Beethoven (1770-1827): Os 5 Concertos para Piano com Paul Lewis (revalidado)

Conheci Paul Lewis através de uma gravação ao vivo da última sonata de Beethoven, a Op. 111. Realização extraordinária, cuja aparente simplicidade e profunda verdade cativaram minha atenção ao pianista para sempre.

Não muito tempo depois consegui a gravação integral das sonatas em estúdio, que Paul Lewis realizou entre 2006 e 2008 (disponibilizada aqui), e viciei: confesso que de lá pra cá raramente consigo suportar ouvi-las nas realizações de outros pianistas.

Nada mais natural, portanto que também quisesse disponibilizar os concertos de Beethoven com Lewis – o que fiz aqui originalmente em 16/09/2012 – mas confesso que não senti o mesmo entusiasmo que com as sonatas. Na ocasião levantei a hipótese de que o maestro não estivesse à altura da genialidade interpretativa do pianista –

… mas admito que pode ser um julgamento totalmente injusto. O fato é que qualquer interpretação de Lewis (inclusive as das sonatas) exige algum tempo de convívio, de audição repetida, até chegarmos a reconhecer toda a sua sutil grandeza. E é engraçado como a idade vem me tirando o gosto de ouvir massas orquestrais, me deixando cada vez mais fã da beleza do pequeno… E então simplesmente não parei para ouvir estas gravações por tanto tempo quanto a das sonatas. Quer dizer: ainda não me concedi a chance de me entusiasmar.

Seja como for, a esta altura já não dá pra falar de piano de Beethoven no século XXI sem levar Paul Lewis em conta. No mínimo por isso, estas gravações merecem ser conhecidas. Por isso tratei de incluí-las logo na “campanha de revalidação” dos links das postagens de Ranulfus (iniciada há poucos dias com as duas postagens de Porgy and Bess: na versão original e integral de Gershwin, e na extraordinária releitura de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald).

Mas, enfim, falávamos de Beethoven; vamos a ele, então!

BEETHOVEN: OS CINCO CONCERTOS PARA PIANO
BBC Symphony Orchestra regida por Jirí Belohlávek
Piano: Paul Lewis

Concerto No 1, em Do Maior, op.15 (1796-97)
I. Allegro con brio
II. Largo
III. Rondò: Allegro scherzando

Concerto No 2, em Si b Maior, op.19 (1787-89-95)
I. Allegro con brio
II. Adagio
III. Rondò: Molto allegro

Concerto No 3, em Do menor, op.37 (1800)
I. Allegro con brio
II. Largo
III. Rondò: Allegro

Concerto No 4, em Sol Maior, op.58 (1805-06)
I. Allegro moderato
II. Andante con moto in E minor
III. Rondò (Vivace)

Concerto No 5, em Mi b Maior, op. 73, “Imperador” (1809-11)
I. Allegro
II. Adagio un poco mosso
III. Rondò: Allegro ma non troppo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ranulfus, com a colaboração de FDP Bach

P.S. do Pleyel ao repostar em 2026: Nós, colaboradores do PQPBach, moramos em cidades diferentes. Por um acaso do destino, eu morei perto do Ranulfus nos seu últimos anos de vida. Estivemos juntos em alguns concertos e recitais de piano e pude constatar o amplo conhecimento que ele tinha do instrumento, além do seu gosto um tanto peculiar, o que é um elogio, pois preferimos (aqui o incluo por pura dedução) as extravagâncias de um gosto peculiar do que a mesmice de quem fica caçando likes e compartilhamentos com base no que todo mundo está achando. Então sempre levo a sério as recomendações dele – Debussy com Werner Haas / Noel Lee (pianos) e Martinon / ORTF, Chopin com Guiomar Novaes, Franck com André Isoir e este Beethoven com Paul Lewis, além dos “interlúdios” com Roberta Flack, Baden Powell, Egberto Gismonti/Naná Vasconcelos, Nara Leão e muitos outros…

17 comments / Add your comment below

  1. Grandiosa postagem, Ranulfus! Esses concertos são esplêndidos, apaixonantes, talvez um pouco mais do que os de Mozart, me atrevo a dizer. Interessante a história de Paul Lewis, e também achei interessante você não ter colocado os links dos vídeos no You Tube. Deve ser proposital, entendo, mas de qualquer forma, é só procurar lá na barra de pesquisa do site que se acha. Deve ser mais legal ver em vídeo, eu acho. Ah, falando em Beethoven, hoje o programa “Clássicos”, da TV Cultura, vai apresentar um concerto com o Nikolaus Harnoncourt e a Orquestra de Câmara da Europa, tocando Beethoven, Schubert e Lanner. IM-PER-DÍ-VEL, se o PQP me permite usar esse lema…
    Abraços.

