Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para piano nº 12 e 17

Estou dando um tempinho nas postagens de música sacra para participar deste debate sobre referências pianísticas. Centro o foco mais especificamente em Brendel e Pollini, possibilitando aos senhores a devida comparação. Explico. Estarei postando três cds em seqüência de concertos para piano de Mozart, com estes dois grandes instrumentistas. Sim, eu sei que o mano pqp já postou esta dupla Brendel/Mozart, mas esta gravação que estou disponibilizando é bem recente, de 2006, para ser mais exato, assim como as de Pollini, que estarei postando mais a fente. Em dois casos eles estarão interpretando os mesmos concertos, aí fica a possibilidade dos senhores fazerem as devidas comparações.

Confesso que ainda prefiro as gravações antigas de Brendel, principalmente a do Concerto nº 17, um de meus favoritos. Não sei se a idade é a responsável por esta “puxada” de freio que ele dá, mas sinto uma certa falta do brilho de sua leitura anterior. Soa um tanto burocrático em certos momentos. Mas deixo os comentários à vossos critérios. Meu objetivo aqui é apenas lançar a comparação. À própria Scotisch Chamber Orchestra e ao experiente Sir Charles Mackerras falta um certo vigor que Neville Marrimer conferiu à sua indefectível Academy of Saint-Martin-in-the-Fields. Enfim, questão de opinião. Talvez algum leitor vá discordar e dizer que esta versão soa mais agradável, não um “tour-de-force” virtuosístico como pode parecer a versão anterior (aqui).

Enfim, divirtam-se.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para piano nº 12 e 17

1. Piano Concerto No.12 in A, K.414 – 1. Allegro
2. Piano Concerto No.12 in A, K.414 – 2. Andante
3. Piano Concerto No.12 in A, K.414 – 3. Rondeau (Allegretto)
4. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 1. Allegro
5. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 2. Andante
6. Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 3. Allegretto

Alfred Brendel – Piano

Scottisch Chamber Orchestra

Sir Charles Mackerras – Director

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

12 comments / Add your comment below

  1. Bem, em plena Guerra Pollínica, duas perguntas: PQP, conheces as gravações dos concertos para piano e orq. de Bartók com Pollini, Abbado e Chicago S.O.? O CD. com as gravações do 1º e 2º concertos, vem com duas peças para violino e orq. do mesmo compositor, com Gil Sharam (é assim que escreve?) ao violino, intituladas ” Do Ideal” e “Do Grotesco”. E vem com um selo com os dizeres ” Gravação premiada do ano 19… etc. e tal”.
    A Segunda pergunta é: de todos os livros sobre música “erudita” (ô rótulo infeliz!), qual é aquele que vc recomenda pela objetividade e completude das informações, sem ranços de gosto pessoal como acontece com o Carpeoux?

  2. Ah, sim, ainda não ouvi essas novas gravações dos concertos de Mozart com Brendel. Tenho aquelas com Brendel, Academy of S. Martin e Marriner, que me bastam e recomendo. Assim que ouvir, escrevo algum comentário.

  3. Uma bela obra pianística que infelizmente é bastante esquecida é o conjunto de bagatelas de Beethoven Op.126

    Tenho elas numa gravação recente com Brendel, mas acho que Pollini nunca as gravou, pelo menos não que eu saiba, não daria então pra essa série BrendelxPollini, mas fica a minha recomendação pro blog

  4. por favor comparar o q ???
    ou melhor pra q ?

    …não faz diferença nenhuma, a musica esta aí … e interpretações como Brendel ou Pollini são apenas pontos de vistas diferentes; e esses ja tem o lugarzinho deles num podio, lembrando q não ha discuções, q pra quem realmente tem bons ouvidos critico e por si só q francamente não tem comparação o trabalho q Brendel faz justamente de pesquisa sobre tudo em obras do Mozart .

    e isso não é uma questão de gosto é obvio o envolvimento do artista com a obra .

    abraços a todos

  5. O Concerto 17 é magnífico, e também é um de meus prediletos. Ouvi ambas as gravações de Brendel. Sem dúvida que quando se realiza um ciclo de gravações soberbas como é a integral dos concertos de Mozart Brendel/Marriner é difícil competir até consigo mesmo. Eu não sou lá grande fã do Mackerras (ele é bom, mas não está no topo da minha lista… e como pianista, está bem lá embaixo…). Brendel está bem em ambas as gravações, mas na mais antiga há mais cuidados com detalhes, especialmente em relação ao toque e às dinâmicas. E sem dúvida a orquestra de Marriner é muito mais sutil, coisa essencial em Mozart. Gostaria agora de ouvir com Pollini…

    Há uma gravação que procuro em CD (só tenho em k7, vejam vocês…), que é esse mesmo concerto nas mãos de Richard Goode. É muito, muito boa, e sou capaz de dizer que gosto até mais dela do que da de Brendel, mas preciso ouvir novamente antes de falar algo assim perto de nossa amiga Clara….

