John Cage (1912 -1992) – 4´33´´

Os homens são mesmos fascinantes e engraçados. Afirmam-se como indivíduos, mas inevitavelmente são destinados a serem peças de encaixe do muro histórico. 4´33´´ é uma obra inevitável, mesmo se Cage não tivesse existido. A música sempre levou a busca dos extremos, e o fim acabaria sendo esse: 4 minutos e 33 segundos nos quais os músicos param. E a música, também pára? Segundo Cage, não. A música criada pelo evento ou constrangimento (sussuros, xingamentos, ruídos, ou o próprio silêncio [parte importante da música]) seria nova a cada apresentação desta obra. Assim como já vinha ocorrendo com suas obras aleatórias, 4´33´´ abre possibilidades interessantes e inesperadas.

Nesta rara gravação podemos ouvir 4´33´´ sendo interpretada por um grupo excelente de percussionistas, que parecem ter gravado numa bela manhã de primavera. É possível ver duas outras versões desta mesma peça no youtube, uma para grande orquestra link e outra para piano link. Outra obra de Cage que merece destaque é Amores, música para piano preparado e percussão. Muito empolgante. Participação do pianista Zoltán Kocsis, cujo piano produz um som realmente estranho e percussivo. O disco termina com o ótimo Third Construction de Cage para 4 percussionistas.

Ah, já ia esquecendo, aqui você encontra uma das melhores interpretações de Ionisation de Varèse.

1. Ionisation, for 13 percussion instruments (Edgard Varese)
2. Toccata for orchestra (Carlos Chavez)
3. 4’33” (John Cage)
4. Double Music for percussion quartet (John Cage, Lou Harrison)
5. Amores, for prepared piano & 3 percussion: I – Solo for Piano
6. II – Trio
7. III – Trio
8. IV – Solo for Piano
9. Third Construction, for 4 percussionists (John Cage)

Amadinda Percussion Group

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Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704)- Rosenkranz-Sonaten

Uma obra-prima, um disco estupendo do Musica Antiqua Köln. Biber nasceu em Wartenberg (hoje uma cidade chamada Straz pod Ralskem na Republica Checa).

Além de ser um compositor notável foi também um virtuoso do Violino. Em 1684 tornou-se mestre de capela em Salzburgo onde acabou por falecer 20 anos depois. Sua obra ganhou recentemente alguma popularidade pela originalidade do conjunto de 16 sonatas chamadas The Mystery Sonatas ou Rosenkranz-Sonaten que têm a particularidade de cada uma delas exigir uma afinação do violino diversa da usual. Uma outra peça de referência pela sua grandiosidade é a Missa Salisburgensis (escrita par 53 partes independentes de vozes e instrumentos). É alias uma parte desta missa que escolhemos para ilustrar o trabalho deste compositor composta em 1682.

Informações retiradas daqui.

Quem gosta e quem detesta música barroca deve baixar este CD extraordinário.

Biber – Rosenkranz-Sonaten

1. I. The Annuciation
2. II. The Visitation
3. III. The Nativity
4. IV. The Presentation
5. V. The Finding in the Temple
6. VI. The Agony in the Garden
7. VII. The Scourging of Jesus
8. VIII. The Crowing of Jesus with Thorns
9. IX. Jesus carries His Cross
10. X. The Crucifixion
11. XI. The Resurrection
12. XII. The Ascension
13. XIII. The Descent of the Holy Ghost
14. XIV. The Assumption of our Lady
15. XV. The Crowning of the Blessed Virgin Mary
16. Passacaglia

Musica Antiqua Köln:
Reinhard Goebel – violin
Phoebe Carrai – Violoncello
Konrad Junghanel – Lute
Andreas Spering – Harpsichord & Organ.

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Johann Gottlieb Graun (1703-1771) e Carl Heinrich Graun (1704-1759) – Concertos

Porque eles nunca assinavam seus concertos é difícil, se não impossível, afirmar quem é o autor de cada um desses concertos. São dos Graun Brothers. Pronto! Numa carta para Telemann, J.G. Pisendel reclama que os trabalhos estão simplesmentes assinados: “Graun”. Mas a música é boa e a interpretação do Il Gardellino é excelente.

Graun – Concerti

Graun: Concerto for Viola da gamba, Strings and Basso continuo in A major
* Performers: René Schiffer (Cello); Vittorio Ghielmi (Viola da gamba); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 22 min. 59 sec.
1 Allegro non troppo
2 Andantino
3 Allegro

Graun: Concerto for Oboe d’amore, Strings and Basso continuo in D major
* Performers: René Schiffer (Cello); Marcel Ponseele (Oboe); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 14 min. 55 sec.
4 Allegro
5 Andante
6 Allegro

Graun: Concerto for Fl, Strings and Basso continuo in E major
* Performers: René Schiffer (Cello); Jan De Winne (Flute); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 11 min. 9 sec.
7 Allegro
8 Siciliano
9 Allegro

Graun: Concerto grosso for Flute, Violin, Viola and Cello in G major
* Performers: René Schiffer (Cello); Jan De Winne (Flute); Lorenzo Ghielmi (Piano); Shalev Ad-El (Harpsichord); Frank Coppieters (Violone); Sophie Gent (Violin); Mika Ahika (Violin); Mika Ahika (Viola); Stephen Freeman (Violin); Vittorio Ghielmi (Viola da gamba)
* Ensemble: Il Gardellino Ensemble
* Running Time: 18 min. 45 sec.
10 Allegro non troppo
11 Arioso e largo
12 Allegro


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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para piano nº 12 e 17

Estou dando um tempinho nas postagens de música sacra para participar deste debate sobre referências pianísticas. Centro o foco mais especificamente em Brendel e Pollini, possibilitando aos senhores a devida comparação. Explico. Estarei postando três cds em seqüência de concertos para piano de Mozart, com estes dois grandes instrumentistas. Sim, eu sei que o mano pqp já postou esta dupla Brendel/Mozart, mas esta gravação que estou disponibilizando é bem recente, de 2006, para ser mais exato, assim como as de Pollini, que estarei postando mais a fente. Em dois casos eles estarão interpretando os mesmos concertos, aí fica a possibilidade dos senhores fazerem as devidas comparações.

Confesso que ainda prefiro as gravações antigas de Brendel, principalmente a do Concerto nº 17, um de meus favoritos. Não sei se a idade é a responsável por esta “puxada” de freio que ele dá, mas sinto uma certa falta do brilho de sua leitura anterior. Soa um tanto burocrático em certos momentos. Mas deixo os comentários à vossos critérios. Meu objetivo aqui é apenas lançar a comparação. À própria Scotisch Chamber Orchestra e ao experiente Sir Charles Mackerras falta um certo vigor que Neville Marrimer conferiu à sua indefectível Academy of Saint-Martin-in-the-Fields. Enfim, questão de opinião. Talvez algum leitor vá discordar e dizer que esta versão soa mais agradável, não um “tour-de-force” virtuosístico como pode parecer a versão anterior (aqui).

Enfim, divirtam-se.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para piano nº 12 e 17

1. Piano Concerto No.12 in A, K.414 – 1. Allegro
2. Piano Concerto No.12 in A, K.414 – 2. Andante
3. Piano Concerto No.12 in A, K.414 – 3. Rondeau (Allegretto)
4. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 1. Allegro
5. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 2. Andante
6. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 3. Allegretto

Alfred Brendel – Piano

Scottisch Chamber Orchestra

Sir Charles Mackerras – Director

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Franghiz Ali-Zadeh (1947) – Mugam Sayagi

Ah tá, vocês vão querer me dizer que aguardavam a postagem do maior compositor do Azerbaijão no PQP Bach. Sim, agora lembro dos vários pedidos recebidos:

– Pequepêzinho, posta o Borat, quero dizer, o Ali-Zadeh para nós?

Pois peguei vocês! Não é O Franghiz Ali-Zadeh e sim A Franghiz Ali-Zadeh. Sim, a woman! Franghiz Ali-Zadeh (nascida em 1947) é uma compositora e pianista azerbaijana que vive atualmente na Alemanha. Ela é conhecida por combinar a música tradicional do Azerbaijão, o mugam, com técnicas da música ocidental, especialmente de Arnold Schönberg. Seus trabalhos fazem enorme sucesso na região Borat.

O nome deste CD significa “no estilo do mugam”. O mugam é uma incrivelmente sofisticada e emocionada forma de música e poesia. Sons de pingos d`água abrem a maravilhosa Oasis. A compositora toca piano no Quinteto Apsheron, cujo segundo movimento é sensacional. Music for Piano é uma música para piano, dã. Para finalizar, Mugam Sayagi, um quarteto de cordas que incorpora sintetizador e percussões exóticas locais. É uma obra estupenda. Vale várias audições.

Excelente!

