SEN-SA-CIO-NAL !!!
(Postagem de maior sucesso do Bisnaga, colocada no ar originalmente em 6 de julho de 2012. Como tinha os arquivos em AIFF, reposto hoje em MP3 e FLAC – inclui algumas trocas de arquivos, corrigindo alguns defeitos das músicas “mordidas” e nova divisão, em 28 faixas, além de remasterização dos MP3)
2015: 30 anos sem José Siqueira
Fonogramas cedidos por Harry Crowl ! Não têm preço!
Senhoras e senhores, devo neste momento jogar minha modéstia de lado e confessar-lhes que já conheço um bom tanto de música erudita (não sou o melhor repertório mental daqui nem de longe, mas não faço feio…) e, por esse motivo, é difícil que eu fique embasbacado facilmente quando ouço uma música nova. Mas dessa vez meu queixo caiu e saiu quicando!
O motivo da queda foi esse ESTUPENDO (estupendo é o mínimo: estou sinceramente de boca aberta ainda, uma semana depois de ter contato com o arquivo) Candomblé do maestro José Siqueira! Do pouco que me foi possível conhecer de sua obra, já gostei, mas essa é a mais arrebatadora delas. Em sua música, José Siqueira retira o negro da senzala, como se apagasse seu passado de humilhações, e o eleva para o topo do pedestal. O negro aqui é nobre! Seu Candomblé é grandiloquente, vibrante, glorioso! E Siqueira consegue unir, com uma fluência embasbacadora, o erudito e o popular, o som de raiz e o som de concerto, numa formação de orquestra e coro grandiosa, e até megalômana. O Compositor Ricardo Tacuchiam conta o impacto que teve quando assistiu à estreia dessa peça:
Dentre os concertos, o que mais me chamou a atenção foi o de estréia mundial de seu Oratório Candomblé I (escrito em 1958), para coro misto, coro infantil, seis solistas vocais, conjunto de percussão afro-brasileira e orquestra sinfônica. A obra era toda baseada em cantos de Candomblé que o maestro colhera na Bahia. Várias lideranças afro-descendentes, algumas vestidas a caráter (com batas vistosas e turbantes, em plena platéia do teatro) estavam presentes, numa noite que mais parecia uma festa que um concerto. O teatro estava lotado e, naquela época, a cidade do Rio de Janeiro era realmente maravilhosa. José Siqueira e todos os artistas que participaram do evento receberam uma retumbante ovação (Depoimento extraído do blog do crítico musical Carlos Eduardo Amaral).
Candomblé é parte de um conjunto de quilate de obras de José Siqueira baseadas na cultura africana, resultados de incessantes pesquisas do compositor, professor e teórico da música:
Em um período em que o negro ainda era bastante discriminado e sua contribuição para a nossa cultura muito pouco reconhecida, José Siqueira criou uma série de peças orquestrais como o bailado Senzala, a cantata negra Xangô, gravada em Paris, a suíte Carnaval Carioca e, para Leonardo Sá [diretor educacional da Orquestra Sinfônica Brasileira], sua obra-referência: Candomblé.
— “Ele passou alguns meses freqüentando um terreiro em Salvador. Escreveu esse oratório dando sua visão musical do ritual. A gravação feita em Moscou é sensacional [foi isso que escrevi no começo, e é essa gravação que estamos posto hoje] — conta. — Essa peça tem a marca da sua irreverência e é ousada para a época. Pegou uma forma católica de expressão para falar de um ritual afro-brasileiro. Mas juntava a essa temática seus conhecimentos sobre compositores modernos como Stravinsky (João Pimentel, Segundo Caderno, O Globo, 26/02/2007).
E sim, além de se embeber dos sons mais chãos que encontrava em solo brasileiro, ele seguia os cânones mais contemporâneos da música mundial. Nessa obra você poderá ver tudo isso. Se a cantata Xangô (aqui) te agradou, essa aqui vai te deixar em êxtase (eu ainda estou)! Apenas aviso que, infelizmente, por ter sido passada de vinil para cassete e de cassete para mp3, há alguns trechos curtos em que parece que o som foi “mordido” e ficou comprometido, mas o todo compensa qualquer dessas falhas. Em tempo, como as músicas apresentavam divisões muito distintas, acabei por fazer uma divisão em 28 faixas, diferente das 13 originais (não se preocupe: está tudo ali e nada se perdeu)
