Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

Beethoven (1770-1828): Sinfonias Nos. 5 & 7 – Chicago Symphony Orchestra – Fritz Reiner

Beethoven

Sinfonias 5 & 7

Aberturas Coriolano e Fidelio

CSO

Reiner

 

Entre os grandes regentes do século passado, Fritz Reiner é um nome que se destaca pela qualidade das gravações que deixou, especialmente com a Orquestra Sinfônica de Chicago. Ele assumiu a direção desta orquestra em 1954 e a transformou em uma das melhores do mundo. Segundo Stravinsky, Reiner tornou a Sinfônica de Chicago na orquestra mais precisa e flexível do mundo.

Fritz, de tremendo bom humor!

O período de 1954 a 1963, no qual Reiner reinou em Chicago, coincide com o surgimento e afirmação das gravações em estéreo, um importante marco na história da música gravada. A gravação do Concerto para Piano e Orquestra No. 1 de Brahms, em que Reiner e a Sinfônica de Chicago acompanham Arthur Rubisnstein, assim como as gravações do Concerto para Orquestra de Bartók e de La mer, de Debussy são deste período. Estes discos são verdadeiros marcos da história fonográfica e devem ser ouvidos por todos aqueles que têm algum interesse por música.

Na postagem de hoje temos as gravações de duas sinfonias e duas aberturas de Beethoven, registradas neste período pela CSO e Reiner.

Fritz Reiner era um tirano, mas também era genial. Tinha poder enorme sobre os músicos, o que é impensável hoje, e o usava com um certo prazer sádico. Há testemunhos de que era abusivo. Ou seja, os resultados que apreciamos nestas gravações tinham altíssimo custo pessoal para os músicos da orquestra.

No entanto, havia também outros aspectos. A sua técnica de regência era impressionante. Philip Farkas foi o principal trompista na era Reiner e lembra: Ele [Reiner] regia com tudo que tinha, não apenas com as mãos. Poderia reger os violinos com as mãos e indicar a entrada dos sopros enchendo as bochechas de ar e soprando no exato momento desta entrada. Se além disso quisesse um crescendo, usava as sobrancelhas…

O custo destas conquistas era verdadeiramente alto, mas o maestro e sua orquestra tinham seus momentos. O mesmo Farkas lembra o final de um concerto em Boston, quando a CSO estava em uma turnê, em 1958. O concerto correra de maneira perfeita, sem uma falha sequer. Todos estavam verdadeiramente movidos e quando os aplausos terminaram, se reuniram nos bastidores. Reiner cumprimentou a cada um, apertando suas mãos, com lágrimas correndo dos olhos. Ele teria dito: Toda a minha vida esperei por este momento, um concerto perfeito.

Você pode ler estes depoimentos aqui.

Temos então, um álbum quase perfeito. As Sinfonias pertencem ao conjunto das sinfonias ímpares e apresentam o lado mais heroico de Beethoven, assim como as duas aberturas. Aqui estas obras são apresentadas na roupagem big band, com muitos violinos, profundos violoncelos e baixos, sopros destemidos, assim como tímpanos e demais.

Acho esta interpretação da sétima ainda maravilhosa. A quinta um pouco menos. As aberturas são verdadeiras pérolas. Excelentes!

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sinfonia No. 5 em dó menor, Op. 67

  1. Allegro com brio
  2. Andante con moto
  3. Allegro
  4. Allegro

Sinfonia No. 7 em lá maior, Op. 92

  1. Poco sostenuto. Vivace
  2. Allegretto
  3. Presto
  4. Allegro com brio

Aberturas

  1. Coriolano, Op. 62
  2. Fidelio, Op. 72

Chicago Symphony Orchestra

Fritz Reiner

Gravação: 1959 (Op. 67 & 62); 1955 (Op. 92 & 72)

Produção: Richard Mohr

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Reiner disse: As pessoas dizem que eu odeio os músicos. Eles estão errados. Eu só odeio os músicos ruins.

Ah, é claro, JURÁSSICO!

René Denon

A Quatro Mãos: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para dois e três pianos – Christoph Eschenbach – Justus Franz – Helmut Schmidt

51PqZbWeYZL (1)ORIGINALMENTE PUBLICADO EM 13/12/2015

Encerrando a série “A Quatro Mãos”, uma apoteose a quatro e a seis mãos. Bem, “apoteose” talvez seja um exagero, mas duvido de que alguém consiga negar que estes concertos bastante agradáveis e bem escritos não preencham bem uma horinha, se tanto, da vida do ouvinte. E, se imaginarmos a imensa dificuldade que deve escrever um concerto para piano, extrapolamos então o que não deve ser escrever para três deles e orquestra – só para então lembrarmos que o compositor destes concertos não fosse exatamente conhecido por dificuldades em botar música no papel, o que fazia quase como função fisiológica, nem em tocar espantosamente bem o piano e violino, manter prolífica e colorida correspondência, reinar supremo nas mesas de bilhar e, para arredondar a conta, ainda aprimorar-se na arte de frequentar lençóis femininos: criatura admirável, esse Amadeus.

Certamente não no nível do hiperativo, boquirroto e priápico Johann Chrysostomus Wolfgangus, mas ainda merecedor de nossa salva de palmas, é o pianista que se junta a Christoph Eschenbach e Justus Frantz na gravação do Concerto para três pianos, realizada enquanto exercia, em plena Guerra Fria e com o muro de Berlim ainda sólido, o nada refrescante cargo de chanceler da República Federal da Alemanha: o incansável Helmut Schmidt, falecido no último 10 de novembro, a quem esta postagem pretende modestamente homenagear.

MOZART – THE CONCERTOS FOR TWO & THREE PIANOS
CHRISTOPH ESCHENBACH – JUSTUS FRANTZ – HELMUT SCHMIDT

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Concerto em Fá maior para três pianos e orquestra, K. 242 (cadências de Mozart)

01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Rondo (Tempo di Menuetto)

Christoph Eschenbach, Justus Frantz e Helmut Schmidt, pianos
London Philarmonic Orchestra
Christoph Eschenbach, regência

Concerto em Mi bemol maior para dois pianos e orquestra, K. 365 (cadências de Mozart)

04 – Allegro
05 – Andante
06 – Rondo (Allegro)

Christoph Eschenbach e Justus Frantz, pianos
London Philarmonic Orchestra
Christoph Eschenbach, regência

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Entre Bach e Mozart, e entre Reagan e Brezhnev: o chanceler e pianista Helmut Schmidt (1918-2015)
Entre Bach e Mozart, Reagan e Brezhnev: o chanceler e pianista Helmut Schmidt (1918-2015)

Vassily Genrikhovich

Música para Flauta e Piano: Sharon Bezaly, flauta & Ronald Brautigam, piano

Música para Flauta e Piano: Sharon Bezaly, flauta & Ronald Brautigam, piano

PRoKoFieV

SCHuBeRT

DuTiLLeuX

JoLiVeT

 

Este disco foi uma agradável surpresa. Eu estava preparando uma postagem das sonatas para violino de Prokofiev e descobri que a segunda delas era uma versão para violino e piano de uma sonata originalmente escrita para flauta e piano. Daí para este álbum foi um pulo, uma vez que Ronald Brautigam é um excelente pianista e o selo BIS é ótimo. Eu não conhecia a solista Sharon Bezaly, mas ela me conquistou desde a primeira nota.

Para valorizar tão lindo álbum, aqui vai alguma informação sobre as peças.

A composição da Sonata para flauta e piano ocorreu em um momento no qual Prokofiev estava preocupado com clareza de estilo, buscando adequar sua maneira de compor aos ideais do realismo soviético. A sonata surgiu de uma comissão feita pelo Comitê de Assunto Artísticos da URSS. Prokofiev estava morando no Cazaquistão, trabalhando com Sergei Eisenstein, compondo música para Ivan, o Terrível. Em uma carta para Nikolai Miaskovsky, ele menciona que a comissão não viera exatamente em um momento oportuno, mas era agradável. Em sua autobiografia menciona ter desejado escrever uma sonata em um estilo delicado, clássico e fluente. Isto ele certamente conseguiu. Para saber mais sobre esta peça, veja esta dissertação aqui.

David Oistrakh insistiu na adaptação da sonata para violino e piano, realmente acreditando que ela teria mais sucesso nesta forma. Prokofiev concordou e você pode conferir o resultado aqui. No entanto, a versão para flauta também é sensacional, como este álbum pode provar. Prometo que esta não será a única postagem desta linda peça.

Após terminar o Die Schöne Müllerin em novembro de 1823, Schubert escolheu a melodia do seu 18º Lied, Trockne Blumen (Flores Secas) para escrever uma série de variações para flauta e piano. Aparentemente a motivação era apenas usar novamente a linda melodia, apesar de que Schubert certamente tinha flautistas entre seus amigos. A peça consiste de uma introdução e sete variações, sendo a última delas um tour-de-force, cheia de virtuosismo. A peça ficou inédita durante o tempo de vida de Schubert e não há certeza se chegou a ser executada. Após sua publicação em 1850, tornou-se muito popular entre os flautistas. Nesta gravação você pode conferir o porquê.

Mais de um século separa a composição da obra de Schubert da sonata de Prokofiev. Já as duas peças restantes são exatas contemporâneas da sonata. Dutilleux compôs sua Sonatina como uma peça para competições de flautas no Conservatório de Paris, em 1943, entre outras que foram comissionadas por Claude Delvincourt, então o diretor. Dutilleux era bastante crítico destas peças, mas a Sonatine caiu no agrado dos flautistas e amantes do instrumento. Com uma interpretação como esta, é fácil entender.

Assim como no caso de Dutilleux, Jolivet escreveu seu Chant de Linos para as competições do Conservatório de Paris, mas a peça caiu nas graças de Pierre Rampal. A inspiração para esta obra vem de um antigo mito grego. Gritos e danças são formas de expressão que pontuam esta linda e inovadora peça. Sharon Belazy realça a sua beleza com uma incrível interpretação. Fica claro por que não se tornou apenas um exercício acadêmico e hoje faz parte do repertório dos grandes intérpretes.

Sergei Prokofiev (1891-1953)

Sonata para flauta e piano em ré maior, Op. 94

  1. Moderato
  2. Scherzo
  3. Andante
  4. Allegro con brio

Franz Schubert (1797-1828)

  1. a 13. Variações em mi menor sobre o Lied Trockne Blumen, D. 802

Henri Dutilleux (1916-2013)

Sonatina

  1. Allegretto – Andantino – Animé

André Jolivet (1905-1974)

  1. Chant de Linos

Sharon Bezaly, flauta

Ronald Brautigam, piano

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Um disco para quem quer levar a vida na flauta!

