COMPACT DISC 1
Ich habe genung BWV 82
Festo Purificationis Mariae
1. Aria: “Ich habe genung”
2. Recitative: “Ich habe genung! Mein Trost ist nur allein”
3. Aria: “Schlummert ein, ihr matten Augen”
4. Recitative: “Mein Gott! wenn kömmt das schöne: Nun!”
5. Aria: “Ich freue mich auf meinen Tod”
Wer weiß, wie nahe mir mein Ende BWV 27
Dominica 16 post Trinitatis
6. Chorale and Recitative (S, A, T): “Wer weiß, wie nahe mir mein Ende”
7. Recitative (Tenor): “Mein Leben hat kein ander Ziel”
8. Aria (Alto): “Willkommen! will ich sagen”
9. Recitative (Soprano): “Ach, wer doch schon im Himmel war!”
10. Aria (Bass): “Gute Nacht, du Weltgetümmel!”
11. Chorale: “Welt, ade! ich bin dein müde”
Herr Gott, dich loben wir BWV 16
Festo Circumcisionis Christi
12. Chorus: “Herr Gott, dich loben wir”
13. Recitative (Bass): “So stimmen wir bei dieser frohen Zeit”
14. Aria (Bass) and Chorus: “Laßt uns jauchzen”
15. Recitative (Alto): “Ach treuer Hort”
16. Aria (Tenor): “Geliebter Jesu, du allein”
17. Chorale: “All solch dein Gut wir preisen”
Appendix:
Herr Gott, dich loben wir BWV 16
18. Aria (Tenor): “Geliebter Jesu, du allein” 8’55
Ich habe genung BWV 82
19. Aria (Bass): “Schlummert ein, ihr matten Augen”
COMPACT DISC 2
Vergnügte Ruh, beliebte Seelenlust BWV 170
Dominica 6 post Trinitatis
1. Aria: “Vergnügte Ruh, beliebte Seelenlust”
2. Recitative: “Die Welt, das Sündenhaus”
3. Aria: “Wie jammern mich doch die verkehrten Herzen”
4. Recitative: “Wer sollte sich demnach”
5. Aria: “Mir ekelt mehr zu leben”
Herr, deine Augen sehen nach dem Glauben BWV 102
Dominica 10 post Trinitatis
Prima parte
6. Chorus: “Herr, deine Augen sehen nach dem Glauben”
7. Recitative (Bass): “Wo ist das Ebenbild”
8. Aria (Alto): “Weh der Seele, die den Schaden nicht mehr kennt”
9. Arioso (Bass): “Verachtest du den Reichtum seiner Gnade”
Seconda parte 10. Aria (Tenor): “Erschrecke doch, du allzu sichre Seele”
11. Recitative (Alto): “Beim Warten ist Gefahr”
12. Chorale: “Heut lebst du, heut bekehre dich”
Gott der Herr ist Sonn und Schild BWV 79
Festo Reformationis
13. Chorus: “Gott der Herr ist Sonn und Schild”
4. Aria (Alto): “Gott ist unsre Sonn und Schild!”
15. Chorale: “Nun danket alle Gott” 2’05
16. Recitative (Bass): “Gottlob, wir wissen den rechten Weg zur Seligkeit”
17. Aria (Soprano, Bass): “Gott, ach Gott, verlaß die Deinen nimmermehr”
18. Chorale: “Erhalt uns in der Wahrheit”
COMPACT DISC 3
Ich geh und suche mit Verlangen (Dialogus) BWV 49
Dominica 20 post Trinitatis
1. Sinfonia
2. Aria (Bass): “Ich geh und suche mit Verlangen”
3. Recitative (Soprano, Bass): “Mein Mahl ist zubereit”
4. Aria (Soprano): “Ich bin herrlich, ich bin schön”
5. Recitative (Soprano, Bass): “Mein Glaube hat mich selbst so angezogen”
6. Aria and Chorale (Soprano, Bass): “Dich hab ich je und je geliebet”
Gott fähret auf mit Jauchzen BWV 43
1737 Festo Ascensionis Christi
Prima parte
7. Chorus: “Gott fähret auf mit Jauchzen”
8. Recitative (Tenor): “Es will der Höchste sich ein Siegsgepräng bereiten”
9. Aria (Tenor): “Ja tausend mal tausend begleiten den Wagen”
10. Recitative (Soprano): “Und der Herr, nachdem er mit ihnen geredet hatte”
11. Aria (Soprano): “Mein Jesus hat nunmehr”
Seconda parte
12. Recitative (Bass): “Es kommt der Helden Held”
13. Aria (Bass): “Er ists, der ganz allein die Kelter hat getreten”
14. Recitative (Alto): “Der Vater hat ihm ja ein ewig Reich bestimmet”
15. Aria (Alto): “Ich sehe schon im Geist”
16. Recitative (Soprano): “Er will mir neben sich”
17. Chorale: “Du Lebensfürst, Herr Jesu Christ”
Brich dem hungrigen dein Brot BWV 39
Dominica 1 post Trinitatis
Prima parte
18. Chorus: “Brich dem hungrigen dein Brot”
19. Recitative (Bass): “Der reiche Gott wirft seinen Überfluß auf uns”
20. Aria (Alto): “Seinem Schöpfer noch auf Erden”
Seconda parte
21. Aria (Bass): “Wohlzutun und mitzuteilen”
22. Aria (Soprano): “Höchster, was ich habe”
23. Recitative (Alto): “Wie soll ich dir, o Herr, denn sattsamlich vergelten”
24. Chorale: “Selig sind, die aus Erbarmen”
Appendix:
Gott fähret auf mit Jauchzen BWV 43
13. Aria (Bass): “Er ists, der ganz allein”
Johannette Zomer, Sandrine Piau, Sibylla Rubens soprano
Bogna Bartosz, Annette Markert alto
James Gilchrist, Paul Agnew, Christoph Prégardien tenor
Klaus Mertens bass
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

