.: interlúdio :. William Parker`s In Order to Survive: Shapeshifter

.: interlúdio :. William Parker`s In Order to Survive: Shapeshifter

Eu gostei muito deste disco. É um free jazz cheio de eufonia e belos timbres. Música boa para se caminhar com ela nos fones pelas ruas.  William Parker já apareceu em mais de 150 álbuns e já foi descrito pelo Village Voice de Nova York como “o baixista mais consistentemente brilhante de todos os tempos”. Ele trabalhou com Cecil Taylor, fez parte de vários combos, escreveu 6 livros e incentiva jovens artistas. Este CD é uma gravação ao vivo de 2 grupos de composições, o primeiro set é o conjunto Eternal is The Voice of Love, que consiste em 5 faixas e o segundo set é de 6 faixas, incluindo o dolorosamente belo ‘Newark’ escrito para Grachan Moncur III. Todas as faixas são composições de Parker e a essência de cada uma é diferente, demonstrando sua facilidade de transição de uma mensagem musical para outra. Neste álbum duplo, William Parker, juntamente com Rob Brown no sax alto, Cooper-Moore no piano e Hamid Drake na bateria com vocais adicionais, em duas faixas, de Dave Sewelson, fazem música interessante e vibrante. In Order To Survive é um dos grandes grupos de jazz dos últimos 25 anos e foi o primeiro pequeno grupo de Parker, formado em 1993. Os bateristas mudaram, mas o sax, a bateria e o piano tiveram a longa associação que é evidente nessas gravações.

In order to survive, you’ve gotta keep hope alive!

William Parker: In Order to Survive / Shapeshifter

Eternal is the Voice of Love
i.Entrance To The Tone World
ii. Color Against Autumn Sky
iii. If there is a chance
iv. A Situation
v. Birth Of The Sunset

vi. Demons lining the Hall of Justice
vii. Drum and Bass Interlude
viii. Newark ( For Grachan Moncur)
ix. In Order to Survive
x. Eternity

Personnel:
William Parker: bass, compositions
Rob Brown: alto saxophone
Cooper-Moore: piano
Hamid Drake: drums

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William Parker

PQP

Cláudio Santoro (1919-1989): Sinfonia n.º 6 (1958). Radamés Gnattali (1906-1988): Sinfonia Popular n.º 1 (1956)

Cláudio Santoro (1919-1989): Sinfonia n.º 6 (1958). Radamés Gnattali (1906-1988): Sinfonia Popular n.º 1 (1956)

100 anos atrás, no dia 23/11/1919, nascia em Manaus o compositor e maestro Claudio Santoro!

Em homenagem, subo novamente esta excelente performance da OSB, na época em que tinha músicos do quilate da flautista Odette Ernest Dias (ainda em atividade!), do fagotista Noel Devos (1929-2018) e recebia maestros convidados como o próprio Santoro. As madeiras são um destaque nessas duas sinfonias brasileiras. As notas da contracapa do disco, porém, não são do mesmo nível da orquestra: falam que a sinfonia de Santoro tem movimentos “que se tornam sucessivamente acelerados”, quando na verdade a ordem é a mais tradicional possível: I allegro, II lento, III allegro com humor, IV allegro serioso. Santoro e Gnattali seguem essa ordem bastante comum mas os temas e orquestrações não têm nada de comum. Fiquem com a postagem original do Ranulfus, em que ele descreve duas das melhores sinfonias brasileiras. Achei uma nova digitalização, com menos chiados do LP, recomendo que baixem as duas e façam suas comparações!

Faz poucos dias (27/07) postei uma digitalização feita em casa do Concerto para dois violões, oboé e cordas de Radamés Gnattali, e aí resolvi aproveitar o embalo e digitalizar a obra de mais peso que tenho desse compositor: a Sinfonia Popular, de 1956.

Por umas conversas com o CVL fiquei com a impressão de que ele compôs toda uma série de peças sob esse nome, mas no disco esta aparece sem número, então suspeito que seja a primeira. [Depois da postagem, o leitor Vinícius confirmou e deu a data de composição das demais: 1969 (2ª e 3ª – me parece interessante que bem no ano de lançamento deste disco!), 1974-75 (4ª) e 1983 (5ª). Valeu, Vinícius!]

A edição é do antológico selo Festa, que se empenhou em documentar a produção brasileira de concerto dos anos 50 e 60. Foi lançado em 1969, infelizmente ainda em mono – o que reduz drasticamente a percepção das vozes internas da massa sonora. A execução é da Sinfônica Brasileira (OSB) sobre regência do Cláudio Santoro, autor da sinfonia do outro lado.

Nascido em Porto Alegre, Radamés Gnattali (‘nhátali’) viveu principalmente no Rio, onde suscedeu Pixinguinha como arranjador da orquestra da gravadora Victor. Vocês vão reparar: o espírito do rádio brasileiro em meados do século 20 deve demais à sonoridade da orquestração de Gnattali.

Não vou me aprofundar em análises, só quero dizer que gosto muito dos seus trechos em contraponto (fugatos), que mostram que sabia mais que manejar massas espetaculosas para levantar cantores. E que me parece notável o seu movimento lento (Estensivo con fantasia), inteiramente baseado no pregão baiano “Olhe a flor da noite”. Até estranho que não tenha virado um standard.

Se o gaúcho Gnattali foi o mais popular e midiático dos nossos sinfonistas, talvez o amazonense Cláudio Santoro tenha sido o mais erudito e tecnicamente refinado dos nossos compositores. Sei que o CVL lhe tem fortes ressalvas, mas ainda não tive chance de aprofundar a conversa.

Talvez tenha a ver com o fato de Santoro ser vários compositores em um: nos anos 40 adotou a técnica dodecafônica, cujos resultados na maior parte – confesso – ainda hoje me parecem duros de ouvir e não sei se um dia serão menos. Mas, comunista militante, a partir de 1948 opta pelos caminhos do “realismo socialista”, voltando porém aos caminhos experimentais nos anos 60 e 70. Foi nosso compositor de sinfonias mais prolífico, sendo a primeira de 1940 e a décima-quarta de 1989, seu último ano de vida.

A Sexta Sinfonia, regida aqui pelo autor, é de 1958 e usa material temático caracteristicamente brasileiro – porém de modo muito menos óbvio e infinitamente mais complexo que o de Gnattali (não estou dizendo que melhor… nem pior!). Além disso, em vários momentos me recorda Shostakóvitch – não sei se vocês vão concordar.

Como já respondi a um leitor no outro post, fora esta sinfonia tenho pouquíssima coisa de Santoro, sobretudo peças curtas, em discos que já planejava digitalizar e postar ao longo dos próximos um ou dois semestres – mas para quem quiser ver outras coisas, e logo, há um volume considerável de obras suas no blog Música Brasileira de Concerto (agora linkado também na coluna ao lado) .

Radamés Gnattali: Sinfonia Popular [n.º 1] (1956)
01 Allegro moderato 6:07
02 Estensivo con fantasia 6:44
03 Con spirito 5:11
04 Allegro 6:03

Cláudio Santoro: Sinfonia n.º 6 (1958)
05 Allegro grazioso e vivo 4:27
06 Andante molto 5:29
07 Allegro vivo 2:40
08 Allegro deciso – final 6:10

Orquestra Sinfônica Brasileira regida por Cláudio Santoro

BAIXE AQUI VERSÃO 1 – download here
Digitalizado por Prosper Alpanus, som com menos chiados do vinil

BAIXE AQUI VERSÃO 2 – download here
Gravação em vinil (mono): Festa, 1969
Digitalizado por Ranulfus em jul.2010, com mais chiados mas talvez com menos perda de qualidade sonora

Maestro Radamés
Maestro Santoro

Ranulfus

John Williams (1932): Across the Stars – Anne-Sophie Mutter

John Williams (1932): Across the Stars – Anne-Sophie Mutter

Este excelente álbum que ora compartilho com os amigos do PQPBach, Across the Stars, é o resultado da colaboração de duas divindades musicais, a violinista Anne-Sophie Mutter (1963) e o compositor John Williams (1932). A origem exata desta colaboração não é clara, mas a gênese do projeto começou despretensiosamente quando Mutter foi apresentada a Williams pelo o maestro Andre Previn (1929 – 2019). Uma semente foi plantada e o que originalmente não passaria de alguns arranjos, no entanto, floresceu. Os ótimos frutos estão neste espetacular CD e o que temos é um conjunto de pequenas peças de concerto para violino e orquestra solo, são arranjos da música cinematográfica de Williams reescritos sob medida para o violino da talentosa Anne-Sophie. O álbum é apaixonadamente construído e divertido de ouvir. São peças ótimas que mostram tanto Williams quanto Mutter no seu melhor. A The Recording Arts Orchestra of Los Angeles também está no seu melhor, acompanhando equilibradamente a incrível Anne-Sophie. A faixa “Luke and Leia” é emocionante. Outro tema bem legal é o “ Hedwig’s Theme ”dos filmes da franquia de Harry Potter, John e Mutter descrevem a música como “Harry Potter se encontra com Paginini”. O que dizer da Lista de Schindler? Mutter está simplesmente maravilhosa e a vontade com seu querido Stradivarius !!!

Se fecharmos os olhos, desligando a percepção de que são temas de cinema, as peças formam um adorável “concertino”.

A sinergia entre os dois podem ser lidas na página da Mutter e transcrevi algumas frases: “Existe apenas um John Williams”, disse Anne-Sophie Mutter. “O que ele escreve é extraordinário. Toda vez que vou a um de seus filmes e há violino ou violoncelo, eu penso que gostaria de tocar estas músicas! E agora tenho suas maravilhosas transcrições de todos esses temas icônicos.” John Williams escreve que Mutter “não é alguém a quem você diz não” e acrescenta : “Trabalhar com Anne-Sophie nesta gravação foi pura inspiração. Ela trouxe uma grande vibração a esses temas que todos os fãs de cinema conhecem, a sua interpretação tem sido uma grande alegria para mim como compositor.”

Vale a pena entrar no site da Anne-Sophie Mutter e ver as entrevistas CLIQUE AQUI

Um CD agradável de ouvir !

Across the Stars
1. Rey’s Theme – from STAR WARS: THE FORCE AWAKENS
2. Yoda’s Theme – from STAR WARS: THE EMPIRE STRIKES BACK
3. Hedwig’s Theme – from HARRY POTTER AND THE PHILOSOPHER’S STONE
4. Across the Stars (Love Theme) – from STAR WARS: ATTACK OF THE CLONES
5. Donnybrook Fair – from FAR AND AWAY
6. Sayuri’s Theme – from MEMOIRS OF A GEISHA
7. Night Journeys – from DRACULA
8. Theme – from SABRINA
9. The Duel – from THE ADVENTURES OF TINTIN: THE SECRET OF THE UNICORN
10. Luke and Leia – from STAR WARS: RETURN OF THE JEDI
11. Nice to Be Around – from CINDERELLA LIBERTY
12. Theme – from SCHINDLER’S LIST

Anne-Sophie Mutter, violino
The Recording Arts Orchestra of Los Angeles
John Williams

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Turminha talentosa fazendo pose na sala de ensaios do PQP

Ammiratore

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia nº 6, ‘Pastoral’ – Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra

Vamos de Sinfonia ‘Pastoral’ hoje. Sei que é a sinfonia favorita de muita gente. Essa gravação aí foi remasterizada, e apesar de ter sido realizada lá no início da década de 60, o registro de gravação é de ótima qualidade. Vale conhecer, apesar da capa meio esquisita.