René Denon

John Williams Plays Bach – John Williams, ASMF

Antes de começar, talvez seja preciso explicar que esse John Williams aqui não é aquele compositor de filmes de Holywood, autor de trilhas sonoras de filmes como ‘Indiana Jones’. Esse aqui é australiano, e é um dos maiores violonistas de todos os tempos. Sua histórica gravação do ‘Concierto de Aranjuez’ com o mítico maestro Eugene Ormandy foi a minha introdução à música clássica, lá quando eu tinha meus cinco ou seis anos de idade, e continua sendo minha gravação favorita desse concerto, coincidentemente realizada no ano de meu nascimento, em 1965.
Mas John Williams gravou muito mais depois disso, talvez mais de cem discos, dos mais variados compositores, incluindo aquele nosso maior compositor, cujo nome não podemos nem mencionar aqui no PQPBach.
Estou trazendo para os senhores hoje um conjunto de quatro CDs, todos dedicados a Bach. Suítes, prelúdios, fugas,  transcrições para violão do segundo concerto para violino, além das suítes francesas, inglesas, entre outras peças. Em todas elas, o talento e virtuosismo de Williams nos proporciona momentos de absoluto deleite. É realmente para se ouvir de joelhos, e agradecer que temos a oportunidade de ouvir isso. Uma overdose de Bach …

Espero que apreciem.

CD 1

1.01.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) I. Passaggio-Presto
1.02.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) II. Allemande
1.03.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) III. Courante
1.04.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) IV. Sarabande
1.05.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) V. Bourrée
1.06.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) VI. Gigue
1.07. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 I. Prelude
1.08. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 II. Fugue
1.09. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 III. Allegro
1.10. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 I. Preludio
1.11. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 II. Fuga
1.12. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 III. Sarabande
1.13. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 IV. Gigue
1.14. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 V. Double

CD 2

2.01. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) I. Prelude-Presto
2.02. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) II. Allemande
2.03. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) III. Courante
2.04. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) IV. Sarabande
2.05. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) V. Gavottes I & II
2.06. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) VI. Gigue
2.07. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a I. Prélude
2.08. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a II. Loure
2.09. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a III. Gavotte en Rondeau
2.10. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a IV. Menuetts I & II
2.11. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a V. Bourrée
2.12. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a VI. Gigue
2.13. Prelude in C Minor, BWV 999 (Arr. J. Williams for Guitar)
2.14. Fugue in G Minor, BWV 1000 (Arr. J. Williams for Guitar)

CD 3

3.01. Violin Concerto in E Major, BWV 1042 (Arranged by John Williams for Guitar and Orchestra) I. Allegro
3.02. Violin Concerto in E Major, BWV 1042 (Arranged by John Williams for Guitar and Orchestra) II. Adagio
3.03. Violin Concerto in E Major, BWV 1042 (Arranged by John Williams for Guitar and Orchestra) III. Allegro assai
3.04. Violin Sonata No. 2 in A Minor, BWV 1003 III. Andante (Arranged by John Williams for Guitar)
3.05. Violin Partita No. 2 in D Minor, BWV 1004 V. Chaconne (Transcribed for Guitar by John Williams)
3.06. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 I. Prelude
3.07. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 II. Loure
3.08. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 III. Gavotte
3.09. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 IV & V Menuetts I and II
3.10. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 VI. Bourrée
3.11. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 VII. Gigue
3.12. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 I. Prélude (Transcribed for Guitar by John Williams)
3.13. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 Bourrée I & II (Transcribed for Guitar by John Williams)
3.14. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 I. Präludium
3.15. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 II. Fuge
3.16. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 III. Allegro

CD 4

4.01. Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 140 I. Chorale (Transcribed for Guitar and Organ)
4.02. Fugue in G Major, BWV 577 Gigue (Transcribed for Guitar and Organ)
4.03. Violin Sonata No. 4 in C Minor, BWV 1017 III. Adagio (Transcribed for Guitar and Organ)
4.04. Trio Sonata No. 6 in G Major, BWV 530 (Transcribed for Guitar and Organ) I. Vivace
4.05. Trio Sonata No. 6 in G Major, BWV 530 (Transcribed for Guitar and Organ) II. Lento
4.06. Trio Sonata No. 6 in G Major, BWV 530 (Transcribed for Guitar and Organ) III. Allegro
4.07. Italian Concerto in F Major, BWV 971 I.-(Transcribed for Guitar and Organ)
4.08. Pastorale in F Major, BWV 590 III. Adagio (Transcribed for Guitar and Organ)
4.09. Trio in G Major, BWV 10274a (Transcribed for Guitar and Organ)
4.10. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817 I. Allemande (Transcribed for Guitar and Organ)
4.11. English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807 VI. Bourrée II (Transcribed for Guitar and Organ)
4.12. English Suite No. 3 in G Minor, BWV 808 Gavotte I & II (Transcribed for Guitar and Organ by John Williams)
4.13. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816 VII. Gigue (Transcribed for Guitar and Organ by John Williams)

John Williams – Violão
Academy of St. Martin in the Fields

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O mestre em ação

Ainda mais Cordas: o Pipa (Tán Dùn (1957): Concerto para Pipa – Hikaru Hayashi (1931-2012): Concerto para viola – Tōru Takemitsu (1930-1998): Nostalghia – Wú Mán – Yuri Bashmet)

MI0001164132Um país imenso como a China, um caldeirão étnico transbordando tradições que parecem tão antigas quanto o tempo, poderia prover ad nauseam instrumentos para nossa série. O pípa, que escolhemos, assemelha-se a um alaúde e é conhecido pelo menos desde o século II a. C. O Concerto de Tán Dùn, baseado em sua obra “Ghost Opera” (que foi gravada pelo Kronos Quartet e por Wú Mán, a mesma solista deste álbum), tem aquele jeitão de colagem entre influências ocidentais e orientais que é característico do compositor. Apesar de alguns momentos interessantes, particularmente aqueles em que as cordas imitam vocalizações e o som do erhu (mais sobre ele abaixo), parece faltar algum amálgama para unir seus diversos episódios. Nostalghia de Takemitsu, composta como um réquiem para o cineasta Andrey Tarkovsky, é bem melhor, ainda mais com o ótimo solo de Yuri Bashmet ao violino. Os três arranjos de excertos de trilhas sonoras, também por Takemitsu, parecem um pouco deslocados, o que aumenta a agradável surpresa que é o sereno Concerto-Elegia de Hikaru Hayashi na viola do versátil Bashmet.

Do meu instrumento chinês preferido, o erhu, eu ainda não tenho gravação em CD que prestem. Enquanto aguardo que aquelas que encomendei atravessem os sete mares e cheguem a Desterro, deixo-lhes um vídeo em que o Xu Ke, o maior virtuose moderno do erhu, debulha as duas pobres cordas de seu instrumento numa interpretação do Zigeunerweisen de Sarasate que, claro, só pode ser fruto de bruxaria:

TAN DUN – PIPA CONCERTO – HAYASHI – VIOLA CONCERTO – TAKEMITSU – NOSTALGHIA

Tán DÙN (1957)

Concerto para orquestra de cordas e pipa
01 – Andante molto
02 – Allegro
03 – Adagio
04 – Allegro vivace

Wú Man, pipa
Moscow Soloists
Yuri Bashmet, regência

Tōru TAKEMITSU (1930-1998)

05 – Nostalghia, para violino solo e orquestra de cordas

Yuri Bashmet, violino
Moscow Soloists
Roman Balashov, regência

Três Trilhas Sonoras para orquestra de cordas
06 – Music for Training and Rest (de “José Torres”)
07 – Funeral Music (de “Black Rain”)
08 – Waltz (de “Face of Another)

Moscow Soloists
Yuri Bashmet, regência

Hikaru HAYASHI (1931-2012)

Concerto para viola e orquestra de cordas, “Elegia”
09 – Movimento I
10 – Movimento II

Yuri Bashmet, viola
Moscow Soloists
Roman Balashov, regência

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Wú Mán e seu pipa
Wú Mán e seu pipa

 

Vassily Genrikhovich

Franz Schubert (1797-1828): Lieder com orquestra (Otter, Quasthoff, Abbado, Chamber Orchestra of Europe))

Franz Schubert (1797-1828): Lieder com orquestra (Otter, Quasthoff, Abbado, Chamber Orchestra of Europe))

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Postamos este Schubert SOLAR E ABSOLUTAMENTE MARAVILHOSO. Imaginem só. Uma seleção de lieder de Schubert feita por Claudio Abbado, Anne Sofie von Otter e Thomas Quasthoff. Os arranjos para orquestra são, em sua maioria, de gente como Brahms, Reger, Webern, Britten… Isto pode dar errado? Não, não pode. O CD é fantástico, delicado, lírico, lindo, emocionante, fascinante, é tudo o que a gente espera de um grande disco. É uma experiência — proposta por Abbado? — de resultado entusiasmante. Von Otter e Quasthoff matam a pau. Ambos estão perfeitos neste grande disco da DG.

Schubert: Lieder com orquestra

1 Rosamunde, Fürstin von Cypern, incidental music, D. 797 (Op. 26) No. 3. Romanze
with Anne Sofie von Otter
2 Die Forelle (“In einem Bächlein helle”), song for voice & piano, D. 550 (Op. 32)
with Anne Sofie von Otter (Britten)
3 Ellens Gesang II (“Jäger, ruhe von der Jagd”), song for voice & piano, D. 838 (Op. 52/2)
with Anne Sofie von Otter
4 Gretchen am Spinnrade (“Meine Ruh’…”), song for voice & piano, D. 118 (Op. 2)
with Anne Sofie von Otter
5 Gesang (“Was ist Sylvia,…”), song for voice & piano, (“An Sylvia”), D. 891 (Op. 106/4)
with Anne Sofie von Otter
6 Im Abendrot (“O, wie schön ist deine Welt”), song for voice & piano, D. 799
with Anne Sofie von Otter (Reger)
7 Nacht und Träume (Heil’ge Nacht, du sinkest nieder!”), song for voice & piano, D. 827 (Op. 43/2)
with Anne Sofie von Otter (Reger)
8 Gruppe aus dem Tartarus II (“Horch, wie Murmeln”), song for voice & piano, D. 583 (Op. 24/1)
with Anne Sofie von Otter
9 Erlkönig (“Wer reitet so spät”), song for voice & piano, D. 328 (Op. 1)
with Anne Sofie von Otter (Berlioz)
10 Die junge Nonne (“Wie braust durch die Wipfel”), song for voice & piano, D. 828 (Op. 43/1)
with Anne Sofie von Otter (Liszt)
11 Die schöne Müllerin, song cycle, for voice & piano, D. 795 (Op. 25) No. 10. Tränenregen
with Thomas Quasthoff (Webern)
12 Winterreise, song cycle for voice & piano, D. 911 (Op. 89) No. 20. Der Wegweiser
with Thomas Quasthoff (Webern)
13 Du bist die Ruh, song for voice & piano, D. 776 (Op. 59/3)
with Thomas Quasthoff (Webern)
14 Ihr Bild (“Ich stand in dunkeln Träumen”), song for voice & piano (Schwanengesang), D. 957/9
with Thomas Quasthoff (Webern)
15 Prometheus (“Bedecke deinen Himmel”), song for voice & piano, D. 674
with Thomas Quasthoff (Reger)
16 Memnon (“Den Tag hindurch nur einmal”), song for voice & piano, D. 541 (Op. 6/1)
with Thomas Quasthoff (Brahms)
17 An Schwager Kronos (“Spu’te dich, Kronos”), song for voice & piano, D369 (Op. 19/1)
with Thomas Quasthoff
18 An die Musik (“Du holde Kunst…”), song for voice & piano, D. 547 (Op. 88/4)
with Thomas Quasthoff (Reger)
19 Erlkönig (“Wer reitet so spät”), song for voice & piano, D. 328 (Op. 1)
with Thomas Quasthoff (Reger)
20 Geheimes (“Über meines Liebchens Äugeln”), song for voice & piano, D. 719 (Op. 14/2)
with Anne Sofie von Otter (Brahms)
21 Ständchen (“Leise flehen meine Lieder”), song for voice & piano (Schwanengesang), D. 957/4
with Thomas Quasthoff (Offenbach)

