, o pianista e maestro russo Alexander Siloti, que fez cortes para torná-lo mais palatável ao público. O cara era louco, só pode.

E o terceiro movimento é sensacional.

Estou ouvindo a gravação na forma original, como o disco do meu pai, que pode soar mais estranha para ouvintes acostumados ao conforto de um formato convencional. Tchaikovsky mesmo admitiu que buscava experimentar formas mais complexas, que essa obra era “difícil” e menos acessível que o primeiro concerto.

Mas ele é tão raro de ser programado que NUNCA o assisti ao vivo. E, desculpem, é o melhor dos três.

Xô, Siloti! Deixem o Tchai, ele já sofria bastante sendo gay na Rússia Czarista.

Piotr Ilich Tchaikovsky (1840-1893): Os 3 Concertos para Piano (Mikhail Pletnev)

Piano Concerto No. 1 In B Flat Minor/B-Moll/En Si Bémol Mineur, Op. 23 (34:35)
I Allegro Non Troppo – Allegro Con Spirito 20:31
II Andante Semplice – Prestissimo – Tempo I 7:01
III Allegro Con Fuoco 6:55

Concert Fantasy For Piano & Orchestra, Op. 56 (29:03)
I Quasi Rondo 15:37
II Contrastes 13:21

Piano Concerto No. 2 In G Major/G-Dur/En Sol Majeur, Op. 44 (Original Version) (41:20)
I Allegro Brillante 19:46
II Andante Non Troppo 14:23
III Allegro Con Fuoco 7:03

Piano Concerto No. 3 In E Flat Major/Es-Dur/En Mi Bémol Majeur, Op. 75 (14:36)
Allegro Brillante 14:36

Mikhail Pletnev – Piano
Philharmonia Orchestra
Vladimir Fedoseyev – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Mestre Pletnev

FDP Bach (2009)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Les Sonates pour le Forte-Piano – Paul Badura-Skoda – CDs 2 de 5

Paul Badura-Skoda - Mozart- Sonates pour le pianoforte, K 284, K 309, K 311Um dos motivos que me faz seguir em frente junto ao PQPBach é o de dar a oportunidade para outras pessoas de ouvirem algo que nunca ouviriam a não ser aqui. Esta experiência de se ouvir Mozart como se ouvia no século XVIII é única. Pode-se conferir a genialidade do compositor, e como se trata de uma integral, compreender a evolução do mesmo enquanto compositor. Esse é o principal motivo para postar estas integrais.

Vamos então dar sequência, trazendo o segundo CD da coleção. Espero que apreciem.

1 Sonate en ré majeur, K 284 (K 205b), I. Allegro
2 Sonate en ré majeur, K 284 (K 205b), II. Rondeau en Polonaise_ Andante
3 Sonate en ré majeur, K 284 (K 205b), III. Tema con 12 variazioni
4 Sonate en ut majeur, K 309 (K 284b), I. Allegro con spirito
5 Sonate en ut majeur, K 309 (K 284b), II. Andante, un poco adagio
6 Sonate en ut majeur, K 309 (K 284b), III. Rondeau_ Allegretto grazioso
7 Sonate en ré majeur, K 311 (K 284c), I. Allegro con spirito
8 Sonate en ré majeur, K 311 (K 284c), II. Andante con espressione
9 Sonate en ré majeur, K 311 (K 284c), III. Rondeau_ Allegro
10 Allegro en si bémol majeur, K 400 (K 372a)
11 Allegro en sol mineur, K 312 (K 590d)

Paul Badura-Skoda – Pianoforte Johann Schantz, Vienne ca. 1790

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

skoda
E então, Herr Mozart, tô tocando certinho?

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Two Pieces for String Quartet / Seven Romances On Poems Of Alexander Blok / Piano Quintet (Fitzwilliam Str Qtt, Söderström, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Two Pieces for String Quartet / Seven Romances On Poems Of Alexander Blok / Piano Quintet (Fitzwilliam Str Qtt, Söderström, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sem exagero, este é um dos melhores CDs de minha coleção de mais de 3000 CDs e 1300 LPs. Ele contém três peças de Shostakovich, uma muito conhecida e premiada e outras duas mais obscuras: as obscuras são as “Duas peças para quarteto de cordas” e os “Sete canções sobre poemas de Alexander Blok” e a célebre é o “Quinteto para piano”. A primeira vez que ouvi o Quinteto para Piano de Shostakovich foi na rádio da Ufrgs. Fiquei profundamente comovido. Dentre as muitas peças de Shostakovich, esta é uma obra-prima que transmite fortemente tanto o efeito da performance quanto da profundidade introspectiva. É maravilhoso como tanto Ashkenazy, quanto o Quarteto de Cordas Fitzwilliam, ressoam profundamente este o trabalho de Shostakovich. A música soa poderosa. É da categoria de da música de câmara, mas chega gigante. O Quinteto recebeu o Prêmio Stalin. As Sete Canções é uma peça rara em que um solista é acompanhado por um trio de piano em arranjos variados (os três primeiros movimentos são acompanhados por solos para cada instrumento). Aqui também, a execução resoluta de Ashkenazy no piano é chocante, fazendo você sentir como se estivesse finalmente ouvindo a essência de Shostakovich. As “Duas Peças para Quarteto de Cordas” são uma gravação rara. É típico Shostakovich, oscilando entre a tristeza e o sarcasmo.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Two Pieces for String Quartet / Seven Romances On Poems Of Alexander Blok / Piano Quintet (Fitzwilliam Str Qtt, Söderström, Ashkenazy)

Two Pieces For String Quartet
1 Elegy
2 Polka

Seven Romances, Op. 127
3 Ophelia’s Song
4 Hamayun, The Prophetic Bird
5 We Were Together
6 The City Is Asleep
7 The Storm
8 Secret Sign
9 Music

Piano Quintet, Op. 57
10 Prelude
11 Fugue
12 Scherzo
13 Intermezzo
14 Finale

Ensemble – Fitzwilliam String Quartet
Piano – Vladimir Ashkenazy
Soprano Vocals – Elisabeth Söderström

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Piotr Ilich Tchaikovsky (1840-1893): Concerto para Violino e Souvenir d’un lieu cher (Jansen, Harding)

Piotr Ilich Tchaikovsky (1840-1893): Concerto para Violino e Souvenir d’un lieu cher (Jansen, Harding)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este concerto veio pré-instalado em minha mente. Quando me dei por gente, Tchaikovsky, Beethoven, Chopin e Mozart já estavam em minha memória. Meu pai realizou a instalação quando eu era um bebê. Ele não parava de ouvir música, mais ou menos como eu comecei a fazer depois… Então, cada nota deste Concerto para Violino é conhecida de mim há várias décadas e posso asseverar que a gravação de Janine Jansen é efetivamente MUITÍSSIMO BOA. Tudo aqui é lindo e descomplicado. E, no entanto, Jansen é romântica à moda antiga. Seu jeito com o tempo rubato e com os contrastes dinâmicos é desavergonhadamente livre. Ela distorce o som como uma excelente cantora, levando-o para o subito pianíssimo no verdadeiro estilo bel canto. Ela o faz de forma bastante recatada e sugestiva. Há uma intimidade em sua execução que se adapta bem à Orquestra de Câmara Mahler; mas eu não gostaria de dizer que os elementos introvertidos do concerto ofusquem de alguma forma a extroversão. De muitas maneiras, é o final com dança cossaca que coloca esta versão na órbita do que há de melhor disponível. A parceria com Daniel Harding dificilmente poderia ser melhor. Uma performance arrasadora, portanto. A peça de apoio – Souvenir d’un lieu cher – nos dá a chance de ouvir o movimento lento original do concerto em um belo arranjo para violino e cordas do maestro romeno-holandês Alexandru Lascae. Mais uma vez, temos a sensação de Jansen é a primeira dentre os atuais.


