Viva a Rainha! – As Idades de Marthinha, parte III (1961-1971) [Martha Argerich, 80 anos]


Em homenagem aos oitenta anos da Rainha, adicionaremos mais uma camada à sua já extensa discografia aqui no PQP Bach. Eis a terceira de oito partes:


Os conturbados anos sessenta foram um redemoinho para Martha. Depois dum breve período a morar sozinha, longe da mãe, a viver la vida loca em Viena, desiludiu-se com a carreira de concertista e cogitou de tudo, até estudar Medicina (!). Insegura sobre sua capacidade como artista, resolveu dar um tempo ao piano e mudou-se para Nova York.

O motivo? Vladimir Horowitz.

Martha soube que sua gravação da Rapsódia Húngara no. 6 impressionara Horowitz, e achou que isso seria credencial bastante para tornar-se aluna do ídolo. Enganou-se: isso nunca aconteceu – nunca, aliás, se encontraram – e, para desnortear ainda mais seu rumo, viu-se grávida de sua primeira filha, Lyda.


Depois de três anos sem tocar, Martha retorna ao piano. Seu objetivo é o Concurso Internacional Chopin, em Varsóvia, em 1965.


Logo na primeira etapa da competição, fica óbvio que seu maior concorrente seria o brasileiro Arthur Moreira Lima, aluno do Conservatório de Moscou, que conquistou o público com suas interpretações e com sua semelhança física com o próprio Chopin, de quem seria um dos mais distintos intérpretes. Arthur venceu a primeira etapa, Martha, as duas seguintes, e na grande final, com sua interpretação do concerto em Mi menor, ela acabou por conquistar o primeiro prêmio.

Ei-los

O resto, como dizem, é história.

ooOoo

Apresento-lhes agora todas as gravações que consegui recolher da trajetória de Martha no VII Concurso Internacional Chopin, em 1965, que deixa óbvio por que nossa Rainha conquistou o júri, atacando o teclado com a fúria e a paixão habituais, sem medo de correr riscos (ao que abdicam muitos participantes de concursos pianísticos). O mais impressionante, talvez, é que não fosse a qualidade medíocre do som, poderíamos jurar que as performances são de anteontem, tamanha era a maturidade da artista, então com 23 anos, e tão espetacular que é sua técnica hoje, aos oitenta.

1 – Anúncio

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)

Sonata para piano no. 3 em Si menor, Op. 58
2 – Allegro maestoso
3 – Scherzo: Molto vivace
4 – Largo
5 – Finale: Presto non tanto

Dos Dois noturnos para piano, Op. 55:
6 – No. 2 em Mi bemol maior

Dos Doze estudos para piano, Op. 10:
7 – No. 10 em Lá bemol maior

8 – Barcarola em Fá sustenido maior, Op. 60

Dos Doze estudos para piano, Op. 10:
9 – No. 1 em Dó maior
10 – No. 5 em Dó sustenido menor

Dos Vinte e quatro prelúdios para piano, Op. 28
11 – No. 19 em Mi bemol maior
12 – No. 20 em Dó menor
13 – No. 21 em Si bemol maior
14 – No. 22 em Sol menor
15 – No. 23 em Fá maior
16 – No. 24 em Ré menor

17 – Polonaise em Lá bemol maior, Op. 53, “Heroica”

Dos Três noturnos para piano, Op. 15
18 – No. 1 em Fá maior

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Das Três valsas para piano, Op. 34:
1 – No. 2 em Lá bemol maior

2 – Scherzo para piano no. 3 em Dó sustenido menor, Op. 39

Concerto para piano e orquestra no. 1 em Mi menor, Op. 11
3 – Allegro maestoso
4 – Larghetto
5 – Rondo. Vivace.

Orkiestra Filharmonii Narodowej w Warszawie (Orquestra Filarmônica Nacional de Varsóvia)
Witold Rowicki, regência

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Martha Argerich, piano
Gravado ao vivo na Sala Filarmônica de Varsóvia, Polônia, em março de 1965

Programa original da participação de Martha no VII Concurso Internacional Chopin, em 1965. Notem que há diferenças entre o programa previsto e aquele realmente executado, mais notavelmente o concerto da etapa final.

 

Trailer do documentário “Martha Argerich in Warsaw 1965”, que aborda o marco zero do nascimento da superestrela. Notem a participação de Arthur Moreira Lima, um excelente artista que, convenhamos, teve muito azar de disputar a primazia com uma das melhores pianistas de todos os tempos.

Our Queen speaking in English

 

PQP Bach, pelo saudoso Ammiratore (1970-2021)

Vassily

2 comments / Add your comment below

  1. Mais uma bela série, Vassily! E merecida homenagem a essa pianista incrível (particularmente, acho ela e Pollini os maiores vivos) – e com uns presentes incríveis, nessa recuperação de gravações antigas – os estudos de Chopin que ele tocou nessa fase inicial, por ex, nunca foram gravados “oficialmente”, que eu saiba… Aguardando os proximos posts, abraços!!

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