Anne Sofie von Otter
Thomas Quasthoff
Chamber Orchestra Europe
Claudio Abbado

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Anne Sophie von Otter, com Thomas Quasthoff e Abbado, um disco espetacular

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – The Sonatas for Violin & Harpsichord – Pine, Vinikour

Rachel Barton Pine é uma violinista norte americana, nascida em Chicago, e uma das grandes intérpretes de Bach da atualidade. Este CD é uma prova do que vos falo. Foi lançado no final do ano passado, e recebeu muitos elogios. Por um daqueles esquecimentos inexplicáveis, ainda não havia sido postado. Pelo menos não até hoje.

Disc 1 (40:59)
1. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: I. Adagio (04:10)
2. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: II. Allegro (02:46)
3. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: III. Andante (02:59)
4. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: IV. Allegro (03:08)
5. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: I. Dolce (02:58)
6. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: II. Allegro (02:58)
7. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: III. Andante un poco (02:57)
8. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: IV. Presto (04:04)
9. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: I. (Adagio) (04:07)
10. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: II. (Allegro) (02:39)
11. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: III. Adagio ma non tanto (04:38)
12. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: IV. Allegro (03:35)

Disc 2 (58:25)

1. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: I. SiciliaNo. Largo (04:37)
2. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: II. Allegro (04:18)
3. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: III. Adagio (03:22)
4. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: IV. Allegro (04:20)
5. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: I. Largo (07:41)
6. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: II. Allegro (04:10)
7. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: III. Adagio (04:20)
8. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: IV. Vivace (02:33)
9. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: I. Allegro (03:07)
10.Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: II. Largo (01:31)
11. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: III. Allegro (Cembalo solo) (04:07)
12. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: IV. Adagio (02:46)
13. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: V. Allegro (03:11)
14. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019a: I. Cantabile, ma un poco adagio (08:22)

Rachel Barton Pine – Violin
Jory Vinikour – Harpsichord

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Como não se encantar com estes lindos olhos azuis de Rachel Barton Pine?

Musica Antiqua Bohemica – Jan Dismas Zelenka (1679-1745): Trio Sonatas – Heinz Holliger

514lbdNJkLLJan Zelenka já deu o ar peruquento de sua graça aqui no PQP Bach, o que é muito merecido: sua extensa obra sacra, escrita sobretudo para a corte da linda Dresden, e consistente música orquestral são testemunhos de sua maestria no contraponto e arrojo harmônico. Assim como o de seu contemporâneo Johann Sebastian Bach, seu estilo fortemente ancorado no do barroco tardio e calcado na polifonia era tido como antiquado, e sua obra foi esquecida após sua morte.

“Pena!”, dirão vocês, ainda mais depois de escutarem estas trio sonatas magistralmente escritas, talvez as maiores obras do gênero. Já havia outra versão delas por aqui, eu até tinha um CD tcheco para postar, mas lembrei dessa gravação do Heinz Holliger e… nada mais preciso dizer: Holliger, um Midas da palheta dupla, foi um dos responsáveis pela redescoberta de Zelenka, com uma leitura clássica das trio sonatas feita para a Archiv nos anos 70. Esta que lhes apresento é uma regravação digital da ECM, em que Holliger se faz acompanhar de um conjunto à altura de seu talento, que é quase o mesmo da gravação anterior. O destaque vai para a cravista Christiane Jaccottet, intérprete da primeira boa integral de Bach para cravo a que tive acesso, pois, como se lembram os velhotes como eu, os anos 90 foram medonhos, eu era duro, e quase só podia comprar Movieplay.

ZELENKA – TRIO SONATAS

Jan Dismas ZELENKA (1679-1745)

Seis Trio Sonatas, ZWV 181

DISCO 1

Sonata no. 1 em Fá maior, para dois oboés, fagote e baixo contínuo
01 – Adagio ma non troppo
02 – Allegro
03 – Larghetto
04 – Allegro assai

Sonata no. 2 em Sol menor, para dois oboés, fagote e baixo contínuo
05 – Andante
06 – Allegro
07 – Andante
08 – Allegro

Sonata no. 3 em Si bemol maior, para violino, oboé, fagote e baixo contínuo
09 – Adagio
10 – Allegro
11 – Largo
12 – Tempo giusto

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Sonata no. 4 em Sol menor, para violino, oboé, fagote e baixo contínuo
01 – Andante
02 – Allegro
03 – Adagio
04 – Allegro ma non troppo

Sonata no. 5 em Fá maior, para dois oboés, fagote e baixo contínuo
05 – Allegro
06 – Adagio
07 – Allegro

Sonata no. 6 em Dó menor, para dois oboés, fagote e baixo contínuo
08 – Andante
09 – Allegro
10 – Adagio
11 – Allegro

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Heinz Holliger e Maurice Bourgue, oboés
Thomas Zehetmair, violino
Klaus Thunemann, fagote
Jonathan Rubin, alaúde
Christiane Jaccottet, cravo
Klaus Stoll, contrabaixo

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Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 4 e 5 – Till Fellner ● Orchestre symphonique de Montréal ● Kent Nagano

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nos. 4 e 5 – Till Fellner ● Orchestre symphonique de Montréal ● Kent Nagano

Beethoven

Concertos para Piano Nos. 4 & 5

Till Fellner

Orchestre symphonique de Montréal

Kent Nagano

 

Cuidado com o que você deseja! Assim é o adágio. Pois eu desejei este disco muito tempo. Quando finalmente o encontrei, antes da primeira audição, senti um misto de antecipação e um friozinho na barriga. Seria realmente tudo aquilo que eu imaginara? Pois bem, veio a primeira, a segunda e agora nem sei mais qual o número da audição. O esperado se realizou com abundância. Não canso de ouvir e, portanto, aqui está, seguindo nossos estritos critérios de escolha de material de postagem: apenas o melhor!

Os dois últimos concertos para piano de Beethoven formam um belo par em discos maravilhosos. Só para não deixar o seguidor do blog no ar: Emil Gilels e Wilhelm Kempff! A enorme diferença entre estes dois maravilhosos concertos só ajuda no sucesso do disco. Engano pensar que o quarto é mais simples. Ledo engano! E inovador que também ele é, com o piano roubando a cena logo na abertura.

Falando do Concerto No. 4 é impossível não mencionar a história de Orfeu e Eurídice. Há fumos e rumores tratando da possibilidade de que o mito de Orfeu, que com seus talentos e lamentos implorou às Erínias que dessem à sua amada Eurídice uma chance para voltar ao mundo dos vivos, tenha inspirado Beethoven na composição do seu Andante con moto. É claro que a história é maravilhosa e Beethoven conhecia a ópera de Gluck sobre o tema. Para reunir ainda mais condições de veracidade a esta possibilidade, há um retrato no qual Beethoven aparece segurando uma lira, o instrumento de Orfeu. Eu fiquei curioso e aposto que você também. Para mais informações sobre isso, veja aqui.

Além disso, se você viu o filme The King’s Speach – O Discurso do Rei, certamente vai reconhecer o Adagio do Concerto No. 5, que magistralmente termina na irrupção do Rondo, uma das transições geniais do Ludovico.

Todas as belezas são aqui realizadas com facilidade e maestria. As armadilhas são evitadas e a parceria solista-orquestra-regente é fenomenal, parece cumplicidade. Veja o que o crítico da Gramophone disse sobre esta combinação: Esta é uma parceria de sonhos com o solista e o regente trabalhando como uma mão na luva, e mesmo se considerar tantos nomes gloriosos em tal repertório (de Schnabel a Lupu) você dificilmente ouvirá interpretação de tão livre e invejável graça e fluência musical. É pouco ou quer mais?

Este disco está na lista dos melhores cinquenta discos de Beethoven da Gramophone! Confira aqui.

Esclareço que devemos ter um certo cuidado com as listas, mesmo as mais famosas. Mas em última instância, é preciso ouvir e decidir por si mesmo. Não se faça de rogado. Eu aposto um download que você vai gostar.

Ludiwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato
  2. Andante com moto
  3. Vivace

Concerto para piano No. 5 em mi bemol maior, Op. 73

  1. Allegro
  2. Adagio um poco moto
  3. Allegro, ma non troppo

Till Fellner, piano

Orchestre Symphonique de Montréal

Kent Nagano

Produção: Manfred Eicher
Som: Markus Heiland

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FLAC |431MB

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MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Till Fellner curtindo o nosso rigoroso inverno!

Mais uma do crítico da Gramophone: Till Fellner certamente faz parte daquela elite que Charles Rosen tão memoravelmente definiu como aqueles que, enquanto aparentemente fazem nada, alcançam tudo! Basta ouvir o álbum.

Aproveite!

René Denon

Shostakovich toca Shostakovich – Concertos para piano – Três Danças Fantásticas

O link para a Amazon leva para um CD da EMI, bem menos desgraçado do que este
O link para a Amazon leva para um CD da EMI, bem menos desgraçado do que este marca-diabo

Comprei este CD numa loja que protruía de um buraco na parede num bairro dilapidado na periferia de Bucareste, e… bem, ele está perfeitamente à altura das condições de compra.