O que alguns podem estranhar são algumas escolhas que o mítico e lendário maestro Bruno Walter fez. Já no final de sua vida, não creio que ele precisasse provar alguma coisa. Minha versão favorita desta obra é a de Karajan, também lá daquela mesma época. Mas Walter faz jus à fama, e nos entrega uma ‘Pastoral’ belíssima, talvez um pouco acelerada no segundo movimento (implicância minha mesmo, a escolha foi perfeita), mas tudo bem, o conjunto da obra beira a perfeição, coisa de gênio mesmo. Detalhe: Walter veio a falecer logo após essa gravação. Entre 1958 e 1961 ele gravou a integral das sinfonias de Beethoven com esta mesma orquestra. Quero trazer todas elas, aos poucos, para os senhores terem a oportunidade de conhecer um dos maiores maestros de todos os tempos.

Fico feliz de ter tido acesso a esse material, raríssimo até há alguns anos atrás.

01. I. Erwachen heiterer Empfindungen bei der Ankunft auf dem Lande. Allegro ma non troppo
02. II. Szene am Bach. Andante molto mosso
03. III. Lustiges Zusammensein der Landleute. Allegro
04. IV. Gewitter, Sturm. Allegro
05. V. Hirtengesang. Frohe und dankbare Gefühle nach dem Sturm. Allegretto

Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Switched-on Bach – 2000 – Wendy Carlos (1992)

frontConsiderando o grande número de downloads (ou deveria chamá-los “descargas”, “baixadas” ou “descarregamentos”?) da série “Switched-on Boxed Set” que divulgamos na semana passada, para desespero ainda maior dos que detestam sintetizadores, e também para o de alguns fãs do Moog primitivo, trazemos este álbum lançado por Wendy Carlos em comemoração ao Jubileu de Prata de seu estrondoso sucesso “Switched-on Bach”, dando uma nova roupagem ao repertório do clássico álbum de 1968: sintetizadores modernos, som digital e, mais ainda, temperamento desigual.

Aprecio muito o efeito que as sutis diferenças de afinação trazem para as engenhosas “orquestrações” de Carlos – que, aliás, continuam basicamente as mesmas, incluindo a bonita escolha dos timbres de madeiras para a célebre Ária da Suíte no. 3.

A crítica execrou o álbum, e os fãs do “Switched-on Bach” original também chiaram. Claro que estes têm o direito de estranhar, pois as paletas acessíveis a Carlos, que eram de escolha bem limitada em 1968, tinham expandido consideravelmente, e os timbres peculiares à gravação original estavam radicalmente modificados. Como artista e pesquisadora incansável que ela é, e sempre demonstrou ser, vejo méritos, coragem e desprendimento em sua empreitada de reler seu álbum clássico e abordar Bach sem as limitações técnicas do passado, para, assim, tentar atingir algo mais próximo do seu ideal artístico.

Este álbum foi-nos gentilmente cedido por um fiel leitor-ouvinte que escolheu identificar-se como Papai Noel e, assim, deixar seu retumbante ho-ho-ho a nós outros. Salve, Noel!

SWITCHED-ON BACH 2000 – WENDY CARLOS

Wendy CARLOS (1939)

01 – Happy 25th, S-OB

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

02 – “Wir danken dir, Gott, wir danken dir”, Cantata BWV 29 – Sinfonia

03 – Suíte no. 3 em Ré maior para orquestra, BWV 1068 – Aria

04 – Invenção a duas vozes no. 8 em Fá maior, BWV 779

05 – Invenção a duas vozes no. 14 em Si bemol maior, BWV 784

06 – Invenção a duas vozes no. 4 em Ré menor, BWV 775

07 – “Herz und Mund und Tat und Leben”, Cantata BWV 147 – Coral: “Jesus bleibet meine Freunde”

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Mi bemol maior, BWV 852
08 – Prelúdio
09 – Fuga

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó menor, BWV 847
10 – Prelúdio
11 – Fuga

12 – “Wachet auf, ruft uns die Stimme”, Prelúdio-Coral BWV 645

Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048

13 – Allegro
14 – Cadenza: Andante
15 – Allegro

FAIXA-BÔNUS:
16 – Toccata e Fuga em Ré menor, BWV 565

Wendy Carlos, sintetizadores e arranjos

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A incansável e inesgotável Wendy Carlos, em foto de 2014.
A incansável, inesgotável Wendy, em foto de 2014.

Vassily Genrikhovich

Switched-on Boxed Set (4 de 4): Switched-on Brandenburgs (1979) – Wendy Carlos

51ZRMWXNYBLCinco anos depois de “Switched-on Bach II”, Wendy Carlos concluiu sua tetralogia bachiana e completou a série dos Concertos de Brandenburg, gravando os de números 1, 2 e 6. Somados àqueles já lançados nos álbuns anteriores (e incluindo uma nova cadenza, mais sóbria, para o Concerto no. 3), o resultado foi o duplo “Switched-on Brandenburgs” em que, mais uma vez, impressionam a realização impecável e a clareza com que soam as partes na “orquestração” de Carlos. No entanto, aos ouvintes contemporâneos, e em especial aos fãs do “Switched-on Bach” original, os timbres do Moog já não soam tão invulgares. O veredito da filha de um leitor-ouvinte foi “música de videogame, papai” – o que só atesta as doses suprafisiológicas de música sintetizada, tanto boa quanto terrível, a que o cidadão médio é exposto desde cedo, e cotidianamente.

SWITCHED-ON  BOXED SET – SWITCHED-ON BRANDENBURGS (1979)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046
01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro
04 – Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II

Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047
05 – Allegro
06 – Andante
07 – Allegro assai

Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051
08 – Allegro
09 – Adagio ma non tanto
10 – Allegro

Wendy Carlos, sintetizador

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Carlos, Carlos & Carlos

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo São Mateus, BWV 244 – Herreweghe

Nossa, já se passaram onze anos desde que fiz essa postagem … como o tempo passa rápido … estou repostando com novos links a pedidos de nosso mentor, PQP Bach, e quando ele pede, temos de nos apressar. Agradeço ao querido Vassily Genrikhovich por ainda ter estes arquivos em seu acervo em boa qualidade de conversão. 

Talvez por hoje ser domingo, talvez por ser véspera de mais um feriadão santo, talvez pelo fato de que o mano PQP esteja desesperado atrás desta gravação, além de outros comentaristas, enfim, não sei, talvez mesmo pelo fato de eu estar me sentido bem hoje, e a partir de amanhã começa uma nova fase em minha vida (pela primeira vez na vida encararei a sala de aula enquanto professor), ou seja, acabaram-se os finais de semana sem nada para se fazer a não ser descansar, sei lá, só sei que preciso terminar este enorme parágrafo dizendo que aí está a Paixão Segundo Mateus, na versão de Phillipe Herreweghe, Andreas Schöll, do Ian Bostridge entre outros.

Seguindo meio que os moldes que o mano PQP utilizou para postar a Missa, estarei postando algumas versões dessa obra absolutamente impactante, é impossível ficar indiferente à ela. Desde o coral inicial, “Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen”, passando pela mais bela ária já composta para contralto, “Erbarme dich”, neste caso interpretada pelo contra-tenor Andreas Schöll, em minha opinião, esta é a obra mais importante de meu pai.

Herreweghe tem uma interpretação mais intimista, com coral e orquestra reduzidos, ao contrário das versões arrasa-quarteirão de Jochum (minha favorita), Klemperer, ou Karajan, que se utilizam de uma grande massa orquestral e vocal.

Neste site vocês irão encontrar comentários, críticas, a letra da obra, sua tradução para vários idiomas, inclusive para o português.

Enfim, não consigo imaginar uma forma melhor de se passar um domingo.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Matthäeus-passion BWV 244 – Herreweghe

CD 1
01 – Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen
02 – Da Jesus diese Rede vollendet hatte
03 – Herzliebster Jesu, was hast du verbrochen
04 – Da versammleten sich die Hohenpriester
05 – Du lieber Heiland du
06 – Buss und Reu
07 – Da ging hin der Zwölfen einer
08 – Blute nur, du liebes Herz
09 – Aber am ersten Tage der süssen Brot
10 – Ich bin’s, ich sollte büssen
11 – Er antwortete und sprach;
12 – Wiewohl mein Herz in Tränen schwimmt
13 – Ich will dir mein Herze schenken
14 – Und da sie den Lobgesang gesprochen hatten
15 – Erkenne mich, mein Hüter
16 – Petrus aber antwortete
17 – Ich will hier bei dir stehen
18 – Da kam Jesus mit ihnen zu einem Hofe
19 – O Schmerz! hier zittert das gequälte Herz
20 – Ich will bei meinem Jesu wachen
21 – Und ging hin ein wenig
22 – Der Heiland fällt vor seinem Vater nieder
23 – Gerne will ich mich bequemen
24 – Und er kam zu seinen Jüngern
25 – Was mein Gott will, das g’scheh’ allzeit
26 – Und er kam und fand sie aber schlafend
27 – So ist mein Jesus nun gefangen
28 – Und siehe, einer aus denen
29 – O Mensch, bewein’ dein Sünde groß

CD 2

01 – Ach! nun ist mein Jesus hin
02 – Die aber Jesum gegriffen hatten
03 – Mir hat die Welt trüglich gericht’t
04 – Und wiewold viel falsche Zeugen herzutraten
05 – Mein Jesus schweigt zu falschen Lügen stille
06 – Geduld, Geduld!
07 – Und der Hohepriester antwortete
08 – Wer hat dich so geschlagen
09 – Petrus aber saß draußen im Palast
10 – Erbarme dich
11 – Bin ich gleich von dir gewichen
12 – Des Morgens aber hielten alle Hohenpriester
13 – Gebt mir meinen Jesum wieder
14 – Sie hielten aber einen Rat
15 – Befiehl du deine Wege
16 – Auf das Fest aber hatte der Landpfleger
17 – Wie wunderbarlich ist doch diese Strafe
18 – Der Landpfleger sagte
19 – Er hat uns allen wohlgetan
20 – Aus Liebe will mein Heiland sterben
21 – Sie schrieen aber noch mehr
22 – Erbarm es Gott
23 – Können Tränen meiner Wangen

CD 3

01 – Da nahmen Kriegsknechte
02 – O Haupt voll Blut und Wunden
03 – Und da sie ihn verspottet hatten
04 – Ja! freilich will in uns das Fleisch und Blut
05 – Komm, süßes Kreuz
06 – Und da sie an die Stätte kamen
07 – Ach, Golgatha, unsel’ges Golgatha
08 – Sehet Jesus hat die Hand
09 – Und von der sechsten Stunde
10 – Wenn ich einmal soll scheiden
11 – Und siehe da, der Vorhang im Tempel zerriß
12 – Am Abend da es kühle war
13 – Mache dich, mein Herze, rein
14 – Und Joseph nahm den Leib
15 – Nun ist der Herr zu Ruh gebracht
16 – Wir setzen uns mit Tränen nieder