Para variar, este CD é um rebento do mais importante quarteto de cordas de nosso tempo, o KRONOS QUARTET. Ótima qualidade de som.

Franghiz Ali-Zadeh (1947) – Mugam Sayagi

1. Oasis (1998) 13:19

2. Apsheron Quintet (2001) I. Tactile Time 11:27
3. Apsheron Quintet (2001) II. Reverse Time 7:23

4. Music for Piano (1989/1997) 7:32

5. Mugam Sayagi (1993) 21:20

Franghiz Ali-Zadeh
Scott Fraser
Kronos Quartet

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Arto Pärt (1935) – Te Deum, Silouans Song, Magnificat e Berliner Messe

Sabem? Eu tento, tento mesmo, mas não consegui ainda desenvolver admiração por Arto Pärt e sua música estática e extática. O problema é justamente a junção destes adjetivos tão parecidos e iguais em som. Pois é a falta de movimento e o êxtase permanente que me enchem o saco. Há que ter céu e estrelas, mas também chão, sangue, vísceras, certo? Pärt parece não ser deste mundo. Li em algum lugar que quem gosta de Górecki, inevitavelmente ama Pärt. OK, sou a exceção, um ET.

Bem, mas os comentaristas dizem que este é o melhor CD com obras do compositor estoniano lançado até hoje. É um CD da ECM de 1993 que é multi, ultra e trans elogiado. Só que não é para mim. Eu acho sem graça. Mas saibam, dizem que são obras-primas!

Pärt – Te Deum, Silouans Song, Magnificat e Berliner Messe

1. Te Deum 28:45

2. Silouans Song 5:46

3. Magnificat 6:44

4. Berliner Messe – Kyrie 3:18
5. Berliner Messe – Gloria 3:43
6. Berliner Messe – Erster Alleluiavers 0:52
7. Berliner Messe – Zweiter Alleluiavers 1:10
8. Berliner Messe – Veni Sancte Spiritus 4:57
9. Berliner Messe – Credo 3:56
10. Berliner Messe – Sanctus 4:04
11. Berliner Messe – Agnus Dei 2:41

Estonian Philharmonic Chamber Choir
Tallinn Chamber Orchestra
Tonu Karljuste

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György Ligeti (1923 – 2006) – Obras orquestrais e para coral

Eu realmente gosto muito de Ligeti. Acho que ele ocupa uma posição que talvez seja só sua e que é a mais revolucionária delas: a de fazer uma música erudita contemporânea mais próxima e acessível ao ouvinte, não obstante a extrema dificuldade de sua escritura. A postagem de hoje, na verdade, é um apanhado de 3 CDs do The Ligeti Project. Infelizmente, é o que possuo destes 3 CDs. Há algumas faixas do CD 1 faltando. Isto faz com que fiquemos sem dois movimentos do Concerto para Piano. Mas acho Ligeti tão bom e interessante que posto do mesmo jeito.

Compositor famoso por ter sido utilizado em dois filmes de Kubrick – um deles 2001 -, tem esplêndida obra, resumida assim na Wikipedia:

As primeiras obras de Ligeti são uma extensão da linguagem musical de seu compatriota Béla Bartók. Por exemplo, suas peças para piano Musica Ricercata (1951 – 53), foram comparadas com as do Mikrokosmos de Bartók . A coleção de Ligeti tem onze peças ao todo, A primeira usa somente uma nota “lá” executada em diversas oitavas. Só no fim da peça é possível escutar a segunda nota – “ré”. A segunda peça emprega três notas diferentes, a terceira emprega quatro, e assim até o fim, de tal forma que a décima-primeira peça usa todas as doze notas da escala cromática.

Nessa primeira parte de sua carreira, Ligeti foi afetado pelo regime comunista da Hungria daquele tempo, que impunha a estética do realismo socialista. A décima peça da Musica Ricercata foi proibida pelas autoridades por considerarem-na “decadente”. Isto se deveu provavelmente ao uso muito livre dos intervalos de segunda menor. Devido à ousadia de suas intenções musicais, é fácil de supor a razão por ter decidido deixar a Hungria.

Uma vez estabelecido em Colônia, começou a compor música electrónica junto a Karlheinz Stockhausen. Entretanto, suas obras para essa linguagem se resumem em três:, dentre as quais Glissandi (1957) e Artikulation (1958), antes de voltar à música instrumental e à vocal. Suas composições, então, apareceram influenciadas por suas experiências eletrônicas e muitos dos efeitos sonoros que criou lembram outras obras eletrônicas. A obra Apparitions (1958-59) foi a primeira a atrair a tenção da crítica, mas foi sua obra seguinte, Atmosphères, a mais conhecida atualmente. Foi usada, junto com fragmentos de Lux aeterna e seu Réquiem como parte de la trilha sonora de 2001: Uma Odisséia no Espaço de Stanley Kubrick – sem a autorização do próprio Ligeti.

Atmosphères (1961) é uma peça para uma grande orquesta sinfônica. É considerada peça-chave na produção de Ligeti e contém muitos dos recursos explorados durante a década de 60. Abandonou o foco na melodia, na harmonia e no ritmo, para se concentrar apenas no timbre dos sons, uma técnica conhecida como “massa de som. Cada nota da escala cromática soa em cinco oitavas. A peça se desenvolve a partir desse acorde, com nuances sempre distintas.

Ligeti cunhou o termo “micropolifonia” à técnica composicional que usou em Atmosphères, Apparitions e outras obras daquela época. Assim a definiu: “a complexa polifonia das partes individuais está fundida num fluxo harmônico-musical, no qual as harmonias não mudam subitamente; em vez disso, mesclam-se umas com as outras. É uma combinação de intervalos claramente reconhecível e que vai se tornando nebulosa. Nesta nebulosidade, pode-se distingüir uma nova combinação de intervalos se formando”.

Da década de 70 em diante, Ligeti se afastou do cromatismo total e começou a se concentrar no ritmo. Interessou-se, particularmente, nos aspectos rítmicos da música africana, em especial na dos pigmeus. Em meados de 1970, escreveu a ópera “Le Grand Macabre”, com base no teatro do absurdo com muitas referências escatológicas. Sua música dos anos 80 e 90 deram ênfase a complexos mecanismos rítmicos, em uma lingagem menos densamente cromática (tendendo a favorecer as tríades maiores e menores deslocadas e estruturas polimodais).

A última obra de Ligeti foi o Concerto de Hamburgo para trompa e orquestra de câmara (1998-99, revisado em 2003).

Ligeti – The Ligeti Project I-II-IV

Piano Concerto
with Pierre-Laurent Aimard, ASKO Ensemble
1. Piano Con: III. Vivace Cantabile – Pierre-Laurent Aimard
2. Piano Con: IV. Allegro Risoluto, Molto Ritmico – Pierre-Laurent Aimard
3. Piano Con: V. Presto Luminoso – Pierre-Laurent Aimard

Mysteries of the Macabre, for soprano & ensemble, or trumpet & piano/ensemble (arr. from “Le Grand Macabre” by E.Howarth)
with Peter Masseurs, ASKO Ensemble
4. Mysteries Of The Macabre – Peter Masseurs

Lontano, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
5. Lontano

Atmosphères, for large orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
6. Atmospheres

Apparitions, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
7. Apparitions: I. Lento
8. Apparitions: II. Agitato

San Francisco Polyphony, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
9. San Francisco Polyphony

Concert Românesc, for orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Jonathon Nott
10. Concert Romanesc: I. Andantino
11. Concert Romanesc: II. Allegro Vivace
12. Concert Romanesc: III. Adagio Ma Non Troppo
13. Concert Romanesc: IV. Molto Vivace

Hamburg Concerto, for horn & chamber orchestra with 4 obbligato natural horns
with Ozan Cakar, Sybille Mahni, Thomas Bernstein, Marie-Luise Neunecker, Simon Breyer, ASKO Ensemble
Conducted by Reinbert de Leeuw
14. I. Praeludium
15. II. Singale, Tanz, Choral
16. III. Aria, Aksak, Hoketus
17. IV. Solo, Intermezzo, Mixtur, Kanon
18. V. Spectra
19. VI. Capricco
20. VII. Hymnus

Double Concerto, for flute, oboe & orchestra
with Heinz Holliger, Jacques Zoon, Schoenberg Ensemble, ASKO Ensemble
Conducted by Reinbert de Leeuw
21. I. Calmo, Con Tenerezza – Heniz Holliger
22. II. Allegro Corrente – Heinz Holliger

Ramifications, for 12 strings (or string orchestra)
with Schoenberg Ensemble, ASKO Ensemble
Conducted by Reinbert de Leeuw
23. Ramifications For 12 Solo Strings – Heniz Holliger

