Ravi Shankar (1920-2012) & Philip Glass (1937): Passages

Este é um álbum que sempre aparece nas minhas listas de mp3 para ouvir enquanto dirijo. O disco é composto por seis faixas de uma música predominantemente indiana e da melhor qualidade. É interessante salientar que apesar das distancias geográficas que separam os dois compositores, Glass em Nova Yorque e Shankar em Madras, o álbum possui uma unidade surpreendente.

É um trabalho que transcende ao mero rótulo exótico de crossover. É a perfeita fusão do Tao – Yang/Yin. Os módulos repetitivos que são marca do minimalismo de Glass (vozes e violoncelos lembrando muito o Villa-Lobos das Bachianas), têm tudo a ver com as ragas indianas.

Passages traz duas composições de Glass sobre temas de Shankar; duas de Shankar sobre temas de Glass; e uma peça autônoma de cada compositor. É uma música envolvente e hipnótica, como a naja. Não fossem Shankar e Glass dois hábeis encantadores de serpentes.

Simplesmente imperdível!

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Ravi Shankar & Philip Glass: Passages

01 Offering 9:43
Composed by Ravi Shankar

02 Sadhanipa 8:37
Composed by Philip Glass

03 Channels And Winds 8:00
Composed by Philip Glass

04 Ragas In Minor Scale 7:37
Composed by Philip Glass

05 Meetings Along The Edge 8:09
Composed by Ravi Shankar

06 Prashanti 13:42
Composed by Ravi Shankar

Musicians

Strings
Tim Baker, violin – Barry Finclair, violin, viola – Mayuki Fukuhra, violin – Regis Iandiorio, violin – Karen Larlsud, violin – Sergiu Schwartz, violin – Masako Yanagita, violin, viola – Al Brown, viola – Richard Sortomme, viola – Seymour Barab, cello – Bervely Laudrisen, cello – Batia Lieberman, cello – Joe Carver, bass

Woodwinds
Thereza Norris, flute – Jack Kripl, flute, soprano saxophone – Jon Gibson, soprano saxophone – Pichard Peck, tenor, alto saxophone – Lenny Pickett, tenor, alto saxophone

Brass
Peter Gordon, french horn – Ron Sell, french horn – Keith O’Quinn, trombone – Allan Raph, trombone

Gorden Gottleib, percussion

Jeanie Gagne, voice

Michael Rieman, piano

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Marcelo Stravinsky

13 comments / Add your comment below

  1. Marcelo:

    Excelente post!!! Baixei esse cd em outro blog (nem me recordo qual..hehe) e achei maravilhoso. Curiosamente estava ouvindo-o hoje mesmo!!! Gosto muito das faixas 04 e 06, mas o cd todo é magnífico, com a fusão da música impressionante do Shankar com os módulos repetitivos do Glass.

    Sempre achei que a música clássica indiana é um universo que deve ser mais explorado.

    1. Eu sempre fui fascinado não só pela música clássica indiana e chinesa, mas pela música oriental como um todo. Qualquer dia desses vou atacar com música clássica chinesa.

  2. O velhinho Shankar ainda ainda dá no couro! Ele é pai da cantora Norah Jones. Tá certo que ela já está balzaquiana, mas ele ainda dava umas pegadinhas por aí quando era sexagenário. O velhinho é bom de produção e reprodução.
    Ja o Glass é filho dele mesmo para ser o mais minimalista possível.
    Este cd é muito legal.
    Luciano

  3. Puxa vida! Este disco é um dos meus prediletos ha muitos anos. “Offering”, a música de abertura do disco é simplesmente o que Glass fez de melhor em toda a sua história eu acho. a sobreposição de timbres, o “crescendo” que percorre a música do início ao fim, leveza e melancolia…

    E o mantra que encerra o disco ditado por Shankar também é uma gravação impecável.

    Está entre os 10 discos para ouvir antes de morrer…

  4. Minha predileção pessoal é por Prashanti, o clímax temático do álbum. A palavra Prashanti significa “Paz Suprema” ou “Tranquilidade Absoluta” em sânscrito. A estrutura musical da faixa funciona como uma narrativa: começa calma, atinge um clímax caótico que representa os males do mundo moderno e resolve-se em um canto devocional em Hindi:

    Ó Senhor, seja benevolente conosco.
    Afaste a escuridão, dê-nos a luz da sabedoria.
    Tire de nós a violência, a inveja, a ganância e a ira,
    E preencha nossos corações com amor e paz.

  5. Que maravilha esse encontro! Este disco tem uma música que era usada no quadro do Padre Quevedo no Fantástico. Quando criança ouvia tocando no programa e me arrepiava. Quando conheci o disco reconheci a música de imediato! É a própria Passages.

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