Tenor[Evangelist]: Ian Bostridge
Bass [Jesus]: Franz-Josef Selig
Soprano [arias, Pilatus’ wife]: Sibylla Rubens
Alto: Andreas Scholl
Tenor: Werner Güra
Bass: Dietrich Henschel
Bass [Pilatus]: Dietrich Henschel
Baritone [Judas & Priest 1]: Frits Vanhulle
Bass [Petrus & Priest 2]: Dominik Wörner
Alto [Witness]: Andreas Scholl
Tenor [Witness]: Werner Güra
Sopranos [Maids]: Elisabeth Hermans & Susan Hamilton

Chœur et Orchestre de Collegium Vocale Gent / Schola Cantorum Cantate Domino
Phillipe Herreweghe – Director

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Switched-on Boxed Set (3 de 4): Switched-on Bach II (1974) – Wendy Carlos

R-216552-1308173871.jpegCinco anos depois de “The Well-Tempered Synthesizer”, Wendy Carlos voltou à carga com um álbum que pretendeu batizar com outros nomes, mas que os capi da Columbia decidiram chamar de “Switched-on Bach II”, para tentar surfar nas ondas ainda fortes do  fenômeno “Switched-On Bach”, lançado seis anos antes. A fórmula é bastante semelhante à do original: excertos célebres e obras curtas de J. S. Bach, e um dos Concertos de Brandenburg para arrematar o disco. O desenvolvimento tecnológico do sintetizador Moog é muito evidente na gravação, que soa claramente mais “moderna” que “Switched-on Bach”, e de tal maneira que Carlos tentou, com bastante sucesso, emular os sons dos instrumentos originais no Concerto de Brandenburg no. 5. Apesar da interpretação ser muito transparente e bonita, tirando de letra inclusive a difícil cadenza para cravo do primeiro movimento, ainda prefiro os timbres frescos e bizarros das gravações anteriores, que aqui aparecem mais proeminentemente nas duas Invenções a duas vozes, nas miniaturas do Pequeno Livro de Anna Magdalena e na Fuga em Sol menor.

SWITCHED-ON BOXED SET: SWITCHED-ON BACH II

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

01 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Badinerie
02 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Menuet
03 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Bourrée
04 – Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor, BWV 784
05 – Invenção a duas vozes no. 12 em Si bemol maior, BWV 783
06 – “Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd”, Cantata BWV 208 – Ária: “Schafe können sicher weiden” (“Sheep may safely graze”)
07 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Musette em Ré maior, BWV Anh. 126
08 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Minueto em Sol maior
09 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Bist du bei mir, BWV 508
10 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Marcha em Ré maior, BWV Anh. 122
11 – Pequena Fuga para órgão em Sol menor, BWV 578
12 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
13 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Affettuoso
14 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro

Wendy Carlos, sintetizador Moog

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“Moça, pra que serve aquele fiozinho?”

Vassily Genrikhovich

 

Switched-on Boxed Set (2 de 4): The Well-Tempered Synthesizer (1969) – Wendy Carlos

bach-portada 2O sucesso mastodôntico de “Switched-on Bach” trouxe não só os holofotes para a ademais mui discreta Wendy Carlos, como também a pressão dos executivos da Columbia para que produzisse (“cuspisse”, segundo ela própria) um novo álbum arrasa-quarteirões. A ideia dos tubarões fonográficos era, claro, um outro disco dedicado a Bach, mas a laboriosa e criativa Wendy tinha outros planos, que incorporavam os novos módulos desenvolvidos em colaboração com Robert Moog para o sintetizador – incluindo o recurso spectrum follower, que permitia incluir vocalizações, ouvidas na segunda seleção de Monteverdi e, posteriormente, nos trechos da Nona Sinfonia de Beethoven incluídos na trilha sonora de Carlos para “A Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick.

O resultado do trabalho de Moog, Wendy, e de sua produtora e co-intérprete Rachel Elkind foi “The Well-Tempered Synthesizer” (“O Sintetizador bem Temperado”), lançado em 1969, um ano depois de “Switched-on Bach”. Apesar de bem aceito por parte da crítica (pois os puristas, naturalmente, detestaram), as vendas não foram nem de longe semelhantes às do predecessor. Glenn Gould, que, como dissemos, virara tiete de Wendy, escreveu as notas que acompanharam o disco, em que taxativamente afirmava que “a realização de Carlos do Quarto Concerto de Brandenburgo, é, para colocá-lo com franqueza, a melhor interpretação de qualquer dos Brandenburgos – ao vivo, enlatada, ou intuída – que eu jamais ouvi”. Os pastiches também não paravam de brotar, lançando mão de todos os trocadilhos possíveis com “Switched-on”. Um deles foi lançado pela própria Columbia: “Switched-off Bach”, que incluía as mesmas seleções do célebre disco de 1968, executada com instrumentos convencionais.

Carlos levaria cinco anos para voltar a Bach, dedicando o ínterim a trabalhos autorais (“Sonic Seasonings”, somente com composições originais) e à realização da trilha sonora para “A Laranja Mecânica” de Kubrick, realizador cricri e perfeccionista de quem Wendy ainda musicaria “O Iluminado”, em 1980.

SWITCHED-ON  BOXED SET – THE WELL-TEMPERED SYNTHESIZER

Claudio Giovanni Antonio MONTEVERDI (1567-1643)
01 – Suíte da ópera “Orfeo”: toccata – ritornello I – coro I – ritornello II – coro II – ritornello II

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)
02 – Sonata em Sol maior, L. 209/K. 455
03 – Sonata em Ré maior, L. 164/K. 491

Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759)
Música Aquática, Suíte em Fá maior, HWV 348
04 – Bourrée
05 – Aria
06 – Allegro deciso

Giuseppe Domenico SCARLATTI
07 – Sonata em Mi maior, L. 430/K. 531
08 – Sonata em Ré maior, L. 465/K. 96

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049
09 – Allegro
10 – Andante
11 – Presto

Claudio Giovanni Antonio MONTEVERDI
12 – Vésperas (1610) – Domine ad adjuvandum

13 – Teste de alinhamento de estéreo

14 – Experimentos (em inglês, narração de Wendy Carlos)

Wendy Carlos, sintetizador Moog (em colaboração com Rachel Elkind)

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A produtora Rachel Elkind e Wendy Carlos (na época, ainda, legalmente chamada Walter Carlos)
A produtora Rachel Elkind e Wendy Carlos (na época, ainda, legalmente chamada Walter)

Vassily Genrikhovich

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): Stabat Mater / Nel chiuso centro / La conversione e morte di Sang Guglielmo duca d’Aquitania / Questo è il piano

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): Stabat Mater / Nel chiuso centro / La conversione e morte di Sang Guglielmo duca d’Aquitania / Questo è il piano

Um disco estranho, paradoxal. Após o Réquiem de Verdi e o Stabat Mater de Rossini, Antonio Pappano e sua Orquestra de Santa Cecília voltam mais no tempo, até o início do século XVIII. É uma jogada ousada: o maestro e a orquestra não estão associados à música barroca. Nem Anna Netrebko, estrela da Ópera de Kirov e agora vista em toda parte. Então, é de se pensar que esta performance remontaria aos registros incrivelmente pesados das gravações saídas da Itália nos anos 50, 60 e 70? Não, nem tanto. Liderada — e, de acordo com Pappano, treinada — por Alessandro Moccio, spalla da Orquestra dos Champs-Elysées de Philippe Herreweghe, a orquestra toca tudo com algum cuidado, deixando entrar boa quantidade de ar. Mas as cantoras não são nada barrocas e tentam resolver tudo no berro mesmo. Sim, ficou estranho.

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): Stabat Mater / Nel chiuso centro / La conversione e morte di Sang Guglielmo duca d’Aquitania / Questo è il piano

Nel chiuso centro
1 Nel chiuso centro
2 Euridice e dove
3 Si, che pietà non v’è
4 O d’Euridice n’andrò fastoso

Li prodigi della divina grazia nella conversione e morte di san Guglielmo d’Aquitania
5 Allegro assai e spiritoso
6 Andante
7 Allegro

Questo è il piano, questo è il rio Cantata for alto and strings
8 Questo è il piano
9 Oh, dolce tempo
10 Torna, torna a Cocito
11 Se nel dir son menzognero

Stabat Mater
12 Stabat mater
13 Cujus animam
14 O quam tristis
15 Quae moerebat
16 Quis est homo
17 Vidit suum
18 Eja mater
19 Fac ut ardeat
20 Sancta mater
21 Fac ut portem
22 Inflammatus
23 Quando corpus

Anna Netrebko
Marianna Pizzolato
Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia
Antonio Pappano

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As divas

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Brandenburg Concertos – Amsterdam Guitar Trio

Nem me lembro quando e como este curioso e belíssimo CD me chegou em mãos. Não faz muito tempo. Já o ouvi algumas vezes, e lhes garanto que vale a pena. É um tour de force, poderia dizer. O que estes dois rapazes e a moça fazem aqui beira a loucura. Pode ser que alguém não goste, tudo bem, não pretendo agradar a todos, apenas mostrar a universalidade da música de Bach, e claro, suas possibilidades. Talvez eu esteja passando por uma fase de simplificações na minha vida, para que complicar se podemos facilitar?
Já comentei em outras ocasiões que tive a pretensão de ser um violonista na minha juventude. Mas logo após casar, passei o violão adiante. Nem sei onde está. Já pensei em comprar outro, e me dedicar com maior carinho à causa. E quando ouço estes três elementos tocar imagino que posso, um dia, quem sabe, tocar um pequeno trecho de um Concerto de Brandenburgo no violão. Eles conseguiram, por que não eu?

P.S. Antes que perguntem, não sei dizer se eles gravaram os dois concertos que faltam aqui.

01. Concerto No 6 B-flat BWV 1051 1. Allegro moderato
02. Concerto No 6 B-flat BWV 1051 2. Adagio ma non tanto
03. Concerto No 6 B-flat BWV 1051 3. Allegro
04. Concerto No 3 in G BWV 1048 1. Allegro
05. Concerto No 3 in G BWV 1048 2. Adagio
06. Concerto No 3 in G BWV 1048 3. Allegro
07. Concerto No 5 in D BWV 1050 1. Allegro
08. Concerto No 5 in D BWV 1050 2. Affetuoso
09. Concerto No 5 in D BWV 1050 3. Allegro
10. Concerto No 2 in F BWV 1047 1. Allegro moderato
11. Concerto No 2 in F BWV 1047 2. Andante

12. Concerto No 2 in F BWV 1047 3. Allegro.

Amsterdam Guitar Trio:

Helenus de Rijke
Johann Dorrenstein
Olga Fransen
Tini Mathat – Harpsichord (Concerto nº5 )

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Switched-on Boxed Set (1 de 4): Switched-on Bach (1968) – Wendy Carlos

imagesSe não levei pedrada com todo Glenn Gould que postei mês passado, será agora que minha carcaça receberá, em uma só prestação, todo o monolito que merece sobre si: música de Bach, o Demiurgo da Música, tocada num sintetizador.