  6. A gravação da Camerata Mozart de Salzburg regida por Sandor Vegh e com o ESTUPENDO András Schiff ao pianoforte ainda me parece ser a melhor gravação que conheço.
    Estranho que o paradigma mozartiano ao piano Walter Gieseking nem sequer foi lembrado, meio assim como falar das obras de Beethoven ao piano sem passar por Schnabel e Kempff.

  7. Olá amigos.
    Estando, no momento, emviagem, vi-me forçado a retardar a audição dos Mozart, Brendel, Pollini. Minha opinião sobre Pollini, mantem-se, quanto a seu toque de grande pianista e cerebralismo que tolhe o grande musicista. Por outro lado, Brendel, mesmo sendo um pesquisador maduro e um pianista de alto nível, não permite que o musicista seja tolhido pelas necessidades cerebrais acima especificadas. Para não ne tornar repetitivo, passarei a palavra, a partir daqui, a Anton Ehrenzweig e em seguida ao próprio Brendel que saberão expor, com maior clareza o que eu teria ainda a dizer :

    “O ensino academico tem o costume de dar grande valor aos poderes da visualizacao precisa. Isto acontece nao somente nas ciencias, mas, tmabém nas artes plásticas e música. Eu explicaria essa exigência insistente de precisão como sendo um processo defensivo em um sentido psicanalítico. Através dele, as faculdades de superficie procuram suprimir a triagem inconsciente para reterem o controle completo do processo de criaçao. Isto ocorre porque o esmaecimento da “focalizçao consciente” é considerado pelo acadêmico como um perigo e uma ameaça de cáos absoluto. Esse pavor pode ter origem na incompreensao da importancia da participaçao do inconsciente no trabalho criador. Efetivamente, não é fácil para acadêmicos estéreis aceitarem que as técnicas do processo sincrético sejam mais necessarias do que a clareza analítica dos detalhes para que o pensamento criador possa controlar a enorme complexidade do trabalhao de criação.”
    Anton Ehrenzweig (Psicanálise da Percepçao Artística)
    ———–
    “No meu modo de ver, o intérprete deve ter as três funçoes seguintes:
    • A de Conservador de Museus
    • A de Executor Testamentário
    • A de Tocólogo
    A missao do Conservador e Museus é de índole histórica. Verifica o texto da obra com a ajuda de documentos originais e familiarize-se com os costumes de notaçao e com as técnicas de execuçao. Entao, ele dar-se-a conta de que nao basta tocar o que esta escrito. Os Concertos Para Piano de Mozart, sao um exemplor claássico disto. A parte do solista quase nao contém sinais de dinâmicia, e, por outro lado, encontram-se fermatas e passagens em branco que o piansita deve preencher. É ai que intevém o Executor Testamentário. Ele deve ser capaz de projetar no presente a música do passado e, igualmente, de fazer emergir para nós o curso dos tempos. Para isto deverá ser capaz de reviver o aspecto de novidade que a obra tinha em sua oriegem. Quando a música o exige, ele deve, por exemplo, devolver ao acorde de 7 diminuta, do qual tanto se abusou no Século XIX, aquela tensão inquietante e demoníaca que fazia abandonar as esferas, tranquilas demais, da tonalidade. O melhor, no entanto, e quando a funçao de Executor Testamentário une-se ä funçao mágica do Tocólogo e este vela para que a música nao se converta em produto rigido e acabado, sendo capaz de levr-nos à própria “fonte da música”… …e entao ocorre como se a obra estivesse nascendo naquele momento, sob os dedos do intérprete… …um sentimento espontâneo surge, assim, de um trabalho minucioso…”
    São estas as motivações que encontro em Brendel e continuo a não encontrar no grande pianista Pollini.
    Um grande abreço a todos.
    Felicidade.
    Edson

  8. Caros amigos.
    Favor descuparem os erros de digitação.
    Não sou bom nisto.
    Quando em viagem, pioro bastante.
    Na útima parte do texto (entre aspas) esqueci de colocar que seu autor é o próprio Brendel (embora o tenha dito, no início deste comentário. Mas não ficou claro)
    É isto ai!. É do Brendel mesmo.
    Obrigado. Edson

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