P. I. Tchaikovsky (1840-1893): Concerto para Violino e Souvenir d’un lieu cher (Jansen, Harding)

Tchaikovsky: Violin concerto op.35
1 Allegro moderato
2 Canzonetta (Andante)
3 Finale (Allegro vivacissimo)

Tchaikovsky: Souvenir d’un lieu cher
4 Meditation
5 Scherzo
6 Melodie

Janine Jansen (Violin)
Mahler Chamber Orchestra
Daniel Harding

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Les Sonates pour le Forte-Piano – Paul Badura-Skoda – CDs 1 de 5

Paul Badura-Skoda - Mozart- Sonates pour la pianoforte, K 279, K 280, K 281, K 282, K 283Essa série foi postada originalmente lá em 2016, e acho muito importante atualizar seus links pela sua importância. Paul Badura-Skoda se utiliza de um pianoforte baseado em pianos da época de Mozart, e assim podemos ouvir estas sonatas tão interessantes como deveriam soar lá no século XVIII. 

Depois dos senhores experimentarem as ‘experiências’ de Glenn Gould com as sonatas de Mozart, resolvi trazer um dos maiores pianistas do século XX interpretando estas sonatas, mas nada de piano moderno aqui. Skoda interpreta estas obras com um instrumento similar ao que Mozart usou para compô-las. Trata-se portanto de uma experiência acústica diferente para aqueles que não estão acostumados com a sonoridade de um pianoforte.
O selo francês Astrée caprichou na edição desta coleção, com um booklet que traz os comentários do próprio solista para cada uma das sonatas.
Então vamos começar. Espero que apreciem a experiência.

CD 1

1 Sonate en ut majeur, K 279 (K 189d) – I. Allegro
2 Sonate en ut majeur, K 279 (K 189d) – II. Andante
3 Sonate en ut majeur, K 279 (K 189d) – III. Allegro
4 Sonate en fa majeur, K 280 (K 189e) – I. Allegro assai
5 Sonate en fa majeur, K 280 (K 189e) – II. Adagio
6 Sonate en fa majeur, K 280 (K 189e) – III. Presto
7 Sonate en si bémol majeur, K 281 (K 189f) – I. Allegro
8- Sonate en si bémol majeur, K 281 (K 189f) – II. Andante amoroso
9  Sonate en si bémol majeur, K 281 (K 189f) – III. Rondeau. Allegro
10 Sonate en mi bémol majeur, K 282 (K 189g) – I. Adagio
11 Sonate en mi bémol majeur, K 282 (K 189g) – II. Menuetto I & II
12 Sonate en mi bémol majeur, K 282 (K 189g) – III. Allegro
13 Sonate en sol majeur, K 283 (K 189h) – I. Allegro
14 Sonate en sol majeur, K 283 (K 189h) – II. Andante
15 Sonate en sol majeur, K 283 (K 189h) – III. Presto

Paul Badura-Skoda – Fortepiano Johann Schantz, Vienne ca. 1790

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MI0001058051
Paul Badura-Skoda – Retrato do Artista Enquanto Jovem

FDP

.:interlúdio:. Keith Jarrett – Dark Intervals (1988)

O nome já avisa: um concerto improvisado bem mais noturno, por vezes melancólico ou reflexivo em comparação com outras gravações do pianista que fez 80 anos este mês. E alguns momentos de extrema beleza improvisada, talvez principalmente na primeira e na última faixa do álbum.

Keith Jarrett: Dark Intervals
A1 Opening 12:51
A2 Hymn 4:55
A3 Americana 7:10
A4 Entrance 2:54
B1 Parallels 4:56
B2 Fire Dance 6:50
B3 Ritual Prayer 7:10
B4 Recitative 11:16
Recording: Tokyo, April 11, 1987

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Keith Jarrett em 1987

Pleyel

Tchaikovsky / Borodin / Rimsky-Korsakov: Abertura 1812 e Marcha Eslava / Nas Estepes da Ásia Central e Danças Polovtsianas / A Grande Páscoa Russa e Capricho Espanhol (Neeme Järvi)

Tchaikovsky / Borodin / Rimsky-Korsakov: Abertura 1812 e Marcha Eslava / Nas Estepes da Ásia Central e Danças Polovtsianas / A Grande Páscoa Russa e Capricho Espanhol (Neeme Järvi)

Um CD barulhento de peças avulsas, famosas e populares de compositores russos. O incrível é que eu estava fazendo o almoço quando coloquei o CD para tocar bem alto. Quando chegou o momento do primeiro canhão o amplificador fez PUM (de canhão, não dos intestinos do genocida) e desligou totalmente. Foi demais pra ele. Talvez a vibração, sei lá. Botei o CD novamente para rodar e o aparelho suportou o ataque. Aqui temos interpretações muito boas de coisas muito ouvidas. Sou totalmente apaixonado pela “Grande Páscoa Russa” e posso garantir que Neeme Järvi e seus sinfônicos de Gotemburgo foram dignos da obra, assim como das outras. Cuidem-se com os canhões! Não vão ficar surdos tá?

Tchaikovsky / Borodin / Rimsky-Korsakov: Abertura 1812 e Marcha Eslava / Nas Estepes da Ásia Central e Danças Polovtsianas / A Grande Páscoa Russa e Capricho Espanhol (Neeme Järvi)

PETER TCHAIKOVSKY
1 Overture Solennelle “1812” Op.49
Bells – Churchbells Of Gothenburg
Brass – Gothenburg Symphony Brass Band
Chorus – Gothenburg Symphony Chorus
Chorus Master – Ove Gotting
Percussion [Cannon] – Gothenburg Artillery Division
16:18

2 Marche Slave Op.31 9:39

ALEXANDER BORODIN
3 In The Steppes Of Central Asia 7:21

Polovtsian Dances (From The Opera “Prince Igor”)
Bass Vocals [Khan Konchak] – Torgny Sporsén
Chorus – Gothenburg Symphony Chorus
Chorus Master – Ove Gotting
(11:24)
4.1 Flowing Dance Of The Polovtsian Maidens
4.2 Men’s Dance
4.3a General Dance
4.3b Dance Of The Polovtsian Slaves
4.4a Young Men’s Dance
4.4b Men’s Dance
4.5a Flowing Dance Of The Polovtsian Maidens
4.5b Slow Dance Of The Maidens; Fast Dance Of The Young Men
4.6a Young Men’s Dance
4.6b Men’s Dance
4.7 General Dance

N. RIMSKY-KORSAKOV
5 Russian Easter Festival Overture Op.36 (On Liturgical Themes For Large Orchestra) 14:53

Capriccio Espagnol Op.34 (15:48)
6.1 Alborada: Vivo E Strepitoso – Attacca
6.2 Variazioni: Andante Con Moto – Attacca
6.3 Alborada: Vivo E Strepitoso – Attacca
6.4 Scena E Canto Gitano: Allegretto – Attacca
6.5 Fandango Asturiano

Gothenburg Symphony Orchestra
Neeme Järvi

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Wagner (1813 – 1883): Trechos Orquestrais de Óperas – The Philadelphia Orchestra & Eugene Ormandy ֎

Wagner (1813 – 1883): Trechos Orquestrais de Óperas – The Philadelphia Orchestra & Eugene Ormandy ֎

Wagner, sem palavras!

Eu não consigo pensar na música de Wagner sem lembrar da frase ‘When the fat lady sings’. Na verdade, uma variação de ‘It ain’t over till the fat lady sings’.

Essa frase foi usada no mundo do baseball originalmente com o sentido de que a história do jogo só é contada no final, por certo uma obviedade, mas pode haver algo aí.

O jornalista que a usou certamente tinha em mente a última parte de ‘O Anel do Nibelungo’, o famoso ‘Crepúsculo dos Deuses’, pois o mundo está a se acabar, mas não antes que a valquíria Brünnhilde cante assim por uns vinte minutos. Portanto, nada acaba antes que a senhora gorducha cante!