Não é qualquer sintetizador, claro, nem um intérprete qualquer: é o pioneiro Moog de Wendy Carlos, que tanto colaborou para seu desenvolvimento ao lado de seu inventor, Robert Moog, como deu-lhe um senhor cavalo de batalha na forma do estrondoso sucesso dessa gravação.

Ninguém na Columbia levava muito a sério o obstinado trabalho de Carlos, dotada de formação privilegiada para a empreitada: pianista e compositora, com diplomas em Música e Física e estudos sob Vladimir Ussachevsky, um dos pioneiros da música eletrônica. A natureza monofônica do sintetizador Moog tornava qualquer acorde frugal um exaustivo trabalho de overdubbing, e todos os crescendos e decrescendos eram frutos de meticulosa filtragem e ajustes. Ainda assim, Carlos e seus colaboradores fizeram questão de gravar Bach nota por nota, sem outros aditivos. A honrosa exceção foi o segundo movimento do Concerto de Brandenburg no. 3, para o qual Bach forneceu somente uma sucinta cadência de dois acordes, por talvez esperar que o cravista do contínuo improvisasse a sua própria, e na qual Carlos insere efeitos de “virtuosidade eletrônica” que não considerou apropriados às outras faixas do disco. Em 1979, ao relançar este Concerto como parte de “Switched-on Brandenburgs”, ela, arrependida do que considerou um excesso, incluiu uma outra cadenza, mais sóbria.

O sucesso do álbum, lançado com pouquíssimo alarde, foi tremendo, e “Switched-on Bach” tornou-se a primeira gravação de música clássica a chegar ao topo das paradas desde a triunfal estreia de Glenn Gould com as “Variações Goldberg” em 1955. Gould, aliás, virou tiete de Carlos, talvez porque o trabalho dela trouxesse não só a clareza e transparência na realização das partes polifônicas, que eram parte importante do ideal artístico do canadense, e também porque era o produto de exasperante atividade de estúdio, que Gould tinha como cenário ideal para fazer música, já que abandonara os palcos ainda nos anos 60.

Talvez os leitores-ouvintes tenham impressão diferente da minha, mas eu sou um eterno fascinado por esta gravação que não envelhece. Desde a cintilância da abertura com a Sinfonia da Cantata no. 29, passando por Invenções a Duas Vozes transparentes e pela célebre Ária da Suíte no. 3 com timbres de madeiras, e concluindo com um Concerto de Brandenburgo tão sui generis que se pode até suspeitar da fidelidade estrita ao original bachiano, este “Switched-on Bach” – relançado numa caprichada edição remasterizada e meticulosamente comentada por Carlos em áudio e no encarte – ainda soa sanguíneo e fresco como um dos mais importantes álbuns da história fonográfica.

SWITCHED-ON BOXED SET: SWITCHED-ON BACH

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

01 – “Wir danken dir, Gott, wir danken dir”, Cantata BWV 29 – Sinfonia

02 – Suíte no. 3 em Ré maior para orquestra, BWV 1068 – Aria

03 – Invenção a duas vozes no. 8 em Fá maior, BWV 779

04 – Invenção a duas vozes no. 14 em Si bemol maior, BWV 784

05 – Invenção a duas vozes no. 4 em Ré menor, BWV 775

06 – “Herz und Mund und Tat und Leben”, Cantata BWV 147 – Coral: “Jesus bleibet meine Freunde”

07 – O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Mi bemol maior, BWV 852

08 – O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó menor, BWV 847

09 – “Wachet auf, ruft uns die Stimme”, Prelúdio-Coral BWV 645

10 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Allegro

11 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Adagio [cadenza de 1968]

12 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Allegro

13 –  Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Adagio [cadenza de 1979]

14 – Experimentos iniciais (em inglês, narração de Wendy Carlos)

Wendy Carlos, sintetizador Moog (em colaboração com Rachel Elkind e Benjamin Folkman)

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A expectativa sobre "Switched-on Bach" era tão pequena que a Columbia aprovou uma capa que deixou Carlos indignada: um Bach rubicundo e caricato a ouvir, com expressão chocada ou indignada, algo com fones de ouvidos conectados à ENTRADA, e não à saída, de um sintetizador Moog. Com o LP rapidamente esgotado, Carlos conseguiu colocar nas novas tiragens uma capa diferente, com Bach em pé e olhar menos esdrúxulo.
A expectativa sobre “Switched-on Bach” era tão pequena que a Columbia aprovou uma capa que deixou Carlos possessa: um Bach rubicundo e caricato a ouvir, com expressão chocada ou indignada, algo com fones de ouvidos conectados à ENTRADA, e não à saída, de um sintetizador Moog. Com o LP rapidamente esgotado, Carlos conseguiu colocar nas novas tiragens uma capa diferente, com Bach em pé e olhar menos esdrúxulo.

Vassily Genrikhovich

Brahms (1833-1897): Quartetos – Quinteto com Piano – Belcea Quartet & Till Fellner

Brahms (1833-1897): Quartetos – Quinteto com Piano – Belcea Quartet & Till Fellner

Johannes Brahms

Quartetos Op. 51 & 67

Quinteto com Piano Op. 34

 

Eu andava um pouco reticente com as peças de câmera do barbudo Johannes. Gosto muito das sonatas para violino e talvez mais ainda das sonatas para violoncelo. Mas as outras obras estavam um pouco deixadas de lado. Se bem que o quinteto com piano é constante aqui em casa, quase sempre acompanhado de seu irmão mais velho, o quinteto de Schumann. Maravilhas. Pois foi pelo quinteto então que cheguei a este álbum da postagem. E também pelo pianista Till Fellner, figurinha carimbada do meu álbum. O Belcea Quartet eu conhecia dos quartetos de Debussy e Ravel. Pois não é que gostei demais de tudo? Linda música, grande álbum, ouvido muitas vezes, continua mais lindo. E vocês já sabem, quando isto acontece, eu divido com vocês!

O Brahms que compôs estes quartetos ainda não era barbudo, mas já estava com bem quarenta anos, em 1873, quando publicou os dois primeiros, como Opus 51.

A história é que Brahms já havia destruído vinte quartetos de cordas antes de dar-se por satisfeito com estes dois. Parece difícil de acreditar, mas é muito plausível. Vejamos, Brahms estava entrando em um campo onde vicejava quartetos de Haydn, Mozart, Beethoven e Schubert! E Brahms estava sob a pressão colocada sobre ele pelas expectativas criadas pelo famoso artigo de Schumann, intitulado Neue Bahnen, Novos Caminhos. Aparentemente Brahms já estava trabalhando na composição destes quartetos em 1869. Escreveu ao seu editor dizendo que Mozart teve muito trabalho para produzir seus seis Haydn-Quartets, e ele faria o seu melhor para produzir um ou dois que fossem descentes. E ele cumpriu sua palavra, como você poderá constatar baixando este maravilhoso álbum.

Clara Schumann

O terceiro quarteto foi composto dois anos mais tarde. Brahms passava férias de verão em Ziegelhausen evitando pensar muito na sua primeira sinfonia e para distrair-se passou a compor coisinhas, entre elas o quarteto. Segundo Joseph Joachim, este era o seu quarteto favorito, que reflete o ensolarado ambiente que Brahms desfrutou durante sua composição.

O quinteto com piano é obra anterior aos quartetos e começou sua existência como um quinteto de cordas. Veja que o grande quinteto de cordas de Schubert, assim como os seus últimos quartetos foram publicados quando Brahms estava iniciando sua carreira de compositor.

Johannes Brahms e Joseph Joachim

Apesar de reconhecerem a beleza da música, amigos como Joseph Joachim e Clara Schumann fizeram críticas à peça neste formato. Brahms então o remodelou na forma de uma sonata para dois pianos, mas logo depois reescreveu tudo na versão para piano e quarteto de cordas. Nesta forma, a obra foi publicada em 1865, como o Opus 34. A versão sonata para dois pianos também foi publicada como Op. 34b, mas o exigente Brahms destruiu a versão para quinteto de cordas.

Uma crítica bastante equilibrada deste álbum, que você pode ler na íntegra aqui, nos informa que as gravações dos quartetos pelo Belcea Quartet têm um profundo sentido de afeição e calor humano. Menciona também o fato de as gravações das peças individuais terem sido feitas uma a uma, com intervalo de vários meses entre elas. Isto teria permitido ao grupo tomar cada peça por si própria, enfatizando os seus principais aspectos.

Não deixe de notar a intensidade da interpretação logo no primeiro movimento do primeiro quarteto, nem as melodias húngaras do último movimento do segundo quarteto. O movimento lento do terceiro quarteto é também sublime. E o que dizer do quinteto? Maravilhas.

Não é por nada que o crítico termina sua resenha com a frase que resume bem o álbum: Aqui está uma performance profundamente gratificante!

Johannes Brahms (1833-1897)

CD1

Quarteto de cordas No. 1 em dó menor, Op. 51, 1

  1. Allegro
  2. Romanze (Poco adagio)
  3. Allegretto molto moderato e comodo
  4. Allegro

Quarteto de cordas No. 2 em lá menor, Op. 51, 2

  1. Allegro non troppo
  2. Andante
  3. Quase minueto, moderato
  4. Finale (allegro non assai)

CD2

Quarteto de cordas No. 3 em si bemol maior, Op. 67

  1. Vivace
  2. Andante
  3. Agitato (Allegretto non troppo)
  4. Poco allegretto com variazioni

Quinteto com piano em fá menor, Op. 34

  1. Allegro non troppo
  2. Andante, un poco adagio
  3. Scherzo (Allegro)
  4. Finale (Poco sostenuto – Allegro non troppo)

Belcea Quartet

Corina Belcea, violino

Alex Schacher, violino

Krysztof Chorzelski, viola

Antoine Lederlin, violoncelo

Till Fellner, piano (Op. 34)

Gravado entre 2014 e 2015, no Britten Studio, Aldeburgh

Produção de John Fraser

Belcea Quartet

CD1

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FLAC | 315 MB

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MP3 | 320 KBPS | 162 MB

CD2

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FLAC | 342 MB

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MP3 | 320 KBPS | 181 MB

Till Fellner e seu topete!

Veja o que The Sunday Times disse do álbum: What a feast this is. The Belcea’s textures are so rich, you would think a larger force of strings was playing. And in the quintet’s glorious andante, their eloquence almost rivals that of the great Busch Quartet.

Portanto, não demore, aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Vol. 8 – Koopman, Mertens, ABO, etc.

Sim, eu sei, estou em falta com os senhores. Prometi esta integral até o final do ano, mas ainda nem cheguei na metade. Enfim, c´est la vie. O tempo, ou a falta dele, sempre será a minha desculpa. Colaborar com o PQPBach e ainda trabalhar dá um trabalho danado. Tem dias que quando chego em casa a última coisa que quero fazer é ligar o computador. Imagina a vontade, então, de preparar texto, subir arquivos … enfim, dá trabalho.

