Junto a Adams e Riley, Reich forma o trio de ouro do minimalismo estadunidense. Aqui, neste sensacional álbum duplo da Deutsche Grammophon, temos a parte da obra dedicada ao tema ritmo. Drumming veio antes da extraordinária Music for 18 Musicians, de 1974, onde o que é feito em Drumming assume forma verdadeiramente grandiosa.
Reich não é apenas um compositor genial, mas é dado a dar definições absolutamente exatas sobre a posição da música e dos compositores em nosso tempo. Sempre penso em uma de suas mais importantes lições, a mais bachiana das delas:
Todos os músicos do passado, começando na Idade Média, estavam interessados na música popular. A música de Béla Bartók se fez inteiramente com fontes de música tradicional húngara. E Igor Stravinsky, ainda que gostasse de nos enganar, utilizou toda a sorte de fontes russas para seus primeros balés. A grande obra-prima Ópera dos Três Vinténs, de Kurt Weill, utiliza o estilo de cabaret da República de Weimar. Arnold Schoenberg e seus seguidores criaram um muro artificial, que nunca existiu antes. Minha geração atirou o muro abaixo e agora estamos novamente numa situação normal. Por exemplo, se Brian Eno ou David Bowie recorrem a mim e se músicos populares reutilizam minha música, como The Orb ou DJ Spooky, é uma coisa boa. Este é um procedimento histórico habitual, normal, natural.
Steve Reich
E agora ele fala deste CD:
Durante um ano, entre o outono de 1970 e o outono de 1971, eu trabalhei naquela que acabou a mais longa peça que compus. Drumming dura cerca de uma hora e meia e é dividida em quatro partes que são executadas sem pausa. Eu escolhi instrumentos que estão todos normalmente disponíveis nos países ocidentais (embora os bongôs tenham origem na América Latina, as marimbas na África, e em última análise, o glockenspiel derive de instrumentos da Indonésia), sintonizados com nossa escala diatônica temperada própria. Uso-os musicalmente dentro do contexto das minhas obras anteriores.
Seis Pianos (1973) surgiu da idéia que eu tinha há vários anos para fazer uma peça para todos os pianos em uma loja especializada. A peça que resultou é mais modesta, mas soa incontrolável. São seis pianos brincando uma música ritmicamente complexa. Os pianistas têm de estar fisicamente bem juntos de forma a ouvir um ao outro claramente ou não conseguirão interpretar a obra.
Enquanto trabalhava em Seis Pianos eu comecei uma outra composição que parecia cresceu espontaneamente a partir de um padrão de marimba simples. A Música para instrumentos de percussão, vozes e órgão foi concluída em maio de 1973, e trata de dois processos rítmicos interrelacionados. Espero que alguém possa gostar das peças.
Steve Reich, 1974
Steve, eu adorei, mas meus vizinhos vieram saber o que estava acontecendo. Expliquei-lhes e segui a audição sem baixar o volume.
Steve Reich (1936): Drumming / Six Pianos / Music for Mallet Instruments, Voices and Organ
CD 1:
Drumming (for 4 pairs of tuned bongo drums, 3 marimbas, 3 glockenspiels, 2 female voices, whistling and piccolo )
1) Part I (24:35)
Drums [Small Tuned] – Bob Becker, James Preiss, Russ Hartenberger
2) Part II (25:19)
Marimba – Ben Harms, Bob Becker, Cornelius Cardew, Glen Velez, Russ Hartenberger, Steve Chambers, Steve Reich, Tim Ferchen*
Voice – Jay Clayton, Joan La Barbara
3) Part III (15:40)
Glockenspiel – Bob Becker, Glen Velez, James Preiss, Russ Hartenberger
Piccolo Flute – Leslie Scott
Whistling – Steve Reich
CD 2:
1) Part IV (18:57)
Drums [Small Tuned] – Steve Chambers, Steve Reich, Tim Ferchen*
Glockenspiel – Ben Harms, Cornelius Cardew, James Preiss
Marimba – Bob Becker, Glen Velez, Russ Hartenberger
Piccolo Flute – Leslie Scott
Voice – Jay Clayton, Joan La Barbara
2) Six Pianos (24:14)
Bob Becker, Glen Velez, James Preiss, Russ Hartenberger, Steve Chambers, Steve Reich – Pianos
3) Music for Mallet Instruments, Voices and Organ (18:32)
Glockenspiel – Ben Harms, Glen Velez
Marimba – Bob Becker, Russ Hartenberger, Steve Reich, Tim Ferchen*
Organ [Electric] – Steve Chambers
Percussion [Metallophone] – James Preiss
Voice – Janice Jarrett, Joan LaBarbara*
Voice [Melodic Patterns With Marimbas] – Jay Clayton

PQP



Este disco tem ares de bootleg. Trata-se da gravação de um Concerto com muita gente tossindo, som mais ou menos e com um Rostropovich entusiasmado, até cometendo alguns errinhos, o mesmo valendo para a orquestra. É de uma certa Russian Disc e os concertos aconteceram em 29 de setembro de 1966 e 25 de setembro de 1967, dia do aniversário de 61 anos de Shostakovich. Não que registros ao vivo me incomodem — gosto muito delas, sinto a atmosfera de concerto como o ar de minha infância. Os erros… Quem se importa com eles se Rostrô está defendendo a música com toda a garra e sensibilidade que a obra e seu amigo Shosta merecem? Eu amo esses dois concertos, sendo que o segundo faz parte do meu Olimpo pessoal. Depois, Rostrô regravou de forma espetacular essas obras no ocidente com Ozawa, em discos que você tem que ouvir (