Wagner é um compositor de óperas, mas sua música tem longos trechos orquestrais e ele foi inovador na maneira como lidou com a orquestra. Ele não era uma boa pessoa, mas foi um compositor inovador e influente, basta lembrar dos leitmotivs. É, portanto, comum que haja concertos com trechos dessas óperas, às vezes com cantores, mas em muitos casos apenas com orquestras. Essencialmente todos regentes famosos (e também os nem tão famosos assim) deixaram gravações que poderiam ser chamadas ‘Wagner sem Palavras’. Só para não deixar de mencionar alguns: Böhm, Klemperer, Szell, Solti, Abbado, Karajan, Kempe, Kubelik, Tennstedt.

Eugene tentando tirar um som das cordas da PQP Bach Sinfonietta

Eu tenho ouvido alguns discos gravados por Eugene Ormandy e a Orquestra da Filadélfia – foram lançadas duas coleções com as suas muitas gravações. Ormandy não é um nome que me ocorre normalmente quando escolho alguma música para ouvir, mas seu legado é impressionante e não dá para simplesmente ignorar o cara.

Entre os discos que ouvi mais do que uma vez estão estes dois com trechos de música de Wagner, gravados em 1959 (The Glorious Sound of Wagner) e 1963 (Magic Fire). O epíteto ‘glorious sound’ certamente poderia ser atribuído ao som da Orquestra da Filadélfia, uma das grandes orquestras dos Estados Unidos e que esteve por muito tempo sob a direção de Eugene Ormandy.

Os discos oferecem uma ótima seleção de trechos, numa remasterização recente. Tannhäuser, Lohengrin e Die Meistersinger Von Nürnberg oferecem abertura e prelúdios. As Valquírias trazem o tal Fogo Mágico e uma Cavalgada. Tristão oferece um prelúdio e Isolda morre de amores, Siegfried vai murmurando pelos bosques e tudo termina com o seu Ídilio.

Ótima música de um excelente compositor que, definitivamente, não foi um ‘good guy’.

Richard Wagner (1813 – 1883)

The Glorious Sound Of Wagner

  1. Prelude To “Lohengrin” (Act III)
  2. Waldweben (Forest Murmurs) From “Siegfried”
  3. Prelude To Act III: Dance Of The Apprentices; Entrance Of The Meistersingers From “Die Meistersinger Von Nürnberg”
  4. Overture And Venusberg Music From “Tannhäuser”
  5. Siegfried-Idyll

The Philadelphia Orchestra

Eugene Ormandy

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 152 MB

Magic Fire Music

  1. Festmarsch From “Tannhäuser”
  2. Prelude To “Lohengrin,” Act III
  3. Magic Fire Music From “Die Walkure”
  4. The Ride Of The Valkyries From “Die Walkure”
  5. “Tannhäuser” Overture
  6. Love-Death From “Tristan Und Isolde”

The Philadelphia Orchestra

Eugene Ormandy

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 154 MB

Seção ‘The Book is on the Table’: Of course everyone has their preferences but one cannot deny that the rich strings and mellow Philadelphia brass serve Wagner well. This is Wagner the beautiful and serene, but drama and power are there when needed. Die Meistersinger marches with joy and majesty.

Aproveite!

René Denon

 

Deu chabu

Aconteceu de novo: devido a questões com o servidor de compartilhamento, muitas de nossas postagens ficaram sem links ativos. Não estamos de falar de algumas, e sim de milhares – incluindo todas as postagens do patrão PQP Bach, que, além de nosso chefinho, é o mais prolífico colaborador do blogue. Se já passamos por isso antes – nossos leitores-ouvintes hão de lembrar das crises pós-implosão do Rapidshare, Megaupload e PQPShare, para ficar só nas mais medonhas -, nunca o golpe foi tão grande. Por ora, pedimos paciência e compreensão se encontrarem links inativos, inclusive em postagens vindouras, enquanto decidimos o que fazer. Segue o jogo.

Yep, it happened again: due to issues with the file hosting providers many of our posts have lost their active links. We’re not talking about a handful, but thousands of  dead links – including all provided by PQP Bach, our founding father and by far the most prolific contributor to this blog. Although we’ve been through this before – some among you may remember the demises of Rapidshare, Megaupload and PQPShare, just to name a few – the blow has never been so great. For now, we ask for your patience and understanding if you find dead links in both past and upcoming posts, while we figure out our next steps. The show goes on.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 4, Op. 43 (Rozhdestvensky, Bolshoi)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 4, Op. 43 (Rozhdestvensky, Bolshoi)

Uma sinfonia decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão ecos monumentais destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios rarefeitos: Mahler. A duração, o tamanho da orquestra, o estilo da orquestração e o uso da melodia banal, justaposta, todas vieram de Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minha preferência vai para o também mahleriano scherzo central. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro e estava se dirigindo para as mortes da próxima guerra.

A Sinfonia n.º 4 em Dó menor de Dmitri Shostakovich (opus 43) foi composta entre setembro de 1935 e maio de 1936, após o abandono de alguns esboços. Em janeiro de 1936, na metade de sua composição, Pravda – um jornal sob as ordens de Joseph Stalin1 – publicou um edital chamado “Bagunça invés de Música”, que denunciava o compositor e especificamente sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk. Depois dos ataques e da grande opressão política, Shostakoivch não apenas concluiu sua sinfonia, como também planejou sua estreia, programada para dezembro de 1936 em Leningrado. Em algum momento dos ensaios, ele mudou de ideia. O trabalho foi finalmente apresentado dia 30 de dezembro de 1961 pela Orquestra Filarmônica de Moscou, conduzida por Kirill Kondrashin.

A gravação de Rozhdestvensky é 100% russa. Isto é, temos aqui um Shostakovich com seu sotaque original. Recuse imitações!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 4 – AO VIVO
1. Symph. No.4 in c, Op.43: Alleretto Poco Moderato
2. Symph. No.4 in c, Op.43: Moderatto Con Moto
3. Symph. No.4 in c, Op.43: Largo. Allegretto

Bolshoi Theatre Orchestra
Gennadi Rozhdestvensky

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich em 1936, brincando com sua filha Galina.
Shostakovich em 1936, brincando com sua filha Galina e uns porquinhos.

PQP

.:interlúdio:. Claude Bolling & Jean Pierre Rampal – Suites para Flauta e Piano Jazz Trio

Esta foi uma das primeiras postagens que fiz, lá em 2008 ainda, no início do PQPBach, outros tempos, ainda era Professor de Ensino Fundamental em uma cidade de interior, tinha de viajar todo dia para ir dar aula. Cansativo, com certeza. Muita coisa mudou desde então, já sai da sala de aula há bastante tempo. 

Resolvi voltar a estes CDs depois de tanto tempo por diversos motivos, um deles está devidamente descrito aí no texto original: a torrente de lembranças e emoções que me trazem estas peças tão brilhantemente executadas por este grupo excepcional de músicos. Ah, que saudades desta época de minha vida, comprei estes discos lá entre meus dezessete ou dezoito anos. Quarenta e poucos anos se passaram, mas as emoções são as mesmas. A sensibilidade e delicadeza das peças tocam fundo no coração, impossível não nos emocionarmos com como a magnífica “Baroque and Blue” ou com a ultra romântica “Sentimentale“, ou com a incrível “Veloce“, que fecha o primeiro disco.  

Ao contrário da primeira postagem, desta vez estou trazendo os dois discos que a dupla gravou, ainda lá em meados dos anos 70. Rampal já nos deixou há bastante tempo e sempre foi meu ídolo, sempre o admirei, minha mãe sempre falava dele e em Jascha Heifetz como exemplos a serem seguidos se eu quisesse ser músico. 

Claude Bolling ainda gravou outros discos dentro do mesmo espírito, como com o violoncelista Yo-Yo Ma ou com o violonista Alexandre Lagoya, mas o impacto não foi o mesmo, pelo menos não para mim. Se estiverem interessados, posso trazê-los aqui em outra ocasião. Mas vamos ao que viemos. Espero que apreciem, são dois discos fundamentais na minha formação musical e que com certeza ajudaram a formar meu caráter e gosto musical. 

p.s. Tenho de reconhecer que ainda me emociono muito com estes dois discos. Como diz nosso querido mentor PQPBach, acho que entrou um cisco no meu olho, pois estou começando a lacrimejar. 

