Antonio Carlos Gomes
(Campinas, 1836-Belém, 1896)
Missa de Nossa Senhora da Conceição (1854)
Dia desses recebo um discreto email, mais ou menos assim: “Avicenna, tenho umas músicas que acho você gostaria de ouvir.”
Sim, pode enviar, respondí.
Ô meu !! eram as Missas de Carlos Gomes !!!
Então procurei na internet algumas críticas, avaliações dessas obras, para me situar melhor…
Não tem !! Não tem !! Não tem !! Não tem !! Não tem !!
Ainda abobalhado, consultei meus botões.
O Tico falou: ” – Não seja impetuoso em escrever algo!”
O Teco falou: ” – Pede para ele escrever o texto, pede!”
Prezadas senhoras, prezados senhores, estimado público: o PQPBach tem a honra em apresentar, numa avant-prèmiere mundial blogosférica, a espetacular, gloriosa, orgasmoplástica, a IM-PER-DÍ-VEL Missa de Nossa Senhora da Conceição, composta por Antonio Carlos Gomes, com o excelente texto abaixo escrito pelo nosso hoje companheiro Bisnaga, inspirado pelos generosos ventos do oriente!
Antônio Carlos Gomes (1836-1896) teve a mesma infelicidade ou dádiva dos filhos de J. S. Bach: tinha um pai compositor e regente e mais 25 irmãos (quatro a mais que Carl Philipp e Johann Christian). Seu pai, Manoel José Gomes, mestre de capela e maestro da banda de Campinas, era importante copista de partituras, registrando e executando a música que se produzia em São Paulo e Rio de Janeiro naqueles tempos de início do Império. Além de autores italianos e portugueses, os brasileiros André da Silva Gomes, Padre José Maurício Nunes Garcia, Frei Jesuíno do Monte Carmelo e Francisco Manoel da Silva foram alguns dos compositores a cujas obras Carlos Gomes teve acesso ainda na infância.
O menino já se mostrava inclinado para a música desde cedo: tocava desde pequeno na banda e aos 11 anos apresentou suas primeiras composições. Era, aliás, com seu irmão José Pedro de Sant’Anna, uma das atrações da banda do pai, que os colocava para reger de vez em quando.
O fato de ser filho do mestre de capela também influenciou a produção Carlos Gomes. Em 1854, aos 18 anos, compôs sua primeira missa, a de São Sebastião, e aos 23, esta obra que vos é apresentada hoje: a Missa de Nossa Senhora da Conceição. Executada, provavelmente, em 08 de dezembro de 1859, dia da padroeira de Campinas, na Matriz Nova (atual catedral metropolitana, 1807-1884), uma igreja imensa ainda em obras (à época, a maior do país), cujos entalhes do interior nem haviam sido executados. Campinas, assim como a matriz, estava em constantes obras, fervilhava com a riqueza do café e já emparelhava em população com a capital, São Paulo. A cidade já se via como grande, assim como já se poderia supor do futuro do jovem Tonico, filho do Maneco Músico. Da mesma forma, a missa da padroeira deveria ser portentosa, como a fez Carlos Gomes. É bastante provável que a obra tenha sido composta na bipartição tradicional de seu tempo, em Missa (Kyrie e Gloria) e Credo (Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei), mas chegou até nós apenas a primeira parte, que não deixa de ser obra interessante que enriquece nossos ouvidos.
A Missa mostra um Carlos Gomes jovem que ainda não fincou os pés definitivamente no romantismo. Traços do classicismo podem ser percebidos nas peças mais delicadas para coro como o Kyrie, o Qui tollis e o Cum Sanctu Spiritu e não seria de assustar perceberem-se semelhanças com músicas de Nunes Garcia, grande mestre do período. Já os trechos inicial e final do Gloria, marchas com características até militarescas, deixam clara a influência da música de banda em Carlos Gomes, influência essa que será perceptível inclusive posteriormente, em suas óperas, diluindo-se ao longo do tempo. As peças com solos (Laudamus, Domine Deus e Qui Sedes) e o coro de Suscipe já mostram traços operísticos, seja nas belas melodias, quase modinhas e canções tão ao gosto do seu tempo, seja nos trechos de alternância entre orquestra e solista e entre solista e coro, bastante impactantes e dramáticos.
A Missa de Nossa Senhora da Conceição mostra um compositor complexo, em transição, que já se mostrava diferenciado, apontando para o Antônio Carlos Gomes que seria futuramente considerado o maior compositor operístico brasileiro. Seu talento, aqui, já desponta. Vale muito conhecer a obra.
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A Música e o Pará – 1996 (parte)
Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Missa de Nossa Senhora da Conceição 1. Kyrie
Missa de Nossa Senhora da Conceição 2. Gloria
Missa de Nossa Senhora da Conceição 3. Gloria – Laudamus te
Missa de Nossa Senhora da Conceição 4. Gloria – Domine Deus
Missa de Nossa Senhora da Conceição 5. Gloria – Qui tollis peccata mundi
Missa de Nossa Senhora da Conceição 6. Gloria – Suscipe
Missa de Nossa Senhora da Conceição 7. Gloria – Qui sedes ad dexteram Patris
Missa de Nossa Senhora da Conceição 8. Gloria – Cum sancto Spiritu
Missa de Nossa Senhora da Conceição 9. Gloria
Leila Guimarães, soprano
Alpha de Oliveira, soprano
Jean-Paul Franceschi, tenor
Piero Marin, barítono
Orquestra do Festival do Centenário de Carlos Gomes
Andi Pereira, regente
Teatro da Paz, Belém, 1996.
Material espetaculosamente cedido pelo nosso companheiro Bisnaga. Não tem preço !
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 128 kbps VBR – 36Mb – 40,2 min
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Boa audição.
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Avicenna














