O capa, como podem ver ao lado, parece ter sido feita pela avó de alguém no Paint, entre um envio e outro para as amigas de apresentações com mensagens de autoajuda feitas no PowerPoint. O som não é lá tão ruim, e é até uma surpresa (considerando como são as coisas em Bucareste) que o CD realmente contenha a gravação prometida: os Concertos para piano de Shostakovich e suas três pequenas Danças Fantásticas, na interpretação do próprio compositor. Todos os impropérios possíveis em romeno vêm em mente (“nu mă fute!”, em particular) quando a gente constata que o produtor da gravação não se deu sequer ao trabalho de dividir os movimentos em faixas separadas. O resultado dessa meia-sola é o CD desgraçado, e de só três faixas, que lhes apresento a seguir.

Espero que saibam relevar as limitações técnicas desta gravação de 1958 em prol do privilégio de escutar um dos maiores compositores do século XX em ação, e que perdoem ao compositor-pianista algumas rabanadas ao teclado para saborear a concepção peculiar de Shostakovich para estas suas composições – notavelmente os andamentos frenéticos que imprime aos movimentos rápidos. O acompanhamento de André Cluytens consegue, com muita competência, a proeza de realmente acompanhar o solista apressadinho. Dmitri Dmitriyevich, na certa, estava louco para terminar os takes para pitar e, tabagista contumaz que era (há relatos de que chegou a fumar CENTO E CINQUENTA mata-ratos num dia), talvez engatasse um prestississimo para se atirar o quanto antes nos ramos da Nicotiana tabacum.

Ao contrário do que já li em alguns lugares, as gravações de Shostakovich tocando suas próprias obras vão bem além deste volume aqui. Há um número considerável de LP soviéticos com partes de sua obra para piano e para conjuntos de câmara – incluindo a primeira de seu maravilhoso quinteto com piano, sonatas com Oistrakh e Rostropovich, trios e quartetos.

Se houver interesse de vocês, postarei algo mais do que tenho – caprichem, portanto, nos downloads!

Dmitriy Dmitriyevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

1 – Concerto no. 1 em Dó menor para piano, trompete e orquestra de cordas, Op. 35 – Allegretto – Lento – Moderato – Allegro con brio*
2 – Concerto no. 2 em Fá maior para piano e orquestra, op. 102 – Allegro – Andante – Allegro

Dmitri Shostakovich, piano
*Ludovic Vaillant, trompete
Orquestra Nacional da Radiodifusão Francesa
André Cluytens, regência

3 – Três Danças Fantásticas para piano, Op. 5 – Marcha (Allegretto) – Valsa (Andantino) – Polka (Allegretto)

Dmitri Shostakovich, piano

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BÔNUS: Shostakovich fala e toca um trecho de sua Sinfonia no. 7, “Leningrado”. Até onde vai meu russo, os créditos do começo dão conta do “Duplamente Laureado com o Prêmio Stalin – Compositor Dmitri Shostakovich” – ironia tétrica para com alguém tão desgraçado pelo truculento Djugashvilli. Pelo que pude entender, ele diz que sua sétima sinfonia foi inspirada pelo horror de 1941, que dedica sua obra à luta contra o Fascismo, à vitória e à sua cidade de Leningrado, e que tocará um trecho do primeiro movimento. Talvez o PQP possa pedir à sua musa que nos conceda a gentileza de uma tradução melhor daquilo que Dmitri nos tem a dizer!

Vassily

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise (Bostridge / Adès)

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise (Bostridge / Adès)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ainda fico com Fischer-Dieskau, mas esta gravação é muito boa, excelente mesmo. Aliás, não é a primeira incursão gravada de Bostridge da Winterreise.

Winterreise (Viagem de Inverno) é um ciclo de 24 lieder composto em 1827 por Franz Schubert sobre poemas de Wilhelm Müller. Foi o segundo dos três ciclos de canções escritos pelo compositor (sendo o primeiro Die schöne Müllerin e o terceiro Schwanengesang). Segundo o próprio Schubert, tratava-se do seu preferido. Foi escrito originalmente para tenor, mas é frequentemente transposto para outras vozes. Os 24 lieder do ciclo constituem uma série de reflexões feitas por um viajante no Inverno sobre temas predominantemente sombrios e tristes, características essas realçadas por um uso sistemático de tonalidades menores. De fato, dos 24 lieder que compõem o ciclo, apenas 8 se encontram em tonalidades maiores: o 5.º (“Der Lindenbaum”), o 11.º (“Frülingstraum”), o 13.º (“Die Post”), o 16.º (“Letzte Hoffnung”), o 17.º (“Im Dorfe”), o 19.º (“Täuschung”) e o 23.º (“Die Nebensonnen”). A própria natureza retratada nos poemas reflete o estado de espírito amargurado do sujeito (como era comum no Romantismo), uma vez que são frequentemente descritas paisagens sombrias e geladas.

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise

1 Gute Nacht 5:31
2 Die Wetterfahne 1:44
3 Gefror’ne Tränen 2:15
4 Erstarrung 2:54
5 Der Lindenbaum 4:59
6 Wasserflut 3:48
7 Auf Dem Flusse 3:28
8 Rückblick 1:50
9 Irrlicht 2:24
10 Rast 3:25
11 Frühlingstraum 4:24
12 Einsamkeit 3:12
13 Die Post 1:59
14 Der Greise Kopf 2:48
15 Die Krähe 1:59
16 Letzte Hoffnung 1:48
17 Im Dorfe 3:11
18 Der Stürmische Morgen 0:48
19 Täuschung 1:04
20 Der Wegweiser 4:08
21 Das Wirtshaus 4:17
22 Mut 1:22
23 Die Nebensonnen 2:41
24 Der Leiermann 3:30

Ian Bostridge, tenor
Thomas Adès, piano

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Pieter Bruegel, o Velho (1526/1530–1569) – Caçadores na Neve (1565)

PQP

In memoriam Ivan Moravec (1930-2015) – Fryderyk Chopin: Nocturnes

In memoriam Ivan Moravec (1930-2015) – Fryderyk Chopin: Nocturnes

POSTAGEM ORIGINALMENTE FEITA EM 27/7/2015

Acabo de voltar do trampo, pronto para redigir uma resenha que preparara mentalmente entre um enfermo e outro, quando soube que o sensacional pianista Ivan Moravec faleceu hoje em Praga, aos 84 anos.

Suspendi, claro, meus planos originais e resolvi homenageá-lo, compartilhando com vocês a gravação mais legendária do grande artista tcheco: aquela dos noturnos de Chopin, feita em 1965 e periodicamente relançada, de selo em selo, com enorme sucesso.

Não é à toa: a leitura de Moravec para os noturnos é linda e inconfundível. Talvez haja rubato em demasia para o gosto de alguns, mas há lirismo de sobra, e há uma coerência da primeira à última nota da série. Moravec era absolutamente obsessivo com o som dos pianos que tocava e com o ajuste fino de sua mecânica. Viajava com sua caixa de ferramentas e, frequentemente, era visto trabalhando junto com os afinadores e técnicos nos intervalos de gravações, de ensaios ou mesmo de recitais.

Moravec nasceu em Praga no começo de uma década especialmente desgraçada para seu país, que acabaria com a brutal ocupação da jovem nação tchecoslovaca pelas forças de Hitler e sua anexação à esfera do Reich como o Protetorado da Boêmia e da Morávia. A expulsão dos alemães significou o pano rápido para o desfraldar da Cortina de Ferro, sob as saias da União Soviética, e o jugo de regimes autocráticos que restringiam enormemente as viagens internacionais de seus cidadãos, incluindo os artistas.

Ainda assim, gravações piratas do jovem Moravec circularam amplamente pela Europa Ocidental e pelas Américas, e com tal repercussão que o selo Connoisseur Society (o mesmo que tinha em contrato o maravilhoso Antônio Guedes Barbosa) atravessou a férrea Cortina e convidou o prodígio para realizar gravações. Naquele 1965, o clima político na Tchecoslováquia era relativamente ameno, de modo que o contrato foi firmado, e as legendárias sessões que ora lhes alcanço, realizadas em New York e Viena entre a primavera e o outono do mesmo ano.

Aquela calmaria política, claro, era parte do processo de gradual abertura que culminaria, três anos depois, com as reformas de Dubček, a Primavera de Praga e as sangrentas invasão e ocupação soviéticas. Moravec, mais uma vez, acabaria fechado atrás da Cortina de Ferro, lecionando em Praga, gravando prolificamente e, quando assim lhe permitia a nomenklatura, saindo para breves turnês.

Meus saudosos meses em Praga, que incluíram um longo inverno com pouco dinheiro a tiritar de frio, foram muito menos duros por causa de Moravec. Tive a suprema honra de assistir a recitais seus na divina Obecní dům (Casa Municipal) e no régio Rudolfinum. Suas gravações para o selo Supraphon, baratas como batatinhas, encheram-me de uma felicidade tal que, para ser mais plena, só se me forrasse também o estômago. E foi no encarte de uma dessas gravações que li pela primeira vez uma entrevista com o mestre. No meio da espessa sopa de letrinhas do idioma tcheco, havia uma declaração bastante óbvia, e de maneira tão ululante que até eu consegui entender:

– Você sabe… minha verdadeira paixão é cantar.

Depois que se escuta o que segue, só nos resta concordar.

In memoriam Ivan Moravec (9/11/1930 – 27/7/2015)

Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)

NOTURNOS PARA PIANO

Ivan Moravec, piano

CD 1

01 – Três Noturnos, Op. 9 – No. 1 em Si bemol menor
02 – Três Noturnos, Op. 9 – No. 2 em Mi bemol maior
03 – Três Noturnos, Op. 9 – No. 3 em Si menor
04 – Três Noturnos, Op. 15 – No. 1 em Fá maior
05 – Três Noturnos, Op. 15 – No. 2 em Fá sustenido menor
06 – Três Noturnos, Op. 15 – No. 3 em Sol menor
07 – Dois Noturnos, Op. 27 – No. 1 em Dó sustenido menor
08 – Dois Noturnos, Op. 27 – No. 2 em Ré bemol maior
09 – Dois Noturnos, Op. 32 – No. 1 em Si maior
10 – Dois Noturnos, Op. 32 – No. 2 em Lá bemol maior

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CD 2

01 – Dois Noturnos, Op. 37 – No. 1 em Sol menor
02 – Dois Noturnos, Op. 37 – No. 2 em Sol maior
03 – Dois Noturnos, Op. 48 – No. 1 em Dó menor
04 – Dois Noturnos, Op. 48 – No. 2 em Fá sustenido menor
05 – Dois Noturnos, Op. 55 – No. 1 em Fá menor
06 – Dois Noturnos, Op. 55 – No. 2 em Mi bemol menor
07 – Dois Noturnos, Op. 62 – No. 1 em Si maior
08 – Dois Noturnos, Op. 62 – No. 2 em Mi maior
09 – Peças Póstumas para piano, Op. 72 – No. 1: Noturno em Mi menor

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Vassily

Beethoven (1770-1827) & Sibelius (1865-1957): Concertos para Violino – Tetzlaff ● Symphonie-Orchester Berlin ● Ticciati

Beethoven (1770-1827) & Sibelius (1865-1957): Concertos para Violino – Tetzlaff ● Symphonie-Orchester Berlin ● Ticciati

Beethoven – Sibelius

Concertos para Violino

Christian Tetzlaff

 

 

A expressão battle horse, literalmente cavalo de batalha, aparece com frequência nas críticas escritas em inglês dos álbuns de música clássica. Refere-se àquela obra que absolutamente todos os grandes (e também os não tão grandes) intérpretes registram e apresentam em seus concertos.