Há algumas semanas atrás um leitor/ouvinte nosso pediu Claude Bolling. E imediatamente acendeu uma luzinha na cabeça de FDP Bach quando se lembrou das Suítes para Flauta e Piano Jazz Trio gravados por este grande pianista de jazz francês com ninguém mais ninguém menos que Jean-Pierre Rampal. Procurou incansavelmente em seu acervo, até que finalmente às localizou. E ao ouvi-las, novamente uma torrente de lembranças lhe veio à cabeça, dos tempos em que, entre os 17 e 20 anos, ouvia estes LPs incansavelmente, viajando através da imaginação pelas impressionantes composições de Bolling, com o sopro divino que emanava dos pulmões de Rampal. Até então não tinha ouvido nada parecido, uma fusão de estilos, um cross-over, um pianista de jazz, que já tinha tocado com todos os grandes mestres, como Oscar Peterson, ou até mesmo Duke Ellington, e um gênio da flauta, que até então nunca tinha se envolvido com jazz. O resultado, bem, o resultado é o que vocês irão ouvir. Considero estes dois cds duas pérolas da incrível capacidade técnica e artística destes dois músicos. Destaco três grandes momentos neste cd: a abertura, denominada “Baroque and Blue”, a magnífica “Sentimentale” e uma legítima aula de fuga bachiana, “Fugace”.

Claude Bolling Trio & Jean Pierre Rampal  Suite nº 1 for Flute & Jazz piano

01 – Baroque And Blue
02 – Sentimentale
03 – Javanaise
04 – Fugace
05 – Irlandaise
06 – Versatile
07 – Veloce

Claude Bolling Trio & Jean Pierre Rampal  Suite nº 1 for Flute & Jazz piano

01. Espiegele
02. Amoureuse
03. Entr’amis
04. Vagabonde
05. Pastorale
06. Affectueuse
07. Intime
08. Jazzy

Jean-Pierre Rampal – Flute
Claude Bolling Trio:

Claude Bolling – Piano
Max Hediguer – Bass
Marcel Sabiani – Drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDP

.:interlúdio:. Keith Jarrett – Ruta and Daitya / Fort Yawuh (1973)

Dois álbuns lançados em 1973. Eles mostram uma parte dos diferentes interesses e talentos de Jarrett naquele período, e apenas uma parte, pois no mesmo ano ele também gravou In the Light (piano e orquestra) e Bremen/Lausanne (piano solo ao vivo).
Em Ruta and Daitya, músicos e gravadora enganaram o público: lançado como um disco novo, na verdade se tratavam de registros gravados por Keith Jarrett em duo com o baterista Jack DeJohnette em um estúdio em 1971, no meio de uma turnê com Miles Davis. Meses depois, primeiro o baterista e depois o tecladista sairiam da banda de Miles. A explicação é bem evidente: a ECM era uma gravadora bastante recente fundada na Alemanha e que queria se firmar (e se firmou) como um dos principais selos de jazz. Não ia pegar bem eles lançarem um disco anunciando: “ouçam aqui as fitas gravadas há dois anos que esses músicos não conseguiram lançar mas que nós aceitamos colocar no mercado.” Hoje, décadas depois, no site da ECM eles admitem a data de gravação do disco: maio de 1971. Em todo caso, não faria sentido esperar do Jarrett de 1973 aquelas sonoridades com órgão elétrico cheio de efeitos (pedais, fuzz, ecos…) quando já em 1972 ele muito raramente tocava instrumentos elétricos. Uma das últimas ocasiões foi em outubro de 72 na gravação de Sky Dive, liderado pelo trompetista Freddie Hubbard (aqui) e já naquela ocasião ele tocou piano acústico em metade do disco e, na outra metade, um piano elétrico (rhodes?) sem efeitos, bem mais limpo do que os sons deste álbum com DeJohnette. Aqui, Jarrett também toca flauta! E o diálogo entre os dois é único, improvisos em que parecem se comunicar por telepatia. Anos atrás, na seção de comentários deste nosso humilde blog, um leitor fez a seguinte resumo sobre o trio de Jarrett com o mesmo baterista:
Há vinte anos assisti a um concerto deles, aqui no Rio, e saí de lá com a certeza de que esse trio era um caso à parte na história do jazz. Jarrett, Peacock e DeJohnette tocam com uma simplicidade impressionante. Parece até uma conversa de amigos na mesa de um botequim (AP Silva)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Ruta & Daitya – mp3 320kbps
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Ruta & Daitya – flac

Dewey Redman, Paul Motian, Keith Jarrett e Charlie Haden em alguma turnê nos anos 1970

Outro álbum lançado em 1973, este Fort Yawuh foi realmente gravado naquele ano, ao vivo (Village Vanguard, New York City). Lançado pela Impulse em LP e expandido na versão em CD de 1999 que é esta disponível aqui e provavelmente documenta o concerto inteiro. Aqui sim temos uma amostra do que Jarrett tocava em 1973: piano – só o acústico – e interessantes momentos tocando sax soprano, em dupla com o sax tenor de Dewey Redman que, aliás, toca também clarinete na última faixa.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Fort Yawuh – mp3 320kbps
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Fort Yawuh – flac

Jarrett plays both acoustic and electric and this is one of the latest recording where he was using electric piano and organ, soon to be totally dedicated to the acoustic piano. DeJohnette plays wonderfully and the duo setting emphasizes his unusual approach to rhythm and his truly amazing musicality and ability to listen to his partners. This is a great chapter, although relatively unknown, in the history of these great musicians.
(Resenha por Jazzis em RateYourMusic)

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Concerto Nº 1, Op.15 (Zimerman / Rattle)

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Concerto Nº 1, Op.15 (Zimerman / Rattle)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Concerto no. 1 de Brahms para piano e orquestra é uma das coisas mais avassaladoras que eu conheço em matéria de música. As notas iniciais são um torrente de drama, desespero e tensão. Mas, aos poucos a paisagem vai serenando, ganhando contornos suaves, mansamente idílica. O que segue até o final não pode ser retratado com as palavras. Este concerto é uma bela metáfora do que é a vida – tensa, dramática, mas cheia de encantos selvagens e, quiçá, paraísos. Toda metáfora é um salto sobre o abismo. É ver o mundo iluminado pela chama de uma vela. Os contornos são tenebrosos, poucos divisáveis, mas enquanto caminhamos vamos construindo intuições. Ouvi este concerto já por três vezes desde ontem à noite e fiquei com a sensação de algo grande. Restou-me apenas o desejo de compartilhá-lo. Afinal, Brahms merece nossas mais veneradas impressões. Um bom deleite!

Johannes Brahms (1833-1897) – Piano Concerto No.1 in D minor Op.15

Piano Concerto No.1 in D minor Op.15
01. 1. Maestoso
02. 2. Adagio
03. 3. Rondo. Allegro non troppo

Berliner Philharmoniker
Simon Rattle, regente
Krystian Zimerman, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Amiguchos

Carlinus (post original de 2011)

.: interlúdio :. História Musical de Noel Rosa (1910-1937)

Na música clássica muito tem se falado em “interpretações historicamente informadas”, “instrumentos autênticos” etc. Pois este disco com 60 canções de um dos maiores sambistas de todos os tempos é autêntico até não poder mais: a cantora Marília Batista foi uma das intérpretes preferidas de Noel. Os arranjos são assinados por Guerra Peixe, que além de grande nome da nossa música clássica também  trabalhou por anos como arranjador em rádios do Rio de Janeiro e do Recife.