— Obs.: Não deem bola para os nomes das 12 faixas no arquivo. Os nomes corretos estão abaixo.
IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um bom CD. Adoro Marsalis, mas ouvi este disco sem real entusiasmo apesar do incrível apuro técnico e musicalidade do septeto de Marsalis. As harmonias são lindas, mas nenhum dos temas é particularmente memorável e, embora os solos individuais sejam bons, não acontece muita coisa. No geral, é uma homenagem bastante estranha ao blues. Na verdade, o principal significado deste conjunto é que, aqui o grande trompetista reuniu pela primeira vez o núcleo do seu septeto. Musicalmente esta trilogia pode ser contornada. ouça as gravações mais recentes de Marsalis. Não obstante, este é um álbum relaxante. Wynton Marsalis é um músico, compositor, líder de banda, aclamado educador e um dos principais defensores da cultura americana. Ele é o primeiro artista de jazz a tocar e compor em todo o espectro do gênero, desde as raízes de Nova Orleans até o bebop e o jazz moderno. Ao criar e executar uma ampla gama de músicas para quartetos e big bands, de conjuntos de música de câmara a orquestras sinfônicas, de sapateado a balé, Wynton expandiu o vocabulário do jazz e criou um corpo vital de trabalho que o coloca entre os mais importantes músicos de nosso tempo.

Boas gravações de Sibelius realizadas por Paavo Berglund (1929-2012) e uma orquestra finlandesa! A Sinfonia Nº 4 (1911) sempre me pareceu uma planície vasta, plana e gelada, talvez da Lapônia, com o compositor meditando em silêncio. Berglund a torna mais melancólica do que nunca, A coisa fica mais lenta à medida que avança. Sibelius sentiu que estava perto da morte quando escreveu a peça; no entanto, ele permaneceria vivo por mais quarenta e seis anos. Um alarme falso. Mais tarde, Sibelius disse sobre a sinfonia, citando o autor sueco Strindberg: “Ser humano é miséria.” Não espere muita alegria aqui. A última sinfonia de Sibelius, a de Nº 7 (1924), é de longe a mais curta, combinando quatro movimentos em uma obra fluida. Paavo Berglund e a Filarmônica de Helsinque lidam bem com isso criando uma versão majestosa. Francamente, no entanto, a maioria das outras gravações do Sétima tendem a empalidecer em comparação com o legendário registro de Mravinski com a velha Filarmônica de Leningrado. Mas Berglund é uma boa alternativa.



Este delicado CD traz uma excelente amostra do que é a música instrumental do grande Henry Purcell. São Sonatas curtinhas e muito bonitas. As sonatas do inglês estão entre os pilares da música de câmara barroca. O próprio compositor as descreveu despretensiosamente como “uma imitação dos mais famosos mestres italianos”. No entanto, a audição e a suas estruturas revelam que a modéstia de Purcell esconde uma mistura altamente original de modelos italianos, de música tradicional inglesa e uma quase obsessão com a técnica contrapontística. O Purcell Quartet dá uma verdadeira aula de como abordar este belo e negligenciado repertório. A personalidade criativa do mestre inglês, seu dom melódico arrebatador e as suas inquietas harmonias estão por toda parte, negando, de certa forma, sua modéstia.
IM-PER-DÍ-VEL !!!












IM-PER-DÍ-VEL !!!
![J. S. Bach (1685 – 1750): Original & Transcrição – Peças para Teclado (Robert Hill – [Hänssler Edition Bachakademie]) ֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2023/08/maxresdefault-960x540.jpg)








Exatamente! Parabéns! Você acertou! Este Goldberg é exatamente aquele! Johann Gottlieb Goldberg foi um virtuose alemão do cravo e do órgão, além de compositor do barroco tardio e do início do período clássico. Sua imortalidade aconteceu ao emprestar o seu nome — como intérprete original — às famosas Variações Goldberg de Johann Sebastian Bach. E notem que ele morreu pouco depois de Bach. Era um adolescente de 14 anos quando recebeu as Variações das mãos de Deus em 1741 e foi morrer aos 29 anos, coitado. Dizem que era enorme, com mãos que conseguiam posições que a maioria dos tecladistas jamais sonhariam. Durante a adolescência foi o empregado favorito de quem encomendou as Variações, o Conde Hermann Karl von Keyserling.

Espetacular CD da ECM (para variar). Três vozes femininas cantam as primeiras obras da polifonia e uma obra moderna da compositora coreana Sungji Hong (1973). Som puríssimo, lindo.
Um CD que junta vários compositores italianos do século XVIII. Todas as obras são para oboés ou fagotes solistas. Após a primeira surpresa pela bela sonoridade alcançada pelos intérpretes, a coisa cai em plana mesmice. O Sans Souci é o grande destaque do trabalho, soltando bons ventos para todos os lados, só que os compositores não ajudam. O curioso é que Vivaldi perdeu-se em meio a seus contemporâneos e não consegui diferenciá-lo dos Lottiplattimontanari durante a audição do CD. O século XVIII italiano está lotado de bons compositores, mas acho que a maioria privilegiava o violino, não é verdade, Vivaldi? 
IM-PER-DÍ-VEL !!!

IM-PER-DÍ-VEL !!!







Atendendo a pedidos, mesmo não sendo de minha seara: Vaughan Williams, o mais querido sinfonista inglês – embora quase nada saibamos dele aqui por essas bandas. Tanto que não vou copiar nada da Wikipédia ou de onde for; decidi escanear o encarte (que está em inglês) após ter postado as faixas. E espero que algum fã de VW fale-nos mais sobre ele nos comentários.