Requiem, for soprano, mezzo-soprano, 2 choruses & orchestra
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
with Caroline Stein, Margriet van Reisen
Conducted by Jonathon Nott
24. I. Introitus. Sostenuto – Jonathan Nott
25. II. Kyrie. Molto Espressivo – Jonathan Nott
26. III. De Die Judicii Sequentia. Subito: Agitato Molto – Jonathan Nott
27. IV. Lacrimosa. Molto Lento – Jonathan Nott


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Bach, Beethoven, Carpeaux

A Nova História da Música é criticada com razão por ser uma espécie de “Eu e a Música”, mas Carpeaux freqüentemente escrevia coisas brilhantes. No parágrafo que segue, penso que ele põe em palavras uma opinião que está latente em nós:

A amplitude emocional da obra de Bach em conjunto é imensa: basta lembrar a solenidade majestosa das fugas, o misticismo gótico dos motetos, o sentimento comovido das árias e dos largos, o demoníaco de uma hora de rebeldia como no Concerto para piano em ré menor e a elegância aristocrática das suítes e o humorismo burlesco da Cantata dos camponeses e a inocente alegria paradisíaca como no Concerto para violino em mi maior. Bach resumiu tudo isso e muito mais. Mas não resumiu todas as possibilidades da música. Não encontro entre as obras de Beethoven algo tão perfeito como os Concertos de Brandenburgo. Mas não encontro entre as obras de Bach algo que tão intimamente tocasse o coração como o Concerto para piano n. 4 ou O Trio Arquiduque ou as variações da Sonata opus 111 nem abstrações tão transcendentais como o Quarteto opus 132 e as variações sobre a valsa de Diabelli nem uma despedida tão humana como a última obra, o Quarteto opus 135. Para variar, uma frase de Nietzsche: ‘Beethoven escuta e nota o que toca um músico celeste; Bach é esse músico celeste’. A arte de Beethoven é a mais alta música humana. A arte de Bach é menos humana porque é mais que humana. Os Concertos de Brandenburgo são um reflexo da ordem divina do Universo; uma mensagem do reino das idéias platônicas.

Otto Maria Carpeaux, 1960 – Recebido às 10h em e-mail deste grande escritor e colunista da Rascunho.

Aos navegantes e colaboradores

Upgrade das 10h56 – MIGRAÇÃO CANCELADA!!!

Motivo: Utilizamos PHP 5 no nosso servidor atual. Estamos ou estávamos indo para um que utiliza PHP 4.1 – está em fase de atualização. Teremos que esperar mais um pouco.

Então, todo mundo liberado para mexer nos blogs. Fica a piada e a foto de nosso Amado.

Hoje, a partir das 18h, estaremos fazendo a migração de todo o OPS de um servidor estrangeiro, chato, feio e inconstante para um nacional, bonito, caro e fiel. (Isso é o que todos prometem…). Recebi instruções de não mexer nos blogs desde o horário citado até às 9h da manhã de sexta. Neste ínterim (18h de hoje até 9h de amanhã, repito), os comentaristas podem escrever, mas saibam que suas observações sumirão como palavras ao vento.

Orem por nós. Esperamos retomar nossa programação brega durante o dia de amanhã. Minhas próximas postagens serão Amado Batista, ABBA, Daniel, Leonardo e New Kids on the Block. Enquanto isso, FDP Bach prepara a integral de Lindomar Castilho e Bluedog a do Grupo Dominó. CDF Bach, sempre avant-garde, postará Mara Maravilha e Clara Schumann, Roberto Leal.

Dance Dance Dance

Aguardem!

Johannes Brahms (1833-1897) -“Ein Deutsches Requiem”, OP. 45

Sim, eu sei que já postei este Requiem Alemão aqui, na excelente versão de Gardiner, porém aqui temos outro grande maestro, e outra magnífica versão.

Neste mesmo link tem um breve texto explicativo para esta obra monumental, que sempre me deixa arrepiado por sua força e beleza. Os corais são algo absurdamente maravilhosos, e assim como no caso do Monteverdi Choir, nesta gravação de Herreweghe temos outro excelente coro, o “Collegium Vocale”, e outros dois excelentes solistas, a soprano Christiane Oelze e o barítono Gerald Finley.

Meu mano PQP Bach tem elogiado muito o trabalho de Phillippe Herreweghe, e com razão. Através de sua leitura temos um Brahms renovado, que mostra detalhes da obra até então para mim, ao menos, desconhecidos. Sei que a referência desta obra sempre será a versão de Klemperer e a divina Elizabeth Schwarzkopff, mas de certa forma, apesar de ser excepcional, a considero um tanto quanto pesada, com o grande Klemperer se utilizando de uma massa orquestral um tanto quanto exagerada. Herreweghe, assim como Gardiner, soube dosar e dar o equilíbrio necessário entre o coral e a orquestra, dando uma “suavizada” nos momentos mais densos, como no segundo movimento, “Den Alles Fleisch, es ist wie gras”, meu momento favorito da obra, mas ao mesmo tempo, não deixando escapar por entre os dedos a sobriedade necessária para sua execução. Sugiro a leitura do booklet que estou disponibilizando abaixo. E também não canso de ler esta bela descrição do filósofo Ernst Bloch, retirada da biografia de Brahms escrita por Malcolm McDonald:

“à música do Requiem não falta contenção e o que lhe equivale em Brahms: uma preciosa profundidade que evita a apoteose (…) Esta música nos está dizendo que existe um broto – não mais porém não menos – que poderia florescer em alegria perpétua e que sobreviverá às trevas, que na realidade ele aprisiona dentro de si (…) Nas trevas desta música estão cintilando aqueles tesouros que estão livres da ferrugem e das traças. Referimo-nos àqueles tesouros permanentes em que a vontade e o objetivo, a esperança e sua satisfação, a virtude e a felicidade possam ser unidos, em um mundo sem decepção e de supremo bem – o réquiem circunda a região secreta do supremo bem”.

Mas vamos ao que interessa:

Johannes Brahms (1833-1897) -“Ein Deutsches Requiem”

1 – Chor: Selig sind, die da Lied tragen

2 – Chor: Denn alles Fleisch, es ist wie Grãs

3 – Solo (Bariton) und Chor: Herr, lehre doch mich

4 – Chor: Wie liebich sind Deine Wohnungen

5 – Solo (Sopran) und Chor: Ihr habt nun Traurigkeit

6 – Solo (Bariton) und Chor: Denn wir haben hie keine bleibende Statt

7 – Chor: Selig sind die Toten, die in dem Herrn sterben

Christiane Oelze – Soprano

Gerald Finley – Barítono

La Chappelle Royale – Collegium Vocale

Orchestre des Champs Elysées

Dir. – Phillippe Herreweghe

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BOOKLET – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Karlheinz Stockhausen (1928-2007) – Helikopter Quartett (1993)

Digamos que no programa de hoje à noite será apresentado, após um dos últimos quartetos de Haydn, o quarteto de cordas de Stockhausen. Não se preocupe com o que vai ocorrer: provavelmente os músicos vão sair do teatro com suas partituras, e cada um deles terá a sua disposição um helicóptero com um piloto. Pois é, eles devem tocar seus instrumentos em pleno vôo. Haverá um operador de som no teatro que deve mixar o som vindo da cabine de cada helicóptero, e tudo deve ser visto através de quatro telões. Os helicópteros devem fazer um vôo circular, cujo raio é de aproximadamente 6 km. Em média, toda a obra ou o vôo leva um pouco mais de meia hora.

Se você acha que é improvável ver esta peça sendo apresentada na sua cidade, saiba que esta belíssima experiência foi registrada num recente DVD da Euroarts. Ótimo vídeo link

Performer: Arcadian Academy, Karlheinz Stockhausen, Arditti String Quartet

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Ludwig Van Beethoven (1770-1827) – Sonatas Nº 13, 14 e 15 (Op. 27/1, 27/2 e 28)

A Fundação Maurizio Pollini, recém fundada por mim, P.Q.P. Bach, e por Lais Vogel dedica-se a divulgar e a defender — se preciso com unhas e dentes, porém com toda a civilidade — a obra do grandioso pianista italiano. A organização não têm fins lucrativos, mas aprecia doações de novos registros de nosso “ídalo”. Posters, fotos e outros gadgets devem ser enviados ao Príncipe Salinas.

Este esplêndida gravação foi tema de uma longa discussão entre os participantes de um jantar em minha casa, no último sábado. O CD foi considerado de primeiríssima linha, mas dois dos participantes do convescote — um deles minha mulher — acusaram Pollini do “pecado de ironia” na interpretação do Allegro de abertura da Sonata Pastorale. Apesar dos dois terem achado maravilhosa a criação da peça, eles imputaram ao excelso Pollini um elegante tom de deboche que não haveria no original. (Havia três pianistas no jantar, dois profissionais, e um deles, ao lado de minha cara-metade, foram os causadores da cizânia.)