Ressalto dois pontos que são autênticos. Marília segue as letras de Noel palavra por palavra, por exemplo “com que roupa eu vou ao samba que você me convidou?” enquanto hoje todos cantam “pro samba”. E a pronúncia: duvido muito que os boêmios da Lapa ou de Vila Isabel falassem aqueles erres enrrrrolados no dia a dia. Acontece que a geração de Noel Rosa foi marcada pelo rádio e, naqueles anos 20 e 30, a transmissão não tinha a qualidade de áudio com que estamos acostumados, de modo que os cantores precisavam acentuar algumas consoantes e vogais para serem compreendidos. Outros sambistas cariocas da geração de Noel, como Cartola e Orlando Silva, também cantavam com erres enrolados, assim como a francesa Edith Piaf, famosa por seu “Non, je ne regrette rrrrrien”. Anos depois, uma geração nascida após 1930 chamaria atenção por cantar de um jeito diferente, suave, com sotaque igual ao da língua falada, e essas mudanças se deveram não só à genialidade de gente como o João Gilberto e a Nara Leão mas também aos avanços na tecnologia dos microfones, discos e rádios.

Neste upload o som é do relançamento em CD, as imagens são digitalizadas do LP original, que inclui textos como:

Morto Noel, Marília acabou preferindo emudecer também. O casamento, os deveres de mãe, talvez um certo desencanto pelo mercantilismo de que se ia eivando o ambiente da nossa música popular, terminaram por afastar a Princesinha do Samba dos microfones e dos estúdios de gravação. Mas havia um compromisso de deixar o seu depoimento musical sobre Noel Rosa e sua obra, gravando tudo quanto ele lhe transmitiu.
Noel por noel
A morte de Noel Rosa, de prematura que foi, colhendo-o em pleno apogeu de sua trajetória genial, fez sangrar fundamente o coração de nosso povo – que se sentia retratado (ou caricaturado) em quase todas as suas produções. Em consequência, as músicas de Noel começaram a ser cantadas num andamento diferente do original, um andamento por demais lento, quase lembrando balada, como se cada uma delas, de buliçosa e vibrátil que era, passasse a ter qualquer coisa de um “De Profundis” ou de um “Miserere”, gotejando lágrimas de mágoa e de saudade pelo seu finado criador. A verdade é que Noel Rosa foi, acima de tudo, sem sombra de dúvida, um trovador alegra, irônico, irreverente. Seus versos de amor nunca foram alambicados nem tangenciaram as elegias choramingas dos que só sabem lamentar-se.

O Noel Rosa que Marília Batista nos traz de volta é um Noel exato, autêntico, legítimo, com as suas músicas interpretadas tal e qual o próprio Noel lhas transmitiu. Apenas o que há agora (e no tempo de Noel ainda não havia) é a fabulosa riqueza da roupagem sonora, fruto dos mais modernos recursos de orquestração e da mais avançada técnica de gravação.

Ouvindo a nova música de Noel, orquestrada por Guerra Peixe, sentimos o brilhante talento do Poeta da Vila em toda a sua plena exuberância, vestindo a roupagem sonora que sempre havia merecido.

Visando a obtenção de um melhor equilíbrio no estilo e no andamento das 60 melodias programadas, foram elas reunidas em 12 grupos distintos, sucedendo-se as cinco músicas de cada grupo, umas às outras, sem interrupção. Para a gravação foi usada uma orquestra de cordas, com flauta, trombone, violão, basso e percussão, além de dois outros conjuntos: o primeiro, com flauta, trombone, violão, basso, dois clarinetes e percussão, e o outro com flauta, clarone, dois clarinetes, violão, basso e percussão. Em alguns grupos tivemos a participação de um grupo de coristas.

Assinalemos, também, a presença neste álbum de quatro sambas praticamente inéditos: O  maior castigo que eu te dou, Verdade duvidosa, Para atender a pedido e Cara ou coroa. Não temos notícia de que qualquer um deles tenha sido gravado. Sambista acima de tudo, Noel Rosa não desdenhava de ingressar nos domínios da marcha. Por isso, cinco delas aqui aparecem, reunidas num grupo, Cidade mulher, Você por exemplo, Pierrot apaixonado, A-e-i-o-u Pastorinhas ou Linda Pequena.

Verde-amarelo como os que mais o fossem, Noel não deixou de fazer uma breve concessão à música de fora. Daí resultou a produção de Julieta, que ele costumava cantar com andamento de foxtrot e que aqui aparece em ritmo de samba.

História Musical de Noel Rosa

CD1
1 – Pra que mentir / Feitio de oração / Só pode ser você / Silêncio de um minuto / Voltaste
2 – Vai haver barulho no château / Onde está a honestidade / Você vai se quiser / Vitória / Eu vou pra Vila
3 – Cordiais saudações / Positivismo / O maior castigo que eu te dou / Riso de criança / Para me livrar do mal
4 – Rapaz folgado / Coração / Quando o samba acabou / Prazer em conhecê-lo / Pela décima vez
5 – Século do progresso / Dama do cabaret / Três apitos / Esquina da vida / X do problema
6 – Eu sei sofrer / Filosofia / Pela primeira vez / Fita amarela / O orvalho vem caindo

CD2
1 – Coisas nossas / Gago apaixonado / Julieta / Não tem tradução / Amor de parceria
2 – João Ninguém / Último desejo / Poema popular / Para esquecer / Cor de cinza
3 – Tarzan (O filho do alfaiate) / Conversa de botequim / De babado / Com que roupa / Até amanhã
4 – Verdade duvidosa / Para atender a pedido / Meu barracão / Cara ou coroa (Vai pra casa) / Mentir
5 – Feitiço da Vila / Palpite feliz / Provei / Quem ri melhor / Quantos beijos
6 – Cidade mulher / Você por exemplo / Pierrot apaixonado / A-E-I-O-U / Pastorinhas

Composições de Noel Rosa (1910-1937)
Voz: Marília Batista (1917-1990)
Arranjos: César Guerra-Peixe (1914-1993)
Gravado em 1963

BAIXE AQUI (DOWNLOAD HERE)

Marília tocando violão e Noel Rosa, o último à direita. O queixo dele era assim mesmo, não é montagem.
Marília tocando violão e Noel Rosa, o último à direita. O queixo dele era assim mesmo, não é montagem.

Pleyel (2017, repostado em 2025)

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 17 & 21 (Pires / Abbado)

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 17 & 21 (Pires / Abbado)

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

E aqui temos outro exemplar de grande CD dedicado aos Concertos para Piano de Mozart. A portuguesa Maria João Pires já meteu Clara Haskil e até Uchida no bolso neste quesito. Sua dicção mozartiana é impecável, limpa e cheia de surpreendentes nuances. Para melhorar, utiliza as mais belas cadenzas já escritas para estes dois belos concertos. Abbado, que já gravou este mesmo repertório com Pollini, está muito à vontade em torno da Maria João. É notável e maravilhosa a forma como as gravações que antes julgávamos insuperáveis vão caindo uma após outra. Ouçam bem esta aqui e comprovem a forma como este dois grandes artistas demonstram empatia para com a serena ousadia de Mozart. E é simplesmente estarrecedor que estas composições da maturidade do compositor — que alcançava expressão mais livre e pessoal — , contrariassem o público e os críticos de Viena e fossem, de forma inequívoca, o princípio de seu fim.

Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 17 & 21

1. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – Cadenzas: W. A. Mozart – 1. Allegro (Cadenza: K.624/22) 12:06
2. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – Cadenzas: W. A. Mozart – 2. Andante (Cadenza: K.624/24) 9:53
3. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 3. Allegretto 7:25

4. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – Cadenza: Rudolf Serkin – 1. Allegro – Cadenza: Rudolf Serkin 14:11
5. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 2. Andante 6:10
6. Piano Concerto No.21 in C, K.467 – Cadenza: Rudolf Serkin – 3. Allegro vivace assai – Cadenza: Rudolf Serkin 6:42

Maria João Pires
The Chamber Orchestra of Europe
Claudio Abbado

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Maria João, a mulher ideal para Mozart
Maria João, a mulher ideal para Mozart

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo (Cocset, completas)

J. S. Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo (Cocset, completas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A gravação definitiva, enquanto não chegar outra para ocupar o cargo.

Não vou escrever longamente sobre todos os registros das Suítes que ouvi nos últimos… bem, mais de quarenta anos, certamente. Gostava imensamente de Maurice Gendron e custei muito a passar minha preferência para Janos Starker, com quem fiquei por pouco tempo, logo passando a Anner Bylsma.

