Tchaikovsky: String Quartet No. 1 / Borodin: String Quartet No. 2 / Shostakovich: String Quartet No. 8 (Gabrieli, Borodin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há discos que são clássicos instantâneos e discos que se tornam clássicos com o tempo. Este aqui é ambas as coisas. O álbum reúne três dos quartetos mais importantes do repertório russo — o Quarteto de Cordas nº 1, Op. 11 de Tchaikovsky, o Quarteto de Cordas nº 2 de Borodin e o Quarteto de Cordas nº 8, Op. 110 de Shostakovich — interpretados por dois grupos lendários. A escolha dos intérpretes já é um golpe de gênio. O Gabrieli String Quartet (ingleses conhecidos pela precisão e elegância) assume o Tchaikovsky, gravado em 1976 . Já o Borodin Quartet — em sua formação original de 1962, com Rostislav Dubinsky no primeiro violino — interpreta Borodin e Shostakovich. E por que isso importa? Porque o Borodin Quartet trabalhou pessoalmente com o próprio Shostakovich, que supervisionou suas interpretações.

O resultado é um contraste fascinante. No Quarteto de Tchaikovsky, a execução do Gabrieli é limpa, elegante e precisa, com uma certa contenção emocional tipicamente inglesa . O famoso Andante Cantabile — que fez Tolstói chorar ao ouvi-lo — ganha aqui uma leitura refinada, talvez até distante do sentimentalismo eslavo que muitos esperam.

Já no Borodin e no Shostakovich, o Borodin Quartet vem com o oposto. Não que sejam selvagens, são extatos, perfeitos, sensíveis, mas o clima é muito mais emocional. O Notturno do Quarteto nº 2 de Borodin — originalmente dedicado à esposa do compositor — é uma das peças mais belas já escritas para quarteto de cordas, e esta gravação é considerada a versão de referência. O violoncelo de Valentin Berlinsky conduz a melodia com uma ternura de cortar a alma.

E então vem Shostakovich. O Quarteto nº 8 é outro tipo de animal. Escrito em apenas três dias em 1960, o compositor o dedicou “à memória das vítimas do fascismo e da guerra” — mas todos sabiam que ele estava escrevendo seu próprio réquiem. As iniciais DSCH (Ré-Mi-Si-Dó em alemão, seu monograma musical) aparecem como um mantra obsessivo ao longo dos cinco movimentos . O Borodin Quartet interpreta isso com um conhecimento de causa que nenhum outro grupo pode reivindicar.

No fim das contas, não é um cedezinho de peças famosas, mas sim um documento histórico. O Borodin Quartet é a tradição dessas obras. Ouvir esta gravação é o mais próximo que podemos chegar de ouvir Shostakovich explicar sua própria música.

Veredito final: Essencial para qualquer coleção de música de câmara. O Borodin sozinho já vale o preço do disco.

Tchaikovsky: String Quartet No. 1 / Borodin: String Quartet No. 2 / Shostakovich: String Quartet No. 8 (Gabrieli, Borodin)

Pyotr Ilyich Tchaikovsky String Quartet No. 1 In D Major, Op.11
Ensemble – Gabrieli String Quartet*
(28:05)
1 – I. Moderato E Semplice 10:37
2 – II. Andante Cantabile 6:32
3 – III. Scherzo & Trio: Allegro Non Tanto E Con Fuoco 3:53
4 – IV. Finale: Allegro Giusto 6:50

Alexander Borodin String Quartet No. 2 In D Major
Ensemble – Borodin String Quartet
(27:47)
5 – I. Allegro Moderato 7:52
6 – II. Scherzo 4:44
7 – III. Notturno: Andante 8:09
8 – IV. Finale: Andante – Vivace 6:54

Dmitri Shostakovich String Quartet No. 8 In C Minor, Op.110
Ensemble – Borodin String Quartet
(19:41)
9 – I. Largo – 4:24
10 – II. Allegro Molto – 2:43
11 – III. Allegretto – 3:59
12 – IV. Largo – 5:12
13 – V. Largo 3:25

Cello – Keith Harvey (faixas: 1 to 4), Valentin Berlinsky (faixas: 5 to 13)
Viola – Dmitri Shebalin (faixas: 5 to 13), Ian Jewel (faixas: 1 to 4)
Violin [II] – Brendan O’Reilly (4) (faixas: 1 to 4), Yaroslav Alexandrov (faixas: 5 to 13)
Violin [I] – Kenneth Sillito (faixas: 1 to 4), Rostislav Dubinsky (faixas: 5 to 13)

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O Borodin original.

PQP

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