Eu não nego a ironia, até a reconheço, mas a coloco na conta da profunda expressividade, habilidade e clareza de um pianista assombroso que resolveu deixar o movimento um real Allegro, retirando-o da semi-consciência a que outros pianistas o relegavam.

Obs.: A presença deste CD no P.Q.P. Bach deve-se ao matrocínio da diretora de nossa Fundação.

Ludwig van Beethoven: Sonaten Opp. 27/1 – 27/2, 28

1. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 1. Andante – Allegro – Tempo I 5:01
2. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 2. Allegro molto e vivace 1:54
3. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 3. Adagio con espressione 2:53
4. Piano Sonata No.13 in E flat, Op.27 No.1 – 4. Allegro vivace – Tempo I – Presto 5:18
5. Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -“Moonlight” – 1. Adagio sostenuto 6:31
6. Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -“Moonlight” – 2. Allegretto 2:16
7. Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -“Moonlight” – 3. Presto agitato 7:10
8. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 1. Allegro 9:45
9. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 2. Andante 7:21
10. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 3. Scherzo. Allegro vivace 2:09
11. Piano Sonata No.15 in D, Op.28 -“Pastorale” – 4. Rondo. Allegro ma non troppo 4:36

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Ernest Bloch (1880 -1959): Quartetos de Cordas (Griller String Quartet)

Ernest Bloch (1880 -1959): Quartetos de Cordas (Griller String Quartet)

Foi através de algumas críticas entusiasmadas sobre este disco que entrei em contato pela primeira vez com a música de Bloch. O que mais me chamou a atenção foi o fato do compositor ter vivido as duas Grandes Guerras e escrito suas impressões através de dois quartetos de cordas: o primeiro quarteto escrito em 1915-16 e o segundo em 1945-46. O Quarteto de Cordas n.1 tem quase uma hora de duração, e às vezes parece atingir aquela linha perigosa, onde as ideias caminham por inércia. Mas a impressão é logo sobrepujada pela honestidade e virtuosismo de sua escrita. Em muitos momentos esse quarteto antecipa a música bélica de Shostakovich. Já o quarteto n.2 é mais conciso e mais bem estruturado; sem, contudo, perder as qualidades do primeiro quarteto: vigor e espontaneidade. Um crítico mais exagerado colocou esta obra ao lado dos últimos quartetos de Beethoven.

Nos quartetos n.3 e n.4 o peso das duas Grandes Guerras não estão mais presentes. As influências judaicas também foram bastante diminuídas (lembro aqui que Ernest Bloch foi um compositor judeu bastante ativo, escreveu peças em prol da causa judaica como a Suíte Hebraica, Baal Shem, e Israel Symphony). Nestes dois quartetos temos música pela música, ou usando aquele termo usual e duvidoso: música absoluta. Uso esporádico do dodecafonismo com elementos bartokianos.

Infelizmente estes quartetos foram pouco gravados e executados, acho que o quarteto n.1 só existe neste registro. A compensação é que o Griller String Quartet interpreta com incrível dedicação e força, deixando quase nada a ser desejado, apenas uma melhor qualidade sonora (gravação feita em 1954). Mesmo assim, nesse disco é possível perceber a importância dessas obras.

Ernest Bloch (1880 -1959): Quartetos de Cordas (Griller String Quartet)

Disco: 1
1. String Quartet n.1: Andante moderato
2. 2. Allegro frenetico
3. 3. Andante molto moderato (Pastorale)
4. 4. Finale (Vivace)

5. String Quartet n.3: Allegro deciso
6. 2. Adagio non troppo
7. 3. Allegro molto
8. 4. Allegro

Disco 2:
1. String Quartet n.2: Moderato
2. 2. Presto
3. 3. Andante
4. 4. Allegro molto

5. String Quartet n.4:Tranquillo – Allegro emergico – Tranquillo
6. 2. Andante
7. 3. Presto – Moderato – Presto
8. 4. Calmo – Allegro deciso – Calmo

Griller String Quartet

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Ernest Bloch antes de comprar a Bloch Editores

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Antonio Vivaldi (1678 — 1741) – Transcrições para dois pianos: As 4 Estações e Variações sobre um tema de Bach

As irmãs gêmeas e pianistas turcas Ferzan e Ferhan Önder não são apenas bonitas e reveladoras das belezas e das boas possibilidades matemáticas encontráveis no Bósforo, elas tocam bem mesmo! O repertório não é tudo aquilo, mas é bastante curioso ouvir Vivaldi transcrito para dois pianos… Como sei que Vivaldi é muito querido de nosso público, não poderia deixar de mostrar esta curiosidade saída das delicadas mãos de duas beldades turcas que nunca fizeram mal a um armênio, contrariamente a outras mãos de seu país. A gravação é de ótima qualidade e a bela duplinha já está contradada pela DG, claro. Afinal, hoje a imagem vale muito; principalmente quando há ouvidos tão incompreensivos. As Variações sobre um tema de Bach — creio que são variações sobre um tema de uma das Suítes Francesas, corrijam-me se estiver errado — não é grande obra, mas sempre fico feliz ao ouvir papai. Já As Quatro Estações não é necessário comentar, né?

Vivaldi: Reflections – The Four Seasons for 2 pianos

1. The Four Seasons, Op.8: Con No.1 in e ‘Spring’: I. Allegro
2. The Four Seasons, Op.8: Con No.1 in e ‘Spring’: II. Largo
3. The Four Seasons, Op.8: Con No.1 in e ‘Spring’: III. Allegro
4. The Four Seasons, Op.8: Con No.2 in g ‘Summer’: I. Allegro Non Molto
5. The Four Seasons, Op.8: Con No.2 in g ‘Summer’: II. Adagio
6. The Four Seasons, Op.8: Con No.2 in g ‘Summer’: III. Presto
7. The Four Seasons, Op.8: Con No.3 in F ‘Autumn’: I. Allegro
8. The Four Seasons, Op.8: Con No.3 in F ‘Autumn’: II. Adagio Molto
9. The Four Seasons, Op.8: Con No.3 in F ‘Autumn’: III. Allegro
10. The Four Seasons, Op.8: Con No.4 in f ‘Winter’: I. Allegro Non Molto
11. The Four Seasons, Op.8: Con No.4 in f ‘Winter’: II. Largo
12. The Four Seasons, Op.8: Con No.4 in f ‘Winter’: III. Allegro

(#8. Victor S., 01/07/2008, 09:04

O compositor das variações foi Gustav Nottebohm (1817-1882)
http://en.wikipedia.org/wiki/Gustav_Nottebohm)

13. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Sarabande. Andantino
14. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var I
15. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var II Allegro
16. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var III Allegretto
17. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var IV Allegretto
18. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var V Allegretto Con Moto
19. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var VI Allegro Vivace
20. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var VII Allegro Ma Non Troppo
21. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var VIII Andante
22. Vars On A Theme By J.S. Bach in d, Op.17: Var IX

Ferzan e Ferhan Önder, pianos

Obrigado, Victor!

Ferhan Ferzan

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Manuel de Falla (1876 — 1946) – El Amor Brujo / El Corregidor y la Molinera

Sou um admirador de alguns nacionalismos e, dentre eles, está o do grande Manuel de Falla, compositor espanhol. Além de grande pianista e compositor, de Falla participa da história literária de seu país ao tentar – figura de proa que era na Espanha – impedir o assassinato de seu amigo Federido García Lorca pelas milícias franquistas em 1936. Em vão. Seus últimos anos foram vividos no exílio, na Argentina. El Amor Brujo é uma bela peça, mas ainda é melhor na versão de câmara original que ora apresentamos. É incomum ouvi-la assim. Já El Corregidor y la Molinera é a primeira versão de O Chapéu de Três Bicos, que depois apareceu reescrita e com novo nome para o Balé Russo de Diaguilev.

São duas peças bem espanholas, mas sem aqueles medonhos violonistas ventiladores-de-guitarras do flamenco. Aqui não há guitarras e os instrumentos não parecem necessitar ser abanados continuamente para funcionar. (Igualmente, não há dançarinas matadoras de baratas.) De Falla é elegante e traz à linguagem típica espanhola uma estranha austeridade, pois melodiosa e rítmica.

Ah, a gravação é ex-ce-len-te.