As famosíssimas versões de Yo-Yo Ma, Antônio Meneses e Mstislav Rostropovich são muito, mas muito mesmo, insatisfatórias. O trio é merecidamente famoso por trabalhos realizados fora da música barroca. Não é fácil adaptar-se à sonoridade toda própria destas obras. Eu, particularmente, acho muito chata a gravação para cumprir tabela do grande Rostropovich. É apenas correta. Os críticos a detonaram… Mas vende mais do que qualquer outra… Em razão da ignorância dos ouvintes, claro. O próprio Rostropovich, em entrevista à Gramophone na edição em que seu CD sofria críticas bastante severas, sugeriu discretamente que não tinha nada a acrescentar a um repertório que lhe era estranho.

Vamos a Cocset! Bruno Cocset não é apenas um violoncelista especializado no barroco que interpreta as suítes com um senso de estilo claro e definido. Sua gravação, realizada para a maravilhosa Alpha – que lhe fez uma belíssima caixa – tem algumas novidades que julgo muito boas. Não tenho condições de avaliar a utilização da corda mais alta estar afinada para sol em vez de lá na Quinta Suíte, nem da Sexta Suíte possuir uma quinta corda afinada para mi adicionada às quatro cordas habituais do cello (são exigências do compositor que Cocset obedeceu e não creio que outros além de Bylsma o tenham feito). O que me interessa é a tomada do som. Cada suíte foi gravada continuamente, sem interrupções, como num concerto. Cocset pensou que isso daria maior integridade à execução. Funcionou! Não houve correções e nós ouvimos alguns sons de marcenaria que a mim não incomodam nem um pouco. Até pelo contrário, gosto muito e o resultado é um ambiente de concerto que me deixa meio hipnotizado. Bom, opiniões…

O registro foi gravado em outubro de 2001 em Paris, na Chapelle de l`Hôpital Notre-Dame de Bon Secours . E é arrepiante de cabo a rabo.

Suítes para Violoncelo Solo 

CD 1:

1. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Prelude
2. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Allemande
3. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Courante
4. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Sarabande
5. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Menuett
6. Suite No. 1, S. 1007 In G Major: Gigue

7. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Prelude
8. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Allemande
9. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Courante
10. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Sarabande
11. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Menuett
12. Suite No. 2, S. 1008 In D Minor: Gigue

13. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Prelude
14. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Allemande
15. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Courante
16. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Sarabande
17. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Bouree
18. Suite No. 3, S. 1009 In C Major: Gigue

CD 2:

1. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Prelude
2. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Allemande
3. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Courante
4. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Sarabande
5. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Bourree
6. Suite No. 4, S. 1010 In E-Flat Major: Gigue

7. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Prelude
8. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Allemande
9. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Courante
10. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Sarabande
11. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Gavotte
12. Suite No. 5, S. 1011 In C Minor: Gigue

13. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Prelude
14. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Allemande
15. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Courante
16. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Sarabande
17. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Gavotte
18. Suite No. 6, S. 1012 In D Major: Gigue

Bruno Cocset, violoncelo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Bruno Cocset e um amigo
Bruno Cocset e um amigo

PQP

.: interlúdio :. Duetos ∞ Chico Buarque e Amigos ֎

.: interlúdio :. Duetos ∞ Chico Buarque e Amigos ֎

Bacalhaus, no mar, em Portugal, fazem
Façamos, vamos amar…

Eu ouvi este disco pela primeira vez há poucos dias e fiquei simplesmente mesmerizado. Ouço no caminho para o trabalho, na hora do descanso, enquanto ando pela casa procurando coisas para fazer.

E agora o disco provocou uma onda de buscas por outras coisas com ele relacionadas. Estou ouvindo os dois ótimos LPs de Miúcha e Tom Jobim. Esses eu conhecia.

A primeira canção do disco, uma verdadeira ‘âncora’ que nos prende a ele, é uma tradução (feita por Carlos Rennó) de uma canção de Cole Porter. A original eu conhecia, mas não lembrava onde estava. Imediatamente essa canção me fez lembrar das gravações em dueto reunindo Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. É claro que na nossa versão Louis usa saias…

Algumas outras faixas do disco eu conhecia de outros projetos ou mesmo de ouvir no rádio.

Na minha busca da canção de Cole Porter a encontrei nas gravações Ella & Louis, mas aí ela é interpretada apenas pelo Satchmo, Ella deve ter ido tomar um cafezinho nessa. Na coleção de songbooks, no disco de Cole Porter, Ella Fitzgerald canta o Let’s Do It (Let’s Fall in Love). Mas o dueto Chico Buarque e Elza Soares é um primor. O contraste das duas vozes apimenta a brincadeira. Veja como ela canta o verso ‘Gatinhas com seus gatões fazem, tantos gritos de ais’. Inesquecível!

Nas 14 canções do disco, em cada uma delas Chico está acompanhado de um parceiro ou uma parceira diferente. Só Tom Jobim aparece em duas, mas em uma dela a Miúcha também canta. E como são diversas e diferentes essas parcerias, assim como os estilos musicais. Chama a atenção como Chico se adapta cantando assim com um ou assado com outra, dependendo dos diferentes estilos.

Os sotaques dos ‘estrangeiros’ dão um charme a mais ao disco, como na malandrice da deliciosa Rosa, cantada com Sergio Endrigo. No início da canção ouvimos ‘Arrasa o meu projeto de vida’ e, logo mais, ‘Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?’.

‘A Mulher do Aníbal’, de Jackson do Pandeiro, cantada em parceria com Zeca Pagodinho é outra espetacular, assim como ‘Desalento’, em compadrice com Mestre Marçal, de entregar os pontos. Carcará, com João do Vale, é afiada como bico de gavião, uma verdadeira força da natureza.

E o Jonny Alf, Seu João Alfredo, brincando com Seu Chopin? Miles de maravilhes.

Os hermanos, Pablo Milanés e Ana Belén, contribuem com duas canções inesquecíveis – basta ouvir uma vez só e verá que será eternamente Yolanda. Em ‘Piano na Mangueira’, Dionne Warwick mostra que poderia ser assim uma prima de alguma dama do samba – Dona Ivone Lara, talvez? Como é lindo ouvi-la cantar em português.

‘Dinheiro em Penca’ e ‘Não Sonho Mais’, esta última com Elba Ramalho, são dois ‘tours de force’, para fechar o disco com vontade de ouvir de novo.

É provável que todos vocês conheçam já o disco, mas se você é como eu e ainda não havia ouvido falar dele, corra e baixe rapidinho. Esse é ‘papa-fina’!

  1. “Façamos” (de Cole Porter; versão de Carlos Rennó; com Elza Soares)
  2. “Desalento” (de Chico Buarque e Vinicius de Moraes; com Mestre Marçal)
  3. “Sem você” (de Tom Jobim e Vinicius de Moraes; com Tom Jobim)
  4. “Mar y Luna” (de Chico Buarque e adaptação de San José; com Ana Belén)
  5. “Dueto” (de Chico Buarque, com Nara Leão)
  6. “A mulher do Aníbal” (de Genival Macedo e Nestor de Paulo; com Zeca Pagodinho)
  7. “A Rosa” (de Chico Buarque; com Sergio Endrigo)
  8. “Até pensei” (de Chico Buarque; com Nana Caymmi)
  9. “Seu Chopin, desculpe” (de Johnny Alf, com Johnny Alf)
  10. “Yolanda” (de Pablo Milanés, com Pablo Milanés)
  11. “Carcará” (de João do Vale e José Cândido; com João do Vale)
  12. “Piano na Mangueira” (de Tom Jobim e Chico Buarque; com Dionne Warwick)
  13. “Dinheiro em penca” (de Tom Jobim e Cacaso; com Miúcha e Tom Jobim)
  14. “Não sonho mais” (de Chico Buarque; com Elba Ramalho)

Com Chico Buarque

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 138 MB

Chico e Vinicius França (creio) recebendo o zap da equipe do PQP Bach dizendo que a postagem estava quase pronta…

Disco coletânea reunindo gravações de diversos artistas, em dueto com Chico Buarque. Projeto e produção executiva: Vinicius França. Coordenação de produção: Adriana Ramos e Hugo Pereira Nunes. Assistente de produção: Paula Mello.