  2. De onde você tirou essa preciosidade, Monge Ranulfus? Postei esta integral em estúdio do Lewis ano passado, mas ela se foi junto com o Megaupload. Já estou baixando os vídeos do youtube.

  3. Você não tem mais os arquivos dos CDs, FDP? Eu susbstituiria com imenso prazer. Só postei estes porque procurei os dos CDs por toda parte e não achei.

    Estes aqui estão com a qualidade de som MUITO deficiente, pois ao que parece não são nem em estéreo. São apenas o canal de som dos próprios videos do YouTube, colega: nada mais que isso…

    1. Tenho sim, Monge Ranulfus. Mas estou sem tempo para lhe mandar. Poderia esperar o final de semana? Vou trabalhar no feriado, mas possivelmente estarei de folga no sábado e no domingo…

  4. Monge Ranulfus some por um tempo, mas quando volta, volta em grande estilo e jogando pesado. Gostei muito destas versões do Lewis, creio que o pessoal também vai gostar.

  5. Lindo! Paul Lewis é na minha opinião um dos maiores pianistas vivos. Você pode também publicar os completos sonatas de Beethoven para piano, também interpretado por Lewis? Muito obrigado pela música maravilhosa

  6. Não sou nacionalista, longe de mim. Apesar de nunca ter ouvido Maria João Pires em qualquer concerto de Beethoven, imaginava que não seria, ou poderia ser, nada de extraordinário. Enganei-me, ou estava enganado. Oiçam o CD que saiu dela com o maestro Daniel Harding, com a Orquestra Sinfónica da Rádio Sueca, nos concertos 3 e 4. Depois digam de vossa justiça.

  7. Não sou patriota, longe de mim. Apesar de nunca ter ouvido Maria João Pires em qualquer concerto de Beethoven, imaginava que não seria, ou poderia ser, nada de extraordinário. Enganei-me, ou estava enganado. Oiçam o CD que saiu dela com o maestro Daniel Harding, com a Orquestra Sinfónica da Rádio Sueca, nos concertos 3 e 4. Depois digam de vossa justiça.

    1. Obrigado pela dica, Rui. Procurei e encontrei no YouTube uma amostra de alguns trechos no YouTube, e está realmente excepcional – sem nenhum exagero, nenhum maneirismo, lembrando de certa forma a intensa sinceridade e a simplicidade sofisticada que reconheço na nossa Guiomar Novaes.

      Em seguida – que excelente surpresa – descobri que um colega já havia compartilhado o disco completo aqui no PQP Bach. As publicações são tantas, que nem mesmo nós, da equipe, nos damos conta de tudo o que é publicado!

      Confira aqui a postagem do nosso colega FDP Bach:
      https://pqpbach.ars.blog.br/2014/12/05/ludwig-van-beethoven-1770-1827-piano-concertos-nos-3-4-maria-joao-pires-srdo-harding/

  8. Habría nque comenzar por revalidar los enlaces a las 32 sonatas mencionadas en el post de esta ocasión. Y concuerdo, creo que desde el ciclo grabado por Wilhelm Kempff no había escuchado otro tan convincente y tan prodigioso como este de Lewis aquí mencionado, y agregaría algo más: el último ciclo, el tercero de su carrera, de Barenboim, para Deutsche Grammophon, finalmente mostró su cabal entendimiento de este ciclo, puesto que sus dos anteriores francamente me parecieron siempre desastrosos, irregulares y en muchos sentidos, muy apresurados, como si quien fuese el importante fuera más bien él antes que la música, hasta que ya en su vejez se hubiese dado cuenta de que era exactamente a la inversa. Yo creo que ambos ciclos ameritan su reactualización.

  9. Que belíssima postagem!
    Ao ler “E é engraçado como a idade vem me tirando o gosto de ouvir massas orquestrais, me deixando cada vez mais fã da beleza do pequeno…”, afirmo-lhe que sinto algo parecidíssimo com a literatura.

  10. Yo creo que la mejor grabación que se haya hecho de estos conciertos es la hecha por The Hanover Band y que acompañaba al registro orioginal de su ciclo sinfónico Beethoveniano. Lamentablemente, sólo grabaron dos de los cinco conciertos, el primero y el tercero, los cuales venían en el disco de la Primera y el de la Segunda sinfonías, pero fueron excluidos en la compilación en estuche del ciclo completo, que es el que ahora se puede hallar en línea. La edición original de Nimbus en discos sueltos incluía las Oberturas, cuya compilación posterior en un solo disco me sigue pareciendo el mejor registro que haya oído en mi vida, muy superior al por otro lado magnífico de Harnoncourt de casi una década después. La toma de sonido de esos discos de Nimbus es simplemente espectacular, y no hay a la fecha un ciclo con un soniudo tan espectacular, espacial y vibrante que el de la desaparecida disquera británica. Yo compré esos discos en la desaparecida Librería Gandhi, al sur de la ciudad de México, hace más de 35 años.

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