El amor brujo
1. Love The Magician: Act 1: Intro E Scena – Allegro Furioso Ma In Tempo Moderato – Claire Powell
2. Love The Magician: Act 1: Tranquillo E Misterioso – Claire Powell
3. Love The Magician: Act 1: Song Of Sorrowful Love – Allegro – Claire Powell
4. Love The Magician: Act 1: Dance Of the End Of The Day – Allegro Ma Non Troppo E Pesante – Claire Powell
5. Love The Magician: Act 1: Intermezzo – Allegro – Claire Powell
6. Love The Magician: Act 2: Andante (Con Mistero) – Claire Powell
7. Love The Magician: Act 2: Dance Of The Will-O-The-Wisp – Allegro Ritmico – Claire Powell
8. Love The Magician: Act 2: Interludio – Allegro Moderato – Claire Powell
9. Love The Magician: Act 2: Song Of The Will-O-The-Wisp – Spell To Rekindle Lost Love – Claire Powell
10. Love The Magician: Act 2: Dance And Song Of The Cunning Witch – Allegretto – Claire Powell
11. Love The Magician: Act 2: Finale – Claire Powell

Claire Powell (Mezzo Soprano)
Conductor: Nicholas Cleobury
Orchestra: Aquarius
Written: 1914-1915;
Spain Date of Recording: 7/1988
Venue: EMI Abbey Road Studios, London
Length: 33 Minutes 45 Secs.
Language: Spanish

El corregidor y la molinera
12. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: (Intro) – Jill Gomez
13. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Solo – Jill Gomez
14. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1, Danza – Allegro Ma Non Troppo – Jill Gomez
15. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Moderato – Jill Gomez
16. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 1: Vivo – Jill Gomez
17. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Allegro Ma Non Troppo – Jill Gomez
18. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Poco Piu Vivo Che Prima – Jill Gomez
19. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Lento – Jill Gomez
20. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Tranquillo – Jill Gomez
21. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Poco Piu Mosso – Aquarius/Nicholas Cleobury
22. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Allegro – Aquarius/Nicholas Cleobury
23. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Calmo – Aquarius/Nicholas Cleobury
24. The Magistrate And The Miller’s Wife: Act 2: Come Prima – Aquarius/Nicholas Cleobury Jill Gomez (Soprano)
Conductor: Nicholas Cleobury
Orchestra: Aquarius
Written: 1916-1917; Spain
Date of Recording: 7/1988
Venue: EMI Abbey Road Studios, London
Length: 41 Minutes 9 Secs.
Language: Spanish

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – A Décima-quinta (CDs 8 de 11) (*)

(*) A numeração dos CDs obedece à edição original; como fiz as postagens obedecendo a ordem das sinfonias, principalmente a das mais importantes, as finais, a numeração dos CDs ficou desencontrada, mas saibam que este post encerra mais esta série.

A Sinfonia Nº 15 está entre as maiores do mestre russo e possui grande alegria e desespero sob sua aparente tranqüilidade. É uma obra consistente, com movimentos melodiosos apoiando-se harmonicamente um no outro. Não há nada sobrando nem faltando. O primeiro movimento é felicíssimo e aparentado com a Sinfonia Nº 9 e com o primeiro movimento do Concerto Nº 2 para piano e orquestra. Ele evoca os brinquedos infantis e possui em seu cerne um dos temas da Guilherme Tell, de Rossini.

O Adagio é belo e triste com longos solos de violoncelo e também do trombone e da tuba; há a inserção do Tema do Destino (ou da Morte) que Wagner escreveu para seu Nibelungo. O Alegretto, em tom de deboche, é levado pelo clarinete.

O movimento final é o mais longo de todos: há evocações ao compositor — o motivo DSCH reaparece acompanhado pelo Tema do Destino em clara alusão às doenças e à morte próxima de Shostakovich –, mas a sinfonia é finalizada serenamente após várias intervenções de cantabiles violinos. O final, quase todo a cargo da percussão, é delicado. Um verdadeiro achado. Um despedida sem desespero, um aceno algo irônico, de um grande mestre.

Mas o que queria mesmo dizer é que esta sinfonia exerce um efeito magnético (palavras de Lauro Machado Coelho) sobre os ouvintes. É impossível não ceder a ela, ouvindo e reouvindo. Tenho vários amigos que concordam: há algo nela que nos instiga, anima, estimula, incita, algo que espicaça nossa curiosidade. O que será?

SYMPHONY No.15 in A Major, Op.141
6. Allegretto
7. Adagio. Largo. Adagio. Largo
8. Allegretto
9. Adagio. Allegretto. Adagio. Allegretto

Recorded: May 27, 1974
Moscow Philharmonic Orchestra
Kirill Kondrashin, Conductor

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Instabilidade

Pois é. O condomínio inteiro mudou de servidor e a coisa não fácil. Quem trabalha com informática sabe que estas coisas são uma merda complicadas, mesmo quando planejadas. E a culpa foi de uma nova versão do WordPress, ao que parece… Bem, esperamos que logo tudo fique direitinho.

Ah, perdemos alguns comentários. O que fazer?

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto Triplo e Fantasia Coral

Quase todas as pessoas do mundo erudito conhecem a gravação-referência do Concerto Triplo com Karajan e seu trio de gênios soviéticos. Só Lebrecht não gosta – como disse o Kaissor em comentário perdido. Garanto-lhes que também adoro, mas creio que esta versão é comparável e talvez superior àquela. Um cara como Barenboim não iria gravar “este Beethoven” se não soubesse que tinha nas mãos uma joia. E tinha. Seu trabalho junto com Ma e Perlman é extraordinário e aqui ainda temos como extra a estranha e bela Fantasia Coral. Barenboim está demais ultimamente.

A gravação é ao vivo, mas a qualidade de som é extraordinária, ao menos no original.

Beethoven – Concerto Triplo e Fantasia Coral

1. Triple Concerto for Violin, Cello and Piano in C Op. 56: I. Allegro 17:02
2. Triple Concerto for Violin, Cello and Piano in C Op. 56: II. Largo 5:36
3. Triple Concerto for Violin, Cello and Piano in C Op. 56: III. Rondo all polacca 12:50
4. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Adagio 3:56
5. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Finale – Allegro 5:00
6. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Allegro molto 1:35
7. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Adagio, ma non troppo 2:54
8. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Marica, assai vivace – Allegro 2:10
9. Fantasy for Piano, Chorus and Orchestra Op. 80 ‘Choral Fantasia’: Allegretto, ma non troppo (quasi Andante con moto) – Presto 4:06

Itzhak Perlman
Yo-Yo Ma
Daniel Barenboim
Berliner Philharmoniker
Daniel Barenboim

Carola Hohn
Katherina Kammerloher
Andrea Bonig
Endrik Wottrich
Par Lindskog
René Pape
Chöre Der Deutschen Oper Berlin
Berliner Philharmoniker
Daniel Barenboim

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.: interlúdio :. John Surman e Nordic Quartet

Sou apaixonado pelo som do saxofonista e clarinetista inglês John Surman, que é a cara do escritor John Fowles, que nasceu em Essex, enquanto Surman é de Devon. Ele não me decepciona neste CD verdadeiramente nórdico (basta ler o nome de seus companheiros de grupo). As quatro primeiras faixas do CD são esplêndidas e o resto não lhes fica muito atrás. É notável o diálogo entre Surman e Rypdal em Offshore Piper, é belíssima e triste a balada Unwritten Letter e a levada de Gone to the Dogs provocou ohs! de aprovação enquanto ouvia o disco em minha casa. Fui pesquisar se meu entusiasmo pelo CD era algo muito original ou não, indo direto à Down Beat. O pessoal de lá tascou-lhe 4 (Very good) em 5 estrelas. Tudo bem, o CD é bom mesmo!

Atenção para os solos de clarone (bass clarinet) de Surman. Seu som é sempre puríssimo mas é neste instrumento que rende mais.

Nordic Quartet (1994)

1. Traces
2. Unwritten Letter
3. Offshore Piper
4. Gone To The Dogs
5. Double Tripper
6. Ved Sorevatn
7. Watching Shadows
8. The Illusion
9. Wild Bird

John Surman – soprano saxophone, baritone saxophone, clarinet, bass clarinet
Terje Rypdal – guitar
Karin Krog – vocals
Vigleik Storaas – piano

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Arnold Schoenberg (1874 – 1951): Concerto para Violino

O concerto para violino de Schoenberg é uma das obras mais importantes da música e é um absurdo que seja tão desconhecida do público. Esta obra foi escrita logo após a chegada do compositor aos Estados Unidos, no começo dos anos 1930. O mestre deixou seu país devido ao delírio nazista, talvez por isso esta obra seja tão angustiada. Obra dificílima e totalmente dodecafônica. Mas quem seria louco pra dizer que este concerto é frio ou artificial? Se não me falha a memória a obra é retratada por Thomas Mann no seu famoso livro Doutor Fausto como obra de seu personagem principal, Adrian Leverkühn.

Mesmo assim, é raríssimo encontrar um disco com este concerto para violino. Só existem gravações relativamente antigas. Alguns dizem que pelo fato de exigir “seis dedos na mão esquerda”, o músico fica intimidado. Ora, só por isso? Bem, já que a maioria dos marmanjos treme ao desafio, só mesmo uma bela garota como Hilary Hahn para trazer esta obra-prima à tona.

A outra obra do disco é o já manjado concerto de Sibelius que, para ser sincero, ainda não ouvi. Na verdade, depois da gravação de Heifetz, não ouço esta peça com mais ninguém.