Pois este disco contém dois verdadeiros cavalos-de-batalha: os concertos para violino e orquestra de Beethoven e de Sibelius. Além disso, eles têm outras coisas em comum. Por exemplo, ambos não foram muito bem em suas estreias devido ao fato de que seus compositores estavam quase terminando a parte do solista nas vésperas da apresentação e os pobres intérpretes mal tiveram tempo de se preparar para apresentar suas partes. E olha que elas demandam quase tudo que um solista precisa saber.

Beethoven compôs seu concerto para violino em 1806, mas este só se firmou no repertório graças a um garoto de 12 anos: Joseph Joachim, aquele amigo de Brahms, que também produziu um cavalo-de-batalha. Brahms, não Joachim. Ele foi o solista em uma apresentação do concerto em Londres, em 1844, com acompanhamento de Mendelssohn, regendo Philharmonic Society. Mendelssohn foi também compositor de outra dessas maravilhosas criaturas.

Jan Sibelius compôs o seu concerto em 1904, mas como já foi dito, teve que rever a obra, que demorou um pouco para se firmar. Mas não há dúvida, como você pode ouvir nesta gravação – verdadeiro puro-sangue!

Veja como é descrito o terceiro movimento do concerto de Sibelius, intitulado Allegro ma non tanto: “este movimento é largamente conhecido entre os violinistas por suas dificuldades técnicas formidáveis e é muito conhecido como um dos maiores movimentos de concerto escrito para o instrumento. Já foi descrito como uma polonaise para ursos polares, mas tem também uma qualidade bélica que evoca um campo de batalha”. Portanto, autêntico cavalo-de-batalha. Para outra excelente interpretação do concerto de Sibelius, clique aqui.

Este disco é bastante recente, mas está sendo postado seguindo nossos estritos critérios de escolha para material digno de nossos seguidores: por ser definitivamente maravilhoso. Os intérpretes não poderiam ser melhor escolhidos. Christian Tetzlaff é um dos violinistas mais em evidência no momento e tem uma longa experiência com estes concertos. Ainda na juventude, gravou o Concerto de Beethoven com Michael Gielen e usou a cadência que também usa nesta gravação. Esta cadência foi composta pelo próprio Beethoven, para a adaptação do concerto para piano e orquestra. Note a participação dos tímpanos. E a orquestra está empolgada com a atuação de seu novo regente. Ticciati tornou-se o diretor musical da Deutsches Symphonie-Orchester Berlin bem recentemente. Assim, sem mais delongas, aos arquivos!

Com um disco destes, quem não fica de bem com a vida?

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Concerto para violino em ré maior, Op. 61

  1. Allegro moderato
  2. Larghetto
  3. Allegro

Jan Sibelius (1865-1957)

Concerto para violino em ré menor, Op. 47

  1. Allegro moderato
  2. Adagio di molto
  3. Allegro, ma non tanto

Christian Tetzlaff, violino

Deutsches Symphonie-Orchester Berlin

Robin Ticciati

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FLAC |204MB

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MP3 | 320 KBPS | 164 MB

LINK ALTERNATIVO (mp3)

Quase cem anos separam as composições destas duas obras primas, mas o que as torna verdadeiros e duradouros sucessos não é o virtuosismo que certamente exigem de seus intérpretes, mas a profundidade e a beleza dos sentimentos e da música que foram colocados nelas.

Aproveite!

René Denon

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sinfonia Concertante – Concertone – Julia Fischer – Gordan Nikolić

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sinfonia Concertante – Concertone – Julia Fischer – Gordan Nikolić

51Eyo9z4ghLNão tem erro: quaisquer que sejam os intérpretes, essa Sinfonia Concertante para violino, viola e orquestra de Mozart é garantia de deleite e, no meu caso, de olhos muito suados.

Quando há solistas do gabarito da pequena notável Julia Fischer – toda confiante no meio dos grandões aí do lado – e escudeiros como o violinista e violista Nikolić (spalla da London Symphony Orchestra) e o regente Kreizberg (que infelizmente faleceu muito jovem), a coisa fica descontroladamente boa.

Deve ser a trocentésima quarta versão desta obra-prima disponível aqui no PQP Bach, e quem acompanhou as postagens das versões anteriores conhece o alto apreço em que nosso patrono a tem, especialmente seu Andante usado de modo magnífico pelo cineasta Peter Greenaway em sua própria obra-prima, Afogando em Números.

Eu, Vassily Genrikhovich, não fico muito atrás. Assim como o patrão PQP, acredito que a entrada dos solistas no primeiro movimento – uma linda e melíflua frase em oitavas – seja um dos momentos mais arrepiantes em toda música.

Mas os Dominantes que manejam este pobre títere de carne e tripas quiseram ainda mais e, num dia inesquecível para mim, num momento que mr liquefez as pernas, Eles não permitiram, claro, que a música fosse outra. O resultado é que, até hoje, este Allegro maestoso (e as lembranças associadas) me abilola a ponto de ver passarinho verde.

Sim, hoje estou pra lá de piegas, com os pés bem firmes na Melosolândia, quase a ponto de botar para tocar um LP do Wando, mas que se danem vocês e seus duros corações: o meu está aqui, bem flechado e irremediavelmente empalado por um violino, uma viola e uma orquestra.

Sei still, Vassily! Sei still!!! (foto de Camillo Büchelmeier)
Sei still, Vassily! Sei still!!! (foto de Camillo Büchelmeier)

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

1 – Sinfonia Concertante em Mi bemol maior para violino, viola e orquestra, K. 364 – Allegro maestoso
2 – Sinfonia Concertante em Mi bemol maior para violino, viola e orquestra, K. 364 – Andante
3 – Sinfonia Concertante em Mi bemol maior para violino, viola e orquestra, K. 364 – Presto

Julia Fischer, violino
Gordan Nikolić, viola
Netherlands Chamber Orchestra
Yakov Kreizberg

4 – Rondó em Dó maior para violino e orquestra, K. 373 (cadenza: Julia Fischer)

Julia Fischer, violino
Netherlands Chamber Orchestra
Yakov Kreizberg

5 – Concertone em Dó maior para dois violinos e orquestra, K. 190 – Allegro spiritoso
6 – Concertone em Dó maior para dois violinos e orquestra, K. 190 – Andantino grazioso
7 – Concertone em Dó maior para dois violinos e orquestra, K. 190 – Tempo di menuetto: Vivace

Julia FischerGordan Nikolić, violinos
Netherlands Chamber Orchestra
Yakov Kreizberg, regência

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Além de gatinha, multilíngue e excelente violinista, Julia Fischer ainda é ótima pianista - ei-la aqui a tocar Grieg numa gravação que, algum dia, postaremos aqui. Como prova cabal de que perfeição não existe, a linda moça é muito bem casada.
Além de gatinha, multilíngue e excelente violinista, Julia Fischer ainda é ótima pianista – ei-la aqui a tocar Grieg numa gravação que, algum dia, postaremos aqui. Como prova cabal de que perfeição não existe, infelizmente, a linda moça é muito bem casada.

Vassily

Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Pedir uma peça a um jazzista é algo inteligente, sem dúvida. De origem italiana e nascida na Escócia, a violinista Nicola Benedetti é uma jovem e talentosa violinista apaixonada pela educação musical, com sua própria fundação e seu canal no YouTube. Mas também dá concertos pelo mundo, claro. Seu último álbum, com gravações de obras escritas para ela por Wynton Marsalis, é realmente muito bom.

Na verdade, parece uma fantasia sonhada por um executivo de gravadora: um concerto escrito pelo mundialmente famoso trompetista de jazz e band leader Wynton Marsalis, feito especialmente para uma carismática e competente violinista. Mas não é uma fantasia: Benedetti tem tocado o vibrante Concerto para Violino de Marsalis por todo o mundo desde sua estréia em 2015. Melhor ainda, os dois artistas são amigos há anos e o concerto reflete sua amizade e admiração mútua.

Isso não quer dizer que não houve problemas ao longo do caminho. Notem, por exemplo, a primeira reação de Benedetti ao ler a partitura. “Minha resposta inicial foi a de que não era desafiador o suficiente para o violinista e que ele precisava reescrever boa parte do concerto. Expliquei a ele que estou acostumada a tocar peças que literalmente me levam semanas antes que eu possa tentar tocá-las.”

Outros compositores poderiam ter se ofendido, mas Marsalis permaneceu deboas. “Afinal, foi ela quem pediu as peças. Ao longo dos anos, falei com Nicola de vez em quando e conversávamos sobre todo tipo de coisas”, disse Marsalis. “Ela é interessada em muitos tipos diferentes de música.”

Então, como surgiu o concerto? Benedetti explica que ficou tocada ao ouvir uma apresentação de A Fiddler’s Tale, de Marsalis, em Londres. Ela se perguntou como algo podia ser tão complexo e inteligente, com tanta profundidade e todo mundo ainda sair sorrindo do concerto. Quero isso pra mim! Benedetti e seu agente foram aos bastidores conversar com Marsalis e “começaram o processo de implorar para ele escrevesse algo para violino”, disse ela. Demorou dois anos. Parecia que seria uma peça para violino solo, mas depois veio um concerto. Aliás, ela conseguiu tudo, basta ouvir a Fiddle Dance Suite, para violino solo, também no novo CD. Mas, por um tempo, não ficou claro se Nicole veria a peça à luz do dia.

Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Violin Concerto in D Major (43:25)
1 I Rhapsody 12:38
2 II Rondo Burlesque 10:10
3 III Blues 10:18
4 IV Hootenanny 10:19

Fiddle Dance Suite (23:38)
5 I Sidestep Reel 3:59
6 II As The Wind Goes 4:07
7 III Jones’ Jig 4:05
8 IV Nicola’s Strathspey 4:27
9 V Bye-Bye Breakdown 7:00

Violin – Nicola Benedetti
Orchestra – The Philadelphia Orchestra
Conductor – Cristian Măcelaru

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Final feliz.