Formidável!

René Denon

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

Vi que algumas pessoas pediram este CD, mesmo sujeitas a levar um esporro como resposta. Recebi o disco recentemente e ele estava lacrado até agora – nem quis saber de escutá-lo enquanto o copiava via Windows Media Player porque tinha/tenho/terei realmente mais o que fazer. Muito menos gosto de postar CDs quando estes são recém-lançados porque acho isso o cúmulo do pão-durismo por parte do ouvinte/admirador, mas decidi ser caridoso. Espero que tenha valido a pena meu esforço e que o número de downloads exploda.
CVL (2009)

Lucia Branco, a principal professora de piano de Nelson Freire em sua infância, foi quem lhe apresentou Debussy, e ela lhe alertava sobre o risco de tocar lento demais. Mais tarde, Debussy criaria uma grande proximidade com Guiomar Novaes, grande intérprete de Debussy – aliás o compositor ouviu e elogiou a jovem pianista recém-chegada em Paris. Guiomar também tinha uma relação com a música de Debussy em que os andamentos não pendiam para o lento: às vezes o colorido das escalas de tons inteiros pode estimular uma abordagem mais relaxada e calma, mas ao mesmo tempo é preciso manter o fluxo das coisas andando, ao menos na abordagem de Debussy por Freire e por esses dois pianistas que ele amava apaixonadamente: Guiomar Novaes e Walter Gieseking.

Nelson Freire não era o tipo de músico que grava integrais. (Disse ele para o IPB: “não gosto de fazer sempre a mesma coisa, me aborrece… Por isso acho também que recital de piano deve ser uma coisa variada, se não é muito entediante chegar lá e ouvir o mesmo estilo o tempo todo.”) O livro I de Prelúdios de Debussy, os Noturnos e Prelúdios de Chopin, a Prole do Bebê de Villa-Lobos  estão entre os poucos ciclos que ele abordou por inteiro. Ele tinha um vínculo profundo com essas obras, que o acompanharam por décadas, muitas vezes como bis nos recitais, assim como Poissons d’or, das Imagens. Neste álbum gravado por Nelson aos 63 anos, ele também toca o ciclo de inspiração infantil Children’s Corner, que o René postou recentemente na orquestração de André Caplet, amigo e colaborador de Debussy.
Pleyel (2022, 160 anos de Debussy, repostado em 2025)

Claude Achille Debussy (1862-1918), Música para Piano

1. Préludes – Book 1 – 1. Danseuses de Delphes (Lent et grave)
2. Préludes – Book 1 – 2. Voiles (Modéré)
3. Préludes – Book 1 – 3. Le vent dans la plaine (Animé)
4. Préludes – Book 1 – 4. Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir (Modéré)
5. Préludes – Book 1 – 5. Les collines d’Anacapri (Très modéré)
6. Préludes – Book 1 – 6. Des pas sur la neige (Triste et lent)
7. Préludes – Book 1 – 7. Ce qu’a vu le vent d’ouest (Animé et tumultueux)
8. Préludes – Book 1 – 8. La fille aux cheveux de lin (Très calme et doucement expressif)
9. Préludes – Book 1 – 9. La sérénade interrompue (Modérément animé)
10. Préludes – Book 1 – 10. La cathédrale engloutie (Profondément calme)
11. Préludes – Book 1 – 11. La danse de Puck (Capricieux et léger)
12. Préludes – Book 1 – 12. Minstrels (Modéré)
13. D’un cahier d’esquisses
14. Children’s Corner – 1. Doctor Gradus Ad Parnassum
15. Children’s Corner – 2. Jimbo’s Lullaby
16. Children’s Corner – 3. Serenade for the Doll
17. Children’s Corner – 4. The Snow is Dancing
18. Children’s Corner – 5. The Little Shepherd
19. Children’s Corner – 6. Golliwogg’s Cakewalk
20. Suite Bergamasque – 3. Clair de Lune

Nelson Freire, piano
Recording: Hamburg, June 11-15 2008

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Debussy é muito feio, vamos de Freire então.
Mais uma foto de mar ilustrando postagem de Debussy

CVL (2009) e Pleyel (2022)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Dois Violinos

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Dois Violinos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma parceria entre Amandine Beyer e Giuliano Carmignola não tem como dar errado, apesar das diferenças. São dois grandes solistas. O Bach de Beyer é esplêndido e é dela a gravação das Sonatas e Partitas para Violino Solo que mais gosto de ouvir. O Bach de Carmignola é esquisito, é quase Vivaldi, não gosto muito. Mas já o ouviram tocando Vivaldi? É sensacional. Aqui, eles se unem para interpretar alguns Concertos para Dois Violinos do Prete Rosso, acompanhados por Gli Incogniti, conjunto de música barroca dirigido por Beyer. O resultado é soberbo, maravilhoso. As meninas do Ospedale della Pietà ficariam boquiabertas se ouvissem. E você, seu tarado, se pensa que aquelas jovens abandonadas formavam um harém, leiam o que escreveu Jean-Jacques Rousseau em uma passagem por Veneza:

As Vésperas (…) são tocadas por trás de uma galeria gradeada, somente por meninas, das quais a mais velha não terá mais de vinte anos. Não posso conceber nada mais voluptuoso, nada mais emocionante que esta música. O que me afligia era estas meninas exiladas, de quem apenas sua música se permitia atravessar as grades que ocultavam os anjos adoráveis que julgava serem. Calei-me. Um dia comentei o fato em casa de Messer le Bond. ‘Se estais tão curioso’, disse-me ele, ‘para ver estas mocinhas, posso facilmente satisfazer-vos a vontade. Sou um dos administradores da casa, e vos convido a lanchar com elas’. Quando me dirigia com ele à sala que abrigava aquelas desejadas beldades, senti tamanha agitação de amor como jamais experimentara. Messer le Bond foi me apresentando uma após outra daquelas afamadas cantoras, cujas vozes e nomes me eram já todos conhecidos. ‘Vem, Sophie’… ela era horrenda. ‘Vem, Cattina’ …. era cega de um olho. ‘Vem, Bettina’… a varíola a havia desfigurado. Mal haveria uma ou outra sem qualquer defeito considerável. Duas ou três eram toleráveis; só o que faziam era cantar no coro. Fiquei desolado. Durante o encontro, quando brincamos, elas se alegraram. A feiúra não exclui o charme, e encontrei charme em algumas delas. Finalmente minha maneira de as considerar mudou tanto que quase me enamorei daquelas meninas disformes.”

É, a vida real é complicada… Mas o pessoal do Gli Incogniti é bem bonitinho!

Beyer e Gli Incogniti
Beyer e Gli Incogniti

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Dois Violinos

Concerto per due Violini in Do Maggiore, RV 507
1 Allegro 5:16
2 Largo 3:01
3 Allegro 4:18

Concerto per due Violini in Sib Maggiore, RV 529
4 Allegro 3:57
5 Adagio 3:33
6 Allegro 3:20

Concerto per due Violini in Do Minore, RV 510
7 Allegro 3:05
8 Largo 1:45
9 Allegro 2:22

Concerto per due Violini in Do Maggiore, RV 505
10 Allegro 3:45
11 Andante 2:38
12 Allegro non molto e cantabile 3:44

Concerto a 4 in Re Minore, RV 127
13 Allegro 1:30
14 Largo 2:03
15 Allegro 1:34

Concerto per due Violini in Sib Maggiore, RV 527
16 Allegro 3:51
17 Largo 2:41
18 Allegro molto 2:46

Concerto per due Violini in Re Maggiore, RV 513
19 Allegro molto 5:38
20 Andante 3:43
21 Allegro 5:27

Amandine Beyer & Giuliano Carmignola
Gli Incogniti

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Let`s dance with Beyer and Carmignola!
Let`s dance with Beyer and Carmignola!