Em Candomblé, José Siqueira pirou com essas fusões sonoras, mas ele sabia pirar (e saber pirar é pra poucos)! Sua condução é excepcional frente a uma orquestra de peso e faz com que até os solistas soviéticos sejam fluentes cantando em língua nagô. Alice Ribeiro destaca-se com uma belíssima e envolvente interpretação. Há trechos eloquentes, vibrantes, melancólicos, suaves, sonhadores, delicados, em um espantoso equilíbrio. Em suma, é uma grande ode ao povo negro, a nossa cultura e ao Brasil! Me sinto extremamente honrado de disponibilizá-la.
Ah, é IM-PER-DÍ-VEL !!!
Uma joalheria inteira! Ouça! Ouça! Ouça!
Como sou um anjo, deixo 4 palhinhas pra vocês morrerem de vontade de baixar:
Xangô:
Oração aos deuses:
Orixá – parte 3:
Orixá – introdução:
José Siqueira (1907-1985)
Candomblé, Oratório fetichista para Grande Orquestra, seis solistas, dois coros mistos a seis vozes, coro infantil e Orquestra de Percussão (1958)
01. Introdução
02. Ogum
03. Oxóssi
04. Xangô – Introdução
05. Xangô
06. Três Cantos a Xangô – Canto 1
07. Três Cantos a Xangô – Canto 2
08. Três Cantos a Xangô – Canto 3
09. Oração aos Orixás – Parte 1
10. Oração aos Orixás – Parte 2
11. Oxum – Parte 2
12. Oxum – Parte 2
13. Iansã – Introdução
14. Iansã – Parte 1
15. Iansã – Parte 2
16. Três Cantos a Iansã – Canto 1
17. Três Cantos a Iansã – Canto 2
18. Três Cantos a Iansã – Canto 3
19. Obaluaiê – parte 1
20. Obaluaiê – parte 2
21. Obaluaiê – parte 3
22. Obaluaiê – parte 4
23. Orixá – Introdução
24. Orixá – parte 1
25. Orixá – parte 2
26. Orixá – parte 3
27. Oração aos Deuses – Introdução
28. Oração aos Deuses
Alice Ribeiro, soprano
Solistas do Coro Estatal
Orquestra e Coros Adulto e Infantil da Rádio e TV Estatal Soviética
José Siqueira, regente
Moscou, URSS, 1975
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (abaixo)
FLAC (160Mb)
MP3 (365Mb) – Remasterizado por Rogério Dec.
Partituras e outros que tais? Clique aqui
Quer saber um pouco mais sobre José Siqueira? Veja este blog.
Há ainda uma dissertação de mestrado sobre ele! Baixe!
UPDATE: O bonito é que muita gente se engaja e acaba nos ajudando. O Rogério Dec remasterizou o MP3 pra gente e deixou o áudio muito mais equilibrado. O áudio corrigido por ele já é o que está acima disponível para download. Aproveitem!
Abaixo, a descrição do esplendoroso Rogério Dec do trabalho realizado com as faixas:
Percebi que já haviam feito algum trabalho de correções sobre o seu áudio original, entretanto senti falta de uma melhor sonoridade.
Portanto resolvi submeter as 28 faixas a uma nova remasterização, onde dentre vários trabalhos, cito alguns que apliquei sobre as faixas:
Submeti todas as faixas a uma compressão dinâmica e puxei um pouco mais os graves pois estavam muito fracos;
Aumentei a “espacialização” dos canais, distribuindo mais amplamente as frequências nos canais esquerdo e direito; algumas faixas inclusive tocavam apenas no canal esquerdo;
Criei uma equalização analógica e destaquei um pouco mais os agudos, um pouco apagados no áudio original;
Maximizei o áudio a um nível um pouco maior diminuindo os contrastes excessivos nas dinâmicas;
Atenuei vários ruídos de fundo (chiados, cliques, pops, etc);
Todo o trabalho de masterização foi executado em arquivos WAV 32 bits, mas gerei os arquivos finais normalizados e renderizados em formato final MP3 em Variable Bit Rate (VBR) equivalente a 192 Kbps, onde não há perdas audíveis e ainda gera um arquivo pequeno de excelente qualidade final.
Dediquei várias horas a este trabalho, mas faço voluntariamente como uma forma de gratidão pelo fantástico trabalho de resgate de Harry Crowl, sem o qual não teríamos acesso a este e outros magníficos compositores.
Ouça! Deleite-se! … Mas, antes ou depois disso, deixe um comentário…

Bisnaga








IM-PER-DÍ-VEL !!!














Logo após a morte do grande Charlie Mingus, foi fundada a Mingus Dynasty com a finalidade de seguir tocando as obras-primas do compositor erudito que mais gostava de jazz… Depois veio a Mingus Big Band e mais recentemente a Orchestra Dynasty. O som dos caras — de todos eles — permanece exuberante e a obra do autor é tão vasta que, mesmo após de quase 20 CDs dos grupos, nem parece ter sido devidamente examinada. I am three refere-se ao primeiro parágrafo da autobiografia de Mingus Beneath the Underdog e também à junção de todo mundo. Desta vez, o grupo de 14 músicos da Mingus Big Band se junta a mais 10 da Mingus Orchestra e a todo o septeto da Mingus Dynasty. O resultado é ótimo. Destaque para Song with Orange.