PQP

Lost and Found – 18th Century Oboe Concertos – Albrecht Mayer

Lost and Found – 18th Century Oboe Concertos – Albrecht Mayer

4792942Um agradável álbum e mais algumas figurinhas para o rol de compositores do acervo do PQP Bach, em obras desencavadas de arquivos da Saxônia e Turíngia pelo solista Albrecht Mayer, primeiro oboísta da Filarmônica de Berlim.

Nenhuma dessas obras que voltam à luz é pérola comparável ao Concerto K. 314 de Mozart, mas todas elas oferecem ótimas oportunidades para o Mayer brilhar com seu bonito som. Ainda que os concertos de Hoffmeister e Lebrun sejam talvez os que menos chances tenham de reencontrar a poeira, foram o rondó de Koželuh e o adágio de Fiala (e o belíssimo timbre do corne inglês) aqueles que cá comigo deixaram o melhor retrogosto.

LOST AND FOUND – CONCERTOS PARA OBOÉ DO SÉCULO XVIII

ALBRECHT MAYER, oboé e regência
Kammerakademie Potsdam

Franz Anton HOFFMEISTER (1754-1812)

Concerto em Dó maior para oboé e orquestra

01 – Allegro con brio
02 – Adagio
03 – Rondo. Allegro

Ludwig August LEBRUN (1752-1790)

Concerto no. 2 para oboé em orquestra em Sol menor

04 – Allegro
05 – Adagio
06 – Rondo. Allegro

Josef FIALA (1748-1816)

Concerto em Dó maior para corne inglês e orquestra

07 – Allegro moderato
08 – Adagio cantabile
09 – Allegro assai

Jan Antonín (Johann Anton) KOŽELUH (1738-1814)

Concerto em Fá maior para oboé e orquestra

10 – Vivace
11 – Adagio
12 – Rondo. Allegretto

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Vassily Genrikhovich

Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80 – BBC Philharmonic ● Nicholas Kraemer

Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80 – BBC Philharmonic ● Nicholas Kraemer

Haydn

Sinfonias 22 ● 26 ● 67 ● 80

BBC Philharmonic 

Nicholas Kremer

Imagine a alegria de um entusiasmado jornalista instalado na seção de música clássica de uma enorme emissora de rádio ao receber sua tarefa: ouvir a cada uma das sinfonias de Haydn e colocá-las em ordem de grandeza ou brilho, como melhor lhe aprouver.

Acredito que a tarefa o deixou um pouco lelé por uns dias. Mas foi levada a cabo e o resultado você pode conferir aqui, mesmo que lembremos do adágio “gosto não se discute”!

Realmente, eu mesmo não ouvi a todas as sinfonias escritas por Haydn, mesmo se considerarmos, como o fez o jornalista, apenas as “oficialmente” numeradas.

Há um projeto já em curso – Haydn 2032 – que refere-se ao ano no qual comemorar-se-á os 300 anos de nascimento de Haydn, de gravar todas as sinfonias por ele escritas, inclusive as que serão descobertas até lá. O projeto envolve mais do que uma orquestra e os discos (alguns já lançados) trazem além das sinfonias de Haydn, peças de compositores seus contemporâneos, para colocar suas obras em alguma perspectiva.

Ah, as efemérides! Se não fosse por elas, o que seria dos marqueteiros? Bom, acredito que eles inventariam algo…

Bem, deixemos de digressões e vamos ao disquinho da postagem: quatro sinfonias de Haydn gravadas ao vivo pela BBC Philharmonic sob a regência de Nicholas Kraemer entre os anos de 2007 e 2009, reunidas neste álbum lançado em 2009 como parte das homenagens a Haydn na ocasião da passagem de 200 anos desde a sua morte. As sinfonias foram compostas entre os anos 1764 e 1784 e formam um pequeno painel da produção sinfônica de Haydn no seu período intermediário.

Decidi postar o disco pois a seleção é ótima, a interpretação se beneficia do senso de ocasião e o conjunto da obra é excelente.

Quem não estaria feliz ao reger tão lindas sinfonias?

Nicholas Kraemer, o regente, não é nome totalmente estranho aqui no PQP, mas é mais associado ao universo barroco. Este disco mostra que ele é ótimo também em outras circunstâncias e trataremos de convidá-lo mais vezes às nossas paragens.

As duas primeiras sinfonias recendem a incenso e poeiras de igreja. A Sinfonia No. 22 em mi bemol maior, com apelido “O Filósofo”, é de 1764 e destaca-se pelo uso de cornes-ingleses no lugar de oboés. Além disso, lembrando a estrutura da sonata da chiesa, seus movimentos são lento-rápido-lento-rápido. Você poderá saber mais sobre esta sinfonia aqui.

A Sinfonia No. 26, em ré menor, de apelido “Lamentatione”, é uma das primeiras do chamado grupo Sturm und Drang, e também uma das primeiras sinfonias de Haydn escrita em tom menor. O apelido se deve ao uso no adagio de uma melodia de um antigo cantochão sobre a Paixão de Cristo.

Em seguida a Sinfonia No. 67 em fá maior , composta em 1767 e bastante experimental. O grande musicólogo e expert em Haydn, H.C. Robbins Landon disse sobre essa sinfonia: one of the most boldly original symphonies of this period, ressaltando sua originalidade. Desde a sua abertura, até o uso de um violino diferenciado no minueto, temos sempre a presença do inesperado.

Para terminar a lista, a Sinfonia No. 80, em ré menor, que fazia parte de um grupo de três sinfonias, com as de números 79 e 81. Elas foram compostas em 1784 a pedido do Príncipe Nikolaus para serem apresentadas nos Lent Concertos – Concertos da Quaresma, em Viena, em março de 1785. Esta sinfonia está a um passo dos grupos de grandes sinfonias que viriam a seguir, as Sinfonias de Paris e as Sinfonias de Londres, e mostra como Haydn havia se preparado para esta última fase de sua carreira de compositor de (grandes) sinfonias.

Joseph Haydn (1732-1809)

Sinfonia No. 22 em mi bemol maior – O Filósofo

  1. Adagio
  2. Presto
  3. Menuetto e Trio
  4. Presto

Sinfonia No. 26 em ré menor – Lamentatione

  1. Allegro assai con spirito
  2. Adagio
  3. Menuetto e Trio

Sinfonia No. 67 em fá maior

  1. Presto
  2. Adagio
  3. Menuetto e Trio
  4. Finale: Allegro di molto – Adagio e cantábile

Sinfonia No. 80 em ré menor

  1. Allegro spiritoso
  2. Adagio
  3. Menuetto e Trio
  4. Finale: Presto

BBC Philharmonic

Nicholas Kraemer, regente

Produção: Mike George

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FLAC | 297 MB

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MP3 | 320 KBPS | 170 MB

 

Aposto como você não deixará de ler o artigo escrito pelo audaz jornalista e verificar em que posições ele ranqueou as sinfonias deste disco delicioso. Veja lá se você concorda com as escolhas dele. Basta ouvir as sinfonias e ir tomando notas. Pode começar com estas quatro aqui…

Aproveite!

René Denon

Frederic Chopin (1810-1846) – Sonatas – Nikita Magaloff, piano

Minha geração cresceu ouvindo Chopin com dois pianistas cujos nomes viraram quase sinônimos do mestre polonês: Arthur Rubinstein e Nikita Magaloff. Foram dois excepcionais músicos, que viveram muito, cruzaram praticamente o século, que se tornaram lendas em seus instrumentos. Sobre Rubinstein nem preciso falar muito, já que é citado constantemente aqui no PQPBach.
Mas quem foi Nikita Magaloff? Bem, foi um pianista georgiano – russo, ou seja, filho de georgianos, mas nascido em São Petersburgo. Com a Revolução Russa de 1917 sua família fugiu para a Finlândia, e de lá,e estimulado pelo amigo de família Sergey Prokofiev, foi para Paris estudar, onde fez amizade com muita gente conhecida, incluindo Maurice Ravel.
Foi o primeiro músico a gravar a integral das obras para piano de Chopin, e a interpretava ao vivo, em uma série de seis recitais (que memória o homem tinha).
Esta integral tem 13 cds. Vou trazê-los aos poucos, conforme meu tempo disponível para tanto. Sei que todos irão gostar.

CD 1

01. Piano Sonata No.1, Op.4 (1978) – 1. Allegro maestoso
02. Piano Sonata No.1, Op.4 – 2. Minuetto. Allegretto
03. Piano Sonata No.1, Op.4 – 3. Larghetto
04. Piano Sonata No.1, Op.4 – 4. Finale. Presto
05. Piano Sonata No. 2, Op. 35 (1976) – 1. Grave – doppio movimento
06. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 2. Scherzo. Piú lento – Tempo I
07. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 3. Marche funebre. Lento
08. Piano Sonata No. 2, Op. 35 – 4. Finale. Presto
09. Piano Sonata No. 3, Op. 58 (1976) – 1. Allegro maestoso
10. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 2. Scherzo. Molto vivace
11. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 3. Largo
12. Piano Sonata No. 3, Op. 58 – 4. Finale. Presto non tanto

Nikita Magaloff – Piano

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Nikita Magaloff (1912-1992)

FDP / Pleyel (links revalidados)

Nelson Freire, 75 anos – Nelson Freire: Encores

Nelson Freire, 75 anos – Nelson Freire: Encores

Estamos no último minuto do 18 de outubro, e ainda em tempo de celebrar o septuagésimo quinto aniversário do Sr. Nelson José Pinto Freire, nascido no rio Grande, não o Rio Grande donde eu venho, mas o que banha a pacata Boa Esperança das Minas Gerais, um cidadão do mundo, e certamente um dos compatriotas que nunca nos deixará sem respostas se alguém nos perguntar o que de bom tem o Brasil, além de butiás e jabuticabas. Parabenizamos o célebre Sr. Freire e abraçamos o gentil Nelsinho, alcançando-lhe nossa gratidão pela longa e profícua carreira, que não para de nos trazer alegrias nessas já tantas décadas que o veem elencado entre os maiores pianistas em atividade. Além do quilate artístico, o mineirinho Nelson é um amor de criatura, ouro maciço. Discreto, caseiro e reservado, vive para a arte e para os amigos. Agora há pouco cheguei a brincar com os companheiros de blog, imaginando-o a bebemorar seu aniversário, entre um cigarro e outro, com a grande amiga Martha Argerich, parceira de vida e arte há seis décadas, só para depois me lembrar de ter lido numa entrevista que ele parou de fumar há alguns anos, por querer manter-se por muito tempo ainda ativo: menos em recitais e concertos, pois a rotina de viagens lhe aborrece muito, e cada vez mais em gravações, depois de por tanto tempo relutar em fazê-las, e legar ao futuro uma resposta a quem quer que pergunte “como tocava Nelson Freire?”.