1. Violin Concerto, Op.36 – 1. Poco Allegro
2. Violin Concerto, Op.36 – 2. Andante grazioso
3. Violin Concerto, Op.36 – 3. Finale. Allegro
4. Violin Concerto in D minor, Op.47 – 1. Allegro moderato
5. Violin Concerto in D minor, Op.47 – 2. Adagio di molto
6. Violin Concerto in D minor, Op.47 – 3. Allegro, ma non tanto

Violin: Hilary Hahn
Swedish RSO
Conductor Esa-Pekka Salonen

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Integral das Sinfonias – A Décima-terceira (CDs 10 e 11 de 11)

Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 — lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… –, Shostakovich voltaria às boas relações com a música sinfonia da forma mais gloriosa possível: pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma seqüência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasiliense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!)

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios.

Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de saber-se que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele… O jovem poeta Ievtuhenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na União Soviética. O poema fui publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram solicitadas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência anti-semita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de anti-semitas… É tudo muito estranho.

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é perfeito. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino e orquestra. Principalmente em Babi Yar e em Na Loja, é música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora ao grande modelo de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para seu sarcasmo.

Babi YarCalma crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos judeus mortos em Babi Yar. (Adotando o tom sarcástico tão caro a Shostakovich, diria que, hoje, as roupas poderiam ser palestinas e os soldados… Deixa pra lá!)

A seguir, aproveitarei a excelente descrição que Clovis Marques fez para o concerto que incuía a Sinfonia Nº 13, Babi Yar, realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 27/07/2006. Volto no final do post:

Chostakovich, ‘for ever’Clovis Marques – Opinião & Noticia
30/07/2006

O contato em condições ideais com uma obra-prima do século XX é raro na vida musical de um mortal carioca. Na última quinta-feira, a Sinfonia nº 13 de Chostakovich passou pelo Teatro Municipal com uma carga tão densa de significado e beleza que quase não surpreendeu que a interpretação e o acabamento, a cargo da Petrobras Sinfônica, estivessem também em esferas muito altas.

“Babi Yar” é como ficou conhecida esta sinfonia-cantata para coro masculino, baixo e orquestra composta e estreada em 1962 em Moscou. O título vem do poema de Ievgueni Evtuchenko que causara rebuliço ao ser publicado no ano anterior na “Literaturnaia Gazeta”, tocando na chaga do anti-semitismo a propósito do massacre cometido pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, no local conhecido como “ravina das mulheres”, perto de Kiev.

A partir desse texto de dura indignação, e apesar dos problemas que uma tal inspiração de “protesto” ainda geraria na União Soviética pós-stalinista, Chostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de duas ou três mazelas trágicas do seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre quotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação pelo humor e a intransigência.

Em linguagem quase descritiva, contrastando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação propriamente cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica e de poder de invenção tão sustentado, com um grau de concentração expressiva que sublima a revolta, o negrume e a angústia como poucas vezes na música pós-romântica.

O realismo e a concisão imagética dos poemas são admiravelmente esposados pelo estilo alternadamente sombrio e irruptivo da música de Chostakovich, que apesar da forma atípica, para uma sinfonia, dota a obra de continuidade estrutural e organicidade musical mesmerizantes – para não falar da invenção melódica tão sua, que associamos indelevelmente à Rússia soviética. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são parcimoniosas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas – mais um elemento dessa pungência feita de desolação e sobreexcitação nervosa.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios, sobre Anne Frank e um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, os tambores em ritmo marcado, a maior animação da música e o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve pictoricamente as filas de humilhadas donas-de-casa em uma linha sinuosa nas cordas graves, entrelaçada a outra que, no registro médio, evoca a maneira como elas se insinuam cautelosas até o balcão. “Elas nos honram e nos julgam”, diz o poema, enquanto blocos e castanholas fazem as vezes de panelas e garrafas se entrechocando. A reserva da estupefação moral explode na última estrofe: “Nada está fora do alcance da força delas”.

A subjugada linha sinuosa torna-se reta, com permanente vibração surda na percussão, ao prosseguir sem interrupção no episódio seguinte, em ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Frente ao negrume até aqui prevalecente, a sinfonia conclui em uma satírica meditação sobre o que é seguir “Carreira”. Em orquestração e harmonização reminiscentes da música do tcheco Martinu (1890-1959), no emprego de flautas e oboés oscilantes em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstoi: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela sonoridade onírica da celesta.

A Orquestra Petrobras Sinfônica esteve esplêndida, tocando como gente grande em cada naipe e coletivamente, sob a batuta do jovem maestro chileno Rodolfo Fisher. O barítono americano David Pittman-Jennings, embora não tenha aquele baixo profundo que impressiona nas interpretações russas, ostentou o metal nobre, a projeção plena e a capacidade de nuançar que permitiram total imersão nessa escorchante fantasia pânica. O Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, dirigido por Julio Moretzsohn, esteve mais coeso e homogêneo que nunca, em sua formação exclusivamente masculina. Faltou apenas a reprodução/tradução dos poemas.

Shostakovich Kondrashin Yevtuschenko<— Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita) e o regente Kiril Kondrashin na estréia da controversa 13ª Sinfonia.

A seguir, eu, P.Q.P. Bach, copiei para vocês trechos traduzidos por Lauro Machado Coelho dos poemas utilizados na 13ª Sinfonia. Notem como o poema Babi Yar não é só aquilo que diz Clóvis Marques, mas uma clara alusão ao anti-semitismo soviético. Depois, mais comentários sobre a grande estréia da peça na URSS.

Babi Yar

Tenho medo.
Tenho hoje tantos anos
quanto o próprio povo judeu.

Parece que agora sou um judeu.
Perambulo no Egito antigo.
E eis-me na cruz, morrendo.
E ainda trago em mim a marca dos pregos.
Parece que Dreyfus sou eu.
Os filisteus são os que me denunciam e são o meu juiz.
Estou atrás das grades.
Estou cercado,
perseguido, cuspido, caluniado.
E as mocinhas, com suas rendas de Bruxelas,
rindo, me enfiam a sombrinha na cara.

(…)

Eu, chutado por uma bota, sem forças,
em vão peço piedade aos pogromistas.

(…)

Que a Internacional ressoe
quando enterrarem para sempre
o último anti-semita da terra.
Não há sangue judeu no meu sangue,
mas sou odiado com todas as forças
por todos os anti-semitas, como se judeu fosse.
E é por isso que sou um verdadeiro russo.

Humor

Czares, reis, imperadores
soberanos do mundo inteiro,
comandaram as paradas
mas ao humor não puderam controlar.

Ó euzinho aqui!
De repente me desembaraço de meu casaco,
faço um gesto com a mão e “Tchau!”.

Na loja

Dar-lhes o troco errado é uma vergonha,
enganá-las no troco é um pecado.

(…)

E, enquanto enfio no bolso as minhas massas,
olho, solene e pensativo,
cansadas de carregar seus sacos de compras,
as suas nobres mãos.
Elas nos honram e nos julgam,
nada está fora do alcance de suas forças.

Medos

Lembro do tempo em que ele era todo-poderoso,
na corte da mentira triunfante.
O medo se esgueirava por toda parte, como uma sombra,
infriltava-se em cada andar.
Agora é estranho lembrarmo-nos disso,
o medo secreto que alguém nos delate,
o medo secreto de que venham bater à nossa porta.
E depois, o medo de falar com um estrangeiro…
com um estrangeiro? até mesmo com sua mulher!
E o medo inexplicável de, depois de uma marcha,
ficar sozinho com o silêncio.

Não tínhamos medo de construir em meio à tormenta,
nem de marchar para o combate sob o bombardeio,
mas tínhamos às vezes um medo mortal,
de falar, nem que fosse com nós mesmos.

Uma Carreira

Os padres diziam que Galileu era mau e doido.
Que Galileu era doido.
Mas, como o tempo o demonstrou,
o doido era o mais sábio.
Um cientista da época de Galileu,
não era menos sábio que Galileu.
Ele sabia que a Terra girava,
mas tinha uma família
e, ao subir com sua mulher na carruagem,
achava que tinha feito sua carreira,
quando, na realidade, a tinha destruído.

Para compreender nosso planeta,
Galileu correu riscos.
É isso — eu penso — que é uma carreira.
Por isso, viva sua carreira,
quando é uma carreira como
a de Shakespeare e Pasteur,
Newton e Tolstói.
Liev?
Liev!
Por que eles foram caluniados?
Talento é talento,
digam o que disserem.
Os que insultaram estão esquecidos,
mas nós lembramos dos que foram insultados.