Mas vamos ao que viemos. Vejamos o que o nosso booklet tem a nos dizer sobre esse oitavo volume:

“Like its two predecessors, the eighth volume of our complete recording of Bach’s cantatas is devoted to the first annual cyle of Leipzig cantatas of 1723/24. In planning and implementing this cycle, Bach took upon himself a burden of work far in excess of anything he had earlier assumed to say nothing of the creative and artistic challenges involved. Whereas his Weimar cantatas of 1714-16 had been written at regular monthly intervals, he now had four times as much work on his hands. In the circumstances, it is entirely understandable that, whenever possible, he fell back on existing works, especially those written in Weimar, although pieces composed at Cöthen were no less liable to be pillaged. These self-borrowings notwithstanding, the main emphasis none the less lay on the composition of new works, and the first cycle of cantatas that Bach wrote for Leipzig is notable for the number of new pieces that it contains. Particularly revealing in this context is the period around Christmas 1723, Bach’s first major festival in the city, which placed especially great demands on both him and his musicians. Fortunately, the fact that no cantatas were performed between Second and Fourth Sundays in Advent meant that he had ample time to prepare for the task in hand. Indeed, he even managed to extend this period by falling back on an earlier work for the First Sunday in Advent, Cantata 61, which he had written in Weimar in 1714/15. The following table gives some idea of the degree of planning that went into preparations for the twelve days between Christmas and Epiphany (including three works included in the present release, Cantatas 40, 64 and 65):

25 December 1723 (main service) Cantata 63 Christen, ätzet diesen Tag (written 1714/15) Sanctus in D major BWV 238 (new)
25 December 1723 (Vespers) Cantata 63 Christen, ätzet diesen Tag (repeat performance) Magnificat in E flat major BWV 243a (new)
26 December 1723 Cantata 40 Darzu ist erschienen der Sohn Gottes (new)
27 December 1723 Cantata 64 Sehet, welch eine Liebe (new)
1 January 1724 (New Year’s Day) Cantata 190 Singet dem Herrn ein neues Lied (new)
2 January 1724 Cantata 153 Schau, lieber Gott, wie meine Feind (new)
6 January 1724 (Epiphany) Cantata 65 Sie werden aus Saba alle kommen (new)”

COMPACT DISC 1

“Sie werden aus Saba alle kommen” BWV 65
For Epiphany

1 Chorus: “Sie werden aus Saba alle kommen”2 Chorale: “Die Kön’ge aus Saba kamen dar”
3 Recitative (Bass): “Was dort Jesaias verhergesehn” Aria (Bass): “Gold aus Ophir ist zu schlecht”
5 Recitative (Tenor): “Verschmähe nicht, du, meiner Seelen Licht, mein Herz”
6 Aria (Tenor): “Nimm mich dir zu eigen hin”
7 Chorale: “Ei nun, mein Gott, so fall ich dir getrost in deine Hände”

“Was soll ich aus dir machen, Ephraim?” BWV 89
For the 22nd Sunday after Trinity

8 Aria (Bass): “Was soll ich aus dir machen, Ephraim”
Recitative (Alto): “Ja, freilich sollte Gott”
10 Aria (Alto): “Ein unbarmherziges Gerichte”
11 Recitative (Soprano): “Wohlan! mein Herze legt Zorn”
12 Aria (Soprano): “Gerechter Gott, ach rechnest du?”
13 Chorale: “Wir mangelt zwar sehr viel”

“O Ewigkeit, du Donnerwort” BWV 60
For the 24th Sunday after Trinity

14 Duet (Alto, Tenor): “O Ewigkeit, du Donnerwort”
15 Recitative (Alto, Tenor): “O schwerer Gang zum letzten Kampf und Streite”
16 Duet (Alto, Tenor): “Mein letztes Lager will mich schrecken”
17 Recitative, Arioso (Alto, Bass): “Der Tod bleibt doch – Selig sind die Toten”
18 Chorale: “Es ist genug: Herr, wenn es dir gefällt”

“Erfreute Zeit im neuen Bunde” BWV 83
For the purification of the Blessed Virgin Mary

19 Aria (Alto): “Erfreute Zeit im neuen Bunde”
20 Aria (Bass): “Herr, nun lassest du deinen Diener”
21 Aria (Tenor): “Eile, Herz, voll Freudigkeit”
22 Rectitave (Alto): “Ja, merkt dein Glaube noch viel Finsternis”
23 Chorale: “Er ist das Heil und selig Licht”

Appendix: 24 Aria (Bass): “Was soll ich aus dir machen, Ephraim?” BWV 89a

COMPACT DISC 2

“Darzu ist erschienen der Sohn Gottes” BWV 40
For the 2nd day of Christmas

1 Chorus: “Darzu ist erschienen der Sohn Gottes”
2 Recitative (Tenor): “Das Wort ward Fleisch und wohnet in der Welt”
3 Chorale: “Die Sund macht Leid”
4 Aria (Bass): “Höllische Schlange, wird dir nicht bange?”
5 Recitative (Alto): “Die Schlange, so im Paradies”
6 Chorale: “Schüttle deinen Kopf und sprich: Fleuch, du alte Schlange”
7 Aria (Tenor): “Christenkinder, freuet euch”
8 Chorale: “Jesu, nimm dich deiner Glieder ferner in Genaden an”

“Schauet doch und sehet, ob irgend ein Schmerz sei” BWV 46
For the 10th Sunday after Trinity

9 Chorus: “Schauet doch und sehet”
10 Recitative (Tenor): “So klage du, zerstörte Gottesstadt”
11 Aria (Bass): “Dein Wetter zog sich auf von weiten”
12 Recitative (Alto): “Doch bildet euch, o Sünder, ja nicht ein”
13 Aria (Alto): “Doch Jesus will auch bei der Strafe”
14 Chorale: “O großer Gott von Treu”

“Sehet, welch eine Liebe hat uns der Vater erzeiget” BWV 64
For the 3rd day of Christmas

15 Chorus: “Sehet, welch eine Liebe hat uns der Vater erzeiget”
16 Chorale: “Das hat er alles uns getan”
17 Recitative (Alto): “Geh, Welt, behalte nur das Deine”
18 Chorale: “Was frag ich nach der Welt und allen ihren Schätzen”
19 Aria (Soprano): “Was die Welt in sich hält, muß als wie ein Rauch vergehen”
20 Recitative (Bass): “Der Himmel bleibet mir gewiß”
21 Aria (Alto): “Von der Welt verlang ich nichts”
22 Chorale: “Gute Nacht, o Wesen, das die Welt erlesen”

“Ihr Menschen, rühmet Gottes Liebe” BWV 167
For the feast of St. John the Baptist

23 Aria (Tenor): “Ihr Menschen, rühmet Gottes Liebe”
24 Recitative (Alto): “Gelobet sei der Herr Gott Israel”
25 Duet (Soprano, Alto): “Gottes Wort, das trüget nicht”
26 Recitative (Bass): “Des Weibes Samen kam”
7 Chorale: “Sei Lob und Preis mit Ehren

COMPACT DISC 3

“Ich glaube, lieber Herr, hilf meinem Unglauben” BWV 109
For the 21st Sunday after Trinity

1 Chorus: “Ich glaube, lieber Herr”
2 Recitative (Tenor): “Des Herren Hand ist ja noch nicht verkürzt”
3 Aria (Tenor): “Wie zweifelhaftig ist mein Hoffen”
4 Recitative (Alto): “O fasse dich, du zweifelhafter Mut”
5 Aria (Alto): “Der Heiland kennet ja die Seinen”
6 Chorale: “Wer hofft in Gott, und dem vertraut”

“Jesus schläft, was soll ich hoffen” BWV 81
For the 4th Sunday after the Epiphany

7 Aria (Alto): “Jesus schläft, was soll ich hoffen?”
8 Recitative (Tenor): “Herr! Warum trittest du so ferne?”
9 Aria (Tenor): “Die schäumenden Wellen von Belials Bächen”
10 Arioso (Bass): “Ihr Kleingläubigen, warum seid ihr so furchtsam?”
11 Aria (Bass): “Schweig, aufgetürmtes Meer!”
12 Recitative (Alto): “Wohl mir! Mein Jesus spricht ein Wort”
13 Chorale: “Unter deinen Schirmen bin ich vor den Stürmen”

“Du sollt Gott, deinen Herren, lieben” BWV 77
For the 13th Sunday after Trinity

14 Chorus: “Du sollt Gott, deinen Herren, lieben”
15 Recitative (Bass): “So muß es sein!”
16 Aria (Soprano): “Mein Gott, ich liebe dich von Herzen”
17 Recitative (Tenor): “Gib mir dabei, mein Gott”
18 Aria (Alto): “Ach, es bleibt in meiner Liebe”
19 Chorale: “Herr Jesu, der du angezündt”

“Es reißet euch ein schrecklich Ende” BWV 90
For the 25th Sunday after Trinity

20 Aria (Tenor): “Es reißet euch ein schrecklich Ende”
21 Recitative (Alto): “Des Höchsten Güte wird von Tag zu Tage neu”
22 Aria (Bass): “So löschet im Eifer der rächende Richter”
23 Recitative (Tenor): “Doch Gottes Auge sieht auf uns als Auserwählte”
24 Chorale: “Leit uns mit deiner rechten Hand”

DOROTHEA RÖSCHMANN soprano
ELISABETH VON MAGNUS alto
BOGNA BARTOSZ alto
JÖRG DURMULLER tenor
KLAUS MERTENS bass

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A Quieta Arte das Tangentes – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Invenções, Sinfonias e Duetos – Jaroslav Tůma

f10076O tecladista tcheco Jaroslav Tůma (que já escutamos ao órgão acompanhando uma violinista de aspecto um tanto feroz) possui uma interessante coleção de instrumentos que, aos poucos, vai apresentando ao mundo em gravações. Este clavicórdio feito por J. Schiedmaier em 1789 e afinado em temperamento desigual (Kirnberger III) foi resgatado de um museu decadente do interior da Boêmia. Muito danificado por negligência e pelo uso insensato por parte de amadores (imagino quantas crianças alopradas não lhe deram manotaços, e quantas mãos pesadas não tocaram “Bife” nele!), acabou restaurado meticulosamente, mas ainda manteve alguns sons de “marcenaria”. Esta coleção de Invenções a duas, três (Sinfonias) e quatro (Duetos) vozes, demonstrações em dificuldade crescente da fluência de Bach no uso de recursos imitativos do contraponto, soa muito clara no clavicórdio de Tůma, e sua interpretação é tão convincente que parece querer dar razão a quem defende que este não só era o instrumento de teclado preferido de Bach, como também aquele que ele tinha em mente ao escrever estas miniaturas.