Numa bonita postagem, o Pleyel já afirmara que muito se poderia “falar do talento de Nelson para escolher peças de bis, parte essencial de recitais à moda antiga”. Pois neste fresquíssimo álbum, nosso cintilante compatriota apresenta-nos parte de seu arsenal de tira-gostos, digestivos e, também, fogos de artifício para arrematar concertos e recitais, abarcando o longo arco de tempo entre os gênios de Purcell e do tabagistíssima Shostakovich. O pianismo é, naturalmente, de chorar de bom, e ao final da guirlanda de peças a gente só consegue se admirar por lhe descobrir mais um talento: o de fazer um recital coeso só com tantos, e tão diversos, e diminutos bombons e bagatelas.

Que sirva de exemplo para tantos outros. E muitas outras.

E, sim: refiro-me a ti, gostosona.

NELSON FREIRE – ENCORES

Christoph Willibald GLUCK (1714-1787)
Arranjo de Giovanni Sgambati
1- Orfeo ed Euridice: Melodia

Henry PURCELL (1659-1695)
2 – Hornpipe em Mi menor

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1759)
3 – Sonata em Ré menor, K. 64
4 – Sonata em Si menor, K. 377

Zygmunt Denis Antoni Jordan de STOJOWSKI (1870-1946)
5 – Aspirations, Op. 39: no. 1, “Vers l’Azur”

Ignacy Jan PADEREWSKI (1860-1941)
6 – Miscellanea, Op. 16: no. 4: Noturno em Si bemol maior

Richard Georg STRAUSS  (1864-1949)
Arranjo de Leopold Godowsky
7 – Seis Lieder, Op. 17: No. 2, Ständchen

Edvard Hagerup GRIEG (1843-1907)
Das “Peças Líricas” para piano:
8 – Livro I, Op. 12 – no. 1: Arietta
9 – no. 2: Valsa
10 – no. 5: Melodia Popular
11  – Livro II, Op. 38 – no. 1.: Berceuse
12 – Livro III, Op. 43 – no. 2: Viajante Solitário
13 – no. 4: Pequeno Pássaro
14 – no. 6: À Primavera
15 – Livro IV, Op. 47 – no. 4: Halling
16 – Livro V, Op. 54 – no. 1: Jovem Pastor
17 – Livro VIII, Op. 65 – no. 6: Dia de Casamento em Troldhaugen
18 – Livro IX, Op. 68 – no. 3: A seus pés
19 – no. 5: No berço

Anton Grigoryevich RUBINSTEIN (1829-1894)
20 – Duas Melodias, Op. 3 – no. 1 em Fá maior

Alexander Nikolayevich SCRIABIN (1872-1915)
21 – Dois Poemas, Op. 32 – no. 1 em Fá sustenido maior

Sergei Vasilyevich RACHMANINOV (1873-1943)
22 – Prelúdios, Op. 32 – no. 10 em Si menor: Lento
23 – no. 12 em Sol sustenido maior: Allegro

Dmitry Dmitryevich SHOSTAKOVICH (1906-1975)
Danças Fantásticas, Op. 5
24 – no. 1: Marcha. Allegretto
25 – no. 2: Valsa. Andantino
26 – no. 3: Polka. Allegretto

Enrique GRANADOS Campiña (1867-1916)
27 – Goyescas, Suíte para piano – no. 4: Quejas ó la maja y el ruiseñor

Frederic MOMPOU Dencausse (1893-1987)
28 – Scenes d’enfants – no. 5: Jeunes filles au jardin

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)
29 – España, Op. 165 – Tango em Ré maior (arranjo de Leopold Godowsky)
30 – Navarra (completada por Déodat de Sévérac)

Nelson Freire, piano

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Nelson com Guiomar Novaes, 1977. Foto do acervo particular de Nelson Freire, publicada pelo sensacional Instituto Piano Brasileiro (http://institutopianobrasileiro.com.br), comandado pelo indispensável Alexandre Dias, apoiado por Nelson e que recomendamos demais.
No vídeo abaixo, parte do documentário “Nelson Freire” de João Moreira Salles, o aniversariante de hoje relembra a influência inspiradora de Guiomar em sua carreira, enquanto ouve, com olhos suados, a melodia de Gluck (que abre o CD que ora compartilhamos) na interpretação de sua ídola. E a “Nise” a que ele se refere é Nise Obino, sua maior mestra, decisiva para Nelson superar a transição de menino-prodígio a jovem artista e que, como descobrimos pelo documentário (que não podemos recomendar o bastante aos fãs de Nelson), muito mais que professora, foi-lhe uma grande paixão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vassily, com um agradecimento ao incansável FDP Bach por lhe ter alcançado esta gravação.

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Lembram daquela série interminável de discos da Philips — lançados nos anos 70 e 80 — que eram seleções malucas de clássicos e que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Händel podia vir antes de um trecho de Rhapsody in Blue, o qual era seguido pela Abertura 1812 e pela chamada Ária na Corda Sol (mentira, corda sol coisa nenhuma) de Bach, por exemplo. Salada semelhante é servida por Khatia Buniatishvili neste CD. Mas o importante é faturar enquanto a beleza não abandona a pianista. Ela tem alguns anos de sucesso ainda. Como habitualmente, neste disco ela é muita emoção e languidez — principalmente a última –, acompanhada de um talento que não precisaria ter registros gravados. Temos tanta gente melhor! Depois deste disco altamente suspeito, ela sucumbe aqui. Só a aparência não basta. Afinal, ouvimos o CD. Vocês sabem que eu amo as belas musicistas, mas tudo tem limite.

O volume 1 da numerosa série

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

1 Johann Sebastian Bach: Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd, BWV 208: IX. Schafe können sicher weiden (Arr. for Piano)
2 Pyotr Ilyich Tchaikovsky: The Seasons, Op. 37b: X. October (Autumn Song)
3 Felix Mendelssohn-Bartholdy: Lied ohne Worte in F-Sharp Minor, Op. 67/2
4 Claude Debussy: Suite Bergamasque, L. 75: III. Clair de lune
5 Giya Kancheli: Tune from the Film by Lana Gogoberidze: When Almonds Blossomed
6 György Ligeti: Musica ricercata No. 7 in B-Flat Major
7 Johannes Brahms: Intermezzo in B-Flat Minor, Op. 117/2
8 Franz Liszt: Wiegenlied, S. 198
9 Antonín Dvorák: Slavonic Dance for Four Hands in E Minor, Op. 72/2: Dumka (Allegretto grazioso)
10 Maurice Ravel: Pavane pour une infante défunte in G Major, M. 19
11 Frédéric Chopin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 25/7
12 Alexander Scriabin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 2/1
13 Domenico Scarlatti: Sonata in E Major, K. 380
14 Edvard Grieg: Lyric Piece in E Minor, Op. 57/6: Homesickness
15 Traditional: Vagiorko mai / Don’t You Love Me?
16 Wilhelm Kempff: Suite in B-Flat Major, HWV 434: IV. Menuet
17 Arvo Pärt: Für Alina in B Minor

Khatia Buniatishvili, piano

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Desculpe, Khatia, não rolou.

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Concertos de Brandenburg – Pinnock

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Concertos de Brandenburg – Pinnock
O link acima leva para uma caixa com bem mais do que os Concertos de Brandenburg. A edição em que baseei esta postagem está aparentemente esgotada.
O link acima leva para uma caixa com bem mais do que os Concertos de Brandenburg. A edição em que baseei esta postagem está aparentemente esgotada.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 28/7/2015

Seis Concertos
Com diversos Instrumentos
Dedicados
À Sua Alteza Real
Senhor
Christian Ludwig
Margrave de Brandenburg & c. & c. & c.,
por Seu mui humilde & mui obediente Servo
Johann Sebastian Bach
Mestre de Capela de Sua Alteza Real O
príncipe reinante d’Anhalt-Cöthen

Meu Senhor

Como tive, há poucos anos, a felicidade de me fazer escutar junto à Vossa Alteza Real, em virtude de suas ordens, e como eu então percebi que Vossa Alteza teve algum deleite com os pequenos talentos que o Firmamento me concedeu para a Música; e, quando a me retirar da presença de Vossa Alteza Real, Ela houve por bem me fazer a honra de me mandar o envio a Vossa Alteza de algumas peças de minha composição; eu, de acordo com as mais graciosas ordens de Vossa Alteza, tomei a liberdade de cumprir meus humílimos deveres para com Vossa Alteza Real com os presentes Concertos, que arranjei a diversos Instrumentos; rogando mui humildemente que não julgue sua imperfeição ao rigor do gosto fino e delicado que todos sabem que Vossa Alteza tem pelas obras musicais, mas de ter sobretudo em Benigna consideração o profundo respeito, e a mais humilde obediência que eu tento demonstrar a Vossa Alteza (…)

Senhor
De Vossa Alteza Real
O mais humilde e mais obediente servo
Johann Sebastian Bach. Cöthen, 24 mar 1721

O Margrave, aparentemente, se lixou para a oferta de Bach, que, mesmo com toda a rasgação de seda, não conseguiu trabalhar em sua corte. As partituras dos Concertos empoeiraram nas estantes de Sua Alteza Real, de onde sairiam vendidas como papel velho por alguns poucos centavos.

Mas isso não importa.

Não fossem os “pequenos talentos” concedidos pelo Firmamento ao “mui humilde servo” Johann Sebastian Bach, o mundo provavelmente não se lixaria para o nome do tal Christian Ludwig.

Os nobres perecem.

BACH VIVE.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

OS CONCERTOS DE BRANDENBURG, BWV 1046-1051

THE ENGLISH CONCERT
TREVOR PINNOCK, regência

CD 1

01 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – [sem indicação de tempo]
02 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Adagio
03 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Allegro
04 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II
05 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – [sem indicação de tempo]
06 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – Andante
07 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – Allegro assai
08 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – [sem indicação de tempo]
09 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Adagio
10 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Allegro

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CD 2

01 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Allegro
02 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Andante
03 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Presto
04 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
05 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Affettuoso
06 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
07 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – [sem indicação de tempo]
08 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – Adagio ma non tanto
09 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – Allegro

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O fac-símile da dedicatória dos Concertos de Brandenburg, i.e., a rasgação de seda que traduzi livremente mais acima
O fac-símile da dedicatória dos Concertos de Brandenburg, i.e., a rasgação de seda que traduzi livremente mais acima

Homenagem a Johann Sebastian Bach, o maior gênio criador que já habitou este planeta, postada originalmente em 28/7/2015 – ducentésimo sexagésimo quinto aniversário de seu falecimento.