Com estes textos, foi difícil estrear a sinfonia. Em 1962, todos tiram o corpo fora, até o velho amigo Mravinski alega excesso de trabalho. Shostakovich volta-se para um moço talentoso — Kirill Kondrashin –, que aceita reger. O regente escala Viktor Nietchpailo para cantar na noite de estréia, deixando o jovem Vitali Gromadski “na reserva”. Sábia providência, pois Nietchpailo não suporta as pressões, acrescidas de um bate boca entre Ievtushenko e Nikita Kruschev, numa reunião entre artistas que devia dissuadi-lo a manter o texto de Babi Yar na sinfonia, e, amedrontado, cai fora. Gromadski é chamado. Muitos outros músicos “adoecem” e o coro desiste de cantar. Kondrashin e Ievtushenko dão discursos indignados e o coral retorna. Popov, o Ministro da Cultura, telefona a Kondrashin perguntando se a sinfonia pode ser apresentada sem o primeiro e quarto movimentos. Kondrashin responde que não, porque mutilaria a forma da sinfonia e todos sabem que o primeiro movimento fala sobre os anti-semitas soviéticos e de Babi Yar… “Ministro, se cortarmos, haverá reações indesejáveis…”. Ouve Popov afirmar e perguntar: “A responsabilidade é sua. Faça como achar melhor. A propósito, há algo que possa impedi-lo de reger esta noite?”. “Não, todos estamos em excelente forma…”, responde Kondrashin. Enquanto isso, as pessoas brigam pelos ingressos de um concerto que fez a Grande Sala do Conservatório vir abaixo, com os aplausos ocorrendo entre cada movimento. O CD 11 é a som desta estréia.

CD 10

SYMPHONY No.13 in B flat minor, Op.113
For Bass Solo, Bass Choir and Orchestra in B Flat Minor, Op.113, “Babi Yar”
1. Babi Yar (Adagio)
2. Yumor – Humour (Allegretto)
3. V Magazine – In the Store (Adagio)
4. Strachi – Fears (Largo)
5. Kariera – A Career (Allegretto)

Recorded: August 23, 1967
Arthur Eisen, Bass
Choirs of the Russian Republic
Alexander Yourlov, Conductor
Moscow Philharmonic Orchestra
Kirill Kondrashin, Conductor
Total time 56:06

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E aqui, o registro ao vivo da primeira apresentação. Esta gravação é superior à postada acima. O baixo é o excelente e corajoso Vitali Gromadski.

CD 11

Shostakovich: The Complete Symphonies – No.13
Artist: Moscow Philharmonic Orchestra cond. Kirill Kondrashin
Length: 0:56:35
Notes: Recorded live in the Large Hall of the Moscow Conservatory on December 18, 1962 with State Academic Choir, Yurlov Russian Choir, Vitaly Gromadsky (bass).

Tracks:
01 I Babi Yar (Adagio) [15:03]
02 II Humor (Allegretto) [7:52]
03 III In the Store (Adagio) [11:06]
04 IV Fears (Largo) [10:30]
05 V A Career (Allegretto) [12:04]

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Gabriel Urbain Fauré (1845-1924) – Requiem in D minor, Op. 48

FDP Bach estará fazendo uma série de postagens de obras sacras nos próximos dias. Foram vários os pedidos para obras como o Requiem de Fauré, ou a Missa Solemnis de Beethoven, entre outras obras. Consegui montar um acervo relativamente grande nesta área. ALguns poderão me acusar de não postar compositores modernos, do século XX, mas creio que meu irmão CDF está dando conta de suprir essa área. Talvez um Stravisnky entre aqui, ainda não decidi, pois como todos sabem, o nosso blog não obedece nenhuma regra imposta, postamos aquilo que nos interessa naquele momento. Portanto, nada de pressões, pois como PQP Bach sempre informa, nosso SAC é uma droga.
Então começarei com o famoso Requiem de Gabriel Fauré. O texto abaixo foi tirado da Wikipedia:

Fauré’s reasons for composing his Requiem are uncertain. One possible impetus may have been the death of Fauré’s father in 1885, and his mother’s death two years later on New Year’s Eve 1887. However, by the time of his mother’s death he had already begun the work, which he later declared was “composed for nothing … for fun, if I may be permitted to say so!”[2]
The earliest composed music included in the Requiem is the “Libera Me”, which Fauré wrote in 1877 as an independent work.
In 1887–88, Fauré composed the first version of the work, which he called “un petit Requiem”[3] with five movements (Introit and Kyrie, Sanctus, Pie Jesu, Agnus Dei and In Paradisum), but did not include the “Libera Me”. This version was first performed January 16, 1888 under the composer’s direction in La Madeleine in Paris. The treble soloist was Louis Aubert, and the occasion was the funeral of one Joseph La Soufaché, an architect.
In 1889, Fauré added the “Hostias” portion of the Offertory and in 1890 he expanded the Offertory and added the 1877 “Libera Me”. This second version, known today as the chamber orchestra version, was premièred January 21, 1893, again at the Madeleine with Fauré conducting.
In 1899–1900, the score was reworked for full orchestra. There is some question as to whether this was the work of Fauré himself or one of his students (see below). This version was premiered April 6, 1900, with Eugène Ysaÿe conducting. It was the best known version until John Rutter rediscovered Fauré’s original manuscript of the chamber orchestra version in the Bibliothèque Nationale in Paris in the early 1980s.
In 1924 the Requiem was performed at Fauré’s own funeral. It was not performed in the United States until 1931, and then only at a student concert at the Curtis Institute in Philadelphia. It did not reach England until 1936.

Uma bela obra, com uma excelente interpretação de John Elliot Gardiner e sua Orchestre Révolutionnaire et Romantique e seu magnífico Monteverdi Choir.

Gabriel Urbain Fauré (1845-1924) – Requiem in D minor, Op. 48

I. Introït et Kyrie
II. Offertoire
III. Sanctus
IV. Pie Jesu
V. Agnus Dei et Lux Aeterna
VI. Libera me
VII. In Paradisum

Catherine Bott – Soprano
Gilles Cachemaille – Barítono
Monteverdi Choir
Salisbury Cathedral Boy Choristes
Orquestre Révolutionnaire et Romantique
John Elliot Gardiner

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The Sóstenes Files – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano (CDs de 6 a 10)

Então, vamos acabar com esse negócio de Sonatas de Beethoven. Aqui estão todas elas com Claudio Arrau (1903-1991). Não gostei do chileno nas últimas sonatas — CDs 9 e 10 desta coleção –, muitíssimo inferiores às que já postei com Maurizio Pollini. Mas não podemos pedir a Arrau que faça aquilo, né? Também ele me pareceu frouxo na Waldstein (CD 7), mas no restante ele se sai muito bem. É uma i

O excelente desNorte, em 6 de fevereiro deste ano, publicou a compreensiva notícia biográfica que transcrevemos aqui:

Nos finais de Agosto de 1973, Augusto Pinochet (1915-2006) tomou posse com chefe das Forças Armadas Chilenas tendo, nessa altura, jurado fidelidade ao presidente Salvador Allende (1908-1973). Duas semanas e meia depois, no dia 11 de Setembro de 1973, Pinochet liderou um golpe militar que depôs o governo e deu início a uma ditadura que iria durar 17 anos. Allende morreu nesse mesmo dia, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas. Algo não tão pouco habitual como isso, os Estados Unidos desempenharam um papel importante, primeiro na campanha eleitoral que, ao contrário do que pretendiam, acabaria por colocar Allende no poder, e depois no apoio aos autores do golpe militar.

Inconformado com o rumo que o seu país natal levava, o pianista Claudio Arrau viria a assumir cidadania americana em 1978. Curiosa, esta escolha, pela contribuição dos EUA na situação criada no Chile… Arrau, contudo, nunca deixaria de ser idolatrado pelos seus conterrâneos; desde a sua primeira e triunfal turné, efectuada em 1921, passando pelos recitais dos finais da década de 1930 e terminando com uma turné em 1984. Nessa altura Claudio Arrau tinha já 81 anos, e há 17 que não tocava no Chile.