PQP (Repostado por Pleyel em 2025)

Johannes Brahms (1833 – 1897): Música de Câmara com Clarinete – Laura Ruiz Ferreres e Christoph Berner (piano) – Danjulo Ishizaka (violoncelo) – Mandelring Quartet ֎

Johannes Brahms (1833 – 1897): Música de Câmara com Clarinete – Laura Ruiz Ferreres e Christoph Berner (piano) – Danjulo Ishizaka (violoncelo) – Mandelring Quartet ֎

Após compor o Quinteto para Cordas nº 2 em Sol maior, Brahms sinalizou sua intenção de encerrar o expediente. Mas então, em março de 1891, ele ouviu Mühlfeld tocar o Concerto para Clarinete nº 1 de Weber e o Quinteto para Clarinete de Mozart, e sua decisão evaporou.

“Ninguém consegue tocar clarinete com mais beleza do que o Sr. Mühlfeld”, escreveu Brahms a Clara Schumann. “Os clarinetistas de Viena e de muitos outros lugares são bastante bons em orquestra, mas, quando tocam uma peça solo, não proporcionam algum prazer verdadeiro.”

Lá por 1890 Hannes havia deixado a barba crescer e decidido pendurar a pena e as pautas, vestindo então o pijama de compositor. Ele só fazia passear e tomar chá com os amigos e amigas. Num desses passeios até Meiningen ele ouviu um clarinetista interpretar obras de Mozart e Weber e ficou encantado com essas interpretações. O cara chamava-se Richard Bernhard Herrmann Mühlfeld e eles tornaram-se amigos. Ao contrário do genioso e rabugento Johannes, Richard era boa praça e convenceu Brahms a compor música com clarinete. Assim, no verão de 1891, Brahms, Mühlfeld e o Quarteto Joachim (de outro famoso amigo de Hannes) estrearam o Trio para clarinete, violoncelo e piano, assim como o Quinteto para Clarinete.

Richard Mühlfeld

Alguns anos depois, depois de uma série de belíssimas peças curtas para piano, mais uma vez Brahms dedicou seus talentos ao clarinete. Em 1894, passando uns dias em Ischl, compôs as duas sonatas para piano e clarinete, que foram estreadas em caráter privado pelos dois amigos no Palácio de Berchtesgarden. Depois, novamente as tocaram para Clara Schumann, em uma passagem pela casa da famosa pianista. Veja como eram essas visitas, numa descrição feita por uma das suas filhas: A filha Eugenie ficou impressionada como “a casa parecia ter se enchido de vida assim que Brahms pôs os pés nela”. Ele os entreteve com piadas e histórias sobre uma operação que Billroth lhe descrevera, ou contando-lhes sobre as novas peças de Dvořák, ou como Joachim, que dormia como uma pedra quando estavam em turnê juntos, era um péssimo jogador de cartas. Além disso, eles tocaram as sonatas para clarinete com Mühlfeld, Clara virando as páginas, sorrindo.

E eu, que tenho passado por um período imerso em música com clarinete, dei com esse álbum com essas peças compostas por Brahms, obras de câmara com clarinete. Tanto ouvi que ando por aí a assobiar os trechos mesmo sem me dar por isso.

Laurafeliz por aparecer no PQP Bach…

A clarinetista Laura Ruiz Ferreres está perfeita nesse álbum, fazendo jus aos apelidos que Brahms deu ao seu amigo Mühlfeld: Fräulein Klarinette, Meine Prima donna e O Rouxinol da Orquestra. Desde 2010 ela é professora de clarinete da muito respeitada Hochschule für Musik und Darstellenden Kunst em Frankfurt. Sua maneira de tocar o clarinete é imaculada e extraordinariamente expressiva. Nas obras para clarinete de Brahms há uma enorme variedade de dinâmicas e ela as superou sem qualquer imperfeição. Seus pianíssimos são particularmente estonteantes.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

 Clarinet Trio in A minor, Op. 114
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Andante grazioso
  4. Allegro
Clarinet Sonata No. 1 in F minor, Op. 120 No. 1
  1. Allegro appassionato
  2. Andante un poco adagio
  3. Allegretto grazioso
  4. Vivace
Clarinet Sonata No. 2 in E flat major, Op. 120 No. 2
  1. Allegro amabile
  2. Allegro, molto appassionato
  3. Andante con moto – Allegro
Clarinet Quintet in B minor, Op. 115
  1. Allegro
  2. Adagio – Più lento
  3. Andantino – Presto non assai, ma con sentimento
  4. Con moto

Laura Ruiz Ferreres, clarinete

Christoph Berner, piano

Danjulo Ishizaka, violoncelo

Mandelring Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 229 MB

Hannes e amigos…

It is well-known that Brahms was so impressed by the playing of clarinetist Richard Mühlfeld, the principal clarinetist of the vaunted Meiningen Court Orchestra, that he more or less came out of retirement and wrote four late works (Opp. 114, 115, and Op. 120, Nos. 1 and 2) for him and even appeared as pianist with him playing those that included piano. It is for good reason that these late works are among the most treasured by Brahmsians, partly because of the mellow sound of the clarinet, and partly because of the serene, wise and autumnal nature of the works. They are not probably the most popular works among the general public. But they are jewels of the first rank. And on these two hybrid-SACDs they are given spectacularly musical performances.

This recording of the complete chamber music works for clarinet by Johannes Brahms is presented with first-rate interpreters: Laura Ruiz Ferreres, one of the most gifted clarinettists of her generation, and pianist Christoph Berner.

Internationally renowned cellist Danjulo Ishizaka and the Mandelring Quartet complete the superb line-up of instrumentalists for this recording.

Aproveite!

René Denon

O Senhor Clarinete!

.: interlúdio :. Joe Henderson in Japan (1971) / James Carter Organ Trio – Live From Newport Jazz (2019)

Dois álbuns gravados ao vivo e liderados por saxofonistas estadunidenses. Dois saxofonistas que alternam entre os sons mais brutais, vanguardistas e sons mais amigáveis, embora jamais passando perto da vulgaridade saxofonística que infelizmente também é comum nos EUA.

Ambos os líderes tocaram em uma variedade de formatos e estilos: Joe Henderson junto com pesos-pesados do jazz como Alice Coltrane, Herbie Hancock e McCoy Tyner. James Carter, além de tocar com famosos como o mesmo Hancock, liderou grupos de vários formatos, gravou um Concerto para Saxofone do compositor Roberto Sierra e, mais recentemente, tem se apresentado na formação de trio com órgão hammond e bateria. Neste álbum o repertório todo se baseia em temas do violonista cigano e belga Django Reinhardt, mas nem sempre as melodias de Django são tão perceptíveis assim no meio da reinvenção constante.


Joe Henderson – In Japan
1. ‘Round Midnight (T. Monk, C. Williams)
2. Out ‘N In (J. Henderson)
3. Blue Bossa (K. Dorham)
4. Junk Blues (J. Henderson)

Bass – Kunimitsu Inaba
Drums – Motohiko Hino
Electric Piano – Hideo Ichikawa
Photography By – Katsuji Abe
Tenor Saxophone – Joe Henderson
Recorded in Tokyo, 4 aug. 1971
Remix, Edited By – Rudy Van Gelder

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Joe Henderson


James Carter Organ Trio – Live from Newport Jazz
1. Le Manoir de mes Reves
2. Melodie au Crepuscule
3. Anouman
4. La Valse des Niglos
5. Pour Que Ma Vie Demeure
6. Fleche d’Or
All composed by Jean “Django” Reinhardt
Tenor, Alto and Soprano Saxophone – James Carter
Organ [Hammond B-3] – Gerard Gibbs
Drums – Alex White
Recorded live at Newport Jazz Festival, Newport, RI, USA, 5 aug. 2018

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – James Carter

Joe Henderson e Pharoah Sanders em 1970

Pleyel