Vassily

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Il Progetto Vivaldi 2 – Sol Gabetta, Andres Gabetta, Capella Gabetta

Como diria o velho filósofo do futebol, uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa completamente diferente (não sei se essa é a frase correta, mas o sentido é o mesmo). Me utilizo desta expressão para de certa forma discordar do grande Igor Stravinsky que em determinado momento de sua vida teria declarado que Vivaldi compôs a mesma obra centenas de vezes. Não tenho certeza se ele realmente falou isso, e em que contexto, mas se formos aplicá-la a estes concertos para violoncelo  até poderíamos entendê-la. Com isso, não estou afirmando que ele compôs a mesma obra (e jamais faria tal afirmação), e sim que elas são semelhantes, porém totalmente diferentes.

Quatro anos após o lançamento do primeiro CD, Sol Gabetta retornou aos Concertos de Vivaldi em 2011, desta vez acompanhada por seu irmão, Andres, que também dirige o Conjunto ‘Capella Gabetta´. E claro que aqui qualquer semelhança não é mera coincidência. Enfim, neste segundo CD, ela demonstra uma maior maturidade artística, e nos brinda com um delicioso repertório, e uma lufada de ar fresco na interpretação. Como bem observou um cliente da amazon, ‘Sol Gabetta has found a refreshing energetic approach to Vivaldi which is the perfect match to the instrumental strengths of camera Gabetta. Strongly recommend for shear exuberance and clarity of instrument voicing .’

Altamente recomendado, com certeza. Em alguns dias, trago o terceiro CD.

Ah, não posso esquecer de avisar: neste CD o clã Gambetta também interpreta obras de outros dois compositores contemporâneos de Vivaldi: Leonardo Leo e Giovanni Benedetto Platti.

1 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 423: I. Allegro
2 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 423: II. Largo
3 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 423: III. Allegro
4 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 416: I. Allegro
5 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 416: II. Adagio
6 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 416: III. Allegro
7 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 420: I. Andante
8 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 420: II. Adagio
9 Concerto for Violoncello and Orchestra, RV 420: III. Allegro
10 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: I. Preludio. Largo
11 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: II. Allemanda. Andante
12 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: III. Sarabanda. Largo
13 Sonata for Violoncello and Basso continuo, RV 42: IV. Giga. Allegro
14 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: I. Andantino grazioso
15 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: II. Con bravura
16 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: III. Larghetto, con poco moto
17 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: IV. Allegro di molto
18 Concerto for Violoncello and Orchestra in D major: V. Fuga
19 Concerto for Violoncello and Orchestra in D minor, Op. 657: I. Non tanto allegro
20 Concerto for Violoncello and Orchestra in D minor, Op. 657: II. Adagio
21 Concerto for Violoncello and Orchestra in D minor, Op. 657: III. Alla breve. Fuga

Sol Gabetta -Cello
Capella Gabetta
Andres Gabetta

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O Mestre Esquecido, capítulo V (“Dear Fritz”: Fritz Kreisler Melodies – Wanda Wiłkomirska e Antonio Guedes Barbosa)

O Mestre Esquecido, capítulo V (“Dear Fritz”: Fritz Kreisler Melodies – Wanda Wiłkomirska e Antonio Guedes Barbosa)

71JPdm2xGBL._SL1024_PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 5/10/2015

A exígua discografia de Antonio Guedes Barbosa inclui uma significativa parceria com a violinista polonesa Wanda Wiłkomirska (1929-2018), que resultou em alguns álbuns que, claro, compartilharemos com vocês.

Este, dedicado inteiramente a miniaturas compostas pelo violinista austríaco Fritz Kreisler para seu próprio usufruto nas salas de concerto, é um prato cheio para os fãs da ótima Wiłkomirska. Já os fãs de Barbosa lamentarão, talvez, a frugalidade das partes de piano, que é aqui um simples coadjuvante do violino exibido. Para os fãs lamentosos, então, fica um consolo: a parceria de Barbosa com Wiłkomirska rendeu gravações muito mais significativas, com as sonatas de Brahms, Ravel e Franck, além da “Primavera” de Beethoven que, obviamente, também postaremos aqui.

Notem que as peças “ao estilo” de Pugnani e Tartini, compostas por Kreisler, foram por muitos anos atribuídas aos mestres do passado. Da mesma maneira, as célebres “Liebesfreud”, “Liebesleid” e “Schön Rosmarin” eram tidas como obras do valsista Joseph Lanner (1801-1843). Essas atribuições foram deliberadamente feitas e mantidas por Kreisler, que apresentava tais obras como se fossem da lavra de outros compositores e muito se divertia, tanto com os rasgados elogios ao talento dos supostos compositores, quanto com o protesto dos críticos quando, já idoso, trouxe a farsa à tona.

DEAR FRITZ: FRITZ KREISLER MELODIES

Friedrich (“Fritz”) KREISLER (1875-1962)

01 – Liebesfreud
02 – Schön Rosmarin

Cyril Meir SCOTT (1879-1970)
Arranjo de Fritz Kreisler

03 – Lotus Land, Op. 47 no. 1

Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)
Arranjo de Fritz Kreisler

04 – España, Op. 165 – no. 5: “Tango”

Fritz KREISLER

05 – Liebesleid
06 – Praeludium e Allegro no estilo de Pugnani

Richard Franz Joseph HEUBERGER (1850-1914)
Arranjo de Fritz Kreisler

07 – Der Opernball: Mitternachtsglocken (Midnight Bells)

Fritz KREISLER

08 – Tambourin Chinois
09 – Caprice Viennois

Folclore Irlandês, arranjo de Fritz KREISLER

10 – Londonderry Air

Fritz KREISLER

11 – Variações sobre um tema de Corelli, no estilo de Tartini

Wanda Wiłkomirska, violino
Antonio Guedes Barbosa, piano
(gravação de 1971 do selo Connoisseur Society, nunca lançado no Brasil, esgotado tanto em LP quanto em CD)

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Kreisler: cinófilo e gozador
Kreisler: cinófilo e gozador

Vassily Genrikhovich [revalidado em 15/1/2021]

 

Anthony Hopkins (1937): Anthony Hopkins Composer

Seu personagem mais famoso, o notório Dr. Hannibal Lecter, gostava tanto de ópera quanto de carne humana. Mas quem pensaria que o próprio Sir Anthony Hopkins provaria ter aptidão para escrever música erudita? Certamente não o ator vencedor do Oscar, cuja confiança em sua capacidade de compor se limitava a improvisações ao piano em casa, tocando apenas para seu próprio prazer. Sua esposa Stella foi quem o levou a expandir seus horizontes, a explorar mais seu talento, e o resultado final foi um concerto com a City of Birmingham Symphony Orchestra, gravado pela Classic FM.

Por um lado, Hopkins teve muita sorte, pois poucos compositores contemporâneos são estreados direto por uma orquestra tão boa quanto o CBSO. No entanto, por outro lado, a música tinha que ser boa. Ok, é média. Hopkins escreve com considerável talento e confiança. A sensação é a de que ouvimos um homem que adora fazer música e que escreve instintivamente a partir de suas emoções. Com esse instinto, ele demonstra talento para criar obras curtas e cinematográficas, em vez de formas sinfônicas complexas. Ainda assim, dentro destes parâmetros, Hopkins desenvolve seu trabalho com musicalidade e nunca se limita à meras repetições. Ele já escreveu trilhas para filmes e sua música parece perfeita para acompanhar cenas. Hannibal adoraria tê-lo.

Anthony Hopkins (1937): Composer

1 Orpheus 5:02
2 Stella 6:27
3 Evershaw Fair 5:37
4 And The Waltz Goes On 5:44
5 Amerika 6:26
6 Margam 7:08
7 Circus 4:49
8 Bracken Road 4:10
9 The Plaza 3:02

City of Birmingham Symphony Orchestra
Michael Seal

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Hopkins: sem dúvida, um homem multifacetado

PQP

A Família das Cordas: Henry Purcell (1659-1695) – Fantasias for the Viols – Jordi Savall

81B3lfZG1YL._SL1274_Para encerrar essa série dos arcos, nada melhor que compartilhar com vocês algumas das mais maravilhosas obras já dedicadas a esses instrumentos: as Fantasias para violas compostas por Henry Purcell. Reunidas num consort – conjunto de instrumentos de mesmo feitio e tamanhos variados, que vai de soprano a viola da gamba baixo – as violas do Hespèrion XX fazem cintilar as ricas texturas sonoras compostas pelo gênio de 21 anos que, ninguém discute mais, foi o maior compositor já parido pelas ilhas inglesas. Na regência, só para arredondar, está o MIDAS Jordi Savall, que assegura a esta gravação o tão típico rótulo pequepiano que eu nunca antes usara e que agora estreio a plenos brônquios:

IM – PER- DÍ – VEL!!!

Henry PURCELL (1659-1695)

FANTASIAS FOR THE VIOLS (1680)
HESPÈRION XX – JORDI SAVALL

01 – Fantasia sobre uma nota

Fantasias em três partes
02 – Fantasia I
03 – Fantasia II
04 – Fantasia III

Fantasias em quatro partes
05 – Fantasia IV
06 – Fantasia V
07 – Fantasia VI

08 – In Nomine em seis partes

Fantasias em quatro partes
09 – Fantasia VII
10 – Fantasia VIII
11 – Fantasia IX

Fantasias em três partes
12 – Fantasia X
13 – Fantasia XI
14 – Fantasia XII

15 – In Nomine em sete partes

HESPÈRION XX

Jordi Savall, viola soprano e regência
Wieland Kuijken, viola baixo
Sophie Watillon, viola contralto
Eunice Brandão e Sergi Casademunt, violas tenores
Marianne Müller e Philippe Pierlot, violas baixo

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Aprendi que, nos quadros de Vermeer, o virginal (instrumento de teclado) representa a mulher, e a viola da gamba (normalmente atirada no chão), o homem. A paixão seria representada pela música tocada no virginal causando ressonância por simpatia nas cordas da gamba - a voz de uma mulher, enfim, tocando as fibras do coração de um homem. Johannes Vermeer van Delft, "A Lição de Música" (1692-1695).
Aprendi que, nos quadros de Vermeer, o virginal (instrumento de teclado) representa a mulher, e a viola da gamba (normalmente atirada no chão), o homem. A paixão seria representada pela música tocada no virginal causando ressonância por simpatia nas cordas da gamba – a voz de uma mulher, enfim, tocando as fibras do coração de um homem.
Johannes Vermeer van Delft, “A Lição de Música” (1692-1695).

Vassily Genrikhovich