A Sociedade Robert Schumann, fundada em 1979, conta com 3 membros honorários, sendo um deles Claudio Arrau. Os outros 2 são Dietrich Fischer-Dieskau (1925-) e o maestro alemão Wolfgang Sawallisch (1923-). Em homenagem a Arrau, a sociedade estabeleceu a Medalha Arrau, destinada a premiar os pianistas que mais se distinguiram na preservação da tradição pianística do chileno; até hoje os premiados foram András Schiff (1953-), Martha Argerich (1941-) e Murray Perahia (1947), aquele dos “outros”…

Disc: 6
Piano Sonata No. 16 in G
1. 1. Allegro vivace
2. 2. Adagio grazioso
3. 3. Rondo (Allegretto)

Piano Sonata No. 17, “Tempest” in D minor
4. 1. Largo – Allegro
5. 2. Adagio
6. 3. Allegretto

Piano Sonata No. 18 in E flat
7. 1. Allegro
8. 2. Scherzo (Allegretto vivace)
9. 3. Menuetto (Moderato e grazioso)
10. 4. Presto con fuoco

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Disc: 7
Piano Sonata No. 21, “Waldstein” in C
1. 1. Allegro con brio
2. Introduzione (Adagio molto) – Rondo (Allegretto moderato – Prestissimo)

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Disc: 8
Piano Sonata No. 23, “Appassionata” in F minor
1. 1. Allegro assai
2. 2. Andante con moto
3. 3. Allegro ma non troppo

Piano Sonata No. 24 in F sharp
4. 1. Adagio cantabile – Allegro ma non troppo
5. 2. Allegro vivace

Piano Sonata No. 26, “Les adieux” in E flat
6. 1. Das Lebewohl (Adagio – Allegro)
7. 2. Abwesendheit (Andante espressivo)
8. 3. Das Wiedersehn (Vivacissimamente)

Piano Sonata No. 27 in E minor
9. 1. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck
10. 2. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen

Piano Sonata No. 20 in G
11. 1. Allegro ma non troppo
12. 2. Tempo di Menuetto

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Disc: 9
Piano Sonata No. 28 in A
1. 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo)
2. 2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia)
3. 3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto)
4. 4. Geschwind, doch nicht zu sehr und mit Entschlossen- heit (Allegro)

Piano Sonata No. 29, “Hammerklavier” in B flat
5. 1. Allegro
6. 2. Scherzo (Assai vivace – Presto – Prestissimo – Tempo I)
7. 3. Adagio sostenuto
8. 4. Largo – Allegro risoluto

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Disc: 10
Piano Sonata No. 30 in E
1. 1. Vivace ma non troppo-Adagio espressivo-Tempo I 2. Prestissimo
2. 3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung (Andante molto cantabile ed espressivo)

Piano Sonata No. 31 in A flat
3. 1. Moderato cantabile molto espressivo
4. 2. Allegro molto
5. 3. Adagio ma non troppo
6. 4. Fuga (Allegro ma non troppo)

Piano Sonata No. 32 in C minor
7. 1. Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
8. 2. Arietta (Adagio molto semplice e cantabile)

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Claudio Arrau, piano.

Luigi Nono (1924-1990) – Como una ola de fuerza y luz, for Soprano, Piano, Orchestra and Magnetic Tape (1971-72) / …sofferte onde serene… For Piano and Magnetic Tape (1976) / Contrapunto dialettico alla mente, for Magnetic Tape (1968)

O veneziano Nono foi comunista como Pollini, Berio e Abbado e é com eles — menos Berio — que gravou este disco para a DG. Era mais do que comuna, foi casado com Nuria Schönberg, filha de Arnold Schönberg, o grande revolucionário da música da primeira metade do século XX. Nuria e Nono permaneceram juntos e casados até a morte do compositor. Seu interesse pela política era tanto que passou a combinar com frequência textos políticos com música revolucionária.

Como una ola fuerza y luz (1972) é uma homenagem a Luciano Cruz, líder revolucionário chileno, assassinado em 1971, dois anos antes de Henry Kissinger planejar e realizar o golpe do fascista Augusto Pinochet. O nome Luciano é ouvido claramente durante a obra. Já …Sofferte onde serene… (1976) é belíssima e dedicada ao luto do ex-aluno Maurizio Pollini, o qual perdera dois parentes na época. Contrappunto dialettico alla mente (1968) é a mais política das três obras, incluindo palavras de Malcolm X e de panfletos contra a guerra do Vietname. Tudo em italiano.

É um disco absolutamente notável, às vezes de incrível violência orquestral, mas não é para qualquer um ou para quem esteja chegando agora sem nenhuma noção daquilo que foi o Século XX. A estupenda atuação de Pollini e Abbado nesta gravação a eleva a níveis anormais musicalidade, virtuosismo e significação.

Luigi Nono – Como una ola de fuerza y luz, for Soprano, Piano, Orchestra and Magnetic Tape (1971-72) / …sofferte onde serene… For Piano and Magnetic Tape (1976) / Contrapunto dialettico alla mente, for Magnetic Tape (1968)

Como Una Ola De Fuerza Y Luz for soprano, piano, orchestra and tape
1. Beginning
2. I. Interno Dolce
3. II. Duro Deciso
4. Piano Entry
5. III. Dolcissimo Sereno
6. Orch Entry
7. Orch And Pno Entry
Slavka Taskova – soprano.
Maurizio Pollini – piano.
Bavarian Radio Symphony Orchestra.
Conductor – Claudio Abbado.

8. …Sofferte Onde Serene… for piano and magnetic tape
Maurizio Pollini – piano

9. Contrappunto Dialettico Alla Mente for magnetic tape
I. Diletto delitto moderno
II. Mascherata di vecchietti
III. Intermedio di venditore di soffio
IV. Lo zio Sam racconta una novella
Liliana Poli – soprano.
Cadigia Bove, Marisa Mazzoni, Elena Vicini, Umberto Troni – voices.
RAI Chamber Choir, Rome.
Director – Nino Antonellini.

Production and artistic supervision: Rainer Brock (1-8).
Artistic supervision: Luigi Nono (9).
Ballance engineers: Klaus Hiemann (1-7), Marino Zuccheri (9).
Sound engineer: Marino Zuccheri (8).
Sound direction: Luigi Nono (8)

CD: Deutsche Grammophon, Germany, 1988 (423 248-2).
1-7 originally released on LP by DG in 1974 (2530 436).
8 originally released on LP by DG in 1979 (DGG 2531 004).
9 originally released on LP by DG in 1970 (2561 044).

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Witold Lutoslawski (1913 – 1994): Concerto for Cello / Livre pour orchestre

Quando por muito tempo um nome de importância não surge, é inevitável perguntar se a arte dá sinais de seu fim. Claro que tal pensamento apocalíptico não soa bem na boca de um crítico pançudo, cuja carreira sempre se baseou no fatalismo das coisas. Quantos críticos em diferentes épocas esbravejaram este fim, mesmo diante de nomes como Stravinsky, Picasso ou Joyce? Mas quando, por algum tempo, nenhum nome vem à cabeça, alguém que balance as estruturas e que mostre uma nova direção, o ar se enche mesmo é de pessimismo.

Talvez o nome de Lutoslawski não esteja entre os grandes transformadores, pois o compositor polonês teve sempre sua música muito próxima, inicialmente, a Szymanowski e Bartok, e depois, à música mais avançada dos anos 50 e 60. Enfim, a originalidade não foi seu grande trunfo. Mas será que isso é motivo de pessimismo? Ser original é mesmo importante? Conhecendo bem a obra de Lutoslawski, acredito realmente que ele foi sim um grande mestre, pois ao contrário de alguns criadores revolucionários, sua música não é artificial, ela é absolutamente sincera mesmo em estruturas complexas como o atonalismo ou aleatoriedade.

O concerto para violoncelo dedicada a Rostropovich é daquelas obras nascidas para ficar. É tão dramaticamente estruturada como se fosse um concerto de Brahms. Lembro de Brahms, pois o compositor foi de certa maneira chamado de conservador (não por Schoenberg). Brahms não trouxe uma linguagem revolucionária, mas quem ousaria diminuir o valor de sua música por isso? Penso o mesmo do compositor polonês. Esta obra escrita no fim dos anos 1960 está ao lado de qualquer concerto já escrito para este instrumento. É mesmo uma obra-prima.

Outra fantástica obra neste disco é Livre pour orchestre que também, como o concerto, permite que os músicos usem a imaginação em certos momentos bem limitados, ou seja, aqui vemos uma forte presença de John Cage rondando sua obra. Mas a sonoridade de Lutoslawski é tão inconfundível quanto a de Brahms.

Novelettes para orquestra, escrita no fim dos anos 1970, é vista por alguns como um retrocesso. Lutoslawski tinha certos momentos de crise. Ficava em dúvida no caminho que deveria seguir. Essa obra fica justamente numa dessas fases de transição. Apesar de ser uma obra menor e menos avançada que as duas obras anteriores, ela tem momentos encantadores.

Chain 3 para orquestra foi escrita após esta crise. O resultado é absolutamente fantástico. Para o meu pobre conhecimento de música contemporânea, uma das últimas grandes obras escritas. Talvez os pessimistas possam ver finalmente o fim da jornada da música ocidental. Mas Chain 3 foi escrita em 1986. Bem, não faz tanto tempo assim.

1. Livre pour orchestre
2. Concerto for Cello and Orchestra
3. Novelette: Announcement
4. Novelette: First Event
5. Novelette: Second Event
6. Novelette: Third Event
7. Novelette: Conclusion
8. Chain No. 3

Performed by Katowice Polish Radio Orchestra & Chorus
cello: Andrzej Bauer
Conducted by Antoni Wit


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BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE (Part 2)