J. S. BACH – INVENTIONS, SINFONIAS AND DUETS

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Invenções a duas vozes

01 – Em Dó maior, BWV 772
02 – Em Dó menor, BWV 773
03 – Em Ré maior, BWV 774
04 – Em Ré menor, BWV 775
05 – Em Mi bemol maior, BWV 776
06 – Em Mi maior, BWV 777
07 – Em Mi menor, BWV 778
08 – Em Fá maior, BWV 779
09 – Em Fá menor, BWV 780
10 – Em Sol maior, BWV 781
11 – Em Sol menor, BWV 782
12 – Em Lá maior, BWV 783
13 – Em Lá menor, BWV 784
14 – Em Si bemol maior, BWV 785
15 – Em Si menor, BWV 786

Sinfonias (Invenções a três vozes):

16 – Em Dó maior, BWV 787
17 – Em Dó menor, BWV 788
18 – Em Ré maior, BWV 789
19 – Em Ré menor, BWV 790
20 – Em Mi bemol maior, BWV 791
21 – Em Mi maior, BWV 792
22 – Em Mi menor, BWV 793
23 – Em Fá maior, BWV 794
24 – Em Fá menor, BWV 795
25 – Em Sol maior, BWV 796
26 – Em Sol menor, BWV 797
27 – Em Lá maior, BWV 798
28 – Em Lá menor, BWV 799
29 – Em Si bemol maior, BWV 800
30 – Em Si menor, BWV 801

Duetos (a quatro vozes):

31 – No. 1 em Mi menor, BWV 802
32 – No. 2 em Fá maior, BWV 803
33 – No. 3 em Sol maior, BWV 804
34 – No. 4 em Lá menor, BWV 805

Jaroslav Tůma, clavicórdio

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A propósito: aquele "ů" no sobrenome de Tůma pronuncia-se como um "u" bem longo - aprendam bem a lição para quando eu postar Martinů
A propósito: aquele “ů” no sobrenome de Tůma pronuncia-se como um “u” bem longo – aprendam bem a lição para quando eu postar Martinů

Vassily Genrikhovich

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Violino e Piano

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Violino e Piano

Mozart escreveu mais de 30 Sonatas para Violino e Piano. Não estão entre suas maiores obras, mas é boa música, claro. As primeiras 16 foram criadas na infância do compositor e são coisa singela, sendo mais sonatas para piano com acompanhamento de violino do que o inverso. Este disco traz 4 Sonatas da época da maturidade, mas a mim não apaixonam, apesar da excelente dupla Yang-Vitaud. Creio que o autor as escreveu mais para saraus familiares do que para os palcos, mas é Mozart e há bons momentos que se alternam com outros nem tanto. O violino é um interlocutor pleno para o piano. É um casamento desigual, entre instrumentos de sonoridades antagônicas; há conflito mas há diálogo. Nenhum problema se resolve, mas há colaboração. Um antigo e muito humano problema social. Mas dá pra se divertir, é bóbvio.

W. A. Mozart (1756-1791): Sonatas para Violino e Piano

Mozart: Violin Sonata No. 27 in G major, K. 379 21:05
I. Adagio − Allegro 11:30
II. Andantino cantabile [Theme and Variations] – Allegretto 9:35

Mozart: Violin Sonata No. 28 in E flat major, K. 380 24:28
I. Allegro 9:29
II. Andante con moto 10:26
III. Rondo. Allegro 4:33

Mozart: Violin Sonata No. 21 in E minor, K. 304 12:13
I. Allegro 6:40
II. Tempo di menuetto 5:33

Mozart: Violin Sonata in D Major, K. 306 / 300l 21:32
I. Allegro con spirito 7:05
II. Andante cantabile 7:40
III. Allegretto 6:47

Mi-Sa Yang, violino
Jonas Vitaud, piano

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PQP

A Quieta Arte das Tangentes – Georg Friedrich Händel (1685-1759) – The Secret Handel – Christopher Hogwood

61R8DBz-zyL._SL1000_Mais um da série de álbuns com Hogwood ao clavicórdio. Händel foi notório devoto do instrumento, e sobrevivem quase cinquenta clavicórdios que, em algum momento, foram tocados por ele ou lhe pertenceram. A seleção de repertório para este álbum parece-me mais rica do que a do álbum dedicado a Bach, além de longa a ponto de exigir dois CDs. A obra mais conhecida dos leitores-ouvintes, e que ganharia a alcunha de “The Harmonious Blacksmith” (“O Ferreiro Harmonioso”) ao encerraria a Suíte para teclado em Mi maior, surge aqui numa versão preliminar, com o título “Ária e Variações”, na tonalidade de Sol maior. Há também duas seleções de outros compositores (Johann Philipp Krieger e Friedrich Wilhelm Zachow), cujas obras fizeram parte dos cadernos de exercícios do jovem estudante Händel, e que mais tarde cederiam os temas para peças de sua própria lavra.

THE SECRET HÄNDEL – CHRISTOPHER HOGWOOD

CD1

Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759)

Suíte no. 3 em Ré maior`, HWV 428 (versão de Gottlieb Muffat)
01 – Prélude
02 – Allegro
03 – Allemande
04 – Courante
05 – Aria con variazioni
06 – Presto

07 – Ária com Variações em Sol maior, HWV 430/4a
08 – Fuga em Dó menor, HWV 610

Suíte para dois teclados em Dó menor, HWV 446*
09 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Chaconne

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CD 2

Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759)

Três Minuetos em Lá maior
01 – HWV 545
02 – HWV 547
03 – HWV 546

04 – Ária em Fá maior, da “Música Aquática”, HWV 464
05 – Bourrée e Hornpipe em Fá maior, da “Música Aquática”

Johann Philipp KRIEGER (1649-1725)
06 – Ária e Variações em Si bemol maior

Georg Friedrich HÄNDEL
07 – Ária em Si bemol maior, HWV 469
08 – Concerto em Sol maior, HWV 487
09 – Ária, HWV 467
10 – Andante em Sol maior, HWV 487
11 – Allemande em Si menor, HWV 479
12 – Courante em Si menor, HWV 489

Friedrich Wilhelm ZACHOW (1663-1712)
13 – Sarabande em Si menor

Georg Friedrich HÄNDEL
14 – Gigue em Si menor
15 – “Jesu meine Freude”, Coral HWV 480
16 – Chaconne em Sol maior, HWV 435

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Christopher Hogwood, clavicórdio
* Derek Adlam, clavicórdio

Procurei vigorosamente uma imagem bem bonita do Georg Friedrich para ilustrar a postagem. Como veem, fracassei.
Procurei vigorosamente uma imagem bem bonita do Georg Friedrich para ilustrar a postagem.
Como veem, fracassei.

Vassily Genrikhovich

A Quieta Arte das Tangentes – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – The Secret Bach – Christopher Hogwood

51dMqS6BIkL._SS280Nossa microssérie da semana será dedicada ao clavicórdio, instrumento de teclado cujas cordas são percutidas por tangentes (daí o título), produzindo um som tão delicado quanto quase inaudível (sim, o título).

Essa delicadeza e, talvez, tibiez do timbre do clavicórdio inviabilizam sua integração a qualquer conjunto instrumental. Por outro lado, a percussão por tangentes diretamente ligadas às teclas e, por extensão, aos dedos do executante permite que este tenha controle sobre a dinâmica (algo impensável num teclado de cravo, por exemplo) e, mais ainda, lhe permite imprimir um discreto vibrato às notas. Essas peculiaridades tornam seu som muito atraente, ainda que tenhamos que nos resignar a escutá-lo em recitais e álbuns solo e, frequentemente, colocar no máximo o volume dos alto-falantes.

Instrumento de custo relativamente baixo, de fácil manutenção e muito portátil, o clavicórdio gozou de imensa popularidade nos séculos XVII e XVII, em especial para a prática privada de música, entre músicos itinerantes (como era o caso de Händel, que encontrarão amanhã) e onde quer que houvesse pouco espaço disponível.

Nossa série começa com o álbum “The Secret Bach”, em que o versátil Christopher Hogwood interpreta obras do Demiurgo no mais quieto dos instrumentos do teclado. Para nós outros, acostumados com o timbre brilhante do cravo ou mesmo com o som volumoso de um piano de tensas cordas de aço, escutá-las tocadas com tangentes pode requerer alguma “aclimatação” – além, é claro, do já referido ajuste do volume dos alto-falantes. Os pontos altos, para mim, são as peças de abertura (uma versão preliminar da Fantasia Cromática e Fuga em Ré menor) e de encerramento (um arranjo para teclado da Partita no. 2 para violino solo – sim, aquela encerrada pela monumental Chacona). O que vem entre elas são peças curtas que, se comparadas àquelas que mencionamos, empalidecem bastante.

THE SECRET BACH – CHRISTOPHER HOGWOOD

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Fantasia Cromática e Fuga em Ré menor, BWV 903a (versão preliminar, do manuscrito Rust)
01 – Fantasia
02 – Fuga

03 – Adágio em Sol maior, BWV 968
04 – Fuga em Sol menor, BWV 1000
05 – Allemande em Sol menor
06 – Minueto no. 1, BWV 841
07 – Minueto no. 3, BWV 843
08-16 – Partite diverse sopra il Corale ‘O Gott, du frommer Gott”, BWV 767

Partita em Lá menor, baseada na Partita no. 2 em Ré menor para violino solo, BWV 1004
17 – Allemanda
18 – Corrente
19 – Sarabanda
20 – Giga
21 – Ciacoona

Christopher Hogwood, clavicórdio

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Maestro, compositor, musicólogo, cravista, pianista, organista, clavicordista: o multiúso Christopher Hogwood (1941-2014)
Maestro, compositor, musicólogo, cravista, pianista, organista, clavicordista: o multiúso Christopher Hogwood (1941-2014)

Vassily Genrikhovich

Franz Schubert (1797-1828): Impromptus (Le Voyage Magnifique)

Franz Schubert (1797-1828): Impromptus (Le Voyage Magnifique)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Schubert foi, certamente, o maior inventor de melodias. O homem devia pensar só nelas. Li em algum lugar que ele dormia de óculos. Acontece que Schubert acordava muitas vezes com uma música na cabeça e, se fosse ainda procurar os óculos, esta corria o risco de volatilizar-se. Nasceu 27 anos depois de Beethoven, já fora do classicismo, mergulhado no romantismo e, olha, que melodias! Viveu apenas 31 anos e sabe-se lá onde chegaria com esse talento todo para juntar notas, criando beleza. E não tem nada mela-cueca, as coisas eram sublimes.

Aqui o show é de uma especialista no classicismo e romantismo, a notável pianista portuguesa Maria João Pires.  Nada a criticar, ela parece ter nascido com Schubert nas mãos. Esqueça as bobas reflexões pianísticas bem-intencionadas, concentre-se em sua performance absorvente e tranquila. Há uma qualidade instintiva e improvisadora na produção musical de Pires que surge por ter digerido e internalizado essas obras. Ela não tangencia a superfície lírica de Schubert, ela dentro dela como seu habitat. Aproveite!