Depois de mais de quatro anos, e por mea maxima culpa, retomamos com uma postagem inédita a série dedicada ao Mestre Esquecido, enquanto esperamos concluí-la antes de 2023, ano em que Antonio completaria 80 anos, e no qual lamentaremos os 30 anos de sua morte.





















Um filme visualmente suntuoso como “O Jardim Secreto”, baseado no romance homônimo de Frances Hodgson Burnett e sensivelmente realizado por Agnieszka Holland, não poderia ter uma música que causasse menor impressão. Preisner, compatriota de Holland, caprichou e legou-nos uma trilha sonora que, talvez, seja entre as suas a que melhor se sustente sem as imagens. A agitada abertura, com toda sua percussão, soa pouco “preisneriana”, mas em seguida todos os gestos tão caros ao compositor – os temas singelos, a preferência pelos sopros (especialmente o oboé e as flautas-doces) e pelo piano, o uso econômico da instrumentação, com diálogos instrumentais como que em prosa – vão surgindo, entremeados por todos os melífluos clichês que imaginaríamos num filme sobre crianças – violinos trinando, glockenspiele, coros angélicos. Quando nos damos conta, depois de uma que outra sugestão de Dvořák, já se foram, muito belos, seus trinta e poucos minutinhos.



“A Dupla Vida de Véronique” é um dos filmes mais belos e estranhos que conheço. Belo pela luz dourada, por seus suaves verdes e vermelhos, pelos imensos silêncios entremeados pela música de Zbigniew Preisner, e sobretudo pelo rosto da divina Irène Jacob – no papel de sua vida -, iluminado maravilhosamente por Sławomir Idziak e seguido com discrição e sensibilidade por Krzysztof Kieślowski. Estranho porque, entre outros motivos, muito pouco acontece em “Véronique” e, no entanto, nada nele é tedioso. Poucas vezes vi a introspecção, que me é tão cara, retratada na tela assim, vivamente. É um filme, talvez, sobre a sensação de não estarmos sozinhos, de que há algo ou alguém a viver paralelamente conosco; uma experiência tão bela quanto estranhíssima, que abre mais questões do que as responde, e inda mais a cada revisita.
O “Decálogo” – uma guirlanda de, bem, dez brilhantes filmes de 55 minutos, cada qual uma pequena obra-prima – constitui o opus magnum de Kieślowski. Produzido pela televisão polonesa e de distribuição modesta quando de seu lançamento, repercutiu enormemente mundo afora, em especial junto aos cineastas – até mesmo o mui recluso e extremamente crítico Stanley Kubrick teceu loas ao roteiro -, e abrindo caminho no exterior para a carreira do diretor. Apesar de algumas semelhanças, como o entrelaçamento de tramas e os personagens demiúrgicos recorrentes, Kieślowski – que iniciou a carreira como documentarista – não lança mão aqui do virtuosismo que exibiria em sua muito mais famosa Trilogia das Cores, iniciada cinco anos depois. A despeito do título, a alusão aos Dez Mandamentos é, para o dizer o mínimo, bastante oblíqua. Pouquíssimo há de bíblico ou religioso nessas histórias que se desenrolam num austero e feiíssimo conjunto habitacional em Varsóvia. O estilo é muito enxuto, a atmosfera é quase árida, e os longos silêncios e ênfase nos closeups exigem um protagonismo da música, que Zbigniew Preisner garante com uma trilha sonora extraordinária, que depois adaptaria para os dois longa-metragens feitos a partir de episódios da série: “Não Matarás” (Krótki film o zabijaniu) e “Não Amarás” (Krótki film o miłości), ambos de 1988. Digna de nota, também, é a primeira menção a Van den Budenmayer, compositor neerlandês fictício, criatura de Kieślowski e Preisner, a quem se atribuem temas e composições que apareceriam também em “A Dupla Vida de Véronique”, “Azul” e “Vermelho”.





Tão logo terminaram os créditos finais de “Azul”, e enquanto ainda ecoava em meus pouco impressionáveis ouvidos médios a sensacional música de Zbigniew Preisner, determinei a mim mesmo:






Inaugurar a Trilogia das Cores com um filme tão soberbo quanto “Azul” trouxe uma imensa expectativa sobre como seria em seu ato seguinte. Surpreendentemente, Krzysztof Kieślowski serviu ao público, ainda assoberbado pelo grande drama cerúleo, uma comédia que teve recepção morna, e não sem “nhés” de decepção.