Franz Schubert (1797-1828): Impromptus (Le Voyage Magnifique)

Impromptus D 899 (1827)
1-1 No. 1 In C Minor: Allegro Molto Moderato 11:05
1-2 No. 2 In E Flat Major: Allegro 4:46
1-3 No. 3 In G Flat Major: Andante 5:50
1.-4 No. 4 In A Flat Major: Allegretto – Trio 7:49

Allegretto D 915 (1827)
1-5 Allegretto D 915 In C Minor 5:41

Impromptus D 935 (1827)
2-1 No. 1 In F Minor: Allegro Moderato 12:25
2-2 No. 2 In A Flat Major: Allegretto – Trio 7:58
2-3 No. 3 In B Flat Major: Thema. Andante – Var. I-V 13:04
2-4 No. 4 In F Minor: Allegro Scherzando 6:35

Drei Klavierstücke / Drei Impromptus Aus Dem Nachlass D 946
2-5 Allegro Assai – Andante – Tempo I 14:48
2-6 Allegretto 12:29
2-7 Allegro 5:29

Maria João Pires, piano

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Link restaurado em 30/05/2025 por René Denon

Saibam, eu amo Maria João Pires

PQP

Musica Antiqua Bohemica – Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704): Sonatas dos Mistérios (ou do Rosário) – Gabriela Demeterová

51V1yFiGA1LEmbora tido por muitos como austríaco, Biber nasceu na cidadezinha boêmia de (cuidado a língua!) Stráž pod Ralskem, ou Wartenberg, o que o torna elegível para inclusão nesta série, ainda que não encontremos qualquer registro da forma tcheca de seu nome, que seria (a língua, cuidado com ela!) Jindřich Ignác František Biber.

Provavelmente o maior violinista de seu tempo, Biber trabalhou em Graz e na simpática sopa de diacríticos que é Kroměříž antes de chegar à corte de Salzburg, onde consolidou sua fama e fortuna. Foi um compositor muito inventivo para diversos conjuntos instrumentais, e suas obras para violino eram tidas como o suprassumo do virtuosismo em sua época.

Como se isso tudo não bastasse, ainda lhe sobrava estilo
Como se isso tudo não bastasse, o cara ainda esbanjava estilo

A reputação dessas Sonatas dos Mistérios (ou do Rosário) só fez crescer desde sua publicação em 1905, mais de duzentos anos após a morte do compositor. Cada uma das quinze sonatas para violino e órgão refere-se a um dos Mistérios do rosário católico (cinco gozosos, cinco dolorosos e cinco gloriosos), com um programa mais sugerido do que puramente descrito musicalmente (em vivo contraste com sua “Sonata Representativa”, que também postaremos aqui). Além de raspar o fundo do tacho da técnica violinística disponível na época, Biber usou e abusou do recurso da scordatura, que consiste na alteração da afinação do violino de maneira a obter efeitos colorísticos e ressonâncias indisponíveis na afinação padrão.

Notação das indicações de scordatura para cada uma das Sonatas dos Mistérios de Biber. Apenas a primeira e última peça (a Sonata I e a Passacaglia) utilizam a afinação normal (Sol-Ré-Lá-Mi)
Notação das indicações de scordatura para cada uma das Sonatas dos Mistérios de Biber. Notem que apenas a primeira e última peça (a Sonata I e a Passacaglia) utilizam a afinação padrão (Sol-Ré-Lá-Mi)

A série é concluída por uma solene passacaglia, uma das mais antigas obras para violino solo. Ela foi muito difundida, em cópias manuscritas, ainda durante a vida do compositor, e considerada o pináculo de toda literatura violinística até que Sebastian Bach e sua monumental Chacona acenassem para Biber lá bem do alto. A solista Gabriela Demeterová – que, ao vivo, tem aparência bem mais amistosa que a garota de olhar dardejante que aparece nas fotos de divulgação – faz a perigosa travessia violinística com muita competência e sem qualquer incidente, acompanhada pelo versátil Jaroslav Tůma, que, verão vocês em publicações futuras, toca todos os teclados imagináveis.

BIBER – MYSTERY SONATAS

Heinrich Ignaz Franz von BIBER (1644-1704)

Sonatas para a Glorificação dos Quinze Mistérios da Vida de Maria e de Cristo

DISCO 1

Sonata I: Anunciação do Nascimento de Cristo pelo Arcanjo Gabriel (modo dórico)
01 – Praeludium
02 – Variatio. Aria: Allegro
03 – Finale

Sonata II: Visitação de Maria por Isabel (Lá maior)
04 – Sonata
05 – Allemande
06 – Presto

Sonata III: Nascimento de Cristo, Adoração dos Pastores (Si menor)
07 – Sonata
08 – Courante
09 – Double
10 – Courante (da capo)
11 – Adagio

Sonata IV: Apresentação de Cristo no Templo (modo dórico)
12 – Ciaccona

Sonata V: Jesus aos Doze Anos no Templo (Lá maior)
13 – Praeludium
14 – Allemande
15 – Gigue
16 – Sarabande
17 – Double
18 – Sarabande (da capo)

Sonata VI: O Sofrimento de Cristo no Monte das Oliveiras (Dó menor)
19 – Lamento
20 – Adagio

Sonata VII: A Flagelação de Cristo (Fá maior)
21 – Allemande
22 – Variation
23 – Sarabande

24 – Passacaglia para violino solo

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DISCO 2

Sonata VIII: A Coroação com Espinhos (Si menor)
01 – Sonata
02 – Presto
03 – Gigue
04 – Double I
05 – Gigue (da capo)
06 – Double II
07 – Gigue (da capo)

Sonata IX: Jesus carrega a Cruz (Lá menor)
08 – Grave
09 – Corrente
10 – Double I
11 – Double II
12 – Finale

Sonata X: A Crucificação (Sol menor)
13 – Praeludium
14 – Aria con variazioni

Sonata XI: A Ressurreição (Sol maior)
15 – Sonata
16 – Adagio
17 – Andante

Sonata XII: A Ascensão de Cristo (Dó maior)
18 – Intrada
19 – Aria
20 – Allemanda
21 – Courante
22 – Double
23 – Courante (da capo)

Sonata XIII: A Descida do Espírito Santo (Ré menor)
24 – Sonata
25 – Gavotte
26 – Gigue
27 – Sarabande

Sonata XIV: A Assunção de Maria (Ré maior)
28 – Allegro maestoso
29 – Aria (Ciaccona)
30 – Gigue

Sonata XV: A Coroação de Maria (Dó maior)
31 – Sonata
32 – Aria con variazioni
33 – Canzone
34 – Sarabande
35 – Variation

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Gabriela Demeterová, violino
Jaroslav Tůma, órgão

Gabriela Demeterová, antes e depois do dardo tranquilizante
Gabriela Demeterová, antes e depois do dardo tranquilizante

Vassily Genrikhovich

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

Coleção de Peças Francesas para Piano – Arthur Rubinstein

 

Música Francesa para Piano

Arthur Rubinstein

 

 

O que você faz, depois que vai para casa?

The CD is on the table!

Eu sempre penso nisto quando imagino os grandes artistas em seus momentos, digamos assim, mais mundanos. É claro, a pergunta aplica-se a outras gentes e é possível que os hábitos domésticos, os interesses além daqueles estritamente profissionais, revelem mais sobre as pessoas do que aquilo que é público, aquilo que todos sabem sobre elas.

Pois fico imaginando como teria sido Arthur Rubinstein chegando em casa após um cansativo dia de gravações com uma enorme orquestra, um regente cheio de ideias diferentes das suas sobre o concerto que estão gravando. O produtor Max Wilcox atarefado com as faixas selecionadas para audição, o orçamento já em vias de estourar.

Então, chegar em casa, passar dos sapatos para os chinelos, um golinho de xerez, talvez, um lanchinho leve, por certo. Nada interessante na TV. Pronto, agora a noite já caiu de vez e a porta que dá para a sacada está aberta e deixa entrar uma brisa que além de balançar as cortinas esvoaçantes, traz um aroma das flores que só recendem à noite, assim como um restinho de luar. Pois não é que o clima se mostra então propício à música. O piano ali pertinho, sobre o velho tapete vermelho, sorri convidativamente com suas amareladas e amigas teclas. Música então, pensa nosso hipotético Arthur. O que tocaria para si próprio ou pequena e íntima companhia? Chopin? Nãh… muito pedido por todos. Beethoven, Schubert, Mozart? Não de novo, muito germânicos para a noite quase latina. E como era boa a convivência com os amigos franceses, colegas pianistas e queridos compositores. Jantares nas casas de uns, passeios nos arredores de Paris com adoráveis piqueniques. Assim, nosso pianista resolve tocar umas peças francesas, cheias de charme, de alegria e de muita elegância.

As Valses nobles et sentimentales do Maurice são mais conhecidas na versão para orquestra e merecidamente. Mas na falta da orquestra, Arthur vai de piano mesmo, que ele é capaz de recriar com seu instrumento a riqueza da partitura de Ravel. Mas as valsas foram originalmente escritas para piano e inspiradas pelas Valses sentimentales e as Valses nobles de Schubert. No entanto, diferentes das peças de Schubert, as de Ravel formam uma coleção de oito valsas que se emendam umas nas outras, fluindo num todo, passando por seções tempestuosas, langorosas, até a peça final onde as anteriores são recapituladas. A coleção teve sua estreia em um concerto da Sociedade Musical Independente, interpretadas por Louis Aubert, amigo de Ravel dos dias do conservatório. O concerto foi arranjado de forma que as pessoas não sabiam os nomes dos compositores das peças e eram estimuladas a adivinharem os autores. As tentativas muito divertiram Ravel. Entre elas surgiram nomes como Kodály, Satie, Chopin ou mesmo Mozart.

Poulenc ainda muito jovem e servindo durante a guerra, arranjou tempo para compor essas Mouvements perpétuels e conseguiu as enviar para Ricardo Viñes estreá-las em um concerto de fevereiro de 1919. Estes concertos misturavam diferentes artes, com poesia e exposições de pinturas além de música. Essas peças foram um sucesso imediato e mesmo muitos anos depois, sempre as ouvindo, quando perguntado como ele se sentia sobre elas, Poulenc respondeu que “ainda podia tolerá-las”.

O Intermezzo foi uma das poucas peças que Poulenc compôs em 1934 e a dedicou a uma querida amiga, a Condessa Marie-Blanche de Polignac, uma música amadora muito aplicada. Rubinstein também era amigo da Condessa e ganhou de Poulenc uma cópia do Intermezzo, com a inscrição “Para Arthur, um retrato de nossa querida Marie-Blanche”.

Ravel recuperava-se das agruras da guerra na casa de campo de Madame Fernand Dreyfus quando encontrou inspiração para compor uma suíte para piano, Le Tombeau de Couperin. Fazia assim simultaneamente um tributo à música francesa antiga e a vários amigos que perdera na guerra. Desta suíte ouvimos aqui a Forlane, lindíssima. A outra peça de Ravel no disco, La Vallée des cloches pertence a outra suíte, Miroirs.

Mais duas lindas peças seguem, um famoso noturno de Gabriel Fauré e outro intermezzo de Poulenc, este composto em 1943.

O disco termina com uma peça “pitoresca”, Scherzo-Valse, de Chabrier, o mais barulhento e histriônico dos compositores (quase amador) francês. Certamente a peça prenuncia sua famosa España. E assim também termina a nossa noite imaginada e transformada em um belíssimo disco, mais um da dupla Rubinstein – Wilcox, o artista e o artístico produtor.

 

Maurice Ravel (1875-1937)

  1. Valses nobles et sentimentales

Francis Poulenc (1899-1963)

  1. Mouvements perpétuels
  2. Intermezzo em lá bemol maior

Maurice Ravel (1875-1937)

  1. Forlane (da Suíte ‘Le Tombeau de Couperin’)
  2. La Vallée des cloches (da Suíte ‘Miroirs’)

Gabriel Fauré (1845-1924)

  1. Noturno em lá bemol maior, Op. 33, 3

Francis Poulenc (1899-1963)

  1. Intermezzo No. 2 em ré bemol maior

Emmanuel Chabrier (1841-1924)

  1. Scherzo-Valse

Arthur Rubinstein, piano

Produção: Max Wilcox

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FLAC | 160 MB

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MP3 | 320 KBPS | 108 MB

Ravel colocou uma citação de Henri de Regnier no auto das Valses nobles et sentimentales: “… le plaisir delicieux et toujours nouveau d’une occupation inutile…” (… o prazer delicioso e sempre novo de uma ocupação inútil…)

Jurássico, perpétuo! Grande CD! Aproveite!

René Denon

Ainda mais Cordas: o Sarod e o Sitar (Ravi Shankar e Ali Akbar Khan – Ragas)

712cGonq0FL._SL1092_Encerramos esta série sobre as cordas com dois dos maiores músicos do século XX.

O sitarista Ravi Shankar (1920-2012) dispensa apresentações, até porque já foi devidamente apresentado aqui no PQP Bach e fará (a julgar pelo grande número de downloads) muitas outras aparições por aqui. Ali Akbar Khan foi o maior mestre moderno do sarod -espécie de alaúde indiano, que tem as mesmas 18 ou 19 cordas do oud persa (e como vocês são espertos, já tiveram o clique: oudal-oud – alaúde), embora tanto Khan quanto Shankar modestamente atribuíssem esta distinção, e também a de maior músico que jamais existiu, ao legendário Allauddin Khan (1862-1972), pai do primeiro e guru do segundo. A doçura solene do sarod e o timbre lisérgico do sitar garantem, a despeito da qualidade subótima de gravação, um dos mais eletrizantes álbuns de toda a música.

RAGAS – RAVI SHANKAR – ALI AKBAR KHAN

01 – Raga Palas Kafi
02 – Raga Bilashkani Todi

Ali Akbar Khan, sarod
Ravi Shankar, sitar
Kanall Dutta, tabla
Nodu Mullick e Ashish Kumar
, tamboura

03 – Raga Ramdas Malhar
04 – Raga Malika

Ali Akbar Khan,
sarod
Tabla e tamboura
– músicos não-creditados

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Shankar e Ali Akbar sob o olhar suserano do guru Allauddin Khan
Shankar e Ali Akbar sob o olhar suserano (e aparentemente vivo) do guru Allauddin Khan

Vassily Genrikhovich

 

Beethoven / Schnittke / Bach: Prism II

Beethoven / Schnittke / Bach: Prism II

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco maravilhoso! É magnificamente interpretado pelo Quarteto de Cordas Dinamarquês e tem repertório coerentemente interligado. O primeiro disco do projeto Prism foi indicado ao Grammy de melhor disco erudito. Ele ligava fugas de Bach, quartetos de Beethoven e obras de mestres modernos. Neste volume dois da série, temos uma linda versão da Fuga de Bach em Si bemol menor do Cravo Bem Temperado (no arranjo do compositor Emanuel Aloys Förster), o extrordionário Quarteto Nº 3 de Alfred Schnittke (1983), e — tchan! — mais o INCONTORNÁVEL Quarteto de Cordas Op. 130 de Beethoven e a Grande Fuga. Como o quarteto explica: “Um feixe de música é dividido através do prisma de Beethoven. O importante para nós é que essas conexões sejam amplamente experimentadas. Esperamos que o ouvinte se junte a nós na maravilha de ver os feixes de música que viajam de Bach e Beethoven até nossos dias. Gravado na histórica Reitstadel Neumarkt e produzido por Manfred Eicher, o álbum é de 2019, lançado enquanto o Quarteto de Cordas Dinamarquês embarca em uma turnê com recitais em ambos os lados do Atlântico, mas não no Brasil, claro…

Beethoven / Schnittke / Bach: Prism II

1 FUGUE IN Bb MINOR BWV 869
(Johann Sebastian Bach)
06:48

ALFRED SCHNITTKE – STRING QUARTET NO.3
2 Andante 06:11
3 Agitato 07:49
4 Pesante 08:36

LUDWIG VAN BEETHOVEN – STRING QUARTET OP.130 / OP.133
5 Adagio ma non troppo 09:52
6 Presto 02:00
7 Poco scherzoso. Andante con moto ma non troppo 07:05
8 Alla danza tedesca. Allegro assai 03:22
9 Cavatina. Adagio molo espressivo 07:49
10 Ouverture. Allegro – Fuga (Große Fuge) 16:44

Danish String Quartet:
Rune Tonsgaard Sørensen, Violin
Frederik Øland, Violin
Asbjørn Nørgaard, Viola
Fredrik Schøyen Sjölin, Violoncello

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Hum… A luz do lado esquerdo é Bach, Beethoven ou ambos?

PQP

Musica Antiqua Bohemica – František Brixi (1732-1771): Concertos para órgão e orquestra – Věra Heřmanová

su3741-2Já ouviram falar de Brixi? Eu não tinha, até ouvir dois destes concertos tocados pela mesma Věra Heřmanová e uma competente orquestra de estudantes na maravilhosa Igreja de São Nicolau (Svatý Mikuláš), joia barroca na margem direita do Vltava em Praga. Após o concerto, a simpática organista vendeu-me este CD e autografou-o com uma dedicatória em tcheco que ainda não decifrei. Mesmo afogado na sopa de letrinhas, gostei muito da gravação. O organista Brixi, foi mestre de capela da Catedral de São Vito (aquela que ainda hoje reina imponente no alto do Castelo de Praga) sabia escrever com brilho para seu instrumento e tirar bom proveito dos necessariamente pequenos conjuntos que acompanhavam o solista (que não poderiam, ademais, ser muito grandes, dada a acústica altamente ressonante das igrejas tchecas). O estilo de Brixi, mezzo clássico, mezzo barroco, é bem típico do período em que viveu.

BRIXI – ORGAN CONCERTOS

František Xaver BRIXI (1732-1771)

Concerto em Fá maior para órgão, duas trompas, cordas e baixo contínuo
01 – Allegro moderato
02 – Adagio
03 – Allegro assai

Concerto em Dó maior para órgão, dois clarins, cordas e baixo contínuo
04 – Allegro moderato
05 – Adagio
06 – Alla breve

Concerto em Sol maior para órgão, duas trompas, cordas e baixo contínuo
07 – Allegro moderato
08 – Adagio
09 – Allegro molto

Concerto em Ré maior para órgão, dois clarins, cordas e baixo contínuo
10 – Allegro moderato
11 – Andante molto
12 – Allegro

Věra Heřmanová, órgão
Capella Regia Musicalis, com instrumentos originais
Robert Hugo, regência

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A simpática Věra Heřmanová: ótima ao tocar, críptica ao escrever.
Věra Heřmanová: ótima ao tocar, críptica ao escrever

Vassily Genrikhovich

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

Vários: Dances – Peças para Piano – Benjamin Grosvenor

 

Danças?

 

Após muitos (muitos!) anos de experiência com música e discos, alguma coisa acaba-se aprendendo. Eu consigo farejar um bom disco a milhas de distância. E este álbum, eu sabia, é excelente. Se bem que gosto, não se deve discutir.

A rabugice e o conservadorismo são traços que afloram a medida em que a idade avança, é inexorável. Rabugento ainda não sou, mas tenho tido episódios. Conservador é claro que não sou, mas essas novidades de discos conceituais dão-me rugas na testa e um ligeiro movimento de pé atrás. Cheira-me a marketing. Mas neste caso, rendo-me absolutamente! Disco maravilhoso, de primeira à última faixa.

Dança é o tema do álbum cuja concepção foi inspirada em uma carta de Ferruccio Busoni para um de seus alunos, Egon Petri, propondo um programa dançante para um recital. Que ideia mais simples, mas maravilhosa…

Pois dança é o assunto do álbum que vai das antigas danças, como a sarabande da Partita do Bach até o Boogie Woogie, no estudo do Morton Gould. Entre elas, valsas, muitas maravilhosas valsas. Ah, polonaises também, pois há Chopin, e algumas mazurkinhas do Scriabin.

Não poderia faltar o Azul Danúbio e tango também.

E como não falar umas palavras sobre o Benjamin Grosvenor, este excelente pianista? Ele despontou para o mundo da música em 2004 ganhando o BBC Young Music Competition com 11 anos (bota Young nisso). Foi convidado a se apresentar na Primeira Noite do 2011 BBC Proms, com apenas 19 anos.

Em 2012, quando ganhou um importante prêmio – o Critics Choice, do Classic Brits, deixou a todos comovidos por dedicar o prêmio a seu irmão dois anos mais velho, portador de síndrome de Down. Benjamin explicou (candidamente):  Eu dedico este prêmio ao meu irmão Jonathan. Isto é por ter me aturado praticando horas seguidas por anos e anos e por ter ido a tantos dos meus concertos contra sua própria vontade. Afinal, para que servem irmãos?

Benjamin Grosvenor

Johann Sebastian Bach
Partita No. 4, BWV828
1 I. Overture
2 II. Allemande
3 III. Courante
4 IV. Aria
5 V. Sarabande
6 VI. Menuet
7 VII. Gigue

Frédéric Chopin
Andante spianato et grande polonaise brillante in E-flat major, Op. 22
8 I. Andante spianato in G major
9 II. Grande polonaise brillante in E-flat major
10 Polonaise no.5 in F sharp Minor Op. 44

Alexander Scriabin
Ten Mazurkas Op. 3
11 No. 6
12 No.4
13 No.9
14 Valse in Ab major Op. 38

Enrique Granados
Valses Poeticos
15 Preludio: Vivace molto
16 I. Melodioso
17 II.Tempo de Vals noble
18 III. Tempo de Vals lento
19 IV. Allegro humoristico
20 V. Allegretto (elegante)
21 VI. Quasi ad libitum (sentimental)
22 VII. Vivo
23 VIII. Presto

Adolf Schulz-Evler
24 Concert Arabesques on themes by Johann Strauss, “By The Beautiful Blue Danube”

Isaac Albeniz (arr. Leopold Godowsky)
25 Tango, Op.165, No.2

Morton Gould
26 Boogie Woogie Etude

Franz Liszt
27 2 Etudes de Concert S. 145, 2 – Gnomenreigen

Johann Sebastian Bach (arr. Wilhelm Kempff)
28. Sonata for Flute and Harpsichord, BWV 1031 – Siciliano

Benjamin Grosvenor, piano

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MP3 | 320 KBPS | 210 MB

Vejam as opiniões de alguns críticos:

“performance after performance of surpassing brilliance and character”

– Gramophone

“‘Jeu perlé’ to die for, ever changing colours and an innate sense of articulation and rubato”

– Diapason

“A revelation”

– American Record Guide

The CD is on the table!

Uma observação técnica: as duas últimas faixas desta postagem não fazem parte do disco oficial. Realmente, o disco deveria acabar no estudo do Morton Gould, um tremendo tour de force! Mas, as duas peças que seguem, o Gnomenreigen e o Siciliano de Liszt e Bach (Kempff) são tão bonitinhas que estão aí, como dois encores… Aproveitem!!

René Denon